16
5. SISTEMAS DE PINTURAS
Serão verificados a seguir as varias etapas, tanto na composição das tintas como
nos procedimentos adotados de um sistema de pintura.
5.1
Composição Básica das tintas
A complexidade da indústria de tintas advém de uma série de fatores que podem ser
de natureza tecnológica, comercial e/ou administrativa. O elevado número de
matérias–primas, isto é, de produtos que realmente participam da composição das
tintas e vernizes, é um fator de complexidade. Um produtor de tintas que atue na
maioria dos mercados de revestimentos necessita de 750 a 1.000 diferentes; parte
delas é usada para fabricar produtos intermediários, destacando – se entre eles as
resinas e emulsões. Uma fórmula típica de um esmalte sintético de secagem ao ar
contém em torno de 10 componentes (intermediários); porém, se forem levadas em
conta as matérias – primas necessárias para a obtenção desses intermediários, o
número total que participa da composição subirá para cerca de 30 (Yazigi 2003).
A evolução constante das indústrias químicas e petroquímicas resulta no
aparecimento de novas matérias – primas, algumas das quais responsáveis por
verdadeiras revoluções tecnológicas na indústria de tintas. É, pois, importante que
novas sejam estudadas cuidadosamente, no sentido de se determinar o seu
potencial de uso na indústria das tintas.
17
A necessidade de proteger o meio ambiente tem sido um fator importante no
desenvolvimento tecnológico das tintas; nos últimos anos têm sido alcançados
impressionantes progressos, que têm permitido diminuir consideravelmente a
emissão de solventes orgânicos quando na aplicação e cura das tintas; são
exemplos:
Ü A substituição dos sistemas à base de solventes orgânicos por sistemas
aquosos;
Ü Desenvolvimento de tintas em pó e de cura por radiação;
Ü Redução ou eliminação de produtos considerados tóxicos na composição das
tintas.
As tintas são constituídas pelos seguintes componentes: resina ou polímero,
pigmento, solvente e aditivos. O que difere um tipo de tinta do outro, no entanto, é a
composição e as proporções dos componentes (formulação).
5.1.1 Resina
A resina, que pode ser designada também por veículo, suporte ou ligante, é um
componente da tinta que desempenha uma função de grande importância na
formação da camada, pois na sua falta iriam, apenas obter uma pasta de pigmentos
e solventes que resultaria, após sua secagem, numa pulverulência isenta das
propriedades necessárias à estética e proteção do substrato, como retenção de cor,
brilho, rigidez, resistência à ação da água e produtos químicos dentre outros
aspectos.
18
As resinas são substâncias de estrutura química complexa, podendo ser agrupadas
entre as de origem natural e os chamados polímeros sintéticos produzidos por
processos industriais, geralmente utilizando-se de calor e catalizadores.
Resina é a parte não - volátil da tinta, que serve para aglomerar as partículas de
pigmentos. A resina também denomina o tipo de tinta ou revestimento empregado.
Assim, por exemplo, tem – se as tintas acrílicas, epoxídicas1, etc...
Antigamente as resinas eram a base de compostos naturais, vegetais ou animais.
Hoje em dia são obtidas através da indústria química ou petroquímica por meio de
reações complexas, originando polímeros que conferem às tintas propriedades de
resistência e durabilidade muito superiores às antigas.
A formação do filme da tinta está relacionada com o mecanismo de reações
químicas do sistema polimérico, embora outros componentes, como solventes,
pigmentos e aditivos, tenham influência no sentido de retardar, acelerar e até inibir
essas reações.
5.1.2 Pigmentos
Material Sólido finamente dividido, insolúvel no meio. Utilizado para conferir cor,
opacidade, certas características de resistência e outros efeitos.
O pigmento ou elemento de cobertura é um sólido com granulometria bastante fina,
insolúvel no veículo da tinta, responsável principalmente pelo comportamento de
aparência da camada.
epoxídicas1 : Tinta a base de epóxi (resina plástica).
19
Na sua formulação, o pigmento é selecionado com base em vários aspectos, como
sangramento1, absorção de óleo, solidez à luz, bem como o poder de cobertura,
determinado em função da área coberta por unidade de massa de pigmento e que é
bastante influenciado por fatores como o índice de refração.
A refração é a mudança da direção de propagação de um feixe luminoso ao passar
de uma substância para outra. O índice de refração de uma determinada substância
pode ser definido como a velocidade da luz no ar dividida pela sua velocidade
naquela substância. Assim, quanto maior for o índice de refração do pigmento, maior
será o seu poder de cobertura (Souza, 1996).
5.1.3 Solventes
Líquido volátil, geralmente de baixo ponto de ebulição, utilizado nas tintas e
correlatos para dissolver a resina. São classificados em: solventes ativos ou
verdadeiros, latentes e inativos.
O solvente é usado numa tinta para modificar a sua viscosidade ou consistência, de
maneira a se obter uma aplicação uniforme. Na fabricação de uma tinta as principais
propriedades são o peso específico, a inflamabilidade, a capacidade de solvência, a
faixa de destilação, a taxa de evaporação e os aspectos toxicológicos.
Sangramento1 : termo usado para caracterizar uma tinta com bom reflexo a luz.
20
5.1.4 Aditivos
Ingrediente que, adicionado às tintas, proporciona características especiais às
mesmas ou melhorias nas suas propriedades. Utilizado para auxiliar nas diversas
fases de fabricação e conferir características necessárias à aplicação.
São as substâncias que, ao serem proporcionalmente adicionadas à formulação,
atuam de uma forma complementar ou adjuvante das funções desempenhadas
pelos principais componentes sólidos e líquidos da camada, no caso os pigmentos,
os veículos e os solventes.
Para exemplificar a ação de alguns dos principais tipos de aditivos empregados nas
formulações de tintas, têm-se os dispersantes / molhantes, que melhoram e facilitam
a umectação e a dispersão dos poluentes; os anti-oxidantes, que inibem a formação
de pele; os fungistáticos, que inibem a formação de microorganismos; os
antiespumantes; e os alastradores, que facilita a aplicação da camada.
