CARLOS AUGUSTO MARQUES DE OLIVEIRA JUNIOR RECOMENDAÇÕES PARA PROJETO E EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO DE FACHADAS COM PLACAS PÉTREAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. SÃO PAULO 2005 CARLOS AUGUSTO MARQUES DE OLIVEIRA JUNIOR RECOMENDAÇÃOES PARA PROJETO E EXECUÇÃO DE REVESTIMENTO DE FACHADAS COM PLACAS PÉTREAS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Anhembi Morumbi no âmbito do Curso de Engenharia Civil com ênfase Ambiental. Orientador: Prof. Tiago Garcia Carmona SÃO PAULO 2005 i Aos meus pais Sr. Carlos e Dona Neuza, pelo esforço e dedicação e a minha namorada Sabrili. ii AGRADECIMENTOS Ao Professor Mestre Tiago Garcia Carmona, pela paciência e dedicação para me orientar neste trabalho. A Profa Mestre Jane e ao Profº Mestre Célio por me auxiliar e orientar de um modo geral. Ao Engº Gabriel Meibach Meneguin da Company S.A .. Ao Engº Luis Sérgio Ferreira da Aldan Tecnologia. Ao Engº Gilmore da Marmodoro. iii RESUMO O revestimento de vedações verticais com placas pétreas está sendo cada vez mais utilizado em edifícios residenciais e comerciais. Pela importância que este subsistema representa para a construção civil, formou-se uma comissão de estudos na ABNT – Associação Brasileira de Normas técnicas. Com base em registros bibliográficos e especificações técnicas, este trabalho apresenta as recomendações para a elaboração do projeto, os tipos de materiais utilizados, os ensaios tecnológicos e os procedimentos adequados para a execução do revestimento de fachadas com placas pétreas. Palavras Chave: Revestimento; Fachadas; Placas pétreas; Projeto iv ABSTRACT The revetment of vertical blockings with stone plates has been more used in in residential and commercial buildings. By the importance that this subsystem represents to the civil construction, a study committee on ABNT – Brazilian Association of Norms ans Techniques – has been formed. Based on bibliographic registrations ans technical specifications, this paper presents the recommendations to the construction of this project, the types of used materials, the technological essays and the proper procedures to the execution of the revetment of façades with stone plates. Keywords: Revetment; Façades; Stone Plates; Project v LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 5.1: Fixação da tela ao suporte ......................................................................13 Figura 5.2: Lançamento de argamassa fluida............................................................14 Figura 5.3: Tipos de grampos para a fixação das placas pétras ...............................29 Figura 5.4: Sistema de inserts metálicos para a fixação das placas pétreas ............29 Figura 5.5: Esquema de fixação do grampo na estrutura..........................................31 Figura 5.6: Sistema de insert metálico (modelo simples) ..........................................32 Figura 5.7: Sistema de insert metálico (modelo de transição)...................................32 Figura 5.8: Sistema de insert metálico (modelo especial) .........................................33 Figura 5.9: Funções dos dispositivos de fixação de placas de rochas ......................34 Figura 5.10: Esquema de armazenagem das placas de rocha .................................40 Figura 5.11: Esquema de furo para chumbamento da grapa ....................................42 Figura 5.12: Folgas mínimas entre a placa inferior e o dispositivo de fixação ..........45 Figura 5.13: Detalhe de microscópio petrográfico e lâmina delgada.........................55 Figura 5.14: Corpo de prova sendo rompido .............................................................58 Figura 5.15: Corpo de prova sendo rompido após aplicação de esforços fletores ....61 Figura 5.16: Comparação ensaio C 880 (resistência à flexão) e placas com tamanho natural ................................................................................................................62 Figura 5.17: Corpo de prova rompido após aplicação de esforços ...........................63 Figura 5.18: Croqui do ensaio de dilatação térmica linear ........................................66 Figura 5.19: Equipamento Amsler ensaiando copos de prova ..................................68 Figura 5.20: Equipamento de ensaio de resistência de impacto ...............................70 Figura 6.1: Detalhe do pino sustentador da placa superior e retentor da placa infeirior ...........................................................................................................................76 Figura 6.2: Esquema de montagem da fachada com auxilio de andaime .................77 Figura 6.3: Definição dos planos da rocha. ...............................................................78 Figura 6.4: Esquema de amazenamento das placas pétreas ...................................83 vi LISTA DE TABELAS Tabela 5.1: Importância dos conhecimentos das propriedades das rochas..............47 Tabela 5.2: Normas brasileiras utilizadas para avaliação das propriedades tecnológicas de rochas.......................................................................................49 Tabela 5.3: Ensaio de cararcterização de rochas ornamentais e respectivas normas utilizadas ............................................................................................................52 Tabela 5.4: Ensaios recomendados para rochas de revestimento, conforme o emprego .............................................................................................................53 Tabela 5.5: Ensaios de alterabilidade e situações simuladas ...................................72 Tabela 6.1: Resultados dos ensaios de resistência a flexão.....................................78 Tabela 6.2: Resultados de resistência a flexão, segundo o plano XY.......................79 Tabela 6.3: Resultados dos ensaios de resistência a flexão, segundo o plano ZY ...79 Tabela 6.4: Resultados dos ensaios de flexão, segundo o plano ZX ........................80 vii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABNT Associação Brasileira de Normas Técnicas Abirochas Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais ASTM American Society for Testing and Materials viii SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO.....................................................................................................1 2 OBJETIVOS.........................................................................................................3 2.1 Objetivo Geral .................................................................................................3 2.2 Objetivo Específico ........................................................................................3 3 METODOLOGIA DO TRABALHO.......................................................................4 4 JUSTIFICATIVA ..................................................................................................5 5 REVESTIMENTOS DE FACHADAS DE EDIFÍCIOS...........................................7 5.1 Funções do revestimento de fachadas de edifícios ....................................7 5.2 Caracterização dos processos de execução de revestimentos pétreos .12 5.2.1 Processo Tradicional ............................................................................12 5.2.2 Processo Racionalizado .......................................................................14 5.3 Considerações sobre a elaboração de projeto .............................16 5.3.1 Peso Próprio ..........................................................................................16 5.3.2 Choques .................................................................................................17 5.3.3 Deformações Térmicas ........................................................................17 5.3.4 Efeitos da umidade e chuva.................................................................18 5.3.5 Ação do vento........................................................................................19 5.3.6 Retração e deformação lenta da estrutura .........................................20 5.3.7 Aspectos a serem considerados no dimensionamento ....................21 5.3.8 Escolha dos materiais...........................................................................23 5.3.9 Características das rochas...................................................................24 5.3.10 Características dos componentes metálicos para fixação ...............25 5.3.11 Características da argamassa para assentamento ...........................35 ix 5.3.12 Características dos selantes ................................................................36 5.3.13 Geometria das placas ...........................................................................37 5.3.14 Elementos de projeto ............................................................................37 5.4 Execução e inspeção do revestimento ............................................38 5.4.1 Generalidades .......................................................................................39 5.4.2 Manuseio e estocagem de materiais e componentes.......................40 5.4.3 Placas colocadas com dispositivo de fixação ....................................41 5.4.4 Placas colocadas com argamassa ......................................................43 5.4.5 Juntas .....................................................................................................44 5.5 Seleção do material pétreo ..........................................................................46 5.5.1 Caracterização Tecnológica ................................................................51 5.5.2 Ensaios Tecnológicos ...........................................................................53 5.5.2.1 Análise Petrográfica ..............................................................................54 5.5.2.2 Compressão Uniaxial............................................................................55 5.5.2.3 Congelamento e desgelo .....................................................................59 5.5.2.4 Tração na Flexão ..................................................................................60 5.5.2.5 Dilatação Térmica Linear .....................................................................64 5.5.2.6 Desgaste Abrasivo – Amsler................................................................67 5.5.2.7 Impacto de Corpo Duro ........................................................................68 5.5.2.8 Ensaio de Alterabilidade.......................................................................70 6 ESTUDO DE CASO ...........................................................................................74 6.1 Introdução .....................................................................................................74 6.2 Metodologia ..................................................................................................75 6.3 Sistema de fixação adotada.........................................................................76 6.4 Parâmetros de projeto..................................................................................77 6.5 Controle de qualidade adotado ...................................................................82 x 7. CONCLUSÃO ...................................................................................................84 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.........................................................................86 1 1 INTRODUÇÃO A fachada é a parte externa de uma edificação. Pode ser executada em argamassa, placas de pedra (rochas ornamentais), vidro, alumínio, painéis pré-fabricados e outros. Atualmente as rochas ornamentais têm sido bastante utilizadas na construção civil, devido a maior durabilidade quando comparados com os revestimentos de argamassas, por exemplo, e ao efeito estético que proporcionam ao conjunto. Constituem os revestimentos verticais (paredes e fachadas) e horizontais (pisos) de exteriores e de interiores de edificações. Segundo Antunes (2003), as pedras são quase imbatíveis no quesito versatilidade, tendo uma variedade de cores e texturas incrementadas por diferentes técnicas de tratamento. Usada na arquitetura há milhares de anos, as pedras naturais não saem de moda. O Brasil extrai 5,2 milhões de toneladas de rochas ornamentais por ano e 80 % dessas rochas vêm do Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Rochas Ornamentais – Abirochas, 2000. O geólogo Chiodi Filho et al (1995) apud Antunes (2003), diz que o Brasil explora cerca de seiscentos tipos de rochas, sendo que as mais utilizadas em fachadas são o mármore e o granito. 