UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Sandra Aparecida Nogueira de Oliveira Boffi ANÁLISE DOS INDICADORES DE DESEMPENHO DAS METAS DA ADMINISTRAÇÃO CORPORATIVA: um estudo de caso Taubaté – SP 2007 UNIVERSIDADE DE TAUBATÉ Sandra Aparecida Nogueira de Oliveira Boffi ANÁLISE DOS INDICADORES DE DESEMPENHO DAS METAS DA ADMINISTRAÇÃO CORPORATIVA: um estudo de caso Dissertação apresentada para obtenção do Título de Mestre pelo Curso de Mestrado em Gestão e Desenvolvimento Regional do Departamento de Economia, Contabilidade e Administração da Universidade de Taubaté. Área de concentração: Planejamento, Decisão e Gestão Orientador: Prof. Dr. Edson Aparecida de ....................Araújo Querido Oliveira Taubaté – SP 2007 2 SANDRA APARECIDA NOGUEIRA DE OLIVEIRA BOFFI ANÁLISE DOS INDICADORES DE DESEMPENHO DAS METAS DA ADMINISTRAÇÃO CORPORATIVA: um estudo de caso Dissertação apresentada para obtenção do Título de Mestre pelo curso de Mestrado em Gestão e Desenvolvimento Regional do Departamento de Economia, Contabilidade e Administração da Universidade de Taubaté. Área de concentração: Planejamento, Decisão e Gestão Data: __________________ Resultado: ______________ BANCA EXAMINADORA Prof. Dr.____________________________________ Universidade de Taubaté Assinatura __________________________________ Prof. Dr.____________________________________ Universidade _________ Assinatura __________________________________ Prof. Dr.____________________________________ Assinatura __________________________________ Universidade _________ 3 Dedico este trabalho a meu amado esposo Luiz Fernando que caminha na estrada da vida ao meu lado, apoiando-me em todos os momentos. 4 AGRADECIMENTOS A Deus, por estar sempre guiando meus passos. Ao Prof. Dr. Edson Aparecida de Araújo Querido Oliveira, pela orientação e carinho dedicados à elaboração desta dissertação. Á Profª Dra. Isabel Cristina dos Santos, pelas contribuições, atenção e carinho. Á Profª Dra. Wanda Aparecida Machado Hoffmann, pelas valiosas contribuições. Á Profª Dra. Maria Júlia Ferreira Xavier Ribeiro, pela maneira como sutilmente inseriu em nossos corações o reconhecimento da profundidade e importância de trabalhos como este; e ao corpo docente do curso de Mestrado da UNITAU, pelos ensinamentos e paciência durante o curso. Ao amigo Antonio Carlos Tonini, pela oportunidade de aprendizado e incentivo. À amiga Márcia Regina de Oliveira, que me acompanhou durante todo o Mestrado e ao amigo Evandro Luiz de Oliveira, pelas valiosas sugestões e atenção dedicada. Aos meus amigos do Mestrado, pela amizade em nossos momentos de estudo. À minha amada mãe, por todos os ensinamentos e orações, e à minha irmã Silvia pela sincera amizade e carinho. 5 “A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a nossa felicidade.” Carlos Drummond de Andrade RESUMO As organizações atuais são cobradas para terem o domínio da tecnologia, possuírem qualidade comprovada pelos padrões mundiais e para serem empreendimentos que atendam às expectativas sempre mutáveis dos clientes, cada vez mais exigentes. Para sobreviver nesse ambiente competitivo é necessário que desenvolvam ferramentas capazes de definir sua posição frente ao mercado, seus processos internos frente aos seus próprios objetivos e sua prospecção para o futuro. Tais ferramentas devem ser capazes de identificar seus pontos fortes e fracos, a fim de proporcionar o fortalecimento da sua posição e definição do melhor caminho a ser seguido, mesmo que represente a mudança total de direção. O objetivo deste trabalho é analisar e descrever as fases para o desenvolvimento de indicadores de desempenho integrados e baseados na estratégia global da empresa, segundo a metodologia Balanced Scorecard, focados na sustentabilidade da organização e em atingir as metas previamente estabelecidas pela administração corporativa. A presente pesquisa utiliza-se de dados bibliográficos referentes à Administração Corporativa, ao Controle, Mensuração de Desempenho e aos Modelos de Indicadores de Desempenho. Com a utilização do estudo de caso e análise documental, como método de pesquisa, foram analisados os indicadores de desempenho de três departamentos de uma UEN e sugeridos um novo quadro de indicadores mais atuantes e estruturados, a fim de atender às diferentes perspectivas do negócio, de acordo com a estratégia global da empresa. Palavras-chave: Administração Corporativa. Indicadores de Desempenho. Balanced Scorecard. ABSTRACT The present organizations are being pressured to develop the domain of technology, and also, they have to prove the quality in the worldwide standards, so that they can be complex enterprises which always take care of the customers´ changeable expectations that are more and more demanding. In order to survive, in this extremely competitive environment, it is necessary the develop tools which are able to define its own objectives and its prospective goals to the future. These tools must be capable to identify its strong and weak points, to fortify its position and to discover the best way to be followed, even though this represents the change of direction to follow. The objective of this work is to analyze and to describe the stages for the development of the integrated performance indicators and based on the enterprise global strategy, according to the Balanced Scorecard methodology focused in the sustentation of the organization, and, to reach the previous goals established by the corporative administration. The present research used bibliographic data which were referred to the corporative administration, the control, the performance measurement and the performance indicator models. And, the case study and the documental analysis were used as methodology in this study. The performance indicators were analyzed and, it was suggested a new schedule of these indicators – indicators which are vital tools and well structured, according to the enterprise global strategy to answer to the different perspective of business. Key words: Corporative Administration. Performance Indicators. Balanced Scorecard. 8 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Composição Total da Amostra .................................................................84 Tabela 2 - Indicador de Aquisição Fora do Prazo ...................................................133 Tabela 3 - Indicador de Aquisição no País ..............................................................134 Tabela 4 - Indicador de Quantidade de RNC ..........................................................135 Tabela 5 - Indicador de Valor de Pedidos de Compra.............................................138 Tabela 6 - Indicador de Valor Médio dos PCs .........................................................139 Tabela 7 - P7 Indicador de Incidência de Erro ........................................................157 Tabela 8 - P10 Indicador de Treinamento da Equipe ..............................................162 Tabela 9 - P11 Indicador de Valor de Mercado e Valor e Compra ..........................165 Tabela 10 - P12 Indicador de Perda da UEN ..........................................................167 Tabela 11 - P13 Indicador RNC por Fornecedor .....................................................168 9 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Elementos de um Sistema de Controle ...................................................34 Quadro 2 - Perspectivas de Controle ........................................................................37 Quadro 3 - Síntese de Algumas Vantagens e Limitações dos Indicadores...............43 Quadro 4 - Principais Modelos de SMDOs Identificados por Figueiredo...................53 Quadro 5 - Medição de Temas Financeiros Estratégicos..........................................70 Quadro 6 - Definição das Medidas Essenciais ..........................................................72 Quadro 7 - Tipos Básicos de Projeto para Estudo de Caso ......................................81 Quadro 8 - Seis Fontes de Evidências: Pontos Fortes e Pontos Fracos...................85 Quadro 9 - Amostra Total de Indicadores Analisados .............................................107 Quadro 10 - Classificação dos Indicadores da Engenharia com o BSC..................149 Quadro 11 - Proposta de um Novo Quadro de Indicadores para a Engenharia ......153 Quadro 12 - Classificação dos Indicadores da Qualidade com o BSC....................160 Quadro 13 - Proposta de um Novo Quadro de Indicadores para a Qualidade ........163 Quadro 14 - Classificação dos Indicadores de Suprimentos com o BSC................170 Quadro 15 - Proposta de um Novo Quadro de Indicadores para Suprimentos .......172 Quadro 16 - Classificação do Total da Amostra nas Perspectivas do BSC ............173 Quadro 17 - Representatividade do Total da Amostra em Relação ao BSC...........173 Quadro 18 - Representatividade do Total da Amostra em Relação ao BSC...........174 Quadro 19 - Representatividade do Total Sugerido em Relação ao BSC...............175 10 LISTA DE EQUAÇÕES Equação 1 - Indicador de Eficiência da Engenharia................................................111 Equação 2 - Indicador de Eficácia da Engenharia...................................................113 Equação 3 - Indicador do Impacto do Retrabalho ...................................................115 Equação 4 - Indicador de Acompanhamento de Projeto .........................................116 Equação 5 - Indicador de Eficiência da Engenharia da Qualidade..........................120 Equação 6 - Indicador de Eficiência da Inspeção Externa ......................................122 Equação 7 - Indicador de Eficácia da Engenharia da Qualidade ............................124 Equação 8 - Indicador de Eficiência da Metrologia .................................................126 Equação 9 - Indicador de Eficiência do Laboratório ................................................128 Equação 10 - Indicador de Eficiência da Garantia da Qualidade ............................129 Equação 11 - Indicador do Valor Gasto em Relação ao Orçado.............................131 Equação 12 - Indicador de Aquisição Fora do Prazo ..............................................132 Equação 13 - Indicador de Aquisição no País.........................................................135 Equação 14 - Indicador de Quantidade de RNC .....................................................136 Equação 15 - Indicador de Quantidade de RNC Resolvida ....................................137 Equação 16 - Indicador de Valor de Pedidos de Compra .......................................138 Equação 17 - Indicador de Valor Médio dos PCs....................................................139 Equação 18 - Indicador de Rotatividade no Trabalho .............................................141 11 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Estruturação por Administração Corporativa ............................................29 Figura 2 - Forma de Interação entre Administração Corporativa e UEN ...................30 Figura 3 - O Processo da Administração...................................................................32 Figura 4 - Foco no Controle Organizacional..............................................................35 Figura 5 - Seqüência de Desenvolvimento de um Indicador .....................................42 Figura 6 - A atuação dos Indicadores........................................................................44 Figura 7 - A Pirâmide SMART ...................................................................................55 Figura 8 - As Medidas do BSC derivam da Visão e da Estratégia da Empresa ........63 Figura 9 - O Balanced Scorecard como Estrutura para a Ação Estratégica..............65 Figura 10 - A Perspectiva do Cliente - Medidas Essenciais ......................................72 Figura 11 - Cadeia de Valores para a Perspectiva dos Processos Internos .............74 Figura 12 - Estrutura Geral da Organização e a Focalização da UEN ......................91 Figura 13 - Organograma Geral da Organização ......................................................93 Figura 14 - Distribuição das Atividades nos Departamentos da Organização...........95 Figura 15 - O Balanced Scorecard é uma Fase de um Processo Contínuo ............100 Figura 16 - Motivos Identificados pelas Organizações para Utilização do BSC ......103 Figura 17 - Fases da Pesquisa................................................................................104 Figura 18 - Indicador de Eficiência da Engenharia..................................................110 Figura 19 - Indicador de Eficácia da Engenharia.....................................................112 Figura 20 - Indicador do Impacto do Retrabalho .....................................................114 Figura 21 - Indicador de Acompanhamento de Projeto ...........................................115 Figura 22 - Indicador de Eficiência da Engenharia da Qualidade............................119 Figura 23 - Indicador de Eficiência da Inspeção Externa ........................................121 Figura 24 - Indicador de Eficácia da Engenharia da Qualidade ..............................123 12 Figura 25 - Indicador de Eficiência da Metrologia ...................................................125 Figura 26 - Indicador de Eficiência do Laboratório ..................................................127 Figura 27 - Indicador de Eficiência da Garantia da Qualidade ................................128 Figura 28 - Indicador do Valor Gasto em Relação ao Orçado.................................130 Figura 29 - Indicador de Quantidade de RNC Resolvida ........................................137 Figura 30 - Indicador de Rotatividade no Trabalho .................................................138 Figura 31 - P1 Indicador de Atendimento ao Cliente...............................................145 Figura 32 - P2 Indicador de Desenvolvimento de Melhorias ...................................146 Figura 33 - Estrutura de Medição do Aprendizado e Crescimento ..........................150 Figura 34 - P3 Indicador de Gastos de Horas .........................................................151 Figura 35 - P4 Indicador de Desenvolvimento de Modelo Paramétrico...................152 Figura 36 - P5 Indicador de Motivação da Equipe...................................................152 Figura 37 - P6 Indicador de Atendimento ao Cliente...............................................156 Figura 38 - P9 Indicador de Motivação da Equipe...................................................161 13 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS BSC - Balanced Scorecard CEO - (Chief Executive Officer) Principal Executivo de uma Organização ISO - (Internacional Organization for Standartization) Organização Internacional de Padronização PC - Pedido de Compra P & D - Pesquisa e Desenvolvimento RNC - Relatório de Não Conformidade SMD - Sistema de Medição do Desempenho SMDO - Sistema de Medição de Desempenho Operacional UEN - Unidade Estratégica de Negócios 14 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................19 1.1 O PROBLEMA .................................................................................................22 1.2 OBJETIVOS .....................................................................................................24 1.2.1 Objetivo Geral ............................................................................................24 1.2.2 Objetivos Específicos.................................................................................24 1.3 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO ..........................................................................25 1.4 RELEVÂNCIA DO ESTUDO ............................................................................26 1.5 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ....................................................................26 2 REFERENCIAL TEÓRICO.....................................................................................28 2.1 ADMINISTRAÇÃO CORPORATIVA ................................................................28 2.1.1 Controle .....................................................................................................32 2.2 MENSURAÇÃO DO DESEMPENHO...............................................................37 2.2.1 O Processo de Medição.............................................................................38 2.2.2 Medidas e Padrões de Desempenho.........................................................40 2.3 INDICADORES DE DESEMPENHO................................................................41 2.3.1 Função e Características dos Indicadores.................................................45 2.4 OS MODELOS DOS INDICADORES ..............................................................48 2.4.1 Os Indicadores Tradicionais ......................................................................49 2.4.2 Os Indicadores Atuais................................................................................52 2.4.2.1 Performance Measure Questionnaire (PMQ) ......................................53 2.4.2.2 Pirâmide SMART .................................................................................54 2.4.2.3 Sete Critérios de Desempenho (SCD).................................................55 2.5 BALANCED SCORECARD (BSC) ...................................................................57 15 2.5.1 A Evolução do Balanced Scorecard...........................................................58 2.5.2 Definição do Conceito do Balanced Scorecard..........................................61 2.5.3 Os Objetivos do Balanced Scorecard ........................................................63 2.5.4 As Perspectivas do Balanced Scorecard ...................................................66 2.5.4.1 Perspectiva Financeira ........................................................................66 2.5.4.2 Perspectiva do Cliente.........................................................................71 2.5.4.3 Perspectiva dos Processos Internos ...................................................74 2.5.4.4 Perspectiva de Aprendizado e Crescimento........................................75 3 MÉTODO................................................................................................................78 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA ...................................................................78 3.1.1 Quanto aos Fins.........................................................................................79 3.1.2 Quanto aos Meios......................................................................................79 3.2 O ESTUDO DE CASO .....................................................................................80 3.2.1 Seleção do Caso e Unidade de Caso ........................................................81 3.2.2 Universo e Amostra ...................................................................................82 3.2.3 Coleta e Análise dos Dados.......................................................................84 4 ESTUDO DE CASO ...............................................................................................87 4.1 HISTÓRICO DA EMPRESA.............................................................................87 4.2 OS SETORES DA EMPRESA NO MUNDO ....................................................88 4.3 A ESTRUTURA DA EMPRESA .......................................................................90 4.4 A CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE..............................................................92 4.5 SÍNTESE DA OPERAÇÃO DA UNIDADE E DOS DEPARTAMENTOS ..........94 4.6 O ATUAL SISTEMA DE MEDIÇÃO DA EMPRESA .........................................97 4.7 CONSIDERAÇÕES RELACIONADAS À METODOLOGIA DA ANÁLISE........99 4.8 PROPOSTA DE ANÁLISE APOIADA NO BSC..............................................101 16 4.9 DESCRIÇÃO DOS INDICADORES POR DEPARTAMENTO........................108 4.9.1 O Sistema de Medição da Engenharia ....................................................109 4.9.1.1 Modelo I1 - Indicador de Eficiência da Engenharia ...........................110 4.9.1.2 Modelo I2 - Indicador de Eficácia da Engenharia ..............................111 4.9.1.3 Modelo I3 - Indicador do Impacto do Retrabalho...............................113 4.9.1.4 Modelo I4 - Indicador de Acompanhamento de Projeto.....................115 4.9.2 O Sistema de Medição da Qualidade ......................................................116 4.9.2.1 Modelo I5 - Indicador de Eficiência da Engenharia da Qualidade .....117 4.9.2.2 Modelo I6 - Indicador de Eficiência da Inspeção Externa ..................120 4.9.2.3 Modelo I7 - Indicador de Eficácia da Engenharia da Qualidade ........122 4.9.2.4 Modelo I8 - Indicador de Eficiência da Metrologia .............................124 4.9.2.5 Modelo I9 - Indicador de Eficiência do Laboratório............................126 4.9.2.6 Modelo I10 - Indicador de Eficiência Garantia da Qualidade.............128 4.9.3 O Sistema de Medição de Suprimentos...................................................129 4.9.3.1 Modelo I11 - Indicador do Valor Gasto em Relação ao Orçado ........130 4.9.3.2 Modelo I12 - Indicador de Aquisição fora do Prazo ...........................131 4.9.3.3 Modelo I13 - Indicador Aquisição no País .........................................133 4.9.3.4 Modelo I14 - Indicador de Quantidade de RNC.................................135 4.9.3.5 Modelo I15 - Indicador de Quantidade de RNC Resolvida ................136 4.9.3.6 Modelo I16 - Indicador de Valor de Pedidos de Compra ...................137 4.9.3.7 Modelo I17 - Indicador de Valor Médio do Pedido de Compra ..........138 4.9.3.8 Modelo I18 - Indicador de Rotatividade de Trabalho .........................139 5 RESULTADOS.....................................................................................................142 5.1 ANÁLISE DO SISTEMA DE MEDIÇÃO DA ENGENHARIA...........................144 5.1.1 Análise do Indicador I1 ............................................................................144 17 5.1.2 Análise do Indicador I2 ............................................................................146 5.1.3 Análise do Indicador I3 ............................................................................147 5.1.4 Análise do Indicador I4 ............................................................................147 5.1.5 Análise Geral do Sistema de Medição da Engenharia.............................148 5.2 ANÁLISE DO SISTEMA DE MEDIÇÃO DA QUALIDADE..............................154 5.2.1 Análise do Indicador I5 ............................................................................154 5.2.2 Análise do Indicador I6 ............................................................................156 5.2.3 Análise do Indicador I7 ............................................................................156 5.2.4 Análise do Indicador I8 ............................................................................158 5.2.5 Análise do Indicador I9 ............................................................................158 5.2.6 Análise do Indicador I10 ..........................................................................159 5.2.7 Análise Geral do Sistema de Medição da Qualidade...............................159 5.3 ANÁLISE DO SISTEMA DE MEDIÇÃO DE SUPRIMENTOS ........................163 5.3.1 Análise do Indicador I11 ..........................................................................164 5.3.2 Análise do Indicador I12 ..........................................................................166 5.3.3 Análise do Indicador I13 ..........................................................................166 5.3.4 Análise do Indicador I14 ..........................................................................167 5.3.5 Análise do Indicador I15 ..........................................................................168 5.3.6 Análise do Indicador I16 ..........................................................................169 5.3.7 Análise do Indicador I17 ..........................................................................169 5.3.8 Análise do Indicador I18 ..........................................................................169 5.3.9 Análise Geral do Sistema de Medição de Suprimentos ...........................170 5.4 ANÁLISE GERAL DA AMOSTRA ..................................................................172 5.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS DA PESQUISA..................................................175 6 CONCLUSÃO ......................................................................................................180 18 REFERÊNCIAS.......................................................................................................186 GLOSSÁRIO E SIGLAS UTILIZADAS ...................................................................190 ANEXOS 1 - LISTA DOS AUTORES QUE CRITICARAM O ANTIGO MODELO DE MEDIÇÃO DO DESEMPENHO...............................................................................192 ANEXOS 2 - NOVOS MODELOS DE INDICADORES DE DESEMPENHO...........193 19 1 INTRODUÇÃO O campo da administração nesta época está passando por uma verdadeira revolução devido às rápidas mudanças no contexto mundial. As organizações públicas e privadas atuais necessitam constantemente se adaptar às novas exigências do mercado se quiserem sobreviver e prosperar em um novo local de trabalho dirigido pela tecnologia (DAFT, 2005). As organizações estão procurando desenvolver estratégias que interajam com os fatores do ambiente empresarial, sobre os quais não possuem controle, a fim de otimizar o processo administrativo, detectar as mudanças de mercado e suas respectivas implicações para o negócio e tomar decisões acertadas e oportunas. Surgem, então, novas formas de condução do negócio; a empresa se diversifica em Unidades Estratégicas de Negócios, organizações preparadas para atingir mercados específicos de forma individualizada. Nasce, assim, a Administração Corporativa como uma filosofia de estruturação da empresa, responsável pela consolidação dos negócios. A administração corporativa é a mais alta administração de um negócio; é responsável pela definição das diretrizes, estratégias e análise dos resultados globais e setoriais. Sua aplicação vem atingindo significativa evolução mundial, inclusive no Brasil, e seu foco é o “delineamento da vantagem competitiva sustentada, real e duradoura da empresa” (REBOUÇAS, 2003, p. 41). Em resposta a essas alterações na forma de administrar é fundamental que as organizações estabeleçam uma hierarquia das ações que devem ser tomadas para o melhor acompanhamento dos negócios. A função Controle torna-se fator crítico a ser desenvolvido para a análise e avaliação da estratégia e do desempenho empresarial. 20 O controle garante a gestão integrada do negócio quando utiliza-se de informações atualizadas das últimas averiguações disponíveis dos ambientes interno e externo à organização, assegurando o desenvolvimento de um único conjunto de prioridades. Nesse contexto, como o controle necessita de ferramentas para focalizar a organização nos resultados, é indispensável a aplicação de Indicadores de Desempenho capazes de apresentar um sistema eficaz de medição e avaliação da empresa, a fim de propiciar à alta direção informações exatas referentes à situação do negócio, com seus pontos fortes e fracos em relação aos ambientes interno e externo, ao mesmo tempo em que forneça, também, subsídios confiáveis para o sistema de decisão funcionar de forma evolutiva e compatível com as necessidades e metas estabelecidas. Para a definição do melhor conjunto de indicadores de desempenho a serem utilizados é necessário o conhecimento de sua elaboração, aplicabilidade e dos principais modelos disponíveis, que estão divididos em modelos antigos, destinados ao controle estritamente financeiro das organizações, e os novos modelos, criados com a finalidade de atender às diferentes necessidades de medição, como o comportamento e expectativas dos clientes, o aperfeiçoamento dos processos internos, o aprendizado e crescimento e os ativos intangíveis, entre outros. Os indicadores de desempenho de forma evolutiva estão sendo aplicados como uma ferramenta de gestão que, quando bem estruturada e desenvolvida, além de aferir os resultados da organização, auxilia na implementação da estratégia empresarial, pois no momento de sua averiguação gera aos seus gestores e envolvidos subsídios à arbitragem das alternativas existentes, propiciando, assim, conhecimentos que resultam na aprendizagem organizacional. 21 Diante da percepção de uma aparente dificuldade sistêmica das organizações em definirem indicadores de desempenho corporativos que possam ser cascateados a fim de integrar as várias dimensões de controle, o Balanced Scorecard (BSC) surge como um tipo de ferramenta de mensuração indispensável à tomada de decisão, destacando-se, em relação aos demais modelos de medição de desempenho existentes, quando o objetivo é atingir metas estabelecidas pela alta administração na definição da estratégia. O Balanced Scorecard sugere a definição e construção de um conjunto de indicadores de desempenho baseados em quatro perspectivas: a perspectiva financeira, do cliente, dos processos internos e da aprendizagem e crescimento. Seu principal objetivo é traduzir a missão e a estratégia da organização em um conjunto de medidas e objetivos mensuráveis. Nesse cenário, esta pesquisa pretende apresentar a importância do controle, assim como a escolha de uma ferramenta de medição ampla, que mapeie a organização como um todo. A aplicabilidade dos conceitos estudados neste trabalho será investigada por meio da utilização de um estudo de caso referente à utilização de um sistema de indicadores de desempenho em uma empresa multinacional localizada do Estado de São Paulo, na região do Vale do Paraíba, visando dar uma contribuição às organizações na implantação de um sistema de medição de desempenho. A escolha dessa organização é atraente para o estudo devido a empresa se encontrar em processo de análise de seu atual sistema de medição e em busca de melhores formas de reportar os dados para a alta administração. A unidade de análise é uma Unidade Estratégica de Negócios (UEN) e este trabalho propõe-se a investigar, por meio de amostra não probabilística por 22 acessibilidade ou conglomerado, como os departamentos da Engenharia, Suprimentos e Qualidade definem, escolhem, implementam e mantém o sistema de medição de desempenho, verificando, também, se esse sistema é capaz de mostrar o resultado obtido até o momento da análise e as tendências de resultado futuro, a fim de proporcionar ao gestor a oportunidade de manter ou alterar os processos conforme os objetivos da missão da empresa a serem alcançados. Para alcançar os objetivos previstos para a concretização deste trabalho a pesquisa foi estruturada nas atividades seguintes: • revisão e síntese da literatura referentes aos conceitos da administração corporativa, controle, mensuração de desempenho, indicadores de desempenho e Balanced Scorecard; • identificação e apresentação da empresa objeto de estudo, onde será realizado o estudo de caso; • verificação dos indicadores de desempenho utilizados, periodicidade de medição e formas de acompanhamento e alterações de processos; e • análise do sistema de medição encontrado de acordo com o Balanced Scorecard. 1.1 O PROBLEMA Na Era do Conhecimento, em que a competição mundial cria regras cada vez mais difíceis de serem seguidas e a informação, o domínio das operações, o entendimento dos processos e a aproximação dos clientes se fazem necessários para o desenvolvimento de uma organização competitiva, é fundamental, para 23 garantir seu cumprimento na totalidade, estabelecer estratégias inovadoras e métodos de medição de desempenho do andamento dessas estratégias. Para sobreviver nesse ambiente, além de aferir permanentemente se o resultado está compatível com o planejamento estratégico estabelecido, a Administração Corporativa de qualquer tipo de organização precisa gerenciar seus processos supervisionando seus indicadores, a fim de evitar conseqüências negativas em seu desempenho. O problema desta pesquisa é, pois, responder às seguintes questões: • qual é ou quais são as ferramentas que melhor apresentam informações para representar os dados de cada Unidade Estratégica para a Administração Corporativa? • de que maneira um sistema de medição de desempenho de uma organização deve ser estruturado, subdividido e implementado, a fim de garantir a visão correta para a organização de sua posição atual e a focalização de onde devem ser disponibilizados os esforços no que é considerado crítico, para que sejam atingidos as metas e resultados futuros esperados? • os indicadores de desempenho analisados no estudo de caso foram elaborados em acordo com os objetivos estratégicos da organização? Para responder a essas indagações foram definidos os conceitos da Administração Corporativa, do controle, da mensuração do desempenho, e apresentados os principais modelos de indicadores de desempenho, entre os quais foi escolhido o modelo Balanced Scorecard para analisar, de forma qualitativa, os dados encontrados na empresa objeto de estudo. 24 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Esta pesquisa tem por objetivo realizar um estudo dos principais conceitos da Administração Corporativa utilizando, como referência, tópicos referentes à sua formulação, necessidades e ferramentas de controle. Tem, também, por objetivo investigar, analisar e descrever as fases para o desenvolvimento de indicadores de desempenho alinhados com os objetivos da administração corporativa. Espera-se que este estudo sirva como base para auxiliar na definição de um sistema de indicadores de desempenho integrados a serem utilizados em diferentes organizações, desde que sejam realizadas as devidas adaptações. Busca-se, com a utilização do estudo de caso, analisar um exemplo prático de utilização de indicadores de desempenho que se adaptem às necessidades da estrutura local e aos objetivos do negócio em âmbito global. 1.2.2 Objetivos Específicos Este trabalho, com a utilização do estudo de caso, pretende avaliar um modelo de utilização de indicadores de desempenho formulados para o controle gerencial, buscando: • analisar como o sistema de medição auxilia na definição das metas; • estabelecer quais são os critérios a serem utilizados na elaboração de um sistema de medição de desempenho integrado com as metas gerais da organização; 25 • comparar os indicadores de desempenho encontrados na empresa foco do estudo de caso com a metodologia do Balanced Scorecard; e • analisar se a utilização de indicadores de desempenho é realmente eficiente. 