Ronaldo Silva, Cap PM EMPREGO DAS FERRAMENTAS DE ANÁLISE CRIMINAL NO PLANEJAMENTO OPERACIONAL NOS BATALHÕES DA 12ª REGIÃO DA POLÍCIA MILITAR: ANÁLISE E DIAGNÓSTICO Belo Horizonte, 2005 Ronaldo Silva, Cap PM EMPREGO DAS FERRAMENTAS DE ANÁLISE CRIMINAL NO PLANEJAMENTO OPERACIONAL NOS BATALHÕES DA 12ª REGIÃO DA POLÍCIA MILITAR: ANÁLISE E DIAGNÓSTICO Monografia apresentada à Academia de Polícia Militar e à Fundação João Pinheiro, como requisito para aprovação no Curso de Especialização de Segurança Pública, sob orientação de conteúdo do Ten Cel PM Hudson Ferreira Bento. Belo Horizonte, 2005 AGRADECIMENTOS Inicialmente agradeço a Deus por me guiar nos momentos difíceis, zelando por minha saúde física, mental e espiritual e a meus pais Noé e Maria Aparecida, pela educação e formação que me proporcionaram. A minha amada esposa Angélica, a quem presto esta reconhecida homenagem pelo carinho, paciência e compreensão, possibilitando-me momentos de reflexão e dedicação aos estudos para conclusão desta tarefa. A minha querida filha Paula Marina, pelo seu carinho e compreensão quanto aos momentos de minha ausência. A todos os meus familiares e amigos que torcem pelo meu sucesso. Ao Coronel Cabral, por haver prestado auxílio necessário, vindo a proporcionar o pleno êxito deste trabalho. Ao Coronel Hudson, meu orientador, pela dedicação, competência e amizade, bem como pelos conhecimentos que me repassou ao longo dessa jornada. Ao Tenente Coronel Campos, Chefe da PM/3, que muito contribuiu para o sucesso deste trabalho. A Professora Helena Schirm que, com muita dedicação e profissionalismo, prestou todo apoio quanto à revisão e correção desta monografia. Aos Professores, por terem nos guiado além das teorias, das filosofias e das técnicas. Por nos terem dado consciência do valor de nossa profissão. Aos meus colegas de curso que me apoiaram nos momentos difíceis. A todos aqueles que, direta ou indiretamente, contribuíram para que este trabalho fosse concluído com êxito e atingisse os objetivos propostos. i SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS................................................................................................. iii DEFINIÇÃO DE PALAVRAS E TERMOS............................................................................. iv RESUMO ............................................................................................................................. vii ABSTRACT .........................................................................................................................viii 1 INTRODUÇÃO....................................................................................................................9 2 IDENTIDADE ORGANIZACIONAL...................................................................................15 2.1 Contextualização..........................................................................................................16 2.2 Fundamentação............................................................................................................16 3 GESTÃO DO CONHECIMENTO ......................................................................................22 3.1 Tecnologias da informação .........................................................................................23 3.1.1 Dado, informação e conhecimento ..............................................................................24 3.1.2 Gerenciamento humano..............................................................................................26 3.2 Aspectos da análise criminal ......................................................................................27 3.2.1 Escorço histórico.........................................................................................................27 3.2.2 Noções básicas de análise criminal.............................................................................28 3.2.3 Análises quantitativa e qualitativa................................................................................30 3.2.4 Tipos de análise criminal .............................................................................................31 3.2.5 Qualificação técnica do analista criminal .....................................................................33 3.2.6 Construção de ambiente de análise criminal na Polícia Militar ....................................36 3.2.7 Processo de análise criminal na Polícia Militar ............................................................37 3.2.8 Participação comunitária na análise criminal ...............................................................37 3.2.9 Ferramentas de análise criminal..................................................................................39 3.3 Mapeamento da criminalidade ....................................................................................41 3.3.1 Evolução histórica .......................................................................................................42 3.3.2 Sistema de Informação Geográfica .............................................................................43 3.3.3 Mapas .........................................................................................................................45 3.3.4 Zonas quentes de criminalidade..................................................................................47 3.3.5 Geoprocessamento na Polícia Militar ..........................................................................47 3.4 Estatísticas criminais...................................................................................................51 3.4.1 Breve histórico ............................................................................................................51 3.4.2 Contextualização.........................................................................................................52 3.4.3 Exemplos de interpretações imprecisas ......................................................................53 3.4.4 Índices de criminalidade ..............................................................................................54 4 PLANEJAMENTO ............................................................................................................56 4.1 Contextualização..........................................................................................................57 4.2 Definições de planejamento ........................................................................................58 4.3 Inovação e criatividade................................................................................................58 4.4 Princípios do planejamento.........................................................................................60 4.4.1 Princípios gerais do Planejamento ..............................................................................60 4.4.2 Princípios específicos do planejamento.......................................................................61 4.5 Tipos de planejamento ................................................................................................62 4.5.1 Planejamento estratégico ............................................................................................62 4.5.2 Planejamento tático.....................................................................................................63 4.5.3 Planejamento operacional ...........................................................................................63 4.6 Planejamento na Polícia Militar ...................................................................................64 4.6.1 Normatização ..............................................................................................................64 ii 4.6.2 Planejamento participativo ..........................................................................................65 4.6.3 Execução do planejamento .........................................................................................69 4.6.4 Avaliação do planejamento .........................................................................................71 5 METODOLOGIA ...............................................................................................................73 5.1 Tipo de pesquisa..........................................................................................................74 5.2 Natureza da pesquisa ..................................................................................................74 5.3 Método de abordagem .................................................................................................74 5.4 Método de procedimento.............................................................................................74 5.5 Técnicas........................................................................................................................75 5.6 Universo da pesquisa ..................................................................................................76 5.7 Tipo de amostragem ....................................................................................................77 5.8 Tratamento estatístico .................................................................................................78 5.9 Limitações ....................................................................................................................78 6 UTILIZAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE ANÁLISE CRIMINAL .......................................79 6.1 Diagnóstico sobre a utilização ....................................................................................80 6.2 Recursos humanos e logísticos..................................................................................86 6.3 Planejamento participativo..........................................................................................87 6.4 Execução do planejamento .........................................................................................98 6.5 Metas de redução da criminalidade ..........................................................................107 6.6 Avaliação dos serviços prestados............................................................................108 7 CONCLUSÕES E SUGESTÕES ....................................................................................110 7.1 Conclusões.................................................................................................................111 7.2 Sugestões...................................................................................................................115 REFERÊNCIAS .................................................................................................................118 APÊNDICE A: MAPA DO ESTADO DE MINAS GERAIS..................................................121 APÊNDICE B: MAPA DA 12ª REGIÃO DA POLÍCIA MILITAR.........................................122 APÊNCICE C: ROTEIRO DE ENTREVISTAS ...................................................................123 APÊNCICE D: QUESTIONÁRIOS .....................................................................................126 APÊNDICE E: ESTATÍSTICA CRIMINAL..........................................................................130 iii LISTA DE ABREVIATURAS BPM - Batalhão da Polícia Militar Cia PM - Companhia de Polícia Militar Cmt - Comandante CONSEP - Conselho Comunitário de Segurança Pública COPOM - Central de Operações da Polícia Militar CPU - Central Processing Unit (português: Unidade Central de Processamento) DBF - Data Base File DPSSP - Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública GPS - Global Positioning System: português: Sistema de Posicionamento Global IC - Índice de criminalidade ICV - Índice de criminalidade violenta P/2 - Seção de Inteligência de Batalhão P/3 - Seção de Planejamento de Batalhão PM - Policial Militar PM/2 - Seção de Inteligência do Estado Maior da Polícia Militar PM/3 - Seção de Planejamento do Estado Maior da Polícia Militar PMMG - Polícia Militar do Estado de Minas Gerais POG - Policiamento ostensivo geral PRODEMGE - Processamento de Dados do Estado de Minas Gerais PROERD - Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência REDS - Registro de Eventos de Defesa Social RPM - Região da Polícia Militar SIDS - Sistema Integrado de Defesa Social SIG - Sistema de informação geográfica. SPSS - Statistical Package for the Social Sciences TI - Tecnologia da informação iv DEFINIÇÃO DE PALAVRAS E TERMOS ArcView - Programa informatizado utilizado para trabalho com informações geográficas. Banco de dados - Conjunto de informações inter-relacionadas, organizadas e estruturadas em forma de arquivo. Cada arquivo de banco de dados é constituído de registros e campos os quais armazenam as informações. Dbase - Aplicativo criado na década de 80, cuja finalidade é permitir a criação e manipulação de arquivos de banco de dados. Muito fácil de operar, porém, tinha a desvantagem de ser lento no tratamento das informações. Suas versões mais recentes podem ser utilizadas em conjunto com o Clipper no desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de banco de dados. DBF - Data Base File, que significa extensão de arquivos de bancos de dados criados no Dbase. Eventos especiais - São eventos previsíveis, como shows musicais, partidas de futebol, dentre outros. Excel - Aplicativo utilizado para o desenvolvimento de planilhas eletrônicas de cálculos, que faz parte do pacote Microsoft Office. Hardware - Toda parte física de um computador e seus componentes. Sendo assim, quaisquer placas, unidades de discos, micro chips, microprocessadores, sistemas de cabeamento, monitores de vídeo, mouse, teclado, enfim, qualquer periférico ou outro componente eletrônico adaptado ou conectado à CPU. Home-page - Página de entrada em um site da Web, ou de outro sistema de hipertexto ou de hipermídia, que contém uma apresentação geral e um índice, com elos de hipertexto que remetem às principais seções de conteúdo do site. Hot spots - Zonas quentes de criminalidade. São os locais de maior concentração de crimes. Interface - Dispositivo físico ou lógico que faz a adaptação entre dois sistemas. Intranet - Rede interna utilizada em empresas de pequeno a grande porte, que permite o acesso de seus usuários à internet, devido ao uso v de um protocolo em comum. Apesar de oferecer acesso externo, não permite que usuários de fora da empresa acessem a rede privada. Mapinfo - Programa informatizado utilizado para trabalho com informações geográficas. Modus operandi - O termo é originado do latim e significa modo de agir. É comumente utilizado na literatura policial para se fazer referência ao modo como um agente comete determinado crime. Plotagem - Ato ou efeito de plotar. Plotar - Desenhar uma imagem a partir de linhas e pontos estrategicamente distribuídos e ligados sobre uma superfície. Policiais Militares que atuam no policiamento - Todas as Praças que exercem atividades no policiamento ostensivo geral (Sub Tenente, Sargento, Cabo e Soldado). ostensivo geral Policiamento ordinário - Emprego rotineiro de meios operacionais em obediência a um plano sistemático, que contém a escala de prioridades. Policiamento ostensivo geral - Tipo de policiamento ostensivo que visa a satisfazer as necessidades basilares de segurança, inerentes a qualquer comunidade ou a qualquer cidadão. Sistema operacional - Software que, na realidade, é um conjunto de comandos e pequenos programas cuja finalidade é dar todo o suporte para o perfeito funcionamento do computador e os programas de aplicações de usuário. Software - Toda parte lógica da informática, ou seja, qualquer tipo de programa, aplicativo, utilitário, arquivo, sistema operacional. SPSS - Statistical Package for the Social Sciences. Em português significa: Pacote Estatístico para as Ciências Sociais. Trata-se de um dos programas de análise estatística mais usados nas ciências sociais; é também usado por pesquisadores de mercado, na pesquisa relacionada com a saúde, no governo, educação e outros setores. Terra Crime - Programa informatizado utilizado para trabalho com informações geográficas. Unix - Sistema operacional produzido para os mini computadores, com a finalidade de proporcionar um meio uniforme e simples em que um número relativo pequeno de usuários pudessem utilizar um vi só sistema. Web site - Termo utilizado para definir uma home-page, ou seja, um conjunto de documentos escritos e dispostos de forma visual para visitas através de um navegador de internet. Zonas quentes de criminalidade - São áreas com alta incidência de criminalidade, que têm servido de base para o planejamento conjunto entre diversas agências públicas. São produzidas a partir da montagem e superposição de mapas temáticos de diferentes fontes, com informações a respeito de dados censitários e registro de ocorrências policiais atendidas num setor pré-estabelecido. Compõem os chamados geo-arquivos, cujo resultado mais visível é a possibilidade de análise específica da criminalidade de determinado local. vii RESUMO O objetivo deste trabalho é analisar e diagnosticar o emprego das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional nos Batalhões subordinados à 12ª Região da Polícia Militar até nível de Companhia da Polícia Militar. A pesquisa caracterizou-se como descritiva e exploratória. O instrumento de pesquisa adotado foi o questionário, aplicado a todos os Comandantes de Companhia e Chefes de Seção de Planejamento Operacional e de Inteligência; aos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral, atingindo a 22,54 % do efetivo de Praças que trabalham nos municípios sedes de Batalhões e de Companhia; a todos os Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública, existentes nas sedes de Companhia. Foram realizadas também entrevistas ao Comandante da 12ª Região de Polícia Militar, aos Comandantes de Batalhões da Região, e ao Chefe da Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior da Polícia Militar. Abordou-se a definição da identidade organizacional da Corporação, a gestão do conhecimento e o planejamento. Os resultados obtidos na pesquisa demonstram a necessidade de se adotar nos Batalhões da 12ª Região medidas para o melhor emprego das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional de maneira a otimizar as ações e operações de polícia ostensiva da ordem pública. viii ABSTRACT The objective of this work is to analyze and to diagnose the job of the tools of criminal analysis in the operational planning in the subordinate Battalions to 12nd Area of the military police to level of Company of the military police. The research was characterized as descriptive and exploratory. The research instrument adopted was the questionnaire, applied the all the Commanders of Company and Bosses of Section of Operational Planning and of Intelligence; to the Military Policemen that you/they act in the general ostensible policing, reaching to 22,54% of the cash of Squares that work in the municipal districts headquarters of Battalions and of Company; the all of the Presidents of Community Council of Public Safety, existent in the headquarters of Company. They were also accomplished interviews to the Commander of the 12nd military police Area, to the Commanders of Battalions of the Area, and to the Boss of the Section of Planning and Operations of the Larger State of the military police. It was approached the definition of the identity organizacional of the Corporation, the administration of the knowledge and the planning. The results obtained in the research demonstrate the need to adopt in the Battalions of the 12nd Area measured for the best job of the tools of criminal analysis in the operational planning in way to optimize the actions and operations of ostensible police of the public order. 9 SEÇÃO 1 INTRODUÇÃO 1 INTRODUÇÃO 10 1 INTRODUÇÃO A análise de estatísticas criminais e do geoprocessamento direcionada para a segurança pública é um processo sistemático de produção de conhecimento, realizada a partir do estabelecimento de correlações entre fatos delituosos ocorridos (constantes de boletins de ocorrências policiais) e padrões e tendências da criminalidade num determinado tempo e lugar. Por intermédio da análise de estatísticas criminais e da sua aplicação eficiente o administrador de segurança pública pode gerir os recursos que lhe são disponibilizados pelo Estado e ser efetivo no propósito de controlar e buscar a neutralização de manifestações da criminalidade e da violência. Os produtos da análise criminal servem ao propósito de apoiar as áreas estratégica, tática e administrativa das organizações de segurança pública, orientando o planejamento e emprego de recursos humanos e materiais no sentido da prevenção e repressão do fenômeno da criminalidade. Contribuem, de maneira específica, para as atividades de investigação, prisão de delinqüentes e esclarecimento de crimes, bem como norteiam a gestão das organizações policiais no suporte daquelas mesmas atividades. A Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, reconhecendo a importância da polícia científica introduziu na filosofia de emprego da Corporação a Polícia Orientada por Resultados, que tem como pilares o geoprocessamento e a participação da comunidade, por meio dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública. Esta nova forma de “ser” e “fazer” polícia vem ganhando força desde 1999 na capital e vem se disseminando ao longo dos anos nos demais municípios do estado de Minas Gerais. No ano de 2002 o programa Polícia de Resultados foi consolidado na Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nº 01, que estabelece entre seus princípios estratégicos: o acompanhamento da evolução da violência e da criminalidade com uso do geoprocessamento; o envolvimento da comunidade através dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública (CONSEP); o planejamento e execução das atividades de polícia ostensiva e a adequada coleta e utilização das informações gerenciais de Segurança Pública. 11 Nesse sentido, verificou-se a necessidade de analisar o emprego das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional da 12ª Região da Polícia Militar, nas quatro etapas que dão contorno ao exercício da atividade policial: gestão do conhecimento; planejamento operacional; execução de serviços de segurança pública; e avaliação dos resultados. Definiu-se como tema do presente trabalho: O emprego das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar: análise e diagnóstico. A pesquisa foi realizada nos Batalhões subordinados à 12ª Região da Polícia Militar até nível de Companhia PM, quanto ao policiamento ostensivo geral, levando-se em consideração o ano de 2004. A 12ª Região da Polícia Militar foi instalada em março de 2005 na cidade de Ipatinga e compreende 03 (três) Unidades de emprego operacional: 11º Batalhão de Polícia Militar (sede em Manhuaçu); 14º Batalhão de Polícia Militar (sede em Ipatinga) e 26º Batalhão de Polícia Militar (sede em Itabira). Abrange uma extensão territorial de 35.971 de Km² e uma população de 1.795.617 pessoas. A pesquisa limitou-se, portanto, aos municípios relacionados no quadro nr 1. Quadro 1 14 º BPM 11º BPM(2) Batalhão Municípios da 12ª Região da Polícia Militar, até nível Companhia PM(1) Companhia Área PM Carangola 75ª 357 Caratinga 74ª 1255 Manhuaçu 72ª 629 Ponte Nova 73ª 472 Rio Casca 118ª 385 Sub total .. 3098 Coronel Fabriciano 178ª 222 Ipaba 152ª 115 Ipatinga 82ª, 138ª, 143ª 166 Timóteo 85ª 146 Sub total .. 649 Município 2001 32030 78592 68113 55654 15233 249622 98636 14871 216429 73072 403008 População 2002 2003 32110 32198 79168 79808 68943 69788 55884 56154 15237 15227 251342 253175 99558 100535 15104 15370 219319 222485 74251 75538 408232 413928 2004 32383 81151 71561 56720 15205 257020 102588 15929 229133 78240 425890 12 26 º BPM Batalhão Município Barão de Cocais Guanhães Itabira João Monlevade Nova Era Sub total Total Companhia PM 57ª 78ª 83ª, 89ª 84ª 96ª .. .. Área 342 1079 1260 99 364 3144 População 2001 2002 2003 23708 24043 24346 28372 28387 28646 99770 100998 102239 67482 68236 68954 17770 17785 17800 237102 239449 241985 6891 889732 899023 909088 930218 2004 24981 29190 104846 70461 17830 247308 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior Nota: Sinal convencional utilizado: .. Não se aplica dado (1) Polícia Militar (2) Batalhão de Polícia Militar A relevância em se ter estudado o emprego das ferramentas de análise criminal é devido ao fato de que cada vez mais tem sido necessário o desenvolvimento de um modelo de polícia científica para se combater o crime e o medo dele decorrente. A presente pesquisa teve por objetivo geral: analisar e diagnosticar o emprego das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional nos Batalhões subordinados à 12ª Região da Polícia Militar até nível de Companhia da Polícia Militar. Os objetivos específicos são: verificação da qualificação dos recursos humanos empregados na operação dos programas informatizados e na análise criminal, bem como dos recursos logísticos e tecnológicos; verificação da participação dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública e do Policial Militar que atua no policiamento ostensivo geral no planejamento de emprego do policiamento; e verificar o grau de comprometimento da ocorrência de eventos especiais no planejamento operacional preventivo, fundamentado em análise criminal. Para o desenvolvimento da pesquisa, definiu-se como problema: as ferramentas de análise criminal estão sendo efetivamente aplicadas no planejamento operacional de forma a otimizar as ações e operações policiais militares? A resposta preliminar à solução deste problema foi assim definida na hipótese básica: as ferramentas de análise criminal são utilizadas no planejamento operacional nas Unidades, no entanto não têm otimizado as ações e operações de polícia ostensiva, desacordando com a filosofia da Instituição prevista na Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nº 01/2002. 13 A primeira hipótese secundária é: a deficiência dos recursos humanos, tecnológicos e logísticos dificulta a exploração das ferramentas de análise criminal em sua plenitude e a produção de informações qualitativas. A segunda hipótese básica é: o planejamento operacional não é realizado conjuntamente entre a Polícia Militar e Conselhos Comunitários de Segurança Pública. A terceira hipótese secundária é: o Policial Militar que executa o policiamento ostensivo geral não é participante ativo do planejamento de emprego operacional. A quarta hipótese secundária é: a ocorrência de eventos especiais compromete o planejamento operacional preventivo resultante da análise criminal. A quinta hipótese secundária é: as análises qualitativas das estatísticas criminais não vêm ocorrendo com freqüência, prevalecendo apenas as análises quantitativas. O presente trabalho, estruturado em sete seções, visa apresentar uma análise da utilização das ferramentas de análise criminal no planejamento das ações e operações de polícia ostensiva nos Batalhões com responsabilidade territorial da 12ª Região da Polícia Militar. A fundamentação teórica acerca do tema foi tratada em três seções, onde foram abordadas a identidade organizacional da Polícia Militar de Minas Gerais, a gestão do conhecimento e planejamento. Na seção 1 é apresentada a introdução deste trabalho de pesquisa, bem como seu objeto de estudo, problema e hipóteses. Na seção 2 foi realizada uma abordagem acerca da identidade organizacional da Polícia Militar de Minas Gerais, sendo apresentada a fundamentação para definição do negócio, missão, visão e valores da Instituição. Na seção 3 é feita abordagem a respeito da primeira etapa de aplicação das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional, que é a gestão do 14 conhecimento, onde são tratadas as tecnologias de informação; aspectos gerais da análise criminal; mapeamento da criminalidade; e estatísticas criminais. Na seção 4 são tratados os principais aspectos do planejamento, onde buscou-se abordar as três últimas etapas de aplicação das ferramentas de análise criminal, que são constituídas pela elaboração, execução e avaliação do planejamento. Esta abordagem é feita nas subseções: contextualização; definições de planejamento; inovação e criatividade; princípios do planejamento; tipos de planejamento; e planejamento na Polícia Militar de Minas Gerais. Na seção 5 é abordada a metodologia do trabalho, sendo tratados os métodos de abordagem e de procedimento, técnicas, universo da pesquisa, tipo de amostragem, tratamento estatístico e limitações. Na seção 6 são apresentados e analisados os dados da pesquisa quantitativa e qualitativa, relativos ao emprego das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar. Esta abordagem é feita nas subseções: diagnóstico da utilização; qualificação dos recursos humanos; planejamento participativo; execução do planejamento; metas para redução da criminalidade; avaliação do planejamento. Na seção 7 são apresentadas as conclusões acerca do objeto de pesquisa, bem como as sugestões consideradas relevantes para a Polícia Militar de Minas Gerais, com vistas a otimizar a sua atuação operacional, demonstrando a necessidade de implementar de forma consistente os conceitos de Polícia Orientada por Resultados, previstos na Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 01/2002, e em especial a mudança do modelo de uma polícia reativa para uma polícia comunitária com enfoque preventivo, e voltada para a solução de problemas de segurança publica. Por fim, foram inseridas as referências, e cinco apêndices, contendo mapas de Minas Gerais e da 12ª Região da Polícia Militar; roteiro de entrevistas realizadas, questionários da pesquisa aplicados aos Oficiais e Praças que atuam nos Batalhões na elaboração e execução do planejamento operacional, bem como aos Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública; e estatística criminal. 15 SEÇÃO 2 IDENTIDADE ORGANIZACIONAL 2 IDENTIDADE ORGANIZACIONAL 16 2 IDENTIDADE ORGANIZACIONAL Serão apresentadas nesta SEÇÃO a contextualização da identidade organizacional e a sua fundamentação para definição do negócio, missão e os valores da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. 2.1 Contextualização O planejamento tem se tornado um instrumento de gestão indispensável para organizações públicas e privadas de grande, pequeno ou médio porte, já que o quadro econômico, político e social vem sendo marcado por turbulências e mudanças imprevisíveis. Mais abrangente, o planejamento estratégico vem sendo implementado nas organizações na medida em que surge a necessidade de elaboração de filosofias e políticas, na escolha de objetivos, no desenvolvimento de estratégias e na sua implementação e controle. O Comando da PMMG1, com o propósito de legitimar o planejamento estratégico da Corporação e baseado na premissa de que o seu ponto de partida é constituído pela definição da identidade organizacional, designou a Comissão nº 040/02 para estudar e apresentar proposta acerca desta identidade em suas dimensões: o negócio, a missão, a visão e os valores (MINAS GERAIS, 2003c). Os trabalhos foram subsidiados pelas sugestões coletadas junto ao público interno e em ampla pesquisa bibliográfica existente, alusiva aos fundamentos legais e doutrinários de atuação da Polícia Militar e à sua cultura organizacional. A comissão iniciou os estudos a partir da análise dos aspectos legais que regem a missão da Polícia Militar de Minas Gerais e as concluiu em 2003, quando então deu continuidade às demais etapas para a elaboração do Plano estratégico da Instituição. 2.2 Fundamentação Nesta subseção será apresentado o produto deste trabalho, que definiu o negócio, a missão, a visão e os valores da Polícia Militar de Minas Gerais. 