5.2
Estudo da viabilidade e qualidade da aplicação de tintas
A construção civil, infelizmente no Brasil, tem sido responsável por um grande
desperdício que vai desde horas/trabalho da mão-de-obra a consumo de materiais,
entulho, etc.(Souza, 1996). Este desperdício tem sido sempre repassado ao
consumidor final, onde estes custos estão embutidos na aquisição de uma
edificação. Dentro deste quadro, o setor de tintas não tem ficado indiferente. O
consumidor tem ficado cada vez mais exigente. Solicitando que o mercado se
21
adeque a diferentes necessidades. Sabe-se do pouco preparo e da má qualificação
da mão-de-obra da construção civil no país, resultado de baixos salários, super
exploração, condições inadequadas de trabalho, o alto grau de rotatividade no
emprego
e
a
quase
total
inexistência
de
programas
de
treinamento
e
aperfeiçoamento que marca o setor, pode apresentar um quadro de baixa eficiência
e resultados, em toda ordem inclusive no de aplicação de tintas de revestimento.
Dentro deste aspecto pode – se considerar que o resultado final da aplicação de
tintas em relação direta com o grau de qualificação da mão de obra, qualidade da
tinta, adequação da mesma a cada caso específico que poderá resultar na sua
maior ou menor produtividade e no custo final da pintura da edificação.
Com o grande desenvolvimento de tintas no país, hoje possuem tintas para as
diferentes situações, que podem auxiliar no processo de oferecer uma maior
resistência aos agentes externos. A variação no tipo de tintas ocorre não só na
composição química, assim como em função de suas utilizações.
O proporcionamento dos componentes tem elevada importância nas propriedades
das películas de tinta. O conhecimento da composição da tinta permite estimar
algumas propriedades da pintura, como porosidade e durabilidade da película, mas
para uma melhor previsão do comportamento destes materiais há necessidade de
complementar o conhecimento através da realização de ensaios de desempenho.
Um dos parâmetros mais utilizados para descrever a composição (formulação) de
uma tinta, segundo Uemoto (2002), é a relação pigmento e resina, denominada
internacionalmente por PVC (termo em Inglês que significa Pigment Volume
22
Content). O PVC é definido como sendo a fração volumétrica percentual do
pigmento sobre o volume total de sólidos do filme seco:
PVC =
Vp
x100
Vp + Vv
Fórmula 5.1
Onde, Vp = volume de pigmento
Vv = volume de veículo sólido
O PVC é um fator que influi na porosidade e permeabilidade de um sistema de
proteção por barreira, além de permitir distinguir os acabamentos brilhantes,
semibrilho e foscos. As tintas foscas possuem um PVC elevado, enquanto uma tinta
semibrilho possui um PVC baixo.
Além das pinturas que formam a barreira de proteção contra os agentes do meio
ambiente, existem os silicones, que na maioria não formam barreira, mas conferem
proteções ao substrato. São produtos hidrófobos, incolores e não alteram o aspecto
da superfície. Repelem a água, inclusive aquela que contém sais dissolvidos, como
a maresia.
Na tabela 5.1, a seguir, estão apresentadas as tintas convencionais mais utilizadas
na Construção Civil; além destas, os silicones, a caiação e as tintas à base de
cimento, que são as argamassas decorativas.
23
Tabela 5.1 – Tintas usuais no mercado segundo Uemoto (2002)
Substrato
Tinta
Minerais porosos
Verniz
Silicone
Látex PVAc, Látex
•
concreto
acrílico, texturizada
•
reboco
acrílica, fundo selador
•
argamassa
acrílico, látex vinilico,
•
cerâmica
caiação, Tinta a base
Acrílico Poliuretânico
Silanos
Siloxanos2
de cimento, Esmalte
sintético, Resina epóxi,
Borracha clorada.
Madeira e seus
A óleo, Esmalte
A óleo, Alquídico,
derivados
sintético (alquídica)1
Alq./poliuretano,
Poliuretânico, Filtro solar
___
Poliuretânico
Metálicos ferrosos
e não ferrosos
A óleo, Esmalte
sintético (alquídica)
___
__
___________________________________________________________________
alquídica1
Silanos
: tinta a base de água;
Siloxanos2 : espécie de silicone
24
5.2.1 Principais constituintes dos sistemas de pintura
O que se
chama de pintura não deve ser entendido apenas como tinta de
acabamento. Ela é composta por fundos e líquidos preparadores de paredes,
massas e, por fim, a tinta de acabamento. Cada um dos produtos possui uma função
definida.
Fundo: é um produto destinado à demão ou mais demãos sobre a superfície e
funciona como uma ponte entre o substrato e a tinta de acabamento. O fundo é
chamado de selador quando aplicado sobre superfícies de argamassa e é indicado
para reduzir e/ ou uniformizar a absorção do substrato. O fundo é chamado de
primer quando aplicado sobre superfícies metálicas, e em caso de superfícies não
metálicas é chamado de Washprimer, que é um promotor de adesão.
Fundo preparador de paredes: tem como característica principal promover a coesão
de partículas soltas do substrato, por isso é especialmente recomendada a aplicação
sobre superfícies não muito firmes e sem coesão, como por exemplo argamassa
pobre e sem resistência mecânica, caiação, repinturas ou superfícies constituídas
por gesso ou artefatos de gesso (Lacerda, 2001).
Massa: é um produto pastoso, altamente pigmentado e serve para a correção de
irregularidades da superfície já selada. Este produto deve ser aplicado em camadas
muito finas para evitar o aparecimento de fissuras ou reentrâncias.
25
Tinta de acabamento: é a parte visível do sistema de pintura. É ela que apresenta as
propriedades necessárias para o fim a que se destina, inclusive tonalidade
26
5.3
A Escolha da Pintura
Não se pode esquecer a grande influência da cor na vida das pessoas, tipo de
cores que acalmam, estimulam, animam, etc. Muitos são os estudos do uso da cor
em determinadas atividades do ser humano.
Cada pessoa age de forma distinta a determinados tipos de cores. É sempre
interessante que ao se fazer a escolha de cores para um ambiente, que cliente e
profissional discutam juntos as possibilidades existentes.
Este ponto é importante porque se o cliente não estiver satisfeito, isto pode resultar
num retrabalho, provocando desperdício de materiais, horas trabalhadas e um
aumento de custos não previstos, afirma Schneider (2001).