1.3 DELIMITAÇÃO DO ESTUDO Esta pesquisa pretende ater-se ao estudo de indicadores de desempenho como principal ferramenta do controle gerencial das metas da Administração Corporativa e analisar, com a utilização do estudo de caso, os indicadores existentes nos departamentos focos do estudo, à luz do modelo escolhido. A contribuição deste trabalho não está na escolha ou proposta de um manual para definição de um conjunto único de indicadores de desempenho, pois devido à complexidade do tema, tal sugestão não é aplicável às particularidades de cada empresa. A delimitação geográfica do trabalho consiste na análise qualitativa de partes de uma única organização, de potencial importância na região do Vale do Paraíba, no qual a pesquisa é executada. A delimitação teórica apresenta os principais conceitos relativos à Administração Corporativa e Ferramentas de Medição do Desempenho. Considerando-se o aspecto temporal, o estudo coleta os modelos de indicadores existentes e desenvolvidos em uma empresa de grande porte do setor metalúrgico, no período compreendido entre abril de 2005 e março de 2006, correspondente ao seu último ano fiscal. 26 1.4 RELEVÂNCIA DO ESTUDO Este estudo vem ao encontro das dificuldades encontradas em âmbito mundial em todos os tipos de empresas: privadas, estatais, entidades do terceiro setor e instituições de ensino, por muitas vezes se distanciarem de seus objetivos e metas estratégicas, e não possuírem um sistema de medição capaz de oferecer os subsídios necessários para a tomada de decisão correta, ou, também, em razão de utilizarem um sistema de medição direcionado somente a controles operacionais que não convergem para o objetivo comum, gerando apenas melhorias locais, distanciamento da estratégia, ou, até mesmo, erros difíceis de serem corrigidos. O sistema de controle e a formulação de indicadores de desempenho vêm sendo destacados em uma vasta literatura que aborda as necessidades e vulnerabilidades das organizações em desenvolver ferramentas capazes de mensurar o desempenho, identificar as oportunidades e analisar o cumprimento da estratégia estabelecida. A relevância acadêmica da pesquisa está na análise da revisão bibliográfica e sua comparação com um exemplo de prática utilizada no meio empresarial. 1.5 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO Este trabalho está organizado em seis capítulos, assim distribuídos: No capítulo 1, referente à Introdução, são esclarecidos, em linhas gerais, os assuntos tratados na pesquisa; os objetivos do trabalho; a caracterização do problema, assim como sua importância, limitação e estruturação; a metodologia utilizada e o tratamento das respostas obtidas. 27 No capítulo 2, Referencial Teórico, é apresenta-se a revisão de literatura que busca a familiarização com os conceitos chaves do trabalho. São levantados os aspectos responsáveis pelo surgimento de um novo conceito de gestão por Administração Corporativa; identificam-se os indicadores de desempenho como ferramenta primordial para o controle, explorando suas principais características e investigando a evolução de seus conceitos até a apresentação dos principais modelos atuais disponíveis na literatura, o que favorece o entendimento da necessidade de medições mais amplas do que a medição somente financeira, foco dos antigos modelos. Enfatiza-se o modelo mais difundido na atualidade, o Balanced Scorecard - BSC, proposto pelos autores Robert Kaplan e David Norton. O capítulo 3, Método, destaca a metodologia adotada para a realização do trabalho, sua classificação, estratégia de pesquisa, seleção de unidade de caso, natureza, universo e amostras, forma de coleta de dados e tipo de análise. No capítulo 4, Estudo de Caso, identifica-se o tipo de empresa e sua estrutura de funcionamento, exibe-se o material pesquisado examinando os resultados obtidos em relação ao modelo escolhido para a análise, estabelecendo comparações e ressaltando informações consideradas relevantes para a escolha e definição dos indicadores de desempenho. No capítulo 5, referente aos Resultados, são apresentados os resultados obtidos na pesquisa com a utilização do estudo de caso. No capítulo 6, Conclusão, está disposta a conclusão obtida com a análise dos dados utilizados na pesquisa. 28 2 REFERENCIAL TEÓRICO A revisão bibliográfica inicia-se com a apresentação de conceitos referentes à Administração Corporativa. Na seqüência traz a definição de controle, mensuração do desempenho e alguns modelos de indicadores de desempenho existentes, juntamente com seus conceitos gerais, importância e limitações. Dentre eles será apresentado em maiores detalhes o Balanced Scorecard, por ser o modelo escolhido para este estudo. O resultado da revisão foi o entendimento de que não existe, no campo do conhecimento acadêmico, um modelo único e completo de indicadores de desempenho capaz de alertar à alta administração de uma empresa todos os pontos falhos, e, sim, a necessidade da priorização de todas as atividades de acordo com a missão e objetivos da organização. 2.1 ADMINISTRAÇÃO CORPORATIVA A década de 1970 foi responsável pela origem dos conceitos referentes à utilização da Administração Corporativa, por ser considerada o início da utilização desse tipo de administração. Foi nessa época que se começou a implementar o processo de diversificação das empresas, que passaram a ser gerenciadas por Unidades Estratégicas de Negócios (UEN), tendo como principal objetivo conseguir vantagem competitiva por meio do desenvolvimento de negócios voltados para o atendimento de mercados específicos (REBOUÇAS, 2003). A Administração Corporativa é extremamente relevante quando se estrutura uma empresa com negócios diversificados, em que o processo administrativo deve ser consistente e capaz de gerenciar de maneira integradora. 29 Conforme Rebouças (2003, p. 21), a administração corporativa é definida como “uma filosofia de atuação e de estruturação da empresa, pelas quais se consolida o processo de diversificação dos negócios e facilita a análise por resultados globais e setoriais”. Para Hitt, Ireland e Hoskisson (2002), a forma de administrar por UEN apresenta no mínimo três níveis. O nível mais alto desse modelo é a administração corporativa, seguida pelas Unidades Estratégicas de Negócios e, posteriormente, pela escolha da divisão por produtos direcionados a mercados específicos ou mercado geográfico, sendo que estes últimos cooperam entre si. A Figura 1 representa a estruturação de uma empresa que emprega a Administração Corporativa. Presidente P&D Finanças corporativas Unidade Estratégica de Negócios Divisão Divisão Planejamento Estratégico Unidade Estratégica de Negócios Divisão Divisão Marketing corporativo Recursos humanos corporativos Unidade Estratégica de Negócios Divisão Divisão Figura 1 - Estruturação por Administração Corporativa Fonte: Hitt, Ireland e Hoskisson (2002) O papel da administração corporativa é, portanto, consolidar, delinear, disseminar e acompanhar os objetivos estratégicos, as políticas e a estratégia 30 estabelecida. Dessa forma, conforme Hitt, Ireland e Hoskisson (2002, p. 458) “cada UEN é um centro de lucro controlado pelo escritório central”. Em todos os processos administrativos é necessário o foco na visão estratégica, pois é ela que direciona a organização para o cumprimento das metas estabelecidas pelo planejamento estratégico. Nesse contexto, a administração corporativa é o agente responsável pelos resultados globais de uma organização e a parte mais interessada na utilização de ferramentas que sejam capazes de mensurar e apresentar os resultados, norteando a definição de decisões para que não se distanciem das metas estratégicas. A Figura 2 representa a interface entre a Administração Corporativa, responsável pela determinação dos objetivos, estratégias e políticas, e as Unidades Estratégias de Negócios. Administração Corporativa Políticas Projetos UEN UEN Figura 2 - Forma de Interação entre Administração Corporativa e UEN Fonte: Rebouças (2003) As metas e o padrão de propósitos de uma administração corporativa são denominados Estratégia Corporativa, que representa o que é possível de ser executado pela empresa de acordo com as oportunidades existentes, suas forças e desejos da alta administração, e o que considera como ético, legal e moral. (MONTGOMERY e PORTER, 1998). 31 Hitt, Ireland e Hoskisson (2002, p. 232) apresentam como definição formal de uma estratégia de nível corporativo “uma ação posta em prática para ganhar uma vantagem competitiva através da escolha e administração de um composto de negócios que competem em diversas indústrias ou mercados de produto”. Afirmam que a utilização da estratégia corporativa é destinada a analisar duas questões: determinar em quais negócios a organização irá trabalhar e como será a administração corporativa desses negócios. A estratégia corporativa deve ser desenvolvida com o objetivo de evitar que as gerências utilizem metas intuitivas de seus gerentes, ou metas não analisadas que possam colocar em risco o futuro da organização. Para Montgomery e Porter (1998), a definição da estratégia corporativa é necessária para garantir que a gerência tenha um processo destinado a desenvolver, examinar e escolher as melhores alternativas para a empresa, e que entenda as características próprias do negócio para propiciar a análise das propostas apresentadas, seus impactos e objetividade, garantindo que a empresa não se desvie de seus propósitos, evite o conservadorismo e comprometa-se o com a avaliação contínua. A administração corporativa pode ser utilizada em empresas de grande, médio e pequeno portes, pois não está relacionada ao tamanho da organização e sim à subdivisão em negócios individuais e autônomos, que precisem de uma administração geral que analise os resultados dessas divisões de forma global, como, por exemplo: por produto, serviço, por conjunto de produtos ou serviços homogêneos. Para Rebouças (2003), devido a diversificação dos negócios, a correta implantação de uma administração corporativa exige que a organização tenha pleno 32 conhecimento de sua capacitação e de suas vantagens competitivas em relação ao mercado segmentado. Conforme define Daft (2005), o objetivo da administração é alcançar com eficácia e eficiência as metas organizacionais estabelecidas, utilizando-se de quatros funções: planejamento, organização, liderança e controle dos recursos organizacionais, conforme apresenta a Figura 3. Funções Administrativas Planejamento Seleciona metas • Humanos • Financeiros • Matérias-primas • Tecnológicos • Informação Desempenho e meios de Recursos obtê-las Controle Organização Atribui Monitora as responsabilidade atividades e faz pela realização da correções Liderança tarefa • Alcance das metas • Produtos • Serviços • Eficiência • Eficácia Usa influência para motivar funcionários Figura 3 - O Processo da Administração Fonte: Adaptado de Daft (2005) Dentre as funções administrativas apresentadas, o foco deste trabalho se refere aos mecanismos utilizados pela função controle para o monitoramento e correções das atividades organizacionais. 2.1.1 Controle O controle em qualquer tipo de organização é fundamental para garantir o cumprimento das atividades previamente estabelecidas no planejamento estratégico e auxiliar no processo de decisão e implantação da melhoria contínua. 33 Conforme Gomes e Salas (2001), o conceito de controle vem sendo expandido a partir de 1950. Na década de 70 começaram a surgir novos enfoques, vindos de áreas como a economia, a psicologia e a sociologia, entre outras. Em 1980 o controle destacou-se devido à crise detectada na área de contabilidade de gestão, causada pelo seu uso impreciso como ferramenta de apoio à tomada de decisão nas organizações. Para Falconi (1999, p. 17), o controle é “a essência do gerenciamento em todos os níveis hierárquicos da empresa, desde o presidente até os operadores”. Para o seu entendimento, é necessário perceber as relações de causa e efeito existentes, em que cada empregado visualize sua responsabilidade em relação ao sistema e atue a fim de auxiliar na criação das bases para o gerenciamento participativo. Conforme apresenta Daft (2005, p. 476), o controle organizacional é considerado o “processo sistemático pelo qual os gerentes regulam as atividades organizacionais para torná-las consistentes com as expectativas estabelecidas nos planos, metas e padrões de desempenho”. A existência da função controle é crucial para o desenvolvimento das organizações atuais. O controle é o processo utilizado por uma organização para garantir o monitoramento da regularidade de uma operação, possibilitando redesenhar processos, corrigir erros e ajustar o planejamento com um conjunto de ações. (SLACK et al., 1997). As avaliações de desempenho e do resultado obtido são indispensáveis para a realização do controle. Gomes e Salas (2001) afirmam que para a existência de um sistema de controle de gestão são necessários os seguintes elementos: a estrutura de controle e o processo de controle, conforme o Quadro 1. 34 Sistema de Controle Estrutura de controle • Indicadores de controle • Sistema de informação Processo de controle • Planejamento • Avaliação do resultado • Decisões corretivas Quadro 1 - Elementos de um Sistema de Controle Fonte: Gomes e Salas (2001) Emery (1980, p. 139) afirma que o “sistema de controle deve apresentar uma hierarquia de respostas aos desvios constatados” e que a Administração Empresarial deve concentrar-se nos desvios significativos que fogem das tolerâncias estabelecidas. Conforme define Falconi (1999), para o controle de um processo são necessárias três ações: • o estabelecimento de uma diretriz de controle que funcione como um planejamento responsável por definir padrões para atendimento das necessidades e que deve compor-se de uma meta, que represente o valor a ser atingido, e um método que defina os procedimentos a serem seguidos para o cumprimento da meta; • fazer a manutenção do nível de controle. Em caso de desvios pode-se escolher entre atuar no resultado, alterando o processo, ou atuar na causa, prevenindo a repetição de desvios; e • alteração da diretriz de controle com a adaptação de melhorias conforme as alterações das necessidades no decorrer do tempo e com foco na sobrevivência da organização. Tais alterações podem ocorrer durante a definição da meta ou no método. 35 Daft (2005) afirma que existem três tipos de controle organizacional, cujo objetivo é focar os eventos antes, ou seja, na entrada, durante a realização ou depois de um processo, conforme apresenta a Figura 4. Controle pelo Adiantamento de Informações Antecipa os Problemas Controle Simultâneo Resolve os Problemas à Medida que Eles Ocorrem O foco está nos Processos Processos Contínuos Contínuos O foco está nas O foco está nas Entradas Entradas Controle pelo Feedback Resolve os Problemas Depois que Eles Ocorrem Saídas Saídas Figura 4 - Foco no Controle Organizacional Fonte: Adaptado de Draft (2005) • controle pelo adiantamento de informações: tem como objetivo identificar possíveis desvios e preveni-los antes que ocorram, em vez de apenas monitorar o desempenho depois de concretizado. Esse controle também é denominado controle preliminar ou controle preventivo; seu foco está no controle dos recursos humanos, materiais e financeiros e é um tipo de controle interno da organização; • controle simultâneo: monitora as atividades durante sua execução, verificando se estão de acordo com os padrões de desempenho e regras estabelecidas; e • controle pelo feedback: também denominado controle pós-ação ou controle de saída, é focado nas saídas da organização, no produto ou serviço final. Para sua elaboração é necessário o desenvolvimento de 36 quatro fases principais: estabelecimento de padrões de desempenho, que devem estar de acordo com o plano estratégico geral da organização; medição do desempenho real; comparação do desempenho real com o desempenho previamente estabelecido; e apresentação de ações corretivas quando necessário. O controle de um determinado processo é possível com a medição dos itens de controle, também denominados Pontos de Controle, índices que medem parâmetros como qualidade, custo, entrega, moral e segurança dos efeitos, ou fins resultantes do processo analisado. Para manter um processo sob controle é necessária a localização do problema, análise do processo, padronização e determinação de itens de controle que garantam que o problema encontrado não se repita. (FALCONI, 1999). Para Gomes e Salas (2001), o controle possui duas perspectivas: a primeira se refere a aspectos limitados da organização, geralmente a questões de curto prazo, baseadas em aspectos financeiros; e a segunda é voltada ao atendimento de aspectos mais amplos do contexto organizacional, como os ligados às atividades, à estratégia, à estrutura do comportamento, da cultura e do contexto social da organização. Para os autores, na segunda perspectiva o controle é ferramenta de medição para todos os envolvidos e não somente para a gerência. Pode ser medido constantemente, é adequado para a medição tanto de aspectos técnicos como da cultura organizacional e pode ser utilizado de forma flexível a fim de auxiliar na melhoria contínua dos processos e pessoas envolvidas na organização. Com esta ferramenta é possível auxiliar, de várias maneiras, a motivação, orientação e influência da organização e dos seus membros para o alcance dos objetivos. 37 No Quadro 2 pode-se observar a atuação dessas perspectivas. Aspectos Perspectiva limitada Perspectiva ilimitada Filosofia Controle de cima para baixo Controle como sistema Controle de cima para baixo Controle como sistema Ênfase Cumprimento Motivação, autocontrole Conceito de controle Desenvolvimento de uma Medição de resultado baseado na consciência estratégica análise de desvios e geração de orientada para o relatórios aperfeiçoamento contínuo Desenho, técnicas de gestão Melhoria da posição competitiva Consideração do contexto social, organizacional e humano Limitado. Ênfase no desenho de aspectos técnicos Normas rígidas, padrões valores monetários Amplo, contexto social, sociedade, cultura, emoções, valores Fundamento teórico Economia, Engenharia Antropologia, Sociologia, Psicologia Mecanismos de controle Controle baseado no resultado da Formal e informal. Outras Contabilidade de Gestão variáveis, aprendizado Quadro 2 - Perspectivas de Controle Fonte: Amat apud Gomes e Salas (2001) Para a realização eficaz da função controle de um processo, produto ou serviço, é indispensável a definição e utilização de formas de mensuração de desempenho que se adaptem às necessidades. 2.2 MENSURAÇÃO DO DESEMPENHO A medição do desempenho tem o objetivo de garantir que a organização consiga identificar se está na direção correta em relação ao planejado para seu desenvolvimento presente e futuro. Moreira (2002, p. 9), em sua tese, enfatiza que: Um desafio que se impõe no gerenciamento de uma empresa é supervisionar a implantação de um objetivo estratégico. No transcorrer das etapas de implantação é necessário diagnosticar o desvio, entender as causas deste desvio, identificar interações existentes e priorizar ações que maximizem a realização do objetivo proposto. 38 Martins e Costa Neto (1998), quando analisam a medição do desempenho tradicional, afirmam que a principal preocupação é a medição relacionada ao uso dos recursos, e que os indicadores de desempenho mais difundidos pela literatura são a produtividade, o retorno sobre os investimentos e o custo padrão, entre outros. Esses modelos se tornaram defasados em relação às necessidades empresarias atuais, tornando-se necessário o desenvolvimento de novos modelos mais amplos. As organizações atuais enfrentam uma sucessão de pressões ambientais, impossíveis de serem supostas há vinte anos. Devido a essas pressões as organizações se obrigam a desenvolver maior agilidade na direção dos negócios e a buscar constantemente a eficácia, tornando, assim, necessária a montagem de sistemas de medição de desempenho. (MOREIRA, 1996). Conforme a Norma NBR ISO 9001, versão 2000 (p. 11): A organização deve aplicar métodos adequados para monitoramento e, quando aplicável, para medição dos processos do sistema de gestão da qualidade. Esses métodos devem demonstrar a capacidade dos processos em alcançar os resultados planejados. Quando os resultados planejados não são alcançados, devem ser efetuadas as correções e executadas as ações corretivas, como apropriado, para assegurar a conformidade do produto. Para Gil (1997, p. 93), os Indicadores de Qualidade são “instrumentos de quantificação do nível de qualidade alcançado” e servem para avaliar o grau de efetividade de uma determinada ação. 2.2.1 O Processo de Medição O sistema de medição de uma empresa deve refletir seus princípios básicos, além de identificar sua posição frente aos valores de todos os interessados. A falta de um processo de medição coerente resulta na dificuldade da implantação de melhorias (HARRINGTON, 1997). 39 Conforme menciona Kaplan e Norton (2000), em 1980 foi realizada uma pesquisa entre consultores gerenciais que revelou que menos de 10% das estratégias formuladas de maneira eficaz conseguiam ser implementadas com sucesso. Este resultado fez com que observadores, teóricos em gestão, consultores gerenciais e imprensa especializada concordassem que a maneira pela qual uma estratégia é implementada e seguida é mais importante do que apenas a formulação de estratégias eficazes. Segundo analisa Kaplan e Norton (2004a, p. 7), “o que é medido é conseguido”. Conforme Harrington (1997 p. 417): Medir é entender; entender é ganhar conhecimento; ter conhecimento é ter poder. Desde os primórdios dos tempos, o que distingue os seres humanos dos outros animais é a sua capacidade de observar, medir, analisar e usar essas informações para realizar mudança. Existem principalmente três razões para as organizações medirem seu desempenho: fazer o correto alinhamento entre a missão, a estratégia, os valores e o comportamento; focalizar as oportunidades de melhorias e definir o significado do sucesso. (LAWTON, 2002). Harrington (1997) afirma que é possível identificar a personalidade de uma organização analisando o modo característico como ela determina seu processo de medição e a forma como mede o que considera como prioridade em cada medição estabelecida. Para tal identificação é necessário analisar qual tipo de medição pode trazer benefícios para as diferentes gerências. Um exemplo dessa observação é que uma empresa preocupada com a questão financeira tende a ter seu processo de medição concentrado nos custos dos serviços, da produção e do pós-venda, entre outros. Cada organização direciona seu sistema de medição às medidas que considera importante. 40 Todo processo de medição de desempenho necessita de medidas de desempenho responsáveis pela avaliação dos processos e das ações tomadas pela administração. Conforme Slack et al. (1997), existem cinco objetivos para a aplicação das medidas de desempenho: a averiguação da qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custo, que são compostos por uma grande quantidade de medidas de desempenho capazes de traduzir as causas de um desempenho insuficiente. 2.2.2 Medidas e Padrões de Desempenho Para Gomes e Salas (2001), um dos maiores problemas das organizações, no processo de medição do desempenho, é a utilização de medidas inadequadas às necessidades existentes. Na definição de Harrington (1997, p. 94, 96): As metas de desempenho são usadas para quantificar os resultados que serão obtidos se os objetivos forem satisfatoriamente atingidos[...]. As metas têm dois ingredientes-chaves. Primeiro, elas estabelecem especificamente o alvo de melhoria; segundo, dão o intervalo de tempo em que a melhoria será realizada. As metas de uma organização representam o que os acionistas e diretores esperam como resultado organizacional a ser alcançado e são importantes para informar sobre o ritmo da empresa em comparação com o mercado e concorrentes. Para Slack et al. (1997), após o processo de medição de desempenho em uma determinada operação é necessária a definição de padrões de desempenho, com a finalidade de identificar se o que foi medido se encaixa em um dos três padrões apresentados: bom, mau ou indiferente. padrões principais: Há quatro tipos de 41 • padrões históricos – responsáveis pela comparação do desempenho atual com desempenhos anteriores e, com isto, a definição se o que está sendo medido apresenta evolução ou regressão; • padrões de desempenho alvos – comparação entre o desempenho encontrado com o desempenho estabelecido como alvo a ser alcançado; • padrões de desempenho da concorrência – comparação entre os dados internos com os dados alcançados pela concorrência; e • padrões de desempenho absolutos – comparação entre o desempenho alcançado com os referenciais teóricos, como, por exemplo, a busca de zero defeitos. Harrington (1997) analisa que algumas medidas tangíveis tradicionais como vendas, lucros e fluxo de caixa, entre outras, são comumente analisadas em todos os tipos de empresas, tanto perdedoras como vencedoras, mas esta última atenta-se também a medidas relacionadas a sua competitividade, a longo prazo, nas áreas de interesse estratégico. A mensuração do desempenho é comumente medida com a utilização de indicadores de desempenho, índices ou quantificadores, que traduzem os dados coletados em informações úteis para o processo de decisão. 2.3 INDICADORES DE DESEMPENHO A palavra Indicador tem sua origem no Latin indicare, cujo significado é demonstrar ou revelar. Para Gomes, Marcellino e Espada (2000, p. 11), “os indicadores e os índices são projetados para simplificar a informação sobre fenômenos complexos de modo a melhorar a comunicação”. 42 Os indicadores de desempenho representam o fator crítico determinante para o modo de ação de um sistema; atuam como uma alavanca na alteração de processos e representam uma das formas mais eficazes de auxilio à mudança (MEADOWS, 1998). Quiroga (2001) afirma que os indicadores são variáveis de valores que assumem significados; são sinais para refletir as características, quantidades e qualidades do que está sendo medido para tornar possível o juízo das condições passadas, presentes e futuras e comparar a realidade com a meta estabelecida. Gomes, Marcellino e Espada (2000, p. 10) definem um Indicador como: Indicador - parâmetros selecionados e considerados isoladamente ou combinados entre si, sendo de especial pertinência para refletir determinadas condições dos sistemas em análise (normalmente são utilizados com pré-tratamento, isto é, são efetuados tratamentos aos dados originais, tais como médias aritméticas simples, percentagens, medianas, entre outros). Possamai & Hansen (apud Moreira 2002) apresentam a seqüência que deve ser desenvolvida para a obtenção de um modelo de indicador a ser aplicado em todos os níveis de uma organização, conforme apresenta a Figura 5. FORMULAÇÃO DE ESTRATÉGIAS ESCOLHA DE INDICADORES AÇÃO E CORREÇÃO MEDIÇÃO DE DESEMPENHO • • • • Indicadores em todos os níveis Negócios Empresas Processos Atividades Figura 5 - Seqüência de Desenvolvimento de um Indicador Fonte: Adaptado de Possamai & Hansen (apud Moreira, 2002) Os Indicadores de desempenho quanto a qualidade, segundo Moreira (1996), precisam apresentar: confiabilidade – comunicar com segurança a disposição do 43 objeto de análise; validade – apresentar análise concludente; relevância – fornecer informações proveitosas para a análise; e consistência – apresentar informações coerentes e precisas em relação ao fato estudado. Quanto à aplicação, Gomes, Marcellino e Espada (2000) apresentam algumas limitações e vantagens da utilização de indicadores, conforme Quadro 3. • Vantagens Avaliação dos níveis desenvolvimento sustentável. • • Capacidade de sintetizar a informação de caráter técnico/científico; Dificuldades na definição de expressões matemáticas que melhor traduzam os parâmetros selecionados; • Identificação das variáveis-chave do • sistema; Perda de informação nos processos de agregação dos dados; • Facilidade de transmitir a informação; • • Bom instrumento de apoio à decisão e aos processos de gestão ambiental; Diferentes critérios na definição dos limites de variação do índice em relação às imposições estabelecidas; Destaque à existência de tendências; • • Ausência de critérios robustos para seleção de alguns indicadores; • Possibilidade de comparação com padrões e/ou metas pré-definidas. • Dificuldades na aplicação em determinadas áreas como o ordenamento do território e a paisagem. de • Limitações Inexistência de informação base; Quadro 3 - Síntese de Algumas Vantagens e Limitações dos Indicadores Fonte: Gomes, Marcellino e Espada (2000) Os autores afirmam que para a definição de um conjunto de indicadores é necessário seguir os critérios: objetividade, verificável e exeqüível. Os indicadores escolhidos devem conseguir retratar os dados apurados sem distorções, garantindo a precisão e relevância dos resultados. Meadows (1998) afirma que a seleção e definição de indicadores de desempenho são fatores determinantes para o sucesso ou fracasso no gerenciamento das informações do sistema analisado, pois ao mesmo tempo em que são importantes também são perigosos, visto que caso sejam desenvolvidos 44 erroneamente podem levar a falsas interpretações da real situação e, conseqüentemente, a decisões indevidas. A Figura 6 representa o encadeamento resultante da utilização dos indicadores. A situação percebida com a análise dos indicadores pode ser motivadora de ações corretivas a fim de garantir o resultado desejado, dependendo do nível de discrepância detectado com a comparação entre a meta desejada e a real situação encontrada no momento da análise. entrada do fluxo Situação do sistema saída do fluxo Situação percebida discrepância meta Figura 6 - A Atuação dos Indicadores Fonte: Meadows (1998) Para evitar a elaboração de indicadores incompletos ou sua escolha indevida, a mesma autora apresenta alguns erros comumente cometidos na definição do processo de medição, considerados armadilhas que devem ser evitadas: • agregação exagerada: o excesso de dados em um único indicador pode prejudicar seu correto entendimento; • medir o que é mensurável: optar pela utilização de dados possíveis de serem medidos, concretos; • dependência de um falso modelo: ponderar para a escolha de dados corretos, fazer a análise das informações e não suposições. Por exemplo, pode-se interpretar que o alto preço do petróleo está relacionado com a 45 sua escassez, quando analisado corretamente entende-se que a informação refere-se somente à capacidade dos poços em operação; • falsificação intencional: deve-se assumir os resultados para evitar problemas futuros irreparáveis. Atentar para a forma de atualização do indicador e seu responsável, pois os dados, mesmo negativos, não devem ser alterados ou atrasados; • desvio de atenção da informação: os dados devem ser interpretados juntamente com o contexto da situação, para evitar distorções da realidade; • excesso de confiança: analisar a autenticidade dos dados para não superestimar os investimentos; e • incompletos: atentar para a análise, pois alguns indicadores não medem o sistema como um todo, mas somente informações parciais. 2.3.1 Função e Características dos Indicadores Os indicadores têm a função de servirem como reflexo da realidade analisada, auxiliando no processo de tomada de decisão e planejamento de ações. Dentro de um contexto organizacional é possível encontrar, nas opiniões dos gestores, impasses quanto à melhor forma de atuação para determinada situação. A utilização de medições de desempenho visa estreitar a visão do objeto em análise e facilitar a tomada de decisão. (MEADOWS, 1998). Para Gomes e Salas (2001, p. 73): A apresentação da informação no quadro de indicadores permite avaliar de forma periódica e simplificada o desempenho dos responsáveis pelas unidades, por meio de análise dos desvios, medidas em termos absolutos ou em percentuais, resultantes da diferença entre os objetivos iniciais e os resultados alcançados. 46 Conforme Meadows (1998), os indicadores podem ser representados de diversas formas, como números, sinais, símbolos, figuras, cores, entre outras, e necessitam ser objetivos na representação do sistema de informação analisado. A autora estabelece uma lista com as características de qualidade ideais para o desenvolvimento de um bom indicador, porém afirma que existe uma grande dificuldade de um mesmo indicador atender a toda a lista: • apresentar valores claros: identificar a direção correta e a errada; • ter conteúdo claro: com unidades de medidas coerentes; • ser atrativo: interessante e estimulante de ações efetivas; • relevância política: entre todos os envolvidos, inclusive a alta direção; • praticável: mensurável a um custo razoável; • suficiente: com as informações apropriadas para a análise que facilitem a visão real da situação; • oportuno: atualização sem atrasos; • utilização de escala apropriada: sem excesso ou falta de informações agregadas; • democrático: fácil acesso aos dados e resultados para todos os envolvidos; • suplementar: utilizar dados passíveis de serem medidos; • participativo: utilizar informações que possam ser atualizadas pelos envolvidos nos processos; • hierárquico: poder ser utilizado para fornecer uma visão mais macro ou detalhada, conforme os interesses específicos; • conducente: fornecer informações com tempo hábil para a tomada de ação; 47 • físico: que possa ser medido em unidades físicas; e • tentativo: seja passível de discussão, aprendizado e mudança. Meadows (1998) apresenta algumas sugestões para o processo de definição e encadeamento dos indicadores e afirma que é necessário não somente a existência de indicadores, mas de um sistema de informação coerente. Segundo a autora é preciso: • hierarquia: deve existir coerência entre as informações nos diferentes níveis da organização. As informações podem ser ordenadas de forma crescente ou decrescente. Os indicadores, quando dispostos hierarquicamente, podem ser avaliados por todos os envolvidos em diferentes níveis; • processo de seleção dos indicadores: sugere-se envolver, nesta fase, especialistas e técnicos juntamente com os funcionários não especialistas pois o processo de desenvolvimento dos indicadores tem a mesma importância de seu processo de definição; e • sistemas: desenvolvimento de indicadores dinâmicos capazes de identificar caminhos críticos, tendências e que consigam atuar como alavanca para ações. Após a analise da função e aplicação do sistema de medição, torna-se necessário investigar os melhores modelos de indicadores de desempenho dispostos na literatura. Há vários modelos de indicadores de desempenho existentes que podem ser utilizados, mas para a identificação dos que mais se adaptam às diferentes necessidades das organizações é preciso, mais do que conhecer as técnicas para o seu desenvolvimento, identificar as razões de sua constante evolução. 