1 Bulimia, anorexia e obesidade na adolescência: como o indivíduo percebe o próprio corpo? Ilckmans Bergma Tonhá Moreira Mugarte Maria Alexina Ribeiro Marta Helena de Freitas Universidade Católica de Brasília - UCB Resumo Esse estudo é parte de uma pesquisa de mestrado que teve como objetivo relacionar as características da dinâmica familiar de adolescentes com transtornos alimentares e obesidade com as características de personalidade identificadas por meio do teste de Rorschach. Participaram da pesquisa três adolescentes residentes no Distrito Federal e suas famílias. No presente trabalho serão apresentados os dados do teste de Rorschach referentes à autoimagem e à forma como os adolescentes percebem o próprio corpo. Os dados do teste foram analisados segundo os protocolos de Rorschach sob interpretação da escola francesa. Os resultados revelam distorções na percepção da imagem corporal e dificuldades relacionadas ao autoconceito nos três casos estudados. Palavras-chave: Bulimia; anorexia; obesidade; adolescência; corpo. Introdução A adolescência é a fase mais significativa na estruturação da imagem corporal. Para Chipkevitch (1987), não se pode falar de adolescência sem falar do corpo. As intensas transformações físicas desta fase alteram todo o processo de formação da identidade do adolescente. A formação da identidade pessoal neste período inclui, necessariamente, a relação com o próprio corpo. Jeammet e Corcos (2005) demonstram existir uma estreita relação entre a constituição da identidade e o corpo na adolescência. Esta relação gera uma busca por modelos identificatórios no adolescente. Cash (1997) afirma que a imagem corporal refere-se à experiência psicológica de alguém sobre a aparência e o funcionamento do seu corpo. Levisky (1998) propõe a existência de um antagonismo vivido pelo jovem diante das mudanças corporais e psíquicas que provocam transformações no corpo na passagem da imagem infantil em transição ao corpo adulto, onde a imagem percebida contrasta com a imagem real. Além disso, a procura por uma imagem ideal proposta pelo grupo ou pela mídia, uma característica da pós-modernidade, pode representar um stress a mais para os jovens que vivem todas essas mudanças, não só físicas, como 2 psicológicas e sócio-culturais. As questões levantadas no presente estudo foram: como o adolescente com transtornos alimentares e obesidade percebe seu próprio corpo? Essa percepção é influenciada pelo tipo de transtorno? Anorexia nervosa e a distorção da imagem Na AN há uma busca desenfreada pela magreza com distorções da imagem corporal, distúrbio endócrino (Ex: alteração do ciclo menstrual) provocado por dietas rígidas com o objetivo da perda de peso. De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - DSM IV (APA, 2003), a AN caracteriza-se pela recusa em manter o peso dentro da faixa mínima esperada para a idade e altura. Ocorre um medo intenso de engordar que provoca perturbações na forma de vivenciar o peso, tamanho e formas corporais. Como definição geral do DSM IV (APA, 2003) a AN caracteriza-se como uma severa perturbação do comportamento alimentar, onde o sujeito tem um grau de resistência ou recusa em manter o peso mínimo. De acordo com o CID-10 (OMS, 1999), a distorção da imagem é considerada uma sintomatologia específica da AN. O pavor de engordar leva o sujeito a desenvolver ideias intrusivas sobre a imposição de um baixo limiar de peso a si mesmo. Segundo Bruch (1962) há sinais de falhas severas na personalidade associadas ás distorções da imagem corporal. A distorção da imagem tem sido alvo de discussões, pois demonstra uma complexidade associada às dinâmicas afetivas, às atitudes e comportamentos em relação ao corpo. De acordo com o DSM IV (APA, 2003), nesta categoria, a distorção da imagem corporal, é manifestada por uma auto-avaliação excessivamente centrada no peso e na forma, caracterizando um critério diagnóstico da AN. Bulimia nervosa e a distorção da imagem De acordo com o DSM IV (APA, 2003), os critérios diagnósticos para a BN são os episódios de compulsão alimentar, mas estes também são alvo de diversos questionamentos. O consenso na literatura está relacionado à presença da "compulsão 3 alimentar" para o diagnóstico de BN, mas não quanto à sua definição e freqüência. O DSM-IV (APA, 2003), descreve a compulsão com base em dois aspectos: 1) Ingestão em excesso de alimento em um período limitado de tempo (no período de duas horas) em quantidade maior do que a maioria das pessoas em período similar e sob circunstâncias similares. 