UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CENTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS COORDENAÇÃO DO CURSO DE GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO SERVIÇO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO EM ADMINISTRAÇÃO JOSÉ RÔMULO DE OLIVEIRA VELOSO ANÁLISE DA IMPLANTAÇÃO DA FERRAMENTA FLUXO DE CAIXA EM UMA MICROEMPRESA: UM ESTUDO DE CASO NA COMERCIAL VELOSO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO ÁREA: ADMINISTRAÇÃO DE PEQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS João Pessoa – PB Junho de 2010 JOSÉ RÔMULO DE OLIVEIRA VELOSO ANÁLISE DA IMPLANTAÇÃO DA FERRAMENTA FLUXO DE CAIXA EM UMA MICROEMPRESA: UM ESTUDO DE CASO NA COMERCIAL VELOSO Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Coordenação do Serviço de Estágio Supervisionado em Administração, do Curso de Administração, do Centro de Ciências Sociais Aplicadas da Universidade Federal da Paraíba, em cumprimento as exigências para a obtenção do Grau de Bacharel em Administração. Orientadora: Professora Lucilene Klenia Rodrigues Bandeira João Pessoa – PB Junho de 2010 V441a Veloso, José Rômulo de Oliveira Análise da implantação da ferramenta fluxo de caixa em uma microempresa: um estudo de caso na Comercial Veloso. / José Rômulo de Oliveira Veloso. João Pessoa, 2010. 50f.;il. Orientadora: Profª. Lucilene Klenia Rodrigues Bandeira Monografia (Graduação em Administração) Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Universidade Federal da Paraíba. 1. Micro e pequenas empresas 2. Gestão financeira 3. Fluxo de Caixa I. Título. UFPB/BS CDU: 65.017.32 À Professora Orientadora Lucilene Klenia Rodrigues Bandeira Solicitamos examinar e emitir parecer no Trabalho de Conclusão de Curso do aluno José Rômulo de Oliveira Veloso. João Pessoa – PB, 28 de Junho de 2010. ___________________________________________________________________________ Professor Fábio Valter Coordenador do SESA Parecer da Professora Orientadora: ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________ JOSÉ RÔMULO DE OLIVEIRA VELOSO ANÁLISE DA IMPLANTAÇÃO DA FERRAMENTA FLUXO DE CAIXA EM UMA MICROEMPRESA: UM ESTUDO DE CASO NA COMERCIAL VELOSO Trabalho de Conclusão de Curso Aprovado em:_____________________________________ Banca Examinadora ___________________________________________________________________________ Professora Lucilene Klenia R. Bandeira Prof.ª Orientadora ___________________________________________________________________________ Professor Cesar Augusto Ruiz – UFPB Examinador ___________________________________________________________________________ Professor Walmir Rufino da Silva – UFPB Examinador À DEUS, e aos meus PAIS. Eu dedico este trabalho! AGRADECIMENTOS Agradeço ao meu Senhor DEUS, por tudo o que Ele tem realizado na minha vida, entre os quais a realização deste sonho: ser um Administrador! Agradeço aos meus pais (Fábio Veloso de Araújo e Rosilândia de Lourdes Oliveira Veloso), por todo o amor e motivação, e todo o esforço financeiro que fizeram na minha caminhada na universidade. Agradeço aos meus irmãos (Fabíola de Oliveira Veloso Suna, Andreyna de Oliveira Veloso, Maria Eutásia de Oliveira Veloso e João Fábio de Oliveira Veloso) por todo carinho. Agradeço a todos os professores que lecionaram na minha graduação, principalmente ao Professor Wagner Soares Fernandes dos Santos pelo apoio na construção do projeto e à Professora Lucilene Klenia R. Bandeira pelas valiosas orientações, que tornaram possível concluir este trabalho. Muito obrigado pela dedicação e ensinamentos. A todos os meus amigos que conquistei ao longo do curso, que me proporcionaram alegria e entusiasmo e pelo companheirismo e aprendizagem, principalmente: Ana Paula Perez, Dimas Coutinho, Isete Moreira, Leonardo Nunes, Mahilton Silva, Rizoniel Dionizio, Samara Lima e Suelen Melo. Nunca me esquecerei de vocês! E novamente ao meu pai por te aceitado e acreditado neste desafio. “Provai e vede que o Senhor é bom; bem aventurado o homem que nele confia. Temei ao Senhor, vós os seus santos, pois não têm falta alguma àqueles que o temem.” (Salmo 34; 8-9) VELOSO, José Rômulo de Oliveira. Análise da Implantação da Ferramenta Fluxo de Caixa em uma Microempresa: um Estudo de Caso na Comercial Veloso. 2010.1. Trabalho de Conclusão de Curso (Graduação em Administração) Universidade Federal da Paraíba. RESUMO O objetivo do presente estudo foi implantar e analisar a ferramenta fluxo de caixa na gestão financeira de uma micro e pequena empresa, visto que este instrumento é indispensável para extrair informações concretas e precisas para auxiliar o gestor financeiro no processo decisório. Optou-se em utilizar o modelo da demonstração de fluxo de caixa do autor Zdanowicz (1992) como base para o referencial teórico. A pesquisa apresenta-se como pesquisa-ação e de natureza explicativa, e utilizou-se como técnica de pesquisa um estudo de caso. A metodologia utilizada para a coleta dos dados foi através de um roteiro de entrevista. Como resultado aplicou-se a ferramenta fluxo de caixa na gestão financeira da empresa, além de identificar uma série de fatores que agrava a situação financeira da empresa, tais quais: não separação das finanças da pessoa física do empresário e a pessoa jurídica da empresa; não existe uma forma de apuração do lucro; falta de capital de giro; controle financeiro utilizado não esclarece resultados; falta de planejamento financeiro; além da relação com os fornecedores comprometida. Palavras chave: Micro e Pequenas Empresas, Gestão Financeira, Fluxo de Caixa. LISTA DE ABREVIATURAS P.CV – Proprietário da Comercial Veloso SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas UFPB – Universidade Federal da Paraíba LISTA DE ILUSTRAÇÕES LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: Apresentação do Modelo de Fluxo de Caixa........................................................ 31 LISTA DE QUADROS QUADRO 1: Fatores que agravam a situação financeira da empresa ..................................... 40 QUADRO 2: Modelo adaptado do Fluxo de Caixa.................................................................. 43 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 13 2. DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA .................................................................................................................. 14 3. OBJETIVOS ................................................................................................................ 15 3.1 Objetivo Geral ............................................................................................................... 15 3.2 Objetivos Específicos .................................................................................................... 15 4. JUSTIFICATIVA ........................................................................................................ 16 5. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA.............................................................................. 18 5.1 Gestão Empresarial........................................................................................................ 18 5.2 A Gestão das Micro e Pequenas Empresas.................................................................... 19 5.3 A Problemática da Gestão nas Micro e Pequenas Empresas......................................... 21 5.4 Gestão Financeira .......................................................................................................... 23 5.5 Ferramenta para a Gestão Financeira: Fluxo de Caixa.................................................. 24 5.5.1 Conceitos ....................................................................................................................... 24 5.5.2 Objetivos do Fluxo de Caixa ......................................................................................... 25 5.5.3 Relevância do Fluxo de Caixa....................................................................................... 26 5.5.4 Características básicas para um informativo de Fluxo de Caixa................................... 27 5.5.5 Etapas da Elaboração do Fluxo de Caixa ...................................................................... 28 5.5.6 Requisitos para a implantação do Fluxo de Caixa......................................................... 29 5.5.7 Modelo Teórico da demonstração de Fluxo de Caixa ................................................... 29 5.5.8 Componentes do Fluxo de Caixa................................................................................... 32 6. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ............................................................. 33 6.1 Natureza da Pesquisa ..................................................................................................... 33 6.2 Método de Abordagem .................................................................................................. 33 6.3 Sujeito da Pesquisa ........................................................................................................ 34 6.4 Técnicas da Pesquisa ..................................................................................................... 34 6.5 Procedimentos de Coleta de Dados ............................................................................... 35 6.6 Tratamentos dos Dados ................................................................................................. 35 7. ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ..................................................... 37 7.1 Parte I – Caracterização da Empresa e do Proprietário ................................................ 37 7.2 Parte II – Situação Financeira Atual da Empresa ......................................................... 38 7.3 Parte III – Diagnóstico.................................................................................................. 