Múltiplos contextos de produção curricular em suas conexões, conflitos e ações: em foco as instâncias de mediação da rede Municipal de Educação do Rio de Janeiro por: Rita de Cássia Prazeres Frangella Gomes UERJ/2011 Resumo: Esse estudo, desdobramento/deslizamento da pesquisa Múltiplos contextos de produção curricular: conexões, conflitos e ações da Multieducação no cotidiano escolar (CNPQ 2010), objetiva analisar, no processo de produção cíclica da política curricular (Ball, 1992), a micropolítica da escola na tensão/negociação com as instâncias de mediação propostas pela SME/RJ – as coordenações (no caso da escola, na figura do coordenador pedagógico e no caso da rede, as coordenadorias regionais). Assenta-se na compreensão do currículo como articulação/produção de significados, destacando sua dimensão discursiva. Analisar as forças que engendram as disputas de sentidos e as estratégias criadas para manutenção de um dado sentido se configura como mote para essa pesquisa. Assim, assumese como conceito de partida para análise da política curricular a noção dessa política como texto e discurso e a não polarização entre política e prática. Ao privilegiar as instâncias de mediação – as coordenações – se discute, com base em Ball (1992, 1998), os ajustes secundários nas tentativas de fixação de sentidos das políticas e os movimentos incitados pela disputa desses. Esse projeto apóia-se na perspectiva de Ernesto Laclau (1998) quando esse defende que as políticas são produções político-discursivas, cuja matriz é a contingência. A discussão sobre ciclo contínuo de políticas de Stephen Ball se sustenta do ponto de vista metodológico pela preocupação central do autor com a recontextualização e a produção de novos sentidos nas políticas que ocorre nas escolas. O entendimento de políticas de currículo como produção político-discursiva reforça o argumento de que são a partir das negociações e disputas que os sentidos e interesses se hibridizam na formulação curricular, evidenciando sua condição de processo político inacabado. É no ato de negociar que significados são construídos dialogicamente, muitas vezes construídos com base em consensos conflituosos, uma vez que os sentidos são instáveis, fluidos e permeados por demandas e interesses distintos e nesse caso, a ênfase dada às instâncias de mediação se dá porque dessas, em sua origem (criação/atribuição de funções), se definirem como sujeito/local da negociação. Para tanto, a pesquisa vale-se também dos estudos de Bhabha (2003) para articulação da noção de hibridização e negociação com que argüimos as políticas/práticas curriculares analisadas: que negociações e hibridizações se produzem nos conflitos, conexões e ações da política curricular do município do Rio de Janeiro? Assim, com base na articulação dos estudos de Laclau, Bhabha e Ball objetiva-se entender a micropolítica desse processo, nas enunciações curriculares entre/das coordenadorias, coordenadores pedagógicos com professores/ escolas da rede municipal de Educação. Este estudo desenvolvido no âmbito do GRPESQ “Currículo, Formação e Educação em direitos humanos (FEBF/UERJ)” se articula, pela partilha de referenciais teórico-metodológicos, com as ações desenvolvidas no GRPESQ “Currículo, cultura e Diferença” (Proped/UERJ), focalizando na análise das articulações, negociações dos múltiplos contextos de produção curricular no município do Rio de Janeiro, possibilidades onde podemos tecer coletivamente experiências curriculares inspiradas numa democracia agonística. Palavras-chave: política curricular – ensino fundamental – currículo – discurso – coordenação pedagógica APRESENTAÇÃO Verdade, mentira, certeza, incerteza... Aquele cego ali na estrada também conhece estas palavras. Estou sentado num degrau alto e tenho as mãos apertadas Sobre o mais alto dos joelhos cruzados. Bem: verdade, mentira, certeza, incerteza o que são? O cego pára na estrada, Desliguei as mãos de cima do joelho Verdade mentira, certeza, incerteza são as mesmas? Qualquer cousa mudou numa parte da realidade — os meus joelhos e as minhas mãos. Qual é a ciência que tem conhecimento para isto? O cego continua o seu caminho e eu não faço mais gestos. Já não é a mesma hora, nem a mesma gente, nem nada igual. Ser real é isto. Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos" (Heterônimo de Fernando Pessoa) Ao longo dos últimos anos, no contexto das pesquisas que tenho desenvolvido, venho me dedicando ao estudo de políticas curriculares, em especial a trajetória dessas na rede municipal do Rio de Janeiro, observando como, em processo de fazer-se, vai sendo apropriada, reconfigurada, criada no contexto específico das escolas, dando ênfase ao trabalho realizado por professores-professoras como curriculistas, na produção que fazem do currículo. Assim, tenho destacado o entendimento do currículo com campo de produção cultural, espaço-tempo de negociações que hibridizam discursos, concepções e práticas produzidas nos diferentes contextos que concorrem para sua produção. No contexto do GRPESQ “Currículo, Formação e Educação em Direitos Humanos” – GCDEH - que insere no Programa de Pós-Graduação em Educação, Cultura e Comunicação em Periferias Urbanas da FEBF/UERJ, vinculando-se a linha de pesquisa “Educação, Escola e seus sujeitos sociais” tenho, a partir do marco teórico dos estudos culturais e pós-coloniais, desenvolvido estudos que enfocam políticas/práticas