0 UNIVERSIDADE DO EXTREMO SUL CATARINENSE - UNESC CURSO DE GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS CONTÁBEIS RAQUEL DA ROSA GONÇALVES ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO SEGMENTO DE MEDICAMENTOS CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2010 1 RAQUEL DA ROSA GONÇALVES ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO SEGMENTO DE MEDICAMENTOS Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado para obtenção do grau de bacharel no curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC). Orientador: Prof. MSc. Cleyton Oliveira Ritta CRICIÚMA, NOVEMBRO DE 2010 2 RAQUEL DA ROSA GONÇALVES ANÁLISE DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS: UM ESTUDO DE CASO EM UMA EMPRESA DO SEGMENTO DE MEDICAMENTOS Trabalho de Conclusão de Curso aprovado pela Banca Examinadora para obtenção do grau de Bacharel no curso de Ciências Contábeis da Universidade do Extremo Sul Catarinense, UNESC, com Linha de Pesquisa em Contabilidade Gerencial. Criciúma, 16 de Novembro de 2010. BANCA EXAMINADORA __________________________________________ Prof. Mestre - Cleyton de Oliveira Ritta – Orientador __________________________________________ Prof. Esp. Clayton Schueroff – Examinador 1 __________________________________________ Prof. Esp. Luiz Henrique Daufembach - Examinador 2 3 Dedico os méritos desta conquista à minha família, à meu namorado, e a todos que de certa forma contribuíram com este trabalho. 4 AGRADECIMENTOS Primeiramente, quero agradecer a Deus, por iluminar meus passos me dando sabedoria e coragem para superar cada obstáculo sem medo e conquistar mais esta etapa em minha vida. Em seguida agradecer aos meus pais, Terezinha e Ozenir, pelo exemplo de vida e incentivo, estando presentes em todos os momentos bons e ruins, me proporcionando apoio e compreensão, assim tornando-se meu porto seguro. Ao meu irmão Robson que é uma pessoa muito importante em minha vida. Em especial quero agradecer meu namorado Jian, por todo o amor e paciência que teve comigo nesta etapa da minha vida, sempre compreensivo com meus momentos de angústia e preocupação. Dizendo palavras certas nas horas certas, nos momentos mais difíceis não permitindo que eu desistisse. Obrigada por você existir e acreditar em mim quando nem eu mesma consigo acreditar. As minhas amigas Michele e Andréia, pelos momentos felizes que passamos juntas e que nunca vou esquecer, pois a faculdade não seria a mesma sem elas. Ao meu orientador Cleyton Rita, pelo apoio e por me nortear com seu conhecimento, contribuindo para a conclusão deste trabalho. Enfim, muito obrigada a todos que de certa forma me ajudaram no desenvolvimento deste trabalho e conclusão de mais esta vitória em minha vida. 5 “O maior prazer da vida é vencer dificuldades, passando de um êxito a outro, formulando novos desejos e vendo-os satisfeitos. Aquele que trabalha em algum projeto grande ou louvável tem suas fadigas suportadas, primeiro pela esperança e depois recompensadas pela alegria... Lutar com dificuldades e vencê-las é a mais alta felicidade humana.” (Samuel Johnson) 6 RESUMO GONÇALVES, Raquel da Rosa. Análise das Demonstrações Contábeis: um estudo de caso em uma empresa do segmento de medicamentos. 2010. 66 p. Orientador: Cleyton Oliveira Ritta. Trabalho de Conclusão do Curso de Ciências Contábeis. Universidade do Extremo Sul Catarinense – UNESC. Criciúma – SC. A análise das demonstrações contábeis permite compreender a situação patrimonial da empresa, no que tange a aspectos financeiros, econômicos e operacionais. O presente trabalho tem por objetivo em demonstrar como a análise das demonstrações contábeis contribui para a tomada de decisão no processo de gestão de uma empresa do seguimento de comercialização farmacêutica. Para atingir tal objetivo, realiza-se uma pesquisa descritiva com abordagem quantitativa e qualitativa por meio de um estudo de caso em uma farmácia localizada na cidade de Maracajá-SC. Os resultados apontam que: a) a situação econômica vem diminuindo a cada ano devido à conta lucros acumulados estar diminuindo em decorrência de prejuízos ao longo dos anos; b) nota-se que as despesas operacionais tiveram variações significativas, provocadas pelos gastos com a contratação de funcionários e o crescimento das vendas a prazo; c) verifica-se que o capital de giro da empresa de um modo geral apresenta-se bom, embora venha diminuindo a cada ano, devido ao aumento das obrigações de curto prazo. Conclui-se que a empresa necessita rever suas despesas operacionais para minimizar os gastos e assim rever o prejuízo. A adoção da análise das demonstrações contábeis foi uma ferramenta eficaz para a compreensão do desempenho da empresa. A análise mostrou de forma objetiva onde estão os pontos que precisam ser melhorados, contribuindo para a tomada de decisões corretivas e a otimização do resultado. Palavras-chave: Demonstrações contábeis. Análise econômica e financeira. Tomada de decisão. 7 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 - Processo de Tomada de Decisões ............................................................... 20 Figura 2 - Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ........................................... 25 Figura 3 - Demonstração do valor adicionado ............................................................... 26 Figura 4 - Objetivos da análise econômico-financeira ................................................... 29 Figura 5 - Índice de Liquidez Imediata .......................................................................... 31 Figura 6 - Índice de Liquidez Corrente .......................................................................... 32 Figura 7 - Índice de Liquidez Seca ................................................................................ 32 Figura 8 - Índice de Liquidez Geral ............................................................................... 33 Figura 9 - Endividamento Total ..................................................................................... 34 Figura 10 - Composição do Endividamento .................................................................. 35 Figura 11 - Participação de Capital de Terceiros ......................................................... 35 Figura 12 - Margem Bruta ............................................................................................. 36 Figura 13 - Margem Operacional................................................................................... 37 Figura 14 - Margem Líquida .......................................................................................... 37 Figura 15 - Retorno sobre o Patrimônio Líquido............................................................ 38 Figura 16 - Retorno sobre o Ativo Total ........................................................................ 38 Figura 17 - Prazo Médio de Recebimento de Vendas ................................................... 39 Figura 18 - Prazo Médio de Pagamento de Compras ................................................... 40 Figura 19 - Prazo Médio de Renovação de Estoque ..................................................... 40 Figura 20 - Capital de Giro ............................................................................................ 42 Figura 21 - Financiamento da Necessidade de Capital de Giro. ................................... 42 Figura 22 - Necessidade Líquida de Capital de Giro .................................................... 43 Figura 23 – Efeito Tesoura ............................................................................................ 44 Figura 24 - Estrutura Organizacional ............................................................................. 47 8 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico1 - Efeito Tesoura .............................................................................................. 45 Gráfico 2 - Produtos com Maior Número de Vendas ..................................................... 56 9 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Estrutura Básica do Balanço Patrimonial .................................................... 21 Quadro 2 - Demonstração do Resultado do Exercício .................................................. 22 Quadro 3 - Demonstração do Fluxo de Caixa Indireto .................................................. 23 Quadro 4 - Demonstração do Fluxo de Caixa Direto..................................................... 24 Quadro 5 - Aplicações e Fontes de Capital de Giro ...................................................... 43 Quadro 6 - Linha de Produtos Comercializados ............................................................ 47 Quadro 7 - Pontos Fortes e Pontos Fracos .................................................................. 48 10 LISTA DE TABELAS Tabela 1- Análise Vertical do Ativo ................................................................................ 50 Tabela 2- Análise Vertical do Passivo ........................................................................... 51 Tabela 3 - Análise Vertical da Demonstração do Resultado do Exercício ..................... 52 Tabela 4- Análise Horizontal do Ativo ........................................................................... 53 Tabela 5 - Análise Horizontal do Passivo ...................................................................... 54 Tabela 6 - Análise Horizontal da Demonstração do Resultado do Exercício ................ 55 Tabela 7 - Indicadores Financeiros ............................................................................... 57 Tabela 8 - Análise dos Indicadores Econômicos ........................................................... 57 Tabela 9 - Indicadores Operacionais............................................................................. 58 Tabela 10 - Análise do Capital de Giro .......................................................................... 59 Tabela 11 - Análise da Necessidade de Capital de Giro ............................................... 59 Tabela 12 - Análise da Tesouraria ................................................................................ 60 11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AH= Análise Horizontal AV= Análise Vertical BP= Balanço Patrimonial CCL= Capital Circulante Líquido CDG= Capital de Giro CE= Composição do Endividamento DFC= Demonstração de Fluxo de Caixa DMPL= Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido DRE= Demonstração do Resultado do Exercício DVA = Demonstração do Valor Adicionado ET= Endividamento Total LC= Liquidez Corrente LG= Liquidez Geral LI= Liquidez Imediata LS= Liquidez Seca MB= Margem Bruta ML= Margem Líquida MO= Margem Operacional NCG= Necessidade de Capital de Giro NLCG= Necessidade Líquida de Capital de Giro – NLCG PCT= Participação de Capital de Terceiros PMRV= Prazo Médio de Recebimento de Vendas PMPC= Prazo Médio de Pagamento de Compras PMRE= Prazo Médio de Renovação de Estoque RAT= Retorno sobre o Ativo Total RSPL= Retorno sobre o Patrimônio Líquido 12 SUMÁRIO 1INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 14 1.1Tema e problema .................................................................................................... 14 1.2Objetivos da pesquisa ........................................................................................... 15 1.3 Justificativa............................................................................................................ 15 1.4 Metodologia ........................................................................................................... 