MÁQUINA DO TEMPO
BANCO DE IMAGENS PETROBRAS
ANO 17 NO 169 JUNHO 2011
JUAREZ CAVALCANTI
Senhora do Mucuripe
Há 45 anos na região portuária do Mucuripe, em Fortaleza, a
Refinaria de Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste
– Lubnor é uma das líderes nacionais em produção de asfalto,
principal produto fabricado na unidade – 235.000 toneladas por
ano, o que corresponde a 62% do seu volume total de processamento e a cerca de 13% da produção nacional.
Quando foi inaugurada, em 24 de junho de 1966, a refinaria
Braço logístico da Petrobras no Ceará, a Lubnor (foto maior)
tinha capacidade para processar 450 metros cúbicos de petró-
foi a primeira unidade do Refino a instalar, em 1996, um sistema
leo por dia (foto menor). Hoje a unidade tem uma capacidade
de cogeração de energia elétrica e vapor com turbinas a gás. Em
instalada de processamento de 10.000 barris de petróleo diários
1998, ela inaugurou a primeira – e única do país até hoje – unida-
e está sendo ampliada para dobrar sua capacidade de produ-
de de lubrificantes naftênicos, trocando seu nome de Fábrica de
ção de lubrificantes, com investimentos de US$ 60 milhões.
Asfalto de Fortaleza (Asfor) para Lubnor.
Também funciona como terminal para importação e cabotagem
De lá saem diariamente 200 metros cúbicos desses lubrificantes especiais, usados como isolante térmico em transformadores
BAÍA viva!
no abastecimento do mercado regional de combustíveis, o que
representa parte substancial do seu faturamento.
de alta voltagem, amortecedores para veículos e equipamentos
Além de produtora, é distribuidora de asfalto para nove esta-
pneumáticos ou, ainda, na formulação de graxas especiais e óleo
dos das regiões Norte e Nordeste e uma das maiores recolhedo-
de corte para a indústria metalúrgica.
ras de ICMS do Ceará. Com efetiva ação social junto às comuni-
Com uma força de trabalho de 800 profissionais, a Lubnor
dades e atenta à biodiversidade local, a Lubnor investe em pes-
produz também, em menor escala, os óleos combustíveis indus-
quisa de ponta e no desenvolvimento de produtos, com a parti-
triais usados na produção de energia – em turbinas a gás e de
cipação das universidades da região e do Núcleo Experimental
calor, em fornos e caldeiras, inclusive de navios –, além do óleo
(NuEx) de Fortaleza, onde são realizados testes de novas tecno-
amaciante de fibras. Todo o petróleo utilizado pela Lubnor é do
logias para o refino, com foco no desenvolvimento de bioprodu-
tipo ultrapesado: 3/4 do Espírito Santo e 1/4 do Ceará.
tos, como biograxas e biolubrificantes.
Golfinhos nadam nas
águas calmas da baía
Com a participação de oito universidades brasileiras e coordenada pela Petrobras,
a mais completa avaliação ambiental já feita sobre a Baía de Guanabara mostra que
a biodiversidade resistiu às agressões da ação humana e pode ser revitalizada
ARQUIVO PESSOAL
ENTREVISTA
Representante da Organização
Mundial de Saúde (OMS) em
Angola, Rui Gama Vaz fala sobre
a parceria da entidade com
a Petrobras na luta para erradicar
a malária e a poliomielite no
país africano até 2015.
pág.
4
ARQUIVO PETROBRAS/CENPES
AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS
CAPA
NEGÓCIOS
A ação do homem não foi capaz
de acabar inteiramente com a
biodiversidade na Baía de Guanabara,
que ainda pode ser recuperada
se forem tomadas medidas efetivas.
É o que revela o mais completo
diagnóstico ambiental já feito
no ecossistema fluminense,
coordenado pela Petrobras.
A terceira e última reportagem
da série sobre os resultados da
companhia em 2010 mostra as
conquistas na Área de Abastecimento,
com destaque para a expansão e a
modernização do parque de refino.
pág.
10
pág.
20
DIVULGAÇÃO PETROBRAS DISTRIBUIDORA
TECNOLOGIA
Produto que pode ser aplicado a frio, evitando a emissão de vapores
na atmosfera, a emulsão asfáltica Emulpen chega ao mercado.
pág.
8
JOSÉ CALDAS
OLHARES
A natureza está sempre no foco de José Caldas, um dos mais
respeitados fotógrafos de documentação geográfica do país.
pág.
18
AGÊNCIA PETROBRAS
FORÇA DE TRABALHO
Os novos crachás do Sistema Petrobras privilegiam a funcionalidade
e serão adotados gradativamente nos próximos meses.
pág.
24
E mais...
6 Petrorama
7 Mural do
Leitor
16 Gestão
26 Gente
28 Inovação
32 Fique por Dentro
36 Máquina do
Tempo
Revista Petrobras 169 • ano 17 • Junho de 2011
Av. República do Chile, 65, sala 1.202 • Rio de Janeiro – RJ – CEP: 20035-900
E-mail: [email protected]
Gerente Executivo de Comunicação Institucional Wilson Santarosa • Gerente de Relacionamento Gilberto Puig • Gerente de Relacionamento com o Público
Interno Luiz Otávio Dornellas • Comitê Editorial Ana Luísa Feijó Abreu (Financeiro), Cláudia Del Souza (E & P), Mário Quinderé (Transpetro), Maurício
Lopes Ferreira (RH), Elizete Vazquez (Serviços Compartilhados), Débora Luiza Coutinho do Nascimento (Abastecimento), Giana Grazziotin (SMES),
Marcelo Siqueira Campos (Petrobras Distribuidora), José Carlos Cidade (Internacional), Georgia Valverde Leão (Jurídico), Wanderley Bezerra (Gás
e Energia), Carmen Vilar Prudente (Engenharia) • Editor Responsável Alexandre Medeiros (Ofício de Letras), Mtb 16.757 • Editoras Nádia Ferreira e
Patrícia Alves • Editora assistente Claudia Lima • Produtor Executivo Albano Auri • Diagramação e Infografia Azul Publicidade • Colaboradores Celia
Abend, Celso de Castro Barbosa, Francisco Luiz Noel, Julia Viegas, Luciana Conti, Márcia Leoni e Paulo Vasconcellos • Copidesque Bella Stal
ARQUIVO PETROBRAS/CENPES
Rui Gama
Vaz, médico e
representante
da OMS em
Angola
Como foi o contato da OMS com a força de trabalho da Petrobras?
Realizamos uma palestra para todos os trabalhadores da Petrobras em Luanda, explicamos qual
a importância da campanha nacional de vacinação. Saudamos o papel da Petrobras neste apoio
incondicional que nos deu. Esperamos que seja o
princípio para continuarmos. Só com o envolvimento de todos os parceiros nacionais e internacionais seremos capazes de melhorar o estado de
saúde da população. Contudo, é importante trabalhar analisando os principais fatores determinantes que afetam o estado de saúde das populações e atuar nesse sentido de forma a atingir
os resultados esperados. Que, no final, é reduzir as taxas de morbidade e mortalidade das
principais doenças no país e, consequentemente,
atingir as metas de desenvolvimento do milênio
(são oito metas definidas pela Organização das
Nações Unidas para serem cumpridas até 2015,
entre elas a erradicação de doenças que matam
milhões de pessoas em todo o mundo).
3
4
Desde o começo do ano, a Petrobras Angola
pratica ações preventivas contra a malária, como distribuição de mosquiteiros e aplicação de
inseticida nas residências. E o Índice de Parasitemia Local (IPL) é analisado mensalmente pelo Comitê de Gestão de SMES da companhia.
Além disso, o dia 25 de abril foi incluído no
calendário da Petrobras como o Dia da Prevenção da Malária. Quando começou a parceria com a OMS?
A parceria é mais recente. Há cerca de dois meses, conversamos com a direção da Petrobras e
demos a conhecer o trabalho que a OMS tem
feito em Angola. Apresentamos as prioridades
que foram definidas com base na Estratégia de
Cooperação da OMS com Angola para o período de 2009 a 2013. Realçamos o papel da OMS
principalmente no reforço e na expansão das
parcerias, no auxílio às políticas dos sistemas de
saúde, na promoção da intensificação de intervenções essenciais e na melhoria da resposta aos
determinantes da saúde. Identificamos algumas
áreas de cooperação com a Petrobras no apoio
às atividades de vacinação de rotina e às campanhas de erradicação da poliomielite no país, que
estão sendo feitas a nível nacional, vacinando
todas as crianças até 5 anos nos 164 municípios
do país. Outra área que analisamos foi o apoio
à OMS para reforçar as capacidades do programa nacional da malária. Fizemos dois projetos:
“Redução acelerada do número de crianças
não vacinadas no município de Kilamba Kiaxi
através do reforço da vacinação de rotina” e
“Contribuição para a melhoria da qualidade
do diagnóstico e do tratamento da malária nas
províncias de Luanda e Kwanza Sul”.
A OMS faz algum trabalho de conscientização da população fora dos centros urbanos?
Todo o trabalho de conscientização da população é feito pelas estruturas nacionais. A OMS
apoia tecnicamente o Ministério da Saúde na formulação de políticas, normas e padrões que vão
beneficiar a população. Apoiamos na definição
da estratégia de comunicação social para a saúde, nas campanhas de prevenção das doenças,
na mudança de comportamentos nefastos para
a saúde. Temos também apoiado o Ministério da Saúde no monitoramento da tendência
das doenças, na identificação de surtos epidêmicos nas áreas urbanas e rurais, na pesquisa
operacional sobre nível de conhecimento da
população sobre as doenças, seu modo de
transmissão e formas de prevenção.
5
Qual é o foco atual dessas campanhas?
No momento, o foco está na poliomielite e na
malária. A pólio causa a incapacidade motora e
a morte da criança, e seu grupo de risco é do
nascer aos 5 anos. Já a malária, além das crianças, tem também mulheres grávidas dentro do
grupo de risco. A malária é uma das principais
causas de mortalidade infantil nesse país, associada também aos elevados índices de anemia,
baixa assiduidade no trabalho e diminuição do
rendimento escolar. Por isso é uma área de extrema importância. Nós, como Nações Unidas, damos apoio também às instituições de
governo. A malária está associada à existência
de charcos d’água. Por isso realizamos atividades de melhoria do saneamento. De fato, as doenças endêmicas estão associadas ao nível de
pobreza. E aqui falamos de malária, pólio, tuberculose, doenças diarreicas, Aids e outras tantas que assolam o continente africano.
6
Como a população angolana recebe as iniciativas da OMS em prol da saúde?
A OMS trabalha diretamente com as estruturas
de saúde do país, quer a nível central, quer a
nível provincial e municipal. Temos por missão também reforçar as capacidades nacionais,
a massa crítica nacional para garantir uma sustentabilidade das intervenções de saúde pública. O nosso apoio é principalmente de caráter
técnico, mas sempre no sentido de apoiar a implementação das atividades prioritárias definidas pelo Ministério da Saúde. Temos também
trabalhado com os diferentes parceiros e com
a sociedade civil no sentido de harmonizar as
nossas intervenções, evitando duplicação de atividades e de recursos.