48 2.4 OS MODELOS DOS INDICADORES Figueiredo (2003) sintetiza a evolução do Sistema de Medição de Desempenho Organizacional (SMDO), os modelos de medição de desempenho, em três fases distintas: • a primeira abrange do século XIV até XIX, época em que se destaca o aparecimento das primeiras práticas de contabilidade e controle de produção; • a segunda compreende do início do século XX até meados da década de 80, período em que predominou o modelo tradicional de medição do desempenho, com a utilização de indicadores financeiros que forneciam apenas informações históricas e de curto prazo referentes à organização. Esses modelos passaram a ser denominados inflexíveis, pois não permitiam a visão a longo prazo dificultando a implantação da melhoria contínua. À medida que o mundo caminhou da Era Industrial para a Era do Conhecimento muitos autores passaram a criticar as deficiências desses modelos; e, • a terceira fase consiste na atual; iniciou-se ainda na década de 80 e persiste até o momento. Foram desenvolvidos diversos modelos a fim de sanar as deficiências dos anteriores, mas ainda não possuem uma forma acabada, embora sejam mais completos e foquem diversas medidas além da medida financeira presente nos antigos modelos. Apresentam problemas no momento da implantação, comprometendo a sua utilização, e ainda despertam interesse para o estudo de seu aperfeiçoamento. 49 Dos ciclos identificados, serão apresentados os principais problemas detectados na segunda fase: a dos modelos tradicionais de medição que impulsionaram o desenvolvimento de novos modelos de indicadores de desempenho mais amplos, na fase atual. Serão apresentados, também, alguns dos principais modelos utilizados nas organizações. 2.4.1 Os Indicadores Tradicionais Existe um grande número de tipos de indicadores de desempenho na literatura. Os indicadores antigos ou tradicionais eram utilizados somente com enfoque de controle financeiro; situação que mudou com o passar dos anos quando tornaram-se obsoletos, exigindo o desenvolvimento de ferramentas mais amplas. Dentro desse contexto, Martins (1999, p. 74) faz a seguinte consideração em relação ao Sistema de Medição do Desempenho (SMD): Após a publicação dos primeiros artigos e livros alertando para a inadequação dos SMDs tradicionais, de uma maneira crescente, inicialmente lenta na década de 80 e mais rápida na década seguinte, novos modelos de SMDs começaram a ser propostos na literatura. A medição de desempenho advinda dos indicadores financeiros, como índices de liquidez, rentabilidade, solvência, entre outros utilizados na contabilidade tradicional, podem causar prejuízos irreparáveis quando não são reconhecidas as limitações desses tipos de medições, pois dados do balanço representam informações do passado, faltando medidas abrangentes para representá-los em relação à continuidade da organização no futuro. (GOMES e SALAS, 2001). Para os mesmos autores, o uso predominante de sistemas contábeis que utilizam apenas perspectivas racionais e econômicas, que ignoram a perspectiva 50 global, os valores das variáveis humanas e o contexto social no processo do controle, resulta em medidas parciais que podem dar aos dirigentes a falsa segurança de que a situação está sob controle. A fim de comprovar que o sistema tradicional de medição não era mais compatível com as necessidades empresariais atuais, Figueiredo (2003) executou extensa pesquisa destacando os principais autores que abordavam os modelos de indicadores de desempenho, conforme ANEXO 1 Lista dos principais autores que criticavam o antigo modelo de medição do desempenho, demonstrando que algumas das principais deficiências dos antigos sistemas eram: • aplicação de indicadores fundamentados em sistemas de contabilidade gerencial, que evidenciavam o controle e a redução da mão-de-obra direta e ainda insistiam somente na constante aplicação de objetivos de minimização de custos, melhoria da eficiência da mão-de-obra e uso das máquinas, apoiados, muitas vezes, em indicadores financeiros desatualizados e de complicada aplicabilidade no “chão de fábrica”; • utilização de indicadores não convergentes com a estratégia da organização, que exigiam informações de difícil obtenção e sem importância prática para a quantificação real do desempenho, além de divergentes da filosofia de “melhoria contínua”, atuando como normas e não como incentivadores de melhorias; • medições direcionadas para análises de desempenho do passado, sem proposições para o futuro, ocasionando desestímulo à autonomia gerencial essencial para o aprimoramento dos processos, alcance dos objetivos da qualidade, e diminuição do lead time e custos; 51 • análise isolada, dos indicadores de desempenho de produtividade e lucratividade que facilitavam a manipulação de dados locais insatisfatórios, ocasionando análises distorcidas e direcionando a organização para resultados globais aquém do planejado. Emprego unicamente de indicadores financeiros para avaliação do desempenho dos executivos e funcionários, reforçando o foco somente nas ações de curto prazo e esquecendo-se da definição de ações para o desenvolvimento do futuro da organização; • direcionamento para a eficiência do uso dos recursos e redução de custos, desprezando conseqüentemente, o investimento no desenvolvimento de novos produtos, essenciais ao futuro promissor da empresa; • utilização de indicadores de desempenho pré-estabalecidos e inflexíveis que incentivavam o aumento do estoque intermediário, com o objetivo de propiciar ganhos somente em centros de custos específicos, desvinculando-se do entendimento dos objetivos do planejamento global da organização; e • não desenvolvimento da produção enxuta, falta de estoque estratégico, medidas de desempenho desalinhadas com os processos reais, desenvolvimento de relatórios excessivos e utilização de medições não definidas de forma clara; entre outras. A identificação dos problemas causados pelos antigos modelos e a sua não adaptação às necessidades das organizações exigiram o desenvolvimento de novos modelos, adaptados para diferentes processos de medições. As deficiências levantadas, referentes aos antigos sistemas de medição do desempenho ou indicadores tradicionais; as sugestões para definição de indicadores 52 e a apresentação de suas qualidades ideais têm como objetivo servir de base para o entendimento dos indicadores atuais, escolha do modelo proposto e auxílio na análise do estudo de caso. 2.4.2 Os Indicadores Atuais Esta seção tem o objetivo de investigar e apresentar alguns aspectos referentes aos novos modelos e ferramentas utilizados na medição do desempenho. O assunto não será esgotado, pois não é pretensão deste trabalho analisar todos os modelos dispostos pela literatura, mas, sim, apresentar as razões que motivaram a escolha do modelo proposto. Revisões detalhadas dos modelos e sistemas de avaliação de desempenho existentes na literatura podem ser encontradas nos trabalhos de Martins (1999) e Figueiredo (2003). Para Gomes e Salas (2001), as organizações atuais destacam-se pela complexidade e pelo maior dinamismo do contexto social, fatores que desencadeiam situações de incertezas, difíceis de serem estruturadas e analisadas apenas em termos financeiros. Os novos modelos de medição de desempenho surgiram em meados da década de 1980 e começaram a ser apresentados, de forma acentuada, a partir da década de 1990. Figueiredo (2003) identificou 33 novos modelos dispostos na literatura, conforme demonstrado no ANEXO 2 - Novos modelos de Indicadores de Desempenho. Desses 33 tipos de indicadores de desempenho encontrados na literatura, Figueiredo (2003) destacou nove modelos principais, de acordo com a utilização dos seguintes critérios: citação na literatura, difusão e relevância. Os principais modelos de Indicadores estão dispostos no Quadro 4. 53 SIGLA NOME AUTOR PMQ Performance Mesure Questionnarie Dixon, Nanni e Vollmann (1990); SMART Strategic Measurement and Reporting Technique Lynch e Cross (1991); SCD Sete Critérios de Desempenho Sink e Tutle (1993); MQMD Modelo Quantum de Medição de Desempenho Hronec (1994); IDPMSb Integrated and Dynamic Performance Ghalayini e Noble (1996) e Measurement System Ghalayini, Noble e Crowe (1997); IDPMSa Bititci, Carrie e McDevitt (1997), Integrated and Dynamic Performance Bititci, Carrie e Turner (1998) e Measurement System Bititci, Turner e Bergemann (2000); PP Performance Prism Kenneley e Neely (2002), Neely, Adams e Crowe (2001); BSC Balanced Scorecard Kaplan e Norton (1992, 1993, 1996a, 1996b, 2001); SMDG Sistema de Medição de desempenho FNPQ (2001). Global Quadro 4 - Principais Modelos de SMDOs Identificados por Figueiredo Fonte: Figueiredo (2003) Para melhor entendimento dos modelos atuais optou-se, neste trabalho, pelo destaque de quatro dos principais modelos de indicadores de desempenho identificados na literatura por Figueiredo (2003). 2.4.2.1 Performance Measure Questionnaire (PMQ) Conforme Figueiredo (2003), o propósito do PMQ é auxiliar os gestores a identificarem, em suas organizações, as necessidades de melhorias, a capacidade que as medidas de desempenho existentes possuem para apoiar a melhoria contínua e o estabelecimento de um plano de melhoria excepcional. É composto, basicamente, de um questionário dividido em quatro partes específicas: a primeira consiste na coleta de dados; a segunda na avaliação das prioridades e do sistema de medição da organização; a terceira na avaliação dos 54 fatores de desempenho, e a quarta e última parte na utilização de medidas de desempenho que se enquadrem às necessidades de avaliação da organização. As informações obtidas com a aplicação do questionário são avaliadas sob quatro aspectos: alinhamento – entre as ações e medidas da organização em relação à sua estratégia; convergência – se o sistema de medição sustenta as ações da organização; consenso – verifica se os dados foram reunidos por grupos de gestão ou por grupos funcionais; e confusion – analisa a variação entre as respostas obtidas (FIGUEIREDO, 2003). 2.4.2.2 Pirâmide SMART A pirâmide SMART foi desenvolvida pelos autores Lynch e Cross do Laboratório Wang, em 1991. Seu objetivo é fazer com que a visão da organização seja traduzida em objetivos financeiros e de mercado até o nível dos sistemas operacionais do negócio, de modo que estes, por sua vez, sustentem a visão da organização. (FARMER, 2004). O primeiro nível da pirâmide SMART representa a visão da organização com a definição dos objetivos de cada unidade de negócio; no segundo nível os objetivos definidos anteriormente são traduzidos em termos financeiros e de mercado; no terceiro os objetivos e as prioridades são definidos “[...] em termos de satisfação dos clientes, flexibilidade e produtividade, e são representados por critérios operacionais específicos, tais como, qualidade, entrega, tempo de processamento e custo” (FIGUEIREDO, 2003, p. 28-29). De acordo com Lynch e Cross (apud FARMER, 2004), a pirâmide de performance SMART representa a ligação com uma nova rede de informação, pois possui quatro níveis de objetivos e medidas que atuam a fim de assegurar uma 55 ligação efetiva entre a estratégia e as operações, traduzindo os objetivos estratégicos da alta administração de maneira “top down” até os níveis mais baixos. Esses objetivos estratégicos são definidos com base nas prioridades dos clientes. A pirâmide SMART pode ser observada na Figura 7. Objetivos Visão / Estratégia Medidas Mercado Satisfação dos Clientes Qualidade Flexibilidade Distribuição Objetivos da Unidade de Negócios Finanças Produtividade Tempo de Processo Sistema de Negócio Operacional Custo Nível de Departamento Operações Eficiência Externa Capacidade Interna Figura 7 - A Pirâmide SMART Fonte: Lynch e Cross (apud FARMER, 2004) 2.4.2.3 Sete Critérios de Desempenho (SCD) O modelo de medição elaborado por Sink e Tuttle, em 1993, estabelece sete critérios para a avaliação do desempenho organizacional: eficácia, eficiência, produtividade, qualidade, inovação e lucratividade ou orçamentalidade. Essas 56 medidas podem ser utilizadas em qualquer tipo de organização, independente de sua natureza e tamanho: • eficácia: objetiva identificar a eficácia de um sistema em executar o projeto ao qual se comprometeu; significa colocar em prática o planejado dentro dos requisitos de qualidade e pontualidade previamente estabelecidos. Conforme sintetiza Figueiredo (2003, p. 33), eficácia é a “relação entre a saída obtida e a saída esperada, e é medida na saída do sistema organizacional”; • eficiência: é a relação entre o consumo planejado dos recursos a serem utilizados e os recursos realmente utilizados; em caso de resultado positivo afirma-se que o processo atingiu maior eficiência que o planejado, em caso negativo avalia-se novamente o processo; • produtividade: é a relação entre os resultados atingidos (saídas) e os recursos utilizados nos processos (entradas); • qualidade: resultado de produtos e serviços entregues de acordo com o especificado, é considerado o conceito mais difuso entre os outros critérios devido a sua real importância em todos as fases da gestão de um sistema; • qualidade de vida no trabalho: a utilização correta dos recursos e o alcance dos objetivos estabelecidos é fruto do trabalho das pessoas envolvidas no processo. A organização tem como obrigação proporcionar qualidade de vida no trabalho para todos os envolvidos, a fim de conseguir o melhor desempenho; • inovação: é o processo criativo necessário para o desenvolvimento e/ou aperfeiçoamento e mudanças positivas nos processos, métodos, procedimentos, políticas, novos produtos e serviços, entre outros; e 57 • lucratividade ou orçamentalidade - é o resultado financeiro alcançado entre as receitas obtidas em relação aos custos e despesas do sistema organizacional. O quarto modelo é apresentado em maiores detalhes por ser o escolhido para esta pesquisa, visto que será o modelo a ser adotado pela organização objeto de estudo em futura implementação em todas as suas Unidades Estratégicas de Negócios. 2.5 BALANCED SCORECARD (BSC) Neste item serão apresentados o histórico, os principais conceitos e as perspectivas do Balanced Scorecard, desenvolvido por Robert Kaplan e David Norton, impulsionados pelas limitações dos tradicionais sistemas de medição existentes até a época. O surgimento do BSC remonta-se a 1990, quando o Instituto Nolan Norton, unidade de pesquisa da KPMG, tinha como principal executivo David Norton, responsável pela liderança de um projeto de pesquisa, juntamente com o consultor acadêmico Robert Kaplan. O estudo fora denominado “Measuring Performance in the Organization of the Future”, e foi realizado entre várias empresas de manufatura e serviços da indústria pesada e de alta tecnologia. Tinha como objetivo desenvolver um novo modelo de medição do desempenho organizacional capaz de suprir as deficiências dos antigos modelos. Acreditava-se que os métodos de avaliação do desempenho empresarial existentes até o momento, baseados somente em dados financeiros, estavam se tornando obsoletos e prejudicando a criação de valor para as empresas. 58 Segundo Kaplan e Norton (2004b, p. XII): Acreditávamos, na época, que os ativos baseados no conhecimento – sobretudo os colaborados e tecnologia da informação – tornavamse cada vez mais importantes para o sucesso competitivo das empresas. Mas o principal sistema de avaliação das empresas ainda era o da contabilidade financeira, que tratava como despesas do período em que foram efetuados todos os investimentos em capacidades dos empregados, em bancos de dados, em sistemas de informação, em relacionamentos com os clientes, em qualidade, em processos responsivos e em produtos e serviços inovadores. Os relatórios financeiros tradicionais não forneciam fundamentos para a mensuração e gestão do valor criado pelo aumento das habilidades dos ativos intangíveis da organização. Os autores afirmam que não era possível gerenciar eficazmente o que não era medido e que os executivos e funcionários das organizações tinham o costume de controlar unicamente o que era medido, e, por a esse motivo, acompanhavam de perto apenas os indicadores financeiros de curto prazo existentes até o momento, não se dedicando ao gerenciamento dos ativos intangíveis, responsáveis por garantir o sucesso financeiro no futuro. A conclusão do estudo, conforme apresenta Kaplan e Norton (1997), foi o desenvolvimento do “Balanced Scorecard” organizado a partir de quatro perspectivas complementares e distintas que se equilibram entre os objetivos de curto e longo prazos, de medidas financeiras e não financeiras, de indicadores de tendência e ocorrência e de perspectivas internas e externas, são elas: a perspectiva financeira, do cliente, interna e da inovação e aprendizado. 2.5.1 A Evolução do Balanced Scorecard O Balanced Scorecard não mantém uma mesma definição desde o seu surgimento. A evolução do estudo pode ser verificada na seqüência de quatro artigos, todos publicados pela Harvard Business Review, e em três livros publicados por Boston: Harvard Business School Press: 59 • o primeiro artigo, publicado em janeiro-fevereiro de 1992 “The Balanced Scorecard: Measures that Drive Performance”, foi resultado da pesquisa inicial de um ano de estudo em 1990. Apresenta o conceito de um sistema balanceado de mensurações e recomenda que as organizações mantenham em uso os indicadores financeiros existentes, e, juntamente com estes, criem indicadores não-financeiros que representem as perspectivas dos clientes, processos internos e da aprendizagem e crescimento; A publicação desse artigo foi o marco inicial na alteração do sistema de avaliação do desempenho, até então dominado pelos relatórios financeiros tradicionais, limitados apenas à contabilidade financeira que considerava os investimentos nos colaboradores, em tecnologia, na qualidade e em processos como despesas do período. Kaplan e Norton (2004b) observaram que as organizações estavam aprovando o Balanced Scorecard como uma ferramenta abrangente de avaliação do desempenho, contudo, também puderam perceber que os executivos já almejavam utilizá-lo na implementação de novas estratégias. Essa alteração deu-se, principalmente, devido ao deslocamento da criação de valor dos ativos tangíveis para os intangíveis, no mercado das empresas industriais, deixando de ser apenas recursos de produção, e nas características dos produtos, para oferecer valor aos clientes-alvo (KAPLAN e NORTON, 2004b). • no segundo artigo, publicado em setembro-outubro de 1993 “Putting the Balanced Scorecard to Work”, Kaplan e Norton descrevem os elementos de um novo sistema de gestão da estratégia; • no terceiro artigo, publicado em janeiro-fevereiro de 1996 “Using the Business Scorecard as a Strategic Management System”, os autores 60 apresentaram como os executivos poderiam utilizar o BSC na implantação e acompanhamento da eficácia da estratégia; • após o sucesso dos três primeiros artigos e atendendo a constantes solicitações de maiores informações e detalhes da aplicação do Balanced Scorecard, os autores publicaram, em 1996, o primeiro livro “The Balanced Scorecard: Translating Strategy into Action”, trabalhando o BSC em duas partes: na primeira descrevem como o BSC podia atuar na medição da estratégia e na segunda parte apresentam o BSC como ferramenta de gestão da estratégia; • no segundo livro, publicado em 2001, “The Strategy-Focused Organization: How Balanced Scorecard Companies Thrive in the New Business Environment”, os autores ampliaram os conceitos apresentados na segunda parte do livro anterior, referente à gestão da estratégia e apresentaram o resultado de uma pesquisa, feita em várias empresas, sobre a utilização do BSC para nortear as organizações para a estratégia; • no quarto artigo, publicado em janeiro-fevereiro de 2001, “Having Trouble with Your Strategy? Then Map It”, Kaplan e Norton propunham um modelo de mapa estratégico básico que poderia ser utilizado em qualquer tipo de organização ou atividade, capaz de traduzir a estratégia em termos operacionais; e • no terceiro livro, publicado em 2004, “Strategy Maps”, os autores mostraram como os mapas estratégicos deveriam ser utilizados pelas organizações para visualizarem a estratégia. Como visto, essa ferramenta sofreu várias alterações desde a sua criação; os autores interpretam as mudanças como constantes adaptações às necessidades das 61 organizações, como evolução da sua forma de operação e alto nível de abertura em sua utilização. Para Kallás (2003, p. 25), esta “ausência de rigor” dos autores Robert Kaplan e David Norton, quando classificam o conceito do Balanced Scorecard, tem a intenção de “deixar o texto mais leve para a leitura”, tornando possível, então, encontrar diversas classificações como: modelo, sistema, instrumento e ferramenta. O autor afirma que a evolução e o uso do Balanced Scorecard fizeram com que se tornasse uma importante ferramenta de gestão estratégica. Em resumo, após cada publicação é possível visualizar os complementares desdobramentos e aplicações do Balanced Scorecard. Em 1992 e 1993 foi entendido como sistema balanceado de mensuração do desempenho; ainda em 1993 abordou-se a respeito de sua concentração na estratégia da empresa, que, conforme Kaplan e Norton (2004b), é o fator mais importante a ser implementado pela organização. Em 1996 foi descrito como um “novo sistema de gestão do desempenho estratégico”; em 2000, como um sistema de gestão da estratégia. 2.5.2 Definição do Conceito do Balanced Scorecard Conforme apresenta Telles (2003, p. 215), o Balanced Scorecard surgiu como “uma proposta de abordagem estruturada para a construção de indicadores, baseada numa perspectiva de negócio constituída por dimensões independentes, mas interagentes para o resultado de uma organização”. Sink (apud MARTINS e COSTA NETO, 1998, p. 304) explica que: As mudanças na tecnologia, competição, ambientes (interno e externo) estão demandando que nós mudemos o que medimos, como medimos e como usamos a medição. Estas mudanças estão forçando-nos a reexaminarmos paradigmas relativos à medição. 62 Nesse contexto de inadequação dos tradicionais sistemas de medição de desempenho, Martins e Costa Neto (1998, p. 304) destacam que novas propostas como o Balanced Scorecard surgem a fim de “remediar este problema” relacionado com medições unilaterais. Pandolfi (2005, p. 50) afirma que o Balanced Scorecard, conforme proposto por Kaplan e Norton: Figura entre os mais importantes conceitos na área de administração de Empresas da década de 90. Seu objetivo é traduzir a visão e a estratégia das empresas num conjunto abrangente de medidas de desempenho, que servem de base para um sistema de medição e gestão estratégica. Para Moreira (2002, p. 61) o Balanced Scorecard “busca traduzir a missão e a estratégia de uma organização em objetivos e medidas tangíveis”. Lawton (2002) sintetiza que o Balanced Scorecard tem a intenção de proporcionar uma ligação entre a estratégia da empresa e os indicadores operacionais de desempenho. Campos (1998, p. 11) define o Balanced Scorecard como Cenário Balanceado e afirma que seu grande atrativo “reside no fato de conectar a visão de futuro das empresas com a formulação da estratégia e as medidas de avaliação de desempenho”. Costa (2001, p. iv), apoiando-se nos critérios extraídos dos textos dos professores Fernando Henrique Cardoso e Sérgio de Iudícibus, defende que o desenvolvimento do Balanced Scorecard gerou: Uma contribuição original à literatura da contabilidade gerencial, não porque trata de temas nunca antes tratados, mas porque repensa temas antigos, chamando a atenção para pontos que estavam esquecidos, ou mal compreendidos, mostrando a vinculação entre pontos vitais que não estavam claramente articulados. Kaplan e Norton (1997, p. 49) afirmam que “A elaboração do Balanced Scorecard deve ser um incentivo para que as unidades de negócios vinculem seus 63 objetivos financeiros à estratégia da empresa”. Conforme a definição dos autores (1997, p. 25): O Balanced Scorecard traduz missão e estratégia em objetivos e medidas, organizados segundo quatro perspectivas diferentes: financeira, do cliente, dos processos internos e do aprendizado e crescimento. O scorecard cria uma estrutura, uma linguagem, para comunicar a missão e a estratégia, e utiliza indicadores para informar os funcionários sobre os vetores do sucesso atual e futuro. 2.5.3 Os Objetivos do Balanced Scorecard Os objetivos e as medidas do Balanced Scorecard são derivados de um processo hierárquico (top-down) da missão e da estratégia da empresa, por isso conseguem traduzir a missão e a estratégia em objetivos e medidas tangíveis. A Figura 8 representa essa focalização. Figura 8 - As Medidas do BSC derivam da Visão e da Estratégia da Empresa Fonte: Kaplan e Norton (1997) 64 Nesse processo as medidas representam o equilíbrio entre os diversos indicadores externos – que representam os clientes e acionistas, e os indicadores internos – referentes aos processos internos, à inovação e ao aprendizado. Para Kaplan e Norton (1997), o scorecard busca sustentar-se entre algumas medidas de fácil quantificação e outras subjetivas. Os objetivos e as medidas são responsáveis por focalizar o desempenho organizacional sob quatro perspectivas: financeira, do cliente, dos processos internos e de aprendizado e crescimento, e têm como objetivo administrar a estratégia em longo prazo, funcionando como um sistema de gestão estratégica e viabilizando processos gerenciais, como: • tornar compreensível a visão e a estratégia de uma organização: inicialmente o processo do Balanced Scorecard começou a ser desenvolvido com um trabalho de equipe, em que a alta administração era responsável por traduzir a estratégia geral em objetivos estratégicos específicos. As metas financeiras deveriam apontar prioritariamente para a receita e crescimento de mercado; a lucratividade, ou a geração de fluxo de caixa, e as metas dos clientes deveriam estar alinhadas aos segmentos dos clientes e mercados. Em seguida, teriam que ser estabelecidas as metas dos processos internos e do aprendizado e crescimento, esta última deveria apresentar os motivos dos possíveis investimentos; • fazer com que os objetivos e medidas estratégicas sejam associados e comunicados: estes devem ser propagados para toda a organização e visualizados por todos, com o objetivo de apresentar os pontos críticos a serem perseguidos no alcance das metas estabelecidas. Em relação à transmissão das informações, pode-se utilizar meios como quadros de avisos, vídeos, recursos eletrônicos e boletins informativos. O resultado 65 esperado é que sejam elaboradas estratégias locais que unidas a outras contribuirão para a conquista dos objetivos estratégicos da organização; • planejar, estabelecer metas e alinhar iniciativas estratégicas: devem ser estabelecidas, pela alta administração, metas para os objetivos com um período de antecedência de três a cinco anos. Esse processo gerencial de determinar e planejar metas garante à organização a possibilidade de quantificar os resultados almejados em longo prazo, identificar os recursos que serão necessários e estabelecer as medidas financeiras e não financeiras de curto prazo; e • melhorar o feedback e o aprendizado estratégico: este último visa desenvolver o aprendizado organizacional, pois permite o monitoramento e ajustes necessários para o alcance das metas estabelecidas. Esses processos podem ser observados na Figura 9. Esclarecendo e Traduzindo a Visão e a Estratégia • Esclarecendo a visão • Estabelecendo o consenso Feedback e Aprendizado Estratégico Comunicando e Estabelecendo Vinculações • Comunicando e educando • Estabelecendo metas • Vinculando recompensas a medidas de desempenho Balanced Scorecard Planejamento e Estabelecimento de Metas • Articulando a visão compartilhada • Fornecendo feedback estratégico • Facilitando a revisão e o aprendizado estratégico • Estabelecendo metas • Alinhando iniciativas estratégicas • Alocando recursos • Estabelecendo marcos de referência Figura 9 - O Balanced Scorecard como Estrutura para a Ação Estratégica Fonte: Kaplan e Norton (1997) 66 2.5.4 As Perspectivas do Balanced Scorecard O Balanced Scorecard é um conjunto de indicadores dispostos em quatro distintas e complementares perspectivas: financeira, dos clientes, dos processos internos e aprendizagem e crescimento. Campos (1998, p. 25) conclui que: As perspectivas financeiras e não financeiras são analisadas sob a ótica de melhoria dos processo, crescimento da organização e dos colaboradores e criação de valor para os clientes, enfatizando-se, particularmente, que a medição do desempenho é um contínuo ato de saber balancear os indicadores contábeis e não contábeis e os ativos intangíveis, e que o retorno do investimento sempre passa pela qualidade do serviço e satisfação e retenção do cliente, seja ele interno ou externo. Daft (2005) aborda as perspectivas do BSC afirmando que são responsáveis por identificar para os gerentes as medidas-chaves de desempenho que devem ser analisadas e a melhor forma de serem comunicadas. As perspectivas do Balanced Scorecard, segundo Kaplan e Norton (2004a, p. 9), buscam respostas para quatro perguntas, cada qual representando uma vertente distinta. São elas: • • • • Como os consumidores vêem a empresa? (perspectiva do consumidor) Em que a empresa deve exceder? (perspectiva dos processos internos) Como a empresa pode continuar a melhorar e criar valor? (perspectiva da aprendizagem e crescimento) Como a empresa assiste seus acionistas? (perspectiva financeira) 2.5.4.1 Perspectiva Financeira Quando é analisada a questão financeira analisa-se o lucro, mas, como defendem Kaplan e Norton (1997, p. 53), “A gestão financeira eficaz deve abordar tanto o lucro quanto o risco”. 67 Para Montgomery e Porter (1998), em qualquer corporação um CEO (Chief Executive Officer), o principal executivo, tem como uma de suas principais atribuições direcionar as metas financeiras da empresa focando a sua missão e estratégia de negócios. As organizações precisam acompanhar seu desenvolvimento financeiro, pois a correta análise dos controles financeiros da empresa, além de proporcionar a resposta em relação à sua posição econômica, também pode revelar outros tipos de problemas. Como exemplo, Daft (2005, p. 483) explica que “uma queda nas vendas sinaliza problemas com os produtos, com atendimento aos clientes ou com a eficácia da força de vendas”. Para Gomes e Salas (2001, p. 18), o controle baseado em medidas financeiras apresenta quatro limitações principais: • • • • pouca confiabilidade dos modelos preditivos em função da instabilidade do meio ambiente; alcance de curto prazo das medidas utilizadas; desvinculação das medidas com o contexto social e cultural; e utilização de medidas financeiras como esquema de punição e não como reforço de comportamento positivo e correção de desvios, no caso de comportamento desfavorável. Kaplan e Norton (1997) entendem que as medidas financeiras devem atuar como estímulo para a unidade estratégia de negócios vincular seus objetivos financeiros à estratégia geral da organização e também para apresentar as conseqüências econômicas imediatas referentes às ações tomadas. A análise das medidas financeiras de desempenho indica se a estratégia adotada, assim como sua implementação e execução, está gerando melhores resultados econômicos. Os objetivos financeiros devem servir de ponto de convergência para as demais perspectivas do BSC; toda medida escolhida deve, necessariamente, estar 68 conectada a uma cadeia de relações de causa e efeito direcionados à melhoria do desempenho financeiro da organização. Kaplan e Norton (1997) comentam, também, que na maior parte das organizações os argumentos financeiros como o aumento dos rendimentos, da produtividade, da utilização dos ativos e a redução dos custos e riscos servem como fundamento principal para integrar todas as quatro perspectivas do BSC. Os objetivos financeiros não são iguais em todas as organizações: podem mudar substancialmente dependendo de cada fase do ciclo de vida em que a empresa se encontra. Conforme mencionam Hofer e Schendel (apud Kaplan e Norton, 1997), a teoria da estratégia empresarial propõe que as unidades estratégicas utilizem estratégias diferenciadas nas fases compreendidas entre o crescimento na participação de mercado, na fase da consolidação, e na fase da saída e da liquidação. Drew (apud Kaplan e Norton, 1997) identifica três fases distintas do ciclo de vida de uma empresa, que necessita de três posturas diferenciadas: • crescimento; • sustentação; e • colheita. A fase de crescimento é caracterizada pelas empresas que estão nos estágios iniciais de seu ciclo de vida, apresentando produtos e serviços com elevado potencial de crescimento. A fim de aproveitar esse potencial, muitas vezes é necessário arriscar recursos consideráveis na busca do desenvolvimento da receita e aumento das vendas. Conforme afirmam (KAPLAN e NORTON, 1997), as empresas que se encontram nesse estágio concentrarão seus objetivos no aumento das vendas, no 69 desenvolvimento de novos mercados, consumidores, produtos, serviços, sistemas, canais de distribuição, marketing, vendas e na capacitação dos funcionários. A fase de sustentação é a mais comum entre as unidades estratégicas de negócios. Nessa fase, ainda para Kaplan e Norton (1997), é desejável que além de manterem sua participação no mercado, consigam aumentá-la gradativamente, a cada ano, e os objetivos certamente serão direcionados para as medidas financeiras tradicionais, como o retorno sobre o capital investido, o lucro operacional e a margem bruta. A fase da colheita corresponde à fase da maturidade do ciclo de vida da empresa. Nesse período do ciclo é desejável obter o retorno dos investimentos feitos durante as fases anteriores, e não são feitos grandes investimentos, na medida em que o foco principal é a manutenção dos equipamentos e capacidades. Para Kaplan e Norton (1997), nessa fase os indicadores devem estar direcionados para a maximização do fluxo de caixa, pois é necessário que qualquer tipo de investimento tenha retorno rápido. É possível observar que cada fase necessita de estratégias totalmente diferentes, por isso a necessidade do vínculo entre a unidade de negócio e a administração corporativa. Para cada uma das estratégias de crescimento, sustentação e colheita Kaplan e Norton (1997) identificam temas financeiros para orientar a estratégia empresarial, conforme explicados a seguir e apresentados no Quadro 5. • Crescimento e mix da receita - a empresa concentra-se na busca de aumento da oferta de produtos e serviços, fidelidade de novos clientes e mercado, concentração do mix de produtos em itens de maior valor agregado, estratégias de redução de custos, aumento de produtividade e 70 receitas. É a mais indicada para aumento da receita de uma empresa, tanto na fase de crescimento, como na fase de colheita; • Redução de custo/ melhoria de produtividade - busca-se o aumento da produtividade da receita, a redução dos custos unitários, despesas operacionais e a melhoria dos canais de distribuição. Está direcionada a investigar e proporcionar