CENTRO UNIVERSITÁRIO CATÓLICA DE SANTA CATARINA
Pró-Reitoria Acadêmica
Setor de Pesquisa
FORMULÁRIO PARA INSCRIÇÃO DE PROJETO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA.
Coordenação/Colegiado ao(s) qual(is) será vinculado:
Administração, Ciências Contábeis e Direito
Curso (s) : Administração, Ciências Contábeis e Direito
Nome do projeto:
REPERCUSSÕES DO ASSÉDIO MORAL NA SAÚDE MENTAL DO
TRABALHADOR: SOB A ÓTICA DA DIGNIDADE HUMANA
Nome do professor orientador: ZAYNE FARAD CARMINATI
Nome do professor co-orientador:
Nome do coordenador(a) do Curso:
Para a Fundação Educacional Regional Jaraguaense – FERJ, mantenedora do Centro
Universitário - Católica de Santa Catarina em Jaraguá do Sul e em Joinville, encaminhamos
anexo, Projeto de Iniciação Científica a ser submetido ao Edital nº .../2014 Programa de
Bolsas de Estudo da Educação Superior – UNIEDU, da Secretaria de Estado da Educação de
Santa Catarina, e declaramos nosso interesse e prioridade conferida ao desenvolvimento do
projeto ora proposto, assim como nosso comprometimento de que serão oferecidas as
garantias necessárias para sua adequada execução, incluindo o envolvimento de equipe,
utilização criteriosa dos recursos previstos e outras condições específicas definidas no
formulário anexo.
__________________, ____ de ___________ de 2014
____________________________________________
Professor orientador
_________________________________________________
Professor coorientador
____________________________________________
Coordenador do Curso
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2 – DESCRIÇÃO DO PROJETO
Orientações para organização do texto( projeto): Fonte: Times New Roman ou Arial, 12.
Espaçamento entre linhas simples, o texto deverá estar justificado. Todos os autores
deverão estar corretamente citados no texto e descritos nas referências.
Título do Projeto:
Tipo de Projeto ( 12 meses )
Repercussões do Assédio Moral na Saúde Mental do
Trabalhador: um olhar da Dignidade Humana
(X) Apresentado pelo professor;
Resumo do Projeto
O Assédio Moral é um fenômeno de violência psicológica contra o trabalhador evidenciado a partir
da reestruturação produtiva e seus sistemas de gestão calcados no fordismo/taylorismo e toyotismo.
O assédio moral pode trazer vários transtornos para a saúde do trabalhador, sobretudo para sua saúde
mental. As consequências sociais desse fenômenos são muito extensas. Atingem a família, a
empresa, a previdência e o governo, pois o adoecimento do trabalhador gera gastos físicos e
emocionais.
Problematizacão (Problema de pesquisa)
O modo de produção capitalista traz à cena uma nova forma de gerir os recursos humanos no interior
das empresas. Essa nova gestão se compõe por uma série de exigência, fundamentadas pelos gestores
como “exigências de um mercado cada vez mais competitivo”, significadas no quotidiano por uma
maior pressão por metas e cobranças personificadas em resultados quantitativos crescentes. Tudo isto
traz uma brutal mudança no meio ambiente de trabalho – assim entendido como conjunto de
condições externas e internas do local de trabalho. As estratégias de reestruturação produtiva adotada
pelas empresas para sobreviver nesse mercado competitivo, contribui para fortalecer essa nova forma
de gerir as pessoas. É nesse ambiente, marcado por pressões pelo desempenho quantitativo, além da
despersonalização do trabalhador – tratado como objeto de produção – que acontece o denominado
assédio moral, um processo de violência extremado contra o trabalhador, e que poderá causar uma
série de danos a sua saúde. A degradação do ambiente de trabalho, especialmente da saúde mental do
trabalhador, tem propiciado terríveis consequências à sociedade. O desafio está em tentar resgatar o
prazer no e pelo trabalho. Com base no exposto, a proposta deste estudo é identificar e analisar as
consequências do assédio moral na saúde mental trabalhador e nas suas relações pessoais. Por
consequência foi delineada a seguinte questão de pesquisa: Quais comportamentos caracterizam
assédio moral, de que forma repercute na saúde mental dos trabalhadores e por consequência
em suas relações pessoais?