curriculares argumentando que as políticas curriculares não podem tomar a escola como ponto de referência ou ancoragem apenas, pelo fato de ser também na escola que as políticas de currículo se constituem, via disputas e negociações de saberes e poderes que legitimam e hegemonizam provisoriamente sentidos. Assim, desdobra-se desse entendimento o foco que tenho priorizado nos estudos desenvolvidos: “compreender “conexões, conflitos e ações no cotidiano escolar” na elaboração de políticas curriculares como produção articulada/negociada/enfrentada em diferentes contextos, objetivando investigar a produção/articulação/diálogo no espaço de fronteira, nas interseções entre os diferentes contextos. (Frangella, 2010)”. Para tanto, tenho assumido como balizador o entendimento do currículo como prática discursiva, assentado na perspectiva de Ernesto Laclau (1998) que defende que as políticas são produções político-discursivas, cuja matriz é a contingência. Em outras palavras, implica pensar que o currículo, em seus movimentos instituintes, não se dá com base em sentidos apriorísticos, mas toma forma no campo da indecibilidade, nas articulações entre diferentes contextos. Como produção político-discursiva, argumento que políticas curriculares se dão a partir das negociações e disputas que os sentidos e interesses se hibridizam na formulação curricular, evidenciando sua condição de processo político inacabado. É no ato de negociar que significados são construídos dialogicamente, muitas vezes construindo com base em consensos conflituosos, uma vez que os sentidos são instáveis, fluidos e permeados por demandas e interesses distintos. As leituras de Bhabha (2001), Hall (1997, 2003) e outros autores que tem centrado seus estudos no campo da cultura, tem me permitido atrelar a isso a noção de enunciação cultural, pela assunção que fazem da cultura como fenômeno discursivo. A problematização do lugar da cultura como lugar do enunciado faz do contingente e liminar espaçotempo de produção de sentidos que mobilizam mais que o eu e o outro do da enunciação. A interpretação não é uma ação transparente e linear, mas cruza as condições de linguagem, interpelação discursiva, a posicionalidade cultural e as estratégias performáticas que cindem o sujeito da enunciação, lugar da interpretação como espaço dado de produção de um significado passível de totalização, mas que implica num presente disjuntivo onde o pacto da interpretação é quebrado, o significado é nem um nem outro, é fruto de articulações-atravessamentos por espaços intervalares. Tenho argumentado nos estudos desenvolvidos que “com Bhabha é possível compreender que essa construção não se dá na busca de um sentido único, mas considerando a interação e o diálogo como forma de produção, isso ressalta o currículo como campo de enfrentamento entre diferentes discursos, atos de enunciação cultural que remetem a grupos diferenciados. Assim, o diálogo se dá no espaço entre culturas, entre formas se narrar enquanto sujeito e grupo, na fronteira. Isso não significa que há fechamento total ou síntese possível, mas o que há é a é um fechamento provisório. Assim, na linguagem se dá a tradução incompleta, o entrelugar como espaço significativo de construção de múltiplas histórias que não se unificam, mas podem dialogar, construindo outras hibridizadas nas diferenças negociadas.” (Frangella, 2009, p.11) Daí o desenrolar de uma trajetória de pesquisa em que defendo que as interrogações suscitadas permitem falar do currículo como produção híbrida inacabada. Assim, o currículo como enunciação é a zona fronteiriça de interrogação, enfrentamento, negociação e contingência. O que chamo de atravessamento é o campo da negociação, e nele se dá a ação política. O projeto que ora apresento trata também desse movimento, de uma zona fronteiriça de negociação no/do próprio ato da pesquisa. No desenvolvimento do projeto Múltiplos contextos de produção curricular: conexões, conflitos e ações da Multieducação no cotidiano escolar1 (FAPERJ, 2008; CNPQ 2010) em que objetivava discutir como as proposições dessa política se articulam na prática das escolas e que negociações e embates passam a política curricular nas conexões entre os diferentes contextos de produção, visando entender a micropolítica desse processo, dedicamo-nos a observação/entrevista com professores, gestores, coordenadores de diferentes escolas públicas da SME/RJ analisando e discutindo a produção curricular na escola. Assim, em diálogo com as escolas, observamos tensões, negociações, os movimentos de transformação/reapropriação/invenção do currículo numa tensão que nos impeliu a discutir temática cara nos debates contemporâneos que tomam a política (e nessa também as que se voltam para a educação) como foco: universal/particular, no caso em tela, a totalização proposta pela rede e o localismo do cotidiano das diferentes2 escolas. Com Appadurai (2009 apud Ferreira, 2009) discuto a produção dessa localidade: a localidade é um lugar onde os processos de circulação, ou seja, as alterações constantes acontecem de modo a produzir o quotidiano – uma outra palavra muito importante e que tem imenso que ver com o afecto, com o sentimento, com a subjectividade. Reformulando, creio que os sujeitos produzem o local ou o quotidiano, e a localidade é produzida pelos sujeitos. Existe um círculo que, hoje em dia, não pode ser entendido a não ser no contexto desta circularidade de elementos. A localidade torna-se assim como que uma apropriação de, se quisermos, elementos circulantes e globalizados de pessoas que produzem a sua subjectividade a par da sua localidade (p.136) Com isso, o que se percebe é que os sentidos são móveis, circulantes, fluxos que são estancados na localidade, negociados, mas não fixados de forma absoluta – as fixações 1 Projeto conta com aprovação e financiamento do CNPq – Edital Ciências Humanas, Sociais e Sociais Aplicadas – 2010 Processo: 400907/2010-0; antes foi aprovado com APQ1. 