A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO NA CADEIA PRODUTIVA DA
MANGA: ESTUDO DE CASO NA REGIÃO DO VALE DO SÃO FRANCISCO
Orientado pelo Prof. MSc. Waldenir Sidney Fagundes Britto
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Área Temática
4 - Sistemas Agroalimentares e Cadeias Agroindustriais
Apresentação em sessão sem debatedor.
A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO NA CADEIA PRODUTIVA DA
MANGA: ESTUDO DE CASO NA REGIÃO DO VALE DO SÃO FRANCISCO
RESUMO
O objetivo deste trabalho é demonstrar, a partir do preço final do produto ao
consumidor, o valor adicionado e distribuído pelos elos da cadeia produtiva da manga, em
um estudo de caso analisado na região do Vale do São Francisco, no município de PetrolinaPE, durante o mês de novembro 2004. Foi constatado que ao produtor rural coube uma
parcela considerável na demonstração do valor adicionado, em torno de 58% do valor total.
Tal fato é relevante, mas precisa ser considerado que o estudo foi realizado com um produtor
que comercializa parte de sua produção junto a uma rede de supermercados, negociando
preços semanalmente, podendo não refletir uma mesma situação para um conjunto de
produtores, principalmente para aqueles que não estejam organizados em cooperativas ou
associações.
PALAVRAS CHAVES
Cadeia Produtiva da Manga;Vale do São Francisco; Valor Adicionado
A DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO NA CADEIA PRODUTIVA DA
MANGA: ESTUDO DE CASO NA REGIÃO DO VALE DO SÃO FRANCISCO
INTRODUÇÃO
A manga é uma fruta cultivada milenarmente em condições subtropicais e tropicais.
Apesar disso, seu consumo ainda é baixo.
Embora a manga possua inúmeras formas de aproveitamento graças a uma gama de
derivados (suco, polpa, néctar, chutney, sorvete, fruta desidratada, cristalizada), é o consumo
in natura da fruta que responde pela sustentação econômica desse agronegócio.
Hábitos de compra e preferência dos consumidores de frutas, tais como: locais onde
adquirem, freqüência e volumes de aquisição definem em grande parte, as operações
anteriores na cadeia de comercialização.
Com base em um estudo de caso junto a um Supermercado, produtor rural e feira, da
localidade do Sub-Médio São Francisco, este trabalho objetiva descrever o funcionamento da
Cadeia Produtiva da manga Tommy Atkins na região do Vale São Francisco, no aspecto da
agregação de valor, ou seja, determinação dos ganhos dos elos da Cadeia Produtiva da manga.
Por ser um assunto pouco explorado, procedemos ao atual trabalho com a finalidade
de identificar quanto cada elo dessa Cadeia agrega ao produto final, em valores monetarios.
Também é demonstrado o comportamento de produção na região bem como
abordados alguns conceitos tais como: Cadeia, Complexo, Sistema, Agregação de Valor,
Margem de Comercialização, Demonstração do Valor Adicionado para uma melhor
compreensão do trabalho.
1. O CULTIVO DA MANGA NO BRASIL E NO SEMI-ÁRIDO NORDESTINO
O cultivo da mangueira no Brasil pode ser dividido em duas fases distintas: a primeira
caracterizada pelos plantios de forma extensiva, com variedades locais (Bourbon, Rosa,
Espada, Coqueiro, Ouro) e pouco ou nenhum uso de tecnologias; e a segunda, caracterizada
pelo elevado nível tecnológico, como irrigação, indução floral e variedades melhoradas.
No Brasil, a manga é cultivada em quase todas as regiões, com destaque para o
Sudeste e para o Nordeste.
A mangicultura na região semi-árida destaca-se, não apenas pela expansão da área
cultivada e do volume produzido, mas, principalmente, pelos altos rendimentos alcançados e
qualidade da manga produzida.
No pólo Petrolina/Juazeiro encontra-se o maior exemplo de desenvolvimento agrícola
em áreas irrigadas da região Nordeste. A partir da implantação dos perímetros públicos e
privados na região, no final dos anos 60, e dos investimentos estatais em infra-estrutura
hídrica e elétrica, a agricultura irrigada torna-se a principal atividade econômica da região
produzindo impactos significativos sobre a renda e emprego.
O desenvolvimento agrícola da região se beneficia das condições climáticas, com
elevada insolação durante o ano, e solos de boa aptidão que ajudam a promover a qualidade
da produção irrigada de frutas.
No pólo Petrolina/Juazeiro apesar de não existir uma homogeneidade de padrões
produtivos, a fruticultura conseguiu abrir brechas no mercado internacional e se posicionar de
maneira competitiva, mediante os esforços de seus produtores. (LACERDA & LACERDA,
2004).
Para responder de forma ampliada ao mercado, principalmente o externo, uma
empresa não consegue ser bem sucedida agindo isoladamente, frente ao número de restrições
impostas pelos parceiros comerciais. Esse cenário vêm pressionando as empresas a buscarem
um inter-relacionamento entre si, enfatizando a investigação com vistas à melhoria na cadeia
produtiva.
Segundo informações divulgadas na Revista FrutiFatos (2004), para o mercado
externo, o valor do produto depende da forma de produção, ou seja, os meios como:
adubação, irrigação, controle de pragas, doenças e resíduos tóxicos. Mas, para se ter um maior
valor agregado, o produto necessita ter: marca, tipo de embalagens, etc, onde um bom
investimento em marketing torna-se ponto estratégico para a absorção de novos mercados.
Hoje, na zona semi-árida do Nordeste, estão sendo implantadas novas formas de
produção como a Produção Integrada nas culturas da manga e da uva.
Conforme LACERDA (2002), a Produção Integrada (PI), enfoca as exigências da
demanda por produtos saudáveis, com baixos teores de resíduos químicos e preocupa-se com
a gestão ambiental. Uma vez associados a este sistema, os produtores passam a utilizar marcar
e selos que comprovam a qualidade internacional dos produtos, como por exemplo, o ISO
9000 e ISO 14000. A norma do ISO 9000 estabelece requisitos para assegurar a qualidade do
produto e as normas do ISO 14.000, visam a questão ambiental.
