Eficiência energética e sustentabilidade em prédios públicos: Um estudo de caso no uso de sistemas fotovoltaicos e aproveitamento da água da chuva no prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis da UFRA – campus Belém Evellyn Natasha Kran Figueiredo 1 Otavio Andre Chase 2 Glauber Tadaiesky Marques 3 Paula Fernanda Viegas Pinheiro 4 Resumo: Este trabalho apresenta uma proposta de implementação de políticas de sustentabilidade e eficiência energética no prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis (EAER) da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Campus Belém, através do uso de sistemas de energia solar fotovoltaica e aproveitamento da água da chuva. Para isto, foi realizada a análise do potencial fotovoltaico para o propósito de geração de eletricidade, a partir de energia solar e, análise pluviométrica para aproveitamento da água da chuva para empregá-las no prédio da EAER/UFRA. Obtevese como base a interpretação dos índices de radiação solar para a Amazônia, adquiridos nas bases de dados de energias renováveis CRESESB e interpretação dos índices pluviométricos obtidos nas bases de dados do sistema nacional de dados ambientais do INPE. Ao final deste trabalho são apresentadas as vantagens ambientais e socioeconômicas no uso destes sistemas no prédio da EAER/UFRA, campus Belém. Palavras-chave: Sustentabilidade; eficiência energética; gestão ambiental em prédios públicos. 1 - Evellyn Natasha Kran Figueiredo - Graduanda em Engenheira Ambiental e Energias Renováveis – [email protected] – (91)32105165 - Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis (EAER) Tel.: (91) 3210-5100 www.ufra.edu.br 2 - Otavio Andre Chase - Professor, Eng. de Sistemas, Mestre da UFRA – [email protected] – (91)981121314 - Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis (EAER) Tel.: (91) 3210-5100 www.ufra.edu.br 3 - Glauber Tadaiesky Marques Professor - Físico, Doutor da UFRA – [email protected] – (91)996080809 - Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis (EAER) Tel.: (91) 3210-5100 www.ufra.edu.br 4 - Paula Fernanda Viegas Pinheiro - Professora, Eng. Ambiental, Mestre da UFRA – [email protected] – (91)32105165 - Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), Prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis (EAER) Tel.: (91) 3210-5100 www.ufra.edu.br 1 Introdução Um edifício sustentável e energeticamente eficiente é aquele capaz de proporcionar benefícios na forma de conforto, funcionalidade, satisfação, economia e qualidade de vida, sem comprometer a infraestrutura presente e futura dos insumos, gerando o mínimo possível de impacto no meio ambiente e alcançando o máximo possível de autonomia (VIGGIANO, 2010). A proposta deste trabalho é implementar políticas de sustentabilidade e eficiência energética no prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis (EAER) da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA). Para isto, utilizou-se como referências centrais deste artigo: o guia de “Eficiência Energética em Prédios Públicos”, desenvolvido pelo ministério de minas e energia, que apresenta uma visão sobre a necessidade de aplicação de conceitos de eficiência energética nos prédios públicos brasileiros (MME, 2012); a cartilha “Edifícios Públicos Sustentáveis”, promovida pelo Senado Federal, que apresenta aplicação das energias renováveis e projetos sustentáveis, como o uso da água da chuva em prédios públicos (VIGGIANO, 2010); a resolução normativa nº 482 da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), que estabelece as condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuídas aos sistemas de distribuição de energia elétrica, a partir de geradores fotovoltaicos e outras fontes renováveis de energia (ANEEL, 2012); a resolução nº 357 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), classe de uso nº 1, que trata do uso e destinação da água doce (CONAMA, 2005). Obras sustentáveis são sistemas que conferem ao edifício algum grau de autonomia e economia de insumos e/ou redução do impacto ambiental com minimização das emissões de carbono atmosférico. Exemplos de sistemas