Uma aliança pela saúde em Angola
“A Petrobras apoia a implementação das atividades prioritárias definidas pelo governo angolano na área da saúde”
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
1
2
ARQUIVO PESSOAL
RETRANCA
ENTREVISTA
A
Como o senhor analisa o papel da Petrobras
no apoio ao combate a doenças endêmicas em
Angola?
A parceria com a Petrobras é fundamental e
muito produtiva. A Petrobras apoia a implementação das atividades prioritárias definidas
pelo governo angolano na área da saúde. Estamos realizando uma campanha nacional de
vacinação contra a poliomielite e a malária,
para a qual a Petrobras nos cedeu cerca de 180
ativistas. Essas pessoas, que fazem parte da força de trabalho da Petrobras Angola, voluntariamente apoiaram a campanha de vacinação,
quer como vacinadores, quer como supervisores. Os voluntários visitaram casas da população para verificar se havia crianças ainda não
vacinadas. A Petrobras apoiou também em transportes, para que os nossos vacinadores e supervisores se deslocassem nos municípios. E ainda
em refeições para os vacinadores durante as
campanhas. Podemos dizer que isso foi apenas
uma primeira iniciativa. Estamos esperançosos;
mais ações serão realizadas.
ENTREVISTA
RETRANCA
Petrobras Angola (PIB BV) está na luta contra
duas das principais causas da mortalidade infantil no país africano: a malária e a poliomielite. E tem parceiros fortes: a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Fundo das Nações Unidas para a Infância e
a Juventude (Unicef) e o Ministério da Saúde angolano.
Junto a entidades religiosas e à população civil, a companhia soma forças e apoia a OMS em projetos para erradicar as duas doenças no país até 2015. Representante da
OMS em Angola, o médico Rui Gama Vaz, em constante
diálogo com a PIB BV, coordena ações de combate às epidemias. Ele esteve em maio na sede da Petrobras em Angola para uma palestra de conscientização, na qual convidou toda a força de trabalho da companhia a participar
da campanha nacional de vacinação contra a poliomielite,
ocorrida de 27 a 29 daquele mês. Nesses três dias de campanha, foram vacinadas 4.394 crianças até 5 anos. Rui
Vaz reiterou o apoio da OMS à companhia nos programas de prevenção e combate a doenças endêmicas, sob o
comando do gerente-geral da Petrobras Angola, Manoel
Murilo. Nesta entrevista, Rui Vaz fala sobre as campanhas
e ações que estão sendo realizadas e o sucesso da parceria
OMS/Petrobras.
5
MURAL DO LEITOR
Autossuficiência em energia
triplicou a capacidade de produção de vapor para aquecimento dos
tanques, suprindo toda a necessidade de energia da refinaria.
Coordenou o projeto de migração
dos dados do Sistema de Cogeração
para o Sistema de Controle à Distância (SDCD), em 2002, passando
a operar à distância todo o sistema
que antes era operado no campo, ganhando agilidade, segurança, praticidade e rapidez na ação e na tomada de decisões.
Em 2009, foi designado consultor
técnico da Lubnor, tendo se tornado o principal especialista no Refino em instrumentação e controle
de sistemas de cogeração com turbinas a gás.
No ano seguinte, trabalhou na substituição e modernização do sistema
de controle da PSA (unidade de produção de nitrogênio).
Está preparando um curso de operação e manutenção em cogeração
de energia, sistema de produção de
energia elétrica e vapor que hoje virou uma prática e é utilizado de diferentes formas nas refinarias.
Especialista em cogeração de energia elétrica e vapor, o consultor técnico da Lubrificantes e Derivados do
Nordeste (Lubnor), Ronaldo Vieira
Passos, participou dos principais projetos voltados para a modernização e
a autonomia em energia da refinaria
do Ceará.
Principais projetos
Aluno do curso de Eletrotécnica da
Escola Técnica Federal do Ceará, estagiou na área de instrumentação
da Gerência de Manutenção da Fábrica de Asfalto de Fortaleza (Asfor). Formou-se em 1986, quando
ingressou na Petrobras, sendo o primeiro colocado no concurso para
instrumentista.
Em 1987, trabalhou na montagem,
implementação e entrada em operação da Unidade de Processamento
de Gás Natural (UPGN), tecnologia
que representou na época um grande
desafio para a refinaria cearense.
Coordenou, em 1992, a montagem
de instrumentação e elétrica da primeira Estação de Medição (Emed)
para GLP do refino com provador
compacto, equipamento mais barato, menor e com mais facilidade para calibrar as turbinas que
o provador convencional.
Participou da montagem e da implantação do primeiro módulo de cogeração de
energia elétrica e vapor com turbinas a
gás do refino, em
1996. A iniciativa
Tempo de empresa
25 anos.
Onde está hoje
É consultor técnico do Refino, lotado na Gerência de Manutenção Industrial da Lubnor.
Conselho pessoal
Uma frase de Albert Einstein: “A mente que se abre
a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original”.
ARQUIVO LUBNOR
6
Esta edição da sua Revista Petrobras traz uma ótima notícia sobre
uma das mais belas paisagens – e
um dos mais vigorosos ecossistemas – do Rio de Janeiro e do Brasil: a Baía de Guanabara. Com sua
marca de cartão-postal, onde reina
o Pão de Açúcar, a baía passou pela
mais completa avaliação ambiental de
sua história, em mais de cinco anos
de trabalho de 70 pesquisadores
de oito universidades brasileiras, um
esforço financiado pela Petrobras
e coordenado pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo
Américo Miguez de Mello (Cenpes).
Esse diagnóstico mostrou que, apesar de degradada há muitas décadas, a baía pode ser recuperada.
Os resultados do estudo estão
em nossa matéria de capa, a partir
da página 10. Além de avaliar as condições de águas, praias, manguezais,
costões rochosos e sedimentos da
Baía de Guanabara, assim como de
sua flora e fauna, o estudo apontou
ações que podem contribuir para a
recuperação do meio ambiente na
região. Também na linha da preservação ambiental, nossa matéria das
páginas 8 e 9 apresenta a Emulpen,
emulsão asfáltica da Petrobras Distribuidora que não utiliza solventes em
sua composição, evitando a emissão de vapores na atmosfera.
Mentor
“Meus pais, que sempre colocaram a
educação em primeiro plano, e minha
esposa, filhas e irmãos, que sempre
me apoiaram”.
NONONONONON
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
Origem
Fortaleza, CE.
As técnicas
introduzidas
por Ronaldo são
usadas hoje em
todas as refinarias
Vidro, arte e ofício
Foi com o pai, Geraldo, que o vidreiro Ubirajara Ferreira dos Santos, o Bira, de 61
anos, aprendeu seu ofício. O artesão conquistou um espaço único na oficina de vidraria do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello
(Cenpes), onde cria peças moldadas especialmente para os pesquisadores. Nenhuma
delas está disponível no mercado e cada uma é essencial para o sucesso do trabalho
nos laboratórios. Foi por suas mãos que nasceu o reator de fluxo contínuo para processamento de matérias-primas petroquímicas derivadas do refino do petróleo, que
permite simular em laboratório o processo real de produção. Entre suas criações está
uma célula hermética de vidro que qualifica inibidores de corrosão em testes nos sistemas de produção de petróleo. São peças únicas, sem similar no mercado. Bira, que é
contratado da VGK Engenharia, também modifica e adapta ferramentas, como o
maçarico de corte de vidro com quatro bicos, três a mais que o tradicional, que tem a
vantagem de impedir o esfriamento do vidro na moldagem, mantendo o padrão de
segurança. Elogiado pelos profissionais com quem trabalha, Bira prefere dividir o mérito com a equipe, e atribui as conquistas à rotina de muito trabalho.
“Não existem peças apropriadas no mercado, então inventamos. O produto final é
do cliente. O pesquisador tem uma ideia, algumas vezes a gente modifica, o trabalho
flui e conseguimos atender. Outras vezes, é uma dificuldade muito grande. São meses
de tentativa; a gente faz cinco, seis, oito peças e pensa que deu certo, mas não funciona. Às vezes eu acordo no meio da noite com uma solução na cabeça, levanto e faço o desenho. Só aí consigo voltar a dormir. Sobre alguns trabalhos eu não
posso nem falar, porque o serviço está em processo de patente.
Eles inovam a cada instante, e eu inovo junto com eles. Esse povo me faz
crescer e ser forte. Essa é uma profissão extinta. Há centenas de anos, era
valorizada – o bom vidreiro trabalhava isolado em uma ilha, porque o segredo não podia vazar. Por coincidência, estou na Ilha do Fundão. Será
obra do Criador?”
A Revista Petrobras está em permanente processo de aperfeiçoamento para ser, cada vez mais, uma publicação imprescindível à força de trabalho. Para isso contamos com a sua colaboração. Sugestões, críticas, elogios – tudo será recebido com
carinho por nossa equipe. Para participar é fácil: por carta, Av. República do Chile, 65, sala 1.202, Rio de Janeiro – RJ –
20035-900; por fax, (21) 2220-8761; ou por e-mail: [email protected]
O talento de Ubirajara
está nas peças únicas
que criou (foto ao lado):
apoio importante aos
projetos de pesquisa
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
Recuperar
é possível
FOTOS: ARQUIVO PETROBRAS/CENPES
ESTRELAS DA CASA
GERALDO FALCÃO
RETRANCA
PETRORAMA
BATE-BOLA
7
A empresa tem uma linha completa de produtos (aplicados a quente, a
frio e especiais) e serviços asfálticos
para indústrias, governos estaduais e
municipais, concessionárias e construtoras de rodovias, clubes e condomínios, entre outros segmentos que precisam de soluções rápidas e eficazes
em pavimentação.
Saiba mais
www.br.com.br/asfaltos
1
FOTOS: DIVULGAÇÃO PETROBRAS DISTRIBUIDORA
ROBERTO ROSA
TECNOLOGIA
na pista
Aplicação
Para se fazer uma estrada, antes
da colocação do asfalto é executada
a imprimação, que consiste na aplicação de uma camada muito fina de
um revestimento que prepara o terreno para receber o asfalto.
Essa aplicação impermeabiliza a
base, impedindo que a água suba do
solo, e também funciona como uma
cola, unindo as partículas e formando
uma superfície compacta onde é assentado o asfalto.
Feita com água, sem a utilização
de solvente, a Emulpen veio para ocupar o lugar do CM-30, que tem em
sua composição uma mistura de 50%
de asfalto e 50% de solvente. Usado
até hoje para a imprimação, mas com
seus dias contados em todo o mundo,
o CM-30 já foi proibido nos Estados
Unidos, no México e em diversos países da Europa.