melhoria do desempenho de custos e produtividade de uma organização; e • Utilização dos ativos/ estratégia de investimento - objetiva o retorno do capital investido, a melhoria do ciclo de caixa e o aumento da utilização dos ativos. Temas Estratégicos Aumento e Mix da Receita Redução de Custos/ Utilização dos ativos Aumento de Produtividade Crescimento P&D (percentual de Percentual de receita gerado vendas) por novos produtos, serviços e clientes Vendas cruzadas Sustentação Investimento (percentual de vendas) segmento Fatias de clientes e contas-alvo Custos versus custos Percentual de receita gerado por novas aplicações Lucratividade por clientes e linhas de produtos dos concorrentes Taxas de redução de custos Despesas indiretas (percentual de vendas) Lucratividade por clientes e Colheita Estratégia da Unidade de Negócios Aumento da taxa de vendas por Receita/funcionário linhas de produtos Percentual de clientes nãolucrativos Custos unitários (por unidade de produção, por transação) Quadro 5 - Medição de Temas Financeiros Estratégicos Fonte: Kaplan e Norton (1997) Índices de capital de giro (ciclo de caixa a caixa) ROCE por categoriachave de ativo Taxas de utilização dos ativos Retorno Rendimento (throughput) 71 Em suma, essa perspectiva pretende organizar os objetivos financeiros de uma organização e ajustá-los às necessidades das diferentes fases de seu ciclo de vida. 2.5.4.2 Perspectiva do Cliente Para Harrington (1997), os clientes externos representam um papel único, pois aparecem no início e no término do processo, ou seja, as organizações existem para atender necessidades em potencial, assim, o ciclo se completa quando as necessidades são atendidas. Então, as medições relacionadas aos clientes devem ser analisadas criteriosamente durante o processo, a fim de garantir o engajamento de todos os envolvidos para a obtenção de um resultado satisfatório. Kaplan e Norton (1997) consideram que com a utilização da perspectiva do cliente é possível a identificação dos segmentos de clientes e mercados nos quais a empresa irá competir, pois os clientes são as fontes de receita dos objetivos financeiros. Há dois tipos de clientes: os efetivos e os em potencial. Esses clientes não são homogêneos e privilegiam os atributos dos produtos de maneira distinta. É exatamente por isso que a empresa deve realizar pesquisas de mercado com o objetivo de identificar os diferentes segmentos de mercados e clientes para os quais devem ser destinadas estratégias específicas. Após a focalização dos segmentos de mercado, as empresas devem atentar para os objetivos e indicadores específicos. Kaplan e Norton (1997) sugerem um grupo de cinco medidas essenciais de clientes, aplicáveis a qualquer tipo de empresa. Esse grupo é composto por indicadores referentes à participação de 72 mercado e retenção, captação, satisfação e lucratividade de clientes. Estão dispostos na Figura 10. Participação de Mercado Captação Lucratividade Retenção de Clientes dos clientes de Clientes Satisfação dos Clientes Figura 10 - A Perspectiva do Cliente - Medidas Essenciais Fonte: Kaplan e Norton (1997) O Quadro 6 sintetiza as definições das cinco medidas essenciais referentes à perspectiva dos clientes. Os autores afirmam que essas medidas podem ser agrupadas em uma relação de causa e efeito e devem ser customizadas para atingir os grupos de clientes considerados estratégicos. Participação Reflete a proporção de negócios num determinado mercado (em de Mercado termos de clientes, valores gastos ou volume unitário vendido). Captação de Mede, em termos absolutos ou relativos, a intensidade com que uma Clientes unidade de negócios atrai ou conquista novos clientes ou negócios. Retenção de Clientes Controla, em termos absolutos ou relativos, a intensidade com que uma unidade de negócios retém ou mantém relacionamentos contínuos com seus clientes. Satisfação dos Mede o nível de satisfação dos clientes de acordo com critérios Clientes específicos de desempenho dentro da proposta de valor. Lucratividade Mede o lucro líquido de cliente ou segmento, depois de deduzidas as dos Clientes despesas específicas necessárias para sustentá-lo. Quadro 6 - Definição das Medidas Essenciais Fonte: Kaplan e Norton (1997) 73 Nas palavras de Daft (2005, p. 58), as empresas devem buscar constantemente atender às expectativas de seus clientes, pois estes são os “recebedores da produção da organização”, os responsáveis por determinar o sucesso ou não de uma organização. Harrington (1997), quando analisa o processo de satisfação dos clientes externos, afirma que eles procuram pelo valor agregado nos materiais e serviços adquiridos e sugere oito medidas a serem tomadas para a conquista de elevada classificação: • determine novos produtos ou serviços fundamentados nas necessidades ainda não claramente definidas pelos clientes; • forneça produtos e serviços que atendam em qualidade, durabilidade e desempenho; • escolha uma equipe técnica e comercialmente competente para o atendimento; • analise criteriosamente as sugestões dos clientes e colaboradores; • desenvolva uma variedade de produtos que se destaquem da concorrência em preço e desempenho; • reclamações requerem resposta rápida e não comportamento defensivo; • privilegie a melhoria contínua e assegure-se que toda a equipe receba retorno das recomendações dos clientes; e • os representantes de cada área devem ter contato direto com o cliente. A sobrevivência no mercado atual não permite a escolha de uma estratégia genérica para todos os mercados e clientes de uma empresa, pois “A essência da estratégia não é apenas escolher o que fazer; ela exige também que se escolha o que não fazer” (KAPLAN e NORTON, 1997, p. 69). 74 2.5.4.3 Perspectiva dos Processos Internos Para Daft (2005, p. 55), o ambiente interno é formado por elementos que estão dentro dos limites da organização; é “composto por funcionários atuais, gerência e especialmente a cultura corporativa, que define o comportamento do funcionário no ambiente interno e quão bem a organização se adaptará ao ambiente externo”. Nessa perspectiva a principal ação é a identificação dos processos internos considerados críticos para que os objetivos dos clientes e acionistas sejam atendidos de maneira adequada. Kaplan e Norton (1997) afirmam que todas as empresas utilizam-se de processos específicos para a criação de valor para os clientes e produção de resultados financeiros. Entretanto, constataram que é possível usar uma cadeia de valor genérica, apoiada em três processos principais: Inovação, Operações e Serviço Pós-venda, conforme apresentado na Figura 11. Identificação das Processo de Processo de Inovação Operações Identificar o Necessidades Mercado dos Clientes Idealizar Oferta de Produtos e Serviços Gerar Produtos e Serviços Processo de Serviço PósVenda Entregar Produtos/ Prestar Serviços Satisfação das Serviços aos Clientes Necessidades dos Clientes Figura 11 - Cadeia de Valores para a Perspectiva dos Processos Internos Fonte: Kaplan e Norton (1997) Harrington (1997) destaca que é essencial para o funcionamento de qualquer processo de melhoria informar o feedback do desempenho executado para todos os empregados dentro da organização. 75 Para Gomes e Salas (2001, p. 15) as atividades que não podem ser programadas, devido a dificuldade de definição de todas as tarefas e procedimentos necessários para sua execução, são mais difíceis de serem controladas. Dentro desse contexto existem três aspectos que dificultam a estruturação e mensuração do impacto monetário do procedimento organizacional e individual: • • • a incerteza sobre o impacto e influência das mudanças no comportamento e no resultado; a influência da interação de diferentes e múltiplos aspectos organizacionais e externos (que são de difícil formalização e avaliação); e a margem de autonomia (caráter discricional) que sempre possuem as pessoas na forma de orientar seus comportamentos, e cuja redução mediante uma formalização rígida pode produzir efeitos disfuncionais. Para os autores existem dois aspectos que afetam o contexto social de uma unidade organizacional. O primeiro refere-se à rapidez das mudanças, em que destacam-se as alterações na tecnologia dos materiais, nos processos e serviços; a internacionalização de mercados, e, com este, as fusões, incorporações e globalização na produção, entre outros; alteração nas necessidades dos clientes; mudanças nas atividades da administração pública e as exigências da sociedade. O segundo é resultante de uma maior hostilidade competitiva relacionada à intensa concorrência. 2.5.4.4 Perspectiva de Aprendizado e Crescimento Segundo Kaplan e Norton (1997), nesta última perspectiva do BSC busca-se o desenvolvimento dos objetivos e medidas para o desenvolvimento da infraestrutura necessária para o processo de aprendizado e crescimento organizacional. Os objetivos das perspectivas anteriores se direcionavam para aos itens aos quais a empresa deveria orientar-se para a busca de um desempenho superior. 76 Harrington (1997) afirma que para haver o fortalecimento das iniciativas da melhoria contínua dentro de uma organização, esta deve ser colocada em prática primeiramente pela alta administração. Para Daft (2005), a perspectiva do aprendizado e crescimento mostra claramente o nível em que estão sendo administrados os recursos e capital humano para o futuro da empresa. Conforme Senge (1999, p. 37 e 38), “As organizações que realmente terão sucesso no futuro serão aquelas que descobrirem como cultivar nas pessoas o comprometimento e a capacidade de aprender em todos os níveis da organização”. Kaplan e Norton (1997) definem três categorias principais para o desenvolvimento da perspectiva de aprendizado e crescimento: a capacidade dos funcionários, dos sistemas de informação e a motivação, empowerment e alinhamento. O levantamento bibliográfico realizado neste trabalho, referente à funcionalidade do modelo de estruturação organizacional por meio da Administração Corporativa, e à apresentação dos tipos de controle e indicadores de desempenho, procurou demonstrar a importância da medição do desempenho para as organizações atuais, além de focalizar os processos para o desenvolvimento de indicadores eficazes, que consigam identificar a posição da empresa de forma abrangente e agir como facilitadores do processo de decisão. A revisão teórica também aponta que o caminho para a elaboração de sistemas de medição de desempenho eficazes está no entendimento dos objetivos da administração corporativa e em sua transposição em forma de indicadores, pois quando um sistema de medição é implementado de acordo com os objetivos estratégicos de uma organização age como principal ferramenta de gestão 77 empresarial, conseguindo cascatear as metas globais em metas individuais e tornar possível analisar as conseqüências das ações tomadas e seus respectivos impactos para as metas estabelecidas. Foi adotada a abordagem do Balanced Scorecard, desenvolvido por Robert Kaplan e David Norton, como modelo para analisar o sistema de medição organizacional, por ser identificada como uma ferramenta que permite à administração corporativa cascatear seus objetivos em um conjunto de indicadores de desempenho e por ser a ferramenta escolhida a ser implementada pela organização em estudo. Nos capítulos seguintes serão apresentados, respectivamente, a metodologia utilizada para a elaboração da pesquisa, o estudo de caso proposto e as conclusões obtidas com a análise. 78 3 MÉTODO Neste capítulo será apresentada a metodologia adotada para o estudo, a natureza da pesquisa, os critérios para a investigação, os procedimentos e coleta de informações utilizados. O objetivo fundamental da ciência é alcançar a verdade dos fatos que estão sendo estudados e o objetivo do trabalho científico, conforme Severino (1998, p. 21), é ser um “texto que relata dissertivamente os resultados de uma pesquisa numa determinada área”. Rampazzo (2004, p. 49) afirma que “a pesquisa é um procedimento reflexivo, sistemático, controlado e crítico que permite descobrir novos fatos ou dados, soluções ou leis, em qualquer área do conhecimento”. O método é a ordem de condução de uma pesquisa, é o conjunto de processos necessários para que seja possível atingir um determinado fim ou resultado desejado (CERVO E BERVIAN, 1996). A metodologia, para Dencker e Viá (2002, p. 49): É o estudo analítico e crítico dos métodos de investigação e de prova. A metodologia não é, senão, uma reflexão sobre a atividade científica que está sendo desenvolvida para obter, em determinado momento, um relato dessa atividade – retrato que diferirá de acordo com a ciência sobre a qual estamos refletindo. 3.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA Vergara (2005) propõe dois critérios básicos para a definição dos tipos de pesquisa a serem utilizados: quanto aos fins: exploratória, descritiva, explicativa, metodológica, aplicada e intervencionista; e quanto aos meios: pesquisa de campo, laboratório, documental, bibliográfica, experimental, ex post facto, pesquisa-ação e estudo de caso. 79 3.1.1 Quanto aos Fins O objetivo da pesquisa exploratória é proporcionar ao pesquisador uma maior familiaridade com o problema proposto no estudo, tornando-o explícito, ou construindo hipóteses (GIL, 2002). Os estudos exploratórios, segundo Dencker e Viá (2002), são investigações empíricas, utilizados para o esclarecimento ou modificação de conceitos. Suas descrições podem ser qualitativas ou quantitativas e o método de coleta de dados varia entre pesquisa bibliográfica, documental, questionários, entrevistas e observações. Quanto aos fins, esta pesquisa é exploratória, porque embora a empresa estudada tenha uma grande quantidade de indicadores de desempenho distribuídos em todos os departamentos, não se verificou a existência de um estudo prévio, que abordasse o motivo da criação de cada indicador utilizado, sua ligação com os objetivos corporativos e a análise de sua real eficiência e aplicabilidade. 3.1.2 Quanto aos Meios Quanto aos meios, a pesquisa é bibliográfica e de estudo de caso. Bibliográfica porque para a fundamentação teórico-metodológica do trabalho foi realizada investigação referente aos temas: Administração Corporativa e formas de controle, Mensuração de Desempenho e os principais modelos de Indicadores de Desempenho. Estudo de caso porque após a conceituação teórica dos temas propostos na revisão de literatura foi direcionada uma investigação dentro de um contexto real, em uma empresa do Vale do Paraíba. 80 3.2 O ESTUDO DE CASO Yin (2005) aponta a tendência da utilização do estudo de caso como estratégia de pesquisa em muitas situações, principalmente para contribuir com os estudos organizacionais, gerenciais, sociais, políticos e de grupos, entre outros. Sua necessidade é derivada do desejo de compreensão dos fenômenos sociais complexos. Roesch (2005, p. 199) enfatiza que a estratégia da utilização do estudo de caso “é especialmente adequada aos trabalhos de conclusão de curso e às dissertações de mestrado em Administração”. Para Martins (2006, p. 9) a utilização da técnica do estudo de caso: É própria para a construção de uma investigação empírica que pesquisa o fenômeno dentro de seu contexto real [...], busca-se, criativamente, aprender a totalidade de uma situação – identificar e analisar a multiplicidade de dimensões que envolvam o caso – e, de maneira engenhosa, descrever, discutir e analisar a complexidade de um caso concreto, construindo uma teoria que possa explicá-lo e prevê-lo [...], o estudo de caso possibilita a penetração em uma realidade social, não conseguida plenamente por um levantamento amostral e avaliação exclusivamente quantitativa. A pesquisa documental é uma técnica de levantamento de dados para o estudo de caso e conforme Martins (2006, p. 46) essa técnica “é necessária para o melhor entendimento do caso e também para corroborar evidências coletadas por outros instrumentos e outras fontes [...]”. Segundo Rampazzo (2004), as fontes primárias ou dados primários são encontrados em arquivos, fontes estatísticas e fontes não-escritas. Os arquivos podem ser públicos - nacionais, estaduais e municipais - ou particulares, de instituições e órgãos privados, assim como as fontes estatísticas. 81 As fontes não-escritas são encontradas em fotografias, gravações, filmes, disquetes, testemunhos gráficos, entre outros, utilizadas geralmente em estudos arqueológicos e etnológicos. Nesse sentido, esta pesquisa caracteriza-se por ser um estudo de caso predominantemente exploratório, composto em sua plataforma teórica pela pesquisa documental, em que o método para levantamento e exame de dados compõe-se de coleta de documentos de dados primários. 3.2.1 Seleção do Caso e Unidade de Caso Para Yin (2005), para o delineamento da pesquisa realizada por estudo de caso é preciso conhecer seus tipos específicos, destinados à analise de diferentes situações contextuais. Esses tipos estão representados na matriz 2x2, no Quadro 7. Projetos de caso único Projetos de casos múltiplos Holístico (Unidade única de análise) Tipo 1 Tipo 3 Incorporados (Unidade de análise múltipla) Tipo 2 Tipo 4 Quadro 7 - Tipos Básicos de Projeto para Estudo de Caso Fonte: Cosmos Corporation (apud YIN, 2005) Yin (2005) define que a decisão por projetos de caso único ou casos múltiplos deve ser tomada pelo pesquisador antes da coleta de dados, e que o estudo de caso único, Tipo 1 ou 2, é apropriado em várias situações, das quais são apresentas cinco princípios lógicos para fundamentar a escolha: • quando é um caso representativo ou típico, que objetiva anotar as circunstâncias específicas de determinada situação, para que sirva de fonte de informação em relação a alguma experiência relacionada à pessoa ou instituição; 82 • quando representa um caso decisivo, destinado a testar uma teoria bem formulada, em que as proposições são ditas como verdadeiras e acontecem em circunstâncias específicas, para contestá-las, confirmá-las ou estendê-las; • representa um caso raro ou extremo, em que uma situação rara aconteça, digna de ser documentada, com foco na determinação e reconhecimento do problema; • representa um caso revelador, que ofereça a oportunidade de ser observado e analisado pelo pesquisador, e que anteriormente seria inacessível à investigação científica; e • quando representa um caso longitudinal, que possibilita estudar um mesmo caso em dois ou mais pontos diferentes no tempo. O mesmo autor afirma que o estudo de caso único, com unidades múltiplas de análise, é aplicável quando utiliza-se em um único caso mais de uma unidade de análise, ou seja, decompõem-se em subunidades. Uma unidade de caso, conforme Gil (2002), pode ser entendida como uma organização, uma comunidade, uma nação, entre outras. Podendo ser, também, definida do ponto de vista espacial ou temporal. Esta pesquisa é caracterizada por um caso único incorporado, em que a unidade de caso é uma Unidade Estratégica de Negócios e serão feitas análises múltiplas nos três departamentos estudados: Departamento de Engenharia, de Qualidade e Suprimentos. 3.2.2 Universo e Amostra Dencker e Viá (2002, p. 116) enfatizam que “sempre que observa-se algo fazemos uma espécie de seleção dos elementos sobre os quais dirigimos o foco de 83 nossa atenção”. Ao escolher uma pesquisa, seleciona-se elementos com características passíveis de ser generalizadas. O universo de dados deste estudo de caso são as métricas de controle, os indicadores de desempenho, as planilhas, tabelas, dados estatísticos e os gráficos utilizados para a medição do desempenho de todos os departamentos de uma UEN. São eles: o departamento de Suprimentos, Qualidade, Engenharia, Planejamento, Gerência de Projetos, Manufatura, Financeiro e de Montagem Externa dos Equipamentos e/ou serviços nas Obras. A população amostral ou amostra é determinada como um conjunto de elementos, tais como: empresas, produtos e pessoas entre outros, que possuem as características para serem um objeto de estudo. Representa a parte do todo escolhida para ser analisada sob um critério de representatividade. Existem dois tipos de amostra: a probabilística, que baseia-se em métodos estatísticos que podem ser por método aleatório simples, estratificado ou conglomerado e a não probabilística, destacando-se o método por acessibilidade ou tipicidade (VERGARA, 2005). Para este trabalho foi acessibilidade ou escolhido a amostra não probabilística por conglomerado, composta por todos os indicadores de desempenho utilizados pelos departamentos objeto do estudo. A amostra é composta por 18 indicadores, dos quais quatro são referentes ao departamento de Engenharia, seis à área da Qualidade e oito referem-se ao departamento de Suprimentos. A amostra foi constituída de três maneiras conjugadas: • escolha dos departamentos foco do estudo; • seleção do material encontrado: foram considerados como indicador de desempenho, portanto foco do estudo, os gráficos resultantes de planilhas 84 e tabelas e controles estatísticos oficiais dos departamentos que possuíam periodicidade de medição e foram apresentados em auditorias e ou reuniões corporativas, denominadas Comitê Executivo; e • determinação do prazo de utilização dos indicadores: foi estabelecido como indicador de desempenho todo gráfico em uso no período de abril de 2005 a março de 2006. A Tabela 1 representa a composição total da amostra. Tabela 1 - Composição Total da Amostra Quantidade de Indicadores de Departamentos Desempenho Engenharia 4 Representatividade do total da amostra 22,2% Qualidade 6 33,3% Suprimentos 8 44,4% Total 18 100% 3.2.3 Coleta e Análise dos Dados Segundo Yin (2005), o pesquisador pode coletar os dados para a pesquisa em várias fontes de evidências, entre as quais destacam-se seis fontes distintas: documentos, registros em arquivos, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos. Para o emprego de cada uma destas fontes é necessária a utilização de habilidades e procedimentos metodológicos diferentes. Yin (2005) destaca a aplicação de alguns princípios essenciais para aumentar a qualidade no trabalho de coleta de dados: opção por duas ou mais fontes de evidências, desde que sejam convergentes ao mesmo conjunto de acontecimentos ou descobertas; reunião de evidências; elaboração de um banco de dados e o encadeamento, por meio de evidências, entre as questões feitas, os dados coletados e as respectivas 85 conclusões. As seis fontes de evidências da coleta de dados podem ser observadas no Quadro 8. Fonte de evidências Documentação Registros em arquivos Entrevistas Observações diretas Observação participante Artefatos físicos Pontos fortes Pontos fracos • estável - pode ser revistada inúmeras vezes • discreta – não foi criada como resultado do estudo de caso • exata – contém nomes, referências e detalhes exatos de um evento ampla cobertura – longo espaço de tempo, muitos eventos e muitos ambientes distintos • capacidade de recuperação – pode ser baixa • seletividade tendenciosa, se a coleta não estiver completa • relato de vieses – reflete as idéias preconcebidas (desconhecidas) do autor • acesso – pode ser deliberadamente negado • [Os mesmos mencionados para documentação] • precisos e quantitativos • [Os mesmos mencionados para documentação] • acessibilidade aos locais devido a razões particulares • direcionadas – enfocam diretamente o tópico do estudo de caso • perceptivas – fornecem inferências causais percebidas • vieses devido a questões malelaboradas • respostas viesadas • ocorrem imprecisões devido á memória fraca do entrevistado • reflexibilidade – o entrevistado dá ao entrevistador o que ele quer ouvir • realidade – tratam de acontecimentos em tempo real • contextuais – tratam do contexto do evento • consomem muito tempo • seletividade – salvo ampla cobertura • reflexibilidade – o acontecimento pode ocorrer de forma diferenciada porque está sendo observado • custo – horas necessárias pelos observadores humanos • [Os mesmos mencionados para observação direta] • perceptiva em relação a comportamentos e razões interpessoais • [Os mesmos mencionados para observação direta] • vieses devido á manipulação dos eventos por parte do pesquisador • capacidade de percepção em relação a aspectos culturais • capacidade de percepção em relação a operações técnicas • seletividade • disponibilidade Quadro 8 - Seis Fontes de Evidências: Pontos Fortes e Pontos Fracos Fonte: Yin (2005) Esta pesquisa utiliza-se das seguintes fontes de dados: documentação, pesquisada em relatórios escritos, documentos administrativos, atas de reuniões e registros em arquivo resultantes de registros operacionais, como tabelas e gráficos. 86 A análise dos dados de um Estudo de Caso é predominantemente qualitativa, como afirma Gil (2002). Godoy (1995, p. 58) explica que a pesquisa Qualitativa. [...] não procura enumerar ou medir os eventos estudados, nem emprega instrumentos estatísticos na análise dos dados. Parte de questões ou focos de interesse amplos, que vão se definindo à medida que o estudo se desenvolve. Envolve a obtenção de dados descritivos sobre pessoas, lugares e processos interativos pelo contato direto do pesquisador com a situação estudada, procurando compreender os fenômenos segundo as perspectivas dos sujeitos, ou seja, dos participantes da situação em estudo. Esta pesquisa destina-se a investigar um fenômeno no local em que ele ocorre, os dados obtidos serão analisados de forma qualitativa, procura-se apresentar o contexto atual da organização e propor melhorias segundo a metodologia do BSC. Este capítulo procurou enfatizar o método escolhido para a condução da pesquisa. Entendeu-se que a aplicação do estudo de caso é o meio mais adequado para analisar as dificuldades encontradas em um ambiente real em comparação com a teoria desenvolvida a fim de evitar problemas comuns, que podem ser encontrados em todos os tipos de organizações. No próximo capítulo serão apresentados o estudo de caso e uma análise de um modelo de indicadores encontrados em uma empresa de grande porte, algumas considerações tornam-se possíveis à medida que se discute a sua funcionalidade atual para a empresa, em relação à implantação de um sistema balanceado de medição. 87 4 ESTUDO DE CASO Em aspectos gerais, esta é uma pesquisa exploratória, realizada a partir de um estudo de caso único, com aplicação de unidade de análise múltipla. A coleta de dados foi efetuada por meio de análise documental e a análise de dados é qualitativa e baseada no modelo proposto Balanced Scorecad (BSC). A escolha pelo BSC foi feita segundo dois critérios: o primeiro se refere a sua grande aceitação no ambiente empresarial e grande disseminação na literatura, e o segundo por ser o modelo escolhido pela organização para ser implementado em todas as Unidades estratégicas de Negócios do grupo. Objetiva-se, neste capítulo, apresentar a organização foco da pesquisa, sua configuração interna, distribuição em Unidades Estratégicas de Negócios por tipo de produto e serviço comandada por Administração Corporativa, disposição de seus departamentos, atuação e análise de seu atual sistema de medição de desempenho. A empresa objeto do estudo de caso é uma multinacional de origem francesa, líder mundial nos setores de Energia e Transporte. Presente em 70 países, é cotada na Bolsa de Valores de Paris e possui aproximadamente 69.000 colaboradores, dos quais 2.900 estão no Brasil. Neste país, sua primeira unidade industrial foi inaugurada na cidade de Taubaté, interior do Estado de São Paulo, em 1956, como resultado do primeiro investimento do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek no setor de bens de capital. 4.1 HISTÓRICO DA EMPRESA O nascimento da organização ocorreu em 1823 quando os empresários Steverson e Hawthor juntamente com a Vulcan Fundição fundaram um 88 empreendimento com a finalidade de construir a pioneira locomotiva inglesa chamada “The Rocket”. Após algumas fusões e alterações, em 1898 aconteceu sua nova fundação na França e em 1899 destacou-se por sua reputação de ser a primeira empresa no setor de eletrificação. Em 1982 tornou-se uma empresa estatal, voltando à sua condição de empresa privada em 1987. Desde então, após aquisições e fusões, posicionou-se frente ao mercado mundial atual com seus negócios destinados à produção e conservação de energia; ao transporte de pessoas; a equipar indústrias; e ao fornecimento de serviços. No Brasil, em 1955, menos de 5% dos bens de capital eram fabricados localmente, possuía aproximadamente 300 mil veículos de transporte, foi criada a primeira empresa do grupo na cidade de Taubaté, Estado de São Paulo, época em que a cidade possuía 35 mil habitantes, algumas fundições de pequeno porte, duas laminadoras e uma tecelagem, sendo as fazendas de café responsáveis pela maior parcela de sua economia. Em 1956, o Governador do Estado de São Paulo, Jânio Quadros, e o Presidente da República, Juscelino Kubitschek, participaram juntamente com a direção da empresa, do lançamento da pedra fundamental da organização, que se destacava como o primeiro investimento externo resultante do Plano de Metas do governo de Juscelino Kubitschek para o desenvolvimento industrial do Brasil. 4.2 OS SETORES DA EMPRESA NO MUNDO A empresa, em âmbito mundial, é dividida em Unidades Estratégicas de Negócios, distribuídas nos cinco continentes e a Administração Corporativa de todo 89 o grupo encontra-se na Europa. Atualmente está organizada por tipo de produto e serviços, nos setores Transporte e Power, este último composto pelos seguimentos Power Environment, Power Turbo-Systems e Power Service: • Transporte: este setor é responsável pela fabricação de trens de alta velocidade, também denominados “Trem Bala”, trens pendulares e sistemas de propulsão, sinalização e trens regionais; • Power Environment: segmento líder na fabricação de caldeiras, sistemas de controle ambiental e turbinas para hidrelétricas e geradores; possui um grande portifólio de tecnologia; • Power Turbo-Systems: representa o número um na fabricação de turbinas a vapor, geradores e plantas completas, ocupando o terceiro lugar nas vendas das grandes turbinas a gás; e • Power Service: esta ramificação é a número um na participação do mercado mundial em sua linha de atuação, é responsável por 20% da geração de energia mundial. O grupo possui um faturamento anual de aproximadamente 13,7 bilhões de Euros. Ocupa o primeiro lugar na fabricação de turbinas a vapor, geradores, plantas completas, sistemas de controle ambiental, turbinas para hidrelétricas e geradores, trens de alta velocidade, tens pendulares e sistemas de propulsão. O negócio da empresa destina-se à produção e conversão de energia, ao transporte de pessoas, a equipar indústrias e fornecer serviços. Caracteriza-se por ser uma empresa com tecnologia de ponta, cuja produção é baseada numa venda efetuada, o que significa que todos os projetos são iniciados somente após a venda. A empresa não possui estoques de produtos; todos os 90 projetos são desenvolvidos conforme a necessidade dos clientes, em sua maioria Órgãos Estatais. 4.3 A ESTRUTURA DA EMPRESA A unidade da empresa, foco do estudo, está localizada na região do Vale do Paraíba na cidade de Taubaté; é a maior unidade fabril do setor Power Environment e o centro mundial de excelência em hidrogeração do grupo. Enquanto Unidade Estratégica de Negócios, possui uma direção local independente e autônoma, porém respeitando as estratégias, regras e objetivos do contexto global da organização, comandada por meio de Administração Corporativa, cuja função é catalisar e orientar cada negócio. Para sua atuação, anualmente é elaborado e aprovado um orçamento para toda a empresa, resultado do somatório dos orçamentos elaborados por todos os departamentos da unidade. Nesse orçamento, utilizado como dispositivo de controle, estão a projeção e plano que definem o total de gastos planejados para um determinado período. Cada departamento prevê todos os custos anuais, como: contratações, imobilizados, efetivos, treinamentos, viagens, maquinários e tecnologia, entre outros. A informação é consolidada por todos as unidades e enviada para a aprovação e acompanhamento da Administração Corporativa, e depois de validada deve ser seguida. Em cada unidade de negócio é feita, mensalmente, uma reunião entre o diretor da planta e os superintendentes dos departamentos denominada Comitê Executivo, quando objetiva-se analisar o cumprimento ou não das metas estabelecidas para a unidade, analisar os pontos críticos, e caso necessário, 91 elaborar o plano de ação e reportar as informações consolidadas para a Diretoria do setor. A Figura 12 tem por objetivo apresentar a estrutura geral da organização e destacar a unidade estratégica de negócios objeto do estudo de caso, assim como as implicações de seu desempenho e resultados para a Administração Corporativa do grupo. PRESIDÊNCIA MUNDIAL PRESIDÊNCIA SETOR A PRESIDÊNCIA SETOR B PRESIDÊNCIA SETOR C PRESIDÊNCIA SETOR D PRESIDÊNCIA DO PAÍS DIRETORIA SETOR A DIRETORIA SETOR B DIRETORIA SETOR C DIRETORIA SETOR D DIRETORIA DE PLANTA DIRETORIA DE PLANTA DIRETORIA DE PLANTA DIRETORIA DE PLANTA Figura 12 - Estrutura Geral da Organização e a Focalização da UEN A Diretoria de Setor recebe as informações de todas as UENs pertencentes ao setor, consolida os dados, elabora estratégias específicas e reporta as informações para a Presidência do Setor Mundial, cuja função é elaborar estratégias para o tipo de produto ou serviço ao qual é responsável e, também, para a presidência do país, que responde por todas as unidades locais. Para a organização, a necessidade da existência da presidência do país destina-se a reportar à direção mundial as informações consolidadas de todos os setores da organização dentro desse país e definir as melhores estratégias em termos políticos e gerais para toda a organização. 92 Assim, a presidência mundial, ou administração corporativa de todo o grupo, tem a oportunidade de elaborar dois tipos específicos de estratégia: a primeira direciona-se por setor, resultante das informações recebidas das respectivas presidências mundiais de cada setor; e a segunda é feita por país, escolhendo a melhor forma de atuação em relação às políticas internas, resultantes das informações consolidadas pela presidência de cada país. Cabe à presidência de cada setor comandar todas as diretorias distribuídas nos diversos países referentes ao grupo de negócio em questão, estabelecer as metas e definir as diretrizes de acordo com os objetivos estabelecidos pela presidência mundial, que é o mais alto nível da Administração Corporativa do grupo. Comparando-se a estrutura da organização analisada (conforme apresentada na Figura 12 na página anterior) com a teoria pesquisada referente à aplicação da Administração Corporativa, definida por Hitt, Ireland e Hoskisson em 2002, (representada na Figura 1, deste trabalho) é possível notar que além de cumprir os níveis estabelecidos por essa teoria, ainda acrescentou os níveis denominados Presidência do País e do Setor. 