16 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ................................................................................. 18 2.1 Contabilidade......................................................................................................... 18 2.2 Demonstrações Contábeis ................................................................................... 19 2.2.1 Balanço Patrimonial ........................................................................................... 20 2.2.2 Demonstração do Resultado do Exercício....................................................... 21 2.2.3 Demonstração dos Fluxos de Caixa Método Direto e Indireto ....................... 23 2.2.4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ..................................... 24 2.2.5 Demonstração do Valor Adicionado ................................................................. 25 2.2.6 Notas Explicativas .............................................................................................. 27 2.3 Análise das Demonstrações Contábeis .............................................................. 28 2.3.1 Metodologia da Análise Patrimonial ................................................................. 28 2.3.2 Análise Vertical ................................................................................................... 29 2.3.3 Análise Horizontal .............................................................................................. 30 2.3.4 Indicadores Financeiros .................................................................................... 30 2.3.4.1 Indicadores de Liquidez.................................................................................. 31 2.3.4.1.1 Liquidez Imediata ......................................................................................... 31 2.3.4.1.2 Liquidez Corrente ......................................................................................... 32 2.3.4.1.3 Liquidez Seca ............................................................................................... 32 2.3.4.1.4 Liquidez Geral ............................................................................................... 33 2.3.4.2 Indicadores de Endividamento ...................................................................... 33 2.3.4.2.1 Endividamento Total .................................................................................... 34 2.3.4.2.2 Composição do Endividamento .................................................................. 34 2.3.4.2.3 Participação de Capital de Terceiros .......................................................... 35 2.3.4.3 Indicadores Econômicos ................................................................................ 36 2.3.4.3.1 Margem Bruta ............................................................................................... 36 2.3.4.3.2 Margem Operacional .................................................................................... 37 2.3.4.3.3 Margem Líquida ............................................................................................ 37 13 2.3.4.3.4 Retorno sobre o Patrimônio Líquido .......................................................... 38 2.3.4.3.5 Retorno sobre o Ativo Total ........................................................................ 38 2.3.4.4 Indicadores Operacionais............................................................................... 39 2.3.4.4.1 Prazo Médio de Recebimento de Vendas ................................................... 39 2.3.4.4.2 Prazo Médio de Pagamento de Compras ................................................... 40 2.3.4.4.3 Prazo Médio de Renovação de Estoque ..................................................... 40 2.3.4.5 Capital de Giro ................................................................................................ 41 2.3.4.5.1 Análise do Capital de Giro ........................................................................... 41 2.3.4.5.2 Necessidade Líquida de Capital de Giro .................................................... 43 2.3.4.5.3 Efeito Tesoura .............................................................................................. 44 3 ESTUDO DE CASO ................................................................................................... 46 3.1 Caracterização da Empresa.................................................................................. 46 3.2 Procedimentos para coleta dos dados ................................................................ 49 3.3 Apresentação e análise dos resultados .............................................................. 49 3.3.1 Análise da situação patrimonial ....................................................................... 49 3.3.1.1 Análise vertical (AV) ........................................................................................ 49 3.3.1.2 Análise horizontal (AH) ................................................................................... 52 3.3.2 Análise dos indicadores financeiros, econômicos e operacionais ............... 56 3.3.3 Análise do capital de giro .................................................................................. 58 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ....................................................................................... 61 REFERÊNCIAS ............................................................................................................. 63 14 1 INTRODUÇÃO Neste capítulo apresentam-se o tema e o problema da pesquisa. Em seguida, os objetivos geral e específicos deste estudo. Na sequência têm-se a justificativa do tema e a metodologia utilizada para a realização do trabalho. 1.1 Tema e Problema A análise das demonstrações contábeis gera informações estratégicas para a condução dos negócios, propiciando condições para a expansão do empreendimento. Elas permitem compreender a situação patrimonial da empresa, no que tange a aspectos financeiros, econômicos e operacionais. Logo, permite que a administração possa tomar decisões de investimentos com base em dados e informações confiáveis, em busca da realização dos seus objetivos organizacionais. Uma das maneiras de alavancar o desempenho econômico é a análise das demonstrações contábeis. Elas fornecem informações relevantes para a compreensão da situação econômica e financeira das organizações. A análise dá suporte ao processo de tomada de decisão. Por isso, as informações geradas devem ser precisas e confiáveis para que os empresários possam utilizá-las para decisões referentes a novos investimentos e planejamento empresarial. Com a veloz dinâmica do mercado, torna-se cada vez mais difícil para as organizações se manterem em uma posição competitiva. Sendo assim, a utilização da análise das demonstrações contábeis é estratégica para os negócios. Ela permite verificar mudanças de comportamento da empresa e a busca de soluções para um bom desempenho empresarial. No Brasil há uma grande quantidade de empresas no segmento de comercialização farmacêutica. Esta situação gera concorrência, obrigando estas organizações a oferecerem produtos com preços menores, agilidade no atendimento e qualidade nos serviços oferecidos. Além dessas características, estas empresas devem ter uma adequada infraestrutura e um trabalho sistemático para a melhoria de desempenho organizacional. Diante disto, questiona-se: Como a análise das demonstrações contábeis contribui para a tomada de decisão no processo de gestão de uma empresa do 15 seguimento de comercialização farmacêutica? 1.2 Objetivos da Pesquisa O objetivo geral deste estudo consiste em demonstrar como a análise das demonstrações contábeis contribui para a tomada de decisão no processo de gestão de uma empresa do seguimento de comercialização farmacêutica. A partir do objetivo geral têm-se os seguintes objetivos específicos: verificar a situação patrimonial; mensurar os indicadores de liquidez, endividamento, econômico e operacional; e analisar o capital de giro 1.3 Justificativa Este trabalho se justifica, pois demonstra a importância da análise das demonstrações contábeis para auxílio à continuidade do empreendimento. O processo de análise da situação patrimonial contribui para a definição de estratégias e tomada de decisão mais rápida e segura. Observa-se que as informações no ambiente de negócios vêm assumindo um papel cada vez mais relevante para o funcionamento eficaz da entidade. Atualmente, a falta deste elemento é um dos motivos que causa um desconforto aos empresários, pois a cada dia, a concorrência aumenta e quem não estiver bem estruturado, dificilmente conseguirá obter bons resultados. Em relação à contribuição teórica, este estudo auxilia a ciência contábil com uma aplicação prática referente à análise das demonstrações contábeis e quais as utilidades dessa ferramenta para a gestão financeira das empresas. O presente trabalho descreve os principais conceitos que norteiam a estrutura teórica sobre o tema. Do ponto de vista prático, este estudo é importante, pois seus resultados ajudam organizações a compreenderem a análise do caso prático. Já para empresa analisada permite verificar a situação patrimonial e assim, realizar ações para o alcance de um bom desempenho empresarial. 16 Esta pesquisa é relevante do ponto de vista social, pois a partir do pressuposto de que uma instituição tem no seu capital financeiro, um elemento importante para a sua sobrevivência, este, por conseguinte, deve estar sempre em perfeito controle para que os gestores possam ter uma gestão mais precisa sobre as atividades de suas empresas. Diante disso, este estudo apresenta o tema aos gestores, profissionais e acadêmicos como forma de auxílio à elaboração de estratégias empresariais e avaliação do empreendimento. A falta de conhecimento das informações contábeis por parte dos gestores faz com que estes deixem de ter um controle mais preciso sobre as atividades de suas empresas. Sendo assim, o sistema de informação contábil tornase imprescindível para um bom desempenho empresarial. 1.4 Metodologia Para o desenvolvimento de um trabalho científico utilizam-se procedimentos metodológicos. De acordo com Barros e Lehfeld (2000, p. 2), a metodologia relaciona-se a um “conjunto de procedimentos a serem utilizados na obtenção do conhecimento. É a aplicação do método, através de processos e técnicas, que garantem a legitimidade do saber obtido.” Quanto aos objetivos, este trabalho caracteriza-se como pesquisa descritiva, pois descreve e interpreta as demonstrações contábeis da empresa investigada. Segundo Andrade (2007 p. 114), neste tipo “os fatos são observados, registrados analisados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles. Isto significa que os fenômenos do mundo físico e humano são estudados, mas não manipulados pelo pesquisador.” A pesquisa caracteriza-se como qualitativa porque realiza-se descrições e comparações dos dados investigados e quantitativa devido utilizar técnicas estatísticas para análise dos dados. Segundo Richardson (1999, p.70), a abordagem qualitativa de um problema, além de ser uma opção do investigador, justifica-se, sobretudo, por ser uma forma adequada para entender a natureza de um fenômeno social. Tanto assim é que existem problemas que podem ser investigados por meio de metodologia quantitativa, e há outros que exigem diferentes enfoques e, consequentemente, uma metodologia de conotação qualitativa. 