Imagem de WILLYS DE CASTRO, Pintura 162 (1956)
XV SEMINÁRIO DE PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS
XV SEMINÁRIO DE PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS
A proposta do tema central visa a promover uma reflexão acerca dos
caminhos da poesia na cena contemporânea, em que o intercâmbio
cultural acompanha a crescente internacionalização dos saberes. O
trânsito de pessoas, ideias, formas de comportamento, sistemas de
produção e critérios de avaliação crítica atingiu proporções nunca vistas
na História. Que formas de arte estão se desenvolvendo neste contexto de
fronteiras fluidas, de linguagens híbridas e de subjetividades mutantes?
Que marcas deste contexto podem ser percebidas na criação poética?
Imagem de WILLYS DE CASTRO, Pintura 162 (1956)
De 16 a 18 de setembro, o XV Seminário do Programa de Pós-Graduação
em Estudos Literários / II Seminário Internacional de Estudos Literários
privilegia, este ano, a linha de pesquisa Teorias e Crítica da Poesia,
propondo o tema “A Poesia na Era da Internacionalização dos Saberes”. O
evento contará com 10 conferencistas, todos com longa experiência no
trabalho com poesia, seja como poetas, seja como professores e
pesquisadores ou como tradutores, que vão abordar o tema central, além
de 25 especialistas que participarão de mesas-redondas sobre outras
questões, relacionadas às demais linhas de pesquisa do Programa, e que
também vão debater os projetos dos pós-graduandos, objetivando-se a
excelência das dissertações e teses a serem defendidas pelos nossos
alunos. Minicursos, recitais de poemas e lançamentos de livros de poetas
e pesquisadores presentes completam a programação.
POESIA na era da
INTERNACIONALIZAÇÃO
dos saberes
Faculdade de Ciências e Letras
Câmpus de Araraquara
Programação Completa e caderno de resumos
www.fclar.unesp.br
UNESP
–
UNIVERSIDADE
ESTADUAL
PAULISTA
Faculdade de Ciências e Letras – Araraquara – Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários
XV SEMINÁRIO DE PESQUISA
DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO
EM ESTUDOS LITERÁRIOS
SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS
LITERÁRIOS: A POESIA NA ERA DA
INTERNACIONALIZAÇÃO DOS SABERES
CADERNOS DE RESUMOS
Maria Lúcia Outeiro Fernandes
Juliana Santini
Brunno V. G. Vieira
(Orgs.)
XV Seminário
Araraquara
p.1-264
2014
Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários (15. : 2014 :
Araraquara, SP)
XV Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários: caderno
de resumos / XV Seminário de Pesquisa do Programa de Pós-Graduação em Estudos Literários;
Araraquara, 2014 (Brasil). – Documento eletrônico. - Araraquara : FCL-UNESP, 2014. – Modo
de acesso: < http://estudosliterarios.wordpress.com/>.
ISBN: 978-85-8359-012-5
1. Literatura. 2. Pesquisa. 3. Pós-graduação. I. Título
Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da FCLAr – UNESP.
XV SEMINÁRIO DE PESQUISA
DO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS
II SEMINÁRIO INTERNACIONAL DE ESTUDOS LITERÁRIOS:
A POESIA NA ERA DA INTERNACIONALIZAÇÃO DOS SABERES
Realização
Programa de Pós-Graduação em Estudos
Literários
GELIC – Grupo de Estudos em Literatura
Contemporânea
GT Teoria do Texto Poético
Coordenação do PPG - Estudos
Literários
Juliana Santini (Coordenadora)
Brunno V. G. Vieira (Vice-Coordenador)
Assessoria - Seção de PPG em Estudos
Literários
Rita Enedina B. Torres
Comissão Organizadora
Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Presidente)
Juliana Santini
Brunno V. G. Vieira
Andressa Cristina de Oliveira
Fabiane Renata Borsato
Maria Clara Bonetti Paro
Guacira Marcondes Machado Leite
Karin Volobuef
Paulo Andrade
Silvana Vieira da Silva
Marco Aurélio Rodrigues
Marcela Ulhôa Borges Magalhães
José Lucas Zaffani dos Santos
Aline Maria M. de Oliveira Ávila
Comitê Científico
Alcides Villaça (USP)
Arnaldo Cortina (UNESP)
Diana Luz Pessoa de Barros (Mackenzie/USP)
Elisabeth Brait (PUC/SP)
Fábio Durão (UNICAMP)
Guacira M. M. Leite (UNESP/Araraquara)
José Luiz Fiorin (USP)
Karin Volobuef (UNESP/Araraquara)
Marcos Siscar (UNICAMP)
Maria Celeste Consolin Dezotti (UNESP/
Araraquara)
Maria Lúcia Milléo Martins (UFSC)
Sérgio Vicente Motta (UNESP/IBILCE)
Ude Baldan (UNESP/Araraquara)
Comissão de Trabalho
Maria Lúcia Outeiro Fernandes
Juliana Santini
Brunno V. G. Vieira
Paulo Andrade
Andressa Cristina de Oliveira
Fabiane Renata Borsato
Guacira Marcondes Machado Leite Silvana
Vieira da Silva
Marco Aurélio Rodrigues
Marcela Ulhôa Borges Magalhães
José Lucas Zaffani dos Santos
Aline Maria M. de Oliveira Ávila
Gabriele C. Borges de Morais
Comissão Técnica
Maria Lúcia Outeiro Fernandes
Paulo César Andrade da Silva
Fabiane Renata Borsato
Bruna Allatere Dias
Jéssica Fabrícia da Silva
Andressa Cristina de Oliveira
José Lucas Zaffani dos Santos
Marcela Ulhôa Borges Magalhães
Aline Maria M. de Oliveira Ávila
Gabriele C. Borges de Morais
Escritório de Pesquisa
Selma Chicareli
José Luis Freza
Diagramação
STAEPE - Seção Técnica de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão
Programação Visual
Patrícia de Abreu
Rafael Daniel Souza
Impressão
Gráfica UNESP
Dario G. Pessoa de Azevedo
Sumário
Apresentação.......................................................................................7
Grade de Programação.........................................................................9
Programação Geral.............................................................................13
Resumos das Conferências.................................................................43
Resumos dos Minicursos....................................................................51
Resumos das Mesas-Redondas..........................................................55
Resumos das Comunicações..............................................................77
Resumos de Projetos de Pesquisa....................................................139
Índices dos Autores..........................................................................181
Prezados participantes,
Anualmente, o Programa de Pós-Graduação realiza um Seminário de
Pesquisa, para o qual são convidados especialistas externos para debaterem
os projetos, em andamento, de mestrandos e doutorandos. Paralelamente,
ocorre sempre um evento internacional, durante o qual, pesquisadores, docentes e escritores discutem questões relacionadas a uma das linhas de pesquisa. Privilegiando a linha Teorias e Crítica da Poesia, o evento deste ano
terá como tema “A Poesia na Era da Internacionalização dos Saberes”.
A proposta do tema visa a promover uma reflexão acerca dos caminhos da poesia na cena contemporânea, em que o intercâmbio cultural acompanha a crescente internacionalização dos saberes. O trânsito de pessoas,
ideias, formas de comportamento, sistemas de produção e critérios de avaliação crítica atingiu proporções nunca vistas na História. Que formas de arte
estão se desenvolvendo neste contexto de fronteiras fluidas, de linguagens
híbridas e de subjetividades mutantes? Que marcas deste contexto podem ser
percebidas na criação poética?
Pretende-se analisar quais as formas de criação e que tendências são
privilegiadas neste contexto, como se dá a formação de grupos e, principalmente, que espécies de diálogo ocorrem entre poetas de diferentes nacionalidades. Pretende-se entender melhor de que modo a intensificação do
intercâmbio trazido pela globalização incide na formação de grupos em que
transitam poetas de diversos países e quais as consequências deste trânsito na
formação de linguagens e poéticas que ultrapassam as fronteiras nacionais.
Numa espécie de contraponto, o debate também adotará uma perspectiva
diacrônica para tocar na questão sempre renovada do diálogo com os “clássicos”. Além destas questões, o tema também reacende a preocupação relevante com problemas relacionados à tradução.
7
As conferências, programadas para as manhãs e noites, concentram-se neste eixo central dos debates. Já as mesas-redondas, às tardes, abrem o
leque das discussões, abrangendo as demais linhas de pesquisa do Programa. Após as mesas-redondas, vêm as mesas de comunicações e as mesas de
debate dos trabalhos dos alunos. Completam a programação, os minicursos
e os recitais de poesia e lançamentos de livros de poetas e pesquisadores
presentes. Embora direcionado prioritariamente ao corpo discente e docente do Programa de Pós-Graduação, o evento é aberto a toda a comunidade
acadêmica e demais interessados e tem contado com uma presença, cada ano
maior, de alunos da Graduação, que encontram, no Seminário da Pós, uma
oportunidade para aprofundarem sua formação como pesquisadores.
Sejam todos bem-vindos!
Juliana Santini
Brunno V. G. Vieira
Maria Lúcia Outeiro Fernandes
8
Grade de programação
Dias/Horas
16/09
17/09
18/09
8h00
9h00
(1º dia)
Minicurso 1
Minicurso 1
Minicurso 1
8h00
9h30
(2º e 3º dia)
Poesia na sala de Poesia na sala de aula:
aula: propostas de propostas de abordagem
abordagem no funda- no fundamental II
mental II
Hélder Pinheiro (UFCG)
Hélder Pinheiro
(UFCG)
Minicurso 2
Poesia bras. contemporânea e tradição:
diálogos
Minicurso 2
Poesia na sala de aula:
propostas de abordagem
no fundamental II
Hélder Pinheiro (UFCG)
Minicurso 2
Poesia bras.contemporânea Poesia bras.contemporânea
e tradição: diálogos
e tradição: diálogos
Diana J. B.Martha-Tonetto Diana J. B.Martha-Tonetto
Diana J. B. MarthaTonetto
9h30
10h00
10h00
12h00
Sessão de abertura
Conferência de
abertura
Coffee Break
Coffee Break
Conferências
Conferências
Recepção e circulação de poesia(s)
brasileira(s) na
América do Norte
Poesia de Drummond: a O mundo num grão
consciência poética e o de areia – a poesia de
mito recusado
Wislawa Szymborska e os
desafios que apresenta à
Alcides Villaça (USP)
tradução
Charles Perrone,
PhD (University of
Florida)
Regina Przybycien (Univ.
Figuração e transfiguração Jaguielônica, Cracóvia)
em Cecília Meireles
Sérgio Alcides (UFMG)
1886: Laforgue, Whitman, and the invention of
vers libre
Eric Athenot (Université
Paris-Est Créteil)
12h00
14h00
Almoço
Almoço
Almoço
9
Dias/Horas
16/09
14h00
15h30
Mesa-Redonda 1
Poéticas Contemporâneas
Paola Poma (USP)
Leila Aguiar (Unifesp)
Claudia Nigro
(UNESP/Rio Preto)
17/09
18/09
Mesa-Redonda 4
Mesa-Redonda 7
Faces da Poesia Brasileira Novas abordagens em literatura contemporânea
Cristiane R. de Souza
Emerson Rossetti Calil
(B. de Mauá)
Solange F. C. Yokosawa (FIRA, Avaré)
(UFG)
Rejane Rocha (UFSCar)
Sérgio Massagli (UFFS)
Márcio Roberto do Prado
(UEM)
Mesa-Redonda 5
Mesa-redonda 8
Mesa-Redonda 2
Representações Realistas
Releitura crítica de
Lit. e Contexto His- em Narrativas Brasileiras
textos poéticos
tórico
Maria Rosa D. de Olivei- Flavia N. Falleiros
Brunilda T. Reira (PUC-SP)
chmann (Uniandrade) Márcio Scheel(UNESP/ (UNESP/ Rio Preto)
Matheus N. SchwartzGerson Luiz Roani
Rio Preto)
mann (UNESP/Assis)
(UFV)
Edison Bariani (FASAR
Luiz
Carlos André Mangia
e Facita)
Arnaldo Franco
Silva
(UEM)
Junior (UNESP/Rio Juliana Santini (UNESPPreto)
-Araraquara)
Mesa-Redonda 6
Mesa-redonda 9
Mesa-Redonda 3
Questões de Poética
Narrativa e Represen- O Gótico e o Fantástico
em Narrativas ContemClássica
tação
porâneas
Érico Nogueira (UNIDiana J. B. MarthaTonetto (UNESP/Rio Gloria Carneiro do Amaral FESP)
(USP/Mackenzie)
Preto)
Maria Celeste Consolin
Dezotti (UNESP/AraraElisa Cristina Lopes Alexander Meireles
(UFG – Catalão)
quara)
(UFV)
Lúcia Osana Zolin
(UEM)
10
Ana Luiza Silva Camarani Cláudio Aquati (UNESP/
(UNESP/Araraquara)
Rio Preto)
Dias/Horas
16/09
17/09
18/09
16h00
18h00
Mesa de Debate
(MD) de projetos
Mesa de Debate (MD)
de projetos
Mesa de Debate (MD)
de projetos
16h00
18h00
17h30
18h30
20h00
22h00
MD1, MD2, MD3
MD9, MD10, MD11
MD17, MD18, MD19
MD4 MD5
MD12 MD13
MD20, MD21
MD6, MD7,MD8
MD14, MD15
MD22, MD23
MD16
MD24, MD25
Mesas de Comunicações (MC)
Mesas de Comunicações Mesas de Comunicações
(MC)
(MC)
MC1, MC2
MC5, MC6
MC9, MC10
MC3, MC4
MC7, MC8
MC11, MC12, MC13
Coffee Break com Coffee Break com leitu- Coffee Break com leituleituras de poemas ras de poemas e lança- ras de poemas e lançae lançamento de li- mento de livros.
mento de livros.
vros.
Conferências
Conferências
Conferência de
Encerramento
Minhas palavras e Poesia canadense consuas laterais
temporânea: poéticas de Estratégias para o ensino
de poesia
diversidade
Salgado Maranhão
(Poeta)
Maria Lúcia Milléo Martins (UFSC)
Hélder Pinheiro (UFCG)
A criação poética, a
tradução e o diálogo Provincianismo e internaentre poetas de diver- cionalismo em J. Kerouac
sas nacionalidades
e A. Ginsberg
Rodrigo Garcia
Lopes (Poeta e
Tradutor)
Cláudio Willer (Poeta e
Tradutor)
Pocket show Canções do Estúdio
Realidade
11
PROGRAMAÇÃO GERAL
16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 8h00 às 9h00
Anfiteatro C
MINICURSO 1
Poesia na Sala de Aula: propostas de abordagem no Fundamental II
Prof. Dr. Hélder Pinheiro (UFCG)
Anfiteatro D
MINICURSO 2
Poesia brasileira contemporânea e tradição: diálogos
Profª. Drª. Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto (UNESP/Rio Preto)
16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 9h00 às 12h00
Anfiteatro A – Faculdade de Ciências e Letras
SESSÃO DE ABERTURA
Coordenação: Profª Drª Juliana Santini
CONFERÊNCIA DE ABERTURA
Coordenação: Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes
Recepção e circulação de poesia(s) brasileira(s) na América do Norte - Professor Charles A. Perrone, Ph D (Department of Spanish & Portuguese Studies University of Florida):
13
16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 14h00 às 15h30min
MESAS-REDONDAS
Sala 3
MESA-REDONDA 1 – POÉTICAS CONTEMPORÂNEAS
Coordenação: Profª Drª Renata Soares Junqueira
1. Profª Drª Paola Poma (USP) – As “artes poéticas” de Sophia de Mello
Breyner Andresen
2. Profª Drª Leila Aguiar (Unifesp) - A cena poética originária: Yves Bonnefoy
3. Profª Drª Claudia Nigro (UNESP/Rio Preto) - As asas da forma: a poesia narrativa de Camile Dungy e Conceição Evaristo
Sala 4
MESA-REDONDA 2 – LITERATURA E CONTEXTO HISTÓRICO
Coordenação: Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi
1. Profª Drª Brunilda Tempel Reichmann (Uniandrade, PR) - Um olhar sobre o romance e o filme Ensaio sobre a cegueira
2. Prof. Dr. Gerson Luiz Roani (UFV) - Literatura e revolução no Portugal
contemporâneo
3. Prof. Dr. Arnaldo Franco Junior (UNESP/Rio Preto) - Lili passeata, de
Guido Guerra, e o romance pós-utópico da abertura política pós-ditadura militar (1975-1985)
14
Sala 5
MESA-REDONDA 3 – NARRATIVA E REPRESENTAÇÃO
Coordenação: Profª Drª Maria das Graças Gomes Villa da Silva
1. Profª Drª Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto (UNESP/Rio Preto) Subjetividade, narrativa e representação: um olhar para a cidade de
Bernardo Carvalho
2. Profª Drª Elisa Cristina Lopes (UFV) – Narrativa e representação na
perspectiva da estética da recepção: o leitor em foco
3. Profª Drª Lúcia Osana Zolin (UEM) - Entre a literatura e as práticas
literárias contemporâneas: as metanarrativas de Luci Collin
16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 16h00 às 17h30min
MESAS DE COMUNICAÇÕES
Mesa 1 – Sala 39
METALINGUAGEM, FRAGMENTARISMO E REMITIZAÇÃO
NA POESIA BRASILEIRA MODERNO-CONTEMPORÂNEA (I)
Coordenador: Patrícia Aparecida Antonio (Doutoranda - UNESP/Araraquara)
1. Alexandre de Melo Andrade (UNIESP/Rib. Preto; Pós-doutorando
UNESP/Araraquara)
O arabesco, a ampulheta e o veleiro
2. Carlos Eduardo Bonfá (Doutorando - UNESP/Araraquara) – A reincorporação mítica em Alexei Bueno
15
3. Fabiane Renata Borsato (Docente - UNESP/Araraquara) – Poesia, crítica e intertexto em Ondas Curtas, de Alcides Villaça
4. Patrícia Aparecida Antonio (Doutoranda - UNESP/Araraquara) “Esgar
de máscara”: o corpo na lírica brasileira contemporânea
Mesa 2 – Sala 40
SIMBOLISMO E MODERNIDADE
Coordenadora: Profª Drª Beatriz Moreira Anselmo (UEM)
1. Camila Pinto de Sousa (Mestranda - UNESP/Araraquara) – O imaginário decadente na constituição do olhar poético em Al Berto
2. Cristovam Bruno Gomes Cavalcante (Mestrando - UNESP/Araraquara)
– Repercussões da concepção do trabalho poético de Théophile Gautier
na poesia moderna
3. Isaías Eliseu d Silva (Doutorando – UNESP/Araraquara) – A modernidade e os ecos simbolistas em The Waste Land, de T. S. Eliot
4. Beatriz Moreira Anselmo (Docente UEM) – Poesia e drama no teatro
simbolista
Mesa 3 – Sala 41
HIBRIDISMOS CONTEMPORÂNEOS
Coordenador: Doutorando Jacob dos Santos Biziak (UNESP/Araraquara)
1. Marília Alves Corrêa (Mestranda - UNESP/Araraquara/CNPq) – Os aspectos realistas e mitológicos em Le chercher d’or, de J.M.Le Clézio
2. Hebe Tocci Marin (Mestranda - UNESP/Araraquara/CAPES) – A sacralização da ciência em Deuses Americanos, de Neil Gaiman
3. Jacob dos Santos Biziak (Doutorando - UNESP/Araraquara) – A desrealização da ficção e da existência: uma leitura intervalar de Ensaio sobre
a cegueira
16
4. Lígia Maria Pereira de Pádua Xavier (Doutoranda - UNESP/Araraquara)
- Francis ponge: a poesia por uma revolução da linguagem.
Mesa 4 – Sala 42
LITERATURA E SUAS MARGENS
Coordenador: Doutorando Alejandro González Urrego (UNESP/Araraquara)
1. Paulo Ricardo Moura da Silva (Doutorando - UNESP/Rio Preto) – Diálogos entre o poema “No parque Ibirapuera”, de Roberto Piva, e as
tensões homoeróticas na poesia de Mário de Andrade
2. João Francisco Pereira Nunes Junqueira (Doutorando - UNESP/Araraquara) – Uma biografia literária de Péricles Eugênio da Silva Ramos
3. Ricardo Gomes da Silva - (Doutorando - UNESP/Araraquara) – E.T.A.
Hoffmann e Machado de Assis e suas posturas excêntrico-literárias
4. Alejandro González Urrego (Doutorando - UNESP/Araraquara/PAEDEX) – A poesia, meio para denunciar questões sociais ou para contar
a História de um país. Evita Perón, a outra forma de saber a história
16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 16h00 às 18h00
MESAS DE DEBATE DOS PROJETOS DE PESQUISA
Mesa 1 – A Lírica Portuguesa Contemporânea – Sala 31
Debatedora: Profª Drª Paola Poma (USP)
Mediador: Prof. Dr. Ricardo Marques Martins
1. Bruna Fernanda de Simone (M) – A lírica amorosa na obra de Nuno
Júdice
2. Nadia Rodrigues dos Santos (M) – Poesia e realidade no livro Películas,
de Luis Miguel Nava
17
3. Camila Pinto de Sousa (M) – O olhar decadente em Camilo Pessanha e
Alberto
Mesa 2 – Estudos de Literatura Comparada I – Sala 32
Debatedora: Profª Drª Leila Aguiar (Unifesp)
Mediadora: Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite
1. Aline Tais Cara Pinezi (D) – Jules Laforgue e Carlos Drummond de
Andrade: a ironia na construção de Gauche
2. Natalia Pedroni Carminatti (D) – A escrita do eu, da natureza e da sociedade: um estudo comparativo entre Jean-Jacques Rousseau e François-René Auguste de Chateaubriand
3. Raphael Borgato (D) – Leituras do trágico sob a perspectiva do romance
realista: um estudo sobre Madame Bovary e Anna Karienina
4. Ana Paula Dias Ianuskiewtz (D) – Iris Murdoch e Simone de Beauvoir:
uma leitura feminista de A Fairly Honourable Defeat e La Femme Rompue
Mesa 3 – Vozes Femininas na Poesia e na Prosa – Sala 33
Debatedora: Profª Drª Claudia Nigro (UNESP/Rio Preto)
Mediadora: Profª Drª Silvana Vieira da Silva
1. Natalia Helena Wiechamnn (D) - Autoria feminina: análise do subtexto
na poesia de Emily Dickinson
2. Adrienne Kátia Savazoni Morelato (D) – Entre o passageiro e o eterno:
Solidão e Melancolia na Poesia Feminina Latino-Americana
3. Patricia Helena Baialuna de Andrade (D) – Vozes do desterro: periódicos
do exílio alemão e a obra de Anna Seghers
4. Tais Matheus da Silva (D) - Metalinguagem, bilinguismo, prosa e poesia: reflexões sobre a obra de Rosalía de Castro.
18
Mesa 4 – Autoria Feminina e Representação da Mulher – Sala 34
Debatedora: Profª Drª Lúcia Osana Zolin (UEM)
Mediador: Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi
1. Evelyn Caroline de Mello (D) – Literatura e Ditadura: entre a casa e
a rua. Ecos de resistência nas obras de Lygia Fagundes Telles, Nélida
Piñon e Heloneida Studart
2. Aline Cristina Sola Orlandi (M) – Na companhia de lobos e lobisomens:
o feminismo e o gótico nos contos de Angela Carter
3. Rodrigo Valverde Denubila (M) – À espreita do vulcão e o contemplar
do abismo: por uma poética de Agustina Bessa-Luís, em Um cão que
sonha
4. Cristal Rodrigues Recchia (D) – A memória, o tempo e o corpo feminino
em Anaïs Nin: desafios e descobertas
Mesa 5 – Clarice Lispector e Caio Fernando Abreu – Sala 35
Debatedor: Prof. Dr. Arnaldo Franco Junior (UNESP/Rio Preto)
Mediador: Prof. Dr. Adalberto Luiz Vicente
1. Priscila Berti Domingos (M) – Clarice Lispector: a escritura e o ofício
de escritor em Cartas Perto do Coração
2. Marilia Gabriela Malavolta (D) – Uma trilha sobre a cauda do tigre:
linguagem e silêncio em Clarice Lispector
3. Mariângela Alonso (D) – Da receita à paixão: a mise em abyme em
Clarice Lispector
4. André Luiz Alselmi (D) – O escritor à paisana: a voz literária de Caio
Fernando Abreu em Cartas
19
Mesa 6 - Identidade e Memória – Sala 36
Debatedor: Prof. Dr. Gerson Luiz Roani (UFV)
Mediadora: Profª Drª Claudia Fernanda de Campos Mauro
1. Deborah Garson Cabral (M) – Ecos da memória: A (re)construção da
identidade em A misteriosa chama da rainha Loana, de Umberto Eco
2. Marina Lourenço Morgado (D) – Memória e criação em Marcel Pagnol
3. Daniela Aparecida da Costa (D) – Ficção e história: “transfigurações”
do passado em narrativas de Teolinda Gersão e Mia Couto
4. Carlos Henrique Fonseca (M) – A ressignificação da tríade tempo, memória e identidade em Os cus de Judas, de António Lobo Antunes
Mesa 7 – Literatura e Cinema – Sala 37
Debatedora: Profª Drª Brunilda Tempel Reichmann (Uniandrade, PR)
Mediadora: Profª Drª Wilma Patrícia Marzari Dinardo Maas
1. Bruna Cardoso Brasil de Souza (M) – Giambattista Basile, Charles Perrault, Irmãos Grimm e Walt Disney: um estudo crítico das diferentes
versões de A Bela Adormecida
2. Douglas de Magalhães Ferreira (M) – Guerra conjugal, o cinema antropofágico de Joaquim Pedro de Andrade
3. Aline Shaaban Soler (M) – A metrópole e a estética cinematográfica no
Manhattan Transfer de John Dos Passos
4. Fabiana de Almeida (M) – Estudos das relações intersemióticas no filme
Match Point
20
Mesa 8 – Narrativa e representação – Sala 38
Debatedora: Profª Drª Elisa Cristina Lopes (UFV)
Mediadora: Profª. Dr.ª Sylvia Helena Telarolli
1. Luis Eduardo Veloso Garcia (D) – Ó, de Nuno Ramos, e a representação
do conflito com a linguagem
2. Renato Oliveira Rocha (M) – Narrativa e representação: uma leitura de
Cidade de Deus
3. Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila (D) – Imigrantes na literatura
brasileira: representação de alemães e libaneses no século XX
4. Gustavo de Mello Sá C. Ribeiro (M) – Construção literária de manifestações da justiça em contos de Sagarana
16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 17h30min às 18h30min
COFFE BREAK
LEITURA DE POEMAS, LANÇAMENTO DE LIVROS
21
16/09/2014 – TERÇA-FEIRA das 20h00 às 22h00
CONFERÊNCIAS
Anfiteatro B
A recepção crítica de poetas brasileiros em países estrangeiros e o intercâmbio entre poetas
Coordenação: Prof. Dr. Paulo Andrade
1. Minhas palavras e suas laterais - Salgado Maranhão (Poeta)
2. A criação poética, a tradução e o diálogo entre poetas de diversas nacionalidades. Pocket show Canções do Estúdio Realidade - Rodrigo
Garcia Lopes (Poeta e Tradutor) –
17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 8h00 às 9h30min
Anfiteatro C
MINICURSO 1
Poesia na Sala de Aula: propostas de abordagem no Fundamental II
Prof. Dr. Hélder Pinheiro (UFCG)
Anfiteatro D
MINICURSO 2
Poesia brasileira contemporânea e tradição: diálogos
Profª. Drª. Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto (UNESP/Rio Preto)
22
17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 10h00 às 12h00
CONFERÊNCIAS
Anfiteatro B
O diálogo permanente com os “clássicos”
Coordenação: Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira
1. Poesia de Drummond: a consciência poética e o mito recusado - Prof.
Dr. Alcides Villaça (USP)
2. Figuração e transfiguração em Cecília Meireles - Prof. Dr. Sérgio Alcides (UFMG)
17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 14h00 às 15h30
MESAS-REDONDAS
Sala 3
MESA-REDONDA 4 – FACES DA POESIA BRASILEIRA
Coordenação: Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires
1. Profª Drª Cristiane Rodrigues de Souza (Barão de Mauá, Ribeirão Preto)
- As quadras paulistanas de Fabrício Corsaletti e a poesia de Mário de
Andrade
2. Profª Drª Solange Fiúza Cardoso Yokosawa (UFG) - Presença de João
Cabral na poesia brasileira contemporânea
3. Prof. Dr. Sérgio Massagli (UFFS) - Diálogos entre a poesia e a crítica
na obra de Paulo Leminski
23
Sala 4
MESA-REDONDA 5 - REPRESENTAÇÕES REALISTAS EM
NARRATIVAS BRASILEIRAS
Coordenação: Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel
1. Profª Drª Maria Rosa Duarte de Oliveira (PUCSP) - Especulações sobre
o narrador e a personagem-leitora num conto machadiano
2. Prof. Dr. Márcio Scheel (UNESP/S. J. do Rio Preto)/ Edison Bariani
(FASAR e FACITA) - Rodolfo Teófilo e o Naturalismo Fantástico
3. Profª Drª Juliana Santini (UNESP/Araraquara) - Nossos restos: deslocamentos e a representação do real no romance de Marcelino Freire
Sala 5
MESA-REDONDA 6 – O GÓTICO E O FANTÁSTICO EM
NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS
Coordenação: Profª Drª Karin Volobuef
1. Profª Drª Gloria Carneiro do Amaral (USP/Mackenzie) tos góticos, de Karen Blixen
Sete con-
2. Prof. Dr. Alexander Meireles (UFG – Catalão) - O fantástico pós-moderno em língua inglesa: a literatura Slipstream
3. Profª Drª Ana Luiza Silva Camarani (UNESP/Araraquara) - Vestígios do
gótico do romantismo à contemporaneidade
24
17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 16h00min às 18h00
MESAS DE COMUNICAÇÕES
Mesa 5 – Sala 39
ESCRITA E VIDA LITERÁRIA
Coordenador: Prof. Dr. Adalberto Luís Vicente (UNESP/Araraquara)
1. Priscila Berti Domingos (Mestranda - UNESP/Araraquara/CAPES) – O
processo de criação poética de Clarice Lispector em Cartas Perto do
Coração
2. André Luiz Alselmi (Doutorando - UNESP/Araraquara) – O ofício da
escrita: uma sondagem do fazer literário por meio de cartas de Caio
Fernando Abreu
3. Daniel Rossi (Doutorando - UNESP/Araraquara) – Arte e ultraje: cartas
de Lawrence Durrel e Alfred Perlès sobre a obra de Henry Miller
4. Adalberto Luís Vicente (Docente - UNESP/Araraquara) – “A música de
tua lembrança”: as cartas de Augusto Frederico Schmidt a Yêdda Schmidt como espaço de criação poética
Mesa 6 – Sala 40
PALAVRA POÉTICA E IMAGEM
Coordenadora: Doutoranda Marcela Ulhôa Borges Magalhães (UNESP/
Araraquara)
1. Ana Carolina da Silva Mota (Graduanda - UNESP/Araraquara/PIBIC) –
Imagem e figuras em poema “Sujo” de Ferreira Gullar
25
2. Ewerton de Oliveira Mera (Mestrando - UNESP/Araraquara) – Figuratividade em “Cíniras e Mirra”: um estudo de Semiótica aplicada (Ovídio,
Metamorfoses, X, 298-502)
3. Mariana Peixoto Pizano (Mestranda - UNESP/Araraquara) – O mito de
Níobe e seus reflexos nas artes plásticas
4. Marcela Ulhôa Borges Magalhães (Doutoranda - UNESP/Araraquara/
CAPES) – Iconicidade e poética: a expressividade na letra da canção
“Atrás da porta”
5. Fabiana de Almeida (Mestranda – UNESP/Araraquara) - Cinema, música e suas relações intersemióticas
Mesa 7 – Sala 41
LITERATURA COMPARADA E INTERTEXTUALIDADE
Coordenadora: Doutoranda Tais Matheus da Silva (UNESP/Araraquara)
1. Natalia Helena Wiechmann (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – A presença da natureza em Emily Dickson e Elizabeth Bishop: análise dos
poemas “I started Early – Took my Dog” e “The Weed”
2. Natália Pedroni Carminatti - (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – O
póetico em Les rêveries du promeneur solitaire, de Jean-Jacques
Rousseau
3. Luís Eduardo Veloso Garcia – (Doutorando - UNESP/Araraquara) - A
“Máquina do Mundo” recriada – e novamente evitada – em Junco
(1011), de Nuno Ramos
4. Tais Matheus da Silva (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – Sed de amores tênia, y dejaste: Uma paródia da mulher do poço de Sicar
26
Mesa 8 – Sala 42
POESIA CLÁSSICA
Coordenador: Doutorando Marco Aurélio Rodrigues (UNESP/Araraquara/
Universidade de Coimbra)
1.
Cíntia Martins Sanches (Doutoranda - UNESP/Araraquara/FAPESP) –
Poesia e filosofia em Édipo e Fenícias de Sêneca
2. Joana Junqueira Borges (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – Marcial:
um estudo de recepção da tradução
3. Lívia Mendes Pereira - (Mestranda - UNESP/Araraquara/CAPES) –
Duas leituras tradutórias de Pound, J. P. Sullivan e Paulo Leminski:
reiventando o Satyricon, de Petrônio
4. Marco Aurélio Rodrigues (Doutorando - UNESP/Araraquara; Universidade de Coimbra/ CAPES) – O hibridismo esquiliano: a tragédia lírica
17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 16h00 às 18h00
MESAS DE DEBATE
Mesa 09 - De Poesia e Prosa – Sala 31
Debatedora: Profª Drª Cristiane Rodrigues de Souza (Barão de Mauá, Ribeirão Preto)
Mediadora: Profª Drª Fabiane Renata Borsato
1. Renato Alessandro dos Santos (D) – A tradição de rebeldia na literatura
norte-americana
2. Priscila Cavali (M) – Relação entre poesia e prosa de Charles Baudelaire
27
3. Valmir Luis Saldanha da Silva (M) – O “mal de viver” em Pirandello:
das primeiras poesias à prosa madura
4. Lígia M. P. Xavier (D) – A poesia dramática de Villiers de l’Isle-Adam
Mesa 10– Poesia Brasileira – Sala 32
Debatedor: Profª Drª Solange Fiúza Cardoso Yokosawa (UFG)
Mediador: Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires
1. João Francisco P. N. Junqueira (D) – Uma biografia literária de Péricles
Eugênio da Silva Ramos
2. Bruno Darcoleto Malavolta (M) – A poesia como forma de pensamento
e esquecimento em Poesias, de Dante Milano
3. O Esquecido Dante Milano: a unidade entre as Poesias e a poética de seu
esquecimento
4. Renato Luís de Castro Aguiar Silva (M) – A canção marginal brasileira
5. Carlos Eduardo Marcos Bonfá (D) – A busca da experiência total do
humano em Alexei Bueno
Mesa 11 – Metaficção e Pós-Modernidade – Sala 33
Debatedor: Prof. Dr. Sérgio Massagli (UFFS)
Mediadora: Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi
1. Ana Carolina da Silva Caretti (D) – As faces da metaficção em Teolinda
Gersão
2. Alejandro Gonzáles Urrego (D) – A Construção do Corpo de Evita no
Romance Santa Evita de Tomsás Eloy Martínez
3. Isaías Eliseu da Silva (D) – A configuração do herói pós-moderno em
Saturday, no espaço da metrópole contemporânea
28
4. Amanda Oliveira Manfrim (M) – A revisitação da obra de Eça de Queiroz em Nação Crioula, de José Eduardo Agualusa
Mesa 12 – O discurso narrativo em foco – Sala 34
Debatedora: Profª Drª Maria Rosa Duarte de Oliveira (PUCSP)
Mediadora: Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel
1. Audrey Castañón de Mattos (D) – O silêncio: gênese dos projetos temático e estético da prosa de Teolinda Gersão
2. Natali Fabiana da Costa e Silva (D) – Os hábitos da memória nos conflitos dos protagonistas de Menalton Braff em Que enchente me carrega?
(2000) e Bolero de Ravel (2010)
3. Carlos Rocha (D) – O narrador e os heróis inconstantes (leitura de três
romances de Machado de Assis)
4. José Lucas Zaffani dos Santos (M) – Autobiografia e ficção: análise do
narrador em Extinção - Uma Derrocada, de Thomas Bernhard
5. Candice Angélica Borborema de Carvalho (D) – O espólio literário de
Guimarães Rosa em perspectiva: uma leitura crítica da crítica
Mesa 13 – A Representação do Espaço – Sala 35
Debatedor: Prof. Dr. Márcio Scheel (UNESP/S. J. do Rio Preto)
Mediadora: Profª Drª Maria Dolores Aybar Ramires
1. Natasha Vicente da Silveira Costa (D) – Espaço e epifania em The ambassadors e The beast in the jungle, de Henry James
2. Fernando Góes (D) – O romancista do Mar: um estudo da representação
do mar nos romances de Moacir C. Lopes
29
3. Carolina Piovam (M) – A personagem e o espaço na obra Ana-Não, de
Augustín Gómez-Arcos
4. Oíse de Oliveira Mattos Bazzoli (M) – Relação espaço e tempo na caracterização dos personagens na obra de Alice Munro
Mesa 14 – Fantástico e Realismo Mágico – Sala 36
Debatedor: Profª Drª Gloria Carneiro do Amaral (USP/Mackenzie)
Mediadora: Profª Drª Ana Luiza Silva Camarani
1. Amanda da Silveira Assenza Fratucci (M) – Sonho e delírio em Villiers
de l’Isle-Adam e Théophile Gautier
2. Marília Alves Corrêa (M) – Os aspectos realistas e mitológicos em Le
chercheur d’or, de J. M. G. Le Clézio
3. Kelli Mesquita Luciano (D) – O realismo mágico, referências históricas
e a alegoria: as confluências em Il Barone Rampante, de Italo Calvino,
e El Siglo de las Luces, de Alejo Carpentier
4. Larissa Müller de Faria (M) – Aspectos do romance Pedro Páramo
Mesa 15 – Fantástico – Sala 37
Debatedor: Prof. Dr. Alexander Meireles (UFG – Catalão)
Mediadora: Profª Drª Karin Volobuef
1. Cristovam Bruno Gomes Cavalcante (M) – O perfeito mágico das letras
francesas: aproximações entre o conto fantástico e a poesia de Théophile Gautier
2. Jéssica Soares Fradusco (M) – O fantástico tarchettiano e suas possibilidades de diálogo
30
3. Larissa Cristina Thomann (M) – O duplo em Cosmétique de L’ennemi
de Amélie Nothomb
4. Alessandro Yuri Alegrette (D) – As metamorfoses da escrita gótico-romântica na narrativa de Wuthering Heigths (O Morro dos Ventos Uivantes)
Mesa 16 – Poéticas Dramáticas – Sala 38
Debatedora: Profª Drª Milca Tscherne (AFARP/UNIESP)
Mediadora: Profª Drª Renata Soares Junqueira
1. Julia Mara Moscardini Miguel (D) – Do resgate épico da memória ao
arrefecer dos gêneros: o percurso evolutivo da escrita loheriana.
2. Márcia Regina Rodrigues (D) – Absurdo e censura na cena portuguesa:
estudo do teatro de Prista Monteiro.
3. Aline Tosta Floriano (D) – Poéticas da modernidade: o cinema didático
de Manoel de Oliveira
17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 17h30min às 18h30min
COFFE BREAK
LEITURA DE POEMAS, LANÇAMENTO DE LIVROS
31
17/09/2014 – QUARTA-FEIRA das 20h00 às 22h00
CONFERÊNCIAS
Anfiteatro B
Os circuitos da poesia e dos poetas na contemporaneidade
Coordenação: Profª Drª Andressa Cristina de Oliveira
1. Poesia canadense contemporânea: poéticas de diversidade - Profª. Drª
Maria Lúcia Milléo Martins (UFSC)
2. Provincianismo e internacionalismo em Jack Kerouac e A. Ginsberg Cláudio Willer (Poeta e Tradutor)
18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 8h00 às 9h30
Anfiteatro C
MINICURSO 1
Poesia na Sala de Aula: propostas de abordagem no Fundamental II
Prof. Dr. Hélder Pinheiro (UFCG)
Anfiteatro D
MINICURSO 2
Poesia brasileira contemporânea e tradição: diálogos
Profª. Drª. Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto (UNESP/Rio Preto)
18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 10h00 às 12h00
CONFERÊNCIAS
32
Anfiteatro A
Circuitos da Poesia no Mundo: questões de tradução
Coordenação: Profa. Dra. Maria Clara Bonetti Paro
1. O mundo num grão de areia – a poesia de Wisława Szymborska e os
desafios que apresenta à tradução - Regina Przybycien (Universidade
Jaguielônica, Cracóvia)
2. 1886: Laforgue, Whitman, and the invention of vers libre - Eric Athenot
(Université Paris-Est Créteil)
18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 14h00 às 15h30min
MESAS-REDONDAS
Sala 3
MESA-REDONDA 7 - NOVAS
LITERATURA CONTEMPORÂNEA
ABORDAGENS
EM
Coordenação: Profª Drª Sylvia Helena Telarolli
1. Prof. Dr. Emerson Calil Rossetti (FIRA, Avaré, SP)- Resistência e utopia: Amálgama e a sátira no exercício poético de Rubem Fonseca
2. Profª. Drª. Rejane Rocha (UFSCar) - Os famosos e os duendes da morte
e a literatura no contexto digital
3. Prof. Dr. Márcio Roberto do Prado (UEM) - Questões da lírica brasileira contemporânea: o caso da poesia viral
Sala 4
MESA-REDONDA 8 - RELEITURA CRÍTICA DE TEXTOS
POÉTICOS
Coordenação: Profª Drª Fabiane Renata Borsato
33
1. Profª Drª Flavia Nascimento Falleiros (UNESP/S. J. do Rio Preto) - Considerações sobre a categoria estética do feio
2. Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (UNESP/Assis) - Templo,
pilar e labirinto: figuras da espacialidade em Mário de Sá-Carneiro
3. Prof. Dr. Luiz Carlos André Mangia Silva (UEM) - E o poeta finge completamente: os versos homoeróticos de Estratão de Sardes (II d.C.)
Sala 5
MESA-REDONDA 9 – RESSONÂNCIAS DA POÉTICA
CLÁSSICA
Coordenação: Profª Drª Giovana Longo
1. Prof. Dr. Érico Nogueira (UNIFESP) - A estrofe alcaica de Horácio em
verso brasileiro
2. Profª Drª Maria Celeste Consolin Dezotti (UNESP/Araraquara) - Ressonâncias da poética de Calímaco em José de Alencar
3. Prof. Dr. Cláudio Aquati (IBILCE-UNESP) - Problemas da poética de
Petrônio
18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 16h00 às 18h00min
MESAS DE COMUNICAÇÕES
Mesa 9 – Sala 38
METALINGUAGEM, FRAGMENTARISMO E REMITIZAÇÃO
NA POESIA BRASILEIRA MODERNO-CONTEMPORÂNEA
(II)
34
Coordenador: Prof. Dr. Luiz Carlos Menezes dos Reis (Pós-Doutorando UNESP/Araraquara)
1. Renato Luís de Aguiar Silva (Mestrando - UNESP/Araraquara) – Canto
e poética: correlações entre poesia e canção popular no contexto do
pós-tropicalismo
2. Antônio Donizeti Pires – (Docente - UNESP/Araraquara) - Fragmentos
da poesia-prisma de Manuel Bandeira
3. Luiz Carlos Menezes dos Reis (Pós-Doutorando - UNESP/Araraquara) –
Metalinguagem na poesia de Roberto Piva. Um absoluto corpóreo
Mesa 10 – Sala 39
LINGUAGEM
E
CONTEMPORÂNEA
HIBRIDISMO
NA
PRODUÇÃO
Coordenadora: Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (UNESP/Araraquara)
1. Renato Oliveira Rocha (Mestrando - UNESP/Araraquara) – A poesia da
cidade em Desde que o samba é samba
2. Daniella Sigoli Pereira (Mestranda - UNESP/S. J. do Rio Preto - CAPES) – Poesia da consciência infeliz em Memória de Elefante, de António Lobo Antunes
3. Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – Hibridismo na literatura e na cultura contemporânea
4. Maria Célia de Moraes Leonel (Docente UNESP/Araraquara) / Edna M.
F. S. Nascimento (Docente UNESP/Araraquara) – Hibridismo em um
romance brasileiro contemporâneo
35
Mesa 11 – Sala 40
O
PROCESSO
DA
CONTEMPORÂNEAS
ESCRITA
EM
NARRATIVAS
Coordenador: Matheus Marques Nunes (Pós-Doutorando - UNESP/Araraquara)
1. Letícia Coleone Pires (Graduanda - UNESP/Araraquara/PIBIC) – Construções sensoriais em contos de Laços de família de Clarice Lispector
2. Larissa Müller de Faria (Mestranda - UNESP/Araraquara - CNPq) – A
construção da narrativa poética no conto “Luvina”, de Juan Rulfo
3. Matheus Marques Nunes (Pós-doutorando - UNESP/Araraquara) – Uma
leitura sobre o espaço e o poder através da obra O Equivocrata, de Raul
Fiker
Mesa 12 – Sala 41
TEMAS E FORMAS DA POESIA
Coordenador: Doutorando Renato Alessandro dos Santos (UNESP/Araraquara)
1. Jéssica Fabrícia da Silva (Graduanda - UNESP/Araraquara) – A ironia
nos poemas “A origem do mênstruo” e “Elixir do pajé)
2. Bruna Fernanda de Simone (Mestranda - UNESP/Araraquara/CAPES)
– Memória e metalinguagem como configuração da poesia amorosa de
Nuno Júdice
3. Rodrigo Valerde Denubila (Mestrando – UNESP/Araraquara/CAPES) –
Entre presente e atemporalidade: uma proposta de leitura para “Anoitecer”, de Carlos Drummond de Andrade
36
4. Adriano Tarra Betassa Tovani Cardeal (Graduando - UNESP/Araraquara/PIBIC) - Sobre o florebat olim studium suscitado pelo poema “Nós os
vencidos do catolicismo”, de Ruy Belo
5. Renato Alessandro dos Santos (Doutorando - UNESP/Araraquara) – Rebeldia e maldição na poesia moderna francesa
Mesa 13 – Sala 42
IDENTIDADE, AUTO-FICÇÃO E MEMÓRIA
Coordenadora: Doutoranda Daniela Aparecida Costa (UNESP/Araraquara)
1. Gustavo de Mello Sá Carvalho Ribeiro (Mestrando - UNESP/Araraquara) – Criação e queda de Jesusalém: o impossível esquecimento na ficção de Mia Couto
2. Carlos Henrique Fonseca (Mestrando - UNESP/Araraquara) – António
Lobo Antunes e o tempo da impossibilidade: em vigília pel’ O cus de
Judas em companhia de Bauman e outros pós-modernos
3. Audrey Castañón de Mattos (Doutoranda - UNESP/Araraquara) – Teolinda Gersão e a estética do silêncio
4. Daniela Aparecida Costa (Doutoranda - UNESP/Araraquara/CAPES) –
As águas livres: obra heteroxa e autoficcional
18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 16h00 às 18h00
MESAS DE DEBATE DE PROJETOS
Mesa 17 – Estudos de Literatura Comparada II – Sala 29
Debatedor: Profª Drª Maria Lúcia Milléo Martins (UFSC)
Mediadora: Profª Drª Maria das Graças Gomes Villa da Silva
37
1. Ricardo Gomes da Silva (D) – E.T.A. Hoffmann e Machado de Assis:
expoentes de uma mesma tradição
2. Carina Zanelato Silva (M) – Sobre graça, dignidade e beleza em Friedrich Schiller e Heinrich von Kleist
3. Patricia Aparecida Antonio (D) – Da indistinção dos atos: poesia e crítica em Murilo Mendes e Francis Ponge
4. Kedrini Domingos dos Santos (D) – Ideal de beleza em Villiers e Maupassant: um instante do eterno ou o eterno do instante?
5. Ana Carolina Negrão Berlini de Andrade (D) – Do árido, a estética: a
representação temática e formal da aridez em Galileia e Cinema, aspirina e urubus
Mesa 18 - Estudos de Teatro – Sala 30
Debatedor: Prof. Dr. Emerson Calil Rossetti (FIRA, Avaré, SP)
Mediadora: Profª Drª Edvanda Bonavina da Rosa
1. Danielle de Aurélio Martinez (M) – Visões do inferno ou a cena deformada: uma leitura do expressionismo no Teatro de Raul Brandão
2. Daniela Manami Mippo (M) – Afinidades entre o trágico de Édipo Rei e
o tragicômico d’ A visita da velha senhora
3. Rafael José Masotti (M) – A representação da sexualidade em Newton
Moreno: descobrindo Deus sabia de tudo e não fez nada, Body art e
Agreste
Mesa 19 – Variações sobre o gênero Romance – Sala 31
Debatedor: Profª. Drª. Rejane Rocha (UFSCar)
Moderador: Profª. Drª Claudia Fernanda de Campos Mauro
38
1. .Evaneide Araújo da Silva (D) – Literatura e inquietação: a discussão
da forma romanesca em Jacques le fataliste et son maître
2. Jonatan de Souza Santos (M) – A sátira limabarretiana de Numa e a
Ninfa
3. Rafaela Vareda Goffredo (M) – O corpo em O mulato, Casa de pensão e
O Cortiço, de Aluísio Azevedo
4. Roseli Deienno Braff (D) – A polifonia no romance de Carlos Herculano
Lopes
5. Isabella Midena Capelli (M) – As incursões teóricas e ficionais de Italo
Calvino em Se um viajante numa noite de inverno
Mesa 20 - Mito, Magia e Fantástico – Sala 32
Debatedor: Prof. Dr. Márcio Roberto do Prado (UEM)
Moderadora: Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira
1. Stéfano Stainle (M) – Gandalf: a linha na agulha de Tolkien
2. Matheus Victor Silva (M) – Imagética grotesca e medievalismo em Gaspard de la Nuit, de Aloysius Bertrand
3. Raquel de Vasconcellos Cantarelli (D) – Elementos mitológicos e folclóricos integrantes da estrutura morfológica de narrativas populares
celtas
4. Hebe Tocci Marin (M) – A sacralização da ciência em Deuses Americanos, de Neil Gaiman
5. Gabrielle Cristina Borges de Morais (M) – Desbravando a Londres de
baixo: o fantástico no romance “Neverwhere”, de Neil Gaiman
39
Mesa 21 – Questões existenciais na literatura: medo, vida e morte
– Sala 33
Debatedora: Profª Drª Flavia Nascimento Falleiros (UNESP/S. J. do Rio
Preto)
Mediadora: Profª Drª Tania Mara Antonietti Lopes
1. Jacob dos Santos Biziak (D) – Entre o claro e o escuro: uma poética da
angústia em Saramago
2. Gabriel Galdino Fortuna (M) – O Heitor de Homero e as diversas faces
do medo.
3. Daniel Rossi (D) – Uma reapresentação de Henry Miller: literatura e
recepção crítica da obra do escritor americano
4. Juliana Santini Pimenta Attie (D) – Vida e morte em diálogo com a voz
narrativa, o tempo e o espaço em Mrs. Dalloway, To the Lighthouse e
Between the Acts de Virginia Woolf
5. Waleska R. de Matos Oliveira Martins (D) – A figuração da morte e da
memória na poética de Manoel de Barros
Mesa 22 – Relações Intersemióticas - Sala 34
Debatedor: Prof. Dr. Matheus Nogueira Schwartzmann (UNESP/Assis)
Moderador: Prof. Dr. Alcides Cardoso dos Santos
1. Marcela Ulhôa Borges Magalhães (D) – Dos estados juntivos aos estados de alma: o acontecimento na lírica-amorosa de Chico Buarque.