1 Polícia Militar do Estado de Minas Gerais 17 a) Missão institucional No tocante aos aspectos legais, buscou-se identificar na legislação pertinente as atribuições da Polícia Militar: - Constituição Federal, 5 de outubro de 1988 Art 144 – A Segurança Pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: [...] V – Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares; [...] § 5º - Ás Polícias Militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública [...] - Constituição Estadual, 21 de setembro de 1989 Art 142 – A Polícia Militar e Corpo de Bombeiros Militar, forças públicas estaduais, são órgãos permanentes, organizados com base na hierarquia e disciplina militares, [...] competindo: I – Á Polícia Militar, a polícia ostensiva de prevenção criminal, de segurança, de trânsito urbano, e rodoviário, de florestas e de mananciais e as atividades relacionadas com a preservação e restauração da ordem pública, além da garantia do exercício do poder de polícia dos órgãos e entidades públicos, especialmente das áreas fazendária sanitária, de proteção ambiental, de uso e ocupação do solo e de patrimônio cultural. - Decreto-lei nº 667, 2 de julho de 1969 Art 3º – Instituídas para a manutenção da ordem pública e segurança interna nos Estados, nos Territórios e no Distrito Federal, compete às Polícias Militares, no âmbito de suas respectivas jurisdições: a) executar com exclusividade, ressalvadas as missões peculiares das Forças Armadas, o policiamento ostensivo, fardado, planejado pela autoridade competente, a fim de assegurar cumprimento da lei, a manutenção da ordem pública e o exercício dos poderes constituídos. - Lei estadual nº 6624, de 18 de julho de 1975 (Lei de Organização Básica) Art 1º – À Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, considerada força auxiliar reserva do Exército, nos termos da Constituição, é organizada com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade superior do Governado do Estado, e destina-se à manutenção da ordem pública no território do Estado. Verificou-se que a Polícia Militar assume papel de relevância na preservação da ordem pública, prevenindo ou inibindo atos anti-sociais, atuando repressivamente na restauração da ordem pública, adotando medidas de proteção e socorro comunitários ou 18 atuando em apoio aos órgãos da administração pública, no exercício do poder de polícia que lhes couber. b) Definição do negócio Tavares (1991) revela que o negócio de uma organização é definido pelos desejos ou necessidades que ela satisfaz quando o usuário ou o consumidor compra seus produtos ou utiliza seus serviços, e não se deve ater à sua razão social, contratos ou estatutos. Satisfazer parcelas de consumidores ou usuários é o negócio básico de qualquer organização. O negócio é a linha mestra que a alta direção adota para orientar a ação e tornar possível a contínua interação da organização com o ambiente. A sua definição resulta da expressão de um propósito estabelecido através do consenso dos membros da alta administração. Sua função é orientar o comportamento de todos os membros da organização e expressar seus valores. A identificação de oportunidades, a neutralização de ameaças e atuação competente da organização só podem ocorrer a partir de uma definição precisa e sólida do seu negócio. “Implica em identificar quais mudanças básicas são apropriadas para a organização redefinir seu negócio.” (TAVARES, 1991, p. 87). Para a delimitação do negócio da PMMG, buscou-se encontrar termo ou expressão comum a todas as leis e regulamentos que balizam seu trabalho e orientam sua relação com o público externo. A partir desse elemento constante, procurou-se diagnosticar a “fatia de mercado” que a Instituição ocupa, no que se refere ao produto abstrato e genérico, de que resulta o empenho diuturno institucional ao buscar o provimento da segurança à sociedade mineira como um todo. Analisando toda a base jurídica de justificação social da PMMG, chegou-se à expressão “ordem pública” como termo comum. Partindo-se dessa expressão comum, o próximo passo foi a definição do bem abstrato maior, decorrente da atuação na ordem pública. A ordem pública é constituída por três pilares básicos: a segurança pública, a tranqüilidade pública e a salubridade pública. A segurança pública tende a evitar os perigos, geralmente sob a forma de delitos, que possam ameaçar os indivíduos ou a coletividade. A tranqüilidade pública tende 19 a evitar que pessoas ou situações possam prejudicar a convivência social. Já a salubridade pública está ligada a problemas de higiene e saúde pública. Assegurar a ordem pública é evitar que a segurança, a tranqüilidade e a salubridade sejam de certa forma perturbadas. Como o efeito buscado na promoção da ordem pública é a paz social, o negócio da Polícia Militar é, justamente, promove-la, na esfera de suas atribuições. Assim, o resultado da ordem pública e, consequentemente, o Negócio da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais é a paz social. c) Definição da missão Missão, segundo Tavares (1991), consiste na tradução do negócio em áreas específicas de desempenho, servindo para a tomada de decisão e para a definição de objetivos. Missão é a razão de existir da organização e delimita as atividades dentro do espaço que ela deseja ocupar. A definição da missão da PMMG tem origem no pensamento de Vasconcellos Filho e Pagnocelli (apud MINAS GERAIS, 2003c), segundo o qual a frase que explicitará a missão organizacional deverá conter respostas para as seguintes perguntas: (1) o que a organização deve fazer? (2) Para quem deve fazer? (3) Para que deve fazer? (4) Como deve fazer? Desdobrando-se a missão da Polícia Militar, em respostas específicas, verifica-se que significa: quanto à pergunta (1) O que a organização deve fazer? Proporcionar ambiente seguro, porque, como órgão integrante do sistema de segurança pública e com atribuições de polícia ostensiva, cabe prioritariamente à Corporação através das ações de presença em locais públicos e abertos ao público, proporcionar a sensação objetiva e subjetiva de segurança no ambiente. Quanto à pergunta (2) Para quem deve fazer? Todos os que estejam em Minas Gerais, porque as ações da Corporação são desenvolvidas em todo o território mineiro, atingindo qualquer pessoa que esteja presente no Estado, em caráter definitivo ou transitório. Na seqüência, observa-se que, à pergunta (3) Para que deve fazer? Cabe a resposta: proteger a vida, porque esta consiste no maior bem a ser preservado, sendo atribuição constitucional da Corporação (Constituição Federal), devendo-se frisar que a 20 escolha desse bem não retira da esfera de cuidados da PMMG os outros bens juridicamente tutelados. Ainda nesta resposta, reduzir o crime e o medo, pois prevenir delitos também é atribuição constitucional (Constituição Estadual), além de se constituir na principal estratégia para alcançar o ambiente seguro. Deve-se buscar não somente a redução dos índices criminais, como também evitar a crença de que existe a oportunidade de delinqüir. Como parte final do enunciado de resposta à questão para que deve fazer, tem a Corporação o escopo de garantir a lei, haja vista que, além de preservar a incolumidade física das pessoas e do patrimônio, garantir a lei também é competência da Corporação quando deve garantir o poder de polícia aos órgãos e entidades públicos. A última indagação – (4) Como deve fazer?, cabe “com participação comunitária”, pois representa a principal vocação e filosofia que orienta as ações operacionais da PMMG, dentro do exercício de seu papel social, contemporaneamente voltado, como as demais instituições, para a abertura democrática. A missão da Polícia Militar é proporcionar um ambiente seguro em Minas Gerais: com participação comunitária, protegendo a vida, garantindo a lei e reduzindo o crime e o medo. d) Visão de futuro Com o propósito de fazer com que o Policial Militar se sinta parte da instituição, motivando-o a elevar o nome da marca “Polícia Militar”, através de sua conduta pessoal e profissional, buscou-se delinear uma visão clara, envolvente, fácil de memorizar, e principalmente simpática ao público interno e externo. A referência na produção de serviços públicos é indicativa da busca por se colocar a Corporação numa posição de exemplo de gestão de recursos, no contexto de todas as organizações governamentais. Ser orgulho do povo mineiro significa como a Corporação quer ser percebida, o que somente ocorrerá com a cultuação e a prática diária dos valores e princípios éticos e morais. A visão da Polícia Militar é “sermos reconhecidos como referência na produção de serviços públicos e orgulho do povo mineiro”. 21 e) Valores da Polícia Militar Valores são os princípios basilares que norteiam a conduta dos integrantes de um determinado grupo social, podendo variar com o tempo, de acordo com a própria evolução da sociedade. Expressam, por isto, fundamentos que balizam as ações do indivíduo no seu meio de convívio social. Assim, entender os valores é perceber o espírito reinante no grupo, num determinado momento histórico, geralmente de longa duração, que conduzem as atitudes das pessoas que o integram. Os valores da Polícia Militar são ética, respeito, humanização, crescimento e participação. Na PMMG, a ética significa uma aguçada percepção do certo e do errado, e de uma opção institucional consciente, pela prática e defesa do bem, dirigida para a conduta global dos seus integrantes, nas esferas profissional e pessoal. Assim, a Corporação não admite a prática de condutas que comprometam sua imagem de organização concebida para a promoção do bem comum, do interesse da coletividade, em detrimento de interesses pessoais, na relação de seus integrantes entre si, com autoridades públicas ou pessoas que de algum modo se relacionem com a Polícia Militar. O respeito traduz, enquanto valor institucional, o conjunto de atitudes, apregoadas desde os cursos de formação profissional, de demonstração de observância dos direitos humanos, de respeito às leis e regulamentos, de consideração às autoridades constituídas, e de observância da hierarquia interna, como meio para convívio harmonioso entre os diversos postos e graduações e afluência de ordens. A humanização, enquanto valor, refere-se ao esforço institucional no sentido de, externamente, promover os direitos humanos, no provimento de segurança pública e, internamente, respeitar as potencialidades e características individuais, dentro de uma base comum de direitos e obrigações. Crescimento é valor indicativo do apoio institucional ao desenvolvimento individual e profissionalização de seus talentos humanos, dentro da percepção de que a grandiosidade da PMMG, enquanto organização pública deve-se ao conjunto dos valores dos seus integrantes. Participação é valor concernente a políticas institucionais de apoio à mobilização comunitária e de envolvimento de seus integrantes nesse processo. 22 SEÇÃO 3 GESTÃO DO CONHECIMENTO 3 GESTÃO DO CONHECIMENTO 23 3 GESTÃO DO CONHECIMENTO Objetivando ilustrar o processo de aplicação das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar, buscou-se abordar nesta SEÇÃO as tecnologias da informação; aspectos da análise criminal; mapeamento da criminalidade; e estatísticas criminais. 3.1 Tecnologias da informação As mudanças drásticas na TI2 durante a última década têm sido alguns dos principais impulsionadores da hipercompetição e têm levado à rotulagem de nossa era como a “era da informação”. Esta era está provando ser um período de competição intensa, extraordinária. Novas formas de tecnologia de informação têm levado ao colapso das barreiras tradicionais da era industrial para a entrada de economias de escala, acesso a sistemas de distribuição, propaganda em massa, localização e acesso por competência. No novo milênio, a TI tornou-se estratégia, pois tem se tornado um meio para a obtenção de vantagem, ou seja, cada vez mais a mudança do seu modelo comercial significa o uso explorador da tecnologia da informação. É mediante a tecnologia da informação que a vantagem é criada, a definição da empresa é revisada. A tecnologia da informação tornou-se o principal veículo por meio do qual os modelos comerciais se expressam. Tecnologia da informação não é mais apenas uma despesa; é o veículo para alcançar os clientes, dar mais valor aos produtos, desviar competidores e melhorar a produtividade. As tecnologias de informação são encaradas como o grande suporte para o armazenamento e difusão de conhecimentos. Mas suas utilidades não se restringem tão somente a estas tarefas, sendo muito mais abrangentes, pois, segundo Alves (apud SILVA, 2003, p. 30) “a aplicação das novas tecnologias visa a avaliação, gestão e controle de sistemas, de forma eficaz e à distância. Aumenta a cooperação entre os braços distantes das linhas de produção, de forma a gerar soluções cada vez mais eficientes e eficazes.”. 2 Tecnologia da Informação 24 Boar (2002, p. 28), ao tratar dos paradoxos estratégicos da era da informação, destaca um deles: “Para usar a TI de modo eficaz, é preciso usá-la em excesso”. Para o autor, o estrategista de tecnologia de informação preocupado com o custo não busca usar apenas os meios suficientes, mas um excesso de meios para realizar seus fins. “Excesso” significa mais do que analiticamente justificado pelas circunstâncias; no entanto, isso não significa desperdício ou prodígio. A tecnologia da informação consegue, paradoxalmente, seu maior valor para a empresa quando é usada em excesso. Neste sentido, considerar-se-á um comandante militar que precisa atrair seu inimigo. Se ele usar a lógica linear e distribuir apenas os recursos suficientes, ele ganhará, mas essa será uma vitória cara. Se ele aplicar uma força em excesso ao seu oponente, conseguirá seus objetivos com menos casualidades. Todos os custos da batalha serão evitados (armas danificadas, confusão, soldados feridos e mortos). No ponto do conflito, o comandante eficaz não busca usar apenas o suficiente, mas aplica meios em excesso ao oponente. O comando não usa a lógica contábil mantida em situações de conflito, mas aplica a lógica paradoxal que governa no ponto da batalha. Ao aplicar este paradoxo na gestão de informações da Polícia Militar, significa que quanto maior for o uso da tecnologia, mais informações serão obtidas sobre a criminalidade, tanto quantitativas como qualitativas. Isto possibilita alocação de recursos nos locais e horários de maior necessidade de presença de policiamento, e consequentemente o alcance dos objetivos com menor custo. Serão tratados nesta subseção: dado, informação e conhecimento; e gerenciamento humano. 3.1.1 Dado, informação e conhecimento Para uma melhor compreensão da gestão da tecnologia da informação, é necessário conhecer as distinções existentes entre os termos: dado, informação e conhecimento. a) Definição de dado Davenport (1998, p. 19) afirma haver dificuldades em se distinguir tais termos, por estarem intrinsecamente ligados, entretanto, define dado como “observação sobre o 25 estado do mundo”, ou seja, são elementos básicos pelos quais pode-se observar uma realidade, mas não possuem significado para o observador, por apresentarem-se isolados. Aplicando este conceito à realidade da Polícia Militar, pode-se afirmar que o registro de uma determinada ocorrência policial no sistema é considerado um dado que, isoladamente, não apresenta nenhum significado sobre o fenômeno da criminalidade. b) Definição de informação Peter Drucker (apud DAVENPORT, 1998, p. 19) definiu informação, com eloqüência, como “dados dotados de relevância e propósito”. Ao contrário dos dados, a informação exige análise. Para Fialho Jr. (2002, p.115) informação: “trata-se do resultado do processamento de determinados dados, o qual pode ser interpretado pelo ser humano [...]”. Já McGee e Prusak (apud SILVA, 2003, p. 24) estabeleceram que “informação são dados coletados, organizados, ordenados, aos quais são atribuídos significados e contexto. Informação deve informar [...]” e afirmam ainda que as pessoas “[...] criam informações a partir de suas próprias leituras, relação com os dados e contexto que criam para elas.” (MCGEE E PRUSAK apud SILVA, 2003, p. 24). Informação, pois, deve ser entendida como o dado transformado para atender a uma finalidade. A informação é a principal matéria prima do trabalho policial, tanto a informação macro sobre as tendências e características do crime em determinadas áreas quanto a informação micro, que leva ao desbaratamento de quadrilhas e a prisão de suspeitos. Portanto, para que o Policial Militar obtenha êxito nas suas ações, deve-se municiá-lo de informações e não de dados ou informações pouco consistentes ou que tenham decorrido de uma análise deficiente, como tem sido observado, atualmente, nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar. c) Definição de conhecimento Por fim, Davenport (1998, p. 19) define conhecimento como “a informação mais valiosa e consequentemente, a mais difícil de gerenciar”. É valiosa precisamente porque alguém deu à informação um contexto, um significado, uma interpretação; alguém refletiu sobre o conhecimento, acrescentou a ele sua própria sabedoria. 26 Para Silva (2003, p. 24) o conhecimento é “uma informação mais trabalhada, devidamente contextualizada, fruto do trabalho crítico e dotado de saber do homem, incluindo reflexão e síntese”. Dado, informação e conhecimento fazem, portanto, parte de um mesmo processo, diferenciando-se um do outro através do grau de participação da mente humana aplicado a cada um. Quadro 2 Conceituação de dados, informação e conhecimento Dado Informação Conhecimento Simples observação sobre o Dados dotados de relevância estado do mundo e propósito • Facilmente estruturado • Requer unidade de análise • Facilmente obtido por • Exige consenso em relação máquinas ao significado • Frequentemente • Exige necessariamente a qualificado mediação humana • Facilmente transferível Informação valiosa da mente humana Inclui reflexão, síntese, contexto • De difícil estruturação • De difícil captura em máquinas • Frequentemente tático • De difícil transferência Fonte: Quadro apresentado por DAVENPORT, Thomas H. Ecologia da informação: por que só a tecnologia não basta para o sucesso na era da informação. São Paulo: Futura, 1998. 3.1.2 Gerenciamento humano Como naturalmente seria de se esperar, grande parte do foco da estratégia de tecnologias de informação tem sido sobre a tecnologia. Como conseqüência disso, a estratégia de tecnologia de informação focaliza quase exclusivamente o não-humano; por exemplo, os estrategistas de tecnologia de informação debatem exaustivamente sobre sistemas operacionais, banco de dados, web site3, tecnologias de objeto, entre outros. O que eles não debatem é o elemento humano da estratégia de tecnologia de informação. Boar (2002, p. 102) traz uma abordagem a respeito: [...] A experiência tem mostrado que, com mais freqüência, o sucesso está muito ligado ao comprometimento das equipes de implementação com seus esforços de tecnologia. A parte humana na equação da tecnologia da informação geralmente faz a diferença. 3 Termo utilizado para definir uma home-page, ou seja, um conjunto de documentos escritos e dispostos de forma visual para visitas através de um navegador de internet. 27 Percebe-se que o sucesso definitivo da execução de uma estratégia de tecnologia depende mais de sua capacidade de gerenciar os aspectos humanos do comprometimento organizacional. Nesse sentido, pode-se afirmar que uma estratégia de tecnologia medíocre, implementada com uma análise organizacional profunda e duradoura, terá um sucesso brilhante, enquanto uma estratégia de tecnologia excepcional, implementada com apatia, será um fracasso. O desempenho estratégico das vantagens da tecnologia de informação serão maiores, se esta estratégia passar de uma absorção desqualificada com o nãohumano para uma apreciação do humano. Para que se possa alcançar este propósito é importante que a organização elabore um planejamento do comprometimento. Um plano de comprometimento é, segundo Boar (2002), um conjunto específico de ações tomadas para estabelecer e sustentar a credibilidade. É um conjunto de ações tomadas para alterar as crenças e redirecionar as ações de outros no suporte da sua estratégia de tecnologia. Ele demonstra o comprometimento da equipe de liderança com a estratégia e, fazendo isso, influencia e molda os níveis de comprometimento do pessoal à estratégia. Um plano de comprometimento complementa o plano da tecnologia. 3.2 Aspectos da análise criminal Nesta subseção serão abordados: escorço histórico; noções básicas de análise criminal; análises quantitativa e qualitativa; tipos de análise criminal; qualificação técnica do analista criminal; construção de ambiente de análise criminal na Polícia Militar; processo de análise criminal na Polícia Militar; participação comunitária na análise criminal; e ferramentas de análise criminal. 3.2.1 Escorço histórico A tentativa de identificar modelos estáveis de causalidade sobre o fenômeno da violência e da criminalidade tem sido objeto de estudo de várias disciplinas ao longo da história das ciências sociais, entre outras, a criminologia e a chamada "antropologia da violência". Desde muito tempo, ainda nos pródromos da formulação das bases teóricoconceituais que culminaram com o estabelecimento da disciplina da moderna Sociologia Criminal, no Século XX, estudiosos já se ocupavam de tentar explicar as origens da 28 violência e da criminalidade, como Becaria (1738-1794) e Bentham (1748-1832), sob a égide da chamada “Teoria da Natureza Humana”. Dos primórdios da escola clássica e da Teoria da Natureza Humana, aos dias de hoje, persiste à busca de modelos explicativos de expressões anti-sociais do comportamento humano. Essa busca, na modernidade, continua, na expressão das formulações das teorias Marxista, da Distensão, Feminista e Pós-Modernista da Criminologia. O que existe de novo é a incorporação dos conhecimentos da criminologia a uma área acadêmica relativamente recente, a chamada “Justiça Criminal". Tal disciplina é hoje um continente de convergência das teorias clássicas acadêmicas e formulações da ciência policial, disciplina gestada sob as experiências práticas, principalmente nos Estados Unidos da América, na administração da segurança pública nos últimos dois séculos. A moderna justiça criminal vem buscando, em seu viés do ambiente conceitual da administração pública, identificar novas tecnologias do conhecimento capazes de implementar uma gestão da segurança pública motivada por políticas, métodos e processos científicos de produção de conhecimento, cuja influência prática e objetiva estaria refletida na própria operação do sistema de segurança pública, aí incluídos os órgãos policiais, caso das polícias civis e militares do Brasil. Um exemplo atual seria o Projeto Mapa4, atualmente em uso na gestão do policiamento ostensivo realizada pela Polícia Militar de Minas Gerais. 3.2.2 Noções básicas de análise criminal A análise criminal, realizada pela Polícia Militar, revela um importante papel, pois proporciona um acompanhamento geral e específico dos serviços prestados pela Corporação; facilita a identificação e a localização de problemas e deficiências no policiamento; proporciona a produção de resultados satisfatórios ao público alvo, atendendo as necessidades dos clientes; proporciona segurança para o público interno e, por fim, dá confiabilidade às informações produzidas pela Corporação. 4 O projeto MAPA consiste na utilização intensiva de informações oriundas das ocorrências registradas pela Polícia Militar de Minas Gerais para efeitos de planejamento operacional, e para o desenvolvimento de programas e projetos de controle da criminalidade em Belo Horizonte. 29 a) Conceitos de análise criminal Para um melhor entendimento sobre o assunto, buscou-se definir análise criminal de acordo com entendimentos de alguns autores e da Instituição Policial Militar: De acordo com Dantas (2000): é um processo analítico e sistemático de produção de conhecimento, orientado segundo os princípios da pertinência e da oportunidade, sendo realizado a partir do estabelecimento de correlações entre conjuntos de fatos delituosos ocorridos (“ocorrências policiais”) e os padrões e tendências da “história” da criminalidade de um determinado local ou região. De acordo com Steven Gottieb (1994, apud DANTAS, 2004): é um conjunto de processos sistemáticos direcionados para o provimento de informação oportuna e pertinente sobre os padrões do crime e suas correlações de tendências, de modo a apoiar as áreas operacional e administrativa no planejamento, distribuição de recursos para prevenção e supressão de atividades criminais, auxiliando o processo investigativo e aumentando o número de prisões e esclarecimento de casos. Em tal contexto, a análise criminal tem várias funções setoriais na organização policial, incluindo a distribuição do patrulhamento, operações especiais e de unidades táticas, investigações, planejamento e pesquisa, prevenção criminal e serviços administrativos (como orçamento e planejamento de programas). De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais análise criminal é atividade desenvolvida por pessoa capacitada, que visa à identificação dos fatores que envolvem a criminalidade, em termos qualitativos e quantitativos, bem como a identificação de variáveis que se relacionam com esses fatores, apresentando correlações entre si, ou não. A análise criminal é feita com base nos aspectos de espaço e tempo e é fundamental no planejamento de ações e operações policiais (MINAS GERAIS, 2004, p. 103-104). b) Objetivos da análise criminal A análise criminal tem por objetivo apoiar as áreas operacionais e da gestão administrativa das organizações policiais, orientando o planejamento e emprego de recursos humanos e materiais no sentido da prevenção e repressão do fenômeno da criminalidade e da violência. Contribui de maneira objetiva para as atividades de investigação, prisão de delinqüentes, esclarecimento de crimes e, obviamente, prevenção criminal. 30 Na atuação policial, a análise criminal procura chegar às causas da criminalidade, através do estudo de seus efeitos; procura decompor os fatores e as variáveis da criminalidade e estudá-las detalhadamente. A polícia junta diversos tipos de informações e as usa para diferentes fins, orientando-se por suposições, baseadas no senso comum, a respeito de seu trabalho, de sua atuação principal, e nas expectativas de seu público. A polícia junta informações primárias5, ou dados “crus”, que então são processadas, no policiamento, para resolver crimes ou encerrar eventos, transformando-os em informações secundárias6 (TONRY, 2003, p. 378). Neste sentido o objetivo da análise criminal é a produção do conhecimento relativo à identificação de parâmetros temporais e geográficos do crime, bem como detectar a atividade e identidade da delinqüência correspondente. Conclui-se, portanto, que a análise criminal tem o propósito de direcionar as ações e operações da Polícia Militar com vistas o cumprimento de sua missão constitucional. Isto, pois, a eficácia das ações e operações somente será atingida se o planejamento fundamentar-se em informações consistentes advindas de análise acurada dos indicadores de segurança públicos produzidos com base na geo-estatística, além de utilizar-se de criatividade em sua concepção. 3.2.3 Análises quantitativa e qualitativa Segundo a Polícia Militar de Minas Gerais análise criminal é abordada nos aspectos quantitativo e qualitativo (MINAS GERAIS, 2004): a) A análise quantitativa determina a proporção de fatores e variáveis que influenciam no comportamento criminal. É uma abordagem numérica e de fácil interpretação, podendo, muitas vezes, tornar-se apenas uma composição da estrutura geral da análise criminal. b) A análise qualitativa é responsável pela identificação dos fatores e das variáveis que influenciam no comportamento criminal. A identificação é um processo mais 5 6 Informações não trabalhadas Informações trabalhadas, ou processadas 31 complexo porque, além do apontamento simples dos fatores, na realização da análise qualitativa, o analista deve conhecer a relação que os fatores identificados têm com o comportamento criminal e entre si. A análise qualitativa identifica o problema a ser solucionado. De acordo com Silva (2003) a análise quantitativa consiste na busca de respostas para as perguntas: “O que?”, “Quando?” e “Onde?”. Estas respostas devem ser respondidas pela Seção de Planejamento das Unidades da Polícia Militar, por intermédio da análise das estatísticas criminais e do geoprocessamento, provenientes dos dados registrados no sistema. Já a análise qualitativa, é feita pela Seção de Inteligência, que procura responder: “Quem?”, “Como?” e “Porque?”, através dos dados não constantes no sistema, verificando modus operandi7, residência do agente, meios utilizados para consumação do crime, dentre outros. Figura 1 Representação gráfica da análise criminal Isto permite inferir que a análise criminal não é atividade a ser desenvolvida somente pela Seção de Planejamento mas, também, pela Seção de Inteligência. E, havendo esse trabalho conjunto é possível que se obtenha uma análise quantitativa e qualitativa. 3.2.4 Tipos de análise criminal Dantas (2004) identifica três tipos de análise criminal: tática, estratégica e a administrativa. 32 a) Análise criminal tática É um processo analítico de produção de conhecimento em suporte às atividades policiais operacionais (policiamento ostensivo e investigação), visando subsidiar pronta resposta das autoridades policiais às ocorrências criminais surgidas num determinado momento e lugar. Esse tipo de análise inclui a associação de dados relativos a ocorrências específicas com dados de grandes bases históricas das demais ocorrências policiais, visando a identificação de relações entre variáveis como: método, data-hora, local e instrumento(s) utilizado(s), entre outras possibilidades, no sentido da identificação e prisão de autores de delitos. Visto de outra forma, através da identificação de aspectos específicos de ocorrências do fenômeno da criminalidade a análise tática produz indicações que podem levar a um rápido esclarecimento de casos/ocorrências, através da vinculação de um determinado indivíduo e respectivo modus operandi à autoria de um delito sendo investigado num dado momento. Cite-se como exemplo de análise criminal tática os trabalhos analíticos que identificam um padrão resultante das ações de um determinado delinqüente que comete uma série de crimes, do mesmo tipo penal, em uma mesma localidade, e em um pequeno espaço de tempo. b) Análise criminal estratégica Está voltada para a resolução de problemas de longo alcance na gestão da segurança pública, partindo de "projeções de cenários" em que as premissas básicas indicam diferenciação qualitativa e/ou aumento ou diminuição da criminalidade futura (padrões e tendências). A análise criminal estratégica inclui a preparação de sumários de estatística criminal, bem como a realização de estudos e elaboração de planos para a identificação e aquisição de recursos futuros para a gestão. 7 O termo é originado do latim e significa modo de agir. É comumente utilizado na literatura policial para se fazer referência ao modo como um agente comete determinado crime. 33 Também pode ser colocado que esse tipo de análise está voltado para a formulação de estratégias operacionais na busca de soluções para problemas gerais de natureza corrente. Assim, produzirá informações para a alocação de recursos institucionais, incluindo a configuração das áreas físicas de atividade policial e dias e horários do emprego da força policial. Busca também identificar atividades criminais fora do padrão comum de ocorrências, e/ou com freqüência inferior ou superior aos valores usuais, e/ou consumadas em tempos diversos da sua distribuição sazonal regular. Assim, a análise estratégica pode identificar condições anômalas na segurança pública, possibilitando um redimensionamento da prestação de serviços policiais, otimizando sua efetividade. Essa análise, portanto, pode resultar em redução ou supressão de problemas crônicos, contribuindo para o estabelecimento de políticas comunitárias e de resolução de problemas da gestão da segurança pública. Na análise estratégica, o analista estará voltado, por exemplo, para a determinação de um padrão geral de delinqüência (a exemplo, arrombamentos) e que produz uma série de vítimas tipicamente pertencentes a um mesmo grupo de risco (a exemplo, os comerciantes de determinado tipo de produto e de uma determinada cidade). Um dos resultados típicos da análise criminal estratégia é a formulação de programas preventivos. c) Análise criminal administrativa Está focada nas atividades de produção de vários tipos de conhecimento, incluindo o econômico, geográfico, social e organizacional (policial), com a finalidade de dar suporte a gestão policial, a do executivo local e dos conselhos comunitários e grupos da sociedade organizada. Envolve projetos de longo alcance nas áreas financeira, política e legislativa. Sua produção é crucial para a gestão orçamentária, de pessoal e de relações públicas, sem esquecer questões relativas à vinculação da segurança pública local com o funcionamento do Poder Judiciário. Ela provê os gestores de informações gerais de natureza econômica, social, geográfica, ou de outra área qualquer do conhecimento com interface com a segurança pública. 