JORNAL OFICIAL
DO ENCONTRO
DAS COMUNIDADES
MACAENSES 2013
Cuza
ta
fazer!?!
ENCONTRO2013 REUNE MACAENSES DE TODO O MUNDO
BOAS VINDAS
2
Cuza ta fazer?
José Manuel de Oliveira Rodrigues
Presidente do Conselho das Comunidades
Saudação
Em nome da Comissão Organizadora do Encontro das Comunidades Macaenses
2013, saúdo a presença de todos os participantes, desejando uma boa estadia na
Região Administrativa Especial de Macau.
Durante mais de uma semana, os nossos irmãos da Diáspora terão oportunidade
de conhecer a nova realidade de Macau que mantém os traços distintivos da Macau que conheceram e tanto amam.
Uma palavra é também devida aos esforços dispensados pelos Membros da
Comissão Organizadora, bem como pelo pessoal que, ao longo dos anos, de uma
forma ou outra contribuiu para que este evento se tenha tornado um dos grandes
acontecimentos periódicos inserido no calendário da vida da Região Administrativa Especial de Macau.
Propriedade
Tribuna de Macau,
Empresa Jor­na­lística e Editorial,
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Apoio
Comissão Organizadora do Encontro
das Comunidades Macaenses 2013
José Rocha Dinis
Administrador e Director do Jornal Tribuna de Macau
Cuza ta fazer!?!
Por ocasião do Encontro das Comunidades Macaenses 2013, damos as
boas vindas aos macaenses que se encontram dispersos pelo Mundo e
que encontrarão o abraço fraterno dos que aqui vivem e trabalham.
Dedicámos-lhe esta revista, dando voz à Diáspora para que seja feito
um retrato na primeira pessoa das actividades que as suas Associações
vão mantendo durante o ano, na preservação da cultura própria de
Macau. É este sentimento que os une, e faz com que, da Austrália ao
Canadá passando pelos Estados Unidos, Brasil, Portugal e mesmo Hong
Kong, sejam verdadeiros embaixadores das especificidades de Macau,
um território cuja essência continua a resistir a todos os ventos da
História.
Assim, nas páginas seguintes, os leitores ficarão a saber o que fazem
estas Associações, os momentos altos e baixos do seu dia a dia e as dificuldades que têm de ultrapassar.
E fica muito claro o amor que têm a Macau. À Macau de hoje, de ontem, de sempre...
* Entrevistas feitas por e-mail
Cuza ta fazer?
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IANA PAES D’ASSUMPÇÃO VITAL, DIRECTORA SOCIOCULTURAL E DESPORTIVA DA CASA DE MACAU NO RIO DE JANEIRO
Saudades “da antiga Macau,
mais familiar, menos
moderna e impessoal”
Os almoços realizados nas casas dos sócios e as rosquinhas que
eram preparadas por uma das sócias fundadoras em todas as
festas em que participou fazem parte da memória colectiva da
Casa de Macau do Rio de Janeiro. Os encontros servem para
manter o contacto com Macau, apesar de ser a “antiga” cidade que
deixa mais saudades
C
DIRECÇÃO:
Presidente
Augusto Pina
Vice-presidente
Silvana Assumpção
Director financeiro
Denny Carion
Directora sociocultural e desportiva
Iana Assumpção
Conselheiros fiscais
Eduardo Carion, Bruno Maher e José Pina
4
Cuza ta fazer?
omo e quando nasceu a vossa Casa?
- Com a emigração dos macaenses que optaram pelo Brasil, foram
chegando a partir de 1960 e até 1980 pequenos grupos isolados de naturais
de Macau e de Xangai. A grande maioria optou por São Paulo que, à época,
oferecia empregos com maior facilidade. Entretanto, um reduzido grupo
escolheu o Rio de Janeiro para fixar as suas raízes. Sempre que chegava
algum conterrâneo de Macau havia um motivo de reunião na residência de
alguém para que se pudesse ter notícias da nossa terra natal e, aproveitando
o ensejo, eram servidos pratos típicos macaenses ou chineses para matarmos
a saudade. Quando em 1989 a Casa de Macau em São Paulo foi constituída,
Alexandre (Nino) Rodrigues tomou a iniciativa e cedeu espaço na sua casa,
à Rua Francisco Muratóri, para reuniões e almoços. Com a colaboração de
macaenses denominados sócios fundadores elaborou-se o Estatuto e em
Julho de 1991 foi fundada a Casa de Macau no Rio de Janeiro, elegendo-se
Alexandre Rodrigues como primeiro presidente. A residência deste passou
a funcionar como sede provisória, época em que se reunia mensalmente
para encontros e almoços. Com a adesão de novos sócios e o falecimento
prematuro do Alexandre Rodrigues, tornou-se vital que conseguíssemos uma
sede, uma vez que as reuniões ficaram esparsas pois, ora era na residência
de um, ora de outro. Até que, em 1995, a Fundação Oriente passou a financiar
os nossos encontros mensais. Resumindo, em 1996, por intermédio dos
senhores José Pina (presidente da Casa de Macau no Rio de Janeiro na época)
e Alberto D’Assumpção (director cultural na época) e ajuda financeira do
General Rocha Vieira, à época Governador de Macau, e do Dr. Jorge Rangel,
comprámos o imóvel sito à Rua Gonzaga Bastos N°325, Vila Isabel, Rio de
Janeiro, endereço desde então da nossa sede.
-Quem foram os sócios fundadores?
-Os sócios fundadores foram Américo Machado Mendonça, Angela Ariana
Madeira R. Branco, António Bruno Machado Mendonça, Augusto Eduardo
Carion, Augusto Ferreira da Costa Pina, Carlos Jorge Airosa Branco, Derek
Igor de Almeida, Fernando de Oliveira Pina, Francisco Xavier Rodrigues, Ilda
Marques, João Alberto Canavarro Nolasco da Silva, José Augusto da Costa
Pina, Maria Alzira da Conceira, Mario António Colaço Carion, Pedro Paulo de
Almeida e Reneé Maria Bárbara de Senna Fernandes Nolasco da Silva.
-Que histórias ficarão para sempre associadas à vossa Casa?
-Os almoços realizados nas casas dos sócios, incluindo a de Alexandre
Rodrigues, antes da compra da sede própria, fazem parte da memória de
grande parte dos sócios, especialmente os fundadores. As rosquinhas que
eram preparadas pela saudosa sócia fundadora Reneé Maria Bárbara de Senna
Fernandes Nolasco da Silva em todas as festas em que ela participou na Casa
de Macau do Rio de Janeiro também
fazem parte da história da nossa Casa.
-Que tipo de actividades costumam
realizar?
-A Casa de Macau do Rio de Janeiro
reúne os seus sócios mensalmente
num evento/almoço que se realiza
comumente no último domingo de
cada mês. O almoço possui sempre
pratos típicos da gastronomia
macaense, como forma de manter a
cultura gastronómica viva na nossa
comunidade. Também é típico
dos nossos encontros partidas
e campeonatos de mahjong e,
desde o início deste ano, realizase um quiz cultural com assuntos
referentes à cultura, curiosidades ou
informações sobre Macau, sobre a
nossa associação ou sobre o festival
que comemoramos em determinado
evento.
-Quem costuma participar?
-Os eventos da Casa de Macau do Rio
de Janeiro não são exclusivamente
direccionados aos sócios da nossa
associação, mas também não são
abertos ao público. Costumam
participar dos eventos os sócios,
amigos dos sócios e outros
convidados que podem ou não ser
descendentes de macaenses ou
sócios da nossa associação.
-No desenvolvimento das
actividades, quais são as maiores
dificuldades que encontram?
-Temos dificuldades em reunir
assiduamente nos nossos eventos
dois tipos de sócios: os mais jovens e
os mais idosos. Os mais jovens pela
dificuldade na formulação de uma
actividade mais atractiva para eles e
os mais idosos pela dificuldade de
deslocação que, em dias chuvosos
ou muito quentes, acabam por não
comparecer.
-Como é a participação dos mais
novos? É fácil ou é difícil fazer com
que as gerações mais recentes
participem nas actividades?
-Actualmente, a Directoria da Casa de
Macau do Rio de Janeiro é composta
por uma percentagem maior de
jovens, sendo eles Juliana Carreira
Nolasco Carion como secretária-geral,
Denny Brandão Carion como director
financeiro e eu como directora
sociocultural e desportiva. Há também
o jovem Eduardo Carion como
membro do conselho fiscal. Embora
os jovens da Directoria estejam a
organizar os eventos da Casa de
Macau desde o início do ano, ainda
é difícil atrair todos os jovens sócios
Almoço de Páscoa
Abertura do Almoço pela Directoria, com Augusto Pina, Juliana Nolasco da Silva, Iana Assumpção e Silvana Linares
Cuza ta fazer?
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a participarem das actividades propostas. A Casa de
Macau do Rio de Janeiro recebeu do Governo de Macau
uma verba exclusiva para ser utilizada em actividades
votadas ao público jovem, que ficou guardada até
ser decidido em que actividade seria utilizada. Em
2012 foi decidido que a verba seria utilizada para o
desenvolvimento do projecto “Jovens Culinários da
Casa de Macau do Rio de Janeiro”, em que se realizaram
semanalmente aulas de culinária macaense destinada
aos jovens da associação. A verba também foi utilizada
para dar aulas de mandarim aos sócios jovens. No
entanto, actualmente, não há mais verba.
-Dão a conhecer as tradições macaenses a outras
comunidades? De que forma?
-Para além de nosso site oficial (www.casademacaurj.
com), também utilizamos muito a nossa página oficial
na rede social do Facebook (www.facebook.com/
CasadeMacauRJ), onde são divulgados os eventos
realizados na nossa Casa, informações gerais sobre
Macau e eventos relacionados com Macau que estejam
a acontecer no Rio de Janeiro.
