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Apresentação
1. Introdução
2
4
2. A construção civil e o desenvolvimento sustentável
7
3. Impacto ambiental da cadeia produtiva da construção
3.1 Consumo de Recursos Naturais
3.2 Resíduos e Poluição
3.3 Alternativas para Redução do Impacto Ambiental
4. A construção civil e as perdas
4.1 Entendendo o Conceito de Perdas
4.2 Classificação das Perdas
4.3 Perdas x Geração de Resíduos
10
10
12
15
17
17
20
26
5. Diretrizes para gerenciamento de resíduos da construção
28
5.1 A Resolução 307 do CONAMA
5.2 Organização, Limpeza e Segregação de Resíduos
5.3 Acondicionamento dos Resíduos
5.4 Sinalização dos Dispositivos
5.5 Transporte Interno dos Resíduos
5.6 Destinação Responsável
5.7 Normas Brasileiras para a Gestão de Resíduos
5.8 Envolvimento das Pessoas para uma Gestão Eficiente
28
32
35
42
43
44
48
51
6. A racionalização como ferramenta para a redução da geração de resíduos
6.1 Procedimentos Gerais
6.2 Os Times de Racionalização
6.3 Desenvolvimento da Metodologia
6.4 Exemplo de Racionalização R1 em um Canteiro de Obras
6.5 Projeto e Planejamento
6.6 Organização do Canteiro
53
56
57
58
66
76
77
7. A reciclagem na cadeia produtiva da construção
80
7.1 Vantagens da Reciclagem
7.2 Barreiras da Reciclagem de RCD no Brasil
7.3 Exemplos da Reciclagem de RCD no Brasil
81
81
81
8. Metodologia para implantação da gestão de resíduos no canteiro
8.1 Objetivos do Programa
8.2 Seqüência das Atividades
8.3 Qualificação dos Agentes Envolvidos
9. Considerações finais
84
84
85
96
99
Apresentação
1. Introdução
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2. A construção civil e o desenvolvimento sustentável
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3. Impacto ambiental da cadeia produtiva da construção
3.1 Consumo de Recursos Naturais
3.2 Resíduos e Poluição
3.3 Alternativas para Redução do Impacto Ambiental
4. A construção civil e as perdas
4.1 Entendendo o Conceito de Perdas
4.2 Classificação das Perdas
4.3 Perdas x Geração de Resíduos
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5. Diretrizes para gerenciamento de resíduos da construção
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5.1 A Resolução 307 do CONAMA
5.2 Organização, Limpeza e Segregação de Resíduos
5.3 Acondicionamento dos Resíduos
5.4 Sinalização dos Dispositivos
5.5 Transporte Interno dos Resíduos
5.6 Destinação Responsável
5.7 Normas Brasileiras para a Gestão de Resíduos
5.8 Envolvimento das Pessoas para uma Gestão Eficiente
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6. A racionalização como ferramenta para a redução da geração de resíduos
6.1 Procedimentos Gerais
6.2 Os Times de Racionalização
6.3 Desenvolvimento da Metodologia
6.4 Exemplo de Racionalização R1 em um Canteiro de Obras
6.5 Projeto e Planejamento
6.6 Organização do Canteiro
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7. A reciclagem na cadeia produtiva da construção
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7.1 Vantagens da Reciclagem
7.2 Barreiras da Reciclagem de RCD no Brasil
7.3 Exemplos da Reciclagem de RCD no Brasil
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8. Metodologia para implantação da gestão de resíduos no canteiro
8.1 Objetivos do Programa
8.2 Seqüência das Atividades
8.3 Qualificação dos Agentes Envolvidos
9. Considerações finais
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Apresentação
O Projeto Competir, oriundo de um Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Técnica entre os Governos do
Brasil e da Alemanha, foi aprovado para ajudar a transformar a realidade das empresas de pequeno porte, tornandoas mais produtivas e com maior competitividade, influindo no desenvolvimento econômico da Região Nordeste. A
execução do Projeto foi delegada, pelo lado brasileiro ao SENAI e ao SEBRAE e, pelo lado alemão a GTZ (Deutsche
Gesellschaft Technische Zusammenarbeit).
A primeira fase do projeto, iniciada em 1996 e concluída em 2000, teve como foco a qualificação de técnicos do
SENAI e do SEBRAE visando o atendimento às empresas na introdução de programas de qualidade de vários
setores industriais. Já na segunda fase, que durou de 2001 a 2005, o Projeto passou a assessorar Cadeias e
Arranjos Produtivos, sob uma visão regional da competitividade, abrangendo os 9 estados do Nordeste. Procurouse apoiar o desenvolvimento produtivo regional através da promoção do diálogo e da cooperação entre os agentes
locais e regionais relevantes, buscando a sinergia entre fornecedores, prestadores de serviços, entidades de apoio,
produtores finais e o comércio.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
No sexto capítulo são apresentadas algumas ferramentas que podem ser aplicadas de forma simples e eficaz para
auxiliar o processo de redução da geração de resíduos e de forma mais específica a racionalização no canteiro
de obras. Já no sétimo capítulo, aborda-se a reciclagem na cadeia produtiva da construção civil, as principais
vantagens, as barreiras encontradas e boas práticas de reciclagem existentes no Brasil. No penúltimo capítulo é
apresentada a metodologia implementada no âmbito do Projeto Competir para implantação da gestão de resíduos
nos canteiros de obra.
O último capítulo sintetiza as principais idéias do Programa: a importância da não geração de resíduos, da gestão
diferenciada dos resíduos nos canteiros de obra e da necessidade de minimizar os impactos sócio-ambientais,
preservar recursos naturais e melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas.
Com esta publicação, o Projeto Competir objetiva contribuir com a melhoria da qualidade e da competitividade das
empresas de pequeno porte do Nordeste e, conseqüentemente, com o desenvolvimento da Região.
Desde janeiro de 2005 o Projeto Competir integra o Programa “Desenvolvimento Regional no Nordeste do Brasil,
voltado para o Combate à Pobreza” e, mais especificamente, o componente “Fomento Regional à Geração de
Emprego e Renda”.
Dentre os diversos produtos do Projeto Competir, que estão à disposição da comunidade empresarial nos
Departamentos Regionais do SENAI do Nordeste, bem como no SEBRAE, encontra-se o Programa de Gestão de
Resíduos na Construção Civil, do qual faz parte este material.
SENAI
SEBRAE
GTZ
Vale ressaltar que este material foi desenvolvido no âmbito do Projeto Estratégico PJ-NE 0597 “Gerenciamento
Integrado de Resíduos da Construção Civil: Redução, Reciclagem e Reutilização como Alternativa Sustentável para
Gestão dos Resíduos Classe A” do SENAI - Departamento Nacional. Este projeto contou com a participação dos
Departamentos Regionais do SENAI da Bahia, Ceará, Pernambuco e Sergipe.
Esta publicação foi preparada para ser utilizada como instrumento de consulta. Possui informações que são
aplicáveis de forma prática, no dia-a-dia do profissional ligado à construção civil, apresentada através de uma
linguagem simples e de fácil assimilação. Possibilita, de forma eficiente, o aperfeiçoamento dos profissionais do
setor no que se refere à gestão dos resíduos resultantes da atividade construtiva.
Este trabalho apresenta diversos temas e aspectos relacionados à gestão de resíduos na construção civil, ao longo
de seus nove capítulos. O primeiro capítulo introduz o tema; o capítulo 2 aborda a questão do desenvolvimento
sustentável atrelado à construção civil e o terceiro capítulo trata da forma como a indústria da construção impacta
o meio ambiente.
No capítulo 4 são abordadas as perdas geradas pelos processos de construção, salientando-se como estas perdas
podem ser classificadas. No quinto capítulo, apresentam-se as diretrizes para se promover o gerenciamento
de resíduos na construção, dando destaque à Resolução 307 do CONAMA, que estabelece diretrizes, critérios
e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. São citadas algumas normas brasileiras que
tratam especificamente dos resíduos sólidos da construção no tocante às áreas de transbordo, triagem, aterro e
reciclagem e uso dos agregados reciclados. Ainda nesse capítulo, é mencionada a necessidade de se promover o
envolvimento das pessoas para se conseguir uma gestão eficiente.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Apresentação
O Projeto Competir, oriundo de um Ajuste Complementar ao Acordo de Cooperação Técnica entre os Governos do
Brasil e da Alemanha, foi aprovado para ajudar a transformar a realidade das empresas de pequeno porte, tornandoas mais produtivas e com maior competitividade, influindo no desenvolvimento econômico da Região Nordeste. A
execução do Projeto foi delegada, pelo lado brasileiro ao SENAI e ao SEBRAE e, pelo lado alemão a GTZ (Deutsche
Gesellschaft Technische Zusammenarbeit).
A primeira fase do projeto, iniciada em 1996 e concluída em 2000, teve como foco a qualificação de técnicos do
SENAI e do SEBRAE visando o atendimento às empresas na introdução de programas de qualidade de vários
setores industriais. Já na segunda fase, que durou de 2001 a 2005, o Projeto passou a assessorar Cadeias e
Arranjos Produtivos, sob uma visão regional da competitividade, abrangendo os 9 estados do Nordeste. Procurouse apoiar o desenvolvimento produtivo regional através da promoção do diálogo e da cooperação entre os agentes
locais e regionais relevantes, buscando a sinergia entre fornecedores, prestadores de serviços, entidades de apoio,
produtores finais e o comércio.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
No sexto capítulo são apresentadas algumas ferramentas que podem ser aplicadas de forma simples e eficaz para
auxiliar o processo de redução da geração de resíduos e de forma mais específica a racionalização no canteiro
de obras. Já no sétimo capítulo, aborda-se a reciclagem na cadeia produtiva da construção civil, as principais
vantagens, as barreiras encontradas e boas práticas de reciclagem existentes no Brasil. No penúltimo capítulo é
apresentada a metodologia implementada no âmbito do Projeto Competir para implantação da gestão de resíduos
nos canteiros de obra.
O último capítulo sintetiza as principais idéias do Programa: a importância da não geração de resíduos, da gestão
diferenciada dos resíduos nos canteiros de obra e da necessidade de minimizar os impactos sócio-ambientais,
preservar recursos naturais e melhorar a qualidade de vida nas áreas urbanas.
Com esta publicação, o Projeto Competir objetiva contribuir com a melhoria da qualidade e da competitividade das
empresas de pequeno porte do Nordeste e, conseqüentemente, com o desenvolvimento da Região.
Desde janeiro de 2005 o Projeto Competir integra o Programa “Desenvolvimento Regional no Nordeste do Brasil,
voltado para o Combate à Pobreza” e, mais especificamente, o componente “Fomento Regional à Geração de
Emprego e Renda”.
Dentre os diversos produtos do Projeto Competir, que estão à disposição da comunidade empresarial nos
Departamentos Regionais do SENAI do Nordeste, bem como no SEBRAE, encontra-se o Programa de Gestão de
Resíduos na Construção Civil, do qual faz parte este material.
SENAI
SEBRAE
GTZ
Vale ressaltar que este material foi desenvolvido no âmbito do Projeto Estratégico PJ-NE 0597 “Gerenciamento
Integrado de Resíduos da Construção Civil: Redução, Reciclagem e Reutilização como Alternativa Sustentável para
Gestão dos Resíduos Classe A” do SENAI - Departamento Nacional. Este projeto contou com a participação dos
Departamentos Regionais do SENAI da Bahia, Ceará, Pernambuco e Sergipe.
Esta publicação foi preparada para ser utilizada como instrumento de consulta. Possui informações que são
aplicáveis de forma prática, no dia-a-dia do profissional ligado à construção civil, apresentada através de uma
linguagem simples e de fácil assimilação. Possibilita, de forma eficiente, o aperfeiçoamento dos profissionais do
setor no que se refere à gestão dos resíduos resultantes da atividade construtiva.
Este trabalho apresenta diversos temas e aspectos relacionados à gestão de resíduos na construção civil, ao longo
de seus nove capítulos. O primeiro capítulo introduz o tema; o capítulo 2 aborda a questão do desenvolvimento
sustentável atrelado à construção civil e o terceiro capítulo trata da forma como a indústria da construção impacta
o meio ambiente.
No capítulo 4 são abordadas as perdas geradas pelos processos de construção, salientando-se como estas perdas
podem ser classificadas. No quinto capítulo, apresentam-se as diretrizes para se promover o gerenciamento
de resíduos na construção, dando destaque à Resolução 307 do CONAMA, que estabelece diretrizes, critérios
e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil. São citadas algumas normas brasileiras que
tratam especificamente dos resíduos sólidos da construção no tocante às áreas de transbordo, triagem, aterro e
reciclagem e uso dos agregados reciclados. Ainda nesse capítulo, é mencionada a necessidade de se promover o
envolvimento das pessoas para se conseguir uma gestão eficiente.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
1.Introdução
Ao longo das últimas décadas diversas tecnologias vêm sendo desenvolvidas de modo a auxiliar e melhorar a
qualidade de vida dos seres humanos. Porém, apesar de todos os benefícios, estas mudanças também trazem
seu lado negativo, muitas delas são grandes geradoras de impactos ambientais, como é o caso, por exemplo, das
embalagens descartáveis que vêm causando grandes transtornos nas grandes cidades.
A indústria da construção civil ocupa posição de destaque na economia nacional, quando considerada a significativa
parcela do Produto Interno Bruto (PIB) do país pela qual é responsável e também pelo contingente de pessoas que,
direta ou indiretamente, emprega. Por outro lado, esta indústria é responsável por cerca de 50% do CO2 lançado na
atmosfera e por quase metade da quantidade dos resíduos sólidos gerados no mundo (JOHN, 2000).
Por todos estes motivos, a construção civil é um dos grandes vilões ao se falar em impactos ambientais, aparecendo
como o principal gerador de resíduos de toda a sociedade (estimativas apontam para uma produção mundial entre
2 e 3 bilhões de toneladas/ano).
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
elaboração do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. Assim, os gestores municipais
e as empresas construtoras necessitam adaptar seus processos de modo a garantir a destinação ambientalmente
correta dos resíduos de construção civil.
Na cidade de Salvador, por exemplo, o poder público, através da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador
(LIMPURB), vem buscando implantar desde 1997 o Plano de Gestão Diferenciada de Entulho. Este Plano promove
medidas para a redução do descarte clandestino, convertendo-o em deposição correta, seja pela implantação de
Postos de Descarga de Entulho – PDEs ou pela implantação de Bases de Descarga de Entulho – BDEs para uso de
pequenos e grandes geradores, respectivamente (LIMPURB, 2005).
No Brasil, é incipiente a quantidade de empresas de construção civil que fazem a gestão de resíduos em canteiro
de obra e desenvolvem ações planejadas para redução da geração de resíduos. A segregação, acondicionamento
e disposição final qualificada dos resíduos ainda não são r ealizados de forma adequada e integrada às atividades
produtivas do canteiro de obra.
Estima-se que a construção civil é responsável por algo entre 20 e 50% do total de recursos naturais consumidos
pela sociedade (SJÖSTRÖM, 1992). Para citar um exemplo, em uma cidade como São Paulo, o esgotamento das
reservas próximas da capital faz com que a areia natural seja transportada de distâncias superiores a 100km,
gerando consumos de energia, além de poluição (JOHN, 2006) .
A criação e manutenção de parâmetros e procedimentos em obra para a gestão diferenciada dos resíduos são
fundamentais para assegurar o descarte adequado. Estas ações, quando executadas amplamente por empresas do
setor, promovem a minimização substancial dos impactos ambientais que a disposição inadequada dos resíduos
gera e contribuem para evitar a necessidade de soluções emergenciais. A Gestão Corretiva é a situação típica da
maioria dos municípios brasileiros, com ações de caráter não preventivo, repetitivo, custoso e, principalmente,
ineficiente.
A produção de quantidades significativas de resíduos de construção civil é um dos principais problemas enfrentados
em áreas urbanas. Em alguns países europeus (Finlândia, Holanda, etc.), o volume de entulho produzido é o dobro
do lixo sólido urbano (SJÖSTRÖM, 1992). Dados levantados entre 1995 e 1997 em cinco cidades do interior de
São Paulo indicam que a geração dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD) variava entre 54% e 70% dos
Resíduos Sólidos Urbanos (PINTO, 1999). Na cidade de Salvador, por exemplo, os RCD representam cerca da
metade dos resíduos sólidos urbanos e correspondem à geração diária de aproximadamente 2.000t (LIMPURB,
2004). O crescimento populacional, o desenvolvimento econômico e a utilização de tecnologias inadequadas têm
contribuído para que esta quantidade aumente cada vez mais.
Ao longo deste trabalho, são apresentados e discutidos alguns assuntos relacionados à Gestão de Resíduos de
Construção de modo a estabelecer um referencial teórico a respeito do tema, além de apresentar a metodologia
para implantação do Programa de Gestão de Resíduos da Construção Civil desenvolvida no âmbito do Projeto
Competir e utilizada pelo SENAI e SEBRAE. A sua concepção baseia-se na segregação dos resíduos no canteiro, de
forma a reaproveitá-los ou conduzi-los à destinação adequada. Como resultados parciais do programa, destacamse: maior limpeza e organização da obra, segregação e destinação ambientalmente responsáveis dos resíduos,
controle do transporte e disposição final.
