Imagem de WILLYS DE CASTRO, Pintura 162 (1956) XV SEMINÁRIO DE PESQUISA PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS XV SEMINÁRIO DE PESQUISA PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS A proposta do tema central visa a promover uma reflexão acerca dos caminhos da poesia na cena contemporânea, em que o intercâmbio cultural acompanha a crescente internacionalização dos saberes. O trânsito de pessoas, ideias, formas de comportamento, sistemas de produção e critérios de avaliação crítica atingiu proporções nunca vistas na História. Que formas de arte estão se desenvolvendo neste contexto de fronteiras fluidas, de linguagens híbridas e de subjetividades mutantes? Que marcas deste contexto podem ser percebidas na criação poética? Imagem de WILLYS DE CASTRO, Pintura 162 (1956) De 16 a 18 de setembro, o XV Seminário do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários / II Seminário Internacional de Estudos Literários privilegia, este ano, a linha de pesquisa Teorias e Crítica da Poesia, propondo o tema “A Poesia na Era da Internacionalização dos Saberes”. O evento contará com 10 conferencistas, todos com longa experiência no trabalho com poesia, seja como poetas, seja como professores e pesquisadores ou como tradutores, que vão abordar o tema central, além de 25 especialistas que participarão de mesas-redondas sobre outras questões, relacionadas às demais linhas de pesquisa do Programa, e que também vão debater os projetos dos pós-graduandos, objetivando-se a excelência das dissertações e teses a serem defendidas pelos nossos alunos. Minicursos, recitais de poemas e lançamentos de livros de poetas e pesquisadores presentes completam a programação. POESIA na era da INTERNACIONALIZAÇÃO dos saberes Faculdade de Ciências e Letras Câmpus de Araraquara Programação Completa e caderno de resumos www.fclar.unesp.br UNESP – UNIVERSIDADE ESTADUAL PAULISTA Faculdade de Ciências e Letras – Araraquara – Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários XV SEMINÁRIO DE PESQUISA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS LITERÁRIOS: A POESIA NA ERA DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOS SABERES CADERNOS DE RESUMOS Maria Lúcia Outeiro Fernandes Juliana Santini Brunno V. G. Vieira (Orgs.) XV Seminário Araraquara p.1-264 2014 Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (15. : 2014 : Araraquara, SP) XV Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários: caderno de resumos / XV Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários; Araraquara, 2014 (Brasil). – Documento eletrônico. - Araraquara : FCL-UNESP, 2014. – Modo de acesso: < http://estudosliterarios.wordpress.com/>. ISBN: 978-85-8359-012-5 1. Literatura. 2. Pesquisa. 3. Pós-graduação. I. Título Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da FCLAr – UNESP. XV SEMINÁRIO DE PESQUISA DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS II SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS LITERÁRIOS: A POESIA NA ERA DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOS SABERES Realização Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários GELIC – Grupo de Estudos em Literatura Contemporânea GT Teoria do Texto Poético Coordenação do PPG - Estudos Literários Juliana Santini (Coordenadora) Brunno V. G. Vieira (Vice-Coordenador) Assessoria - Seção de PPG em Estudos Literários Rita Enedina B. Torres Comissão Organizadora Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Presidente) Juliana Santini Brunno V. G. Vieira Andressa Cristina de Oliveira Fabiane Renata Borsato Maria Clara Bonetti Paro Guacira Marcondes Machado Leite Karin Volobuef Paulo Andrade Silvana Vieira da Silva Marco Aurélio Rodrigues Marcela Ulhôa Borges Magalhães José Lucas Zaffani dos Santos Aline Maria M. de Oliveira Ávila Comitê Científico Alcides Villaça (USP) Arnaldo Cortina (UNESP) Diana Luz Pessoa de Barros (Mackenzie/USP) Elisabeth Brait (PUC/SP) Fábio Durão (UNICAMP) Guacira M. M. Leite (UNESP/Araraquara) José Luiz Fiorin (USP) Karin Volobuef (UNESP/Araraquara) Marcos Siscar (UNICAMP) Maria Celeste Consolin Dezotti (UNESP/ Araraquara) Maria Lúcia Milléo Martins (UFSC) Sérgio Vicente Motta (UNESP/IBILCE) Ude Baldan (UNESP/Araraquara) Comissão de Trabalho Maria Lúcia Outeiro Fernandes Juliana Santini Brunno V. G. Vieira Paulo Andrade Andressa Cristina de Oliveira Fabiane Renata Borsato Guacira Marcondes Machado Leite Silvana Vieira da Silva Marco Aurélio Rodrigues Marcela Ulhôa Borges Magalhães José Lucas Zaffani dos Santos Aline Maria M. de Oliveira Ávila Gabriele C. Borges de Morais Comissão Técnica Maria Lúcia Outeiro Fernandes Paulo César Andrade da Silva Fabiane Renata Borsato Bruna Allatere Dias Jéssica Fabrícia da Silva Andressa Cristina de Oliveira José Lucas Zaffani dos Santos Marcela Ulhôa Borges Magalhães Aline Maria M. de Oliveira Ávila Gabriele C. Borges de Morais Escritório de Pesquisa Selma Chicareli José Luis Freza Diagramação STAEPE - Seção Técnica de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão Programação Visual Patrícia de Abreu Rafael Daniel Souza Impressão Gráfica UNESP Dario G. Pessoa de Azevedo Sumário Apresentação.......................................................................................7 Grade de Programação.........................................................................9 Programação Geral.............................................................................13 Resumos das Conferências.................................................................43 Resumos dos Minicursos....................................................................51 Resumos das Mesas-Redondas..........................................................55 Resumos das Comunicações..............................................................77 Resumos de Projetos de Pesquisa....................................................139 Índices dos Autores..........................................................................181 Prezados participantes, Anualmente, o Programa de Pós-Graduação realiza um Seminário de Pesquisa, para o qual são convidados especialistas externos para debaterem os projetos, em andamento, de mestrandos e doutorandos. Paralelamente, ocorre sempre um evento internacional, durante o qual, pesquisadores, docentes e escritores discutem questões relacionadas a uma das linhas de pesquisa. Privilegiando a linha Teorias e Crítica da Poesia, o evento deste ano terá como tema “A Poesia na Era da Internacionalização dos Saberes”. A proposta do tema visa a promover uma reflexão acerca dos caminhos da poesia na cena contemporânea, em que o intercâmbio cultural acompanha a crescente internacionalização dos saberes. O trânsito de pessoas, ideias, formas de comportamento, sistemas de produção e critérios de avaliação crítica atingiu proporções nunca vistas na História. Que formas de arte estão se desenvolvendo neste contexto de fronteiras fluidas, de linguagens híbridas e de subjetividades mutantes? Que marcas deste contexto podem ser percebidas na criação poética? Pretende-se analisar quais as formas de criação e que tendências são privilegiadas neste contexto, como se dá a formação de grupos e, principalmente, que espécies de diálogo ocorrem entre poetas de diferentes nacionalidades. Pretende-se entender melhor de que modo a intensificação do intercâmbio trazido pela globalização incide na formação de grupos em que transitam poetas de diversos países e quais as consequências deste trânsito na formação de linguagens e poéticas que ultrapassam as fronteiras nacionais. Numa espécie de contraponto, o debate também adotará uma perspectiva diacrônica para tocar na questão sempre renovada do diálogo com os “clássicos”. Além destas questões, o tema também reacende a preocupação relevante com problemas relacionados à tradução. 7 As conferências, programadas para as manhãs e noites, concentram-se neste eixo central dos debates. Já as mesas-redondas, às tardes, abrem o leque das discussões, abrangendo as demais linhas de pesquisa do Programa. Após as mesas-redondas, vêm as mesas de comunicações e as mesas de debate dos trabalhos dos alunos. Completam a programação, os minicursos e os recitais de poesia e lançamentos de livros de poetas e pesquisadores presentes. Embora direcionado prioritariamente ao corpo discente e docente do Programa de Pós-Graduação, o evento é aberto a toda a comunidade acadêmica e demais interessados e tem contado com uma presença, cada ano maior, de alunos da Graduação, que encontram, no Seminário da Pós, uma oportunidade para aprofundarem sua formação como pesquisadores. Sejam todos bem-vindos! Juliana Santini Brunno V. G. Vieira Maria Lúcia Outeiro Fernandes 8 Grade de programação Dias/Horas 16/09 17/09 18/09 8h00 9h00 (1º dia) Minicurso 1 Minicurso 1 Minicurso 1 8h00 9h30 (2º e 3º dia) Poesia na sala de Poesia na sala de aula: aula: propostas de propostas de abordagem abordagem no funda- no fundamental II mental II Hélder Pinheiro (UFCG) Hélder Pinheiro (UFCG) Minicurso 2 Poesia bras. contemporânea e tradição: diálogos Minicurso 2 Poesia na sala de aula: propostas de abordagem no fundamental II Hélder Pinheiro (UFCG) Minicurso 2 Poesia bras.contemporânea Poesia bras.contemporânea e tradição: diálogos e tradição: diálogos Diana J. B.Martha-Tonetto Diana J. B.Martha-Tonetto Diana J. B. MarthaTonetto 9h30 10h00 10h00 12h00 Sessão de abertura Conferência de abertura Coffee Break Coffee Break Conferências Conferências Recepção e circulação de poesia(s) brasileira(s) na América do Norte Poesia de Drummond: a O mundo num grão consciência poética e o de areia – a poesia de mito recusado Wislawa Szymborska e os desafios que apresenta à Alcides Villaça (USP) tradução Charles Perrone, PhD (University of Florida) Regina Przybycien (Univ. Figuração e transfiguração Jaguielônica, Cracóvia) em Cecília Meireles Sérgio Alcides (UFMG) 1886: Laforgue, Whitman, and the invention of vers libre Eric Athenot (Université Paris-Est Créteil) 12h00 14h00 Almoço Almoço Almoço 9 Dias/Horas 16/09 14h00 15h30 Mesa-Redonda 1 Poéticas Contemporâneas Paola Poma (USP) Leila Aguiar (Unifesp) Claudia Nigro (UNESP/Rio Preto) 17/09 18/09 Mesa-Redonda 4 Mesa-Redonda 7 Faces da Poesia Brasileira Novas abordagens em literatura contemporânea Cristiane R. de Souza Emerson Rossetti Calil (B. de Mauá) Solange F. C. Yokosawa (FIRA, Avaré) (UFG) Rejane Rocha (UFSCar) Sérgio Massagli (UFFS) Márcio Roberto do Prado (UEM) Mesa-Redonda 5 Mesa-redonda 8 Mesa-Redonda 2 Representações Realistas Releitura crítica de Lit. e Contexto His- em Narrativas Brasileiras textos poéticos tórico Maria Rosa D. de Olivei- Flavia N. Falleiros Brunilda T. Reira (PUC-SP) chmann (Uniandrade) Márcio Scheel(UNESP/ (UNESP/ Rio Preto) Matheus N. SchwartzGerson Luiz Roani Rio Preto) mann (UNESP/Assis) (UFV) Edison Bariani (FASAR Luiz Carlos André Mangia e Facita) Arnaldo Franco Silva (UEM) Junior (UNESP/Rio Juliana Santini (UNESPPreto) -Araraquara) Mesa-Redonda 6 Mesa-redonda 9 Mesa-Redonda 3 Questões de Poética Narrativa e Represen- O Gótico e o Fantástico em Narrativas ContemClássica tação porâneas Érico Nogueira (UNIDiana J. B. MarthaTonetto (UNESP/Rio Gloria Carneiro do Amaral FESP) (USP/Mackenzie) Preto) Maria Celeste Consolin Dezotti (UNESP/AraraElisa Cristina Lopes Alexander Meireles (UFG – Catalão) quara) (UFV) Lúcia Osana Zolin (UEM) 10 Ana Luiza Silva Camarani Cláudio Aquati (UNESP/ (UNESP/Araraquara) Rio Preto) Dias/Horas 16/09 17/09 18/09 16h00 18h00 Mesa de Debate (MD) de projetos Mesa de Debate (MD) de projetos Mesa de Debate (MD) de projetos 16h00 18h00 17h30 18h30 20h00 22h00 MD1, MD2, MD3 MD9, MD10, MD11 MD17, MD18, MD19 MD4 MD5 MD12 MD13 MD20, MD21 MD6, MD7,MD8 MD14, MD15 MD22, MD23 MD16 MD24, MD25 Mesas de Comunicações (MC) Mesas de Comunicações Mesas de Comunicações (MC) (MC) MC1, MC2 MC5, MC6 MC9, MC10 MC3, MC4 MC7, MC8 MC11, MC12, MC13 Coffee Break com Coffee Break com leitu- Coffee Break com leituleituras de poemas ras de poemas e lança- ras de poemas e lançae lançamento de li- mento de livros. mento de livros. vros. Conferências Conferências Conferência de Encerramento Minhas palavras e Poesia canadense consuas laterais temporânea: poéticas de Estratégias para o ensino de poesia diversidade Salgado Maranhão (Poeta) Maria Lúcia Milléo Martins (UFSC) Hélder Pinheiro (UFCG) A criação poética, a tradução e o diálogo Provincianismo e internaentre poetas de diver- cionalismo em J. Kerouac sas nacionalidades e A. Ginsberg Rodrigo Garcia Lopes (Poeta e Tradutor) Cláudio Willer (Poeta e Tradutor) Pocket show Canções do Estúdio Realidade 11 PROGRAMAÇÃO GERAL 16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 8h00 às 9h00 Anfiteatro C MINICURSO 1 Poesia na Sala de Aula: propostas de abordagem no Fundamental II Prof. Dr. Hélder Pinheiro (UFCG) Anfiteatro D MINICURSO 2 Poesia brasileira contemporânea e tradição: diálogos Profª. Drª. Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto (UNESP/Rio Preto) 16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 9h00 às 12h00 Anfiteatro A – Faculdade de Ciências e Letras SESSÃO DE ABERTURA Coordenação: Profª Drª Juliana Santini CONFERÊNCIA DE ABERTURA Coordenação: Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes Recepção e circulação de poesia(s) brasileira(s) na América do Norte - Professor Charles A. Perrone, Ph D (Department of Spanish & Portuguese Studies University of Florida): 13 16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 14h00 às 15h30min MESAS-REDONDAS Sala 3 MESA-REDONDA 1 – POÉTICAS CONTEMPORÂNEAS Coordenação: Profª Drª Renata Soares Junqueira 1. Profª Drª Paola Poma (USP) – As “artes poéticas” de Sophia de Mello Breyner Andresen 2. Profª Drª Leila Aguiar (Unifesp) - A cena poética originária: Yves Bonnefoy 3. Profª Drª Claudia Nigro (UNESP/Rio Preto) - As asas da forma: a poesia narrativa de Camile Dungy e Conceição Evaristo Sala 4 MESA-REDONDA 2 – LITERATURA E CONTEXTO HISTÓRICO Coordenação: Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi 1. Profª Drª Brunilda Tempel Reichmann (Uniandrade, PR) - Um olhar sobre o romance e o filme Ensaio sobre a cegueira 2. Prof. Dr. Gerson Luiz Roani (UFV) - Literatura e revolução no Portugal contemporâneo 3. Prof. Dr. Arnaldo Franco Junior (UNESP/Rio Preto) - Lili passeata, de Guido Guerra, e o romance pós-utópico da abertura política pós-ditadura militar (1975-1985) 14 Sala 5 MESA-REDONDA 3 – NARRATIVA E REPRESENTAÇÃO Coordenação: Profª Drª Maria das Graças Gomes Villa da Silva 1. Profª Drª Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto (UNESP/Rio Preto) Subjetividade, narrativa e representação: um olhar para a cidade de Bernardo Carvalho 2. Profª Drª Elisa Cristina Lopes (UFV) – Narrativa e representação na perspectiva da estética da recepção: o leitor em foco 3. Profª Drª Lúcia Osana Zolin (UEM) - Entre a literatura e as práticas literárias contemporâneas: as metanarrativas de Luci Collin 16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 16h00 às 17h30min MESAS DE COMUNICAÇÕES Mesa 1 – Sala 39 METALINGUAGEM, FRAGMENTARISMO E REMITIZAÇÃO NA POESIA BRASILEIRA MODERNO-CONTEMPORÂNEA (I) Coordenador: Patrícia Aparecida Antonio (Doutoranda - UNESP/Araraquara) 1. Alexandre de Melo Andrade (UNIESP/Rib. Preto; Pós-doutorando UNESP/Araraquara) O arabesco, a ampulheta e o veleiro 2. Carlos Eduardo Bonfá (Doutorando - UNESP/Araraquara) – A reincorporação mítica em Alexei Bueno 15 3. Fabiane Renata Borsato (Docente - UNESP/Araraquara) – Poesia, crítica e intertexto em Ondas Curtas, de Alcides Villaça 4. Patrícia Aparecida Antonio (Doutoranda - UNESP/Araraquara) “Esgar de máscara”: o corpo na lírica brasileira contemporânea Mesa 2 – Sala 40 SIMBOLISMO E MODERNIDADE Coordenadora: Profª Drª Beatriz Moreira Anselmo (UEM) 1. Camila Pinto de Sousa (Mestranda - UNESP/Araraquara) – O imaginário decadente na constituição do olhar poético em Al Berto 2. Cristovam Bruno Gomes Cavalcante (Mestrando - UNESP/Araraquara) – Repercussões da concepção do trabalho poético de Théophile Gautier na poesia moderna 3. Isaías Eliseu d Silva (Doutorando – UNESP/Araraquara) – A modernidade e os ecos simbolistas em The Waste Land, de T. S. Eliot 4. Beatriz Moreira Anselmo (Docente UEM) – Poesia e drama no teatro simbolista Mesa 3 – Sala 41 HIBRIDISMOS CONTEMPORÂNEOS Coordenador: Doutorando Jacob dos Santos Biziak (UNESP/Araraquara) 1. Marília Alves Corrêa (Mestranda - UNESP/Araraquara/CNPq) – Os aspectos realistas e mitológicos em Le chercher d’or, de J.M.Le Clézio 2. Hebe Tocci Marin (Mestranda - UNESP/Araraquara/CAPES) – A sacralização da ciência em Deuses Americanos, de Neil Gaiman 3. Jacob dos Santos Biziak (Doutorando - UNESP/Araraquara) – A desrealização da ficção e da existência: uma leitura intervalar de Ensaio sobre a cegueira 16 4. Lígia Maria Pereira de Pádua Xavier (Doutoranda - UNESP/Araraquara) - Francis ponge: a poesia por uma revolução da linguagem. Mesa 4 – Sala 42 LITERATURA E SUAS MARGENS Coordenador: Doutorando Alejandro González Urrego (UNESP/Araraquara) 1. Paulo Ricardo Moura da Silva (Doutorando - UNESP/Rio Preto) – Diálogos entre o poema “No parque Ibirapuera”, de Roberto Piva, e as tensões homoeróticas na poesia de Mário de Andrade 2. João Francisco Pereira Nunes Junqueira (Doutorando - UNESP/Araraquara) – Uma biografia literária de Péricles Eugênio da Silva Ramos 3. Ricardo Gomes da Silva - (Doutorando - UNESP/Araraquara) – E.T.A. Hoffmann e Machado de Assis e suas posturas excêntrico-literárias 4. Alejandro González Urrego (Doutorando - UNESP/Araraquara/PAEDEX) – A poesia, meio para denunciar questões sociais ou para contar a História de um país. Evita Perón, a outra forma de saber a história 16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 16h00 às 18h00 MESAS DE DEBATE DOS PROJETOS DE PESQUISA Mesa 1 – A Lírica Portuguesa Contemporânea – Sala 31 Debatedora: Profª Drª Paola Poma (USP) Mediador: Prof. Dr. Ricardo Marques Martins 1. Bruna Fernanda de Simone (M) – A lírica amorosa na obra de Nuno Júdice 2. Nadia Rodrigues dos Santos (M) – Poesia e realidade no livro Películas, de Luis Miguel Nava 17 3. Camila Pinto de Sousa (M) – O olhar decadente em Camilo Pessanha e Alberto Mesa 2 – Estudos de Literatura Comparada I – Sala 32 Debatedora: Profª Drª Leila Aguiar (Unifesp) Mediadora: Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite 1. Aline Tais Cara Pinezi (D) – Jules Laforgue e Carlos Drummond de Andrade: a ironia na construção de Gauche 2. Natalia Pedroni Carminatti (D) – A escrita do eu, da natureza e da sociedade: um estudo comparativo entre Jean-Jacques Rousseau e François-René Auguste de Chateaubriand 3. Raphael Borgato (D) – Leituras do trágico sob a perspectiva do romance realista: um estudo sobre Madame Bovary e Anna Karienina 4. Ana Paula Dias Ianuskiewtz (D) – Iris Murdoch e Simone de Beauvoir: uma leitura feminista de A Fairly Honourable Defeat e La Femme Rompue Mesa 3 – Vozes Femininas na Poesia e na Prosa – Sala 33 Debatedora: Profª Drª Claudia Nigro (UNESP/Rio Preto) Mediadora: Profª Drª Silvana Vieira da Silva 1. Natalia Helena Wiechamnn (D) - Autoria feminina: análise do subtexto na poesia de Emily Dickinson 2. Adrienne Kátia Savazoni Morelato (D) – Entre o passageiro e o eterno: Solidão e Melancolia na Poesia Feminina Latino-Americana 3. Patricia Helena Baialuna de Andrade (D) – Vozes do desterro: periódicos do exílio alemão e a obra de Anna Seghers 4. Tais Matheus da Silva (D) - Metalinguagem, bilinguismo, prosa e poesia: reflexões sobre a obra de Rosalía de Castro. 18 Mesa 4 – Autoria Feminina e Representação da Mulher – Sala 34 Debatedora: Profª Drª Lúcia Osana Zolin (UEM) Mediador: Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi 1. Evelyn Caroline de Mello (D) – Literatura e Ditadura: entre a casa e a rua. Ecos de resistência nas obras de Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon e Heloneida Studart 2. Aline Cristina Sola Orlandi (M) – Na companhia de lobos e lobisomens: o feminismo e o gótico nos contos de Angela Carter 3. Rodrigo Valverde Denubila (M) – À espreita do vulcão e o contemplar do abismo: por uma poética de Agustina Bessa-Luís, em Um cão que sonha 4. Cristal Rodrigues Recchia (D) – A memória, o tempo e o corpo feminino em Anaïs Nin: desafios e descobertas Mesa 5 – Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu – Sala 35 Debatedor: Prof. Dr. Arnaldo Franco Junior (UNESP/Rio Preto) Mediador: Prof. Dr. Adalberto Luiz Vicente 1. Priscila Berti Domingos (M) – Clarice Lispector: a escritura e o ofício de escritor em Cartas Perto do Coração 2. Marilia Gabriela Malavolta (D) – Uma trilha sobre a cauda do tigre: linguagem e silêncio em Clarice Lispector 3. Mariângela Alonso (D) – Da receita à paixão: a mise em abyme em Clarice Lispector 4. André Luiz Alselmi (D) – O escritor à paisana: a voz literária de Caio Fernando Abreu em Cartas 19 Mesa 6 - Identidade e Memória – Sala 36 Debatedor: Prof. Dr. Gerson Luiz Roani (UFV) Mediadora: Profª Drª Claudia Fernanda de Campos Mauro 1. Deborah Garson Cabral (M) – Ecos da memória: A (re)construção da identidade em A misteriosa chama da rainha Loana, de Umberto Eco 2. Marina Lourenço Morgado (D) – Memória e criação em Marcel Pagnol 3. Daniela Aparecida da Costa (D) – Ficção e história: “transfigurações” do passado em narrativas de Teolinda Gersão e Mia Couto 4. Carlos Henrique Fonseca (M) – A ressignificação da tríade tempo, memória e identidade em Os cus de Judas, de António Lobo Antunes Mesa 7 – Literatura e Cinema – Sala 37 Debatedora: Profª Drª Brunilda Tempel Reichmann (Uniandrade, PR) Mediadora: Profª Drª Wilma Patrícia Marzari Dinardo Maas 1. Bruna Cardoso Brasil de Souza (M) – Giambattista Basile, Charles Perrault, Irmãos Grimm e Walt Disney: um estudo crítico das diferentes versões de A Bela Adormecida 2. Douglas de Magalhães Ferreira (M) – Guerra conjugal, o cinema antropofágico de Joaquim Pedro de Andrade 3. Aline Shaaban Soler (M) – A metrópole e a estética cinematográfica no Manhattan Transfer de John Dos Passos 4. Fabiana de Almeida (M) – Estudos das relações intersemióticas no filme Match Point 20 Mesa 8 – Narrativa e representação – Sala 38 Debatedora: Profª Drª Elisa Cristina Lopes (UFV) Mediadora: Profª. Dr.ª Sylvia Helena Telarolli 1. Luis Eduardo Veloso Garcia (D) – Ó, de Nuno Ramos, e a representação do conflito com a linguagem 2. Renato Oliveira Rocha (M) – Narrativa e representação: uma leitura de Cidade de Deus 3. Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila (D) – Imigrantes na literatura brasileira: representação de alemães e libaneses no século XX 4. Gustavo de Mello Sá C. Ribeiro (M) – Construção literária de manifestações da justiça em contos de Sagarana 16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 17h30min às 18h30min COFFE BREAK LEITURA DE POEMAS, LANÇAMENTO DE LIVROS 21 16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 20h00 às 22h00 CONFERÊNCIAS Anfiteatro B A recepção crítica de poetas brasileiros em países estrangeiros e o intercâmbio entre poetas Coordenação: Prof. Dr. Paulo Andrade 1. Minhas palavras e suas laterais - Salgado Maranhão (Poeta) 2. A criação poética, a tradução e o diálogo entre poetas de diversas nacionalidades. Pocket show Canções do Estúdio Realidade - Rodrigo Garcia Lopes (Poeta e Tradutor) – 17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 8h00 às 9h30min Anfiteatro C MINICURSO 1 Poesia na Sala de Aula: propostas de abordagem no Fundamental II Prof. Dr. Hélder Pinheiro (UFCG) Anfiteatro D MINICURSO 2 Poesia brasileira contemporânea e tradição: diálogos Profª. Drª. Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto (UNESP/Rio Preto) 22 17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 10h00 às 12h00 CONFERÊNCIAS Anfiteatro B O diálogo permanente com os “clássicos” Coordenação: Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira 1. Poesia de Drummond: a consciência poética e o mito recusado - Prof. Dr. Alcides Villaça (USP) 2. Figuração e transfiguração em Cecília Meireles - Prof. Dr. Sérgio Alcides (UFMG) 17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 14h00 às 15h30 MESAS-REDONDAS Sala 3 MESA-REDONDA 4 – FACES DA POESIA BRASILEIRA Coordenação: Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires 1. Profª Drª Cristiane Rodrigues de Souza (Barão de Mauá, Ribeirão Preto) - As quadras paulistanas de Fabrício Corsaletti e a poesia de Mário de Andrade 2. Profª Drª Solange Fiúza Cardoso Yokosawa (UFG) - Presença de João Cabral na poesia brasileira contemporânea 3. Prof. Dr. Sérgio Massagli (UFFS) - Diálogos entre a poesia e a crítica na obra de Paulo Leminski 23 Sala 4 MESA-REDONDA 5 - REPRESENTAÇÕES REALISTAS EM NARRATIVAS BRASILEIRAS Coordenação: Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel 1. Profª Drª Maria Rosa Duarte de Oliveira (PUCSP) - Especulações sobre o narrador e a personagem-leitora num conto machadiano 2. Prof. Dr. Márcio Scheel (UNESP/S. J. do Rio Preto)/ Edison Bariani (FASAR e FACITA) - Rodolfo Teófilo e o Naturalismo Fantástico 3. Profª Drª Juliana Santini (UNESP/Araraquara) - Nossos restos: deslocamentos e a representação do real no romance de Marcelino Freire Sala 5 MESA-REDONDA 6 – O GÓTICO E O FANTÁSTICO EM NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS Coordenação: Profª Drª Karin Volobuef 1. Profª Drª Gloria Carneiro do Amaral (USP/Mackenzie) tos góticos, de Karen Blixen Sete con- 2. Prof. Dr. Alexander Meireles (UFG – Catalão) - O fantástico pós-moderno em língua inglesa: a literatura Slipstream 3. Profª Drª Ana Luiza Silva Camarani (UNESP/Araraquara) - Vestígios do gótico do romantismo à contemporaneidade 24 17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 16h00min às 18h00 MESAS DE COMUNICAÇÕES Mesa 5 – Sala 39 ESCRITA E VIDA LITERÁRIA Coordenador: Prof. Dr. Adalberto Luís Vicente (UNESP/Araraquara) 1. Priscila Berti Domingos (Mestranda - UNESP/Araraquara/CAPES) – O processo de criação poética de Clarice Lispector em Cartas Perto do Coração 2. André Luiz Alselmi (Doutorando - UNESP/Araraquara) – O ofício da escrita: uma sondagem do fazer literário por meio de cartas de Caio Fernando Abreu 3. Daniel Rossi (Doutorando - UNESP/Araraquara) – Arte e ultraje: cartas de Lawrence Durrel e Alfred Perlès sobre a obra de Henry Miller 4. Adalberto Luís Vicente (Docente - UNESP/Araraquara) – “A música de tua lembrança”: as cartas de Augusto Frederico Schmidt a Yêdda Schmidt como espaço de criação poética Mesa 6 – Sala 40 PALAVRA POÉTICA E IMAGEM Coordenadora: Doutoranda Marcela Ulhôa Borges Magalhães (UNESP/ Araraquara) 1. Ana Carolina da Silva Mota (Graduanda - UNESP/Araraquara/PIBIC) – Imagem e figuras em poema “Sujo” de Ferreira Gullar 25 2. Ewerton de Oliveira Mera (Mestrando - UNESP/Araraquara) – Figuratividade em “Cíniras e Mirra”: um estudo de Semiótica aplicada (Ovídio, Metamorfoses, X, 298-502) 3. Mariana Peixoto Pizano (Mestranda - UNESP/Araraquara) – O mito de Níobe e seus reflexos nas artes plásticas 4. Marcela Ulhôa Borges Magalhães (Doutoranda - UNESP/Araraquara/ CAPES) – Iconicidade e poética: a expressividade na letra da canção “Atrás da porta” 5. Fabiana de Almeida (Mestranda – UNESP/Araraquara) - Cinema, música e suas relações intersemióticas Mesa 7 – Sala 41 LITERATURA COMPARADA E INTERTEXTUALIDADE Coordenadora: Doutoranda Tais Matheus da Silva (UNESP/Araraquara) 1. Natalia Helena Wiechmann (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – A presença da natureza em Emily Dickson e Elizabeth Bishop: análise dos poemas “I started Early – Took my Dog” e “The Weed” 2. Natália Pedroni Carminatti - (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – O póetico em Les rêveries du promeneur solitaire, de Jean-Jacques Rousseau 3. Luís Eduardo Veloso Garcia – (Doutorando - UNESP/Araraquara) - A “Máquina do Mundo” recriada – e novamente evitada – em Junco (1011), de Nuno Ramos 4. Tais Matheus da Silva (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – Sed de amores tênia, y dejaste: Uma paródia da mulher do poço de Sicar 26 Mesa 8 – Sala 42 POESIA CLÁSSICA Coordenador: Doutorando Marco Aurélio Rodrigues (UNESP/Araraquara/ Universidade de Coimbra) 1. Cíntia Martins Sanches (Doutoranda - UNESP/Araraquara/FAPESP) – Poesia e filosofia em Édipo e Fenícias de Sêneca 2. Joana Junqueira Borges (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – Marcial: um estudo de recepção da tradução 3. Lívia Mendes Pereira - (Mestranda - UNESP/Araraquara/CAPES) – Duas leituras tradutórias de Pound, J. P. Sullivan e Paulo Leminski: reiventando o Satyricon, de Petrônio 4. Marco Aurélio Rodrigues (Doutorando - UNESP/Araraquara; Universidade de Coimbra/ CAPES) – O hibridismo esquiliano: a tragédia lírica 17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 16h00 às 18h00 MESAS DE DEBATE Mesa 09 - De Poesia e Prosa – Sala 31 Debatedora: Profª Drª Cristiane Rodrigues de Souza (Barão de Mauá, Ribeirão Preto) Mediadora: Profª Drª Fabiane Renata Borsato 1. Renato Alessandro dos Santos (D) – A tradição de rebeldia na literatura norte-americana 2. Priscila Cavali (M) – Relação entre poesia e prosa de Charles Baudelaire 27 3. Valmir Luis Saldanha da Silva (M) – O “mal de viver” em Pirandello: das primeiras poesias à prosa madura 4. Lígia M. P. Xavier (D) – A poesia dramática de Villiers de l’Isle-Adam Mesa 10– Poesia Brasileira – Sala 32 Debatedor: Profª Drª Solange Fiúza Cardoso Yokosawa (UFG) Mediador: Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires 1. João Francisco P. N. Junqueira (D) – Uma biografia literária de Péricles Eugênio da Silva Ramos 2. Bruno Darcoleto Malavolta (M) – A poesia como forma de pensamento e esquecimento em Poesias, de Dante Milano 3. O Esquecido Dante Milano: a unidade entre as Poesias e a poética de seu esquecimento 4. Renato Luís de Castro Aguiar Silva (M) – A canção marginal brasileira 5. Carlos Eduardo Marcos Bonfá (D) – A busca da experiência total do humano em Alexei Bueno Mesa 11 – Metaficção e Pós-Modernidade – Sala 33 Debatedor: Prof. Dr. Sérgio Massagli (UFFS) Mediadora: Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi 1. Ana Carolina da Silva Caretti (D) – As faces da metaficção em Teolinda Gersão 2. Alejandro Gonzáles Urrego (D) – A Construção do Corpo de Evita no Romance Santa Evita de Tomsás Eloy Martínez 3. Isaías Eliseu da Silva (D) – A configuração do herói pós-moderno em Saturday, no espaço da metrópole contemporânea 28 4. Amanda Oliveira Manfrim (M) – A revisitação da obra de Eça de Queiroz em Nação Crioula, de José Eduardo Agualusa Mesa 12 – O discurso narrativo em foco – Sala 34 Debatedora: Profª Drª Maria Rosa Duarte de Oliveira (PUCSP) Mediadora: Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel 1. Audrey Castañón de Mattos (D) – O silêncio: gênese dos projetos temático e estético da prosa de Teolinda Gersão 2. Natali Fabiana da Costa e Silva (D) – Os hábitos da memória nos conflitos dos protagonistas de Menalton Braff em Que enchente me carrega? (2000) e Bolero de Ravel (2010) 3. Carlos Rocha (D) – O narrador e os heróis inconstantes (leitura de três romances de Machado de Assis) 4. José Lucas Zaffani dos Santos (M) – Autobiografia e ficção: análise do narrador em Extinção - Uma Derrocada, de Thomas Bernhard 5. Candice Angélica Borborema de Carvalho (D) – O espólio literário de Guimarães Rosa em perspectiva: uma leitura crítica da crítica Mesa 13 – A Representação do Espaço – Sala 35 Debatedor: Prof. Dr. Márcio Scheel (UNESP/S. J. do Rio Preto) Mediadora: Profª Drª Maria Dolores Aybar Ramires 1. Natasha Vicente da Silveira Costa (D) – Espaço e epifania em The ambassadors e The beast in the jungle, de Henry James 2. Fernando Góes (D) – O romancista do Mar: um estudo da representação do mar nos romances de Moacir C. Lopes 29 3. Carolina Piovam (M) – A personagem e o espaço na obra Ana-Não, de Augustín Gómez-Arcos 4. Oíse de Oliveira Mattos Bazzoli (M) – Relação espaço e tempo na caracterização dos personagens na obra de Alice Munro Mesa 14 – Fantástico e Realismo Mágico – Sala 36 Debatedor: Profª Drª Gloria Carneiro do Amaral (USP/Mackenzie) Mediadora: Profª Drª Ana Luiza Silva Camarani 1. Amanda da Silveira Assenza Fratucci (M) – Sonho e delírio em Villiers de l’Isle-Adam e Théophile Gautier 2. Marília Alves Corrêa (M) – Os aspectos realistas e mitológicos em Le chercheur d’or, de J. M. G. Le Clézio 3. Kelli Mesquita Luciano (D) – O realismo mágico, referências históricas e a alegoria: as confluências em Il Barone Rampante, de Italo Calvino, e El Siglo de las Luces, de Alejo Carpentier 4. Larissa Müller de Faria (M) – Aspectos do romance Pedro Páramo Mesa 15 – Fantástico – Sala 37 Debatedor: Prof. Dr. Alexander Meireles (UFG – Catalão) Mediadora: Profª Drª Karin Volobuef 1. Cristovam Bruno Gomes Cavalcante (M) – O perfeito mágico das letras francesas: aproximações entre o conto fantástico e a poesia de Théophile Gautier 2. Jéssica Soares Fradusco (M) – O fantástico tarchettiano e suas possibilidades de diálogo 30 3. Larissa Cristina Thomann (M) – O duplo em Cosmétique de L’ennemi de Amélie Nothomb 4. Alessandro Yuri Alegrette (D) – As metamorfoses da escrita gótico-romântica na narrativa de Wuthering Heigths (O Morro dos Ventos Uivantes) Mesa 16 – Poéticas Dramáticas – Sala 38 Debatedora: Profª Drª Milca Tscherne (AFARP/UNIESP) Mediadora: Profª Drª Renata Soares Junqueira 1. Julia Mara Moscardini Miguel (D) – Do resgate épico da memória ao arrefecer dos gêneros: o percurso evolutivo da escrita loheriana. 2. Márcia Regina Rodrigues (D) – Absurdo e censura na cena portuguesa: estudo do teatro de Prista Monteiro. 3. Aline Tosta Floriano (D) – Poéticas da modernidade: o cinema didático de Manoel de Oliveira 17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 17h30min às 18h30min COFFE BREAK LEITURA DE POEMAS, LANÇAMENTO DE LIVROS 31 17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 20h00 às 22h00 CONFERÊNCIAS Anfiteatro B Os circuitos da poesia e dos poetas na contemporaneidade Coordenação: Profª Drª Andressa Cristina de Oliveira 1. Poesia canadense contemporânea: poéticas de diversidade - Profª. Drª Maria Lúcia Milléo Martins (UFSC) 2. Provincianismo e internacionalismo em Jack Kerouac e A. Ginsberg Cláudio Willer (Poeta e Tradutor) 18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 8h00 às 9h30 Anfiteatro C MINICURSO 1 Poesia na Sala de Aula: propostas de abordagem no Fundamental II Prof. Dr. Hélder Pinheiro (UFCG) Anfiteatro D MINICURSO 2 Poesia brasileira contemporânea e tradição: diálogos Profª. Drª. Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto (UNESP/Rio Preto) 18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 10h00 às 12h00 CONFERÊNCIAS 32 Anfiteatro A Circuitos da Poesia no Mundo: questões de tradução Coordenação: Profa. Dra. Maria Clara Bonetti Paro 1. O mundo num grão de areia – a poesia de Wisława Szymborska e os desafios que apresenta à tradução - Regina Przybycien (Universidade Jaguielônica, Cracóvia) 2. 1886: Laforgue, Whitman, and the invention of vers libre - Eric Athenot (Université Paris-Est Créteil) 18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 14h00 às 15h30min MESAS-REDONDAS Sala 3 MESA-REDONDA 7 - NOVAS LITERATURA CONTEMPORÂNEA ABORDAGENS EM Coordenação: Profª Drª Sylvia Helena Telarolli 1. Prof. Dr. Emerson Calil Rossetti (FIRA, Avaré, SP)- Resistência e utopia: Amálgama e a sátira no exercício poético de Rubem Fonseca 2. Profª. Drª. Rejane Rocha (UFSCar) - Os famosos e os duendes da morte e a literatura no contexto digital 3. Prof. Dr. Márcio Roberto do Prado (UEM) - Questões da lírica brasileira contemporânea: o caso da poesia viral Sala 4 MESA-REDONDA 8 - RELEITURA CRÍTICA DE TEXTOS POÉTICOS Coordenação: Profª Drª Fabiane Renata Borsato 33 1. Profª Drª Flavia Nascimento Falleiros (UNESP/S. J. do Rio Preto) - Considerações sobre a categoria estética do feio 2. Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (UNESP/Assis) - Templo, pilar e labirinto: figuras da espacialidade em Mário de Sá-Carneiro 3. Prof. Dr. Luiz Carlos André Mangia Silva (UEM) - E o poeta finge completamente: os versos homoeróticos de Estratão de Sardes (II d.C.) Sala 5 MESA-REDONDA 9 – RESSONÂNCIAS DA POÉTICA CLÁSSICA Coordenação: Profª Drª Giovana Longo 1. Prof. Dr. Érico Nogueira (UNIFESP) - A estrofe alcaica de Horácio em verso brasileiro 2. Profª Drª Maria Celeste Consolin Dezotti (UNESP/Araraquara) - Ressonâncias da poética de Calímaco em José de Alencar 3. Prof. Dr. Cláudio Aquati (IBILCE-UNESP) - Problemas da poética de Petrônio 18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 16h00 às 18h00min MESAS DE COMUNICAÇÕES Mesa 9 – Sala 38 METALINGUAGEM, FRAGMENTARISMO E REMITIZAÇÃO NA POESIA BRASILEIRA MODERNO-CONTEMPORÂNEA (II) 34 Coordenador: Prof. Dr. Luiz Carlos Menezes dos Reis (Pós-Doutorando UNESP/Araraquara) 1. Renato Luís de Aguiar Silva (Mestrando - UNESP/Araraquara) – Canto e poética: correlações entre poesia e canção popular no contexto do pós-tropicalismo 2. Antônio Donizeti Pires – (Docente - UNESP/Araraquara) - Fragmentos da poesia-prisma de Manuel Bandeira 3. Luiz Carlos Menezes dos Reis (Pós-Doutorando - UNESP/Araraquara) – Metalinguagem na poesia de Roberto Piva. Um absoluto corpóreo Mesa 10 – Sala 39 LINGUAGEM E CONTEMPORÂNEA HIBRIDISMO NA PRODUÇÃO Coordenadora: Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (UNESP/Araraquara) 1. Renato Oliveira Rocha (Mestrando - UNESP/Araraquara) – A poesia da cidade em Desde que o samba é samba 2. Daniella Sigoli Pereira (Mestranda - UNESP/S. J. do Rio Preto - CAPES) – Poesia da consciência infeliz em Memória de Elefante, de António Lobo Antunes 3. Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – Hibridismo na literatura e na cultura contemporânea 4. Maria Célia de Moraes Leonel (Docente UNESP/Araraquara) / Edna M. F. S. Nascimento (Docente UNESP/Araraquara) – Hibridismo em um romance brasileiro contemporâneo 35 Mesa 11 – Sala 40 O PROCESSO DA CONTEMPORÂNEAS ESCRITA EM NARRATIVAS Coordenador: Matheus Marques Nunes (Pós-Doutorando - UNESP/Araraquara) 1. Letícia Coleone Pires (Graduanda - UNESP/Araraquara/PIBIC) – Construções sensoriais em contos de Laços de família de Clarice Lispector 2. Larissa Müller de Faria (Mestranda - UNESP/Araraquara - CNPq) – A construção da narrativa poética no conto “Luvina”, de Juan Rulfo 3. Matheus Marques Nunes (Pós-doutorando - UNESP/Araraquara) – Uma leitura sobre o espaço e o poder através da obra O Equivocrata, de Raul Fiker Mesa 12 – Sala 41 TEMAS E FORMAS DA POESIA Coordenador: Doutorando Renato Alessandro dos Santos (UNESP/Araraquara) 1. Jéssica Fabrícia da Silva (Graduanda - UNESP/Araraquara) – A ironia nos poemas “A origem do mênstruo” e “Elixir do pajé) 2. Bruna Fernanda de Simone (Mestranda - UNESP/Araraquara/CAPES) – Memória e metalinguagem como configuração da poesia amorosa de Nuno Júdice 3. Rodrigo Valerde Denubila (Mestrando – UNESP/Araraquara/CAPES) – Entre presente e atemporalidade: uma proposta de leitura para “Anoitecer”, de Carlos Drummond de Andrade 36 4. Adriano Tarra Betassa Tovani Cardeal (Graduando - UNESP/Araraquara/PIBIC) - Sobre o florebat olim studium suscitado pelo poema “Nós os vencidos do catolicismo”, de Ruy Belo 5. Renato Alessandro dos Santos (Doutorando - UNESP/Araraquara) – Rebeldia e maldição na poesia moderna francesa Mesa 13 – Sala 42 IDENTIDADE, AUTO-FICÇÃO E MEMÓRIA Coordenadora: Doutoranda Daniela Aparecida Costa (UNESP/Araraquara) 1. Gustavo de Mello Sá Carvalho Ribeiro (Mestrando - UNESP/Araraquara) – Criação e queda de Jesusalém: o impossível esquecimento na ficção de Mia Couto 2. Carlos Henrique Fonseca (Mestrando - UNESP/Araraquara) – António Lobo Antunes e o tempo da impossibilidade: em vigília pel’ O cus de Judas em companhia de Bauman e outros pós-modernos 3. Audrey Castañón de Mattos (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – Teolinda Gersão e a estética do silêncio 4. Daniela Aparecida Costa (Doutoranda - UNESP/Araraquara/CAPES) – As águas livres: obra heteroxa e autoficcional 18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 16h00 às 18h00 MESAS DE DEBATE DE PROJETOS Mesa 17 – Estudos de Literatura Comparada II – Sala 29 Debatedor: Profª Drª Maria Lúcia Milléo Martins (UFSC) Mediadora: Profª Drª Maria das Graças Gomes Villa da Silva 37 1. Ricardo Gomes da Silva (D) – E.T.A. Hoffmann e Machado de Assis: expoentes de uma mesma tradição 2. Carina Zanelato Silva (M) – Sobre graça, dignidade e beleza em Friedrich Schiller e Heinrich von Kleist 3. Patricia Aparecida Antonio (D) – Da indistinção dos atos: poesia e crítica em Murilo Mendes e Francis Ponge 4. Kedrini Domingos dos Santos (D) – Ideal de beleza em Villiers e Maupassant: um instante do eterno ou o eterno do instante? 5. Ana Carolina Negrão Berlini de Andrade (D) – Do árido, a estética: a representação temática e formal da aridez em Galileia e Cinema, aspirina e urubus Mesa 18 - Estudos de Teatro – Sala 30 Debatedor: Prof. Dr. Emerson Calil Rossetti (FIRA, Avaré, SP) Mediadora: Profª Drª Edvanda Bonavina da Rosa 1. Danielle de Aurélio Martinez (M) – Visões do inferno ou a cena deformada: uma leitura do expressionismo no Teatro de Raul Brandão 2. Daniela Manami Mippo (M) – Afinidades entre o trágico de Édipo Rei e o tragicômico d’ A visita da velha senhora 3. Rafael José Masotti (M) – A representação da sexualidade em Newton Moreno: descobrindo Deus sabia de tudo e não fez nada, Body art e Agreste Mesa 19 – Variações sobre o gênero Romance – Sala 31 Debatedor: Profª. Drª. Rejane Rocha (UFSCar) Moderador: Profª. Drª Claudia Fernanda de Campos Mauro 38 1. .Evaneide Araújo da Silva (D) – Literatura e inquietação: a discussão da forma romanesca em Jacques le fataliste et son maître 2. Jonatan de Souza Santos (M) – A sátira limabarretiana de Numa e a Ninfa 3. Rafaela Vareda Goffredo (M) – O corpo em O mulato, Casa de pensão e O Cortiço, de Aluísio Azevedo 4. Roseli Deienno Braff (D) – A polifonia no romance de Carlos Herculano Lopes 5. Isabella Midena Capelli (M) – As incursões teóricas e ficionais de Italo Calvino em Se um viajante numa noite de inverno Mesa 20 - Mito, Magia e Fantástico – Sala 32 Debatedor: Prof. Dr. Márcio Roberto do Prado (UEM) Moderadora: Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira 1. Stéfano Stainle (M) – Gandalf: a linha na agulha de Tolkien 2. Matheus Victor Silva (M) – Imagética grotesca e medievalismo em Gaspard de la Nuit, de Aloysius Bertrand 3. Raquel de Vasconcellos Cantarelli (D) – Elementos mitológicos e folclóricos integrantes da estrutura morfológica de narrativas populares celtas 4. Hebe Tocci Marin (M) – A sacralização da ciência em Deuses Americanos, de Neil Gaiman 5. Gabrielle Cristina Borges de Morais (M) – Desbravando a Londres de baixo: o fantástico no romance “Neverwhere”, de Neil Gaiman 39 Mesa 21 – Questões existenciais na literatura: medo, vida e morte – Sala 33 Debatedora: Profª Drª Flavia Nascimento Falleiros (UNESP/S. J. do Rio Preto) Mediadora: Profª Drª Tania Mara Antonietti Lopes 1. Jacob dos Santos Biziak (D) – Entre o claro e o escuro: uma poética da angústia em Saramago 2. Gabriel Galdino Fortuna (M) – O Heitor de Homero e as diversas faces do medo. 3. Daniel Rossi (D) – Uma reapresentação de Henry Miller: literatura e recepção crítica da obra do escritor americano 4. Juliana Santini Pimenta Attie (D) – Vida e morte em diálogo com a voz narrativa, o tempo e o espaço em Mrs. Dalloway, To the Lighthouse e Between the Acts de Virginia Woolf 5. Waleska R. de Matos Oliveira Martins (D) – A figuração da morte e da memória na poética de Manoel de Barros Mesa 22 – Relações Intersemióticas - Sala 34 Debatedor: Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (UNESP/Assis) Moderador: Prof. Dr. Alcides Cardoso dos Santos 1. Marcela Ulhôa Borges Magalhães (D) – Dos estados juntivos aos estados de alma: o acontecimento na lírica-amorosa de Chico Buarque. 2. Ewerton de Oliveira Mera (M) – Figuratividade em “Cíniras e Mirra”: um estudo de Semiótica aplicada (Ovídio, Metamorfoses, X, 298-502) 3. Carolina Talge Arantes (M) - O duelo dos pastores: um estudo sobre a figuratividade nas Bucólicas de Virgílio 40 Mesa 23 – Literatura Clássica – Sala 35 Debatedor: Prof. Dr. Luiz Carlos André Mangia Silva (UEM) Moderador: Prof. Dr. Fernando Brandão dos Santos. 1. Priscila Maria Mendonça Machado (D)- Viagem à roda dos contos de Machado de Assis em domínio latino 2. Jassyara Conrado Lira da Fonseca (D) - Figuras carnavalizadas em O Banquete de Trimalquião e Trimalchio 3. Marco Aurélio Rodrigues (D) – Uma noção plural: a ἄτη na Tragédia Grega 4. Emerson Cerdas (D) – Em face do épico: a heroicização nas narrativas de Xenofonte Mesa 24 – Estudos Clássicos: questões de tradução – Sala 36 Debatedor: Prof. Dr. Cláudio Aquati Moderador: Prof. Dr. João Batista Toledo Prado 1. Cíntia Martins Sanches (D) – Definição do idioma estilístico senequiano nas tragédias Édipo e Fenícias: uma proposta de tradução expressiva. 2. Débora Cristina de Moraes (M)- Uma versão do Canto III de Punica e a Teoria Moderna da tradução 3. Joana Junqueira Borges (D)- Marquesa de Alorna, tradutora de Horácio: estudo e comentário a uma Arte Poética árcade 4. Leandro Dorval Cardoso (D) - A Tebaida, de Públio Papínio Estácio (Cantos I-VI): estudo, tradução e comentários 5. Lívia Mendes Pereira (M) - Paulo Leminski, tradutor de latim: renovando o Satyricon, de Petrônio 41 Mesa 25 – Estudos Clássicos: questões poéticas – Sala 37 Debatedor: Prof. Dr. Érico Nogueira (UNIFESP) Moderador: Prof. Dr. Márcio Thamos 1. Francisco Diniz Teixeira (D) - Nas sendas da ode: Horácio e Filinto Elísio 2. Mariana Peixoto Pizano (M) - A expressividade poética do mito de Níobe (Ovídio. Metamorfoses VI. 146-312) 3. Jaqueline Vansan (M) - Poética e retórica nos textos antigos: uma análise das epístolas I e VII da Heroides de Ovídio 4. Paulo Eduardo de Barros Veiga (D) - A Cosmogonia nas Metamorfoses de Ovídio: um estudo sobre a expressividade poética, seguido de Tradução e Notas 18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 17h30min às 18h30min COFFE BREAK LEITURA DE POEMAS, LANÇAMENTO DE LIVROS 18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 20h00 às 22h00 CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO Anfiteatro B Coordenação: Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite Estratégias para o ensino de poesia - Prof. Dr. Hélder Pinheiro (UFCG) 42 Resumos das Conferências POESIA DE DRUMMOND: A CONSCIÊNCIA POÉTICA E O MITO RECUSADO Alcides Villaça USP Apoiando-se na tradição clássica do mito do conhecimento absoluto, presente sob a forma de uma ‘máquina do mundo” no canto X de Os Lusíadas, Drummond reencena-o figurando-se como caminhante derrotado numa estrada de Minas, na boca da noite. O vigor do poema está no sentido de recusa de tudo o que a Máquina lhe oferece: negação altiva do sujeito consciente e fechado para os poderes absolutos de uma “graça” que lhe é inteitramente alheia. O poema, a princípio uma alegoria com ares de metafísica, pode ser lido, contudo,à luz histórica da modernidade, quando o conhecimento absoluto tende a se colar às expectativas de um progresso linear e totalizante. RECEPÇÃO E CIRCULAÇÃO DE POESIA(S) BRASILEIRA(S) NA AMÉRICA DO NORTE Charles Andrew Perrone University of Florida A presença da lírica brasileira nos Estados Unidos--tanto no domínio da crítica quanto no da tradução--tem contado com a dedicação de professores universitários e com o interesse de figuras do mundo literário. O Modernismo tem sido a área de maior atividade, mas há casos especiais, como o da poesia concreta, devido ao seu teor teórico e multinacional. A histórica 44 antologia organizada por Elizabeth Bishop (1972) marca o início de uma gradual ascensão no imaginário poético norteamericano de fenômenos brasileiros constatado tanto no novo Princeton Encyclopedia of Poetry and Poetics quanto no reino da Internet. PROVINCIANISMO E INTERNACIONALISMO EM ALLEN GINSBERG E JACK KEROUAC Cláudio WILLER Poeta e Tradutor Em meu Geração Beat (L&PM, 2009), tentei interpretar o modo como Allen Ginsberg e Jack Kerouac acabaram por defender ideologias antagônicas. Um deles representou um movimento de expansão, progressivo, em direção ao mundo; o outro, o movimento oposto, de contração, regressivo, para a família, a cidade natal, a infância. Ginsberg vislumbrava uma sociedade aberta, plural, em um mundo fechado, sem fronteiras desconhecidas. Kerouac desejava um mundo aberto, com espaços desconhecidos e fronteiras a ultrapassar, aquele dos autores-aventureiros que o inspiraram, e uma sociedade fechada, a exemplo da comunidade católica de franco-canadenses e gregos na qual crescera. Tomando a distinção em sociologia, entre comunidade e sociedade, Ginsberg queria a transformação da sociedade; Kerouac desejava restaurar a comunidade. Daí apreciar com especial carinho as pequenas cidades. Os dois movimentos, o regressivo e o progressivo, são literariamente produtivos: ambos, modos da negação, da recusa do que está aí; e a vida de inúmeros escritores é um oscilar ambivalente entre esses pólos. É o tema que desenvolverei, com destaque para a substanciosa contribuição literária de ambos. 45 “1886”: LAFORGUE, WHITMAN, AND THE INVENTION OF VERS LIBRE Eric Athenot Université Paris-Est Créteil This lecture will discuss the visibility of American poetry in France in the second half of the 19th century and its impact on French verse. Of special interest will be Laforgue’s 1886 publication of a handful of Whitman poems in a translation of his own, his method as a translator, and the influence Whitman’s line may have had on vers libre, which literaty historians consider to have emerged that very same year. ESTRATÉGIAS PARA O ENSINO DE POESIA Hélder Pinheiro UFCG A partir da realização de experimentos, apresentaremos algumas perspectivas de trabalho com o poema em sala de aula. Defendemos uma abordagem que tenha o leitor - de qualquer nível de ensino - como eixo do trabalho. Desta forma acreditamos que mesmo o leitor sem uma formação teórica pode ter uma recepção significativa de textos que, de algum modo, dialogam suas experiências. Será apresentada a recepção de poemas de Alice Ruiz, Adélia Prado, Lenilde Freitas e Gilka Machado. 