17 Vianna (2001, p. 122) observa que, na pesquisa qualitativa você analisará cada situação a partir de dados descritivos, buscando identificar relações causas, efeitos, consequencias, opiniões, significados, categorias e outros aspectos considerados necessários à compreensão da realidade estudada e que, geralmente, envolve múltiplos aspectos. Procederá a descrição contextualizada e geral da abordagem escolhida, utilizando propostas de investigação breves, relevantes. A pesquisa quantitativa, segundo Richardson (1999, p.70), [...] caracteriza-se pelo emprego de quantificação tanto nas modalidades de coleta de informações, quanto no tratamento delas por meio de técnicas estatísticas, desde as mais simples como percentual, média, desvio-padrão, às mais complexas, como coeficientes de correlação, análise de regressão, etc. Em relação aos procedimentos, a pesquisa é bibliográfica, pois utiliza livros sobre o tema análise das demonstrações contábeis. Oliveira (1999 p. 119) menciona que “a pesquisa bibliográfica tem por finalidade conhecer as diferentes formas de contribuição científica que se realizaram sobre determinado assunto ou fenômeno.” Para atingir os objetivos da pesquisa, realiza-se um estudo de caso. Vianna (2001 p. 140) esclarece que este tipo de pesquisa “objetiva um estudo detalhado, profundo e exaustivo de um objeto ou situação, contexto ou indivíduo, uma única fonte de documentos, acontecimentos específicos e outras situações, sempre de forma a permitir o entendimento de sua totalidade.” O estudo de caso é realizado em uma empresa do segmento de comercialização de produtos farmacêuticos, localizada na cidade Maracajá-SC. 18 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Neste capítulo aborda-se o referencial teórico sobre a contabilidade e análise das demonstrações contábeis. 2.1 Contabilidade A contabilidade é uma ciência antiga que surgiu devido à necessidade do homem em conhecer e controlar seus bens. O registro patrimonial-contábil arqueologicamente foi constatado como a primeira expressão racional humana. (SÁ, 2006). Logo, a contabilidade desenvolveu-se de acordo com o crescimento da humanidade e com a necessidade de criar métodos para o controle patrimonial. Schrickel (1999, p. 30) caracteriza a contabilidade como “um sistema de codificação, de registro. É a forma, a técnica mediante a qual os eventos que ocorrem na empresa são registrados.” Perez Junior e Bregalli (2002, p. 15) enfatizam, a contabilidade deve ser vista como um sistema de informações, cujo método de trabalho consiste, simplificadamente, em coletar, processar e transmitir dados sobre a situação econômico-financeira de uma entidade em determinado momento e sua evolução em determinado período. Schrickel (1999, p. 30) salienta que, a contabilidade presta-se a duas finalidades básicas na empresa: controle e planejamento. Como instrumento de controle, suas informações são utilizáveis como meio de verificação, comunicação e motivação. Como instrumento de planejamento, ela permite nortear os programas de investimento e de financiamento na empresa. A contabilidade, por meio de registros dos fatos da organização proporciona informações necessárias à administração da empresa, para que os usuários possam assegurar uma adequada análise da situação empresarial. 19 2.2 Demonstrações Contábeis No decorrer dos anos, desenvolveram-se técnicas de análise das demonstrações contábeis que às tornou cada vez mais importantes para a tomada de decisão. Segundo Matarazzo (2007, p. 20), “as análises das demonstrações surgiram dentro do sistema bancário, quando os banqueiros americanos começaram a solicitar balanços para as empresas tomadoras de empréstimos. Estes, por sua vez, analisavam os balanços e determinavam as viabilidades que as empresas possuíam para adquirir os empréstimos solicitados.” Nesse contexto Vasconcelos (2006, p. 8) complementa que “no Brasil a análise de balanços começou também na atividade bancária, difundindo-se em 1968, com a criação da SERASA, empresa que operava como uma espécie de Central de Análise de Balanços de Bancos Comerciais.” Com o crescimento das organizações de pequeno, médio e grande porte; o mercado tornou-se muito competitivo. Sendo assim, os administradores, proprietários e investidores motivaram-se a analisar seus negócios por meio das informações contábeis. Para Reis (2003, p. 43), o objetivo básico das demonstrações financeiras – ou demonstrações contábeis – é o de fornecer informações para a correta gestão dos negócios e para a correta avaliação dos resultados operacionais. Apresentam, portanto, elementos que possibilitam aos empresários e administradores o planejamento e o controle do patrimônio da empresa e das atividades sociais. É necessário enfatizar que a análise das demonstrações contábeis nas organizações contribui para extrair informações precisas e relevantes para a condução das operações. A Figura 1 expõe os procedimentos necessários para a análise das demonstrações contábeis. 20 Figura 1 - Processo de Tomada de Decisões Fonte: Marion (2006, p. 44). A primeira etapa é a escolha das ferramentas, técnicas de análise que vai depender do objetivo da análise. A segunda etapa é comparação da situação da empresa analisada com padrões de outras empresas do mesmo ramo de atividade e porte. Se não existir as demonstrações contábeis das empresas de mesmo porte e do mesmo ramo de atividade, pode ser feita a comparação com anos anteriores da empresa analisada. Após a comparação das informações, chega-se a um diagnóstico ou conclusão. É neste momento que se coloca os pontos fortes e fracos da empresa e se dá sugestões de melhoria. O conjunto das demonstrações contábeis é composto pelas seguintes demonstrações: Balanço Patrimonial, Demonstração do Resultado do Exercício, Demonstração dos Fluxos de Caixa, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido, Demonstração do Valor Adicionado e Notas Explicativas. Estas demonstrações são abordadas nas seções seguintes. 2.2.1 Balanço Patrimonial O Balanço Patrimonial (BP) é um elemento fundamental para se conhecer a situação econômica e financeira da empresa. Segundo Reis (2006, p. 48); “O Balanço Patrimonial é um demonstrativo básico e obrigatório – é uma apresentação estática, sintética e ordenada do saldo monetário de todos os valores integrantes do patrimônio de uma empresa em uma determinada data.” O Balanço Patrimonial é formado por duas partes: ativo e passivo. O Quadro 1 mostra a estrutura básica do balanço patrimonial: 21 ATIVO PASSIVO Ativo Circulante Passivo Circulante Ativo não Circulante Passivo não Circulante Ativo Realizável a Longo Prazo Patrimônio Líquido Investimentos Capital Social Imobilizado Reservas de Capital Intangível Ajustes de Avaliação Patrimonial Reservas de Lucros Lucros ou Prejuízos Acumulados Quadro 1 - Estrutura Balanço Patrimonial Fonte: Elaborado pela autora O Balanço Patrimonial é peça fundamental em uma análise financeira, pois ele sintetiza todo o resultado das operações. A análise de balanços consiste na comparação de valores contidos nas demonstrações contábeis, com a finalidade de obter informações sobre a situação econômico-financeira da empresa. Para Assaf Neto (2006, p. 55), “a análise de balanços visa relatar, com base nas informações contábeis fornecidas pelas empresas, à posição econômicofinanceira atual, as causas que determinaram a evolução apresentada e as tendências futuras.” A comparação entre valores do Balanço Patrimonial possibilita avaliar a situação da empresa no que ser refere à produtividade e rentabilidade dos capitais. Um dos principais objetivos da análise de balanço é transformar dados em informações gerenciais para auxílio na definição de estratégias. 2.2.2 Demonstração do Resultado do Exercício Um dos principais pontos de análise de uma organização está relacionado com a sua lucratividade. A Demonstração do Resultado do Exercício (DRE) mostra a composição do lucro ou prejuízo obtido, em um determinado exercício. Iudícibus (2008, p. 36) observa que, a DRE pode ser simples para micro ou pequenas empresas que não requeiram dados pormenorizados para a tomada de decisão, como é o caso de bares, farmácias, merceárias. Deve evidenciar o total de despesa deduzido da receita, apurando-se, assim, o lucro sem destacar os principais grupos de despesas. 22 A DRE contém os seguintes elementos conforme o Quadro 2. RECEITA BRUTA DE VENDAS E SERVIÇOS (-) Devoluções (-) Abatimentos (-) Impostos = Receita Líquida das Vendas e Serviços (-) Custo das Mercadorias e Serviços Vendidos = Lucro Bruto (-) Despesas com Vendas (-) Despesas Financeiras (deduzidas das Receitas Financeiras) (-) Despesas Gerais e Administrativas (-) Outras Despesas operacionais (+) Outras Receitas Operacionais = Lucro ou Prejuízo Operacional (+) Receitas não Operacionais (-) Despesas não Operacionais (-) Saldo da Correção Monetária (=) Resultados do Exercício antes do Imposto de Renda (-) Imposto de Renda e Contribuição Social (-) Participações de Debêntures (-) Participação dos Empregados (-) Participações de Administradores e Partes Beneficiárias (-) Contribuição para Instituições ou Fundo de Assistência ou Previdência de Empregados = Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício = Lucro ou Prejuízo por Ação Quadro 2 - Demonstração do Resultado do Exercício Fonte: Matarazzo (2010, p. 31) Reis (2006, p. 68) complementa que, a DRE mostra, em sequencia lógica e ordenada, todos os fatores que influenciaram, para mais ou para menos, o resultado do período, tornandose, assim, valioso instrumento de análise econômico-financeira e preciosa fonte de informações para tomada de decisões administrativas. A Demonstração do Resultado do Exercício é um resumo ordenado das receitas e despesas da empresa. Logo, os resultados obtidos pela empresa em determinado exercício social são transferidos para contas do patrimômio líquido. 23 2.2.3 Demonstração dos Fluxos de Caixa Método Direto e Indireto A Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) é um relatório gerencial que possibilita o planejamento e o controle dos recursos financeiros de uma empresa. De modo resumido, a DFC demonstra as entradas e saídas de dinheiro, indispensável em todo o processo de tomada de decisões. Para Assaf Neto e Silva (2002, p. 39), o fluxo de caixa é de fundamental importância para as empresas, constituindo-se numa indispensável sinalização dos rumos financeiros dos negócios. Para se manterem em operação, as empresas devem liquidar corretamente seus vários compromissos, devendo como condição básica apresentar o respectivo saldo em seu caixa nos momentos dos vencimentos. A insuficiência de caixa pode determinar cortes nos créditos, suspensão de entregas de materiais e mercadorias, ser causa de uma série de descontinuidade em suas operações. Uma boa administração do fluxo de caixa mantém um saldo financeiro adequado e prevê deficiências financeiras. Com isso, reduz a necessidade de financiamento de capital e custos financeiros. De acordo com Silva (2006, p. 475), “[...] a análise do fluxo de caixa auxiliará no entendimento da proveniência e do uso do dinheiro na empresa e poderá levar a medidas administrativas de correção de rota no gerenciamento dos negócios da empresa.” Para Santos (2001, p. 57) o fluxo de caixa é, para as empresas com problemas financeiros o primeiro passo no sentido de buscar seu equacionamento. Nas empresas em boa situação financeira, o planejamento de caixa permite-lhes aumentar a eficiência no uso de suas disponibilidades financeiras. O quadro 3 evidencia a estrutura da DFC, nas operações pelo método indireto. Lucro Líquido (+) Variação de Valores a Receber (+) Variação em Estoques (+) Variação em Fornecedores (+) Variação em Imposto de Renda a Pagar (+) Depreciação (=) Fluxo de Caixa Proveniente das Operações Quadro 3- Demonstração do Fluxo de Caixa Método Indireto Fonte: Neto e Silva (2002, p. 50) 24 O quadro 4 evidencia a estrutura da DFC, nas operações pelo método direto. 