1
2
Foto: DRABL
Índice
1
2
3
4
5
6
7
-
Introdução ............................................................................................................................4
Identificação dos riscos na actividade agrícola .................................................................8
Causas de Acidentes ........................................................................................................10
Consequências dos Acidentes .........................................................................................10
Avaliação dos custos dos acidentes ...............................................................................10
Prevenção ...................................................................................................................... 11
A Segurança e as Máquinas Agrícolas ...........................................................................18
7.1 - Equipamentos de segurança .................................................................................19
7.2 – Parqueamento ......................................................................................................22
7.3 – Manutenção ..........................................................................................................23
7.4 – Acesso à máquina agrícola ................................................................................... 24
7.5 – Engate/desengate de alfaias ................................................................................. 25
7.6 – Utilização das máquinas – trabalho .......................................................................26
7.7 – A segurança de terceiros .......................................................................................... 27
7.8 – A segurança na utilização de ferramentas .............................................................29
8 - Segurança na aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos..................................................30
8.1 - Equipamento de protecção respiratória .................................................................32
8.2 - Equipamento de protecção ocular ........................................................................ 32
8.3 - Equipamento de protecção auditiva....................................................................... 33
8.4 - Equipamento de protecção das mãos .................................................................. 33
8.5 - Equipamento de protecção do tronco, membros e cabeça................................... 34
8.6 - Equipamento de protecção dos pés .......................................................................35
8.7 - Utilização do EPI .................................................................................................... 35
8.8 - Preparação das caldas ...........................................................................................36
9 - Segurança na movimentação manual de cargas ............................................................ 42
9.1 - Medidas de prevenção na movimentação manual de cargas................................ 43
9.2 - Boas práticas na movimentação manual de cargas............................................... 45
Bibliografia ...............................................................................................................................46
3
1 - Introdução
A concepção dos conteúdos deste manual teve a
preocupação de utilizar e desenvolver conhecimentos
adquiridos na actividade agrícola ou em actividades
conexas a esta, em várias esferas de intervenção,
como por exemplo:
-
Prevenção de Acidentes;
-
Ergonomia;
-
Electricidade;
-
Máquinas e Alfaias;
-
Ferramentas;
-
Contaminantes Químicos e Físicos.
Para se poder ter a noção da grandeza do número
de acidentes de trabalho que ocorrem anualmente
em Portugal, podemos avaliar os dados publicados
pelo Gabinete de Estratégica e Planeamento do
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, no
Boletim Estatístico de Abril de 2009, referentes ao
ano 2006.
4
Introdução
Neste ano, verificaram-se 237 392 acidentes de
trabalho: 237 139 não mortais e 253 mortais. Os
acidentes de trabalho “não mortais” apresentaram
maior expressão no grupo etário “25-34 anos”,
enquanto que o grupo etário dos “45-54 anos”
registava o maior número de acidentes mortais.
Tabela 1: Número de acidentes de trabalho, mortais e não mortais, por grupo etário
2006 Portugal - Homens e Mulheres
Fonte: GEP/MTSS, Acidentes de trabalho
Figura 1 - Número de Acidentes de Trabalho, mortais e não
mortais, por grupo etário
2006 Portugal - Homens e Mulheres
Fonte: GEP/MTSS, Acidentes de trabalho
5
No mesmo período e na actividade Agricultura,
Produção Animal, Caça e Silvicultura, ocorreram
6.714 acidentes de trabalho, dos quais 6.991 não
mortais e 23 mortais, reflectindo os acidentes mortais
0,34% do número total de acidentes.
Os valores apresentados assumem sempre maior
expressão nas explorações de pequena e média
dimensão (1 a 9 pessoas), afectando também
maioritariamente os homens.
Tabela 2: Número total de acidentes de trabalho, na actividade económica Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura,
segundo o escalão de dimensão da empresa
2006 Portugal - Homens e Mulheres
Fonte: GEP/MTSS, Acidentes de trabalho
FIGURA 2 (esquerda) - Número de acidentes de trabalho, mortais
e não mortais, na actividade económica Agricultura, Produção
Animal, Caça e Silvicultura, segundo o escalão de dimensão da
empresa
2006 Portugal - Homens e Mulheres
Tabela 3: Número total de acidentes de trabalho, na actividade
económica Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura,
segundo o sexo
2006 Portugal
CAE
Agricultura, Produção Animal,
Caça e Silvicultura
Homens
Fonte: GEP/MTSS, Acidentes de trabalho
Fonte: GEP/MTSS, Acidentes de trabalho
6
5163
Mulheres
1551
Total
6714
Introdução
FIGURA 3 - Número total de acidentes de trabalho, na actividade
económica Agricultura, Produção Animal, Caça e Silvicultura,
segundo o sexo
Acidente de Trabalho
É aquele que ocorre pelo exercício do trabalho a
serviço da empresa, provocando lesão corporal,
perturbação funcional que cause morte perda ou
redução, permanente ou temporária, da
capacidade para o trabalho.
F. Cavalcanti
Higiene e Segurança no trabalho Agrícola
É um conjunto de regras, procedimentos,
comportamentos, atitudes e situações que,
interligadas entre si deverão contribuir para o bem
estar do trabalhador e a segurança dos seu posto
de trabalho.
Fonte: GEP/MTSS, Acidentes de trabalho
No entanto, relativizando face à população exposta
ao risco, nesta actividade, a sinistralidade laboral
teve um impacto em relação à taxa de incidência dos
acidentes mortais de 3.9 e dos acidentes não mortais
de 1.142,4 por cada 100.000 trabalhadores.
Saúde
Estado de completo bem estar físico, mental e
social, e não apenas a ausência de doença.
Os dados apresentados anteriormente exigem que
a prevenção dos acidentes e doenças profissionais
seja uma preocupação de todas as entidades do
sector, sendo necessário realizar um grande esforço
de sensibilização, informação e formação, para além
do cumprimento do respectivo enquadramento legal.
Higiene
Processo de identificação e controlo das condições
de trabalho que possam prejudicar a saúde dos
trabalhadores.
Organização Mundial de Saúde
7
Identificação dos riscos na actividade agrícola
manuseamento de substâncias perigosas e produtos
tóxicos, utilização de energia eléctrica, entre outros.