2. Ewerton de Oliveira Mera (M) – Figuratividade em “Cíniras e Mirra”:
um estudo de Semiótica aplicada (Ovídio, Metamorfoses, X, 298-502)
3. Carolina Talge Arantes (M) - O duelo dos pastores: um estudo sobre a
figuratividade nas Bucólicas de Virgílio
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Mesa 23 – Literatura Clássica – Sala 35
Debatedor: Prof. Dr. Luiz Carlos André Mangia Silva (UEM)
Moderador: Prof. Dr. Fernando Brandão dos Santos.
1. Priscila Maria Mendonça Machado (D)- Viagem à roda dos contos de
Machado de Assis em domínio latino
2. Jassyara Conrado Lira da Fonseca (D) - Figuras carnavalizadas em O
Banquete de Trimalquião e Trimalchio
3. Marco Aurélio Rodrigues (D) – Uma noção plural: a ἄτη na Tragédia
Grega
4. Emerson Cerdas (D) – Em face do épico: a heroicização nas narrativas
de Xenofonte
Mesa 24 – Estudos Clássicos: questões de tradução – Sala 36
Debatedor: Prof. Dr. Cláudio Aquati
Moderador: Prof. Dr. João Batista Toledo Prado
1. Cíntia Martins Sanches (D) – Definição do idioma estilístico senequiano
nas tragédias Édipo e Fenícias: uma proposta de tradução expressiva.
2. Débora Cristina de Moraes (M)- Uma versão do Canto III de Punica e a
Teoria Moderna da tradução
3. Joana Junqueira Borges (D)- Marquesa de Alorna, tradutora de Horácio: estudo e comentário a uma Arte Poética árcade
4. Leandro Dorval Cardoso (D) - A Tebaida, de Públio Papínio Estácio
(Cantos I-VI): estudo, tradução e comentários
5. Lívia Mendes Pereira (M) - Paulo Leminski, tradutor de latim: renovando o Satyricon, de Petrônio
41
Mesa 25 – Estudos Clássicos: questões poéticas – Sala 37
Debatedor: Prof. Dr. Érico Nogueira (UNIFESP)
Moderador: Prof. Dr. Márcio Thamos
1. Francisco Diniz Teixeira (D) - Nas sendas da ode: Horácio e Filinto
Elísio
2. Mariana Peixoto Pizano (M) - A expressividade poética do mito de Níobe
(Ovídio. Metamorfoses VI. 146-312)
3. Jaqueline Vansan (M) - Poética e retórica nos textos antigos: uma análise das epístolas I e VII da Heroides de Ovídio
4. Paulo Eduardo de Barros Veiga (D) - A Cosmogonia nas Metamorfoses
de Ovídio: um estudo sobre a expressividade poética, seguido de Tradução e Notas
18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 17h30min às 18h30min
COFFE BREAK
LEITURA DE POEMAS, LANÇAMENTO DE LIVROS
18/09/2014 – QUINTA-FEIRA das 20h00 às 22h00
CONFERÊNCIA DE ENCERRAMENTO
Anfiteatro B
Coordenação: Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite
Estratégias para o ensino de poesia - Prof. Dr. Hélder Pinheiro (UFCG)
42
Resumos das
Conferências
POESIA DE DRUMMOND: A CONSCIÊNCIA POÉTICA E O
MITO RECUSADO
Alcides Villaça
USP
Apoiando-se na tradição clássica do mito do conhecimento absoluto, presente sob a forma de uma ‘máquina do mundo” no canto X de Os Lusíadas, Drummond reencena-o figurando-se como caminhante derrotado
numa estrada de Minas, na boca da noite. O vigor do poema está no sentido
de recusa de tudo o que a Máquina lhe oferece: negação altiva do sujeito
consciente e fechado para os poderes absolutos de uma “graça” que lhe é
inteitramente alheia. O poema, a princípio uma alegoria com ares de metafísica, pode ser lido, contudo,à luz histórica da modernidade, quando o
conhecimento absoluto tende a se colar às expectativas de um progresso
linear e totalizante.
RECEPÇÃO E CIRCULAÇÃO DE POESIA(S)
BRASILEIRA(S) NA AMÉRICA DO NORTE
Charles Andrew Perrone
University of Florida
A presença da lírica brasileira nos Estados Unidos--tanto no domínio da
crítica quanto no da tradução--tem contado com a dedicação de professores
universitários e com o interesse de figuras do mundo literário. O Modernismo tem sido a área de maior atividade, mas há casos especiais, como o
da poesia concreta, devido ao seu teor teórico e multinacional. A histórica
44
antologia organizada por Elizabeth Bishop (1972) marca o início de uma
gradual ascensão no imaginário poético norteamericano de fenômenos brasileiros constatado tanto no novo Princeton Encyclopedia of Poetry and
Poetics quanto no reino da Internet.
PROVINCIANISMO E INTERNACIONALISMO EM ALLEN
GINSBERG E JACK KEROUAC
Cláudio WILLER
Poeta e Tradutor
Em meu Geração Beat (L&PM, 2009), tentei interpretar o modo como Allen Ginsberg e Jack Kerouac acabaram por defender ideologias antagônicas. Um deles representou um movimento de expansão, progressivo, em
direção ao mundo; o outro, o movimento oposto, de contração, regressivo,
para a família, a cidade natal, a infância. Ginsberg vislumbrava uma sociedade aberta, plural, em um mundo fechado, sem fronteiras desconhecidas.
Kerouac desejava um mundo aberto, com espaços desconhecidos e fronteiras a ultrapassar, aquele dos autores-aventureiros que o inspiraram, e uma
sociedade fechada, a exemplo da comunidade católica de franco-canadenses e gregos na qual crescera. Tomando a distinção em sociologia, entre
comunidade e sociedade, Ginsberg queria a transformação da sociedade;
Kerouac desejava restaurar a comunidade. Daí apreciar com especial carinho as pequenas cidades. Os dois movimentos, o regressivo e o progressivo, são literariamente produtivos: ambos, modos da negação, da recusa do
que está aí; e a vida de inúmeros escritores é um oscilar ambivalente entre
esses pólos. É o tema que desenvolverei, com destaque para a substanciosa
contribuição literária de ambos.
45
“1886”: LAFORGUE, WHITMAN, AND THE INVENTION OF
VERS LIBRE
Eric Athenot
Université Paris-Est Créteil
This lecture will discuss the visibility of American poetry in France in the
second half of the 19th century and its impact on French verse. Of special
interest will be Laforgue’s 1886 publication of a handful of Whitman poems in a translation of his own, his method as a translator, and the influence
Whitman’s line may have had on vers libre, which literaty historians consider to have emerged that very same year.
ESTRATÉGIAS PARA O ENSINO DE POESIA
Hélder Pinheiro
UFCG
A partir da realização de experimentos, apresentaremos algumas perspectivas de trabalho com o poema em sala de aula. Defendemos uma abordagem
que tenha o leitor - de qualquer nível de ensino - como eixo do trabalho.
Desta forma acreditamos que mesmo o leitor sem uma formação teórica
pode ter uma recepção significativa de textos que, de algum modo, dialogam suas experiências. Será apresentada a recepção de poemas de Alice
Ruiz, Adélia Prado, Lenilde Freitas e Gilka Machado.
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POESIA CANADENSE CONTEMPORÂNEA: POÉTICAS DE
DIVERSIDADE
Maria Lúcia Milléo Martins
UFSC
A diversidade cultural está nas raízes do Canadá, desde as Primeiras Nações. Com a ocupação colonial, cria-se o mito da origem europeia e do
caráter bicultural do país. Em contraponto ao legado colonialista, há o crescente fenômeno da polifonia de diferentes culturas nativas e imigrantes e
poéticas de diversidade. Esse estudo discute o uso dessas poéticas em escritos de poetas canadenses contemporâneos com diferentes backgrounds
culturais.
O MUNDO NUM GRÃO DE AREIA - A POESIA DE WISŁAWA
SZYMBORSKA E OS DESAFIOS QUE APRESENTA À
TRADUÇÃO
Regina Przybycien
Universidade Jaguielônica (Polônia)
A poesia de Wisława Szymborska à primeira vista parece simples, pois em
sua maioria é constituída de poemas curtos, em verso livre e em linguagem
coloquial, criando uma (falsa) impressão de facilidade e leveza. Além do
trabalho com as diferenças linguísticas inerentes a qualquer tradução, o
tradutor de Szymborska se depara com uma dificuldade adicional: ela lança
mão de um vasto repertório da cultura popular polonesa e recria-o para uso
próprio colocando o tradutor diante de escolhas difíceis como estrangeirizar a tradução, aproximando-a do original, ou domesticá-la, utilizando-se
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do repertório cultural do leitor da tradução. Apresentarei algumas particularidades da poesia de Szymborska apontando algumas soluções minhas e
de outros tradutores para dificuldades específicas de alguns versos.
A CRIAÇÃO POÉTICA, A TRADUÇÃO E O DIÁLOGO
ENTRE POETAS DE DIVERSAS NACIONALIDADES.
Rodrigo Garcia Lopes
Poeta e Tradutor
Nesta conferência pretendo abordar minha experiência como tradutor de autores como Rimbaud, Walt Whitman, de poetas norte-americanos contemporâneos e de seu impacto em minha poesia. Tradução enquanto exercício de
alteridade. Falarei um pouco da experiência como editor da revista Coyote e
das entrevistas com criadores norte-americanos realizadas no livro Vozes &
Visões. No final, mostro num pocket show algumas canções do disco Canções do Estúdio realidade, lançado em 2013.
MINHAS PALAVRAS E SUAS LATERAIS
Salgado Maranhão
Poeta e Letrista
Egressa do seio da poesia popular nordestina, minha poética é o espelho de
múltiplas influências, a começar pela explícita musicalidade do Cordel e suas
variáveis. Soma-se a isso a tradição dos ritmos e ritos de origem africana,
que vierem se juntar às minhas leituras compulsivas dos clássicos e modernos, na adolescência: Camões, Gonçalves Dias, Maiakóvski, Bandeira,
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Drummond, Cabral, Torquato e Concretos. De modo que, as referências de
qualquer poeta que se queira pleno em seu ofício, passa impreterivelmente,
pelo legado da grande poesia ocidental, cujas raízes greco-latinas, se hospedam em Homero e Dante.
FIGURAÇÃO E TRANSFIGURAÇÃO EM CECÍLIA
MEIRELES
Sérgio Alcides
UFMG
Como conciliar a “persona” introspectiva que domina a poesia de Cecília
Meireles com a constante exposição da autora, através da imprensa cotidiana, como cronista? Da mesma forma, a adoção de uma perspectiva “ultramundana” para a escrita contrasta com as ultraintensas ligações mundanas
da escritora, que estava entre os intelectuais brasileiros mais cosmopolitas
do seu tempo. Uma possível abordagem do problema terá que considerar a
técnica da transfiguração que a autora manejava tanto na poesia quanto na
crônica.
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Resumos dos
Minicursos
POESIA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA E TRADIÇÃO:
DIÁLOGOS
Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto
UNESP/Rio Preto
O objetivo deste minicurso é expor, em linhas gerais, algumas reflexões sobre poesia brasileira contemporânea, em especial, relacionadas às relações
entre o discurso poético contemporâneo e a tradição. A partir da leitura e análise de poemas de Marcos Siscar e Angélica Freitas, pretende-se abordar um
duplo movimento de recriação do cânone; o primeiro fundado em uma perspectiva melancólica e o segundo calcado no humor, paródia e chiste. Dessa
perspectiva, pretende-se oferecer algumas contribuições para a compreensão
do modo como o par novidade/tradição vem se manifestando na poética desses dois poetas. Este minicurso insere-se no escopo de uma pesquisa mais
ampla que investiga as relações senão conflituosas, no mínimo inquietantes
de alguns poetas brasileiros contemporâneos com o passado da literatura e da
cultura, brasileira e/ou universal.
POESIA NA SALA DE AULA: PROPOSTAS DE ABORDAGEM
NO FUNDAMENTAL II
Hélder Pinheiro
(UFCG)
A partir da realização de experimentos, apresentaremos algumas perspectivas de trabalho com o poema em sala de aula. Defendemos uma abordagem
que tenha o leitor - de qualquer nível de ensino - como eixo do trabalho. Desta forma acreditamos que mesmo o leitor sem uma formação teórica pode
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ter uma recepção significativa de textos que, de algum modo, dialogam com
suas experiências. Será apresentada a recepção de poemas de Alice Ruiz,
Adélia Prado, Lenilde Freitas e Gilka Machado. Será discutido, inicialmente,
o trabalho com o poema na sala de aula, enfatizando-se a importância da
leitura oral; nesta perspectiva serão lidos poemas em voz alta e levantadas
possibilidades de trabalhá-los em sala de aula, abordando-se questões como
critérios de escolha, observação do horizonte de expectativa do leitor, entre
outras. No segundo dia, será observado o modo como o poema é trabalhado
no livro didático do ensino fundamental, dando-se destaque para o caráter
pragmático das abordagens, o problema da quantidade e qualidade estética
dos textos. Será discutida a possibilidade de trabalho do poema articulado a
outras artes – sobretudo com a dança e o teatro (jogo dramático). No terceiro
dia serão focalizadas algumas vivências com o poema na sala de aula, focalizando-se experimentos que buscam uma metodologia mais participativa,
com base na obra de alguns poetas como Manuel Bandeira, autores de cordel
e Alice Ruiz, além dos nomes sugeridos pelo próprio grupo.
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Resumos das
Mesas-Redondas
O FANTÁSTICO PÓS-MODERNO EM LÍNGUA INGLESA: A
LITERATURA SLIPSTREAM
Alexander Meireles da Silva
UFG
[email protected]
A crítica literária ligada aos estudos da literatura fantástica, em consonância com as ideias todorovianas sobre o tema, comumente aponta o período
compreendido entre a metade do século dezoito ao início do século vinte
como o momento de gênese, desenvolvimento e morte deste gênero romanesco. No entanto, assim como algumas das criaturas que habitam suas narrativas, o fantástico vem se metamorfoseando para encontrar novas formas
de expressão das angustias e incertezas da contemporaneidade, assumindo
neste percurso nomes como, dentre outros, “Neofantástico”, “fantástico metaempírico” e, tema deste trabalho, “slipstream”. Neste quadro, e a partir das
colocações do escritor de ficção científica e crítico literário norte-americano
Bruce Sterling, criador no fim dos anos oitenta do século passado do termo
“slipstream”, pretende-se debater de que forma a crítica anglo-americana enxerga o fantástico na pós-modernidade, sem deixar de revelar neste percurso
sua dificuldade em compreender a vertente do modo fantástico conhecida
como Realismo Mágico.
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VESTÍGIOS DO GÓTICO DO ROMANTISMO À
CONTEMPORANEIDADE
Ana Luiza Silva Camarani
UNESP – Araraquara
[email protected]
Na Europa do início do século XIX, com o advento do Romantismo, a narrativa fantástica define-se como uma modalidade literária distinta, utilizando-se de elementos próprios da literatura gótica, mas diferenciando-se desta
por sua estrutura formal e temática. Centrada na ambiguidade, a literatura
fantástica caracteriza-se pela contraposição entre duas ordens, a do natural
e a do sobrenatural, o que evidencia a incerteza gerada por sua estrutura.
No romantismo francês, Charles Nodier é o grande iniciador da modalidade
literária do fantástico, mesclando certos princípios oriundos do gótico a uma
estrutura poética que instiga e impõe a ambiguidade. Essa literatura fantástica tradicional, que perdura até a contemporaneidade, bifurca-se no século
XX, dando origem a uma nova modalidade literária atualmente conhecida
como realismo mágico. Essa nova modalidade, cada vez mais diversificada,
é caracterizada pela compatibilidade entre natural e sobrenatural, entre real
e irreal, sem criar tensão ou questionamento, eliminando a ambiguidade do
texto. Inscrevem-se nessa categoria certas narrativas da escritora inglesa Ângela Carter, que retoma elementos da literatura gótica para compor alguns de
seus textos, instaurando-os em um novo contexto. Pela análise de um conto
de cada autor, pretende-se evidenciar a recorrência e a permanência de elementos góticos na literatura.
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“LILI PASSEATA”, DE GUIDO GUERRA, E O ROMANCE
PÓS-UTÓPICO DA ABERTURA POLÍTICA PÓS-DITADURA
MILITAR (1975-1985)
Arnaldo Franco Junior
UNESP/Rio Preto
[email protected]
“Lili Passeata”, de Guido Guerra, é uma obra representativa da literatura
produzida no período da abertura política promovida, no Brasil, pela ditadura militar. Marcado por uma reflexão sobre os efeitos da história na modulação das utopias da juventude politizada dos anos 60, a chamada geração-68,
o romance faz um balanço crítico dos efeitos da reação política às demandas
por um país e uma sociedade menos autoritários, repressivos, obscurantistas.
Este balanço crítico, marcado pelo luto e pela melancolia, confere ao texto
as características do romance pós-utópico: avesso ao niilismo fácil e, simultaneamente, desconfiado da sedução totalizante das utopias que, no século
XX, produziram catástrofes.
UM OLHAR SOBRE O ROMANCE E O FILME ENSAIO
SOBRE A CEGUEIRA
Brunilda Tempel Reichmann
UNIANDRADE
[email protected]
Esta fala está vinculada ao trabalho “Fernando Meirelles: a recriação fílmica
de Ensaio sobre a cegueira”, escrito em coautoria com Camila Meneghini,
e lança um breve olhar sobre a adaptação fílmica de Ensaio sobre a ceguei58
ra (2008), de Fernando Meirelles, cineasta brasileiro, baseada no romance
homônimo (1995), de José Saramago, escritor português. Reconhecido nacional e internacionalmente pela adaptação de Cidade de Deus, romance de
Paulo Lins, Meirelles volta-se não apenas ao texto-fonte do escritor português, mas busca na pintura e na música elementos para aprofundar a intensidade dramática de sua recriação.
AS ASAS DA FORMA: A POESIA NARRATIVA DE CAMILE
DUNGY E CONCEIÇÃO EVARISTO
Claudia Nigro
UNESP/Rio Preto
[email protected]
A proposição desta fala constitui-se na discussão sobre as relações de gênero e raça representadas na poesia contemporânea de Camile Dungy (2010)
e Conceição Evaristo (2012). Considerando, com Butler, que o gênero é o
índice linguístico da oposição política entre os sexos, vemos a reivindicação
por meio de uma poesia discursiva com enfoque em “personagens” como
possibilidade de nomear distintas configurações. Entre feminilidades e masculinidades, as práticas poéticas criam-se nos desejos dos corpos políticos.
Conforme b. Hooks, quando diz do desafio de enfrentamento do sexismo na
vida negra, o peso da tradição pode causar também um compromisso imposto na virilidade e na violência dos versos. Assim, pretendo mostrar como as
duas poetas/escritoras escolhem problematizar na contemporaneidade, pela
forma que tem asas e não se assenta, o peso social refletido em práticas de
poesias reveladoras.
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PROBLEMAS DA POÉTICA DE PETRÔNIO
Cláudio Aquati
UNESP/Rio Preto
[email protected]
O Satíricon revela profundidade artística e seriíssimo engajamento na teoria
literária, sobretudo quanto à evolução do romance com a deliberação de Petrônio situar-se à margem dos gêneros literários estabelecidos. Certamente
surpreendendo os antigos, Petrônio valeu-se da narrativa de ficção em prosa
(e acrescente-se um narrador em primeira pessoa) para compor seu Satíricon,
quebrando parâmetros narrativos dos gêneros historiográfico e épico, segundo os quais narrativa ficcional escreve-se em verso e narrativa em prosa pertence à historiografia. Determinações em nível programático, trama, personagens, fusão de gêneros literários e mesmo título, fazem do Satíricon um
romance experimental: o que parece não se cumpre; mas o inusitado sempre
pode acontecer, de alguma maneira. Mirando principalmente o gênero épico,
fechado, estabilizado, que aponta para o passado, Petrônio parece ter olhares
para o porvir, propondo nova maneira de contar histórias: enquanto a epopeia
mostra a fixação do homem e a formação da sociedade, seu romance acolhe um herói sempre a procurar o que provavelmente não encontrará. Seus
problemas mostram tal circunstância: é a traição, a fuga, a busca de novos
cenários. Nada está resolvido na civilização, instável para ele. Não podendo
fechar ciclos, como se fizera na epopeia, o herói petroniano solta laços, abre
perspectivas, renova.
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AS QUADRAS PAULISTANAS DE FABRÍCIO CORSALETTI
E A POESIA DE MÁRIO DE ANDRADE
Cristiane Rodrigues de Souza
BARÃO DE MAUÁ
[email protected]
Depois de ter publicado quatro livros de poesia, reunidos em Estudos para o
seu corpo (2007) e após ter lançado os poemas de Esquimó (2011), os textos
em prosa de King Kong e as cervejas (2008) e Golpe de ar (2009) e dois
livros infantis, Fabrício Corsaletti organiza, em Quadras paulistanas (2013),
textos publicados em sua coluna da Folha de S. Paulo, acompanhados por
ilustrações de Andrés Sandoval. Assumindo a despretensão da crônica, com
linguagem própria da conversa informal, os poemas do novo livro de Fabrício voltam-se para os atos vividos no cotidiano da cidade de São Paulo, remetendo, ao serem reunidos em livro, à liberdade, à experimentação
e ao humor do Modernismo da primeira hora. Os poemas-fragmentos da
paisagem urbana arlequinal percorrida pelo eu lírico, são organizados em
um mosaico no livro-objeto que, por meio de formato singular, lembra uma
peça a ser encaixada na cidade-poesia contemporânea. Os flashs cotidianos,
momentos que compõem a cena múltipla e complexa da capital, são cantados por meio do tom do rapsodo popular, invocado pela musicalidade das
quadras formadas por redondilhas maiores rimadas. A atualização do tom
popular lembra as preocupações modernistas de aproveitar a singularidade
brasileira em versos, como se pode conferir na poesia de Mário de Andrade.
Além disso, a itinerância do eu a percorrer a Pauliceia, com versos que parecem ditos conforme se caminha, faz lembrar poemas de Mário de Andrade,
como “Louvação da tarde”. A sensação de deslocamento é realçada pelas
ilustrações do livro que, entre retomadas de aspectos das ruas da cidade,
retratados ou não pelos versos, traça um caminho ligando as várias páginas,
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como se recriasse o movimento do eu lírico. Além disso, as calçadas das ilustrações são cercadas, em alguns momentos, por enxurrada, águas que fazem
lembrar o caminho do rio tietê sobre o qual o poeta de Lira Paulista medita.
Um pouco da melancolia do final do livro do modernista também se insinua
em meio aos versos de Quadras paulistanas, em que o eu está consciente das
dores da cidade e de si próprio. Além disso, de forma sutil, versos, imagens e
temas de Mário de Andrade se misturam à poesia de Fabrício Corsaletti, que
estudaremos, tendo em vista o seu diálogo com o modernista.
SUBJETIVIDADE, NARRATIVA E REPRESENTAÇÃO: UM
OLHAR PARA A CIDADE DE BERNARDO CARVALHO
Diana Junkes Bueno Martha-Tonetto
ILBILCE -UNESP
[email protected]
O objetivo desta comunicação é apresentar algumas considerações sobre as
representações contemporâneas da cidade e da subjetividade a partir, especificamente, da leitura do conto “O Arquiteto: um homem uma mulher a
caminho da polícia”, de Bernardo Carvalho, publicado no volume de contos “Aberração” (2004). Nesse conto, o escritor retoma o tema da cidade,
seguindo uma tradição de textos da modernidade, desde Poe e Baudelaire,
fazendo uníssono às representações da urbe verificadas em vários contos,
romances e poemas brasileiros contemporâneos, mas recriando também, na
corporalidade da sua escritura, densa e intensa, veloz e, em certa medida,
agônica, os projetos utópicos das cidades ideais renascentistas, o que acentua o questionamento das utopias no contexto contemporâneo e a estética de
vestígios que nele muitas vezes encontramos.
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NARRATIVA E REPRESENTAÇÃO NA PERSPECTIVA DA
ESTÉTICA DA RECEPÇÃO: O LEITOR EM FOCO
Elisa Cristina Lopes
UFV
[email protected]
O ponto central da minha fala se concentrará na articulação entre narrativa e
representação, na perspectiva da Estética da recepção. Esta abordagem pretende discutir o papel e função do leitor contemporâneo que se evidencia nos
deslocamentos, na pluralidade e no ‘entre lugar’. Focaremos ainda o exercício e a vivência da leitura, como práticas sociais que objetivam a formação
de leitores conscientes da realidade e dos próprios mecanismos de construção da linguagem literária.
RESISTÊNCIA E UTOPIA: AMÁLGAMA E A SÁTIRA NO
EXERCÍCIO POÉTICO DE RUBEM FONSECA
Emerson Calil Rossetti
FIRA
[email protected]
Apesar da insistência sobre temas caros à sua prosa de ficção, em Amálgama
(2013) Rubem Fonseca desenvolve um insólito e breve exercício poético.
De modo que este trabalho discute o horizonte possível da poesia do autor
considerando, sobretudo, os procedimentos satíricos adotados para tratar de
questões que emergem não apenas do contexto social marcado pela miséria e
pela violência, como também do próprio fazer poético. Desvendando as precariedades e o brutalismo do universo que lhe serve de matéria, a poesia de
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Rubem Fonseca transita entre o alto e o baixo, o sublime e o grotesco, a vida
e a morte para encontrar nessas lacunas as possibilidades de existir e resistir.
A ESTROFE ALCAICA DE HORÁCIO EM VERSO
BRASILEIRO.
Érico Nogueira
UNIFESP
[email protected]
O que se pretende nesta comunicação é discutir as possibilidades de reproduzir a estrofe alcaica de Horácio em verso brasileiro, respeitando-lhe o ritmo,
as cesuras e, na medida do possível, a própria posição das palavras no interior dos versos.
CONSIDERAÇÕES SOBRE A CATEGORIA ESTÉTICA DO
FEIO
Flavia Cristina de Sousa Nascimento
UNESP/Rio Preto
[email protected]
Já na Antiguidade o feio suscitava interesse e desconforto, como demonstram por exemplo os diálogos do Hípias maior. Desde então, no decorrer dos
séculos, essa problemática categoria deu origem a incontáveis práticas artísticas, bem como a uma extensa produção filosófica e, desde o século XVIII,
estética. Para a tradição clássica, o feio estava associado ao mau, ao vício,
à imperfeição, traços a serem evitados na reprodução mimética da nature64
za, bela, forçosamente, por ser obra divina. Ao romper com os paradigmas
clássicos, os modernos incorporaram definitivamente o feio, como categoria
central, à produção artística. A sempre lembrada citação de Hugo – «O feio
é o belo» - exprime bem essa transformação que, no entanto, já se encetara,
pelo menos, desde o século XVIII, como se pode ver à leitura da crítica de
arte de Diderot, em que desponta um gosto estranho pela «beleza do crime»,
ou à leitura da obra do Marquês de Sade, em que prima o elogio do vício.
Nessa comunicação apresentaremos um breve apanhado da história dessa
categoria estética e de sua integração produtiva à criação artística. Ao final,
com o propósito de ilustrar pelo menos um dos modos de funcionamento do
feio, proporemos a leitura de alguns poemas, em particular a de Vénus Anadyomène, de Arthur Rimbaud.
LITERATURA E REVOLUÇÃO NO PORTUGAL
CONTEMPORÂNEO
Gerson Luiz Roani
UFV
[email protected]
Esta participação em mesa-redonda focaliza alguns aspectos criativos do
romance português contemporâneo, surgido após a Revolução dos Cravos
de 1974. Com base nessa intenção, contata-se que há uma profunda vinculação entre as transformações políticas ocorridas em Portugal, após 1974,
e a produção artística lusitana das últimas três décadas. Com a Revolução
dos Cravos, a arte literária portuguesa empreendeu a revisitação crítica dos
seus caminhos artísticos, sobre os quais havia pairado, durante meio século, a ação da censura salazarista. Com a liberdade, a Literatura Portuguesa
passou a viver um período de notável efervescência criadora. No âmbito da
produção narrativa, podem ser percebidas tendências marcantes do romance
65
português, tais como a tematização da Guerra Colonial mantida por Portugal,
na África, a emergência do feminino no campo da escritura literária e, sobretudo, a transfiguração e reescrita da História pela Literatura.
SETE CONTOS GÓTICOS, DE KAREN BLIXEN
Gloria Carneiro do Amaral
USP/UPM
[email protected]
A escritora dinamarquesa Karen Blixen é conhecida no Brasil sobretudo
através do cinema: Out of Africa (1985), sob a direção de Sydnesy Pollack é
baseado no seu terceiro livro, A fazenda africana (1937) sobre o período em
que ela viveu no continente africano; seu conto A festa de Babette (in: Anedotas do destino, de 1958) foi também transformado em filme (1987). Menos
conhecido talvez seja seu primeiro livro Sete contos góticos (1934), apesar
de contar com uma edição em português pela Cosacnaify (2007). Trata-se de
textos que podem levantar questões diversas. A primeira é a escolha de um
certo tipo de narrativa por uma escritora dinamarquesa no início do século XX. Outra questão é a de que pela sua dimensão, os textos aproximam-se mais de novelas do que de contos, levantando a questão do gênero. E
também os temas, os motivos e as situações envolvem mistérios, realidade,
ficção, fantasmas. São narrativas que apresentam traços que remetem ora
ao fantástico, ora ao gótico, por vezes ao maravilhoso. Essa diversidade de
elementos, uma imaginação quase desenfreada, um deleite da arte de narrar,
tudo isso faz com que esses textos insólitos de Karen Blixen tornem-se um
prato cheio para a discussão dos gêneros (ou modos, segundo alguns teóricos) afins ao fantástico; e é sob esse ângulo que vamos tratá-los, procurando
ampliar a discussão teórica em torno do gênero.
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NOSSOS RESTOS: DESLOCAMENTOS E A
REPRESENTAÇÃO DO REAL NO ROMANCE DE
MARCELINO FREIRE
Juliana Santini
UNESP/Araraquara
[email protected]
A relação entre espaço e personagem pode ser tomada como elemento
constituinte da representação de diferentes identidades e forças ideológicas
em um conjunto de narrativas brasileiras contemporâneas em que o trânsito
e o deslocamento são motes recorrentes. Sob esse aspecto, esse conjunto
pode ser problematizado a partir da perspectiva de Doreen Massey que,
em seu volume Pelo espaço, toma a localização do sujeito no espaço e a
constituição do espaço pelo sujeito como vias de mão dupla: ao mesmo
tempo em que esse sujeito se constitui no espaço e lhe atribui sentido por
meio da experiência que, no limite, temporaliza o dado espacial, nele são
impressas as marcas de sucessivas camadas de tempo, ou de significação.
Como uma espécie de palimpsesto, o espaço guarda essas marcas e sentidos, em relação aos quais o sujeito não permanece alheio. Tomando como
verdadeira a hipótese de que é possível observar a construção de territórios
identitários na narrativa a partir da observação do modo como nela se estabelecem diferentes articulações entre trânsito e estagnação – ou entre mobilidade e fixidez –, o que aqui se propõe é a análise do primeiro romance
de Marcelino Freire, Nossos ossos, considerando o movimento empreendido pelo personagem narrador Heleno de Gusmão ao transportar o corpo
do “michê” Cícero de São Paulo para o Ceará com o intuito de entregá-lo
à família do rapaz. Desse modo, o que aqui se propõe é a problematização
da maneira como se realiza, a partir da relação entre espaço e personagem,
67
a representação do real no romance, uma “prosa longa” – como afirma o
narrador – que retoma parte dos procedimentos já empregados pelo autor
em seus volumes de contos.
Palavras-chave: deslocamento; espaço; personagem; narrativa brasileira
contemporânea.
A CENA POÉTICA ORIGINÁRIA: YVES BONNEFOY
Leila Aguiar
UNIFESP
[email protected]
Yves Bonnefoy (1923-) inscreve sua poesia em uma busca incessante das
origens, do fundamento mesmo da palavra poética. Para tanto, é todo um
trabalho de interrogação sobre os meios pelos quais o artista inventa a ordem do mundo e o próprio mundo que se impõe. Não surpreende então que,
de um lado, desenhe-se um paradigma, aquele da criança em sua relação
natural, assintomática e anarbitrária com o mundo. E, por outro, o perigo
a combater, aquele do conceitual e do totalitário do signo, que encontra na
figura do filósofo seu maior representante. A partir de dois poemas, intitulados respectivamente L’enfant du second jour e L’arbre de la rue Descartes,
procurar-se-á compreender o movimento poético de uma obra que deambula,
não sem conflito, entre duas vias, aquela positiva, do infans; e aquela negativa, da filosofia.
68
ENTRE A LITERATURA E AS PRÁTICAS LITERÁRIAS
CONTEMPORÂNEAS: AS METANARRATIVAS DE LUCI
COLLIN
Lúcia Osana Zolin
UEM
[email protected]
Não são poucas as iniciativas empreendidas no âmbito da teoria e da crítica literárias no sentido de delimitar o que vem a ser literatura. Cada novo
contexto histórico-literário traz consigo novas expectativas em relação ao
texto literário e, portanto, novos critérios de valoração. Produzida no contexto da chamada pós-modernidade, marcado pela desconfiança em relação
aos discursos universais, a literatura brasileira contemporânea, não raro, tem
se debruçado sobre si própria, com vistas à problematização das fronteiras,
cruzamentos e interseções que estabelece com outras linguagens. Em vista disso, nosso objetivo é refletir acerca de um conjunto de contos de Luci
Collin, cujo caráter metaficcional nos convida para esse debate.
E O POETA FINGE COMPLETAMENTE: OS VERSOS
HOMOERÓTICOS DE ESTRATÃO DE SARDES (II D.C.)
Luiz Carlos André Mangia Silva
UEM
[email protected]
A partir da obra de Estratão de Sardes, poeta da era cristã que cultivou o
tema homoerótico em língua grega, discutiremos a relação entre persona po69
ética e pessoa biográfica, a fim de revelar os critérios antigos de composição
poética, muito mais ligados à ideia de fingimento moderno do que de à de
biografismo.
QUESTÕES DA LÍRICA BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA:
O CASO DA POESIA VIRAL
Márcio Roberto do Prado
UEM
[email protected]
A reflexão sobre o cenário da literatura contemporânea no Brasil não deve
apenas levar em conta autores e obras, mas, também, os meios de produção e
disseminação nos quais tais autores e obras estão inseridos. O olhar lançado
ao contexto mais amplo tende a desnudar facetas inesperadas, seja em termos
de redimensionamento do significado social e cultural da literatura nos dias
de hoje, seja em relação às questões de poética especificamente consideradas.
Assim, apresentamos uma reflexão sobre as propostas brasileiras de poesia
viral no Facebook, buscando elementos que traduzam tanto a urgência de sua
poética quanto sua própria condição de exemplo de uma poética da urgência.
RESSONÂNCIAS DA POÉTICA DE CALÍMACO EM JOSÉ
DE ALENCAR.
Maria Celeste Consolin Dezotti
UNESP/Araraquara
[email protected]
Calímaco, poeta helenístico do século III a.C., deixou implícitas em seus
poemas as linhas mestras de uma poética que valorizava a novidade. Um dos
70
recursos para forjar o novo era a recriação ou a mesclagem de antigas formas de expressão; exemplo desse processo são as narrativas etiológicas, os
famosos aitia, inspirados a Calímaco pela poesia didática de Hesíodo. A poética de Calímaco foi seguida, em Roma, pelos poetas neotéricos (dos quais
Catulo é predecessor), responsáveis por sua disseminação em obras capitais
da literatura latina, entre as quais citam-se As Metamorfoses de Ovídio. Este,
por sua vez, autor canônico na formação escolar dos escritores brasileiros do
século 19, abriu-lhes o acesso àqueles ideais poéticos helenísticos que vemos
concretizados em José de Alencar.
TEMPLO, PILAR E LABIRINTO: FIGURAS DA
ESPACIALIDADE EM MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO
Matheus Nogueira Schwartzmann
UNESP/Assis
[email protected]
Na obra do poeta português Mário de Sá-Carneiro encontramos, com alguma
frequência, um narrador cuja identidade está baseada sobre certos procedimentos semânticos de construção do espaço. Em Dispersão, sua mais conhecida obra poética, se, por um lado, lemos justamente a dispersão do “eu”
(a sua dissolução identitária), de outro, deparamo-nos com um exercício de
concentração espacial que mantém, ainda que minimamente, a sua identidade
coesa e estável. Nesse caso, ao menos espacialmente, o sujeito encontra-se
concentrado de tal modo que o “eu” assume-se como o próprio espaço que
habita. Podemos dizer, portanto, que em alguns dos textos de Sá-Carneiro os
processos de expansão ou condensação espaciais são análogos à dissolução
ou concentração do “eu”, o que produz sentidos particulares, como as paixões do medo e da coragem, da angústia e da saudade, por exemplo. Toman71
do alguns de seus poemas (de Dispersão aos Indícios de Oiro), excertos de
A confissão de Lúcio e de sua correspondência, buscaremos mostrar o modo
como essas figuras espaciais são construídas na obra de Sá-Carneiro e quais
efeitos de sentido que delas decorrem.
ESPECULAÇÕES SOBRE O NARRADOR E A
PERSONAGEM-LEITORA NUM CONTO MACHADIANO
Maria Rosa Duarte de Oliveira
PUCSP
[email protected]
Trata-se de um estudo sobre as estratégias narrativas que fazem de um
conto como “O Anjo das Donzelas”, publicado em 1864, no Jornal das Famílias - um periódico dirigido especialmente à formação da mulher preservando o seu papel de mãe de família, dentro do modelo patriarcal-, o palco
da encenação de uma personagem-leitora - Cecilia - que vai ao livro para se
identificar com os idílios romanescos e o sofrimento típico dos amantes, na
intenção ingênua de traze-los para a sua realidade, que se vê, assim, deformada pelo excesso de imaginação. Cabe ao narrador papel fundamental na
trama ao se deslocar entre dois tipos de posicionamento - o crítico e o didático - de modo a, estrategicamente, questionar e, ao mesmo tempo, assumir
um tom de ensinamento moral desejado pelo próprio periódico. De outro
lado, é possível perceber, também, a intenção de Machado dividido entre a
sujeição à linha editorial do Jornal das Famílias, marcadamente moralizadora, e a crítica pela negatividade do modelo de leitura, num contexto no
qual o público leitor era quase que inexistente, ainda mais o feminino, com
72
pouco ou nenhum acesso à alfabetização e à educação formal, numa cidade
como o Rio de Janeiro, em plena 2ª metade do sec. XIX.
RODOLFO TEÓFILO E O NATURALISMO FANTÁSTICO
Marcio Scheel
IBILCE-UNESP
[email protected]
Edison Bariani
FASAR/FACITA
[email protected]
A obra de Rodolfo Teófilo integra o naturalismo literário e sua particular
caracterização e inserção no contexto brasileiro, todavia, há uma evidente
exacerbação do estilo. Em A Fome (romance publicado em 1890) há excessivas mortes, pessoas devoradas por animais (às vezes vivas), canibalismo, ‘autocanibalismo’ etc.; já em Violação (novela publicada em 1899),
um menino tem de enterrar a própria irmã morta, cadáveres amontoados
como lixo, putrefação e a terrível cena da consciência pensante um homem
que, prostrado, pode ser enterrado vivo enquanto presencia dois celerados violarem sexualmente sua noiva (possivelmente morta). A sucessão de
ocorrências tétricas cria um estranho mundo no qual o naturalismo produz
um fluxo de acontecimentos que deságua no inverossímil, criando – paradoxalmente – uma atmosfera fantástica devido ao exagerado empenho na
‘realidade’ do quadro por meio da crueza das cenas e da descrição cientificista.
73
AS “ARTES POÉTICAS” DE SOPHIA DE MELLO BREYNER
ANDRESEN
Paola Poma
USP
[email protected]
As “Artes Poéticas” elaboradas por Sophia de Mello Breyner Andresen revelam as linhas de força de toda a sua obra: o imaginário grego e a presença do real. É possível perceber também, nestes breves poemas em prosa, a
estruturação de um projeto ético que conjuga história, poesia e linguagem
sem abdicar de uma ideia de totalidade. Totalidade esta que, em um Portugal
imerso na temática literária da fragmentação e da melancolia, busca resgatar
o homem de sua condição de alienado e colocá-lo numa outra dimensão,
mais livre e harmônica. Sem deixar de mostrar as rupturas do mundo, este
trabalho quer mostrar a beleza desta poesia que integra mundo, homem e
literatura.
OS FAMOSOS E OS DUENDES DA MORTE E A LITERATURA
NO CONTEXTO DIGITAL
Rejane C. Rocha
UFSCar
[email protected]
Esta comunicação analisa o romance Os famosos e os duendes da morte,
discutindo a maneira como a literatura pode ser compreendida no contexto
da convergência midiática. O romance, uma das obras que constituem um
74
projeto que compreende, também, filme, trilha sonora e vídeos compartilhados no youtube, pode ser discutido como um exemplo de procedimento de
escrita que solicita procedimentos específicos de leitura característicos do
contexto digital.
DIÁLOGOS ENTRE A POESIA E A CRÍTICA NA OBRA DE
PAULO LEMINSKI.
Sérgio Massagli
UFFS
[email protected]
A produção poética e crítica de Paulo Leminski (1944-1989), escrita entre
as décadas de 1960 e 1980, apresenta uma inquietação e traz para o debate
a relação frequentemente problematizada na contemporaneidade entre pensamento, mundo e linguagem. Como um poeta-crítico, produz uma obra
marcada pela autoconsciência sobre o próprio fazer literário, deixando
sempre na sua escrita traços dessa reflexividade. O poeta curitibano sabe
que essa autorreflexão é uma das marcas da poesia moderna e se inclui
numa linha de ascendência com poetas como Oswald de Andrade, Carlos
Drummond de Andrade, João Cabral de Mello Neto e outros, a quem chama de “poetas críticos, capazes do verbo lírico, e muito capazes de falar
sobre sua prática”. A proposta desta apresentação é buscar os rastros dessa
escrita autorreflexiva na confrontação entre a sua prosa ensaística e a sua
produção poética.
75
PRESENÇA DE JOÃO CABRAL NA POESIA BRASILEIRA
CONTEMPORÂNEA
Solange Fiuza Cardoso Yokozawa
UFG e FAPEG
[email protected]
Numa entrevista em que reconhece João Cabral como uma influência incontornável para a poesia brasileira contemporânea, Eucanaã Ferraz ressalva,
entretanto, que “Cabral é um poeta muito complexo e o Brasil ainda não tem
um poeta cabralino, que foi a fundo em sua lição”, arrematando que esse
poeta ainda não é ele. Também Cabral, apesar de eleger Augusto de Campos
como seu herdeiro, diz-se, no poema-dedicatória ao poeta concretista, do
livro Agrestes (1985), um poeta sem discípulos: “ela [a poesia cabralina] que
hoje da janela / vê que na rua desfila / banda de que não faz parte, / rindo de
ser sem discípula.” Proponho tecer algumas considerações sobre a complexa
relação entre Cabral e a poesia brasileira contemporânea.
76
Resumos das
Comunicações
77
“A MÚSICA DE TUA LEMBRANÇA”: AS CARTAS DE
AUGUSTO FREDERICO SCHMIDT A YÊDDA SCHMIDT
COMO ESPAÇO DE CRIAÇÃO POÉTICA.
Adalberto Luis Vicente
FCLAr/UNESP
[email protected]
Em 1981, o Instituto Estadual do Livro do Rio de Janeiro publica uma coleção de cartas de Augusto Frederico Schmidt a sua mulher Yêdda, selecionadas por ela mesma e sem indicação de data de recebimento. O título da
coletânea, Cartas de Sempre, parece adequar-se de modo exemplar à proposta da publicação, pois a qualidade literária desses textos, a alta voltagem
poética que perpassa a maior parte dessas missivas, a presença de um eu que
se investiga através do outro, além da exploração de um campo imagético e
rítmico expressivo permitem constatar que a carta, na concepção de Schmidt,
vai muito além de um gênero discursivo puramente funcional (referencial,
informativo). Como demonstram as reflexões teóricas mais recentes sobre
a forma epistolar, a carta é um gênero discursivo plural, híbrido, “nômade”,
como o quer Brigitte Diaz em L’épistolaire ou pensée nômade (PUF, 2002),
mas cujo espaço discursivo pode incluir “da história da vida privada até as
práticas de escrita do eu, passando pela sociologia da literatura, pela genética
literária, pela pragmática da comunicação à distância” (p. 49), sem deixar de
constituir, como é frequente no caso da correspondência de escritores, um
espaço de exercício do fazer literário. Nosso objetivo nesta comunicação é
apresentar o modo particular como a voz lírica do poeta de Estrela Solitária
permanece nas cartas a Yêdda, mesmo que às vezes matizada pela necessidade de comunicação imediata.
PALAVRAS-CHAVE: Carta; Escritura, Poesia, Augusto Federico Schmidt.
78
SOBRE O FLOREBAT OLIM STUDIUM SUSCITADO PELO
POEMA “NÓS OS VENCIDOS DO CATOLICISMO”, DE RUY
BELO
Adriano Tarra Betassa Tovani Cardeal
(FCL/UNESP – PIBIC)
[email protected].
Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.)
Ruy de Moura Ribeiro Belo (1933-1978), um dos mais importantes escritores pós-pessoanos da litera-tura portuguesa contemporânea, compôs expressivo número de poemas líricos, numa temática voltada para o Cristianismo.
No entanto, apesar de, a (e em) princípio, essa asserção propiciar supor-se
que o desenvolvimento poético-argumental desse autor quer-se exceler a patamares duma resoluta ascensão espiritual, é o completo oposto que se observa, mormente no poema “Nós os vencidos do catolicismo” – em cujos versos
é notável a senda descensional em que caminha o eu-lírico nele presente,
visto que, da total ausência de sublimidade, vem a percepção de uma poesia
a qual, embora amparada em ideias e contextos oriundos da cristandade (precisamente, a de vertente católica), mostra aquele sujeito lírico que, nalgum
nível, começa a negar estúltima, pois, ao lerem-se muitos versos dispostos
no corpus be-lianum, constantes nestas investigações, notam-se traços duma
recusatio christiana, a qual tão só ex-presse imensa fatigação perante uma
mundividência acéfala em seus propósitos de aperfeiçoamento da humanidade, motivo pelo qual, dessarte, escuta-se a vox poetica beliana lamuriando-se em direções as mais díspares entre si, embora bastante cientemente de
que nenhuma será capaz de (re)conduzi-la às celestes veredas, ratificando-se, assim, a fatual depauperação daquela outrora sublimidade anímica, em
que o eu-poético camoniano acreditava, mas na qual o eu-poemático beliano
79
não mais crê. Demais – como decorrência dessa recusa do Cristianismo (a
qual, lato sensu, perfaz uma recusação de Deus) –, permite-se haver uma
recrudescência da secular predileção por atributos dos seres humanos em
de-trimento dos divinos, mercê do que seria possível pensar-se em alguma
categoria de “neo-humanismo contemporâneo”, no qual questões religiosas
não mais teriam espaço ou influência nas discussões so-bre quaisquer (des)
rumos antrópicos. Tendo-se o “Nós os vencidos do catolicismo” por síntese
exem-plar da recusatio christiana do sujeito lírico de Ruy Belo (desse e dos
demais poemas religiosos seus), é possível concluir-se que tal sentimento de
recusa nasce da tópica medieval do Florebat olim studium – pois, por o mundo estar “desconcertado” (como diria Camões), acredita-se que, logo, Deus
não mais se importa com ele, tampouco com quem nele habite. É-se mister
perscrutar esse “mundo às avessas”.
PALAVRAS-CHAVE: Florebat olim studium; Ruy Belo; Poesia cristã contemporânea.
A POESIA, MEIO PARA DENUNCIAR QUESTÕES SOCIAIS
OU PARA CONTAR A HISTÓRIA DE UM PAÍS. EVITA
PERÓN, A OUTRA FORMA DE SABER A HISTÓRIA.
Alejandro González Urrego
FCLAr/UNESP/ PAEDEX
[email protected]
Profª. Drª Maria Dolores Aybar Ramirez (Or.)
Esta comunicação propõe uma abordagem Histórica sobre a reconstrução
dos fatos ocorridos com Eva Duarte de Perón, durante o ano de 1952, começando com sua vida política e terminando uns meses após a sua morte. Esses
eventos são relatados no poema “Eva” da poetisa Argentina María Elena
80
Walsh, que aparece na obra “Canciones contra el mal de ojo” editado no ano
de 1976. A estratégia narrativa usada no poema é misturar recursos estilísticos de duas disciplinas, por um lado, o poema está baseado em fatos Históricos, mas por outro, está contando a história baseada na sua posição pessoal.
Numa primeira leitura, não sabemos se ela está relatando sua vivência social
ou se está escrevendo o que poderíamos chamar de “Poema Histórico”. No
poema, Maria Elena Walsh reflete em parte, uma rebeldia, um desencanto e
uma oposição ao que estava acontecendo em sua terra natal, Argentina. Às
vezes, a poetisa se afasta das palavras suaves para tratar o tema de Evita de
uma maneira violenta e forte, em outras, o poema parece ser uma denúncia
do que estava passando em seu país, enquanto ela estava na Europa, cantando canções folclóricas da região andina Argentina.
PALAVRAS-CHAVE: Poema; Evita; História; História e denúncia.
METALINGUAGEM, FRAGMENTARISMO E REMITIZAÇÃO
NA POESIA BRASILEIRA MODERNO-CONTEMPORÂNEA
(Mesa de Comunicação Coordenada I e II)
Alexandre de Melo Andrade / Antônio Donizeti Pires
FCLAr/UNESP
A estranheza e o silêncio da lírica moderna, com suas dissonâncias e ressonâncias, são fatores mencionados e explicados por Hugo Friedrich em Estrutura da lírica moderna, que privilegia uma linha da poesia francesa do
século XIX (Baudelaire, Rimbaud, Mallarmé e Verlaine) como fundadora
da modernidade lírica, com alguns “prelúdios” no século anterior (Novalis e
Rousseau, sobretudo). Podemos pensar, a partir de Friedrich, que a recorrência à metalinguagem, cuja existência coincide com o surgimento da própria
poesia, é, na modernidade (e contemporaneidade), sintoma – conforme ex81
posto de modo contundente por Alfredo Bosi em O ser e o tempo da poesia
–, e não questão-chave ou resolução do aparente laconismo. Em consonância
com tal discussão, as formas moderno-contemporâneas do fragmento e da
remitização reafirmam a linguagem poética como o espaço do encontro, do
entre-lugar, mas também de uma realidade fundante. Cultivado já pelos primeiros românticos alemães, o fragmentarismo enquanto laconismo verbal/
versal aliou-se ao laconismo da experiência contingente. Por este mesmo
viés, a remitização proposta pelos românticos – atestada pelo mito novalisiano da “flor azul” e pela nostalgia da Idade do Ouro – associou-se a uma
rejeição ao mundo convencional e crise do historicismo, reverberando na
contemporaneidade por meio de processos/procedimentos que acentuam a
crise dos modos de ser da/na linguagem. Tais questões, que têm repercutido
de modo considerável no discurso da crítica literária atual, serão exploradas pelo grupo temático, partindo tanto de valores modernos de nossa lírica,
quanto de específicas vozes poéticas emergentes nas últimas décadas.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira moderno-contemporânea; Metalinguagem; Fragmentarismo; Remitização.
O ARABESCO, A AMPULHETA E O VELEIRO
Alexandre de Melo Andrade
[email protected]
UNIESP/Ribeirão Preto
FCLAr/UNESP/Pós-doc
Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Sup.)
