OS IMPACTOS DA TECNOLOGIA DE INFORMAÇÃO NOS RECURSOS HUMANOS DAS ORGANIZAÇÕES - O CASO DOS PROCESSOS DE QUALIDADE José Manuel de Sacadura Rocha * Resumo Este artigo visa estudar os impactos da aplicação da moderna Tecnologia de Informação nos recursos humanos das organizações. Para isso, elegemos como exemplo os Processos de Qualidade, fenômeno recente na gestão empresarial brasileira. A Tecnologia de Informação é um fator de produtividade e competitividade indispensável para os mercados globais atuais. Mas, ao ser instalada nas organizações provoca uma revolução nas formas de trabalho e relacionamentos interpessoais. Os Processos de Qualidade são conseqüência desta radicalização nas formas e relacionamentos no trabalho, mas, ao mesmo tempo, exigem modificações estruturais nas organizações. As empresas não têm opção: a contragosto, na maioria dos casos, a democratização se impõe, com pena de serem expulsas pelo mercado. Porquê é o que veremos neste artigo. Palavras -chave: Tecnologia de Informação - Qualidade - RH. Introdução As organizações atuais são permeadas por um fenômeno diferente de tudo que se havia experimentado em termos de recursos humanos. As inversões de parte de seus resultados em capital constante, quer dizer, os seus investimentos em tecnologia avançada, principalmente a automatização e a informatização de seus processos de trabalho, revolucionaram e continuam revolucionando a percepção da necessidade e do valor dos seus recursos humanos. Não queremos aqui trabalhar com o fenômeno do desemprego e das taxas de diminuição dos salários dos trabalhadores, conseqüências inexoráveis do desenvolvimento das forças produtivas, nem do tratamento que o modo de produção capitalista está dando para o problema.(1) Aqui nos interessa falar daqueles recursos humanos que ainda persistem dentro das empresas, e os impactos que esse mesmo avanço das forças produtivas provoca na força de trabalho ativa. Como sabemos, a aplicação de tecnologia no trabalho humano revoluciona, mais ou menos drasticamente, a forma de trabalhar e produzir. Por outro lado, para o ser humano o trabalho não é apenas uma atividade de subsistência per si, isto é, com um fim em si mesmo. O trabalho humano é parte da própria ontologia do homem, quer dizer, ao produzir os bens necessários para sua sobrevivência, numa época determinada pelo avanço de suas ferramentas de trabalho, ele mesmo se cria e recria como homem. O trabalho, assim colocado, apresenta dois aspectos indissociáveis para a existência humana: atividade econômica - na superação de suas necessidades materiais para viver; e atividade filosófica * Mestre em Administração de Serviços – Qualidade; Pós-Graduação em Sistemas de Informação; PósGraduação em Marketing de Varejo; Bacharel e Licenciado em Ciências Sociais. Autor do Livro "Análise de Sistemas como Atividade de Mudança" - Ed. Érica. Professor, Consultor e Autor. Currículo Lattes. na construção do entendimento do sentido dessa vida. O que nem sempre é percebido, é que a racionalização da vida, isto é, a explicação que o homem dá para a sua própria existência - a atividade filosófica, está determinada em princípio pela atividade econômica, isto é, pela forma como a vida material, como a produção dos bens necessários à sobrevivência dos homens é concretamente produzida. Como a atividade econômica é regida pelo avanço das forças produtivas, quer dizer, como as ferramentas de trabalho evoluem na produção dos bens necessários à vida, então existe uma história para a atividade econômica e, conseqüentemente, para a filosofia. "Os homens são os produtores de suas concepções, idéias etc. - homens reais, ativos, conforme são condicionados por um desenvolvimento definido de suas forças produtivas e das relações a estas correspondentes, até suas formas mais adiantadas. A consciência nunca pode ser senão a existência consciente, e a existência dos homens é seu processo vital concreto. Moral, religião, metafísica, todo o restante da ideologia e suas formas correspondentes de consciência, pois, não mais conservam o aspecto de sua independência. Elas não têm história nem evolução; mas os homens, desenvolvendo sua produção material e seu intercâmbio material, alteram, a par disso, sua existência real, seu pensamento e os produtos deste." (2) Por outro lado, quando falamos de uma atividade econômica constituída historicamente pelo avanço das forças produtivas, não falamos apenas das ferramentas de trabalho, mas da tecnologia que envolve o trabalho produtivo humano, quer dizer, nos referimos às formas e ferramentas de trabalho. Ferramentas de trabalho novas são colocadas na atividade econômica através de formas - procedimentos e relacionamentos produtivos humanos muito diferentes das até então existentes. Atualmente as ferramentas de trabalho são de tal monta diferentes, qualitativamente falando, que provocam uma fantástica revolução nas formas de trabalho, isto é, nos procedimentos e relacionamentos inerentes ao trabalho. Todo relacionamento capital-trabalho que durante um século e meio sustentou a produção econômica da sociedade ocidental, principalmente as sociedades