MÁQUINA DO TEMPO BANCO DE IMAGENS PETROBRAS ANO 17 NO 169 JUNHO 2011 JUAREZ CAVALCANTI Senhora do Mucuripe Há 45 anos na região portuária do Mucuripe, em Fortaleza, a Refinaria de Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste – Lubnor é uma das líderes nacionais em produção de asfalto, principal produto fabricado na unidade – 235.000 toneladas por ano, o que corresponde a 62% do seu volume total de processamento e a cerca de 13% da produção nacional. Quando foi inaugurada, em 24 de junho de 1966, a refinaria Braço logístico da Petrobras no Ceará, a Lubnor (foto maior) tinha capacidade para processar 450 metros cúbicos de petró- foi a primeira unidade do Refino a instalar, em 1996, um sistema leo por dia (foto menor). Hoje a unidade tem uma capacidade de cogeração de energia elétrica e vapor com turbinas a gás. Em instalada de processamento de 10.000 barris de petróleo diários 1998, ela inaugurou a primeira – e única do país até hoje – unida- e está sendo ampliada para dobrar sua capacidade de produ- de de lubrificantes naftênicos, trocando seu nome de Fábrica de ção de lubrificantes, com investimentos de US$ 60 milhões. Asfalto de Fortaleza (Asfor) para Lubnor. Também funciona como terminal para importação e cabotagem De lá saem diariamente 200 metros cúbicos desses lubrificantes especiais, usados como isolante térmico em transformadores BAÍA viva! no abastecimento do mercado regional de combustíveis, o que representa parte substancial do seu faturamento. de alta voltagem, amortecedores para veículos e equipamentos Além de produtora, é distribuidora de asfalto para nove esta- pneumáticos ou, ainda, na formulação de graxas especiais e óleo dos das regiões Norte e Nordeste e uma das maiores recolhedo- de corte para a indústria metalúrgica. ras de ICMS do Ceará. Com efetiva ação social junto às comuni- Com uma força de trabalho de 800 profissionais, a Lubnor dades e atenta à biodiversidade local, a Lubnor investe em pes- produz também, em menor escala, os óleos combustíveis indus- quisa de ponta e no desenvolvimento de produtos, com a parti- triais usados na produção de energia – em turbinas a gás e de cipação das universidades da região e do Núcleo Experimental calor, em fornos e caldeiras, inclusive de navios –, além do óleo (NuEx) de Fortaleza, onde são realizados testes de novas tecno- amaciante de fibras. Todo o petróleo utilizado pela Lubnor é do logias para o refino, com foco no desenvolvimento de bioprodu- tipo ultrapesado: 3/4 do Espírito Santo e 1/4 do Ceará. tos, como biograxas e biolubrificantes. Golfinhos nadam nas águas calmas da baía Com a participação de oito universidades brasileiras e coordenada pela Petrobras, a mais completa avaliação ambiental já feita sobre a Baía de Guanabara mostra que a biodiversidade resistiu às agressões da ação humana e pode ser revitalizada ARQUIVO PESSOAL ENTREVISTA Representante da Organização Mundial de Saúde (OMS) em Angola, Rui Gama Vaz fala sobre a parceria da entidade com a Petrobras na luta para erradicar a malária e a poliomielite no país africano até 2015. pág. 4 ARQUIVO PETROBRAS/CENPES AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS CAPA NEGÓCIOS A ação do homem não foi capaz de acabar inteiramente com a biodiversidade na Baía de Guanabara, que ainda pode ser recuperada se forem tomadas medidas efetivas. É o que revela o mais completo diagnóstico ambiental já feito no ecossistema fluminense, coordenado pela Petrobras. A terceira e última reportagem da série sobre os resultados da companhia em 2010 mostra as conquistas na Área de Abastecimento, com destaque para a expansão e a modernização do parque de refino. pág. 10 pág. 20 DIVULGAÇÃO PETROBRAS DISTRIBUIDORA TECNOLOGIA Produto que pode ser aplicado a frio, evitando a emissão de vapores na atmosfera, a emulsão asfáltica Emulpen chega ao mercado. pág. 8 JOSÉ CALDAS OLHARES A natureza está sempre no foco de José Caldas, um dos mais respeitados fotógrafos de documentação geográfica do país. pág. 18 AGÊNCIA PETROBRAS FORÇA DE TRABALHO Os novos crachás do Sistema Petrobras privilegiam a funcionalidade e serão adotados gradativamente nos próximos meses. pág. 24 E mais... 6 Petrorama 7 Mural do Leitor 16 Gestão 26 Gente 28 Inovação 32 Fique por Dentro 36 Máquina do Tempo Revista Petrobras 169 • ano 17 • Junho de 2011 Av. República do Chile, 65, sala 1.202 • Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20035-900 E-mail: [email protected] Gerente Executivo de Comunicação Institucional Wilson Santarosa • Gerente de Relacionamento Gilberto Puig • Gerente de Relacionamento com o Público Interno Luiz Otávio Dornellas • Comitê Editorial Ana Luísa Feijó Abreu (Financeiro), Cláudia Del Souza (E & P), Mário Quinderé (Transpetro), Maurício Lopes Ferreira (RH), Elizete Vazquez (Serviços Compartilhados), Débora Luiza Coutinho do Nascimento (Abastecimento), Giana Grazziotin (SMES), Marcelo Siqueira Campos (Petrobras Distribuidora), José Carlos Cidade (Internacional), Georgia Valverde Leão (Jurídico), Wanderley Bezerra (Gás e Energia), Carmen Vilar Prudente (Engenharia) • Editor Responsável Alexandre Medeiros (Ofício de Letras), Mtb 16.757 • Editoras Nádia Ferreira e Patrícia Alves • Editora assistente Claudia Lima • Produtor Executivo Albano Auri • Diagramação e Infografia Azul Publicidade • Colaboradores Celia Abend, Celso de Castro Barbosa, Francisco Luiz Noel, Julia Viegas, Luciana Conti, Márcia Leoni e Paulo Vasconcellos • Copidesque Bella Stal ARQUIVO PETROBRAS/CENPES Rui Gama Vaz, médico e representante da OMS em Angola Como foi o contato da OMS com a força de trabalho da Petrobras? Realizamos uma palestra para todos os trabalhadores da Petrobras em Luanda, explicamos qual a importância da campanha nacional de vacinação. Saudamos o papel da Petrobras neste apoio incondicional que nos deu. Esperamos que seja o princípio para continuarmos. Só com o envolvimento de todos os parceiros nacionais e internacionais seremos capazes de melhorar o estado de saúde da população. Contudo, é importante trabalhar analisando os principais fatores determinantes que afetam o estado de saúde das populações e atuar nesse sentido de forma a atingir os resultados esperados. Que, no final, é reduzir as taxas de morbidade e mortalidade das principais doenças no país e, consequentemente, atingir as metas de desenvolvimento do milênio (são oito metas definidas pela Organização das Nações Unidas para serem cumpridas até 2015, entre elas a erradicação de doenças que matam milhões de pessoas em todo o mundo). 3 4 Desde o começo do ano, a Petrobras Angola pratica ações preventivas contra a malária, como distribuição de mosquiteiros e aplicação de inseticida nas residências. E o Índice de Parasitemia Local (IPL) é analisado mensalmente pelo Comitê de Gestão de SMES da companhia. Além disso, o dia 25 de abril foi incluído no calendário da Petrobras como o Dia da Prevenção da Malária. Quando começou a parceria com a OMS? A parceria é mais recente. Há cerca de dois meses, conversamos com a direção da Petrobras e demos a conhecer o trabalho que a OMS tem feito em Angola. Apresentamos as prioridades que foram definidas com base na Estratégia de Cooperação da OMS com Angola para o período de 2009 a 2013. Realçamos o papel da OMS principalmente no reforço e na expansão das parcerias, no auxílio às políticas dos sistemas de saúde, na promoção da intensificação de intervenções essenciais e na melhoria da resposta aos determinantes da saúde. Identificamos algumas áreas de cooperação com a Petrobras no apoio às atividades de vacinação de rotina e às campanhas de erradicação da poliomielite no país, que estão sendo feitas a nível nacional, vacinando todas as crianças até 5 anos nos 164 municípios do país. Outra área que analisamos foi o apoio à OMS para reforçar as capacidades do programa nacional da malária. Fizemos dois projetos: “Redução acelerada do número de crianças não vacinadas no município de Kilamba Kiaxi através do reforço da vacinação de rotina” e “Contribuição para a melhoria da qualidade do diagnóstico e do tratamento da malária nas províncias de Luanda e Kwanza Sul”. A OMS faz algum trabalho de conscientização da população fora dos centros urbanos? Todo o trabalho de conscientização da população é feito pelas estruturas nacionais. A OMS apoia tecnicamente o Ministério da Saúde na formulação de políticas, normas e padrões que vão beneficiar a população. Apoiamos na definição da estratégia de comunicação social para a saúde, nas campanhas de prevenção das doenças, na mudança de comportamentos nefastos para a saúde. Temos também apoiado o Ministério da Saúde no monitoramento da tendência das doenças, na identificação de surtos epidêmicos nas áreas urbanas e rurais, na pesquisa operacional sobre nível de conhecimento da população sobre as doenças, seu modo de transmissão e formas de prevenção. 5 Qual é o foco atual dessas campanhas? No momento, o foco está na poliomielite e na malária. A pólio causa a incapacidade motora e a morte da criança, e seu grupo de risco é do nascer aos 5 anos. Já a malária, além das crianças, tem também mulheres grávidas dentro do grupo de risco. A malária é uma das principais causas de mortalidade infantil nesse país, associada também aos elevados índices de anemia, baixa assiduidade no trabalho e diminuição do rendimento escolar. Por isso é uma área de extrema importância. Nós, como Nações Unidas, damos apoio também às instituições de governo. A malária está associada à existência de charcos d’água. Por isso realizamos atividades de melhoria do saneamento. De fato, as doenças endêmicas estão associadas ao nível de pobreza. E aqui falamos de malária, pólio, tuberculose, doenças diarreicas, Aids e outras tantas que assolam o continente africano. 