A comunicação visa à abordagem de aspectos gerais da poesia de três poetas
contemporâneos: Orides Fontela, Alexei Bueno e Marco Lucchesi. Dotados
de voz poética firme e singular, tais poetas nos servem como referências para
a compreensão de alguns aspectos marcantes da lírica brasileira contempo82
rânea. Orides Fontela, que tem Transposição como livro de estreia (1969),
trabalha a linguagem de modo enxuto, fragmentário e lacônico, tramando e
destramando o tecido da linguagem, num ludismo que aponta para a poesia
como o espaço mítico fundante de si mesma e da própria realidade que se
constitui a partir dela. Alexei Bueno, que em 2013 lançou sua Obra completa, é uma das grandes manifestações líricas das últimas décadas, com uma
poesia que reafirma o mito pela sua negação, num movimento pendular que
oscila entre uma atmosfera mítica absoluta e um mundo caótico aparente nas
fraturas do relativismo moderno. Já Marco Lucchesi delineia, em sua obra
poética inaugural – Alma Vênus – (2000), aspectos que lhe serão caros em
sua obra poética, narrativa e ensaística futura, como o diálogo incisivo com
a tradição, da mais remota às mais recentes, abrindo-se a uma poesia que se
entrevê pela própria palavra iluminada, evocativa e unificadora. Dissonâncias e aproximações dos três poetas nos possibilitam percepções acerca da
lírica contemporânea, bem como do poeta-crítico contemporâneo, revitalizador da tradição e arauto de um novo tempo, ainda que este novo tempo
corresponda à volta de um tempo que seja sempre o mesmo.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira contemporânea; Orides Fontela;
Alexei Bueno; Marco Lucchesi.
FRAGMENTAIS DA POESIA-PRISMA DE MANUEL
BANDEIRA
Antônio Donizeti Pires
[email protected]
FCLAr/UNESP
UnB/Cátedra Archai UNESCO; Bolsa CAPES PD
O prisma é a figura geométrica que caracteriza à perfeição a obra de Manuel
BANDEIRA (1886-1968), que, além de poeta lírico essencial à literatura
83
brasileira do século XX, foi também poeta-crítico, poeta-cronista, poeta-tradutor, poeta-professor, poeta-missivista. Estreando em 1917 com Cinza
das horas, de sutil recorte parnaso-simbolista, tornou-se um dos ícones do
Modernismo brasileiro, sendo ainda hoje fecunda lição de poesia e poética
aos contemporâneos. Pois o prismático Bandeira, além de ter transitado pelas formas e técnicas tradicionais e vanguardistas, também explorou temas
que abarcam a tradição lírica (Deus, a religião, a alma, o amor, a natureza,
a família, a infância) e aqueles que ressaltam o desconcerto e a fragmentação do homem moderno (a grande cidade, o cotidiano simples e humilde, o
desencontro, a solidão, a doença, a morte, o corpo – seja o corpo do poeta
ou o corpo do poema; seja o corpo do desvalido social e existencialmente,
que se espoja nos restos da civilização). Em vista do exposto, propõe-se uma
análise crítico-interpretativa de três poemas fundamentais do autor, a fim
de se ressaltar as conexões plurais do prisma Bandeira: “Não sei dançar”
(Libertinagem, 1930), “Elegia de verão” (Opus 10, 1952) e “Passeio em São
Paulo” (Estrela da tarde, 1963).
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Modernismo e modernidade; Metalinguagem; Crítica e análise do texto poético.
HIBRIDISMO NA LITERATURA E NA CULTURA
CONTEMPORÂNEA
Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila
FCLAr/UNESP - Doutoranda
[email protected]
Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
O século XX foi apontado por diversos estudiosos, como Edward Said,
como a era da imigração em massa, dos deslocamentos, dos despatriados.
84
As migrações maciças redesenham o cenário contemporâneo e a crítica cultural, com frequência, volta-se para as possíveis implicações desses diversos
movimentos num mesmo país, entre regiões fronteiras ou até mesmo entre
continentes. Por isso, a imigração tem sido um dos temas mais discutidos e
estudados da contemporaneidade, em vários segmentos do saber, e é inegável a atualidade das reflexões sobre a produção cultural e artística de imigrantes, as chamadas “literaturas migrantes”. Os estudos da cultura têm se
preocupado com as questões inerentes ao processo migratório, tais como a
multiculturalidade e os procedimentos de hibridização ou hibridismo, nas
artes e na cultura. Na comunicação a ser apresentada, pretende-se refletir
sobre o conceito de hibridismo na literatura e na cultura contemporânea, já
que o termo tem sido utilizado, muitas vezes, de forma divergente entre os
especialistas. Acreditamos que essa reflexão possa auxiliar a compreensão e
a análise da produção artística nacional sobre imigrantes, como as obras de
Raduan Nassar e Milton Hatoum. Discutiremos o conceito de hibridismo a
partir dos grandes estudiosos de cultura contemporâneos, tais como Homi
Bhabha, Stuart Hall, Nestor Garcia Canclini, Edward Said, bem como dos
recentes estudos brasileiros como os de Zilá Bernd, dentre outros. Pretendemos mostrar que o híbrido não está circunscrito às margens e guetos, não são
apenas os estrangeiros e filhos de imigrantes, mas está em todas as nossas
culturas e histórias.
PALAVRAS-CHAVE: Imigração; Estudos culturais; Hibridismo; Literaturas migrantes;
85
IMAGEM E FIGURAS EM POEMA SUJO, DE FERREIRA
GULLAR
Ana Carolina da Silva Mota
FCLAr/UNESP/ PIBIC
[email protected]
Profª Drª Fabiane Renata Borsato (Or.)
Este trabalho propõe a análise das imagens e figuras recorrentes no livro Poema Sujo, de Ferreira Gullar, por considerar-se que este é um dos elementos
importantes na configuração da unidade da obra. No decorrer de seus quase
dois mil versos, observa-se em Poema Sujo o emprego de alguns eixos estruturadores, como a existência de dois sujeitos poéticos, um localizado no
passado e outro localizado no momento da enunciação, e o trabalho entre
a perspectiva interior e exterior, como aponta Alcides Villaça (VILLAÇA,
1984, p.153-154; 157). A leitura da obra demonstra que, além destas considerações de Villaça e das repetições sintáticas e semânticas, a recorrência do
uso de algumas imagens e figuras também é elemento importante na composição da unidade, pois os versos de Poema Sujo constantemente as retomam,
num avançar que compreende retornos e revisões, de modo que elas são repetidamente ampliadas, ressignificadas e discutidas. Este aspecto de Poema
Sujo relaciona-se com o fato de a obra trabalhar amplamente com a memória
e esta não ser linear e sucessiva, mas fragmentada, de modo que evoca, por
meio do discurso poético, passagens que são interrompidas e posteriormente
retomadas.
PALAVRAS-CHAVE: Poema Sujo; Ferreira Gullar; Poesia; Imagem; Figuras.
86
O OFÍCIO DA ESCRITA: UMA SONDAGEM DO FAZER
LITERÁRIO POR MEIO DE CARTAS DE CAIO FERNANDO
ABREU
André Luiz Alselmi
FCLAr/UNESP – Doutorando
[email protected]
Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.)
Nas últimas décadas, os gêneros íntimos vêm despertando a atenção dos leitores e da crítica literária. Tal fato é intensificado pela atual tendência ao
culto da individualidade e ao prazer de acompanhar a vida cotidiana alheia,
que hoje toma uma parte significativa da mídia e da realidade. Diante disso,
as correspondências de personalidades literárias ganham destaque e ocupam
um espaço sem precedentes. Assim, as cartas têm suas publicações multiplicadas, o que tem despertado grande interesse da crítica em compreender os
fundamentos dessa forma de expressão e de sua relação com a criação literária. Sem dúvida, é preciso reconhecer que as cartas de grandes escritores não
raro transcendem o mero relato autobiográfico, trazendo, frequentemente,
uma carga poética e informacional passível de ser analisada com vistas a
entender o processo de criação literária. Nesses casos, a carta não interessa
apenas como um testemunho biográfico ou documento histórico ou cultural,
mas também como uma forma de expressão autônoma e múltipla capaz de
acolher a reflexão sobre a literatura e o processo de criação. Partindo do pressuposto de que a experiência pessoal e a experiência literária, nas epístolas
de Caio Fernando Abreu, apresentam-se concomitantemente, esta comunicação pretende extrair das cartas do autor uma poética a partir das reflexões
metalinguísticas sobre a natureza da criação literária e do ofício do escritor.
Assim, por meio da correspondência do autor, esta comunicação buscará traçar uma visão deste sobre a função da literatura, a imagem do escritor e o
87
processo de escrita. Com isso, pretende-se demonstrar que as cartas constituem um rico material para a compreensão do universo literário do autor.
PALAVRAS-CHAVE: Cartas; Criação literária; Ofício do escritor; Produção literária das últimas décadas.
TEOLINDA GERSÃO E A ESTÉTICA DO SILÊNCIO
Audrey Castañón de Mattos
FCLAr/UNESP - Doutoranda
[email protected]
Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
Susan Sontag, em seu ensaio “A estética do silêncio”, mostra que a inclinação da arte moderna ao silêncio está na base da ideia de que o poder da arte
reside no seu poder de negar: por meio de estratégias que vão do hermetismo
ao empobrecimento (redução), cria-se uma “arte silenciosa”. Partindo das
noções sontaguianas de arte silenciosa e de usos artísticos do silêncio, assim como de noções como a de que toda arte sempre consegue proporcionar
um ganho de prazer ao espectador; partindo, ainda, da premissa sontaguiana
de que um silêncio absoluto é inexequível, principalmente por parte do espectador, pretendemos analisar a linguagem nos romances O silêncio e Os
guarda-chuvas cintilantes (diário), de Teolinda Gersão, cuja obra desvela
algumas facetas de que se reveste o silêncio. Pretendemos demonstrar como
tais livros, por sua linguagem hermética, impõem ao leitor dois caminhos
a princípio excludentes, um que o repele e outro que o convida ao fitar. Na
contramão da ideia de John Cage, a da impossibilidade do silêncio devido
ao mundo de sons que nos circunda, os romances a serem analisados tratam
essa profusão sonora – e também imagética – como formas de silêncio, uma
vez que tal profusão nada comunica; os romances escolhidos confirmam, de
88
certa forma, o que diz Sontag acerca do desprestígio da linguagem diante da
proliferação de sons e imagens do mundo contemporâneo, desprestígio que
leva à criação de obras silenciosas. Em O silêncio, a narradora, procurando
romper a incomunicabilidade com seu parceiro, utiliza-se de uma linguagem
que, entretanto, reproduz tal incomunicação em outro espaço, o do intercâmbio com o leitor, na medida em que a comunicação só se fará possível se ele
resistir ao impulso repelente da estrutura hermética do romance e aceitar o
convite ao olhar atento. Os guarda-chuvas cintilantes, ao assumir-se como
“diário”, desobriga-se, de saída, do compromisso da clareza, enveredando-se
por uma linguagem fragmentária e imagens nebulosas que também acabam
por reeditar em outro plano o embotamento do artista no processo criativo,
tema dos escritos esparsos e desalinhados da autora ficcional do diário.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura contemporânea; Hibridismo; Teolinda
Gersão; O silêncio; Os guarda-chuvas cintilantes.
POESIA E DRAMA NO TEATRO SIMBOLISTA
Beatriz Moreira Anselmo
UEM
[email protected]
Por muito tempo a crítica literária se pôs a confirmar uma supremacia da poesia em relação a outros gêneros literários no Simbolismo. É fato que existe
no movimento dos símbolos a presença de uma poesia que se caracteriza
por hermetismo, musicalidade, misticismo e sugestões que convidam o leitor
a tentar desvendar mistérios profundos da linguagem. Todavia, a literatura
simbolista não se limitou apenas à poesia. Outros gêneros literários também constituíram a estética literária do final do século XIX. Ainda que não
recebessem grande atenção da crítica, a prosa e o teatro são expressões de
89
significativa qualidade literária que atendem aos pressupostos estéticos simbolistas. Tendo em mente tal presença, este trabalho se voltará para o teatro
simbolista, um teatro poético que lançou chamas às cenas teatrais no final
do século XIX e que muito contribui para a realização das artes dramáticas
contemporâneas.
PALAVRAS-CHAVE: Simbolismo; Poesia; Teatro; Hibridismo literário.
MEMÓRIA E METALINGUAGEM COMO CONFIGURAÇÃO
DA POESIA AMOROSA DE NUNO JÚDICE
Bruna Fernanda de Simone
FCLAr/UNESP /Mestranda - CAPES [email protected]
Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.)
Um dos maiores nomes da poesia portuguesa contemporânea, Nuno Júdice,
possuí vasta obra marcada pela presença de uma poesia feita “sobre ruínas”
segundo Alves (2006). Suas características mais marcantes são o diálogo que
empreende com outras artes, reflexões filosóficas e principalmente uma visão crítica sobre a própria poesia. Tais características ligadas a um ambiente
de ruínas, de espaços desabitados ou abandonados, onde se insere um eu-lírico que é consciente de toda a produção poética são alguns dos aspectos
que configuram a melancolia presente em seus poemas. Nuno Júdice iniciou
sua produção com “A Noção de Poema”, onde já se destacava por uma singularidade marcada pela “criação de um universo imaginário único que se
traduzia na utilização de um discurso próprio” (ALMEIDA, 2000). Advindo
de um momento em que não se acreditava mais em representações do real ou
nas emoções do sujeito poético, a obra judiciana parece afirmar uma poesia
que somente poderia voltar-se ao ato poético. Em sua produção a melancolia,
90
sentimento inerente à arte na contemporaneidade, está intimamente relacionada à memória, um artifício de extrema importância para a configuração
de sua poesia “sobre ruínas”. Um dos temas que se destacam, é o amor,
porém um amor que não é apenas efusão de sentimentos, é antes de tudo,
pensamento, já que há um eu-lírico extremamente consciente do ato poético
e sua artificialidade. Pretendemos, portanto, analisar como o tema do amor
se desenvolve em sua Poesia Reunida (1967-2000), a partir, principalmente,
dos artifícios da memória, que vêm contribuir à criação de uma poesia lírica
amorosa melancólica e estilhaçada, e que à sua maneira, busca exprimir um
mundo de emoções perceptível apenas no momento de sua discursivização,
criando acima de tudo, como afirma Martelo (2010), uma reflexão sobre as
ferramentas do discurso que materializam tais emoções.
PALAVRAS-CHAVE: Memória; Melancolia; Poesia amorosa; Procedimentos poéticos; Metalinguagem.
O IMAGINÁRIO DECADENTE NA CONSTITUIÇÃO DO
OLHAR POÉTICO EM AL BERTO.
Camila Pinto de Sousa
FCLAR/UNESP / Mestranda
[email protected]
Profª. Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.)
A pesquisa em andamento tem por objetivo demonstrar o papel do imaginário decadentista na fundamentação de uma visão de mundo do sujeito lírico
na poesia de Al Berto, poeta contemporâneo, utilizando como ferramenta
a comparação com a obra poética de Camilo Pessanha, expoente máximo
91
do Simbolismo em Portugal. Nesta comunicação, demonstraremos a constituição do olhar decadente na poesia de Al Berto, um dos poetas mais instigantes da produção contemporânea. A poética deste poeta fundamenta-se
em vestígios herdados de muitas tradições líricas, entre elas o Simbolismo/
Decadentismo, estética que esteve em evidência nos últimos anos do século
XIX, tendo contribuído para o surgimento do Modernismo. A Decadência
constitui uma concepção pessimista da existência humana, configurando características como o medo, a melancolia, a solidão, a dor de cunho existencial, a incerteza e a fixação pela ruína, que dão o tom negativo em relação
ao mundo que é o que fundamenta o imaginário decadente e está presente
no modo de enxergar o mundo do sujeito albertiano. A poesia de Al Berto
é perpassada pelo sentimento do medo, que se manifesta, principalmente,
pelos três principais receios do sujeito poético albertiano: o medo do tempo,
relacionado com as preocupações acerca da finitude da existência, do “agora”, do envelhecimento ou da morte; o medo da perda, que se relaciona com
o amor e com as preocupações existenciais e, ainda, o medo de permanecer,
relacionado com a paixão pelas viagens. O medo representado na poesia de
Al Berto é consciente. O sujeito não ignora seus sentimentos de medo e
conclui que a única maneira de vencê-los é por meio da escrita. O próprio
título do livro de Al Berto, O medo, permite vislumbrar aspectos instigantes
do universo simbolista e decadente. Por meio da análise de alguns poemas,
demonstraremos, pois, as características desse universo que fundamentam a
poética do poeta.
PALAVRAS-CHAVE: Al Berto; Simbolismo; Decadentismo; Poesia Portuguesa.
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A REINCORPORAÇÃO MÍTICA EM ALEXEI BUENO
Carlos Eduardo Marcos BONFÁ
[email protected]
FCLAr/UNESP - Doutorando
Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.)
Na poética de Alexei Bueno, a finitude humana e suas consequentes aspirações metafísicas dialogam desde sempre com o tempo mítico em relação
à historicidade, diálogo que não se dissocia do homem atual, alicerçando
uma poética arquetípica. Assim posto, há uma atualização/reincorporação
do mito, inclusive em função de degradá-lo, sugerindo a situação do poeta
e da poesia na sociedade contemporânea, assim como significados para
todo ser humano inserido na contemporaneidade. Na minha apresentação
demonstrarei principalmente um aspecto da remitização contemporânea de
Alexei Bueno como “atualização” da tradição da femme fatale, que será
interpretada à luz desta retomada e à luz do conceito de crise (pensando em
Marcos Siscar) – conceito revelador de uma poesia que assume ela mesma
a necessidade de se exibir em estado de crise, reincidindo em sua própria
linguagem.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Contemporaneidade; Metapoesia;
Femme fatale.
93
ANTÓNIO LOBO ANTUNES E O TEMPO DA
IMPOSSIBILIDADE: EM VIGÍLIA PEL’OS CUS DE
JUDAS EM COMPANHIA DE BAUMAN E OUTROS PÓSMODERNOS
Carlos Henrique Fonseca
[email protected]
FCLAr/UNESP - Mestrando
Profª DrªMaria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.)
O tema da identidade, ou das identidades, tem ocupado o centro da cena contemporânea dos estudos que propõem diferentes articulações entre o social e
o literário. As noções de pós-modernidade, pós-modernismo e pós-colonialismo têm trazido novos olhares sobre a produção literária contemporânea,
convergentes, por exemplo, com o hibridismo dos gêneros literários, com a
discussão sobre a morte do autor, com as relações entre história, memória e
ficção, com a estrutura fragmentária da narrativa e acerca da importância
do leitor na construção de sentido da obra literária. Os cus de Judas (1979),
um dos primeiros romances do escritor português António Lobo Antunes
já apresenta, tanto em suas recorrências temáticas quanto em sua estrutura,
características como o “descentramento do sujeito”, segundo Stuart Hall ,
bem como uma ressignificação do conceito de identidade e da íntima relação
entre identidade nacional e identidade individual que, no caso do autor e do
romance em questão, eclodem com o fim dos conflitos de desterritorialização das colônias portuguesas em África na década de 1970 e nortearão os
temas de praticamente toda sua produção literária posterior. No exercício
de se entender este novo cenário, o texto de Zygmunt Bauman Turistas e
Vagabundos: os heróis e as vítimas da pós-modernidade (1998) é adotado
aqui por apresentar dois tipos ideais de grande valia para refletirmos sobre
o narrador-personagem do romance de Lobo Antunes em sua relação com o
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sujeito pós-moderno. Auxilia-nos ainda, nesta reflexão, autores que pensam
a pós-modernidade e o pós-modernismo como Gianni Vattimo e o pós-estruturalista Maurice Blanchot que discutem, respectivamente, o niilismo como
alternativa e a lógica do paradoxo e da “impossibilidade” da linguagem
literária. O diálogo proposto entre estes filósofos e a ficção com marcas de
testemunho de António Lobo Antunes tem por alvo evidenciar o quanto a
escrita deste autor constitui, ao mesmo tempo, um paradigma do pensamento
e da literatura contemporâneos, em consonância com o que podemos considerar uma poética pós-modernista.
PALAVRAS-CHAVE: Identidade; António Lobo Antunes; Pós-modernidade.
POESIA E FILOSOFIA EM ÉDIPO E FENÍCIAS DE SÊNECA
Cíntia Martins Sanches
FCLAr/UNESP – Doutoranda/FAPESP
[email protected]
Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.)
O suicídio é tema presente no discurso filosófico ao longo da história. Além
de o próprio tema do suicídio consistir em um filosofema, ele também pode
ser relacionado a outros filosofemas de grande relevância, como o “ser”, o
“existir” e a “morte”. Ligam-se esses temas filosóficos aos questionamentos
em torno do sentido da vida – é exatamente a falta de sentido para a vida que
leva à reflexão sobre a viabilidade do suicídio. Os filosofemas muitas vezes
coincidem com os temas literários. Isso acontece com o suicídio e pode ser
ilustrado com o tratamento dado por Sêneca a esse tema nas tragédias Édipo
e Fenícias. Assim, este trabalho pretende mostrar como o tema foi apresentado pela filosofia e relacionar aos procedimentos utilizados na literatura senequiana para servir (também, mas não só) a uma finalidade didática (como
95
é comum acontecer nas tragédias do autor). A proposta é apresentar o modo
como a filosofia pensa o tema e relacionar a como a literatura trabalha com
ele. Parte-se do pressuposto de que literatura e poesia nascem da mesma
inquietação, são ambas movidas pelos mistérios que rondam o ser humano –
daí a relação do suicídio com o questionamento em torno do sentido da vida.
Para essa relação entre literatura e filosofia, trabalhar-se-á com Paz (1982),
Paviani (2009), Schüler (2009) e Nunes (2009). O suicídio é tratado, tanto na
filosofia como na literatura, como possibilidade diante da existência humana
e da consciência da morte, como parte fundamental dessa existência. Os estoicos, por exemplo, afirmavam que é um dever renunciar à vida quando não
houver mais possibilidade de se cumprir o próprio dever. É exatamente o que
faz Édipo, nas tragédias aqui referidas: quer matar-se para que a cidade de
Tebas seja livrada da peste que a assola – peste esta que só teria fim quando
o assassino do antigo rei Laio fosse exilado e morto. A construção do Édipo
senequiano privilegia os preceitos estoicos em relação ao suicídio honroso.
Para ele, é mais digno morrer por suas próprias mãos do que continuar vivendo às custas de prejuízos aos outros, de uma maldição para sua família e
para seu povo.
PALAVRAS-CHAVE: Suicídio; Filosofia; Poesia; Sêneca.
REPERCUSSÕES DA CONCEPÇÃO DO TRABALHO
POÉTICO DE THÉOPHILE GAUTIER NA POESIA
MODERNA
Cristovam Bruno Gomes Cavalcante
(FCLAr / UNESP)
[email protected]
Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.)
Este trabalho tem como objetivo assinalar a permanência na poesia moderna da concepção de trabalho poético preconizada pelo crítico, romancista
96
e poeta francês, Théophile Gautier (1811- 1872), que, desde seu início nas
artes, em detrimento da vertente intimista na poesia francesa, posiciona-se,
entre outras coisas, a favor da liberdade e autonomia da Arte, propiciando o
enriquecimento rítmico e formal da poesia, além de sua aproximação com as
artes plásticas. Deste modo, relacionando o fazer poético com o trabalho do
escultor, Gautier afirma, no poema que encerra os seus Émaux et Camées,
“L’Art”, que o dever do poeta é controlar sua obra por meio do acuro verbal
e formal. Tal preconização estruturou e influenciou movimentos poéticos e
pôde ser sentida, seja na estilização buscada pelo parnasiano Olavo Bilac
em sua Profissão de fé, seja no trabalho de poetas simbolistas da estirpe de
um Mallarmé e de um arquitetônico Valéry. Mesmo no século XX, o esmero
formal que o poeta francês tanto defendera, ainda pode ser notado em grandes linhagens poéticas como, por exemplo, na engenharia poética cabralina.
PALAVRAS-CHAVE: Théophile Gautier; Poetas formalistas; Trabalho poético.
ARTE E ULTRAJE: CARTAS DE LAWRENCE DURREL E
ALFRED PERLÈS SOBRE A OBRA DE HENRY MILLER
Daniel Rossi
[email protected]
(UNESP/FCLAr - Doutorando
Profª Drª Maria Clara Bonetti PARO (Or.)
O intuito desta comunicação é discutir a correspondência entre Lawrence
Durrel e Alfred Perlès sobre a obra de Henry Miller, intitulada Art & Outrage [1959]. Os dois autores promovem uma troca de cartas cujo objetivo
principal é avaliar e buscar uma forma de apresentar a obra de Henry Miller
aos americanos (principalmente aos jovens). Este objetivo se aclara quando
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trazemos à baila a questão da censura, que ainda vigorava sobre as principais
obras de Henry Miller em seu país natal, os Estados Unidos, na época desta
correspondência. As discussões giram em torno da questão das intenções da
obra do autor, suas influências, relação vida e obra, a questão da obscenidade
e o papel das biografias no que tange a obra de Henry Miller. Acreditamos
que esta obra dramatiza certos posicionamentos dos críticos em relação à
obra milleriana, além de trazer em seu bojo as contribuições do próprio Henry Miller sobre sua obra e sua visão de seus primeiros trabalhos publicados. Desta maneira, discutir esta correspondência pode trazer interessantes
contribuições sobre a obra do autor americano vindas de outros autores que
conviveram intimamente e foram a primeira recepção de sua obra literária.
PALAVRAS-CHAVE: Henry Miller; Cartas; Alfred Perlés; Lawrence Durrel;
AS ÁGUAS LIVRES: OBRA HETERODOXA E
AUTOFICCIONAL
Daniela Aparecida da Costa
[email protected].
FCLAr/DS e PSDE/CAPES - Doutoranda
Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
Propõe-se um estudo dos diferentes procedimentos narrativos empregados
na construção de As águas livres: cadernos II, da escritora portuguesa contemporânea Teolinda Gersão. Lançada em Portugal, em 2013, é uma obra
que não se enquadra em gêneros literários específicos, pelas diferentes linguagens que a constituem. Na esteira de Os guarda-chuvas cintilantes, de
1984, segue a linha do diário heterodoxo, que embaça e/ou distorce as características preestabelecidas para esse gênero. É uma escrita que transita entre
o pulsar e o pensar, formando um texto híbrido com pensamentos, micronar98
rativas, minicontos, reflexões metalinguísticas sobre os próprios cadernos e,
também, sobre outras obras da escritora, como, por exemplo, seu primeiro
e seu segundo romance: O silêncio, de 1981 e Paisagem com mulher e mar
ao fundo, de 1982. Trata-se, portanto, de um texto que tem muitas faces,
permeado por reflexões sobre o próprio produzir, alternando-se entre o real/
referencial e o ficcional, cheio de experiências vivenciadas pela memória
individual e também pela coletiva. O título é metafórico e faz referência ao
aspecto livre da escrita por meio da menção, na cidade de Lisboa, de um
aqueduto construído no século XVIII (atualmente desativado) que leva o
nome de Águas Livres, por suas águas correrem livremente devido à força
da gravidade. Lisboa é cidade-personagem nessa obra e também no romance anterior da autora, A cidade de Ulisses, de 2011: espaço privilegiado da
ficção e autoficção de Gersão, como este estudo pretende demonstrar. Como
aporte teórico para a abordagem da autoficção, merece destaque o texto de
Klinger, de 2007 - Escritas de si, escritas do outro: o retorno do autor e a
virada etnográfica.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura contemporânea; Teolinda Gersão; Hibridismo de gêneros; Autoficção; Metalinguagem.
“POESIA DA CONSCIÊNCIA INFELIZ EM MEMÓRIA DE
ELEFANTE, DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES”
Daniella Sigoli Pereira
[email protected]
IBILCE/ CAPES – Rio Preto - Mestranda
Prof. Dr. Márcio Scheel (Or.)
Memória de Elefante narra um dia na vida de um psiquiatra, regressado da
Guerra de Angola, separado da mulher e das filhas, refém da angústia e do
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desamparo diante do que lhe parece uma existência vazia, sem projetos ou
perspectivas. Além disso, vive um deslocamento de lugares, que é também
subjetivo. Tal deslocamento marca-se pelo combatente que regressa ao país
de origem, já como outro sujeito, destoante daquele que era quando parte
para África, reencontrando um país que também já não é mais o mesmo
por causa do olhar modificado que agora ele lança para o mundo exterior.
Acrescido à experiência traumática, o protagonista ainda tem de aprender a
lidar precariamente com a extensão das consequências que isso desencadeou
(o casamento rompido, o afastamento das filhas e a desidentificação com a
própria história pessoal). As recordações pessoais é que fundam o conflito
entre o que o personagem fez e o que esperavam que fizesse, bem como entre
o que ele mesmo esperava de si e o que conseguiu de fato realizar. Portanto,
voltar representa o doloroso desencaixe em relação a si próprio e ao seu
modo de estar no mundo. Para anunciar tais estados, o do desamparo e o da
solidão, Lobo Antunes lança mão de uma linguagem altamente figurada marcada principalmente pela utilização de imagens metafóricas, bem como metonímicas. Tal linguagem emerge geralmente quando o plano memorialístico
irrompe no discurso, fazendo com que o tempo e o modo de experenciá-lo se
tornem subjetivos, característica fundamental, de acordo com Tadié (1974)
para que uma narrativa possa configurar uma linguagem poética. Vale notar
que os autores portugueses do período em que a narrativa é feita tem como
compromisso não só a revelação, o questionamento e a revisão dos fatos que
envolvem a história oficial de Portugal, mas, principalmente, suas representações na literatura.
PALAVRAS-CHAVE: Lobo Antunes; Literatura e memória; Narrativa portuguesa; Literatura contemporânea.
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FIGURATIVIDADE EM “CÍNIRAS E MIRRA”: UM ESTUDO
DE SEMIÓTICA APLICADA (OVÍDIO, METAMORFOSES, X,
298-502)
Ewerton de Oliveira Mera
[email protected]
FCLAr - UNESP – Mestrando
Prof. Dr. Márcio Thamos (Or.)
A proposta desta pesquisa é a de desenvolver um trabalho que procure investigar mais detidamente a figuratividade poética no texto latino, valendo-se
do instrumental teórico que nos fornecem a Poética e a Semiótica Literária,
tendo como corpus a obra Metamorfoses, livro X, 298–502, de autoria de
Ovídio (43 a.C. – 17 d.C.), considerado um dos maiores poetas da Roma
Antiga. As Metamorfoses são um grande poema versado em hexâmetros, ao
longo de quinze livros, em que o autor trata do surgimento dos elementos
que compõem o mundo e também da transformação ocorrida com diversos
seres e figuras da mitologia através de metamorfoses. No recorte selecionado para a análise, conhecido como “Cíniras e Mirra”, o autor latino conta
a transformação de uma bela jovem em uma árvore de mirra, fruto de suas
súplicas aos deuses após cometer incesto com o próprio pai, Cíniras, um dos
reis de Chipre. Com relação ao afastamento temporal – e o decorrente afastamento cultural – causado pela escolha de se trabalhar com um texto escrito
na Antiguidade, é adotada para o trabalho a concepção do latim como uma
língua viva do passado, sendo, portanto, como uma língua materna, com a
única exceção de possuir um lapso temporal que nos separa de seus últimos
falantes legítimos. Essa visão vai em contraposição à ideia, alimentada pela
escola da tradição, de seu tratamento como uma espécie de superlíngua, capaz de, quase por si mesma, fazer de todo enunciado um monumento perene.
Propõe-se, assim, como principal objetivo da pesquisa, a investigação semi101
ótica do texto clássico latino, com destaque para o plano da expressão. Dessa
forma, tomando os efeitos de sentido captados pela percepção e apreendidos
por meio da leitura cuidadosa como dados de base, pretende-se investigar o
arranjo particular da linguagem no corpus.
PALAVRAS-CHAVE: Figuratividade; Literatura Latina; Metamorfoses;
Ovídio; Semiótica.
CINEMA, MÚSICA E SUAS RELAÇÕES INTERSEMIÓTICAS
Fabiana de Almeida
[email protected]
FCLAr - UNESP – Mestrando
Profª Drª Fabiane Renata Borsato (Or.)
O presente estudo apresenta uma análise das relações intertextuais entre cinema e música, especificamente a ópera “Otello” de Giuseppe Verdi, presente no filme Match Point do cineasta Woody Allen na cena apical do filme,
o que afirma a interdependência narrativa da linguagem musical, produzindo
significado proveniente da intertextualidade.
Para tanto, iniciar-se-á com a descrição e análise da montagem cênica a partir
dos estudos de Martin e de Eisenstein, que introduz na montagem cinematográfica a música como linguagem narrativa, e a análise da ópera na cena
apical como parte da narrativa sob a perspectiva da semiótica de Barthes, que
insere a ressignificação dos gêneros aqui estudados.
PALAVRAS-CHAVE: Match Point; Woody Allen; Cinema; Música; Intersemiose.
102
POESIA, CRÍTICA E INTERTEXTO EM ONDAS CURTAS, DE
ALCIDES VILLAÇA
Fabiane Renata Borsato
[email protected]
FCLAr/UNESP
O poeta, crítico e professor Alcides Villaça publicou os livros de poemas O
tempo e outros remorsos (1975), Viagem de trem (1988), O invisível (2011) e
Ondas curtas (2014), além da obra ensaística Passos de Drummond (2006).
O último livro do autor, Ondas curtas, é composto de cinco seções, e apresenta metapoemas que abordam a função do poeta e da crítica; a memória
do lido e do vivido pelos eus poéticos; as relações da poesia com a música,
seja por meio do gracioso poema “Bach no céu”, dedicado a Manuel Bandeira, que cria o imaginativo diálogo fático entre Bach e são Pedro, seja pelo
“Adagio sostenuto” que invoca Beethoven e seus métodos, andamentos e
ritmos musicais. Há em Ondas curtas temas recorrentes da história da lírica,
tais como a saudade amorosa, a paixão e o desejo, a presença da relação
entre memória e intertexto, além de poemas compostos a partir do recurso
ecfrástico. Diversidade e diálogo com a tradição são marcas desta obra que
não subtrai poetizar fatos cotidianos, junto de notícias passadas e presentes. Ondas curtas é encerrado com a seção intitulada “Surdina”, que tem a
morte como principal tema. Inusitado é que a morte do pai, enunciada nos
versos do primeiro poema desta seção, é revertida rumo ao “susto de recém-nascido” (Villaça, 2014, p.87), cinemática às avessas presente em outros
poemas da obra. Além disso, o último poema do livro faz menção à morte
do eu poético, em “Agradecimento lapidar”, desconstruindo as “Lembranças
de morrer” de Álvares de Azevedo ao afirmar que “não lamenta/ o que foi
nem o que/ não será.” (Villaça, 2014, p. 102), ou seja, em lugar de evocar
na lápide a vida e seus feitos, como no poema de Azevedo, Villaça opta por
103
igualar vida e morte, ambas não lamentáveis. A metalinguagem em Ondas
curtas realiza-se principalmente por meio da intertextualidade. A consideração dos procedimentos de criação, recepção e estruturação do próprio texto
tensiona modos de apreensão do mundo e reflexões de ordem teórica sobre
a linguagem artística que interessam a este trabalho analítico da obra de Alcides Villaça.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira contemporânea; Alcides Villaça;
Ondas curtas; Metalinguagem; Intertextualidade.
CRIAÇÃO E QUEDA DE JESUSALÉM: O IMPOSSÍVEL
ESQUECIMENTO NA FICÇÃO DE MIA COUTO
Gustavo de Mello Sá Carvalho Ribeiro
FCLAr/UNESP
[email protected])
Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
O moçambicano Mia Couto é considerado, hoje, um dos mais importantes
escritores africanos contemporâneos, com intensa produção literária, que recebeu o Prêmio Camões em 2013. Publicado em 2009, o romance Jesusalém
que, no Brasil, tem como título Antes de nascer o mundo, é considerado por
Pires Laranjeira a obra mais madura do escritor. O objetivo da comunicação
é mostrar como, por meio de recursos como o hibridismo da linguagem, a
retomada de mitos, o romance cria um espaço alegórico, em que se destacam
as relações assimétricas de poder. Esse objetivo pode ser alcançado pelo
exame do modo pelo qual o autor representa a tentativa de um ex-colonizado
de esquecer o passado e recomeçar a sua história do zero. A frustração com
a queda do espaço em que vivia, o força a enfrentar as dores do passado.
A alegoria mencionada é o estado de Jesusalém, criado por Silvestre Vitalício, que, como os estados nacionais modernos, apresenta nome oficial,
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leis, bandeira, regime de governo, território bem demarcado e carregado de
forte simbolismo pós-colonial. O estudo da queda do espaço simbólico é
abordado por meio das tensões que se passam nesse território, como, por
exemplo, as contraposições visão local vs. visão eurocêntrica e tradição vs.
contemporaneidade que levam à dissolução desse espaço. Verificamos assim
a maneira como Mia Couto constrói o tema da incapacidade de esquecimento das violências coloniais, presente nas culturas africanas, chegando ao
tema universal das dificuldades de relação do homem contemporâneo com o
tempo, desvendando, nesse processo, ressonâncias de escritores brasileiros
como Guimarães Rosa, Graciliano Ramos e Clarice Lispector. A abordagem
do romance é feita a partir de categorias narrativas como história, personagens, narrador, tempo, espaço responsáveis pela construção do tema apontado. O embasamento teórico principal para nosso estudo são ensaios sobre
categorias narrativas, como Discurso da narrativa de Genette e postulados
pós-coloniais, como as lições de Inocência Mata e Stuart Hall.
PALAVRAS-CHAVE: Mia Couto; Hibridismo da Linguagem; Contemporaneidade; Pós-Colonialismo.
A SACRALIZAÇÃO DA CIÊNCIA EM DEUSES
AMERICANOS, DE NEIL GAIMAN
Hebe Tocci Marin
FCLAr/UNESP/ CAPES – Mestrando
Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi (Or.)
Abordar a ciência e as mudanças científico-tecnológicas na literatura é uma
prática que acompanha a humanidade e sua evolução desde o princípio. Dessa prática surge a Ficção Científica (FC), um dos muitos ramos da rica literatura gótica. Na nossa sociedade, que faz uso constante e cada vez maior
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da tecnologia e seus gadgets, porém, muitas das mudanças imaginadas pelos
autores de FC, sendo elas fantásticas ou verossímeis, já foram alcançadas e
quase não há temas e recursos que não foram ainda explicados pela ciência.
Com isso, frente a um possível esgotamento de temas para a FC, o autor inglês Neil Gaiman cria em sua obra Deuses Americanos (2001) um novo tipo
de ciência: uma ciência sacralizada, “deusificada”. No romance, deuses de
culturas e religiões antigas devem conviver com e sobreviver a novos deuses emergentes – os deuses da mídia, dos carros e dos computadores, entre
outros. As duas gerações de deuses disputam a fé da humanidade, o que os
alimenta, e nesse processo, muitos desses deuses evoluem, involuem ou até
mesmo morrem. A FC criada por Neil Gaiman retorna ao mito para explicar
o desconhecido e torna-se então uma espécie de FC “reversa”. Este trabalho
propõe um debate sobre essa nova face da FC com base nas teorias de Fred
Botting, Mircea Elíade e Tzvetan Todorov, entre outros.
PALAVRAS-CHAVE: Ficção Científica; Mito; Neil Gaiman; Sacralização
A MODERNIDADE E OS ECOS SIMBOLISTAS EM THE
WASTE LAND, DE T. S. ELIOT
Isaías Eliseu da Silva
[email protected]
UNESP / FCLAr – Doutorando
Profª Drª Maria das Graças Gomes Villa da Silva (Or.)
Thomas Stearns Eliot é um dos grandes representantes da modernidade literária e tem sua produção assentada na primeira metade do século XX. Foi
poeta, dramaturgo, crítico literário e consagrou-se, sobretudo, ao publicar o
poema The Waste Land, em 1922. Considerado o arquétipo do poema modernista anglo-americano, a obra é inovadora por apresentar – na poesia – uma
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estrutura fragmentada e a temática que trata da condição desoladora do homem daquele tempo. Embora seja um expoente da estética modernista, T. S.
Eliot demonstra em sua obra aspectos que revelam uma herança simbolista.
Leitor de Charles Baudelaire, Eliot toma daquele poeta traços tais como o
tema decadente, o uso de símbolos e a sonoridade expressiva dos versos.
Este trabalho tem por objetivo refletir sobre a característica moderna de The
Waste Land e os traços do simbolismo que permeiam o poema. Os principais
teóricos nos quais estará baseada a argumentação serão Kathrin Rosenfield,
Edmund Wilson e Anna Balakian. A metodologia de trabalho consiste em
apresentação de aspectos da vida e da obra de T. S. Eliot, com destaque à sua
produção poética e influências, reflexão sobre a modernidade e análise do
poema The Waste Land.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia; T. S. Eliot; The Waste Land; Modernidade;
Simbolismo.
A DESREALIZAÇÃO DA FICÇÃO E DA EXISTÊNCIA: UMA
LEITURA INTERVALAR DE ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA
Jacob dos Santos Biziak
[email protected])
UNESP / FCLAr - Doutorando
Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.)
Para compor nossas reflexões aqui, contaremos com alguns apontamentos
de Georges Didi-Huberman (1998), que, em sua obra O que vemos, o que
nos olha, apoiado na psicanálise freudiana e lacaniana, tece considerações
a respeito da arte contemporânea que, ao nosso ver, valem também para o
romance de Saramago.
Em Ensaio sobre a cegueira (1995), o que se re107
vela diante o ser humano é um grande vazio com que devemos criar uma
mediação possível, um aparato simbólico. Ou seja, qualquer elemento de representação começa e termina no homem, ele é o senhor de suas mediações,
sempre em contato e relação com o Outro. As possibilidades de sentido para
a existência, então, surgem a partir do contato com a falta, o sofrimento: isso
estabelece conexões do sujeito com a linguagem, e esta surge como tentativa
de significação deste trauma. Ver, aos poucos, revela-se como um ato aberto,
inquietante, em que o sentido depende de uma experiência intersubjetiva.
Enquanto esta nova consciência é construída, tudo é reduzido ao mínimo:
não somente as cores, mas também as roupas, os alimentos, a dignidade, a
ética do grupo, entre outros. Não é nem no vazio de si e nem no do mundo
que cada personagem se constitui, mas é no intervalo dele com o Outro, com
o qual o instrumento mais eficiente de contato é a voz. O entrelugar entre ver
e o que se vê é inquietante, trazendo aquilo que deveria ter sempre ficado escondido: nosso fundamento a partir do constatação do abandono primordial,
quando, desde já, somos barrados. Qualquer acesso ao sentido não pode ser
alcançado de forma essencialista; o significado não habita os objetos e as
pessoas enquanto essência a ser conquistada, já que estes também são vazio.
É no discurso intervalar entre o que vemos e o que nos vê que o narrador do
romance em questão constrói as possibilidades do significar. O que vemos é
suportado pela perda e algo resta, e este é constituinte do sujeito e das possibilidades de significação da existência e da ficção romanesca.
PALAVRAS-CHAVE: Angústia; Ficção; Mímesis; Ensaio sobre a cegueira.
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A IRONIA NOS POEMAS A ORIGEM DO MÊNSTRUO E
ELIXIR DO PAJÉ
Jéssica Fabrícia da Silva
FCLAr/UNESP – Graduanda
[email protected]
Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.)
Esta pesquisa propõe a análise dos poemas “A Origem do Mênstruo” e
“Elixir do Pajé”, ambos do poeta romântico Bernardo Guimarães e conceituados como destoantes de sua produção poética, a partir do viés da ironia
na poesia. Desse modo, o estudo pretende, para mais que demonstrar a
inserção destes textos poéticos no movimento romântico brasileiro, expor
as formas de ironia nos diversos níveis que constituem estes poemas, ou
seja, os níveis semânticos, morfológicos e formais. Assim, recorreremos
à fortuna crítica de Guimarães, considerando o que estudiosos, como por
exemplo, Antonio Candido e Vagner Camilo, dizem a respeito das chamadas “poesias pantagruélicas” do poeta mineiro. Além disso, as análises
serão fundamentas a partir da teoria poética de Octavio Paz, por a considerarmos abrangente, pois concebe a obra poética como um todo constituído
por ritmo e imagens, que, em seu final, mostram-se complementares e profundas de sentidos.
PALAVRAS-CHAVES: Bernardo Guimarães; Poesia Pantagruélicas; Romantismo; Ironia.
109
MARCIAL: UM ESTUDO DE RECEPÇÃO DA TRADUÇÃO
Joana Junqueira Borges
FCLAr/UNESP - Doutoranda
[email protected]
Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.)
Com a proposta de contribuir com a definição de uma História da Tradução
em contexto lusófono e, com isso, retomar antigas traduções luso-brasileiras
de clássicos greco-latinos, trabalhamos com traduções de quarenta e nove
epigramas de Marcial realizadas por José Feliciano de Castilho no século
XIX. Castilho José, como era comumente conhecido, nasceu em Portugal
em 1810, veio para o Brasil em 1847 e viveu aqui até sua morte em 1879,
período em que participou ativamente da cena literária, frequentando inclusive os saraus literários promovidos pelo Imperador D. Pedro II. Marcial
foi o maior epigramatista romano, sendo inclusive o poeta que difundiu e
edificou o gênero entre os romanos; suas temáticas são variadas, mas é principalmente conhecido em nossos dias por sua acidez e por uma linguagem
mais “baixa”. Com a intenção de mostrarmos como se dava a leitura e a
compreensão da obra de Marcial nos dias de sua tradução por José Feliciano
de Castilho, apresentaremos, confrontando com traduções recentes, outras
traduções e teorizações do poeta latino realizadas por poetas franceses, espanhóis e brasileiros, além, é claro, do próprio José Feliciano de Castilho. Para
isso nos valeremos do epigrama 6.31, traduzido em duas edições francesas
do século XIX − Simon (Ed. Guitel, 1819) e Verger (Ed. Panckoucke, 1834)
–, uma luso-brasileira do mesmo século − Castilho (Ed. Lammert, 1862)
–, uma espanhola do fim do século XX − Valverde e Verger (Ed. Gredos,
1997) – e uma brasileira do século XXI − Agnolon (Ed. Humanitas, 2009) –,
além, é claro, de nos valermos de considerações filológicas relativas ao texto
latino (Ed. Belles Lettres, 1961). A distância temporal entre essas diferentes
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configurações de um mesmo poema reflete nosso interesse em demonstrar o
quanto, através do tempo, a leitura dos epigramas de Marcial mudou e como
a época e o contexto de produção de uma obra literária podem influenciar a
recepção.
PALAVRAS-CHAVE: Marcial; Estudos de Tradução; Literatura Latina;
José Feliciano de Castilho; Recepção.
UMA BIOGRAFIA LITERÁRIA DE PÉRICLES EUGÊNIO DA
SILVA RAMOS
João Francisco Pereira Nunes Junqueira
FCLAr/UNESP - Doutoranda
Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.)
O presente projeto de pesquisa busca construir uma biografia literária do
poeta paulista Péricles Eugênio da Silva Ramos (1919-1992). A pesquisa
propõe apresentar uma visão global do trabalho literário do poeta, até agora
não realizado de forma plena. Esta visão abarca sua própria obra autoral
como poeta (cinco livros de poesia), crítico literário e tradutor. Outro ponto
importante da pesquisa será a utilização de um acervo pessoal do poeta como
corpus de pesquisa. Tudo com o intuito de clarear ao máximo as análises
sobre a obra de Péricles Eugênio. O método empregado para a análise dos
poemas de Péricles Eugênio da Silva Ramos parte de observações feitas durante a leitura de obras sobre a métrica tradicional e a rítmica moderna, pois a
partir das rupturas empregadas pelo poeta, em relação à tradição, ficará mais
claro o rumo escolhido na confecção de seus versos. Em relação à métrica
tradicional foi feita uma escolha de obras que tratam da versificação em língua portuguesa, além de textos que versam sobre métrica inglesa e latina. As
três principais obras usadas sobre este aspecto são Versificação portuguesa
111
de Said Ali, Teoria do verso de Rogério Chociay, e O verso romântico e
outros ensaios do próprio Péricles Eugênio da Silva Ramos, que traz ensaios específicos sobre a estrutura de algumas formas de versos, inclusive
de versos ingleses. Sobre a rítmica moderna será utilizada como apoio obras
como O ser e o tempo da poesia de Alfredo Bosi, O problema da linguagem
poética I de Iuri Tinianov, entre outros. Além de teóricos da tradução, como,
por exemplo, José Paulo Paes e Haroldo de Campos. As análises pretendem
demonstrar de que forma se estrutura o verso tanto da poesia quanto da tradução do poeta, além da presença da tradição de séculos de poesia na obra
de Péricles Eugênio da Silva Ramos. Com relação à pesquisa do acervo de
Péricles Eugênio da Silva Ramos, nossa pesquisa utiliza como aparato crítico a obra Crítica e coleção organizado por Eneida Maria de Souza e Wander
Melo Miranda. Esta obra conta com vários artigos relacionados a acervos,
arquivos e museus, e dá um panorama das abordagens recentes de pesquisas
voltadas a este assunto.
PALAVRAS-CHAVE: Péricles Eugênio da Silva Ramos; Poesia; Tradução;
Acervo literário; “Geração de 45”.
A CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA POÉTICA NO CONTO
“LUVINA”, DE JUAN RULFO
Larissa Müller de Faria
FCLAr/UNESP /CNPq - Mestranda
[email protected]
Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
O presente trabalho tem como objetivo estudar o conto “Luvina”, da coletânea de contos do escritor mexicano Juan Rulfo, publicada em 1953. O que se
propõe é um estudo do que se apresenta como sobrenatural e memória, ima112
ginário e realidade no conto, os quais são vistos em sua relação íntima com
o subjetivo da narrativa poética, que se realiza no campo de uma linguagem
moderna.
PALAVRAS-CHAVE: Rulfo; Conto; Narrativa poética.
CONSTRUÇÕES SENSORIAIS EM CONTOS DE LAÇOS DE
FAMÍLIA DE CLARICE LISPECTOR
Letícia Coleone Pires
FCLAr/UNESP - Graduanda – Bolsista PIBIC
[email protected]
Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
A comunicação a ser apresentada tem como objetivo primordial averiguar
de que modo os campos sensoriais – audição, tato, paladar, olfato e, mais
especificamente, o olhar -, contribuem para a construção do tema de determinados contos de Laços de família, coletânea de Clarice Lispector de
1960. Nessa direção, procura-se indagar como os sentidos colaboram para
o momento em que se estabelece a epifania, quando ela existir. O corpus
da pesquisa é composto por três contos do livro em questão: “A imitação
da rosa”, “Preciosidade” e “Os laços de família”. Tais contos foram selecionados por apresentarem em seu cerne a presença visível das percepções
sensoriais que foram aqui listadas. Coincidentemente, as composições selecionadas têm grande destaque nos estudos críticos sobre a obra da escritora
que, em sua maioria, salientam a singularidade de sua escritura, cuja base é o
uso poético da linguagem em narrativas em que se a introspecção é uma das
características centrais. A hipótese é a de que, nos contos em pauta, categorias narrativas - como história, personagens, tempo e espaço - constroem organicamente os campos sensoriais que beneficiam a elaboração da epifania.
113
A crítica sobre Clarice Lispector vem apontando a importância do olhar em
sua narrativa, mas pretendemos mostrar o vigor de outros sentidos. Para o
desenvolvimento da comunicação utilizaremos três tipos de apoio teórico: o
primeiro é constituído por ensaios críticos sobre a produção clariciana, com
maior destaque para Laços de família; o segundo é formado por proposições
teóricas a respeito de percepções sensoriais e da epifania e o último compõe-se de textos teóricos relativos às categorias narrativas.
PALAVRAS-CHAVE: Linguagem poética; Clarice Lispector; Laços de família; Construção sensorial.