2 Grifo a idéia de diferente porque ela não remete apenas a quantidade de escolas, a sua distribuição geográfica mas porque tomo essa questão como articulada aos aportes teóricos que sustentam a pequisa, a partir da noção de diferença defendiada por Bhabha e que articula a noção de negociação aqui privilegiada. existem localmente, mas as disputas não são subsumidas nelas. Assim, a escola é um contexto local, espaço de negociação, de elaboração de políticas de currículo que ao contrário de ver essa relação como de implantação, impacto na escola, compreendo e defendo que essas se articulam na escola, como espaço de negociação. Então estudar políticas de currículo implica o estudo da escola como microcontexto dessas políticas, observando a micropolítica da escola. Esse conceito, de herança focaultiana, se depreende aqui da análise feita por Ball (1989) em estudo que destaca que para compreender o trabalho dos professores, os processos curriculares e as mudanças ou permanências nesse processo se precisa observar os processos intraorganizativos da escola, entendendo-os como processo político e não meramente de administração. Esses processos são complexos e envolvem relações de poder, disputas, conflitos, negociação, sendo assim atividade política. Ball argumenta que a articulação da micropolítica da escola com questões sociais mais amplas explicam a luta política (ou ausência dela) nas escolas, assim, compreender a escola no lugar intermediário que ocupa, na ambivalência entre a autonomia e controle por seus próprios membros ou organização regida por administração superior e esses campos de controle não podem ser vistos como opostos; estão sujeitos a negociações e renegociações, disputas que mobilizam e criam fronteiras com traçados cambiantes nas diferentes escolas. Então, questiono: que negociações/articulações curriculares são feitas no cotidiano escolar? Como se processa a negociação entre as normativas e/ou produções gestadas no âmbito central e as articulações/negociações na produção local de políticas curriculares? Qual o papel/ação das instâncias de mediação – as coordenações (tanto das escolas quanto da rede) nessas negociações? Essas indagações propulsoras da proposta de pesquisa que ora apresento me movem na direção da problematização da articulação entre os contextos de produção da política de currículo (influência, produção do texto e da prática), observando como os diferentes sujeitos participam dessa elaboração que põe em movimento essa produção cíclica defendida por Ball (1992), e que muitas vezes é invisibilizado na análise dessas, uma vez que ainda é usual uma análise dicotômica que vê a prática como espaço de implementação e desenvolvimento de algo produzido para ela, sobre ela, mas exterior a ela. Para tanto, opto por desenvolver o trabalho proposto em diálogo com as coordenadoras das escolas e das Coordenadorias Regionais de Educação (CRE) da rede municipal de Educação do Rio de Janeiro tendo em vista que nas apreensões da trajetória de pesquisa sobre a política curricular do município essas se destacam como articuladoras das ações na rede – seja no contexto da escola, seja como articulador da rede numa perspectiva de política descentralizada institucionalizada com a criação das CREs na década de 1990. Contudo essa descentralização implicou também na tensão entre o que é próprio da rede e dos localismo que cada escola/região tem como próprio. Nessa tensão, que exige articulação com as diferentes esferas em um terreno contingente, torna-se relevante discutir as costuras entre os nichos dessas redes, destacando as instâncias de articulação do sistema, na problematização entre universal/particular; macro/micro contexto de produção curricular. JUSTIFICATIVA Problematização do tema A discussão sobre as instâncias mediadoras – como nomeie a função/cargo de coordenador pedagógico ou da esfera institucional relacionada, as coordenadorias regionais de ensino – destaca-se pela voz dos sujeitos entrevistados no curso da pesquisa sobre a política curricular da rede municipal de Educação do Rio de Janeiro. Recorrentemente coordenadoras ou CREs são mencionadas tendo papel destacado nos movimentos do cotidiano em suas ações de colaboração/articulação/enfrentamento/constrangimento e que tencionam e criam forças nesse jogo. A pesquisa em desenvolvimento foi pondo em destaque essa questão. Buscando compreender os movimentos da proposta curricular Multieducação, como os professores dialogam com ela, uma entrevistada, que já exerceu diferentes funções na rede (hoje atua numa coordenadoria Regional) explica: Ah.Isso posso esclarecer e muito... Depois dessa gestão foi constituída junto com a “multi” de 98 um cargo associado à escola: coordenador-pedagógico. E para ser coordenador-pedagógico ele passa por uma avaliação, que na verdade era um concurso chamado Concurso