UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA ENGENHARIA DE PRODUÇÃO BRUNO FERNANDES DEFEU DIEGO MARTIN SORIA CUESTA MURILO AFFONSO PRANDO SENSOR DE NÍVEL PARA DEFICIENTES VISUAIS Santos – SP Dezembro/2013 UNIVERSIDADE SANTA CECÍLIA ENGENHARIA DE PRODUÇÃO BRUNO FERNANDES DEFEU DIEGO MARTIN SORIA CUESTA MURILO AFFONSO PRANDO SENSOR DE NÍVEL PARA DEFICIENTES VISUAIS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para obtenção do título de Engenheiro ao curso de Engenharia de Produção da Universidade Santa Cecília, sob orientação do Prof. Dr. José Luis Alves de Lima. Santos – SP Dezembro/2013 BRUNO FERNANDES DEFEU DIEGO MARTIN SORIA CUESTA MURILO AFFONSO PRANDO SENSOR DE NÍVEL PARA DEFICIENTES VISUAIS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como exigência parcial para graduação no curso de Engenharia de Produção da Universidade Santa Cecília. Data da Aprovação: __/__/__ Banca Examinadora _____________________________________________ Prof. José Luis Alves de Lima Orientador _____________________________________________ Prof. Ms. Dr. XXXXXX _____________________________________________ Prof. Ms. Dr. XXXXXX DEDICATÓRIA Aos meus amigos À minha família Aos integrantes do grupo Bruno Fernandes Defeu À minha família Aos meus amigos À minha namorada Diego Martin Soria Cuesta À minha família Aos meus amigos À minha namorada Ao meu grupo do trabalho Murilo Affonso Prando AGRADECIMENTOS Agradecemos primeiramente ao coordenador do curso Prof. Dr. José Carlos Morilla, ao orientador do trabalho Prof. Dr. José Luis Alves de Lima e ao Ademir Pereira onde foram os responsáveis pelo auxílio que possibilitou o nosso sonhado objetivo profissional. A minha mãe, Maria Clotilde F. Defeu, por de certa forma, fazer de sua vida o cuidado com a minha. Ao meu pai, Mario Sérgio Defeu, pelo exemplo de trabalho e perseverança. Por não ter medido esforços para dispor os recursos necessários à minha formação pessoal e profissional. A minha avó, Ida Zibella Fernandes, que pela convivência, aprendi que podemos encontrar dificuldades ao longo do caminho, mas sempre teremos a escolha de enfrentá-las com um sorriso no rosto. Bruno Fernandes Defeu Agradeço aos meus pais, Julio Cuesta e Lila Soria Cuesta, pelo que sou hoje, pelos ensinamentos, educação e por sempre terem me incentivado. Aos meus irmãos, Michelle Soria Cuesta, Gustavo Soria Cuesta e Maria Gabriela Soria Cuesta, por terem servido de exemplo e inspiração em todas minhas escolhas de vida. À minha namorada, Juliane Molina, por estar sempre ao meu lado, principalmente nos momentos mais difíceis, me dando força para seguir em frente. Agradeço também aos meus colegas de grupo, Bruno Defeu e Murilo Prando, por termos conseguido prosseguir e concluir o trabalho mesmo quando as ideias entravam em conflito. Diego Martin Soria Cuesta Agradeço a minha mãe, Maria Claudia Affonso Prando, meu pai, Gerson Prando, minha irmã Marina Affonso Prando e todos os meus familiares que sempre foram exemplos de educação e perseverança para mim e me ensinaram tudo que eu sei. À minha namorada Giovanna Rosien, ao meu irmão de consideração Daniel Pizzo e todos os meus amigos da faculdade e infância pelo apoio e companheirismo dentre todos esses anos. Ao meu grupo de trabalho, Bruno Defeu e Diego Cuesta, onde mesmo com indiferenças e dificuldades, pudemos caminhar juntos para o nosso sucesso. Murilo Affonso Prando EPÍGRAFE "Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades, lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas do que parecia impossível." - Charles Chaplin RESUMO A crescente concorrência entre organizações faz com que o mercado viva em constantes processos de adaptações, investindo em produtos inovadores e que agreguem valor ao cliente. O presente trabalho aborda a implantação da tecnologia para a criação de um produto voltado para os deficientes visuais, o produto irá auxiliá-los em tarefas domésticas e, de acordo com a pesquisa de mercado elaborada, deverá ter um preço acessível devido ao público alvo ter sua maior concentração na renda familiar de nível inferior. Neste trabalho serão utilizados conceitos de segmentação de mercado, análises de fornecedores e concorrentes, pesquisa de campo, projeto da fábrica de montagem do produto e a viabilidade econômica. Neste contexto, a fabricação do sensor de nível para deficientes visuais se mostrou eficiente, ou seja, por ele atuar em um mercado com poucos concorrentes no Brasil, trará resultados financeiros positivos além de ser um facilitador em tarefas dos deficientes. Palavras chaves: Deficiente visual. Tecnologia assistiva. Sensor de nível. ABSTRACT The growing competition between organizations makes the market to experience a constant process of adaptation by investing in innovative products which add value to the customer. This paper discusses the deployment of technology for creating a product designed for the visually impaired. The product will help them in household chores and, according to the market research conducted, should be affordable because the target audience has its highest concentration in the lower level of family income. During this project, concepts of market segmentation, suppliers and competitors analysis, field research, designing an assembly plant and economic viability. Within this context, the manufacturing of a level sensor for the visually impaired is efficient. In other words, do to its participation in a market with few competitors in Brazil; it will bring positive financial results in addition to being a facilitator in the handicapped tasks. Key words: Visually impaired. Assistive technology. Level sensor. LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Figura conceitual do produto ..................................................................... 16 Figura 2 - Concentração de Deficientes Visuais no Brasil (Dados IBGE 2010)......... 19 Figura 3 - Distribuição Geográfica na Baixada Santista (Dados IBGE 2010) ............ 20 Figura 4 - Dados sobre a faixa etária (Dados IBGE 2010 e Pesquisa autores) ........ 21 Figura 7 - Dados sobre consumo .............................................................................. 22 Figura 5 - Gêneros (Pesquisa autores) ..................................................................... 22 Figura 6 - Gêneros (Dados IBGE 2010) .................................................................... 22 Figura 8 - Dados sobre residência ............................................................................ 23 Figura 9 - Dados sobre Utilização do equipamento................................................... 24 Figura 10 - Dados sobre Renda Familiar (Dados IBGE 2010 e Pesquisa autores) ... 24 Figura 11 - Dados sobre precificação (Pesquisa autores) ......................................... 25 Figura 12 - Produto I ................................................................................................. 27 Figura 13 - Produto II ................................................................................................ 28 Figura 14 - The Braun Bell Mug ................................................................................ 29 Figura 15 - EZ Fill Pour Aid ....................................................................................... 30 Figura 16 - Análise SWOT......................................................................................... 31 Figura 17 - Projeto do Produto .................................................................................. 33 Figura 18 - Tecnologia do Sensor de nível ................................................................ 34 Figura 19 - Montagem do Sensor de nível ................................................................ 35 Figura 20 - Placa impressa........................................................................................ 36 Figura 21 - Reed Switch ............................................................................................ 36 Figura 22 - Buzzer ..................................................................................................... 37 Figura 24 - Localização ............................................................................................. 42 Figura 25 - Região..................................................................................................... 43 Figura 26 - Sazonalidade Loja Varejista .................................................................... 49 Figura 27 - Matriz de layout e gráfico volume-variedade ........................................... 53 Figura 28 - Fluxo de operações em uma linha de produção ..................................... 54 Figura 30 - Logotipo .................................................................................................. 57 Figura 31 - Estrutura Organizacional......................................................................... 59 Figura 32 – Sazonalidade ......................................................................................... 70 Figura 33 – Gráfico Receita x Custo Total ................................................................ 71 Figura 34 – Cenários com variação de 10% ............................................................. 71 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Pesquisa Mensal de Emprego IBGE (dez-2012)...................................... 21 Tabela 2 - Dúvidas dos Entrevistados (Pesquisa autores) ........................................ 26 Tabela 3 - Projeto de rede operações ....................................................................... 38 Tabela 4 - Pontuação por critério .............................................................................. 40 Tabela 5 - Preço insumos ......................................................................................... 44 Tabela 6 – Investimento Fixo .................................................................................... 66 Tabela 7 - Faturamento Mensal ................................................................................ 67 Tabela 8 - Mão de obra ............................................................................................. 67 Tabela 9 - Custos Fixos ............................................................................................ 68 Tabela 10 - Tributos .................................................................................................. 69 Tabela 11 - Indicadores Financeiros ......................................................................... 70 Tabela 12 - Demonstrativo de Resultado - DRE ....................................................... 72 LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS ANVISA Agência Nacional de Vigilância Sanitária IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística KPI Indicadores de Desempenho (Key-Performance Indicators) PVEF Projeto de Viabilidade Econômica e Financeira SIDRA Sistema IBGE de Recuperação Automática SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................... 14 Objetivo ....................................................................................................... 18 1 2 3 4 5 PESQUISA DE MERCADO ...................................................................... 