sustentáveis são a geração de energia solar, aquecimento solar da água, aproveitamento da água da chuva, reuso das águas servidas, aquecimento passivo e resfriamento evaporativo. O Brasil possui um grande potencial energético, sendo que as empresas que utilizam esses potenciais são muito diversificadas. Consistem nas usinas de geração de energia elétrica – as hidrelétricas, pequenas centrais elétricas, termoelétricas e nucleares –, as linhas de distribuição e transmissão de energia. O uso não consciente dos recursos hidráulicos pode implicar em inundações de áreas de florestas, sítios arqueológicos, áreas urbanas e rurais, fragmentação de ecossistemas e conflitos sociais, devido à transferência de comunidades para outras regiões, a fim de evitar a inundação de suas residências (MMA, 2014). O edifício do Serviço Florestal Brasileiro, localizado em Brasília-DF é um exemplo de um edifício público projetado e construído com os conceitos de sustentabilidade e eficiência energética, conforme mostra a Figura 1. Figura 1 - Prédio sustentável e energeticamente eficiente do Serviço Florestal em Brasília-DF. Fonte: TV NBR, 2015. O projeto do prédio (Figura 1) se baseou no guia de “Edifícios Públicos Sustentáveis” (VIGGIANO, 2010), sendo que usaram lâmpadas de LED, em vez das lâmpadas comuns, o que resultou na economia de 35% no consumo de energia. A obra é suspensa, o que melhora a ventilação e conforto térmico. As madeiras são de reflorestamento e tiveram um baixo consumo de energia quando foram preparadas para o uso, em vez do alumínio que demanda de 130 vezes mais energia para construção de mesma estrutura. Na sala de trabalho, o ambiente é aberto, o que melhora a circulação do ar, as janelas deixam a luz natural entrar. As paredes são feitas com um tipo de concreto que ajuda na acústica e deixa o ambiente mais fresco. No teto, há o isolamento térmico e acústico. A construção, como um todo, dispensa o uso de ar condicionado a maior parte do ano e de mais pontos de luz artificial (lâmpadas). O objetivo do prédio do Serviço Florestal Brasileiro é servir de vitrine de novas tecnologias que visem a economia do uso da energia e proteção do meio ambiente. O prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis da UFRA ainda não conta com tecnologias que visem a economia do uso da energia e proteção do meio ambiente. Logo, o objetivo central deste trabalho é servir como uma proposta de implementação destas tecnologias, em especial, a análise e planejamento do uso de energia solar fotovoltaica para produção de eletricidade e o aproveitamento da água da chuva por captação e filtragem para o uso nos banheiros e limpeza do prédio da EAER. Este trabalho é resultado de uma pesquisa que relaciona o recurso solar para geração de energia elétrica, por meio da implantação e avaliação de desempenho operacional de um Sistema Fotovoltaico Conectado à Rede Elétrica e de um Sistema de Aproveitamento da Água da Chuva, de acordo com as condições climáticas da região amazônica. 2 Metodologia O estudo foi conduzido no prédio do curso de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis da Universidade Federal Rural da Amazônia, Belém-PA, localizado a 01º28´ S de latitude, longitude de 48º27´ W e altitude de 12,5 metros, conforme mostra a Figura 2. Figura 2 - Prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis da UFRA, Belém-PA. Fonte: Portal do curso EAER, 2013. O telhado do prédio é do tipo laje, com telhas em alumínio, inclinação de 15º, ótima visibilidade e espaço para instalação de painéis fotovoltaicos e de calhas que captam a água da chuva. Para implantar construção sustentável e eficiência energética em uma obra pública, dois passos são fundamentais: 1º) um projeto que contemple os conceitos sustentáveis e de eficiência energética e; 2º) a correta preparação do edital para a licitação da obra pública. Mais informações podem ser encontradas na instrução normativa nº 1 de 19 de janeiro de 2010, que dispõe sobre os critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação de serviços ou obra pela Administração Pública Federal. Este trabalho atende ao primeiro passo na implantação de uma construção sustentável e eficiência energética em uma obra pública. Logo, a forma de análise e planejamento dos recursos solar e hídrico são apresentadas a seguir. 