METODOLOGIA
Preparado para:
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALUMÍNIO - ABAL
Março de 2010
Sumário
1.
INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................ 3
2.
PESQUISA DE PREÇOS .................................................................................................................................... 3
3.
PRINCIPAIS CONCEITOS ................................................................................................................................. 4
4.
5.
3.1.
Especificação dos Insumos.............................................................................................................. 4
3.2.
Abrangência da Pesquisa ................................................................................................................ 4
3.3.
Método de Coleta ............................................................................................................................. 4
3.4.
Manutenção da especificação produto coletado ........................................................................... 5
3.5.
Unidades Informantes ..................................................................................................................... 5
3.6.
Categorias de Informantes .............................................................................................................. 5
TÉCNICAS DE PESQUISA DOS PREÇOS .............................................................................................................. 6
4.1.
Processos de Amostragem .............................................................................................................. 6
4.2.
Definição do tamanho da amostra .................................................................................................. 7
4.3.
Tipos de Preço.................................................................................................................................. 7
4.4.
Crítica de Preços .............................................................................................................................. 8
4.5.
Preços em Falta ................................................................................................................................ 9
4.6.
Metodologia do Cálculo dos Preços de Referência ........................................................................ 9
PESQUISA DE PREÇOS REFERENCIAIS PARA A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE ALUMÍNIO (ABAL) ............................ 9
5.1.
Insumos .......................................................................................................................................... 10
5.2.
Cotações de Preços ........................................................................................................................ 10
5.3.
Cadastro de Informantes ............................................................................................................... 11
5.4.
Data de Referência e Período de Coleta ....................................................................................... 11
5.5.
Críticas de Preços .......................................................................................................................... 12
5.6.
Cálculo dos Resultados .................................................................................................................. 12
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1. INTRODUÇÃO
Este relatório tem por objetivo apresentar os principais aspectos metodológicos da pesquisa de
preços, que serve como base para a coleta e crítica dos preços médios de Sucata de Alumínio dos
itens contidos na Proposta para Prestação de Serviços Técnicos contratada junto a esta Fundação.
A seguir será apresentada a descrição da metodologia utilizada e mencionadas as questões inerentes
à pesquisa realizada para a Associação Brasileira de Alumínio - ABAL.
2. PESQUISA DE PREÇOS
Uma pesquisa de preços não tem um fim em si mesmo, ela é utilizada sempre como um meio, e,
portanto deve ser planejada para que se atinja algum objetivo. Sempre que se propõe iniciar uma
nova pesquisa, deve-se vinculá-la ao objetivo final que entre os quais, podemos listar:
•
acompanhar periodicamente a evolução dos preços da cesta média de consumo das famílias,
e assim calcular um índice de inflação aos consumidores;
•
acompanhar periodicamente a evolução dos preços dos produtos produzidos no país, e de
forma calcular um índice de inflação aos produtores;
•
acompanhar periodicamente a evolução dos insumos de um projeto contratado, e assim
servir como índice de reajustamento;
•
servir de base para orçamentação de obras ou serviços;
•
acompanhar o preço médio de uma cesta de produtos para servir como referência a
departamentos e órgãos de controle de custos.
Logo, a meta de uma pesquisa de preço está vinculada aos objetivos do projeto da qual fará parte.
Dessa forma, se o objetivo do projeto for acompanhar a inflação dos consumidores mensalmente, a
pesquisa de preço deve ter uma periodicidade mensal, os produtos pesquisados devem ser os mais
representativos no orçamento das famílias, o local onde os preços serão pesquisados deve refletir o
local de compra das famílias, os preços coletados deverão ser realmente os preços transacionados.
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Enfim, as características que se devem controlar em cada pesquisa de preço são comuns - tipos de
preço, informantes, especificação dos produtos, etc -, porém as especificidades destas variáveis são
definidas em função dos objetivos da pesquisa.
3. PRINCIPAIS CONCEITOS
Para qualquer pesquisa de preços, deseja-se que os resultados reflitam apenas os movimentos dos
preços transacionados. Além disso, espera-se que a amostra da pesquisa seja estatisticamente
robusta para que inferências sejam feitas. Para que os objetivos da pesquisa de preço sejam
cumpridos os seguintes conceitos devem ser observados:
3.1. Especificação dos Insumos
Para o banco de preços da FGV, a descrição de um insumo contém todas as características para sua
identificação. Para cada item, são definidas as suas principais características (unidade de medida,
forma de apresentação, embalagem, etc.). Esse procedimento é fundamental para que o cálculo do
preço de referência seja realizado com base em insumos conforme as especificações previstas.