No pólo, informações sobre mudanças na demanda, indicadores de mercado, criação
de marcas para os principais produtos, dentre outros, são coordenados pela VALEXPORT
(Associação de Produtores e Hortifrutigranjeiros e Derivados).
Segundo dados da VALEXPORT, entre as principais iniciativas da Associação está a
criação da Brasilian Grape marketing Board, que exporta a manga e a uva produzida no Vale
com uma única marca, padronizando embalagens, rótulos e a qualidade do fruto. A
importância de produtos com certificados (selos/logomarcas) fazem a diferença no mercado
internacional agregando valor ao produto e viabilizando sua aceitação em função da qualidade
e proteção ambiental, comparado aos produtos sem recomendação.
2. DESEMPENHO DA MANGA NO PÓLO PETROLINA/JUAZEIRO
A cultura da manga no Vale São Francisco corresponde à cerca de 22 mil hectares
plantados, sendo a maior região produtora brasileira. Do total, 62,8% encontram-se no Estado
da Bahia, 25,7% em Pernambuco e 10% em Minas Gerais. O pólo Petrolina/Juazeiro
apresenta a maior densidade do plantio de manga existente em todo o Vale (CODEVASF
apud LACERDA & LACERDA, 2004). Houve um aumento da quantidade produzida no pólo
Petrolina/Juazeiro, em 1990 representava 0,67% da produção brasileira, em 2001 representou
26,8%. O aumento da quantidade produzida (em mil frutos) foi de 1990% no período,
conforme tabela:
TABELA 1: Quantidade produzida de manga no Brasil e Petrolina/Juazeiro (Milhões de frutos) 1990-2001.
Anos
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
Brasil
1.557,6
1.571,6
1.575,5
1.610,0
1.728,3
1.823,9
1.695,4
Quantidade produzida
Petrolina/Juazeiro
10,536
11,97
33,037
68,294
86,713
94,54
133,575
1997
1998
1999
2000
2001
2.033,9
1.874,4
1.825,8
2.153,2
782,34
190,097
217,539
207,222
384,185
209,69
Fonte: IBGE. Produção Agrícola Municipal, 2003 apud LACERDA & LACERDA, 2004.
A fruticultura no pólo Petrolina/Juazeiro, de modo geral e especificamente a manga
Tommy Atkins, se expressa em um conjunto de atividades inter-relacionadas, constituindo
uma cadeia produtiva com um certo grau de complexidade. Complexidade, principalmente,
em função da diversidade: a) de atores presentes no espaço produtivo; b) dos mercados
consumidores; c) das formas de organização dos produtores. Os produtores dependem do
mercado consumidor e o mercado por sua vez também depende dos produtores. Então é
preciso reduzir a complexidade buscando benefícios mútuos, solucionando as questões de
preço, distribuição, etc.
3. AGRONEGÓCIOS: EVOLUÇÃO HISTÓRICA E CONCEITO
No início das civilizações, os homens viviam em bandos, nômades de acordo com a
disponibilidade de alimentos oferecidos pela natureza. Praticavam a coleta de alimentos
silvestres, a caça e a pesca. Quando os recursos de um lugar se acabavam, o homem mudava
para outra região. Com o passar dos tempos, o homem aprendeu cultivar plantas e criar
animais. Dá-se o começo da agropecuária e o homem passa a viver em lugares fixos,
principalmente nos vales férteis dos rios.
As propriedades rurais eram muito diversificadas, com várias culturas e criações
diferentes, necessárias à sobrevivência de todos que ali viviam. As propriedades praticamente
produziam e industrializavam tudo que necessitavam. E assim, eram quase auto-suficientes.
A evolução da economia, sobretudo com os avanços tecnológicos, mudou a fisionomia
das propriedades rurais, principalmente nos últimos cinqüenta anos. As propriedades
passaram a depender de muitos serviços, máquinas e insumos que vêm de fora e a depender
também do que ocorre depois da produção, como armazéns, infra-estrutura diversas (estradas,
portos e outras), agroindústrias, mercado atacadista, mercado varejista, exportação.
Analisando esse progresso dois professores (John Davis e Ray Goldberg), da
Universidade Havard, nos EUA, em 1957, lançaram um conceito (o termo agribusiness), para
entender e abranger essa nova realidade da agricultura e o definiram como:
“... o conjunto de todas operações e transações envolvidas desde a
fabricação dos insumos agropecuários, das operações de produção nas
unidades agropecuárias, até o processamento e distribuição e consumo dos
produtos agropecuários ‘in natura’ ou industrializados” (RUFINO apud
ARAÚJO, 2003).
Esse termo agribusiness espalhou-se sendo adotado por diversos países.
Porém, o termo passou praticamente toda a década de 1980 sem tradução para o
português. Conforme ARAÚJO (2003), somente a partir da segunda década de 1990, o termo
agronegócios (traduzido em português) começa a ser aceito e adotado, originando a criação de
cursos superiores em agronegócios.
3.1. Visão Sistêmica do Agronegócio
Segundo CAUTELA E POLLONI (1992), sistema é um conjunto de elementos
interdependentes em interação, com vistas a atingir um objetivo.
É fundamental compreender o Agronegócio dentro de uma visão sistêmica que
engloba os setores conhecidos como antes da porteira, durante e após a porteira, pois é uma
ferramenta indispensável aos tomadores de decisão, tais como autoridades públicas, agentes
econômicos privados, para a formulação de políticas adequadas.
Os setores antes da porteira são compostos basicamente pelos fornecedores de
insumos e serviços, como: máquinas, implementos, defensivos, fertilizantes, corretivos,
sementes, tecnologia e financiamento.
