ISBN 978-85-8015-053-7 Cadernos PDE VOLUME I I Versão Online 2009 O PROFESSOR PDE E OS DESAFIOS DA ESCOLA PÚBLICA PARANAENSE Produção Didático-Pedagógica PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL-PDE BERNADETE BRUSQUE LEVANDOSKI SEQUÊNCIA DIDÁTICA: GÊNERO CONTOS DE FADAS E CONTOS INDIANOS CASCAVEL – AGOSTO/2010 BERNADETE BRUSQUE LEVANDOSKI SEQUÊNCIA DIDÁTICA: GÊNERO CONTOS DE FADAS E CONTOS INDIANOS Produção Didático-Pedagógica constituída na forma de Seqüência Didática, apresentada como um dos requisitos do PDE – Programa de Desenvolvimento Educacional 2009/2010/2011, ofertado pela Secretaria de Estado da Educação do Paraná, em parceria com a Tecnologia e Desenvolvimento. Orientadora: Professora Elizabete Arcalá Sibin (UNIOESTE – Cascavel/PR) CASCAVEL – AGOSTO/2010 SUMÁRIO DADOS DE IDENTIFICAÇÃO..................................................................................4 1 APRESENTAÇÃO DA SITUAÇÃO E SELEÇÃO DO GÊNERO TEXTUAL..........5 2 RECONHECIMENTO DO GÊNERO.....................................................................5 3 DESENVOLVIMENTO DA PROPOSTA.............................................................10 ATIVIDADES PARA OS ALUNOS.........................................................................13 REFERÊNCIAS......................................................................................................23 ANEXOS................................................................................................................25 4 PRODUÇÃO DIDÁTICO-PEDAGÓGICA: SEQUÊNCIA DIDÁTICA 1.DADOS DE IDENTIFICAÇÃO Professor PDE: Bernadete Brusque Levandoski Área PDE: Língua Portuguesa NRE: Dois Vizinhos Professor Orientador IES: Elizabete Arcalá Sibin IES vinculada: UNIOESTE Escola de Implementação: Colégio Estadual Dr. Arnaldo Busato - EFM - Cruzeiro do Iguaçu - PR Público objeto da intervenção: Alunos do 2º ano do Ensino Médio 2. TEMA DE ESTUDO: Os Gêneros do discurso e o Ensino da Língua Portuguesa 3. TÍTULO: Contos de Fadas & Contos Indianos: Impulso para Desencadear a Fantasia e a Criatividade 5 SEQUÊNCIA DIDÁTICA Uma “Sequência Didática” é um conjunto de atividades escolares organizadas, de maneira sistemática, em torno de um gênero textual (oral ou escrito) e tem a finalidade de ajudar o aluno a dominar melhor um gênero de texto, permitindo-lhe, assim, escrever ou falar de uma maneira mais adequada numa dada situação de comunicação. O trabalho será realizado sobre gêneros que o aluno não domina ou o faz de maneira insuficiente; sobre aqueles dificilmente acessíveis, espontaneamente, para a maioria dos alunos; e sobre gêneros públicos e não privados (DOLZ, NOVERRAZ, SCHNEUWLY, 2004, p. 97) 1. APRESENTAÇÃO DA SITUAÇÃO E SELEÇÃO DO GÊNERO TEXTUAL A seguinte proposta contemplará os alunos do Ensino Médio. A leitura de contos de fadas, neste nível de ensino, é pouco utilizada, por isso os alunos não estão acostumados com esse gênero. Comenta-se que contos de fadas são leituras para crianças. Pretendemos mostrar que os contos de fadas como tipologias textuais estão presentes na vida das crianças e também na vida adulta. Nossa proposta então é, além de incentivar a leitura, propor que os alunos sejam autores de contos de fadas, baseados nas leituras feitas pelas comparações dos contos de fadas com os contos indianos. Essas (re) produções de contos de fadas poderão ser em forma de paródia, paráfrase, desconstrução de contos lidos, modificando o ambiente, acrescentando personagens ou misturando as histórias, ou ainda, a produção de um texto inédito. As mesmas serão reunidas, encadernadas e colocadas na biblioteca da escola, para que toda a comunidade escolar conheça nosso trabalho. 2. RECONHECIMENTO DO GÊNERO Para a realização do estudo dos contos de fadas e dos contos indianos, apresentamos algumas informações que irão ajudar nessa atividade. 