2 Segundo Flain (1994), dada a importância que esse subsistema de fachada em placa de pedra representa para a construção civil, formou-se uma Comissão de Estudos na Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) com o objetivo de fornecer subsídios para a elaboração de projetos e diretrizes de execução de fachadas em placas de pedra. Os ensaios que definem as características e propriedades das rochas ornamentais já foram normalizados pela Comissão. Do corte nas jazidas à especificação do sistema de fixação mais adequado, a instalação de pedras no revestimento de fachadas de edifícios requer processo cuidadoso para garantir a segurança e a qualidade da obra, preservando a resistência do material. O simples emprego de dispositivos de fixação com capacidade de suportar cargas variadas em uma mesma obra, por exemplo, pode resultar na utilização inadequada de um dos dispositivos, resultando na flexão da peça. 3 2 OBJETIVOS Procedimento e qualidade na execução de fachada de edifícios. 2.1 Objetivo Geral Apresentar os meios adequados para a execução de revestimento de fachada com placas de pedra. 2.2 Objetivo Específico Apresentar as considerações indicadas para o projeto e as etapas de execução do revestimento de fachada com placas de pedra, de acordo com as recomendações das normas técnicas, afim de evitar as implicações causadas por um projeto mal elaborado ou mal executado, visando atender a qualidade no revestimento com placas pétreas. 4 3 METODOLOGIA DO TRABALHO Este trabalho será desenvolvido através de revisões bibliográficas para revestimentos externos com rochas ornamentais, normas regulamentadoras, pesquisa a sites com especificações técnicas, bem como estágio onde foi feito acompanhamento da execução deste tipo de fachada, pesquisa com fornecedores de mão de obra e matéria prima. 5 4 JUSTIFICATIVA Para Flain (1995), o revestimento de fachada com placa de rocha é cada dia mais utilizado no País, principalmente em fachadas de edifícios residenciais e ou comerciais. Segundo Flain (1995), tem sido comum considerar o revestimento de edifício como atividade secundária na Construção Civil. De modo geral, não é um serviço devidamente planejado, não dispõe de um projeto específico e sua execução é deixada nas mãos de operários que, muitas vezes, são levados a tomar decisões, mesmo não estando preparados para tal. Além disso, principalmente por inexistirem parâmetros, o controle é deficiente nas diversas fases de produção, tais como na especificação, na relação e recebimento de materiais, na produção da argamassa e na execução da camada de acabamento, entre outros. A durabilidade e o aspecto estético que proporcionam ao conjunto fazem das rochas um “cartão de visitas” do edifício. Sendo assim, a fachada em placa de pedra necessita de cuidados na escolha do tipo de rocha, pois cada rocha tem suas propriedades e características que podem ser afetadas quando colocadas em ambientes não adequados. O presente estudo busca salientar alguns aspectos relevantes do processo de produção dos revestimentos de fachadas de edifícios com placas pétreas, ressaltar a importância da adoção de inovações tecnológicas e da implantação da 6 racionalização nos métodos construtivos destes tipos de revestimentos e ainda detalhar os testes e ensaios tecnológicos a serem adotados no projeto bem como a qualidade à execução do revestimento, desde a escolha do material a ser utilizado, passando por especificações técnicas, até a sua colocação e entrega do edifício. 7 5 REVESTIMENTOS DE FACHADAS DE EDIFÍCIOS Apresenta-se a seguir as definições e conceitos sobre a função do revestimento de fachadas de edifícios. São abordados os critérios para a elaboração de projeto, a seleção do material pétreo, os sistemas de fixação, o controle de qualidade do material e da mão de obra e como complementação as manifestações patológicas mais freqüentes. 5.1 Funções do revestimento de fachadas de edifícios Um edifício pode ser definido como um sistema formado por um conjunto de subsistemas, constituídos de elementos combinados e organizados para servir a um objetivo comum. Um conjunto de componente agrupados, forma um elemento e um conjunto de elementos constitui um subsistema. Para Agopyan (1978) um dos subsistemas que compõem o edifício é a vedação vertical, que é constituído por elementos que definem, compartilham e limitam espaços. O subsistema de vedação vertical tem, predominantemente, a função de criar, juntamente com as esquadrias e os revestimentos, condições de habitabilidade para o edifício, ou seja, de servir como mediadora entre os meios externo e interno do 8 edifício, de modificar as condições interiores como requerido pelo usuário e também função estrutural e estética. Para Sabbatini (1989), o subsistema de vedação vertical pode, ainda, ser classificado em função do grau de industrialização do seu processo de produção. Os processos com elevado grau de industrialização são considerados industrializados, os de grau intermediários, como tradicionais racionalizados, racionalizados ou, até mesmo, semi-industrializados. Segundo Flain (1995), as funções dos revestimentos são inseparáveis das funções do suporte, sendo que as funções do conjunto suporte-revestimento poderão ser exercidas com maior ou menor intensidade por uma ou outra parte. Há funções que podem ser exclusivas do suporte como, por exemplo, a estabilidade, a resistência mecânica, a segurança contra o risco de intrusões humanas ou animais e a de conforto termo-acústico. No entanto, as funções de proteção do substrato, de regularidade superficial, de higiene, de conforto tátil e de conforto visual que contribuem para a estética do acabamento final do edifício, são funções exclusivas do revestimento. São funções do conjunto suporte-revestimento a estanqueidade à água e aos gases, o isolamento termo-acústico, a segurança ao fogo, a resistência aos choques e atrito e a durabilidade. Para Flain (1995), a função de proteção que os revestimentos exercem, no subsistema vedação vertical, está associada a questão de durabilidade do conjunto, evitando a ação direta dos agentes agressivos que atuam sobre as superfícies dos edifícios, como por exemplo: umidade, temperatura ambiente, fogo, poeira, micro- 9 organismos, ar e gases poluentes, radiações, vibrações, cargas de impacto e forças exteriores. Sendo o substrato altamente solicitado, pois se trata de vedações verticais exteriores à edificação, a estanqueidade assume papel fundamental no desempenho do revestimento, visando garantir as condições de habitabilidade da edificação. A camada de acabamento deve proporcionar o acabamento ao sistema de revestimento vertical, estando, assim, relacionada à aparência ou estética do edifício. Pode-se dizer que a aparência ou estética de uma obra está relacionada à sua beleza, sendo, portanto, um conceito subjetivo. Assim, a estética proporcionada pela camada de acabamento está relacionada a uma série de fatores como, por exemplo, à harmonia entres os diversos materiais empregados, suas características e padrão, à qualidade dos serviços executados, estando relacionada diretamente às características da mão-de-obra, ao partido arquitetônico adotado e à capacidade de manutenção da aparência original do revestimento ao longo de sua vida útil. As principais propriedades que a camada de revestimento deve apresentar, para que tenha um adequado desempenho frente às solicitações impostas, são: capacidade de fixação ou aderência, resistência mecânica, capacidade de absorver deformações, possibilidade de integralizar as propriedades requeridas pelo sistema de vedação, permeabilidade à água e características superficiais compatíveis com as condições de exposição e durabilidade. A aderência depende das características do material de fixação e das técnicas de execução. 10 Segundo Flain (1995), o revestimento com placa de pedra, se for fixado com argamassa convencional, a absorção das deformações passa a ser função desta argamassa, dos próprios componentes e das juntas entre estes. Quando fixados por componentes metálicos, a absorção das deformações é função dos detalhes construtivos existentes naqueles componentes, permitindo a sua movimentação, bem como das características das juntas da camada de acabamento. Para Flain (1995), a permeabilidade à água é a propriedade que identifica a possibilidade de passagem da água de um dado material, componente ou elemento da construção, podendo a passagem de água ocorrer por infiltração sob pressão e por difusão de vapor d’água. O revestimento de uma fachada deve ser definido conforme o nível de proteção que oferece à base contra a ação das chuvas ou de águas de áreas de lavagem da edificação. As características superficiais estão ligadas à textura dos revestimentos, podendo variar de lisa a áspera. Para revestimentos exteriores deve-se dar a preferência a texturas mais rugosas, pois proporcionam maior facilidade de fixação, resultando em melhor distribuição dos fluxos de água de chuva, indica Flain (1995). Flain (1995), ressalta que os revestimentos com acabamentos lisos propiciam uma menor adesão e ancoragem à poeira, entretanto, não oferecem resistência ao estabelecimento de caminhos preferenciais de escorrimento da água, com conseqüente formação de manchas, por ação combinada da água e da poeira existentes nos revestimentos. 11 Em uma região com intensa poluição atmosférica, devem ser escolhidos, para revestimento exterior, acabamentos com superfícies rugosas de textura fina e, preferencialmente, de cores escuras, protegidos por detalhes construtivos salientes. A importância dos detalhes construtivos acentua-se quando se opta por um revestimento com acabamento liso. Não convém utilizar cores claras, pois evidenciam mais a sujeira provocada pela poluição atmosférica, porém absorvem menos calor quando comparadas às cores escuras. Para Flain (1995), a durabilidade dos revestimentos, ou seja, a capacidade de manter o desempenho de suas funções ao longo do tempo, é uma propriedade complexa e depende de inúmeros fatores, tais como: da etapa de projeto, onde a adequação do material é analisada e é indispensável à correta especificação do revestimento, da etapa de execução, em que são determinantes as características dos materiais utilizados e às condições de execução dos serviços e da etapa de uso, em que o serviço de manutenção precisa ser automático e periódico. Dentre os fatores que, com mais freqüência, comprometem a durabilidade dos revestimentos estão as movimentações de origem térmica, higroscópica ou impostas por forças exteriores, a qualidade dos materiais utilizados, às técnicas adequadas e a cultura e proliferação de micro-organismos. A durabilidade é afetada pelo aparecimento de diferentes tipos de patologias, desde as que comprometem a estética do revestimento, até as mais complexas que comprometem sua estabilidade, pondo em risco a segurança de terceiros. 12 5.2 Caracterização dos processos de execução de revestimentos pétreos A fixação da camada de acabamento com placas de rocha nas fachadas de edifícios pode se dar de duas maneiras básicas: por colagem (adesão físico-química ou aderência mecânica) com ou sem ancoragem de segurança (grampos) e por ancoragem mecânica. Na primeira utiliza-se argamassa convencional, argamassas colantes ou colas especiais, e na segunda, componentes metálicos. Atualmente, no Brasil, as técnicas mais utilizadas para a fixação dos revestimentos pétreos em vedações verticais exteriores, são por colagem, com ou sem grampos, utilizando argamassa convencional (processo tradicional), e por ancoragem mecânica com auxílio de dispositivos de fixação (processo racionalizado). 