No setor dentro da porteira temos o conjunto de atividades desenvolvidas dentro das
fazendas, é a produção agropecuária propriamente dita, envolvendo preparo e manejo de
solos, tratos culturais, irrigação, colheita, criações, etc.
O setor após a porteira refere-se às atividades de armazenamento, beneficiamento,
industrialização, embalagens, distribuição, consumo.
3.2. Cadeias Produtivas
Surgiu na França, na década de 1960, mais precisamente na Escola Francesa de
Organização industrial, o conceito de “filière” (fileira=cadeia) aplicado ao Agronegócio.
Segundo PROCHNIK (2002), Cadeia Produtiva é um conjunto de etapas consecutivas
pelas quais passam e vão sendo transformados e transferidos os diversos insumos.
Para BATALHA (2002), uma cadeia é definida a partir da identificação de
determinado produto final. Após esta identificação, cabe ir encadeando de montante a
montante, as várias operações técnicas, comerciais e logísticas, necessárias a sua produção.
É oportuno distinguir entre Cadeia, Complexo e Sistema Agroindustrial. Conforme
definições vistas anteriormente, a Cadeia parte de um produto final específico e vai se
encadeando as etapas que contribuíram para a fabricação deste produto. O complexo, parte de
uma determinada matéria prima mediante os diferentes processos que ela pode sofrer até ser
transformada em diferentes produtos finais. Por exemplo: complexo da manga, onde se obtém
o sorvete, a polpa, etc. E Sistema Agroindustrial, é o conjunto, pois engloba desde a produção
de insumos até a chegada ao consumidor final. Ele não parte de uma matéria prima como o
Complexo e nem de um produto final como a Cadeia.
3.3. Coordenação da Cadeia Produtiva
Nas últimas décadas, surgiram novos conceitos utilizados para expandir e aprofundar a
cadeia produtiva com o objetivo de dar respostas mais rápidas às oportunidades de negócios
ao longo da cadeia produtiva, dentre esses conceitos temos a gestão da Cadeia de
Suprimentos. Segundo ZYLBERSZTAJN e NEVES (2000), gestão da Cadeia de Suprimento
é a integração dos processos comerciais até o consumidor final através dos fornecedores
originais, que fornecem produtos, serviços e informação (e, portanto, valor agregado aos
clientes). Então observa-se que quanto mais bem definida for a coordenação da cadeia
produtiva, mais organizada e mais eficiente ela será. Como exemplo temos a avicultura e
suinocultura brasileira que conseguem ser competitivas, pela eficiência dos participantes e
pela coordenação da cadeia.
3.4. Perdas na Cadeia Produtiva de Comercialização da manga
É preciso considerar que uma das características marcantes do mercado interno é o
elevado percentual de perdas decorrentes de logística inadequada, da capacitação e dos
cuidados no manuseio do produto na região, com perdas ao redor de 40%, segundo dados da
EMBRAPA. Sendo que o transporte e o manuseio são os principais responsáveis.
É importante a conscientização a respeito da importância da monitoração das perdas
na cadeia de comercialização da manga, as sua causas, manuseios, técnicas para sua redução,
visando desta maneira, minimizar os desperdícios e aumentar o lucro e a competitividade dos
participantes da cadeia.
As perdas podem ser de ordem quantitativa, ou seja, redução na quantidade física
disponível para o consumo; qualitativa, que é a diminuição na qualidade da fruta, tornando-a
assim, desqualificada para os mercados mais rentáveis economicamente, porém mais
exigentes (mercado externo); nutricional, pelo declínio do valor nutricional do alimento.
3.5. Otimização da Cadeia de Suprimento
A otimização da Cadeia de Suprimento permite obter a rastreabilidade de todo o
processo da cadeia de agronegócio da manga, possibilita minimizar a distância e o tempo de
comercialização entre o produtor e o consumidor, bem como as perdas do produto, pois dessa
forma, há um controle de quanto e onde estão havendo as perdas. Assim, é possível atuar em
todo o processo de comercialização da manga. Segundo CHOUDHURY (2004), o objetivo da
gestão da cadeia de suprimentos é planejar, organizar, coordenar e controlar o fluxo do
produto, as informações e os recursos financeiros entre todos os participantes da cadeia. O
comprometimento entre os participantes contribui para aumentar a transparência e a eficiência
na comunicação entre os membros, desde o consumidor até o produtor e vice-versa. Assim, a
cadeia será um sistema orientado para o fluxo rápido e a redução das perdas e
conseqüentemente dos custos no processo de comercialização.
4. FLUXO DE INFORMAÇÕES NO SISTEMA AGROINDUSTRIAL
Figura 1 Fluxo de Informações no Sistema Agroindustrial
Produtos + Serviços
Comunicações
Empresa
de
insumos
Produção
Agropecuária
Agroindústria
Indústria
de
alimento
Atacado
Varejo
Consumidor
Informações
Pedidos + $
Fonte: NEVES, Marcos Fava. Economia & Gestão dos Negócios Agroalimentares.
Usamos como exemplo este fluxo de informações do autor Marcos Fava Neves, para
evidenciar a necessidade que existe de comunicação entre os elos da cadeia. Por exemplo:
para que o produtor tome a decisão do que produzir, quanto produzir, é necessário que tenha
informações sobre o consumidor, ou seja, para quem produzir.
Vale ressaltar que no gráfico acima as informações fluem de um elo antecessor para
um sucessor ou vice-versa, porém nada impede que o varejista se comunique com o produtor,
contribuindo com sugestões para melhoria na qualidade dos produtos, discutindo preços,
redução de perdas, etc.
Os produtos têm o objetivo principal de satisfazer as necessidades nos seres humanos
(necessidades de alimentação, proteção...). Segundo ARAÚJO (2003) é trabalho do marketing
transformar necessidades em desejo, ou seja, é papel do Marketing ajudar no fluxo de
informações, no sistema agroindustrial, bem como ajudar os componentes da cadeia a
monitorarem o ambiente onde operam, onde cada elo deve desenvolver seu plano de
marketing.