19 1.1 Compreendendo o Mercado Atual ................................................... 19 1.2 Coleta e Tratamento de Informações ............................................... 20 1.3 Metodologia de Avaliação ................................................................ 20 1.4 Resultados ....................................................................................... 21 1.5 Análise de Concorrência .................................................................. 26 1.6 Introdução do produto no mercado .................................................. 31 1.7 Estratégia de Comercialização ........................................................ 31 PROJETO DO PRODUTO........................................................................ 33 2.1 Características Técnicas .................................................................. 33 2.2 Tecnologia do produto ..................................................................... 34 2.3 Materiais .......................................................................................... 35 2.4 Informações sobre as peças utilizadas ............................................ 35 PROJETO DA FÁBRICA.......................................................................... 38 3.1 Projeto da Rede de Operações ........................................................ 38 3.2 Fornecedores ................................................................................... 39 3.3 Grau de Integração Vertical / Horizontal .......................................... 40 3.4 Decisão entre comprar e fazer ......................................................... 41 3.5 Localização da operação ................................................................. 42 3.6 Custo do local .................................................................................. 43 3.7 Custo do transporte.......................................................................... 43 3.8 Custo de energia .............................................................................. 44 3.9 Custo de material terceirizado ......................................................... 44 TECNOLOGIA DO PROCESSO .............................................................. 45 4.1 Tecnologia de processamento de materiais..................................... 45 4.2 Tecnologia de processamento de informações ................................ 46 CAPACIDADE DE PRODUÇÃO .............................................................. 49 5.1 Etapa 1: Medir a demanda e a capacidade agregadas .................... 49 5.2 Etapa 2: Identificar as políticas alternativas de capacidade ............. 50 6 ARRANJO FÍSICO DE LAYOUT .............................................................. 52 6.1 Objetivos do Arranjo Físico .............................................................. 52 6.2 Tipos de Arranjos Físicos................................................................. 52 6.3 Arranjo físico escolhido .................................................................... 53 6.4 Arranjo Linear, em linha, por produto, flow shop.............................. 54 6.5 Layout projetado .............................................................................. 56 7 DADOS DA EMPRESA ............................................................................ 57 7.1 Dados Gerais ................................................................................... 57 7.2 Logotipo ........................................................................................... 57 7.3 Missão, Visão e Valores................................................................... 57 8 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL .......................................................... 59 8.1 Departamentos ................................................................................ 59 8.2 Centros de custo .............................................................................. 62 8.3 Administração da Produção ............................................................. 62 9 VIABILIDADE ECONÔMICA .................................................................... 65 9.1 Abertura de empresa ....................................................................... 65 9.2 Investimento Fixo ............................................................................. 66 9.3 Faturamento Mensal ........................................................................ 66 9.4 Custos com Mão de Obra ................................................................ 67 9.5 Custos Fixos .................................................................................... 68 9.6 Tributos ............................................................................................ 68 9.7 Sazonalidades ................................................................................. 69 9.8 Indicadores Financeiros ................................................................... 70 9.9 Demonstrativo de Resultado – DRE ................................................ 72 10 CONCLUSÃO........................................................................................ 73 11 REFERÊNCIAS ..................................................................................... 75 APÊNDICE ..................................................................................................... 79 14 INTRODUÇÃO De acordo com o censo demográfico de 2010, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE, o Brasil possui 19% de sua população com alguma deficiência visual onde 3%, de toda população, não consegue ou possui grande dificuldade em enxergar, sendo assim, necessitando do sistema braile de leitura e escrita. (IBGE, 2010) Ainda existe uma necessidade de serviços e produtos adequados para que os deficientes visuais possam gozar de uma vida independente, necessitando de auxílio em simples tarefas domésticas. No âmbito de obter essa independência, o homem junto com a tecnologia, vem propondo soluções que visam fornecer a autonomia para os dependentes. Como afirma Bersch (2005), desde 1988, essas soluções que visam melhorar a qualidade de vida dos deficientes e propor a eles a inclusão social já possui nome, Tecnologia Assistiva. O nome é pouco popular, mas vem ganhando adeptos, na maioria sendo empresas. O termo Assistive Technology, traduzido no Brasil como Tecnologia Assistiva, foi criado em 1988 como importante elemento jurídico dentro da legislação norte-americana conhecida como Public Law 100-407 e foi renovado em 1998 como Assistive Technology Act de 1998 (P.L. 105-394, S.2432). Compõe, com outras leis, o ADA - American with Disabilities Act, que regula os direitos dos cidadãos com deficiência nos EUA, além de prover a base legal dos fundos públicos para compra dos recursos que estes necessitam. (BERSCH, 2005) Diariamente são utilizadas ferramentas tecnológicas que foram desenvolvidas especialmente para simplificar e auxiliar em tarefas de qualquer ser humano. Tem-se por exemplo desses produtos: o controle remoto, relógios, telefones, computadores e diversos outros objetos. Esses facilitadores, quando feitos pensando em solucionar tarefas da vida dos portadores de deficiência, recebem o nome de Tecnologia Assistiva, fazendo atividades de alto grau de dificuldade se tornarem possíveis. Introduzindo o conceito de Tecnologia Assistiva, tem-se a citação: 15 “Para as pessoas sem deficiência, a tecnologia torna as coisas mais fáceis. Para as pessoas com deficiência, a tecnologia torna as coisas possíveis.” (RADABAUGH, 1993). Segundo o Secretariado Nacional para a Reabilitação e Integração das Pessoas com Deficiência (SNRIPD) de Portugal: Entende-se por ajudas técnicas qualquer produto, instrumento, estratégia, serviço e prática utilizada por pessoas com deficiência e pessoas idosas, especialmente, produzido ou geralmente disponível para prevenir, compensar, aliviar ou neutralizar uma deficiência, incapacidade ou desvantagem e melhorar a autonomia e a qualidade de vida dos indivíduos. (SNRIPC, 2005) No Brasil, o Comitê de Ajudas Técnicas - CAT, instituído pela PORTARIA N° 142, DE 16 DE NOVEMBRO DE 2006 propõe o seguinte conceito para a tecnologia assistiva: Tecnologia Assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social. (CAT, 2006) Esse setor de negócio não é bem explorado e desenvolvido pelas empresas nacionais. Existe pouca variedade de produtos e empresas dedicadas a esse segmento. Essa limitação faz com que haja uma baixa competição e os poucos produtos disponíveis apresentem preços não compatíveis com a renda média nacional dos deficientes. A falta de oferta nacional suficiente faz com que grande parte dos produtos necessite ser importados, elevando, mais uma vez, o preço. Vale lembrar que, de acordo com o IBGE, os portadores de deficiência têm pouco espaço no mercado de trabalho e com salário reduzido em comparação com o restante do mercado concorrente. O produto do estudo consiste em um dispositivo que poderá ser acoplado a qualquer tipo de recipiente de armazenamento de líquidos. Este dispositivo terá o seu funcionamento baseado em um sensor de nível, que emitirá um sinal sonoro quando o líquido disposto no reservatório atingir um nível pré-determinado pelo usuário. 16 Figura 1 - Figura conceitual do produto Fonte: Elaborada pelos autores Exemplificando a utilização deste dispositivo, é citada uma atividade rotineira, que é executada por uma pessoa com deficiência visual em que consiste no individuo servindo um copo d’água a si mesmo. A fim de evitar que o líquido transborde, o deficiente visual utiliza, na maioria dos casos, um recurso prático que é baseado em um dos sentidos do corpo humano, o tato. Utiliza-se o próprio dedo, para se orientar do momento em que o recipiente atingir o nível em que ele considera adequado. Este tipo de técnica pode solucionar a dificuldade que esta pessoa enfrenta, porém, pode causar danos à saúde. Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA): As mãos constituem a principal via de transmissão de microrganismos durante a assistência prestada aos pacientes, pois a pele é um possível reservatório de diversos microrganismos, que podem se transferir de uma superfície para outra, por meio de contato direto (pele com pele), ou indireto, através do contato com objetos e superfícies contaminados (ANVISA, 2007). Para o desenvolvimento deste estudo foi primeiramente desenvolvido o cronograma do projeto e posteriormente realizada uma pesquisa de mercado para definir o perfil do público-alvo. O objetivo inicial da pesquisa será de quantificar demograficamente o indivíduo, sua condição socioeconômica, as faixas etárias, a concentração do gênero e o levantamento sobre a aceitação e utilização do produto, todas as informações sendo separadas pelo nível de deficiência visual. 