39 7.4 Parte IV – Sensibilização da Importância da Ferramenta Fluxo de Caixa ................... 40 7.5 Parte V – Implantação e Análise da Ferramenta Fluxo de Caixa................................. 41 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................... 44 8.1 Sugestões para trabalhos futuros .................................................................................. 44 8.2 Limitações do Estudo ................................................................................................... 44 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 46 APÊNDICE ................................................................................................................. 49 13 1 INTRODUÇÃO A elaboração dessa monografia visa atender de maneira clara e simples a aplicação do modelo teórico da demonstração de Fluxo de Caixa em uma organização. Através da formulação de um problema, serão traçados os objetivos geral e específico da pesquisa a ser alcançado bem como a justificativa da realização deste estudo. No desenvolvimento, por meio de um levantamento bibliográfico será possível expor e demonstrar informações inerentes ao estudo em questão, utilizando como referencial alguns estudiosos da área. Através de pesquisas bibliográficas em fontes diversas, como livros e dissertações será possível absorver os fundamentos teóricos. Neste item é abordado uma visão geral de gestão empresarial e financeira, bem como será feito uma contextualização sobre gestão das micro e pequenas empresas e seus principais problemas; e por fim aponta-se a ferramenta Fluxo de Caixa. Para a realização deste estudo será explicado os procedimentos metodológicos, tais quais: a natureza da pesquisa, o método de abordagem, o sujeito e a técnica utilizada para coleta dos dados bem como serão analisados esses dados. Será escolhida uma metodologia que possa contribuir para o alcance do objetivo desta pesquisa. Por fim, depois da análise e interpretação dos dados será possível tirar conclusões acerca do problema em questão e também sugerir possíveis estudos futuros na empresa analisada. 14 2 DELIMITAÇÃO DO TEMA E FORMULAÇÃO DO PROBLEMA DE PESQUISA No atual cenário brasileiro, as micro e pequenas empresas ganharam seu espaço, grandes benefícios e importância na economia nacional. “Elas oferecem contribuições excepcionais, na medida em que fornecem novos empregos, introduzem inovações, estimulam a competição, auxiliam as grandes empresas e produzem bens e serviços com eficiência” (LONGENECKER et al., 1997, p. 34). Em conseqüência, houve um período favorável ao desenvolvimento dessas empresas no Brasil. Porém, há uma questão que muitas vezes não aparece como fator importante para os microempresários e que pode comprometer o desenvolvimento da empresa: a gestão financeira. Com isso torna-se necessário utilizar controles financeiros que permitam conhecer com mais eficiência os recursos de caixa. De acordo com Zdanowicz (1992, p. 21) “O fluxo de caixa é o instrumento que permite ao administrador financeiro: planejar, organizar, coordenar, dirigir e controlar os recursos financeiros de sua empresa para um determinado período”. Sendo assim, a ferramenta Fluxo de Caixa tem-se apresentado como um dos instrumentos mais eficaz na gestão financeira das empresas. Diante da importância do fluxo de caixa, essa ferramenta é indispensável na gestão financeira da empresa. Sua grande utilidade é permitir a previsão de sobras ou faltas de caixa possibilitando ao empresário planejar melhor suas ações. E com a manutenção de saldos de caixa é proporcionado folga financeira imediata à empresa, mostrando melhor capacidade de pagamento de suas obrigações (ASSAF NETO; SILVA, 1997). São muitas as vantagens de se utilizar a ferramenta fluxo de caixa para melhorar a gestão financeira da empresa, tais como: planejar melhores políticas de prazos de pagamentos e recebimentos; avaliar a capacidade de pagamentos antes de assumir compromissos; avaliar se o recebimento das vendas é suficiente para cobrir os gastos assumidos e previstos no período considerado e avaliar o momento mais favorável para realizar promoções de vendas visando melhorar o caixa da empresa. Diante deste cenário acima apresentado, o presente projeto de pesquisa pretende responder a seguinte questão: Qual o impacto da implantação do fluxo de caixa no processo de gestão financeira da empresa? 15 3 OBJETIVOS Segue abaixo, o objetivo geral e os específicos deste trabalho. 3.1 Objetivo Geral: Implantar a ferramenta fluxo de caixa na gestão financeira da empresa. 3.2 Objetivos Específicos: • Identificar o tipo de instrumento de controle financeiro utilizado na empresa; • Conhecer o perfil do proprietário da empresa • Partindo da constatação, realizada anteriormente, que a empresa não utiliza a ferramenta fluxo de caixa, sensibilizar o proprietário da importância desta ferramenta; • Aplicar o fluxo de caixa na gestão financeira da empresa. 16 4 JUSTIFICATIVA Constantes pressões e cobranças para atender ao exigente mercado, aliado as conseqüências da economia globalizada, um aumento da abertura de crédito estimulado por ações governamentais e a dependência do controle financeiro pra manter a lucratividade, demandam uma gestão financeira eficiente. Com isso a rapidez da informação é necessária na hora de tomar decisões antecipadas sobre falta ou sobra de recursos financeiros na empresa. A gestão nas micro e pequenas empresas, em especial na área financeira, requerem acompanhamento constante do processo e dos resultados, de modo que a avaliação do desempenho, bem como os ajustes e as correções sejam feitas quando necessário. E para acompanhar, avaliar, ajustar e extrair informações financeiras se destaca a ferramenta fluxo de caixa, um instrumento que possibilita o planejamento e o controle dos recursos financeiros da empresa. Assaf Neto e Silva (1997, p. 35) afirmam que “o fluxo de caixa, gerencialmente, é indispensável ainda em todo o processo de tomada de decisões financeiras.” Em complementação, Zdanowicz (1992, p. 48) afirma que “o fluxo de caixa é o instrumento essencial para a administração do disponível e sucesso da empresa, em termos de planejamento e de controle financeiros. É o instrumento mais preciso e útil para levantamentos financeiros a curto e longo prazo”. Sendo assim a implantação da ferramenta fluxo de caixa, na qual além de verificar se os recursos financeiros são suficientes para tocar o negócio em determinado período, informa se há necessidade de obtenção de capital de giro e planejar melhores políticas de prazos de pagamentos e recebimentos. Dessa maneira o presente projeto de pesquisa possui importância para a empresa por se propor a implantar a ferramenta fluxo de caixa, contribuindo com a gestão financeira; para o pesquisador por contribuir para seu desenvolvimento profissional; e para o ambiente acadêmico e sociedade por realizar uma pesquisa sobre a gestão financeira de uma micro empresa, ampliando o conhecimento sobre o tema estudado. Demonstra viabilidade devido aos seguintes fatores: facilidade de obtenção dos dados para análise da pesquisa; disponibilidade de tempo e interesse do pesquisador e do gestor responsável para informar os dados necessários para o estudo; literatura sobre o tema de fácil acesso. O estudo também é oportuno, pois a empresa tem apresentado dificuldades financeiras. Logo, a implantação de um fluxo de caixa será uma proposta com a finalidade de 17 contribuir com o atual processo de gestão financeira da empresa, podendo evitar situações como: insuficiência de caixa, cortes nos créditos, suspensão de entrega de materiais e mercadorias, além de reduzir a necessidade de capital de giro, promovendo maiores lucros pela redução das despesas financeiras. Conclui-se que a gestão financeira das micro e pequenas empresas não pode ser uma aventura expondo-se aos acontecimentos futuros incertos, sem um mínimo de planejamento e de controle financeiros. É preciso, além de projetar, agir com habilidade no sentido de neutralizar ou minimizar as situações desfavoráveis à empresa (ZDANOWICZ, 1992). 18 5 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 5.1 Gestão Empresarial A sociedade humana é constituída de organizações que fornecem os meios para atender as necessidades das pessoas, elas são essenciais porque guardam e protegem quase todos os conhecimentos importantes que a civilização acumulou e registrou. Além disso, as próprias organizações aumentam o conhecimento, inventando maneiras novas e mais eficientes de criar produtos e/ou serviços. Posto isto, o que se segue serão alguns conceitos importantes para uma gestão empresarial eficiente e eficaz. São vários os conceitos utilizados para definir Administração, segundo Stoner (1985, p. 6) a “administração é o processo de planejamento, organização, liderança e controle do trabalho dos membros da organização e do emprego de todos os outros recursos organizacionais para se atingir os objetivos estabelecidos.” Chiavenato (2003, p. 11) define Administração como “o processo de planejar, organizar, dirigir e controlar o uso de recursos a fim de alcançar objetivos.” Maximiano (2004, p. 34) complementa a conceituação ao afirmar que a administração “é um processo dinâmico de tomar decisões e realizar ações que compreende cinco processos principais interligados: planejamento, organização, liderança, execução e controle.” Diante do exposto acima a gestão empresarial, seja de uma microempresa, uma prestadora de serviços ou de uma grande empresa necessita de uma administração eficiente e eficaz para atingir seus objetivos. “É a administração que faz organizações serem capazes de utilizar corretamente seus recursos e atingir seus objetivos” (MAXIMIANO, 2004, p. 26). Administrar hoje significa enfrentar múltiplos e diferentes desafios, além de solucionar problemas que exigem um conhecimento multidisciplinar, diversificado e com forte conteúdo ético. Para isso é preciso um gestor preparado para fazer planos, organizar, dirigir e controlar as atividades operacionais da empresa, através do esforço conjunto de todas as áreas envolvidas (SILVA, 1995). Os administradores usam todos os recursos da empresa, sejam recursos financeiros, recursos humanos, pesquisa e desenvolvimento, marketing, entre outros, para atingir os objetivos declarados na organização. Qualquer que seja o objetivo declarado, a administração é o processo através do qual ele é atingido (STONER, 1985). 