Veredas atemática
Volume 17 nº 2 - 2013
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Relações retóricas sinalizadas pelo marcador discursivo então em elocuções formais
Juliano Desiderato Antonio 1 (UEM)
Deise Vieira dos Santos Alves2 (UEM)
RESUMO: Este trabalho tem como objetivo apresentar as relações retóricas sinalizadas pelo marcador discursivo
então em um corpus formado por elocuções formais (aulas de curso superior). O aparato teórico-metodológico
utilizado é a Teoria da Estrutura Retórica (Rhetorical Structure Theory – RST), teoria funcionalista que estuda a
organização dos textos, caracterizando as relações que se estabelecem entre as partes do texto.Tomando-se como
base os critérios utilizados por Schiffrin (1987), verificou-se que o marcador discursivo então apresenta, no
corpus investigado, dois usos: marcar as unidades mais importantes de um tópico em diferentes planos do
discurso ou marcar sucessão de ideias ou de ações.
Palavras-chave: relações retóricas; marcador discursivo; então.
Introdução
A compreensão de textos depende, dentre outros fatores, do reconhecimento de
relações implícitas que são estabelecidas entre as partes do texto. Essas relações, chamadas
1
Este trabalho apresenta resultados de projeto financiado pela Fundação Araucária-PR, por meio de bolsa de
Produtividade em Pesquisa (Convênio 939/2012 – Fundação Araucária – UEM).
2
A pesquisadora recebeu bolsa da Capes para realização do trabalho cujos resultados são divulgados neste
artigo.
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proposições relacionais, relações discursivas, relações de coerência ou relações retóricas
(TABOADA, 2009) permeiam todo o texto, desde as porções maiores até as relações
estabelecidas entre duas orações, e ajudam a dar coerência ao texto, conferindo unidade e
permitindo que o produtor atinja seus propósitos com o texto que produziu.
Um tratamento adequado a essa questão das relações de coerência é oferecido pela
Teoria da Estrutura Retórica (Rhetorical Structure Theory, doravante RST), uma teoria
descritiva que tem por objeto o estudo da organização dos textos, caracterizando as relações
que se estabelecem entre as partes do texto (MANN & THOMPSON, 1988; MATTHIESSEN
& THOMPSON, 1988; MANN, MATTHIESSEN & THOMPSON, 1992). A RST parte do
princípio de que as relações retóricas que se estabelecem no nível discursivo organizam desde
a coerência dos textos até a combinação entre orações (MATTHIESSEN & THOMPSON,
1988).
Ao tratar das relações retóricas tanto no nível discursivo quanto no nível gramatical
(combinação entre orações), a RST demonstra sua filiação à Linguística Funcional, um grupo
de teorias que consideram essencial para o estudo da língua a função dos elementos
linguísticos na comunicação (BUTLER, 2003; NEVES, 1997; NICHOLS, 1984). Mais
especificamente, a RST foi desenvolvida no âmbito de outras duas vertentes funcionalistas: a
Gramática Sistêmico-Funcional de Halliday e o Funcionalismo da Costa-Oeste dos Estados
Unidos (ANTONIO, 2009).
De acordo com a RST, as proposições relacionais surgem no texto independentemente
de sinais específicos de sua existência: não há necessidade de inclusão, no texto, de elementos
linguísticos que tenham por função indicar as relações estabelecidas (MANN &
THOMPSON, 1988). No entanto, pesquisas têm sido realizadas no sentido de identificar os
meios linguísticos utilizados pelos falantes como pistas que permitam a identificação das
relações retóricas por parte dos destinatários. De acordo com Gómez-González e Taboada
(2005) e Taboada (2009), alguns dos meios mais utilizados pelos falantes para marcar as
relações são os conectivos e os marcadores discursivos (doravante MDs) que funcionam como
cuewords, ou seja, são palavras que fornecem pistas para a identificação das relações
estabelecidas.
Neste trabalho, pretende-se apresentar as relações retóricas sinalizadas pelo MD então
em um corpus formado por elocuções formais do Grupo de Pesquisas Funcionalistas do
Norte/Noroeste do Paraná (Funcpar).
1. Fundamentação teórica
1.1. Marcadores discursivos
Os MDs devem ser investigados no que diz respeito ao estabelecimento de relações
entre orações e entre partes do texto. Embora seja difícil encontrar uma definição satisfatória
para o que sejam os MDs, elementos como então e agora podem ser incluídos nessa categoria
uma vez que são utilizados pelos falantes da língua não apenas como advérbios, mas também
com função discursiva, sinalizando que há algum tipo de relação entre as porções de texto
ligadas por eles. A conjunção mas também pode ser usada como marcador discursivo ao
exercer função discursiva na retomada de tópicos ou em seu “uso retórico”, ou seja, iniciando
uma pergunta retórica. No exemplo (1), retirado do corpus do Funcpar, observa-se o uso de
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então pelo falante para anunciar o tópico discursivo, ou seja, o tema que será tratado durante a
aula.
(1) então a gente vai trabalhar hoje .. e nos próximos/ .. amanhã també::m,
..nós vamos estar trabalhando a origem da vida e evolução,
..mas hoje nós vamos ver .. como surgiu a vida na Terra,
..dao::nde veio essa vida.
A questão da dificuldade de se encontrar uma definição para os MDs, segundo
Taboada (2006), utilizando palavras de Fraser (1999, p. 32), está relacionada ao fato de o
campo de estudo dos MDs ter se tornado “uma indústria em crescimento na Linguística”.
Risso, Silva e Urbano (2006, p. 404) também fazem observação semelhante ao afirmarem que
“Atesta-se, na sucessão das análises linguísticas, a tendência para a agregação contínua de
novos exemplares ao conjunto dos marcadores, que vai se tornando, em decorrência, cada vez
mais amorfo e heterogêneo”. No entanto, esses autores apresentam uma definição, ainda que
ampla, dos MDs:
Trata-se de um amplo grupo de elementos de constituição bastante
diversificada, envolvendo, no plano verbal, sons não lexicalizados, palavras,
locuções e sintagmas mais desenvolvidos, aos quais se pode atribuir
homogeneamente a condição de uma categoria pragmática bem consolidada
no funcionamento da linguagem (RISSO, SILVA & URBANO, 2006, p.
