16, 17 e 18 de Julho de 2015 Instituto de Ciências Sociais (ICS-UL) Monica Truninger1 Luis Junqueira2 Energia solar e inovação social em espaço rural: o caso da central solar da Amareleja Resumo A central fotovoltaica da Amareleja no sul de Portugal foi construída em 2008. Na época, foi considerada a maior da Europa. Esta infraestrutura tecnológica de grande escala provocou grande frenesim em torno de um município rural – Moura. Na altura da inauguração da central, inspirou discursos políticos inflamados sobre a aposta num futuro de soberania energética do país; provocou uma intensa cobertura mediática nacional e internacional, e foi alvo de muitas visitas de dignitários estrangeiros. No entanto, a central foi também alvo de algumas críticas em relação aos seus custos e ao impacto limitado na economia local e na criação de postos de trabalho. Para além de uma dramática transformação da paisagem rural, esta central de energia solar trouxe inovações, não só do ponto de vista científico-tecnológico, como também sociais. De uma forma geral, a aposta nas energias renováveis envolve a percepção de benefícios tais como a formação de rendimentos adicionais para as autarquias e os proprietários dos terrenos, a criação (moderada) de emprego, o apoio à construção de infraestruturas e equipamentos, o crescimento (em alguns casos) do turismo e, também (em menor 1 Instituto de Ciencias Sociais da Universidade de Lisboa 2 Instituto de Ciencias Sociais da Universidade de Lisboa grau), o aumento da visibilidade e da promoção dos territórios locais, com a criação de ‘marcas’ associadas à produção de energias renováveis. A criação destas ‘marcas’ territoriais enquadra-se igualmente no chamado ‘efeito de demonstração’ que a produção de energias renováveis pode ter, especificamente no que se refere ao desenvolvimento de projetos educativos e à capacidade de atração dos territórios em termos turísticos. Muitos destes benefícios foram encontrados no caso da central solar da Amareleja, capitalizando uma inovação social (ex. Criação de um fundo social de apoio às atividades locais, criação da marca ‘Terra do Sol’) através da inovação científicotecnológica. Esta comunicação tem como principais objectivos fazer uma análise da aceitação pública local desta forma de produção de energia e discutir de que forma estas inovações ajudaram na reconfiguração da identidade local e no desenvolvimento rural. O material empírico baseia-se numa análise documental, numa análise quantitativa de dados secundários, em entrevistas a atores locais e observação direta. A pesquisa tem como base o projeto “Consensos e controvérsias sociotécnicas sobre energias renováveis” (PTDC / CSECS / 118877/2010), em curso no ICS-UL, em colaboração com a Universidade de Aveiro e o CRIA, ambos financiados pela Fundação para a Ciência e Tecnologia.