3.2. Abrangência da Pesquisa
A pesquisa de preços é realizada em uma área geográfica previamente delimitada, como, por
exemplo, a região metropolitana de uma cidade, uma determinada unidade da federação, uma região,
ou até mesmo ter abrangência nacional.
3.3. Método de Coleta
Os preços são coletados diretamente no questionário de coleta, através de visita presencial, ou por
contatos telefônicos com os informantes. As informações obtidas por telefone serão transcritas para
o questionário de coleta para posterior inclusão no banco de preços. Os informantes contatados por
telefone são solicitados a confirmar o preço via e-mail ou fax.
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O questionário de coleta contém os seguintes campos: identificação do estabelecimento informante;
especificação do insumo; unidade de medida; data do preço; data da coleta; nome do informante;
nome do coletor; preço de venda, incidências de impostos e as condições de comercialização.
3.4. Manutenção da especificação produto coletado
É necessário que o produto pesquisado mensalmente seja o mesmo todos os meses. Isso é
fundamental para garantir que o resultado da pesquisa apresente apenas os movimentos de preço e
não esteja relacionado a uma mudança na qualidade do produto. Este tipo de preocupação é mais
crítico em itens que sofrem mais constantemente alterações tecnológicas ou de acessórios.
3.5. Unidades Informantes
Pessoas jurídicas que periodicamente informam preços de venda de produtos, de fornecimento de
serviços ou salários pagos. São distribuídos por área de coleta e classificados por ramos de atividade
e tipo de estabelecimento.
3.6. Categorias de Informantes
A primeira fase de um levantamento de preços constitui-se de uma pesquisa de mercado para
identificação das empresas que formarão a população de possíveis informantes de preços. São
investigadas, entre outras, as seguintes fontes:
•
•
Preços de Atacado ou Corporativo:
o
fabricantes;
o
distribuidores;
o
escritórios de representação.
Preços de Varejo:
o
lojas de venda ao consumidor;
5
o
supermercados;
o
feiras livres.
Para definição da amostra, são aplicadas técnicas estatísticas de amostragem a fim de determinar a
quantidade de estabelecimentos a serem pesquisados, fixando o grau de confiança e o erro máximo
admissível.
4. TÉCNICAS DE PESQUISA DOS PREÇOS
Nessa sessão, apresentaremos as mais relevantes técnicas de pesquisa que possibilitam que os
objetivos da pesquisa descritos anteriormente sejam satisfeitos.
4.1. Processos de Amostragem
A meta principal do processo de amostragem é alcançar uma amostra representativa que apresente a
estatística mais provável de refletir a verdadeira estatística da população. Em geral, o processo
utilizado é o de amostragem em duas fases que usa seleção de probabilidade proporcional ao
tamanho (PPS). O primeiro estágio envolve a seleção de uma unidade de amostra, um
estabelecimento ou agrupamento de estabelecimentos de uma companhia. O segundo estágio
envolve a seleção da linha de produto efetivamente produzida pela unidade de amostra.
Amostragem de PPS é uma técnica de seleção de probabilidade que requer alguma medida de
tamanho, preferivelmente receita, e um gerador de número aleatório. Uma linha de produto é
selecionada para inclusão na pesquisa e um produto específico é selecionado para representar a
linha de produtos.
Uma das maiores preocupações da amostragem consiste em obter as informações sobre o universo
que provê a melhor cobertura da população designada de estabelecimentos informantes, capturando
nascimentos e mortes de um modo oportuno. Adicionalmente, para realizar um bom processo de
amostragem, as informações devem ser precisas e abrangentes. Isto inclui as definições, sempre que
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possível, das seguintes variáveis: código de indústria que identifica a CNAE da empresa, pessoal
ocupado na empresa, nome e endereço de companhia e os códigos que permitam identificar todos os
estabelecimentos de uma grande empresa em uma única indústria.
Finalmente, uma boa fonte de receita de cada linha de produtos principais é importante para poder
realizar a segunda fase da amostragem.
4.2. Definição do tamanho da amostra
Para definir probabilisticamente o tamanho da amostra ideal para a realização da pesquisa de
preços1, utiliza-se a seguinte equação para se encontrar a média da população:
Onde:
n = Tamanho da amostra
Z = Valor crítico do grau de confiança desejado.
= Desvio-padrão populacional da variável
E = Erro máximo da estimativa, ou seja, a diferença máxima entre a média amostral e a verdadeira
média populacional.
4.3. Tipos de Preço
Existem diversos tipos de preços encontrados no mercado, e a pesquisa deve ser conduzida de forma
a extrair os tipos para os quais ela pretende abranger.