capitalistas, sofre hoje rupturas profundas tão somente porque esse mesmo capital criou forças produtivas tão avançadas que modifica radicalmente os procedimentos e relacionamentos sociais, primeiro no nível do trabalho, quer dizer, dentro das organizações, mas que acaba se espalhando pela sociedade como um todo. Outra coisa pouco percebida é exatamente este fato: quando falamos que o trabalho para o homem é atividade econômica e filosófica ao mesmo tempo, estamos na verdade criando um tipo de sociedade. Na produção de sua vida material o homem contrai determinadas relações com outros homens, e racionaliza essas relações de acordo com suas necessidades produtivas, isto é, de sobrevivência. Ao filosofar sobre o modelo de relacionamento colaboração, solidariedade, reprodução da espécie, distribuição do produto do trabalho, que então percebe como social - cria um modelo de sobrevivência e cria uma determinada compreensão de si, do universo e de si dentro desse universo. E, assim, regulamenta o convívio em grupo, cria a sociedade nos paradigmas possíveis pela sua produção econômica, e pela própria compreensão que faz dessa necessidade primeira de sobreviver e de relacionar-se com seus semelhantes para tal. Por isso mesmo, as formas de trabalho nascem permeadas pelos relacionamentos mais adequados à produção, dados, sem dúvida, pela capacidade determinada historicamente de filosofar sobre esse convívio. Não é possível privilegiar nem atividade econômica, nem atividade filosófica, nem convívio social. Para o ser humano, a produção, o convívio social e a racionalização dessa produção e desse convívio, são momentos únicos, eqüidistantes, concomitantemente formados.(3) Parte das dificuldades de compreensão e tratamento adequados do impacto da tecnologia avançada nos recursos humanos dentro das organizações hoje vem exatamente do fato de se tratar separadamente tecnologia e formas de trabalho. Precisamos perceber o avanço tecnológico mudando as formas de trabalho e os relacionamentos humanos dentro da organização, e como este arranjo novo cria uma filosofia nova de empresa, no nível micro, e quebra velhos paradigmas sociais, no nível macro. É imprescindível para uma transição salutar e produtiva que se estude o fenômeno de forma única e historicamente integrada. Para estudarmos o impacto que a Tecnologia de Informação provocou nos recursos humanos da empresa, vamos nos ater a um aspecto que revolucionou a forma e o relacionamento no ambiente de trabalho: Processos de Qualidade. Tecnologia de Informação Antes do mais, devemos entender o que é Tecnologia de Informação. Tecnologia de Informação é o nome que damos ao conjunto de tecnologias que automatizam os procedimentos do trabalho humano, tanto no nível produtivo como administrativo. Esta automatização tem caráter radical nessa substituição de mão-de-obra, porque, diferentemente de toda tecnologia até então usada, as máquinas que a compõem são programáveis, isto é, têm condições de, a partir de programas pré estabelecidos, executarem as mais diversas tarefas. A informatização criou condições de introduzir informação programável nas mais diversas máquinas, ferramentas produtivas que agora dispensam o manuseio direto e constante do homem. Uma moderna fábrica de automóveis é o aspecto mais brilhante da capacidade de robotização na produção moderna. Hoje, quando falamos de Tecnologia de Informação não nos referimos apenas à robotização, mas igualmente à capacidade de gerar, distribuir e receber informações, num espaço de tempo fantasticamente curto, e independente da distância em que as mesmas transitam. Aqui a revolução foi na união da informática com as tecnologias de comunicação remota. A Internet é o fenômeno de comunicação mais imediato e sensível para todos nós desta prodigiosa união. Processos de Qualidade Os Processos de Qualidade fazem parte da primeira geração, digamos assim, de tentativas para reformular de forma sistêmica e eficaz os processos e relacionamentos de trabalho, a partir das transformações radicais que a Tecnologia de Informação implantou nas organizações. Essa eficácia foi e será sempre determinada pelo caráter científico com que a organização conseguir trabalhar um processo de longo alcance e de desdobramentos imprevisíveis como este. Quando dizemos científico, nos referimos preferencialmente a um método, uma seqüência de procedimentos e ferramentas que logram garantir a sinergia necessária à implantação e consolidação destes Processos de Qualidade. Em termos de impactos nos recursos humanos, veremos, como nunca vimos antes, que o sucesso, quer dizer, a obtenção de resultados em Processos de Qualidade, é determinada essencialmente no compromisso e envolvimento que as pessoas da empresa assumem diante dos desafios e rearranjos que a Tecnologia de Informação impõe. Se por um lado a Tecnologia de Informação substitui o trabalho humano, por outro, e ao mesmo tempo, exige mais e mais a participação e envolvimento das pessoas nas novas formas de trabalho e na inauguração de relacionamentos interpessoais, qualitativamente diversos daqueles que permeavam a utilização de