A Emulpen penetra nas bases e solos granulares sem causar danos ao
meio ambiente: o asfalto fica no solo
e a água evapora. Além disso, é mais
barata, mais fácil de usar, e tem a vantagem de não emanar vapores, não
ter cheiro forte nem ser inflamável,
reduzindo os riscos à saúde dos profissionais que aplicam o produto e de
quem estiver próximo ao local onde
está sendo feita a imprimação.
As emulsões asfálticas são dispersões de asfalto na água. Nesse processo, o asfalto passa por um equipamento onde é cortado em partículas
microscópicas e envolvido com água
e um emulsificante, que mantém as
partículas separadas, em suspensão.
Essas emulsões formam uma mistura estável.
Líder no mercado nacional de asfaltos, com 35%, somando a participação da Iasa, a Petrobras Distribuidora teve em 2010 um aumento
de 28% em suas vendas globais sobre o resultado de 2009, chegando a
947.000 toneladas, um recorde histórico no Brasil em venda de asfalto.
TECNOLOGIA
NOVIDADE
mente correto, que muito em breve irá
substituir o CM-30, um produto similar, mas que emana vapores de solvente e gera gases do efeito estufa
devido à necessidade de aquecimento, informa Guilherme Edel, consultor
da Gerência de Comercialização de
Asfaltos da Petrobras Distribuidora.
2
Processo de emulsificação
Esquemático
Emulsificantes
aminados
PETROBRAS DISTRIBUIDORA LANÇA A EMULPEN, EMULSÃO ASFÁLTICA QUE GERA ECONOMIA
E GANHOS AMBIENTAIS. O PRODUTO NÃO UTILIZA SOLVENTES NA SUA FÓRMULA
Misturador
8
stradas do Brasil e de outros
países da América do Sul estão abrindo caminho para
um produto inovador que a Petrobras Distribuidora lançou no mercado com o objetivo de reduzir danos
ao meio ambiente. A Emulpen (emulsão de penetração) não contém solventes derivados de petróleo na sua
composição, evitando a emissão de
vapores na atmosfera.
E
A emulsão tem a vantagem de ser
aplicada a frio, pois penetra no solo à
temperatura ambiente, sem precisar
ser aquecida para ajuste de viscosidade, economizando energia e proporcionando ganhos de logística e
redução nos custos de estocagem,
aplicação e transporte.
O produto é exclusivo da Petrobras Distribuidora e já foi usado com
sucesso em projetos de clientes no Rio
de Janeiro, em São Paulo, no Paraná e
no Mato Grosso do Sul, além de ter
sido comercializado pela Ipiranga Asfaltos (Iasa) na Bolívia e no Paraguai.
“Desenvolvemos o produto, avaliamos em laboratório e testamos
com os principais tipos de solo encontrados no Brasil. As fábricas de
emulsões da Petrobras Distribuidora já estão adaptadas para produzir
a Emulpen, produto a frio, ecologica-
Asfalto
Água quente
Aquecedor
1. Aplicação: Um técnico aplica
a Emulpen sobre uma camada
pré-preparada na pista para
receber o asfalto
2. Aderência: Doze horas após
a aplicação, a emulsão, feita
com água e sem solventes,
já adere à pista
3. Tráfego liberado: A foto mostra
a pista 48 horas depois
da aplicação, já com as
marcas dos pneus de teste
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
3
9
vista!
GNL
GLP
Píer PDL
Brasil
T. A. Ilha Redonda
Terminal Aeroporto
do Rio de Janeiro
(Gario), da Petrobras
Distribuidora
PETROBRAS MOBILIZA
OITO UNIVERSIDADES PARA
REALIZAR O MAIS COMPLETO
ESTUDO DAS CONDIÇÕES
AMBIENTAIS DA BAÍA DE
GUANABARA E MOSTRA
QUE ECOSSISTEMA PODE
SER RECUPERADO
enário do mais famoso cartão-postal do Rio de Janeiro, em que predomina o Pão
de Açúcar, a Baía de Guanabara sofre
efeitos significativos da atividade humana desde os tempos em que portugueses e franceses se engalfinhavam
pelo domínio da região, no século
XVI. Os impactos sobre o meio ambiente se intensificaram nos últimos
100 anos, com o crescimento da Região Metropolitana, mas – boa notícia! – não foram suficientes para
extinguir a biodiversidade dentro e
fora das águas. Este diagnóstico promissor, compartilhado por cientistas
de oito universidades mobilizados
pela Petrobras, emerge da mais com-
10
ARQUIVO PETROBRAS/CENPES
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
C
pleta avaliação ambiental já feita na
baía. Pela força de seus sinais vitais,
ela demonstra ter condições de se recuperar se ações efetivas forem implementadas.
O estudo traçou um retrato inédito da situação das águas, praias,
dos manguezais, costões rochosos e
sedimentos da Baía de Guanabara,
assim como de sua flora e fauna, que
conserva uma grande variedade de
peixes, camarões, caranguejos e aves.
Sob a coordenação do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo
Américo Miguez de Mello (Cenpes),
70 pesquisadores esquadrinharam a
baía por mais de cinco anos, incluídos 24 meses de trabalho de campo,
T. Flexível
de GNL
T. A. Almirante
Tamandaré
T. A. Ilha
D’Água
em 2005 e 2007. Depois de tudo estudado em laboratório e analisado à
luz de avançados padrões da ciência,
os especialistas atestaram: apesar da
poluição crônica, a baía continua
cumprindo papel vital de mediação
entre o continente e o Atlântico, servindo ainda de berçário e criadouro
para várias espécies marinhas.
Embora a Baía de Guanabara já
tivesse sido objeto de muitos estudos
pontuais, a avaliação promovida pela Petrobras foi pioneira por reunir,
de forma multidisciplinar, pesquisas em 19 especialidades, em áreas
como Geologia, Oceanografia, Química e Biologia. O resultado foi a
caracterização geofísica, geoquímica
e biológica desse vasto corpo d’água
e o entendimento da dinâmica de seus
ecossistemas. “Apesar de toda a influência das atividades do homem na
região, a baía responde que está viva
e tem capacidade de se recuperar”,
afirma a coordenadora do trabalho,
Maria de Fátima Guadalupe, química
do petróleo da Gerência de Avaliação e Monitoramento Ambiental, vinculada à Gerência de P&D de Gás,
Guanabar
de
a
a
í
Ba
T. A. Ilha Comprida
T. M. Almirante
Tamandaré
Cenpes
Terminal Aeroporto
Santos Dumont
(Gasdu), da Petrobras
Distribuidora
Universidade Petrobras
Edihb
Edise Edita
T. M. = Terminal Marítimo
T. A. = Terminal Aquaviário
Algumas das principais instalações administrativas, industriais e
de pesquisa da Petrobras estão na região da Baía de Guanabara,
como o Edise, o Cenpes e a Refinaria Duque de Caxias
Energia e Desenvolvimento Sustentável do Cenpes.
Parte da carteira de projetos do
Cenpes para o meio ambiente, a avaliação da Baía de Guanabara marca
a conduta proativa da Petrobras em
relação à baía, vista com olhar estratégico devido à existência de diversas
instalações da companhia na região.
“Percebemos que precisávamos conhecer bem esse espaço, que sofre os
impactos de uma megalópole em cres-
cimento constante”, explica Maria de
Fátima. Além da Refinaria Duque de
Caxias (Reduc) e do Cenpes, às margens do espelho d’água, vários terminais de combustíveis funcionam
em ilhas, como a D’Água, a Redonda
e a Comprida, e em píeres, como o
Terminal de Regaseificação de Gás
Natural Liquefeito (GNL). Os oleodutos e gasodutos ligados a algumas
dessas unidades também passam sob
as águas.
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
CAPA
CAPA
BAÍA À
Refinaria Duque de Caxias (Reduc)
Terminal de Duque de Caxias (Teduc)
Terminal de Campos Elíseos (Tecam)
11
FOTOS: ARQUIVO PETROBRAS/CENPES
CAPA
usos do petróleo e de seus derivados”,
assinala Maia de Fátima. A maior
concentração de hidrocarbonetos,
decorrentes principalmente da queima de combustíveis, foi registrada nas
áreas do Porto do Rio de Janeiro, de
estaleiros de Niterói e nas desembocaduras dos rios Sarapuí, São João de
Meriti e Estrela, que transportam efluentes de uma região bastante urbanizada e industrializada.
Na avaliação biológica de 20 praias,
a maior biodiversidade foi encontrada
longe da orla da baía. A maior variedade de espécies está na ilha carioca de
Paquetá, nas praias do Relógio e da
Moreninha, esta celebrizada no romance homônimo de Joaquim Manoel de
Macedo, de 1844. No continente, as
praias com mais baixa variedade de
organismos são as também cariocas
Ramos e Catalão, esta situada na Ilha
do Fundão. O estudo atestou uma va-
riação da abundância de espécies nos
costões rochosos, e constatou danos
em algumas áreas dos manguezais,
com a consequente redução da biodiversidade. Num deles, em sete hectares, foram plantadas 37.000 mudas de
mangues, que crescem 80 centímetros
por ano, demonstrando a viabilidade
desse tipo de reflorestamento.
CAPA
consome aproximadamente 500 toneladas diárias de oxigênio. A baía,
que recebe grande parte dos dejetos
pelos rios Iguaçu e Meriti, que cortam
a Baixada Fluminense, tem a mais
elevada contaminação por esgotos da
costa brasileira. Além disso, vale ressaltar que ela ainda recebe cerca de
5.000 toneladas por dia de lixo sólido público e domiciliar, que se acumulam nas praias e nos manguezais.
No estudo dos níveis de poluentes
nos sedimentos do fundo da Baía de
Guanabara, os pesquisadores encontraram hidrocarbonetos, metais pesados e pesticidas em diferentes quantidades, dependendo da região estudada.
A avaliação pôs por terra o lugar-comum que associa os resíduos de hidrocarbonetos às operações da Reduc
e de outras instalações da Petrobras.
“Eles estão presentes em toda a baía
e advêm, principalmente, dos diversos
Legado ambiental
A avaliação ambiental da Baía de
Guanabara, reunida em 3.600 páginas e registrada num banco de dados georreferenciado, representa um
importante subsídio da Petrobras à
ampliação do conhecimento sobre a
região. Apresentada ao Instituto Estadual do Ambiente (Inea), ela poderá
auxiliar no aprimoramento de iniciativas governamentais de despoluição
da baía. No campo acadêmico, contribui para a formação de recursos
A baía recebe
diariamente, por
55
dois bilhões
rios e canais, cerca de
de litros de despejos
domésticos e
23,4 milhões
de litros de efluentes industriais,
procedentes de
14.000
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
indústrias – a maioria
de pequeno porte.
12
Agressões e resistência
Com 380 quilômetros quadrados, a
Baía de Guanabara é a segunda maior
do Brasil, atrás apenas da Baía de Todos os Santos (BA). Situada no centro
de uma região com 10 milhões de pessoas (80% da população fluminense),
ela é desaguadouro de uma bacia hidrográfica que cobre 15 municípios.