1. Fluxos de caixa das atividades operacionais (Valores que realmente refletiram no caixa/equivalente) (+) Recebimentos de clientes (+) Recebimento pelas duplicatas descontadas (+) Recebimento de juros (-) Pagamentos de fornecedores de mercadorias (-) Pagamento de tributos (-) Pagamento de salários (-) Pagamento de juros de financiamento (-) Pagamento de despesas antecipadas Caixa líquido proveniente das atividades operacionais 2. Fluxos de caixa das atividades de investimento (Valores refletiram no “caixa” caracterizados como investimentos) (-) Aquisição da controlada X líquido do caixa incluído na aquisição (-) Compra de ativo imobilizado (+) Recebido pela venda de imobilizado (+) Juros recebidos (+) Dividendos recebidos (=) Caixa líquido usado nas atividades de investimento 3. Fluxos de caixa das atividades de financiamento (Valores refletiram no “caixa” caracterizados como financiamento) (+) Recebido pela emissão de ações (+) Recebido por empréstimo a longo prazo (-) Pagamento de passivo por arrendamento (-) Dividendos pagos ( =) Caixa líquido usado nas atividades de financiamento 4. Aumento (diminuição) do caixa e equivalentes de caixa (1; 2; 3) Caixa e equivalentes de caixa no início do período Caixa e equivalentes de caixa ao fim do período Quadro 4 Demonstração do Fluxo de Caixa Método Direto Fonte: Adaptado de Azevedo (2008, p. 50) O Fluxo de Caixa é um importante instrumento para análise financeira das empresas, pois possibilita a compreensão do desempenho operacional e o entendimento das decisões financeiras tomadas. 2.2.4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido A Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) tem por objetivo apresentar todas as movimentações ocorridas em cada uma das contas integrantes do grupo Patrimônio Líquido. Iudícibus, Martins e Gelbcke (2010, p. 415) ressaltam que a DMPL, é de muita utilidade, pois fornece a movimentação ocorrida durante o exercício nas diversas contas componentes do Patrimônio Líquido; faz clara indicação do fluxo de uma conta para outra e indica a origem e o valor de cada acréscimo ou diminuição no Patrimônio Líquido durante o exercício. Trata-se, portanto, de informação que complementa os demais dados 25 constantes do Balanço e da Demonstração do Resultado do Exercício; é particularmente importante para as empresas que tenham seu Patrimônio Líquido formado por diversas contas e mantenham com elas inúmeras transações. Marion e Reis (2003, p. 51) complementam citando algumas funcionalidades DMPL: a) evidenciar a formação e a utilização de todas as reservas, e não apenas das originadas por lucros; b) facilitar uma melhor compreensão das mutações, inclusive quanto ao cálculo dos dividendos obrigatórios; e c) colaborar na elaboração da Demonstração dos Fluxos de Caixa. A Figura 2 apresenta a estrutura básica da DMPL. Figura 2 - Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Fonte: Assaf Neto (2006, p. 103) Sendo assim, a DMPL fornece informações relativas às transações que modificam o Patrimônio Líquido em um determinado período. 2.2.5 Demonstração do Valor Adicionado Para melhor entendimento da DVA, inicia-se com o significado da mesma. Para Reis (2006, p. 128) o valor adicionado “é um demonstrativo que procura evidenciar o valor da riqueza agregada a um produto por uma determinada empresa, de que forma esse valor agregado foi distribuído entre os fatores de produção.” 26 Santos (2003 p. 35) complementa que a “Demonstração do Valor Adicionado mostra a parte que pertence aos sócios, a que pertence aos demais capitalistas que financiaram a empresa com capital a juros, a parte que pertence aos empregados e a que fica com o governo.” Nesse sentido entende-se que a DVA procura informar o valor da riqueza criada pela empresa e de que forma foi distribuída. A figura 3 demonstra a estrutura básica da demonstração do valor adicionado. Figura 3- Demonstração do valor adicionado Fonte: Santos (2003, p. 39) A DVA é uma demonstração bastante útil, pois evidencia as informações das empresas demonstrando o destino dos resultados. Deve ser usada para complementar outras demonstrações para melhor esclarecimento das atividades das organizações. 27 2.2.6 Notas Explicativas As notas explicativas são informações complementares as demonstrações contábeis. Conforme Iudícibus, Martins e Gelbcke (1994, p. 38), as notas explicativas incluem: a descrição dos critérios de avaliação dos elementos patrimoniais e das práticas contábeis adotadas, dos ajustes dos exercícios anteriores, reavaliações, ônus sobre ativos, detalhamentos das atividades de longo prazo, do capital e dos investimentos relevantes em outras empresas, eventos subsequentes após a data do balanço etc. O conjunto das demonstrações contábeis fornece dados ordenados de modo resumido dos principais fatos registrados pela contabilidade em determinado período e que depois de reunidos proporcionam as informações necessárias para a condução dos negócios. Ainda segundo Iudícibus (1998, p. 65) as notas explicativas “devem ser destacadas no sentido de auxiliar o usuário das Demonstrações Financeiras a entendê-las melhor. Visam apresentar esclarecimentos necessários aos usuários.” Marion e Reis (2003, p.104) salientam que as notas explicativas devem incluir as seguintes informações: a) os principais critérios de avaliação dos elementos patrimoniais (especialmente estoques), dos cálculos de depreciação, amortização e exaustão, de constituição de provisões para encargos ou riscos e dos ajustes para atender as perdas prováveis na realização de elementos do ativo; b) os investimentos em outras sociedades, quando relevantes; c) os ônus reais constituídos sobre elementos do Ativo, as garantias prestadas a terceiros e outras responsabilidades eventuais ou contigentes; d) a taxa de juros, as datas de vencimento e as garantias das obrigações a longo prazo; e) o número, espécies e classes das ações do Capital Social; f) as opções de compra de ações outorgadas e exercidas no exercício; g) informações sobre os ajustes de exercícios anteriores, os itens extraordinários e as operações descontinuadas; h) os eventos subsequentes à data de encerramento do exercício que tenham, ou possam vir a ter, efeito relevante sobre a situação financeira e os resultados futuros da companhia. As notas explicativas irão descrever de forma mais detalhada a situação patrimonial, financeira e dos resultados do exercício, para que possa atender as necessidades dos usuários. 28 2.3 Análise das Demonstrações Contábeis Nesta seção discorre-se sobre a metodologia de análise, a análise vertical e horizontal e indicadores financeiros. 2.3.1 Metodologia da Análise Patrimonial Em face à globalização dos mercados e a concorrência acirrada tem-se a redução das margens de lucro. As organizações, de modo geral, têm a necessidade de aperfeiçoar seus controles de gestão, no intuito de aprimorar e agilizar o processo decisório. Segundo Vasconcelos (2006) analisar uma empresa é mensurar as consequencias das decisões já implementadas, por meio da decomposição das partes para compreensão do todo. Vasconcelos (2006), ainda infere que a análise da situação patrimonial tem as seguintes finalidades: a) verificar a qualidade dos investimentos; b) aferir a capacidade creditícia; c) aferir a eficiência da administração; d) servir de referência para projeções; e) estudar a viabilidade de projetos diversos (captação de recursos externos, fusões, incorporações e cisões); f) servir de argumento em trabalhos periciais em resposta aos quesitos que clamam pela aplicação da técnica para uma melhor fundamentação ( processos de falência e concordatas, por exemplo). Estas informações ganham espaço entre os gestores devido ao aumento da competitividade nos negócios. Para Neto (2006, p.60), a análise das demonstrações contábeis de uma empresa pode atender a diferentes objetivos consoante os interesse de seus vários usuários, pessoas físicas ou jurídicas que apresentam algum tipo de relacionamento com a empresa. Nesse processo de avaliação, cada usuário procurará detalhes específicos e conclusões próprias e, muitas vezes, não coincidentes. 29 A Figura 4 ilustra os objetivos da análise da situação patrimonial. Figura 4 - Objetivos da análise econômico-financeira Fonte: Padoveze, Clovis Luis (2005, p.7). A análise das demonstrações contábeis é desenvolvida por meio das seguintes técnicas de avaliação: situação horizontal e vertical, indicadores contábeis e de capital de giro. Cada analista utiliza estas técnicas de acordo com a necessidade ou contexto econômico. As análises provenientes dessas técnicas devem ser expressas de forma simples, possibilitando uma visualização e entendimento rápido por todos. Além disso, deve-se utilizar dados históricos para a compreensão do presente e possibilitar projeções futuras. 2.3.2 Análise Vertical Por meio da Análise Vertical (AV) determina-se a participação de cada conta do balanço patrimonial em relação ao valor total do ativo ou do passivo. Segundo Reis (2003, p. 191), 30 consiste na determinação dos percentuais de cada conta ou grupo de contas do balanço patrimonial em relação ao valor total do ativo ou do passivo. Procura mostrar, do lado do passivo, a proporção de cada uma das fontes de recursos e, do lado do ativo, a expressão percentual de cada uma das várias aplicações de recursos efetuadas pela empresa. Portanto com a análise vertical constata-se a participação das contas contábeis sobre o total do ativo e passivo patrimonial. 2.3.3 Análise Horizontal A Análise Horizontal (AH) é feita nas demonstrações contábeis das empresas para verificar a variação ocorrida em cada período analisado. Para Assaf (2001, p. 54 e 55), análise horizontal identifica a evolução dos diversos elementos patrimoniais e de resultados ao longo de determinado período de tempo. É uma análise temporal do crescimento da empresa, que permite avaliar a evolução das vendas, custos e despesas, o aumento dos investimentos realizados nos diversos itens ativos; a evolução das dívidas etc. Sendo assim esta análise, mostra as modificações ocorridas nas contas das demonstrações financeiras, de um período para outro. Evidência o crescimento da empresa, avaliando as evoluções ou regressões sofridas por cada conta nos demonstrativos analisados. 2.3.4 Indicadores Financeiros A análise dos indicadores financeiros fornece visão detalhada da situação econômica e financeira da organização. “Os indicadores financeiros têm como objetivo detectar situações, verificar tendências dos acontecimentos e proporcionar subsídios para que a alta administração da empresa direcione esforços corretivos necessários ao bom desenvolvimento da organização.” (PADOVEZE, 2000). Santos, Schmidt e Martins (2006, p.116) elucidam que “um índice não deve ser analisado isoladamente, mas em relação a períodos anteriores ou empresas que atuam no mesmo setor econômico”. 31 A utilização de índices faz parte do processo da análise das demonstrações contábeis. Por meio desses indicadores detectam-se situações significantes referentes à oscilação de um período para outro ou na comparação entre empresas. Destacam-se como principais indicadores o de liquidez, endividamento, econômico e operacional. Eles são apresentados nas seções seguintes. 