-Com quantas pessoas conta a comunidade
macaense no sítio onde estão radicados?
-A Casa de Macau do Rio de Janeiro conta com,
aproximadamente, 100 sócios, incluindo sócios
beneméritos, honorários, fundadores, efectivos,
colaboradores e dependentes. Entretanto, vale ressaltar
que nem todos os descendentes de macaenses
residentes no Rio de Janeiro são associados.
-Do que sentem mais falta?
-Da antiga Macau, mais familiar, menos moderna e
impessoal. Do convívio de parentes, do dia-a-dia
nas ruas de Macau, das conversas. Sentimos falta
também da época em que os sócios participavam mais
activamente nas actividades propostas pela Casa.
-Como mantêm a ligação a Macau?
-Mantemos a nossa ligação a Macau através dos
encontros das Comunidades Macaenses, e de contactos
com os familiares, através de materiais dos média,
impresso ou digital, que recebemos via internet ou
correio das outras Casas de Macau e de associações
macaenses. Uma sócia jovem da Directoria da Casa de
Macau do Rio de Janeiro faz parte como colaboradora
do boletim informativo da Associação dos Macaenses
(A Voz), que teve a sua primeira edição publicada no
final de Setembro. Esperamos que essa parceria possa
aumentar os laços não só da Casa de Macau do Rio
de Janeiro com Macau, como com as demais Casas de
Macau da diáspora.
-O que acham que pode ser melhorado nestes
encontros das Comunidades Macaenses?
-A organização do Encontro é excelente, a Comissão
Organizadora é sempre muito solícita e educada.
Entretanto, sentimos que há a possibilidade de
diferenciar a programação do Encontro, acrescentando
actividades mais interactivas para que se torne um
Encontro dinâmico. Nos encontros das Comunidades
ainda falta tratar dos assuntos referentes aos jovens
pois, embora não seja o Encontro dos Jovens, a malta
jovem está a vir com força para o comando das Casas
de Macau e é um facto que não deve ser omitido
ou deixado de lado. Seria muito interessante uma
discussão de estratégias e planos para integração da
malta jovem com a malta adulta e idosa.
-Em que contribuem estes encontros para a
comunidade?
-Os Encontros proporcionam reencontros familiares
e de amigos, trazem de volta a vivência de Macau, e
fazem reviver as memórias deixadas em Macau antes
de virem para o Rio de Janeiro, proporcionam aos
jovens descendentes uma visão mais ampla da história
dos seus antepassados, fortalecem laços culturais e
unem as maltas da diáspora.
-Qual o orçamento anual que têm disponível e a
origem das verbas?
-A origem dos recursos da Casa de Macau do Rio
de Janeiro é dividida em três modalidades: receita
de aplicação financeira, mensalidade dos sócios e
contribuição dos eventos (bilhetes para os almoços),
que chega a um valor estimado de 50.000 reais
(aproximadamente 183.700 patacas). As despesas da
Casa de Macau do Rio de Janeiro são, basicamente, os
eventos mensais, impostos e gastos administrativos, que
chegam em torno de 75.000 reais (aproximadamente
275.500 patacas). Então, temos um défice anual de
25.000 reais (aproximadamente 91.800 patacas).
22 anos de casa
6
Cuza ta fazer?
Associações de Matriz Portuguesa
que compõem o CCM
-Conselho das Comunidades Macaenses
Cuza ta fazer?
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MARIA ROLIZ, PRESIDENTE DO LUSITANO CLUB DA CALIFÓRNIA
“A nossa comunidade ama
sobretudo a comida macaense”
A gastronomia é sempre um ponto de confluência para a
comunidade macaense, e é destacada por Maria Roliz. Esta
responsável lembra ainda que mais diversidade será bem-vinda ao
Encontro e sugere viagens à China, que seriam “muito populares”
C
DIRECÇÃO:
Presidente
Maria C. Roliz
Vice-presidente
Maria João da Cruz
Secretária
Annie de Graça Puska
Tesoureira
Dorothy Oliveira
8
Cuza ta fazer?
omo e quando nasceu a vossa associação?
- O nosso clube foi estabelecido em 1984. António Jorge da Silva, Mário
Britto, Arthur Britto, Ted Almeida, Eddy Vaz, Mike Delgado e Nuno Prata da
Cruz foram alguns dos membros fundadores.
- Que histórias ficarão para sempre associadas à Casa?
- Começámos como um grupo de hóquei na Califórnia a jogar contra o
Clube de Recreio de Hong Kong.
- Que tipo de actividades costumam realizar?
- Temos todo o tipo de actividades: piqueniques, aulas de cozinha macaense
e de português, festas de Natal, viagens de campismo com passeios de
canoa, exposições de fotografia...
- E quem costuma participar?
- Os nossos membros.
- No desenvolvimento das actividades, quais são as maiores
dificuldades que encontram?
- Seria bom se tivéssemos subsídios para o orçamento anual para todas
as actividades. Até 1999 costumávamos conseguir um cheque anual do
governo de Macau de aproximadamente 35.000 dólares.
-Como é a participação dos mais novos? É fácil ou é difícil fazer com
que as gerações mais recentes participem nas actividades?
- Temos a sorte de ter muitos membros jovens e muitos directores jovens no
nosso conselho.
- Dão a conhecer as tradições macaenses a outras comunidades? De
que forma?
- Sim, promovemos a tradição macaense e a cultura junto de outros grupos.
Temos muitos americanos, asiáticos, latinos em funções e eles experienciam
e gostam da nossa cultura e comida.
- Com quantas pessoas conta a
comunidade macaense onde estão
radicados?
- Julgamos que cerca de 10.000.
- Do que sentem mais falta?
- Sentimos mais falta dos dias que
passámos em Macau, Hong Kong e
Xangai.
- O que costuma envolver mais a
comunidade?
- A nossa comunidade ama
sobretudo a comida macaense.
- Como mantêm a ligação a
Macau?
- O Lusitano Club da Califórnia
é membro do Conselho das
Comunidades Macaenses.
- E o que acham que pode ser
melhorado nestes Encontros das
Comunidades Macaenses?
- Mais diversidade e nem sempre
a mesma coisa. Viagens à China
seriam muito populares. Ao estar no
oitavo Encontro este ano as coisas
serão muito semelhantes ao que
foram nos anos passados.
- Em que contribuem estes
encontros para a comunidade?
- São muito populares entre a nossa
comunidade.
- Qual o orçamento anual que têm
disponível e a origem das verbas?
- Desde 1999 que não recebemos
de Macau qualquer subsídio fixo
para o orçamento anual. Porém,
conseguimos alguns subsídios para
funções do Instituto Internacional
de Macau e aproximadamente
1.500 dólares por ano da Fundação
Oriente em Portugal para subsidiar
o nosso boletim.
Canoistas
Cuza ta fazer?
9
PRESIDENTE DA CASA DE MACAU CLUB - VANCOUVER
Importante para preservar
uma cultura única “antes que
tudo fique perdido para sempre”
O Encontro das Comunidades Macaenses é destacado por
Miguel da Roza principalmente pela reunião que proporciona
entre amigos antigos e familiares mas, acima de tudo, pela
oportunidade de dar a conhecer aos filhos da comunidade a
cultura e as tradições do território, antes que os laços se quebrem
para sempre
C
DIRECÇÃO:
Presidente
Miguel Oscar da Roza
Primeiro Vice-presidente
Cathy Fung
Segundo Vice-presidente
Rick Rozario
Secretária
Angela Renfro
Tesoureira
Colleen Lobelsohn
Parlamentar
Rick de Guzman
10
Cuza ta fazer?
omo e quando nasceu a vossa
Casa?
- O nosso clube foi formado em
1995, quando um pequeno grupo
de macaenses na diáspora se
conheceram e tiveram a ideia de
formar um clube social especial
aqui em Vancouver, de forma a que
se pudessem encontrar e usufruir
da companhia uns dos outros neste
vasto novo país, o Canadá, a sua
nova terra.
- Que tipo de actividades
costumam realizar com
regularidade?
- Este grupo planeou encontros
numa base regular e rotativa
em casa de cada um, centros
comunitários e outros clubes
privados ou restaurantes
para socializar e manteremse actualizados sobre os
acontecimentos nas cidades de
origem, em Hong Kong, Macau e
Xangai e sobre alguns dos membros
da família a residir nesses locais.
Eles, então, estenderam a mão
aos seus familiares e amigos para
também se juntarem ao clube. A
resposta recebida foi esmagadora e
a adesão aumentou rapidamente.
- Quem costuma participar?
- A 3 de Abril de 1995 o nosso
clube foi registado em Victoria, a
capital da Colúmbia Britânica, como
Casa de Macau Club (Vancouver),
um clube social aberto a todos
os macaenses, as suas famílias
e amigos. Os estatutos da nossa
Casa requerem que a adesão ao
nosso clube seja aberta, mas não
limitada, a todos os macaenses e
suas famílias. Cidadãos canadianos,
residentes permanentes do Canadá
e outros nacionais interessados
na nossa língua, cultura, cozinha e
tradições podem também aderir.
- No desenvolvimento das
actividades, quais são as maiores
dificuldades que encontram?
- No início, como qualquer casa,
os fundos eram escassos. Durante
vários anos, sem fundos exteriores
de ninguém e sem uma casa para o
clube, contámos com os pagamentos
das anuidades e também com
numerosas angariações de fundos
como vendas de bolos, vendas
de garagem, etc., para continuar
a fazer o clube andar. À medida
que os nossos associados cresciam
tivemos de arrendar salões em
centros comunitários para os
nossos grandes eventos e reuniões.