Texto limitado a 20 linhas
Justificativa
Observa-se a possibilidade de uma relação entre assédio moral e danos a saúde mental do
trabalhador; pode ocorrer uma epidemia de depressão entre os trabalhadores. Há evidencias de que
18% dos homens chegam ao suicídio. Nas mulheres – que são as maiores vítimas, somando 63% dos
casos – é bastante comum o surgimento de enxaquecas crônicas, distúrbios hormonais e mentais,
como depressão ou transtorno de pânico. Podemos afirmar que a violência no ambiente da atividades
laborais é uma das facetas mais antigas das relações de trabalho. O assédio moral é uma das espécies
de violência cotidiana à qual estão submetidos muitos dos trabalhadores de todo o mundo, e não
existe, no ordenamento jurídico brasileiro, qualquer previsão específica que discuta ou trate deste
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fenômeno. Apenas, doutrina e jurisprudência ainda tem tratado o assunto com bastante timidez. Os
direitos humanos fundamentais dos trabalhadores são intangíveis por particulares ou pelo Estado,
sendo um direito personalíssimo por si só (BITTAR, 2003 p.09). Entretanto, a nova ordem de gestão
das empresas, fundada nos sistemas fordistas/tayloristas e toyotistas, em não rara ocasiões pode criar
um ambiente de cultura para o assédio moral, engendrando prejuízos graves, muito deles definitivos,
à saúde física e principalmente psíquica do trabalhador. Pretende-se por meio da pesquisa ora
proposta, discutir a hipótese de assédio moral como fator de risco para saúde física, mental e social
dos trabalhadores, bem como os danos causados no ambiente do trabalho e familiar, atingindo os
direitos do trabalhador individual e coletivo, desvalorizando os direitos humanos fundamentais.
Texto limitado a 20 linhas
Objetivo Geral: ( Onde estamos....Onde queremos chegar.)
Identificar e descrever as formas de Assédio Moral, que ocorrem afetando a saúde mental dos
trabalhadores, a partir da restruturação produtiva e seus sistemas de Gestão calcados no
Fordismo/Taylorismo e Toyotismo, dentro das Empresas e suas consequências na vida familiar.
Entender e analisar as estratégias desenvolvidas pelos trabalhadores no enfrentamento desse
problema, reconhecendo o direito a dignidade na perspectiva dos Direitos Humanos.
Texto limitado a 05 linhas
Objetivos específicos ( Etapas que devem ser cumpridas para se atingir o objetivo geral.)
- Descrever os modelos de Gestão Organizacional: Fordismo/Taylorismo e Toyotismo
- Conceituar Assédio Moral e Dignidade Humana sob a perspectiva dos Direitos Humanos;
- Analisar a conduta do assédio moral no ambiente de trabalho;
- Identificar aspectos subjetivos do trabalho, situações de sofrimento psíquico; e as estratégias
utilizadas pelos trabalhadores para lidar com o sofrimento e continuar a trabalhar;
- Levantar as consequências sofridas nas relações familiares do trabalhador que sofre Assédio
Moral;
Texto limitado a 15 linhas
Metodologia
Conforme evidencia Triviños (1987, p.93) os estudos devem incluir questões ou perguntas de
pesquisa, isto é, perguntas norteadoras acerca do que o pesquisador pretende esclarecer nos estudos.
O presente estudo pretende descrever e analisar as consequências do Assédio Moral na vida do
Trabalhador a partir da restruturação produtiva e seus sistemas de Gestão calcados no
Fordismo/Taylorismo e Toyotismo. Para tanto , se faz necessário formular as seguintes questões
básicas de pesquisa:
• Como se caracteriza o Assédio Moral e a reestruturação produtiva dentro da Empresa?
• Como os Direitos Humanos se ocupa do tema que trata da relação homem/trabalho?
• Como o modelo de Gestão interfere no comportamento organizacional?
• Quais as consequências na saúde mental, e no comportamento psíquico-emocional do
Trabalhador que sofre Assédio Moral, e de que forma influencia nas suas relações pessoais?
A presente pesquisa buscará respostas para essas questões e os resultados poderão contribuir para
uma maior reflexão e identificação do problema nas relações interpessoais, priorizando uma
discussão sobre a produção uma relação ética e respeitosa entre empresa e trabalhadores.