2.3.4.1 Indicadores de Liquidez Os indicadores de liquidez mostram a capacidade que a empresa tem de honrar suas dívidas. Gitman (2004, p. 46) afirma que “a liquidez de uma empresa é medida por sua capacidade de cumprir as obrigações de curto prazo à medida que vencem. Corresponde à solvência da posição financeira geral da empresa, a facilidade com que pode pagar suas contas.” Os indicadores financeiros de liquidez são: imediata, corrente, seca e geral. 2.3.4.1.1 Liquidez Imediata O índice de liquidez imediata (LI) evidencia como está a empresa em relação as suas obrigações de curto prazo. Para Silva (1997, p. 30), a liquidez imediata: identifica a identidade da empresa em saldar seus compromissos correntes utilizando-se unicamente de seu saldo de disponível. Em outras palavras, revela o percentual das dívidas correntes que podem ser liquidadas imediatamente. A Figura 5 expõe a fórmula do índice de liquidez imediata. Figura 5 - Índice de Liquidez Imediata Fonte: Assaf Neto e Silva (2002, p.30). 32 O LI Indica o quanto existe em dinheiro para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo. Quanto maior, melhor é a situação financeira da entidade. 2.3.4.1.2 Liquidez Corrente O índice de liquidez corrente (LC) compara os ativos e passivos de curto prazo. Segundo Iudícibus (1998, p. 100), “este quociente relaciona quantos reais dispomos imediatamente disponíveis e conversíveis em um curto prazo em dinheiro, com relação às dívidas de curto prazo.” A Figura 6 demonstra a fórmula referente ao índice de liquidez corrente. Figura 6 - Índice de Liquidez Corrente Fonte: Matarazzo (2008 p. 152). O LC indica o quanto existe em recursos circulantes para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo. Quanto maior, melhor é a situação financeira da entidade. 2.3.4.1.3 Liquidez Seca O índice de liquidez seca (LS) avalia a capacidade da empresa para liquidar suas dívidas de curto prazo, onde se considera os ativos de maior liquidez. Segundo Assaf Neto (2006, p. 190), “a liquidez seca determina a capacidade de curto prazo de pagamento da empresa mediante a utilização das contas do disponível e valores a receber.” A Figura 7 mostra a fórmula do índice de liquidez seca. Figura 7 - Índice de Liquidez Seca Fonte: Santos (2001, p. 24). 33 A LS indica o quanto existe em recursos circulantes que são facilmente conversíveis em caixa para cada R$ 1,00 de dívida de curto prazo. Quanto maior, melhor é a situação financeira da entidade. 2.3.4.1.4 Liquidez Geral O índice de liquidez geral (LG) mostra quanto à empresa tem de ativo circulante mais realizável a longo prazo para cada real de obrigação total. Para Silva (2006, p. 308) “o índice de liquidez geral indica quanto à empresa possui em dinheiro, bens e direitos realizáveis a curto e longo prazo, para fazer face às suas dividas totais.” A Figura 8 evidencia a fórmula do índice de liquidez geral. Figura 8 - Índice de Liquidez Geral Fonte: Matarazzo (2008, p. 164). O LG indica o quanto existe em recursos circulantes e de longo prazo para cada R$ 1,00 de dívidas totais assumidas. Quanto maior, melhor é a situação financeira da entidade. 2.3.4.2 Indicadores de Endividamento Esses indicadores demonstram a estrutura do endividamento em relação ao capital próprio ou de terceiros. Para Marion (2007, p.104), os indicadores de endividamento nos informam se a empresa se utiliza mais de recursos de terceiros ou de recursos dos proprietários. Saberemos se os recursos de terceiros têm seu vencimento em maior parte a Curto Prazo (Circulante) ou a Longo Prazo ( Exigível a Longo Prazo). Braga (2006, p. 164) ressalta que, o uso desordenado de capitais de terceiros pode levar um empreendimento ao caos; todavia, a completa autonomia financeira (operar apenas com Capitais Próprios) não é possível, nem tampouco desejável, pela falta de capacidade para expansão dos negócios. 34 Os indicadores financeiros de endividamento são: endividamento total, composição do endividamento e participação de capital de terceiros. 2.3.4.2.1 Endividamento Total O índice de endividamento geral (ET) mostra o grau de participação de capital de terceiros em relação ao ativo total, ou seja, o total de investimento na empresa. Neves e Viceconti (2003, p.460) argumentam que o endividamento total, indica o montante de recursos de terceiros que está sendo usado, na tentativa de gerar lucros. Por isso existe a grande preocupação com o grau de endividamento e com a capacidade de pagamento da empresa, pois, quanto mais endividada ela estiver maior será a possibilidade de que não consiga satisfazer às obrigações com terceiros. O grau de endividamento mede, portanto, a proporção dos ativos totais financiada por terceiros (credores da empresa). A Figura 9 apresenta a fórmula do índice de endividamento total. Figura 9 - Endividamento Total Fonte: Iudícíbus (2008, p. 95) Este quociente indica o grau de utilização de capitais de terceiros. Quanto menor, melhor é a situação da organização. 2.3.4.2.2 Composição do Endividamento O índice de composição do endividamento (CE) identifica o quanto a empresa tem para pagar a curto prazo em relação às obrigações totais com terceiros, evidenciando a concentração do endividamento a curto prazo. Para Vasconcelos (2006, p. 106), esse indicador fornece um retrato da situação financeira atual, uma vez que relaciona a participação das obrigações a curto prazo em relação ao total. É óbvio que, quanto maior o volume de transações para pagamento postergado (longo prazo), melhor será a situação financeira a curto prazo 35 (atual). Os recursos a longo prazo captados externamente podem ser cobertos com a geração de recursos próprios. A Figura 10 ilustra a fórmula do índice de composição de endividamento. Figura 10 - Composição do Endividamento Fonte: Matarazzo (2010, p. 90). O CE indica o grau de utilização de capitais de terceiros que vence no curto prazo. Quanto menor, melhor é a situação da organização. 2.3.4.2.3 Participação de Capital de Terceiros O índice de participação de capital de terceiros (PCT) demonstra quanto uma empresa utiliza do capital de terceiros para cada real de capital próprio. Segundo Savytzky (2007, p. 75) é importante conhecer-se a proporção entre o capital próprio e os capitais alheios aplicados na empresa. A excessiva dependência de capitais alheios torna muito vulnerável a normalidade dos negócios e, por outro lado, os encargos financeiros consomem grande parte dos lucros operacionais, forçando a elevação dos preços e diminuindo a competição no mercado. As empresas que possuem melhor estrutura de capital próprio suportam com mais facilidade a concorrência. A Figura 11 expõe a fórmula do índice de participação de capital de terceiros. Figura 11 - Participação de Capital de Terceiros Fonte: Matarazzo (2010, p. 87). O PCT indica o grau de utilização de capitais de terceiros em relação ao capital próprio. Quanto menor, melhor é a situação da organização. 36 2.3.4.3 Indicadores Econômicos Os indicadores econômicos revelam qual é o retorno relativo de uma empresa em determinado período. Segundo Ching, Marques e Prado (2003, p. 115) “os índices de rentabilidade mostram o retorno auferido pela empresa na utilização de seus ativos durante um certo período de tempo. Esses índices procuram relacionar o lucro da empresa com seu tamanho, expresso por meio de suas vendas ou de seus ativos.” Nesse contexto Reis (2006, p. 205) afirma que “os índices de rentabilidade medem a capacidade de produzir lucro de todo o capital investido nos negócios próprios e de terceiros.” Tem-se como principais indicadores econômicos a margem bruta, margem operacional, margem líquida, retorno sobre o patrimônio líquido e retorno sobre ativo total. Eles são apresentados a seguir. 2.3.4.3.1 Margem Bruta A margem bruta (MB) relaciona o lucro bruto com as vendas líquidas. De acordo com Schrickel (1999, p. 288), a margem bruta é a rentabilidade primária de qualquer empresa. Trata-se do lucro imediatamente após a dedução das despesas industriais (Custo dos Produtos), das Depreciações – que devem referir-se majoritariamente aos bens de produção, sejam eles industriais (indústrias) ou comerciais (empresas varejistas) – e dos Impostos Faturados que, a rigor, não são uma receita própria da empresa. A Figura12 demonstra a fórmula da margem bruta. Figura 12 - Margem Bruta Fonte: Braga (2006, p. 168). A MB indica o grau de rentabilidade das vendas após as deduções dos impostos, despesas e custos relacionados a vendas. rentabilidade das operações. Quanto maior, melhor é a 37 2.3.4.3.2 Margem Operacional A margem operacional (MO) é a relação entre o lucro operacional com as vendas líquidas. Vasconcelos (2006, p. 144) observa que “por medir o desempenho operacional, a margem operacional afere o impacto das despesas e custos operacionais sobre o desempenho da empresa em sua atividade.” A Figura 13 mostra a fórmula da margem operacional. Figura 13 - Margem Operacional Fonte: Vasconcelos (2006, p. 144). A MO indica o grau de rentabilidade operacional das vendas. Quanto maior, melhor é a rentabilidade das operações. 2.3.4.3.3 Margem Líquida A margem líquida (ML) relaciona o lucro líquido do período com as vendas líquidas. Segundo Schrickel (1999, p. 291) ela “indica a rentabilidade da empresa após consideradas as Despesas Financeiras (pagas e não pagas), as Variações Monetárias e as Despesas e Receitas não Operacionais”. A Figura 14 evidencia a fórmula da margem líquida. Figura 14 - Margem Líquida Fonte: Shier (2008, p. 65). A Margem Líquida indica o grau de rentabilidade líquida das vendas. Quanto maior, melhor é a rentabilidade das operações. 38 2.3.4.3.4 Retorno sobre o Patrimônio Líquido O retorno sobre o patrimônio líquido (RSPL) confronta o lucro líquido do período com o patrimônio liquido. Padoveze (2000, p. 159) observa que este indicador “representa o quanto foi a rentabilidade do capital que os sócios da empresa investiram no empreendimento. É o indicador definitivo da rentabilidade do investimento próprio”. A Figura 15 apresenta a fórmula do retorno sobre o patrimônio líquido. Figura 15 - Retorno sobre o Patrimônio Líquido Fonte: Shier (2008, p. 65). O RSPL indica quanto à empresa obtém de lucro para cada R$ 100,00 de capital próprio investido. Quanto maior, melhor é o desempenho empresarial. 2.3.4.3.5 Retorno sobre o Ativo Total O retorno sobre o ativo total (RAT) compara o lucro líquido com o ativo total. Padoveze (2000, p. 159), informa que ele “é um dos indicadores mais enfatizados para a análise da rentabilidade de investimentos.” Vasconcelos (2006, p. 140) destaca que o retorno sobre o ativo total “afere o potencial da empresa em se capitalizar com o investimento realizado. Mede a capacidade desses ativos em gerar lucro (ressaltando a função econômica dos ativos).” A Figura 16 ilustra a fórmula do retorno sobre o ativo total. Figura16 - Retorno sobre o Ativo Total Fonte: Vasconcelos (2006, p. 140). 39 O RAT indica quanto a empresa obtém de lucro para cada $ 100,00 de investimento total. Quanto maior, melhor é o desempenho empresarial. 2.3.4.4 Indicadores Operacionais Por meio dos indicadores operacionais verificam-se algumas políticas adotadas pela empresa. Eles mostram o espaço de tempo utilizado para o giro dos seus recursos disponíveis. Os principais indicadores operacionais são renovação de estoque, pagamento de compras e recebimento de vendas. Ressalta-se que esses indicadores não devem ser analisados individualmente, mas sempre em conjunto. De acordo com Matarazzo (2008, p. 311), a conjunção dos três índices de prazos médios leva a análise dos ciclos operacional e de caixa, elementos fundamentais para a determinação de estratégias empresariais, tanto comerciais quanto financeiras, geralmente vitais para a determinação do fracasso ou sucesso de uma empresa. Logo, a análise conjunta dos indicadores demonstra o quanto a empresa demora para pagar fornecedores, receber de clientes e tempo necessário para renovar os estoques. 