FRANCIS PONGE: A POESIA POR UMA REVOLUÇÃO DA
LINGUAGEM
Lígia Maria Pereira de Pádua Xavier
[email protected]
Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
José Paulo Paes em “Para uma pedagogia da metáfora” endossa a premissa
aristotélica de que a poesia é a metáfora do mundo em função do seu poder
heurístico contingente, de “revelar o universal no particular”. No entanto, ele
afirma que a poesia moderna operou uma radicalização lírica de modo que os
nexos entre literal e figurado se esgarçaram intimando o leitor a “reagrupar
metaforicamente os detritos no transreal de invenção.” Ítalo Calvino em sua
conferencia “Exatidão” junta-se a Paes e defende o mesmo poder eloquente
das palavras e reivindica a literatura como o único meio de salvar a palavra
e a imagem do seu uso burocrático e mediático promulgando uma renovação
da linguagem. Assim, aponta Francis Ponge – “mestre sem igual” – como
exemplo impar dessa empreitada: “melhor exemplo de um poeta que se bate
com a linguagem para transformá-la na linguagem das coisas, que parte das
coisas e retorna a nós trazendo consigo toda a carga humana que nelas havía114
mos investido.”Francis Ponge, nascido em 1899 em Montpellier, é um poeta
francês designado como “poeta das coisas”, pois, ao refutar a efusão lírica e
o subjetivismo, dedica-se à observação e apreensão da realidade das coisas,
dos objetos por meio de um vertiginoso trabalho da linguagem fazendo uso
de neologismos a partir da etimologia das palavras. Como um exímio antípoda da lírica, Ponge conduziu sua poesia pelos domínios da prosa – “proemas” – e fazia exercício de crítica em seus poemas chegando, até mesmo, a
publicar seus esboços e borrões levando às últimas consequências o “inacabamento perpétuo” da arte literária com os seus “poemas-canteiros-de-obra”.
Ele falece em 1988 em Paris e entra para o cânone literário mundial como um
poeta revolucionário que promove a “desintoxicação da linguagem poética
da massa de suas escórias líricas” através da transgressão da noção analógica
da metáfora: “os objetos singulares são usados por Ponge para fazer explodir a macro-unidade do mundo, bem como a razão sintética e totalizante,
com as suas interconexões.” O objetivo desse trabalho incide justamente em
verificar como Ponge, por meio da sua original criação poética, opera uma
revolução da linguagem capaz de fazer frente à sua contaminação pelo uso
cotidiano.
PALAVRAS-CHAVES: Francis Ponge; poesia; literatura francesa moderna.
DUAS LEITURAS TRADUTÓRIAS DE POUND, J. P.
SULLIVAN E PAULO LEMINSKI: REINVENTANDO O
SATYRICON, DE PETRÔNIO
Lívia Mendes Pereira
FCLAr/UNESP/–CAPES - Mestranda
[email protected]
Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.)
Diante da rica fortuna tradutória do Satyricon de Petrônio, o presente trabalho seleciona e coloca em foco duas traduções poundianas da obra. A tra115
dução do classicista e tradutor norte-americano J. P. Sullivan, lançada em
1965 pela editora Penguin Books, e a do poeta e tradutor brasileiro Paulo
Leminski, lançada em 1985 pela editora Brasiliense. A primeira, que se situa no movimento Swinging Sixties, nascido em Londres e repercutido pelo
mundo, e dois anos antes da euforia hippie, culminada pelo Summer of Love,
em abril de 67, é marcante por quebrar as regras e não censurar as cenas eróticas, muito presentes no livro. A segunda tradução, marcada pela influência
os movimentos libertários dos anos 60, expressa os interesses de sua época
e reflete a irreverência da década de 80 brasileira, assumindo como produto
final um romance marginal, inspirado no mote de Petrônio. Ambas traduções mais ou menos declaradamente refletem a leitura tradutória inovadora
de Ezra Pound, do “make it new”. A partir dessas duas obras, pretendemos
demonstrar quais foram os diversos resultados alcançados, no nível da linguagem e da interpretação, comparando trechos coincidentes entre as duas
traduções, como produtos da leitura de Pound e sob as influências dos novos
hábitos culturais.
PALAVRAS-CHAVE: Satyricon; Ezra Pound; Sullivan; Leminski; Recepção da Literatura Greco-romana.
METALINGUAGEM NA POESIA DE ROBERTO PIVA. UM
ABSOLUTO CORPÓREO
Luiz Carlos Menezes dos Reis
FCLAr- UNESP – Pós-Doc
[email protected]
Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Sup.)
A busca de uma perspectiva metalinguística aparece como uma maneira de
a poesia contemporânea dialogar com um sentido num mundo niilista. A
116
modernidade tardia é palco das diversas micropolíticas e do universo pós-moderno, que aparentemente recusariam qualquer sentido último para a
realidade e para a arte. A poesia de Roberto Piva, em seu último livro, Ciclones, mostra um sentido de poesia que a conecta com o conceito de essência
explorado pelo filósofo Heidegger, para quem a poesia mostra a essência da
linguagem ao desvelar uma perspectiva ontológica. O poeta Roberto Piva
concebe a poesia num agenciamento que liga a Natureza com o ato poético,
capaz de conjugar uma visão de plenitude que pode ser qualificada como
essencial. Mas, numa perspectiva diversa da heideggeriana, o poema de Piva
passa também por um contato corpóreo. Esta comunicação explora a ligação
da poesia de Roberto Piva com a filosofia de Heidegger, ressaltando a perspectiva do corpo como significativa e definidora da própria poesia.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Contemporaneidade; Metalinguagem; Essência da linguagem; Poesia e corpo.
A “MÁQUINA DO MUNDO” RECRIADA – E NOVAMENTE
EVITADA – EM JUNCO (2011), DE NUNO RAMOS
Luis Eduardo Veloso Garcia
FCLAr- UNESP
[email protected]
Profª Drª Juliana Santini (Or.)
Lançado em 2011, o livro Junco, de Nuno Ramos, tem sua montagem baseada em duas imagens que aparecem em 18 fotos e 43 poemas: um junco
jogado na beira do mar e um cão morto largado no asfalto. No decorrer das
interpretações subjetivas que os poemas geram destas duas imagens (com a
contemplação das fotos entrecortando os poemas para que o leitor as ressignifique do seu modo também), encontra-se um eu-lírico baseado no exercício
117
visto no poema “Máquina do Mundo”, de Carlos Drummond de Andrade:
através das duas imagens confrontadas, como nos chama a atenção Flora
Sussekind (2011) na orelha do livro, ocorre “à busca do sentido do mundo,
à “total explicação da vida” que espantosamente se abre aos olhos de um
caminhante solitário, ainda que para se recolher, logo em seguida, e sem
desfazer o enigma, como no poema de Drummond”. Portanto, levando em
consideração a leitura referente à forma que Drummond redimensiona sua
“Máquina do Mundo”, escolhemos para este trabalho o primeiro poema do
livro de Nuno Ramos para demonstrar em sua construção o confronto com
o enigma claro que a matéria carrega (Assim é a matéria, tem seu frio) e o
modo que o eu-lírico o nega pelo medo de não conseguir lidar com este peso
(Por isso durmo e não pergunto/ junto aos juncos).
PALAVRAS-CHAVE: Nuno Ramos; Junco; Carlos Drummond de Andrade; Máquina do Mundo; Poesia.
ICONICIDADE E POÉTICA: A EXPRESSIVIDADE NA
LETRA DA CANÇÃO “ATRÁS DA PORTA” MARCELA
ULHÔA BORGES MAGALHÃES
Marcela Ulhôa Borges Magalhães
FCLAr- UNESP - Mestranda
[email protected]
Profª Drª Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.)
A noção de isomorfismo é correspondente ao conceito de paralelismo
desenvolvido por Roman Jakobson em Linguística e Comunicação (1973).
Trata-se de homologações, acoplamentos, que ocorrem entre o plano
de conteúdo e o plano de expressão da linguagem. Tais isomorfismos
118
intensificam a poeticidade do texto literário: a matéria fônica do plano de
expressão é organizada de maneira a que os signos presentes no poema,
que não apresentam os mesmos correspondentes no mundo natural,
sejam aproximados e passem a confluir na mesma direção, assegurando e
reforçando, por meio da expressão, a isotopia figurativa delineada no plano
de conteúdo do texto. Pretende-se, nesta comunicação, demonstrar como o
procedimento supracitado contribui para a construção do poético na letra da
canção “Atrás da porta”, da autoria de Chico Buarque e Francis Hime, que
recorre aos isomorfismos em busca de potencializar os efeitos de sentido,
em especial, os passionais, engendrados na letra da canção, pois as paixões,
que aparecem no plano de conteúdo do texto, transbordam para o plano da
expressão de modo a formar uma tessitura uniforme, em cuja plasticidade,
expressão e conteúdo são solidários. Vocábulos com sentidos diferentes, mas
semelhantes foneticamente, são reunidos, por meio do processo de seleção e
combinação realizado pelo enunciador, no mesmo sintagma frasal, de modo
que eles passam, em virtude da materialidade fônica do plano de expressão,
a confluir na mesma direção, homologando-se à isotopia desenvolvida no
plano de conteúdo. O processo isomórfico, assim, faz com que aquelas palavras com sentidos diferentes, se reunidas, produzam o efeito de similitude
semântica, como muito bem evidencia Jakobson em suas reflexões (ibid.).
Para pensar tais questões, utiliza-se como arcabouço teórico a semiótica
greimasiana de linha francesa, que se dedica ao estudo dos processos de
significação.
PALAVRAS-CHAVE: iconicidade; expressividade poética; “Atrás da porta”; Chico Buarque.
119
O HIBRIDISMO ESQUILIANO: A TRAGÉDIA LÍRICA
Marco Aurélio Rodrigues
FCLAr/UNESP/CAPES – Doutorando
[email protected]
Prof. Dr. Fernando Brandão dos Santos(Or.)
Profª Drª Maria de Fátima Sousa e Silva (Universidade De
Coimbra/FLUC)
Primeiro representante da tragédia clássica, Ésquilo compôs dramas com
fortes traços épicos e líricos. Das sete peças remanescentes do tragediógrafo
é possível extrair elementos que, ora são preeminentemente um resgate da
tradição heroica, como é o caso de Sete Contra Tebas (467 a.C.), ora possuem momentos de extremo lirismo, como é o caso de Suplicantes (por volta
de 463 a.C.), designada por Kitto (1939) como uma “tragédia lírica”. No
entanto, embora a predominância de traços líricos seja mais evidente em
Suplicantes, tal como propõe o helenista, as tragédias de Ésquilo pertencem
a um período de transições e renovações em todas as esferas, inclusive na
recém-criada arte dramática. Todavia, mesmo acrescentando inovações à sua
tragédia, em relação à estrutura e à forma, o dramaturgo estava intimamente
ligado à tradição do gênero épico e lírico e, portanto, ao falar em “hibridismo esquiliano”, o presente trabalho versa sobre aspectos que compõem os
dramas do autor e as influências do lirismo, traço que seria explorado por
Aristófanes na comédia Rãs (405 a.C.) como uma das principais marcas da
produção do primeiro tragediógrafo clássico.
PALAVRAS-CHAVE: Tragédia; Ésquilo; Hibridismo; Gênero lírico.
120
HIBRIDISMO EM UM ROMANCE BRASILEIRO
CONTEMPORÂNEO
Maria Célia Leonel
[email protected]
Edna M. F. S. Nascimento
edna.fernandes @uol.com.br
O objetivo da comunicação é demonstrar que, no romance Um crime
delicado (primeira edição de 1997) de Sérgio Sant’Anna, o protagonista relata um acontecimento de certo modo inusitado por meio de uma construçãoliterária que ainda hoje pode ser considerada como inusitada: a mistura
de linguagens em que sobressaem, em especial, a da ficção literária e a da
crítica de arte. A história, em princípio, pode ser considerada como banal: o
crítico profissional de teatro Antônio Martins conta, em primeira pessoa - ou
como narrador autodiegético - as mudanças ocorridas na sua vida depois
de conhecer Inês. Homem tranquilo e já cinquentão, apaixona-se pela jovem
modelo de um pintor. Instala-se, para o protagonista-narrador, um triângulo
amoroso, porque ele crê que Inês mantém um relacionamento com o artista plástico. Tal situação, como sói acontecer, gera insegurança em Antônio
que, ciumento, deseja a mulher só para si. Elementos incomuns provêm do
fato de Inês ser manca, e um tanto excêntrica, de manter com ele um relacionamento estranho e equívoco, acabando por denunciá-lo por estupro em
consequência de uma relação sexual em que ela se comporta ambiguamente.
A construção discursiva do narrador-protagonista conta a história em meio
a interessantes reflexões sobre arte e outros temas, a uma peça de defesa do
próprio protagonista entre outros registros. Para atingir o objetivo, tomamos
como balizas teóricas estudos sobre a narrativa e sobre diferentes linguagens.
PALAVRAS-CHAVE: Sérgio Sant›Anna; Um crime delicado; Hibridismo
da linguagem; Representação do inusitado.
121
O MITO DE NÍOBE E SEUS REFLEXOS NAS ARTES
PLÁSTICAS
Mariana Peixoto Pizano
FCLAr-UNESP- Mestrando
[email protected])
Prof. Dr. João Batista Toledo Prado (Or.)
O projeto tem em mira analisar a expressividade poética dos versos que relatam o mito de Níobe, narrado no sexto livro das Metamorfoses de Ovídio.
O mito conta a ousadia da esposa do lendário rei de Tebas, ao insultar a mãe
dos gêmeos Febo-Apolo e Diana, porque, devido a sua numerosa prole, a
rainha se achava mais digna de receber incenso e preces que a deusa Latona;
tamanha heresia rendeu-lhe uma terrível punição, imposta pela deusa ultrajada. A análise da passagem pretende valer-se de elementos de crítica poética,
que constituem o que se tem chamado Poética da Expressão, bem como
de certos elementos de semiótica francesa, tal como o conceito de semi-símbolo. O objetivo será estudar de que maneira a história narrada (fabula)
e sua expressão poética – o modo como o texto foi composto por meio do arranjo das palavras em verso, com todos os recursos permitidos pelo sistema
linguístico do latim, reapropriado pelo(s) sistema(s) da poesia – unem-se a
fim de construir sentidos que se valem (mas ao mesmo tempo ultrapassam) a
mera gramaticalidade. É mister ressaltar que a língua latina permite arranjos
muito mais livres em relação às possibilidades de construção frasal que as
demais línguas novilatinas, um dos motivos pelos quais se torna relevante
um trabalho de análise que leve em conta a expressividade do texto. Também
serão observados e explicados os elementos de cultura que integram o texto
e que, mercê do distanciamento espaço-temporal que se experimenta modernamente em relação ao mundo dos antigos romanos, clamam por elucidação.
122
Por fim, também serão analisados aspectos métricos e estilísticos do texto
ovidiano, com aproveitamento dos conhecimentos advindos das pesquisas
realizadas durante a Iniciação Científica da pesquisadora, que se ocupou de
trechos da obra De Litteris, De Syllabis, De Metris de esticologista latinoTerenciano Mauro.
PALAVRAS-CHAVE: Níobe; Metamorfoses; Ovídio; Expressividade poética; Semi-símbolo.
OS ASPECTOS REALISTAS E MITOLÓGICOS EM LE
CHERCHEUR D’OR, DE J.M.G. LE CLÉZIO
Marília Alves Corrêa (Bolsista CNPq)
FCLAr-UNESP- Mestranda
Prof ª DrªAna Luiza Silva Camarani (Or.)
O principal objetivo deste trabalho é demonstrar como J.M.G. Le
Clézio faz de Le chercheur d’or (1985) um conjunto de elementos míticos
e lendários extremamente díspares, mas que, no conjunto da obra, formam
uma narrativa homogênea cuja principal finalidade é transmitir a ideologia
intercultural do autor. Também serão enfatizados os aspectos realistas envolvidos no romance, uma vez que Le Clézio procura fazer uma denúncia das
relações de poder características dos séculos XX e XXI, em que a hegemonia
dos países ocidentais exercem uma supremacia aniquiladora sobre os povos
outrora colonizados, o que minimiza sua importância étnico-cultural. Nesse
contexto violento e opressivo do capitalismo, o que o escritor pretende valorizar através do protagonista e narrador Alexis é a plenitude e a harmonia
123
que foram perdidas no decorrer do progresso industrial, preterindo o materialismo e a busca incessante pelo poder característicos do homem contemporâneo. Para que essa mensagem seja transmitida com eficácia, Le Clézio
utiliza-se da polifonia inerente aos romances de Dostoiévski, ou seja, não há,
em Le chercheur d’or, a intenção de submeter a voz dos outros personagens
à voz do herói europeu Alexis; pelo contrário, a proposta lecléziana é fazer
com que as vozes dos personagens (principalmente indianos e africanos),
representadas pelos mitos e lendas que evocam, sejam um complemento da
ideia do protagonista. Sendo assim, as culturas e etnias presentes na narrativa coexistem de maneira harmônica e complementar, sem que uma se sobreponha à outra, assim como propõe a ideologia intercultural. Todos esses
aspectos críticos e mitológicos que envolvem o romance são expostos sob a
forma de um romance de aventuras, em que a busca pelo ouro torna-se um
símbolo da busca pela plenitude tão almejada pelo homem contemporâneo,
representado, genericamente, pelo herói Alexis. A identificação do leitor com
o protagonista ocorre na medida em que este demonstra suas fraquezas e
narra as adversidades que enfrenta, explicitando dúvidas e questionamentos
que são intrínsecos ao ser humano. Desse modo, a grandeza literária de Le
Clézio está em explorar gêneros já consagrados, mas sob novas roupagens,
destacando sua sensibilidade em adaptá-los às novas necessidades do leitor e
da literatura contemporâneos.
PALAVRAS-CHAVE: Narrativa contemporânea; Realismo; Polifonia ; Romance de aventuras; Le Clézio.
124
UMA LEITURA SOBRE O ESPAÇO E O PODER ATRAVÉS
DA OBRA O EQUIVOCRATA, DE RAUL FIKER
Matheus Marques NUNES
FCLAR/UNESP – Pós-Doc
[email protected]
Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Sup.)
Este trabalho aborda a questão do espaço e do poder presentes na obra O
equivocrata (uma reta de vista), do artista e filósofo Raul Fiker. Através da
discussão do tema poderemos resgatar: o processo de construção do poder do
Estado Moderno através da criação do espaço e também as mudanças sociais
ocorridas pela compressão espaço/tempo na forma como o controle é exercido sobre os indivíduos na pós-modernidade. A obra destaca, como consequência desta alteração no exercício do poder, o tema do artista confrontado
com a imposição dos poderosos de subjugar a disparidade com a ajuda de
categorias legalmente definidas. Tudo para melhor excluir aqueles que se
opõem ao seu controle. Trata-se de uma batalha pela soberania e, simultaneamente, uma luta pela legibilidade do espaço. Por isso mesmo, a discussão
acerca do olhar sobre o estranho aparece com tamanha força nas metáforas
da prosa poética que descrevem, por exemplo, as transformações e a fragmentação do espaço urbano na modernidade. A fragmentação esta presente,
evidentemente, tanto na forma de tal prosa poética quanto nos conteúdos e
significados veiculados na obra. No processo de construção do poder burocrático, a caracterização e as novas tipologias, alcançadas através do isolamento via separação espacial, tomam o lugar da singularidade dos indivíduos
e das suas histórias. Como definido por Michel Foucault, a História Moderna
caracteriza-se pela vigilância e pela punição, nesse sentido, o poeta trava
uma contínua luta que acontece num cenário controlado e transparente. Nes125
ta reorganização do espaço já não importa quem é o observador, mas a objetividade da descrição para os objetivos do controle burocrático. O espaço deve
ser perfeitamente legível para o Estado e, assim, a desnorteante diversidade
de imagens urbanas fragmentadas deveria ser substituída por uma hierarquia
de imagens para aprimorar o controle dos atores sociais. Vamos
destacar
ainda a questão da viagem e do aprisionamento, pois a obra é uma narrativa cronológica fragmentada sobre tais temas. As “pressões” e “impressões”
fragmentadas do viajante poeta e pirata Endpeleuto O’Vascanton serão um
contraponto para o nosso exercício crítico diante deste vasto mar aberto de
medos e possibilidades.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura brasileira; Contemporaneidade; Raul Fiker; Espaço e poder; Prosa poética.
A PRESENÇA DA NATUREZA EM EMILY DICKINSON E
ELIZABETH BISHOP: ANÁLISE DOS POEMAS “I STARTED
EARLY – TOOK MY DOG” E “THE WEED”
Natalia Helena Wiechmann
FCLAR/UNESP –Doutoranda
[email protected]
Profª Drª Maria Clara Bonetti Paro (Or.)
É de conhecimento geral que a natureza se faz presente em todas as áreas do
saber humano, como a religião, a ciência e a literatura; reconhece-se também
que, para esta última, a natureza é comumente vista como fonte de inspiração.
De fato, com o Romantismo, entre finais do século XVIII e início do século
XIX, institui-se a natureza como fonte de conhecimento e revelação, além de
espaço para o refúgio do indivíduo, o que de certa forma moldou as idéias de
autores e leitores acerca das relações entre o mundo natural e a manifestação
literária. No entanto, para além de inspiração ou fuga do mundo real, verifica126
se que grandes nomes da poesia de língua inglesa escrita por mulheres, como
Emily Dickinson, Marianne More, Elizabeth Bishop e Sylvia Plath, recorrem
à natureza em suas escolhas temáticas, de vocabulário, de construção de
imagem e de símbolo, fazendo com que as relações construídas nos poemas
possam sugerir metáforas representativas do próprio eu (self). Em outras palavras, a natureza pode se revelar como o ponto a partir do qual a poeta entende e orienta seu lugar no mundo físico e literário, podendo, portanto, ser
um aspecto de comparação entre os trabalhos produzidos por essas poetas.
Na tentativa de compreender a forma que a natureza toma na poesia de Emily Dickinson e de Elizabeth Bishop, apresentaremos os poemas “I started
Early – Took my Dog –” e “The Weed”, sugerindo hipóteses interpretativas
para sua leitura. Consideramos, no entanto, que as diferenças entre a poesia
de uma e de outra são evidentes, tanto no que se refere aos temas como nos
aspectos formais, o que sugere não ter havido uma influência direta, como
um modelo, de Dickinson para Bishop. Ainda assim, a poesia de Bishop se
aproxima dos versos dickinsonianos no que diz respeito às estratégias de
criação poética, o que nos possibilita aproximar as leituras da obra desses
dois importantes nomes da poesia de língua inglesa.
PALAVRAS-CHAVE: Emily Dickinson; Elizabeth Bishop; Natureza.
O PÓETICO EM LES RÊVERIES DU PROMENEUR
SOLITAIRE, DE JEAN-JACQUES ROUSSEAU
Natália Pedroni Carminatti
FCLAR/UNESP –Doutoranda
[email protected])
Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
Octavio Paz, em O arco e a lira (1956), define a poesia como uma operação
hábil a modificar o mundo. E Paz não termina por aí: discorre sobre poesia
127
e sua finalidade de criar um outro mundo. A poesia é tudo isso, é sublimação, é libertação, é salvação, é cópia do real, é condensação do inconsciente, é regresso à infância, é nostalgia do paraíso, é confissão. Essas são as
palavras-chave da poética da poesia de Octavio Paz, e o mais intrigante é
que elas remetem a todas as experiências de Rousseau em Les rêveries du
promeneur solitaire (1782). Se a atividade poética é capaz de transcender
o mundo real e tecer um mundo imaginativo, é dela que se utiliza Jean-Jacques Rousseau nas Rêveries, a fim de conceder mais veemência a seu
discurso, já que a prosa não dava mais conta de expressar aquilo que ele
sentia. Carregando questionamentos sobre o ser é, por meio da poesia, que
o homem enxerga a efemeridade da vida. E foi assim mesmo que o filósofo
iluminista procedeu. A ele não lhe interessava a opinião do público e nem
o que os outros iriam dizer sobre seus escritos. Os devaneios em Rousseau
deixavam-se conduzir pelos sobressaltos da alma e seu discurso filosófico
se torna poético à medida que o trabalho com a linguagem a remodela,
tornando-a evasiva, flexível e harmoniosa. Desse modo, a poesia se faz
presente em Les rêveries du promeneur solitaire e proporciona à obra a
configuração de diferentes significados, uma vez que o discurso da prosa
só nos permite identificar um dos seus possíveis significados e a poesia
ultrapassa o campo semântico do sentido. Nessa perspectiva, intenta-se desenvolver, na presente comunicação, a pertinência do trabalho poético na
arquitetura da personalidade do filósofo de Genebra, bem como sua função
social na vida e obra rousseaunianas.
PALAVRAS-CHAVE: Século XVIII; Jean-Jacques Rousseau; Poesia; Significação.
128
“ESGAR DE MÁSCARA”: O CORPO NA LÍRICA
BRASILEIRA CONTEMPORÂNEA
Patrícia Aparecida Antonio
FCLAR/UNESP/CAPES –Doutoranda
[email protected]
Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.)
A presente comunicação tem por objetivo pensar brevemente os modos de configuração do corpo na lírica brasileira da contemporaneidade,
com base nas obras mais recentes de cinco poetas: Francisco Alvim, Contador Borges, Donizete Galvão, Claudia Roquette-Pinto e Arnaldo Antunes.
Entendendo-se como corpo a estrutura física dos seres, pretende-se que se
sobressaia seu lugar e atuação no espaço lírico contemporâneo. Presença
marcante, este corpo da atualidade aparece sempre como um extremo que
rivaliza a outro: seja ele a palavra a ser trabalhada desde a sua forma mais
bruta; a linguagem a ser criticada; o sujeito poético e suas configurações
(materializando seu próprio corpo ou o do outro a quem fala ou se refere);
a tradição, farol que ilumina para trás, e que deve ser ultrapassada ou apropriada; a realidade, alvo de crítica ou motivo de fuga; o leitor, que esbarra
o próprio corpo nessa poesia. Relações lastreadas por cicatrizes, arranhões,
dores, odores, desejos e materialização. Desses embates, surge um outro
corpo, aquele construído de poesia e na poesia. Nessas múltiplas e dispersas formas com que se relaciona a estrutura inalienável dos seres (e das
coisas), inscrevem-se modos também eles diversos de se ver e conceber o
mundo assumidos pela lírica brasileira contemporânea. O corpo, portanto,
é índice claro do modo como o sujeito poético tem se configurado. O que
nos alça a questões como: quem é este sujeito corporal que escreve poesia
129
ou a que(m) se refere? Quem é o seu leitor? A experiência do corpo na
poesia brasileira contemporânea traz à tona um eu problemático, reflexo
borrado do leitor, do poeta e até da crítica. Nessa clave, do contato, toque,
encontro, convívio, intercomunicação, orientados pelas leituras de Michel
Serres, Paul Zumthor, Octavio Paz, José Gil e Giorgio Agamben, é que
pensaremos os direcionamentos do corpo em algumas posturas poéticas
contemporâneas.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Contemporaneidade; Palavra;
Corpo; Metapoesia.
DIÁLOGOS ENTRE O POEMA “NO PARQUE
IBIRAPUERA”, DE ROBERTO PIVA, E AS TENSÕES
HOMOERÓTICAS NA POESIA DE MÁRIO DE ANDRADE
Paulo Ricardo Moura da Silva
UNESP/Ibilce/Rio Preto - Doutorando
[email protected]
Prof. Dr. Márcio Scheel (Or.)
Presente no livro Paranoia, publicado em 1963, o poema “No parque Ibirapuera”, de Roberto Piva, traz em seus versos de modo enigmático, sugestivo e alusivo a polêmica sobre a verdadeira orientação sexual de Mário de
Andrade, um assunto que leva militante do movimento LGBT à distorção
do texto literário do poeta de Pauliceia desvairada com o objetivo da afirmação categórica de sua homossexualidade, mas que também desencadeia
certo silenciamento de grande parte da crítica literária em se tratando de
analisar aspectos homoeróticos na obra de Mário de Andrade. A proposta
deste trabalho é analisar o modo como Roberto Piva explora poeticamente
esta polêmica entorno da sexualidade do grande poeta modernista, para que,
desse modo, possamos estabelecer diálogos entre o poema de Piva que ana130
lisaremos e a poesia de Mário de Andrade que apresenta certa tensão homoerótica, como, por exemplo, o “Poema III – Estâncias”, “Moda dos quatro
rapazes” e “Girassol da madrugada”. Preferimos o termo tensão homoerótica
para nos referirmos à poesia de Mário de Andrade porque, ao elaborar seus
versos diante de ambiguidades e elipses, não se define contornos claros, evidentes e precisos que nos permitem afirmar com segurança de que se trata
de um sentimento amoroso entre pessoas do mesmo sexo, o que leva, muitas
vezes, ao rompimento das fronteiras entre amizade e erotismo ou ao apagamento do gênero do ser amado. A partir do conceito de máscara do espelho
sem reflexo, elaborada por João Luiz Lafetá (1986), em seu livro Figuração
da intimidade: imagens na poesia de Mário de Andrade, podemos notar que
a intimidade em Mário de Andrade é marcada por ocultamentos, que pode
se remeter a certas alusões do poema de Roberto Piva que sugerem a homossexualidade de Mário de Andrade. Porém, se não podemos afirmar com
convicção de que o sujeito poético de Mário é homossexual e que ele seria o
próprio poeta, em Piva, mesmo que de modo sugestivo, o poeta modernista é
tracejado a partir da homossexualidade.
PALAVRAS-CHAVE: Mário de Andrade; Poesia e sexualidade;
Modernismo brasileiro.
O PROCESSO DE CRIAÇÃO POÉTICA DE CLARICE
LISPECTOR EM CARTAS PERTO DO CORAÇÃO
Priscila Berti Domingos
FCLAr/UNESP/CAPES
[email protected]
Prof. Dr. Adalberto Luís Vicente (Or.)
O contexto deste trabalho é o estudo das cartas trocadas entre Clarice Lispector e Fernando Sabino entre os anos de 1946 a 1969, compiladas em “Cartas
131
Perto do Coração” e publicadas em 2001 pelo autor. Nos últimos quarenta
anos, a ótica literária tem-se direcionado para o processo de criação, o que,
por consequência, proporcionou o reconhecimento e o início do estudo de
gêneros periféricos, como a autobiografia ou o diário. Foi a partir desse reconhecimento que as cartas começaram a ter seu espaço na crítica literária.
Nas cartas que estudaremos neste trabalho, endereçadas a Fernando Sabino,
Clarice Lispector aludia, sobretudo, ao seu processo de criação literária e a
outras questões concernentes à literatura. As cartas tornaram-se, portanto,
um espaço importante de trocas de experiências, de discussão de estratégia
de divulgação do trabalho literário, de elaboração do pensamento ainda em
formação e de fazer poético. Aqui, as cartas têm também um valor poético
em que a linguagem toma o primeiro plano da criação. Importa ressaltar
que assim como a obra da autora em estudo, também suas cartas podem ser
lidas, em sua maioria, como narrativas poéticas, já que a autora não se despe da escritora ao escrevê-las e mescla traços característicos da prosa com
procedimentos típicos do poema. Através do estudo de textos críticos sobre
Clarice e sua obra, é possível identificar sua estreita ligação com questões de
identidade (o ser no mundo), liberdade, reconhecimento de si e do outro. Tais
questões são também observadas nas cartas que a autora escreve, e aqui aparece, sobretudo, a preocupação com (i) para que fazer literatura; (ii) escrever
por que e para quem; (iii) o fazer poético; (iv) a procura pela forma mais
precisa de expressar o inexprimível. A escolha de Cartas Perto do Coração
como ferramenta de estudo da obra e da autora em si, dá-se porque entende-se que esta correspondência é um lugar de ensaio, pensamento e de literatura de Clarice Lispector e, sobretudo, porque acredita-se que esse conjunto
de cartas possa ser entendido como um tratado apaixonado sobre a escritura,
o fazer poético e sobre o ofício do escritor.
PALAVRAS-CHAVE: Clarice Lispector; Cartas; Escritura; Poético.
132
ARTHUR RIMBAUD: REBELDIA E MALDIÇÃO NA POESIA
MODERNA FRANCESA
Renato Alessandro dos Santos
FCLAr/UNESP
[email protected])
Profª Drª Maria Clara Boneti Paro (Or.)
Esta comunicação pretende discutir a poesia de Arthur Rimbaud (18541891), bem como aspectos ligados à sua vida: do latim aprendido na infância
até a poesia do vidente (“eu é um outro”). Em seus anos de juventude, o provável maior poeta rebelde de todos os tempos produziu toda a sua obra, e ela
continua a confundir os leitores até hoje (Antonio Candido, dentre eles). Não
por acaso, Hugo Friedrich, autor do admirável, embora contestado, Estrutura
da lírica moderna (1956), analisou a poesia de Rimbaud para encontrar no
‘desregramento de todos os sentidos’ a dissonância que também existe em
Charles Baudelaire (1821-1867), Stéphane Mallarmé (1842-1898) e outros
poetas modernos. A abordagem da poesia de Rimbaud terá como objetos de
análise as obras Uma temporada no inferno (1873) e Iluminações (1874).
PALAVRAS-CHAVE: Poesia; Literatura francesa; Poesia moderna; Poetas
malditos; Poetas rebeldes.
CANTO E POÉTICA: CORRELAÇÕES ENTRE POESIA
E CANÇÃO POPULAR NO CONTEXTO DO PÓSTROPICALISMO
Renato Luís de Aguiar SILVA
FLCAr/UNESP - (Mestrando)
Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.)
O presente trabalho pretende analisar aspectos da poética brasileira e de suas
correlações com a canção popular, no contexto pós-tropicalista, quando da
133
duração do fechamento cultural imposto pela ditadura militar. Salientando
as propriedades poético-textuais do cancioneiro nacional em relação à poesia do mesmo período, chegaremos a algumas das propriedades vigentes na
lírica moderna do século XX, envolta no contexto da Modernidade, da Indústria Cultural, e das novas tecnologias de comunicação. Mostraremos um
panorama diacrônico do nosso corpus poético e cancional, evidenciando as
tendências e estéticas do período. Destacaremos a obra de alguns autores em
específico, os quais, em comum, possuem inserções na canção popular ligada
às técnicas de gravação, mostrando o ponto de vista estético destes autores
em relação a essa extensão de suas obras.
Em seguida, remontaremos à herança teórica da Poética tradicional, onde
notadamente, em sua gênese, houve relação entre a poesia e a música, tanto
na mousiké grega, quanto na poesia medieval dos trovadores. Pretendemos
ressaltar, neste ponto, informações que corroborem para aprofundar a discussão teórica sobre a canção. Por fim, relataremos algumas das expectativas
que este trabalho espera alcançar até a sua conclusão.
PALAVRAS-CHAVE: Cultura brasileira; Contemporaneidade; Pós-Tropicalismo; Poesia lírica; Música popular.
A POESIA DA CIDADE EM DESDE QUE O SAMBA É SAMBA
Renato Oliveira Rocha
FCLAr/UNESP - Mestrando
[email protected]
Profª. Drª. Juliana Santini (Or.)
Após um bloqueio criativo provocado pelo impacto de Cidade de Deus
(1997), Paulo Lins, retornou à cena literária após quinze anos. Em Desde que
o samba é samba (2012), o autor constrói a narrativa em torno do surgimento
do samba e da umbanda no bairro do Estácio de Sá, na década de 1920. Nesse
134
contexto, a malandragem é retratada em seus primórdios, com a personagem
Brancura (Sílvio Fernandes), aliciador de prostitutas e um dos pioneiros do
samba moderno ao lado dos compositores Ismael Silva, Nilton Bastos, Bide
e Baiaco, fundadores da primeira escola de samba, a Deixa Falar, em 1928.
Além desses, desfilam pela narrativa Manuel Bandeira e Mário de Andrade,
cujas vidas reais Paulo Lins completa com ficção; as personagens percorrem
o caminho do samba, gênero musical intimamente ligado com a cultura popular. Nossa proposta para discussão nesta comunicação será a poesia presente no romance envolvida diretamente com as personagens, que tentam
subverter a realidade marginal em meio à qual o samba nasceu: a violência
física, sexual e o preconceito contra os sambistas da época; se Cidade de
Deus trata da exclusão e da violência nas classes marginalizadas, Desde que
o samba é samba fala da inclusão social do negro através da cultura e da arte.
Hoje, o gênero é um patrimônio cultural do Brasil, mas, para atingir tal patamar, teve que fugir da polícia, conforme podemos constatar nesse romance
contado pelo seu personagem principal, o samba.
PALAVRAS-CHAVE: Prosa brasileira contemporânea; Paulo Lins; Música
popular brasileira; Samba.
E.T.A. HOFFMANN E MACHADO DE ASSIS E SUAS
POSTURAS EXCÊNTRICO-LITERÁRIAS
Ricardo Gomes da Silva
FCLAr/UNESP - Doutorando
[email protected]
Profª Drª Karin Volobuef (Or.)
Uma comparação inicial entre a literatura alemã e a brasileira do século XIX
pode indicar que as distancias se sobressaem às afinidades. De um lado, no135
mes como Goethe, Schiller, Hoffmann, os irmãos Schlegel e Grimm; de outro, uma literatura de pouco reconhecimento internacional. A vasta tradição
filosófica e literária de um povo do velho continente versus os primeiros
passos de uma nação que buscava ver-se independente dos colonizadores
portugueses e tatear um fazer literário próprio. Contudo, ao olharmos para
as obras de Machado de Assis e E.T.A. Hoffmann é possível sim verificar diversas afinidades não somente formais, mas principalmente de postura: ambos os escritores irão se voltar para o sistema literário estabelecido em seus
contextos. Neste sentido, o objetivo deste trabalho é discutir de que maneira
Machado e Hoffmann podem ser aproximados por suas posturas contrárias
às práticas literárias estabelecidas no Brasil e na Alemanha.
PALAVRAS-CHAVE: Machado de Assis; E.T.A. Hoffmann; Literatura do
Século XIX.
ENTRE PRESENTE E ATEMPORALIDADE: UMA
PROPOSTA DE LEITURA PARA “ANOITECER”, DE
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
Rodrigo Valverde Denubila
UFCLAr/UNESP/CAPES – Mestrando
[email protected]
Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.).
Este estudo consiste de uma leitura crítica de “Anoitecer”, poema de Carlos
Drummond de Andrade, publicado em 1945, no livro A rosa do povo. O objetivo é evidenciar como a organização formal reflete o conteúdo. Sublinhar
de que maneira os aspectos expressivos formais estão comprometidos com
a construção dos significados, isto é, com os aspectos expressivos existen136
ciais. A discussão se inicia com a ponderação sobre os elementos estruturais
do poema e por meio destes como a relação entre literatura e história ganha corpo. Em sua segunda parte, a partir do que foi exposto anteriormente,
a pesquisa foca de que modo alguns temas caros a Carlos Drummond de
Andrade, a saber, a memória, o tempo e a morte são articulados no poema
drummondiano. Entre os autores consultados para a fundamentação teórica
estão Alcides Villaça, Antonio Candido, Benedito Nunes, Davi Arrigucci Jr.,
Samuel Titan Jr. e Silviano Santiago. Por meio do diálogo entre o poema de
Carlos Drummond de Andrade em estudo e a conceituação teórica, propomos o nosso caminho de leitura para “Anoitecer”, em que tentamos evidenciar como questões características da modernidade estão presentes, mas que
são transcendidas quando outras, mais ligadas à natureza ontológica do ser
humano, aparecem e apontam para além de determinadas características de
certos momentos históricos, o que faz com que uma articulação entre a realidade presente e atemporalidade se configure.
PALAVRAS-CHAVE: Carlos Drummond de Andrade; “Amanhecer”; A
rosa do povo; Modernidade; Morte.
SED DE AMORES TENÍA, Y DEJASTE: UMA PARÓDIA DA
MULHER DO POÇO DE SICAR
Tais Matheus da Silva
FCLAr/UNESP
[email protected]
Profª Drª María Dolores Aybar Ramírez (Or.)
Ao longo do século XIX na Espanha, conforme demonstram diversos historiadores do período, os espaços de atuação da mulher eram limitados ao
137
âmbito privado, de modo que o acesso à educação formal e o incentivo ao
desenvolvimento intelectual e artístico eram praticamente nulos para as mulheres. Contudo, a escrita literária produzida por mulheres conscientes das
limitações impostas por uma sociedade estritamente patriarcal incomodou
a crítica literária, bem como influenciou o surgimento do debate acerca da
liberdade de produção artística das mulheres. Rosalía de Castro figura entre
as vozes marginais que, em seu tempo e a partir de elaborações estéticas,
questionaram não apenas os padrões impostos à produção artística, mas os
papeis sociais assumidos e permitidos às mulheres. Desse modo, a partir da
análise intertextual entre o poema “Sed de amores tenía, y dejaste” e o trecho
bíblico da mulher do poço de Sicar, pretendemos discutir como a referida
escritora reelabora e resignifica artisticamente a tradição patriarcal mediada
pelo cristianismo. A questão da honra centrada na figura da mulher recebe
tratamentos opostos em ambos os textos, uma vez que no poema evidencia-se a falsa moral daqueles que criam, sustentam e reproduzem a lógica misógina da sociedade ocidental. Os questionamentos postos ao discurso bíblico
conferem ao texto rosaliano uma nuance paródica, convertendo-o em crítica
à condição das mulheres pela voz de um eu lírico feminino.
PALAVRAS-CHAVES: Rosalía de Castro; Mulher e Literatura; Feminismo; Intertextualidade; Paródia.
Resumos dos
Projetos de Pesquisa
ENTRE O PASSAGEIRO E O ETERNO: SOLIDÃO
E MELANCOLIA NA POESIA FEMININA LATINO
AMERICANA.
Adrienne Kátia Savazoni Morelato
Doutoranda – Bolsista Cnpq
Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
A Melancolia, associada por muitas vezes a um estado puramente patológico, já foi tida como característica essencialmente feminina por corresponder
a uma subjetividade e aspectos interiores que foram historicamente ligados a
um certo lugar ocupado pela mulher. Enquanto a solidão se relaciona diretamente com a melancolia, contudo, não é exclusiva dela. O ato de escrever e
de se envolver com a criação literária levou o gênio a se isolar e se afastar da
sociedade, como também trouxe a melancolia como atmosfera principal do
fazer criador do escritor. Não é por acaso que, muitos poetas e escritores são
considerados de alma feminina. A poesia latino americana do século XX, nas
figuras principais de Cecília Meireles, Henriqueta Lisboa e Gabriela Mistral,
contemporâneas entre si, tem por característica principal um percurso independente dos modismos literários e um distanciamento crucial das coisas
banais do mundo. Elas se permitem olhar para a realidade com tanta profundidade, mas um olhar marcado pela exclusão e plo silêncio de ser mulher,
que a melancolia se torna estado inerente a essse olhar. Essa melancolia e
essa solidão, escolhidas como viés de suas obras literárias, não são sintomas
de uma histeria, mas reflexões de um ponto de vista historicamente marginalizado por um modo de ser e ver padronizado pelos conceitos masculinos.
Assim, esse trabalho pretende analisar em que certa medida a solidão e a
melancolia seriam frutos de uma escrita feminina na obra especificamente
dessas três autoras brasileiras que perpassaram o século XX, e de que maneira essa solidão e essa melancolia afetaram suas produções literárias de
140
maneira que, embora escolhessem caminhos independentes e próprios, essas
peculiaridades as aproximaram intimamente. Por essa razão, as escritas femininas compartilhadas por elas teriam em comum: a reivenção da angústia
no sagrado e no metafísico, uma relação entre corpo e tempo transfigurada
em natureza.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura feminina; Melancolia; Poesia Latino
Americana.
A CONSTRUÇÃO DO CORPO DE EVITA NO ROMANCE
SANTA EVITA DE TOMÁS ELOY MARTÍNEZ
Alejandro González Urrego
Doutorando - Bolsista PAEDEX
Profª Drª Maria Dolores Aybar Ramirez (Or.)
Através das experiências recuperadas do corpo vivo e do corpo embalsamado de Evita, presentes no romance Santa Evita, o escritor argentino Tomás
Eloy Martínez reconstrói, com ajuda dos diferentes elementos narrativos,
um corpo que em a vida adquiriu poder, mas também, um corpo morto e
embalsamado com um poder ainda maior. Assim, a incidência do corpo na
história Argentina apresentada no romance, demarca as rotas sociais na imagem corporal de Evita para filtrá-la pelas lembranças das testemunhas que
a conheceram em diferentes momentos. Esta incidência não tem um caráter
unitário, mas se recria nas lembranças de sujeitos marginais. Cada qual, de
alguma maneira, manifesta seu direito de propriedade sobre o cadáver embalsamado da mulher, que representa a mãe salvadora dos pobres e encarna-se na consciência popular, com o propósito de purificar um corpo espiritual
e para convertê-la numa Santa que regressará convertida na mãe guiadora
141
e protetora de seus filhos. Além disso, Evita usa sua feminilidade para expressar-se através do corpo, para ascender ao poder e penetrar em um mundo controlado pelos homens. Casar-se com Perón foi a oportunidade de sua
vida, que garantiu o exercício do poder por vontade própria. O grande sonho
desta mulher com antecedentes humildes foi alcançar a vice-presidência, por
isso não deixa que ninguém a impeça. O cadáver embalsamado de Evita é o
desejo de ser lembrada, de nunca ser esquecida, expressando a insistência de
um espírito que resiste em abandonar o corpo e deseja permanecer imortal na
memória coletiva de povo argentino.
PALAVRAS-CHAVE: Corpo; Construção; Testemunha; Memória; Ficção.
AS METAMORFOSES DA ESCRITA GÓTICA-ROMÂNTICA
NA NARRATIVA WUTHERING HEIGHTS (O MORRO DOS
VENTOS UIVANTES).
Alessandro Yuri Alegrette
Doutorando – Bolsista FAPESP
Profª Drª Karin Volobuef (Or.)
O objetivo da presente pesquisa é tratar do romance Wuthering Heights – O
Morro dos Ventos Uivantes (1847), de Emily Brontë. A espinha dorsal de
nossa abordagem é propor a discussão sobre a configuração gótica específica
explorada pela autora no enredo de sua narrativa. Para grande parte da crítica
literária, o romance de Brontë é uma obra híbrida: a primeira parte é gótica
e a segunda realista. Por outro lado, outros estudiosos afirmaram que existe
uma tendência mais forte de O Morro dos Ventos Uivantes ser plenamente
inserido no gótico, pois neste romance, Brontë além de ter retomado temas
recorrentes nessa modalidade literária, tais como, o conflito entre o bárbaro
e o civilizado, a dissolução entre as fronteiras entre o eu e o outro, o natural
142
e o sobrenatural e motivos que a caracterizam (o duplo, fantasmas, criaturas
sobrenaturais). Do ponto de vista da construção da narrativa, a obra combina
essa atmosfera gótica com uma vertente romântica que, pode ser definida
como “Byroniana”, onde se destaca a presença do herói romântico condenado a um pathos trágico e, que se caracteriza por suas intensas demonstrações
de sensibilidade. Dessa forma, O Morro dos Ventos Uivantes, a exemplo de
Frankenstein, de Mary Shelley, pode ser uma obra que faz uma síntese do
chamado “gótico-romântico” no século XIX. Além disso, a autora em seu
discurso narrativo também faz alusões ao plano metafísico, remetendo assim
a vários conflitos de oposição, que são sempre destacados no discurso narrativo dos romances góticos: o bem e do mal, o céu e o inferno, o natural e
o sobrenatural. Assim, apesar dessa obra ter sido analisada criticamente em
ensaios dentro de diferentes abordagens teóricas, mesmo após tanto tempo
de sua publicação, O Morro dos Ventos Uivantes continua suscitando questionamentos dentro do meio acadêmico sobre seu processo de criação, sua
especialidade gótica específica, seus pontos de intersecção com textos inseridos no gótico ou, com outras obras que mantêm uma relação de proximidade
com esse gênero literário, tornando-se assim objeto de estudo deste trabalho
de pesquisa.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura Inglesa; Romance Gótico, Romantismo.
IMIGRANTES NA LITERATURA BRASILEIRA:
REPRESENTAÇÃO DE ALEMÃES E LIBANESES NO
SÉCULO XX.
Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila
Doutoranda
Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
O objetivo da pesquisa é verificar de que modo diferentes narrativas, de autores e momentos distintos, constroem personagens imigrantes ao longo do
143
século XX e investigar se, nesse período, houve mudança na representação
do imigrante na literatura brasileira. Para tanto, pretende-se realizar uma
análise comparativa entre os seguintes textos: Canaã de Graça Aranha, de
1902, que tem como protagonistas imigrantes alemães, e é considerado pela
crítica como obra significativa de imigração no Brasil; Grande sertão: veredas e “O recado do morro” de Guimarães Rosa, ambos de 1956, que também
contam com imigrantes alemães e árabes; Lavoura arcaica de 1975 de Raduan Nassar e Relato de um certo oriente de 1989 de Milton Hatoum, duas
obras representativas da literatura brasileira das décadas de 1970 e 1980, que
retratam famílias de imigrantes libaneses. Para atingir o objetivo, realizaremos a análise dos procedimentos de representação e estilização dos imigrantes em cada uma das obras citadas. Os resultados do exame dos romances,
por sua vez, permitirão realizar uma comparação entre as obras, levantando
e investigando semelhanças e diferenças no tratamento dado pelos autores
ao tema em pauta. Nossa hipótese é que a caracterização do imigrante sofreu mudanças ao longo do século: de início estereotipada, cada vez mais
há um aprofundamento psicológico dos personagens. O embasamento teórico é composto por teóricos e críticos como Ángel Rama e Otávio Ianni,
que discutem o conceito de transculturação, por representantes dos Estudos
Culturais como Homi Bhabha, Edward Said, Nestor Garcia Canclini, dentre
outros e, naturalmente, por ensaios críticos relativos aos escritores arrolados
como corpus. A análise de um corpus diversificado nos proporcionará um
panorama da representação do imigrante na literatura brasileira de 1902 a
1989, abarcando quase um século de discursos sobre a imigração.
PALAVRAS-CHAVE: Imigrantes; literatura brasileira; estudos culturais.
144
NA COMPANHIA DE LOBOS E LOBISOMENS: O
FEMINISMO E O GÓTICO NOS CONTOS DE ANGELA
CARTER
Aline Cristina Sola Orlandi
Mestranda
Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi (Or.)
O projeto em desenvolvimento, intitulado “Na companhia de lobos e lobisomens: o feminismo e o gótico nos contos de Angela Carter”, procura
estudar e analisar os contos “The Werewolf” e “The Company of Wolves”
presentes na coletânea The Bloody Chamber and Other Stories (1979),
de Angela Carter, partindo de aspectos feministas e do gótico que a autora
emprega a fim de desarticular o patriarcado. A referida coletânea revisita,
como um todo, a tradição dos contos de fadas, e os dois contos selecionados para análise constituem uma releitura de “Chapeuzinho Vermelho”. Em
“The Werewolf”, o tema principal é a figura materna como impedimento
de independência feminina. O conto traz um ambiente de puro terror em
torno da figura do lobo e da floresta, ambiente que não amedronta a jovem
protagonista: quando encontra o lobo, ela se defende e decepa-lhe uma das
patas. Ao chegar à casa da avó, a menina encontra a velha ardendo em febre,
e ao pegar um pano para fazer-lhe uma compressa, a pata que lá estava enrolada cai ao chão e se mostra como uma mão humana, que a protagonista
reconhece ser da avó. A avó é morta por vizinhos e a menina passa a morar
em sua casa, ou seja, a morte da figura materna representa a independência
e a transferência de conhecimento por gerações. Já em “The Company of
Wolves” há a permanência do terror em torno da figura do lobo, porém o
ambiente criado desde o início é de sedução. Temos uma narrativa em mise
en abyme que remete à figura materna da avó contando histórias sobre lobos
para a neta, apresentado características da licantropia e pedindo precaução
145
no encontro com o animal. Aqui, a protagonista também é forte e destemida
e, ao se deparar com um belo jovem, que é o lobo em figura humana, escolhe
deixar-se seduzir para, mais tarde, em uma inversão de papéis, seduzir, sendo
detentora de seus desejos e escolhas, o que remete à figura da Femme Fatale,
tão temida pelo patriarcado.