2.1 ENERGIA SOLAR FOTOVOLTAICA O estudo da possibilidade de implantação do sistema de energia solar é de grande importância, atualmente, pela questão do uso de novas energias renováveis, visto que, as fontes utilizadas, em grande maioria, ainda são as não renováveis, o que colabora consideravelmente para a degradação ambiental (TEIXEIRA, 2014). A energia solar é abundante, renovável e não polui, sendo a solução ideal para suprir eletricamente áreas remotas de difícil acesso, onde não é viável o fornecimento de energia elétrica convencional (GOMES, 2012). Uma das vantagens da utilização da energia solar fotovoltaica é que ela é uma fonte ilimitada de energia e está disponível em todos os lugares do mundo. Não há produção de gases e ruídos nocivos e a instalação se torna fácil, praticamente não necessitando de manutenção. Os módulos duram, aproximadamente, 30 anos. Outra grande vantagem é que a energia solar pode ser gerada em áreas remotas e conectadas à rede elétrica (WANDERLEY e CAMPOS, 2013). A região amazônica está em uma ótima localização para uso do recurso solar, as médias de horas de sol e geração de energia na área do prédio da EAER foram obtidas por consulta a base de dados do Centro de Referência para Energia Solar e Eólica Sérgio Brito (CRESESB), uma instituição mantida pelo Ministério de Minas e Energia (MME) / Eletrobras. A Figura 3 apresenta o comportamento da radiação solar no local onde está o prédio da EAER. Figura 3 - Levantamento da Irradiação Solar na região do Prédio da EAER/UFRA. Fonte: CRESESB, 2015. A região onde está localizado o prédio da EAER tem um ótimo aproveitamento do recurso solar, as horas de sol pico (HSP) possuem média de 5 kWh/m2 ao dia, com mínimo de 4,11 kWh/m2 ao dia no mês de abril e máxima de 6,03 kWh/m2 ao dia no mês de julho. Para comparação, na Alemanha, que é um país pioneiro em energia solar, o máximo de irradiação é de 4,20 kWh/m2 ao dia. Para saber como usar o recurso solar e de quantos painéis fotovoltaicos serão necessários, primeiramente é preciso saber o consumo de energia diário da edificação onde o sistema fotovoltaico será instalado. Em 2013, o prédio da EAER/UFRA consumia, diariamente, 88,25 kWh/dia (CHASE e MARQUES, 2014), sendo que, hoje, a média de consumo diário pode estar na faixa de 120 kWh/dia, pois desde esta época foram instalados equipamentos laboratoriais e mais salas foram ocupadas. A equação que permite determinar o número de painéis, conforme o consumo diário é dado pela Equação (1): 𝐸𝑝×𝐹𝑟 𝑁 = 𝐹𝑝×𝑃×𝐻𝑆𝑃 Sendo que, N é o número de painéis; Ep é a energia demandada dos painéis; Fr é o fator de recarga; Fp é o fator de perda; P é a potência nominal do painel escolhido; HSP são as horas de sol a pico. (eq. 1) A energia demandada é de 120 kWh/dia, logo, Ep = 120000. A potência dos painéis são de 250 Wp (Watt-pico), logo, P = 250. As horas de sol pico têm média de 5,05 kWh/m2.dia, portanto, HSP = 5,05. O fator de carga (Fr) refere-se à capacidade do sistema em sincronizar sua energia com o inversor de frequência (que pega a energia dos painéis e fornece à rede elétrica). Para as localidades como a região amazônica, o Fr é determinado em 1, logo, Fr = 1,0. O fator de perda (Fp) refere-se às perdas naturais do sistema em função de suas variantes elétricas (interferências eletromagnéticas, queda da rede elétrica, qualidade da rede), cujo fator é de 90% de aproveitamento do sistema (com perda de 10%), portanto, Fp = 0,9. Dessa forma, a dedução da equação (1) resultará no número de painéis a serem utilizados no prédio: 𝑁= 𝐸𝑝 × 𝐹𝑟 120000 × 1 = ≅ 105 𝑝𝑎𝑖𝑛é𝑖𝑠 𝑓𝑜𝑡𝑜𝑣𝑜𝑙𝑡𝑎𝑖𝑐𝑜𝑠 𝑑𝑒 250 𝑊𝑝 𝐹𝑝 × 𝑃 × 𝐻𝑆𝑃 0,9 × 250 × 5,05 Esta estimativa é importante, pois com o quantitativo de 105 painéis (N = 105) de 250 Wp, é possível suprir a média do consumo diário de energia do prédio da EAER a maior parte do ano. Em dias nublados ou com chuva, os painéis podem não conseguir suprir esta demanda por causa da baixa radiação solar, logo, em