Na primeira questão, a suposição básica é estabelecer através da revisão literária aspectos do Assédio
Moral e da reestruturação produtiva, que foram encontrados na rotina das empresas. A segunda
questão pretende analisar se os Direitos Humanos tem uma legislação própria para a situação e como
são cuidados os temas relacionados a assédio pelo judiciário. A terceira questão preocupa-se em
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verificar se os modelos de gestão implantados nas Empresas interferem diretamente no
comportamento interpessoal, enfatizados nas teorias Fordista/Taylorista e Toyotista. A quarta
questão preocupa-se, também, em verificar como as relações pessoais do trabalhador são afetadas
pelo sofrimento passado, através do assédio, dentro da empresa, nesta questão a psicologia servirá
como referencial teórico, para o entendimento do comportamento psíquico-emocional, observando
ainda se há divergência entre a percepção dos trabalhadores e gestores. Para tanto serão elaborados e
aplicados questionários a trabalhadores onde foi caracterizado, através do judiciário, o assédio moral
na sua relação de trabalho.
CARACTERÍSTICA DA PESQUISA
Para classificação da pesquisa, toma-se como base à taxionomia apresentada por Vergara (1990,
p.47), que a qualifica em relação a dois aspectos: quanto aos fins e quanto aos meios.
Quanto aos fins, a pesquisa é considerada descritiva, porque visa descrever percepções expectativas e
sugestões das pessoas entrevistadas.
As pesquisas desse tipo têm como objetivo primordial à descrição das características de determinada
população ou fenômeno ou o estabelecimento de relações entre variáveis. São inúmeros os estudos
que podem ser classificados sob este título e uma de suas características mais significativas está na
utilização de técnicas padronizadas de coleta de dados.
Dentre as pesquisas descritivas, salientam-se aquelas que têm como objetivo estudar as
características de um grupo: sua distribuição por idade, sexo, procedência, estado de saúde física e
mental. Também são pesquisas descritivas aquelas que visam descobrir a existência de associações
entre variáveis, como, por exemplo, a relação entre assédio moral e distúrbios psíquicos/emocionais.
Para Gil (1999, p.44), algumas pesquisas descritivas vão além da simples identificação da existência
de relações entre variáveis, pretendendo determinar a natureza dessa relação. Nesse caso, tem-se uma
pesquisa descritiva que se aproxima da explicativa. Por outro lado, há pesquisas que embora
definidas como descritivas a partir de seus objetivos, acabam servindo mais para proporcionar uma
nova visão do problema o que as aproxima das pesquisas exploratórias.
Segundo Triviños (1987, p.124), o foco essência, dos estudos descritivos, reside no desejo de
conhecer a comunidade, seus traços característicos. O estudo descritivo pretende “descrever com
exatidão” os fatos e fenômenos de determinada realidade.
Outros estudos descritivos se denominam “estudos de casos”. Estes têm por objetivo aprofundar a
descrição de determinada realidade, observando todas as variáveis do grupo. O tratamento estatístico
no estudo de caso, segundo Triviños, é simples quando a análise é quantitativa. A análise qualitativa
pode ter apoio quantitativo, mas geralmente se omite a análise estatística ou o seu emprego não é
sofisticado. No estudo de caso, os resultados são válidos só para o caso que se estuda. Não se pode
generalizar o resultado atingido no estudo de uma situação a todas as outras, por exemplo. Mas aqui
está o grande valor do estudo de caso: fornecer o conhecimento aprofundado de uma realidade
delimitada que os resultados atingidos podem permitir formular hipótese para o encaminhamento de
outras pesquisas. Triviños alerta para o fato de que os estudos descritivos exigem do investigador,
para que a pesquisa tenha grau de validade científica, uma precisa delimitação de técnicas, métodos,
modelos e teorias que orientaram a coleta e interpretação dos dados. A população e amostra devem
ser claramente delimitadas; da mesma maneira, os objetivos do estudo, os termos e as variáveis, as
hipóteses, as questões de pesquisa. Em geral os estudos descritivos são criticados, muitas vezes,
porque pode existir uma exata descrição dos fenômenos e dos fatos. Estes fogem da possibilidade de
verificação através da observação. Quanto aos meios, a pesquisa será bibliográfica e de campo.