5.2.1 Processo Tradicional No Brasil é, ainda hoje, um processo de execução muito utilizado, principalmente nas regiões mais afastadas dos grandes centros, onde há maior dificuldade de obtenção de novos materiais e mão-de-obra especializada. Estendendo este conceito aos revestimentos pétreos, Flain (1995), conceitua o revestimento modular convencional como método tradicional de assentamento de revestimentos que consiste do assentamento dos componentes empregando-se 13 argamassa convencional. O sistema de fixação com argamassa convencional, chamado por Flain (1995) de sistema de fixação por colagem, constitui-se do suporte, de uma tela previamente fixada a este (figura 5.1), da camada de fixação (figura 5.2) e da camada de acabamento (placas de pedra e juntas). O suporte é responsável pela sustentação das camadas subseqüentes a tela, que tem por função proporcionar maior aderência entre a camada de fixação e o suporte, bem como servir de ancoragem para as placas de pedra que posteriormente serão amarradas à mesma. A camada de fixação, por sua vez, é responsável pela ligação da camada de acabamento ao suporte, proporcionando a aderência do conjunto. A última camada é a de acabamento, que constitui o próprio revestimento. Figura 5.1: Fixação da tela ao suporte Fonte: Revista Tecnologia da Construção (1994) 14 Figura 5.2: Lançamento de argamassa fluida Fonte: Revista Tecnologia da Construção (1994) 5.2.2 Processo Racionalizado Processos racionalizados segundo Foster (1973) apud Sabbatini (1989), são processos nos quais as técnicas organizacionais utilizadas nas indústrias manufatureiras são empregadas na construção, sem que disto resultem mudanças radicais nos métodos de produção. Segundo Taralli (1984) apud Sabbatini (1989), incorporam princípios de planejamento e controle eliminar desperdícios de mão-deobra e materiais; aumentar a produtividade; planejar o fluxo de produção e centralizar e programar as decisões. Segundo Flain (1995), a aplicação de componentes cerâmicos com adesivos (cola ou argamassa colante) é um processo racionalizado por significar um avanço na tecnologia de produção dos revestimentos. Fundamenta-se, principalmente, no fato 15 de dissociar os serviços de produção, ou seja, separar a execução da camada de regularização da de fixação. Da mesma forma, pode-se considerar como sendo um processo racionalizado o assentamento de placas de pedra com argamassas colantes ou colas. As argamassas colantes especiais para assentamento de placas pétreas estão em fase inicial de utilização no país, pois as mesmas ficaram disponíveis recentemente no mercado nacional o que faz com que até o presente momento, essas argamassas tenham sido utilizadas, no Brasil, em apenas uma fachada (3.000 m2 aproximadamente), localizada na cidade de Curitiba (PR). Tomando-se o conceito formulado pelos autores citados, pode-se considerar o assentamento das placas de pedra, através de componentes metálicos, como sendo também um processo racionalizado. Pois, quando da utilização de componentes metálicos, a fixação dos mesmos dá-se no momento do assentamento das placas, sendo que a camada de regularização, quando existente, foi previamente executada. Também pode ser considerado racionalizado pelo fato da utilização de componentes metálicos, fabricados fora do canteiro de obra e previamente definidos em projeto aumentar o nível de organização do processo. Acredita-se que pode-se obter através da racionalização dos processos construtivos e da adoção de inovações tecnológicas, associadas a consolidação nos canteiros de obras, uma maior qualidade, desempenho e produtividade, e menores desperdícios de materiais e mão-de-obra. 16 5.3 Considerações sobre a elaboração de projeto Flain e Cavani (1994) recomendam que para se chegar a etapa final da fase de projeto, que é a do desenvolvimento propriamente dito, os profissionais envolvidos com a elaboração do mesmo, considerem todos os fatores importantes, principalmente no que diz respeito a qualidade, ao desempenho e ao custo do produto final. Aliado a isso, é necessário o conhecimento de parâmetros, que poderão interferir de forma direta ou indiretamente no resultado final do projeto. É importante enfatizar que, além de um projeto bem elaborado, torna-se imprescindível o acompanhamento da execução dos serviços, por parte dos projetistas, e o treinamento da mão-de-obra para a obtenção de um produto final com qualidade e menor custo. (Flain, 1995). A seguir faz-se uma abordagem de alguns destes parâmetros para o projeto de revestimento de fachadas com placas de pedra descritos por Flain e Cavani (1994). 5.3.1 Peso Próprio Em ambos os processos de assentamento das placas, com componentes metálicos ou com argamassa, o peso próprio das placas é relevante pois, no primeiro definirá as cargas verticais que atuarão nos componentes metálicos de fixação, sendo um 17 dado para seu dimensionamento, e no segundo vai solicitar menos ou mais a camada de fixação, neste caso, necessitando de maior aderência ao suporte quanto maior for o peso próprio por unidade de área. 5.3.2 Choques As placas de rocha, principalmente aquelas situadas em níveis mais baixos estão mais sujeitas aos choques acidentais. Quando da execução do revestimento em grandes alturas, o balancim utilizado poderá provocar choques nas placas. 5.3.3 Deformações Térmicas Para os revestimentos exteriores, no cálculo das deformações relativas entre o suporte e as placas, devida a dilatação térmica diferencial, deve-se considerar a diferença de temperatura que poderá ocorrer, entre a superfície do revestimento (levando-se em consideração a sua cor) e a camada de fixação. Como todos os componentes presentes no revestimento, as placas pétreas são sensíveis às variações térmicas. O aumento ou a diminuição da temperatura provoca 18 um alongamento ou encurtamento proporcional a esta variação e depende do coeficiente de dilatação térmica da rocha. Faz-se importante conhecer as deformações das placas e dos suportes, para que se possa calcular a largura das juntas que irão absorver as solicitações atuante seja empregado o processo tradicional ou racionalizado. 5.3.4 Efeitos da umidade e chuva As pedras normalmente utilizadas como revestimento de fachadas apresentam maior ou menor porosidade. Certas pedras absorvem praticamente pouca água enquanto outras podem absorver até 20% de sua massa. Para Flain (2005), a rapidez com que as construções atualmente são executadas explica a grande quantidade de umidade residual no interior das vedações verticais, que evaporam normalmente pouco a pouco para o exterior. Somando ainda a este fato, há a ocupação das edificações e o aquecimento dos locais o que gera uma abundante quantidade de vapor d’água que migra parcialmente para o exterior. A água pode ainda penetrar através das vedações verticais exteriores por capilaridade. Recomenda-se deixar aberturas na camada de revestimento, em locais por onde não ocorra a penetração de água de chuva ou de lavagem, para permitir a evaporação da água que eventualmente tenha penetrado entre o suporte e a 19 camada de revestimento. Quando o revestimento apresenta-se aderido ao substrato a água existente nas camadas do revestimento ao percolar pode carrear os sais solúveis da argamassa até a superfície do revestimento provocando o aparecimento de eflorescência. 5.3.5 Ação do vento Segundo Ferreira (2004) por muito tempo o teste do módulo de ruptura (ASTM C-99) tem sido usado para avaliar a resistência da pedra às pressões positiva e negativa geradas pelas cargas de vento. A partir do resultado de um grande número de testes a ASTM, estatisticamente, estabeleceu como valor mínimo para o módulo de ruptura de resistência do granito 1.500 PSi ou 10,34 MPa. Embora ambos os testes de resistência à flexão (ASTM C-880) e módulo de ruptura (ASTM C-99) forneçam valores de resistência à flexão, eles são diferentes. A amostra para teste pela ASTM C-99 não leva em conta a espessura e o acabamento exterior da pedra a ser usada na fachada e apresenta uma alta componente de cisalhamento que torna a amostra rígida e não flexível, dando uma resistência aparente maior do que a resistência real de flexão. O teste do módulo de ruptura (ASTM C-99), não deve ser usado para fins de projeto. 20 No teste do módulo de ruptura o rompimento da amostra ocorre sob o qual a carga está sendo aplicada. No teste de resistência à flexão o rompimento da amostra sob a carga aplicada nos pontos localizados nas quartas partes próximo às extremidades ocorrerá no seu ponto mais fraco entre os pontos de carga. Os resultados obtidos pela ASTM C-880 permitem uma comparação melhor e mais precisa com os resultados dos testes à flexão de uma placa inteira do que os resultados obtidos pela ASTM C-99. Os esforços devido ao vento também podem ser calculados de acordo com a NBR 6123 da ABNT. 5.3.6 Retração e deformação lenta da estrutura Segundo Gere et al (1988) apud Flain (1995), devem ser consideradas as deformações causadas pela retração da estrutura e da alvenaria e a deformação lenta do concreto, passíveis de ocorrerem após a execução do revestimento. Para evitar patologias posteriores no revestimento, recomenda-se que se aguarde o maior intervalo de tempo possível entre a execução do suporte e as camadas subseqüentes, de maneira que as deformações iniciais dos mesmos não venham solicitar o revestimento. 21 Flain e Cavani (1994) recomendam que se aguarde o maior intervalo de tempo possível entre a execução do suporte para a posterior colocação das placas pétreas, de modo que as deformações iniciais na estrutura não solicitem o revestimento. Em alguns casos o assentamento da placa é quase que em paralelo com a execução da estrutura de concreto, nestes casos, deve-se prever que as deformações iniciais do concreto poderá solicitar do revestimento com mais intensidade. Gere et al (1989) apud Flain (1995) afirma que se pode considerar para o concreto, sob condições normais, os seguintes valores, aproximados, de retração: - 33% até as duas primeiras semanas; - 45% durante o primeiro mês; - 66% durante os três primeiros meses; - 90% durante o primeiro ano. 5.3.7 Aspectos a serem considerados no dimensionamento Segundo Flain e Cavani (1994) o dimensionamento das placas de rocha restringe-se a determinação de sua espessura em função de suas dimensões (comprimento e largura), das características mecânicas da rocha, do sistema de fixação a ser empregado e das cargas atuantes. A determinação da espessura das placas pode também ser feita através de ensaios do conjunto placa componentes metálicos de 22 fixação. Os componentes metálicos de fixação devem ser projetados de forma que resistam aos esforços a que serão submetidos e permitam a livre movimentação das placas. As juntas que compõem o revestimento podem ser: entre componentes, de movimentação ou construtivas e estruturais. As juntas tem funções de acabamento estético, de estanqueidade e de absorver as deformações passíveis de ocorrerem no revestimento. O acabamento estético é exigido principalmente quanto a horizontalidade, verticalidade e uniformidade de espessura das juntas. As juntas entre componentes devem ter dimensões suficientes para absorver as movimentações diferenciais das camadas constituinte do revestimento. Para que as juntas de movimentação exerçam suas funções e apresentem o desempenho esperado é necessário primeiramente que sejam devidamente projetadas (dimensionadas), sendo que devem ser consideradas, para o dimensionamento, as diversas solicitações a que as camadas do revestimento estarão sujeitas durante a vida útil do mesmo, bem como as características dos materiais utilizados nessas camadas. Deverão ser previstas ainda juntas nos encontros de materiais distintos e em elementos que se projetem para além do plano do revestimento. As juntas estruturais quando previstas devem ser respeitadas em posição e largura no revestimento. Os materiais utilizados para acabamento das juntas são os selantes e as argamassas. Recomenda-se a utilização das argamassas para o rejuntamento das juntas entre componentes quando a camada de revestimento não estiver sujeita a ação de solicitações de grande intensidade, como por exemplo, nos revestimentos interiores. Quando para a fixação das placas utilizar-se argamassa convencional o 23 rejuntamento das juntas entre os componentes poderá ser feito com nata de cimento ou com selante. Para melhorar à estanqueidade e a estética do rejuntamento pode-se rejuntar com argamassa de cimento e areia fina no traço 1:1 (em volume), com eventual adição de corante. Para as juntas entre placas, quando fixadas com componentes metálicos, as mesmas devem ser rejuntadas com selantes. Para o exterior, independente do processo de assentamento utilizado, recomenda-se os selantes, para o rejuntamento das juntas entre componentes e de movimentação, devido, principalmente, as suas características de deformabilidade. Quando do emprego de selantes no rejuntamento das juntas de movimentação, o fator de forma (proporção largura/profundidade) deve estar compreendido entre 2 e 1, conforme recomendações do fabricante do selante. Deve-se prever a utilização de material de enchimento quando for necessário adaptar o perfil das juntas às dimensões ideais do cordão de selante. 