situações como esta, em que o sistema fotovoltaico não consiga suprir a demanda energética, o prédio poderá utilizar a energia da rede elétrica. Sistemas deste tipo são denominados de Sistemas Fotovoltaicos Conectados à Rede (SFCR), ou seja, são sistemas fotovoltaicos, cujo objetivo é economizar o consumo de energia da rede elétrica e que, por isto, diminuem a emissão de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, contribuindo, assim, para a economia de energia e conservação do meio ambiente. A arquitetura do SFCR, como um todo, é apresentada na Figura 4, sendo que sua composição está descrita a seguir: Matriz de painéis solares: é composta por um conjunto de painéis solares, conectados em série e em paralelo. Quanto maior for a matriz, maior é a capacidade de produção de energia elétrica. O painel fotovoltaico capta a luz do sol e a converte em energia elétrica (corrente contínua); Inversor interativo: converte a corrente e equaliza a frequência, tensão e amperagem do painel fotovoltaico com a da rede elétrica. A energia equalizada torna-se idêntica à da rede elétrica; Quadro de distribuição: a energia, que vem em corrente alternada, passa pelo quadro de distribuição, que distribui a energia elétrica para a edificação; Medidor de energia: equipamento eletrônico que calcula a diferença entre a energia que o consumidor pede ao distribuidor de energia quando não há sol e a energia gerada em excesso produzida pela planta fotovoltaica (FV) e injetada na rede elétrica; Rede elétrica: o excesso de energia gerada durante o dia pelos painéis fotovoltaicos vai para a rede elétrica, criando um crédito de energia para o proprietário do sistema. Esse crédito pode ser utilizado para abater o consumo durante a noite e/ou dos próximos meses. Figura 4 - Composição de um sistema fotovoltaico conectado à rede. Fonte: REAL SOLAR, 2015. O inversor interativo pode apresentar a potência compatível com as dos módulos e da rede elétrica. Portanto, caso não seja viável economicamente gerar 100% da energia que o prédio consome por sistemas fotovoltaicos, pode-se adotar um SFCR. É comum encontrar locais que SFCR’s adotam a razão de 50%/50%. Logo, metade da demanda de energia é suprida pelo SFCR e a outra metade suprida pela rede elétrica. No caso do prédio da EAER, 50 painéis de 250 Wp já poderiam suprir a metade da demanda diária do consumo de energia elétrica. Os valores atuais (ano de 2015) para módulos fotovoltaicos de 250 Wp estão entre R$ 900,00 e R$1.100,00 e de inversores de alta capacidade estão entre R$ 35.000,00 a R$ 80.000,00. O dimensionamento de um SFCR para o prédio da EAER que supra 50% da demanda de consumo de energia diária seria de aproximadamente R$ 100.000,00, com uso de 50 módulos (no valor de R$ 1.000 cada), que totalizam R$ 50.000,00, e de um inversor de alta capacidade no valor de R$ 45.000. 2.2 APROVEITAMENTO DA ÁGUA DA CHUVA A água é um recurso que necessita de manejo e uso consciente, pois a água salgada – imprópria ao consumo humano –, encontra-se em abundância no meio ambiente; entretanto, a água doce, na forma potável ou em condições de ser potabilizada, é finita, restrita e apenas 1,2% de toda a água doce disponível no planeta está distribuído em rios e lagos, sendo que 9,8% da água doce é de difícil acesso. O manejo sustentável da água urbana envolve as ações de economia (aparelhos economizadores), de reuso (águas servidas), de aproveitamento eficiente (água da chuva) e de conservação (recarga dos aquíferos). As águas das chuvas podem ser aproveitadas para os usos não potáveis da edificação. Para tanto, o projeto de instalações hidráulicas deve prever a separação das águas em pelo menos dois reservatórios – um para água potável e outro para água não potável (OLIVEIRA, 2008). – Para o prédio da EAER, a água da chuva será aproveitada para usos não potáveis, como utilização nos banheiros e limpeza do prédio. A série histórica de pluviosidade da região amazônica de 1923 a 2008 evidencia que é bastante favorável a coleta de água da chuva, conforme mostra a Figura 5. Para os cálculos da quantidade de água coletada nas construções, adotou-se a média