Já em 1970, em um artigo da revista Química e Derivados, é citado o comentário de
L. Taylor diretor da International, na época: “Há pouca apreciação de qualidade,
principalmente no que se refere ao mercado de tintas decorativas. O comprador, de
um modo, compra o galão mais barato e não leva em conta a mão-de-obra e outros
fatores de aplicação de tinta. A tinta cara cobre a maior extensão e protege melhor,
além de conter menor quantidade de solventes. Já para os compradores de grandes
quantidades, o problema da escolha coloca-se na forma de rendimento”.
É importante ressaltar que a fase de análise, estudo, concepção do projeto
arquitetônico e sua finalização são muito importantes porque neste momento estão
se discutindo e definindo a produção da obra arquitetônica.
27
Neste momento estão se definindo os materiais que serão utilizados, as técnicas e
as tecnologias adotadas e definindo também a futura manutenção desta edificação.
Muitas vezes se esquece que quando o arquiteto ou engenheiro civil ainda estão na
prancheta ou computador, na realidade está definindo todo o futuro de uma obra.
Tanto idéias, forma, programa de necessidades, etc., está se definindo também qual
a relação custo da manutenção desta obra.
Neste caso específico, o profissional necessita discutir com o seu cliente e juntos
definirem que tipo de tinta de revestimento será, utilizada no acabamento final da
edificação.
A seleção por determinado tipo de tinta pode definir, por exemplo, com que
periodicidade a tinta necessitará receber manutenção.
É claro que a escolha por determinado tipo de tinta está ligado ao tipo de material
em que será aplicado: tipos de madeiras, cerâmica, gesso, argamassas, etc. lugares
mais ou menos úmidos, insolação excessiva ou não, etc.
O arquiteto ou engenheiro civil deve possuir informações atualizadas dos produtos a
serem aplicados pois a indústria de tintas no Brasil está sempre oferecendo
inovações em relação a novos tipos de tintas, cores, técnicas diferenciadas de
aplicações.
28
Fica no entanto um questionamento se as melhores tintas são as mais caras e a
composição da população brasileira é em sua maioria pobre, como fica então o uso
e acesso a tintas com qualidade ?
É claro que dentro deste aspecto pode - se questionar também que a maior parte da
população brasileira não possui moradia, mas também há muitos que a possuem e
não podem realizar a sua manutenção por causa dos custos das tintas de boa
qualidade. E acabam por utilizar outras que perdem a cor com facilidade e não
oferecem a proteção desejada.
Os fabricantes necessitam investir em pesquisa a fim de colocar no mercado
brasileiro tintas de boa qualidade e de preço acessível à maior parte da população
brasileira, que, afinal de contas representam uma grande clientela.
Em uma pesquisa realizada junto a profissionais da construção civil em Blumenau,
pela revista Química e Derivados, com o objetivo, de conhecer melhor a relação dos
profissionais da construção civil com a área de tintas de revestimentos, foi realizado
um questionário sobre tintas junto a arquitetos e engenheiros, atuantes nesta cidade,
e obteve os seguintes dados:
•
Em 60 % dos casos os arquitetos ou engenheiros indicam que tipo de tinta
deve ser utilizado nos revestimentos internos e externos de seus projetos.
Sugerindo tintas impermeáveis externamente (considerando proteção contra
umidade,
durabilidade,
acabamento);
internamente:
Látex
ou
acrílico
(considerando acabamento, durabilidade, manutenção e dependendo ainda
do ambiente, uso e padrão da edificação).
29
•
Segundo os arquitetos ou engenheiros a escolha é discutida com o cliente em
67 % dos casos. E 83 % deles responderam que conversam sobre a relação
custo-benefício de tipos de tinta com o cliente.
•
O item que o cliente mais questiona é o custo (60 %), seguido de qualidade e
rendimento (13,33 % cada) e durabilidade, manutenção, aplicação 6,67 %
cada e alguns poucos tem preocupações com mofo, percolação de umidade,
referências do fabricante.
•
Somente as vezes (50 %) dos casos os engenheiros ou arquitetos
acompanham o cliente ou o pintor no momento da aquisição das tintas.
•
83,33 % dos arquitetos ou engenheiros buscam as lojas de tintas para obter
informações técnicas. E na mesma proporção respondem que os fabricantes
oferecem suporte técnico, buscando também, informações na Internet,
catálogos, representantes e técnicos. Assim como 67 % dos casos costumam
freqüentar cursos oferecidos pelos fabricantes e/ou lojas.
•
As revistas técnicas são o meio onde a maioria dos profissionais fica sabendo
das novidades, seguido de catálogos e internet em menor número através de
propagandas e outros tipos de revistas.
•
Segundo a pesquisa 57,14 % dos profissionais consideram boas as tintas
oferecidas no mercado nacional, 14,29 % consideram muito boas e outros 14
% consideram satisfatórias e o restante dos profissionais questionados
consideram ruins (marcas que oferecem milagres).
•
Segundo eles as tintas oferecidas no mercado nacional deveriam melhorar no
item manutenção (42,86 %), durabilidade ( 28,57 % - perca rápida de cores)
custo (14,29 %) e o restante no rendimento.
30
•
Para estes profissionais as tintas com alto e melhor rendimento possuem alto
custo.
•
É importante destacar que observou-se na pesquisa que alguns profissionais
só trabalham com algumas marcas.
Tal pesquisa foi importante, pois através dela foi confirmado que as empresas
fabricantes são de suma importância para especificações técnicas e que os
profissionais de arquitetura e engenharia buscam informações técnicas em lojas que
comercializam tintas.
5.4
Critérios para execução de revestimentos e pinturas
As superfícies rebocadas (a receberem pintura) deverão ser examinadas e corrigidas
de todos e quaisquer defeitos de revestimento, antes do início dos serviços de
pintura. Todas as superfícies a pintar serão cuidadosamente limpas, isentas de
poeira, gorduras e outras impurezas. As superfícies poderão receber pintura
somente quando estiverem completamente secas. A principal causa da curta
durabilidade da película de tinta é a má qualidade da primeira demão, de fundo
(primer), ou a negligência em providenciar boa base para a tinta. Nas paredes com
reboco, têm de ser aplicadas as seguintes demãos:
X Selador: composição líquida que visa reduzir e uniformizar a absorção inútil e
excessiva da superfície;
31
X Emassado: para fechar fissuras e pequenos buracos que fizeram na superfície
e que só aparecem após a primeira demão de selador;
X Aparelhamento (da base): para mudar as condições da superfície, aliando-a ou
dando-lhe uma textura especial;
X A segunda demão e as subseqüentes só poderão ser aplicadas quando a
anterior estiver inteiramente seca, sendo observado, em geral, o intervalo
mínimo de 24 horas entre as diferentes aplicações. Após o emassamento, esse
intervalo será de 48 horas. Serão dadas tantas demãos quanto forem
necessárias, até que sejam obtidas a coloração uniforme desejada e a
tonalidade equivalente, partindo dos tons mais claros para os tons mais
escuros.