5.3.8 Escolha dos materiais A escolha dos materiais mais adequados para o revestimento das vedações verticais deve estar ligada, principalmente, às características dos mesmos considerando-se a sua utilização, no caso da pedra, se exterior ou interior. 24 5.3.9 Características das rochas Em obras de grande porte, previamente ao projeto, é importante que seja efetuada uma pesquisa da jazida para verificar a capacidade de fornecimento da mesma levando-se em consideração o atendimento ao cronograma da obra e a homogeneidade litológica e estética da rocha. De acordo com a NBR 13707 da ABNT (1996), na escolha da rocha o projetista deve considerar além dos aspectos estéticos, os seguintes: - as características petrográficas que eventualmente possam influir na durabilidade da rocha, tais como: estado microfissural e presença de materiais deletérios e alterados; - as propriedades físico-mecânicas da rocha, determinadas de acordo com as normas NBR 12.763, NBR 12.764, NBR e NBR 12.767; - a porosidade e a absorção da água, determinadas de acordo com a NBR 12.766; - a viabilidade da rocha ser submetida aos processos de beneficiamento necessários à obtenção dos efeitos desejados (superfície polida, serrada, apicoada, flamejada, etc.); 25 - as alterações na aparência a que as placas estão sujeitas quando: submetidas à lavagens e à ação de produtos químicos de qualquer natureza (produtos de limpeza e outros); expostas às intempéries, no caso de revestimentos externos, no tocante, principalmente, à poluição atmosférica e a morfologia da fachada, de modo a garantir que as águas das chuvas proporcionem uma lavagem uniforme; ou quando assentadas com argamassa (possibilidade de manchas). No caso de rochas que apresentem variações naturais de estrutura, textura, cor, presença de veios e outras características relacionadas ao seu aspecto superficial que forem consideradas relevantes, devem-se, por ocasião do projeto, selecionar amostras que sirvam como padrão para estabelecer a faixa de variação aceitável. 5.3.10 Características dos componentes metálicos para fixação Na elaboração do projeto dos componentes metálicos para a fixação das placas é importante a observação dos metais a serem utilizados, pois deve-se escolher metais que sejam compatíveis entre si, de modo a evitar a corrosão galvânica. Segundo a NBR 13707 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT, 1996), os dispositivos de fixação podem ser componentes metálicos com formatos diversos, tendo as funções: 26 - de fixar as placas no suporte e uma às outras; suportar o peso próprio do revestimento, a ação de vento e todas as demais cargas possíveis de atuação; - impedir o tombamento das placas e absorver as deformações diferenciais entre o revestimento e o suporte, de modo a reduzir as tensões introduzidas no revestimento. Os componentes metálicos de fixação devem ser constituídos de metais inalteráveis, isto é, que não sofram degradação devido ao ataque de substâncias existentes na atmosfera, em forma de gás ou vapor, dissolvidos na água da chuva ou na água de limpeza. Os principais metais que poderão ser utilizados para os componentes metálicos de fixação, são: aço inoxidável; cobre e suas ligas e alumínio, com as seguintes características: a) Aço inoxidável: Tipo ABNT 302 - apesar de não ser recomendado por algumas normas, ele é utilizado principalmente pelo seu baixo custo. Acredita-se que a sua utilização deva ser restrita a ambientes interiores, pois apresenta uma maior quantidade de carbono, e este elemento diminui sua resistência aos agentes agressivos; Tipo ABNT 304 - para atmosferas urbanas e industriais isentas de cloretos; 27 Tipo ABNT 316 - para atmosferas urbanas, marítimas e industriais que contenham cloretos. b) Cobre e suas ligas: O cobre e suas ligas possuem excelente resistência à corrosão atmosférica, bem como uma boa resistência à ação química provocada pelas argamassas. Mas, sua resistência mecânica depende essencialmente de suas ligas e do tratamento que recebe durante a sua fabricação; - Cobre - recomendado para uso somente em grampos e não deve ser utilizado em ambientes que contenham H2S (gás sulfídrico) e amônia. O cobre, quando carreado pela água da chuva, poderá provocar manchas de cor verde (azinhavre ou zinabre) na superfície da rocha; este é um dos motivos, para a sua não utilização em componentes metálicos, além de sua baixa resistência mecânica. - Latão - é uma liga de cobre e zinco que deve ser usada somente com teor de Zn inferior a 15%, pois quando em maiores quantidades estão sujeitas a dezincificação (perda de zinco) e, como conseqüência, há uma diminuição de resistência mecânica. - Bronze alumínio - recomendado para atmosferas marítimas. 28 c) Aço Carbono: Pode ser usado, desde que galvanizado conforme a NBR 6323, nas peças intermediárias ou junto ao suporte; nuca deve ser usado em contato com a rocha. d) Alumínio: Apresenta boa resistência quanto a corrosão, no entanto sua utilização é limitada devido principalmente ao seu alto custo. Em atmosferas marítimas e industriais devem ser utilizadas as ligas 653-T6, 6061-T6 ou equivalente. Deve-se, preferencialmente, utilizar o aço inoxidável devido a sua grande inalterabilidade e resistência mecânica. A NBR 13707 da ABNT (1996), cita que os grampos são um tipo de dispositivo de fixação compostos por uma única peça fabricada com barra de seção circular ou retangular, podendo ter uma das extremidades dobrada em “L” ou em gancho, cujos exemplos de peças estão representados na Figura 5.3 e 5.4, sendo que uma de suas extremidades é ancorada em furo apropriado, feito no dorso ou nas bordas da placa, e a outra é ancorada com argamassa ao suporte. O suporte é uma estrutura onde são presos os dispositivos de fixação que sustentam as placas de rocha. 29 Figura 5.3: Tipos de grampos para a fixação das placas pétras Fonte: Obra Classic Condominium Club Figura 5.4: Sistema de inserts metálicos para a fixação das placas pétreas Fonte: Site Gran-Prometal, (2005) Para a NBR 13707 da ABNT (1996), as placas de rocha, assim como seus dispositivos de fixação, são submetidas às seguintes solicitações: as cargas paralelas ao plano das placas (peso próprio das placas e peso próprio de eventual 30 camada de isolação térmica); as cargas perpendiculares ao plano das placas (ação de vento, impactos acidentais e peso próprio das placas, quando colocadas na horizontal) e movimento relativo do suporte e do revestimento. O projetista deve considerar as deformações devidas à retração e à deformação lenta do concreto, passíveis de ocorrerem após a execução do revestimento. Devese aguardar o maior intervalo de tempo possível entre a execução do suporte e a aplicação das placas, de forma que as deformações iniciais do suporte não venham a solicitar o revestimento. Para a NBR 13707 da ABNT (1996), as placas de rochas colocadas com dispositivos de fixação são geralmente constituídas de três partes (em uma só peça ou não), com funções a seguir descritas: - uma das partes deve ser ancorada no suporte (grapa, chumbador, etc.); - uma parte constituída por barra, cantoneira ou outro perfil metálico (eventualmente associado a um dispositivo de regulagem, que permite o posicionamento correto da placa); - uma parte através da qual ocorrerá a ligação com as placas. Este processo está representado na Figura 5.5, 5.6, 5.7 e 5.8. 31 Impermeabilização da estrutura Furação e colocação de bucha Ancoragem (chumbamento) do pino com “graute” Fixação do grampo Figura 5.5: Esquema de fixação do grampo na estrutura Fonte: Obra Classic Condominium Club, (2004) 32 Figura 5.6: Sistema de insert metálico (modelo simples) Fonte: Site Arcoweb, (2005) Figura 5.7: Sistema de insert metálico (modelo de transição) Fonte: Site Arcoweb, (2005) 33 Figura 5.8: Sistema de insert metálico (modelo especial) Fonte: Site Arcoweb, (2005) Os dispositivos de fixação podem ser sustentadores ou retentores. Os sustentadores são responsáveis pela sustentação do peso próprio das placas e outras eventuais ações verticais e os retentores têm a função de impedir o tombamento das placas. As ações verticais são, normalmente, transmitidas aos dispositivos de fixação sustentadores, colocados geralmente na parte inferior da placa. Outros dois dispositivos de fixação (retentores) são posicionados nas bordas laterais da placa, próximos ao seu topo, ou na própria borda superior da placa como mostra a Figura 5.9 34 Figura 5.9: Funções dos dispositivos de fixação de placas de rochas Fonte: NBR 13707 – ABNT (1996) Os dispositivos de fixação devem ser concebidos de maneira a resistir aos esforços que estarão submetidos e permitir a livre movimentação das placas, de forma que não sejam transmitidas tensões consideráveis às placas de revestimento em função das movimentações higrotérmicas diferenciadas entre o revestimento e o suporte. Após terem sido estabelecidas as solicitações atuantes nas placas e conhecidas as características do suporte e do dispositivo de fixação escolhido (dimensões e metal), deve-se proceder ao dimensionamento dos dispositivos de fixação, considerando as funções de sustentação e retenção. Na verificação destes, através de ensaios, deve-se considerar: - a capacidade do suporte de resistir aos esforços transmitidos pelo dispositivo de fixação; 35 - a distância mínima dos pontos de fixação às extremidades do suporte, em função dos esforços aplicados e da natureza do suporte; - a deformabilidade quando a concepção do sistema de fixação das placas exigir que estas movimentem-se livremente. Recomenda-se, sempre que possível, o emprego de um único tipo de dispositivo de fixação em uma mesma obra. 5.3.11 Características da argamassa para assentamento Recomenda a NBR 13707 da ABNT (1996) que a argamassa a ser empregada na fixação das placas de rocha deve ser de cimento e areia média no traço 1:3 (em volume), podendo ser utilizados aditivos plastificantes ou superplastificantes, a fim de obter-se argamassa de consistência fluída. Segundo a NBR 13707 da ABNT (1996), as placas colocadas com argamassa nos revestimentos exteriores, com altura entre três metros e quinze metros em relação ao piso adjacente, é indicado o uso de grampos fixados em telas, preferencialmente eletrossoldadas, ancoradas convenientemente no suporte. 