Bibliográfica porque para a fundamentação teórico-metodológica de trabalho será realizada
investigação sobre os seguintes assuntos: Assédio Moral, Direitos Humanos, Reestruturação
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Produtiva, Saúde Mental, Modelos de Gestão e Comportamento Psíquico/emocional. A pesquisa
também será de campo uma vez que realizará investigação empírica junto a trabalhadores que
tenham passado por encaminhamento jurídico, para obter dados sobre os aspectos perceptíveis a
respeito das consequências psíquicas no trabalhador que sofreu algum tipo de assédio. Será feito um
estudo descritivo-analítico, por se tratar de uma investigação de natureza qualitativa que utiliza a
observação, a análise bibliográfica e a entrevista como coleta de dados. Para realização desse
projeto, a população investigada será o trabalhador que na sua relação de trabalho caracterizou-se
comportamento de assédio . Considerando as dificuldades de abordagens a essas pessoas, será
adotado o critério de acessibilidade, segundo Mattar(1999, p.150), levando em consideração que o
trabalhador será identificado através de processos transitados na Vara do Trabalho de Joinville. As
perguntas serão abertas, dando maior liberdade aos entrevistados de expor suas ideias a respeito da
situação, e também ao pesquisador uma observação que preservará a espontaneidade do processo.
Texto limitado em 02 página
Fundamentação Teórica
O processo de inovação tecnológica e organizacional se desenvolve, a partir da década de 1980 no
Brasil, de forma combinada à crescente integração aos mercados externos, bem como à necessidade
de maior competitividade frente aos produtos importados. Como adjetivos básicos, as empresas, seja
qual for o setor, têm buscado: a diversificação e especialização da produção/serviços; a redução dos
tempos de projeto e fabricação, dos estoques e do custos de produção e gerenciamento; a retomada
de controle gerencial e a constituição de processos mais integrados e com adequada flexibilidade.
Por trás de tais medidas existe uma grande corrida empresarial em busca de melhoria de
desempenho, geralmente traduzida pelos conceitos e indicadores de “produtividade” e “qualidade”
dos processos. Em relação à produtividade especialmente no setor industrial, são diversos os estudos
demonstrando seu grande crescimento, a partir de 1992/93 (ou seja, a forte recessão iniciada no
governo Collor). Vale ressaltar que parte do crescimento da produtividade se deve ao processo de
terceirização, que resultou na transferência de trabalhadores para o setor terciário, ou a condição de
trabalhador autônomo (além do aumento do desemprego estrutural). A dimensão da qualidade se
torna particularmente enfatizada, sendo também associada aos produtos finais e serviços prestados. É
através dela que as empresas se apresentam diferencialmente aos seus consumidores, inclusive como
instrumento de marketing.
Segundo Meirelles (1998) em termos de conteúdo, a reestruturação produtiva abrange cinco
elementos básicos:
1. Informática e Automação, com introdução seletiva de computadores, máquinas, terminais
bancários e serviços de home-banking.
2. Mudança na relação entre empresas, com destaque para o processo de terceirização de
serviços de apoio (alimentação, transporte etc..), o fornecimento externo de componentes e
insumos (outsourcing), e sua compra em qualquer parte do mundo (global sourcing). O
objetivo empresarial seria o de “focalizar” suas operações, em função de características
estratégicas. Esse processo não é novo, e sim a aceleração da transferência de atividades.
Seus maiores indutores no caso brasileiro foram a recessão dos anos 90 e a abertura às
importações. Nesse sentido, a terceirização recente se caracterizou como uma estratégia de
“redução de custos” por parte das empresas, especialmente através de inúmeras fraudes
trabalhistas e da degradação das condições do trabalho.
3. Mudanças na organização dos processos de produção/serviços: o ideal da produção enxuta
nos moldes toyotistas, e a possibilidade de implementar técnicas deste modelo sem elevados
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investimentos movem boa parte destas transformações.
4. Transformações na organização dos processos de trabalho também vão tomando forma nas
empresas brasileiras. Isso não significa que tradicionais elementos e formas de produção
taylorista/fordista, que implicam em determinadas características da organização do trabalho,
sejam completamente abandonadas como o estudo de tempos e movimentos, a padronização
de processos, as clássicas linhas de montagem e seus métodos de gestão. Há, portanto, uma
coexistência da nova fábrica com a antiga fábrica; e da empresa em reestruturação com a
velha empresa. Mais do que isto, novos rótulos como toyotismo e qualidade total se utilizam
alguns desses elementos também para sua sustentação , em especial o estudo de tempos e a
padronização. Mas como inexistem grandes impedimentos ao uso flexível do trabalho no
Brasil, isso facilita imensamente a implementação de esquemas de trabalho multifuncional,
com características qualificantes ou não, associado ou não a novos conceitos de gestão. Outra
inovação é o trabalho em grupo, definido na lógica de “vários homens para uma área de
trabalho e um conjunto de tarefas”. Trata-se de um grupo que detém responsabilidades
operacionais, para cumprir parâmetros anteriormente negociados, tácita ou explicitamente,
junto à gerência.
