SOCIEDADE DE EDUCAÇÃO DO VALE DO IPOJUCA FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA - FAVIP DEPARTAMENTO DAS CIÊNCIAS ADMINISTRATIVAS CURSO DE ADMINISTRAÇÃO EM GESTÃO DE NEGÓCIOS DAYANE ALVES DE OLIVEIRA EMPREENDEDORISMO SOCIAL E ECOLÓGICO COM PRÁTICAS DE SUSTENTABILIDADE: UM ESTUDO DE CASO NA LAVANDERIA MAMUTE DA CIDADE DE TORITAMA. CARUARU 2011 DAYANE ALVES DE OLIVEIRA EMPREENDEDORISMO SOCIAL E ECOLÓGICO COM PRÁTICAS DE SUSTENTABILIDADE: UM ESTUDO DE CASO NA LAVANDERIA MAMUTE DA CIDADE DE TORITAMA. Trabalho de Conclusão de Curso de Administração de Empresa com Habilitação em Gestão de Negócios, da Faculdade do Vale do Ipojuca, como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Administração em Gestão de Negócios. Orientador: Prof. MSc. Henrique de Queiroz Chaves. CARUARU 2011 EMPREENDEDORISMO SOCIAL E ECOLÓGICO COM PRÁTICAS DE SUSTENTABILIDADE: UM ESTUDO DE CASO NA LAVANDERIA MAMUTE DA CIDADE DE TORITAMA. Trabalho de Conclusão de Curso de Administração de Empresa com Habilitação em Gestão de Negócios, da Faculdade do Vale do Ipojuca, como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Administração em Gestão de Negócios. Orientador: Prof. MSc. Henrique de Queiroz Chaves. APROVADA EM: __/__/____ BANCA EXAMINADORA Henrique de Queiroz Chaves ORIENTADOR Antônio Romão 1 BANCA EXAMINADORA Thaísa Vasconcelos 2 BANCA EXAMINADORA CARUARU 2011 O482e Oliveira, Dayane Alves de. Empreendedorismo social e ecológico com práticas de sustentabilidade: um estudo de caso na Lavanderia Mamute da cidade de Toritama / Dayane Alves de Oliveira. -- Caruaru : FAVIP, 2011. 74 f. : Orientador(a) : Henrique de Queiroz Chaves. Trabalho de Conclusão de Curso (Administração de Empresas) - Faculdade do Vale do Ipojuca. Inclui apêndice. 1. Empreendedorismo. 2. Empreendedorismo social. 3. Sustentabilidade e Lucratividade. I. Título. CDU 658[12.1] Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 Dedico este trabalho primeiramente a Deus, por estar à frente de todos os meus planejamentos e por ser supremo em minhas ações. Aos meus queridos pais, irmã e demais familiares, por me apoiarem e acreditarem em mim. Aos meus amigos pela presença constante em minha vida. Agradeço a Deus que está à frente de todas as minhas ações, por todas as coisas maravilhosas que me foram concedidas, pois sem Ele, nada se concretizaria. Aos meus pais, que são meu alicerce, dando-me força para a consolidação das minhas conquistas, o meu especial agradecimento. Humildade, honestidade e caráter são uma das melhores especialidades que sempre irei carregar de vocês, que me mostraram o caminho certo a trilhar, e em contrapartida, livre-arbítrio para optar o destino da minha vida e minha carreira profissional. Pai, mesmo distante, suas palavras sempre verdadeiras e proferidas na hora certa, me conforta e me direciona. Mãe, você é sinônimo de mulher guerreira, vitoriosa, um exemplo de vida. Serei eternamente grata a vocês, que se doaram por inteiro e que muitas vezes renunciaram aos seus sonhos, para que, eu pudesse realizar os meus. A minha irmã Danielle. Que sempre me incentivou e mostrou o quanto sou capaz de realizar tudo que desejo. Essa sua torcida e voto de confiança foram de suma importância para grande parte das minhas realizações, a essa em especial. Aos demais familiares, que tiveram uma parcela de participação na minha jornada acadêmica. A todos os amigos que direta ou indiretamente me ajudaram na concretização dessa vitória. Em especial a Luciana Cabral, Leidiane Maria, Thaís Araújo, Sarah Eduarda, Thiago Vasconcelos e Eduardo Brayner. “Amigos são anjos sem asas”. Ao meu orientador, Henrique Chaves. Obrigada primeiramente, por ter-me aceitado como orientanda, e também pelo empenho, atenção e confiança depositados em mim, que, o tornou imprescindível para a conclusão deste curso. Minha eterna gratidão. A todos os outros mestres que, durante quatro anos de ensino acadêmico, com paciência passaram-nos suas experiências conceituais, teóricas e práticas, dando-nos subsídios para nos destacarmos no mercado e nos tornarmos excelentes profissionais. A toda família FAVIP. A todos os meus colegas que participaram da minha caminhada acadêmica, em especial a Leidiane Maria, Gabriela Guedes, Isabel Eronita, Deisiane Vasconcelos, Erton Nogueira, Antonio Marcos, Luciano, Renatha Brito e Carolina Barbosa, que juntos compartilhamos momentos de alegrias, obstáculos, superação e conquistas, finalizando essa etapa muito importante em nossas vidas. Aos donos da empresa em que atuo, pela compreensão e generosidade, para a conclusão do meu trabalho. Ao empresário Edilson Tavares da empresa Lavanderia Mamute, por me atender gentilmente e me fornecer informações importantes para a conclusão deste trabalho. Enfim a todos que torceram e acreditaram em minha competência. "As pequenas oportunidades são, freqüentemente, o início de grandes empreendimentos." (Demóstenes) RESUMO O presente trabalho de conclusão do curso de Administração em Gestão de Negócios da FAVIP teve por objetivo principal descrever as ações empreendedoras voltadas para a preservação do meio ambiente com soluções sustentáveis que trazem retorno econômico e financeiro. Para tanto, foi definida a questão problema - como uma empresa com atitude empreendedora no campo social e ecológico, pode obter lucro através de soluções sustentáveis. E, para responder a esse questionamento, foram utilizadas tipologias diversas de pesquisa, entre as quais merecem destaque: bibliográfica, exploratória, explicativa e qualitativa. A partir da pesquisa bibliográfica, pela consulta de diversas fontes escritas idôneas, foi constituída a fundamentação teórica, tendo por eixo a discussão sobre empreendedorismo, empreendedorismo social e sustentabilidade. Por fim, deu-se a culminância desse trabalho. Neste sentido, foram então somados à fundamentação teórica, os resultados das outras tipologias de pesquisa. Este fato trouxe a comprovação de que: ações empreendedoras voltadas para a preservação do meio ambiente com soluções sustentáveis, apesar de investimentos altos, inicialmente, trazem retornos econômicos, social e ambiental para as empresas que assumem esse posicionamento no mercado no qual estão inseridas, servindo de modelo para essa mesma comunidade. Dessa forma, ficou comprovado que é possível adotar a gestão empresarial orientada pela sustentabilidade e responsabilidade social, obter lucros que só tendem a crescer. Palavras-Chave: Lucratividade. Empreendedorismo. Empreendedorismo Social. Sustentabilidade. ABSTRACT This work of completing the course in Business Administration from FAVIP, was aimed at describing the entrepreneurial actions for the preservation of the environment with sustainable solutions that bring economic and financial return. To this end, the issue was defined as a problem-a company with an entrepreneurial attitude in the social and ecological, can profit through sustainable solutions. And to respond to this questionnaire were used to search several printers, including noteworthy, literature, exploratory, explanatory and qualitative. From the literature, by consulting written several reputable sources, the theoretical foundation was formed, with the shaft discussion on entrepreneurship, social entrepreneurship and sustainability. Finally, came the culmination of this work. In this sense, were then added to the theoretical basis, the results of other research printers. This fact, brought the evidence environment with sustainable that: entrepreneurial solutions, which actions aimed at preserving the despite high investment initially bring economic returns, social and environmental companies that take this position in the market in which they operate , serving as a model for that community. Thus, it was proved that it is possible to adopt a business-oriented management for sustainability and responsibility, profit that only tends to grow. Key-words: Entrepreneurship. Social Entrepreneurship.Sustainability. Profitability. social SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .............................................................................................................. 9 1.1 Contextualização do Problema da Pesquisa ............................................................. 9 1.2 OBJETIVOS ................................................................................................................ 12 1.2.1 Objetivo Geral ............................................................................................................ 12 1.2.2 Objetivos Específicos ................................................................................................. 12 1.3 JUSTIFICATIVA ........................................................................................................ 13 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................ 14 2.1 Empreendedorismo: Aproveitar Oportunidades e Inovar ...................................... 14 2.1.1 Conceituando empreendedorismo .............................................................................. 17 2.1.2 Origens e evolução do empreendedorismo ................................................................ 22 2.1.3 Empreendedorismo econômico .................................................................................. 25 2.2 Empreendedorismo Social .......................................................................................... 28 2.2.1 Responsabilidade social ............................................................................................. 29 2.3 Desenvolvimento Sustentável ..................................................................................... 33 2.3.1 A resposta à crise ambiental ....................................................................................... 33 3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA ........................................................................ 39 3.1 Dados e Informações ................................................................................................... 39 3.1.1 Logomarca ................................................................................................................. 39 3.2 Histórico Empresarial ................................................................................................ 39 3.3 Sistema de Gestão de Qualidade da Lavanderia ...................................................... 40 3.3.1 Política da qualidade .................................................................................................. 41 3.4 Projetos Ambientais em Desenvolvimento ................................................................ 42 3.4.1 O projeto socioambiental adotado e suas vantagens .................................................. 42 3.4.2 Interação da organização com a sociedade ................................................................ 43 4 METODOLOGIA .......................................................................................................... 44 4.1 Classificação da Pesquisa ........................................................................................... 44 4.1.1 Quanto aos fins ......................................................................................................... 44 4.1.2 Quanto aos meios ...................................................................................................... 45 4.1.3 Quanto à forma de abordagem ............................................................................... 46 4.2 Universo e Amostra ..................................................................................................... 46 4.3 Coleta, Análise e Validação de Dados ....................................................................... 46 4.3.1 Coleta de dados.......................................................................................................... 46 4.3.2 Análise dos dados ..................................................................................................... 47 4.3.3 Validação dos dados ................................................................................................. 47 5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS ........................................................ 48 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................ 62 REFERÊNCIAS ................................................................................................................ 64 APÊNDICE ........................................................................................................................ 66 ANEXOS ............................................................................................................................ 68 9 1 INTRODUÇÃO 1.1 Contextualização do Problema da Pesquisa No atual contexto político-econômico social, as empresas precisam apresentar-se em condições plenas de competitividade, orientadas pelas novas tecnologias de mercado, fato que faz a cada instante exigências de ações específicas e inovadoras que se traduzem no que se costumar chamar de empreendedorismo. Um fenômeno cujas origens remontam aos primórdios da história das civilizações, especialmente quando o homem começa a empreender os seus primeiros negócios. E, pois, voltado para a discussão do fenômeno do empreendedorismo social e ecológico com práticas de sustentabilidade que se desenvolve este trabalho de pesquisa, fundamentado teoricamente em obras de autores consagrados, a exemplo de MaClelland (1972), Schumpeter (1997), Filion (1997), Baron & Shane (2007, Hisrich, Peters e Shpferd (2009), e seus adeptos que trazem à tona princípios definidos por esses mestres. A razão de ser da escolha desse tema se prende a diversos fatos, como: a vasta publicidade a respeito do assunto através das mídias, as discussões sobre o assunto ao longo do curso, bem como a existência de uma vasta literatura que permite investigar com certa facilidade as origens, evolução e extensão do empreendedorismo nas diversas áreas de atividade humana, sob os mais diversos aspectos, essencialmente no que tange às questões sociais e ambientais ou ecológicas. E, isto se justifica no fato de que, se a essência do empreendedorismo está na percepção e exploração das novas oportunidades que se pode ter na gestão de uma empresa ou uma organização empresarial, conforme define Shumpeter (1997), apud Souza (2005), faz-se necessário reconhecer que a exploração dessas novas oportunidades deve estar voltada não só para o aspecto econômico, mas também para o social e o ecológico. Diante desse perfil, faz-se necessário um estudo sobre as mudanças das empresas, orientadas pelos princípios econômicos, tendo por base o melhor nível de competitividade no mercado, e, em consequência, uma maior lucratividade, de forma direta ou indireta, mediante a adoção de medidas que favoreçam a proteção da natureza e a valorização do ser humano, obtendo desse modo, dividendos econômicos, sociais e ambientais que façam a empresa crescer, respeitando o ambiente e o próprio ser humano. Aliás, não é por acaso que se defende a prática do empreendedorismo sustentável. Afinal, o empreendedorismo econômico, fechado em si mesmo, base do sistema capitalista, que se desenvolveu a partir da geração do excedente 10 nos primórdios da história da humanidade foi o principal responsável pela degradação do meio ambiente e pela profunda desigualdade social em todo o mundo. Neste sentido, há de se ressaltar, de forma especial, a prática do empreendedorismo com base na sustentabilidade. Um fenômeno, cujos princípios têm a ver com as definições sobre desenvolvimento sustentável do Relatório desenvolvido sob a coordenação da 1ª Ministra da Noruega Gro Harlem Brundtlant, com a designação de Nosso Futuro Comum que se preocupa, sobretudo com: “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”, Estigara, Pereira e Lewis (2009, p. 18). Logo, a tendência atual das empresas é seguir o modelo de empresa designada como instituição sociopolítica para que possam sobreviver às exigências dos consumidores e do mundo como um todo, para que em sua linha produtiva e de serviços reduzam os impactos ambientais, atentando para a melhoria da qualidade de vida para todos e valorização do ser humano. Em outras palavras, primando pela humanização do ambiente. Nesta perspectiva, emerge então a questão problema que norteia esse estudo, que pode ser expressa no seguinte questionamento - Como uma empresa, com atitude empreendedora no campo social e ecológico, pode obter lucro através de soluções sustentáveis? Para responder a essa questão que serve de eixo para esse trabalho, espera-se encontrar na pesquisa bibliográfica os subsídios necessários à fundamentação teórica, e, assim, explicar satisfatoriamente o problema formulado, bem como, encontrar no estudo de caso a comprovação de que, apesar de toda a competitividade do mercado e desigualdade de condições por falta de compromisso social e ambiental da categoria, os lucros existem, mesmo com os altos investimentos para a adoção de programas de sustentabilidade, privilegiando também as questões sociais que o modelo exige. Neste sentido, esta pesquisa tem por objetivo principal descrever como as ações empreendedoras voltadas para a preservação do meio com soluções sustentáveis, trazem retorno econômico e financeiro para as empresas. E, para que possa atingir essa finalidade, este trabalho buscará por diferentes meios, realizar ações específicas, tais como: analisar atitudes empreendedoras atuais; refletir sobre a importância de práticas sustentáveis para a melhoria da qualidade de vida social e ambiental, descrever como soluções sustentáveis podem ser um meio de lucratividade e um diferencial no mercado. Para tanto, toda essa pesquisa terá como suporte concreto, o estudo de caso de uma empresa, cuja gestão se fundamenta na prática de programas de sustentabilidade e 11 responsabilidade social, que apesar das dificuldades tem obtido resultados satisfatórios, apesar dos altos investimentos, para se estabelecer conforme esse novo modelo empresarial. O corpo dessa pesquisa é constituído em torno de um eixo que tem como ponto de partida a abordagem em torno do empreendedorismo com a apresentação de três exemplos carismáticos de indivíduos empreendedores que souberam aproveitar oportunidades, desenvolvendo ideias, atitudes em manifestações do empreendedorismo em múltiplas áreas, tanto individual quanto coletivamente. Segue-se então a abordagem envolvendo aspectos diversos como econômico, social e sustentável, quando faz-se um paralelo entre o que oi o crescimento econômico predominante no passado e o novo conceito de desenvolvimento inspirado na sustentabilidade e responsabilidade social, culminando com o histórico a caracterização gestão modelo da empresa Lavanderia Mamute que vem atestar que é possível adotar a sustentabilidade e obter lucros econômicos financeiros, além do fato de contribuir para a preservação da vida e a humanização do seu espaço geográfico. 