JORNAL OFICIAL DO ENCONTRO DAS COMUNIDADES MACAENSES 2013 Cuza ta fazer!?! ENCONTRO2013 REUNE MACAENSES DE TODO O MUNDO BOAS VINDAS 2 Cuza ta fazer? José Manuel de Oliveira Rodrigues Presidente do Conselho das Comunidades Saudação Em nome da Comissão Organizadora do Encontro das Comunidades Macaenses 2013, saúdo a presença de todos os participantes, desejando uma boa estadia na Região Administrativa Especial de Macau. Durante mais de uma semana, os nossos irmãos da Diáspora terão oportunidade de conhecer a nova realidade de Macau que mantém os traços distintivos da Macau que conheceram e tanto amam. Uma palavra é também devida aos esforços dispensados pelos Membros da Comissão Organizadora, bem como pelo pessoal que, ao longo dos anos, de uma forma ou outra contribuiu para que este evento se tenha tornado um dos grandes acontecimentos periódicos inserido no calendário da vida da Região Administrativa Especial de Macau. Propriedade Tribuna de Macau, Empresa Jornalística e Editorial, S.A.R.L. Administração e Director José Rocha Dinis Director Executivo Editorial Sérgio Terra Textos* Helder Almeida Grafismo Suzana Tôrres Serviços Administrativos Joana Chói Impressão Tipografia Welfare, Ltd Administração, Direcção e Redacção Calçada do Tronco Velho, Edifício Dr. Caetano Soares, Nos4, 4A, 4B - Macau Caixa Postal (P.O. Box): 3003 Telefone: (853) 28378057 Fax: (853) 28337305 Email: [email protected] Apoio Comissão Organizadora do Encontro das Comunidades Macaenses 2013 José Rocha Dinis Administrador e Director do Jornal Tribuna de Macau Cuza ta fazer!?! Por ocasião do Encontro das Comunidades Macaenses 2013, damos as boas vindas aos macaenses que se encontram dispersos pelo Mundo e que encontrarão o abraço fraterno dos que aqui vivem e trabalham. Dedicámos-lhe esta revista, dando voz à Diáspora para que seja feito um retrato na primeira pessoa das actividades que as suas Associações vão mantendo durante o ano, na preservação da cultura própria de Macau. É este sentimento que os une, e faz com que, da Austrália ao Canadá passando pelos Estados Unidos, Brasil, Portugal e mesmo Hong Kong, sejam verdadeiros embaixadores das especificidades de Macau, um território cuja essência continua a resistir a todos os ventos da História. Assim, nas páginas seguintes, os leitores ficarão a saber o que fazem estas Associações, os momentos altos e baixos do seu dia a dia e as dificuldades que têm de ultrapassar. E fica muito claro o amor que têm a Macau. À Macau de hoje, de ontem, de sempre... * Entrevistas feitas por e-mail Cuza ta fazer? 3 IANA PAES D’ASSUMPÇÃO VITAL, DIRECTORA SOCIOCULTURAL E DESPORTIVA DA CASA DE MACAU NO RIO DE JANEIRO Saudades “da antiga Macau, mais familiar, menos moderna e impessoal” Os almoços realizados nas casas dos sócios e as rosquinhas que eram preparadas por uma das sócias fundadoras em todas as festas em que participou fazem parte da memória colectiva da Casa de Macau do Rio de Janeiro. Os encontros servem para manter o contacto com Macau, apesar de ser a “antiga” cidade que deixa mais saudades C DIRECÇÃO: Presidente Augusto Pina Vice-presidente Silvana Assumpção Director financeiro Denny Carion Directora sociocultural e desportiva Iana Assumpção Conselheiros fiscais Eduardo Carion, Bruno Maher e José Pina 4 Cuza ta fazer? omo e quando nasceu a vossa Casa? - Com a emigração dos macaenses que optaram pelo Brasil, foram chegando a partir de 1960 e até 1980 pequenos grupos isolados de naturais de Macau e de Xangai. A grande maioria optou por São Paulo que, à época, oferecia empregos com maior facilidade. Entretanto, um reduzido grupo escolheu o Rio de Janeiro para fixar as suas raízes. Sempre que chegava algum conterrâneo de Macau havia um motivo de reunião na residência de alguém para que se pudesse ter notícias da nossa terra natal e, aproveitando o ensejo, eram servidos pratos típicos macaenses ou chineses para matarmos a saudade. Quando em 1989 a Casa de Macau em São Paulo foi constituída, Alexandre (Nino) Rodrigues tomou a iniciativa e cedeu espaço na sua casa, à Rua Francisco Muratóri, para reuniões e almoços. Com a colaboração de macaenses denominados sócios fundadores elaborou-se o Estatuto e em Julho de 1991 foi fundada a Casa de Macau no Rio de Janeiro, elegendo-se Alexandre Rodrigues como primeiro presidente. A residência deste passou a funcionar como sede provisória, época em que se reunia mensalmente para encontros e almoços. Com a adesão de novos sócios e o falecimento prematuro do Alexandre Rodrigues, tornou-se vital que conseguíssemos uma sede, uma vez que as reuniões ficaram esparsas pois, ora era na residência de um, ora de outro. Até que, em 1995, a Fundação Oriente passou a financiar os nossos encontros mensais. Resumindo, em 1996, por intermédio dos senhores José Pina (presidente da Casa de Macau no Rio de Janeiro na época) e Alberto D’Assumpção (director cultural na época) e ajuda financeira do General Rocha Vieira, à época Governador de Macau, e do Dr. Jorge Rangel, comprámos o imóvel sito à Rua Gonzaga Bastos N°325, Vila Isabel, Rio de Janeiro, endereço desde então da nossa sede. -Quem foram os sócios fundadores? -Os sócios fundadores foram Américo Machado Mendonça, Angela Ariana Madeira R. Branco, António Bruno Machado Mendonça, Augusto Eduardo Carion, Augusto Ferreira da Costa Pina, Carlos Jorge Airosa Branco, Derek Igor de Almeida, Fernando de Oliveira Pina, Francisco Xavier Rodrigues, Ilda Marques, João Alberto Canavarro Nolasco da Silva, José Augusto da Costa Pina, Maria Alzira da Conceira, Mario António Colaço Carion, Pedro Paulo de Almeida e Reneé Maria Bárbara de Senna Fernandes Nolasco da Silva. -Que histórias ficarão para sempre associadas à vossa Casa? -Os almoços realizados nas casas dos sócios, incluindo a de Alexandre Rodrigues, antes da compra da sede própria, fazem parte da memória de grande parte dos sócios, especialmente os fundadores. As rosquinhas que eram preparadas pela saudosa sócia fundadora Reneé Maria Bárbara de Senna Fernandes Nolasco da Silva em todas as festas em que ela participou na Casa de Macau do Rio de Janeiro também fazem parte da história da nossa Casa. -Que tipo de actividades costumam realizar? -A Casa de Macau do Rio de Janeiro reúne os seus sócios mensalmente num evento/almoço que se realiza comumente no último domingo de cada mês. O almoço possui sempre pratos típicos da gastronomia macaense, como forma de manter a cultura gastronómica viva na nossa comunidade. Também é típico dos nossos encontros partidas e campeonatos de mahjong e, desde o início deste ano, realizase um quiz cultural com assuntos referentes à cultura, curiosidades ou informações sobre Macau, sobre a nossa associação ou sobre o festival que comemoramos em determinado evento. -Quem costuma participar? -Os eventos da Casa de Macau do Rio de Janeiro não são exclusivamente direccionados aos sócios da nossa associação, mas também não são abertos ao público. Costumam participar dos eventos os sócios, amigos dos sócios e outros convidados que podem ou não ser descendentes de macaenses ou sócios da nossa associação. -No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores dificuldades que encontram? -Temos dificuldades em reunir assiduamente nos nossos eventos dois tipos de sócios: os mais jovens e os mais idosos. Os mais jovens pela dificuldade na formulação de uma actividade mais atractiva para eles e os mais idosos pela dificuldade de deslocação que, em dias chuvosos ou muito quentes, acabam por não comparecer. -Como é a participação dos mais novos? É fácil ou é difícil fazer com que as gerações mais recentes participem nas actividades? -Actualmente, a Directoria da Casa de Macau do Rio de Janeiro é composta por uma percentagem maior de jovens, sendo eles Juliana Carreira Nolasco Carion como secretária-geral, Denny Brandão Carion como director financeiro e eu como directora sociocultural e desportiva. Há também o jovem Eduardo Carion como membro do conselho fiscal. Embora os jovens da Directoria estejam a organizar os eventos da Casa de Macau desde o início do ano, ainda é difícil atrair todos os jovens sócios Almoço de Páscoa Abertura do Almoço pela Directoria, com Augusto Pina, Juliana Nolasco da Silva, Iana Assumpção e Silvana Linares Cuza ta fazer? 