Finalmente, em 2008 recebemos um
generoso donativo de Macau para
comprarmos a nossa sede, que é
agora a casa do nosso clube, uma
casa longe de “casa” para os nossos
membros. Temos que atender a
todas as obrigações financeiras
por conta própria, pagando os
impostos sobre a propriedade,
contas de energia eléctrica, taxas
de manutenção, seguros, abastecimentos,
etc. Tentamos manter as quotas baixas para
que todos se possam juntar ao Clube. A
nossa casa tem comités social, cultural e de
comunicações que trabalham em conjunto
para informar os nossos membros e nos
assegurarmos do sucesso de todos os
eventos da nossa casa que quase sempre
são muito participados.
- Dão a conhecer as tradições macaenses
a outras comunidades? De que forma?
- Todos os anos temos muitos espectáculos
na nossa sede e em todos os eventos temos
um tema macaense e um foco nas comidas
macaenses e tradições que eram seguidas
e desfrutadas pelos nossos antepassados
na sua terra ancestral, Macau, Hong Kong
e Xangai, eventos para celebrar o Dia de
São João, o Natal, o Ano Novo Lunar, etc. Nós
também damos aulas de cozinha e refeições
onde cada convidado traz o seu prato, para
partilharmos os nossos pratos favoritos
macaenses. Os membros mais velhos e
mais novos têm muitas oportunidades de
se juntarem para apreciar estas comidas
macaenses e partilhar as suas experiências
uns com os outros o que é uma grande
maneira para os costumes, tradições,
cozinha e mesmo para o patuá serem
preservados. Também temos “karaoke”
e dias de jogos na sede. Tivemos aulas
de língua portuguesa também, nas quais
alguns membros demonstraram interesse e
participaram.
- Com quantas pessoas conta a
comunidade macaense em Vancouver?
- A nossa Casa tem, em 2013, um total de
275 membros. Há provavelmente 2.500
pessoas, e outras de descendência ou
origem macaense, espalhadas por várias
cidades e províncias do oeste do Canadá e
eles mantêm-se em contacto com a nossa
Casa através do nosso sítio na internet:
www.casademacau.org. A nossa Casa
valoriza e aprecia o simpático convite
de Sua Excelência o Chefe do Executivo,
Fernando Chui Sai On, para fazermos
parte desta diáspora macaense pelo
mundo, pertencendo a 12 casas que se vão
encontrar em Macau. Gostaríamos também
de reconhecer e agradecer o trabalho duro
do pessoal da Associação Promotora da
Instrução dos Macaenses e do Conselho das
Comunidades Macaenses por organizarem
o Encontro. Os nossos membros aguardam
ansiosamente esta reunião, dando-nos a
hipótese, mais uma vez, de nos encontrar
com amigos antigos e parentes, e de visitar
e apreciar antigos locais familiares com
património e introduzindo-os às nossas
crianças, assim como apresentá-las à nossa
cultura macaense única, costumes e patuá
que sinceramente queremos preservar
antes que tudo fique perdido para sempre.
António Amante e esposa
Cuza ta fazer? 11
MARIA DE LOURDES VAZ ALBINO, PRESIDENTE DA CASA DE MACAU EM PORTUGAL
É “muito difícil atrair
o interesse dos jovens”
A fraca participação das gerações mais novas é comum a várias Casas de Macau e também é sentida
pela Casa de Macau em Portugal que organiza várias actividades sociais, culturais e desportivas, para
sócios e não-sócios. A organização da semana gastronómica de Macau no restaurante da Assembleia
da República foi um dos momentos mais importantes para a Casa na actividade recente
C
DIRECÇÃO:
Presidente
Maria de Lourdes Barros Vaz Albino
Vice-presidente
Álvaro Augusto da Rosa
Secretária
Telma Isabel da Rosa
Tesoureiro
José Augusto de Albuquerque
de Sousa Andrade
12
Cuza ta fazer?
omo e quando nasceu a vossa Casa e
quem se destacou na fundação?
- A Casa de Macau em Portugal é uma
associação com fins sociais, culturais,
recreativos e outros que contribuam para
a promoção da solidariedade entre as
Comunidades Macaenses, em particular
a que reside em Portugal, tendo sido
oficialmente constituída em 1966 pelos
seguintes sócios fundadores: Gen. Flávio
José Álvares dos Santos; Prof. Eng.º Raúl
Vasco Garcia Cabral; Ten. Cor. Eng.º
Edmundo Tércio da Silva; Dr.ª Maria do Céu
Saraiva Jorge Jacob; Dr. Armando Florêncio
de Oliveira Hagatong; Dr. José Maria
Pinto Lello; Dr. Carlos Augusto Gonçalves
Estorninho; Dr. Augusto José Sousa Nolasco
da Silva; Dr. Bernardo José da Silva Vidigal;
Eng.º João Pires Antas; Carlos José Cabral
Duhau Laborde Basto; Henrique Ayala de
Serpa Pimentel; Alberto Maria Alemão;
Gerardo Majella Rangel de Almeida;
António Maria da Silva; Dr. Eduardo de
Almeida e Vasconcellos; Dr. Leopoldo Danilo
Barreiros; Dr. Horácio José Garcia e Cor.
Mariano Alberto Tamagnini Barbosa.
- Que histórias ficarão para sempre
associadas à vossa Casa?
- Sobre histórias associadas à Casa de
Macau em Portugal, não se tratando
embora de histórias ligadas ao tempo da
fundação, que só os sócios mais antigos
poderão eventualmente recordar, poderse-á assinalar dois momentos que, apesar
de recentes (datam de 2012), foram muito
marcantes para a divulgação da gastronomia
macaense e ficarão decerto associadas
à nossa Casa. Um deles foi a organização
da semana gastronómica de Macau no
restaurante da Assembleia da República,
a qual obteve um tremendo sucesso. A
segunda foi a partilha da gastronomia
macaense com as gastronomias regionais
portuguesas, aproveitando o magusto
realizado no ano passado na Casa de Macau
e para o qual foram convidadas as diversas
Confrarias Gastronómicas de Portugal,
desde o Norte até ao Sul. Esta iniciativa
possibilitou uma verdadeira mistura de
sabores, tendo suscitado enorme interesse.
- Que tipo de actividades costumam
realizar?
- A Casa de Macau em Portugal realiza
regularmente uma série de actividades,
de acordo com os fins prosseguidos, de
que podemos destacar, no âmbito social:
a promoção de encontros e reuniões de
sócios, amigos e familiares, a organização
de festas particulares, a utilização das
instalações pelos sócios para jogos de mesa
(bridge, canasta, mahjong, xadrez, etc.).
Organizamos os habituais chás-gordos,
que contam também com a participação
significativa de bolseiros da RAEM que
estudam em Lisboa, e nos quais são
servidos os tradicionais acepipes da cozinha
macaense. Promovemos outros eventos
festivos, nomeadamente o almoço anual de
comemoração do Ano Novo Chinês. Neste
âmbito tem vindo a ser igualmente aberta
a possibilidade de realização de eventos e
festas particulares por parte de não sócios,
através da reserva e utilização do pavilhão
multiusos de que a Casa dispõe.
- E no âmbito cultural?
- A realização de cursos de mandarim
versando a aprendizagem da língua e
cultura chinesas, abertos a sócios e a
não sócios, e que têm tido forte procura
e grande sucesso. A organização de
workshops de gastronomia macaense, os
quais têm contribuído para a divulgação da
nossa cozinha de fusão, suscitando grande
interesse por parte dos participantes, sócios
e não sócios. O fomento da consulta do
rico acervo documental da Casa de Macau,
no Centro de Documentação da Praça do
Príncipe Real, através da difusão da sua
existência e disponibilização, mediante
notícia regularmente inserida na nossa
folha informativa não periódica, o
Qui-Nova? Já no âmbito desportivo,
desenvolvemos actividades como o
Tai Chi, estando presentemente em
curso a preparação da prática de
outra arte marcial, o Karaté Shotokan.
- E quem costuma participar?
- Em todas as actividades descritas
tem a Casa de Macau em Portugal
tido a participação dos seus sócios,
mas também de não sócios. Será
interessante referir que os nossos
sócios integram macaenses e
pessoas que, não sendo macaenses,
conhecem Macau, interessam-se
por Macau e apreciam a cultura
macaense nas suas diversas
vertentes.
- No desenvolvimento das
actividades, quais são as maiores
dificuldades que encontram?
- Para o desenvolvimento das
actividades, poder-se-á dizer que
as maiores dificuldades resultam da
escassa capacidade financeira da
Casa, já que as suas receitas provêm
essencialmente das quotizações
dos seus associados, sendo que na
actual conjuntura de crise a captação
de novos sócios não se encontra
facilitada.
- Como é a participação dos mais
novos? É fácil ou é difícil fazer com
que as gerações mais recentes
participem nas actividades?
- Quanto à participação dos mais
novos, trata-se de uma dificuldade
sentida pela nossa Casa e que
cremos ser comum a outras Casas
da diáspora macaense, dado que as
gerações mais jovens se encontram
já algo distanciadas das raízes e das
memórias das gerações mais antigas
(os pais e os avós) e têm os seus
próprios interesses e o seu círculo de
amigos no espaço geográfico onde
residem. É, por isso, muito difícil
atrair o interesse dos jovens pelas
Casas de Macau.
- Dão a conhecer as tradições
macaenses a outras comunidades?
De que forma?
- Na esteira do que ficou explanado
sobre as actividades realizadas
pela nossa Casa e a abertura à
participação nos seus eventos de
todos os interessados, quer sejam
sócios ou não, as tradições macaenses
são obviamente dadas a conhecer a
todos os que participam, em particular
à comunidade portuguesa em que
estamos inseridos.
- Com quantas pessoas conta a
comunidade macaense no sítio
Cuza ta fazer? 13
onde estão radicados?
- Sobre a eventual dimensão da comunidade macaense
em Portugal não temos informação, nem tão pouco
detém a Casa de Macau meios e capacidade para
proceder a uma pesquisa com esse objectivo.
grande contributo
“Um
para manter uma
estreita ligação a
Macau é decerto a
organização periódica
dos Encontros
“
- Do que sentem mais falta?