403).
Essa definição foi elaborada após análise de dados de língua falada no português
brasileiro (doravante PB), que permitiu aos pesquisadores a configuração de matrizes básicas
de traços para a identificação de MDs prototípicos. Os traços são os seguintes (p. 420):



são exteriores em relação aos conteúdos proposicionais;
são independentes sintaticamente;
não constituem enunciados completos por si próprios.
Embora apresentem esses traços comuns, os MDs não constituem, segundo Risso,
Silva e Urbano (2006), uma classe homogênea. A diversidade de elementos que podem atuar
como MDs (do ponto de vista da função, elementos gramaticais e elementos lexicais; do
ponto de vista da constituição, desde sons não lexicalizados até perífrases, sintagmas) e o fato
de elementos que não apresentam esses traços prototípicos poderem atuar como MDs sugerem
uma classe gradiente, e não discreta.
É importante ressaltar que há dois traços que indicam duas funções diferentes que os
MDs podem exercer: articulação tópica ou orientação da interação. Os do primeiro tipo são
chamados basicamente sequenciadores, ao passo que os do segundo tipo são denominados
basicamente interacionais.
Considerando que este trabalho está inserido no quadro teórico-metodológico da RST,
teoria que investiga as relações que se estabelecem entre partes do texto, interessam-nos os
MDs basicamente sequenciadores. Risso (2006, p. 427) conceitua esses MDs da seguinte
maneira:
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(...) conjunto de palavras ou locuções envolvidas no amarramento textual das
porções de informação progressivamente liberadas ao longo do evento
comunicativo e, simultaneamente, no encaminhamento de perspectivas
assumidas em relação ao assunto, no ato interacional (RISSO, 2006, p. 427).
Pesquisadora de renome quando se trata de MDs, Schiffrin (1987) concebe o discurso
não apenas como um nível de análise, mas como um processo de interação social; e define
operacionalmente os MDs como “elementos sequencialmente dependentes que circunscrevem
unidades de fala” (SCHIFFRIN, 1987, p. 31). Por dependência sequencial, a autora entende
que os MDs são unidades que atuam no nível discursivo, e não em camadas mais baixas. Por
isso, os MDs são independentes no que diz respeito à estrutura da sentença, uma vez que a
remoção de um MD mantém essa estrutura intacta.
Da mesma forma que Risso, Silva e Urbano (2006), a autora destaca a variedade de
classes de palavras que podem atuar como MDs: conjunções, interjeições, advérbios,
expressões lexicalizadas etc. Baseando-se em um modelo discursivo com vários planos, que
inclui o quadro de participação, o estatuto da informação, a estrutura ideacional, a estrutura de
ação e a estrutura de troca, Schifrin (1987) afirma que os MDs atuam em diferentes níveis do
discurso para estabelecer relações entre enunciados pertencentes a um mesmo plano ou
através de planos diferentes.
No modelo de Schiffrin (1987), a estrutura de trocas corresponde, grosso modo, aos
turnos conversacionais. A estrutura de ação, considerada pragmática pela autora, se refere aos
atos de fala realizados pelo falante. É uma estrutura porque ocorre em determinada ordem: há
ações que precedem, a ação que é almejada pelo falante e as ações subsequentes. A estrutura
ideacional, por sua vez, é semântica, e é composta por proposições ou, em outras palavras,
ideias. O quadro de participação diz respeito às diferentes maneiras pelas quais falante e
ouvinte podem se relacionar em se tratando de proposições, de atos de fala ou de turnos.
Quando tratam de ideias, os falantes podem avaliá-las ou apresentá-las de forma neutra,
podem estar compromissados com elas ou se distanciar delas; quando realizam ações, podem
fazê-lo de forma direta ou indireta, por exemplo; no que diz respeito aos turnos, podem exigir
seu turno, lutar pela posse do turno, abrir mão de seu turno etc. Por fim, o estatuto da
informação é de natureza cognitiva e trata do conhecimento e do meta-conhecimento do
falante e do ouvinte, bem como das suposições que falante e ouvinte fazem a respeito do
conhecimento e do meta-conhecimento de seu interlocutor. O estatuto da informação muda
constantemente, uma vez que a cada turno são feitas contribuições que alteram o
conhecimento e o meta-conhecimento dos participantes do evento comunicativo. Em suma, no
modelo de Schiffrin (1987), a coerência é resultado dos esforços conjuntos dos participantes
para integrar o saber, o significar, o dizer e o fazer.
Assim como na visão da RST, Schiffrin (1987) destaca a relevância da investigação
das conexões subjacentes entre proposições de um texto. Nas palavras da autora,
“mecanismos de coesão não criam significado por si mesmos; são pistas utilizadas pelos
falantes e pelos ouvintes para encontrar os significados subjacentes às estruturas superficiais” 3
(SCHIFFRIN, 1987, p. 9). A atuação dos MDs, no entanto, não se aplica somente à coesão
textual. Para a autora, os MDs também atuam garantindo coerência textual ao permitirem que
3
“Cohesive devices do not themselves create meaning; they are clues used by speakers and hearers to find the
meanings which underlie surface utterances.” A tradução desta e de outras citações constantes neste trabalho são
de nossa responsabilidade.
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os participantes do evento comunicativo “construam e integrem múltiplos planos e dimensões
de uma realidade emergente”4 (SCHIFFRIN, 1987, p. 330).
Schiffrin (1987) destaca três propriedades dos MDs:
1) aparente multifuncionalidade: podem ter vários usos simultâneos, porém isso reduz a
possibilidade de intercâmbio entre marcadores;
2) não-obrigatoriedade: um enunciado iniciado com MD também pode ocorrer sem o
marcador;
3) diversidade formal: elementos de várias classes podem atuar como MDs, tais como
conjunções e advérbios.