3.2.5 Qualificação técnica do analista criminal 34 O analista de criminalidade, no âmbito da Polícia, é o profissional capacitado a identificar e correlacionar, através de uma abordagem científica, os fatores e as variáveis que envolvem a criminalidade e controle do crime, para o planejamento de ações e operações policiais. O analista tem um papel de extrema importância no contexto organizacional. Ele, em primeiro lugar, deve conhecer detalhadamente os objetivos da organização em que trabalha e, principalmente, o serviço realizado por ela. Deve ter uma visão pormenorizada da situação que envolve a produção dos serviços para identificação mais precisa de problemas. As técnicas de análise devem ser de domínio do analista, que além de um espírito de pesquisador, deve ser proativo e curioso. O monitoramento constante de informações deve ser sua principal diretriz de ação. O analista deve conhecer bem os métodos estatísticos, o processo de gestão de informações, através de banco de dados e o geoprocessamento entre outras ferramentas. Beato (2000?, p. 12), ao tratar do curso de análise de crimes para policiais que ocupavam cargos nas diretorias de planejamento e emprego operacional de Belo Horizonte, relata que: “o nível de analistas de crime interessa-se por identificar tendências, padrões e representações gráficas do nível de crime para fins de gerenciamento, orientação de ações num nível agregado e para dar informações para a comunidade.”. Segundo Dantas (2000?), o analista criminal deve ter técnicas e conhecimentos específicos, entre os quais buscou-se destacar: análise de vínculos; análise de fenômenos da segurança pública; estatística aplicada ao estudo dos fenômenos da segurança pública; e análise de fenômenos da segurança pública através dos chamados "Sistemas de Informação Geográfica" (SIG8). a) Análise de vínculos 8 O nome original em inglês é Gograph Information System (GIS) 35 A utilização da análise de vínculos, análise investigativa visual, mapas e tabelas de eventos temporais como instrumentos analíticos empregados na segurança pública, inclui técnicas de análise, desenvolvimento de mapas e tabelas de eventos temporais e uma visão geral dos softwares9 comumente utilizados para tal finalidade. b) Análise de fenômenos da segurança pública Os elementos básicos de análise e técnicas para o estabelecimento de cenários prospectivos de ocorrências futuras e criação de boletins de ocorrências através da utilização de informações que correspondem às variáveis da análise de delitos e respectivas tendências, inclui os tipos de análise e como elas são utilizadas na segurança pública. O processo de análise, o mapeamento de fenômenos e os aplicativos (software) utilizados para tal finalidade. c) Estatística aplicada ao estudo dos fenômenos da segurança pública A introdução ao uso da estatística para realização de análises de fenômenos da segurança pública, inclui uma visão geral das funções da estatística descritiva e inferencial, cálculo das funções mais comumente utilizadas nos trabalhos de análise e utilização de instrumentos computacionais (software) para sua realização. d) Análise de fenômenos da segurança pública através dos chamados "Sistemas de Informação Geográfica" (SIG) A utilização do aplicativo ArcView10 de SIG na realização de análise de inteligência da segurança pública ocorre em três fases: administrativa, estratégica e tática. Os vários tipos de mapas, identificação de "pontos quentes", padrões de ocorrências de fenômenos, relatórios de ocorrências e análise espacial são instrumentos de apoio à implementação das três fases de análise. O trabalho do analista criminal, fundamentalmente, é obter respostas para questões que possam afetar a qualidade de vida da comunidade, fruto de problemas relativos ao crime. 9 Toda parte lógica de informática, ou seja, qualquer tipo de programa, aplicativo, utilitário, arquivo, sistema operacional e jogos. 10 Programa informatizado utilizado para trabalho com informações geográficas. 36 3.2.6 Construção de ambiente de análise criminal na Polícia Militar De acordo com a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais para composição de uma estrutura responsável pela análise criminal, o analista deve seguir alguns critérios básicos que tornarão os trabalhos de análise mais adequados e metodizados, trazendo uma maior confiabilidade (MINAS GERAIS, 2004): trabalho com um sistema de informação, mapeamento da criminalidade e análise estatística. a) Trabalho com um sistema de informação Sistema de informação é um software capacitado para a coleta de dados, processamento de informações e geração de conhecimento. São capacitados para gerir grandes volumes de informações e são chamados de sistemas de banco de dados. b) Mapeamento da criminalidade O analista de criminalidade deve conhecer e saber trabalhar com um Sistema de Informações Geográficas (SIG). A criação de mapas temáticos que possibilitem a demonstração visual dos dados e das informações coletadas é um dos pontos fundamentais na análise criminal. Os mapas criados devem primar pelas variáveis tempo e espaço, focalizando a criminalidade estudada sobre esses dois aspectos. Podem enfocar a análise quantitativa ou qualitativa e devem demonstrar a concepção de crimes e delitos por tipo, por ano, mês, dia da semana e faixa horária. O analista de criminalidade, de posse de um mapa temático, pode formular hipóteses sobre determinado crime ou delito, estudar o comportamento do cidadão infrator, realizar estudo sócio-econômico, quantitativo e cultural da população, verificar padrões de mobilidade da população e acompanhar o crime organizado. c) Análises estatísticas 37 Uma estrutura adequada necessita da análise estatística que em conjunto com o mapeamento do crime dê condições para um planejamento que enfatize a prevenção nas ações e operações policiais. Através da análise estatística, os índices e as taxas de segurança pública poderão ser calculados e trabalhados periodicamente proporcionando um quadro comparativo e evolutivo da criminalidade local. 3.2.7 Processo de análise criminal na Polícia Militar Conforme a Polícia Militar de Minas Gerais, a análise da criminalidade na Corporação deve ser desenvolvida com base em dois princípios básicos: visão sistêmica do problema e análise com ênfase na ação preventiva (MINAS GERAIS, 2004). a) Visão sistêmica do problema É o modo como o analista de criminalidade deve abordar o problema da criminalidade dentro do sistema social e como um dos tópicos principais da segurança pública. b) Análise com ênfase na ação preventiva A análise com ênfase na ação preventiva reveste a análise criminal na Polícia Militar, por ser a prevenção o principal objetivo da Organização, constituindo em seu “negócio”, que se origina do papel constitucional previsto: “Às polícias militares cabem a polícia ostensiva e a preservação da ordem pública [...]” (BRASIL, 2005). Policiamento ostensivo e preservação da ordem estão diretamente relacionados à prevenção. Esta análise deve enfocar, no problema da criminalidade, nos fatores tempo, espaço, modo de atuação do cidadão infrator e tipo de crime ou delito. Na ação policial, a análise deve verificar a correta alocação dos recursos logístico e potencial humano para uma prevenção eficiente e eficaz. 3.2.8 Participação comunitária na análise criminal Não restam dúvidas de que a participação comunitária agrega valor às ferramentas de análise criminal disponíveis ao planejamento, pois: 38 [...] os encontros comunitários formais e os contatos informais da Polícia com os moradores e trabalhadores locais aumentariam o fluxo de informações sobre crimes e suspeitos, da população para a Polícia, aumentando também a probabilidade de punição dos criminosos. Este aumento do fluxo de informações seria útil também para as estratégias preventivas contra o crime (KAHN, 2002, p. 15). A Polícia Militar de Minas Gerais, através da Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nº 04/2002 identificou os Conselhos Comunitários de Segurança Pública para buscar esta participação (MINAS GERAIS, 2002b), de maneira que as informações produzidas pela comunidade possam agregar valor às estatísticas e às informações do geoprocessamento, aprimorando ainda mais as análises criminais. É desta forma que a comunidade participa. Para exemplificar esta participação, segundo Kahn (2002), a Polícia de Chicago, utiliza-se de um sistema de montagem de dados sobre suspeitos e modus operandi cujas informações tem origem de, pelo menos, três fontes, entre elas estão os grupos comunitários. As informações são produzidas por meio de encontros formais e informais com a comunidade e de agências e associações de programas de prevenção e são confrontadas com outras fontes. Todas estas informações são processadas pelo sistema que as encaminha a uma unidade de análise, encarregada da identificação de hot spots11. Esta informação é disseminada posteriormente para os encarregados do policiamento, de unidades especiais da polícia e aos órgãos da administração municipal envolvidos, além da comunidade, associações e organizações da sociedade civil. Para Beato (2000?, p. 7) “A criação de unidades de análise de crimes tem se constituído num dos principais suportes para o desenvolvimento de policiamento comunitário e de solução de problemas.”. Esta abordagem sobre a participação da comunidade na análise criminal, vem a corroborar quando a Polícia Militar de Minas Gerais destaca o geoprocessamento e a polícia comunitária como pilares da “polícia de resultados” (MINAS GERAIS, 2002a, p. 8). Infere-se, portanto, que uma análise criminal somente será completa e consistente se forem agregadas às estatísticas criminais e ao geoprocessamento as informações provenientes da comunidade. Este conjunto de informações, se bem 11 Zonas quentes de criminalidade. Locais de maior concentração de crimes. 39 trabalhadas, podem constituir em um conhecimento mais profundo a respeito do fenômeno da criminalidade. 3.2.9 Ferramentas de análise criminal Ferramentas de análise criminal devem ser entendidas como recursos utilizados para produzir informações quantitativas, de maneira que, após analisadas pelo ser humano, possam ser transformadas em conhecimento do fenômeno criminal (informações qualitativas). Na 12ª Região da Polícia Militar de Minas Gerais são disponibilizadas as seguintes ferramentas: a) Sistema COPOM12 Sistema empregado para o gerenciamento das ações e operações dos municípios sedes da grande maioria dos Batalhões da Polícia Militar de Minas Gerais. Na 12ª Região da Polícia Militar é utilizado pelos municípios: Ipatinga, Manhuaçu e Itabira. Este sistema funciona em ambiente UNIX13, cuja base de dados é formada por dois módulos: um de atendimento de chamada e outro de despachos das ocorrências. O software da base de dados foi desenvolvido pela PRODEMGE. Possibilita o cadastro e pesquisa de dados das ocorrências policiais, bem como de prisões e apreensões de menores, dentre outros. Estes dados são lançados no sistema concomitante com o desenrolar de uma ocorrência policial. Isto significa que o Boletim de Ocorrência é gerado no sistema no mesmo instante em que a Polícia Militar é solicitada a comparecer ao local e é encerrado quando as ações desenvolvidas por uma determinada guarnição são encerradas diante do fato que gerou a intervenção policial. Atualmente há projeto na Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais no sentido de substituir o sistema COPOM de todos os Batalhões da capital e do interior pelo Sistema Integrado de Defesa Social – SIDS –, considerando que o atual instrumento já está bastante defasado diante das necessidades de coordenação e controle, uniformização de banco de dados e padronização de estatísticas criminais. 12 Central de Operações da Polícia Militar 40 b) SM20 Sistema destinado ao cadastro e pesquisa das ocorrências policiais e de dados de prisões e apreensões de menores de todos os municípios do Estado de Minas Gerais. Cada Batalhão efetua o cadastro dos boletins gerados nos municípios que compõem a área, exceto daqueles em que há o sistema COPOM, pois há um procedimento que permite a transferência destes dados para o SM20. O SM20, por ser o único instrumento que registra as ocorrências policiais de todos os municípios do Estado de Minas, é reconhecido como principal fonte de consulta de toda Polícia Militar. No entanto, há de ressaltar algumas limitações desse programa: a pesquisa ao módulo de estatística somente é possível fazê-la após o lançamento de todas as ocorrências geradas em todo o Estado e depois da consolidação dos dados; a pesquisa de dados espaciais é limitada, pois não constam registros de endereços, logradouros ou bairros no sistema; não há interface com o sistema Windows14, não permitindo a transferência dos dados estatísticos para uma planilha de um editor de texto ou planilha eletrônica, como do excel15. Devido a essas limitações é que há um projeto na Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais, no sentido de estar substituindo o SM20 por um módulo do Sistema Integrado de Defesa Social, que é o Registro de Eventos de Defesa Social – REDS. c) Geoprocessamento O 14º Batalhão de Polícia Militar, mediante apoio da Prefeitura Municipal de Ipatinga, tem realizado o mapeamento da criminalidade da cidade desde 2002, utilizando para tanto o software Mapinfo, que possibilita a conversão da base de ocorrências policiais do sistema COPOM para uma base geográfica, onde são identificadas todas as coordenadas de todos os boletins de ocorrência. 13 Sistema operacional produzido pelos laboratórios BELL em 1971 para os mini computadores DEC PDP 11. A finalidade do UNIX era proporcionar um meio uniforme e simples em que um número relativamente pequeno de usuários, com considerável grau de inter-relacionamento, pudessem utilizar um só sistema. 14 15 Ambiente operacional gráfico criado e lançado pela Microsoft Corporation, no início dos anos 90. Aplicativo utilizado para o desenvolvimento de planilhas eletrônicas de cálculos. 41 Desta forma tem sido possível ao Batalhão a criação de mapas contendo pontos onde foram geradas as ocorrências policiais em Ipatinga, bem como a identificação de zonas quentes de criminalidade. d) Programas de estatísticas Para fazer face às deficiências do sistema COPOM e do SM20, alguns Batalhões não só da 12ª Região da Polícia Militar como de toda Corporação têm utilizado de alguns programas de estatísticas capazes de absorver as ocorrências geradas no sistema COPOM, o que vem possibilitando um melhor gerenciamento das pesquisas, já que os relatórios podem ser transferidos para editores de texto e planilhas, possibilitando construção de gráficos; as consultas podem ser melhor formuladas; dentre outras vantagens. e) Procedimento manual Há ainda, além dos instrumentos de informática o procedimento manual que consiste na contabilização de determinados dados das ocorrências policiais de maneira “mecânica”, ou seja, através de consulta direta a cada boletim de ocorrência. Esta medida é adotada, quando se pretende obter dados que não constam nos sistemas ou devido ao fato do SM20 não fornecer as informações em tempo oportuno, uma vez que há necessidade de estar consolidado para fins de pesquisa a dados de determinado período. 3.3 Mapeamento da criminalidade De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais, o mapeamento da criminalidade é a representação gráfica da distribuição espacial dos dados da criminalidade, através de mapas e é uma das técnicas utilizadas pelo analista criminal para a produção de informações necessárias ao planejamento operacional, proporcionando a prevenção do crime (MINAS GERAIS, 2004). O mapeamento do crime, aliado às técnicas de estatística, geoprocessamento e conhecimentos de banco de dados, torna-se uma ferramenta importantíssima na gestão da informação para a prevenção e combate à criminalidade. 42 Para um melhor entendimento sobre o assunto, buscou-se nesta subseção fazer uma abordagem sobre a evolução histórica do mapeamento da criminalidade; Sistema de Informação Geográfica; mapas; zonas quentes de criminalidade; e geoprocessamento na Polícia Militar. 3.3.1 Evolução histórica Evidências conclusivas, retiradas de placas de cerâmica encontradas no Iraque, comprovam que os mapas existiam há milhares de anos – talvez dezenas de milênios. A necessidade de visualizar dados geográficos é, evidentemente, fundamental e persistente. Em nenhum outro lugar a necessidade de mapas é tão premente quanto no campo da navegação, seja para uma viagem épica em torno do planeta, seja para o esforço de um policial iniciante em encontrar um endereço em um mapa da cidade (HARRIES, 1999). O mapeamento da criminalidade é há muito tempo parte integrante do processo conhecido hoje como análise da criminalidade. De acordo com Weisburd, Mcewen (1998, apud SILVA, 2000), o primeiro registro de mapeamento de crimes envolveu o trabalho desenvolvido por Adriano Balbi e André-Michel Guerry, em 1829, na França. Foram confeccionados mapas de crimes contra a propriedade e contra a pessoa, estabelecendo relação com o grau de instrução. Concluiu-se que regiões com altas taxas de crimes contra a pessoa eram constituídas de populações com baixo nível de educação, ao passo que regiões com taxa elevada de crimes contra a propriedade contavam com populações mais educadas. O departamento de Polícia da cidade de Nova Iorque vem utilizando mapas desde, no mínimo, 1900, que consistia, à época, em alfinetes pregados em uma representação “jumbo” de uma jurisdição (HARRIES, 1999). Os antigos mapas de alfinetes eram úteis por mostrarem onde os crimes ocorriam, mas contavam com graves limitações. Na medida em que eram atualizados, os padrões de criminalidade anteriores eram perdidos. Enquanto os dados brutos podiam ser arquivados, os mapas não, exceto talvez quando eram fotografados. Os mapas eram estáticos; não podiam ser manipulados ou investigados. Seria difícil, por exemplo, acompanhar uma série de roubos que ultrapassasse a duração de um mapa de alfinetes (uma semana ou um mês). Muitos mapas, depois de prontos, já 43 haviam se tornado obsoletos, por motivo da evolução do “modo de operação” do infrator da lei. Além disso, esses mapas eram de difícil leitura quando misturavam-se diversos tipos de crime – normalmente representados por alfinetes de cores diferentes. O processo requeria muito tempo, trabalho e conhecimento por parte dos analistas, para produzir mapas explicativos e adequados. Com o passar dos anos e com o desenvolvimento da informática, a utilização de computadores para produzir mapas e processar dados tornou-se cada vez mais freqüente, devido ao desenvolvimento e facilidade de aquisição dos equipamentos e programas. Hoje em dia, um mapa de acompanhamento de determinado delito, que demorava semanas para ficar pronto, em tempos passados, pode ser produzido em apenas alguns minutos, bem como modificado e copiado. Atualmente, o processo de elaboração de um mapa criminal começa com o registro do boletim de ocorrência, que passa pela equipe de processamento de dados, é introduzido no banco de dados, e finalmente transformado em um símbolo no papel. É, na verdade, representado por dados colocados de tal maneira que possamos vê-los de uma só vez. Neste sentido Harries (1999, p. 7) ressalta que “os mapas e outros gráficos são basicamente figuras de informação, aquelas figuras proverbiais que valem mais que mil palavras. Se bem feitos, passam sua mensagem mais ou menos de uma só vez.”. 3.3.2 Sistema de Informação Geográfica O Sistema de Informação Geográfica – SIG - é “[...] um sistema voltado para a coleta, armazenamento, recuperação, análise, manipulação e apresentação sobre entidades de expressão espacial sobre dados georeferenciados, com a utilização da informática.” (MATKOWSKI, 1997, apud SILVA, 2000, p. 20). São sistemas automatizados usados para armazenar, analisar e manipular dados geográficos, ou seja, dados que representam objetos e fenômenos em que a localização geográfica é uma característica inerente à informação e indispensável para analisá-la (MINAS GERAIS, 2004). Para Harries (1999, p. 73) o SIG é “um sistema de mapeamento computadorizado que permite, através da sobreposição de informações em camadas, a 44 produção de descrições detalhadas de condições geográficas e a análise das relações entre variáveis.”. É, portanto, um conjunto de ferramentas computacionais composto de equipamentos e programas que, por meio de técnicas, integra dados, pessoas e instituições, de forma a tomar possível a coleta, o armazenamento, o processamento, a análise e a disponibilização, a partir de dados georeferenciados, de informação produzida por meio das aplicações disponíveis, visando à maior facilidade, segurança e agilidade nas atividades humanas referentes ao monitoramento, planejamento e tomada de decisão relativa ao espaço geográfico. a) Composição De acordo com a Polícia Militar o SIG é um sistema computacional composto de softwares e hardwares16, que permite a integração entre bancos de dados alfanuméricos (tabelas) e gráficos (mapas), para o processamento, análise e saída de dados georeferenciados. Os produtos criados são arquivos digitais contendo mapas, gráficos, tabelas e relatórios convencionais (MINAS GERAIS, 2004). b) Funcionamento Em relação ao funcionamento, segundo Adami (2000, apud SILVA, 2000), o banco de dados de um SIG pode ser dividido em duas partes: uma contendo dados geoespaciais, descrevendo a posição e a forma dos elementos da superfície em estudo e outra contendo a qualidade e atributos desses elementos. c) Áreas de aplicação Segundo OLIVEIRA (1997, apud SILVA, 2000), o campo de aplicações de SIG tem se expandido muito nos últimos anos. Os órgãos da Administração Pública, em geral, são os que mais utilizam este sistema em razão de terem como tarefa o controle e a gestão de espaços geográficos. 16 Toda parte física de um computador e seus componentes. Sendo assim, quaisquer placas, unidades de discos, microchips, microprcessadores, sistema de cabeamento, monitores de vídeo, teclados, mouse, enfim, qualquer periférico ou outro componente eletrônico adaptado ou conectado à CPU é um hardware. 45 O SIG pode ser aplicado em uma grande variedade de situações. Cada aplicação requer a manipulação de dados geográficos distintos, associados a diferentes características e propriedades que variam no tempo e no espaço. Além disso, um fenômeno geográfico pode ser analisado diferentemente segundo sua forma e precisão, dependendo do objeto da aplicação. As diversas áreas de aplicação de SIG podem ser divididas em cinco grupos principais, de acordo com RAMIREZ (apud SILVA, 2000): 1º) ocupação humana como redes de infra-estrutura, planejamento e supervisão de limpeza urbana, cadastramento territorial urbano, mapeamento eleitoral, rede hospitalar, rede de ensino, controle de tráfego aéreo; 2º) uso da terra como planejamento agropecuário, classificação de solos, cadastramento de propriedades rurais; 3º) uso de recursos naturais como classificação de poços petrolíferos, distribuição de energia elétrica, identificação de mananciais e gerenciamento costeiro e marítimo; 4º) meio ambiente como controle de queimadas, estudos de modificações climáticas, acompanhamento de emissão e ação de poluentes, gerenciamento florestal de desmatamento e reflorestamento; 5º) atividades econômicas como planejamento de marketing, pesquisas sócio-econômicas, distribuição de produtos e serviços e transporte de matéria-prima. Outra área de emprego do SIG é em segurança pública, mediante sistemas de localização automática de viaturas, integrados ao Global Positioning System (GPS)17, em comunicações, em coordenação de operações e na produção de mapas criminais, e que vai interessar particularmente a este estudo. 3.3.3 Mapas A Polícia Militar de Minas Gerais aborda através da apostila de análise criminal, de uma forma geral, aspectos básicos da construção de mapas de criminalidade, como informações do mapa, elementos, tipos de informações, localização e projeção do mapa (MINAS GERAIS, 2004). a) Informações do mapa 17 Sistema de posicionamento global orientado por satélite. 46 Os mapas são definidos com as seguintes características: são desenhos de informações sobre áreas e lugares; auxiliam na visualização dos dados; permitem a rápida visualização da informação. Assim como outras formas de visualização, os mapas são resultado da atividade científica: formulação de hipóteses, coleta de dados, análise, revisão dos resultados e avaliação da hipótese inicial como aceita ou rejeitada em prol de uma versão modificada. Os mapas tentam mostrar algum aspecto da realidade. Mas assim como os livros, filmes, televisão ou jornais que tentam fazer o mesmo, eles são insuficientes. b) Elementos do mapa Os mapas apresentam, em geral, os seguintes elementos: título para a descrição do mapa; uma legenda para a interpretação do conteúdo do mapa, como símbolos e cores; uma escala para a tradução da distância no mapa em distância no solo; orientação indicando a direção. c) Tipos de informação dos mapas Os mapas podem fornecer uma ampla variedade de informações, que incluem localização, distância e direção, bem como padrão de apresentação de dados pontuais ou de área. Cada tipo de dado tem significados diferentes, conforme o tipo de usuários a que se destine. d) Localização A localização é, na perspectiva do analista criminal, o tipo mais importante de informação a ser representado ou reunido em um mapa. Onde as coisas aconteceram, ou onde podem acontecer no futuro, é a informação mais procurada e potencialmente útil, pois tem diversas implicações para os investigadores e para a alocação dos recursos da polícia e da comunidade, além da sua utilidade no campo do planejamento e da política. e) Projeção do mapa 47 Um problema fundamental enfrentado pelos construtores dos mapas, é que a Terra é redonda, e o papel no qual colocam-se os mapas, plano. Quando se representa a Terra redonda sobre o papel plano, alguma distorção é inevitável. 3.3.4 Zonas quentes de criminalidade São áreas com alta incidência de criminalidade, que têm servido de base para o planejamento conjunto entre diversas agências públicas. São produzidas a partir da montagem e superposição de mapas temáticos de diferentes fontes, com informações a respeito de dados censitários e registro de ocorrências policiais atendidas num setor préestabelecido. Compõem os chamados “geo-arquivos”, cujo resultado mais visível é a possibilidade de análise específica da criminalidade de determinado local (MINAS GERAIS, 2002a). Segundo Eck, Gersh e Taylor (apud HARRIES, 1999, p. 60) zona quente é “um único local com muitos crimes.”. O termo “muitos crimes” é definido através da densidade mínima de pontos – que significa que deve ocorrer um número mínimo de eventos em um local específico para que ele seja qualificado como zona quente. Para Harries (1999) zona quente é, portanto, uma condição indicativa de alguma forma de aglomeração em uma distribuição espacial. Mas, segundo o autor, nem todos os aglomerados são zonas quentes, uma vez que os ambientes que ajudam a gerar o crime – os locais onde estão as pessoas – também tendem a constituir aglomerados. Assim toda definição de zona quente tem que ser qualificada. O conceito de zona quente, segundo Harries (1999), é geralmente aplicado ao crime de rua, e não ao crime de “colarinho branco”, crime organizado ou crime de terrorismo, por exemplo. Normalmente ignora-se que alguns poucos crimes de colarinho branco podem superar o crime de rua em termos do seu impacto econômico. Isso ocorre porque o crime de “colarinho branco” não provoca o mesmo tipo de receio e ansiedade na comunidade provocados pelo crime de rua. Da mesma maneira, se uma cidade passou por diversos atentados à bomba terroristas ou tiroteios em escolas dentro de um ano, isso é considerado uma zona quente que desafia a definição normal do conceito. Há um aspecto qualitativo implícito no conceito de zona quente; ele diz respeito a somente alguns tipos de crimes. 3.3.5 Geoprocessamento na Polícia Militar 48 Para um melhor entendimento sobre o significado de geoprocessamento, buscou-se expor o seu conceito, segundo a Polícia Militar de Minas Gerais, que identificou esta ferramenta como: [...] conjunto de técnicas computacionais relacionadas com a coleta, o armazenamento e o tratamento de informações espaciais ou georreferenciadas, para serem utilizadas em sistemas específicos a cada aplicação que, de alguma forma, utiliza espaço físico geográfico (MINAS GERAIS, 2004, p. 54). Esse poderoso conjunto instrumental se aplica aos diversos campos profissionais, tornando-se imprescindível para projetos que lidam com questões voltadas à organização, planejamento e gestão do território geográfico ou que envolvam análises espaciais em seus estudos, como é o caso da segurança pública. Para tanto, o geoprocessamento incorpora tecnologias de última geração, envolvendo desde satélites de observação da Terra, técnicas de mensuração por sistemas GPS, até sofisticados programas e equipamentos de informática. Pode, ainda, ser entendido como desenhos sobre áreas e lugares; mostram algo concreto sobre a criminalidade; são figuras proverbiais, pois valem mais do que mil palavras; permitem uma liberdade de experimentação; servem como ferramenta de persuasão para alocação lógica dos recursos durante a elaboração do planejamento participativo junto à comunidade. O geoprocessamento da criminalidade e da violência permite identificar: tendências e padrões do fenômeno; incidência em diferentes grupos sociais; perfil de vítimas e de agressores; diversidade oculta dos dados estatísticos; relação entre percepções sociais do medo (sensação de insegurança) e taxas reais de criminalidade. O resultado mais visível da montagem dos chamados geo-arquivos (base geo-referenciada de informações) é possibilitar a análise específica para problemas locais, isto é, atividades de polícia ostensiva de preservação da ordem pública orientadas para a solução de problemas e não por incidentes. a) Polícia orientada por resultados 49 O programa “Polícia orientada por resultados” foi introduzido pela Polícia Militar de Minas Gerais, por meio da Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 01/2002 e sua estratégia é traduzida em um conceito contemporâneo e progressista de “ser” e “fazer” polícia ostensiva. Suas doutrinas e princípios são simples e versam sobre estratégicas e táticas de “como fazer” a polícia funcionar em função do ambiente em que ela se encontra inserida. Dentre os princípios norteadores da gestão pública orientada por resultados, destacam-se aquelas que estão em consonância com o objeto de estudo do presente trabalho (MINAS GERAIS, 2002a, p.4): - acompanhamento da evolução da violência, criminalidade e características sócio-econômicas dos municípios, com o uso do geoprocessamento e indicadores estatísticos de segurança pública; - envolvimento da comunidade, através dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública (CONSEP); - planejamento e execução das atividades de polícia ostensiva com maior especificidade e de acordo com as demandas locais; - adequada coleta e utilização das informações gerenciais de segurança pública, em especial aquelas relacionadas à geo-estatística; Observando estes princípios a Polícia Militar passa a atuar com maior cientificidade, acompanhando a evolução da violência e da criminalidade, adotando medidas de correções das distorções e óbices nas falhas detectadas que estejam comprometendo a prestação de serviços à comunidade. b) Introdução do geoprocessamento na Polícia Militar A introdução do geoprocessamento na PMMG está no bojo do Programa Polícia de Resultados e Projeto Mapa e é fruto de uma parceria com a UFMG18 iniciada em fevereiro de 1999. 