5. Mudanças na gestão do trabalho e4 na gestão empresarial: vemos surgir novas tendências na
relação entre algumas empresas e seus trabalhadores. Isso pode significar tanto o crescimento
do volume de investimentos em educação básica e treinamento dos trabalhadores diretos,
como a constituição de sistemas participativos, com o objetivo de motivá-los e envolve-los
com a nova forma de funcionamento das empresas.
Em qualquer situação, a relação do trabalho com o trabalhador, perpassa por questões psico-sócioculturais, dessa forma, resulta justamente de toda uma evolução do pensamento humano, a respeito
do que significa este ser humano e a compreensão do que é ser pessoa e de quais os valores que lhe
são inerentes que acabam por influenciar ou mesmo determinar o modo pelo qual se reconhece , se
protege e emocionalmente preserva sua dignidade. Constitui o melhor meio de, pelo menos numa
sociedade democrática, estabelecer os contornos nucleares da compreensão das diversas dimensões
da dignidade e de sua possível realização prática para cada ser humano. Assim, não há mais — ao
contrário do que alguns parecem crer — como desconhecer e nem desconsiderar o papel efetivo do
Direito Humano na proteção e promoção da dignidade. Segundo Sarlet, 2007, é igualmente correto
partir do pressuposto de que a dignidade, acima de tudo, diz com a condição humana do ser humano,
e, portanto, guarda íntima relação com as complexas, e, de modo geral, imprevisíveis e praticamente
incalculáveis manifestações da personalidade humana; já se percebe o quão difícil se torna a busca
de uma definição do conteúdo desta dignidade da pessoa e, portanto, de uma correspondente
compreensão (ou definição) jurídica. Assim, por mais que não seja esta a posição a ser adotada,
verifica-se que não é inteiramente destituída de qualquer fundamento racional e razoável a posição
dos que refutam a possibilidade de uma definição. O Assédio Moral afeta o equilíbrio emocional e
altera seu modo de se relacionar com o mundo e com os demais indivíduos. A insegurança, a baixa
auto estima e o sentimento de impotência geram comportamentos de intolerância, frustração,
isolamento e agressividade nas relações afetivas da pessoas, como, por exemplo, as relações
familiares (CAMPOS 2006, p.40). A auto estima influencia no desenvolvimento das competências
profissionais do trabalhador, segundo Perrenoud (1999, p.61), as competências profissionais são
privilegiadas, na medida em que as situações de trabalho sofrem as fortes exigências do posto, da
divisão de tarefas e, portanto, reproduzem-se dia após dia, enquanto em outros campos de ação são
maiores os intervalos entre situações semelhantes. As competências de uma pessoa constroem-se em
função das situações que enfrenta com maior frequência.
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Os termos habilidades e conhecimento transformam-se em competências, pelos verbos mobilizar,
participar, comprometer, flexibilizar e essas ideias vão sendo incorporadas tanto no cotidiano
empresarial (anos 1980), como no sistema educacional (anos 1990), Zarifian 2001, trabalha uma
definição multidimensional de competência, e define três fatores fundamentais:
• A tomada de iniciativa e de responsabilidade do indivíduo;
• A inteligência prática das situações, que se apoia sobre os conhecimentos adquiridos e os
transforma;
• A faculdade de mobilizar redes de indivíduos em torno das mesmas situações, coresponsabilidade e partilha do que está em jogo em cada situação.
Em seu livro Objetivo e Competência (2001), Zarifian, afirma que competência é um modelo
dinâmico e amplo do posto de trabalho, que continua impondo-se de acordo com os mesmos
princípios de ajustamento do empregado ao emprego, apesar do intenso esforço por parte dos
gestores e do mercado literário para apresentar esse procedimento como algo inovador. O conteúdo
de competência é, sempre, segundo Zarifian, definido em relação a um conteúdo do emprego, ou
seja, é sempre o emprego que é qualificado. Nesse contexto, para Zarifian a competência resulta de
um procedimento pessoal do indivíduo, que aceita assumir uma situação de trabalho e ser
responsável por ela. De fato, a competência pode ser delegada no sentido de que uma estrutura
hierárquica confia a responsabilidade a um agente. Entretanto, do ponto de vista do ser humano
diretamente em questão, a competência “se assume”, ou não se assume. Ninguém pode decidir no
lugar do outro, a decisão é exclusivamente individual. A necessidade de tomada de iniciativa torna-se
fator fundamental na análise das competências e por consequência na produtividade do trabalhador.