1
Para população infinita. Para população finita a equação é 7
Os seguintes tipos de preços são observados no mercado. É relevante destacar que nem todos são
passíveis de observação em uma pesquisa típica de preços:
•
Preço de mercado à vista – É uma transação imediata que acontece entre o comprador e
vendedor. O preço reflete condições de mercado atuais e é executado imediatamente dada a
disponibilidade do artigo em estoque.
•
Preço de contrato – É um acordo a longo prazo que envolve entrega a posteriori ou diversas
entregas do bem ou serviço. A quantidade, preço e condições de entrega são determinados na
ocasião da contratação. O preço pode ser reajustado ao longo da vida do contrato para responder
a elevações de custos.
•
Preço de tabela – Este é um preço publicado em anúncios, e tem como finalidade atender a todos
os potenciais clientes do bem ou serviço. É um preço bruto que não reflete possíveis descontos
que possam ser aplicados.
•
Preço de tabela com ajustes – É o preço de venda líquido após a aplicação de descontos para a
transação final, como um desconto de quantidade a partir do preço de tabela anunciado.
•
Preço negociado – É o preço final atingido após negociações privadas entre o comprador e
vendedor. O preço final geralmente reflete o poder de barganha do comprador e difere dos
descontos padrões disponíveis para todos os compradores.
4.4. Crítica de Preços
Durante o processo de critica, são analisados os preços coletados no mês de referência,
confrontando-os com os preços anteriormente coletados e com os preços fornecidos por outros
informantes. Esta análise é chamada vertical. Há ainda a crítica horizontal onde é analisado o
comportamento do preço ao longo do tempo em comparação com o comportamento dos outros
preços do mesmo item no mesmo período.
8
Variações acima de parâmetros estabelecidos implicam em retomada do contato para confirmação
do preço e da justificativa para as variações observadas.
4.5. Preços em Falta
Na indisponibilidade do preço de determinado item, são seguidos os seguintes procedimentos:
-
Substituição do insumo no mesmo informante, alterando-se detalhes da especificação (marca,
unidade de medida, etc.), quando aplicável;
-
Substituição do informante por outro incluído no cadastro de informantes, segundo a ordem de
importância relativa;
-
Exclusão do informante da amostra.
4.6. Metodologia do Cálculo dos Preços de Referência
Após as críticas dos preços coletados, são apurados os preços de referência utilizando-se a média
aritmética de todos os preços pesquisados, excluídos os fora de mercado por diversas razões, e,
sempre que estatisticamente possível, o respectivo intervalo de confiança calculado com um grau de
95%.
5. PESQUISA DE PREÇOS REFERENCIAIS PARA A ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE ALUMÍNIO (ABAL)
A Associação Brasileira de Alumínio (ABAL) contratou a Fundação Getulio Vargas (FGV) para
prestação de serviços técnicos relativos à pesquisa e cálculo de preços médios de sucata de alumínio.
A seguir serão apresentadas as definições aplicadas no cálculo destes resultados.
9
5.1. Insumos
Para o cálculo do preço médio de sucata de alumínio foram sugeridos pela ABAL, 07 (sete) itens, para
o monitoramento sistemático de seus preços, conforme tabela a seguir:
Item
Descrição
Unidade
Bloco
Blocos de alumínio isentos de contaminantes (ferro e outros), com no máximo 2% de óleos
e/ou lubrificantes.
Kg
Panela
Panelas e demais utensílios domésticos ("alumínio mole"), isentos de cabos - madeira, etc.
e de ferro - parafusos, rebites, etc.
Kg
Chaparia
Retalhos de chapas e folhas, pintadas ou não, chapas usadas de ônibus e baús com no
máximo 3% de impurezas; tubos aerosol (sem cabeça); antenas de TV; cadeiras de praia
limpas e isentas de plástico, rebites e parafusos.
Kg
Latas Prensadas
Latas usadas decoradas, prensadas com densidade entre 400 e 530 kg/m³, em fardos,
paletizados ou amarrados em lotes de 1500 kg, em média, com espaço para movimentação
por empilhadeira, com no máximo 2,5% de impurezas, contaminantes e umidade.
Kg
Latas Soltas ou
Enfardadas
Latas usadas decoradas, soltas ou enfardadas em prensa de baixa densidade até 100
kg/m³, com no máximo 2,5% de impurezas, contaminantes e umidade.
Kg
Perfil Branco
Retalhos de perfis sem pintura ou anodizados, soltos ou prensados, isentos de
contaminantes (ferro, óleo, graxa e rebites).