O consumidor industrial difere do consumidor final, por ser em menor número e
também em nível de decisão, onde as fases são resumidas na busca de fornecedores, a
solicitação de propostas, a seleção de fornecedores, a especificação de uma rotina de compras
e entregas e revisão periódica do desempenho, mas tudo ocorre através do fluxo de
comunicação.
Os consumidores finais: última etapa dos Sistemas Agroindustriais são variados e o
seu comportamento de compra também, cujo estudo é fundamental para satisfazer suas
necessidades. Portanto, um trabalho integrado de comunicações entre fornecedores de
insumos, produtor, agroindústria, consumidor final, etc, abre grandes oportunidades.
5. CONSIDERAÇÕES SOBRE CULTIVO, COLHEITA, PÓS-COLHEITA E
COMERCIALIZAÇÃO QUE INTERFEREM NA CADEIA PRODUTIVA
Com base em informações divulgadas nas revistas FrutiFatos (2002 e 2004),
montamos a estrutura abaixo, abordando as etapas da cadeia produtiva da manga e os fatos
que podem provocar perdas ou ganhos e justamente por isso enfatizam a necessidade de
integração e fluxo de comunicação:
Cultivo
1. Hoje, grandes debates encontram-se no uso de produtos transgênicos, convencionais,
orgânicos e hidropônicos, que despontam como .
2. A introdução de novas tecnologias tem que estar de acordo com as exigências do
mercado consumidor. Uma tecnologia de ponta pode não ser necessariamente a
melhor. A introdução de nova tecnologia deve vir acompanhada de análises de todas
as variáveis que envolvem sua adoção, tais como custos financeiros, sociais,
ambientais, possibilidades de mercado.
3. A manga para apresentar características exigidas principalmente pelo mercado
internacional, onde são levadas em consideração: a forma, cor, tamanho, peso e
qualidade, deve ser produzida com a observância de cuidados culturais e pós-colheita,
visando a sanidade dos frutos. Para uma produção de qualidade é necessária uma
atenção especial, no que diz respeito à nutrição e controle das pragas e doenças.
Colheita
4. Cada cultura tem sua produção em ponto específico para ser colhida e exige um tipo
diferente de operação. O mais importante é saber exatamente o ponto e o método de
colheita e, sobretudo, evitar perdas.
5. Para aceitação nos principais mercados a fruta é avaliada em termos de critérios que
condicionam o seu ponto de colheita. Entre os critérios deve-se destacar a mudança da
cor da casca e da polpa. Outros critérios utilizados são: densidade específica de 1,01
1,02 g/Cm³, resistência da polpa à pressão de 1,75 kg/Cm², o Brix, a acidez e a
transparência do látex que é eliminada através do pedúnculo.
Pós-colheita
6. Produtos como frutas e hortaliças, necessitam de cuidados especiais desde a colheita
até o consumidor final, porque são muito sensíveis e estão muito sujeitos a perdas. Por
isso exigem cuidados no transporte, armazenagem, classificação e embalagens.
7. O processo de armazenamento consiste em acondicionar a manga tanto sob condições
de atmosfera normal como atmosfera modificada ou controlada. Para o tratamento do
produto sob atmosfera normal a faixa de temperatura ideal situa-se entre 10-15ºC e
umidade relativa entre 85 e 90%. Nestas condições os produtos podem ser
conservados por um período de 2 a 3 semanas, quando colhidos antes da maturação.O
armazenamento sob condições de atmosfera modificada ou controlada consiste em
reduzir a concentração de oxigênio e aumentar o dióxido de carbono, e mantendo a
temperatura entre 14 a 15ºC e umidade relativa 85 a 90%, esse método inibe o início
do amadurecimento possibilitando maior período de conservação da fruta.
8. No processo de embalagem, as exigências básicas do material para a manga são:
proteger contra os danos mecânicos; permitir a ventilação para evitar acúmulo de gás
carbônico e calor; ajustar-se às normas de manejo, tamanho, peso e ser fácil de abrir;
ser de custo compatível com o produto.
9. Há preferência pelas caixas plásticas e de papelão, em detrimento das caixas de
madeira, uma vez que as caixas de madeira, causam danos aos produtos, aumentando
as perdas/quebras, além de disseminar doenças.
10. Os principais fatores que contribuem para danificar as frutas são: manuseio pelos
clientes e funcionários, embalagens inadequadas, falta de refrigeração e transporte
impróprio.
11. Entende-se por Cadeia de Frio o processo de se prover com refrigeração os produtos
agrícolas após a sua colheita, ou seja, nas etapas de pós-colheita, transporte e
armazenamento até o consumidor final. O Brasil, que é um país onde a temperatura
ambiente é relativamente alta, é comum o produto receber refrigeração somente na
casa do consumidor, o que não deveria acontecer, pois sem a Cadeia de Frio, prejuízos
serão contabilizados pelo produtor, comerciante e pelo consumidor final.
12. Para atender o comportamento dos consumidores e verificar a durabilidade dos
produtos na banca de venda, é vital que produtores façam visitas periódicas aos seus
compradores. A percepção de qualidade das frutas é baseada em aspectos visuais. E
tais visitas teriam por objetivo obter informações que poderiam contribuir para
possíveis necessidades de correção no processo de produção e pós-colheita,
melhorando a qualidade e valorizando os produtos.
Comercialização
13. Deve-se atentar para o uso de embalagens persistentes ao empilhamento durante o
processo de refrigeração e transporte. As frutas são colocadas na embalagem conforme
padrão estabelecido de acordo com o número de frutas por caixa. As embalagens
confeccionadas para o mercado internacional são confeccionadas em papelão
ondulado de parede dupla.
14. Os produtos embalados geram custos superiores ao granel. Esses custos precisam ser
repassados para o produto final. Por outro lado, no granel as quebras ficam reduzidas.