ferramentas produtivas anteriores. Alguns "buracos negros" precisam ser removidos urgentemente. Um desses "buracos negros" é a nossa velha conhecida burocracia, com sua hierarquia concentradora de poder e decisões. As empresas antes de começarem um Processo de Qualidade devem saber que não são apenas os colaboradores que vão mudar seus valores e hábitos, mas que, de fato, essas empresas também precisam se reformular, e seus altos escalões precisam assumir posturas mais descentralizadoras e democráticas. Uma coisa é fundamental: não conheço nenhum Processo de Qualidade que tenha obtido sucesso numa empresa autocrática! Processos de Qualidade são de fato incompatíveis com a centralização do poder! Não adianta procurar causas em outros lugares. Se a empresa, sua alta direção, não estiver disposta a instituir a democracia, não deveria nem começar o Processo de Qualidade. Mas a burocracia, o poder, é tão auto-suficiente e pretensioso que acredita poder ter sucesso exigindo dos outros aquilo que não quer para si mesmo: qualidade. E o autoritarismo nunca produziu qualidade nem qualquer coisa boa! Infelizmente, poucas consultorias têm a coragem e a ética de dizer isto para as empresas, logo no começo. E, assim, se deixam envolver pela mesmice forma de gerenciar a empresa, e mais tarde provam do amargo fel de serem consideradas incompetentes, estendendo esse desprestígio a muitos, muito mais sérios, que não encontram espaço adequado para trabalharem com consistência e decência! Alguém tem que dizer a verdade: nem todo mundo vai conseguir se educar a ponto de mudar seus valores e hábitos, principalmente aqueles que gozam de privilégios acima da maioria da empresa. O que fazer com eles? Os colaboradores nesta situação, de níveis mais baixos, devem ser trocados uma vez esgotadas todas as tentativas de mudança. Mas o que fazer com os colaboradores do alto escalão? Uma coisa é certa: nenhum Processo de Qualidade pode sobreviver quando só os mais humildes sofrem! E, por acaso, alguma empresa pode sobreviver a isto? Acho que fiz a pergunta errada: alguma empresa "deve" sobreviver a isto? Alguém precisa dizer para a empresa, no começo de um processo como este, que qualidade, em toda a sua abrangência, é apenas uma ferramenta de reestruturação organizacional, que comporta conceitos tão radicais como qualquer outra ferramenta (Reengenharia, por exemplo). O conceito de ZD parece ser um desses conceitos radicais, mas não tão radical como costumam colocar. Fazer certo logo da primeira vez e sempre, só é realmente radical quando é aplicado apenas a certos níveis da empresa! A qualidade tem que ser coerente vive de coerência, de seriedade, de mudanças em todos níveis, de respeito ao ser humano e da distribuição eqüidistante dos resultados. De qualquer forma, uma ferramenta como a qualidade não é solução em si mesma. É o conjunto de ferramentas que produz a solução! Posso dizer que minha experiência e meus estudos me levaram a algumas poucas conclusões sobre qualidade: sem democracia não funciona, sendo necessário a participação efetiva dos colaboradores de todos níveis nas decisões; sozinha não funciona, porque como ferramenta precisa de outras ferramentas que se integram e resolvem problemas estruturais e de desenvolvimento processual; e que sem reconhecimento e recompensa justa não se sustenta, porque o proveito do esforço maior de todos tem que voltar eticamente a todos. Outro desses "buracos negros" que sugam a potencialidade de resultados em Processos de Qualidade, é o dilema da recompensa. Essa questão da recompensa é outro daqueles tabus mal interpretados com certa constância nos Processos de Qualidade. De fato, reconhecimento e recompensa são diferentes, e acho que é assim que deve ser tratada a questão. Você pode ler o que quiser sobre qualidade, mas as empresas que conseguiram um patamar de qualidade significativo - ISO 9000, por exemplo - entenderam que além de reconhecimento público das conquistas e evoluções de seus colaboradores, foi preciso traduzir de forma palpável esse reconhecimento. Estou falando de dinheiro? Também! A diferença sutil, que parece ser mal vista por muitos nesta questão, é que o reconhecimento dá valor ao colaborador, mas a recompensa dá motivação. Alguns acreditam que basta reconhecer para sustentar a motivação. Coloca o nome e a foto do funcionário no jornal da empresa, na sala de entrada da empresa, nos departamentos, dá certificado, dá um distintivo, elogia publicamente, ele passa a ser mencionado como exemplo em tudo que se faz errado, mas... ele tem uma muda de roupa apenas, pega 3 conduções para ir trabalhar e outras tantas para voltar para casa, sua mulher pega a fila do vale-leite da prefeitura, mora numa favela, e seus filhos vão à escola de chinelo ou com um tênis rasgado, que ele ganhou de caridade de alguém. E, não é raro ouvir alguém falar que qualidade precisa de automotivação. Numa situação como esta quanto tempo dura a motivação só pelo reconhecimento? Onde buscar a automotivação? Estou exagerando? Talvez! Mas, honestamente, às vezes fico pensando se quem tem coragem de falar uma coisa dessas, teria tanta