de Educação. E para ser coordenador-pedagógico tinha que ter passado por esse curso e ter tido um desempenho razoável lá, além da entrevista. Então... foi criado o cargo. Ele é criado exatamente para garantir lá na escola toda uma discussão e orientação da “multi”. Por que o que se subentendia? Que o professor que não aceitasse, não por uma questão de rejeição somente política ou, ou prioritária. Era uma questão... Eu acho até porque era novo, era muita novidade, era desconhecido para ele, entendeu? Então que necessitava de uma formação mesmo, uma formação continuada. E que essa ... quem ia dar conta disso? Era o Coordenador Pedagógico da escola, que jamais, qualquer secretaria, ou qualquer coordenadoria, qualquer CRE ia dar conta dessa formação, tudo direitinho, tinha que ser o coordenador-pedagógico. Isso é... nas primeiras ...orientações era assim. A sala de leitura passa a ter um papel importante nisso né. Então você passa a ter o cargo de professor regente de sala de leitura né, e ele passa a ser, somente, mais uma pessoa dentro da sala, da escola que seria capaz de fazer essa articulação. Ai existe todo um investimento em formação... nesse professor (Mônica) Observa-se que a Multieducação em sua entrada na rede contou com uma aparato de instrumentos – revista, site entre outros (Barreiros e Frangella, 2007) e a criação de uma forte rede de formação continuada que constituiu-se em estratégia de hegemonização dos discursos em favor das propostas da SME/RJ. Dentre essas estratégias destaca-se a criação do cargo de coordenador pedagógico. A informação dada pela professora entrevistada abre caminho para essa assertiva. Encontramos na Lei 2619 de 16 de janeiro de 1998 publicada no Diário Oficial do Município - que dispõe sobre a estrutura organizacional, pedagógica e administrativa da rede pública municipal de educação a criação do cargo de coordenador pedagógico nas unidades escolares da rede – no anexo, a definição da atribuição da função criada: Assessorar o Diretor na coordenação da elaboração do planejamento, execução e avaliação curricular e o desenvolvimento do trabalho pedagógico, em consonância com as diretrizes emanadas da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, de forma a atender à diversidade da escola. Dessa forma, fica claro que a criação do cargo remete ao entendimento do coordenador pedagógico desempenhar papel de elemento articulador entre a escola e as demandas/ políticas da SME. Para tanto, sua atuação incidirá não somente na orientação do trabalho pedagógico, mas atuando diretamente na formação dos professores, inclusive com a criação também dos centros de estudo nas escolas, como espaço de formação continuada e de apresentação e defesa da Multieducação. Vale ressaltar que ess função, exercida por um docente da rede, uma vez que não há concurso público específico, também não é cargo eletivo, como da gestão da escola – diretor e vice-diretor -; a indicação para o cargo de coordenador se dá ou gestão da escola ou pela própria CRE, sendo que no caso de indicação da escola, há necessidade de aquiescência da CRE. Entrevistadora: Como é que a multieducação chegou até você? Telma: A primeira vez foi aqui na... quando eu estava na PC (nome da escola)... noventa e alguma coisa para dois mil... não foi isso mais ou menos? Eu não lembro o ano. Eu estava na PC, acho. Eles mandaram uns livrinhos... T: Tem o “tijolão”3, entendeu. O “tijolão” eu nem li. Esse eu nem lembro de ler. Os livrinhos da Multieducação4, a coordenadora pedagógica da PC trabalhava com eles. E: Mas você, como direção de escola, você teve acesso a esses livrinhos, esse “tijolão”, ou era só pra distribuir pros... T: Não, porque quando eu peguei a direção isso já estava implantado, então já tinha sido distribuído. Quem trabalhava com os professores era mais a coordenadora pedagógica. 3 Forma como ficou conhecida entre os professores a Multieducação por ter sido, em sua versão original, publicada em forma de livro e sendo esse extenso. 4 Pequenos fascículos com atualizações da Multieducação, agora publicados em separado. Vários volumes sobre questões gerais e áreas de conhecimento. Começam a ser editados e distribuídos em 2000. O que eu fazia, na parte de direção, não era a parte pedagógica. O que eu fazia era a parte administrativa. Era verba, era merenda, entendeu? Nem questão de horário de professor, a questão de planejamento, nada disso era comigo. E: Você tem que fazer a escola funcionar dentro disso tudo? T: Ah, sim, mas aí eu tinha coordenadora... cada uma atuando dentro de uma área.(Telma) Assim, cabe a coordenadora pedagógica a organização do cotidiano da escola, o planejamento de desenvolvimento dos centros de estudo, a mediação entre as demandas da escola, as provenientes das instâncias intermediárias – as coordenadorias regionais – e o órgão central, como nos relata Graça ao tratar do cotidiano da sua escola: G: De vez em quando inventam essas coisas... E: E quem inventa, a direção? G: A coordenação, coordenação. R: Vem da CRE, como é que é? G: Elas dizem que vem da CRE, eu não sei...Sabe?Se vem realmente ou não ou se é o desejo delas de elas mandarem para CRE algo que a escola esteja fazendo.Mas geralmente elas passam para gente que vem da CRE. Ah a CRE quer um projeto sobre o meio ambiente, não sei o que, vamos trabalhar o meio ambiente, todo mundo fez.Eu não sei como nas salas aquele conteúdo foi explorado, mas