A capital e outros 12 fazem parte do
Grande Rio – Duque de Caxias, São
João de Meriti, Belford Roxo, Nilópolis, Nova Iguaçu, Magé, Guapimirim, Rio Bonito, Itaboraí, Tanguá,
São Gonçalo e Niterói. Cursos d’água
de Cachoeiras de Macacu e Petrópolis,
na Região Serrana, também descem
para a baía, que recebe diariamente,
por 55 rios e canais, cerca de dois bilhões de litros de despejos domésticos
e 23,4 milhões de litros de efluentes
industriais, procedentes de 14.000 indústrias – a maioria de pequeno porte.
Um dos fatores que contam a favor da biodiversidade, destaca Maria
de Fátima, é a hidrodinâmica da baía,
que preserva um canal central com
até 50 metros de profundidade e renova, em média, metade das águas de
11 em 11 dias. “A Baía de Guanabara dá mostras de grande resiliência, isto
é, com alto poder de resistência a pressões e a estressores, e capacidade de
restabelecer seu equilíbrio”, enfatiza
a geoquímica. A grande quantidade
de dejetos domésticos despejados pelos rios é, porém, mais do que preocupante, ela afirma, observando que
a metabolização dessa carga orgânica
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
Os manguezais da baía (acima) são locais de
refúgio e reprodução de caranguejos (foto ao lado)
Os pesquisadores coletaram e catalogaram material nos manguezais da baía para posterior análise em laboratórios
13
Vida que vem da água
JUAREZ CAVALCANTI
CAPA
CAPA
Aves
Graúdos, de coloração negro-azulada, os biguás reinam
nos céus da Baía de Guanabara. Os bandos dessa ave pesnto
cadora foram registrados em todas as jornadas de avistamento
equência e a abundância
empreendidas pelos pesquisadores, de barco e de avião. A frequência
dos registros indicam que a população de biguás da baía está em franco crescimento,
secundada pelas de socós, maçaricos e garças. Estas espécies estão entre as 45 com
características aquáticas existentes na região, onde foram observados, no total, 112
tipos de aves.
Dez das 15 espécies ameaçadas de extinção na Baía de Guanabara foram avistadas
durante a avaliação ambiental promovida pela Petrobras – asa-branca, biguatinga,
colhereiro, gaivota de cabeça cinza, marreca-caneleira, martinho, pernilongo de costas
brancas, saracura-do-mangue, talhamar e trinta-réis-real.
Peixes
Das 130 espécies de peixes que povoam a Baía de Guanabara, chegam a 88 (68%)
as que têm importância na economia da pesca. Algumas cumprem todo seu ciclo de
vida no local, enquanto outras usam as águas abrigadas como lugar de reprodução e
crescimento, antes de os animais jovens se lançarem em mar aberto.
Em 48 jornadas quinzenais de arrasto, os pesquisadores comprovaram a presença
de três espécies sob risco de extinção na baía, em consequência da sobre-exploração
– a corvina, o bagre e a sardinha-verdadeira. Devido ao histórico de pesca predatória,
esses tipos de peixe dependem de proteção ambiental para retomar o ritmo de reprodução e superar o risco de desaparecimento na região.
14
ná (UFPR). As de Oceanografia, pela
Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A Pontifícia Universidade
Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)
atuou na área de Química e a Universidade Federal Fluminense (UFF), nas
de Geologia e Química. O trabalho
contou com serviços de dois laboratórios privados e assessoria de especialistas de reconhecimento internacional dos Estados Unidos e do Canadá.
Com base nos dados da pesquisa, o Cenpes elaborou um projeto de
monitoramento integrado do meio
ambiente da baía, a fim de ampliar
a compreensão do comportamento
dos vários ecossistemas, dotando a
Petrobras de novos instrumentos para a gestão ambiental nas unidades
situadas na região. O acompanhamento vai proporcionar à companhia
mais recursos para detectar mudanças ambientais, avaliar impactos nas
áreas de influência de suas instalações e mensurar a reação dos ecossistemas diante de melhorias adotadas
em processos operacionais. O monitoramento também vai gerar subsídios para o aprimoramento de planos
de emergência e de procedimentos
de licenciamento ambiental de novos
empreendimentos.
A rica fauna da baía
foi catalogada pelos
pesquisadores, que
apontaram as espécies
ameaçadas de extinção
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
humanos. O estudo deixa como legado mais de 50 trabalhos especializados, incluindo teses, dissertações
e artigos científicos, tendo produzido, com sedimentos da baía, um material de referência para aferir a precisão de análises laboratoriais, testado
com sucesso em 26 laboratórios do
país e do exterior.
Cada uma das instituições participantes do estudo se dedicou a projetos
específicos. As pesquisas em Biologia
foram feita pelas universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Federal
Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), de
São Paulo (USP) e Federal do Para-
FOTOS: ARQUIVO PETROBRAS/CENPES
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
As amostras coletadas durante o
trabalho de campo compõem hoje
um material de referência para a
pesquisa da biodiversidade
na Baía de Guanabara
Siris, camarões e caranguejos
Do estado de larva à tenra idade, crustáceos de várias espécies se abrigam na Baía
de Guanabara antes de se lançarem ao oceano nos meses de verão, a exemplo dos
siris. A sazonalidade é marcante – os camarões são mais abundantes na primavera,
quando estão em idade juvenil. No caso do camarão-rosa, a forte presença nas águas
da baía vai até o fim da estação quente, quando eles começam a migrar para o mar,
num movimento que se estende até o outono.
Os pesquisadores registraram também expressiva diversidade de caranguejos
nos manguezais que sobrevivem na baía, sobretudo em sua parte noroeste. Entre as
espécies mais abundantes está o caranguejo-uçá, coletado para consumo alimentar.
Três espécies nunca haviam sido registradas antes na baía – entre elas, o Uca mordax,
que também nunca fora observado antes nestes manguezais. As pesquisas resultaram
na descoberta de uma nova espécie de crustáceo de praia, denominada Ruffosius
fluminensis, identificada por um pesquisador do Museu Nacional da UFRJ.
15
GESTÃO
GESTÃO
A ideia é registrar
em vídeo histórias
de transformação
que tenham a
participação
da Petrobras
0:00 / 2:00
da Petrobras
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL
CRIA REALITY SHOW NA WEB
SOBRE OS BASTIDORES DAS
AÇÕES DA COMPANHIA
16
ma visão de raio X para enxergar além do que é mostrado. Não é preciso ser um super-herói para saber que durante a
execução de qualquer projeto surgem
muitas histórias interessantes. Para
cada problema, uma solução criativa. Improvisos que ficam melhores
do que o já ensaiado. E na Petrobras
não é diferente.
Para contar histórias de transformação que tenham a participação
da companhia, a Gerência de Multimeios da Comunicação Institucional
criou o projeto Raio X. A ideia é levar
U
o público a vivenciar a experiência
de estar dentro da Petrobras. Participar de seu cotidiano nas plataformas e refinarias, nos projetos sociais
e culturais, nas grandes obras, no
desenvolvimento de novas tecnologias. Afinal, há muito mais coisas
entre o surgimento dos conceitos e o
resultado final de um projeto do que
o público possa imaginar.
Esse making of da companhia está
disponível no blog Fatos e Dados, em
séries de vídeos no estilo reality show.
Os públicos interno e externo podem
acompanhar o desenrolar de todas
0:00 / 2:00
essas histórias. A primeira temporada
tem seis episódios e começou em junho. São os bastidores de um filme
selecionado pelo projeto Revelando
os Brasis, patrocinado pela Petrobras.
O profissional de Comunicação
Leonardo Avellar, do Núcleo de Soluções e Conteúdos Multimídia de
Multimeios, explica que, no início, o
programa seria voltado só para grupos
patrocinados pela Petrobras. “Queríamos mostrar a relação desses grupos
com a companhia. Mas logo vimos
que tínhamos a oportunidade de ampliar esse assunto. Observamos que se
tratava não só da relação com os patrocinados, mas também das ações
que a Petrobras apoia”.
Para a profissional de Comunicação Eliane Lopes, líder do Núcleo de
Soluções e Conteúdos Multimídia,
um aspecto a ser ressaltado é o fato
de a Petrobras não ser a protagonista das séries.
“No Raio X, quase não falamos
da companhia. Não são séries autoelogiosas. Acreditamos que a Petrobras é um vetor de transformação, e
é isso que queremos mostrar por meio
das histórias dos protagonistas, que
podem ser grupos, projetos, pessoas,
empreendimentos”, afirma.
Interatividade
Em sua primeira temporada, o
Raio X levará o público a acompanhar os bastidores do filme de Denizia Moresqui, uma professora de Língua Portuguesa da pequena cidade de
Itambé (PR).
Denizia foi uma das selecionadas
pelo projeto Revelando os Brasis para
produzir um curta-metragem. A cada
ano, o Revelando seleciona 40 histórias escritas por moradores de cidades com até 20.000 habitantes. Essas
40 pessoas são trazidas ao Rio de Janeiro para participar de um curso de
produção de vídeo e depois retornam
às suas cidades a fim de rodar e editar seus filmes.
Entre os 40 selecionados, a equipe do Raio X escolheu Denizia como
personagem da primeira temporada
e foi até Itambé para acompanhar
sua aventura.
Os episódios não terão periodicidade fixa, variando de acordo com
a participação do público nas ferramentas de interatividade que serão
disponibilizadas.
Saiba mais
www.petrobras.com.br/fatosedados
www.youtube.com/raioxpetrobras
A professora Denizia
(de branco, na foto acima)
foi a personagem escolhida
para protagonizar a primeira
temporada do projeto
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
O ‘MAKING OF’
0:00 / 2:00
FOTOS: AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS
0:00 / 2:00
FOTOS: GERÊNCIA DE MULTIMEIOS/COMUNICAÇÃO INSTITUCIONAL
2:50 / 3:59
17
OLHARES
OLHARES
FOTOS: JOSÉ CALDAS
Parque Nacional da Serra
dos Órgãos, em Teresópolis
(RJ), área beneficiada com
recursos do Programa
Petrobras Ambiental
Vila Felicidade, comunidade
às margens do Rio Negro, em
Manaus: área de atuação social
da Refinaria Isaac Sabbá (Reman)
NATUREZA
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
em foco
18
sergipano José Caldas é considerado um dos mais representativos fotógrafos da natureza e de documentação geográfica do Brasil. Ele é
autor de vários livros que retratam ecossistemas brasileiros, como a
Mata Atlântica, o Rio São Francisco e as serras da Canastra, da Mantiqueira
e do Cipó. Seu olhar está sempre ligado em paisagens naturais, mesmo quando
é escalado para matérias em instalações industriais, como as da Petrobras. As
fotos da seção "Olhares" desta edição – todas do Banco de Imagens Petrobras
(BIP) – comprovam a tese: Caldas sempre arranja um jeito de inserir a natureza no visor de sua máquina.