46 POESIA CANADENSE CONTEMPORÂNEA: POÉTICAS DE DIVERSIDADE Maria Lúcia Milléo Martins UFSC A diversidade cultural está nas raízes do Canadá, desde as Primeiras Nações. Com a ocupação colonial, cria-se o mito da origem europeia e do caráter bicultural do país. Em contraponto ao legado colonialista, há o crescente fenômeno da polifonia de diferentes culturas nativas e imigrantes e poéticas de diversidade. Esse estudo discute o uso dessas poéticas em escritos de poetas canadenses contemporâneos com diferentes backgrounds culturais. O MUNDO NUM GRÃO DE AREIA - A POESIA DE WISŁAWA SZYMBORSKA E OS DESAFIOS QUE APRESENTA À TRADUÇÃO Regina Przybycien Universidade Jaguielônica (Polônia) A poesia de Wisława Szymborska à primeira vista parece simples, pois em sua maioria é constituída de poemas curtos, em verso livre e em linguagem coloquial, criando uma (falsa) impressão de facilidade e leveza. Além do trabalho com as diferenças linguísticas inerentes a qualquer tradução, o tradutor de Szymborska se depara com uma dificuldade adicional: ela lança mão de um vasto repertório da cultura popular polonesa e recria-o para uso próprio colocando o tradutor diante de escolhas difíceis como estrangeirizar a tradução, aproximando-a do original, ou domesticá-la, utilizando-se 47 do repertório cultural do leitor da tradução. Apresentarei algumas particularidades da poesia de Szymborska apontando algumas soluções minhas e de outros tradutores para dificuldades específicas de alguns versos. A CRIAÇÃO POÉTICA, A TRADUÇÃO E O DIÁLOGO ENTRE POETAS DE DIVERSAS NACIONALIDADES. Rodrigo Garcia Lopes Poeta e Tradutor Nesta conferência pretendo abordar minha experiência como tradutor de autores como Rimbaud, Walt Whitman, de poetas norte-americanos contemporâneos e de seu impacto em minha poesia. Tradução enquanto exercício de alteridade. Falarei um pouco da experiência como editor da revista Coyote e das entrevistas com criadores norte-americanos realizadas no livro Vozes & Visões. No final, mostro num pocket show algumas canções do disco Canções do Estúdio realidade, lançado em 2013. MINHAS PALAVRAS E SUAS LATERAIS Salgado Maranhão Poeta e Letrista Egressa do seio da poesia popular nordestina, minha poética é o espelho de múltiplas influências, a começar pela explícita musicalidade do Cordel e suas variáveis. Soma-se a isso a tradição dos ritmos e ritos de origem africana, que vierem se juntar às minhas leituras compulsivas dos clássicos e modernos, na adolescência: Camões, Gonçalves Dias, Maiakóvski, Bandeira, 48 Drummond, Cabral, Torquato e Concretos. De modo que, as referências de qualquer poeta que se queira pleno em seu ofício, passa impreterivelmente, pelo legado da grande poesia ocidental, cujas raízes greco-latinas, se hospedam em Homero e Dante. FIGURAÇÃO E TRANSFIGURAÇÃO EM CECÍLIA MEIRELES Sérgio Alcides UFMG Como conciliar a “persona” introspectiva que domina a poesia de Cecília Meireles com a constante exposição da autora, através da imprensa cotidiana, como cronista? Da mesma forma, a adoção de uma perspectiva “ultramundana” para a escrita contrasta com as ultraintensas ligações mundanas da escritora, que estava entre os intelectuais brasileiros mais cosmopolitas do seu tempo. Uma possível abordagem do problema terá que considerar a técnica da transfiguração que a autora manejava tanto na poesia quanto na crônica. 49 Resumos dos Minicursos POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA E TRADIÇÃO: DIÁLOGOS Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto UNESP/Rio Preto O objetivo deste minicurso é expor, em linhas gerais, algumas reflexões sobre poesia brasileira contemporânea, em especial, relacionadas às relações entre o discurso poético contemporâneo e a tradição. A partir da leitura e análise de poemas de Marcos Siscar e Angélica Freitas, pretende-se abordar um duplo movimento de recriação do cânone; o primeiro fundado em uma perspectiva melancólica e o segundo calcado no humor, paródia e chiste. Dessa perspectiva, pretende-se oferecer algumas contribuições para a compreensão do modo como o par novidade/tradição vem se manifestando na poética desses dois poetas. Este minicurso insere-se no escopo de uma pesquisa mais ampla que investiga as relações senão conflituosas, no mínimo inquietantes de alguns poetas brasileiros contemporâneos com o passado da literatura e da cultura, brasileira e/ou universal. POESIA NA SALA DE AULA: PROPOSTAS DE ABORDAGEM NO FUNDAMENTAL II Hélder Pinheiro (UFCG) A partir da realização de experimentos, apresentaremos algumas perspectivas de trabalho com o poema em sala de aula. Defendemos uma abordagem que tenha o leitor - de qualquer nível de ensino - como eixo do trabalho. Desta forma acreditamos que mesmo o leitor sem uma formação teórica pode 52 ter uma recepção significativa de textos que, de algum modo, dialogam com suas experiências. Será apresentada a recepção de poemas de Alice Ruiz, Adélia Prado, Lenilde Freitas e Gilka Machado. Será discutido, inicialmente, o trabalho com o poema na sala de aula, enfatizando-se a importância da leitura oral; nesta perspectiva serão lidos poemas em voz alta e levantadas possibilidades de trabalhá-los em sala de aula, abordando-se questões como critérios de escolha, observação do horizonte de expectativa do leitor, entre outras. No segundo dia, será observado o modo como o poema é trabalhado no livro didático do ensino fundamental, dando-se destaque para o caráter pragmático das abordagens, o problema da quantidade e qualidade estética dos textos. Será discutida a possibilidade de trabalho do poema articulado a outras artes – sobretudo com a dança e o teatro (jogo dramático). No terceiro dia serão focalizadas algumas vivências com o poema na sala de aula, focalizando-se experimentos que buscam uma metodologia mais participativa, com base na obra de alguns poetas como Manuel Bandeira, autores de cordel e Alice Ruiz, além dos nomes sugeridos pelo próprio grupo. 53 Resumos das Mesas-Redondas O FANTÁSTICO PÓS-MODERNO EM LÍNGUA INGLESA: A LITERATURA SLIPSTREAM Alexander Meireles da Silva UFG [email protected] A crítica literária ligada aos estudos da literatura fantástica, em consonância com as ideias todorovianas sobre o tema, comumente aponta o período compreendido entre a metade do século dezoito ao início do século vinte como o momento de gênese, desenvolvimento e morte deste gênero romanesco. No entanto, assim como algumas das criaturas que habitam suas narrativas, o fantástico vem se metamorfoseando para encontrar novas formas de expressão das angustias e incertezas da contemporaneidade, assumindo neste percurso nomes como, dentre outros, “Neofantástico”, “fantástico metaempírico” e, tema deste trabalho, “slipstream”. Neste quadro, e a partir das colocações do escritor de ficção científica e crítico literário norte-americano Bruce Sterling, criador no fim dos anos oitenta do século passado do termo “slipstream”, pretende-se debater de que forma a crítica anglo-americana enxerga o fantástico na pós-modernidade, sem deixar de revelar neste percurso sua dificuldade em compreender a vertente do modo fantástico conhecida como Realismo Mágico. 56 VESTÍGIOS DO GÓTICO DO ROMANTISMO À CONTEMPORANEIDADE Ana Luiza Silva Camarani UNESP – Araraquara [email protected] Na Europa do início do século XIX, com o advento do Romantismo, a narrativa fantástica define-se como uma modalidade literária distinta, utilizando-se de elementos próprios da literatura gótica, mas diferenciando-se desta por sua estrutura formal e temática. Centrada na ambiguidade, a literatura fantástica caracteriza-se pela contraposição entre duas ordens, a do natural e a do sobrenatural, o que evidencia a incerteza gerada por sua estrutura. No romantismo francês, Charles Nodier é o grande iniciador da modalidade literária do fantástico, mesclando certos princípios oriundos do gótico a uma estrutura poética que instiga e impõe a ambiguidade. Essa literatura fantástica tradicional, que perdura até a contemporaneidade, bifurca-se no século XX, dando origem a uma nova modalidade literária atualmente conhecida como realismo mágico. Essa nova modalidade, cada vez mais diversificada, é caracterizada pela compatibilidade entre natural e sobrenatural, entre real e irreal, sem criar tensão ou questionamento, eliminando a ambiguidade do texto. Inscrevem-se nessa categoria certas narrativas da escritora inglesa Ângela Carter, que retoma elementos da literatura gótica para compor alguns de seus textos, instaurando-os em um novo contexto. Pela análise de um conto de cada autor, pretende-se evidenciar a recorrência e a permanência de elementos góticos na literatura. 57 “LILI PASSEATA”, DE GUIDO GUERRA, E O ROMANCE PÓS-UTÓPICO DA ABERTURA POLÍTICA PÓS-DITADURA MILITAR (1975-1985) Arnaldo Franco Junior UNESP/Rio Preto [email protected] “Lili Passeata”, de Guido Guerra, é uma obra representativa da literatura produzida no período da abertura política promovida, no Brasil, pela ditadura militar. Marcado por uma reflexão sobre os efeitos da história na modulação das utopias da juventude politizada dos anos 60, a chamada geração-68, o romance faz um balanço crítico dos efeitos da reação política às demandas por um país e uma sociedade menos autoritários, repressivos, obscurantistas. Este balanço crítico, marcado pelo luto e pela melancolia, confere ao texto as características do romance pós-utópico: avesso ao niilismo fácil e, simultaneamente, desconfiado da sedução totalizante das utopias que, no século XX, produziram catástrofes. UM OLHAR SOBRE O ROMANCE E O FILME ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA Brunilda Tempel Reichmann UNIANDRADE [email protected] Esta fala está vinculada ao trabalho “Fernando Meirelles: a recriação fílmica de Ensaio sobre a cegueira”, escrito em coautoria com Camila Meneghini, e lança um breve olhar sobre a adaptação fílmica de Ensaio sobre a ceguei58 ra (2008), de Fernando Meirelles, cineasta brasileiro, baseada no romance homônimo (1995), de José Saramago, escritor português. Reconhecido nacional e internacionalmente pela adaptação de Cidade de Deus, romance de Paulo Lins, Meirelles volta-se não apenas ao texto-fonte do escritor português, mas busca na pintura e na música elementos para aprofundar a intensidade dramática de sua recriação. AS ASAS DA FORMA: A POESIA NARRATIVA DE CAMILE DUNGY E CONCEIÇÃO EVARISTO Claudia Nigro UNESP/Rio Preto [email protected] A proposição desta fala constitui-se na discussão sobre as relações de gênero e raça representadas na poesia contemporânea de Camile Dungy (2010) e Conceição Evaristo (2012). Considerando, com Butler, que o gênero é o índice linguístico da oposição política entre os sexos, vemos a reivindicação por meio de uma poesia discursiva com enfoque em “personagens” como possibilidade de nomear distintas configurações. Entre feminilidades e masculinidades, as práticas poéticas criam-se nos desejos dos corpos políticos. Conforme b. Hooks, quando diz do desafio de enfrentamento do sexismo na vida negra, o peso da tradição pode causar também um compromisso imposto na virilidade e na violência dos versos. Assim, pretendo mostrar como as duas poetas/escritoras escolhem problematizar na contemporaneidade, pela forma que tem asas e não se assenta, o peso social refletido em práticas de poesias reveladoras. 59 PROBLEMAS DA POÉTICA DE PETRÔNIO Cláudio Aquati UNESP/Rio Preto [email protected] O Satíricon revela profundidade artística e seriíssimo engajamento na teoria literária, sobretudo quanto à evolução do romance com a deliberação de Petrônio situar-se à margem dos gêneros literários estabelecidos. Certamente surpreendendo os antigos, Petrônio valeu-se da narrativa de ficção em prosa (e acrescente-se um narrador em primeira pessoa) para compor seu Satíricon, quebrando parâmetros narrativos dos gêneros historiográfico e épico, segundo os quais narrativa ficcional escreve-se em verso e narrativa em prosa pertence à historiografia. Determinações em nível programático, trama, personagens, fusão de gêneros literários e mesmo título, fazem do Satíricon um romance experimental: o que parece não se cumpre; mas o inusitado sempre pode acontecer, de alguma maneira. Mirando principalmente o gênero épico, fechado, estabilizado, que aponta para o passado, Petrônio parece ter olhares para o porvir, propondo nova maneira de contar histórias: enquanto a epopeia mostra a fixação do homem e a formação da sociedade, seu romance acolhe um herói sempre a procurar o que provavelmente não encontrará. Seus problemas mostram tal circunstância: é a traição, a fuga, a busca de novos cenários. Nada está resolvido na civilização, instável para ele. Não podendo fechar ciclos, como se fizera na epopeia, o herói petroniano solta laços, abre perspectivas, renova. 60 AS QUADRAS PAULISTANAS DE FABRÍCIO CORSALETTI E A POESIA DE MÁRIO DE ANDRADE Cristiane Rodrigues de Souza BARÃO DE MAUÁ [email protected] Depois de ter publicado quatro livros de poesia, reunidos em Estudos para o seu corpo (2007) e após ter lançado os poemas de Esquimó (2011), os textos em prosa de King Kong e as cervejas (2008) e Golpe de ar (2009) e dois livros infantis, Fabrício Corsaletti organiza, em Quadras paulistanas (2013), textos publicados em sua coluna da Folha de S. Paulo, acompanhados por ilustrações de Andrés Sandoval. Assumindo a despretensão da crônica, com linguagem própria da conversa informal, os poemas do novo livro de Fabrício voltam-se para os atos vividos no cotidiano da cidade de São Paulo, remetendo, ao serem reunidos em livro, à liberdade, à experimentação e ao humor do Modernismo da primeira hora. Os poemas-fragmentos da paisagem urbana arlequinal percorrida pelo eu lírico, são organizados em um mosaico no livro-objeto que, por meio de formato singular, lembra uma peça a ser encaixada na cidade-poesia contemporânea. Os flashs cotidianos, momentos que compõem a cena múltipla e complexa da capital, são cantados por meio do tom do rapsodo popular, invocado pela musicalidade das quadras formadas por redondilhas maiores rimadas. A atualização do tom popular lembra as preocupações modernistas de aproveitar a singularidade brasileira em versos, como se pode conferir na poesia de Mário de Andrade. Além disso, a itinerância do eu a percorrer a Pauliceia, com versos que parecem ditos conforme se caminha, faz lembrar poemas de Mário de Andrade, como “Louvação da tarde”. A sensação de deslocamento é realçada pelas ilustrações do livro que, entre retomadas de aspectos das ruas da cidade, retratados ou não pelos versos, traça um caminho ligando as várias páginas, 61 como se recriasse o movimento do eu lírico. Além disso, as calçadas das ilustrações são cercadas, em alguns momentos, por enxurrada, águas que fazem lembrar o caminho do rio tietê sobre o qual o poeta de Lira Paulista medita. Um pouco da melancolia do final do livro do modernista também se insinua em meio aos versos de Quadras paulistanas, em que o eu está consciente das dores da cidade e de si próprio. Além disso, de forma sutil, versos, imagens e temas de Mário de Andrade se misturam à poesia de Fabrício Corsaletti, que estudaremos, tendo em vista o seu diálogo com o modernista. SUBJETIVIDADE, NARRATIVA E REPRESENTAÇÃO: UM OLHAR PARA A CIDADE DE BERNARDO CARVALHO Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto ILBILCE -UNESP [email protected] O objetivo desta comunicação é apresentar algumas considerações sobre as representações contemporâneas da cidade e da subjetividade a partir, especificamente, da leitura do conto “O Arquiteto: um homem uma mulher a caminho da polícia”, de Bernardo Carvalho, publicado no volume de contos “Aberração” (2004). Nesse conto, o escritor retoma o tema da cidade, seguindo uma tradição de textos da modernidade, desde Poe e Baudelaire, fazendo uníssono às representações da urbe verificadas em vários contos, romances e poemas brasileiros contemporâneos, mas recriando também, na corporalidade da sua escritura, densa e intensa, veloz e, em certa medida, agônica, os projetos utópicos das cidades ideais renascentistas, o que acentua o questionamento das utopias no contexto contemporâneo e a estética de vestígios que nele muitas vezes encontramos. 62 NARRATIVA E REPRESENTAÇÃO NA PERSPECTIVA DA ESTÉTICA DA RECEPÇÃO: O LEITOR EM FOCO Elisa Cristina Lopes UFV [email protected] O ponto central da minha fala se concentrará na articulação entre narrativa e representação, na perspectiva da Estética da recepção. Esta abordagem pretende discutir o papel e função do leitor contemporâneo que se evidencia nos deslocamentos, na pluralidade e no ‘entre lugar’. Focaremos ainda o exercício e a vivência da leitura, como práticas sociais que objetivam a formação de leitores conscientes da realidade e dos próprios mecanismos de construção da linguagem literária. RESISTÊNCIA E UTOPIA: AMÁLGAMA E A SÁTIRA NO EXERCÍCIO POÉTICO DE RUBEM FONSECA Emerson Calil Rossetti FIRA [email protected] Apesar da insistência sobre temas caros à sua prosa de ficção, em Amálgama (2013) Rubem Fonseca desenvolve um insólito e breve exercício poético. De modo que este trabalho discute o horizonte possível da poesia do autor considerando, sobretudo, os procedimentos satíricos adotados para tratar de questões que emergem não apenas do contexto social marcado pela miséria e pela violência, como também do próprio fazer poético. Desvendando as precariedades e o brutalismo do universo que lhe serve de matéria, a poesia de 63 Rubem Fonseca transita entre o alto e o baixo, o sublime e o grotesco, a vida e a morte para encontrar nessas lacunas as possibilidades de existir e resistir. A ESTROFE ALCAICA DE HORÁCIO EM VERSO BRASILEIRO. Érico Nogueira UNIFESP [email protected] O que se pretende nesta comunicação é discutir as possibilidades de reproduzir a estrofe alcaica de Horácio em verso brasileiro, respeitando-lhe o ritmo, as cesuras e, na medida do possível, a própria posição das palavras no interior dos versos. CONSIDERAÇÕES SOBRE A CATEGORIA ESTÉTICA DO FEIO Flavia Cristina de Sousa Nascimento UNESP/Rio Preto [email protected] Já na Antiguidade o feio suscitava interesse e desconforto, como demonstram por exemplo os diálogos do Hípias maior. Desde então, no decorrer dos séculos, essa problemática categoria deu origem a incontáveis práticas artísticas, bem como a uma extensa produção filosófica e, desde o século XVIII, estética. Para a tradição clássica, o feio estava associado ao mau, ao vício, à imperfeição, traços a serem evitados na reprodução mimética da nature64 za, bela, forçosamente, por ser obra divina. Ao romper com os paradigmas clássicos, os modernos incorporaram definitivamente o feio, como categoria central, à produção artística. A sempre lembrada citação de Hugo – «O feio é o belo» - exprime bem essa transformação que, no entanto, já se encetara, pelo menos, desde o século XVIII, como se pode ver à leitura da crítica de arte de Diderot, em que desponta um gosto estranho pela «beleza do crime», ou à leitura da obra do Marquês de Sade, em que prima o elogio do vício. Nessa comunicação apresentaremos um breve apanhado da história dessa categoria estética e de sua integração produtiva à criação artística. Ao final, com o propósito de ilustrar pelo menos um dos modos de funcionamento do feio, proporemos a leitura de alguns poemas, em particular a de Vénus Anadyomène, de Arthur Rimbaud. LITERATURA E REVOLUÇÃO NO PORTUGAL CONTEMPORÂNEO Gerson Luiz Roani UFV [email protected] Esta participação em mesa-redonda focaliza alguns aspectos criativos do romance português contemporâneo, surgido após a Revolução dos Cravos de 1974. Com base nessa intenção, contata-se que há uma profunda vinculação entre as transformações políticas ocorridas em Portugal, após 1974, e a produção artística lusitana das últimas três décadas. Com a Revolução dos Cravos, a arte literária portuguesa empreendeu a revisitação crítica dos seus caminhos artísticos, sobre os quais havia pairado, durante meio século, a ação da censura salazarista. Com a liberdade, a Literatura Portuguesa passou a viver um período de notável efervescência criadora. No âmbito da produção narrativa, podem ser percebidas tendências marcantes do romance 65 português, tais como a tematização da Guerra Colonial mantida por Portugal, na África, a emergência do feminino no campo da escritura literária e, sobretudo, a transfiguração e reescrita da História pela Literatura. SETE CONTOS GÓTICOS, DE KAREN BLIXEN Gloria Carneiro do Amaral USP/UPM [email protected] A escritora dinamarquesa Karen Blixen é conhecida no Brasil sobretudo através do cinema: Out of Africa (1985), sob a direção de Sydnesy Pollack é baseado no seu terceiro livro, A fazenda africana (1937) sobre o período em que ela viveu no continente africano; seu conto A festa de Babette (in: Anedotas do destino, de 1958) foi também transformado em filme (1987). Menos conhecido talvez seja seu primeiro livro Sete contos góticos (1934), apesar de contar com uma edição em português pela Cosacnaify (2007). Trata-se de textos que podem levantar questões diversas. A primeira é a escolha de um certo tipo de narrativa por uma escritora dinamarquesa no início do século XX. Outra questão é a de que pela sua dimensão, os textos aproximam-se mais de novelas do que de contos, levantando a questão do gênero. E também os temas, os motivos e as situações envolvem mistérios, realidade, ficção, fantasmas. São narrativas que apresentam traços que remetem ora ao fantástico, ora ao gótico, por vezes ao maravilhoso. Essa diversidade de elementos, uma imaginação quase desenfreada, um deleite da arte de narrar, tudo isso faz com que esses textos insólitos de Karen Blixen tornem-se um prato cheio para a discussão dos gêneros (ou modos, segundo alguns teóricos) afins ao fantástico; e é sob esse ângulo que vamos tratá-los, procurando ampliar a discussão teórica em torno do gênero. 66 NOSSOS RESTOS: DESLOCAMENTOS E A REPRESENTAÇÃO DO REAL NO ROMANCE DE MARCELINO FREIRE Juliana Santini UNESP/Araraquara [email protected] A relação entre espaço e personagem pode ser tomada como elemento constituinte da representação de diferentes identidades e forças ideológicas em um conjunto de narrativas brasileiras contemporâneas em que o trânsito e o deslocamento são motes recorrentes. Sob esse aspecto, esse conjunto pode ser problematizado a partir da perspectiva de Doreen Massey que, em seu volume Pelo espaço, toma a localização do sujeito no espaço e a constituição do espaço pelo sujeito como vias de mão dupla: ao mesmo tempo em que esse sujeito se constitui no espaço e lhe atribui sentido por meio da experiência que, no limite, temporaliza o dado espacial, nele são impressas as marcas de sucessivas camadas de tempo, ou de significação. Como uma espécie de palimpsesto, o espaço guarda essas marcas e sentidos, em relação aos quais o sujeito não permanece alheio. Tomando como verdadeira a hipótese de que é possível observar a construção de territórios identitários na narrativa a partir da observação do modo como nela se estabelecem diferentes articulações entre trânsito e estagnação – ou entre mobilidade e fixidez –, o que aqui se propõe é a análise do primeiro romance de Marcelino Freire, Nossos ossos, considerando o movimento empreendido pelo personagem narrador Heleno de Gusmão ao transportar o corpo do “michê” Cícero de São Paulo para o Ceará com o intuito de entregá-lo à família do rapaz. Desse modo, o que aqui se propõe é a problematização da maneira como se realiza, a partir da relação entre espaço e personagem, 67 a representação do real no romance, uma “prosa longa” – como afirma o narrador – que retoma parte dos procedimentos já empregados pelo autor em seus volumes de contos. Palavras-chave: deslocamento; espaço; personagem; narrativa brasileira contemporânea. A CENA POÉTICA ORIGINÁRIA: YVES BONNEFOY Leila Aguiar UNIFESP [email protected] Yves Bonnefoy (1923-) inscreve sua poesia em uma busca incessante das origens, do fundamento mesmo da palavra poética. Para tanto, é todo um trabalho de interrogação sobre os meios pelos quais o artista inventa a ordem do mundo e o próprio mundo que se impõe. Não surpreende então que, de um lado, desenhe-se um paradigma, aquele da criança em sua relação natural, assintomática e anarbitrária com o mundo. E, por outro, o perigo a combater, aquele do conceitual e do totalitário do signo, que encontra na figura do filósofo seu maior representante. A partir de dois poemas, intitulados respectivamente L’enfant du second jour e L’arbre de la rue Descartes, procurar-se-á compreender o movimento poético de uma obra que deambula, não sem conflito, entre duas vias, aquela positiva, do infans; e aquela negativa, da filosofia. 68 ENTRE A LITERATURA E AS PRÁTICAS LITERÁRIAS CONTEMPORÂNEAS: AS METANARRATIVAS DE LUCI COLLIN Lúcia Osana Zolin UEM [email protected] Não são poucas as iniciativas empreendidas no âmbito da teoria e da crítica literárias no sentido de delimitar o que vem a ser literatura. Cada novo contexto histórico-literário traz consigo novas expectativas em relação ao texto literário e, portanto, novos critérios de valoração. Produzida no contexto da chamada pós-modernidade, marcado pela desconfiança em relação aos discursos universais, a literatura brasileira contemporânea, não raro, tem se debruçado sobre si própria, com vistas à problematização das fronteiras, cruzamentos e interseções que estabelece com outras linguagens. Em vista disso, nosso objetivo é refletir acerca de um conjunto de contos de Luci Collin, cujo caráter metaficcional nos convida para esse debate. E O POETA FINGE COMPLETAMENTE: OS VERSOS HOMOERÓTICOS DE ESTRATÃO DE SARDES (II D.C.) Luiz Carlos André Mangia Silva UEM [email protected] A partir da obra de Estratão de Sardes, poeta da era cristã que cultivou o tema homoerótico em língua grega, discutiremos a relação entre persona po69 ética e pessoa biográfica, a fim de revelar os critérios antigos de composição poética, muito mais ligados à ideia de fingimento moderno do que de à de biografismo. QUESTÕES DA LÍRICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA: O CASO DA POESIA VIRAL Márcio Roberto do Prado UEM [email protected] A reflexão sobre o cenário da literatura contemporânea no Brasil não deve apenas levar em conta autores e obras, mas, também, os meios de produção e disseminação nos quais tais autores e obras estão inseridos. O olhar lançado ao contexto mais amplo tende a desnudar facetas inesperadas, seja em termos de redimensionamento do significado social e cultural da literatura nos dias de hoje, seja em relação às questões de poética especificamente consideradas. Assim, apresentamos uma reflexão sobre as propostas brasileiras de poesia viral no Facebook, buscando elementos que traduzam tanto a urgência de sua poética quanto sua própria condição de exemplo de uma poética da urgência. RESSONÂNCIAS DA POÉTICA DE CALÍMACO EM JOSÉ DE ALENCAR. Maria Celeste Consolin Dezotti UNESP/Araraquara [email protected] Calímaco, poeta helenístico do século III a.C., deixou implícitas em seus poemas as linhas mestras de uma poética que valorizava a novidade. Um dos 70 recursos para forjar o novo era a recriação ou a mesclagem de antigas formas de expressão; exemplo desse processo são as narrativas etiológicas, os famosos aitia, inspirados a Calímaco pela poesia didática de Hesíodo. A poética de Calímaco foi seguida, em Roma, pelos poetas neotéricos (dos quais Catulo é predecessor), responsáveis por sua disseminação em obras capitais da literatura latina, entre as quais citam-se As Metamorfoses de Ovídio. Este, por sua vez, autor canônico na formação escolar dos escritores brasileiros do século 19, abriu-lhes o acesso àqueles ideais poéticos helenísticos que vemos concretizados em José de Alencar. TEMPLO, PILAR E LABIRINTO: FIGURAS DA ESPACIALIDADE EM MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO Matheus Nogueira Schwartzmann UNESP/Assis [email protected] Na obra do poeta português Mário de Sá-Carneiro encontramos, com alguma frequência, um narrador cuja identidade está baseada sobre certos procedimentos semânticos de construção do espaço. Em Dispersão, sua mais conhecida obra poética, se, por um lado, lemos justamente a dispersão do “eu” (a sua dissolução identitária), de outro, deparamo-nos com um exercício de concentração espacial que mantém, ainda que minimamente, a sua identidade coesa e estável. Nesse caso, ao menos espacialmente, o sujeito encontra-se concentrado de tal modo que o “eu” assume-se como o próprio espaço que habita. Podemos dizer, portanto, que em alguns dos textos de Sá-Carneiro os processos de expansão ou condensação espaciais são análogos à dissolução ou concentração do “eu”, o que produz sentidos particulares, como as paixões do medo e da coragem, da angústia e da saudade, por exemplo. Toman71 do alguns de seus poemas (de Dispersão aos Indícios de Oiro), excertos de A confissão de Lúcio e de sua correspondência, buscaremos mostrar o modo como essas figuras espaciais são construídas na obra de Sá-Carneiro e quais efeitos de sentido que delas decorrem. ESPECULAÇÕES SOBRE O NARRADOR E A PERSONAGEM-LEITORA NUM CONTO MACHADIANO Maria Rosa Duarte de Oliveira PUCSP [email protected] Trata-se de um estudo sobre as estratégias narrativas que fazem de um conto como “O Anjo das Donzelas”, publicado em 1864, no Jornal das Famílias - um periódico dirigido especialmente à formação da mulher preservando o seu papel de mãe de família, dentro do modelo patriarcal-, o palco da encenação de uma personagem-leitora - Cecilia - que vai ao livro para se identificar com os idílios romanescos e o sofrimento típico dos amantes, na intenção ingênua de traze-los para a sua realidade, que se vê, assim, deformada pelo excesso de imaginação. Cabe ao narrador papel fundamental na trama ao se deslocar entre dois tipos de posicionamento - o crítico e o didático - de modo a, estrategicamente, questionar e, ao mesmo tempo, assumir um tom de ensinamento moral desejado pelo próprio periódico. De outro lado, é possível perceber, também, a intenção de Machado dividido entre a sujeição à linha editorial do Jornal das Famílias, marcadamente moralizadora, e a crítica pela negatividade do modelo de leitura, num contexto no qual o público leitor era quase que inexistente, ainda mais o feminino, com 72 pouco ou nenhum acesso à alfabetização e à educação formal, numa cidade como o Rio de Janeiro, em plena 2ª metade do sec. XIX. RODOLFO TEÓFILO E O NATURALISMO FANTÁSTICO Marcio Scheel IBILCE-UNESP [email protected] Edison Bariani FASAR/FACITA [email protected] A obra de Rodolfo Teófilo integra o naturalismo literário e sua particular caracterização e inserção no contexto brasileiro, todavia, há uma evidente exacerbação do estilo. Em A Fome (romance publicado em 1890) há excessivas mortes, pessoas devoradas por animais (às vezes vivas), canibalismo, ‘autocanibalismo’ etc.; já em Violação (novela publicada em 1899), um menino tem de enterrar a própria irmã morta, cadáveres amontoados como lixo, putrefação e a terrível cena da consciência pensante um homem que, prostrado, pode ser enterrado vivo enquanto presencia dois celerados violarem sexualmente sua noiva (possivelmente morta). A sucessão de ocorrências tétricas cria um estranho mundo no qual o naturalismo produz um fluxo de acontecimentos que deságua no inverossímil, criando – paradoxalmente – uma atmosfera fantástica devido ao exagerado empenho na ‘realidade’ do quadro por meio da crueza das cenas e da descrição cientificista. 73 AS “ARTES POÉTICAS” DE SOPHIA DE MELLO BREYNER ANDRESEN Paola Poma USP [email protected] As “Artes Poéticas” elaboradas por Sophia de Mello Breyner Andresen revelam as linhas de força de toda a sua obra: o imaginário grego e a presença do real. É possível perceber também, nestes breves poemas em prosa, a estruturação de um projeto ético que conjuga história, poesia e linguagem sem abdicar de uma ideia de totalidade. Totalidade esta que, em um Portugal imerso na temática literária da fragmentação e da melancolia, busca resgatar o homem de sua condição de alienado e colocá-lo numa outra dimensão, mais livre e harmônica. Sem deixar de mostrar as rupturas do mundo, este trabalho quer mostrar a beleza desta poesia que integra mundo, homem e literatura. OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE E A LITERATURA NO CONTEXTO DIGITAL Rejane C. Rocha UFSCar [email protected] Esta comunicação analisa o romance Os famosos e os duendes da morte, discutindo a maneira como a literatura pode ser compreendida no contexto da convergência midiática. O romance, uma das obras que constituem um 74 projeto que compreende, também, filme, trilha sonora e vídeos compartilhados no youtube, pode ser discutido como um exemplo de procedimento de escrita que solicita procedimentos específicos de leitura característicos do contexto digital. DIÁLOGOS ENTRE A POESIA E A CRÍTICA NA OBRA DE PAULO LEMINSKI. Sérgio Massagli UFFS [email protected] A produção poética e crítica de Paulo Leminski (1944-1989), escrita entre as décadas de 1960 e 1980, apresenta uma inquietação e traz para o debate a relação frequentemente problematizada na contemporaneidade entre pensamento, mundo e linguagem. Como um poeta-crítico, produz uma obra marcada pela autoconsciência sobre o próprio fazer literário, deixando sempre na sua escrita traços dessa reflexividade. O poeta curitibano sabe que essa autorreflexão é uma das marcas da poesia moderna e se inclui numa linha de ascendência com poetas como Oswald de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Neto e outros, a quem chama de “poetas críticos, capazes do verbo lírico, e muito capazes de falar sobre sua prática”. A proposta desta apresentação é buscar os rastros dessa escrita autorreflexiva na confrontação entre a sua prosa ensaística e a sua produção poética. 75 PRESENÇA DE JOÃO CABRAL NA POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA Solange Fiuza Cardoso Yokozawa UFG e FAPEG [email protected] Numa entrevista em que reconhece João Cabral como uma influência incontornável para a poesia brasileira contemporânea, Eucanaã Ferraz ressalva, entretanto, que “Cabral é um poeta muito complexo e o Brasil ainda não tem um poeta cabralino, que foi a fundo em sua lição”, arrematando que esse poeta ainda não é ele. Também Cabral, apesar de eleger Augusto de Campos como seu herdeiro, diz-se, no poema-dedicatória ao poeta concretista, do livro Agrestes (1985), um poeta sem discípulos: “ela [a poesia cabralina] que hoje da janela / vê que na rua desfila / banda de que não faz parte, / rindo de ser sem discípula.” Proponho tecer algumas considerações sobre a complexa relação entre Cabral e a poesia brasileira contemporânea. 76 Resumos das Comunicações 77 “A MÚSICA DE TUA LEMBRANÇA”: AS CARTAS DE AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT A YÊDDA SCHMIDT COMO ESPAÇO DE CRIAÇÃO POÉTICA. Adalberto Luis Vicente FCLAr/UNESP [email protected] Em 1981, o Instituto Estadual do Livro do Rio de Janeiro publica uma coleção de cartas de Augusto Frederico Schmidt a sua mulher Yêdda, selecionadas por ela mesma e sem indicação de data de recebimento. O título da coletânea, Cartas de Sempre, parece adequar-se de modo exemplar à proposta da publicação, pois a qualidade literária desses textos, a alta voltagem poética que perpassa a maior parte dessas missivas, a presença de um eu que se investiga através do outro, além da exploração de um campo imagético e rítmico expressivo permitem constatar que a carta, na concepção de Schmidt, vai muito além de um gênero discursivo puramente funcional (referencial, informativo). Como demonstram as reflexões teóricas mais recentes sobre a forma epistolar, a carta é um gênero discursivo plural, híbrido, “nômade”, como o quer Brigitte Diaz em L’épistolaire ou pensée nômade (PUF, 2002), mas cujo espaço discursivo pode incluir “da história da vida privada até as práticas de escrita do eu, passando pela sociologia da literatura, pela genética literária, pela pragmática da comunicação à distância” (p. 49), sem deixar de constituir, como é frequente no caso da correspondência de escritores, um espaço de exercício do fazer literário. Nosso objetivo nesta comunicação é apresentar o modo particular como a voz lírica do poeta de Estrela Solitária permanece nas cartas a Yêdda, mesmo que às vezes matizada pela necessidade de comunicação imediata. PALAVRAS-CHAVE: Carta; Escritura, Poesia, Augusto Federico Schmidt. 78 SOBRE O FLOREBAT OLIM STUDIUM SUSCITADO PELO POEMA “NÓS OS VENCIDOS DO CATOLICISMO”, DE RUY BELO Adriano Tarra Betassa Tovani Cardeal (FCL/UNESP – PIBIC) [email protected]. Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.) Ruy de Moura Ribeiro Belo (1933-1978), um dos mais importantes escritores pós-pessoanos da litera-tura portuguesa contemporânea, compôs expressivo número de poemas líricos, numa temática voltada para o Cristianismo. No entanto, apesar de, a (e em) princípio, essa asserção propiciar supor-se que o desenvolvimento poético-argumental desse autor quer-se exceler a patamares duma resoluta ascensão espiritual, é o completo oposto que se observa, mormente no poema “Nós os vencidos do catolicismo” – em cujos versos é notável a senda descensional em que caminha o eu-lírico nele presente, visto que, da total ausência de sublimidade, vem a percepção de uma poesia a qual, embora amparada em ideias e contextos oriundos da cristandade (precisamente, a de vertente católica), mostra aquele sujeito lírico que, nalgum nível, começa a negar estúltima, pois, ao lerem-se muitos versos dispostos no corpus be-lianum, constantes nestas investigações, notam-se traços duma recusatio christiana, a qual tão só ex-presse imensa fatigação perante uma mundividência acéfala em seus propósitos de aperfeiçoamento da humanidade, motivo pelo qual, dessarte, escuta-se a vox poetica beliana lamuriando-se em direções as mais díspares entre si, embora bastante cientemente de que nenhuma será capaz de (re)conduzi-la às celestes veredas, ratificando-se, assim, a fatual depauperação daquela outrora sublimidade anímica, em que o eu-poético camoniano acreditava, mas na qual o eu-poemático beliano 79 não mais crê. Demais – como decorrência dessa recusa do Cristianismo (a qual, lato sensu, perfaz uma recusação de Deus) –, permite-se haver uma recrudescência da secular predileção por atributos dos seres humanos em de-trimento dos divinos, mercê do que seria possível pensar-se em alguma categoria de “neo-humanismo contemporâneo”, no qual questões religiosas não mais teriam espaço ou influência nas discussões so-bre quaisquer (des) rumos antrópicos. Tendo-se o “Nós os vencidos do catolicismo” por síntese exem-plar da recusatio christiana do sujeito lírico de Ruy Belo (desse e dos demais poemas religiosos seus), é possível concluir-se que tal sentimento de recusa nasce da tópica medieval do Florebat olim studium – pois, por o mundo estar “desconcertado” (como diria Camões), acredita-se que, logo, Deus não mais se importa com ele, tampouco com quem nele habite. É-se mister perscrutar esse “mundo às avessas”. PALAVRAS-CHAVE: Florebat olim studium; Ruy Belo; Poesia cristã contemporânea. A POESIA, MEIO PARA DENUNCIAR QUESTÕES SOCIAIS OU PARA CONTAR A HISTÓRIA DE UM PAÍS. EVITA PERÓN, A OUTRA FORMA DE SABER A HISTÓRIA. Alejandro González Urrego FCLAr/UNESP/ PAEDEX [email protected] Profª. Drª Maria Dolores Aybar Ramirez (Or.) Esta comunicação propõe uma abordagem Histórica sobre a reconstrução dos fatos ocorridos com Eva Duarte de Perón, durante o ano de 1952, começando com sua vida política e terminando uns meses após a sua morte. Esses eventos são relatados no poema “Eva” da poetisa Argentina María Elena 80 Walsh, que aparece na obra “Canciones contra el mal de ojo” editado no ano de 1976. A estratégia narrativa usada no poema é misturar recursos estilísticos de duas disciplinas, por um lado, o poema está baseado em fatos Históricos, mas por outro, está contando a história baseada na sua posição pessoal. Numa primeira leitura, não sabemos se ela está relatando sua vivência social ou se está escrevendo o que poderíamos chamar de “Poema Histórico”. No poema, Maria Elena Walsh reflete em parte, uma rebeldia, um desencanto e uma oposição ao que estava acontecendo em sua terra natal, Argentina. Às vezes, a poetisa se afasta das palavras suaves para tratar o tema de Evita de uma maneira violenta e forte, em outras, o poema parece ser uma denúncia do que estava passando em seu país, enquanto ela estava na Europa, cantando canções folclóricas da região andina Argentina. PALAVRAS-CHAVE: Poema; Evita; História; História e denúncia. METALINGUAGEM, FRAGMENTARISMO E REMITIZAÇÃO NA POESIA BRASILEIRA MODERNO-CONTEMPORÂNEA (Mesa de Comunicação Coordenada I e II) Alexandre de Melo Andrade / Antônio Donizeti Pires FCLAr/UNESP A estranheza e o silêncio da lírica moderna, com suas dissonâncias e ressonâncias, são fatores mencionados e explicados por Hugo Friedrich em Estrutura da lírica moderna, que privilegia uma linha da poesia francesa do século XIX (Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé e Verlaine) como fundadora da modernidade lírica, com alguns “prelúdios” no século anterior (Novalis e Rousseau, sobretudo). Podemos pensar, a partir de Friedrich, que a recorrência à metalinguagem, cuja existência coincide com o surgimento da própria poesia, é, na modernidade (e contemporaneidade), sintoma – conforme ex81 posto de modo contundente por Alfredo Bosi em O ser e o tempo da poesia –, e não questão-chave ou resolução do aparente laconismo. Em consonância com tal discussão, as formas moderno-contemporâneas do fragmento e da remitização reafirmam a linguagem poética como o espaço do encontro, do entre-lugar, mas também de uma realidade fundante. Cultivado já pelos primeiros românticos alemães, o fragmentarismo enquanto laconismo verbal/ versal aliou-se ao laconismo da experiência contingente. Por este mesmo viés, a remitização proposta pelos românticos – atestada pelo mito novalisiano da “flor azul” e pela nostalgia da Idade do Ouro – associou-se a uma rejeição ao mundo convencional e crise do historicismo, reverberando na contemporaneidade por meio de processos/procedimentos que acentuam a crise dos modos de ser da/na linguagem. Tais questões, que têm repercutido de modo considerável no discurso da crítica literária atual, serão exploradas pelo grupo temático, partindo tanto de valores modernos de nossa lírica, quanto de específicas vozes poéticas emergentes nas últimas décadas. PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira moderno-contemporânea; Metalinguagem; Fragmentarismo; Remitização. O ARABESCO, A AMPULHETA E O VELEIRO Alexandre de Melo Andrade [email protected] UNIESP/Ribeirão Preto FCLAr/UNESP/Pós-doc Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Sup.) A comunicação visa à abordagem de aspectos gerais da poesia de três poetas contemporâneos: Orides Fontela, Alexei Bueno e Marco Lucchesi. Dotados de voz poética firme e singular, tais poetas nos servem como referências para a compreensão de alguns aspectos marcantes da lírica brasileira contempo82 rânea. Orides Fontela, que tem Transposição como livro de estreia (1969), trabalha a linguagem de modo enxuto, fragmentário e lacônico, tramando e destramando o tecido da linguagem, num ludismo que aponta para a poesia como o espaço mítico fundante de si mesma e da própria realidade que se constitui a partir dela. Alexei Bueno, que em 2013 lançou sua Obra completa, é uma das grandes manifestações líricas das últimas décadas, com uma poesia que reafirma o mito pela sua negação, num movimento pendular que oscila entre uma atmosfera mítica absoluta e um mundo caótico aparente nas fraturas do relativismo moderno. Já Marco Lucchesi delineia, em sua obra poética inaugural – Alma Vênus – (2000), aspectos que lhe serão caros em sua obra poética, narrativa e ensaística futura, como o diálogo incisivo com a tradição, da mais remota às mais recentes, abrindo-se a uma poesia que se entrevê pela própria palavra iluminada, evocativa e unificadora. Dissonâncias e aproximações dos três poetas nos possibilitam percepções acerca da lírica contemporânea, bem como do poeta-crítico contemporâneo, revitalizador da tradição e arauto de um novo tempo, ainda que este novo tempo corresponda à volta de um tempo que seja sempre o mesmo. PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira contemporânea; Orides Fontela; Alexei Bueno; Marco Lucchesi. FRAGMENTAIS DA POESIA-PRISMA DE MANUEL BANDEIRA Antônio Donizeti Pires [email protected] FCLAr/UNESP UnB/Cátedra Archai UNESCO; Bolsa CAPES PD O prisma é a figura geométrica que caracteriza à perfeição a obra de Manuel BANDEIRA (1886-1968), que, além de poeta lírico essencial à literatura 83 brasileira do século XX, foi também poeta-crítico, poeta-cronista, poeta-tradutor, poeta-professor, poeta-missivista. Estreando em 1917 com Cinza das horas, de sutil recorte parnaso-simbolista, tornou-se um dos ícones do Modernismo brasileiro, sendo ainda hoje fecunda lição de poesia e poética aos contemporâneos. Pois o prismático Bandeira, além de ter transitado pelas formas e técnicas tradicionais e vanguardistas, também explorou temas que abarcam a tradição lírica (Deus, a religião, a alma, o amor, a natureza, a família, a infância) e aqueles que ressaltam o desconcerto e a fragmentação do homem moderno (a grande cidade, o cotidiano simples e humilde, o desencontro, a solidão, a doença, a morte, o corpo – seja o corpo do poeta ou o corpo do poema; seja o corpo do desvalido social e existencialmente, que se espoja nos restos da civilização). Em vista do exposto, propõe-se uma análise crítico-interpretativa de três poemas fundamentais do autor, a fim de se ressaltar as conexões plurais do prisma Bandeira: “Não sei dançar” (Libertinagem, 1930), “Elegia de verão” (Opus 10, 1952) e “Passeio em São Paulo” (Estrela da tarde, 1963). PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Modernismo e modernidade; Metalinguagem; Crítica e análise do texto poético. HIBRIDISMO NA LITERATURA E NA CULTURA CONTEMPORÂNEA Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila FCLAr/UNESP - Doutoranda [email protected] Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) O século XX foi apontado por diversos estudiosos, como Edward Said, como a era da imigração em massa, dos deslocamentos, dos despatriados. 84 As migrações maciças redesenham o cenário contemporâneo e a crítica cultural, com frequência, volta-se para as possíveis implicações desses diversos movimentos num mesmo país, entre regiões fronteiras ou até mesmo entre continentes. Por isso, a imigração tem sido um dos temas mais discutidos e estudados da contemporaneidade, em vários segmentos do saber, e é inegável a atualidade das reflexões sobre a produção cultural e artística de imigrantes, as chamadas “literaturas migrantes”. Os estudos da cultura têm se preocupado com as questões inerentes ao processo migratório, tais como a multiculturalidade e os procedimentos de hibridização ou hibridismo, nas artes e na cultura. Na comunicação a ser apresentada, pretende-se refletir sobre o conceito de hibridismo na literatura e na cultura contemporânea, já que o termo tem sido utilizado, muitas vezes, de forma divergente entre os especialistas. Acreditamos que essa reflexão possa auxiliar a compreensão e a análise da produção artística nacional sobre imigrantes, como as obras de Raduan Nassar e Milton Hatoum. Discutiremos o conceito de hibridismo a partir dos grandes estudiosos de cultura contemporâneos, tais como Homi Bhabha, Stuart Hall, Nestor Garcia Canclini, Edward Said, bem como dos recentes estudos brasileiros como os de Zilá Bernd, dentre outros. Pretendemos mostrar que o híbrido não está circunscrito às margens e guetos, não são apenas os estrangeiros e filhos de imigrantes, mas está em todas as nossas culturas e histórias. PALAVRAS-CHAVE: Imigração; Estudos culturais; Hibridismo; Literaturas migrantes; 85 IMAGEM E FIGURAS EM POEMA SUJO, DE FERREIRA GULLAR Ana Carolina da Silva Mota FCLAr/UNESP/ PIBIC [email protected] Profª Drª Fabiane Renata Borsato (Or.) Este trabalho propõe a análise das imagens e figuras recorrentes no livro Poema Sujo, de Ferreira Gullar, por considerar-se que este é um dos elementos importantes na configuração da unidade da obra. No decorrer de seus quase dois mil versos, observa-se em Poema Sujo o emprego de alguns eixos estruturadores, como a existência de dois sujeitos poéticos, um localizado no passado e outro localizado no momento da enunciação, e o trabalho entre a perspectiva interior e exterior, como aponta Alcides Villaça (VILLAÇA, 1984, p.153-154; 157). A leitura da obra demonstra que, além destas considerações de Villaça e das repetições sintáticas e semânticas, a recorrência do uso de algumas imagens e figuras também é elemento importante na composição da unidade, pois os versos de Poema Sujo constantemente as retomam, num avançar que compreende retornos e revisões, de modo que elas são repetidamente ampliadas, ressignificadas e discutidas. Este aspecto de Poema Sujo relaciona-se com o fato de a obra trabalhar amplamente com a memória e esta não ser linear e sucessiva, mas fragmentada, de modo que evoca, por meio do discurso poético, passagens que são interrompidas e posteriormente retomadas. PALAVRAS-CHAVE: Poema Sujo; Ferreira Gullar; Poesia; Imagem; Figuras. 