17 Uma vez definido o escopo do projeto, iniciou-se o estudo para o desenvolvimento do produto, envolvendo pesquisa de alternativas de materiais, dispositivos eletrônicos, montagem e embalagem. Um dos principais focos abordado será a manutenção de um baixo custo do produto final, sendo preservada a qualidade. Será feito o estudo para definição da produção da fábrica, trabalhando primeiramente com produção sob encomenda. A equipe de colaboradores será definida pela necessidade observada pelo estudo da fábrica. A unidade fabril, assim como o estoque do produto, será definida levando em consideração a proximidade do público alvo, o custo do aluguel, às leis municipais de zoneamento e a operação logística tanto de fornecedores quanto de distribuição, visando à logística com o menor custo. A logística de distribuição do produto é concentrada em entrega via correio, o que permite uma total cobertura do território nacional, aliada à escolha de pontos de venda seletivos que permitam acesso físico pelos potenciais usuários e demonstração in-loco do produto. A estratégia de marketing está focada na divulgação do novo produto através da internet, com criação de conteúdo conceitual, artigos explicativos, vídeos em sites especializados, materiais em braile, parcerias com associações de apoio aos deficientes visuais e obtenção de cadastros para mailings e contatos com o públicoalvo. Divulgação a médicos oftalmologistas e clinicas também será utilizada. Associações beneficentes e especializadas serão comunicadas sobre o produto para um possível patrocínio na fabricação, para redução do custo e divulgação. Todos esses fatores remetem à elaboração do estudo de um produto que possa agir como facilitador para portadores de incapacidade visual. A elaboração deste estudo inicialmente foi feita com a consolidação de dados da população com deficiência visual, disponibilizados pelo SIDRA (Sistema IBGE de Recuperação Automática), com a intenção de mapear a concentração de portadores de deficiência visual no território nacional dando enfoque ao Estado de São Paulo, mais precisamente à Baixada Santista, por ser esse o local de realização do estudo. Além de ser um facilitador, o produto visa ter baixo custo de fabricação, objetivando a obtenção de um preço final acessível ao consumidor. 18 Objetivo O objetivo desse trabalho visa o desenvolvimento de um produto, desde sua fabricação até a viabilidade econômica, utilizando conceitos da tecnologia assistiva e focando o público de deficientes visuais. O produto deve ter seu preço baixo devido a renda média do público alvo não dar privilégios de compras de equipamentos com preços elevados. 19 1 PESQUISA DE MERCADO Como solução de coleta de dados sobre o mercado regional, foi elaborada uma pesquisa de campo (Apêndice 1 – pág. 79), com sete questões de única escolha e uma para inserção de comentários adicionais, voltada somente para deficientes com grande dificuldade ou com visão nula. A mesma foi realizada com deficientes nas instituições de apoio a deficientes visuais. 1.1 Compreendendo o Mercado Atual De acordo com o IBGE 2010, a maior concentração de deficientes visuais no Brasil é encontrada na região Sudeste (50% do total), só o estado de São Paulo representa 28% de do Brasil e Baixada Santista representa 3% do mercado de São Paulo, segue representação gráfica da concentração: Baixada Santista 3% Sudeste (s/ SP) 22% Sul 13% São Paulo 28% Centro-Oeste 6% Outras Regiões 97% Nordeste 25% Norte 6% Figura 2 - Concentração de Deficientes Visuais no Brasil (Dados IBGE 2010) Fonte: Elaborada pelos autores Focando no público alvo inicial que engloba a Baixada Santista, é possível observar a maior concentração no município de Santos, e também nas cidades próximas. Obteve-se as seguintes distribuições geográficas: 20 Figura 3 - Distribuição Geográfica na Baixada Santista (Dados IBGE 2010) Fonte: Elaborada pelos autores 1.2 Coleta e Tratamento de Informações A coleta foi realizada na quinta-feira dia 04 de abril de 2013 na Instituição do Lar das Moças Cegas, (especializada em atendimento de deficientes visuais de variados níveis). Foram selecionadas 30 pessoas para preenchimento do formulário, sendo elas, de diversas idades e classes sociais. A pesquisa realizada contou com o apoio de uma funcionária da própria Instituição, realizando uma pré-seleção eliminando da realização da pesquisa os deficientes de baixo grau de cegueira, sobrando apenas o público alvo. 1.3 Metodologia de Avaliação A pesquisa tem como objetivo conhecer o mercado de atuação do produto sensor de nível e a adquirir dados para posteriormente transformá-los em informações sobre o mercado consumidor. Sendo esse o primeiro passo para a realização de um projeto. 21 1.4 Resultados Segue uma análise dos dados obtidos nas questões propostas na pesquisa de campo comparando-os com os indicadores da população deficiente visual (Grande dificuldade de visão e visão nula) do IBGE 2010: Com relação à faixa etária, o gráfico da figura 4 mostra: Faixa Etária 10 33% 58% 583 mil 17 57% 33% 2.187 mil 9% 3.791 mil IBGE 2010 10% 3 PESQUISA 0 a 19 anos 20 a 49 anos 50 anos ou mais Figura 4 - Dados sobre a faixa etária (Dados IBGE 2010 e Pesquisa autores) Fonte: Elaborada pelos autores Os dados obtidos pelo IBGE 2010 se diferenciaram dos dados obtidos da pesquisa de campo, onde que, o resultado da pesquisa mostrou uma concentração elevada na faixa de 20 a 49 anos, sendo 24 pontos percentuais acima da média do Brasil. Sendo um ótimo resultado por ser a faixa considerada economicamente ativa pois, de acordo com os dados da Pesquisa Mensal de Emprego, realizada em dezembro de 2012 pelo IBGE, a faixa de 18 a 49 anos corresponde a 75,6% da população economicamente ativa no Brasil. 10 a 14 anos 15 a 17 anos 18 a 24 anos 25 a 49 anos 50 anos ou mais 0,2% 1,8% 14,7% 60,9% 22,4% Tabela 1 - Pesquisa Mensal de Emprego IBGE (dez-2012) Fonte: Elaborada pelos autores 22 Com os dados obtidos sobre os gêneros, obteve-se a seguinte concentração: Gêneros IBGE 2010 Gêneros Pesquisa 37% 41% 59% 2.674 mil Homens 63% 3.887 mil Mulheres 11 Homens 19 Mulheres Figura 6 - Gêneros (Dados IBGE 2010) Figura 5 - Gêneros (Pesquisa autores) Fonte: Elaborada pelos autores Fonte: Elaborada pelos autores Em análise dos gráficos acima, pode-se observar a efetiva predominância no gênero feminino no geral de deficientes, tanto no Brasil quanto na pesquisa realizada. Indicador favorável na elaboração do produto, de acordo com a pesquisa do SEBRAE (2011), se trata do gênero que possuem maior gasto mensal. Figura 7 - Dados sobre consumo Fonte: Estudo de Comportamento de Consumo SEBRAE 2011 Ao analisar a convivência no lar dos portadores de deficiência visual entrevistados, tem-se: 23 Residência 10% 20% 17% 53% 16 6 Sim 5 Não - Amigo 3 Não - Familiar Não - Outro Figura 8 - Dados sobre residência Fonte: Elaborada pelos autores De acordo com a pesquisa, 83% das pessoas entrevistadas não residem sozinhas, onde para se ter um diagnóstico correto necessita-se de convívio, pois é necessário estudar a cultura dos residentes para entender se ele incentivará a independência do portador de deficiência ou prefere auxiliá-lo nas tarefas. Em relação à utilização do produto pelos entrevistados, obteve-se o seguinte gráfico. 24 Utilidade 7% 93% 28 2 Utilizaria Não Utilizaria Figura 9 - Dados sobre Utilização do equipamento Fonte: Elaborada pelos autores A aceitação do produto pelo público é um dos principais pilares para a produção do equipamento. 93% dos entrevistados utilizariam o produto no dia-a-dia, valor elevado e satisfatório. Considerando a renda familiar: Renda Familiar 5% 37% 58% 236 mil 1.828 mil 2.892 mil IBGE 2010 Até 01 salário mínimo 17% 5 40% 12 43% 13 PESQUISA Entre 01 a 05 salários mínimos Mais de 5 salários mínimos Figura 10 - Dados sobre Renda Familiar (Dados IBGE 2010 e Pesquisa autores) Fonte: Elaborada pelos autores 25 Na pesquisa obteve-se resultado semelhante aos dados coletados pelo IBGE 2010, onde que a maior concentração do IBGE está presente na população com até 01 salário mínimo. Como análise dos resultados, sabe-se que devido a Instituição ser sem custo para os alunos, por conta com de ter diversos apoios, tal como o do governo, por isso existe a alta concentração de classes de renda inferior. Levando-se em conta o possível gasto que os entrevistados teriam com o produto, obteve-se: Possível Preço Pago 50% 23% 23% 15 7 7 De R$20 a R$40 De R$40 a R$60 De R$60 a R$80 3% 1 Mais de R$100 Figura 11 - Dados sobre precificação (Pesquisa autores) Fonte: Elaborada pelos autores Outro dado de grande importância para a produção em massa do produto é o preço que o consumidor poderá pagar por ele. Como se observou no gráfico de renda familiar que a maior concentração se encontra nas classes baixas, 50% dos entrevistados escolheram a alternativa mais barata, de R$20 a R$40. Fazendo com que a empresa tenha um enorme esforço na escolha dos materiais e consequentemente a precificação, sendo que, com o aumento do preço poderá ocorrer a inviabilidade do projeto, onde o consumidor não aceitará as condições propostas. Principais Comentários dos Entrevistados Muitos entrevistados tiveram dúvidas sobre como será feita a assistência técnica do produto, fato de extrema importância. Hoje em dia os consumidores analisam muito o produto pelos serviços de pós venda. Também gostariam de saber sobre o material utilizado e a duração da bateria, dados: Renda Familiar: R: O dispositivo Termo / A: Volumétrico seria útil? R: Se sim, quanto você A: pagaria por ele? R: mínimo salários mínimos mínimos 12 14 2 Sim Não 28 2 26 De R$20 a De R$40 a De R$60 a Mais de R$100 15 7 7 1 Principais temas comentados Comentários I) Assisência Técnica. II) Material Utilizado. III) Duração de uso de bateria. IV) Higienização do equipamento. V) Possíveis líquidos utilizáveis. VI) Não utilização do sensor de temperatura. * A: Al terna tiva / R: Res ul tado Da dos : Pes qui s a TCC Sens or Termo/Vol umétri co Tabela 2 - Dúvidas dos Entrevistados (Pesquisa autores) Fonte: Elaborada pelos autores Sobre a dúvida em relação a assistência técnica e os serviços de pós venda Análise Geral Conforme análises dos resultados da pesquisa anteriormente realizadas, foi obtido um resultado satisfatório para a realização do produto, principalmente devido ao grande mercado e aos 93% de aceitação dos entrevistados em relação ao produto Como resultado também foi decidido a alteração do projeto do produto, onde antes teria sensores térmicos e por comentários dos pesquisados, foi decidido a extinção desse indicador permanecendo somente com o sensor de nível, que é satisfatório e de melhor serventia para os deficientes visuais. 1.5 Análise de Concorrência Encontra-se no mercado internacional um nível escasso de opções com a mesma finalidade do sensor de nível, tornando o mercado como um grande potencial para a entrada de um produto novo. Segue uma análise de alguns produtos encontrados no mercado observando suas características e apresentando seus pontos fortes e fracos de cada um. 27 Produto I Figura 12 - Produto I Fonte: VISIONFARMA O produto é vendido na Espanha e encontrado na farmácia VISIONFARMA, feito em polietileno, funciona com bateria modelo CR243C e seu preço é de 43,24 €. Pontos Fortes: Material de alta durabilidade, fácil substituição de bateria, vendido pela web e possível utilização em diversos recipientes. Pontos Fracos: Preço Elevado, não é possível importar para o Brasil e de único indicador de nível. 28 Produto II Figura 13 - Produto II Fonte: VISIONFARMA O produto é vendido pela mesma farmácia do Produto I pelo preço de 99,00 € e funciona a pilha. Não foi possível encontrar maiores informações sobre ele. Pontos Fortes: Produto vendido pela web e possível utilização em variados recipientes. Pontos Fracos: Preço Elevado, não é possível importar para o Brasil e de único indicador de nível. 