- É nossa convicção (e sentimento) de que os
macaenses da diáspora sentem obviamente a falta da
sua terra – Macau - e sobretudo dos seus familiares
e amigos de infância e juventude, das suas raízes,
memórias, tradições, gastronomia, do patuá… enfim,
daquilo a que podemos chamar o espírito “maquista”.
- O que costuma envolver mais a comunidade?
- O que mais costuma envolver a comunidade
macaense em Portugal tem a ver com todo o tipo de
manifestações tradicionais que tragam memórias de
Macau, sem nunca perder de vista, contudo, os típicos
pratos macaenses, que devem estar sempre presentes.
Sem prejuízo do gosto e da procura de manifestações
culturais ou desportivas, os eventos que maior número
de participantes reúnem são sem dúvida os chásgordos tradicionais e a celebração do Ano Novo Chinês.
- Como mantêm a ligação a Macau?
- A ligação a Macau é mantida, não só através dos
14
Cuza ta fazer?
eventos tradicionais realizados em Portugal com a
presença de inúmeros macaenses que trazem as suas
memórias e relembram a sua terra, mas também
pelos laços familiares que muitos mantêm em Macau
e pela forte relação afectiva dos macaenses com a sua
terra. Um grande contributo para manter uma estreita
ligação a Macau é decerto a organização periódica dos
Encontros.
- O que acha que pode ser melhorado nestes
Encontros das Comunidades Macaenses?
- As opiniões e comentários ouvidos durante a
realização dos Encontros são mais dirigidos a aspectos
práticos da eficiência da organização, sobretudo quanto
a questões de transportes suficientes (ou não) para
os locais dos eventos, da melhor ou pior escolha dos
locais, dos programas e horários previstos e o seu
eventual cumprimento. Embora o tempo afecto aos
Encontros – uma semana – seja escasso para incluir
um maior número de eventos, já que os macaenses
precisam também de tempo para reverem a sua
terra e os familiares e amigos, tem havido alguma
preocupação em que sejam incluídos espaços mais
amplos de debate sobre o futuro das Casas, da
manutenção das ligações das diferentes comunidades
a Macau, da problemática dos jovens e da captação do
seu interesse pelas Casas, etc.
- Em que contribuem estes encontros para a
comunidade?
- Consideramos que os Encontros são fundamentais
e contribuem para a manutenção dos laços dos
macaenses da diáspora com a sua terra, permitindo
que periodicamente possam reencontrar familiares e
amigos dispersos pelo mundo. Não fossem os Encontros
e a organização providenciada pelo Conselho das
Comunidades Macaenses e pelas Casas de Macau,
muitos macaenses não teriam talvez a oportunidade de
regressarem periodicamente a Macau.
Um jornal
com
memória
Chegamos
a todo o Mundo
através de
http://jtm.com.mo
www.facebook.com/tribunademacau1982
Cuza ta fazer? 15
LEO BARROS, PRESIDENTE DA CASA DE MACAU NO CANADÁ (TORONTO)
Um Encontro que
contribui para a “nostalgia”
Em Macau, os membros da diáspora podem recordar a sua infância e
adolescência. Leo Barros fala do buraco favorito na parede de restaurantes
como o Fat Siu Lau ou dos confrontos com a polícia para ver “Jailhouse Rock”
no teatro Vitória, em 1958 (um filme censurado para adolescentes pelo Bispo
Policarpo da Costa Vaz). Diz ainda que faltam metas a longo-prazo ao Conselho
das Comunidades Macaenses
DIRECÇÃO:
Presidente
Leo Barros
Vice-presidente
Jerry Noronha
Tesoureiro
Jeremy Cruz
Secretário
Elliot Crawford
16
Cuza ta fazer?
C
omo e quando nasceu a vossa Casa e
quem foram os fundadores?
- A Casa de Macau no Canadá em
Toronto surgiu de uma conversa entre
dois macaenses (Alberto Rodrigues e
Guilherme Silva) num supermercado (da
cadeia Loblaws) onde se reuniram para
discutir uma ideia que tinham de criar uma
associação onde os filhos e filhas de Macau
que vivem em Toronto se pudessem reunir
regularmente. Continuaram a encontrar-se
regularmente num pequeno restaurante e
dois meses depois, numa reunião geral a
14 de Outubro de 1988, surgiu o primeiro
conselho de executivos com Alberto
Rodrigues como presidente, Guilherme
Silva como vice, Alberto Silva como segundo
presidente, José de Mello como secretário e
Sebastião José como tesoureiro. O nome de
Casa de Macau no Canadá passou por uma
maioria de votos.
- Que tipo de actividades costumam
realizar?
- Coro (semanalmente), dança em linha e
ioga (semanalmente), tai chi, (duas vezes
por semana), evento social à quinta-feira
com jantar (mensalmente), eventos sociais
de fim-de-semana (mensalmente). Festas
maiores, como o jantar do Dia de Macau e
performances de patuá e festas de Natal
são feitas fora das nossas instalações por
causa dos regulamentos anti-incêndio que
restringem o público a 50 pessoas. Para os
nossos fins-de-semana sociais organizamos
viagens de autocarro, piqueniques, feiras de
comida, bowling de 10 pinos...
- Quem costuma participar?
- Temos afluências excelentes mas pouca
juventude.
- No desenvolvimento das actividades,
quais são as maiores dificuldades que
encontram?
- Restrição de 50 pessoas na nossa pequena
sede, fundos limitados e falta de metas do
Conselho das Comunidades Macaenses a
longo-prazo, com um foco claro no futuro.
- Como é a participação dos mais novos?
É fácil ou é difícil fazer com que as
gerações mais recentes participem nas
actividades?
- Temos 27 jovens na nossa Casa que
representam 11% dos nossos membros.
Costumamos ter quatro a cinco a frequentar
de forma regular os nossos eventos e há dois
que estão no nosso Conselho. É difícil arranjar
jovens para participar nas actividades da
nossa Casa. Para os atrair, temos de fazer
algo com sentido para que contribuam, e
não apenas simbólico. Eles têm de sentir que
estão envolvidos numa responsabilidade,
num projecto desafiador que atenda às
necessidades reais. Objectivos do Conselho
das Comunidades Macaenses com um claro
foco no futuro vão resolver esta questão.
- Dão a conhecer as tradições macaenses a
outras comunidades? De que forma?
- As 12 Casas partilham as suas newsletters
e põem-se umas às outras ao corrente com
notícias, a história de Macau e receitas de
cozinha.
- Com quantas pessoas conta a comunidade
macaense no sítio onde estão radicados?
- Menos de 1.000, é um palpite.
- Do que sentem mais falta?
- Os macaenses na diáspora sentem falta da
sua família e amigos que estão espalhados
pelos quatro cantos do mundo. Sentem falta
da comida macaense que é sempre o ponto
focal que leva à reunião da família e amigos
onde quer que eles se encontrem. Em geral,
esse desejo por tudo o que é familiar a partir
de Macau deixa de existir para as crianças
nascidas no Canadá.
- O que costuma envolver mais a
comunidade?
- Comida. Falamos de comida,
trabalhamos com comida e
desfrutamos da comida preparada
pelos membros da nossa Casa
que à vez se tornam chefescelebridades uma vez por mês.
- Como mantêm a ligação a
Macau?
- Através da família e amigos.
Alguns dos nossos membros têm
uma segunda casa em Macau e
dividem o seu tempo entre Macau
e Toronto. As notícias também
correm depressa através da palavra
electrónica, como o email.
- O que acham que pode ser
melhorado nestes encontros das
Comunidades Macaenses?
- A oportunidade de comunicação
com as 12 Casas, particularmente
aquelas que precisam de reflexão
antes de emitir uma resposta.
Clareza do Conselho das
Comunidades Macaenses no longotermo. Em três anos? Em seis anos?
Em nove anos? Projectos que as
12 Casas possam fazer juntas para
atingir os objectivos de longo-prazo
do Conselho das Comunidades.
Construir estes projectos de
Encontro para Encontro. Envolver a
juventude macaense. Sensibilidade
em relação a constrangimentos
escolares e laborais quando se
planeiam os encontros.
- Em que contribuem estes
encontros para a comunidade?
- Nostalgia. O Encontro é um
fórum para as famílias e amigos
macaenses dos quatro cantos do
mundo se reunirem num local para
matar saudades. As lembranças
dos participantes sobre a sua
infância e adolescência, os seus
velhos amigos, o seu buraco
favorito na parede de restaurantes
como o Fat Siu Lau, os seus
confrontos com a polícia para ver
“Jailhouse Rock” no teatro Vitória,
em 1958 (um filme censurado para
adolescentes pelo Bispo Policarpo
da Costa Vaz). Os adolescentes
que se rebelaram foram rapados
na cabeça pela polícia no dia
seguinte.
- Qual o orçamento anual que
têm disponível e a origem das
verbas?
- Enquanto não temos um
orçamento “formal”, a nossa Casa é
limitada pelos seus regulamentos a
não gastar mais de 35.000 dólares
por ano.
Cuza ta fazer? 17
LIZETTE VIANA AKOURI, PRESIDENTE CASA DE MACAU AUSTRÁLIA
Começam a faltar “pessoas
que falem três línguas
diferentes numa só frase”
É nas datas que marcam o Ano Novo Chinês, o Dia de São João e o Natal que normalmente a
comunidade macaense na Austrália mais se reúne. A participação dos jovens também não tem
sido fácil pelo que há mesmo uma subcomissão responsável por organizar eventos dirigidos
especificamente àquele alvo
C
DIRECÇÃO:
Presidente
Lizette Viana Akouri
Vice-presidente
Leonor Andrade Deacon
Tesoureira
Antonieta Conceição Manolakis
Secretária
Mary Basto Rigby
18
Cuza ta fazer?
omo e quando nasceu a vossa
Casa?