18 Universidade Federal de Minas Gerais 50 Na 12ª Região da Polícia Militar os únicos municípios a contar com o emprego do geoprocessamento na segurança pública são Ipatinga e Coronel Fabriciano. A Polícia Militar em Ipatinga, desde 2002, vem obtendo apoio da Prefeitura Municipal local para o mapeamento da criminalidade, com uso do programa Mapinfo19. Em Coronel Fabriciano, esta ferramenta é ainda de uso recente, pois foi instalado em 2004. c) Funcionamento do geoprocessamento em Ipatinga Para a organização da base de dados que compõe o geo-arquivo, são percorridas algumas etapas: 1ª) o sistema COPOM da cidade de Ipatinga é inicialmente alimentado pelo telefone 190, e sofre atualizações fornecidas pelos patrulheiros encarregados do atendimento das ocorrências; 2ª) os dados do COPOM são convertidos para arquivo do tipo texto, o que possibilita a sua exportação para uma base de dados compatível com o Mapinfo com formato DBF20. 3ª) os dados de geoprocessamento foram fornecidos pela Prefeitura Municipal de Ipatinga, por meio de parceria. São arquivos gráficos, que podem ser convertidos para o formato Mapinfo, com representação de informações que vão desde a malha viária até dados físicos, tais como hidrografia, arborização e topografia da cidade. Para efeitos do projeto, foram utilizados inicialmente os dados referentes aos quarteirões, eixos de ruas, bairros, favelas, áreas verdes, alem de informações georreferenciadas sobre alvos de delitos tais como bancos, supermercados, mercearias, padarias, casas lotéricas e outros; 4ª) de posse das duas bases de dados: da Polícia Militar e da Prefeitura Municipal, é possível alocar a cada registro de ocorrência policial a coordenada geográfica 19 20 Programa utilizado para trabalhar com informações geográficas. Data Base File, que significa extensão de arquivos de bancos de dados criados no dBASE. O dBASE é um aplicativo criado na década de 80, cuja finalidade é permitir a criação e manipulação de arquivos de banco de dados. Muito fácil de operar, porém, tinha a desvantagem de ser lento no tratamento das informações. Suas versões mais recentes podem ser utilizadas em conjunto com o Clipper no desenvolvimento de sistemas de gerenciamento de banco de dados. 51 referente ao endereço, possibilitando assim a plotagem21 de pontos no mapa da cidade, representando em cada, uma ocorrência policial registrada. 5ª) é possível, também, criar mapas com identificação de zonas quentes de criminalidade, representadas por manchas, cujas diversidades das cores determinam se estas zonas são de alta, média ou baixa incidência. Figura 2 Mapas da criminalidade de Ipatinga do 1º trimestre de 2003 Plotagem dos crimes (arrombamentos) Identificação de zonas quentes Fonte: Policia Militar de Minas Gerais: 14º Batalhão de Polícia Militar 3.4 Estatísticas criminais 3.4.1 Breve histórico Os autores são unânimes quando, ao elaborarem seus estudos acerca da estatística, se reportam à história para demonstrarem quão antiga é a noção de seus fundamentos. Santa Cecília (1984) chega a apontar registros datados de 2366 a. C., quando um imperador chinês determinou o levantamento dos bens de seus súditos e, a partir daí, pode estabelecer critérios para se classificar as províncias do império, conforme a produção, qualidade de produtos e impostos arrecadados. 21 Ato ou efeito de plotar. Plotar significa Desenhar uma imagem a partir de linhas e pontos estrategicamente distribuídos e ligados sobre uma superfície. 52 Por sua vez, Cruz (1993, apud SÁ, BARROS JÚNIOR, CROVATO, 1995) ressalta a lentidão com que se desenvolveu a estatística, até fins do século XIX. Com a revolução industrial e seus avanços tecnológicos, foi identificada a necessidade de se avaliar o todo por intermédio de parcelas, face à impossibilidade de controlar a produção que, já àquela época, extrapolava a capacidade dos instrumentos de vigilância. Outros trabalhos, na área da experimentação estatística, foram produzidos por estudiosos de diversos segmentos e profissões. Tal circunstância determinou a adição de novos recursos à metodologia do emprego da estatística analítica. Segundo Santa Cecília (1984), o termo “estatística” só veio a ser utilizado no século XVII por Achenwall, um matemático alemão, para quem a estatística era conceituada como “conjunto do que é realmente notável em um Estado ou a descrição da situação atual de um Estado.”. Na Polícia Militar, segundo Santa Cecília (1983, p. 17), a estatística somente veio a ser utilizada a partir de 1969, quando a Corporação passou a registrar a atuação dos serviços de radiopatrulha, muito embora o policiamento motorizado já tenha sido lançado em 1963. 3.4.2 Contextualização De acordo com a Polícia Militar de Minas Gerais, estatística é “uma ciência aplicada que fornece métodos para coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados, para utilização dos mesmos na tomada de decisões [...]” (MINAS GERAIS, 2004, p. 18). As estatísticas oficiais de criminalidade são utilizadas regularmente por toda Polícia Militar de Minas para retratar a situação de segurança pública e auxiliar no planejamento de ações e operações de combate a criminalidade. Contudo, há de se considerar que estes dados estão sujeitos a uma série de limites de validade e confiabilidade: eles são antes um retrato do processo social de notificação de crimes do que um retrato fiel do universo dos crimes realmente cometidos num determinado local. Para que um crime faça parte das estatísticas oficiais são necessárias três etapas sucessivas: o crime deve ser detectado, notificado às autoridades policiais e por último registrado no boletim de ocorrência. Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, “pesquisas de vitimização realizadas no Brasil sugerem que, em 53 média, os organismos policiais registram apenas um terço dos crimes ocorridos, percentual que varia de acordo com o delito [...]” (SÃO PAULO, 2005). Além disso, o aumento das estatísticas oficiais de criminalidade pode estar refletindo flutuações causadas por práticas policiais mais ou menos intensas. Por estas e outras razões, nem sempre um aumento de dados de criminalidade oficiais pode ser interpretado como uma piora da situação de segurança pública, ao contrário, nos locais onde é grande a “cifra negra”, o aumento dos crimes notificados é considerado um indicador positivo da credibilidade e performance policial. 3.4.3 Exemplos de interpretações imprecisas A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, ao editar o manual de estatísticas criminais faz abordagens a alguns exemplos que podem levar a uma interpretação imprecisa da realidade (SÃO PAULO, 2005): a) Sazonalidade Os índices criminais estão sujeitos às variações cíclicas, sazonais e irregulares: no verão os dias são mais longos e as pessoas vão mais às ruas, aumentando as oportunidades para o cometimento de crimes; nas férias as pessoas viajam e deixam as casas desprotegidas, facilitando os arrombamentos; também aumentam nas férias os mortos nos acidentes nas estradas. Na volta às aulas crescem os furtos e roubos de automóveis em torno das universidades; nos finais de semana e feriados as pessoas estão mais em casa, aumentando a ocorrência de violência doméstica. O término da colheita das safras agrícolas desemprega grande quantidade de mão-de-obra migrante e pouco qualificada, aumentando o desemprego e diminuindo a renda do trabalhador em certos períodos do ano, com efeitos sobre os roubos e furtos. A passagem do tempo não é linear, pois implica em mudanças climáticas, alteração das atividades sociais e econômicas, favorecendo ou inibindo a ocorrência de determinados crimes. Em outras palavras, existem diversas situações e fatores ligados ao calendário anual que explicam porque a criminalidade sobe ou desce, sistematicamente, em certos momentos. b) Escolha do período base de comparação 54 Dependendo do crime que se escolha e do período usado como base para a comparação, pode-se tanto “provar” que a criminalidade está caindo como o contrário, dependendo da interpretação. c) Cálculos de porcentagens e taxas pequenas Uma porcentagem é uma relação que se estabelece entre uma das partes com relação ao todo, multiplicando por cem, em sua principal função é obter comparabilidade. É freqüente encontrarmos manchetes alardeando aumentos elevados no percentual de crimes, que foram baseadas em números pequenos, transmitindo uma sensação de insegurança que nem sempre condiz com a realidade. d) Tomar dados de notificação como se fosse o universo dos crimes As estatísticas oficiais estariam corretas se todos os cidadãos vitimados relatassem os crimes de que foram vítimas às autoridades, mas a experiência em diversos países desenvolvidos ou não, revela este raramente é o caso. e) Atividade policial A magnitude dos indicadores de atividade policial de resultados varia com a quantidade de crimes22. Por isso os indicadores de atividade policial – veículos recuperados, cargas recuperadas, armas apreendidas, prisões efetuadas, cativeiros descobertos – devem ser vistos, quando possível, em relação aos crimes, pois quanto mais crimes, maior a probabilidade de que a polícia consiga mais flagrantes, mais armas, mais entorpecentes, mais cargas e veículos recuperados. Se analisados do ponto de vista de sua magnitude absoluta, estes indicadores podem ser enganosos, pois se o volume absoluto de veículos roubados está caindo, é claro que o volume absoluto de veículos recuperados também cairá. Neste caso o mais correto é verificar qual a porcentagem de veículos recuperados sobre o total de veículos roubados e furtados. Ou qual o percentual de prisões efetuadas sobre o total de crimes que geram prisões (homicídios, roubos, dentre outros). 3.4.4 Índices de criminalidade 22 Além dos indicadores de resultados, como apreensão de armas, prisões efetuadas, etc. o trabalho policial pode ser mensurado com indicadores de atividades como número de operações realizadas, número de pessoas revistas, número de desmanches fiscalizados e outros, que não variam com a criminalidade. 55 A finalidade da taxa por 100.000 habitantes é permitir a comparabilidade entre locais com diferentes tamanhos de população e neutralizar o crescimento populacional, permitindo a comparação a médio e longo prazo. De acordo com a Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 01/2002 (MINAS GERAIS, 2002a), a norma internacional estabeleceu que os índices são calculados através da fórmula: número de ocorrências x 100.000 / população. Tendo em vista que várias cidades do Estado possuem populações com menos de 10.000 habitantes, devem ser utilizados para o cálculo do índice os valores: nº de ocorrências x 1.000 / população. Esta medida objetiva corrigir a discrepância que causaria em cidades com menos de 10.000 habitantes o emprego da fórmula padrão (MINAS GERAIS, 2002a, p. 11). A definição das naturezas relacionadas aos índices são as seguintes: a) Índice de Criminalidade (IC): relacionadas conforme artigos do Código Penal, e legislações especiais (Código de Trânsito Brasileiro, Código Florestal); b) Índice de Criminalidade Violenta (ICV): são os crimes considerados violentos: roubos, assaltos, estupros, homicídios, latrocínios, seqüestro e cárcere privado e extorsão mediante seqüestro. c) Índices de Contravenções: relacionadas conforme artigos da Lei das Contravenções Penais e legislações especiais (Código de Trânsito Brasileiro, Código Florestal). 56 SEÇÃO 4 PLANEJAMENTO 4 PLANEJAMENTO 57 4 PLANEJAMENTO Nesta SEÇÃO serão abordados: contextualização; definições de planejamento; inovação e criatividade; princípios do planejamento; tipos de planejamento; e planejamento na Polícia Militar. 4.1 Contextualização A primeira notícia da utilização dos princípios do planejamento teve origem em um documento escrito há cerca de 2500 anos, no qual é registrada a sabedoria de Sun Tzu, General chinês que viveu no norte daquele país. Seus exércitos surgiram para atender a determinados objetivos e como resposta a ameaças ou oportunidades específicas e concretas. Ele era considerado um especialista em estratégia militar e teve seus ensinamentos e métodos compilados pelo líder militar Cao Cao, apenas cem anos após a sua morte. Alguns ensinamentos de Sun Tzu, segundo Boar (2002, pp. 314-320), evidenciaram a aplicação dos princípios do planejamento: É fácil tomar o controle daqueles que não planejam com antecedência. Aqueles que encaram os despreparados com preparo são vitoriosos. Um exército vitorioso primeiro vence e depois busca a batalha, um exército derrotado primeiro batalha e depois busca a vitória. Se você não tem um esquema oculto e nenhum planejamento, mas simplesmente se baseia na sua braveza individual, com petulância considerando seus oponentes levianamente e não considerando a situação, certamente será aprisionado. Estes ensinamentos mostram, portanto, que o planejamento não é apenas uma necessidade nos dias de hoje, mas também foi de vital importância no passado e será no futuro, para o qual as empresas devem estar preparadas para que possam sobreviver institucionalmente. É inevitável, porém, a adaptação do planejamento à evolução dos tempos. O planejamento tradicional ou convencional utilizado no passado não mais atende às empresas atualmente, na medida em que a complexidade do cenário internacional exige um planejamento adequado às ameaças e oportunidades do ambiente, que é o planejamento estratégico. O planejamento estratégico é hoje o foco da alta administração das empresas públicas ou privadas, que enfrentam cotidianamente mudanças rápidas no ambiente. 58 4.2 Definições de planejamento Segundo Tavares (1991 p. 68) planejamento pode ser definido como: “o conjunto previamente ordenado de ações com o fim de alcançar os objetivos, compreendendo a alocação de recursos humanos, materiais e financeiros, e procedimentos de avaliação.”. A função de planejar compreende a determinação dos objetivos da organização e a designação dos meios para alcançá-los. Fornece uma estrutura por meio da qual a organização toma decisões de forma integrada. É função chave da administração, e que fornece aos indivíduos e às organizações os meios de que necessitam para fazer frente a ambientes dinâmicos e complexos em constantes transformações. O processo de planejamento compreende uma ampla faixa de atividades, em toda a extensão que vai do sentimento inicial de que algo precisa ser feito até a decisão firme sobre quem fará, o que e quando. Consiste na tomada antecipada de decisões. Trata-se de decidir agora o que fazer, antes que ocorra a ação necessária. Não se trata da previsão das decisões que deverão ser tomadas no futuro, mas da tomada de decisões que produzirão efeitos e conseqüências futuras. (MINAS GERAIS, 2002a, p. 24). Planejar é algo muito mais amplo do que simplesmente compilar e analisar informações. É mais do que a lógica, a imaginação ou o julgamento. É a reunião de todos esses elementos, culminando com uma decisão – a decisão sobre o que deve ser feito. Enfim, o planejamento não é algo que se faça uma só vez, mas um processo que precisa ser repetido com regularidade. O elemento importante não é o plano, mas sim a atividade criativa de planejar. 4.3 Inovação e criatividade A inovação e a criatividade são elementos chaves no planejamento eficiente. A criatividade consiste no reconhecimento, elaboração, proposição e execução de soluções 59 novas e mais eficientes, para determinados problemas. É uma nova resposta, à procura de um novo ajuste, dada pelo sistema em seu meio ambiente. Dentro dos conceitos sistêmicos de planejamento, a administração deve levar em conta que a criatividade e a inovação não constituem características individuais isoladas, que possam ser adquiridas. Elas dependem principalmente do clima que reinar na empresa. Na realidade, para ser eficiente, o planejamento deve se operar dentro de um sistema estabelecido de relações individuais e organizacionais. O indivíduo criativo busca algumas providências como: a percepção das necessidades e exigências de sua clientela, cria um sistema que proporcione um fluxo de comunicações e informações através do qual, os membros da empresa participam do processo de planejamento, fixa metas, obtém uma visão do papel que se deseja que a organização desempenhe em seu ambiente, fazendo constante avaliação de seus objetivos e resultados. Para Boar (2002, p. 16): “[...] o que mais importa não é preservar o que existe, mas criar muito rapidamente o que existirá e fazer isso repetidamente.”. Muitas dificuldades encontradas no processo de planejamento, coordenação, execução e controle da missão da Polícia Militar podem ser enfrentadas e vencidas com uma boa dose de criatividade e dedicação dos militares envolvidos, partindo-se do pressuposto teórico de que não existem soluções definidas para as questões relacionadas à comunidade. É de conhecimento de que os recursos, tanto logísticos como humanos, são escassos na Polícia Militar de Minas Gerais, mas a essência está na forma de utilização destes recursos. São poucos, mas têm que ser utilizados de forma racional e com criatividade. Pode-se, portanto verificar que o planejamento é um processo que deve ser implementado mais de uma vez, de maneira que os resultados obtidos possam retro alimentar as decisões futuras. 60 Se todos assim agirem, multiplicar-se-ão os meios empregados para o cumprimento da missão e, consequentemente, teremos o estabelecimento do ambiente de tranqüilidade pública com cientificidade. 4.4 Princípios do planejamento Segundo Oliveira (1998 apud VIEIRA, 2001), o planejamento dentro de uma empresa deve respeitar alguns princípios para que os resultados esperados sejam alcançados e, separa esses princípios em gerais e específicos. 4.4.1 Princípios gerais do Planejamento São quatro os princípios para os quais o executivo deve estar atento: a) Da contribuição dos objetivos, onde o planejamento deve sempre visar os objetivos da empresa. No processo de planejamento devem-se hierarquizar os objetivos estabelecidos e procurar alcançá-los em sua totalidade, tendo em vista a interligação entre eles; b) O princípio da precedência do planejamento, correspondendo a uma função administrativa que vem antes das outras (organização, direção e controle).Na realidade, é difícil separar e seqüenciar as funções administrativas, mas pode-se considerar que, de maneira geral, o planejamento “do que e como vai ser feito”, aparece na ponta do processo. Como conseqüência, o planejamento assume uma situação de maior importância no processo administrativo; c) O princípio da maior penetração e abrangência, pois o planejamento pode provocar uma série de modificações nas características e atividades da empresa. As modificações provocadas nas pessoas podem corresponder à necessidade de treinamento, substituição, transferências, funções, avaliação, dentre outros; na tecnologia pode ser apresentada pela evolução dos conhecimentos, pelas novas maneiras de fazer os trabalhos; e nos sistemas podem ocorrer alterações nas responsabilidades estabelecidas, nos níveis de autoridade, descentralização, comunicações, procedimentos, instruções, dentre outros. d) O princípio da eficiência, eficácia e efetividade. O Planejamento deve procurar maximizar os resultados e minimizar deficiências. Através desses aspectos, o 61 planejamento procura proporcionar à empresa uma situação de eficiência, eficácia e efetividade, sendo que: - Eficiência é: fazer as coisas de maneira adequada; resolver problemas; salvaguardar os recursos aplicados; cumprir o seu dever; e reduzir os custos. - Eficácia é: fazer as coisas certas; produzir alternativas criativas; maximizar a utilização de recursos; obter resultados; e aumentar o lucro. - Efetividade é: manter-se no ambiente; e apresentar resultados globais positivos ao longo do tempo. 4.4.2 Princípios específicos do planejamento Ackoff (1974 apud VIEIRA, 2001), com base na atitude e na visão interativa diante do planejamento, apresenta quatro princípios de planejamento que podem ser considerados como específicos: a) Planejamento participativo O principal benefício do planejamento não é seu produto, ou seja, o plano, mas o processo envolvido. O papel do responsável pelo planejamento não é só elaborá-lo, mas facilitar o processo de sua elaboração pela própria empresa e deve ser realizado pelas áreas pertinentes ao processo. b) Planejamento coordenado Todos os aspectos envolvidos devem ser projetados de forma que atuem interdependentemente, pois nenhuma parte ou aspecto de uma empresa pode ser planejado eficientemente se o for de maneira independente de qualquer outra parte ou aspecto. c) Planejamento interligado Os vários escalões de uma empresa devem ter seus planejamentos integrados. Nas empresas voltadas para o ambiente, nas quais seus objetivos empresariais dominam os dos seus membros, geralmente os objetivos são escolhidos de cima para baixo e os meios para atingi-los de baixo para cima, sendo esse fluxo usualmente invertido em 62 uma empresa cuja função primária é servir aos seus membros. d) Planejamento permanente Essa condição é exigida pela própria turbulência do ambiente, pois nenhum plano mantém seu valor com o tempo. 4.5 Tipos de planejamento Segundo OLIVEIRA (1998), são distinguidos três tipos de planejamento nos grandes níveis hierárquicos: estratégico, operacional e tático. 4.5.1 Planejamento estratégico É conceituado como um processo gerencial que possibilita estabelecer o rumo a ser seguido pela empresa, com vistas a obter um nível de otimização na relação da empresa com o seu ambiente, sendo, normalmente, de responsabilidade dos níveis mais alto da empresa e diz respeito tanto à formulação de objetivos quanto à seleção dos cursos de ação a serem seguidos para a sua consecução, levando em conta as condições externas e internas à empresa e sua evolução esperada. A importância do planejamento estratégico também era uma preocupação há milhares de anos, quando Sun Tzu (apud BOAR, 2002, p. 296), ao tratar sobre a velocidade, a adaptação e a surpresa, os imaginou ocorrendo dentro do contexto de um plano de orientação geral: “Se você não tem um esquema oculto e nenhum planejamento, mas simplesmente se baseia na sua braveza individual, com petulância considerando seus oponentes levianamente e não considerando a situação, você certamente será aprisionado.”. Boar (2002) revela que a necessidade do planejamento estratégico tem origem na dinâmica de três variáveis: mudança, incerteza e complexidade. Se a mudança fosse mínima, o futuro fosse altamente previsível e a complexidade da tecnologia de informação estivesse em declínio, então o planejamento estratégico não seria necessário. Ao contrário, quando a mudança é violenta, a incerteza prevalece e a complexidade cresce espontaneamente, o planejamento estratégico é necessário para oferecer direção, orientação e flexibilidade para a organização. 63 Não restam dúvidas de que no momento atual, rotulado como “era da informação”, o planejamento estratégico é absolutamente necessário às empresas face às constantes mudanças de ambiente. 4.5.2 Planejamento tático Tem por objetivo otimizar determinada área de resultado e não a empresa como um todo. Portanto, trabalha com decomposições dos objetivos, estratégias e políticas estabelecidas no planejamento estratégico, sendo desenvolvido a níveis organizacionais inferiores, tendo como principal finalidade a utilização eficiente dos recursos disponíveis para a consecução dos objetivos previamente fixados, segundo uma estratégia predeterminada, bem como, as políticas orientativas para o processo decisório da empresa. 4.5.3 Planejamento operacional Pode ser considerado como a formalização, principalmente através de documentos escritos, das metodologias de desenvolvimento e implantação estabelecidas. Portanto, nesta situação tem-se basicamente, os planos de ação ou planos operacionais e que correspondem a um conjunto de partes homogêneas do planejamento tático. O planejamento operacional se caracteriza pelo detalhamento com que estabelece as tarefas e operações, pelo caráter imediatista, focalizando apenas o curto prazo e pela abrangência local, abordando uma tarefa ou uma operação a ser desenvolvida pela execução. Ele é constituído de uma infinidade de planos e ordens que proliferam dentro das organizações, com o intuito de otimizar e maximizar resultados. O planejamento parte do reconhecimento de que desde que as ações presentes refletem necessariamente antecipações implícitas e projeções sobre o futuro, estas devem ser bem claras de forma a tornar menos nebulosos certos assuntos imediatos. Somente através do exame lógico e metódico de um problema podemos encontrar soluções eficazes. Isto significa que através de um planejamento, inteligente e racional, têm-se condições propícias para atingir determinados objetivos. O profissional de Segurança Pública, por sua vez, detém uma responsabilidade muito grande, face à dinâmica de sua missão de proporcionar às comunidades um nível aceitável de tranqüilidade pública. 64 A falta de planejamento, quase sempre, obriga a adoção de medidas improvisadas que, por sua vez, conduzem a resultados inesperados e que podem gerar sérios prejuízos. Na Polícia Militar o tema “planejamento” é enfocado como peça fundamental para o exercício da polícia ostensiva da ordem pública e enaltece a inadmissibilidade do seu uso em qualquer ação ou operação policial: “Não se admite a ação de uma fração da Polícia Militar ou de um militar isolado que não obedeça a um planejamento oportuno e, via de regra, escrito. Nos casos simples ou de urgência, poderá ser verbal ou mental” (MINAS GERAIS 2002a, p. 22). Portanto, quando o emprego do policiamento ocorrer através de um planejamento fundamentado de uma acurada análise criminal, com inteligência e criatividade, e sobretudo, com a participação da comunidade e dos policiais que atuam nessa atividade operacional, haverá uma grande probabilidade de se atingir as metas previamente estabelecidas no tocante a redução da criminalidade. 4.6 Planejamento na Polícia Militar 4.6.1 Normatização O planejamento na Polícia Militar de Minas Gerais é tratado atualmente em conformidade com a DPPSP23 Nº 01/2002, cuja finalidade do instrumento é o estabelecimento de diretrizes básicas para o planejamento, coordenação, execução e controle, em todo o Estado, das atividades de polícia ostensiva de prevenção criminal, de segurança, de trânsito urbano e rodoviário, de proteção do meio ambiente e das atividades relacionadas com a preservação e restauração da ordem pública e a garantia do exercício do poder de polícia dos órgãos da administração pública (MINAS GERAIS, 2002a). Seus objetivos são atuações preventivas, com ênfase nas atividades de policiamento ostensivo, evitando a incidência de ocorrências em geral, ou minimizando-as, mediante a presença fardada inibidora das vontades delinqüenciais e obstaculizadora de oportunidades; atuações de restauração, que façam retornar a normalidade da ordem pública, quando da sua ruptura; comportamento com alto grau de profissionalização e na justa proporção das necessidades, de forma a não afrontar a comunidade nem constranger 23 DPPSP - Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública 65 os cidadãos honestos, e que mantenha a Corporação credora da confiança da população (MINAS GERAIS, 2002a, p. 82). Em 2003 foi editado o Plano Estratégico da Polícia Militar de Minas Gerais, para o período de 2004 a 2007, instrumento através do qual, buscou-se destacar as estratégias e objetivos que estão em consonância com o objeto desta pesquisa (MINAS GERAIS, 2003c): a) Objetivo 21 - Atualização da doutrina operacional da PMMG, adequando-a às novas demandas de segurança pública: estratégia 5 (publicar o Manual de Estatística, Geoprocessamento e Banco de Dados) e estratégia 7 (expedir diretriz destinada a orientar o atendimento de ocorrências, elaboração e codificação de boletim de ocorrência unificado, com participação da Polícia Civil e Corpo de Bombeiros). b) Objetivo 26 – Melhoramento da qualidade da execução das ações e operações de polícia ostensiva em todo Estado de Minas Gerais: estratégia 1 (expandir o modelo de gestão de polícia orientada por resultados para todas as frações da Polícia Militar); estratégia 2 (elaborar guia contendo procedimentos operacionais para utilização do policial); estratégia 5 (divisão da Companhia com responsabilidade territorial em setores e subsetores de policiamento preventivo). c) Objetivo 28 – Implantação do Sistema Integrado de Defesa Social (SIDS), nas frações da Policia Militar: estratégia 1 (desenvolver o módulo de Registro de Eventos de Defesa Social, destinado ao registro informatizado de boletins de ocorrências policiais, trânsito, meio ambiente, bombeiro, requisições e representações); estratégia 2 (criar Centros Integrados de Atendimento e Despacho nas Regiões da Polícia Militar); estratégia 3 (implantar o módulo de estatística espacial nas frações da PMMG); estratégia 4 (criar e implementar o armazém de dados de Defesa Social). 4.6.2 Planejamento participativo Planejamento participativo é um processo segundo o qual os atores envolvidos, direta ou indiretamente afetados pelas ações do projeto, influenciam e compartilham da construção do consenso, da tomada de decisões e da aplicação dos recursos do projeto. 66 A participação é abordada por Ackoff (1974 apud VIEIRA, 2001) como um dos princípios específicos do planejamento, em que a principal tarefa não é simplesmente elaborá-lo, mas facilitar o processo de sua elaboração pela própria empresa. Basicamente, as razões para a utilização do planejamento participativo na definição de planos de um projeto ou programa, em todos os seus níveis, podem ser resumidas como um apoio considerável para desenvolver projetos mais consistentes e mais transparentes; definir objetivos claros e realistas e indicadores para acompanhar e avaliar as ações, resultados e objetivos previstos; melhorar a comunicação, integração e a cooperação entre as instituições parceiras, grupos e pessoas envolvidas; estabelecer as responsabilidades e deveres de todos os envolvidos; compartilhar informações, entre outros. Procurou-se restringir o estudo à participação de dois grupos no planejamento para definição de estratégias de segurança pública: 1º) comunidade, representada pelos Conselhos Comunitários de Segurança Pública; e 2º) policiais militares que atuam no policiamento ostensivo geral. a) Participação da comunidade A evidência de que o mero endurecimento das leis penais e do rigor policial não produzia necessariamente reduções nos índices de criminalidade e tampouco contribuía para o relacionamento com a população, despertou a atenção das autoridades policiais para a questão do Policiamento Comunitário. Verificou-se que a lógica básica do policiamento para solução de problemas e comunitário, os casos de sucesso e a avaliação positiva de programas operacionais oferecem razões para se acreditar que o policiamento para solução de problemas e o policiamento comunitário podem ser eficientes para se lidar com o crime e para melhorar a segurança da população em geral. Isto levou as Polícias do mundo inteiro a adotar as filosofias do policiamento comunitário, tendo isto ocorrido oficialmente em Minas Gerais desde 1993, quando se consolidou a Diretriz Operacional da Polícia Militar nº 12, que atualmente foi substituída pela Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nº 04/2002, que trata da implementação destas filosofias em todo Estado. 