29 Produto III - The Braun Bell Mug (Conceitual) Sensores de superfície da água Níveis dos sensores Alto-falante Figura 14 - The Braun Bell Mug Fonte: Adaptado de YANKO DESIGN O projeto foi elaborado em 2009 pelos designers Sang-hoon Lee e Yong-bum Lim e ainda não foi liberado no mercado, conta com três níveis de sensores possíveis de pré-seleção pelo usuário. Pontos Fortes: Três níveis de sensores e possibilidade de seleção de nível. Pontos Fracos: Produto ainda não se encontra no mercado impossibilidade de utilizar o sensor em outros recipientes. e a 30 Produto IV - EZ Fill Pour Aid Figura 15 - EZ Fill Pour Aid Fonte: HARRIS COMUNICATIONS O produto é um dispositivo leve, adaptável e possível de utilizar em recipientes com líquidos quentes e frios, dispara um ruído contínuo quando o líquido entrar em contato com o produto até que o mesmo seja removido, funciona a base de três baterias de 1,5 Volts modelo LR44 e custa 15,00 US$. Produto retirado de estoque. Pontos Fortes: Já vem com as baterias necessárias, produto adaptável a diversos recipientes, um ano de garantia. Pontos Fracos: Ruído contínuo, apenas possível verificar o líquido em apenas um nível. Ao analisar o mercado conclui-se que dentre as poucas opções encontradas, observa-se o preço elevado e a falta de maior quantidade de sensor por aparelho, onde apenas um produto apresentou mais do que um sensor, sendo ele ainda um protótipo. É possível verificar que esses objetos não são importados para o Brasil. 31 1.6 Introdução do produto no mercado A tarefa de colocar um produto no mercado não é tão simples quando a empresa desenvolvedora visa lucro e sua estabilidade econômica. Fazendo assim a necessidade do uso de uma ferramenta que auxilie no projeto e possa ajudar nas melhores decisões a serem tomadas. Análise SWOT Conhecida no Brasil como FOFA (Força, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), a análise SWOT é uma ferramenta utilizada como base para gestão de planejamento estratégico da empresa, onde é possível posiciona-la no ambiente que ela será inserida e planejar as ações de negócio. • Necessidade de produtos • Público restrito; facilitadores; • Grande quantidade de • Produto adaptável; pessoas dependentes. • Uso diário do produto; • Mercado valorizado. S W O T • Baixa quantidade de • Aceitação do produto; produtos concorrentes; • Falta de produtos nacionais. • Possível alta precificação. Figura 16 - Análise SWOT Fonte: Elaborada pelos autores 1.7 Estratégia de Comercialização Devido ao público alvo ser bem definido e o produto não ser interessante para não deficientes visuais, ele será negociado para uma disponibilização de vendas na Instituição Lar das Moças Cegas em Santos e anunciado em sites especializados 32 em deficiência visual como o Bengala Branca e Laratec. Também será realizada uma pesquisa para encontrar parceiros no negócio que possam ajudar outras Instituições na compra dos sensores volumétricos para disponibilizar para seus membros. 33 2 PROJETO DO PRODUTO O produto será desenvolvido atendendo aos pré-requisitos já estipulados, sendo eles: o baixo custo de fabricação, que seja higiênico para o usuário, material confiável e adaptável para ser utilizado em diversas atividades cotidianas. 2.1 Características Técnicas Foram estudadas diversas opções para o funcionamento e para o layout do sensor de nível para deficientes visuais, o projeto do produto adotado foi o que obteve o melhor balanço entre materiais de boa qualidade, menor custo e sistema eletrônico de preço acessível. O Sensor de nível contará com sua carcaça em vidro acrílico, com um design simples e de fácil manuseio e utilização. Terá um clipe na parte de trás para que possa ser acoplado em diferenciados recipientes. Funcionará com três sensores de nível para melhor servir os consumidores, podendo assim alcançar mais que um nível no recipiente. Quando o nível da água atingir a altura de um dos sensores, um alarme sonoro será disparado, advertindo ao usuário o posicionamento do fluido. Figura 17 - Projeto do Produto Fonte: Elaborada pelos autores 34 2.2 Tecnologia do produto A tecnologia do produto baseia-se através de três Reed Switches (2), separados e ligados a uma pequena buzina denominada de Buzzer (1) e a uma bateria (3). Ao lado da placa em que estará montado o circuito, haverá um tubo aberto nas duas saídas e extremidade com um diâmetro menor para que o ímã preso em uma pequena boia fique no interior do tubo sem correr o risco de sair do caminho guia, isso para que quando o usuário derrame o líquido no recipiente o líquido entrar no tubo e empuxo do fluido, faça a boia e o ímã subir de acordo com o nível. Ao subir, o ímã passará pelo primeiro Reed Switch, e através do campo magnético, fechará o circuito e um som será emitido, avisando ao usuário de que o líquido alcançou o primeiro nível. Figura 18 - Tecnologia do Sensor de nível Fonte: Elaborada pelos autores Ao continuar derramando o líquido, o ímã continuará subindo e deixará de fechar o contato com o campo magnético do primeiro Reed Switch, com isso abrirá novamente o circuito e o buzzer deixará de emitir o som até que o ímã alcance o 35 segundo Reed Switch, fechando o circuito novamente, a ação será repetida até o último sensor, assim, o usuário saberá que o recipiente estará cheio e irá interromper o derramamento do líquido. Podendo retirar o Sensor de nível do recipiente. Figura 19 - Montagem do Sensor de nível Fonte: Elaborada pelos autores 2.3 Materiais O produto pode ser divido em duas partes: Exterior e o interior. Carcaça: a carcaça será feita em vidro acrílico e terá um formato cúbico com um tubo através dele, a alça será em alumínio para não oxidar, terá o formato em “V” e fixado na parte de trás da carcaça para servir de clipe fixador. Circuito: o circuito contará com uma placa impressa com as ligações eletrônicas do circuito, três Reed Switches para servirem de sensores de nível, um buzzer 12V, uma bateria de 3V, um adaptador para a bateria, uma boia e um ímã de alto magnetismo. 2.4 Informações sobre as peças utilizadas Placa impressa: O circuito impresso consiste de uma placa de fenolite, fibra de vidro, fibra de poliéster, filme de poliéster, filmes específicos à base de diversos polímeros, que possuem a superfície coberta numa ou nas duas faces por fina película de metais condutores como por exemplo, cobre, prata, ligas à base de ouro e níquel, nas 36 quais são desenhadas pistas condutoras que representam o circuito onde serão fixados os componentes eletrônicos. Figura 20 - Placa impressa Fonte: Elaborada pelos autores Reed Switches: funcionam como um interruptor ou chave. Este componente consiste numa ampola de vidro, cujo interior existem duas lâminas flexíveis de material ferroso. Quando há a presença de um campo magnético, ativada por um imã por exemplo, é forçado um contato entre estas lâminas, fechando o circuito elétrico. Figura 21 - Reed Switch Fonte: WIKIPEDIA 37 Buzzer: são dispositivos de alta impedância, fabricados com um material à base de uma cerâmica, denominada titanato de bário. Eles são muito sensíveis podendo ser usados como fones ou pequenos alto-falantes em sistemas de aviso ou alarmes. Figura 22 - Buzzer Fonte: RapidOnline Bateria: serão utilizadas baterias de lítio com voltagem de 3 volts que, comparada com as alcalinas, tem maior durabilidade. 38 3 PROJETO DA FÁBRICA Para a fabricação do produto, é necessária a implantação de uma fábrica, para isso, foi desenvolvimento o projeto de fábrica, onde nela serão utilizadas as melhores práticas disponível no mercado. 3.1 Projeto da Rede de Operações A fábrica não produzirá todos os insumos necessários e por isso deverá contar com uma rede de fornecedores. O gerenciamento da cadeia de suprimentos surge assim, como uma possibilidade de diferencial estratégico, e passa a ser encarado como uma das mais poderosas ferramentas para garantir a competitividade e a própria sobrevivência empresarial. (SANTOS, 2008) Fornecedores Clientes Rede de Insumos Rede de Distribuição 2ª camada 1ª Camada 1ª camada Fábrica de componentes eletrônicos Distribuidor de materias eletrônicos Empresa de embalagens Casas de apoio especializadas Fábrica do Sensor de nível Fábrica de peças de plástico Tabela 3 - Projeto de rede operações Fonte: Elaborada pelos autores e-Commerce Lojas On-line Vendas em lojas especializadas 39 3.2 Fornecedores O cliente necessita ter a garantia do atendimento do seu pedido na qualidade e pontualidade desejada e o fornecedor assegura a colocação do produto no mercado. Para isso é necessário que o fornecedor atenda aos prazos e a qualidade esperada, segundo Francischini e Gurgel (2002), “não resta dúvida de que a seleção dos fornecedores é uma tarefa difícil e onerosa para a empresa, mas foi demonstrado que cuidados essenciais, quanto ao fornecimento de componentes e serviços, são muito mais vantajosos do que procurar corrigir os defeitos encontrados durante o processo produtivo ou gerenciar problemas sistemáticos de prazos de entrega”. Na fábrica do sensor, os fornecedores podem ser considerados como Fornecedores Especiais, pois a mercadoria fornecida já será pré-moldada com requisitos estipulados, sendo assim o fornecedor deverá ser pré-selecionado e qualificado com notas para posteriormente ser analisado e escolhido dentre as opções. 40 Critérios de seleção A nota será, para cada critério, de 0 para quando não atender e 1 quando atender as necessidades da empresa, também deverá ser multiplicado pelo peso do critério. Segue descrição abaixo. Critério É o fabricante do material e não revendedor Custo do lote de mercadoria Custo do frete Possível fabricação por lote variável Procedência da matéria prima Fábrica o produto com os prérequisitos Nota 0 Nota 1 Peso Não Sim 1 Acima da média Abaixo da média dos fornecedores dos fornecedores Acima da média Abaixo da média dos fornecedores dos fornecedores Não Sim 2 Não confiável Confiável 2 Não Sim 3 Soma de Peso 1 1 10 Tabela 4 - Pontuação por critério Fonte: Elaborada pelos autores 3.3 Grau de Integração Vertical / Horizontal Inicialmente não existe a necessidade de acontecer uma integração vertical, isto é, não existe a necessidade de adquirir uma empresa fornecedora. A empresa só será responsável pela fabricação do Sensor de nível e com isso não há um motivo para controlar, por exemplo a fabricante de componentes eletrônicos. A integração horizontal não é viável para a empresa a ser desenvolvida, isso porque não existem no mercado nacional outras empresas que possam ser adquiridas e se beneficiar da marca e aceitação já existente no mercado. 