36 5.3.12 Características dos selantes Selante é o nome dado ao material utilizado para a vedação das juntas de dilatação entre as placas pétreas, podendo ser silicone estrutural no caso da fixação por dispositivos metálicos, ou mesmo com nata de cimento, no caso do assentamento das placas com argamassa. Segundo a NBR 13707 da ABNT (1996) os selantes devem: - ser resistentes aos agentes atmosféricos; - apresentarem boa aderência aos materiais nos quais são aplicados; - ser estanques ao ar e à água e não causar manchas ou alterações nos materiais aos quais são aplicados; - ser inertes em presença de substâncias químicas normalmente encontradas nos edifícios (alcalinidade das argamassas e produtos de limpeza); - Flain ter elasticidade suficiente e mantê-la ao longo do tempo. e Cavani (1994) recomendam que o fator de forma (proporção largura/profundidade) deve estar compreendido entre 2 e 1. Deve-se prever material de enchimento, quando for necessário adaptar o perfil das juntas às dimensões ideais do cordão de selante. 37 5.3.13 Geometria das placas Atualmente não existe uma normatização brasileira que especifique a geometria das placas. Não há um formato obrigatório para as placas, mas segundo Flain (1995), o emprego de tamanhos superiores a um metro quadrado devem ser analisados cuidadosamente em função do sistema de suporte. O tamanho das placas além de influenciar no dimensionamento da camada de fixação, poderá facilitar ou dificultar o transporte e o manuseio das mesmas. 5.3.14 Elementos de projeto A NBR 13707 da ABNT (1996) recomenda que o projeto de revestimento de vedações verticais com placas de rocha deve ser constituído pelos seguintes elementos: - vista frontal dos suportes a serem revestidos com a distribuição (paginação) das placas e a posição dos componentes de fixação, em escala adequada; - detalhes construtivos dos encaixes, ranhuras e furos das placas, componentes metálicos, juntas de dilatação, fixações ao suporte, entre outros; 38 - memorial descritivo com especificações dos materiais e serviços, apresentando inclusive a tolerância máxima permitida para os desvios de prumo e planeza do revestimento com placas pétreas e as exigidas para os suportes. Deverá constar do memorial descritivo, ainda, um roteiro e a periodicidade para a realização das inspeções, que deverá abranger os seguintes aspectos: - estado dos selantes (continuidade, adesão às superfícies das juntas, coesão e presença de fissuras); - existência de corrosão dos componentes metálicos de fixação; - indícios de falta de aderência (som cavo ao serem percutidas) das placas fixadas com argamassa; - eventual deslocamento das placas, entre outros aspectos relevantes para o revestimento. 5.4 Execução e inspeção do revestimento Neste capítulo pretende-se mencionar os principais fatores que devem ser levados em consideração através da NBR 13708 da ABNT 1996. 39 5.4.1 Generalidades Recomenda a NBR 13708 da ABNT (1996) que os revestimentos de paredes e estruturas com placas de rocha devem ser executados em conformidade com o projeto arquitetônico e com o projeto executivo de revestimento, obedecendo-se a todas as disposições construtivas indicadas e empregando-se somente os materiais e componentes especificados. Antes do inicio da execução deve-se: - fazer um estudo detalhado do projeto, conferindo e verificando as interfaces com os outros subsistemas do edifício; - elaborar um planejamento cuidadoso abordando os aspectos relativos a produção, ao transporte e ao armazenamento das placas, de modo a ter-se continuamente na obra placas suficientes e na seqüência em que serão instaladas; - tomar todas as providências necessárias relativas a segurança, recomendandose que a área próxima ao local dos serviços se]a isolada, os andaimes utilizados obedeçam a NBR 6494, só seja empregada mão de obra especializada e consciente dos acidentes que podem ocorrer no caso de falhas devidas à má execução, verificar se os desvios de prumo e planicidade do suporte a ser revestido são menores que os máximos especificados em projeto. 40 5.4.2 Manuseio e estocagem de materiais e componentes No manuseio das placas tanto na produção quanto no transporte para a obra e na própria obra, durante a instalação, devem ser tomadas todas as precauções necessárias, afim de evitar danos nas placas. As placas devem ser preferencialmente armazenadas em áreas coberta, acessíveis e exclusivas, próximas dos locais onde serão instaladas. As placas principalmente as de grandes dimensões, devem-se apoiar-se através de uma de suas bordas em caibros de madeira e encostar-se em estruturas apropriadas em forma de “A”, representada na figura 5.10. Figura 5.10: Esquema de armazenagem das placas de rocha Fonte: NBR 13708 – ABNT (1996) Os dispositivos de fixação devem ser estocados em locais cobertos, acessíveis e exclusivos, de modo a garantir sua integridade física e suas características morfológicas originais. 41 5.4.3 Placas colocadas com dispositivo de fixação Quando os dispositivos forem fixados no suporte por meio de chumbadores de expansão, devem ser seguidas todas as instruções do fabricante dos chumbadores (diâmetro e profundidade do furo, condições de instalação do chumbador, etc.). Na fixação de grapas ao suporte deve-se: - executar no suporte furos cilíndricos ou preferencialmente tronco-cônicos, com dimensões suficiente largas para permitir o chumbamento da grapa, com profundidade tal que a grapa depois de chumbada fique com 8 cm, no mínimo, dentro do suporte (ver Figura 3); - limpar bem o furo, retirando toda poeira e, no caso de utilização de argamassa de cimento, molhá-lo em abundância, sem que fique acumulada água no seu interior; - posicionar a grapa e chumbá-la com argamassa especificada no projeto do revestimento cuidando pare que este chumbamento seja feito em etapas, devendo-se, em cada etapa, adensa-la convenientemente, de modo a se ter o menor volume possível de vazios; - a grapa só poderá receber os esforços transmitidos pela placa após a argamassa atingir resistência mínima compatível. 42 Figura 5.11: Esquema de furo para chumbamento da grapa Fonte: NBR 13708 – ABNT (1996) Os furos e ranhuras feitos nas placas para acoplamento destas aos dispositivos de fixação devem ter diâmetro ou largura 1 mm superior ao diâmetro do pino ou largura dos perfis a serem introduzidos nas placas. A profundidade dos furos ou ranhuras deve ser tal que garanta uma folga da ordem de 5 mm entre o topo do pino ou perfil e o fundo do furo ou ranhura. Os pinos e perfis devem encaixar-se facilmente nos furos ou ranhuras feitos nas placas. Quando isto não for possível, não se deve forçar as placas contra estes pinos e perfis. 43 5.4.4 Placas colocadas com argamassa Inicialmente, devem-se marcar no suporte os locais onde será ancorada a tela de aço à qual será fixados os grampos. Os furos no suporte devem ser cilíndricos ou preferencialmente tronco-cônicos. Após a fixação da tela de aço ao suporte, devem-se posicionar as placas, fixá-las a tela e calçá-las de modo que não saiam de suas posições durante o enchimento com argamassa. As juntas entre as placas devem ser vedadas com gesso para evitar o vazamento de argamassa. Antes de proceder-se ao enchimento com argamassa, deve-se molhar bem o suporte e lavar o dorso da placa, ou ainda chapiscá-lo ou ranhurá-lo em caso de placas serradas a diamante ou de placas de rochas muito lisas. 0 enchimento deve ser feito com a argamassa especificada no projeto do revestimento, tomando-se os cuidados necessários para que o espaço existente entre o suporte e o dorso da placa seja totalmente preenchido. 0 enchimento além de atingir a meia altura da placa deve ser feito em camadas de altura não superior a 20 cm. Cada camada subseqüente só poderá ser executada após o endurecimento da camada anterior. Atingida a meia altura da placa, pode-se completar o enchimento em uma única camada. 44 Após a execução de cada camada, devem-se limpar com panos úmidos os eventuais respingos de argamassa que ficarem aderidos à superfície das placas. Nos revestimentos de interiores, nos quais não será utilizada a tela de aço, deve-se preparar a superfície do suporte, visando melhorar a aderência da argamassa através de apicoamentos, chapiscos, etc. 5.4.5 Juntas As placas devem ser posicionadas de modo a manter entre si os espaçamentos especificados em projeto. Nos casos onde são empregados dispositivos de fixação que tenham, simultaneamente, as funções de retentor e sustentador, deve-se garantir a livre movimentação da placa inferior no sentido vertical, através das folgas indicadas na figura 5.12. 45 ≥ 2 mm ≥ 2 mm Figura 5.12: Folgas mínimas entre a placa inferior e o dispositivo de fixação Fonte: NBR 13708 – ABNT (1996) Para o rejuntamento com selantes obedecer o seguinte: - as faces das juntas devem ser limpas e estar perfeitamente secas por ocasião da aplicação do selante; - as regiões das placas contíguas devem se protegidas com fita crepe; - o selante deve ser aplicado de acordo com as instruções do fabricante, devendo sua superfície, após o acabamento, apresentar-se ligeiramente côncava em relação a superfície do revestimento. No assentamento das placas com argamassa, devem-se tomar os cuidados necessários para que os últimos 2 mm a 3 mm, em relação a superfície do revestimento, fique vazios para poder ser, posteriormente, prenchidos com nata de rejuntamento. 46 5.5 Seleção do material pétreo Para a utilização correta dos materiais pétreos na construção civil, deve-se ter o conhecimento de suas propriedades. Segundo Frazão (2002), as propriedades dos materiais rochosos que interessam para o seu emprego numa obra são chamadas de propriedades de engenharia ou de construção ou de tecnológicas. Deve-se qualificar o material rochoso em relação a suas propriedades. Assim, a qualidade de uma rocha será conhecida pela sua composição química, mineralógica, petrográfica (textura e estrutura) e pelas propriedades físicas e físico-mecânicas daí decorrentes. Todas as propriedades de uma rocha podem ser determinadas em laboratório e algumas em campo, por técnicas apropriadas e conduzidas por procedimentos padronizados. A seleção de rochas adequadas para uso numa dada obra, que requeira a mais alta qualidade com o mais baixo custo, não pode prescindir do conhecimento da grande variedade de propriedades que apresentam e, para cada tipo de aplicação das rochas, é exigido o conhecimento de um dado conjunto de suas propriedades. Mesmo para uma dada aplicação, deverá haver uma hierarquia, em termos de importância, de modo atender funções específicas numa dada obra, que pode ser considerada de forma genérica, como sugerido na Tabela 5.1. 47 Tabela 5.1: Importância dos conhecimentos das propriedades das rochas Propriedades Revestimentos de edificações Características petrográficas Pouco importante Índices físicos Pouco importante Velocidade de propagação de ondas longitudinais Muito importante Coeficiente de dilatação térmica Pouco importante Distribuição granulométrica Não aplicável Forma do agregado Não aplicável Reatividade potencial Não aplicável Adesividade Não aplicável Alterabilidade Pouco importante Resistência ao desgaste Pouco importante Resistência ao impacto Pouco importante Resistência ao esmagamento Não aplicável Resistência à compressão Muito importante Resistência à flexão Pouco importante Módulo de deformabilidade Muito importante Fonte: Frazão (2002) Para Frazão (2002), as análises, as determinações e os ensaios rotineiros para qualificação dos materiais rochosos para a construção civil são muito diversificados. Os procedimentos adotados para seu conhecimento são abrangidos pelos termos caracterização tecnológica e as técnicas adotadas são chamadas de ensaios tecnológicos. 