O
Pescador maneja sua rede na
Baía de Guanabara, onde a
Petrobras tem projetos de
preservação ambiental
Garças num mangue na área
da Refinaria Duque de Caxias
(Reduc), na Baixada Fluminense
Pôr do sol captado no Polo
Industrial de Urucu, na Amazônia
NEGÓCIOS/RESULTADOS 2010
horizonte promissor
ÁREA DE ABASTECIMENTO COMEMORA
RECORDE DE VENDA DE DERIVADOS EM 2010
E PROJETA MAIS CRESCIMENTO COM O AVANÇO
DA CONSTRUÇÃO DE NOVAS REFINARIAS
N
de derivados chegou a dois milhões de
barris por dia.
“Esse crescimento é resultado de
um avanço de 7,5% no PIB e de uma
inclusão de 20 milhões a 25 milhões
de brasileiros no mercado consumidor”, diz o diretor da Área de Negócios de Abastecimento, Paulo Roberto Costa. “O crescimento fabuloso
da economia levou mais gente a viajar de avião, mais gente a comprar e
andar de automóvel, mais gente a consumir alimentos.”
A Petrobras também registrou recorde na exportação de petróleo. A
média anual foi de 500.000 barris por
dia. O pico foi registrado em março,
com a exportação de 740.000 barris
diários. Os principais mercados foram os Estados Unidos, que receberam 55% do petróleo brasileiro exportado, e a China, que ficou com algo
em torno de 25% do total.
Apesar do aumento, o lucro da
Área de Abastecimento foi de R$ 5
bilhões – resultado que é cerca de
75% inferior ao de 2009. A causa
foi a redução, em março do ano anterior, do preço dos derivados – de
4,5% para a gasolina e de 15% para o diesel –, que incidiu integralmente sobre as operações da empresa em 2010.
O parque de refino, que atingiu
a produção de 1,9 milhão de barris
por dia, operou com elevadas taxas
de otimização. O fator de utilização
de todas as refinarias, de acordo com
Paulo Roberto Costa, ficou acima de
90%. “Foi um ótimo desempenho”,
afirma o diretor.
O início das operações de hidrotratamento de óleo diesel e gasolina
permitiu o aumento da oferta do diesel com 50 ppm (partículas por milhão) de enxofre no país para atender ao acordo entre a Petrobras, o
Ministério Público e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP).
Na comparação com
2009
,
a venda de derivados líquidos
de petróleo cresceu
10%
18%
17%
10%
.
A gasolina teve um incremento de
,
o querosene de aviação cresceu
e o óleo diesel,
.
O consumo total de
derivados chegou a
dois
milhões
de barris por dia.
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
GERALDO FALCÃO
As obras de modernização
da Refinaria Henrique
Lage (Revap), concluídas
em outubro passado,
qualificaram a unidade
para produzir combustíveis
mais limpos
um ano repleto de conquistas, a Área de Abastecimento da Petrobras também registrou realizações significativas em
2010. Do recorde de venda de derivados de petróleo, no embalo do crescimento econômico do país, à assinatura dos contratos para a construção
de novos navios destinados a atender
à demanda do aumento de produção,
passando pela inauguração das obras
de ampliação e modernização do parque de refino e o início da construção
de novas refinarias.
Na comparação com 2009, a venda de derivados líquidos de petróleo cresceu 10%. A de gasolina teve
um incremento de 18%, a de querosene de aviação aumentou 17% e a
de óleo diesel, 10%. O consumo total
NEGÓCIOS/RESULTADOS 2010
BOAS VENDAS E
20
21
NELSON CHINALIA
A Replan teve sua
capacidade de
produção ampliada
em 2010
Novas unidades
O foco agora é a continuação das
obras das novas unidades. A construção da Refinaria Abreu e Lima, em
Pernambuco, avançou, e ela deverá entrar em operação em dezembro de
2012. Com capacidade prevista para
processar 230.000 barris de petróleo
por dia, a refinaria foi projetada, principalmente, para a produção de óleo
diesel com o mínimo de impacto ambiental e teor de enxofre menor do que
o exigido pelos padrões internacionais
mais rígidos, de 10 ppm.
A terraplanagem do Complexo
Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, Região Metropolitana do Rio de Janeiro, foi concluída
em dezembro de 2010. O projeto é um
dos principais empreendimentos da
história da Petrobras e marca o retorno da empresa ao setor petroquímico.
Em 2010, também foi iniciada a
execução dos contratos das principais
unidades de processo do primeiro trem
do refino do complexo, com capacidade de 165.000 barris por dia. A segunda fase prevê a implantação das unidades petroquímicas e a terceira, do
segundo trem do refino, com capacidade para mais 165.000 barris diários.
“O primeiro trem do refino deve
entrar em operação em 2013. A petroquímica, no final de 2016, e o
segundo trem, em 2018”, diz Paulo
Roberto Costa.
A terraplanagem da Refinaria Premium 1, em Bacabeira, no Maranhão,
prevista para se tornar a maior da
América Latina, começou em 2010.
A primeira etapa do empreendimento
deve estar pronta até o fim de 2014 e a
segunda, até 2016. A unidade, orçada em US$ 20 bilhões, vai acrescentar mais 600.000 barris diários à
capacidade de refino da Petrobras.
Foram iniciados ainda os estudos
de sondagem da área onde deverá
ser construída a Refinaria Premium
2, em Caucaia, no Ceará. A unidade
poderá produzir 300.000 barris por
dia de diesel com baixo teor de enxofre, querosene de aviação, nafta,
gás de cozinha e bunker (combustível de navio).
A planta de gasolina da Refinaria
Clara Camarão, em Guamaré, no Rio
Grande do Norte, foi concluída. A capacidade inicial da unidade permite
processar 30.000 barris diários de petróleo e produzir 4.500 barris de gasolina por dia.
FOTOS: AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS
Outra realização importante foi a
ampliação da capacidade da Refinaria de Paulínia (Replan), no interior
paulista, em mais 30.000 barris por
dia. Para isso, foram feitas obras nos
bicos de descarregamento no Terminal de São Sebastião, no litoral de São
Paulo, além de mudanças nos diâmetros da tubulação e a instalação de
novas bombas de transferência de lá
até a Revap e depois até a Replan.
As unidades de hidrotratamento
de diesel e coqueamento retardado incluídas nas obras de modernização da
Refinaria Henrique Lage (Revap), em
São José dos Campos (SP), com vistas
à produção de combustíveis mais limpos, foram inauguradas em outubro.
A unidade de hidrotratamento garante a produção de diesel menos poluente, com menor emissão de óxido de
enxofre na atmosfera pelos motores de
combustão interna. Já a unidade de coqueamento retardado converte as frações mais pesadas de petróleo em frações leves de maior valor econômico,
como gás de cozinha, diesel e nafta.
As obras do Comperj já estão mudando a paisagem de Itaboraí (RJ)
Braskem está entre as dez maiores empresas petroquímicas do mundo.”
Significativa também foi a continuidade da montagem industrial da Petroquímica Suape, em Pernambuco, que
vai produzir PTA (ácido tereftálico purificado), matéria-prima do POE (fio
sintético usado na indústria têxtil para
a produção de roupas e estofamento
de automóveis) e do PET (politereftalato de etileno, polímero termoplástico usado em garrafas plásticas).
Na Gerência Executiva de Marketing e Comercialização, foi fechado
um contrato de exportação de etanol,
a partir de 2012, para uma fábrica de
plástico verde da Toyota Tusho que
será construída em Taiwan. O acordo
inicial prevê a venda de 140.000 metros cúbicos. A garrafa plástica produzida com etanol é renovável.
No ano passado, também foi fechado contrato com a empresa americana UOP, especializada em projetos de plantas de refino, escolhida,
numa seleção mundial, pelo projeto
Design Competition para elaborar os
projetos das refinarias Premium do
Maranhão e do Ceará.
“A expectativa é uma redução de
custos de investimento e de operações”, diz Paulo Roberto Costa.
“Vamos estar com essas duas refinarias no estado da arte, o estágio mais
alto de desenvolvimento na tecnologia de refinarias.”
Em 2010, teve prosseguimento
a montagem industrial
da Petroquímica Suape
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
NEGÓCIOS/RESULTADOS 2010
Um dos principais focos da área para o ciclo 2011-2012, a Refinaria Abreu e Lima teve as obras aceleradas em 2010
NEGÓCIOS/RESULTADOS 2010
No ano passado, foi firmada a
sociedade entre a Petrobras e empresas privadas para a construção
do alcoolduto de Senador Cañedo,
em Goiás, até São Paulo. O consórcio ficou formado por 20% da Petrobras, 20% da Cosan, 10% da
Camargo Corrêa, 10% da Uniduto,
20% da Coopersucar e 20% da ETH,
do Grupo Odebrecht. O primeiro trecho, entre Paulínia e Ribeirão Preto, em São Paulo, com capacidade
de transporte de 20 milhões de metros cúbicos por ano, deve entrar
em operação até 2013.
Também na Gerência Executiva de
Logística foram fechados os primeiros contratos, com prazo de 15 anos,
dentro do programa Empresas Brasileiras de Navegação, para a construção de 39 navios, com conteúdo nacional e tripulação brasileira, a serem
entregues entre 2013 e 2017.
Um dos grandes feitos do ano foi
registrado na área da Petroquímica,
com a negociação para a aquisição da
Quattor, por meio de um acordo de
investimento celebrado entre Odebrecht, Petrobras, Braskem e Unipar.
“Hoje a Petrobras tem participação de 32% na Braskem, com assento
no conselho de administração e na diretoria da empresa”, conta Paulo Roberto Costa. “Com a incorporação, a
23
AGÊNCIA PETROBRAS
RETRANCA
FORÇA
DE TRABALHO
crachá e nos casos de crachás danificados ou com problemas que impeçam sua utilização.
Os crachás com a nova identidade
visual só começarão a ser utilizados
depois que forem consumidas todas
as unidades do estoque atual de crachás, cuja substituição total em um
curto período acarretaria um custo
alto para a companhia.
Para esclarecer as dúvidas relacionadas ao processo de emissão dos novos crachás, escreva para o [email protected]
FORÇA DE RETRANCA
TRABALHO
tilhados e unidades do Abastecimento. Os crachás ainda virão com o código de barras, sem a tecnologia do
cartão inteligente, mas com um layout
mais adequado à sua aplicação, quando for feita a substituição completa
do sistema de controle de acesso”, informa Antônio Sérgio.
A troca dos crachás foi planejada para causar o mínimo de impacto para o usuário no dia a dia das
operações. A substituição será feita
de forma gradual, inicialmente para
aqueles que recebem seu primeiro
Imagem do novo crachá
CRACHÁS GANHAM VISUAL QUE VALORIZA A MARCA DA COMPANHIA E ESPAÇO PARA FUTURO CHIP
ais moderno e funcional, o
novo crachá de identificação
da Petrobras começou a ser
produzido em junho, mas a troca será feita gradativamente ao longo dos
próximos meses. Concebido e elaborado pela Comunicação Institucional,
com a colaboração da Segurança Empresarial e dos Serviços Compartilhados, o modelo foi aprovado pela Diretoria Executiva da companhia.