41 3.4 Decisão entre comprar e fazer Inicialmente, a decisão tomada pelos integrantes do grupo, será de terceirizar a fabricação do produto, ou seja, comprar os materiais de outros fabricantes, realizar a montagem e elaborar uma estratégia de venda e distribuição. Essa decisão foi tomada após um estudo sobre os custos que essa transação pode alcançar. Considerando a fórmula básica para analisar se o custo de fabricação do produto é maior ou menor que o preço para adquiri-lo no mercado (PEROBA, 2007): Em que: CT = Custo Total CV = Custo Variável do item a ser comprado ou produzido CF = Custo Fixo q = quantidade a ser produzida ou comprada É entendido que, por se tratar de um equipamento de baixo valor agregado, ou seja, custo baixo de matéria-prima, insumos, consumo de energia e outros custos relacionados diretamente à produção do produto, a melhor opção é a de terceirizar a produção. Com a terceirização, o Custo Fixo (CF), torna-se nulo, pois não haverá a necessidade de investimento em instalações para fabricação, maquinário e novas tecnologias. Devido à demanda inicial não ser alta e regular, e, como já dito anteriormente, matéria-prima, insumos e consumo de energia ter um custo baixo, o Custo Variável (CV), não alcança um valor alto para um investimento inicial. Com isso, concluímos que o Custo Total (CT), para a terceirização da fabricação do produto, torna-se a opção mais vantajosa para o investimento inicial que os integrantes do grupo deverão realizar. É sabido que com terceirização, perde-se uma parte do lucro, pois haverá a necessidade de repassar uma parte do lucro para os fornecedores, porém com a terceirização conseguimos alcançar um melhor nível de serviço, ganhando eficiência na operação, reduzindo custos e podendo trabalhar com materiais de qualidade. 42 3.5 Localização da operação Foi definido que a empresa deveria ser alocada em um lugar de fácil acesso e de boa localização levando em conta a logística e um baixo custo de aluguel. Muitas áreas e locais foram averiguados e o que melhor se adequava aos requisitos foi um galpão localizado na Rua João Pessoa, 271 – Centro – Santos/SP. Figura 23 - Localização Fonte: Google Mapas O local se encontra no centro da cidade de Santos, próximo de diversas empresas e possíveis fornecedores. Próximo do maior porto brasileiro, facilitando possíveis entregas de exportações de materiais. Possui 350m², com dimensões de 7m x 50m, que são capazes de armazenar todas as matérias primas e os produtos prontos para distribuição de forma organizada e com qualidade. Há também uma área destinada para seus funcionários, a administração e vestiário. 43 Figura 24 - Região Fonte: Google Mapas 3.6 Custo do local A empresa terá um custo de R$ 2.500,00 mensais no aluguel do local escolhido. As reformas iniciais para instalação da empresa consistem de pintura, colocação de divisórias e mobiliárias. As despesas foram estimadas em R$ 5.000,00. 3.7 Custo do transporte Os custos do transporte da matéria prima, peças e componentes do produto já estão incluídos no custo dos mesmos, sendo incorporado pelos próprios fornecedores. O único custo de transporte está relacionado à entrega do produto final aos parceiros e revendedores. A opção mais apropriada para essa operação foi o envio pelos Correios, especificamente via Sedex, também em razão do pequeno volume e alto valor proporcional. No caso de entregas em Santos e na Baixada Santista, o transporte escolhido foi moto courrier, por tratar-se de baixo custo e rápida entrega. 44 3.8 Custo de energia A empresa terá um turno de trabalho de 8 horas por dia, tendo 1 hora de almoço e 1 hora de preparo e limpeza, totalizando 10 horas diárias de consumo de energia. Para o funcionamento da empresa serão utilizadas lâmpadas fluorescentes, computadores, condicionadores de ar, maquinários, ferramentas, telefones, bebedouro, entre outros que irão gerar custos de energia. Os custos com energia serão calculados quando finalizado o projeto de layout da fábrica de montagem do produto. 3.9 Custo de material terceirizado Visando a redução de custos, as matérias primas serão adquiridas por terceiros. Decisão feita de acordo com estudo anterior para definir qual a melhor opção para esse projeto. Com base em pesquisa de mercado obteve-se uma base de preço médio para os produtos necessários para montagem de uma unidade. Segue tabela a seguir. Preço Unitário Peças Componentes Necessárias Preço Final R$ 0,80 2 Reed Switch R$ 1,60 R$ 0,70 1 Buzzer R$ 0,70 R$ 0,80 1 Bateria R$ 0,80 R$ 3,00 1 Carcaça R$ 3,00 R$ 0,60 1 Imã R$ 0,60 R$ 0,60 1 Bóia R$ 0,60 Total: Tabela 5 - Preço insumos Fonte: Elaborada pelos autores R$ 7,30 45 4 TECNOLOGIA DO PROCESSO 4.1 Tecnologia de processamento de materiais Solda de componentes eletrônicos O processo de montagem do sensor de nível se iniciará na solda dos componentes eletrônicos na placa impressa recebida de fornecedores. Será necessário a soldagem dos 3 reed switches, buzzer e do módulo em que a bateria será acoplada. Para isto, será utilizado um ferro de solda de modelo básico com 30W de potência. A solda é formada basicamente por estanho e chumbo. Anteriormente ao processo de soldagem, será aplicada uma pasta de solda, a fim de melhorar a superfície da placa em que as peças serão presas. Esta pasta faz com que o estanho gurde no metal com maior facilidade. Os componentes que serão soldados a placa deverão ser encaixados no local correto, e assim o ferro de solda será aplicado unindo a placa ao componente eletrônico de forma definitiva. Montagem O processo de montagem do sensor de nível se iniciará seguidamente ao término do processo de soldagem. A carcaça do sensor de nível que será fabricada por terceiros, virá com uma predisposição de modo a facilitar a montagem. O auxiliar de produção deverá simplesmente pegar a placa impressa já soldada com os equipamentos eletrônicos e acoplar a mesma na carcaça no local de encaixe. Com a placa no devido lugar, antes de realizar o fechamento do sensor de nível será necessário colocar a boia com o imã acoplado na cavidade cilíndrica no interior da carcaça por onde o fluído subirá. Em seguida, será realizado o fechamento da tampa da carcaça e o produto estará pronto para utilização. 46 4.2 Tecnologia de processamento de informações Segundo Prando(2013), sistema de Informação é uma definição de um sistema de manipulação e geração de dados e informações, utilizando ou não recursos de tecnologia de informação como RFID, código de barras, GPS, etc. O sistema de informações funciona com entradas e saídas. Sendo as entradas dados, informações, registros, regras predefinidas. E, as saídas geram relatórios, gráficos, informações em geral. Com isso, o sistema de informação auxilia no controle de uma produção, integrando áreas, ajudando a tomar decisões e automatizando o processo. No processo de fabricação do sensor de nível, será utilizado um sistema automatizado, que realizará o acompanhamento de todo o processo, desde a compra de matéria-prima até o processo de emissão dos sensores para os clientes. Este sistema deverá atender aos seguintes requisitos: Deverá atender a uma rede de computadores de forma que os colaboradores da empresa tenham acesso às informações dos clientes, a partir das estações de trabalho instaladas em seus ambientes. Deverá permitir consulta on-line através da internet, para que os clientes consigam verificar como anda o processo da compra, como o prazo de entrega, quando ocorreu o faturamento e emissão do pedido. O sistema somente deverá permitir acesso às informações mediante o registro do usuário e senha de acesso. O sistema deverá ser integrado em todas as áreas da empresa, auxiliando em controle de estoque, compra de matéria-prima, pagamento e recebimento de compras, serviço de atendimento ao consumidor, para que todo o processo seja agilizado. 47 O sistema deverá conter uma opção para cadastro de clientes, registrando assim um Banco de Dados com informações que somente serão acessadas por colaboradores com os devidos acessos. Para realizar a instalação deste sistema, a empresa irá contratar uma empresa na área de Tecnologia da Informação (TI). E será solicitada desta empresa a compra da infraestrutura para utilização do sistema (rede de computadores), a instalação e configuração da mesma, o desenvolvimento deste sistema de informação citado acima e o treinamento e capacitação para os colaboradores que utilizarão o sistema. Para controle de custos, e otimização do processo, esta empresa deverá atender aos requisitos contratados através de três projetos. O primeiro projeto caberá à infraestrutura, e nele a empresa de TI será responsável pela especificação, compra, instalação e configuração da rede de computadores que será necessária para utilização do sistema. O projeto da rede de computadores que deverá ser implantada deverá levar em conta, toda a infraestrutura de transmissão de dados, fornecimento de energia e demais equipamentos para atender um plano de contingência, no caso de quebras ou falhas. O projeto de desenvolvimento do sistema deverá atender toda a especificação do sistema desejado, inicialmente sendo preferida a opção de um sistema customizado para a necessidade da empresa contratante, ou, caso o custo para isto seja maior que o orçamento disponível para o sistema, será solicitado a instalação de um sistema já existente ou até mesmo um freeware para redução de custos. O projeto de capacitação dos colaboradores que utilizarão o sistema, deverá atender todas as áreas da empresa, capacitando assim um colaborador a utilizar o sistema como um todo, independente da área que ele trabalhe, atendendo assim à um plano de contingência em caso de ausência de um colaborador em um dia de trabalho. A empresa de Tecnologia da Informação contratada deverá realizar todo o gerenciamento do projeto, indicando inteiramente o escopo do projeto, todos os custos envolvidos, riscos e prazos. 48 A empresa que será escolhida para desenvolver o sistema será aquela que melhor fornecer um plano de ação, considerando todas as fases do projeto, fornecendo o melhor custo-benefício para a empresa contratante. 49 5 CAPACIDADE DE PRODUÇÃO Segundo Slack (1997), “a definição de capacidade de uma operação é o máximo nível de atividade de valor adicionado em determinado período de tempo, que o processo pode realizar sob condições normais de operação.” A capacidade de projeto foi determinada seguindo os passos para o planejamento e controle de capacidade citados pelo Slack (1997), sendo eles: 5.1 Etapa 1: Medir a demanda e a capacidade agregadas Etapa 2: Identificar as políticas alternativas de capacidade; Etapa 1: Medir a demanda e a capacidade agregadas A previsão da demanda é o insumo principal para a decisão do planejamento e controle de capacidade. O produto seguirá a sazonalidade de vendas semelhante a de uma loja varejista que, segundo o Slack (1997), conforme distribuição a seguir. Sazonalidade Loja Varejista J F M A M J J A S Figura 25 - Sazonalidade Loja Varejista Fonte: Adaptado de SLACK (1997) O N D 50 O volume de produção será de acordo com a demanda. Sendo de a capacidade de projeto será de 1 peça a cada 20 minutos e a linha de montagem opera 8 horas por dia, 5 dias por semana (40 horas semanais). A capacidade de projeto é 3 peças por hora x 8 horas x 5 dias = 120 peças semanais. Porém deve ser calculado possíveis tempos gastos em que não haja produção, sendo algumas ocorrências inevitáveis, como: Manutenção regular (2 horas por semana) Amostragem de qualidade (1 horas por semana) Paradas para manutenção (1 horas por semana) Falta de estoque, atraso de pessoal, investigação de falha de qualidade, tempo ocioso e outros (4 horas por semana) Considerando esses tempos gastos o volume de produção real reduziria de 120 peças semanais para 102 peças produzidas (120 peças - 3 peças por hora x 8 horas de tempo gasto). O Resultado em horas de produção será: Capacidade de projeto = 40 horas por semana Volume de produção real = 40 horas – 8 horas = 32 horas por semana A taxa de utilização pode ser calculada da seguinte forma: tilização 5.2 Volume de produção real apacidade efetiva , Etapa 2: Identificar as políticas alternativas de capacidade Em seguida da compreensão da demanda e a capacidade, é necessário definir como será feita a resposta para as flutuações de demanda. Slack (1997) cita três formas de resposta: Política de capacidade constante: Ignorar as flutuações e manter os níveis das atividades constantes; 51 Política de acompanhamento de demanda: Ajustar a capacidade para refletir as flutuações da demanda; Gestão da demanda: Tentar mudar a demanda para ajustá-la à disponibilidade da capacidade. A linha de montagem do projeto responderá seguindo a segunda opção, sendo ela a Política de acompanhamento de demanda. Isso porque o produto será montado apenas quando a venda estiver negociada. 