2.3.4.4.1 Prazo Médio de Recebimento de Vendas O prazo médio de recebimento de vendas (PMRV) mostra quantos dias, em média, a empresa leva para receber suas vendas. Conforme Assaf Neto (2006, p.199), o PMRV “calcula o tempo médio em receber o produto vendido, ou seja, quanto tempo a empresa espera para receber as vendas realizadas”. A Figura 17 expõe a fórmula do prazo médio de recebimento de vendas. Figura 17 - Prazo Médio de Recebimento de Vendas Fonte: Assaf Neto (2006, p.199). Quanto mais baixo o prazo médio de recebimento melhor para a empresa. 40 2.3.4.4.2 Prazo Médio de Pagamento de Compras O prazo médio de pagamento de compras (PMPC) mostra quantos dias, em média, a empresa leva para o pagamento das compras. Silva (2001, p. 249), “menciona que o prazo médio de pagamento de compras indica quantos dias, em média, a empresa demora para pagar seus fornecedores.” A Figura 18 demonstra a fórmula do prazo médio de pagamento de compras. Figura 18 - Prazo Médio de Pagamento de Compras Fonte: Silva (2001, p. 249). No cálculo do prazo médio de pagamento, comparam-se as compras a prazo com o saldo médio da conta duplicatas a pagar. 2.3.4.4.3 Prazo Médio de Renovação de Estoques O prazo médio de renovação de estoques (PMRE) revela quantos dias a empresa, em média, leva para vender suas mercadorias. De acordo com Silva (2001, p. 245): o prazo médio de rotação dos estoques indica quantos dias, em média, os produtos ficam armazenados na empresa antes de serem vendidos. O volume de estoques mantido por uma empresa decorre fundamentalmente do seu volume de vendas e de sua política de estocagem. A Figura 19 mostra a fórmula do prazo médio de renovação de estoques. Figura 19 - Prazo Médio de Renovação de Estoque Fonte: Silva (2001, p. 245). Este índice revela em quanto tempo a empresa está transformando estoque em vendas. 41 2.3.4.5 Capital de Giro Capital de giro é essencial para fazer os negócios das empresas acontecerem. A parte principal para financiar a atividade de uma entidade, é necessário para a mesma continuar a adquirir os bens que serão revendidos conforme a demanda do mercado. Segundo Vieira (2005, p.40), a administração de capital de giro tem como objetivo principal a manutenção do equilíbrio financeiro da empresa com a forma de garantir a continuidade da atividade operacional e proporcionar condições adequadas que favoreçam a sua sobrevivência e o crescimento. O conceito abordado neste trabalho para o capital de giro será o do Capital Circulante Líquido (CCL) que representa a folga financeira de curto prazo da empresa. Segundo Neto (2006, p. 170) “Capital circulante líquido é o volume de recursos a longo prazo (permanentes) da empresa que se encontram aplicados no ativo circulante, devendo, por conseguinte gerar condições de sustentação e crescimento em suas atividades.” O Capital Circulante Líquido evidencia se a empresa possui folga financeira a curto prazo e se somado as obrigações bancárias de curto prazo demonstra quanto foi financiado para cobrir a necessidade de capital de giro. Com a análise da demonstração do capital de giro, pode-se observar se foi utilizado capital próprio, financiamentos de curto ou longo prazo para financiar a necessidade de capital de giro. 2.3.4.5.1 Análise do Capital de Giro Análise do capital de giro é fundamental para avaliar a situação financeira das empresas. Neste sentido, Olinquevitch e Santi (2004, p. 112) observa que “a análise do capital de giro tem por finalidade identificar os fatores que contribuem para sua evolução e como tais fatores expressam as decisões tomadas pela empresa.” Para Savytsky (2005, p. 99) “o capital de giro é o que está em circulação, ou seja, o que está sujeito à permanente renovação, como as disponibilidades, os estoques e os créditos da empresa, a curto e a longo prazo.” 42 Ele representa o conjunto de valores que dão continuidade ao ciclo operacional. É o período que vai desde a compra do produto até o recebimento do dinheiro relativo às vendas. A Figura 20 evidencia a fórmula do capital de giro. Figura 20 - Capital de Giro Fonte: Olinquevich e Santi (2004, p. 111). Quanto maior for o capital circulante líquido, melhor é a situação patrimonial, pois mostra que a empresa dispõe de mais recursos de curto prazo em relação às obrigações também de curto prazo. A Figura 21 ilustra as fontes de financiamento da necessidade de capital do giro. Figura 21 - Financiamento da Necessidade de Capital de Giro Fonte: Matarazzo (2007, p.340). Logo, verifica-se que o capital de giro é o montante de recursos necessário à manutenção das atividades operacionais da empresa, enquanto não ocorre o recebimento das vendas. Quanto maior o ciclo financeiro, maior será a necessidade de capital de giro, pois se a entidade conceder um período muito longo para recebimento de clientes terá que se financiar com fontes próprias ou de terceiros. 43 2.3.4.5.2 Necessidade Líquida de Capital de Giro A necessidade líquida de capital de giro (NLCG) indica o montante de recursos necessários para se manter o giro dos negócios, devido à insuficiência das fontes operacionais. Vasconcelos (2006, p. 210) observa que “a necessidade de capital de giro (NLCG) é calculada pela diferença entre as aplicações no capital de giro e suas respectivas fontes.” O primeiro passo para encontrar a NLCG é padronizar as demonstrações contábeis, ou seja, distinguir as contas cíclicas do ativo e as contas cíclicas do passivo. O Quadro 4 demonstra a classificação das contas patrimoniais cíclicas pertencentes ao capital de giro. APLICAÇÕES DE CAPITAL DE GIRO FONTES DE CAPITAL DE GIRO Contas a receber Estoques Impostos a recuperar Despesas antecipadas Outras Fornecedores Obrigações fiscais Obrigações Outras Quadro 5 - Aplicações e Fontes de Capital de Giro Fonte: Vasconcelos (2006, p. 210). Nota-se que a necessidade de capital de giro é a falta de recursos para o financiamento do ciclo operacional, após ter utilizados os recursos gerados pelo próprio ciclo. A Figura 22 evidencia a fórmula da necessidade líquida de capital de giro. Figura 22- Necessidade Líquida de Capital de Giro Fonte: Vasconcelos (2006, p. 210) Quanto menor a necessidade de capital de giro, melhor é o desempenho empresarial. 44 2.3.4.5.3 Efeito Tesoura Uma das causas que afetam a situação financeira das empresas é o chamado efeito tesoura. Segundo Assaf Neto e Silva (2002, p. 84), efeito tesoura é quando “[...] o crescimento expressivo das vendas não vem acompanhado de adequado suporte de recursos para cobrir a maior necessidade de capital de giro.” Já para Olinquecitch e Santi (2004, p. 150), o efeito tesoura é “[...] evidenciado pelo crescimento da NLCG e pela queda do CDG [...]”. A Figura 23 expõe a fórmula do efeito tesoura. Figura 23 – Efeito Tesoura Fonte: Olinquecitch e Santi (2004, p. 90). Sendo assim, a tesouraria negativa indica a necessidade de recorrer a endividamento a curto prazo para financiar as necessidades ligadas ao ciclo operacional. A tesouraria positiva revela que a realização das contas do ativo circulante, classificadas para compor a tesouraria, estão se transformando em disponível suficiente para liquidar as contas do passivo circulante classificadas para compor a tesouraria. A diferença entre o passivo circulante financeiro e o ativo circulante financeiro é o saldo de tesouraria. Segundo Silva (2006, p. 447), “à medida que a abertura da tesoura cresce, a empresa tende a quebrar, situação que pode ser antecipada com uma restrição na obtenção de novos empréstimos bancários, ou na renovação de empréstimos existentes.” O gráfico 1 evidencia o efeito tesoura, no qual nota-se a distância entre a NCG e o CCL 45 Gráfico1 - Gráfico Efeito Tesoura Fonte: Adaptado de Olinquevitch e Santi (2004, p. 150). O formato da curva que representa o CCL e a NCG indica o formato de uma tesoura aberta, é o que caracteriza o efeito tesoura. O elevado ciclo financeiro e a tomada de recursos de instituições financeiras de curto prazo para financiar a NCG ou para investir no imobilizado também contribuem para o efeito tesoura. 46 3 ESTUDO DE CASO Neste capítulo apresentam-se os dados coletados na empresa. A organização pesquisada preferiu não expor o seu nome no estudo. Por meio da análise das demonstrações contábeis avalia-se a situação patrimonial da organização no intuito de contribuir para a tomada de decisão e análise do desempenho empresarial. Primeiramente tem-se a caracterização da empresa. Em seguida descrevem-se os procedimentos para a coleta dos dados. Por fim, apresentam-se os resultados da pesquisa. 3.1 Caracterização da empresa A empresa foi fundada em 01 de setembro 1988, quando seus idealizadores resolveram formar uma sociedade para dar início às atividades de comercialização de medicamentos e afins. A farmácia foi constituída na cidade de Maracajá-SC. Em 20 de Março de 1998, ocorreu uma alteração contratual, na qual alterou-se o nome empresarial. No dia 07 de Junho de 2000, ocorreu nova alteração contratual com o objetivo modificar o ramo de atuação da empresa que passa a ser: drogaria, comércio varejista de produtos farmacêuticos, comércio varejista de artigos de perfumaria, cosméticos e de higiene pessoal, comércio varejista de mercadorias em lojas de conveniência. O regime de tributação utilizado é o Simples Nacional aplicável às microempresas e as empresas de pequeno porte. Este regime implica no recolhimento mensal de tributos, mediante documento único de arrecadação com base no faturamento. A estrutura organizacional é composta por quatro colaboradores: uma farmacêutica, um gerente e dois atendentes, conforme mostra Figura 24. 47 Figura 24 - Estrutura Organizacional Fonte: Elaborado pela autora O sócio A é o farmacêutico responsável pelo empreendimento e possui 98% de participação no capital. O sócio B é o gerente de vendas e participa com 2% nas atividades da empresa. A missão da empresa é: “Prestar serviços com qualidade e excelência na área farmacêutica para assim manter seus clientes e credibilidade no mercado.” O foco dos negócios é estar sempre em busca de melhorias para atender a clientela e proporcionar ótima qualidade na assistência farmacêutica e nos produtos oferecidos. Além disso, procura-se expandir parcerias com os fornecedores, clientes e colaboradores na busca de um aperfeiçoamento contínuo e adequar-se às necessidades do mercado. A farmácia conta com uma diversidade de produtos. O quadro 4 expõe as linhas de produtos comercializados. Linha de Produtos Comercializados Exemplos medicamentos éticos; lexotam, rivotril, pondera; medicamentos genéricos; cefalexina, fluxetina, clonazepam; medicamentos liberados; analgésicos, antiácidos; medicamentos psicotrópicos; sedativos, tranqüilizantes, soníferos; perfumaria. xampus, desodorantes, tinturas. Quadro 6 - Linha de Produtos Comercializados Fonte: Elaborado pela autora 48 Os medicamentos éticos são prescritos por um médico e não podem ter seu marketing voltado para a população em geral, pois são controlados por tarjas vermelha e preta e exigem apresentação de receita médica. Os genéricos são produtos com a mesma substância ativa, forma farmacêutica e dosagem em relação ao de marca original, porém mais barato. Os liberados são aqueles que os farmacêuticos vendem livremente sem a necessidade de receita médica. Os psicotrópicos tem a substância química que age principalmente no sistema nervoso central e são vendidos mediante receita médica. Os produtos classificados como perfumaria estão cada vez mais ocupando espaço nas famácias e caracterizam-se como produtos de higiene e beleza. Em relação às características comerciais têm-se os pontos fortes que apresentam os fatores que contribuem para o crescimento da empresa e os pontos fracos que evidenciam as limitações do empreendimento. O Quadro 6 mostra tais pontos. Pontos fortes localização em que a farmácia se encontra; atendimento de forma diferenciada; tradição da farmácia na cidade; e preços competitivos. Pontos fracos pouco investimento em propaganda e publicidade; falta de treinamento para seus funcionários; falta de planejamento estratégico adequado. Quadro 7 - Pontos Fortes e Pontos Fracos Fonte: Elaborado pela autora Percebe-se que o mercado de comercialização de produtos farmacêuticos está muito competitivo em função da quantidade de empreendimentos que estão disponíveis no mercado. Esse fato é oriundo do caráter empreendedor das pessoas que estão buscando ter seu próprio negócio e serem independentes. Na cidade de Maracajá existem quatro farmácias. Dessa forma, a empresa possui três concorrentes diretos na mesma região de vendas. 