CULTURA Recomeço em grande estilo Espetáculo de Antônio Abujamra reabre as portas do Teatro Popular do SESI paulista Espetáculos teatrais de montagem sofisticada, com atores consagrados no elenco, dirigidos pelos melhores profissionais do ramo e, ainda por cima, com entrada franca, voltam aos palcos do Teatro Popular do SESI São Paulo, que reabriu suas portas no dia 26 de junho, com peça inédita de Antônio Abujamra. A reforma trouxe muitas melhorias, entre elas maior conforto para a platéia, devido à remodelação das cadeiras e acústica mais apurada, e recursos de iluminação e cenário mais eficientes, com a incorporação de equipamentos modernos. A obra consumiu cinco meses de trabalho e investimento de R$ 4 milhões. Se o Teatro Popular do SESI, instalado no prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tradicional Avenida Paulista, mudou o visual interno, manteve, porém, a filosofia que o consagrou como formador de platéias para as artes cênicas. Em 44 anos de vida, o Teatro Popular do SESI recebeu público de 6,5 milhões de espectadores. “É maravilhoso contar com um teatro como o do SESI, que sabe que é preciso unir a educação e a cultura para melhorar este País”, afirma o ator Antônio Abujamra, diretor de O que Leva Bofetadas. Ele destaca o acesso do público de baixa renda e as sessões FOTO: JOÃO CALDAS O que Leva Bofetadas: com a direção de Abujamra, a reabertura 12 das quintas-feiras, reservadas exclusivamente para estudantes, com agendamento feito pelas próprias escolas. “É muito importante mostrar a esses alunos espetáculos grandiosos, para que os jovens se valorizem e não se sintam culpados pela violência e pela loucura existente no mundo”, afirma o diretor. O INÍCIO Entreter os trabalhadores da indústria era o objetivo do grupo de teatro amador, formado por empregados das empresas, que em 1960 lançou o Teatro Experimental do SESI. Mas, três anos depois, já com o nome de Teatro Popular do SESI, o grupo se profissionalizou e lançou A Cidade Assassinada, espetáculo de Antônio Callado. Itinerante, apresentava-se em teatros consagrados, como o Maria Della Costa e o Teatro Brasileiro de Comédia, entre outros. No final da década de 70, inaugurou sua sede própria, na Avenida Paulista, com a estréia da peça O Poeta da Vila e Seus Amores, de Plínio Marcos. Desde então, os principais diretores nacionais têm deixado sua marca por lá. Além do próprio Abujamra, estiveram à frente de espetáculos, entre outros, Ulisses Cruz, Cacá Rosset, Felipe Hisch, Bia Lessa, Naum Alves de Souza, Gabriel Vilela, Moacyr Góes, Beth Lopes, Francisco Medeiros e Osmar Rodrigues Cruz. Diretores e dramaturgos iniciantes também tiveram oportunidade de mostrar seu trabalho em projetos como o Núcleo Ex- A VOLTA Sob direção do polêmico Antônio Abujamra, o espetáculo O que Leva Bofetadas, que ficará em cartaz até 14 de novembro, se passa em um circo e em meio a músicos, anões e mestres-de-cerimônia. O enredo gira em torno de um estranho palhaço, que se propõe a fazer o público rir ao levar intermináveis bofetadas. Alguns personagens se destacam, como a domadora, que desaprende como lidar com as feras, e a trape- FOTO: SÉRGIO ELUF zista, à espera do momento de ser vendida. “Andreiev nos leva a um lúdico e divertido mundo, que mostra pessoas tentando se equilibrar sobre o fio estendido entre o nosso cotidiano e a loucura”, afirma Abujamra, responsável pela adaptação do texto. Pouco conhecida no Brasil, a obra do autor russo caracteriza-se por um profundo pessimismo; por isso, despertou opiniões díspares entre os estudiosos da literatura, pois reflete contradições que dominaram muitos intelectuais de seu país nos anos que FOTO: DIVULGAÇÃO perimental. Nele nasceram montagens premiadas e reconhecidas pelos críticos, como Pirata na Linha, Mortoboy, Romeu e Julieta e O Nome. Mostras de dramaturgia contemporânea deram espaço a produções modernas nacionais e internacionais. “Temos duas linhas de atuação. Uma delas é formar público para artes cênicas, por meio do acesso gratuito e de sessões especiais para alunos das escolas públicas. A outra é investir em clássicos e dramaturgia contemporânea”, informa Sílvio Anaz, coordenador do Centro Cultural Fiesp. Até 1993, o Teatro dedicava-se exclusivamente aos clássicos. “A partir de 1999, abrimos espaço para os experimentos e as inovações”, acrescenta. Os principais critérios para a escolha das montagens, segundo Anaz, são a qualidade do espetáculo e as melhores propostas cênicas. Foi seguindo essa tendência que a direção do SESI escolheu para marcar a reabertura de suas portas um espetáculo que recria o universo circense, baseado na obra de um dos mais importantes autores russos, Leonid Andreiev. Kito Junqueira, Paulo Herculano, Adriano Stuart e Miguel Magno integram o elenco formado por 23 atores. No alto: cena do primeiro espetáculo profissional, A Cidade Assassinada. Acima: O Poeta da Vila e Seus Amores, que inaugurou o Teatro Popular do SESI precederam a revolução soviética de 1917. Outras apresentações já estão agendadas para os próximos meses no Teatro. Uma delas, o Panorama SESI de Dança, será a terceira mostra do gênero e está marcada para o mês de agosto. Para setembro, está previsto o espetáculo Olhos Recém-Nascidos, de Denise Stocklos. Novembro e dezembro são reservados para a Mostra Internacional de Teatro, que trará ao Brasil diversos grupos teatrais, de dança, de fantoches, entre outros gêneros. SERVIÇO Teatro Popular do SESI Local: Av. Paulista, 1313 Horário: sexta e sábado às 20h e domingo às 19h Entrada gratuita. A bilheteria do Teatro abre uma hora antes do início do espetáculo e distribui um ingresso por pessoa. Informações: (11) 3146-7405 13