52 6 ARRANJO FÍSICO DE LAYOUT A fase de elaboração do layout ou arranjo físico das instalações da empresa é definir o arranjo mais adequado de homens, equipamentos e materiais sobre uma determinada área física, dispondo esses elementos de forma a minimizar os transportes, eliminar os pontos críticos da produção e suprimir as demoras desnecessárias entre várias atividades. Nesta fase, estabelece-se a posição relativa entre as diversas áreas. Os modelos de fluxo e as inter-relações entre as diversas áreas são visualizadas, tendose a noção clara do fluxo industrial, desde a entrada das matérias-primas até a saída do produto. Depois, defini-se claramente a localização de cada máquina e posto de trabalho. Dito de uma forma simples, definir o arranjo físico é decidir onde colocar todas as instalações, máquinas, equipamentos e pessoal da produção. O principal campo do arranjo físico é o interior da empresa, definindo e integrando os elementos produtivos. Não é somente uma disposição racional das máquinas, mas também, o estudo das condições humanas de trabalho (iluminação, ventilação, etc.), de corredores eficientes, de como evitar controles desnecessários e de qual meio de transporte vai ser utilizado para movimentação da peça. O arranjo físico do layout visa harmonizar e integrar equipamento, mão de obra, material, áreas de movimentação, estocagem, administração, mão de obra indireta, enfim todos os itens que possibilitam uma atividade industrial. 6.1 Objetivos do Arranjo Físico O projeto de arranjo físico busca minimizar custos de movimentação, reduzir o congestionamento de materiais e pessoas, incrementar a segurança, o moral e a comunicação, aumentar a eficiência de máquinas e mão de obra e apoiar a flexibilidade. 6.2 Tipos de Arranjos Físicos Há diferentes maneiras de se arranjarem os recursos produtivos de transformação. Os recursos individuais de transformação são muito diferentes, por 53 isso a variedade de arranjos parece ainda mais ampla do que realmente é (SLACK; CHAMBERS; JOHNSON, 2002). Corrêa e Corrêa (2004) afirmam que o tipo básico de arranjo físico é a forma geral do arranjo de recursos produtivos da operação. Os tipos de arranjo são: I. Arranjo físico por processo ou funcional; II. Arranjo físico em linha ou por produto; III. Arranjo físico posicional ou por posição fixa; IV. Arranjo físico celular; V. Arranjo físico híbrido, combinado ou misto. 6.3 Arranjo físico escolhido Para definição do processo preferencial para o planejamento do layout, é preciso identificar a melhor situação e que apresente a maior afinidade com o processo que será realizado na empresa. Em um estudo de manufatura, a característica de volume-variedade ditará o processo mais adequado para o planejamento. Para indicar o processo apropriado, Slack, Chambers e Johnson (2002) fornecem uma matriz associada à característica volume-variedade, conforme ilustrado na imagem a seguir. Figura 26 - Matriz de layout e gráfico volume-variedade Fonte: SLACK; CHAMBERS; JOHNSON, (2002) 54 Após o estudo feito, segue no próximo tópico o arranjo escolhido. 6.4 Arranjo Linear, em linha, por produto, flow shop Nesse tipo de arranjo os postos de trabalho, máquinas e equipamentos são colocados em sequência lógica das operações que devem ser executadas, não ocorrendo caminhos alternativos, o que facilita o controle do processo e minimiza o manuseio de materiais, ou seja, o material passa pelas operações e existe um único produto fabricado. Esse arranjo tem uma única entrada e uma única saída. O material percorre um caminho previamente determinado dentro do processo como pode ser observado na figura 25. O arranjo por produto permite obter um fluxo rápido na fabricação de produtos padronizados, que exigem operações de montagem ou produção sempre iguais, os equipamentos são especializados para se dedicarem à fabricação de um produto em particular. Figura 27 - Fluxo de operações em uma linha de produção Fonte: SLACK; CHAMBERS; JOHNSON, (2002) Quando se fala em arranjo em linha, não se trata necessariamente de uma disposição em linha reta. Uma linha de produção retilínea tende a ficar excessivamente comprida, exigindo grandes áreas, o que nem sempre é possível. 55 Para contornar este problema é comum que os engenheiros projetem linhas em forma de “ ”, “S” ou outra forma de circuito diferente, que possa ser possível em função das instalações que a empresa dispõe. O arranjo em linha é bastante usado em indústrias montadoras, alimentícias, frigoríficos e até mesmo restaurantes por quilo. Vantagens do Arranjo Linear: Produção em massa com grande produtividade, os funcionários são especializados na área em que esta trabalhando e sempre está fazendo o mesmo trabalho, assim diminuindo o risco de falhas; Carga de máquina e consumo de material constante ao longo da linha de produção, é mais fácil obter uma condição de balanceamento da produção uma vez que o mesmo tipo de produto está sendo fabricado na linha, a qualquer momento; Fácil controle de produtividade, a velocidade do trabalho em uma linha de produção é mais fácil de ser controlada, principalmente quando se trata de linha motorizada; Relativamente fácil de controlar, por apresentar um fluxo produtivo muito claro e previsível; Desvantagens do Arranjo Linear: Costumam gerar tédio nos operadores, devido ao alto grau de divisão deste trabalho, quase sempre as operações de montagem são monótonas, pobres e repetitivas, causando uma rotina cansativa para os funcionários; Falta de flexibilidade da própria linha, o sistema tem longo tempo de resposta para mudanças de volume de produção, tanto para aumentála como para reduzi-la; 56 Fragilidade a paralisações e subordinação aos gargalos, tal como acontece com os elos de uma corrente, basta que uma operação deixe de funcionar e a linha toda para, assim como se houver uma operação mais lenta, o gargalo produtivo, toda a linha irá seguir essa mesma velocidade; 6.5 Layout projetado Após pesquisas e entendimento do melhor arranjo de layout foi feito o projeto de fábrica que melhor atendesse às necessidades, vide apêndice III e IV para visualização do projeto. 57 7 DADOS DA EMPRESA 7.1 Dados Gerais A empresa a ser aberta será na forma de Sociedade Limitada, devido ter três sócios majoritários. 7.2 Logotipo Desenhado especialmente para a empresa. O logotipo usa o próprio nome como slogan, “New vision”, que em português significa “Visão Nova” que se refere à missão. Figura 28 - Logotipo Fonte: Elaborada pelos autores 7.3 Missão, Visão e Valores Missão Prover produtos de qualidade para deficientes visuais para obtenção de sua independência. 58 Visão Ser líder de inovação de produtos no mercado voltados para os deficientes visuais. Valores Respeitar o potencial do ser humano; Dedicação à causa do deficiente visual; Ter ética, compromisso e responsabilidade. 59 8 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL A empresa será estruturada de forma funcional, que é definida por Picchaia (2 1 ) como: “É aquela em que se encontra uma chefia para cada função, de modo que os subalternos exerçam mais de uma função, ficando sob o mando de mais de um chefe”. Conselho Administrativo Gestão Estratégica Comercial Produção Marketing Logística Pós-Vendas Financeiro Gestão de Pessoas Empresa terceirizada Figura 29 - Estrutura Organizacional Fonte: Elaborada pelos autores A desvantagem encontrada na estrutura funcional, é que ocorrerá o acumulo de funções para os funcionários. Primeiramente, as funções serão alocadas no mínimo pessoais, devido à redução de custos. 8.1 Departamentos Departamento de Gestão Estratégica O Departamento de Gestão Estratégica terá como atribuição desenvolver ferramentas de planejamento e gestão, coordenando a elaboração, a execução e o monitoramento das ações estratégicas da empresa, prospectar negócios, fazer 60 estudos de mercado, acompanhar e fazer projetos visando a excelência do desempenho, desenvolver estudos de novas tecnologias em métodos e executar projetos em conjunto com outros departamentos, sendo eles conforme necessidade ou antecipando demanda. Departamento Comercial (Marketing, vendas e pós-vendas) O Departamento Comercial será responsável por dirigir e coordenar as atividades relacionadas com a comercialização e venda dos produtos. A função comercial corresponde à função do marketing, relaciona-se com a compra, venda e permuta dos bens produzidos e consumidos pela empresa (FERREIRA, 2008). Suas funções são de suma importância para a empresa, pois é com elas que vai se gerar a receita para futuros investimentos e projetos. As atividades principais são: controle de vendas, relacionamento com os vendedores, levantamento de dados comerciais, negociações com fornecedores e vendedores, fidelizar os clientes, fazer relatórios diários, e acompanhar as metas de venda, treinamentos para os consumidores, analise de canais de distribuição e outras atividades. O departamento utilizará os quatro instrumentos básicos de ação de Marketing: produzir bens e serviços que satisfação os desejos dos consumidores; precificar o produto de maneira correta; distribuir o produto de forma eficiente; ter uma boa comunicação com o público. Departamento Contábil Financeiro Caberá ao Departamento Contábil Financeiro à responsabilidade de gerar as demonstrações contábeis da empresa. Pereira defini a função contábil sendo: A função contábil financeira tem por objetivo elaborar as demonstrações contábeis da empresa extraindo informações que mostrará números, e através deles, poder analisar como a empresa está - uma boa situação financeira ou não. Estas demonstrações são de suma importância tanto pela exigência legal quanto para a tomada de decisões por parte dos gestores (PEREIRA, 1996). 