no final você vê o produto a escola toda enfeitada de meio ambiente, com desenho, com produção artística e tal. Diante dessas evidências, analisar a ação das coordenadoras pedagógicas e das instâncias de mediação se torna importante para, entendendo a política curricular como fluxo e movimento, compreender as relações, compromissos, negociações que se dão no atravessamento entre os contextos de produção do currículo. A temática proposta, apesar de relevante e mencionada em diferentes pesquisas sobre o município do RJ não se configuram como problemática central de pesquisa: o que se percebe numa análise exploratória inicial no diretório de grupos de pesquisa disponível no site do CNPq5. Também numa pesquisa exploratória no Banco de teses da CAPES observa-se que nos últimos 5 anos a questão do coordenador pedagógico foi tema de apenas 2 trabalhos acadêmicos6, mas que relacionavam-se a formação de professores, analisando a formação dos próprios coordenadores em cursos promovidos pela SME. 5 O Estado do Rio de Janeiro conta com 52 grupos de pesquisa que tematizam a questão curricular, abordando o tema a partir de diferentes referenciais/problemáticas de pesquisa. Na leitura dos resumos desses e das linhas de pesquisa elencadas não é explicitado estudo acerca dos coordenadores pedagógicos, ainda que em suas produções a temática seja trazida a tona. Pesquisa realizada no site em ago/2011. 6 Tratam-se de duas dissertações de mestrado: ALVES, Cristina Nacif. Os sentidos dos argumentos para a formação de coordenadores pedagógicos: caminhos para a aproximação entre teoria e prática. Rio de Janeiro, UFRJ. Dissertação de Mestrado, 2007; OLIVEIRA, Jane Cordeiro de. Um estudo sobre o coordenador pedagógico: sua identidade, seu trabalho e formação continuada no cotidiano escolar. Rio de Janeiro, PUC-Rio. Dissertação de Mestrado, 2009. A relevância de compreender as instâncias de mediação nesse processo trata-se de construir uma análise tendo como ponto de partida e referência da mesma a questão das articulações num processo de produção curricular. Se o diálogo com os estudos de Ball em sua defesa do ciclo de política nos alimenta na interpretação desse como processo multifacetado, por vezes incorremos na localização/fixação do que é próprio de cada contexto – aqui é produção de texto, lá é influência, a escola é prática, ainda que com todas as ressalvas de que os sujeitos circulam e os contextos se hibridizam. Defendo que o estudo que proponho permite uma análise que já se problematiza na questão: quais dos contextos de produção curricular se prioriza? Argumento, com base em Laclau, que a ênfase está na articulação, discutindo como essas se dão e possibilitam o processo político de produção curricular. Como Burity (2010) enuncia: Articulação, portanto, é termo chave: fala da construção de uma vontade coletiva pela transformação de uma demanda particular num objeto de investimento simbólico universal ou representativo da comunidade em geral; e fala das operações simbólicas que precisam ser realizadas para tal (p.17) FUNDAMENTOS TEÓRICOS: Discutir políticas implica caminhar e buscar compreender a relação entre esses diferentes contextos na produção das políticas curriculares. A discussão sobre ciclo contínuo de políticas de Stephen Ball (1992;1998) sustenta do ponto de vista metodológico, pela preocupação central do autor com a recontextualização e a produção de novos sentidos nas políticas que ocorre nas escolas. O contexto de influências refere-se ao plano ideológico, elaborando conceitos centrais para a construção do discurso que sustenta a política. O contexto de produção dos textos da política refere-se à própria representação da política a partir de documentos e propostas que são codificados e apresentados. Ainda que haja todo um investimento no “controle” da leitura correta dos textos, é impossível prever e controlar os efeitos da política, o que envolve interpretação e recontextualização por parte dos leitores, realizada num contexto diverso da produção da política, o que remete ao contexto da prática. É na interseção desses diferentes contextos que a política se configura, o que evidencia seu caráter processual. A dupla inscrição desses textos/discursos sugere a ambivalência dos significados produzidos e suas recontextualizações como movimentos híbridos que os reinscrevem em novos/outros contextos, o que explicita a produção curricular como movimento, como produção inacabada e que como processo político, no sentido atribuído por Mouffe (2003), de campo de contestação e relações/atos de poder que sugere um processo contínuo de construção de hegemonias transitórias, um espaço discursivo ambivalente (Bhabha, 2003). Entendendo também que não é possível dicotomizar política e prática curricular, mas que estas se constroem de forma recíproca e articulada, a tomada dessa experiência não apresenta uma prática isolada, mas uma prática política de elaboração curricular, fruto de intensas negociações que se deram na esfera administrativa, institucional e dos movimentos sociais. Nesse sentido, é fundamental compreender as redes de significados e práticas que foram sendo tecidas, como sugere Ball (1998), evidenciando o jogo de trocas entre os diferentes contextos que compõem este ciclo de produção curricular. Tendo em vista a compreensão do processo político envolvido nessa produção, é importante destacar que nesse processo disputam-se