- A Casa nasceu a 6 de Maio 1990, os
nossos fundadores foram os primeiros
membros da Casa. Eram quase 150.
- Que histórias ficarão para sempre
ligadas à vossa associação?
- Os encontros e as nossas festas de S.
João e Natal.
- Que tipo de actividades costumam
realizar?
- Temos normalmente três grandes
festas por ano: Ano Novo Chinês, Dia
de São João e festa de Natal. Também
tentamos ter almoços com comida
macaense e convívios mensais no
nosso centro cultural. Quanto ao Natal
e São João, nos últimos dois anos as
nossas festas têm sido numa das salas
do “Ryde Eastwood Leagues Club”.
Este local foi escolhido pelo facto do
cozinheiro estar disposto a aprender
a fazer alguns pratos macaenses
que são servidos durante as nossas
festas e também por ter acesso a
transportes públicos e facilidade de
estacionamento. Nas festas de São João
costumamos ter como entretenimento
uma banda de música formada por
vários membros da nossa Casa
e também dum rancho folclórico
português. Este ano, convidámos
o Dr. Stuart Braga para falar sobre
alguns aspectos da história de Macau.
No Natal contamos com a visita do
Pai Natal que distribui brinquedos
às crianças e também organizamos
actividades para os mais novos.
Celebramos o Ano Novo Chinês
com um jantar num dos restaurantes
chineses, onde distribuímos o
tradicional “lai-si” às crianças. A
estas, tentamos proporcionar a
experiência das duas culturas com
que nós crescemos - a cultura chinesa
e a cultura portuguesa. Também
organizamos um almoço mensalmente,
que costuma ser num domingo,
onde servimos comida macaense/
portuguesa e também, alternadamente,
servimos pratos tradicionais da Itália,
Grécia, Egipto etc.
- Quem costuma participar?
- Membros e seus familiares. Convidámos também
a Consul-Geral de Portugal em Sydney, que no
princípio deste ano esteve presente no Jantar do
Ano Novo Lunar.
- No desenvolvimento das actividades, quais são
as maiores dificuldades que encontram?
- A participação da juventude. Tem sido muito
difícil despertar interesse junto dos mais jovens.
Temos uma subcomissão encarregada de organizar
actividades para os jovens, mas infelizmente a
participação tem sido muito fraca. Vamos continuar
a persistir.
- Dão a conhecer as tradições macaenses a
outras comunidades? De que forma?
- Apenas pela culinária tradicional, por vezes, as
nossas celebrações tradicionais. Como no Ano
Novo Chinês, damos o “lai-si”. Em geral, a mistura
das tradições chinesas e portuguesas.
- Com quantas pessoas conta a comunidade
macaense radicada na Austrália?
- Temos mais de 650 membros no país.
- Do que sentem mais falta?
- Temos saudades da comida nas tendinhas
das ruas, a nossa etnia, mas principalmente
sentimos que estamos a perder a capacidade de
comunicarmos com as pessoas que podem falar
três línguas diferentes numa só frase, como em
chinês, português e inglês. Também sentimos
muitas saudades de familiares e amigos que
deixámos em Macau.
- O que costuma envolver mais a comunidade?
- As várias festas e celebrações. Em colaboração
com o Consulado de Portugal e com o Centro de
Turismo de Macau em Sydney, tentamos promover
junto dos nossos membros actividades organizadas
ou patrocinadas por indivíduos ou organizações de
Portugal e Macau. Com o apoio do Consulado de
Portugal organizamos aulas de português para os
nossos membros.
- Como mantêm a ligação a Macau?
- Nas nossas festas, com os nossos amigos
macaenses e o Encontro. Também publicamos nos
nossos jornais histórias sobre Macau e notícias de
Macau que sejam de interesse aos nossos membros.
- O que acham que pode ser melhorado nestes
encontros das Comunidades Macaenses?
- O convívio na escola infantil onde a comida é
servida, principalmente a macaense, ou a comida
mesmo das tendinhas de comida de rua, como o
“Chu Cheung Fun”, canjas ou sopas de fitas.
- Em que contribuem estes encontros para a
comunidade?
- A oportunidade de encontrar velhos amigos e
familiares, visitar a nossa casa velha e bairros
antigos, mostrar aos nossos filhos/netos a nossa
terra e principalmente matar saudades de Macau.
- Qual o orçamento anual que têm disponível e a
origem das verbas?
- Não temos um orçamento rigoroso, mas somos
prudentes com os nossos fundos, que foram dados
à Casa de Macau na Austrália pela Fundação Macau
em 1999. Com esses fundos adquirimos o nosso
Centro Cultural.
Cuza ta fazer? 19
SÉRGIO RUI DE PINA, PRESIDENTE DA MACAU CULTURAL ASSOCIATION OF WESTERN CANADA
“O nosso plano é manter
a nossa cultura por um período
de tempo o mais longo possível
Há um problema com os membros desta Casa de Macau devido
à idade elevada da maior parte. A associação quer, por isso,
conseguir captar membros novos, de preferência que mantenham
uma ligação a Macau. Sobre os encontros, Sérgio de Pina enfatiza
que devem ter um forte acento na cultura e que não sejam apenas
uma grande “festa social” ou uma série de “comes e bebes”
C
Presidente
Sérgio Rui de Pina
20
Cuza ta fazer?
omo e quando nasceu a vossa Casa?
- A Macau Cultural Association (Casa de Macau) of Western Canada, é na
realidade, a mais velha e a mais antiga no Canadá, tendo sido oficialmente
e legalmente registada na província da Colúmbia Britânica, em 1989. A
formação e o registo legal foi preparado pelos seguintes sócios fundadores
e directores: Carlos Cordeiro, Domingos T.M. Leong, Maria Teresa U Leong,
Linda Achiam e Laura Cordeiro. Este grupo de indivíduos e mais, talvez, uma
dúzia de amigos, naturais de Macau, costumavam juntar-se informalmente
desde os anos das décadas sessenta e setenta. Por motivos bastante
surpreendentes e inesperados, um grupo de macaenses, naturais de Macau,
foram dos primeiros que chegaram a Vancouver, assim como a Toronto, e
talvez um ou dois filhos da terra tivessem chegado a Montreal. Em Vancouver,
as famílias e indivíduos macaenses de maior realce que desembarcaram
nos anos 60 e 70 foram as famílias Cordeiro, Achiam, Alves, Pinto Marques
(Calgary, Alberta), Domingos Leong, Alfredo Rego Chan, Souza (Ritchie),
Paulina Silva (Brown), J. Vasco Santos, Amante, Fernando do Rosário (em
Edmonton, Alberta), além de inúmeras famílias chinesas de Macau.
- Como é hoje constituída a Casa?
- Hoje, a maioria dos nossos membros são naturais de Macau, com habilidade
de falar e se expressar em língua portuguesa, mas na assembleia de
membros existe também uma porção de indivíduos anglófonos e, agora,
presenciamos um afluxo maior de membros de etnia chinesa, na maioria
também naturais de Macau.
- Quem costuma participar nas actividades?
- A nossa Casa prefere manter os nossos membros com certa afiliação
e ligação a Macau, proporcionando assim uma melhor oportunidade de
podermos manter a nossa língua, identidade, cultura, gastronomia e, por
último, o nosso patuá. Providenciamos ocasiões trimensais com certas
actividades sociais e culturais que incluem comidas macaenses, reuniões/
conferências e, claro, dias marcados e dedicados ao nosso preferido
passatempo chinês, “ma-cheok”. Assim sendo, essas funções e eventos sociais
são bastante concorridos por uma maioria de membros e com uns poucos
convidados especiais.
- Quais os vossos objectivos?
- Intencionalmente, o nosso plano é manter uma constante ligação e contacto
com Macau, na esperança de que possamos continuar a manter a nossa
cultura por um período de tempo o mais longo possível.
Por natureza, os membros lusófonos mantêm uma ligação mais forte e intensa
com a terra natal e, em parte, todos ainda têm familiares em Macau. Os
membros “sinófonos” regressam com mais regularidade a Macau em visitas
anuais aos seus familiares, uma vez que esses contactos
são considerados importantíssimos para eles.
- Como é a participação dos mais novos?
- Uma das nossas mais importantes preocupações é
o grande número de membros de idade elevada. Por
essa razão, mantenho contacto com o Ministério do
Estado para os Idosos que é presentemente liderado
pela ministra Alice Wong. A maioria dos nossos
membros são de idade elevada e, por natureza,
sentimos uma perda de membros com regularidade.
Portanto, temos que manter como prioridade conseguir
angariar membros novos e com maior esforço tentar
adicionar membros mais jovens de preferência com
conhecimento de Macau.
- O que costuma envolver mais a comunidade?
- A gastronomia macaense faz parte e tem um papel
especial para os nossos membros em geral e é
considerada como um elo importante das nossas raízes
e da nossa terra. Esta matéria é uma das favoritas dos
nossos membros, sem excepção.
- Qual é o número de residentes com descendência
macaense na zona onde estão integrados?
- Na zona Oeste do Canadá, o número de macaenses
lusófonos é limitado, e a maioria deles são residentes
na área de Vancouver e arredores. Devem existir
algumas centenas. Contudo, temos macaenses
“sinófonos” e estes fazem parte dum número total
relativamente muito superior. Para poder ter uma
ideia desses números, está calculado que das áreas
de Macau e Hong Kong residam mais de 250.000
indivíduos portadores de passaportes do Canadá,
o que é um caso paralelo ao de Macau na altura da
transferência de Administração em 1999, quando havia
mais de 150.000 indivíduos portadores de passaportes
de Portugal registados no Consulado Geral de Portugal
em Macau. Muitos dos nossos membros actualmente
fazem “peregrinação” anual a Macau em visita aos
familiares, para manter contacto com amigos e,
também, para “sentir e estar em Macau”. Para aqueles
que não têm oportunidade de fazer estas viagens, as
Casas proporcionam novidades e notícias através de
boletins e outros impressos informativos, assim como
existem comunicações inter-Casas.