48 Os ensaios tecnológicos mais adotados no Brasil são: - apreciação macroscópica e análise petrográfica microscópica; - análise granulométrica; - determinação de índices físicos; - determinação da forma das partículas; - determinação de propriedades térmicas; - ensaios de reatividade; - ensaio de adesividade; - ensaios de alterabilidade; - ensaios de desgaste abrasivo; - ensaio conjugado de abrasão e impacto; - ensaio de impacto de agregados; - ensaio de impacto de placas; - ensaio de esmagamento; - ensaio de compressão uniaxial e determinação do módulo de deformabilidade estático; - determinação da velocidade de propagação de ondas e de constantes elásticas ultra-sônicas e ensaio de tração indireta. Para Frazão (2002), a padronização de procedimento é dita normalização e o produto é chamado de norma. A normalização permite tornar mais homogêneo e preciso o tratamento dado a um determinado assunto, tais como execução de ensaios e de análises, denominação 49 adequada de materiais e processos, representação iconográfica e matemática das propriedades, especificação de qualidade requerida para materiais e serviços, dentre outros requisitos. No caso de ensaios, permite conferir maior segurança aos resultados obtidos em diferentes materiais rochosos e diferentes tipos petrográficos de um mesmo material. As normas catalogadas referem-se a amostragem, terminologia, nomenclatura, métodos de ensaio e especificações. As normas emitidas por entidades brasileiras estão representadas na tabela 5.2. Tabela 5.2: Normas brasileiras utilizadas para avaliação das propriedades tecnológicas de rochas Propriedades Revestimentos Petrografia NBR 12768 Massa específica, porosidade e absorção NBR 12766 Dilatação térmica NBR 12765 Alterabilidade NBR 12769 Desgaste NBR 12042 Impacto NBR 12764 Compressão NBR 12767 Flexão NBR 12763 Fonte: Frazão (2002) Segundo Ferreira (2003) o plano de corrida da pedra é definido pela ASTM como designando a direção na qual a pedra rompe mais facilmente. Esta direção de fácil separação acompanha a superfície, que é as vezes considerada como um plano. 50 Este plano de fraqueza, a corrida, pode ter sido causada por vários fenômenos que incluem planos de dobramento e alinhamento de microfissuras. Figura 5.13: Planos de corrida do granito causados pelo resfriamento do domo Fonte: Tecnologia para revestimento de fachadas com pedras naturais O plano de corrida num bloco extraído próximo do topo do domo aparece como um plano horizontal. Se um bloco fosse extraído da parte inclinada do domo, o plano de corrida apareceria num plano oblíquo. Recomenda-se para aplicação em fachadas que as placas a serem utilizadas sejam produzidas a partir da serrada de blocos no sentido paralelo ao plano da pedra. Desta forma o plano da pedra estará paralelo à parede e sua resistência à carga horizontal, perpendicular a ela, decorrente das pressões internas da construção e do vento será maior. Estas cargas produzem tensões de flexão na placa, causando tração de um lado e compressão do outro. 51 As tensões de tração tendem a provocar o rompimento da pedra. A placa será mais resistente se as tensões de tração se dissiparem paralelamente aos planos da pedra ao invés de atravessá-la na direção na qual a pedra se rompe mais facilmente. Além disso, há evidências de que a perda de resistência à flexão da placa ao longo dos anos é maior através dos planos de corrida da pedra. 5.5.1 Caracterização Tecnológica A caracterização tecnológica de rochas é realizada por meio da execução de ensaios e análises, cujo conjunto básico está relacionados na Tabela 5.3. Diversas entidades nacionais e internacionais trabalham na padronização dos procedimentos de ensaio, Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, American Society for Testing and Materials – ASTM, Comissão Européia de Normalização – CEN, British Standard Institution – BSI, Deutches Institut für Normung – DIN, entre outros. No geral, no Brasil adotam-se as normas da ABNT e ASTM. 52 Tabela 5.3: Ensaio de cararcterização de rochas ornamentais e respectivas normas utilizadas ENSAIO NORMA Tração na Flexão ABNT NBR 12.763/92 Impacto de Corpo Duro ABNT NBR 12.764/92 Dilatação Térmica Linear ABNT NBR 12.765/92 Índices Físicos ABNT NBR 12.766/92 Compressão Uniaxial ABNT NBR 12.767/92 Análise Petrográfica ABNT NBR 12.768/92 Congelamento e Desgelo ABNT NBR 12.769/92 Desgaste abrasivo Amsler ABNT NBR 12.042/92 Flexão ASTM C 880/98 Velocidade da Propagação de Ondas ASTM D 2845/95 Fonte: Frascá (2000) Segundo Frascá (2000), o principal objetivo da realização de ensaios tecnológicos é a obtenção de parâmetros físicos, mecânicos e petrográficos do material in natura, que permitem a qualificação da rocha para uso no revestimento de edificações. A maior parte dos ensaios procura representar as diversas solicitações às quais a rocha estará submetida durante todo o processamento até seu uso final, quais sejam, extração, esquadrejamento, serragem dos blocos em chapas, polimento/ lustração das placas, recorte em ladrilhos etc. A Tabela 5.4 procura hierarquizar os ensaios requeridos para a caracterização das rochas quanto aos principais usos no revestimento de edifícios e residências, quer seja em pisos de interiores e exteriores (também denominados revestimentos horizontais de exteriores e de interiores), como em fachadas e paredes de interiores 53 e exteriores (ou revestimentos verticais de exteriores e interiores), aos quais são acrescidos os tampos de pia de cozinhas ou lavatórios. Tabela 5.4: Ensaios recomendados para rochas de revestimento, conforme o emprego Ensaios Recomendados TIPOS DE REVESTIMENTO Horizontais de Exteriores AP AA RDA RF RCU CDTL RICD N N R R R N N Baixo tráfego N N R R R R N Alto tráfego N N N R R R N argamassa ou por ancoragem metálica) N N I N N N I Verticais de interiores N N I R N R I Pias e tampos de cozinha / lavatórios N N I I I R R Horizontais de interiores Verticais de Exteriores (fixados com Nota 1: AP = análise petrográfica; AA = absorção d´água; RDA = resistência ao desgaste abrasivo; RF = resistência a flexão; RCU = resistência a compressão uniaxial; CDTL = coeficiente de dilatação térmica linear; RICD = resistência ao impacto de corpo duro. Nota 2: N = necessário; R = recomendado; I = de interesse. Fonte: Frascá (2000) 5.5.2 Ensaios Tecnológicos A seguir são descritos os ensaios requeridos para a caracterização tecnológica de rochas ornamentais e as propriedades por eles determinadas. 54 5.5.2.1 Análise Petrográfica De acordo com a NBR 12768 da ABNT (1992), para a execução deste ensaio devese colher amostras representativas da jazida, ou do afloramento rochoso, em quantidades tais que representem todas as características da rocha. Assegurar volume suficiente para permitir a obtenção de tantos corpos de prova quanto sejam necessários para representar as características da rocha. Cada amostra retirada de diferentes pontos do maciço deve ter a dimensão de, no mínimo, 15 cm. Segundo Frazão (2002), as características petrográficas e mineralógicas de rochas, areias e pedregulhos, por meio de técnicas que permitam identificar a composição mineralógica, sua textura, estado de alteração dos minerais, estrutura, grau e o tipo de microfissuração. Todo o cuidado deve ser dado à presença de minerais que possam interagir com os fatores climáticos ou com substâncias presentes no meio onde a rocha será aplicada. A análise petrográfica pode ser executada por via direta, pelas observações macroscópicas a olho nu ou pela microscopia óptica em seções delgadas da rocha, também chamadas de lâminas petrográficas, apresentada na figura 5.13. Esta análise pode ser completada por via indireta, pela análise difratométrica por raios X e pelas análises térmica diferencial e química, para aqueles minerais cujas características não permitem que estes sejam identificados por via óptica. Testes de coloração mineral seletiva petrográfica quantitativa. complementam, quando necessários, a análise 55 O documento técnico resultante da realização do ensaio, segundo a NBR 12768 da ABNT (1992), deve conter: a discriminação pormenorizada da procedência da amostra (região, cidade, jazida, local de coleta, etc.); data da coleta da amostra; data da realização do ensaio; resultados das observações macroscópicas e microscópicas. A principal característica petrográfica e mineralógica dos materiais rochosos de interesse no uso na construção civil em revestimentos externo é a alteração por reações com substâncias presentes na atmosfera. Figura 5.13: Detalhe de microscópio petrográfico e lâmina delgada Fonte: II Seminário de rochas ornamentais do nordeste (2001). 5.5.2.2 Compressão Uniaxial Segundo a NBR 12767 da ABNT (1992) deve-se preparar os corpos-de-prova com formato cúbico, com dimensões das arestas entre 7,0 cm e 7,5 cm, ou cilíndrico, 56 com diâmetro entre 7,0 cm e 7,5 cm, e com relação de dimensões entre base e altura de 1:1; garantir, no caso de corpos-de-prova cúbicos, que os ângulos formados entre as duas faces consecutivas sejam de (90 ± 3)°. Garantir o mesmo quanto ao ângulo entre as bases e a geratriz dos corpos-de-prova cilíndricos; Retificar as bases dos corpos-de-prova no torno mecânico de modo que as irregularidades não ultrapassem a (2 ± 0,01) mm. Se a rocha for estruturada, preparar seis corpos-de-prova, sendo três para ensaio na direção paralela e três para ensaio na direção perpendicular às estruturas; assinalar as faces que representem as bases, no caso dos corpos-de-prova cúbicos. Para o caso de ensaios nas condições seca e saturada, preparar, também, três corpos-deprova para cada condição; adotar as dimensões das bases dos corpos-de-prova como sendo a média aritmética de três medidas tomadas em posições diferentes e perpendiculares ao eixo dos corpos-de-prova. De acordo com a NBR 12767 da ABNT (1992), para a execução do ensaio adotamse os procedimentos indicados: colocar o corpo-de-prova no centro do prato inferior da prensa; movimentar o prato superior da prensa até obter ajuste dos pratos da prensa com o corpo-de-prova; aplicar cargas, de modo contínuo e progressivo, a uma taxa de aproximadamente 0,6 MPa/s (mega pascal por segundo) até que ocorra a ruptura do corpo-de-prova; anotar a força de ruptura máxima registrada no ensaio. Calcular a tensão de ruptura da rocha por compressão uniaxial (σc) pela seguinte expressão: 57 σc = P/A equação 5.1 Onde: P = força máxima de ruptura, em KN A = área da base do corpo-de-prova, em cm2 ou m2 Para Frazão (2002), as rochas utilizadas com o material de construção são freqüentemente solicitadas à compressão, a diferentes graus de intensidade. Quando o esforço aplicado é maior do que aquele que a rocha pode suportar, a rocha se rompe. Embora seja rara a situação em que isso ocorre com a rocha individualmente como material de construção, é comum determinar qual o esforço capaz de provocar a quebra da rocha. Tal esforço é traduzido por um valor de tensão de ruptura chamado também de tensão última. A ruptura, por sua vez, é sempre precedida por um aumento de volume e da velocidade de propagação de fissuras, simultaneamente. A tensão de ruptura, bem como vários outros parâmetros de resistência mecânica, assume, para rocha como material de construção, a função de propriedades índices, ou seja, propriedades que permitem, a partir dos valores apresentados, qualificar tecnologicamente as rochas. Os valores obtidos permitem, pois, compatibilizar os esforços das estruturas com a resistência da rocha. Segundo Ferreira (1995), a resistência à compressão de uma pedra é determinada de acordo com o método estabelecido pela ASTM C-170 (resistência à compressão). Os testes de resistência à compressão são executados em corpos de prova em forma de cubo ou cilindro e são realizados em máquinas calibradas, aplicando-se 58 carga sobre as amostras até fraturá-las. A carga máxima aplicada é dividida pela área de carregamento da amostra, o que permite determinar a resistência à compressão da amostra testada. Diante da dificuldade em se prever com certo grau de certeza em que condições de teste uma amostra dará sua resistência mínima, recomendam-se testes nas quatro condições: saturado e seco, paralelo e perpendicular ao plano de corrida. Embora o projeto estrutural normalmente não se baseie na resistência à compressão, é importante que se verifique os parâmetros mínimos especificados pela ASTM C-170 e se seus valores apresentados estão coerentes com os valores históricos. A figura 5.14 mostra, corpo-de-prova rompido após aplicação de esforços compressivos. Figura 5.14: Corpo de prova sendo rompido Fonte: II Seminário de rochas ornamentais do nordeste (2001). 