12 1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral Descrever como as ações empreendedoras voltadas para a preservação do meio ambiente com soluções sustentáveis, trazem retorno econômico e financeiro para as empresas. 1.2.2 Objetivos Específicos Analisar atitudes empreendedoras vivenciadas através dos tempos, nas diferentes áreas de atividade humana; Discutir sobre a importância das práticas sustentáveis para a melhoria da qualidade de vida para o momento atual e para as gerações futuras. Identificar no funcionamento da Lavanderia Mamute as características do empreendedorismo social e ecológico; Identificar como soluções sustentáveis podem ser um meio de lucratividade e diferencial no mercado para a Lavanderia Mamute. 13 1.3 JUSTIFICATIVA Realizar o estudo de pesquisa em torno do tema Empreendedorismo social e ecológico com práticas de sustentabilidade é importante, porque, apesar da ampla discussão no meio acadêmico, é preciso conhecer de perto a quanto anda no campo empresarial o conhecimento a adesão ao novo modelo de desenvolvimento que o contexto atual exige. Isto é, o modelo designado por desenvolvimento sociopolítico, que traz consigo, preocupações sociais, a título de ponte para chegar finalmente ao que se chama desenvolvimento sustentável. Um modelo no qual devem se consolidar não só interesses econômicos e financeiros, voltados exclusivamente para a empresa, mas também no que tange as questões ambientais – com redução de impactos, reutilização dos resíduos, reciclagem, etc.; e sociais - pela promoção de relações justas com o trabalho e realização de projetos sociais em comunidades ou entidades que precisam do apoio. Assim não há como negar a importância do tema em estudo e a necessidade de um maior aprofundamento, uma vez que, diante da crise ambiental precedentes, instalada, pondo em risco a vida no planeta tornando sem sentido tudo o que o homem constituiu ate hoje se for debelada. È sempre animador saber que muitos já entenderam a seriedade da situação, especialmente no mundo empresarial. E, já estão a postos, na condição de empreendedores, superando desafios e implementando as mudanças necessárias na empresa sob os mais diversos aspectos, a exemplo do que acontece com a empresa Lavanderia Mamute da cidade de Toritama – PE. Afinal, seguindo a linha de pensamento de Gadotti (2002), a sustentabilidade não deve se constituir apenas num tema gerador de discussões acadêmico, mas na implementação de projetos que viabilizem as mudanças necessárias. E neste sentido, esta pesquisa pretende registrar os resultados de uma microempresa que já está servindo de modelo para o setor empresarial, no qual está inserida e até mesmo para outros municípios. 14 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 Empreendedorismo: Aproveitar Oportunidades e Inovar Nos dias atuais, um dos focos de discussão no mundo dos negócios chama-se empreendedorismo. Um termo que corresponde à tradução da palavra inglesa entrepreneurship, que traz em sua essência ideias inovadoras, com as quais determinados indivíduos conseguem se estabelecer no mercado, superando com sucesso todo o clima de competitividade reinante, seja qual for o seu ramo de atividade, com uma atitude inovadora. A discussão dos especialistas no que tange ao empreendedorismo se dá sob diferentes ângulos, não só no plano econômico e administrativo, mas também no plano institucional social e ecológico. E, isto se justifica pelo fato de que o mundo contemporâneo é caracterizado por constantes transformações exigindo de todos que desejam conquistar o seu espaço, certas qualidades que permitam a sua integração ao mercado altamente competitivo da atualidade e assegurem a sua permanência. Ratificando o exposto, é interessante atentar para o que diz o seguinte texto: As constantes e complexas transformações do mundo contemporâneo demandam competências para encontrar alternativas que possibilitem a adequação, a evolução e até mesmo a sobrevivência das organizações. Por outro lado, o desenvolvimento tecnológico, grande responsável pelas mudanças e transformações, fornece estímulo e cria a visão para o espírito empreendedor e a inovação na sociedade, fazendo com que as empresas, principalmente em busca de vantagens competitivas, procurem novas direções, novas conquistas, (SOUZA, 2005, p. 3). Fica então evidente nas palavras de Souza (2005) a íntima relação com o empreendedorismo diante das rápidas e constantes transformações do mundo contemporâneo, bem como, sobre a necessidade que tem o empreendedor de estar atento ao que se passa à sua volta. E, assim, aproveitar as oportunidades para implementar as inovações necessárias à criação de produtos ou serviços ou mesmo para implementar inovações a produtos e serviços que já existem no mercado, mas que podem ser inovados. Desse modo, para tornar as questões conceituais sobre empreendedorismo mais claras, diversos autores lançam mão de fatos reais ou fictícios para ilustrar os seus trabalhos, como é o caso, por exemplo, de Baron & Shane (2007, p. 4) que se utilizam de um pensamento externado em 1966 por Hubert Humphrey, senador americano, que diz o seguinte: “Boa parte do progresso norte-americano é produto do indivíduo que teve uma ideia, foi atrás dela, modelou-a, ateve-se firmemente a ela durante todas as adversidades e então produziu essa 15 ideia, vendendo-a e lucrando com ela”. E, com base nesse pensamento, Baron relata fatos interessantes que reforçam a relação com o pensamento de Humphrey. Baron (2007) conta que na primavera de 1990 teve a sua primeira chance (mas não a última) de comprovar a veracidade das palavras do referido senador, quando sua filha, universitária, mesmo adorando fazer o que fazia, que era estudar, não se cansava de se queixar sobre as condições do alojamento, que acabavam com o estímulo de qualquer aluno, mesmo aquele que adora estudar, como se pode perceber em sua descrição no texto a seguir: “É tão barulhento que não consigo estudar” ela me disse, “e o ar é terrível – empoeirado, viciado e, além de tudo, cheira mal!”. Então ela me disse algo que, de certa forma, mudou minha vida: “Pai, você é um especialista em como o ambiente físico afeta as pessoas, então por que não inventa alguma coisa que possa melhorar isso?”, “grifo do autor” (BARON & SHANE, 2007, p. 4) A queixa da filha de Baron se reportava a experiência que o pai havia vivenciado ao longo de 15 anos de pesquisa sobre o impacto de fatores ambientais no desempenho humano, chegando a atuar como consultor em várias empresas. Mas, uma coisa era analisar teoricamente os fatos e outra bem diferente era inventar algo para resolvê-los. Isso era coisa que a empresa precisava buscar resolver quando vivia situações desse gênero. Entretanto, mesmo não sendo inventor, Baron começou a pensar num dispositivo que pudesse resolver as questões descritas pela filha. Para tanto, buscou a ajuda necessária com um especialista (um engenheiro), resultando daí um mecanismo com sistemas independentes que filtrava o ar, reduzia os ruídos e liberava odores agradáveis. Esse mecanismo foi patenteado, fabricado e finalmente lançado no mercado, rendendo ao final, lucros modestos, mas que valeram a pena pelo aproveitamento da oportunidade de lançamento de um novo produto no mercado com funções muito importantes para usuários em situações de impactos ambientais desse gênero, de modo a neutralizá-los, fazendo com que esses indivíduos pudessem realizar suas tarefas de modo agradável e menos estressante. Um outro caso interessante é o que Dolabela (2006) utiliza para desenvolver a discussão sobre o fenômeno do empreendedorismo em suas mínimas facetas. Para tanto, entrelaça em toda a sua obra denominada de O segredo de Luisa relatos sobre as atitudes de uma empresária e os fundamentos teóricos da arte e ciência de bem administrar. Nesse caso, a chave da discussão, que é a capacidade de tomar iniciativa, de ter coragem de ousar e correr riscos é o que o autor chama de “segredo”, que é algo intrínseco a empresária que inova a sua vida, não só por fugir do padrão de vida de seus familiares, que a vida inteira se dedicaram a 16 uma função comum – a de funcionário público, como também pela riqueza de atitudes inovadoras com que conduz os seus negócios como empresária de sucesso. Vale ainda chamar a atenção, em meio aos inúmeros casos apresentados pelos especialistas no estudo sobre o fenômeno do empreendedorismo, o exemplo de vida da americana Oprah Winfrey, um verdadeiro fenômeno de empreendedorismo, relatado como perfil de abertura do primeiro capítulo da obra Empreendedorismo dos estudiosos americanos – Robert D. Hisrich, Michael P. Peters e Dean A. Shepherd (2009). Sobre o fenômeno Oprah Winfrey os referidos autores destacam uma figura feminina afro descendente, de origem humilde que encontrou na educação a razão de ser para a superação de todos os seus problemas. Para começar, ainda no ensino médio conquista o seu primeiro trabalho como repórter de rádio em Nashville, e, logo se inscreve numa universidade para fazer um curso de dicção e interpretação, que lhe qualifica para a função de primeira âncora afro-americana na TV WTVF nessa mesma cidade. Depois, muda-se para Baltimore, onde ganha mais espaço na TV, assumindo inclusive um programa matutino The Oprah Winfrey Show que em um mês ganha popularidade e desbanca um experiente apresentador de um programa similar na TV de Chicago que se mantinha em sucesso por mais de uma década. Este fato serve de marco para a carreira de sucesso de Oprah Winfrey como empreendedora e mulher de negócios, pois a partir daí, foi aconselhada por um advogado, de nome Jeff Jacobs, e, resolveu criar a sua própria empresa de entretenimento a Harpo Inc, criada em 1986, de sucesso garantido pela intuição e criatividade de Oprah associadas à perspicácia e as habilidades comerciais de Jeff. No inicio, segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2009) a Harpo Inc. funcionava sem a mínima estrutura formal. Até que com o seu crescimento Oprah percebeu a necessidade de uma estrutura administrativa organizada. Assim, contratou um executivo da estação de TV (seu ex-chefe) para superintendente de operações para imprimir a empresa seu perfil corporativo, tendo como medidas básicas a criação dos diversos departamentos necessários a empresa, tais como de contabilidade, jurídico, de recursos humanos etc. Sua empresa cresceu como sempre e se transformou na realidade numa rede empresarial de diversas atividades de entretenimento, da qual é presidente, detendo 90% das quotas da sociedade, cabendo os 10% restantes ao seu sócio Jeff Jacobs. Os relatos sobre esses personagens refletem em linhas gerais o que é ter a coragem de aproveitar oportunidades e inovar, de praticar o que costuma ser designado de empreendedorismo, seja do ponto de vista individual ou coletivo, seja econômico, social ou ecológico. Um fenômeno que traz sempre, quando bem planejado, algum tipo de dividendos 17 ou lucros que necessariamente não se trata apenas de lucros financeiros. As moedas podem ser também representadas, por exemplo: ter uma profissão, aperfeiçoá-la para ser um referencial nas atividades que realiza; o capital social e ecológico, além do capital em essência, que é a base do sistema que move o mundo empresarial ou dos negócios. 2.1.1 Conceituando empreendedorismo O empreendedorismo é um campo de estudos relativamente novo que tem despertado muito interesse na sociedade, envolvendo, por exemplo: “pessoas físicas, professores e estudantes universitários, e representantes do governo”, conforme Hisrich, Peters e Shepherd (2009, p. 27). Estes autores evidenciam ainda que, apesar de todo o interesse dos grupos citados, em especial o grupo do meio acadêmico, onde as discussões acontecem com frequência em torno desse fenômeno, que não se chegou a uma definição de consenso, que possa ser aceita universalmente. Assim, para facilitar a compreensão do que seja empreendedorismo Hisrich, Peters e Shepherd (2009) apresentam um breve histórico sobre esse fenômeno observando a sua prática no contexto dos períodos da História Geral da humanidade. Assim, de acordo com esses autores, a história do Empreendedorismo começa na Antiguidade, com Marco Polo, quando, como “intermediário” assinava contrato com um capitalista para desenvolver o seu comércio pelas cidades do Extremo Oriente, Nesse contrato (precursor do capitalismo de risco) somente o intermediário assumia todos os ricos do negócio, e, caso fosse bem sucedido os lucros eram divididos na seguinte proporção: 75% para o capitalista e 25% para negociante aventureiro. Já na Idade Média, o empreendedor era alguém que não corria risco simplesmente, mas, administrava projetos com recursos provenientes especialmente do governo. Ao longo da Idade Moderna, Hisrich, Peters e Shepherd (2009) destacam o desenvolvimento de dos formatos de empreendedorismo. Um, em que o empreendedor utilizase de investimentos de risco, mediante um contrato fixo no qual todos os lucros e perdas eram do empreendedor, a exemplo de John Law1, Que investiu em negócios financeiros com sucesso, mas depois de evoluir, devido a mudanças adotadas na política financeira, seus negócios entraram em colapso. Aliás, foi a partir desse fato que segundo os referidos autores, 1 John Law foi um marcante empreendedor francês que atuou no século XVII, em plena Idade Moderna. Ele estabeleceu um banco real, que depois evoluiu para uma franquia no Novo Mundo. Mas, uma ação políticofinanceira desmedida fez os seus negócios entraram em colapso, Hisrich, Peters e Shepherd (2009). 18 tem origem uma das primeiras teorias sobre o empreendedor, desenvolvida por Cantillon, considerado, por alguns estudiosos o criador desse termo, tão em alta nos dias atuais. O outro formato, também designado por empreendedorismo, caracterizava-se por financiamentos concedidos a indivíduos que se dedicavam a criar inventos de grande utilidade para os capitalistas, no alvorecer da Revolução Industrial. Foi o caso, por exemplo, de Eli Whitney e Thomas Edison. Estes se destacavam como empreendedores de inventos financiados por alguém e não com capital de risco, na condição de fornecedores. Por fim, na Idade Contemporânea o empreendedor ganha um novo significado. Deixa de ser considerado como simples gerente de recursos para se transformar em alguém que cuida dos seus próprios negócios para obter lucro pessoal, cumprindo todas as exigências que o negócio exige. Para tanto, a empresa depende exclusivamente de qualidades peculiares ao empreendedor que dão vida à empresa sob os mais diversos aspectos. Assim, na intenção de esclarecer sobre a importância do papel de empreendedor, segundo o modelo contemporâneo, vale atentar para as características descritas no texto a seguir ao afirmar que o empreendedor: Contribui com sua própria iniciativa, habilidade e engenhosidade no planejamento, organização e administração da empresa. Também assume a possibilidade de perdas e ganhos em consequência de circunstâncias imprevistas e incontroláveis. O resíduo líquido das receitas anuais do empreendimento, após o pagamento de todos os custos, são retidos pelo empreendedor, (HISRICH; PETERS; e SHEPHERD, 2009, p. 29). Nesta abordagem, os autores prenunciam uma característica marcante do empreendedor, e, por conseguinte, do empreendedorismo, que é o seu caráter inovador. E, neste sentido, chama a atenção para o exemplo representativo desse novo conceito de prática empreendedora na figura de Andrew Carnegie2, quando, “[...] adaptou e desenvolveu uma nova tecnologia na criação de produtos para alcançar a vitalidade econômica [...] Fez da indústria americana do aço uma das maravilhas do mundo industrial [...]”, (Ibid. p. 29) Além do que, prosseguindo em sua abordagem sobre o assunto, os autores deixam claro que a inovação é algo inalienável ao espírito do empreendedor e consequentemente à 2 Andrew Carnegie, descendente de família escocesa pobre, se destacou nos Estados Unidos com seus empreendimentos industriais referentes ao aço, segundo Hisrich, Peters e Shepherd (2009). 