67 A meta do policiamento comunitário, segundo a Polícia Militar é “a redução do crime, da desordem e do medo, através do exame cuidadoso das características dos problemas locais (da vizinhança), aplicando então soluções apropriadas.” (MINAS GERAIS, 2002a, p. 12). Verificou-se, portanto, que o objetivo do policiamento não é reduzir apenas o crime mas também reduzir o medo, restaurar a civilidade nos espaços públicos e garantir os direitos democráticos dos cidadãos; em resumo, é criar comunidades democráticas, seguras e tolerantes. Para que se possa atingir esta meta foi identificada a necessidade de se buscar a participação da comunidade nos planejamentos para o exercício da polícia ostensiva da ordem pública. Esta participação está, atualmente, fundamentada na DPSSP nr 05/2002, a partir do momento em que a Polícia Militar define a participação social, nas questões da segurança pública, como sinônimo de exercício de cidadania, podendo o cidadão inferir: [...] nos processos de planejamento na prestação de serviços pelo Estado, no que diz respeito à prevenção e ao combate ao crime, e se informa sobre modos de contribuir para redução das taxas de criminalidade, mediante políticas públicas e atitudes que evitam ou diminuem a possibilidade do delito (MINAS GERAIS, 2002c, p. 3). Nesse sentido surge o Conselho Comunitário de Segurança Pública (CONSEP), como entidade de direito privado, com vida própria e independente em relação à Polícia Militar ou a qualquer outro órgão público. Trata-se de uma modalidade de associação comunitária, de utilidade pública, sem fins lucrativos, constituída no exercício do direito de associação garantido no art. 5º, XVII, da Constituição Federal, e que tem por objetivos mobilizar e congregar forças da comunidade para discussão de problemas locais da segurança pública, no contexto municipal ou em subdivisão territorial de um município. Entre as finalidades do CONSEP, cita-se o ato de “democratizar o planejamento das atividades de polícia ostensiva de preservação da ordem pública, no âmbito de cada município, para a definição de prioridades de segurança pública, no espaço de abrangência de cada CONSEP.” (MINAS GERAIS, 2002c, p. 8). Esta democratização do planejamento, portanto, pode ser definida através do envolvimento social em três diferentes formas: 1ª) a comunidade participa do planejamento 68 como elemento de informação, vindo a corroborar com as informações produzidas pela estatística criminal e pelo geoprocessamento; 2ª) a comunidade participa no sentido de conhecer as estatísticas criminais, tipos de delitos que vêm ocorrendo no bairro e demais informações para que sirvam de subsídio para adoção de medidas de auto-proteção; e 3ª) a comunidade informa à Polícia Militar sobre suas necessidades de segurança pública, como bem prevê a DPSSP nr 01/2002, ao estabelecer que “[...] os locais e os horários de presença policial devem ser decididos em conjunto com as lideranças dos bairros [...]” (MINAS GERAIS, 2002a). No tocante à segunda forma de participação da comunidade, Kahn (2002, p.15), ainda explica que: [...] o aumento do fluxo de informações da Polícia Militar para a comunidade aumenta a capacidade de autoproteção da população. A Polícia informaria as instituições do bairro sobre os padrões e tendências da criminalidade local e quais as medidas mais adequadas para preveni-las. [...] Percebe-se, portanto, uma troca de informações entre a Polícia Militar e comunidade, com o objetivo específico de melhorar os níveis de segurança da população em geral. b) Participação do Policial Militar que atua no policiamento ostensivo A participação do Policial Militar, também é de fundamental importância para o planejamento de ações e operações a serem desencadeadas no combate ao crime, pois é ele quem vai colocar em prática este plano e precisa estar conscientizado acerca do seu envolvimento para o pleno êxito das ações. Boar (2002, p. 34) já reportava que “o processo de planejamento só funciona melhor para aqueles que estão preparados e comprometidos em trabalhar arduamente na reflexão em cima das questões.” Sun Tzu chama isso de “ganhar pela inteligência”. Enquanto o exército grego de Aquiles, Ájax e Ulisses não puderam fazer em dez anos de combate brutal na Guerra de Tróia, eles conseguiram em uma noite usando um subterfúgio. Nesse sentido, identificar as formas de como o Policial Militar deve participar do planejamento é princípio basilar para que esta participação seja bem sucedida. Verificouse, portanto, três maneiras de participação: 1ª) o Policial Militar participa do planejamento como elemento de informações de segurança pública, fundamentado em sua vivência diária no policiamento ostensivo, agregando valores à estatística criminal e ao geoprocessamento; 2ª) emite sugestões para emprego do policiamento quanto aos locais e horários de maior 69 necessidade, bem como para a formulação do cartão programa24, uma vez que conhece os principais problemas do local onde atua; e 3ª) participa no sentido de conhecer os índices de criminalidade do local onde atua. O que se busca, no entanto, é a conscientização e comprometimento do Policial Militar quanto às ações a serem desenvolvidas, pois “o senso da missão compartilhada norteará os caminhos da corporação na busca da perenidade institucional, partindo do princípio de que todos, do soldado ao coronel, são responsáveis pelo sucesso das atividades operacionais.” (MINAS GERAIS, 2002a, p. 19). 4.6.3 Execução do planejamento De nada adianta um planejamento bem elaborado, fundamentado em acurada análise criminal, se não for bem concebido em sua execução. Não basta grande número de policiais empregados no policiamento ostensivo, se estes policiais não estiverem preparados e comprometidos. Sherman (1997, apud KAHN, 2002, p. 51), ao abordar sobre a quantidade de policiais ideal para combater a criminalidade, relata que: [...] se policiais adicionais previnem o crime ou não, pode depender de quão bem eles estão focados em objetivos, tarefas, locais, períodos e pessoas específicas. Acima de tudo, pode depender da colocação de policiais onde os crimes sérios estão concentrados, nos períodos em que são mais prováveis de ocorrer: policiamento focado em fatores de risco. Percebe-se que talvez uma Polícia menor, mas ao mesmo tempo equipada, treinada, bem informada, mais proativa e focada, seja mais eficiente no combate à criminalidade do que, como dizia a canção, “uma multidão de soldados perdidos de armas na mão, defendendo antigas missões.”. a) Fixação do Policial Militar no mesmo bairro Com o advento do policiamento comunitário, chegou-se a uma conclusão de que o Policial Militar deve estar mais próximo da comunidade, permanecendo no bairro sem ser desviado para outras atividades. Policiais designados por muito tempo para o mesmo turno e ronda se tornam figuras familiares aos membros da comunidade, e ficam cientes das suas atividades diárias. 24 Programação indicando horários e locais para patrulhamento e permanência do policiamento ostensivo 70 Essa maior presença policial é o primeiro passo para o estabelecimento da confiança, e serve para reduzir o medo do crime entre os membros da comunidade, o que, por sua vez, auxilia na construção da segurança da vizinhança. O que existe de doutrina sobre a fixação do Policial Militar no mesmo bairro, está inserta na DPSSP nr 01/2002 e DPSSP nr 04/2002, onde se prevê que: “[...] as escalas de serviço fixarão o mesmo militar, o maior tempo possível, em um mesmo local de atuação, exceto para o policiamento de guardas em presídios e cadeias públicas, que observará normas particulares [...]” (MINAS GERAIS, 2002a, p. 61). Não restam dúvidas de que esta permanência é um caminho para a solução dos problemas de segurança pública, muito embora se conheça as dificuldades relativas à rotatividade de policiais e comandantes, bem como a necessidade de um acompanhamento mais efetivo acerca de todo este processo. b) Ocorrência de eventos especiais Entre os diversos planos elaborados pela PMMG, buscou-se dar enfoque para dois deles: o primeiro é o planejamento para emprego do policiamento preventivo, fundamentado em análise da criminalidade e o segundo é o destinado ao emprego do policiamento por ocasião dos eventos especiais25. Não raras vezes, tem ocorrido um choque na gestão da execução destes planos, uma vez que, para cada evento a ser realizado, torna-se necessário o remanejamento do policiamento que seria lançado em outras áreas. De acordo com estudo realizado pelo Comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar, Tenente Coronel PM Hudson Ferreira Bento, sobre o impacto dos eventos especiais nos índices de criminalidade, concluiu-se que nos dias em que há emprego de grande parte de policiais militares nos eventos de repercussão estadual ou nacional, os crimes são majorados em torno de 25 % naquele dia, comparado ao dia da semana anterior. No turno noturno, por exemplo, este aumento chega a 81,82 %, horário este em que o policiamento também é refluído para o momento do evento (MINAS GERAIS, 2005b). Apesar de estar fundamentado através de planejamento prévio o emprego de Policiais Militares em eventos especiais, não significa que não vá comprometer a execução do policiamento preventivo, pois, via de regra tem ocorrido o remanejamento de policiais não 25 São eventos previsíveis, como shows musicais, partidas de futebol, dentre outros. 71 só de local e horário, como também de dia, vindo a causar prejuízos para a segurança pública, também nos dias que se seguem ao dia do evento. 4.6.4 Avaliação do planejamento A avaliação dos resultados deve ser uma prática constante com o objetivo de realimentar novas estratégias de emprego, já que o planejamento por si só não garante o alcance das metas. Portanto, um dos princípios básicos a serem observados pelos responsáveis pelo planejamento é a sujeição constante das ações à constante avaliação. Segundo Tavares (1991) avaliação é o mecanismo que visa medir a efetividade das ações. Consiste na identificação de aspectos e no levantamento de hipóteses que podem afetar ou estejam afetando positiva ou negativamente o planejamento. A grande questão não é simplesmente definir o momento exato para avaliação dos resultados, mas também estabelecer a forma correta de interpretar os dados, possibilitando saber se as ações de polícia ostensiva estão, de fato, corroborando ou não com o negócio da Polícia Militar, que é a promoção da paz social. Robert Peel (apud DANTAS, 2002, p. 1) ao descrever os princípios que norteiam as ações de uma Instituição Policial Militar, enfatiza que “o grande parâmetro da eficiência policial é a ausência do crime e da desordem, não a visibilidade das ações policiais [...]”. Esta ausência do crime e da desordem precisa influenciar o sentimento de segurança da população, para que as ações da Instituição Policial Militar sejam, de fato, legitimadas por ela. Nada adianta a redução dos índices oficiais de criminalidade se a população continua com medo e não percebe esta diminuição. O modo como as pessoas se informam sobre o crime, o tipo e a quantidade de crimes apresentados pelos meios de comunicação, o grau de confiança na Polícia, o aspecto físico da comunidade e muitos outros fatores influenciam este sentimento, além das taxas de criminalidade. Para Beato (2000?) o resultado de um programa ou estratégia bem sucedida de ação policial será, muitas vezes, o não acontecimento de algo. A ausência de crimes pode ser justamente um dos melhores indicadores da excelência da atividade policial. No 72 entanto, este autor relata, ainda, que os gerentes de polícia estão apegados a indicadores de produção como apreensão de armas, número de prisões efetuadas e operações realizadas. Estas informações levariam, portanto, a uma avaliação equivocada se estas operações de apreensões e prisões tiverem sido dirigidas a locais e pessoas erradas. Há ainda a questão da análise bem menos profunda a cerca dos dados levantados, sem atribuir correlação entre eles. O aumento da apreensão de armas de fogo, por exemplo, deveria levar a um declínio dos crimes violentos. Sem que isto ocorra, o saldo operacional não seria tão positivo assim. Esta abordagem leva a direcionar a avaliação dos resultados de acordo com o nível de segurança subjetiva da população, exatamente porque as taxas de criminalidade, por si só, influenciam muito pouco no sentimento de segurança da população. Sabe-se, no entanto, o quanto é difícil avaliar a qualidade da atividade policial, bem como, também, o resultado dessa atividade que deveria gerar metas e objetivos a serem alcançados, e muitas vezes intangíveis tais como “segurança” e “ordem”. A polícia é um tipo de organização bastante particular, que “é concebido na literatura como coping organizations, isto é, organizações em que nem a produção dos operadores nem os resultados dessa produção podem ser facilmente observados ou mensurados [...]” (WILSON apud BEATO, 2000?, p. 3). Apesar dessa situação peculiar da Polícia Militar, mecanismos de avaliação devem ser estabelecidos para que o planejamento seja realimentado, através do qual será verificada a conveniência do prosseguimento das linhas de ação em curso, ou sua mudança. Somente com a avaliação é que será possível fechar o ciclo de emprego das ferramentas de análise criminal no planejamento da Polícia Militar, oportunidade em que saberemos se houve ou não a efetiva aplicação dessas ferramentas na maximização dos resultados de segurança pública. 73 SEÇÃO 5 METODOLOGIA 5 METODOLOGIA 74 5 METODOLOGIA Essa SEÇÃO apresenta a metodologia adotada no presente trabalho, com o tipo e natureza da pesquisa, métodos de abordagem e procedimento, técnicas, universo da pesquisa, tipo de amostragem, tratamento estatístico e limitações. 5.1 Tipo de pesquisa Quanto aos objetivos, foram utilizadas as pesquisas exploratória e descritiva, já que se procedeu a uma avaliação crítica do emprego das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional, sendo necessário estabelecer uma relação entre os dados coletados e a doutrina de emprego operacional da Polícia Militar, prevista na Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública Nr 01 e demais documentos normativos da PMMG. Utilizou-se a pesquisa bibliográfica documental, através da verificação de legislação, metodologia de análise criminal, documentos e diretrizes pertinentes ao assunto, bibliografias correlatas e de uma pesquisa de campo, com aplicação de questionários e entrevistas. 5.2 Natureza da pesquisa A pesquisa realizada teve natureza tanto quantitativa quanto qualitativa, uma vez que se buscou a generalização de opiniões e o levantamento de visões de autoridades quanto ao objeto pesquisado. 5.3 Método de abordagem Foi utilizado o método hipotético dedutivo, uma vez que havia um conhecimento inicial sobre o assunto objeto da pesquisa, com base em dados estatísticos e observação do processo de planejamento e execução do policiamento ostensivo geral. 5.4 Método de procedimento Foi empregado o método monográfico e traços dos métodos estatístico e comparativo, uma vez que se buscou abordar o tema em profundidade, esgotando todas as suas possibilidades, estabelecendo-se, a partir dos dados verificados nas entrevistas e 75 questionários, comparações relativas à doutrina de emprego operacional da Polícia Militar de Minas Gerais. 5.5 Técnicas a) Documentação indireta Quanto às fontes primárias foram pesquisadas a Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública Nr 01/2002 que trata do emprego operacional da Polícia Militar, apostila de análise criminal elaborada pela Polícia Militar do Estado de Minas Gerais e demais obras e documentos correlatos ao objeto da pesquisa. Com relação às fontes secundárias foram pesquisados Planos de Emprego Operacional e escalas de serviço das Companhias e Batalhões subordinados a 12ª Região da Polícia Militar, estatística criminal, dentre outros. b) Documentação direta Foi realizada pesquisa de campo através de: observação direta intensiva, com a realização de entrevistas ao Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, aos Comandantes de Batalhões, e ao Chefe da Seção de Planejamento de Operações do Estado Maior da Polícia Militar; e observação direta extensiva, com aplicação de questionários aos Chefes de Seção de Planejamento e de Seção de Inteligência dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar; Comandantes de Companhias; Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral em seus respectivos municípios e Presidentes dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública. c) Descrição da observação - entrevistas ao Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, aos Comandantes de Batalhões, e ao Chefe da Seção de Planejamento de Operações do Estado Maior da Polícia Militar; - questionário aplicado aos Chefes de Seção de Planejamento e Operações; Chefes de Seção de Inteligência dos Batalhões; Comandantes de Companhia; Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral e Presidentes dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública: questionário com questões fechadas. 76 d) Forma de aplicação - entrevista ao Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, aos Comandantes de Batalhões e ao Chefe da Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior da Polícia Militar: diretamente pelo pesquisador; - questionário aos Chefes de Seção de Planejamento e Operações e de Seção de Inteligência dos Batalhões e Comandantes de Companhia: diretamente pelo Sub Comandante da respectiva Unidade, durante treinamento extensivo dos Oficiais. - questionário aos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral: diretamente pelos Comandantes de Companhia durante treinamento extensivo da tropa; - questionário aos Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública: diretamente pelos Comandantes de Companhia durante reuniões ordinárias. 5.6 Universo da pesquisa a) Questionário Foram pesquisados: - Chefes de Seção de Planejamento e Operações e de Inteligência do 11º BPM26, 14º BPM e 26º BPM, somando um total de seis; - Comandantes da 29ª Cia PM27 e da 72ª Cia PM, com sede em Manhuaçu; e Comandantes da 73ª Cia PM Especial, da 74ª Cia PM Especial, da 75ª Cia PM Especial e da 118ª Cia PM, com sede respectivamente em Ponte Nova, Caratinga, Carangola e Rio Casca. Todas essas Companhias, em total de seis, estão articuladas na área do 11º Batalhão de Polícia Militar, cuja sede é Manhuaçu. - Comandantes da 82ª Cia PM, da 138ª Cia PM e 143ª Cia PM, com sede em Ipatinga; e Comandantes da 85ª Cia PM, da 152ª Cia PM e da 178ª Cia PM Especial, com sede respectivamente em Timóteo, Ipaba e Coronel Fabriciano. Todas essas Companhias, 26 Batalhão de Polícia Militar 77 em total de cinco, estão articuladas na área do 14º Batalhão de Polícia Militar, cuja sede é Ipatinga. - Comandantes da 83ª Cia PM e da 89ª Cia PM, com sede em Itabira; e Comandantes da 57ª Cia PM, da 78ª Cia PM, da 84ª Cia PM Especial e da 96ª Cia PM, com sede respectivamente em Barão de Cocais, Guanhães, João Monlevade e Nova Era. Todas essas Companhias, em total de seis, estão articuladas na área do 11º Batalhão de Polícia Militar, cuja sede é Itabira. - Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública dos municípios de Manhuaçu, Caratinga, Ponte Nova e Rio Casca, na área do 11º BPM; dos municípios de Ipatinga (total de nove), Coronel Fabriciano (total de três), na área do 14º BPM; e dos municípios de Guanhães (total de dois), Nova Era e Barão de Cocais, na área do 26º BPM. b) Entrevistas Foram entrevistados: - Cmt28 da 12ª Região da Polícia Militar: Coronel Gilberto Cabral Costa; - Cmt do 14º BPM: Coronel Hudson Ferreira Bento; - Cmt do 26º BPM: Tenente Coronel Luis Fernando de Oliveira Aleixo; - Cmt do 11º BPM: Tenente Coronel Geraldo Henrique Guimarães da Silva; - Chefe da PM/329: Tenente Coronel Robson Alves Campos Ferreira. 5.7 Tipo de amostragem Foi utilizada a técnica de amostragem simples para definir a quantidade de Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral dos municípios sedes de Batalhões e de Companhias da 12ª Região da Policia Militar: Manhuaçu, Caratinga, Carangola, Ponte Nova e Rio Casca, pertencentes ao 11º Batalhão de Polícia Militar; Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano e Ipaba, pertencentes ao 14º Batalhão de Polícia Militar; e Itabira, João Monlevade, Guanhães, Barão de Cocais e Nova Era, pertencentes ao 26º Batalhão de Polícia Militar. 27 28 29 Companhia de Polícia Militar Abreviatura utilizada na Polícia Militar de Minas Gerais que significa: Comandante. Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior da Polícia Militar de Minas Gerais. 78 a) Cálculo da amostra: - população: 1331; - nível de confiança: 95 %; - erro amostral: 5 %; - amostra: 300. b) Distribuição percentual da amostra para cada Batalhão: Batalhão 11º BPM 14º BPM 26º BPM Total População 337 644 350 1331 % 25,32 48,38 26,30 100,00 Amostra 76 145 79 300 5.8 Tratamento estatístico Visando verificar a comprovação ou não das hipóteses, utilizou-se da estatística descritiva, após a tabulação dos dados, permitindo a sua análise e interpretação em atendimento às questões de interesse desta pesquisa. 5.9 Limitações Não foi possível ter acesso a todas as escalas de serviço do ano de 2004, bem como a outros documentos das Companhias articuladas nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar, o que dificultou verificar de forma mais precisa sobre o emprego do policiamento de todo o ano por faixa horária, dia da semana e por local. Apesar da adoção de todas as medidas possíveis por parte da Academia de Polícia Militar e Fundação João Pinheiro, no sentido de facilitar e viabilizar a realização dessa monografia, o tempo destinado para sua elaboração foi escasso, o que dificultou o aprofundamento e o aperfeiçoamento do trabalho. 79 SEÇÃO 6 UTILIZAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE ANÁLISE CRIMINAL 6 UTILIZAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE ANÁLISE CRIMINAL 80 6 UTILIZAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE ANÁLISE CRIMINAL: ANÁLISE DOS DADOS Nesta SEÇÃO proceder-se-á a apresentação dos dados obtidos através da pesquisa de campo, analisando-os com as entrevistas realizadas e com a pesquisa documental. Em observância à metodologia adotada, a pesquisa de campo envolveu todos Comandantes de Companhia PM, Chefes de Seção de Inteligência e de Seção de Planejamento em nível gerencial; Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral, em nível de execução e Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública, como líderes comunitários. A pesquisa foi realizada nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar, no universo considerado30. 6.1 Diagnóstico sobre a utilização De acordo com a Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 01/2002, a eficácia das atividades de polícia ostensiva somente será atingida se o planejamento fundamentar-se em informações consistentes, advindas de análise acurada dos indicadores de segurança pública, produzidos com base na geo-estatística. Estas informações são produzidas por meio da utilização das chamadas ferramentas de análise criminal, como o geoprocessamento, programas de estatísticas criminais, dentre outros, permitindo ao responsável pelo planejamento obter o conhecimento sobre o fenômeno e adotar uma estratégia de combate ao crime. A tabela 1 revela que as ferramentas de análise criminal são utilizadas na gestão do planejamento pelos gerentes operacionais, no entanto, quando se buscou verificar a utilização dos Índices de Criminalidade (IC) e Índices de Criminalidade Violenta (ICV), instrumentos estes, também, utilizados na análise criminal, foi constatado que 65,22 % dos pesquisados ou empregam estes índices poucas vezes, ou não empregam ou simplesmente desconhecem este método. O Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, ao ser entrevistado, avalia que as ferramentas são empregadas no planejamento, no entanto, não ocorrem em sua 30 Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Caratinga, Carangola, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. 81 plenitude, pois se buscam dados mais simples, com pouca profundidade. Esclarece ainda que: “[...] falta ainda uma preparação do nosso pessoal para fazer uma análise mais profunda daqueles dados que tem às mãos [...]”. O Comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar afirma que as ferramentas não são utilizadas no planejamento, pois: “falta investir um pouco mais na qualificação desses militares, pois na maior parte das vezes os policiais militares empregados nessas atividades atuam mais com ‘boa vontade’ do que preparação técnica.”. O Chefe da Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, ao ser entrevistado, afirma que as ferramentas de análise criminal são levadas em conta no planejamento de todas as Unidades, de uma maneira ou de outra, mas ressalta que o geoprocessamento é, apenas, uma ferramenta e verifica-se que algumas Unidades utilizam-na como “fim”. Um dos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral observou que as estatísticas criminais deveriam ser mais bem aplicadas para emprego do policiamento e não apenas para fins de estudos. Apesar da maior parte dos gerentes afirmarem que utilizam as ferramentas de análise criminal no planejamento operacional, pode-se deduzir que este procedimento não vem ocorrendo em sua plenitude uma vez que há desconhecimento sobre um dos métodos de análise criminal, que são os índices de criminalidade (IC e ICV), conforme constatado na tabela 1, em que 65,22 % dos gerentes afirmam que aplicam este método poucas vezes, ou não aplicam ou simplesmente deixaram de emitir opinião. Tabela 1: Freqüência de utilização das ferramentas de análise criminal e dos índices de criminalidade (IC/ICV) na gestão do planejamento operacional, segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Freqüência de utilização Muitas vezes Algumas vezes Poucas vezes Não são utilizados Sem opinião formada Total Ferramentas de análise criminal Abs. % 9 39,13 7 30,43 6 26,09 1 4,35 23 100,00 Índices de criminalidade (IC e ICV) Abs. % 4 17,39 4 17,39 6 26,09 5 21,74 4 17,39 23 100,00 Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual à zero não resultante de arredondamento (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento. 82 a) Exploração das ferramentas Entre as ferramentas que produzem informações para análise criminal estão disponíveis nos Batalhões da 12ª Região de Polícia Militar o SM20, sistema destinado ao cadastro e pesquisa de ocorrências policiais e de prisões de todo o Estado de Minas Gerais; sistema da Central de Operações da Polícia Militar (COPOM), destinado ao gerenciamento e registro de ocorrências dos municípios de Ipatinga, Itabira e Manhuaçu; geoprocessamento, disponível somente nas cidades de Ipatinga e Coronel Fabriciano; outros programas de estatísticas criminais; e, também, procedimento manual, como forma de catalogar todas ocorrências policiais manualmente. Visando obter o grau de utilização destas ferramentas, foram pesquisados os Comandantes de Companhia e Chefes de Seções de Inteligência e de Planejamento, sendo constatado, de acordo com a tabela 2, que o SM20 apresentou maior índice de utilização, como era de se esperar, pois é o único sistema comum em todos os Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar. Entretanto o mais preocupante é que o procedimento manual (contagem manual das ocorrências) foi apontado como o segundo maior instrumento de produção de informações. Há duas explicações para a ocorrência de tal fato: 1ª) o SM20 não tem produzido as informações necessárias e em tempo oportuno; e 2ª) há falta de capacitação técnica dos recursos humanos na busca de alternativas mais adequadas e rápidas para se obter as informações, como é o caso da utilização de programas de estatísticas utilizadas por alguns Batalhões da Polícia Militar. Tabela 2: Ferramentas utilizadas para produção de estatística criminal e outras informações de segurança pública, segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Ferramentas utilizadas SM20(2) Procedimento manual Outros programas informatizados Geoprocessamento Sistema COPOM(3) Total Freqüência Abs. 16 15 10 9 8 58 Simples 27,59 25,86 17,24 15,52 13,79 100,00 Nota: Sinal convencional utilizado: .. não se aplica dado numérico. (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento (2) Sistema de ocorrências e prisões (3) Central de Operações da Polícia Militar. % Acumulada 27,59 53,45 70,69 86,21 100 .. 83 b) Critérios utilizados para subsidiar o planejamento operacional Quanto aos critérios utilizados para subsidiar o planejamento operacional, verificou-se, de acordo com a tabela 3, que há um emprego uniforme de todos os meios, com prevalência dos pedidos da comunidade, em geral e das informações da estatística criminal. Tabela 3: Critérios utilizados para embasar o planejamento operacional, segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Critérios utilizados Pedidos da comunidade, em geral Informações da estatística criminal Informações oriundas do Policial Militar Informações do geoprocessamento Experiência profissional Total Freqüência Abs. 22 19 17 16 15 89 Simples 24,72 21,35 19,1 17,98 16,85 100 % Acumulada 24,72 46,07 65,17 83,15 100 .. Nota: Sinal convencional utilizado: .. não se aplica dado numérico. (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento. c) Análise qualitativa das informações Segundo a Polícia Militar a análise criminal visa à identificação dos fatores que envolvem a criminalidade, em termos qualitativos e quantitativos, bem como a identificação de variáveis que se relacionam com esses fatores, apresentando correlações entre si, ou não (MINAS GERAIS, 2004). O Chefe da Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior da Polícia Militar explica que na análise quantitativa são obtidas informações como dia, horário e local de maior freqüência de delitos enquanto que na qualitativa, são agregadas outras informações como modus operandi do meliante, onde ele mora, quais são os locais em que essas pessoas tem normalmente agido, em fim. Segundo o Oficial a análise qualitativa é “uma sintonia da análise fina da análise quantitativa [...]”. Isto implica afirmar que as informações da estatística criminal e do geoprocessamento necessitam passar por um processo de análise mais profunda, procurando dar respostas para as questões: o que, quando e onde; e também para: quem, como e por que, o que vai exigir a agregação das informações de inteligência e da comunidade, para que se possa atingir o conhecimento do fenômeno. 84 De acordo com a tabela 4, percebe-se que, na visão dos gerentes operacionais, esta agregação tem ocorrido, mas não completamente, pois 43,48 % dos pesquisados afirmam que esta agregação ou ocorre poucas vezes, ou não ocorre ou é, simplesmente, desconhecida ou ignorada. Tabela 4: Freqüência com que as informações de inteligência e outros indicadores de segurança pública são agregados à estatística criminal e ao geoprocessamento propiciando análise qualitativa da criminalidade segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Freqüência de agregação Muitas vezes Algumas vezes Poucas vezes Não são agregadas Sem opinião formada Total Freqüência Abs. 6 7 3 6 1 23 Simples 26,09 30,43 13,04 26,09 4,35 100,00 % Acumulada 26,09 56,52 69,57 95,65 100,00 .. Nota: Sinal convencional utilizado: .. não se aplica dado numérico; (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento. Para que as informações da estatística criminal e do geoprocessamento possam produzir os efeitos necessários a um bom planejamento é importante que estas sejam qualitativas e não apenas quantitativas. Conforme destacou Beato (2000?), há necessidade de desenvolver técnicas e métodos de análise mais sofisticados, a fim de que o sistema sirva efetivamente de suporte ao planejamento de programas e estratégias. “Do contrário teremos apenas tabelas e mapas ‘bonitinhos’ para serem utilizados em relatórios, mas de pouca utilidade prática.” (BEATO, 2000?, p. 15). Visando avaliar a qualidade destas informações nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar, no universo considerado, buscou-se a opinião dos gerentes operacionais, Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral e Presidentes dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública, o que pode ser verificado através da tabela 5. Constatou-se que a grande maioria dos gerentes operacionais afirma que a qualidade é ótima ou boa, somando um percentual de 82,6 %. Quanto aos Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública este índice cai para 55 %, prevalecendo ainda uma boa ou ótima avaliação. Já os Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral fazem esta avaliação com um percentual ainda menor: 45,33 %, prevalecendo a opinião dos outros 54,67 % que avaliaram como regular ou ruim ou que 85 deixaram de opinar. O índice de 19,67 dos Policiais Militares que não tinham opinião formada sobre a questão, leva-nos a inferir que as informações da estatística criminal e do geoprocessamento ou não têm sido difundidas a esses policiais, ou quando são não têm despertado atenção necessária a ponto de provocar juízo de valor a respeito do assunto. O Comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar, ao ser entrevistado, afirma que a “atividade de análise criminal do 14º BPM carece de melhor investimento, pois normalmente o Comandante recebe dados estatísticos sem uma análise criminal oportuna e inteligente.”