1.2. O MD então
Risso (2006) considera o então um MD articulador de partes do texto atuante na
“apresentação da informação e, portanto, no sequenciamento e estruturação interna de
segmentos tópicos” (RISSO, 2006, p. 448). O MD então é anafórico, ou seja, atua sobre a
porção anterior de fala, e não há restrição sobre a dimensão da porção de fala que pode
escopar.
De acordo com Risso (2006), o advérbio então, além de atuar na frase expressando
tempo, também atua como conectivo entre orações. O percurso de mudança que permite que o
advérbio assuma também a função conectora se justifica pelo fato de sua indicação temporal
retrospectiva assumir outros valores semânticos na língua em uso. A autora apresenta alguns
desses valores: “linearidade entre orações e seqüencialidade temporal dos eventos
referenciados” (RISSO, 2006, p. 452), “expressão de tempo e de ações motivadas entre si”
(RISSO, 2006, p. 453), “representação lógico-semântica de decorrência, conclusão ou
resultado” (RISSO, 2006, p. 454), “expressão de contraste entre alternativas excludentes”
(RISSO, 2006, p. 455).
No âmbito textual, o MD então geralmente atua em porções mediais e finais de tópico,
atuando no seu fecho com base nas informações da porção textual antecedente (RISSO,
2006). No entanto, há ocorrências nas quais esse MD é utilizado para iniciar um tópico.
Ainda segundo Risso (2006), o MD então pode atuar tanto na organização intratópica
quanto intertópica. No primeiro caso, pode atuar no encaminhamento de tópico, no fecho de
tópico e na retomada do tópico após inserção. No segundo caso, articula sucessivamente
segmentos tópicos para a construção de um supertópico comum.
No PB, o marcador então realiza funções de dois marcadores do inglês: so e then. Em
seu estudo a respeito dos MDs no inglês, Schiffrin (1987) afirma que so marca as unidades
mais importantes de um tópico. Semanticamente, é um marcador de resultado (no caso de
conexões entre eventos) e de conclusão (efeito de conexões inferenciais) que pode atuar tanto
localmente (na microestrutura) como globalmente (na macroestrutura). Esse marcador pode
ocorrer em três planos discursivos: na estrutura ideacional, no estado da informação e na
estrutura da ação.
No primeiro caso, a relação é baseada em fatos e se estabelece entre unidades de ideia,
mais precisamente entre eventos e estados codificados pelas unidades de ideia.
4
“(...) markers allow speakers to construct and integrate multiple planes and dimensions of an emergent reality.”
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No segundo caso, a relação é baseada em conhecimento e se estabelece quando o
falante tem como intenção que seu destinatário realize uma inferência. O conhecimento prévio
é considerado por Schiffrin (1987) garantia, e as interpretações feitas a partir desse
conhecimento prévio correspondem às inferências. Isso ocorre porque, segundo a autora,
mesmo que os participantes iniciem o ato comunicativo com suposições a respeito da
informação que compartilham, o estatuto do conhecimento e do meta-conhecimento a respeito
da informação que é realmente compartilhada muda constantemente. Mesmo que as
inferências sejam feitas a partir de eventos (narrativas, por exemplo), não são os fatos que
causam factualmente o desfecho; na verdade, esses fatos servem como evidência para
conclusões.
No terceiro caso, a ação se baseia em um ato de fala no qual o falante apresenta uma
motivação para a realização do ato de fala.
Por fim, na estrutura da participação, segundo Schiffrin (1987), so funciona não
apenas como um marcador de transição entre turnos de fala, mas anuncia uma conclusão, seja
pelo fato de o falante estar pronto para tomar o turno de fala ou pelo fato de o falante estar
explicando o que disse anteriormente.
O MD then, segundo Schiffrin (1987), é um marcador cujo significado dêitico
influencia seu uso nos diversos planos discursivos. A autora trata como MD os usos do then
com as seguintes características:
1) iniciando cláusula, independentemente de estar em unidade entonacional separada ou não;
2) seguindo outro marcador que inicia a cláusula;
3) em final de cláusula com função pragmática.
De acordo com Schiffrin (1987), um dos usos do MD then é indicar sucessão no
tempo discursivo, entendido pela autora como “as relações temporais entre enunciados em um
texto, isto é, a ordem em que um falante apresenta enunciados em um texto”5 (SCHIFFRIN,
1987, p. 229).
Nesse caso, o MD then marca a transição temporal entre eventos que se sucedem,
assim como marca a sucessão de ideias e tópicos discursivos. Pode-se afirmar, portanto, que é
utilizado para fazer referência ao tempo discursivo prévio como fonte de informação para o
que será dito na sequência.
Eventos que se sucedem temporalmente correspondem, com frequência, a tópicos
discursivos que também se sucedem. Dessa forma, pode-se afirmar que o MD then liga
episódios que se sucedem no tempo real e tópicos (e também subtópicos) que se sucedem no
tempo discursivo.
Outro uso apontado pela autora (ibid.) é indicar ações que se sucedem no tempo
discursivo. Nesse caso, then marca um enunciado que apresenta uma ação motivada por
alguma solicitação feita pelo interlocutor em enunciado anterior. O enunciado marcado por
then pode trazer uma paráfrase, uma repetição, por exemplo, como forma de satisfazer a
solicitação de confirmação por parte do interlocutor.
Schiffrin (1987) propõe um critério para distinção entre o advérbio then e o MD then.
Quando o tempo discursivo espelha o tempo dos eventos, ou seja, quando then marca eventos
5
“Discourse time refers to the temporal relationships between utterances in a discourse, i.e. the order in which a
speaker presents utterances in a discourse.”
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que se sucedem, parece tratar-se de advérbio. Por outro lado, then é MD quando o tempo
discursivo espelha algum outro tipo de relação de sucessão. No entanto, eventos que se
sucedem podem atuar em outras estruturas discursivas, podendo haver isomorfismo entre
tempo discursivo, tempo do evento e tempo da ideia.