PALAVRAS-CHAVE: Lobo; Feminismo; Gótico; Angela Carter; Contos de
fadas.
A METRÓPOLE E A ESTÉTICA CINEMATOGRÁFICA NO
MANHATTAN TRANSFER DE JOHN DOS PASSOS.
Aline Shaaban Soler
Mestranda - Bolsista CAPES
Profa. Dra. Wilma Patricia Marzari Dinardo Maas (Or.)
O presente trabalho tem por objetivo apresentar uma análise da obra
modernista Manhattan Transfer (1925) do escritor estadunidense John Dos
Passos. Seu objetivo específico é investigar dois aspectos que se creem fundamentais para a constituição da obra e a interação entre eles. O primeiro
deles é a presença do urbano. Manhattan Transfer pode ser descrita como
um amplo retrato da vida na metrópole, em Nova York. Se num primeiro momento, a impressão que se tem é que nenhuma das personagens apresentadas
tem algo em comum, esta impressão não deixa de estar totalmente certa ou
errada. A única coisa que possuem em comum é o fato de morarem em Nova
York, mas isto já é o suficiente para que, por acaso, suas vidas possam se
cruzar ou para que o leitor, por meio de associações, possa notar o tipo de relações que se estabelecem na cidade grande, suas particularidades e divisores
comuns. A fragmentação presente no meio urbano não está presente apenas
146
no conteúdo da obra, mas, igualmente, em sua organização formal em que
várias narrativas de tamanho reduzido operam na construção de uma espécie
de mosaico. O segundo aspecto diz respeito, justamente, à organização formal e ao modo como esta está relacionada com uma estética cinematográfica.
Novas formas de relação com a realidade surgem com o desenvolvimento industrial e tecnológico. Novas relações com a realidade impõem novas formas
narrativas. A fotografia e o cinema são suportes nos quais formas narrativas
completamente distintas das já existentes podem ser desenvolvidas. O Manhattan Transfer deve ser compreendido, neste cenário, como obra literária
que busca apreender tais novas relações. Para isto, ele lança mão de recursos
que o aproximam do cinema – ao menos, de um determinado cinema. Como
afirma Gretchen Foster no artigo John Dos Passos’ Use of Film Technique
in Manhattan Transfer & The 42nd Parallel (1986) publicado na revista Literature/Film Quarterly, o sentido de Manhattan Transfer surge a partir do
conflito existente entre os vários fragmentos. Deste modo, a principal hipótese do trabalho é que esta organização formal está profundamente relacionada
com a descrição da vida moderna nas grandes metrópoles.
PALAVRAS-CHAVE: metrópole; estética cinematográfica; modernismo;
John Dos Passos.
JULES LAFORGUE E CARLOS DRUMMOND DE
ANDRADE: A IRONIA E A RELAÇÃO COM O GAUCHE
Aline Taís Cara Pinezi
Doutoranda – Bolsista Capes
Profª Drª Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
Jules Laforgue (1860-1887) foi um grande decadentista/simbolista francês.
O Decadentismo, anterior ao Simbolismo, apresentava teor mais negati147
vista e pessimista; já o Simbolismo foi composto de duas tendências, segundo Edmund Wilson: a “sério-estética”, mais conhecida e estudada, e a
“coloquial-irônica”, na qual o poeta francês pode ser inserido. A partir destes
movimentos, além de um olhar voltado para as características da poesia da
Modernidade Literária, é possível perceber que a poética de Laforgue toca
os movimentos literários estudados, mas não os toma como limite, pois ultrapassa os limiares das escolas literárias, de modo a produzir textos diferentes
e originais, frequentemente construídos com ironia. A crítica literária, desde
meados do século XX, vem reconhecendo a importância do escritor para a
época e para a poesia subsequente, incluindo a dos modernistas brasileiros,
a exemplo de Carlos Dummond de Andrade (1902-1987). O primeiro livro
de poemas de Drummond, Alguma Poesia, é constantemente permeado pela
ironia, que se assemelha no tom à de Drummond, além de apresentar o poeta
“gauche”. Dessa forma, este trabalho pretende aproximar poemas de ambos
os escritores, de forma comparativa, a fim de analisar, sobretudo, o uso da
ironia.
PALAVRAS-CHAVE: Laforgue; Ironia; Drummond.
POÉTICAS DA MODERNIDADE: O CINEMA DIDÁTICO DE
MANOEL DE OLIVEIRA
Aline Tosta Floriano
Mestranda
Profª Drª Renata Soares Junqueira (Or.)
Este projeto, vinculado ao Grupo de Pesquisas em Dramaturgia e Cinema
(GPDC) da UNESP e integrado ao Projeto Temático “Poéticas da Moderni148
dade: Teatro e Outras Artes”,1 propõe um estudo da obra do cineasta português Manoel de Oliveira (n. 1908) com enfoque nas relações que ela estabelece com o teatro – não com qualquer teatro, mas com um teatro moderno,
deliberadamente concebido para provocar um distanciamento entre o espectador e a cena, tal como o teorizou e praticou Bertolt Brecht (1898-1956).
Guardadas as devidas proporções quanto ao intuito político de um e de outro
artista, temos por hipótese que a estética cinematográfica de Oliveira define-se pela articulação sistemática de procedimentos disjuntivos similares aos
que vemos no teatro de Brecht – os quais dificultam, intencionalmente, a
identificação do espectador com o universo fílmico. Em Brecht o chamado
“efeito de distanciamento” está, como se sabe, relacionado a uma concepção
ideológica do teatro como instrumento de conscientização política dos espectadores – como método didático-político, portanto. Em Manoel de Oliveira
o mesmo tipo de procedimento formal pró-distanciamento crítico do espectador – vazado agora em linguagem cinematográfica – colide dialeticamente,
em um número significativo de filmes, com um didatismo aparentemente
ingênuo e aliciador, de intenção e alcance que merecem uma investigação
mais cuidadosa. São exemplares, neste aspecto – e por isso constituem o
corpus da pesquisa que ora propomos –, filmes mais recentes do cineasta, já
da década de 2000, como Porto da minha infância (2001), Um filme falado
(2003), O Quinto Império – Ontem como hoje (2004) e Cristóvão Colombo
– O enigma (2007) – películas empenhadas em rever lições de História, desenvolvendo uma tendência que já se revelava aliás no princípio da década
anterior, nomeadamente em Non ou a vã glória de mandar (1990), que também contemplaremos.
PALAVRAS-CHAVE: cinema português; Manoel de Oliveira; cinema e teatro; teatro didático; cinema didático.
149
SONHO E DELÍRIO EM VILLIERS DE L’ISLE-ADAM E
THÉOPHILE GAUTIER
Amanda da Silveira Assenza Fratucci
Mestranda
Profª Drª Ana Luiza Silva Camarani (Or.)
Na França, a literatura fantástica está muito ligada aos períodos do Romantismo e do Simbolismo. Segundo Pierre-Georges Castex (1962), a literatura
fantástica francesa se divide justamente nestes dois períodos: o primeiro,
em meados do século XIX, é o do Romantismo, em que o gosto pelo sobrenatural, pelo mistério e a procura pelo absoluto deram abertura a grande
produção de contos fantásticos que teve uma grande influência de E.T.A.
Hoffmann. Influenciado por Hoffmann, Théophile Gautier se revela, em seus
contos fantásticos, um escritor rico em imaginação, capaz de fazer surgir
discursos grandiosos ou inquietantes, mas também cheios de emoção. Seus
textos fantásticos são muito representativos dessa corrente literária e mostram a evasão romântica na utilização do sonho, que duplica a vida. Esse
discurso onírico é um instrumento do qual Gautier faz uso a fim de expressar
a intenção de busca de um mundo ideal empreendida pelos românticos na
vertente ligada à evasão, em que o “eu” romântico, incapaz de resolver os
problemas em relação à sociedade, escapa do mundo real por meio da escritura. Assim era também Villiers de l’Isle-Adam, poeta simbolista que não se
encaixava na ordem capitalista vigente e procurava sempre uma existência
superior, longe da realidade de sua época. Encontrava essa existência ideal
na criação literária. Suas obras, portanto, demonstravam essa procura em
seus temas míticos, fantásticos. O sonho aparece também nesse autor como
ponto narrativo a destacar duas possibilidades da narrativa fantástica: de um
lado, pode-se dizer que o narrador estava apenas sonhando e nada daquilo
aconteceu (o que seria uma explicação racional para o fato); de outro, pode150
-se afirmar que tudo aquilo realmente aconteceu, tratando-se, dessa forma,
de um fato sobrenatural. O objetivo deste trabalho é, portanto, analisar como
a presença do sonho contribui para a atmosfera fantástica em alguns textos
de Gautier e Villiers.
PALAVRAS-CHAVE: Romantismo francês, Simbolismo Francês, Narrativa fantástica.
A REVISITAÇÃO DA OBRA DE EÇA DE QUEIROZ EM
NAÇÃO CRIOULA, DE JOSÉ EDUARDO AGUALUSA.
Amanda Oliveira Manfrim
Mestranda
Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.)
Durante a Iniciação Científica, trabalhei com textos contemporâneos e textos
anteriores a estes textos que faziam revisitação ao mito de Inês de Castro
e D. Pedro I, relacionando-os – textos e mito – com os fatos históricos, ou
seja, como eram abordados estes fatos em cada um deles. Dessa forma, meu
trabalho se resumiu à pesquisa de como a literatura contemporânea abordou
os textos anteriores e como a literatura abordou a História. Seguindo esse
mesmo viés, no curso de mestrado, tenho feito o mesmo trabalho de intertextualidade, contudo, agora abordando uma obra da literatura portuguesa, A
correspondência de Fradique Mendes, do escritor português Eça de Queiroz,
e uma da literatura africana, do escritor angolano José Eduardo Agualusa, a
primeira, sendo datada do século XIX, porém com edições que adentram o
século XX (1961), e a segunda, sendo datada do século XX, com edições
posteriores que adentram o século XXI (2001). Especificamente para este
trabalho, estão sendo abordadas as obras nas edições, respectivamente, de
1961 e 2001. O foco principal deste trabalho não será a abordagem histórica;
151
a História servirá apenas como um subsídio para entendermos a relação das
obras com o contexto histórico que abordam.
O objetivo principal da pesquisa é aprofundar o trabalho metaficcional nas
narrativas, priorizando a figura do narrador-escritor das obras do corpus: a
criação do personagem Fradique Mendes, por Eça de Queiroz, com o intuito
(do narrador-escritor) de expressar suas próprias ideias, conceitos e críticas
(Fradique Mendes como alter ego do narrador-escritor) e a revisitação a essa
obra feita por Agualusa, que utiliza o mesmo personagem em seu romance
epistolar. Dessa forma, chega-se a um trabalho intertextual entre as obras, e
entre as obras em comparação com a História. Constata-se, de início, a intenção de veracidade das obras por meio das cartas e de personagens históricos.
PALAVRAS-CHAVE: Metaficção; Intertextualidade; Abordagem histórica.
AS FACES DA METAFICÇÃO EM TEOLINDA GERSÃO
Ana Carolina da Silva Caretti
Mestranda – Bolsista Capes
Profª Drª Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.)
A obra da escritora portuguesa Teolinda Gersão encerra alguns dos principais traços da literatura contemporânea. O contato com seus textos permite-nos observar, dentre outras características, as rupturas e as confluências
dos gêneros literários, a dissolução de categorias narrativas e, o que mais
nos interessa por ser o foco deste trabalho, a presença da metaficção. Analisando a obra da autora como um todo, percebemos que, por vezes, as narrativas assumem um aspecto metalingüístico, e o fazem de diversas maneiras. Esta pesquisa visa a analisar os modos pelos quais a metaficção é ins152
taurada nas obras selecionadas como corpus, a saber: O silêncio (1981), Os
guarda-chuvas cintilantes (1984), A cidade de Ulisses (2011) e As águas
livres (2013). Em cada uma das obras, percebemos o discurso metaficcional de modo peculiar, ora explícito, quando o texto deixa claro sua autoconsciência, ora implícito, quando, por exemplo, utiliza-se de outra linguagem artística para manifestar sua consciência na condição ficcional. Para o
estudo desse aspecto, recorreremos principalmente aos livros Narcissistic
narrative: the metafictional paradox (1991), de Linda Hutcheon, no qual
há um estudo apurado de narrativas com características textualmente auto-reflexivas, por ela chamadas narcisistas, observando as técnicas, os modos
e as formas desse tipo de ficção que concentra, em seu próprio interior, seu
primeiro comentário crítico, e recorreremos também a Metafiction: the theory and practice of self-conscious fiction (1993), de Patrícia Waugh. Neste
trabalho, argumentaremos paralelamente sobre a atuação do leitor na narrativa contemporânea, tendo em vista que textos que focam o seu próprio
processo de construção artística requerem a participação ativa desse leitor,
operando de forma semelhante à de um co-criador, envolvendo-se intelectual e imaginariamente na “recriação” do texto. Também as relações entre a
metaficção e a representação do real serão por nós abordadas, uma vez que
os textos selecionados como corpus estão conduzindo-nos a isso. Desse
modo, pretendemos contribuir não só com a fortuna crítica relacionada à
obra da escritora portuguesa, mas também com os estudos da metaficção
nos textos contemporâneos.
PALAVRAS-CHAVE: Metaficção; Narrativa portuguesa; Literatura contemporânea; Teolinda Gersão.
153
DO ÁRIDO, A ESTÉTICA: A REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA
E FORMAL DA ARIDEZ EM GALILEIA E CINEMA,
ASPIRINA E URUBUS
Ana Carolina Negrão Berlini de Andrade.
Mestranda
Profª Drª Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.)
Este texto pretende expor, sumariamente, os desenvolvimentos parciais de
uma pesquisa de doutorado em andamento, cujo objetivo é estudar as representações da aridez em duas narrativas contemporâneas: o romance Galileia
(2009) de Ronaldo Correia de Brito, e o filme Cinema, aspirina e urubus
(2005), de Marcelo Gomes. Com essa pesquisa pretendemos individualizar o
modo como cada código – literatura e cinema – trabalha com os conceitos de
seca e de aridez, tanto do ponto de vista temático quanto do estrutural, analisando a utilização dos procedimentos técnicos e estilísticos próprios a cada
meio semiótico. Dessa maneira, poderemos verificar a contribuição da aridez
na construção da expressividade dos valores universais das narrativas e, mais
importante, na definição de uma poética da aridez, e não sobre a aridez.
PALAVRAS-CHAVE: Ronaldo Correia de Brito; Galileia; Marcelo Gomes;
Cinema, aspirina e urubus.
O ESCRITOR À PAISANA: A VOZ LITERÁRIA DE CAIO
FERNANDO ABREU EM CARTAS
André Luiz Alselmi
Doutorando
Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.)
Nas últimas décadas, os gêneros íntimos vêm despertando a atenção dos leitores e da crítica literária. Tal fato é intensificado pela atual tendência ao
154
culto da individualidade e ao prazer de acompanhar a vida cotidiana alheia,
que hoje toma uma parte significativa da mídia e da realidade. Diante disso,
as correspondências de personalidades literárias ganham destaque e ocupam
um espaço sem precedentes. Assim, as cartas têm suas publicações multiplicadas, o que tem despertado grande interesse da crítica em compreender os
fundamentos dessa forma de expressão e de sua relação com a criação literária. Sem dúvida, é preciso reconhecer que as cartas de grandes escritores não
raro transcendem o mero relato autobiográfico, trazendo, frequentemente,
uma carga poética e informacional passível de ser analisada com vistas a
entender o processo de criação literária. Nesses casos, a carta não interessa
apenas como um testemunho biográfico ou documento histórico ou cultural,
mas também como uma forma de expressão autônoma e múltipla capaz de
acolher a reflexão sobre a literatura e o processo de criação. Partindo do pressuposto de que a experiência pessoal e a experiência literária, nas epístolas
de Caio Fernando Abreu, apresentam-se concomitantemente, esta pesquisa
pretende tratar a coletânea Cartas (2002), publicada por Italo Moriconi, a
partir das seguintes perspectivas, a fim de dar conta de seu aspecto literário:
a) é possível extrair delas uma poética a partir das reflexões metalinguísticas sobre a natureza da criação literária e do ofício do escritor; b) também
se pode adentrar o texto a partir de seus elementos estilísticos, estruturais e
composicionais; c) a partir dos itens anteriores, pode-se avaliar as particularidades do gênero epistolar de Caio Fernando Abreu, determinando-lhe o
polimorfismo assumido por esse tipo de texto, que possui intersecções com
outros gêneros íntimos. Pretende-se, assim, contribuir para a fortuna crítica
do autor a partir de uma forma de expressão ainda pouco explorada, demonstrando que as cartas constituem um rico material para a compreensão
do universo literário do autor e também merecem, devido ao trabalho com a
linguagem, o reconhecimento de seu estatuto literário.
PALAVRAS-CHAVE: gêneros íntimos; cartas; criação literária; ofício do
escritor; estatuto literário da carta.
155
O SILÊNCIO: GÊNESE DOS PROJETOS TEMÁTICO E
ESTÉTICO DA PROSA DE TEOLINDA GERSÃO
Audrey Castañón de Mattos
Doutoranda - Bolsista CAPES
Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
Trata-se esta pesquisa de investigar como a temática da incomunicação, representada pelo silêncio em suas várias facetas, estende-se pela obra ficcional
de Teolinda Gersão. Tendo por base o romance inaugural O silêncio, em que
a impossibilidade dialógica entre os protagonistas Lídia e Afonso representa
uma das formas de incomunicabilidade no mundo contemporâneo, investigamos como o discurso narrativo desse romance reproduz artisticamente
a dificuldade comunicativa e de que forma ela se repete nos demais livros
da autora. Partimos da premissa de que a sua prosa de difícil assimilação é
uma das formas de se recriar esse aspecto do mundo atual, em que, apesar da
abundância de discursos não há realmente comunicação, para nos debruçar
sobre seus procedimentos discursivos.
PALAVRAS-CHAVE: Teolinda Gersão; prosa portuguesa séc. XX; O silêncio; discurso narrativo; estética do silêncio.
GIAMBATTISTA BASILE, CHARLES PERRAULT, IRMÃOS
GRIMM E WALT DISNEY: UM ESTUDO CRÍTICO DAS
DIFERENTES VERSÕES DE A BELA ADORMECIDA.
Bruna Cardoso Brasil de Souza
Mestranda
Profª Drª Fabiane Renata Borsato (Or.)
É objetivo dessa pesquisa analisar três diferentes variantes do conto atualmente conhecido como A Bela Adormecida: a versão italiana denominada
156
Sol, Lua e Tália, de Giambattista Basile; a francesa, A Bela Adormecida no
Bosque, de Charles Perrault; a alemã, dos irmãos Grimm e, por fim, a animação produzida pela Disney em 1959. Com o suporte de teorias sobre o gênero conto, sobre o conto maravilhoso e as estruturas narrativas, pretende-se
avaliar em que medida as categorias narrador, personagens, espaço e tempo
foram ressignificadas nas diferentes versões, com a alteração de suas sintaxes. A problemática se inicia pela própria delimitação do gênero conto, pois
enquanto alguns teóricos defendem a libertação da normatividade, outros
anunciam características próprias do conto que o diferem do romance e da
novela. Os principais aspectos destacados pelos estudiosos são a extensão e a
intensidade. Sendo breve, o conto é capaz de tratar de certos temas de forma
mais rápida, logo, mais intensa. Outro aspecto de discussão são os contos
maravilhosos que surgiram na mais remota antiguidade e conservaram seus
temas principais até os nossos dias, como é exemplo A Bela Adormecida.
A história escolhida para esse trabalho demonstrará, em suas diferentes variantes, como aspectos históricos e culturais influenciaram seu registro. O
conto italiano, por exemplo, é repleto de metáforas que adornam a escrita,
característica do estilo artístico próprio de sua época: o barroco. As categorias narrativas analisadas e comparadas desempenham papel fundamental para a construção do enredo. O narrador é essencial para a composição
dos sentidos das histórias, tendo em vista o fato de as narrativas terem sido,
um dia, orais, transmitidas por um narrador real, ou seja, um contador de
histórias que deixou suas marcas mesmo após o registro escrito. Quanto à
narrativa cinematográfica, no filme de Walt Disney é notável a infantilização
da história e a fixação de determinadas formas antes eram livres para serem
imaginadas, como a caracterização de personagens, espaços, etc. Por outro
lado, este filme marcou o avanço de tecnologias relacionadas à animação
no cinema. Pretende-se, portanto, analisar cada variante, detectar e ressaltar
suas particularidades, determinando as principais mudanças ocorridas com o
passar do tempo.
PALAVRAS-CHAVE: Bela Adormecida; contos populares; cinema.
157
A CONFIGURAÇÃO DO AMOR NA LÍRICA DE NUNO
JÚDICE.
Bruna Fernanda de Simone
Doutoranda - Bolsista CAPES
Profª Dr.ª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.)
Um dos maiores nomes da poesia portuguesa contemporânea, Nuno Júdice,
possuí vasta obra marcada pela presença de uma poesia feita sobre ruínas.
Suas características mais marcantes são o diálogo que empreende com outras
artes, reflexões filosóficas e principalmente uma visão crítica sobre a própria
poesia. Tais características ligadas a um ambiente sombrio, de espaços desabitados ou abandonados, onde se insere um eu-lírico que é consciente de toda
a produção poética são alguns dos aspectos de uma poesia singular, o lugar
de vestígios do passado. Nuno Júdice iniciou sua produção com “A Noção
de Poema”, onde já se destacava pela retomada do sujeito lírico e pela plena
consciência do poema como o lugar de discussão da linguagem poética, seus
enigmas e sua tradição. Atrelada a esta produção e crítica poética ao mesmo
tempo, o poeta algarveo demonstra grande interesse pelo tema do amor e sua
configuração como parte integrante de toda uma tradição lírica amorosa. São
muitos os poemas em que o tema do amor aparece, mas sempre relacionado a um sujeito lírico melancólico e consciente da criação do poema e sua
artificialidade. A melancolia do eu-lírico, as imagens obscuras e a nostalgia
são características de uma lírica amorosa cujo principal aspecto é a ausência. Temos um eu-lírico que revive um passado feliz através da memória e
o poema é o único lugar onde encontra uma possibilidade de fugir: do presente e da ausência da amada.Pensando nessa produção poética, decadente
nas preferências, romântica nos temas, e acima de tudo contemporânea na
forma como trabalha o poema e o sujeito lírico, buscaremos verificar como
esta poesia de cunho amoroso se insere numa tradição da lírica amorosa em
158
Portugal, procurando evidenciar os tipos de diálogo que o poeta estabelece
com diversos aspectos relacionados aos momentos principais desta tradição,
além de verificar e analisar outros aspectos que são essências à construção do
tema como a memória e metalinguagem.
PALAVRAS-CHAVE: lírica amorosa; poesia contemporânea; metapoesia;
memória.
A POESIA COMO FORMA DE ESQUECIMENTO:
PENSAMENTO E ESQUECIMENTO EM DANTE MILANO
Bruno Darcoleto Malavolta
Mestrando - Bolsista CNPq
Prof.ª Dr.ª Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.)
A presente pesquisa possui como logro final a compreensão global da poética
milaniana. Tal compreensão deverá, necessariamente, passar pela exegese de
sua única obra, o Poesias, a partir tanto da análise dos procedimentos poéticos nela inseridos como das temáticas nela abordadas. Apoiados na pequena,
porém rica, paleta crítica acerca do poeta, visamos à elaboração de um trabalho de crítica que contemple o Poesias tanto em sua “irrepreensível unidade”
(JUNQUEIRA, 2007, p.XXIV), já salientada por Ivan Junqueira, como na
pluralidade das nove seções em que foi dividido pelo autor. O respeito a
essa unidade e dissonância são essenciais a qualquer um que se aventure a
tecer páginas de crítica sobre Dante Milano: a consciência de que o autor
quinquagenário deu à prensa não um volume, mas um cancioneiro, em que
nada toma seu espaço por acaso. Como escolha exegética, investigamos em
sua obra a relação entre poesia e pensamento, bem como o seu peculiar desdobramento semântico no topos do esquecimento. Tal fulcro corrobora para
159
a compreensão final e global de sua poética: uma poesia inscrita no limiar do
existir e o não existir, a criação e destruição: ou seja, uma poesia que procura
dar conta da própria modernidade, naquilo que esta salvaguarda entre a herança atemporal do clássico e, ao mesmo tempo, sua irrefreável destruição e
nivelamento com as mazelas do tempo presente. Em última instância, uma
obra que se ergue entre o melhor legado da poesia ocidental e o fracasso do
projeto filosófico deste.
PALAVRAS-CHAVE: Modernismo; poesia e pensamento; Dante Milano
O OLHAR DECADENTE EM CAMILO PESSANHA E
ALBERTO.
Camila Pinto de Sousa
Mestranda
Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.)
A pesquisa em andamento tem por objetivo demonstrar o papel do imaginário decadentista na fundamentação de uma visão de mundo do sujeito lírico
na poesia de Al Berto, poeta contemporâneo, utilizando como ferramenta a
comparação com a obra poética de Camilo Pessanha, expoente máximo do
Simbolismo em Portugal. Além disso, pretende-se colaborar para apontar a
presença de procedimentos técnicos, formais e elementos temáticos, típicos
da estética simbolista/decadentista (que é apontada por Jean Pierrot como
um dos fundamentos do imaginário decadente) na poesia lírica de Al Berto.
A Decadência constitui uma concepção pessimista da existência humana,
configurando características como o medo, a melancolia, a solidão, a dor de
cunho existencial, a incerteza e a fixação pela ruína, que dão o tom negativo
em relação ao mundo que é o que fundamenta o imaginário decadente. Pode160
-se perceber, em ambos os poetas, a presença de muitas das características
acima mencionadas e o tom pessimista no modo de ver – e, consequentemente, descrever - o mundo e a vida. O corpus desta pesquisa é constituído pelos
dois livros que reúnem a obra de Camilo Pessanha e de Al Berto. Do livro
“Clepsidra”, reunião da obra de Camilo Pessanha, foram selecionados dez
poemas que parecem se encaixar na temática analisada e, para complementar, após a leitura do livro que reúne a obra de Al Berto, “O medo”, outros
dez poemas foram escolhidos, a fim de que as análises e a comparação possam ser realizadas. Pretende-se, portanto, concluir, após o estudo e a análise
dos vinte poemas que compõem o nosso corpus, com a comparação entre
o que foi levantado, bem como a análise da obra poética de Pessanha e Al
Berto, demonstrando que o imaginário decadente aproxima, principalmente
na questão temática, dois autores pertencentes a tempos distintos.
PALAVRAS-CHAVE: Al Berto; Camilo Pessanha; Simbolismo; Decadentismo; Poesia Portuguesa.
O ESPÓLIO LITERÁRIO DE GUIMARÃES ROSA EM
PERSPECTIVA: UMA LEITURA CRÍTICA DA CRÍTICA
Candice Angélica Borborema de Carvalho
Doutoranda – Bolsista CNPq
Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
O propósito deste estudo é construir uma leitura crítica da recepção crítica
de Grande sertão: veredas, tomando como objeto as duas linhas de investigação que polarizam o debate em torno do romance: as interpretações sociológicas, históricas e políticas e as interpretações esotéricas, mitológicas e
metafísicas. A expectativa da pesquisa é verificar se esses modos de leitura,
161
em princípio, antipodais, abertos ao diálogo interdisciplinar fundamentado
em diferentes linhas do pensamento, excluem-se completamente ou não, se
há intersecção entre eles e, ainda, se combinados, resultam na possibilidade
de entendimento mais completo da literatura de Guimarães Rosa. Tomamos
como corpus da investigação, no que diz respeito à primeira vertente, os
estudos de Antonio Candido, que incluem as resenhas lançadas nas ocasiões
de saída de Sagarana e de Grande sertão: veredas, o ensaio pioneiro sobre
Grande sertão: veredas, “O homem dos avessos”, e “Jagunços mineiros de
Cláudio a Guimarães Rosa”, além dos escritos mais abrangentes produzidos nos anos 1970, “Literatura e subdesenvolvimento” e “A nova narrativa”. Na direção aberta pelo crítico, As formas do falso, de Walnice Nogueira
Galvão, grandesertão.br, de Willi Bolle, Lembranças do Brasil, de Heloisa
Starling, e O Brasil de Rosa, de Luiz Roncari. A crítica mitológica, esotérica
e metafísica é representada pelos ensaios de Benedito Nunes, como “O amor
na obra de Guimarães Rosa”, Consuelo Albergaria, Bruxo da linguagem no
Grande sertão, Francis Utéza, JGR: Metafísica do Grande sertão, Heloisa
V. de Araújo, O roteiro de Deus, Kathrin H. Rosenfield, Os descaminhos do
demo. Visando demarcar de uma perspectiva crítica e histórica a completude
interpretativa alcançada pelos trabalhos que compõem a matéria deste estudo, são apurados o método crítico e os fundamentos de cada ensaio em sua
integridade. Visto que tais leituras se articulam no tempo, cabe-nos, ademais,
desvendar o movimento dialético de aproximação e distanciamento operado
entre elas. Noutros termos, combinando diacronia e sincronia, trata-se de delinear como cada ensaísta recupera achados críticos precursores (não como
valores a priori, mas como aqueles capazes de assegurar prosseguimento
a seu próprio ofício de julgamento de valor) e os redimensiona de forma a
construir leituras distintas ancoradas em variados modos de julgamento.
PALAVRAS-CHAVE: Guimarães Rosa; Grande sertão: veredas; Crítica
literária; Interdisciplinaridade.
162
SOBRE GRAÇA, DIGNIDADE E BELEZA EM FRIEDRICH
SCHILLER E HEINRICH VON KLEIST
Carina Zanelato Silva
Mestranda - Bolsista CNPq
Profª Drª Karin Volobuef (Or.)
O presente estudo tem como objetivo explicitar as teorias de Friedrich Schiller (1759-1805) e Heinrich von Kleist (1777-1811) sobre a graça, a dignidade, o belo e o sublime, comparando-as, a fim de mostrar as divergências
e as confluências dessas concepções estéticas, que foram desenvolvidas nos
períodos clássico (com Schiller) e romântico (com Kleist). Tendo como referencial principal para a análise dessas categorias os ensaios Sobre graça e dignidade (Über Anmut und Würde), de Schiller, e Sobre o teatro de
marionetes (Über das Marionettentheater), de Kleist, procuramos mostrar
na dissertação como as teorias estéticas dos dois autores refletem as tensões existentes entre Classicismo e Romantismo na Alemanha, e como essas
tensões estabelecem diferenças entre a ideia de forma em Schiller e Kleist,
tendo em vista que a harmonia clássica e a desarticulação dessa harmonia
são temas frequentes. Schiller preza pela manutenção da harmonia e busca na arte o caminho para que o homem alcance o equilíbrio; Kleist, pela
via da desconstrução do modelo clássico, joga com a forma, de maneira a
desarticulá-la, transformando-a em palco para o advento do ritual dionisíaco;
não mais a serenidade e harmonia de Apolo que imperam, mas sim o frenesi de Dionísio, que domina e se expande de maneira extraordinária. Dessa
maneira, as categorias do belo, da graça e do sublime ganham em Schiller
e Kleist dimensões díspares e afins, abrindo espaço para a comparação de
suas obras. Aproveitando-nos dos apontamentos feitos por Friedrich Schiller
sobre a tragédia como instância que proporciona ao homem o entretenimento
e a liberdade através de meios morais, utilizamos as peças Die Jungfrau von
163
Orleans (Friedrich Schiller, 1801) e Penthesilea (Heinrich von Kleist, 1808)
como via de exemplificação prática de como estes autores usaram as concepções estéticas apontadas acima para a construção da ação de suas heroínas,
caracterizando-as de maneira a atender esses pressupostos estéticos.
PALAVRAS-CHAVE: Friedrich Schiller; Heinrich von Kleist; graça; dignidade; beleza.
A BUSCA DA EXPERIÊNCIA TOTAL DO HUMANO EM
ALEXEI BUENO
Carlos Eduardo Marcos Bonfá
Doutorando
Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.)
Pretendo com minha pesquisa refletir sobre a inserção de Alexei Bueno na
literatura contemporânea brasileira como produtor e receptor, abrangendo
sua obra enquanto poeta, crítico literário e polemista através de uma leitura
que procure atingir um ponto de interpretação pluralista e que consista em
abarcar os diversos recursos em jogo no conjunto da obra, fazendo os textos
significarem tanto quanto possam, atentando em suas espécies diversas de
nível de complexidade referencial e em como reage o fluxo de passagem
entre o pensamento crítico e o pensamento poético de Alexei Bueno, isto é,
como, por exemplo, uma ideia crítica em relação à estética faz a invenção/
conotação poética agir perante esta ideia, e vice-versa. Meu objetivo é, ao
final da pesquisa, demonstrar, através de análises de textos literários e críticos do autor, que o eu poético de Alexei Bueno busca uma experiência
expandida, totalizante (subjetiva e simultaneamente objetivada na História)
do humano. Para isto, utilizarei criticamente autores referenciais sobre os
164
conceitos de modernidade, de contemporaneidade e de anacronismo, como
Baudelaire, João Alexandre Barbosa e Agamben.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia brasileira; Contemporaneidade; Metapoesia;
Poética; Crítica.
A RESSIGNIFICAÇÃO DA TRÍADE TEMPO, MEMÓRIA E
IDENTIDADE NA OBRA OS CUS DE JUDAS, DE ANTÓNIO
LOBO ANTUNES.
Carlos Henrique Fonseca
Mestrando
Profª Drª Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.)
O romance Os cus de Judas, publicado em 1979, integra o que o seu autor,
António Lobo Antunes, chamou de ciclo de aprendizagem. Nesta fase inicial
de sua vasta trajetória como romancista, em que se destaca a experiência
vivida pelo autor nos derradeiros anos da guerra entre Portugal e Angola, já
estão também presentes alguns elementos estéticos, temáticos e estruturais
que serão desenvolvidos ao longo de sua produção romanesca, garantido assim sua singularidade no profícuo universo do romance português contemporâneo. Em sua construção ficcional, Lobo Antunes tem a memória como
elemento primordial de seus romances e crônicas, configurando tempos e
espaços específicos nos quais os mitos fundadores da identidade são postos
em cheque. Neste sentido, nosso objetivo é a compreensão de como são articulados os conceitos de tempo, memória e identidade, possibilitando-nos
perceber não só as estratégias narrativas e discursivas do autor, mas também
sua relação com a contemporaneidade nos horizontes da pós-modernidade
e do pós-modernismo na literatura portuguesa. Para tanto, adotamos como
165
metodologia o estudo inicial da relação entre história, ficção e testemunho,
seguido de uma reflexão sobre e tempo, a memória e a imaginação apoiando-se nos estudos de Paul Ricoeur. Nossa pesquisa avança com os estudos da
noção de identidade na pós-modernidade, trazendo para tal reflexão estudos
de Zygmunt Bauman e Stuart Hall. Por fim, confrontando a proposta de
uma “poética sociológica” de Mikhail Bakhtin com a perspectiva da “impossibilidade” do pós-estruturalista Maurice Blanchot e do “niilismo como
alternativa” do filósofo italiano Gianni Vattimo, nossa pesquisa alia-se aos
estudos que mostram o quanto o universo literário de António Lobo Antunes é paradigmático e revelador de um mundo marcado por impossibilidades
e incertezas, ao mesmo tempo em que desafia os limites do romance enquanto gênero.
PALAVRAS-CHAVE: António Lobo Antunes; Tempo; Memória; Identidade; Pós-modernismo.
O NARRADOR E OS HERÓIS INCONSTANTES (LEITURA
DE TRÊS ROMANCES DE MACHADO DE ASSIS)
Carlos Rocha
Doutorando
Prof. Dr. Wilton José Marques (Or.)
À luz da tradição do romance romântico brasileiro, que vislumbra um
deslocamento entre a sociedade da época e a sua representação, suscitando
incongruência ideológica, ao mesmo tempo, que é formadora de um público
leitor, o presente projeto de pesquisa propõe analisar, textualmente, a
construção da relação entre o narrador e a inconstância do protagonista de
três romances de Machado de Assis – A mão e a luva (1874), Helena (1876)
166
e Iaiá Garcia (1878) – para compreender, a partir da relação entre esses
entes ficcionais, como o autor desata o nó dessa contradição confabulada no
romance daquela época. Desse modo, o que pretendemos é estabelecer, por
meio do estudo dos elementos constitutivos da narrativa, como Machado de
Assis articula um arranjo junto ao romance moderno para efetuar uma leitura
crítica da sociedade brasileira oitocentista.
PALAVRAS-CHAVE: Narrador; Protagonista; Inconstância; Machado de
Assis; Romance brasileiro.
A PERSONAGEM E O ESPAÇO NA OBRA ANA-NÃO, DE
AGUSTÍN GÓMEZ-ARCOS
Carolina Piovam
Mestranda
Profª Drª Maria Dolores Aybar-Ramírez (Or.)
A pesquisa propõe analisar a categoria da personagem através do espaço percorrido pela protagonista Ana Paucha, pertencente ao romance Ana-Não, do
autor espanhol Agustín Gómez-Arcos. Ao levar em consideração a importância do espaço, o qual possui intrínseca relação com o tempo da narrativa, que
é o do Pós Guerra Civil Espanhola, será feita uma análise do percurso de viagem e das transformações da personagem central a fim de explanar acerca da
libertação desta como mulher, esposa e mãe vencida em busca do reencontro
com o seu único filho vivo, Jesus, o menino. Em síntese, falaremos sobre a
obra, pertencente à literatura exilada, de suas personagens e da narração, esta
será feita a partir da teoria de Gerard Genette (1988). Os espaços do romance
serão refletidos à luz de Lotman (1978), o qual proporcionará, portanto, um
estudo das relações espaciais com os aspectos sociais, culturais, religiosos,
políticos e morais presentes em Ana-Não, os quais incutem na formação da
167
protagonista, cuja base teórica desta categoria se dá por meio dos estudos do
Bildungsroman, ou seja, o romance de formação, de Maas (2000).
PALAVRAS-CHAVE: Literatura espanhola do Pós Guerra Civil; literatura
exilada; espaço; personagem; Bildungsroman feminino.
O DUELO DOS PASTORES: UM ESTUDO SOBRE A
FIGURATIVIDADE NAS BUCÓLICAS DE VIRGÍLIO
Caroline Talge Arantes
Mestranda – Bolsista Capes
Prof. Dr. Márcio Thamos (Or.)
Os expedientes expressivos adotados por Virgílio (70 – 19 a.C.), célebre poeta da época do Imperador Augusto, na composição de sua obra intitulada Bucólicas são, sem dúvida, fatores fundamentais para entender os motivos pelo
qual assegura-se ao autor a fama de “poeta do império” do importante “Século
de Ouro” da Literatura Latina. Reconhecer tais expedientes, ou seja, analisar
os mecanismos intradiscursivos de constituição do sentido e saber como eles
podem ser mobilizados na produção textual constitui o objetivo da pesquisa
em andamento que, ao aplicar preceitos de Semiótica Literária e de Poética,
investiga a seleção e combinação dos elementos figurativos presentes dos
poemas ímpares componentes da obra virgiliana. O encadeamento desses
elementos é responsável por criar o universo concreto, representativo de uma
significação temática da obra, ligada ao mundo idealizado dos pastores e sua
relação com a natureza, a música e a poesia. Ressaltando os elementos que
permitem classificar o texto como poético de gênero bucólico, se procura,
a partir da análise dos efeitos de sentido suscitados pela leitura, explicar o
que o texto diz e, principalmente, como o faz para dizê-lo – função principal
168
da teoria semiótica. Dessa forma, com o arcabouço teórico baseado primordialmente na teoria semiótica da significação proposta por A. J. Greimas, o
trabalho investiga em que medida as figuras instaladas em um discurso são
combinadas e revestidas de expressividade, ou seja, visa-se à investigação
da expressão da figuratividade no texto clássico latino, com destaque para o
plano da expressão, que é responsável por evidenciar os chamados sistemas
semissimbólicos.
PALAVRAS-CHAVE: Figuratividade; Bucólicas; Éclogas; Virgílio; Semiótica.
DEFINIÇÃO DO IDIOMA ESTILÍSTICO SENEQUIANO NAS
TRAGÉDIAS ÉDIPO E FENÍCIAS: UMA PROPOSTA DE
TRADUÇÃO EXPRESSIVA
Cíntia Martins Sanches
Doutoranda - Bolsista FAPESP
Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.)
O presente projeto tem como objeto as tragédias senequianas Édipo e Fenícias. Trata-se de um estudo sobre a tessitura poética do texto latino por meio
de uma tradução expressiva desses dramas com a finalidade de delimitar
traços fundamentais do idioma estilístico de Sêneca no córpus, bem como de
refletir sobre sua transposição para o português. A escolha dessas tragédias
se dá pelo fato de que, dentre os dramas senequianos, esses são os únicos que
tratam do mito dos Labdácidas. Assim, é possível uma abordagem completa
sobre o tratamento dado por Sêneca ao mito de Édipo. O conceito de idioma
estilístico foi utilizado por Brodsky (1994), em “O filho da civilização”, e
diz respeito à afinidade estilística necessária para que uma tradução possa ser equivalente ao texto de partida. Assim, serão observados, nos textos
169
de partida, recursos expressivos, comumente classificados como figuras de
linguagem, bem como astúcias expressivas presentes nos planos fônico, lexical, morfossintático e métrico. Quanto à métrica, destacam-se os trímetros
iâmbicos, que aparecem na maioria dos versos a serem traduzidos. Propõe-se
que eles sejam vertidos em decassílabos, o que pode ser justificado por uma
tradição de equivalência que vem de tragediógrafos como Antônio Ferreira
e Manuel de Figueiredo, bem como de tradutores do gênero trágico, como
Filinto Elísio, José Feliciano de Castilho, Sebastião Francisco Mendo Trigozo, João Cardoso de Meneses e Sousa e Trajano Vieira. Recentemente,
adicionou-se à pesquisa um manuscrito de uma tradução da tragédia Édipo
realizada, em decassílabos, por Cândido Lusitano, em Portugal, no século
XVIII. Está sendo feita uma edição diplomática desse manuscrito e far-se-á
uma análise da tradução expressiva proposta por Lusitano, tendo como base
o estudo da expressividade já proposto desde o início deste projeto. Além
disso, já se tem a tradução de estudo (em prosa) de Fenícias e dos cantos
corais de Édipo, além de uma primeira tradução já em decassílabos dos primeiros 81 versos de Édipo. Foram escritos 3 artigos até agora, dois deles já
publicados.
PALAVRAS-CHAVE: Sêneca; idioma estilístico; tradução expressiva;
Édipo; Fenícias.
A MEMÓRIA, O TEMPO E O CORPO FEMININO EM ANAÏS
NIN: DESAFIOS E DESCOBERTAS.
Cristal Rodrigues Recchia
Doutoranda - Bolsista CAPES
Profª Drª María Dolores Aybar Ramírez (Or.)
Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi (Coor.)
Como se dá a representação da mulher e do feminino na literatura? Tal questão, tão debatida quanto ainda polêmica, constitui o cerne das presentes re170
flexões. A existência ou não de algum tipo de especificidade que faz um
texto escrito por uma mulher diferente de um texto escrito por um homem,
ou a existência de um texto de natureza “feminina”, independente do sexo do
autor, são questões que nos levam a diferentes caminhos teóricos. Em grande
parte, esse polêmico tema está ligado aos múltiplos significados socioculturais que o termo “feminino” carrega. Resulta quase impossível dissociar
o feminino da mulher, embora a feminilidade não seja algo exclusivo das
mulheres, como a masculinidade não é algo exclusivo dos homens. O que
se torna importante tanto no estudo da literatura produzida por mulheres,
quanto na compreensão do que é feminino, é vislumbrar que pode existir
uma diferença, ou ao menos, problematizar essa discussão. Isto não quer
dizer que o diferente, o outro, no caso, o feminino, seja inferior ou marginal.
Para refletir sobre esses e outros aparentes paradoxos, propomos abordar o
texto literário à luz dos estudos de gênero, e mais concretamente, com base
na linha teórica de Sandra Gilbert e Susan Gubar. Para compor o corpus de
natureza literária, se escolheu os diários não expurgados de Anaïs Nin: Henry e June, Incesto e Fogo, que cobrem o período de 1931 a 1937. A escrita
autobiográfica de Anaïs Nin serve-nos para analisar alguns dos caminhos da
construção da identidade do sujeito mulher.
PALAVRAS-CHAVE: Anäis Nin; Feminismo; Mulher e Literatura.
O PERFEITO MÁGICO DAS LETRAS FRANCESAS:
APROXIMAÇÕES ENTRE O CONTO FANTÁSTICO E A
POESIA DE THÉOPHILE GAUTIER
Cristovam Bruno Gomes Cavalcante
Mestrando
Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.)
O objetivo deste projeto é estabelecer relações entre a obra, alguns contos
e alguns poemas, e a concepção estética que defende Théophile Gautier em
171
seus ensaios e prefácios. Buscar-se-á assim encontrar a unidade entre a produção fantástica do autor, como os contos Le pied de Momie (1840) e Arria
Marcella, souvenir de Pompeï (1852) e sua poesia, cuja expressão máxima
é a coletânea de poemas Émaux et Camées (1852), e relacioná-las com, por
exemplo, o polêmico prefácio de Mademoiselle de Maupin (1835-1836), que
representa uma crítica feroz à filosofia social sansimonista e, sobretudo, uma
crítica ao utilitarismo da sociedade burguesa do século XIX. Além de investigar o significado da recorrência de temas, como a animação de objetos
artísticos e o amor das personagens em relação aos objetos, buscar-se-á descobrir, também, se do ponto de vista da linguagem há equivalências entre a
prosa do autor e sua produção poética.
PALAVRAS-CHAVE: Théophile Gautier; Contos fantásticos; Poesia Parnasiana.
UMA REAPRESENTAÇÃO DE HENRY MILLER:
LITERATURA E RECEPÇÃO CRÍTICA DA OBRA DO
ESCRITOR AMERICANO
Daniel Rossi
Doutorando
Profª Drª Maria Clara Bonetti Paro (Or.)
Procuramos reapresentar criticamente a obra de Henry Miller, partindo dos
livros que seriam os mais importantes na longa produção literária do autor. As obras Trópico de câncer (MILLER, 2006) [1934], Primavera negra (MILLER, 1968) [1936] e Trópico de capricórnio (MILLER, 2008)
[1939], são os objetos centrais de nossa pesquisa. Henry Miller é um es172
critor americano que gozou de amplo reconhecimento durante boa parte
do século XX. Devido à sua história com a censura (suas obras só seriam
liberadas nos EUA, seu país de origem, e em outros lugares do mundo a
partir da década de 1960 – quase 30 anos após a publicação de seu primeiro
romance na França), o conteúdo de seus livros foi taxado como obsceno ou
pornográfico. As novidades estilísticas e de conteúdo que a trilogia francesa trouxe foram esquecidas pelo meio do caminho, mesmo que Miller
tenha conhecido um grande reconhecimento por sua obra mesmo antes da
liberação de seus livros mais importantes. Mesmo com esse reconhecimento crítico, misturado com boa dose de críticas moralizantes e com críticos
chocados com o conteúdo das obras, a obra do escritor americano conheceu
um destino singular. Recebida com grande alarido pela crítica (Edmund
Wilson (1952), Maurice Blanchot (1997), George Orwell (2005)), as primeiras obras de Miller chegaram a encontrar um público pronto a oferecer
críticas a uma obra que foi publicada em pequena tiragem na França, somente em língua inglesa pois a censura proibia sua tradução. E a questão
da censura é o que faz, justamente, da recepção da obra de Miller um caso
sui generis: após esta primeira recepção crítica, ocorre um grande silêncio
sobre a obra de Henry Miller. Impossibilitados de falar sobre obras que a
maioria não teria acesso, a crítica da literatura milleriana se cala durante
muitos anos após a publicação de seu primeiro romance em 1934. Mesmo
depois de se tornar um best-seller a crítica não acompanhou as suas obras e
um vazio se estabeleceu em torna de sua obra. Nosso intuito é, justamente,
trabalhar esta questão ao mesmo tempo em que analisamos as obras de um
ponto de vista formal e de conteúdo.
PALAVRAS-CHAVE: Henry Miller; Crítica literária; Literatura americana.
173
FICÇÃO E HISTÓRIA: TRANSFIGURAÇÕES DO PASSADO
EM NARRATIVAS DE TEOLINDA GERSÃO E MIA COUTO
Daniela Aparecida da Costa
Doutoranda – Bolsista CAPES/DS
Profª Drª Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
A pesquisa de doutorado em desenvolvimento (2011-2015), intitulada “Ficção e História: transfigurações do passado em narrativas de Teolinda Gersão
e Mia Couto”, focaliza interações entre literatura e História em narrativas de
dois escritores contemporâneos das literaturas de língua portuguesa: Teolinda Gersão (Portugal) e Mia Couto (Moçambique). Nosso corpus de análise
é constituído de quatro romances: Paisagem com mulher e mar ao fundo,
de 1982, e A árvore das palavras, de 1997, de Gersão e Terra sonâmbula,
de 1992 e Vinte e zinco, de 1999, de Couto. O estudo, por meio da análise do corpus literário escolhido, confronta os diferentes olhares sobre o
passado recente das duas nações veiculados pelos romances mencionados.
Nossa hipótese é a de que os dois autores utilizam, como primordial técnica
de composição narrativa, nas obras em análise, as interações entre ficção e
História de modo a transfigurar a matéria histórica no corpo ficcional. Além
do procedimento de tomada da matéria histórica, busca-se, com o processo
investigativo, mostrar que Gersão e Couto aproximam-se por fazerem uso de
uma escrita intimista: ao lado do factual, há o aflorar de subjetividades que
mostram os dramas humanos individuais de personagens que, metonimicamente, refletem o coletivo. Para o desenvolvimento da pesquisa são tomados
como aporte teórico os seguintes grupos de textos: a) teóricos sobre a interação entre literatura e História e o problema da representação da realidade ao
longo da crítica literária; b) teóricos dos Estudos Culturais, para a compreensão da configuração da literatura em países de independência recente, como
é o caso de Moçambique; c) teórico-críticos sobre a constituição e principais
174
tendências das literaturas de língua portuguesa, em especial, a produção de
Moçambique com Mia Couto e de Portugal pós-Revolução dos Cravos, com
destaque para a obra ficcional de Teolinda Gersão, além de textos críticos
sobre a história recente de Portugal e Moçambique; d) teóricos para a compreensão dos conceitos de memória, história e ficção; e) com proposições
da teoria da narrativa, para a análise das categorias narrativas, em especial o
tempo e o espaço.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura de língua portuguesa; Romance; Teolinda
Gersão; Mia Couto; Ficcionalização da História.
AFINIDADES ENTRE O TRÁGICO DE ÉDIPO REI E O
TRAGICÔMICO D’ A VISITA DA VELHA SENHORA
Daniela Manami Mippo
Mestranda
Profª Drª Wilma Patricia Marzari Dinardo Maas (Or.)
Com o projeto propõe-se elencar e discutir afinidades no que toca à forma
e a temática entre as obras de Sófocles e Friedrich Dürrenmatt, Édipo Rei e
A visita da velha senhora respectivamente. Para isso, nos utilizaremos principalmente dos conceitos sobre o trágico de Aristóteles e Peter Szondi, o
que possibilita uma aplicação de conceitos não só pautados na Poética do
primeiro, mas também no que se versou sobre o trágico em Ensaio sobre o
Trágico de Szondi, contemplando também o gênero híbrido que é o tragicômico, gênero ao qual a obra mais moderna pertence. A comparação focaliza
principalmente aspectos trágicos, enredo e distanciamento do público em
relação ao espetáculo, apontando mais especificamente para a maneira como
tais elementos semelhantes se apresentam e se arranjam nas obras estudadas.