19 Peter Drucker (apud STONER, 1985, p. 10) “argumenta que o desempenho de um administrador pode ser medido em termos de dois conceitos: eficiência e eficácia”. De acordo com Stoner (1985), o conceito de eficiência é a capacidade de fazer as coisas correta, já eficácia é a capacidade de escolher o objetivo certo. Logo quando o gestor é eficiente e eficaz, conseqüentemente a empresa desempenha níveis aceitáveis e satisfatórios para seus clientes, funcionários e fornecedores. “O desempenho das organizações é importante para clientes e usuários, funcionários, acionistas, fornecedores e para a comunidade em geral. Para atender a todas essas expectativas, as organizações precisam ser bem administradas” (MAXIMIANO, 2004, p. 26). Em função das particularidades de cada organização, é necessário que o administrador defina estratégias, efetue diagnósticos de situações diversas, dimensione recursos, planeje sua aplicação, resolva problemas, gere inovações e principalmente seja competitivo (CHIAVENATO, 2003). Conclui-se que uma gestão empresarial eficiente e eficaz é indispensável para existência, sobrevivência e sucesso de uma empresa, pois em um mercado tão competitivo dos dias atuais, com sua ausência elas jamais teriam condições de existir e crescer. 5.2 A Gestão das Micro e Pequenas Empresas Pelo alcance de sua atuação, as micro e pequenas empresas são de grande importância para a atividade econômica nacional, representando atualmente a maioria das empresas brasileiras, na qual possuem qualidades que as tornam tão importantes quanto as grandes empresas. A Lei Geral da Micro e Pequena Empresa foi criada em 2006, para dar continuidade ao desenvolvimento econômico do país, uma vez que, com sua promulgação deu-se condições para a evolução desse setor. São muitas as suas vantagens para as microempresas: introduz uma maior justiça tributária, simplifica o pagamento de impostos, diminui a burocracia para a abertura e fechamento de empreendimentos, facilita o acesso ao crédito, estimula as exportações e incentiva a cooperação (SEBRAE, 2007). Sobre esse aspecto, as micro e pequenas empresas ajudam o país a se desenvolver, devido a sua agilidade e flexibilidade de se moldar às exigências do mercado, gerando rapidamente emprego e renda, introduzindo inovações no mercado, estimulando competições e auxiliam as grandes empresas no fornecimento de bens e serviços (MARQUES, 2008). 20 De acordo com Sengeberger e Loveman (1991, apud MARQUES, 2008, p. 50), as micro e pequenas empresas são vistas como um fator chave para o progresso de regeneração econômica do país e um caminho para um crescimento do emprego. Entretanto, devido à falta de recursos financeiros e mão de obra qualificada, passaram a ter dificuldade na sua sustentabilidade e no seu desenvolvimento. “Percebe-se que o grande desafio para a sobrevivência das micro e pequenas empresas está: no diferencial da empresa; na qualidade oferecida e no preço compatível com o mercado” (TACHIZAWA; FARIA, 2002, p. 45). É um engano pensar que os pequenos negócios podem dispensar um sistema de gestão empresarial, pois todo gestor necessita de conhecimento seja técnico ou empírico para fazer o processo de gestão. Uma empresa pequena deve ser tão bem organizada no seu processo de gestão quanto uma grande empresa (SÁ, 1984). Ainda de acordo com Sá (1984, p. 43) “a organização é um método de colocar ordem, quer em relação a funções, quer as pessoas, quer as coisas, compreendendo o suprimento de todos os meios necessários para que se possa trabalhar com eficácia”. Organizar implica em distribuir as responsabilidades do que deve ser feito, dando autoridade para que se possa fazer, como também ter um lugar para cada coisa e manter cada coisa no seu devido lugar. Na gestão das micro e pequenas empresas a administração é geralmente feita pelos seus proprietários ou por familiares, que muitas vezes não têm conhecimento aprofundado de técnicas administrativas. As microempresas são, muitas vezes, laboratórios de empresários iniciantes, empreendedores, que, vislumbrando uma nova forma de construir sua vida, investem suas economias e partem na realização de seus sonhos através da constituição de seus negócios, sendo este, papel essencial no dinamismo da economia (CARDEAL, 2006). Elas também surgem após seus fundadores se aposentarem ou ficarem desempregados ou ainda como conseqüência do histórico familiar empreendedor. Nascem como empresas de sucesso, porém são sustentadas com uma estrutura apenas para manter sua capacidade produtiva, de manter o pagamento pontual de suas obrigações, de cobrar os atrasos e de conquistar o mercado consumidor. Conforme as características da pequena empresa e dos seus gestores é natural observar a carência de conhecimentos específicos para uma adequada gestão administrativa. “Essas causas são obviamente relacionadas à qualidade do gerenciamento, incluindo a falta de conhecimento sobre negócios, falta de experiência no ramo e a falta de experiência gerencial” 21 (LONGENECKER et al., 1997, p. 42). Muitos deles seguem a intuição e o empirismo, aliado a falta de procura de conhecimentos e ferramentas atualizadas, comprometendo a manutenção da empresa. Seus gestores muitas vezes, voltados somente para a área comercial, não planejam, não inovam, não buscam conhecimento na concorrência e se vêem as voltas com as rotinas diárias, tomados pela dinâmica do crescimento ou pelo víeis da “mesmice”, que ambos casos, podem levar à descontinuidade da empresa (KASSAI, 1997 apud CARDEAL, 2006 p. 57-58). Porém os mercados tradicionais estão mudando de forma contínua, encolhendo ou tornando-se fortemente competitivos. Além disso, menores margens de lucros, combinadas com exigências de qualidade cada vez maiores por parte dos consumidores de produtos e serviços, estão criando pressões insuportáveis para a maioria das organizações, particularmente as micro e pequenas empresas (TACHIZAWA; FARIA, 2002). Como afirma Silva (1998, p. 17), “os pequenos empresários que não tiverem uma visão global do mercado, um espírito empreendedor e criativo, não conseguirão obter bons índices de produtividade e rentabilidade.” É papel do microempresário procurar uma estrutura, bem como os meios de funcionamento da mesma. Nesse contexto, a administração tem função importante, pois é a responsável pelo gerenciamento das mudanças que envolvem o processo de gestão das microempresas e, conseqüentemente, é a responsável pelo sucesso ou fracasso da mesma, inserida nesse ambiente competitivo e turbulento (SILVA, 1998). 5.3 A Problemática da Gestão nas Micro e Pequenas Empresas As dificuldades financeiras parecem proceder das ausências de planejamento e controle financeiros (ZDANOWICZ, 1992). “Os métodos empíricos, usando a intuição, não atendem mais às necessidades empresariais, sendo o controle financeiro, ainda que de maneira simplificada, o mais procurado e utilizado para evitar surpresas desagradáveis e maximizar resultados” (SOUSA, 2007, p. 2). Portanto, o conhecimento de técnicas, em especial o conhecimento das finanças e contabilidade, que permitem a elaboração do fluxo de caixa é de grande importância para o controle financeiro das micro e pequenas empresas. Porém a complexidade de sua elaboração e a não exigibilidade de sua publicação faz com que os micro e pequenos empresários não 22 elaborem o fluxo de caixa, prejudicando, assim, o seu controle e sua sustentabilidade (MARQUES, 2008). Apesar das informações contábeis serem importantes para o micro empresário, geralmente, ela é usada apenas para fins fiscais e normalmente é defasada e não fornecem informações suficientes e necessárias para tomar decisões. Isto é confirmado devido ao fato dos gestores fugirem dos altos impostos cobrados pela política fiscal. Com isso a contabilidade deixou de exercer sua principal função que é prestar informações sobre o desempenho das micro empresas para se transformar apenas num instrumento de controle fiscal. Conforme Sousa (2007, p. 3) “a empresa poderá até obter lucro sem usar métodos técnicos, mas certamente sua lucratividade será maior se ela for bem administrada. E lucro nunca se despreza, se a empresa crescer, então será imprescindível usar métodos menos empíricos.” A empresa não poderá manter-se sempre na informalidade administrativa. Com o crescimento do volume de operações (vendas, compras e finanças) surge a necessidade de uma gestão centrada em informações obtidas através dos controles, para evoluir com maior segurança, num processo organizado (GAZZONI, 2003). “Assim torna-se imprescindível para a empresa fixar o nível de caixa que permita saldar pontualmente seus compromissos. Para que isso ocorra, o administrador financeiro deverá projetar e controlar o saldo de caixa” (ZDANOWICZ, 1992, p. 44). Logo, para que seja possível concluir o pagamento das obrigações de curto prazo é necessário: manter um saldo adequado de caixa; fazer cobranças de valores a receber; dimensionar convenientemente os estoques e avaliar os demais itens do ativo, para que se tenha autofinanciamento do ciclo operacional da empresa. Entretanto, uma reserva excessiva de caixa é um desperdício; tais recursos poderiam estar aplicados, com maior proveito em outros itens do ativo (ZDANOWICZ, 1992). É nesse contexto que se destaca o fluxo de caixa como uma ferramenta que possibilita o planejamento e o controle financeiro da empresa. O fluxo pode ser montado de acordo com o porte da empresa e a necessidade do gestor, sendo uma ferramenta de fundamental importância para o gestor e para a empresa, pois sinaliza o rumo financeiro do negócio. 