Ferragens, vidros, acessórios, luminárias, dutos diversos etc., já colocados,
precisam ser removidos antes da pintura e recolocados no final, ou então
adequadamente protegidos contra danos e manchas de tinta. Deverão ser evitados
escorrimentos ou respingos de tinta nas superfície não destinadas à pintura, tais
como concreto ou tijolos aparentes, lambris que serão lustrados ou encerados, e
outros. Quando aconselhável, essas partes serão protegidas com papel, fita-crepe
ou qualquer processo adequado, principalmente nos casos de pintura efetuada com
pistola. Os respingos que não puderem ser evitados terão de ser removidos com
emprego de solventes adequados, enquanto a tinta estiver fresca. Nas esquadrias
de ferro, após a limpeza da peça, serão aplicadas as seguintes demãos.
•
Fundo antióxido de ancoragem (zarcão ou cromato de zinco)
•
Selador
•
Emassado
32
•
Fundo mate (sem brilho).
As superfícies metálicas e outros materiais cobertos por primer durante a fabricação
serão limpos para a remoção de sujeira, partículas finas, concreto, argamassa,
corrosão etc., acumulados durante ou após sua instalação.
As superfícies de ferro (a pintar) que apresentarem pontos descobertos ou pontos
enferrujados deverão ser limpas com escova ou palha de aço e retocadas com o
mesmo primer anticorrosivo utilizado, antes da aplicação da segunda camada de
fundo da obra. Os trabalhos de pintura externa ou locais mal abrigados não poderão
ser executados em dias de chuvas.
O armazenamento do material tem de ser feito sempre em local bem ventilado e
que não interfira em outras atividades da construção. Todos os panos, trapos
oleosos, estopas e outros elementos que possam ocasionar fogo precisam ser
mantidos em recipientes de metal e removidos da construção diariamente.
A aplicação de tinta a pincel é um método relativamente lento. Entretanto, apresenta
vantagens quando se quer obter melhor contato da tinta com superfícies muito
irregulares ou rugosas.
Para que a tinta possa ser considerada boa para ser aplicada a pincel, ela
obedecerá aos seguintes requisitos:
•
Espalhar-se com pequeno esforço (não poderá ser excessivamente viscosa ou
espessa);
33
•
Permanecer fluida o tempo suficiente para que as marcas do pincel desapareça
e a tinta não escorra (nas superfícies verticais).
A tinta látex tem sua composição à base de copolímeros de PVA (acetato de
polivinila) emulsionados em água, pigmentada, de secagem ao ar. Seguem os
dados:
•
Tempo de secagem: de ½ hora a 2 horas (ao toque); de 3 horas a 6 horas
(entre demãos); de 24 horas (de secagem final para ambientes internos); de 72
horas ( de secagem final para ambientes externos).
•
Rendimento por demão: de 30 m²/galão a 45 m²/galão, sobre reboco; de 40
m²/galão a 55 m²/galão, sobre massa corrida ou acrílica.
•
Número de demãos: duas ou três.
•
Cores: as mais diversas. É possível também adiquirir a tinta na cor branca e
misturá-la com corantes diversos, também fornecidos (em bisnagas) pelo
fabricante.
•
Ferramentas: rolo de lã de carneiro, trincha e pincel. Os acessórios e
ferramentas, imediatamente após o uso, deverão ser limpos com solvente
recomendado pelo fabricante.
•
Utilização básica: superfícies de quaisquer inclinações, internas ou externas,
onde se quer resistência aos raios solares, às intempéries e que estejam
freqüentemente limpas. Poderá ser aplicada sobre reboco de tempo de cura
recente, pois sua microporosidade permite a exudação por osmose, de
eventual umidade das paredes (respiração da película), sem empolamento nem
afetação do acabamento. Não se poderá utilizar diretamente sobre superfície
metálica.
34
•
Base para aplicação: terá de ser lixada e seca, livre de gordura, fungos, restos
de pintura velha e solta, pó ou outro corpo estranho. Em superfícies muito
absorventes ou pulverulentas, como tijolos de barro, reboco muito poroso, mole
e arenoso, aplicar uma ou duas demãos de selador. Em seguida, será aplicada
tinta PVA com rolo, pincel ou trincha, diluída em 20 % de água. A primeira
demão servirá como seladora em superfícies pouco porosas. Duas ou três
demãos serão suficientes. Espaçar as aplicações de 3 a 6 horas, no mínimo. A
segunda demão será aplicada pura.
5.5
Recomendações para a especificação de um sistema de pintura
Embora a pintura seja a última etapa de uma obra, segundo Uemoto (2002), ela
deve ser considerada desde a definição do projeto do edifício. As condições gerais
do meio ambiente e as de uso, são os principais fatores que determinam a escolha
do sistema de pintura. A especificação do sistema de pintura deve ser iniciada
caracterizando-se o meio ambiente e o tipo de substrato.
5.5.1 Classificação do Ambiente.
Segundo as diretrizes da Norma BS 6150, a definição “meio ambiente” refere-se à
atmosfera e às condições de uso ou serviço às quais será exposta a superfície
pintada (Uemoto, 2002).
35
O ambiente deve ser classificado tendo em vista o regime de chuvas e o grau de
agressividade da atmosfera ao redor da superfície do edifício. O meio ambiente é
subdividido em ambiente interno e externo, com diferentes níveis de agressividade.
O ambiente interno deve ser caracterizado conforme o tipo de ocupação, como área
seca ou úmida, e o externo, caracterizado conforme o grau de agressividade
atmosférica e condições climáticas. Na falta de dados referentes às características
do meio ambiente, esse nível pode ser obtido a partir da análise do aspecto
apresentado pelas superfícies pintadas de edifícios vizinhos.