dos valores médios de cada ano, desde 1923 até 2008, que foi de 2890,1 mm (CARVALHO et al., 2012). Figura 5 - Série histórica de precipitação da zona metropolitana de Belém, de 1923 a 2008. Fonte: CARVALHO/INPE, 2012. A quantidade de água pluvial na área da UFRA é de 28901 m³/ano. Sabe-se que esta água não pode ser utilizada para todas as atividades da universidade, devido a sua qualidade. Mas, para efeito de comparação, o volume médio mensal consumido no ano de 2010 foi de 11039 m³ e o valor cobrado de R$ 4,60/m3. A quantidade de 28901 m³/ano coletada de água da chuva, comparada em termos da quantidade mensal consumida, seria capaz de abastecer, aproximadamente, 2,62 meses a UFRA (CARVALHO et al., 2012). O sistema básico de aproveitamento de água da chuva prevê a captação em calhas do telhado, uma pré-filtragem na calha para impedir o acúmulo de resíduos nos canos e conexões, a filtragem e o armazenamento final. Para garantir a qualidade da água armazenada na cisterna, é possível a instalação de equipamentos complementares, destacando-se: redutor de velocidade da água, ladrão e boia com válvula de retenção. A Figura 6 apresenta os componentes de um sistema de coleta da água da chuva para uso em banheiros e limpeza geral. O conjunto deve conter ainda um sistema de retroalimentação da água potável para os períodos de estiagem (OLIVEIRA, 2008). Figura 6 - Desenho esquemático do modelo de sistema de captação e armazenamento da água para uso em que não envolva o consumo animal e humano (por exemplo, para limpeza de pisos, baias de produção, descargas de sanitários). Fonte: MATHIENSEN/EMBRAPA, 2013. Em um primeiro momento, o experimento será realizado com tubos PVC (policloreto de polivinila) de 150 mm, cortados ao meio para servirem de calha, e inteiros para servirem de bocal e canos condutores. As caixas e pré-filtros serão confeccionadas com tambores PVC de 100 m3 e o armazenamento será feito por um tambor PVC de 600 m3, totalizando um custo de R$ 600,00 em componentes e de R$ 400,00 em ferramentas e outros materiais, como torneiras, borneiras, parafusos e isolantes especiais. 3 Resultados e discussão Segundo Pinho et al. (2008), algumas das fontes energéticas mais conhecidas para a geração de energia elétrica são a solar, a eólica, a térmica, a química, a hidráulica e a nuclear. A energia solar na Terra decorre da incidência dos raios solares na forma de luz e calor e é, na realidade, a origem de todas as outras formas de energia conhecidas. Seu aproveitamento estende-se desde a secagem de produtos até os mais modernos coletores solares planos e parabólicos e os painéis fotovoltaicos. Sua utilização no Brasil ainda é tímida, apesar do potencial solar favorável no território brasileiro, apresentando condições superiores às de muitos países que hoje estão à frente do Brasil em capacidade de potência instalada (PINHO et al., 2008). Nas usinas hidrelétricas, termoelétricas, de diesel e de outras fontes nãorenováveis, os processos de queima dos combustíveis fósseis são responsáveis por emissões de CO2 para a atmosfera, somados aos veículos que também emitem CO2, além da liberação de particulados que provocam danos às águas, ao solo e à saúde. Por sua vez, as usinas nucleares são potenciais causadoras de impactos ambientais associados aos riscos de acidentes nas mesmas e o manuseio do lixo radioativo. Em relação ao setor de energia, destacam-se os esforços desenvolvidos no sentido de ampliar a matriz energética brasileira com o uso de fontes de energia alternativas e, em princípio, menos poluentes, tais como: eólica, biomassa e solar (MMA, 2014). Caso seja implementado o sistema solar com capacidade de geração de energia de 120 kWh/dia, o prédio da EAER será o mais sustentável, econômico e energeticamente eficiente da UFRA. Além disso, também será o que menos gerará impacto ambiental, pois passará a usar geração de energia fotovoltaica, a única que não emite CO2 durante o processo de geração em energia elétrica. Cada nação tem uma mistura de usinas que utilizam fontes de energia diferentes de acordo com as propriedades de suas matrizes energéticas, então o