2 - Identificação dos riscos na actividade agrícola
A importância que as noções de perigo e de risco
assumem no contexto da Higiene e Segurança no
Trabalho Agrícola leva-nos a clarificar e harmonizar o
seu conceito.
Perigo
Por perigo, entende-se uma potencial
causa de dano. (ISHST)
Associado ao trabalho desenvolvido nesta
actividade, existem riscos de atropelamento, de
esmagamento, de quedas, de lesões dorso-lombares, de intoxicações e ainda perigos na
utilização da electricidade, que podem, também,
resultar em riscos de incêndio e electrocussão.
Risco
Por risco, entende-se
a probabilidade de
ocorrência de um
dano. (ISHST)
Podemos considerar que os agricultores
desenvolvem diariamente uma parte da sua
actividade em instalações onde se realizam diversos
trabalhos de preparação das operações culturais,
manuseamento de produtos fitofarmacêuticos, de
armazenamento e de manutenção de equipamento.
Simultaneamente, desenvolvem também uma outra
parte da sua actividade directamente na exploração,
onde põem em prática essas operações culturais
(sementeiras, sachas mecânicas e químicas,
amontoas, colheitas, regas,...), que se concretizam
com condução de veículos e máquinas agrícolas,
maneio de animais, movimentação manual de cargas,
8
9
3 - Causas de acidentes
5 - Avaliação dos custos dos acidentes
Quadro 1 – Identificação das causas de acidentes
Tão embora os acidentes de trabalho provoquem
inúmeros danos, muitos deles irremediáveis, só os
danos económicos é que podem de alguma forma
ser mensuráveis, dado que qualquer acidente
pressupõe encargos com:
- Fisiológicas
Humanas
- Psicológicas ou
Sociológicas
Técnicas
Materiais
- Diminuição de Funções
- Idade
- Fadiga
- Falha súbita de um órgão ou função
- Hábitos tóxicos
- Emotividade
- Negligência
- Rotina
- Habilitações técnicas
- Protecção de máquinas e ferramentas
- Ritmo de trabalho
- Heterogeneidade das equipas
- Perigos inerentes à profissão
- Ausência de medidas de segurança
- Ausência de encarregado de segurança
-
O médico;
-
Os medicamentos;
-
Os tratamentos (hospital);
-
A indemnização por incapacidade;
-
A indemnização em caso de morte;
-
Do tempo perdido com o acidente;
-
Pelas paragens de trabalho consequentes,
4 - Consequências dos acidentes
-
Individuais
-
Familiares
-
Sociais
-
Económicas
durante o auxílio prestado;
-
Dos alarmes e perturbações resultantes do
acidente;
-
Da protecção social do acidentado;
-
Das reparações do equipamento e das
interrupções do trabalho que originam.
10
Acidentes
Assim temos:
Quadro 2 – Diferenciação dos custos dos acidentes
Custos
Directos
- Salários
- Assistência médica
- Medicamentos
- Aumento do prémio de seguro
- Imediatos
Custos
Indirectos
- A prazo
- Sofrimento do acidentado
- Perda de tempo no socorro
- Reparação da máquina
- Substituição do acidentado
- Perda do investimento formativo
- Sofrimento da família
- Quebra da imagem da empresa
- Aumento da insatisfação profissional
- Diminuição da produtividade
- Diminuição da competitividade
6 - Prevenção
Prevenção
Pode definir-se pelo conjunto de
disposições e métodos,
previstos ou tomados, em todas
as fases da actividade, com
vista a suprir ou diminuir os
riscos profissionais e a garantir
a integridade física e psíquica
dos trabalhadores.
Segurança
Processo de identificação
e avaliação de situações
de risco e desenvolvimento
de técnicas de prevenção
de acidentes.
11
Acidentes
O espírito de prevenção e a acção sistemática de
segurança são factores básicos para evitar o
acidente de trabalho. Nessa óptica, e porque
consideramos errado pensar-se que o “acidente é
fruto de uma qualquer fatalidade ou azar” e convictos
que “mais vale prevenir que remediar”, suportamo-nos nas causas reais de acidentes, extraindo
conclusões objectivas que, no futuro, poderão ajudar
a controlar os riscos, evitando outros acidentes.
Assim, consideramos que uma política de prevenção
deve assentar numa matriz de princípios gerais:
Quadro 3 – Prevenção - Identificação e avaliação do risco no
trabalho agrícola
edifícios
envolventes
máquinas, alfaias,
equipamentos e
ferramentas
materiais e produtos a
utilizar
boas práticas para a
execução dos trabalhos
1 – Identificar e avaliar o risco;
2 – Eliminar ou minimizar o risco;
3 – Desenvolver medidas de prevenção:
-
formar e informar;
-
organizar o trabalho.
No contexto da prevenção, deve proceder-se à
identificação e avaliação do risco em todos os
trabalhos e operações a desenvolver,
nomeadamente:
escadas com corrimão, patamares e
varandins, pavimentos química e
mecanicamente resistentes,
antiderrapantes, impermeáveis,
facilmente laváveis, com inclinação de 1
a 2%, sistema de drenagem eficaz
prevenção dos riscos de
atropelamento/esmagamento através da
delimitação de zonas e sinalização
correctamente utilizados e manuseados,
seguros e certificados
amigos do HOMEM e do ambiente,
correctamente utilizados e armazenados
posturas correcta e de segurança e
utilização de equipamento adequado
(guinchos, passadeiras, empilhadores,
EPI,...)
Fotos: Manutan
12
Foto: Palagret
13
Assim, deve existir a preocupação inequívoca de
separar os espaços de habitação dos restantes,
particularmente no que respeita aos locais para
armazenamento de produtos químicos, ao
parqueamento das máquinas e alfaias agrícolas e
oficinas de apoio.
Nos edifícios deve prevenir-se em especial as
quedas em altura ou ao mesmo nível através de
escadas e patamares dotados de corrimão e
varandins e as aberturas guarnecidas de guarda corpos.
14
Acidentes
Por sua vez, os pavimentos devem ser resistentes,
antiderrapantes, impermeáveis, laváveis e com
sistemas de drenagem.
O sistema eléctrico deve ser adequado às
características dos locais, devendo ser correctamente
isolado, protegido contra sobrecargas e estar
convenientemente instalado. Os quadros devem estar
fechados, assinalados e disporem de protecções
diferenciais. As linhas aéreas devem situar-se o mais
longe possível dos edifícios.