6 Como a população angolana recebe as iniciativas da OMS em prol da saúde? A OMS trabalha diretamente com as estruturas de saúde do país, quer a nível central, quer a nível provincial e municipal. Temos por missão também reforçar as capacidades nacionais, a massa crítica nacional para garantir uma sustentabilidade das intervenções de saúde pública. O nosso apoio é principalmente de caráter técnico, mas sempre no sentido de apoiar a implementação das atividades prioritárias definidas pelo Ministério da Saúde. Temos também trabalhado com os diferentes parceiros e com a sociedade civil no sentido de harmonizar as nossas intervenções, evitando duplicação de atividades e de recursos. Uma aliança pela saúde em Angola “A Petrobras apoia a implementação das atividades prioritárias definidas pelo governo angolano na área da saúde” | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 1 2 ARQUIVO PESSOAL RETRANCA ENTREVISTA A Como o senhor analisa o papel da Petrobras no apoio ao combate a doenças endêmicas em Angola? A parceria com a Petrobras é fundamental e muito produtiva. A Petrobras apoia a implementação das atividades prioritárias definidas pelo governo angolano na área da saúde. Estamos realizando uma campanha nacional de vacinação contra a poliomielite e a malária, para a qual a Petrobras nos cedeu cerca de 180 ativistas. Essas pessoas, que fazem parte da força de trabalho da Petrobras Angola, voluntariamente apoiaram a campanha de vacinação, quer como vacinadores, quer como supervisores. Os voluntários visitaram casas da população para verificar se havia crianças ainda não vacinadas. A Petrobras apoiou também em transportes, para que os nossos vacinadores e supervisores se deslocassem nos municípios. E ainda em refeições para os vacinadores durante as campanhas. Podemos dizer que isso foi apenas uma primeira iniciativa. Estamos esperançosos; mais ações serão realizadas. ENTREVISTA RETRANCA Petrobras Angola (PIB BV) está na luta contra duas das principais causas da mortalidade infantil no país africano: a malária e a poliomielite. E tem parceiros fortes: a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância e a Juventude (Unicef) e o Ministério da Saúde angolano. Junto a entidades religiosas e à população civil, a companhia soma forças e apoia a OMS em projetos para erradicar as duas doenças no país até 2015. Representante da OMS em Angola, o médico Rui Gama Vaz, em constante diálogo com a PIB BV, coordena ações de combate às epidemias. Ele esteve em maio na sede da Petrobras em Angola para uma palestra de conscientização, na qual convidou toda a força de trabalho da companhia a participar da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite, ocorrida de 27 a 29 daquele mês. Nesses três dias de campanha, foram vacinadas 4.394 crianças até 5 anos. Rui Vaz reiterou o apoio da OMS à companhia nos programas de prevenção e combate a doenças endêmicas, sob o comando do gerente-geral da Petrobras Angola, Manoel Murilo. Nesta entrevista, Rui Vaz fala sobre as campanhas e ações que estão sendo realizadas e o sucesso da parceria OMS/Petrobras. 5 MURAL DO LEITOR Autossuficiência em energia triplicou a capacidade de produção de vapor para aquecimento dos tanques, suprindo toda a necessidade de energia da refinaria. Coordenou o projeto de migração dos dados do Sistema de Cogeração para o Sistema de Controle à Distância (SDCD), em 2002, passando a operar à distância todo o sistema que antes era operado no campo, ganhando agilidade, segurança, praticidade e rapidez na ação e na tomada de decisões. Em 2009, foi designado consultor técnico da Lubnor, tendo se tornado o principal especialista no Refino em instrumentação e controle de sistemas de cogeração com turbinas a gás. No ano seguinte, trabalhou na substituição e modernização do sistema de controle da PSA (unidade de produção de nitrogênio). Está preparando um curso de operação e manutenção em cogeração de energia, sistema de produção de energia elétrica e vapor que hoje virou uma prática e é utilizado de diferentes formas nas refinarias. Especialista em cogeração de energia elétrica e vapor, o consultor técnico da Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor), Ronaldo Vieira Passos, participou dos principais projetos voltados para a modernização e a autonomia em energia da refinaria do Ceará. Principais projetos Aluno do curso de Eletrotécnica da Escola Técnica Federal do Ceará, estagiou na área de instrumentação da Gerência de Manutenção da Fábrica de Asfalto de Fortaleza (Asfor). Formou-se em 1986, quando ingressou na Petrobras, sendo o primeiro colocado no concurso para instrumentista. Em 1987, trabalhou na montagem, implementação e entrada em operação da Unidade de Processamento de Gás Natural (UPGN), tecnologia que representou na época um grande desafio para a refinaria cearense. Coordenou, em 1992, a montagem de instrumentação e elétrica da primeira Estação de Medição (Emed) para GLP do refino com provador compacto, equipamento mais barato, menor e com mais facilidade para calibrar as turbinas que o provador convencional. Participou da montagem e da implantação do primeiro módulo de cogeração de energia elétrica e vapor com turbinas a gás do refino, em 1996. A iniciativa Tempo de empresa 25 anos. Onde está hoje É consultor técnico do Refino, lotado na Gerência de Manutenção Industrial da Lubnor. Conselho pessoal Uma frase de Albert Einstein: “A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”. ARQUIVO LUBNOR 6 Esta edição da sua Revista Petrobras traz uma ótima notícia sobre uma das mais belas paisagens – e um dos mais vigorosos ecossistemas – do Rio de Janeiro e do Brasil: a Baía de Guanabara. Com sua marca de cartão-postal, onde reina o Pão de Açúcar, a baía passou pela mais completa avaliação ambiental de sua história, em mais de cinco anos de trabalho de 70 pesquisadores de oito universidades brasileiras, um esforço financiado pela Petrobras e coordenado pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes). Esse diagnóstico mostrou que, apesar de degradada há muitas décadas, a baía pode ser recuperada. Os resultados do estudo estão em nossa matéria de capa, a partir da página 10. Além de avaliar as condições de águas, praias, manguezais, costões rochosos e sedimentos da Baía de Guanabara, assim como de sua flora e fauna, o estudo apontou ações que podem contribuir para a recuperação do meio ambiente na região. Também na linha da preservação ambiental, nossa matéria das páginas 8 e 9 apresenta a Emulpen, emulsão asfáltica da Petrobras Distribuidora que não utiliza solventes em sua composição, evitando a emissão de vapores na atmosfera. Mentor “Meus pais, que sempre colocaram a educação em primeiro plano, e minha esposa, filhas e irmãos, que sempre me apoiaram”. NONONONONON | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 Origem Fortaleza, CE. As técnicas introduzidas por Ronaldo são usadas hoje em todas as refinarias Vidro, arte e ofício Foi com o pai, Geraldo, que o vidreiro Ubirajara Ferreira dos Santos, o Bira, de 61 anos, aprendeu seu ofício. O artesão conquistou um espaço único na oficina de vidraria do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), onde cria peças moldadas especialmente para os pesquisadores. Nenhuma delas está disponível no mercado e cada uma é essencial para o sucesso do trabalho nos laboratórios. Foi por suas mãos que nasceu o reator de fluxo contínuo para processamento de matérias-primas petroquímicas derivadas do refino do petróleo, que permite simular em laboratório o processo real de produção. Entre suas criações está uma célula hermética de vidro que qualifica inibidores de corrosão em testes nos sistemas de produção de petróleo. São peças únicas, sem similar no mercado. Bira, que é contratado da VGK Engenharia, também modifica e adapta ferramentas, como o maçarico de corte de vidro com quatro bicos, três a mais que o tradicional, que tem a vantagem de impedir o esfriamento do vidro na moldagem, mantendo o padrão de segurança. Elogiado pelos profissionais com quem trabalha, Bira prefere dividir o mérito com a equipe, e atribui as conquistas à rotina de muito trabalho. “Não existem peças apropriadas no mercado, então inventamos. O produto final é do cliente. O pesquisador tem uma ideia, algumas vezes a gente modifica, o trabalho flui e conseguimos atender. Outras vezes, é uma dificuldade muito grande. São meses de tentativa; a gente faz cinco, seis, oito peças e pensa que deu certo, mas não funciona. Às vezes eu acordo no meio da noite com uma solução na cabeça, levanto e faço o desenho. Só aí consigo voltar a dormir. Sobre alguns trabalhos eu não posso nem falar, porque o serviço está em processo de patente. Eles inovam a cada instante, e eu inovo junto com eles. Esse povo me faz crescer e ser forte. Essa é uma profissão extinta. Há centenas de anos, era valorizada – o bom vidreiro trabalhava isolado em uma ilha, porque o segredo não podia vazar. Por coincidência, estou na Ilha do Fundão. Será obra do Criador?” A Revista Petrobras está em permanente processo de aperfeiçoamento para ser, cada vez mais, uma publicação imprescindível à força de trabalho. Para isso contamos com a sua colaboração. Sugestões, críticas, elogios – tudo será recebido com carinho por nossa equipe. Para participar é fácil: por carta, Av. República do Chile, 65, sala 1.202, Rio de Janeiro – RJ – 20035-900; por fax, (21) 2220-8761; ou por e-mail: [email protected] O talento de Ubirajara está nas peças únicas que criou (foto ao lado): apoio importante aos projetos de pesquisa | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 Recuperar é possível FOTOS: ARQUIVO PETROBRAS/CENPES ESTRELAS DA CASA GERALDO FALCÃO RETRANCA PETRORAMA BATE-BOLA 7 A empresa tem uma linha completa de produtos (aplicados a quente, a frio e especiais) e serviços asfálticos para indústrias, governos estaduais e municipais, concessionárias e construtoras de rodovias, clubes e condomínios, entre outros segmentos que precisam de soluções rápidas e eficazes em pavimentação. Saiba mais www.br.com.br/asfaltos 1 FOTOS: DIVULGAÇÃO PETROBRAS DISTRIBUIDORA ROBERTO ROSA TECNOLOGIA na pista Aplicação Para se fazer uma estrada, antes da colocação do asfalto é executada a imprimação, que consiste na aplicação de uma camada muito fina de um revestimento que prepara o terreno para receber o asfalto. Essa aplicação impermeabiliza a base, impedindo que a água suba do solo, e também funciona como uma cola, unindo as partículas e formando uma superfície compacta onde é assentado o asfalto. Feita com água, sem a utilização de solvente, a Emulpen veio para ocupar o lugar do CM-30, que tem em sua composição uma mistura de 50% de asfalto e 50% de solvente. Usado até hoje para a imprimação, mas com seus dias contados em todo o mundo, o CM-30 já foi proibido nos Estados Unidos, no México e em diversos países da Europa. A Emulpen penetra nas bases e solos granulares sem causar danos ao meio ambiente: o asfalto fica no solo e a água evapora. Além disso, é mais barata, mais fácil de usar, e tem a vantagem de não emanar vapores, não ter cheiro forte nem ser inflamável, reduzindo os riscos à saúde dos profissionais que aplicam o produto e de quem estiver próximo ao local onde está sendo feita a imprimação. As emulsões asfálticas são dispersões de asfalto na água. Nesse processo, o asfalto passa por um equipamento onde é cortado em partículas microscópicas e envolvido com água e um emulsificante, que mantém as partículas separadas, em suspensão. Essas emulsões formam uma mistura estável. Líder no mercado nacional de asfaltos, com 35%, somando a participação da Iasa, a Petrobras Distribuidora teve em 2010 um aumento de 28% em suas vendas globais sobre o resultado de 2009, chegando a 947.000 toneladas, um recorde histórico no Brasil em venda de asfalto. TECNOLOGIA NOVIDADE mente correto, que muito em breve irá substituir o CM-30, um produto similar, mas que emana vapores de solvente e gera gases do efeito estufa devido à necessidade de aquecimento, informa Guilherme Edel, consultor da Gerência de Comercialização de Asfaltos da Petrobras Distribuidora. 