“O novo padrão privilegiou a visão de empresa integrada, destacando a marca Petrobras. O trabalho de
design partiu da premissa de que a
principal utilidade de um crachá não
é estética, mas funcional. As manifestações da força de trabalho também
foram consideradas na elaboração do
modelo, que é moderno, simples, are-
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
M
24
jado, permitindo a fácil identificação
dos diferentes componentes”, destaca Eduardo Felberg, gerente de Imagem Corporativa e Marcas da Comunicação Institucional.
A mudança faz parte de um projeto, que envolve estudos criteriosos
e investimentos para a aquisição de
um sistema de controle de acesso mais
abrangente, complexo, baseado em
cartões inteligentes, com chip interno para leitura óptica, em substituição ao atual código de barras, que
permitirá, no futuro, a evolução
para controles biométricos, entre outras utilidades.
“No momento, estamos analisando
as alternativas mais viáveis de soluções
que atendam à nossa base instalada no
território nacional e à necessidade de
evolução constante das práticas e procedimentos de Segurança Empresarial, cada vez mais importantes no
nosso contexto e no ramo em que nos
encontramos”, ressalta Antônio Sérgio Oliveira Santana, gerente executivo dos Serviços Compartilhados.
Responsável pelo atendimento aos
usuários do crachá, pelo controle do
estoque e pela manutenção dos equipamentos, a unidade está coordenando e executando todas as ações necessárias para o desenvolvimento do
novo modelo, com algumas parcerias internas, como a escolha e a adoção da tecnologia mais adequada junto com a Tecnologia da Informação
e Telecomunicações (TIC), e a seleção
dos fornecedores que melhor atendam aos interesses da Petrobras.
No verso dos crachás dos empregados
constam informações como nome
completo do usuário, data de admissão,
identidade, tipo sanguíneo e o número
do telefone da Segurança Patrimonial
Nos prédios do Rio de Janeiro foi
executada uma etapa intermediária
com um crachá vertical de teste, mas
ainda com código de barras. Já no piloto da Bacia de Santos (UO-BS) foi
utilizado um modelo híbrido, com chip
de aproximação e código de barras,
cuja validação se dá pela aproximação
dos leitores nas catracas. Este modelo,
testado com sucesso em todos os edifícios da UO-BS, será estendido a toda
a empresa, envolvendo investimentos em tecnologia de controle de acesso e segurança.
Logística da troca
“Os primeiros lotes dos novos crachás se encontram em fase de produção, atendendo os pedidos gerados
pelas Regionais dos Serviços Compar-
Empregado
Provisório para
empregado
Estagiário
Provisório
para prestador
de serviço
Prestador
de serviço
Aposentado
Extraordinário
Para visitantes e
para a imprensa
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
DE CARA nova
Na frente, no alto, a marca da companhia em sua assinatura simples horizontal,
que também aparece reticulada ao fundo no crachá dos empregados e aposentados. Logo abaixo vem a foto, o “nome de guerra”, a função ou cargo exercido, a
razão social da empresa do Sistema Petrobras, a área e a unidade.
Atrás, o nome completo do usuário, matrícula, data de admissão, identidade
e tipo sanguíneo, além do número do telefone da Segurança Patrimonial, que
funciona 24 horas por dia para casos de emergência dentro e fora da empresa.
As orientações da Comunicação Institucional sobre o novo modelo dos
diversos tipos de crachá (empregados, aposentados, prestadores de serviço,
estagiários, visitantes, provisórios e imprensa) estão no Manual de Identidade
Visual Petrobras.
Exemplos:
25
GENTE
O técnico em administração Walter
Amorim, da Gerência de Planejamento
e Controle da Gerência Executiva de Logística do Abastecimento, sempre gostou de esportes. Mas há 21 anos, quando
Uma força de vontade férrea faz o engenheiro André Derosso Teixeira, da UO-Seal/ATP-AL/
RES, acordar todos os dias
às cinco da manhã a fim de
treinar para as provas do Ironman, que consistem
em nadar 3.800 metros, pedalar 180 quilômetros e correr
42 quilômetros em um tempo máximo de 17 horas. Ele
treina antes e depois do trabalho, só parando às 20h, a fim
de ir para casa e preparar-se para deitar antes das 22h. “O
descanso é parte fundamental do treinamento do triatlon.
Nos fins de semana, a rotina de treino é mais pesada, pois
é quando tenho mais tempo. No auge da preparação, chego a pedalar por cinco horas, para em seguida correr uma
hora aos sábados e mais duas horas e meia aos domingos”,
diz André, que se encantou com a modalidade depois que
um colega de Curitiba, sua cidade natal, classificou a equipe para a etapa do XTerra (circuito de triatlon cross country), no Havaí. “Com poucos meses praticando a modalidade, resolvi que treinaria para a prova do Ironman 2010”.
Tamanha dedicação fez André conseguir concluir as duas
provas de que participou. A primeira foi no ano passado, no
Brasil, com um tempo de 10h32min, e a segunda, em abril
deste ano, na África do Sul, com a marca de 12h4min.
“Hoje considero o triatlon como uma segunda profissão,
devido ao tempo que dedico aos treinos e ao planejamento
exigido para participar das provas”, explica André, que mantém na Internet o site www.triathlon-ultraman14.webnode.
com.br para divulgar seu esforço no triatlon.
O aikido revelou a
Walter um caminho
de equilíbrio
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
André (no alto, com a mulher, e acima, no pódio): movido a desafios
conheceu o aikido, encontrou um caminho para o corpo e a alma. “Eu já fazia
karatê e parei porque tinha machucado
o pé. Quando ia voltar, resolvi experimentar o aikido e gostei, por ele ser uma
atividade menos competitiva e mais completa, que me ajuda a combater o estresse”, conta. O prazer encontrado na arte
marcial criada na década de 1940 pelo
mestre japonês Morihei Ueshiba, que buscava o equilíbrio entre força e espiritualidade, fez com que Walter resolvesse
ter uma segunda atividade profissional.
Há 12 anos ele dá aulas da modalidade em uma academia na Tijuca, onde
aluga um espaço para treinar alunos de
vários níveis e idades. Para isso, dedica-se com afinco à sua formação de
mestre, participando de vários seminários
com mestres brasileiros e estrangeiros.
Hoje, Walter é sandan – a terceira das
seis faixas-pretas necessárias para o título de mestre – e líder do grupo que
treina em sua academia. “Estou ligado ao
mestre Yoshimitsu Yamada, que mora em
Nova York e é discípulo do criador do aikido”, explica Walter, que faz planos para
treinar seu filho mais novo, Victor, de seis
anos. “Minha filha mais velha, Vivian, de
13 anos, até luta comigo. Mas é meio
turista. O Victor gosta”, diz, animado.
Tacada certa
FOTOS: ARQUIVO PESSOAL
São as ultrapassagens,
e não as vitórias, que dão
mais prazer a Otacilio
26
Paz para o corpo e para a alma
O futebol foi uma paixão na vida do analista de sistemas
Salvador Fernandes de Jesus Júnior, da Gerência de Engenharia de Instalações de Superfície e Automação da UOES, até o dia em que seus joelhos não aguentaram mais.
“Fui obrigado a procurar um esporte sem impacto quando
meus joelhos não me permitiram mais jogar futebol”, conta.
Nessa procura, acabou batendo às portas do Clube Capixaba de Golfe, nos arredores de Vitória, onde estava
voltando a morar. “Eu não entendia nada dos fundamentos do golfe e resolvi conhecer esse esporte.
Foi então que me matriculei em uma aula para as
minhas primeiras tacadas”, lembra. Quase seis anos
e muitas tacadas depois, Salvador pode se orgulhar de ter conseguido um bom desempenho. Ele já ganhou 14 tro-
féus, sendo cinco de primeiro lugar, em torneiros no Espírito
Santo e fora do estado. Esses resultados o credenciaram
a se filiar à Federação Carioca de Golfe, onde conquistou
o quarto lugar do ranking de sua categoria, o grupo com
mais de 40 anos. No ranking brasileiro, conquistou este ano
sua melhor colocação, o 16o lugar. “Como o golfe é um esporte que pode ser praticado por homens e mulheres dos
oito aos 108 anos, sonho em ser um dos golfistas brasileiros
nas Olimpíadas do Rio, em 2016, aos 51 anos, quando
o golfe retorna ao cardápio olímpico depois de 108
anos”, conta Salvador, que aproveitou suas últimas
férias para conhecer campos na Irlanda, onde o
esporte foi criado.
A galeria de troféus de Salvador
não para de crescer
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
O analista de sistemas Otacilio Carlos Baptista
de Oliveira, da TIC-Cenpes, sempre adorou carros e
corridas de Fórmula 1, mas nunca imaginou que um
dia estaria atrás de um volante, com o pé no acelerador, em busca de um bom resultado numa competição
automobilística. A insistência de um amigo acabou
fazendo com que ele, aos 48 anos, iniciasse uma bela
carreira de kartista. “Um colega de trabalho formou
um grupo de kartistas e sempre me convidava. Mas
eu usava como desculpa uma entorse no tor nozelo
esquerdo para não correr. Afinal, como eu ia pisar no
freio? Até que na segunda temporada resolvi me juntar
ao grupo, e estou até hoje correndo”, conta Otacilio.
São 14 temporadas em que ele já se aventurou em
circuitos abertos e fechados, no Brasil e no exterior,
como os das competições do IKWC (Indoor Kart World
Championship). “Este ano vou correr pela sexta vez o
IKWC, que será disputado na Bélgica”, diz. Otacilio
não tem uma rotina de treinamento: “Treino para cada
prova o tempo que for necessário para ter um bom
resultado. Corro para vencer, mas nem sempre isso é
possível”. Ele já obteve alguns bons resultados, como
o primeiro lugar em campeonatos e o segundo lugar em
uma bateria da IKWC, nos EUA, que o levaram a se
filiar à Federação de Automobilismo do Rio de Janeiro.
Apesar disso, garante que a velocidade e a vitória não
são seus maiores prazeres nas pistas. “São as boas
ultrapassagens que me dão mais prazer, que me mostram que estou bem preparado”, afirma Otacilio, lembrando o dia em que ultrapassou o campeão mundial
em uma prova da IKWC.
Homem
de ferro
DANIEL FERRENTINI
Pisa fundo, Otacilio!