sentidos que, numa luta em torno dos sentidos – tensões e atos de poder que se dão na constituição do discurso político que sustenta a prática. Laclau (1998) nos ajuda a compreender esse processo a partir da proposição que faz na sua formulação de uma teoria do discurso. O autor explica que os embates enfretandos no espaço político se dão em torno dos sentidos – nunca fixos e cristalizados - , mas em constante deslocamentos e antagonismos em disputas para hegemonizar um dado sentido. Assim, o sentido social de determinados fenômenos se constitui dentro de um contexto ampliado, de formações discursivas que se alinham, heterogeneidade de discursos que vão se hegemonizando, adquirindo sentido amplo, esvaziando-se de sentidos particulares, ganhando sentido amplo de forma a atender demandas não só de grupos particulares, mas articulando demandas gerais. Contudo, a condição hegemônica não é absoluta e definitiva; é tensionada que exige a luta incessante para sua manutenção. A existência de antagonismos regula e coloca em movimento uma fronteira que faz com que as formações hegemônicas se dêem no espaço indecidível. O entendimento desse pluralismo, que na teorização de Mouffe (2003) seria um pluralismo agonístico, exige que se veja que a disputa se dá entre adversários e não inimigos, um confronto entre adversários legítimos e não luta antagônica entre inimigos, o que cria uma visão de polarização absoluta e impossibilidade de diálogo. As lutas políticas e os antagonismos no processo de construção curricular envolvem as relações de poder. Investigá-las permite a compreensão do processo social de construção de formações discursivas provisórias: que significados permitem a articulação de diferentes discursos? Recorro então ao diálogo com Stephen Ball (1992; 1997; 1998), que tem fornecido elementos que podem orientar o estudo de políticas curriculares, assumindo-as como texto e discurso, entendendo-as como processos e produtos. Ao enfocar a política como processo é possível cruzar com o que Mouffe (2003) diz ao diferenciar política e político, afirmando que o último trata das questões que envolvem a deliberação no contexto do processo de luta/ações de poder. O político se refere não apenas a ações de controle e determinação, o que diz se referir a política, mas à discussão em torno dos significados de que se dotam as práticas. Assim, o político seria o caráter processual que se desenvolve num espaço em que há luta de poder. Ao propor que se investigue o processo político, Ball amplia o próprio significado de política curricular não mais centralizando suas análises na dimensão ora da produção, ora da implementação; o que propõe é uma análise que interligue as diferentes dimensões, ou, como chama, contextos de produção curricular. Assim, neste estudo, busco compreender a elaboração da proposta curricular a partir da análise dos múltiplos contextos, num movimento entre os diferentes contextos que não são vistos como hierarquizados, mas que se influenciam mutuamente. Em recente entrevista, Ball ressalta que sua proposição quanto ao ciclo de política é uma abordagem metodológica,ou seja, “o ciclo de políticas não tem a intenção de ser uma descrição das políticas, é uma maneira de pensar as políticas e saber como elas são "feitas"... (IN: Mainardes e Marcondes, 2009, p. 304-305) E nesse sentido, compreendemos, no diálogo com o autor que as políticas, não são monolíticas, mas em ação são fruto de empreendimento coletivos, tecida na bricolagem de idéias, práticas e significações. Ao propor a análise na perspectiva cíclica, Ball sugere que o entendimento da política precisa se dar não como objeto acabado e fixado, mas como ela se move entre os contextos e como se compõe nesse movimento. Em palestra proferida 7 no Brasil, Ball (2009) destaca o conceito de tradução, afirmando que essa passagem entre os contextos exige tradução, processos de apropriação/adaptação que são feitos pelos sujeitos na negociação em diferentes circunstâncias e entre os diferentes contextos, uma vez que, para recuperar exemplo dado pelo próprio autor, uma política proposta entra em cena coabitando o espaço com outras já em ação,o que exige negociação, recomposição, deslocamentos.Assim, no contexto da prática, esse processo de tradução há que ser compreendido na medida que constitui momento de ação criativa. Cabe ressaltar que ao por em destaque a idéia de tradução, aproximo-me do que antes já expus como foco onde centro as análises em vista: os 7 Palestra proferida pelo professor Stephen Ball no dia 9 de novembro de 2009 com o tema “Ciclo de Políticas/Análise de políticas” no âmbito das ações do grupo de pesquisa “Currículo: sujeitos, conhecimento e cultura” no Programa de Pós- Graduação em Educação da Faculdade de Educação da UERJ – Proped. significados construídos, as articulações possíveis do cotidiano escolar que permitem que alguns sentidos se hegemonizem e não outros. Dessa forma, a teoria do discurso de Laclau, que traz uma abordagem discursiva em que propõe a articulação do material e simbólico na produção de significados sem entendimento desses como campos opostos, antevendo o discursivo como possibilidade de descrição/intervenção no/do real, conferindo a cada ato social um significado que se dá na interpenetração do discursivo/não-discursivo, permite uma compreensão do ciclo de política dando ênfase as articulações entre os contextos, potencializando