valor de kg CO2/kWh será diferente para cada país (IEA, 2014), logo, com base nas fontes da matriz energética Brasileira, para cada kWh gerado na rede elétrica por fontes não renováveis, há a emissão de aproximadamente 85.76 gramas de CO2 na atmosfera. Como o kWh da energia solar fotovoltaica não emite dióxido de carbono, por dia, o prédio da EAER (que utiliza aproximadamente 120 kWh/dia) deixaria de emitir uma média de 10,41 Kg de CO2 por dia, ou 312,3 Kg de CO2 por mês, ou ainda aproximadamente 3.747,6 Kg ou 3,75 toneladas de CO2 por ano. A economia anual seria de aproximadamente R$ 22.000,00 (taxa das Centrais Elétricas do Pará – CELPA – em R$ 0,51/kWh), dinheiro que poderia ser utilizado em outras urgências da UFRA. O SFCR poderia ser pago em aproximadamente 5 anos e ainda teria mais 20 anos de vida, otimizando os recursos públicos e conservando o meio ambiente. A implantação de um sistema de aproveitamento de água da chuva em um edifício público custa, em média, R$ 15.000,00 e possibilita a utilização de aproximadamente 700 m³ de água por ano, economizando, ao ano, R$ 3.591,00 (tarifa da Companhia de Saneamento do Pará – COSANPA – em R$ 5,13/m3), o que proporcionaria um retorno do investimento em aproximadamente 1,5 ano. Os profissionais da área ambiental defendem o uso da água da chuva, pois, além de diminuir o impacto ambiental, otimiza recursos dos prédios públicos. A sustentabilidade no uso da água é máxima, pois evita o desperdício de água e colabora com a disponibilidade de água doce. Posteriormente, quando a planta do prédio da EAER e sua relação do consumo de água forem informados pelos gestores da UFRA, será possível realizar um dimensionamento hidráulico mais apurado. A consciência de que todas as ações humanas geram impacto no meio ambiente é de extrema importância. Minimizar esse impacto é tarefa de todos e obrigação dos gestores públicos. A minimização ou eliminação dos impactos ambientais na construção de edifícios necessita de uma correta avaliação do local da obra, dos recursos naturais existentes, do clima, dos materiais e recursos locais disponíveis, das facilidades de transporte e dos recursos hídricos e energéticos. O Brasil, detentor de um Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (PROCEL), desde 1985, havendo passado por uma crise energética em 2001, possui várias leis, decretos aplicáveis a prédios públicos e diversas iniciativas ministeriais, que buscam a racionalização do consumo de recursos energéticos nos prédios públicos. A busca da eficiência energética nas edificações públicas apresenta um papel fundamental como política pública, tanto como efeito demonstrativo quanto como indutor do mercado. Mais importante ainda, mostra para a sociedade a coerência do governo entre o discurso e a ação (MMA, 2014). O Governo Federal figura como um dos maiores consumidores de energia elétrica, fato que sugere torná-lo um exemplo para a sociedade brasileira de gestão dos recursos naturais e financeiros, eficiência energética e sustentabilidade. Espera-se que as propostas decorrentes do Plano Nacional de Eficiência Energética, bem como do projeto Eficiência e Sustentabilidade na Esplanada dos Ministérios, resultem na formatação de um projeto piloto, embrião de uma política pública de longo prazo, que possa contemplar o universo dos 27 mil prédios públicos federais, bem como induzir ações semelhantes nas esferas estadual e municipal. Por isso, este artigo visa ser um ponto de discussão e implementação destas políticas sustentáveis e energéticas na UFRA, através do prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis. 4 Conclusão Este artigo apresentou a proposta de implementação de sistemas fotovoltaicos e sistemas de aproveitamento da água da chuva no prédio de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis na Universidade Federal Rural da Amazônia, com base em potíticas de planejamento energético e sustentável do Governo Federal. Para estruturar esta proposta foi realizada a análise do recurso solar e hídrico na área onde o prédio está instalado na universidade, cujos resultados foram satisfatórios par o uso destes