Os impactos ambientais, sociais e econômicos gerados pela quantidade expressiva do entulho e o seu descarte
inadequado impõem a necessidade de soluções rápidas e eficazes para a sua gestão adequada. Daí decorre a
prioridade de uma ação conjunta da sociedade – poderes públicos, setor industrial da construção civil e sociedade
civil organizada – na elaboração e consolidação de programas específicos que visem à minimização desses impactos.
As políticas ambientais relacionadas ao tema devem voltar-se para o adequado manuseio, redução, reutilização,
reciclagem e disposição desses resíduos (CASSA et al, 2001).
No Brasil, as políticas públicas voltadas ao gerenciamento de Resíduos de Construção Civil (RCC) buscam
impulsionar as empresas geradoras de resíduos a tomarem uma nova postura gerencial e implementar medidas
que visem a redução da quantidade de resíduos produzidos. Estas medidas, via de regra, ainda são consideradas
como não usuais ou mesmo como desconhecidas no setor.
A principal ação efetivada em termos legais visando à mudança deste quadro foi a publicação da Resolução nº307 do
CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. Em vigor desde janeiro de 2003, a referida Resolução estabelece
obrigações para os geradores e para os municípios. Para o gerador, salienta que ele deve ter como objetivo prioritário
a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final. Além
disso, o gerador é responsável pela implantação de programas de gerenciamento de resíduos da construção
civil nos seus empreendimentos. Isto envolve o estabelecimento de procedimentos necessários para o manejo e
destinação ambientalmente adequados dos resíduos.
Já para os municípios, determina que estes devem implementar a gestão dos resíduos da construção civil através da
De acordo com Souza (2005) estudos mostram que o Construbusiness – cadeia em que se insere a Construção – responde por valores superiores a 15% do PIB nacional.
Informações disponíveis em: <http://www.reciclagem.pcc.usp.br/des_sustentavel.htm>. Acesso em 20 fev. 2006.
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1.Introdução
Ao longo das últimas décadas diversas tecnologias vêm sendo desenvolvidas de modo a auxiliar e melhorar a
qualidade de vida dos seres humanos. Porém, apesar de todos os benefícios, estas mudanças também trazem
seu lado negativo, muitas delas são grandes geradoras de impactos ambientais, como é o caso, por exemplo, das
embalagens descartáveis que vêm causando grandes transtornos nas grandes cidades.
A indústria da construção civil ocupa posição de destaque na economia nacional, quando considerada a significativa
parcela do Produto Interno Bruto (PIB) do país pela qual é responsável e também pelo contingente de pessoas que,
direta ou indiretamente, emprega. Por outro lado, esta indústria é responsável por cerca de 50% do CO2 lançado na
atmosfera e por quase metade da quantidade dos resíduos sólidos gerados no mundo (JOHN, 2000).
Por todos estes motivos, a construção civil é um dos grandes vilões ao se falar em impactos ambientais, aparecendo
como o principal gerador de resíduos de toda a sociedade (estimativas apontam para uma produção mundial entre
2 e 3 bilhões de toneladas/ano).
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
elaboração do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. Assim, os gestores municipais
e as empresas construtoras necessitam adaptar seus processos de modo a garantir a destinação ambientalmente
correta dos resíduos de construção civil.
Na cidade de Salvador, por exemplo, o poder público, através da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador
(LIMPURB), vem buscando implantar desde 1997 o Plano de Gestão Diferenciada de Entulho. Este Plano promove
medidas para a redução do descarte clandestino, convertendo-o em deposição correta, seja pela implantação de
Postos de Descarga de Entulho – PDEs ou pela implantação de Bases de Descarga de Entulho – BDEs para uso de
pequenos e grandes geradores, respectivamente (LIMPURB, 2005).
No Brasil, é incipiente a quantidade de empresas de construção civil que fazem a gestão de resíduos em canteiro
de obra e desenvolvem ações planejadas para redução da geração de resíduos. A segregação, acondicionamento
e disposição final qualificada dos resíduos ainda não são r ealizados de forma adequada e integrada às atividades
produtivas do canteiro de obra.
Estima-se que a construção civil é responsável por algo entre 20 e 50% do total de recursos naturais consumidos
pela sociedade (SJÖSTRÖM, 1992). Para citar um exemplo, em uma cidade como São Paulo, o esgotamento das
reservas próximas da capital faz com que a areia natural seja transportada de distâncias superiores a 100km,
gerando consumos de energia, além de poluição (JOHN, 2006) .
A criação e manutenção de parâmetros e procedimentos em obra para a gestão diferenciada dos resíduos são
fundamentais para assegurar o descarte adequado. Estas ações, quando executadas amplamente por empresas do
setor, promovem a minimização substancial dos impactos ambientais que a disposição inadequada dos resíduos
gera e contribuem para evitar a necessidade de soluções emergenciais. A Gestão Corretiva é a situação típica da
maioria dos municípios brasileiros, com ações de caráter não preventivo, repetitivo, custoso e, principalmente,
ineficiente.
A produção de quantidades significativas de resíduos de construção civil é um dos principais problemas enfrentados
em áreas urbanas. Em alguns países europeus (Finlândia, Holanda, etc.), o volume de entulho produzido é o dobro
do lixo sólido urbano (SJÖSTRÖM, 1992). Dados levantados entre 1995 e 1997 em cinco cidades do interior de
São Paulo indicam que a geração dos Resíduos de Construção e Demolição (RCD) variava entre 54% e 70% dos
Resíduos Sólidos Urbanos (PINTO, 1999). Na cidade de Salvador, por exemplo, os RCD representam cerca da
metade dos resíduos sólidos urbanos e correspondem à geração diária de aproximadamente 2.000t (LIMPURB,
2004). O crescimento populacional, o desenvolvimento econômico e a utilização de tecnologias inadequadas têm
contribuído para que esta quantidade aumente cada vez mais.
Ao longo deste trabalho, são apresentados e discutidos alguns assuntos relacionados à Gestão de Resíduos de
Construção de modo a estabelecer um referencial teórico a respeito do tema, além de apresentar a metodologia
para implantação do Programa de Gestão de Resíduos da Construção Civil desenvolvida no âmbito do Projeto
Competir e utilizada pelo SENAI e SEBRAE. A sua concepção baseia-se na segregação dos resíduos no canteiro, de
forma a reaproveitá-los ou conduzi-los à destinação adequada. Como resultados parciais do programa, destacamse: maior limpeza e organização da obra, segregação e destinação ambientalmente responsáveis dos resíduos,
controle do transporte e disposição final.
Os impactos ambientais, sociais e econômicos gerados pela quantidade expressiva do entulho e o seu descarte
inadequado impõem a necessidade de soluções rápidas e eficazes para a sua gestão adequada. Daí decorre a
prioridade de uma ação conjunta da sociedade – poderes públicos, setor industrial da construção civil e sociedade
civil organizada – na elaboração e consolidação de programas específicos que visem à minimização desses impactos.
As políticas ambientais relacionadas ao tema devem voltar-se para o adequado manuseio, redução, reutilização,
reciclagem e disposição desses resíduos (CASSA et al, 2001).
No Brasil, as políticas públicas voltadas ao gerenciamento de Resíduos de Construção Civil (RCC) buscam
impulsionar as empresas geradoras de resíduos a tomarem uma nova postura gerencial e implementar medidas
que visem a redução da quantidade de resíduos produzidos. Estas medidas, via de regra, ainda são consideradas
como não usuais ou mesmo como desconhecidas no setor.
A principal ação efetivada em termos legais visando à mudança deste quadro foi a publicação da Resolução nº307 do
CONAMA - Conselho Nacional do Meio Ambiente. Em vigor desde janeiro de 2003, a referida Resolução estabelece
obrigações para os geradores e para os municípios. Para o gerador, salienta que ele deve ter como objetivo prioritário
a não geração de resíduos e, secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final. Além
disso, o gerador é responsável pela implantação de programas de gerenciamento de resíduos da construção
civil nos seus empreendimentos. Isto envolve o estabelecimento de procedimentos necessários para o manejo e
destinação ambientalmente adequados dos resíduos.
Já para os municípios, determina que estes devem implementar a gestão dos resíduos da construção civil através da
De acordo com Souza (2005) estudos mostram que o Construbusiness – cadeia em que se insere a Construção – responde por valores superiores a 15% do PIB nacional.
Informações disponíveis em: <http://www.reciclagem.pcc.usp.br/des_sustentavel.htm>. Acesso em 20 fev. 2006.
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2.ACONSTRUÇÃOCIVILEODESENVOLVIMENTOSUSTENTÁVEL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Até os anos 50, a natureza era vista somente como um pano de fundo para toda discussão que envolvesse a atividade
humana e suas relações com o meio. Acreditava-se que a natureza existia para ser compreendida, explorada e
catalogada, desde que fosse utilizada em benefício da humanidade (SCHENINI et al, 2004) .
“Desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a
capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”3
Segundo estes autores, os movimentos sociais que se iniciaram nos anos 70 representaram um marco na
humanidade e em particular para a formação de uma consciência preservacionista fundamentada, naquele momento,
nos princípios da harmonia com a natureza. Assim, o termo ecologia passa a ser bastante utilizado.
Chen e Chambers (1999), complementam esta definição considerando ainda a necessidade de satisfazer as
aspirações de todos por uma vida melhor.
Tais discussões ganharam tanta intensidade que em 1972 a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu uma
Conferência sobre Ambiente Humano que ficou conhecida como Conferência de Estocolmo. Como resultado deste
evento, foi criado o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas – UNEP, encarregado de monitorar o avanço
dos problemas ambientais no mundo (SANTOS, 2005) .
Neste mesmo ano é publicado um estudo sobre os Limites do Crescimento. Este estudo concluía que, mantido o
ritmo de crescimento, os alimentos e a produção industrial iriam declinar até o ano 2010 e, a partir daí, provocar
automaticamente uma diminuição da população por penúria, falta de alimentos e poluição. Várias críticas foram
feitas a esse estudo por parte dos intelectuais do primeiro mundo, por acreditarem que isso representaria o fim do
crescimento da sociedade industrial, e pelos países subdesenvolvidos, pois julgavam que os países desenvolvidos
estavam barrando o desenvolvimento dos países pobres com uma justificativa ecológica.
De acordo com Santos (2005)2, a década de 1970 foi marcada pelo “rompimento do círculo virtuoso de crescimento
da economia mundial desde o pós-guerra, lançando dúvidas sobre a validade dos instrumentos políticos disponíveis
para a regulação das relações econômicas internacionais, assim como os mecanismos internos de promoção do
desenvolvimento”. Junto a isso, a situação de pobreza em que se encontrava a maior parte da população mundial
revelava que o estilo de desenvolvimento também era insustentável do ponto de vista social pela falta de acesso à
educação, à saúde e à água tratada, e, pelo ponto de vista humano, frente à fome e à desnutrição. Dessa maneira,
a crise ambiental colocava em xeque o modelo de desenvolvimento vigente, isto é, desenvolvimento calcado na
exploração irracional e predatória dos recursos naturais e moldado em relações sociais de produção injustas e
excludentes.
Em 1973 novas tentativas de se repensar o futuro foram apresentadas pelo canadense Maurice Strong que lançou
o conceito de ecodesenvolvimento: um estilo de desenvolvimento adaptado às áreas rurais do Terceiro Mundo,
baseado na utilização criteriosa dos recursos locais, sem comprometer o esgotamento da natureza. Na década de
80 Ignacy Sachs se apropria do termo e estabelece que os caminhos do desenvolvimento seriam seis3:
• satisfação das necessidades básicas;
• solidariedade com as gerações futuras;
• participação da população envolvida;
• preservação dos recursos naturais e do meio ambiente;
• elaboração de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras culturas; e
• programas de educação.
Com a evolução da problemática econômica e deterioração das políticas regionais e nacionais, a Comissão Mundial
de Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU cria a expressão desenvolvimento sustentável, que começou a circular
efetivamente em 1987, a partir da publicação do documento chamado Nosso Futuro Comum, mais conhecido por
Relatório Brundtland. Segundo este documento o desenvolvimento sustentável foi assim definido:
Informações disponíveis em: http://geodesia.ufsc.br/Geodesia-online/arquivo/cobrac_2004/092.pdf. Acesso em 13 mar. 2006.
Informações disponíveis em: <http://www.senac.br/informativo/BTS/301/boltec301c.htm>. Acesso em 15 mar. 2006.
Informações disponíveis em: <http://www.economiabr.net/economia/3_desenvolvimento_sustentavel_historico. Html>. Acesso em 10 mar. 2006.
8
Em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro,
a Rio-92, demonstrou um aumento do interesse mundial pelo futuro do planeta. Muitos países passam a valorizar
as relações entre desenvolvimento sócio-econômico e modificações no meio ambiente. A Agenda 21 foi um dos
principais resultados da Rio-92. Este documento, resultado de um acordo firmado entre 179 (cento e setenta e
nove) países, reforça a necessidade e a importância de cada país se comprometer a refletir, global e localmente,
sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações e todos os demais setores da sociedade poderiam
cooperar no estudo de soluções para os problemas sócio-ambientais.
De acordo com Schenini et al (2004), a Agenda 21 foi responsável pelo despertar de uma consciência ambiental,
sobre a necessidade da conservação da natureza para o bem estar e sobrevivência das espécies, inclusive a
humana. “O documento propunha que a sociedade assumisse uma atitude ética entre a conservação ambiental e o
desenvolvimento. Denunciava a forma perdulária com que até então eram tratados os recursos naturais e propunha
uma sociedade justa e economicamente responsável, produtora e produto do desenvolvimento sustentável”.
Até então, não existia por parte da indústria da construção civil uma preocupação com o esgotamento dos recursos
naturais não renováveis que eram utilizados ao longo de todo o seu processo de produção, nem tão pouco com o
destino dado aos resíduos gerados pela atividade construtiva.
Com o passar dos anos, a definição de desenvolvimento sustentável sofre múltiplas derivações e interpretações,
deixando de ser uma bandeira defendida apenas pelos ecologistas idealizadores, para ser um assunto amplamente
discutido inclusive por toda a cadeia da construção. Um exemplo disso são as normas da família ISO 14000,
que estão sendo utilizadas cada vez mais por organizações que buscam ter seus sistemas de gestão ambiental
certificados.
Se compararmos a realidade que vive a construção civil com as definições de desenvolvimento sustentável,
preocupadas com a manutenção dos recursos para as gerações futuras, vê-se que ainda têm-se muito por fazer,
não só com relação aos processos construtivos, como também em relação ao uso e manutenção das edificações.
Já existem, no entanto, algumas ações na construção civil voltadas ao desenvolvimento sustentável. Como exemplos
pode-se citar: o reuso de água em edifícios, a utilização de iluminação e ventilação natural, o reuso e reciclagem de
resíduos e a racionalização dos processos construtivos.
Mas, por que falar em desenvolvimento sustentável para a construção? A razão desta preocupação decorre de
alguns fatores bem objetivos, como poderá ser visto na seqüência.
Informações disponíveis em: <http://www.única.com.br/pages/sociedade_desenvolv2.asp>. Acesso em 10 mar. 2006.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
2.ACONSTRUÇÃOCIVILEODESENVOLVIMENTOSUSTENTÁVEL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL
Até os anos 50, a natureza era vista somente como um pano de fundo para toda discussão que envolvesse a atividade
humana e suas relações com o meio. Acreditava-se que a natureza existia para ser compreendida, explorada e
catalogada, desde que fosse utilizada em benefício da humanidade (SCHENINI et al, 2004) .
“Desenvolvimento que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a
capacidade de as futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades”3
Segundo estes autores, os movimentos sociais que se iniciaram nos anos 70 representaram um marco na
humanidade e em particular para a formação de uma consciência preservacionista fundamentada, naquele momento,
nos princípios da harmonia com a natureza. Assim, o termo ecologia passa a ser bastante utilizado.
Chen e Chambers (1999), complementam esta definição considerando ainda a necessidade de satisfazer as
aspirações de todos por uma vida melhor.
Tais discussões ganharam tanta intensidade que em 1972 a Organização das Nações Unidas (ONU) promoveu uma
Conferência sobre Ambiente Humano que ficou conhecida como Conferência de Estocolmo. Como resultado deste
evento, foi criado o Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas – UNEP, encarregado de monitorar o avanço
dos problemas ambientais no mundo (SANTOS, 2005) .
Neste mesmo ano é publicado um estudo sobre os Limites do Crescimento. Este estudo concluía que, mantido o
ritmo de crescimento, os alimentos e a produção industrial iriam declinar até o ano 2010 e, a partir daí, provocar
automaticamente uma diminuição da população por penúria, falta de alimentos e poluição. Várias críticas foram
feitas a esse estudo por parte dos intelectuais do primeiro mundo, por acreditarem que isso representaria o fim do
crescimento da sociedade industrial, e pelos países subdesenvolvidos, pois julgavam que os países desenvolvidos
estavam barrando o desenvolvimento dos países pobres com uma justificativa ecológica.