e resignificando a fragilidade percebida então de fixação de sentidos num dado contexto. Situar a questão do currículo no marco teórico de Laclau e Mouffe (2004), possibilita evitar a apreensão dos processos de produção de política curricular como uma luta polarizada entre forças excludentes, o hegemônico (prescrição que emana do poder) e o contrahegemônico (prática pedagógica escolar) como entidades fixas. Tal apreensão permite compreender que os contextos de produção curricular são instituídos e atravessados por múltiplas significações discursivas, hegemônicas e não-hegemônicas, e que no seu interior, a diferença se move identificada por demandas contingentes, que produzem articulações provisórias, instituintes de consensos precários forjados no que os autores denominam como o trabalho de significação. MÉTODO Se as questões levantadas permitem compreender o currículo como produção cultural, um estudo curricular pautado na abordagem apresentada enfrenta o desafio da busca de modelos de análise que possibilitem tal investigação. Assim, ao propor investigar o currículo Multieducação na fronteira dos diferentes contextos de produção, invisto na complexidade e dinâmica do desenvolvimento da produção curricular. Em diálogo com Ball (1998), é preciso construir caminhos que permitam compreender as relações entre os diferentes contextos envolvidos na produção curricular. O que o autor propõe como direção para o desenvolvimento de estudos que abarquem ou se aproximem da complexidade das políticas curriculares é uma perspectiva que associe tanto a produção quanto à implementação dessas, concebendo-as como processo, considerando também seus efeitos e produtos. Assim, define política como “uma economia de poder, um conjunto de tecnologias e práticas que são realizadas ou não em espaços locais. Políticas são tanto textos e ações, palavras e obras que são executadas bem como as intencionadas” (p.10). Seguindo essa linha, o autor ainda argumenta a favor da compreensão da política como texto e como discurso, considerando o texto como as representações, propostas e intervenções nas práticas, que redistribuem e reestruturam relações, o que se articula a política como discurso, compreendendo-a como esfera de produção de conhecimentos, efeitos que fornecem a moldura de interpretação das políticas. Ao defender essa perspectiva, o autor afirma que pode se efetuar uma análise que supere os binarismo antes apresentados, problematizando tanto as políticas – enquanto texto – e seus efeitos. A análise da política curricular exige um cuidadoso alinhamento do elemento político ao administrativo. Não se pode compreender a política curricular de forma simplista, como meio de ordenação do sistema educativo ou mera validação. Tão pouco é possível vislumbrar somente os interesses das instâncias políticas. Torna-se necessário ter como perspectiva a combinação entre os diferentes elementos, como eles se articulam de forma a estabelecerem mecanismos de intervenção-regulação. Isso impõe o desafio de análise de modelos políticos nem sempre claros, indo além das orientações técnico-pedagógicas, retirando delas as articulações que as sustentam, na compreensão do componente político. Assim, orientada pela proposta de Ball, objetivo dedicar-me ao estudo do currículo tomando-o como ciclo político, processo contínuo e dinâmico. Para tanto, as opções metodológicas para o desenvolvimento do trabalho, se voltam para a possibilidade de investigação que focalize os diferentes contextos, buscando articulalos. Além disso, é preciso considerar as especificidades da instituição no qual o estudo se realizará, pensando-a também como microcosmo onde se reinscreve a discussão em foco. Ball (1997) em seu estudo apresenta, ainda que ressaltando a ambivalência que sua posição gera, defende a articulação de diferentes perspectivas analíticas - a crítica, a etnográfica e a pós-estrutural – como ferramentas de trabalho. Destaco alguns procedimentos analíticos de inspiração etnográfica (não só dessa perspectiva, mas chama atenção à articulação entre diferentes procedimentos na busca de uma leitura abrangente, aprofundada e minuciosa que objetiva) que serão privilegiadas no contexto dessa pesquisa. Tendo em vista o que fundamenta a ação prevista, pretende-se organizar o trabalho priorizando estratégias articuladas: 1. Análise de textos curriculares: assentada numa concepção de currículo entendido como produção discursiva, 2. Entrevista com coordenadores pedagógicos das escolas e membros da Gerência de Educação das CRES: entendida como textos produzidos para a pesquisa, em que discursos são articulados de forma a significar a prática e hibridizam conceitos e contextos. Numa discussão que toma a diferença como problema, trata-se também de tê-la como categoria enunciativa (Bhabha, 2003). 