5 a participarem das actividades propostas. A Casa de Macau do Rio de Janeiro recebeu do Governo de Macau uma verba exclusiva para ser utilizada em actividades votadas ao público jovem, que ficou guardada até ser decidido em que actividade seria utilizada. Em 2012 foi decidido que a verba seria utilizada para o desenvolvimento do projecto “Jovens Culinários da Casa de Macau do Rio de Janeiro”, em que se realizaram semanalmente aulas de culinária macaense destinada aos jovens da associação. A verba também foi utilizada para dar aulas de mandarim aos sócios jovens. No entanto, actualmente, não há mais verba. -Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De que forma? -Para além de nosso site oficial (www.casademacaurj. com), também utilizamos muito a nossa página oficial na rede social do Facebook (www.facebook.com/ CasadeMacauRJ), onde são divulgados os eventos realizados na nossa Casa, informações gerais sobre Macau e eventos relacionados com Macau que estejam a acontecer no Rio de Janeiro. -Com quantas pessoas conta a comunidade macaense no sítio onde estão radicados? -A Casa de Macau do Rio de Janeiro conta com, aproximadamente, 100 sócios, incluindo sócios beneméritos, honorários, fundadores, efectivos, colaboradores e dependentes. Entretanto, vale ressaltar que nem todos os descendentes de macaenses residentes no Rio de Janeiro são associados. -Do que sentem mais falta? -Da antiga Macau, mais familiar, menos moderna e impessoal. Do convívio de parentes, do dia-a-dia nas ruas de Macau, das conversas. Sentimos falta também da época em que os sócios participavam mais activamente nas actividades propostas pela Casa. -Como mantêm a ligação a Macau? -Mantemos a nossa ligação a Macau através dos encontros das Comunidades Macaenses, e de contactos com os familiares, através de materiais dos média, impresso ou digital, que recebemos via internet ou correio das outras Casas de Macau e de associações macaenses. Uma sócia jovem da Directoria da Casa de Macau do Rio de Janeiro faz parte como colaboradora do boletim informativo da Associação dos Macaenses (A Voz), que teve a sua primeira edição publicada no final de Setembro. Esperamos que essa parceria possa aumentar os laços não só da Casa de Macau do Rio de Janeiro com Macau, como com as demais Casas de Macau da diáspora. -O que acham que pode ser melhorado nestes encontros das Comunidades Macaenses? -A organização do Encontro é excelente, a Comissão Organizadora é sempre muito solícita e educada. Entretanto, sentimos que há a possibilidade de diferenciar a programação do Encontro, acrescentando actividades mais interactivas para que se torne um Encontro dinâmico. Nos encontros das Comunidades ainda falta tratar dos assuntos referentes aos jovens pois, embora não seja o Encontro dos Jovens, a malta jovem está a vir com força para o comando das Casas de Macau e é um facto que não deve ser omitido ou deixado de lado. Seria muito interessante uma discussão de estratégias e planos para integração da malta jovem com a malta adulta e idosa. -Em que contribuem estes encontros para a comunidade? -Os Encontros proporcionam reencontros familiares e de amigos, trazem de volta a vivência de Macau, e fazem reviver as memórias deixadas em Macau antes de virem para o Rio de Janeiro, proporcionam aos jovens descendentes uma visão mais ampla da história dos seus antepassados, fortalecem laços culturais e unem as maltas da diáspora. -Qual o orçamento anual que têm disponível e a origem das verbas? -A origem dos recursos da Casa de Macau do Rio de Janeiro é dividida em três modalidades: receita de aplicação financeira, mensalidade dos sócios e contribuição dos eventos (bilhetes para os almoços), que chega a um valor estimado de 50.000 reais (aproximadamente 183.700 patacas). As despesas da Casa de Macau do Rio de Janeiro são, basicamente, os eventos mensais, impostos e gastos administrativos, que chegam em torno de 75.000 reais (aproximadamente 275.500 patacas). Então, temos um défice anual de 25.000 reais (aproximadamente 91.800 patacas). 22 anos de casa 6 Cuza ta fazer? Associações de Matriz Portuguesa que compõem o CCM -Conselho das Comunidades Macaenses Cuza ta fazer? 7 MARIA ROLIZ, PRESIDENTE DO LUSITANO CLUB DA CALIFÓRNIA “A nossa comunidade ama sobretudo a comida macaense” A gastronomia é sempre um ponto de confluência para a comunidade macaense, e é destacada por Maria Roliz. Esta responsável lembra ainda que mais diversidade será bem-vinda ao Encontro e sugere viagens à China, que seriam “muito populares” C DIRECÇÃO: Presidente Maria C. Roliz Vice-presidente Maria João da Cruz Secretária Annie de Graça Puska Tesoureira Dorothy Oliveira 8 Cuza ta fazer? omo e quando nasceu a vossa associação? - O nosso clube foi estabelecido em 1984. António Jorge da Silva, Mário Britto, Arthur Britto, Ted Almeida, Eddy Vaz, Mike Delgado e Nuno Prata da Cruz foram alguns dos membros fundadores. - Que histórias ficarão para sempre associadas à Casa? - Começámos como um grupo de hóquei na Califórnia a jogar contra o Clube de Recreio de Hong Kong. - Que tipo de actividades costumam realizar? - Temos todo o tipo de actividades: piqueniques, aulas de cozinha macaense e de português, festas de Natal, viagens de campismo com passeios de canoa, exposições de fotografia... - E quem costuma participar? - Os nossos membros. - No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores dificuldades que encontram? - Seria bom se tivéssemos subsídios para o orçamento anual para todas as actividades. Até 1999 costumávamos conseguir um cheque anual do governo de Macau de aproximadamente 35.000 dólares. -Como é a participação dos mais novos? É fácil ou é difícil fazer com que as gerações mais recentes participem nas actividades? - Temos a sorte de ter muitos membros jovens e muitos directores jovens no nosso conselho. - Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De que forma? - Sim, promovemos a tradição macaense e a cultura junto de outros grupos. Temos muitos americanos, asiáticos, latinos em funções e eles experienciam e gostam da nossa cultura e comida. - Com quantas pessoas conta a comunidade macaense onde estão radicados? - Julgamos que cerca de 10.000. - Do que sentem mais falta? - Sentimos mais falta dos dias que passámos em Macau, Hong Kong e Xangai. - O que costuma envolver mais a comunidade? - A nossa comunidade ama sobretudo a comida macaense. - Como mantêm a ligação a Macau? - O Lusitano Club da Califórnia é membro do Conselho das Comunidades Macaenses. - E o que acham que pode ser melhorado nestes Encontros das Comunidades Macaenses? - Mais diversidade e nem sempre a mesma coisa. Viagens à China seriam muito populares. Ao estar no oitavo Encontro este ano as coisas serão muito semelhantes ao que foram nos anos passados. - Em que contribuem estes encontros para a comunidade? - São muito populares entre a nossa comunidade. - Qual o orçamento anual que têm disponível e a origem das verbas? - Desde 1999 que não recebemos de Macau qualquer subsídio fixo para o orçamento anual. Porém, conseguimos alguns subsídios para funções do Instituto Internacional de Macau e aproximadamente 1.500 dólares por ano da Fundação Oriente em Portugal para subsidiar o nosso boletim. Canoistas Cuza ta fazer? 9 PRESIDENTE DA CASA DE MACAU CLUB - VANCOUVER Importante para preservar uma cultura única “antes que tudo fique perdido para sempre” O Encontro das Comunidades Macaenses é destacado por Miguel da Roza principalmente pela reunião que proporciona entre amigos antigos e familiares mas, acima de tudo, pela oportunidade de dar a conhecer aos filhos da comunidade a cultura e as tradições do território, antes que os laços se quebrem para sempre C DIRECÇÃO: Presidente Miguel Oscar da Roza Primeiro Vice-presidente Cathy Fung Segundo Vice-presidente Rick Rozario Secretária Angela Renfro Tesoureira Colleen Lobelsohn Parlamentar Rick de Guzman 10 Cuza ta fazer? omo e quando nasceu a vossa Casa? - O nosso clube foi formado em 1995, quando um pequeno grupo de macaenses na diáspora se conheceram e tiveram a ideia de formar um clube social especial aqui em Vancouver, de forma a que se pudessem encontrar e usufruir da companhia uns dos outros neste vasto novo país, o Canadá, a sua nova terra. - Que tipo de actividades costumam realizar com regularidade? - Este grupo planeou encontros numa base regular e rotativa em casa de cada um, centros comunitários e outros clubes privados ou restaurantes para socializar e manteremse actualizados sobre os acontecimentos nas cidades de origem, em Hong Kong, Macau e Xangai e sobre alguns dos membros da família a residir nesses locais. Eles, então, estenderam a mão aos seus familiares e amigos para também se juntarem ao clube. A resposta recebida foi esmagadora e a adesão aumentou rapidamente. - Quem costuma participar? - A 3 de Abril de 1995 o nosso clube foi registado em Victoria, a capital da Colúmbia Britânica, como Casa de Macau Club (Vancouver), um clube social aberto a todos os macaenses, as suas famílias e amigos. Os estatutos da nossa Casa requerem que a adesão ao nosso clube seja aberta, mas não limitada, a todos os macaenses e suas famílias. Cidadãos canadianos, residentes permanentes do Canadá e outros nacionais interessados na nossa língua, cultura, cozinha e tradições podem também aderir. - No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores dificuldades que encontram? - No início, como qualquer casa, os fundos eram escassos. Durante vários anos, sem fundos exteriores de ninguém e sem uma casa para o clube, contámos com os pagamentos das anuidades e também com numerosas angariações de fundos como vendas de bolos, vendas de garagem, etc., para continuar a fazer o clube andar. À medida que os nossos associados cresciam tivemos de arrendar salões em centros comunitários para os nossos grandes eventos e reuniões. Finalmente, em 2008 recebemos um generoso donativo de Macau