- O que pode ser melhorado nestes encontros?
- Recentemente ouvi opiniões e críticas sobre
certas mudanças no programa do Encontro 2013
(em comparação com as mais ricas dos encontros
passados). E, claro, essas mudanças foram feitas pela
organização dos encontros, tal como a eliminação de
certos subsídios, a redução em termos do números
de eventos e funções sociais, etc. Estes encolhimentos
foram o resultado do “emagrecimento” dos subsídios
e orçamentos concedidos e aprovados pelo Governo
de Macau. Em face dessa decisão, os organizadores
do encontro tiveram de modificar os planos e a sua
política geral. É minha opinião que os participantes
deste Encontro e dos encontros no futuro (se ainda
será possível haver mais), deveriam aderir à nova
realidade existente desde 1999 em Macau, sob uma
política nova e diferente do sistema anterior que
conhecíamos. Creio que será inevitável que tenhamos
que admitir e aceitar uma proposta feita por um
indivíduo e personagem famosa e importante nos anais
históricos mundiais: “Não perguntes o que a Nação
pode fazer por ti... Pergunta o que tu podes fazer pela
Nação” (John F. Kennedy, Presidente dos E.U.A.). Em
conclusão, julgo que os macaenses devem basear as
decisões de participação nos futuros encontros no
seguinte: participação voluntária, contribuição para
os programas sociais, culturais, financeiros, etc., em
vez de se esperar pelos subsídios, há que manter
em mente que, hoje, o Governo da RAEM faz parte
do Governo da China. Como nos anos anteriores, a
grande maioria dos participantes dos encontros vivem
e residem no exterior e com recursos financeiros para
viajar. Os encontros não devem ser apenas um ponto
de reunião para uma grande “festa social” ou uma
série de “comes e bebes”. Devem ser organizados
com uma programação acentuada na cultura, língua,
família, social, gastronomia macaense e tudo o mais que
promova a nossa cultura e o bem-estar dos membros da
nossa grande família macaense na diáspora mundial.
Cuza ta fazer? 21
HENRIQUE MANHÃO, PRESIDENTE DA CASA DE MACAU USA
“A geração mais nova começa
a ter interesse por Macau”
Sofre do mesmo mal de outras Casas de Macau, a participação dos jovens é fraca. Ainda assim,
Henrique Manhão nota que a cultura dos antepassados começa a interessar a geração mais nova
C
DIRECÇÃO:
Presidente
Henrique J. Manhão
Vice-presidente
Albertino Rosa
Secretária
Rita Lopes
Tesoureira
Alice Luz
Directores
António Capitulé, Ida Capitulé,
Irene Manhão, Elsa Denton, Luiza Rosa,
Marta Mo, Gil Manhão, Carlos Villarama,
Cristina Villarama e Rosita Lopes e
Américo Coelho
22
Cuza ta fazer?
omo e quando nasceu a vossa
Casa?
- A Casa de Macau (USA) Inc. nasceu
a 7 de Fevereiro de 1995, sendo seus
fundadores António Sousa, William
Ribeiro e Maria Fátima Sousa.
- Que histórias ficarão para sempre
associadas às vossa Casa?
- A criação do Centro Cultural de Macau,
em Fremont, Califórnia, em parceria
com a União Macaense Americana
(UMA) e o Lusitano Club de Califórnia.
Um imponente edifício de três pisos,
situado na zona histórica daquela
cidade.
- Que histórias ficarão para sempre
associadas às vossas associação?
- A palestra na Universidade de Berkeley
– “Macau um espaço de encontro de
duas culturas”. Colaboraram nesse
evento José Luís Sales Marques, Miguel
de Senna Fernandes e Carlos Marreiros,
Sá Cunha e André Silveira; as acções de
difusão da Língua Portuguesa, aulas de
português para a comunidade macaense
no Centro Cultural de Macau; a festa
de Nossa Senhora de Fátima, padroeira
dos macaenses, realizada, anualmente,
em Outubro, patrocinada pela Fundação
Oriente; a festa do “Bolo Bater o Pau”,
dedicada aos membros chineses,
patrocinada pela Fundação Oriente; a
Tuna “Os Chuchumecas” e um pequeno
grupo de Patuá com o mesmo nome;
as comemorações do Dia de Portugal
com um espaço para distribuição de
materiais sobre a RAEM e o Fórum
Macau; o Dia da Juventude Macaense,
patrocinado pelo Conselho das
Comunidades Macaenses; a participação
na parada do Ano Novo Chinês em São
Francisco, Califórnia. Tomam parte
neste evento mais de 20 diferentes
grupos étnicos, carros alegóricos
elegantemente ornamentados, crianças
vestidas de trajes exóticos, bandas,
grupos de arte marcial. A grande
atracção é a dança do Dragão Dourado
com mais de 268 pés de comprimento,
executada por mais de cem homens e
mulheres. Participamos através de um
protocolo entre o “Portuguese Study
Program” da Universidade de Berkeley
e a Associação Promotora de Instrução
dos Macaenses (APIM).
- Que tipo de actividades costumam
realizar?
- Sociais, culturais, religiosas e para a
juventude.
- Quem costuma participar?
- Os nossos membros e os das
outras duas associações macaenses,
designadamente a UMA e o Lusitano.
- No desenvolvimento das
actividades, quais são as maiores
dificuldades que encontram?
- A parte financeira para cobrir as
despesas e a participação de jovens.
- Como é a participação dos mais
novos? É fácil ou é difícil fazer
com que as gerações mais recentes
participem nas actividades?
- A participação dos jovens é fraca.
Há várias razões. Os cônjuges na sua
maioria são de etnia cultural diferente.
Têm outras prioridades. Estão muito
envolvidos nas actividades extraescolares dos seus filhos. Graças ao
Encontro dos Jovens, organizado pelo
Conselho das Comunidades Macaenses,
porém, a geração mais nova começou a
ter interesse por Macau e pela cultura
dos seus antepassados.
- Dão a conhecer as tradições
macaenses a outras comunidades? De
que forma?
- Palestras na Universidade de Berkeley
em cooperação com o “Portuguese
Study Program”, participação no Dia
de Portugal e na parada anual do Ano
Chinês em São Francisco.
- Com quantas pessoas conta a
comunidade macaense no local onde
estão radicados?
- Aproximadamente três mil,
na minha opinião.
- Do que sentem mais falta?
- Estou a falar de mim e dos
meus membros familiares:
Macau, Portugal, seus
parentes, festas macaenses e
a sua gastronomia.
- O que costuma envolver
mais a comunidade?
- Dentro das possibilidades,
procuro sempre envolver
as outras duas associações
congéneres. Por exemplo: na
festa de São João, Festa de
Nossa Senhora Fátima e na
difusão da língua portuguesa.
- Como mantêm a ligação a
Macau?
- Através do Conselho das
Comunidades Macaenses, da
Associação para a Instrução
dos Macaenses e do Instituto
Internacional de Macau.
- O que acham que
pode ser melhorado
nestes Encontros das
Comunidades Macaenses?
- Fiz várias sugestões ao
secretariado do Encontro e
à Confraria da Gastronomia
Macaense. Não vou enumerálas. Obtive excelente
colaboração. Gostava que
a comissão organizadora
do Encontro fizesse um
reconhecimento a Lourenço
Conceição, ex-presidente
da Casa de Macau, Toronto,
que iniciou a ideia do
Encontro das Comunidades
Macaenses, e a António
Salavessa da Costa, exsecretário-adjunto que
apoiou a iniciativa.
- Em que contribuem
estes encontros para a
comunidade?
- Uma visita a Macau de três
em três anos para matar
saudades. Confraternizar
com todos os nossos irmãos
macaenses da diáspora e
de Macau. Conhecer Macau
contemporâneo.
- Qual o orçamento anual
que têm disponível e a
origem das verbas?
- Temos um orçamento muito
pequeno. Vivemos de quotas
e de subsídios do Conselho
das Comunidades Macaenses
e da Fundação Oriente.
Cuza ta fazer? 23
ROLANDO MARIA DA LUZ, SECRETÁRIO-GERAL DA ASSOCIAÇÃO DA CASA DE MACAU EM SÃO PAULO
A casa que “abriga o maior
número de macaenses
fora de Macau”
Por razões de trabalho, essencialmente, muitos macaenses rumaram a São Paulo. Longe da terra
natal, sentiram necessidade de se congregar. Começou por haver reuniões em restaurantes e
residências de macaenses até que, por fim, surgiu a associação
C
omo e quando nasceu a vossa Casa e quem
foram os fundadores?
- A Casa de Macau localizada em São Paulo é a que
abriga o maior número de macaenses fora dos limites
da fronteira de Macau, constitui um facto histórico.
É histórico em si enquanto entidade de agremiação
cultural e social no âmbito do contexto dos macaenses,
porque independente da posição política que cada
um dos seus associados assume. A ideia era de uma
congregação cultural e social da Casa de Macau
em São Paulo e fora concebida já nos anos 70 pelos
irmãos Gilberto Quevedo da Silva, presidente da Casa
de Macau, da primeira gestão e da actual gestão, e
João Bosco da Silva, in memoriam, e as reuniões eram
promovidas em restaurantes e residências de um e de
outro macaense pelo simples motivo saudoso de rever
os amigos, ou após a mais destacada prática desportiva
Rolando Luz, Rui Branco, Gilberto Silva (presidente), Frederico António, Francisco Inácio
DIRECÇÃO:
Director Presidente
Gilberto Quevedo da Silva
Director Vice-presidente
Roque Rui da Rosa Branco
Secretário-geral
Rolando Maria da Luz
Director Social
Francisco António Inácio
24
Cuza ta fazer?