No entanto, ainda não foram implantados mecanismos internos de aferição que
possam reduzir as quebras e, conseqüentemente o preço final do produto.
15. A estratégia de embalar os produtos no próprio supermercado beneficia a loja, pois
estará agregando valor aos seus produtos adquiridos a granel, com o uso de
embalagens, filmes plásticos, mão-de-obra, etc. Com isto, os supermercados,
absorvem margens de comercialização que poderiam ser apropriadas pelos produtores
e suas associações, caso se dispusessem a entregar ao menos parte de seus produtos já
embalados.
16. Os lojistas visam aprimorar as relações comerciais e operacionais junto aos
fornecedores em relação às necessidades comuns.
17. Os principais fatores que mantêm o relacionamento entre supermercadista e
fornecedores de frutas são, pela ordem, qualidade, atendimento e confiabilidade.
18. Alguns fatores que descontentam as lojas são a falta de fidelidade profissional,
embalagens inadequadas, descumprimento da quantidade pactuada e de prazos de
entrega.
19. Os lojistas vêem grande potencial para os produtos orgânicos (alimentos livres de
agrotóxicos). O entrave ao maior crescimento de sua comercialização é quanto ao
preço.
20. A climatização das lojas passa a ser essencial para manter a qualidade dos produtos,
assim como o transporte refrigerado por parte do fornecedor.
21. Além da câmara fria, o uso de balcões e gôndolas resfriadas combate o calor.
22. É interessante que seja averiguado, se a loja possui condições técnicas de receber os
produtos, uma vez que a ausência de instalações adequadas aumenta o índice de
quebras, que muitas vezes são cobradas a título de reposição do fornecedor e poderiam
ser dispensadas se os produtos fossem armazenados e expostos de forma mais
adequada.
Conforme frisado anteriormente, a cadeia deve funcionar de forma integrada de
maneira a proporcionar benefícios mútuos, levando em consideração os fatores acima
elencados que interferem na cadeia e conseqüentemente no aspecto a ser abordado que é a
remuneração da cadeia produtiva.
Como o objetivo do trabalho é a análise da cadeia produtiva da manga no aspecto da
agregação de valor, ou seja, determinação dos ganhos dos elos da cadeia, onde será mostrada
a Demonstração do Valor Adicionado (DVA) do Produtor e em seguida a remuneração da
cadeia, convém abordar previamente a estrutura da DVA, bem como sua importância e ainda
quanto aos conceitos de Margem de Comercialização e Valor Agregado que explicam a
remuneração da Cadeia.
6. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO – DVA
6.1. Conceito
Segundo NEVES e VICECONTI (2001), o Valor Adicionado ou Valor Agregado
representa a riqueza criada por uma entidade num determinado período de tempo (geralmente
um ano).
A Demonstração do Valor Adicionado evidencia o valor das riquezas criadas, bem
como sua efetiva distribuição.
6.2. Importância da Demonstração
Algumas nações exigem das empresas internacionais que desejam se instalar no país,
que demonstrem a riqueza que pretendem gerar e a forma de distribuição dessa riqueza.
A DVA indica de maneira clara e precisa, a parte da riqueza que pertence aos sócios
ou acionistas, a que pertence ao capital de terceiros (capitalistas que financiam a entidade), a
que pertence aos empregados e a parte que vai para o governo. Portanto a DVA torna-se
imprescindível para atender às necessidades adicionais de informações não contempladas por
outras Demonstrações.
6.3. Objetivo
Fornecer uma visão bem abrangente sobre a real capacidade de uma entidade produzir
riqueza (no sentido de agregar valor ao seu patrimônio) e sobre a forma de como será
distribuída essa riqueza entre os diversos fatores da produção (trabalho, capital próprio ou de
terceiros, governo).
8. AGENTES COMERCIAIS E A FORMAÇÃO DE PREÇOS
Existem grandes variações entre os preços recebidos pelos produtores e os preços
pagos pelos consumidores. Ocorre elevação de preços em cada mudança de elo da cadeia,
onde atuam os diferentes tipos de agentes ou intermediários, que repassam os produtos para o
nível comercial seguinte.
8.1. Principais Intermediários envolvidos na Cadeia Produtiva da manga
Produtores rurais – são os que conduzem as atividades produtivas desde a
preparação do solo até a obtenção dos produtos in natura para a comercialização.
Intermediários – são pessoas que iniciam os caminhos que serão percorridos pelos
produtos, coletando diretamente nas propriedades rurais.
Mercado dos produtores – é um centro abastecido para comércio, onde predominam
intermediários secundários, concentradores (intermediários de grande porte que visam
mercados maiores e mais distantes).
Supermercados – são estabelecimentos, com diversos departamentos, que tornam as
compras mais facilitadas ao consumidor, pois este encontra vários itens em um só local.
Como geralmente demandam grandes quantidades de produtos, têm poder de barganha junto
aos seus fornecedores.
Feiras – é o local onde a predominância de produtos comercializados é de frutas e
hortaliças. A falta de cuidados no manuseio e equipamentos adequados à conservação provoca
perdas grandes e rápidas dos produtos. Por serem pequenos comerciantes e dada a
perecibilidade dos produtos, é elevada a variação entre os preços de compra e venda pelos
feirantes. Ainda há outros agentes tais como: agroindústrias, representantes, distribuidores,
atacadistas, centrais de abastecimentos e bolsas de mercadorias, governo, os quais não estão
contemplados em nosso estudo.
9. AGREGAÇÃO DE VALOR E MARGEM DE COMERCIALIZAÇÃO
A Agregação de Valores é diferente da Margem de Comercialização. Segundo
ARAÚJO (2003), Agregação de Valores é uma conseqüência de custos de
produção/transformação e de lucros. Ou seja, Agregação de Valor significa, elevar o preço do
produto devido alguma alteração na forma de apresentação do produto in natura ou
agroindustrializado. Usando como exemplo a fruta manga, temos: (1) uso de embalagem
individual para cada fruta, para diminuir as perdas por atritos no manuseio e tornar
visualmente mais atrativa; (2) transformação da manga em polpa e doces.