para comprarmos a nossa sede, que é agora a casa do nosso clube, uma casa longe de “casa” para os nossos membros. Temos que atender a todas as obrigações financeiras por conta própria, pagando os impostos sobre a propriedade, contas de energia eléctrica, taxas de manutenção, seguros, abastecimentos, etc. Tentamos manter as quotas baixas para que todos se possam juntar ao Clube. A nossa casa tem comités social, cultural e de comunicações que trabalham em conjunto para informar os nossos membros e nos assegurarmos do sucesso de todos os eventos da nossa casa que quase sempre são muito participados. - Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De que forma? - Todos os anos temos muitos espectáculos na nossa sede e em todos os eventos temos um tema macaense e um foco nas comidas macaenses e tradições que eram seguidas e desfrutadas pelos nossos antepassados na sua terra ancestral, Macau, Hong Kong e Xangai, eventos para celebrar o Dia de São João, o Natal, o Ano Novo Lunar, etc. Nós também damos aulas de cozinha e refeições onde cada convidado traz o seu prato, para partilharmos os nossos pratos favoritos macaenses. Os membros mais velhos e mais novos têm muitas oportunidades de se juntarem para apreciar estas comidas macaenses e partilhar as suas experiências uns com os outros o que é uma grande maneira para os costumes, tradições, cozinha e mesmo para o patuá serem preservados. Também temos “karaoke” e dias de jogos na sede. Tivemos aulas de língua portuguesa também, nas quais alguns membros demonstraram interesse e participaram. - Com quantas pessoas conta a comunidade macaense em Vancouver? - A nossa Casa tem, em 2013, um total de 275 membros. Há provavelmente 2.500 pessoas, e outras de descendência ou origem macaense, espalhadas por várias cidades e províncias do oeste do Canadá e eles mantêm-se em contacto com a nossa Casa através do nosso sítio na internet: www.casademacau.org. A nossa Casa valoriza e aprecia o simpático convite de Sua Excelência o Chefe do Executivo, Fernando Chui Sai On, para fazermos parte desta diáspora macaense pelo mundo, pertencendo a 12 casas que se vão encontrar em Macau. Gostaríamos também de reconhecer e agradecer o trabalho duro do pessoal da Associação Promotora da Instrução dos Macaenses e do Conselho das Comunidades Macaenses por organizarem o Encontro. Os nossos membros aguardam ansiosamente esta reunião, dando-nos a hipótese, mais uma vez, de nos encontrar com amigos antigos e parentes, e de visitar e apreciar antigos locais familiares com património e introduzindo-os às nossas crianças, assim como apresentá-las à nossa cultura macaense única, costumes e patuá que sinceramente queremos preservar antes que tudo fique perdido para sempre. António Amante e esposa Cuza ta fazer? 11 MARIA DE LOURDES VAZ ALBINO, PRESIDENTE DA CASA DE MACAU EM PORTUGAL É “muito difícil atrair o interesse dos jovens” A fraca participação das gerações mais novas é comum a várias Casas de Macau e também é sentida pela Casa de Macau em Portugal que organiza várias actividades sociais, culturais e desportivas, para sócios e não-sócios. A organização da semana gastronómica de Macau no restaurante da Assembleia da República foi um dos momentos mais importantes para a Casa na actividade recente C DIRECÇÃO: Presidente Maria de Lourdes Barros Vaz Albino Vice-presidente Álvaro Augusto da Rosa Secretária Telma Isabel da Rosa Tesoureiro José Augusto de Albuquerque de Sousa Andrade 12 Cuza ta fazer? omo e quando nasceu a vossa Casa e quem se destacou na fundação? - A Casa de Macau em Portugal é uma associação com fins sociais, culturais, recreativos e outros que contribuam para a promoção da solidariedade entre as Comunidades Macaenses, em particular a que reside em Portugal, tendo sido oficialmente constituída em 1966 pelos seguintes sócios fundadores: Gen. Flávio José Álvares dos Santos; Prof. Eng.º Raúl Vasco Garcia Cabral; Ten. Cor. Eng.º Edmundo Tércio da Silva; Dr.ª Maria do Céu Saraiva Jorge Jacob; Dr. Armando Florêncio de Oliveira Hagatong; Dr. José Maria Pinto Lello; Dr. Carlos Augusto Gonçalves Estorninho; Dr. Augusto José Sousa Nolasco da Silva; Dr. Bernardo José da Silva Vidigal; Eng.º João Pires Antas; Carlos José Cabral Duhau Laborde Basto; Henrique Ayala de Serpa Pimentel; Alberto Maria Alemão; Gerardo Majella Rangel de Almeida; António Maria da Silva; Dr. Eduardo de Almeida e Vasconcellos; Dr. Leopoldo Danilo Barreiros; Dr. Horácio José Garcia e Cor. Mariano Alberto Tamagnini Barbosa. - Que histórias ficarão para sempre associadas à vossa Casa? - Sobre histórias associadas à Casa de Macau em Portugal, não se tratando embora de histórias ligadas ao tempo da fundação, que só os sócios mais antigos poderão eventualmente recordar, poderse-á assinalar dois momentos que, apesar de recentes (datam de 2012), foram muito marcantes para a divulgação da gastronomia macaense e ficarão decerto associadas à nossa Casa. Um deles foi a organização da semana gastronómica de Macau no restaurante da Assembleia da República, a qual obteve um tremendo sucesso. A segunda foi a partilha da gastronomia macaense com as gastronomias regionais portuguesas, aproveitando o magusto realizado no ano passado na Casa de Macau e para o qual foram convidadas as diversas Confrarias Gastronómicas de Portugal, desde o Norte até ao Sul. Esta iniciativa possibilitou uma verdadeira mistura de sabores, tendo suscitado enorme interesse. - Que tipo de actividades costumam realizar? - A Casa de Macau em Portugal realiza regularmente uma série de actividades, de acordo com os fins prosseguidos, de que podemos destacar, no âmbito social: a promoção de encontros e reuniões de sócios, amigos e familiares, a organização de festas particulares, a utilização das instalações pelos sócios para jogos de mesa (bridge, canasta, mahjong, xadrez, etc.). Organizamos os habituais chás-gordos, que contam também com a participação significativa de bolseiros da RAEM que estudam em Lisboa, e nos quais são servidos os tradicionais acepipes da cozinha macaense. Promovemos outros eventos festivos, nomeadamente o almoço anual de comemoração do Ano Novo Chinês. Neste âmbito tem vindo a ser igualmente aberta a possibilidade de realização de eventos e festas particulares por parte de não sócios, através da reserva e utilização do pavilhão multiusos de que a Casa dispõe. - E no âmbito cultural? - A realização de cursos de mandarim versando a aprendizagem da língua e cultura chinesas, abertos a sócios e a não sócios, e que têm tido forte procura e grande sucesso. A organização de workshops de gastronomia macaense, os quais têm contribuído para a divulgação da nossa cozinha de fusão, suscitando grande interesse por parte dos participantes, sócios e não sócios. O fomento da consulta do rico acervo documental da Casa de Macau, no Centro de Documentação da Praça do Príncipe Real, através da difusão da sua existência e disponibilização, mediante notícia regularmente inserida na nossa folha informativa não periódica, o Qui-Nova? Já no âmbito desportivo, desenvolvemos actividades como o Tai Chi, estando presentemente em curso a preparação da prática de outra arte marcial, o Karaté Shotokan. - E quem costuma participar? - Em todas as actividades descritas tem a Casa de Macau em Portugal tido a participação dos seus sócios, mas também de não sócios. Será interessante referir que os nossos sócios integram macaenses e pessoas que, não sendo macaenses, conhecem Macau, interessam-se por Macau e apreciam a cultura macaense nas suas diversas vertentes. - No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores dificuldades que encontram? - Para o desenvolvimento das actividades, poder-se-á dizer que as maiores dificuldades resultam da escassa capacidade financeira da Casa, já que as suas receitas provêm essencialmente das quotizações dos seus associados, sendo que na actual conjuntura de crise a captação de novos sócios não se encontra facilitada. - Como é a participação dos mais novos? É fácil ou é difícil fazer com que as gerações mais recentes participem nas actividades? - Quanto à participação dos mais novos, trata-se de uma dificuldade sentida pela nossa Casa e que cremos ser comum a outras Casas da diáspora macaense, dado que as gerações mais jovens se encontram já algo distanciadas das raízes e das memórias das gerações mais antigas (os pais e os avós) e têm os seus próprios interesses e o seu círculo de amigos no espaço geográfico onde residem. É, por isso, muito difícil atrair o interesse dos jovens pelas Casas de Macau. - Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De que forma? - Na esteira do que ficou explanado sobre as actividades realizadas pela nossa Casa e a abertura à participação nos seus eventos de todos os interessados, quer sejam sócios ou não, as tradições macaenses são obviamente dadas a conhecer a todos os que participam, em particular à comunidade portuguesa em que estamos inseridos. - Com quantas pessoas conta a comunidade macaense no sítio Cuza ta fazer? 