Devem existir na exploração
agrícola os meios de combate
a incêndios e de primeiros
socorros,
devidamente
assinalados, assim como a
informação dos contactos de
urgência, em caso de
acidente.
Foto: Robert Thomson (Flickr)
15
À entrada/saída dos estábulos deve ser colocado
um pedilúvio e/ou um rodilúvio de modo a evitar a
transmissão de microorganismos prejudiciais ao
homem e animais.
ESQUEMA DE UM PEDILÚVIO
Lava pés
As instalações pecuárias, incluindo as estrumeiras,
nitreiras e fossas, devem cumprir as normas de
instalação e licenciamento.
Para prevenir os riscos de atropelamento e
esmagamento devem ser delimitadas e sinalizadas
as zonas de circulação e acesso de veículos,
máquinas agrícolas e trabalhadores.
Pedilúvio
Sentido da passagem
A utilização da maquinaria agrícola requer
cuidados redobrados ao nível da deslocação em
planos inclinados, da protecção em capotamento, da
protecção dos órgãos que desenvolvem e transmitem
16
Acidentes
movimentos, do engate e
desengate de alfaias, das
características agronómicas,
da utilização como transporte
para além do condutor e ainda
ao nível da manutenção.
incêndio/explosão, dispondo ainda de meios de
combate a incêndios. O armazenamento destes
produtos exige também uma construção sólida, com
bom arejamento por forma a permitir níveis médios
de temperatura e fácil manutenção. Também as
embalagens vazias dos produtos utilizados devem
ser correctamente acondicionadas e entregues em
pontos de recolha específicos para o efeito.
O armazenamento de produtos químicos, quando
em pequenas quantidades, deve ser feito em armário
fechado à chave, sinalizado e situado em local de
acesso reservado. Nos locais de armazenamento
destes produtos deve existir boa luz natural e uma
instalação eléctrica que não comporte risco de
17
A movimentação de cargas manualmente e a
consequente necessidade de prevenir as lesões
dorso-lombares é outro aspecto muito importante a
ter em conta. Neste sentido, é de evitar o recurso à
movimentação manual de cargas superiores à
capacidade do operador. Para este efeito deve
recorrer-se à utilização de equipamentos adequados,
nomeadamente passadeiras rolantes, sem-fins,
empilhadores, guinchos e carros de mão.
No que se refere ao maneio animal, o tratamento
e contenção deve ser executado de forma a
proporcionar menores danos aos próprios animais e
operadores.
Também o equipamento de protecção individual
do operador (EPI), deve ser sempre adequado à
operação que se pretende realizar.
7 - A Segurança e as máquinas agrícolas
Quadro 4 – Definição de segurança activa/segurança passiva
Fotos: Manutan
Segurança Activa
Segurança Passiva
É constituída pelos equipamentos de segurança,
disponibilizados na máquina
e que actuam por vontade e
intervenção e/ou interferência
expressa do operador.
É assegurada pelo conjunto
de
equipamentos
de
segurança, disponibilizados
na máquina e que realizam a
sua função independente da
vontade do operador.
As máquinas agrícolas continuam a ser
equipamentos potencialmente perigosos, tão embora
a sua concepção constitua um processo dinâmico em
busca de características visando a segurança. A sua
utilização em segurança, exige um total e profundo
conhecimento das suas potencialidades e limitações.
18
A segurança e as máquinas agrícolas
7.1 - Equipamentos de segurança
7.1.1 - Estruturas de segurança em máquinas
agrícolas são estruturas montadas ou integradas na
máquina que, em caso de capotamento, permitem
garantir um espaço inviolável e suficientemente
amplo, que no momento do acidente proteja o
operador e simultaneamente proteja a própria
máquina.
Este equipamento, para constituir uma estrutura
de segurança, deve ser homologado e certificado
para cada modelo de máquina e pode assumir três
tipos:
- Aros
- Quadros
- Cabinas (montadas e integradas)
7.1.2 - Estruturas de segurança em alfaias
agrícolas são normalmente constituídas por barras
ou forras que garantem a integridade física do
operador face aos órgão em movimento, garantindo
simultaneamente a protecção da própria alfaia.
19
7.1.3 - Órgãos que desenvolvem e transmitem
movimentos, nomeadamente:
-
Rodas: utilização de pneumáticos
recomendados para o modelo da máquina,
com piso em bom estado de conservação e
protegidas por guarda-lamas;
-
Tomada de força: protegida por tampa de
resguardo;
-
Veio telescópio de cardans: para que a sua
função seja exercida em segurança, deve
garantir sempre uma sobreposição mínima de
um terço do seu comprimento total e quando
recolhido deve possuir uma folga de quatro a
cinco centímetros e deve garantir-se a sua
lubrificação diariamente ou, quando em
funcionamento em ângulo superior a 20º, de
oito em oito horas com desligamento em
manobra. Deve ser dimensionado de acordo
com as exigências prescritas pelo fabricante
da alfaia. A sua protecção deve ser
assegurada pela luva ou manga.
20
A segurança e as máquinas agrícolas
7.1.4 - Outros mecanismos de protecção:
-
Dispositivo de arranque manual, deve ser
concebido de forma a permitir que a mão se
solte facilmente em caso de inversão do
sentido da rotação;
-
Sistema homem morto, sempre que a mão do
operador deixe de pressionar o manípulo,
provoca a paragem automática da máquina;
-
Patilha de segurança de
acelerador, só permite
accionar o acelerador
quando a patilha de
protecção estiver premida.
7.1.5 - Equipamento de protecção individual
(EPI), no trabalho com máquinas agrícolas, é
fundamental adequar-se o EPI à tarefa que se
está a desenvolver.
Neste sentido, podemos considerar o
equipamento genérico que o operador deve usar
sempre que utiliza, procede à manutenção ou a
pequenas reparações numa qualquer máquina
agrícola:
-
-
21
Vestuário justo, fechado/apertado e sem
pontas pendentes (preferencialmente fato de
macaco);
Calçado com biqueiras em aço;
Luvas;
Protecção da cabeça, chapéu, boné e sempre
que tenha cabelo cumprido usá-lo apanhado.