Ainda conforme ARAÚJO (2003), a Margem de Comercialização (MC) é dada pela
diferença entre o preço de venda (PV) e o preço de compra (PC) mais os custos comerciais
(CM), como transporte, armazenagem, mão-de-obra, etc.
MC = PV – (PC +CM)
Ou seja, na Margem de Comercialização, não há transformação do produto ou
mudança na forma de apresentação, há elevação no preço em qualquer etapa do processo de
comercialização, proporcionado pela margem de contribuição (composta pelos custos
comerciais e a possibilidade de ganho do agente detentor do produto).
Na Agregação de Valores, além de incluir a Margem de Comercialização, existe
também os custos de transformação ou de mudança na forma de apresentação do produto.
Há grande diferença entre os preços pagos pelos consumidores e os preços recebidos
pelos produtores. Essa diferença é decorrente do número de intermediações, da Agregação de
Valores e de elevadas Margens de Comercialização entre o produtor e o consumidor.
10. ESTUDO DE CASO: SUPERMERCADO LOCAL
Conforme informações fornecidas pelo funcionário responsável pelas compras de
frutas do Supermercado e pelo produtor rural entrevistado, procedemos à quantificação da
Cadeia Produtiva da manga Tommy Atkins, em relação à apropriação da renda por ela gerada.
O pedido de compra é feito para uma semana mediante Contrato com os fornecedores,
registrado em Cartório. O preço é pré-estabelecido (sexta-feira) e mesmo que haja oscilação
no mercado, o preço válido é o acordado.
O Supermercado possui 2 lojas em Petrolina, 46 em Salvador, 6 em Sergipe e 36 em
Recife. As lojas de Salvador e Recife são abastecidas através de uma Central de Distribuição.
São entregues na Central de Distribuição de Salvador, na segunda, quarta e sexta-feira,
9 toneladas por dia, totalizando 27 toneladas semanais. São entregues na Central de
Distribuição de Recife, na segunda, quarta e sexta-feira, 2000 Kg por dia, totalizando 6000
Kg semanais. São entregues nas duas lojas de Petrolina, na segunda, quarta e sexta-feira, 200
Kg por dia, totalizando 600 Kg semanais. A fruta com destino a Salvador e Recife sai de
Petrolina e região, em caminhão refrigerado entre 10 º C e 13º C. Para Salvador é transportada
em contentores e para Recife em caixas de papelão, com a carga totalmente paletizada. A
compra é fechada em Petrolina e informada para a Matriz em Recife, on line, que é a
responsável pelo pagamento aos fornecedores mediante depósito bancário após 35 dias da
entrega da mercadoria. O frete é de responsabilidade do fornecedor e já está incluso no preço
de venda.
TABELA 2: Preços firmados para a 2º semana de novembro/2004
Localidade
Preço
Preço de venda R$
de compra R$
0,50
0,69
Petrolina
1,10
1,30
Salvador
1,30
1,45
Recife
Fonte: elaborada pelos autores a partir dos dados coletados
11. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA) DO PRODUTOR
Retomando a estrutura da Demonstração do Valor Adicionado vista anteriormente,
procedemos abaixo à sua quantificação.
12. DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO DO PRODUTOR RURAL
COMPOSIÇÃO DO VALOR ADICIONADO POR KG
(+) 1. RECEITAS
1.1 - Vendas de mercadorias
1.2 - Provisão p/ devedores duvidosos
1.3 - Não operacionais
(-) 2. CUSTOS NO VI ANO (Cultura estabilizada)
2.1 – Insumos
2.2 - Desp. Administrativa
(=) 3. VALOR ADICIONADO BRUTO
(-) 4. RETENÇÕES
4.1 - Depreciação, amortização e exaustão
(=) 5. VALOR ADICIONADO LÍQUIDO
(+) 6. TRANSFERÊNCIA
6.1 - Resultado da Equivalência Patrimonial
6.2 - Receitas financeiras
6.3 - Juros e aluguéis
(=) 7. VALOR ADICIONADO TOTAL
8. DISTRIBUIÇÃO DO VALOR ADICIONADO POR KG
Empregados (serviços)
Governo
Serviços de Terceiros (frete)
Lucro do Produtor
1,125
1,125
0,238
0,218
0,020
0,887
0,093
0,093
0,794
0,794
0,171
0,026
0,132
0,465
VALOR AGREGADO DO PRODUTOR
Empregados (serviços)
22%
3%
Governo
Serviços de Terceiros (frete)
58%
17%
Lucro do Produtor
Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados coletados
13. ANÁLISE DA DEMONSTRAÇÃO DO VALOR ADICIONADO (DVA)
Passaremos ao exame dos valores componentes da DVA, mostrando como os mesmos
foram encontrados.
13.1. Composição do Valor Adicionado
Receita de vendas – Através dos preços de compra (Pc) pesquisados junto ao
Supermercado, calculamos a média ponderada referente aos preços de venda (Pv) do
produtor, conforme segue:
TABELA 3: Preço médio de venda
Locais
Qtde. vendida em Kg Pc do supermercado = Receita total em R$
Pv do produtor em R$
Recife
6000
1,30
7.800
Salvador
27.000
1,10
29.700
Petrolina
600
0,50
300
TOTAL
33.600
37.800
Fonte: Elaborada pelos autores com base nos dados coletados
X = R$ 37.800/33.600Kg = R$ 1,125/Kg
Foi usado o preço médio, porque o produtor vende ao mesmo tempo para Petrolina,
Salvador e Recife. E as receitas de venda para esses três locais, juntas contribuem para cobrir
os custos, despesas e formar o lucro. O trabalho ficaria distorcido se usássemos apenas a
receita de venda local (R$ 0,50) para cobrir os custos e despesas e formar o lucro.