13 onde estão radicados? - Sobre a eventual dimensão da comunidade macaense em Portugal não temos informação, nem tão pouco detém a Casa de Macau meios e capacidade para proceder a uma pesquisa com esse objectivo. grande contributo “Um para manter uma estreita ligação a Macau é decerto a organização periódica dos Encontros “ - Do que sentem mais falta? - É nossa convicção (e sentimento) de que os macaenses da diáspora sentem obviamente a falta da sua terra – Macau - e sobretudo dos seus familiares e amigos de infância e juventude, das suas raízes, memórias, tradições, gastronomia, do patuá… enfim, daquilo a que podemos chamar o espírito “maquista”. - O que costuma envolver mais a comunidade? - O que mais costuma envolver a comunidade macaense em Portugal tem a ver com todo o tipo de manifestações tradicionais que tragam memórias de Macau, sem nunca perder de vista, contudo, os típicos pratos macaenses, que devem estar sempre presentes. Sem prejuízo do gosto e da procura de manifestações culturais ou desportivas, os eventos que maior número de participantes reúnem são sem dúvida os chásgordos tradicionais e a celebração do Ano Novo Chinês. - Como mantêm a ligação a Macau? - A ligação a Macau é mantida, não só através dos 14 Cuza ta fazer? eventos tradicionais realizados em Portugal com a presença de inúmeros macaenses que trazem as suas memórias e relembram a sua terra, mas também pelos laços familiares que muitos mantêm em Macau e pela forte relação afectiva dos macaenses com a sua terra. Um grande contributo para manter uma estreita ligação a Macau é decerto a organização periódica dos Encontros. - O que acha que pode ser melhorado nestes Encontros das Comunidades Macaenses? - As opiniões e comentários ouvidos durante a realização dos Encontros são mais dirigidos a aspectos práticos da eficiência da organização, sobretudo quanto a questões de transportes suficientes (ou não) para os locais dos eventos, da melhor ou pior escolha dos locais, dos programas e horários previstos e o seu eventual cumprimento. Embora o tempo afecto aos Encontros – uma semana – seja escasso para incluir um maior número de eventos, já que os macaenses precisam também de tempo para reverem a sua terra e os familiares e amigos, tem havido alguma preocupação em que sejam incluídos espaços mais amplos de debate sobre o futuro das Casas, da manutenção das ligações das diferentes comunidades a Macau, da problemática dos jovens e da captação do seu interesse pelas Casas, etc. - Em que contribuem estes encontros para a comunidade? - Consideramos que os Encontros são fundamentais e contribuem para a manutenção dos laços dos macaenses da diáspora com a sua terra, permitindo que periodicamente possam reencontrar familiares e amigos dispersos pelo mundo. Não fossem os Encontros e a organização providenciada pelo Conselho das Comunidades Macaenses e pelas Casas de Macau, muitos macaenses não teriam talvez a oportunidade de regressarem periodicamente a Macau. Um jornal com memória Chegamos a todo o Mundo através de http://jtm.com.mo www.facebook.com/tribunademacau1982 Cuza ta fazer? 15 LEO BARROS, PRESIDENTE DA CASA DE MACAU NO CANADÁ (TORONTO) Um Encontro que contribui para a “nostalgia” Em Macau, os membros da diáspora podem recordar a sua infância e adolescência. Leo Barros fala do buraco favorito na parede de restaurantes como o Fat Siu Lau ou dos confrontos com a polícia para ver “Jailhouse Rock” no teatro Vitória, em 1958 (um filme censurado para adolescentes pelo Bispo Policarpo da Costa Vaz). Diz ainda que faltam metas a longo-prazo ao Conselho das Comunidades Macaenses DIRECÇÃO: Presidente Leo Barros Vice-presidente Jerry Noronha Tesoureiro Jeremy Cruz Secretário Elliot Crawford 16 Cuza ta fazer? C omo e quando nasceu a vossa Casa e quem foram os fundadores? - A Casa de Macau no Canadá em Toronto surgiu de uma conversa entre dois macaenses (Alberto Rodrigues e Guilherme Silva) num supermercado (da cadeia Loblaws) onde se reuniram para discutir uma ideia que tinham de criar uma associação onde os filhos e filhas de Macau que vivem em Toronto se pudessem reunir regularmente. Continuaram a encontrar-se regularmente num pequeno restaurante e dois meses depois, numa reunião geral a 14 de Outubro de 1988, surgiu o primeiro conselho de executivos com Alberto Rodrigues como presidente, Guilherme Silva como vice, Alberto Silva como segundo presidente, José de Mello como secretário e Sebastião José como tesoureiro. O nome de Casa de Macau no Canadá passou por uma maioria de votos. - Que tipo de actividades costumam realizar? - Coro (semanalmente), dança em linha e ioga (semanalmente), tai chi, (duas vezes por semana), evento social à quinta-feira com jantar (mensalmente), eventos sociais de fim-de-semana (mensalmente). Festas maiores, como o jantar do Dia de Macau e performances de patuá e festas de Natal são feitas fora das nossas instalações por causa dos regulamentos anti-incêndio que restringem o público a 50 pessoas. Para os nossos fins-de-semana sociais organizamos viagens de autocarro, piqueniques, feiras de comida, bowling de 10 pinos... - Quem costuma participar? - Temos afluências excelentes mas pouca juventude. - No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores dificuldades que encontram? - Restrição de 50 pessoas na nossa pequena sede, fundos limitados e falta de metas do Conselho das Comunidades Macaenses a longo-prazo, com um foco claro no futuro. - Como é a participação dos mais novos? É fácil ou é difícil fazer com que as gerações mais recentes participem nas actividades? - Temos 27 jovens na nossa Casa que representam 11% dos nossos membros. Costumamos ter quatro a cinco a frequentar de forma regular os nossos eventos e há dois que estão no nosso Conselho. É difícil arranjar jovens para participar nas actividades da nossa Casa. Para os atrair, temos de fazer algo com sentido para que contribuam, e não apenas simbólico. Eles têm de sentir que estão envolvidos numa responsabilidade, num projecto desafiador que atenda às necessidades reais. Objectivos do Conselho das Comunidades Macaenses com um claro foco no futuro vão resolver esta questão. - Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De que forma? - As 12 Casas partilham as suas newsletters e põem-se umas às outras ao corrente com notícias, a história de Macau e receitas de cozinha. - Com quantas pessoas conta a comunidade macaense no sítio onde estão radicados? - Menos de 1.000, é um palpite. - Do que sentem mais falta? - Os macaenses na diáspora sentem falta da sua família e amigos que estão espalhados pelos quatro cantos do mundo. Sentem falta da comida macaense que é sempre o ponto focal que leva à reunião da família e amigos onde quer que eles se encontrem. Em geral, esse desejo por tudo o que é familiar a partir de Macau deixa de existir para as crianças nascidas no Canadá. - O que costuma envolver mais a comunidade? - Comida. Falamos de comida, trabalhamos com comida e desfrutamos da comida preparada pelos membros da nossa Casa que à vez se tornam chefescelebridades uma vez por mês. - Como mantêm a ligação a Macau? - Através da família e amigos. Alguns dos nossos membros têm uma segunda casa em Macau e dividem o seu tempo entre Macau e Toronto. As notícias também correm depressa através da palavra electrónica, como o email. - O que acham que pode ser melhorado nestes encontros das Comunidades Macaenses? - A oportunidade de comunicação com as 12 Casas, particularmente aquelas que precisam de reflexão antes de emitir uma resposta. Clareza do Conselho das Comunidades Macaenses no longotermo. Em três anos? Em seis anos? Em nove anos? Projectos que as 12 Casas possam fazer juntas para atingir os objectivos de longo-prazo do Conselho das Comunidades. Construir estes projectos de Encontro para Encontro. Envolver a juventude macaense. Sensibilidade em relação a constrangimentos escolares e laborais quando se planeiam os encontros. - Em que contribuem estes encontros para a comunidade? - Nostalgia. O Encontro é um fórum para as famílias e amigos macaenses dos quatro cantos do mundo se reunirem num local para matar saudades. As lembranças dos participantes sobre a sua infância e adolescência, os seus velhos amigos, o seu buraco favorito na parede de restaurantes como o Fat Siu Lau, os seus confrontos com a polícia para ver “Jailhouse Rock” no teatro Vitória, em 1958 (um filme censurado para adolescentes pelo Bispo Policarpo da Costa Vaz). Os adolescentes que se rebelaram foram rapados na cabeça pela polícia no dia seguinte. - Qual o orçamento anual que têm disponível e a origem das verbas? - Enquanto não temos um orçamento “formal”, a nossa Casa é limitada pelos seus regulamentos a não gastar mais de 35.000 dólares por ano. Cuza ta fazer? 