6 2.1 Contos de Fadas Quem já não ouviu falar ou contou um conto de fadas? Quem já não ouviu pelo menos um comentário sobre esse gênero do discurso? Os contos de fadas são bem antigos, apareceram no cenário das civilizações bem antes da Literatura Infantil. Eram frutos de folclore que circulavam oralmente, principalmente entre os povos mais pobres. Através dos contos de fadas, transmitiam-se valores da burguesia aos pequenos leitores, que consistia em mostrar os valores familiares e os comportamentos sociais. O que encanta as crianças, nos contos de fadas, é a magia que aparece neles, pois todos os problemas que surgem são resolvidos pela fantasia. Isso promove um encantamento na mente infantil, que vê sempre uma saída otimista para resolver os problemas existenciais. Os contos de fadas partem sempre de um problema ligado à realidade, que ajudará a criança, ou até o adulto, a sair em busca de uma solução para resolver tais conflitos, sempre com a ajuda da fantasia, isto é, com as fadas, bruxas, anões, duendes, gigantes, ogros, etc. Somente com o desfecho da narrativa é que a ordem se restaura e tudo se resolve. Através desses contos a criança entende que pode superar os problemas da vida. No entanto, com esse gênero literário, podemos mostrar às crianças que a fantasia faz parte da vida, mas que não se pode viver sempre idealizando tudo, pois é chegado o momento em que devemos enfrentar a realidade. Os contos de fadas sempre tiveram aceitação quase universal e permaneceram incrivelmente estáveis ao longo dos tempos. Eles têm função educativa e perpetuam há milênios. Continuarão mostrando o folclore dos povos por muitas gerações futuras. Isso se nota porque mesmo os que não conhecem as histórias na íntegra, versam e argumentam sobre seus temas principais e são capazes de recontar e inventar outras versões e outros finais para as mesmas histórias. Estabelecem ainda, diálogos que ponderam os efeitos da história e oferecem orientações para o pensamento sobre assuntos similares do mundo real, nos quais se pode reescrever outros contos, outros acontecimentos, anunciando outros tempos e espaços. Esse tipo de leitura 7 pode assumir muitas feições diferentes: séria, brincalhona, meditativa, didática, empática ou intelectual. Os contos de fadas são tão ricos que têm sido fonte de estudo para psicanalistas, sociólogos, antropólogos, psicólogos, cada qual dando sua interpretação e se aprofundando no eixo de seu interesse. Na visão de Bruno Bettelheim (1980), estudioso do assunto: Explicar para uma criança porque um conto de fadas é tão cativante para ela, destrói, acima de tudo, o encantamento da história, que depende, em grau considerável, de a criança não saber absolutamente por que está maravilhada. E ao lado do confisco desse poder de encantar vai também uma perda do potencial da história em ajudar a criança a lutar por si só e dominar exclusivamente por si só o problema que fez a história estimulante para ela. As interpretações adultas, por mais corretas que sejam, rouba da criança a oportunidade de sentir que ela, por sua própria conta, através de repetidas audições e de ruminar acerca da história, enfrentou com êxito uma situação difícil. Nós crescemos, encontramos sentido na vida e segurança em nós mesmos, por termos entendido ou resolvido problemas pessoais por nossa conta e não por eles nos terem sido explicados por outros (BETTELHEIM, 1980, p. 27). O conto de fadas é tão importante que pode ser usado para envolver o corpo e a mente, ao ouvir a história a criança é capaz de despertar o gosto pelo mistério, pelo criar, reproduzir, imaginar. Ele é mais convincente que uma narrativa realista, pois permite evadir-se do real, para através do imaginário encontrar a solução em determinados obstáculos e medos que por ventura possam apresentar-se. Por tudo isso, é de suma importância que os pais e professores contem contos de fadas para as crianças, pois com essa ação estarão aumentando o nível de afetividade entre eles, bem como a possibilidade de levar a criança a um passeio além da sua realidade. 2.2 Contos de Fadas para Crianças Ao falarmos em contos de fadas, imediatamente nos vem à mente: história para crianças. No entanto, sabemos que os contos de fadas antigos não foram dirigidos às crianças e sim, aos adultos. Eles continham histórias 8 cheias de acontecimentos brutais e rudes, com finais macabros e horrendos, totalmente direcionados ao público adulto. Os contos de fadas são eternos. Passados de uma geração a outra, são verdadeiros transmissores de valores éticos, culturais e morais. No entanto, os contos de fadas para crianças só surgiram na França do século XVll, na corte de Luís XlV, pelas mãos de Charles Perrault. Os Irmãos Grimms também publicaram em 1825, uma edição