2 Processo de emulsificação Esquemático Emulsificantes aminados PETROBRAS DISTRIBUIDORA LANÇA A EMULPEN, EMULSÃO ASFÁLTICA QUE GERA ECONOMIA E GANHOS AMBIENTAIS. O PRODUTO NÃO UTILIZA SOLVENTES NA SUA FÓRMULA Misturador 8 stradas do Brasil e de outros países da América do Sul estão abrindo caminho para um produto inovador que a Petrobras Distribuidora lançou no mercado com o objetivo de reduzir danos ao meio ambiente. A Emulpen (emulsão de penetração) não contém solventes derivados de petróleo na sua composição, evitando a emissão de vapores na atmosfera. E A emulsão tem a vantagem de ser aplicada a frio, pois penetra no solo à temperatura ambiente, sem precisar ser aquecida para ajuste de viscosidade, economizando energia e proporcionando ganhos de logística e redução nos custos de estocagem, aplicação e transporte. O produto é exclusivo da Petrobras Distribuidora e já foi usado com sucesso em projetos de clientes no Rio de Janeiro, em São Paulo, no Paraná e no Mato Grosso do Sul, além de ter sido comercializado pela Ipiranga Asfaltos (Iasa) na Bolívia e no Paraguai. “Desenvolvemos o produto, avaliamos em laboratório e testamos com os principais tipos de solo encontrados no Brasil. As fábricas de emulsões da Petrobras Distribuidora já estão adaptadas para produzir a Emulpen, produto a frio, ecologica- Asfalto Água quente Aquecedor 1. Aplicação: Um técnico aplica a Emulpen sobre uma camada pré-preparada na pista para receber o asfalto 2. Aderência: Doze horas após a aplicação, a emulsão, feita com água e sem solventes, já adere à pista 3. Tráfego liberado: A foto mostra a pista 48 horas depois da aplicação, já com as marcas dos pneus de teste | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 3 9 vista! GNL GLP Píer PDL Brasil T. A. Ilha Redonda Terminal Aeroporto do Rio de Janeiro (Gario), da Petrobras Distribuidora PETROBRAS MOBILIZA OITO UNIVERSIDADES PARA REALIZAR O MAIS COMPLETO ESTUDO DAS CONDIÇÕES AMBIENTAIS DA BAÍA DE GUANABARA E MOSTRA QUE ECOSSISTEMA PODE SER RECUPERADO enário do mais famoso cartão-postal do Rio de Janeiro, em que predomina o Pão de Açúcar, a Baía de Guanabara sofre efeitos significativos da atividade humana desde os tempos em que portugueses e franceses se engalfinhavam pelo domínio da região, no século XVI. Os impactos sobre o meio ambiente se intensificaram nos últimos 100 anos, com o crescimento da Região Metropolitana, mas – boa notícia! – não foram suficientes para extinguir a biodiversidade dentro e fora das águas. Este diagnóstico promissor, compartilhado por cientistas de oito universidades mobilizados pela Petrobras, emerge da mais com- 10 ARQUIVO PETROBRAS/CENPES | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 C pleta avaliação ambiental já feita na baía. Pela força de seus sinais vitais, ela demonstra ter condições de se recuperar se ações efetivas forem implementadas. O estudo traçou um retrato inédito da situação das águas, praias, dos manguezais, costões rochosos e sedimentos da Baía de Guanabara, assim como de sua flora e fauna, que conserva uma grande variedade de peixes, camarões, caranguejos e aves. Sob a coordenação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes), 70 pesquisadores esquadrinharam a baía por mais de cinco anos, incluídos 24 meses de trabalho de campo, T. Flexível de GNL T. A. Almirante Tamandaré T. A. Ilha D’Água em 2005 e 2007. Depois de tudo estudado em laboratório e analisado à luz de avançados padrões da ciência, os especialistas atestaram: apesar da poluição crônica, a baía continua cumprindo papel vital de mediação entre o continente e o Atlântico, servindo ainda de berçário e criadouro para várias espécies marinhas. Embora a Baía de Guanabara já tivesse sido objeto de muitos estudos pontuais, a avaliação promovida pela Petrobras foi pioneira por reunir, de forma multidisciplinar, pesquisas em 19 especialidades, em áreas como Geologia, Oceanografia, Química e Biologia. O resultado foi a caracterização geofísica, geoquímica e biológica desse vasto corpo d’água e o entendimento da dinâmica de seus ecossistemas. “Apesar de toda a influência das atividades do homem na região, a baía responde que está viva e tem capacidade de se recuperar”, afirma a coordenadora do trabalho, Maria de Fátima Guadalupe, química do petróleo da Gerência de Avaliação e Monitoramento Ambiental, vinculada à Gerência de P&D de Gás, Guanabar de a a í Ba T. A. Ilha Comprida T. M. Almirante Tamandaré Cenpes Terminal Aeroporto Santos Dumont (Gasdu), da Petrobras Distribuidora Universidade Petrobras Edihb Edise Edita T. M. = Terminal Marítimo T. A. = Terminal Aquaviário Algumas das principais instalações administrativas, industriais e de pesquisa da Petrobras estão na região da Baía de Guanabara, como o Edise, o Cenpes e a Refinaria Duque de Caxias Energia e Desenvolvimento Sustentável do Cenpes. Parte da carteira de projetos do Cenpes para o meio ambiente, a avaliação da Baía de Guanabara marca a conduta proativa da Petrobras em relação à baía, vista com olhar estratégico devido à existência de diversas instalações da companhia na região. “Percebemos que precisávamos conhecer bem esse espaço, que sofre os impactos de uma megalópole em cres- cimento constante”, explica Maria de Fátima. Além da Refinaria Duque de Caxias (Reduc) e do Cenpes, às margens do espelho d’água, vários terminais de combustíveis funcionam em ilhas, como a D’Água, a Redonda e a Comprida, e em píeres, como o Terminal de Regaseificação de Gás Natural Liquefeito (GNL). Os oleodutos e gasodutos ligados a algumas dessas unidades também passam sob as águas. | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 CAPA CAPA BAÍA À Refinaria Duque de Caxias (Reduc) Terminal de Duque de Caxias (Teduc) Terminal de Campos Elíseos (Tecam) 11 FOTOS: ARQUIVO PETROBRAS/CENPES CAPA usos do petróleo e de seus derivados”, assinala Maia de Fátima. A maior concentração de hidrocarbonetos, decorrentes principalmente da queima de combustíveis, foi registrada nas áreas do Porto do Rio de Janeiro, de estaleiros de Niterói e nas desembocaduras dos rios Sarapuí, São João de Meriti e Estrela, que transportam efluentes de uma região bastante urbanizada e industrializada. Na avaliação biológica de 20 praias, a maior biodiversidade foi encontrada longe da orla da baía. A maior variedade de espécies está na ilha carioca de Paquetá, nas praias do Relógio e da Moreninha, esta celebrizada no romance homônimo de Joaquim Manoel de Macedo, de 1844. No continente, as praias com mais baixa variedade de organismos são as também cariocas Ramos e Catalão, esta situada na Ilha do Fundão. O estudo atestou uma va- riação da abundância de espécies nos costões rochosos, e constatou danos em algumas áreas dos manguezais, com a consequente redução da biodiversidade. Num deles, em sete hectares, foram plantadas 37.000 mudas de mangues, que crescem 80 centímetros por ano, demonstrando a viabilidade desse tipo de reflorestamento. CAPA consome aproximadamente 500 toneladas diárias de oxigênio. A baía, que recebe grande parte dos dejetos pelos rios Iguaçu e Meriti, que cortam a Baixada Fluminense, tem a mais elevada contaminação por esgotos da costa brasileira. Além disso, vale ressaltar que ela ainda recebe cerca de 5.000 toneladas por dia de lixo sólido público e domiciliar, que se acumulam nas praias e nos manguezais. No estudo dos níveis de poluentes nos sedimentos do fundo da Baía de Guanabara, os pesquisadores encontraram hidrocarbonetos, metais pesados e pesticidas em diferentes quantidades, dependendo da região estudada. A avaliação pôs por terra o lugar-comum que associa os resíduos de hidrocarbonetos às operações da Reduc e de outras instalações da Petrobras. “Eles estão presentes em toda a baía e advêm, principalmente, dos diversos Legado ambiental A avaliação ambiental da Baía de Guanabara, reunida em 3.600 páginas e registrada num banco de dados georreferenciado, representa um importante subsídio da Petrobras à ampliação do conhecimento sobre a região. Apresentada ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea), ela poderá auxiliar no aprimoramento de iniciativas governamentais de despoluição da baía. No campo acadêmico, contribui para a formação de recursos A baía recebe diariamente, por 55 dois bilhões rios e canais, cerca de de litros de despejos domésticos e 23,4 milhões de litros de efluentes industriais, procedentes de 14.000 | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 indústrias – a maioria de pequeno porte. 