27
INOVAÇÃO
A
O RVIT (acima, no detalhe)
é posicionado no interior
das colunas de risers das
plataformas de perfuração
para avaliar o desgaste
desses equipamentos:
tecnologia 100% nacional,
uma parceria entre o
Cenpes e a PUC-Rio
FERRAMENTA DE INSPEÇÃO POR
ULTRASSOM, DESENVOLVIDA PELO
CENPES, É CAPAZ DE DETECTAR
CORROSÃO NAS COLUNAS DE RISERS
DAS PLATAFORMAS DE PERFURAÇÃO
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
CENPES
frequência
BANCO DE IMAGENS PETROBRAS
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
Como funciona
As plataformas de perfuração trabalham com colunas de risers (tubos
que as ligam ao fundo do mar) de comprimentos variados, podendo chegar
a 3.000 metros ou mais no caso do
pré-sal. São dutos de 21 polegadas,
com flanges (peças que unem dois
componentes de um sistema de tubulações) na ponta.
O RVIT (PIG ultrassom) faz a inspeção desses dutos na plataforma, e só
as peças que estão realmente com problemas são retiradas do local para serem tratadas. A ferramenta é capaz de
inspecionar internamente os risers rígidos das colunas de perfuração, detectando corrosão por perda de espessura e material remanescente.
Equipamento de inspeção baseado em tecnologia de ultrassom multicanais, o RVIT consiste numa eletrônica embarcada, acondicionada em
um vaso hermeticamente fechado, conectado ao sistema na superfície por
meio de um umbilical com cabos de
energia e fibra óptica de 4.000 metros de comprimento.
O primeiro protótipo do RVIT: técnicos fizeram vários testes em laboratório
EM ALTA
28
este procedimento em seu retorno à
plataforma. Há casos em que são retirados até 200 trechos de riser, levados um a um para a empresa que faz
a inspeção, a manutenção e, se for o
caso, a recuperação do duto.
INOVAÇÃO
lém de inovador, ele é econômico e ecológico. Usado
para inspecionar a parte interna das colunas de risers das plataformas de perfuração, o sistema RVIT
(Riser Vertical Inspection Tool) foi desenvolvido pelo Cenpes em parceria
com a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), com
tecnologia 100% nacional.
“O sistema de ultrassom é uma
técnica dominada há mais de 40 anos
e que já evoluiu muito. A novidade
nesse equipamento é a ideia de como
foi montado, voltado para a inspeção
interna dos risers e totalmente desenvolvido no Brasil: hardware, software,
placas eletrônicas, parte mecânica, foi
tudo feito aqui”, ressalta Jorge Brito,
da Gerência de Tecnologia de Materiais, Equipamentos e Corrosão do
Cenpes, executor deste trabalho e participante da equipe que desenvolveu
o projeto, liderada por Claudio Soligo
Camerini, da mesma gerência.
A nova ferramenta, que economiza
tempo e dinheiro para a companhia,
ainda preserva o meio ambiente, auxiliando na prevenção de falhas e evitando uma logística complexa de deslocamento dos risers – em que cada
trecho pesa cerca de cinco toneladas
–, transportados de navio até o porto.
Eles seguem em carretas até o local
de inspeção em terra, repetindo todo
29
t1 = percurso no líquido,
controla a corrosão interna
t2 = mede a espessura do aço
Espessura do aço
O gráfico mostra o
sistema de funcionamento
do sensor de ultrassom.
Ao lado, a escala de cores
que indica o nível dos
pontos de corrosão no
interior da coluna de risers
Ultrassom
Provocando o deslocamento das
partículas do material que está sendo inspecionado, o ultrassom emite
uma onda mecânica/acústica e recebe um sinal de retorno chamado eco,
interpretando este sinal de acordo com
o tempo de resposta. Os sensores
ficam afastados cerca de 20 milímetros da peça a ser inspecionada.
A análise dos sinais utiliza uma
escala de cores para a simulação dos
pontos de corrosão, seguindo um
padrão que varia do vermelho (corrosão severa) ao verde claro (região
íntegra). Além disso, existem dois
gráficos, o da água (em tons de azul)
e o da chapa (imagem planificada
do duto), usados para a montagem
das imagens representativas de planos e cortes.
30
FOTOS: CENPES
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
Técnicos especializados do Cenpes cuidam do transporte, da montagem e da instalação do sensor nas plataformas: segurança e eficiência
O PIG escovão, também projetado pelo
Cenpes, é usado na limpeza prévia do duto
A sequência acima mostra a estreia do RVIT na plataforma de Enchova,
onde os técnicos verificaram a integridade de um duto desativado há dez
anos, numa operação de quatro horas
BC, sob a coordenação do engenheiro
Eduardo Quaresma Damazio, projetou os suportes e fixações que tornaram o serviço possível no espaço reduzido, além de especificar o andaime que
permitiu a montagem do equipamento.
A equipe também projetou o PIG escovão utilizado na limpeza prévia do
duto. Este foi um passo importante,
pois somente com a correta preparação da superfície tornou-se possível a
passagem do PIG ultrassom, o RVIT.
Após a inspeção com o novo equipamento, foram identificados alguns
eventos passíveis de verificação, assim como todos os detalhes de construção do riser (suportes, soldas). Mas
as ocorrências encontradas estão bem
abaixo dos limites que causariam sua
reprovação. A estrutura apresenta ótimas condições, o que permite seu reaproveitamento. Excluindo o tempo
de montagem do sistema, toda a inspeção durou quatro horas.
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
INOVAÇÃO
Sensor de ultrassom
Estreia em Enchova
A primeira oportunidade para testar o RVIT surgiu com uma demanda da Gerência de Engenharia de Produção de Elevação e Escoamento do
E&P. Com o objetivo de avaliar a
integridade estrutural do riser 4 do
gasoduto norte-sul da Plataforma
Central de Enchova (PCE-1), foi desenvolvida a ferramenta de limpeza
chamada “PIG escovão” e utilizouse o sistema de televisionamento para registro das condições superficiais
(desenvolvido pelo Cenpes). E, complementando, a inspeção mais detalhada e precisa usando a tecnologia
inédita do RVIT. Este serviço visava
avaliar as condições deste trecho do
riser, inoperante havia cerca de dez
anos, para restabelecer o escoamento
da produção do gás da plataforma de
Namorado (PNA-1).
Algumas modificações foram necessárias, como a troca de parte dos
componentes mecânicos (rodízios e
coroa de sensores) e a adaptação na
configuração original do RVIT – reduzindo o diâmetro de 21 polegadas
para o de 16 polegadas da PCE-1.
Devido ao espaço reduzido e ao
curto trecho que seria avaliado (130
metros), foi montado um novo umbilical, mais leve e de manuseio mais
fácil, com diâmetro e comprimento
menores. Para ficar mais simples e
compacto, o sistema operacional também foi adaptado ao novo espaço.
A equipe de Projetos, Construção e
Montagem/Obras e Reparos da UO-
INOVAÇÃO
A coroa de 96 sensores (assinalada no círculo) foi um avanço em relação ao protótipo 1
Os 96 transdutores (sensores que
recebem um sinal e o retransmitem)
registram duas medidas: a distância
de líquido entre o sensor e a parede
do tubo (coluna d’água) e a distância da espessura real da parede do
tubo, fazendo 400 medidas por segundo cada um, totalizando 25.600
medidas.
Cada medida é feita com precisão de oito bits, gerando 51,2 kbytes
de dados digitais por segundo, que
são enviados a um computador externo por meio de protocolo Ethernet, permitindo a visualização das
condições da área inspecionada em
tempo real.
31
FIQUE POR DENTRO
32
Bahia terá medição de fumaça
preta em veículos a diesel
Duas descobertas de petróleo e
uma de gás em águas ultraprofundas
na área de Hadrian, na concessão Keathley Canyon, porção norte-americana
do Golfo do México, divulgadas no início de junho, já estão entre as maiores
da década na região. As estimativas
indicam volume recuperável superior a
700 milhões de barris de óleo equivalente (boe) no conjunto dos blocos
de Keathley Canyon. As descobertas
de Hadrian estão localizadas cerca de
400 quilômetros a sudoeste de Nova
Orleans, em profundidade de água de
2.100 metros. A perfuração do poço
KC 919#3, no bloco KC 919, confirmou uma acumulação de petróleo
com mais de 144 metros de espessura
de reservatório. A ExxonMobil é a
operadora do projeto, com 50% de
A Petrobras e o governo do estado
da Bahia firmaram um convênio para a
medição de opacidade (fumaça preta) em
veículos a diesel em Salvador e outras
cidades baianas. A iniciativa faz parte do
Programa Nacional da Racionalização
do Uso dos Derivados do Petróleo e do
Gás Natural (Conpet), vinculado ao Ministério de Minas e Energia e coordenado pela Petrobras. Técnicos treinados
pelo Conpet farão a análise periódica do
nível de fumaça preta emitida pelo escapamento dos veículos e, quando necessário, indicarão ajustes para reduzir a
emissão. Os técnicos também vão orientar os motoristas sobre como obter me-
LOUISIANA
Austin
Houston
Nova Orleans
TEXAS
GOLFO DO MÉXICO
Técnicos do Conpet farão as medições
HADRIAN
Aquisições no Gabão reforçam
presença da companhia na África
Para assegurar um desenvolvimento
sustentável aos 14 municípios do entorno
do Complexo Petroquímico do Estado
do Rio de Janeiro (Comperj), a Petrobras
e a Prefeitura de Itaboraí – município
Lançamento da Agenda 21 em Itaboraí (RJ)
lhor rendimento mecânico do veículo e
reduzir a emissão de poluentes. O monitoramento será feito em Salvador, Barreiras, Vitória da Conquista, Feira de Santana, Juazeiro e Ilhéus.
Keathley
Canyon
Agenda 21 vai nortear ações
sustentáveis na área do Comperj
onde está sendo construído o empreendimento – lançaram a Agenda 21 de
Itaboraí, em parceria com o Ministério do
Meio Ambiente e a Secretaria de Ambiente do Estado do Rio de Janeiro. A
iniciativa é destinada a identificar preocupações e potencialidades para a elaboração de um Plano Local de Desenvolvimento Sustentável (PLDS) para cada
município, englobando itens como educação, cultura, meio ambiente, habitação,
saúde, saneamento básico, transporte e
segurança. O projeto teve início em 2007,
com o objetivo de criar e fomentar o debate nos municípios de Itaboraí, Magé,
Cachoeiras de Macacu, Maricá, Saquarema, Guapimirim, São Gonçalo, Tanguá,
Casimiro de Abreu, Teresópolis, Rio Bonito, Silva Jardim, Nova Friburgo e Niterói. Mais informações em http://www.
agenda21comperj.com.br
Por meio de sua subsidiária integral Petrobras Participaciones S.L. –
PPSL, a Petrobras assinou, em 16 de
junho, acordo para a aquisição de 50%
dos direitos da Ophir Energy nos blocos Ntsina Marin e Mbeli Marin, localizados na Bacia Costeira, região norte da República do Gabão, na costa
oeste da África. O acordo ainda vai
passar pela aprovação do governo do
Gabão. Atualmente, os blocos são de
propriedade integral e operados pela
Ophir, empresa sediada no Reino Unido, que permanecerá com os 50%
restantes de participação acionária.
A região dos dois blocos abrange uma
área de 6.683 quilômetros quadrados,
em camada que vai de águas rasas
até profundidades de 2.400 metros.