no qual retiraram toda aquela parte imprópria, cruel e brutal, dando um tom ameno e possível de encantar as crianças e o consentimento dos pais, que liam essas histórias para seus filhos dormir todas as noites. Nesse sentido, a Disney também amenizou essas histórias, fazendo adaptações filmadas com o objetivo de distrair aquele público que parecia incapaz de lidar com derrotas e fracassos e ansiava por finais felizes. Os contos de fadas só se transformaram em literatura infantil no Século XlX por meio de atividades de vendedores ambulantes que viajavam de um povoado para outro vendendo artigos domésticos, particulares e pequenos volumes baratos chamados de chapbooks que eram vendidos por poucos centavos e continham histórias simplificadas do folclore e contos de fadas retirados das passagens mais fortes , o qual facilitava acesso a um público mais amplo e menos sofisticado. (Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Contos_de_fadas). 2.3 Contos Indianos Stéphane Mallarmé apresenta uma obra completa e rica, difícil e fecunda, com muitas ambigüidades, exigindo muita reflexão do leitor. Sua obra foi considerada um marco decisivo na evolução do pensamento literário ocidental. Foi considerado um mestre com as palavras. Suas obras foram consideradas difíceis de entender porque nelas tudo era meticulosamente elaborado, dando um tom elegante, fazendo o leitor prestar muita atenção, voltar a reler várias vezes o texto para poder compreendê-lo. Essas habilidades proporcionaram a Mallarmé a produção dos Contos Indianos. 9 Segundo Bruchard (2006), os Contos Indianos foram considerados “obra menor” porque não são de autoria de Mallarmé.Foram apenas reescritos por ele. A publicação desses contos ocorreu em 1927 e Mallarmé havia falecido em 1898. Essa obra nos apresenta um Mallarmé escritor e leitor ao mesmo tempo. Os Contos Indianos apresentam uma história peculiar, pois não são definidos como tradução, nem como contos originais e muito menos como adaptações. Mary Summer publica em 1878 a primeira adaptação dos Contos Indianos, uma coletânea contendo sete contos oriundos de textos antigos e tradicionais da Índia. No entanto, essa versão dos Contos Indianos não teve aceitação entre os leitores da época, incluindo Mallarmé. Mallarmé, a pedido de sua amiga Méry Laurent, reconstrói a estrutura desses contos. Seleciona, de bom grado, quatro histórias: “O Retrato Encantado”, “A Falsa Velha”, “O Morto Vivo”, e “Nala e Damayanti” e as modifica de forma fantástica. Ele fez arranjos formidáveis remanejando frases em outra narrativa, fazendo uma interpretação diferente do próprio aspecto narrativo dos contos. Na verdade fez uma aproximação do estilo original das histórias. Ele escreveu também esses contos em francês, iniciando a narrativa não do começo, mas de um ponto já dentro da história. Foi uma reconstrução estilística formidável. Assim nos explica Dorothée de Bruchard: O que Malarmé fez, portanto, foi tornar o texto que era apenas um registro de uma história, nesse complexo estilístico repleto de vida, transformando imobilismo em movimento, ortodoxia narrativa e sintática em estruturas imaginativas, que não deixam por isso de ser funcionais, e injetam interesse no modo como forma construídas, e não apenas no que estão dizendo, pois o efeito geral é aproximar a narrativa do leitor, com tempos verbais que oscilam do domínio da pura fantasia e com um desenho que nos impede o desinteresse pelo que está sendo contado, evitando que venhamos a pensar, com um meio-sorriso malicioso no rosto, “sei para onde isto está indo”. Com Mallarmé, nunca se sabe (BRUCHARD, 2006, p.24). Esse estilo de Mallarmé escrever está ligado ao Simbolismo, movimento literário que fez uso constante de alegorias, imagens sensoriais e metafísicas, de musicalidade, figuras de linguagem, da busca do misterioso, do oculto, do vago, do caótico, do indefinível e o inexplicável, entre outros. 