4.4 A CARACTERIZAÇÃO DA UNIDADE A unidade estudada se refere à direção de uma planta pertence ao segmento Power Environment, que destaca-se por ser a principal do setor Power na América Latina. Possui uma estrutura matricial, e seus profissionais estão dispostos de maneira funcional. Está dividida Superintendências, internamente de Suprimentos, em oito departamentos, Qualidade, Engenharia, denominados Planejamento, 93 Gerência de Projetos, Manufatura, Controladoria e de Montagem Externa ou Montagem do equipamento na obra. Possui, também, outros departamentos como Comunicação, Recursos Humanos, Comercial, Legal, Financeiro e Administração de Instalações, que não foram considerados como fonte de dados para a pesquisa, pois não são vinculados à direção da planta estudada; são funções corporativas, diretamente ligadas à Direção do Setor no país. A Figura 13 apresenta a organização geral da unidade com seus departamentos corporativos; enfatiza a planta objeto do estudo, sua configuração interna e demonstra as áreas escolhidas para a aplicação da pesquisa. DIRETORIA SETOR A Superintendências REC. HUMANOS COMERCIAL COMUNICAÇÃO LEGAL A. INSTALAÇÕES DIRETORIA DE PLANTA SUPRIMENTOS QUALIDADE ENGENHARIA PLANEJAMENTO GERÊNCIA PROJ. MANUFATURA CONTROLADORIA MONTAGEM EXT. Figura 13 - Organograma Geral da Organização Devido ao tipo de produtos e serviços que produz e executa, a empresa é operacionalizada por projetos, o que significa que a cada nova venda é desenvolvido, fabricado e montado um equipamento e/ou serviço diferenciado e específico, que atenda às diferentes necessidades do local onde o equipamento ou serviço é solicitado. 94 Esse tipo de atuação exige que a organização desenvolva alto nível de tecnologia para atender às características únicas de cada projeto. No caso específico dessa empresa, os exemplos que se destacam são: tipo de solo (úmido, arenoso, irregular, entre outros), existência de abalos sísmicos, ambientes de alta corrosividade, submersos e grandes ou pequenos espaços físicos, entre outros. Para o funcionamento desse tipo de organização, os departamentos devem trabalhar em constante interação uns com os outros, principalmente os departamentos de Engenharia, Qualidade e Suprimentos, pois a cada novo desenvolvimento de projeto da Engenharia os departamentos de Qualidade e Suprimentos necessitam se adaptar desenvolvendo novos fornecedores, avaliando diferentes processos de fabricação e controle de qualidade. Dentro desse contexto, esta pesquisa optou por utilizar o tipo de amostra não probabilística, por acessibilidade ou conglomerado, nos três departamentos escolhidos para a análise, considerados o caminho crítico da organização. Ou seja, um atraso na fase de Engenharia acarreta, diretamente, a necessidade do desenvolvimento de um plano de ação, pelas áreas de Qualidade e Suprimentos, a fim de minimizar ou recuperar o atraso. Isto ocorre devido o término da fase de Engenharia, também denominado “as saídas” do processo, serem “as entradas” para a o início das atividades de Qualidade e Suprimentos. Os demais departamentos e sua respectiva importância não estão aqui mencionados por não serem foco desta pesquisa. 4.5 SÍNTESE DA OPERAÇÃO DA UNIDADE E DOS DEPARTAMENTOS A organização divide a distribuição de suas Superintendências, como mão-de-obra direta, quando a ação está diretamente ligada ao desenvolvimento e 95 conclusão dos produtos e serviços, como a Superintendência de Engenharia, Manufatura, Qualidade e Montagem no Campo, e de atividades de suporte, ou seja, quando sua ação não altera de forma direta o produto ou serviço, mas são atividades que asseguram o correto funcionamento das áreas mencionadas, como as Superintendências de Gerência de Projetos, Planejamento, Suprimentos e Financeira. Para o entendimento da escolha dos departamentos foco da análise e sua respectiva importância dentro do contexto desse tipo de organização, torna-se necessária uma breve apresentação e contextualização da forma de atuação dessas áreas da empresa. A Figura 14 representa a distribuição das atividades referentes à mão-de-obra direta e indireta, assim como a distribuição e funcionamento dos departamentos da organização. Atividades de Suporte Atividades de mão-de-obra direta ENGENHARIA PLANEJAMENTO GERÊNCIA DE PROJETOS FINANCEIRO MANUFATURA QUALIDADE SUPRIMENTOS MONTAGEM NO CAMPO Figura 14 - Distribuição das Atividades nos Departamentos da Organização No momento da elaboração de propostas de vendas, ou para participação em Licitações, a área primeiramente envolvida é a Comercial, responsável pelos 96 contatos comerciais e elaboração de propostas e contratos. Esse departamento é auxiliado pelo Anteprojeto, área pertencente à Engenharia, responsável pelos cálculos nessa fase, que, por sua vez, quando necessário, envolve a área de Planejamento e Manufatura e Suprimentos para elaboração de cronogramas de fabricação e cotações, entre outros. Quando da venda de um novo projeto, o departamento de Gerência de Projetos define um gerente responsável que será o representante da empresa perante o cliente; o elo entre o cliente e a organização por meio de um contrato. A primeira atividade do gerente escolhido consiste em elaborar o cronograma de execução do projeto. Nessa atividade é auxiliado pelo departamento de Planejamento e, posteriormente, pela área Financeira, que o assiste na distribuição e acompanhamento dos investimentos e gastos a serem executados. Como conclusão da primeira fase tem-se a reunião de início de encomenda, quando o gerente de projeto apresenta as características do produto ou serviço vendido, o cronograma de fabricação, além de outros itens para todos os outros departamentos que irão trabalhar direta ou indiretamente no respectivo projeto. Desse modo, todos começam a se organizar internamente para desenvolver as atividades conforme as necessidades apresentadas para a execução do projeto. Nessa fase, o primeiro departamento a entrar em operação é o de Engenharia, que atua a fim de traduzir as características e necessidades solicitadas pelos clientes nos contratos em projetos específicos para atendimento dessas particularidades. Em seqüência, as áreas a entrarem em operação são: Manufatura, Suprimentos e da Qualidade, pois respectivamente necessitam planejar e adaptar a produção, a localização e desenvolvimento de novos fornecedores e definição das 97 inspeções e qualificação dos novos processos e fornecedores para atenderem as especificidades solicitadas. Na conclusão dessas últimas atividades, as sub-áreas de Almoxarifado e Expedição, pertencentes ao departamento de Planejamento, em conjunto com a área de Montagem de Campo, se encarregam da saída do material e preparação para início de funcionamento no campo. Dentro desse contexto, a empresa necessita desenvolver ferramentas de mensuração de desempenho capazes de controlar as diversas fases de seus processos, para a identificação de possíveis caminhos críticos, oportunidades de melhoria e verificação do processo. 4.6 O ATUAL SISTEMA DE MEDIÇÃO DA EMPRESA O sistema de medição da empresa tem evoluído nos últimos anos e o conceito da importância da utilização de ferramentas de mensuração de desempenho, convergentes com as metas da administração corporativa, está intrínseco em todas as unidades da organização devido aos investimentos que estão sendo direcionados gradativamente, mas isso que não significa que já estejam operando de acordo com as metodologias atuais e que todas as unidades possuam a mesma ferramenta. Na unidade foco da pesquisa, até o momento da análise cada departamento da empresa desenvolvia e atualizava seu sistema de medição, formado, na maioria dos casos, por indicadores de desempenho apresentados em forma de planilhas e gráficos, com o objetivo de ser de fácil entendimento e identificação. Até o ano 2002 cada departamento escolhia a forma de elaboração e de divulgação dos dados. O departamento de Engenharia, por exemplo, afixava-os em 98 um quadro próximo à porta de entrada da seção e eram analisados em reuniões semanais. Em outras áreas, a mesma metodologia não era aplicada; algumas não possuíam um sistema de medição analisado periodicamente, em outras os dados, quando analisados, muitas vezes ficavam centralizados somente com os respectivos superintendentes e diretoria, sem acesso a todos os colaboradores. Em todos os casos, o sistema de medição era impreciso, pois acabava tendo a função somente de apresentar informações do passado, não possibilitando a visualização da situação e possível ação de melhoria em tempo hábil. Não era incomum os departamentos cometerem erros que acabavam por prejudicar ou dificultar a visão conjunta da organização, pois não desenvolviam indicadores de desempenho suficientes para a análise ampla de cada contexto; não atentavam para a periodicidade de manutenção e atualização dos indicadores, e não estabeleciam metas coerentes e convergentes com o objetivo da empresa. Dessa forma, podia-se, também, observar problemas nas auditorias para a manutenção da certificação ISO na empresa. Em 2003, a empresa optou por desenvolver um software e foi escolhida a plataforma Lotus Notes, ferramenta utilizada principalmente no envio e recebimento de mensagens; para sua aplicação, a fim de centralizar os indicadores desenvolvidos em todos os departamentos em um único sistema; com a finalidade de facilitar a visão da empresa em relação à situação geral; conhecer a posição de cada departamento, garantir informações atualizadas para as auditorias do sistema de Gestão da Qualidade e incentivar a melhoria contínua nos processos. Essa alteração gerou resultados positivos para a organização, pois tornou possível uma análise geral da unidade, a partir da análise dos indicadores de cada departamento. 99 No entanto, com o uso continuado dessa ferramenta nos anos seguintes, e também devido a observância de que o sistema de medição ainda necessitava de melhorias, foi possível verificar que ainda faltava controle em vários processos chaves da organização. No final do ano de 2005 e decorrer de 2006, a organização definiu que o Balanced Scorecard seria a ferramenta a ser utilizada para aperfeiçoamento de seu sistema de indicadores de desempenho. A Administração Corporativa iniciou, então, o processo de disseminação e treinamento para a utilização da ferramenta, e algumas unidades européias foram as pioneiras na utilização. A unidade objeto de estudo começou a receber informações referentes aos benefícios da definição de indicadores de desempenho conforme essa metodologia. Nesse ambiente de transição, a presente pesquisa foi aplicada. Como a unidade foco do estudo já possuía um sistema de indicadores de desempenho em uso, este estudo optou por analisar esse sistema, a fim de identificar o seu enquadramento dentro dos conceitos do Balanced Scorecard. 4.7 CONSIDERAÇÕES RELACIONADAS À METODOLOGIA DA ANÁLISE Analisando a organização como um todo, é possível notar que a Administração Corporativa do grupo não possui um mesmo sistema de medição implementado em todas as Unidades Estratégicas de Negócios, pois embora seja de conhecimento a opção pela utilização do BSC, esse sistema não está em andamento em todas as unidades. Como cada unidade está recebendo a diretriz corporativa para utilização dessa ferramenta, entende-se que a primeira fase é definir qual é a melhor proposta para a sua aplicação efetiva. 100 A metodologia do BSC busca o sentido top-down, pois se destina a descrever e comunicar a estratégia do mais alto nível da organização até a execução do trabalho. Desse modo, para o desenvolvimento de um sistema de indicadores de desempenho coerente com essa metodologia, Kaplan e Norton (2004b) sugerem iniciar pela Alta Administração para a identificação das fases a serem seguidas, conforme Figura 15. Missão Por que existimos Valores O que é importante para nós Visão O que queremos ser Estratégia Nosso plano de jogo ou plano de vôo Mapa estratégico Traduz a Estratégia Balanced Scorecard Mensuração e foco Metas e iniciativas O que precisamos fazer Resultados estratégicos Acionistas satisfeitos Clientes encantados S S S Processos eficientes e eficazes Colaboradores motivados e preparados Figura 15 - O Balanced Scorecard é uma Fase de um Processo Contínuo Fonte: Kaplan e Norton (2004b) Para os mesmos autores, as empresas freqüentemente estão optando por utilizar 20 a 25 indicadores estratégicos distribuídos nas quatro perspectivas para a 101 aplicação do BSC, contudo, somente essas medidas não substituem a utilização de um sistema de medição em cada operação. Kaplan e Norton (1997) afirmam que o BSC deve ser implementado como uma ferramenta de estratégia única, mas é necessário identificar a diferença entre a utilização de medidas estratégicas de uma organização e as medidas de diagnóstico. As medidas estratégicas visam ser suficientemente capazes de definir a estratégia da unidade de negócios, enquanto as medidas de diagnóstico são para monitorar se a unidade está com o controle da situação e avisar quando ocorrer acontecimentos que precisem de atenção. Dessa forma, a empresa precisa de um conjunto de medidas estratégicas para a análise da sua estratégia enquanto unidade de negócios, que devem ser suportadas pela quantidade de medidas de diagnóstico ideal para garantir o monitoramento dos processos. 4.8 PROPOSTA DE ANÁLISE APOIADA NO BSC A metodologia do BSC prevê alguns pontos chaves para sua implantação, embora os autores também afirmem, em todas as suas publicações, a versatilidade do sistema em adaptar-se às necessidades particulares de cada empresa, apresentando alguns exemplos de utilização. No caso específico deste trabalho, os primeiros passos realizados foram o levantamento da condição da empresa no momento da análise, a verificação da disponibilidade e acessibilidade dos dados necessários para a viabilização da pesquisa e as informações necessárias para atingir o objetivo proposto. 102 Foi considerada a necessidade de estabelecer alguns parâmetros que pudessem garantir a confiabilidade das informações coletadas, portanto, para a elaboração da proposta de implantação do BSC, na empresa foco do estudo, foram levantados três pontos julgados chaves: • levantamento da revisão bibliográfica necessária; • caracterização da unidade de caso, identificando sistema de medição de desempenho atual e suas necessidades futuras, segundo solicitação da Administração Corporativa; e • adaptação do modelo estudado à realidade da empresa, conforme considerações a seguir. Com base nos estudos utilizados até esta fase, identificou-se que o modelo BSC é uma ferramenta ampla a ser utilizada pela Administração Corporativa para a análise de suas respectivas Unidades Estratégicas de Negócios, mas, que também, pode ser utilizada pela diretoria de cada unidade, na elaboração de suas estratégias, e por departamentos, mesmo que não apresentem uma amplitude complexa ao nível de uma unidade organizacional. Tal afirmação pode ser validada verificando-se algumas das considerações feitas pelos próprios autores da metodologia em relação à escolha da aplicabilidade do modelo em questão. Kaplan e Norton (1997, p. 37) discutem que “dada a diversidade da maioria das empresas, no entanto, a elaboração de um scorecard em nível corporativo talvez, não seja a maneira mais fácil de começar”. Ainda Kaplan e Norton (1997, p. 175) afirmam que “o Balanced Scorecard deve refletir a estrutura da organização para qual a estratégia é formulada”, porém, 103 quando analisa-se o nível de complexidade de sua aplicação inicial em nível corporativo, também indica-se sua aplicação para outras unidades organizacionais como, por exemplo, “departamentos de apoio empresas e unidades de negócios”. Para os autores (1997, p. 177), “As estratégias, os objetivos e as medidas das unidades operacionais individuais provavelmente são tão diversos que não podem ser facilmente agregados em um scorecard corporativo”. A fim de exemplificar as diferentes razões que levam as empresas a utilizarem o Balanced Scorecard, Kaplan e Norton (1997) apresentam alguns dos motivos mais comuns, apresentados na Figura 16. Obter Clareza e Consenso em Relação à Estratégia Alcançar Foco Desenvolver Liderança Construir um Balanced Scorecard Intervenção Estratégica Educar a Organização Criar um Novo Sistema Gerencial Estabelecer Metas Estratégicas Alinhar Programas e Investimentos Criar um Sistema de Feedback Figura 16 - Motivos Identificados pelas Organizações para Utilização do BSC Fonte: Adaptado de Kaplan e Norton (1997) 104 Das razões apresentadas, o propósito inicial de implantação do BSC nos departamentos da organização objeto do estudo são a intervenção estratégica e o alinhamento de programas e investimentos. Desse modo, devido a complexidade encontrada para a definição de um BSC no nível de Unidade Estratégica de Negócios e a existência da possibilidade de aplicar a metodologia em departamentos de apoio da organização, o objetivo principal desta pesquisa é analisar um exemplo prático de utilização de indicadores que auxiliem na focalização das metas e sua formulação conforme metodologia proposta. Este trabalho optou por analisar o sistema de medição de três departamentos considerados críticos dentro da empresa objeto do estudo. Nesse contexto, a proposta é analisar sentido inverso, ou seja, down-top, nas áreas escolhidas para a pesquisa. Serão apresentados todos os indicadores de desempenho encontrados e feito um estudo exploratório a fim de identificar possíveis melhorias para seu enquadramento, segundo critérios do BSC. Esta proposta pode ser visualizada na Figura 17. Fases da pesquisa Análise do sistema de medição do departamento Enquadramento nas perspectivas do BSC Para posterior suporte ao BSC da UEN Para posterior suporte ao BSC Administração Corporativa Figura 17 - Fases da Pesquisa 105 Parte-se do pressuposto que cada departamento deve iniciar uma análise de seu atual sistema de medição e providenciar melhorias, quando aplicáveis para a estruturação apoiada na metodologia do BSC. Acredita-se que com essa análise a empresa conseguirá disseminar os benefícios da metodologia proposta, envolver um número maior de pessoas no processo e preparar toda a equipe para facilitar a implantação no nível da unidade. A fim de iniciar o processo de análise do atual sistema de medição do desempenho foi estabelecida a seguinte seqüência de tarefas: • definição das áreas foco do estudo: para a definição das áreas focos do estudo foram consideradas três áreas produtivas, ou seja, aquelas cujos resultados de suas atividades causam interferência direta umas nas outras e também nos produtos ou serviços oferecidos pela organização; • definição do período de medição: a Administração Corporativa determina, em todas as suas Unidades Estratégicas de Negócios, como ano fiscal para a organização o período compreendido entre o mês de abril de um ano até o mês de março do ano subseqüente. No final desse mês cada UEN executa o seu balanço, apresenta os resultados obtidos no período, e encaminha para a Administração Corporativa, que se encarrega de consolidar todos os resultados para a análise e informação sobre a situação geral do grupo. Dentro desse contexto, para fins desta pesquisa, foram somente considerados os modelos de indicadores de desempenho utilizados e desenvolvidos durante o último período fiscal já encerrado, de abril de 2005 a março de 2006; • definição da coleta de dados: a organização possui uma ferramenta oficial para a colocação e análise de seu sistema de medição. Cada 106 departamento é responsável pela inserção e atualização dos indicadores de desempenho chave de seus processos. Embora algumas vezes possam possuir outras ferramentas de medição em suas respectivas áreas, foram desconsiderados como fonte de dados para este estudo por se tratarem de ferramentas específicas de cada área que podem ser utilizadas ou descontinuadas, dependendo da aprovação de seus gestores, não sendo indicadores chave para uma análise global. Dessa maneira, foram considerados somente os modelos dispostos na base de dados oficial da empresa; • definição do material utilizado: considera-se como fonte de dados para a pesquisa somente os modelos de indicadores de desempenho utilizados para o controle das superintendências focos do estudo, pois não se pretende, neste trabalho, desenvolver um sistema de medição para a organização em estudo, portanto, todos os valores, metas, prazos e espaço de tempo apresentados foram alterados a fim de salvaguardar as informações oficiais da organização que optou por ficar anônima; • análise do processo de medição de cada departamento: cada departamento foi analisado de forma individualizada. Sua adequação ao modelo proposto tornou possível identificar possíveis oportunidades de melhorias; e • análise geral dos dados: a organização estudada possui oito superintendências, das quais três tiveram suas ferramentas de medição analisadas nesta pesquisa. Dessa forma, quando da análise geral dos dados, conforme metodologia do BSC, foi possível supor a tendência na escolha de seu sistema de medição e sugerir melhorias. 107 Assim, a amostra considerada para esta pesquisa é de um total de 18 indicadores de desempenho, dos quais quatro modelos são referentes ao departamento de Engenharia, seis são da área de Qualidade e oito são de Suprimentos. A fim de facilitar a análise geral dos indicadores de desempenho encontrados e sua distinção, esta pesquisa optou por definir a criação de uma ordenação seqüencial para cada modelo: I1, I2, I3 e assim sucessivamente. A amostra de estudo está representada no Quadro 9. Área Indicador Unidade de medida Medição Engenharia I1 - Eficiência da Engenharia Q. horas /grau avanço mensal Engenharia I2 - Eficácia da Engenharia Gasto em horas mensal Engenharia I3 - Impacto do Retrabalho Unidade monetária mensal Engenharia I4 - Acompanhamento de Projeto Cumprimento marcos mensal Qualidade I5 - Eficiência Eng. Qualidade Horas gastas mensal Qualidade I6 - Eficiência Insp. Externa Unidade monetária mensal Qualidade I7 - Eficácia Eng. Qualidade Quantidade Não Conf. Obra mensal Qualidade I8 - Eficiência da Metrologia Calibração fora prazo mensal Qualidade I9 - Eficiência do Laboratório Ensaios fora prazo mensal Qualidade I10 - Eficiência da Garantia Qualid. Horas necessárias mensal Suprimentos I11 - V. Gasto Relação ao Orçado Unidade monetária mensal Suprimentos I12 - Aquisição Fora do Prazo Dias mensal Suprimentos I13 - Aquisição no País Total de aquisição mensal Suprimentos I14 - Quantidade de RNC I15 - Quantidade de RNC Suprimentos Resolvida Suprimentos I16 - Valor de Pedidos de Compra Quantidade de RNC Quantidade de RNC Resolvida Quantidade de pedidos mensal Suprimentos I17 - Valor Médio dos PCs Valor médio por pedido mensal Suprimentos I18 - Rotatividade de Trabalho Mudança colaborador mensal mensal mensal Quadro 9 - Amostra Total de Indicadores Analisados Foi analisado detalhadamente cada modelo de indicador de desempenho apresentado, a fim de identificar sua função para os departamentos e para a 108 organização e assim, conseqüentemente, tornar possível a identificação em qual perspectiva do BSC se encaixa. Não se pretende que os indicadores a serem apresentados representem um conjunto decisivo e fechado; busca-se o contrário, abordar a elaboração de uma plataforma estruturada, que permita integrar novos controles ou alteração dos existentes em virtude da implantação da melhoria contínua, alteração de processos, desenvolvimento de novos produtos e solicitação corporativa, entre outros, dada as necessidades específicas de cada realidade em questão. 4.9 DESCRIÇÃO DOS INDICADORES POR DEPARTAMENTO Para tornar possível o enquadramento dos indicadores existentes nas perspectivas sugeridas pelo Balanced Scorecard, esta pesquisa optou por estabelecer a verificação de alguns quesitos em cada modelo encontrado. São eles: • descrição sumária: visa apresentar sinteticamente o contexto ao qual se encontra o indicador; • identificação da unidade de medida: descrever as informações necessárias para a elaboração do indicador; • definição do objetivo do indicador: apresentar o motivo de seu desenvolvimento; a que se direciona; • classificação com a perspectiva do BSC: identificar a que perspectiva do BSC pertence; • estabelecimento de metas; • metodologia do indicador: apresentar a forma utilizada para a coleta de dados; e • periodicidade: definir o período de medição. 109 4.9.1 O Sistema de Medição da Engenharia Para a análise do sistema de medição da Engenharia, torna-se necessário entender a configuração desse departamento e a definição de suas principais atividades dentro da organização. Define-se como atividades do departamento de Engenharia todas as ações desempenhadas na transformação das especificações do cliente; informações obtidas com a venda do produto ou serviço, consideradas como os dados de entrada da Engenharia em projetos, desenhos e documentos técnicos; e os denominados dados de saída da Engenharia, destinados a fornecer todas as instruções técnicas para a fabricação, compra de materiais, tipo de embalagens, ao transporte e montagem do produto. Os dados de entrada, ou especificação do cliente, são todos os documentos recebidos quando da venda do produto e referentes a ele, como: edital, contrato, orçamentos, proposta aprovada, registros estatutários, regulamentos, leis ambientais, normas e correspondências, entre outros. Os dados de saída da Engenharia são elaborados para atender as necessidades de cada projeto e podem variar, mas, em geral, referem-se à elaboração dos seguintes documentos: Memórias de Cálculo, Lista de Massa, Lista de Transporte, Especificação Técnica de Consulta, Especificação Técnica de Proposta, Folha de Informação de Horas de Engenharia, Resumo dos Requisitos para Fabricação e Controle, Registro de Riscos Técnicos. No período foco do estudo foram encontrados quatro modelos de indicadores de desempenho utilizados com a finalidade de medir o desempenho da Engenharia, que verificavam o processo e permitiam a atuação corretiva quando necessário. Os modelos foram denominados: I1 - Indicador de Eficiência da Engenharia, I2 - 110 Indicador de Eficácia da Engenharia, I3 - Indicador do Impacto do Retrabalho e I4 Indicador de Acompanhamento de Projeto. Esses modelos serão apresentados a seguir: 4.9.1.1 Modelo I1 - Indicador de Eficiência da Engenharia Sua função é analisar a eficiência do departamento de Engenharia em relação às horas destinadas a determinado grau de avanço das atividades executadas, estabelecido durante a execução de cada projeto em andamento. Esse Indicador pode ser observado na Figura 18. 1,60 1,40 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 mês 5 mês 6 MESES Projeto 1 Projeto 2 Projeto 3 META Nome: I1 - Indicador de Eficiência da Engenharia Setor: Engenharia Perspectiva BSC: Financeira Figura 18 - Indicador de Eficiência da Engenharia Descrição Sumária - quando da venda de um projeto, é estabelecido uma quantidade de horas a serem gastas e essas horas se referem ao montante vendido para cumprimento das atividades. Ultrapassar esse valor significa que o departamento não está sendo eficiente, ou seja, pode gerar dois tipos de perdas para a organização: a perda financeira, diretamente proporcional à quantidade de horas ultrapassadas em relação ao orçado, e a perda em prazo. Esta última pode 111 ser ainda mais crítica, caso o cumprimento do respectivo cronograma esteja relacionado a um evento de faturamento, cuja demora possa representar perda do evento para a empresa ou a aplicação de multas devido ao atraso na entrega. Neste caso, somente não será problema para a organização se o atraso for absorvido em outra fase do projeto, como na Manufatura, durante a fabricação, ou em Suprimentos, caso se trate de um material a ser subcontratado. Identificação da unidade de medida - nome do projeto e respectivo coordenador responsável, quantidade de horas-homem orçadas e gastas no período e grau de avanço das atividades realizadas. Definição do objetivo do indicador - verificar se a quantidade de horas gastas para o respectivo grau de avanço está de acordo com o planejado em custos e escala de tempo. Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - deve ser menor ou igual a um, para garantir a realização das atividades conforme prazo e custo planejados. Metodologia do indicador - coletar o valor orçado para as atividades e verificar as tarefas já realizadas e avanço, calcular a diferença entre as horas gastas em relação as orçadas e após em relação ao respectivo grau de avanço, conforme Equação 1. ( I1 = Horas Gastas por Pr ojeto Horas Orçadas por Pr ojeto ) Grau de Avanço Equação 1 Periodicidade - mensal. 4.9.1.2 Modelo I2 - Indicador de Eficácia da Engenharia Sua função é analisar a eficácia da Engenharia na execução de suas atividades de projeto e, em caso de retrabalho, analisar o seu impacto para a área. 112 Descrição Sumária - na execução de um projeto existem dois tipos de causa possíveis para a existência do retrabalho: uma positiva e uma negativa. Na primeira delas, o retrabalho é executado em uma determinada fase, com o objetivo de gerar lucro ou melhoria de processo em outra fase, como, por exemplo, retrabalhar um projeto na Engenharia já finalizado, pois se descobriu que tal alteração resultará em ganho de horas ou matéria-prima consideráveis no processo de manufatura ou maior facilidade na montagem do equipamento na obra. Na segunda, o retrabalho é feito para a correção de um processo errôneo detectado, como, por exemplo, erro de cálculo; neste caso busca-se identificar o agente causador para tornar possível a RETRABALHO .. % correção necessária. Está representado na Figura 19. 20% 18% 16% 14% 12% 12% 10% 8% 6% 4% 2% 0% 8% 7% 9% 9% 3% mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 mês 5 mês 6 MESES Eng. Proc. 2 Proc. 3 Total Global META Nome: I2 - Indicador de Eficácia da Engenharia Setor: Engenharia Perspectiva BSC: Financeira Figura 19 - Indicador de Eficácia da Engenharia Identificação da unidade de medida - processos causadores de retrabalho, quantidade de retrabalho mensal referente a cada área em questão. Definição do objetivo do indicador - quantificar o valor gasto em retrabalho, apurar seus motivos e analisar seu impacto na área de Engenharia. 113 Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - a Unidade Estratégica de Negócios estabelece um valor máximo a ser gasto devido a existência de retrabalho, dentro do qual deve ser apurado o valor referente à Engenharia. Metodologia do indicador - o processo de medição com foco nas atividades da Engenharia equivale ao cálculo do total de horas retrabalhadas, devido a existência de um erro causado pela Engenharia, ou possibilidade de aperfeiçoamento de processo, em relação à quantidade de horas totais trabalhadas no mesmo período, de acordo com a Equação 2. I2 = Total de Horas de Re trabalho Total de Horas Trabalhadas Equação 2 Periodicidade - mensal. 4.9.1.3 Modelo I3 - Indicador do Impacto do Retrabalho Sua função é analisar, em caso de existência de retrabalho causado pela Engenharia, o impacto em relação ao faturamento mensal da Unidade Estratégica de Negócios. Descrição Sumária - anualmente é definido um orçamento para a unidade estratégica de negócios, em que fica estabelecido o valor previsto para gastos com retrabalho, embora o objetivo seja a sua não ocorrência devido a processos errôneos. Com a utilização deste indicador é possível verificar de imediato o prejuízo financeiro causado no período da análise para a Unidade. Neste caso, será solicitado ao departamento de Engenharia um relatório sobre o ocorrido e um plano de ação que vise o aprimoramento do processo e, quando aplicável, a utilização de medidas que minimizem o prejuízo causado ou alterações para a recuperação nos períodos seguintes. Esse indicador pode ser observado na Figura 20. 114 0,500% VALOR.. 0,400% 0,300% 0,200% 0,100% 0,000% mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 mês 5 mês 6 MESES Meta Índice Nome: I3 - Indicador do Impacto do Retrabalho Setor: Engenharia Perspectiva BSC: Financeira Figura 20 - Indicador do Impacto do Retrabalho Identificação da unidade de medida - valor gasto em retrabalho causado pela Engenharia e valor do faturamento mensal da unidade. Definição do objetivo do indicador - quantificar o valor total gasto em retrabalho, apurar seus motivos e analisar o impacto financeiro para a UEN no período da análise. Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - conforme estabelecido da Administração Corporativa. Metodologia do indicador - seu processo de medição acontece no mês subseqüente ao mês do fechamento do faturamento. É necessário analisar criticamente os dados coletados verificando se o erro já foi corrigido ou se será necessário um plano de ação para impedir grandes impactos. As informações utilizadas para este indicador referentes ao faturamento são coletadas no departamento Financeiro e o custo do retrabalho é oriundo da quantidade de horas 115 utilizadas na correção do processo, da alteração dos processos de fabricação, entre outros. Analisa-se conforme Equação 3. I3 = Custo de Re trabalho causado pela Eng ª Faturamento Mensal da Unidade Equação 3 Periodicidade - mensal. 4.9.1.4 Modelo I4 - Indicador de Acompanhamento de Projeto Sua função é analisar o cumprimento dos marcos estabelecidos no cronograma de desenvolvimento de projeto e, quando aplicável, propiciar medidas corretivas a fim de recuperar os prazos perdidos nos períodos subseqüentes para a garantia da conclusão das atividades no tempo correto. O processo de medição é mensal, realizado pelo responsável do projeto no departamento. Esse modelo de Indicador pode ser observado na Figura 21. PORCENTAGEM ...... 120% 100% 80% 60% 40% 20% 0% (31 - 38) (37 - 20) (33 - 20) (28 - 15) (15 - 15) (16 - 16) mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 mês 5 mês 6 MESES %Programado %Realizado Meta Nome: I4 - Indicador de Acompanhamento de Projeto Setor: Engenharia Perspectiva BSC: Processos Internos Figura 21 - Indicador de Acompanhamento de Projeto Descrição Sumária - os marcos representam os prazos conforme cronograma para os dados de saída da Engenharia, ou seja, a conclusão de sua atividade de 116 elaboração de projetos. São elaborados a fim de atender as necessidades dos outros departamentos na seqüência de suas fases, pois os dados de saída da engenharia são dos dados de entrada para outros departamentos. Identificação da unidade de medida - cronograma de todas as atividades por projeto e informação dos eventos realizados. Definição do objetivo do indicador - analisar o cumprimento dos prazos estabelecidos. Classificação com a perspectiva do BSC - processos Internos. Estabelecimento de metas - deve ser 100% dos eventos planejados. Metodologia do indicador - diferença entre os marcos planejados e os marcos cumpridos, conforme Equação 4. I4 = Quantidade de Mar cos Re alizados Quantidade de Mar cos Planejados Equação 4 Periodicidade - mensal. 