175
Entretanto, não se pode deixar de lado determinados aspectos nos quais as
obras diferem, uma vez que têm demasiada importância para a organização
interna das próprias afinidades entre as duas peças, organização que permite
que uma pertença ao gênero trágico e a outra ao tragicômico.Com o levantamento e comparação entre tais elementos poderemos enfim apontar para
quais resquícios do que versou Aristóteles sobre a tragédia clássica grega
ainda são utilizados no âmbito daquilo que muitos teóricos denominam Teatro Moderno, ou Drama Moderno segundo Szondi, ressaltando de que forma
eles se manifestam na obra de Dürrenmat. Da mesma forma, buscar-se-á
identificar características do trágico apontadas por Szondi que já estejam
presentes na peça clássica. Será possível assim apontar para o que era o trágico clássico, contrapondo-o a um possível trágico moderno, de acordo com
a terminologia utilizada para designar a produção teatral da época em que
produziu Dürrenmatt.
PALAVRAS-CHAVE: teatro; trágico; tragicômico; Dürrenmatt; Sófocles.
VISÕES DO INFERNO OU A CENA DEFORMADA: UMA
LEITURA DO EXPRESSIONISMO NO TEATRO DE RAUL
BRANDÃO
Danielle de Aurélio Martinez
Mestranda – Bolsista CAPES
Profª Drª Renata Soares Junqueira (Or.)
O Projeto de Pesquisa em Mestrado propõe um estudo sobre teatro moderno
a partir da leitura crítica da peça dramática O gebo e a sombra (1923), de
autoria do escritor português Raul Brandão (1867-1930). A produção dramatúrgica desse autor, pouco extensa e até hoje insuficientemente conhecida
nos meios universitários brasileiros, revela-se, como pretendemos demons176
trar pela análise textual, um dos mais distintos produtos do expressionismo – “em Portugal tão raro e sáfaro (inculto, distante)” segundo a crítica
especializada – no teatro português. Brandão é autor de uma obra literária de
múltiplas virtualidades estéticas que lhe conferem uma modernidade singular, “completamente autonomizada dos movimentos literários que a tinham
como bandeira na segunda década do século XX”, segundo afirmam os seus
exegetas. Daí a dificuldade em classificar esteticamente a obra desse autor.
As várias perspectivas possíveis parecem, entretanto, marcadas por um denominador comum que, segundo a nossa hipótese, agrega em si, predominantemente, elementos estéticos próprios do expressionismo.
PALAVRAS-CHAVE: Teatro português; Raul Brandão; O gebo e a sombra;
expressionismo; século XX.
UMA VERSÃO DO CANTO III DE PUNICA E A TEORIA
MODERNA DA TRADUÇÃO
Débora Cristina de Moraes
Mestranda - Capes
Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.)
Este trabalho, ainda em sua fase inicial, trata da (re) tradução como elemento
fundamental para revigorar obras do passado, tornando-as públicas e acessíveis. Nota-se que estudos de tradução e retradução têm obtido relevância
nas últimas décadas, assim como textos de autores não conhecidos ou fora do
cânone das Letras Clássicas, como o escritor épico latino Sílio Itálico, cuja
obra (Punica), composta em dezoito cantos, que teve quatro deles traduzidos
por Filinto Elísio, no século XIX. Assim, entender que atividade tradutória é
um ato crítico, como conceituam teóricos como Antoine Berman e Haroldo
de Campos, nos leva a compreender que tal processo considera traduções
177
anteriores necessárias para que possamos afinar nossa criticidade na abordagem do texto em sua língua de partida e na versão produzida na língua de
chegada, colaborando para criar parâmetros de tradução, e também para a
história da tradução em nosso país. Desse modo, além dos estudos necessários sobre a tradução e de como fazer uso das modificações de seus preceitos
ao longo do tempo, esse projeto originará uma tradução que visa carregar
em si os elementos e artefatos poéticos que integram o processo tradutório,
mais os oriundos do contato entre as línguas. Visa ainda colaborar para o
resgate no Brasil de Punica de Sílio Itálico, que já ocorre em outros países,
evidenciando a importância da literatura da “Idade de Prata” de Roma para
os estudiosos de língua e literatura latinas.
PALAVRAS-CHAVE: retradução; crítica tradutória; literatura latina.
ECOS DA MEMÓRIA: A (RE)CONSTRUÇÃO DA
IDENTIDADE EM A MISTERIOSA CHAMA DA RAINHA
LOANA, DE UMBERTO ECO.
Déborah Garson Cabral
Mestranda – Bolsista CNPq
Profª Drª Cláudia Fernanda Campos Mauro (Or.)
Com o objetivo de descrever o processo de construção da identidade italiana,
reflexo da história e da memória desse povo, este projeto visa desenvolver os
temas da memória, do diálogo entre história e literatura e da inserção do leitor na produção da obra literária, a partir do estudo do romance A misteriosa
chama da rainha Loana, de Umberto Eco. Para isso, procura refletir sobre a
história ficcional consonante à história real do período do Fascismo, vivido
pela nação italiana no período da Segunda Guerra Mundial, no intuito de
178
compreender o processo de construção da identidade e da unidade italiana.
Partindo deste ponto, o que se pretende é traçar uma linha que chegue à construção da identidade de Yambo, personagem desta narrativa que passeará
pelos palácios da memória no intuito de encontrar suas memórias perdidas,
vítimas de um suposto acidente vascular. Este narrador autodiegético será
a metáfora dessa Itália traumatizada pela guerra, fragmentada e múltipla,
que busca, de alguma forma, um reencontro com seu passado, suas origens,
na busca de compreender seu destino e consolidar sua identidade. As referências da cultura italiana e da inserção de culturas de outros países, como
a cultura pop, oriunda dos Estados Unidos, se fazem presentes na narrativa,
POTENCIALIDADE LÚDICA DO CARAMURU:
ADAPTAÇÃO E ROTEIRO PARA JOGOS DE VIDEOGAME
ECOMPUTADOR.
Dílson César Devides
Doutorando
Gentil Luiz de Faria (Or.)
Esta texto objetiva estudar as possíveis relações entre literatura e jogos eletrônicos. Principalmente a potencialidade lúdica da literatura em converter-se em games. Não são poucos os jogos eletrônicos inspirados na Odisseia,
na Divina Comédia, por exemplo, mas são poucos os inspirados na literatura
brasileira. Assim, ter a poesia épica nacional, mais especificamente, Caramuru, de Frei de Santa Rita Durão, como objeto de estudo pode contribuir para
abrir o precedente de novos estudos envolvendo obras brasileiras e suas possíveis adaptações para jogos eletrônicos, assim como já acontece nas adaptações para televisão e cinema. Para isso, será importante definirmos quais os
fatores mais importantes para a jogabilidade e como eles aparecem no poema
em questão ou mesmo em outros congêneres. Mesmo que especificidade do
179
projeto seja o roteiro de um game como prova de tal potencialidade lúdica,
serão destacadas ao longo da pesquisa algumas questões importantes para
situarmos os games e a narratologia nas novas mídias.
PALAVRAS-CHAVE: Caramuru; jogos eletrônicos; lúdico; roteiro; adaptação.
GUERRA CONJUGAL, O CINEMA ANTROPOFÁGICO DE
JOAQUIM PEDRO DE ANDRADE.
Douglas de Magalhães Ferreira
Mestrando
Profa. Dra. Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.)
Este projeto tem como principal objetivo explorar as intricadas relações entre
literatura e cinema na obra de Joaquim Pedro de Andrade, um dos expoentes
do Cinema Novo e cuja obra mantém estreitas relações com a literatura nacional. Mais especificamente, pretende-se sondar o quarto longa-metragem
de ficção do diretor, Guerra conjugal (1975), tomando o esforço adaptativo
por tradução criativa e crítica (CAMPOS, 2006). Procurar-se-á identificar os
contos-base de Dalton Trevisan utilizados para a composição do roteiro, bem
como a fase de produção do autor na qual eles se inserem, levando em consideração o contexto de explosão do gênero conto no Brasil entre as décadas
de 1960-1970. Em seguida, analisar-se-á pormenorizadamente a narrativa
cinematográfica do filme-resultado, procurando estabelecer ainda pontos de
toque entre esta e as demais obras do diretor, lançando luz sobre o conjunto
de sua produção, sem perder de vista a conjuntura estético-política de sua
realização, o Cinema Novo e a sociedade brasileira dos anos de 1970.
PALAVRAS-CHAVE: Guerra conjugal; Joaquim Pedro; relações intersemióticas.
180
JOÃO GILBERTO NOLL E AS PERVERSÕES DO REAL
(REPRESENTAÇÃO, DESLOCAMENTOS E PERMANÊNCIA
EM O QUIETO ANIMAL DA ESQUINA E HARMADA)
Efraim Oscar Silva
Mestrando – Bolsista FAPESP
Profa. Dra. Rejane Cristina Rocha (Or.)
O escritor João Gilberto Noll iniciou sua carreira literária em 1980, com a
publicação do volume de contos O cego e a dançarina. A partir daí, produziu um conjunto de romances que a crítica especializada e os resenhistas da
imprensa consideram invulgares, quer pela forma da composição, quer pelos
enredos, quer pela apresentação dos narradores e das personagens. Romances fluidos, fragmentários; histórias que são como pastiches, colagens às vezes desconexas e sem sentido; narradores-personagens desmemoriados, desorientados e sem nenhuma certeza; personagens errantes e sem identidade;
ambientes e cenas confusos, que são construídos e desconstruídos logo em
seguida. Essas são, em síntese, algumas características das narrativas de João
Gilberto Noll. Os romances O quieto animal da esquina (1991) e Harmada
(1993) parecem sintetizar bem essa fase da sua produção, o que justifica a
nossa escolha para serem focalizados neste trabalho. Nossa proposta é discutir a forma como ambos reconfiguram as estruturas narrativas clássicas do
gênero romance e representam o real. Para isso, estabelecemos um percurso
teórico que implica o estudo de algumas instâncias narrativas como narrador,
tempo e espaço, com base na narratologia pragmática de Gérard Genette.
Em seguida problematizamos se há singularidade na forma e na temática
dos dois romances no que se refere a representar a sociedade brasileira contemporânea e se, ao fazê-lo, se apropriam das estruturas clássicas do gênero
romance e/ou as subvertem.
PALAVRAS-CHAVE: João Gilberto Noll; representação do real; romance
brasileiro; O quieto animal da esquina; Harmada.
181
EM FACE DO ÉPICO: A HEROICIZAÇÃO NAS
NARRATIVAS DE XENOFONTE
Emerson Cerdas
Doutorando – Bolsista FAPESP
Profa. Dra. Maria Celeste Consolin Dezotti (Or.)
O presente estudo tem como objetivo a análise de quatro narrativas de Xenofonte, As Helênicas, Anábase, Agesilau e A Ciropedia, classificadas pela
história da literatura como “historiográficas”. Nossa discussão versa a respeito da construção do heroísmo nessas narrativas a partir do uso intertextual
da mitologia heroica, em especial aquela abordada por Homero em seus dois
poemas épicos, Ilíada e Odisseia. O mito repercute, enquanto categoria estrutural do pensamento humano, uma série de modelos de comportamento
que, mesmo quando ele deixa de ter um papel absoluto na cultura grega,
sendo questionado pelo pensamento racional e lógico, são recuperados e tecnificados pelos escritores a fim de engrandecer os eventos narrados por eles.
Na Grécia do século IV a.C., essa prática mostra-se comum tanto na Oratória
quanto na Historiografia, mas, recuando na história da literatura grega, observamos expedientes semelhantes também em poemas de Simonides, Baquílides, Píndaro, no teatro de Ésquilo. Nesse sentido, a heroicização parece
ser um traço importante do discurso literário grego e Xenofonte, nesse sentido, traz às suas narrativas esses elementos de heroicização justamente onde
elas se afastam do discurso historiográfico (a partir do modelo de Tucídides),
narrando aquilo que os historiadores deveriam deixar no esquecimento. Por
isso, partindo de conceitos de arquitextualidade e intertextualidade conforme
Genette em Introduction à l’architexte (1978) e Palimpsestes (1982), nossa
análise discute também a pertinência em classificar essas obras de Xenofonte
como historiográficas. Como todo gênero do discurso, o historiográfico é
um feixe de estruturas linguísticas que se estabelece na comunicação entre
182
autor e leitor, reconhecido por este através de sua prática de leituras do gênero. Assim, através do uso da heroicização dos dados históricos, percebemos
tanto rupturas ao gênero historiográfico (n’As Helênicas) quanto inovações
no campo da narrativa em prosa da Grécia Antiga (na Anábase, Agesilau e
Ciropedia), criando uma espécie de narrativa épica em prosa que muito influenciou os romancistas gregos posteriores.
PALAVRAS-CHAVE: Xenofonte; historiografia; intertextualidade; Homero;
LITERATURA E INQUIETAÇÃO: A DISCUSSÃO DA FORMA
ROMANESCA EM JACQUES LE FATALISTE ET SON
MAÎTRE
Evaneide Araújo da Silva
Doutoranda – Bolsista SEE/SP
Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
Este trabalho concentra-se em fazer uma análise do romance Jacques le fataliste et son maître (1778), do escritor e filósofo francês Denis Diderot (17131784), no sentido de demonstrar como essa obra dá, na própria estrutura da
narrativa, uma resposta muito original e legítima às questões que se colocavam ao gênero no século XVIII: afinal, o que é o romance? Como fazer para
buscar a verossimilhança dentro da narrativa? A que se presta um romance?
Quais devem ser as características principais que o distinguem da poesia, do
drama e da História? Trata-se, portanto, de demonstrar a importância de Jacques le fataliste para a evolução do próprio gênero ao colocar em evidência
procedimentos e temas literários inovadores, transformando o falso - a ficção
– em uma forma de declarar a verdade e de discutir os problemas históricos
de seu tempo. Assim, levamos em conta que a principal obra literária de De183
nis Diderot tem por objetivo discutir o próprio gênero, mostrando no tecido
de sua narrativa como o romance, ao contrário do que pretendia a crítica, se
constitui como ficção, como produto intelectual de um autor que tem à sua
disposição técnicas e procedimentos que lhe permitem construir um enredo
ao mesmo tempo perfeitamente verossímil e ficcional. Ao ler o romance e
refletir sobre sua forma, nota-se que ele é inovador, na França do século
XVIII, em todos os sentidos. Na obra de Diderot as categorias constituintes
da narrativa são desconstruídas ao assumir uma função que vai além da composição da diegese, em favor da reflexão principal que a obra veicula, qual
seja, pensar a constituição do romance enquanto gênero, estabelecer novos
paradigmas para a prosa de ficção, no sentido de diferenciá-la da História e
dos demais gêneros literários.
PALAVRAS-CHAVE: Romance; Forma Romanesca; História do romance;
Jacques le fataliste et son maître.
LITERATURA E DITADURA: ENTRE A CASA E A
RUA. ECOS DE RESISTÊNCIA NAS OBRAS DE LYGIA
FAGUNDES TELLES, NÉLIDA PIÑON E HELONEIDA
STUDART.
Evelyn Caroline de Mello
Mestranda
Profa. Dra. Maria Clara Paro (Or.)
O presente trabalho pretende analisar as linhas estéticas que compunham
o quadro artístico brasileiro dos Anos de Chumbo, em especial as propostas de engajamento político e os seguimentos artísticos que compuseram a
184
Marginália, sendo estes os grupos que mais se destacaram no período histórico referente aos anos que compõem o painel do regime de exceção. De
um lado, a proposta engajada propunha a arte como ferramenta de libertação política, um contraponto para a censura e denúncia das arbitrariedades
do governo, de outro lado, a corrente da Marginália propunha liberdade de
criação e liberdade individual, discutindo novas possibilidades de criação
artística (ou mesmo retomando aspectos concernentes ao Movimento Modernista) e inserindo outros debates, como a questão da liberdade sexual,
mais afinados com a Contracultura. No entanto, apesar das diferenças presentes nessas tendências há algo que as aproxima: o caráter de resistência.
Ambas procuram por diferentes caminhos resistir aos padrões sociais e
culturais vigentes à época. A proposta central, portanto, seria investigar se
há uma correspondência das propostas de resistência destes grupos artísticos com a configuração do campo literário, sendo que o corpus escolhido
para investigação foram as obras As meninas de Lygia Fagundes Telles, A
doce Canção de Caetana de Nélida Piñon e O pardal é um pássaro azul
de Heloneida Studart. Pretende-se avaliar como o caráter de resistência
se encontra mediado nas obras e analisar a possibilidade de diálogo entre
a teoria do romance político ou romance de protesto e a teoria feminista,
na tentativa de proporcionar um ponto de encontro entre essas vertentes
teóricas. Destarte, espera-se identificar em que medida se pode construir
uma teoria feminista que possa dar conta dos diferentes feminismos que
se construíram ao longo da história do Brasil, em específico no período da
Ditadura Militar Brasileira (1964-1985).
PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira; Ditadura militar; Teoria Feminista.
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FIGURATIVIDADE EM “CÍNIRAS E MIRRA”: UM ESTUDO DE
SEMIÓTICA APLICADA (OVÍDIO, METAMORFOSES, X, 298-502)
Ewerton de Oliveira Mera
Mestrando
Prof. Dr. Márcio Thamos (Or.)
A proposta desta pesquisa é a de desenvolver um trabalho que procure investigar mais detidamente a figuratividade poética no texto latino, valendo-se
do instrumental teórico que nos fornecem a Poética e a Semiótica Literária,
tendo como corpus a obra Metamorfoses, livro X, 298–502, de autoria de
Ovídio (43 a.C. – 17 d.C.), considerado um dos maiores poetas da Roma
Antiga. As Metamorfoses são um grande poema versado em hexâmetros, ao
longo de quinze livros, em que o autor trata do surgimento dos elementos
que compõem o mundo e também da transformação ocorrida com diversos
seres e figuras da mitologia através de metamorfoses. No recorte selecionado para a análise, conhecido como “Cíniras e Mirra”, o autor latino conta
a transformação de uma bela jovem em uma árvore de mirra, fruto de suas
súplicas aos deuses após cometer incesto com o próprio pai, Cíniras, um dos
reis de Chipre. Com relação ao afastamento temporal – e o decorrente afastamento cultural – causado pela escolha de se trabalhar com um texto escrito
na Antiguidade, é adotada para o trabalho a concepção do latim como uma
língua viva do passado, sendo, portanto, como uma língua materna, com a
única exceção de possuir um lapso temporal que nos separa de seus últimos
falantes legítimos. Essa visão vai em contraposição à ideia, alimentada pela
escola da tradição, de seu tratamento como uma espécie de superlíngua, capaz de, quase por si mesma, fazer de todo enunciado um monumento perene.
Propõe-se, assim, como principal objetivo da pesquisa, a investigação semiótica do texto clássico latino, com destaque para o plano da expressão. Dessa
forma, tomando os efeitos de sentido captados pela percepção e apreendidos
186
por meio da leitura cuidadosa como dados de base, pretende-se investigar o
arranjo particular da linguagem no corpus.
PALAVRAS-CHAVE: Figuratividade; Literatura Latina; Metamorfoses;
Ovídio; Semiótica.
O ROMANCISTA DO MAR: UM ESTUDO DA
REPRESENTAÇÃO DO MAR NOS ROMANCES DE MOACIR
C. LOPES
Fernando Góes
Doutorando - Bolsista Capes
Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.)
A presente pesquisa de doutorado acerca das obras do autor Moacir Costa
Lopes dá prosseguindo ao estudo iniciado no mestrado, quando se analisou
o romance A ostra e o vento. Na ocasião buscou-se analisar essa narrativa
focando, sobretudo, as metáforas marítimas que conduzem o enredo. Lopes
é conhecido pela alcunha de romancista do mar e já no mestrado buscou-se
verificar como essa temática se apresenta na prosa desse autor. Para tanto,
desenvolveu-se certa teoria acerca das metáforas ditas marítimas, bem como
do mar enquanto espaço narrativo. As metáforas marítimas teriam origem
nos primevos contatos do ser humano com o elemento água bem como nas
imagens formadas pela ação do vento sobre as águas calmas do mar. Tais
metáforas marítimas florescem com toda intensidade em uma determinada
espacialidade que não compreende apenas o mar. Desse modo, analisando
no mestrado a conotação espacial do mar, chegou-se ao conceito de ambiente marítimo. Este, segundo o que se apurou no mestrado, ficaria ao lado
de outras espacialidades já cristalizadas na análise de narrativas como, por
187
exemplo, o espaço urbano e o regional. Porém, com o avançar das pesquisas
e a análise dos romances Maria de cada porto e Cais, saudade em pedra, foi
possível melhor compreender esse ambiente marítimo e vislumbrar a possibilidade de ele estar relacionado ao regional. Lopes, embora trabalhe uma
espacialidade basicamente universal, deixa marcas regionais. A esse regionalismo de Moacir Costa Lopes, atrela-se o conceito de imaginário. Moacir Lopes seria então um autor brasileiro que escreveu narrativas em que é possível
divisar o imaginário marítimo, porém um imaginário com certa brasilidade
que embasa, por sua vez, as metáforas marítimas que encontramos em suas
narrativas. O imaginário marítimo traria para as obras desse autor as cores
locais sem, no entanto, atrelá-lo a uma dada região do país e sem suprimir o
universal de suas narrativas.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura Brasileira; Mar; Romance.
NAS SENDAS DA ODE: HORÁCIO E FILINTO ELÍSIO.
Francisco Diniz Teixeira
Doutorando
Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.)
\O projeto está assentado no estudo da tradição clássica, através da leitura
comparada da ode em sua matriz na poesia de Horácio, poeta romano do
século I a. C., e da recepção feita dela na poesia de Filinto Elísio, poeta
neoclássico lusitano, através da atividade tradutória empreendida por Filinto
de Horácio e da criação poética, com base na leitura das odes compostas
pelo próprio Filinto e também se empreenderá uma revisão bibliográfica da
fortuna crítica concernente ao tema.
PALAVRAS-CHAVE: ode; literatura portuguesa; literatura latina; tradição
clássica; tradução.
188
AS DIVERSAS FACES DO MEDO PRESENTES NA FIGURA
DE HEITOR.
Gabriel Galdino Fortuna
Mestrando
Profa. Dra. Maria Celeste Consolin Dezotti (Or.)
Este trabalho tem por objetivo traçar os limites culturais que constroem a
figura do herói homérico, para tanto, escolheu-se analisar esta personagem,
símbolo do que a sociedade grega entendia como ideal, por um âmbito que
enfatiza mais o seu lado humano do que o divino. Desta forma, foram avaliadas todas as cenas da Ilíada em que o sentimento de medo está relacionado
ao herói Heitor. Expondo o medo atrelado a valores que esboçam o arcabouço cultural contido na figura do herói, compreendeu-se que essa personagem mitológica e literária muitas vezes vista apenas como um arquétipo, na
verdade traz uma torrente de conceitos que são indissociáveis dela, fato que
consequentemente a torna mais complexa e estimula uma visão detalhada
da mesma. O referido texto explicitou também a interação retórica entre os
conceitos pilares pertencentes à mesma órbita em que o medo atua na personagem, segundo principalmente os preceitos da filosofia aristotélica presente
na Retórica e na Ética a Nicômaco, que são: a coragem, a confiança, a vergonha, o pânico, a loucura e a alienação ao perigo. Ao relacionar os supracitados termos satélites ao medo foi possível averiguar a premissa fundamental
de que medo e coragem possuem a mesma matéria prima, evidenciando uma
relação simbiótica, interdependente, de tal amplitude que obrigatoriamente
culminou na interpretação de que não existe coragem sem a prévia existência do medo.Em suma, este texto elencou o sentimento do medo para
traçar de forma precisa os conceitos que formam um dos principais heróis da
narrativa, uma vez que essa emoção atrai e estimula vários outros valores,
além de configurar um irônico e interessante paradoxo. Afinal, trata-se de um
189
sentimento humano presente em uma figura sobre-humana, fato que expõe
a condição híbrida da personagem, tema muito explorado nas futuras Tragédias e Comédias gregas e em toda a vindoura Literatura, cujo germe já está
presente na primeira narrativa registrada do ocidente, a Ilíada.
PALAVRAS CHAVES: Ilíada; Herói; Medo; Heitor.
DESBRAVANDO A LONDRES DE BAIXO: O FANTÁSTICO
NO ROMANCE NEVERWHERE, DE NEIL GAIMAN.
Gabriele Cristina Borges de Morais
Mestranda
Profa. Dra. Karin Volobuef (Or.)
Neil Gaiman é um dos autores de fantasia com maior reconhecimento tanto
por parte do público como da crítica atualmente. Sua carreira se iniciou nos
anos 1980, mas o reconhecimento veio a partir de 1989, com a publicação da
série de HQs Sandman, que abriu novas portas para o autor não apenas no
mercado editorial de quadrinhos, mas também como roteirista de cinema e
autor de literatura. Seu primeiro romance solo, Neverwhere (traduzido como
Lugar Nenhum na edição brasileira), foi publicado em 1997 e traz muitos
dos aspectos do fantástico já presentes em Sandman e em seus quadrinhos,
e que viriam a caracterizar seus posteriores romances. A questão central de
Neverwhere é a dupla realidade com o qual o protagonista se depara: vivendo
durante anos na cidade de Londres, após ajudar uma estranha jovem ele se
torna invisível para as pessoas de seu mundo e conhece a Londres de Baixo, localizada no sistema metroviário da cidade. Podemos classificar a obra
como uma fantasia de portal (portal fantasy), segundo definição de Mendlesohn (2008): o protagonista atravessa um portal entre sua realidade e um
190
mundo estranho, no qual as regras às quais está habituado não são válidas
e onde há forte presença do fantástico. O herói é submetido a provas e, aos
poucos, juntamente com o leitor, familiariza-se às leis que regem esse novo
mundo, tendo por objetivo final o restabelecimento da ordem no mundo mágico e o retorno à sua vida tida como normal. Através de análise descritiva
dos elementos fantásticos presentes no romance, bem como das fontes intertextuais às quais o autor recorreu para a composição de seu cenário e seus
personagens, pretendemos nesta pesquisa refletir sobre o processo criativo
de Neil Gaiman e sua influência para a literatura de fantasia contemporânea.
PALAVRAS-CHAVE: fantástico; fantasia; Neverwhere; Neil Gaiman; Londres.
CONSTRUÇÃO LITERÁRIA DE MANIFESTAÇÕES DA
JUSTIÇA EM CONTOS DE SAGARANA
Gustavo de Mello Sá Carvalho Ribeiro
Mestrando
Prof. Dra. Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
Nossa pesquisa centra-se na análise de como, através de elementos narrativos, como narrador, personagens e com ênfase na historia, Guimarães Rosa
constrói o tema da justiça em contos de Sagarana. Embora toda a coletânea
seja levada em consideração, damos ênfase no estudo de: “O burrinho pedrês”, “Duelo”, “São Marcos”, “Corpo fechado”, “Conversa de bois” e “A
hora e vez de Augusto Matraga”. Percebemos que a justiça construída nos
contos tem sempre duas formas de manifestação: a justiça humana, realizada
pelas próprias mãos das personagens, tendo em vista que o Estado não está
presente no sertão; e a justiça divina, que rege muitos dos acontecimentos
191
das histórias. O embasamento teórico de nossa pesquisa pode ser agrupado
em três linhas: primeiramente, ensaios sobre as categorias da narrativa, que
são nosso instrumento de análise, como Discurso da narrativa de Genette,
que nos possibilita desenvolver melhor a leitura de como essas categorias
constroem, ao longo dos contos, as manifestações da justiça; crítica sobre a
produção rosiana em geral, como “De Sagarana a Grande sertão: veredas”
de Benedito Nunes, em que o autor apresenta um panorama das três primeiras obras de Guimarães Rosa, dando-nos a compreensão do geral, e mais
particularmente, a crítica sobre nosso corpus como, por exemplo, a obra Fórmula e fábula de Willi Bolle, em que o crítico aponta como características de
Rosa, nas narrativas de Sagarana, o moralismo e o conservadorismo, segundo os quais, sempre que um fato de valor considerado moralmente negativo
ocorre ao longo da história, uma sanção é estabelecida (seja ela de justiça
divina ou de mão própria). E, por último, textos que tratam do tema da justiça
abordado nos contos, como Estudos de filosofia do Direito de Tércio Sampaio Ferraz Jr., em que sondamos a origem da divisão da justiça em humana e
divina, e Teoria tridimensional do direito, de Miguel Reale, em que o jurista
estabelece os conceitos de fato, valor e norma.
PALAVRAS-CHAVE: Guimarães Rosa; Sagarana; Categorias narrativas;
Justiça.
AS INCURSÕES TEÓRICAS E FICCIONAIS DE ITALO
CALVINO EM SE UM VIAJANTE NUMA NOITE DE
INVERNO
Isabella Midena Capelli
CNPq
Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.)
Este projeto de pesquisa consiste na proposta de leitura do romance Se um
viajante numa noite de inverno, de Italo Calvino, a partir, primeiramente, da
192
obra teórica do autor, da qual se destaca Seis propostas para o próximo milênio. A narrativa ficcional acima, romanesca, dialógica, e seu questionamento
acerca das fronteiras entre ficção e teoria dão-lhe um caráter metaficcional,
que será investigado na pesquisa. Os incipits de romances inseridos na obra,
considerados pela crítica como paródias estilísticas, apresentam aspectos
narrativos divergentes do romance-moldura, característica que se pretende estudar. A presença do leitor na história, como interlocutor do narrador
e como personagem, é fundamental à construção da narrativa em questão,
assim como as representações de leitura nela instauradas desde seu início.
Ademais, a busca pelo prazer do texto, representada no percurso do Leitor-personagem, é o que move toda a história. Como base teórica para a análise
destas questões, recorrer-se-á, a princípio, às obras teóricas de Umberto Eco,
Roland Barthes e A. J. Greimas.
PALAVRAS-CHAVE: Italo Calvino; hiper-romance; metaficção; leitor.
A CONFIGURAÇÃO DO HERÓI PÓS-MODERNO
EM SATURDAY, NO ESPAÇO DA METRÓPOLE
CONTEMPORÂNEA.
Isaías Eliseu da Silva
Doutorando
Profa. Dra. Maria das Graças Gomes Villa da Silva
Pretende-se investigar, na pesquisa, a maneira pela qual se constitui a figura
do herói pós-moderno no romance Saturday, de Ian McEwan, publicado em
2005, em contraste à configuração estabelecida e delimitada do herói moderno na literatura. A tecnologia e a arte ocupam espaços centrais em Saturday
na discussão sobre o modo de vida pós-moderno, contemporâneo, destaca193
do na rotina de um dia da personagem Henry Perowne, protagonista do romance. Busca-se identificar o sujeito inserido no contexto do século XXI,
posterior aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, nos Estados
Unidos. Entende-se que esse indivíduo é fruto do ambiente urbano, sobretudo da cidade marcada pelos avanços da tecnologia e pelo medo crescente
oriundo das ameaças de violência e de ataques terroristas. A fim de detectar-se a dimensão desse herói, propõe-se um estudo bibliográfico sobre a pós-modernidade e, com base em teóricos da literatura, a elaboração da análise
do romance com vistas à compreensão da personagem inserida nessa era.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura inglesa; Pós-modernidade; Ian McEwan.
FIGURAS CARNAVALIZADAS EM “O BANQUETE DE
TRIMALQUIÃO” E TRIMALCHIO
Jassyara Conrado
Doutoranda – Bolsista FAPESP
Prof. Dr. Márcio N. Thamos (Or.)
Esta pesquisa apresenta uma proposta de estudo comparado entre “O Banquete de Trimalquião” (um dos episódios mais integralmente conservados do
Satyricon de Petrônio) e Trimalchio (versão inédita no Brasil de The Great
Gatsby, obra mais famosa de F. Scott Fitzgerald). A aproximação dos textos
é feita pelo narrador de Trimalchio que compara Gatsby a Trimalquião, e
acentua-se no título dado à versão publicada em 2000, que declara o caráter
intertextual da narrativa, que aqui será pensado com Julia Kristeva (1974). O
trabalho iniciado no mestrado adiantou haver, entre as duas obras, possíveis
e interessantes aproximações, como a caracterização de algumas personagens. No entanto, o foco deste estudo será dado ao tema do carnaval, que está
194
presente nas festas e que se estende à composição das personagens, à relação
estabelecida entre elas e à construção dos cenários. A análise das características carnavalescas dos textos e seus desdobramentos estará centrada na
proposta teórica de Bakhtin (1993) para a carnavalização. O tema do carnaval é construído por meio de figuras que se repetem nas duas narrativas, buscaremos respaldo na teoria semiótica da figuratividade (BERTRAN, 2003)
para investigar os aspectos abstratos (temáticos) e concretos (figurativos) nas
obras que compõem o corpus desta pesquisa.
PALAVRAS-CHAVE: Fitzgerald; Petrônio; Intertextualidade; Carnavalização; Figuratividade.
ENTRE O CLARO E O ESCURO: UMA POÉTICA DA
ANGÚSTIA EM SARAMAGO
Jacob dos Santos Biziak
Doutorando
Profa. Dra. Márcia V. Z. Gobbi (Or.)
O caminho rumo àquilo que conhecemos como arte moderna e arte contemporânea e também rumo à filosofia contemporânea consagra-se com o
reconhecimento da noção de verdade não mais sob uma ótica essencialista,
que “moraria” no objeto, mas enquanto intervalo. Desta forma, os valores
não são substância a ser alcançada, mas movimento a ser sempre repetido e
rememorado no espaço necessário entre o Eu e o Outro. A única forma de
estabelecer ligações entre um e outro é por meio do campo simbólico das
representações, que, por seu turno, são significantes que, para manutenção
do desejo, nunca podem ser reduzidos a um sentido estanque. Isso, de forma muito simplificada, é o princípio constituinte do angústia, que conduz à
fundação do humano, que, por seu turno, remete à arte. Sendo assim, este
trabalho de doutorado busca analisar a presença da angústia dentro de duas
195
obras do escritor português José Saramago: História do cerco de Lisboa
(1985) e Ensaio sobre a cegueira (1995). Entendemos, nesta pesquisa, que
a angústia, dentro do amplo quadro da ficção contemporânea, é representada
não somente enquanto figura ou tema, mas, acima de tudo, como estrutura
narrativa; uma vez que a narração se processa como angústia. Nas duas obras
apontadas, a partir da maneira como o narrador exerce sua postura provisória
diante dos fatos, assumindo o discurso como intervalar, a angústia torna-se
o próprio material de que a obra romanesca é feita. Dessa maneira, o ponto
estabelecido para chegada é o cotejamento entre as duas obras do escritor lusitano de maneira a apontar uma possível poética organizadora de sua produção romanesca. Para isso, estabelecem-se relações, ao fim do trabalho, com
outros livros do autor. O mais interessante é que a constatação da angústia
como causadora de um efeito de sujeito intervalar ocorre, paulatinamente,
junto com a ideia de que existam peculiaridades na ficção contemporânea e
sua mímesis.Como fundamentos teóricos, no que se refere ao narrador, baseamo-nos nos estudos de Genette. No que diz respeito à angústia, o conjunto
de leituras é grande, mas pode ser edificado a partir de três nomes centrais à
pesquisa: Freud, Lacan e Kierkegaard.
PALAVRAS-CHAVE: angústia; filosofia; psicanálise; romance contemporâneo; José Saramago.
POÉTICA E RETÓRICA NOS TEXTOS ANTIGOS: UMA
ANÁLISE DAS EPÍSTOLAS I E VII DAS HEROIDES DE
OVÍDIO.
Jaqueline Vansan
Mestranda
Prof. Dr. João Batista Toledo Prado (Or.)
Tanto as artes poéticas como as retóricas e gramáticas elaboradas na Antiguidade Clássica afiguram-se como importantes disciplinas para as práticas le196
tradas da época, pois além de ordenar a constituição do discurso, ainda educavam e instruíam os leitores na forma de receber o texto. Questões como a
adequação do metro ao assunto tratado pelo poema, contida na Arte Poética
de Horácio, ou a correta disposição dos argumentos em um discurso, proposta
pelos manuais de Retórica Antiga, são exemplos mínimos das preocupações
daqueles que se aventuravam a lidar com as letras no mundo antigo. Portanto, é possível dizer que tais teorias apresentam-se como importante subsídio
para a investigação e entendimento da construção da expressividade literária
em autores do período clássico greco-latino. Tendo isso em vista, o propósito da presente pesquisa é analisar os poemas I (“De Penélope a Ulisses”)
e VII (“De Dido a Enéias”) presentes nas Heroides, obra escrita pelo poeta
latino Ovídio, observando a construção da expressividade poética a partir
das ideias sobre poesia e retórica cultivadas pelos antigos. A seleção dessa
obra de Ovídio deu-se pela singularidade da construção de seus poemas que
misturam o gênero epistolar ao elegíaco, somando-se a isso um estilo marcadamente retórico. O entrecruzamento de gêneros e o estilo possibilitam a
análise de elementos pertencentes tanto ao âmbito poético como ao retórico
na construção da expressividade do texto. Como aporte teórico, a pesquisa se
valerá tanto de fontes antigas como modernas. Assim, no que diz respeito às
poéticas clássicas, serão consultados, principalmente, Horácio e Aristóteles.
Já para a o entendimento dos conceitos da retórica, serão, também, utilizadas
as obras de Aristóteles, bem como dos latinos Cícero e Quintiliano, além de
estudiosos modernos como Roland Barthes e Heinrich Lausberg. Acredita-se que esse estudo possa contribuir para a melhor compreensão de como os
poetas concebiam a construção literária na Antiguidade. A pesquisa, ainda
se mostra importante por aumentar o número de investigações sobre as Heroides, obra que apesar de se destacar na produção estética de Ovídio, por
conta da singularidade de sua construção que mistura os gêneros elegíaco e
epistolar, ainda segue pouco estudada.
PALAVRAS-CHAVE: Ovídio; Heroides; Poética Clássica; Retórica Clássica; Expressividade Poética.
197
O FANTÁSTICO TARCHETTIANO E SUAS
POSSIBILIDADES DE DIÁLOGO
Jéssica Soares Fradusco
Mestranda - Bolsista CAPES
Profa. Dra. Claudia Fernanda de Campos Mauro (Or.)
A pesquisa tem como corpus a obra “Racconti fantastici”, de 1869, do escritor italiano Iginio Ugo Tarchetti, destacando-se pelo teor fantástico presente
em sua compilação de contos centrados na vertente do horror, fazendo com
que seja uma das poucas e esparsas manifestações do horror na Itália devido
a pouca aceitação do “país solar” em relação às histórias de espíritos. Tarchetti divide sua obra em dois capítulos, sendo eles:“Racconti fantastici”,
com cinco contos pertencentes à vertente fantástica; e “Pensieri”, conjunto
de pequenos textos em que o autor trata de temas universais, mais especificamente, sobre o amor, a mulher, a felicidade e a dor, a vida, a fé e uma visão
geral de todas coisas. Como exemplo, o conto “Un osso di morto” (1869)
apresenta nitidamente em sua composição semelhança em relação ao conto
“O pé da múmia” (1840), de Théophile Gautier, o elemento sobrenatural em
ambos os textos é uma parte do corpo (no primeiro, trata-se de uma rótula,
no segundo, de um pé); em ambos a situação é tipicamente cotidiana, sendo
perfeitamente cabível na vida do leitor e, ao final, nos dois contos perdura
a dúvida acerca da veracidade do fato sobrenatural ocorrido, já que em ambos os enredos a bebida alcoólica é consumida antes que se dê a situação
de mistério. De forma geral, pode-se afirmar que é ponto característico do
autor construir enredos baseados em elementos verídicos, buscando assim,
provavelmente, convencer o leitor de que a situação a ser narrada poderia/
pode realmente acontecer, já que Tarchetti correntemente alicerça suas tramas em locais reais e em meio a situações comuns ao dia-a-dia não só das
personagens, como também daqueles que as acompanham via leitura. Além
198
disso, estão sendo cursadas disciplinas que fornecerão ferramentas que poderão auxiliar na elaboração da análise dos contos. A análise dos contos será
elaborada contando com o suporte de textos críticos importantes, tais como:
“Introdução à literatura fantástica” (Todorov, 1975); “O horror sobrenatural em literatura” (Lovecraft, 2008), “O estranho” (Freud, 1969) e “Teorías
de lo fantástico” (Roas, 2001).
PALAVRAS-CHAVE: Ugo Tarchetti; fantástico; horror italiano; racconti
fantastici; literatura de horror
MARQUESA DE ALORNA, TRADUTORA DE HORÁCIO:
ESTUDO E COMENTÁRIO A UMA ARTE POÉTICA
ÁRCADE.
Joana Junqueira Borges
Doutoranda
Prof. Dr. Brunno V. G. Vieira (Or.)
Dando continuidade à pesquisa em História e Teoria da Tradução que desenvolvemos desde a Iniciação Científica, pretendemos agora, no Doutorado,
estudar a tradução da Arte poética de Horácio, poeta latino, realizada pela
poeta portuguesa Marquesa de Alorna. D. Leonor de Almeida (1750 - 1839),
como também era conhecida, participou ativamente da cena literária do Arcadismo Lusitano, tendo sua presença destacada por poetas como Alexandre
Herculano, Bocage, Filinto Elísio, entre outros. A escolha de sua tradução da
Epístola aos Pisões se deve primeiramente ao interesse de se estudar uma
versão realizada em uma época em que Horácio era a principal inspiração
(vide Cláudio Manuel da Costa, no Brasil), o que nos leva a conjecturar que
se as regras clássicas estavam em voga e o poeta latino era o guia, existe a
199
possibilidade da tradução da Marquesa de Alorna se aproximar das premissas desenvolvidas pelo próprio autor. Além disso, ela realizou uma tradução
versificada dos hexâmetros de Horácio o que não era, e não é, comum, embora haja, alguns anos antes, a tradução de Cândido Lusitano também em
versos, o que nos permitirá o cotejo e a tentativa de definir o traduzir da
Marquesa de Alorna. É recuperando e reavaliando a tradução realizada por
ela da Arte poética de Horácio que se pretende em nossa pesquisa colaborar
com o traçado da História da Tradução em língua portuguesa, em um período
em que já se despontavam traduções em vernáculo. A pesquisa alia ainda o
contato com uma tradução pouco estudada a uma formação em língua latina,
necessária para um estudo mais aprofundado do texto de partida. Para a tese
final pretende-se a publicação de uma edição, com anotações e comentários,
da tradução de uma Arte Poética árcade.
PALAVRAS-CHAVE: História da Tradução; Recepção; Arcadismo Lusitano; Horácio; Marquesa de Alorna.
UMA BIOGRAFIA LITERÁRIA DE PÉRICLES EUGÊNIO DA
SILVA RAMOS
João Francisco Pereira Nunes Junqueira
Doutorando
Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.)
O presente projeto de pesquisa busca construir uma biografia literária do
poeta paulista Péricles Eugênio da Silva Ramos (1919-1992). A pesquisa
propõe apresentar uma visão global do trabalho literário do poeta, até agora
não realizado de forma plena. Esta visão abarca sua própria obra autoral
200
como poeta (cinco livros de poesia), crítico literário e tradutor. Outro ponto
importante da pesquisa será a utilização de um acervo pessoal do poeta como
corpus de pesquisa. Tudo com o intuito de clarear ao máximo as análises
sobre a obra de Péricles Eugênio. O método empregado para a análise dos
poemas de Péricles Eugênio da Silva Ramos parte de observações feitas durante a leitura de obras sobre a métrica tradicional e a rítmica moderna, pois a
partir das rupturas empregadas pelo poeta, em relação à tradição, ficará mais
claro o rumo escolhido na confecção de seus versos. Em relação à métrica
tradicional foi feita uma escolha de obras que tratam da versificação em língua portuguesa, além de textos que versam sobre métrica inglesa e latina. As
três principais obras usadas sobre este aspecto são Versificação portuguesa
de Said Ali, Teoria do verso de Rogério Chociay, e O verso romântico e
outros ensaios do próprio Péricles Eugênio da Silva Ramos, que traz ensaios específicos sobre a estrutura de algumas formas de versos, inclusive
de versos ingleses. Sobre a rítmica moderna será utilizada como apoio obras
como O ser e o tempo da poesia de Alfredo Bosi, O problema da linguagem
poética I de Iuri Tinianov, entre outros. Além de teóricos da tradução, como,
por exemplo, José Paulo Paes e Haroldo de Campos. As análises pretendem
demonstrar de que forma se estrutura o verso tanto da poesia quanto da tradução do poeta, além da presença da tradição de séculos de poesia na obra
de Péricles Eugênio da Silva Ramos. Com relação à pesquisa do acervo de
Péricles Eugênio da Silva Ramos, nossa pesquisa utiliza como aparato crítico a obra Crítica e coleção, organizado por Eneida Maria de Souza e Wander
Melo Miranda. Esta obra conta com vários artigos relacionados a acervos,
arquivos e museus, e dá um panorama das abordagens recentes de pesquisas
voltadas a este assunto.
PALAVRAS-CHAVE: Péricles Eugênio da Silva Ramos; Poesia; Tradução;
Acervo literário; “Geração de 45”.
201
A SÁTIRA LIMABARRETIANA DE NUMA E A NINFA
Jonatan de Souza Santos
Mestrando – Bolsista CNPq
Profa. Dra. Juliana Santini (Or.)
A presente pesquisa tem como objetivo analisar a sátira no romance Numa e
a Ninfa, publicado por Lima Barreto em 1915, de modo a problematizar as
relações que se estabelecem entre a função do cômico na narrativa e a representação crítica de questões políticas relacionadas ao contexto de finais do
século XIX e início do século XX no Brasil. O ponto de partida dessa reflexão coloca-se na constituição do Pré-Modernismo como momento da cultura
brasileira propício à permeabilidade entre o cômico e as formas artísticas
empenhadas em transformar a sociedade, haja vista o próprio conjunto da
produção de Lima Barreto, com destaque para o volume Os Bruzundangas,
e mesmo a recorrência da caricatura na ficção de autores como Monteiro Lobato, Juó Bananére e Valdomiro Silveira. Considerando que a crítica literária
pouco se debruçou sobre o estudo deste romance em específico, o que se
propõe é uma análise que considere trabalhos sobre a constituição política do
Brasil da Belle Époque, bem como sobre a configuração estética heterogênea
do chamado Pré-Modernismo – especialmente no que diz respeito às produções cômicas do período – e, ainda, os textos publicados na imprensa na
época do lançamento da narrativa que serve de corpus a este trabalho. O que
se pretende, assim, é construir um amplo panorama do lugar ocupado pela
sátira de Lima Barreto no conjunto da literatura pré-modernista e, de maneira
mais específica, problematizar os recursos formais utilizados pelo autor na
composição da sátira e da representação social no romance em questão.
PALAVRAS-CHAVE: sátira; Pré-Modernismo; Lima Barreto.
202
AUTOBIOGRAFIA E FICÇÃO: ANÁLISE DO NARRADOR
EM EXTINÇÃO – UMA DERROCADA, DE THOMAS
BERNHARD.
José Lucas Zaffani dos Santos
Bolsista CAPES
Profa. Dra. Claudia Fernanda de Campos Mauro (Or.)
Profa. Dra. Wilma Patrícia Marzari Dinardo Maas (Coor.)
O presente projeto tem como objetivo analisar as consequências da escolha
de um narrador homodiegético para a estrutura do romance Extinção – Uma
Derrocada (1986), do autor austríaco Thomas Bernhard. A obra pode ser
lida como a autobiografia do personagem Franz-Josef Murau, uma vez que,
dentro do jogo ficcional, ocorre a identidade entre autor (ficcional), narrador
e personagem, de acordo com a nomenclatura apresentada por Gérard Genette para se estabelecer o gênero. É tematizada, ao longo do romance, a intenção do narrador de escrever futuramente a sua autobiografia, a qual daria
o nome de Extinção. Por se tratar de um autor fictício, a narrativa pode ser
considerada como uma autobiografia também ficcional, na qual a unificação
das vozes do autor, narrador e personagem serve como um modo de atestar
a veracidade da experiência narrada. Encontram-se, no início e fim do texto,
duas inserções anônimas, feitas por um narrador externo, que informam ao
leitor que o relato contido no romance pertence à Murau. O relato do personagem aborda sua relação com os familiares e tudo o que diz respeito a
Wolfsegg, seu odiado lugar de origem. A escrita de Murau é o meio encontrado pelo narrador para extinguir as lembranças dos tempos vividos ao lado
da família em Wolfsegg. Na obra, o espaço caracterizado como Wolfsegg
é constantemente citado no discurso do narrador, que se exilou em Roma
como medida para amenizar os conflitos com a família. Wolfsegg é um reduto nacional-socialista católico o qual o narrador desde criança nunca mostrou
203
intenção de fazer parte. No entanto, após a morte dos pais e do irmão mais
velho, Murau torna-se herdeiro de Wolfsegg e decide doar todos os bens da
família para a Comunidade Israelita de Viena como forma de reparar os danos que ela causou aderindo ao nazismo durante a segunda guerra. Portanto
trataremos primeiramente do aspecto que mais se destaca no romance, isto é,
a figura do narrador, que se soma também às instâncias de autor (ficcional) e
personagem, como forma de garantir verossimilhança ao relato que apresenta. Em seguida, analisaremos a categoria do espaço para a constituição das
lembranças desse narrador.
PALAVRAS-CHAVE: narrador; subjetividade; autobiografia ficcional; espaço; Thomas Bernhard.
DO RESGATE ÉPICO DA MEMÓRIA AO ARREFECER
DOS GÊNEROS: O PERCURSO EVOLUTIVO DA ESCRITA
LOHERIANA
Júlia Mara Moscardini Miguel
Mestranda
Profa. Dra. Elizabete Sanches Rocha (Or.)
Dea Loher, dramaturga contemporânea alemã, propõe ao seu leitor/espectador histórias que retratam a sociedade, conduzindo seu público a uma
reflexão acerca de temas inerentes à realidade na qual eles se encontram
inseridos. Através de um estilo próprio e peculiar, de uma estética que combina elementos vários, Loher retoma o teatro político enfocando os menos
favorecidos, com o objetivo de criar espaços para que o leitor/espectador
encontre possibilidades de mudança. Em Olgas Raum, sua primeira peça,
escrita em 1990, Loher explora um conteúdo explicitamente político ao co204
locar no palco a militante judia Olga Benário em seus últimos dias de vida
em uma prisão nazista. O tema do holocausto serve de pano de fundo para
que Loher trabalhe a questão da memória humana, juntamente com o paradoxo do lembrar e esquecer. A personagem central encontra-se em um embate
no qual digladiam o desejo de relembrar o passado para manter vivas suas
lembranças, ao passo que é imprescindível esquecer tudo para não ser uma
delatora no momento da tortura. Loher foca nas relações entre as personagens: a protagonista, as colegas de cela, assim como o carrasco torturador.
Para dar vazão a tal tema, Loher lança mão de recursos épicos oriundos do
teatro proposto por Bertolt Brecht. No entanto, a dramaturga opera para além
do teatro épico, dando origem a uma estética própria, livre de classificação. A
presente pesquisa objetiva analisar as relações entre as personagens através
do viés temático da memória, mantendo como fio condutor a estética dramatúrgica empregada por Dea Loher para compor essa peça política que retrata
uma personagem histórica.
PALAVRAS-CHAVE: memória; holocausto; teatro épico; teatro político.
VIDA E MORTE EM DIÁLOGO COM A VOZ NARRATIVA,
O TEMPO E O ESPAÇO EM MRS. DALLOWAY, TO THE
LIGHTHOUSE E BETWEEN THE ACTS DE VIRGINIA
WOOLF.
Juliana Pimenta Attie
Doutoranda - Bolsista CAPES
Profa. Dra. Maria das Graças Gomes Villa da Silva (Or.)