2) Sentimento de falta de controle sobre o comportamento alimentar durante o episódio ( incapacidade de parar de comer ou de controlar o quanto está comendo). De acordo com o CID-10 (OMS, 1999), os critérios diagnósticos da BN são diferenciados da AN no ponto em que os pacientes precisam comer compulsivamente e eliminar o ingerido. Na BN há uma preocupação persistente em comer e um desejo irresistível pela comida. Normalmente o sujeito tenta neutralizar os efeitos “de engordar” dos alimentos por meio de comportamentos compensatórios, através de vômitos auto-induzidos. Além dos vômitos (método mais freqüente e de maior identificação da compulsão) existem outras maneiras de compensar, através dos métodos não purgativos, caracterizados por jejuns e exercícios excessivos, abuso de laxantes, diuréticos, (ocorrência de 2 vezes por semana e no prazo de 3 meses). Segundo este critério, os indivíduos também devem manter a preocupação excessiva com o peso e forma corporal, mesmo conseguindo manter o peso normal ou acima deste. Essa é a diferença fundamental entre a AN do tipo purgativo e a BN. De acordo com Garfinkel, Goldbloom e Olmsted (1992), na BN há uma dimensão afetiva negativa ligada à imagem corporal sob o conceito de "insatisfação com o corpo". Este aspecto estaria dimensionando uma percepção negativa da autoimagem e autoestima baseadas no julgamento como regulador da consciência do próprio corpo. De acordo com estes autores, a insatisfação com o corpo é incluída como um critério diagnóstico. Para Saikali et al. (2004), a distorção da imagem corporal está diretamente relacionada e associada a distúrbios alimentares como a BN. A distorção é um dos fatores determinantes no desenvolvimento do transtorno. Segundo estes autores o que leva uma pessoa a apresentar episódios bulímicos é a preocupação excessiva com o peso e a imagem corporal. 4 Obesidade e distorção da imagem Pelo DSM IV (APA, 2003), a obesidade simples é incluída como uma condição médica geral, por não estar estabelecida e associada à síndrome psicológica ou comportamental. Existem evidências da participação de fatores psicológicos na etiologia ou curso da obesidade, e estes fatores afetam a condição médica. De acordo com Ferreira e Meyer (2004), a obesidade, está associada ao comer em excesso. O alimento é transformado no substituto daquilo que falta, numa tentativa de preencher o vazio. Match (1999), através do Modelo Psicossomático da obesidade, relata que o indivíduo obeso come excessivamente como mecanismo compensatório em situações de ansiedade, depressão, tristeza e raiva. Nunes (1998) define a obesidade como acúmulo excessivo de tecido adiposo no organismo, medido pelo índice de massa corporal (IMC). Além da definição clássica, a obesidade é classificada como uma doença multifatorial, considerando os fatores etiológicos, idade e circunstâncias desencadeadoras. Para o DSM IV (APA 2003), não há critérios para identificação da obesidade como transtorno psiquiátrico. Desta forma, a obesidade não encaixa nos critérios dos transtornos alimentares, mesmo nos casos em que os obesos apresentam perturbações comportamentais e conflitos psíquicos relacionados. Carr e Friedman (2005) verificaram que os indivíduos obesos são alvo de múltiplas formas de discriminação. Sobre os aspectos sócio-culturais a obesidade envolve estigmas, preconceitos e discriminação pela caracterização da gordura. Estes aspectos contribuem para o isolamento e sentimentos negativos à imagem do obeso. Estes fatores impulsionam ou agravam problemas emocionais, como o aumento da ansiedade que acabam promovendo a necessidade ainda maior de ingestão de comida. Além dos comportamentos de descontrole em relação à comida, a discriminação e o preconceito, existem também a preocupação com a forma e o peso corporal e a