De acordo com Santos (2005)2, a década de 1970 foi marcada pelo “rompimento do círculo virtuoso de crescimento
da economia mundial desde o pós-guerra, lançando dúvidas sobre a validade dos instrumentos políticos disponíveis
para a regulação das relações econômicas internacionais, assim como os mecanismos internos de promoção do
desenvolvimento”. Junto a isso, a situação de pobreza em que se encontrava a maior parte da população mundial
revelava que o estilo de desenvolvimento também era insustentável do ponto de vista social pela falta de acesso à
educação, à saúde e à água tratada, e, pelo ponto de vista humano, frente à fome e à desnutrição. Dessa maneira,
a crise ambiental colocava em xeque o modelo de desenvolvimento vigente, isto é, desenvolvimento calcado na
exploração irracional e predatória dos recursos naturais e moldado em relações sociais de produção injustas e
excludentes.
Em 1973 novas tentativas de se repensar o futuro foram apresentadas pelo canadense Maurice Strong que lançou
o conceito de ecodesenvolvimento: um estilo de desenvolvimento adaptado às áreas rurais do Terceiro Mundo,
baseado na utilização criteriosa dos recursos locais, sem comprometer o esgotamento da natureza. Na década de
80 Ignacy Sachs se apropria do termo e estabelece que os caminhos do desenvolvimento seriam seis3:
• satisfação das necessidades básicas;
• solidariedade com as gerações futuras;
• participação da população envolvida;
• preservação dos recursos naturais e do meio ambiente;
• elaboração de um sistema social que garanta emprego, segurança social e respeito a outras culturas; e
• programas de educação.
Com a evolução da problemática econômica e deterioração das políticas regionais e nacionais, a Comissão Mundial
de Meio Ambiente e Desenvolvimento da ONU cria a expressão desenvolvimento sustentável, que começou a circular
efetivamente em 1987, a partir da publicação do documento chamado Nosso Futuro Comum, mais conhecido por
Relatório Brundtland. Segundo este documento o desenvolvimento sustentável foi assim definido:
Informações disponíveis em: http://geodesia.ufsc.br/Geodesia-online/arquivo/cobrac_2004/092.pdf. Acesso em 13 mar. 2006.
Informações disponíveis em: <http://www.senac.br/informativo/BTS/301/boltec301c.htm>. Acesso em 15 mar. 2006.
Informações disponíveis em: <http://www.economiabr.net/economia/3_desenvolvimento_sustentavel_historico. Html>. Acesso em 10 mar. 2006.
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Em 1992, a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro,
a Rio-92, demonstrou um aumento do interesse mundial pelo futuro do planeta. Muitos países passam a valorizar
as relações entre desenvolvimento sócio-econômico e modificações no meio ambiente. A Agenda 21 foi um dos
principais resultados da Rio-92. Este documento, resultado de um acordo firmado entre 179 (cento e setenta e
nove) países, reforça a necessidade e a importância de cada país se comprometer a refletir, global e localmente,
sobre a forma pela qual governos, empresas, organizações e todos os demais setores da sociedade poderiam
cooperar no estudo de soluções para os problemas sócio-ambientais.
De acordo com Schenini et al (2004), a Agenda 21 foi responsável pelo despertar de uma consciência ambiental,
sobre a necessidade da conservação da natureza para o bem estar e sobrevivência das espécies, inclusive a
humana. “O documento propunha que a sociedade assumisse uma atitude ética entre a conservação ambiental e o
desenvolvimento. Denunciava a forma perdulária com que até então eram tratados os recursos naturais e propunha
uma sociedade justa e economicamente responsável, produtora e produto do desenvolvimento sustentável”.
Até então, não existia por parte da indústria da construção civil uma preocupação com o esgotamento dos recursos
naturais não renováveis que eram utilizados ao longo de todo o seu processo de produção, nem tão pouco com o
destino dado aos resíduos gerados pela atividade construtiva.
Com o passar dos anos, a definição de desenvolvimento sustentável sofre múltiplas derivações e interpretações,
deixando de ser uma bandeira defendida apenas pelos ecologistas idealizadores, para ser um assunto amplamente
discutido inclusive por toda a cadeia da construção. Um exemplo disso são as normas da família ISO 14000,
que estão sendo utilizadas cada vez mais por organizações que buscam ter seus sistemas de gestão ambiental
certificados.
Se compararmos a realidade que vive a construção civil com as definições de desenvolvimento sustentável,
preocupadas com a manutenção dos recursos para as gerações futuras, vê-se que ainda têm-se muito por fazer,
não só com relação aos processos construtivos, como também em relação ao uso e manutenção das edificações.
Já existem, no entanto, algumas ações na construção civil voltadas ao desenvolvimento sustentável. Como exemplos
pode-se citar: o reuso de água em edifícios, a utilização de iluminação e ventilação natural, o reuso e reciclagem de
resíduos e a racionalização dos processos construtivos.
Mas, por que falar em desenvolvimento sustentável para a construção? A razão desta preocupação decorre de
alguns fatores bem objetivos, como poderá ser visto na seqüência.
Informações disponíveis em: <http://www.única.com.br/pages/sociedade_desenvolv2.asp>. Acesso em 10 mar. 2006.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
3.IMPACTOAMBIENTALDACADEIAPRODUTIVADACONSTRUÇÃO
ELEVADO CONSUMO DE MADEIRA
A construção civil consome cerca de 2/3 da madeira natural extraída.
A maioria das florestas não é remanejada adequadamente.
3.1ConsumodeRecursosNaturais
O setor da construção civil “além de ser um dos maiores da economia ele produz os bens de maiores dimensões
físicas do planeta, sendo conseqüentemente o maior consumidor de recursos naturais de qualquer economia”
(JOHN, 2000). Segundo este mesmo autor, o consumo de recursos naturais na construção civil é variável de acordo
com cada região, isso dependendo de fatores como:
66% da madeira
• taxa de resíduos gerados;
• vida útil ou taxa de reposição das estruturas construídas;
• necessidades de manutenção, inclusive as que visam corrigir falhas construtivas;
• perdas incorporadas nos edifícios; e
• tecnologia empregada.
MATÉRIAS PRIMAS ESCASSAS
Algumas matérias primas tradicionais da construção possuem reservas
mapeadas escassas. O cobre e o zinco, por exemplo, possuem reservas
suficientes para durarem cerca de 60 anos.
Como citado na introdução, a construção civil é responsável pelo consumo de parte significativa dos recursos
naturais do planeta. Para John (2000) a estimativa é um consumo de 9,4 ton/hab.ano de materiais de construção.
O DETR (1998) menciona que, no Reino Unido, a construção consome algo em torno de 6 ton/hab.ano e 250 a 300
milhões de toneladas de agregados por ano.
CONSTRUÇÃO CIVIL
O maior consumidor de recursos naturais
20 a 50% dos recursos naturais
Sjöström (1992)
Para John (2000), considerando que no Brasil são produzidas por ano cerca de 35 milhões de toneladas de cimento
Portland e que este cimento é misturado com agregados a um traço médio de 1:6, pode-se estimar que 210 milhões
de toneladas de agregados são consumidos anualmente somente na produção de concretos e argamassas, sem
considerar o volume de agregados que são utilizados em pavimentação e as perdas.
Pode-se dizer ainda que o consumo de recursos naturais é maior do que o necessário devido ao elevado volume
de perdas incorporadas às construções ou eliminadas como resíduos. De acordo com John (2000) é inevitável que
ocorra um determinado volume de perdas. Porém a fração das perdas que excede ao limite mínimo característico
da tecnologia empregada é considerada desperdício. Segundo este mesmo autor “os limites entre perda inevitável
e o desperdício são difíceis de estabelecer e para uma mesma tecnologia variam com características regionais e no
tempo”. A perda incorporada apesar de na maioria das vezes ser menos perceptível que a perda que saí da obra na
forma de resíduos é causadora de consumo excessivo de recursos e geração de desperdício.
Para a construção civil o grande desafio é alcançar uma melhoria e ampliação do ambiente construído com o
emprego de um volume inferior de recursos naturais, principalmente nos países não desenvolvidos devido à
necessidade de se construir uma quantidade maior de bens.
3.2ResíduosePoluição
Os resíduos gerados, provenientes das perdas ocorridas durante o processo de construção ou de demolições, são
responsáveis por aumentar ainda mais o impacto ambiental provocado por este setor.
ELEVADO CONSUMO DE AGREGADOS NATURAIS
O consumo de agregados naturais varia entre
1 e 8 toneladas/habitante/ano.
No Brasil, o consumo de agregados naturais
somente na produção de concreto e argamassa
é de 220 milhões de toneladas.
Ao redor de grandes cidades, a areia e outros
agregados naturais começam a ficar escassos,
influenciado também pelo controle ambiental
da extração que vem se intensificando.
Cobre - reserva por 60 anos
A excessiva geração de resíduos e seu descarte irregular, em grande parte das cidades brasileiras, causam a
poluição do ambiente urbano. Como exemplo, pode-se citar a obstrução e contaminação dos leitos de rios e canais,
o comprometimento do tráfego em vias públicas e a degradação da paisagem das cidades, além da poluição do ar
com gás carbônico liberado pelos veículos necessários para realizar o transporte dos resíduos.
Mineração de areia
1 e 8 toneladas/habitante/ano.
DETR - Department of the Environment, Transport and the Regions.
10
Figura 1 - Impactos Ambientais Causados pela Disposição Irregular dos Resíduos (obstrução e contaminação dos leitos de rios e canais).
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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3.IMPACTOAMBIENTALDACADEIAPRODUTIVADACONSTRUÇÃO
ELEVADO CONSUMO DE MADEIRA
A construção civil consome cerca de 2/3 da madeira natural extraída.
A maioria das florestas não é remanejada adequadamente.
3.1ConsumodeRecursosNaturais
O setor da construção civil “além de ser um dos maiores da economia ele produz os bens de maiores dimensões
físicas do planeta, sendo conseqüentemente o maior consumidor de recursos naturais de qualquer economia”
(JOHN, 2000). Segundo este mesmo autor, o consumo de recursos naturais na construção civil é variável de acordo
com cada região, isso dependendo de fatores como:
66% da madeira
• taxa de resíduos gerados;
• vida útil ou taxa de reposição das estruturas construídas;
• necessidades de manutenção, inclusive as que visam corrigir falhas construtivas;
• perdas incorporadas nos edifícios; e
• tecnologia empregada.
MATÉRIAS PRIMAS ESCASSAS
Algumas matérias primas tradicionais da construção possuem reservas
mapeadas escassas. O cobre e o zinco, por exemplo, possuem reservas
suficientes para durarem cerca de 60 anos.
Como citado na introdução, a construção civil é responsável pelo consumo de parte significativa dos recursos
naturais do planeta. Para John (2000) a estimativa é um consumo de 9,4 ton/hab.ano de materiais de construção.
O DETR (1998) menciona que, no Reino Unido, a construção consome algo em torno de 6 ton/hab.ano e 250 a 300
milhões de toneladas de agregados por ano.
CONSTRUÇÃO CIVIL
O maior consumidor de recursos naturais
20 a 50% dos recursos naturais
Sjöström (1992)
Para John (2000), considerando que no Brasil são produzidas por ano cerca de 35 milhões de toneladas de cimento
Portland e que este cimento é misturado com agregados a um traço médio de 1:6, pode-se estimar que 210 milhões
de toneladas de agregados são consumidos anualmente somente na produção de concretos e argamassas, sem
considerar o volume de agregados que são utilizados em pavimentação e as perdas.
Pode-se dizer ainda que o consumo de recursos naturais é maior do que o necessário devido ao elevado volume
de perdas incorporadas às construções ou eliminadas como resíduos. De acordo com John (2000) é inevitável que
ocorra um determinado volume de perdas. Porém a fração das perdas que excede ao limite mínimo característico
da tecnologia empregada é considerada desperdício. Segundo este mesmo autor “os limites entre perda inevitável
e o desperdício são difíceis de estabelecer e para uma mesma tecnologia variam com características regionais e no
tempo”. A perda incorporada apesar de na maioria das vezes ser menos perceptível que a perda que saí da obra na
forma de resíduos é causadora de consumo excessivo de recursos e geração de desperdício.
Para a construção civil o grande desafio é alcançar uma melhoria e ampliação do ambiente construído com o
emprego de um volume inferior de recursos naturais, principalmente nos países não desenvolvidos devido à
necessidade de se construir uma quantidade maior de bens.
3.2ResíduosePoluição
Os resíduos gerados, provenientes das perdas ocorridas durante o processo de construção ou de demolições, são
responsáveis por aumentar ainda mais o impacto ambiental provocado por este setor.
ELEVADO CONSUMO DE AGREGADOS NATURAIS
O consumo de agregados naturais varia entre
1 e 8 toneladas/habitante/ano.
No Brasil, o consumo de agregados naturais
somente na produção de concreto e argamassa
é de 220 milhões de toneladas.
Ao redor de grandes cidades, a areia e outros
agregados naturais começam a ficar escassos,
influenciado também pelo controle ambiental
da extração que vem se intensificando.
Cobre - reserva por 60 anos
A excessiva geração de resíduos e seu descarte irregular, em grande parte das cidades brasileiras, causam a
poluição do ambiente urbano. Como exemplo, pode-se citar a obstrução e contaminação dos leitos de rios e canais,
o comprometimento do tráfego em vias públicas e a degradação da paisagem das cidades, além da poluição do ar
com gás carbônico liberado pelos veículos necessários para realizar o transporte dos resíduos.
Mineração de areia
1 e 8 toneladas/habitante/ano.
DETR - Department of the Environment, Transport and the Regions.
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Figura 1 - Impactos Ambientais Causados pela Disposição Irregular dos Resíduos (obstrução e contaminação dos leitos de rios e canais).
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GERAÇÃO DE POLUIÇÃO DO AR
Para cada tonelada de clínquer produzido
mais de 600 kg de CO2 são gerados.
1 ton clínquer = 600 kg de CO2
Vale a pena salientar que a fase de uso dos edifícios também gera impacto ambiental significativo. E boa parte
deste impacto é definida ainda no momento do projeto da edificação. Energia é consumida para iluminação e
condicionamento do ar, pois não existe o aproveitamento da ventilação e iluminação natural, principalmente nos
edifícios comerciais. A manutenção, que durante a vida útil de um edifício vai consumir recursos em volume
aproximadamente igual aos despendidos na fase de produção, também gera poluição.
Figura 2 - Resíduos de Obra Dispostos de Forma Irregular no Centro de Grande Cidade Degradando a Paisagem.
3.3AlternativasparaReduçãodoImpactoAmbiental
Nos itens anteriores foram citados diversos exemplos de impactos ambientais gerados pela atividade construtiva.
Soma-se a estes, o impacto ambiental gerado durante o uso. Reduzir este impacto é um desejo para a engenharia
e soluções simples, como os exemplos citados a seguir, devem ser estudadas e implementadas:
• Alteração em projeto visando à redução do consumo de recursos na fase de utilização
Exemplo: Aproveitamento da iluminação e ventilação natural, promovendo uma redução no consumo de energia
elétrica, principalmente nos edifícios comerciais;
• Substituição de equipamentos e sistemas descartáveis por outros de maior durabilidade.
Exemplo: Substituição das escoras de madeira por escoras metálicas, auxiliando na redução da extração de
madeira;
• Reciclagem dos resíduos gerados nas obras e uso de materiais reciclados.
Exemplo 1: Segregação de resíduos de plástico, papel e metal nas obras e encaminhamento para reciclagem.
Figura 3 – Resíduos de Obra Dispostos no Passeio em Bairro de Classe Média Comprometendo o Tráfego na Via Pública.
O MAIOR GERADOR DE RESÍDUOS
O volume de entulho de construção
e demolição gerado é até duas vezes
maior que o volume de lixo sólido urbano3.
Entulho = 2x lixo sólido urbano
Exemplo 2: Utilização de agregados reciclados em substituição aos agregados naturais, evitando a extração de
novos recursos naturais e reduzindo o descarte dos resíduos;
• Projeto do produto e planejamento dos sistemas de produção visando evitar perdas
Exemplo 1: Planejamento da aquisição e do sistema de transporte e armazenamento dos materiais, evitando
desperdícios por quebra ou perda das propriedades dos materiais.
Exemplo 2: Compatibilização de projetos e paginação da alvenaria, possibilitando o uso mais racional dos materiais,
evitando quebra de blocos.
A etapa de produção de materiais de construção também contribui para o impacto ambiental provocado pelo
setor devido à quantidade de poluição (poeira, CO¬¬2, etc.) que é gerada. A liberação de partículas de poeira está
presente em quase todas as atividades da construção civil, desde a extração da matéria-prima, passando pelo
transporte, produção de materiais de construção, até a execução das atividades em canteiro.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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GERAÇÃO DE POLUIÇÃO DO AR
Para cada tonelada de clínquer produzido
mais de 600 kg de CO2 são gerados.
1 ton clínquer = 600 kg de CO2
Vale a pena salientar que a fase de uso dos edifícios também gera impacto ambiental significativo. E boa parte
deste impacto é definida ainda no momento do projeto da edificação. Energia é consumida para iluminação e
condicionamento do ar, pois não existe o aproveitamento da ventilação e iluminação natural, principalmente nos
edifícios comerciais. A manutenção, que durante a vida útil de um edifício vai consumir recursos em volume
aproximadamente igual aos despendidos na fase de produção, também gera poluição.
Figura 2 - Resíduos de Obra Dispostos de Forma Irregular no Centro de Grande Cidade Degradando a Paisagem.
3.3AlternativasparaReduçãodoImpactoAmbiental
Nos itens anteriores foram citados diversos exemplos de impactos ambientais gerados pela atividade construtiva.