10 Na verdade Mallarmé apresentava a estrutura de seu pensamento poético de forma extraordinária, com frases elegantes, com escolha de palavras extremamente especificas. Ele não usava palavras triviais, por isso é que muitas vezes era considerado esquisito, pois era incomum a todos os outros poetas da época. Ele tinha um dom especial com a palavra que fazia com que fosse diferenciada, a linguagem de um texto literário de outros textos escritos, pois para ele a literatura era um mistério. O que Mallarmé mais valorizava em sua obra era a idéia que estava oculta por detrás da aparência, isto é, valorizava o metafísico, o transcendental. Ele negava a reprodução do real. Seu pensamento tinha uma dimensão espiritual, abstrata e simbólica. Não foi por acaso que foi considerado o mestre do Simbolismo 3 DESENVOLVIMENTO DA PROPOSTA PROFESSOR (A): Inicie seu trabalho expondo aos seus alunos, como será desenvolvido o projeto com os contos de fadas e os contos indianos. Após os esclarecimentos, propomos primeiramente uma conversa com os alunos sobre os contos de fadas. Os alunos falarão sobre esse gênero, identificando a diferença entre as histórias dos contos de fadas e as outras histórias. Essa conversa servirá para identificar o que os alunos já sabem sobre esse gênero apresentado. Os alunos poderão relembrar e falar dos contos de fadas que conhecem ou que já ouviram falar. Inicialmente o professor questionará a classe sobre a história que será lida. Perguntar sobre o que sabem dela, o que esperam encontrar nessa versão. Podem-se acrescentar outros questionamentos que forem necessários no desenrolar do debate. Após o debate, o professor vai apresentar para os alunos as características peculiares dos contos de fadas, a função social que exercem na sociedade, o 11 contexto de produção, o surgimento desse gênero, a sua finalidade e os contistas clássicos. 3.1 Cinderela: Primeira Versão Após a conversação será apresentado o conto: Cinderela ou O Sapatinho de Vidro de Charles Perrault. Esse momento de leitura, portanto, deve ser agradável e cativante. Para isso, professor (a) sugerimos que cada aluno tenha em mãos os textos que irão ler. Deve ser estimulada primeiramente, a leitura silenciosa. O professor também deve ler, em silêncio, livro do gênero contos de fadas. Feita a leitura dessa versão, promover um debate sobre o mesmo. Assim que os alunos explorarem o que sabem sobre o conto, o professor coordena a discussão, atentando para dados importantes desse gênero. É importante identificar os personagens, o cenário, a ação, o diálogo que ocorre entre os personagens, porque posteriormente irão compará-los com as outras versões de Cinderela/Gata Borralheira. É importante que o professor grife sobre algumas descrições sobre a linguagem literária, bem como os efeitos literários que ela produz no leitor. 3.2 Cinderela: Segunda Versão. Agora, num segundo momento, apresentar Borralheira, dos Irmãos Grimm para uma análise comparativa entre as duas versões. Após a leitura dessa segunda versão, debater sobre os prováveis motivos das diferenças num mesmo conto. Comparar a descrição das personagens, os diálogos, o final da história. 3.3 Cinderela: Terceira Versão Após a leitura da segunda versão, o professor apresentará a terceira versão de Cinderela, adaptado do conto dos Irmãos Grimm. O trabalho de comparação será idêntico aos anteriores. Objetivamos mostrar que ao lermos 12 versões diferentes de um mesmo texto, podemos da mesma forma, reescrever outros textos, seguindo a mesma metodologia, usando a imaginação e a criatividade. PROFESSOR (A): explicar aos alunos que devem ter cuidado com as adaptações dos contos de fadas, pois nem sempre eles apresentam as características próprias dos contos, empobrecendo dessa forma a totalidade da narrativa, fazendo com que o leitor não entenda o texto na sua íntegra. 3. 4 O Conto de Fadas na Versão Cinematográfica Para ampliarmos nosso trabalho, apresentaremos o DVD, A Cinderela, para que os alunos possam identificar a diferença dos contos de fadas escritos e os filmes. Verificaremos os elementos estruturais e os símbolos presentes, tanto no texto quanto no vídeo. Os alunos farão a atividade de interpretação, levando em conta os mesmos itens abordados nas atividades anteriores. 3.5 Os Contos Indianos PROFESSOR(A): Terminado o trabalho com o conto A Cinderela é o momento de apresentar aos alunos os Contos Indianos. Primeiramente o professor vai apresentar o autor Stéphane Mallarmé. Como Mallarmé era um poeta simbolista, o professor vai aproveitar a oportunidade para trabalhar o Simbolismo, explicar características desse período literário, seus principais autores e obras. Os alunos farão análise de alguns poemas de Mallarmé e em seguida o professor pode apresentar os Contos Indianos para que se faça a comparação entre os contos de fadas e os contos indianos. Os alunos verificarão as semelhanças e as diferenças entre esses textos. 