61 Outras atividades desenvolvidas por ele serão: controle dos pagamentos a serem realizados e recebidos; tesouraria; controle de caixa; controle bancário, planejamento financeiro e de investimentos. Departamento de Produção Segundo Leonardi (SEBRAE, 2013), a gestão de produção é a administração adequada dos recursos destinados à produção de bens ou serviços de uma empresa. A Gestão da Produção envolve planejamento, direção, organização e controle, sempre visando à integração dessas áreas para que a empresa alcance melhores resultados. O departamento de Produção será responsável por administrar a manufatura do sensor, a adequação e melhorias no sistema de produção para o uso das melhores práticas em administração da produção, sendo elas para o arranjo físico dos equipamento, planejamento e controle da produção, controle de estoque, entre outras funções. Terá também que assegurar que as metas de produção sejam cumpridas, o produto esteja dentro dos padrões de qualidade, custos e prazos estabelecidos. Departamento de Logística José Meixa de Carvalho define Logística como: Logística é a parte do Gerenciamento da Cadeia de Abastecimento que planeja, implementa e controla o fluxo e armazenamento eficiente e econômico de matérias-primas, materiais semi-acabados e produtos acabados, bem como as informações a eles relativas, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender às exigências dos clientes. (CARVALHO, 2002, p. 31) Caberá a esse departamento a gestão de transporte, armazenagem e distribuição de todos os insumos vindo de fornecedores e dos sensores prontos. Será responsável também por monitorar constantemente esses processos e sempre em busca de redução de custos. Departamento de Gestão de Pessoas 62 “Gestão de Pessoas é a função gerencial que visa à cooperação das pessoas que atuam nas organizações para o alcance dos objetivos tanto organizacionais quanto individuais” (GIL, 6). Antes conhecido como Recursos Humanos, o departamento de Gestão de Pessoas da empresa será responsável por lidar com questões de treinamento, capacitação dos funcionários e pelo sistema de remunerações e benefícios dos funcionários. As questões de recrutamento e seleção de candidatos serão de responsabilidade de uma empresa terceirizada especializada, obtendo então uma redução de custos com um profissional especializado fixo na empresa. A mudança de nome, de “Recursos Humanos” para “Gestão de Pessoas”, representa muito mais do que uma simples alteração na forma de nomear esta prática. O que ocorreu foi uma transformação nas relações entre empregado/empregador. Hoje, o que se valoriza é uma administração conjunta, onde os colaboradores são parceiros e não apenas recursos empresariais. (SEBRAE) Aspectos legais Todas as ações de caráter legal serão tomadas, desde a abertura da empresa até a regularização de todos os órgãos reguladores. 8.2 Centros de custo Para melhor apuração e controle de gastos dos departamentos, serão utilizados centros de custos diferentes para cada departamento. Cada setor terá seu orçamento estipulado e deverá segui-lo no decorrer do período. 8.3 Administração da Produção Sistema de informação para funções logísticas Inicialmente o sistema informatizado que será utilizado pela empresa não conterá um módulo de função logística. Esta decisão foi tomada tendo em vista que o processo de distribuição do sensor de nível será feito principalmente pelos Correios como citados anteriormente. 63 E, com isto, não será necessário traçar o melhor cenário de distribuição já que a mesma também será terceirizada. Planejamento e controle da produção Devido a demanda inicial não ser alta e regular, o planejamento e controle da produção será feito por meio da previsão da demanda em curto prazo e pela demanda de fato quando for solicitado um novo produto por um cliente. O produto demora em torno de 20 minutos para ficar pronto, com isto é possível atender aos pedidos de uma demanda inicial, tendo em vista que quando um cliente solicitar um produto, já será estipulado um prazo mínimo de entrega, viabilizando totalmente assim a parte produtiva da empresa de atender um mercado que não está aquecido ainda devido a falta de empresas atuantes. A empresa irá produzir exatamente aquilo que for solicitado diariamente para que assim não seja gerado um estoque alto. O estoque será de uma pequena quantidade e o mesmo deverá apenas suprir a necessidade dos sensores em caso que a demanda média diária ultrapasse a capacidade de produção em 3 dias consecutivos. No sistema informatizado utilizado pela empresa, inicialmente também não haverá um módulo dedicado ao PCP, pois por se tratar de poucos componentes e de uma capacidade de produção consideravelmente baixa, é possível realizar o controle e planejamento de acordo com o recebimento de encomendas. Sem os módulos de planejamento e controle da produção e de logística, o investimento inicial será mais baixo, e isto impactará positivamente no preço final do produto no qual se caracteriza um dos principais objetivos do projeto que é de fornecer um produto de qualidade a um baixo preço. Indicadores de desempenho Segundo Peter Drucker, não há gerenciamento sem a medição do processo. Para isto, serão utilizados KPI’s (Key-Performance Indicators), que são medições quantificáveis que refletem os fatores críticos de sucesso de uma organização. Eles devem consistir no objetivo, sempre mensurável, daquilo que deverá ser alcançado. 64 O primeiro KPI será a produção diária dos sensores de nível, com uma capacidade de produção diária definida anteriormente de 480 peças mensais, o auxiliar técnico terá como meta realizar esta produção. O segundo KPI será voltado para o desperdício de material, será estipulado uma quantidade mínima de componentes que poderão ser perdidos durante o processo de montagem do produto, pois se tratando de componentes frágeis, a quebra ou perda do material é natural, porém, para que a perda no processo seja a menor possível, será feita a medição desta quantidade de peças desperdiçadas para efeito de melhorias futuras no processo. O terceiro KPI será baseado em um controle de reclamações realizado pelos clientes. Será mensurado o número de reclamações de insatisfações com a qualidade do produto, e também o número de reclamações em que sejam solicitadas trocas ou devoluções. Este KPI será também utilizado para efeito de melhorias no processo, visando melhorar a qualidade e também controlar para que não sejam solicitadas diversas trocas de produtos afetando assim a capacidade de produção diária para novos pedidos. 65 9 VIABILIDADE ECONÔMICA O Projeto de Viabilidade Econômica e Financeira (PVEF), ou Plano de Negócio (PN) é o meio que o empreendedor formaliza os estudos sobre seu projeto e qual roteiro deve ser seguido transformá-lo em um negócio real, reduzindo os riscos e incertezas ao mínimo. O PVEF serve de apoio para o empresário poder dimensionar sua necessidade de recursos ao longo do tempo, estimar suas receitas e custos, projetar seu retorno financeiro, por fim, poder demonstrar a viabilidade econômica e financeira do projeto de financiamento em questão, servindo como elemento chave para a decisão do agente financeiro de concessão do empréstimo. (SEBRAE, 2011) As atividades econômicas realizadas pelas diferentes organizações podem ser viáveis ou não. O estudo de viabilidade é a análise detalhada, que tem como objetivos identificar e fortalecer as condições necessárias para o projeto dar certo e identificar e tentar neutralizar os fatores que podem dificultar as possibilidades de êxito do projeto. Levando em consideração isso, o estudo deve ser realizado antes de o projeto e ideias serem iniciadas. 9.1 Abertura de empresa Para abrir uma nova empresa, é necessário passar por todo o processo de legalização, o custo para isso varia de um estado para outro. Em São Paulo o custo de todo o processo fica próximo a R$ 1.500,00. As etapas para a abertura de uma empresa são: Viabilidade de Localização e de Nome; Contrato Social; Registro na Junta Comercial; Obter CNPJ; Alvará Corpo de Bombeiros; Alvará da Prefeitura; Alvará Sanitário. 66 9.2 Investimento Fixo O investimento fixo é a aplicação de capital em bens, como instalações, máquinas, infraestrutura e móveis. Na tabela a seguir os investimentos fixos que serão necessários para a empresa e suas depreciações. DISCRIMINAÇÃO VALOR R$ Construções Reforma do armazém Equipamentos Ferros de Solda Móveis e Utensílios Armários Mesas e cadeiras de escritório Mesas e cadeiras da área de montagem Artigos de Banheiro 15.000,00 15.000,00 80,00 80,00 4.800,00 1.200,00 2.200,00 Computadores Computadores Impressora Outros Equipamentos de Proteção Individual Equipamentos de Proteção Coletiva Total Investimento Fixo 3.400,00 3.000,00 400,00 700,00 200,00 500,00 23.980,00 % Depreciação 4,0% 10,0% 10,0% 900,00 500,00 20,0% 20,0% Tabela 6 – Investimento Fixo Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE 9.3 Faturamento Mensal O Faturamento mensal é toda a venda de produtos e serviços de uma empresa. Para obter-se valor do faturamento mensal de uma empresa necessitamos multiplicar a quantidade de vendas pelo preço de venda do produto. 67 Descrição do Produto / Serviço Estimativa de Custos Estimativa de Vendas Vendas Unitárias Custo Unit. Custo da Mercadoria Preço de Venda Unitário Faturamento 480 8,00 3.840,00 50,00 24.000,00 CMV 3.840,00 VENDA TOTAL MENSAL 24.000,00 Sensor de Nível para deficientes visuais Tabela 7 - Faturamento Mensal Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE 9.4 Custos com Mão de Obra Mão de obra é o trabalho manual empregado geralmente na produção de indústrias, mas também pode ser utilizado para se referir ao trabalhador de qualquer empresa. A mão de obra pode ser dividida em mão de obra direta, que é quando o trabalho é diretamente empregado na fabricação de um bem ou serviço, e a mão de obra indireta que é quando o trabalho é realizado em atividades frequentemente indivisíveis, como a supervisão ou apoio à produção de manutenção de máquinas e equipamentos, limpeza ou vigilância. A seguir tabela em que está definido o custo da mão de obra da empresa. Cargo/Função Qtd. func. Salário %* Encargos Total Auxiliar Administrativo 1 700,00 37,56% 262,92 962,92 Auxiliar Técnico 2 700,00 37,56% 262,92 1.925,83 Zelador 1 700,00 37,56% 262,92 962,92 TOTAL 4 2.800,00 1.051,67 3.851,67 Tabela 8 - Mão de obra Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE 68 9.5 Custos Fixos Custo fixo é um fator de produção que tem custos independentes do nível de atividade da empresa. Qualquer que seja a quantidade produzida ou vendida, os custos fixos se mantêm os mesmos. Na tabela a seguir constam os custos fixos que a empresa irá ter. Discriminação Mão de Obra + Encargos Retirada dos Sócios (Pró-Labore) Água Luz Telefone / Internet Contador Material de Expediente e Consumo Aluguel Seguros Propaganda e Publicidade Depreciação Mensal Manutenção TOTAL Valor R$ 3.852 300 40 120 60 120 180 2.500 100 50 159 80 7.560,67 Tabela 9 - Custos Fixos Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE 9.6 Tributos Tributo é a obrigação imposta as pessoas físicas e jurídicas de recolher valores ao Estado através de impostos, taxas e encargos. A seguir estão listados todos os tributos e seus valores. 