As tabelas 5.2 e 5.3 auxiliam a classificação do ambiente em razão do regime de
chuvas e da agressividade atmosférica, e, com base nessas classificações e uso da
tabela 5.4, obter-se –á o nível de agressividade do ambiente.
Tabela 5.2 – Classificação de acordo com o regime de chuvas (Uemoto,2002)
Classificação
Regime anual de
Exemplo de cidades
chuvas
brasileiras
Baixo
Mais de 6 meses seco
Terezina, Fortaleza
Médio
De 4 a 5 meses secos
Belo horizonte, Cuiabá,
Goiânia
Elevado
Até 3 meses secos
Belém, Manaus,Rio de
Janeiro, São Paulo,Porto
Alegre, Curitiba, Florianópolis,
Salvador
36
Tabela 5.3 – Classificação do ambiente quanto à agressividade da atmosfera
local.(Uemoto 2002)
Classificação
Atmosfera
Baixa
Área não industrial (rural e Urbana)
Área semi-industrial
Média
Área industrial e marítima
Elevada
Tabela 5.4 – Classificação do grau de agressividade (adaptada da Norma BS 6150)
Grau de agressividade
Ambiente externo
Ambiente interno
Fraco
Área afastada da orla marítima (mais de
Ambientes secos, bem ventilados, de edifícios
10 km), não industrial e com regime de
residenciais e comerciais
chuva médio
Moderado 1
Moderado 2
Área próxima á orla marítima, urbana ou
Ambiente com possibilidade de condensação de
semi-industrial, com regime de chuva
umidade, como cozinhas e banheiros, ou com
médio
pouca necessidade de limpeza de superfície
Área afastada da orla marítima, urbana
ou
semi
industrial,
com
poluição
atmosférica média, mas afastadas de
fontes de poluição
Intenso 1
Intenso 2
Área dentro da orla marítima (até 3 km),
Ambiente freqüentemente submetido á umidade
não industrial com regime de chuva
e condensação elevada ou com necessidades
intenso
de limpeza freqüentes das superfícies
Área industrial com poluição atmosférica
elevada
Muito Intenso
Área dentro da orla marítima (até 3 km)
Ambiente industrial e/ ou com umidade e
e com elevada poluição atmosférica
condensação elevadas.
37
5.6
Descrição e características dos principais tipos de
substratos
Os tipos de superfícies mais comuns encontrados nas edificações são alvenarias
revestidas com argamassa de cimento e/ ou cal, concreto, madeira e metais ferrosos
e não ferrosos. Os sistemas de pintura existentes não são compatíveis com todos os
tipos de superfícies e, portanto, devem ser especificados levando-se em conta a
existência ou não de incompatibilidades. Cada uma dessas superfícies possui
características próprias de sua natureza, as quais influem no desempenho da tinta
aplicada.
5.6.1 Substratos minerais porosos
Referem-se a todos os tipos de superfícies minerais porosos de ambientes internos
e externos, constituídas por materiais à base de cimento ou cal, tais como:
argamassa de cimento, de cal e mista, gesso, reboco, massa fina, concreto,
alvenaria etc.
5.6.2 Característica de substratos à base de cimento e/ ou cal
Quando recém executados, apresenta umidade e alcalinidade elevadas, condições
impróprias para aplicação de quase todos os tipos de pintura. Possuem elevada
porosidade e rugosidade, que podem ser regularizadas com massa niveladora.
Os sais presentes de substratos em presença de água solubilizam-se, e durante a
secagem dos substratos a solução salina migra para a superfície formando
38
depósitos de sais brancos. Quando a tinta e seus complementos são aplicados
nessas condições, pode ocorrer alteração de cor, ataque alcalino, eflorescência
(depósitos de sais brancos pulverulentos), etc.
5.6.2.1 Condições dos substratos minerais porosos para receber
pintura
Tintas a base de aglomerantes inorgânicos: A aplicação de tinta a base de cimento
ou cal pode ser realizada em substratos constantemente úmidos ou mal curados
(recém executados).
Tintas a base de resinas sintéticas ou tintas a óleo: A aplicação desses tipos de tinta
só deve ser realizada quando o substrato estiver seco e curado. Superfícies recém executadas, em condições favoráveis de secagem, devem aguardar no mínimo 30
dias para receber a pintura. Em períodos não chuvosos a secagem de um substrato
é de aproximadamente uma semana para 5 mm de espessura de camada (BS
6150). Na secagem e/ ou cura do substrato, durante os períodos de chuva,
recomenda-se cobrir as superfícies mais expostas, por exemplo, o topo da
platibanda de prédios com filme de polietileno, colocado somente a chuva. Devido a
incompatibilidade da tinta a óleo com substratos alcalinos, a aplicação desse produto
só deve ser realizada sobre a superfície previamente tratada com tinta de fundo.
39
A seleção da tinta para substratos à base de cimento e ou cal deve ser realizada
com base na tabela 5.5 após a classificação do grau de agressividade de ambientes
(tabela 5.4.).
Tabela 5.5 – Sistemas de acabamento para substratos à base de cimento ou cal
(Uemoto 2002).
Grau de
agressividade
Fraco
Moderado
Intenso
Muito Intenso
Fraco
Moderado
Intenso
1
2
1
2
Tipos de sistemas de pintura
Acrílico
Vinílico
Esmalte Silicone
T B F B F B F A A S Cal Cimento
R R R ® ® R R R R R
®
R
R R ®
R ® R R R
®
R
R R ®
R R R R R
R ®
®
R R
®
R
R ®
®
R R
®
R
R R R R R R R R R
R
R R R R
R
R
R – Recomendável
T – Texturizado
A – Acetinado
® - Recomendável para até dois pav.
B – Brilhante
F - Fosco
Obs: Os resultados da tabela 5.5 realizada por Uemoto, 2002, é uma tradução da NBR 13245 –
Execução de pinturas em edificações não industriais, e da NBR 11702 – Tintas para edificações não
industriais.
5.6.3 Substratos de madeiras e seus derivados
Referem-se a todos os tipos de superfícies, internas e externas, constituídos por
madeiras, tais como: portas, janelas, paredes de casas de madeiras, etc.