13 ATIVIDADES PARA OS ALUNOS ALGUMAS INFORMAÇÕES Quem já não ouviu falar em Cinderela? Pois é, esse é um dos contos de fadas mais populares da humanidade, que conquistou a imaginação de crianças e adultos. Essa narrativa serviu de modelo a tantas outras que sempre são comparadas a ela. Cinderela apresenta muito mais que uma trama romântica, vai além mostrando diferentes épocas, civilizações diferentes, revelando os anseios psicológicos. Devido a esses elementos, o cinema e a literatura, espelharam-se nessa obra para produzirem inúmeras outras obras que agradam o gosto popular. Disney produziu um filme de longa metragem, inspirado nesse conto de fadas. O filme “Uma Linda Mulher”, com Julia Robert, sucesso de bilheteria nos anos 90, e “Para Sempre Cinderela”, com Drew Barymore também tiveram inspiração nos contos de fadas. Fonte :pt.wikipedia.org/wiki/cinderela 14 1 - Baseando-se nos contos que você leu, e naquilo que foi discutido em sala de aula, responda: A – Como o autor descreve A Gata Borralheira? A descrição é diferente da Versão de Perrault? B - Descreva as principais diferenças detectadas nas duas versões de Cinderela. Cinderela ou Sapatinho de Cristal A Gata Borralheira (Irmãos Grimm) (Charles Perrault) 2 – Localize nos contos alguns trechos que possam transmitir: A – Ações praticadas pela causa social: B – Comportamento pessoal articulado por causa própria: C - Ensinamentos de valores morais: 3 – O que faz com que um texto seja um conto de fada? Apresente as principais características dos contos de fadas: 4 - Agora apresente também a diferença entre os contos originais e a adaptação moderna dos Irmãos Grimm que você leu. 15 PROFESSOR (A): Após os alunos assistirem ao longa metragem, em desenho animado da Disney, de Cinderela, levá-los a identificar as principais diferenças detectadas nas duas versões do mesmo conto: a escrita e a filmada. Espera-se que os alunos percebam que Walt Disney fez apenas adaptações, apresentando um mundo de fantasia artificial, sem os conflitos essenciais. O título é o mesmo, mas não se mantém a história na sua íntegra. É interessante esclarecer aos alunos que a intenção de Disney é distrair os espectadores, tentando tirá-los de seus problemas diários e sugerir alguns momentos ilusórios de felicidade e salvação. 5 - Identifique as principais diferenças entre o filme e a versão escrita de Cinderela: A gata Borralheira Irmãos Grimm Século: Presença do pai Presença da mãe Realização do sonho Companhia de Cinderela Companhia de madrasta e filhas Bailesquantidade Descrição do guarda roupa Referência a horas Cinderela Disney 16 6 - ARGUMENTAÇÃO/CONFRONTO A) Disney apresenta a beleza inocente sendo vítima da maldade criminosa. Qual é a sua opinião a respeito desse assunto? B) O que você pensa sobre o comportamento de Cinderela: paciente, obediente, trabalhadora, sossegada. Você conseguiria agir da mesma forma que Cinderela? Por quê? C) No conto dos Irmãos Grimm percebe-se a presença de injustiça social, de problemas familiares. Atualmente, onde podemos detectar problemas semelhantes? Comente. D) No mundo atual, a magia exercida pelos contos de fadas de Perrault e os Irmãos Grimm, ainda podem estar presentes na vida das pessoas? Justifique sua resposta. E) Você conhece algum programa de televisão que poderíamos relacionar com as histórias de contos de fadas? 7. Para complementar o trabalho com esse gênero, sugerimos a leitura dos seguintes contos que ampliarão seus horizontes e te darão subsídios para que detecte melhor os elementos estruturais dos contos de fadas. A Bela e a Fera Branca de Neve O Patinho Feio A Bela Adormecida Ler ainda os Contos Indianos: O Retrato Encantado A Falsa Velha O Morto Vivo 17 8 - Agora classifiquem um conto que vocês leram e encontrem os seguintes elementos que estão presentes nele: A - Heroína: B - Herói: C - Antagonista; D - Elementos mágicos: E - Seres sobrenaturais: F - Onde e quando se passa o conto: G- Conflito: H - Solução do conflito: I - Recompensa recebida no final do conto: Em seguida, apresentem para a classe os aspectos observados nele. Lembremse, o objetivo desse trabalho vai além da leitura do conto, visa detectar as características peculiares desse gênero. 