1.3. RST
Como já foi dito anteriormente, a RST tem por objeto de estudo a organização dos
textos, descrevendo as relações que se estabelecem entre as partes do texto. O pressuposto
básico da RST é que, além do conteúdo proposicional explícito veiculado pelas orações de um
texto, há proposições implícitas, as proposições relacionais, que emergem das relações que se
estabelecem entre orações e entre porções de texto.
Para Mann e Thompson (1988), o fenômeno das proposições relacionais é
combinacional, definido no âmbito textual, ou seja, as proposições relacionais são resultantes
da combinação de partes do texto. Essas combinações podem ser estabelecidas tanto entre
orações como entre porções maiores de texto. Outra observação importante diz respeito à
natureza das relações. Quando duas porções de texto se relacionam, além do conteúdo
proposicional expresso por cada uma das porções, há também um conteúdo implícito, a
proposição relacional.
Os pressupostos teóricos nos quais a RST se baseia são os seguintes:
a) os textos são formados por grupos organizados de orações que se relacionam
hierarquicamente entre si de várias formas;
b) as relações que se estabelecem entre as orações podem ser descritas com base na intenção
comunicativa do enunciador e na avaliação que o enunciador faz do enunciatário, e refletem
as escolhas do enunciador para organizar e apresentar os conceitos.
Uma lista de aproximadamente vinte e cinco relações foi estabelecida por Mann e
Thompson (1988) após a análise de centenas de textos, por meio da RST. Essa lista não
representa um rol fechado, mas um grupo de relações suficiente para descrever a maioria dos
textos6.
No que diz respeito à organização, as relações podem ser de dois tipos:
a) núcleo-satélite, nas quais uma porção do texto (satélite) é ancilar da outra (núcleo), como
na figura 1 a seguir, em que um arco vai da porção que serve de subsídio para a porção que
funciona como núcleo.
b) multinucleares, nas quais uma porção do texto não é ancilar da outra, sendo cada porção
um núcleo distinto, como na figura 2 a seguir.
6
Uma lista com as relações e suas
http://www.sfu.ca/rst/07portuguese/definitions.html.
definições
pode
ser
encontrada
no
site
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Figura 1 – Esquema de relação núcleo-satélite
Figura 2 – Esquema de relação multinuclear
A estrutura retórica de um texto, representada por um diagrama arbóreo, é definida
pelas redes de relações que se estabelecem entre porções de texto sucessivamente maiores.
Segundo Mann e Thompson (1988), a estrutura retórica é funcional, pois leva em conta como
o texto produz um efeito sobre o enunciatário, ou seja, toma como base as funções que as
porções do texto assumem para que o texto atinja o objetivo global para o qual foi produzido.
No diagrama 1, observa-se um exemplo da formalização de uma análise textual por
meio da RST. Nesse exemplo 7, após iniciar a explicação acerca do que deveria conter o
relatório (unidade 18), o professor faz uma inserção parentética (relação parentética) em que
tece alguns comentários sobre a atividade a ser realizada pela turma (unidades 2 a 5). Após a
inserção, o professor retoma a explicação a respeito do conteúdo do relatório e para isso
utiliza o MD então (unidade 6, relação multinuclear de retomada), que atua como um elo,
conectando as porções separadas. Da unidade 7 em diante, o professor desenvolve o tópico
“folha de rosto” (relação de elaboração). Por se tratar de uma porção textual muito extensa
que não caberia no diagrama, utilizou-se o símbolo  para representar o satélite que elabora
esse tópico.
Diagrama 1 – Exemplo de formalização de análise textual por meio da RST
7
O exemplo do diagrama 1 foi retirado de uma elocução formal do tipo aula pertencente ao corpus do Funcpar
(Grupo de Pesquisas Funcionalistas do Norte/ Noroeste do Paraná).
8
Nos diagramas deste trabalho, os números das unidades não correspondem à numeração sequencial em que
essas unidades ocorrem nos textos dos quais foram retiradas. A numeração corresponde, na realidade, apenas às
unidades que compõem o trecho utilizado como exemplo.
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2. Metodologia
O corpus desta pesquisa é constituído de 5 elocuções formais que fazem parte do
corpus do Funcpar (Grupo de Pesquisas Funcionalistas do Norte/ Noroeste do Paraná) e sua
coleta seguiu alguns critérios.
Os informantes da pesquisa são professores e alunos universitários de Maringá (PR)
que nasceram na cidade ou residem nela há mais de 10 anos. As gravações foram feitas
durante aulas de graduação, motivo pelo qual se espera formalidade nos textos. Outras
características que devem ser destacadas nesses textos são os papéis e a posse do turno
fixados previamente (KOCH & SOUZA e SILVA, 1996). Por isso, há poucas marcas de
interação, o professor em geral responde a perguntas feitas pelos alunos. Esses textos também
têm um início bem marcado com a apresentação dos objetivos da aula ou do trabalho, bem
como um encerramento no qual os objetivos da aula seguinte são antecipados.
As aulas foram transcritas alfabeticamente, seguindo um padrão baseado nas normas
do projeto NURC (PRETI, 1993: 11-12) com algumas adaptações e segmentadas em unidades
de entonação. Segundo Chafe (1985), a fala espontânea não é produzida em um fluxo
contínuo, mas em uma série de breves jorros que expressam a informação que está sendo
focalizada pela consciência no momento da enunciação. Esses jorros são chamados por Chafe
(1985) de unidades de entonação.
3. Análise dos dados
Tomando-se como base os critérios utilizados por Schiffrin (1987) (cf. seções 1.1 e
1.2), elaborou-se, a partir das ocorrências do corpus, o quadro a seguir com os usos do MD
então e as relações estabelecidas por esse MD em cada plano do discurso e para cada uso.
Usos do MD
então
Planos
do
discurso em
que o MD
então atua
Explicação
dos usos do
MD
então
nos planos
do discurso
em que atua
Relações
sinalizadas
pelo
MD
então
Marca unidades mais importantes de um tópico
Marca sucessão
Ideacional
Informativo
Ação
Estrutura de
participação
Sucessão
de ideias
Sucessão
ações
de
Marca
resultados de
eventos, de
estados, no
nível
ideacional.