Director Financeiro
Frederico António
Directora da Provedoria
Hercília Oliveira Inácio (Cilla)
Directora Cultural
Maria Nanette V.P. César
Director Patrimonial
Manuel A.F. Ramos
dos macaenses: hóquei em campo.
- Mas o que tinha São Paulo de tão atractivo para
tantos macaenses aí afluírem?
- Na época, o período marcante dos fins dos anos 60
e ao longo dos anos 70, a imigração de macaenses
para outros países, em especial para o estado de São
Paulo era intenso, quer porque faltavam aos jovens
macaenses condições laborais em Macau (com
excepção de empregos oferecidos na prisão de Stanley
e no Hong Kong and Shanghai Bank e China Light Co.,
entre outros companhias na cidade vizinha), quer em
Portugal e suas colónias africanas, Moçambique e
Angola (fora a Guiné e Timor).
- E foi no meio desta onda que nasceu a vossa Casa?
- Alimentada pela onda imigratória de macaenses,
nasceu a ideia de um local onde se pudessem
congregar os macaenses. O objectivo era que se
pudesse perpetuar, ou ao menos registar, a cultura
macaense no campo da arte teatral, pelo cultivo do
dialecto patuá, da arte gastronómica, da arte musical,
da arte literária e, enfim, da arte da vivência, a
evidenciar a fibra dos macaenses. Assim, fundou-se,
mediante ajuda da Fundação Oriente, por meio do seu
presidente, Dr. Carlos Monjardino, e depois, do exgovernador General Vasco Rocha Vieira, a Associação
da Casa de Macau em São Paulo, como pioneira de
todas as Casas de Macau pelo mundo afora, ressalvada
a Casa em Lisboa.
- E como é hoje?
- A Casa de Macau, na sua versão de hoje ainda
consegue preservar a língua materna portuguesa
e agasalha algumas dezenas de associados, sob
uma dedicada e efusiva directoria executiva, cujos
integrantes directivos não medem esforços nem
dedicação em nome honroso dos macaenses.
- Quem está hoje à frente da Casa?
- A Casa de Macau é presidida pelo incansável
idealizador, director presidente Gilberto Quevedo da
Silva, batalhador e dedicado Frederico António como
director financeiro, por mim, completando a directoria
executiva Rui Branco e Francisco Inácio. Os nomes dos
fundadores constam de um livro de ouro, bem como os
dos patrocinadores e doadores. Havia uma Comissão
Organizadora da Casa de
Macau, cujos membros constam
do site da Casa de Macau em
São Paulo (endereço: www.
casademacausaopaulo.com.br).
- Que serviços prestam na
Casa?
- A Casa de Macau foi instalada
num imóvel de propriedade
da Fundação Oriente à beira
de uma represa, ao qual muitas
dependências e benfeitorias
foram feitas e acrescidas, como
o ginásio, a casa dos idosos,
quiosque de churrasco (forno
a lenha que serve para assar
pizza e churrasqueira), uma
pequena capela de Nossa
Senhora de Fátima, algumas
cozinhas, duas piscinas, de
adulto e de criança, e os
móveis, livros e documentos,
todos do património da Casa
de Macau, excepto o imóvel
em si como dito, pertencente
à Fundação. A estrutura
interna de móveis resulta de
contribuições e doações dos
próprios associados, amigos de
Macau e de São Paulo, e temse mantida modestamente até
hoje.
- Que tipo de actividades
costumam ser
desenvolvidas?
- Na Casa de Macau
desenvolve-se semanalmente
um almoço aos domingos
e outras actividades como
o patuá, o canto coral, a
gastronomia macaense e
outras, as aulas de chinês
(básico, oficial e mandarim,
com distinção entre escrita e
conversação) ministradas por
mim. É também o objectivo da
Casa de Macau incluir os jovens
descendentes dos macaenses
no rumo da associação.
- O que acham que pode
ser melhorado nestes
Encontros das Comunidades
Macaenses?
- Nas reuniões dos associados,
tem-se abordado questões
sobre o Encontro das
Comunidades Macaenses,
ligação com Macau e outros.
Para tanto, uma das questões
principais é a preservação
dos laços com Macau por
intermédio dos parentes
e amigos que moram no
território.
Comemoração Bolo Lunar em 2013
Dia de Macau 2013
Cuza ta fazer? 25
JOE CHEN, VICE-PRESIDENTE DO MACAU CLUB DE TORONTO
Encontro é
“uma reunião fantástica”
O “Encontro das Comunidades Macaenses” é uma reunião fantástica que nos permite voltar
às nossas raízes, manter relações e desenvolver novos contactos, salientou Jope Chen, vicepresidente do Macau Club de Toronto que realça o papel fulcral do Encontro na manutenção
da ligação entre as diferentes comunidades macaenses no estrangeiro, e mantendo a cultura
única de Macau viva
DIRECÇÃO:
Presidentes Honorários
Meng (Michael) Cheong Pou-Man (Paul) Lei
Presidente
Sio-Hong (Anita) Un
Vice-presidentes
Joseph A. (Joe) Chen Yuk Ching (Patti) Lam
Secretário
Yiu-Wing (Christopher) Chan
Tesoureiro
Vai-Yeung (Kitty) Chan
Directores
Kwok-Hung (Albert) Cheng Wai-Shing
(Raymond) Lo Wai-U (Lily) Lei Sik-Cho
(Joe) Wong
Representantes no “Conselho das
Comunidades Macaenses”:
Conselho Geral
Sio-Hong (Anita) Un
Joseph A. (Joe) Chen
Conselho Permanente
Yiu-Wing (Christopher) Chan Joseph A.
(Joe) Chen
Representante na“Confraria da
Gastronomia Macaense” Confrade
Correspondente:
Wai-U (Lily) Lei
26
Cuza ta fazer?
C
omo e quando nasceu a vossa Casa
e quem foram os fundadores?
- No início dos anos 90, houve um
aumento de imigrantes oriundos de
Macau na área de Toronto pelo que havia
necessidade de os novos imigrantes
partilharem as suas experiências,
desenvolverem a sua rede de contactos,
procurarem apoio uns nos outros e
relembrar o passado. Era altamente
desejável existir uma associação que
respondesse a estas necessidades, que
fornecesse actividades localizadas e
desenvolvesse as relações com outras
comunidades do Canadá.
Assim, em Setembro de 1991, foi
estabelecido uma comissão para criar
uma associação de Macau, com sede em
Toronto. A comissão era constituída por
18 pessoas e foram nomeadas outras
cinco para um grupo de trabalho que
iria coordenar os esforços. Nos dois
anos seguintes, a comissão trabalhou
arduamente na recolha de fundos e na
organização de diversos banquetes para
angariação de membros, com bastante
sucesso. Em Março de 1993, o Clube de
Macau (Toronto) Inc. recebeu autorização
do Governo para operar como uma
organização sem fins lucrativos, tendo
o Sr. Michael Meng Cheong como
presidente fundador.
- Que histórias ficarão para sempre
ligadas à vossa associação?
- Nós orgulhamo-nos de ser o ponto
central para actividades sociais e
culturais para pessoas de Macau a viver
em Toronto. Promovemos a amizade e
trocas culturais com outras comunidades
em Toronto. Trabalhamos arduamente
para elevar o perfil da comunidade
macaense em Toronto.
- Que tipo de actividades costumam
realizar com regularidade?
- As nossas actividades regulares são:
aulas de caligrafia chinesa; aulas de
pintura chinesa; aulas de meditação;
aulas de tai chi; aulas de música chinesa
com “erhu” e aulas de violino.
Todos os meses temos um jantar de
convívio e comemoramos os aniversários
dos membros. Nesses encontros mensais
temos gastronomia diferente, por
exemplo: comida cantonense, festival
de caril, minchi macaense, bacalhau
macaense, etc. No jantar mensal, também
convidamos oradores para falar com
os nossos membros sobre tópicos com
interesse para a comunidade, como por exemplo:
estilo de vida, saúde, dieta, policiamento, etc.
As nossas actividades anuais também inserem a
celebração do Ano Novo chinês; torneio de Mahjong,
jantar anual, celebração do Festival da Lua e passeios
de autocarro para visitar atracões turísticas nas
proximidades
Os nossos eventos especiais incluem: exposições de
arte para promover o intercâmbio cultural; celebração
do 10º Aniversário da RAEM; Exposição fotográfica
para promover Macau; Encontro das Comunidades
Macaenses; Recentemente celebramos o 20º
Aniversário do Clube com um jantar de gala.
- Quem costuma participar?
- Membros e amigos do Clube de Macau
- No desenvolvimento das actividades, quais são
as maiores dificuldades que encontram?
- O financiamento é o nosso maior problema.
Quando planeamos os eventos, cada um deles tem
de ser equilibrado, não nos podemos dar ao luxo de
apresentar perdas.
- Como é a participação dos jovens (na vossa
Casa)? É difícil incentivá-los a participar nas
vossas actividades?
- A participação dos jovens é bastante baixa. Os
nossos membros mais jovens estão normalmente
ocupados com a escola ou com as famílias.
- Dão a conhecer as tradições macaenses a outras
comunidades? De que forma?
- Alguns dos nossos membros também fazem parte
de outras Casas e participam nos eventos que esses
clubes organizam.
- Com quantas pessoas conta a comunidade
macaense em Toronto?
- Não temos conhecimento de nenhuma estimativa
oficial.
- Do que sentem mais falta?
- Sentimos falta dos diversos festivais que há em
Macau e da atmosfera associada a eles.
- O que costuma envolver mais a comunidade?
- A nossa comunidade adora comer. Ultrapassamos
sempre o número de inscrições nos jantares mensais
quando servimos comida macaense.
- Como mantêm a ligação a Macau?