12 Agressões e resistência Com 380 quilômetros quadrados, a Baía de Guanabara é a segunda maior do Brasil, atrás apenas da Baía de Todos os Santos (BA). Situada no centro de uma região com 10 milhões de pessoas (80% da população fluminense), ela é desaguadouro de uma bacia hidrográfica que cobre 15 municípios. A capital e outros 12 fazem parte do Grande Rio – Duque de Caxias, São João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Nova Iguaçu, Magé, Guapimirim, Rio Bonito, Itaboraí, Tanguá, São Gonçalo e Niterói. Cursos d’água de Cachoeiras de Macacu e Petrópolis, na Região Serrana, também descem para a baía, que recebe diariamente, por 55 rios e canais, cerca de dois bilhões de litros de despejos domésticos e 23,4 milhões de litros de efluentes industriais, procedentes de 14.000 indústrias – a maioria de pequeno porte. Um dos fatores que contam a favor da biodiversidade, destaca Maria de Fátima, é a hidrodinâmica da baía, que preserva um canal central com até 50 metros de profundidade e renova, em média, metade das águas de 11 em 11 dias. “A Baía de Guanabara dá mostras de grande resiliência, isto é, com alto poder de resistência a pressões e a estressores, e capacidade de restabelecer seu equilíbrio”, enfatiza a geoquímica. A grande quantidade de dejetos domésticos despejados pelos rios é, porém, mais do que preocupante, ela afirma, observando que a metabolização dessa carga orgânica | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 Os manguezais da baía (acima) são locais de refúgio e reprodução de caranguejos (foto ao lado) Os pesquisadores coletaram e catalogaram material nos manguezais da baía para posterior análise em laboratórios 13 Vida que vem da água JUAREZ CAVALCANTI CAPA CAPA Aves Graúdos, de coloração negro-azulada, os biguás reinam nos céus da Baía de Guanabara. Os bandos dessa ave pesnto cadora foram registrados em todas as jornadas de avistamento equência e a abundância empreendidas pelos pesquisadores, de barco e de avião. A frequência dos registros indicam que a população de biguás da baía está em franco crescimento, secundada pelas de socós, maçaricos e garças. Estas espécies estão entre as 45 com características aquáticas existentes na região, onde foram observados, no total, 112 tipos de aves. Dez das 15 espécies ameaçadas de extinção na Baía de Guanabara foram avistadas durante a avaliação ambiental promovida pela Petrobras – asa-branca, biguatinga, colhereiro, gaivota de cabeça cinza, marreca-caneleira, martinho, pernilongo de costas brancas, saracura-do-mangue, talhamar e trinta-réis-real. Peixes Das 130 espécies de peixes que povoam a Baía de Guanabara, chegam a 88 (68%) as que têm importância na economia da pesca. Algumas cumprem todo seu ciclo de vida no local, enquanto outras usam as águas abrigadas como lugar de reprodução e crescimento, antes de os animais jovens se lançarem em mar aberto. Em 48 jornadas quinzenais de arrasto, os pesquisadores comprovaram a presença de três espécies sob risco de extinção na baía, em consequência da sobre-exploração – a corvina, o bagre e a sardinha-verdadeira. Devido ao histórico de pesca predatória, esses tipos de peixe dependem de proteção ambiental para retomar o ritmo de reprodução e superar o risco de desaparecimento na região. 14 ná (UFPR). As de Oceanografia, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) atuou na área de Química e a Universidade Federal Fluminense (UFF), nas de Geologia e Química. O trabalho contou com serviços de dois laboratórios privados e assessoria de especialistas de reconhecimento internacional dos Estados Unidos e do Canadá. Com base nos dados da pesquisa, o Cenpes elaborou um projeto de monitoramento integrado do meio ambiente da baía, a fim de ampliar a compreensão do comportamento dos vários ecossistemas, dotando a Petrobras de novos instrumentos para a gestão ambiental nas unidades situadas na região. O acompanhamento vai proporcionar à companhia mais recursos para detectar mudanças ambientais, avaliar impactos nas áreas de influência de suas instalações e mensurar a reação dos ecossistemas diante de melhorias adotadas em processos operacionais. O monitoramento também vai gerar subsídios para o aprimoramento de planos de emergência e de procedimentos de licenciamento ambiental de novos empreendimentos. A rica fauna da baía foi catalogada pelos pesquisadores, que apontaram as espécies ameaçadas de extinção | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 humanos. O estudo deixa como legado mais de 50 trabalhos especializados, incluindo teses, dissertações e artigos científicos, tendo produzido, com sedimentos da baía, um material de referência para aferir a precisão de análises laboratoriais, testado com sucesso em 26 laboratórios do país e do exterior. Cada uma das instituições participantes do estudo se dedicou a projetos específicos. As pesquisas em Biologia foram feita pelas universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), de São Paulo (USP) e Federal do Para- FOTOS: ARQUIVO PETROBRAS/CENPES | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 As amostras coletadas durante o trabalho de campo compõem hoje um material de referência para a pesquisa da biodiversidade na Baía de Guanabara Siris, camarões e caranguejos Do estado de larva à tenra idade, crustáceos de várias espécies se abrigam na Baía de Guanabara antes de se lançarem ao oceano nos meses de verão, a exemplo dos siris. A sazonalidade é marcante – os camarões são mais abundantes na primavera, quando estão em idade juvenil. No caso do camarão-rosa, a forte presença nas águas da baía vai até o fim da estação quente, quando eles começam a migrar para o mar, num movimento que se estende até o outono. Os pesquisadores registraram também expressiva diversidade de caranguejos nos manguezais que sobrevivem na baía, sobretudo em sua parte noroeste. Entre as espécies mais abundantes está o caranguejo-uçá, coletado para consumo alimentar. Três espécies nunca haviam sido registradas antes na baía – entre elas, o Uca mordax, que também nunca fora observado antes nestes manguezais. As pesquisas resultaram na descoberta de uma nova espécie de crustáceo de praia, denominada Ruffosius fluminensis, identificada por um pesquisador do Museu Nacional da UFRJ. 15 GESTÃO GESTÃO A ideia é registrar em vídeo histórias de transformação que tenham a participação da Petrobras 0:00 / 2:00 da Petrobras | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL CRIA REALITY SHOW NA WEB SOBRE OS BASTIDORES DAS AÇÕES DA COMPANHIA 16 ma visão de raio X para enxergar além do que é mostrado. Não é preciso ser um super-herói para saber que durante a execução de qualquer projeto surgem muitas histórias interessantes. Para cada problema, uma solução criativa. Improvisos que ficam melhores do que o já ensaiado. E na Petrobras não é diferente. Para contar histórias de transformação que tenham a participação da companhia, a Gerência de Multimeios da Comunicação Institucional criou o projeto Raio X. A ideia é levar U o público a vivenciar a experiência de estar dentro da Petrobras. Participar de seu cotidiano nas plataformas e refinarias, nos projetos sociais e culturais, nas grandes obras, no desenvolvimento de novas tecnologias. Afinal, há muito mais coisas entre o surgimento dos conceitos e o resultado final de um projeto do que o público possa imaginar. Esse making of da companhia está disponível no blog Fatos e Dados, em séries de vídeos no estilo reality show. Os públicos interno e externo podem acompanhar o desenrolar de todas 0:00 / 2:00 essas histórias. A primeira temporada tem seis episódios e começou em junho. São os bastidores de um filme selecionado pelo projeto Revelando os Brasis, patrocinado pela Petrobras. O profissional de Comunicação Leonardo Avellar, do Núcleo de Soluções e Conteúdos Multimídia de Multimeios, explica que, no início, o programa seria voltado só para grupos patrocinados pela Petrobras. “Queríamos mostrar a relação desses grupos com a companhia. Mas logo vimos que tínhamos a oportunidade de ampliar esse assunto. Observamos que se tratava não só da relação com os patrocinados, mas também das ações que a Petrobras apoia”. Para a profissional de Comunicação Eliane Lopes, líder do Núcleo de Soluções e Conteúdos Multimídia, um aspecto a ser ressaltado é o fato de a Petrobras não ser a protagonista das séries. “No Raio X, quase não falamos da companhia. Não são séries autoelogiosas. Acreditamos que a Petrobras é um vetor de transformação, e é isso que queremos mostrar por meio das histórias dos protagonistas, que podem ser grupos, projetos, pessoas, empreendimentos”, afirma. Interatividade Em sua primeira temporada, o Raio X levará o público a acompanhar os bastidores do filme de Denizia Moresqui, uma professora de Língua Portuguesa da pequena cidade de Itambé (PR). Denizia foi uma das selecionadas pelo projeto Revelando os Brasis para produzir um curta-metragem. A cada ano, o Revelando seleciona 40 histórias escritas por moradores de cidades com até 20.000 habitantes. Essas 40 pessoas são trazidas ao Rio de Janeiro para participar de um curso de produção de vídeo e depois retornam às suas cidades a fim de rodar e editar seus filmes. Entre os 40 selecionados, a equipe do Raio X escolheu Denizia como personagem da primeira temporada e foi até Itambé para acompanhar sua aventura. Os episódios não terão periodicidade fixa, variando de acordo com a participação do público nas ferramentas de interatividade que serão disponibilizadas. Saiba mais www.petrobras.com.br/fatosedados www.youtube.com/raioxpetrobras A professora Denizia (de branco, na foto acima) foi a personagem escolhida para protagonizar a primeira temporada do projeto | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 O ‘MAKING OF’ 0:00 / 2:00 FOTOS: AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS 0:00 / 2:00 FOTOS: GERÊNCIA DE MULTIMEIOS/COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL 2:50 / 3:59 17 OLHARES OLHARES FOTOS: JOSÉ CALDAS Parque Nacional da Serra dos Órgãos, em Teresópolis (RJ), área beneficiada com recursos do Programa Petrobras Ambiental Vila Felicidade, comunidade às margens do Rio Negro, em Manaus: área de atuação social da Refinaria Isaac Sabbá (Reman) NATUREZA | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 em foco 18 sergipano José Caldas é considerado um dos mais representativos fotógrafos da natureza e de documentação geográfica do Brasil. Ele é autor de vários livros que retratam ecossistemas brasileiros, como a Mata Atlântica, o Rio São Francisco e as serras da Canastra, da Mantiqueira e do Cipó. Seu olhar está sempre ligado em paisagens naturais, mesmo quando é escalado para matérias em instalações industriais, como as da Petrobras. As fotos da seção "Olhares" desta edição – todas do Banco de Imagens Petrobras (BIP) – comprovam a tese: Caldas sempre arranja um jeito de inserir a natureza no visor de sua máquina. O Pescador maneja sua rede na Baía de