O equipamento específico que está associado à
execução de tarefas também específicas que pelo
seu grau de perigosidade assim o exigem, como por
exemplo a aplicação de produtos químicos ou tóxicos
em que o EPI deve garantir a protecção de todas as
zonas corporais:
-
A cabeça;
As vias respiratórias;
Zona facial, incluindo a ocular;
As mão e braços;
O tronco;
Os pés e pernas.
O equipamento usado para este efeito deve
possuir características próprias, apresentadas no
ponto 8 - Segurança na Aplicação de Produtos
Fitofarmacêuticos.
7.2 – Parqueamento
As máquinas e alfaias agrícolas devem ser
parqueadas num armazém que permita para além de
guardar estes equipamentos, o engate e desengate
de alfaias, proceder à sua manutenção e pequenas
reparações.
O armazém deve ser concebido tendo em vista as
necessidades para se proceder a estas operações
com segurança, nomeadamente: bons acessos, bem
dimensionado, com arejamento, com iluminação, de
fácil limpeza, com piso impermeável e antiderrapante, rampas de entrada/saída, água, corrente
eléctrica, sistema de prevenção e combate a
incêndios,....
A utilização de uma roçadora, em que se
recomenda para além do equipamento genérico a
utilização de:
-
Óculos ou viseira;
Auscultadores;
Polainitos.
Foto: Manutan
22
A segurança e as máquinas agrícolas
As máquinas só devem ser colocadas a trabalhar
em locais fechados, durante o tempo indispensável
para a sua retirada.
7.3 - Manutenção
A manutenção das máquinas e alfaias agrícolas,
constitui uma das mais importantes medidas de
prevenção de acidentes. Antes de iniciar um dia de
trabalho devem executar-se os cuidados periódicos
diários:
Todas as máquinas e equipamentos devem
possuir livro de instruções e/ou certificado de
conformidade. A sua leitura e consulta, constitui o
melhor instrumento de utilização para o operador/
utilizador.
Em cada armazém deve existir um plano de
manutenção, que deve ser cumprido, para cada
máquina/alfaia da exploração, sempre de acordo
com as recomendações do fabricante.
Na substituição de lubrificantes, abastecimento de
combustíveis ou na aplicação de qualquer outro
produto capaz de provocar perigosidade para o
homem, animais ou ambiente, deve haver um cuidado
redobrado de forma a evitar derrames.
23
A segurança e as máquinas agrícolas
7.4 – Acesso à máquina agrícola
7.5 – Engate/desengate de alfaias
A abordagem à máquina deve ser sempre
efectuada pela esquerda (lado da embraiagem).
7.5.1 - Sistema de engate manual, o operador deve
ter o máximo de cuidado ao realizar esta operação:
- A máquina deve estar imobilizada e alinhada
com a alfaia;
- O operador deve abordar os pontos de engate
sem se colocar entre os dois equipamentos,
não se deve apoiar em qualquer um deles nem
tentar arrastar a alfaia;
- Preferencialmente a
máquina deve estar
equipada com comandos
externos do sistema do
hidráulico.
A subida/descida deve fazer-se sempre com a
máquina imobilizada, usando todos os degraus à
disposição e, utilizando sempre três apoios,
recorrendo às pegas colocadas ergonomi-camente para o efeito.
7.5.2 - Sistema de engate rápido, o operador pode
proceder ao engate e desengate de alfaias,
comodamente e em segurança, sem abandonar o
posto de condução.
A plataforma da máquina deve possuir piso antiderrapante, permanecer sempre limpa e livre de
qualquer obstáculo que possa dificultar o acesso.
24
25
7.6 – Utilização das máquinas – trabalho
7.6.1 - Escolha da máquina
A máquina a utilizar para cada tarefa deve ser a mais
adequada ao trabalho que vai desenvolver.
iluminação exigidas. O trabalho de máquinas
agrícolas em estrada exige também que os travões
estejam sempre solidários.
7.6.2 - Ajuste da máquina ao operador
O operador deve ter o cuidado de, antes de iniciar o
trabalho, proceder à adaptação e regulação da
máquina à sua estatura. Deve ajustar a si os órgãos
reguláveis, por forma a encontrar uma posição de
trabalho confortável e de segurança.
7.6.3 - Escolha da alfaia
A escolha da alfaia ou do conjunto de alfaias para a
execução de uma operação, terá de ter em conta
vários aspectos, nomeadamente, as características
da máquina, no caso de se tratar de uma operação
cultural, as características do solo, o tipo de cultura e
o objectivo da operação.
7.6.4 - Deslocação de máquinas/alfaias em
estrada
Para além do necessário cumprimento das regras
do código de estrada, é necessário, sempre que se
trate de máquinas ou alfaias de grandes dimensões,
que estejam equipadas com toda a sinalização e
7.6.5 - Horizonte visual
A realização de uma tarefa em segurança, obriga a
que o operador possua uma visão completa do meio
envolvente. No sentido de proporcionar estas
condições, existem máquinas que possibilitam a
reversão do banco do operador.
7.6.6 - Operações em superfícies inclinadas
A estabilidade das máquinas e alfaias é muito difícil
26
A segurança e as máquinas agrícolas
de garantir na execução do trabalho em declive ou
em superfícies muito acidentadas e irregulares, pelo
que, o trabalho a desenvolver em parcelas com estas
características necessita da adopção de medidas
suplementares de segurança, nomeadamente quanto
ao sentido da deslocação, que deve ser feito de
acordo com as curvas de nível.
7.7 – A segurança de terceiros
Ainda que o risco do acidente com máquinas
agrícolas incida maioritariamente no operador, há
também outros grupos de risco, principalmente
quando se desenvolvem actividades que exigem a
participação de recursos humanos associados ao
trabalho da máquina.
Neste caso, o operador, para além de ter que ter em
atenção a sua segurança, tem também de zelar pela
segurança dos restantes trabalhadores, que devem,
de igual forma cumprir todas as normas de higiene e
segurança. Quando se trata da utilização de
equipamentos pouco vulgares, constitui também
grupo de risco os observadores, pessoas que
inadvertidamente se expõem ao perigo para
satisfazer a sua curiosidade.
Para além destes, há também os transeuntes em
geral, que involuntariamente podem estar expostos
ao risco. Para estes dois últimos grupos, também se
torna necessário tomar medidas de segurança
adequadas à situação.