23 Zdanowicz (1992, p. 45) conclui que: É errônea a opinião de que a implantação e a implementação do planejamento e do controle de caixa acabam onerando a empresa, pressupondo que será necessária uma verdadeira equipe para desempenhar estas funções. A maioria das informações já existem na empresa. O problema é que estão, às vezes, dispersas. Basta alguém coordená-las através de um bom esquema para transformá-lo em fluxo de caixa. 5.4 Gestão financeira A gestão financeira preocupa-se com as tarefas do administrador financeiro, o qual deve gerir ativamente os assuntos financeiros de qualquer tipo de empresa, sejam elas empresas grandes ou pequenas (GITMAN, 2004). Ainda de acordo com Gitman (2004, p. 10), o administrador financeiro, dá mais ênfase aos fluxos de caixa, na entrada e saída de caixa. Ele mantém a solvência da empresa planejando os fluxos de caixa necessários para que ela cumpra suas obrigações e adquira os ativos necessários para alcançar seus objetivos. “A administração financeira centraliza-se na captação, na aplicação dos recursos necessários e na distribuição eficiente dos mesmos, para que a empresa possa operar de acordo com os objetivos e as metas a que se propõe a sua cúpula diretiva” (ZDANOWICZ, 1992, p. 24). É através da administração financeira que se adota o regime de caixa para planejar e controlar as necessidades e sobras de caixa e apurar o resultado financeiro. Por esse regime, as receitas são reconhecidas no efetivo recebimento, e as despesas, no pagamento (HOJI, 2004). Sendo assim, essa área é responsável pelo planejamento e controle financeiro da empresa, além de conceder créditos a clientes, avaliar projetos de investimentos e captar fundos para financiar as operações financeiras da empresa (GITMAN, 2004). Segundo Assaf Neto e Silva (1997, p. 35), “o objetivo básico da função financeira é prover a empresa de recursos de caixa suficientes de modo a respeitar os vários compromissos assumidos e promover a maximização dos lucros.” Ou seja, é preocupar-se em ter dinheiro suficiente para quitar em tempo hábil os compromissos assumidos com terceiros, e ainda maximizar a riqueza da empresa. Com isso para o correto funcionamento da gestão financeira da empresa deve haver um equilíbrio entre receitas e despesas, logo, as entradas devem ser suficientes para cobrir as saídas de caixa, bem como os excedentes devem ser devidamente aplicados e a escassez de recursos detectados para que se tornem menos oneroso à empresa (ZDANOWICZ, 1992). 24 Zdanowicz (1992, p. 28) afirma que: Os principais ingressos no caixa são: vendas à vista, recebimento de vendas a prazo, aumento de capital social, vendas de itens do ativo permanente, receitas de aluguéis, empréstimos e resgates de aplicações no mercado financeiro. Os desembolsos de caixa podem ser para: financiar o ciclo operacional da empresa, amortizar os empréstimos ou financiamentos no mercado financeiro. Estas são, portanto, as principais entradas e saídas financeiras de caixa, que caracterizam o fluxo financeiro de uma empresa. “Uma vez programadas as necessidades financeiras e determinadas as fontes de recursos que serão captados, resta ao administrador financeiro a tarefa de distribuí-los, de forma racional e adequada, pelos diversos itens do ativo da empresa” (ZDANOWICZ, 1992, p. 21). Assaf Neto e Silva (1997) entendem que a atividade financeira de uma empresa solicita acompanhamento constante dos resultados para avaliação continua do desempenho, e provimento dos ajustes e correções necessárias. Assim deve existir um sistemático e rigoroso planejamento e controle sobre o fluxo de caixa, pois através dele o administrador financeiro pode determinar os objetivos e as metas a serem alcançadas pela empresa, de forma antecipada, consistente e racional (ZDANOWICZ, 1992). 5.5 Ferramenta para a Gestão Financeira: Fluxo de Caixa 5.5.1 Conceitos Uma empresa organizada necessita além das demonstrações financeiras, outros relatórios gerenciais que independem da legislação obrigatória, mas decorrem das necessidades do gestor para auxilio no processo decisório (SILVA, 1999, apud GAZZONI, 2003 p. 14). Com isso destaca-se o fluxo de caixa, que para Zdanowicz (1992, p. 24), “é o instrumento que relaciona o conjunto de ingressos e de desembolsos de recursos financeiros pela empresa em determinado período”. Assaf Neto e Silva (1997, p. 35) afirmam que “conceitualmente, o fluxo de caixa é um instrumento que relaciona os ingressos e saídas (desembolsos) de recursos monetários no âmbito de uma empresa em determinado intervalo de tempo”. 25 De acordo com Silva (2004, p. 474), “o fluxo de caixa (cash flow) é considerado por muitos analistas um dos principais instrumentos de análise, propiciando-lhes identificar o processo de circulação do dinheiro, através da variação de caixa (e equivalentes)”. Hoji (2004, p. 88), complementa “o fluxo de caixa é um esquema que representa as entradas e saídas de caixa ao longo do tempo. Em um fluxo de caixa, deve existir pelo menos uma saída e pelo menos uma entrada.” Compreende-se que o fluxo de caixa é uma ferramenta indispensável para o gerenciamento e controle financeiro das empresas, pois através desse instrumento os gestores tomam decisões importantes a respeito de eventuais excedentes ou escassez de caixa, analisando as medidas a serem tomadas. Portanto, o fluxo de caixa é um instrumento favorável ao processo de tomada de decisão, ou seja, através de prévias análises econômico-financeiras e patrimoniais têm-se as condições necessárias e suficientes para definir as decisões acertadas. Dessa maneira, essa ferramenta obriga as empresas a planejar e controlar todas as suas atividades operacionais e não operacionais (ZDANOWICZ, 1992). 5.5.2 Objetivos do Fluxo de Caixa O objetivo do fluxo de caixa é mostrar as operações financeiras que são realizadas diariamente, principalmente no momento da entrada e saída do dinheiro em caixa, facilitando o controle das atividades desenvolvidas na empresa para que os recursos sejam aplicados de forma rentável. Acompanhar, anotar e comprovar tudo o que acontece na gestão financeira da empresa é uma forma objetiva de controlar, com isso é possível atingir os objetivos do fluxo de caixa (SÁ, 1984). Zdanowicz (1992, p. 24-25) afirma que: O fluxo de caixa tem como objetivo básico, a projeção das entradas e das saídas de recursos financeiros para determinado período, visando prognosticar a necessidade de captar empréstimos ou aplicar excedentes de caixa nas operações mais rentáveis para a empresa. 26 O mesmo autor ainda complementa, Dentre os mais importantes objetivos do fluxo de caixa podem ser citados: programar os ingressos e os desembolsos de caixa, de forma criteriosa, permitindo determinar o período em que deverá ocorrer carência de recursos e o montante, havendo tempo suficiente para as medidas necessárias; permitir o planejamento dos desembolsos de acordo com as disponibilidades de caixa, evitando-se o acúmulo de compromissos vultosos em época de pouco encaixe; desenvolver o uso eficiente e racional do disponível; verificar a possibilidade de aplicar possíveis excedentes de caixa; participar e integrar todas as atividades da empresa, facilitando assim os controles financeiros (ZDANOWICZ, 1992, p. 38). É ressaltado por Assaf Neto e Silva (1997, p. 37) que, Dessa forma, o objetivo fundamental para o gerenciamento do fluxo de caixa é atribuir maior rapidez às entradas de caixa em relação aos desembolsos ou, da mesma forma, otimizar a compatibilização entre a posição financeira da empresa e suas obrigações correntes. Percebe-se que o objetivo do fluxo de caixa é demonstrar previamente os valores a receber e a pagar, demonstrativo este que auxilia o micro empresário a tomar decisões relevantes para o sucesso financeiro da empresa. Desta forma pode-se dizer que o caixa, e as demonstrações de sua evolução em suas diversas formas, é um dos fatores chave das ações empresariais. 5.5.3 Relevância do fluxo de caixa É de grande importância o instrumento fluxo de caixa para o micro empresário, pois ele poderá examinar a capacidade da sua empresa de gerar capital necessário para expandir, implantar ou relocalizar seu empreendimento (ZDANOWICZ, 1992). O fluxo de caixa em qualquer empresa, seja qual for o seu tamanho, é imprescindível. Por essa planilha pode-se prever, à distância no tempo, se a empresa necessita de recursos extras para solver os compromissos, dentre outras informações importantes (SOUSA, 2007). Segundo Zdanowicz (1992, p. 33), Toda empresa apresenta, diariamente, um movimento de entradas e de saídas de recursos financeiros. Esse conjunto de ingressos e de desembolsos pode ser resumido ao fluxo de caixa que representa a situação financeira da empresa em cada momento. Com base nos registros dos recebimentos e pagamentos de caixa, a empresa poderá programar as suas necessidades financeiras, bem como aplicar os possíveis excedentes de forma segura e rentável. 