Guanabara, onde a Petrobras tem projetos de preservação ambiental Garças num mangue na área da Refinaria Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense Pôr do sol captado no Polo Industrial de Urucu, na Amazônia NEGÓCIOS/RESULTADOS 2010 horizonte promissor ÁREA DE ABASTECIMENTO COMEMORA RECORDE DE VENDA DE DERIVADOS EM 2010 E PROJETA MAIS CRESCIMENTO COM O AVANÇO DA CONSTRUÇÃO DE NOVAS REFINARIAS N de derivados chegou a dois milhões de barris por dia. “Esse crescimento é resultado de um avanço de 7,5% no PIB e de uma inclusão de 20 milhões a 25 milhões de brasileiros no mercado consumidor”, diz o diretor da Área de Negócios de Abastecimento, Paulo Roberto Costa. “O crescimento fabuloso da economia levou mais gente a viajar de avião, mais gente a comprar e andar de automóvel, mais gente a consumir alimentos.” A Petrobras também registrou recorde na exportação de petróleo. A média anual foi de 500.000 barris por dia. O pico foi registrado em março, com a exportação de 740.000 barris diários. Os principais mercados foram os Estados Unidos, que receberam 55% do petróleo brasileiro exportado, e a China, que ficou com algo em torno de 25% do total. Apesar do aumento, o lucro da Área de Abastecimento foi de R$ 5 bilhões – resultado que é cerca de 75% inferior ao de 2009. A causa foi a redução, em março do ano anterior, do preço dos derivados – de 4,5% para a gasolina e de 15% para o diesel –, que incidiu integralmente sobre as operações da empresa em 2010. O parque de refino, que atingiu a produção de 1,9 milhão de barris por dia, operou com elevadas taxas de otimização. O fator de utilização de todas as refinarias, de acordo com Paulo Roberto Costa, ficou acima de 90%. “Foi um ótimo desempenho”, afirma o diretor. O início das operações de hidrotratamento de óleo diesel e gasolina permitiu o aumento da oferta do diesel com 50 ppm (partículas por milhão) de enxofre no país para atender ao acordo entre a Petrobras, o Ministério Público e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Na comparação com 2009 , a venda de derivados líquidos de petróleo cresceu 10% 18% 17% 10% . A gasolina teve um incremento de , o querosene de aviação cresceu e o óleo diesel, . O consumo total de derivados chegou a dois milhões de barris por dia. | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 GERALDO FALCÃO As obras de modernização da Refinaria Henrique Lage (Revap), concluídas em outubro passado, qualificaram a unidade para produzir combustíveis mais limpos um ano repleto de conquistas, a Área de Abastecimento da Petrobras também registrou realizações significativas em 2010. Do recorde de venda de derivados de petróleo, no embalo do crescimento econômico do país, à assinatura dos contratos para a construção de novos navios destinados a atender à demanda do aumento de produção, passando pela inauguração das obras de ampliação e modernização do parque de refino e o início da construção de novas refinarias. Na comparação com 2009, a venda de derivados líquidos de petróleo cresceu 10%. A de gasolina teve um incremento de 18%, a de querosene de aviação aumentou 17% e a de óleo diesel, 10%. O consumo total NEGÓCIOS/RESULTADOS 2010 BOAS VENDAS E 20 21 NELSON CHINALIA A Replan teve sua capacidade de produção ampliada em 2010 Novas unidades O foco agora é a continuação das obras das novas unidades. A construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, avançou, e ela deverá entrar em operação em dezembro de 2012. Com capacidade prevista para processar 230.000 barris de petróleo por dia, a refinaria foi projetada, principalmente, para a produção de óleo diesel com o mínimo de impacto ambiental e teor de enxofre menor do que o exigido pelos padrões internacionais mais rígidos, de 10 ppm. A terraplanagem do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, foi concluída em dezembro de 2010. O projeto é um dos principais empreendimentos da história da Petrobras e marca o retorno da empresa ao setor petroquímico. Em 2010, também foi iniciada a execução dos contratos das principais unidades de processo do primeiro trem do refino do complexo, com capacidade de 165.000 barris por dia. A segunda fase prevê a implantação das unidades petroquímicas e a terceira, do segundo trem do refino, com capacidade para mais 165.000 barris diários. “O primeiro trem do refino deve entrar em operação em 2013. A petroquímica, no final de 2016, e o segundo trem, em 2018”, diz Paulo Roberto Costa. A terraplanagem da Refinaria Premium 1, em Bacabeira, no Maranhão, prevista para se tornar a maior da América Latina, começou em 2010. A primeira etapa do empreendimento deve estar pronta até o fim de 2014 e a segunda, até 2016. A unidade, orçada em US$ 20 bilhões, vai acrescentar mais 600.000 barris diários à capacidade de refino da Petrobras. Foram iniciados ainda os estudos de sondagem da área onde deverá ser construída a Refinaria Premium 2, em Caucaia, no Ceará. A unidade poderá produzir 300.000 barris por dia de diesel com baixo teor de enxofre, querosene de aviação, nafta, gás de cozinha e bunker (combustível de navio). A planta de gasolina da Refinaria Clara Camarão, em Guamaré, no Rio Grande do Norte, foi concluída. A capacidade inicial da unidade permite processar 30.000 barris diários de petróleo e produzir 4.500 barris de gasolina por dia. FOTOS: AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS Outra realização importante foi a ampliação da capacidade da Refinaria de Paulínia (Replan), no interior paulista, em mais 30.000 barris por dia. Para isso, foram feitas obras nos bicos de descarregamento no Terminal de São Sebastião, no litoral de São Paulo, além de mudanças nos diâmetros da tubulação e a instalação de novas bombas de transferência de lá até a Revap e depois até a Replan. As unidades de hidrotratamento de diesel e coqueamento retardado incluídas nas obras de modernização da Refinaria Henrique Lage (Revap), em São José dos Campos (SP), com vistas à produção de combustíveis mais limpos, foram inauguradas em outubro. A unidade de hidrotratamento garante a produção de diesel menos poluente, com menor emissão de óxido de enxofre na atmosfera pelos motores de combustão interna. Já a unidade de coqueamento retardado converte as frações mais pesadas de petróleo em frações leves de maior valor econômico, como gás de cozinha, diesel e nafta. As obras do Comperj já estão mudando a paisagem de Itaboraí (RJ) Braskem está entre as dez maiores empresas petroquímicas do mundo.” Significativa também foi a continuidade da montagem industrial da Petroquímica Suape, em Pernambuco, que vai produzir PTA (ácido tereftálico purificado), matéria-prima do POE (fio sintético usado na indústria têxtil para a produção de roupas e estofamento de automóveis) e do PET (politereftalato de etileno, polímero termoplástico usado em garrafas plásticas). Na Gerência Executiva de Marketing e Comercialização, foi fechado um contrato de exportação de etanol, a partir de 2012, para uma fábrica de plástico verde da Toyota Tusho que será construída em Taiwan. O acordo inicial prevê a venda de 140.000 metros cúbicos. A garrafa plástica produzida com etanol é renovável. No ano passado, também foi fechado contrato com a empresa americana UOP, especializada em projetos de plantas de refino, escolhida, numa seleção mundial, pelo projeto Design Competition para elaborar os projetos das refinarias Premium do Maranhão e do Ceará. “A expectativa é uma redução de custos de investimento e de operações”, diz Paulo Roberto Costa. “Vamos estar com essas duas refinarias no estado da arte, o estágio mais alto de desenvolvimento na tecnologia de refinarias.” Em 2010, teve prosseguimento a montagem industrial da Petroquímica Suape | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 NEGÓCIOS/RESULTADOS 2010 Um dos principais focos da área para o ciclo 2011-2012, a Refinaria Abreu e Lima teve as obras aceleradas em 2010 NEGÓCIOS/RESULTADOS 2010 No ano passado, foi firmada a sociedade entre a Petrobras e empresas privadas para a construção do alcoolduto de Senador Cañedo, em Goiás, até São Paulo. O consórcio ficou formado por 20% da Petrobras, 20% da Cosan, 10% da Camargo Corrêa, 10% da Uniduto, 20% da Coopersucar e 20% da ETH, do Grupo Odebrecht. O primeiro trecho, entre Paulínia e Ribeirão Preto, em São Paulo, com capacidade de transporte de 20 milhões de metros cúbicos por ano, deve entrar em operação até 2013. Também na Gerência Executiva de Logística foram fechados os primeiros contratos, com prazo de 15 anos, dentro do programa Empresas Brasileiras de Navegação, para a construção de 39 navios, com conteúdo nacional e tripulação brasileira, a serem entregues entre 2013 e 2017. Um dos grandes feitos do ano foi registrado na área da Petroquímica, com a negociação para a aquisição da Quattor, por meio de um acordo de investimento celebrado entre Odebrecht, Petrobras, Braskem e Unipar. “Hoje a Petrobras tem participação de 32% na Braskem, com assento no conselho de administração e na diretoria da empresa”, conta Paulo Roberto Costa. “Com a incorporação, a 23 AGÊNCIA PETROBRAS RETRANCA FORÇA DE TRABALHO crachá e nos casos de crachás danificados ou com problemas que impeçam sua utilização. Os crachás com a nova identidade visual só começarão a ser utilizados depois que forem consumidas todas as unidades do estoque atual de crachás, cuja substituição total em um curto período acarretaria um custo alto para a companhia. Para esclarecer as dúvidas relacionadas ao processo de emissão dos novos crachás, escreva para o [email protected] FORÇA DE RETRANCA TRABALHO tilhados e unidades do Abastecimento. Os crachás ainda virão com o código de barras, sem a tecnologia do cartão inteligente, mas com um layout mais adequado à sua aplicação, quando for feita a substituição completa do sistema de controle de acesso”, informa Antônio Sérgio. A troca dos crachás foi planejada para causar o mínimo de impacto para o usuário no dia a dia das operações. A substituição será feita de forma gradual, inicialmente para aqueles que recebem seu primeiro Imagem do novo crachá CRACHÁS GANHAM VISUAL QUE VALORIZA A MARCA DA COMPANHIA E ESPAÇO PARA FUTURO CHIP ais moderno e funcional, o novo crachá de identificação da Petrobras começou a ser produzido em junho, mas a troca será feita gradativamente ao longo dos próximos meses. Concebido