17 LIZETTE VIANA AKOURI, PRESIDENTE CASA DE MACAU AUSTRÁLIA Começam a faltar “pessoas que falem três línguas diferentes numa só frase” É nas datas que marcam o Ano Novo Chinês, o Dia de São João e o Natal que normalmente a comunidade macaense na Austrália mais se reúne. A participação dos jovens também não tem sido fácil pelo que há mesmo uma subcomissão responsável por organizar eventos dirigidos especificamente àquele alvo C DIRECÇÃO: Presidente Lizette Viana Akouri Vice-presidente Leonor Andrade Deacon Tesoureira Antonieta Conceição Manolakis Secretária Mary Basto Rigby 18 Cuza ta fazer? omo e quando nasceu a vossa Casa? - A Casa nasceu a 6 de Maio 1990, os nossos fundadores foram os primeiros membros da Casa. Eram quase 150. - Que histórias ficarão para sempre ligadas à vossa associação? - Os encontros e as nossas festas de S. João e Natal. - Que tipo de actividades costumam realizar? - Temos normalmente três grandes festas por ano: Ano Novo Chinês, Dia de São João e festa de Natal. Também tentamos ter almoços com comida macaense e convívios mensais no nosso centro cultural. Quanto ao Natal e São João, nos últimos dois anos as nossas festas têm sido numa das salas do “Ryde Eastwood Leagues Club”. Este local foi escolhido pelo facto do cozinheiro estar disposto a aprender a fazer alguns pratos macaenses que são servidos durante as nossas festas e também por ter acesso a transportes públicos e facilidade de estacionamento. Nas festas de São João costumamos ter como entretenimento uma banda de música formada por vários membros da nossa Casa e também dum rancho folclórico português. Este ano, convidámos o Dr. Stuart Braga para falar sobre alguns aspectos da história de Macau. No Natal contamos com a visita do Pai Natal que distribui brinquedos às crianças e também organizamos actividades para os mais novos. Celebramos o Ano Novo Chinês com um jantar num dos restaurantes chineses, onde distribuímos o tradicional “lai-si” às crianças. A estas, tentamos proporcionar a experiência das duas culturas com que nós crescemos - a cultura chinesa e a cultura portuguesa. Também organizamos um almoço mensalmente, que costuma ser num domingo, onde servimos comida macaense/ portuguesa e também, alternadamente, servimos pratos tradicionais da Itália, Grécia, Egipto etc. - Quem costuma participar? - Membros e seus familiares. Convidámos também a Consul-Geral de Portugal em Sydney, que no princípio deste ano esteve presente no Jantar do Ano Novo Lunar. - No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores dificuldades que encontram? - A participação da juventude. Tem sido muito difícil despertar interesse junto dos mais jovens. Temos uma subcomissão encarregada de organizar actividades para os jovens, mas infelizmente a participação tem sido muito fraca. Vamos continuar a persistir. - Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De que forma? - Apenas pela culinária tradicional, por vezes, as nossas celebrações tradicionais. Como no Ano Novo Chinês, damos o “lai-si”. Em geral, a mistura das tradições chinesas e portuguesas. - Com quantas pessoas conta a comunidade macaense radicada na Austrália? - Temos mais de 650 membros no país. - Do que sentem mais falta? - Temos saudades da comida nas tendinhas das ruas, a nossa etnia, mas principalmente sentimos que estamos a perder a capacidade de comunicarmos com as pessoas que podem falar três línguas diferentes numa só frase, como em chinês, português e inglês. Também sentimos muitas saudades de familiares e amigos que deixámos em Macau. - O que costuma envolver mais a comunidade? - As várias festas e celebrações. Em colaboração com o Consulado de Portugal e com o Centro de Turismo de Macau em Sydney, tentamos promover junto dos nossos membros actividades organizadas ou patrocinadas por indivíduos ou organizações de Portugal e Macau. Com o apoio do Consulado de Portugal organizamos aulas de português para os nossos membros. - Como mantêm a ligação a Macau? - Nas nossas festas, com os nossos amigos macaenses e o Encontro. Também publicamos nos nossos jornais histórias sobre Macau e notícias de Macau que sejam de interesse aos nossos membros. - O que acham que pode ser melhorado nestes encontros das Comunidades Macaenses? - O convívio na escola infantil onde a comida é servida, principalmente a macaense, ou a comida mesmo das tendinhas de comida de rua, como o “Chu Cheung Fun”, canjas ou sopas de fitas. - Em que contribuem estes encontros para a comunidade? - A oportunidade de encontrar velhos amigos e familiares, visitar a nossa casa velha e bairros antigos, mostrar aos nossos filhos/netos a nossa terra e principalmente matar saudades de Macau. - Qual o orçamento anual que têm disponível e a origem das verbas? - Não temos um orçamento rigoroso, mas somos prudentes com os nossos fundos, que foram dados à Casa de Macau na Austrália pela Fundação Macau em 1999. Com esses fundos adquirimos o nosso Centro Cultural. Cuza ta fazer? 19 SÉRGIO RUI DE PINA, PRESIDENTE DA MACAU CULTURAL ASSOCIATION OF WESTERN CANADA “O nosso plano é manter a nossa cultura por um período de tempo o mais longo possível Há um problema com os membros desta Casa de Macau devido à idade elevada da maior parte. A associação quer, por isso, conseguir captar membros novos, de preferência que mantenham uma ligação a Macau. Sobre os encontros, Sérgio de Pina enfatiza que devem ter um forte acento na cultura e que não sejam apenas uma grande “festa social” ou uma série de “comes e bebes” C Presidente Sérgio Rui de Pina 20 Cuza ta fazer? omo e quando nasceu a vossa Casa? - A Macau Cultural Association (Casa de Macau) of Western Canada, é na realidade, a mais velha e a mais antiga no Canadá, tendo sido oficialmente e legalmente registada na província da Colúmbia Britânica, em 1989. A formação e o registo legal foi preparado pelos seguintes sócios fundadores e directores: Carlos Cordeiro, Domingos T.M. Leong, Maria Teresa U Leong, Linda Achiam e Laura Cordeiro. Este grupo de indivíduos e mais, talvez, uma dúzia de amigos, naturais de Macau, costumavam juntar-se informalmente desde os anos das décadas sessenta e setenta. Por motivos bastante surpreendentes e inesperados, um grupo de macaenses, naturais de Macau, foram dos primeiros que chegaram a Vancouver, assim como a Toronto, e talvez um ou dois filhos da terra tivessem chegado a Montreal. Em Vancouver, as famílias e indivíduos macaenses de maior realce que desembarcaram nos anos 60 e 70 foram as famílias Cordeiro, Achiam, Alves, Pinto Marques (Calgary, Alberta), Domingos Leong, Alfredo Rego Chan, Souza (Ritchie), Paulina Silva (Brown), J. Vasco Santos, Amante, Fernando do Rosário (em Edmonton, Alberta), além de inúmeras famílias chinesas de Macau. - Como é hoje constituída a Casa? - Hoje, a maioria dos nossos membros são naturais de Macau, com habilidade de falar e se expressar em língua portuguesa, mas na assembleia de membros existe também uma porção de indivíduos anglófonos e, agora, presenciamos um afluxo maior de membros de etnia chinesa, na maioria também naturais de Macau. - Quem costuma participar nas actividades? - A nossa Casa prefere manter os nossos membros com certa afiliação e ligação a Macau, proporcionando assim uma melhor oportunidade de podermos manter a nossa língua, identidade, cultura, gastronomia e, por último, o nosso patuá. Providenciamos ocasiões trimensais com certas actividades sociais e culturais que incluem comidas macaenses, reuniões/ conferências e, claro, dias marcados e dedicados ao nosso preferido passatempo chinês, “ma-cheok”. Assim sendo, essas funções e eventos sociais são bastante concorridos por uma maioria de membros e com uns poucos convidados especiais. - Quais os vossos objectivos? - Intencionalmente, o nosso plano é manter uma constante ligação e contacto com Macau, na esperança de que possamos continuar a manter a nossa cultura por um período de tempo o mais longo possível. Por natureza, os membros lusófonos mantêm uma ligação mais forte e intensa com a terra natal e, em parte, todos ainda têm familiares em Macau. Os membros “sinófonos” regressam com mais regularidade a Macau em visitas anuais aos seus familiares, uma vez que esses contactos são considerados importantíssimos para eles. - Como é a participação dos mais novos? - Uma das nossas mais importantes preocupações é o grande número de membros de idade elevada. Por essa razão, mantenho contacto com o Ministério do Estado para os Idosos que é presentemente liderado pela ministra Alice Wong. A maioria dos nossos membros são de idade elevada e, por natureza, sentimos uma perda de membros com regularidade. Portanto, temos que manter como prioridade conseguir angariar membros novos e com maior esforço tentar adicionar membros mais jovens de preferência com conhecimento de Macau. - O que costuma envolver mais a comunidade? - A gastronomia macaense faz parte e tem um papel especial para os nossos membros em geral e é considerada como um elo importante das nossas raízes e da nossa terra. Esta matéria é uma das favoritas dos nossos membros, sem excepção. - Qual é o número de residentes com descendência macaense na zona onde estão integrados? - Na zona Oeste do Canadá, o número de macaenses lusófonos é limitado, e a maioria deles são residentes na área de Vancouver e arredores. Devem existir algumas centenas. Contudo, temos macaenses “sinófonos” e estes fazem parte dum número total relativamente muito superior. Para poder ter uma ideia desses números, está