• • 4e3 f Oi Estado da Paraíba Poder Judiciário Tribunal de Justiça Gabinete do Des. Marcos A. Souto Maior ACÓRDÃO APELAÇÃO CÍVEL N° 888.2004.003661-7/001 - GURINHÉM RELATOR : Dr. Romero Carneiro Feitosa - Juiz Convocado APELANTES : Gilvanda Paulo da Silva, Cristiane Soares da Silva, Lenilda • Maria Medeiros e outros ADVOGADOS: José Marconi Gonçalves de Carvalho Júnior e Cláudio Freire Madruga APELADO : Município de Gurinhém, representado por seu Prefeito Constitucional ADVOGADOS: Manoel Porfirio Neves e Ciane Figueiredo Feliciano da Silva APELAÇÃO CÍVEL. MANDADO DE SEGURANÇA. PREFEITO. ILEGITIMIDADE PASSIVA. AFASTAMENTO. REFORMA DA SENTENÇA. PROVIMENTO. Não há que se falar em ilegitimidade do prefeito municipal para figurar no pólo passivo da demanda, quando é ele a "autoridade superior que pratica ou ordena concreta e especificamente a execução ou inexecução do ato impugnado e responde pelas suas conseqüências administrativas". VISTOS, relatados e discutidos os autos acima referenciados. ACORDAM, os Senhores Desembargadores da Primeira Câmara Cível do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba, à unanimidade, dar provimento ao recurso apelatório. Gilvanda Paulo da Silva, Cristiane Soares da Silva, Lenilda Maria Medeiros e outros, já devidamente qualificados nos autos, interpuseram apelação, inconformadas com a decisão do Juiz de Direito da Vara Única da Comarca de Gurinhém, que julgou improcedente a Aç i de Mandado de Segurança, nos termos do art. 295, li, do CPC. Alegam, os apelantes, em síntese, a legitiã ade passiva do Prefeito do Município de Gurinhém, já que se trata da awr ida. que praticou os atos combatidos, e que neste sentido existem julgados de vários tribunais e do STJ. Por fim, pugnam pela reforma da sentença a quo, para afastar a ilegitimidade passiva e que os autos retornem ao juízo de origem para apreciação dos demais aspectos da lide. O apelado apresentou contra-razões às fls. 161/172, requerendo o desprovimento do recurso apelatório de fls. 139/150, confirmando-se a sentença de primeiro grau em todos os seus termos e efeitos. Instada a se manifestar, a Procuradoria de Justiça ofertou parecer, às fls. 179/181, opinando pelo provimento do recurso. É o relatório. VOTO: Dr. ROMERO CARNEIRO FEITOSA Juiz Convocado/Relator 410 A matéria sob foco é de fácil solução e, em razão disso, não comporta maiores discussões. Em suas razões de decidir, concluiu, o magistrado, que não tem, o prefeito municipal, legitimidade para figurar no pólo passivo em casos de mandado de segurança, e, com base nisto, indeferiu a inicial. Segundo lição do Prof. Hely Lopes Meirelles: • "coatora é a autoridade superior que pratica ou ordena concreta e especificamente a execução ou inexecução do ato impugnado e responde pelas suas conseqüências administrativas. (..) A impetração deverá ser sempre dirigida contra a autoridade que tenha poderes e meios para praticar o ato ordenado pelo Judiciário" (Mandado de Segurança, et. al. 24. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, pp. 56-57). E ainda: • 'Por autoridade coatora entende-se a pessoa física investida de poder de decisão dentro da esfera de competência que lhe é atribuída pela norma legal [...]'. (Mandado de Segurança, Ação Popular, Ação Civil Púbica, Mandado de lnjunção, Habeas Data, 15a ed., São Paulo: Malheiros Editores, 1994, p. 22). Assim, é equivocado o entendimento do magistrado ao indeferir a inicial sustentando que o prefeito não tem legitimidade para figurar no pólo passivo da aça mandamental. Inclusive, quanto ao tema, vêm assim decidindo os nossos tribunais: "Autoridade coatora é quem ordena ou omite a prática do ato impugnado" (REsp. 230589/SC, Min. Garcia Vieira, DJU 7.2.2000). Considera-se autoridade coatora "aquela ordena, que determina ou pratica o ato, ou, aind que defende a prevalência deste (ato co- e , assumindo, embora a posteriori, a posição de coator" (MS 4085/DF, Min. Demócrito Reinaldo, DJU 9.12.1997). • MANDADO DE SEGURANÇA - INDEFERIMENTO DA INICIAL - AUTORIDADE COATORA PREFEITO MUNICIPAL - COMPETÊNCIA PARA MANUTENÇÃO OU REFORMA DO ATO TIDO COMO ILEGAL - ILEGITIMIDADE PASSIVA AD CAUSAM AFASTADA - PROVIMENTO DO APELO. "Coator é a autoridade superior que pratica ou ordena concreta e especificamente a execução ou inexecução do ato impugnado e responde pelas suas conseqüências administrativas" (MEIRELLES, Hely Lopes. Mandado de Segurança, et. al. 24. ed. São Paulo: Malheiros, 2002, pp. 56-57). Desta forma, por tudo que foi exposto, dou provimento ao recurso, para reformar a decisão sob vergasta, para que a inicial do mandado de segurança seja recebida, retornando os autos à comarca de origem para prosseguimento do feito. É o meu voto. Presidiu a Sessão o Excelentíssimo Desembargador MANOEL SOARES MONTEIRO, que participou do Julgamento com este Relator, em substituição ao ínclito Desembargador MARCOS A. SOUTO MAIOR, e com o eminente Desembargador JORGE RIBEIRO NÓBREGA. Presente à Sessão, a Excelentíssima Doutora SÔNIA MARIA GUEDES ALCOFORADO, Procuradora de Justiça. Sala das Sessões da Primeira Câmara Cível do Egrégio Tribunal de Justi,a eo Estado da Par- 'ia, em João Pessoa/PB, 01 de setembro de 2005. 110 r. - • MERO CA" NEIRO F IT SA J iz Convoc:do/Rela - . • TfH3UNAL DE J Registrado en! ,9-091, _ a5 /05 •