e elaborado pela Comunicação Institucional, com a colaboração da Segurança Empresarial e dos Serviços Compartilhados, o modelo foi aprovado pela Diretoria Executiva da companhia. “O novo padrão privilegiou a visão de empresa integrada, destacando a marca Petrobras. O trabalho de design partiu da premissa de que a principal utilidade de um crachá não é estética, mas funcional. As manifestações da força de trabalho também foram consideradas na elaboração do modelo, que é moderno, simples, are- | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 M 24 jado, permitindo a fácil identificação dos diferentes componentes”, destaca Eduardo Felberg, gerente de Imagem Corporativa e Marcas da Comunicação Institucional. A mudança faz parte de um projeto, que envolve estudos criteriosos e investimentos para a aquisição de um sistema de controle de acesso mais abrangente, complexo, baseado em cartões inteligentes, com chip interno para leitura óptica, em substituição ao atual código de barras, que permitirá, no futuro, a evolução para controles biométricos, entre outras utilidades. “No momento, estamos analisando as alternativas mais viáveis de soluções que atendam à nossa base instalada no território nacional e à necessidade de evolução constante das práticas e procedimentos de Segurança Empresarial, cada vez mais importantes no nosso contexto e no ramo em que nos encontramos”, ressalta Antônio Sérgio Oliveira Santana, gerente executivo dos Serviços Compartilhados. Responsável pelo atendimento aos usuários do crachá, pelo controle do estoque e pela manutenção dos equipamentos, a unidade está coordenando e executando todas as ações necessárias para o desenvolvimento do novo modelo, com algumas parcerias internas, como a escolha e a adoção da tecnologia mais adequada junto com a Tecnologia da Informação e Telecomunicações (TIC), e a seleção dos fornecedores que melhor atendam aos interesses da Petrobras. No verso dos crachás dos empregados constam informações como nome completo do usuário, data de admissão, identidade, tipo sanguíneo e o número do telefone da Segurança Patrimonial Nos prédios do Rio de Janeiro foi executada uma etapa intermediária com um crachá vertical de teste, mas ainda com código de barras. Já no piloto da Bacia de Santos (UO-BS) foi utilizado um modelo híbrido, com chip de aproximação e código de barras, cuja validação se dá pela aproximação dos leitores nas catracas. Este modelo, testado com sucesso em todos os edifícios da UO-BS, será estendido a toda a empresa, envolvendo investimentos em tecnologia de controle de acesso e segurança. Logística da troca “Os primeiros lotes dos novos crachás se encontram em fase de produção, atendendo os pedidos gerados pelas Regionais dos Serviços Compar- Empregado Provisório para empregado Estagiário Provisório para prestador de serviço Prestador de serviço Aposentado Extraordinário Para visitantes e para a imprensa | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 DE CARA nova Na frente, no alto, a marca da companhia em sua assinatura simples horizontal, que também aparece reticulada ao fundo no crachá dos empregados e aposentados. Logo abaixo vem a foto, o “nome de guerra”, a função ou cargo exercido, a razão social da empresa do Sistema Petrobras, a área e a unidade. Atrás, o nome completo do usuário, matrícula, data de admissão, identidade e tipo sanguíneo, além do número do telefone da Segurança Patrimonial, que funciona 24 horas por dia para casos de emergência dentro e fora da empresa. As orientações da Comunicação Institucional sobre o novo modelo dos diversos tipos de crachá (empregados, aposentados, prestadores de serviço, estagiários, visitantes, provisórios e imprensa) estão no Manual de Identidade Visual Petrobras. Exemplos: 25 GENTE O técnico em administração Walter Amorim, da Gerência de Planejamento e Controle da Gerência Executiva de Logística do Abastecimento, sempre gostou de esportes. Mas há 21 anos, quando Uma força de vontade férrea faz o engenheiro André Derosso Teixeira, da UO-Seal/ATP-AL/ RES, acordar todos os dias às cinco da manhã a fim de treinar para as provas do Ironman, que consistem em nadar 3.800 metros, pedalar 180 quilômetros e correr 42 quilômetros em um tempo máximo de 17 horas. Ele treina antes e depois do trabalho, só parando às 20h, a fim de ir para casa e preparar-se para deitar antes das 22h. “O descanso é parte fundamental do treinamento do triatlon. Nos fins de semana, a rotina de treino é mais pesada, pois é quando tenho mais tempo. No auge da preparação, chego a pedalar por cinco horas, para em seguida correr uma hora aos sábados e mais duas horas e meia aos domingos”, diz André, que se encantou com a modalidade depois que um colega de Curitiba, sua cidade natal, classificou a equipe para a etapa do XTerra (circuito de triatlon cross country), no Havaí. “Com poucos meses praticando a modalidade, resolvi que treinaria para a prova do Ironman 2010”. Tamanha dedicação fez André conseguir concluir as duas provas de que participou. A primeira foi no ano passado, no Brasil, com um tempo de 10h32min, e a segunda, em abril deste ano, na África do Sul, com a marca de 12h4min. “Hoje considero o triatlon como uma segunda profissão, devido ao tempo que dedico aos treinos e ao planejamento exigido para participar das provas”, explica André, que mantém na Internet o site www.triathlon-ultraman14.webnode. com.br para divulgar seu esforço no triatlon. O aikido revelou a Walter um caminho de equilíbrio | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 André (no alto, com a mulher, e acima, no pódio): movido a desafios conheceu o aikido, encontrou um caminho para o corpo e a alma. “Eu já fazia karatê e parei porque tinha machucado o pé. Quando ia voltar, resolvi experimentar o aikido e gostei, por ele ser uma atividade menos competitiva e mais completa, que me ajuda a combater o estresse”, conta. O prazer encontrado na arte marcial criada na década de 1940 pelo mestre japonês Morihei Ueshiba, que buscava o equilíbrio entre força e espiritualidade, fez com que Walter resolvesse ter uma segunda atividade profissional. Há 12 anos ele dá aulas da modalidade em uma academia na Tijuca, onde aluga um espaço para treinar alunos de vários níveis e idades. Para isso, dedica-se com afinco à sua formação de mestre, participando de vários seminários com mestres brasileiros e estrangeiros. Hoje, Walter é sandan – a terceira das seis faixas-pretas necessárias para o título de mestre – e líder do grupo que treina em sua academia. “Estou ligado ao mestre Yoshimitsu Yamada, que mora em Nova York e é discípulo do criador do aikido”, explica Walter, que faz planos para treinar seu filho mais novo, Victor, de seis anos. “Minha filha mais velha, Vivian, de 13 anos, até luta comigo. Mas é meio turista. O Victor gosta”, diz, animado. Tacada certa FOTOS: ARQUIVO PESSOAL São as ultrapassagens, e não as vitórias, que dão mais prazer a Otacilio 26 Paz para o corpo e para a alma O futebol foi uma paixão na vida do analista de sistemas Salvador Fernandes de Jesus Júnior, da Gerência de Engenharia de Instalações de Superfície e Automação da UOES, até o dia em que seus joelhos não aguentaram mais. “Fui obrigado a procurar um esporte sem impacto quando meus joelhos não me permitiram mais jogar futebol”, conta. Nessa procura, acabou batendo às portas do Clube Capixaba de Golfe, nos arredores de Vitória, onde estava voltando a morar. “Eu não entendia nada dos fundamentos do golfe e resolvi conhecer esse esporte. Foi então que me matriculei em uma aula para as minhas primeiras tacadas”, lembra. Quase seis anos e muitas tacadas depois, Salvador pode se orgulhar de ter conseguido um bom desempenho. Ele já ganhou 14 tro- féus, sendo cinco de primeiro lugar, em torneiros no Espírito Santo e fora do estado. Esses resultados o credenciaram a se filiar à Federação Carioca de Golfe, onde conquistou o quarto lugar do ranking de sua categoria, o grupo com mais de 40 anos. No ranking brasileiro, conquistou este ano sua melhor colocação, o 16o lugar. “Como o golfe é um esporte que pode ser praticado por homens e mulheres dos oito aos 108 anos, sonho em ser um dos golfistas brasileiros nas Olimpíadas do Rio, em 2016, aos 51 anos, quando o golfe retorna ao cardápio olímpico depois de 108 anos”, conta Salvador, que aproveitou suas últimas férias para conhecer campos na Irlanda, onde o esporte foi criado. A galeria de troféus de Salvador não para de crescer | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 O analista de sistemas Otacilio Carlos Baptista de Oliveira, da TIC-Cenpes, sempre adorou carros e corridas de Fórmula 1, mas nunca imaginou que um dia estaria atrás de um volante, com o pé no acelerador, em busca de um bom resultado numa competição automobilística. A insistência de um amigo acabou fazendo com que ele, aos 48 anos, iniciasse uma bela carreira de kartista. “Um colega de trabalho formou um grupo de kartistas e sempre me convidava. Mas eu usava como desculpa uma entorse no tor nozelo esquerdo para não correr. Afinal, como eu ia pisar no freio? Até que na segunda temporada resolvi me juntar ao grupo, e estou até hoje correndo”, conta Otacilio. São 14 temporadas em que ele já se aventurou em circuitos abertos e fechados, no Brasil e no exterior, como os das competições do IKWC (Indoor Kart World Championship). “Este ano vou correr pela sexta vez o IKWC, que será disputado na Bélgica”, diz. Otacilio não tem uma rotina de treinamento: “Treino para cada prova o tempo que for necessário para ter um bom resultado. Corro para vencer, mas nem sempre isso é possível”. Ele já obteve alguns bons resultados, como o primeiro lugar em campeonatos e o segundo lugar em uma bateria da IKWC, nos EUA, que o levaram a se filiar à Federação de Automobilismo do Rio de Janeiro. Apesar disso, garante que a velocidade e a vitória não são seus maiores prazeres nas pistas. “São as boas ultrapassagens que me dão mais prazer, que me mostram que estou bem preparado”, afirma Otacilio, lembrando o dia em que ultrapassou o campeão mundial em uma prova da IKWC. Homem de ferro DANIEL FERRENTINI Pisa fundo, Otacilio! 