40
5.6.3.1 Característica da madeira
Possui estrutura celular e apresenta baixa estabilidade dimensional. As dimensões
variam de acordo com o teor de umidade do meio ambiente. Retrai ao perder
umidade e incha ao absorvê-la. O fenômeno é reversível, resultando em movimentos
alternados em razão da variação atmosférica. A permeabilidade e a penetração de
líquidos são maiores no sentido longitudinal (na direção do comprimento das fibras).
Para uma mesma espécie de madeira, as contrações e expansões de peça variam
conforme a direção considerada, ou seja:
•
Direção longitudinal (sentido do crescimento da árvore correspondendo ao
comprimento das peças).
•
Direção radial (sentido do centro para a periferia correspondendo às
espessuras das peças).
•
Direção tangencial (corresponde à largura da peça).
A madeira, quando úmida, não é adequada para aplicação de pintura. Durante a
exposição ao ambiente, ela perde a umidade e se retrai, levando ao aparecimento
de tensões entre a película e a superfície de madeira e resultando em perda da
aderência e/ ou no aparecimento de fissuras e bolhas. Também pode ocorrer a
abertura de juntas entre as peças, o que permite a penetração de umidade. Quando
muito seca, também não é adequada para aplicação de tinta, ela absorve umidade
do ambiente e incha, ocorrendo o aparecimento de tensões entre as películas e a
superfície da madeira.
41
5.6.3.2 Condições dos substratos de madeira para receber pintura
A aplicação de tintas, vernizes, lacas e outros acabamentos só deve ser realizada
em madeira envelhecida e seca, com o teor de umidade em equilíbrio com a do
ambiente. Nestas condições não há ganho ou perda de água, existindo a
estabilidade dimensional. A velocidade de secagem da madeira varia de acordo com
a temperatura, umidade relativa do meio e espécie de árvores. Geralmente,
considera-se teor de umidade de equilíbrio de:
•
12% para áreas externas de regiões secas;
•
18% para áreas externas de regiões úmidas;
•
10% a 12% para ambientes internos
A seleção da tinta ou verniz para acabamento de substrato de madeira será
realizada com base nas tabelas 5.6 e 5.7, após a classificação do grau de
agressividade de ambientes, obtidas a partir da tabela 5.4.
42
Tabela 5.6 – Sistemas de acabamento pigmentado para substratos à base de
madeira ( Uemoto 2002).
Tipo de
ambiente
Grau de
agressividade
Fraco
EXTERNO Moderado
Intenso
Muito Intenso
Fraco
Moderado
Intenso
INTERNO
1
2
1
2
TEsmalte Sintético
Brilhante
Acetinado Fosco
R
R
®
R
®
R
®
®
R
R
R
R
R
R
-
R – Recomendável
® - Recomendável para até dois pav.
Tabela 5.7 – Sistemas de acabamento não pigmentado para substratos à base de
madeira (Uemoto 2002).
Grau de
agressividade
Fraco
Moderado
Intenso
Muito Intenso
Fraco
Moderado
Intenso
Tipos de sistemas de pintura
Verniz alquídico
1
2
1
2
Verniz alq. Poliuretanico Verniz Alq. Filtro
Brilhante Fosco Brilhante
®
®
R
®
R
R
®
®
®
R
R
R
R
R
R
-
Fosco
R
®
®
R
R
-
Brilhante
R
®
®
-
Fosco
®
®
®
-
R – Recomendável
® - Recomendável para até dois pavimentos.
Obs: Os resultados da tabela 5.6 e 5.7 realizada por Uemoto, 2002, é uma tradução da NBR
13245 – Execução de pinturas em edificações não industriais, e da NBR 11702 – Tintas para
edificações não industriais.
43
5.6.4 Substratos metálicos ferrosos
Referem-se a todos os tipos de superfícies, internas e externas, constituídos por
metais ferrosos, como portões, grades, esquadrias, estruturas de ferro e aço.
5.6.4.1 Características dos substratos metálicos
Esses tipos de superfícies, quando não protegidos, revertem à forma de óxidos, pela
combinação gradual do metal com o oxigênio e a umidade da atmosfera, formando
ferrugem. A resistência à corrosão de superfícies de ferro e aço depende da
composição química desses substratos, do processo de fabricação e do grau de
agressividade do meio ambiente
ao qual estão expostos. A resistência à corrosão
também é influenciada pelo microclima ao redor da superfície (orientação do sol,
chuva, grau de exposição à atmosfera, fluxo do ar, frequencia e intensidade de
condensação de umidade).
A seleção da tinta para acabamento em substratos metálicos, deve ser realizada a
partir da tabela 5.8, após a classificação do grau de agressividade de ambiente,
obtida na tabela 5.4.
44
Tabela 5.8 – Sistemas de acabamento para substratos metálicos
Grau de
agressividade
Fraco
Moderado
Intenso
Muito Intenso
Fraco
Moderado
Intenso
Tipos de sistemas de pintura
A óleo
1
2
1
2
R
R
-
Esmalte sintético B Esmalte sintético A
R
R
R
®
®
R
R
-
R
®
®
R
-
R – Recomendável
® - Recomendável para até dois pav.
Esmalte sintético F
R
A – Acetinado
B – Brilhante
F - Fosco
Obs: Os resultados da tabela 5.8 realizada por Uemoto, 2002, é uma tradução da NBR 13245 –
Execução de pinturas em edificações não industriais, e da NBR 11702 – Tintas para
edificações não industriais.
5.6.4.2 Condições dos substratos metálicos para receber pintura
O sistema de pintura é composto por tinta de fundo, intermediária e de acabamento.
A compatibilidade entre as camadas é fundamental para que não ocorra problemas
de falta de aderência e enrugamento.
As superfícies metálicas ferrosas (ferro e aço) só podem receber pintura quando
isentas de contaminações de produtos de corrosão (ferrugem) e de carepas de
laminação e, além disso, protegidas com tinta de fundo anticorrosiva (primer). O grau
de limpeza mínimo da superfície varia conforme o tipo de tinta a ser aplicado e
condições de exposição.
45
5.7
Cuidados no projeto de edifício
Alguns aspectos do projeto influem na qualidade e durabilidade da pintura, tanto na
facilidade de aplicação inicial como na sua manutenção ao longo da vida útil dos
edifícios, principalmente em superfícies externas. Pequenos detalhes de projeto
muitas vezes podem provocar elevados prejuízos estético na pintura, levando à
redução da durabilidade, além de ocasionar frequentes intervenções na manutenção
do edifício.