Insumos – o valor dos insumos e serviços utilizados na construção da DVA foram
encontrados por meio de pesquisa junto a estabelecimentos agrícolas locais. É importante
destacar que o orçamento contendo o custo dos serviços e insumos leva em consideração o
hectare de manga cultivada num espaçamento de 08 x 05 metros e uma produtividade de
20.000Kg. Constam desse Orçamento os insumos e serviços gastos na manutenção da cultura
ano a ano. Para o atual trabalho foi utilizado o Orçamento do VI ano, quando ocorre a
estabilização da cultura. O valor dos insumos (R$ 0,218/Kg) que consta na Demonstração
do Valor Adicionado foi encontrado dividindo-se o valor total dos insumos constante do
Orçamento VI (ano de estabilização) pela produtividade, para se achar o valor por Kg:
R$ 4.359,64 / 20.000Kg = R$ 0,218/Kg.
Despesa administrativa – foi obtida mediante informações fornecidas pelo produtor
rural e corresponde a R$ 0,020/Kg.
Depreciação – foi calculada com base nos custos acumulados até o VI (ano de
estabilização da cultura), dividido pelo restante da vida útil da cultura e o valor encontrado foi
dividido pela produtividade para se achar a depreciação por Kg:
R$ 28.177,70 / 15 anos = 1.878,5133 / 20.000Kg = R$ 0,093/Kg
13.2. Distribuição do Valor Adicionado
Empregados (serviços) – foi encontrado dividindo-se o valor total de serviços,
constante do Orçamento referente ao VI ano pela produtividade, para se encontrar o preço do
serviço por Kg:
R$3.420,68 / 20.000Kg = R$ 0,171/Kg.
Governo – a parte do governo foi encontrada mediante aplicação do percentual 2,3%
previsto em Legislação específica, sobre a receita:
R$1,125 (preço de venda médio/kg) x 2,3% = R$ 0,026/Kg
Serviços de terceiros (frete) – os preços foram fornecidos pelo produtor e pelo
supermercado e foi utilizado o mesmo critério de cálculo do preço de venda, ou seja, o preço
médio, conforme segue:
TABELA 4: Preço médio do frete
Locais Qtde. vendida em Kg Preço do frete/Kg em R$
Recife
6000
0,15
Salvador 27.000
0,13
Petrolina 600
0,02
TOTAL 33.600
Frete total em R$
900
3510
12
4.422
Fonte: Elaborada pelos autores com base nos dados coletados
X = R$ 4.422,00 / 33.600Kg = 0,132/Kg
Lucro do produtor – após a composição do valor adicionado total, ou seja, tudo que
o produtor rural adicionou para produzir e a distribuição desse valor, para empregados,
governo, serviços de terceiros, o valor que resta é o lucro do produtor, que foi de R$
0,465/Kg.É importante ressaltar que esse lucro originou de um preço médio de venda não
fixo, pois os preços entre o supermercado e o produtor são firmados semanalmente, de acordo
as oscilações do mercado. Então o lucro do produtor nem sempre será R$ 0,465/Kg, que
observando no gráfico da DVA corresponde a 58% do valor adicionado total. Conforme
afirmado pelo produtor rural na entrevista, ocorre vez em que o preço de venda não cobre os
custos e despesas.
14. REMUNERAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA DA MANGA
Gráfico 02. Cadeia Produtiva da Manga
Químicos
R$ 0,074
Naturais
R$ 0,042
Adubos
R$ 0,116
Defensivos
R$ 0,072
Outros
R$ 0,030
INSUMOS
R$ 0,218
SERVIÇOS
0,171
DESP. ADM.
R$ 0,020
DEPRECIAÇÃO
R$ 0,093
IMPOSTO
R$ 0,026
PRODUTOR DE
MANGA
R$ 0,465
TRANSPORTE
R$ 0,132
SUPERMERCADO
(MERCADO INTERNO)
RS 0,333
CONSUMIDOR
R$ 1,458
Fonte: elaborado pelos autores a partir dos dados coletados
ELOS
(+) Defensivos
(+) Adubos
Químicos
Naturais
(+) Outros
(=)Insumos
(+)Serviços
(=)TOTAL
%
4,94
7,96
5,08
2,88
2,06
14,95
11,73
26,68
(+) Desp. Adm
(+) Deprec.
1,37
6,38
(+) Produtor
(+) Imposto
(+) Transp.
(=) (P.V médio)
31,89
1,78
9,05
77,16
(=) Surperm.
22,84
(=) Consumidor
100,00
15. ANÁLISE DA REMUNERAÇÃO DA CADEIA PRODUTIVA DA MANGA
A remuneração da cadeia trabalha com os valores da DVA, acrescentando a margem
de comercialização do Supermercado e o valor pago pelo consumidor final.
Em coerência com o uso do preço médio de compra pelo supermercado, também foi
usado o preço médio de venda pelo supermercado ao consumidor final :
TABELA 5: Preço médio de venda ao consumidor final
Locais Qtde. vendida em Kg Preço de venda/Kg em R$
Recife
6000
1,84
Salvador 27.000
1,39
Petrolina 600
0,69
TOTAL 33.600
Venda total em R$
11.040
37530
414
48.984
Fonte: Elaborada pelos autores com base nos dados coletados
X= R$ 48.984/33.600Kg = R$ 1,458/Kg
O percentual que fica para cada elo é calculado dividindo-se os valores que vieram da
DVA pelo preço médio de venda final pago pelo consumidor e multiplicado por 100.
Ex: Defensivos: R$ 0,072 / 1,458 x 100 = 4,94% , o mesmo se aplica aos demais
valores.
Usaremos a abreviatura Pf indicando o preço final (médio) pago pelo consumidor para
facilitar, pois o mesmo se repete várias vezes.
O total dos Insumos R$ 0,218, corresponde a 14,95% do Pf, que é de R$ 1,458
(100%).