4.9.2 O Sistema de Medição da Qualidade O departamento da Qualidade, quanto à realização de suas atividades internas, está estruturado em duas subáreas complementares: a Garantia da Qualidade e a Engenharia da Qualidade. A Garantia da Qualidade é responsável pela interface entre a empresa e o cliente e sua função é assegurar a garantia dos produtos os serviços especificados pelo cliente. A Engenharia da Qualidade é responsável pelo controle de qualidade durante a fase de manufatura ou subcontratação. A área de Qualidade atua a fim de executar a medição e monitoramento dos produtos e serviços oferecidos pela organização, efetuando os acompanhamentos e 117 testes necessários para garantir resultados satisfatórios nas fases de recebimento e aprovação dos materiais e matérias-primas, durante e no final do processo de fabricação, na expedição e nos fornecedores. O planejamento de suas atividades é feito com a utilização dos seguintes documentos: o Plano de Qualidade, o Plano de Inspeção e Testes e Ordem de Produção ou Instrução de Fornecimento. Em caso de medição e monitoramento dos produtos e serviços na obra são elaborados Manuais de Montagem e Comissionamento. Durante o ano da aplicação da pesquisa, a área da Qualidade utilizou seis indicadores de desempenho, todos representados em formas gráficas e nomeados conforme a seguir: I5 - Indicador de Eficiência da Engenharia da Qualidade, I6 Indicador de Eficiência da Inspeção Externa, I7 - Indicador de Eficácia da Engenharia da Qualidade, I8 - Indicador de Eficiência da Metrologia, I9 - Indicador de Eficiência do Laboratório e I10 - Indicador de Eficiência da Garantia da Qualidade. 4.9.2.1 Modelo I5 - Indicador de Eficiência da Engenharia da Qualidade Sua função é analisar a eficiência da área de Engenharia da Qualidade em relação à realização da quantidade de horas produtivas trabalhadas no período analisado. Para cada equipamento vendido, dependendo do seu nível de complexidade, é estabelecida uma quantidade de horas a serem gastas com inspeções de qualidade. A sua função é garantir que o equipamento está em conformidade com os requisitos técnicos especificados pelo cliente no contrato estabelecido entre as partes e garantir os níveis de qualidade necessários para liberação da entrega do produto. 118 A empresa, para identificar e quantificar os gastos realizados com inspeções optou por caracterizá-las em dois tipos de inspeções de qualidade, em que cada uma é analisada individualmente devido as suas particularidade: a inspeção interna e a inspeção externa. A primeira é realizada dentro da planta da empresa durante o processo de fabricação do produto, pelo departamento de manufatura da organização, e a outra é a inspeção externa, que é realizada durante o processo de fabricação do produto na empresa subcontratada para o trabalho. A fim de proporcionar contenção de custos, as inspeções internas, por serem as mais freqüentes, são feitas quase em sua totalidade por funcionários treinados da própria organização, enquanto as inspeções externas são comumente executadas por inspetores contratados, cujos pagamentos são relativos à quantidade de inspeções realizadas no período combinado. A inspeção externa é necessária quando por decisão estratégica a organização opta por subcontratar a fabricação de partes do produto ou equipamento de um fornecedor devidamente aprovado. Embora o material possa ser de fabricação de terceiros, eles precisam ter a aprovação e garantia da organização. Descrição Sumária - o indicador de desempenho utilizado para a análise do andamento da inspeção interna é nomeado Indicador de medição da eficiência da Engenharia de qualidade. Identificação da unidade de medida - quantidade de horas produtivas utilizadas pelos funcionários durante o processo de inspeção, quantidade de horas improdutivas e o custo do departamento para a organização. Caracterizam-se como horas produtivas as horas-homem realizadas efetivamente em cada inspeção, e como horas improdutivas as horas-homem utilizadas pelos funcionários em 119 atividades diversas inerentes à profissão, mas não vinculadas diretamente à execução de inspeções, como horas gastas em treinamento, reuniões, palestras e planejamento, entre outras. Modelo de indicador utilizado, pode ser observado na Figura 22. Meta: 3500 hs HORAS.. Média atual: 3496 hs 3900 3800 3700 3600 3500 3400 3300 3200 3100 3000 2900 300000 250000 200000 150000 ($) 100000 50000 0 Mês 1 Mês 2 Mês 3 Débito Horas Improdutivas Mês 4 Mês 5 Mês 6 Media Horas Produtivas Objetivo Horas Produtivas Nome: I5 - Indicador da Eficiência da Engenharia da Qualidade Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Financeira Figura 22 - Indicador de Eficiência da Engenharia da Qualidade Definição do objetivo do indicador - verificar se a quantidade de horas gastas de forma produtiva estão conforme cronograma estabelecido e se são suficientes para pagar os custos que o departamento representa para a unidade de negócio. Seu objetivo secundário é analisar a quantidade de horas improdutivas realizadas no período em questão. Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - 100% de realização conforme planejado. 120 Metodologia do indicador - analisar a diferença entre a quantidade de horas produtivas realizadas pela engenharia da qualidade e as horas planejadas, ou necessárias mensais para a eficiência do departamento e a medição das horas improdutivas, conforme Equação 5. I5 = Quantidade de Horas Pr odutivas Quantidade de Horas Planejadas Equação 5 Periodicidade - mensal. 4.9.2.2 Modelo I6 - Indicador de Eficiência da Inspeção Externa Sua função é verificar o valor médio gasto em inspeções externas produtivas realizadas pela área nos subfornecedores. Descrição Sumária - no caso da necessidade de inspeção externa, é feita pelo fornecedor responsável pela fabricação do material subcontratado, parte do produto ou equipamento. O material pode vir a ser subcontratado dependendo da estratégia adotada pela empresa, devido, principalmente, a alguns motivos, tais como: excesso de trabalho na fábrica como um todo ou em algumas de suas fases (oxicorte, caldeiraria pesada, leve, usinagem, tratamentos térmicos, pintura, entre outros), podendo gerar perdas de prazo; proximidade do fornecedor com a obra, sendo viável em relação ao custo com transporte e menor custo; entre outros. Todos a fim de analisar a melhor logística para a execução dos trabalhos. A inspeção externa pode ser produtiva ou improdutiva; esta definição é necessária para que seja determinada a fonte pagadora das despesas. É caracterizada como produtiva quando o inspetor responsável encontra no fornecedor as condições essenciais para a execução da inspeção de qualidade, como o correto andamento do cronograma, preparação da peça para a análise, entre outros. Neste caso os custos são pagos pela contratante. 121 É improdutiva quando o inspetor é impedido de executar sua função devido a peça ainda não estar disponível para a inspeção, ou quando apresenta não conformidade com o projeto, necessitando da programação de nova data. Neste, caso o fornecedor é responsabilizado pelos custos da ausência da inspeção e, quando necessário, ocorre a aplicação de multas por prejuízos causados à organização, em caso de comprometimento dos prazos, perda de eventos de pagamento, ou outros danos. Esse indicador é apresentado na Figura 23. Meta: < R$ 270,00 Custo por inspeção (R$) $) Atual: R$ 213,50 400 350 300 250 200 150 100 50 0 mês 1 mês 2 Custo/QTD mês 3 mês 4 mês 5 mês 6 Objetivo Nome: I6 - Indicador da Eficiência da Inspeção Externa Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Financeira Figura 23 - Indicador de Eficiência da Inspeção Externa Identificação da unidade de medida - valor financeiro gasto em cada inspeção externa produtiva. Definição do objetivo do indicador - analisar o valor gasto em inspeções de qualidade, analisar o valor médio e verificar a ocorrência de inspeções improdutivas e necessidade de retrabalho. 122 Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - atingir o custo viável estimado pela organização. Metodologia do indicador - diferença entre o custo total obtido em cada inspeção em relação à quantidade de inspeções realizadas no período, conforme Equação 6. I6 = Custo Total em cada Inspeção Equação 6 Quantidade de Inspeções Re alizadas Periodicidade - mensal. 4.9.2.3 Modelo I7 - Indicador de Eficácia da Engenharia da Qualidade Sua função é evitar que o equipamento seja entregue para montagem na obra com desvios (não conformidades) em relação ao especificado no contrato e fora dos padrões de qualidade necessários. Descrição Sumária - a liberação da qualidade para encaminhamento à obra dos componentes do produto e do equipamento subcontratado ou fabricado na própria empresa são feitos com a sua aprovação no momento da inspeção de qualidade. As inspeções, tanto internas quanto externas, são realizadas durante as seguintes fases, de acordo com a necessidade: no recebimento de materiais, durante a fabricação e na expedição do produto para a obra, que visam averiguar se o equipamento está em conformidade com o especificado e pode ser enviado para a obra para sua respectiva montagem. Com a utilização desses pontos de verificação, em caso de ocorrência de desvio, a área faz o registro e inicia um plano de ação para retificar as não conformidades, garantindo que o equipamento somente saía da empresa após realizadas as devidas correções. Quando uma não conformidade é detectada dentro da empresa, os custos do reparo são pontuais, não se têm grande dispêndio monetário e perda de tempo, pois 123 o equipamento pode ser facilmente corrigido, o que somente não é possível caso seja descoberto um grande desvio em sua estrutura. Em contrapartida, se a não conformidade for descoberta somente após entrega na obra tem-se problemas, cuja resolução se torna desfavorável para a empresa, pois o custo do reparo é maior devido a algumas especificidades como o elevado custo para o transporte de peças adicionais, ou, até mesmo, pela necessidade de o equipamento ser corrigido na fábrica para ser retrabalhado, e, após correções, novo transporte de volta, envio de mão-de-obra especializada, supervisão de montagem extra, e, principalmente, o desgaste da imagem da empresa perante o cliente. O indicador para controle das não conformidades é mostrado na Figura 24. QTD RNC OBRA ..... Meta: < 20 % 100 90 80 70 60 50 40 30 20 10 0 40% 26% 22% 26% 30% 30% 16% 21% 20% 14% 10% 0% mês 1 mês 2 RECEBIMENTO INS. EXTERNA % ACUMULADO mês 3 mês 4 mês 5 EXPEDIÇÃO Ñ EVITÁVEL OBJETIVO mês 6 Total geral CONTROLE % EVITÁVEL Nome: I7 - Indicador da Eficácia da Engenharia da Qualidade Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Processos Internos Figura 24 - Indicador de Eficácia da Engenharia da Qualidade Identificação da unidade de medida - quantidade de não conformidades detectadas em inspeções internas ou externas durantes as fases de recebimento de 124 materiais, fabricação e expedição do produto e quantidade de não conformidades detectadas na obra. Definição do objetivo do indicador - analisa caso a caso todas as não conformidades identificadas, com o objetivo de quantificar quais poderiam ter sido evitadas se fossem descobertas antes de seu transporte para a obra, ou seja, se tivessem sido detectadas pelos inspetores nas fases de recebimento, inspeção interna, inspeção externa e expedição. Classificação com a perspectiva do BSC - processos internos, pois após identificação da fase na qual a inspeção foi falha os envolvidos seriam capacitados para evitar uma nova ocorrência. Estabelecimento de metas - é estabelecida pela área durante a análise crítica e objetivos de aprendizagem. Metodologia do indicador - interpretar todas as não conformidades detectadas na obra, relacionando a quantidade das não conformidades que poderiam ter sido evitadas antes da entrega do equipamento. Um exemplo típico de não conformidade que não pode ser identificada antecipadamente são as relacionadas com a montagem das partes do equipamento, que somente ocorrem na obra, ou problemas durante o transporte, como representado na Equação 7. I7 = Quantidade de Não − Conformidades Evitáveis Quantidade Total de Não − Conformidades Equação 7 Periodicidade - mensal. 4.9.2.4 Modelo I8 - Indicador de Eficiência da Metrologia Sua função é verificar o nível de atendimento dos prazos estabelecidos para as calibrações dos instrumentos utilizados pelos departamentos da organização, 125 como manufatura e montagem no campo e pelos inspetores de qualidade (ajuste dos equipamentos de medição). Esse modelo de Indicador de desempenho pode ser observado na Figura 25. Total Calibrações ... Atual: 21,9 % 350 300 250 200 150 100 50 0 320 100,0 80,0 169 60,0 114 60 53 Mês 1 Mês 2 95 40,0 20,0 0,0 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 % Fora do Prazo (Prazo = 7 dias) Meta: < 10 % Total Calibrações % Acima do Prazo % Acima do Prazo Acumulada Calibrações Acima do Prazo Nome: I8 - Indicador de Eficiência da Metrologia Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Processos Internos Figura 25 - Indicador de Eficiência da Metrologia Descrição Sumária - a organização adota uma norma interna que apresenta as regras para a aferição dos instrumentos. Nela estão estabelecidos a sistemática para a entrega do equipamento na metrologia, o prazo de conclusão dos trabalhos e a forma de empréstimo de instrumentos de terceiros, entre outros. O setor de manufatura necessita ter instrumentos calibrados e certificados em todas as suas fases; é proibido o trabalho com instrumentos com prazos de calibração vencidos. A não calibração do instrumento, bem como o seu atraso, pode implicar na parada na fábrica, causar atrasos, custos extras no aluguel de instrumentos aferidos, erro na medição das peças, comprometimento na montagem do equipamento e perda de tempo para empréstimo de instrumentos de outras áreas, como, por exemplo: o setor de caldeiraria deixa o 126 instrumento para ser calibrado e tem que emprestar o da área de usinagem, causando o atraso desse setor. Identificação da unidade de medida - quantidade de calibrações executadas pela área de metrologia. Definição do objetivo do indicador - identificar as calibrações realizadas fora do prazo estabelecido e sanar suas causas para evitar que se repitam. Correlação com a perspectiva do BSC - processos internos. Estabelecimento de metas - é estabelecida pela área durante a análise crítica e objetivos de aprendizagem. Metodologia do indicador - é a relação entre a quantidade total de calibrações e as calibrações realizadas fora do prazo, conforme Equação 8. I8 = Quantidade Total de Calibrações Re alizadas Quantidade Total de Calibrações Fora do Pr azo Equação 8 Periodicidade - mensal. 4.9.2.5 Modelo I9 - Indicador de Eficiência do Laboratório Sua função é medir a quantidade de ensaios mecânicos destrutivos solicitados pelo departamento de manufatura, bem como a quantidade atendida no período solicitado. Descrição Sumária - o ensaio destrutivo é um tipo de exame de experiência para a verificação se o material pesquisado atende ao fim que se destina. Na empresa foco da pesquisa os ensaios são divididos em três tipos, quanto a sua finalidade: um destina-se ao treinamento e aprovação de soldadores, o outro para qualificação dos diferentes tipos de chapas recebidas, caso seja necessário, e o último por solicitação do departamento de montagem externa, quando detectado algum tipo de anomalia ou quebra de parte de equipamento, para a análise do 127 problema. Nesse caso é feito um relatório da análise e encaminhamento à área de engenharia, que será responsável pela entrega do laudo técnico referente às condições do material e da montagem. Quando o ensaio é utilizado para treinamento e certificação dos soldadores da empresa são utilizados pedaços do material, denominados corpos de prova, onde são simuladas situações em que são verificados os níveis de atendimento ao especificado. O objetivo principal da utilização de ensaios é verificar se o material que está sendo analisado está de acordo com o especificado pelo projeto em quesitos como dureza, resistência do material, tração, dobramento e impacto, entre outros. Os ensaios na empresa são necessários quando, por razões estratégicas, as chapas são adquiridas sem o certificado de sua realização, devido a alteração nos projetos ou para tipos específicos de testes. O modelo de Indicador utilizado para controle dos ensaios pode ser Quantidade de Ensaios.... Meta: < 20 % 200 150 100 50 Atual: 20,8 % 152 141 147 136 80,0 9694 8585 56 12 100,0 60,0 40,0 3232 20,0 0,0 0 Mês 1 Mês 2 Mês 3 Mês 4 Mês 5 Mês 6 Ensaios Solicitados % Acima de 10 dias Ensaios Acima de 10 dias % Ensaios fora do prazo...... (prazo = 10 dias) observado na Figura 26. Ensaios Realizados % Fora do Prazo Acumulada Nome: I9 - Indicador de Eficiência do Laboratório Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Processos Internos Figura 26 - Indicador de Eficiência do Laboratório 128 Identificação da unidade de medida - quantidade de ensaios solicitados pelas áreas responsáveis e realizados no período. Definição do objetivo do indicador - verificar se o laboratório está executando todos os ensaios solicitados dentro do prazo estabelecido. Classificação com a perspectiva do BSC - processos internos. Estabelecimento de metas - 100% conforme planejado. Metodologia do indicador - diferença entre a quantidade de ensaios solicitados e realizados, conforme Equação 9. I9 = Quantidade de Ensaios Re alizados Quantidade de Ensaios Solicitados Equação 9 Periodicidade - mensal. 4.9.2.6 Modelo I10 - Indicador de Eficiência Garantia da Qualidade Sua função é analisar a quantidade de horas produtivas ou seja trabalhadas em projetos, pela equipe, no período da análise. Esse modelo de Indicador pode ser observado na Figura 27. 2.000 1.800 1.600 1.400 1.200 1.000 800 600 400 200 0 R$ 150.000 100.000 980 h Horas.. 50.000 0 mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 mês 5 mês 6 Média Débito Horas Improdutivas Horas Produtivas Meta Nome: I10 - Indicador de Eficiência da Garantia da Qualidade Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Financeira Figura 27 - Indicador de Eficiência da Garantia da Qualidade 129 Descrição Sumária - a garantia da qualidade é responsável pela interface entre a empresa e o cliente, a fim de assegurar que o projeto está sendo desenvolvido conforme o especificado e dentro dos padrões de qualidade. É o departamento que gerencia a certificação de qualidade da unidade de negócio, como: ISO 9001, ISO 14001, entre outras, e acompanha a aplicação dos itens das normas nas áreas da empresa. Identificação da unidade de medida - quantidade de horas produtivas e improdutivas realizadas no período. Definição do objetivo do indicador - verificar se a quantidade de horas gastas de forma produtiva estão conforme cronograma estabelecido e são suficientes para pagar os custos que o departamento representa para a unidade de negócio. Seu objetivo secundário é analisar a quantidade de horas improdutivas realizadas no período em questão. Correlação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - 100% de realização conforme planejado. Metodologia do indicador - diferença entre a quantidade de horas produtivas e as horas planejadas, ou necessárias mensais e a medição das horas improdutivas, conforme Equação 10. I10 = Quantidade de Horas Pr odutivas Quantidade de Horas Planejadas Equação 10 Periodicidade - mensal. 4.9.3 O Sistema de Medição de Suprimentos A Superintendência de Suprimentos tem a função de melhorar a rentabilidade dos projetos na realização das compras dos materiais solicitados pela área de 130 Planejamento; garantir a entrega dos materiais no prazo estabelecido ou, quando isso não é possível, informar prazos factíveis; avaliar, juntamente com os departamentos de Qualidade e Engenharia, novos fornecedores e garantir a data de entrega dos materiais. Durante o período analisado esse departamento utilizou oito modelos de indicadores para monitoramento e análise da área: I11 - Indicador do Valor Gasto em Relação ao Orçado, I12 - Indicador de Medição da Aquisição Fora do Prazo, I13 - Indicador de Aquisição no País, I14 - Indicador de Quantidade de RNC, I15 Indicador de Quantidade de RNC Resolvida, I16 - Indicador de Valor de Pedido de Compras, I17 - Indicador de Valor Médio dos Pedidos de Compra e I18 - Indicador de Rotatividade de Trabalho. 4.9.3.1 Modelo I11 - Indicador do Valor Gasto em Relação ao Orçado Sua função é verificar se o valor das compras realizadas estão de acordo com o valor estimado durante o período da oferta, denominado orçado. Esse Indicador pode ser observado na Figura 28. Nome: Indicador do Valor Gasto em Relação ao Orçado Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Financeira Figura 28 - Indicador do Valor Gasto em Relação ao Orçado Descrição Sumária - para a elaboração das propostas a serem apresentadas para os futuros possíveis clientes é feita uma estimativa de acordo com o preço de 131 mercado no momento dos valores a serem gastos na aquisição dos materiais necessários. Em caso de venda do projeto, esses custos tornam-se os valores orçados para a aquisição dos materiais, sofrendo alterações somente em relação à atualização da moeda para o momento de início do projeto ou em caso de alterações solicitadas pelos clientes. É responsabilidade do departamento de suprimentos efetuar a compra dos materiais em conformidade com os orçamentos validados para o projeto e buscar que seja atingido o target, (objetivo) de ganho em relação ao valor orçado determinado pela empresa. Identificação da unidade de medida - valor orçado para o projeto e valores gastos com as compras efetivas. Definição do objetivo do indicador - verificar se as compras efetuadas estão de acordo com seus respectivos valores orçados e dentro do target estabelecido pela organização para a respectiva aquisição. Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - atingir o objetivo da empresa. Metodologia do indicador - valor total orçado em relação ao valor total gasto na aquisição, conforme Equação 11. I11 = Valor Total Orçado Valor Total Gasto Equação 11 Periodicidade - mensal. 4.9.3.2 Modelo I12 - Indicador de Aquisição fora do Prazo Sua função é verificar o cumprimento dos prazos de compras estabelecidos pelo departamento de planejamento, e caso necessário, verificar se é factível ao tipo de material a ser aprovisionado. 132 Para cada tipo de material a ser adquirido é determinado um prazo necessário para o aprovisionamento. Assim, para a compra de um determinado tipo de chapa de aço carbono é preciso 90 dias, para outras de menor porte 15 dias, para materiais comerciais, 10 dias, para motores elétricos, conforme especificação, até 300 dias. Descrição Sumária - é responsabilidade do departamento de suprimentos cumprir os prazos estabelecidos para efetuar as compras, assim como garantir que sejam entregues nas datas acordadas. Identificação da unidade de medida - quantidade de itens adquiridos no período da análise. Definição do objetivo do indicador - verificar a eficácia da área de suprimentos em atingir os prazos estabelecidos. Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - cumprimento de 100% do prazo estabelecido. Metodologia do indicador - relação entre as aquisições ocorridas dentro do prazo e as que tiveram os prazos comprometidos, conforme Equação 12. I12 = (D5 + D 4 ) (D1+ D 2 + D3) Equação 12 Em que, conforme a necessidade de medição estabelecida como objetivo, a nomenclatura D pode representar as seguintes datas de entrega do material: • D1 - 30 dias ou mais de antecedência da data de entrega; • D2 - 15 a 29 dias de antecedência da data de entrega; • D3 - mais ou menos de 15 dias da data de entrega; • D4 - 15 a 29 dias de atraso em relação a data de entrega; e, • D5 - 30 dias ou mais atraso em relação a data de entrega. Esse modelo de Indicador pode ser observado no Tabela 2. 133 Tabela 2 - Indicador de Aquisição Fora do Prazo Mês D1 D2 D3 D4 D5 % fora do prazo Total itens Total R$ /1000 1 13 101 3.100 9 15 1% 3.238 17.300 2 285 900 3.089 115 205 7% 4.594 25.654 3 74 785 4.276 69 78 3% 5.282 45.796 4 463 147 3.298 406 14 11% 4.328 13.250 5 797 155 3.466 101 78 4% 4.597 58.700 6 369 315 3.523 85 22 3% 4.314 29.650 Nome: I12 - Indicador de Aquisição Fora do Prazo Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Financeira Periodicidade - mensal. 4.9.3.3 Modelo I13 - Indicador de Aquisição no País Sua função é verificar a quantidade de compras efetuadas dentro do país onde está localizada a unidade estratégica e investigar a quantidade aprovisionada em países de baixo custo, advindos de acordos mundiais da organização. Descrição Sumária - analisando-se separadamente cada unidade estratégica de negócios, muitas vezes o custo advindo de compras locais, ou seja, dentro do país onde se localiza a empresa, é mais vantajoso, pois os custos relacionados à importação acabam por influenciar negativamente a procura por materiais importados. Todavia, quando se analisa a organização como um todo, é viável o desenvolvimento de acordos comerciais em níveis corporativos, a fim de diminuir os 134 custos dos produtos em âmbito mundial, tornando-se vantajosa a compra, principalmente nos países considerados de alta tecnologia e de baixos custos. Essa classificação acontece quando comparados aos demais países desenvolvidos e de alta tecnologia, como os europeus. Esses países recebem a denominação mundial de “Low Cost Countries”, são eles: China, Índia, Taiwan, Cingapura, Filipinas, Malásia, Rússia, Coréia, entre outros. Por definição da administração corporativa da organização foi definida uma função em nível corporativo, responsável pelo desenvolvimento de acordos mundiais para as principais commodities da organização. Os acordos são denominados Frame Agreement e, com a sua utilização, cada unidade de negócios tem maior poder de negociação. Esse modelo de Indicador pode ser observado no Tabela 3. Tabela 3 - Indicador de Aquisição no País Mês Compra no Brasil R$ /1000 Total R$ /1000 % de compras locais 1 11.022 11.560 95% 2 70.563 70.563 100% 3 29.842 32.920 91% 4 210.560 211.955 99% 5 45.630 45.940 99% 6 56.210 59.477 95% Nome: I13 - Indicador de Aquisição no País Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Financeira Identificação da unidade de medida - quantidade de materiais e seus respectivos custos em compras locais e internacionais. Definição do objetivo do indicador - atingir meta estratégica estabelecida pela administração corporativa em volume e valores de compras internacionais. 135 Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - conforme estabelecido pela administração corporativa. Metodologia do indicador - relação entre as compras internas e externa, conforme Equação 13. I13 = Quantidade de Itens Comprados Internamente Quantidade de de Itens Comprados no Exterior Equação 13 Periodicidade - mensal. 4.9.3.4 Modelo I14 - Indicador de Quantidade de RNC Sua função é analisar a quantidade de Relatório de Não Conformidades (RNCs) atribuídas ao departamento de Suprimentos e em fornecedores, assim como seu impacto para o departamento e para a unidade. Esse modelo pode ser observado no Tabela 4. Tabela 4 - Indicador de Quantidade de RNC Mês Total RNC criada RNC acumuladas no período 1 590 2 620 30 3 639 19 4 703 64 5 721 18 6 722 1 Extrapolação de RNC por ano 264 Nome: I14 - Indicador de Quantidade de RNC Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Processos Internos Descrição Sumária - a organização adota a nomenclatura Relatório de Não Conformidade ou RNC para todas as divergências encontradas entre o que foi especificado e o que foi realizado. É utilizada a mesma nomenclatura em toda 136 empresa, com o objetivo de facilitar o entendimento de todos e obter maior agilidade quando detectados problemas. Identificação da unidade de medida - quantidade de RNCs criadas durante o período da análise. Definição do objetivo do indicador - identificar as RNCs criadas no período juntamente com os respectivos responsáveis a fim de propiciar a elaboração de um plano de ação para evitar novas ocorrências. Classificação com a perspectiva do BSC - processos internos. Estabelecimento de metas - nenhuma RNC. Metodologia do indicador - relação entre a quantidade de RNCs do mês anterior com o mês atual, conforme Equação 14. I14 = Quantidade de RNC do mês Atual − Quantidade de RNC do mês Anterior Equação 14 Periodicidade - mensal. 4.9.3.5 Modelo I15 - Indicador de Quantidade de RNC Resolvida Sua função é verificar a quantidade de RNC resolvidas dentro do mesmo mês de sua abertura. Descrição Sumária - a abertura de RNC pode gerar perda financeira direta para a empresa, além de problemas com prazo, pois representa a realização de retrabalho na área onde ocorreu a divergência. Identificação da unidade de medida - quantidade de RNC abertas e encerradas dentro do mesmo mês de análise. Definição do objetivo do indicador - medir a brevidade na resolução das RNCs. Classificação com a perspectiva do BSC - processos internos. Estabelecimento de metas - conforme análise crítica da área. 137 Esse modelo pode ser observado na Figura 29. Nome: I15 - Indicador de Quantidade de RNC Resolvida Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Processos Internos Figura 29 - Indicador de Quantidade de RNC Resolvida Metodologia do indicador - relação entre a quantidade de RNCs abertas e resolvidas, conforme Equação 15. I15 = Quantidade de RNC Re solvidas Quantidade de RNC Abertas Equação 15 Periodicidade - mensal. 4.9.3.6 Modelo I16 - Indicador de Valor de Pedidos de Compra Sua função é verificar a quantidade de pedidos de compra com valores inferiores ao mínimo ideal para pagamento dos custos operacionais solicitado pela organização, neste caso R$10.000,00. Descrição Sumária - cada pedido de compra criado e encaminhando ao fornecedor tem um custo operacional. Esse custo refere-se à logística necessária para a sua elaboração, como gasto com efetivo, equipamentos, softwares, instalação e tempo necessário, entre outros. A fim de obter melhor controle sobre os pedidos colocados, a empresa estabelece um valor mínimo para a colocação de pedidos de compra; essa regra auxilia o departamento de suprimentos na colocação de pedidos planejados e agrupados por projeto ou tipo de material obtendo, assim, melhor poder de negociação e menor tempo dispensado para recebimento de diversas notas 138 fiscais, menor número de inspeções a serem realizadas em diferentes fornecedores, entre outros. Esse indicador é apresentado no Tabela 5. Tabela 5 - Indicador de Valor de Pedidos de Compra Mês Percentual de PC < R$ 10.000 Total Compras R$ 1 22% 680.000 540 118 2 20% 750.455 620 127 3 11% 480.200 462 51 4 5% 398.562 296 14 5 6% 810.365 500 29 6 4% 490.620 632 23 Qt PCs Qt PC < R$ 10.000 Nome: I16 - Indicador Valor de Pedidos de Compra Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Financeira Identificação da unidade de medida - valor total gasto no período em relação à quantidade de pedidos colocados no período e pedidos menores que R$10.000,00 Definição do objetivo do indicador - verificar caso a caso quando da existência da colocação de pedido com valor menor que o objetivo estimado. Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - conforme metas estabelecidas pela organização Metodologia do indicador - diferença entre a quantidade de pedidos menor que R$10.000,00 e a quantidade total de pedidos, conforme Equação 16. I16 = Quantidade de PC Menor R$10.000,00 Quantidade de Pedidos de Compra Re alizados Equação 16 Periodicidade - mensal. 4.9.3.7 Modelo I17 - Indicador de Valor Médios do Pedidos de Compra Sua função é verificar os valores médios do pedidos de compras encaminhados aos fornecedores. Pode ser verificado no Tabela 6. 139 Tabela 6 - Indicador de Valor Médio dos PCs Valor dos PCs ( acumulado ) Qt total de PCs emitidos Vlr Médio dos PCs De Até 01/2004 12/2005 85.900.230 14.562 5.899 02/2004 01/2006 90.457.521 15.890 5.693 03/2004 02/2006 104.250.897 17.560 5.937 04/2004 03/2006 125.654.524 17.960 6.996 05/2004 04/2006 136.687.236 18.240 7.494 06/2004 05/2006 148.652.459 19.420 7.655 Nome: I17 - Indicador de Valor médio dos PCs Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Financeira Descrição Sumária - o departamento de suprimentos tem o objetivo de analisar em contexto geral a situação dos pedidos de compras colocados. Identificação da unidade de medida - valor médio dos pedidos de compras colocados nos fornecedores. Definição do objetivo do indicador - verificar se o valor médio de cada pedido de compras está de acordo com o estimado pela organização como necessário para pagamentos dos custos operacionais envolvidos. Classificação com a perspectiva do BSC - financeira. Estabelecimento de metas - conforme metas estabelecidas pela organização. Metodologia do indicador - conforme Equação 17. I17 = Valor Total Gasto Quantidade de Pedidos de Compra Re alizados Equação 17 Periodicidade - mensal. 4.9.3.8 Modelo I18 - Indicador de Rotatividade de Trabalho Tem a função de medir o aprendizado da equipe de suprimentos com a utilização da rotatividade de funções entre os membros da equipe. 140 Descrição Sumária - o processo de compras apresenta certas particularidades inerentes ao tipo de material a ser comprado, como, por exemplo: as compras de materiais comerciais não costumam exigir grande conhecimento técnico do comprador, porém, é um processo extremamente dinâmico que na maioria dos casos exige, principalmente, rapidez e conhecimento de uma grande variedade de itens. Por outro lado, para a compra de materiais mais complexos, como equipamentos, é necessário conhecimento técnico. Desse modo, é interessante para o departamento de suprimentos possuir uma equipe com capacidade de entender o contexto de cada situação para conseguir agregar maior valor ao processo de compras. Esse indicador pode ser observado na Figura 30. Nome: I18 - Indicador de Rotatividade de Trabalho Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Aprendizado e Crescimento Figura 30 - Indicador de Rotatividade no Trabalho Identificação da unidade de medida - quantidade de alterações de função em um determinado período. Definição do objetivo do indicador - analisar o treinamento e a vivência profissional nas diferentes funções. Classificação com a perspectiva do BSC - aprendizado e crescimento. Estabelecimento de metas - conforme análise do departamento. Metodologia do indicador - conforme Equação 18. 141 I18 = Quantidade Total de Funcionários Quantidade de Alteração de Funções no Período Equação 18 Periodicidade - mensal. Este capítulo procurou apresentar a organização foco do estudo, sintetizar a forma de operação da empresa necessária para a análise dos dados encontrados e contextualizar o sistema de medição existente os departamentos escolhidos como para a análise. No próximo capítulo estão apresentados os resultados obtidos com a análise dos dados coletados com a pesquisa. 