- O “Encontro das Comunidades Macaenses” é uma
reunião fantástica que nos permite voltar às nossas
raízes, manter relações e desenvolver novos contactos.
- O que acham que pode ser melhorado nestes
encontros das Comunidades Macaenses?
- Os nossos membros estão a ficar velhos e o Encontro
das Comunidades Macaenses precisa de incentivar a
geração mais velha a conduzir os jovens a participar,
facilitando a transferência de cultura para os mais
novos.
- Em que contribuem estes encontros para a
comunidade?
- O “Encontro” tem um papel fulcral na manutenção da
ligação entre as diferentes comunidades macaenses
no estrangeiro, e mantendo a cultura única de Macau
viva.
- Qual o orçamento anual que têm disponível e a
origem das verbas?
- Pedimos desculpa, mas é inconveniente revelar essa
informação.
Cuza ta fazer? 27
MARIA FÁTIMA DA ROZA GOMES, PRESIDENTE DA UNIÃO MACAENSE AMERICANA
“O Encontro contribui
para renovar e aumentar
o interesse na cultura macaense”
Foi a primeira Casa a ser destacada com o Prémio Identidade do Instituto Internacional
de Macau, marcante na história da associação. Na Califórnia deverão existir cerca de 2.000
macaenses, nas contas da presidente. Envolver os jovens é que é mais difícil
C
Presidente
Maria Fátima da Roza Gomes
28
Cuza ta fazer?
omo e quando nasceu a vossa
associação?
- A nossa Casa foi fundada em São
Francisco, na Califórnia, em 1958. A
missão da Casa foi definida em 1959
e tem sido quase sempre a nossa
missão que é preservar, engrandecer
e promover a cultura, o património, a
tradição e a história dos antepassados
portugueses/macaenses; promover uma
relação fraterna com grupos semelhantes
a nível global e promover a interacção
social entre os membros.
- Que histórias ficarão para sempre
associadas à vossa Casa?
- Fomos a primeira Casa a ser galardoada
com o prestigiante Prémio Identidade
do Instituto Internacional de Macau. Os
nossos eventos divertidos; membros
maravilhosos que têm dado muito apoio,
são activos e prestáveis em todos os
eventos e os boletins trimestrais.
- Que tipo de actividades costumam
realizar?
- Costumamos ter um piquenique de
família, um torneio de bowling na relva
e jantar, um torneio de golfe e jantar, um
dia de jogos e socialização, uma missa e
almoço pelo São João e pela celebração
de Nossa Senhora de Fátima, noite de
dança e jantar e almoço de dim sum.
- Quem participa normalmente?
- Os membros e a sua família.
- No desenvolvimento das actividades,
quais são as maiores dificuldades que
encontram?
- Fundos – alguns subsídios da Casa
para tornar os eventos suportáveis e
o agendamento de maneira a que os
eventos não coincidam com os das outras
duas casas na Califórnia, assim como
outras organizações nas quais os nossos
membros participam activamente.
- Como é a participação dos mais
novos? É fácil ou é difícil fazer
com que as gerações mais recentes
participem nas actividades?
- Os nossos membros mais novos, assim
como os filhos da maior parte dos
membros são muito activos no desporto
e projectos académicos, tal como é
típico da juventude dos Estados Unidos,
por isso é difícil levá-los a participar. Os
nossos membros estão também muito
espalhados por toda a Califórnia, outros
estados e alguns estão mesmo fora dos
Estados Unidos. A maioria dos nossos
jovens está também espalhada por
universidades americanas e empenhada
nas suas carreiras.
- Dão a conhecer as tradições
macaenses a outras comunidades?
De que forma?
- Os nossos membros estão muito
integrados nos Estados Unidos e
conhecem bem as tradições de outras
comunidades e participam em muitas
actividades nas suas comunidades.
- Com quantas pessoas conta a
comunidade macaense no sítio onde
estão radicados?
- Provavelmente cerca de 2.000 no norte
da Califórnia.
- Do que sentem mais falta?
- Os nossos jovens estão muito
integrados nas comunidades dos
Estados Unidos. Muitos deles desfrutam
e estão familiarizados com as suas
raízes macaenses e especialmente a
cozinha de Macau.
- Como mantêm a ligação a Macau?
- Os encontros ajudam e a Casa é a fonte
principal da ligação a Macau.
- O que poderá ser melhorado
nestes encontros das comunidades
macaenses?
- Maximização de fundos para beneficiar
mais participantes. Fundos individuais
para pessoas que tenham entre 40 e 60
anos uma vez que são financeiramente
capazes de fazer algumas viagens e
com mais fundos podem escolher ir até
Macau. Seria muito bom poder ter mais
comida macaense e aulas de cozinha
macaense e portuguesa.
- Em que contribuem estes encontros
para a comunidade?
- O Encontro contribui para renovar
e aumentar o interesse na cultura
macaense e no património que todos
partilhamos.
- Qual é o vosso orçamento anual?
­- Os nossos fundos são os pagamentos
das anuidades e o que a Casa conseguiu
juntar ao longo de muitos anos no
passado. Temos uma direcção de nove
membros que se encontra pelo menos
duas vezes por ano para trabalhar e
aprovar todas as actividades, orçamento
e todos os assuntos da Casa.
Cuza ta fazer? 29
LUIZ SOUZA, PRESIDENTE DO CLUB LUSITANO DE HONG KONG
“O Club não experiencia a
‘saudade’” como outras Casas
Quem está ao comando desta associação faz questão de diferenciar o Club
Lusitano de outras Casas de Macau, fazendo uma comparação com o Clube
Militar. Já a proximidade a Macau, faz com que as saudades não se sintam tanto
DIRECÇÃO:
Presidente
Luiz A. Souza
Secretário
Richard A. Sousa
Tesoureiro
Patrick A. Rozario
Outros Membros
Anthony F. Correa;
Philip D. Morais;
Leonardo J. D’Almada Remedios;
Jose M. D’Almada Remedios;
Dr. Albert E. Rodrigues;
Anthony M. Souza
30
Cuza ta fazer?
C
omo e quando foi o Club Lusitano
fundado?
- O Club Lusitano de Hong Kong não é uma
“Casa de Macau” no sentido estrito, no
sentido em que nos referimos hoje às Casas
de Macau. Foi fundado a 17 de Dezembro
de 1866 por membros da comunidade
portuguesa em Hong Kong. Localizado na
Rua Shelley, o edifício do Club tinha um
salão largo, um teatro e algumas salas de
convívio. De forma a mudar-se para um
local mais central, o Club passou a ocupar
desde 1920 as actuais instalações na
Rua Ice House. Em conclusão, a primeira
pedra do novo edifício foi lançada por Sir
Reginald Stubbs, Governador de Hong
Kong, e por Henrique Monteiro Correia,
Governador de Macau. O Club ocupa
actualmente cinco andares do edifício, que
foi remodelado em 2001.
- Que tipo de actividades costumam
realizar?
- O Club promove jantares e banquetes
e oferece as instalações aos seus 480
membros e convidados. Recentemente, o
Club já promoveu as seguinte actividades
dignas de nota: almoço com Vítor Sereno,
o novo Cônsul-geral de Portugal na RAEM;
cocktail de despedida com o Cônsul-geral
Manuel de Carvalho; jogo amigável de
snooker com o Hong Kong Club; Taça do
Club Lusitano de Hong Kong (a primeira
taça foi realizada no hipódromo de Happy
Valley em 1863); as celebrações do Dia
Nacional de Portugal, com Vítor Sereno
como convidado especial; cocktail de
recepção ao lançamento do livro de
Carmen Mendes, autora de “Portugal,
China and the Macau Negotiations 19861999”; almoço de trabalho com Nuno
Brito, Secretário de Estado da Agricultura;
almoço de trabalho com uma delegação da
Associação Industrial Portuguesa e almoço
informal com D. Duarte Pio, Duque de
Bragança.
- Que histórias vão ficar para sempre
associadas ao vosso Club?
- Há muitas histórias associadas ao Club
Lusitano, mas há uma especial. A 7 de
Abril de 1924, o Comandante Brito Pais,
juntamente com o Capitão
Sarmento de Beires, tentou
um voo de volta ao mundo
no seu biplano Breguet XVI
(chamado “Pátria”). A 7 de
Maio desse ano, um motor
falhou e levou o avião a
despenhar-se em Boudhana,
na Índia. Mas retomaram o
voo usando um outro avião,
o DeHaviland Liberty 9A,
chamado “Pátria II”. A 20
de Junho, antes de tentarem
aterrar em Macau, foram
apanhados por ventos muito
fortes e tiveram de aterrar
nos Novos Territórios,
próximo de Hong Kong.
Parte da hélice do avião
adorna agora uma parede
na sala de jantar do Club, a
Sala Leal Senado.
- De que forma dão a
conhecer as tradições
macaenses a outras
comunidades?
- No passado, o Club apoiou
um conjunto variado de
artes e de actividades
culturais ligadas à
educação, língua, ensino,
música, literatura, comida
e bebida como forma
de promover a cultura
portuguesa/macaense
principalmente em Hong
Kong e Macau. Estando
localizado em Hong Kong
e devido à proximidade
com Macau, o Club Lusitano
e os seus membros não
experienciam a “saudade”
da mesma forma que os
membros das outras Casas
espalhadas pelo mundo.
De facto, muitos dos
fundadores de outras Casas
e seus descendentes foram
previamente membros do
Club Lusitano e do seu
clube irmão, o Club Recreio,
antes de embarcarem nas
suas viagens para outras
partes do mundo.
- Como é a participação
dos mais jovens?
- Devido à influência
de outras culturas e a
necessidades económicas,
é claro que é um desafio
constante para o Club
e outras Casas atrair os
jovens para participar nas
actividades.
Hall do 24º andar
27º andar
Cuza ta fazer? 31
32
Cuza ta fazer?
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