calculado que das áreas de Macau e Hong Kong residam mais de 250.000 indivíduos portadores de passaportes do Canadá, o que é um caso paralelo ao de Macau na altura da transferência de Administração em 1999, quando havia mais de 150.000 indivíduos portadores de passaportes de Portugal registados no Consulado Geral de Portugal em Macau. Muitos dos nossos membros actualmente fazem “peregrinação” anual a Macau em visita aos familiares, para manter contacto com amigos e, também, para “sentir e estar em Macau”. Para aqueles que não têm oportunidade de fazer estas viagens, as Casas proporcionam novidades e notícias através de boletins e outros impressos informativos, assim como existem comunicações inter-Casas. - O que pode ser melhorado nestes encontros? - Recentemente ouvi opiniões e críticas sobre certas mudanças no programa do Encontro 2013 (em comparação com as mais ricas dos encontros passados). E, claro, essas mudanças foram feitas pela organização dos encontros, tal como a eliminação de certos subsídios, a redução em termos do números de eventos e funções sociais, etc. Estes encolhimentos foram o resultado do “emagrecimento” dos subsídios e orçamentos concedidos e aprovados pelo Governo de Macau. Em face dessa decisão, os organizadores do encontro tiveram de modificar os planos e a sua política geral. É minha opinião que os participantes deste Encontro e dos encontros no futuro (se ainda será possível haver mais), deveriam aderir à nova realidade existente desde 1999 em Macau, sob uma política nova e diferente do sistema anterior que conhecíamos. Creio que será inevitável que tenhamos que admitir e aceitar uma proposta feita por um indivíduo e personagem famosa e importante nos anais históricos mundiais: “Não perguntes o que a Nação pode fazer por ti... Pergunta o que tu podes fazer pela Nação” (John F. Kennedy, Presidente dos E.U.A.). Em conclusão, julgo que os macaenses devem basear as decisões de participação nos futuros encontros no seguinte: participação voluntária, contribuição para os programas sociais, culturais, financeiros, etc., em vez de se esperar pelos subsídios, há que manter em mente que, hoje, o Governo da RAEM faz parte do Governo da China. Como nos anos anteriores, a grande maioria dos participantes dos encontros vivem e residem no exterior e com recursos financeiros para viajar. Os encontros não devem ser apenas um ponto de reunião para uma grande “festa social” ou uma série de “comes e bebes”. Devem ser organizados com uma programação acentuada na cultura, língua, família, social, gastronomia macaense e tudo o mais que promova a nossa cultura e o bem-estar dos membros da nossa grande família macaense na diáspora mundial. Cuza ta fazer? 21 HENRIQUE MANHÃO, PRESIDENTE DA CASA DE MACAU USA “A geração mais nova começa a ter interesse por Macau” Sofre do mesmo mal de outras Casas de Macau, a participação dos jovens é fraca. Ainda assim, Henrique Manhão nota que a cultura dos antepassados começa a interessar a geração mais nova C DIRECÇÃO: Presidente Henrique J. Manhão Vice-presidente Albertino Rosa Secretária Rita Lopes Tesoureira Alice Luz Directores António Capitulé, Ida Capitulé, Irene Manhão, Elsa Denton, Luiza Rosa, Marta Mo, Gil Manhão, Carlos Villarama, Cristina Villarama e Rosita Lopes e Américo Coelho 22 Cuza ta fazer? omo e quando nasceu a vossa Casa? - A Casa de Macau (USA) Inc. nasceu a 7 de Fevereiro de 1995, sendo seus fundadores António Sousa, William Ribeiro e Maria Fátima Sousa. - Que histórias ficarão para sempre associadas às vossa Casa? - A criação do Centro Cultural de Macau, em Fremont, Califórnia, em parceria com a União Macaense Americana (UMA) e o Lusitano Club de Califórnia. Um imponente edifício de três pisos, situado na zona histórica daquela cidade. - Que histórias ficarão para sempre associadas às vossas associação? - A palestra na Universidade de Berkeley – “Macau um espaço de encontro de duas culturas”. Colaboraram nesse evento José Luís Sales Marques, Miguel de Senna Fernandes e Carlos Marreiros, Sá Cunha e André Silveira; as acções de difusão da Língua Portuguesa, aulas de português para a comunidade macaense no Centro Cultural de Macau; a festa de Nossa Senhora de Fátima, padroeira dos macaenses, realizada, anualmente, em Outubro, patrocinada pela Fundação Oriente; a festa do “Bolo Bater o Pau”, dedicada aos membros chineses, patrocinada pela Fundação Oriente; a Tuna “Os Chuchumecas” e um pequeno grupo de Patuá com o mesmo nome; as comemorações do Dia de Portugal com um espaço para distribuição de materiais sobre a RAEM e o Fórum Macau; o Dia da Juventude Macaense, patrocinado pelo Conselho das Comunidades Macaenses; a participação na parada do Ano Novo Chinês em São Francisco, Califórnia. Tomam parte neste evento mais de 20 diferentes grupos étnicos, carros alegóricos elegantemente ornamentados, crianças vestidas de trajes exóticos, bandas, grupos de arte marcial. A grande atracção é a dança do Dragão Dourado com mais de 268 pés de comprimento, executada por mais de cem homens e mulheres. Participamos através de um protocolo entre o “Portuguese Study Program” da Universidade de Berkeley e a Associação Promotora de Instrução dos Macaenses (APIM). - Que tipo de actividades costumam realizar? - Sociais, culturais, religiosas e para a juventude. - Quem costuma participar? - Os nossos membros e os das outras duas associações macaenses, designadamente a UMA e o Lusitano. - No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores dificuldades que encontram? - A parte financeira para cobrir as despesas e a participação de jovens. - Como é a participação dos mais novos? É fácil ou é difícil fazer com que as gerações mais recentes participem nas actividades? - A participação dos jovens é fraca. Há várias razões. Os cônjuges na sua maioria são de etnia cultural diferente. Têm outras prioridades. Estão muito envolvidos nas actividades extraescolares dos seus filhos. Graças ao Encontro dos Jovens, organizado pelo Conselho das Comunidades Macaenses, porém, a geração mais nova começou a ter interesse por Macau e pela cultura dos seus antepassados. - Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De que forma? - Palestras na Universidade de Berkeley em cooperação com o “Portuguese Study Program”, participação no Dia de Portugal e na parada anual do Ano Chinês em São Francisco. - Com quantas pessoas conta a comunidade macaense no local onde estão radicados? - Aproximadamente três mil, na minha opinião. - Do que sentem mais falta? - Estou a falar de mim e dos meus membros familiares: Macau, Portugal, seus parentes, festas macaenses e a sua gastronomia. - O que costuma envolver mais a comunidade? - Dentro das possibilidades, procuro sempre envolver as outras duas associações congéneres. Por exemplo: na festa de São João, Festa de Nossa Senhora Fátima e na difusão da língua portuguesa. - Como mantêm a ligação a Macau? - Através do Conselho das Comunidades Macaenses, da Associação para a Instrução dos Macaenses e do Instituto Internacional de Macau. - O que acham que pode ser melhorado nestes Encontros das Comunidades Macaenses? - Fiz várias sugestões ao secretariado do Encontro e à Confraria da Gastronomia Macaense. Não vou enumerálas. Obtive excelente colaboração. Gostava que a comissão organizadora do Encontro fizesse um reconhecimento a Lourenço Conceição, ex-presidente da Casa de Macau, Toronto, que iniciou a ideia do Encontro das Comunidades Macaenses, e a António Salavessa da Costa, exsecretário-adjunto que apoiou a iniciativa. - Em que contribuem estes encontros para a comunidade? - Uma visita a Macau de três em três anos para matar saudades. Confraternizar com todos os nossos irmãos macaenses da diáspora e de Macau. Conhecer Macau contemporâneo. - Qual o orçamento anual que têm disponível e a origem das verbas? - Temos um orçamento muito pequeno. Vivemos de quotas e de subsídios do Conselho das Comunidades Macaenses e da Fundação Oriente. Cuza ta fazer? 