142 5 RESULTADOS O presente capítulo tem como objetivo descrever e apresentar os resultados obtidos com a análise. Com os resultados busca-se apresentar as considerações obtidas por meio da comparação entre os modelos de indicadores de desempenho encontrados e a metodologia de medição de desempenho proposta, o modelo Balanced Scorecard. A fim de identificar a melhor maneira de sugerir ajustes para o sistema de medição encontrado, de acordo com os objetivos deste trabalho, foram adotados os seguintes passos: • identificação da missão e da visão da organização - com o objetivo de direcionar o sistema de medição para atingir essas perspectivas. Obedecendo à prerrogativa do BSC, a organização deve, a partir de sua visão e missão, desdobrar suas estratégias e aperfeiçoar seu processo de medição de acordo com suas quatro perspectivas: financeira, dos clientes, processos internos e aprendizado e crescimento. Assim, seguem a Visão e a Missão a serem desdobradas: Visão da empresa “Ser a empresa líder no fornecimento de equipamentos, serviços e soluções para a geração de energia, irrigação, saneamento e equipamentos industriais”. Missão da empresa: “Atuar na área de geração de energia, irrigação, saneamento e equipamentos industriais atendendo as expectativas de nossos clientes de forma a obter resultados duradouros que garantam o crescimento da empresa, a manutenção dos empregados, o relacionamento construtivo com os parceiros comerciais e o bem-estar da sociedade”. 143 • definição de uma estratégia - que deve ser adotada pelos departamentos na busca de seus objetivos. Como este trabalho objetiva uma análise inicial do sistema de medição existente, a fim de facilitar posteriormente a implantação do BSC em nível de Unidade Estratégica de Negócios e em nível corporativo, não será estabelecida uma estratégia para cada departamento. Optou-se por adaptar as próprias perguntas chaves da metodologia para tornar possível a análise dos departamentos e sugestões de aperfeiçoamento: • (Cliente) Como os clientes devem conhecer o departamento? • (Processos Internos) Em que o departamento será excelente? • (Aprendizado e Crescimento) Como o departamento conseguirá criar valor? • (Financeira) Como o departamento pode ser atrativo financeiramente à organização? • análise dos modelos existentes - a análise foi dividida em duas partes com objetivos distintos: a primeira é individual, por indicador encontrado, em que objetiva-se um maior contato com as ferramentas medição; e a segunda por departamento analisado, seguida pela análise geral que pretende verificar se os modelos encontrados atendem ao propósito de serem ferramentas de auxilio à decisão. • sugestão de um novo quadro de indicadores apoiados na metodologia proposta - as propostas dos novos modelos são apresentadas por departamento e ordenadas seqüencialmente como: Proposta 1, Proposta 2, denominada P1, P2, P3 em diante, para facilitar a análise do total da amostra. 144 5.1 ANÁLISE DO SISTEMA DE MEDIÇÃO DA ENGENHARIA Para melhor entendimento do sistema de medição atual da Engenharia, cada indicador será analisado individualmente, em seguida será apresentado o conjunto de indicadores, sua representatividade para o processo decisório do departamento e as possíveis sugestões de melhorias. A fim de facilitar a interpretação das análises individuais de cada indicador sugere-se, quando necessário, a verificação do descritivo de suas respectivas funções exportas no capítulo anterior. 5.1.1 Análise do Indicador I1 O Modelo I1 (Indicador de Eficiência da Engenharia) é um modelo específico direcionado ao acompanhamento de cada projeto em andamento na engenharia e da situação da respectiva área em relação à quantidade de horas gastas. O departamento, como um todo, está dividido por tipo de produto e atualmente possui cinco subáreas especializadas: Engenharia de Hidromecânicos, Elétrica e Regulação, Geradores, Turbinas e Small (destinada a pequenos equipamentos). Possui, então, 5 indicadores do modelo I1, pois cada um está relacionado a uma das áreas apresentadas. Neles, cada projeto é representado graficamente por uma linha, conforme modelo apresentado na (Figura 18, p. 110), tornando possível a visão geral da subárea quando analisa-se o conjunto das linhas referentes aos projetos, e à visão de cada projeto, quando analisa-se cada linha individualmente. Com esse tipo de indicador é possível avaliar o andamento de cada área de Engenharia analisada e verificar quais projetos necessitam de um plano de ação em 145 caso de estar em desacordo com o planejado para propiciar as alterações em tempo hábil, sem maiores impactos para os projetos. Porém, o foco do indicador está na análise do conjunto para oferecer ao gestor uma posição do departamento. Contudo, além da utilização atual, empregando-se os mesmos dados, sugere-se elaborar um indicador por cliente, com o objetivo de acompanhar a sua satisfação em relação às atividades executadas, e, desse modo, incentivar a alteração do foco da medição da área para os reais impulsionadores do crescimento de uma organização. Esse modelo foi considerado necessário, pois embora o atraso por parte da Engenharia possa ser absorvido nas fases seguintes, como a de manufatura, garantindo a entrega do equipamento no prazo, em muitos casos os clientes tomam conhecimento de problemas ocorridos na fase de Engenharia quando é acordado em contrato a sua validação nas fases de projeto. Considera-se que com a utilização desse modelo também será possível alterar a cultura atual do departamento, direcionada ao cumprimento de metas para a busca por satisfação dos clientes. A Figura 31 representa o modelo proposto, nomeado P1. 1,40 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 mês 5 MESES Projeto 1 Projeto 2 Projeto 3 Nome: Indicador de Atendimento ao Cliente Setor: Engenharia Perspectiva BSC: Cliente Figura 31 - P1 Indicador de Atendimento ao Cliente META mês 6 146 5.1.2 Análise do Indicador I2 O Modelo I2 somente destina-se à apresentação de informações referentes ao prejuízo financeiro causado pela necessidade de retrabalhar um determinado processo devido a ocorrência de um erro e mostrar em qual fase do processo o erro foi detectado, a fim de propiciar a elaboração de um plano de ação para as devidas correções. No entanto, atua como um indicador pontual, que embora seja necessário, não registra uma possível freqüência de um determinado tipo de erro em um mesmo equipamento ou fase do processo. A fim de sanar a deficiência do modelo atual, sugere-se a elaboração de um novo indicador que quantifique os processos errôneos por tipo de equipamento, para verificar se há ocorrência de um mesmo tipo de erro que necessite de correções e proporcionar o aprimoramento dos processos e treinamento dos envolvidos, com foco na melhoria contínua. A Figura 32 exemplifica o modelo proposto, P2. 10.000; 1% 14.000; 2% (R$) 250.000; 29% 7.000; 1% 43.000; 5% 500.000; 59% 1.000; 0% 3.000; 0% Válvula Turbina Tipo 3 Comporta 25.000; 3% Turbina Tipo 1 Grade Ponte Rolante Turbina Tipo 2 Gerador Pórtico Nome: Indicador de Desenvolvimento de Melhoria Setor: Engenharia Perspectiva BSC: Aprendizado e Crescimento Figura 32 - P2 Indicador de Desenvolvimento de Melhorias 147 Acredita-se que com a utilização do tipo de gráfico, conforme sugerido na Figura 31, é possível exibir a contribuição dos valores individuais para o montante total, e, com isto, em caso da existência de vários processos errôneos é possível identificar o mais significativo em termos de economia, tempo, entre outros, para facilitar a identificação dos processos mais críticos para a organização e, conseqüentemente, que têm prioridade de correção. 5.1.3 Análise do Indicador I3 Este indicador apenas pontua o prejuízo causado por erros do departamento de Engenharia a Unidade Estratégica de Negócios, não proporciona informações necessárias para possíveis correções. Pode ser considerado um modelo somente destinado ao controle gerencial, caso da escolha do gestor, porém não possui as características de um indicador estratégico. Nesse caso, considerando que o objetivo da organização é a análise e correção dos erros encontrados, e não somente a pontuação do percentual de erros, considera-se que o indicador não é necessário para o processo, podendo ser descontinuado. 5.1.4 Análise do Indicador I4 Este modelo pode ser considerado como complementar ao Indicador I1, pois o primeiro destina-se a verificar o cumprimento da quantidade de horas em relação ao grau de avanço planejado, e este o cumprimento dos prazos estabelecidos. Porém, por ser um indicador que analisa particularmente cada projeto, é mais útil para os respectivos coordenadores de Engenharia do que para uma análise gerencial do departamento como um todo. Assim, em caso da existência de 100 148 projetos seriam necessários 100 indicadores, dificultando uma análise macro em termos gerenciais. A fim de integrar a análise, sugere-se que esse modelo seja utilizado pelos respectivos coordenadores de engenharia, e que seja desenvolvido para análises gerenciais um novo indicador que apresente as informações, em conjunto, dos modelos atuais I1 e I4, ou seja, que verifique o cumprimento dos prazos para as respectivas horas planejadas e o grau de avanço para cada subárea de engenharia. 5.1.5 Análise Geral do Sistema de Medição da Engenharia É possível perceber, com a análise dos indicadores encontrados na Engenharia, uma grande preocupação por parte da Superintendência com a análise da posição do departamento frente aos seus resultados para a Unidade Estratégica de Negócios, pois todos os indicadores de desempenho estão voltados ao posicionamento do gestor em relação ao cumprimento ou não dos marcos planejados, sempre como foco a área em questão. Porém, quando são classificados com o BSC é possível perceber a inadequação ao modelo, dada a tendência em atingir somente o objetivo financeiro, com foco em relatar o que já ocorreu, em um período anterior, para propiciar correção e evitar nova ocorrência, sem mostrar como será possível aperfeiçoar o processo no momento seguinte. Pode-se observar que a Engenharia, para garantir seus processos, está utilizando como principal ferramenta de informação do controle de suas atividades o Orçamento (para quantidade de horas e prazos). O Quadro 10 apresenta os modelos atuais existentes. 149 Área Indicador Perspectiva BSC Engenharia I1 - Eficiência da Engenharia Financeira Engenharia I2 - Eficácia da Engenharia Financeira Engenharia I3 - Impacto do Retrabalho Financeira Engenharia I4 - Acompanhamento de Projeto Processos Internos Quadro 10 - Classificação dos Indicadores da Engenharia com o BSC A fim de apoiar a proposta dos novos modelos de indicadores, será apresentada a síntese dos pontos considerados fracos, seguida das sugestões de melhorias identificadas. • Síntese dos principais pontos fracos considerados no departamento de Engenharia: foco somente nos resultados financeiros e falta modelo para uma análise gerencial mais ampla. Os modelos existentes são muito específicos e, em alguns casos, mais apropriados a análises pontuais em níveis de coordenação. • Sugestões de melhorias: além dos indicadores propostos em complemento aos Modelos I1 e I2, denominados P1 e P2, sugere-se a criação de medição para o incentivo e acompanhamento de melhorias no departamento, como resultado principalmente da atuação dos funcionários, com diminuição de horas gastas, desenvolvimento de modelos paramétricos, treinamento e motivação da equipe. Para Kaplan e Norton (1997), a verificação da satisfação dos funcionários pode ser verificada com a utilização de três medidas de resultado, consideradas essenciais e apoiadas por vetores situacionais: satisfação, retenção e a produtividade. A Figura 33 tem o objetivo de apresentar a estrutura dessa medição. 150 Indicadores Essenciais Resultados Produtividade dos Funcionários Retenção dos Funcionários Satisfação dos Funcionários Vetores Competências do Quadro de Funcionários Infra-estrutura Tecnológica Clima para a Ação Figura 33 - Estrutura de Medição do Aprendizado e Crescimento Fonte: Kaplan e Norton (1997) Assim, os próximos indicadores a serem sugeridos procuram atentar para essas três medidas essenciais, e, com o objetivo de promover o treinamento dentro da Engenharia, sugere-se que para as atividades de redução de horas e desenvolvimento paramétrico a equipe seja formada por profissionais experientes e profissionais em treinamento. P3 - Indicador de economia de horas: o custo do departamento de engenharia é calculado pela quantidade de horas-homem necessárias à realização de determinada atividade em projeto. A sua diminuição significa que o departamento está desenvolvendo tecnologia e sendo mais rentável à empresa. Portanto, a fim de incentivar a melhoria contínua sugere-se, primeiramente, a análise dos principais equipamentos da empresa para a 151 escolha dos que apresentam oportunidades de aperfeiçoamento e, depois, que seja aplicado um indicador com o objetivo de diminuir as horas de projetos com metas estabelecidas pela organização para um determinado período de tempo. HORAS.. A Figura 34 exemplifica esse modelo. 17000 16000 15000 14000 13000 12000 11000 10000 2006 2007 2008 2009 2010 2011 ESCALA DE TEMPO META 5% AO ANO REAL Nome: Indicador de Economia de Horas Setor: Engenharia Perspectiva BSC: Aprendizado e Crescimento Figura 34 - P3 Indicador de Gastos de Horas P4 - Indicador de Desenvolvimento de modelos Paramétricos: devido aos tipos de produtos vendidos, conforme já apresentado no estudo de caso, a cada nova venda são desenvolvidos projetos específicos, mas mesmo nesses casos é possível utilizar modelos paramétricos, ou seja, projetos base que possam ser utilizados como base em todos os casos. Portanto, em complemento ao P3, sugere-se a elaboração de modelos paramétricos para os principais equipamentos em determinado período de tempo. A Figura 35 exemplifica a sugestão. 152 Nome: Indicador de Desenvolvimento de Modelo Paramétrico Setor: Engenharia Perspectiva BSC: Aprendizado e Crescimento Figura 35 - P4 Indicador de Desenvolvimento de Modelo Paramétrico P5 - Indicador de motivação da equipe: entende-se que a motivação dos funcionários proporciona melhores resultados para a empresa. Sugere-se a utilização de um indicador que atue como um termômetro para analisar o comportamento da equipe, que possa, também, verificar a proporção entre horas presença e ausência e retenção dos funcionários. A Figura 36 apresenta o modelo proposto. 8000 8% 11% 6% 3% 6% 1% HORAS.. 6000 4000 7100 7400 7500 7800 7950 7550 mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 mês 5 mês 6 2000 0 Horas Trabalhadas % Ausência Horas Ausências Efetivo Atual Nome: Indicador de Motivação da Equipe Setor: Engenharia Perspectiva BSC: Aprendizado e Crescimento Figura 36 - P5 Indicador de Motivação da Equipe 153 Assim, será possível providenciar os investimentos necessários para a motivação constante da equipe e analisar possíveis insatisfações quanto ao clima organizacional, organização das atividade e sistema de remuneração, entre outros. Em resumo das propostas apresentadas individualmente para a elaboração de um novo quadro de indicadores para o departamento de engenharia, tem-se o seguinte resultado de indicadores balanceados, apresentado no Quadro 11. Indicador Sugestão Perspectiva BSC I1 - Eficiência da manter Financeira Engenharia I2 - Eficácia da manter Financeira Engenharia I3 - Impacto do descontinuar Financeira Retrabalho I4 - Acompanhamento ser utilizado somente Processos Internos de Projeto pelos coordenadores P1 - Atendimento ao modelo proposto Cliente cliente P2 - Desen. de Aprendizado e modelo proposto Melhorias Crescimento P3 - Economia de Aprendizado e modelo proposto horas Crescimento P4 - Desenv. de Aprendizado e modelo proposto Modelos Paramétricos Crescimento P5 - Motivação da Aprendizado e modelo proposto Equipe Crescimento Quadro 11 - Proposta de um Novo Quadro de Indicadores para a Engenharia Observa-se que o novo quadro proposto apresenta maior proximidade com a metodologia do BSC, por induzir o departamento a elaborar um sistema de medição mais equilibrado, com as perspectivas entendidas como essenciais, e por motivar o desenvolvimento de indicadores que realmente atuem para auxiliar no processo de decisão do departamento. 154 5.2 ANÁLISE DO SISTEMA DE MEDIÇÃO DA QUALIDADE A análise dos indicadores de desempenho encontrados no departamento da qualidade seguirá a mesma metodologia utilizada para o departamento de engenharia. Assim, cada amostra será analisada individualmente, e sua respectiva importância no contexto geral do departamento. Como mencionado no início da análise anterior, sugere-se, também, quando oportuno, para a melhor interpretação das observações realizadas, a verificação da descrição detalhada da funcionalidade de cada modelo de indicador apresentada no capítulo anterior deste trabalho, referente à apresentação do sistema de medição da área da Qualidade. 5.2.1 Análise do Indicador I5 Este modelo, embora seja nomeado “Indicador de Eficiência da Engenharia da Qualidade”, tem a função somente de verificar se a quantidade de horas produtivas, executadas em projetos pela área da engenharia da qualidade está de acordo com a quantidade necessária para o seu pagamento, ou seja, se o departamento está executando as horas produtivas cabíveis. Diz-se que as horas produtivas pagam um determinado departamento, pois conforme a estrutura da empresa, em todo início de ano fiscal é elaborado um orçamento, com o objetivo de calcular o valor operacional do respectivo departamento para a organização. Por exemplo, se um departamento possui 50 funcionários, o gasto anual para as suas despesas com salários, encargos sociais, manutenção predial, equipamentos, softwares, entre outros, é de R$ 3.000.000; logo, o departamento 155 custa mensalmente para a organização R$ 250.000 e o valor hora-homem (considerando a média mensal de 180horas) é de R$ 27,80. Como a empresa é paga por projetos, é necessário serem trabalhadas em média 180 horas-homem mensais para cumprimento do orçamento da área e evitar a subliquidação do departamento, ou seja, que o custo operacional seja mais elevado que o previsto pela organização no início do ano fiscal. Neste sentido, este indicador, embora necessário para fins gerenciais das análises do departamento como um todo, não calcula a eficiência relacionada ao cumprimento dos prazos e quantidade de horas orçadas por projeto em andamento na área da qualidade. Assim como a área da engenharia, o departamento da qualidade também é produtivo, também possui uma quantidade de horas orçadas para cumprimento de suas atividades. Portanto, sugere-se a utilização de um indicador que verifique a quantidade de horas orçadas e gastas por projetos de um mesmo cliente, com a função de focar a área de qualidade para atingir às expectativas dos clientes e não ultrapassar os custos estimados. Contudo, no caso da área de qualidade a quantidade de horas planejadas para inspeções somente são ultrapassadas se houver a ocorrência de determinado erro em alguma fase anterior, como na fase de projetos, manufatura e montagem na obra, entre outros. Então, a utilização do modelo proposto visa pontuar a conclusão atividades executadas em conformidade com o planejado para cada projeto. Para facilitar a análise geral de toda a organização, propõe-se utilizar o mesmo modelo sugerido para o departamento de engenharia, apenas com as devidas adaptações para a área da qualidade. A Figura 37 apresenta a respectiva sugestão. 156 1,40 1,20 1,00 0,80 0,60 0,40 0,20 mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 mês 5 mês 6 MESES Projeto 1 Projeto 2 Projeto 3 META Nome: Indicador de Atendimento ao Cliente Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Cliente Figura 37 - P6 Indicador de Atendimento ao Cliente 5.2.2 Análise do Indicador I6 Este é um indicador de desempenho de função gerencial para controle dos custos logísticos necessários para o processo e execução da inspeção externa, como deslocamento, hospedagem e alimentação do inspetor, verificando o total gasto em cada situação. Sua medição proporciona a possibilidade de algumas economias financeiras locais em relação à definição de uma melhor logística a ser utilizada pelo inspetor contratado na execução de suas atividades. Devido a sua finalidade, não é considerado um indicador de medição estratégica para o departamento, mas essencial para o controle dos gastos, dada a quantidade de inspeções realizadas. 5.2.3 Análise do Indicador I7 Este modelo de indicador busca identificar a porcentagem de erros cometidos pela área da engenharia da qualidade na liberação de peças, 157 equipamentos, entre outros, com não conformidades passíveis de serem descobertas internamente, evitando, assim, maiores custos e desgaste da imagem da empresa frente ao cliente. Embora o departamento quantifique os erros cometidos e elabore medidas corretivas com o treinamento da equipe para não permitir que o mesmo erro de inobservância ocorra, não quantifica a incidência de um mesmo tipo de erro em determinado processo ou equipamento para o treinamento do agente causador da não conformidade. Sugere-se a elaboração de um indicador que verifique os tipos de erros cometidos por tipo de equipamento e agente causador, a fim de propiciar os treinamentos necessários para correção do processo errôneo e desenvolvimento da melhoria contínua. Dessa forma, a área de qualidade, além de garantir a conformidade dos equipamentos fabricados, pode auxiliar a organização como agente propulsor de correções em todas as áreas da empresa na busca de melhorias. A Tabela 7 apresenta o modelo proposto. Tabela 7 - P7 Indicador de Incidência de Erro Agente Causador Quant. de erros por equipamento Equip. 1 Equip. 2 Equip. 3 Equip. 4 Engenharia 1 0 0 0 Suprimentos 1 0 0 0 Manufatura 2 0 0 0 Expedição 0 1 0 0 Transporte 0 2 0 0 Montagem no Campo 0 1 0 0 Nome: Indicador Incidência de Erro Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Aprendizagem e Crescimento 158 5.2.4 Análise do Indicador I8 Este modelo de indicador visa verificar o cumprimento dos prazos estabelecidos para a área de metrologia na calibração dos instrumentos necessários para o departamento de manufatura e inspeções internas e externas continuarem com suas atividades no prazo estimado. Embora tenha o objetivo de uma verificação pontual de andamento e correção de processos, é necessário para medir a eficiência do departamento na execução de suas atividades, dada a importância dos diferentes instrumentos corretamente aferidos para serem utilizados nos processos seguintes. Considera-se que a tolerância de atrasos para esta medição deve ser nula, para evitar paradas na fábrica e atrasos de projetos que possam resultar em prejuízos financeiros para a organização. 5.2.5 Análise do Indicador I9 Este é um modelo de indicador de desempenho para verificação da eficiência da área do laboratório no cumprimento de suas atividades; na execução de ensaios mecânicos destrutivos solicitados pela área de manufatura; na qualificação das chapas recebidas, e também para analisar o ocorrido quando da detecção de anomalias no processo de montagem dos equipamentos, na obra, para posterior laudo da engenharia. Assim como o modelo I8, sua medição é extremamente importante para a garantir que as próximas fases possam ocorrer sem atrasos e tenham a aprovação necessária para evitar prejuízos com a utilização de material indevido, que não atenda ao especificado. 159 5.2.6 Análise do Indicador I10 Este indicador de desempenho tem o mesmo objetivo do Modelo I5, de verificação da eficiência do departamento, porém é destinado à medição da área de Garantia da Qualidade. Em complemento às observações referentes ao Modelo I5, sugere-se a elaboração de um novo modelo de indicador, mas que ao invés de verificar a eficiência do departamento da Garantia da Qualidade em relação ao seu orçamento anual, verifique-a em termos de cumprimento de prazos e horas orçadas por projeto e por cliente. Sugere-se criar modelo P8 da mesma forma que o modelo proposto P6, alterando apenas a subárea de Engenharia da Qualidade para Garantia da Qualidade. 5.2.7 Análise Geral do Sistema de Medição da Qualidade Com a análise do sistema de medição da qualidade é possível notar que, como no departamento de engenharia, todos os seus indicadores estão voltados ao cumprimento ou não das atividades e horas planejadas em seus respectivos prazos. Da mesma forma, estão direcionados, em sua maioria, para os objetivos somente financeiros e de processos internos, com foco principal no relato do andamento das atividades e pouca preocupação em serem agentes propulsores de melhorias. Também pode-se observar que a Qualidade utiliza o orçamento como principal ferramenta de controle para garantir seus processos. O Quadro 12 demonstra os modelos atuais utilizados. 160 Área Indicador Perspectiva BSC Qualidade I5 - Eficiência Eng. Qualidade Financeira Qualidade I6 - Eficiência Insp. Externa Financeira Qualidade I7 - Eficácia Eng. Qualidade Processos Internos Qualidade I8 - Eficiência da Metrologia Processos Internos Qualidade I9 - Eficiência do Laboratório Processos Internos Qualidade I10 - Eficiência da Garantia Qualid. Financeira Quadro 12 - Classificação dos Indicadores da Qualidade com o BSC Com o objetivo de apoiar a proposta de novos indicadores, será apresentada a síntese da análise dos pontos fracos do departamento da qualidade e as sugestões de melhorias. • Síntese dos principais pontos fracos considerados no departamento de Engenharia: foco somente nos resultados financeiros e na verificação dos processos internos, por ser uma área que tem a função de aprovar os equipamentos e serviços oferecidos pela empresa. Necessita de ferramentas de medição propulsoras de melhorias para todas as áreas da organização, que tenham atuação direta nos projetos. Embora as metas dispostas nos modelos de indicadores apresentados tenham sido alteradas para salvaguardar as informações oficiais e sigilosas da empresa foco do estudo, que optou por ficar anônima, observou-se que as metas utilizadas pela área da qualidade eram diferentes de zero, mas entende-se que deveriam ter “zero defeitos” a fim de garantir todos os produtos e equipamentos oferecidos pela organização. 161 Sugestões de melhorias: além dos modelos sugeridos em complemento • aos Indicadores I5, I7 e I8, respectivamente, os modelos P6, P7 e P8, sugere-se a criação de medição para treinamento e motivação da equipe. P9 - Indicador de Motivação da Equipe: para facilitar a análise geral da organização quanto à implantação do BSC, o ideal seria utilizar, em caso aplicável, o mesmo modelo de indicador para facilitar a análise estratégica do conjunto. Portanto, propõe-se o mesmo indicador sugerido para a Engenharia, o modelo P5, conforme apresentado na Figura 38. 8000 8% 11% 6% 3% 6% 1% HORAS.. 6000 4000 7100 7400 7500 7800 7950 7550 mês 1 mês 2 mês 3 mês 4 mês 5 mês 6 2000 0 Horas Trabalhadas % Ausência Horas Ausências Efetivo Atual Nome: Indicador de Motivação da Equipe Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Aprendizado e Crescimento Figura 38 - P9 Indicador de Motivação da Equipe P10 - Indicador de Treinamento da Equipe: no caso da área da qualidade, por se tratar de uma área responsável por aprovar, com inspeções, todos os processos e equipamentos da empresa, considera-se importante a formação de especialistas em equipamentos e processos, com o objetivo de propiciar uma maior oportunidade de sugestões de melhorias e maior assertividade nas aprovações. 162 Deve ser definido um indicador que estabeleça diferentes treinamentos para os membros da equipe da qualidade, conforme a necessidade detectada. Pode-se optar por verificar o conhecimento atual da equipe e identificar os processos mais complexos para melhor direcionar os treinamentos. A Tabela 8 tem o objetivo de apresentar essa sugestão. Tabela 8 - P10 Indicador de Treinamento da Equipe Tipo de Equipamento Estratégia de Treinamento mensal Inspetor nível 1 Inspetor nível 2 Inspetor Externo Técnico em Manuais Equip. 1 4 horas 0 0 0 Equip. 2 2 horas 3 horas 0 0 Equip. 3 0 3 horas 0 0 Equip. 4 0 1 10 horas 0 Equip. 5 0 2 0 10 horas Equip. 6 0 1 0 15 horas Nome: Indicador de Treinamento da Equipe Setor: Qualidade Perspectiva BSC: Aprendizagem e Crescimento Em síntese, das propostas elaboradas para o departamento, a fim de construir um sistema de medição balanceado de acordo com o modelo proposto BSC, afirma-se que a área de qualidade deve possuir um sistema de medição que incentive melhorias para toda a organização. Como a área é a responsável pela provação de todos os equipamentos e produtos oferecidos pela empresa, este departamento deve verificar a correta utilização e atualização dos indicadores de desempenho de toda organização no prazo estabelecido e de acordo com métodos escolhidos para sua disseminação e compreensão. Quanto à implantação do BSC no nível de Unidade Estratégica de Negócios, a área deveria atuar no acompanhamento da evolução dessa 163 aplicação, para se especializar e preparar treinamentos quando necessários e oportunos aos processos. Porém, analisando somente o sistema de medição da área, segue o novo quadro de indicadores sugerido para utilização da qualidade, conforme apresentado no Quadro 13. Indicador Sugestão Perspectiva BSC I5 - Eficiência Eng. Qualidade manter Financeira I6 - Eficiência Insp. Externa manter Financeira I7 - Eficácia Eng. Qualidade manter Processos Internos I8 - Eficiência da Metrologia manter Processos Internos I9 - Eficiência do Laboratório manter Processos Internos I10 - Eficiência da Garantia da manter Qualidade P6 - Atendimento ao Cliente Modelo proposto (área - Engenharia da Qualidade) Financeira Cliente P7 - Incidência de Erro Modelo proposto Aprendizado e Crescimento P8 - Atendimento ao Cliente (área - Garantia da Qualidade) Modelo proposto Cliente Aprendizado e Crescimento Aprendizado e P10 - Treinamento da Equipe Modelo proposto Crescimento Quadro 13 - Proposta de um Novo Quadro de Indicadores para a Qualidade P9 - Motivação da Equipe Modelo proposto Observa-se que o novo quadro procura equilibrar a elaboração de indicadores de desempenho nas perspectivas propostas pelo BSC, aperfeiçoando o quadro mais restrito anterior à análise. 5.3 ANÁLISE DO SISTEMA DE MEDIÇÃO DE SUPRIMENTOS Seguindo os mesmos critérios utilizados para as análises dos departamentos anteriores, os indicadores de desempenho encontrados na área de Suprimentos 164 serão examinados em detalhes, para verificar as possíveis melhorias para seu aperfeiçoamento e adequação em relação à metodologia e às perspectivas propostas pela ferramenta BSC. Por ser o último departamento a ser estudado, após sua análise será possível a crítica do total da amostra pesquisada e as considerações finais obtidas com a aplicação da pesquisa. 5.3.1 Análise do Indicador I11 Este indicador é útil para verificar de forma indireta o desempenho de cada projeto em andamento na área, pois avalia se o departamento de suprimentos está conseguindo aprovisionar os produtos dentro do valor estimado, ou valor vendido e tempo planejado. No entanto, não é eficiente para verificar o desempenho do departamento em relação às negociações realizadas e às compras executadas, pois para essa análise é necessária a comparação da média de custos encontrada no mercado no momento da compra com o valor gasto para adquirir o mesmo bem ou serviço para o projeto. No caso da empresa em questão, devido aos serviços que oferece, na maioria dos projetos vendidos tem-se um tempo longo entre o orçamento realizado para o fechamento do preço utilizado na proposta e a necessidade de compra para fabricação. Isto ocorre devido, principalmente, a duas razões principais: tipo de cliente, como grandes consórcios ou estatais, e tipo de produto e serviço vendido, quando o longo tempo é necessário para atender características peculiares como duração da licitação, desenvolvimento do contrato de venda e demora no início da fabricação. 165 Assim, em casos de necessidade de equipamentos como comportas, turbinas, entre outros, tem-se primeiro a construção da infra-estrutura da parte civil, fase de planejamento, projeto na engenharia, para; então; serem geradas as necessidades de compras. Em muitos casos é possível observar um período de até dois anos, ou mais, para iniciar o processo de compras, como, por exemplo, na construção de grandes centrais hidrelétricas. No decorrer desse tempo, muitas vezes pode-se encontrar uma grande variação e oscilação nos preços de mercado; os valores podem aumentar ou diminuir consideravelmente e essa oscilação não permite a verificação da eficiência pelo preço orçado, e sim pelo valor de mercado. Sugere-se, então, um indicador que compare a eficiência do departamento na efetuação de suas compras em relação ao preço de mercado. Esse modelo pode ser direcionado principalmente para as compras estratégicas, por tipo de material e seu alto custo para organização. A Tabela 9 apresenta o modelo proposto P11 para a comparação com o valor de mercado. Tabela 9 - P11 Indicador de Valor de Mercado e Valor e Compra mês 1 mês 2 Produto R$ Mercado R$ Compra % R$ Mercado R$ Compra % Equip. 1 150.000 170.000 -13% 155.000 170.000 -10% Equip. 2 200.000 180.000 10% 180.000 180.000 0% Equip. 3 90.000 85.000 6% 100.000 101.000 -1% Equip. 4 500.000 505.000 -1% 500.000 505.000 -1% Equip. 5 320.000 320.000 0% 320.000 320.000 0% Equip. 6 600.000 550.000 8% 600.000 550.000 8% Nome: Indicador de Valor de Mercado X Compra Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Financeira 166 5.3.2 Análise do Indicador I12 Este modelo de indicador tem como objetivo verificar o cumprimento dos prazos estabelecidos como necessários para o aprovisionamento dos materiais solicitados conforme as necessidades de cada projeto em andamento. Porém, observa-se uma certa tolerância em relação aos tipos de demora quando se verifica que no modelo de indicador utilizado as carências são classificadas conforme a quantidade de dias em atraso. Da maneira como o indicador está sendo apresentado e mensurado, os atrasos que estão em foco como críticos são os que se referem ao D4 e D5, que representam, respectivamente, de 15 a 29 dias em atraso e mais que 30 dias em atraso. Acredita-se que este modelo deve ser refeito, a fim de apresentar somente as informações, cumpridas no prazo e não cumprido o prazo; deve-se fazer um trabalho de conscientização de toda a equipe e dos fornecedores que não importa o nível de complexidade do material aprovisionado, pois um dia de atraso pode gerar impactos substanciais aos processos. 5.3.3 Análise do Indicador I13 Este indicador é estabelecido pela Administração Corporativa para verificar a quantidade de compras efetuadas em países considerados de baixo custo, mas com alta tecnologia. Para este modelo observa-se a falta da identificação da meta a ser atingida. Para identificá-la em nível de Unidade Estratégica de Negócios, se está sendo rentável para a organização local, sugere-se elaborar um indicador de desempenho 167 que quantifique o ganho ou perda decorrentes de compras em países de baixo custo, comparados com a opção de custos ofertados pelos fornecedores em compras no próprio país. Se todas as unidades adotarem a utilização desse modelo de indicador, as informações obtidas podem servir de análise comparativa em nível corporativo se a estratégia é rentável em nível mundial. Esse modelo proposto pode ser observado na Tabela 10. Tabela 10 - P12 Indicador de Perda da UEN mês 1 mês 2 R$ Compra Local R$ Paises B. Custo Perda da UEN R$ Mercado R$ Compra Perda da UEN Equip. 