capacidade de automotivação como apregoa para os outros. A condição primeira da vida é existir seres vivos. (4) Para isso é necessário produzir primeiro as condições concretas da vida: comida, casa, roupa, saúde, educação e lazer, em condições dignas e humanitárias. Uma empresa hoje, mais do que nunca, ao exigir qualidade de seus colaboradores tem que garantir esta qualidade para eles. Como pode alguém produzir qualidade na empresa e viver assim? E se ainda assim isto for possível, quase como que um milagre, uma força excepcional do colaborador, como mantê-lo motivado amanhã, e depois, e depois, e depois, se sua vida pessoal é um inferno e desumana? Nenhum processo de qualidade pode sobreviver em longo prazo se a empresa não demonstrar interesse efetivo na qualidade de vida de seus colaboradores! Se a qualidade trouxer resultados, eles devem ser, pelo menos em parte, mas constantemente, distribuídos aos colaboradores. Todo o reconhecimento é louvável e essencial ao processo, mas ele só se sustenta com salários mais dignos e recompensas que possam ajudar no padrão de vida dos colaboradores, naquelas áreas fundamentais: comida - cesta básica que dê para o mês da família; roupa - convênios com revendas e mesmo fábricas; saúde - planos de saúde e odontologia; educação - alfabetizar os pais para poderem ajudar os filhos; lazer - promover excursões, acesso a eventos. Como não exigir para mim a qualidade que tanto ajudo a construir na empresa? Já ouvi alguém me dizer que desta forma a redução dos custos iriam se exaurir, e a empresa não teria nenhum benefício no processo de qualidade. Isto não é verdade. É possível distribuir mais e ainda sobrará muito. Por outro lado, as empresas gastam tanto dinheiro com eventos dentro da empresa, até para promover a qualidade, que talvez fosse melhor reverter estes custos para os colaboradores em coisas menos efêmeras e que traduzam mais dignidade na vida concreta dessas pessoas. O que fica depois do apagar das fogueiras de São João, do fechar das cortinas do teatro da qualidade, do desligar das luzes da festa do final do ano, do encerramento dos coquetéis disto e daquilo? Que tal perguntar para as pessoas o que elas gostariam de fazer com "X" verba, resultado de sua qualidade e aumento da produtividade da empresa? Alguém já me disse que precisa envolver as pessoas e criar o espírito de equipe na empresa. Muitos desses eventos seriam para isso. Acho que isto é verdade, mas colaboradores motivados buscarão, eles mesmos, as formas de se integrarem e motivarem. A melhor equipe é aquela que se reconhece mais unida em dignidade e humanidade. A motivação deve ser trabalhada, mas começa pela consciência humanitária de que é preciso criar condições dignas de vida a todos os homens, a seus colegas! E depois devem existir alternativas mais baratas de motivação: por exemplo, usar correio eletrônico para se comunicar, relatar casos de sucesso e passar mensagens de otimismo, além de reuniões para se conversar sobre os problemas e como resolvê-los de forma conjunta e criativa. Eliminar a autocracia, diminuir os níveis hierárquicos, e disponibilizar sinceramente a alta direção para se envolver e se dispor a ajudar onde e quando for preciso. No fundo, me parece que o tabu da recompensa só pode durar em nossas empresas enquanto a velha forma de poder existir. O que acontece é que se quer usar a qualidade para se ganhar prestígio e assim perpetuar a relação de poder e os benefícios conquistados. A terceira coisa importante é a negociação de requisitos. Sem requisitos não existe qualidade. Essa palavra mágica contém toda a essência simples e magistral das novas formas de relacionamento empresarial. Essa coisa da qualidade é uma via de duas mãos. Se por um lado é necessário adaptá-la à realidade da empresa, por outro lado exige que a empresa se adapte a ela em alguns "requisitos" fundamentais. Parece coerente: afinal os requisitos têm que ser negociados, e não impostos, e só pode haver negociação profícua se ambos os negociadores tirarem proveito do processo. A qualidade quer, exige, não abre mão desta negociação: eu ajudo a empresa a ter processos de trabalho produtivos, sem erros e sem retrabalho, com custos reduzidos e produtos mais competitivos, mas exijo democracia, comunicação, educação e recompensa! Se para a empresa isto não for justo, nem comece!!!!! Os três aspectos acima abordados são eloqüentes quanto à determinação da Tecnologia de Informação nas novas formas de trabalho e relacionamento organizacional. O fim da burocracia, a recompensa eqüidistante pelos resultados obtidos como forma motivacional, e o estabelecimento de requisitos, são aspectos que mudam para sempre as formas de trabalho, e o relacionamento entre os recursos humanos dentro da empresa. Podemos aprofundar esta tese com outros aspectos importantes. OS QUATRO PRINCÍPIOS ABSOLUTOS DA QUALIDADE (5) Princípio 1... Definimos qualidade como sendo o cumprimento de requisitos. Este princípio é a mais poderosa arma da qualidade na elaboração de uma nova mentalidade em nossas empresas. Requisitos é a única forma concreta de saber o quê e como o cliente