86 O OFÍCIO DA ESCRITA: UMA SONDAGEM DO FAZER LITERÁRIO POR MEIO DE CARTAS DE CAIO FERNANDO ABREU André Luiz Alselmi FCLAr/UNESP – Doutorando [email protected] Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.) Nas últimas décadas, os gêneros íntimos vêm despertando a atenção dos leitores e da crítica literária. Tal fato é intensificado pela atual tendência ao culto da individualidade e ao prazer de acompanhar a vida cotidiana alheia, que hoje toma uma parte significativa da mídia e da realidade. Diante disso, as correspondências de personalidades literárias ganham destaque e ocupam um espaço sem precedentes. Assim, as cartas têm suas publicações multiplicadas, o que tem despertado grande interesse da crítica em compreender os fundamentos dessa forma de expressão e de sua relação com a criação literária. Sem dúvida, é preciso reconhecer que as cartas de grandes escritores não raro transcendem o mero relato autobiográfico, trazendo, frequentemente, uma carga poética e informacional passível de ser analisada com vistas a entender o processo de criação literária. Nesses casos, a carta não interessa apenas como um testemunho biográfico ou documento histórico ou cultural, mas também como uma forma de expressão autônoma e múltipla capaz de acolher a reflexão sobre a literatura e o processo de criação. Partindo do pressuposto de que a experiência pessoal e a experiência literária, nas epístolas de Caio Fernando Abreu, apresentam-se concomitantemente, esta comunicação pretende extrair das cartas do autor uma poética a partir das reflexões metalinguísticas sobre a natureza da criação literária e do ofício do escritor. Assim, por meio da correspondência do autor, esta comunicação buscará traçar uma visão deste sobre a função da literatura, a imagem do escritor e o 87 processo de escrita. Com isso, pretende-se demonstrar que as cartas constituem um rico material para a compreensão do universo literário do autor. PALAVRAS-CHAVE: Cartas; Criação literária; Ofício do escritor; Produção literária das últimas décadas. TEOLINDA GERSÃO E A ESTÉTICA DO SILÊNCIO Audrey Castañón de Mattos FCLAr/UNESP - Doutoranda [email protected] Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) Susan Sontag, em seu ensaio “A estética do silêncio”, mostra que a inclinação da arte moderna ao silêncio está na base da ideia de que o poder da arte reside no seu poder de negar: por meio de estratégias que vão do hermetismo ao empobrecimento (redução), cria-se uma “arte silenciosa”. Partindo das noções sontaguianas de arte silenciosa e de usos artísticos do silêncio, assim como de noções como a de que toda arte sempre consegue proporcionar um ganho de prazer ao espectador; partindo, ainda, da premissa sontaguiana de que um silêncio absoluto é inexequível, principalmente por parte do espectador, pretendemos analisar a linguagem nos romances O silêncio e Os guarda-chuvas cintilantes (diário), de Teolinda Gersão, cuja obra desvela algumas facetas de que se reveste o silêncio. Pretendemos demonstrar como tais livros, por sua linguagem hermética, impõem ao leitor dois caminhos a princípio excludentes, um que o repele e outro que o convida ao fitar. Na contramão da ideia de John Cage, a da impossibilidade do silêncio devido ao mundo de sons que nos circunda, os romances a serem analisados tratam essa profusão sonora – e também imagética – como formas de silêncio, uma vez que tal profusão nada comunica; os romances escolhidos confirmam, de 88 certa forma, o que diz Sontag acerca do desprestígio da linguagem diante da proliferação de sons e imagens do mundo contemporâneo, desprestígio que leva à criação de obras silenciosas. Em O silêncio, a narradora, procurando romper a incomunicabilidade com seu parceiro, utiliza-se de uma linguagem que, entretanto, reproduz tal incomunicação em outro espaço, o do intercâmbio com o leitor, na medida em que a comunicação só se fará possível se ele resistir ao impulso repelente da estrutura hermética do romance e aceitar o convite ao olhar atento. Os guarda-chuvas cintilantes, ao assumir-se como “diário”, desobriga-se, de saída, do compromisso da clareza, enveredando-se por uma linguagem fragmentária e imagens nebulosas que também acabam por reeditar em outro plano o embotamento do artista no processo criativo, tema dos escritos esparsos e desalinhados da autora ficcional do diário. PALAVRAS-CHAVE: Literatura contemporânea; Hibridismo; Teolinda Gersão; O silêncio; Os guarda-chuvas cintilantes. POESIA E DRAMA NO TEATRO SIMBOLISTA Beatriz Moreira Anselmo UEM [email protected] Por muito tempo a crítica literária se pôs a confirmar uma supremacia da poesia em relação a outros gêneros literários no Simbolismo. É fato que existe no movimento dos símbolos a presença de uma poesia que se caracteriza por hermetismo, musicalidade, misticismo e sugestões que convidam o leitor a tentar desvendar mistérios profundos da linguagem. Todavia, a literatura simbolista não se limitou apenas à poesia. Outros gêneros literários também constituíram a estética literária do final do século XIX. Ainda que não recebessem grande atenção da crítica, a prosa e o teatro são expressões de 89 significativa qualidade literária que atendem aos pressupostos estéticos simbolistas. Tendo em mente tal presença, este trabalho se voltará para o teatro simbolista, um teatro poético que lançou chamas às cenas teatrais no final do século XIX e que muito contribui para a realização das artes dramáticas contemporâneas. PALAVRAS-CHAVE: Simbolismo; Poesia; Teatro; Hibridismo literário. MEMÓRIA E METALINGUAGEM COMO CONFIGURAÇÃO DA POESIA AMOROSA DE NUNO JÚDICE Bruna Fernanda de Simone FCLAr/UNESP /Mestranda - CAPES [email protected] Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.) Um dos maiores nomes da poesia portuguesa contemporânea, Nuno Júdice, possuí vasta obra marcada pela presença de uma poesia feita “sobre ruínas” segundo Alves (2006). Suas características mais marcantes são o diálogo que empreende com outras artes, reflexões filosóficas e principalmente uma visão crítica sobre a própria poesia. Tais características ligadas a um ambiente de ruínas, de espaços desabitados ou abandonados, onde se insere um eu-lírico que é consciente de toda a produção poética são alguns dos aspectos que configuram a melancolia presente em seus poemas. Nuno Júdice iniciou sua produção com “A Noção de Poema”, onde já se destacava por uma singularidade marcada pela “criação de um universo imaginário único que se traduzia na utilização de um discurso próprio” (ALMEIDA, 2000). Advindo de um momento em que não se acreditava mais em representações do real ou nas emoções do sujeito poético, a obra judiciana parece afirmar uma poesia que somente poderia voltar-se ao ato poético. Em sua produção a melancolia, 90 sentimento inerente à arte na contemporaneidade, está intimamente relacionada à memória, um artifício de extrema importância para a configuração de sua poesia “sobre ruínas”. Um dos temas que se destacam, é o amor, porém um amor que não é apenas efusão de sentimentos, é antes de tudo, pensamento, já que há um eu-lírico extremamente consciente do ato poético e sua artificialidade. Pretendemos, portanto, analisar como o tema do amor se desenvolve em sua Poesia Reunida (1967-2000), a partir, principalmente, dos artifícios da memória, que vêm contribuir à criação de uma poesia lírica amorosa melancólica e estilhaçada, e que à sua maneira, busca exprimir um mundo de emoções perceptível apenas no momento de sua discursivização, criando acima de tudo, como afirma Martelo (2010), uma reflexão sobre as ferramentas do discurso que materializam tais emoções. PALAVRAS-CHAVE: Memória; Melancolia; Poesia amorosa; Procedimentos poéticos; Metalinguagem. O IMAGINÁRIO DECADENTE NA CONSTITUIÇÃO DO OLHAR POÉTICO EM AL BERTO. Camila Pinto de Sousa FCLAR/UNESP / Mestranda [email protected] Profª. Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.) A pesquisa em andamento tem por objetivo demonstrar o papel do imaginário decadentista na fundamentação de uma visão de mundo do sujeito lírico na poesia de Al Berto, poeta contemporâneo, utilizando como ferramenta a comparação com a obra poética de Camilo Pessanha, expoente máximo 91 do Simbolismo em Portugal. Nesta comunicação, demonstraremos a constituição do olhar decadente na poesia de Al Berto, um dos poetas mais instigantes da produção contemporânea. A poética deste poeta fundamenta-se em vestígios herdados de muitas tradições líricas, entre elas o Simbolismo/ Decadentismo, estética que esteve em evidência nos últimos anos do século XIX, tendo contribuído para o surgimento do Modernismo. A Decadência constitui uma concepção pessimista da existência humana, configurando características como o medo, a melancolia, a solidão, a dor de cunho existencial, a incerteza e a fixação pela ruína, que dão o tom negativo em relação ao mundo que é o que fundamenta o imaginário decadente e está presente no modo de enxergar o mundo do sujeito albertiano. A poesia de Al Berto é perpassada pelo sentimento do medo, que se manifesta, principalmente, pelos três principais receios do sujeito poético albertiano: o medo do tempo, relacionado com as preocupações acerca da finitude da existência, do “agora”, do envelhecimento ou da morte; o medo da perda, que se relaciona com o amor e com as preocupações existenciais e, ainda, o medo de permanecer, relacionado com a paixão pelas viagens. O medo representado na poesia de Al Berto é consciente. O sujeito não ignora seus sentimentos de medo e conclui que a única maneira de vencê-los é por meio da escrita. O próprio título do livro de Al Berto, O medo, permite vislumbrar aspectos instigantes do universo simbolista e decadente. Por meio da análise de alguns poemas, demonstraremos, pois, as características desse universo que fundamentam a poética do poeta. PALAVRAS-CHAVE: Al Berto; Simbolismo; Decadentismo; Poesia Portuguesa. 92 A REINCORPORAÇÃO MÍTICA EM ALEXEI BUENO Carlos Eduardo Marcos BONFÁ [email protected] FCLAr/UNESP - Doutorando Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.) Na poética de Alexei Bueno, a finitude humana e suas consequentes aspirações metafísicas dialogam desde sempre com o tempo mítico em relação à historicidade, diálogo que não se dissocia do homem atual, alicerçando uma poética arquetípica. Assim posto, há uma atualização/reincorporação do mito, inclusive em função de degradá-lo, sugerindo a situação do poeta e da poesia na sociedade contemporânea, assim como significados para todo ser humano inserido na contemporaneidade. Na minha apresentação demonstrarei principalmente um aspecto da remitização contemporânea de Alexei Bueno como “atualização” da tradição da femme fatale, que será interpretada à luz desta retomada e à luz do conceito de crise (pensando em Marcos Siscar) – conceito revelador de uma poesia que assume ela mesma a necessidade de se exibir em estado de crise, reincidindo em sua própria linguagem. PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Contemporaneidade; Metapoesia; Femme fatale. 93 ANTÓNIO LOBO ANTUNES E O TEMPO DA IMPOSSIBILIDADE: EM VIGÍLIA PEL’OS CUS DE JUDAS EM COMPANHIA DE BAUMAN E OUTROS PÓSMODERNOS Carlos Henrique Fonseca [email protected] FCLAr/UNESP - Mestrando Profª DrªMaria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.) O tema da identidade, ou das identidades, tem ocupado o centro da cena contemporânea dos estudos que propõem diferentes articulações entre o social e o literário. As noções de pós-modernidade, pós-modernismo e pós-colonialismo têm trazido novos olhares sobre a produção literária contemporânea, convergentes, por exemplo, com o hibridismo dos gêneros literários, com a discussão sobre a morte do autor, com as relações entre história, memória e ficção, com a estrutura fragmentária da narrativa e acerca da importância do leitor na construção de sentido da obra literária. Os cus de Judas (1979), um dos primeiros romances do escritor português António Lobo Antunes já apresenta, tanto em suas recorrências temáticas quanto em sua estrutura, características como o “descentramento do sujeito”, segundo Stuart Hall , bem como uma ressignificação do conceito de identidade e da íntima relação entre identidade nacional e identidade individual que, no caso do autor e do romance em questão, eclodem com o fim dos conflitos de desterritorialização das colônias portuguesas em África na década de 1970 e nortearão os temas de praticamente toda sua produção literária posterior. No exercício de se entender este novo cenário, o texto de Zygmunt Bauman Turistas e Vagabundos: os heróis e as vítimas da pós-modernidade (1998) é adotado aqui por apresentar dois tipos ideais de grande valia para refletirmos sobre o narrador-personagem do romance de Lobo Antunes em sua relação com o 94 sujeito pós-moderno. Auxilia-nos ainda, nesta reflexão, autores que pensam a pós-modernidade e o pós-modernismo como Gianni Vattimo e o pós-estruturalista Maurice Blanchot que discutem, respectivamente, o niilismo como alternativa e a lógica do paradoxo e da “impossibilidade” da linguagem literária. O diálogo proposto entre estes filósofos e a ficção com marcas de testemunho de António Lobo Antunes tem por alvo evidenciar o quanto a escrita deste autor constitui, ao mesmo tempo, um paradigma do pensamento e da literatura contemporâneos, em consonância com o que podemos considerar uma poética pós-modernista. PALAVRAS-CHAVE: Identidade; António Lobo Antunes; Pós-modernidade. POESIA E FILOSOFIA EM ÉDIPO E FENÍCIAS DE SÊNECA Cíntia Martins Sanches FCLAr/UNESP – Doutoranda/FAPESP [email protected] Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.) O suicídio é tema presente no discurso filosófico ao longo da história. Além de o próprio tema do suicídio consistir em um filosofema, ele também pode ser relacionado a outros filosofemas de grande relevância, como o “ser”, o “existir” e a “morte”. Ligam-se esses temas filosóficos aos questionamentos em torno do sentido da vida – é exatamente a falta de sentido para a vida que leva à reflexão sobre a viabilidade do suicídio. Os filosofemas muitas vezes coincidem com os temas literários. Isso acontece com o suicídio e pode ser ilustrado com o tratamento dado por Sêneca a esse tema nas tragédias Édipo e Fenícias. Assim, este trabalho pretende mostrar como o tema foi apresentado pela filosofia e relacionar aos procedimentos utilizados na literatura senequiana para servir (também, mas não só) a uma finalidade didática (como 95 é comum acontecer nas tragédias do autor). A proposta é apresentar o modo como a filosofia pensa o tema e relacionar a como a literatura trabalha com ele. Parte-se do pressuposto de que literatura e poesia nascem da mesma inquietação, são ambas movidas pelos mistérios que rondam o ser humano – daí a relação do suicídio com o questionamento em torno do sentido da vida. Para essa relação entre literatura e filosofia, trabalhar-se-á com Paz (1982), Paviani (2009), Schüler (2009) e Nunes (2009). O suicídio é tratado, tanto na filosofia como na literatura, como possibilidade diante da existência humana e da consciência da morte, como parte fundamental dessa existência. Os estoicos, por exemplo, afirmavam que é um dever renunciar à vida quando não houver mais possibilidade de se cumprir o próprio dever. É exatamente o que faz Édipo, nas tragédias aqui referidas: quer matar-se para que a cidade de Tebas seja livrada da peste que a assola – peste esta que só teria fim quando o assassino do antigo rei Laio fosse exilado e morto. A construção do Édipo senequiano privilegia os preceitos estoicos em relação ao suicídio honroso. Para ele, é mais digno morrer por suas próprias mãos do que continuar vivendo às custas de prejuízos aos outros, de uma maldição para sua família e para seu povo. PALAVRAS-CHAVE: Suicídio; Filosofia; Poesia; Sêneca. REPERCUSSÕES DA CONCEPÇÃO DO TRABALHO POÉTICO DE THÉOPHILE GAUTIER NA POESIA MODERNA Cristovam Bruno Gomes Cavalcante (FCLAr / UNESP) [email protected] Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.) Este trabalho tem como objetivo assinalar a permanência na poesia moderna da concepção de trabalho poético preconizada pelo crítico, romancista 96 e poeta francês, Théophile Gautier (1811- 1872), que, desde seu início nas artes, em detrimento da vertente intimista na poesia francesa, posiciona-se, entre outras coisas, a favor da liberdade e autonomia da Arte, propiciando o enriquecimento rítmico e formal da poesia, além de sua aproximação com as artes plásticas. Deste modo, relacionando o fazer poético com o trabalho do escultor, Gautier afirma, no poema que encerra os seus Émaux et Camées, “L’Art”, que o dever do poeta é controlar sua obra por meio do acuro verbal e formal. Tal preconização estruturou e influenciou movimentos poéticos e pôde ser sentida, seja na estilização buscada pelo parnasiano Olavo Bilac em sua Profissão de fé, seja no trabalho de poetas simbolistas da estirpe de um Mallarmé e de um arquitetônico Valéry. Mesmo no século XX, o esmero formal que o poeta francês tanto defendera, ainda pode ser notado em grandes linhagens poéticas como, por exemplo, na engenharia poética cabralina. PALAVRAS-CHAVE: Théophile Gautier; Poetas formalistas; Trabalho poético. ARTE E ULTRAJE: CARTAS DE LAWRENCE DURREL E ALFRED PERLÈS SOBRE A OBRA DE HENRY MILLER Daniel Rossi [email protected] (UNESP/FCLAr - Doutorando Profª Drª Maria Clara Bonetti PARO (Or.) O intuito desta comunicação é discutir a correspondência entre Lawrence Durrel e Alfred Perlès sobre a obra de Henry Miller, intitulada Art & Outrage [1959]. Os dois autores promovem uma troca de cartas cujo objetivo principal é avaliar e buscar uma forma de apresentar a obra de Henry Miller aos americanos (principalmente aos jovens). Este objetivo se aclara quando 97 trazemos à baila a questão da censura, que ainda vigorava sobre as principais obras de Henry Miller em seu país natal, os Estados Unidos, na época desta correspondência. As discussões giram em torno da questão das intenções da obra do autor, suas influências, relação vida e obra, a questão da obscenidade e o papel das biografias no que tange a obra de Henry Miller. Acreditamos que esta obra dramatiza certos posicionamentos dos críticos em relação à obra milleriana, além de trazer em seu bojo as contribuições do próprio Henry Miller sobre sua obra e sua visão de seus primeiros trabalhos publicados. Desta maneira, discutir esta correspondência pode trazer interessantes contribuições sobre a obra do autor americano vindas de outros autores que conviveram intimamente e foram a primeira recepção de sua obra literária. PALAVRAS-CHAVE: Henry Miller; Cartas; Alfred Perlés; Lawrence Durrel; AS ÁGUAS LIVRES: OBRA HETERODOXA E AUTOFICCIONAL Daniela Aparecida da Costa [email protected]. FCLAr/DS e PSDE/CAPES - Doutoranda Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) Propõe-se um estudo dos diferentes procedimentos narrativos empregados na construção de As águas livres: cadernos II, da escritora portuguesa contemporânea Teolinda Gersão. Lançada em Portugal, em 2013, é uma obra que não se enquadra em gêneros literários específicos, pelas diferentes linguagens que a constituem. Na esteira de Os guarda-chuvas cintilantes, de 1984, segue a linha do diário heterodoxo, que embaça e/ou distorce as características preestabelecidas para esse gênero. É uma escrita que transita entre o pulsar e o pensar, formando um texto híbrido com pensamentos, micronar98 rativas, minicontos, reflexões metalinguísticas sobre os próprios cadernos e, também, sobre outras obras da escritora, como, por exemplo, seu primeiro e seu segundo romance: O silêncio, de 1981 e Paisagem com mulher e mar ao fundo, de 1982. Trata-se, portanto, de um texto que tem muitas faces, permeado por reflexões sobre o próprio produzir, alternando-se entre o real/ referencial e o ficcional, cheio de experiências vivenciadas pela memória individual e também pela coletiva. O título é metafórico e faz referência ao aspecto livre da escrita por meio da menção, na cidade de Lisboa, de um aqueduto construído no século XVIII (atualmente desativado) que leva o nome de Águas Livres, por suas águas correrem livremente devido à força da gravidade. Lisboa é cidade-personagem nessa obra e também no romance anterior da autora, A cidade de Ulisses, de 2011: espaço privilegiado da ficção e autoficção de Gersão, como este estudo pretende demonstrar. Como aporte teórico para a abordagem da autoficção, merece destaque o texto de Klinger, de 2007 - Escritas de si, escritas do outro: o retorno do autor e a virada etnográfica. PALAVRAS-CHAVE: Literatura contemporânea; Teolinda Gersão; Hibridismo de gêneros; Autoficção; Metalinguagem. “POESIA DA CONSCIÊNCIA INFELIZ EM MEMÓRIA DE ELEFANTE, DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES” Daniella Sigoli Pereira [email protected] IBILCE/ CAPES – Rio Preto - Mestranda Prof. Dr. Márcio Scheel (Or.) Memória de Elefante narra um dia na vida de um psiquiatra, regressado da Guerra de Angola, separado da mulher e das filhas, refém da angústia e do 99 desamparo diante do que lhe parece uma existência vazia, sem projetos ou perspectivas. Além disso, vive um deslocamento de lugares, que é também subjetivo. Tal deslocamento marca-se pelo combatente que regressa ao país de origem, já como outro sujeito, destoante daquele que era quando parte para África, reencontrando um país que também já não é mais o mesmo por causa do olhar modificado que agora ele lança para o mundo exterior. Acrescido à experiência traumática, o protagonista ainda tem de aprender a lidar precariamente com a extensão das consequências que isso desencadeou (o casamento rompido, o afastamento das filhas e a desidentificação com a própria história pessoal). As recordações pessoais é que fundam o conflito entre o que o personagem fez e o que esperavam que fizesse, bem como entre o que ele mesmo esperava de si e o que conseguiu de fato realizar. Portanto, voltar representa o doloroso desencaixe em relação a si próprio e ao seu modo de estar no mundo. Para anunciar tais estados, o do desamparo e o da solidão, Lobo Antunes lança mão de uma linguagem altamente figurada marcada principalmente pela utilização de imagens metafóricas, bem como metonímicas. Tal linguagem emerge geralmente quando o plano memorialístico irrompe no discurso, fazendo com que o tempo e o modo de experenciá-lo se tornem subjetivos, característica fundamental, de acordo com Tadié (1974) para que uma narrativa possa configurar uma linguagem poética. Vale notar que os autores portugueses do período em que a narrativa é feita tem como compromisso não só a revelação, o questionamento e a revisão dos fatos que envolvem a história oficial de Portugal, mas, principalmente, suas representações na literatura. PALAVRAS-CHAVE: Lobo Antunes; Literatura e memória; Narrativa portuguesa; Literatura contemporânea. 100 FIGURATIVIDADE EM “CÍNIRAS E MIRRA”: UM ESTUDO DE SEMIÓTICA APLICADA (OVÍDIO, METAMORFOSES, X, 298-502) Ewerton de Oliveira Mera [email protected] FCLAr - UNESP – Mestrando Prof. Dr. Márcio Thamos (Or.) A proposta desta pesquisa é a de desenvolver um trabalho que procure investigar mais detidamente a figuratividade poética no texto latino, valendo-se do instrumental teórico que nos fornecem a Poética e a Semiótica Literária, tendo como corpus a obra Metamorfoses, livro X, 298–502, de autoria de Ovídio (43 a.C. – 17 d.C.), considerado um dos maiores poetas da Roma Antiga. As Metamorfoses são um grande poema versado em hexâmetros, ao longo de quinze livros, em que o autor trata do surgimento dos elementos que compõem o mundo e também da transformação ocorrida com diversos seres e figuras da mitologia através de metamorfoses. No recorte selecionado para a análise, conhecido como “Cíniras e Mirra”, o autor latino conta a transformação de uma bela jovem em uma árvore de mirra, fruto de suas súplicas aos deuses após cometer incesto com o próprio pai, Cíniras, um dos reis de Chipre. Com relação ao afastamento temporal – e o decorrente afastamento cultural – causado pela escolha de se trabalhar com um texto escrito na Antiguidade, é adotada para o trabalho a concepção do latim como uma língua viva do passado, sendo, portanto, como uma língua materna, com a única exceção de possuir um lapso temporal que nos separa de seus últimos falantes legítimos. Essa visão vai em contraposição à ideia, alimentada pela escola da tradição, de seu tratamento como uma espécie de superlíngua, capaz de, quase por si mesma, fazer de todo enunciado um monumento perene. Propõe-se, assim, como principal objetivo da pesquisa, a investigação semi101 ótica do texto clássico latino, com destaque para o plano da expressão. Dessa forma, tomando os efeitos de sentido captados pela percepção e apreendidos por meio da leitura cuidadosa como dados de base, pretende-se investigar o arranjo particular da linguagem no corpus. PALAVRAS-CHAVE: Figuratividade; Literatura Latina; Metamorfoses; Ovídio; Semiótica. CINEMA, MÚSICA E SUAS RELAÇÕES INTERSEMIÓTICAS Fabiana de Almeida [email protected] FCLAr - UNESP – Mestrando Profª Drª Fabiane Renata Borsato (Or.) O presente estudo apresenta uma análise das relações intertextuais entre cinema e música, especificamente a ópera “Otello” de Giuseppe Verdi, presente no filme Match Point do cineasta Woody Allen na cena apical do filme, o que afirma a interdependência narrativa da linguagem musical, produzindo significado proveniente da intertextualidade. Para tanto, iniciar-se-á com a descrição e análise da montagem cênica a partir dos estudos de Martin e de Eisenstein, que introduz na montagem cinematográfica a música como linguagem narrativa, e a análise da ópera na cena apical como parte da narrativa sob a perspectiva da semiótica de Barthes, que insere a ressignificação dos gêneros aqui estudados. PALAVRAS-CHAVE: Match Point; Woody Allen; Cinema; Música; Intersemiose. 102 POESIA, CRÍTICA E INTERTEXTO EM ONDAS CURTAS, DE ALCIDES VILLAÇA Fabiane Renata Borsato [email protected] FCLAr/UNESP O poeta, crítico e professor Alcides Villaça publicou os livros de poemas O tempo e outros remorsos (1975), Viagem de trem (1988), O invisível (2011) e Ondas curtas (2014), além da obra ensaística Passos de Drummond (2006). O último livro do autor, Ondas curtas, é composto de cinco seções, e apresenta metapoemas que abordam a função do poeta e da crítica; a memória do lido e do vivido pelos eus poéticos; as relações da poesia com a música, seja por meio do gracioso poema “Bach no céu”, dedicado a Manuel Bandeira, que cria o imaginativo diálogo fático entre Bach e são Pedro, seja pelo “Adagio sostenuto” que invoca Beethoven e seus métodos, andamentos e ritmos musicais. Há em Ondas curtas temas recorrentes da história da lírica, tais como a saudade amorosa, a paixão e o desejo, a presença da relação entre memória e intertexto, além de poemas compostos a partir do recurso ecfrástico. Diversidade e diálogo com a tradição são marcas desta obra que não subtrai poetizar fatos cotidianos, junto de notícias passadas e presentes. Ondas curtas é encerrado com a seção intitulada “Surdina”, que tem a morte como principal tema. Inusitado é que a morte do pai, enunciada nos versos do primeiro poema desta seção, é revertida rumo ao “susto de recém-nascido” (Villaça, 2014, p.87), cinemática às avessas presente em outros poemas da obra. Além disso, o último poema do livro faz menção à morte do eu poético, em “Agradecimento lapidar”, desconstruindo as “Lembranças de morrer” de Álvares de Azevedo ao afirmar que “não lamenta/ o que foi nem o que/ não será.” (Villaça, 2014, p. 102), ou seja, em lugar de evocar na lápide a vida e seus feitos, como no poema de Azevedo, Villaça opta por 103 igualar vida e morte, ambas não lamentáveis. A metalinguagem em Ondas curtas realiza-se principalmente por meio da intertextualidade. A consideração dos procedimentos de criação, recepção e estruturação do próprio texto tensiona modos de apreensão do mundo e reflexões de ordem teórica sobre a linguagem artística que interessam a este trabalho analítico da obra de Alcides Villaça. PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira contemporânea; Alcides Villaça; Ondas curtas; Metalinguagem; Intertextualidade. CRIAÇÃO E QUEDA DE JESUSALÉM: O IMPOSSÍVEL ESQUECIMENTO NA FICÇÃO DE MIA COUTO Gustavo de Mello Sá Carvalho Ribeiro FCLAr/UNESP [email protected]) Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) O moçambicano Mia Couto é considerado, hoje, um dos mais importantes escritores africanos contemporâneos, com intensa produção literária, que recebeu o Prêmio Camões em 2013. Publicado em 2009, o romance Jesusalém que, no Brasil, tem como título Antes de nascer o mundo, é considerado por Pires Laranjeira a obra mais madura do escritor. O objetivo da comunicação é mostrar como, por meio de recursos como o hibridismo da linguagem, a retomada de mitos, o romance cria um espaço alegórico, em que se destacam as relações assimétricas de poder. Esse objetivo pode ser alcançado pelo exame do modo pelo qual o autor representa a tentativa de um ex-colonizado de esquecer o passado e recomeçar a sua história do zero. A frustração com a queda do espaço em que vivia, o força a enfrentar as dores do passado. A alegoria mencionada é o estado de Jesusalém, criado por Silvestre Vitalício, que, como os estados nacionais modernos, apresenta nome oficial, 104 leis, bandeira, regime de governo, território bem demarcado e carregado de forte simbolismo pós-colonial. O estudo da queda do espaço simbólico é abordado por meio das tensões que se passam nesse território, como, por exemplo, as contraposições visão local vs. visão eurocêntrica e tradição vs. contemporaneidade que levam à dissolução desse espaço. Verificamos assim a maneira como Mia Couto constrói o tema da incapacidade de esquecimento das violências coloniais, presente nas culturas africanas, chegando ao tema universal das dificuldades de relação do homem contemporâneo com o tempo, desvendando, nesse processo, ressonâncias de escritores brasileiros como Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Clarice Lispector. A abordagem do romance é feita a partir de categorias narrativas como história, personagens, narrador, tempo, espaço responsáveis pela construção do tema apontado. O embasamento teórico principal para nosso estudo são ensaios sobre categorias narrativas, como Discurso da narrativa de Genette e postulados pós-coloniais, como as lições de Inocência Mata e Stuart Hall. PALAVRAS-CHAVE: Mia Couto; Hibridismo da Linguagem; Contemporaneidade; Pós-Colonialismo. A SACRALIZAÇÃO DA CIÊNCIA EM DEUSES AMERICANOS, DE NEIL GAIMAN Hebe Tocci Marin FCLAr/UNESP/ CAPES – Mestrando Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi (Or.) Abordar a ciência e as mudanças científico-tecnológicas na literatura é uma prática que acompanha a humanidade e sua evolução desde o princípio. Dessa prática surge a Ficção Científica (FC), um dos muitos ramos da rica literatura gótica. Na nossa sociedade, que faz uso constante e cada vez maior 105 da tecnologia e seus gadgets, porém, muitas das mudanças imaginadas pelos autores de FC, sendo elas fantásticas ou verossímeis, já foram alcançadas e quase não há temas e recursos que não foram ainda explicados pela ciência. Com isso, frente a um possível esgotamento de temas para a FC, o autor inglês Neil Gaiman cria em sua obra Deuses Americanos (2001) um novo tipo de ciência: uma ciência sacralizada, “deusificada”. No romance, deuses de culturas e religiões antigas devem conviver com e sobreviver a novos deuses emergentes – os deuses da mídia, dos carros e dos computadores, entre outros. As duas gerações de deuses disputam a fé da humanidade, o que os alimenta, e nesse processo, muitos desses deuses evoluem, involuem ou até mesmo morrem. A FC criada por Neil Gaiman retorna ao mito para explicar o desconhecido e torna-se então uma espécie de FC “reversa”. Este trabalho propõe um debate sobre essa nova face da FC com base nas teorias de Fred Botting, Mircea Elíade e Tzvetan Todorov, entre outros. PALAVRAS-CHAVE: Ficção Científica; Mito; Neil Gaiman; Sacralização A MODERNIDADE E OS ECOS SIMBOLISTAS EM THE WASTE LAND, DE T. S. ELIOT Isaías Eliseu da Silva [email protected] UNESP / FCLAr – Doutorando Profª Drª Maria das Graças Gomes Villa da Silva (Or.) Thomas Stearns Eliot é um dos grandes representantes da modernidade literária e tem sua produção assentada na primeira metade do século XX. Foi poeta, dramaturgo, crítico literário e consagrou-se, sobretudo, ao publicar o poema The Waste Land, em 1922. Considerado o arquétipo do poema modernista anglo-americano, a obra é inovadora por apresentar – na poesia – uma 106 estrutura fragmentada e a temática que trata da condição desoladora do homem daquele tempo. Embora seja um expoente da estética modernista, T. S. Eliot demonstra em sua obra aspectos que revelam uma herança simbolista. Leitor de Charles Baudelaire, Eliot toma daquele poeta traços tais como o tema decadente, o uso de símbolos e a sonoridade expressiva dos versos. Este trabalho tem por objetivo refletir sobre a característica moderna de The Waste Land e os traços do simbolismo que permeiam o poema. Os principais teóricos nos quais estará baseada a argumentação serão Kathrin Rosenfield, Edmund Wilson e Anna Balakian. A metodologia de trabalho consiste em apresentação de aspectos da vida e da obra de T. S. Eliot, com destaque à sua produção poética e influências, reflexão sobre a modernidade e análise do poema The Waste Land. PALAVRAS-CHAVE: Poesia; T. S. Eliot; The Waste Land; Modernidade; Simbolismo. A DESREALIZAÇÃO DA FICÇÃO E DA EXISTÊNCIA: UMA LEITURA INTERVALAR DE ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA Jacob dos Santos Biziak [email protected]) UNESP / FCLAr - Doutorando Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.) Para compor nossas reflexões aqui, contaremos com alguns apontamentos de Georges Didi-Huberman (1998), que, em sua obra O que vemos, o que nos olha, apoiado na psicanálise freudiana e lacaniana, tece considerações a respeito da arte contemporânea que, ao nosso ver, valem também para o romance de Saramago. Em Ensaio sobre a cegueira (1995), o que se re107 vela diante o ser humano é um grande vazio com que devemos criar uma mediação possível, um aparato simbólico. Ou seja, qualquer elemento de representação começa e termina no homem, ele é o senhor de suas mediações, sempre em contato e relação com o Outro. As possibilidades de sentido para a existência, então, surgem a partir do contato com a falta, o sofrimento: isso estabelece conexões do sujeito com a linguagem, e esta surge como tentativa de significação deste trauma. Ver, aos poucos, revela-se como um ato aberto, inquietante, em que o sentido depende de uma experiência intersubjetiva. Enquanto esta nova consciência é construída, tudo é reduzido ao mínimo: não somente as cores, mas também as roupas, os alimentos, a dignidade, a ética do grupo, entre outros. Não é nem no vazio de si e nem no do mundo que cada personagem se constitui, mas é no intervalo dele com o Outro, com o qual o instrumento mais eficiente de contato é a voz. O entrelugar entre ver e o que se vê é inquietante, trazendo aquilo que deveria ter sempre ficado escondido: nosso fundamento a partir do constatação do abandono primordial, quando, desde já, somos barrados. Qualquer acesso ao sentido não pode ser alcançado de forma essencialista; o significado não habita os objetos e as pessoas enquanto essência a ser conquistada, já que estes também são vazio. É no discurso intervalar entre o que vemos e o que nos vê que o narrador do romance em questão constrói as possibilidades do significar. O que vemos é suportado pela perda e algo resta, e este é constituinte do sujeito e das possibilidades de significação da existência e da ficção romanesca. PALAVRAS-CHAVE: Angústia; Ficção; Mímesis; Ensaio sobre a cegueira. 108 A IRONIA NOS POEMAS A ORIGEM DO MÊNSTRUO E ELIXIR DO PAJÉ Jéssica Fabrícia da Silva FCLAr/UNESP – Graduanda [email protected] Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.) Esta pesquisa propõe a análise dos poemas “A Origem do Mênstruo” e “Elixir do Pajé”, ambos do poeta romântico Bernardo Guimarães e conceituados como destoantes de sua produção poética, a partir do viés da ironia na poesia. Desse modo, o estudo pretende, para mais que demonstrar a inserção destes textos poéticos no movimento romântico brasileiro, expor as formas de ironia nos diversos níveis que constituem estes poemas, ou seja, os níveis semânticos, morfológicos e formais. Assim, recorreremos à fortuna crítica de Guimarães, considerando o que estudiosos, como por exemplo, Antonio Candido e Vagner Camilo, dizem a respeito das chamadas “poesias pantagruélicas” do poeta mineiro. Além disso, as análises serão fundamentas a partir da teoria poética de Octavio Paz, por a considerarmos abrangente, pois concebe a obra poética como um todo constituído por ritmo e imagens, que, em seu final, mostram-se complementares e profundas de sentidos. PALAVRAS-CHAVES: Bernardo Guimarães; Poesia Pantagruélicas; Romantismo; Ironia. 109 MARCIAL: UM ESTUDO DE RECEPÇÃO DA TRADUÇÃO Joana Junqueira Borges FCLAr/UNESP - Doutoranda [email protected] Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.) Com a proposta de contribuir com a definição de uma História da Tradução em contexto lusófono e, com isso, retomar antigas traduções luso-brasileiras de clássicos greco-latinos, trabalhamos com traduções de quarenta e nove epigramas de Marcial realizadas por José Feliciano de Castilho no século XIX. Castilho José, como era comumente conhecido, nasceu em Portugal em 1810, veio para o Brasil em 1847 e viveu aqui até sua morte em 1879, período em que participou ativamente da cena literária, frequentando inclusive os saraus literários promovidos pelo Imperador D. Pedro II. Marcial foi o maior epigramatista romano, sendo inclusive o poeta que difundiu e edificou o gênero entre os romanos; suas temáticas são variadas, mas é principalmente conhecido em nossos dias por sua acidez e por uma linguagem mais “baixa”. Com a intenção de mostrarmos como se dava a leitura e a compreensão da obra de Marcial nos dias de sua tradução por José Feliciano de Castilho, apresentaremos, confrontando com traduções recentes, outras traduções e teorizações do poeta latino realizadas por poetas franceses, espanhóis e brasileiros, além, é claro, do próprio José Feliciano de Castilho. Para isso nos valeremos do epigrama 6.31, traduzido em duas edições francesas do século XIX − Simon (Ed. Guitel, 1819) e Verger (Ed. Panckoucke, 1834) –, uma luso-brasileira do mesmo século − Castilho (Ed. Lammert, 1862) –, uma espanhola do fim do século XX − Valverde e Verger (Ed. Gredos, 1997) – e uma brasileira do século XXI − Agnolon (Ed. Humanitas, 2009) –, além, é claro, de nos valermos de considerações filológicas relativas ao texto latino (Ed. Belles Lettres, 1961). A distância temporal entre essas diferentes 110 configurações de um mesmo poema reflete nosso interesse em demonstrar o quanto, através do tempo, a leitura dos epigramas de Marcial mudou e como a época e o contexto de produção de uma obra literária podem influenciar a recepção. PALAVRAS-CHAVE: Marcial; Estudos de Tradução; Literatura Latina; José Feliciano de Castilho; Recepção. UMA BIOGRAFIA LITERÁRIA DE PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS João Francisco Pereira Nunes Junqueira FCLAr/UNESP - Doutoranda Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.) O presente projeto de pesquisa busca construir uma biografia literária do poeta paulista Péricles Eugênio da Silva Ramos (1919-1992). A pesquisa propõe apresentar uma visão global do trabalho literário do poeta, até agora não realizado de forma plena. Esta visão abarca sua própria obra autoral como poeta (cinco livros de poesia), crítico literário e tradutor. Outro ponto importante da pesquisa será a utilização de um acervo pessoal do poeta como corpus de pesquisa. Tudo com o intuito de clarear ao máximo as análises sobre a obra de Péricles Eugênio. O método empregado para a análise dos poemas de Péricles Eugênio da Silva Ramos parte de observações feitas durante a leitura de obras sobre a métrica tradicional e a rítmica moderna, pois a partir das rupturas empregadas pelo poeta, em relação à tradição, ficará mais claro o rumo escolhido na confecção de seus versos. Em relação à métrica tradicional foi feita uma escolha de obras que tratam da versificação em língua portuguesa, além de textos que versam sobre métrica inglesa e latina. As três principais obras usadas sobre este aspecto são Versificação portuguesa 111 de Said Ali, Teoria do verso de Rogério Chociay, e O verso romântico e outros ensaios do próprio Péricles Eugênio da Silva Ramos, que traz ensaios específicos sobre a estrutura de algumas formas de versos, inclusive de versos ingleses. Sobre a rítmica moderna será utilizada como apoio obras como O ser e o tempo da poesia de Alfredo Bosi, O problema da linguagem poética I de Iuri Tinianov, entre outros. Além de teóricos da tradução, como, por exemplo, José Paulo Paes e Haroldo de Campos. As análises pretendem demonstrar de que forma se estrutura o verso tanto da poesia quanto da tradução do poeta, além da presença da tradição de séculos de poesia na obra de Péricles Eugênio da Silva Ramos. Com relação à pesquisa do acervo de Péricles Eugênio da Silva Ramos, nossa pesquisa utiliza como aparato crítico a obra Crítica e coleção organizado por Eneida Maria de Souza e Wander Melo Miranda. Esta obra conta com vários artigos relacionados a acervos, arquivos e museus, e dá um panorama das abordagens recentes de pesquisas voltadas a este assunto. PALAVRAS-CHAVE: Péricles Eugênio da Silva Ramos; Poesia; Tradução; Acervo literário; “Geração de 45”. A CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA POÉTICA NO CONTO “LUVINA”, DE JUAN RULFO Larissa Müller de Faria FCLAr/UNESP /CNPq - Mestranda [email protected] Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) O presente trabalho tem como objetivo estudar o conto “Luvina”, da coletânea de contos do escritor mexicano Juan Rulfo, publicada em 1953. O que se propõe é um estudo do que se apresenta como sobrenatural e memória, ima112 ginário e realidade no conto, os quais são vistos em sua relação íntima com o subjetivo da narrativa poética, que se realiza no campo de uma linguagem moderna. PALAVRAS-CHAVE: Rulfo; Conto; Narrativa poética. CONSTRUÇÕES SENSORIAIS EM CONTOS DE LAÇOS DE FAMÍLIA DE CLARICE LISPECTOR Letícia Coleone Pires FCLAr/UNESP - Graduanda – Bolsista PIBIC [email protected] Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) A comunicação a ser apresentada tem como objetivo primordial averiguar de que modo os campos sensoriais – audição, tato, paladar, olfato e, mais especificamente, o olhar -, contribuem para a construção do tema de determinados contos de Laços de família, coletânea de Clarice Lispector de 1960. Nessa direção, procura-se indagar como os sentidos colaboram para o momento em que se estabelece a epifania, quando ela existir. O corpus da pesquisa é composto por três contos do livro em questão: “A imitação da rosa”, “Preciosidade” e “Os laços de família”. Tais contos foram selecionados por apresentarem em seu cerne a presença visível das percepções sensoriais que foram aqui listadas. Coincidentemente, as composições selecionadas têm grande destaque nos estudos críticos sobre a obra da escritora que, em sua maioria, salientam a singularidade de sua escritura, cuja base é o uso poético da linguagem em narrativas em que se a introspecção é uma das características centrais. A hipótese é a de que, nos contos em pauta, categorias narrativas - como história, personagens, tempo e espaço - constroem organicamente os campos sensoriais que beneficiam a elaboração da epifania. 113 A crítica sobre Clarice Lispector vem apontando a importância do olhar em sua narrativa, mas pretendemos mostrar o vigor de outros sentidos. Para o desenvolvimento da comunicação utilizaremos três tipos de apoio teórico: o primeiro é constituído por ensaios críticos sobre a produção clariciana, com maior destaque para Laços de família; o segundo é formado por proposições teóricas a respeito de percepções sensoriais e da epifania e o último compõe-se de textos teóricos relativos às categorias narrativas. PALAVRAS-CHAVE: Linguagem poética; Clarice Lispector; Laços de família; Construção sensorial. FRANCIS PONGE: A POESIA POR UMA REVOLUÇÃO DA LINGUAGEM Lígia Maria Pereira de Pádua Xavier [email protected] Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) José Paulo Paes em “Para uma pedagogia da metáfora” endossa a premissa aristotélica de que a poesia é a metáfora do mundo em função do seu poder heurístico contingente, de “revelar o universal no particular”. No entanto, ele afirma que a poesia moderna operou uma radicalização lírica de modo que os nexos entre literal e figurado se esgarçaram intimando o leitor a “reagrupar metaforicamente os detritos no transreal de invenção.” Ítalo Calvino em sua conferencia “Exatidão” junta-se a Paes e defende o mesmo poder eloquente das palavras e reivindica a literatura como o único meio de salvar a palavra e a imagem do seu uso burocrático e mediático promulgando uma renovação da linguagem. Assim, aponta Francis Ponge – “mestre sem igual” – como exemplo impar dessa empreitada: “melhor exemplo de um poeta que se bate com a linguagem para transformá-la na linguagem das coisas, que parte das coisas e retorna a nós trazendo consigo toda a carga humana que nelas havía114 mos investido.”Francis Ponge, nascido em 1899 em Montpellier, é um poeta francês designado como “poeta das coisas”, pois, ao refutar a efusão lírica e o subjetivismo, dedica-se à observação e apreensão da realidade das coisas, dos objetos por meio de um vertiginoso trabalho da linguagem fazendo uso de neologismos a partir da etimologia das palavras. Como um exímio antípoda da lírica, Ponge conduziu sua poesia pelos domínios da prosa – “proemas” – e fazia exercício de crítica em seus poemas chegando, até mesmo, a publicar seus esboços e borrões levando às últimas consequências o “inacabamento perpétuo” da arte literária com os seus “poemas-canteiros-de-obra”. Ele falece em 1988 em Paris e entra para o cânone literário mundial como um poeta revolucionário que promove a “desintoxicação da linguagem poética da massa de suas escórias líricas” através da transgressão da noção analógica da metáfora: “os objetos singulares são usados por Ponge para fazer explodir a macro-unidade do mundo, bem como a razão sintética e totalizante, com as suas interconexões.” O objetivo desse trabalho incide justamente em verificar como Ponge, por meio da sua original criação poética, opera uma revolução da linguagem capaz de fazer frente à sua contaminação pelo uso cotidiano. PALAVRAS-CHAVES: Francis Ponge; poesia; literatura francesa moderna. DUAS LEITURAS TRADUTÓRIAS DE POUND, J. P. SULLIVAN E PAULO LEMINSKI: REINVENTANDO O SATYRICON, DE PETRÔNIO Lívia Mendes Pereira FCLAr/UNESP/–CAPES - Mestranda [email protected] Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.) Diante da rica fortuna tradutória do Satyricon de Petrônio, o presente trabalho seleciona e coloca em foco duas traduções poundianas da obra. A tra115 dução do classicista e tradutor norte-americano J. P. Sullivan, lançada em 1965 pela editora Penguin Books, e a do poeta e tradutor brasileiro Paulo Leminski, lançada em 1985 pela editora Brasiliense. A primeira, que se situa no movimento Swinging Sixties, nascido em Londres e repercutido pelo mundo, e dois anos antes da euforia hippie, culminada pelo Summer of Love, em abril de 67, é marcante por quebrar as regras e não censurar as cenas eróticas, muito presentes no livro. A segunda tradução, marcada pela influência os movimentos libertários dos anos 60, expressa os interesses de sua época e reflete a irreverência da década de 80 brasileira, assumindo como produto final um romance marginal, inspirado no mote de Petrônio. Ambas traduções mais ou menos declaradamente refletem a leitura tradutória inovadora de Ezra Pound, do “make it new”. A partir dessas duas obras, pretendemos demonstrar quais foram os diversos resultados alcançados, no nível da linguagem e da interpretação, comparando trechos coincidentes entre as duas traduções, como produtos da leitura de Pound e sob as influências dos novos hábitos culturais. PALAVRAS-CHAVE: Satyricon; Ezra Pound; Sullivan; Leminski; Recepção da Literatura Greco-romana. METALINGUAGEM NA POESIA DE ROBERTO PIVA. UM ABSOLUTO CORPÓREO Luiz Carlos Menezes dos Reis FCLAr- UNESP – Pós-Doc [email protected] Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Sup.) A busca de uma perspectiva metalinguística aparece como uma maneira de a poesia contemporânea dialogar com um sentido num mundo niilista. A 116 modernidade tardia é palco das diversas micropolíticas e do universo pós-moderno, que aparentemente recusariam qualquer sentido último para a realidade e para a arte. A poesia de Roberto Piva, em seu último livro, Ciclones, mostra um sentido de poesia que a conecta com o conceito de essência explorado pelo filósofo Heidegger, para quem a poesia mostra a essência da linguagem ao desvelar uma perspectiva ontológica. O poeta Roberto Piva concebe a poesia num agenciamento que liga a Natureza com o ato poético, capaz de conjugar uma visão de plenitude que pode ser qualificada como essencial. Mas, numa perspectiva diversa da heideggeriana, o poema de Piva passa também por um contato corpóreo. Esta comunicação explora a ligação da poesia de Roberto Piva com a filosofia de Heidegger, ressaltando a perspectiva do corpo como significativa e definidora da própria poesia. PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Contemporaneidade; Metalinguagem; Essência da linguagem; Poesia e corpo. A “MÁQUINA DO MUNDO” RECRIADA – E NOVAMENTE EVITADA – EM JUNCO (2011), DE NUNO RAMOS Luis Eduardo Veloso Garcia FCLAr- UNESP [email protected] Profª Drª Juliana Santini (Or.) Lançado em 2011, o livro Junco, de Nuno Ramos, tem sua montagem baseada em duas imagens que aparecem em 18 fotos e 43 poemas: um junco jogado na beira do mar e um cão morto largado no asfalto. No decorrer das interpretações subjetivas que os poemas geram destas duas imagens (com a contemplação das fotos entrecortando os poemas para que o leitor as ressignifique do seu modo também), encontra-se um eu-lírico baseado no exercício 117 visto no poema “Máquina do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade: através das duas imagens confrontadas, como nos chama a atenção Flora Sussekind (2011) na orelha do livro, ocorre “à busca do sentido do mundo, à “total explicação da vida” que espantosamente se abre aos olhos de um caminhante solitário, ainda que para se recolher, logo em seguida, e sem desfazer o enigma, como no poema de Drummond”. Portanto, levando em consideração a leitura referente à forma que Drummond redimensiona sua “Máquina do Mundo”, escolhemos para este trabalho o primeiro poema do livro de Nuno Ramos para demonstrar em sua construção o confronto com o enigma claro que a matéria carrega (Assim é a matéria, tem seu frio) e o modo que o eu-lírico o nega pelo medo de não conseguir lidar com este peso (Por isso durmo e não pergunto/ junto aos juncos). PALAVRAS-CHAVE: Nuno Ramos; Junco; Carlos Drummond de Andrade; Máquina do Mundo; Poesia. ICONICIDADE E POÉTICA: A EXPRESSIVIDADE NA LETRA DA CANÇÃO “ATRÁS DA PORTA” MARCELA ULHÔA BORGES MAGALHÃES Marcela Ulhôa Borges Magalhães FCLAr- UNESP - Mestranda [email protected] Profª Drª Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.) A noção de isomorfismo é correspondente ao conceito de paralelismo desenvolvido por Roman Jakobson em Linguística e Comunicação (1973). Trata-se de homologações, acoplamentos, que ocorrem entre o plano de conteúdo e o plano de expressão da linguagem. Tais isomorfismos 118 intensificam a poeticidade do texto literário: a matéria fônica do plano de expressão é organizada de maneira a que os signos presentes no poema, que não apresentam os mesmos correspondentes no mundo natural, sejam aproximados e passem a confluir na mesma direção, assegurando e reforçando, por meio da expressão, a isotopia figurativa delineada no plano de conteúdo do texto. Pretende-se, nesta comunicação, demonstrar como o procedimento supracitado contribui para a construção do poético na letra da canção “Atrás da porta”, da autoria de Chico Buarque e Francis Hime, que recorre aos isomorfismos em busca de potencializar os efeitos de sentido, em especial, os passionais, engendrados na letra da canção, pois as paixões, que aparecem no plano de conteúdo do texto, transbordam para o plano da expressão de modo a formar uma tessitura uniforme, em cuja plasticidade, expressão e conteúdo são solidários. Vocábulos com sentidos diferentes, mas semelhantes foneticamente, são reunidos, por meio do processo de seleção e combinação realizado pelo enunciador, no mesmo sintagma frasal, de modo que eles passam, em virtude da materialidade fônica do plano de expressão, a confluir na mesma direção, homologando-se à isotopia desenvolvida no plano de conteúdo. O processo isomórfico, assim, faz com que aquelas palavras com sentidos diferentes, se reunidas, produzam o efeito de similitude semântica, como muito bem evidencia Jakobson em suas reflexões (ibid.). Para pensar tais questões, utiliza-se como arcabouço teórico a semiótica greimasiana de linha francesa, que se dedica ao estudo dos processos de significação. PALAVRAS-CHAVE: iconicidade; expressividade poética; “Atrás da porta”; Chico Buarque. 