Do total dos Insumos, R$ 0,072 equivalente a 4,94% do Pf são defensivos. E R$ 0,116
do total dos Insumos equivalente a 7,96% do Pf são adubos, que se subdividem em químicos e
naturais. Os químicos R$ 0,074 equivalem a 5,08% do Pf e os naturais R$ 0,042 equivalem a
R$ 2,88% do Pf.
Os Serviços R$ 0,171 equivalem a 11,73% do Pf. Juntos, Serviços e Insumos somam
um total de R$ 0,389 equivalente a 26,68 do Pf. As despesas administrativas R$ 0,020
equivalem a 1,37% do Pf. A depreciação R$ 0,093 equivale a 6,38% do Pf. Do Pf, 31,89%
equivalente a R$ 0,465 fica para o produtor (lucro). O transporte R$ 0,132 equivale a 9,05%
do Pf.
O preço de venda médio pelo produtor que é R$ 1,125 equivale a 77,16% do Pf.
Então, o supermercado acrescentou uma Margem de Comercialização de R$ 0,333
equivalente a 28,84% do Pf. Fechamos assim os 100% Æ R$ 1,458 (Pf).
Somando-se os insumos, serviços, despesas administrativas, depreciação, governo,
transporte, totaliza R$ 0,660, como o preço de venda do produtor foi de R$ 1,125 houve um
valor agregado junto com a margem de comercialização, de 70,45% que equivale ao lucro de
R$ 0,465. Porém conforme já comentado, os valores usados referem-se à segunda semana de
novembro apenas, se em outras semanas houver preços de venda mais baixos ou mais
elevados, o lucro do produtor será conseqüentemente reduzido ou acrescido.
O preço médio de venda do produtor equivale a R$ 1,125, enquanto para o
consumidor, o preço é de R$ 1,458. Ou seja, houve uma variação de 29,60%. Conforme os
conceitos, abordados anteriormente, como não houve transformação ou melhoria na forma de
apresentação ou industrialização pelo supermercado, então há razoável margem de
comercialização, e nenhum valor agregado, exceto o efetuado pelo produtor, que, com seu
trabalho e outros fatores de produção, transformou sementes em frutos, bem como locou frete
para entrega ao supermercado e centrais de distribuição.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A fruticultura irrigada vem se impondo como uma atividade de elevado dinamismo na
economia nordestina. Na região foram incorporadas novas tecnologias, em termos de
irrigação, tratos culturais e pós-colheita. O pólo tem apresentado excelente desenvolvimento
ao longo dos anos.
A representação da cadeia produtiva da manga in natura, numa forma ampla,
pressupõe desde a distribuição do produto no mercado até o fornecimento de insumos
agrícolas. O que se observa na atualidade é uma interdependência muito estreita entre o que
deve ser plantado e o que o consumidor deseja consumir, exigindo cuidado em todas as etapas
com vistas a objetivos comuns em toda cadeia produtiva. Não se faz qualidade numa etapa
posterior sem que haja matéria-prima produzida, colhida e armazenada adequadamente.
As exigências de mercado num ambiente competitivo têm ensinado que o processo
produtivo é um só desde a produção até sua viabilização no mercado. Assim sendo, é
imprescindível que o sistema de informação e formação de preços sejam partilhados
conveniente e tempestivamente entre os diferentes agentes econômicos envolvidos, pois disso
depende o funcionamento com menos erro entre os elos da cadeia.
Pela Demonstração do Valor Adicionado, podemos perceber que do preço de venda
médio do produtor R$ 1,125, tirando-se os insumos e a despesa administrativa, tem-se um
Valor Adicionado Bruto equivalente a R$ 0,887. Desse Valor Adicionado Bruto R$ 0,887,
tirando-se a depreciação R$ 0,093 tem-se o valor adicionado líquido a ser distribuído.
Na distribuição do Valor Adicionado Total, R$ 0,171 equivalente a 22 % cabe aos
empregados; R$ 0,026 equivalente a 3% vai para o governo; R$ 0,132 correspondente a 17%
destina-se a serviços de terceiros (frete) e R$ 0,465 correspondente a 58% fica para o
produtor. Ou seja, do Valor Adicionado a ser distribuído, a maior parte coube ao produtor,
equivalente a R$ 0,465.
Pelo gráfico da Remuneração da Cadeia Produtiva nº 02, constata-se que ao somarmos
os gastos do produtor, temos um total de R$ 0,660 e o preço médio de venda do produtor foi
de R$ 1,125. Conforme ARAÚJO (2003), houve uma agregação de valor junto com a
Margem de Comercialização, de 70,45%, que equivale ao lucro de R$ 0,465, exatamente o
lucro encontrado na Demonstração do Valor Adicionado. E a margem de Comercialização do
supermercado é de R$ 0,333 , um ganho de 29,60% em cima do preço de compra ao produtor
(R$ 1,125), vendendo então ao consumidor final por R$ 1,458.
Se não fosse o entrave do “preço semanal” que temos que levar em consideração, o
produtor estaria tendo um ganho considerável. Porém, os preços obtidos, foram referentes a
segunda semana de novembro apenas, se tivermos preços mais baixos em outras semanas, o
lucro do produtor será reduzido e se tivermos preços mais altos o lucro poderá ser mais
elevado. Se comentarmos o lado feirante, ele compra a R$ 1,39 /kg e vende por R$ 1,50/kg,
sua margem de comercialização é de 7.91% equivalente a R$ 0,11/kg.
Este trabalho propicia subsídios para se analisar os fatores críticos à competitividade
do agronegócio manga no Nordeste e para se aproveitar os aspectos favoráveis, tais como a
produção no período de entressafra dos principais países produtores e exportadores, podendo
ampliar sua participação no mercado internacional. E ainda constitui-se numa base para um
trabalho mais aprofundado no assunto ora em questão, podendo-se trabalhar com preços
médios anuais, que refletem com mais precisão a receita do produtor e do supermercado, bem
como os seus efetivos ganhos.
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a demonstração do valor adicionado na cadeia produtiva