19 prática do empreendedorismo, porque, para eles, não basta ao empreendedor a capacidade de criar e conceber produtos e serviços. É preciso também que o empreendedor tenha a noção de todos os elementos que interferem para o sucesso dos novos empreendimentos, que trazem em sua essência a marca da inovação, que se traduz no fato de ser algo único ou singular que consolida tanto o autor quanto à obra. Ou seja, o empreendedor e o empreendimento. Assim, toda essa abordagem feita por Hisrich, Peters e Shepherd (2009) faz ver que o fenômeno do empreendedorismo se manifesta desde os primórdios da civilização humana, e, se estende ao longo da história, assumindo a cada momento uma nova forma de manifestação, de acordo com o contexto ao político, econômico e social vigente em cada época, que se caracteriza basicamente por algo que tem a marca do que se chama inovação. E que, a capacidade de inovar é inesgotável, podendo se manifestar sempre de diferentes formas e nas diversas áreas de atividade humana, o que justifica uma profusão de conceitos sobre o empreendedorismo, como se pode observar na sequência a seguir: Numa visão de abrangência geral, pode-se afirmar que: • Todos nascemos empreendedores. A espécie humana é empreendedora. • Empreendedorismo não é um tema novo ou modismo: existe desde sempre, desde a primeira ação humana inovadora, com objetivo de melhorar as relações do homem com os outros e com a natureza. • Não é um fenômeno apenas econômico, mas sim social. • O empreendedor está em qualquer área. Não é somente a pessoa que abre uma empresa. • Empreendedorismo é uma das manifestações da liberdade humana. • Não é um fenômeno individual, não é o um dom que poucos têm. É coletivo, comunitário. A comunidade tem o empreendedor que merece, porque cabe a ela criar o ambiente propício. A tese de que o empreendedor é fruto de herança genética não encontra mais seguidores. [...], (DOLABELA, 2006, p. 25). Sob esse prisma, o autor caracteriza o empreendedorismo como um fenômeno próprio da espécie humana, considerando assim que todos os indivíduos são capazes de desenvolver habilidades para criar e inovar individual e coletivamente no meio em que vivem, estimulados pela liberdade de pensar e agir para a concretização daquilo que se pretende empreender. Numa visão mais específica, um dos conceitos de maior consenso e aceitação entre a comunidade científica, que trata sobre a questão do empreendedorismo, é a definição apresentada por Shane e Venkataraman (2000), sobre a qual Baron & Shane 20 (2007) fazem referência em sua abordagem para caracterizar o fenômeno do empreendedorismo, conforme se pode observar na leitura do seguinte texto: [...] o empreendedorismo, como uma área de negócios, busca entender como surgem as oportunidades para criar algo novo (novos produtos ou serviços, novos mercados, novos processos de produção ou matérias primas, novas formas de organizar as tecnologias existentes); como são descobertas ou criadas por indivíduos específicos que, a seguir usam meios diversos para explorar ou desenvolver essas coisas novas, produzindo assim uma ampla gama de efeitos “grifo dos autores” (BARON & SHANE, 2007, p. 6). Infere-se, pois, dessa definição que o empreendedorismo se fundamenta em uma atividade que se realiza por determinados indivíduos, que, através de ações-chaves (bem específicas) conseguem visualizar uma oportunidade de negócios e concretizá-la na prática como forma de negócio com retorno garantido, ou seja, com lucros palpáveis, contando para isto com a visualização de atividades relacionadas à exploração e ao aproveitamento dessa oportunidade. Mas, há um aspecto no processo do empreendedorismo a destacar: “[...] o processo não termina com o lançamento do novo empreendimento; ele também envolve a capacidade de administrar uma nova empresa com sucesso após sua criação”, (BARON & SHANE, 2007, p. 6). Múltiplas visões é o que encerra a conceituação formulada por Karl Vesper (1980) apud Hisrich, Peters e Shepherd (2009) que diz: Para o economista, empreendedor é aquele que combina recursos, trabalho, matérias e outros atrativos para tornar seu valor maior do que antes; também é aquele que introduz mudanças, inovações e uma nova ordem. Para um psicólogo, geralmente essa pessoa é impulsionada por certas forças – a necessidade de obter ou conseguir algo, de experimentar, de realizar, ou talvez de escapar à autoridade de outros. Para alguns homens de negócios um empreendedor é interpretado como uma ameaça, um concorrente agressivo, enquanto que para outros, o mesmo empreendedor pode ser um aliado, uma fonte de suprimento, um cliente ou alguém que gera riquezas para outros assim como encontra melhores maneiras de utilizar recursos, reduzir o desperdício e produzir empregos que outros ficarão satisfeitos em conseguir, “grifo nosso” (VESPER, 1980, apud HISRICH; PETERS; e SHEPHERD, 2009, p. 29-30). Refletindo sobre a conceituação formulada por Vesper (1980), percebe-se a multiplicidade de sentidos que o empreendedorismo assume quando observado à luz de conhecimentos de áreas distintas para a sua aplicação. Nesse caso, são confrontadas inicialmente duas visões diferentes a do economista (que vê os fatos sob a ótica da economia), e o psicólogo (que vê os fatos na ótica da psicologia). São, portanto definições sobre o 21 fenômeno do empreendedorismo fundamentadas nos princípios específicos de atuação desses profissionais, fazendo com que cada um tenha uma percepção diferente do fenômeno. Por outro lado, é interessante destacar as reações que Verper (1980) descreve a respeito dos homens de negócios frente ao carisma de indivíduos empreendedores. Uns, se amedrontam e fogem deles, como se eles fossem roubar-lhes algo. O que é uma pena, pois no mundo competitivo de hoje, os homens de negócio precisam estar antenados com as inovações do mercado, pois, do contrário a empresa que se encolhe e se protege demais pode não resistir por muito tempo às pressões do mercado. Enquanto isso, outros, abertos a inovações querem assimilar algo de novo para incrementar os seus negócios, fazem questão de tê-los em suas relações de negócios ou mesmo em suas relações pessoais. No geral, os diversos tipos de conceitos abordados e analisados apresentam alguns pontos de semelhança, como – inovação, organização, riscos, etc. No entanto, apesar das semelhanças pontuadas, esses conceitos apresentam na realidade um foco principal. Isto, porque, como já foi referendado, o fenômeno do empreendedorismo pode se manifestar em todas as áreas de atividade humana. Assim, não é demais afirmar que: Empreendedorismo é o processo de criar algo novo com valor, dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros psíquicos e sociais correspondentes e recebendo as consequentes recompensas da satisfação e da independência financeira e pessoal, “grifo nosso” (HISRICH; PETERS; e SHEPHERD. 2009, p. 30). No caso desse conceito, os autores ressaltam o processo da criação, não como algo comum mas, a criação de algo novo que se traduza como singular, resultante de muito esforço para a sua consecução, sob os mais diversos ângulos, tais como financeiros, psíquicos e sociais, que ao final deverão trazer as devidas recompensas, conforme a área de implementação e manifestação do empreendedorismo. Entretanto, em se tratando do foco dessa pesquisa, o que interessa mais de perto é o empreendedorismo sob a ótica dos negócios, associada a projetos de sustentabilidade e responsabilidade social que se caracteriza como um empreendimento que se concretiza quando um indivíduo identifica uma ideia e cria algo novo, assumindo os riscos com cautela e aproveitando as oportunidades de desenvolvimento do mesmo para adotar medidas de proteção ao meio ambiente e de respeito ao ser humano. . Um exemplo típico de empreendedorismo são as novas tecnologias que a cada momento se inovam para a comodidade dos usuários desses serviços, atendendo às novas 22 exigências do mercado atual, fato que se manifesta na consolidação de novas ideias que surgem para o aperfeiçoamento de novos equipamentos, programas e serviços dessa área. Assim, pode-se afirmar que os princípios orientadores do empreendedorismo, podem ser caracterizados como: perceber um problema ou uma lacuna nos mais diferentes campos de atividade, fazer uma analise de como resolver esse problema; buscar mecanismos que conduzam à solução da questão, e, por fim manter-se sempre atento às soluções encontradas e a sua execução, a fim de adotar possíveis inovações para que o empreendimento inicial possa sempre ser atualizado para atender às suas funções num mercado altamente competitivo e, o mais importante, em constante transformação. 2.1.2 Origens e evolução do empreendedorismo Em geral, o conceito de pessoa empreendedora é comumente definido considerando-se funções e resultados econômicos, conforme explicita Carland et al.(1984). No entanto, é possível ampliar esse conceito, detectando o que pode existir entre o empreendedorismo e o contexto em que se insere, a exemplo do seu desdobramento em empreendedorismo social, especialmente quando o empreendedor, coincidentemente é o empresário. Nesse caso, a empresa ganha um significado especial no âmbito da sociedade, conforme definem Kliksberg e Tomassini (2004). Vale ressaltar, inclusive, que é muito comum a utilização do termo empreendedor como sinônimo de empresário. Entretanto, esses termos possuem significados distintos, como se pode perceber na explicitação do texto a seguir: [...] o fato de ser empresário não quer dizer necessariamente ser um empreendedor, pois este demonstra um comportamento inovador, criando uma nova situação para sua empresa ou trabalho, enquanto que o empresário está mais preocupado com os aspectos operacionais da administração do negócio, (SOUZA, 2005, p. 6). Refletindo sobre as palavras de Souza (2005), é possível compreender que ser empreendedor, vai além de ser um empresário, se bem que, um empresário pode até assumir o papel de empreendedor, quando procura sempre, além de administrar a empresa, vislumbrar oportunidades para inovar os produtos ou serviços da mesma, fato que deve se traduzir, de alguma forma em lucratividade para a empresa. Entretanto, apesar das diferenças entre esses personagens do mundo empresarial, vale salientar que empreendedor e empresário também compartilham certas propriedades características, principalmente quando se trata de um proprietário e gestor de uma pequena empresa. Isto, porque, nesse caso, o proprietário ou 23 empresário precisa acumular diversas funções para assegurar o sucesso dos seus negócios, o que exige sempre inovação para que a empresa se mantenha firme e competitiva no mercado. Prosseguindo em sua abordagem, Souza (2005) procura informar que a origem dos termos empreendedor e empresa remontam ao mundo dos negócios na França por volta do século XV, mas, ressalta que as ações características de empreendedor e empresa são anteriores à Revolução Industrial, podendo as suas manifestações iniciais serem situadas no contexto da Idade Média em meio ao seu regime corporativista. Entretanto, nos séculos XV a XVII, o sistema econômico-financeiro corporativista dá lugar ao regime mercantilista, que tem como palavra de ordem, fazer com que a moeda circulasse, trazendo prosperidade. Surge, a partir de então, um especialista nesses assuntos, designado como negociante, que tinha como principal função detectar os riscos do mercado, ficando em segundo plano as questões relativas à compra e venda dos produtos. Nesse contexto, as pessoas envolvidas no ramo de negócios formavam um grupo bastante heterogêneo que envolvia, por exemplo: mercadores simples, negociantes e fabricantes ou proprietários num sistema de circulação de moeda que ia definindo um novo sistema de produção e consequentemente da ordem social característica. E, em meio a esse contexto de mudanças, surgem, na França, os conceitos de empreendedor e empresa. Sobre o empreendedor, conforme Schumpeter (1997), essa figura pós-medieval caracteriza-se por emprestar dinheiro, comprar para fazer estoque, e, o mais interessante, envolver-se em negócios sem garantias quanto aos resultados. Na realidade, naquela época, o papel do empreendedor era bem distinto do que lhe compete hoje, pois, basicamente, disputava apenas as relações de mercado, apostando em ganhos, sem se preocupar com a disputa de posição social. É tanto, que as suas ações eram consideradas, segundo Vérin (1982, p. 171), como “um ato de subversão da ordem predominante”, até porque, os resultados dessas ações eram imprevisíveis, pois em geral, o empreendedor fazia surgir inovações que não tinham nenhuma relação com os empreendimentos de origem. Paralelamente ao surgimento da figura do empreendedor, surge a empresa que transforma completamente as relações de mercado, antes fundamentadas nas redes sociais, altamente heterogêneas, desenvolvidas através de relações entre famílias. Nesse momento, insurge-se um novo sistema econômico-financeiro, o capitalismo, tendo como cenário a França no século XVIII. E, a partir de então, a empresa toma forma e adquire a significação moderna, que pode ser assim traduzida: “sistema de produção capitalista, estabelecimento de produção, estabelecimento industrial”, Souza (2005, p. 7). Já na Inglaterra, as transformações socioeconômicas se deram sob a influência da Revolução Industrial, gradualmente, obedecendo às mudanças que se operaram em diferentes 24 momentos, tendo como ponto principal o uso da eletricidade e do automóvel, fatos que caracterizam a segunda Revolução Industrial, no século XIX, precisamente por volta de 1880. Em resumo, do século XV aos nossos dias, muitas têm sido as transformações no mercado, com diferentes formas de inserção da empresa sob o comando dos empreendedores, que estão sempre procurando adequar as suas funções para que possam orientar os membros da organização da empresa, de acordo com as características de cada momento histórico, em especial do comportamento do mercado onde eles precisam atuar com a devida competência. Entretanto, não é fácil para o empreendedor encontrar os subsídios necessários para deixá-lo a par de todo o conhecimento possível e de todas as informações que circulam no momento atual, o chamado mundo globalizado, em constante transformação. E, nesse contexto, repassar todas as tendências para os membros da empresa, que devem assimilar as informações da melhor forma possível para que possam se conduzir bem e atuar com segurança e competência, exercendo as funções que lhes competem dentro da empresa. Dessa forma, apesar de conhecimento sobre o empreendedorismo e de toda a discussão em torno desse assunto, vale ressaltar que nem tudo está muito claro ainda. Aliás, uma das maiores dificuldades levantadas por Souza (2005, p. 7) consiste em definir, por exemplo: “quais valores é necessário modificar e quais são as características do empreendedor e, ainda, o mais importante, como desenvolver competências empreendedoras, promovendo o desenvolvimento da organização?”. E, na tentativa de orientar a busca pela resposta a esse questionamento, essa mesma autora faz ver em sua abordagem que a partir da segunda Revolução Industrial, as ações na sociedade ganharam uma nova orientação. E, é esta nova orientação que define o perfil, altamente racional do mundo contemporâneo, no qual se vive na atualidade Além do que, vale ressaltar que essa racionalidade que se estende a todos os setores de atividade, em especial ao mercado, que mais do que nunca passa a se reger através de uma rígida lógica racional. Incorporam-se a essa lógica, as regulamentações do sistema produtivo, envolvendo questões referentes ao trabalho, à acumulação de riqueza ou capital e ao processo de gestão. Uma estrutura que serviu de paradigma para a gestão e a administração das organizações empresariais do século XX. Entretanto, com a constante dinâmica das leis do mercado, o antigo modelo de gestão foi ficando obsoleto e não mais se adéqua ao momento atual, no qual se irradia um complexo fenômeno denominado de globalização. Aliás, sobre a globalização, acentuada na segunda metade do século XX, muito já se discutiu, para se chegar a compreensão desse fenômeno com segurança, bem como para o 25 enfrentamento do elevado nível de competitividade do mercado global. Dessa discussão, advém o pressuposto do desenvolvimento de uma nova cultura e um novo comportamento de mercado. Desse modo, o empreendedor atento às exigências desse novo momento histórico, deve apresentar-se como um indivíduo que se destaca como: [...] um líder com competências especiais para: tratar a complexidade das atividades cotidianas, advindas da necessidade de atender a altos níveis de qualidade e de satisfação da sociedade; canalizar as atividades em direção ao sucesso estratégico da empresa, aceitar e promover, dentro do enfoque de responsabilidade social, a ética e os princípios morais e ecológicos para todos os membros da empresa, como um fator de competitividade e sucesso, (SOUZA, 2005, p. 8). Dessa maneira, refletindo sobre esse novo perfil do empreendedor, infere-se, então. A ocorrência de profundas mudanças no âmbito da empresa ou da organização empresarial que não só incidem em estratégias de lucro para a empresa em detrimento de questões relacionadas a outras empresas, à vida e ao ser humano. Isto, porque, não se concebe mais que indivíduos responsáveis pelo funcionamento empresarial não reconheçam o meio onde a empresa está inserida, com o qual interage direta ou indiretamente, desde a criação. Assim, obedecendo a essa linha de pensamento, não é demais afirmar que diante do atual contexto, é imprescindível que o empreendedor assuma o papel de “líder estratégico integrador das políticas humanísticas à gestão estratégica, envolvendo o comprometimento dos indivíduos com a organização”, conforme Souza (2005, p. 8). Além do que, sob a influência da globalização, os clientes ou usuários de produtos ou serviços passaram a exigir não só diretamente a qualidade dos produtos ou serviços de que fazem uso, mas também a exigir que as empresas atuem na sociedade obedecendo a certos princípios relacionados à conservação ambiental e à responsabilidade social. O que implica dizer que para uma empresa ser bem sucedida, precisa também passar pelo crivo daqueles que se preocupam com o meio e com os outros, e, não só consigo. 