recursos à economia de eletricidade e água. As universidades brasileiras formam profissionais em meio ambiente e energia, porém, pouco se contribui para a sustentabilidade e eficiência energética das mesmas. O emprego de políticas ambientais e de eficiência energética permite a otimização do uso dos recursos do poder público, sendo que a UFRA pode reduzir os seus custos para os cofres públicos com economia de eletricidade, água e com inserção no mercado de crédito de carbono. Este trabalho foi e continua a ser uma iniciativa para implantação de um planejamento energético e sustentabilidade no prédio da EAER/UFRA, baseado em energia solar fotovoltaica como fonte de energia conectada à rede elétrica e aproveitamento da água da chuva para limpeza do prédio e utilização nos banheiros. Projetos como este, que utilizam recurso solar e hídrico, vão de encontro aos problemas ambientais relacionados à sustentabilidade e geração da energia elétrica na Amazônia. Referências ANEEL. Resolução Normativa nº 482, de 17 de abril de 2012. Disponível em: < http://www.aneel.gov.br/cedoc/ren2012482.pdf >. Acessado em: 14/04/2015. BARRETO, E. J. F., et al. Tecnologias de energias renováveis: sistemas híbridos, pequenos aproveitamentos hidroelétricos, combustão e gasificação de biomassa sólida, biodiesel e óleo vegetal in natura. Brasília: MME, 2008. CARVALHO, A. N.; ALMEIDA, J. F.; CHASE, O. A. Gestão ambiental de recursos naturais e financeiros na universidade. In: III Simpósio Paraense de Engenharia Ambiental. Belém: EDUEPA, 2012. CHASE, O. A. Notas de aulas da disciplina de Aplicações em Fontes Alternativas de Energia. Belém: UFRA, 8º semestre do curso de Engenharia Ambiental e Energias Renováveis, 2014. CRESESB. Energia solar: princípios e aplicações. Ed. 1. Rio de Janeiro: CRESESB/CEPEL, 2006. IEA. CO2 Emissions From Fuel Combustion Highlights 2014. Disponível em: < http://www.iea.org/publications/freepublications/publication/CO2EmissionsFromFuelCombustionHighlig hts2014.pdf>. Acessado em: 07/05/2015. MATTHIENSEN, A. Aproveitamento da água da chuva na produção de suínos e aves. Centro de Pesquisa da EMBRAPA Suínos e Aves. Disponível em: < http://pt.engormix.com/MAavicultura/administracao/artigos/aproveitamento-agua-chuva-producao-t1525/124-p0.htm >. Acessado em: 07/12/2014. MMA. Governança ambiental: energia. Disponível em: <http://www.mma.gov.br/governancaambiental/portal-nacional-delicenciamento-ambiental/licenciamento-ambiental/atualidades empreendimentos/item/8322-energia>. Acessado em: 15/03/2014. MMA. Resolução nº 357, de 17 de março de 2005 do CONAMA. Publicada no DOU nº 53, de 18/03/2005, págs. 58-63. Disponível em: < http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res05/res35705.pdf >. Acessado em: 14/04/2015. MME. Eficiência energética em prédios públicos. Disponível em: < http://w3.ufsm.br/proplan/images/coplec/Eficiencia_energetica_em%20predios_publicos.pdf >. Acessado em: 14/04/2015. OLIVEIRA, F. M. B. Aproveitamento de água de chuva para fins não potáveis no campus da Universidade Federal de Ouro Preto, Ouro Preto, Minas Gerais. Dissertação de mestrado, programa de pós-graduação em Engenharia Ambiental (PPGEA) da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP). Minas Gerais: UFOP, 2008. PINHO, J. T. et al. Sistemas híbridos. Brasília: MME, 2008. REAL SOLAR. Energia renovável do Brasil. Disponível em: < http://www.real-watt.com.br/realsolar.php >. Acessado em: 18/04/2015. TEIXEIRA, A. A.; CARVALHO, M. C.; LEITE, L. H. M. Análise de viabilidade para a implantação do sistema de energia solar residencial. Revista Exacta, v. 4, n. 3. Belo Horizonte: UniBH, 2011. U. S. EPA. Calculations and references for clean energy. Energy Resources Department, 2009. Disponível em: < http://www.epa.gov/cleanenergy/energy-resources/refs.html >. Acessado em: 15/04/2015. VIGGIANO, M. H. S. Edifícios públicos sustentáveis. Série: Senado Verde, ed. 1. Brasília: Senado Federal, 2010. WANDERLEY, A. C. F. CAMPOS, A. L. P. S. Perspectivas de inserção da energia solar fotovoltaica na geração de energia elétrica no Rio Grande do Norte. Revista Holos, v. 3. Natal: IFRN, 2013.