. No entanto, o Comandante do 26º Batalhão de Polícia Militar afirma que a análise qualitativa vem ocorrendo com mais intensidade atualmente, pois o Chefe da Seção de Inteligência vem se dedicando mais com informações relativas ao meliante e modus operandi e o Chefe da Seção de Planejamento e Operações vem procedendo à análise referente ao local, horário, mês e dia da semana de maior freqüência dos delitos. Segundo o Chefe da Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior da Polícia Militar “[...] um grande equívoco é pegar dados estatísticos e repassá-los aos Comandantes de Companhia. Isso é um grande equívoco, porque o P/3 precisa traduzir esses dados estatísticos em informações e mediante essas informações traçar metas para as Companhias [...]”. Após verificar as estatísticas criminais produzidas pelos Batalhões da 12ª Região da Policia Militar, percebeu-se que os dados não têm sido tratados qualitativamente e se restringem em tabelas e gráficos, sem análise mais profunda em torno do fenômeno da criminalidade. De uma maneira geral, o que se pode inferir após está análise é que as informações provenientes da estatística criminal e do geoprocessamento são produzidas, no entanto, carecem de ser mais bem trabalhadas qualitativamente, para que elas possam ser mais bem entendidas, principalmente pelos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral. 86 Tabela 5: Avaliação da qualidade das informações da estatística criminal e do geoprocessamento, segundo os gerentes operacionais(1), Policial Militar e Presidentes de CONSEP(2) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Avaliação das informações Ótima Boa Regular Ruim Sem opinião formada Total Gerentes Abs. % 4 17,39 15 65,22 2 8,70 2 8,70 23 100,00 Policial Militar Abs. % 9 3,00 127 42,33 78 26,00 27 9,00 59 19,67 300 100,00 Pres. CONSEP Abs. % 1 5,00 10 50,00 5 25,00 4 20,00 20 100,00 Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento (2) Conselhos Comunitários de Segurança Pública. 6.2 Recursos humanos e logísticos Após analisar a tabela 6, verificou-se que há um consenso entre os gerentes operacionais a cerca da deficiente qualificação dos recursos humanos empregados na produção e análise da estatística e mapeamento criminais. O Comandante da 12ª Região da Polícia Militar e os Comandantes do 11º, 14º e 26º Batalhões também confirmam que há necessidade de melhor capacitação desses recursos humanos para que possam utilizar de melhores técnicas e métodos visando uma análise criminal mais qualitativa. O resultado inserto na tabela 2 também corrobora com o quadro de desqualificação dos recursos humanos, quando revela que a contagem manual de ocorrências é apontada como um dos instrumentos mais utilizados na produção de informações de segurança pública nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar. Isto demonstra que tais recursos humanos estão despreparados, não somente pela falta de cursos preparatórios, mas também porque resistem à evolução tecnológica e optam pelos métodos obsoletos e mais lentos. O fato de se verificar inexistência de análise qualitativa mais freqüente nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar nos leva a inferir que isto vem ocorrendo fruto de um despreparo dos Policiais Militares responsáveis pela análise criminal, que a fazem utilizando apenas informações quantitativas. Quanto aos recursos logísticos utilizados, de acordo com a Diretoria de Apoio 87 Logístico da Polícia Militar, são utilizados 140 micro-computadores na 12ª RPM, no universo considerado, sendo que vários equipamentos estão bastante defasados em relação aos existentes no mercado na atual conjuntura. Tabela 6: Nível de qualificação dos recursos humanos empregados na produção e análise da estatística e mapeamento criminais segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Nível de qualificação dos recursos humanos Ótimo Bom Regular Ruim Sem opinião formada Total Freqüência Abs. 2 4 10 5 2 23 Simples 8,70 17,39 43,48 21,74 8,70 100,00 % Acumulada 8,70 26,09 69,57 91,30 100,00 .. Nota: Sinal convencional utilizado: .. não se aplica dado numérico (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento. 6.3 Planejamento participativo Buscou-se por meio da pesquisa verificar o nível de participação dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública; dos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral e dos gerentes operacionais. a) Participação comunitária Está demonstrado que não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, a decisão da comunidade em participar do processo de planejamento de segurança pública é condição necessária para o atingimento de resultados satisfatórios em termos de contenção da criminalidade. De acordo com a Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 01/2002, os Conselhos Comunitários de Segurança Pública têm por objetivo desenvolver programas de prevenção da criminalidade com a participação da comunidade, cumprindo a função de planejar junto com a polícia as estratégias de policiamento, enfatizando a prevenção. Os planos de policiamento devem, portanto, ser concebidos com a participação das lideranças comunitárias, que representam a população, alvo dos serviços a serem prestados (MINAS GERIAS, 2002b). 88 A fim de verificar a aplicabilidade desta teoria à prática, verificou-se através da pesquisa que, conforme a tabela 7, os Conselhos Comunitários de Segurança Pública não têm participado de forma mais freqüente do planejamento operacional, tanto na opinião dos gerentes operacionais como também na dos Presidentes dos referidos Conselhos. Há também a questão, conforme exposto na tabela 7, de que parte dos gerentes operacionais alegaram não ter opinião a respeito, ensejando o desconhecimento quanto ao fato dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública estarem ou não participando do planejamento operacional da Polícia Militar. O Comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar destaca a participação dos membros do CONSEP no planejamento operacional, contudo ainda não está no nível desejável, em razão do fato dos CONSEP de Ipatinga serem relativamente novos, pois foram criados a partir de 2004. O Comandante do 26º Batalhão de Polícia Militar, durante a entrevista, ao ser perguntado sobre a participação dos CONSEP, afirmou que é “acanhadíssima, para não dizer que não tem participação nenhuma.”. O Chefe da Seção de Planejamento do Estado Maior da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais observa que os Conselhos Comunitários de Segurança Pública devem participar do planejamento como fonte de informações e para levar à Instituição Policial Militar os seus desejos e anseios no tocante à segurança pública. Em sua opinião as reuniões têm sido realizadas, mas na maioria das vezes têm como objetivos os de se buscar apoio logístico para reparo de viaturas, dentre outras necessidades. Os Presidentes dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública, ao responderem à pesquisa de campo, entre aqueles que alegaram não ter participado do planejamento operacional da Polícia Militar, observaram que não têm sido convidados pela Instituição Policial Militar a participarem desse planejamento. Esta observação nos leva a inferir que está faltando um pouco mais de envolvimento dos Comandantes de Companhia no sentido de estar buscando mais a participação comunitária, sendo esta conduta já prevista como um dos princípios básicos a serem perseguidos pelos responsáveis pelo planejamento, através da promoção do envolvimento dos cidadãos, conforme, a Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 01/2002. 89 Tabela 7: Freqüência de participação dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública na elaboração do planejamento operacional preventivo, segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar e Presidentes dos CONSEP(2) – Minas Gerais, 2005. Freqüência de participação dos CONSEP no planejamento Muitas vezes Algumas vezes Poucas vezes Não participam Não opinaram Total Gerentes Operacionais Abs. % 1 4,35 5 21,74 5 21,74 7 30,43 5 21,74 23 100,00 Presidentes dos CONSEP Abs. % 2 10,00 4 20,00 4 20,00 10 50,00 20 100,00 Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento (2) Conselho Comunitário de Segurança Pública. A participação do CONSEP no planejamento operacional de uma Companhia implica em conhecer os índices de criminalidade do respectivo bairro ou setor, através das estatísticas criminais, vindo assim a corroborar com o que está previsto na Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 01/2002, quando identifica a comunidade e o geoprocessamento da violência e da criminalidade como pilares da “Polícia de Orientada por Resultados”31. A fim de diagnosticar o fluxo destas informações, buscou-se através da pesquisa de campo realizada junto aos gerentes operacionais e Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública, a freqüência com que são divulgadas junto à comunidade, durante as reuniões desses conselhos. Conclui-se que a estatística criminal e o geoprocessamento precisam ser mais bem divulgados, pois mais da metade dos pesquisados de ambos os grupos alegaram que a divulgação ou ocorre poucas vezes, ou não ocorre ou, simplesmente, informaram não ter opinião formada sobre o assunto. Percebe-se que os que informaram não ter opinião formada sobre o assunto são os gerentes operacionais, incluídos aí os Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e Planejamento, ensejando que, se não têm opinião formada é porque desconhecem a ocorrência do fato. 31 Trata-se de um modelo de gestão adotado pela Polícia Militar de Minas Gerais que passa a privilegiar uma administração operacional fundamentada na definição de resultados a alcançar – método indutivo que parte do 90 O Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, em entrevista realizada, afirma que “[...] ainda é muito frágil esta relação mais profissional entre os Comandantes de setores e CONSEP na divulgação da ferramenta geo para que as pessoas possam conhecer o que está acontecendo em cada bairro, em cada setor [...]”. Tabela 8: Freqüência de divulgação das informações da estatística criminal e do geoprocessamento, durante as reuniões dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública, segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar e Presidentes dos CONSEP(2) – Minas Gerais, 2005. Freqüência de divulgação das informações Muitas vezes Algumas vezes Poucas vezes Não são divulgadas Não opinaram Total Gerentes Operacionais Abs. % 2 8,70 9 39,13 1 4,35 7 30,43 4 17,39 23 100,00 Presidentes dos CONSEP Abs. % 2 10,00 7 35,00 6 30,00 5 25,00 20 100,00 Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento (2) Conselho Comunitário de Segurança Pública. De acordo com a Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 05/2002, que trata do funcionamento e estruturação dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública, a Polícia Militar deve promover reuniões periódicas mensais com o objetivo de auxiliar no direcionamento das ações destes conselhos (MINAS GERAIS, 2002c). No tocante a freqüência com que ocorrem as reuniões dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública no universo considerado, está evidenciado, conforme a tabela 9 que os Presidentes dos conselhos, em sua grande maioria, afirmam que estas reuniões têm ocorrido com uma certa freqüência. Contudo, ao se verificar o quadro de reuniões dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública, junto à Seção de Planejamento do Estado Maior da Polícia Militar, percebe-se que houve, apenas, um total de sessenta e seis reuniões no ano de 2004, envolvendo os vinte conselhos pesquisados. Se fosse observado o mínimo de uma reunião por mês, deveria ocorrer em todo o ano de 2004 um total de 240 reuniões para os vinte Conselhos Comunitários de conhecimento científico dos problemas locais de segurança pública e dos seus efeitos sociais para atingir os 91 Segurança Pública abrangidos por esta pesquisa de campo. Tabela 9: Freqüência com que ocorrem as reuniões dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública (CONSEP), segundo seus respectivos Presidentes – Minas Gerais – 2005 Freqüência Freqüência das reuniões dos CONSEP Abs. Com muita freqüência Com razoável freqüência Com pouca freqüência Não tem ocorrido Total 5 8 6 1 20 Simples 25,00 40,00 30,00 5,00 100,00 % Acumulada 25,00 65,00 95,00 100,00 .. Nota: Sinal convencional utilizado: .. não se aplica dado numérico. Verificou-se também, conforme gráfico 1 que as reuniões comunitárias (entre elas, reuniões com CONSEP) realizadas nos municípios sedes de Batalhões e Companhias da 12ª Região da Polícia Militar passaram a ocorrer com mais freqüência nos últimos anos, mas houve um decréscimo na ordem de 39,23 % em 2004 em relação a 2003. Gráfico 1: Reuniões comunitárias realizadas nos municípios(1) sedes de Batalhões e Companhias da 12ª Região da Polícia Militar no período de 2001 a 2004 – Minas Gerais – 2005. 1282 1400 1200 779 1000 800 600 400 200 0 158 33 2001 2002 2003 2004 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (1) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. objetivos esperados. 92 Buscou-se verificar, também, qual era o nível de conhecimento dos Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública acerca da estatística criminal do bairro ou local de abrangência do conselho. De acordo com a tabela 10, os Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública, em sua grande maioria, confirmam conhecer a estatística criminal do bairro ou local de abrangência do referido conselho, apesar das estatísticas criminais não ser apresentadas nas reuniões dos conselhos com muita freqüência pela Polícia Militar, conforme verificado na tabela 8. Tabela 10: Nível de conhecimento dos Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública (CONSEP) acerca da estatística criminal do bairro ou local de abrangência do Conselho, segundo seus respectivos Presidentes – Minas Gerais - 2005. Freqüência Nível de conhecimento Abs. Ótimo Bom Regular Ruim Não conhecem Total 2 9 7 2 20 Simples 10,00 45,00 35,00 10,00 100,00 % Acumulada 10,00 55,00 90,00 90,00 100,00 .. Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento; .. não se aplica dado numérico. b) Participação do Policial Militar que atua no policiamento ostensivo A participação no planejamento operacional do Policial Militar que atuam diretamente no policiamento ostensivo geral, conhecido como de “linha de frente” é de fundamental importância para o êxito das ações, por duas razões: (1ª) permite ao responsável pelo planejamento agregar mais informações à estatística e ao geoprocessamento e (2ª) faz com que o Policial Militar se comprometa de forma voluntária e espontânea com os objetivos traçados. Boar (2002, p. 28), ao tratar sobre a importância do planejamento, lembra que “[...] os resultados do processo serão tão bons quanto o investimento intelectual dos participantes ao pensarem profundamente sobre as questões. [...] O processo de planejamento só funciona melhor para aqueles que estão preparados e comprometidos em trabalhar arduamente na reflexão em cima das questões.”. 93 Neste sentido, buscou-se pesquisar a opinião dos gerentes operacionais e do próprio Policial Militar que atua no policiamento ostensivo geral sobre essa participação e verificou-se, de acordo com a tabela 11, que a maioria dos dois grupos afirma que a participação é pouco significativa. Os gerentes operacionais identificaram esse fato de uma forma menos expressiva, pois 52,17 % alegam que esta participação ocorre poucas vezes ou, simplesmente não ocorrem. Já a pesquisa com os Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral, confirmou que 70,33 % desses policiais alegam que participam poucas vezes ou simplesmente não participam. Tabela 11: Freqüência de participação do Policial Militar que atua no policiamento ostensivo geral na elaboração do planejamento operacional preventivo segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar e Policial Militar – Minas Gerais – 2005 Freqüência de participação Muitas vezes Algumas vezes Poucas vezes Não participam Não opinaram Total Gerentes Operacionais Abs. % 4 17,39 6 26,09 4 17,39 8 34,78 1 4,35 23 100,00 Policial Militar que atua no POG(2) Abs. % 25 8,33 64 21,33 51 17,00 160 53,33 300 100,00 Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento. (2) Policiamento ostensivo geral Após analisar o questionário aplicado aos Policiais Militares que atua no policiamento ostensivo geral, buscou-se extrair as observações mais importantes emitidas por cada Policial sobre o assunto. Destacam-se: a) “Falta mais diálogo com quem trabalha na rua e que conhece as peculiaridades de cada lugar. A estatística tem que estar lado a lado com a experiência de quem está nas ruas.”; b) “Deve-se questionar mais o setor operacional, pois faz a linha de frente e tem como ajudar no planejamento das operações.”; c) “O que falta para alcançarmos o sucesso no planejamento operacional é os responsáveis contarem com a participação dos militares que estão diretamente envolvidos na execução do policiamento.”; 94 d) “Quando nos mandam cumprir um cartão programa, dá a impressão de que o objetivo é facilitar a fiscalização e não para baixar o índice de criminalidade. Normalmente nestas ocasiões estes índices aumentam.”. O Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, em entrevista concedida sobre o assunto, reputa ainda como fraca a participação do Policial Militar no planejamento e aponta algumas dificuldades logísticas, como falta projetor de multimídia, tempo de treinamento, dentre outras. O Comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar afirma que “[...] a participação dos policiais militares no planejamento operacional é mínima, pois ainda nos falta à cultura de consultá-los e deles em querer participar.”. Confirma-se que o Policial Militar que atua no policiamento ostensivo geral não é consultado e nem tampouco participa do planejamento operacional de sua Companhia e essa participação constitui em um de seus grandes anseios. Quanto à divulgação das informações da estatística criminal e do geoprocessamento, aos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral, conforme a tabela 12, os gerentes operacionais afirmam que tem ocorrido com uma relativa freqüência, prevalecendo a opção de muitas e algumas vezes, contudo, os Policiais Militares dividem opinião a respeito. Alguns Policiais Militares, ao responderem os questionários, expressaram textualmente seus sentimentos com relação ao assunto: “o geoprocessamento e a estatística deveriam ser divulgados com mais freqüência, assim a tropa ficaria mais informada e se comprometeria em dar uma resposta.”. Outros expressaram: “Em um determinado período foi implantado na Companhia o policiamento setorisado, quando tínhamos conhecimento das estatísticas criminais. Entretanto tal modalidade de policiamento deixou de ser aplicada e as informações das estatísticas criminais deixaram de ser fornecidas aos policiais.”. O Comandante da 12ª Região da Polícia Militar reportou alguns óbices para uma freqüente divulgação destas informações, como a falta de um projetor de multimídia, impressora de alta capacidade para impressão de mapas e gráficos e o pouco tempo antes do turno de serviço destinado a ministrar um treinamento sobre os índices de criminalidade. 95 Tabela 12: Freqüência de divulgação das informações da estatística criminal e do geoprocessamento, aos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar e Policial Militar – Minas Gerais - 2005 Freqüência de divulgação das informações Muitas vezes Algumas vezes Poucas vezes Não são apresentadas Sem opinião formada Total Gerentes Operacionais Abs. % 6 26,09 6 26,09 5 21,74 4 17,39 2 8,70 23 100,00 Policial Militar que atua no POG (2) Abs. % 41 13,67 107 35,67 81 27,00 71 23,67 300 100,00 Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento (2) Policiamento ostensivo geral De acordo com a tabela 13 os Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral alegam que têm um bom conhecimento a respeito dos índices de criminalidade do local onde trabalham, contudo, os gerentes operacionais destacam que este conhecimento está deficiente, evidenciando que deva melhorar. Tabela 13: Nível de conhecimento do Policial Militar que atua no policiamento ostensivo geral acerca da estatística criminal do local onde atua segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar e Policial Militar – Minas Gerais – 2005 Nível de conhecimento Ótimo Bom Regular Ruim Não tem conhecimento Total Gerentes Operacionais Abs. % 3 13,04 7 30,43 7 30,43 5 21,74 1 4,35 23 100,00 Policial Militar que atua no POG (2) Abs. % 45 15,00 155 51,67 78 26,00 14 4,67 8 2,67 300 100,00 (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento (2) Policiamento ostensivo geral c) Coordenação entre os Oficiais Buscou-se, através da pesquisa de campo, verificar qual o nível de coordenação e troca de informações entre os Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e Planejamento, o que possibilitou, de acordo com a tabela 14, aferir o nível como bom. No entanto, segundo o Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, o 96 Comandante de Companhia deve participar do planejamento e que deve haver envolvimento de todo o Estado Maior e não, simplesmente, de Chefes da Seção de Inteligência e de Planejamento. Acrescenta que o trabalho de análise ainda está um pouco estanque, pois não se sabe exatamente qual é a missão de cada um. “A análise quem faz é o P/2 ou o P/3? E o Comandante de Companhia vai apenas receber os dados consolidados?” Portanto, esclarece o Comandante da 12ª Região que ainda há certa confusão quanto à missão de cada um, por parte desses Oficiais. O Comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar afirma que a coordenação tem ocorrido de forma satisfatória, contudo, percebe-se que pode ser otimizada, pois de nada adianta um planejamento que não possa ser executado por falta de informações. O Comandante do 26º Batalhão de Polícia Militar esclarece que a coordenação entre estes Oficiais no planejamento de operações acontece de “forma acanhada” e rara e quanto ao planejamento de ações preventivas, já não ocorre. O Comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar afirma que essa coordenação vem ocorrendo atualmente com mais freqüência, em que o Chefe da Seção de Inteligência trabalha com informações sobre o agente de delito e modus operandi e o Chefe da Seção de Planejamento trabalha com informações sobre horário, dia, mês e local dos delitos. O Chefe da Seção de Planejamento do Estado Maior da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais observa que esta coordenação acontece de uma forma eventual e não contínua, como deveria ocorrer. O Policial Militar que atua no policiamento ostensivo geral, ao responder o questionário desta pesquisa, observa que: “poderiam ser elaborados estudos sobre os crimes registrados, informando modus operandi e rota de fuga, bem como os meios utilizados para a fuga, para uma atuação mais positiva e eficiente [...]”. De uma forma geral, apesar de se observar na tabela 14 que o nível de coordenação entre os Oficiais é bom, verifica-se que, na realidade é ainda pouco freqüente e tem ocorrido eventualmente, mas não continuadamente para estabelecer estratégias de ações preventivas, o que pode ser comprovado de acordo com as entrevistas concedidas sobre o assunto. 97 Tabela 14: Nível de coordenação e troca de informações entre P/2, P/3 e Comandante de Companhia em relação à análise criminal para fins de emprego no planejamento operacional preventivo segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Nível de coordenação e troca de informações Ótimo Bom Regular Ruim Sem opinião Total Freqüência Abs. 7 6 5 5 23 Simples 30,43 26,09 21,74 21,74 100,00 % Acumulada 30,43 56,52 78,26 100,00 .. Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento; .. não se aplica dado numérico (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento. Visando buscar um aprofundamento acerca da interatividade entre os gerentes responsáveis pelo planejamento do emprego operacional das Unidades da 12ª Região da Policia Militar, buscou-se verificar a missão de cada um, no tocante a elaboração das estatísticas criminais e sua análise. O Chefe da Seção de Planejamento do Estado Maior da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais esclarece que o Chefe da Seção de Planejamento de um Batalhão tem a missão de produzir a estatística criminal, bem como a sua análise quantitativa. O Chefe da Seção de Inteligência deve agregar valores a está análise, verificando modus operandi, quem são os agentes dos crimes, onde moram estes agentes, rota de fugas, meios utilizados para cometimento dos crimes, propiciando assim uma análise qualitativa, que na verdade é uma sintonia fina da análise quantitativa. O que tem ocorrido, segundo o Oficial, é que Comandantes de Companhia têm montado estruturas de estatística criminal, com emprego de efetivo, quando na verdade, é atribuição do Chefe da Seção de Planejamento do Batalhão. E, quando ocorre o repasse da estatística aos Comandantes de Companhia, as informações não são tratadas de forma qualitativa. Diante do conhecimento empírico de que a missão no tocante a produção das estatísticas criminais e respectivas análises não estavam bem definidas nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar, buscou-se através da pesquisa de campo, obter a opinião dos gerentes operacionais sobre o assunto. A tabela 15 identificou o Chefe da Seção de Planejamento como o maior responsável pelas estatísticas criminais, contudo o Comandante de Companhia também, foi 98 apontado como quem elabora as estatísticas em sua respectiva Fração, o que seria atribuição do Chefe da Seção de Planejamento. Este resultado nos permite inferir que o Comandante de Companhia tem realizado tarefas que são de responsabilidade da P/3, pois, conforme esclareceu o Chefe da Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior da Polícia Militar: “[...] o Comandante de Companhia não pode usurpar as funções do P/3 [...]”. Tabela 15: Responsáveis pela elaboração da estatística criminal, segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Responsáveis pela elaboração da estatística criminal Chefe da Seção de Planejamento do Batalhão Chefe da Seção de Inteligência do Batalhão Comandante de Companhia Oficial de Informática Ninguém produz estatística Total Freqüência Abs. 21 10 13 44 Simples 47,73 22,73 29,55 100,00 % Acumulada 47,73 70,45 100,00 .. .. .. Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento; .. não se aplica dado numérico (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento. 6.4 Execução do planejamento Aplicar adequadamente a informação ao planejamento e estabelecer uma boa estratégia de ação, por si só, não garante o atingimento das metas estabelecidas, se não houver uma boa concepção na execução deste planejamento. a) Reflexo dos eventos especiais no policiamento ordinário preventivo Sabe-se que os Policiais Militares empregados em eventos especiais da 12ª Região da Polícia Militar são remanejados do policiamento ostensivo geral programado para serem lançados nas zonas quentes de criminalidade e outros locais de maior necessidade, conforme aponta a estatística criminal e os anseios da comunidade. Estes eventos têm ocorrido de forma muito freqüente, alterando o planejamento operacional baseado em análise crítica criminal, segundo opinião dos gerentes operacionais, Policiais Militares empregados no policiamento ostensivo geral e Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública. 99 Analisando-se a tabela 16, verifica-se que esta opinião é da grande maioria dos pesquisados, contudo, percebe-se que os gerentes operacionais, que estão lidando diretamente com planejamento de ações e operações policiais têm uma percepção maior em relação a esta questão. Os Policiais Militares empregados no policiamento ostensivo geral tem essa percepção, mas é ainda menor em relação aos gerentes operacionais. Os Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública, por sua vez, têm essa percepção já um pouco menor em relação aos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral. O Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, durante entrevista, afirma que a freqüente ocorrência de eventos especiais é “algo que prejudica bastante o nosso serviço, porque às vezes é necessário remanejar o Policial Militar não só de outro local como de outro dia. O reflexo não fica só no dia, mas também antes e após estes eventos [...]”. O Comandante da Região revela, por exemplo, que recentemente em Ipatinga houve vários clássicos de futebol, quando houve necessidade de remanejamento do efetivo empregado no policiamento ordinário, desguarnecendo o policiamento ostensivo na cidade. Acrescenta, ainda, que há um estudo no Estado Maior da Polícia Militar com o objetivo de permitir o emprego extraordinário remunerado e voluntário do Policial Militar que estiver de folga no dia do evento. O Comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar fez um estudo estatístico comparando os dias em que ocorrem eventos especiais em Ipatinga com outros dias da semana e “ficou claramente comprovado que há aumento do número de crimes e contravenções nos dias em que há eventos especiais ou extraordinários em bairros e outros locais da cidade.”. Este estudo, citado pelo Comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar, tomou por base quatro diferentes dias entre o período de 14 de novembro de 2004 e 3 de abril de 2005, quando houve grandes clássicos do futebol mineiro no estádio Ipatingão, na cidade de Ipatinga. Foi empregado um efetivo médio de 150 a 200 policiais militares em cada evento. Foi feita uma comparação da quantidade de crimes registrados nos dias dos eventos, com os dias da semana imediatamente anterior e foi constatado um aumento global de 24,3 %. O turno que apresentou maior crescimento foi o 4º turno, com 81,82 %. Neste estudo foram verificados apenas os crimes registrados nos bairros e nos locais diversos ao local onde foram realizados os eventos (MINAS GERAIS, 2005b). 100 O Comandante do 26º Batalhão de Polícia Militar, ao ser entrevistado afirmou que os eventos especiais e extraordinários “alteram em muito o planejamento operacional.”