quer determinado produto ou serviço. Qualidade, neste sentido, não é algo definido por quem fornece, por melhores que sejam suas intenções. Qualidade, neste sentido, é algo onde o cliente tem participação ativa na "negociação" que produz o resultado final do processo de trabalho que o atenderá. Participação e Negociação são dois lados de uma mesma moeda cujo resultado na prática, é colocar em pé de igualdade os colaboradores da organização, ora como clientes ora como fornecedores. Esta equalização de poderes é o que realmente importa. E só assim os produtos ou serviços da empresa podem ser realmente de qualidade! É claro que para haver uma participação e negociação capaz de proporcionar produtos e serviços de qualidade, é necessário que o processo de informação da empresa seja rico, e que o processo de comunicação seja ágil e democrático. Só com acesso igualitário às informações dos processos como um todo, informações dentro da empresa e vindas de fora, se podem dar condições a clientes e fornecedores internos de se organizarem em grupos de discussão, onde a qualidade percebida é qualidade relativa, isto é, qualidade comparada entre produtos e serviços concorrentes. Numa realidade assim, é possível verificar que a participação dos colaboradores extrapola e muito as suas funções, mas vai concretizando sugestões para outras atividades, e para a empresa como um todo. A alienação do colaborador se extingue gradualmente, e toda a organização se sente nutrida por processos inovadores e de melhoria contínua, que em administrações autocráticas são de difícil implementação. Aqui está um dos grandes impactos da Tecnologia de Informação nas organizações modernas. De resto basta lembrar que a qualidade interna de uma empresa deve refletir satisfação em seus clientes e fornecedores externos. Uma empresa autocrática dificilmente vai conseguir satisfação a seus clientes externos e dificilmente conseguirá manter parcerias sérias e duradouras com seus fornecedores externos. Acredito que a sobrevivência de uma empresa hoje, num mercado global, só poderá sobreviver trabalhando em sintonia fina com seus clientes e fornecedores, na medida que toda a sociedade tem a percepção de uma qualidade comparada cada vez mais forte. Não é possível mais "adequar" produtos e serviços! Princípio 2... Prevenção. Não basta saber o quê e como produtos ou serviços devem ser entregues. É preciso procurar os meios e formas concretas de os fazerem como negociado com os clientes. A prevenção traduz o esforço em garantir que os produtos ou serviços sejam entregues exatamente como combinado, sem desperdícios, retrabalho e custos adicionais de toda monta. O que mais as empresas fazem é "avaliar", ao final de um processo, quantas unidades saíram de acordo com os requisitos, e quantas não saíram. A esta altura, como o produto está acabado, este processo de avaliação não passa de contabilizar o prejuízo de tantas unidades fora dos requisitos. Prevenção é a procura de ao longo do processo, e no processo mesmo, a cada atividade que compõe o processo, procurar inibir 100% a possibilidade de desvio, de erro, de não-conformidade com os padrões. Se isto for possível, o fim do processo será zero defeitos, isto é, zero de produtos ou serviços que não atendem aos requisitos combinados. A prevenção está no processo. Sistemas devem ser criados de forma tal que cada entrada de dados seja 100% à prova de erros. É isto que eu chamo de "tela amigável", para usar um exemplo de informática. Garantir por meio de informações previamente cadastradas em tabelas, que ao se digitar determinada informação, tudo o que for passível de padronização já ser disponibilizado pelo sistema, sem necessidade do digitador determinar se é "a" ou "b" naquele caso. Programas semi-inteligentes já são usados em larga escala por empresas que buscam qualidade em seus processos. Imputs simples geram Outputs automáticos que inibem a entrada errada de dados, além de agilizarem o raciocínio do operador e a decisão do que digitar em seguida, etc, etc. Sistemas integrados, onde vários programas interagem se complementando uns aos outros, são programas com prevenção avançada, embutida dentro de sua própria lógica. Nem todos programas integrados são assim, mas deveriam! Este é apenas um exemplo, no caso de como a Tecnologia da Informação pode ajudar na prevenção. Mas a prevenção pode ser algo mais simples e cotidiano, onde a criatividade gera resultados zero defeito significativos. Recentemente vi um encarregado de cpd fazer o seguinte: a região onde estão os servidores da empresa é sujeita a quedas de energia constantes. E, freqüentemente, seus servidores paravam de funcionar no meio do expediente, comprometendo a integridade dos dados, e deixando os usuários irritados. Mas os servidores estavam alimentados por No-breaks, que deveriam sustentar os mesmos por 2 horas. Acontece que quando a energia caía, ninguém percebia, porque os No-breaks estavam fechados numa sala, e simplesmente se ativavam suprindo energia pelas duas horas. Como ninguém sabia que eram eles que forneciam a energia, todo escritório, umas 60 máquinas, fora