Soma-se a estes, o impacto ambiental gerado durante o uso. Reduzir este impacto é um desejo para a engenharia
e soluções simples, como os exemplos citados a seguir, devem ser estudadas e implementadas:
• Alteração em projeto visando à redução do consumo de recursos na fase de utilização
Exemplo: Aproveitamento da iluminação e ventilação natural, promovendo uma redução no consumo de energia
elétrica, principalmente nos edifícios comerciais;
• Substituição de equipamentos e sistemas descartáveis por outros de maior durabilidade.
Exemplo: Substituição das escoras de madeira por escoras metálicas, auxiliando na redução da extração de
madeira;
• Reciclagem dos resíduos gerados nas obras e uso de materiais reciclados.
Exemplo 1: Segregação de resíduos de plástico, papel e metal nas obras e encaminhamento para reciclagem.
Figura 3 – Resíduos de Obra Dispostos no Passeio em Bairro de Classe Média Comprometendo o Tráfego na Via Pública.
O MAIOR GERADOR DE RESÍDUOS
O volume de entulho de construção
e demolição gerado é até duas vezes
maior que o volume de lixo sólido urbano3.
Entulho = 2x lixo sólido urbano
Exemplo 2: Utilização de agregados reciclados em substituição aos agregados naturais, evitando a extração de
novos recursos naturais e reduzindo o descarte dos resíduos;
• Projeto do produto e planejamento dos sistemas de produção visando evitar perdas
Exemplo 1: Planejamento da aquisição e do sistema de transporte e armazenamento dos materiais, evitando
desperdícios por quebra ou perda das propriedades dos materiais.
Exemplo 2: Compatibilização de projetos e paginação da alvenaria, possibilitando o uso mais racional dos materiais,
evitando quebra de blocos.
A etapa de produção de materiais de construção também contribui para o impacto ambiental provocado pelo
setor devido à quantidade de poluição (poeira, CO¬¬2, etc.) que é gerada. A liberação de partículas de poeira está
presente em quase todas as atividades da construção civil, desde a extração da matéria-prima, passando pelo
transporte, produção de materiais de construção, até a execução das atividades em canteiro.
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4.ACONSTRUÇÃOCIVILEASPERDAS
• o que adiciona valor (ou efetivo) g corresponde à ocorrência de algum tipo de processamento, ou seja,
transformação de matéria-prima ou partes em produtos; e
4.1EntendendooConceitodePerdas
O setor da construção civil está passando por um processo de reestruturação. Os recursos financeiros são cada
vez menores, o mercado consumidor está cada vez mais exigente, os trabalhadores, por sua vez, têm buscado
melhores condições de trabalho. Todos estes fatores têm exigido uma nova postura das empresas. Estas estão
sendo obrigadas a adotar estratégias empresariais mais modernas, focadas na qualidade, na racionalização e na
produtividade, possibilitando a obtenção de um produto final de melhor qualidade e mais barato (COSTA; FORMOSO,
1998).
• o que não adiciona valor (ou adicional) g é necessário para viabilizar o trabalho que adiciona valor. Este não deve
ser confundido com perda, embora deva ser minimizado como se fosse, pois também gera custos.
A figura a seguir, adaptada de Ohno (1988), ajuda a compreender a concepção de trabalho, na qual parte dos
movimentos dos trabalhadores é considerada como perda.
Diante deste contexto, as perdas geradas ao longo do processo de produção se tornam o centro das atenções, pois
cada vez mais as empresas são obrigadas a produzir apenas o necessário com a mínima força de trabalho, ou seja,
eliminando desperdícios.
De acordo com Formoso et al (1996) perda é qualquer ineficiência que se reflita no uso de equipamentos, materiais,
mão-de-obra e capital em quantidades superiores àquelas necessárias a produção da edificação. Sendo assim, as
perdas englobam tanto a ocorrência de desperdícios de materiais quanto a execução de tarefas desnecessárias que
geram custos adicionais e não agregam valor.
Para Jaques (1998) apud John (2000) as perdas têm origens nas mais diversas etapas do ciclo de vida do edifício.
Desde a fase de projeto, uma decisão equivocada pode ser responsável por desperdícios ou por gastos com
retrabalho. Porém, é na fase de execução onde acontece a parcela mais visível das perdas, pois todas as decisões
tomadas na fase anterior ganham dimensão física.
Uma pesquisa desenvolvida no Brasil que contou com a participação de 18 (dezoito) Universidades e 52 (cinqüenta
e duas) empresas mostrou como um de seus principais resultados que as variações na perda chegaram a ordem
de 100 vezes. Em alguns casos estas variações aconteceram entre diferentes empresas e em outros, entre canteiros
de uma mesma empresa. Essas variações revelam que é possível reduzir enormemente as perdas sem mudança na
tecnologia utilizada (AGOPYAN, et al., 1998).
Para que as perdas sejam eliminadas é preciso que as empresas saibam diferenciar, dentre as várias atividades que
fazem parte do processo produtivo, as que efetivamente contribuem para a obtenção do produto final daquelas que
são complementares (que têm possibilidade de serem melhoradas ou eliminadas sem o prejuízo do processo).
Os esforços direcionados para evitar as perdas devem ser relacionados com certa cautela, pois algumas atividades
tais como planejamento, contabilidade e prevenção de acidentes, não agregam valor ao produto, porém produzem
valor para os clientes internos.
Apesar das várias definições encontradas para perdas nas bibliografias, neste material será adotada a seguinte
definição:
Figura 4 – Divisão dos Movimentos dos Trabalhadores: Trabalho e Perdas
(adaptado de OHNO, 1988).
Similarmente à classificação de Ohno, Fritz Gehbauer no seu livro Racionalização na Construção Civil: como
melhorar processos de produção e de gestão apresenta uma metodologia, baseada na simples observação aleatória
dos trabalhadores no canteiro, para medir o grau de efetividade dos trabalhos em operação. O modo como realizar
esta observação será descrita posteriormente no capítulo 6, item 6.3.2 deste trabalho.
Apesar da importância das perdas relacionadas aos movimentos dos trabalhadores, neste trabalho será dado
mais destaque às perdas de material que, como comentado anteriormente, podem estar incorporadas ou serem
eliminadas como resíduos.
As perdas incorporadas são muito comuns nas atividades moldadas “in loco” quando são utilizadas quantidades
de materiais superiores à teoricamente prevista. Como exemplo deste tipo de perda pode-se citar um revestimento
interno de parede com argamassa que estava previsto ser realizado com 1 cm e ao término do serviço alcançou
mais de 3 cm (Figura 5). Neste caso, por exemplo, tem-se uma perda incorporada superior a 200%.
Perdas são todos as tarefas desnecessárias que elevam os custos sem adicionar
valor ao produto, podendo ser eliminadas sem prejudicar o trabalho efetivo.
Para Ohno (1988) é necessário dividir o movimento dos trabalhadores nas suas atividades em duas diferentes
dimensões: a do trabalho e a das perdas. O trabalho constitui-se do trabalho real, necessário nas empresas, e pode
ser dividido em dois tipos:
Figura 5 – Perda Incorporada.
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4.ACONSTRUÇÃOCIVILEASPERDAS
• o que adiciona valor (ou efetivo) g corresponde à ocorrência de algum tipo de processamento, ou seja,
transformação de matéria-prima ou partes em produtos; e
4.1EntendendooConceitodePerdas
O setor da construção civil está passando por um processo de reestruturação. Os recursos financeiros são cada
vez menores, o mercado consumidor está cada vez mais exigente, os trabalhadores, por sua vez, têm buscado
melhores condições de trabalho. Todos estes fatores têm exigido uma nova postura das empresas. Estas estão
sendo obrigadas a adotar estratégias empresariais mais modernas, focadas na qualidade, na racionalização e na
produtividade, possibilitando a obtenção de um produto final de melhor qualidade e mais barato (COSTA; FORMOSO,
1998).
• o que não adiciona valor (ou adicional) g é necessário para viabilizar o trabalho que adiciona valor. Este não deve
ser confundido com perda, embora deva ser minimizado como se fosse, pois também gera custos.
A figura a seguir, adaptada de Ohno (1988), ajuda a compreender a concepção de trabalho, na qual parte dos
movimentos dos trabalhadores é considerada como perda.
Diante deste contexto, as perdas geradas ao longo do processo de produção se tornam o centro das atenções, pois
cada vez mais as empresas são obrigadas a produzir apenas o necessário com a mínima força de trabalho, ou seja,
eliminando desperdícios.
De acordo com Formoso et al (1996) perda é qualquer ineficiência que se reflita no uso de equipamentos, materiais,
mão-de-obra e capital em quantidades superiores àquelas necessárias a produção da edificação. Sendo assim, as
perdas englobam tanto a ocorrência de desperdícios de materiais quanto a execução de tarefas desnecessárias que
geram custos adicionais e não agregam valor.
Para Jaques (1998) apud John (2000) as perdas têm origens nas mais diversas etapas do ciclo de vida do edifício.
Desde a fase de projeto, uma decisão equivocada pode ser responsável por desperdícios ou por gastos com
retrabalho. Porém, é na fase de execução onde acontece a parcela mais visível das perdas, pois todas as decisões
tomadas na fase anterior ganham dimensão física.
Uma pesquisa desenvolvida no Brasil que contou com a participação de 18 (dezoito) Universidades e 52 (cinqüenta
e duas) empresas mostrou como um de seus principais resultados que as variações na perda chegaram a ordem
de 100 vezes. Em alguns casos estas variações aconteceram entre diferentes empresas e em outros, entre canteiros
de uma mesma empresa. Essas variações revelam que é possível reduzir enormemente as perdas sem mudança na
tecnologia utilizada (AGOPYAN, et al., 1998).
Para que as perdas sejam eliminadas é preciso que as empresas saibam diferenciar, dentre as várias atividades que
fazem parte do processo produtivo, as que efetivamente contribuem para a obtenção do produto final daquelas que
são complementares (que têm possibilidade de serem melhoradas ou eliminadas sem o prejuízo do processo).
Os esforços direcionados para evitar as perdas devem ser relacionados com certa cautela, pois algumas atividades
tais como planejamento, contabilidade e prevenção de acidentes, não agregam valor ao produto, porém produzem
valor para os clientes internos.
Apesar das várias definições encontradas para perdas nas bibliografias, neste material será adotada a seguinte
definição:
Figura 4 – Divisão dos Movimentos dos Trabalhadores: Trabalho e Perdas
(adaptado de OHNO, 1988).
Similarmente à classificação de Ohno, Fritz Gehbauer no seu livro Racionalização na Construção Civil: como
melhorar processos de produção e de gestão apresenta uma metodologia, baseada na simples observação aleatória
dos trabalhadores no canteiro, para medir o grau de efetividade dos trabalhos em operação. O modo como realizar
esta observação será descrita posteriormente no capítulo 6, item 6.3.2 deste trabalho.
Apesar da importância das perdas relacionadas aos movimentos dos trabalhadores, neste trabalho será dado
mais destaque às perdas de material que, como comentado anteriormente, podem estar incorporadas ou serem
eliminadas como resíduos.
As perdas incorporadas são muito comuns nas atividades moldadas “in loco” quando são utilizadas quantidades
de materiais superiores à teoricamente prevista. Como exemplo deste tipo de perda pode-se citar um revestimento
interno de parede com argamassa que estava previsto ser realizado com 1 cm e ao término do serviço alcançou
mais de 3 cm (Figura 5). Neste caso, por exemplo, tem-se uma perda incorporada superior a 200%.
Perdas são todos as tarefas desnecessárias que elevam os custos sem adicionar
valor ao produto, podendo ser eliminadas sem prejudicar o trabalho efetivo.
Para Ohno (1988) é necessário dividir o movimento dos trabalhadores nas suas atividades em duas diferentes
dimensões: a do trabalho e a das perdas. O trabalho constitui-se do trabalho real, necessário nas empresas, e pode
ser dividido em dois tipos:
Figura 5 – Perda Incorporada.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tendo como base estudos em diversas obras8, pode-se citar como outro exemplo que as perdas de argamassa no
serviço de revestimento interno de paredes podem chegar aos seguintes indicadores percentuais:
Incorporação - 79%
Resíduos - 21%
4.2ClassificaçãodasPerdas
Levando em consideração a necessidade de se ter uma classificação de perdas melhor estruturada, dentre as várias
sugeridas por diversos outros autores, as perdas ficaram definidas e classificadas da seguinte maneira:
Figura 6 – Exemplo de Perda por Manutenção de Estoque (elevada quantidade de argamassa sendo estocada
desnecessariamente).
• perdas por superprodução;
• perdas por manutenção de estoques;
• perdas por transporte;
• perdas no movimento;
• perdas por espera;
• perdas por fabricação de produtos defeituosos;
• perdas no processamento em si;
• perdas por substituição; e
• outras perdas.
4.2.3PerdasporTransporte
4.2.1PerdasporSuperprodução
Cabe salientar que, além do tempo que é gasto no transporte em si, ainda existe o tempo e o esforço empregado no
carregamento e na descarga dos materiais, muitas vezes superior ao gasto com a atividade de transportar.
As perdas por superprodução estão relacionadas com a produção de componentes ou processamento de materiais
perecíveis, em quantidades superiores às necessárias (quantitativa) ou antecipadamente (fazendo antes que seja
necessário), possibilitando a ocorrência de perdas de materiais, mão-de-obra e equipamentos.
Este tipo de perda está relacionado a todas as atividades de movimentação de materiais que geram custos e não
adicionam valor, e que, além disso, podem ser eliminadas em um curto prazo de tempo (MEIRA et al, 1998).
Para que se consiga aumentar a eficiência da produção, as empresas construtoras devem evitar o transporte, ao
invés de simplesmente mecanizá-lo. Assim sendo, melhorias podem ser conseguidas através: do aprimoramento
do layout dos canteiros, da manutenção da limpeza nos canteiros, melhoramento na programação dos serviços,
maior precisão no sistema de informações, etc.
Este tipo de perda pode estar diretamente associado à gestão de resíduos. Um transporte inadequado aumenta
bastante a quantidade de resíduos gerados. Como exemplo pode-se citar a excessiva quebra de blocos cerâmicos
por serem transportados de forma inadequada.
Como exemplo deste tipo de perda pode-se citar a produção de argamassa em quantidade superior à necessária para
um dia de trabalho (quantitativa) ou a confecção de armaduras em quantidades superiores a necessária gerando
problemas com relação à necessidade de armazenamento além de correr o risco desta ser danificada.
4.2.2PerdasporManutençãodeEstoques
As perdas por manutenção de estoques resultam da existência de estoques elevados de materiais, produtos em
processo ou produtos inacabados, que podem ser originados por erros de planejamento ou programação, gerando
possíveis perdas de mão-de-obra e equipamentos.
Para Costa (1999), estoques em elevadas quantidades podem gerar perdas diretas e indiretas de materiais, pois
normalmente estes são depositados sem os cuidados necessários, ficando muitas vezes expostos a intempéries,
roubos, danos físicos e até mesmo, obsolescência, para o caso de materiais que possuem maior tecnologia
agregada.
Segundo este mesmo autor “a manutenção de estoques nos canteiros se justifica, de uma forma geral, pelo
fato de que os gerentes sentem-se mais seguros quando podem contar com grandes quantidades de materiais
armazenados, garantindo assim a continuidade da produção (evitar paradas), o que torna evidente os problemas
gerenciais que existem em muitas empresas desse setor, tais como a falta de planejamento, erros em orçamentos
ou programação inadequada de entrega dos materiais no canteiro”. Para ele ainda existe um outro ponto negativo
associado à manutenção de grandes estoques: a indução dos trabalhadores ao desperdício. Isso porque os
funcionários tendem a reduzir seu cuidado com os materiais, pois sabem que estes estão disponíveis em grande
quantidade no canteiro.
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Figura 7 – Blocos Cerâmicos Transportados de Forma Inadequada Favorecendo Quebra.
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Tendo como base estudos em diversas obras8, pode-se citar como outro exemplo que as perdas de argamassa no
serviço de revestimento interno de paredes podem chegar aos seguintes indicadores percentuais:
Incorporação - 79%
Resíduos - 21%
4.2ClassificaçãodasPerdas
Levando em consideração a necessidade de se ter uma classificação de perdas melhor estruturada, dentre as várias
sugeridas por diversos outros autores, as perdas ficaram definidas e classificadas da seguinte maneira:
Figura 6 – Exemplo de Perda por Manutenção de Estoque (elevada quantidade de argamassa sendo estocada
desnecessariamente).
• perdas por superprodução;
• perdas por manutenção de estoques;
• perdas por transporte;
• perdas no movimento;
• perdas por espera;
• perdas por fabricação de produtos defeituosos;
• perdas no processamento em si;
• perdas por substituição; e
• outras perdas.
4.2.3PerdasporTransporte
4.2.1PerdasporSuperprodução
Cabe salientar que, além do tempo que é gasto no transporte em si, ainda existe o tempo e o esforço empregado no
carregamento e na descarga dos materiais, muitas vezes superior ao gasto com a atividade de transportar.
As perdas por superprodução estão relacionadas com a produção de componentes ou processamento de materiais
perecíveis, em quantidades superiores às necessárias (quantitativa) ou antecipadamente (fazendo antes que seja
necessário), possibilitando a ocorrência de perdas de materiais, mão-de-obra e equipamentos.