119 O HIBRIDISMO ESQUILIANO: A TRAGÉDIA LÍRICA Marco Aurélio Rodrigues FCLAr/UNESP/CAPES – Doutorando [email protected] Prof. Dr. Fernando Brandão dos Santos(Or.) Profª Drª Maria de Fátima Sousa e Silva (Universidade De Coimbra/FLUC) Primeiro representante da tragédia clássica, Ésquilo compôs dramas com fortes traços épicos e líricos. Das sete peças remanescentes do tragediógrafo é possível extrair elementos que, ora são preeminentemente um resgate da tradição heroica, como é o caso de Sete Contra Tebas (467 a.C.), ora possuem momentos de extremo lirismo, como é o caso de Suplicantes (por volta de 463 a.C.), designada por Kitto (1939) como uma “tragédia lírica”. No entanto, embora a predominância de traços líricos seja mais evidente em Suplicantes, tal como propõe o helenista, as tragédias de Ésquilo pertencem a um período de transições e renovações em todas as esferas, inclusive na recém-criada arte dramática. Todavia, mesmo acrescentando inovações à sua tragédia, em relação à estrutura e à forma, o dramaturgo estava intimamente ligado à tradição do gênero épico e lírico e, portanto, ao falar em “hibridismo esquiliano”, o presente trabalho versa sobre aspectos que compõem os dramas do autor e as influências do lirismo, traço que seria explorado por Aristófanes na comédia Rãs (405 a.C.) como uma das principais marcas da produção do primeiro tragediógrafo clássico. PALAVRAS-CHAVE: Tragédia; Ésquilo; Hibridismo; Gênero lírico. 120 HIBRIDISMO EM UM ROMANCE BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO Maria Célia Leonel [email protected] Edna M. F. S. Nascimento edna.fernandes @uol.com.br O objetivo da comunicação é demonstrar que, no romance Um crime delicado (primeira edição de 1997) de Sérgio Sant’Anna, o protagonista relata um acontecimento de certo modo inusitado por meio de uma construçãoliterária que ainda hoje pode ser considerada como inusitada: a mistura de linguagens em que sobressaem, em especial, a da ficção literária e a da crítica de arte. A história, em princípio, pode ser considerada como banal: o crítico profissional de teatro Antônio Martins conta, em primeira pessoa - ou como narrador autodiegético - as mudanças ocorridas na sua vida depois de conhecer Inês. Homem tranquilo e já cinquentão, apaixona-se pela jovem modelo de um pintor. Instala-se, para o protagonista-narrador, um triângulo amoroso, porque ele crê que Inês mantém um relacionamento com o artista plástico. Tal situação, como sói acontecer, gera insegurança em Antônio que, ciumento, deseja a mulher só para si. Elementos incomuns provêm do fato de Inês ser manca, e um tanto excêntrica, de manter com ele um relacionamento estranho e equívoco, acabando por denunciá-lo por estupro em consequência de uma relação sexual em que ela se comporta ambiguamente. A construção discursiva do narrador-protagonista conta a história em meio a interessantes reflexões sobre arte e outros temas, a uma peça de defesa do próprio protagonista entre outros registros. Para atingir o objetivo, tomamos como balizas teóricas estudos sobre a narrativa e sobre diferentes linguagens. PALAVRAS-CHAVE: Sérgio Sant›Anna; Um crime delicado; Hibridismo da linguagem; Representação do inusitado. 121 O MITO DE NÍOBE E SEUS REFLEXOS NAS ARTES PLÁSTICAS Mariana Peixoto Pizano FCLAr-UNESP- Mestrando [email protected]) Prof. Dr. João Batista Toledo Prado (Or.) O projeto tem em mira analisar a expressividade poética dos versos que relatam o mito de Níobe, narrado no sexto livro das Metamorfoses de Ovídio. O mito conta a ousadia da esposa do lendário rei de Tebas, ao insultar a mãe dos gêmeos Febo-Apolo e Diana, porque, devido a sua numerosa prole, a rainha se achava mais digna de receber incenso e preces que a deusa Latona; tamanha heresia rendeu-lhe uma terrível punição, imposta pela deusa ultrajada. A análise da passagem pretende valer-se de elementos de crítica poética, que constituem o que se tem chamado Poética da Expressão, bem como de certos elementos de semiótica francesa, tal como o conceito de semi-símbolo. O objetivo será estudar de que maneira a história narrada (fabula) e sua expressão poética – o modo como o texto foi composto por meio do arranjo das palavras em verso, com todos os recursos permitidos pelo sistema linguístico do latim, reapropriado pelo(s) sistema(s) da poesia – unem-se a fim de construir sentidos que se valem (mas ao mesmo tempo ultrapassam) a mera gramaticalidade. É mister ressaltar que a língua latina permite arranjos muito mais livres em relação às possibilidades de construção frasal que as demais línguas novilatinas, um dos motivos pelos quais se torna relevante um trabalho de análise que leve em conta a expressividade do texto. Também serão observados e explicados os elementos de cultura que integram o texto e que, mercê do distanciamento espaço-temporal que se experimenta modernamente em relação ao mundo dos antigos romanos, clamam por elucidação. 122 Por fim, também serão analisados aspectos métricos e estilísticos do texto ovidiano, com aproveitamento dos conhecimentos advindos das pesquisas realizadas durante a Iniciação Científica da pesquisadora, que se ocupou de trechos da obra De Litteris, De Syllabis, De Metris de esticologista latinoTerenciano Mauro. PALAVRAS-CHAVE: Níobe; Metamorfoses; Ovídio; Expressividade poética; Semi-símbolo. OS ASPECTOS REALISTAS E MITOLÓGICOS EM LE CHERCHEUR D’OR, DE J.M.G. LE CLÉZIO Marília Alves Corrêa (Bolsista CNPq) FCLAr-UNESP- Mestranda Prof ª DrªAna Luiza Silva Camarani (Or.) O principal objetivo deste trabalho é demonstrar como J.M.G. Le Clézio faz de Le chercheur d’or (1985) um conjunto de elementos míticos e lendários extremamente díspares, mas que, no conjunto da obra, formam uma narrativa homogênea cuja principal finalidade é transmitir a ideologia intercultural do autor. Também serão enfatizados os aspectos realistas envolvidos no romance, uma vez que Le Clézio procura fazer uma denúncia das relações de poder características dos séculos XX e XXI, em que a hegemonia dos países ocidentais exercem uma supremacia aniquiladora sobre os povos outrora colonizados, o que minimiza sua importância étnico-cultural. Nesse contexto violento e opressivo do capitalismo, o que o escritor pretende valorizar através do protagonista e narrador Alexis é a plenitude e a harmonia 123 que foram perdidas no decorrer do progresso industrial, preterindo o materialismo e a busca incessante pelo poder característicos do homem contemporâneo. Para que essa mensagem seja transmitida com eficácia, Le Clézio utiliza-se da polifonia inerente aos romances de Dostoiévski, ou seja, não há, em Le chercheur d’or, a intenção de submeter a voz dos outros personagens à voz do herói europeu Alexis; pelo contrário, a proposta lecléziana é fazer com que as vozes dos personagens (principalmente indianos e africanos), representadas pelos mitos e lendas que evocam, sejam um complemento da ideia do protagonista. Sendo assim, as culturas e etnias presentes na narrativa coexistem de maneira harmônica e complementar, sem que uma se sobreponha à outra, assim como propõe a ideologia intercultural. Todos esses aspectos críticos e mitológicos que envolvem o romance são expostos sob a forma de um romance de aventuras, em que a busca pelo ouro torna-se um símbolo da busca pela plenitude tão almejada pelo homem contemporâneo, representado, genericamente, pelo herói Alexis. A identificação do leitor com o protagonista ocorre na medida em que este demonstra suas fraquezas e narra as adversidades que enfrenta, explicitando dúvidas e questionamentos que são intrínsecos ao ser humano. Desse modo, a grandeza literária de Le Clézio está em explorar gêneros já consagrados, mas sob novas roupagens, destacando sua sensibilidade em adaptá-los às novas necessidades do leitor e da literatura contemporâneos. PALAVRAS-CHAVE: Narrativa contemporânea; Realismo; Polifonia ; Romance de aventuras; Le Clézio. 124 UMA LEITURA SOBRE O ESPAÇO E O PODER ATRAVÉS DA OBRA O EQUIVOCRATA, DE RAUL FIKER Matheus Marques NUNES FCLAR/UNESP – Pós-Doc [email protected] Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Sup.) Este trabalho aborda a questão do espaço e do poder presentes na obra O equivocrata (uma reta de vista), do artista e filósofo Raul Fiker. Através da discussão do tema poderemos resgatar: o processo de construção do poder do Estado Moderno através da criação do espaço e também as mudanças sociais ocorridas pela compressão espaço/tempo na forma como o controle é exercido sobre os indivíduos na pós-modernidade. A obra destaca, como consequência desta alteração no exercício do poder, o tema do artista confrontado com a imposição dos poderosos de subjugar a disparidade com a ajuda de categorias legalmente definidas. Tudo para melhor excluir aqueles que se opõem ao seu controle. Trata-se de uma batalha pela soberania e, simultaneamente, uma luta pela legibilidade do espaço. Por isso mesmo, a discussão acerca do olhar sobre o estranho aparece com tamanha força nas metáforas da prosa poética que descrevem, por exemplo, as transformações e a fragmentação do espaço urbano na modernidade. A fragmentação esta presente, evidentemente, tanto na forma de tal prosa poética quanto nos conteúdos e significados veiculados na obra. No processo de construção do poder burocrático, a caracterização e as novas tipologias, alcançadas através do isolamento via separação espacial, tomam o lugar da singularidade dos indivíduos e das suas histórias. Como definido por Michel Foucault, a História Moderna caracteriza-se pela vigilância e pela punição, nesse sentido, o poeta trava uma contínua luta que acontece num cenário controlado e transparente. Nes125 ta reorganização do espaço já não importa quem é o observador, mas a objetividade da descrição para os objetivos do controle burocrático. O espaço deve ser perfeitamente legível para o Estado e, assim, a desnorteante diversidade de imagens urbanas fragmentadas deveria ser substituída por uma hierarquia de imagens para aprimorar o controle dos atores sociais. Vamos destacar ainda a questão da viagem e do aprisionamento, pois a obra é uma narrativa cronológica fragmentada sobre tais temas. As “pressões” e “impressões” fragmentadas do viajante poeta e pirata Endpeleuto O’Vascanton serão um contraponto para o nosso exercício crítico diante deste vasto mar aberto de medos e possibilidades. PALAVRAS-CHAVE: Literatura brasileira; Contemporaneidade; Raul Fiker; Espaço e poder; Prosa poética. A PRESENÇA DA NATUREZA EM EMILY DICKINSON E ELIZABETH BISHOP: ANÁLISE DOS POEMAS “I STARTED EARLY – TOOK MY DOG” E “THE WEED” Natalia Helena Wiechmann FCLAR/UNESP –Doutoranda [email protected] Profª Drª Maria Clara Bonetti Paro (Or.) É de conhecimento geral que a natureza se faz presente em todas as áreas do saber humano, como a religião, a ciência e a literatura; reconhece-se também que, para esta última, a natureza é comumente vista como fonte de inspiração. De fato, com o Romantismo, entre finais do século XVIII e início do século XIX, institui-se a natureza como fonte de conhecimento e revelação, além de espaço para o refúgio do indivíduo, o que de certa forma moldou as idéias de autores e leitores acerca das relações entre o mundo natural e a manifestação literária. No entanto, para além de inspiração ou fuga do mundo real, verifica126 se que grandes nomes da poesia de língua inglesa escrita por mulheres, como Emily Dickinson, Marianne More, Elizabeth Bishop e Sylvia Plath, recorrem à natureza em suas escolhas temáticas, de vocabulário, de construção de imagem e de símbolo, fazendo com que as relações construídas nos poemas possam sugerir metáforas representativas do próprio eu (self). Em outras palavras, a natureza pode se revelar como o ponto a partir do qual a poeta entende e orienta seu lugar no mundo físico e literário, podendo, portanto, ser um aspecto de comparação entre os trabalhos produzidos por essas poetas. Na tentativa de compreender a forma que a natureza toma na poesia de Emily Dickinson e de Elizabeth Bishop, apresentaremos os poemas “I started Early – Took my Dog –” e “The Weed”, sugerindo hipóteses interpretativas para sua leitura. Consideramos, no entanto, que as diferenças entre a poesia de uma e de outra são evidentes, tanto no que se refere aos temas como nos aspectos formais, o que sugere não ter havido uma influência direta, como um modelo, de Dickinson para Bishop. Ainda assim, a poesia de Bishop se aproxima dos versos dickinsonianos no que diz respeito às estratégias de criação poética, o que nos possibilita aproximar as leituras da obra desses dois importantes nomes da poesia de língua inglesa. PALAVRAS-CHAVE: Emily Dickinson; Elizabeth Bishop; Natureza. O PÓETICO EM LES RÊVERIES DU PROMENEUR SOLITAIRE, DE JEAN-JACQUES ROUSSEAU Natália Pedroni Carminatti FCLAR/UNESP –Doutoranda [email protected]) Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) Octavio Paz, em O arco e a lira (1956), define a poesia como uma operação hábil a modificar o mundo. E Paz não termina por aí: discorre sobre poesia 127 e sua finalidade de criar um outro mundo. A poesia é tudo isso, é sublimação, é libertação, é salvação, é cópia do real, é condensação do inconsciente, é regresso à infância, é nostalgia do paraíso, é confissão. Essas são as palavras-chave da poética da poesia de Octavio Paz, e o mais intrigante é que elas remetem a todas as experiências de Rousseau em Les rêveries du promeneur solitaire (1782). Se a atividade poética é capaz de transcender o mundo real e tecer um mundo imaginativo, é dela que se utiliza Jean-Jacques Rousseau nas Rêveries, a fim de conceder mais veemência a seu discurso, já que a prosa não dava mais conta de expressar aquilo que ele sentia. Carregando questionamentos sobre o ser é, por meio da poesia, que o homem enxerga a efemeridade da vida. E foi assim mesmo que o filósofo iluminista procedeu. A ele não lhe interessava a opinião do público e nem o que os outros iriam dizer sobre seus escritos. Os devaneios em Rousseau deixavam-se conduzir pelos sobressaltos da alma e seu discurso filosófico se torna poético à medida que o trabalho com a linguagem a remodela, tornando-a evasiva, flexível e harmoniosa. Desse modo, a poesia se faz presente em Les rêveries du promeneur solitaire e proporciona à obra a configuração de diferentes significados, uma vez que o discurso da prosa só nos permite identificar um dos seus possíveis significados e a poesia ultrapassa o campo semântico do sentido. Nessa perspectiva, intenta-se desenvolver, na presente comunicação, a pertinência do trabalho poético na arquitetura da personalidade do filósofo de Genebra, bem como sua função social na vida e obra rousseaunianas. PALAVRAS-CHAVE: Século XVIII; Jean-Jacques Rousseau; Poesia; Significação. 128 “ESGAR DE MÁSCARA”: O CORPO NA LÍRICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA Patrícia Aparecida Antonio FCLAR/UNESP/CAPES –Doutoranda [email protected] Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.) A presente comunicação tem por objetivo pensar brevemente os modos de configuração do corpo na lírica brasileira da contemporaneidade, com base nas obras mais recentes de cinco poetas: Francisco Alvim, Contador Borges, Donizete Galvão, Claudia Roquette-Pinto e Arnaldo Antunes. Entendendo-se como corpo a estrutura física dos seres, pretende-se que se sobressaia seu lugar e atuação no espaço lírico contemporâneo. Presença marcante, este corpo da atualidade aparece sempre como um extremo que rivaliza a outro: seja ele a palavra a ser trabalhada desde a sua forma mais bruta; a linguagem a ser criticada; o sujeito poético e suas configurações (materializando seu próprio corpo ou o do outro a quem fala ou se refere); a tradição, farol que ilumina para trás, e que deve ser ultrapassada ou apropriada; a realidade, alvo de crítica ou motivo de fuga; o leitor, que esbarra o próprio corpo nessa poesia. Relações lastreadas por cicatrizes, arranhões, dores, odores, desejos e materialização. Desses embates, surge um outro corpo, aquele construído de poesia e na poesia. Nessas múltiplas e dispersas formas com que se relaciona a estrutura inalienável dos seres (e das coisas), inscrevem-se modos também eles diversos de se ver e conceber o mundo assumidos pela lírica brasileira contemporânea. O corpo, portanto, é índice claro do modo como o sujeito poético tem se configurado. O que nos alça a questões como: quem é este sujeito corporal que escreve poesia 129 ou a que(m) se refere? Quem é o seu leitor? A experiência do corpo na poesia brasileira contemporânea traz à tona um eu problemático, reflexo borrado do leitor, do poeta e até da crítica. Nessa clave, do contato, toque, encontro, convívio, intercomunicação, orientados pelas leituras de Michel Serres, Paul Zumthor, Octavio Paz, José Gil e Giorgio Agamben, é que pensaremos os direcionamentos do corpo em algumas posturas poéticas contemporâneas. PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Contemporaneidade; Palavra; Corpo; Metapoesia. DIÁLOGOS ENTRE O POEMA “NO PARQUE IBIRAPUERA”, DE ROBERTO PIVA, E AS TENSÕES HOMOERÓTICAS NA POESIA DE MÁRIO DE ANDRADE Paulo Ricardo Moura da Silva UNESP/Ibilce/Rio Preto - Doutorando [email protected] Prof. Dr. Márcio Scheel (Or.) Presente no livro Paranoia, publicado em 1963, o poema “No parque Ibirapuera”, de Roberto Piva, traz em seus versos de modo enigmático, sugestivo e alusivo a polêmica sobre a verdadeira orientação sexual de Mário de Andrade, um assunto que leva militante do movimento LGBT à distorção do texto literário do poeta de Pauliceia desvairada com o objetivo da afirmação categórica de sua homossexualidade, mas que também desencadeia certo silenciamento de grande parte da crítica literária em se tratando de analisar aspectos homoeróticos na obra de Mário de Andrade. A proposta deste trabalho é analisar o modo como Roberto Piva explora poeticamente esta polêmica entorno da sexualidade do grande poeta modernista, para que, desse modo, possamos estabelecer diálogos entre o poema de Piva que ana130 lisaremos e a poesia de Mário de Andrade que apresenta certa tensão homoerótica, como, por exemplo, o “Poema III – Estâncias”, “Moda dos quatro rapazes” e “Girassol da madrugada”. Preferimos o termo tensão homoerótica para nos referirmos à poesia de Mário de Andrade porque, ao elaborar seus versos diante de ambiguidades e elipses, não se define contornos claros, evidentes e precisos que nos permitem afirmar com segurança de que se trata de um sentimento amoroso entre pessoas do mesmo sexo, o que leva, muitas vezes, ao rompimento das fronteiras entre amizade e erotismo ou ao apagamento do gênero do ser amado. A partir do conceito de máscara do espelho sem reflexo, elaborada por João Luiz Lafetá (1986), em seu livro Figuração da intimidade: imagens na poesia de Mário de Andrade, podemos notar que a intimidade em Mário de Andrade é marcada por ocultamentos, que pode se remeter a certas alusões do poema de Roberto Piva que sugerem a homossexualidade de Mário de Andrade. Porém, se não podemos afirmar com convicção de que o sujeito poético de Mário é homossexual e que ele seria o próprio poeta, em Piva, mesmo que de modo sugestivo, o poeta modernista é tracejado a partir da homossexualidade. PALAVRAS-CHAVE: Mário de Andrade; Poesia e sexualidade; Modernismo brasileiro. O PROCESSO DE CRIAÇÃO POÉTICA DE CLARICE LISPECTOR EM CARTAS PERTO DO CORAÇÃO Priscila Berti Domingos FCLAr/UNESP/CAPES [email protected] Prof. Dr. Adalberto Luís Vicente (Or.) O contexto deste trabalho é o estudo das cartas trocadas entre Clarice Lispector e Fernando Sabino entre os anos de 1946 a 1969, compiladas em “Cartas 131 Perto do Coração” e publicadas em 2001 pelo autor. Nos últimos quarenta anos, a ótica literária tem-se direcionado para o processo de criação, o que, por consequência, proporcionou o reconhecimento e o início do estudo de gêneros periféricos, como a autobiografia ou o diário. Foi a partir desse reconhecimento que as cartas começaram a ter seu espaço na crítica literária. Nas cartas que estudaremos neste trabalho, endereçadas a Fernando Sabino, Clarice Lispector aludia, sobretudo, ao seu processo de criação literária e a outras questões concernentes à literatura. As cartas tornaram-se, portanto, um espaço importante de trocas de experiências, de discussão de estratégia de divulgação do trabalho literário, de elaboração do pensamento ainda em formação e de fazer poético. Aqui, as cartas têm também um valor poético em que a linguagem toma o primeiro plano da criação. Importa ressaltar que assim como a obra da autora em estudo, também suas cartas podem ser lidas, em sua maioria, como narrativas poéticas, já que a autora não se despe da escritora ao escrevê-las e mescla traços característicos da prosa com procedimentos típicos do poema. Através do estudo de textos críticos sobre Clarice e sua obra, é possível identificar sua estreita ligação com questões de identidade (o ser no mundo), liberdade, reconhecimento de si e do outro. Tais questões são também observadas nas cartas que a autora escreve, e aqui aparece, sobretudo, a preocupação com (i) para que fazer literatura; (ii) escrever por que e para quem; (iii) o fazer poético; (iv) a procura pela forma mais precisa de expressar o inexprimível. A escolha de Cartas Perto do Coração como ferramenta de estudo da obra e da autora em si, dá-se porque entende-se que esta correspondência é um lugar de ensaio, pensamento e de literatura de Clarice Lispector e, sobretudo, porque acredita-se que esse conjunto de cartas possa ser entendido como um tratado apaixonado sobre a escritura, o fazer poético e sobre o ofício do escritor. PALAVRAS-CHAVE: Clarice Lispector; Cartas; Escritura; Poético. 132 ARTHUR RIMBAUD: REBELDIA E MALDIÇÃO NA POESIA MODERNA FRANCESA Renato Alessandro dos Santos FCLAr/UNESP [email protected]) Profª Drª Maria Clara Boneti Paro (Or.) Esta comunicação pretende discutir a poesia de Arthur Rimbaud (18541891), bem como aspectos ligados à sua vida: do latim aprendido na infância até a poesia do vidente (“eu é um outro”). Em seus anos de juventude, o provável maior poeta rebelde de todos os tempos produziu toda a sua obra, e ela continua a confundir os leitores até hoje (Antonio Candido, dentre eles). Não por acaso, Hugo Friedrich, autor do admirável, embora contestado, Estrutura da lírica moderna (1956), analisou a poesia de Rimbaud para encontrar no ‘desregramento de todos os sentidos’ a dissonância que também existe em Charles Baudelaire (1821-1867), Stéphane Mallarmé (1842-1898) e outros poetas modernos. A abordagem da poesia de Rimbaud terá como objetos de análise as obras Uma temporada no inferno (1873) e Iluminações (1874). PALAVRAS-CHAVE: Poesia; Literatura francesa; Poesia moderna; Poetas malditos; Poetas rebeldes. CANTO E POÉTICA: CORRELAÇÕES ENTRE POESIA E CANÇÃO POPULAR NO CONTEXTO DO PÓSTROPICALISMO Renato Luís de Aguiar SILVA FLCAr/UNESP - (Mestrando) Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.) O presente trabalho pretende analisar aspectos da poética brasileira e de suas correlações com a canção popular, no contexto pós-tropicalista, quando da 133 duração do fechamento cultural imposto pela ditadura militar. Salientando as propriedades poético-textuais do cancioneiro nacional em relação à poesia do mesmo período, chegaremos a algumas das propriedades vigentes na lírica moderna do século XX, envolta no contexto da Modernidade, da Indústria Cultural, e das novas tecnologias de comunicação. Mostraremos um panorama diacrônico do nosso corpus poético e cancional, evidenciando as tendências e estéticas do período. Destacaremos a obra de alguns autores em específico, os quais, em comum, possuem inserções na canção popular ligada às técnicas de gravação, mostrando o ponto de vista estético destes autores em relação a essa extensão de suas obras. Em seguida, remontaremos à herança teórica da Poética tradicional, onde notadamente, em sua gênese, houve relação entre a poesia e a música, tanto na mousiké grega, quanto na poesia medieval dos trovadores. Pretendemos ressaltar, neste ponto, informações que corroborem para aprofundar a discussão teórica sobre a canção. Por fim, relataremos algumas das expectativas que este trabalho espera alcançar até a sua conclusão. PALAVRAS-CHAVE: Cultura brasileira; Contemporaneidade; Pós-Tropicalismo; Poesia lírica; Música popular. A POESIA DA CIDADE EM DESDE QUE O SAMBA É SAMBA Renato Oliveira Rocha FCLAr/UNESP - Mestrando [email protected] Profª. Drª. Juliana Santini (Or.) Após um bloqueio criativo provocado pelo impacto de Cidade de Deus (1997), Paulo Lins, retornou à cena literária após quinze anos. Em Desde que o samba é samba (2012), o autor constrói a narrativa em torno do surgimento do samba e da umbanda no bairro do Estácio de Sá, na década de 1920. Nesse 134 contexto, a malandragem é retratada em seus primórdios, com a personagem Brancura (Sílvio Fernandes), aliciador de prostitutas e um dos pioneiros do samba moderno ao lado dos compositores Ismael Silva, Nilton Bastos, Bide e Baiaco, fundadores da primeira escola de samba, a Deixa Falar, em 1928. Além desses, desfilam pela narrativa Manuel Bandeira e Mário de Andrade, cujas vidas reais Paulo Lins completa com ficção; as personagens percorrem o caminho do samba, gênero musical intimamente ligado com a cultura popular. Nossa proposta para discussão nesta comunicação será a poesia presente no romance envolvida diretamente com as personagens, que tentam subverter a realidade marginal em meio à qual o samba nasceu: a violência física, sexual e o preconceito contra os sambistas da época; se Cidade de Deus trata da exclusão e da violência nas classes marginalizadas, Desde que o samba é samba fala da inclusão social do negro através da cultura e da arte. Hoje, o gênero é um patrimônio cultural do Brasil, mas, para atingir tal patamar, teve que fugir da polícia, conforme podemos constatar nesse romance contado pelo seu personagem principal, o samba. PALAVRAS-CHAVE: Prosa brasileira contemporânea; Paulo Lins; Música popular brasileira; Samba. E.T.A. HOFFMANN E MACHADO DE ASSIS E SUAS POSTURAS EXCÊNTRICO-LITERÁRIAS Ricardo Gomes da Silva FCLAr/UNESP - Doutorando [email protected] Profª Drª Karin Volobuef (Or.) Uma comparação inicial entre a literatura alemã e a brasileira do século XIX pode indicar que as distancias se sobressaem às afinidades. De um lado, no135 mes como Goethe, Schiller, Hoffmann, os irmãos Schlegel e Grimm; de outro, uma literatura de pouco reconhecimento internacional. A vasta tradição filosófica e literária de um povo do velho continente versus os primeiros passos de uma nação que buscava ver-se independente dos colonizadores portugueses e tatear um fazer literário próprio. Contudo, ao olharmos para as obras de Machado de Assis e E.T.A. Hoffmann é possível sim verificar diversas afinidades não somente formais, mas principalmente de postura: ambos os escritores irão se voltar para o sistema literário estabelecido em seus contextos. Neste sentido, o objetivo deste trabalho é discutir de que maneira Machado e Hoffmann podem ser aproximados por suas posturas contrárias às práticas literárias estabelecidas no Brasil e na Alemanha. PALAVRAS-CHAVE: Machado de Assis; E.T.A. Hoffmann; Literatura do Século XIX. ENTRE PRESENTE E ATEMPORALIDADE: UMA PROPOSTA DE LEITURA PARA “ANOITECER”, DE CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE Rodrigo Valverde Denubila UFCLAr/UNESP/CAPES – Mestrando [email protected] Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.). Este estudo consiste de uma leitura crítica de “Anoitecer”, poema de Carlos Drummond de Andrade, publicado em 1945, no livro A rosa do povo. O objetivo é evidenciar como a organização formal reflete o conteúdo. Sublinhar de que maneira os aspectos expressivos formais estão comprometidos com a construção dos significados, isto é, com os aspectos expressivos existen136 ciais. A discussão se inicia com a ponderação sobre os elementos estruturais do poema e por meio destes como a relação entre literatura e história ganha corpo. Em sua segunda parte, a partir do que foi exposto anteriormente, a pesquisa foca de que modo alguns temas caros a Carlos Drummond de Andrade, a saber, a memória, o tempo e a morte são articulados no poema drummondiano. Entre os autores consultados para a fundamentação teórica estão Alcides Villaça, Antonio Candido, Benedito Nunes, Davi Arrigucci Jr., Samuel Titan Jr. e Silviano Santiago. Por meio do diálogo entre o poema de Carlos Drummond de Andrade em estudo e a conceituação teórica, propomos o nosso caminho de leitura para “Anoitecer”, em que tentamos evidenciar como questões características da modernidade estão presentes, mas que são transcendidas quando outras, mais ligadas à natureza ontológica do ser humano, aparecem e apontam para além de determinadas características de certos momentos históricos, o que faz com que uma articulação entre a realidade presente e atemporalidade se configure. PALAVRAS-CHAVE: Carlos Drummond de Andrade; “Amanhecer”; A rosa do povo; Modernidade; Morte. SED DE AMORES TENÍA, Y DEJASTE: UMA PARÓDIA DA MULHER DO POÇO DE SICAR Tais Matheus da Silva FCLAr/UNESP [email protected] Profª Drª María Dolores Aybar Ramírez (Or.) Ao longo do século XIX na Espanha, conforme demonstram diversos historiadores do período, os espaços de atuação da mulher eram limitados ao 137 âmbito privado, de modo que o acesso à educação formal e o incentivo ao desenvolvimento intelectual e artístico eram praticamente nulos para as mulheres. Contudo, a escrita literária produzida por mulheres conscientes das limitações impostas por uma sociedade estritamente patriarcal incomodou a crítica literária, bem como influenciou o surgimento do debate acerca da liberdade de produção artística das mulheres. Rosalía de Castro figura entre as vozes marginais que, em seu tempo e a partir de elaborações estéticas, questionaram não apenas os padrões impostos à produção artística, mas os papeis sociais assumidos e permitidos às mulheres. Desse modo, a partir da análise intertextual entre o poema “Sed de amores tenía, y dejaste” e o trecho bíblico da mulher do poço de Sicar, pretendemos discutir como a referida escritora reelabora e resignifica artisticamente a tradição patriarcal mediada pelo cristianismo. A questão da honra centrada na figura da mulher recebe tratamentos opostos em ambos os textos, uma vez que no poema evidencia-se a falsa moral daqueles que criam, sustentam e reproduzem a lógica misógina da sociedade ocidental. Os questionamentos postos ao discurso bíblico conferem ao texto rosaliano uma nuance paródica, convertendo-o em crítica à condição das mulheres pela voz de um eu lírico feminino. PALAVRAS-CHAVES: Rosalía de Castro; Mulher e Literatura; Feminismo; Intertextualidade; Paródia. Resumos dos Projetos de Pesquisa ENTRE O PASSAGEIRO E O ETERNO: SOLIDÃO E MELANCOLIA NA POESIA FEMININA LATINO AMERICANA. Adrienne Kátia Savazoni Morelato Doutoranda – Bolsista Cnpq Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) A Melancolia, associada por muitas vezes a um estado puramente patológico, já foi tida como característica essencialmente feminina por corresponder a uma subjetividade e aspectos interiores que foram historicamente ligados a um certo lugar ocupado pela mulher. Enquanto a solidão se relaciona diretamente com a melancolia, contudo, não é exclusiva dela. O ato de escrever e de se envolver com a criação literária levou o gênio a se isolar e se afastar da sociedade, como também trouxe a melancolia como atmosfera principal do fazer criador do escritor. Não é por acaso que, muitos poetas e escritores são considerados de alma feminina. A poesia latino americana do século XX, nas figuras principais de Cecília Meireles, Henriqueta Lisboa e Gabriela Mistral, contemporâneas entre si, tem por característica principal um percurso independente dos modismos literários e um distanciamento crucial das coisas banais do mundo. Elas se permitem olhar para a realidade com tanta profundidade, mas um olhar marcado pela exclusão e plo silêncio de ser mulher, que a melancolia se torna estado inerente a essse olhar. Essa melancolia e essa solidão, escolhidas como viés de suas obras literárias, não são sintomas de uma histeria, mas reflexões de um ponto de vista historicamente marginalizado por um modo de ser e ver padronizado pelos conceitos masculinos. Assim, esse trabalho pretende analisar em que certa medida a solidão e a melancolia seriam frutos de uma escrita feminina na obra especificamente dessas três autoras brasileiras que perpassaram o século XX, e de que maneira essa solidão e essa melancolia afetaram suas produções literárias de 140 maneira que, embora escolhessem caminhos independentes e próprios, essas peculiaridades as aproximaram intimamente. Por essa razão, as escritas femininas compartilhadas por elas teriam em comum: a reivenção da angústia no sagrado e no metafísico, uma relação entre corpo e tempo transfigurada em natureza. PALAVRAS-CHAVE: Literatura feminina; Melancolia; Poesia Latino Americana. A CONSTRUÇÃO DO CORPO DE EVITA NO ROMANCE SANTA EVITA DE TOMÁS ELOY MARTÍNEZ Alejandro González Urrego Doutorando - Bolsista PAEDEX Profª Drª Maria Dolores Aybar Ramirez (Or.) Através das experiências recuperadas do corpo vivo e do corpo embalsamado de Evita, presentes no romance Santa Evita, o escritor argentino Tomás Eloy Martínez reconstrói, com ajuda dos diferentes elementos narrativos, um corpo que em a vida adquiriu poder, mas também, um corpo morto e embalsamado com um poder ainda maior. Assim, a incidência do corpo na história Argentina apresentada no romance, demarca as rotas sociais na imagem corporal de Evita para filtrá-la pelas lembranças das testemunhas que a conheceram em diferentes momentos. Esta incidência não tem um caráter unitário, mas se recria nas lembranças de sujeitos marginais. Cada qual, de alguma maneira, manifesta seu direito de propriedade sobre o cadáver embalsamado da mulher, que representa a mãe salvadora dos pobres e encarna-se na consciência popular, com o propósito de purificar um corpo espiritual e para convertê-la numa Santa que regressará convertida na mãe guiadora 141 e protetora de seus filhos. Além disso, Evita usa sua feminilidade para expressar-se através do corpo, para ascender ao poder e penetrar em um mundo controlado pelos homens. Casar-se com Perón foi a oportunidade de sua vida, que garantiu o exercício do poder por vontade própria. O grande sonho desta mulher com antecedentes humildes foi alcançar a vice-presidência, por isso não deixa que ninguém a impeça. O cadáver embalsamado de Evita é o desejo de ser lembrada, de nunca ser esquecida, expressando a insistência de um espírito que resiste em abandonar o corpo e deseja permanecer imortal na memória coletiva de povo argentino. PALAVRAS-CHAVE: Corpo; Construção; Testemunha; Memória; Ficção. AS METAMORFOSES DA ESCRITA GÓTICA-ROMÂNTICA NA NARRATIVA WUTHERING HEIGHTS (O MORRO DOS VENTOS UIVANTES). Alessandro Yuri Alegrette Doutorando – Bolsista FAPESP Profª Drª Karin Volobuef (Or.) O objetivo da presente pesquisa é tratar do romance Wuthering Heights – O Morro dos Ventos Uivantes (1847), de Emily Brontë. A espinha dorsal de nossa abordagem é propor a discussão sobre a configuração gótica específica explorada pela autora no enredo de sua narrativa. Para grande parte da crítica literária, o romance de Brontë é uma obra híbrida: a primeira parte é gótica e a segunda realista. Por outro lado, outros estudiosos afirmaram que existe uma tendência mais forte de O Morro dos Ventos Uivantes ser plenamente inserido no gótico, pois neste romance, Brontë além de ter retomado temas recorrentes nessa modalidade literária, tais como, o conflito entre o bárbaro e o civilizado, a dissolução entre as fronteiras entre o eu e o outro, o natural 142 e o sobrenatural e motivos que a caracterizam (o duplo, fantasmas, criaturas sobrenaturais). Do ponto de vista da construção da narrativa, a obra combina essa atmosfera gótica com uma vertente romântica que, pode ser definida como “Byroniana”, onde se destaca a presença do herói romântico condenado a um pathos trágico e, que se caracteriza por suas intensas demonstrações de sensibilidade. Dessa forma, O Morro dos Ventos Uivantes, a exemplo de Frankenstein, de Mary Shelley, pode ser uma obra que faz uma síntese do chamado “gótico-romântico” no século XIX. Além disso, a autora em seu discurso narrativo também faz alusões ao plano metafísico, remetendo assim a vários conflitos de oposição, que são sempre destacados no discurso narrativo dos romances góticos: o bem e do mal, o céu e o inferno, o natural e o sobrenatural. Assim, apesar dessa obra ter sido analisada criticamente em ensaios dentro de diferentes abordagens teóricas, mesmo após tanto tempo de sua publicação, O Morro dos Ventos Uivantes continua suscitando questionamentos dentro do meio acadêmico sobre seu processo de criação, sua especialidade gótica específica, seus pontos de intersecção com textos inseridos no gótico ou, com outras obras que mantêm uma relação de proximidade com esse gênero literário, tornando-se assim objeto de estudo deste trabalho de pesquisa. PALAVRAS-CHAVE: Literatura Inglesa; Romance Gótico, Romantismo. IMIGRANTES NA LITERATURA BRASILEIRA: REPRESENTAÇÃO DE ALEMÃES E LIBANESES NO SÉCULO XX. Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila Doutoranda Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) O objetivo da pesquisa é verificar de que modo diferentes narrativas, de autores e momentos distintos, constroem personagens imigrantes ao longo do 143 século XX e investigar se, nesse período, houve mudança na representação do imigrante na literatura brasileira. Para tanto, pretende-se realizar uma análise comparativa entre os seguintes textos: Canaã de Graça Aranha, de 1902, que tem como protagonistas imigrantes alemães, e é considerado pela crítica como obra significativa de imigração no Brasil; Grande sertão: veredas e “O recado do morro” de Guimarães Rosa, ambos de 1956, que também contam com imigrantes alemães e árabes; Lavoura arcaica de 1975 de Raduan Nassar e Relato de um certo oriente de 1989 de Milton Hatoum, duas obras representativas da literatura brasileira das décadas de 1970 e 1980, que retratam famílias de imigrantes libaneses. Para atingir o objetivo, realizaremos a análise dos procedimentos de representação e estilização dos imigrantes em cada uma das obras citadas. Os resultados do exame dos romances, por sua vez, permitirão realizar uma comparação entre as obras, levantando e investigando semelhanças e diferenças no tratamento dado pelos autores ao tema em pauta. Nossa hipótese é que a caracterização do imigrante sofreu mudanças ao longo do século: de início estereotipada, cada vez mais há um aprofundamento psicológico dos personagens. O embasamento teórico é composto por teóricos e críticos como Ángel Rama e Otávio Ianni, que discutem o conceito de transculturação, por representantes dos Estudos Culturais como Homi Bhabha, Edward Said, Nestor Garcia Canclini, dentre outros e, naturalmente, por ensaios críticos relativos aos escritores arrolados como corpus. A análise de um corpus diversificado nos proporcionará um panorama da representação do imigrante na literatura brasileira de 1902 a 1989, abarcando quase um século de discursos sobre a imigração. PALAVRAS-CHAVE: Imigrantes; literatura brasileira; estudos culturais. 144 NA COMPANHIA DE LOBOS E LOBISOMENS: O FEMINISMO E O GÓTICO NOS CONTOS DE ANGELA CARTER Aline Cristina Sola Orlandi Mestranda Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi (Or.) O projeto em desenvolvimento, intitulado “Na companhia de lobos e lobisomens: o feminismo e o gótico nos contos de Angela Carter”, procura estudar e analisar os contos “The Werewolf” e “The Company of Wolves” presentes na coletânea The Bloody Chamber and Other Stories (1979), de Angela Carter, partindo de aspectos feministas e do gótico que a autora emprega a fim de desarticular o patriarcado. A referida coletânea revisita, como um todo, a tradição dos contos de fadas, e os dois contos selecionados para análise constituem uma releitura de “Chapeuzinho Vermelho”. Em “The Werewolf”, o tema principal é a figura materna como impedimento de independência feminina. O conto traz um ambiente de puro terror em torno da figura do lobo e da floresta, ambiente que não amedronta a jovem protagonista: quando encontra o lobo, ela se defende e decepa-lhe uma das patas. Ao chegar à casa da avó, a menina encontra a velha ardendo em febre, e ao pegar um pano para fazer-lhe uma compressa, a pata que lá estava enrolada cai ao chão e se mostra como uma mão humana, que a protagonista reconhece ser da avó. A avó é morta por vizinhos e a menina passa a morar em sua casa, ou seja, a morte da figura materna representa a independência e a transferência de conhecimento por gerações. Já em “The Company of Wolves” há a permanência do terror em torno da figura do lobo, porém o ambiente criado desde o início é de sedução. Temos uma narrativa em mise en abyme que remete à figura materna da avó contando histórias sobre lobos para a neta, apresentado características da licantropia e pedindo precaução 145 no encontro com o animal. Aqui, a protagonista também é forte e destemida e, ao se deparar com um belo jovem, que é o lobo em figura humana, escolhe deixar-se seduzir para, mais tarde, em uma inversão de papéis, seduzir, sendo detentora de seus desejos e escolhas, o que remete à figura da Femme Fatale, tão temida pelo patriarcado. PALAVRAS-CHAVE: Lobo; Feminismo; Gótico; Angela Carter; Contos de fadas. A METRÓPOLE E A ESTÉTICA CINEMATOGRÁFICA NO MANHATTAN TRANSFER DE JOHN DOS PASSOS. Aline Shaaban Soler Mestranda - Bolsista CAPES Profa. Dra. Wilma Patricia Marzari Dinardo Maas (Or.) O presente trabalho tem por objetivo apresentar uma análise da obra modernista Manhattan Transfer (1925) do escritor estadunidense John Dos Passos. Seu objetivo específico é investigar dois aspectos que se creem fundamentais para a constituição da obra e a interação entre eles. O primeiro deles é a presença do urbano. Manhattan Transfer pode ser descrita como um amplo retrato da vida na metrópole, em Nova York. Se num primeiro momento, a impressão que se tem é que nenhuma das personagens apresentadas tem algo em comum, esta impressão não deixa de estar totalmente certa ou errada. A única coisa que possuem em comum é o fato de morarem em Nova York, mas isto já é o suficiente para que, por acaso, suas vidas possam se cruzar ou para que o leitor, por meio de associações, possa notar o tipo de relações que se estabelecem na cidade grande, suas particularidades e divisores comuns. A fragmentação presente no meio urbano não está presente apenas 146 no conteúdo da obra, mas, igualmente, em sua organização formal em que várias narrativas de tamanho reduzido operam na construção de uma espécie de mosaico. O segundo aspecto diz respeito, justamente, à organização formal e ao modo como esta está relacionada com uma estética cinematográfica. Novas formas de relação com a realidade surgem com o desenvolvimento industrial e tecnológico. Novas relações com a realidade impõem novas formas narrativas. A fotografia e o cinema são suportes nos quais formas narrativas completamente distintas das já existentes podem ser desenvolvidas. O Manhattan Transfer deve ser compreendido, neste cenário, como obra literária que busca apreender tais novas relações. Para isto, ele lança mão de recursos que o aproximam do cinema – ao menos, de um determinado cinema. Como afirma Gretchen Foster no artigo John Dos Passos’ Use of Film Technique in Manhattan Transfer & The 42nd Parallel (1986) publicado na revista Literature/Film Quarterly, o sentido de Manhattan Transfer surge a partir do conflito existente entre os vários fragmentos. Deste modo, a principal hipótese do trabalho é que esta organização formal está profundamente relacionada com a descrição da vida moderna nas grandes metrópoles. PALAVRAS-CHAVE: metrópole; estética cinematográfica; modernismo; John Dos Passos. JULES LAFORGUE E CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE: A IRONIA E A RELAÇÃO COM O GAUCHE Aline Taís Cara Pinezi Doutoranda – Bolsista Capes Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) Jules Laforgue (1860-1887) foi um grande decadentista/simbolista francês. O Decadentismo, anterior ao Simbolismo, apresentava teor mais negati147 vista e pessimista; já o Simbolismo foi composto de duas tendências, segundo Edmund Wilson: a “sério-estética”, mais conhecida e estudada, e a “coloquial-irônica”, na qual o poeta francês pode ser inserido. A partir destes movimentos, além de um olhar voltado para as características da poesia da Modernidade Literária, é possível perceber que a poética de Laforgue toca os movimentos literários estudados, mas não os toma como limite, pois ultrapassa os limiares das escolas literárias, de modo a produzir textos diferentes e originais, frequentemente construídos com ironia. A crítica literária, desde meados do século XX, vem reconhecendo a importância do escritor para a época e para a poesia subsequente, incluindo a dos modernistas brasileiros, a exemplo de Carlos Dummond de Andrade (1902-1987). O primeiro livro de poemas de Drummond, Alguma Poesia, é constantemente permeado pela ironia, que se assemelha no tom à de Drummond, além de apresentar o poeta “gauche”. Dessa forma, este trabalho pretende aproximar poemas de ambos os escritores, de forma comparativa, a fim de analisar, sobretudo, o uso da ironia. PALAVRAS-CHAVE: Laforgue; Ironia; Drummond. POÉTICAS DA MODERNIDADE: O CINEMA DIDÁTICO DE MANOEL DE OLIVEIRA Aline Tosta Floriano Mestranda Profª Drª Renata Soares Junqueira (Or.) Este projeto, vinculado ao Grupo de Pesquisas em Dramaturgia e Cinema (GPDC) da UNESP e integrado ao Projeto Temático “Poéticas da Moderni148 dade: Teatro e Outras Artes”,1 propõe um estudo da obra do cineasta português Manoel de Oliveira (n. 1908) com enfoque nas relações que ela estabelece com o teatro – não com qualquer teatro, mas com um teatro moderno, deliberadamente concebido para provocar um distanciamento entre o espectador e a cena, tal como o teorizou e praticou Bertolt Brecht (1898-1956). Guardadas as devidas proporções quanto ao intuito político de um e de outro artista, temos por hipótese que a estética cinematográfica de Oliveira define-se pela articulação sistemática de procedimentos disjuntivos similares aos que vemos no teatro de Brecht – os quais dificultam, intencionalmente, a identificação do espectador com o universo fílmico. Em Brecht o chamado “efeito de distanciamento” está, como se sabe, relacionado a uma concepção ideológica do teatro como instrumento de conscientização política dos espectadores – como método didático-político, portanto. Em Manoel de Oliveira o mesmo tipo de procedimento formal pró-distanciamento crítico do espectador – vazado agora em linguagem cinematográfica – colide dialeticamente, em um número significativo de filmes, com um didatismo aparentemente ingênuo e aliciador, de intenção e alcance que merecem uma investigação mais cuidadosa. São exemplares, neste aspecto – e por isso constituem o corpus da pesquisa que ora propomos –, filmes mais recentes do cineasta, já da década de 2000, como Porto da minha infância (2001), Um filme falado (2003), O Quinto Império – Ontem como hoje (2004) e Cristóvão Colombo – O enigma (2007) – películas empenhadas em rever lições de História, desenvolvendo uma tendência que já se revelava aliás no princípio da década anterior, nomeadamente em Non ou a vã glória de mandar (1990), que também contemplaremos. PALAVRAS-CHAVE: cinema português; Manoel de Oliveira; cinema e teatro; teatro didático; cinema didático. 