69 Faturamento Mensal IMPOSTOS IR - Imposto de Renda CSLL - Contribuição Social COFINS - Contribuição Financeira Social PIS - Programa de Integração Social IPI - Imposto sobre Produtos Industrializados ICMS - Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços ISS - Imposto sobre Serviços TOTAL DE IMPOSTOS PERCENTUAL DE IMPOSTOS 24.000,00 SIMPLES 1.202,40 1.202,40 5,0% ENCARGOS INSS SESI, SESC OU SEST SENAI, SENAC OU SENAT SEBRAE INCRA FGTS Acidente de Trabalho Salário Educação TOTAL DE ENCARGOS TOTAL GERAL 224,00 224,00 1.426,40 TRIBUTAÇÃO EM REALAÇÃO AO FATURAMENTO 5,94% Tabela 10 - Tributos Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE 9.7 Sazonalidades É a ocorrência de eventos em algumas épocas do ano. Em um negócio, é importante identificar a sazonalidade das vendas, ou seja, os meses em que você irá vender mais e os meses em que venderá menos. Temos como exemplo Dezembro, em que as vendas gerais tendem a crescer devido ao Natal. 70 Figura 30 – Sazonalidade Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE 9.8 Indicadores Financeiros Investimento 23.980,00 Faturamento Capital de Giro 2.000,00 Custos Variáveis 6.074,40 25,3% Total 25.980,00 Custos Fixos 7.560,67 31,5% Investimentos Financiamento - Capital Próprio 25.980,00 Resultado 24.000,00 - 0,0% 10.364,93 43,2% Tabela 11 - Indicadores Financeiros Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE A partir de 50% da realização da Receita prevista a empresa passará a ter lucro, pois será superior ao Custo total, como podemos ver na Figura 33. Levando em conta o total de R$ 25.980,00 em investimento, e tendo um resultado de R$ 10.364,93 de lucro por mês, a empresa terá um prazo de retorno de investimento de 3 meses. 71 Figura 31 – Gráfico Receita x Custo Total Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE Na figura a seguir, podem ser estipulados os resultados dos valores se for realizada uma modificação de 10% no preço de venda, nas vendas, no custo da mercadoria ou no custo fixo. 12.157 10.365 Resultado Atual 12.914 12.157 10.749 Acréscimo de Acréscimo de Redução de 10,0% Redução de 10,0% 10,0% no preço 10,0% nas vendas no Custo da no Custo Fixo Mercadoria Figura 32 – Cenários com variação de 10% Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE 72 9.9 Demonstrativo de Resultado – DRE A Demonstração do Resultado do Exercício tem como objetivo principal apresentar de forma vertical resumida o resultado apurado em relação ao conjunto de operações realizadas na empresa. Na tabela a seguir, temos o DRE mensal da empresa. DISCRIMINAÇÃO 1. Receita Total Vendas (à vista) Vendas (a prazo) 2. Custos Variáveis Totais Previsão de Custos (Custo da Mercadoria) Impostos Federais (PIS, COFINS, IRPJ, CSLL ou SIMPLES) Impostos Estaduais (ICMS) VALOR R$ % 24.000,00 19.200,00 4.800,00 100,0% 80,0% 20,0% 6.074,40 3.840,00 25,3% 16,0% 1.202,40 5,0% 192,00 192,00 0,8% 0,8% 780,00 480,00 300,00 60,00 60,00 3,3% 2,0% 1,3% 0,3% 0,3% 17.925,60 74,7% 7.560,67 3.851,67 300,00 40,00 120,00 60,00 120,00 180,00 2.500,00 100,00 50,00 159,00 80,00 31,5% 16,0% 1,3% 0,2% 0,5% 0,3% 0,5% 0,8% 10,4% 0,4% 0,2% 0,7% 0,3% Imposto Municipal (ISS) Comissões Vendas Eletrônicas Vendedor Cartões de Crédito e Débito Crédito Débito Outros Aluguel máquina de cartões 3. Margem de Contribuição 4. Custos Fixos Totais Mão-de-Obra + Encargos Retirada dos Sócios (Pró-Labore) Água Luz Telefone / Internet Contador Material de Expediente e Consumo Aluguel Seguros Propaganda e Publicidade Depreciação Mensal Manutenção 5. Resultado Operacional 10.364,93 43,2% 6. Lucro / Prejuízo 10.364,93 43,2% Tabela 12 - Demonstrativo de Resultado - DRE Fonte: Elaborada pelos autores com base em Planilha do SEBRAE 73 10 CONCLUSÃO Com objetivo de incluir um novo produto, em um mercado com baixa abrangência no Brasil, a um preço baixo, este projeto mostrou-se viável. Conforme dados do IBGE, o Brasil possui uma grande quantidade de deficientes visuais e uma quantia considerável está concentrada no Estado de São Paulo e a região da Baixada Santista, local de atuação da empresa. Devido a esta população e a falta de produtos voltados aos mesmos, a empresa possui uma grande oportunidade de negócio em um segmento ainda não explorado no país. Com a falta de concorrentes presentes no mercado brasileiro, o público que a empresa deseja atender necessita importar estes produtos a um custo muito alto. Com uma população considerada de baixa renda o produto necessita ter um baixo custo de fabricação para assim ser possível atender à necessidade deste público. O produto estudado no projeto possui alguns riscos de aceitação no mercado devido à falta de utilização de um similar e por ser um produto relativamente novo, também por ter um público restrito devido ao produto atender apenas deficientes visuais. Apesar dos riscos, o projeto apresentou um cenário positivo para implementar um start-up no mercado brasileiro, pois trata-se de um produto de tecnologia de baixa complexidade que irá atender a expectativa de uma baixa precificação. O foco no Brasil está em novos empreendedores, e com isso há grandes investimentos em pequenas e médias empresas, inclusive por parte do Governo Federal. Sendo assim, a empresa tentará se encaixar neste quadro de start-up criando um produto para atender a necessidade de um segmento de consumidores bem específico, consolidando sua marca, ganhando clientes e possibilitando o desenvolvimento de uma gama de produtos direcionadas à esse público. Por não ter uma demanda inicial alta e regular, a opção de fabricação do produto torna-se inviável, tendo a empresa optado por comprar o material de terceiros e realizar a montagem. Assim, os custos fixos tornam-se nulos, pois como não há a necessidade de grandes maquinários e manutenção, também não serão necessários grandes investimentos futuros. Também devido à demanda, não será necessária a utilização de grande mão de obra nem de uma grande infraestrutura. 74 Estes fatores são favoráveis a um baixo investimento inicial que o projeto visa atender, tornando assim possível a introdução de um produto acessível à população. A localização da empresa é outro ponto positivo a ser abordado. A cidade de Santos, com sua posição estratégica de grande cidade portuária e com escoamento fácil para a capital, São Paulo e outras grandes cidades, torna o projeto mais fácil de ser implantado. Por se tratar de um produto direcionado a um público alvo bem específico e restrito, a demanda inicial estimada não exigirá grandes volumes de produção, o que permite a instalação da empresa com baixo investimento. A capacidade fabril será ser estruturada para permitir um volume semanal de aproximadamente 120 unidades, ou uma soma de 480 sensores de nível por mês. Esse volume de produção gera uma previsão de R$ 24.000,00 de receita, A empresa atinge seu ponto de equilíbrio ao alcançar vendas de apenas, 50% da capacidade de produção prevista, Sendo que, atingindo um volume de vendas igual à capacidade instalada, em apena três meses todo o investimento inicial já estará recuperado. Como cenário positivo, caso a empresa consiga reduzir apenas 10% do seu Custo Fixo, o lucro auferido aumentará aproximadamente 20% do estimado no plano atual. Ao analisar todos os estudos realizados, pode-se verificar que com um baixo investimento e uma meta bastante conservadora pode-se alcançar um produto de baixo custo e com uma margem satisfatória, para os empreendedores. Ao mesmo tempo permitindo um preço competitivo e acessível ao público-alvo, tendo-se assim um potencial de ótima penetração no mercado. A conjunção desses fatores demonstra que o projeto tem grande viabilidade; tanto do ponto de vista técnico quanto econômico-financeiro. O Sensor de Nível é um produto útil e inovador que foi desenvolvido para facilitar o cotidiano de pessoas necessitadas e auxiliar na inclusão desses deficientes visuais no ambiente das pessoas essa deficiência. 75 11 REFERÊNCIAS ANVISA - Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Higienização das Mãos. 2007. Disponível em: <http:/w.anvisa.gov.br/hotsite/higienizacao_maos/conteudo/c_higiene.htm>. Acesso em 16 de mar. 2013. BERSCH, Rita e SARTORETTO, Maria Lúcia. Assistiva: Tecnologia e Educação. 2005. Disponível em: <http://www.assistiva.com.br/tassistiva.html>. Acesso em 16 mar. 2013. CARVALHO, José Meixa Crespo de - Logística. 3ª ed. Lisboa: Edições Silabo, 2002. CAT – Comitê de Ajudas Técnicas. Ata VII. Disponível em: <http://portal.mj.gov.br/corde/arquivos/doc/Ata_VII_Reuni%C3%A3o_do_Comite_de _Ajudas_T%C3%A9cnicas.doc>. Acesso em 14 de out. de 2013. ESFERATRONIC. Bateria CR2032 Lithium 3V. Disponível em: <http://www.esferatronic.com.br/ecommerce_site/produto_21101_9676_BATERIALITHIUM-CR2032-3V>. Acesso em 13 mar. 2013. FERREIRA, Nayara. Áreas da administração e suas funções. Engenharia de Produção, 2008. FRANCISCHINI, Paulino G; GURGEL, Floriano do Amaral. Administração de Materiais e do Patrimônio. São Paulo; Pioneira, 2004. GIL, Antonio Carlos. 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Tecnologia e Sistemas de informação. UNISANTA – Universidade Santa Cecília, 2013. Material de aula, 23 ago. 2013. RADABAUGH, M. P. Long Range Plan - Technology for Access and Function Research, Seção 2. 1993. Disponível em: <http://www.ncddr.org/new/announcements/lrp/fy1999-2003/index.htm>. Acesso em 13 mar. 2013. RAPID. Miniature Electronic Buzzer. Disponível <http://www.rapidonline.com/audio-visual/miniature-electronic-buzzer-83008/>. Acesso em 13 mar. 2013. em: SANTOS, Antônio Roberto Silva. O Projeto da Rede de Operações Produtivas. Disponível em: <http://www.administradores.com.br/producao-academica/o-projetoda-rede-de-operacoes-produtivas/576/>. Acesso em 25 abr. 2013. SEBRAE. Estudo de Comportamento de Consumo – Segmento de Vestuário, Calçados e Acessórios. 2011. Disponível em: <http://www.sebraepr.com.br/StaticFile/InteligenciaCompetitiva/docs/Comercio_Varej ista/Estudo%20de%20Comportamento%20de%20Consumo/Estudo_Comportamento _Consumo.pdf>. 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Acesso em 30 de mai. de 2013. 79 APÊNDICE Apêndice I - Questionário para Pesquisa de Campo Trabalho de Conclusão de Curso Pesquisa de campo Dispositivo Termo/volumétrico 1) Sexo: □ Masculino □ Feminino 2) Idade: □ Até 20 anos □ 20 a 49 anos □ + de 50 anos 3) Mora sozinho? □ Sim □ Não 4) Se não, com quem? □ Familiar □ Amigo □ Outros 5) Renda Familiar □ Até 01 salários □ 01 a 05 salários + de 5 salários 6) O Dispositivo Termo/Volumétrico seria útil no seu dia-a-dia? □ Sim □ Não 7) Se sim, quanto você pagaria por ele: □ R$20 a R$40 □ R$40 a R$60 □ R$60 a R$100 □ + de R$100 8) Comentários adicionais: _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ _______________________________________________________________________________ 80 Apêndice II - Resultado de Questionário de Pesquisa de Campo Questão * A: R: A: Idade: R: A: Mora sozinho? R: A: Se não com quem? R: Amostra Sexo Renda Familiar: A: R: O dispositivo Termo / A: Volumétrico seria útil? R: Se sim, quanto você A: pagaria por ele? R: Masculino Feminino 11 19 Até 20 anos Entre 20 a 49 anos + de 50 anos 10 17 3 Sim Não 6 24 Com família Com amigos Com outros 16 5 3 Até 01 salário mínimo Entre 01 e 05 salários mínimos + de 5 salários mínimos 12 14 2 Sim Não 28 De R$20 a 15 2 De R$40 a De R$60 a Mais de R$100 7 7 1 Principais temas comentados Comentários I) Assistência Técnica. II) Material Utilizado. III) Duração de uso de bateria. IV) Higienização do equipamento. V) Possíveis líquidos utilizáveis. VI) Não utilização do sensor de temperatura. * A: Al terna tiva / R: Res ul tado Da dos : Pes qui s a TCC Sens or Termo/Vol umétri co 81 Apêndice III – Layout da fábrica 82 Apêndice III – Layout da fábrica - Detalhe