27 Portanto, Sousa (2007, p. 40) afirma que “o fluxo de caixa reúne as informações que permitem o equilíbrio entre as entradas e as saídas de recursos, tratando basicamente do gerenciamento das contas a pagar e das contas a receber e a posição das disponibilidades.” Logo, essa ferramenta tem importância “a curto prazo para atender quaisquer finalidades da empresa, principalmente, de capital de giro, e a longo prazo para fins de investimento em itens do ativo permanente” (SOLOMON e PRINGLE, 1981 apud ZDANOWICZ, 1992, p. 24). Outro fator importante é quando a empresa pretende quitar suas dívidas com fornecedores, ela precisa saber se na data do vencimento terá o dinheiro disponível para saldar o compromisso. Nestes termos, o centro de interesse estará voltado para o disponível, ou seja, os saldos de caixa (ZDANOWICZ, 1992). E para complementar a importância dessa ferramenta, Assaf Neto (1997, p.37) afirma: O fluxo de caixa deve haver comprometimento de todos os setores empresariais com os resultados líquidos de caixa, destacando-se: - as decisões de compras devem ser tomadas de maneira ajustada com a existência de saldos disponíveis de caixa. Em outras palavras, deve haver preocupação com relação a sincronização dos fluxos de caixa, avaliando-se os prazos concedidos para pagamento das compras com aqueles estabelecidos para recebimento das vendas; - políticas de cobrança mais ágeis e eficientes, ao permitirem colocar recursos financeiros mais rapidamente à disposição da empresa, constituem-se em importante reforço de caixa; - a área de vendas, junto com a meta de crescimento da atividade comercial, deve manter um controle mais próximo sobre os prazos concedidos e hábitos de pagamentos dos clientes, de maneira a não pressionar negativamente o fluxo de caixa. Em outras palavras, é recomendado que toda decisão envolvendo vendas deve ser tomada somente após uma prévia avaliação de suas implicações sobre os resultados de caixa (exemplos: prazo de cobrança, despesas com publicidade e propaganda etc.). Assim, a utilização do fluxo de caixa tem grande importância nas empresas, mas, normalmente, é priorizado quando a falta de liquidez já se encontra numa situação crítica. Isto parece a estratégia do doente que evita ter hábitos saudáveis até ser realmente confrontado com a perspectiva de morte, podendo ser tarde demais. Por isso, deve-se utilizar gerencialmente o fluxo de caixa independente do momento financeiro em que a empresa esteja atravessando (FREZATTI, 1997 apud BIAZZI, 2005, p. 51). 5.5.4 Características básicas para um informativo de Fluxo de Caixa Para que o fluxo de caixa proporcione informações claras para as empresas de pequeno porte, Kassai (1997, apud GAZZONI, 2005, p. 49-50) propõe as seguintes características básicas: 28 • Simplicidade: as informações devem ser de entendimento intuitivo, não sendo necessário o conhecimento dos princípios e convenções contábeis que regem a contabilidade; • Facilidade de obtenção: as informações devem ser fáceis de levantar, sem necessidade de registros históricos ou complexos; • Relevância: Preocupação inicial com as informações relevantes, desconsiderando-se os valores menores; • Atualidade: Propõe-se um modelo de informação voltada para os fatos e eventos presentes e futuros, através da utilização de modelos prospectivos e orçamentos; • Funcionalidades e Simulações: um instrumento entendido e utilizado de maneira simples, fácil e que permita simular o crescimento ou a queda das vendas, aumento ou diminuição dos custos / despesas e outras variáveis que possam auxiliar na tomada de decisões; • Facilidade de manipulação das informações: a popularização dos microcomputadores possibilitou o desenvolvimento de modelos de softwares conhecidos e de fácil manipulação. A maioria dos relatórios financeiros podem ser desenvolvidos em planilhas de cálculo como a Excel, Lotus e outras. 5.5.5 Etapas da Elaboração do Fluxo de Caixa O planejamento está relacionado com a primeira etapa da elaboração do fluxo de caixa. Pela sua praticidade, as empresas que o utilizam dificilmente fracassam, o mesmo não ocorre com aquelas que dele não fazem uso para planejar e controlar as suas atividades operacionais (ZDANOWICZ, 1992). Em seguida para a elaboração dessa ferramenta é necessário receber dos diversos departamentos da empresa, informações sobre os ingressos e desembolsos ocorridos em determinado período. Segundo Zdanowicz (1992), as seguintes informações são úteis para elaborar o fluxo de caixa: projeção de vendas tanto à vista como a prazo; estimativa de compras e suas condições de pagamento oferecidas pelos fornecedores; levantamento dos créditos a receber 29 de clientes; orçamento dos outros ingressos e desembolsos de caixa para o período em questão. “Com base nessas estimativas o administrador financeiro projetará o fluxo de caixa de acordo com o ciclo operacional e as necessidades da empresa, considerando todos os ingressos e desembolsos da empresa” (ZDANOWICZ, 1992, p. 17). Desta maneira, “a partir da elaboração do fluxo de caixa é possível prognosticar eventuais excedentes ou escassez de caixa, determinando-se medidas saneadoras a serem tomadas” (ASSAF NETO; SILVA, 1997, p. 35). 5.5.6 Requisitos para a implantação do fluxo de caixa É importante para a implantação do fluxo de caixa, considerar alguns requisitos que serão essenciais para que esse controle financeiro seja implantado com êxito. Dentro os principais requisitos, Zdanowicz (1992) destaca: a) Apoio do gestor da empresa; b) Organização da estrutura funcional da empresa com definição clara dos níveis de responsabilidade de cada área; c) Integração dos setores e/ou departamentos da empresa ao sistema do fluxo de caixa; d) Definição do sistema de informação utilizado, incluindo os mapas auxiliares a serem utilizados; e) Treinamento do pessoal envolvido; f) Criar um manual de operações para utilizar o fluxo de caixa, para evitar erros; g) Comprometimento dos responsáveis, para que os objetivos e metas propostas sejam alcançados; h) Ter um controle financeiro da movimentação bancária; 5.5.7 Modelo teórico da demonstração de Fluxo de Caixa O modelo de fluxo de caixa apresentado a seguir é proposto por Zdanowicz (1992) que segundo o autor quanto mais detalhado for essa ferramenta, melhor será o controle sobre as entradas e as saídas de caixa, analisando assim os erros e determinado medidas corretivas ou saneadoras para o período seguinte. Para utilização do modelo apresentado, é necessário que o gestor financeiro elabore mapas auxiliares como: recebimento de vendas a prazo, pagamento de compras a prazo, 30 despesas administrativas, despesas com vendas, despesas tributária, despesas financeiras, recebimentos com atraso, entre outros, cujos totais devem ser transportados para o fluxo de caixa (ZDANOWICZ, 1992). Os mapas auxiliares são úteis, pois contém informações que facilitarão o preenchimento do fluxo de caixa. “O número de mapas auxiliares a serem utilizados na empresa, depende do porte e do tipo de atividade econômica” (ZDANOWICZ, 1992, p.67). Porém quantidade exagerada desses instrumentos pode tornar o sistema gerencial muito burocrático. O modelo apresentado é constituído de três colunas: valores projetados, valores realizados e defasagens positiva ou negativa. Além de conter todos os componentes de ingressos e desembolsos da empresa. Esse modelo disposto está na forma de matriz, ou seja, tabela de dupla entrada que poderá ser utilizada em planilhas eletrônicas como Excel. “A grande vantagem deste modelo é a sua flexibilidade e a posição diária do caixa, alem de permitir a simulação de várias situações financeiras para a empresa” (ZDANOWICZ, 1992, p. 65). 31 Apresentação do Modelo de Fluxo de Caixa $ Janeiro Períodos Itens P R Fevereiro D P R D 1. INGRESSOS - Vendas à vista - Cobrança em carteira - Cobrança bancária - Desconto de duplicatas - Venda de itens do ativo permanente - Aluguéis recebidos - Aumento do capital social - Receitas financeiras - Outros SOMA 2. DESEMBOLSOS - Compras à vista - Fornecedores - Salários e ordenados - Compra de itens do ativo permanente - Energia elétrica - Telefone - Manutenção de máquinas - Despesas administrativas - Despesas com vendas - Despesas tributárias - Despesas financeiras - Outros SOMA 3. DIFERENÇA DO PERIODO (1 – 2) 4. SALDO INICIAL DE CAIXA 5. DISPONIBILIDADE ACUMULADA (± 3 ± 4) 6. NÍVEL DESEJADO DE CAIXA 7. EMPRÉSTIMO A CAPTAR 8. APLICAÇÕES NO MERCADO FINANCEIRO 9. AMORTIZAÇÕES 10. RESGATES 11. SALDO FINAL DE CAIXA Legenda: P = Projetado; R = Realizado; D = Defasagem. Figura 1 – Apresentação do Modelo de Fluxo de Caixa Fonte: Zdanowicz (1992) Março P R ... D P R Total D P R D 32 5.5.8 Componentes do fluxo de caixa Entre os principais itens que são utilizados para a elaboração da projeção mensal do fluxo de caixa Zdanowicz (1992, p. 65-66) descreve: a) ingressos são todas as entradas de caixa e bancos em qualquer período, como as vendas à vista que serão lançadas diretamente no fluxo, ou as vendas a prazo que necessitam de mapas auxiliares de recebimento normal (cobrança simples e bancária) e os recebimentos com atraso e, posteriormente, transportados para o fluxo de caixa. Podem-se ter ingressos por aumento de capital social, desconto de duplicatas, venda de itens do ativo permanente, aluguéis recebidos e receitas financeiras. b) desembolsos: compõem-se das compras à vista e as compras a prazo que necessitam de mapas auxiliares para posterior transporte ao fluxo de caixa. Acresce-se, como desembolsos, os salários e ordenados com os encargos sociais de mão-de-obra direta e indireta, além de todas as despesas indiretas de fabricação e despesas operacionais. A compra de itens do ativo permanente também representa uma saída de caixa ou bancos. c) diferença do período: ao compara-se, período por período, os ingressos e os desembolsos, apura-se o saldo (diferença do período), ou seja, o resultado entre os recebimentos e os pagamentos da empresa. d) saldo inicial de caixa: é igual ao saldo final de caixa do período imediatamente anterior; e) disponibilidade acumulada: é o resultado da diferença do período apurado, mais o saldo inicial de caixa; f) nível desejado de caixa: é a projeção do disponível para o período seguinte,ou seja, a determinação do capital de giro líquido necessário pela empresa, em função do volume de ingressos e de desembolsos futuros. g) empréstimos ou aplicações de recursos financeiros: a partir do saldo da disponibilidade acumulada, poderão ser captados empréstimos para suprir as necessidades de caixa, ou serão realizadas aplicações no mercado financeiro, quando houver excedentes de caixa; h) amortizações ou resgates das aplicações: amortizações são as devoluções do principal tomado emprestado, enquanto os resgates das aplicações constituem-se nos recebimentos do principal; i) saldo final de caixa: é o nível desejado de caixa projetado para o período seguinte que será o saldo inicial de caixa do período subseqüente. Ainda de acordo com Zdanowicz (1992) a empresa apresenta desembolsos de caixa que podem ser classificados como regulares, periódicos e irregulares. Os desembolsos regulares de caixa são aqueles que incidi pelo pagamento de salários, pagamento a fornecedores, despesas administrativas e de vendas. Os desembolsos periódicos de caixa correspondem aos pagamentos de juros a terceiros por operações financeiras, dividendos aos acionistas, pró-labore dos proprietários, despesas tributárias, amortizações de dívidas por empréstimos ou financiamento e resgates de outros títulos da empresa. Quanto aos desembolsos irregulares poderão ser por aquisição de itens do ativo imobilizados e outras despesas não esperadas pela empresa. A próxima etapa será apresentada os procedimentos metodológicos para realizar a presente pesquisa. 