9 - PESQUISA Agora que você conhece um pouco mais sobre contos de fadas, pesquise a origem dos contos de fadas e sobre os três principais autores: Charles Perrault, Irmãos Grimm E Hans C. Andersen. A pesquisa pode ser em grupos. Com os dados da pesquisa, elaborem um texto, que posteriormente será apresentado para a classe. 18 PROFESSOR (A): Propiciar que os alunos pesquisem (em livros ou na internet) sobre os contos indianos, ou fornecer o texto sobre os contos indianos que estão na fundamentação teórica. Aproveitar também para trabalhar o período do Simbolismo e seus principais autores para poder relacioná-los com Mallarmé, poeta simbolista francês. 10. LEIA O POEMA DE STÉPHANE MALLARMÉ. Brinde (Stéphane Mallarmé) Nada, esta espuma, virgem verso A não designar mais que a copa; Ao longe se afoga uma tropa De sereias vária ao inverso. Navegamos, ó meus fraternos Amigos, eu já sobre a popa Vós a proa em pompa que topa A onda de raios e de invernos; Uma embriaguez me faz arauto, Sem medo ao jogo do mar alto, Para erguer, de pé, este brinde Solitude, recife, estrela A não importa o que há no fim de um branco afã de nossa vela. BRINDE poema de Stéphane Mallarmé. Palavras, Todas, Palavras. Disponível em: <http://palavrastodaspalavras.wordpress.com/2008/09/01/brinde-poema-de-stephane-mallarme> 19 10.1 AGORA RESPONDA: A) Qual é o assunto do texto? B) Que elementos simbolistas encontramos numa primeira leitura do poema? C) Que versos intensificam a atmosfera de sensações abstratas e definidas, predominantes nesse texto? 10.2 A poesia de Mallarmé tendia para o abstrato como próprio objeto do poema e para uso de alegorias. Neste poema o poeta relaciona: (1) a taça espumante do brinde ( ) e a vela (2) a mesa convival ( ) e o barco; (3) a toalha ( ) e o mar 10.3 Mallarmé, além de ser o principal poeta simbolista francês, também é considerado um dos pais da poesia moderna pelo fato de ter “despersonalizado” a poesia. Isto é, criado uma poesia sem sentimentos, sem inspiração, guiada pelo intelecto. O texto lido, Brinde, é um exemplo de despersonalização? Por quê? 11. IDENTIFIQUE AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE CINDERELA/GATA BORRALHEIRA E O CONTO NALA E DAMAYANTI: A Gata borralheira/Cinderela Época/século Linguagem Origem Realização dos sonhos Personagens Presença de seres mágico-fantásticos Presença dos pais Inimigos Amigos Desfecho Nala e Damayanti 20 12. REGISTRE NA TABELA ABAIXO AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS E SEMELHANÇAS ENTRE OS CONTOS DE FADAS E OS CONTOS INDIANOS SEMELHANÇAS DIFERENÇAS 13. ARGUMENTAÇÃO/CONFRONTO/INTERPRETAÇÃO A - Na narrativa dos Irmãos Grimm o maravilhoso está mais próximo da religião e, na de Perrault, às raízes do povo. Em Nala e Damayanti, como se apresenta o maravilhoso? B - Segundo a pesquisa realizada por vocês, alunos e a explanação feita pelo (a) professor (a), os Irmãos Grimm reaproveitaram as fontes populares para reescrever a versão de A Gata Borralheira. Como Stéphane Mallarmé reescreveu os contos indianos? C - A submissão feminina esteve presente em Cinderela e A Gata Borralheira. Em Nala e Damayanti esse elemento também apareceu? D - A presença do romantismo é mais evidente em qual dos textos? 21 E – Em sua opinião, qual dos heróis, Nala ou o príncipe de Cinderela, lutou mais para conquistar a sua amada? F – Leia esse trecho do texto Nala e Damayanti: “Como preferir um homem, quando os imortais te dirigem seus anseios”? Despreza-os por aquele que não iguala o pó dos seus pés? Agni, o soberano dos seres, que há de, um dia, consumir a terra; Yama, que mantém os homens no dever, segundo o temor dos castigos: Varuna, o senhor das águas: Indra, senhor do trovão, rei dos deuses, flagelo dos, Dânavas, os recusais! - Eu te amo, Nala; aos meus olhos és maior que eles todos. Rejeita-me, e buscarei no veneno, no fogo ou no rio o único olvido de minha dor. Comente sobre a atitude de Damayanti. Por que ela preferiu um imortal a um Deus? O que isso representou? G – A vingança e a maldade apareceram através do gênio Kali. Você acha que a vingança é um sentimento que deve ser cultivado no ser humano? Por quê? H – Nala