49 3.2 Procedimentos para coleta dos dados Os dados da empresa foram disponibilizados pelo contador, com autorização da farmacêutica responsável pela gerência da empresa. Para realizar este estudo foram utilizados os balanços patrimoniais e as demonstrações dos resultados dos exercícios dos anos de 2007, 2008 e 2009. As demais demonstrações contábeis não foram utilizadas devido à empresa não às confeccionar. 3.3 Apresentação e análise dos resultados Os resultados da pesquisa estão dispostos de acordo com os seguintes objetivos específicos: (1) análise da situação patrimonial; (2) análise dos indicadores financeiros, econômicos e operacionais; e (3) análise do capital de giro. 3.3.1 Análise da situação patrimonial Nesta seção demonstram-se as análises vertical e horizontal do balanço patrimonial e da demonstração do resultado do exercício. 3.3.1.1 Análise vertical (AV) A Tabela 1 apresenta a análise vertical do ativo patrimonial. Ao lado dos valores, demonstra-se a participação percentual em relação ao total do ativo patrimonial. 50 Tabela 1- Análise Vertical do Ativo Análise Vertical do Ativo Patrimonial ATIVO 2007 AV % 2008 AV % 2009 AV % ATIVO CIRCULANTE 54.123,35 95,67 52.734,78 95,75 63.486,78 96,61 Disponibilidades 17.063,46 30,16 15.164,96 27,54 11.883,67 18,08 Caixa 16.260,45 28,74 8.782,42 15,95 6.230,43 9,48 Banco c/ Movimento 803,01 1,42 6.382,54 11,59 5.653,24 8,60 Valores a Receber 13.044,64 23,06 15.094,72 27,41 20.265,23 30,84 Duplicatas a Receber 12.960,21 22,91 15.094,72 27,41 20.265,74 30,84 Estoque 24.015,25 42,45 22.475,10 40,81 31.337,88 47,69 Mercadoria p/ Revenda 24.015,25 42,45 22.475,10 40,81 31.337,88 47,69 ATIVO NÃO CIRCULANTE 2.448,41 4,33 2.338,49 4,25 2.228,57 3,39 Imobilizado 2.448,41 4,33 2.338,49 4,25 2.228,57 3,39 Computadores e Periféricos 2824,26 4,99 2824,26 4,99 2824,26 4,99 Depreciação Acumulada (375,85) (0,66) (485,77) (0,88) (595,69) (1,08) (-) Dep. Comp. e Periféricos (375,85) (0,66) (485,77) (0,88) (595,69) (1,08) 56.571,76 100,00 55.073,27 100,00 65.715,35 100,00 TOTAL DO ATIVO Fonte: Elaborada pela autora Percebe-se que o ativo circulante representa um percentual acima de 95,67% e o não circulante 3,39% nos anos investigados. Esta proporção evidencia investimentos no capital de giro nas contas: caixa, duplicatas a receber e mercadorias para revenda. Por ser uma empresa de comercialização de produtos farmacêuticos, não há a necessidade de muito investimento em ativos imobilizados. A Tabela 2 apresenta a análise vertical do passivo patrimonial. Ao lado dos valores, demonstra-se a participação percentual em relação ao total do passivo patrimonial. 51 Tabela 2- Análise Vertical do Passivo Analise Vertical do Passivo Patrimonial PASSIVO 2007 AV% 2008 AV% 2009 AV% PASSIVO CIRCULANTE 15.039,32 26,58 18.458,16 33,52 35.163,84 53,51 Obrigações a Curto Prazo 15.039,32 26,58 18.458,16 33,52 35.163,84 53,51 Obrigações Trabalhistas 3.991,39 7,06 8.426,58 15,30 11.803,89 17,96 575,37 1,02 1.135,08 2,06 3.233,29 4,92 Obrigações Tributárias 2.707,08 4,79 994,86 1,81 2.710,23 4,12 Fornecedores 7.565,48 13,37 6.316,64 11,47 16.842,43 25,63 200,00 0,35 1.585,00 2,88 574,00 0,87 PASSIVO NÃO CIRCULANTE - 0,00 - 0,00 15.000,00 22,83 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO - 0,00 - 0,00 15.000,00 22,83 Obrigações a Longo Prazo - 0,00 - 0,00 15.000,00 22,83 Financiamentos - 0,00 - 0,00 15.000,00 22,83 PATRIMONIO LIQUIDO 41.532,44 73,42 36.615,11 66,48 30.551,51 46,49 Capital Social 20.000,00 35,35 20.000,00 36,32 20.000,00 30,43 Reservas 9.078,46 16,05 9.078,46 16,48 9.078,46 13,81 Reservas de Capital 9.078,46 16,05 9.078,46 16,48 9.078,46 13,81 Lucros Acumulados 12.453,98 22,01 7.536,65 13,68 1.473,05 2,24 TOTAL DO PASSIVO 56.571,76 100,00 55.073,27 100,00 65.715,35 100,00 Obrigações Sociais Contas a Pagar Fonte: Elaborada pela autora Na análise vertical tem-se a participação de 26,58% no passivo circulante e de 73,42% no patrimônio líquido no ano de 2007. Percebe-se uma retenção de lucros acumulados de 22,01%. Em 2008, o passivo circulante representa 33,52% e o patrimônio liquido 66,48%. No ano de 2009, o passivo circulante passa a representar 53,51% devido ao aumento das obrigações com os fornecedores a curto prazo e o longo prazo representa 22,83%. A conta lucros acumulados obteve grande queda devido aos prejuízos obtidos. A empresa teve que aumentar o prazo para pagamentos das obrigações a curto prazo para poder financiar um maior volume de vendas e suportar estoques. A Tabela 3 mostra a análise vertical da demonstração do resultado do exercício. Ao lado dos valores, demonstra-se a participação percentual em relação ao total da receita líquida. 52 Tabela 3 - Análise Vertical da Demonstração do Resultado do Exercício Análise Vertical da Demonstração do Resultado do Exercício DRE 2007 RECEITA BRUTA DE VENDAS AV% 2008 AV % 2009 AV % 121.888,45 103,28 133.397,32 101,93 170.564,83 102,44 Deduções -3.871,44 -3,28 -2.530,43 -1,93 -4.055,79 -2,44 Imposto incidente sobre vendas -3.871,44 -3,28 -2.530,43 -1,93 -4.055,79 -2,44 RECEITA LÍQUIDA 118.017,01 100,00 130.866,89 100,00 166.509,04 100,00 CUSTO DAS VENDAS -72.787,06 -61,68 -63.370,13 -48,42 -73.612,12 -44,21 LUCRO BRUTO 45.229,95 38,32 67.496,76 51,58 92.896,92 55,79 DESPESAS/RECEITAS OPERAC. -52.332,97 -44,34 -72.503,81 -55,40 -99.072,97 -59,50 Despesas Administrativas e Gerais -21.293,67 -18,04 -25.720,54 -19,65 -36.843,10 -22,13 Despesas c/ Vendas -25.480,79 -21,59 -45.264,36 -34,59 -60.768,57 -36,50 Despesas Tributárias -5.118,66 -4,34 -639,3 -0,49 -442,53 -0,27 Despesas Financeiras -525,50 -0,45 -879,61 -0,67 -1.025,63 -0,62 Receitas Financeiras 85,65 0,07 0 0,00 6,86 0,00 -7.103,02 -6,02 -5.007,05 -3,83 -6.176,05 -3,71 Receitas não Operacionais 195,00 0,17 89,72 0,07 112,45 0,07 PREJUÍZO DO EXECÍCIO -6.908,02 -5,85 -4.917,33 -3,76 -6.063,60 -3,64 RESULTADO OPERA. LÍQUIDO Fonte: Elaborada pela autora Percebe-se que as contas com maior relevância são custo das vendas (61,68% em 2007, 48,42% em 2008, 44,21% em 2009), despesas administrativas e gerais (18,04% em 2007, 19,65% em 2008, 22,13% em 2009) e despesas com vendas (21,59% em 2007, 34,59% em 2008, 36,50% em 2009). Embora com crescimento das vendas, a empresa apresenta prejuízo nos anos investigados com representação negativa de 5,85% em 2007; 3,76% em 2008 e 3,64% em 2009. Observa-se que a empresa precisa reverter suas despesas operacionais para minimizar os gastos e assim rever o prejuízo. 3.3.1.2 Análise horizontal (AH) A Tabela 4 verifica-se a análise horizontal do ativo patrimonial. Ao lado dos valores apresenta-se a variação das contas patrimoniais, tendo como base o ano de 2007. 53 Tabela 4- Análise Horizontal do Ativo Análise Horizontal do Ativo Patrimonial ATIVO 2007 AH % 2008 AH % 2009 AH % ATIVO CIRCULANTE 54.123,35 100,00 52.734,78 (2,57) 63.486,78 20,39 Disponibilidades 17.063,46 100,00 15.164,96 (11,13) 11.883,67 (21,64) Caixa 16.260,45 100,00 8.782,42 (45,99) 6.230,43 (29,06) Banco c/ Movimento 803,01 100,00 6.382,54 694,83 5.653,24 (11,43) Valores a Receber 13.044,64 100,00 15.094,72 15,72 20.265,23 34,25 Duplicatas a Receber 12.960,21 100,00 15.094,72 16,47 20.265,74 34,26 Estoque 24.015,25 100,00 22.475,10 (6,41) 31.337,88 39,43 Mercadoria p/ Revenda 24.015,25 100,00 22.475,10 (6,41) 31.337,88 39,43 ATIVO NÃO CIRCULANTE 2.448,41 100,00 2.338,49 (4,49) 2.228,57 (4,70) Imobilizado 2.448,41 100,00 2.338,49 (4,49) 2.228,57 (4,70) Computadores e Periféricos 2824,26 100,00 2824,26 0,00 2824,26 0,00 Depreciação Acumulada (375,85) 100,00 (485,77) (22,63) (595,69) (18,45) (-) Dep. Comp. e Periféricos (375,85) 100,00 (485,77) (22,63) (595,69) (18,45) 56.571,76 100,00 55.073,27 (2,65) 65.715,35 19,32 TOTAL DO ATIVO Fonte: Elaborada pela autora As principais mudanças ocorridas na análise horizontal do ativo foram nas contas caixa (-45,99% em 2008 e -29,06 em 2009), duplicatas a receber (16,47% em 2008 e 34,26% em 2009) e mercadorias para revenda (-6,41 em 2008 e 39,43% em 2009). Estas oscilações foram provocadas pelo aumento das vendas e consequentemente, a necessidade de investimentos em estoques. A Tabela 5 apresenta a análise horizontal do passivo patrimonial. Ao lado dos valores apresenta-se a variação das contas patrimoniais, tendo como base o ano de 2007. 54 Tabela 5 - Análise Horizontal do Passivo Análise Horizontal do Passivo Patrimonial PASSIVO 2007 AH% 2008 AH% 2009 AH% PASSIVO CIRCULANTE 15.039,32 100,00 18.458,16 22,73 35.163,84 90,51 Obrigações a Curto Prazo 15.039,32 100,00 18.458,16 22,73 35.163,84 90,51 Obrigações Trabalhistas 3.991,39 100,00 8.426,58 111,12 11.803,89 40,08 575,37 100,00 1.135,08 97,28 3.233,29 184,85 Obrigações Tributárias 2.707,08 100,00 994,86 -63,25 2.710,23 172,42 Fornecedores 7.565,48 100,00 6.316,64 -16,51 16.842,43 166,64 200,00 100,00 1.585,00 692,50 574,00 -63,79 PASSIVO NÃO CIRCULANTE - 100,00 - 0,00 15.000,00 0,00 EXIGÍVEL A LONGO PRAZO - 100,00 - 0,00 15.000,00 0,00 Obrigações a Longo Prazo - 100,00 - 0,00 15.000,00 0,00 Financiamentos - 100,00 - 0,00 15.000,00 0,00 Obrigações Sociais Contas a Pagar PATRIMONIO LIQUIDO 41.532,44 100,00 36.615,11 -11,84 30.551,51 -16,56 Capital Social 20.000,00 100,00 20.000,00 0,00 20.000,00 0,00 Reservas 9.078,46 100,00 9.078,46 0,00 9.078,46 0,00 Reservas de Capital 9.078,46 100,00 9.078,46 0,00 9.078,46 0,00 Lucros Acumulados 12.453,98 100,00 7.536,65 -39,48 1.473,05 -80,45 TOTAL DO PASSIVO 56.571,76 100,00 55.073,27 -2,65 5.715,35 19,32 Fonte: Elaborada pela autora Percebe-se que as variações mais relevantes foram nas contas: obrigações a curto prazo (22,73% em 2008 e 90,51% em 2009). Essas variações ocorreram devido ao aumento nos salários e do número de funcionários. Salienta-se que a partir de 2009, a empresa necessita ter um farmacêutico diariamente participando das atividades, conforme prerrogativa do órgão fiscalizador. Outra variação relevante aconteceu na conta fornecedores provocado pelo aumento das vendas. Outro ponto a ser destacado são os financiamentos, nos anos de 2007 e 2008 a empresa conseguiu manter-se com capital próprio, mas no ano de 2009 foi necessário a aquisição de um financiamento no valor de R$ 15.000,00 de longo prazo para custear as atividades operacionais e suportar o crescimento das vendas a prazo. No patrimônio líquido percebe-se a redução da conta lucros acumulados devido aos prejuízos obtidos no triênio. 