33 6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 6.1 Natureza da Pesquisa “A pesquisa tem por objetivo estabelecer uma série de compreensões no sentido de descobrir respostas para as indagações e questões que existem em todos os ramos do conhecimento humano” (OLIVEIRA, 1998, p. 117). No presente trabalho, optou-se pela pesquisa ação, que segundo Thiollent (1985, p. 14, apud GIL, 2006, p. 46) (...) é um tipo de pesquisa social com base empírica que é concebida e realizada em estreita associação com uma ação ou com a resolução de um problema coletivo e no qual os pesquisadores e os participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos do modo cooperativo ou participativo. Foi escolhido esse tipo de pesquisa porque o pesquisador possui laços familiares com o proprietário da empresa, além de ter influência no objeto de estudo; e com isso ambos pretendem alcançar o objetivo proposto neste trabalho. A natureza dessa pesquisa foi caracterizada como pesquisa explicativa que segundo Gil (2006, p. 44) “são aquelas pesquisas que têm como preocupação central identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos.” É importante salientar que qualquer que seja o tipo de pesquisa utilizada, é necessário reconhecer à ética como um aspecto essencial, pois segundo Cooper e Schindler (2003), a finalidade da ética na pesquisa é certificar que nenhuma pessoa seja prejudicada ou sofra conseqüências adversas devido às atividades de pesquisa. 6.2 Método de Abordagem O método de abordagem é muito importante nas investigações científicas, pois através do relato é possível desenvolver um caráter interpretativo no que se refere aos dados obtidos (MARCONI; LAKATOS, 2006). Neste trabalho foi escolhido o método da pesquisa qualitativa, já que pretende apenas obter informações de uma única empresa. Na literatura disponível são bastante extensos os conceitos, características e objetivos desse tipo de pesquisa. “Por meio do método qualitativo, o investigador entra em contato direto e prolongado com o indivíduo ou grupos humanos, com o ambiente e a situação que está sendo investigada, permitindo um contato de perto com os informantes” (LAKATOS; MARCONI, 2006, p. 272). 34 A pesquisa que utiliza esse tipo de abordagem fica mais fácil descrever a complexidade de uma hipótese ou problema, proporcionar contribuições no processo de mudança, além de criar ou formar opiniões de determinado grupo (OLIVEIRA, 1998). 6.3 Sujeito da Pesquisa Para enfatizar melhor os conhecimentos abordados na fundamentação teórica, a pesquisa foi aplicada em uma microempresa do ramo varejista de material de construção sediada no município de Ferreiros – PE, denominada Comercial Veloso. O principal motivo que levou o pesquisador a realizar a pesquisa foi em função de a empresa estar passando por dificuldades na gestão financeira, entre elas dificuldades relacionadas a controles financeiros e ausência de fluxo de caixa. A empresa em estudo demonstrou claramente que tem potencial de mercado, porém a ausência de controles financeiros não gera informações confiáveis para tomada de decisão, fazendo com que a gestão financeira não obtenha êxito. 6.4 Técnicas da Pesquisa A técnica utilizada para desenvolver o projeto de pesquisa foi um estudo de caso que “é uma categoria de pesquisa cujo objeto é uma unidade que analisa profundamente” (TRIVIÑOS, 1987, p. 133). “O Estudo de Caso refere-se ao levantamento com mais profundidade de determinado caso ou grupo humano sob todos os seus aspectos. Entretanto, é limitado, pois se restringe ao caso que estuda, ou seja, um único caso, não podendo ser generalizado” (MARCONI; LAKATOS, 2006, p. 274). O estudo de caso, de acordo com Yin (1981 apud ROESCH, 1996, p. 146) “é uma estratégia de pesquisa que busca examinar um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto.” Para Marconi e Lakatos (2006), a metodologia qualitativa se identifica com o estudo de caso, pois quando ele é qualitativo, não há um esquema estrutural a priori, logo não é necessário organizar um esquema de problemas, hipóteses e variáveis com antecipação. 35 6.5 Procedimentos de Coleta de Dados A fase prática da pesquisa iniciou-se com a aplicação do instrumento de coleta de dados e da técnica selecionada, a fim de se realizar a coleta de dados previstos (OLIVEIRA, 1998). Nesta pesquisa, foi usada como instrumento básico para coleta de dados a entrevista, que Marconi e Lakatos (2006, p. 278) definem como trata-se de uma conversa oral entre duas pessoas, das quais uma delas é o entrevistador e a outra o entrevistado (...). Todas elas têm um objetivo, ou seja, a obtenção de informações importantes e de compreender as perspectivas e experiências das pessoas entrevistadas. Existem diversos tipos de entrevistas, que mudam de acordo com o objetivo do pesquisador. Nesta pesquisa será utilizada a do tipo padronizada ou estruturada que é um tipo de entrevista na qual o pesquisador segue um roteiro pré-estabelecido de perguntas. (MARCONI; LAKATOS, 2006). Para obtenção dos dados para esta pesquisa foi feito um roteiro de entrevista, nas quais as respostas foram imprescindíveis na construção das análises e apontamento da conclusão. O questionário foi realizado de forma presencial com o gestor da empresa. A entrevista é um trabalho cansativo e geralmente ocupa muito tempo. Ela exige do pesquisador paciência, persistência e empenho pessoal, além de cautela no registro dos dados pesquisado e um bom preparo anterior (OLIVEIRA, 1998). Essa etapa foi “vital na pesquisa qualitativa, talvez mais que na investigação tradicional, pela implicância neles do investigador, que precisam de enfoques aprofundados, tendo presente, porém seu processo unitário, integral” (TRIVIÑOS, 1987, p. 137). “O pesquisador antes da entrevista, deve informar ao entrevistado sobre o interesse, a utilidade, o objetivo, as condições da mesma e o compromisso do anonimato. É também importante que na conversação o pesquisador demonstre motivação e credibilidade” (MARCONI; LAKATOS, 2006, p. 278). 6.6 Tratamentos dos Dados De acordo com Oliveira (1998), na medida em que ocorre a coleta dos dados, eles serão elaborados e classificados de forma sistemática. Antes da análise e interpretação, os dados coletados nesta pesquisa foram selecionados, onde foi feita uma apreciação detalhada para apontar tanto o excesso como a falta de informações. E codificados, no qual os dados foram agrupados em categorias que se relacione com alguns objetivos específicos desta pesquisa. 36 Foi feita uma análise do conteúdo de forma que permitiu ao pesquisador a obtenção de informações claras e precisas para tornar mais simples a análise e conclusões dos dados da pesquisa. 37 7 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Este tópico apresenta as informações obtidas para fornecer respostas ao problema proposto para investigação conforme os procedimentos metodológicos desta pesquisa. A pesquisa foi realizada no mês de maio de 2010, através de uma aplicação de um roteiro de entrevista dividido em duas partes, onde na primeira parte foram coletados dados da caracterização do proprietário e da empresa; e na segunda parte um questionário com 6 (seis) questões abertas. Como o objetivo do presente estudo foi implantar a ferramenta fluxo de caixa na gestão financeira da empresa, procurou-se seguir uma metodologia que contribuísse para atingir tal objetivo, já que, em geral, nos estudos de caso não há um esquema único de análise e interpretação. Desse modo, para análise e interpretação dos dados coletados, realizaram-se as seguintes etapas: identificou-se qual instrumento de controle financeiro é utilizado na empresa; conheceu-se o perfil do proprietário da empresa; conseguiu-se sensibilizar o proprietário da importância desta ferramenta; e aplicou-se e analisou-se o fluxo de caixa na gestão financeira da empresa. 7.1 Parte I – Caracterização da Empresa e do Proprietário A empresa em estudo atua no ramo de comércio varejista de materiais de construção em geral, tem natureza jurídica do tipo empresário individual e é enquadrada como micro empresa. Foi constituída em 30 de Abril de 1990, possui atualmente cinco funcionários e têm um faturamento anual de aproximadamente R$ 210.000,00 (duzentos e dez mil reais). Identificou-se que o proprietário tem um longo tempo de experiência no mercado, aproximadamente 28 anos de atuação na área. Quanto ao nível de escolaridade do gestor da empresa ele possui o nível médio completo. Ele mesmo é o responsável financeiro da empresa. Deve ressaltar que para adquirir conhecimento ou qualificar-se no ramo de atuação foi respondido que raramente ele participa de feiras, eventos e congressos. É notável também um alto grau de centralização nas suas tomadas de decisões, gerando uma reduzida capacidade administrativa, ou seja, sem a presença dele a empresa não desenvolve suas atividades diárias. 