tinha um grande defeito: era viciado em jogo. Por causa disso perdeu tudo: sua família, dinheiro, vida social, etc. Você conhece alguém que viveu uma situação parecida com a de Nala por causa de vícios? Quais os vícios que a população do nosso século mais praticam? E você, tem algum vício? I – Damayanti foi abandonada e ficou a mercê de todos os perigos. No entanto, ela suportou todos os sofrimentos e lutou com garra e determinação para superar todos os seus problemas e voltar a encontra seu amado e seus familiares. Ela foi guerreira e batalhadora, sem nunca perder a esperança. Podemos relacionar Damayanti com a luta que as mulheres tiveram para ter seu espaço na sociedade? Com a determinação e a coragem que as mulheres tem na família e na sociedade? 22 14. PRODUÇÃO DE TEXTOS DO GÊNERO PROFESSOR (A): Neste momento, depois de realizadas todas as atividades referentes aos contos de fadas e os Contos Indianos chegou o momento da (re) produção de contos de fadas em forma de paródia paráfrase, desconstrução de contos lidos, modificando o ambiente, acrescentando personagens ou misturando as histórias, ou ainda, a produção de um texto inédito. Depois que os alunos produzirem os textos, será recolhida a primeira versão e devolvida depois de corrigida pelo professor para que eles façam as correções necessárias. Assim, após esse momento de releitura e reescrita dos textos, o professor irá também relê-los, fazendo as interferências que ainda necessitarem. Após esses momentos de reajustes, os alunos irão ao laboratório de informática e digitarão os textos para que se possa juntá-los e montar um livro com as produções feitas por eles. 23 REFERÊNCIAS ABRAMOVICH, Fanny. Literatura infantil: gostosuras e bobices. São Paulo: Scipione, 1997. (Pensamento e ação no magistério). AGUIAR, Vera Teixeira e BORDINI, Maria da GLÓRIA. Literatura: a formação do leitor: alternativas metodológicas. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1993. AMARAL, Emília. Português: novas palavras: literatura, gramática, redação. São Paulo: FTD, 2000. BAUMGÄRTER, Carmem Terezinha (Org); COSTA-HÜBES, Terezinha da Conceição (Org). Seqüência didática: uma proposta para o ensino da Língua Portuguesa no ensino fundamental: anos iniciais. Cascavel: ASSOESTE, 2009. BEATRIZ, página da. Arte, Cultura e Educação. Stéphane Mallarmé Disponível em: <http://www.beatrix.pro.br/index.php/stephane-mallarme>. Acesso em: 06 abr.2010. BETTELHEIM, Bruno. A Psicanálise dos Contos de Fadas. 14 ed. São Paulo: Paz e Terra, 2000. BUSATO, Cléo. Contar e Encantar: Pequenos Segredos da narrativa. – 5. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. DOLZ, Joaquim; NOVERRAZ, Michele; SCHNEUWLY, Bernard. Seqüências Didáticas para o oral e a escrita: apresentação de um procedimento. In: DOLZ, Joaquim, SCHNEUWLY, Bernard. Gêneros orais e escritos na escola. (Tradução e organização: Roxane Rojo e Glaís Sales Cordeiro). Campinas, SP: Mercado Aberto de Letras, 2004. LAJOLO, Marisa. O que é Literatura. São Paulo: Brasiliense, 1987. MACHADO, Irene A. Literatura e redação. São Paulo: Scipione, 1994. MALLARMÉ, Stephane, 1842 – 1898. Contos Indianos/ Mallarmé, (Tradução Dorothée de Buchard). São Paulo: Hedra, 2006. Título Original: Contes Indiens. TATAR, Maria. Contos de Fadas: edição comentada e ilustrada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004. ZILBERMAN, Regina. Literatura Infantil: autoritarismo e emancipação. São Paulo: Editora Ática, 1987. ______. Literatura Infantil na Escola. São Paulo: Global, 1985. ______. A produção cultural para a criança. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. 24 ZILBEMAN, Regina. LAJOLO, Marisa. Literatura Infantil Brasileira: história & histórias. São Paulo: Ática, 1991. WIKIPÉDIA, A ENCICLOPÉDIA LIVRE. Contos de Fadas. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/contos_de_fadas>. Acesso em 07 abr.2010 25 ANEXOS 26 ANEXOS 1 Cinderela Ou O Sapatinho de Vidro Charles Perrault Era uma vez um fidalgo que se casou em segundas núpcias com uma mulher mais soberba e mais orgulhosa que já se viu. Ela tinha duas filhas de temperamento igual ao seu, sem tirar nem por. O marido, por seu lado, tinha uma filha que era a doçura em pessoa e de uma bondade sem par. Nisso saíra à mãe, que tinha sido a melhor criatura do mundo. Assim que o casamento foi celebrado, a madrasta começou a mostrar seu mau gênio. Não tolerava as boas qualidades da enteada,que faziam sua filhas parecerem ainda mais detestáveis.Encarregava-a dos serviços mais grosseiros da casa.Era a menina que lavava as vasilhas e esfregava as escadas,que limpava o quarto da senhora e os da senhoritas suas filhas.Quanto a ela,dormia no sótão,numa mísera enxerga de palha,enquanto as irmãs ocupavam quartos atapetados,em camas da última moda e espelhos onde podiam se ver da cabeça aos pés (...) TATAR, Maria. Contos de Fadas: edição comentada e ilustrada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2004. 27 ANEXOS 2 A Gata Borralheira Irmãos Grimm Era uma vez um homem muito rico, cuja mulher adoeceu. Esta, quando sentiu o fim aproximar-se, chamou a sua única filha à cabeceira e disse-lhe com muito amor: — Querida filha, continua sempre boa e piedosa. O amor de Deus há de acompanhar-te sempre e eu lá do céu velarei sempre por ti. E dito isto, fechou os olhos e morreu. A menina ia todos os dias para junto do túmulo da mãe chorar e continuou boa e piedosa. Quando o Inverno chegou, a neve fria e gelada cobriu o túmulo com um manto branco e, quando o sol da Primavera o derreteu, o seu pai casou com uma mulher ambiciosa e cruel que tinha duas filhas parecidas com ela em tudo. Mal se cruzou com elas, a pobre órfã percebeu que nada de bom podia esperar delas, pois logo que a viram disseram-lhe com desprezo: — O que é que esta faz aqui? Vai para a cozinha, que é lá o teu lugar! E a madrasta acrescentou: — Têm razão, filhas. Ela será nossa criada e terá que ganhar o pão com o seu trabalho diário. Tiraram-lhe os seus lindos vestidos, vestiram-lhe um vestido muito velho e deram-lhe tamancos de madeira para calçar. — E agora para a cozinha! — disseram elas a rir (...) Fonte: http://www.educ.fc.ul.pt/docentes/opombo/cinema/dossier/cinderela/gata_borralheira_texto.htm, acesso dia 20/03/2010 28 ANEXOS 3 Cinderela Adaptado do conto dos Irmãos Grimm Era uma vez um homem cuja primeira esposa tinha morrido, e que tinha casado novamente com uma mulher muito arrogante. Ela tinha duas filhas que se pareciam em tudo com ela. O homem tinha uma filha de seu primeiro casamento. Era uma moça meiga, bondosa, muito parecida com a mãe. A nova esposa mandava a jovem fazer os serviços mais sujos da casa e dormir no sótão, enquanto as “irmãs” dormiam em quartos com chão encerado (...) Fonte: www.educacional.com.br/projetos/.../Cinderela.html, 20/03/2010 acesso dia 29 ANEXOS 4 NALA E DAMAYANTI Mallarmé Damayanti, cercada de companheiras várias, brincava nos jardins do cerrado. Primavera, as árvores renovando uma roupagem de verde e brando ou esmeralda, e o gramado, de flores. De súbito a princesa avista uma revoada de pássaros, arremessando-se para o bosquezinho em linhas cerradas até escurecer o ar. Brincadeira agradável esta, ela pensa, de dar caça a tantas penas e correr, as belas risonhas, todas, é outro branco turbilhão. Mulheres e cisnes aqui confundidos,pescoços se curvam ou se enroscam,rivalizam, mas é dos marotos pássaros a arte de brejeiramente esquivar-se e cansar as adoráveis adversárias. Damayanti mostra ser a mais ardente nesta louca corrida. O cisne perseguido para e, enlaçando o ombro redondo da jovem, murmura: ”Princesa, um rei respira, o mais belo dos homens, porque és a maravilha das mulheres: Nala,senhor do Nichadha,único esposo digno de ti”. O cisne, sacudindo sua neve, desaparece a virgem se queda atingida no coração; ignora que, longe dali, passando por sobre um bosque, ele lança esse grito para alguém, pensativo lá dentro: “Supliquei-te, grande rei, que poupasses minha vida e me devolvesse ao esposo; Assim fizeste e, conforme a minha promessa, falei com Damanyanti de modo que ela ame nunca senão a ti”. O rei que ao pretexto de caçar, profundava seu amor na sombra das folhagens, pousou no chão o arco e as azagaias inúteis: de um homem assim apaixonado, a caça não tem nada a temer. Gansos, faisões, gazelas corriam impunemente debaixo dos seus olhos. Ele pensava na filha querida do valente Bhima, rei do vidharbanos, a legendária e fastuosamente bela Damayanti (...) MALLARMÉ, Stephane, 1842 – 1898. Contos Indianos/ Mallarmé, (Tradução Dorothée de Buchard). São Paulo: Hedra, 2006. Título Original: Contes Indiens.