A Petrobras assume a obrigação de
executar um programa mínimo de trabalho, que compreende a aquisição
de 2.000 quilômetros quadrados de
sísmica 3D. No fim desta etapa, a companhia tem o direito de avaliar sua permanência na fase seguinte do programa exploratório, que inclui a perfuração de poços.
GABÃO
Mbeli
Marin
Os dois blocos
ficam na Bacia
Costeira, na
região norte do
país africano
Ntsina
Marin
ENERGÉTICAS
AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS
participação nos blocos KC 918, KC
919, KC 963 e KC 964. A Petrobras
America, subsidiária da Petrobras com
sede em Houston, no Texas, detém
50% do bloco KC 918 e 25% dos blocos KC 919, KC 963 e KC 964. A Eni
Petroleum US LLC participa com os
25% restantes.
AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS
Um apelo em favor do
u
uso da razão. Assim poderia
sser resumido o livro Como
a Picaretagem Conquistou
oM
Mundo, de Francis Wheen
(Editora Record). O autor identifica o
ressurgimento das superstições e
crendices que o Iluminismo pensou
ter superado e o quanto isso tem sido prejudicial à cultura contemporânea. Também é descrito o ideário econômico dominante no fim do século
passado, uma catástrofe que ainda repercute nos Estados Unidos e na Europa. O autor derruba os mitos repaginados hoje nos gurus corporativos que
enriquecem espalhando suas doutrinas pelas livrarias de aeroportos. Embora tratando de temas densos, o texto é leve e incrivelmente divertido.
Marcos Vinícius Pereira,
Regional Sudeste dos
Serviços Compartilhados
Descobertas no Golfo do México
estão entre as maiores da década
Descoberta capixaba
Foi anunciada a descoberta de uma
nova acumulação de petróleo nos
reservatórios do Cretáceo da Bacia
do Espírito Santo, por meio do poço
informalmente denominado Brigadeiro, em profundidade de água de
1.900 metros, na área de concessão BM-ES-23, bloco ES-M-525, a
115 quilômetros da costa do estado.
A Petrobras é a operadora do consórcio para exploração do bloco,
formado ainda pelas empresas Shell
Brasil Petróleo Ltda. (20%) e Inpex
Petróleo Santos Ltda. (15%).
Licitação de sondas
A diretoria da Petrobras aprovou o
início do processo de licitação para
a contratação de até 21 sondas marítimas de perfuração, a serem construídas no Brasil. Para cada unidade será assinado um contrato de
afretamento com a licitante vencedora e outro de operação com empresa experiente em operação de
unidades marítimas de perfuração.
A licitação faz parte da estratégia
para contratação de até 28 novas
sondas destinadas à exploração
em águas ultraprofundas, incluindo
o pré-sal.
Tiro e Sidon
Iniciado em março de 2010, o TLD
de Tiro e Sidon atingiu o recorde de
produção de 29.200 barris diários,
considerando a média consolidada dos últimos três meses. Com
isso, o volume diário de produção,
que era de 17.000, passou para cerca de 25.000 barris, extraídos dos
poços 1-SPS-56 (Tiro) e 1-SPS-57
(Sidon), localizados no bloco exploratório BM-S-40 (100% Petrobras), na
porção sul da Bacia de Santos.
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
Em Por que almocei
meu pai (Companhia das
Letras), o jornalista e sociólogo Roy Lewis escreve uma fábula moderna e
bem-humorada sobre a evolução da espécie humana. Edward é “o
homem-macaco mais importante do
Pleistoceno”, obcecado com a ideia
de fazer sua família evoluir para a categoria de Homo sapiens. Para isso,
ele “descobre” o fogo e o casamento
entre tribos, como forma de obter variedade genética. Enquanto isso, seus
cinco filhos inventam a ferramenta de
pedra lascada, a pintura rupestre, a
domesticação de animais, as estratégias de caça, o pensamento abstrato
e a religião. A ação se passa sob o
olhar desaprovador do tio Vanya, contrário à evolução.
Marcelo Burger,
Gerência de Relacionamento
Corporativo da Comunicação
Institucional
FOTOS: DIVULGAÇÃO
BOA LEITURA
33
GABÃO
FIQUE POR DENTRO
ENERGÉTICAS
TLD vai avaliar potencial de
produção da área de Aruanã
área. O bloco C-M-401 fica entre os
campos de Pampo e Espadarte, com
profundidade de água de 350 a 1.500
metros. Os testes de formação, realizados após a perfuração do 1-RJS661, em março de 2009, apontaram
a ocorrência de óleo de 27° API e volumes recuperáveis de aproximadamente 280 milhões de barris de óleo.
O TLD de Aruanã terá cerca de seis
meses de duração.
O FPSO Cidade de
Rio das Ostras produzirá
até 12.000 barris de óleo
por dia no TLD de Aruanã
Diesel Podium
Com teor máximo de enxofre de 50
ppm (partes por milhão) e qualidade
superior ao diesel S-50, fornecido
pela companhia desde 2009, o diesel Podium está disponível desde
21 de junho em 60 postos de Rio
de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.
Com tecnologia desenvolvida pela
Petrobras, o Podium 50, com 51 de
cetano, é mais puro e emite menos
partículas e fumaça.
FOTOS: AGÊNCIA PETROBRAS DE NOTÍCIAS
Localizada no pós-sal da porção
sul da Bacia de Campos, a área de
Aruanã iniciou a produção de petróleo em Teste de Longa Duração (TLD),
por meio do poço 1-RJS-661, no bloco C-M-401. O FPSO Cidade de Rio
das Ostras, que opera no local, produzirá até 12.000 barris de óleo por dia.
O teste faz parte do Plano de Avaliação da Descoberta (PAD), aprovado
pela Agência Nacional do Petróleo,
Gás Natural e Biocombustíveis (ANP),
para o posterior desenvolvimento da
Empresa de respeito
A Petrobras é a única empresa latino-americana incluída no ranking
das 100 corporações globais de melhor reputação, segundo pesquisa
divulgada em 9 de junho pelo Reputation Institute, instituto privado de
assessoria e pesquisa com sede em
Nova York. As 100 empresas que
constam do ranking foram avaliadas
por meio de pesquisa realizada em
abril com 47.000 pessoas de 15 países. Única companhia de energia a
aparecer na lista, a Petrobras ocupa
a 93a posição.
| REVISTA PETROBRAS | JUNHO 2011
Foi lançado oficialmente em 6 de junho o Programa Progredir, que viabiliza,
de forma ágil e padronizada, a oferta de
crédito em volume e condições competitivos para todas as empresas que integram a cadeia de fornecedores da
34
Petrobras. A estimativa é que o custo
de captação dos fornecedores caia, em
média, 20%. Desenvolvida em parceria
com os seis maiores bancos de varejo
do país (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco,
Caixa Econômica Federal, HSBC e Santander) e com o Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e
Gás Natural (Prominp), a iniciativa conta
com o apoio da indústria e de suas entidades de classe. A fase piloto do programa foi iniciada em setembro de 2010.
Nesta primeira etapa, 15 empresas obtiveram financiamento junto aos bancos
por meio do programa, num total de R$
137 milhões.
O diretor financeiro e de Relações com
Investidores da Petrobras, Almir Barbassa,
é um entusiasta do Progredir
GERALDO FALCÃO
Petrobras lança programa de
financiamento para fornecedores
Entre as mais valiosas
A Petrobras é a terceira Marca Brasileira Mais Valiosa de 2011, segundo
pesquisa realizada pela consultoria Interbrand. É a quarta vez que a
Petrobras figura entre os dez primeiros colocados do ranking. O estudo
que avalia as marcas brasileiras é
feito anualmente desde 2001 – com
exceção dos anos de 2002 e 2009.
Foram avaliadas informações financeiras publicadas este ano, referentes ao ano fiscal de 2010.
MÁQUINA DO TEMPO
BANCO DE IMAGENS PETROBRAS
ANO 17 NO 169 JUNHO 2011
JUAREZ CAVALCANTI
Senhora do Mucuripe
Há 45 anos na região portuária do Mucuripe, em Fortaleza, a
Refinaria de Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste
– Lubnor é uma das líderes nacionais em produção de asfalto,
principal produto fabricado na unidade – 235.000 toneladas por
ano, o que corresponde a 62% do seu volume total de processamento e a cerca de 13% da produção nacional.
Quando foi inaugurada, em 24 de junho de 1966, a refinaria
Braço logístico da Petrobras no Ceará, a Lubnor (foto maior)
tinha capacidade para processar 450 metros cúbicos de petró-
foi a primeira unidade do Refino a instalar, em 1996, um sistema
leo por dia (foto menor). Hoje a unidade tem uma capacidade
de cogeração de energia elétrica e vapor com turbinas a gás. Em
instalada de processamento de 10.000 barris de petróleo diários
1998, ela inaugurou a primeira – e única do país até hoje – unida-
e está sendo ampliada para dobrar sua capacidade de produ-
de de lubrificantes naftênicos, trocando seu nome de Fábrica de
ção de lubrificantes, com investimentos de US$ 60 milhões.
Asfalto de Fortaleza (Asfor) para Lubnor.
Também funciona como terminal para importação e cabotagem
De lá saem diariamente 200 metros cúbicos desses lubrificantes especiais, usados como isolante térmico em transformadores
BAÍA viva!
no abastecimento do mercado regional de combustíveis, o que
representa parte substancial do seu faturamento.
de alta voltagem, amortecedores para veículos e equipamentos
Além de produtora, é distribuidora de asfalto para nove esta-
pneumáticos ou, ainda, na formulação de graxas especiais e óleo
dos das regiões Norte e Nordeste e uma das maiores recolhedo-
de corte para a indústria metalúrgica.
ras de ICMS do Ceará. Com efetiva ação social junto às comuni-
Com uma força de trabalho de 800 profissionais, a Lubnor
dades e atenta à biodiversidade local, a Lubnor investe em pes-
produz também, em menor escala, os óleos combustíveis indus-
quisa de ponta e no desenvolvimento de produtos, com a parti-
triais usados na produção de energia – em turbinas a gás e de
cipação das universidades da região e do Núcleo Experimental
calor, em fornos e caldeiras, inclusive de navios –, além do óleo
(NuEx) de Fortaleza, onde são realizados testes de novas tecno-
amaciante de fibras. Todo o petróleo utilizado pela Lubnor é do
logias para o refino, com foco no desenvolvimento de bioprodu-
tipo ultrapesado: 3/4 do Espírito Santo e 1/4 do Ceará.
tos, como biograxas e biolubrificantes.
Golfinhos nadam nas
águas calmas da baía
Com a participação de oito universidades brasileiras e coordenada pela Petrobras,
a mais completa avaliação ambiental já feita sobre a Baía de Guanabara mostra que
a biodiversidade resistiu às agressões da ação humana e pode ser revitalizada
Download

Revista Petrobras 169_D.indd