23 ROLANDO MARIA DA LUZ, SECRETÁRIO-GERAL DA ASSOCIAÇÃO DA CASA DE MACAU EM SÃO PAULO A casa que “abriga o maior número de macaenses fora de Macau” Por razões de trabalho, essencialmente, muitos macaenses rumaram a São Paulo. Longe da terra natal, sentiram necessidade de se congregar. Começou por haver reuniões em restaurantes e residências de macaenses até que, por fim, surgiu a associação C omo e quando nasceu a vossa Casa e quem foram os fundadores? - A Casa de Macau localizada em São Paulo é a que abriga o maior número de macaenses fora dos limites da fronteira de Macau, constitui um facto histórico. É histórico em si enquanto entidade de agremiação cultural e social no âmbito do contexto dos macaenses, porque independente da posição política que cada um dos seus associados assume. A ideia era de uma congregação cultural e social da Casa de Macau em São Paulo e fora concebida já nos anos 70 pelos irmãos Gilberto Quevedo da Silva, presidente da Casa de Macau, da primeira gestão e da actual gestão, e João Bosco da Silva, in memoriam, e as reuniões eram promovidas em restaurantes e residências de um e de outro macaense pelo simples motivo saudoso de rever os amigos, ou após a mais destacada prática desportiva Rolando Luz, Rui Branco, Gilberto Silva (presidente), Frederico António, Francisco Inácio DIRECÇÃO: Director Presidente Gilberto Quevedo da Silva Director Vice-presidente Roque Rui da Rosa Branco Secretário-geral Rolando Maria da Luz Director Social Francisco António Inácio 24 Cuza ta fazer? Director Financeiro Frederico António Directora da Provedoria Hercília Oliveira Inácio (Cilla) Directora Cultural Maria Nanette V.P. César Director Patrimonial Manuel A.F. Ramos dos macaenses: hóquei em campo. - Mas o que tinha São Paulo de tão atractivo para tantos macaenses aí afluírem? - Na época, o período marcante dos fins dos anos 60 e ao longo dos anos 70, a imigração de macaenses para outros países, em especial para o estado de São Paulo era intenso, quer porque faltavam aos jovens macaenses condições laborais em Macau (com excepção de empregos oferecidos na prisão de Stanley e no Hong Kong and Shanghai Bank e China Light Co., entre outros companhias na cidade vizinha), quer em Portugal e suas colónias africanas, Moçambique e Angola (fora a Guiné e Timor). - E foi no meio desta onda que nasceu a vossa Casa? - Alimentada pela onda imigratória de macaenses, nasceu a ideia de um local onde se pudessem congregar os macaenses. O objectivo era que se pudesse perpetuar, ou ao menos registar, a cultura macaense no campo da arte teatral, pelo cultivo do dialecto patuá, da arte gastronómica, da arte musical, da arte literária e, enfim, da arte da vivência, a evidenciar a fibra dos macaenses. Assim, fundou-se, mediante ajuda da Fundação Oriente, por meio do seu presidente, Dr. Carlos Monjardino, e depois, do exgovernador General Vasco Rocha Vieira, a Associação da Casa de Macau em São Paulo, como pioneira de todas as Casas de Macau pelo mundo afora, ressalvada a Casa em Lisboa. - E como é hoje? - A Casa de Macau, na sua versão de hoje ainda consegue preservar a língua materna portuguesa e agasalha algumas dezenas de associados, sob uma dedicada e efusiva directoria executiva, cujos integrantes directivos não medem esforços nem dedicação em nome honroso dos macaenses. - Quem está hoje à frente da Casa? - A Casa de Macau é presidida pelo incansável idealizador, director presidente Gilberto Quevedo da Silva, batalhador e dedicado Frederico António como director financeiro, por mim, completando a directoria executiva Rui Branco e Francisco Inácio. Os nomes dos fundadores constam de um livro de ouro, bem como os dos patrocinadores e doadores. Havia uma Comissão Organizadora da Casa de Macau, cujos membros constam do site da Casa de Macau em São Paulo (endereço: www. casademacausaopaulo.com.br). - Que serviços prestam na Casa? - A Casa de Macau foi instalada num imóvel de propriedade da Fundação Oriente à beira de uma represa, ao qual muitas dependências e benfeitorias foram feitas e acrescidas, como o ginásio, a casa dos idosos, quiosque de churrasco (forno a lenha que serve para assar pizza e churrasqueira), uma pequena capela de Nossa Senhora de Fátima, algumas cozinhas, duas piscinas, de adulto e de criança, e os móveis, livros e documentos, todos do património da Casa de Macau, excepto o imóvel em si como dito, pertencente à Fundação. A estrutura interna de móveis resulta de contribuições e doações dos próprios associados, amigos de Macau e de São Paulo, e temse mantida modestamente até hoje. - Que tipo de actividades costumam ser desenvolvidas? - Na Casa de Macau desenvolve-se semanalmente um almoço aos domingos e outras actividades como o patuá, o canto coral, a gastronomia macaense e outras, as aulas de chinês (básico, oficial e mandarim, com distinção entre escrita e conversação) ministradas por mim. É também o objectivo da Casa de Macau incluir os jovens descendentes dos macaenses no rumo da associação. - O que acham que pode ser melhorado nestes Encontros das Comunidades Macaenses? - Nas reuniões dos associados, tem-se abordado questões sobre o Encontro das Comunidades Macaenses, ligação com Macau e outros. Para tanto, uma das questões principais é a preservação dos laços com Macau por intermédio dos parentes e amigos que moram no território. Comemoração Bolo Lunar em 2013 Dia de Macau 2013 Cuza ta fazer? 25 JOE CHEN, VICE-PRESIDENTE DO MACAU CLUB DE TORONTO Encontro é “uma reunião fantástica” O “Encontro das Comunidades Macaenses” é uma reunião fantástica que nos permite voltar às nossas raízes, manter relações e desenvolver novos contactos, salientou Jope Chen, vicepresidente do Macau Club de Toronto que realça o papel fulcral do Encontro na manutenção da ligação entre as diferentes comunidades macaenses no estrangeiro, e mantendo a cultura única de Macau viva DIRECÇÃO: Presidentes Honorários Meng (Michael) Cheong Pou-Man (Paul) Lei Presidente Sio-Hong (Anita) Un Vice-presidentes Joseph A. (Joe) Chen Yuk Ching (Patti) Lam Secretário Yiu-Wing (Christopher) Chan Tesoureiro Vai-Yeung (Kitty) Chan Directores Kwok-Hung (Albert) Cheng Wai-Shing (Raymond) Lo Wai-U (Lily) Lei Sik-Cho (Joe) Wong Representantes no “Conselho das Comunidades Macaenses”: Conselho Geral Sio-Hong (Anita) Un Joseph A. (Joe) Chen Conselho Permanente Yiu-Wing (Christopher) Chan Joseph A. (Joe) Chen Representante na“Confraria da Gastronomia Macaense” Confrade Correspondente: Wai-U (Lily) Lei 26 Cuza ta fazer? C omo e quando nasceu a vossa Casa e quem foram os fundadores? - No início dos anos 90, houve um aumento de imigrantes oriundos de Macau na área de Toronto pelo que havia necessidade de os novos imigrantes partilharem as suas experiências, desenvolverem a sua rede de contactos, procurarem apoio uns nos outros e relembrar o passado. Era altamente desejável existir uma associação que respondesse a estas necessidades, que fornecesse actividades localizadas e desenvolvesse as relações com outras comunidades do Canadá. Assim, em Setembro de 1991, foi estabelecido uma comissão para criar uma associação de Macau, com sede em Toronto. A comissão era constituída por 18 pessoas e foram nomeadas outras cinco para um grupo de trabalho que iria coordenar os esforços. Nos dois anos seguintes, a comissão trabalhou arduamente na recolha de fundos e na organização de diversos banquetes para angariação de membros, com bastante sucesso. Em Março de 1993, o Clube de Macau (Toronto) Inc. recebeu autorização do Governo para operar como uma organização sem fins lucrativos, tendo o Sr. Michael Meng Cheong como presidente fundador. - Que histórias ficarão para sempre ligadas à vossa associação? - Nós orgulhamo-nos de ser o ponto central para actividades sociais e culturais para pessoas de Macau a viver em Toronto. Promovemos a amizade e trocas culturais com outras comunidades em Toronto. Trabalhamos arduamente para elevar o perfil da comunidade macaense em Toronto. - Que tipo de actividades costumam realizar com regularidade? - As nossas actividades regulares são: aulas de caligrafia chinesa; aulas de pintura chinesa; aulas de meditação; aulas de tai chi; aulas de música chinesa com “erhu” e aulas de violino. Todos os meses temos um jantar de convívio e comemoramos os aniversários dos membros. Nesses encontros mensais temos gastronomia diferente, por exemplo: comida cantonense, festival de caril, minchi macaense, bacalhau macaense, etc. No jantar mensal, também convidamos oradores para falar com os nossos membros sobre tópicos com interesse para a comunidade, como por exemplo: estilo de vida, saúde, dieta, policiamento, etc. As nossas actividades anuais também inserem a celebração do Ano Novo chinês; torneio de Mahjong, jantar anual, celebração do Festival da Lua e passeios de autocarro para visitar atracões turísticas nas proximidades Os nossos eventos especiais incluem: exposições de arte para promover o intercâmbio cultural; celebração do 10º Aniversário da RAEM; Exposição fotográfica para promover Macau; Encontro das Comunidades Macaenses; Recentemente celebramos o 20º Aniversário do Clube com um jantar de gala. - Quem costuma participar? - Membros e amigos do Clube de Macau - No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores dificuldades que encontram? - O financiamento é o nosso maior problema. Quando planeamos os eventos, cada um deles tem de ser equilibrado, não nos podemos dar ao luxo de apresentar perdas. - Como é a participação dos jovens (na vossa Casa)? É difícil incentivá-los a participar nas vossas actividades? - A participação dos jovens é bastante baixa. Os nossos membros mais jovens estão normalmente ocupados com a escola ou com as famílias. - Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De que forma? - Alguns dos nossos membros também fazem parte de outras Casas e participam nos eventos que esses clubes organizam. - Com quantas pessoas conta a comunidade macaense em Toronto? - Não temos conhecimento de nenhuma estimativa oficial. - Do que sentem mais falta? - Sentimos falta dos diversos festivais que há em Macau e da atmosfera associada a eles. - O que costuma envolver mais a comunidade? - A nossa comunidade adora comer. Ultrapassamos sempre o número de inscrições nos jantares mensais quando servimos comida macaense. - Como mantêm a ligação a Macau? - O “Encontro das Comunidades Macaenses” é uma reunião fantástica que nos permite voltar às nossas raízes, manter relações e desenvolver novos contactos. - O que acham que pode ser melhorado nestes encontros das Comunidades Macaenses? - Os nossos membros estão a ficar velhos e o Encontro das Comunidades Macaenses precisa de incentivar a geração mais velha a conduzir os jovens a participar, facilitando a transferência de cultura para os mais novos. - Em que contribuem estes encontros para a comunidade? - O “Encontro” tem um papel fulcral na manutenção da ligação entre as diferentes comunidades macaenses no estrangeiro, e mantendo a cultura única de Macau viva. - Qual o orçamento anual que têm disponível e a origem das verbas? - Pedimos desculpa, mas é inconveniente revelar essa informação. Cuza ta fazer? 