Elaboração,
Resultado,
Contraste
Marca
conclusão,
a
informação é
tomada como
garantia para a
inferência.
Conclusão,
Interpretação,
Avaliação
Marca
motivação
para
realização de
um ato-defala.
Preparação,
Motivação
Marca
retomada de
tópico.
Liga
episódios,
tópicos.
Marca
repetição,
paráfrase,
resposta.
Retomada,
Parentética
Sequência
Solução,
Resumo,
Reformulação,
Reafirmação
multinuclear
Quadro 1 – Parâmetros de análise do MD então
O primeiro passo da análise é verificar se o MD então marca unidades mais
importantes de um tópico ou se marca sucessão. Caso marque unidades mais importantes do
tópico, o próximo passo é verificar em que nível ele atua: no nível dos eventos (ideacional),
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sinalizando relações de elaboração, resultado ou contraste; no nível das proposições
(informativo), sinalizando relações de conclusão, interpretação ou avaliação; no nível dos atos
de fala (ação), sinalizando relações de preparação ou de motivação; no nível da estruturação
tópica, sinalizando relações de retomada ou parentética. Caso indique sucessão, o próximo
passo é verificar se o então marca sucessão de ideias, sinalizando a relação de sequência, ou
se marca sucessão de ações, sinalizando as relações de solução, resumo, reformulação ou
reafirmação multinuclear.
As relações sinalizadas pelo MD então são apresentadas nas seções a seguir.
3.1. Relações em que o MD então marca unidades mais importantes
3.1.1. No nível ideacional
3.1.1.1. Relação de elaboração
De acordo com Mann e Taboada (2010), ao utilizar a relação de elaboração, a intenção
do falante é acrescentar informações ao conteúdo do núcleo por meio do conteúdo do satélite.
No corpus, foram encontradas 7 ocorrências dessa relação na macroestrutura (cf. diagrama 2)
e 53 ocorrências na microestrutura9 (cf. diagrama 3).
No diagrama 2, observa-se um exemplo do MD então sinalizando a relação de
elaboração na microestrutura. No diagrama 3, por outro lado, observa-se um exemplo desse
MD atuando na macroestrutura.
Diagrama 2 – MD então sinalizando relação de elaboração na macroestrutura
Em níveis mais altos da hierarquia textual, a relação de elaboração é frequentemente
utilizada no texto para desenvolver tópicos discursivos, organizando as informações da aula.
No diagrama 2, o professor está resumindo alguns textos que tratam do tema da aula. Após ter
apresentado uma parte desses textos, o professor afirma que existem mais textos a serem
discutidos (unidade 1). Essa afirmação dá início a um novo tópico na estrutura da aula,
9
Por macroestrutura e microestrutura entende-se, neste trabalho, que o MD então atua, respectivamente, em
nível global e em nível local.
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sinalizado pelo MD então (unidade 2), na qual o professor inicia a descrição do primeiro dos
textos.
No diagrama 3, o professor utiliza a relação de elaboração para acrescentar detalhes
localmente ao conteúdo do núcleo, ou seja, o professor explica, no satélite (unidades 2 a 4), o
que entende por “criar boi solto” (unidade 1).
Diagrama 3 – MD então sinalizando relação de elaboração na microestrutura
3.1.1.2. Relação de resultado
O efeito pretendido pelo falante ao utilizar a relação de resultado é indicar que o
evento contido no núcleo causou o evento contido no satélite (MANN & TABOADA, 2010).
No corpus deste trabalho, foram encontradas 36 ocorrências da relação de resultado
sinalizadas pelo MD então, todas na microestrutura. Ao ser utilizado nessa relação, o MD
então assume uma função semântica consecutiva, relacionando porções no nível factual,
concreto, como pode ser observado no diagrama 4. Na unidade 1, o professor fornece uma
informação necessária para a compreensão do evento que será mencionado no núcleo,
utilizando, para isso, a relação de fundo. Dessa forma, o fato mencionado nas unidades 1 e 2
(a lona não segura a água da chuva e a casa de determinada pessoa fica alagada) é responsável
pelo fato na unidade 3, isto é, a cama dessa pessoa tem que ficar apoiada em três tijolos para
que não seja alcançada pela água da chuva.
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Diagrama 4 – MD então sinalizando relação de resultado
3.1.1.3. Relação de contraste
A relação de contraste é uma relação multinuclear utilizada pelo falante para
demonstrar que as situações nos núcleos são comparáveis em alguns aspectos, mas diferentes
em outros, ou seja, o falante deseja que seu destinatário reconheça as diferenças entre os
núcleos (MANN & TABOADA, 2010). Encontrou-se uma ocorrência dessa relação no
corpus, como pode ser observado no diagrama 5. Na unidade 1, o professor apresenta a
moldura na qual o conteúdo da unidade 2 deve ser interpretado (relação de circunstância). A
comparação é realizada entre os conteúdos das unidades 1-2 e 3. Em 1-2, o modelo de teoria é
um modelo apartado da realidade, sem aplicação prática. Esse modelo é contrastado com o
modelo empírico apresentado na unidade 3 e a relação de contraste é sinalizada pelo MD
então.
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Diagrama 5 – MD então sinalizando relação de contraste
3.2.2. No nível das proposições
3.2.2.1. Relação de conclusão
A relação de conclusão, que não faz parte do rol de relações clássicas da RST (MANN
& THOMPSON, 1988), foi definida por Carlson e Marcu (2001). Ao utilizar essa relação, o
professor tem como intenção que os alunos reconheçam que o conteúdo do satélite é uma
declaração final a respeito do núcleo. Essa relação é a que apresenta maior número de
ocorrências no corpus (63 ocorrências). É nossa hipótese que isso ocorre porque os
professores utilizam, ao longo das aulas, porções textuais nas quais predomina o raciocínio
lógico, ou seja, conclusões emergem de premissas apresentadas pelos professores, como
ocorre no exemplo do diagrama 6, em que o professor leva os alunos a conclusão de que há
necessidade de se fazer uma suspensão. As premissas são apresentadas nas unidades de 1 a 4.