149 SONHO E DELÍRIO EM VILLIERS DE L’ISLE-ADAM E THÉOPHILE GAUTIER Amanda da Silveira Assenza Fratucci Mestranda Profª Drª Ana Luiza Silva Camarani (Or.) Na França, a literatura fantástica está muito ligada aos períodos do Romantismo e do Simbolismo. Segundo Pierre-Georges Castex (1962), a literatura fantástica francesa se divide justamente nestes dois períodos: o primeiro, em meados do século XIX, é o do Romantismo, em que o gosto pelo sobrenatural, pelo mistério e a procura pelo absoluto deram abertura a grande produção de contos fantásticos que teve uma grande influência de E.T.A. Hoffmann. Influenciado por Hoffmann, Théophile Gautier se revela, em seus contos fantásticos, um escritor rico em imaginação, capaz de fazer surgir discursos grandiosos ou inquietantes, mas também cheios de emoção. Seus textos fantásticos são muito representativos dessa corrente literária e mostram a evasão romântica na utilização do sonho, que duplica a vida. Esse discurso onírico é um instrumento do qual Gautier faz uso a fim de expressar a intenção de busca de um mundo ideal empreendida pelos românticos na vertente ligada à evasão, em que o “eu” romântico, incapaz de resolver os problemas em relação à sociedade, escapa do mundo real por meio da escritura. Assim era também Villiers de l’Isle-Adam, poeta simbolista que não se encaixava na ordem capitalista vigente e procurava sempre uma existência superior, longe da realidade de sua época. Encontrava essa existência ideal na criação literária. Suas obras, portanto, demonstravam essa procura em seus temas míticos, fantásticos. O sonho aparece também nesse autor como ponto narrativo a destacar duas possibilidades da narrativa fantástica: de um lado, pode-se dizer que o narrador estava apenas sonhando e nada daquilo aconteceu (o que seria uma explicação racional para o fato); de outro, pode150 -se afirmar que tudo aquilo realmente aconteceu, tratando-se, dessa forma, de um fato sobrenatural. O objetivo deste trabalho é, portanto, analisar como a presença do sonho contribui para a atmosfera fantástica em alguns textos de Gautier e Villiers. PALAVRAS-CHAVE: Romantismo francês, Simbolismo Francês, Narrativa fantástica. A REVISITAÇÃO DA OBRA DE EÇA DE QUEIROZ EM NAÇÃO CRIOULA, DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA. Amanda Oliveira Manfrim Mestranda Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.) Durante a Iniciação Científica, trabalhei com textos contemporâneos e textos anteriores a estes textos que faziam revisitação ao mito de Inês de Castro e D. Pedro I, relacionando-os – textos e mito – com os fatos históricos, ou seja, como eram abordados estes fatos em cada um deles. Dessa forma, meu trabalho se resumiu à pesquisa de como a literatura contemporânea abordou os textos anteriores e como a literatura abordou a História. Seguindo esse mesmo viés, no curso de mestrado, tenho feito o mesmo trabalho de intertextualidade, contudo, agora abordando uma obra da literatura portuguesa, A correspondência de Fradique Mendes, do escritor português Eça de Queiroz, e uma da literatura africana, do escritor angolano José Eduardo Agualusa, a primeira, sendo datada do século XIX, porém com edições que adentram o século XX (1961), e a segunda, sendo datada do século XX, com edições posteriores que adentram o século XXI (2001). Especificamente para este trabalho, estão sendo abordadas as obras nas edições, respectivamente, de 1961 e 2001. O foco principal deste trabalho não será a abordagem histórica; 151 a História servirá apenas como um subsídio para entendermos a relação das obras com o contexto histórico que abordam. O objetivo principal da pesquisa é aprofundar o trabalho metaficcional nas narrativas, priorizando a figura do narrador-escritor das obras do corpus: a criação do personagem Fradique Mendes, por Eça de Queiroz, com o intuito (do narrador-escritor) de expressar suas próprias ideias, conceitos e críticas (Fradique Mendes como alter ego do narrador-escritor) e a revisitação a essa obra feita por Agualusa, que utiliza o mesmo personagem em seu romance epistolar. Dessa forma, chega-se a um trabalho intertextual entre as obras, e entre as obras em comparação com a História. Constata-se, de início, a intenção de veracidade das obras por meio das cartas e de personagens históricos. PALAVRAS-CHAVE: Metaficção; Intertextualidade; Abordagem histórica. AS FACES DA METAFICÇÃO EM TEOLINDA GERSÃO Ana Carolina da Silva Caretti Mestranda – Bolsista Capes Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.) A obra da escritora portuguesa Teolinda Gersão encerra alguns dos principais traços da literatura contemporânea. O contato com seus textos permite-nos observar, dentre outras características, as rupturas e as confluências dos gêneros literários, a dissolução de categorias narrativas e, o que mais nos interessa por ser o foco deste trabalho, a presença da metaficção. Analisando a obra da autora como um todo, percebemos que, por vezes, as narrativas assumem um aspecto metalingüístico, e o fazem de diversas maneiras. Esta pesquisa visa a analisar os modos pelos quais a metaficção é ins152 taurada nas obras selecionadas como corpus, a saber: O silêncio (1981), Os guarda-chuvas cintilantes (1984), A cidade de Ulisses (2011) e As águas livres (2013). Em cada uma das obras, percebemos o discurso metaficcional de modo peculiar, ora explícito, quando o texto deixa claro sua autoconsciência, ora implícito, quando, por exemplo, utiliza-se de outra linguagem artística para manifestar sua consciência na condição ficcional. Para o estudo desse aspecto, recorreremos principalmente aos livros Narcissistic narrative: the metafictional paradox (1991), de Linda Hutcheon, no qual há um estudo apurado de narrativas com características textualmente auto-reflexivas, por ela chamadas narcisistas, observando as técnicas, os modos e as formas desse tipo de ficção que concentra, em seu próprio interior, seu primeiro comentário crítico, e recorreremos também a Metafiction: the theory and practice of self-conscious fiction (1993), de Patrícia Waugh. Neste trabalho, argumentaremos paralelamente sobre a atuação do leitor na narrativa contemporânea, tendo em vista que textos que focam o seu próprio processo de construção artística requerem a participação ativa desse leitor, operando de forma semelhante à de um co-criador, envolvendo-se intelectual e imaginariamente na “recriação” do texto. Também as relações entre a metaficção e a representação do real serão por nós abordadas, uma vez que os textos selecionados como corpus estão conduzindo-nos a isso. Desse modo, pretendemos contribuir não só com a fortuna crítica relacionada à obra da escritora portuguesa, mas também com os estudos da metaficção nos textos contemporâneos. PALAVRAS-CHAVE: Metaficção; Narrativa portuguesa; Literatura contemporânea; Teolinda Gersão. 153 DO ÁRIDO, A ESTÉTICA: A REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA E FORMAL DA ARIDEZ EM GALILEIA E CINEMA, ASPIRINA E URUBUS Ana Carolina Negrão Berlini de Andrade. Mestranda Profª Drª Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.) Este texto pretende expor, sumariamente, os desenvolvimentos parciais de uma pesquisa de doutorado em andamento, cujo objetivo é estudar as representações da aridez em duas narrativas contemporâneas: o romance Galileia (2009) de Ronaldo Correia de Brito, e o filme Cinema, aspirina e urubus (2005), de Marcelo Gomes. Com essa pesquisa pretendemos individualizar o modo como cada código – literatura e cinema – trabalha com os conceitos de seca e de aridez, tanto do ponto de vista temático quanto do estrutural, analisando a utilização dos procedimentos técnicos e estilísticos próprios a cada meio semiótico. Dessa maneira, poderemos verificar a contribuição da aridez na construção da expressividade dos valores universais das narrativas e, mais importante, na definição de uma poética da aridez, e não sobre a aridez. PALAVRAS-CHAVE: Ronaldo Correia de Brito; Galileia; Marcelo Gomes; Cinema, aspirina e urubus. O ESCRITOR À PAISANA: A VOZ LITERÁRIA DE CAIO FERNANDO ABREU EM CARTAS André Luiz Alselmi Doutorando Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.) Nas últimas décadas, os gêneros íntimos vêm despertando a atenção dos leitores e da crítica literária. Tal fato é intensificado pela atual tendência ao 154 culto da individualidade e ao prazer de acompanhar a vida cotidiana alheia, que hoje toma uma parte significativa da mídia e da realidade. Diante disso, as correspondências de personalidades literárias ganham destaque e ocupam um espaço sem precedentes. Assim, as cartas têm suas publicações multiplicadas, o que tem despertado grande interesse da crítica em compreender os fundamentos dessa forma de expressão e de sua relação com a criação literária. Sem dúvida, é preciso reconhecer que as cartas de grandes escritores não raro transcendem o mero relato autobiográfico, trazendo, frequentemente, uma carga poética e informacional passível de ser analisada com vistas a entender o processo de criação literária. Nesses casos, a carta não interessa apenas como um testemunho biográfico ou documento histórico ou cultural, mas também como uma forma de expressão autônoma e múltipla capaz de acolher a reflexão sobre a literatura e o processo de criação. Partindo do pressuposto de que a experiência pessoal e a experiência literária, nas epístolas de Caio Fernando Abreu, apresentam-se concomitantemente, esta pesquisa pretende tratar a coletânea Cartas (2002), publicada por Italo Moriconi, a partir das seguintes perspectivas, a fim de dar conta de seu aspecto literário: a) é possível extrair delas uma poética a partir das reflexões metalinguísticas sobre a natureza da criação literária e do ofício do escritor; b) também se pode adentrar o texto a partir de seus elementos estilísticos, estruturais e composicionais; c) a partir dos itens anteriores, pode-se avaliar as particularidades do gênero epistolar de Caio Fernando Abreu, determinando-lhe o polimorfismo assumido por esse tipo de texto, que possui intersecções com outros gêneros íntimos. Pretende-se, assim, contribuir para a fortuna crítica do autor a partir de uma forma de expressão ainda pouco explorada, demonstrando que as cartas constituem um rico material para a compreensão do universo literário do autor e também merecem, devido ao trabalho com a linguagem, o reconhecimento de seu estatuto literário. PALAVRAS-CHAVE: gêneros íntimos; cartas; criação literária; ofício do escritor; estatuto literário da carta. 155 O SILÊNCIO: GÊNESE DOS PROJETOS TEMÁTICO E ESTÉTICO DA PROSA DE TEOLINDA GERSÃO Audrey Castañón de Mattos Doutoranda - Bolsista CAPES Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) Trata-se esta pesquisa de investigar como a temática da incomunicação, representada pelo silêncio em suas várias facetas, estende-se pela obra ficcional de Teolinda Gersão. Tendo por base o romance inaugural O silêncio, em que a impossibilidade dialógica entre os protagonistas Lídia e Afonso representa uma das formas de incomunicabilidade no mundo contemporâneo, investigamos como o discurso narrativo desse romance reproduz artisticamente a dificuldade comunicativa e de que forma ela se repete nos demais livros da autora. Partimos da premissa de que a sua prosa de difícil assimilação é uma das formas de se recriar esse aspecto do mundo atual, em que, apesar da abundância de discursos não há realmente comunicação, para nos debruçar sobre seus procedimentos discursivos. PALAVRAS-CHAVE: Teolinda Gersão; prosa portuguesa séc. XX; O silêncio; discurso narrativo; estética do silêncio. GIAMBATTISTA BASILE, CHARLES PERRAULT, IRMÃOS GRIMM E WALT DISNEY: UM ESTUDO CRÍTICO DAS DIFERENTES VERSÕES DE A BELA ADORMECIDA. Bruna Cardoso Brasil de Souza Mestranda Profª Drª Fabiane Renata Borsato (Or.) É objetivo dessa pesquisa analisar três diferentes variantes do conto atualmente conhecido como A Bela Adormecida: a versão italiana denominada 156 Sol, Lua e Tália, de Giambattista Basile; a francesa, A Bela Adormecida no Bosque, de Charles Perrault; a alemã, dos irmãos Grimm e, por fim, a animação produzida pela Disney em 1959. Com o suporte de teorias sobre o gênero conto, sobre o conto maravilhoso e as estruturas narrativas, pretende-se avaliar em que medida as categorias narrador, personagens, espaço e tempo foram ressignificadas nas diferentes versões, com a alteração de suas sintaxes. A problemática se inicia pela própria delimitação do gênero conto, pois enquanto alguns teóricos defendem a libertação da normatividade, outros anunciam características próprias do conto que o diferem do romance e da novela. Os principais aspectos destacados pelos estudiosos são a extensão e a intensidade. Sendo breve, o conto é capaz de tratar de certos temas de forma mais rápida, logo, mais intensa. Outro aspecto de discussão são os contos maravilhosos que surgiram na mais remota antiguidade e conservaram seus temas principais até os nossos dias, como é exemplo A Bela Adormecida. A história escolhida para esse trabalho demonstrará, em suas diferentes variantes, como aspectos históricos e culturais influenciaram seu registro. O conto italiano, por exemplo, é repleto de metáforas que adornam a escrita, característica do estilo artístico próprio de sua época: o barroco. As categorias narrativas analisadas e comparadas desempenham papel fundamental para a construção do enredo. O narrador é essencial para a composição dos sentidos das histórias, tendo em vista o fato de as narrativas terem sido, um dia, orais, transmitidas por um narrador real, ou seja, um contador de histórias que deixou suas marcas mesmo após o registro escrito. Quanto à narrativa cinematográfica, no filme de Walt Disney é notável a infantilização da história e a fixação de determinadas formas antes eram livres para serem imaginadas, como a caracterização de personagens, espaços, etc. Por outro lado, este filme marcou o avanço de tecnologias relacionadas à animação no cinema. Pretende-se, portanto, analisar cada variante, detectar e ressaltar suas particularidades, determinando as principais mudanças ocorridas com o passar do tempo. PALAVRAS-CHAVE: Bela Adormecida; contos populares; cinema. 157 A CONFIGURAÇÃO DO AMOR NA LÍRICA DE NUNO JÚDICE. Bruna Fernanda de Simone Doutoranda - Bolsista CAPES Profª Dr.ª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.) Um dos maiores nomes da poesia portuguesa contemporânea, Nuno Júdice, possuí vasta obra marcada pela presença de uma poesia feita sobre ruínas. Suas características mais marcantes são o diálogo que empreende com outras artes, reflexões filosóficas e principalmente uma visão crítica sobre a própria poesia. Tais características ligadas a um ambiente sombrio, de espaços desabitados ou abandonados, onde se insere um eu-lírico que é consciente de toda a produção poética são alguns dos aspectos de uma poesia singular, o lugar de vestígios do passado. Nuno Júdice iniciou sua produção com “A Noção de Poema”, onde já se destacava pela retomada do sujeito lírico e pela plena consciência do poema como o lugar de discussão da linguagem poética, seus enigmas e sua tradição. Atrelada a esta produção e crítica poética ao mesmo tempo, o poeta algarveo demonstra grande interesse pelo tema do amor e sua configuração como parte integrante de toda uma tradição lírica amorosa. São muitos os poemas em que o tema do amor aparece, mas sempre relacionado a um sujeito lírico melancólico e consciente da criação do poema e sua artificialidade. A melancolia do eu-lírico, as imagens obscuras e a nostalgia são características de uma lírica amorosa cujo principal aspecto é a ausência. Temos um eu-lírico que revive um passado feliz através da memória e o poema é o único lugar onde encontra uma possibilidade de fugir: do presente e da ausência da amada.Pensando nessa produção poética, decadente nas preferências, romântica nos temas, e acima de tudo contemporânea na forma como trabalha o poema e o sujeito lírico, buscaremos verificar como esta poesia de cunho amoroso se insere numa tradição da lírica amorosa em 158 Portugal, procurando evidenciar os tipos de diálogo que o poeta estabelece com diversos aspectos relacionados aos momentos principais desta tradição, além de verificar e analisar outros aspectos que são essências à construção do tema como a memória e metalinguagem. PALAVRAS-CHAVE: lírica amorosa; poesia contemporânea; metapoesia; memória. A POESIA COMO FORMA DE ESQUECIMENTO: PENSAMENTO E ESQUECIMENTO EM DANTE MILANO Bruno Darcoleto Malavolta Mestrando - Bolsista CNPq Prof.ª Dr.ª Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.) A presente pesquisa possui como logro final a compreensão global da poética milaniana. Tal compreensão deverá, necessariamente, passar pela exegese de sua única obra, o Poesias, a partir tanto da análise dos procedimentos poéticos nela inseridos como das temáticas nela abordadas. Apoiados na pequena, porém rica, paleta crítica acerca do poeta, visamos à elaboração de um trabalho de crítica que contemple o Poesias tanto em sua “irrepreensível unidade” (JUNQUEIRA, 2007, p.XXIV), já salientada por Ivan Junqueira, como na pluralidade das nove seções em que foi dividido pelo autor. O respeito a essa unidade e dissonância são essenciais a qualquer um que se aventure a tecer páginas de crítica sobre Dante Milano: a consciência de que o autor quinquagenário deu à prensa não um volume, mas um cancioneiro, em que nada toma seu espaço por acaso. Como escolha exegética, investigamos em sua obra a relação entre poesia e pensamento, bem como o seu peculiar desdobramento semântico no topos do esquecimento. Tal fulcro corrobora para 159 a compreensão final e global de sua poética: uma poesia inscrita no limiar do existir e o não existir, a criação e destruição: ou seja, uma poesia que procura dar conta da própria modernidade, naquilo que esta salvaguarda entre a herança atemporal do clássico e, ao mesmo tempo, sua irrefreável destruição e nivelamento com as mazelas do tempo presente. Em última instância, uma obra que se ergue entre o melhor legado da poesia ocidental e o fracasso do projeto filosófico deste. PALAVRAS-CHAVE: Modernismo; poesia e pensamento; Dante Milano O OLHAR DECADENTE EM CAMILO PESSANHA E ALBERTO. Camila Pinto de Sousa Mestranda Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.) A pesquisa em andamento tem por objetivo demonstrar o papel do imaginário decadentista na fundamentação de uma visão de mundo do sujeito lírico na poesia de Al Berto, poeta contemporâneo, utilizando como ferramenta a comparação com a obra poética de Camilo Pessanha, expoente máximo do Simbolismo em Portugal. Além disso, pretende-se colaborar para apontar a presença de procedimentos técnicos, formais e elementos temáticos, típicos da estética simbolista/decadentista (que é apontada por Jean Pierrot como um dos fundamentos do imaginário decadente) na poesia lírica de Al Berto. A Decadência constitui uma concepção pessimista da existência humana, configurando características como o medo, a melancolia, a solidão, a dor de cunho existencial, a incerteza e a fixação pela ruína, que dão o tom negativo em relação ao mundo que é o que fundamenta o imaginário decadente. Pode160 -se perceber, em ambos os poetas, a presença de muitas das características acima mencionadas e o tom pessimista no modo de ver – e, consequentemente, descrever - o mundo e a vida. O corpus desta pesquisa é constituído pelos dois livros que reúnem a obra de Camilo Pessanha e de Al Berto. Do livro “Clepsidra”, reunião da obra de Camilo Pessanha, foram selecionados dez poemas que parecem se encaixar na temática analisada e, para complementar, após a leitura do livro que reúne a obra de Al Berto, “O medo”, outros dez poemas foram escolhidos, a fim de que as análises e a comparação possam ser realizadas. Pretende-se, portanto, concluir, após o estudo e a análise dos vinte poemas que compõem o nosso corpus, com a comparação entre o que foi levantado, bem como a análise da obra poética de Pessanha e Al Berto, demonstrando que o imaginário decadente aproxima, principalmente na questão temática, dois autores pertencentes a tempos distintos. PALAVRAS-CHAVE: Al Berto; Camilo Pessanha; Simbolismo; Decadentismo; Poesia Portuguesa. O ESPÓLIO LITERÁRIO DE GUIMARÃES ROSA EM PERSPECTIVA: UMA LEITURA CRÍTICA DA CRÍTICA Candice Angélica Borborema de Carvalho Doutoranda – Bolsista CNPq Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) O propósito deste estudo é construir uma leitura crítica da recepção crítica de Grande sertão: veredas, tomando como objeto as duas linhas de investigação que polarizam o debate em torno do romance: as interpretações sociológicas, históricas e políticas e as interpretações esotéricas, mitológicas e metafísicas. A expectativa da pesquisa é verificar se esses modos de leitura, 161 em princípio, antipodais, abertos ao diálogo interdisciplinar fundamentado em diferentes linhas do pensamento, excluem-se completamente ou não, se há intersecção entre eles e, ainda, se combinados, resultam na possibilidade de entendimento mais completo da literatura de Guimarães Rosa. Tomamos como corpus da investigação, no que diz respeito à primeira vertente, os estudos de Antonio Candido, que incluem as resenhas lançadas nas ocasiões de saída de Sagarana e de Grande sertão: veredas, o ensaio pioneiro sobre Grande sertão: veredas, “O homem dos avessos”, e “Jagunços mineiros de Cláudio a Guimarães Rosa”, além dos escritos mais abrangentes produzidos nos anos 1970, “Literatura e subdesenvolvimento” e “A nova narrativa”. Na direção aberta pelo crítico, As formas do falso, de Walnice Nogueira Galvão, grandesertão.br, de Willi Bolle, Lembranças do Brasil, de Heloisa Starling, e O Brasil de Rosa, de Luiz Roncari. A crítica mitológica, esotérica e metafísica é representada pelos ensaios de Benedito Nunes, como “O amor na obra de Guimarães Rosa”, Consuelo Albergaria, Bruxo da linguagem no Grande sertão, Francis Utéza, JGR: Metafísica do Grande sertão, Heloisa V. de Araújo, O roteiro de Deus, Kathrin H. Rosenfield, Os descaminhos do demo. Visando demarcar de uma perspectiva crítica e histórica a completude interpretativa alcançada pelos trabalhos que compõem a matéria deste estudo, são apurados o método crítico e os fundamentos de cada ensaio em sua integridade. Visto que tais leituras se articulam no tempo, cabe-nos, ademais, desvendar o movimento dialético de aproximação e distanciamento operado entre elas. Noutros termos, combinando diacronia e sincronia, trata-se de delinear como cada ensaísta recupera achados críticos precursores (não como valores a priori, mas como aqueles capazes de assegurar prosseguimento a seu próprio ofício de julgamento de valor) e os redimensiona de forma a construir leituras distintas ancoradas em variados modos de julgamento. PALAVRAS-CHAVE: Guimarães Rosa; Grande sertão: veredas; Crítica literária; Interdisciplinaridade. 162 SOBRE GRAÇA, DIGNIDADE E BELEZA EM FRIEDRICH SCHILLER E HEINRICH VON KLEIST Carina Zanelato Silva Mestranda - Bolsista CNPq Profª Drª Karin Volobuef (Or.) O presente estudo tem como objetivo explicitar as teorias de Friedrich Schiller (1759-1805) e Heinrich von Kleist (1777-1811) sobre a graça, a dignidade, o belo e o sublime, comparando-as, a fim de mostrar as divergências e as confluências dessas concepções estéticas, que foram desenvolvidas nos períodos clássico (com Schiller) e romântico (com Kleist). Tendo como referencial principal para a análise dessas categorias os ensaios Sobre graça e dignidade (Über Anmut und Würde), de Schiller, e Sobre o teatro de marionetes (Über das Marionettentheater), de Kleist, procuramos mostrar na dissertação como as teorias estéticas dos dois autores refletem as tensões existentes entre Classicismo e Romantismo na Alemanha, e como essas tensões estabelecem diferenças entre a ideia de forma em Schiller e Kleist, tendo em vista que a harmonia clássica e a desarticulação dessa harmonia são temas frequentes. Schiller preza pela manutenção da harmonia e busca na arte o caminho para que o homem alcance o equilíbrio; Kleist, pela via da desconstrução do modelo clássico, joga com a forma, de maneira a desarticulá-la, transformando-a em palco para o advento do ritual dionisíaco; não mais a serenidade e harmonia de Apolo que imperam, mas sim o frenesi de Dionísio, que domina e se expande de maneira extraordinária. Dessa maneira, as categorias do belo, da graça e do sublime ganham em Schiller e Kleist dimensões díspares e afins, abrindo espaço para a comparação de suas obras. Aproveitando-nos dos apontamentos feitos por Friedrich Schiller sobre a tragédia como instância que proporciona ao homem o entretenimento e a liberdade através de meios morais, utilizamos as peças Die Jungfrau von 163 Orleans (Friedrich Schiller, 1801) e Penthesilea (Heinrich von Kleist, 1808) como via de exemplificação prática de como estes autores usaram as concepções estéticas apontadas acima para a construção da ação de suas heroínas, caracterizando-as de maneira a atender esses pressupostos estéticos. PALAVRAS-CHAVE: Friedrich Schiller; Heinrich von Kleist; graça; dignidade; beleza. A BUSCA DA EXPERIÊNCIA TOTAL DO HUMANO EM ALEXEI BUENO Carlos Eduardo Marcos Bonfá Doutorando Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.) Pretendo com minha pesquisa refletir sobre a inserção de Alexei Bueno na literatura contemporânea brasileira como produtor e receptor, abrangendo sua obra enquanto poeta, crítico literário e polemista através de uma leitura que procure atingir um ponto de interpretação pluralista e que consista em abarcar os diversos recursos em jogo no conjunto da obra, fazendo os textos significarem tanto quanto possam, atentando em suas espécies diversas de nível de complexidade referencial e em como reage o fluxo de passagem entre o pensamento crítico e o pensamento poético de Alexei Bueno, isto é, como, por exemplo, uma ideia crítica em relação à estética faz a invenção/ conotação poética agir perante esta ideia, e vice-versa. Meu objetivo é, ao final da pesquisa, demonstrar, através de análises de textos literários e críticos do autor, que o eu poético de Alexei Bueno busca uma experiência expandida, totalizante (subjetiva e simultaneamente objetivada na História) do humano. Para isto, utilizarei criticamente autores referenciais sobre os 164 conceitos de modernidade, de contemporaneidade e de anacronismo, como Baudelaire, João Alexandre Barbosa e Agamben. PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Contemporaneidade; Metapoesia; Poética; Crítica. A RESSIGNIFICAÇÃO DA TRÍADE TEMPO, MEMÓRIA E IDENTIDADE NA OBRA OS CUS DE JUDAS, DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES. Carlos Henrique Fonseca Mestrando Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.) O romance Os cus de Judas, publicado em 1979, integra o que o seu autor, António Lobo Antunes, chamou de ciclo de aprendizagem. Nesta fase inicial de sua vasta trajetória como romancista, em que se destaca a experiência vivida pelo autor nos derradeiros anos da guerra entre Portugal e Angola, já estão também presentes alguns elementos estéticos, temáticos e estruturais que serão desenvolvidos ao longo de sua produção romanesca, garantido assim sua singularidade no profícuo universo do romance português contemporâneo. Em sua construção ficcional, Lobo Antunes tem a memória como elemento primordial de seus romances e crônicas, configurando tempos e espaços específicos nos quais os mitos fundadores da identidade são postos em cheque. Neste sentido, nosso objetivo é a compreensão de como são articulados os conceitos de tempo, memória e identidade, possibilitando-nos perceber não só as estratégias narrativas e discursivas do autor, mas também sua relação com a contemporaneidade nos horizontes da pós-modernidade e do pós-modernismo na literatura portuguesa. Para tanto, adotamos como 165 metodologia o estudo inicial da relação entre história, ficção e testemunho, seguido de uma reflexão sobre e tempo, a memória e a imaginação apoiando-se nos estudos de Paul Ricoeur. Nossa pesquisa avança com os estudos da noção de identidade na pós-modernidade, trazendo para tal reflexão estudos de Zygmunt Bauman e Stuart Hall. Por fim, confrontando a proposta de uma “poética sociológica” de Mikhail Bakhtin com a perspectiva da “impossibilidade” do pós-estruturalista Maurice Blanchot e do “niilismo como alternativa” do filósofo italiano Gianni Vattimo, nossa pesquisa alia-se aos estudos que mostram o quanto o universo literário de António Lobo Antunes é paradigmático e revelador de um mundo marcado por impossibilidades e incertezas, ao mesmo tempo em que desafia os limites do romance enquanto gênero. PALAVRAS-CHAVE: António Lobo Antunes; Tempo; Memória; Identidade; Pós-modernismo. O NARRADOR E OS HERÓIS INCONSTANTES (LEITURA DE TRÊS ROMANCES DE MACHADO DE ASSIS) Carlos Rocha Doutorando Prof. Dr. Wilton José Marques (Or.) À luz da tradição do romance romântico brasileiro, que vislumbra um deslocamento entre a sociedade da época e a sua representação, suscitando incongruência ideológica, ao mesmo tempo, que é formadora de um público leitor, o presente projeto de pesquisa propõe analisar, textualmente, a construção da relação entre o narrador e a inconstância do protagonista de três romances de Machado de Assis – A mão e a luva (1874), Helena (1876) 166 e Iaiá Garcia (1878) – para compreender, a partir da relação entre esses entes ficcionais, como o autor desata o nó dessa contradição confabulada no romance daquela época. Desse modo, o que pretendemos é estabelecer, por meio do estudo dos elementos constitutivos da narrativa, como Machado de Assis articula um arranjo junto ao romance moderno para efetuar uma leitura crítica da sociedade brasileira oitocentista. PALAVRAS-CHAVE: Narrador; Protagonista; Inconstância; Machado de Assis; Romance brasileiro. A PERSONAGEM E O ESPAÇO NA OBRA ANA-NÃO, DE AGUSTÍN GÓMEZ-ARCOS Carolina Piovam Mestranda Profª Drª Maria Dolores Aybar-Ramírez (Or.) A pesquisa propõe analisar a categoria da personagem através do espaço percorrido pela protagonista Ana Paucha, pertencente ao romance Ana-Não, do autor espanhol Agustín Gómez-Arcos. Ao levar em consideração a importância do espaço, o qual possui intrínseca relação com o tempo da narrativa, que é o do Pós Guerra Civil Espanhola, será feita uma análise do percurso de viagem e das transformações da personagem central a fim de explanar acerca da libertação desta como mulher, esposa e mãe vencida em busca do reencontro com o seu único filho vivo, Jesus, o menino. Em síntese, falaremos sobre a obra, pertencente à literatura exilada, de suas personagens e da narração, esta será feita a partir da teoria de Gerard Genette (1988). Os espaços do romance serão refletidos à luz de Lotman (1978), o qual proporcionará, portanto, um estudo das relações espaciais com os aspectos sociais, culturais, religiosos, políticos e morais presentes em Ana-Não, os quais incutem na formação da 167 protagonista, cuja base teórica desta categoria se dá por meio dos estudos do Bildungsroman, ou seja, o romance de formação, de Maas (2000). PALAVRAS-CHAVE: Literatura espanhola do Pós Guerra Civil; literatura exilada; espaço; personagem; Bildungsroman feminino. O DUELO DOS PASTORES: UM ESTUDO SOBRE A FIGURATIVIDADE NAS BUCÓLICAS DE VIRGÍLIO Caroline Talge Arantes Mestranda – Bolsista Capes Prof. Dr. Márcio Thamos (Or.) Os expedientes expressivos adotados por Virgílio (70 – 19 a.C.), célebre poeta da época do Imperador Augusto, na composição de sua obra intitulada Bucólicas são, sem dúvida, fatores fundamentais para entender os motivos pelo qual assegura-se ao autor a fama de “poeta do império” do importante “Século de Ouro” da Literatura Latina. Reconhecer tais expedientes, ou seja, analisar os mecanismos intradiscursivos de constituição do sentido e saber como eles podem ser mobilizados na produção textual constitui o objetivo da pesquisa em andamento que, ao aplicar preceitos de Semiótica Literária e de Poética, investiga a seleção e combinação dos elementos figurativos presentes dos poemas ímpares componentes da obra virgiliana. O encadeamento desses elementos é responsável por criar o universo concreto, representativo de uma significação temática da obra, ligada ao mundo idealizado dos pastores e sua relação com a natureza, a música e a poesia. Ressaltando os elementos que permitem classificar o texto como poético de gênero bucólico, se procura, a partir da análise dos efeitos de sentido suscitados pela leitura, explicar o que o texto diz e, principalmente, como o faz para dizê-lo – função principal 168 da teoria semiótica. Dessa forma, com o arcabouço teórico baseado primordialmente na teoria semiótica da significação proposta por A. J. Greimas, o trabalho investiga em que medida as figuras instaladas em um discurso são combinadas e revestidas de expressividade, ou seja, visa-se à investigação da expressão da figuratividade no texto clássico latino, com destaque para o plano da expressão, que é responsável por evidenciar os chamados sistemas semissimbólicos. PALAVRAS-CHAVE: Figuratividade; Bucólicas; Éclogas; Virgílio; Semiótica. DEFINIÇÃO DO IDIOMA ESTILÍSTICO SENEQUIANO NAS TRAGÉDIAS ÉDIPO E FENÍCIAS: UMA PROPOSTA DE TRADUÇÃO EXPRESSIVA Cíntia Martins Sanches Doutoranda - Bolsista FAPESP Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.) O presente projeto tem como objeto as tragédias senequianas Édipo e Fenícias. Trata-se de um estudo sobre a tessitura poética do texto latino por meio de uma tradução expressiva desses dramas com a finalidade de delimitar traços fundamentais do idioma estilístico de Sêneca no córpus, bem como de refletir sobre sua transposição para o português. A escolha dessas tragédias se dá pelo fato de que, dentre os dramas senequianos, esses são os únicos que tratam do mito dos Labdácidas. Assim, é possível uma abordagem completa sobre o tratamento dado por Sêneca ao mito de Édipo. O conceito de idioma estilístico foi utilizado por Brodsky (1994), em “O filho da civilização”, e diz respeito à afinidade estilística necessária para que uma tradução possa ser equivalente ao texto de partida. Assim, serão observados, nos textos 169 de partida, recursos expressivos, comumente classificados como figuras de linguagem, bem como astúcias expressivas presentes nos planos fônico, lexical, morfossintático e métrico. Quanto à métrica, destacam-se os trímetros iâmbicos, que aparecem na maioria dos versos a serem traduzidos. Propõe-se que eles sejam vertidos em decassílabos, o que pode ser justificado por uma tradição de equivalência que vem de tragediógrafos como Antônio Ferreira e Manuel de Figueiredo, bem como de tradutores do gênero trágico, como Filinto Elísio, José Feliciano de Castilho, Sebastião Francisco Mendo Trigozo, João Cardoso de Meneses e Sousa e Trajano Vieira. Recentemente, adicionou-se à pesquisa um manuscrito de uma tradução da tragédia Édipo realizada, em decassílabos, por Cândido Lusitano, em Portugal, no século XVIII. Está sendo feita uma edição diplomática desse manuscrito e far-se-á uma análise da tradução expressiva proposta por Lusitano, tendo como base o estudo da expressividade já proposto desde o início deste projeto. Além disso, já se tem a tradução de estudo (em prosa) de Fenícias e dos cantos corais de Édipo, além de uma primeira tradução já em decassílabos dos primeiros 81 versos de Édipo. Foram escritos 3 artigos até agora, dois deles já publicados. PALAVRAS-CHAVE: Sêneca; idioma estilístico; tradução expressiva; Édipo; Fenícias. A MEMÓRIA, O TEMPO E O CORPO FEMININO EM ANAÏS NIN: DESAFIOS E DESCOBERTAS. Cristal Rodrigues Recchia Doutoranda - Bolsista CAPES Profª Drª María Dolores Aybar Ramírez (Or.) Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi (Coor.) Como se dá a representação da mulher e do feminino na literatura? Tal questão, tão debatida quanto ainda polêmica, constitui o cerne das presentes re170 flexões. A existência ou não de algum tipo de especificidade que faz um texto escrito por uma mulher diferente de um texto escrito por um homem, ou a existência de um texto de natureza “feminina”, independente do sexo do autor, são questões que nos levam a diferentes caminhos teóricos. Em grande parte, esse polêmico tema está ligado aos múltiplos significados socioculturais que o termo “feminino” carrega. Resulta quase impossível dissociar o feminino da mulher, embora a feminilidade não seja algo exclusivo das mulheres, como a masculinidade não é algo exclusivo dos homens. O que se torna importante tanto no estudo da literatura produzida por mulheres, quanto na compreensão do que é feminino, é vislumbrar que pode existir uma diferença, ou ao menos, problematizar essa discussão. Isto não quer dizer que o diferente, o outro, no caso, o feminino, seja inferior ou marginal. Para refletir sobre esses e outros aparentes paradoxos, propomos abordar o texto literário à luz dos estudos de gênero, e mais concretamente, com base na linha teórica de Sandra Gilbert e Susan Gubar. Para compor o corpus de natureza literária, se escolheu os diários não expurgados de Anaïs Nin: Henry e June, Incesto e Fogo, que cobrem o período de 1931 a 1937. A escrita autobiográfica de Anaïs Nin serve-nos para analisar alguns dos caminhos da construção da identidade do sujeito mulher. PALAVRAS-CHAVE: Anäis Nin; Feminismo; Mulher e Literatura. O PERFEITO MÁGICO DAS LETRAS FRANCESAS: APROXIMAÇÕES ENTRE O CONTO FANTÁSTICO E A POESIA DE THÉOPHILE GAUTIER Cristovam Bruno Gomes Cavalcante Mestrando Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.) O objetivo deste projeto é estabelecer relações entre a obra, alguns contos e alguns poemas, e a concepção estética que defende Théophile Gautier em 171 seus ensaios e prefácios. Buscar-se-á assim encontrar a unidade entre a produção fantástica do autor, como os contos Le pied de Momie (1840) e Arria Marcella, souvenir de Pompeï (1852) e sua poesia, cuja expressão máxima é a coletânea de poemas Émaux et Camées (1852), e relacioná-las com, por exemplo, o polêmico prefácio de Mademoiselle de Maupin (1835-1836), que representa uma crítica feroz à filosofia social sansimonista e, sobretudo, uma crítica ao utilitarismo da sociedade burguesa do século XIX. Além de investigar o significado da recorrência de temas, como a animação de objetos artísticos e o amor das personagens em relação aos objetos, buscar-se-á descobrir, também, se do ponto de vista da linguagem há equivalências entre a prosa do autor e sua produção poética. PALAVRAS-CHAVE: Théophile Gautier; Contos fantásticos; Poesia Parnasiana. UMA REAPRESENTAÇÃO DE HENRY MILLER: LITERATURA E RECEPÇÃO CRÍTICA DA OBRA DO ESCRITOR AMERICANO Daniel Rossi Doutorando Profª Drª Maria Clara Bonetti Paro (Or.) Procuramos reapresentar criticamente a obra de Henry Miller, partindo dos livros que seriam os mais importantes na longa produção literária do autor. As obras Trópico de câncer (MILLER, 2006) [1934], Primavera negra (MILLER, 1968) [1936] e Trópico de capricórnio (MILLER, 2008) [1939], são os objetos centrais de nossa pesquisa. Henry Miller é um es172 critor americano que gozou de amplo reconhecimento durante boa parte do século XX. Devido à sua história com a censura (suas obras só seriam liberadas nos EUA, seu país de origem, e em outros lugares do mundo a partir da década de 1960 – quase 30 anos após a publicação de seu primeiro romance na França), o conteúdo de seus livros foi taxado como obsceno ou pornográfico. As novidades estilísticas e de conteúdo que a trilogia francesa trouxe foram esquecidas pelo meio do caminho, mesmo que Miller tenha conhecido um grande reconhecimento por sua obra mesmo antes da liberação de seus livros mais importantes. Mesmo com esse reconhecimento crítico, misturado com boa dose de críticas moralizantes e com críticos chocados com o conteúdo das obras, a obra do escritor americano conheceu um destino singular. Recebida com grande alarido pela crítica (Edmund Wilson (1952), Maurice Blanchot (1997), George Orwell (2005)), as primeiras obras de Miller chegaram a encontrar um público pronto a oferecer críticas a uma obra que foi publicada em pequena tiragem na França, somente em língua inglesa pois a censura proibia sua tradução. E a questão da censura é o que faz, justamente, da recepção da obra de Miller um caso sui generis: após esta primeira recepção crítica, ocorre um grande silêncio sobre a obra de Henry Miller. Impossibilitados de falar sobre obras que a maioria não teria acesso, a crítica da literatura milleriana se cala durante muitos anos após a publicação de seu primeiro romance em 1934. Mesmo depois de se tornar um best-seller a crítica não acompanhou as suas obras e um vazio se estabeleceu em torna de sua obra. Nosso intuito é, justamente, trabalhar esta questão ao mesmo tempo em que analisamos as obras de um ponto de vista formal e de conteúdo. PALAVRAS-CHAVE: Henry Miller; Crítica literária; Literatura americana. 173 FICÇÃO E HISTÓRIA: TRANSFIGURAÇÕES DO PASSADO EM NARRATIVAS DE TEOLINDA GERSÃO E MIA COUTO Daniela Aparecida da Costa Doutoranda – Bolsista CAPES/DS Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) A pesquisa de doutorado em desenvolvimento (2011-2015), intitulada “Ficção e História: transfigurações do passado em narrativas de Teolinda Gersão e Mia Couto”, focaliza interações entre literatura e História em narrativas de dois escritores contemporâneos das literaturas de língua portuguesa: Teolinda Gersão (Portugal) e Mia Couto (Moçambique). Nosso corpus de análise é constituído de quatro romances: Paisagem com mulher e mar ao fundo, de 1982, e A árvore das palavras, de 1997, de Gersão e Terra sonâmbula, de 1992 e Vinte e zinco, de 1999, de Couto. O estudo, por meio da análise do corpus literário escolhido, confronta os diferentes olhares sobre o passado recente das duas nações veiculados pelos romances mencionados. Nossa hipótese é a de que os dois autores utilizam, como primordial técnica de composição narrativa, nas obras em análise, as interações entre ficção e História de modo a transfigurar a matéria histórica no corpo ficcional. Além do procedimento de tomada da matéria histórica, busca-se, com o processo investigativo, mostrar que Gersão e Couto aproximam-se por fazerem uso de uma escrita intimista: ao lado do factual, há o aflorar de subjetividades que mostram os dramas humanos individuais de personagens que, metonimicamente, refletem o coletivo. Para o desenvolvimento da pesquisa são tomados como aporte teórico os seguintes grupos de textos: a) teóricos sobre a interação entre literatura e História e o problema da representação da realidade ao longo da crítica literária; b) teóricos dos Estudos Culturais, para a compreensão da configuração da literatura em países de independência recente, como é o caso de Moçambique; c) teórico-críticos sobre a constituição e principais 174 tendências das literaturas de língua portuguesa, em especial, a produção de Moçambique com Mia Couto e de Portugal pós-Revolução dos Cravos, com destaque para a obra ficcional de Teolinda Gersão, além de textos críticos sobre a história recente de Portugal e Moçambique; d) teóricos para a compreensão dos conceitos de memória, história e ficção; e) com proposições da teoria da narrativa, para a análise das categorias narrativas, em especial o tempo e o espaço. PALAVRAS-CHAVE: Literatura de língua portuguesa; Romance; Teolinda Gersão; Mia Couto; Ficcionalização da História. AFINIDADES ENTRE O TRÁGICO DE ÉDIPO REI E O TRAGICÔMICO D’ A VISITA DA VELHA SENHORA Daniela Manami Mippo Mestranda Profª Drª Wilma Patricia Marzari Dinardo Maas (Or.) Com o projeto propõe-se elencar e discutir afinidades no que toca à forma e a temática entre as obras de Sófocles e Friedrich Dürrenmatt, Édipo Rei e A visita da velha senhora respectivamente. Para isso, nos utilizaremos principalmente dos conceitos sobre o trágico de Aristóteles e Peter Szondi, o que possibilita uma aplicação de conceitos não só pautados na Poética do primeiro, mas também no que se versou sobre o trágico em Ensaio sobre o Trágico de Szondi, contemplando também o gênero híbrido que é o tragicômico, gênero ao qual a obra mais moderna pertence. A comparação focaliza principalmente aspectos trágicos, enredo e distanciamento do público em relação ao espetáculo, apontando mais especificamente para a maneira como tais elementos semelhantes se apresentam e se arranjam nas obras estudadas. 175 Entretanto, não se pode deixar de lado determinados aspectos nos quais as obras diferem, uma vez que têm demasiada importância para a organização interna das próprias afinidades entre as duas peças, organização que permite que uma pertença ao gênero trágico e a outra ao tragicômico.Com o levantamento e comparação entre tais elementos poderemos enfim apontar para quais resquícios do que versou Aristóteles sobre a tragédia clássica grega ainda são utilizados no âmbito daquilo que muitos teóricos denominam Teatro Moderno, ou Drama Moderno segundo Szondi, ressaltando de que forma eles se manifestam na obra de Dürrenmat. Da mesma forma, buscar-se-á identificar características do trágico apontadas por Szondi que já estejam presentes na peça clássica. Será possível assim apontar para o que era o trágico clássico, contrapondo-o a um possível trágico moderno, de acordo com a terminologia utilizada para designar a produção teatral da época em que produziu Dürrenmatt. PALAVRAS-CHAVE: teatro; trágico; tragicômico; Dürrenmatt; Sófocles. VISÕES DO INFERNO OU A CENA DEFORMADA: UMA LEITURA DO EXPRESSIONISMO NO TEATRO DE RAUL BRANDÃO Danielle de Aurélio Martinez Mestranda – Bolsista CAPES Profª Drª Renata Soares Junqueira (Or.) O Projeto de Pesquisa em Mestrado propõe um estudo sobre teatro moderno a partir da leitura crítica da peça dramática O gebo e a sombra (1923), de autoria do escritor português Raul Brandão (1867-1930). A produção dramatúrgica desse autor, pouco extensa e até hoje insuficientemente conhecida nos meios universitários brasileiros, revela-se, como pretendemos demons176 trar pela análise textual, um dos mais distintos produtos do expressionismo – “em Portugal tão raro e sáfaro (inculto, distante)” segundo a crítica especializada – no teatro português. Brandão é autor de uma obra literária de múltiplas virtualidades estéticas que lhe conferem uma modernidade singular, “completamente autonomizada dos movimentos literários que a tinham como bandeira na segunda década do século XX”, segundo afirmam os seus exegetas. Daí a dificuldade em classificar esteticamente a obra desse autor. As várias perspectivas possíveis parecem, entretanto, marcadas por um denominador comum que, segundo a nossa hipótese, agrega em si, predominantemente, elementos estéticos próprios do expressionismo. PALAVRAS-CHAVE: Teatro português; Raul Brandão; O gebo e a sombra; expressionismo; século XX. UMA VERSÃO DO CANTO III DE PUNICA E A TEORIA MODERNA DA TRADUÇÃO Débora Cristina de Moraes Mestranda - Capes Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.) Este trabalho, ainda em sua fase inicial, trata da (re) tradução como elemento fundamental para revigorar obras do passado, tornando-as públicas e acessíveis. Nota-se que estudos de tradução e retradução têm obtido relevância nas últimas décadas, assim como textos de autores não conhecidos ou fora do cânone das Letras Clássicas, como o escritor épico latino Sílio Itálico, cuja obra (Punica), composta em dezoito cantos, que teve quatro deles traduzidos por Filinto Elísio, no século XIX. Assim, entender que atividade tradutória é um ato crítico, como conceituam teóricos como Antoine Berman e Haroldo de Campos, nos leva a compreender que tal processo considera traduções 177 anteriores necessárias para que possamos afinar nossa criticidade na abordagem do texto em sua língua de partida e na versão produzida na língua de chegada, colaborando para criar parâmetros de tradução, e também para a história da tradução em nosso país. Desse modo, além dos estudos necessários sobre a tradução e de como fazer uso das modificações de seus preceitos ao longo do tempo, esse projeto originará uma tradução que visa carregar em si os elementos e artefatos poéticos que integram o processo tradutório, mais os oriundos do contato entre as línguas. Visa ainda colaborar para o resgate no Brasil de Punica de Sílio Itálico, que já ocorre em outros países, evidenciando a importância da literatura da “Idade de Prata” de Roma para os estudiosos de língua e literatura latinas. PALAVRAS-CHAVE: retradução; crítica tradutória; literatura latina. ECOS DA MEMÓRIA: A (RE)CONSTRUÇÃO DA IDENTIDADE EM A MISTERIOSA CHAMA DA RAINHA LOANA, DE UMBERTO ECO. Déborah Garson Cabral Mestranda – Bolsista CNPq Profª Drª Cláudia Fernanda Campos Mauro (Or.) Com o objetivo de descrever o processo de construção da identidade italiana, reflexo da história e da memória desse povo, este projeto visa desenvolver os temas da memória, do diálogo entre história e literatura e da inserção do leitor na produção da obra literária, a partir do estudo do romance A misteriosa chama da rainha Loana, de Umberto Eco. Para isso, procura refletir sobre a história ficcional consonante à história real do período do Fascismo, vivido pela nação italiana no período da Segunda Guerra Mundial, no intuito de 178 compreender o processo de construção da identidade e da unidade italiana. Partindo deste ponto, o que se pretende é traçar uma linha que chegue à construção da identidade de Yambo, personagem desta narrativa que passeará pelos palácios da memória no intuito de encontrar suas memórias perdidas, vítimas de um suposto acidente vascular. Este narrador autodiegético será a metáfora dessa Itália traumatizada pela guerra, fragmentada e múltipla, que busca, de alguma forma, um reencontro com seu passado, suas origens, na busca de compreender seu destino e consolidar sua identidade. As referências da cultura italiana e da inserção de culturas de outros países, como a cultura pop, oriunda dos Estados Unidos, se fazem presentes na narrativa, POTENCIALIDADE LÚDICA DO CARAMURU: ADAPTAÇÃO E ROTEIRO PARA JOGOS DE VIDEOGAME ECOMPUTADOR. Dílson César Devides Doutorando Gentil Luiz de Faria (Or.) Esta texto objetiva estudar as possíveis relações entre literatura e jogos eletrônicos. Principalmente a potencialidade lúdica da literatura em converter-se em games. Não são poucos os jogos eletrônicos inspirados na Odisseia, na Divina Comédia, por exemplo, mas são poucos os inspirados na literatura brasileira. Assim, ter a poesia épica nacional, mais especificamente, Caramuru, de Frei de Santa Rita Durão, como objeto de estudo pode contribuir para abrir o precedente de novos estudos envolvendo obras brasileiras e suas possíveis adaptações para jogos eletrônicos, assim como já acontece nas adaptações para televisão e cinema. Para isso, será importante definirmos quais os fatores mais importantes para a jogabilidade e como eles aparecem no poema em questão ou mesmo em outros congêneres. Mesmo que especificidade do 179 projeto seja o roteiro de um game como prova de tal potencialidade lúdica, serão destacadas ao longo da pesquisa algumas questões importantes para situarmos os games e a narratologia nas novas mídias. PALAVRAS-CHAVE: Caramuru; jogos eletrônicos; lúdico; roteiro; adaptação. GUERRA CONJUGAL, O CINEMA ANTROPOFÁGICO DE JOAQUIM PEDRO DE ANDRADE. Douglas de Magalhães Ferreira Mestrando Profa. Dra. Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.) Este projeto tem como principal objetivo explorar as intricadas relações entre literatura e cinema na obra de Joaquim Pedro de Andrade, um dos expoentes do Cinema Novo e cuja obra mantém estreitas relações com a literatura nacional. Mais especificamente, pretende-se sondar o quarto longa-metragem de ficção do diretor, Guerra conjugal (1975), tomando o esforço adaptativo por tradução criativa e crítica (CAMPOS, 2006). Procurar-se-á identificar os contos-base de Dalton Trevisan utilizados para a composição do roteiro, bem como a fase de produção do autor na qual eles se inserem, levando em consideração o contexto de explosão do gênero conto no Brasil entre as décadas de 1960-1970. Em seguida, analisar-se-á pormenorizadamente a narrativa cinematográfica do filme-resultado, procurando estabelecer ainda pontos de toque entre esta e as demais obras do diretor, lançando luz sobre o conjunto de sua produção, sem perder de vista a conjuntura estético-política de sua realização, o Cinema Novo e a sociedade brasileira dos anos de 1970. PALAVRAS-CHAVE: Guerra conjugal; Joaquim Pedro; relações intersemióticas. 180 JOÃO GILBERTO NOLL E AS PERVERSÕES DO REAL (REPRESENTAÇÃO, DESLOCAMENTOS E PERMANÊNCIA EM O QUIETO ANIMAL DA ESQUINA E HARMADA) Efraim Oscar Silva Mestrando – Bolsista FAPESP Profa. Dra. Rejane Cristina Rocha (Or.) O escritor João Gilberto Noll iniciou sua carreira literária em 1980, com a publicação do volume de contos O cego e a dançarina. A partir daí, produziu um conjunto de romances que a crítica especializada e os resenhistas da imprensa consideram invulgares, quer pela forma da composição, quer pelos enredos, quer pela apresentação dos narradores e das personagens. Romances fluidos, fragmentários; histórias que são como pastiches, colagens às vezes desconexas e sem sentido; narradores-personagens desmemoriados, desorientados e sem nenhuma certeza; personagens errantes e sem identidade; ambientes e cenas confusos, que são construídos e desconstruídos logo em seguida. Essas são, em síntese, algumas características das narrativas de João Gilberto Noll. Os romances O quieto animal da esquina (1991) e Harmada (1993) parecem sintetizar bem essa fase da sua produção, o que justifica a nossa escolha para serem focalizados neste trabalho. Nossa proposta é discutir a forma como ambos reconfiguram as estruturas narrativas clássicas do gênero romance e representam o real. Para isso, estabelecemos um percurso teórico que implica o estudo de algumas instâncias narrativas como narrador, tempo e espaço, com base na narratologia pragmática de Gérard Genette. Em seguida problematizamos se há singularidade na forma e na temática dos dois romances no que se refere a representar a sociedade brasileira contemporânea e se, ao fazê-lo, se apropriam das estruturas clássicas do gênero romance e/ou as subvertem. PALAVRAS-CHAVE: João Gilberto Noll; representação do real; romance brasileiro; O quieto animal da esquina; Harmada. 181 EM FACE DO ÉPICO: A HEROICIZAÇÃO NAS NARRATIVAS DE XENOFONTE Emerson Cerdas Doutorando – Bolsista FAPESP Profa. Dra. Maria Celeste Consolin Dezotti (Or.) O presente estudo tem como objetivo a análise de quatro narrativas de Xenofonte, As Helênicas, Anábase, Agesilau e A Ciropedia, classificadas pela história da literatura como “historiográficas”. Nossa discussão versa a respeito da construção do heroísmo nessas narrativas a partir do uso intertextual da mitologia heroica, em especial aquela abordada por Homero em seus dois poemas épicos, Ilíada e Odisseia. O mito repercute, enquanto categoria estrutural do pensamento humano, uma série de modelos de comportamento que, mesmo quando ele deixa de ter um papel absoluto na cultura grega, sendo questionado pelo pensamento racional e lógico, são recuperados e tecnificados pelos escritores a fim de engrandecer os eventos narrados por eles. Na Grécia do século IV a.C., essa prática mostra-se comum tanto na Oratória quanto na Historiografia, mas, recuando na história da literatura grega, observamos expedientes semelhantes também em poemas de Simonides, Baquílides, Píndaro, no teatro de Ésquilo. Nesse sentido, a heroicização parece ser um traço importante do discurso literário grego e Xenofonte, nesse sentido, traz às suas narrativas esses elementos de heroicização justamente onde elas se afastam do discurso historiográfico (a partir do modelo de Tucídides), narrando aquilo que os historiadores deveriam deixar no esquecimento. Por isso, partindo de conceitos de arquitextualidade e intertextualidade conforme Genette em Introduction à l’architexte (1978) e Palimpsestes (1982), nossa análise discute também a pertinência em classificar essas obras de Xenofonte como historiográficas. Como todo gênero do discurso, o historiográfico é um feixe de estruturas linguísticas que se estabelece na comunicação entre 182 autor e leitor, reconhecido por este através de sua prática de leituras do gênero. Assim, através do uso da heroicização dos dados históricos, percebemos tanto rupturas ao gênero historiográfico (n’As Helênicas) quanto inovações no campo da narrativa em prosa da Grécia Antiga (na Anábase, Agesilau e Ciropedia), criando uma espécie de narrativa épica em prosa que muito influenciou os romancistas gregos posteriores. PALAVRAS-CHAVE: Xenofonte; historiografia; intertextualidade; Homero; LITERATURA E INQUIETAÇÃO: A DISCUSSÃO DA FORMA ROMANESCA EM JACQUES LE FATALISTE ET SON MAÎTRE Evaneide Araújo da Silva Doutoranda – Bolsista SEE/SP Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) Este trabalho concentra-se em fazer uma análise do romance Jacques le fataliste et son maître (1778), do escritor e filósofo francês Denis Diderot (17131784), no sentido de demonstrar como essa obra dá, na própria estrutura da narrativa, uma resposta muito original e legítima às questões que se colocavam ao gênero no século XVIII: afinal, o que é o romance? Como fazer para buscar a verossimilhança dentro da narrativa? A que se presta um romance? Quais devem ser as características principais que o distinguem da poesia, do drama e da História? Trata-se, portanto, de demonstrar a importância de Jacques le fataliste para a evolução do próprio gênero ao colocar em evidência procedimentos e temas literários inovadores, transformando o falso - a ficção – em uma forma de declarar a verdade e de discutir os problemas históricos de seu tempo. Assim, levamos em conta que a principal obra literária de De183 nis Diderot tem por objetivo discutir o próprio gênero, mostrando no tecido de sua narrativa como o romance, ao contrário do que pretendia a crítica, se constitui como ficção, como produto intelectual de um autor que tem à sua disposição técnicas e procedimentos que lhe permitem construir um enredo ao mesmo tempo perfeitamente verossímil e ficcional. Ao ler o romance e refletir sobre sua forma, nota-se que ele é inovador, na França do século XVIII, em todos os sentidos. Na obra de Diderot as categorias constituintes da narrativa são desconstruídas ao assumir uma função que vai além da composição da diegese, em favor da reflexão principal que a obra veicula, qual seja, pensar a constituição do romance enquanto gênero, estabelecer novos paradigmas para a prosa de ficção, no sentido de diferenciá-la da História e dos demais gêneros literários. PALAVRAS-CHAVE: Romance; Forma Romanesca; História do romance; Jacques le fataliste et son maître. LITERATURA E DITADURA: ENTRE A CASA E A RUA. ECOS DE RESISTÊNCIA NAS OBRAS DE LYGIA FAGUNDES TELLES, NÉLIDA PIÑON E HELONEIDA STUDART. Evelyn Caroline de Mello Mestranda Profa. Dra. Maria Clara Paro (Or.) O presente trabalho pretende analisar as linhas estéticas que compunham o quadro artístico brasileiro dos Anos de Chumbo, em especial as propostas de engajamento político e os seguimentos artísticos que compuseram a 184 Marginália, sendo estes os grupos que mais se destacaram no período histórico referente aos anos que compõem o painel do regime de exceção. De um lado, a proposta engajada propunha a arte como ferramenta de libertação política, um contraponto para a censura e denúncia das arbitrariedades do governo, de outro lado, a corrente da Marginália propunha liberdade de criação e liberdade individual, discutindo novas possibilidades de criação artística (ou mesmo retomando aspectos concernentes ao Movimento Modernista) e inserindo outros debates, como a questão da liberdade sexual, mais afinados com a Contracultura. No entanto, apesar das diferenças presentes nessas tendências há algo que as aproxima: o caráter de resistência. Ambas procuram por diferentes caminhos resistir aos padrões sociais e culturais vigentes à época. A proposta central, portanto, seria investigar se há uma correspondência das propostas de resistência destes grupos artísticos com a configuração do campo literário, sendo que o corpus escolhido para investigação foram as obras As meninas de Lygia Fagundes Telles, A doce Canção de Caetana de Nélida Piñon e O pardal é um pássaro azul de Heloneida Studart. Pretende-se avaliar como o caráter de resistência se encontra mediado nas obras e analisar a possibilidade de diálogo entre a teoria do romance político ou romance de protesto e a teoria feminista, na tentativa de proporcionar um ponto de encontro entre essas vertentes teóricas. Destarte, espera-se identificar em que medida se pode construir uma teoria feminista que possa dar conta dos diferentes feminismos que se construíram ao longo da história do Brasil, em específico no período da Ditadura Militar Brasileira (1964-1985). PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira; Ditadura militar; Teoria Feminista. 185 FIGURATIVIDADE EM “CÍNIRAS E MIRRA”: UM ESTUDO DE SEMIÓTICA APLICADA (OVÍDIO, METAMORFOSES, X, 298-502) Ewerton de Oliveira Mera Mestrando Prof. Dr. Márcio Thamos (Or.) A proposta desta pesquisa é a de desenvolver um trabalho que procure investigar mais detidamente a figuratividade poética no texto latino, valendo-se do instrumental teórico que nos fornecem a Poética e a Semiótica Literária, tendo como corpus a obra Metamorfoses, livro X, 298–502, de autoria de Ovídio (43 a.C. – 17 d.C.), considerado um dos maiores poetas da Roma Antiga. As Metamorfoses são um grande poema versado em hexâmetros, ao longo de quinze livros, em que o autor trata do surgimento dos elementos que compõem o mundo e também da transformação ocorrida com diversos seres e figuras da mitologia através de metamorfoses. No recorte selecionado para a análise, conhecido como “Cíniras e Mirra”, o autor latino conta a transformação de uma bela jovem em uma árvore de mirra, fruto de suas súplicas aos deuses após cometer incesto com o próprio pai, Cíniras, um dos reis de Chipre. Com relação ao afastamento temporal – e o decorrente afastamento cultural – causado pela escolha de se trabalhar com um texto escrito na Antiguidade, é adotada para o trabalho a concepção do latim como uma língua viva do passado, sendo, portanto, como uma língua materna, com a única exceção de possuir um lapso temporal que nos separa de seus últimos falantes legítimos. Essa visão vai em contraposição à ideia, alimentada pela escola da tradição, de seu tratamento como uma espécie de superlíngua, capaz de, quase por si mesma, fazer de todo enunciado um monumento perene. Propõe-se, assim, como principal objetivo da pesquisa, a investigação semiótica do texto clássico latino, com destaque para o plano da expressão. Dessa forma, tomando os efeitos de sentido captados pela percepção e apreendidos 186 por meio da leitura cuidadosa como dados de base, pretende-se investigar o arranjo particular da linguagem no corpus. PALAVRAS-CHAVE: Figuratividade; Literatura Latina; Metamorfoses; Ovídio; Semiótica. O ROMANCISTA DO MAR: UM ESTUDO DA REPRESENTAÇÃO DO MAR NOS ROMANCES DE MOACIR C. LOPES Fernando Góes Doutorando - Bolsista Capes Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.) A presente pesquisa de doutorado acerca das obras do autor Moacir Costa Lopes dá prosseguindo ao estudo iniciado no mestrado, quando se analisou o romance A ostra e o vento. Na ocasião buscou-se analisar essa narrativa focando, sobretudo, as metáforas marítimas que conduzem o enredo. Lopes é conhecido pela alcunha de romancista do mar e já no mestrado buscou-se verificar como essa temática se apresenta na prosa desse autor. Para tanto, desenvolveu-se certa teoria acerca das metáforas ditas marítimas, bem como do mar enquanto espaço narrativo. As metáforas marítimas teriam origem nos primevos contatos do ser humano com o elemento água bem como nas imagens formadas pela ação do vento sobre as águas calmas do mar. Tais metáforas marítimas florescem com toda intensidade em uma determinada espacialidade que não compreende apenas o mar. Desse modo, analisando no mestrado a conotação espacial do mar, chegou-se ao conceito de ambiente marítimo. Este, segundo o que se apurou no mestrado, ficaria ao lado de outras espacialidades já cristalizadas na análise de narrativas como, por 187 exemplo, o espaço urbano e o regional. Porém, com o avançar das pesquisas e a análise dos romances Maria de cada porto e Cais, saudade em pedra, foi possível melhor compreender esse ambiente marítimo e vislumbrar a possibilidade de ele estar relacionado ao regional. Lopes, embora trabalhe uma espacialidade basicamente universal, deixa marcas regionais. A esse regionalismo de Moacir Costa Lopes, atrela-se o conceito de imaginário. Moacir Lopes seria então um autor brasileiro que escreveu narrativas em que é possível divisar o imaginário marítimo, porém um imaginário com certa brasilidade que embasa, por sua vez, as metáforas marítimas que encontramos em suas narrativas. O imaginário marítimo traria para as obras desse autor as cores locais sem, no entanto, atrelá-lo a uma dada região do país e sem suprimir o universal de suas narrativas. PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira; Mar; Romance. NAS SENDAS DA ODE: HORÁCIO E FILINTO ELÍSIO. Francisco Diniz Teixeira Doutorando Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.) \O projeto está assentado no estudo da tradição clássica, através da leitura comparada da ode em sua matriz na poesia de Horácio, poeta romano do século I a. C., e da recepção feita dela na poesia de Filinto Elísio, poeta neoclássico lusitano, através da atividade tradutória empreendida por Filinto de Horácio e da criação poética, com base na leitura das odes compostas pelo próprio Filinto e também se empreenderá uma revisão bibliográfica da fortuna crítica concernente ao tema. PALAVRAS-CHAVE: ode; literatura portuguesa; literatura latina; tradição clássica; tradução. 188 AS DIVERSAS FACES DO MEDO PRESENTES NA FIGURA DE HEITOR. Gabriel Galdino Fortuna Mestrando Profa. Dra. Maria Celeste Consolin Dezotti (Or.) Este trabalho tem por objetivo traçar os limites culturais que constroem a figura do herói homérico, para tanto, escolheu-se analisar esta personagem, símbolo do que a sociedade grega entendia como ideal, por um âmbito que enfatiza mais o seu lado humano do que o divino. Desta forma, foram avaliadas todas as cenas da Ilíada em que o sentimento de medo está relacionado ao herói Heitor. Expondo o medo atrelado a valores que esboçam o arcabouço cultural contido na figura do herói, compreendeu-se que essa personagem mitológica e literária muitas vezes vista apenas como um arquétipo, na verdade traz uma torrente de conceitos que são indissociáveis dela, fato que consequentemente a torna mais complexa e estimula uma visão detalhada da mesma. O referido texto explicitou também a interação retórica entre os conceitos pilares pertencentes à mesma órbita em que o medo atua na personagem, segundo principalmente os preceitos da filosofia aristotélica presente na Retórica e na Ética a Nicômaco, que são: a coragem, a confiança, a vergonha, o pânico, a loucura e a alienação ao perigo. Ao relacionar os supracitados termos satélites ao medo foi possível averiguar a premissa fundamental de que medo e coragem possuem a mesma matéria prima, evidenciando uma relação simbiótica, interdependente, de tal amplitude que obrigatoriamente culminou na interpretação de que não existe coragem sem a prévia existência do medo.Em suma, este texto elencou o sentimento do medo para traçar de forma precisa os conceitos que formam um dos principais heróis da narrativa, uma vez que essa emoção atrai e estimula vários outros valores, além de configurar um irônico e interessante paradoxo. Afinal, trata-se de um 189 sentimento humano presente em uma figura sobre-humana, fato que expõe a condição híbrida da personagem, tema muito explorado nas futuras Tragédias e Comédias gregas e em toda a vindoura Literatura, cujo germe já está presente na primeira narrativa registrada do ocidente, a Ilíada. PALAVRAS CHAVES: Ilíada; Herói; Medo; Heitor. DESBRAVANDO A LONDRES DE BAIXO: O FANTÁSTICO NO ROMANCE NEVERWHERE, DE NEIL GAIMAN. Gabriele Cristina Borges de Morais Mestranda Profa. Dra. Karin Volobuef (Or.) Neil Gaiman é um dos autores de fantasia com maior reconhecimento tanto por parte do público como da crítica atualmente. Sua carreira se iniciou nos anos 1980, mas o reconhecimento veio a partir de 1989, com a publicação da série de HQs Sandman, que abriu novas portas para o autor não apenas no mercado editorial de quadrinhos, mas também como roteirista de cinema e autor de literatura. Seu primeiro romance solo, Neverwhere (traduzido como Lugar Nenhum na edição brasileira), foi publicado em 1997 e traz muitos dos aspectos do fantástico já presentes em Sandman e em seus quadrinhos, e que viriam a caracterizar seus posteriores romances. A questão central de Neverwhere é a dupla realidade com o qual o protagonista se depara: vivendo durante anos na cidade de Londres, após ajudar uma estranha jovem ele se torna invisível para as pessoas de seu mundo e conhece a Londres de Baixo, localizada no sistema metroviário da cidade. Podemos classificar a obra como uma fantasia de portal (portal fantasy), segundo definição de Mendlesohn (2008): o protagonista atravessa um portal entre sua realidade e um 190 mundo estranho, no qual as regras às quais está habituado não são válidas e onde há forte presença do fantástico. O herói é submetido a provas e, aos poucos, juntamente com o leitor, familiariza-se às leis que regem esse novo mundo, tendo por objetivo final o restabelecimento da ordem no mundo mágico e o retorno à sua vida tida como normal. Através de análise descritiva dos elementos fantásticos presentes no romance, bem como das fontes intertextuais às quais o autor recorreu para a composição de seu cenário e seus personagens, pretendemos nesta pesquisa refletir sobre o processo criativo de Neil Gaiman e sua influência para a literatura de fantasia contemporânea. PALAVRAS-CHAVE: fantástico; fantasia; Neverwhere; Neil Gaiman; Londres. CONSTRUÇÃO LITERÁRIA DE MANIFESTAÇÕES DA JUSTIÇA EM CONTOS DE SAGARANA Gustavo de Mello Sá Carvalho Ribeiro Mestrando Prof. Dra. Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) Nossa pesquisa centra-se na análise de como, através de elementos narrativos, como narrador, personagens e com ênfase na historia, Guimarães Rosa constrói o tema da justiça em contos de Sagarana. Embora toda a coletânea seja levada em consideração, damos ênfase no estudo de: “O burrinho pedrês”, “Duelo”, “São Marcos”, “Corpo fechado”, “Conversa de bois” e “A hora e vez de Augusto Matraga”. Percebemos que a justiça construída nos contos tem sempre duas formas de manifestação: a justiça humana, realizada pelas próprias mãos das personagens, tendo em vista que o Estado não está presente no sertão; e a justiça divina, que rege muitos dos acontecimentos 191 das histórias. O embasamento teórico de nossa pesquisa pode ser agrupado em três linhas: primeiramente, ensaios sobre as categorias da narrativa, que são nosso instrumento de análise, como Discurso da narrativa de Genette, que nos possibilita desenvolver melhor a leitura de como essas categorias constroem, ao longo dos contos, as manifestações da justiça; crítica sobre a produção rosiana em geral, como “De Sagarana a Grande sertão: veredas” de Benedito Nunes, em que o autor apresenta um panorama das três primeiras obras de Guimarães Rosa, dando-nos a compreensão do geral, e mais particularmente, a crítica sobre nosso corpus como, por exemplo, a obra Fórmula e fábula de Willi Bolle, em que o crítico aponta como características de Rosa, nas narrativas de Sagarana, o moralismo e o conservadorismo, segundo os quais, sempre que um fato de valor considerado moralmente negativo ocorre ao longo da história, uma sanção é estabelecida (seja ela de justiça divina ou de mão própria). E, por último, textos que tratam do tema da justiça abordado nos contos, como Estudos de filosofia do Direito de Tércio Sampaio Ferraz Jr., em que sondamos a origem da divisão da justiça em humana e divina, e Teoria tridimensional do direito, de Miguel Reale, em que o jurista estabelece os conceitos de fato, valor e norma. PALAVRAS-CHAVE: Guimarães Rosa; Sagarana; Categorias narrativas; Justiça. AS INCURSÕES TEÓRICAS E FICCIONAIS DE ITALO CALVINO EM SE UM VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO Isabella Midena Capelli CNPq Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.) Este projeto de pesquisa consiste na proposta de leitura do romance Se um viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino, a partir, primeiramente, da 192 obra teórica do autor, da qual se destaca Seis propostas para o próximo milênio. A narrativa ficcional acima, romanesca, dialógica, e seu questionamento acerca das fronteiras entre ficção e teoria dão-lhe um caráter metaficcional, que será investigado na pesquisa. Os incipits de romances inseridos na obra, considerados pela crítica como paródias estilísticas, apresentam aspectos narrativos divergentes do romance-moldura, característica que se pretende estudar. A presença do leitor na história, como interlocutor do narrador e como personagem, é fundamental à construção da narrativa em questão, assim como as representações de leitura nela instauradas desde seu início. Ademais, a busca pelo prazer do texto, representada no percurso do Leitor-personagem, é o que move toda a história. Como base teórica para a análise destas questões, recorrer-se-á, a princípio, às obras teóricas de Umberto Eco, Roland Barthes e A. J. Greimas. PALAVRAS-CHAVE: Italo Calvino; hiper-romance; metaficção; leitor. A CONFIGURAÇÃO DO HERÓI PÓS-MODERNO EM SATURDAY, NO ESPAÇO DA METRÓPOLE CONTEMPORÂNEA. Isaías Eliseu da Silva Doutorando Profa. Dra. Maria das Graças Gomes Villa da Silva Pretende-se investigar, na pesquisa, a maneira pela qual se constitui a figura do herói pós-moderno no romance Saturday, de Ian McEwan, publicado em 2005, em contraste à configuração estabelecida e delimitada do herói moderno na literatura. A tecnologia e a arte ocupam espaços centrais em Saturday na discussão sobre o modo de vida pós-moderno, contemporâneo, destaca193 do na rotina de um dia da personagem Henry Perowne, protagonista do romance. Busca-se identificar o sujeito inserido no contexto do século XXI, posterior aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados Unidos. Entende-se que esse indivíduo é fruto do ambiente urbano, sobretudo da cidade marcada pelos avanços da tecnologia e pelo medo crescente oriundo das ameaças de violência e de ataques terroristas. A fim de detectar-se a dimensão desse herói, propõe-se um estudo bibliográfico sobre a pós-modernidade e, com base em teóricos da literatura, a elaboração da análise do romance com vistas à compreensão da personagem inserida nessa era. PALAVRAS-CHAVE: Literatura inglesa; Pós-modernidade; Ian McEwan. FIGURAS CARNAVALIZADAS EM “O BANQUETE DE TRIMALQUIÃO” E TRIMALCHIO Jassyara Conrado Doutoranda – Bolsista FAPESP Prof. Dr. Márcio N. Thamos (Or.) Esta pesquisa apresenta uma proposta de estudo comparado entre “O Banquete de Trimalquião” (um dos episódios mais integralmente conservados do Satyricon de Petrônio) e Trimalchio (versão inédita no Brasil de The Great Gatsby, obra mais famosa de F. Scott Fitzgerald). A aproximação dos textos é feita pelo narrador de Trimalchio que compara Gatsby a Trimalquião, e acentua-se no título dado à versão publicada em 2000, que declara o caráter intertextual da narrativa, que aqui será pensado com Julia Kristeva (1974). O trabalho iniciado no mestrado adiantou haver, entre as duas obras, possíveis e interessantes aproximações, como a caracterização de algumas personagens. No entanto, o foco deste estudo será dado ao tema do carnaval, que está 194 presente nas festas e que se estende à composição das personagens, à relação estabelecida entre elas e à construção dos cenários. A análise das características carnavalescas dos textos e seus desdobramentos estará centrada na proposta teórica de Bakhtin (1993) para a carnavalização. O tema do carnaval é construído por meio de figuras que se repetem nas duas narrativas, buscaremos respaldo na teoria semiótica da figuratividade (BERTRAN, 2003) para investigar os aspectos abstratos (temáticos) e concretos (figurativos) nas obras que compõem o corpus desta pesquisa. PALAVRAS-CHAVE: Fitzgerald; Petrônio; Intertextualidade; Carnavalização; Figuratividade. ENTRE O CLARO E O ESCURO: UMA POÉTICA DA ANGÚSTIA EM SARAMAGO Jacob dos Santos Biziak Doutorando Profa. Dra. Márcia V. Z. Gobbi (Or.) O caminho rumo àquilo que conhecemos como arte moderna e arte contemporânea e também rumo à filosofia contemporânea consagra-se com o reconhecimento da noção de verdade não mais sob uma ótica essencialista, que “moraria” no objeto, mas enquanto intervalo. Desta forma, os valores não são substância a ser alcançada, mas movimento a ser sempre repetido e rememorado no espaço necessário entre o Eu e o Outro. A única forma de estabelecer ligações entre um e outro é por meio do campo simbólico das representações, que, por seu turno, são significantes que, para manutenção do desejo, nunca podem ser reduzidos a um sentido estanque. Isso, de forma muito simplificada, é o princípio constituinte do angústia, que conduz à fundação do humano, que, por seu turno, remete à arte. Sendo assim, este trabalho de doutorado busca analisar a presença da angústia dentro de duas 195 obras do escritor português José Saramago: História do cerco de Lisboa (1985) e Ensaio sobre a cegueira (1995). Entendemos, nesta pesquisa, que a angústia, dentro do amplo quadro da ficção contemporânea, é representada não somente enquanto figura ou tema, mas, acima de tudo, como estrutura narrativa; uma vez que a narração se processa como angústia. Nas duas obras apontadas, a partir da maneira como o narrador exerce sua postura provisória diante dos fatos, assumindo o discurso como intervalar, a angústia torna-se o próprio material de que a obra romanesca é feita. Dessa maneira, o ponto estabelecido para chegada é o cotejamento entre as duas obras do escritor lusitano de maneira a apontar uma possível poética organizadora de sua produção romanesca. Para isso, estabelecem-se relações, ao fim do trabalho, com outros livros do autor. O mais interessante é que a constatação da angústia como causadora de um efeito de sujeito intervalar ocorre, paulatinamente, junto com a ideia de que existam peculiaridades na ficção contemporânea e sua mímesis.Como fundamentos teóricos, no que se refere ao narrador, baseamo-nos nos estudos de Genette. No que diz respeito à angústia, o conjunto de leituras é grande, mas pode ser edificado a partir de três nomes centrais à pesquisa: Freud, Lacan e Kierkegaard. PALAVRAS-CHAVE: angústia; filosofia; psicanálise; romance contemporâneo; José Saramago. POÉTICA E RETÓRICA NOS TEXTOS ANTIGOS: UMA ANÁLISE DAS EPÍSTOLAS I E VII DAS HEROIDES DE OVÍDIO. Jaqueline Vansan Mestranda Prof. Dr. João Batista Toledo Prado (Or.) Tanto as artes poéticas como as retóricas e gramáticas elaboradas na Antiguidade Clássica afiguram-se como importantes disciplinas para as práticas le196 tradas da época, pois além de ordenar a constituição do discurso, ainda educavam e instruíam os leitores na forma de receber o texto. Questões como a adequação do metro ao assunto tratado pelo poema, contida na Arte Poética de Horácio, ou a correta disposição dos argumentos em um discurso, proposta pelos manuais de Retórica Antiga, são exemplos mínimos das preocupações daqueles que se aventuravam a lidar com as letras no mundo antigo. Portanto, é possível dizer que tais teorias apresentam-se como importante subsídio para a investigação e entendimento da construção da expressividade literária em autores do período clássico greco-latino. Tendo isso em vista, o propósito da presente pesquisa é analisar os poemas I (“De Penélope a Ulisses”) e VII (“De Dido a Enéias”) presentes nas Heroides, obra escrita pelo poeta latino Ovídio, observando a construção da expressividade poética a partir das ideias sobre poesia e retórica cultivadas pelos antigos. A seleção dessa obra de Ovídio deu-se pela singularidade da construção de seus poemas que misturam o gênero epistolar ao elegíaco, somando-se a isso um estilo marcadamente retórico. O entrecruzamento de gêneros e o estilo possibilitam a análise de elementos pertencentes tanto ao âmbito poético como ao retórico na construção da expressividade do texto. Como aporte teórico, a pesquisa se valerá tanto de fontes antigas como modernas. Assim, no que diz respeito às poéticas clássicas, serão consultados, principalmente, Horácio e Aristóteles. Já para a o entendimento dos conceitos da retórica, serão, também, utilizadas as obras de Aristóteles, bem como dos latinos Cícero e Quintiliano, além de estudiosos modernos como Roland Barthes e Heinrich Lausberg. Acredita-se que esse estudo possa contribuir para a melhor compreensão de como os poetas concebiam a construção literária na Antiguidade. A pesquisa, ainda se mostra importante por aumentar o número de investigações sobre as Heroides, obra que apesar de se destacar na produção estética de Ovídio, por conta da singularidade de sua construção que mistura os gêneros elegíaco e epistolar, ainda segue pouco estudada. PALAVRAS-CHAVE: Ovídio; Heroides; Poética Clássica; Retórica Clássica; Expressividade Poética. 197 O FANTÁSTICO TARCHETTIANO E SUAS POSSIBILIDADES DE DIÁLOGO Jéssica Soares Fradusco Mestranda - Bolsista CAPES Profa. Dra. Claudia Fernanda de Campos Mauro (Or.) A pesquisa tem como corpus a obra “Racconti fantastici”, de 1869, do escritor italiano Iginio Ugo Tarchetti, destacando-se pelo teor fantástico presente em sua compilação de contos centrados na vertente do horror, fazendo com que seja uma das poucas e esparsas manifestações do horror na Itália devido a pouca aceitação do “país solar” em relação às histórias de espíritos. Tarchetti divide sua obra em dois capítulos, sendo eles:“Racconti fantastici”, com cinco contos pertencentes à vertente fantástica; e “Pensieri”, conjunto de pequenos textos em que o autor trata de temas universais, mais especificamente, sobre o amor, a mulher, a felicidade e a dor, a vida, a fé e uma visão geral de todas coisas. Como exemplo, o conto “Un osso di morto” (1869) apresenta nitidamente em sua composição semelhança em relação ao conto “O pé da múmia” (1840), de Théophile Gautier, o elemento sobrenatural em ambos os textos é uma parte do corpo (no primeiro, trata-se de uma rótula, no segundo, de um pé); em ambos a situação é tipicamente cotidiana, sendo perfeitamente cabível na vida do leitor e, ao final, nos dois contos perdura a dúvida acerca da veracidade do fato sobrenatural ocorrido, já que em ambos os enredos a bebida alcoólica é consumida antes que se dê a situação de mistério. De forma geral, pode-se afirmar que é ponto característico do autor construir enredos baseados em elementos verídicos, buscando assim, provavelmente, convencer o leitor de que a situação a ser narrada poderia/ pode realmente acontecer, já que Tarchetti correntemente alicerça suas tramas em locais reais e em meio a situações comuns ao dia-a-dia não só das personagens, como também daqueles que as acompanham via leitura. Além 198 disso, estão sendo cursadas disciplinas que fornecerão ferramentas que poderão auxiliar na elaboração da análise dos contos. A análise dos contos será elaborada contando com o suporte de textos críticos importantes, tais como: “Introdução à literatura fantástica” (Todorov, 1975); “O horror sobrenatural em literatura” (Lovecraft, 2008), “O estranho” (Freud, 1969) e “Teorías de lo fantástico” (Roas, 2001). PALAVRAS-CHAVE: Ugo Tarchetti; fantástico; horror italiano; racconti fantastici; literatura de horror MARQUESA DE ALORNA, TRADUTORA DE HORÁCIO: ESTUDO E COMENTÁRIO A UMA ARTE POÉTICA ÁRCADE. Joana Junqueira Borges Doutoranda Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.) Dando continuidade à pesquisa em História e Teoria da Tradução que desenvolvemos desde a Iniciação Científica, pretendemos agora, no Doutorado, estudar a tradução da Arte poética de Horácio, poeta latino, realizada pela poeta portuguesa Marquesa de Alorna. D. Leonor de Almeida (1750 - 1839), como também era conhecida, participou ativamente da cena literária do Arcadismo Lusitano, tendo sua presença destacada por poetas como Alexandre Herculano, Bocage, Filinto Elísio, entre outros. A escolha de sua tradução da Epístola aos Pisões se deve primeiramente ao interesse de se estudar uma versão realizada em uma época em que Horácio era a principal inspiração (vide Cláudio Manuel da Costa, no Brasil), o que nos leva a conjecturar que se as regras clássicas estavam em voga e o poeta latino era o guia, existe a 199 possibilidade da tradução da Marquesa de Alorna se aproximar das premissas desenvolvidas pelo próprio autor. Além disso, ela realizou uma tradução versificada dos hexâmetros de Horácio o que não era, e não é, comum, embora haja, alguns anos antes, a tradução de Cândido Lusitano também em versos, o que nos permitirá o cotejo e a tentativa de definir o traduzir da Marquesa de Alorna. É recuperando e reavaliando a tradução realizada por ela da Arte poética de Horácio que se pretende em nossa pesquisa colaborar com o traçado da História da Tradução em língua portuguesa, em um período em que já se despontavam traduções em vernáculo. A pesquisa alia ainda o contato com uma tradução pouco estudada a uma formação em língua latina, necessária para um estudo mais aprofundado do texto de partida. Para a tese final pretende-se a publicação de uma edição, com anotações e comentários, da tradução de uma Arte Poética árcade. PALAVRAS-CHAVE: História da Tradução; Recepção; Arcadismo Lusitano; Horácio; Marquesa de Alorna. UMA BIOGRAFIA LITERÁRIA DE PÉRICLES EUGÊNIO DA SILVA RAMOS João Francisco Pereira Nunes Junqueira Doutorando Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.) O presente projeto de pesquisa busca construir uma biografia literária do poeta paulista Péricles Eugênio da Silva Ramos (1919-1992). A pesquisa propõe apresentar uma visão global do trabalho literário do poeta, até agora não realizado de forma plena. Esta visão abarca sua própria obra autoral 200 como poeta (cinco livros de poesia), crítico literário e tradutor. Outro ponto importante da pesquisa será a utilização de um acervo pessoal do poeta como corpus de pesquisa. Tudo com o intuito de clarear ao máximo as análises sobre a obra de Péricles Eugênio. O método empregado para a análise dos poemas de Péricles Eugênio da Silva Ramos parte de observações feitas durante a leitura de obras sobre a métrica tradicional e a rítmica moderna, pois a partir das rupturas empregadas pelo poeta, em relação à tradição, ficará mais claro o rumo escolhido na confecção de seus versos. Em relação à métrica tradicional foi feita uma escolha de obras que tratam da versificação em língua portuguesa, além de textos que versam sobre métrica inglesa e latina. As três principais obras usadas sobre este aspecto são Versificação portuguesa de Said Ali, Teoria do verso de Rogério Chociay, e O verso romântico e outros ensaios do próprio Péricles Eugênio da Silva Ramos, que traz ensaios específicos sobre a estrutura de algumas formas de versos, inclusive de versos ingleses. Sobre a rítmica moderna será utilizada como apoio obras como O ser e o tempo da poesia de Alfredo Bosi, O problema da linguagem poética I de Iuri Tinianov, entre outros. Além de teóricos da tradução, como, por exemplo, José Paulo Paes e Haroldo de Campos. As análises pretendem demonstrar de que forma se estrutura o verso tanto da poesia quanto da tradução do poeta, além da presença da tradição de séculos de poesia na obra de Péricles Eugênio da Silva Ramos. Com relação à pesquisa do acervo de Péricles Eugênio da Silva Ramos, nossa pesquisa utiliza como aparato crítico a obra Crítica e coleção, organizado por Eneida Maria de Souza e Wander Melo Miranda. Esta obra conta com vários artigos relacionados a acervos, arquivos e museus, e dá um panorama das abordagens recentes de pesquisas voltadas a este assunto. PALAVRAS-CHAVE: Péricles Eugênio da Silva Ramos; Poesia; Tradução; Acervo literário; “Geração de 45”. 201 A SÁTIRA LIMABARRETIANA DE NUMA E A NINFA Jonatan de Souza Santos Mestrando – Bolsista CNPq Profa. Dra. Juliana Santini (Or.) A presente pesquisa tem como objetivo analisar a sátira no romance Numa e a Ninfa, publicado por Lima Barreto em 1915, de modo a problematizar as relações que se estabelecem entre a função do cômico na narrativa e a representação crítica de questões políticas relacionadas ao contexto de finais do século XIX e início do século XX no Brasil. O ponto de partida dessa reflexão coloca-se na constituição do Pré-Modernismo como momento da cultura brasileira propício à permeabilidade entre o cômico e as formas artísticas empenhadas em transformar a sociedade, haja vista o próprio conjunto da produção de Lima Barreto, com destaque para o volume Os Bruzundangas, e mesmo a recorrência da caricatura na ficção de autores como Monteiro Lobato, Juó Bananére e Valdomiro Silveira. Considerando que a crítica literária pouco se debruçou sobre o estudo deste romance em específico, o que se propõe é uma análise que considere trabalhos sobre a constituição política do Brasil da Belle Époque, bem como sobre a configuração estética heterogênea do chamado Pré-Modernismo – especialmente no que diz respeito às produções cômicas do período – e, ainda, os textos publicados na imprensa na época do lançamento da narrativa que serve de corpus a este trabalho. O que se pretende, assim, é construir um amplo panorama do lugar ocupado pela sátira de Lima Barreto no conjunto da literatura pré-modernista e, de maneira mais específica, problematizar os recursos formais utilizados pelo autor na composição da sátira e da representação social no romance em questão. PALAVRAS-CHAVE: sátira; Pré-Modernismo; Lima Barreto. 202 AUTOBIOGRAFIA E FICÇÃO: ANÁLISE DO NARRADOR EM EXTINÇÃO – UMA DERROCADA, DE THOMAS BERNHARD. José Lucas Zaffani dos Santos Bolsista CAPES Profa. Dra. Claudia Fernanda de Campos Mauro (Or.) Profa. Dra. Wilma Patrícia Marzari Dinardo Maas (Coor.) O presente projeto tem como objetivo analisar as consequências da escolha de um narrador homodiegético para a estrutura do romance Extinção – Uma Derrocada (1986), do autor austríaco Thomas Bernhard. A obra pode ser lida como a autobiografia do personagem Franz-Josef Murau, uma vez que, dentro do jogo ficcional, ocorre a identidade entre autor (ficcional), narrador e personagem, de acordo com a nomenclatura apresentada por Gérard Genette para se estabelecer o gênero. É tematizada, ao longo do romance, a intenção do narrador de escrever futuramente a sua autobiografia, a qual daria o nome de Extinção. Por se tratar de um autor fictício, a narrativa pode ser considerada como uma autobiografia também ficcional, na qual a unificação das vozes do autor, narrador e personagem serve como um modo de atestar a veracidade da experiência narrada. Encontram-se, no início e fim do texto, duas inserções anônimas, feitas por um narrador externo, que informam ao leitor que o relato contido no romance pertence à Murau. O relato do personagem aborda sua relação com os familiares e tudo o que diz respeito a Wolfsegg, seu odiado lugar de origem. A escrita de Murau é o meio encontrado pelo narrador para extinguir as lembranças dos tempos vividos ao lado da família em Wolfsegg. Na obra, o espaço caracterizado como Wolfsegg é constantemente citado no discurso do narrador, que se exilou em Roma como medida para amenizar os conflitos com a família. Wolfsegg é um reduto nacional-socialista católico o qual o narrador desde criança nunca mostrou 203 intenção de fazer parte. No entanto, após a morte dos pais e do irmão mais velho, Murau torna-se herdeiro de Wolfsegg e decide doar todos os bens da família para a Comunidade Israelita de Viena como forma de reparar os danos que ela causou aderindo ao nazismo durante a segunda guerra. Portanto trataremos primeiramente do aspecto que mais se destaca no romance, isto é, a figura do narrador, que se soma também às instâncias de autor (ficcional) e personagem, como forma de garantir verossimilhança ao relato que apresenta. Em seguida, analisaremos a categoria do espaço para a constituição das lembranças desse narrador. PALAVRAS-CHAVE: narrador; subjetividade; autobiografia ficcional; espaço; Thomas Bernhard. DO RESGATE ÉPICO DA MEMÓRIA AO ARREFECER DOS GÊNEROS: O PERCURSO EVOLUTIVO DA ESCRITA LOHERIANA Júlia Mara Moscardini Miguel Mestranda Profa. Dra. Elizabete Sanches Rocha (Or.) Dea Loher, dramaturga contemporânea alemã, propõe ao seu leitor/espectador histórias que retratam a sociedade, conduzindo seu público a uma reflexão acerca de temas inerentes à realidade na qual eles se encontram inseridos. Através de um estilo próprio e peculiar, de uma estética que combina elementos vários, Loher retoma o teatro político enfocando os menos favorecidos, com o objetivo de criar espaços para que o leitor/espectador encontre possibilidades de mudança. Em Olgas Raum, sua primeira peça, escrita em 1990, Loher explora um conteúdo explicitamente político ao co204 locar no palco a militante judia Olga Benário em seus últimos dias de vida em uma prisão nazista. O tema do holocausto serve de pano de fundo para que Loher trabalhe a questão da memória humana, juntamente com o paradoxo do lembrar e esquecer. A personagem central encontra-se em um embate no qual digladiam o desejo de relembrar o passado para manter vivas suas lembranças, ao passo que é imprescindível esquecer tudo para não ser uma delatora no momento da tortura. Loher foca nas relações entre as personagens: a protagonista, as colegas de cela, assim como o carrasco torturador. Para dar vazão a tal tema, Loher lança mão de recursos épicos oriundos do teatro proposto por Bertolt Brecht. No entanto, a dramaturga opera para além do teatro épico, dando origem a uma estética própria, livre de classificação. A presente pesquisa objetiva analisar as relações entre as personagens através do viés temático da memória, mantendo como fio condutor a estética dramatúrgica empregada por Dea Loher para compor essa peça política que retrata uma personagem histórica. PALAVRAS-CHAVE: memória; holocausto; teatro épico; teatro político. VIDA E MORTE EM DIÁLOGO COM A VOZ NARRATIVA, O TEMPO E O ESPAÇO EM MRS. DALLOWAY, TO THE LIGHTHOUSE E BETWEEN THE ACTS DE VIRGINIA WOOLF. Juliana Pimenta Attie Doutoranda - Bolsista CAPES Profa. Dra. Maria das Graças Gomes Villa da Silva (Or.) O objetivo desta tese é apresentar o diálogo entre vida e morte como estruturador dos romances Mrs. Dalloway, To the Lighthouse e Between the Acts de 205 Virginia Woolf. Tal exposição será feita a partir do estudo da voz narrativa, tempo e espaço, destacando a participação da intertextualidade na configuração das instâncias, e terá como foco as guerras e seus desdobramentos, que estão presentes nas três referidas obras – e quiçá em praticamente toda a produção woolfiana. Respectivamente, os romances abrangem o pós- Primeira Guerra, um período de dez anos, dentro do qual ocorre o conflito e, por fim, o momento de eminência da Segunda Guerra Mundial. As análises serão empreendidas pelo viés psicanalítico, compreendendo, especialmente, as teorias freudianas sobre as pulsões, a memória, o luto, e o trauma, além dos trabalhos de estudiosos que realizaram releituras do legado do psicanalista. Assim, cabe a esta pesquisa investigar como o conflito entre Eros e Thanatos, pulsão de vida e pulsão de morte, mostra-se nas narrativas de diversas maneiras, atuando constantemente e em conjunto nas existências das personagens, cujas feridas de guerra se mostram no texto por meio de lembranças e do não dito, isto é daquilo que, por algum motivo, habita o inconsciente. PALAVRAS-CHAVE: Pulsão de vida e de morte; Memória; Virginia Woolf; Guerras. IDEAL DE BELEZA EM VILLIERS E MAUPASSANT: UM INSTANTE DO ETERNO OU O ETERNO DO INSTANTE? Kedrini Domingos dos Santos Doutoranda Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) A beleza é um elemento importante na percepção e admiração de uma obra artística em qualquer época, e a beleza feminina, por sua vez, sempre foi exaltada pelos poetas ao longo dos séculos. É preciso observar, no entanto, que, a partir das transformações do pensamento humano no século XVIII, as ideias absolutas, fixas, se relativizam e a ideia de Belo que repercute moder206 namente nada tem a ver, pois, com o sentido platônico em que a beleza está ligada ao Bem. A beleza passa a constituir-se, conforme indica Baudelaire, de um duplo aspecto: é feita de um elemento eterno, invariável, e de um elemento relativo, circunstancial. Percebe-se, portanto, que o modo de pensar o belo se transforma, conforme a época e os indivíduos, e as percepções distintas podem, inclusive, conviver em um mesmo período. Entendendo que cada artista compõe sua obra a partir de sua concepção de beleza, este trabalho, atuando no âmbito da literatura comparada, busca verificar, a partir da percepção do universo feminino e dos artifícios usados pelas mulheres, como a beleza feminina é pensada e desenvolvida pelos autores franceses contemporâneos: Guy de Maupassant (1850-1893), comumente associado à estética realista, e Villiers de l’Isle-Adam (1838-1889), ligado ao simbolismo, em seus respectivos romances: Fort comme la mort (1889) e L’Eve future (1883). PALAVRAS-CHAVE: Maupassant; Villiers de l’Isle-Adam; L’Eve future; Fort comme la mort; Beleza. O REALISMO MÁGICO, REFERÊNCIAS HISTÓRICAS E A ALEGORIA: AS CONFLUÊNCIAS EM IL BARONE RAMPANTE, DE ITALO CALVINO E EL SIGLO DE LAS LUCES, DE ALEJO CARPENTIER Kelli Mesquita Luciano Doutoranda Profa. Dra. Claudia Fernanda de Campos Mauro (Or.) O interesse pela comparação entre Il barone rampante (1957), de Italo Calvino e El Siglo de las Luces (1962), de Alejo Carpentier, advém das semelhan207 ças que as duas obras apresentam, como, por exemplo, referências a Instituições históricas, a figuras históricas e a acontecimentos históricos do século XVIII, como a Revolução Francesa; também pretendemos analisar algumas características do realismo mágico nos dois romances. Além desses fatores, identificamos nas narrativas, elementos alegóricos no que diz respeito ao contexto histórico em que as obras se passam, ou seja, no século XVIII, e que remetem ao século XX, no qual os autores viveram.Em Il barone rampante, a decisão de Cosme de morar nas árvores e sua recusa a descer de lá, pode ser considerada uma atitude incomum, apesar de não ser totalmente impossível de acontecer. O protagonista apresenta atitudes de herói, pois é um benfeitor e intelectual que atravessa obstáculos com o intuito de divulgar a importância da ciência e do conhecimento para a evolução da humanidade. Já, em El Siglo de las Luces, além da valorização de aspectos políticos e filosóficos, encontramos também referências a uma diversidade de culturas e etnias concentradas em uma mesma região e que podem ser vistas como representantes de traços do barroco hispano-americano. A partir dessas leituras, identificamos alguns exemplos de conflitos históricos presentes em ambos os romances, como, a Revolução Francesa e algumas de suas contradições. Traçamos um breve panorama sobre as tipologias do realismo mágico, tendo em vista a análise dos elementos insólitos das narrativas. E por fim, almejamos a verificação de alguns elementos alegóricos, que se referem às contradições da Revolução Francesa e à valorização do pensamento iluminista como forma de pensamento que norteou os intelectuais, Cosme e Esteban em ambas as narrativas e que apontam alegoricamente para os contextos em que Calvino e Carpentier viveram, pois o século XX foi marcado por acontecimentos como, por exemplo, a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, o fascismo e a Revolução Cubana. Estes conflitos apresentavam contradições assim como a Revolução Francesa no século XVIII, suscitando também nos intelectuais do século XX, o sentimento de frustração. PALAVRAS-CHAVE: literatura comparada; história; realismo mágico; alegoria. 