38 Esses dados também revelam que embora o gestor possua muito tempo de experiência no mercado, seu nível de escolaridade e a falta da busca de conhecimentos que agregue valor a si mesmo e a empresa, não lhe permite tomar decisões baseadas em estudos e pesquisas científicas, o que torna a gestão geral e mais precisamente a gestão financeira da sua empresa mais difícil. Suas decisões, muitas vezes, são baseadas na intuição e no seu espírito empreendedor. Isso é confirmado por Longenecker et al. (1997, p. 42) quando afirma “ essas causas são obviamente relacionadas à qualidade do gerenciamento, incluindo a falta de conhecimento sobre negócios, falta de experiência no ramo e a falta de experiência gerencial”. Outro ponto intrigante observado é que a empresa funciona há mais de 20 anos, superando os índices de sobrevivência desse tipo de empresa, tendo em vista que muitas das micro e pequenas empresas fundadas no Brasil não conseguem esse êxito. Esse fato indica um provável emprego de práticas de gestão que diferencia das demais empresas, ou até mesmo sorte ou incompetência dos concorrentes. 7.2 Parte II – Situação Financeira Atual da Empresa Ainda de acordo com a análise, identificou-se que a empresa em estudo enfrenta uma série de desequilíbrios financeiros, dentro os quais a não utilização de um controle financeiro que forneça dados para tomadas de decisões. Quando questionado de como é realizado o controle das entradas e saídas de dinheiro na empresa, foi respondido: “Anoto apenas a entrada e saída do dinheiro do caixa diário, não sei se isso é chamado de controle porque não sei o quanto a empresa tem de lucro ou prejuízo. Faço isso diariamente para saber onde foi o dinheiro apurado naquele dia. E também anoto na minha agenda os pagamentos feitos no dia-a-dia” (P.CV). Fica clara a falta de conhecimento na área financeira, de acordo com as declarações citadas, pois há uma confusão por parte do gestor na hora da apuração do que é lucro e o que é fluxo de caixa, e isso pode ser considerado um erro grave para a continuidade dos negócios da empresa. Pois como afirma Kassai (1997 apud CARDEAL, 2006 p. 57-58), os gestores muitas vezes, voltados somente para a área comercial, não planejam, não inovam, não buscam conhecimento na concorrência e se vêem as voltas com as rotinas diárias, tomados pela dinâmica do crescimento ou pelo víeis da “mesmice”, que ambos casos, podem levar à descontinuidade da empresa 39 Outra afirmação que confirma esse fato é quando perguntado sobre a principal dificuldade para não utilizar um controle financeiro na empresa, e obteve-se como resposta o seguinte: “Eu acho que é acomodação, costume mesmo. Essa loja foi do meu pai e foi passada como herança para mim. Não acho necessário controlar tudo ao pé, mas acho que dever ser bom, só assim dar pra ver o quanto a empresa tem de lucro” (P.CV). E por fim foi questionado o que se entende por fluxo de caixa e porque a empresa não possui essa ferramenta, e foi respondido da seguinte forma: “Por minha experiência em comércio, fluxo de caixa é a quantidade de dinheiro que entra e sai do caixa diariamente” e “Como eu já disse, a acomodação é um problema. Porque temos aqui um computador que é utilizado para ver os preços dos produtos e emitir cupom fiscal, e acho que com certeza ele deveria ajudar na hora de controlar esse fluxo de caixa” (P.CV). Como é possível perceber, o gestor tem conhecimento da definição do fluxo de caixa, embora o conceito tenha sido respondido de maneira vaga. Porém um esclarecimento importante dito pelo gestor é a utilização de recursos computacionais, uma ferramenta que muitos gestores de micro e pequenas empresas ainda desprezam por acreditarem que os métodos manuais são melhores ou até mesmo pela resistência de adaptação da nova realidade. 7.3 Parte III – Diagnóstico Além de detectar que a empresa não utiliza de um controle financeiro eficiente foi diagnosticado através do roteiro de entrevista uma série de fatores que agrava a situação financeira da empresa entre os quais é demonstrado no quadro-resumo a seguir: 40 Fatores que agravam a situação financeira da empresa Não separação das finanças da pessoa física do empresário e a pessoa jurídica da empresa Indicação que comprove o fato “Não separo as contas pessoais das contas da loja, tudo o que é para ser pago é retirado do caixa, vai depender da ordem de importância” Não existe uma forma de apuração do lucro “não sei o quanto a empresa tem de lucro ou prejuízo” Falta de capital de giro “Não temos um dinheiro sobrando para possíveis eventualidades” Controle financeiro utilizado não esclarece resultados Falta de planejamento financeiro “Faço isso diariamente para saber onde foi o dinheiro apurado naquele dia. E também anota na minha agenda os pagamentos feitos no dia-a-dia” “Dependendo do movimento do caixa, vejo quais são as duplicatas para pagar e os cheques que vai entrar na conta, dando preferências aos que estão mais atrasados” “Hoje a loja não consegue pagar em dia alguns fornecedores, com isso temos Relação com os fornecedores comprometida dificuldade de comprar a prazo com esses fornecedores (...). Tenho dívidas com fornecedores do ano passado ainda” Fonte: Dados da Pesquisa (2010) Quadro 1 – Fatores que agravam a situação financeira da empresa. 7.4 Parte IV – Sensibilização da Importância da Ferramenta Fluxo de Caixa Como foi possível perceber, a fundamentação teórica deste estudo, buscou-se mostrar dentre outras questões, a importância da ferramenta fluxo de caixa para auxiliar o gestor de modo geral a tomar decisões corretas baseadas em dados concretos. Foram explicitados conceitos de fluxo de caixa, os objetivos, a importância e as características, além das etapas, os requisitos e o modelo teórico a ser utilizado dessa ferramenta. Sendo assim os itens demonstrados neste estudo foi de fundamental importância para sensibilizar o proprietário de quanto é essencial incorporar o instrumento fluxo de caixa na gestão financeira da empresa. E sem dúvidas essa ferramenta poderá contribuir para reduzir e/ou eliminar os desequilíbrios financeiros que a empresa hoje se encontra. 41 Porém, falou-se que é preciso comprometimento por parte do gestor para que a implantação do fluxo de caixa obtenha resultados satisfatórios, visto que na entrevista demonstrou-se que o gestor encontra dificuldades como “comodismo” para não controlar a movimentação financeira da empresa. E sem esse compromisso com certeza os objetivos do fluxo de caixa não serão alcançados. É notável que a empresa tem capacidade de implantar um fluxo de caixa, já que existem dados que são anotados, embora de forma não sistemática. O que falta é organizar esse dados através dos mapas auxiliares já explicados neste estudo para assim ser lançado no fluxo de caixa. 7.5 Parte V – Implantação e Análise da Ferramenta Fluxo de Caixa Com o objetivo de assegurar-se que a proposta da implantação da ferramenta fluxo de caixa surtirá resultados positivos, buscou-se de forma experimental implantá-lo na empresa em estudo, no mês de maio de 2010. Os dados colhidos são reais e representam fielmente a movimentação financeira do mês analisado. Apresenta-se a seguir, uma explanação do modelo adaptado do fluxo de caixa adequado a realidade da empresa. O item Ingressos foi substituído por Entradas, e dentro desse plano de contas mantiveram-se os itens: Vendas à vista, Aumento do capital social, Receitas financeiras e Outros; foram excluídos os itens: Cobrança em carteira, Cobrança bancária, Desconto de duplicatas, Venda de itens do ativo permanente e Aluguéis recebidos; acrescentou-se os itens: Recebimentos de Vendas à Prazo e Saque em conta corrente. O item Desembolsos também sofreu alteração, sendo substituído por Saídas, e dentro desse plano de contas mantiveram-se os itens: Compras à vista, Fornecedores, Salários (sendo excluído o item ordenados), Energia elétrica, Telefone, Despesas administrativas, com vendas, tributárias e financeiras. Os itens: Compras de itens do ativo permanente, Manutenção de máquinas e Outro, foram excluídos e acrescentou-se o item Retirada do Proprietário. Para melhor entendimento explica-se alguns dos itens do plano de contas. O item Aumento do Capital social é usado caso o proprietário deseje fazer algum investimento financeiro, logo tem que ser alterado o contrato social, com as devidas modificações no valor 42 do capital social da empresa. O item Retirada do Proprietário é uma espécie de pró-labore, ou seja, o salário pago ao empregador. Por meio do Quadro 2, constata-se a importância do Fluxo de Caixa e o número de informações que ele apresenta. Percebe-se claramente a diferença entre as entradas e saídas de recursos, permitindo identificar quando existe saldo de caixa positivo ou negativo. Neste caso, o período analisado indica que a empresa operou com saldos negativos. Pelos dados apresentados foi possível também extrair informações financeiras de faturamento mensal das vendas à vista e recebimentos à prazo, bem como todas as saídas de caixa com seus respectivos valores. Um dos pontos observado é a diferença muito alta entre os valores dos recebimentos à prazo e das vendas à vista, talvez isto ocorra pela falta de uma política de cobrança rigorosa das vendas à prazo. Porém isto não pode ser afirmado com certeza, já que para isso seria necessária uma análise mais aprofundada neste assunto. A aplicação da ferramenta fluxo de caixa na gestão financeira da empresa confirmou algumas das dificuldades financeiras que a mesma enfrenta, já citadas neste estudo, a falta de capital de giro e a falta de planejamento financeiro, uma vez que a empresa encontra-se com dificuldades no caixa. Nota-se que a partir da elaboração do fluxo de caixa, o gestor terá as informações necessárias para efetuar uma análise da evolução ou involução do caixa, dos meses subseqüentes. Pois “os métodos empíricos, usando a intuição, não atendem mais às necessidades empresariais, sendo o controle financeiro, ainda que de maneira simplificada, o mais procurado e utilizado para evitar surpresas desagradáveis e maximizar resultados” (SOUSA, 2007, p. 2). 