27
28
A segurança e as máquinas agrícolas
7.8 – A segurança na utilização de ferramentas
A actividade agrícola impõe a necessidade de
utilização frequente de ferramentas diversas na
resolução de pequenas avarias nas máquinas e
alfaias, nos estábulos e na exploração em geral.
Muitas vezes estas reparações envolvem corrente
eléctrica, materiais de construção civil, madeira, entre
outras, pelo que, os trabalhadores devem:
-
estar sempre munidos de EPI adequado à
tarefa que estão a desempenhar;
utilizar a ferramenta adequada à tarefa e em
boas condições de conservação e higiene;
ter um correcto conhecimento quanto ao seu
funcionamento;
em trabalho tecnicamente mais exigentes
(electricidade, soldadura,...), procurar um
técnico especialista.
Fotos: Manutan
29
8 - Segurança na aplicação de Produtos
Fitofarmacêuticos
O uso imprudente de produtos fitofarmacêuticos é
um dos factores que no trabalho agrícola mais afecta
a saúde dos trabalhadores, pois a sua utilização e
manuseamento envolvem elevados riscos
profissionais, estando frequentemente associados a
intoxicações graves e muitas vezes mortais.
A aplicação destes produtos deve ser feita
atendendo à eficácia biológica contra o inimigo a
combater e à acção secundária do produto para o
homem e para os auxiliares e ambiente.
Neste sentido, é indispensável respeitar as
indicações do rótulo do produto, no que se refere à
concentração, dose, volume de calda, modo de
emprego, precauções toxicológicas, intervalo de
segurança e indicações de tratamentos de
alternância, bem como o equipamento individual de
segurança indicado.
Também a tecnologia de aplicação, aspecto muitas
vezes negligenciado, continua a considerar-se
tecnicamente fundamental para o êxito duma
aplicação. Parâmetros como, a cultura, o modo de
30
Segurança na aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos
produção, a identificação dos alvos a tratar, a escolha
do produto a aplicar, determinam a escolha do
equipamento (alto, médio ou baixo volume). O tipo
de bicos, o estado de manutenção/conservação, e a
prévia calibração do equipamento, são normas
importantes a ter em consideração antes de iniciar
uma aplicação.
Equipamentos de Protecção Individual ou EPIs
São quaisquer meios ou dispositivos destinados a
ser utilizados por uma pessoa contra possíveis
riscos ameaçadores da sua saúde ou segurança
durante o exercício de uma determinada actividade.
Um equipamento de protecção individual pode ser
constituído por vários meios ou dispositivos
associados de forma a proteger o seu utilizador
contra um ou vários riscos simultâneos.
Este equipamento, para além de ser
convenientemente seleccionado deve ser
correctamente utilizado. A sua eficácia durante a
utilização varia com vários factores:
31
-
nível de contaminação;
-
movimento do operador;
-
conservação do EPI;
-
contacto com a cultura durante a aplicação.
8.1 - Equipamento de protecção respiratória
Quadro 5 – Equipamento de protecção respiratória, classificação
quanto à forma
Forma Máscaras, protecção de nariz e boca
Filtros e máscaras que protegem nariz, boca e olhos
Capacetes e máscaras com ventilação forçada - protecção
integral da cabeça. Sistema de ventilação forçada que
permite a respiração sem esforço.
Quadro 6 - Equipamento de protecção respiratória, classificação
dos filtros quanto ao tipo
Tipo
Filtros mecânicos
Contra pós e
partículas,
distinguem-se pela
cor branca, letra P
com número
associado, 1, 2 ou 3
cuja protecção
aumenta
proporcionalmente
ao aumento do valor
do número:
P1 – Normal para
partículas sólidas.
P2 – Alto poder de
retenção, partículas
sólidas e liquidas.
P3 – Máximo poder
de retenção,
partículas sólidas e
liquidas.
Filtros químicos
Retêm gases e
vapores químicos,
classificados por letra
e cor:
A – Castanho vapores orgânicos,
dissolventes, pinturas.
B – Cinzento - gases e
vapores orgânicos,
cloro gases ácidos.
E – Amarelo - anidrido
sulfuroso.
K – Verde - Amoníaco.
Poder de retenção
classificado por
número:
1 – Normal
1 – Alto
2 - Máximo
Filtros combinados
Protecção simultânea,
contra gases e
partículas, distinguemse pela combinação
de letras, números
e/ou cores.
Exemplo: Filtro A2P3,
poder de retenção alto
contra vapores
orgânicos e poder de
retenção máximo
contra partículas
sólidas e líquidas.
Fotos: Manutan
Regra geral, para a aplicação da maioria dos
produtos fitofarmacêuticos, salvo indicação contrária
no rótulo, devem ser utilizados filtros contra vapores
orgânicos e pós, tipo A/P (castanho e branco) e para
ácidos os B/P (cinzento e branco).
8.2 - Equipamento de protecção ocular
Utilização de óculos de protecção total, ajustados
ao rosto por forma a não permitirem a entrada de
partículas mas permitam a circulação de ar.
32
Segurança na aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos
8.3 - Equipamento de protecção auditiva
A protecção auditiva, normalmente garantida pela
utilização de tampões ou auriculares, deve ser usada
e dimensionada de acordo com o ruído emitido pelo
equipamento utilizado.
Quadro 7 - Características na etiqueta CE para as luvas
Normas
EN388
EN374
EN407
EN374
EN407
Protecção
Resistência mecânica
Químicos e microorganismos
Temperaturas altas
Frio
Radiações iónicas e radioactivas
No manuseamento de produtos fitofarmacêuticos
recomenda-se a utilização de luvas tipo EN374 ou
EN 384, que, para maior conforto podem ser
calçadas por cima de luvas de algodão.
Foto: Manutan
8.4 - Equipamento de protecção das mãos
As luvas utilizadas devem corresponder ao
tamanho da mão encontrar-se em bom estado de
conservação e devem possuir a marca CE.
Luvas indicadas para protecção contra produtos
quimicos:
- Luvas de Nitrilo
- Luvas de Neoprene
- Luvas de Viton
Foto: Manutan
33
8.5 - Equipamento de protecção do tronco,
membros e cabeça
Quadro 8 – Características de impermeabilidade do
equipamento de protecção do tronco, membros e cabeça
Tipo
1
2
3
4
5
6
A protecção do tronco, membros e cabeça deve
ser assegurada por fatos preferencialmente
integrados (fato de macaco com capuz).