208 ASPECTOS DO ROMANCE PEDRO PARAMO Larissa Müller de Faria Mestranda - Bolsista CNPQ Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) O presente trabalho tem como objetivo estudar o romance Pedro Páramo, de Juan Rulfo. A partir dessa narrativa, propomo-nos a refletir sobre alguns mecanismos que remetem o realismo maravilhoso e o nouveau roman francês nessa obra. Nessa perspectiva, o que se propõe é uma abordagem da relação entre o imaginário e a realidade, o elemento sobrenatural e a memória no desenvolvimento do romance. PALAVRAS-CHAVE: Rulfo; nouveau roman; realismo maravilhoso; narrador. A TEBAIDA, DE PÚBLIO PAPÍNIO ESTÁCIO (CANTOS I-VI): ESTUDO, TRADUÇÃO E COMENTÁRIOS. Leandro Dorval Cardoso Doutorando Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.) Nosso projeto consiste em uma tradução poética em dodecassílabos portugueses, seguida de comentários, dos seis primeiros cantos da Tebaida, de Públio Papínio Estácio, poema épico publicado em Roma, muito provavelmente no ano 92 d.C. O épico estaciano gira em torno do episódio mitológico dos Sete contra Tebas – a tentativa de Polínices, filho de Édipo, de retomar 209 o trono de Tebas expulsando dele o seu irmão Etéocles – e é reconhecido por uma profunda relação com a tradição épica greco-latina, especialmente com a Eneida, de Públio Virgílio Marão, e com a Farsália, de Marco Aneu Lucano. As relações intertextuais entre o épico e seus antecessores são uma característica importante do poema e, em alguns casos, consideradas fundamentais para a sua leitura. Por esse motivo, nosso projeto prevê uma tradução que busque, fundamentando-se nas traduções da épica greco-latina em vernáculo, recriar, dentre outras características poéticas do poema de Estácio, essa rede intertextual, possibilitando ao leitor de língua portuguesa interessado nesse aspecto, na medida do possível, seu reconhecimento e sua experiência. Os comentários que faremos buscarão apontar aspectos relevantes da obra, sejam eles históricos, políticos, sociais, culturais, geográficos ou poéticos, que possam ajudar o leitor. PALAVRAS-CHAVE: Tebaida; Públio Papínio Estácio; Poesia Épica Greco-latina; Tradução Poética. A POESIA DRAMÁTICA DE VILLIERS DE L´ISLE-ADAM. Lígia Maria Pereira de Pádua Xavier Doutoranda Prof. Dra. Silvana Vieira da Silva (Or.) Apesar de toda a sua vida ter se consagrado à produção dramática, o autor francês Villiers de L’Isle-Adam (1838- 1889) renomado “conteur”, permanece um dramaturgo desconhecido e considerado “menor”. No entanto, segundo a estudiosa Geneviève Jolly, foi no domínio teatral que ele foi o mais inventivo na sua época, pois foi um dos desbravadores do “théâtre de 210 la parole” e levou às últimas consequências a Gesamtkunstwerk, o projeto wagneriano de fusão das artes. Foi também um dos grandes inspiradores do movimento simbolista e contribuiu de maneira fulcral para o estabelecimento dessa estética, visto seu desejo de reformar o gênero, estabelecendo um teatro metafísico de cunho filosófico. Ele viveu em uma época impregnada de materialismo e de racionalismo advindos da nova ordem econômica e social que se instaurava, o capitalismo; por meio de sua obra, ele travou uma batalha contra essa tendência. Amplamente influenciado pela filosofia neoplatônica das correspondências, ele procurava transcender o mundo sensual para chegar ao mundo Ideal, e é por isso que suas obras têm um caráter ascético, contrariando o ideário da época. Seu teatro, que viria a inspirar o teatro simbolista e, posteriormente, o teatro de vanguarda, é repleto de apelos sinestésicos que garantiriam a elevação do espirito do leitor/espectador. JOLLY defende que o valor do teatro villieriano incide em sua dimensão experimental, na diversificação da linguagem dramática que não diz respeito somente ao trabalho de linguagem verbal, mas também à linguagem não verbal e sua obra tem como intuito restituir a dimensão artística do teatro, afastando-o do drama naturalista que, por sua vez, se propunha a reconstruir no palco as relações intersubjetivas. Para tanto, a palavra poética é reivindicada uma vez que ela, ao restituir a dimensão interior do discurso dos personagens, resgata o lirismo do teatro e faz emergir o psiquismo do ser humano, antes aprisionado ao seu invólucro material e libera o dramaturgo da forma dramática canônica. Dessa forma, o intuito desse trabalho é verificar as contribuições de Villiers à instauração desse novo projeto dramático por meio de uma análise dos seus referidos poemas dramáticos, englobando todos seus elementos textuais e paratextuais. PALAVRAS-CHAVE: poesia dramática; Villiers de l’lsle-adam; teatro simbolista; literatura francesa. 211 PAULO LEMINSKI, TRADUTOR DE LATIM: RENOVANDO O SATYRICON, DE PETRÔNIO. Lívia Mendes Pereira Mestranda – Bolsista Fapesp Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.) Buscando contribuir com a pesquisa das traduções dos clássicos greco-romanos e com a recepção desses textos em nossas Letras, o presente projeto propõe-se a estudar e divulgar a tradução do Satyricon, de Petrônio, levada a cabo pelo poeta Paulo Leminski. Como pode ser constatado na leitura de sua biografia e como pode ser recorrentemente percebido nos temas que frequentam sua obra, o autor foi um conhecedor e divulgador da Língua e da Literatura Latina. Estudado inicialmente no mosteiro São Bento, na cidade de São Paulo, quando Leminski tinha apenas 13 anos, esse idioma antigo constituiu uma importante fonte criativa revisitada e repensada durante toda sua carreira literária. Além de traduções feitas diretamente do Latim como as da Ode I, 11, de Horácio (1984), e do Satyricon, de Petrônio (1987), o trabalho com textos literários latinos pode ser encontrado em obras como Metaformose e Catatau, cuja análise já foi realizada por nós no âmbito da Iniciação Científica. O trabalho tem por base o confronto entre o texto latino e a tradução leminskiana e procura fornecer um estudo da recepção do romance petroniano na literatura brasileira contemporânea, que encontra em Leminski um de seus expoentes. Apresentaremos uma leitura palavra por palavra do trecho que vai do capítulo I ao XXVI, o texto latino que tomaremos por base será aquele da edição francesa da editora Garnier, que, conforme pudemos apurar, foi a versão utilizada por Leminski como texto fonte. Neste estudo, daremos uma atenção especial ao contexto da produção leminskiana e ao pensamento e prática tradutórios empreendidos pelo próprio tradutor. A partir desse estudo será produzida uma análise da tradução de Leminski 212 considerando principalmente seu caráter estético criativo intrínseco em detrimento de seu caráter filológico, que não fez parte dos objetivos tradutórios do poeta. Assim, ao aliar o conhecimento em Língua Latina e a História da Tradução, nossa proposta procura revelar a importância da literatura da Antiguidade através de sua recepção literária em Língua Portuguesa. PALAVRAS-CHAVE: Satyricon; Petrônio; Paulo Leminski; História da Tradução; Recepção da Literatura Greco-romana Ó, DE NUNO RAMOS, E A REPRESENTAÇÃO DO CONFLITO COM A LINGUAGEM Luis Eduardo Veloso Garcia Mestrando Profa. Dra. Juliana Santini (Or.) O projeto em questão tem como objetivo compreender a representação do conflito com a linguagem dentro do livro Ó (2008), de Nuno Ramos. Entre os principais aspectos a serem discutidos pela perspectiva da qual o autor se arma neste conflito com a linguagem, o entendimento do modo como este constrói o exercício de uma “recosmogonia” dentro dos textos será de fundamental importância. Desta recosmogonia, Nuno Ramos ataca e tenta desmontar a função de rituais que se firmaram pelo poder da linguagem, do peso da significação das palavras que limitam a própria matéria até os hábitos e manias que repetimos cotidianamente sem uma reflexão lógica, buscando, assim, no mergulho do enigma entre matéria e linguagem, uma representação sensorial capaz de ressignificar outras perspectivas aos objetos em questão. O ponto de partida para a discussão que se realizará, localiza-se na problematização de alguns caminhos teóricos da literatura contemporânea 213 que abordam a desconfiança como traço geral desta época e, ainda, a compreensão do espaço do conflito com a linguagem, dois caminhos nos quais se destacam os nomes de autores importantes como Edward Said, Ricardo Piglia, Giorgio Agamben, Linda Hutcheon, Roland Barthes e Stuart Hall. Ao lado da discussão desses conceitos, serão tomadas as colocações do autor diante da relação entre linguagem e representação, presentes em entrevistas, palestras e ensaios que colocam em xeque os limites da palavra e o fazer artístico. Partindo, portanto, da significação enigmática que o próprio título da obra nos dá com uma letra que escapa da sua objetificação como palavra e, ainda assim, pode ter os mais variados significados, o objetivo desta pesquisa é não só compreender esta obra em específico, mas também apontar a questão maior do embate com a linguagem que ela elucida, sendo este embate, como nos lembra muito bem Roland Barthes (2007, p. 22) no livro Crítica e Verdade, o mais importante serviço da literatura, pois “é com essa primeira linguagem [a linguagem original da comunicação humana], esse nomeado, esse nomeado demais, que a literatura deve debater-se: a matéria-prima da literatura não é o inominável, mas pelo contrário, o nomeado”. PALAVRAS-CHAVE: Nuno Ramos; Ó; representação; linguagem; desconfiança. DOS ESTADOS JUNTIVOS AOS ESTADOS DE ALMA: O ACONTECIMENTO NA LÍRICA-AMOROSA DE CHICO BUARQUE Marcela Ulhôa Borges Magalhães Doutoranda Profa. Dra. Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.) A pesquisa de doutorado intitulada “Dos estados juntivos aos estados de alma: o acontecimento na lírica-amorosa de Chico Buarque” está vincula214 da à linha de pesquisa intitulada “Relações Intersemióticas”, que tem como fundamento teórico de base a semiótica greimasiana francesa, e propõe-se analisar as letras de canções lírico-amorosas de Chico Buarque, cujo sentido é orientado a partir do acontecimento extraordinário, categoria sistematizada por Claude Zilberberg. Acredita-se que os estados de alma que emanam da lírica-amorosa buarquiana, quais sejam eufóricos ou disfóricos, estão todos centralizados, em alguma instância, em torno do acontecimento. O córpus do trabalho é constituído pelas letras das canções “A banda”, “Valsinha”, “Teresinha”, “Eu te amo”, “Todo sentimento”, “Atrás da porta”, “Trocando em miúdos”, “Valsa brasileira” e “Futuros amantes”, e o arcabouço teórico que orienta as análises é a semiótica francesa, bem como outras teorias que com ela dialogam, a exemplo dos textos de Jakobson, Barthes, Brodsky, Paz e outros. Ademais, os elementos expressivos do texto também receberão atenção, de modo que as homologias entre conteúdo e expressão e que muito contribuem para o efeito poético do texto serão também levadas em conta. A teoria do acontecimento extraordinário já foi intuída por muitos críticos literários, ensaístas e mesmo poetas, no entanto, foi a partir das contribuições feitas pela semiótica francesa que se pôde pensar essa questão de forma sistematizada, de modo a criar uma gramática em torno do acontecimento. O trabalho empreendido pela pesquisa tem como intuito também contribuir, por meio de análises literárias, para a construção e ampliação dessa gramática, que ainda não está finalizada. PALAVRAS-CHAVE: Chico Buarque; acontecimento; semiótica francesa. ABSURDO E CENSURA NA CENA PORTUGUESA: ESTUDO DO TEATRO DE PRISTA MONTEIRO Márcia Regina Rodrigues Doutoranda – Bolsista FAPESP Profa. Dra. Renata Soares Junqueira (Or.) 215 Esta pesquisa constitui um desdobramento do trabalho que apresentamos no Mestrado, quando realizamos o estudo sobre o teatro antinaturalista que interessou sobremaneira os dramaturgos portugueses na segunda metade do século XX e analisamos peças de matriz épico-brechtiana produzidas durante a ditadura salazarista. No Doutorado, apresentamos, então, uma reflexão ampliada sobre o teatro ostensivamente antinaturalista, focando agora o nosso estudo no teatro do absurdo praticado em Portugal pouco antes da Revolução dos Cravos, com o objetivo principal de comprovar que, especialmente na década de 1960, o teatro português procurava não somente resistir ao regime ditatorial, mas também introduzir nos seus palcos e práticas dramatúrgicas algo de novo que pudesse constituir uma verdadeira renovação teatral. Elegemos como corpus primário da pesquisa de Doutorado parte da dramaturgia de Helder Prista Monteiro (1922-1994), um dos mais produtivos representantes do teatro do absurdo em Portugal e um dos poucos dramaturgos cuja obra teve acesso aos palcos ainda durante a ditadura de Salazar. Assim, temos analisado as seguintes peças do dramaturgo português: A rabeca, O meio da ponte e O anfiteatro – que foram efetivamente encenadas antes do 25 de Abril –, e ainda: Os imortais e A bengala – esta última proibida pela censura. Depois do Exame de Qualificação, acrescentamos a análise de mais três peças do autor: Folguedo do rei coxo, O candidato e O colete de xadrez a fim de completar o estudo da dramaturgia de Prista Monteiro produzida antes da Revolução dos Cravos. Para a análise, consideramos as afinidades dessa dramaturgia com o teatro do absurdo; a relação desse gênero teatral com a censura imposta pelo regime político de então e a contribuição da obra de Prista Monteiro para a história do teatro português. PALAVRAS-CHAVE: Dramaturgia portuguesa; Teatro do século XX; Teatro do absurdo; Censura salazarista; Helder Prista Monteiro. 216 UMA NOÇÃO PLURAL: A ἄΤΗ NA TRAGÉDIA GREGA Marco Aurélio Rodrigues Doutorando – Bolsista Capes Prof. Dr. Fernando Brandão dos Santos (Or.) Profa. Dra. Maria de Fátima Sousa e Silva (Coor.) Na primeira metade do século XX, E. R. Dodds não apenas estimulou novas perspectivas com o livro The Greeks and the irrational (1953), como tornou-se referência aos futuros estudiosos ao discutir o conceito de ἄτη na Ilíada. Extremamente complexo, o vocábulo ἄτη designa um estágio de cegueira do pensamento humano ou, como acrescenta Suzanne Saïd (1978), mais tarde, na tragédia clássica, o conceito passaria a fazer referência a toda sorte de infortúnios. Foi R. Doyle (1984) quem fez a análise do conceito em todas as tragédias clássicas, apenas tentando estabelecer seus diferentes sentidos. Dessa forma, a presente pesquisa tem por objetivo defender a tese de que o conceito de ἄτη, ao longo da tragédia clássica grega, no século V a.C., passa por mudanças, assumindo diferentes acepções de acordo com o contexto apresentado, podendo, inclusive ter perdido seu sentido original. Para além disso, ao estar unido a outros termos, o conceito de ἄτη ganha novos contornos e significados diferentes, o que impede que sua tradução seja fixada em um único campo semântico. Daí a proposta, também, de pontuar que sua tradução respeite o uso adequado feito em cada uma das tragédias por seus autores. Para tanto, a tese perpassa todas as tragédias clássicas (trinta e duas) de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, nas quais o termo indica mudança ou acréscimo de valor semântico, fato este que será fundamentado na análise da transformação de pensamento do homem grego que, ao longo do século V, passou por alterações extremas, desde a fundação da democracia e a vitória 217 contra os persas, até o fim da Guerra do Peloponeso, com a queda do poderio ateniense e o desenvolvimento do pensamento racional. PALAVRAS-CHAVE: tragédia grega, ἄτη, Ésquilo, Sófocles, Eurípides. A EXPRESSIVIDADE POÉTICA NO MITO DE NÍOBE (METAMORFOSES, VI, 146-312) Mariana Peixoto Pizano Mestranda Prof. Dr. João Batista Toledo Prado (Or.) A pesquisa trabalha com o episódio de Níobe, registrado por Ovídio no livro VI das Metamorfoses (v. 146-312) e tem como objetivo examinar de que maneira a história narrada (fabula) e o modo como o texto foi composto – sua expressão poética - se fundem a fim de construir sentidos que se valem – e também ultrapassam – a mera gramaticalidade. O mito referido narra a metamorfose sofrida por Níobe, esposa do lendário rei tebano, após ter insultado a deusa Latona, mãe dos gêmeos Febo-Apolo e Diana. Níobe se considerava mais digna de receber incenso e preces que a deusa, pois sua prole era sete vezes maior. Como punição ao seu atrevimento, os filhos de Latona cravejam de flechas toda a descendência da rainha e a deusa a transforma numa fonte, chorando eternamente a perda dos filhos. O projeto valer-se-á de conceitos linguísticos, como o de signo e o símbolo, bem como de conceitos da semiótica francesa, como o semi-símbolo, e também de elementos de crítica poética para analisar o que denominamos “poética da expressão”. Também serão destacados e explicados elementos de cultura presentes no texto, dado o distanciamento espaço-temporal muito significativo em relação ao material com o qual se trabalha, motivo por que tais referências clamam por elucidação. Por fim, também serão analisados aspectos métricos e estilísticos 218 do texto ovidiano, com aproveitamento das pesquisas realizadas durante a Iniciação Científica da pesquisadora, que se ocupou de trechos da obra De Litteris, De Syllabis, De Metris do gramático e esticologista latinoTerenciano Mauro. No tocante ao estágio atual da pesquisa, foram concluídos os créditos das disciplinas no 1º semestre deste ano e feitas leituras de teses, textos teóricos e críticos que se relacionam aos elementos básicos desse trabalho, como as Metamorfoses de Ovídio e a teoria semiótica. Durante esse período, a pesquisadora se ocupou da busca por traduções diversas da passagem referente ao mito de Níobe, assim como do processo de tradução do texto ovidiano, um dos objetivos da dissertação. PALAVRAS-CHAVE: Níobe; Metamorfoses; Ovídio; expressividade poética; semi-símbolo. DA RECEITA À PAIXÃO: A MISE EN ABYME EM CLARICE LISPECTOR Mariângela Alonso Doutoranda Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) As narrativas de Clarice Lispector (1920-1977) expandem-se para além dos espaços ficcionais, caracterizando-se pela recusa à narrativa fechada e acabada ao buscar formas líquidas e inconclusas, que perpetuamente se desmancham para novamente se construir, num movimento circular e escorpiônico, restando à autora tecer e destecer o texto num contínuo entrelaçamento. Assim, a massa textual assinala a intersecção en abyme de encadeamentos significativos diversos, isto é, um jogo narrativo especular no qual cada obra que se encerra tende a fechar um ciclo que será retomado pela obra seguinte 219 e assim sucessivamente, como as eternas bonecas russas ou as emblemáticas caixas chinesas. Nesse sentido, a presente pesquisa propõe o estudo do processo de escrita moderna de Clarice Lispector, utilizando como corpus as narrativas de Meio cômico, mas eficaz; Receita de assassinato (de baratas); A quinta história e A paixão segundo G.H. O escopo do trabalho é examinar as relações entre os textos mencionados, inserindo-se nos estudos de intertextualidade, processo definido como a retomada de um texto por outro e, assim, as relações entre diferentes textos de autores diversos. Porém, esta investigação centra-se em textos de um mesmo autor, pautando-se no que o teórico Gérard Genette concebeu como autotextualidade ou intratextualidade, fenômeno caracterizado pela remissão à própria obra. Para tanto, buscamos empreender um caminho possível de análise aos textos mencionados, guiando-nos pelos estudos de Gérard Genette (1982), Lucien Dällenbach (1979), Jean Ricardou (1978), entre outros. PALAVRAS-CHAVE: autotextualidade; mise en abyme; Clarice Lispector. OS ASPECTOS REALISTAS E MITOLÓGICOS EM LE CHERCHEUR D’OR, DE J.M.G. LE CLÉZIO. Marília Alves Corrêa Mestranda - Bolsista CNPq Profa. Dra. Ana Luiza Silva Camarani (Or.) O principal objetivo deste trabalho é demonstrar como J.M.G. Le Clézio faz de Le chercheur d’or (1985) um conjunto de elementos míticos e lendários extremamente díspares, mas que, no conjunto da obra, formam uma narrativa homogênea cuja principal finalidade é transmitir a ideologia intercultural do autor. Também serão enfatizados os aspectos realistas envolvidos no ro- mance, uma vez que Le Clézio procura fazer uma denúncia das relações de poder características dos séculos XX e XXI, em que a hegemonia dos países ocidentais exercem uma supremacia aniquiladora sobre os povos outrora colonizados, o que minimiza sua importância étnico-cultural. Nesse contexto violento e opressivo do capitalismo, o que o escritor pretende valorizar através do protagonista e narrador Alexis é a plenitude e a harmonia que foram perdidas no decorrer do progresso industrial, preterindo o materialismo e a busca incessante pelo poder característicos do homem contemporâneo. Para que essa mensagem seja transmitida com eficácia, Le Clézio utiliza-se da polifonia inerente aos romances de Dostoiévski, ou seja, não há, em Le chercheur d’or, a intenção de submeter a voz dos outros personagens à voz do herói europeu Alexis; pelo contrário, a proposta lecléziana é fazer com que as vozes dos personagens (principalmente indianos e africanos), representadas pelos mitos e lendas que evocam, sejam um complemento da ideia do protagonista. Sendo assim, as culturas e etnias presentes na narrativa coexistem de maneira harmônica e complementar, sem que uma se sobreponha à outra, assim como propõe a ideologia intercultural. Todos esses aspectos críticos e mitológicos que envolvem o romance são expostos sob a forma de um romance de aventuras, em que a busca pelo ouro torna-se um símbolo da busca pela plenitude tão almejada pelo homem contemporâneo, representado, genericamente, pelo herói Alexis. A identificação do leitor com o protagonista ocorre na medida em que este demonstra suas fraquezas e narra as adversidades que enfrenta, explicitando dúvidas e questionamentos que são intrínsecos ao ser humano. Desse modo, a grandeza literária de Le Clézio está em explorar gêneros já consagrados, mas sob novas roupagens, destacando sua sensibilidade em adaptá-los às novas necessidades do leitor e da literatura contemporâneos. PALAVRAS-CHAVE: Narrativa contemporânea; Realismo; Polifonia; Romance de aventuras; Le Clézio. 221 DO DORSO À CAUDA DO TIGRE: TRILHANDO A LINGUAGEM DE CLARICE LISPECTOR Marília Gabriela Malavolta Doutoranda - Bolsista FAPESP Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.) Os romances de Clarice Lispector apresentam reiterados embates com a linguagem; seus narradores estão em busca de um modo de dizer que lhes é sempre insuficiente diante do buscado ou do vivido. Este aspecto alça a linguagem à condição de tema das narrativas, ao lado mesmo de seus enredos constitutivos, conforme, desde as primeiras publicações da autora, asseveraram os críticos Benedito Nunes e Antônio Cândido.O presente trabalho de pesquisa identifica, ordena e analisa uma implicação significativa instaurada pelo “fracasso” (conforme nomeou Nunes) iminente diante da linguagem nos romances A paixão segundo G. H., Água Viva e A hora da estrela, bem como no conto “Os desastres de Sofia” e em crônicas publicadas em A descoberta do mundo. Trata-se da imagem de aderência presente nos respectivos enredos, especialmente nas relações que se estabelecem entre seus narradores e personagens. A pesquisa se baseia na hipótese de que as imagens de aderência resultantes do fracassado embate com a linguagem podem ser vistas como uma metáfora da criação artística, cujo embrião está no conto “Os desastres de Sofia”, e cujo desenrolar se dá de modo crescente entre aqueles três romances, assim como, em caráter progressivo, Nunes identifica a transmutação da paixão em compaixão entre A paixão segundo G.H e A hora da estrela. PALAVRAS-CHAVE: Clarice Lispector; Metáfora de Criação Artística; Aderência. 222 MEMÓRIA E CRIAÇÃO EM MARCEL PAGNOL Marina Lourenço Morgado Doutoranda Profa. Dra. Claudia Fernanda de Campos Mauro (Or.) A presente proposta de pesquisa objetiva realizar um estudo da memória e criação nos romances: Le Château de ma Mère, La Gloire de mon Père e Le Temps des Secrets do escritor Marcel Pagnol. Com base na hipótese de que a memória, nestes textos, é imaginação de possibilidades do devir que não se esgota em quadros fixos. A tese focalizará as dominantes técnicas e temáticas de construção da narrativa por meio do uso feito pelo autor do motivo da viagem, dos diferentes espaços e na composição dos quadros da memória. O estudo desses três romances permitirá a análise da memória como princípio da elaboração das obras a forma como é utilizada na elaboração do discurso de narradores e personagens. A importância de estudar esse tema nos romances de Pagnol se dá pelo fato de que o escritor elabora suas narrativas num espaço de misturas e de conflitos, onde a família é um elemento fundamental nas relações sociais, fazendo confluir a memória individual e coletiva. Em seus romances a memória é um lugar de criar mundos possíveis pela capacidade de sonhar do pensamento: a memória criativa. PALAVRAS-CHAVE: Literatura francesa; romance; espaço; narrador autobiográfico; memória. 223 ROTESCA E MEDIEVALISMO EM GASPARD DE LA NUIT, DE ALOYSIUS BERTRAND Matheus Victor Silva Mestrando Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.) Em seu livro póstumo, Gaspard de la Nuit (1942), Aloysius Bertrand retrata a Idade Média francesa através da inovadora forma do poema em prosa. A Dijon e a Paris medieval ganham vida, fazendo ressurgir o cotidiano de época, com seus cavaleiros e burgueses, e mesmo o duro falar popular de seus soldados e leprosos. Cobertos pelo véu da noite, criaturas fantásticas desse rico imaginário medieval assaltam a delicadeza pictural de seus poemas, sob tons oníricos ou insólitos. Toda essa imagética é feita de tensões e contrastes, que assumem, muitas vezes, um caráter grotesco, ao colocarem lado a lado polos opostos como o pitoresco e o cômico bufão, a realidade e a fantasia. A própria voz lírica que permeia seus poemas assume tons realistas e, por vezes, distantes do eu-poético, o que contribui para o estranhamento provocado pelo grotesco, uma vez que ausentam-se julgamentos de valor acerca das cenas evocadas. Dessa maneira, colocam-se diante do leitor uma série de elementos heterogêneos cujas tensões não apresentam solução, rompendo as leis que regem a realidade e a tornando estranha. Tendo em mente a busca romântica pelo absoluto e a integração ao todo, intentamos reconhecer de que maneira o estranhamento grotesco oferece uma via de acesso à comunhão com o Todo pela união das contrariedades, ou seja, daquilo que se coloca como verdadeiro, existente e aceito e do que parece falso, impossível e reprovável, mas que, contudo, se manifesta diante de nós. A homogenização desses elementos dissonantes remete-nos diretamente ao conceito de carnavalização de Bakhtin, levando a crer que o resgate do Medievo perpetrado por Bertrand vai além da voga medievalista do romantismo francês, na 224 medida em que evoca de forma mais profunda a cultura medieval dissonante por natureza. Segundo Bakhtin, os festejos carnavalescos medievais aproximavam e uniam as esferas do sagrado e oficial com as do profano, material e popular; essa união de elementos dissonantes (grotesca, portanto) gerava uma noção existencial absoluta, plena. Dessa forma, o objetivo da pesquisa é buscar compreender de que maneira o poeta evocou a cultura medieval em uma abordagem mais próxima da realidade do medievo e sua cosmovisão, indo além dos (pre)conceitos idealizantes criados pelo Romantismo em torno da Idade Média e alcançando o ideal romântico de ascensão ao absoluto sem contrastes. PALAVRAS-CHAVE: Grotesco; Poema em Prosa; Romantismo; Medievalismo; Aloysius Bertrand. EXPLOSÃO DE IMAGENS NO LIVRO PELÍCULAS, DE LUÍS MIGUEL NAVA. Nádia Rodrigues dos Santos Mestranda Profa. Dra. Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.) Dentro do cenário da lírica portuguesa contemporânea o poeta Luís Miguel Nava se destaca devido a elaboração de uma escrita poética que choca o leitor pelo inusitado. Se levarmos em conta as propostas do crítico alemão Hugo Friedrich em seu livro capital A estrutura da lírica moderna, principalmente do que diz respeito àquelas relacionadas com a nova linguagem poética, Nava nos propõe uma poesia que, além da abordagem do corpo exposto em sua totalidade, pretende revelar-nos a precisão de seu trabalho com a palavra poética, tal como um artista em busca da perfeição. Luís Miguel Nava está inserido num momento literário ainda recente e a ocasião de seu 225 assassinato ambienta um cenário crítico bastante restrito. Sendo assim, a fortuna crítica naviana, composta por resenhas, artigos e trabalhos acadêmicos, volta-se para a apreciação dos aspectos gerais da obra do poeta. Deste modo, para esta pesquisa intentamos uma abordagem mais aprofundada da sua escrita poética e dos recursos retóricos mais utilizados pelo poeta, tais como as imagens e as metáforas que formam uma escrita transfiguradora. Finalmente, a análise deverá, também, ressaltar de que forma a utilização de técnicas e procedimentos neoexpressionistas, apontados por diversos críticos na obra deste escritor, suscitam e potencializam o fazer poético de Luís Miguel Nava. PALAVRAS-CHAVE: metáfora; imagem; metapoesia; metalinguagem; Luís Miguel Nava. OS HÁBITOS DA MEMÓRIA NOS CONFLITOS DOS PROTAGONISTAS DE MENALTON BRAFF EM QUE ENCHENTE ME CARREGA? (2000) E BOLERO DE RAVEL (2010) Natali Fabiana da Costa e Silva Doutoranda - Bolsista Capes Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.) A pesquisa tem como corpus dois romances do escritor contemporâneo Menalton Braff - Que enchente me carrega? (2000) e Bolero de Ravel (2010), e busca descrever, em meio ao fluxo de consciência que representa o pensamento dos protagonistas, um número incessante de memórias que se repetem do início ao final das narrativas: 16 memórias são apresentadas em Que enchente me carrega? e 18 memórias em Bolero de Ravel. Entende-se que a própria estrutura da narrativa estabelece-se por meio da reiterada circularidade dos processos mnemônicos presentes nas duas obras, fixando o ritmo e 226 a coerência do texto ficcional. Além disso, torna-se, assim, possível observar que as repetições instalam o modo de olhar dos narradores para o mundo, firmando o que eles veem, como percebem o que veem e, finalmente, como lidam com o que percebem. A partir disso, a pesquisa considera a possibilidade de que a estruturação dos romances através de repetições de situações de memória mostra-se dotada de inegável intencionalidade estética e estabelece a maneira singular do narrador braffiano. Este, ao narrar sua desagregação social e mental, revela o seu distanciamento do mundo, medida que intitularemos de processo do esfacelamento do herói. A tese será analisada a partir do instrumental teórico do fluxo da consciência, trazendo à luz os conceitos propostos por Robert Humphrey em Stream of consicousness in the modern novel (1958), Belinda Cannone em Narrations de la vie intérieure (2001) e, finalmente, Dorrit Cohn em La transparence intérieure (1981). Esta abordagem contemplará, ao mesmo tempo, os processos históricos que estão na base da crise do romance e advento da ficção do fluxo da consciência. PALAVRAS-CHAVE: Literatura Contemporânea; Menalton Braff; Fluxo da consciência; Memórias; Repetições; Técnica do esfacelamento. AUTORIA FEMININA: ANÁLISE DO SUBTEXTO NA POESIA DE EMILY DICKINSON Natalia Helena Wiechmann Doutoranda Profa. Dra. Maria Clara Bonetti Paro (Or.) Emily Dickinson (1830-1886) é autora de um pouco mais de 1700 poemas, publicados em sua maior parte postumamente e que são marcados por uma escrita altamente metafórica, ambígua e fragmentada, entre outras caracte227 rísticas. Com o desenvolvimento da crítica literária feminista, entre os anos de 1950 e 1960, sua poesia se tornou objeto de estudos dessa vertente crítica que considera o gênero como fator indissociável da produção literária e que vê na autoria feminina estratégias para conter e ao mesmo tempo transgredir os preceitos patriarcais impostos pela tradição literária masculina. No panorama da crítica literária atual, a relação entre a obra dickinsoniana e as leituras feministas está consolidada com o grande número de trabalhos acadêmicos produzidos e publicados a cada ano. Diante disso, nossa pesquisa investiga o que acreditamos ser uma estratégia de transgressão às normas poéticas e comportamentais impostas pelo patriarcado: o subtexto, isto é, a criação de uma escrita em que se sobreponham duas camadas de sentido – texto e subtexto – e que revele em si as questões envolvidas no conflito entre a consciência de gênero e a consciência da autoria. Por ser a autoria uma atividade tradicional e essencialmente masculina e se tornar autor de um texto é se tornar seu pai-patriarca, não há lugar para a autoria feminina na tradição literária, pois ela não pertence a essa linhagem patriarcal. Nesse sentido, entendemos que a produção textual realizada por uma escritora como Emily Dickinson pode, de alguma forma, deixar entrever o questionamento dos valores impostos pelo patriarcado, além de se fazer perceber o conflito feminino entre encaixar-se nesses valores e superá-los. A ênfase de nosso trabalho deverá recair sobre a análise de poemas que constituam um corpus para que possamos verificar, de fato, a validade de nossa hipótese – de que a compreensão do subtexto possa levar à compreensão do processo de criação poética, estando este vinculado à consciência poética e individual do conflito entre o ser poeta e ser mulher na sociedade patriarcal. PALAVRAS-CHAVE: Poesia; Emily Dickinson; Autoria feminina; Subtexto. 228 A ESCRITA DO EU, DA NATUREZA E DA SOCIEDADE: UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE JEAN-JACQUES ROUSSEAU E FRANÇOIS-RENÉ AUGUSTE DE CHATEAUBRIAND Natália Pedroni Carminatti Doutoranda Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) A finalidade do presente projeto de pesquisa é estabelecer um estudo comparativo entre os escritores pré-românticos Jean-Jacques Rousseau (17121778) e François-René Auguste de Chateaubriand (1768-1848). O interesse pela obra de Jean-Jacques Rousseau advém das investigações realizadas no curso de Mestrado. Como foi dito, no mestrado, realizou-se um estudo relativo ao tema da memória e da morte, na última obra autobiográfica, Les rêveries du promeneur solitaire, que consagrou Jean-Jacques Rousseau como precursor do pensamento moderno. Todavia, nesta investigação, ampliaremos nosso foco de trabalho, desenvolvendo uma leitura crítica dos temas da escrita de si, da natureza e da sociedade nas obras Du contract social (1762), Les rêveries du promeneur solitaire (1782), de Jean-Jacques Rousseau e Gênie du christianisme (1802), especialmente, as obras publicadas separadamente: Atala (1801), Les Natchez (1802) e René (1805) de François-René Auguste de Chateaubriand. A obra de Rousseau, pela intensidade de seus procedimentos literários e pela importância do seu caráter inovador necessita ainda de uma análise que permita explicitar como certos temas são utilizados para o estabelecimento de uma escritura egótica que terá grande repercussão na literatura posterior. Pretende-se, aqui, completar a visão desse período com a abordagem do escritor francês, herdeiro de Rousseau, François-René Auguste de Chateaubriand. PALAVRAS-CHAVE: Literatura Francesa; Pré-Romantismo; Autobiografia; Natureza; Sociedade. 229 IMPLICAÇÕES DO ESPAÇO E EPIFANIA JAMESIANOS Natasha Vicente da Silveira Costa Doutoranda Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.) Esta pesquisa busca analisar a relação entre o espaço e a epifania no romance The Ambassadors e na novela The Beast in the Jungle, ambos publicados em 1903 pelo escritor nova-iorquino Henry James (1843-1916). O presente objetivo foi pensado a partir de estudos prévios desenvolvidos no mestrado, que realçou o deslocamento espacial em The Ambassadors e a consequente revisitação de conceitos do protagonista Lewis Lambert Strether. The Ambassadors é sobre a viagem de Lewis Lambert Strether a Paris na função de embaixador da família Newsome. Tal deslocamento espacial que alicerça o romance se torna elemento essencial para engendrar o autoconhecimento de Strether por meio de sua epifania na pousada rural Cheval Blanc. Ao tirar o foco da complexidade urbana no momento epifânico, o romance questiona a conveniência da metrópole no favorecimento do processo de aprendizado devido à inerente sobrecarga sensorial. The Beast in the Jungle é sobre a espera de John Marcher por um acontecimento único que mudaria sua vida para sempre. Entretanto, Marcher é incapaz de perceber que o ataque já fora dado, pois havia perdido várias oportunidades de ser feliz e amar. O tema central da novela é a compreensão tardia da existência, um descompasso nos acontecimentos da vida do protagonista. A localização da epifania de Marcher no cemitério agrava o tema da extemporaneidade. O estudo do espaço literário, até o presente momento, revelou, dentre outras características, o atraso na ancoragem ou definição espacial, o que cria o efeito de sentido de flutuação, como se as personagens estivessem pairando em algum espaço metafísico, imaterial, não determinado. Acreditamos que essa característica possa ser uma espécie de “desrealização”, conceito criado por Rosenfeld 230 (1985) para se referir ao deslocamento das perspectivas clássicas na pintura do século XX. Nesse sentido, a análise da estrutura espaço-epifania jamesiana tem demonstrado um modo muito particular de traduzir em ficção a complexidade urbana do final do século XIX. Destacam-se, por exemplo, a relativização dos aspectos redentores e romantizados do espaço campestre, a sobrecarga sensorial imposta pela complexidade urbana, impedindo a limpidez na percepção e o presságio nas obras de James da descaracterização do espaço da metrópole na representação da casualidade. PALAVRAS-CHAVE: espaço literário; desrealização; epifania. RELAÇÃO ESPAÇO E TEMPO NA CARACTERIZAÇÃO DOS PERSONAGENS NA OBRA DE ALICE MUNRO Oíse de Oliveira Mattos Bazzoli Mestranda Profa. Dra. Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.) O projeto de mestrado exposto neste resumo se pauta na pesquisa e análise dos contos The Peace of Utrecht e Lichen, de Alice Munro, respectivamente presentes nas obras Dance of the Happy Shades e The Progress of Love, atentando-se aos pontos que abordam como as relações entre tempo e espaço contribuem na caracterização das personagens para o desenvolvimento da ação. O trabalho será desenvolvido por meio da análise dos elementos estruturadores dos contos, com base na fundamentação teórica da narratologia, dos quais se destacam autores como Génette (1995), Nunes (1998) ,Carvalho (1981) ; nas teorias do conto, como Gotlib (1990), Cortázar (1993) entre outros. Alice Munro nasceu em Wingham, interior da província de Ontário, Canadá em 1931 e é reconhecida como autora de histórias curtas. Possui 231 maestria na manipulação do tema e linguagem, forma e sentido, ou seja, “o que diz” e “como diz”. Entre seus inúmeros prêmios e reconhecimento internacional, recentemente foi agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura. O estilo de Alice Munro é caracterizado pelo o emprego de protagonistas femininas, pela transformação de simples fatos cotidianos em algo significativo e grandioso e a quebra dos limites do conto convencional – fechado, redondo, linear – perseguindo veredas independentes nos caminhos da narrativa contemporânea. Seus temas recorrentes são a relação com os pais na infância, principalmente com a mãe; a família; as amizades, romances e desilusões amorosas; velhice e morte. O conto The Peace of Utrecht discorre sobre as relações entre duas irmãs que desde pequenas cuidaram da mãe acometida por uma doença degenerativa até sua morte e que até hoje não conseguiram se desvencilhar de uma passado traumático que deixou marcas profundas em suas vidas e relacionamentos . O conto Lichen trata do relacionamento entre um casal separado há algum tempo, mas que ainda mantém uma relação de amizade e ao mesmo tempo doentia. Através da teoria da narratologia, será estabelecida a relação entre o tempo e espaço nas narrativas de Alice Munro para que se compreenda como os personagens são caracterizados e se compare o modo pelo qual enfrentam seus dilemas na construção de suas personalidades e relacionamentos. PALAVRAS-CHAVE: conto; espaço; tempo; narratologia. DA INDISTINÇÃO DOS ATOS: POESIA E CRÍTICA EM MURILO MENDES E FRANCIS PONGE Patrícia Aparecida ANTONIO Doutoranda – Bolsista CAPES Prof. Dr. Antônio Donizeti PIRES (Or.) O presente trabalho tem por objetivo observar a indistinção entre poesia e crítica da poesia na obra de Murilo Mendes (1901-1975) e Francis Ponge 232 (1899-1988). O brasileiro e o francês procedem à fusão de discurso da obra e discurso sobre a obra num movimento em que sujeito lírico e crítico (eles mesmos ficcionais) se encontram em permanente tensão. Entendendo poesia e crítica como atividades reflexivas fundamentadas na linguagem, as questões principais às quais pretendemos nos lançar são: a) Como se configura e opera a indistinção entre discurso poético e crítico em Murilo Mendes e Francis Ponge? b) Como se configura a voz poético-crítica para se adequar a um ato de dupla face como esse? c) O que se depreende da aproximação ou do distanciamento da conduta lírico-crítica, levando-se em consideração subjetividade e objetividade? Nesse sentido, esta pesquisa busca ler comparativamente os dois poetas tendo por horizonte poesia e crítica enquanto atos indistintos, apresentados numa espécie de movimento pendular, de caráter inacabado, em que autor e leitor participam ativamente. Assim, os poemas aparecem como atos que configuram uma prática literária, que é lírica, crítica e criativa, a um só tempo. No centro dessa prática, os sujeitos lírico-críticos manipulam a criação partindo de um corpo-a-corpo com o texto, como fica claro com as obras que selecionamos para este estudo: de Murilo Mendes, O discípulo de Emaús (1945), Convergência (1970), Poliedro (1972) e Retratos-relâmpago (1973); de Francis Ponge, Proêmes (1948), Méthodes (1961), Pour un Malherbe (1965) e La table (1981). Poesia e crítica, então, podem ser compreendidas no sentido da poiesis, de uma construção que coloca em crise (cuja raiz etimológica é a mesma que a da palavra crítica) o lírico, o crítico, a prosa, a poesia, bem como uma ideia fechada de literatura e de gêneros literários. PALAVRAS-CHAVE: Poesia lírica; Murilo Mendes; Francis Ponge; Crítica da poesia; Metacrítica. 233 VOZES DO DESTERRO: PERIÓDICOS DO EXÍLIO ALEMÃO E A OBRA DE ANNA SEGHERS Patrícia Helena Baialuna de Andrade Bolsista CNPq Profa. Dra. Karin Volobuef (Or.) Profa. Dra. Claudia Mauro (Coor.) O presente trabalho tem por objetivo apresentar o conteúdo dos periódicos publicados por autores alemães que se exilaram durante os anos do governo nacional-socialista, procurando compreender sua relevância no escopo da assim chamada Literatura de Exílio. Para essa apresentação e análise foram selecionadas como amostras revistas de crítica literária, cultura e política produzidas em diferentes países por reconhecidos intelectuais alemães, como Das Wort, Freies Deutschland e Neue Deutsche Blätter, entre outras. Selecionamos alguns artigos de diferentes números dessas publicações como amostra, e procuramos, através destes textos, apontar para as principais ideias debatidas no âmbito da arte e cultura naquele contexto politicamente tão singular, bem como sua importância na articulação de uma resistência intelectual ao nazismo e na divulgação de obras literárias de diversos autores. Dedicamos especial enfoque à obra produzida no período mencionado pela escritora alemã Anna Seghers, ativa participante nesses debates e colaboradora de vários periódicos. Ao analisar escritos de Seghers como Em trânsito, A sétima cruz e O passeio das meninas mortas, procuramos apontar para os aspectos nos quais a obra da autora se alinha e se desprende das propostas discutidas à época para uma literatura engajada e realista. PALAVRAS-CHAVE: exílio; periódicos; Anna Seghers; engajamento. 234 A COSMOGONIA NAS METAMORFOSES DE OVÍDIO: UM ESTUDO SOBRE A EXPRESSIVIDADE POÉTICA, SEGUIDO DE TRADUÇÃO E NOTAS. Paulo Eduardo de Barros Veiga Doutorando Prof. Dr. Márcio Thamos (Or.) Ovídio (43 a. C. - 17 d. C.), poeta do período Clássico da Roma Antiga, mais precisamente, da época de Augusto, escreveu, por volta de 8 d. C., suas Metamorfoses (Metamorphoseon libri), um longo poema dividido em quinze cantos, que, de modo geral, trata de temas míticos. A pesquisa de doutorado apresenta, como córpus, o início do Canto I, que corresponde aos hexâmetros de número 1 a 451, em que Ovídio conta histórias mitológicas a respeito da origem do mundo, ou seja, narra a Cosmogonia. Sucintamente, ela é um conjunto de mitos que procura explicar o princípio do universo, por assim dizer, as transformações que o mundo sofreu para chegar à forma atual. O enfoque teórico é a Semiótica literária de linha francesa, cuja base está nos escritos de Greimas. Procura-se considerar o córpus como um discurso literário, em que se notam articulações entre plano de conteúdo e de expressão. Debruça-se a análise, mais precisamente, sobre os recursos figurativos e icônicos, sobre homologias observáveis e sobre os efeitos de sentido captados pela percepção. Em suma, tem destaque o modo como o discurso literário foi construído por Ovídio, autor de Metamorfoses, que, com alto burilamento estético, cantou a Cosmogonia. PALAVRAS-CHAVE: Literatura Clássica; Poesia Latina; Poética; Ovídio; Cosmogonia. 235 CLARICE LISPECTOR: A ESCRITURA E O OFÍCIO DE ESCRITOR EM CARTAS PERTO DO CORAÇÃO Priscila Berti Domingos Mestranda - Bolsista CAPES Prof. Dr. Adalberto Luís Vicente (Or.) Nos últimos quarenta anos, parte dos estudiosos da literatura tem direcionado o olhar para o processo de criação e para o criador, e, consequentemente, valorizado o estudo de gêneros periféricos, como a autobiografia ou o diário, o que abriu espaço para o estudo das cartas na crítica literária. Esta pesquisa tem como objeto de estudo as cartas trocadas entre Clarice Lispector e Fernando Sabino publicadas em 2001 pelo autor mineiro, que as publicou sob o nome de Cartas perto do Coração, obra em que revelou as cartas que recebia cotidianamente de Clarice e toda a cumplicidade e envolvimento literário que havia entre eles. Publicadas integralmente, as cartas remontam um período que vai de 21 de abril de 1946 a 29 de janeiro de 1969. O início desse contato mostra dois jovens que tinham acabado de completar 20 anos, uma época de muito investimento nos projetos pessoais e profissionais e também de muita insegurança diante do mundo e dos próprios escritos. O objetivo deste trabalho é analisar os componentes de interesse literário que revelam a criação, a escritura e o ofício do escritor. A importância desse estudo está no fato de que se entende aqui que esta correspondência é um lugar de ensaio, pensamento e de literatura de Clarice Lispector e, sobretudo, porque se acredita que esse conjunto de cartas possa ser entendido como um tratado apaixonado sobre a escritura e sobre o ofício do escritor. Figuram na obra revelações e queixas, filosofias do cotidiano, mas, sobretudo, questões literárias, o que comprova o quanto “a carta é um gênero proteiforme, ao qual é ridículo e vão querer impor uma forma e uma figura únicas, o que não significa que seja um gênero sem limites, ainda que esses limites sejam constantemente 236 friccionados” (TIN, 2005, p. 56). Importa também apontar que na obra em questão as cartas têm um valor poético em que a linguagem toma o primeiro plano da criação e aparecem nelas, sobretudo, a preocupação com (i) para que fazer literatura; (ii) escrever por que e para quem; (iii) o fazer poético; (iv) a procura pela forma mais precisa de expressar o inexprimível. PALAVRAS-CHAVE: cartas; escritura; poético; Clarice Lispector. RELAÇÃO ENTRE POESIA E PROSA DE CHARLES BAUDELAIRE Priscila Cavali Mestranda Profa. Dra. Guacira M. Machado Leite (Or.) Neste trabalho, apresentamos alguns estudos sobre poemas de Charles Baudelaire extraídos de suas obras Les Fleurs du mal e Petits poèmes en prose, com o intuito de determinar suas particularidades. Nesse quadro, refletiremos, evidentemente, sobre a tensão existente entre prosa e poesia, ao longo da história, seja na recusa das formas poéticas tradicionais de uma (prosa), seja na busca de uma nova forma poética pela outra (poesia), até alcançarmos a essência do poema em prosa. Em seguida, Baudelaire entrará no cenário, constituindo a metodologia do estudo que tratará das barreiras que o poeta ultrapassa no que diz respeito a seus poemas em prosa, demonstrando o seu domínio em relação ao fazer poético, na construção e re-construção dos componentes que configuram os poemas, denunciando a mudança de registro retórico, quando relacionados a alguns em verso. Buscaremos perceber ainda, segundo os estudos realizados por Barbara Ellen Johnson, em 237 sua obra Défigurations du langage poétique, de que maneira o poema em prosa constitui uma leitura “desconstrutiva” do poema em verso, visto que a relação existente entre eles foi explorada pela autora, que buscou um nexo entre Le Spleen de Paris e Les Fleurs du mal, a partir de textos em prosa que retomavam, de forma explícita, o tema de um poema em verso. Nesse quadro, o poema em prosa será tratado como uma reescritura crítica do poema em verso, o que abre caminho a inúmeros questionamentos e conceitos contemporâneos, dentre eles, a prática da “transposition” – de acordo com os estudos genettianos, presente no campo da hipertextualidade – e o porquê da reescrita. PALAVRAS-CHAVE: Poemas em verso; Poemas em prosa; Modernidade poética; Hipertextualidade; Charles Baudelaire. VIAGEM À RODA DE MACHADO DE ASSIS EM DOMÍNIO LATINO Priscila Maria Mendonça Machado Doutoranda Prof. Dr. João Batista Toledo Prado (Or.) O estudo de Machado de Assis pelo viés da intertextualidade tem-se consolidado como uma forte tendência atual. O recorte proposto, como córpus da pesquisa, foi a análise da presença da Literatura Latina em alguns contos machadianos. Dentre a grande variedade de contos produzidos pelo autor, selecionou-se vinte, tendo em vista a forte e definida presença de referências latinas neles. O estudo proposto para essa etapa novamente pode ser percebido desde o título, “Viagem à roda dos contos de Machado de Assis em do238 mínio latino”. Buscou-se um título de alcance intertextual, uma vez que ele retoma o conto machadiano “Viagem à roda de mim mesmo”, que, por sua vez, também dialoga intertextualmente com os livros Viagem à roda do Meu Quarto, de Xavier de Maistre (de 1794) e Viagem à roda do Meu Jardim, de Alphonse Karr (de 1845). O termo “domínio” remete ao estudo de Jean-Michel Massa que, ao coletar a biblioteca de Machado de Assis, dividiu-a em domínios linguísticos. Busca-se a análise de vinte contos: “Virginius”, publicado no Jornal da Família (1864); “Felicidade pelo casamento”, Jornal das Famílias (1866); “Uma excursão milagrosa”, Jornal das Famílias (1866); “Onda”, Jornal das Famílias (1867); “Linha reta e linha curva”, em Contos Fluminenses (1870); “Rui de Leão”, Jornal das Famílias (1872); “Decadência de dois grandes homens”, em Jornal das Famílias (1873); “Tempo de Crise”, Jornal das Famílias (1873); “Muitos anos depois”, Jornal das famílias (1874); “Um cão de lata ao rabo”, em O Cruzeiro (1878); “O Alienista”, publicado em A Estação (1881) e depois em Papéis Avulsos (1882), “Último capítulo”, em Gazeta de Notícias (1883) e Histórias sem data (1884); “O Lapso”, em Gazeta de Notícias (1883) e Histórias sem data (1884); “A causa secreta”, publicado na Gazeta de Notícias (1885) e depois em Várias histórias (1895); “Anedota pecuniária”, na Gazeta de Notícias (1888) e Várias histórias (1895); “Como se inventaram os almanaques”, Almanaque das Fluminenses (1890); “Vênus! Divina Vênus”, Almanaque da Gazeta (1893); “Um erradio”, em A Estação (1894) e Páginas recolhidas (1899); “Papéis Avulsos”, em Páginas recolhidas (1899); “Marcha Fúnebre”, em Relíquias da casa velha (1906). PALAVRAS-CHAVE: Intertextualidade; Machado de Assis; Literatura e Cultura Latina. 