periféricos, ficavam trabalhando normalmente até que as baterias descarregavam totalmente, e aí vinha o caos. Em vez de durar 2 horas, tempo para energia normal voltar, durava 30 minutos ou menos. O que foi feito? Foi colocada uma lâmpada diretamente ligada a uma tomada elétrica, daquelas que acendem quando a energia é cortada (lâmpada de emergência). Ela foi pendurada na parede atrás dos servidores, e agora, quando a energia da rua era cortada, a lâmpada acendia e algumas atitudes podiam ser tomadas, como, por exemplo, pedir a todos usuários que não trabalhassem com operações críticas que desligassem seus equipamentos, ligar para a provedora pública de energia, verificar o tempo de retorno e tomar outras medidas com base nesta informação, etc, etc. Isto é prevenção: garantir que os requisitos se cumpram ao longo de todo processo, a cada atividade, a cada gesto, a cada entrada de dados. Princípio 3... Zero Defeitos é uma forma de ser, uma forma de sentir as coisas, uma forma de querer fazer as coisas certas 100% das vezes, e sempre. Parece forte, parece desumano. Como não errar nunca?! Posso garantir que só aparentemente ZD parece inatingível. Vou usar o exemplo de cima para exemplificar a "postura" ZD. A pergunta fundamental é: o que garante que o encarregado do cpd olhe permanentemente para a lâmpada pendurada na parede? Alguns podem até ter cogitado de trocar a lâmpada por um alarme sonoro (uma buzina de uns 100w deve chamar atenção, claro). Mas ainda é possível alguém desligar o alarme e não tomar a atitude imediata correta! Esse é o ponto! Na verdade, não basta saber o quê e como entregar, não basta inventar processos e usar ferramentas que garantam produtos e serviços de acordo com os requisitos, se as pessoas não querem fazer as coisas certas! Isto é ZD: querer fazer certo, logo da primeira vez, sempre. Acreditar que isto é possível. O encarregado do cpd, e os demais funcionários, não têm conceito de ZD em suas vidas - e este é um conceito para a vida, não só para o trabalho. Assim, podem "chover canivetes" (abertos), que tudo que farão é procurar culpados nos outros, é sair apagando incêndios por todos os lados, um corre-corre e um "vôo de baratas no escuro": aparentemente tudo muito participativo, mas nada produtivo, e muito menos preventivo, porque da próxima vez será exatamente a mesma coisa! ZD não é para qualquer pessoa, e não é para qualquer empresa. Aquelas que conseguirem colaboradores assim, aquelas que conseguem mudar seus hábitos e comportamentos a ponto de se tornarem exigentes o bastante para não admitir a preguiça inibidora da criatividade para a prevenção, essas têm alguma chance de sobreviverem no mercado mundial. As outras vão continuar justificando seus erros, seus desperdícios, porque afinal somos humanos, porque todos erramos, porque uns 3% de desperdício sobre o faturamento é admissível. A verdade é que nenhuma destas desculpas faz sentido quando um médico faz um parto, quando um engenheiro constrói um edifício, quando um piloto dirige um avião, etc. Você consegue imaginar como admissível 1% de mortalidade infantil porque os médicos são displicentes quando do parto. Uma criança a cada 1.000.000.000 nascidas morre porque o parteiro a deixa cair no chão! Diga para a mãe e para o pai, e para a sociedade: afinal o médico é humano, quem não erra?, é 1 em 1 bilhão??????!!!!!!! Pense nisto quando estiver perto de pessoas que acham “errar” humano. E afaste-se delas rápido! Porque se a Criação quisesse que fôssemos assim, não teria nos oferecido todas as condições maravilhosas e únicas de inteligência que possuímos. Acreditar que faz muito sentido buscar a perfeição sempre, acreditar no potencial humano sempre, acreditar que pode e deve-se lutar pela excelência de hábitos e comportamentos, é essencial. É possível que algo saia errado. Mas deve-se acreditar que nada de errado vai acontecer, e que é possível fazer certo, sempre, logo da 1a. vez. Acreditar! Parece muita filosofia? Parece muita religiosidade para a empresa? Bem, talvez seja mesmo. Por isso tantas empresas entraram na "onda" da qualidade, e ela passou rapidamente para elas! As empresas no futuro serão assim: mais sociais, mais filosóficas, mais místicas. Se olhar com profundidade para as empresas, digamos, aquelas que acreditamos que estarão aqui consistentes no ano 2020 (daqui a pouco mais de vinte anos), veremos que elas serão exatamente assim. Como tenho tanta certeza? Olhando para a sociedade e vendo como ela está procurando concretamente responder às velhas questões de sempre - de onde venho, para onde vou, quem sou afinal - e vendo que estamos ficando mais intelectuais, mais místicos, mais ecumênicos. Até a ciência se encontra paradoxalmente inerte diante do universo que parece não ser tão previsível assim. (6) Só o tempo dirá quem tem razão. Mas os indícios estão por aí! Pode parecer paradoxal, mas a Era da Tecnologia da Informação contém mais metafísica do que as anteriores. Exatamente quando a automação, a robotização e a facilidade de comunicação se instalam nas organizações, mais a exigência de um compromisso efetivo das pessoas com a