Tomar iniciativa pressupõe enfrentar, com êxito, o problema. E para atingir esse êxito é necessário
responsabilidade, isto é, autonomia para tomada de decisão. No entanto, o comum é que a autonomia
tem sido delegada para as pessoas que ocupam cargos de chefia, essas têm autonomia e são
responsáveis porque outros dependem delas, por isso, precisam ter um bom desempenho, para servir
de exemplo. Algumas situações na economia brasileira, afetam diretamente as relações de trabalho e
com isso os processos de gestão: a diminuição na hierarquização, redução do quadro funcional,
modernização tecnológica, mudanças nos processos produtivos, subcontratações, dentro outras
estratégias de competitividade. Esse cenário torna o trabalhador, muito vulnerável, trazendo grandes
prejuízos a sua auto confiança e principalmente afetando sua produtividade e reconhecimento de suas
competências. O ambiente de trabalho, não se torna apenas precário, mas hostil, graças a permanente
ameaça de desemprego e aos novos processos produtivos e de métodos de gestão pessoal. As
consequências para a saúde mental do trabalhador são severas, este se torna mais frágil, pois se
tornou descartável e essa maior oferta de mão de obra qualificada tornou um grande espaço para
produção do assédio moral, estima-se que esse seja uma das causas mais importantes do estresse
laboral e dos distúrbios psico-sociais.
Texto limitado em até 05 páginas
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3. CRONOGRAMA DE EXECUÇÃO ETAPA OU FASE DO PROJETO
Objetivo Específico
Conceituar Assédio
Moral e Dignidade
Humana sob a
perspectiva dos
Direitos Humanos;
Descrever os modelos
de Gestão
Organizacional:
Fordismo/Taylorismo e
Toyotismo
Analisar a conduta do
assédio moral no
ambiente de trabalho;
Etapa/Fase (O que?)
Especificação (Como?)
Levantamento
Definir a relação
entre Assédio moral Bibliográfico e
e Dignidade
pesquisa de
Humana, utilizando processos na área
a legislação
trabalhista que
existente em
foram publicados
Direitos Humanos em relação ao
Assédio Moral
Definir os modelos de
Gestão que provocam
um ambiente de
produtividade agressivo
e nocivo ao trabalhador
Entender o
comportamento
caracterizado como
assédio dentro da
empresa
Identificar aspectos
Entender como os
subjetivos do trabalho, trabalhadores lidam
situações de sofrimento com o assédio e porque
psíquico; e as
continuam trabalhando
estratégias utilizadas no mesmo lugar e em
pelos trabalhadores
alguns casos pedindo a
para lidar com o
justiça do Trabalho
sofrimento e continuar a reintegração após ser
demitido.
trabalhar;
Levantamento
Bibliográfico, e buscar
quais os modelos mais
utilizados nas empresas
atualmente
Através das pesquisas
em processos
trabalhistas e análise
dos modelos de Gestão.
Início
Semanas e meses
Término
Semanas e meses
Maio/ 2015
Agosto/ 2015
Junho/2015
Setembro/2015
Setembro/2015
Outubro/2015
Desenvolver e aplicar
Novembro/2015
ferramenta para
pesquisa de campo com
trabalhadores que já
passaram por situações
de Assédio já
caracterizada e que
estão em tratamento ou
passaram por algum tipo
de sofrimento psíquico.
Coleta e análise dos
dados.
Levantar as
Pesquisar e analisar as Desenvolver e aplicar
Novembro/2015
consequências sofridas proporções do Assédio ferramenta de Pesquisa
nas relações familiares Moral na vida do
de campo com
do trabalhador que
Trabalhador
trabalhadores, e
sofre Assédio Moral;
familiares, que já
passaram por situações
de Assédio já
caracterizada e que
estão em tratamento ou
passaram por algum tipo
de sofrimento psíquico.
Coleta e análise dos
dados.