2.1.3 Empreendedorismo econômico Estudos sobre o empreendedorismo ganham força a partir dos anos 90, conforme Souza (2005) e se expandem pelas mais diversas áreas, envolvendo, além da área econômica, de fundamental importância para o mundo empresarial, aspectos diversos das áreas – social política e comportamental. Entretanto, apesar dos inúmeros estudos de pesquisa, a forma de consecução dos mesmos deixa muito a desejar, pois falta articulação com os estudos anteriores e mesmo, por apresentar descontinuidade no desenvolvimento da temática, sem que 26 acrescente muito ao que já fora discutido antes, exceto por alguns estudos, como por exemplo, o de Schumpeter (1997) e McClelland (1972), apud Souza (2005). Os estudos de Schumpeter (1997), segundo Souza (2005), estão especialmente relacionados ao campo econômico, e, defendem que a essência do empreendedorismo está na percepção e exploração das novas oportunidades que se pode ter na gestão de uma empresa ou organização empresarial, fato que chamou a atenção dos economistas para a figura dos empreendedores e o seu papel nas empresas. Entretanto, vale ressaltar que na abordagem desse cientista, fica evidente que a ação dos empreendedores impulsiona cada vez mais o processo do capitalismo, fazendo surgir inovações no processo de produção e gestão das empresas. Assim, não é demais afirmar que: [...] o produto, a produção, a comercialização/distribuição, o mercado, os componentes/suprimentos e o processo da gestão organizacional são os espaços de atuação do empreendedor; espaços esses voltados para a inovação na medida em que esse autor entende o termo produto com a descoberta de um novo bem ou uma nova qualidade; produção como uma introdução de um novo método capaz de revolucionar o processo produtivo; distribuição como algo capaz de promover maior aproximação dos consumidores em relação aos produtos (SCHUMPETER, 1997, apud SOUZA, 2005, p. 9). Explicita ainda Schumpeter (1997), em conformidade com Souza (2005) que o processo de gestão volta-se para as inovações criadas pelo empreendedor, quando estas asseguram a manutenção e o crescimento da empresa. Além do que, curiosamente, o empreendedor somente é empreendedor enquanto cria inovações. Infere-se, pois, dessa propriedade essencial ao empreendedor que este precisa estar sempre antenado às novas tendências do mercado para aproveitar as oportunidades de inovar produtos e serviços na empresa, a fim de que não perca o seu papel. É tanto que se pode afirmar o seguinte: O empreendedor tem a missão de criar novos fluxos de produção, desenvolver vínculos e transações que tenham com resultado a constituição de um novo empreendimento. Assim, no enfoque econômico, empreender é inovar, é a capacidade de implementar novas possibilidades de desenvolvimento econômico, (SCHUMPETER, 1997, apud Souza, 2005, p. 10). Sob o enfoque comportamental, a referida autora destaca McClelland (1972), como a maior autoridade no assunto. Neste sentido, faz ver que essa estudiosa procura mostrar que a manifestação do espírito empreendedor tem a ver com a necessidade que o indivíduo tem de superar a si mesmo e de se distinguir, que envolve características psicológicas e comportamentais, entre outras que se manifestam no prazer de correr riscos, ter iniciativa e 27 desejo de reconhecimento. Além do que, acrescenta que McClelland (1972) defende que o progresso econômico e a existência de uma cultura da “necessidade generalizada de realização” expressa em última análise, o desejo do indivíduo de fazer algo a fim de conquistar o poder, ou o amor, ou mesmo de obter reconhecimento por aquilo que faz. Assim, adota um programa de treinamento para empresários, com a finalidade de fazer com que esses indivíduos desenvolvam uma propriedade característica importante para a sua tarefa diária, que é a motivação para o êxito. Além do que, Souza (2005), em sua abordagem registra uma importante descoberta de McClelland (1972). Segundo essa descoberta, os empresários bem sucedidos trazem consigo um elemento psicológico crítico, designado por motivação para a realização ou impulso de melhorar, que se caracteriza por uma busca no aperfeiçoamento dos seus negócios, sob os mais diversos aspectos. Vale ressaltar ainda, entre os trabalhos utilizados sobre o empreendedorismo nos anos 90, a pesquisa realizada por Mangement Systems International (1999), através da qual foi possível chegar à identificação de diversas competências relativas à atividade empreendedora bem sucedida. Para tanto, a pesquisa teve como campo de observação três localidades distintas – Índia, Malawi e Equador, onde foram detectadas dez características do comportamento empreendedor, sobre as quais se faz referência a seguir: [...] busca de oportunidade e iniciativa, persistência, disposição para correr riscos calculados, exigência de qualidade e eficiência, comprometimento, busca de informações, estabelecimento de metas, planejamento, persuasão e rede de contatos, independência e autoconfiança, (MANGEMENT SYSTEMS INTERNATIONAL,1999, apud SOUZA, 2005, p. 11). Mas, os estudos sobre empreendedorismo desse período não se esgotam na abordagem e discussão dos autores e trabalhos já referendados. Isto, porque, pela abrangência desse fenômeno, que é extensivo a todas as áreas de atividade humana, a todo momento, surgem novas discussões que servem de complemento para outros estudos ou mesmo para o surgimento de novas concepções sobre o empreendedorismo. Neste sentido, é interessante destacar o estudo desenvolvido por Cunningham e Lischeron (1991), que segundo registra Souza (2005), está organizado em seis escolas distintas, que podem ser assim enunciadas e caracterizadas: 1) a “escola do grande homem” – segundo a qual, o empreendedorismo é algo que faz parte da própria natureza humana, e que acompanha o homem desde o seu nascimento; 2) escola das características psicológicas – segundo a qual os empreendedores são dotados de valores, atitudes e necessidades peculiares que os motivam e levam a vislumbrar e aproveitar as oportunidades que surgem para 28 implementar os seus projetos; 3) escola clássica – que traduz o pensamento de Schumpeter (1997), que define a inovação como característica central do empreendedor; 4) escola de gestão – que tem por característica o empreendedor econômico, ou seja, quando o empreendedor é o próprio empresário; 5) escola da liderança – que define o empreendedor como uma liderança capaz de influenciar os comandados a se adaptarem ao seu estilo; 6) escola intra-empreendedorismo – onde as habilidades empreendedoras e as inovações envolvem todo o ambiente organizacional da empresa. E, em meio a todo esse estudo sobre o empreendedorismo, é possível inferir que a tendência atual com foco na questão comportamental, as características do empreendedor têm a ver com a influência do contexto histórico no qual o indivíduo se desenvolve, observa e experimenta, integrando, depois, toda a experiência vivenciada ao seu modo de ser. Sob esse prisma, os estudos de Filion (1997), no entender de Souza (2005), trazem novos esclarecimentos sobre o empreendedorismo, no qual ele identifica uma série de características comuns aos empreendedores, como se pode perceber no texto a seguir, como: [...] inovação, liderança, criatividade, flexibilidade, necessidade de reconhecimento, autonomia, autoconhecimento, auto-estima, iniciativa e disposição de correr riscos moderados. [...] possui experiência administrativa, capacidade de diferenciar-se da concorrência, intuição, tenacidade, tolera incertezas, usa bem os recursos disponíveis, é imaginativo, orienta-se para resultados, estabelece e cumpre metas e faz uso de redes de contatos, (FILION, 1997, apud SOUZA, 2005). Além do que, infere-se da citação anterior que as características marcantes que envolvem os indivíduos de espírito empreendedor têm a ver com as experiências vivenciadas na infância e juventude com pelo menos um empreendedor, passando a desenvolver valores, atitudes e ações que servem de base para a sua atuação profissional no mundo dos negócios. Enfim, verifica-se que apesar dos estudos fragmentados sobre o empreendedorismo dos anos 90, os estudiosos parecem, de forma geral, concordar sobre dois aspectos, que é a busca de oportunidades e a aplicação estratégica de inovações em produtos e serviços, gerando, nesse processo, lucros diretos ou indiretos para uma empresa ou para uma organização empresarial. 2.2 Empreendedorismo Social O empreendedorismo mesmo sendo um termo relativamente novo, sempre esteve presente no espírito das pessoas, tornando-se um meio de gerar desenvolvimento e 29 crescimento econômico para a sociedade. No entanto, dar visibilidade apenas ao crescimento econômico implica em agressão ao meio ambiente e a desumanização do ser humano. Assim, quase que paralelamente ao crescimento econômico, característica primordial do capitalismo, também havia a preocupação da influência dos impactos desse modelo de desenvolvimento sobre o meio ambiente como um todo. Ou seja, com relação aos danos em relação aos componentes físicos, bem como a sua interferência sobre os componentes bióticos – animas e vegetais, inclusive o homem, pela interdependência que há entre todos os componentes do meio, para que as condições de vida não fossem alteradas no planeta. Entretanto, apesar da preocupação de muitos sobre a necessidade de cuidados e proteção ao meio ambiente, frente ao modelo de desenvolvimento que se processou por muito tempo e que ainda não está de todo superado, baseado tão somente no crescimento econômico, tendo por principal característica o crescimento do capital em detrimento do respeito ao meio ambiente e aos seres humanos. Desse modo, foi longo o percurso para que se pudessem consolidar ações sociais e ambientais, também chamadas de ecológicas no âmbito do desenvolvimento econômico, pois, foi preciso implementar um novo modelo de desenvolvimento que não pusesse em risco a vida, no planeta, atingindo assim, todos os homens indistintamente – capitalistas e homens comuns. Estes últimos constituem a classe trabalhadora, que em sua maioria povoa o planeta, servindo aos patrões conforme as regras do sistema vigente, sempre injustiçadas ao longo do tempo. 2.2.1 Responsabilidade social O empreendedor social surgiu através do empreendedorismo privado, mas com uma diferença essencial, as ideias não objetivam apenas os lucros para a empresa, e sim benefícios para a comunidade e meio ambiente. Ou seja, é o indivíduo que busca atingir objetivos sociais ao invés de materiais. Tais empreendedores são altamente visionários e buscam causar impacto social com suas ideias inovadoras. São pessoas comuns, com certo tipo de liderança que encontram soluções práticas para os problemas e não perdem de vista sua missão. A expressão Responsabilidade Social surge dentro do contexto empresarial, refletindo um modelo ideal de desenvolvimento político, econômico, social e ambiental a ser construído. Neste sentido, é preciso desenvolver um novo modo de organização e funcionamento das empresas, o suporte básico do setor produtivo e de serviços de forma a respeitarem o homem e o ambiente. Pois, urge a necessidade de ultrapassar o velho modelo de crescimento econômico para o modelo de desenvolvimento fundamentado nos princípios de 30 sustentabilidade e de responsabilidade social, fazendo valer as questões sociais e ambientais como fatores determinantes das novas formas de produção e relações do mercado. Em suma, faz-se necessário mudar o modelo de desenvolvimento, pois há muito persiste o aumento quantitativo da produção, sem que haja qualquer alteração na estrutura econômica, o que implica dizer que a qualidade de vida da população segue a mesma orientação – uns são beneficiados em detrimento de outros, de forma injusta e desrespeitosa. Logo, faz-se necessário que o crescimento econômico dê lugar ao modelo de desenvolvimento socioeconômico que promove uma melhor qualidade de vida à população, estendendo os seus benefícios às questões ambientais. Sobre esse modelo vale atentar no que diz o seguinte texto: O desenvolvimento econômico [...] compreende o aumento significativo e persistente do PIB e da renda per capita, decorrentes de alterações expressivas na estrutura produtiva, por meio de avanços tecnológicos relevantes [...] Do ponto de vista social, o desenvolvimento econômico implica alteração na estrutura de rendas, com a diminuição da desigualdade social. O conjunto de alterações estruturais que acompanha o processo conforme o caráter qualitativo e não apenas quantitativo do desenvolvimento. Quando se verifica o aprofundamento do alcance social mais geral como consequência do processo econômico e também da atuação das políticas sociais, chega-se ao conceito de desenvolvimento socioeconômico (MONTIBELLER F., 2007, p. 2). Nas palavras de Montibeller F. (2007) fica evidente a distinção entre os modelos de desenvolvimento em discussão, destacando o caráter social que compõe o modelo de desenvolvimento socioeconômico e que será tão mais significativo quanto maior for o seu aprofundamento no tocante às questões sociais. Além do que, é interessante ressaltar que a somatória do caráter social desse modelo ao princípio da sustentabilidade, que imprime nesse novo paradigma, o caráter ou qualidade inalienável de ser sustentável ao modelo em construção no atual contexto histórico. Assim, falar em desenvolvimento sustentável, segundo Montibeller F. (2007, p. 2), “pressupõe a melhoria das condições sociais e econômicas sem que haja o comprometimento das condições ambientais”. Desse modo, fica explícito que a preocupação fundamental definida pelo paradigma da sustentabilidade é salvaguardar a vida de todos os indivíduos situados no espaço geográfico, não importando a sua localização, obedecendo ao que se chama de ordem sincrônica. E, há também outra preocupação que ultrapassa os limites do momento e das gerações presentes, a qual é designada por dimensão diacrônica, que tem como característica principal, o seguinte: [...] a transmissão para as futuras gerações de condições ambientais que lhes possibilitem a obtenção de qualidade de vida. A perspectiva de sustentabilidade é de longo prazo, pois, trata-se de um novo paradigma técnico-científico e político em sua versão mais rigorosa (MONTIBELLER F., 2007, p. 2). 31 Acompanhando a linha de pensamento, pode-se inferir que pouco a pouco o processo produtivo que norteia o desenvolvimento econômico, está mudando, e, nessa mudança, passa por três momentos distintos: desenvolvimento econômico, desenvolvimento socioeconômico e desenvolvimento sustentável. O primeiro momento corresponde exclusivamente à visão tradicional do desenvolvimento, que parte da descoberta do excedente e orienta as organizações político-econômicas desenvolvidas pelo homem para ampliar cada vez mais a produção e os lucros que se podem extrair dessas atividades; sobre o desenvolvimento econômico, seguindo a ordem normal de evolução do processo produtivo e de suas relações, pode-se afirmar que se trata de uma fase de marcantes avanços econômicos e sociais. Entretanto, esse processo não se dá rapidamente. Ele leva um tempo até chegar às transformações de caráter social. Pois, primeiro ocorrem as alterações que visam a aperfeiçoar os mecanismos que aumentam a produtividade e imprimem às empresas maior competitividade no mercado, para depois virem as questões sociais. E, quando a preocupação com o social caminha lado a lado com as questões de produção e produtividade da empresa, tem-se então o que se chama de desenvolvimento socioeconômico. Nesse caso, os aspectos quantitativos entram em cena juntamente com os aspectos qualitativos, fato que se caracteriza, segundo Montibeller (2007, p. 2) pelo “aprofundamento do alcance social mais geral como consequência do processo econômico e também da atuação das políticas sociais [...]”. A expressão Responsabilidade Social, apesar de muito difundida, é ainda muito jovem, o que implica dizer que exige um pouco mais de debate a fim de que os seus pontos possam esclarecidos e assimilados, e, a sua aplicabilidade pelas empresas possa ganhar uma maior densidade. A título de esclarecimento, é interessante fazer a distinção ente dois conceitos básicosque dizem respeito à aplicabilidade de ações referentes à responsabilidade social, que é o seguinte: um conceito define as atitudes corporativas internas, que se referem à forma como a corporação realiza as operações diárias de suas principais funções; outro contempla as atitudes corporativas externas, referentes à participação da corporação fora de seus interesses empresariais diretos, Jones (1997), conforme registra Amorim (2009, p. 134). Em relação às ações que podem ser adotadas pela empresa que dizem respeito aos princípios de responsabilidade social, é possível identificar nas empresas o estabelecimento de programas específicos, a exemplo dos seguintes mecanismos: “programas de Relações com os empregados, Proteção Ambiental, Defesa do Consumidor, Desenvolvimento e Renovação Urbana, Cultura e Recreação, entre outros”, Amorim (2009, p. 134). No entanto, apesar de existirem empresas no mundo inteiro, inclusive no Brasil a adotarem programas especiais no tocante à questão social, o número delas ainda é irrisório, o 32 que implica dizer que há muito ainda por fazer para que a questão social seja de fato concretamente consolidada no mundo empresarial. Para compreender o significado da responsabilidade social é preciso atentar para a essência de sua natureza. A esse respeito é interessante chamar a atenção para a seguinte afirmação: “a empresa deve reconhecer que sua responsabilidade para com a sociedade e para com o público em geral vai muito além de suas responsabilidades com seus clientes” (LONGENECKER, 1981, apud DONAIRE, 1999, p. 20). Donaire (1999) explicita ainda que a expressão responsabilidade social encerra em si mesma o sentimento de obrigação para com a sociedade, de modo a assumir “diversas formas, entre as quais se incluem proteção ambiental, projetos filantrópicos e educacionais, planejamento da comunidade, equidade nas oportunidades de emprego, serviços social em geral, de conformidade com o interesse público” (Ibid., p. 20). Aliás, apesar das formas apresentadas por Donaire (1999), alguns estudiosos consideram os projetos filantrópicos e educacionais como os principais elementos característicos do conjunto de programas de responsabilidade social a serem adotados pelas empresas. Para tanto, uma das exigências é que a sua aplicação seja realizada de forma regular, obedecendo um projeto previamente elaborado. Entretanto, apesar da morosidade inicial, a responsabilidade social, com base no empreendedorismo social vem ganhando novos significados ao longo dos anos, em resposta às mudanças ocorridas nos valores da sociedade. E, no contexto dessas mudanças, vale ressaltar que cabe à responsabilidade social atuar no sentido de resolver ou pelo menos minimizar problemas sociais que as organizações empresariais direta ou indiretamente contribuíram para que eles se manifestassem nessa mesma sociedade. O fato é que, em todo o mundo, inclusive no Brasil, a questão da responsabilidade social vem se transformando num referencial no mundo dos negócios. Além do que, segundo a Fundação para o Prêmio Nacional da Qualidade (2001), apud Tachizawa (2005), as organizações socialmente responsáveis podem, de acordo com sua postura, organização e efetivação de ações de cidadania, se situar em um dos cinco estágios característicos como se pode perceber na descrição a seguir: Estágio 1: [...] não assume responsabilidade perante a sociedade e não tem ações em relação ao exercício da cidadania. Não há promoção do comportamento ético. Estágio 2: [...] reconhece os impactos causados por seus produtos e instalações, apresentando algumas ações isoladas, no sentido de minimizá-los [...] busca promover o comportamento ético. 