qualidade do trabalho se cristaliza. Pode-se analisar este aspecto de duas formas diversas: uns dirão que esta exigência - de fazer certo logo da primeira vez, sempre - continua sendo desumanizante, e que aparece como conseqüência de uma sociedade que se habituou ao perfeccionismo das próprias forças produtivas que criou - máquinas de processamento eletrônico programáveis parecem não errar nunca! Mas o ser humano tem o direito e errar! Outros, no entanto, podem dizer que esse perfeccionismo é decorrente da liberação que o homem conseguiu diante da necessidade primária econômica do trabalho como meio de sobrevivência. Ao se libertar desse trabalho como forma de sobrevivência, o homem pode acreditar mais na sua potencialidade como ser inteligente, quer dizer, conquistar o espaço necessário para dedicar-se a si mesmo, e acreditar de forma mais pungente na sua capacidade de ser mais exigente consigo mesmo. Esta autoconsciência, esta auto-ajuda, pode ser decorrência da tecnologia avançada que criou, não no sentido de se condicionar a ela na sua invariância, mas usando-a como ferramenta libertadora para uma dedicação mais espiritual às suas potencialidades. Seja como for, o fato organizacional atual é que a exigência da perfeição, ou a intolerância ao erro(7), tem sido uma constante e é o delimitador entre empresas que podem sobreviver no mercado global extremamente exigente. A redução dos erros é condição de minimização de custos, o que torna uma empresa hoje mais competitiva. Daí essa exigência. Princípio 4... Agora é só medir. Medir o tempo todo os processos de trabalho. Acompanhar infinitamente para saber se os requisitos estão sendo cumpridos, e mais do que isso, medir para ver quais são as alterações de mercado que exigem nova negociação de requisitos. Requisitos não são eternos. Eles mudam na dimensão das necessidades de mudança dos clientes e dos fornecedores. Os clientes têm novas necessidades e expectativas, e os fornecedores têm novas formas de produzir estes bens e serviços. A todo instante novas negociações precisam ser efetuadas, porque o mercado é dinâmico, e mais dinâmico será quanto mais democraticamente as informações globais nutrirem as sociedades. A medição é a ferramenta que vai permitir esse acompanhamento de perto, e antecipado, das mudanças. A empresa que adotou os princípios da qualidade em sua plenitude, passa a medir não só para acompanhar a variância dos padrões, mas muito mais para estar na vanguarda dos novos requisitos de seus clientes e fornecedores, procurando estar sempre na "crista da onda". Na verdade, cada dia que passa, para empresas assim, o fundamental não é mais seguir os padrões, mas avaliar e medir a variância que a sociedade provoca neles. A medição, neste sentido, se confunde com a prevenção! Conclusão Os Processos de Qualidade são conseqüência da implantação de Tecnologia de Informação nas organizações. É que, quando o trabalho humano é reduzido e, em muitos casos, totalmente dispensado pela tecnologia avançada, o contingente de mão-de-obra ativa se vê diante de uma realidade muito mais exigente no que diz respeito ao trabalho humano. De um lado, porque como passa a existir um número menor de funcionários, então as atividades executadas por eles não podem comportar o mesmo volume de retrabalho existente anteriormente: menos pessoas têm que trabalhar melhor para suprirem inclusive o aumento de produtividade que as modernas ferramentas de produção conseguem. Não é que existe um acumulo de tarefas a serem executadas, mas sim existe um aumento de produtividade que é possível em parte pela aplicação de tecnologia, e em parte pela qualidade do próprio trabalho humano. Ao mesmo tempo, as atividades e procedimentos se modificam, onde tarefas deixam de existir e onde outras passam a ser exigidas. Esta instalação de novas tarefas já vem carregada de uma necessidade de ZD, porque a tecnologia implantada só pode criar produtividade se houver uma restrição eloqüente de retrabalho. Peguemos como exemplo os sistemas integrados de gestão empresarial, hoje conhecidos como ERP. Estes softwares têm sua produtividade alicerçada no fato de que poucas atividades são necessárias ao longo dos processos, uma vez que os Imputs são restritos, concentrando-se de uma única vez a digitação de dados. A partir desta entrada concentrada de dados, existe um processamento único, e a partir desse momento todas as informações estão disponíveis para a organização. Isto, sem dúvida, aumenta a produtividade e diminui mão-de-obra. Onde está a exigência na qualidade? É que, quem vai dar entrada nos dados não pode errar, porque se o fizer, vai comprometer todas as informações do sistema, quer dizer, o erro fica potencializado, podendo levar a retrabalho e custos vultosos. De nada adianta Ter a ferramenta mais adiantada de gestão, se o operador não for qualificado e não trabalhar com qualidade. Nestes casos, o prejuízo é, em muitas circunstâncias, maior que se fosse tudo efetuado pelo processo anterior, mesmo que várias entradas de dados sejam necessárias. Bem, diante destes fatos, podemos refrear a aplicação de Tecnologia de Informação? Podem