Abril/2016
Abril/2016
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4. REFERÊNCIAS
BITTAR, Carlos Alberto. Os Direitos da Personalidade, 6ª edição, Rio de Janeiro: Forense,
2003
CAMPOS, Rose, Assédio Moral e Constante. Psique: Ciência e Vida. Ano I no.04. São
Paulo:Escala, 2006, p. 40 – 47.
CARMINATI, Zayne Farad. A Aprendizagem Multifuncional e o setor supermercadista.
Dissertação de Mestrado, UFES, CCJE, 2004
GIL, Antonio Carlos, Métodos e Técnicas da Pesquisa Social, 5ª edição, São Paulo: Ed. Atlas,
1999.
MATTAR, Frauze Nagib. Pesquisa de Marketing: metodologia, planejamento. Vol. 1, 5ª
edição, São Paulo: Ed. Atlas, 1999.
MEIRELES FILHO, José. Reestruturação Produtiva. In: NETO, Antonio Moreira de
Carvalho; CARVALHO,Ricardo Augusto Alves de (Org.). Sindicalismo e negociação coletiva
nos anos 90. Belo Horizonte: Institutode Relações do Trabalho (IRT) da Pontifícia Universidade
Católica de Minas Gerais, 1998. p. 313-325.
PERRENOUD, P. Construir as competências desde a escola. Porto Alegre: Artes Médicas Sul,
1999.
SARLET, INGO WOLFGANG . As dimensões da dignidade da pessoa humana:construindo
uma compreensão jurídicoconstitucional necessária e possível. Revista Brasileira de Direito
Constitucional – RBDC n. 09 – jan./jun. 2007
TRIVIÑOS, Augusto N.S. Introdução à Pesquisa em Ciências Sociais, São Paulo: Ed. Atlas,
1987.
VERGARA, Sylvia Constant. Projetos e Relatórios de Pesquisa em Administração, 2ª edição,
São Paulo: Ed. Atlas, 1998.
ZARIFIAN, Philippe. Objetivo e Competênciaq: por uma nova lógica. São Paulo. Atlas, 2001
_________. Comunicação e Subjetividade nas Organizações: in Davel, Eduardo, Gestão com
pessoas e subjetividade. São Paulo. Atlas, 2001
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Pró-Reitoria Acadêmica
Setor de Pesquisa
5. RESUMO DO ORÇAMENTO: VALOR MÁXIMO DE R$ 900,00
Elementos de Despesa
FERJ
Setor de Pesquisa
Quantidade Preço Unitário
R$
Contrapartida
(quando houver parcerias)
Quantidade Preço Unitário
R$
Participação em eventos1
Passagens e Despesa de
Locomoção.
Material de Consumo
( descrever todos os itens
ex:
Papel
A4,
disquetes,etc..)
Aquisição de Livros *
Cópias monocromáticas,
fotocópia colorida, fotos
aéreas, mapas, plotagens,
cópias em metro.
Equipamentos e Material
Permanente **
Outros ( Descrever
Total
R$
350,00
150,00
150,00
450,00
conforme padrão)
Total do Projeto
1.000,00
* O valor não poderá exceder a 15 % do valor total solicitado para a execução do projeto.
** O valor solicitado deverá respeitar os critérios dispostos no Edital.
6-CRONOGRAMA DE DESEMBOLSO (R$) (Especificar o período em que os elementos de despesas serão
solicitados)
Objetivo
Específico
Elementos
de despesas
CONTRAPARTIDA
(quando houver parcerias)
Objetivo Específico
Elementos de
despesas
1
Deverá estar justificada a despesa na Metodologia do projeto e aprovada pela Coordenação do
PROINPES
11
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7. EQUIPE
(Breve histórico da equipe e de sua experiência na área do projeto)
Importante: Anexar Currículo Lattes2 (atualizado nos últimos 06(seis) meses), completo para toda a
equipe envolvida no projeto.
ZAYNE FARAD CARMINATI
Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Espírito Santo (1985) e mestrado em
Administração pela Universidade Federal do Espírito Santo (2004). Atualmente é professor do Centro
Universitário de Santa Catarina - Joinville/SC. Tem experiência na área de Administração, com ênfase
em Administração de Recursos Humanos, atuando principalmente nos seguintes temas:
multifuncionalidade, aprendizagem, treinamento., coach, psicologia da aprendizagem, varejo
supermercadista, sistema toyota de gestão e aprendizagem cognitiva.
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repercussões do assédio moral na saúde mental do trabalhador