27 INOVAÇÃO A O RVIT (acima, no detalhe) é posicionado no interior das colunas de risers das plataformas de perfuração para avaliar o desgaste desses equipamentos: tecnologia 100% nacional, uma parceria entre o Cenpes e a PUC-Rio FERRAMENTA DE INSPEÇÃO POR ULTRASSOM, DESENVOLVIDA PELO CENPES, É CAPAZ DE DETECTAR CORROSÃO NAS COLUNAS DE RISERS DAS PLATAFORMAS DE PERFURAÇÃO | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 CENPES frequência BANCO DE IMAGENS PETROBRAS | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 Como funciona As plataformas de perfuração trabalham com colunas de risers (tubos que as ligam ao fundo do mar) de comprimentos variados, podendo chegar a 3.000 metros ou mais no caso do pré-sal. São dutos de 21 polegadas, com flanges (peças que unem dois componentes de um sistema de tubulações) na ponta. O RVIT (PIG ultrassom) faz a inspeção desses dutos na plataforma, e só as peças que estão realmente com problemas são retiradas do local para serem tratadas. A ferramenta é capaz de inspecionar internamente os risers rígidos das colunas de perfuração, detectando corrosão por perda de espessura e material remanescente. Equipamento de inspeção baseado em tecnologia de ultrassom multicanais, o RVIT consiste numa eletrônica embarcada, acondicionada em um vaso hermeticamente fechado, conectado ao sistema na superfície por meio de um umbilical com cabos de energia e fibra óptica de 4.000 metros de comprimento. O primeiro protótipo do RVIT: técnicos fizeram vários testes em laboratório EM ALTA 28 este procedimento em seu retorno à plataforma. Há casos em que são retirados até 200 trechos de riser, levados um a um para a empresa que faz a inspeção, a manutenção e, se for o caso, a recuperação do duto. INOVAÇÃO lém de inovador, ele é econômico e ecológico. Usado para inspecionar a parte interna das colunas de risers das plataformas de perfuração, o sistema RVIT (Riser Vertical Inspection Tool) foi desenvolvido pelo Cenpes em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com tecnologia 100% nacional. “O sistema de ultrassom é uma técnica dominada há mais de 40 anos e que já evoluiu muito. A novidade nesse equipamento é a ideia de como foi montado, voltado para a inspeção interna dos risers e totalmente desenvolvido no Brasil: hardware, software, placas eletrônicas, parte mecânica, foi tudo feito aqui”, ressalta Jorge Brito, da Gerência de Tecnologia de Materiais, Equipamentos e Corrosão do Cenpes, executor deste trabalho e participante da equipe que desenvolveu o projeto, liderada por Claudio Soligo Camerini, da mesma gerência. A nova ferramenta, que economiza tempo e dinheiro para a companhia, ainda preserva o meio ambiente, auxiliando na prevenção de falhas e evitando uma logística complexa de deslocamento dos risers – em que cada trecho pesa cerca de cinco toneladas –, transportados de navio até o porto. Eles seguem em carretas até o local de inspeção em terra, repetindo todo 29 t1 = percurso no líquido, controla a corrosão interna t2 = mede a espessura do aço Espessura do aço O gráfico mostra o sistema de funcionamento do sensor de ultrassom. Ao lado, a escala de cores que indica o nível dos pontos de corrosão no interior da coluna de risers Ultrassom Provocando o deslocamento das partículas do material que está sendo inspecionado, o ultrassom emite uma onda mecânica/acústica e recebe um sinal de retorno chamado eco, interpretando este sinal de acordo com o tempo de resposta. Os sensores ficam afastados cerca de 20 milímetros da peça a ser inspecionada. A análise dos sinais utiliza uma escala de cores para a simulação dos pontos de corrosão, seguindo um padrão que varia do vermelho (corrosão severa) ao verde claro (região íntegra). Além disso, existem dois gráficos, o da água (em tons de azul) e o da chapa (imagem planificada do duto), usados para a montagem das imagens representativas de planos e cortes. 30 FOTOS: CENPES | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 Técnicos especializados do Cenpes cuidam do transporte, da montagem e da instalação do sensor nas plataformas: segurança e eficiência O PIG escovão, também projetado pelo Cenpes, é usado na limpeza prévia do duto A sequência acima mostra a estreia do RVIT na plataforma de Enchova, onde os técnicos verificaram a integridade de um duto desativado há dez anos, numa operação de quatro horas BC, sob a coordenação do engenheiro Eduardo Quaresma Damazio, projetou os suportes e fixações que tornaram o serviço possível no espaço reduzido, além de especificar o andaime que permitiu a montagem do equipamento. A equipe também projetou o PIG escovão utilizado na limpeza prévia do duto. Este foi um passo importante, pois somente com a correta preparação da superfície tornou-se possível a passagem do PIG ultrassom, o RVIT. Após a inspeção com o novo equipamento, foram identificados alguns eventos passíveis de verificação, assim como todos os detalhes de construção do riser (suportes, soldas). Mas as ocorrências encontradas estão bem abaixo dos limites que causariam sua reprovação. A estrutura apresenta ótimas condições, o que permite seu reaproveitamento. Excluindo o tempo de montagem do sistema, toda a inspeção durou quatro horas. | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 INOVAÇÃO Sensor de ultrassom Estreia em Enchova A primeira oportunidade para testar o RVIT surgiu com uma demanda da Gerência de Engenharia de Produção de Elevação e Escoamento do E&P. Com o objetivo de avaliar a integridade estrutural do riser 4 do gasoduto norte-sul da Plataforma Central de Enchova (PCE-1), foi desenvolvida a ferramenta de limpeza chamada “PIG escovão” e utilizouse o sistema de televisionamento para registro das condições superficiais (desenvolvido pelo Cenpes). E, complementando, a inspeção mais detalhada e precisa usando a tecnologia inédita do RVIT. Este serviço visava avaliar as condições deste trecho do riser, inoperante havia cerca de dez anos, para restabelecer o escoamento da produção do gás da plataforma de Namorado (PNA-1). Algumas modificações foram necessárias, como a troca de parte dos componentes mecânicos (rodízios e coroa de sensores) e a adaptação na configuração original do RVIT – reduzindo o diâmetro de 21 polegadas para o de 16 polegadas da PCE-1. Devido ao espaço reduzido e ao curto trecho que seria avaliado (130 metros), foi montado um novo umbilical, mais leve e de manuseio mais fácil, com diâmetro e comprimento menores. Para ficar mais simples e compacto, o sistema operacional também foi adaptado ao novo espaço. A equipe de Projetos, Construção e Montagem/Obras e Reparos da UO- INOVAÇÃO A coroa de 96 sensores (assinalada no círculo) foi um avanço em relação ao protótipo 1 Os 96 transdutores (sensores que recebem um sinal e o retransmitem) registram duas medidas: a distância de líquido entre o sensor e a parede do tubo (coluna d’água) e a distância da espessura real da parede do tubo, fazendo 400 medidas por segundo cada um, totalizando 25.600 medidas. Cada medida é feita com precisão de oito bits, gerando 51,2 kbytes de dados digitais por segundo, que são enviados a um computador externo por meio de protocolo Ethernet, permitindo a visualização das condições da área inspecionada em tempo real. 31 FIQUE POR DENTRO 32 Bahia terá medição de fumaça preta em veículos a diesel Duas descobertas de petróleo e uma de gás em águas ultraprofundas na área de Hadrian, na concessão Keathley Canyon, porção norte-americana do Golfo do México, divulgadas no início de junho, já estão entre as maiores da década na região. As estimativas indicam volume recuperável superior a 700 milhões de barris de óleo equivalente (boe) no conjunto dos blocos de Keathley Canyon. As descobertas de Hadrian estão localizadas cerca de 400 quilômetros a sudoeste de Nova Orleans, em profundidade de água de 2.100 metros. A perfuração do poço KC 919#3, no bloco KC 919, confirmou uma acumulação de petróleo com mais de 144 metros de espessura de reservatório. A ExxonMobil é a operadora do projeto, com 50% de A Petrobras e o governo do estado da Bahia firmaram um convênio para a medição de opacidade (fumaça preta) em veículos a diesel em Salvador e outras cidades baianas. A iniciativa faz parte do Programa Nacional da Racionalização do Uso dos Derivados do Petróleo e do Gás Natural (Conpet), vinculado ao Ministério de Minas e Energia e coordenado pela Petrobras. Técnicos treinados pelo Conpet farão a análise periódica do nível de fumaça preta emitida pelo escapamento dos veículos e, quando necessário, indicarão ajustes para reduzir a emissão. Os técnicos também vão orientar os motoristas sobre como obter me- LOUISIANA Austin Houston Nova Orleans TEXAS GOLFO DO MÉXICO Técnicos do Conpet farão as medições HADRIAN Aquisições no Gabão reforçam presença da companhia na África Para assegurar um desenvolvimento sustentável aos 14 municípios do entorno do Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), a Petrobras e a Prefeitura de Itaboraí – município Lançamento da Agenda 21 em Itaboraí (RJ) lhor rendimento mecânico do veículo e reduzir a emissão de poluentes. O monitoramento será feito em Salvador, Barreiras, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Juazeiro e Ilhéus. Keathley Canyon Agenda 21 vai nortear ações sustentáveis na área do Comperj onde está sendo construído o empreendimento – lançaram a Agenda 21 de Itaboraí, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente e a Secretaria de Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. A iniciativa é destinada a identificar preocupações e potencialidades para a elaboração de um Plano Local de Desenvolvimento Sustentável (PLDS) para cada município, englobando itens como educação, cultura, meio ambiente, habitação, saúde, saneamento básico, transporte e segurança. O projeto teve início em 2007, com o objetivo de criar e fomentar o debate nos municípios de Itaboraí, Magé, Cachoeiras de Macacu, Maricá, Saquarema, Guapimirim, São Gonçalo, Tanguá, Casimiro de Abreu, Teresópolis, Rio Bonito, Silva Jardim, Nova Friburgo e Niterói. Mais informações em http://www. agenda21comperj.com.br Por meio de sua subsidiária integral Petrobras Participaciones S.L. – PPSL, a Petrobras assinou, em 16 de junho, acordo para a aquisição de 50% dos direitos da Ophir Energy nos blocos Ntsina Marin e Mbeli Marin, localizados na Bacia Costeira, região norte da República do Gabão, na costa oeste da África. O acordo ainda vai passar pela aprovação do governo do Gabão. Atualmente, os blocos são de propriedade integral