. O Comandante do 11º Batalhão de Polícia Militar também alega que a ocorrência de eventos especiais tem alterado o planejamento preventivo nos municípios que compõe a Unidade e reporta sobre carência de efetivo e de meios. Segundo o Chefe da Seção de Planejamento do Estado Maior da Polícia Militar de Minas Gerais, os eventos especiais, de fato, pulverizam o policiamento ordinário32 principalmente quando ocorrem vários eventos simultaneamente. Após uma breve análise acerca da questão, verifica-se que é bastante perceptível que o emprego do policiamento nos eventos especiais altera o planejamento operacional voltado para o policiamento ordinário e preventivo em todos os Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar. Tabela 16: Freqüência com que os eventos especiais ou extraordinários têm alterado o planejamento operacional baseado em análise crítica criminal segundo os gerentes operacionais(1), Policial Militar e Presidentes de CONSEP(2) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais, 2005. Freqüência de Alteração Muitas vezes Algumas vezes Poucas vezes Não alteram Não opinaram Total Gerentes Abs. % 14 60,87 6 26,09 2 8,70 1 4,35 23 100,00 Policial Militar Abs. % 92 30,67 104 34,67 44 14,67 47 15,67 13 4,33 300 100,00 Pres. CONSEP Abs. % 5 25,00 7 35,00 3 15,00 3 15,00 2 10,00 20 100,00 Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento (2) Conselhos Comunitários de Segurança Pública. De acordo com o gráfico 2 verifica-se que grande parcela do emprego do policiamento em eventos especiais ocorre nos finais de semana, já que há concentração desse policiamento em 47 % nos dias de sábado e domingo. Nos demais dias da semana os eventos especiais com emprego de policiamento tem ocorrido com um percentual médio de 10 % em cada dia. 32 Trata-se do emprego rotineiro de meios operacionais em obediência a um plano sistemático, que contém a escala de prioridades. 101 Gráfico 2: Distribuição percentual dos registros de policiamento em eventos especiais nos municípios(1) sedes de Batalhões e de Companhias da 12ª Região da Polícia Militar no ano de 2004, por dia da semana. 19% 28% 13% 9% 10% 11% 10% DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (1) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. Por outro lado, as operações preventivas caem exatamente nos finais de semana, em detrimento do emprego do policiamento nos eventos especiais, conforme o gráfico 3. Gráfico 3: Distribuição percentual das operações Proteja Seu Bairro e Presença nos municípios(1) sedes de Batalhões e de Companhias da 12ª Região da Polícia Militar no ano de 2004, por dia da semana. Operação Proteja Seu Bairro % 14,80 16,00 14,00 15,61 15,46 14,59 Operação Presença % 14,47 12,87 12,21 12,00 10,00 10,00 8,00 8,00 6,00 6,00 4,00 4,00 2,00 2,00 DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB 15,56 15,87 15,88 14,87 12,49 14,00 12,00 0,00 14,59 16,00 0,00 10,74 DOM SEG TER QUA QUI SEX SÁB Fonte:Polícia Militar: Armazém de dados. (1) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. 102 Enquanto que o emprego do policiamento em eventos especiais ocorre com mais freqüência nos finais de semana (gráfico 2), as operações preventivas caem (gráfico 3) e a criminalidade aumenta nesse período (gráfico 4). Gráfico 4: Distribuição percentual da criminalidade nos municípios(1) sedes de Batalhões e de Companhias da 12ª Região da Polícia Militar no ano de 2004, por dia da semana. % 20,00 18,00 16,00 14,00 12,00 10,00 8,00 6,00 4,00 2,00 0,00 DOM SEG TER CRIMES NÃO VIOLENTOS QUA QUI SEX SÁB CRIMES VIOLENTOS Fonte: Polícia Militar: Armazém de dados. (1) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. b) Permanência do Policial Militar no bairro A Polícia Militar de Minas Gerais, através da Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 01/2002, estabelece que os Policiais Militares designados para o policiamento comunitário devem permanecer no bairro, não sendo desviados para outras atividades da corporação. Estabelece ainda que “[...] as escalas de serviço fixarão o mesmo militar, o maior tempo possível, em um mesmo local de atuação, exceto para o policiamento de guardas em presídios e cadeias públicas, que observará normas particulares [...]” (MINAS GERAIS, 2002a, p. 61). Policiais designados por muito tempo para o mesmo turno e ronda se tornam figuras familiares aos membros da comunidade, e ficam cientes das suas atividades diárias. 103 Essa maior permanência do policial no mesmo local de trabalho é o primeiro passo para o estabelecimento da confiança, e serve para reduzir o medo do crime entre os membros da comunidade. Segundo o Comandante da 12ª Região da Polícia Militar a manutenção do Policial Militar no mesmo bairro por maior tempo possível é muito importante, pois estabelece uma relação de confiança entre a Polícia Militar e população, no entanto, acrescenta algumas dificuldades para que seja mantida tal medida, como a grande rotatividade de Praças e Oficiais para outras Unidades e cursos. Destaca também a necessidade para um processo contínuo de acompanhamento e fiscalização. O Comandante do 14º Batalhão de Polícia Militar avalia a medida como importante e necessária e esclarece que não há como obter a confiança da comunidade em um Policial Militar que ela não conhece e também não há como o Policial Militar estabelecer uma rede de contatos de informações de segurança pública se ele é permanentemente mudado de local de trabalho. O Chefe da Seção de Planejamento do Estado Maior da Polícia Militar avalia a fixação do Policial Militar no bairro como fundamental para o policiamento comunitário, mas alerta para a necessidade de constantes avaliações e acompanhamento para que sejam evitados desvios. Conforme se verifica, não há dúvidas quanto ao ganho da comunidade se o Policial Militar é mantido no mesmo bairro por maior tempo possível, garantindo assim um estabelecimento de confiança, maior conhecimento acerca dos problemas da comunidade, dentre outras vantagens. Há, no entanto, conforme, alertou o Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, a necessidade de se manter um melhor acompanhamento e avaliação. Após conhecer as vantagens da fixação do Policial Militar no mesmo bairro, buscou-se avaliar com que freqüência ele tem sido mantido no mesmo local de trabalho, e foi constatado de acordo com a tabela 17 que isto vem ocorrendo efetivamente no universo considerado, na 12ª Região da Polícia Militar. 104 Tabela 17: Freqüência com que o Policial Militar tem sido mantido no mesmo local de trabalho segundo os gerentes operacionais(1), Policial Militar e Presidentes de CONSEP(2) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Freqüência de permanência Muitas vezes Algumas vezes Poucas vezes Não são mantidos Não opinaram Total Gerentes Abs. % 10 43,48 8 34,78 3 13,04 1 4,35 1 4,35 23 100,00 Policial Militar Abs. % 86 28,67 76 25,33 84 28,00 45 15,00 9 3,00 300 100,00 Pres. CONSEP Abs. % 6 30,00 7 35,00 1 5,00 4 20,00 2 10,00 20 100,00 (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento (2) Conselhos Comunitários de Segurança Pública. c) Análise do emprego quanto aos dias, horários e locais Buscou-se pesquisar junto aos Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública e Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral a percepção com relação ao lançamento dos policiais nos locais, dias e horários de maior necessidade (tabelas 18 e 19). Analisando a tabela 18 verificou-se que a comunidade, representada pelos Conselhos Comunitários de Segurança Pública da 12ª Região da Polícia Militar, no universo considerado, tem sido atendida parcialmente quanto ao emprego do policiamento nos locais, dias e horários de maior necessidade. Tabela 18: Atendimento aos anseios da comunidade, quanto ao emprego do policiamento, em local, dia e horário de necessidade segundo Presidentes dos CONSEP(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Atendimento Completamente Parcialmente Atendido pouco Não tem atendido Não opinaram Total Freqüência Abs. 1 16 1 2 20 Simples 5,00 80,00 5,00 10,00 100,00 % Acumulada 5,00 85,00 90,00 100,00 .. .. Nota: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento; .. não se aplica dado numérico (1) Conselhos Comunitários de Segurança Pública. A tabela 19 demonstra que os Policiais Militares empregados no policiamento 105 ostensivo geral avalia como bom o planejamento operacional da Companhia, no tocante a definição de locais e horários de emprego, o que vem a corroborar com o resultado constante na tabela 18. Tabela 19: Avaliação do planejamento operacional da Companhia PM no tocante a definição de locais e horários de emprego, segundo Policial Militar que atua no policiamento ostensivo geral nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005. Avaliação do planejamento operacional Ótima Boa Regular Ruim Não opinaram Total Freqüência Abs. 31 171 75 11 12 300 Simples 10,33 57,00 25,00 3,67 4,00 100,00 % Acumulada 10,33 67,33 92,33 96,00 100,00 .. Nota: Sinal convencional utilizado: .. não se aplica dado numérico Visando fazer uma comparação dos dados obtidos nas tabelas 18 e 19 com outras fontes de dados, a fim de checar a coerência das informações, foi realizada uma conferência das escalas de serviço quanto ao emprego do policiamento ostensivo geral no mês de agosto de 2004 nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar, no universo considerado. Estabeleceu-se, portanto, um paralelo entre o efetivo distribuído ao longo desse mês, por faixa horária e os crimes violentos e não violentos registrados também no referido mês (gráfico 5). Não foi possível fazer esta análise tomando por base todo o ano de 2004, pela dificuldade de acesso a todas as escalas de serviço das respectivas Companhias. Por esta razão foi escolhido somente o mês de agosto de 2004 para fazer esta pesquisa. Também, não foi possível fazer um comparativo entre o efetivo empregado e crimes registrados, quanto aos locais, devido à insuficiência de informações, uma vez que as escalas de serviço não especificam regularmente os locais de emprego, e as estatísticas criminais indicam apenas os municípios onde foram registradas as ocorrências. Após analisar o gráfico 5 é possível inferir que o efetivo tem sido empregado na medida adequada, acompanhando os índices de criminalidade em cada horário, principalmente no 3º turno, horário de maior fluxo de pessoas nas ruas da cidade. No 4º 106 turno há uma queda no lançamento do efetivo, quando também ocorre decréscimo dos crimes não violentos. Com relação aos crimes violentos, foi verificado um aumento desses delitos no 4º turno, especialmente entre o horário de 17:00 hs e 22:00 hs, enquanto que o lançamento do efetivo diminui a partir de 18:00 hs. Não se verificou, no entanto, inabilidade por parte dos gerentes ao empregarem o efetivo em maior quantidade no período diurno, uma vez que neste horário há uma demanda maior por policiamento preventivo, por se tratar de horário comercial. O remanejamento de Policiais Militares para o 4º turno provocaria prejuízos para a segurança pública durante o dia, até mesmo porque há claros de efetivo nas Unidades. Percebe-se que há necessidade de se obter mais informações sobre os crimes violentos registrados à noite, para que possam ser combatidos com o mesmo efetivo, porém com inteligência e informação. Gráfico 5: Distribuição percentual entre o efetivo empregado no policiamento ostensivo geral, crimes violentos e não violentos, por faixa horária, nos municípios sedes(1) de Batalhões e Companhias – Ago/2004 10,000 9,000 8,000 7,000 % 6,000 5,000 4,000 3,000 2,000 1,000 01 00 :0 0 / :0 00: 5 0 02 / 0 9 :0 1: 5 0 03 / 0 9 :0 2: 5 0 04 / 0 9 :0 3: 5 0 05 / 0 9 :0 4: 5 0 06 / 0 9 :0 5: 5 0 07 / 0 9 :0 6: 5 0 08 / 0 9 :0 7: 5 0 09 / 0 9 :0 8: 5 0 10 / 1 9 :0 9: 5 0 11 / 1 9 :0 0: 5 0 12 / 1 9 :0 1: 5 0 13 / 1 9 :0 2: 5 0 14 / 1 9 :0 3: 5 0 15 / 1 9 :0 4: 5 0 16 / 1 9 :0 5: 5 0 17 / 1 9 :0 6: 5 0 18 / 1 9 :0 7: 5 0 19 / 1 9 :0 8: 5 0 20 / 1 9 :0 9: 5 0 21 / 2 9 :0 0: 5 0 22 / 2 9 :0 1: 5 0 23 / 2 9 :0 2: 5 0 /2 9 3: 59 0,000 Faixa horária Efetivo Crimes não violentos Crimes violentos Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Escalas de Serviço das Companhias e Armazém de dados (1) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Caratinga, Carangola, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. 107 6.5 Metas de redução da criminalidade Quanto ao estabelecimento de metas para redução da criminalidade, de acordo com a tabela 20, estas metas vêm sendo estabelecidas e cumpridas, no entanto, pouca documentação foi encontrada a respeito nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar. O Chefe da Seção de Planejamento do Estado Maior da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, durante entrevista, ressaltou que todas as Unidades vêm estabelecendo metas de redução de criminalidade, mas, de uma maneira informal, pois poucos documentos que tratam do assunto têm sido encontrados durante as supervisões do Estado Maior da Polícia Militar. Foi feita uma análise nos Planos de Emprego Operacional dos Batalhões e Companhias da 12ª Região da Polícia Militar e foi constatado que, de fato, as metas não são estabelecidas formalmente em geral, com exceção do 14º Batalhão de Polícia Militar, onde há registro de um plano de metas para o ano 2004. Essa Unidade estabeleceu em 2003 meta de redução dos índices de dezesseis crimes de naturezas específicas para o ano de 2004. Houve redução dos índices de nove deles. Conclui-se, portanto, que as metas de redução de criminalidade são estabelecidas por cada Batalhão, só que de maneira informal, com algumas exceções. Tabela 20: Freqüência com que as metas para redução de criminalidade são estabelecidas e cumpridas com enfoque de crimes específicos segundo gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005. Freqüência para redução de criminalidade Muitas vezes Algumas vezes Poucas vezes Não são estabelecidas Não tenho opinião formada Total Estabelecidas Abs. % 10 43,48 7 30,43 3 13,04 2 8,70 1 4,35 23 100,00 Metas Cumpridas Abs. % 7 30,43 10 43,48 3 13,04 2 8,70 1 4,35 23 100,00 (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento 108 6.6 Avaliação dos serviços prestados Buscou-se verificar, de acordo com a opinião dos gerentes operacionais, quais critérios são mais utilizados para se avaliar as ações policiais decorrentes do planejamento operacional e ficou evidenciado que a análise dos índices de criminalidade foi identificada como o critério de maior uso, de acordo com a tabela 21. Os índices de criminalidade podem levar a uma avaliação das ações policiais, no entanto, há de se levar em consideração que o aumento do registro dos crimes pode significar aumento da confiança da comunidade em relação à Polícia Militar, proveniente da implantação das filosofias de policiamento comunitário, levando o cidadão a acionar mais a Polícia. Uma verificação sobre a evolução das chamadas “cifras negras” juntamente com a evolução dos índices oficiais de criminalidade pode tornar uma análise mais precisa e realista. Mas para que isto ocorra, é necessário que se faça uma pesquisa junto ao público alvo dos serviços de segurança pública, buscando inclusive obter uma avaliação sobre a sensação de segurança da população. Mais importante do que reduzir o número de crimes é reduzir o medo dele decorrente, porque para a comunidade de nada adianta se há informações de redução da criminalidade, se ela continua com uma sensação de insegurança. Esta observação vem a corroborar com a missão da PMMG que é “proporcionar ambiente seguro em Minas Gerais com a participação comunitária: protegendo a vida, reduzindo o crime e o seu medo e garantindo a lei.” (MINAS GERAIS, 2003b, grifo nosso). Conforme se pode verificar, através da tabela 21, esta pesquisa de satisfação comunitária não vem ocorrendo de forma freqüente na 12ª Região da Polícia Militar, no universo considerado, dando espaço a uma avaliação por meio dos índices oficiais de criminalidade, número de prisões realizadas e armas apreendidas, dentre outros aspectos. A avaliação da efetividade das ações policiais decorrentes do planejamento operacional é, portanto, deficiente e precisa buscar uma participação maior da população nesta avaliação. 109 Tabela 21: Aspectos observados para avaliar as ações policias decorrentes do planejamento operacional segundo os gerentes operacionais(1) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005. Aspectos para avaliar as ações policiais Índice de criminalidade Nº de prisões, armas apreendidas, operações Informações do Policial Militar Pesquisa de satisfação comunitária Controle de emprego de efetivo e VTR Total Freqüência Abs. 23 19 10 9 4 65 Simples 35,38 29,23 15,38 13,85 6,15 100 % Acumulada 35,38 64,62 80,00 93,85 100,00 .. Nota: Sinal convencional utilizado: .. não se aplica dado numérico (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e Planejamento De acordo com a tabela 22 os gerentes operacionais, Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral e Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública avaliam como bom o nível de satisfação da comunidade em relação aos serviços prestados pela Polícia Militar. Tabela 22: Nível de satisfação da comunidade em relação aos serviços prestados pela Polícia Militar, segundo os gerentes operacionais(1), Policial Militar e Presidentes de CONSEP(2) dos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar – Minas Gerais – 2005 Nível de satisfação da comunidade Ótimo Bom Regular Ruim Não opinaram Total Gerentes Abs. % 3 13,04 16 69,57 4 17,39 23 100,00 Policial Militar Abs. % 26 8,67 203 67,67 54 18,00 9 3,00 8 2,67 300 100,00 Pres. CONSEP Abs. % 2 10,00 18 90,00 20 100,00 Notas: Sinal convencional utilizado: - dado numérico igual a zero não resultante de arredondamento (1) Comandantes de Companhia e Chefes das Seções de Inteligência e de Planejamento (2) Conselhos Comunitários de Segurança Pública. Quanto à avaliação dos resultados com base nos índices oficiais de criminalidade, é possível aferi-la como boa, considerando que houve redução de 6,32 % da taxa de crimes violentos no ano de 2004 em relação a 2003 (tabela 3 do apêndice E). Quanto aos crimes não violentos esta redução foi de 2,74 % (tabela 1 do apêndice E). Com relação à taxa média de crimes violentos na 12ª RPM, no universo considerado, foi de 21 crimes por 100.000 habitantes, segundo armazém de dados da Polícia Militar, enquanto que em todo o Estado foi de 44,83 (MINAS GERAIS, 2005a, p. 4). 110 SEÇÃO 7 CONCLUSÕES E SUGESTÕES 7 CONCLUSÕES E SUGESTÕES 111 7 CONCLUSÕES Nesta SEÇÃO serão apresentadas as conclusões do presente trabalho e as sugestões julgadas pertinentes com base no que foi até aqui discutido. 7.1 Conclusões O aumento do medo da população decorrente dos índices de criminalidade e violência tem provocado um clamor da sociedade que passou a exigir adoção de providências por parte dos governos Federal, Estadual e Municipal. Diante do grave cenário da segurança pública as instituições responsáveis pelo Sistema de Defesa Social procuram adotar medidas que proporcionem um ambiente mais seguro para a comunidade. A Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, integrante do Sistema de Defesa Social, e cônscia de suas responsabilidades constitucionais vem buscando a sua modernização para que possa dar respostas ao clamor da sociedade, e neste sentido tem procurado libertar-se das amarras do modelo burocrático que tem dificultado suas respostas às exigências ambientais, com a implementação em sua administração do modelo gerencial, como uma forma de agilizar seus processos, buscando soluções eficientes e eficazes no cumprimento de sua missão constitucional. A otimização da prestação de serviços à comunidade tem exigido da PMMG um esforço de pesquisa focado nas mais modernas tendências das instituições policiais do mundo, na busca de modelos de atuação policial que possam ser adequados à atual realidade, permitindo uma resposta ao grave problema da segurança pública. A PMMG não conseguiu ainda libertar-se do modelo de uma polícia reativa, que trabalha normalmente depois que o crime aconteceu, acionada por uma central de operações e que normalmente não consegue atender a toda a demanda operacional. O planejamento operacional tem se pautado por um planejamento estático que não leva em conta a dinamicidade da evolução criminal. Os tempos atuais exigem a implementação de um planejamento estratégico, que perceba as ameaças do ambiente, que seja flexível e dinâmico, buscando o estabelecimento de metas e avaliações de resultados que permitam traçar caminhos para o futuro. Neste sentido a Polícia Militar iniciou a implementação de um novo modelo de 112 "ser" e "fazer" polícia, através do projeto de polícia orientada por resultados que iniciou-se em 1999 e foi consolidado com a Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública n°01/2002-CG que estabelece as regras de seu desenvolvimento e que foram discutidos no presente trabalho. Um dos pilares deste modelo é a utilização das ferramentas de análise criminal no planejamento operacional, objetivando convergir os escassos recursos humanos e logísticos para os locais de maior necessidade num esforço de toda Instituição para manter sobre controle a violência e a criminalidade. Assim buscou-se identificar uma problemática adequada para a presente pesquisa, que permitisse verificar em que pontos eram possíveis otimizar as ações e operações de polícia ostensiva. Foi estabelecido como problema do presente trabalho: as ferramentas de análise criminal estão sendo efetivamente aplicadas no planejamento operacional de forma a otimizar as ações e operações policiais militares? Para responder ao problema estabeleceu-se a hipótese básica e as hipóteses secundárias que serão apresentadas logo adiante, tomando por base a pesquisa levada a efeito neste trabalho, procurando confirmá-las ou refutá-las. A hipótese básica foi assim definida: as ferramentas de análise criminal são utilizadas no planejamento operacional nas Unidades, no entanto não têm otimizado as ações e operações de polícia ostensiva, desacordando com a filosofia da Instituição prevista na Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nº 01/2002. Esta hipótese foi parcialmente comprovada na medida em que os dados quantitativos e qualitativos demonstraram que os Comandantes de Batalhões e de Companhias procuram utilizá-las da melhor forma possível. No entanto, este fato aliado a falta de qualificação dos recursos humanos; escassez de recursos logísticos e tecnológicos; dificuldade de coordenação entre as seções de Planejamento e Operações e de Inteligência; pouca participação dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública e dos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral no planejamento operacional; e constantes remanejamentos de policiamento por ocasião da ocorrência de eventos especiais têm sido causas para não otimização das 113 ações e operações de polícia ostensiva da ordem pública nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar. Estes fatos indicam que a hipótese foi confirmada parcialmente e serão analisadas com maior consistência na discussão das hipóteses secundárias. a) A primeira hipótese secundária estabelece que: a deficiência dos recursos humanos, tecnológicos e logísticos dificulta a exploração das ferramentas de análise criminal em sua plenitude. Esta hipótese foi totalmente confirmada, levando-se em consideração que o percentual de 65,22 % dos Oficiais pesquisados admite que os recursos humanos empregados na operação de programas informatizados e análise criminal apresentam nível de qualificação regular ou ruim (tabela 6). O percentual de 8,70 % simplesmente desconhece se esses recursos vêm atendendo ou não à demanda. Há também unanimidade entre os Comandantes da Região e dos Batalhões quanto à necessidade de qualificação desses recursos, pois se constatou que o quadro atual constitui uma grande dificuldade para elaboração de análises quantitativa e qualitativa. Entre os funcionários empregados na atividade de análise, apenas um tem o curso de geoprocessamento e nenhum deles freqüentou curso de análise criminal. Com relação aos equipamentos disponibilizados nos Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar estão muito aquém do necessário, tanto em quantidade como em qualidade. Os sistemas informatizados em uso atualmente, como SM20, por exemplo, não atendem à demanda, principalmente na questão de oportunidade de difusão das informações. b) A segunda hipótese básica estabelece que: o planejamento operacional não é realizado conjuntamente entre a Polícia Militar e Conselhos Comunitários de Segurança Pública. Esta hipótese foi parcialmente comprovada uma vez que 50 % dos Presidentes de CONSEP entendem que a participação no planejamento, na realidade, não vem ocorrendo e 20 % asseguram que esse envolvimento tem ocorrido muito pouco. Quanto aos Oficiais o percentual de pesquisados que alega não ocorrer essa participação é de 114 30,43 %, enquanto que 21,74 % deixaram de emitir opinião a respeito, ensejando cocluir neste caso, que desconhecem se há ou não participação dos CONSEP no planejamento operacional da Polícia Militar (tabela 6). Visando diagnosticar melhor esta participação e partindo do pressuposto que conhecendo os índices de criminalidade os CONSEP estariam de alguma forma, participando do planejamento da Polícia Militar, buscou-se verificar com que freqüência as informações de criminalidade eram divulgadas pela Instituição durante as reuniões dos conselhos e foi detectado que 55 % dos Presidentes de CONSEP asseguram que esta divulgação ou ocorre muito pouco ou simplesmente não ocorre. Quanto aos Oficiais pesquisados, o percentual é de 52,17 % dos que afirmam que a divulgação ou tem ocorrido muito pouco ou não tem ocorrido ou simplesmente deixaram de emitir opinião a respeito, demonstrando desconhecer tal fato (tabela 7). Desta forma infere-se que alguns Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública, em sua minoria, têm participado do planejamento operacional conjunto, mas existem dificuldades de se operacionalizar esta filosofia de trabalho. c) A terceira hipótese secundária estabelece que: o Policial Militar que executa o policiamento ostensivo geral não é participante ativo do planejamento de emprego operacional. Esta hipótese foi totalmente comprovada uma vez que o percentual de 70,33 % dos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral assegura que esta participação não vem ocorrendo com freqüência, apesar do índice entre os Oficiais pesquisados ser de apenas 52,17 % (tabela 11). Entre os anseios apresentados por esses Policiais Militares durante a pesquisa houve destaque para a necessidade que tem o PM em participar do planejamento operacional de sua Companhia. d) A quarta hipótese secundária estabelece que: a ocorrência de eventos especiais compromete o planejamento operacional preventivo resultante da análise criminal. Esta hipótese foi totalmente comprovada uma vez que a grande maioria dos Oficiais, Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral e Presidentes de Conselhos Comunitários de Segurança Pública assegura que os eventos especiais têm 115 alterado o planejamento operacional preventivo fundamentado em análise criminal, com índice percentual respectivo de 86,96 %, 65,34 % e 60 %. Verificou-se também que os eventos especiais têm ocorrido com freqüência maior nos finais de semana, enquanto que neste mesmo período há queda nas operações preventivas e aumento da criminalidade. e) A quinta hipótese secundária estabelece que: as análises qualitativas das estatísticas criminais não vêm ocorrendo com freqüência, prevalecendo apenas as análises quantitativas. Esta hipótese foi totalmente comprovada considerando as informações prestadas pelos Comandantes da 12ª Região da Polícia Militar e de Batalhões a respeito das análises produzidas nas Unidades, bem como a respeito da coordenação entre as Seções de Planejamento Operacional e de Inteligência, que não vem ocorrendo continuadamente. A grande maioria dos Policiais Militares que atua no policiamento ostensivo geral avaliou como regular as informações da estatística criminal, o que nos leva a inferir que há uma carência de tratamento desses dados. Há necessidade de se transformar esses dados em informações qualitativas que proporcione ao PM o conhecimento sobre quem está cometendo os delitos, onde ele mora, qual é o modus operandi, dentre outras informações. Há também a questão de que, após analisar as estatísticas produzidas pelas Unidades, verificou-se inexistência de qualquer análise qualitativa, prevalecendo apenas a quantitativa. 7.2 Sugestões A apresentação das sugestões objetiva otimizar as ações e operações de polícia ostensiva através da utilização das ferramentas de análise criminal em um planejamento adequado à atual realidade, colocando em prática os princípios estratégicos previstos na Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública nr 01/2002-CG. 116 As sugestões são: a) Utilização efetiva das informações de estatística criminal e do geoprocessamento no planejamento operacional e disponibilização dessas informações a tropa semanalmente, durante o treinamento intensivo, para que possam focar suas atenções no policiamento preventivo; b) Destinação de cursos de análise criminal aos Oficiais da Polícia Militar, principalmente aos Chefes da Seção de Planejamento Operacional e de Inteligência e aos Comandantes de Companhia; c) Destinação de cursos de utilização de programas de informática como Mapinfo, Terra Crime, SPSS33, aos Policiais Militares responsáveis pelo geoprocessamento e estatísticas criminais das Unidades; d) Difusão do Manual de Banco de Dados, Estatística e Geoprocessamento elaborado pela Polícia Militar de Minas Gerais, a todos os seus componentes; e) Orientação aos Chefes de Seção de Planejamento Operacional e de Inteligência dos Batalhões da Polícia Militar a respeito do uso, não apenas de dados absolutos, mas também dos índices de criminalidade (IC e ICV) o que permitirá uma melhor percepção do fenômeno da criminalidade e da violência; f) Dotação de impressoras e computadores adequados para serem utilizados exclusivamente em análises de criminalidade nos Batalhões da Polícia Militar; g) Fornecimento mensal pelo Estado Maior da Polícia Militar, às Seções de Planejamento Operacional das Unidades da Polícia Militar do banco de ocorrências policiais da respectiva área de atuação, para uso em programas como Access, SPSS, dentre outros, suprimindo assim as deficiências de consultas do SM20. Esta medida ocorreria, portanto, provisoriamente, até a implantação definitiva do Registro de Eventos de Defesa Social (REDS); 33 Statistical Package for the Social Sciences. Em português significa: Pacote Estatístico para as Ciências Sociais. Trata-se de um dos programas de análise estatística mais usados nas ciências sociais; é 117 h) Introdução na home page da Polícia Militar de formulário de pesquisa de opinião, visando avaliar a segurança subjetiva da população e dos serviços prestados pela Corporação; i) Utilização do conteúdo deste trabalho científico como elemento de subsídio ao estudo existente no Estado Maior da Polícia Militar de Minas Gerais, conforme esclareceu o Comandante da 12ª Região da Polícia Militar, em entrevista, sobre emprego voluntário e remunerado de Policiais Militares que estiverem de folga, em eventos especiais; j) Estimulação do trabalho conjunto dos P/2, P/3 e Comandantes de Companhia não só nos grandes eventos ou operações especiais, mas também no cotidiano, de forma que as análises de criminalidade sejam constituídas de informações não só quantitativas como também qualitativas; k) Envolvimento dos Conselhos Comunitários de Segurança Pública e dos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral, no estabelecimento de estratégias de atuação na prevenção criminal através de um planejamento conjunto que leve em consideração as reais necessidades das comunidades em termos de segurança pública; l) Criação de uma adjuntoria de Prevenção Ativa na Seção de Planejamento Operacional das Unidades, ficando esta equipe responsável não só pelas atividades de policiamento comunitário, direitos humanos e PROERD34, mas também pela análise de criminalidade; m) Divulgação mensal aos Comandantes de Companhia de análise criminal, contendo informações quantitativas e qualitativas, por parte das Seções de Planejamento Operacional e de Inteligência. também usado por pesquisadores de mercado, na pesquisa relacionada com a saúde, no governo, educação e outros sectores. 34 Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência 118 REFERÊNCIAS 1 BAYLEY, David H. 