27 MARIA FÁTIMA DA ROZA GOMES, PRESIDENTE DA UNIÃO MACAENSE AMERICANA “O Encontro contribui para renovar e aumentar o interesse na cultura macaense” Foi a primeira Casa a ser destacada com o Prémio Identidade do Instituto Internacional de Macau, marcante na história da associação. Na Califórnia deverão existir cerca de 2.000 macaenses, nas contas da presidente. Envolver os jovens é que é mais difícil C Presidente Maria Fátima da Roza Gomes 28 Cuza ta fazer? omo e quando nasceu a vossa associação? - A nossa Casa foi fundada em São Francisco, na Califórnia, em 1958. A missão da Casa foi definida em 1959 e tem sido quase sempre a nossa missão que é preservar, engrandecer e promover a cultura, o património, a tradição e a história dos antepassados portugueses/macaenses; promover uma relação fraterna com grupos semelhantes a nível global e promover a interacção social entre os membros. - Que histórias ficarão para sempre associadas à vossa Casa? - Fomos a primeira Casa a ser galardoada com o prestigiante Prémio Identidade do Instituto Internacional de Macau. Os nossos eventos divertidos; membros maravilhosos que têm dado muito apoio, são activos e prestáveis em todos os eventos e os boletins trimestrais. - Que tipo de actividades costumam realizar? - Costumamos ter um piquenique de família, um torneio de bowling na relva e jantar, um torneio de golfe e jantar, um dia de jogos e socialização, uma missa e almoço pelo São João e pela celebração de Nossa Senhora de Fátima, noite de dança e jantar e almoço de dim sum. - Quem participa normalmente? - Os membros e a sua família. - No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores dificuldades que encontram? - Fundos – alguns subsídios da Casa para tornar os eventos suportáveis e o agendamento de maneira a que os eventos não coincidam com os das outras duas casas na Califórnia, assim como outras organizações nas quais os nossos membros participam activamente. - Como é a participação dos mais novos? É fácil ou é difícil fazer com que as gerações mais recentes participem nas actividades? - Os nossos membros mais novos, assim como os filhos da maior parte dos membros são muito activos no desporto e projectos académicos, tal como é típico da juventude dos Estados Unidos, por isso é difícil levá-los a participar. Os nossos membros estão também muito espalhados por toda a Califórnia, outros estados e alguns estão mesmo fora dos Estados Unidos. A maioria dos nossos jovens está também espalhada por universidades americanas e empenhada nas suas carreiras. - Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De que forma? - Os nossos membros estão muito integrados nos Estados Unidos e conhecem bem as tradições de outras comunidades e participam em muitas actividades nas suas comunidades. - Com quantas pessoas conta a comunidade macaense no sítio onde estão radicados? - Provavelmente cerca de 2.000 no norte da Califórnia. - Do que sentem mais falta? - Os nossos jovens estão muito integrados nas comunidades dos Estados Unidos. Muitos deles desfrutam e estão familiarizados com as suas raízes macaenses e especialmente a cozinha de Macau. - Como mantêm a ligação a Macau? - Os encontros ajudam e a Casa é a fonte principal da ligação a Macau. - O que poderá ser melhorado nestes encontros das comunidades macaenses? - Maximização de fundos para beneficiar mais participantes. Fundos individuais para pessoas que tenham entre 40 e 60 anos uma vez que são financeiramente capazes de fazer algumas viagens e com mais fundos podem escolher ir até Macau. Seria muito bom poder ter mais comida macaense e aulas de cozinha macaense e portuguesa. - Em que contribuem estes encontros para a comunidade? - O Encontro contribui para renovar e aumentar o interesse na cultura macaense e no património que todos partilhamos. - Qual é o vosso orçamento anual? - Os nossos fundos são os pagamentos das anuidades e o que a Casa conseguiu juntar ao longo de muitos anos no passado. Temos uma direcção de nove membros que se encontra pelo menos duas vezes por ano para trabalhar e aprovar todas as actividades, orçamento e todos os assuntos da Casa. Cuza ta fazer? 29 LUIZ SOUZA, PRESIDENTE DO CLUB LUSITANO DE HONG KONG “O Club não experiencia a ‘saudade’” como outras Casas Quem está ao comando desta associação faz questão de diferenciar o Club Lusitano de outras Casas de Macau, fazendo uma comparação com o Clube Militar. Já a proximidade a Macau, faz com que as saudades não se sintam tanto DIRECÇÃO: Presidente Luiz A. Souza Secretário Richard A. Sousa Tesoureiro Patrick A. Rozario Outros Membros Anthony F. Correa; Philip D. Morais; Leonardo J. D’Almada Remedios; Jose M. D’Almada Remedios; Dr. Albert E. Rodrigues; Anthony M. Souza 30 Cuza ta fazer? C omo e quando foi o Club Lusitano fundado? - O Club Lusitano de Hong Kong não é uma “Casa de Macau” no sentido estrito, no sentido em que nos referimos hoje às Casas de Macau. Foi fundado a 17 de Dezembro de 1866 por membros da comunidade portuguesa em Hong Kong. Localizado na Rua Shelley, o edifício do Club tinha um salão largo, um teatro e algumas salas de convívio. De forma a mudar-se para um local mais central, o Club passou a ocupar desde 1920 as actuais instalações na Rua Ice House. Em conclusão, a primeira pedra do novo edifício foi lançada por Sir Reginald Stubbs, Governador de Hong Kong, e por Henrique Monteiro Correia, Governador de Macau. O Club ocupa actualmente cinco andares do edifício, que foi remodelado em 2001. - Que tipo de actividades costumam realizar? - O Club promove jantares e banquetes e oferece as instalações aos seus 480 membros e convidados. Recentemente, o Club já promoveu as seguinte actividades dignas de nota: almoço com Vítor Sereno, o novo Cônsul-geral de Portugal na RAEM; cocktail de despedida com o Cônsul-geral Manuel de Carvalho; jogo amigável de snooker com o Hong Kong Club; Taça do Club Lusitano de Hong Kong (a primeira taça foi realizada no hipódromo de Happy Valley em 1863); as celebrações do Dia Nacional de Portugal, com Vítor Sereno como convidado especial; cocktail de recepção ao lançamento do livro de Carmen Mendes, autora de “Portugal, China and the Macau Negotiations 19861999”; almoço de trabalho com Nuno Brito, Secretário de Estado da Agricultura; almoço de trabalho com uma delegação da Associação Industrial Portuguesa e almoço informal com D. Duarte Pio, Duque de Bragança. - Que histórias vão ficar para sempre associadas ao vosso Club? - Há muitas histórias associadas ao Club Lusitano, mas há uma especial. A 7 de Abril de 1924, o Comandante Brito Pais, juntamente com o Capitão Sarmento de Beires, tentou um voo de volta ao mundo no seu biplano Breguet XVI (chamado “Pátria”). A 7 de Maio desse ano, um motor falhou e levou o avião a despenhar-se em Boudhana, na Índia. Mas retomaram o voo usando um outro avião, o DeHaviland Liberty 9A, chamado “Pátria II”. A 20 de Junho, antes de tentarem aterrar em Macau, foram apanhados por ventos muito fortes e tiveram de aterrar nos Novos Territórios, próximo de Hong Kong. Parte da hélice do avião adorna agora uma parede na sala de jantar do Club, a Sala Leal Senado. - De que forma dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? - No passado, o Club apoiou um conjunto variado de artes e de actividades culturais ligadas à educação, língua, ensino, música, literatura, comida e bebida como forma de promover a cultura portuguesa/macaense principalmente em Hong Kong e Macau. Estando localizado em Hong Kong e devido à proximidade com Macau, o Club Lusitano e os seus membros não experienciam a “saudade” da mesma forma que os membros das outras Casas espalhadas pelo mundo. De facto, muitos dos fundadores de outras Casas e seus descendentes foram previamente membros do Club Lusitano e do seu clube irmão, o Club Recreio, antes de embarcarem nas suas viagens para outras partes do mundo. - Como é a participação dos mais jovens? - Devido à influência de outras culturas e a necessidades económicas, é claro que é um desafio constante para o Club e outras Casas atrair os jovens para participar nas actividades. Hall do 24º andar 27º andar Cuza ta fazer? 31 32 Cuza ta fazer?