33 Estágio 3: [...] está iniciando a sistematização de um processo de avaliação dos impactos [...] e exerce alguma liderança em questões de interesse da comunidade. Existe envolvimento das pessoas em esforços de desenvolvimento social. ............................................................................................................................... (Tachizawa, 2005, p. 85) Percebe-se, na descrição desses estágios sobre o comportamento social das empresas que há uma íntima relação entre as questões ambientais e sociais. Assim, pode-se inferir que as ações pela preservação da natureza, indiretamente trazem benefícios para todos e interferem nas chamadas relações sociais mais gerais. 2.3 Desenvolvimento Sustentável Desenvolvimento sustentável é o foco que permeia as debates no mundo inteiro, realizados por profissionais das mais diferentes áreas, destacando-se entre eles: políticos, cientistas e ecologistas, especialmente a partir 1987, quando se deu a publicação do Relatório de Brundtlant3, com a designação de „Nosso futuro comum‟, que tratava sobre os últimos estudos relativos ao meio ambiente. Os resultados dos referidos estudos chamam a atenção para questão da pobreza nos países como um atestado de insustentabilidade do modelo de desenvolvimento econômico praticado até então. 2.3.1 A resposta à crise ambiental Após muitas tragédias em função da poluição e degradação no meio ambiente, geradas pelo capitalismo, finalmente, através das diversas formas de luta empreendidas pelo movimento ecológico no mundo, surge o desenvolvimento sustentável ou sustentabilidade, um modelo de desenvolvimento que vem como resposta à crise ambiental sem precedentes que se instalou ao longo do tempo, especialmente a partir da Revolução Científica. O novo modelo de desenvolvimento, designado como desenvolvimento sustentável se traduz como um conjunto de mudanças nos métodos de análise científica, na cultura e desenvolvimento dos povos, com a finalidade de superar velhos princípios voltados à dominação e à transformação da natureza, alimentados pela crença de que a ciência tudo podia. Assim, chegou-e a uma crise ambiental sem precedentes pondo em risco a vida no 3 Gro Harlem Brundtlant, 1ª ministra da Noruega, autora do Relatório da Comissão Mundial sobre Ambiente e Desenvolvimento (WCED), publicado em 1987 com o título „Nosso futuro comum‟, conforme Wikipedia (2010) e Estigara, Pereira e Lewis (2009). 34 Planeta. Sobre as razões pelas quais se chegou a essa crise, que exige a superação do velho modelo de desenvolvimento vale atentar para o que diz o seguinte o texto: [...] os cientistas tudo compartimentaram e isolaram [...] Assim começaram a estudar só as rochas, ou só as florestas, ou só os animais, ou só os seres humanos. E nos seres humanos, só os olhos, só o coração, só os ossos, etc. Desse estudo, nasceram os vários saberes particulares e as várias especialidades. Ganhou-se em detalhe, mas perdeu-se a totalidade. (BOFF, apud SILVA et al, 2004, p. 30). Surgem, a partir da Revolução científica, vários paradigmas que passam a orientar as interrelações do homem e as relações com o meio. O primeiro deles, o cartesiano, proposto por Renée Descartes (1596-1650), defende a razão humana como elemento fundamental para a construção do conhecimento, independente da intervenção dos sentidos. É desse pensamento que advém o tratamento mecanicista imposto à natureza, reduzida à condição de objeto, a serviço da exploração e da razão humana, Japiassu (1992). E, ratificando o exposto, o texto a seguir é bastante esclarecedor, quando diz: [...] uma racionalidade instrumental, onde se utiliza os meios sem quaisquer critérios para se atingir os fins, conduzindo a um desrespeito e uso indevido dos recursos naturais e dos ecossistemas, assim como o desenvolvimento de tecnologias poluidoras (ANDRADE, s/d, apud MMA, 2001, p. 77). Segue-se o paradigma empirista entre os séculos XVII e XIX, de Francis Bacon, que se contrapõe ao modelo de Descartes, produzindo forte influência no pensamento ambiental, prevalecendo o valor individual sobre o social, ao mesmo tempo em que a ciência passa a funcionar como instrumento de dominação e controle da natureza. Assim, vale afirmar que: (...) os efeitos negativos das ações humanas na natureza, produzidos por grupos de pessoas com interesses econômicos e de exploração específicos, não são analisados do ponto de vista do que causam à sociedade em geral: só interessa os benefícios obtidos que, em última análise vão redundar em maiores ganhos econômicos para esses grupos específicos (ANDRADE, s.d., apud MMA, 2001, p. 80). E, não para por aí a sequência de paradigmas a orientar a atividade humana. Segue-se o paradigma criticista de Imannuel Kant (1724-1804) que se manifesta sob a influência da Revolução Industrial, estabelecendo a ligação entre ciência e tecnologia, aprofundando ainda mais a degradação da natureza. É um período caracterizado por muitas transformações culturais, inspiradas no Iluminismo. Nesse momento, têm início as críticas aos diversos modelos filosófico-científicos, inclusive, sobre a relação desses paradigmas com a crise ambiental, anunciando-se a busca de soluções para os problemas que já afetavam a natureza. 35 E, finalmente, o paradigma positivista, que sucede o criticismo Kantiano, em pleno século XIX, caracterizado por uma exaltação exacerbada à ciência e ao método científico, gerando o „mito do cientificismo‟, que concebe ser o único conhecimento possível e perfeito o que provém da ciência, Aranha & Martins (1993). Nesse momento, a grande preocupação era promover o progresso da classe empresarial em detrimento da classe trabalhadora, sem a mínima preocupação com as questões sociais e/ou ambientais. Era a técnica e a ciência a serviço do homem, em uma grande contradição – o homem dispunha de conhecimentos suficientes para prever e evitar os problemas que se abateriam sobre a natureza. No entanto, prosseguiu em seus projetos, mesmo enfrentando as críticas do movimento ambientalista, especialmente diante das catástrofes ambientais. A primeira delas aconteceu em Londres em 1952, quando morreram 1600 pessoas em decorrência da elevada poluição ambiental. Mas, nada disso interferia no modelo de pensamento dominante, fazendo com que os seus efeitos nocivos continuassem a atingir a natureza e o próprio homem, aprofundando os problemas sociais. É nesse clima, em meio a reivindicações do movimento ambientalista que é proclamada em 1948, a Declaração dos Direitos do Homem, que define em seu Art. 25 que: “toda pessoa tem direito a um padrão de vida capaz de assegurar a si e a sua família a saúde e o bem-estar, inclusive alimentação, vestuário, habitação, cuidados médicos e os serviços sociais indispensáveis” (ANDRADE, s.d., apud MMA, 2001, p. 28). E, desse momento em diante, a consciência ambiental vai ganhando espaço e bem ou mal, a sociedade começa a perceber a situação crítica em que se encontra a natureza. Afinal, eclodiam a todo instante, à semelhança de um verdadeiro campo de guerra, os mais diversos movimentos que lutavam pelo controle de fatores e práticas que levassem à extinção das espécies, ao controle da corrida armamentista, às medidas de redução da poluição dos diversos componentes do meio, às políticas que aprofundam as desigualdades, entre outros. E, todos esses movimentos foram muito importantes na divulgação dos problemas ambientais, e, inspiradores de muitas discussões e reflexões, conscientizando os indivíduos de que esses problemas dizem respeito a todos, sem exceção. Percebe-se, a partir de então, a necessidade da criação de medidas de preservação da natureza, e mesmo, de recuperação do que for possível para que todos tenham o direito a uma melhor qualidade de vida. E, pois, em consequência desse processo de degradação da natureza que é então elaborado o relatório de Brundtlant, já referido que enuncia o conceito de Desenvolvimento Sustentável, que pode ser assim expresso: “o desenvolvimento que satisfaz as necessidades 36 presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”, conforme Estigara, Pereira e Lewis (2009. p. 18) A partir desse momento começa a se desenvolver uma nova consciência social que se coloca como um eixo de orientação e normatização para um novo comportamento do homem no planeta, exigindo mudanças em suas relações sociais, políticas, econômicas, culturais e ambientais. O que, necessariamente exige um novo modo de pensar, um novo modo de ser, com responsabilidade e ética social para a construção pacífica de um novo momento histórico. Neste sentido, é urgentemente necessário que o homem, consciente de seu papel, desenvolva: [...] uma consciência ambiental ética [que se] mostra como única alternativa para viabilizar a vida num planeta sujeito a tantas degradações. Uma ética ambiental que inverta a pretensiosa concepção de que a natureza é apenas um meio e os objetivos do homem o único fim. Mostra-se urgente a revitalização de valores éticos [...] com incidência também sobre a natureza (DAMÁSIO e SAMPAIO, 2003, p. 71). Refletindo sobre as palavras de Damásio e Sampaio (2003), fica evidente que as novas relações humanas devem se refletir como uma verdadeira revolução, a fim de que seja estabelecida uma nova ordem que assegure as gerações presentes o máximo de bem-estar possível pela resolução de questões sócio-político-ambientais do presente, e, que, fique de herança às futuras gerações apenas a responsabilidade de dar continuidade às mudanças e de conservá-las, sem ter que pagar pelos desmandos e erros daqueles que os antecederam. Desse modo, faz-se necessário reformular as relações do homem no planeta e com o planeta, adotando procedimentos que favoreçam as interrelações humanas, a uma produção de qualidade com a redução dos diversos tipos de resíduos, e reutilização de materiais e produtos para outras finalidades. Pois, somente será possível atenuar gradualmente as causas de problemas estruturais para a vida no Planeta viabilizando novas formas de conviver e agir no mundo, obedecendo ao princípio da sustentabilidade, que deve orientar a construção de um novo modelo de desenvolvimento, o chamado desenvolvimento sustentável, que garanta uma melhor qualidade de vida para todos. E, isto é relevante e necessário, por que: A sustentabilidade tornou-se não só um tema gerador preponderante neste início de milênio para pensar o planeta, mas também um tema portador de um projeto social global e capaz de reeducar nosso olhar e todos os nossos sentidos, capaz de reacender a esperança em um futuro possível, com dignidade, para todos. (GADOTTI, 2002, p. 11). Assim, para que essa nova consciência política, social e ética ganhasse força e se difundisse em todo o mundo civilizado, a fala de Brundtlant foi reforçada e internacionalizada 37 na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), a Eco-92, que se realizou na cidade do Rio de Janeiro, sobre o qual é válido registrar que: Este evento teve o condão de tornar global o consenso em torno da necessidade de se proteger e defender o meio ambiente, para as presentes e as futuras gerações, e de reforçar a indivisibilidade, unidade, universalidade e complementaridade dos direitos humanos, em razão de que o esforço da humanidade deve voltar-se à concretização de todos os direitos humanos, não apenas os ambientais, mas também os civis e políticos, e os econômicos, sociais e culturais (ESTIGARA; PEREIRA; e LEWIS, 2009, P.19). Além do que, esses mesmos autores trazem em sua abordagem o maior esclarecimento possível sobre o significado de Desenvolvimento Sustentável, evidenciando que esse modelo de desenvolvimento “extrapola o mero crescimento, tendo por objetivo a realização da pessoa em sua integralidade, de modo a propugnar o aperfeiçoamento de condições sociais, econômicas, culturais, ambientais, civis e políticos”, Estigara, Pereira e Lewis (2009, p. 19). Eles explicitam ainda que em sua essência, a Eco-92 procurava harmonizar o desenvolvimento econômico com a preservação do meio ambiente e valorização das pessoas, independente de classe social. Neste sentido, faz parte da defesa ECO-92: [...] a diminuição da degradação do meio ambiente para as próximas gerações, de forma a se promover um desenvolvimento sustentável mais apropriado para a preservação da biodiversidade, evidenciando-se, com isso, que o crescimento econômico refere-se ao crescimento da produção e da renda, enquanto o desenvolvimento refere-se à elevação do nível de vida da população, tornando-se patente a distinção entre crescimento e desenvolvimento, a partir do momento em que aquele tem natureza quantitativa e este qualitativa (ESTIGARA; PEREIRA; e LEWIS, 2009, P.19). Resulta, pois, desse confronto de idéias, a definição de um novo conceito de desenvolvimento que objetiva, reduzir as influências destrutivas do meio ambiente e a dívida social, gerada pelo crescimento econômico irracional, em detrimento das pessoas, determinando, em consequência, um crescente processo de inclusão social. O que implica dizer que não pode haver desenvolvimento sustentável, se persistir a miséria e a pobreza de muitos no planeta. Desse modo, é preciso ter em mente que “O modo pelo qual vamos produzir nossa existência neste pequeno planeta decidirá sobre a sua vida e a sua morte [...] A Terra deixou de ser um fenômeno puramente geográfico para se tornar um fenômeno histórico” Gadotti, (2002, p. 11). Faz-se então necessário vencer os desafios propostos pela nova concepção de desenvolvimento mundial, aos quais se integram, por exemplo, o seguinte: 38 Um dos maiores desafios que o mundo enfrenta neste novo milênio é fazer com que as forças de mercado protejam e melhorem a qualidade do ambiente, com a ajuda de padrões baseados no desempenho e uso criterioso de instrumentos econômicos, num quadro harmonioso de regulamentação, (TACHIZAWA, 2010, p. 5) É, pois, nessa linha de pensamento que devem se inspirar todos os empreendimentos do homem, à luz do empreendedorismo, sem se descuidar da ética e da responsabilidade social que devem orientar as relações de mercado e as interrelações humanas de uma forma geral, inclusive, com a mãe natureza, objetivando uma melhor qualidade de vida para todos. Podemos associar empresas com práticas sustentáveis como empresas responsáveis. As empresas não estão livres de impactos negativos, a sustentabilidade de qualquer atividade em qualquer setor é de mera importância para o meio ambiental e social, a preocupação sobre as mudanças climáticas globais, degradação dos recursos naturais e históricos, aumento dos níveis de poluição está associados com a má administração dos recursos usados pelas organizações e isso levou o mundo a observar com maior atenção à questão do desenvolvimento sustentável. Questões voltadas a práticas de sustentabilidade farão cada vez mais parte da vida das pessoas e influenciarão nas estratégias empresariais. Podemos sim desfrutar do ambiente, mas de forma consciente e responsável sem desperdício e degradação ambiental. 39 3 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA 3.1 Dados e Informações Fundação: 1988 Razão Social: Lavanderia Mamute Ltda Endereço: Rua Capitão João dos Santos, 200 – Bairro Duque de Caxias – Toritama – PE. Cep: 55125-000 Telefone: 55-81-3741-1212 CNPJ: 04.223.276/0001-90 E-mail: [email protected] Home-page: www.lavanderiamamute.com.br Inscrição Estadual: Isenta Segmento de Operação: 93.01-7-01 Lavanderia e Tinturaria Outras Informações Empresariais: Nº. de Funcionários: 110 Nº. de Clientes: 35 Produção Mensal: 137.000 3.1.1 Logomarca 3.2 Histórico Empresarial4 A Lavanderia Mamute é uma empresa estabelecida na cidade de Toritama- PE para incrementar os serviços de uma Fábrica de Confecções, uma empresa classificada como Micro, por razões explicitadas a seguir, graças ao espírito empreendedor de um grupo familiar dessa localidade, que se organizou e partiu para concretizar a ideia de inserção no mercado. Em primeiro plano, foi criada em 15/11/1982, a micro fábrica de confecções. Uma empresa familiar no sentido literal da palavra. Nossos pais eu e meu irmão éramos os únicos funcionários, e a mesa onde nós fazíamos as nossas refeições foi a nossa primeira mesa de corte, o que para isso foi preciso fazer algumas adaptações tal como colocar tijolos embaixo da mesa, pois a mesma era muito baixa para cortar o tecido. 4 Informações extraídas do texto original fornecido pela empresa Lavanderia Mamute Ltda., com algumas adaptações. 