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Entendendo a nossa insegurança. Belo Horizonte: Instituto Brasileiro de Policiologia, 2003. 12 FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda.Mini aurélio: século XXI. O minidicionário da língua portuquesa.4 ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. 13 FIALHO JR, Mozart. Novo Dicionário de Informática. 2 ed. Goiânia: Editora Terra, 2002. 14 FREITAS, Hércules de Paula. Planejamento participativo das estratégias de polícia preventiva na Oitava Região da Polícia Militar. Monografia (Curso de Especialização em Segurança Pública) Fundação João Pinheiro. Belo Horizonte, 2001. 15 GOULART, Audemaro Taranto. O planejamento estratégico. O Alferes Nº 23. Belo Horizonte, 1983. 119 16 HARRIES, Keith. Mapeamento da criminalidade: princípios e práticas. 1999. Disponível em <http://www.crisp.ufmg.br/livro.htm> Acessado em 05/04/2005> 17 KAHN, Túlio. Velha e nova polícia: Polícia e políticas de segurança pública no Brasil atual. São Paulo: Sicurezza, 2002. 18 MINAS GERAIS, Constituição 1989. Constituição do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: Delrey, 2003a 19 MINAS GERAIS, Polícia Militar. Definição da identidade organizacional da Polícia Mlitar de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2003b 20 MINAS GERAIS, Polícia Militar. Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública Nº 01: Emprego da Polícia Militar de Minas Gerais na Segurança Pública. Belo Horizonte, 2002a 21 MINAS GERAIS, Polícia Militar. Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública Nº 04: A filosofia de Polícia Comunitária na Polícia Militar de Minas Gerais. Belo Horizonte, 2002b 22 MINAS GERAIS, Polícia Militar. Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública Nº 05: Estruturação e funcionamento de Conselhos Comunitários de Segurança Pública – CONSEP. Belo Horizonte, 2002c 23 MINAS GERAIS, Polícia Militar. Plano estratégico: 2004-2007. Belo Horizonte, 2003c 24 MINAS GERAIS. Decreto-lei nº 6624, de 18 de julho de 1975. Dispõe sobre a organização básica da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais e dá outras providências. 1975. 25 MINAS GERAIS. Fundação João Pinheiro. Anuário de informações criminais de Minas Gerais de 2004. Belo Horizonte: 2005a 26 MINAS GERAIS. Polícia Militar. 14º Batalhão de Polícia Militar. Estudo sobre eventos especiais. 2005b 27 MINAS GERAIS. Polícia Militar. Apostila de análise criminal para o Curso Técnico de Segurança Pública. Belo Horizonte: 2004. 28 OLIVEIRA, D.P.R. de. Planejamento estratégico: conceitos, metodologia e práticas. 12. Ed. São Paulo: Atlas, 1998. 29 OLIVEIRA, D.P.R. de. Planejamento estratégico: conceitos, metodologia e práticas. 12. Ed. São Paulo: Atlas, 1998. 30 SÁ, Itamar de Almeida; BARROS JÚNIOR, João da Silva; CROVATO, Dilmar Fernandes. A utilização da estatística no planejamento operacional em face das ocorrência dos crimes contra o patrimônio a nível de Cia, na RMBH. Monografia (Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais) Fundação João Pinheiro. Belo Horizonte: 1995. 31 SANTA CECÍLIA, Verter. Estatística aplicada às operações. Belo Horizonte: 1984. 32 SANTA CECÍLIA, Verter. Estatística aplicada às operações. O Alferes, Nº 1. Belo Horizonte: 1983. 120 33 SANTANA, Eliezer da Silva. Polícia de resultados: uma proposta para PMSE. Monografia (Curso de Especialização em Segurança Pública). Fundação João Pinheiro. Belo Horizonte: 2001. 34 SÃO PAULO. Secretaria de Segurança Pública. Estatística de criminalidade: manual de interpretação. São Paulo, 2005. 35 SCHIRM, Helena. Apresentação de referências, citações e notas de rodapé. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 2003. 36 SCHIRM, Helena. Apresentação de trabalhos acadêmicos. Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, 2003. 37 SILVA NETO, Severo A. Projeto GPGA: Um novo modelo de gestão de atividades policiais de preservação da ordem pública. Belo Horizonte, 2001. 38 SILVA, Geraldo Henrique Guimarães. O emprego do geoprocessamento na definição de estratégias para o exercício da polícia ostensiva da ordem pública, no 8º Comando Regional de Polícia Militar. Monografia (Curso de Especialização em Gestão Estratégica de Segurança Pública) Fundação João Pinheiro. Belo Horizonte, 2000. 39 SILVA, José Eduardo. Rede de Inteligência: a disseminação dos conhecimentos como suporte ao planejamento das atividades operacionais da Polícia Militar de Minas Gerais. Monografia (Curso de Especialização em Gestão Estratégica de Segurança Pública) Fundação João Pinheiro. Belo Horizonte, 2003. 40 SOUZA, Luiz Humberto de Freitas et al. Mapeamento de homicídios em Uberlândia entre 1999 e 2002 utilizando o software ArcView. Uberlândia: Instituto de Geografia, 2004. 41 TAVARES, Mauro Calixta. Planejamento estratégico: a opção entre sucesso e fracasso empresarial.São Paulo: Harbra,1991. 42 TONRY, Michael; MORRIS, Norval (orgs); tradução Jacy Cárdia Ghirotti. Policiamento moderno. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2003. 43 TZU, Sun. A arte da guerra. 33 ed. São Paulo: Record, 2004 44 VASCONCELOS FILHO, Paulo de; FERNANDES, Marcos Antônio da Cunha; DIAS, José Maria A. M. Planejamento empresarial: Teoria & Prática. Rio de Janeiro: LTC, 1992. 45 VASCONCELOS FILHO, Paulo de; PAGNOCELLI, Dernizo. Construindo estratégias para competir no século XXI. Rio de Janeiro: Campus, 2001. 46 VIERIA, Marcos Antônio. Planejamento estratégico e o alinhamento da Polícia Militar com o futuro: um estudo exploratório. Monografia. Universidade do Sul de Santa Catarina. Florianópolis, 2001. 121 APÊNDICE A: MAPA DO ESTADO DE MINAS GERAIS Mapa 1 Mapa do Estado de Minas Gerais dividido em Regiões da Polícia Militar – Minas Gerais - 2005 Fonte: Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior da Polícia Militar de Minas Gerais (a) BPM: Batalhão de Polícia Militar (b) RPM: Região da Polícia Militar 122 APÊNDICE B: MAPA DA 12ª REGIÃO DA POLÍCIA MILITAR Mapa 1 Mapa da 12ª Região da Polícia Militar dividido em Batalhões e municípios que compõem o universo da pesquisa – Minas Gerais - 2005 Fonte: Seção de Planejamento e Operações do Estado Maior da Polícia Militar de Minas Gerais (a) BPM: Batalhão de Polícia Militar (b) RPM: Região da Polícia Militar 123 APÊNCICE C: ROTEIRO DE ENTREVISTAS 1 COMANDANTE DA 12ª REGIÃO DA POLÍCIA MILITAR 1) De acordo com avaliação de V.Sa. o nível de qualificação dos policiais militares empregados nas atividades de operação de programas informatizados destinados a consolidação de estatísticas e produção de mapas de criminalidade, bem como nas atividades de análise criminal nos Batalhões dessa Região é satisfatório ao desempenho dessa atividade? 2) Como tem ocorrido a participação dos CONSEP no planejamento operacional nos Batalhões dessa Região? 3) Com tem ocorrido a participação dos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral no planejamento operacional dos Batalhões dessa Região? 4) Na opinião de V.Sa. a manutenção do Policial Militar no bairro ou setor sem ser desviado para outras atividades, de maneira a ser conhecido no seio da comunidade é importante para o atingimento dos objetivos da PM? 5) Como tem ocorrido o trabalho de coordenação e troca de informações entre P/2, P/3 e Comandante de Companhia em face do planejamento das ações e operações de polícia ostensiva? 6) Na opinião de V.Sa. o geoprocessamento (se houver na Unidade) e a estatística criminal são levados em conta na elaboração dos Planos de Emprego Operacional - PLEMOP. As metas são estabelecidas e cumpridas? Ocorre avaliação de resultados? 7) Na avaliação de V.Sa. qual a importância da utilização da estatística criminal e do geoprocessamento na gestão das ações e operações de polícia ostensiva nos Batalhões dessa Região? 8) Na opinião de V.Sa. o policiamento tem sido empregado observando-se planejamentos elaborados com base em análise estatística e geoprocessamento (se houver na Unidade)? 9) A ocorrência de eventos especiais e/ou extraordinários tem comprometido o policiamento ostensivo geral ordinário dos Batalhões dessa Região? 10) Quais são as principais deficiências verificadas no tocante a elaboração e execução do planejamento operacional, fundamentado em análise criminal? O Policial Militar que atua no policiamento ostensivo, bem como os CONSEP têm participado do planejamento? Há deficiência de recursos humanos, tecnológicos e logísticos? 2 COMANDANTES DE BATALHÕES DA 12ª REGIÃO DA POLÍCIA MILITAR 1) De acordo com avaliação de V.Sa. o nível de qualificação dos policiais militares empregados nas atividades de operação de programas informatizados destinados a consolidação de estatísticas e produção de mapas de criminalidade, bem como nas atividades de análise criminal nos Batalhões dessa UEOp é satisfatório ao desempenho dessa atividade? 2) Como tem ocorrido a participação dos CONSEP no planejamento operacional nessa UEOp? 124 3) Com tem ocorrido a participação dos Policiais Militares que atuam no policiamento ostensivo geral no planejamento operacional nessa UEOp? 4) Na opinião de V.Sa. a manutenção do Policial Militar no bairro ou setor sem ser desviado para outras atividades, de maneira a ser conhecido no seio da comunidade é importante para o atingimento dos objetivos da PM? 5) Como tem ocorrido o trabalho de coordenação e troca de informações entre P/2, P/3 e Comandante de Companhia em face do planejamento das ações e operações de polícia ostensiva nessa UEOp? 6) Na opinião de V.Sa. o geoprocessamento (se houver na Unidade) e a estatística criminal são levados em conta na elaboração dos Planos de Emprego Operacional - PLEMOP. As metas são estabelecidas e cumpridas? Ocorre avaliação de resultados? 7) Na avaliação de V.Sa. qual a importância da utilização da estatística criminal e do geoprocessamento na gestão das ações e operações de polícia ostensiva nessa UEOp? 8) Na opinião de V.Sa. o policiamento tem sido empregado observando-se planejamentos elaborados com base em análise estatística e geoprocessamento (se houver na Unidade)? 9) A ocorrência de eventos especiais e/ou extraordinários tem comprometido o policiamento ostensivo geral ordinário dessa UEOp? 10) Quais são as principais deficiências verificadas no tocante a elaboração e execução do planejamento operacional, fundamentado em análise criminal? O Policial Militar que atua no policiamento ostensivo, bem como os CONSEP têm participado do planejamento? Há deficiência de recursos humanos, tecnológicos e logísticos? 3 CHEFE DA SEÇÃO DE PLANEJAMENTO E OPERAÇÕES DA POLÍCIA MILITAR 1) De acordo com avaliação de V.Sa. o nível de qualificação dos policiais militares empregados nas atividades de operação de programas informatizados destinados a consolidação de estatísticas e produção de mapas de criminalidade, bem como nas atividades de análise criminal é satisfatório ao desempenho dessa atividade? 2) Como deve ocorrer a participação dos CONSEP no planejamento operacional das UEOp. Como isto tem ocorrido? Qual seria a freqüência mínima de reuniões? 3) Como deve ocorrer a participação dos policiais militares que atuam no policiamento ostensivo geral no planejamento operacional das UEOp. Como isto tem ocorrido? 4) Na opinião de V.Sa. a manutenção do Policial Militar no bairro ou setor sem ser desviado para outras atividades, de maneira a ser conhecido no seio da comunidade é importante para o atingimento dos objetivos da PM? 5) Como deve ocorrer o trabalho de coordenação e troca de informações entre P/2, P/3 e Comandante de Companhia em face do planejamento das ações e operações de polícia ostensiva? Qual é o papel de cada um? Conforme supervisões do Estado Maior realizadas nas Unidades do interior, esta coordenação tem sido detectada? 6) Na opinião de V.Sa. o geoprocessamento (se houver na Unidade) e a estatística criminal são levados em conta na elaboração dos Planos de Emprego Operacional - PLEMOP. As metas são estabelecidas e cumpridas? Ocorre avaliação de resultados? 125 7) Na avaliação de V.Sa. qual a importância da utilização da estatística criminal e do geoprocessamento na gestão das ações e operações de polícia ostensiva? 8) Na opinião de V.Sa. o policiamento tem sido empregado observando-se planejamentos elaborados com base em análise estatística e geoprocessamento (se houver na Unidade)? 9) A ocorrência de eventos especiais e/ou extraordinários tem comprometido o policiamento ostensivo geral ordinário? 10) Quais são as principais deficiências verificadas no tocante a elaboração e execução do planejamento operacional, fundamentado em análise criminal? O Policial Militar que atua no policiamento ostensivo, bem como os CONSEP têm participado do planejamento? Há deficiência de recursos humanos, tecnológicos e logísticos? 126 APÊNCICE D: QUESTIONÁRIOS 1 COMANDANTES DE COMPANHIA, P/2 E P/3 DA 12ª RPM A-( 1) Na sua opinião, o nível de qualificação dos B - ( recursos humanos empregados na produção e C - ( análise da estatística e mapeamento criminais é: D-( E-( A-( 2) A estatística criminal e o geoprocessamento (se B-( existente) têm sido plenamente utilizados na gestão C-( do planejamento operacional permitindo a otimização D-( dos resultados? E-( A-( B-( 3) Na sua Unidade o CONSEP participa da C-( elaboração do planejamento operacional preventivo? D-( E-( A-( 4) As informações da estatística criminal e do B - ( geoprocessamento (se existente) são apresentadas C - ( pela Polícia Militar durante as reuniões do CONSEP? D - ( E-( A-( 5) As informações da estatística criminal e do B-( geoprocessamento (se existente) são apresentadas C-( aos Policiais Militares que atuam no policiamento D-( ostensivo geral, durante o treinamento semanal? E-( A-( 6) O Policial Militar empregado no policiamento B-( ostensivo geral participa da elaboração do C-( planejamento operacional preventivo da Companhia D-( PM? E-( A-( 7) Na sua opinião, o nível de conhecimento do Policial B - ( Militar que atua no policiamento ostensivo geral C - ( acerca da estatística criminal do local onde atua é: D-( E-( A-( B-( 8) A Cia PM tem procurado fixar o Policial Militar no C-( mesmo local de trabalho? D-( E-( 9) Na opinião de V.Sa. a ocorrência de eventos A - ( especiais e/ou extraordinários (shows, futebol, outros) B - ( com repercussão na segurança pública tem alterado C - ( o planejamento operacional preventivo resultante da D - ( análise criminal? E-( 10) As informações de inteligência e outros A - ( indicadores de segurança pública são agregados à B - ( estatística criminal e ao geoprocessamento (se C - ( existente) propiciando análise qualitativa da D - ( criminalidade? E-( ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Ruim ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não são utilizados ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não participa ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não são apresentadas ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não são apresentadas ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não participa ) Não tenho opinião formada ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Ruim ) Não tem conhecimento algum ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não é fixado ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não altera ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não são agregados ) Não tenho opinião formada 127 11) As metas para redução de criminalidade são A - ( estabelecidas com enfoque de crimes específicos, B - ( possibilitando planejamento com mais especificidade? C - ( D-( E-( 12) Se são estabelecidas, de uma forma geral, estas A - ( metas tem sido cumpridas? B-( C-( D-( E-( 13) Os índices de segurança pública (IC ou ICV) A - ( correspondem à relação das ocorrências com os B - ( dados fornecidos pelos indicadores de segurança C - ( pública (nº de crimes x 1.000 / população). Neste D - ( sentido estes índices são aplicados na gestão do E - ( planejamento operacional? 14) Na sua opinião, o nível de coordenação e troca de A - ( informações entre P/2, P/3 e Comandante de B - ( Companhia em relação à análise criminal para fins de C - ( emprego no planejamento operacional preventivo é? D - ( E-( 15) Como V.Sa. avalia a qualidade das informações A - ( da estatística criminal e do geoprocessamento (se B - ( existente) produzidos na Unidade/Cia PM? C-( D-( E-( 16) Na sua opinião, o nível de satisfação da A - ( comunidade em relação aos serviços prestados pela B - ( Polícia Militar no âmbito da Unidade é? C-( D-( E-( 17) Na sua Unidade, quais são as ferramentas A - ( utilizadas para produzir estatística e outras B - ( informações de segurança pública? (podem ser C - ( marcadas mais de uma alternativa) D-( E-( 18) Quem produz estatística criminal na sua A - ( Unidade? (podem ser marcadas mais de uma B - ( alternativa). C-( D-( E-( 19) Na sua opinião, quais são os critérios mais A - ( utilizados na Unidade para embasar a elaboração de B - ( um planejamento operacional? (podem ser marcadas C - ( mais de uma alternativa). D-( E-( 20) Na sua opinião, quais são os aspectos mais A - ( observados para avaliar as ações policias B - ( decorrentes do planejamento operacional de sua C - ( Unidade? (podem ser marcadas mais de uma D - ( alternativa). E-( ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não são estabelecidas ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não tem sido cumpridas ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não são aplicados ) Não tenho opinião formada ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Ruim ) Não tenho opinião formada ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Ruim ) Não tenho opinião formada ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Ruim ) Não tenho opinião formada ) SM20 ) Sistema COPOM ) Geoprocessamento ) Procedimento manual ) Outros programas informatizados ) P/3 ) P/2 ) Comandante de Companhia PM ) Oficial de Informática ) Ninguém produz estatística ) Pedidos da comunidade, em geral ) Informações da estatística criminal ) Informações do geoprocessamento ) Informações oriundas do PM ) Experiência profissional ) Índice de criminalidade ) Nº prisões, armas apreendidas .... ) Pesquisa de satisfação comunitária ) Controle de emprego de efetivo ) Informações do Policial Militar 128 2 POLICIAIS MILITARES QUE ATUAM NO POLICIAMENTO OSTENSIVO GERAL A-( 1) As informações da estatística criminal e do B-( geoprocessamento (se existente) são apresentadas C-( aos Policiais Militares que atuam no policiamento D-( ostensivo geral, durante o treinamento semanal? ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não são apresentadas A-( 2) V.Sa. tem sido consultado ou participado quando B - ( da elaboração do planejamento operacional C - ( preventivo de sua Companhia PM? D-( ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não tem participado ou consultado A - ( ) Ótimo B - ( ) Bom 3) Qual é o nível de conhecimento de V.Sa. acerca da C - ( ) Regular estatística criminal do local onde atua? D - ( ) Ruim E - ( ) Não tenho conhecimento algum A - ( ) Muitas vezes B - ( ) Algumas vezes 4) Com que freqüência V.Sa. tem sido mudado de C - ( ) Poucas vezes local de atuação durante o ano? D - ( ) Não tem sido mudado E - ( ) Não tenho opinião formada 5) Na opinião de V.Sa. a ocorrência de eventos A - ( ) Muitas vezes especiais e/ou extraordinários (shows, futebol, outros) B - ( ) Algumas vezes com repercussão na segurança pública tem C - ( ) Poucas vezes comprometido o policiamento ostensivo ordinário D - ( ) Não altera preventivo? E - ( ) Não tenho opinião formada A - ( ) Ótimo 6) Como V.Sa. classifica o nível de qualidade das B - ( ) Bom informações da estatística criminal e do C - ( ) Regular geoprocessamento (se existente) apresentados D - ( ) Ruim durante o treinamento semanal? E - ( ) Não são apresentadas A - ( ) Ótimo 7) Como V.Sa. avalia o planejamento operacional de B - ( ) Bom sua Companhia PM no tocante a definição de locais e C - ( ) Regular horários de emprego, em face da real necessidade de D - ( ) Ruim policiamento? E - ( ) Não tenho opinião formada A - ( ) Ótimo 8) Na sua opinião, o nível de satisfação da B - ( ) Bom comunidade em relação aos serviços prestados pela C - ( ) Regular Polícia Militar no âmbito da Unidade é? D - ( ) Ruim E - ( ) Não tenho opinião formada 9) A respeito da utilização do geoprocessamento e das estatísticas criminais para o planejamento do emprego operacional, na sua UEOp, caso V.Sa. deseje emitir a sua opinião não abordada no questionário, discorra abaixo ou no verso: 129 3 PRESIDENTES DE CONSELHOS COMUNITÁRIOS DE SEGURANÇA PÚBLICA A-( B-( 1) Com que freqüência ocorre às reuniões do C-( CONSEP? D-( ) Com muita freqüência ) Com razoável freqüência ) Com pouca freqüência ) Não tem ocorrido A-( 2) O CONSEP participa da elaboração do B - ( planejamento operacional preventivo juntamente com C - ( a Polícia Militar? D-( ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não tem participado A-( 3) As informações da estatística criminal e do B - ( geoprocessamento (se existente) são apresentadas C - ( pela Polícia Militar durante as reuniões do CONSEP? D - ( ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não tem sido apresentadas A-( 4) Como V.Sa. avalia a qualidade das informações da B-( estatística criminal e do geoprocessamento (se C-( existente) apresentados durante as reuniões do D-( CONSEP pela Polícia Militar? E-( A-( 5) O emprego do policiamento quanto ao local, B - ( horário e freqüência tem atendido aos anseios da C - ( comunidade abrangida pelo CONSEP? D-( E-( A-( 6) A Polícia Militar tem fixado o mesmo Policial Militar B-( no bairro ou local de abrangência do CONSEP de C-( forma a lhe permitir maior aproximação com a D-( comunidade? E-( A-( 7) Qual é o nível de conhecimento de V.Sa. acerca da B - ( estatística criminal do bairro ou local de abrangência C - ( do CONSEP? D-( E-( 8) Na opinião de V.Sa. o emprego de efetivo em A - ( eventos especiais e/ou extraordinários (shows, B - ( futebol, outros) com repercussão na segurança C - ( pública tem comprometido o policiamento ostensivo D - ( ordinário preventivo? E-( A-( 9) A Polícia Militar tem conseguido reduzir a B - ( criminalidade e o medo do crime nos bairros onde o C - ( CONSEP atua? D-( E-( A-( 10) Como V.Sa. classifica o nível de satisfação da B - ( comunidade em relação aos serviços prestados pela C - ( Polícia Militar? D-( E-( ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Ruim ) Não são apresentadas ) Completamente ) Parcialmente ) Atendido pouco ) Não tem atendido ) Não tenho opinião formada ) Com muita freqüência ) Com razoável freqüência ) Com pouca freqüência ) Não tem fixado ) Não tenho opinião formada ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Ruim ) Não são apresentadas ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não altera ) Não tenho opinião formada ) Muitas vezes ) Algumas vezes ) Poucas vezes ) Não tem conseguido ) Não tenho opinião formada ) Ótimo ) Bom ) Regular ) Ruim ) Não tenho opinião formada 130 APÊNDICE E: ESTATÍSTICA CRIMINAL Tabela 1 Crimes não violentos registrados nos municípios sedes de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 2001 a 2004 - Dados absolutos e taxa por 1000 pessoas (agrupados por municípios) 26º BPM 14º BPM 11º BPM Área Município Carangola Caratinga Manhuaçu Ponte Nova Rio Casca Coronel Fabriciano Ipaba Ipatinga Timóteo Barão de Cocais Guanhães Itabira João Monlevade Nova Era Total 2001 1605 3673 3055 2238 464 4537 554 12666 4061 692 1434 5963 2990 691 44623 Total de crimes 2002 2003 1569 1519 4044 3862 3701 3870 2308 2272 668 639 4841 5781 627 811 14842 16223 4293 4789 899 987 1425 1393 5360 5643 3610 3916 936 975 49123 52680 2004 1490 3682 4142 2269 717 6265 812 15081 4762 1038 1538 5613 4036 984 52429 Taxa por 1000 pessoas 2001 2002 2003 2004 50,11 48,86 47,18 46,01 46,74 51,08 48,39 45,37 44,85 53,68 55,45 57,88 40,21 41,30 40,46 40,00 30,46 43,84 41,96 47,16 46,00 48,62 57,50 61,07 37,25 41,51 52,77 50,98 58,52 67,67 72,92 65,82 55,58 57,82 63,40 60,86 29,19 37,39 40,54 41,55 50,54 50,20 48,63 52,69 59,77 53,07 55,19 53,54 44,31 52,90 56,79 57,28 38,89 52,63 54,78 55,19 50,15 54,64 57,95 56,36 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) BPM: Batalhão da Polícia Militar Tabela 2 Crimes não violentos registrados nos municípios sedes(a) de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 2001 a 2004 - Dados absolutos e taxa por 1000 pessoas (agrupados por grupo) Grupo 2001 Contra Administração Pública 594 Contra Costumes 3320 Contra Incolumidade Pública 365 Contra Patrimônio 18067 Contra Pessoa 15575 Preservação Fauna Ictiológica 43 Legislação da Fauna Silvestre 228 Legislação da Flora 206 Mineração 51 Substância entorpecente 1179 Trânsito Rodoviário 509 Trânsito Urbano 4486 Total 44623 Total de crimes 2002 2003 2004 645 622 1007 3761 4066 3943 377 344 405 20275 23413 23410 17188 16773 15930 51 41 46 180 199 254 169 590 376 48 41 38 1128 1106 1042 663 634 729 4638 4851 5249 49123 52680 52429 Taxa por 1000 pessoas 2001 2002 2003 2004 0,67 0,72 0,68 1,08 3,73 4,18 4,47 4,24 0,41 0,42 0,38 0,44 20,31 22,55 25,75 25,17 17,51 19,12 18,45 17,13 0,05 0,06 0,05 0,05 0,26 0,20 0,22 0,27 0,23 0,19 0,65 0,40 0,06 0,05 0,05 0,04 1,33 1,25 1,22 1,12 0,57 0,74 0,70 0,78 5,04 5,16 5,34 5,64 50,15 54,64 57,95 56,36 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. 131 Tabela 3 Crimes violentos registrados nos municípios sedes de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 2001 a 2004 - Dados absolutos e taxa por 1000 pessoas (agrupados por municípios) 26º BPM 14º BPM 11º BPM Área Município Carangola Caratinga Manhuaçu Ponte Nova Rio Casca Coronel Fabriciano Ipaba Ipatinga Timóteo Barão de Cocais Guanhães Itabira João Monlevade Nova Era Total 2001 33 99 63 127 14 220 19 652 103 17 50 174 154 26 1751 Total de crimes 2002 2003 29 39 77 55 78 98 165 151 18 16 249 290 16 28 696 945 99 141 23 31 46 37 187 298 187 285 35 30 1905 2444 2004 39 59 111 170 29 335 26 844 128 30 34 282 221 37 2345 Taxa por 1000 pessoas 2001 2002 2003 2004 1,03 0,90 1,21 1,20 1,26 0,97 0,69 0,73 0,92 1,13 1,40 1,55 2,28 2,95 2,69 3,00 0,92 1,18 1,05 1,91 2,23 2,50 2,88 3,27 1,28 1,06 1,82 1,63 3,01 3,17 4,25 3,68 1,41 1,33 1,87 1,64 0,72 0,96 1,27 1,20 1,76 1,62 1,29 1,16 1,74 1,85 2,91 2,69 2,28 2,74 4,13 3,14 1,46 1,97 1,69 2,08 1,97 2,12 2,69 2,52 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) BPM: Batalhão da Polícia Militar Tabela 4 Crimes violentos registrados nos municípios sedes(a) de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 2001 a 2004 - Dados absolutos e taxa por 1000 pessoas (agrupados por natureza) Natureza 35 Assaltos consumados Roubos consumados Homicídio tentado Homicídio consumado Estupro tentado Estupro consumado Seqüestro e cárcere privado Latrocínio Extorsão mediante seqüestro Total 2001 595 532 425 87 56 40 15 1 0 1751 Total de crimes 2002 2003 646 949 580 840 441 446 107 103 66 61 54 33 6 8 5 2 0 2 1905 2444 2004 871 846 433 101 46 40 6 2 0 2345 Taxa por 1000 pessoas 2001 2002 2003 2004 0,67 0,72 1,04 0,94 0,60 0,65 0,92 0,91 0,48 0,49 0,49 0,47 0,10 0,12 0,11 0,11 0,06 0,07 0,07 0,05 0,04 0,06 0,04 0,04 0,02 0,01 0,01 0,01 0,00 0,01 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1,97 2,12 2,69 2,52 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. 35 Roubos praticados com uso de arma de fogo 132 Tabela 5 Crimes contra o patrimônio registrados nos municípios sedes de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 2001 a 2004 - Dados absolutos e taxa por 1000 pessoas (agrupados por municípios) 26º BPM 14º BPM 11º BPM Área Município Carangola Caratinga Manhuaçu Ponte Nova Rio Casca Coronel Fabriciano Ipaba Ipatinga Timóteo Barão de Cocais Guanhães Itabira João Monlevade Nova Era Total 2001 502 1267 1072 986 136 2417 181 6189 1666 237 514 2463 1331 234 19195 Total de crimes 2002 2003 514 546 1508 1662 1363 1713 863 980 183 191 2569 3307 197 323 7172 8061 1950 2228 347 430 501 480 2409 2809 1627 2140 303 336 21506 25206 2004 539 1591 1781 1068 248 3605 314 7651 2159 406 559 2820 2015 373 25129 Taxa por 1000 pessoas 2001 2002 2003 2004 15,67 16,01 16,96 16,64 16,12 19,05 20,82 19,61 15,74 19,77 24,55 24,89 17,72 15,44 17,45 18,83 8,93 12,01 12,54 16,31 24,50 25,80 32,89 35,14 12,17 13,04 21,01 19,71 28,60 32,70 36,23 33,39 22,80 26,26 29,50 27,59 10,00 14,43 17,66 16,25 18,12 17,65 16,76 19,15 24,69 23,85 27,47 26,90 19,72 23,84 31,04 28,60 13,17 17,04 18,88 20,92 21,57 23,92 27,73 27,01 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) BPM: Batalhão da Polícia Militar Tabela 6 Crimes contra a pessoa registrados nos municípios sedes de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 2001 a 2004 - Dados absolutos e taxa por 1000 pessoas (agrupados por municípios) 26º BPM 14º BPM 11º BPM Área Total Município Carangola Caratinga Manhuaçu Ponte Nova Rio Casca Coronel Fabriciano Ipaba Ipatinga Timóteo Barão de Cocais Guanhães Itabira João Monlevade Nova Era 2001 685 1489 1377 827 239 1346 254 3521 1348 353 626 2557 1116 364 16102 Total de crimes 2002 2003 689 679 1688 1464 1755 1543 966 883 352 347 1482 1529 263 294 4233 4197 1394 1592 412 381 612 547 2140 2078 1263 1339 493 457 17742 17330 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) BPM: Batalhão de Polícia Militar 2004 642 1345 1678 922 354 1653 273 3238 1526 402 617 1987 1390 443 16470 Taxa por 1000 pessoas 2001 2002 2003 2004 21,39 21,46 21,09 19,83 18,95 21,32 18,34 16,57 20,22 25,46 22,11 23,45 14,86 17,29 15,72 16,26 15,69 23,10 22,79 23,28 13,65 14,89 15,21 16,11 17,08 17,41 19,13 17,14 16,27 19,30 18,86 14,13 18,45 18,77 21,08 19,50 14,89 17,14 15,65 16,09 22,06 21,56 19,10 21,14 25,63 21,19 20,32 18,95 16,54 18,51 19,42 19,73 20,48 27,72 25,67 24,85 18,10 19,73 19,06 17,71 133 Gráfico 1 Evolução dos crimes não violentos nos municípios sedes(a) de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 1995 a 2004 60000 52680 52429 2003 2004 50000 Total de crimes 42187 40000 34155 30000 20000 10000 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 Anos Crimes Média Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. Gráfico 2 Evolução dos crimes violentos nos municípios sedes(a) de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 1995 a 2004 3000 2444 Total de crimes 2500 2000 2345 1638 1500 1000 910 500 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Anos Crimes Média Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. 134 Gráfico 3 Evolução dos crimes contra o patrimônio nos municípios sedes(a) de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 1995 a 2004 30000 25129 Total de crimes 25000 20000 16703 15000 10000 5000 7962 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Anos Crimes Média Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. Gráfico 4 Evolução dos crimes contra a pessoa nos municípios sedes(a) de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 1995 a 2004 20000 18000 Total de crimes 16000 14000 16470 14281 12000 10000 10878 8000 6000 4000 2000 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Anos Crimes Média Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. 135 Gráfico 5 Evolução dos roubos à mão armada nos municípios sedes(a) de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 1995 a 2004 1000 900 871 Total de crimes 800 646 700 600 521 500 400 300 200 100 140 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Anos Crimes Média Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. Gráfico 6 Evolução dos homicídios consumados nos municípios sedes(a) de Companhias e de Batalhões da 12ª Região da Polícia Militar no período de 1995 a 2004 120 100 101 94 Total de crimes 97 80 60 40 20 0 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 Anos Crimes Média Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: Armazém de dados (a) Ipatinga, Timóteo, Coronel Fabriciano, Ipaba, Manhuaçu, Carangola, Caratinga, Ponte Nova, Rio Casca, Itabira, João Monlevade, Nova Era, Guanhães e Barão de Cocais. 136 Mapa 1 Mapa dos crimes não violentos registrados em Ipatinga no ano de 2004 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: 14º BPM 137 Mapa 2 Mapa dos crimes violentos registrados em Ipatinga no ano de 2004 Fonte: Polícia Militar de Minas Gerais: 14º BPM