Este tipo de perda está relacionado a todas as atividades de movimentação de materiais que geram custos e não
adicionam valor, e que, além disso, podem ser eliminadas em um curto prazo de tempo (MEIRA et al, 1998).
Para que se consiga aumentar a eficiência da produção, as empresas construtoras devem evitar o transporte, ao
invés de simplesmente mecanizá-lo. Assim sendo, melhorias podem ser conseguidas através: do aprimoramento
do layout dos canteiros, da manutenção da limpeza nos canteiros, melhoramento na programação dos serviços,
maior precisão no sistema de informações, etc.
Este tipo de perda pode estar diretamente associado à gestão de resíduos. Um transporte inadequado aumenta
bastante a quantidade de resíduos gerados. Como exemplo pode-se citar a excessiva quebra de blocos cerâmicos
por serem transportados de forma inadequada.
Como exemplo deste tipo de perda pode-se citar a produção de argamassa em quantidade superior à necessária para
um dia de trabalho (quantitativa) ou a confecção de armaduras em quantidades superiores a necessária gerando
problemas com relação à necessidade de armazenamento além de correr o risco desta ser danificada.
4.2.2PerdasporManutençãodeEstoques
As perdas por manutenção de estoques resultam da existência de estoques elevados de materiais, produtos em
processo ou produtos inacabados, que podem ser originados por erros de planejamento ou programação, gerando
possíveis perdas de mão-de-obra e equipamentos.
Para Costa (1999), estoques em elevadas quantidades podem gerar perdas diretas e indiretas de materiais, pois
normalmente estes são depositados sem os cuidados necessários, ficando muitas vezes expostos a intempéries,
roubos, danos físicos e até mesmo, obsolescência, para o caso de materiais que possuem maior tecnologia
agregada.
Segundo este mesmo autor “a manutenção de estoques nos canteiros se justifica, de uma forma geral, pelo
fato de que os gerentes sentem-se mais seguros quando podem contar com grandes quantidades de materiais
armazenados, garantindo assim a continuidade da produção (evitar paradas), o que torna evidente os problemas
gerenciais que existem em muitas empresas desse setor, tais como a falta de planejamento, erros em orçamentos
ou programação inadequada de entrega dos materiais no canteiro”. Para ele ainda existe um outro ponto negativo
associado à manutenção de grandes estoques: a indução dos trabalhadores ao desperdício. Isso porque os
funcionários tendem a reduzir seu cuidado com os materiais, pois sabem que estes estão disponíveis em grande
quantidade no canteiro.
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Figura 7 – Blocos Cerâmicos Transportados de Forma Inadequada Favorecendo Quebra.
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4.2.4PerdasnoMovimento
4.2.7PerdasnoProcessamentoemSi
As perdas no movimento estão relacionadas a todos os esforços e movimentos realizados pelos trabalhadores
desnecessariamente durante a execução de operações, interferindo negativamente na produtividade.
Para Meira et al (1998) estas perdas “originam-se na natureza das atividades do processo ou na execução
inadequada dos mesmos, decorrentes da falta de procedimentos padronizados e ineficiências nos métodos de
trabalho, da falta de treinamento dos operários ou deficiências no detalhamento e construtividade dos projetos”.
Ou seja, são oriundas da realização de atividades de processamento desnecessárias, ou realização das atividades
necessárias de maneira inadequada.
Para Costa (1999), nos canteiros de obra estas perdas são originadas por diversos fatores, a saber:
• falta de organização dos postos de trabalho;
• falta de método de trabalho;
• falta de arranjo no layout do canteiro;
• inexistência de equipamentos para efetuar as tarefas ou emprego de equipamentos inadequados; e
• outras condições insatisfatórias de trabalho, relacionadas principalmente aos esforços e às necessidades dos
operários (ergonomia, necessidades fisiológicas, descanso e segurança).
4.2.5PerdasporEspera
De acordo com Costa (1999) “as perdas no processamento em si estão relacionadas com as características básicas
de qualidade do produto e, de uma forma geral, associam-se ao patamar tecnológico ou à técnica construtiva
adotada pela empresa”.
Como exemplo pode-se citar: quebra manual de blocos devido à falta de blocos em tamanhos diferenciados para
locais onde não é viável a colocação de blocos inteiros e recortes nas pedras cerâmicas para ajustes às áreas a
serem revestidas.
As perdas por espera estão associadas aos períodos de tempo nos quais os trabalhadores e os equipamentos não
estão sendo usados produtivamente, agregando valor, embora seus custos continuem sendo despendidos.
De acordo com Costa (1999) as perdas por espera são provenientes da falta de planejamento da produção, que
ocasiona problemas de sincronismo entre as diversas atividades realizadas por diferentes trabalhadores ou entre
as atividades dos trabalhadores e o fluxo de materiais. Além disso, um outro fator que pode ocasionar perdas por
espera é o desbalanceamento entre a quantidade de trabalhadores e a capacidade de operação dos equipamentos
disponíveis no canteiro.
Um exemplo deste tipo de perda pode ser a interrupção de um serviço por falta de material para a execução de uma
determinada atividade (perda por espera de mão-de-obra) ou mesmo uma betoneira parada por falta de cimento
(perda por espera do equipamento e também de mão-de-obra, se esta não for alocada para a execução de uma
outra atividade).
4.2.6PerdasporFabricaçãodeProdutosDefeituosos
Estas perdas ocorrem quando são fabricados produtos que não estão de acordo com os requisitos de qualidade
especificados em projeto.
Figura 9 – Exemplo de Perda no Processamento (sobra de cerâmica após execução de recortes para arremates).
De acordo com Costa (1999), na construção civil estas perdas estão associadas normalmente a uma inspeção
deficiente do processo, à falta de especificações ou de detalhamento na documentação (projetos, manuais de
procedimentos), à utilização de materiais defeituosos ou de qualidade inferior, à falta de capacitação dos operários,
além de outras.
Entre as principais conseqüências de se produzir com defeito, destacam-se: a redução do desempenho do produto
final e os retrabalhos, ainda muito freqüentes no setor da construção civil. Estes, além de gerarem perda física dos
materiais utilizados, ainda causam: perdas no transporte, perdas no processamento (trabalho adicionado) e perda
das inspeções que foram necessárias quando o produto estava sendo executado pela primeira vez.
Figura 10 – Perda Incorporada de Materiais Causada pela Espessura Excessiva de Revestimento Devido a uma Má
Especificação de Projeto.
Figura 8 – Exemplo de Perda por Retrabalho (quebra de alvenaria por alteração no projeto).
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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4.2.4PerdasnoMovimento
4.2.7PerdasnoProcessamentoemSi
As perdas no movimento estão relacionadas a todos os esforços e movimentos realizados pelos trabalhadores
desnecessariamente durante a execução de operações, interferindo negativamente na produtividade.
Para Meira et al (1998) estas perdas “originam-se na natureza das atividades do processo ou na execução
inadequada dos mesmos, decorrentes da falta de procedimentos padronizados e ineficiências nos métodos de
trabalho, da falta de treinamento dos operários ou deficiências no detalhamento e construtividade dos projetos”.
Ou seja, são oriundas da realização de atividades de processamento desnecessárias, ou realização das atividades
necessárias de maneira inadequada.
Para Costa (1999), nos canteiros de obra estas perdas são originadas por diversos fatores, a saber:
• falta de organização dos postos de trabalho;
• falta de método de trabalho;
• falta de arranjo no layout do canteiro;
• inexistência de equipamentos para efetuar as tarefas ou emprego de equipamentos inadequados; e
• outras condições insatisfatórias de trabalho, relacionadas principalmente aos esforços e às necessidades dos
operários (ergonomia, necessidades fisiológicas, descanso e segurança).
4.2.5PerdasporEspera
De acordo com Costa (1999) “as perdas no processamento em si estão relacionadas com as características básicas
de qualidade do produto e, de uma forma geral, associam-se ao patamar tecnológico ou à técnica construtiva
adotada pela empresa”.
Como exemplo pode-se citar: quebra manual de blocos devido à falta de blocos em tamanhos diferenciados para
locais onde não é viável a colocação de blocos inteiros e recortes nas pedras cerâmicas para ajustes às áreas a
serem revestidas.
As perdas por espera estão associadas aos períodos de tempo nos quais os trabalhadores e os equipamentos não
estão sendo usados produtivamente, agregando valor, embora seus custos continuem sendo despendidos.
De acordo com Costa (1999) as perdas por espera são provenientes da falta de planejamento da produção, que
ocasiona problemas de sincronismo entre as diversas atividades realizadas por diferentes trabalhadores ou entre
as atividades dos trabalhadores e o fluxo de materiais. Além disso, um outro fator que pode ocasionar perdas por
espera é o desbalanceamento entre a quantidade de trabalhadores e a capacidade de operação dos equipamentos
disponíveis no canteiro.
Um exemplo deste tipo de perda pode ser a interrupção de um serviço por falta de material para a execução de uma
determinada atividade (perda por espera de mão-de-obra) ou mesmo uma betoneira parada por falta de cimento
(perda por espera do equipamento e também de mão-de-obra, se esta não for alocada para a execução de uma
outra atividade).
4.2.6PerdasporFabricaçãodeProdutosDefeituosos
Estas perdas ocorrem quando são fabricados produtos que não estão de acordo com os requisitos de qualidade
especificados em projeto.
Figura 9 – Exemplo de Perda no Processamento (sobra de cerâmica após execução de recortes para arremates).
De acordo com Costa (1999), na construção civil estas perdas estão associadas normalmente a uma inspeção
deficiente do processo, à falta de especificações ou de detalhamento na documentação (projetos, manuais de
procedimentos), à utilização de materiais defeituosos ou de qualidade inferior, à falta de capacitação dos operários,
além de outras.
Entre as principais conseqüências de se produzir com defeito, destacam-se: a redução do desempenho do produto
final e os retrabalhos, ainda muito freqüentes no setor da construção civil. Estes, além de gerarem perda física dos
materiais utilizados, ainda causam: perdas no transporte, perdas no processamento (trabalho adicionado) e perda
das inspeções que foram necessárias quando o produto estava sendo executado pela primeira vez.
Figura 10 – Perda Incorporada de Materiais Causada pela Espessura Excessiva de Revestimento Devido a uma Má
Especificação de Projeto.
Figura 8 – Exemplo de Perda por Retrabalho (quebra de alvenaria por alteração no projeto).
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Movimentos
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Espera
Fabricação de Produtos
Defeituosos
4.2.8PerdasporSubstituição
Processamento em si
Consistem na utilização de materiais com características de desempenho superiores ao especificado em projeto, no
emprego de mão-de-obra com melhor qualificação que a necessária ou no emprego de equipamentos com avanços
tecnológicos onde equipamentos mais simples poderiam ser utilizados.
Substituição
São exemplos de perda por substituição: oficiais (pedreiros, carpinteiros, etc) transportando materiais ou limpando
o canteiro de obras, tarefas que de modo geral são realizadas por serventes; substituição do acabamento em
pintura especificado em projeto por acabamento em pastilha cerâmica, entre outros.
4.2.9OutrasPerdas
Nesta categoria de perdas estão inclusas todas as perdas de natureza diferentes das descritas nas categorias
anteriores, mas que causam prejuízos para as empresas. Neste tipo de perdas relacionam-se: roubos, vandalismos,
acidentes, condições climáticas adversas, entre outras.
Cabe esclarecer que estes tipos de perda afetam cada obra de maneira diferente, uma vez que podem variar devido a
alguns fatores, como o local (bairro, cidade ou país), onde a edificação está sendo construída, a situação econômica
do país, os costumes dos trabalhadores e habitantes da região, a forma como a empresa gerencia o empreendimento
e outros. Sendo assim, um tipo de perda qualquer pode originar uma nova categoria dentro da classificação, em
função da sua relevância ou da freqüência com que ocorrem nas obras de uma determinada localidade ou país.
A seguir, na tabela 1, são apresentados exemplos de perdas segundo sua natureza, momento de incidência e
origem.
Tabela 1 – Exemplos de Perdas Segundo sua Natureza, Momento de Incidência e
Origem (adaptada de SEBRAE, 1996).
Natureza
Superprodução
Exemplo
Produção de argamassa em
quantidade superior à
necessária para um dia de
trabalho.
Manutenção de Estoques Deterioração da argamassa
estocada.
Transporte
Movimentos
Espera
Fabricação de Produtos
Defeituosos
Processamento em si
Substituição
20
Momento de
Incidência
Produção
Armazenamento
Origem
Planejamento: falta de
procedimentos de controle.
Planejamento: falta de
procedimentos referentes às
condições adequadas de
armazenamento.
Condições inadequadas para Recebimento, transporte, Gerência da obra: falha no
transporte.
produção
planejamento de meios para
executar o transporte de
materiais.
Tempo excessivo de
Produção
Gerência da obra: falta de
deslocamento devido às
planejamento das seqüências
grandes distâncias entre os
de atividades e dos postos de
postos de trabalho.
trabalho.
Parada na execução dos
Produção
Suprimentos: falha na
serviços por falta de material.
programação de compras.
Espessura de lajes e vigas
Produção, inspeção.
Projeto: falhas no sistema de
diferentes das especificadas
fôrmas utilizado.
em projeto.
Necessidade de quebrar uma Produção
Planejamento: falhas no
laje depois de pronta para
sistema de controles.
passagem de instalações.
Recursos humanos: falta de
treinamento dos funcionários.
Substituição do acabamento Produção
Suprimentos: falha na
em pintura especificado em
programação de compras.
projeto por acabamento em
Planejamento: falhas no
pastilha cerâmica
sistema de controles.
executar o transporte de
materiais.
Tempo excessivo de
Produção
Gerência da obra: falta de
deslocamento devido às
planejamento das seqüências
grandes distâncias entre os
de atividades e dos postos de
postos de trabalho.
trabalho.
Parada na execução dos
Produção GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Suprimentos: falha na
serviços por falta de material.
programação de compras.
Espessura de lajes e vigas
Produção, inspeção.
Projeto: falhas no sistema de
diferentes das especificadas
fôrmas utilizado.
em projeto.
Necessidade de quebrar uma Produção
Planejamento: falhas no
laje depois de pronta para
sistema de controles.
passagem de instalações.
Recursos humanos: falta de
treinamento dos funcionários.
Substituição do acabamento Produção
Suprimentos: falha na
em pintura especificado em
programação de compras.
projeto por acabamento em
Planejamento: falhas no
pastilha cerâmica
sistema de controles.
4.3PerdasxGeraçãodeResíduos
Com base na classificação, pode-se dividir as perdas em dois tipos: as que englobam os desperdícios de materiais
e as que englobam a execução de tarefas desnecessárias que geram custos adicionais e não agregam valor.
No primeiro grupo estão as perdas responsáveis pela geração de resíduos e, de acordo com a classificação
estabelecida no item 4.2, estas perdas seriam:
• perdas por superprodução;
• perdas por manutenção de estoques;
• perdas por transporte;
• perdas por fabricação de produtos defeituosos; e
• perdas no processamento em si.
Os outros tipos de perdas (perdas nos movimentos e perdas por espera), apesar de não serem responsáveis por
gerarem resíduos devem ser cuidadas para serem eliminadas, pois geram desperdícios de tempo, além de perdas
financeiras.
Na indústria da construção civil alguns fatores contribuem negativamente para o aumento no volume de resíduos
gerados. É uma indústria antiga, na qual, diferentemente de outros ramos industriais, as máquinas foram inseridas
em pequena escala, o trabalho manual é a base da atividade produtiva e o trabalho se organiza em torno de
especializações. Além desses agravantes, Meseguer (1991) ainda destaca algumas outras peculiaridades:
• cada produto é único e normalmente não seriado;
• o produto é fixo e os operários são móveis, ao contrário da produção seriada, dificultando a organização e
controle; e
• trata-se de uma indústria muito tradicional, que apresenta muita inércia às alterações;
Por todas estas especificidades nota-se o grande problema vivido pela indústria da construção no tocante às
perdas e geração de resíduos. Assim, no capítulo a seguir, serão apresentadas algumas diretrizes para gerenciar os
resíduos de construção.
21
Movimentos
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Espera
Fabricação de Produtos
Defeituosos
4.2.8PerdasporSubstituição
Processamento em si
Consistem na utilização de materiais com características de desempenho superiores ao especificado em projeto, no
emprego de mão-de-obra com melhor qualificação que a necessária ou no emprego de equipamentos com avanços
tecnológicos onde equipamentos mais simples poderiam ser utilizados.
Substituição
São exemplos de perda por substituição: oficiais (pedreiros, carpinteiros, etc) transportando materiais ou limpando
o canteiro de obras, tarefas que de modo geral são realizadas por serventes; substituição do acabamento em
pintura especificado em projeto por acabamento em pastilha cerâmica, entre outros.
4.2.9OutrasPerdas
Nesta categoria de perdas estão inclusas todas as perdas de natureza diferentes das descritas nas categorias
anteriores, mas que causam prejuízos para as empresas. Neste tipo de perdas relacionam-se: roubos, vandalismos,
acidentes, condições climáticas adversas, entre outras.