1 200.000 170.000 30.000 155.000 170.000 -15.000 Equip. 2 300.000 360.000 -60.000 180.000 180.000 0 Equip. 3 400.000 290.000 110.000 100.000 101.000 -1.000 Equip. 4 990.000 987.000 3.000 500.000 505.000 -5.000 Equip. 5 760.000 930.000 -170.000 320.000 320.000 0 Equip. 6 600.000 550.000 50.000 600.000 550.000 50.000 Produto Nome: Indicador de Perda da UEN Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Financeira 5.3.4 Análise do Indicador I14 Este modelo apenas apresenta a quantidade de relatórios de não conformidade atribuídas em um determinado período; atua com a finalidade de verificar a posição do departamento frente aos problemas encontrados quantificando os que ainda faltam ser resolvidos, porém não verifica a incidência de várias RNCs abertas para um mesmo fornecedor com o objetivo de elaborar plano de ação para a correção, ou, dependendo do caso, a sua desqualificação. 168 Por este ser um modelo de medição somente informativo, que não apresenta informações suficientes para a tomada de decisão, sugere-se que seja substituído por outro indicador que pontue as RNCs por fornecedor. Essa proposta pode ser observada na Tabela 11. Tabela 11 - P13 Indicador RNC por Fornecedor Quant. de RNC aberta Quant. de RNC finaliza da Tempo médio para resolução Fornec. 1 15 35 20 dias Fornec. 2 1 2 5 dias Fornec. 3 20 0 15 dias Fornec. 4 3 9 3 dias Fornec. 5 2 6 6 dias Fornec. 6 1 1 1 dia Total Geral 42 53 8 dias Fornecedor Nome: Indicador de RNC por Fornecedor Setor: Suprimentos Perspectiva BSC: Processos Internos 5.3.5 Análise do Indicador I15 Este indicador de desempenho tem como objetivo somente apresentar a quantidade de relatórios de não conformidades abertos devido a erros causados pelo departamento de suprimentos, fornecedores e subfornecedores e resolvidas dentro do mesmo mês de sua abertura. Portanto, não fornece subsídios necessários para a análise e apuração dos erros que possam auxiliar o processo de decisão. Neste caso o ideal é cancelar a sua utilização, pois além de ser um indicador com informações incompletas, foi proposto o modelo P10 para uma análise mais completa que também apresenta a informação referente a quantidade média de dias para a resolução de cada RNC. 169 5.3.6 Análise do Indicador I16 Este indicador pretende verificar a quantidade de pedidos de compra com valores baixos, que atrapalham o fluxo de trabalho, geram perda de tempo e dificultam a logística, além de estarem abaixo do valor estimado pela organização como o mínimo ideal. Embora quantifique a quantidade de pedidos fora do padrão desejável, não fornece a informação de uma meta a ser seguida com a quantidade permitida para as possíveis exceções a esta metodologia. Sugere-se a definição de uma meta para esse indicador. 5.3.7 Análise do Indicador I17 Este indicador objetiva verificar o valor médio aprovisionado dos pedidos de compras realizados pela equipe, porém não apresenta informação estratégia a ser utilizada para aperfeiçoamento do processo e sua medição. É questionável, por exemplo, a existência de um pedido de R$3.000.000,00 e 200 pedidos de R$1.000,00 que equivale a um valor médio de R$15.920,40 por pedido de compra. Sugere-se que o indicador seja cancelado. 5.3.8 Análise do Indicador I18 Este é um modelo de indicador de desempenho de análise gerencial para verificação da quantidade de treinamento possibilitada com a utilização da rotatividade de trabalho. Uma das possibilidades de aprendizado organizacional voltada ao atendimento das necessidades específicas de cada empresa ou departamento e 170 multiplicação dos conhecimentos gerando reais possibilidades de melhorias é a utilização da rotatividade de atividades executadas pelos próprios membros da equipe. A utilização desse tipo de medição é interessante para disseminar os conhecimentos entre os envolvidos e aprimorar os processos 5.3.9 Análise Geral do Sistema de Medição de Suprimentos Com a análise do sistema de medição da área de suprimentos é possível verificar a tendência do departamento em utilizar medições focadas em resultados financeiros, na sua maioria, e também nos processos internos, conforme tendência observada anteriormente na análise dos departamentos de engenharia e qualidade. Assim como nos outros departamentos estudados, seu foco principal está em relatar o andamento das atividades com pouca preocupação no desenvolvimento de melhorias e no atendimento as expectativas dos clientes. O Quadro 14 demonstra os modelos atuais utilizados. Área Indicador Perspectiva BSC Suprimentos I11 - V. Gasto Relação ao Orçado Financeira Suprimentos I12 - Aquisição Fora do Prazo Financeira Suprimentos I13 - Aquisição no País Financeira Suprimentos I14 - Quantidade de RNC Processos Internos Suprimentos I15 - Quantidade RNC Resolvida Processos Internos Suprimentos I16 - Valor de Pedidos de Compra Financeira Suprimentos I17 - Valor Médio dos PCs Financeira Aprendizado e Crescimento Quadro 14 - Classificação dos Indicadores de Suprimentos com o BSC Suprimentos I18 - Rotatividade de Trabalho 171 Com o objetivo de apoiar as sugestões de novos indicadores, será apresentada a síntese da análise do departamento de Suprimentos em relação a seus pontos fracos. • Síntese dos principais pontos fracos considerados no departamento de Suprimentos: falta de utilização de metas em alguns modelos de indicadores. Os modelos são apresentados com a visão somente nos últimos dois meses, o que dificulta a verificação de uma tendência desfavorável que necessite ser avaliada particularmente; utilização de indicadores apenas informativos, que não possuem objetivos estratégicos e podem ser descartados. • Sugestões de melhorias: além dos modelos sugeridos em complemento aos Indicadores I11, I13 e I14, respectivamente os modelos P11, P12 e P13, sugere-se a criação de medição para o monitoramento da motivação da equipe. P14 - Indicador de Motivação da Equipe: sugere-se utilizar o mesmo modelo de indicador proposto para os departamentos de engenharia e qualidade para facilitar a análise geral da organização. Em suma, pretende-se a elaboração de um quadro de indicadores de desempenho coerentes com as necessidades do departamento, mas de acordo com as prerrogativas do BSC em relação à distribuição da medição nas quatro perspectivas necessárias. Segue o novo quadro de indicadores sugeridos para utilização de Suprimentos, conforme apresentado no Quadro 15. 172 Indicador Sugestão Perspectiva BSC I11 - V. Gasto Relação ao Orçado manter Financeira I12 - Aquisição Fora do Prazo manter Financeira I13 - Aquisição no País manter Financeira I14 - Quantidade de RNC descontinuar Processos Internos I15 - Quantidade RNC Resolvida descontinuar Processos Internos I16 - Valor de Pedidos de Compra manter Financeira I17 - Valor Médio dos PCs descontinuar Financeira I18 - Rotatividade de Trabalho manter Aprendizado e Crescimento P11 - Valor de Mercado e Valor de Compra Modelo proposto Financeira P12 - Perda da UEN Modelo proposto Financeira P13 - RNC por Fornecedor Modelo proposto Processos Internos Aprendizado e Crescimento Quadro 15 - Proposta de um Novo Quadro de Indicadores para Suprimentos P14 - Motivação da Equipe Pode-se observar uma melhor Modelo proposto distribuição dos indicadores de desempenho nas perspectivas indicadas pelo BSC. Com esta última análise apresentada conclui-se as considerações feitas por departamento estudado; a seguir, será apresentada a análise geral do total da amostra. 5.4 ANÁLISE GERAL DA AMOSTRA Após analisar individualmente o sistema de medição encontrado nos departamentos da Engenharia, Qualidade e Suprimentos, da Unidade Estratégica de Negócios objeto da pesquisa, é possível verificar a sua inadequação em relação à 173 metodologia proposta do Balanced Sorecard. O Quadro 16 tem o objetivo de apresentar a classificação do total da amostra pesquisada em relação ao modelo proposto. Área Indicador Perspectiva BSC Engenharia I1 - Eficiência da Engenharia Financeira Engenharia I2 - Eficácia da Engenharia Financeira Engenharia I3 - Impacto do Retrabalho Financeira Engenharia I4 - Acompanhamento de Projeto Qualidade I5 - Eficiência Eng. Qualidade Financeira Qualidade I6 - Eficiência Insp. Externa Financeira Qualidade I7 - Eficácia Eng. Qualidade Processos Internos Qualidade I8 - Eficiência da Metrologia Processos Internos Qualidade I9 - Eficiência do Laboratório Processos Internos Qualidade I10 - Eficiência da Garantia Qualid. Financeira Suprimentos I11 - V. Gasto Relação ao Orçado Financeira Suprimentos I12 - Aquisição Fora do Prazo Financeira Suprimentos I13 - Aquisição no País Financeira Suprimentos I14 - Quantidade de RNC Processos Internos Suprimentos I15 - Quantidade RNC Resolvida Processos Internos Suprimentos I16 - Valor de Pedidos de Compra Financeira Suprimentos I17 - Valor Médio dos PCs Financeira Processos Internos Suprimentos I18 - Rotatividade de Trabalho Aprendizado e Crescimento Quadro 16 - Classificação do Total da Amostra nas Perspectivas do BSC Existe uma tendência dos departamentos pela escolha de indicadores com foco principalmente nos objetivos financeiros da organização, como pode ser observado no Quadro 17. Perspectiva Quantidade Representatividade Perspectiva Financeira 11 61% Perspectiva Interna 6 33% Perspectiva Aprendizado 1 6% Total da amostra = 18 indicadores Quadro 17 - Representatividade do Total da Amostra em Relação ao BSC Utilizando como critério as perguntas propostas pela metodologia do BSC, sugere-se um novo quadro de indicadores, mais equilibrado, a ser implementado pela organização. O novo sistema proposto está representado no Quadro 18, no 174 qual estão acrescentados os novos modelos sugeridos, os modelos cuja análise considerou pertinente sua continuação e estão ausentes os modelos cuja análise sugere que sejam descontinuados. Área Indicador Engenharia I1 - Eficiência da Engenharia Engenharia I2 - Eficácia da Engenharia Engenharia I4 - Acompanhamento de Projeto Perspectiva BSC Financeira Financeira Processos Internos Engenharia P1 - Atendimento ao cliente Cliente Engenharia P2 - Desenv. de Melhorias Aprendizado e Crescimento Engenharia P3 - Economia de horas Aprendizado e Crescimento Engenharia P4 - Desenv. de Modelos Paramétricos Aprendizado e Crescimento Engenharia P5 - Motivação da Equipe Aprendizado e Crescimento Qualidade I5 - Eficiência Eng. Qualidade Financeira Qualidade I6 - Eficiência Insp. Externa Financeira Qualidade I7 - Eficácia Eng. Qualidade Processos Internos Qualidade I8 - Eficiência da Metrologia Processos Internos Qualidade I9 - Eficiência do Laboratório Processos Internos Qualidade I10 - Eficiência da Garantia Qualidade Qualidade P6 - Atendimento ao Cliente (área Engenharia da Qualidade) Qualidade P7 - Incidência de Erro Qualidade P8 - Atendimento ao Cliente (área Garantia da Qualidade) Qualidade P9 - Motivação da Equipe Aprendizado e Crescimento Qualidade P10 - Treinamento da Equipe Aprendizado e Crescimento Financeira Cliente Aprendizado e Crescimento Cliente Suprimentos I11 - V. Gasto Relação ao Orçado Financeira Suprimentos I12 - Aquisição Fora do Prazo Financeira Suprimentos I13 - Aquisição no País Financeira Suprimentos I16 - Valor de Pedidos de Compra Financeira Suprimentos I18 - Rotatividade de Trabalho Aprendizado e Crescimento Suprimentos P11 - Valor de Medo e Valor de Compra Financeira Suprimentos P12 - Perda da UEN Financeira Suprimentos P13 - RNC por Fornecedor Processos Internos Suprimentos P14 - Motivação da Equipe Aprendizado e Crescimento Quadro 18 - Representatividade do Total da Amostra em Relação ao BSC 175 O total do novo quadro de indicadores de desempenho balanceados proposto para os três departamentos em estudo é de 28 modelos, conforme apresentado no Quadro 19, objetiva uma melhor distribuição do sistema de medição nas perspectivas consideradas chaves da metodologia e não somente na perspectiva financeira conforme encontrado inicialmente. Perspectiva Quantidade Representatividade Perspectiva Financeira 11 39% Perspectiva Aprendizado e Crescimento 9 32% Perspectiva dos Processos Internos 5 18% Clientes 3 11% Quadro 19 - Representatividade do Total Sugerido em Relação ao BSC As críticas feitas aos indicadores de desempenho pesquisados, bem como as sugestões de novos modelos, não objetivam apresentar uma forma acabada a ser implementada pela organização, mas sim introduzir novos conceitos sobre a implementação e utilização de ferramentas de medição mais direcionadas a realidade da empresa e seus objetivos. Portanto, como resultado deste trabalho, considera-se que, de acordo com a rapidez em que se propagam as novas tecnologias no ambiente atual, é necessário que as organizações consigam definir metodologias para melhor operacionalizar a sua estratégia. Uma das principais ferramentas a serem empregadas é a utilização de um sistema de medição balanceado, consistente e coerente com os objetivos estabelecidos pela própria organização. 5.5 CONSIDERAÇÕES FINAIS DA PESQUISA A permanência das empresas em um ambiente extremamente competitivo está vinculada à sua capacidade de aperfeiçoar seus processos em tempo hábil 176 para estar a frente das expectativas de seus clientes e de adequar-se, com a agilidade necessária, às constantes alterações de mercado. Nesse ambiente, os indicadores de desempenho devem atuar a fim de demonstrar, de forma precisa, o resultado atingido até o momento e sinalizar o resultado futuro, para tornar possível as devidas alterações em busca da vantagem competitiva. A opção por pesquisar o sistema de medição do desempenho de alguns dos departamentos de uma Unidade Estratégica de Negócios decorreu do pressuposto que eles são os verdadeiros responsáveis na prática pelo resultado e desempenho da própria UEN e também da Administração Corporativa, pois são os reais impulsionadores e multiplicadores ou divagadores da implantação coesa da estratégia. Nesse sentido, o BSC deve ser utilizado mais do que para balancear as perspectivas dos indicadores de desempenho, deve atuar a fim de avaliar, alinhar e direcionar as ações a serem tomadas pela organização no gerenciamento de sua estratégia e auxiliar a alta administração na operacionalização da estratégia em toda a organização. Considerando-se que a estratégia é alinhada, operacionalizada, conduzida direcionada e executada em termos operacionais, entende-se que, para fins desta pesquisa, que os departamentos da UEN são os agentes responsáveis pelo andamento da estratégia, devendo alinhar a estratégia da organização à estratégia a ser adotada pelos departamentos. A visão da organização, seguida pela sua missão e, por conseguinte de sua estratégia devem nortear a definição dos indicadores de desempenho operacionais para cada departamento da organização a fim de obter resultados para os objetivos desejados. 177 A missão da organização deve atuar como um ponto de partida, esclarecendo a função que a empresa se destina a cumprir; a visão é a tradução de seus objetivos e a estratégia é a tradução da missão e visão em objetivos tangíveis. Nesse contexto, o BSC surge com o objetivo de implementar estratégia em termos operacionais, utilizando-se de medições balanceadas que buscam quantificar todos os pontos chaves da organização. Sugere-se que inicialmente seja feita a utilização do BSC na empresa foco do estudo com objetivo de substituir o sistema de medição atual, direcionado estritamente para atender o orçamento e objetivos financeiros, para amplitudes mais amplas voltadas para entendimento do presente e preparação para o futuro, apoiadas na estratégia da organização. Os superintendentes dos departamentos devem ter ciência da relação de causa e efeito entre as medidas que utilizaram e os objetivos gerais da organização; o BSC deve ser implementado para de orientar esses gestores na coerência da definição de indicadores balanceados com a estratégia. Não se estabelece uma regra para a quantidade ideal de indicadores de desempenho a serem utilizados em cada departamento, no entanto deve-se entender que os modelos escolhidos serão os responsáveis por guiar a estratégia no cumprimento da missão e busca da realização da visão. Os indicadores devem ser os orientadores gerais dos departamentos e, por conseguinte, da UEN. Sob esse prisma, à medida que o sistema for implementado, aperfeiçoado e melhor entendido pelos gestores, gradativamente serão estabelecidas medições mais precisas e completas em relação à metodologia proposta e à estratégia geral da UEN. 178 Portanto, conclui-se que com a utilização da metodologia, poderão ser observadas melhorias assim que os gestores e suas respectivas equipes incorporarem os objetivos do BSC e entenderem a sua importância para a empresa. Além da construção de indicadores balanceados, a organização deve estar atenta para o desenvolvimento de modelos de indicadores de desempenho com as características ideais, conforme abordado na revisão de literatura. Para Daft (2005), a eficácia organizacional é resultado do grau em que cada organização consegue realizar suas próprias metas. As metas dos indicadores de desempenho devem ser definidas a fim de orientar todos os envolvidos em relação aos objetivos desejados pela organização. A aplicação do BSC nos departamentos propiciará condições para a alta administração da UEN analisar se os objetivos estabelecidos para os departamentos e para a própria unidade estão sendo atingidos. Poderá acompanhar o desempenho das superintendências em relação à missão da organização e avaliar se está coerente com a visão a longo prazo para o propósito a que a empresa se destina. Entendendo-se o BSC como ferramenta para gestão da estratégia, sua utilização pode oferecer diversas possibilidades, como medição do andamento dos departamentos, dos projetos, das melhorias, entre outros, tudo alinhado no sentido de cumprir a missão e a visão geral da administração corporativa. Os departamentos, quando vistos como apenas partes de uma UEN, somente respondem pelo desempenho atingido ao longo do tempo, mas, quando vistos como os responsáveis pelo desempenho da UEN, devem ter foco na realização da estratégia da organização. Assim, será possível alterar o foco atual dos departamentos em atingir somente o orçamento para a visão de responsabilidade nos resultados globais da UEN e da empresa como um todo. 179 Para o sucesso na implantação do BSC deve-se conscientizar todos os envolvidos. Em outras palavras, o processo de transformar a estratégia em ação pode, então, ser entendido como a colocação dos planos estratégicos em práticas operacionais a serem vivenciadas em todos os níveis da organização, pois a estratégia é elaborada pela alta administração, mas seus resultados são obtidos em nível de UEN e seus departamentos e é no nível operacional que a estratégia é executada e que as perspectivas do BSC se materializam. Portanto, sugere-se que todos os indicadores aplicados em todos os departamentos tenham coerência entre seus propósitos e uniformidade de aplicação para que a análise de todos os departamentos tenha uma visão sincronizada. 180 6 CONCLUSÃO As organizações atuais, em virtude das rápidas alterações no contexto mundial, necessitam de um sistema de medição de desempenho capaz de atuar como ferramenta de gestão para o apoio estratégico, que auxilie o sistema de decisão e atue como agente propulsor para a integração de todas as medidas essenciais, necessárias para a implantação e acompanhamento dos objetivos e metas estabelecidas. As mudanças ocorridas no cenário econômico mundial, principalmente a partir da década de 1970, incentivaram o desenvolvimento de uma nova forma de gestão por meio de Administração Corporativa, que busca comandar, de maneira mais competitiva e integradora, os negócios diversificados de uma mesma organização, denominados Unidades Estratégicas de Negócios, direcionados a atender mercados específicos com maior dinamismo, foco, especialização e, principalmente, voltados à vantagem competitiva. Nesse ambiente, o investimento na função administrativa Controle, responsável pelo monitoramento das atividades e suas correções, tornou-se primordial para a condução da empresa na tomada de decisão coerente com os planos e padrões estabelecidos, com o monitoramento da regularidade, ajustes de processos e incentivos da melhoria contínua. Em decorrência dessas alterações, a utilização dos antigos modelos de indicadores de desempenho, voltados estritamente para os controles financeiros, passaram a não atender de maneira eficaz as reais necessidades da atualidade; ao contrário, poderiam fornecer uma visão distorcida da posição da empresa frente aos seus ambientes interno e externo, por estarem direcionados unicamente a questões 181 imediatas, informações históricas e proporcionarem ganhos locais e pontuais somente de curto prazo. A introdução de novos sistemas de medição do desempenho, que acompanhem o dinamismo e as situações de incertezas das empresas modernas, tornou-se essencial para fornecer subsídios à implantação da estratégia e visão ampla do negócio. Nesse contexto, tem-se a evolução do sistema de medição obtida com a utilização de modelos mais abrangentes, voltados ao balanceamento das medidas em outros focos, além do financeiro. Porém, é interessante observar que embora os modelos de indicadores de desempenho existentes atualmente apresentem focos mais amplos e sejam mais completos nas medições de diferentes medidas, ainda não se encontram acabados e necessitam de investimentos durante o seu processo de implantação, acompanhamento e aperfeiçoamento, a fim de atender às necessidades e particularidades de cada empresa. A partir desses conceitos este trabalho, em particular, buscou discorrer sobre a importância da integração do sistema de medição e a utilização de indicadores de desempenho que atuem como ferramentas de gestão para aferir os resultados, atentar para as diferentes necessidades de medição a curto e longo prazos e possibilitar a introdução da estratégia em todos os níveis da organização. A ferramenta escolhida para avaliação do desempenho que mapeasse a empresa objeto do estudo como um todo foi o Balanced Scorecard (BSC), cujo objetivo é traduzir a missão e a estratégia de uma organização em medidas mensuráveis. O BSC reúne informações para o balanceamento do sistema de medição em um conjunto de indicadores dispostos em quatro perspectivas: financeira, dos clientes, dos processos internos e aprendizado e crescimento. 182 Para que a pesquisa fosse viabilizada, o primeiro passo foi definir uma proposta de análise dos dados coletados apoiada no BSC, que prevê uma sistemática de implantação (top-down) da alta administração para os níveis mais baixos. No entanto, é versátil na adaptação às diversas necessidades e realidade de cada empresa. Na tentativa de melhor implementar a ferramenta proposta, o presente estudo optou por analisar o sistema de medição atual de alguns departamentos, considerados chaves, de uma Unidade Estratégica de Negócios, para aperfeiçoá-los, assim como propor o seu enquadramento na metodologia do BSC. A metodologia utilizada não é a única, porém foi considerada a mais adequada, levando em conta a complexidade da implantação do modelo proposto em nível corporativo, somada ao nível possível de aprendizado pelos departamentos da empresa em relação à proposta, e dadas a disponibilidade e acessibilidade das informações essenciais à viabilização de uma pesquisa exploratória, a partir de um estudo de caso. Um fato que pode ser claramente observado com o desenvolvimento deste trabalho é a tendência dos departamentos da empresa de utilizar indicadores de desempenho destinados, em sua maioria, aos objetivos financeiros, pois do total de 18 amostras, 61% destinam-se a esse propósito, somente 33% focalizam os processos internos e 6% o aprendizado e crescimento. Outro problema observado é que os indicadores de desempenho não haviam sido escolhidos de acordo com o objetivo geral da organização, mas apenas para verificar a atuação do departamento em relação ao que havia sido orçado. Essa postura pode ser extremamente prejudicial à empresa, uma vez que se o orçamento 183 não for feito corretamente os recursos previstos podem ser superiores aos realmente disponíveis. Da maneira como os indicadores estavam sendo elaborados não se observava nenhum incentivo à melhoria dos processos; em muitos casos somente restringiam-se à apresentavam os erros cometidos, sem atuarem como impulsionadores de correções e aperfeiçoamentos. Muitos modelos não apresentavam metas a serem atingidas, o que os desqualifica; outros eram difíceis de serem analisados por um período maior de tempo, pois apresentavam informações referentes a dois meses, como no caso da área de Suprimentos. É preciso ressaltar que tais tendências podem ser prejudiciais à unidade, já que os indicadores financeiros, direcionados somente a orçamentos, por um prazo limitado e sem a definição de metas, oferecem uma visão parcial da organização e podem induzir à análise distorcida das suas reais necessidades, por fornecer unicamente informações de curto prazo e incompletas, conforme já apresentadas na revisão bibliográfica. Foi possível observar que o sucesso da implantação de ferramentas como o BSC está vinculado ao engajamento de todos os membros da equipe no desenvolvimento de um sistema único de medição, apoiado na visão e na missão da empresa e no cumprimento da estratégia e das metas estabelecidas. Como resultado da pesquisa tem-se uma nova maneira de elaborar um quadro de indicadores de desempenho, vinculados aos objetivos gerais da organização, que forneçam uma visão ampla dos pontos chaves a serem analisados, definam metas claras e que sejam motivadores de melhorias contínuas e aperfeiçoamento nos processos. 184 Observa-se, porém, que os indicadores de desempenho escolhidos não são imutáveis, sua principal finalidade é cascatear os objetivos da organização e representar um conjunto de medição adaptável às possíveis mudanças advindas da evolução e aperfeiçoamento dos processos. Dessa forma, pode-se concluir, por meio das respostas obtidas na pesquisa, que as ferramentas que melhor representam os dados de cada unidade estratégica de negócios, para a administração corporativa, são os indicadores de desempenho elaborados a partir da missão e da estratégia da organização, com os objetivos de agregar as informações de todas as UENs, disseminar as políticas a serem seguidas e auxiliar na definição das estratégias. Conclui-se, também, que a maneira correta para a estruturar, subdividir e implementar de um sistema de medição que garanta à empresa a visão correta de sua posição, assim como o foco onde devem ser disponibilizados os esforços, no que é considerado crítico para que sejam atingidos as metas e resultados futuros, é a adoção de uma metodologia de implementação deste sistema e, no caso deste trabalho, a utilização do BSC. No caso específico da empresa pesquisada, os indicadores não estavam de acordo com os objetivos estratégicos, o que pode ser confirmado com a tendência de os departamentos acompanhar, apenas, o andamento das atividades em relação ao orçado. O sistema de medição deve ser criado com foco no atendimento da estratégia estabelecida, para isso alguns dos critérios a serem utilizados são: entendimento da política, engajamento de todos os membros da equipe, definição de uma metodologia a ser seguida e pontualidade na atualização do sistema. 185 Conclui-se, portanto, que a utilização de um sistema de medição somente será eficiente se desenvolvido de forma estruturada e integrada com os objetivos gerais da organização. Na elaboração desta pesquisa, não foi abordada a implantação do Balanced Scorecard em nível de Unidade Estratégica de Negócios, pois considerou-se a necessidade de fortalecer a unidade iniciando pelos seus departamentos, para uma posterior aplicação em nível geral. Sugere-se um estudo detalhado referente às dificuldades de implantação do BSC em nível de Unidade Estratégica de Negócios, ou, também, a comparação dos resultados obtidos em um determinado período de tempo entre a unidade que optou por aplicar primeiramente em nível de departamentos com a que optou por aplicar diretamente em uma UEN. 186 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 9001: Sistemas de Gestão da Qualidade - Requisitos. Rio de Janeiro, 2000. 21 p. CAMPOS, A. J. Cenário Balanceado: painel de indicadores para a gestão estratégica dos negócios. São Paulo: Aquariana, 1998. 181 p. CERVO, A. L.; BERVIAN, P. A. Metodologia Científica. 4. ed. São Paulo: Makron Books, 1996. 209 p. COSTA, A. P. P. Contabilidade gerencial: um estudo sobre a contribuição do Balanced Scorecard. 2001. 164 f.. Dissertação (Mestrado em Controladoria e Contabilidade) – Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2001. DAFT, R. L. 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Estudo de caso: Planejamento e Métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005. 212 p. 190 GLOSSÁRIO Elaborado a partir de normas técnicas. Alta Direção - pessoa ou grupo de pessoas que dirige e controla uma organização no mais alto nível. Análise Crítica - atividade realizada para determinar a pertinência, adequação e eficácia do que está sendo examinado, para alcançar os objetivos estabelecidos. Commodities - termo utilizado para descrever produtos que podem ser comprados ou vendidos para a obtenção do lucro. Podem ser comercializados numa bolsa de mercadorias, inclusive para entrega futura. Eficácia - extensão na qual as atividades planejadas são realizadas e os resultados planejados alcançados. Eficiência - relação entre o resultado alcançado e os recursos usados. Frame Agreement - termo utilizado para nomear acordos mundiais. Gestão - atividades coordenadas para dirigir e controlar uma organização. Low Cost Countries - termo utilizado para classificar os países de alta tecnologia e de baixos custos. 191 Organização - grupo de instalações e pessoas com um conjunto de responsabilidades, autoridades e relações. Exemplos: - companhia, corporação, firma, empresa, instituições, organização beneficente, comerciante, associação, ou parte ou combinação destes. Procedimento - forma especificada de executar uma atividade ou um processo. Processo - definido como um conjunto de atividades inter-relacionadas ou interativas que transforma insumos (entradas) em produtos (saídas). Processo de medição - conjunto de operações para determinar o valor de uma grandeza. Requisito - necessidade ou expectativa que é expressa, geralmente, de forma implícita ou obrigatória. Sistema - conjunto de elementos inter-relacionados ou interativos. Sistema de gestão - sistema para estabelecer política e objetivos e para atingir esses objetivos. 192 ANEXOS 1 - LISTA DOS AUTORES QUE CRITICARAM O ANTIGO MODELO DE MEDIÇÃO DO DESEMPENHO Lista dos autores que conforme Figueiredo (2003 p. 16-17) criticaram o sistema tradicional de medição de desempenho, afirmando que não estava compatível com as necessidades empresariais atuais: Skiner (1974); Banks e Wheelwright (1979); Hayes e Abernathy (1980); Richardson e Gordon (1980); Hall (1983); Hopwood (1984); Kaplan (1983); Kaplan (1984); Miller e Vollmann (1985); Chakravarthy (1986); Goldratt e Cox (1986); Merchant e Bruns (1986); Jonson e Kaplan (1987); Mackey (1987); Berliner e Brimson (1988); Hiromoto (1988); Schmener (1988); Anthony et al. (1989); Camp (1989); Fry e Cox (1989); McNair et al. (1989); Turney e Andersen (1989); Woods (1989); Dixon et al. (1990); Kaplan (1990); Plossl (1990); Eccles (1991); Lynch e Cross (1991); Fisher (1992); Kaplan e Norton (1992); Bromwich e Bhimani (1994); Brown e Laverick (1994); Neely et al. (1995); Ghalayini e Noble (1996); Moon e Fitzgerald (1996); Neely et al. (1996); Stone (1996); Atkinson et al. (1997); Daniels e Burns (1997); De Toni e Tonchia (1997); Kin et al. (1997); Rangone (1997), Neely (1999) e Gautreau e Kleiner (2001). 193 ANEXOS 2 - NOVOS MODELOS DE INDICADORES DE DESEMPENHO Novos modelos de Indicadores de desempenho dispostos na literatura, conforme Figueiredo (2003). • OPTIM – Operating Profit Through Investment Management de Sullivan (1986); • MMD – Modelo para Medição do Desempenho de Santori e Anderson (1987); • MMD – Matriz de Medição de Desempenho de Keegan et al. (1989); • PMQ – Performance Measure Questionnaire de Dixon, Nanni e Vollmann (1990); • SMART – Strategic Measurement and Reporting Technique de Lynch e Cross (1991); • MMDS – Modelo de Medição de Desempenho em Serviços de Fitzgerald et al. (1991); • SMDC – Sistema de Medição de Desempenho para Competição baseada no tempo de Azzone et al. (1991); • SFGD – Sistema de Feedback de Gestão de Desempenho de Grady (1991); • MMDFCM – Modelo de Medição de Desempenho para Fabricantes de Classe Mundial de Maskell (1991); • BSC – Balanced Scorecard de Kaplan e Norton (1992, 1993, 1996a, 1996b, 2001); • SCD – Sete Critérios de Desempenho de Sink e Tuttle (1993); • MMVA – Modelo de Estruturas do Valor Adicionado de Barker (1993); 194 • MEIG – Modelo de Estruturas de Indicadores de Gestão de Muscat e Fleury (1993); • MP – Medição do Progresso da TQM de Cupello (1994); • MOD – Matriz de Objetivo de Desempenho de Das (1994); • MQMD – Modelo Quantum de Medição de Desempenho de Hronec (1994); • MMDGP – Modelo de Medição de Desempenho para Gestão de Processos de Rummler e Brache (1994); • MMDMCM – Modelo de Medição de Desempenho para Manufatura de Classe Mundial de Kasul e Motwani (1995); • SADN – Sistema de Avaliação do Desempenho do Negócio de Lee et al. (1995); • MMD – Modelo de Medição de Desempenho de Rose (1995); • ME – Modelo de Excelência dos prêmios nacionais e internacionais da qualidade de BERNOWSKI (1996); BEST (1997); BROWN (1997); EFQM (1993); FPNQ (2001a); • SMDP – Sistema de Medição de Desempenho de Processo de De Toni e Tonchia (1996); • MMDP – Modelo de Medição de Desempenho por Processos de Walsh (1996); • SCD – Sistema de Critérios de Desempenho de Globerson (1996); • IDPMSa – Integrated and Dynamic Performance Measurement System de Bititci, Carrie e McDevitt (1997); Bititci, Carrie e Turner (1998) e Bititci, Turner e Bergemann (2000); 195 • SMDP – Sistema de Medição de Desempenho Pró-ativo de Daniels e Burns (1997); • IDPMSb – Integrated and Dynamic Performance Measurement System de Ghalayini e Noble (1996) e Ghalayini, Noble e Crowe (1997); • AS – Accountabilitiy Scorecard de Nickols (1997); • SS – Strategic Scorecard de Slatter et al. (1997); • VMS – Visual Measurement System de Sink e Clark (1996); • AMPI – Alternativa de Medição sobre a Perspectiva de Interessados de Love e Holt (2000); • PP – Performance Prism de Kennerley e Neely (2002); Neely, Adams e Crowe (2001); e • SMDG – Sistema de Medição de Desempenho Global da FPNQ (2001b).