Estes fatos devem ser impermeáveis e específicos
para aplicação de produtos fitofarmacêuticos, no
entanto, a temperatura e humidade relativa elevadas,
dificultam a sua utilização por períodos alargados, o
que torna vulgar o recurso a fatos de macaco em
algodão, também eficazes para prevenir a penetração
da calda até determinados níveis de contaminação.
A eficácia dos fatos de macaco em algodão na
prevenção da penetração da calda, varia com a
percentagem de algodão na sua constituição
associada ao número de lavagens.
Características
Impermeável a gases
Não impermeável a gases
Impermeável a líquidos
Impermeável à pulverização
Protecção contra partículas
Protecção limitada contra salpicos
Por norma, para a
aplicação de produtos
fitofarmacêuticos, salvo
indicação contrária no
rótulo, são recomendados
fatos de protecção do tipo
4 ou 6, devidamente
testados de acordo com a
EN 463 ou EN 468.
A permeabilidade diminui com o aumento do
número de lavagens em fatos de macaco de 100%
de algodão. Em fatos de macaco com 65% de
algodão e 35% de poliester a penetração aumenta
com o aumento do número de lavagens.
Foto: Manutan
34
Segurança na aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos
8.6 - Equipamento de protecção
dos pés
Deve recorrer-se a botas de
borracha, vedadas e impermeáveis
(abaixo do joelho), preferencialmente
resistentes a produtos químicos,
forradas a algodão.
8.7 - Utilização do EPI
O equipamento de protecção individual deve ser
bem seleccionado, dimensionado à estatura do
utilizador e ainda correctamente utilizado.
A protecção da cabeça deve ser realizada com o
capuz do fato de macaco para não possibilitar a
contaminação pela região do pescoço. Este
procedimento pode ser substituído pela aplicação de
capacete e máscara de protecção integral da cabeça.
O fato de macaco a utilizar deve ser seleccionado
de acordo com os parâmetros já definidos, deve ter
incorporado capuz, e um sistema de fecho e deve
sobrepor as luvas e as botas.
35
Segurança na aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos
8.8 - Preparação das caldas
Calda é o líquido pronto a ser utilizado (geralmente
em pulverização) e no qual são dispersos os produtos
fitofarmacêuticos que se pretendem aplicar, devendo
ser aplicada imediatamente após a preparação. Se
tal não for possível, a calda em repouso deve ser
agitada até ficar homogénea antes da aplicação.
Quadro 9 – Relação do modo de preparação da calda com o tipo
de formulação do produto
Tipo de formulação
Grânulos dispersíveis
em água
Concentrado para
emulsão
Emulsão de óleo em
água
Pó solúvel
Solução
Solução aquosa
Pó molhável
Quando se pretende utilizar mais do que um
produto na mesma calda, deve seguir se as
recomendações do rótulo e/ou dos fabricantes (tabela
de compatibilidades) e não se deve misturar mais
de 3 produtos na mesma calda.
Suspensão
concentrada
Suspensão aquosa de
microcápsulas
Suspensão oleosa
A sua preparação, varia também com o tipo de
formulação do produto, assim:
Fonte: SAPEC - AGRO
36
Modo de preparação da calda
No recipiente onde se prepara a
calda colocar metade da água
necessária. Juntar a quantidade
de produto a utilizar e completar o
volume de água agitando sempre.
No recipiente onde se prepara a
calda colocar metade da água
necessária. Numa vasilha, juntar a
quantidade de produto a utilizar
com um pouco de água e agitar
continuamente até obter uma
pasta homogénea e sem grumos.
Deitar esta pasta no recipiente e
completar o volume de água
agitando sempre. Evitar deixar a
calda em repouso.
No recipiente onde se prepara a
calda colocar metade da água
necessária. Agitar bem a
embalagem até o produto ficar
homogéneo. Colocar a quantidade
de produto a utilizar e completar o
volume de água, agitando sempre.
37
A preparação da calda constitui o momento de
maior risco para o utilizador, uma vez que o produto
é manipulado na sua forma mais concentrada, pelo
que, é importante seguir os procedimentos de
segurança.
Senhor aplicador:
- Proteja-se eficazmente com vestuário e
equipamento adequado (EPI);
- Evite pulverizar em dias com muito vento ou com
muito calor. Caso haja algum vento será necessário
pulverizar por forma a que este arraste o produto em
sentido contrário ao do aplicador. Nas épocas de
muito calor aplique as caldas logo pela manhã, nas
horas mais frescas;
- Escolha um local bem ventilado, de preferência
ao ar livre, afastado das habitações, dos cursos de
água, dos poços, e das crianças para proceder à
preparação da calda;
- Leia as instruções contidas no rótulo;
- Evite o contacto do produto com a pele e os olhos;
- Para agitar utilize uma vara e nunca as mãos;
- Não coma, não beba e não fume durante todo o
processo;
- Não deite fora restos de produto ou restos de
calda. O produto que sobrar deve ser guardado na
38
Segurança na aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos
sua embalagem original e a calda deve ser toda gasta
na pulverização. Por isso, é muito importante calcular
previamente o volume de calda que vai ser necessário
para efectuar o tratamento;
- Nunca encha o depósito do pulverizador a partir
de um curso de água, canal ou poço, sem a válvula
anti-retorno instalada e sem exercer vigilância
permanente;
- Nunca deixe sem vigilância o equipamento cheio
e pronto a utilizar;
- Não deixe os produtos ou as embalagens vazias
abandonadas ou espalhadas;
- As caldas devem ser preparadas à medida que
vão sendo utilizadas. Os produtos fitofarmacêuticos
podem sofrer alterações quando as caldas são
preparadas com muita antecipação em relação aos
tratamentos e, por isso, não terem o efeito esperado;
- O material usado na preparação da calda deve
ser bem lavado. A água das lavagens das
embalagens deverá ser utilizada na própria calda;
- Após a aplicação o trabalhador deve lavar-se e
vestir-se com roupa limpa, principalmente antes de
comer, beber ou fumar;
- A aplicação de pesticidas em espaços confinados
como estufas e abrigos exige uma maior atenção,
devido ao maior perigo de intoxicação.