55 A Tabela 6 apresenta a análise horizontal da demonstração do resultado do exercício. Ao lado dos valores apresenta-se a variação das contas patrimoniais, tendo como base o ano de 2007. Tabela 6 - Análise Horizontal da Demonstração do Resultado do Exercício Análise Horizontal da Demonstração do Resultado do Exercício DRE 2007 RECEITA BRUTA DE VENDAS AH% 2008 121.888,45 100,00 133.397,32 AH % 2009 AH % 9,44 170.564,83 27,86 DEDUÇÕES -3.871,44 100,00 -2.530,43 (34,64) -4.055,79 60,28 Imposto incidente sobre vendas -3.871,44 100,00 -2.530,43 (34,64) -4.055,79 60,28 10,89 RECEITA LÍQUIDA 118.017,01 100,00 130.866,89 166.509,04 27,24 CUSTO DAS VENDAS -72.787,06 100,00 -63.370,13 (12,94) -73.612,12 16,16 LUCRO BRUTO 45.229,95 67.496,76 49,23 92.896,92 37,63 DESPESAS/RECEITAS OPERA. -52.332,97 100,00 -72.503,81 38,54 -99.072,97 36,65 Despesas Administrativas e Gerais -21.293,67 100,00 -25.720,54 20,79 -36.843,10 43,24 Despesas c/ Vendas -25.480,79 100,00 -45.264,36 77,64 -60.768,57 34,25 Despesas Tributárias -5.118,66 100,00 -639,30 (87,51) -442,53 (30,78) Despesas Financeiras -525,50 100,00 -879,61 67,39 -1.025,63 16,60 Receitas Financeiras 85,65 100,00 0,00 0,00 6,86 0,00 -7.103,02 100,00 -5007,05 (29,51) -6.176,05 23,35 Receitas não Operacionais 195,00 100,00 89,72 (53,99) 112,45 25,33 PREJUÍZO DO EXECÍCIO -6.908,02 100,00 -4917,33 (28,82) -6.063,60 23,31 RESULTADO OPERA. LÍQUIDO 100,00 Fonte: Elaborada pela autora As principais variações ocorridas na demonstração do resultado do exercício foram nas contas receita líquida de vendas (10,89% em 2008 e 27,24% em 2009), custos das vendas (-12,94% em 2008 e 16,16% em 2009) e despesas/receitas operacionais (38,54% em 2008 e 36,65% em 2009). As vendas aumentaram devido à reestruturação da empresa, pois adotaram algumas determinações em relação à política de vendas. Essas mudanças ocorridas na organização decorreram do aumento do número de funcionários consequentemente o aumento das despesas com salários e encargos. Outra variação a ser destacada é que em 2009, a empresa participou de uma licitação e ganhou, por esse motivo ouve aumento nas vendas e logo os estoques também aumentaram. 56 O Gráfico 2 ilustra a distribuição do faturamento dos produtos mais vendidos, tendo por base o ano de 2009. Gráfico 2 – Produtos com Maior Quantidade Vendida Elaborado pela autora Verifica-se que os produtos mais vendidos são os éticos (50%), genéricos (25%) e perfumaria (12%). Os éticos são medicamentos que não podem ser vendidos sem receita médica. Mesmo sendo mais caros em relação aos genéricos lideram as vendas. A isso, infere-se que os clientes da farmácia possuem certa desconfiança a respeito dos genéricos. Os medicamentos éticos mais vendidos são: lexotam, rivotril, pondera. Entre os genéricos destacam-se: cefalexina, fluxetina, clonazepam. Os produtos da linha perfumaria mais comercializados são: creme dental, esmalte e gloss. 3.3.2 Análise dos indicadores financeiros, econômicos e operacionais A Tabela 7 expõe os indicadores financeiros de liquidez e endividamento. 57 Tabela 7 – Indicadores Financeiros Indicadores Financeiros Indicadores de Liquidez em R$ 2007 2008 2009 Liquidez Imediata 1,13 0,82 0,34 Liquidez Corrente 3,60 2,87 1,80 Liquidez Seca 2,00 1,64 0,91 Liquidez Geral 3,76 2,98 1,31 Indicadores de Endividamento em R$ 2007 2008 2009 Participação de Capitais de Terceiros 0,36 0,50 1,64 Composição do Endividamento 1,00 1,00 0,70 Endividamento Geral 0,26 0,33 0,76 Fonte: Elaborada pela autora Percebe-se uma redução nos índices de liquidez e um aumento nos índices de endividamento. Em 2007 o índice de liquidez geral foi de R$ 3,76, passou para R$ 2,98 em 2008 e R$ 1,31 em 2009. Assim, nota-se que para cada R$ 1,00 de obrigações gerais, a entidade possui R$ 1,31 de ativos gerais no ano de 2009. Observa-se também que sem considerar os estoques o índice de liquidez em 2009 atingiu R$ 0,91. Em relação aos indicadores de endividamento, destaca-se a crescente participação de capital de terceiros para custear as atividades operacionais. Em 2007 este índice foi de R$ 0,36, passou para R$ 0,50 em 2008 e R$ 1,64 em 2009. Assim, constata-se que para cada R$ 1,00 de capital próprio, a empresa utilizou de capital externo R$ 1,64 no ano de 2009. Logo, a situação financeira não está satisfatória no período analisado, pois para os indicadores de liquidez quanto maior melhor e para os indicadores de endividamento quanto menor melhor. A Tabela 8 apresenta os indicadores econômicos. Tabela 8 – Análise dos Indicadores Econômicos Indicadores Econômicos Indicadores em % 2007 2008 2009 Margem Bruta 38,32 51,58 55,79 Margem Operacional -6,02 -3,83 -3,71 Margem Líquida -5,85 -3,76 -3,64 Retorno sobre Ativo Total -12,21 -8,93 -9,23 Retorno sobre PL -16,63 -13,43 -19,85 Fonte: Elaborada pela autora 58 Os indicadores econômicos evidenciam qual o nível de lucratividade que a empresa possui, sendo que quanto maior melhor para a organização. A Tabela 8 revela um retorno negativo na atividade operacional, evidenciando um prejuízo ao longo dos anos. A margem líquida foi negativa em 5,85% em 2007, manteve-se negativa em 3,76% e 3,64% nos anos seguintes. Dessa forma, nota-se que para cada R$ 100,00 de receita líquida, a empresa tem um prejuízo de R$ 3,64 no ano de 2009. Mesmo com o aumento das vendas brutas na ordem de 9,44% em 2008 e 27,86% em 2009, isso não representou uma melhora efetiva nos resultados operacionais. Logo o retorno sobre o ativo e patrimônio líquido foi negativo. Portanto, percebe-se que para cada R$ 100,00 de investimento no ativo, a empresa obteve um retorno negativo de R$ 9,23. A Tabela 9 mostra os indicadores operacionais. Tabela 9 – Indicadores Operacionais Indicadores Operacionais Indicadores em Dias 2007 2008 2009 Prazo Médio Recebimento 49,18 37,86 37,32 Prazo Médio Pagamento 47,18 40,41 50,54 Prazo Médio de Estocagem 131,40 132,05 131,59 Fonte: Elaborada pela autora O prazo médio de recebimento foi de 49 dias em 2007, 38 dias em 2008 e 37 dias em 2009. Já prazo médio de pagamentos foi de 47 dias 2007, 40 dias em 2008 e 51 dias em 2009. Notas-se que a empresa passou em 2008 e 2009 a receber primeiro de seus clientes e depois efetuar os pagamentos de fornecedores. O prazo médio de estocagem revela o número de vezes que os estoques giraram no período. Verifica-se que a demora aproximadamente 131 para vender todo seu estoque. Sendo assim, esta situação compromete o capital de giro, pois o investimento em estoque representa mais de 4 meses. 3.3.3 Análise do capital de giro A Tabela 10 demonstra os indicadores de análise do capital de giro. 59 Tabela 10 – Análise do Capital de Giro Análise do Capital de Giro Capital de Giro em R$ 2007 2008 2009 Ativo Circulante 54.123,35 52.734,78 63.486,78 Passivo Circulante 15.039,32 18.458,16 35.163,84 Capital de Giro 39.084,03 34.276,62 28.322,94 Fonte: Elaborada pela autora A empresa apresenta um bom capital de giro. Entretanto ao longo dos anos ele vem diminuindo. No ano de 2007, o capital de giro representava R$ 39.084,03, passou para R$ 34.276,62 em 2008 e para R$ 28.322,94 em 2009. Tal situação é provocada pelo crescimento de compras a prazo e obrigações sociais, trabalhistas e tributárias. A Tabela 11 evidencia o cálculo da necessidade líquida de capital de giro. Tabela 11 – Análise da Necessidade de Capital de Giro Análise da Necessidade de Capital de Giro Necessidade de Capital de Giro em R$ 2007 2008 2009 Aplicações Cíclicas 37.059,89 37.569,82 51.603,62 Clientes 13.044,64 15.094,72 20.265,74 Estoques 24.015,25 22.475,10 31.337,88 Recursos Cíclicos 15.039,32 18.458,16 35.163,84 Obrigações Trabalhistas 3.991,39 8.426,58 11.803,89 575,37 1.135,08 3.233,29 Obrigações Tributárias 2.707,08 994,86 2.710,23 Fornecedores 7.565,48 6.316,64 16.842,43 200,00 1.585,00 574,00 22.020,57 19.111,66 16.439,78 Obrigações Sociais Contas a Pagar Necessidade de Capital de Giro Fonte: Elaborada pela autora Observa-se que a necessidade de capital de giro caiu ao longo dos anos investigados. Em 2007 ela era de R$ 22.020,57, passou para R$ 19.111,66 em 2008 e para R$ 16.439,78. Essa necessidade de capital é financiada principalmente pelas disponibilidades de caixa e bancos. O cálculo da tesouraria e mostrado na Tabela 12. 60 Tabela 12 – Análise da Tesouraria Cálculo da Tesouraria Indicadores 2007 2008 2009 CCL/CDG 39.084,03 34.276,62 28.322,94 NLCG 22.020,57 19.111,66 16.439,78 Tesouraria 17.063,46 15.164,96 11.883,16 Fonte: Elaborada pela autora A empresa possui uma tesouraria positiva, pois o capital de giro é maior que a necessidade de capital para custear as operações. No ano de 2007, a tesouraria foi de R$ 17.063,46, passou para R$ 15.164,96 em 2008 e R$ 11.883,16 para 2009. Logo possui capacidade para liquidar as dívidas de curto prazo com recursos também de curto prazo. Entretanto, percebe-se que ao longo dos anos investigados há uma redução de recursos disponíveis para honrar os compromissos de curto prazo. Se esta tendência continuar, a empresa pode sofrer o efeito tesoura. 61 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise das demonstrações contábeis é considerada uma excelente ferramenta, pois pode contribuir para a tomada de decisão no processo de gestão de uma empresa. Por isso, esta análise tem um alto índice de adoção nos mais variados segmentos empresariais. Diante disso, o objetivo desta pesquisa foi demonstrar como a análise das demonstrações contábeis contribui para a tomada de decisão no processo de gestão de uma empresa do seguimento de comercialização farmacêutica. No estudo foram analisadas as Demonstrações Contábeis, tais como o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultado do Exercício dos períodos de 2007, 2008 e 2009, sendo que não foram expressos os valores reais dos mesmos, a pedido dos sócios da empresa. Em relação ao primeiro objetivo específico, verificar a situação patrimonial da empresa, pode-se perceber que a situação patrimonial vem diminuindo a cada ano devido à conta lucros acumulados estar diminuindo em decorrência do aumento das vendas a prazo e volume de estoques, consequentemente a conta caixa está diminuindo significativamente. Esta análise permite a organização aprimorar os seus métodos de controle de gestão empresarial, procurando buscar mais eficácia na utilização das demonstrações contábeis. Quanto ao segundo objetivo específico, mensurar os indicadores de liquidez, endividamento, econômico e operacional, nota-se que nos anos analisados as despesas operacionais tiveram variações significativas, provocadas pelos gastos com a contratação de funcionários e o crescimento das vendas a prazo. No que tange ao terceiro objetivo específico, analisar o capital de giro verifica-se que o capital de giro da empresa de um modo geral apresenta-se bom, embora venha diminuindo a cada ano, devido ao aumento das obrigações de curto prazo, as obrigações a longo prazo também aumentaram, em 2009 precisou se utilizar de capital de terceiros para investir no giro dos negócios. Destaca-se que a empresa necessita rever suas despesas operacionais para minimizar os gastos e assim reverter o prejuízo. Como conclusão, constata-se que a inclusão da análise das demonstrações contábeis foi uma ferramenta eficaz para a empresa. A análise mostrou de forma objetiva onde estão os pontos que precisam ser melhorados, 62 contribuindo na tomada de decisões. Sendo assim, a análise possibilita a otimização do resultado, por meio de decisões corretas que atinjam os objetivos planejados pelas empresas. 63 REFERÊNCIAS ASSAF NETO Alexandre. Estrutura e análise de balanço: um enfoque econômicofinanceiro. 8. ed. 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