5.7.1 Considerações gerais quanto ao projeto
Na fase do projeto, deve-se tomar os seguintes cuidados, segundo estudos
realizados por Yazigi ,2003 e Uemoto,2002:
•
Eliminar a água de construção dentro dos prazos normais e compatíveis com o
planejamento da construção da obra;
•
Evitar superficies com contornos angulosos, preferindo sempre superfícies com
formas arrendondadas. A pintura em contorno anguloso resulta em película de
menor espessura, portanto, menor proteção à superfícies. São recomendados
projetos com contornos que apresentem raios de pelo menos 1,5mm;
•
Evitar projetos com substratos de baixa durabilidade e que haja necessidade de
manutenção frequente em locais de difícil acesso;
46
•
Evitar o uso de pintura em substratos de baixa durabilidade e que necessitem
de manutenção frequente. Neste caso, o uso de pintura como acabamento é
antieconômico e às vezes impraticável;
•
Evitar o uso de pinturas em ambientes muito agressivos. Em substratos
constantemente úmidos, com condensação de umidade na superfícies, é
preferível o uso de revestimento cerâmico
5.7.2 Especificação do sistema de pintura
A especificação deve ser realizada com base nas recomendações a seguir:
•
na especificação do sistema de pintura deve-se considerar sugestões dadas
pelos profissionais responsáveis pela execução da pintura;
•
na escolha das cores de tintas devem ser levados em conta, além do efeito
estético da pintura, fatores relacionados ao:
•
conforto térmico: as superfícies escuras absorvem mais calor que as claras,
tornando o ambiente interno mais quente;
•
suscetibilidade da cor à radiação solar ou à alcalinidade, os pigmentos azuis e
verdes de modo geral são mais suscetíveis aos agentes do meio, resultando
em alteração da cor etc.
•
contraste causado pela presença de sais brancos sobre superfície pintada com
tinta de cor escura, a umidade presente no substrato mineral pode solubilizar a
fração solúvel de seus constituintes e se depositar sobre a superfície pintada.
47
5.7.3 Facilidade de acesso para a execução de pintura
Todas as superfícies a serem pintadas devem ser projetadas de modo a evitar
formas geométricas ou condições que possam dificultar a aplicação do sistema de
pintura
As fachadas devem ser de fácil acesso à execução de pintura; o acesso à repintura
deve ser planejado já na fase de projeto, inclusive prevendo-se a existência de
suportes para a ancoragem de andaimes ou arranjos similares.
As superfícies que não serão expostas após o término da obra, mas que exigem
proteção, devem ser pintadas antes de sua fixação.
5.7.4 Condensação de umidade
Algumas partes do edifício, devido ao modo de uso, apresentam maior facilidade
para a ocorrência de condensação de umidade, o que acelera a degradação da
pintura. Por exemplo, o desenvolvimento de fungos em tetos e paredes de banheiros
e cozinhas. Deve-se evitar projetos que favoreçam a condensação de umidade nas
superfícies com pintura. Para ambientes de área úmida, já na fase de projeto, devem
ser previsto boa ventilação e isolação térmica. A condensação constantes pode ser
evitada ou minimizada melhorando a ventilação natural do edifício através da
existência de janelas, dutos e grelhas de ventilação, com ou sem dispositivos de
tiragem mecânica.
48
5.7.5 Controle do fluxo de água nas superfícies
Para aumentar a vida útil da pintura e valorizar a estética das fachadas, recomendase que seja observado já no projeto do edifício:
•
A disposição construtivas dos componentes e elementos. Evitar a incidência
direta de água de chuva nas fachadas, protegendo as partes mais expostas às
chuvas, como, por exemplo, a platibanda, com rufos e pingadeiras.
•
Os detalhes que evitam concentrações de água de chuva e facilitam a
dissipação dos filmes de água que se formam sobre as superfícies.
•
As superfícies inclinadas devem ser evitadas, pois estas facilitam a deposição
de partículas em suspensão na atmosfera, além de possibilitarem maior tempo
de permanência do filme de água de chuva.
•
O cuidado com as superfícies horizontais, que acumulam poeira, poluição e
outras partículas da atmosfera (que são arrastadas durante as chuvas,
tendendo geralmente a escorregar pelas fachadas).Algumas geometrias de
pingadeiras e de ressaltos na fachada contribuem para o acúmulo de sujeiras.
O fluxo de água de chuva pode provocar mancha superficial na pintura, logo
abaixo destes detalhes construtivos. Estes efeitos podem ser minimizados
modificando a geometria destes detalhes.
•
O efeito dos fluxos algumas vezes pode ser minimizado pela aplicação de tinta
de
acabamento
texturizado.
Os
acabamentos
lisos
proporcionam
a
concentração de fluxo de água e os acabamentos texturizados auxiliam no
espalhamento destes fluxos.
49
5.8
Principais anomalias
As principais anomalias encontradas no sistema de pintura e suas respectivas
causas estão abaixo relacionadas a seguir (Azeredo,2004 e Uemoto,2002).
Tabela 5.9 Principais anomalias
Anomalias
Eflorescência:
Causas
Acontecem quando a tinta é aplicada sobre reboco
úmido, ou devido a infiltração.
Sapomificação:
Alcalinidade natural da cal e do cimento que compõe o
reboco
Calcinação:
Alcalinidade natural da cal e do cimento que compõem o
reboco ou deterioração causada por ataques através do
intemperismo
Desagregamento:
Acontece quando a tinta é aplicada sobre superfície de
reboco novo, não curado ou quando há presença de
umidade
Descascamento:
Ocorre quando a tinta é aplicada sobre superfícies
pulverulenta, comprometendo a sua aderência na base. A
condição
de
pulverulência
é
uma
anomalia
do
revestimento de argamassa (base).
Fissuras:
Em casos de vernizes, as fissuras na película poderão
ser causadas por uso indevido da tinta em relação à
exposição ambiental, como por exemplo, uso de
vernizes base epóxi em locais externos. Em casos de
tintas base látex, as fissuras na película podem indicar
a falta de repintura e a suplantação da vida útil do
revestimento.