Cabe esclarecer que estes tipos de perda afetam cada obra de maneira diferente, uma vez que podem variar devido a
alguns fatores, como o local (bairro, cidade ou país), onde a edificação está sendo construída, a situação econômica
do país, os costumes dos trabalhadores e habitantes da região, a forma como a empresa gerencia o empreendimento
e outros. Sendo assim, um tipo de perda qualquer pode originar uma nova categoria dentro da classificação, em
função da sua relevância ou da freqüência com que ocorrem nas obras de uma determinada localidade ou país.
A seguir, na tabela 1, são apresentados exemplos de perdas segundo sua natureza, momento de incidência e
origem.
Tabela 1 – Exemplos de Perdas Segundo sua Natureza, Momento de Incidência e
Origem (adaptada de SEBRAE, 1996).
Natureza
Superprodução
Exemplo
Produção de argamassa em
quantidade superior à
necessária para um dia de
trabalho.
Manutenção de Estoques Deterioração da argamassa
estocada.
Transporte
Movimentos
Espera
Fabricação de Produtos
Defeituosos
Processamento em si
Substituição
20
Momento de
Incidência
Produção
Armazenamento
Origem
Planejamento: falta de
procedimentos de controle.
Planejamento: falta de
procedimentos referentes às
condições adequadas de
armazenamento.
Condições inadequadas para Recebimento, transporte, Gerência da obra: falha no
transporte.
produção
planejamento de meios para
executar o transporte de
materiais.
Tempo excessivo de
Produção
Gerência da obra: falta de
deslocamento devido às
planejamento das seqüências
grandes distâncias entre os
de atividades e dos postos de
postos de trabalho.
trabalho.
Parada na execução dos
Produção
Suprimentos: falha na
serviços por falta de material.
programação de compras.
Espessura de lajes e vigas
Produção, inspeção.
Projeto: falhas no sistema de
diferentes das especificadas
fôrmas utilizado.
em projeto.
Necessidade de quebrar uma Produção
Planejamento: falhas no
laje depois de pronta para
sistema de controles.
passagem de instalações.
Recursos humanos: falta de
treinamento dos funcionários.
Substituição do acabamento Produção
Suprimentos: falha na
em pintura especificado em
programação de compras.
projeto por acabamento em
Planejamento: falhas no
pastilha cerâmica
sistema de controles.
executar o transporte de
materiais.
Tempo excessivo de
Produção
Gerência da obra: falta de
deslocamento devido às
planejamento das seqüências
grandes distâncias entre os
de atividades e dos postos de
postos de trabalho.
trabalho.
Parada na execução dos
Produção GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Suprimentos: falha na
serviços por falta de material.
programação de compras.
Espessura de lajes e vigas
Produção, inspeção.
Projeto: falhas no sistema de
diferentes das especificadas
fôrmas utilizado.
em projeto.
Necessidade de quebrar uma Produção
Planejamento: falhas no
laje depois de pronta para
sistema de controles.
passagem de instalações.
Recursos humanos: falta de
treinamento dos funcionários.
Substituição do acabamento Produção
Suprimentos: falha na
em pintura especificado em
programação de compras.
projeto por acabamento em
Planejamento: falhas no
pastilha cerâmica
sistema de controles.
4.3PerdasxGeraçãodeResíduos
Com base na classificação, pode-se dividir as perdas em dois tipos: as que englobam os desperdícios de materiais
e as que englobam a execução de tarefas desnecessárias que geram custos adicionais e não agregam valor.
No primeiro grupo estão as perdas responsáveis pela geração de resíduos e, de acordo com a classificação
estabelecida no item 4.2, estas perdas seriam:
• perdas por superprodução;
• perdas por manutenção de estoques;
• perdas por transporte;
• perdas por fabricação de produtos defeituosos; e
• perdas no processamento em si.
Os outros tipos de perdas (perdas nos movimentos e perdas por espera), apesar de não serem responsáveis por
gerarem resíduos devem ser cuidadas para serem eliminadas, pois geram desperdícios de tempo, além de perdas
financeiras.
Na indústria da construção civil alguns fatores contribuem negativamente para o aumento no volume de resíduos
gerados. É uma indústria antiga, na qual, diferentemente de outros ramos industriais, as máquinas foram inseridas
em pequena escala, o trabalho manual é a base da atividade produtiva e o trabalho se organiza em torno de
especializações. Além desses agravantes, Meseguer (1991) ainda destaca algumas outras peculiaridades:
• cada produto é único e normalmente não seriado;
• o produto é fixo e os operários são móveis, ao contrário da produção seriada, dificultando a organização e
controle; e
• trata-se de uma indústria muito tradicional, que apresenta muita inércia às alterações;
Por todas estas especificidades nota-se o grande problema vivido pela indústria da construção no tocante às
perdas e geração de resíduos. Assim, no capítulo a seguir, serão apresentadas algumas diretrizes para gerenciar os
resíduos de construção.
21
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
5.DIRETRIZESPARAGERENCIAMENTODERESÍDUOSDACONSTRUÇÃO
RESÍDUOS CLASSE A - REUTILIZÁVEIS
OU RECICLÁVEIS COMO AGREGADOS
5.1AResolução307doCONAMA
Como já mencionado, é de extrema importância que sejam implantadas ações para a efetiva redução dos impactos
ambientais gerados pelos resíduos oriundos da construção civil. O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA,
preocupado com o aumento da disposição de resíduos da construção em locais inadequados, publicou em 5 de
julho de 2002 uma Resolução que estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos
da construção civil, além de disciplinar as ações necessárias de forma a minimizar os impactos ambientais: a
Resolução n°307.
Os provenientes de construções,
reformas, reparos e demolições
de obras de construção civil, e os
resultantes da preparação e da
escavação de terrenos, tais como:
tijolos, blocos, cerâmicos, concreto
em geral, solos, rochas, metais,
resinas, colas, tintas, madeiras e
compensados, forros, argamassa,
gesso, telhas, pavimento asfáltico,
vidors, plásticos, tubulações, fiação
elétrica etc., comumente chamados
de entulhos de obras, caliça ou
metralha.
Esta Resolução, que entrou em vigor em 02 de janeiro de 2003, define como resíduos da construção civil aqueles
oriundos de atividades de construção, reforma, reparos e demolições de estruturas e estradas, bem como aqueles
resultantes da remoção de vegetação e escavação de solos.
RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
Os provenientes de construções,
reformas, reparos e demolições
de obras de construção civil, e os
resultantes da preparação e da
escavação de terrenos, tais como:
tijolos, blocos, cerâmicos, concreto
em geral, solos, rochas, metais,
resinas, colas, tintas, madeiras e
compensados, forros, argamassa,
gesso, telhas, pavimento asfáltico,
vidors, plásticos, tubulações, fiação
elétrica etc., comumente chamados
de entulhos de obras, caliça ou
metralha.
Destinação:
Deverão ser reutilizados ou reciclados na
forma de agregados, ou encaminhados a áreas de aterro de resíduos da construção civil, sendo dispostos de modo
a permitir a sua utilização ou reciclagem futura.
RESÍDUOS CLASSE B - RECICLÁVEIS
PARA OUTRAS DESTINAÇÕES
Plásticos, papel/papelão,
metais, vidros, madeiras e outros.
Na Resolução 307 são encontradas várias definições de termos relacionados à gestão de resíduos
da construção, além de estabelecer uma classificação para estes resíduos, a saber:
• Resíduos Classe A;
• Resíduos Classe B;
• Resíduos Classe C; e
• Resíduos Classe D.
Destinação:
Deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário, sendo dispostos de
modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
5.DIRETRIZESPARAGERENCIAMENTODERESÍDUOSDACONSTRUÇÃO
RESÍDUOS CLASSE A - REUTILIZÁVEIS
OU RECICLÁVEIS COMO AGREGADOS
5.1AResolução307doCONAMA
Como já mencionado, é de extrema importância que sejam implantadas ações para a efetiva redução dos impactos
ambientais gerados pelos resíduos oriundos da construção civil. O Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA,
preocupado com o aumento da disposição de resíduos da construção em locais inadequados, publicou em 5 de
julho de 2002 uma Resolução que estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos
da construção civil, além de disciplinar as ações necessárias de forma a minimizar os impactos ambientais: a
Resolução n°307.
Os provenientes de construções,
reformas, reparos e demolições
de obras de construção civil, e os
resultantes da preparação e da
escavação de terrenos, tais como:
tijolos, blocos, cerâmicos, concreto
em geral, solos, rochas, metais,
resinas, colas, tintas, madeiras e
compensados, forros, argamassa,
gesso, telhas, pavimento asfáltico,
vidors, plásticos, tubulações, fiação
elétrica etc., comumente chamados
de entulhos de obras, caliça ou
metralha.
Esta Resolução, que entrou em vigor em 02 de janeiro de 2003, define como resíduos da construção civil aqueles
oriundos de atividades de construção, reforma, reparos e demolições de estruturas e estradas, bem como aqueles
resultantes da remoção de vegetação e escavação de solos.
RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL
Os provenientes de construções,
reformas, reparos e demolições
de obras de construção civil, e os
resultantes da preparação e da
escavação de terrenos, tais como:
tijolos, blocos, cerâmicos, concreto
em geral, solos, rochas, metais,
resinas, colas, tintas, madeiras e
compensados, forros, argamassa,
gesso, telhas, pavimento asfáltico,
vidors, plásticos, tubulações, fiação
elétrica etc., comumente chamados
de entulhos de obras, caliça ou
metralha.
Destinação:
Deverão ser reutilizados ou reciclados na
forma de agregados, ou encaminhados a áreas de aterro de resíduos da construção civil, sendo dispostos de modo
a permitir a sua utilização ou reciclagem futura.
RESÍDUOS CLASSE B - RECICLÁVEIS
PARA OUTRAS DESTINAÇÕES
Plásticos, papel/papelão,
metais, vidros, madeiras e outros.
Na Resolução 307 são encontradas várias definições de termos relacionados à gestão de resíduos
da construção, além de estabelecer uma classificação para estes resíduos, a saber:
• Resíduos Classe A;
• Resíduos Classe B;
• Resíduos Classe C; e
• Resíduos Classe D.
Destinação:
Deverão ser reutilizados, reciclados ou encaminhados a áreas de armazenamento temporário, sendo dispostos de
modo a permitir a sua utilização ou reciclagem futura.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
RESÍDUOS CLASSE C - SEM TECNOLOGIA
ECONOMICAMENTE VIÁVEL PARA RECICLAGEM
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
De acordo com esta Resolução, os geradores devem ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e,
secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final.
São resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias
ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua
reciclagem/recuperação, tais como os produtos oriundos do
gesso.
Figura 11 – Pilares da Resolução 307 do CONAMA.
Destinação:
Deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas.
A elaboração e implantação do Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) pelos geradores
é uma outra exigência da Resolução 307. Estes projetos deverão ser elaborados pelos grandes geradores9 para
cada novo empreendimento e encaminhado para análise do órgão municipal competente. Para os empreendimentos
que necessitam de licenciamento ambiental, o PGRCC deverá ser analisado dentro do processo de licenciamento,
junto ao órgão ambiental.
O projeto tem como objetivo o estabelecimento dos procedimentos necessários para o manejo e destinação
ambientalmente adequados dos resíduos, e contemplar as seguintes etapas:
RESÍDUOS CLASSE D - PERIGOSOS ORIUNDOS DO
PROCESSO DE CONSTRUÇÃO
Tintas, solventes, óleos e outros
ou aqueles contaminados ou
prejudiciais à saúde oriundos de
demolições, reformas e reparos de
clínicas radiológicas, instalações
industriais e outros, bem como
telhas e demais objetos e materiais
que contenham amianto ou outros
produtos nocivos à saúde.
• caracterização g nesta etapa o gerador deverá identificar e quantificar os resíduos;
• triagem g deverá ser realizada, preferencialmente, pelo gerador na origem, ou ser realizada nas áreas de destinação
licenciadas para essa finalidade, respeitadas as classes de resíduos;
• acondicionamento g o gerador deverá garantir o confinamento dos resíduos após a geração até a etapa de
transporte, assegurando em todos os casos em que seja possível, as condições de reutilização e de reciclagem;
• transporte g deverá ser realizado em conformidade com as etapas anteriores e de acordo com as normas técnicas
vigentes para o transporte de resíduos; e
• destinação g deverá ser prevista de acordo com a classificação de cada resíduo, como será visto na seqüência
deste trabalho.
Já para os municípios e para o Distrito Federal, esta Resolução determina que seja implementada a gestão dos
resíduos da construção civil através da elaboração do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção
Civil. Este plano deve conter:
Destinação:
• as diretrizes técnicas e procedimentos para o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção
Civil e para os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil a serem elaborados pelos grandes
geradores, possibilitando o exercício das responsabilidades de todos os geradores;
Deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas
específicas.
No caso particular dos resíduos Classe D, a Resolução 307 foi complementada pela Resolução 348 (2004), que
inclui nesta Classe os resíduos nocivos à saúde, com especial destaque aos produtos que contém amianto.
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RESÍDUOS CLASSE C - SEM TECNOLOGIA
ECONOMICAMENTE VIÁVEL PARA RECICLAGEM
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
De acordo com esta Resolução, os geradores devem ter como objetivo prioritário a não geração de resíduos e,
secundariamente, a redução, a reutilização, a reciclagem e a destinação final.
São resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias
ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua
reciclagem/recuperação, tais como os produtos oriundos do
gesso.
Figura 11 – Pilares da Resolução 307 do CONAMA.
Destinação:
Deverão ser armazenados, transportados e destinados em conformidade com as normas técnicas específicas.
A elaboração e implantação do Projeto de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (PGRCC) pelos geradores
é uma outra exigência da Resolução 307. Estes projetos deverão ser elaborados pelos grandes geradores9 para
cada novo empreendimento e encaminhado para análise do órgão municipal competente. Para os empreendimentos
que necessitam de licenciamento ambiental, o PGRCC deverá ser analisado dentro do processo de licenciamento,
junto ao órgão ambiental.
O projeto tem como objetivo o estabelecimento dos procedimentos necessários para o manejo e destinação
ambientalmente adequados dos resíduos, e contemplar as seguintes etapas:
RESÍDUOS CLASSE D - PERIGOSOS ORIUNDOS DO
PROCESSO DE CONSTRUÇÃO
Tintas, solventes, óleos e outros
ou aqueles contaminados ou
prejudiciais à saúde oriundos de
demolições, reformas e reparos de
clínicas radiológicas, instalações
industriais e outros, bem como
telhas e demais objetos e materiais
que contenham amianto ou outros
produtos nocivos à saúde.
• caracterização g nesta etapa o gerador deverá identificar e quantificar os resíduos;
• triagem g deverá ser realizada, preferencialmente, pelo gerador na origem, ou ser realizada nas áreas de destinação
licenciadas para essa finalidade, respeitadas as classes de resíduos;
• acondicionamento g o gerador deverá garantir o confinamento dos resíduos após a geração até a etapa de
transporte, assegurando em todos os casos em que seja possível, as condições de reutilização e de reciclagem;
• transporte g deverá ser realizado em conformidade com as etapas anteriores e de acordo com as normas técnicas
vigentes para o transporte de resíduos; e
• destinação g deverá ser prevista de acordo com a classificação de cada resíduo, como será visto na seqüência
deste trabalho.
Já para os municípios e para o Distrito Federal, esta Resolução determina que seja implementada a gestão dos
resíduos da construção civil através da elaboração do Plano Integrado de Gerenciamento de Resíduos da Construção
Civil. Este plano deve conter:
Destinação:
• as diretrizes técnicas e procedimentos para o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção
Civil e para os Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil a serem elaborados pelos grandes
geradores, possibilitando o exercício das responsabilidades de todos os geradores;
Deverão ser armazenados, transportados, reutilizados e destinados em conformidade com as normas técnicas
específicas.
No caso particular dos resíduos Classe D, a Resolução 307 foi complementada pela Resolução 348 (2004), que
inclui nesta Classe os resíduos nocivos à saúde, com especial destaque aos produtos que contém amianto.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
• o cadastramento de áreas, públicas ou privadas, aptas para recebimento, triagem e armazenamento temporário de
pequenos volumes, em conformidade com o porte da área urbana municipal, possibilitando a destinação posterior
dos resíduos oriundos de pequenos geradores às áreas de beneficiamento;
• o estabelecimento de processos de licenciamento para as áreas de beneficiamento e de disposição final de
resíduos;
• a proibição da disposição dos resíduos de construção em áreas não licenciadas;
• o incentivo à reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados no ciclo produtivo;
• a definição de critérios para o cadastramento de transportadores;
• as ações de orientação, de fiscalização e de controle dos agentes envolvidos; e
• as ações educativas visando reduzir a geração de resíduos e possibilitar a sua segregação.
5.2Organização,LimpezaeSegregaçãodeResíduos
Figura 12 – Armazenamento Inadequado de Revestimento Cerâmico Gerando Perda.
A organização, a limpeza e a segregação de resíduos estão diretamente relacionadas com a questão de perdas,
tanto de materiais, quanto de mão-de-obra. Ao se promover uma adequada limpeza e segregação dos resíduos se
consegue reduzir enormemente os índices de perda no canteiro, pois:
• o canteiro de obra fica mais limpo e organizado;
• se evita a mistura entre os insumos e os resíduos, pois estes serão triados, evitando que materiais novos sejam
descartados como resíduo;
• haverá a possibilidade de reaproveitamento dos resíduos antes do descarte;
• todos os resíduos a serem descartados serão quantificados e qualificados, o que poderá colaborar na identificação
de possíveis focos de desperdício.