39
Muitas vezes a imprecisão na preparação das
caldas, nomeadamente no que se refere às
quantidades de produto a aplicar por unidade de
superfície a tratar, é responsável pela falta de eficácia
do produto aplicado.
Neste sentido, e para se determinar a
concentração da calda (l ou Kg/hl de calda),
necessitamos de conhecer o débito do pulverizador.
Para tanto deve:
1. encher o depósito do pulverizador com água;
2. marcar no terreno uma área de por exemplo,
100 m2 (20 x 5 m ou 10 x 10 m);
3. mantendo a pressão e velocidade de
deslocação
constantes,
pulverizar
uniformemente os 100 m2 de terreno;
4. determinar a quantidade de água gasta
(medindo o volume de água necessário para
voltar a encher o depósito);
5. calcular o débito, determinando o valor do
produto 100 x N, em que N é o número de litros
de água consumido.
Débito
Quantidade de calda gasta por unidade de
superfície, normalmente expresso em Litros por
hectare
Quando este valor não é conhecido, é necessário
calibrar o pulverizador:
O valor encontrado é o débito do pulverizador
em l/ha
Cálculo do débito do pulverizador
O débito do pulverizador depende:
- Do tipo e do número de bicos utilizados;
- da pressão a que o pulverizador vai trabalhar;
- da velocidade de deslocação da máquina.
Para ajudar na determinação da concentração e
das doses de produtos a utilizar, tendo em conta o
débito do pulverizador e a dose de produto
recomendada, apresenta-se o quadro da página
seguinte.
Assegurando o perfeito funcionamento da máquina
há que fazer um “ensaio em branco” (só com água).
40
41
3,00
3,33
3,50
3,75
4,00
4,50
7,00
7,50
8,00
9,00
10,00 5,00
2,66
2,50
2,33
2,16
2,00
1,83
3,25
1,66
1,50
6,50
2,25
4,50
1,33
3,00
2,00
4,00
1,16
6,00
1,75
3,50
1,00
2,75
1,50
3,00
0,83
5,50
1,25
2,50
0,66
2,50
1,00
2,00
0,50
5,00
0,75
1,50
0,33
300
500
700
1,66 1,43
1,50 1,29
1,33 1,14
1,25 1,07
1,16 1,00
1,08 0,93
1,00 0,86
0,92 0,79
0,83 0,71
0,75 0,64
0,66 0,57
0,58 0,50
0,50 0,43
0,41 0,36
0,33 0,28
0,25 0,21
0,16 0,14
600
1,25
1,12
1,00
0,94
0,89
0,81
0,75
0,69
0,63
0,56
0,50
0,44
0,38
0,31
0,25
0,19
0,12
800
1,11
1,00
0,88
0,83
0,77
0,72
0,66
0,61
0,55
0,50
0,44
0,38
0,33
0,27
0,22
0,16
0,11
900
1,00
0,90
0,80
0,75
0,70
0,65
0,60
0,55
0,50
0,45
0,40
0,35
0,30
0,25
0,20
0,15
0,10
1000
CONCENTRAÇÃO DA CALDA (l ou kg/hl de calda)
2,50 2,00
2,25 1,80
2,00 1,60
1,87 1,50
1,75 1,40
1,62 1,30
1,50 1,20
1,37 1,10
1,25 1,00
1,12 0,90
1,00 0,80
0,87 0,70
0,75 0,60
0,62 0,50
0,50 0,40
0,37 0,30
0,25 0,20
400
0,91
0,82
0,73
0,68
0,64
0,59
0,55
0,50
0,45
0,41
0,36
0,32
0,27
0,23
0,18
0,14
0,09
1100
0,83
0,75
0,65
0,63
0,58
0,54
0,50
0,46
0,42
0,37
0,33
0,29
0,25
0,21
0,16
0,13
0,08
1200
Fonte: SIPCAM Quimagro
Tabela 4: Concentração da calda face o débito do pulverizador e a dose recomendada
DOSE
(l ou kg/ha)
0,50
1,00
200
DÉBITO DO PULVERIZADOR (l de calda/ha)
Segurança na aplicação de Produtos Fitofarmacêuticos
Concentração
É a quantidade de produto fitofarmacêutico a utilizar
em 100 l de água. Exprime-se em percentagem
(%).
Dose
Quantidade de produto comercial a aplicar por
unidade de superfície. Em regra exprime-se em
gramas, quilogramas, mililitros ou litros por hectare
(10.000 m2).
Volume da calda
Quantidade de água mais produto agroquímico a
aplicar por unidade de superfície a tratar (em regra,
refere-se ao hectare). refere-se por norma a alto
volume ou seja a débitos da ordem dos 800-1000
l de calda por hectare.
9 - Segurança na movimentação manual de
cargas
A Movimentação Manual de Cargas pode ser
definida como qualquer operação de movimentação
ou deslocamento voluntário de cargas, incluindo as
operações fundamentais de elevação, transporte e
descarga.
A movimentação manual de cargas é uma das
formas de trabalho mais antigas e comuns,
responsáveis por um elevado número de lesões e
acidentes de trabalho, em consequência de
movimentos incorrectos ou esforços físicos
exagerados, de grandes distâncias de elevação, do
abaixamento e transporte, bem como de períodos
insuficientes de repouso, especialmente quando se
tratam de cargas volumosas.
Estas lesões, na sua grande maioria, afectam a
coluna vertebral através de lesões nos discos
intervertebrais, causando dor por compressão, pode
no entanto, desenvolverem-se também lesões a
outros níveis, musculares, escrotais, ligamentos,
tendões, etc.
42
Segurança na movimentação manual de cargas
9.1 - Medidas de prevenção na movimentação
manual de cargas
Figura 4: Lesões na coluna vertebral
Fonte: O Portal da Construção
Relativamente à movimentação de cargas e
posturas incorrectas, é indispensável a utilização de
equipamentos mecânicos, a redução do peso e
volume das cargas a manusear manualmente,
organizar a rotatividade das tarefas e investir na
formação e informação dos trabalhadores e
empresários agrícolas.