239 A REPRESENTAÇÃO DA SEXUALIDADE EM NEWTON MORENO: DESCOBRINDO DEUS SABIA DE TUDO E NÃO FEZ NADA, BODY ART E AGRESTE Rafael José Masotti Mestrando - Bolsista Cnpq Profa. Dra. Elizabete Sanches Rocha (Or.) No imaginário ocidental, o teatro nasce na Grécia Antiga em meio às orgias, aos bacanais dionisíacos; Michel Foucault (1926-1984), escrevendo sobre a história da sexualidade, ao contestar a “hipótese repressiva”1, considera que as tentativas de mascaramentos e proibições por meios de técnicas de poder acabam por incitar ao invés de reprimir. Neste sentido, no Brasil, trabalhos como os de Décio de Almeida Prado (1917-2000) e João Silvério Trevisan (1944-) nos revelam que o teatro brasileiro, ainda que sob a censura da igreja e do poder, desde o início trilhou nas fronteiras do sagrado e do profano. Até o começo do século passado, identifica-se uma cena dividida entre o teatro de cunho religioso e outra mundana, que se atreve a trazer prostitutas elegantes e o duplo sentido nas comédias. No decorrer do século, em um cenário cultural efervescente, viu-se proliferarem peças nas quais a sexualidade foi intensivamente explorada, enquanto temática e/ou estética. Tomando como significativos o contexto e as discussões em torno do tema, este trabalho objetiva localizar o dramaturgo pernambucano Newton Moreno (1968-), autor importante no panorama da dramaturgia brasileira contemporânea, a partir da representação da sexualidade nas peças Deus sabia de tudo e não fez nada (2001), Body Art (2002), e Agreste (2004). Valendo-se de obras que mesclam traços do teatro lírico, épico e dramático, as tramas em questão são tecidas de sexo e ignorância, sexo e morte, sexo e marginalidade, sexo e antropofagia, sexo e homoerotismo, sexo e história, sexo e transcendência, sexo e repres- 240 são, sexo e cultura popular e, ao que parece, sem perder de vista o discurso amoroso, na busca de reinventá-lo. Seguiremos na esteira de Anne Ubersfeld (1918-2000), Jean-Pierre Ryngaert (1939-) e Jean-Pierre Sarrazac (1946-), dentre outros, em busca de desvendar a representação da sexualidade nestas obras através dos aspectos dramatúrgicos do texto. PALAVRAS-CHAVE: literatura; teatro brasileiro contemporâneo; sexualidade, Newton Moreno. O CORPO EM O MULATO, CASA DE PENSÃO E O CORTIÇO, DE ALUÍSIO AZEVEDO. Rafaela Vareda Goffredo Mestranda Profa. Dra. Maria Célia de Moraes Leonel (Or.) Diante da pouca gama de estudos que versam sobre o corpo nos romances O mulato, Casa de pensão e O cortiço, de Aluísio Azevedo e, partindo do pressuposto de que, segundo Josué Montelo, no Naturalismo brasileiro, três problemas interessaram os romancistas mais de perto: a luta contra a Igreja, a reação ao preconceito de cor e a questão sexual, propõe-se desenvolver uma leitura crítica do tratamento da questão sexual por meio da análise da construção do corpo nessas três obras. A pesquisa centra-se, principalmente, nas personagens que, segundo Ferreira, corporificam temas de patologia social (miséria, desequilíbrio psíquico, amoralismo, desvios sexuais) e que, por isso, têm vícios, doenças e apresentam-se num cenário cotidianamente marcado pelo tom acinzentado e fatalista, animalesco e mecânico, que reflete o pensamento pessimista do fim do século. Tais romances interessam porque trazem o corpo como espetáculo, permitindo adentrar no erótico, caminho 241 que é via de materialização do estético e do simbólico. Nessas obras, o desejo e o sexo têm papéis fundamentais no processo de degradação e destino trágico das personagens, principalmente as masculinas. Como a construção do tema é realizada por meio das categorias narrativas, são analisadas as seguintes categorias: a história, as personagens, a focalização, o narrador, o tempo e o espaço. O embasamento teórico é constituído por quatro grupos de estudos: a) histórias da literatura sobre o Naturalismo e ensaios críticos sobre Aluísio Azevedo; b) textos específicos sobre o corpo no Naturalismo brasileiro; c) ensaios sobre o corpo de modo geral e d) estudos teóricos da narrativa. Quanto ao primeiro grupo, as principais balizas são: História concisa da literatura brasileira de Alfredo Bosi e Aluísio Azevedo, vida e obra (1857-1913) de Jéan-Yves Mérian. Em relação ao segundo grupo, a base é formada por Leituras do desejo: o erotismo no romance naturalista brasileiro de Marcelo Bulhões. Quanto ao terceiro grupo: O erotismo de Georges Bataille e História do corpo, organizado por Jean-Jacques Courtine, Georges Vigarello e Alain Corbin. Em relação ao quarto grupo, tomamos os seguintes textos: Discurso da narrativa de Gérard Genette e Dicionário de narratologia de Carlos Reis e Ana Cristina M. Lopes. PALAVRAS-CHAVE: Aluísio Azevedo; O mulato; Casa de pensão; O cortiço; Corpo. LEITURAS DO TRÁGICO SOB A PERSPECTIVA DO ROMANCE REALISTA: UM ESTUDO SOBRE “MADAME BOVARY” E “ANNA KARIÊNINA” Rafhael Borgato Doutorando – Bolsista FAPESP Profa. Dra. Wilma Patricia Marzari Dinardo Maas (Or.) Este projeto de doutorado tem como objetivo estudar a manifestação do trágico no romance do período literário do século XIX conhecido generica242 mente como Realismo. O objeto de estudo específico são os romances Madame Bovary e Anna Kariênina, de Flaubert e Tolstói, respectivamente. Tal escolha dá-se por, além de se tratarem de obras célebres do período literário citado, um ambas as obras compartilharem o tema do adultério feminino, o qual, pretendemos demonstrar em nosso estudo, estrutura forma trágica desses romances. Essa forma trágica, como demonstraremos, é organizada em torno do conflito individual e do debate ético em relação ao sistema social. Tais leituras sobre o trágico partem de duas interpretações distintas do que é tragédia: a dos filósofos idealistas alemães pós-kantianos, tomada aqui sob a perspectiva da filosofia de Schelling, que destaca o elemento individual, a afirmação da liberdade humana e, por outro lado, a dos estudos estruturalistas da Tragédia Grega (empreendidos especialmente por Vernant e Vidal-Naquet, além de Charles Segal). Assim, pretendemos realizar uma leitura do gênero romance como forma trágica (atendo-nos ao recorte específico que analisaremos, ou seja, o romance realista novecentista, que constitui uma forma madura do romance burguês), a partir da interpretação de sua forma e de seu conteúdo, buscando apoio para essa interpretação em dois tipos de leitura relevantes para a compreensão do conceito de trágico. PALAVRAS-CHAVE: Tolstoi; Flaubert; Realismo; Romance; Trágico ELEMENTOS MITOLÓGICOS E FOLCLÓRICOS INTEGRANTES DA ESTRUTURA MORFOLÓGICA DE NARRATIVAS POPULARES CELTAS Raquel de Vasconcellos Cantarelli Doutoranda – Bolsista CAPES Profa. Dra. Karin Volobuef (Or.) Embora os contos populares tenham evoluído, vindo a integrar grande parte da literatura infantil, pouco se sabe sobre seus diferentes tipos de compo243 sição, a origem de seus motivos e sua evolução no tempo e espaço. Propp (1971, 2002, 2006) contribuiu amplamente para esquematizar a estrutura fundamental dos contos de magia, estabelecendo suas origens e transformações, entretanto, a composição e evolução de outros tipos de contos permanecem ainda inexatas. Assim, nossa proposta é analisar especificamente contos populares de origem celta, devido a seu grande impacto na literatura ocidental, para determinar sua morfologia, a possível origem de seus elementos fundamentais e os fatores socioculturais relevantes para a formação e evolução de seus motivos. Para tanto, selecionaremos 50 narrativas das coletâneas de Campbell (1890), Ellis (1999), Jacobs (1894; 2001) e Hyde (1910) e iniciaremos por análises morfológicas baseadas em Dundes (1996), Lévis-Strauss (1985; 1993) e Propp (2006), a fim de obter uma esquematização de suas estruturas. A partir disso, buscaremos estabelecer as possíveis origens socioculturais de seus motivos e as transformações relacionadas a diferentes estágios da sociedade celta, sendo especialmente enfatizados os aspectos míticos, ritualísticos e folclóricos presentes no conto, uma vez que estes foram determinantes para a composição da narrativa popular em geral (FRYE, 2000; PROPP, 2002), verificando os principais fatores axiológicos envolvidos, pelo método actancial de Courtés (1979). No decorrer dessa pesquisa, demonstraremos como essas análises conjuntas contribuem para o estabelecimento de uma rede de significados, muito além dos encontrados em sua superfície, além de explicar a presença de motivos aparentemente arbitrários e sem sentido ao público atual. Uma vez que esses contos possuem forma simples, ou seja, monotípica, que se repete como um padrão nas narrativas populares (JOLLES, s.d., passim; PROPP, 2006, p. 24-25), as informações aqui obtidas poderão ser utilizadas como ferramentas de comparação em estudos posteriores, relativos a contos pertencentes a outras sociedades. PALAVRAS-CHAVE: narrativa popular celta; composição; evolução. 244 A TRADIÇÃO DE REBELDIA NA LITERATURA NORTEAMERICANA Renato Alessandro dos Santos Doutorando Profa. Dra. Maria Clara Bonetti Paro (Or.) Na literatura norte-americana, é possível confirmar a existência de uma tradição de rebeldia que se inicia no século 19, com H. D. Thoreau, e que é voltada para a liberdade de expressão e para o não-conformismo. São obras em prosa e verso que abordam o tema da viagem e retratam a experiência vivenciadas por personagens pícaros, ou seja, que estão sempre em movimento. No século 20, escritores da Geração Perdida, bem como autores da Geração Beat, procuraram registrar a época em que viveram, e, em suas obras, é possível perceber a presença da tradição de rebeldia com base no diálogo intertextual que a Geração Beat manteve com a Geração Perdida e com autores do século 19. Outra questão envolvida é mostrar como os romances Um estranho no ninho (One flew over the cuckoo’s nest, 1962), de Ken Kesey, On the road, de Jack Kerouac, e O teste do ácido do refresco elétrico (The electric kool-aid acid test), de Tom Wolfe, não apenas mantêm um diálogo intertextual, mas registram o surgimento da contracultura no século 20 e, desta forma, levam a tradição de rebeldia a seu ápice. Em relação à metodologia utilizada, o método comparativo servirá para o cotejamento entre os textos norte-americanos, mas não de forma constatativa e, sim analítica, buscando contextualizar e analisar cada obra e autor no fluxo da tradição de rebeldia e nos embates desta com o “main stream”. PALAVRAS-CHAVE: rebeldia; tradição; contracultura; Geração Perdida; Geração Beat. 245 A CANÇÃO MARGINAL BRASILEIRA Renato Luís de Castro Aguiar Silva Mestrando Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.) Este trabalho é parte do estudo que realizo para a dissertação no curso de mestrado, cujo objetivo é trazer à baila elementos para uma análise da relação entre a poesia e a canção. Partindo de seu conceito geral e indo até as suas implicações no decorrer do século XX, pretendo situar a canção de cinco poetas brasileiros. Marcados pela transitoriedade entre letras de música e poemas escritos, estes poetas, Cacaso, José Carlos Capinam, Paulo Leminski, Wally Salomão e Torquato Neto, são advindos da esteira de artistas ligados ao Tropicalismo na virada da década de 60 para os 70, cuja obra se distribui ao longo dos anos 70 até início dos anos 90. Assim, este estudo segue a continuidade daqueles iniciados na monografia sobre o Tropicalismo e a Bossa Nova nos festivais de música popular brasileira. A poesia da época reunia respostas libertárias à inflexibilidade e limites impostos pela ditadura, como relatam estudos de Heloísa Buarque de Holanda, Carlos Alberto Messender e outros que focaram sua pesquisa no período. Será notável que a poesia marginal dos anos setenta manteve ativo contato com a música popular veiculada pelas emissoras de radio e tele-difusão. Logo, os estudos do lingüista Luiz Tatit, que deram conta de apreciar profundamente o estilo e os temas da canção popular brasileira do século XX, citam a década de setenta como um período de “música sem fronteiras rítmicas, históricas, geográficas ou ideológicas.” (TATIT, p.227, 2008) Sem destoar, o amálgama cumpria de reunir tendências díspares e dispersas na arte nacional ou estrangeira, popular ou erudita, canônica ou marginal. Cumpre a minha pesquisa, portanto, revelar abordagens pertinentes ao estudo do caráter cancionista da obra destes poetas. Seguindo as linhas de pesquisa “Teorias e crítica da poesia” e 246 “História literária e crítica”, com tangenciamentos pela linha “relações intersemióticas”, intento abordar concepções estéticas comuns à poesia e a música, que estejam em conjunção com os temas da moderna poesia brasileira. PALAVRAS-CHAVE: canção; poesia brasileira; lírica moderna; teoria e crítica literária. NARRATIVA E REPRESENTAÇÃO: UMA LEITURA DE CIDADE DE DEUS Renato Oliveira Rocha Mestrando Profa. Dra. Juliana Santini (Or.) Esta pesquisa busca analisar a relação de Cidade de Deus (1997) com a realidade que ele representa. O romance de Paulo Lins, um dos mais importantes da prosa brasileira do final do século XX, faz ressurgir o realismo na narrativa contemporânea. Cidade de Deus traz à tona a realidade brasileira aliando técnicas de pesquisa antropológica a uma história narrada em ritmo veloz que trata do desenvolvimento do tráfico de drogas e da criminalidade no conjunto habitacional que dá título ao livro, firmando o contrato realista com o leitor. Para amenizar as cenas violentas, Paulo Lins vale-se da poesia, a começar pelo poema-epígrafe de Paulo Leminski que o autor utiliza na abertura do livro, proporcionando uma representação literária da violência, por mais brutal que ela seja. Essa mediação formal que o escritor utiliza para moldar o objeto retratado proporciona uma leitura do Brasil dos excluídos e sua realização no romance, é possível afirmar, configura-se como um capítulo à parte na produção literária e nos estudos sobre a relação entre literatura e pobreza no Brasil. A insistência nas cenas violentas confere unidade à narrativa, 247 causa um efeito de realidade e leva o leitor a pensar de forma abrangente na sua significação, dinamizando a representação da violência como elemento constituinte da sociedade brasileira. PALAVRAS-CHAVE: Paulo Lins; Prosa brasileira contemporânea; Realidade; Realismo. E.T.A. HOFFMANN E MACHADO DE ASSIS: EXPOENTES DE UMA MESMA TRADIÇÃO LITERÁRIA. Ricardo Gomes da Silva Doutorando Profa. Dra. Karin Volobuef (Or.) A tese que se pretende desenvolver é a da existência de uma proximidade estilística entre as obras Machado de Assis (1839-1908) e pelo alemão E.T.A. Hoffmann (1776-1822). A obra de ambos os escritores é marcada pela utilização sistemática da paródia, do lugar-incomum na escrita, de ideias e formas de escrita inusitadas e de um expressivo estilo fragmentário e descontínuo. O que explicaria tais recorrências, de acordo com a tese que defendemos, seria o fato de que Machado e Hoffmann descendem de uma mesma tradição de escritores excêntricos como Cervantes, Sterne e Rabelais. Desta forma buscaremos demonstrar de que forma cada um de nossos dois escritores se vinculam a uma tradição literária maior e em que aspectos suas obras se aproximam. PALAVRAS-CHAVE: Machado de Assis; E.T.A. Hoffmann; Literatura do século XIX. 248 À ESPREITA DO VULCÃO E O CONTEMPLAR DO ABISMO: POR UMA POÉTICA DE AGUSTINA BESSA-LUÍS, EM UM CÃO QUE SONHA. Rodrigo Valverde Denubila Mestrando - BolsistaCAPES Profa. Dra. Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.) Agustina Bessa-Luís diz que escreve para desiludir com mérito que é a maneira de se fazer lembrar com virtude. Tendo essas sentenças como alicerce de reflexão, este trabalho propõe se buscar uma poética da romancista portuguesa, utilizando como texto base o romance Um Cão que Sonha, obra que contém uma síntese da temática central agustiniana, bem como os estudos críticos de Agustina Bessa-Luís, a saber, Contemplação Carinhosa da Angústia, Alegria do Mundo e Dicionário Imperfeito. Este estudo está estruturado em cinco capítulo que visam levantar o que seria, na cosmovisão agustiniana, uma necessidade de se desiludir com mérito e fazer lembrar com virtude. No primeiro momento, buscamos, por meios dos elementos paratextuais, quais são as vinculações filosóficas caras a Agustina Bessa-Luís, assim como propomos a aproximação da mundividência da ficcionista portuguesa com a do filósofo romeno Emil Cioran. Para ambos, a dúvida é elemento central da constituição humana. Muitos dos seres ficcionais agustinianos são marcadas pelo sentido trágico. Através das personagens de Um Cão que Sonha tentaremos evidenciar como a dúvida, o mistério essencial do existir, a individualidade absoluta, entre outros arquétipos temáticos estão presentes no romance em estudo e são característicos da poética agustiniana. Faz-se necessário compreender como a cosmovisão de Agustina Bessa-Luís foi se desenvolvendo ao longo de seu extenso conjunto literário. Portanto, estudamos as fases agustinianas, bem como a estética barroca e o jogo conceptista que marcam o discurso literário agustiniano. Um Cão que Sonha retoma, em 249 diversos momentos, elementos característicos da poética de Marcel Proust como a noção de memória involuntária, chamada, pela romancista portuguesa, de memória dos sentidos, bem como a reflexão sobre a natureza do tempo. É capital apontar certos elementos convergentes da estética do autor francês e da autora portuguesa, o que ocorre no quarto momento de nossa pesquisa. Um dos traços centrais agustinianos é a presença de fortes mulheres, mas há um complicado jogo entre voz e mudez, uma literatura de autoria feminina que ainda balbucia, no dizer da autora, como exemplarmente o silenciar da voz literária de Maria Pascoal denota. Esta reflexão está presente no último momento de nosso estudo. PALAVRAS-CHAVE: Agustina Bessa-Luís; Um Cão que Sonha; Filosofia Negativa; Neobarroco; Discurso feminino. A POLIFONIA NO ROMANCE DE CARLOS HERCULANO LOPES Roseli Deienno Braff Doutoranda Profa. Dra. María Dolores Aybar Ramírez (Or.) O mineiro Carlos Herculano Lopes (1956), cuja principal veia ficcional é o romance, alimenta-se dos dramas e conflitos do interior, onde nasceu. Trágico, aproxima-se de Autran Dourado (1926-2012) e Lúcio Cardoso (19121968) na preferência pelos temas da loucura, vingança, disputa de terras, além das sempre conflitantes relações familiares que descortinam um opressivo e violento universo patriarcal. Neste trabalho, estudaremos as vozes femininas nos romances A dança dos cabelos (2001), Sombras de julho (1994) e O vestido (2004), investigando como as narradoras mulheres denunciam, 250 cada qual a seu modo e segundo sua dramática experiência, o trágico universo de dominação masculina. O objetivo é averiguar como se materializa textualmente a relação dialógico-polifônica entre as vozes femininas dos três romances e de que modo as vozes masculinas, que se encarnam em personagens e em narradores desse gênero, vão construindo a imagem de um autor implícito, ou seja, aquele que se mascara atrás de uma voz narrativa que representa, para contemplar o eterno recuo do narrador e do jogo de máscaras que se trava entre os vários níveis da narração. Como fundamentação teórica básica, utilizaremos os conceitos de dialogismo e polifonia, desenvolvidos por M. Bakhtin em Problemas da poética de Dostoievski (2005), para analisar de que modo o autor construiu uma sinfonia de vozes ora exclusivamente femininas, ora masculinas e femininas, em diálogos repletos de tensões também de gênero. A voz do narrador e a percepção do focalizador serão analisadas à luz do Discurso da narrativa (1995), de G. Genette. Devido ao corpus, que recorta três obras cujas narradoras são mulheres, utilizaremos algumas teorias dos estudos de gênero aplicados ao discurso literário. Para desenvolver essa proposta no bojo de tais estudos, analisamos textos fundadores da crítica feminista, particularmente aqueles vinculados aos estudos literários, mas também aos estudos filosóficos, históricos e culturais. Entre eles, cabe enfatizar as obras de S. Beauvoir: O segundo sexo II: a experiência vivida (1967) e de V.Woolf: Um teto todo seu (1994). PALAVRAS-CHAVE: romance; narrador; polifonia; estudos de gênero. GANDALF: A LINHA NA AGULHA DE TOLKIEN Stéfano Stainle Mestrando Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi (Or.) Com este projeto de pesquisa pretende-se, a partir de uma abordagem teórico-crítica de O Senhor dos Anéis, obra máxima de J. R. R. Tolkien, analisar 251 o modo de atuação da personagem Gandalf, de forma a esclarecer e melhor compreender como essa personagem atua nos nichos da narrativa e, com essa atuação, possibilita a existência da textualidade em si mesma, equilibrando ou desequilibrando o compasso do enredo. Partindo do estudo da referida personagem, intenciona-se contribuir, em última instância, para uma melhor compreensão do universo ficcional criado pelo autor e um melhor entendimento dos recursos utilizados na composição da atuação da referida personagem na narrativa, aspecto que até o momento não foi adequadamente abordado e analisado pela crítica especializada na obra de Tolkien. A principal característica de Gandalf, ao que tudo indica, é ser o responsável por tecer os caminhos e destinos da narrativa. É essa característica que se pretende investigar nesta pesquisa. Para além de ser um mago, um símbolo da presença sobrenatural da magia na narrativa de O Senhor dos Anéis — uma narrativa fantástica que depende do sobrenatural para constituir-se enquanto narrativa —, Gandalf parece ter uma outra função, essa mais importante e fundamental, qual seja a de tecer a própria textualidade da obra. Se assim for, e é isso que se deseja investigar, então Gandalf é o articulador dos sentidos do texto, é a personagem que possibilita a própria existência da obra-prima de Tolkien, tanto no que diz respeito à forma, quanto no que concerne ao conteúdo e, no caso desse último, no que tange às suas múltiplas possibilidades de leitura e interpretação. PALAVRAS-CHAVE: Gandal; O Senhor dos Anéis; Personagem; Narrativa; Textualidade. METALINGUAGEM, BILINGUISMO, PROSA E POESIA: REFLEXÕES SOBRE A OBRA DE ROSALÍA DE CASTRO. Tais Matheus da Silva Doutoranda Prof. Dr. María Dolores Aybar Ramírez (Or.) 252 O presente projeto pretende discutir a possibilidade de uma concepção estética, na obra da escritora galega Rosalía de Castro, de construção de um espaço de produção literária autônoma para mulheres. Ao longo do século XIX na Espanha, conforme demonstram diversos historiadores do período, os espaços de atuação da mulher eram limitados ao âmbito privado, de modo que o acesso à educação formal e o incentivo ao desenvolvimento intelectual e artístico eram praticamente nulos para as mulheres. Contudo, a escrita literária produzida por mulheres conscientes das limitações impostas por uma sociedade estritamente patriarcal incomodou a crítica literária, bem como influenciou o surgimento do debate acerca da liberdade de produção artística das mulheres. Rosalía de Castro figura entre as vozes marginais que, em seu tempo e a partir de elaborações estéticas, questionaram a condição da mulher e os padrões de escrita impostos pela crítica literária. Considerando que a obra de Rosalía de Castro não apresenta regularidades no que diz respeito ao gênero literário e à língua, visto que escrevia prosa e poesia tanto em língua galega quanto em castelhano, independentemente de supostas fases de produção, nossa hipótese é que o bilinguismo e a alternância entre prosa e poesia, somados à reflexão metalinguística, isto é, sobre o fazer literário, são os pilares de um projeto estético de emancipação da produção artística da mulher. Desse modo, a partir da análise de um corpus composto por poesias e prosas em línguas galega e castelhana, produzidos por Rosalía de Castro, pretendemos discutir como o bilinguismo, a alternância de gênero literário e a atividade metalinguística contribuem para a construção de um projeto estético de liberdade de produção para a mulher escritora. PALAVRAS-CHAVE: Rosalía de Castro; Mulher e Literatura; Metalinguagem; Bilinguismo; Feminismo. 253 O MAL DE VIVER EM PIRANDELLO: DAS PRIMEIRAS POESIAS À PROSA MADURA. Valmir Luis Saldanha da Silva Mestrando Prof. Dr. Sérgio Mauro (Or.) Certamente, se fôssemos fazer uma pesquisa de campo, a fim de encontrar uma definição cerrada para o mal de viver, encontraríamos um conjunto bastante variado de como as pessoas enxergam-no. No entanto, como pesquisa literária, nosso trabalho vai além da constatação de dados, pois que pretendemos analisar as representações simbólicas do mal de viver dentro de uma estética literária que atravessa o século XIX e chega à primeira metade do século XX. O mal de viver proposto na lírica de Luigi Pirandello (18671936) – das poesias de Mal Giocondo (1889), com poemas escritos entre 1883 e 1889, e de Fuori di chiave (1912), publicado quando o autor já obtivera consagração com o romance Il fu Mattia Pascal (1904) – denuncia a crise histórica após a unificação dos estados italianos no final do século XIX (“Pós-Risorgimento”), mas, de certa forma, não se restringe no tempo, investigando o mal de viver inerente à condição humana. Desse modo, é relevante analisar a poética de Pirandello em contraponto com outros dois autores: Giacomo Leopardi e Eugenio Montale. Leopardi, dentro de um contexto ainda bastante influenciado pelo Iluminismo, não é um entusiasta dessas ideias e abre caminho para a análise do mal de viver imposto pela natureza sem que o ser humano possa fazer algo; Montale, com uma poesia bastante requintada, apontará, em Ossi di seppia (1925), para o mal de viver naturalizado pelo “ponto morto do mundo no meio da verdade”. Assim, a lírica pirandelliana revisitará as ideias de Leopardi e conviverá com o estilo de Montale, formando uma estética do mal de viver que ora retrata o homem comum às voltas com um mundo que não o compreende, e ora representa a condição 254 marginal do homem intelectualizado e “consciente” que deve confrontar-se com o mundo das “máscaras sociais”. Por uma perspectiva historicista, o que se vê é o adensamento dessa filosofia do mal de viver e desse confronto com as “máscaras” desde os poemas de Mal Giocondo (1889) e Fuori di chiave (1912) até os romances Quaderni di Serafino Gubbio operatore (1915) e Uno, nessuno e centomila (1925). PALAVRAS-CHAVE: Mal de viver; Pirandello; lírica; romance; marginalização. AS FIGURAÇÕES DA MORTE E DA MEMÓRIA NA POÉTICA DE MANOEL DE BARROS. Waleska Rodrigues de Matos Oliveira Martins Mestranda Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.) Ao descrever as figurações que permeiam a Morte e a Memória na poética de Manoel de Barros, a tese pretende relacionar a perspectiva da transmutação com a presentificação. O quiasmo primordial da existência humana gira no entorno vida x morte, sempre em proveito do primeiro termo. Tem-se como objetivo compreender a ideia da Morte e suas figurações na obra de Manoel de Barros, confrontando com a perspectiva da Memória como presentificação da Vida. Das produções literárias do poeta, foram escolhidas as seguintes obras para análise: Poesias (1956), Menino do Mato (2010) e Escritos em verbal de ave (2011). Na metodologia da tese foi realizada a pesquisa documental e bibliográfica sobre a vida e obra de Manoel de Barros. Além disso, um levantamento semântico proporcionou a escolha do recorte. Posteriormente, realizou-se uma pesquisa midiática privilegiando as entrevistas do 255 poeta. Buscaram-se nas falas de Manoel de Barros suas perspectivas sobre cada um dos eixos temáticos da tese, Morte e Memória. PALAVRAS-CHAVE: Manoel de Barros; Morte; Memória. O DUPLO EM COSMÉTIQUE DE L’ENNEMI DE AMÉLIE NOTHOMB Larissa Cristina Thomann Mestranda Profa. Dra. Silvana Vieira da Silva A obra Cosmétique de l’ennemi (2001), da escritora belga Amélie Nothomb (1967), é analisada a partir dos personagens e do tempo, já que a construção da narrativa tem caráter duplo. O duplo é analisado a partir do desdobramento das personagens: Textor Texel, o duplo de Jérôme Angust e, por ele mesmo, denominado como seu inimigo interior, aquele que o destrói, é sua capacidade de autodestruição.Além das personagens, o duplo é analisado como parte da construção do início da obra e de seu fim, bem como a construção do tempo – cronológico e psicológico das narrativas, que também são duplicadas, pois Textor é narrador de sua vida a Jérôme, mas isso já dentro de uma narrativa em que o narrador se apresenta como onisciente e em terceira pessoa.Apesar de ter sido Otto Rank que deu ao duplo esta denominação, a ideia de duplo é, mais especificamente, representada pela literatura fantástica e, interpretada pela psicanálise, através de Freud e Jung. É Freud que nos interessa mais do que Jung, pois é nele que o duplo é um sentimento de estranheza causado pela perda, súbita, de noção do que é realidade e do que é imaginação, o que provoca o temor e o tremor. Este estudo é desenvolvido no livro Das Unheimlich (O estranho), escrito em 1919, pela oposição das palavras heimlich (íntimo, obscuro, secreto) e heimich (natural) ao título do livro. Logo, o estranho é uma experiência secretamente familiar e que foi um dia reprimido e, depois, liberado. Em Cosmétique de l’ennemi, ao ser deparado com o seu duplo, Jérôme não acredita ter assassinado sua esposa e 256 confronta Textor sobre serem a mesma pessoa e é então que Textor faz menção à memória, pois diz que ele é a parte de Jérôme que não se esquece de nada, além de fazer alusão à perda da noção entre o que é imaginação e o que é realidade para o duplicado, característica presente nas obras de Freud. PALAVRAS-CHAVE: Duplo, psicanálise, Amélie Nothomb, Cosmétique de l’ennemi, gênero fantástico. Índice dos autores Adalberto Luis Vicente .......................... 78, 87, 96, 131, 154, 171, 224, 236 Adriano Tarra Betassa Tovani Cardeal ....................................................... 79 Adrienne Kátia Savazoni Morelato ........................................................... 140 Alcides Villaça ............................................................................................ 44 Alejandro González Urrego ............................................................... 80, 141 Alessandro Yuri Alegrette ......................................................................... 142 Alexander Meireles da Silva ....................................................................... 56 Alexandre de Melo Andrade ...................................................................... 82 Alexandre de Melo Andrade / Antônio Donizeti Pires ............................... 81 Aline Cristina Sola Orlandi....................................................................... 145 Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila ........................................ 84 , 143 Aline Shaaban Soler.................................................................................. 146 Aline Taís Cara Pinezi............................................................................... 147 Aline Tosta Floriano.................................................................................. 148 Amanda da Silveira Assenza Fratucci ...................................................... 150 Amanda Oliveira Manfrim ........................................................................ 151 Ana Carolina da Silva Caretti ................................................................... 152 Ana Carolina da Silva Mota ........................................................................ 86 Ana Carolina Negrão Berlini de Andrade. ................................................ 154 Ana Luiza Silva Camarani ................................................. 57, 123, 150, 220 André Luiz Alselmi ............................................................................. 87, 154 Antônio Donizeti Pires ... 82, 83, 93, 109, 116, 125, 129, 133, 164, 232, 246 Aparecido Donizete Rossi ................................................ 105, 145, 170, 251 Arnaldo Franco Junior ................................................................................ 58 Audrey Castañón de Mattos ................................................................ 88, 156 Beatriz Moreira Anselmo ............................................................................ 89 Bruna Cardoso Brasil de Souza ................................................................ 156 Bruna Fernanda de Simone ................................................................. 90, 158 Brunilda Tempel Reichmann ...................................................................... 58 Brunno V. G. Vieira ......95, 110, 111, 115, 169, 177, 188, 199, 200, 209, 212 Bruno Darcoleto Malavolta....................................................................... 159 Camila Pinto de Sousa ....................................................................... 91, 160 Candice Angélica Borborema de Carvalho ............................................... 161 Carina Zanelato Silva ................................................................................ 163 Carlos Eduardo Marcos Bonfá ............................................................ 93, 164 Carlos Henrique Fonseca ................................................................... 94, 165 Carlos Rocha ............................................................................................. 166 Carolina Piovam........................................................................................ 167 Caroline Talge Arantes .............................................................................. 168 Charles Andrew Perrone ............................................................................. 44 Cíntia Martins Sanches ....................................................................... 95, 169 Cláudia Fernanda de Campos Mauro ................ 178, 198, 203, 207, 223, 234 Claudia Nigro .............................................................................................. 59 Cláudio Aquati ............................................................................................ 60 Cláudio Willer ............................................................................................. 45 Cristal Rodrigues Recchia ........................................................................ 170 Cristiane Rodrigues de Souza ..................................................................... 61 Cristovam Bruno Gomes Cavalcante .................................................. 96, 171 Daniel Rossi ........................................................................................ 97, 172 Daniela Aparecida da Costa ............................................................... 98, 174 Daniela Manami Mippo ............................................................................ 175 Daniella Sigoli Pereira ................................................................................ 99 Danielle de Aurélio Martinez .................................................................... 176 Débora Cristina de Moraes ....................................................................... 177 Déborah Garson Cabral............................................................................. 178 Diana Junkes Bueno Martha-Toneto ..................................................... 52, 62 Dílson César Devides................................................................................ 179 Douglas de Magalhães Ferreira ................................................................ 180 Edison BARIANI ....................................................................................... 73 Edna M. F. S. Nascimento ........................................................................ 121 Efraim Oscar Silva .................................................................................... 181 Elisa Cristina Lopes ................................................................................... 63 Elizabete Sanches Rocha .................................................................. 204, 240 Emerson Calil Rossetti ............................................................................... 63 Emerson Cerdas ........................................................................................ 182 Eric Athenot ................................................................................................ 46 Érico Nogueira ........................................................................................... 64 Evaneide Araújo da Silva ......................................................................... 183 Evelyn Caroline de Mello ......................................................................... 184 Ewerton de Oliveira Mera ................................................................ 101, 186 Fabiana de Almeida................................................................................... 102 Fabiane Renata Borsato ..................................................... 86, 103, 102, 156 Fernando Brandão dos Santos........................................................... 120, 217 Fernando Góes ......................................................................................... 187 Flavia Cristina de Sousa Nascimento ........................................................ 64 Francisco Diniz Teixeira ........................................................................... 188 Gabriel Galdino Fortuna ........................................................................... 189 Gabriele Cristina Borges de Morais .......................................................... 190 Gentil Luiz de Faria (Or.).......................................................................... 179 Gerson Luiz Roani ..................................................................................... 65 Gloria Carneiro do Amaral ......................................................................... 66 Guacira Marcondes Machado Leite .......112, 114, 127, 140, 147, 183, 206, 209, 219, 229, 230, 237 Gustavo de Mello Sá Carvalho Ribeiro ........................................... 104, 191 Hebe Tocci Marin...................................................................................... 105 Hélder Pinheiro ..................................................................................... 46, 52 Isabella Midena Capelli ............................................................................ 192 Isaías Eliseu da Silva ....................................................................... 106, 193 Jacob dos Santos Biziak ................................................................... 107, 195 Jaqueline Vansan ....................................................................................... 196 Jassyara Conrado ...................................................................................... 194 Jéssica Fabrícia da Silva ........................................................................... 109 Jéssica Soares Fradusco ............................................................................ 198 Joana Junqueira Borges..................................................................... 110, 199 João Batista Toledo Prado ................................................. 122, 196, 218, 238 João Francisco Pereira Nunes Junqueira .......................................... 111, 200 Jonatan de Souza Santos ........................................................................... 202 José Lucas Zaffani dos Santos .................................................................. 203 Júlia Mara Moscardini Miguel .................................................................. 204 Juliana Pimenta Attie ................................................................................ 205 Juliana Santini ..................................................... 67, 117, 134, 202, 213, 247 Karin Volobuef ......................................... 135, 142, 163, 190, 234, 243, 248 Kedrini Domingos dos Santos ................................................................. 206 Kelli Mesquita Luciano............................................................................. 207 Larissa Cristina Thomann ......................................................................... 256 Larissa Müller de Faria .................................................................... 112, 209 Leandro Dorval Cardoso ........................................................................... 209 Leila Aguiar ................................................................................................ 68 Letícia Coleone Pires ............................................................................... 113 Lígia Maria Pereira de Pádua Xavier ................................................ 114, 210 Lívia Mendes Pereira ........................................................................ 115, 212 Lúcia Osana Zolin ...................................................................................... 69 Luis Eduardo Veloso Garcia ............................................................. 117, 213 Luiz Carlos André Mangia Silva ................................................................ 69 Luiz Carlos Menezes dos Reis .................................................................. 116 Luiz Gonzaga Marchezan ......................................... 187, 192, 222, 226, 255 Marcela Ulhôa Borges Magalhães .................................................... 118, 214 Márcia Regina Rodrigues ........................................................................ 215 Márcia Valéria Zamboni Gobbi......................... 107, 136, 151, 152, 195, 249 Márcio Roberto do Prado ........................................................................... 70 Marcio Scheel .............................................................................. 99, 73, 130 Márcio Thamos ......................................................... 101, 168, 186, 194, 235 Marco Aurélio Rodrigues.................................................................. 120, 217 Maria Celeste Consolin Dezotti ................................................. 70, 182, 189 Maria Célia de Moraes Leonel ....... 84, 88, 98, 104, 113, 121, 143, 156, 161, 174, 191, 241 Maria Clara Boneti Paro .................................... 97, 133, 126, 172, 227, 245 Maria das Graças Gomes Villa da Silva.................................... 106, 193, 205 Maria de Fátima Sousa e Silva ......................................................... 120, 217 Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan ........................... 118, 154, 159, 214 María Dolores Aybar Ramírez .................... 80, 137, 141, 167, 170, 250, 252 Maria Lúcia Milléo Martins ........................................................................ 47 Maria Lúcia Outeiro Fernandes ........ 79, 90, 91, 94, 158, 160, 165, 225, 231 Maria Rosa Duarte de Oliveira .................................................................. 72 Mariana Peixoto Pizano ................................................................... 122, 218 Mariângela Alonso .................................................................................... 219 Marília Alves Corrêa ....................................................................... 123, 220, Marília Gabriela Malavolta ....................................................................... 222 Marina Lourenço Morgado ....................................................................... 223 Matheus Marques Nunes........................................................................... 125 Matheus Nogueira Schwartzmann ............................................................. 71 Matheus Victor Silva ................................................................................ 224 Nádia Rodrigues dos Santos ..................................................................... 225 Natali Fabiana da Costa e Silva ................................................................ 226 Natalia Helena Wiechmann............................................................... 126, 227 Natália Pedroni Carminatti .............................................................. 127, 229 Natasha Vicente da Silveira Costa ............................................................ 230 Oíse de Oliveira Mattos Bazzoli ............................................................... 231 Paola Poma ................................................................................................. 74 Patrícia Aparecida Antonio .............................................................. 129, 232 Patrícia Helena Baialuna de Andrade ....................................................... 234 Paulo Eduardo de Barros Veiga ................................................................ 235 Paulo Ricardo Moura da Silva ......................................................................130 Priscila Berti Domingos .........................................................................131, 236 Priscila Cavali ................................................................................................237 Priscila Maria Mendonça Machado ..............................................................238 Rafael José Masotti ........................................................................................240 Rafaela Vareda Goffredo ...............................................................................241 Rafhael Borgato ............................................................................................242 Raquel de Vasconcellos Cantarelli .................................................................243 Regina Przybycien ...........................................................................................47 Rejane Cristina Rocha .............................................................................74, 181 Renata Soares Junqueira ................................................................148, 176, 215 Renato Alessandro dos Santos .......................................................................245 Renato Luís de Aguiar SILVA........................................................................133 Renato Luís de Castro Aguiar Silva ...............................................................246 Renato Oliveira Rocha ..........................................................................134, 247 Ricardo Gomes da Silva ........................................................................135, 248 Rodrigo Garcia Lopes ......................................................................................48 Rodrigo Valverde Denubila....................................................................136, 249 Roseli Deienno Braff .....................................................................................250 Salgado Maranhão ..........................................................................................48 Sérgio Alcides ..................................................................................................49 Sérgio Massagli ................................................................................................75 Sérgio Mauro..................................................................................................254 Silvana Vieira da Silva ...........................................................................210, 256 Solange Fiuza Cardoso Yokozawa ..................................................................76 Stéfano Stainle ...............................................................................................251 Tais Matheus da Silva ............................................................................137, 252 Waleska Rodrigues de Matos Oliveira Martins ............................................255 Wilma Patrícia Marzari Dinardo Maas ..................................146, 175, 203, 242 Wilton José Marques ......................................................................................166 Imagem de WILLYS DE CASTRO, Pintura 162 (1956) XV SEMINÁRIO DE PESQUISA PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS XV SEMINÁRIO DE PESQUISA PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS A proposta do tema central visa a promover uma reflexão acerca dos caminhos da poesia na cena contemporânea, em que o intercâmbio cultural acompanha a crescente internacionalização dos saberes. O trânsito de pessoas, ideias, formas de comportamento, sistemas de produção e critérios de avaliação crítica atingiu proporções nunca vistas na História. Que formas de arte estão se desenvolvendo neste contexto de fronteiras fluidas, de linguagens híbridas e de subjetividades mutantes? Que marcas deste contexto podem ser percebidas na criação poética? Imagem de WILLYS DE CASTRO, Pintura 162 (1956) De 16 a 18 de setembro, o XV Seminário do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários / II Seminário Internacional de Estudos Literários privilegia, este ano, a linha de pesquisa Teorias e Crítica da Poesia, propondo o tema “A Poesia na Era da Internacionalização dos Saberes”. O evento contará com 10 conferencistas, todos com longa experiência no trabalho com poesia, seja como poetas, seja como professores e pesquisadores ou como tradutores, que vão abordar o tema central, além de 25 especialistas que participarão de mesas-redondas sobre outras questões, relacionadas às demais linhas de pesquisa do Programa, e que também vão debater os projetos dos pós-graduandos, objetivando-se a excelência das dissertações e teses a serem defendidas pelos nossos alunos. Minicursos, recitais de poemas e lançamentos de livros de poetas e pesquisadores presentes completam a programação. POESIA na era da INTERNACIONALIZAÇÃO dos saberes Faculdade de Ciências e Letras Câmpus de Araraquara Programação Completa e caderno de resumos www.fclar.unesp.br