40 A fábrica era uma oficina de corte e costura improvisada na residência da família, os primeiros passos para transformar a ideia em realidade. Uma realidade que tem dado bons resultados financeiros, além da importância pela linha de gestão ecológica que vem implementando, servindo de modelo na região. Era época de eleições e os fogos de artifícios estouravam do lado de fora em comemoração aos então candidatos a prefeito da cidade. Nós, no entanto, estávamos eufóricos com as primeiras peças cortadas na nossa pequena confecção. Tudo até então era bastante simples e intuitivo. As peças eram costuradas de forma artesanal em máquinas domésticas pelas pessoas de nossa família e eram vendidas na cidade de Santa Cruz do Capibaribe. Naquela época não havia lavanderia e as peças eram vendidas “in natura”, sem efeitos de lavagem. À medida que o tempo foi passava, a empresa foi assumindo cada vez mais o seu papel, passando a investir em capacitação e tecnologias de produção, a fim de aperfeiçoar cada vez mais o produto oferecido à sua clientela. No ano de 1988 foi fundada a Lavanderia Mamute com a finalidade de lavar as peças que eram produzidas em nossa confecção. Começava então a se fortalecer o conceito de lavagem do jeans. Com o passar dos anos fomos percebendo a viabilidade da prestação de serviços a outras empresas, haja vista que as máquinas ficavam ociosas por um período de tempo e várias pessoas da cidade procuravam lavar as peças na nossa lavanderia. Em dezembro de 1999 a empresa investe em um sistema de tratamento e reciclagem de efluentes, realizado em parceria com o SINDIVESTE (Sindicato do vestuário de Pernambuco) e o BFZ () tornando-se a primeira lavanderia do estado de PE a implantar a reciclagem de efluentes no seu processo industrial. No primeiro semestre de 2004 a empresa toma a decisão de certificar pela ISO 9001 essa operação tendo em vista seu objetivo de excelência no atendimento aos seus clientes. 3.3 Sistema de Gestão de Qualidade da Lavanderia Mamute A gestão da Lavanderia Mamute é planejada mediante um Sistema de Gestão da Qualidade –SGQ em conformidade com a norma Internacional ISO 9001. O SGQ é estabelecido, documentado , implementado, mantido e continuamente melhorado. A coordenação e feita pelo comitê gestor da qualidade, conforme definida na seção Responsabilidades da Direção. O SGQ é organizado por um manual da qualidade, complementado por documentos gerenciais denominados como Procedimentos, e documentos operacionais designados como Instruções. Os documentos constituintes dos SGQ são relacionados em uma pasta, organizada e mantida atualizada pelo Setor de Documentação. 41 O nível de detalhamento dos documentos leva em conta a prática de manter todo o pessoal com grau de treinamento que assegure a satisfação dos clientes dos próximos processos, internos ou externos. O Sistema de Gestão da Qualidade estabelecido é essencialmente dinâmico; pode e deve ser modificado sempre que necessário, principalmente a partir de propostas de quem executa as tarefas e dos seus clientes. Dos funcionários, mais que uma contribuição, as propostas de melhorias são consideradas uma obrigação de todos, independente de níveis hierárquicos, cargos ou funções exercidas. 3.3.1 Política da Qualidade Missão: “O compromisso da Lavanderia Mamute é garantir a satisfação das necessidades dos clientes, através do desenvolvimento e aplicação de tecnologias, processos e serviços, buscando melhoria contínua dos recursos humanos e padrões de qualidade”. Partes interessadas: Clientes: Pela maior percepção de valor no composto presteza, produto e preço superando suas expectativas de conveniência e de relacionamento Colaboradores: Pela superação de suas expectativas de clima organizacional, mix remuneratório e desenvolvimento profissional. Fornecedores: Pelos Benefícios recíprocos gerados através de transparência, continuidade e qualidade. Comunidade: Pela presença construtiva e respeitosa. Nossa Identidade: Somos uma organização de serviços e uma rede de pessoas a serviço da satisfação de outras pessoas: clientes, colaboradores, fornecedores e comunidade. 42 Nossa Visão: Seremos o benchmark do ramo de lavanderia através do equilíbrio gerado entre atendimento, preço e produto. 3.4 Projetos Ambientais em Desenvolvimento Um estudo está sendo realizado numa parceria entre a BFZ e a UFPE, Departamento de Engenharia Mecânica, com financiamento do convênio BFZ - SINAENCO-PE, coma finalidade de analisar o uso da energia na empresa, para poder reduzir o consumo de lenha que causa impactos negativos no meio ambiente. Estão sendo feitas medições por uma equipe conformada pelo Sr. Kurt-Michael Baudach, pelo estudante de mestrado José Junior Urbano e o estudante de pré-graduação Luiz Henrique Crispino Filho. Apoiam os professores Ana Rosa Mendes e Jorge Henríquez que realizaram algumas medições específicas. Houve dois períodos de medição: de 30/4/2007 até 5/5/2007 e de 23/5/2007 até 25/5/2007 (só os estudantes). Além de Aproveitamento do calor das águas residuais da lavagem e uso da energia solar Esta medida tem o maior potencial para reduzir a demanda de vapor e o consumo de lenha. Segundo as cifras disponíveis, o reaproveitamento do calor mediante trocadores de calor teoricamente poderia produzir uma economia de até 40% na energia consumida para a lavagem. Mas, a complexidade dos processos torna a separação das águas residuais num desafio técnico. Outra possibilidade é o uso da energia solar (coletores planos o de tubos ao vácuo) para pré-aquecer a água. È uma tecnologia cuja aplicação está em forte crescimento, nos países industriais, mas também em países como o Brasil. O custo de investimento ainda é relativamente alto, mas a tendência é decrescente. 3.4.1 O projeto socioambiental adotado e suas vantagens O foco principal da empresa MAMUTE é o desenvolvimento sustentável, no qual a intenção é fazer com que a iniciativa de suas atitudes, ações e experiência com soluções sustentáveis para a preservação do meio ambiente sirvam de exemplos para os mais diversos empresários, especialmente do mesmo ramo, o ramo de confecções da localidade. 43 Em função do pensamento da empresa e do sucesso de suas iniciativas, a Lavanderia Mamute investe em diferentes técnicas para reduzir o consumo de energia e de lenha ao longo do processo de produção. Outras providências incluíram substituição de parte do maquinário e adoção de produtos químicos que dispensam o uso de temperaturas para aplicação. Após essas inovações, a Mamute começou a monitorar o consumo de energia da lavanderia com a intenção de instalar painéis solares, que devem diminuir ainda mais o consumo de lenha nos trabalhos da empresa. 3.4.2 Interação da organização com a sociedade Atualmente o conceito de sustentabilidade passa a se destacar nas empresas, graças às iniciativas dos seus gestores procuram inovar e modernizar cada vez mais a gestão e o processo de produção. E, nessas iniciativas, a preocupação em utilizar materiais recicláveis, gestão de resíduos, uso adequado da água. Enfim, a utilização de métodos e procedimentos que causem o menor impacto ambiental possível. Esta tem sido a conduta vivenciada pela empresa em foco, procurando contribuir para a preservação do ambiente, uma responsabilidade que deve ser compartilhada por todos homens e empresas, bem como pelas questões sociais. Pois só assim, acreditam os seus representantes, é possível garantir as condições de vida no presente e para as gerações futuras, que não têm nenhuma responsabilidade com os erros do passado. 44 4 METODOLOGIA 4.1 Classificações da Pesquisa A opção por um caminho para buscar respostas às inquietações referentes ao empreendedorismo caracteriza-se por um processo de escolha teórico-metodológica, que é concebido no seu momento inicial, a partir do momento da escolha do objeto desse estudo. Segundo Marconi e Lakatos (2001, p.43) “Toda pesquisa implica o levantamento de dados de variadas fontes, quaisquer que sejam os métodos ou técnicas empregadas. Os dois processos pelos quais se podem obter os dados são a documentação direta e indireta” – grifo das autoras. Completando o pensamento das autoras acima, de acordo com Minayo (2008): [...] a metodologia inclui simultaneamente a teoria da abordagem (o método), os instrumentos de operacionalização do conhecimento (as técnicas) e a criatividade do pesquisador (sua experiência, sua capacidade pessoal e sua sensibilidade). [...] Na verdade a metodologia é muito mais que técnicas. Ela inclui as concepções teóricas da abordagem, articulando-se com a teoria, com a realidade empírica e com os pensamentos sobre a realidade (MINAYO, 2008, p. 14-15). A pesquisa enfatiza como práticas sustentáveis o retorno econômico e financeiro, além de proteger o ambiente, promove a responsabilidade social e ambiental, trazendo benefícios para a sociedade, tornando-se assim um diferencial no mercado. Nesse sentido, foi encontrado o significado para a fundamentação teórica, ou seja, o objeto de estudo - a empresa Mamute, ressaltando se as práticas sustentáveis adotadas têm aderência. 4.1.1 Quanto aos fins Quanto aos fins, a pesquisa utilizada para o desenvolvimento do trabalho é do tipo exploratória e descritiva. Exploratória, porque procura explorar um espaço desconhecido, no intuito de ampliar, esclarecer e até mesmo alterar os conceitos e ideias obtidas acerca de uma realidade pouco explorada. Isso se relaciona na colocação de Gil (2009), a qual diz que: Estas pesquisas têm como objetivo proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. Pode-se dizer que estas pesquisas têm como objetivo principal o aprimoramento de ideias ou descoberta de intuições. Seu planejamento é, portanto, bastante flexível, de modo que possibilite a consideração dos mais variados aspectos relativos ao fato estudado. (GIL, 2009, p.41). 45 É do tipo descritiva, pois, expõe características da organização estudada. Nesse sentido, Gil (2009) afirma que as pesquisas descritivas “[...] tem como objetivo primordial à descrição das características de determinada população ou fenômeno [...]”. Nessa direção a referida pesquisa se propõe a refletir e questionar o desenvolvimento sustentável na empresa, justificando como essas práticas sustentáveis trazem retorno financeiro e econômico para a mesma, ocasionando assim em dinâmica competitiva. 4.1.2 Quanto aos meios Sob este prisma, foi inicialmente realizada uma pesquisa de caráter bibliográfico, por meio da qual foram confrontadas diferentes concepções do fenômeno estudado, de acordo com a linha de pensamento dos autores referenciados ao longo do desenvolvimento dessa pesquisa. De acordo com Marconi e Lakatos (2001, p.43-44), “Trata-se de levantamento de toda a bibliografia já publicada, em forma de livros, revistas, publicações avulsas e imprensa escrita. Sua finalidade é colocar o pesquisador em contato direto com tudo aquilo que foi escrito sobre determinado assunto [...]”. O presente trabalho refere-se a um estudo de caso, pois se trata de uma concepção abrangente sobre a temática escolhida. É responsável pelo desenvolvimento do caso estudado levando em consideração o conhecimento científico. Conforme Gil (2008, p. 54) “O estudo de caso é uma modalidade de pesquisa amplamente utilizada nas ciências biomédicas e sociais. Consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento [...]”. Empreendimentos com práticas sustentáveis estão em expansão no mercado, consequentemente, a sustentabilidade está ganhando mais relevância na Região. E com uma visão empreendedora o proprietário da empresa estudada notou essa necessidade, e implementou projetos sustentáveis, resultando retorno tanto economicamente e financeiramente falando. Além de trazer pontos positivos para a imagem da organização, serviu e ainda serve de exemplo para outras empresas do mesmo segmento, por isso tornou-se objeto de estudo dessa pesquisa. 46 4.1.3 Quanto à forma de abordagem Quanto a forma de abordagem, é denominada como qualitativa. Nessa perspectiva, há de se concordar com Minayo (2008, p.21) quando ela afirma que pesquisa qualitativa é aquela que: [...] se ocupa, das ciências sociais, com um nível de realidade que não pode ou não deveria ser quantificado. Ou seja, ela trabalha com o universo dos significados, dos motivos, das aspirações, das crenças, dos valores e das atitudes”. No contexto desta pesquisa foi utilizada a tipologia qualitativa, porque ela se fundamenta basicamente na interpretação dos fatos da vida social, que neste caso é perfeitamente adequada para o registro das práticas sustentáveis implantadas de forma diferenciada e inovadora, na empresa estudada, servindo de subsídios para a elaboração do perfil da mesma. 4.2 Universo e Amostra A empresa escolhida como objeto analítico foi a empresa Lavanderia Mamute, localizada na cidade de Toritama, no Agreste de Pernambuco, situada na Rua Capitão dos Santos, nº. 200, no bairro Duque de Caxias. 4.3 Coleta, análise validação de dados 4.3.1 Instrumento de coleta de dados Para a coleta de dados utilizamos o procedimento de entrevista semi-estruturada e em profundidade, é assim denominada, pois durante a entrevista pode ser acrescentadas outras abordagens, sendo assim, serviu de base para obter informações pertinentes e relevantes do objeto de pesquisa. Segundo Minayo (2008) a entrevista semi-estruturada “combina perguntas fechadas e abertas, em que o entrevistado tem a possibilidade de discorrer sobre o tema em questão sem se prender à indagação formulada” (Minayo, 2008, p.64). Portanto, esse tipo de entrevista serviu como um roteiro para perceber determinadas condutas do sujeito, pois através das respostas precisas, até mesmo inesperadas, foi levantadas hipóteses, ocasionando uma análise precisa nas ações empreendedoras com práticas sustentáveis utilizadas pela mesma. 47 4.3.2 Análise dos dados Para a análise da pesquisa, foi utilizada uma primeira aproximação da técnica de análise de conteúdo, trata-se de um procedimento de apreciação de elementos explícitos e/ou ocultos que vai além daquilo que se pode enxergar através da comunicação. Nessa perspectiva Minayo (2008) afirma que a analise de conteúdo: “[...] é um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens” (BARDIN, 1979, apud, MINAYO, 2008, p.83) Sendo assim, a análise deve dar subsídios ao levantamento dos dados que nos permitiram fazer uma leitura complexa da realidade, bem como construir novas compreensões sobre o objeto de estudo, destacando a relevância dos resultados a serem compartilhados. 4.3.3 Validação dos dados A entrevista foi realizada com o proprietário da empresa Edilson Tavares, em seu escritório, com duração de 34 minutos e 41 segundos. Para a gravação das informações proferidas pelo empresário, foi solicitada uma autorização para a realização da mesma. 48 5 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS A coleta de dados dessa pesquisa foi uma entrevista realizada com o proprietário da empresa Mamute, Edilson Tavares. 1. Pergunta Narre seu histórico empreendedor.Quais as razões que o levaram a empreender? A empresa Mamute é o seu primeiro empreendimento? Caso não seja seu primeiro empreendimento, favor narrar fatos relevantes que o levaram a empreender anteriormente (o que você aprendeu com seus outros empreendimentos que utiliza na empresa Mamute). 1. Resposta Olha, nosso histórico empreendedor, nós morávamos na cidade de Camaragibe, meu pai era motorista de táxi e naquela época meu pai adoeceu, viemos para o interior por recomendação do médico. Eu acredito que ele teve um stresse nervoso mesmo, por influência das grandes cidades metrópoles urbanas e aí quando viemos à cidade de Toritama.Toritama tinha uma produção muito forte de calçados, era tão forte quanto a confecção é hoje, mas naquela época começava a surgir a confecção, na Santa Cruz tinha iniciado a Sulanca e dentro dos retalhos que vinham do Sul também vinham pedaços de jeans eles traziam do Sul a Elanca “malha” faziam as blusas, mas vinham também pedaços de jeans e um rapaz chamado seu José Valdir foi a pessoa que procurou na época começar a fabricar as peças em jeans. Quando eu cheguei com meu irmão aqui na cidade, nós fomos trabalhar também na indústria de calçados, erámos ajudantes e o proprietário daquela empresa de calçados ele enveredou pelo caminho da confecção e para nós foi excelente, porque quando ele foi para a confecção nós terminamos aprendendo, junto com a equipe que ele tinha a fazer confecção. O meu irmão, que é um pouco mais velho que a minha pessoa, ele com a veia empreendedora começou a fabricar, falou com o proprietário que era seu Josué, seu Josué cedeu um fardo de tecido, levamos para casa, cortamos, a nossa mãe costurou aquela quantidade de peças, fomos para as feiras, que era uma feira em Santa Cruz que havia nas quintas feiras pela madrugada e vendemos a roupa. E ai a gente de motivou, porque tivemos um lucro nas peças, maior do que o que nós tínhamos trabalhando com o seu Josué. E ai seu Josué perdeu os dois funcionários que eram a minha pessoa e meu irmão e aí começamos a comprar esses tecidos que eram vendidos em fardos, esse tecido não era vendido em rolos, eram sobras de tecidos que vinham 49 do Sul, a gente cortava essa roupa e vendia essa roupa na feira livre. Então para a gente foi excelente, foi assim que começou a nossa história. Obviamente que dentro desses anos né, que agora nós estamos completando nesse mês 30 anos de trabalho, completamos agora em Novembro, dia 15 de Novembro, 30... Na realidade são 30 anos de trabalho tem toda uma dinâmica, na época eram peças artesanais, manuais, teve uma época que fizemos num sítio com costureiras, com mão de obra bem rudimentar, maquinários de metal, é ai você tem todo um caminho de investimento, de pesquisa, de designer, de tecnologia para chegar até aqui. Isso é uma realidade dos negócios ou você faz um investimento contínuo, aquela história do, da melhoria contínua ela é uma realidade nos negócios na região, é preciso que se faça um investimento continuo, porque o mercado também exige de você esse investimento contínuo, não tem como fugir dessa realidade não. É o nosso primeiro empreendimento, como confecção, porque a lavanderia já é o nosso segundo empreendimento, nós começamos no ano de 81 como Mamute confecções e aí no ano de 99 nós abrimos a Mamute Lavanderia, é o mesmo negócio só que com o passar do tempo, eles tomaram viés de Toritama e embora a lavanderia esteja diretamente ligada a confecção, mas é um outro ramo, uma outra atividade é outraexpertise que você precisa ter, então a gente caminha em lados próximos né mais distintos, na realidade hoje são duas empresas literalmente, são dois CNPJ, dois endereços físicos a confecção que no passado foi aqui a confecção, hoje a confecção tem um endereço próprio, com toda a sua infraestrutura própria. Olhe a Confecção e Lavanderia são como irmãs, na realidade o que... A única coisa que nos fez hoje está de forma distinta a operação, é que no passado a Lavanderia atendia apenas a nossa confecção, com o passar do tempo nós percebemos a oportunidade de termos também terceirização, então hoje nós temos 32 clientes na lavanderia e isso que faz com que a Lavanderia operem de forma distinta, a confecção hoje é um cliente da lavanderia, entendeu? Mas se você for olhar as relações, são os investimentos, os caminhos...eles são muito próximos, porque a Confecção e Lavanderia elas se complementam, não há como ter lavanderia sem confecção e também o oposto é verdadeiro, agora a lavanderia tem as suas características peculiares, envolve manipulação de produtos químicos, licenças ambientais... então é um outro rumo mais que está diretamente ligada a Confecção. Análise: 50 O sujeito empreendedor foi influenciado por fatores contingentes para sua formação baseada na vivência e na necessidade. Além disso, houve uma influência da compreensão da dinâmica de negócios da região e do apoio de dois agentes para o desenvolvimento de seus negócios. O primeiro foi uma espécie de mentor na figura de seu ex-patrão. O outro foi seu irmão, o qual percebeu a oportunidade de produzir e comercializar artigos têxteis. Além disso, vale ressaltar o papel da experiência na ação (aprender fazendo) e a compreensão aprendida sobre o próprio negócio. Bem como fatores relacionados às características do comportamento empreendedor proposto por Dornelas (2005). 