O objetivo desta tese é apresentar o diálogo entre vida e morte como estruturador dos romances Mrs. Dalloway, To the Lighthouse e Between the Acts de
205
Virginia Woolf. Tal exposição será feita a partir do estudo da voz narrativa,
tempo e espaço, destacando a participação da intertextualidade na configuração das instâncias, e terá como foco as guerras e seus desdobramentos,
que estão presentes nas três referidas obras – e quiçá em praticamente toda
a produção woolfiana. Respectivamente, os romances abrangem o pós- Primeira Guerra, um período de dez anos, dentro do qual ocorre o conflito e, por
fim, o momento de eminência da Segunda Guerra Mundial. As análises serão empreendidas pelo viés psicanalítico, compreendendo, especialmente, as
teorias freudianas sobre as pulsões, a memória, o luto, e o trauma, além dos
trabalhos de estudiosos que realizaram releituras do legado do psicanalista.
Assim, cabe a esta pesquisa investigar como o conflito entre Eros e Thanatos, pulsão de vida e pulsão de morte, mostra-se nas narrativas de diversas
maneiras, atuando constantemente e em conjunto nas existências das personagens, cujas feridas de guerra se mostram no texto por meio de lembranças
e do não dito, isto é daquilo que, por algum motivo, habita o inconsciente.
PALAVRAS-CHAVE: Pulsão de vida e de morte; Memória; Virginia Woolf; Guerras.
IDEAL DE BELEZA EM VILLIERS E MAUPASSANT: UM
INSTANTE DO ETERNO OU O ETERNO DO INSTANTE?
Kedrini Domingos dos Santos
Doutoranda
Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
A beleza é um elemento importante na percepção e admiração de uma obra
artística em qualquer época, e a beleza feminina, por sua vez, sempre foi
exaltada pelos poetas ao longo dos séculos. É preciso observar, no entanto,
que, a partir das transformações do pensamento humano no século XVIII, as
ideias absolutas, fixas, se relativizam e a ideia de Belo que repercute moder206
namente nada tem a ver, pois, com o sentido platônico em que a beleza está
ligada ao Bem. A beleza passa a constituir-se, conforme indica Baudelaire,
de um duplo aspecto: é feita de um elemento eterno, invariável, e de um
elemento relativo, circunstancial. Percebe-se, portanto, que o modo de pensar o belo se transforma, conforme a época e os indivíduos, e as percepções
distintas podem, inclusive, conviver em um mesmo período. Entendendo que
cada artista compõe sua obra a partir de sua concepção de beleza, este trabalho, atuando no âmbito da literatura comparada, busca verificar, a partir
da percepção do universo feminino e dos artifícios usados pelas mulheres,
como a beleza feminina é pensada e desenvolvida pelos autores franceses
contemporâneos: Guy de Maupassant (1850-1893), comumente associado
à estética realista, e Villiers de l’Isle-Adam (1838-1889), ligado ao simbolismo, em seus respectivos romances: Fort comme la mort (1889) e L’Eve
future (1883).
PALAVRAS-CHAVE: Maupassant; Villiers de l’Isle-Adam; L’Eve future;
Fort comme la mort; Beleza.
O REALISMO MÁGICO, REFERÊNCIAS HISTÓRICAS
E A ALEGORIA: AS CONFLUÊNCIAS EM IL BARONE
RAMPANTE, DE ITALO CALVINO E EL SIGLO DE LAS
LUCES, DE ALEJO CARPENTIER
Kelli Mesquita Luciano
Doutoranda
Profa. Dra. Claudia Fernanda de Campos Mauro (Or.)
O interesse pela comparação entre Il barone rampante (1957), de Italo Calvino e El Siglo de las Luces (1962), de Alejo Carpentier, advém das semelhan207
ças que as duas obras apresentam, como, por exemplo, referências a Instituições históricas, a figuras históricas e a acontecimentos históricos do século
XVIII, como a Revolução Francesa; também pretendemos analisar algumas
características do realismo mágico nos dois romances. Além desses fatores,
identificamos nas narrativas, elementos alegóricos no que diz respeito ao
contexto histórico em que as obras se passam, ou seja, no século XVIII, e que
remetem ao século XX, no qual os autores viveram.Em Il barone rampante,
a decisão de Cosme de morar nas árvores e sua recusa a descer de lá, pode ser
considerada uma atitude incomum, apesar de não ser totalmente impossível
de acontecer. O protagonista apresenta atitudes de herói, pois é um benfeitor
e intelectual que atravessa obstáculos com o intuito de divulgar a importância da ciência e do conhecimento para a evolução da humanidade. Já, em El
Siglo de las Luces, além da valorização de aspectos políticos e filosóficos,
encontramos também referências a uma diversidade de culturas e etnias concentradas em uma mesma região e que podem ser vistas como representantes
de traços do barroco hispano-americano. A partir dessas leituras, identificamos alguns exemplos de conflitos históricos presentes em ambos os romances, como, a Revolução Francesa e algumas de suas contradições. Traçamos
um breve panorama sobre as tipologias do realismo mágico, tendo em vista
a análise dos elementos insólitos das narrativas. E por fim, almejamos a verificação de alguns elementos alegóricos, que se referem às contradições da
Revolução Francesa e à valorização do pensamento iluminista como forma
de pensamento que norteou os intelectuais, Cosme e Esteban em ambas as
narrativas e que apontam alegoricamente para os contextos em que Calvino
e Carpentier viveram, pois o século XX foi marcado por acontecimentos
como, por exemplo, a Primeira e a Segunda Guerra Mundial, o fascismo e a
Revolução Cubana. Estes conflitos apresentavam contradições assim como a
Revolução Francesa no século XVIII, suscitando também nos intelectuais do
século XX, o sentimento de frustração.
PALAVRAS-CHAVE: literatura comparada; história; realismo mágico; alegoria.
208
ASPECTOS DO ROMANCE PEDRO PARAMO
Larissa Müller de Faria
Mestranda - Bolsista CNPQ
Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
O presente trabalho tem como objetivo estudar o romance Pedro Páramo, de
Juan Rulfo. A partir dessa narrativa, propomo-nos a refletir sobre alguns mecanismos que remetem o realismo maravilhoso e o nouveau roman francês
nessa obra. Nessa perspectiva, o que se propõe é uma abordagem da relação
entre o imaginário e a realidade, o elemento sobrenatural e a memória no
desenvolvimento do romance.
PALAVRAS-CHAVE: Rulfo; nouveau roman; realismo maravilhoso; narrador.
A TEBAIDA, DE PÚBLIO PAPÍNIO ESTÁCIO (CANTOS
I-VI): ESTUDO, TRADUÇÃO E COMENTÁRIOS.
Leandro Dorval Cardoso
Doutorando
Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.)
Nosso projeto consiste em uma tradução poética em dodecassílabos portugueses, seguida de comentários, dos seis primeiros cantos da Tebaida, de
Públio Papínio Estácio, poema épico publicado em Roma, muito provavelmente no ano 92 d.C. O épico estaciano gira em torno do episódio mitológico
dos Sete contra Tebas – a tentativa de Polínices, filho de Édipo, de retomar
209
o trono de Tebas expulsando dele o seu irmão Etéocles – e é reconhecido
por uma profunda relação com a tradição épica greco-latina, especialmente com a Eneida, de Públio Virgílio Marão, e com a Farsália, de Marco
Aneu Lucano. As relações intertextuais entre o épico e seus antecessores são
uma característica importante do poema e, em alguns casos, consideradas
fundamentais para a sua leitura. Por esse motivo, nosso projeto prevê uma
tradução que busque, fundamentando-se nas traduções da épica greco-latina
em vernáculo, recriar, dentre outras características poéticas do poema de Estácio, essa rede intertextual, possibilitando ao leitor de língua portuguesa
interessado nesse aspecto, na medida do possível, seu reconhecimento e sua
experiência. Os comentários que faremos buscarão apontar aspectos relevantes da obra, sejam eles históricos, políticos, sociais, culturais, geográficos ou
poéticos, que possam ajudar o leitor.
PALAVRAS-CHAVE: Tebaida; Públio Papínio Estácio; Poesia Épica Greco-latina; Tradução Poética.
A POESIA DRAMÁTICA DE VILLIERS DE L´ISLE-ADAM.
Lígia Maria Pereira de Pádua Xavier
Doutoranda
Prof. Dra. Silvana Vieira da Silva (Or.)
Apesar de toda a sua vida ter se consagrado à produção dramática, o autor francês Villiers de L’Isle-Adam (1838- 1889) renomado “conteur”, permanece um dramaturgo desconhecido e considerado “menor”. No entanto,
segundo a estudiosa Geneviève Jolly, foi no domínio teatral que ele foi o
mais inventivo na sua época, pois foi um dos desbravadores do “théâtre de
210
la parole” e levou às últimas consequências a Gesamtkunstwerk, o projeto
wagneriano de fusão das artes. Foi também um dos grandes inspiradores do
movimento simbolista e contribuiu de maneira fulcral para o estabelecimento dessa estética, visto seu desejo de reformar o gênero, estabelecendo um
teatro metafísico de cunho filosófico. Ele viveu em uma época impregnada
de materialismo e de racionalismo advindos da nova ordem econômica e
social que se instaurava, o capitalismo; por meio de sua obra, ele travou
uma batalha contra essa tendência. Amplamente influenciado pela filosofia
neoplatônica das correspondências, ele procurava transcender o mundo sensual para chegar ao mundo Ideal, e é por isso que suas obras têm um caráter
ascético, contrariando o ideário da época. Seu teatro, que viria a inspirar o
teatro simbolista e, posteriormente, o teatro de vanguarda, é repleto de apelos sinestésicos que garantiriam a elevação do espirito do leitor/espectador.
JOLLY defende que o valor do teatro villieriano incide em sua dimensão
experimental, na diversificação da linguagem dramática que não diz respeito somente ao trabalho de linguagem verbal, mas também à linguagem não
verbal e sua obra tem como intuito restituir a dimensão artística do teatro,
afastando-o do drama naturalista que, por sua vez, se propunha a reconstruir
no palco as relações intersubjetivas. Para tanto, a palavra poética é reivindicada uma vez que ela, ao restituir a dimensão interior do discurso dos personagens, resgata o lirismo do teatro e faz emergir o psiquismo do ser humano,
antes aprisionado ao seu invólucro material e libera o dramaturgo da forma
dramática canônica. Dessa forma, o intuito desse trabalho é verificar as contribuições de Villiers à instauração desse novo projeto dramático por meio
de uma análise dos seus referidos poemas dramáticos, englobando todos seus
elementos textuais e paratextuais.
PALAVRAS-CHAVE: poesia dramática; Villiers de l’lsle-adam; teatro simbolista; literatura francesa.
211
PAULO LEMINSKI, TRADUTOR DE LATIM: RENOVANDO
O SATYRICON, DE PETRÔNIO.
Lívia Mendes Pereira
Mestranda – Bolsista Fapesp
Prof. Dr. Brunno Vinicius Gonçalves Vieira (Or.)
Buscando contribuir com a pesquisa das traduções dos clássicos greco-romanos e com a recepção desses textos em nossas Letras, o presente projeto
propõe-se a estudar e divulgar a tradução do Satyricon, de Petrônio, levada
a cabo pelo poeta Paulo Leminski. Como pode ser constatado na leitura de
sua biografia e como pode ser recorrentemente percebido nos temas que frequentam sua obra, o autor foi um conhecedor e divulgador da Língua e da
Literatura Latina. Estudado inicialmente no mosteiro São Bento, na cidade
de São Paulo, quando Leminski tinha apenas 13 anos, esse idioma antigo
constituiu uma importante fonte criativa revisitada e repensada durante toda
sua carreira literária. Além de traduções feitas diretamente do Latim como
as da Ode I, 11, de Horácio (1984), e do Satyricon, de Petrônio (1987), o
trabalho com textos literários latinos pode ser encontrado em obras como
Metaformose e Catatau, cuja análise já foi realizada por nós no âmbito da
Iniciação Científica. O trabalho tem por base o confronto entre o texto latino
e a tradução leminskiana e procura fornecer um estudo da recepção do romance petroniano na literatura brasileira contemporânea, que encontra em
Leminski um de seus expoentes. Apresentaremos uma leitura palavra por palavra do trecho que vai do capítulo I ao XXVI, o texto latino que tomaremos
por base será aquele da edição francesa da editora Garnier, que, conforme
pudemos apurar, foi a versão utilizada por Leminski como texto fonte. Neste
estudo, daremos uma atenção especial ao contexto da produção leminskiana
e ao pensamento e prática tradutórios empreendidos pelo próprio tradutor.
A partir desse estudo será produzida uma análise da tradução de Leminski
212
considerando principalmente seu caráter estético criativo intrínseco em detrimento de seu caráter filológico, que não fez parte dos objetivos tradutórios
do poeta. Assim, ao aliar o conhecimento em Língua Latina e a História da
Tradução, nossa proposta procura revelar a importância da literatura da Antiguidade através de sua recepção literária em Língua Portuguesa.
PALAVRAS-CHAVE: Satyricon; Petrônio; Paulo Leminski; História da
Tradução; Recepção da Literatura Greco-romana
Ó, DE NUNO RAMOS, E A REPRESENTAÇÃO DO
CONFLITO COM A LINGUAGEM
Luis Eduardo Veloso Garcia
Mestrando
Profa. Dra. Juliana Santini (Or.)
O projeto em questão tem como objetivo compreender a representação do
conflito com a linguagem dentro do livro Ó (2008), de Nuno Ramos. Entre
os principais aspectos a serem discutidos pela perspectiva da qual o autor
se arma neste conflito com a linguagem, o entendimento do modo como
este constrói o exercício de uma “recosmogonia” dentro dos textos será de
fundamental importância. Desta recosmogonia, Nuno Ramos ataca e tenta
desmontar a função de rituais que se firmaram pelo poder da linguagem,
do peso da significação das palavras que limitam a própria matéria até os
hábitos e manias que repetimos cotidianamente sem uma reflexão lógica,
buscando, assim, no mergulho do enigma entre matéria e linguagem, uma
representação sensorial capaz de ressignificar outras perspectivas aos objetos
em questão. O ponto de partida para a discussão que se realizará, localiza-se
na problematização de alguns caminhos teóricos da literatura contemporânea
213
que abordam a desconfiança como traço geral desta época e, ainda, a compreensão do espaço do conflito com a linguagem, dois caminhos nos quais
se destacam os nomes de autores importantes como Edward Said, Ricardo
Piglia, Giorgio Agamben, Linda Hutcheon, Roland Barthes e Stuart Hall. Ao
lado da discussão desses conceitos, serão tomadas as colocações do autor
diante da relação entre linguagem e representação, presentes em entrevistas,
palestras e ensaios que colocam em xeque os limites da palavra e o fazer artístico. Partindo, portanto, da significação enigmática que o próprio título da
obra nos dá com uma letra que escapa da sua objetificação como palavra e,
ainda assim, pode ter os mais variados significados, o objetivo desta pesquisa
é não só compreender esta obra em específico, mas também apontar a questão maior do embate com a linguagem que ela elucida, sendo este embate,
como nos lembra muito bem Roland Barthes (2007, p. 22) no livro Crítica e
Verdade, o mais importante serviço da literatura, pois “é com essa primeira
linguagem [a linguagem original da comunicação humana], esse nomeado,
esse nomeado demais, que a literatura deve debater-se: a matéria-prima da
literatura não é o inominável, mas pelo contrário, o nomeado”.
PALAVRAS-CHAVE: Nuno Ramos; Ó; representação; linguagem; desconfiança.
DOS ESTADOS JUNTIVOS AOS ESTADOS DE ALMA: O
ACONTECIMENTO NA LÍRICA-AMOROSA DE CHICO
BUARQUE
Marcela Ulhôa Borges Magalhães
Doutoranda
Profa. Dra. Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan (Or.)
A pesquisa de doutorado intitulada “Dos estados juntivos aos estados de
alma: o acontecimento na lírica-amorosa de Chico Buarque” está vincula214
da à linha de pesquisa intitulada “Relações Intersemióticas”, que tem como
fundamento teórico de base a semiótica greimasiana francesa, e propõe-se
analisar as letras de canções lírico-amorosas de Chico Buarque, cujo sentido
é orientado a partir do acontecimento extraordinário, categoria sistematizada
por Claude Zilberberg. Acredita-se que os estados de alma que emanam da
lírica-amorosa buarquiana, quais sejam eufóricos ou disfóricos, estão todos
centralizados, em alguma instância, em torno do acontecimento. O córpus do
trabalho é constituído pelas letras das canções “A banda”, “Valsinha”, “Teresinha”, “Eu te amo”, “Todo sentimento”, “Atrás da porta”, “Trocando em
miúdos”, “Valsa brasileira” e “Futuros amantes”, e o arcabouço teórico que
orienta as análises é a semiótica francesa, bem como outras teorias que com
ela dialogam, a exemplo dos textos de Jakobson, Barthes, Brodsky, Paz e outros. Ademais, os elementos expressivos do texto também receberão atenção,
de modo que as homologias entre conteúdo e expressão e que muito contribuem para o efeito poético do texto serão também levadas em conta. A teoria
do acontecimento extraordinário já foi intuída por muitos críticos literários,
ensaístas e mesmo poetas, no entanto, foi a partir das contribuições feitas
pela semiótica francesa que se pôde pensar essa questão de forma sistematizada, de modo a criar uma gramática em torno do acontecimento. O trabalho
empreendido pela pesquisa tem como intuito também contribuir, por meio de
análises literárias, para a construção e ampliação dessa gramática, que ainda
não está finalizada.
PALAVRAS-CHAVE: Chico Buarque; acontecimento; semiótica francesa.
ABSURDO E CENSURA NA CENA PORTUGUESA: ESTUDO
DO TEATRO DE PRISTA MONTEIRO
Márcia Regina Rodrigues
Doutoranda – Bolsista FAPESP
Profa. Dra. Renata Soares Junqueira (Or.)
215
Esta pesquisa constitui um desdobramento do trabalho que apresentamos
no Mestrado, quando realizamos o estudo sobre o teatro antinaturalista que
interessou sobremaneira os dramaturgos portugueses na segunda metade
do século XX e analisamos peças de matriz épico-brechtiana produzidas
durante a ditadura salazarista. No Doutorado, apresentamos, então, uma
reflexão ampliada sobre o teatro ostensivamente antinaturalista, focando
agora o nosso estudo no teatro do absurdo praticado em Portugal pouco
antes da Revolução dos Cravos, com o objetivo principal de comprovar
que, especialmente na década de 1960, o teatro português procurava não
somente resistir ao regime ditatorial, mas também introduzir nos seus palcos e práticas dramatúrgicas algo de novo que pudesse constituir uma verdadeira renovação teatral. Elegemos como corpus primário da pesquisa de
Doutorado parte da dramaturgia de Helder Prista Monteiro (1922-1994),
um dos mais produtivos representantes do teatro do absurdo em Portugal e
um dos poucos dramaturgos cuja obra teve acesso aos palcos ainda durante
a ditadura de Salazar. Assim, temos analisado as seguintes peças do dramaturgo português: A rabeca, O meio da ponte e O anfiteatro – que foram
efetivamente encenadas antes do 25 de Abril –, e ainda: Os imortais e A
bengala – esta última proibida pela censura. Depois do Exame de Qualificação, acrescentamos a análise de mais três peças do autor: Folguedo do
rei coxo, O candidato e O colete de xadrez a fim de completar o estudo da
dramaturgia de Prista Monteiro produzida antes da Revolução dos Cravos.
Para a análise, consideramos as afinidades dessa dramaturgia com o teatro
do absurdo; a relação desse gênero teatral com a censura imposta pelo regime político de então e a contribuição da obra de Prista Monteiro para a
história do teatro português.
PALAVRAS-CHAVE: Dramaturgia portuguesa; Teatro do século XX; Teatro do absurdo; Censura salazarista; Helder Prista Monteiro.
216
UMA NOÇÃO PLURAL: A ἄΤΗ NA TRAGÉDIA GREGA
Marco Aurélio Rodrigues
Doutorando – Bolsista Capes
Prof. Dr. Fernando Brandão dos Santos (Or.)
Profa. Dra. Maria de Fátima Sousa e Silva (Coor.)
Na primeira metade do século XX, E. R. Dodds não apenas estimulou novas
perspectivas com o livro The Greeks and the irrational (1953), como tornou-se referência aos futuros estudiosos ao discutir o conceito de ἄτη na Ilíada.
Extremamente complexo, o vocábulo ἄτη designa um estágio de cegueira do
pensamento humano ou, como acrescenta Suzanne Saïd (1978), mais tarde,
na tragédia clássica, o conceito passaria a fazer referência a toda sorte de
infortúnios. Foi R. Doyle (1984) quem fez a análise do conceito em todas
as tragédias clássicas, apenas tentando estabelecer seus diferentes sentidos.
Dessa forma, a presente pesquisa tem por objetivo defender a tese de que o
conceito de ἄτη, ao longo da tragédia clássica grega, no século V a.C., passa por mudanças, assumindo diferentes acepções de acordo com o contexto
apresentado, podendo, inclusive ter perdido seu sentido original. Para além
disso, ao estar unido a outros termos, o conceito de ἄτη ganha novos contornos e significados diferentes, o que impede que sua tradução seja fixada
em um único campo semântico. Daí a proposta, também, de pontuar que
sua tradução respeite o uso adequado feito em cada uma das tragédias por
seus autores. Para tanto, a tese perpassa todas as tragédias clássicas (trinta e
duas) de Ésquilo, Sófocles e Eurípides, nas quais o termo indica mudança ou
acréscimo de valor semântico, fato este que será fundamentado na análise da
transformação de pensamento do homem grego que, ao longo do século V,
passou por alterações extremas, desde a fundação da democracia e a vitória
217
contra os persas, até o fim da Guerra do Peloponeso, com a queda do poderio
ateniense e o desenvolvimento do pensamento racional.
PALAVRAS-CHAVE: tragédia grega, ἄτη, Ésquilo, Sófocles, Eurípides.
A EXPRESSIVIDADE POÉTICA NO MITO DE NÍOBE
(METAMORFOSES, VI, 146-312)
Mariana Peixoto Pizano
Mestranda
Prof. Dr. João Batista Toledo Prado (Or.)
A pesquisa trabalha com o episódio de Níobe, registrado por Ovídio no livro
VI das Metamorfoses (v. 146-312) e tem como objetivo examinar de que maneira a história narrada (fabula) e o modo como o texto foi composto – sua
expressão poética - se fundem a fim de construir sentidos que se valem – e
também ultrapassam – a mera gramaticalidade. O mito referido narra a metamorfose sofrida por Níobe, esposa do lendário rei tebano, após ter insultado
a deusa Latona, mãe dos gêmeos Febo-Apolo e Diana. Níobe se considerava
mais digna de receber incenso e preces que a deusa, pois sua prole era sete
vezes maior. Como punição ao seu atrevimento, os filhos de Latona cravejam
de flechas toda a descendência da rainha e a deusa a transforma numa fonte,
chorando eternamente a perda dos filhos. O projeto valer-se-á de conceitos
linguísticos, como o de signo e o símbolo, bem como de conceitos da semiótica francesa, como o semi-símbolo, e também de elementos de crítica
poética para analisar o que denominamos “poética da expressão”. Também
serão destacados e explicados elementos de cultura presentes no texto, dado
o distanciamento espaço-temporal muito significativo em relação ao material
com o qual se trabalha, motivo por que tais referências clamam por elucidação. Por fim, também serão analisados aspectos métricos e estilísticos
218
do texto ovidiano, com aproveitamento das pesquisas realizadas durante a
Iniciação Científica da pesquisadora, que se ocupou de trechos da obra De
Litteris, De Syllabis, De Metris do gramático e esticologista latinoTerenciano Mauro. No tocante ao estágio atual da pesquisa, foram concluídos os créditos das disciplinas no 1º semestre deste ano e feitas leituras de teses, textos
teóricos e críticos que se relacionam aos elementos básicos desse trabalho,
como as Metamorfoses de Ovídio e a teoria semiótica. Durante esse período, a pesquisadora se ocupou da busca por traduções diversas da passagem
referente ao mito de Níobe, assim como do processo de tradução do texto
ovidiano, um dos objetivos da dissertação.
PALAVRAS-CHAVE: Níobe; Metamorfoses; Ovídio; expressividade poética; semi-símbolo.
DA RECEITA À PAIXÃO: A MISE EN ABYME EM CLARICE
LISPECTOR
Mariângela Alonso
Doutoranda
Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
As narrativas de Clarice Lispector (1920-1977) expandem-se para além dos
espaços ficcionais, caracterizando-se pela recusa à narrativa fechada e acabada ao buscar formas líquidas e inconclusas, que perpetuamente se desmancham para novamente se construir, num movimento circular e escorpiônico, restando à autora tecer e destecer o texto num contínuo entrelaçamento.
Assim, a massa textual assinala a intersecção en abyme de encadeamentos
significativos diversos, isto é, um jogo narrativo especular no qual cada obra
que se encerra tende a fechar um ciclo que será retomado pela obra seguinte
219
e assim sucessivamente, como as eternas bonecas russas ou as emblemáticas caixas chinesas. Nesse sentido, a presente pesquisa propõe o estudo do
processo de escrita moderna de Clarice Lispector, utilizando como corpus as
narrativas de Meio cômico, mas eficaz; Receita de assassinato (de baratas);
A quinta história e A paixão segundo G.H. O escopo do trabalho é examinar
as relações entre os textos mencionados, inserindo-se nos estudos de intertextualidade, processo definido como a retomada de um texto por outro e,
assim, as relações entre diferentes textos de autores diversos. Porém, esta
investigação centra-se em textos de um mesmo autor, pautando-se no que o
teórico Gérard Genette concebeu como autotextualidade ou intratextualidade, fenômeno caracterizado pela remissão à própria obra. Para tanto, buscamos empreender um caminho possível de análise aos textos mencionados,
guiando-nos pelos estudos de Gérard Genette (1982), Lucien Dällenbach
(1979), Jean Ricardou (1978), entre outros.
PALAVRAS-CHAVE: autotextualidade; mise en abyme; Clarice Lispector.
OS ASPECTOS REALISTAS E MITOLÓGICOS EM LE
CHERCHEUR D’OR, DE J.M.G. LE CLÉZIO.
Marília Alves Corrêa
Mestranda - Bolsista CNPq
Profa. Dra. Ana Luiza Silva Camarani (Or.)
O principal objetivo deste trabalho é demonstrar como J.M.G. Le Clézio faz
de Le chercheur d’or (1985) um conjunto de elementos míticos e lendários
extremamente díspares, mas que, no conjunto da obra, formam uma narrativa homogênea cuja principal finalidade é transmitir a ideologia intercultural
do autor. Também serão enfatizados os aspectos realistas envolvidos no ro-
mance, uma vez que Le Clézio procura fazer uma denúncia das relações de
poder características dos séculos XX e XXI, em que a hegemonia dos países
ocidentais exercem uma supremacia aniquiladora sobre os povos outrora colonizados, o que minimiza sua importância étnico-cultural. Nesse contexto
violento e opressivo do capitalismo, o que o escritor pretende valorizar através do protagonista e narrador Alexis é a plenitude e a harmonia que foram
perdidas no decorrer do progresso industrial, preterindo o materialismo e
a busca incessante pelo poder característicos do homem contemporâneo.
Para que essa mensagem seja transmitida com eficácia, Le Clézio utiliza-se da polifonia inerente aos romances de Dostoiévski, ou seja, não há, em
Le chercheur d’or, a intenção de submeter a voz dos outros personagens à
voz do herói europeu Alexis; pelo contrário, a proposta lecléziana é fazer
com que as vozes dos personagens (principalmente indianos e africanos),
representadas pelos mitos e lendas que evocam, sejam um complemento da
ideia do protagonista. Sendo assim, as culturas e etnias presentes na narrativa coexistem de maneira harmônica e complementar, sem que uma se sobreponha à outra, assim como propõe a ideologia intercultural. Todos esses
aspectos críticos e mitológicos que envolvem o romance são expostos sob a
forma de um romance de aventuras, em que a busca pelo ouro torna-se um
símbolo da busca pela plenitude tão almejada pelo homem contemporâneo,
representado, genericamente, pelo herói Alexis. A identificação do leitor com
o protagonista ocorre na medida em que este demonstra suas fraquezas e
narra as adversidades que enfrenta, explicitando dúvidas e questionamentos
que são intrínsecos ao ser humano. Desse modo, a grandeza literária de Le
Clézio está em explorar gêneros já consagrados, mas sob novas roupagens,
destacando sua sensibilidade em adaptá-los às novas necessidades do leitor e
da literatura contemporâneos.
PALAVRAS-CHAVE: Narrativa contemporânea; Realismo; Polifonia; Romance de aventuras; Le Clézio.
221
DO DORSO À CAUDA DO TIGRE: TRILHANDO A
LINGUAGEM DE CLARICE LISPECTOR
Marília Gabriela Malavolta
Doutoranda - Bolsista FAPESP
Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.)
Os romances de Clarice Lispector apresentam reiterados embates com a linguagem; seus narradores estão em busca de um modo de dizer que lhes é
sempre insuficiente diante do buscado ou do vivido. Este aspecto alça a linguagem à condição de tema das narrativas, ao lado mesmo de seus enredos
constitutivos, conforme, desde as primeiras publicações da autora, asseveraram os críticos Benedito Nunes e Antônio Cândido.O presente trabalho de
pesquisa identifica, ordena e analisa uma implicação significativa instaurada
pelo “fracasso” (conforme nomeou Nunes) iminente diante da linguagem
nos romances A paixão segundo G. H., Água Viva e A hora da estrela, bem
como no conto “Os desastres de Sofia” e em crônicas publicadas em A descoberta do mundo. Trata-se da imagem de aderência presente nos respectivos
enredos, especialmente nas relações que se estabelecem entre seus narradores e personagens. A pesquisa se baseia na hipótese de que as imagens
de aderência resultantes do fracassado embate com a linguagem podem ser
vistas como uma metáfora da criação artística, cujo embrião está no conto
“Os desastres de Sofia”, e cujo desenrolar se dá de modo crescente entre
aqueles três romances, assim como, em caráter progressivo, Nunes identifica
a transmutação da paixão em compaixão entre A paixão segundo G.H e A
hora da estrela.
PALAVRAS-CHAVE: Clarice Lispector; Metáfora de Criação Artística;
Aderência.
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MEMÓRIA E CRIAÇÃO EM MARCEL PAGNOL
Marina Lourenço Morgado
Doutoranda
Profa. Dra. Claudia Fernanda de Campos Mauro (Or.)
A presente proposta de pesquisa objetiva realizar um estudo da memória e
criação nos romances: Le Château de ma Mère, La Gloire de mon Père e
Le Temps des Secrets do escritor Marcel Pagnol. Com base na hipótese de
que a memória, nestes textos, é imaginação de possibilidades do devir que
não se esgota em quadros fixos. A tese focalizará as dominantes técnicas
e temáticas de construção da narrativa por meio do uso feito pelo autor do
motivo da viagem, dos diferentes espaços e na composição dos quadros da
memória. O estudo desses três romances permitirá a análise da memória
como princípio da elaboração das obras a forma como é utilizada na elaboração do discurso de narradores e personagens. A importância de estudar
esse tema nos romances de Pagnol se dá pelo fato de que o escritor elabora
suas narrativas num espaço de misturas e de conflitos, onde a família é um
elemento fundamental nas relações sociais, fazendo confluir a memória
individual e coletiva. Em seus romances a memória é um lugar de criar
mundos possíveis pela capacidade de sonhar do pensamento: a memória
criativa.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura francesa; romance; espaço; narrador autobiográfico; memória.
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ROTESCA E MEDIEVALISMO EM GASPARD DE LA NUIT,
DE ALOYSIUS BERTRAND
Matheus Victor Silva
Mestrando
Prof. Dr. Adalberto Luis Vicente (Or.)
Em seu livro póstumo, Gaspard de la Nuit (1942), Aloysius Bertrand retrata
a Idade Média francesa através da inovadora forma do poema em prosa. A
Dijon e a Paris medieval ganham vida, fazendo ressurgir o cotidiano de época, com seus cavaleiros e burgueses, e mesmo o duro falar popular de seus
soldados e leprosos. Cobertos pelo véu da noite, criaturas fantásticas desse
rico imaginário medieval assaltam a delicadeza pictural de seus poemas, sob
tons oníricos ou insólitos. Toda essa imagética é feita de tensões e contrastes,
que assumem, muitas vezes, um caráter grotesco, ao colocarem lado a lado
polos opostos como o pitoresco e o cômico bufão, a realidade e a fantasia.
A própria voz lírica que permeia seus poemas assume tons realistas e, por
vezes, distantes do eu-poético, o que contribui para o estranhamento provocado pelo grotesco, uma vez que ausentam-se julgamentos de valor acerca
das cenas evocadas. Dessa maneira, colocam-se diante do leitor uma série
de elementos heterogêneos cujas tensões não apresentam solução, rompendo as leis que regem a realidade e a tornando estranha. Tendo em mente a
busca romântica pelo absoluto e a integração ao todo, intentamos reconhecer
de que maneira o estranhamento grotesco oferece uma via de acesso à comunhão com o Todo pela união das contrariedades, ou seja, daquilo que se
coloca como verdadeiro, existente e aceito e do que parece falso, impossível
e reprovável, mas que, contudo, se manifesta diante de nós. A homogenização desses elementos dissonantes remete-nos diretamente ao conceito de
carnavalização de Bakhtin, levando a crer que o resgate do Medievo perpetrado por Bertrand vai além da voga medievalista do romantismo francês, na
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medida em que evoca de forma mais profunda a cultura medieval dissonante
por natureza. Segundo Bakhtin, os festejos carnavalescos medievais aproximavam e uniam as esferas do sagrado e oficial com as do profano, material
e popular; essa união de elementos dissonantes (grotesca, portanto) gerava
uma noção existencial absoluta, plena. Dessa forma, o objetivo da pesquisa
é buscar compreender de que maneira o poeta evocou a cultura medieval em
uma abordagem mais próxima da realidade do medievo e sua cosmovisão,
indo além dos (pre)conceitos idealizantes criados pelo Romantismo em torno
da Idade Média e alcançando o ideal romântico de ascensão ao absoluto sem
contrastes.
PALAVRAS-CHAVE: Grotesco; Poema em Prosa; Romantismo; Medievalismo; Aloysius Bertrand.
EXPLOSÃO DE IMAGENS NO LIVRO PELÍCULAS, DE LUÍS
MIGUEL NAVA.
Nádia Rodrigues dos Santos
Mestranda
Profa. Dra. Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.)
Dentro do cenário da lírica portuguesa contemporânea o poeta Luís Miguel
Nava se destaca devido a elaboração de uma escrita poética que choca o
leitor pelo inusitado. Se levarmos em conta as propostas do crítico alemão
Hugo Friedrich em seu livro capital A estrutura da lírica moderna, principalmente do que diz respeito àquelas relacionadas com a nova linguagem
poética, Nava nos propõe uma poesia que, além da abordagem do corpo exposto em sua totalidade, pretende revelar-nos a precisão de seu trabalho com
a palavra poética, tal como um artista em busca da perfeição. Luís Miguel
Nava está inserido num momento literário ainda recente e a ocasião de seu
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assassinato ambienta um cenário crítico bastante restrito. Sendo assim, a fortuna crítica naviana, composta por resenhas, artigos e trabalhos acadêmicos,
volta-se para a apreciação dos aspectos gerais da obra do poeta. Deste modo,
para esta pesquisa intentamos uma abordagem mais aprofundada da sua escrita poética e dos recursos retóricos mais utilizados pelo poeta, tais como as
imagens e as metáforas que formam uma escrita transfiguradora. Finalmente,
a análise deverá, também, ressaltar de que forma a utilização de técnicas e
procedimentos neoexpressionistas, apontados por diversos críticos na obra
deste escritor, suscitam e potencializam o fazer poético de Luís Miguel Nava.
PALAVRAS-CHAVE: metáfora; imagem; metapoesia; metalinguagem;
Luís Miguel Nava.
OS HÁBITOS DA MEMÓRIA NOS CONFLITOS DOS
PROTAGONISTAS DE MENALTON BRAFF EM QUE
ENCHENTE ME CARREGA? (2000) E BOLERO DE RAVEL
(2010)
Natali Fabiana da Costa e Silva
Doutoranda - Bolsista Capes
Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.)
A pesquisa tem como corpus dois romances do escritor contemporâneo Menalton Braff - Que enchente me carrega? (2000) e Bolero de Ravel (2010),
e busca descrever, em meio ao fluxo de consciência que representa o pensamento dos protagonistas, um número incessante de memórias que se repetem do início ao final das narrativas: 16 memórias são apresentadas em Que
enchente me carrega? e 18 memórias em Bolero de Ravel. Entende-se que a
própria estrutura da narrativa estabelece-se por meio da reiterada circularidade dos processos mnemônicos presentes nas duas obras, fixando o ritmo e
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a coerência do texto ficcional. Além disso, torna-se, assim, possível observar
que as repetições instalam o modo de olhar dos narradores para o mundo,
firmando o que eles veem, como percebem o que veem e, finalmente, como
lidam com o que percebem. A partir disso, a pesquisa considera a possibilidade de que a estruturação dos romances através de repetições de situações de
memória mostra-se dotada de inegável intencionalidade estética e estabelece
a maneira singular do narrador braffiano. Este, ao narrar sua desagregação
social e mental, revela o seu distanciamento do mundo, medida que intitularemos de processo do esfacelamento do herói. A tese será analisada a partir
do instrumental teórico do fluxo da consciência, trazendo à luz os conceitos
propostos por Robert Humphrey em Stream of consicousness in the modern
novel (1958), Belinda Cannone em Narrations de la vie intérieure (2001) e,
finalmente, Dorrit Cohn em La transparence intérieure (1981). Esta abordagem contemplará, ao mesmo tempo, os processos históricos que estão na
base da crise do romance e advento da ficção do fluxo da consciência.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura Contemporânea; Menalton Braff; Fluxo
da consciência; Memórias; Repetições; Técnica do esfacelamento.
AUTORIA FEMININA: ANÁLISE DO SUBTEXTO NA
POESIA DE EMILY DICKINSON
Natalia Helena Wiechmann
Doutoranda
Profa. Dra. Maria Clara Bonetti Paro (Or.)
Emily Dickinson (1830-1886) é autora de um pouco mais de 1700 poemas,
publicados em sua maior parte postumamente e que são marcados por uma
escrita altamente metafórica, ambígua e fragmentada, entre outras caracte227
rísticas. Com o desenvolvimento da crítica literária feminista, entre os anos
de 1950 e 1960, sua poesia se tornou objeto de estudos dessa vertente crítica que considera o gênero como fator indissociável da produção literária e
que vê na autoria feminina estratégias para conter e ao mesmo tempo transgredir os preceitos patriarcais impostos pela tradição literária masculina.
No panorama da crítica literária atual, a relação entre a obra dickinsoniana
e as leituras feministas está consolidada com o grande número de trabalhos acadêmicos produzidos e publicados a cada ano. Diante disso, nossa
pesquisa investiga o que acreditamos ser uma estratégia de transgressão às
normas poéticas e comportamentais impostas pelo patriarcado: o subtexto,
isto é, a criação de uma escrita em que se sobreponham duas camadas de
sentido – texto e subtexto – e que revele em si as questões envolvidas no
conflito entre a consciência de gênero e a consciência da autoria. Por ser
a autoria uma atividade tradicional e essencialmente masculina e se tornar
autor de um texto é se tornar seu pai-patriarca, não há lugar para a autoria
feminina na tradição literária, pois ela não pertence a essa linhagem patriarcal. Nesse sentido, entendemos que a produção textual realizada por
uma escritora como Emily Dickinson pode, de alguma forma, deixar entrever o questionamento dos valores impostos pelo patriarcado, além de
se fazer perceber o conflito feminino entre encaixar-se nesses valores e
superá-los. A ênfase de nosso trabalho deverá recair sobre a análise de
poemas que constituam um corpus para que possamos verificar, de fato, a
validade de nossa hipótese – de que a compreensão do subtexto possa levar
à compreensão do processo de criação poética, estando este vinculado à
consciência poética e individual do conflito entre o ser poeta e ser mulher
na sociedade patriarcal.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia; Emily Dickinson; Autoria feminina; Subtexto.
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A ESCRITA DO EU, DA NATUREZA E DA SOCIEDADE:
UM ESTUDO COMPARATIVO ENTRE JEAN-JACQUES
ROUSSEAU E FRANÇOIS-RENÉ AUGUSTE DE
CHATEAUBRIAND
Natália Pedroni Carminatti
Doutoranda
Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
A finalidade do presente projeto de pesquisa é estabelecer um estudo comparativo entre os escritores pré-românticos Jean-Jacques Rousseau (17121778) e François-René Auguste de Chateaubriand (1768-1848). O interesse
pela obra de Jean-Jacques Rousseau advém das investigações realizadas no
curso de Mestrado. Como foi dito, no mestrado, realizou-se um estudo relativo ao tema da memória e da morte, na última obra autobiográfica, Les rêveries du promeneur solitaire, que consagrou Jean-Jacques Rousseau como
precursor do pensamento moderno. Todavia, nesta investigação, ampliaremos nosso foco de trabalho, desenvolvendo uma leitura crítica dos temas da
escrita de si, da natureza e da sociedade nas obras Du contract social (1762),
Les rêveries du promeneur solitaire (1782), de Jean-Jacques Rousseau e Gênie du christianisme (1802), especialmente, as obras publicadas separadamente: Atala (1801), Les Natchez (1802) e René (1805) de François-René
Auguste de Chateaubriand. A obra de Rousseau, pela intensidade de seus
procedimentos literários e pela importância do seu caráter inovador necessita
ainda de uma análise que permita explicitar como certos temas são utilizados
para o estabelecimento de uma escritura egótica que terá grande repercussão
na literatura posterior. Pretende-se, aqui, completar a visão desse período
com a abordagem do escritor francês, herdeiro de Rousseau, François-René
Auguste de Chateaubriand.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura Francesa; Pré-Romantismo; Autobiografia; Natureza; Sociedade.
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IMPLICAÇÕES DO ESPAÇO E EPIFANIA JAMESIANOS
Natasha Vicente da Silveira Costa
Doutoranda
Profa. Dra. Guacira Marcondes Machado Leite (Or.)
Esta pesquisa busca analisar a relação entre o espaço e a epifania no romance
The Ambassadors e na novela The Beast in the Jungle, ambos publicados
em 1903 pelo escritor nova-iorquino Henry James (1843-1916). O presente
objetivo foi pensado a partir de estudos prévios desenvolvidos no mestrado,
que realçou o deslocamento espacial em The Ambassadors e a consequente
revisitação de conceitos do protagonista Lewis Lambert Strether. The Ambassadors é sobre a viagem de Lewis Lambert Strether a Paris na função de
embaixador da família Newsome. Tal deslocamento espacial que alicerça o
romance se torna elemento essencial para engendrar o autoconhecimento de
Strether por meio de sua epifania na pousada rural Cheval Blanc. Ao tirar o
foco da complexidade urbana no momento epifânico, o romance questiona
a conveniência da metrópole no favorecimento do processo de aprendizado
devido à inerente sobrecarga sensorial. The Beast in the Jungle é sobre a
espera de John Marcher por um acontecimento único que mudaria sua vida
para sempre. Entretanto, Marcher é incapaz de perceber que o ataque já fora
dado, pois havia perdido várias oportunidades de ser feliz e amar. O tema
central da novela é a compreensão tardia da existência, um descompasso nos
acontecimentos da vida do protagonista. A localização da epifania de Marcher no cemitério agrava o tema da extemporaneidade. O estudo do espaço
literário, até o presente momento, revelou, dentre outras características, o
atraso na ancoragem ou definição espacial, o que cria o efeito de sentido de
flutuação, como se as personagens estivessem pairando em algum espaço
metafísico, imaterial, não determinado. Acreditamos que essa característica possa ser uma espécie de “desrealização”, conceito criado por Rosenfeld
230
(1985) para se referir ao deslocamento das perspectivas clássicas na pintura
do século XX. Nesse sentido, a análise da estrutura espaço-epifania jamesiana tem demonstrado um modo muito particular de traduzir em ficção a
complexidade urbana do final do século XIX. Destacam-se, por exemplo, a
relativização dos aspectos redentores e romantizados do espaço campestre, a
sobrecarga sensorial imposta pela complexidade urbana, impedindo a limpidez na percepção e o presságio nas obras de James da descaracterização do
espaço da metrópole na representação da casualidade.
PALAVRAS-CHAVE: espaço literário; desrealização; epifania.
RELAÇÃO ESPAÇO E TEMPO NA CARACTERIZAÇÃO
DOS PERSONAGENS NA OBRA DE ALICE MUNRO
Oíse de Oliveira Mattos Bazzoli
Mestranda
Profa. Dra. Maria Lúcia Outeiro Fernandes (Or.)
O projeto de mestrado exposto neste resumo se pauta na pesquisa e análise
dos contos The Peace of Utrecht e Lichen, de Alice Munro, respectivamente
presentes nas obras Dance of the Happy Shades e The Progress of Love,
atentando-se aos pontos que abordam como as relações entre tempo e espaço
contribuem na caracterização das personagens para o desenvolvimento da
ação. O trabalho será desenvolvido por meio da análise dos elementos estruturadores dos contos, com base na fundamentação teórica da narratologia,
dos quais se destacam autores como Génette (1995), Nunes (1998) ,Carvalho
(1981) ; nas teorias do conto, como Gotlib (1990), Cortázar (1993) entre
outros. Alice Munro nasceu em Wingham, interior da província de Ontário,
Canadá em 1931 e é reconhecida como autora de histórias curtas. Possui
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maestria na manipulação do tema e linguagem, forma e sentido, ou seja, “o
que diz” e “como diz”. Entre seus inúmeros prêmios e reconhecimento internacional, recentemente foi agraciada com o Prêmio Nobel de Literatura. O
estilo de Alice Munro é caracterizado pelo o emprego de protagonistas femininas, pela transformação de simples fatos cotidianos em algo significativo e
grandioso e a quebra dos limites do conto convencional – fechado, redondo,
linear – perseguindo veredas independentes nos caminhos da narrativa contemporânea. Seus temas recorrentes são a relação com os pais na infância,
principalmente com a mãe; a família; as amizades, romances e desilusões
amorosas; velhice e morte. O conto The Peace of Utrecht discorre sobre as
relações entre duas irmãs que desde pequenas cuidaram da mãe acometida
por uma doença degenerativa até sua morte e que até hoje não conseguiram
se desvencilhar de uma passado traumático que deixou marcas profundas
em suas vidas e relacionamentos . O conto Lichen trata do relacionamento
entre um casal separado há algum tempo, mas que ainda mantém uma relação de amizade e ao mesmo tempo doentia. Através da teoria da narratologia,
será estabelecida a relação entre o tempo e espaço nas narrativas de Alice
Munro para que se compreenda como os personagens são caracterizados e
se compare o modo pelo qual enfrentam seus dilemas na construção de suas
personalidades e relacionamentos.
PALAVRAS-CHAVE: conto; espaço; tempo; narratologia.
DA INDISTINÇÃO DOS ATOS: POESIA E CRÍTICA EM
MURILO MENDES E FRANCIS PONGE
Patrícia Aparecida ANTONIO
Doutoranda – Bolsista CAPES
Prof. Dr. Antônio Donizeti PIRES (Or.)
O presente trabalho tem por objetivo observar a indistinção entre poesia e
crítica da poesia na obra de Murilo Mendes (1901-1975) e Francis Ponge
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(1899-1988). O brasileiro e o francês procedem à fusão de discurso da
obra e discurso sobre a obra num movimento em que sujeito lírico e crítico
(eles mesmos ficcionais) se encontram em permanente tensão. Entendendo
poesia e crítica como atividades reflexivas fundamentadas na linguagem,
as questões principais às quais pretendemos nos lançar são: a) Como se
configura e opera a indistinção entre discurso poético e crítico em Murilo
Mendes e Francis Ponge? b) Como se configura a voz poético-crítica para
se adequar a um ato de dupla face como esse? c) O que se depreende da
aproximação ou do distanciamento da conduta lírico-crítica, levando-se em
consideração subjetividade e objetividade? Nesse sentido, esta pesquisa
busca ler comparativamente os dois poetas tendo por horizonte poesia e
crítica enquanto atos indistintos, apresentados numa espécie de movimento
pendular, de caráter inacabado, em que autor e leitor participam ativamente. Assim, os poemas aparecem como atos que configuram uma prática
literária, que é lírica, crítica e criativa, a um só tempo. No centro dessa prática, os sujeitos lírico-críticos manipulam a criação partindo de um
corpo-a-corpo com o texto, como fica claro com as obras que selecionamos
para este estudo: de Murilo Mendes, O discípulo de Emaús (1945), Convergência (1970), Poliedro (1972) e Retratos-relâmpago (1973); de Francis
Ponge, Proêmes (1948), Méthodes (1961), Pour un Malherbe (1965) e La
table (1981). Poesia e crítica, então, podem ser compreendidas no sentido
da poiesis, de uma construção que coloca em crise (cuja raiz etimológica é
a mesma que a da palavra crítica) o lírico, o crítico, a prosa, a poesia, bem
como uma ideia fechada de literatura e de gêneros literários.
PALAVRAS-CHAVE: Poesia lírica; Murilo Mendes; Francis Ponge; Crítica
da poesia; Metacrítica.
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VOZES DO DESTERRO: PERIÓDICOS DO EXÍLIO
ALEMÃO E A OBRA DE ANNA SEGHERS
Patrícia Helena Baialuna de Andrade
Bolsista CNPq
Profa. Dra. Karin Volobuef (Or.)
Profa. Dra. Claudia Mauro (Coor.)
O presente trabalho tem por objetivo apresentar o conteúdo dos periódicos
publicados por autores alemães que se exilaram durante os anos do governo nacional-socialista, procurando compreender sua relevância no escopo
da assim chamada Literatura de Exílio. Para essa apresentação e análise foram selecionadas como amostras revistas de crítica literária, cultura e política produzidas em diferentes países por reconhecidos intelectuais alemães,
como Das Wort, Freies Deutschland e Neue Deutsche Blätter, entre outras.
Selecionamos alguns artigos de diferentes números dessas publicações como
amostra, e procuramos, através destes textos, apontar para as principais
ideias debatidas no âmbito da arte e cultura naquele contexto politicamente
tão singular, bem como sua importância na articulação de uma resistência intelectual ao nazismo e na divulgação de obras literárias de diversos autores.
Dedicamos especial enfoque à obra produzida no período mencionado pela
escritora alemã Anna Seghers, ativa participante nesses debates e colaboradora de vários periódicos. Ao analisar escritos de Seghers como Em trânsito,
A sétima cruz e O passeio das meninas mortas, procuramos apontar para os
aspectos nos quais a obra da autora se alinha e se desprende das propostas
discutidas à época para uma literatura engajada e realista.
PALAVRAS-CHAVE: exílio; periódicos; Anna Seghers; engajamento.
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A COSMOGONIA NAS METAMORFOSES DE OVÍDIO: UM
ESTUDO SOBRE A EXPRESSIVIDADE POÉTICA, SEGUIDO
DE TRADUÇÃO E NOTAS.
Paulo Eduardo de Barros Veiga
Doutorando
Prof. Dr. Márcio Thamos (Or.)