Na unidade 1, o professor afirma que determinado elemento é insolúvel. Essa informação é
parafraseada na unidade 2. Nas unidades 3 e 4, o professor acrescenta informações para
explicar por que esse elemento é insolúvel. A porção textual formada pelas unidades 3 e 4 é
caracterizada pela relação de contraste, sinalizada pelo conectivo e.
Diagrama 6 – MD então sinalizando relação de conclusão
3.2.2.2. Relação de interpretação
De acordo com Carlson e Marcu (2001), na relação de interpretação, uma das porções
textuais traz uma explicação de algum conteúdo que não esteja completamente claro ou
explícito, uma explicação da motivação de ações que estejam presentes na outra porção ou
ainda uma apreciação da situação da outra porção à luz das crenças, dos interesses individuais
do falante. Foram encontradas 44 ocorrências dessa relação no corpus. É nossa hipótese que
essa alta frequência seja motivada pelo fato de os professores, durante as aulas, apresentarem
o conteúdo e o explicarem para facilitar a compreensão por parte dos alunos.
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No diagrama 7, a porção textual formada pelas unidades 3-4, iniciada pelo MD então,
apresenta uma interpretação a respeito do conteúdo do núcleo (unidades 1-2). Na unidade 1, o
professor apresenta uma informação que considera necessária para a compreensão do
conteúdo, ou seja, que, de acordo com a teoria da abiogênese, acreditava-se que as larvas
surgiam da carne. Nas unidades 3-4, o professor explica como os adeptos da teoria da
abiogênese acreditavam que essa transformação acontecia.
Diagrama 7 – MD então sinalizando relação de interpretação
3.2.2.3. Relação de avaliação
De acordo com Carlson e Marcu (2001), na relação de avaliação, em uma das porções
textuais, o falante avalia o conteúdo presente na outra porção. Essa avaliação pode estar
relacionada a uma escala de valores (bom/mau, bem/mal, por exemplo). Encontraram-se seis
ocorrências dessa relação no corpus.
No diagrama 8, o satélite (unidade 4), iniciado pelo MD então, apresenta uma
avaliação a respeito do conteúdo do núcleo (unidades 1-3). Nas unidades 1, por meio da
relação de circunstância, o professor apresenta a moldura na qual o conteúdo do núcleo
(unidade 2) deve ser interpretado. Na unidade 3, o professor reformula essa afirmação inicial.
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Diagrama 8 – MD então sinalizando relação de avaliação
3.2.3. No nível dos atos de fala
3.2.3.1. Relação de preparação
Na relação de preparação, o falante utiliza o conteúdo do satélite para tornar seu
destinatário mais preparado ou mais interessado no conteúdo do núcleo (MANN &
TABOADA, 2010). Foram encontradas 6 ocorrências dessa relação na macroestrutura e 10 na
microestrutura das aulas do corpus.
No diagrama 9, apresenta-se uma ocorrência dessa relação na microestrutura. As
unidades 1-2 formam uma porção textual que apresenta informações consideradas pelo
professor essenciais para a compreensão do conteúdo do núcleo (unidades 3-4). A informação
mais importante (o ambiente seleciona os indivíduos mais adaptados) é precedida de uma
pergunta retórica (FÁVERO, ANDRADE & AQUINO, 2006) na unidade 3, iniciada pelo MD
então. Na visão da RST, as perguntas retóricas sinalizam a relação de preparação, uma vez
que a intenção do falante não é obter uma resposta, mas chamar a atenção do destinatário para
o conteúdo do núcleo (ANTONIO & TAKAHASHI-BARBOSA, 2012).
Diagrama 9 – MD então sinalizando relação de preparação na microestrutura
Na macroestrutura, a relação de preparação tem a função de iniciar segmentos tópicos,
como pode ser observado no diagrama 10, em que a aula é iniciada pela unidade 1, na qual se
anuncia o supertópico da aula em questão e também das próximas aulas. A unidade 1 e,
consequentemente, a aula são iniciadas pelo MD então. Segundo Risso (2006), o uso do então
na abertura de encontro entre interlocutores configura a característica anafórica do item.
Nesse tipo de construção, a retroação se dá fora da superfície do texto em curso, apoiada nos
conhecimentos partilhados, na convivência, nos acontecimentos, na cumplicidade entre
interlocutores. Sendo assim, a abertura da aula por meio do MD então pode ser justificada
pela relação de cumplicidade e pelos conhecimentos partilhados por professor e alunos no
cotidiano em sala de aula. O MD então estaria, no caso do exemplo apresentado,
estabelecendo uma relação com as aulas anteriores e preparando a turma para a aula que se
seguiria.
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Diagrama 10 – MD então sinalizando relação de preparação na macroestrutura
3.2.3.2. Relação de motivação
A relação de motivação é utilizada quando o falante deseja que seu destinatário realize
a ação presente no núcleo. O conteúdo do satélite deve aumentar o desejo do destinatário de
realizar a ação presente no núcleo (MANN & TABOADA, 2010). Foram encontradas 45
ocorrências dessa relação no corpus. É nossa hipótese que esse grande número de ocorrências
seja motivado pelo fato de os professores procurarem levar os alunos à realização de
determinadas ações, como pode ser observado no diagrama 11. No satélite (unidades 1-6), o
professor menciona um assunto comum no vestibular e apresenta como esse assunto é
solicitado nas provas de ingresso às universidades, esperando que isso leve os alunos a “dar
uma olhada” (estudar) nesse assunto (unidade 7). A unidade 7, que é o núcleo, é iniciada pelo
MD então.