3. Observação do cotidiano de trabalho das instâncias de mediação da rede municipal do Rio de Janeiro – coordenadora pedagógica e na Coordenadoria Regional de Ensino (precisamente junto a Gerência de Educação, setor responsável pelo acompanhamento pedagógico as escolas e estratégias de formação continuada). Interessa-nos ao trabalhar/articular os diferentes discursos produzidos na e para a pesquisa analisar os elementos preponderantes nos discursos, núcleos de sentido e recorrência na significação que permite compreender a formação de cadeias discursiva que evidencie o processo político de produção curricular no cotidiano da escola, assentindo em diálogo com Ball (1989) que “ a tomada de decisões não é um processo racional abstrato que pode ser exposto num gráfico organizativo; é um processo político, é a substância da atividade micropolítica” (p.41) OBJETIVOS: Ao propor um estudo sobre a produção curricular na confluência de contextos de produção, faço-o objetivando empreender análises que, para além de binarismo e dicotomias entre dimensões macro e micro, se volte para a articulação, deslocamento entre as diferentes esferas observando como e por que as relações inter e intra-contextuais operam. O que é construído e o que é silenciado nesse fluxo de hibridização? O estudo pode contribuir para a discussão acerca da produção curricular e das redes de produção que são tecidas na elaboração de políticas curriculares. Além disso, ao recuperar a experiência de ação do que chamei instâncias mediadoras – as coordenações (da escola e sistêmica) possibilita repensar a prática, aprendendo com a experiência das alternativas cotidianas que vão sendo criadas, aprofundando a compreensão dos pressupostos que orientaram o movimento em questão, desvelando-os pelo olhar crítico que pode re-alimentar a construção da prática cotidiana. O currículo Multieducação foi constituído como com base no discurso de “produção coletiva”, em que diferentes instâncias foram envolvidas. O trabalho foi iniciado em 1993 quando foi lançada a proposta contendo os objetivos e fundamentos que norteariam a política educacional em questão. Segundo a SME/RJ (2003, p.1), “a idéia era ter, para uma rede de escolas ao mesmo tempo tão singular e tão plural, uma base comum, um ponto de partida para o trabalho do professor, que sintonizasse as escolas com o tempo e com a sociedade onde se inseriam”. A apropriação do texto da proposta é um desafio constante e faz com que a cada momento esta seja reescrita, reorganizada e, se em sua criação, a função de coordenador pedagógico tinha essa atribuição, cabe questionar: que mediações, negociações, articulações foram tecidas do cotidiano da escola na produção/reinvenção curricular cotidiana. Assim, este estudo visa: Compreender a gestão de uma proposta curricular investigando os processos de negociação entre professores/escolas e a rede; Analisar, a partir da concepção de ciclo de política, as estratégias desenvolvidas pela esfera de proposição de texto da política na tentativa de assegurar os significados dessa inquirindo sobre a atuação das coordenações (da escola e da rede) e as negociações que incitam na mediação entre demandas locais/particulares e da rede/universais Focalizar, na análise da política curricular, o papel das instâncias intermediárias do processo político – coordenações (institucionais e na escola) Discutir e analisar as ações que se engedram nas interseções dos diferentes contextos de produção curricular, buscando compreender como se dão os processos de negociação nesses contextos; METAS E RESULTADOS ESPERADOS: Entendendo que o projeto que ora se apresenta é desdobramento do anterior já mencionado vale destacar que no âmbito desse foram produzidos: 1 capítulo de livro, artigos publicados em periódicos nacionais, 2 artigos apresentados no âmbito do GT Currículo da Anped, fora uma dissertação de mestrado defendida, uma monografia de especialização latosensu, uma trabalho de conclusão de curso de graduação (monografia) e encontram-se em preparação mais 2 dissertações de mestrado e 3 trabalhos de conclusão de curso (IC), 1 artigo em avaliação em periódico nacional e um capítulo de livro no prelo. Busca-se além da produção acadêmica e formação de pesquisadores, visa-se também: 1. Constituição de um banco de textos sobre pesquisas políticas/práticas curriculares entendendo-as como negociação entre diferentes discursos a partir das entrevistas a serem desenvolvidas no âmbito do projeto; 2. Constituição de um banco de propostas curriculares – textos produzidos pela SME/RJ, formando um acervo para futuras pesquisas; 3. Fomentar o desenvolvimento de pesquisas filiadas à temática e a pesquisa desenvolvida pelos estudantes nela envolvidos; 4. Formação de recursos humanos – pesquisadores de currículo 5. Consolidação do grupo de pesquisa “Currículo, Formação e Educação em Direitos Humanos”8 e sua atuação no desenvolvimento em pesquisas do campo do currículo; 6. Participação em congressos, simpósios e seminários, nacionais e internacionais para a socialização de resultados parciais da pesquisa; Articulações: 1- Elizabeth Fernandes de Macedo – coordenadora da pesquisa coordenadora do Grupo de pesquisa Currículo, CULTURA E DIFERENÇA; COM A QUAL A PESQUISA PROPOSTA DIALOGA E PROPÕE-SE TRABALHAR EM PARCERIA. 2- Projeto de pesquisa coordenado pela professora Aura Helena Ramos, também pesquisadora do GRPesq - GCEDH 3- Participo como pesquisadora, em articulação coma linha de pesquisa “Currìculo: sujeito, conhecimento e cultura” integro projeto PROCAD através de financiamento CAPES com a UFPB e a UFMT de desenvolvimento de pesquisas no campo; além de ter participado do convênio CAPES/FCT de pesquisa conjunta – Políticas de Currículo no Brasil e em Portugal com pesquisadores da Universidade do Porto/Portugal. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: APPADURAI, Arjun. Dimensões Culturais da Globalização. Lisboa: Teorema, 2004. BAKTHIN, Mikhail. 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