e operados pela Ophir, empresa sediada no Reino Unido, que permanecerá com os 50% restantes de participação acionária. A região dos dois blocos abrange uma área de 6.683 quilômetros quadrados, em camada que vai de águas rasas até profundidades de 2.400 metros. A Petrobras assume a obrigação de executar um programa mínimo de trabalho, que compreende a aquisição de 2.000 quilômetros quadrados de sísmica 3D. No fim desta etapa, a companhia tem o direito de avaliar sua permanência na fase seguinte do programa exploratório, que inclui a perfuração de poços. GABÃO Mbeli Marin Os dois blocos ficam na Bacia Costeira, na região norte do país africano Ntsina Marin ENERGÉTICAS AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS participação nos blocos KC 918, KC 919, KC 963 e KC 964. A Petrobras America, subsidiária da Petrobras com sede em Houston, no Texas, detém 50% do bloco KC 918 e 25% dos blocos KC 919, KC 963 e KC 964. A Eni Petroleum US LLC participa com os 25% restantes. AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS Um apelo em favor do u uso da razão. Assim poderia sser resumido o livro Como a Picaretagem Conquistou oM Mundo, de Francis Wheen (Editora Record). O autor identifica o ressurgimento das superstições e crendices que o Iluminismo pensou ter superado e o quanto isso tem sido prejudicial à cultura contemporânea. Também é descrito o ideário econômico dominante no fim do século passado, uma catástrofe que ainda repercute nos Estados Unidos e na Europa. O autor derruba os mitos repaginados hoje nos gurus corporativos que enriquecem espalhando suas doutrinas pelas livrarias de aeroportos. Embora tratando de temas densos, o texto é leve e incrivelmente divertido. Marcos Vinícius Pereira, Regional Sudeste dos Serviços Compartilhados Descobertas no Golfo do México estão entre as maiores da década Descoberta capixaba Foi anunciada a descoberta de uma nova acumulação de petróleo nos reservatórios do Cretáceo da Bacia do Espírito Santo, por meio do poço informalmente denominado Brigadeiro, em profundidade de água de 1.900 metros, na área de concessão BM-ES-23, bloco ES-M-525, a 115 quilômetros da costa do estado. A Petrobras é a operadora do consórcio para exploração do bloco, formado ainda pelas empresas Shell Brasil Petróleo Ltda. (20%) e Inpex Petróleo Santos Ltda. (15%). Licitação de sondas A diretoria da Petrobras aprovou o início do processo de licitação para a contratação de até 21 sondas marítimas de perfuração, a serem construídas no Brasil. Para cada unidade será assinado um contrato de afretamento com a licitante vencedora e outro de operação com empresa experiente em operação de unidades marítimas de perfuração. A licitação faz parte da estratégia para contratação de até 28 novas sondas destinadas à exploração em águas ultraprofundas, incluindo o pré-sal. Tiro e Sidon Iniciado em março de 2010, o TLD de Tiro e Sidon atingiu o recorde de produção de 29.200 barris diários, considerando a média consolidada dos últimos três meses. Com isso, o volume diário de produção, que era de 17.000, passou para cerca de 25.000 barris, extraídos dos poços 1-SPS-56 (Tiro) e 1-SPS-57 (Sidon), localizados no bloco exploratório BM-S-40 (100% Petrobras), na porção sul da Bacia de Santos. | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 Em Por que almocei meu pai (Companhia das Letras), o jornalista e sociólogo Roy Lewis escreve uma fábula moderna e bem-humorada sobre a evolução da espécie humana. Edward é “o homem-macaco mais importante do Pleistoceno”, obcecado com a ideia de fazer sua família evoluir para a categoria de Homo sapiens. Para isso, ele “descobre” o fogo e o casamento entre tribos, como forma de obter variedade genética. Enquanto isso, seus cinco filhos inventam a ferramenta de pedra lascada, a pintura rupestre, a domesticação de animais, as estratégias de caça, o pensamento abstrato e a religião. A ação se passa sob o olhar desaprovador do tio Vanya, contrário à evolução. Marcelo Burger, Gerência de Relacionamento Corporativo da Comunicação Institucional FOTOS: DIVULGAÇÃO BOA LEITURA 33 GABÃO FIQUE POR DENTRO ENERGÉTICAS TLD vai avaliar potencial de produção da área de Aruanã área. O bloco C-M-401 fica entre os campos de Pampo e Espadarte, com profundidade de água de 350 a 1.500 metros. Os testes de formação, realizados após a perfuração do 1-RJS661, em março de 2009, apontaram a ocorrência de óleo de 27° API e volumes recuperáveis de aproximadamente 280 milhões de barris de óleo. O TLD de Aruanã terá cerca de seis meses de duração. O FPSO Cidade de Rio das Ostras produzirá até 12.000 barris de óleo por dia no TLD de Aruanã Diesel Podium Com teor máximo de enxofre de 50 ppm (partes por milhão) e qualidade superior ao diesel S-50, fornecido pela companhia desde 2009, o diesel Podium está disponível desde 21 de junho em 60 postos de Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul. Com tecnologia desenvolvida pela Petrobras, o Podium 50, com 51 de cetano, é mais puro e emite menos partículas e fumaça. FOTOS: AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS Localizada no pós-sal da porção sul da Bacia de Campos, a área de Aruanã iniciou a produção de petróleo em Teste de Longa Duração (TLD), por meio do poço 1-RJS-661, no bloco C-M-401. O FPSO Cidade de Rio das Ostras, que opera no local, produzirá até 12.000 barris de óleo por dia. O teste faz parte do Plano de Avaliação da Descoberta (PAD), aprovado pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), para o posterior desenvolvimento da Empresa de respeito A Petrobras é a única empresa latino-americana incluída no ranking das 100 corporações globais de melhor reputação, segundo pesquisa divulgada em 9 de junho pelo Reputation Institute, instituto privado de assessoria e pesquisa com sede em Nova York. As 100 empresas que constam do ranking foram avaliadas por meio de pesquisa realizada em abril com 47.000 pessoas de 15 países. Única companhia de energia a aparecer na lista, a Petrobras ocupa a 93a posição. | REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011 Foi lançado oficialmente em 6 de junho o Programa Progredir, que viabiliza, de forma ágil e padronizada, a oferta de crédito em volume e condições competitivos para todas as empresas que integram a cadeia de fornecedores da 34 Petrobras. A estimativa é que o custo de captação dos fornecedores caia, em média, 20%. Desenvolvida em parceria com os seis maiores bancos de varejo do país (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC e Santander) e com o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural (Prominp), a iniciativa conta com o apoio da indústria e de suas entidades de classe. A fase piloto do programa foi iniciada em setembro de 2010. Nesta primeira etapa, 15 empresas obtiveram financiamento junto aos bancos por meio do programa, num total de R$ 137 milhões. O diretor financeiro e de Relações com Investidores da Petrobras, Almir Barbassa, é um entusiasta do Progredir GERALDO FALCÃO Petrobras lança programa de financiamento para fornecedores Entre as mais valiosas A Petrobras é a terceira Marca Brasileira Mais Valiosa de 2011, segundo pesquisa realizada pela consultoria Interbrand. É a quarta vez que a Petrobras figura entre os dez primeiros colocados do ranking. O estudo que avalia as marcas brasileiras é feito anualmente desde 2001 – com exceção dos anos de 2002 e 2009. Foram avaliadas informações financeiras publicadas este ano, referentes ao ano fiscal de 2010. MÁQUINA DO TEMPO BANCO DE IMAGENS PETROBRAS ANO 17 NO 169 JUNHO 2011 JUAREZ CAVALCANTI Senhora do Mucuripe Há 45 anos na região portuária do Mucuripe, em Fortaleza, a Refinaria de Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste – Lubnor é uma das líderes nacionais em produção de asfalto, principal produto fabricado na unidade – 235.000 toneladas por ano, o que corresponde a 62% do seu volume total de processamento e a cerca de 13% da produção nacional. Quando foi inaugurada, em 24 de junho de 1966, a refinaria Braço logístico da Petrobras no Ceará, a Lubnor (foto maior) tinha capacidade para processar 450 metros cúbicos de petró- foi a primeira unidade do Refino a instalar, em 1996, um sistema leo por dia (foto menor). Hoje a unidade tem uma capacidade de cogeração de energia elétrica e vapor com turbinas a gás. Em instalada de processamento de 10.000 barris de petróleo diários 1998, ela inaugurou a primeira – e única do país até hoje – unida- e está sendo ampliada para dobrar sua capacidade de produ- de de lubrificantes naftênicos, trocando seu nome de Fábrica de ção de lubrificantes, com investimentos de US$ 60 milhões. Asfalto de Fortaleza (Asfor) para Lubnor. Também funciona como terminal para importação e cabotagem De lá saem diariamente 200 metros cúbicos desses lubrificantes especiais, usados como isolante térmico em transformadores BAÍA viva! no abastecimento do mercado regional de combustíveis, o que representa parte substancial do seu faturamento. de alta voltagem, amortecedores para veículos e equipamentos Além de produtora, é distribuidora de asfalto para nove esta- pneumáticos ou, ainda, na formulação de graxas especiais e óleo dos das regiões Norte e Nordeste e uma das maiores recolhedo- de corte para a indústria metalúrgica. ras de ICMS do Ceará. Com efetiva ação social junto às comuni- Com uma força de trabalho de 800 profissionais, a Lubnor dades e atenta à biodiversidade local, a Lubnor investe em pes- produz também, em menor escala, os óleos combustíveis indus- quisa de ponta e no desenvolvimento de produtos, com a parti- triais usados na produção de energia – em turbinas a gás e de cipação das universidades da região e do Núcleo Experimental calor, em fornos e caldeiras, inclusive de navios –, além do óleo (NuEx) de Fortaleza, onde são realizados testes de novas tecno- amaciante de fibras. Todo o petróleo utilizado pela Lubnor é do logias para o refino, com foco no desenvolvimento de bioprodu- tipo ultrapesado: 3/4 do Espírito Santo e 1/4 do Ceará. tos, como biograxas e biolubrificantes. Golfinhos nadam nas águas calmas da baía Com a participação de oito universidades brasileiras e coordenada pela Petrobras, a mais completa avaliação ambiental já feita sobre a Baía de Guanabara mostra que a biodiversidade resistiu às agressões da ação humana e pode ser revitalizada