Pode
ocorrer
também,
devido
a
50
sobreposição de trechos da tinta, incorrendo em
emendas, além de deficiências de cobrimento da
Anomalias:
elícula ou poucas demãos de aplicação.
Causas:
Manchas:
Por pingos de chuva: extração de substância solúveis
que afloram e mancham o filme da tinta ou ainda por
ação
de
infiltrações,
deposições
de
fuligens
e
sujidades, além de proliferações de fungos. Por
retardamento de secagem em madeira: presença de
resíduos de soda caustica ou removedor utilizado na
remoção de pintura antiga. Manchas amareladas em
tetos e paredes são causadas por presença de
gorduras, óleos, fumaça de cigarro.
Bolhas:
Ocorre quando a tinta é aplicada sobre massa corrida PVA
externamente, ou na repintura sobre tinta de má
qualidade, ou quando a poeira do lixamento da massa
não
foi
eliminada,
devidamente
ou
quando
a
tinta
não
foi
iluída. Podem ser causadas, também
devido a infiltrações de água principalmente em
películas mais impermeáveis como esmalte, látex
acrílico etc.
Trincas:
São causadas por movimentos da estrutura, com reflexos
no substratos, retração da argamassa e outras.
Enrugamento:
orre quando se aplicam demãos de tinta demasiadamente
espessa, ou quando a aplicação é feita sobre superfícies
ou ambientes com temperatura excessivamente quente.
Também podem ser causados por ação de infiltrações de
51
águas.
Crateras:
Ocorre quando são utilizados solventes não apropriados na
diluição da tinta.
As anomalias podem estar relacionadas com a escolha inadequada do material a ser
utilizado, bem como, da situação ambiental.
5.9
Recomendação para a inspeção de trabalhos de pintura
Os níveis de inspeção variam conforme o tipo de projeto e da pintura. A inspeção
pode ocorrer no final da execução, quando a obra é de pequeno porte e a pintura
tiver função apenas decorativa. A inspeção em todas as etapas é realizada quando o
projeto for complexo, a área de pintura muito extensa ou a pintura tiver função de
proteção não decorativa. A inspeção em todas as etapas deve ser efetuada por
especialistas independentes. Todas as operações ficam sujeitas às inspeções e à
aprovação antes do inicio da próxima etapa, contando com padrão de mão-de-obra
previamente estabelecido em cada uma das etapas.
5.9.1 Conformidade dos produtos
De modo geral são utilizados os ensaios para assegurar a conformidade dos
produtos com as especificações acordadas entre o consumidor (construtora ou
empreiteira) e o fornecedor. As especificações tomadas como referência podem ser
aquelas do próprio fabricante , do país, de outros países, ou mesmo aquelas da
própria construtora. Na ausência de especificações próprias, o consumidor pode
solicitar do fornecedor documentos técnicos, emitidos por laboratório qualificado,
52
como Falcão Bauer, com o máximo de 12 meses de emissão, e que comprovem as
características dos produtos.
Os ensaios podem ser regulares como parte do processo de inspeção, ou somente
em caso de dúvidas em relação à qualidade dos produtos ou na eventual existência
de adulterações. Os produtos devem atender às exigências acordadas entre o
consumidor e o fornecedor, caso contrário, devem ser rejeitados.
Uma forma prática de verificação de conformidade é a avaliação comparativa com
um padrão acordado entre o construtor e o fornecedor. As amostragem deve ser
realizada com os representantes de ambas as partes, devendo fazer em lata
fechada sem uso, após a homogenização do produto. Deve ser registrado o número
do lote.
5.9.2 Uniformidade dos lotes de produtos
São ensaios rápidos, simples, geralmente determinados por métodos químicos e
físicos-químicos. Os produtos devem ser caracterizados segundo estes ensaios, os
lotes subsequentes entregues na obra devem ser controlados pelos mesmos
ensaios e os resultados devem apresentar as tolerâncias de variação especificadas.
Estes ensaios são recomendados para obras de grande porte ou de grande
responsabilidade. Muitas vezes, economicamente, é inviável a realização destes
ensaios; neste caso recomenda-se guardar uma amostra colhida na recepção e que
53
poderá ser ensaiada futuramente, no caso de dúvidas quanto às características dos
produtos aceitos.
5.9.3 Avaliação qualitativa
Podem ser realizadas avaliações qualitativas por comparação visual, em relação a
uma amostra previamente acordada entre o fornecedor e o construtor. As
características das superfícies a serem pintadas e o aspecto das pinturas podem ser
registrados preparando-se padrões de referência como base para a inspeção. Os
aspectos dessas superfícies pode ser avaliado por métodos qualitativos sensoriais,
como por comparação visual do brilho, da textura, da cor, etc.
5.9.4 Ensaios de desempenho
São ensaios que simulam as condições reais de uso. Pode ser feitos por laboratórios
qualificados com base em ensaios normalizados, mas alguns de fácil execução
podem ser realizados sobre superficies existentes na própria obra, por técnico
treinado para esta finalidade, como por exemplo, rendimento, poder de cobertura
“prático”, resistência à água, resistência de aderência e/ ou coesão da argamassa,
resistência a produtos quimicos domésticos, porosidade.
5.9.5 Inspeções das condições dos substratos
54
É importante verificar se os substratos estão em condições adequadas para receber
pintura conforme descrição de Uemoto (2002).
5.9.5.1 Inspeção das execuções dos trabalhos
Durante a inspeção é importante verificar se os produtos estão adequadamente
selecionados, em conformidade com o projeto de pintura da edificação. Em todas as
etapas, verificar se a execução está sendo realizada dentro do padrão de mão-deobra e qualidade exigidas pela construtora e/ ou conforme os procedimentos usuais
de execução.
Em cada uma das etapas de execução dos serviços, verificar se estão sendo
obedecidas as recomendações indicadas, quanto às condições para limpeza das
superfícies, forma de preparação do substrato, diluição do produto (proporção de
diluição e tipo de solvente), número de demãos, material para aplicação do produto
etc.. Em caso de não atendimento dessas condições, o inspetor deve determinar a
interrupção dos trabalhos.
Durante a aplicação, verificar se os produtos estão diluídos corretamente e, se
necessário, fazer a amostragem do material que esteja sendo aplicado.
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5. SISTEMAS DE PINTURAS 5.1 Composição