43 FLUXO DE CAIXA Períodos Mês Maio / 2010 Itens 1. ENTRADAS R$ 31.657,25 - Vendas à vista - Recebimentos de Vendas à Prazo - Aumento do capital social - Receitas financeiras - Outros - Saque em conta corrente SOMA R$ 26.452,35 R$ 6.204,90 R$ R$ R$ R$ R$ 31.657,25 2. SAÍDAS R$ 33.029,53 - Compras à vista - Fornecedores - Salários - Energia elétrica - Telefone - Despesas administrativas - Despesas com vendas - Despesas tributárias - Despesas financeiras - Retirada do Proprietário SOMA R$ 14.152,00 R$ 10.500,00 R$ 3.000,00 R$ 62,73 R$ 123,80 R$ 953,00 R$ 230,00 R$ 860,00 R$ 348,00 R$ 2.800,00 R$ 33.029,53 3. DIFERENÇA DO PERÍODO (1 – 2) 4. SALDO INICIAL DE CAIXA (R$ R$ 1.372,28) - 5. DISPONIBILIDADE ACUMULADA (± 3 ± 4) (R$ 1.372,28) 6. SALDO FINAL DE CAIXA (R$ 1.372,28) Fonte: Dados da Pesquisa (2010) Quadro 2 – Modelo adaptado do Fluxo de Caixa 44 8 CONSIDERAÇÕES FINAIS Retornando ao problema de pesquisa, que se propôs a responder qual o impacto da implantação do fluxo de caixa no processo de gestão financeira da empresa, conclui-se que esta pesquisa representou uma grande contribuição por auxiliar o gestor da empresa em estudo em utilizar um controle financeiro de fácil manuseio e o esclarecimento de informações reais. Assim, percebe-se que a pesquisa atingiu seu objetivo geral de implantar a ferramenta fluxo de caixa na gestão financeira da empresa, bem como o alcance de todos os objetivos específicos, que foram: identificar o tipo de instrumento de controle financeiro utilizado na empresa; conhecer o perfil do proprietário da empresa; partindo da constatação, realizada anteriormente, que a empresa não utiliza a ferramenta fluxo de caixa, sensibilizar o proprietário da importância desta ferramenta; e aplicar o fluxo de caixa na gestão financeira da empresa. Por meio dos levantamentos bibliográficos na literatura e na empresa pesquisada, confirmou-se a importância da ferramenta fluxo de caixa. Podendo compreender-se que através desta ferramenta de controle e planejamento é possível afirmar que as decisões empresariais irão se refletir nos resultados da empresa. Portanto, o sucesso do uso deste instrumento na empresa está diretamente ligado ao interesse do gestor em dar-lhe a devida importância. Pois, se não houver o interesse por parte do mesmo, os esforços para que seja realmente um auxiliar nas decisões, não decorrerá de perda de tempo com um relatório de controle sem uso. É evidente que a implantação do Fluxo de Caixa na empresa, não pretende extinguir suas dificuldades financeiras, e sim fornecer dados para dar suporte as atividades operacionais e assegurar sua sobrevivência. 8.1 Sugestões para trabalhos futuros Como recomendação para estudos futuros sugere-se fazer uma comparação da gestão financeira antes e depois da implantação da ferramenta fluxo de caixa. 8.2 Limitações do Estudo Os obstáculos enfrentados para elaboração deste trabalho de conclusão de curso, o que mais dificultou foi à construção da monografia ser realizada junto com outras disciplinas, fazendo com que o aluno disponibilize pouco tempo para finalizar. 45 Outro ponto que dificultou foi o fato das bibliotecas desta instituição de ensino estar desatualizadas em relação ao tema em estudo, fazendo com que o pesquisador recorra a livros emprestados de colegas e professores. Outra limitação foi o pouco tempo para analisar a implantação do fluxo de caixa. Porém, as limitações ocorridas não inviabilizaram o alcance dos objetivos deste trabalho. No entanto, não houve limitações quanto à teoria nem a metodologia utilizada. 46 REFERÊNCIAS ASSAF NETO, Alexandre; SILVA, César Augusto Tibúrcio. Administração do Capital de Giro. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1997. BIAZZI, Juceli Antonio. Aplicação do Fluxo de Caixa como ferramenta de gestão financeira às instituições de ensino superior: um estudo de caso. Blumenau: FURB, 2005. Dissertação (mestrado em Ciências Contábeis) – Programa de Pós-Graduação, Universidade Regional de Blumenau, 2005. CARDEAL, Josemeire Dantas. Administração de caixa em empresas de pequeno porte: estudo de casos no setor hoteleiro de Salvador-BA. Salvador: UNIFACS, 2006. Dissertação (mestrado em Administração Estratégica) – Programa de Pós-Graduação, Universidade de Salvador, 2006. CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração: uma visão abrangente da moderna administração das organizações. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. COOPER, Donald R.; SCHINDLER, Pamela S. Métodos de pesquisa em Administração. 7. ed. Porto Alegre: Bookman, 2003 GAZZONI, Elizabeth Inez. Fluxo de Caixa – ferramenta de controle financeiro para a pequena empresa. Florianópolis: UFSC, 2003. Dissertação (mestrado em Engenharia de Produção) – Programa de Pós-Graduação, Universidade Federal de Santa Cantarina, 2003. GIL, Antônio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2006. GITMAN, Lawrence Jeffrey. Princípios de Administração Financeira. 10. ed. São Paulo: Addison Wesley: 2004. HOJI, Masakazu. Administração financeira: uma abordagem prática: matemática financeira aplicada, estratégias financeiras, análise, planejamento e controle financeiro. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2004. IBGE – INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. [Site Oficial]. Disponível em: <www.ibge.gov.br>. Acesso em: 11 nov. 2009; LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia científica. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2006. 47 LONGENECKER, J. G.; MOORE, C. W.; PETTY, J. W. Administração de pequenas empresas: ênfase na gerência empresarial. São Paulo: Makron Books, 1997. MARQUES, Adriano Ventura. Planejamento e Controle Financeiro nas Micro e Pequenas Empresas, visando à continuidade e à sustentabilidade. Santos: UNISANTOS, 2008. Dissertação (mestrado em Gestão de Negócio) – Programa em Gestão de Negócio, Universidade Católica de Santos, 2008. MAXIMIANO, Antônio Cesar Amaru. Introdução à administração. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004. OLIVEIRA, Silvio Luiz. Tratado de metodologia científica: projetos de pesquisas, TGI, TCC, monografias, dissertações e teses. São Paulo: Pioneira, 1997. ROESCH, Sylvia Maria Azevedo. Projetos de estágio do curso de Administração: guia para pesquisas, projetos, estágios e trabalhos de conclusão de curso. São Paulo: Atlas, 1996. SÁ, Antônio Lopes de. Como Administrar Pequenos Negócios. 3. ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 1984. SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas. Lei Geral da Micro e Pequena Empresa. Brasília: Sebrae, 2007. SILVA, Adelphino Teixeira da. Administração e controle. 9. ed. São Paulo:Atlas, 1995. SILVA, Anielson Barbosa da. A pequena empresa na busca da excelência. João Pessoa: UFPB/Editora Universitária, 1998. SILVA, José Pereira da. Análise financeira das empresas. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2004. SOUSA, Antônio de. Gerência financeira para micro e pequenas empresas: um manual simplificado. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier: SEBRAE, 2007. STONER, James A. F. Administração. 2. ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1985. TACHIZAWA, Takeshy; FARIA, Marília de Sant’Ana. Criação de novos negócios: gestão de micro e pequenas empresas. Rio de Janeiro: Editora FVG, 2002. 48 TRIVIÑOS, Augusto Nibaldo Silva. Introdução à pesquisa social em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987. ULRICH, Sigolf. Um estudo de modelos de controles de fluxo de caixa para micro e pequenas empresas. Blumenau: FURB, 2005. Dissertação (mestrado em Ciências Contábeis) – Programa de Pós-Graduação, Universidade Regional de Blumenau, 2003. ZDANOWICZ, José Eduardo. Fluxo de caixa: uma decisão de planejamento e controle financeiros. 5. ed. Porto Alegre: Sagra - D.C. Luzatto, 1992. 49 APÊNDICE Instrumento de coleta de dados Esta pesquisa tem como objetivo conhecer o perfil do proprietário e identificar o tipo de instrumento de controle financeiro utilizado na empresa. Trata-se de uma pesquisa de cunho acadêmico, que faz parte de um Trabalho de Conclusão de Curso que tem a finalidade a obtenção do título de Bacharel em Administração pela UFPB, sob a orientação da Profª. Lucilene Klenia R. Bandeira. O instrumento de pesquisa está dividido em duas partes: A primeira parte constará do preenchimento do formulário com dados da empresa e do proprietário. Na segunda ocorrerá uma entrevista, com 6 questões abertas. 1. Caracterização do Proprietário e da Empresa Dados do Proprietário Nome: E-mail para contato: Escolaridade: Tempo de experiência no mercado: O que faz para adquirir conhecimentos e se qualificar? Dados da Empresa Razão Social: Nome de fantasia: Ramo de atividade: Porte da empresa: Natureza jurídica: CNPJ: Data da constituição: Quantidade de funcionários: Faturamento Anual (aproximado): Responsável financeiro (Nível de escolaridade): 50 2. Roteiro de Entrevista 1. Descreva as principais atividades ou tarefas desenvolvidas no cotidiano da gestão financeira da empresa. 1. Qual a principal dificuldade financeira enfrentada hoje pela empresa? 2. Como é realizado o controle das entradas e das saídas de dinheiro na empresa? 3. Qual seria a principal dificuldade para não utilizar um controle financeiro na empresa? 4. O que você entende por “Fluxo de Caixa”? 5. Porque a empresa não possui um fluxo de caixa?