necessidade de fazer dieta. Laurent e Vannotti (1993), afirmam que a obesidade é o 5 resultado de diversos obstáculos psicológicos - internos, relacionais, comportamentais e psicossociais. Segundo Faith e Allison (1996) a imagem corporal é definida como a interação entre o componente perceptivo, descrita pela avaliação cognitiva do tamanho do corpo e pelo componente postural. A distorção da imagem corporal (DIC) é definida como “preocupação exacerbada com o excesso de peso”. De acordo com Williamson e O’Neil (1998), na obesidade existem 3 vezes mais a chance de superestimar seu tamanho do corpo do que a população geral, especialmente se forem crianças obesas. Para Faith e Allison (1996), não existe relação direta entre IMC e insatisfação ou distorção da imagem corporal. Apesar de não ser inserida em todos os tratamentos da obesidade, a imagem para os obesos possui significados psicológicos como um veículo de expressão da personalidade. Nas diversas fontes de sofrimento psíquico presentes na obesidade, a visão distorcida da imagem corporal é uma das principais causas de perturbação emocional, expressa pela dificuldade em lidar com o corpo e refletida na vergonha em se olhar no espelho. Método Participaram do estudo três adolescentes residentes no Distrito Federal: Stefany, 19 anos, segundo grau completo, diagnosticada com bulimia nervosa; Gislene, 19 anos, segundo grau completo, diagnosticada com anorexia nervosa; Tiago, 18 anos, diagnosticado com obesidade. O teste de Rorschach (1974) foi aplicado e avaliado pela pesquisadora no Centro de Formação em Psicologia da Universidade Católica de Brasília, filmado e gravado com a permissão dos adolescentes e seus responsáveis, através da assinatura de TCLE, aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UCB. Resultados A - Caso Bulimia Nervosa 6 Stefany apresenta uma comunicação indireta, infantilizada e sem trocas com o meio. Além disso, reforça também a falta de identificação acerca de si e do outro, como é descrito na seguinte resposta à prancha VIII: R2 – “Dois bichos aqui como se fosse uma patinha. Não sei que bicho seria. Eles estão subindo ou andando”. As respostas de Stefany revelaram-se como espelho de si mesma. Apresenta dificuldade de aceitação de si, manifestada pela possibilidade de se ver “diferente dos outros” e com dificuldades de integrar-se a si e aos outros. Apresenta expressões que caracterizam estranhamento, numa conotação de algo “diferente” e “estático”. Essas características evocam elementos que estão em desarmonia e desequilíbrio na relação mente-corpo, revelando percepções distorcidas sobre si e sobre o corpo, como mostra a seguinte resposta à Prancha V: “Borboleta ... a cabeça que é diferente”. “Morcego ... Estão parados no ar”. Revela distorções acerca do autoconceito e da auto-imagem, como nas seguintes respostas à Prancha VI: R1 = “Parece uma cruz. Cruz de cemitério. Não, é só um pauzinho”. R2 = “Estranho! Parece um bichinho. Ele está entalado. O corpo parece estar se dissolvendo. O bichinho está escorrendo...já não sei. Não foi nem o formato. Foi 2 bracinhos / cabecinha / tipo sapinho. Derretendo = parece que está escorrendo o bichinho”. Stefany apresenta elementos indicativos de prejuízos ligados à imagem do corpo e à aceitação de si mesmo. Apresenta “conteúdo disforme”, manifestando distorções na auto-percepção e/ou projeções da imagem corporal. Essas percepções podem ou não corresponder às deficiências do próprio sujeito ou aquilo que ele imagina, demonstrando um esquema corporal prejudicado, manifestado por conteúdo mórbido e disfórmico, como nas respostas à Prancha I: R2 - “Borboleta. É porque quando ela morre ela solta umas partezinhas. As asinhas ficam acabadas. Parece uma borboleta morta. O corpinho (asas quebradiças / vai caindo)”. 