as empresas optar, sem prejuízos, pelo trabalho mais intensivo em capital humano? Infelizmente a resposta é não. Não podem porque o mercado não deixa. Quem não usar a tecnologia mais avançada não consegue competitividade, e está destinado a ser expulso rapidamente pelo mercado. E assim, a qualidade no trabalho humano ainda ativo nas organizações terá, irremediavelmente, de ser igualmente mais produtivo. É uma questão de sobrevivência no mercado atual, onde sequer fronteiras e distâncias são empecilhos para a percepção dos consumidores por produtos de maior qualidade e mais baratos. O mercado globalizado é assim, gostemos ou não disso. As organizações perceberam isto há muito tempo. O que não tem sido fácil é atender às exigências recíprocas dos Processos de Qualidade. Na verdade, as organizações não estavam preparadas para absorver sem conflitos severos essas exigências. A democratização das relações de trabalho, passando de centralização e autocracia secular, para um convívio gestor mais participativo e negociativo, foi, e ainda é, o "calcanhar de Aquiles" de um Processo de Qualidade que se pretende consistente, duradouro e eficaz. Os próprios princípios da qualidade levam, necessariamente, a essa democratização. E a Tecnologia de Informação precisa de qualidade. De sorte que, ou aprendemos a trabalhar e relacionarmo-nos de forma compatível com as necessidades que o desenvolvimento das forças produtivas engendra, ou estamos fora da sociedade de mercado atual. E isto serve tanto para empresas, como para trabalhadores. Mais do que aprender a operar e conviver com a alta tecnologia, as pessoas devem se aprimorar, para que seu trabalho seja de qualidade. E isto, também é verdade, nem todos estão dispostos a fazerem. Talvez porque qualidade não é algo que se pode ou não Ter, mas muito mais algo que se quer Ser! Notas e Bibliografia: 1. Sobre este fenômeno escrevemos o artigo "O declínio dos Níveis Globais do Emprego / Distribuição de Riqueza e Socialismo Científico - Um Breve Estudo". Dezembro de 1998. 2. Marx, Karl, "Ideologia Alemã". In Erich Fromm, "Conceito Marxista do Homem", 7a. edição, págs. 171/172. Zahar Editores, 1979. Grifos meus. 3. Muitos autores têm uma visão reducionista do materialismo de Marx, chegando mesmo a refutar sua teoria por, segundos eles, reduzir a existência humana e os fenômenos sociais unicamente à atividade econômica. Esta realmente é uma leitura pobre e fragmentada da obra de Marx. Basta dizer que toda a obra marxista tem a dialética como filosofia, e que não existe para Marx materialismo sem dialética. O Materialismo Dialético cria uma vitalidade e relacionamento entre causas (múltiplas determinações), que por si só impossibilita privilegiar a base econômica. Se for verdade que em algumas passagens a produção material da vida é colocada com ênfase (na própria Filosofia Alemã, ou no Prefácio a Uma Contribuição à Crítica da Economia Política), deve-se ao fato de Marx colocar a produção da existência humana "no chão", isto é, que a vida para o homem só se realiza pelo trabalho, e que para existir filosofia e racionalização, leis e sociedade como tal, tem que existir homens vivos. Mas esta afirmação que contrapõe o materialismo da metafísica, não é principio único, mas um dos lados do triângulo de toda sua obra: o Materialismo Dialético e Histórico é um todo. Só por necessidade cientifica explicativa, no esforço da explicação mais sucinta, eventualmente falamos de cada um dos elementos isoladamente, o que não chega a constituir uma preferência pelo aspecto econômico, social ou filosófico. 4. Marx, Karl. Ob. Cit. Pág. 173: " Desde que estamos lidando com os alemães, que não postulam coisa alguma, devemos principiar enunciando a primeira premissa de toda a existência humana, e portanto de toda a História, qual seja a dos homens terem de estar em condições de viver para poderem "fazer História". A vida, contudo, implica antes de mais nada comer e beber, uma habitação, vestuário e muitas outras coisas". 5. Crosby, Philip. Qualidade Sem Lágrimas. Ed. Olimpo, 1992. 6. A física moderna dita Quântica, desde a década de 50 que fez uma revolução nos conceitos sobre a determinação do funcionamento do universo. Suas descobertas demonstram que, num nível subatômico de partículas elementares, a matéria não nasce de causas previsíveis, muito pelo contrário: não há como determinar, mesmo probabilisticamente, se ínfimas partículas se manifestarão como matéria, com propriedades inerentes à matéria, ou se terão comportamentos de onda. Tais descobertas, que não encontram respostas nem na brilhante Teoria Geral da Relatividade, deram origem à Teoria do Caos. Por esta teoria, qualquer evento no universo é imprevisível, porque não se pode dar conta de todas as múltiplas circunstâncias que determinarão concretamente um evento. 7. Erro não na coisa nova. O ato criativo contém sempre o erro como fonte criadora da coisa nova. Não confundir este tipo de erro, digamos assim, da criação, com aquele erro oriundo de uma desconsideração com o já conhecido, já estabelecido e necessário dentro de certas condições históricas dadas. JMSR