Diagrama 11 – MD então sinalizando relação de motivação
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3.2.4. No nível da estruturação tópica
3.2.4.1. Relação de retomada
A relação de retomada não faz parte do rol clássico de relações da RST (MANN &
THOMPSON, 1988). Neste trabalho, utiliza-se a relação same-unit, definida por Carlson e
Marcu (2001) como base para a definição da relação de retomada: o destinatário reconhece
que as informações apresentadas constituem uma única proposição; separadas não fazem
sentido. Para Carlson e Marcu (2001), a relação same-unit liga porções textuais separadas por
uma porção com função apositiva ou parentética. É o que ocorre no diagrama 12, em que, na
unidade 6, iniciada pelo MD então, o tópico da aula (unidade 1) é retomado após uma
inserção parentética (unidades 2-5). Da unidade 7 em diante, o tópico é desenvolvido 10. De
acordo com Risso (2006), uma das funções do MD então é exatamente essa:
A direção anafórica do marcador deixa, nessas circunstâncias, de retroagir
diretamente para a porção discursiva imediatamente contígua e precedente e
passa a instrução para que o interlocutor reate os elos com uma sequência
textual anterior pouco mais distante, temporariamente suspensa pela
interposição do segmento inserido (RISSO, 2006, p. 461).
Diagrama 12 – MD então sinalizando relação de retomada
3.2.4.2. Relação parentética
Embora não faça parte do rol clássico de relações da RST (MANN & THOMPSON,
1988), a relação parentética foi definida por Pardo (2005) como indicando a existência de uma
Utiliza-se o símbolo  para representar a porção responsável por esse desenvolvimento, uma vez que, devido à
extensão, essa porção textual não caberia neste trabalho.
10
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informação extra que não pertence ao corpo do texto. A porção que constitui o satélite é a
inserção propriamente dita, que se liga à porção nuclear, constituída pela porção anterior,
interrompida. O corpus apresenta 3 ocorrências de inserções parentéticas introduzidas pelo
MD então, como no diagrama 13. Na unidade 2, o professor interrompe o tópico que vinha
desenvolvendo para explicar um conceito mencionado na unidade 1 (países periféricos,
subdesenvolvidos, de terceiro mundo). O tópico é retomado na unidade 3, também iniciada
pelo MD então.
Diagrama 13 – MD então sinalizando relação parentética
3.3. Relações em que o MD então indica sucessão
3.3.1. Sucessão de ideias
3.3.1.1. Relação de sequência
A relação de sequência é definida por Mann e Thompson (1988) como uma relação de
sucessão entre as situações apresentadas nos núcleos. O uso do MD então sinalizando a
relação de sequência, estabelecendo sucessão, pode levá-lo a ser confundido com o advérbio
então. Conforme Schiffrin (1987), quando o tempo discursivo espelha o tempo dos eventos,
trata-se de advérbio. Deve-se observar, no entanto, que eventos que se sucedem podem atuar
em outras estruturas discursivas, podendo haver isomorfismo entre tempo discursivo, tempo
do evento e tempo da ideia. Foram encontradas no corpus cinco ocorrências da relação de
sequência marcadas pelo então.
No diagrama 14, o professor descreve uma sequência de ações que deve ser seguida
pelos alunos. A relação existente entre essas ações é assimétrica, não havendo a possibilidade
de alterar a ordem das ações sem prejudicar o sentido. A assimetria é uma característica
básica da relação de sequência. Para os casos em que a ordem das porções pode ser invertida
sem que haja perda de sentido, a RST estabelece uma outra relação: a de lista. Essa relação
não foi encontrada no corpus marcada pelo MD então. Isso permite a inferência de que, por se
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tratar de um item que apresenta uma tendência estabilizadora definida pela recorrência do
item em estruturas sintático-semânticas de expressão temporal (RISSO, 2006), o item em
discussão neste trabalho não estabelece relação retórica de lista.
Diagrama 14 – MD então sinalizando relação de sequência
3.3.2. Sucessão de ações
3.3.2.1. Relação de solução
Na relação de solução, um problema é apresentado no satélite, ao passo que a solução
para esse problema é apresentada no núcleo (MANN & TABOADA, 2010). Na RST, o par
dialógico pergunta-resposta sinaliza essa relação. Considerando-se o caráter assimétrico da
posse dos turnos de fala nas elocuções formais que constituem o corpus, em poucos
momentos das aulas houve alguma interação por parte dos alunos. Dessa forma, foram
encontradas apenas 3 ocorrências da relação de solução sinalizadas pelo MD então. Uma
dessas ocorrências é representada no diagrama 15, em que o aluno elabora uma pergunta
(unidade 1), que é respondida pelo professor (unidade 2).
Diagrama 15 – MD então sinalizando relação de solução
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3.3.2.2. Relação de resumo
Na relação de resumo, o satélite traz uma reformulação abreviada do conteúdo do
núcleo (MANN & TABOADA, 2010). Essa relação é recorrente no corpus (51 ocorrências),
uma vez que os professores utilizam o resumo para retomar as informações apresentadas
reafirmando-as de maneira resumida e, ao mesmo tempo, destacando para os alunos, seus
enunciatários, a importância da informação. No diagrama 16, o professor resume, na unidade
2, o que foi explicado na unidade 1, ou seja, que formulações extemporâneas têm prazo de
validade curto.
Diagrama 16 – MD então sinalizando relação de resumo
Para facilitar a leitura das porções textuais do diagrama 16, apresenta-se, a seguir, a
transcrição dos trechos:
Núcleo
.. e as suspensões .. secas extemporâneas .. quem são essas?
.. todo mundo na infância/ a geração de vocês é geração amoxil,
.. tomaram amoxil.
.. o amoxil já vem láquido prontinho ali?
.. oral?
.. colocava água filtrada não era?
.. e agitava.
.. aquilo é uma suspensão,
.. não ficava gro::sso assim,
.. vocês sentiam os cristais?
.. é uma suspensão,
.. a amoxacilina vai estar .. dispe::rsa .. na água,
.. não dissolve,
.. você dispersa grosseiramente,
.. é uma suspensão,
.. e nessa suspensão .. aquosa ela não é muito esTÁvel,
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.. então o que que o fabricante fez .. o recurso?