Kg
Perfil Misto
Retalhos de perfis pintados, soltos ou prensados, com no máximo 2¢ de contaminantes
(ferro, óleo, graxa e rebites).
Kg
5.2. Cotações de Preços
5.2.1. Tipo de preço:
Os preços coletados para a ABAL referem-se a “preços pagos pela indústria”. Estes preços serão
coletados junto aos compradores de sucata, conhecidos por Recicladores de Sucata.
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5.2.2. Região do preço:
O preço de compra refere-se a toda negociação com origem na região Sudeste, que é representada
pelos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais, praças consumidoras de grande
quantidade de sucata de alumínio.
5.3. Cadastro de Informantes
A definição do cadastro de informantes foi realizada pela ABAL, que forneceu à FGV a lista dos
recicladores de sucata de alumínio. Estes estão localizados nos Estados do Rio de Janeiro, São
Paulo e Minas gerais.
5.4. Data de Referência e Período de Coleta
A coleta de preços terá periodicidade semanal e o período de referência será dividido em 04
quadrissemanas da seguinte forma:
•
Semana 01: do dia 1º ao dia 7 do mês;
•
Semana 02: do dia 8 ao dia 15 do mês;
•
Semana 03: do dia 16 ao dia 22 do mês e;
•
Semana 04: do dia 23 ao dia 31 2 do mês;
Os preços são coletados por pesquisadores da FGV, através de contatos telefônicos, previamente
agendados, com os informantes. Caso a informação não seja disponibilizada no momento do
contato, ela não fará parte do cálculo dos resultados da semana de referencia, e o informante
voltará a ser contatado na semana imediatamente posterior.
Os resultados com periodicidade semanal serão apresentados a partir da primeira semana
de Abril de 2010, ou seja, com referência do dia 1º ao dia 7 de abril.
2 Para meses com 31 dias, ou seja, até o final do referido mês. Para meses com 30, 29 ou 28 dias, a última
quadrissemana apresenta 1, 2 ou 3 dias a menos, respectivamente.
11
5.5. Críticas de Preços
Durante o processo de crítica, são analisados os preços coletados na semana de referência,
confrontando-os com os preços anteriormente coletados e com os preços fornecidos por outros
informantes.
Variações acima de parâmetros estabelecidos implicam em retomada do contato para
confirmação do preço e da justificativa para as variações observadas.
Adicionalmente, a crítica identifica os valores extremos, através de análises estatísticas dos dados.
Aqueles valores considerados como valores extremos são analisados por outros critérios
(importância relativa do informante, tamanho da amostra, veracidade do preço, etc.) sendo ou
não utilizados no cálculo do preço médio.
5.6. Cálculo dos Resultados
O relatório de resultados deste trabalho deverá conter os seguintes campos:
•
Descrição do item;
•
Preço médio semanal: definido como a média dos preços coletados dos diversos
informantes dentro do mesmo período, ou seja, na mesma semana.
ç é !"##$ %& Onde:
%& = Preço médio semanal
n = Número de cotações coletadas;
Pi = Preço do informante ‘i’ na semana de referência;
12
∑)(* (
•
Desvio-padrão do preço:
+,- .#ã 0 1
∑( 2 %& 21
Onde:
n = Número de cotações coletadas;
Pi = Preço do informante ‘i’ na semana de referência;
%& = Preço médio na semana de referência;
•
Limite inferior do preço: definido como o menor preço pesquisado na semana de
referência;
•
Limite superior do preço: definido como o maior preço pesquisado na semana de
referência;
•
Variação percentual semanal: toma como referência a variação da semana atual, com a
semana imediatamente anterior.
4# #çã % !"##$ %&
21
%
&
Onde:
%& = Preço médio na semana de referência;
%& = Preço médio na semana anterior à referência.
•
Variação percentual mensal: é calculada a variação chamada “Ponta”, onde os preços da
semana de referência são comparados com os preços da mesma quadrissemana do mês
anterior.
4# #çã % ,#$ 13
%&
2 1
%&6
Onde:
%& Preço médio na semana de referência;
%&6 Preço médio da mesma semana do mês anterior.
•
Variação percentual acumulada nos últimos 12 meses: este é o resultado da comparação
da quadrissemana de referência com a mesma quadrissemana, do mesmo mês, no ano
anterior.
4# #çã % 789". " 12 ",, %&
%&6<
2 1
Onde:
%& Preço médio na semana de referência;
%&6< Preço médio da mesma semana do mesmo mês no ano anterior.
Itens que possuem menos de 03 (três) cotações, no período de referência não serão divulgados a
fim de preservar o sigilo estatístico.
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