De forma a minimizar os riscos e, consequentemente,
as lesões, nas actividades de transporte manual de
cargas, existem várias medidas de prevenção que
se deverão tomar:
- A redução das cargas (os valores-limite da
carga variam consoante idade, sexo, duração
da tarefa, frequência do movimento de
elevação e transporte e capacidade física do
trabalhador);
- A correcta selecção do pessoal que
desempenha as actividades;
- A formação sobre técnicas correctas de
movimentação de cargas;
- A utilização de Equipamentos de Protecção
Individual adequados (vestuário, luvas e
calçado);
- A utilização de meios
mecânicos auxiliares (carros
de mão, rolos, patins,
pinças, garras, monta
cargas, gruas, sem-fins);
- A readequação do espaço
de trabalho.
Foto: Manutan
43
9.1.1 - Regras de prevenção no levantamento de
cargas do solo:
- Posicionar-se o mais perto possível da
carga, em posição estável;
- Afastar os pés com o objectivo de equilibrar
a distribuição do peso;
- Agarrar a carga firmemente, sempre que
possível com a mão completa;
- Flectir os joelhos mantendo as costas
direitas, de forma a evitar um esforço
incorrecto da coluna, prevenindo o
aparecimento de lesões e/ou doenças;
- Elevar a carga sem puxões bruscos,
mediante a extensão das pernas;
- Manter os braços e a carga o mais próximo
possível do corpo.
9.1.2 - Regras de prevenção no transporte de
cargas:
- Transportar as cargas mantendo as costas
direitas;
- Transportar as cargas simetricamente;
- Suportar a carga com o esqueleto corporal;
- Manter a carga próxima do corpo;
- Colocar os dedos afastados de locais onde
possam ficar entalados durante a descida da
carga;
- Baixar a carga suavemente.
44
Segurança na movimentação manual de cargas
9.2 - Boas práticas na movimentação manual de
cargas
Sr. Agricultor:
1- Planeie o que pretende fazer e, se necessário, vá
buscar ajuda ou recorra a meios mecânicos;
2 - Afaste os seus pés, de modo a equilibrar a
distribuição do peso;
3 - Flita os joelhos e agarre firmemente a carga com
as duas mãos;
4 - Levante a cabeça e mantenha as costas direitas
enquanto levanta a carga;
5 - Levante a carga até à sua cintura devagar,
enquanto endireita as suas pernas, ao mesmo tempo
que mantém os seus cotovelos junto ao seu tronco;
6 - Evite torções do tronco;
7 - Evite movimentos bruscos que provoquem picos
de tensão;
8 - Para colocar a carga no chão, dobre os joelhos e
mantenha sempre as costas direitas.
45
Referências bibliográficas:
Silva, Albano, A Segurança e as Máquinas Agrícolas, Apresentação em Power Point
Silva, Albano, Higiene e Segurança no Trabalho, Apresentação em Power Point
Silva, Albano, O Tractor e as Máquinas Agrícolas, Apresentação em Power Point
Legislação:
Legislação Comunitária:
Directiva 89/686/CEE, de 21 de Dezembro, modificada pelas directivas: 93/68/CEE, 93/95/CEE, 96/58/CE
Legislação Nacional:
Decreto-Lei n.º 330/93, de 25 de Setembro
Decreto-Lei 128/93, de 22 de Abril
Portaria 1131/93, de 4 de Novembro
Decreto-Lei 139/95, de 14 de Junho
Portaria 109/96, de 10 de Abril
Portaria 695/97, de 19 de Agosto
Decreto-Lei 374/98, de 24 de Novembro
46
Bibliografia
Referências bibliográficas electrónicas:
Autoridade para as Condições do Trabalho, Campanha de Informação e de Sensibilização para o Sector Agrícola e Florestal, http://
www.ishst.pt/documentacao1/master_agendadetail04.asp, consultado em Maio de 2009.
Agroquisa, http://agroquisa.pt/page.aspx?idCat=259&idMastercat=1&idLayout=22&idLang=1, consultado em Maio de 2009.
Azevedo, José; Guedes, António Brandão, Textos sobre Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, em Instituto para a Segurança,
Higiene e Saúde no Trabalho, 2006, http://www.ishst.pt/downloads/Bolsa_Textos/
Riscos_trabalho_agricola_armazenar_bem_pesticidas.pdf, consultado em Maio de 2009.
Guedes, António Brandão, Textos sobre Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, em Instituto para a Segurança, Higiene e Saúde
no Trabalho, http://www.ishst.pt/downloads/Bolsa_Textos/Bolsa_Artigos_SHST_15.pdf, consultado em Maio de 2009.
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, Acidentes de Trabalho 2006, http://www.dgeep.mtss.gov.pt/estatistica/acidentes/
atrabalho2006.pdf, consultado em Maio de 2009.
Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social, Boletim Estatístico de Abril de 2009, 2009, http://www.dgeep.mtss.gov.pt/
estatistica/be/beabr2009.pdf, consultado em Maio de 2009.
O Portal da Construção, Guia Técnico, Segurança e Higiene no Trabalho, 2008, http://www.oportaldaconstrucao.com/guiastec/stmov_manual_cargas_0508.pdf, consultado em Maio de 2009.
*
Sá, Almeida e, Acidentes de Trabalho, em CNA, 2002, http://www.cna.pt/artigostecnicos/almeidaesa/
10_vtnovembro2002_almeidaesa.pdf, consultado em Maio de 2009.
SAPEC AGRO, Preparação da Calda, http://www.sapecagro.pt/internet/webteca/artigo.asp?id=189&url_txt=&link=, consultado em
Maio de 2009.
Sipicam Quimargo, Preparação das Caldas, http://www.sipcam.pt/area_inf.asp?ID_informacao=4, consultado em Maio de 2009.
Syngenta, http://www.syngenta.pt/prod_concentracao_doses.asp, consultado em Maio de 2009.
47
Ficha Técnica
Edição | CNA – Confederação Nacional da Agricultura
Título | Higiene e Segurança no Trabalho Agrícola
Autor | João Filipe
Coordenação Técnica | Roberto Mileu
Paginação | Ilustração | Fotolitos | Impressão | Regi7
Depósito Legal | 296260/09
ISBN | 978-989-95157-6-5
Tiragem | 300 exemplares
Data | Junho 2009
Produção apoiada pelo Programa AGRO - Medida 7 - Formação Profissional,
Co-financiado pelo Estado Português e pela União Europeia, através do FSE
48
Foto: DRABL
49
50
Download

Untitled