Um outro ponto importante no tocante à limpeza do canteiro é a diminuição da incidência de acidentes de trabalho
proporcionada por um local de trabalho mais seguro. Vale salientar também que um ambiente de trabalho mais
limpo e organizado aumenta a satisfação dos colaboradores, promovendo ganhos também para a empresa.
Já com relação à segregação vale salientar que esta deve acontecer imediatamente após a geração do resíduo,
ainda na origem, para evitar a mistura e contaminação destes.
Como visto no item anterior, a Resolução 307 do CONAMA salienta que os geradores devem ter como objetivo
prioritário a não geração de resíduos o que favorece sensivelmente a limpeza do canteiro de obras. Com relação
a isso, Pinto et al (2005) salienta que a utilização de projetos e sistemas construtivos racionalizados, além das
práticas de gestão da qualidade já consolidadas podem propiciar enormes contribuições para a redução do volume
de resíduos gerados.
A maneira que os materiais são estocados no canteiro de obras e como acontece o fluxo destes materiais pode
favorecer a redução de perdas, ou aumentá-la significativamente.
As figuras que serão apresentadas na seqüência mostram como um canteiro mal organizado é capaz de gerar de
perdas.
26
Figura 13 – Blocos Cerâmicos Mal Acondicionados e Espalhados no Canteiro, Possibilitando Quebra e Favorecendo o
Desperdício.
Pinto et al (2005) destaca que a estocagem dos diversos materiais no canteiro deve obedecer alguns critérios, a
saber:
• classificação;
• freqüência de utilização;
• empilhamento máximo;
• distanciamento entre as fileiras;
• alinhamento das pilhas;
• distanciamento do solo;
• separação, isolamento ou envolvimento por ripas, papelão, isopor, ou material similar para materiais frágeis; e
• preservação da limpeza e proteção contra a umidade do local (conservação dos ensacados).
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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• o cadastramento de áreas, públicas ou privadas, aptas para recebimento, triagem e armazenamento temporário de
pequenos volumes, em conformidade com o porte da área urbana municipal, possibilitando a destinação posterior
dos resíduos oriundos de pequenos geradores às áreas de beneficiamento;
• o estabelecimento de processos de licenciamento para as áreas de beneficiamento e de disposição final de
resíduos;
• a proibição da disposição dos resíduos de construção em áreas não licenciadas;
• o incentivo à reinserção dos resíduos reutilizáveis ou reciclados no ciclo produtivo;
• a definição de critérios para o cadastramento de transportadores;
• as ações de orientação, de fiscalização e de controle dos agentes envolvidos; e
• as ações educativas visando reduzir a geração de resíduos e possibilitar a sua segregação.
5.2Organização,LimpezaeSegregaçãodeResíduos
Figura 12 – Armazenamento Inadequado de Revestimento Cerâmico Gerando Perda.
A organização, a limpeza e a segregação de resíduos estão diretamente relacionadas com a questão de perdas,
tanto de materiais, quanto de mão-de-obra. Ao se promover uma adequada limpeza e segregação dos resíduos se
consegue reduzir enormemente os índices de perda no canteiro, pois:
• o canteiro de obra fica mais limpo e organizado;
• se evita a mistura entre os insumos e os resíduos, pois estes serão triados, evitando que materiais novos sejam
descartados como resíduo;
• haverá a possibilidade de reaproveitamento dos resíduos antes do descarte;
• todos os resíduos a serem descartados serão quantificados e qualificados, o que poderá colaborar na identificação
de possíveis focos de desperdício.
Um outro ponto importante no tocante à limpeza do canteiro é a diminuição da incidência de acidentes de trabalho
proporcionada por um local de trabalho mais seguro. Vale salientar também que um ambiente de trabalho mais
limpo e organizado aumenta a satisfação dos colaboradores, promovendo ganhos também para a empresa.
Já com relação à segregação vale salientar que esta deve acontecer imediatamente após a geração do resíduo,
ainda na origem, para evitar a mistura e contaminação destes.
Como visto no item anterior, a Resolução 307 do CONAMA salienta que os geradores devem ter como objetivo
prioritário a não geração de resíduos o que favorece sensivelmente a limpeza do canteiro de obras. Com relação
a isso, Pinto et al (2005) salienta que a utilização de projetos e sistemas construtivos racionalizados, além das
práticas de gestão da qualidade já consolidadas podem propiciar enormes contribuições para a redução do volume
de resíduos gerados.
A maneira que os materiais são estocados no canteiro de obras e como acontece o fluxo destes materiais pode
favorecer a redução de perdas, ou aumentá-la significativamente.
As figuras que serão apresentadas na seqüência mostram como um canteiro mal organizado é capaz de gerar de
perdas.
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Figura 13 – Blocos Cerâmicos Mal Acondicionados e Espalhados no Canteiro, Possibilitando Quebra e Favorecendo o
Desperdício.
Pinto et al (2005) destaca que a estocagem dos diversos materiais no canteiro deve obedecer alguns critérios, a
saber:
• classificação;
• freqüência de utilização;
• empilhamento máximo;
• distanciamento entre as fileiras;
• alinhamento das pilhas;
• distanciamento do solo;
• separação, isolamento ou envolvimento por ripas, papelão, isopor, ou material similar para materiais frágeis; e
• preservação da limpeza e proteção contra a umidade do local (conservação dos ensacados).
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Figura 14 – Exemplo de Organização no Armazenamento de Materiais.
Figura 16 – Bombonas de 50l para Acondicionamento Inicial dos Resíduos.
A boa organização dos espaços destinados ao armazenamento dos materiais possibilita uma boa verificação,
controle dos estoques e otimização na utilização dos insumos (PINTO et al, 2005).
Para o caso de resíduos orgânicos e suas embalagens, copos plásticos usados, papéis sujos (refeitório, sanitários
e áreas de vivência) ou outros passíveis de coleta pública o acondicionamento inicial deverá ser feito em recipientes
com tampa contendo internamente um saco de lixo simples.
É necessário, portanto, atentar para as vantagens de se ter um canteiro bem organizado, pois um canteiro assim
faz com que sejam evitados desperdícios na utilização e na aquisição dos materiais. Em alguns casos, quando os
materiais permanecem espalhados pelo canteiro estes podem terminar sendo descartados como resíduo.
Figura 17 – Recipiente para Resíduos Orgânicos.
Figura 15 – Cimento Espalhado pelo Canteiro que Pode ser Descartado como Resíduo.
5.3AcondicionamentodosResíduos
Após ser feita a segregação dos resíduos, é necessário que estes sejam acondicionados de uma forma correta,
desde a segregação nos locais de geração até o transporte para o destino final.
O acondicionamento inicial é feito no próprio local onde os resíduos são gerados. Existem alguns dispositivos
que podem ser utilizados para este fim. Plásticos, madeiras, papeis e metais de pequenas dimensões podem ser
acondicionados em bombonas10 ou outro recipiente aberto e resistente. Internamente os recipientes podem conter
um saco de ráfia adequado ao tamanho do recipiente, dobrado para fora, facilitando a disposição dos resíduos e a
coleta para destinação final.
28
Outros resíduos mais pesados ou em maiores dimensões não necessitam de recipientes específicos para
acondicionamento inicial. Os resíduos classe A, por exemplo, podem ser acondicionados em pilhas próximas ao
local de transporte interno (balança, grua ou coletor de entulho).
A seguir na Tabela 2, será apresentada uma relação entre o tipo de resíduo e a forma que estes devem ser
acondicionados inicialmente.
29
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Figura 14 – Exemplo de Organização no Armazenamento de Materiais.
Figura 16 – Bombonas de 50l para Acondicionamento Inicial dos Resíduos.
A boa organização dos espaços destinados ao armazenamento dos materiais possibilita uma boa verificação,
controle dos estoques e otimização na utilização dos insumos (PINTO et al, 2005).
Para o caso de resíduos orgânicos e suas embalagens, copos plásticos usados, papéis sujos (refeitório, sanitários
e áreas de vivência) ou outros passíveis de coleta pública o acondicionamento inicial deverá ser feito em recipientes
com tampa contendo internamente um saco de lixo simples.
É necessário, portanto, atentar para as vantagens de se ter um canteiro bem organizado, pois um canteiro assim
faz com que sejam evitados desperdícios na utilização e na aquisição dos materiais. Em alguns casos, quando os
materiais permanecem espalhados pelo canteiro estes podem terminar sendo descartados como resíduo.
Figura 17 – Recipiente para Resíduos Orgânicos.
Figura 15 – Cimento Espalhado pelo Canteiro que Pode ser Descartado como Resíduo.
5.3AcondicionamentodosResíduos
Após ser feita a segregação dos resíduos, é necessário que estes sejam acondicionados de uma forma correta,
desde a segregação nos locais de geração até o transporte para o destino final.
O acondicionamento inicial é feito no próprio local onde os resíduos são gerados. Existem alguns dispositivos
que podem ser utilizados para este fim. Plásticos, madeiras, papeis e metais de pequenas dimensões podem ser
acondicionados em bombonas10 ou outro recipiente aberto e resistente. Internamente os recipientes podem conter
um saco de ráfia adequado ao tamanho do recipiente, dobrado para fora, facilitando a disposição dos resíduos e a
coleta para destinação final.
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Outros resíduos mais pesados ou em maiores dimensões não necessitam de recipientes específicos para
acondicionamento inicial. Os resíduos classe A, por exemplo, podem ser acondicionados em pilhas próximas ao
local de transporte interno (balança, grua ou coletor de entulho).
A seguir na Tabela 2, será apresentada uma relação entre o tipo de resíduo e a forma que estes devem ser
acondicionados inicialmente.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 2 – Exemplos de Soluções para Acondicionamento Inicial dos Resíduos
(adaptada de PINTO et al, 2005).
Tipo de Resíduo
Acondicionamento Inicial
Blocos de concreto, blocos cerâmicos,
argamassas, componentes cerâmicos,
concreto, tijolos e similares
Pilhas formadas próximas aos locais de
transporte interno, nos respectivos pavimentos
Madeira
Bombonas ou pilhas formadas nas proximidades
da própria bombona ou dos dispositivos de
transporte vertical
Plásticos (embalagens, aparas de
tubulações, etc.)
Bombonas ou fardos
Papelão (sacos e caixas de embalagens
utilizados) e papéis (escritório)
Bombonas ou fardos
Metal (ferro, aço, fiação, arame, etc.)
Bombonas
Serragem
Sacos de ráfia próximos aos locais de geração
Gesso de revestimento, placas e artefatos
Sacos de embalagem do gesso ou sacos de ráfia
próximos aos locais de geração
Solos
Eventualmente em pilhas para imediata remoção
Telas de fachada e de proteção
Recolher após o uso e dispor em local adequado,
sendo este já para acondicionamento final.
EPS (poliestireno expandido) – ex: isopor
Quando em pequenos pedaços, colocar em sacos
de ráfia. Em placas, formar fardos.
Resíduos perigosos presentes em
embalagens plásticas, instrumentos de
aplicação (pincéis, broxas e trinchas) e
outros materiais auxiliares (panos, trapos,
estopas, etc.)
Manuseio com os cuidados observados pelo
fabricante do insumo na ficha de segurança da
embalagem ou do elemento contaminante do
instrumento de trabalho. Imediato transporte
pelo usuário para o local de acondicionamento
final.
Restos de uniformes, botas, panos e trapos
sem contaminação por produtos químicos.
Disposição nos bags para resíduos diversos
sendo este o acondicionamento final.
O acondicionamento final dos resíduos deve ser feito de modo a facilitar sua retirada e destinação final. Este
acondicionamento deve garantir que os resíduos continuem segregados e mantendo as características necessárias
para reciclagem. Os materiais leves podem ser acondicionados em big bags11. Outros materiais podem ser
acondicionados em baias12 fixas ou móveis ou caçambas estacionárias13.
Os big bags podem ser utilizados no acondicionamento de papeis, plásticos e outros materiais leves como
fardamentos, luvas, botas, etc. O tamanho recomendado para os bags é de 90 cm x 90 cm x 120 cm. O local dos
bags deve ser coberto e protegido de chuva, pois resíduos de papel e papelão perdem a possibilidade de reciclagem
se molhados. Devem ser construídos suportes para o posicionamento dos bags, que podem ser metálicos ou em
madeira e podem ser construídos no próprio canteiro. A finalidade do suporte é manter o bag aberto, portanto o
bag deve estar apoiado no chão, e não suspenso. É recomendado o uso de dobradiças ou dispositivos de encaixe
na parte frontal do suporte para facilitar a retirada do bag. A sinalização do material a ser acondicionado no bag
deve estar presa ao suporte.
Figura 18 – Big Bag em Suporte Metálico.
Figura 19 – Big Bags em Suporte de Madeira.
O suporte deve ter altura aproximada de 1,60m e largura de 1,20m. É importante sempre confirmar as dimensões
após a aquisição dos bags.
• Big Bags
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31
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Tabela 2 – Exemplos de Soluções para Acondicionamento Inicial dos Resíduos
(adaptada de PINTO et al, 2005).
Tipo de Resíduo
Acondicionamento Inicial
Blocos de concreto, blocos cerâmicos,
argamassas, componentes cerâmicos,
concreto, tijolos e similares
Pilhas formadas próximas aos locais de
transporte interno, nos respectivos pavimentos
Madeira
Bombonas ou pilhas formadas nas proximidades
da própria bombona ou dos dispositivos de
transporte vertical
Plásticos (embalagens, aparas de
tubulações, etc.)
Bombonas ou fardos
Papelão (sacos e caixas de embalagens
utilizados) e papéis (escritório)
Bombonas ou fardos
Metal (ferro, aço, fiação, arame, etc.)
Bombonas
Serragem
Sacos de ráfia próximos aos locais de geração
Gesso de revestimento, placas e artefatos
Sacos de embalagem do gesso ou sacos de ráfia
próximos aos locais de geração
Solos
Eventualmente em pilhas para imediata remoção
Telas de fachada e de proteção
Recolher após o uso e dispor em local adequado,
sendo este já para acondicionamento final.
EPS (poliestireno expandido) – ex: isopor
Quando em pequenos pedaços, colocar em sacos
de ráfia. Em placas, formar fardos.
Resíduos perigosos presentes em
embalagens plásticas, instrumentos de
aplicação (pincéis, broxas e trinchas) e
outros materiais auxiliares (panos, trapos,
estopas, etc.)
Manuseio com os cuidados observados pelo
fabricante do insumo na ficha de segurança da
embalagem ou do elemento contaminante do
instrumento de trabalho. Imediato transporte
pelo usuário para o local de acondicionamento
final.
Restos de uniformes, botas, panos e trapos
sem contaminação por produtos químicos.
Disposição nos bags para resíduos diversos
sendo este o acondicionamento final.
O acondicionamento final dos resíduos deve ser feito de modo a facilitar sua retirada e destinação final. Este
acondicionamento deve garantir que os resíduos continuem segregados e mantendo as características necessárias
para reciclagem. Os materiais leves podem ser acondicionados em big bags11. Outros materiais podem ser
acondicionados em baias12 fixas ou móveis ou caçambas estacionárias13.
Os big bags podem ser utilizados no acondicionamento de papeis, plásticos e outros materiais leves como
fardamentos, luvas, botas, etc. O tamanho recomendado para os bags é de 90 cm x 90 cm x 120 cm. O local dos
bags deve ser coberto e protegido de chuva, pois resíduos de papel e papelão perdem a possibilidade de reciclagem
se molhados. Devem ser construídos suportes para o posicionamento dos bags, que podem ser metálicos ou em
madeira e podem ser construídos no próprio canteiro. A finalidade do suporte é manter o bag aberto, portanto o
bag deve estar apoiado no chão, e não suspenso. É recomendado o uso de dobradiças ou dispositivos de encaixe
na parte frontal do suporte para facilitar a retirada do bag. A sinalização do material a ser acondicionado no bag
deve estar presa ao suporte.
Figura 18 – Big Bag em Suporte Metálico.
Figura 19 – Big Bags em Suporte de Madeira.
O suporte deve ter altura aproximada de 1,60m e largura de 1,20m. É importante sempre confirmar as dimensões
após a aquisição dos bags.
• Big Bags
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Figura 22 – Baia Móvel de Madeira.
•BAIAS
Figura 20 – Dimensões do Suporte para Big Bags.
As baias são normalmente utilizadas para acondicionamento dos resíduos pesados como os de metal, madeira
e classe A. O número de baias assim como tipo e suas dimensões devem ser determinados de acordo com a
necessidade de utilização de cada obra.
Podem ser utilizadas baias móveis, caixotes fechados na lateral e com alças permitindo maior mobilidade do local
de acondicionamento dos resíduos, acompanhando mudanças de layout do canteiro. As dimensões dos caixotes
devem ser adequadas ao peso e ao volume dos resíduos a acondicionar.
As baias fixas são normalmente apoiadas no chão, sendo as laterais fechadas, com altura aproximadamente
de 1,0m e a parte frontal aberta, para facilitar a colocação e a retirada dos resíduos. Estas baias podem ser
confeccionadas com barrotes de madeira e tábuas delimitando o local para colocação dos resíduos.
Figura 23 – Baia Fixa.
•CAÇAMBASESTACIONÁRIAS
Estas caçambas comumente têm capacidade de 5m3. Seu uso deve ser determinado de acordo com a necessidade
de cada obra, normalmente para acondicionamento de resíduos de madeira e de alvenaria e concreto.