59 5.5.2.3 Congelamento e desgelo Segundo a NBR 12769 da ABNT (1992) para a execução do ensaio adotam-se os procedimentos indicados a seguir: - submeter metade da quantidade dos corpos-de-prova ao ensaio de compressão uniaxial de acordo com a NBR 12767; - colocar cada um dos corpos-de-prova, correspondente a outra metade da quantidade a ser ensaiada nos recipientes e adicionar uma solução aquosa com 5%, em volume, de álcool etílico. - a imersão deve ser feita inicialmente até 1/3 da altura do corpo-de-prova; após 4 h adicionar solução até 2/3 dessa altura; após 4 h completar a submersão dos corpos-de-prova e deixar completar o tempo total de 24 horas; - colocar a solução em um béquer e deixar à temperatura ambiente ou na estufa a 40°C; - levar os recipientes, com os corpos-de-prova no seu interior (imersos na solução), para o congelador e deixar por 24 h; - retirar os recipientes do congelador e deixar degelar à temperatura ambiente ou levar à estufa - verificar o encerramento do degelo pela comparação da temperatura da solução dos recipientes com a da solução contida no béquer; - repetir o procedimento de congelamento e degelo por 25 vezes; - efetuar exame visual dos corpos-de-prova a cada cinco ciclos para verificação de eventuais danos e eliminar do ensaio de compressão uniaxial os corpos-deprova que apresentarem fendilhamentos ou sinais de desagregação; 60 - submeter os corpos-de-prova a ensaio de compressão uniaxial, no estado seco ou saturado, conforme a NBR 12767; - calcular a tensão de ruptura da rocha de acordo com a NBR 12767; - calcular o coeficiente de enfraquecimento (K) através da relação: K = σ cd/ σ nat equação 5.2 Onde: σ cd = valor médio da resistência à compressão das amostras após ensaio de congelamento-degelo; σ at = valor médio da resistência à compressão no estado natural (seco ou saturado). É um ensaio recomendado para as rochas ornamentais que se destinam à exportação para países de clima temperado, nos quais é importante o conhecimento prévio da susceptibilidade da rocha a este processo de alteração. 5.5.2.4 Tração na Flexão O ensaio de tração na flexão (ou ainda, módulo de ruptura) determina a tensão que provoca a ruptura da rocha quando submetida a esforços flexores. Permite avaliar sua aptidão para uso em revestimento, ou elemento estrutural, e também fornece um parâmetro indicativo de sua resistência à tração. 61 Para Frazão (2002), as rochas usadas como material de construção podem, em certas aplicações, sofrer solicitações de tração, direta ou indireta. Essas solicitações são, em geral, do tipo indireto. A tração direta de rochas raramente acontece numa obra ou numa aplicação qualquer. Uma das maneiras de se determinar a resistência à tração indireta é pelo ensaio de flexão. Segundo Ferreira (1995), o teste para resistência à flexão é executado aplicando a carga em dois pontos localizados nas quartas partes extremas da amostra. A carga é aumentada gradualmente, até o rompimento da amostra, figura 5.15. Figura 5.15: Corpo de prova sendo rompido após aplicação de esforços fletores Fonte: II Seminário de rochas ornamentais do nordeste (2001). Registra-se a carga máxima aplicada e calcula-se a tensão de flexão ocorrida na amostra. No mínimo, cinco amostras devem ser testadas para cada uma das quatro condições de teste (seca ou saturada e paralela ou perpendicular ao plano de corrida da pedra). A norma ASTM C-880 (resistência à flexão), permite o teste de 62 pedras de várias espessuras. Requer que o comprimento do corpo de prova seja igual a dez vezes a sua espessura e admite que o acabamento da face a ser tencionada seja o especificado no projeto arquitetônico. Testes realizados nos E.U.A. classificaram como excelente a comparação dos resultados dos testes de resistência à flexão executados segundo ASTM C-880 e os executados em uma placa inteira, conforme demonstrado na figura 5.16. Figura 5.16: Comparação ensaio C 880 (resistência à flexão) e placas com tamanho natural Fonte: Tecnologia para revestimento de fachadas com pedras naturais (2004). Este gráfico compara os resultados dos testes de resistência à flexão executados em cerca de 40 amostras de painéis inteiros com os resultados obtidos de acordo à ASTM C-880, em corpos de prova extraídos da mesma chapa. O carregamento uniforme nestes painéis foi feito por meio de vácuo e levado até a fratura da placa. A diagonal do 63 gráfico representa um a um a relação entre os testes. Os pontos registrados no gráfico estão muito próximos da linha, indicando um resultado classificado como excelente. O ensaio de flexão (ou flexão por carregamento em quatro pontos) simula os esforços flexores em placas de rocha, com espessura predeterminada, apoiadas em dois cutelos de suporte e com dois cutelos de carregamento. É particularmente importante para dimensionamento de placas a serem utilizadas no revestimento de fachadas com o uso de sistemas de ancoragem metálica para a sua fixação. É realizado em 10 corpos de prova, por amostra, conforme a figura 5.17. Figura 5.17: Corpo de prova rompido após aplicação de esforços Fonte: II Seminário de rochas ornamentais do nordeste (2001). 64 5.5.2.5 Dilatação Térmica Linear Para Frazão (2002), a dilatação térmica é uma propriedade vetorial e depende muito da natureza minerológica da rocha, da sua estrutura e da sua porosidade. Os minerais que compõem a rocha têm um coeficiente próprio de dilatação. Aliás, um mesmo mineral pode apresentar dois coeficientes de dilatação, um na direção paralela ao eixo, como, por exemplo, o quartzo. A dilatação térmica é influenciada também pela estrutura da rocha, pois, para uma rocha de estrutura bandeada, a dilatação será maior na direção paralela ao bandeamento, direção na qual o embricamento intercristalino é mais eficaz. Segundo a NBR 12765 da ABNT (1992), os procedimentos para a execução do ensaio são os seguintes: - Identificar o plano de corte (se possível) das amostras e extrair dois corpos-deprova cilíndricos ou prismáticos de base quadrada, em direções ortogonais; - cortar os corpos-de-prova com comprimento de no mínimo duas vezes a maior dimensão da base e retificar as bases em torno mecânico; - colocar os corpos-de-prova no dessecador com água pura e proceder à sua saturação com auxilio da bomba de vácuo por 3 h ou nas condições ambientes por no mínimo 24 h; - retirar um corpo-de-prova do dessecador e introduzi-lo no tubo externo; - posicionar o tubo interno no topo do corpo-de-prova; - fixar os tubos coaxiais em base rígida e adicionar água até o topo do corpo-deprova; 65 - ajustar o transdutor diferencial de deslocamento no topo do tubo interno; - conectar o transdutor diferencial ao registrador gráfico e ao multímetro; - colocar o termômetro dentro de um recipiente que envolva a base do tubo externo; - promover a circulação da água do banho-maria dentro do recipiente à temperatura de +/- 50°C e aguardar a estabilização da temperatura do corpode-prova; - Acionar o sistema de refrigeração, à taxa de 0,3°C/min, até 0°C e aguardar a estabilização da temperatura do corpo-de-prova; - acionar o sistema de aquecimento, à taxa de 0,3°C/min. até +/- 50°C e aguardar a estabilização da temperatura do corpo-de-prova. Após a obtenção dos dados é necessário, segundo a NBR 12765, calcular os coeficientes da dilatação térmica linear β(x) pelas seguintes expressões: β1 = ∆L1/(L0 x ∆T1) equação 5.6 β2 = ∆L2/(L0 x ∆T2) equação 5.7 Onde: β1 = coeficiente de dilatação témica linear no resfriamento (°C-1) ou (mm/(mm°C)) β2 = coeficiente de dilatação témica linear no aquecimento (ºC-1) ou (mm/(mm°C)) ∆L1 = diferencial de comprimento do corpo-de-prova no resfriamento (mm) ∆L2 = diferencial de comprimento do corpo-de-prova no aquecimento (mm) 66 L0 = comprimento inicial do corpo-de-prova (mm) ∆T1 = diferencial de temperatura no resfriamento (°C) ∆T2 = diferencial de temperatura no aquecimento (°C) - calcular a média aritmética dos valores de β1 e β2 ; β(x) - calcular a média aritmética para os dois corpos-de-prova a partir dos valores de médios de cada corpo-de-prova Transdutor Diferencial (LVDT) Registrador (x,y) Multímetro Plataforma rígida Guia Tubo de sílica externo Termômetro Tubo de sílica interno Corpo de prova Banho Ultratermostático (0-50°) Água Figura 5.28: Croqui do ensaio de dilatação térmica linear Fonte: NBR 12765 - ABNT (1992) Segundo Frazão (2002), a dilatação térmica é também influenciada pela porosidade da rocha, pois, nas rochas porosas, os minerais tendem a se expandir na direção dos poros, diminuindo o valor da dilatação total. 67 Esta propriedade é importante em rochas que se destinam a revestimento externo de edificações, pois terá influência da estabilidade das chapas assentadas com argamassa. Sendo o coeficiente de dilatação das rochas muito diferente do da argamassa de assentamento, poderá haver descolamento das chapas devido à movimentação decorrente da dilatação e contração ocasionada pela oscilação da temperatura. Em chapas assentadas sem argamassa, mas pelo sistema de fixação por dispositivos metálicos em revestimentos de exteriores, este problema deixa de existir, mas se deve prever um determinado espaçamento entre as chapas, o qual é calculado a partir do coeficiente de dilatação da rocha. 5.5.2.6 Desgaste Abrasivo – Amsler Indica a redução da espessura que placas de rocha apresentam após um percurso abrasivo de 1.000 m, na máquina Amsler. O abrasivo utilizado é areia essencialmente quartzosa. Este ensaio procura simular, em laboratório, a solicitação por atrito devida ao tráfego de pessoas ou veículos. É executado em dois corpos-deprova, exemplo na figura 5.19. 68 Figura 5.39: Equipamento Amsler ensaiando copos de prova Fonte: II Seminário de rochas ornamentais do nordeste (2001). 5.5.2.7 Impacto de Corpo Duro Fornece a resistência da rocha ao impacto, através da determinação da altura de queda de uma esfera de aço que provoca o fraturamento e quebra de placas de rocha. É um indicativo da tenacidade da rocha. Deve ser executado em 5 placas polidas, por amostra. Segundo a NBR 12.764 da ABNT (1992), deve-se preparar cinco corpos-de-prova na forma de placas, com dimensões de 20 cm x 20 cm x 3 cm e com superfícies paralelas. A preparação dos corpos-de-prova deve ser feita de tal forma que as superfícies cortadas representem as feições estéticas que terão as placas quando do seu emprego na obra. 69 Assentar a placa sobre o colchão de areia, nivelando-a o mais perfeitamente possível com o auxílio do nível de bolha. Alçar a esfera de aço até a altura inicial de 20 cm (distância entre a face da placa a ser submetida ao impacto e o centro de massa da esfera), abandonando-a a seguir em queda livre. A partir desta altura inicial, repetir o procedimento para intervalos de altura de 5 cm até que ocorra fissura, lascamento ou ruptura da placa; anotar as alturas em que esses eventos ocorrerem. Após o ensaio das cinco placas, calcular a média aritmética das alturas em que ocorreram fissuras, lascamentos e rupturas das placas. A figura 5.20 mostra o equipamento utilizado para realização de ensaio de resistência ao impacto de corpo duro. 70 Figura 5.20: Equipamento de ensaio de resistência de impacto Fonte: II Seminário de rochas ornamentais do nordeste (2001). 