2. Pergunta Quais as principais dificuldades enfrentadas na sua ação empreendedora? Como você enfrentou essas dificuldades? 2. Resposta A gente mata um leão por dia, as maiores dificuldades que nós passamos com a lavanderia, se diz respeito às questões dos recursos naturais, a água. A água especificamente foi um dos maiores problemas que nós temos na lavanderia, porque fazemos uso intensivo de água é a nossa matéria prima principal, temos um consumo de 300 mil litros diários esse consumo varia dependendo do mercado, da moda, da época entre 6 e 9 milhões de litros por mês, é muita agua para uma região que não tem água. Nos últimos anos nós temos tido o beneficio de água, porque a questão da precipitação de chuva tem sido maior, é temos algumas, digamos assim atenuantes, a água nas residências de Toritama chegou, mas nós passamos aqui seca gravíssimas aqui na região, secas duríssimas e esse foi o maior problema, aí depois da água, aí você também a questão da capacitação da mão de obra. Nessa região há uma carência muito grande de mão de obra, mão de obra praticamente não existe, é escassa a mão de obra. E isso faz com que a gente tenha que buscar em outras cidades, hoje nós temos, acredito eu que 90% dos meus funcionários não são daqui de Toritama, são de cidades circunvizinhas, hoje temos carros que vai até em Surubim, que vai buscar, tem ônibus que vai buscar esses funcionários, e uma dificuldade atual na realidade é uma conjuntura mesmo do negócio global, há uma penetração do produto asiático muito forte dentro da nossa região, o preço deles é muito mais competitivo com o nosso chega a ser 50% mais baixo e a gente tem que procurar mecanismos de se proteger, de defesa e aí não é tão simples isso porque passa por uma conjuntura de tributos, de garantias sociais, ambientais que não são observadas nesses outros países e de produtos que inclusive entram com uma tributação praticamente 51 zero, é praticamente zero para competir com o nosso, com uma tributação e uma carga elevada. Esse é o desafio do momento: Como competir nesse mercado globalizado nos dias atuais? Análise: Por se tratar de uma Região de secas, um dos maiores problemas encontrados pelo empreendedor foi em relação aos recursos naturais, mais precisamente a água. Sendo um recurso essencial para a produção interna e o mais utilizado, por atuar no campus de Lavanderia. Outra abordagem em questão foi à mão de obra desqualificada na cidade em que opera a empresa, sendo necessária a busca de profissionais em outras cidades da Região. Mais atualmente o maior problema encontrado é a interação dos países asiáticos no mercado regional, sendo que esses países não têm a preocupação ambiental e social, tornando-os muito mais competitivo do que o nosso mercado, por não terem responsabilidades sociais e ambientais, seus produtos chegam a um preço final muito abaixo que o da nossa Região, tornando-se assim um desafio competitivo para nosso mercado. Então tem que se buscar métodos econômicos e que não deixem de ser sustentáveis para continuar com essa dinâmica competitiva e se manter no ciclo mercadológico. O que implica reconhecer “o respeito ao meio ambiente, a valorização do homem e da cultura entre os principais fatores que se refletem diretamente em seu sucesso como forma de se obter vantagem competitiva no mercado”, (Porter & Kramer, 2002, apud, Amorim, 2009, p. 131). 3. Pergunta Fale sobre seu projeto de produção sustentável. Como começou? A ideia para o projeto partiu de quem? Como você identificou essa oportunidade? Existem outras estratégias de produção, outros projetos que envolvam uma preocupação ambiental e social? 3. Resposta A produção sustentável ela acontece na Lavanderia é, praticamente com uma tábua de salvação para o empreendimento, aquilo que parecia ser um custo, aquilo que parecia ser um estorno se tornou uma alternativa que viabilizou a economicamente a nossa empresa, comprávamos água, água muito cara, a água da Compesa hoje é praticamente R$10,00, R$ 9,80 o metro da água tratada, a Compesa não fornece água bruta para a nossa Região, a água comprada nos caminhões que é escassa também é cara, fica em torno de R$ 5,00 o metro. A nossa água reciclada hoje está saindo por R$0,80 centavos, então hoje nós temos uma água 52 que um décimo do valor da água que é vendida pela Compesa, e issopossibilitou a sobrevida da nossa empresa e depois que a gente viu esse fato muito motivador da água, aí a gente foi em cima dos produtos, foi em cima da energia, foi em cima de todos os recursos de matéria prima que a gente usa na empresa, com esse viés de sustentabilidade, de economia, de reciclagem, de redução, foi o que permitiu a empresa nesses últimos anos, isso foi no ano de 2001, 10 anos, faz 10 anos que nós estamos implantando praticas sustentáveis na empresa de redução de insumos, na redução de tudo que você perguntar aqui. E ai vai desde da substituição de motoros por motores de alto rendimento, troca de lâmpadas por lâmpadas fluorescentes, troca de reatores por reatores eletrônicos, instalação de essas telhas translucidas para você... por exemplo, aqui você não tem nenhuma lâmpada ligada, porque colocou telhas translúcidas em toda a empresa, redução do uso da água, usava 120 litros de água por peça hoje estamos usando em torno de 70/75 litros de água por peça, o consumo de produtos químicos teve uma redução real de mais de 40% em peso né, se eu usava 10 toneladas hoje eu estou usando 6 toneladas de produtos químicos, redução da lenha eu gastava por mês 10 carros de lenhas, cada carro tem 25 estéres eram 250 estéres de lenhas que eu usava por mês, hoje a gente esta gastando 7, então eu estou economizando 75 estéres de lenha todo mês, para fazer mais roupa do que eu fazia no passado, energia nós colocamos geradores, quer dizer, tem todo um processo, eu citaria para você aqui dezenas de intervenções ambientais, no que se refere ao uso intensivo dos recursos naturais de produtos químicos, de energia e que nós fomos reduzindo sistematicamente isso. E isso é que nos permite ainda estar de pé competindo com os produtos asiáticos que é muito mais barato do que o nosso, não com razões deficientes de gestão, mas muito mais com uma conjuntura fiscal, é muito mais por uma questão de isenção de tributo que eles tem lá. Olha a idéia, vamos dizer assim, a motivação, o start partiu da nossa empresa, mas a idéia, a concepção do projeto é um convênio em parceria com o sindicato, em convenio com parceria com federação, houve uma agencia alemã que é o BFZ que nos ajudou a montar... (Cortou a entrevista, mandar um e-mail solicitando o complemento/Aqui foi relatado que ele já havia visto o projeto em outros segmentos no Brasil, e inclusive foi até a alemã para verificar esse projeto se realmente condizia com o que o mesmo oferecia em ralação ao seu processo de racionalização e preservação, pode constatar então a viabilidade do mesmo, entretanto na Alemanha havia projetos implantados em lavanderias também). ... (Continuação/outro projeto) Temos a questão do reuso, é o aproveitamento solar NE, o aquecimento solar, são placas, painéis coletores que a gente pretende instalar na empresa, para captar a questão do aquecimento solar e colocarmos para nossas caldeiras. 53 Análise: Toda implantação de qualquer projeto tem um custo inicial, mesmo ele sendo sustentável e ainda nos dias atuais os grandes empresários veem isso como custo, onde deveriam comparar a investimentos, no qual trará a um prazo, dividendos para a empresa. A implantação da produção sustentável na Lavanderia nasceu da necessidade de reduzir os custos da água que era muito cara, devido a escassez. E a partir desse projeto de reciclagem da água, vieram outros como o de redução de consumo de energia, com substituição de motores, lâmpadas, telhas e etc. Enfim, a empresa está sempre aberta a inovações para se tornar mais competitiva, com lucratividade, cobrindo os investimentos iniciais, mesmo sendo para projetos sustentáveis. Esses vários projetos sustentáveis que a empresa aderiu até hoje, é o que possibilitou a empresa ainda atuar no mercado com competitividade. A ideia de implantação desses projetos surgiu com a ajuda de convênios com sindicatos e o que deu ênfase ao projeto de reuso da água, foi a parceria com a agencia alemã BFZ que os ajudou a montar todo o planejamento e a estrutura sustentável. O empresário já havia visto projetos similares no Brasil, mas em outros segmentos, e para poder implantar na sua empresa foi até a Alemanha para constatar a viabilidade do mesmo, e lá encontrou em outros segmentos e também em lavanderias. E as práticas sustentáveis não terminam por aqui, já existe outro projeto de aproveitamento solar, são placas, painéis coletores de calor que servirão para pré-aquecer a água das caldeiras, economizando assim lenhas. 4. Pergunta Qual foi a motivação da mudança na estratégia de produção da empresa? (O que levou a conscientização de melhorias na empresa em relação aos dejetos expelidos no ambiente, no Rio Capibaribe mais precisamente). 4. Resposta Ah teve muitos, porque dentro das exigências do CPRH, estavam todo o gerenciamento dos resíduos sólidos, ou seja, todo os nossos resíduos precisavam ser tratados de forma correta, hoje nós temos o correto destino das bombonas de plástico que são aquelas que vem condicionados os produtos químicos, o papelão, o ferro, o óleo das maquinas a gente também coloca para a reciclagem, tudo que se refira aos nossos resíduos a gente trata, temos ainda muito o que fazer? Obvio né, acho que qualquer empresa, pode ser uma multinacional o que for, a questão ambiental ela não para ela é muito dinâmica, você faz algo e necessita 54 sempre que você faça correção de rota, melhoria, ampliação e é o que a gente tem feito, agora hoje nós já temos uma situação que é infinitamente superior ao passado, imagina você , que hoje a gente faz a separação do nosso resíduo, embora que parte dos resíduos terminam sendo novamente misturados porque a prefeitura não faz a coleta seletiva, mas a gente faz a separação, tudo que é de ferro, tudo que é de plástico, tudo que é de papelão, tudo que é de óleo, tudo que é de cinza que é de lodo e aquilo que a gente consegue já de ante mão dar o uso correto, o destino correto a gente já faz, hoje a gente já está até fechando parcerias com a Associação de Caruaru, para que lâmpadas e outros tipos de resíduos que a gente tem aqui possam ser levados para ele para um correto destino. Análise: A partir da exigência da CPRH a empresa passou a fazer a separação dos resíduos do trabalho (coleta seletiva interna) e dar o uso e/ou destino correto a cada tipo de materiais, corrigindo os primeiros passos que foram um tanto atrapalhados, pois, hoje já são feitas parcerias com empresas que reciclam e reutilizam alguns materiais, como a lâmpada para que tomem o fim correto. Neste ponto, seguindo o pensamento de Tachizawa (2010) que fala dos desafios de fazer com que as forças de mercado protejam e melhorem a qualidade do ambiente [...] num quadro harmônico de regulamentação. 5. Pergunta O senhor pretende explorar esta estratégia como diferencial de mercado? Como? 5. Resposta A gente já explora, agora se isso tem um resultado satisfatório ou não, e aí passa muito pela conscientização do cliente né, hoje o cliente ainda não percebe não valora o correto às questões ambientais ele está muito mais preocupado no o preço, por exemplo, se eu chego como lavanderia e a minha peça for 100% mais caro e eu tentar justificar isso pela questão ambiental eu vou perder para a concorrência, o cliente diz o seguinte tenha todas as responsabilidades ambientais que você tiver, é bom, eu gosto e eu quero, mais eu não quero que você me cobre um centavo mais caro, e aí o que acontece? Termina sendo lutas desigual porque você investe nessas responsabilidades ambientais, algumas delas representam um custo, e ai eu não estou dizendo que... mas você não está economizando água, num economizou lenha? Mas parte das responsabilidades elas também passam pelo social, também 55 passam pelo tributário, quando a empresa começa a se organizar ela tem se organizar como um todo, e o que acontece é que existem outras empresas que não fazem absolutamente nada que competem no mercado de igual para igual, você não tem uma política publica que proíba, que iniba ou que extermine esse tipo de comportamento, resultado eu sei de muitas Lavanderias que tem o preço bem mais baixo do que a minha e aí eu não posso só com a questão ambiental tentar convencer meu cliente, tem que ter toda uma historia de desenvolvimento, de designer de produto, não é fácil não. Aí o que eu faço, hoje a gente tem usado a questão da imagem a nossa lavanderia tem uma marcação bem positiva no mercado, todas as pessoas conhecem nosso trabalho, a nossas responsabilidade, a gente serve de referencia, somos visitados por escolas, universidades, pessoas como a sua pessoa também nos procuram e vê o nosso trabalho. Isso tem um retorno muito positivo de imagem para a nossa empresa, isso já é um ponto positivo, obviamente que eu uso esse retorno positivo com meu o cliente eu chego no meu cliente eu mostro a ele a importância dele ter bons parceiros, porque quer queira ou não, se amanha ele trabalha com uma lavanderia irregular e aquela lavanderia tiver um problema de continuidade sei lá: CPRH, Ibama, Policia federal e o produto dele estiver dentro daquela empresa, ele vai ser prejudicado, não adianta ele falar: não eu não sabia. Tivemos um caso da Zara que é especificamente isso, a Zara se associou com uma pessoa irregular, mais o prejudicado foi a Zara, obvio que o rapaz foi fechado, mais o grande prejudicado foi a Zara porque tem uma marca, ninguém sabe... Qual era a marca daquela facção? Eu sempre digo a meu cliente nunca associe a sua marca a empresas irregulares porque amanha o grande prejudicado será você. Eu tenho dado esses argumentos, agora se você me perguntar, e esse argumento tem dado certo, tem funcionado? Eu digo: eu sei que ainda é insipiente, o cliente ainda não valora esse tipo de postura. Talvez com um tempo, talvez com esse fato que houve agora do lixo hospitalar, as pessoas começam a abrir a mente e dizer: Olha temos que ter cuidado, porque certos parceiros podem nos dar grande prejuízo e aí sim, não é pagar mais caro é pagar o valor correto das pessoas que estão trabalhando realmente como idônea, porque quando você começa a trabalhar de forma correta, questão ambiental aí você tem que respeitar as relações de trabalho, não pode ter trabalho infantil, não pode ter carga elevada de hora, tem que da todas as seguranças jurídicas e isso faz toda a diferença. 56 Análise: A empresa tem explorado estratégias de sustentabilidade através de valorização da sua imagem, servindo como um cartão de visitas para a comunidade e principalmente pelas escolas, nos diferentes níveis. Quanto ao enfrentamento com clientes que não tem consciência sobre a questão social e ambiental, é difícil. Embora possa se afirmar que “A sustentabilidade tornou-se não só um tema gerador [...] mas também um tema portador de um projeto social global e capaz de reeducar nosso olhar e todos os nossos sentidos, capaz de reacender a esperança em um futuro possível, com dignidade, para todos”, (GADOTTI, 2002, p. 11). Mas a segurança de gestão com que a empresa funciona, também é um ponto positivo para formar parcerias no mercado. As pessoas e empresas ainda tem muito que se conscientizar em relação as praticas sustentáveis, uma pessoa/cliente hoje em dia ainda não aderiu a preferência de produtos no qual pertençam a uma empresa que tenha uma preocupação ambiental, desvalorizando assim o desenvolvimento sustentável nas empresas que essa tal empresa acaba em desvantagem competitiva no mercado por não ter nenhum órgão público que proíba esse tipo de produção “ilegal”. 6. Pergunta Qual a percepção de seus clientes (fabricantes) em relação a sua forma de produção? O senhor fidelizou ou ganhou novos clientes por causa da adaptação do projeto e preocupação ambiental?Existe um reconhecimento/valorização das ações socialmente sustentáveis por parte de seus clientes (Imagem)? 