7 R3 - “Uma mariposa feia. É, os olhos são desiguais” Apresenta um índice de angústia e ansiedade em relação ao corpo, representado por uma sequência de respostas de conteúdo mórbido, anatomia e sangue. Por se tratar de uma prancha com características maternas, revela um desejo ou tentativa de diferenciar-se, mas é invadida por uma forte carga emocional, revelando um mal estar representado pelo vermelho como expressão de agressividade como nas seguintes respostas à Prancha II: R1 - Ah! Não sei, pulmão estragado. Não sei. Não tem aqueles Pulmões de quem fuma?Estragado = é preto. Tem umas machinhas (parece pulmão de doente). Parece sangue”. R3 – “ Parece um corpo. Sei lá estragado, um corpo estragado. Tudo. A figura toda. Parece um corpo aberto que parece mostrando o que tem dentro”. Stefany emite respostas que sugerem uma representação do corpo de forma fragmentada. O corpo é desintegrado em partes isoladas que são ilustradas por poucas respostas de conteúdos humanos inteiros. Quase todas as suas respostas são de partes de humano - Hd que assume uma conotação mais mórbida, pois revela uma ausência na integridade da imagem do corpo. Além disso, suas respostas expressam cisão ou divisão que coloca em evidência as operações inversas. Estas associações sugerem uma autoimagem enfraquecida, como nas respostas à Prancha III: R4 - “Uma pessoa parece estar dividida ao meio. Parece que está conectando. Parece a sombra dela. A pessoa dividida (figura de cabeça pra baixo) = Parece dividida, como se fosse a junção entre elas. Cortada ao meio”. B – Caso Anorexia Nervosa Gislene apresenta um esquema corporal prejudicado, com dificuldades em relação ao corpo e à aceitação de si mesmo (“conteúdo disforme”) com distorções na auto-percepção e/ou projeções da imagem corporal, podendo ou não corresponder a deficiências do próprio sujeito ou aquilo que ele imagina, demonstrando um esquema corporal prejudicado (“conteúdo mórbido”). Apresenta um número considerável de 8 respostas de Hd que revelam a ausência de integridade da imagem do corpo e a existência de angústia de fragmentação. Além disso, estas respostas estão também associadas a conteúdos de ‘sangue e anatomia’, que revelam um nível maior de angústia para perceber e projetar uma representação global, integrativa e viva de seu corpo. Apresenta construção de uma autoimagem distorcida. As sensações corporais remetidas nas respostas de movimento – K refletem uma projeção de caráter mórbido e disforme e está associado neste protocolo ao movimento de objeto (Kob) que revela um caráter explosivo e pode estar associado a um movimento destrutivo. Este aspecto é preocupante, pois existe também uma ideação suicida que pode ser potencializada justamente por esta característica impulsiva e destrutiva, como nas seguintes respostas: Prancha II: R2 - “Um coração despedaçado e sangrando”. “Aqui. No meio parece que ele foi separado. Parecem manchas de sangue ao redor deles. No meio parece jorrar muito sangue (o tom mais claro)”. Prancha V: R4 - “Um outro cavalo tentando escapar mas muito ferido”. “Ferido (está mais caído)”. De acordo com o critério de identificação através das respostas de movimento – K, sublinha a evidência dos arranjos defensivos na maneira de agir através da impulsividade e da falta de controle. Existem respostas combinadas com E e C que evidenciam um mal-estar e conflitos intrapsíquicos, principalmente associados à aceitação e à dificuldade de perceber-se de maneira adequada e integrada. Não demonstra ações que possam caracterizar um bom relacionamento com as figuras parentais. Esta falta de identificadores positivos se reflete em uma perspectiva de isolamento e distorções a respeito de si mesmo e do outro. Estabelece conexões diretas entre o dentro e fora, como se tudo fosse sentido na superfície, exposto. Revela conteúdos mórbidos associados à anatomia e sangue que revelam uma angústia profunda acerca de si mesma e seu corpo, como na resposta à Prancha V: R4 – “... parece que já não tem mais força. Esta parte mais clara, 9 parece sangue, jorrando, esparramado. consigo ver o sangue”. Embora tenha apresentado um caráter mórbido nas imagens, destaca-se que Gislene deu um número elevado de respostas de movimento (K). Nesta perspectiva existe a possibilidade de trabalhar e reformular as fronteiras corporais de maneira mais positiva até que possa restabelecer a flexibilidade na maneira de se perceber. C – Caso Obesidade Tiago apresenta respostas que sugerem uma ambivalência nos sentimentos que reflete em conflitos acerca da sua imagem e