Ovídio (43 a. C. - 17 d. C.), poeta do período Clássico da Roma Antiga,
mais precisamente, da época de Augusto, escreveu, por volta de 8 d. C., suas
Metamorfoses (Metamorphoseon libri), um longo poema dividido em quinze
cantos, que, de modo geral, trata de temas míticos. A pesquisa de doutorado
apresenta, como córpus, o início do Canto I, que corresponde aos hexâmetros
de número 1 a 451, em que Ovídio conta histórias mitológicas a respeito da
origem do mundo, ou seja, narra a Cosmogonia. Sucintamente, ela é um conjunto de mitos que procura explicar o princípio do universo, por assim dizer,
as transformações que o mundo sofreu para chegar à forma atual. O enfoque
teórico é a Semiótica literária de linha francesa, cuja base está nos escritos
de Greimas. Procura-se considerar o córpus como um discurso literário, em
que se notam articulações entre plano de conteúdo e de expressão. Debruça-se a análise, mais precisamente, sobre os recursos figurativos e icônicos,
sobre homologias observáveis e sobre os efeitos de sentido captados pela
percepção. Em suma, tem destaque o modo como o discurso literário foi
construído por Ovídio, autor de Metamorfoses, que, com alto burilamento
estético, cantou a Cosmogonia.
PALAVRAS-CHAVE: Literatura Clássica; Poesia Latina; Poética; Ovídio;
Cosmogonia.
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CLARICE LISPECTOR: A ESCRITURA E O OFÍCIO DE
ESCRITOR EM CARTAS PERTO DO CORAÇÃO
Priscila Berti Domingos
Mestranda - Bolsista CAPES
Prof. Dr. Adalberto Luís Vicente (Or.)
Nos últimos quarenta anos, parte dos estudiosos da literatura tem direcionado o olhar para o processo de criação e para o criador, e, consequentemente,
valorizado o estudo de gêneros periféricos, como a autobiografia ou o diário,
o que abriu espaço para o estudo das cartas na crítica literária. Esta pesquisa
tem como objeto de estudo as cartas trocadas entre Clarice Lispector e Fernando Sabino publicadas em 2001 pelo autor mineiro, que as publicou sob o
nome de Cartas perto do Coração, obra em que revelou as cartas que recebia
cotidianamente de Clarice e toda a cumplicidade e envolvimento literário
que havia entre eles. Publicadas integralmente, as cartas remontam um período que vai de 21 de abril de 1946 a 29 de janeiro de 1969. O início desse
contato mostra dois jovens que tinham acabado de completar 20 anos, uma
época de muito investimento nos projetos pessoais e profissionais e também
de muita insegurança diante do mundo e dos próprios escritos. O objetivo
deste trabalho é analisar os componentes de interesse literário que revelam a
criação, a escritura e o ofício do escritor. A importância desse estudo está no
fato de que se entende aqui que esta correspondência é um lugar de ensaio,
pensamento e de literatura de Clarice Lispector e, sobretudo, porque se acredita que esse conjunto de cartas possa ser entendido como um tratado apaixonado sobre a escritura e sobre o ofício do escritor. Figuram na obra revelações e queixas, filosofias do cotidiano, mas, sobretudo, questões literárias, o
que comprova o quanto “a carta é um gênero proteiforme, ao qual é ridículo
e vão querer impor uma forma e uma figura únicas, o que não significa que
seja um gênero sem limites, ainda que esses limites sejam constantemente
236
friccionados” (TIN, 2005, p. 56). Importa também apontar que na obra em
questão as cartas têm um valor poético em que a linguagem toma o primeiro
plano da criação e aparecem nelas, sobretudo, a preocupação com (i) para
que fazer literatura; (ii) escrever por que e para quem; (iii) o fazer poético;
(iv) a procura pela forma mais precisa de expressar o inexprimível.
PALAVRAS-CHAVE: cartas; escritura; poético; Clarice Lispector.
RELAÇÃO ENTRE POESIA E PROSA DE CHARLES
BAUDELAIRE
Priscila Cavali
Mestranda
Profa. Dra. Guacira M. Machado Leite (Or.)
Neste trabalho, apresentamos alguns estudos sobre poemas de Charles Baudelaire extraídos de suas obras Les Fleurs du mal e Petits poèmes en prose,
com o intuito de determinar suas particularidades. Nesse quadro, refletiremos, evidentemente, sobre a tensão existente entre prosa e poesia, ao longo
da história, seja na recusa das formas poéticas tradicionais de uma (prosa),
seja na busca de uma nova forma poética pela outra (poesia), até alcançarmos a essência do poema em prosa. Em seguida, Baudelaire entrará no cenário, constituindo a metodologia do estudo que tratará das barreiras que o
poeta ultrapassa no que diz respeito a seus poemas em prosa, demonstrando
o seu domínio em relação ao fazer poético, na construção e re-construção
dos componentes que configuram os poemas, denunciando a mudança de
registro retórico, quando relacionados a alguns em verso. Buscaremos perceber ainda, segundo os estudos realizados por Barbara Ellen Johnson, em
237
sua obra Défigurations du langage poétique, de que maneira o poema em
prosa constitui uma leitura “desconstrutiva” do poema em verso, visto que
a relação existente entre eles foi explorada pela autora, que buscou um nexo
entre Le Spleen de Paris e Les Fleurs du mal, a partir de textos em prosa
que retomavam, de forma explícita, o tema de um poema em verso. Nesse
quadro, o poema em prosa será tratado como uma reescritura crítica do poema em verso, o que abre caminho a inúmeros questionamentos e conceitos
contemporâneos, dentre eles, a prática da “transposition” – de acordo com
os estudos genettianos, presente no campo da hipertextualidade – e o porquê
da reescrita.
PALAVRAS-CHAVE: Poemas em verso; Poemas em prosa; Modernidade
poética; Hipertextualidade; Charles Baudelaire.
VIAGEM À RODA DE MACHADO DE ASSIS EM DOMÍNIO
LATINO
Priscila Maria Mendonça Machado
Doutoranda
Prof. Dr. João Batista Toledo Prado (Or.)
O estudo de Machado de Assis pelo viés da intertextualidade tem-se consolidado como uma forte tendência atual. O recorte proposto, como córpus
da pesquisa, foi a análise da presença da Literatura Latina em alguns contos
machadianos. Dentre a grande variedade de contos produzidos pelo autor,
selecionou-se vinte, tendo em vista a forte e definida presença de referências
latinas neles. O estudo proposto para essa etapa novamente pode ser percebido desde o título, “Viagem à roda dos contos de Machado de Assis em do238
mínio latino”. Buscou-se um título de alcance intertextual, uma vez que ele
retoma o conto machadiano “Viagem à roda de mim mesmo”, que, por sua
vez, também dialoga intertextualmente com os livros Viagem à roda do Meu
Quarto, de Xavier de Maistre (de 1794) e Viagem à roda do Meu Jardim, de
Alphonse Karr (de 1845). O termo “domínio” remete ao estudo de Jean-Michel Massa que, ao coletar a biblioteca de Machado de Assis, dividiu-a em
domínios linguísticos. Busca-se a análise de vinte contos: “Virginius”, publicado no Jornal da Família (1864); “Felicidade pelo casamento”, Jornal das
Famílias (1866); “Uma excursão milagrosa”, Jornal das Famílias (1866);
“Onda”, Jornal das Famílias (1867); “Linha reta e linha curva”, em Contos
Fluminenses (1870); “Rui de Leão”, Jornal das Famílias (1872); “Decadência de dois grandes homens”, em Jornal das Famílias (1873); “Tempo de
Crise”, Jornal das Famílias (1873); “Muitos anos depois”, Jornal das famílias (1874); “Um cão de lata ao rabo”, em O Cruzeiro (1878); “O Alienista”,
publicado em A Estação (1881) e depois em Papéis Avulsos (1882), “Último capítulo”, em Gazeta de Notícias (1883) e Histórias sem data (1884);
“O Lapso”, em Gazeta de Notícias (1883) e Histórias sem data (1884); “A
causa secreta”, publicado na Gazeta de Notícias (1885) e depois em Várias
histórias (1895); “Anedota pecuniária”, na Gazeta de Notícias (1888) e Várias histórias (1895); “Como se inventaram os almanaques”, Almanaque das
Fluminenses (1890); “Vênus! Divina Vênus”, Almanaque da Gazeta (1893);
“Um erradio”, em A Estação (1894) e Páginas recolhidas (1899); “Papéis
Avulsos”, em Páginas recolhidas (1899); “Marcha Fúnebre”, em Relíquias
da casa velha (1906).
PALAVRAS-CHAVE: Intertextualidade; Machado de Assis; Literatura e
Cultura Latina.
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A REPRESENTAÇÃO DA SEXUALIDADE EM NEWTON
MORENO: DESCOBRINDO DEUS SABIA DE TUDO E NÃO
FEZ NADA, BODY ART E AGRESTE
Rafael José Masotti
Mestrando - Bolsista Cnpq
Profa. Dra. Elizabete Sanches Rocha (Or.)
No imaginário ocidental, o teatro nasce na Grécia Antiga em meio às orgias,
aos bacanais dionisíacos; Michel Foucault (1926-1984), escrevendo sobre a
história da sexualidade, ao contestar a “hipótese repressiva”1, considera que
as tentativas de mascaramentos e proibições por meios de técnicas de poder
acabam por incitar ao invés de reprimir. Neste sentido, no Brasil, trabalhos
como os de Décio de Almeida Prado (1917-2000) e João Silvério Trevisan
(1944-) nos revelam que o teatro brasileiro, ainda que sob a censura da igreja
e do poder, desde o início trilhou nas fronteiras do sagrado e do profano. Até
o começo do século passado, identifica-se uma cena dividida entre o teatro
de cunho religioso e outra mundana, que se atreve a trazer prostitutas elegantes e o duplo sentido nas comédias. No decorrer do século, em um cenário
cultural efervescente, viu-se proliferarem peças nas quais a sexualidade foi
intensivamente explorada, enquanto temática e/ou estética. Tomando como
significativos o contexto e as discussões em torno do tema, este trabalho objetiva localizar o dramaturgo pernambucano Newton Moreno (1968-), autor
importante no panorama da dramaturgia brasileira contemporânea, a partir
da representação da sexualidade nas peças Deus sabia de tudo e não fez nada
(2001), Body Art (2002), e Agreste (2004). Valendo-se de obras que mesclam
traços do teatro lírico, épico e dramático, as tramas em questão são tecidas de
sexo e ignorância, sexo e morte, sexo e marginalidade, sexo e antropofagia,
sexo e homoerotismo, sexo e história, sexo e transcendência, sexo e repres-
240
são, sexo e cultura popular e, ao que parece, sem perder de vista o discurso
amoroso, na busca de reinventá-lo. Seguiremos na esteira de Anne Ubersfeld
(1918-2000), Jean-Pierre Ryngaert (1939-) e Jean-Pierre Sarrazac (1946-),
dentre outros, em busca de desvendar a representação da sexualidade nestas
obras através dos aspectos dramatúrgicos do texto.
PALAVRAS-CHAVE: literatura; teatro brasileiro contemporâneo; sexualidade, Newton Moreno.
O CORPO EM O MULATO, CASA DE PENSÃO E O CORTIÇO,
DE ALUÍSIO AZEVEDO.
Rafaela Vareda Goffredo
Mestranda
Profa. Dra. Maria Célia de Moraes Leonel (Or.)
Diante da pouca gama de estudos que versam sobre o corpo nos romances
O mulato, Casa de pensão e O cortiço, de Aluísio Azevedo e, partindo do
pressuposto de que, segundo Josué Montelo, no Naturalismo brasileiro, três
problemas interessaram os romancistas mais de perto: a luta contra a Igreja,
a reação ao preconceito de cor e a questão sexual, propõe-se desenvolver
uma leitura crítica do tratamento da questão sexual por meio da análise da
construção do corpo nessas três obras. A pesquisa centra-se, principalmente, nas personagens que, segundo Ferreira, corporificam temas de patologia
social (miséria, desequilíbrio psíquico, amoralismo, desvios sexuais) e que,
por isso, têm vícios, doenças e apresentam-se num cenário cotidianamente
marcado pelo tom acinzentado e fatalista, animalesco e mecânico, que reflete
o pensamento pessimista do fim do século. Tais romances interessam porque
trazem o corpo como espetáculo, permitindo adentrar no erótico, caminho
241
que é via de materialização do estético e do simbólico. Nessas obras, o desejo e o sexo têm papéis fundamentais no processo de degradação e destino
trágico das personagens, principalmente as masculinas. Como a construção
do tema é realizada por meio das categorias narrativas, são analisadas as
seguintes categorias: a história, as personagens, a focalização, o narrador, o
tempo e o espaço. O embasamento teórico é constituído por quatro grupos
de estudos: a) histórias da literatura sobre o Naturalismo e ensaios críticos
sobre Aluísio Azevedo; b) textos específicos sobre o corpo no Naturalismo
brasileiro; c) ensaios sobre o corpo de modo geral e d) estudos teóricos da
narrativa. Quanto ao primeiro grupo, as principais balizas são: História concisa da literatura brasileira de Alfredo Bosi e Aluísio Azevedo, vida e obra
(1857-1913) de Jéan-Yves Mérian. Em relação ao segundo grupo, a base é
formada por Leituras do desejo: o erotismo no romance naturalista brasileiro
de Marcelo Bulhões. Quanto ao terceiro grupo: O erotismo de Georges Bataille e História do corpo, organizado por Jean-Jacques Courtine, Georges
Vigarello e Alain Corbin. Em relação ao quarto grupo, tomamos os seguintes
textos: Discurso da narrativa de Gérard Genette e Dicionário de narratologia de Carlos Reis e Ana Cristina M. Lopes.
PALAVRAS-CHAVE: Aluísio Azevedo; O mulato; Casa de pensão; O cortiço; Corpo.
LEITURAS DO TRÁGICO SOB A PERSPECTIVA DO
ROMANCE REALISTA: UM ESTUDO SOBRE “MADAME
BOVARY” E “ANNA KARIÊNINA”
Rafhael Borgato
Doutorando – Bolsista FAPESP
Profa. Dra. Wilma Patricia Marzari Dinardo Maas (Or.)
Este projeto de doutorado tem como objetivo estudar a manifestação do trágico no romance do período literário do século XIX conhecido generica242
mente como Realismo. O objeto de estudo específico são os romances Madame Bovary e Anna Kariênina, de Flaubert e Tolstói, respectivamente. Tal
escolha dá-se por, além de se tratarem de obras célebres do período literário
citado, um ambas as obras compartilharem o tema do adultério feminino, o
qual, pretendemos demonstrar em nosso estudo, estrutura forma trágica desses romances. Essa forma trágica, como demonstraremos, é organizada em
torno do conflito individual e do debate ético em relação ao sistema social.
Tais leituras sobre o trágico partem de duas interpretações distintas do que é
tragédia: a dos filósofos idealistas alemães pós-kantianos, tomada aqui sob
a perspectiva da filosofia de Schelling, que destaca o elemento individual,
a afirmação da liberdade humana e, por outro lado, a dos estudos estruturalistas da Tragédia Grega (empreendidos especialmente por Vernant e Vidal-Naquet, além de Charles Segal). Assim, pretendemos realizar uma leitura do
gênero romance como forma trágica (atendo-nos ao recorte específico que
analisaremos, ou seja, o romance realista novecentista, que constitui uma
forma madura do romance burguês), a partir da interpretação de sua forma
e de seu conteúdo, buscando apoio para essa interpretação em dois tipos de
leitura relevantes para a compreensão do conceito de trágico.
PALAVRAS-CHAVE: Tolstoi; Flaubert; Realismo; Romance; Trágico
ELEMENTOS MITOLÓGICOS E FOLCLÓRICOS
INTEGRANTES DA ESTRUTURA MORFOLÓGICA DE
NARRATIVAS POPULARES CELTAS
Raquel de Vasconcellos Cantarelli
Doutoranda – Bolsista CAPES
Profa. Dra. Karin Volobuef (Or.)
Embora os contos populares tenham evoluído, vindo a integrar grande parte
da literatura infantil, pouco se sabe sobre seus diferentes tipos de compo243
sição, a origem de seus motivos e sua evolução no tempo e espaço. Propp
(1971, 2002, 2006) contribuiu amplamente para esquematizar a estrutura
fundamental dos contos de magia, estabelecendo suas origens e transformações, entretanto, a composição e evolução de outros tipos de contos permanecem ainda inexatas. Assim, nossa proposta é analisar especificamente
contos populares de origem celta, devido a seu grande impacto na literatura
ocidental, para determinar sua morfologia, a possível origem de seus elementos fundamentais e os fatores socioculturais relevantes para a formação
e evolução de seus motivos. Para tanto, selecionaremos 50 narrativas das
coletâneas de Campbell (1890), Ellis (1999), Jacobs (1894; 2001) e Hyde
(1910) e iniciaremos por análises morfológicas baseadas em Dundes (1996),
Lévis-Strauss (1985; 1993) e Propp (2006), a fim de obter uma esquematização de suas estruturas. A partir disso, buscaremos estabelecer as possíveis
origens socioculturais de seus motivos e as transformações relacionadas a
diferentes estágios da sociedade celta, sendo especialmente enfatizados os
aspectos míticos, ritualísticos e folclóricos presentes no conto, uma vez que
estes foram determinantes para a composição da narrativa popular em geral
(FRYE, 2000; PROPP, 2002), verificando os principais fatores axiológicos
envolvidos, pelo método actancial de Courtés (1979). No decorrer dessa
pesquisa, demonstraremos como essas análises conjuntas contribuem para
o estabelecimento de uma rede de significados, muito além dos encontrados
em sua superfície, além de explicar a presença de motivos aparentemente arbitrários e sem sentido ao público atual. Uma vez que esses contos possuem
forma simples, ou seja, monotípica, que se repete como um padrão nas narrativas populares (JOLLES, s.d., passim; PROPP, 2006, p. 24-25), as informações aqui obtidas poderão ser utilizadas como ferramentas de comparação
em estudos posteriores, relativos a contos pertencentes a outras sociedades.
PALAVRAS-CHAVE: narrativa popular celta; composição; evolução.
244
A TRADIÇÃO DE REBELDIA NA LITERATURA NORTEAMERICANA
Renato Alessandro dos Santos
Doutorando
Profa. Dra. Maria Clara Bonetti Paro (Or.)
Na literatura norte-americana, é possível confirmar a existência de uma tradição de rebeldia que se inicia no século 19, com H. D. Thoreau, e que é voltada
para a liberdade de expressão e para o não-conformismo. São obras em prosa
e verso que abordam o tema da viagem e retratam a experiência vivenciadas
por personagens pícaros, ou seja, que estão sempre em movimento. No século 20, escritores da Geração Perdida, bem como autores da Geração Beat,
procuraram registrar a época em que viveram, e, em suas obras, é possível
perceber a presença da tradição de rebeldia com base no diálogo intertextual
que a Geração Beat manteve com a Geração Perdida e com autores do século
19. Outra questão envolvida é mostrar como os romances Um estranho no
ninho (One flew over the cuckoo’s nest, 1962), de Ken Kesey, On the road, de
Jack Kerouac, e O teste do ácido do refresco elétrico (The electric kool-aid
acid test), de Tom Wolfe, não apenas mantêm um diálogo intertextual, mas
registram o surgimento da contracultura no século 20 e, desta forma, levam a
tradição de rebeldia a seu ápice. Em relação à metodologia utilizada, o método comparativo servirá para o cotejamento entre os textos norte-americanos,
mas não de forma constatativa e, sim analítica, buscando contextualizar e
analisar cada obra e autor no fluxo da tradição de rebeldia e nos embates
desta com o “main stream”.
PALAVRAS-CHAVE: rebeldia; tradição; contracultura; Geração Perdida;
Geração Beat.
245
A CANÇÃO MARGINAL BRASILEIRA
Renato Luís de Castro Aguiar Silva
Mestrando
Prof. Dr. Antônio Donizeti Pires (Or.)
Este trabalho é parte do estudo que realizo para a dissertação no curso de
mestrado, cujo objetivo é trazer à baila elementos para uma análise da relação entre a poesia e a canção. Partindo de seu conceito geral e indo até
as suas implicações no decorrer do século XX, pretendo situar a canção de
cinco poetas brasileiros. Marcados pela transitoriedade entre letras de música e poemas escritos, estes poetas, Cacaso, José Carlos Capinam, Paulo
Leminski, Wally Salomão e Torquato Neto, são advindos da esteira de artistas ligados ao Tropicalismo na virada da década de 60 para os 70, cuja obra
se distribui ao longo dos anos 70 até início dos anos 90. Assim, este estudo
segue a continuidade daqueles iniciados na monografia sobre o Tropicalismo
e a Bossa Nova nos festivais de música popular brasileira. A poesia da época
reunia respostas libertárias à inflexibilidade e limites impostos pela ditadura, como relatam estudos de Heloísa Buarque de Holanda, Carlos Alberto
Messender e outros que focaram sua pesquisa no período. Será notável que
a poesia marginal dos anos setenta manteve ativo contato com a música popular veiculada pelas emissoras de radio e tele-difusão. Logo, os estudos do
lingüista Luiz Tatit, que deram conta de apreciar profundamente o estilo e os
temas da canção popular brasileira do século XX, citam a década de setenta
como um período de “música sem fronteiras rítmicas, históricas, geográficas
ou ideológicas.” (TATIT, p.227, 2008) Sem destoar, o amálgama cumpria de
reunir tendências díspares e dispersas na arte nacional ou estrangeira, popular ou erudita, canônica ou marginal. Cumpre a minha pesquisa, portanto, revelar abordagens pertinentes ao estudo do caráter cancionista da obra
destes poetas. Seguindo as linhas de pesquisa “Teorias e crítica da poesia” e
246
“História literária e crítica”, com tangenciamentos pela linha “relações intersemióticas”, intento abordar concepções estéticas comuns à poesia e a música, que estejam em conjunção com os temas da moderna poesia brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: canção; poesia brasileira; lírica moderna; teoria e
crítica literária.
NARRATIVA E REPRESENTAÇÃO: UMA LEITURA DE
CIDADE DE DEUS
Renato Oliveira Rocha
Mestrando
Profa. Dra. Juliana Santini (Or.)
Esta pesquisa busca analisar a relação de Cidade de Deus (1997) com a realidade que ele representa. O romance de Paulo Lins, um dos mais importantes
da prosa brasileira do final do século XX, faz ressurgir o realismo na narrativa contemporânea. Cidade de Deus traz à tona a realidade brasileira aliando
técnicas de pesquisa antropológica a uma história narrada em ritmo veloz
que trata do desenvolvimento do tráfico de drogas e da criminalidade no
conjunto habitacional que dá título ao livro, firmando o contrato realista com
o leitor. Para amenizar as cenas violentas, Paulo Lins vale-se da poesia, a começar pelo poema-epígrafe de Paulo Leminski que o autor utiliza na abertura
do livro, proporcionando uma representação literária da violência, por mais
brutal que ela seja. Essa mediação formal que o escritor utiliza para moldar o
objeto retratado proporciona uma leitura do Brasil dos excluídos e sua realização no romance, é possível afirmar, configura-se como um capítulo à parte
na produção literária e nos estudos sobre a relação entre literatura e pobreza no Brasil. A insistência nas cenas violentas confere unidade à narrativa,
247
causa um efeito de realidade e leva o leitor a pensar de forma abrangente na
sua significação, dinamizando a representação da violência como elemento
constituinte da sociedade brasileira.
PALAVRAS-CHAVE: Paulo Lins; Prosa brasileira contemporânea; Realidade; Realismo.
E.T.A. HOFFMANN E MACHADO DE ASSIS: EXPOENTES
DE UMA MESMA TRADIÇÃO LITERÁRIA.
Ricardo Gomes da Silva
Doutorando
Profa. Dra. Karin Volobuef (Or.)
A tese que se pretende desenvolver é a da existência de uma proximidade estilística entre as obras Machado de Assis (1839-1908) e pelo alemão
E.T.A. Hoffmann (1776-1822). A obra de ambos os escritores é marcada pela
utilização sistemática da paródia, do lugar-incomum na escrita, de ideias e
formas de escrita inusitadas e de um expressivo estilo fragmentário e descontínuo. O que explicaria tais recorrências, de acordo com a tese que defendemos, seria o fato de que Machado e Hoffmann descendem de uma mesma
tradição de escritores excêntricos como Cervantes, Sterne e Rabelais. Desta
forma buscaremos demonstrar de que forma cada um de nossos dois escritores se vinculam a uma tradição literária maior e em que aspectos suas obras
se aproximam.
PALAVRAS-CHAVE: Machado de Assis; E.T.A. Hoffmann; Literatura do
século XIX.
248
À ESPREITA DO VULCÃO E O CONTEMPLAR DO ABISMO:
POR UMA POÉTICA DE AGUSTINA BESSA-LUÍS, EM UM
CÃO QUE SONHA.
Rodrigo Valverde Denubila
Mestrando - BolsistaCAPES
Profa. Dra. Márcia Valéria Zamboni Gobbi (Or.)
Agustina Bessa-Luís diz que escreve para desiludir com mérito que é a maneira de se fazer lembrar com virtude. Tendo essas sentenças como alicerce
de reflexão, este trabalho propõe se buscar uma poética da romancista portuguesa, utilizando como texto base o romance Um Cão que Sonha, obra
que contém uma síntese da temática central agustiniana, bem como os estudos críticos de Agustina Bessa-Luís, a saber, Contemplação Carinhosa
da Angústia, Alegria do Mundo e Dicionário Imperfeito. Este estudo está
estruturado em cinco capítulo que visam levantar o que seria, na cosmovisão
agustiniana, uma necessidade de se desiludir com mérito e fazer lembrar com
virtude. No primeiro momento, buscamos, por meios dos elementos paratextuais, quais são as vinculações filosóficas caras a Agustina Bessa-Luís, assim
como propomos a aproximação da mundividência da ficcionista portuguesa
com a do filósofo romeno Emil Cioran. Para ambos, a dúvida é elemento
central da constituição humana. Muitos dos seres ficcionais agustinianos são
marcadas pelo sentido trágico. Através das personagens de Um Cão que Sonha tentaremos evidenciar como a dúvida, o mistério essencial do existir, a
individualidade absoluta, entre outros arquétipos temáticos estão presentes
no romance em estudo e são característicos da poética agustiniana. Faz-se
necessário compreender como a cosmovisão de Agustina Bessa-Luís foi se
desenvolvendo ao longo de seu extenso conjunto literário. Portanto, estudamos as fases agustinianas, bem como a estética barroca e o jogo conceptista
que marcam o discurso literário agustiniano. Um Cão que Sonha retoma, em
249
diversos momentos, elementos característicos da poética de Marcel Proust
como a noção de memória involuntária, chamada, pela romancista portuguesa, de memória dos sentidos, bem como a reflexão sobre a natureza do tempo.
É capital apontar certos elementos convergentes da estética do autor francês
e da autora portuguesa, o que ocorre no quarto momento de nossa pesquisa.
Um dos traços centrais agustinianos é a presença de fortes mulheres, mas há
um complicado jogo entre voz e mudez, uma literatura de autoria feminina
que ainda balbucia, no dizer da autora, como exemplarmente o silenciar da
voz literária de Maria Pascoal denota. Esta reflexão está presente no último
momento de nosso estudo.
PALAVRAS-CHAVE: Agustina Bessa-Luís; Um Cão que Sonha; Filosofia
Negativa; Neobarroco; Discurso feminino.
A POLIFONIA NO ROMANCE DE CARLOS HERCULANO
LOPES
Roseli Deienno Braff
Doutoranda
Profa. Dra. María Dolores Aybar Ramírez (Or.)
O mineiro Carlos Herculano Lopes (1956), cuja principal veia ficcional é o
romance, alimenta-se dos dramas e conflitos do interior, onde nasceu. Trágico, aproxima-se de Autran Dourado (1926-2012) e Lúcio Cardoso (19121968) na preferência pelos temas da loucura, vingança, disputa de terras,
além das sempre conflitantes relações familiares que descortinam um opressivo e violento universo patriarcal. Neste trabalho, estudaremos as vozes femininas nos romances A dança dos cabelos (2001), Sombras de julho (1994)
e O vestido (2004), investigando como as narradoras mulheres denunciam,
250
cada qual a seu modo e segundo sua dramática experiência, o trágico universo de dominação masculina. O objetivo é averiguar como se materializa
textualmente a relação dialógico-polifônica entre as vozes femininas dos três
romances e de que modo as vozes masculinas, que se encarnam em personagens e em narradores desse gênero, vão construindo a imagem de um autor
implícito, ou seja, aquele que se mascara atrás de uma voz narrativa que representa, para contemplar o eterno recuo do narrador e do jogo de máscaras
que se trava entre os vários níveis da narração. Como fundamentação teórica
básica, utilizaremos os conceitos de dialogismo e polifonia, desenvolvidos
por M. Bakhtin em Problemas da poética de Dostoievski (2005), para analisar de que modo o autor construiu uma sinfonia de vozes ora exclusivamente
femininas, ora masculinas e femininas, em diálogos repletos de tensões também de gênero. A voz do narrador e a percepção do focalizador serão analisadas à luz do Discurso da narrativa (1995), de G. Genette. Devido ao corpus,
que recorta três obras cujas narradoras são mulheres, utilizaremos algumas
teorias dos estudos de gênero aplicados ao discurso literário. Para desenvolver essa proposta no bojo de tais estudos, analisamos textos fundadores da
crítica feminista, particularmente aqueles vinculados aos estudos literários,
mas também aos estudos filosóficos, históricos e culturais. Entre eles, cabe
enfatizar as obras de S. Beauvoir: O segundo sexo II: a experiência vivida
(1967) e de V.Woolf: Um teto todo seu (1994).
PALAVRAS-CHAVE: romance; narrador; polifonia; estudos de gênero.
GANDALF: A LINHA NA AGULHA DE TOLKIEN
Stéfano Stainle
Mestrando
Prof. Dr. Aparecido Donizete Rossi (Or.)
Com este projeto de pesquisa pretende-se, a partir de uma abordagem teórico-crítica de O Senhor dos Anéis, obra máxima de J. R. R. Tolkien, analisar
251
o modo de atuação da personagem Gandalf, de forma a esclarecer e melhor
compreender como essa personagem atua nos nichos da narrativa e, com
essa atuação, possibilita a existência da textualidade em si mesma, equilibrando ou desequilibrando o compasso do enredo. Partindo do estudo da
referida personagem, intenciona-se contribuir, em última instância, para uma
melhor compreensão do universo ficcional criado pelo autor e um melhor
entendimento dos recursos utilizados na composição da atuação da referida
personagem na narrativa, aspecto que até o momento não foi adequadamente
abordado e analisado pela crítica especializada na obra de Tolkien. A principal característica de Gandalf, ao que tudo indica, é ser o responsável por
tecer os caminhos e destinos da narrativa. É essa característica que se pretende investigar nesta pesquisa. Para além de ser um mago, um símbolo da
presença sobrenatural da magia na narrativa de O Senhor dos Anéis — uma
narrativa fantástica que depende do sobrenatural para constituir-se enquanto
narrativa —, Gandalf parece ter uma outra função, essa mais importante e
fundamental, qual seja a de tecer a própria textualidade da obra. Se assim for,
e é isso que se deseja investigar, então Gandalf é o articulador dos sentidos
do texto, é a personagem que possibilita a própria existência da obra-prima
de Tolkien, tanto no que diz respeito à forma, quanto no que concerne ao
conteúdo e, no caso desse último, no que tange às suas múltiplas possibilidades de leitura e interpretação.
PALAVRAS-CHAVE: Gandal; O Senhor dos Anéis; Personagem; Narrativa; Textualidade.
METALINGUAGEM, BILINGUISMO, PROSA E POESIA:
REFLEXÕES SOBRE A OBRA DE ROSALÍA DE CASTRO.
Tais Matheus da Silva
Doutoranda
Prof. Dr. María Dolores Aybar Ramírez (Or.)
252
O presente projeto pretende discutir a possibilidade de uma concepção estética, na obra da escritora galega Rosalía de Castro, de construção de um
espaço de produção literária autônoma para mulheres. Ao longo do século
XIX na Espanha, conforme demonstram diversos historiadores do período,
os espaços de atuação da mulher eram limitados ao âmbito privado, de
modo que o acesso à educação formal e o incentivo ao desenvolvimento intelectual e artístico eram praticamente nulos para as mulheres. Contudo, a
escrita literária produzida por mulheres conscientes das limitações impostas por uma sociedade estritamente patriarcal incomodou a crítica literária,
bem como influenciou o surgimento do debate acerca da liberdade de produção artística das mulheres. Rosalía de Castro figura entre as vozes marginais que, em seu tempo e a partir de elaborações estéticas, questionaram
a condição da mulher e os padrões de escrita impostos pela crítica literária.
Considerando que a obra de Rosalía de Castro não apresenta regularidades
no que diz respeito ao gênero literário e à língua, visto que escrevia prosa
e poesia tanto em língua galega quanto em castelhano, independentemente
de supostas fases de produção, nossa hipótese é que o bilinguismo e a alternância entre prosa e poesia, somados à reflexão metalinguística, isto é,
sobre o fazer literário, são os pilares de um projeto estético de emancipação
da produção artística da mulher. Desse modo, a partir da análise de um
corpus composto por poesias e prosas em línguas galega e castelhana, produzidos por Rosalía de Castro, pretendemos discutir como o bilinguismo,
a alternância de gênero literário e a atividade metalinguística contribuem
para a construção de um projeto estético de liberdade de produção para a
mulher escritora.
PALAVRAS-CHAVE: Rosalía de Castro; Mulher e Literatura; Metalinguagem; Bilinguismo; Feminismo.
253
O MAL DE VIVER EM PIRANDELLO: DAS PRIMEIRAS
POESIAS À PROSA MADURA.
Valmir Luis Saldanha da Silva
Mestrando
Prof. Dr. Sérgio Mauro (Or.)
Certamente, se fôssemos fazer uma pesquisa de campo, a fim de encontrar
uma definição cerrada para o mal de viver, encontraríamos um conjunto bastante variado de como as pessoas enxergam-no. No entanto, como pesquisa
literária, nosso trabalho vai além da constatação de dados, pois que pretendemos analisar as representações simbólicas do mal de viver dentro de uma
estética literária que atravessa o século XIX e chega à primeira metade do
século XX. O mal de viver proposto na lírica de Luigi Pirandello (18671936) – das poesias de Mal Giocondo (1889), com poemas escritos entre
1883 e 1889, e de Fuori di chiave (1912), publicado quando o autor já obtivera consagração com o romance Il fu Mattia Pascal (1904) – denuncia a
crise histórica após a unificação dos estados italianos no final do século XIX
(“Pós-Risorgimento”), mas, de certa forma, não se restringe no tempo, investigando o mal de viver inerente à condição humana. Desse modo, é relevante
analisar a poética de Pirandello em contraponto com outros dois autores:
Giacomo Leopardi e Eugenio Montale. Leopardi, dentro de um contexto ainda bastante influenciado pelo Iluminismo, não é um entusiasta dessas ideias e
abre caminho para a análise do mal de viver imposto pela natureza sem que o
ser humano possa fazer algo; Montale, com uma poesia bastante requintada,
apontará, em Ossi di seppia (1925), para o mal de viver naturalizado pelo
“ponto morto do mundo no meio da verdade”. Assim, a lírica pirandelliana revisitará as ideias de Leopardi e conviverá com o estilo de Montale,
formando uma estética do mal de viver que ora retrata o homem comum às
voltas com um mundo que não o compreende, e ora representa a condição
254
marginal do homem intelectualizado e “consciente” que deve confrontar-se
com o mundo das “máscaras sociais”. Por uma perspectiva historicista, o que
se vê é o adensamento dessa filosofia do mal de viver e desse confronto com
as “máscaras” desde os poemas de Mal Giocondo (1889) e Fuori di chiave
(1912) até os romances Quaderni di Serafino Gubbio operatore (1915) e
Uno, nessuno e centomila (1925).
PALAVRAS-CHAVE: Mal de viver; Pirandello; lírica; romance; marginalização.
AS FIGURAÇÕES DA MORTE E DA MEMÓRIA NA
POÉTICA DE MANOEL DE BARROS.
Waleska Rodrigues de Matos Oliveira Martins
Mestranda
Prof. Dr. Luiz Gonzaga Marchezan (Or.)
Ao descrever as figurações que permeiam a Morte e a Memória na poética de
Manoel de Barros, a tese pretende relacionar a perspectiva da transmutação
com a presentificação. O quiasmo primordial da existência humana gira no
entorno vida x morte, sempre em proveito do primeiro termo. Tem-se como
objetivo compreender a ideia da Morte e suas figurações na obra de Manoel
de Barros, confrontando com a perspectiva da Memória como presentificação da Vida. Das produções literárias do poeta, foram escolhidas as seguintes
obras para análise: Poesias (1956), Menino do Mato (2010) e Escritos em
verbal de ave (2011). Na metodologia da tese foi realizada a pesquisa documental e bibliográfica sobre a vida e obra de Manoel de Barros. Além disso,
um levantamento semântico proporcionou a escolha do recorte. Posteriormente, realizou-se uma pesquisa midiática privilegiando as entrevistas do
255
poeta. Buscaram-se nas falas de Manoel de Barros suas perspectivas sobre
cada um dos eixos temáticos da tese, Morte e Memória.
PALAVRAS-CHAVE: Manoel de Barros; Morte; Memória.
O DUPLO EM COSMÉTIQUE DE L’ENNEMI
DE AMÉLIE NOTHOMB
Larissa Cristina Thomann
Mestranda
Profa. Dra. Silvana Vieira da Silva
A obra Cosmétique de l’ennemi (2001), da escritora belga Amélie Nothomb
(1967), é analisada a partir dos personagens e do tempo, já que a construção
da narrativa tem caráter duplo. O duplo é analisado a partir do desdobramento das personagens: Textor Texel, o duplo de Jérôme Angust e, por ele
mesmo, denominado como seu inimigo interior, aquele que o destrói, é sua
capacidade de autodestruição.Além das personagens, o duplo é analisado
como parte da construção do início da obra e de seu fim, bem como a construção do tempo – cronológico e psicológico das narrativas, que também são
duplicadas, pois Textor é narrador de sua vida a Jérôme, mas isso já dentro de
uma narrativa em que o narrador se apresenta como onisciente e em terceira
pessoa.Apesar de ter sido Otto Rank que deu ao duplo esta denominação, a
ideia de duplo é, mais especificamente, representada pela literatura fantástica e, interpretada pela psicanálise, através de Freud e Jung. É Freud que
nos interessa mais do que Jung, pois é nele que o duplo é um sentimento de
estranheza causado pela perda, súbita, de noção do que é realidade e do que
é imaginação, o que provoca o temor e o tremor. Este estudo é desenvolvido
no livro Das Unheimlich (O estranho), escrito em 1919, pela oposição das
palavras heimlich (íntimo, obscuro, secreto) e heimich (natural) ao título do
livro. Logo, o estranho é uma experiência secretamente familiar e que foi
um dia reprimido e, depois, liberado. Em Cosmétique de l’ennemi, ao ser
deparado com o seu duplo, Jérôme não acredita ter assassinado sua esposa e
256
confronta Textor sobre serem a mesma pessoa e é então que Textor faz menção à
memória, pois diz que ele é a parte de Jérôme que não se esquece de nada, além
de fazer alusão à perda da noção entre o que é imaginação e o que é realidade
para o duplicado, característica presente nas obras de Freud.
PALAVRAS-CHAVE: Duplo, psicanálise, Amélie Nothomb, Cosmétique de
l’ennemi, gênero fantástico.
Índice dos autores
Adalberto Luis Vicente .......................... 78, 87, 96, 131, 154, 171, 224, 236
Adriano Tarra Betassa Tovani Cardeal ....................................................... 79
Adrienne Kátia Savazoni Morelato ........................................................... 140
Alcides Villaça ............................................................................................ 44
Alejandro González Urrego ............................................................... 80, 141
Alessandro Yuri Alegrette ......................................................................... 142
Alexander Meireles da Silva ....................................................................... 56
Alexandre de Melo Andrade ...................................................................... 82
Alexandre de Melo Andrade / Antônio Donizeti Pires ............................... 81
Aline Cristina Sola Orlandi....................................................................... 145
Aline Maria Magalhães de Oliveira Ávila ........................................ 84 , 143
Aline Shaaban Soler.................................................................................. 146
Aline Taís Cara Pinezi............................................................................... 147
Aline Tosta Floriano.................................................................................. 148
Amanda da Silveira Assenza Fratucci ...................................................... 150
Amanda Oliveira Manfrim ........................................................................ 151
Ana Carolina da Silva Caretti ................................................................... 152
Ana Carolina da Silva Mota ........................................................................ 86
Ana Carolina Negrão Berlini de Andrade. ................................................ 154
Ana Luiza Silva Camarani ................................................. 57, 123, 150, 220
André Luiz Alselmi ............................................................................. 87, 154
Antônio Donizeti Pires ... 82, 83, 93, 109, 116, 125, 129, 133, 164, 232, 246
Aparecido Donizete Rossi ................................................ 105, 145, 170, 251
Arnaldo Franco Junior ................................................................................ 58
Audrey Castañón de Mattos ................................................................ 88, 156
Beatriz Moreira Anselmo ............................................................................ 89
Bruna Cardoso Brasil de Souza ................................................................ 156
Bruna Fernanda de Simone ................................................................. 90, 158
Brunilda Tempel Reichmann ...................................................................... 58
Brunno V. G. Vieira ......95, 110, 111, 115, 169, 177, 188, 199, 200, 209, 212
Bruno Darcoleto Malavolta....................................................................... 159
Camila Pinto de Sousa ....................................................................... 91, 160
Candice Angélica Borborema de Carvalho ............................................... 161
Carina Zanelato Silva ................................................................................ 163
Carlos Eduardo Marcos Bonfá ............................................................ 93, 164
Carlos Henrique Fonseca ................................................................... 94, 165
Carlos Rocha ............................................................................................. 166
Carolina Piovam........................................................................................ 167
Caroline Talge Arantes .............................................................................. 168
Charles Andrew Perrone ............................................................................. 44
Cíntia Martins Sanches ....................................................................... 95, 169
Cláudia Fernanda de Campos Mauro ................ 178, 198, 203, 207, 223, 234
Claudia Nigro .............................................................................................. 59
Cláudio Aquati ............................................................................................ 60
Cláudio Willer ............................................................................................. 45
Cristal Rodrigues Recchia ........................................................................ 170
Cristiane Rodrigues de Souza ..................................................................... 61
Cristovam Bruno Gomes Cavalcante .................................................. 96, 171
Daniel Rossi ........................................................................................ 97, 172
Daniela Aparecida da Costa ............................................................... 98, 174
Daniela Manami Mippo ............................................................................ 175
Daniella Sigoli Pereira ................................................................................ 99
Danielle de Aurélio Martinez .................................................................... 176
Débora Cristina de Moraes ....................................................................... 177
Déborah Garson Cabral............................................................................. 178
Diana Junkes Bueno Martha-Toneto ..................................................... 52, 62
Dílson César Devides................................................................................ 179
Douglas de Magalhães Ferreira ................................................................ 180
Edison BARIANI ....................................................................................... 73
Edna M. F. S. Nascimento ........................................................................ 121
Efraim Oscar Silva .................................................................................... 181
Elisa Cristina Lopes ................................................................................... 63
Elizabete Sanches Rocha .................................................................. 204, 240
Emerson Calil Rossetti ............................................................................... 63
Emerson Cerdas ........................................................................................ 182
Eric Athenot ................................................................................................ 46
Érico Nogueira ........................................................................................... 64
Evaneide Araújo da Silva ......................................................................... 183
Evelyn Caroline de Mello ......................................................................... 184
Ewerton de Oliveira Mera ................................................................ 101, 186
Fabiana de Almeida................................................................................... 102
Fabiane Renata Borsato ..................................................... 86, 103, 102, 156
Fernando Brandão dos Santos........................................................... 120, 217
Fernando Góes ......................................................................................... 187
Flavia Cristina de Sousa Nascimento ........................................................ 64
Francisco Diniz Teixeira ........................................................................... 188
Gabriel Galdino Fortuna ........................................................................... 189
Gabriele Cristina Borges de Morais .......................................................... 190
Gentil Luiz de Faria (Or.).......................................................................... 179
Gerson Luiz Roani ..................................................................................... 65
Gloria Carneiro do Amaral ......................................................................... 66
Guacira Marcondes Machado Leite .......112, 114, 127, 140, 147, 183, 206,
209, 219, 229, 230, 237
Gustavo de Mello Sá Carvalho Ribeiro ........................................... 104, 191
Hebe Tocci Marin...................................................................................... 105
Hélder Pinheiro ..................................................................................... 46, 52
Isabella Midena Capelli ............................................................................ 192
Isaías Eliseu da Silva ....................................................................... 106, 193
Jacob dos Santos Biziak ................................................................... 107, 195
Jaqueline Vansan ....................................................................................... 196
Jassyara Conrado ...................................................................................... 194
Jéssica Fabrícia da Silva ........................................................................... 109
Jéssica Soares Fradusco ............................................................................ 198
Joana Junqueira Borges..................................................................... 110, 199
João Batista Toledo Prado ................................................. 122, 196, 218, 238
João Francisco Pereira Nunes Junqueira .......................................... 111, 200
Jonatan de Souza Santos ........................................................................... 202
José Lucas Zaffani dos Santos .................................................................. 203
Júlia Mara Moscardini Miguel .................................................................. 204
Juliana Pimenta Attie ................................................................................ 205
Juliana Santini ..................................................... 67, 117, 134, 202, 213, 247
Karin Volobuef ......................................... 135, 142, 163, 190, 234, 243, 248
Kedrini Domingos dos Santos ................................................................. 206
Kelli Mesquita Luciano............................................................................. 207
Larissa Cristina Thomann ......................................................................... 256
Larissa Müller de Faria .................................................................... 112, 209
Leandro Dorval Cardoso ........................................................................... 209
Leila Aguiar ................................................................................................ 68
Letícia Coleone Pires ............................................................................... 113
Lígia Maria Pereira de Pádua Xavier ................................................ 114, 210
Lívia Mendes Pereira ........................................................................ 115, 212
Lúcia Osana Zolin ...................................................................................... 69
Luis Eduardo Veloso Garcia ............................................................. 117, 213
Luiz Carlos André Mangia Silva ................................................................ 69
Luiz Carlos Menezes dos Reis .................................................................. 116
Luiz Gonzaga Marchezan ......................................... 187, 192, 222, 226, 255
Marcela Ulhôa Borges Magalhães .................................................... 118, 214
Márcia Regina Rodrigues ........................................................................ 215
Márcia Valéria Zamboni Gobbi......................... 107, 136, 151, 152, 195, 249
Márcio Roberto do Prado ........................................................................... 70
Marcio Scheel .............................................................................. 99, 73, 130
Márcio Thamos ......................................................... 101, 168, 186, 194, 235
Marco Aurélio Rodrigues.................................................................. 120, 217
Maria Celeste Consolin Dezotti ................................................. 70, 182, 189
Maria Célia de Moraes Leonel ....... 84, 88, 98, 104, 113, 121, 143, 156, 161,
174, 191, 241
Maria Clara Boneti Paro .................................... 97, 133, 126, 172, 227, 245
Maria das Graças Gomes Villa da Silva.................................... 106, 193, 205
Maria de Fátima Sousa e Silva ......................................................... 120, 217
Maria de Lourdes Ortiz Gandini Baldan ........................... 118, 154, 159, 214
María Dolores Aybar Ramírez .................... 80, 137, 141, 167, 170, 250, 252
Maria Lúcia Milléo Martins ........................................................................ 47
Maria Lúcia Outeiro Fernandes ........ 79, 90, 91, 94, 158, 160, 165, 225, 231
Maria Rosa Duarte de Oliveira .................................................................. 72
Mariana Peixoto Pizano ................................................................... 122, 218
Mariângela Alonso .................................................................................... 219
Marília Alves Corrêa ....................................................................... 123, 220,
Marília Gabriela Malavolta ....................................................................... 222
Marina Lourenço Morgado ....................................................................... 223
Matheus Marques Nunes........................................................................... 125
Matheus Nogueira Schwartzmann ............................................................. 71
Matheus Victor Silva ................................................................................ 224
Nádia Rodrigues dos Santos ..................................................................... 225
Natali Fabiana da Costa e Silva ................................................................ 226
Natalia Helena Wiechmann............................................................... 126, 227
Natália Pedroni Carminatti .............................................................. 127, 229
Natasha Vicente da Silveira Costa ............................................................ 230
Oíse de Oliveira Mattos Bazzoli ............................................................... 231
Paola Poma ................................................................................................. 74
Patrícia Aparecida Antonio .............................................................. 129, 232
Patrícia Helena Baialuna de Andrade ....................................................... 234
Paulo Eduardo de Barros Veiga ................................................................ 235
Paulo Ricardo Moura da Silva ......................................................................130
Priscila Berti Domingos .........................................................................131, 236
Priscila Cavali ................................................................................................237
Priscila Maria Mendonça Machado ..............................................................238
Rafael José Masotti ........................................................................................240
Rafaela Vareda Goffredo ...............................................................................241
Rafhael Borgato ............................................................................................242
Raquel de Vasconcellos Cantarelli .................................................................243
Regina Przybycien ...........................................................................................47
Rejane Cristina Rocha .............................................................................74, 181
Renata Soares Junqueira ................................................................148, 176, 215
Renato Alessandro dos Santos .......................................................................245
Renato Luís de Aguiar SILVA........................................................................133
Renato Luís de Castro Aguiar Silva ...............................................................246
Renato Oliveira Rocha ..........................................................................134, 247
Ricardo Gomes da Silva ........................................................................135, 248
Rodrigo Garcia Lopes ......................................................................................48
Rodrigo Valverde Denubila....................................................................136, 249
Roseli Deienno Braff .....................................................................................250
Salgado Maranhão ..........................................................................................48
Sérgio Alcides ..................................................................................................49
Sérgio Massagli ................................................................................................75
Sérgio Mauro..................................................................................................254
Silvana Vieira da Silva ...........................................................................210, 256
Solange Fiuza Cardoso Yokozawa ..................................................................76
Stéfano Stainle ...............................................................................................251
Tais Matheus da Silva ............................................................................137, 252
Waleska Rodrigues de Matos Oliveira Martins ............................................255
Wilma Patrícia Marzari Dinardo Maas ..................................146, 175, 203, 242
Wilton José Marques ......................................................................................166
Imagem de WILLYS DE CASTRO, Pintura 162 (1956)
XV SEMINÁRIO DE PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS
XV SEMINÁRIO DE PESQUISA
PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM ESTUDOS LITERÁRIOS
A proposta do tema central visa a promover uma reflexão acerca dos
caminhos da poesia na cena contemporânea, em que o intercâmbio
cultural acompanha a crescente internacionalização dos saberes. O
trânsito de pessoas, ideias, formas de comportamento, sistemas de
produção e critérios de avaliação crítica atingiu proporções nunca vistas
na História. Que formas de arte estão se desenvolvendo neste contexto de
fronteiras fluidas, de linguagens híbridas e de subjetividades mutantes?
Que marcas deste contexto podem ser percebidas na criação poética?
Imagem de WILLYS DE CASTRO, Pintura 162 (1956)
De 16 a 18 de setembro, o XV Seminário do Programa de Pós-Graduação
em Estudos Literários / II Seminário Internacional de Estudos Literários
privilegia, este ano, a linha de pesquisa Teorias e Crítica da Poesia,
propondo o tema “A Poesia na Era da Internacionalização dos Saberes”. O
evento contará com 10 conferencistas, todos com longa experiência no
trabalho com poesia, seja como poetas, seja como professores e
pesquisadores ou como tradutores, que vão abordar o tema central, além
de 25 especialistas que participarão de mesas-redondas sobre outras
questões, relacionadas às demais linhas de pesquisa do Programa, e que
também vão debater os projetos dos pós-graduandos, objetivando-se a
excelência das dissertações e teses a serem defendidas pelos nossos
alunos. Minicursos, recitais de poemas e lançamentos de livros de poetas
e pesquisadores presentes completam a programação.
POESIA na era da
INTERNACIONALIZAÇÃO
dos saberes
Faculdade de Ciências e Letras
Câmpus de Araraquara
Programação Completa e caderno de resumos
www.fclar.unesp.br
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2º volume - Caderno de resumos XV Seminário - com