6. Resposta A percepção deles é positiva, ele sabe que nós temos uma produção limpa, ele sabe que nós temos todos esses conjuntos de responsabilidades, desde que se refere a matéria prima (a água, a lenha, os produtos), a uma questão social, a uma questão trabalhista, a sociedade entende, sabe e reconhece, isso é muito bom. A minha única vontade, desejo é que se materializar-se em novos negócios, é, por exemplo, eu não sou procurado porempresas de confecção pelo viés ambiental, não chega aqui um cliente e diz: Edilson eu quero lavar com você porque você é uma empresa que respeita o meio ambiente, esse tipo de negocio não chegou em mim ainda, eu sou procurado por empresas que vem atrás da minha eficiência de gestão, é: tecnologia de produto, designer, inovação, preço, velocidade, capacidade, etc. Mas eu não tenho nenhum cliente hoje que diga assim: eu lavo na Lavanderia Mamute, porque a Lavanderia Mamute respeita o meio ambiente, ou seja, isso ainda não transbordou a questão 57 ambiental para o negocio, pelo menos na nossa região. Eu tenho, o marco que eu tenho é grandes Magazines que fazem auditoria nos seus fabricantes, e aí já fui visitado por Magazines que vem aqui na minha empresa, olha a minha estrutura, vê minha instalação, vê se eu tenho a questão da responsabilidade ambiental, para validar o confeccionista, entendeu? Então é muito mais a empresa de Magazine que valida à confecção e a confecção diz que lava comigo, aí meio que isso favorece ele, mais ele a própria pessoa, eu sei disso ele não lava só comigo ele lava com mais duas, três lavanderias, entendeu? Então quando o Magazine vem validar ele vem para a minha Lavanderia, entendeu? Mais para brigar com preço eles podem fazer com esses que agente chama de Lavanderia “Perna de Pau”, mais assim isso vai mudar, claro que vai, porque as exigências são maiores, a própria sociedade precisa entender e isso tem que ter o movimento da sociedade, a sociedade não pode aceitar empresas poluam o entorno aonde as pessoas vivam, isso é... Aí se o prejuízo é a longo prazo, mas vai chegar, certo. Imagina você criar filhos né, construir uma família, construir um lar e a região ser degradada por uma empresa né, isso não existe, não existe absolutamente.Mas,meio que as pessoas hoje,não mais ele está gerando emprego, mais a que custo ele gera emprego? Então, não se pode progresso a qualquer custo, não é interessante para ninguém, para ninguém. Não. Talvez eu mantive um né, talvez aconteceu, mas novos não. Não conheço ninguém que valorize a questão ambiental aponto de procurar uma empresa, para trabalhar ou fazer parceria com ela, apenas por ela tem responsabilidade ambiental. Isso não é só lavanderia não viu? Você pode ir no supermercado, eu não vejo ninguém comprando um produto no supermercado, não procura da empresa “fulano de tal” por que tem uma responsabilidade ambiental, geralmente em supermercado a gente procura o que é mais gostoso, o que é mais barato, tá entendendo? Mais o que tem maior responsabilidade ambiental eu não vejo neo, eu não vejo de jeito nenhum. Eu não vejo a pessoa comprando um carro porque o carro ele tem um... o índice de poluição é menor, não vejo. Eu vejo as pessoas procurando um carro bonito, ou mais barato ou com maior parcelas, não é uma questão só de Lavanderia não. Não vejo ninguém comprando uma calça, esse calça teve responsabilidade ambiental? Não, as pessoas compram roupa hoje ainda, pela beleza, pelo designer ou pelo preço. Isso ainda é uma coisa muito ruim para a gente. Então, quem hoje está na vanguarda da questão do trabalho, da questão ambiental ele tem essa deficiência, o mercado não valora, não valora é muito ruim de trabalhar. É a imagem, e eu tenho uma constitucional,o pessoal do SENAI do SEBRAE sabem e vem aqui, fazer trabalhos, é... escolas tudinho, mas da questão do negócio não. 58 Análise: O empresário se recente pelo fato de que não tem nenhum cliente novo ou fidelizado pelo fato de adotar programas de sustentabilidade ambiental. Mas sim, pela forma de gestão. Em função do programa de sustentabilidade a sua imagem é valorizada de forma significativa pelas escolas, universidades, que visitam a empresa para conhecer as suas instalações e organização. Mais isso, não é o suficiente, porque a empresa precisa assegurar o seu espaço no mercado, com empresas que não cumprem as suas obrigações conforme as determinações legais, praticando preços inferiores que acabam atrapalhando empresas idôneas. 7. Pergunta Como essa ação impactou os outros concorrentes? Atualmente, com essas mudanças no setor de produção, a empresa serve de exemplo para outras? Já existem outras empresas com o mesmo ou projetos similares ao implantado na empresa Mamute?Narre os motivos analisados para a escolha de um modelo sustentável na produção. 7. Resposta Muito. O ministério público exigiu que todas as outras lavanderias tivessem um sistema similar ao meu, no ser tratamento de efluentes. Por isso que no ano de 2003 ,todas as lavanderias foram obrigadas a ter um sistema similar ao nosso, a gente começou em 99 e em 2001 já estava funcionando e em 2003 todas foram obrigadas a ter um sistema similar ou igual ao nosso, e isso é um transbordo da nossa ação, para mim é motivo de orgulho saber que o nosso segmento ele teve uma postura diferenciada a partir de uma implementação um trabalho nosso aqui, e eu, digo mais, ainda hoje isso também transborda para a cidade de Caruaru e Região. Caruaru também começa a ser exigida a ter um sistema similar ao nosso, isso para mim isso é satisfatório, e eles não acharam muito bom não, mas eu achei. Agora tu pergunta para mim: Está todo mundo regularizado? Em partes, todo mundo tem o sistema, mas nem todo mundo opera o sistema, isso precisava ser monitorado de perto pelos órgãos ambientais. Sim, com certeza. Sim. Olhe eu acredito que sustentabilidade ela passa por uma questão muito simples, eu podia até trocar a palavra sustentabilidade por sobrevivência, sustentabilidade para mim também tem o 59 significado de lucro, se a gente não for por esse viés não há nenhuma ação sustentável que se sustente, joguei aí um pleonasmo, mas é isso, ou você tem sustentabilidade financeira e econômica ou nada é sustentável. Porque são ações que oneram a empresa, nenhum mercado paga a mais por esse custo. Então eu penso o seguinte: vai implantar ações? Está bom, agora se isso vai ter impacto financeiro nessa empresa, é neutro, certo, é negativo ou positivo? Ele tem que ser pelo menos neutro, de preferência positivas, ações que eu coloquei aqui. Depois que a gente... Num estudo de pesquisa, conseguimos implantar ações que nos dão retorno financeiro e econômico, “ dinheiro, lucro” e isso é que nos mantém, independente de ter ou não fiscalização, você sempre vai ver minha empresa com essas praticas, porque essas praticas elas retornam para mim dividendo, eu acho... Esse deve ser o ponto, então o objetivo de qualquer empresa para adotar praticas sustentáveis, ele tem que ser um objetivo sistêmico, ele tem que ter retornos ambientais, retornos financeiros, retornos sociais, tem que ser dessa forma, porque sendo dessa forma você vai estar praticando sustentabilidade, se não é só propaganda enganosa, porque as empresas não conseguem sobreviver com custos que são oneráveis por partes ambientais, não, não conseguem, digo assim de certeza, a qualquer momento mesmo que tenha fiscalização, ela vai está toda hora tentando fraudar, tá entendendo? Fazer de noite escondido, feriado, porque aquilo é um custo para a empresa, agora se eu conseguir desenvolver praticas que são sustentáveis, também na questão financeira e econômica, aí sim ele vai ser motivado, ele vai para ponta do lápis e vai dizer: Olhe, eu faço isso com convicção plena interna ( ou ter na) e isso é bom para a empresa, então é por aí o caminho, se não, não vai... Análise: Impactou com outros concorrentes do município o sistema de tratamento de afluentes implantado na empresa estudada, o qual foi aprovado pelas autoridades locais, passando o ministério público a exigir que as outras empresas implantassem o mesmo modelo ou similar. A exigência, ao que tudo indica foi cumprida, mais falta uma fiscalização eficaz para verificar o real funcionamento. Esse mesmo sistema já está servindo de modelo para a cidade de Caruaru. E “para mim é motivo de orgulho saber que o nosso segmento teve uma postura diferenciada”, disse o empresário. Quanto a escolha da implantação de um modelo sustentável, diz o entrevistado “Olhe eu acredito que sustentabilidade ela passa por uma questão muito simples[...] sobrevivência, sustentabilidade para mim também tem o significado de lucro, se a gente não for por esse viés 60 não há nenhuma ação sustentável que se sustente”. Os custos dos programas são altos e a maioria dribla as autoridades e as relações dos negócios ficam muito desiguais. 8. Pergunta O lucro ocasionado através da mudança é reinvestido na empresa de que forma? Destaque qual foi o fator mais positivo com essa melhoria, em que a empresa ganhou mais destaque? (tanto ambientalmente e lucrativamente falando) 8. Resposta O lucro é que ainda nos permite ser competitivo, porque, por exemplo, se eu não tivesse adotado essas práticas sustentáveis, o meu preço teria que ser muito maior, então o que acontece hoje? Os meus concorrentes, e embora não tenham essas praticas ambientais minhas, mais não tem a gestão como eu faço, então o que acontece, eu termino tendo o mesmo preço de uma Lavanderia totalmente irregular, porque ele tem o custo mais elevado na água porque ele não recicla a água, ele tem o custo mais elevado na lenha porque ele não tem o sistema eficiente de queima, ele tem o custo mais elevado em produtos químicos porque ele não faz a substituição, gestão e uso, ele tem o custo mais elevado de energia porque ele também não tem o sistema de economia, então eu tenho usado essas intervenções ambientais, como uma oportunidade de me manter competitivo no mercado, é o que me mantém competitivo no mercado esses fatores ambientais. Então eu penso que isso faz toda a diferença, no meu negócio faz toda a diferença. A reciclagem da água, a reciclagem da água, foi porque a água tem uma questão visual de porte, eu jogo a água suja, ela sai preta, azulada escura, então quando você a trata sai branquinha. Então digamos assim, a grande vantagem dessa questão da água é essa questão visual. Algumas economias ou alguns trabalhos ambientais aqui eles não aparecem, então redução do consumo de energia, redução do uso do produto químico, redução da lenha você não percebe tanto, mas a questão da água ela tem uma questão positiva ou fortíssima, acho que foi o grande diferencial da gente foi estarmos hoje reusando a nossa água. Análise: A resposta dada pelo sujeito sobre a última questão - O lucro ocasionado através da mudança é reinvestido na empresa de que forma? Destaque qual foi o fator mais positivo com essa melhoria, em que a empresa ganhou mais destaque? (tanto ambientalmente e lucrativamente falando) - traz satisfação. Isto, porque de certa forma todas as dificuldades 61 enfrentadas com os seus concorrentes são superadas, quando ele afirma: “eu termino tendo o mesmo preço de uma Lavanderia totalmente irregular, porque ele tem o custo mais elevado na água porque ele não recicla a água, ele tem o custo mais elevado na lenha porque ele não tem o sistema eficiente de queima, ele tem o custo mais elevado em produtos químicos porque ele não faz a substituição, gestão e uso, ele tem o custo mais elevado de energia porque ele também não tem o sistema de economia, então eu tenho usado essas intervenções ambientais, como uma oportunidade de me manter competitivo no mercado”. 62 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao final desse trabalho em torno do tema Empreendedorismo social e ecológico com práticas de sustentabilidade: um estudo de caso na Lavanderia Mamute na cidade de Toritama é possível afirmar que os objetivos foram atingidos em sua íntegra, como se pôde observar ao longo do seu desenvolvimento. E, tal afirmação é possível de ser feita, porque além da fundamentação teórica sobre o fenômeno do empreendedorismo de uma forma geral, também fizeram parte da abordagem, conceitos e concepções diversas acerca do empreendedorismo social, bem como sobre a sustentabilidade, que contribuíram para o aprofundamento do estudo. Ou seja, toda a abordagem envolvendo a discussão sobre os múltiplos aspectos do empreendedorismo, incluindo-se nessa discussão a figura carismática do empreendedor, extensiva segundo alguns autores a todos da espécie humana. No entanto, apesar dessa generalidade vale ressaltar que essa propriedade é mais aguçada em uns indivíduos do que em outros, fazendo com que a história da humanidade esteja repleta de exemplos significativos de indivíduos empreendedores em todos os campos de ações, de forma individual ou coletiva. É, pois, mediante o transcorrer de toda essa abordagem, perseguindo os diversos caminhos traçados pelos objetivos específicos, tais como – analisando atitudes empreendedoras vivenciadas através dos tempos, nas diferentes áreas de atividade, refletindo sobre as práticas sustentáveis para a melhoria da qualidade de vida para o momento atual e as gerações futuras que se chega à culminância desse trabalho de pesquisa com o estudo de caso sobre a microempresa Lavanderia Mamute. Foi então, do contato com essa empresa, por meio dos dados coletados com o proprietário, gestor, idealizador e executor dos projetos na condição de empreendedor, que se pode chegar as seguintes considerações finais: A Lavanderia Mamute, na adoção do modelo de gestão, inspirada na sustentabilidade e respeito social, precisou investir alto, quer dizer elevado capital que somente terá retorno em longo prazo. Entretanto, mesmo com a defasagem de capital face às inovações introduzidas e tendo que competir em um mercado em que muitos concorrentes fraudam as normas legais, desrespeitando o meio ambiente e as questões sociais, bem como, ainda não conquistar ou fidelizar clientes pelo modelo adotado e simplesmente pelo trabalho realizado ela obtém lucros. E, esses lucros advêm exatamente da diferença de custos que cada recurso utilizado 63 fez a empresa ganhar na redução do consumo de energia elétrica, na redução do custo da água, na redução do consumo da lenha, entre outras. Dessa forma, passada a fase da descapitalização, devido aos investimentos com a adaptação da empresa, ela terá bem mais lucros, além de poder gozar do prestígio de ser uma empresa idônea, respeitada pelos meios acadêmicos e outras pessoas conscientes dos problemas sociais e ambientais, por ser uma empresa que procura preservar a vida, contribuindo para uma melhor qualidade de vida no planeta, ou seja, humanizando-o. RECOMENDAÇÕES FINAIS Mas, a questão do empreendedorismo social e ecológico não se esgota nessa pesquisa, que deverá ser divulgada pelos diversos meios, a fim de que possa servir de estímulo para que outros empresários sejam levados a abraçar essa causa e adotar projetos de sustentabilidade e de responsabilidade social, contribuindo assim para a melhoria da qualidade de vida no planeta, extensiva a todas as criaturas, em especial, aos seres humanos. 64 REFERÊNCIAS AMORIM, Tânia Nobre Gonçalves Ferreira. Responsabilidade Social Corporativa. In: Gestão ambiental e responsabilidade social: conceitos, ferramentas e aplicações. José de lima Albuquerque (Org.) São Paulo: Atlas, 2009. ANDRADE, apud MMA – Ministério do Meio Ambiente. Educação ambiental: curso básico a distância: questões ambientais: conceitos, história, problemas e alternativas. Coordenação Geral: Ana Lúcia Tostes de Aquino Leite e Nana Mininni-Medina. Brasília: MMA, 2001. ARANHA, M. L. A. & MARTINS, M. H. P. 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São Paulo: Atlas, 2005. 66 APÊNDICE 67 Apêndice Instrumento de pesquisa para a elaboração do trabalho do TCC de Administração em Gestão de Negócios da Faculdade do Vale do Ipojuca - Favip, aplicado pela aluna Dayane Alves de Oliveira ao representante da Lavanderia Mamute da cidade de Toritama – PE. ENTREVISTA 1. Narre seu histórico empreendedor. Quais as razões que o levaram a empreender? A empresa Mamute é o seu primeiro empreendimento? Caso não seja seu primeiro empreendimento, favor narrar fatos relevantes que o levaram a empreender anteriormente (o que você aprendeu com seus outros empreendimentos que utiliza na empresa Mamute). 2. Quais as principais dificuldades enfrentadas na sua ação empreendedora? Como você enfrentou essas dificuldades? 3. Fale sobre seu projeto de produção sustentável. Como começou? A ideia para o projeto partiu de quem? Como você identificou essa oportunidade? Existem outras estratégias de produção, outros projetos que envolvam uma preocupação ambiental e social? 4. Qual foi a motivação da mudança na estratégia de produção da empresa? (O que levou a conscientização de melhorias na empresa em relação aos dejetos expelidos no ambiente, no Rio Capibaribe mais precisamente). 5. O senhor pretende explorar esta estratégia como diferencial de mercado? Como? 6. Qual a percepção de seus clientes (fabricantes) em relação a sua forma de produção? O senhor fidelizou ou ganhou novos clientes por causa da adaptação do projeto e preocupação ambiental?Existe um reconhecimento/valorização das ações socialmente sustentáveis por parte de seus clientes (Imagem)? 7. Como essa ação impactou os outros concorrentes? Atualmente, com essas mudanças no setor de produção, a empresa serve de exemplo para outras? Já existem outras empresas com o mesmo ou projetos similares ao implantado na empresa Mamute?Narre os motivos analisados para a escolha de um modelo sustentável na produção. 8. O lucro ocasionado através da mudança é reinvestido na empresa de que forma? Destaque qual foi o fator mais positivo com essa melhoria, em que a empresa ganhou mais destaque? (tanto ambientalmente e lucrativamente falando) 68 ANEXOS 69 Figura 1: Entrada (Layout da Empresa) Fonte: Empresa Lavanderia Mamute Figura 2: Área Interna Fonte: Empresa Lavanderia Mamute 70 Figura 3: Centrífugas Fonte: Empresa Lavanderia Mamute Figura 4: Laboratório Fonte: Empresa Lavanderia Mamute 71 Figura 5: Processo de Lavagem Fonte: Empresa Lavanderia Mamute Figura 6: Secadores Fonte: Empresa Lavanderia Mamute 72 Figura 7: Tratamento de Filtragem Fonte: Empresa Lavanderia Mamute Figura 8: Tratamento de Gradeamento Fonte: Empresa Lavanderia Mamute 73 Figura 9: Tratamento de Secagem de Lodo Fonte: Empresa Lavanderia Mamute Figura 10: Tratamento Tanque de Areia Fonte: Empresa Lavanderia Mamute