identidade, revelando que não há sintonia entre o autoconceito e a autoimagem. Demonstra uma cobrança em atingir um padrão de beleza elevado (Beija-flor), como meio de ser encaixado às exigências externas. Ao mesmo tempo, expressa que isso o angustia e deseja também ser livre e poder assumir ser o que é sem a rigidez do controle interno ou externo. Estes aspectos sugerem que o sujeito não consegue se reconhecer como um todo unificado e está preso a valores externos (necessidade de se encaixar no padrão), descritos nessa sequência de respostas à Prancha V: R1 – “Este aqui encaixa melhor com “uma borboleta”. É. Eu disse borboleta antes, talvez uma borboleta diferente, um filhote de borboleta. Talvez uma borboleta colorida”. R2 - “Hum !“um beija-flor. Pode dar, pode ser... É. O formato. Ideia de asas e também o corpo”. Tiago está preso a caricaturas e a imagens criadas. Não há representatividade que estabeleça uma clara noção de si e do seu corpo. Apresenta certa necessidade de se desdobrar em atender às necessidades e exigências do outro e de manter as aparências ou aquilo que esperam dele, como, por exemplo, ser uma pessoa receptiva e aberta (“estar de braços abertos”), como na resposta à Prancha VI: R3 – “Pode ser também um abraço aqui embaixo. Neste pedaço aqui. Porque parece um braço. Braço aberto”. Revela uma percepção de si mesmo sob um aspecto negativo (feio). Demonstra 10 estar insatisfeito com a sua estrutura corporal, como na seguinte resposta à Prancha I: R2 – “Dá uma ideia de morcego. Este desenho é bem feio, não dá para entender nada, né!”. Tiago revela um abalo sensível à sua autoimagem, refletido por uma carga emocional que revela um mal-estar sobre uma imagem do corpo que é representada de maneira desintegrada e sem forma (aqui interpretado pelo excesso de gordura). Apresenta-se como uma pessoa muito crítica sobre si mesmo, pois exige um padrão que não corresponde à sua realidade. Essa forte exigência pode ser interpretada como uma dificuldade de aceitar-se, como na resposta à Prancha II: R1 – “Uma pintura bem feia. Aí pode usar todo o conjunto”. “A própria figura. É feia. Alguma obra como um impressionismo. De perto sim. Toda bagunçada. Uma pintura feia”. Considerações finais A mobilização psíquica na adolescência pode ser complexa, pois exige do sujeito um novo modo de relação e resposta sobre o ambiente, sobre o corpo e sobre sua sexualidade, sua identidade e a própria aceitação de si. A relação com o corpo é uma das questões mais importantes nessa fase, pois o adolescente está ‘perdendo’ o corpo infantil que ele conhece bem e ganhando outro, novo, diferente e desconhecido. Observamos nos três adolescentes estudados dificuldades relacionadas com a percepção e aceitação do próprio corpo, autoimagem, baixa autoestima e identificação sexual. O corpo representa aquilo que está mais próximo da identidade do ser humano, é por onde o sujeito estabelece e comprova sua subjetividade. A aparência ou a imagem é a representação do que deseja mostrar ao outro. Nos três casos estudados aparecem sentimentos negativos, angústias e ambivalências sobre si e os modos de se relacionar. O comportamento alimentar, nesses casos, pode ser visto como uma forma de lidar com esses sentimentos. Referências Bibliográficas 11 Associação Americana de Psiquiatria - APA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais (DSM-IV-TR). Porto Alegre: Artmed, 2003. BRUCH, H. Anorexia nervosa: the therapeutic task. In: Brownell KD, Foreyt JP, editors. Handbook of Eating Disorders. New York: Basic Books,1986. CASH, T.F.; DEAGLE E..A. The Nature and Extent of Body Image Disturbances in Anorexia Nervosa and Bulimia: a Meta-analisys. International Journal of Eating Disorders, V.22, p.107-25 1997. CORDÁS, T. A.: Imagem corporal nos Transtornos Alimentares. Revista Brasileira de Psiquiatria Clínica. São Paulo, v. 31 n. 4, p 164-166, 2004. CRISP, A. H.; PALMER, R.L.; KALUCY, R. S. How common is anorexia nervosa? A prevalence study. London, Br J Psyquiatry, v.128, p. 549-554, 1976. FAITH, M.S.; ALISSON, D.B. Assessment of psychological status among obese persons. In: THOMPSON, J.K. 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