5.5.2.8 Ensaio de Alterabilidade Segundo Frazão (2002), as rochas que são passíveis de sofrer modificações de suas características, quando empregadas na construção civil, a ocorrência de modificações dependerá, além do estado e tipo de alteração presente, do tipo e 71 intensidade da solicitações químicas, físicas e físico-mecânicas que irão enfrentar em serviço. A alterabilidade, por sua vez, é definida como a potencialidade, maior ou menor da rocha a se alterar, ou seja, de apresentar maior ou menor modificação de suas propriedades ao longo do tempo. Para avaliação da alterabilidade, é porém necessário conhecer, além do grau de alteração, quais efeitos que terão nesta as condições ambientais a que estarão submetidas. Atualmente estão em desenvolvimento e implantação ensaios de alterabilidade objetivando a previsão e/ou mitigação de possíveis deteriorações/manchamentos decorrentes da colocação, manutenção e/ou limpeza inadequados. Podem ser citados, entre eles, o ensaio de alterabilidade perante reagentes químicos usualmente utilizados em produtos de limpeza (resistência ao ataque químico), o de saturação e secagem, e mesmo o de congelamento e degelo, já descrito. Descreve-se na tabela 5.5, um conjunto de ensaios de alterabilidade representativo de situações intempéricas e de mau uso. 72 Tabela 5.5: Ensaios de alterabilidade e situações simuladas SITUAÇÃO Intempéries ENSAIO OBJETIVO Exposição a intemperismo Simulação da exposição artificial, em câmaras de de rochas, principalmente condensação e irradiação quando no revestimento de de ultravioleta fachadas, à chuva (umidade) e sol (a radiação solar, na faixa dos UV, potencialmente mais agressivos). Ação de poluentes Exposição a atmosferas Simulação de ambientes ácidas e salinas urbanos poluídos (umidade e H2SO4) e marinos (névoa salina), potencialmente degradadores de materiais rochosos. Manutenção e limpeza Reagentes químicos Alguns reagentes químicos utilizados em produtos de são colocados em contato limpeza e de uso com a superfície polida da doméstico rocha, por tempos predeterminados, parar verificar a susceptibilidade da rocha ao seu uso, principalmente como materiais de limpeza. Baseado e adaptado do anexo H da norma ABNT NBR 13.818/97. Fonte: Frascá (2000) O grau de alteração e a alterabilidade afetam todas as propriedades de uma rocha, mas as de maior interesse como material de construção são: modificação na 73 distribuição granulométrica, aumento da porosidade e da absorção d’água e diminuição da resistência mecânica, da aderência e da adesividade. 74 6 ESTUDO DE CASO O presente trabalho, neste capítulo, tem a finalidade de apresentar os procedimentos e critérios adotados na seleção e aplicação de granitos ornamentais, empregados na construção do edifício Classic Condominium Club executado pela construtora Company S.A., ressaltando que a aplicação do revestimento da fachada externa foi projetado e executado pela empresa Aldan Tecnologia. No texto em questão, serão feitas considerações sobre a metodologia de escolha do granito aplicado na obra, os tipos de ensaios de caracterização tecnológica utilizados, a relação existente entre as características físicas, mecânicas e petrográficas da rocha. 6.1 Introdução Em virtude do revestimento de fachada externa, ficar sujeito às condições agressivas do meio ambiente, fez-se necessário definir as características petrográficas e mecânicas das rochas serem empregadas, através de ensaios de caracterização tecnológica, de forma a permitir a definição dos seguintes parâmetros: resistência a flexão, compressão uniaxial, dilatação térmica linear, resistência ao impacto, dureza, porosidade, absorção d’água. Com base nos resultados elaborou-se o critério de escolha dos materiais pétreos, para o revestimento da fachada e externa e análises que seriam definidos a partir 75 das seguintes características: aspecto estético decorativo da rocha; e composição mineralógica; tipo petrográfico (propriedades físicas e mecânicas da rocha); definição do sistema de fixação a ser empregado e do conhecimento das cargas atuantes sobre o revestimento. 6.2 Metodologia Como conseqüência da integração das características tecnológicas das rochas, realizou-se a escolha do material utilizado para o revestimento externo, além da definição das espessuras e dimensões das placas. Em função dos resultados dos ensaios de caracterização tecnológica, mais precisamente devido aos parâmetros obtidos no grau de absorção, porosidade, coeficiente de dilatação térmica, escolheuse o granito cinza corumbá. Além do aspecto estético-decorativo que apresenta, contribuiram na escolha deste granito, o qual mostrou ótimo resultado, especialmente nos índices de resistência a flexão uniaxial e coeficiente de dilatação térmica linear. Em função do aspecto estético e dos resultados dos ensaios tecnológicos referenciados, ficou decidido que as placas utilizadas como revestimento das paredes externas, foram aplicadas na forma polida e projetadas nas dimensões de 3 cm de espessura por 0,746 m de largura e 1,492 m de comprimento. 76 6.3 Sistema de fixação adotada Na fixação das placas de rochas como revestimento lateral externo e das demais peças, utilizou-se o sistema de fixação com componentes metálicos (figura 6.1), através de pinos previamente especificados para suportarem o peso do próprio revestimento, além das demais cargas atuantes na placa e suas deformações diferenciais existentes entre a rocha e a parede de fixação. Figura 6.1: Detalhe do pino sustentador da placa superior e retentor da placa infeirior Fonte: Obra Classic Condominium Club (2005) 77 A figura 6.2 apresenta operários fazendo a instalação das placas pétreas na fachadas com auxilio de andaime. Figura 6.2: Esquema de montagem da fachada com auxilio de andaime Fonte: Obra Classic Condominium Club (2004) 6.4 Parâmetros de projeto Como sistemática de trabalho, utilizou-se os resultados das determinações do coeficiente de dilatação térmica linear, a densidade do material e o valor do módulo de resistência a flexão. Em função dos índices apresentados nas tabelas 6.1, 6.2, 6.3, 6.4 e levando-se em consideração os parâmetros estudados na análise estrutural da rocha, verificou-se 78 que a rocha, apresenta nos três planos que possui, demonstrados na figura 6.3, valores diferenciados em relação ao índice de resistência a flexão. Plano XY – Trincante da rocha Y Plano ZY – Segundo da rocha Plano ZX – Corrida da rocha Plano ZX Z Plano ZY Plano XY X Figura 6.3: Definição dos planos da rocha. Fonte: Tecnologia para revestimento de fachadas com pedras naturais (2004) – modificado Tabela 6.1: Resultados dos ensaios de resistência a flexão Corpo de Prova Dimensões (cm) Espessura (d) Largura (b) Carga Tensão de de ruptura Ruptura (Kgf) P (MPa) Plano ZX (1) 3 4,5 300 5,46 Plano ZY (1) 3 4,5 300 10,58 Plano XY (1) 3 4,5 300 6,83 Fonte: Aldan Tecnologia (2003) 79 Tabela 6.2: Resultados de resistência a flexão, segundo o plano XY Corpo de Carga de Dimensões Ruptura - P Prova (n°) Espessura (d) Largura (b) Tensão de Ruptura - R (Kgf) Kgf/cm³ MPa 1 3,08 4,59 178,7 83,2 8,16 2 3,07 4,55 204,3 96,3 9,44 3 3,08 4,56 217,2 101,5 9,95 4 3,08 4,58 222,8 104,3 10,23 5 3,09 4,58 226,5 105,1 10,31 6 3,10 4,54 228,6 105,9 10,39 7 3,10 4,56 239,1 110,8 10,87 8 3,11 4,56 248,3 114,1 11,19 102,7 10,07 9,5 0,94 9 9 Média Desvio padrão Coeficiente de variação (%) Fonte: Aldan Tecnologia (2003) Tabela 6.3: Resultados dos ensaios de resistência a flexão, segundo o plano ZY Corpo de Carga de Dimensões Ruptura - P Prova (n°) Espessura (d) Largura (b) Tensão de Ruptura - R (Kgf) Kgf/cm³ MPa 1 2,99 4,59 178,7 88,5 8,68 2 2,99 4,59 199,9 98,9 9,7 3 2,99 4,58 203,6 100,5 9,86 4 2,99 4,57 202,8 100,7 9,88 5 3,00 4,58 238,2 117,4 11,51 6 3,01 4,57 244,5 119,4 11,71 7 3,00 4,56 275,7 136,3 13,37 8 2,99 4,56 274,6 136,9 13,43 112,3 11,02 Desvio padrão 18 1,77 Coeficiente de variação (%) 16 16 Média Fonte: Aldan Tecnologia (2003) 80 Tabela 6.4: Resultados dos ensaios de flexão, segundo o plano ZX Carga de Dimensões Corpo de Ruptura - P Prova (n°) Espessura (d) Largura (b) Tensão de Ruptura - R (Kgf) Kgf/cm³ MPa 1 3,02 4,51 91,3 45 4,41 2 3,05 5,60 122,1 57,7 5,66 3 3,01 5,55 164,2 80,8 7,92 4 2,99 5,58 489,8 94,1 9,23 5 3,01 4,57 197 96,5 9,46 6 2,97 4,58 196 98,2 9,63 7 3,00 4,57 233,9 115 11,28 8 3,00 4,54 237,6 117,8 11,55 Média 88,1 8,64 Desvio padrão 25,8 2,53 29 29 Coeficiente de variação (%) Fonte: Aldan Tecnologia (2003) Analisando as tabelas, pode-se perceber que o plano ZY (segundo plano da rocha), apresentou os maiores valores de resistência a flexão, ou seja, constitui o plano ideal para o corte das placas a serem aplicadas na obra. O coeficiente de dilatação térmica linear, que constitui a base para a definição das áreas das placas e do espaçamento entre as juntas de fixação é dado pela equação: B = L / L0 x T Equação 6.1 Onde: - B = Coeficiente de dilatação térmica linear (mm/m Cº) - L = Comprimento do corpo de prova (m) - Lo = Comprimento inicial do corpo de prova (m) - T = Temperatura (Cº) 81 No que se refere ao módulo de resistência a flexão, a norma norte americana, ASTM C-880, afirma que os valores abaixo de 10,34 MPa, são considerados restritivos, necessitando de placas de espessuras maiores e áreas menores, para suportar as solicitações de flexões causadas pela carga de vento e no caso das placas de teto do próprio peso do revestimento. O índice de resistência a flexão é calculada através da seguinte expressão: R = 3 PL 2b d2 equação 6.2 Onde: - R = Tensão de ruptura na flexão (MPa) - P = Força de ruptura (KN) - L = Comprimento da peça - b = Largura da peça - d = Espessura do corpo de prova ou da placa Conseqüentemente a espessura da placa é determinada através da expressão: d2 = 3PL R2b equação 6.2 Onde P é considerado como valor da força exercida pela carga de vento. 82 6.5 Controle de qualidade adotado Segundo o encarregado, da Aldan Tecnologia, responsável pela execução do revestimento foram adotados alguns procedimentos para a verificação do material recém chegado à obra além da verificação dos serviços executados. Com o objetivo de evitar-se o aparecimento de patologias nos materiais aplicados, resolveu-se adotar um controle de qualidade nas placas a serem fixadas, a fim de inibir futuramente o aparecimento de fissuras, quebramentos, fraturas, manchas, pontos de oxidação e eflorescência. Convém frisar, que o aparecimento de tais defeitos, além do aspecto estéticodecorativo da obra, contribui para provocar instabilidade no revestimento, o que poderá vir a ocasionar sérios problemas no futuro. Inicialmente foi realizada uma criteriosa análise visual das placas recebidas, com a finalidade de verificar as dimensões das peças, o esquadrejamento, a posição dos furos, a bitola de cada placa, além da presença de pontos de oxidação na rocha. Em seguida, foi elaborada a lavagem de cada placa, com intuito de verificar a presença de fraturas, o que viria comprometer a estabilidade do revestimento. Após a elaboração desse controle, as peças fora de especificação foram trocadas por outras em perfeitas condições de uso. 83 Na figura 6.4 podemos perceber o armazenamento das placas seguindo as recomendações da NBR 13708 da ABNT (1996). Figura 6.4: Esquema de amazenamento das placas pétreas Fonte: Obra Classic Condominium Club (2004) Em paralelo aos serviços de avaliação do material pétreo a ser fixado, foram analisados criteriosamente o nivelamento, prumo e planicidade do local de fixação e assentamento. 84 7. CONCLUSÃO O assentamento das placas pétreas, pelo processo tradicional, apresenta-se, na maioria das vezes, sem projeto específico e com controle da produção pouco eficaz. Observa-se, nas obras que adotam tal procedimento, um grande desperdício de materiais e de mão de obra, de controle da produção e do desconhecimento das técnicas de produção desse revestimento. No processo com fixação metálica, a produção apresenta-se também deficiente. Apesar desse processo já apresentar um projeto específico, o controle dos serviços é geralmente, inexistente, gerando assim baixa qualidade e grandes desperdícios. Os aspectos científicos e tecnológicos são importantes na evolução desses dois processos. Para isso, deve ser feito um desenvolvimento de novas linhas de pesquisas como a definição de uma argamassa adequada ao assentamento das placas, desenvolvimento de novas técnicas de assentamento, o uso de novos materiais e elaboração de projetos especificados. A caracterização petrográfica e tecnológica do material pétreo, acompanhamento do processo extrativo, cuidado no transporte, estocagem e fixação das placas, além de manutenção adequada, podem evitar o aparecimento das manifestações patológicas e conseqüentemente futuras manutenções. 85 Acrescendo-se a isso, deve-se investir em pesquisas, no treinamento da mão-deobra, no controle dos serviços e, finalmente, na implantação, em canteiro de obras, dos processos e das técnicas desenvolvidas. 86 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AGOPYAN, V. Elementos de vedação vertical para a habitação: observação sobre características que afetam o desempenho. 1978. 123p. Dissertação (Mestrado) - Escola Politécnica, Universidade de São Paulo. 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