.. ele retirou a água.
.. aí o tempo que ela armazenada na fá::brica no depó::sito na distribuido::ra na farmá::cia,
.. até você comprar .. ela se torna estável.
.. ao colocar a á::gua,
.. você re-faz a suspensão,
.. então ela é uma suspensão seca,
.. a hora que você coloca água ela refaz,
.. só que ela é uma suspensão .. e::xtemporâ::nea,
.. te::mporâneo de te::mpo,
.. ou seja pra::zo curto de validade,
.. um antibiótico por exemplo amoxicilina depois de res/tendida .. refeita .. quinze dias de
validade.
.. que é o tempo que você vai utilizar o medicamento,
.. depois pode descartar.
.. okay?
.. então é um recu::rso
.. retirar a á::gua,
.. para que aumente a estabilidade da formulação.
Satélite
.. então formulações extemporâ::neas,
.. prazo de validade curto.
3.3.2.3. Relação de reformulação
Na relação de reformulação, o satélite apresenta uma reformulação do conteúdo do
núcleo (MANN & TABOADA, 2010). De acordo com Antonio e Cassim (2012), em textos
falados, a reformulação é realizada por meio do fenômeno da paráfrase, no qual o falante usa
o discurso anterior como matriz para o novo enunciado. Conforme Hilgert (2006), o
parafraseamento é uma “estratégia de construção textual que se situa entre as atividades de
reformulação, por meio das quais novos enunciados remetem, no curso da fala, a enunciados
anteriores, modificando-os total ou parcialmente” (HILGERT, 2006, p. 275). Ainda segundo
esse autor, por meio do parafraseamento, o falante retoma o que considera importante para a
compreensão do seu discurso. Foram encontradas 7 ocorrências da relação de reformulação
marcadas pelo MD então no corpus. No diagrama 17, o conteúdo do satélite (“ligações por
aminoácidos são as ligações peptídicas” – unidade 2) introduzido pelo MD então é uma
reformulação do conteúdo do núcleo (“ligações peptídicas são ligações feitas entre dois
aminoácidos para formar proteínas” – unidade 1).
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Diagrama 17 – MD então sinalizando relação de reformulação
3.3.2.4. Relação de reafirmação multinuclear
Na relação de reafirmação multinuclear, ocorre a repetição de elementos de mesmo
valor do ponto de vista do falante (MANN & TABOADA, 2010). Segundo Antonio e Cassim
(2012), em textos falados, a reafirmação multinuclear é realizada por meio do fenômeno da
repetição. De acordo com Marcuschi (2006), embora possa parecer que a repetição poderia
prejudicar a progressão tópica, esse fenômeno na realidade atua sobre a coesão e a
continuidade tópica. Castilho (1998) afirma que o falante escolhe utilizar essa estratégia por
uma questão pragmática, considerando necessário retomar algo para ser entendido pelo outro.
Para a RST, a diferença entre reformulação (que é uma relação núcleo-satélite) e
reafirmação multinuclear é que nesta não se focaliza nenhuma das porções textuais repetidas,
ou seja, todos os núcleos têm o mesmo estatuto (MANN & TABOADA, 2010). Na relação de
reformulação, o conteúdo de um dos núcleos é mais central para os propósitos do falante, que
explica esse conteúdo em outras palavras por meio do parafraseamento. No corpus, foram
encontradas 27 ocorrências da relação de reafirmação multinuclear marcadas pelo MD então.
O uso do MD é justificável pela sua característica retomadora (RISSO, 2006), válida ao
estabelecer uma relação anafórica entre os termos relacionados, retomando o enunciado
anterior para repeti-lo. No diagrama 18, observa-se que a pergunta “o que é evolução?”
(unidade 2) é repetida na unidade 3 sendo introduzida pelo MD então.
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Diagrama 18 – MD então sinalizando relação de reafirmação multinuclear
Conclusão
Este trabalho teve como objetivo apresentar as relações retóricas sinalizadas pelo MD
então em um corpus formado por elocuções formais (aulas de curso superior) do Grupo de
Pesquisas Funcionalistas do Norte/Noroeste do Paraná (Funcpar). O aparato teóricometodológico utilizado foi da RST, teoria funcionalista que estuda a organização dos textos,
caracterizando as relações que se estabelecem entre as partes do texto.
Tomando-se como base os critérios utilizados por Schiffrin (1987) (cf. seções 1.1 e
1.2), verificou-se que o MD então apresenta, no corpus investigado, dois usos: marcar as
unidades mais importantes de um tópico ou marcar sucessão.
Ao marcar unidades mais importantes de um tópico, o MD então pode atuar em
diferentes planos do discurso: no nível dos eventos (ideacional), sinalizando relações de
elaboração, resultado ou contraste; no nível das proposições (informativo), sinalizando
relações de conclusão, interpretação ou avaliação; no nível dos atos de fala (ação), sinalizando
relações de preparação ou de motivação; no nível da estruturação tópica, sinalizando relações
de retomada ou parentética.
Ao marcar sucessão, o MD então pode indicar sucessão de ideias, sinalizando a
relação de sequência, ou indicar sucessão de ações, sinalizando as relações de solução,
resumo, reformulação ou reafirmação multinuclear.
Rhetorical relations signaled by the discourse marker então in formal speech
ABSTRACT: The aim of this paper is to present the rhetorical relations signaled by the discourse marker então
in formal speech (undergraduate classes). The analysis is based on Rhetorical Structure Theory (RST), a
functional theory which investigates discourse organization, describing the relations held between text spans.
Based on Schiffrin’s (1987) criteria to characterize discourse markers, it was possible to verify that the discourse
marker então has two uses in the corpus analysed: to signal the most important units of a topic in different planes
of discourse or to signal succession of ideas or actions.
Keywords: rhetorical relations; discourse marker; então.
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Data de envio: 13/05/2013
Data de aprovação: 08/11/2013
Data de publicação: 15/04/2014
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