Estes recipientes facilitam a coleta dos resíduos, principalmente quando associados a dutos para transporte
interno que despejam os resíduos dos pavimentos diretamente nas caçambas. Deve-se atentar para o acesso
dos caminhões poliguindastes para retirada das caçambas. É importante lembrar que algumas leis municipais
proíbem a disposição de caçambas nas calçadas.
Figura 21 – Baia Móvel Metálica com Suporte para Transporte.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Figura 22 – Baia Móvel de Madeira.
•BAIAS
Figura 20 – Dimensões do Suporte para Big Bags.
As baias são normalmente utilizadas para acondicionamento dos resíduos pesados como os de metal, madeira
e classe A. O número de baias assim como tipo e suas dimensões devem ser determinados de acordo com a
necessidade de utilização de cada obra.
Podem ser utilizadas baias móveis, caixotes fechados na lateral e com alças permitindo maior mobilidade do local
de acondicionamento dos resíduos, acompanhando mudanças de layout do canteiro. As dimensões dos caixotes
devem ser adequadas ao peso e ao volume dos resíduos a acondicionar.
As baias fixas são normalmente apoiadas no chão, sendo as laterais fechadas, com altura aproximadamente
de 1,0m e a parte frontal aberta, para facilitar a colocação e a retirada dos resíduos. Estas baias podem ser
confeccionadas com barrotes de madeira e tábuas delimitando o local para colocação dos resíduos.
Figura 23 – Baia Fixa.
•CAÇAMBASESTACIONÁRIAS
Estas caçambas comumente têm capacidade de 5m3. Seu uso deve ser determinado de acordo com a necessidade
de cada obra, normalmente para acondicionamento de resíduos de madeira e de alvenaria e concreto.
Estes recipientes facilitam a coleta dos resíduos, principalmente quando associados a dutos para transporte
interno que despejam os resíduos dos pavimentos diretamente nas caçambas. Deve-se atentar para o acesso
dos caminhões poliguindastes para retirada das caçambas. É importante lembrar que algumas leis municipais
proíbem a disposição de caçambas nas calçadas.
Figura 21 – Baia Móvel Metálica com Suporte para Transporte.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Figura 24 – Caçamba Estacionária.
5.4SinalizaçãodosDispositivos
Figura 25 – Padronização dos Adesivos para Sinalização.
Todos os dispositivos para coleta devem estar sinalizados indicando o resíduo a ser segregado e seguindo a
padronização internacional de cores, conforme Resolução 275 do CONAMA.
Para os resíduos classe A e de gesso que não seguem a um padrão específico pode-se fazer referência à classe dos
resíduos, conforme exemplo da Figura 24.
Tabela 3 – Padronização Internacional de Cores – Resolução 275 do CONAMA.
Cor
Tipo de Resíduo
Azul
Vermelho
Verde
Amarelo
Preto
Laranja
Papel / papelão
Plástico
Vidro
Metal
Madeira
Resíduos perigosos
Resíduos ambulatoriais e de serviços de
saúde
Resíduos radioativos
Resíduos orgânicos
Resíduo geral não reciclável ou
misturado, ou contaminado não passível
de separação
Branco
Roxo
Marrom
Cinza
5.5TransporteInternodosResíduos
Além do acondicionamento inicial e final é necessário atentar para a forma como os resíduos serão transportados
no canteiro. O transporte interno pode ser realizado utilizando-se dos meios convencionais e disponíveis no canteiro
de obras. Para o transporte horizontal, podem ser utilizados: carrinhos de mão, gericas, transporte manual, entre
outros. Já para o transporte vertical podem ser utilizados: grua, elevador de carga, etc. É necessário que durante
o planejamento do canteiro exista a preocupação com a movimentação dos resíduos para que futuramente não
existam problemas com relação ao fluxo dos resíduos que podem gerar desperdícios de tempo dos trabalhadores
sem agregar valor ao processo.
Uma outra opção para o transporte vertical é o duto coletor de entulho que agiliza bastante o transporte interno,
principalmente, de resíduos classe A. Estes dutos são constituídos por elementos tubulares de polietileno de média
densidade com diâmetro aproximado de 34cm fixados por correntes. Nos pavimentos um elemento especial
permite a colocação dos resíduos.
Este transporte é ainda mais eficiente se dispusermos a baia, a caçamba, ou mesmo o caminhão sob a base do
coletor evitando um transporte horizontal adicional.
A sinalização pode ser feita, por exemplo, utilizando-se etiquetas plásticas auto-adesivas, atendendo ao padrão de
cores da Tabela 3, em formato A4, conforme apresentado na figura 25. Nas bombonas, os adesivos podem ser
colados diretamente na sua parte frontal. Em outros dispositivos, como bags e baias é necessário prever plaquetas
no tamanho dos adesivos para fixar a sinalização.
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Figura 24 – Caçamba Estacionária.
5.4SinalizaçãodosDispositivos
Figura 25 – Padronização dos Adesivos para Sinalização.
Todos os dispositivos para coleta devem estar sinalizados indicando o resíduo a ser segregado e seguindo a
padronização internacional de cores, conforme Resolução 275 do CONAMA.
Para os resíduos classe A e de gesso que não seguem a um padrão específico pode-se fazer referência à classe dos
resíduos, conforme exemplo da Figura 24.
Tabela 3 – Padronização Internacional de Cores – Resolução 275 do CONAMA.
Cor
Tipo de Resíduo
Azul
Vermelho
Verde
Amarelo
Preto
Laranja
Papel / papelão
Plástico
Vidro
Metal
Madeira
Resíduos perigosos
Resíduos ambulatoriais e de serviços de
saúde
Resíduos radioativos
Resíduos orgânicos
Resíduo geral não reciclável ou
misturado, ou contaminado não passível
de separação
Branco
Roxo
Marrom
Cinza
5.5TransporteInternodosResíduos
Além do acondicionamento inicial e final é necessário atentar para a forma como os resíduos serão transportados
no canteiro. O transporte interno pode ser realizado utilizando-se dos meios convencionais e disponíveis no canteiro
de obras. Para o transporte horizontal, podem ser utilizados: carrinhos de mão, gericas, transporte manual, entre
outros. Já para o transporte vertical podem ser utilizados: grua, elevador de carga, etc. É necessário que durante
o planejamento do canteiro exista a preocupação com a movimentação dos resíduos para que futuramente não
existam problemas com relação ao fluxo dos resíduos que podem gerar desperdícios de tempo dos trabalhadores
sem agregar valor ao processo.
Uma outra opção para o transporte vertical é o duto coletor de entulho que agiliza bastante o transporte interno,
principalmente, de resíduos classe A. Estes dutos são constituídos por elementos tubulares de polietileno de média
densidade com diâmetro aproximado de 34cm fixados por correntes. Nos pavimentos um elemento especial
permite a colocação dos resíduos.
Este transporte é ainda mais eficiente se dispusermos a baia, a caçamba, ou mesmo o caminhão sob a base do
coletor evitando um transporte horizontal adicional.
A sinalização pode ser feita, por exemplo, utilizando-se etiquetas plásticas auto-adesivas, atendendo ao padrão de
cores da Tabela 3, em formato A4, conforme apresentado na figura 25. Nas bombonas, os adesivos podem ser
colados diretamente na sua parte frontal. Em outros dispositivos, como bags e baias é necessário prever plaquetas
no tamanho dos adesivos para fixar a sinalização.
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Tabela 5 – Soluções de Destinação (adaptada de PINTO et al, 2005).
Figura 26 – Duto Coletor de Entulho.
Na Tabela 4, são apresentadas algumas recomendações para o transporte interno de alguns tipos de resíduo.
Tabela 4 – Tipos de Resíduo x Transporte Interno (adaptada de PINTO et al, 2005).
Tipos de Resíduo
Transporte Interno
Blocos de concreto, blocos
Carrinhos ou gericas para deslocamento horizontal e
cerâmicos, argamassas, outros
condutor de entulho, elevador de carga ou grua para
componentes cerâmicos, concreto e
transporte vertical.
assemelhados.
Grandes volumes: transporte manual (em fardos) com
auxílio de gericas ou carrinhos associados a elevador de
carga ou grua.
Madeira
Pequenos volumes: deslocamento horizontal manual
(dentro dos sacos de ráfia) e vertical com auxílio de
elevador de carga ou grua, quando necessário.
Transporte dos resíduos contidos em sacos, bags ou em
Plástico, papelão, papéis, metal,
fardos com o auxílio de elevador de carga ou grua,
serragem e EPS
quando necessário.
Gesso de revestimento, placas
Carrinhos ou gericas para deslocamento horizontal e
acartonadas e artefatos
elevador de carga ou grua para transporte vertical.
Equipamentos disponíveis para escavação e transporte
Solos
(pá-carregadeira, etc.). Para pequenos volumes,
carrinhos e gericas.
5.6DestinaçãoResponsável
De acordo com a Resolução 307 do CONAMA os geradores também são responsáveis pela destinação final dos
resíduos quando não sejam viáveis o reuso ou reciclagem dos resíduos na própria obra. Sendo assim, as obras são
responsáveis por todos os resíduos que são retirados sendo passíveis de multas definidas pelos municípios em
caso de deposição irregular.
Ao se retirar os resíduos do canteiro é necessário atentar para alguns pontos, a saber:
Tipos de Resíduo
Cuidados Requeridos
Destinação
Blocos de concreto, blocos
cerâmicos, argamassas,
outros componentes
cerâmicos, concreto, tijolos e
assemelhados.
Privilegiar soluções de destinação que
envolvam a reciclagem dos resíduos, de
modo a permitir seu aproveitamento
como agregado.
Áreas de transbordo e triagem, áreas para reciclagem ou aterros de
resíduos de construção civil licenciadas pelos órgãos competentes.
Os resíduos Classe A podem ser reciclados para uso em
pavimentação e concretos sem função estrutural.
Madeira
Para uso em caldeira, garantir separação
da serragem dos demais resíduos de
madeira.
Verificar na legislação municipal
restrições ao uso como combustível (Ex:
Padarias em Salvador)
Atividades econômicas que possibilitem a reciclagem destes
resíduos, a reutilização de peças ou o uso como combustível em
fornos ou caldeiras.
Plásticos (embalagens, aparas Máximo aproveitamento dos materiais
de tubulações, etc.)
contidos e a limpeza da embalagem.
Empresas, cooperativas ou associações de coleta seletiva que
comercializam ou reciclam estes resíduos.
Papelão (sacos e caixas de
embalagens) e papéis
(escritório)
Proteger de intempéries.
Empresas, cooperativas ou associações de coleta seletiva que
comercializam ou reciclam estes resíduos.
Metal (ferro, aço, fiação
revestida, arames, etc.)
Para latas de tinta, garantir o uso total do Empresas, cooperativas ou associações de coleta seletiva que
material contido nas latas.
comercializam ou reciclam estes resíduos.
Serragem
Ensacar e proteger de intempéries.
Reutilização dos resíduos em superfícies impregnadas com óleo para
absorção e secagem, produção de briquetes (geração de energia),
uso na compostagem ou outros usos.
Gesso em placas acartonadas
Proteger de intempéries.
É necessário verificar a possibilidade de reciclagem pelo fabricante
ou empresas de reciclagem.
Áreas de transbordo e triagem (verificar a disponibilidade na região).
Gesso de revestimento e
artefatos
Proteger de intempéries.
É necessário verificar a possibilidade do aproveitamento pela
indústria gesseira e empresas de reciclagem.
Solo
Examinar a caracterização prévia dos
solos para definir destinação.
Desde que não estejam contaminados, destinar a pequenas áreas de
aterramento ou em aterros de resíduos de construção civil, ambos
devidamente licenciados/autorizados pelos órgãos competentes.
Telas de fachada e de proteção Não há.
Possível reaproveitamento para a confecção de bags e sacos ou até
mesmo por recicladores de plásticos.
EPS
Possível destinação para empresas, cooperativas ou associações de
coleta seletiva que comercializam, reciclam ou aproveitam para
enchimentos (ver disponibilidade na região).
Confinar, evitando dispersão.
Materiais, instrumentos e
Maximizar a utilização dos materiais para Encaminhar para aterros licenciados para recepção de resíduos
embalagens contaminados por
a redução dos resíduos a descartar.
perigosos.
resíduos perigosos
• é preciso que o veículo que será usado no transporte seja compatível com a forma que os resíduos estão
acondicionados na obra. Muitos municípios exigem que os transportadores de resíduos classe A sejam
cadastrados;
• deve-se buscar reduzir os custos com a coleta e remoção dos resíduos, portanto parcerias com cooperativas
devem ser estimuladas; e
• deve-se adequar os equipamentos utilizados para coleta e remoção dos resíduos aos padrões definidos em
legislação e/ou pelos receptores.
É interessante que todas as obras tenham um cadastro com transportadores e destinatários (cooperativas
e compradores de resíduos). Além disso, os resíduos devem ser encaminhados para o local de destinação
acompanhados do CTR – Controle de Transporte de Resíduos, item de exigência da norma NBR 15112:2004 –
Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos.
Além disso, é necessário definir o local onde os resíduos serão depositados. A tabela a seguir possibilita a
identificação de algumas soluções de destinação para os resíduos gerados. No entanto é necessário verificar quais
as soluções disponíveis em cada cidade / região do país.
• Transportador g nome, CPF e/ou razão social e inscrição municipal;
• Gerador / origem g nome, CPF e/ou razão social e CNPJ;
• Endereço da retirada;
• Destinatário g nome, CPF e/ou razão social e CNPJ;
• Endereço do destino;
36
Esta norma estabelece que o CTR deverá ser emitido em três vias (gerador, transportador e destinatário) e ter um
conteúdo mínimo, a saber:
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Tabela 5 – Soluções de Destinação (adaptada de PINTO et al, 2005).
Figura 26 – Duto Coletor de Entulho.
Na Tabela 4, são apresentadas algumas recomendações para o transporte interno de alguns tipos de resíduo.
Tabela 4 – Tipos de Resíduo x Transporte Interno (adaptada de PINTO et al, 2005).
Tipos de Resíduo
Transporte Interno
Blocos de concreto, blocos
Carrinhos ou gericas para deslocamento horizontal e
cerâmicos, argamassas, outros
condutor de entulho, elevador de carga ou grua para
componentes cerâmicos, concreto e
transporte vertical.
assemelhados.
Grandes volumes: transporte manual (em fardos) com
auxílio de gericas ou carrinhos associados a elevador de
carga ou grua.
Madeira
Pequenos volumes: deslocamento horizontal manual
(dentro dos sacos de ráfia) e vertical com auxílio de
elevador de carga ou grua, quando necessário.
Transporte dos resíduos contidos em sacos, bags ou em
Plástico, papelão, papéis, metal,
fardos com o auxílio de elevador de carga ou grua,
serragem e EPS
quando necessário.
Gesso de revestimento, placas
Carrinhos ou gericas para deslocamento horizontal e
acartonadas e artefatos
elevador de carga ou grua para transporte vertical.
Equipamentos disponíveis para escavação e transporte
Solos
(pá-carregadeira, etc.). Para pequenos volumes,
carrinhos e gericas.
5.6DestinaçãoResponsável
De acordo com a Resolução 307 do CONAMA os geradores também são responsáveis pela destinação final dos
resíduos quando não sejam viáveis o reuso ou reciclagem dos resíduos na própria obra. Sendo assim, as obras são
responsáveis por todos os resíduos que são retirados sendo passíveis de multas definidas pelos municípios em
caso de deposição irregular.
Ao se retirar os resíduos do canteiro é necessário atentar para alguns pontos, a saber:
Tipos de Resíduo
Cuidados Requeridos
Destinação
Blocos de concreto, blocos
cerâmicos, argamassas,
outros componentes
cerâmicos, concreto, tijolos e
assemelhados.
Privilegiar soluções de destinação que
envolvam a reciclagem dos resíduos, de
modo a permitir seu aproveitamento
como agregado.
Áreas de transbordo e triagem, áreas para reciclagem ou aterros de
resíduos de construção civil licenciadas pelos órgãos competentes.
Os resíduos Classe A podem ser reciclados para uso em
pavimentação e concretos sem função estrutural.
Madeira
Para uso em caldeira, garantir separação
da serragem dos demais resíduos de
madeira.
Verificar na legislação municipal
restrições ao uso como combustível (Ex:
Padarias em Salvador)
Atividades econômicas que possibilitem a reciclagem destes
resíduos, a reutilização de peças ou o uso como combustível em
fornos ou caldeiras.
Plásticos (embalagens, aparas Máximo aproveitamento dos materiais
de tubulações, etc.)
contidos e a limpeza da embalagem.
Empresas, cooperativas ou associações de coleta seletiva que
comercializam ou reciclam estes resíduos.
Papelão (sacos e caixas de
embalagens) e papéis
(escritório)
Proteger de intempéries.
Empresas, cooperativas ou associações de coleta seletiva que
comercializam ou reciclam estes resíduos.
Metal (ferro, aço, fiação
revestida, arames, etc.)
Para latas de tinta, garantir o uso total do Empresas, cooperativas ou associações de coleta seletiva que
material contido nas latas.
comercializam ou reciclam estes resíduos.
Serragem
Ensacar e proteger de intempéries.
Reutilização dos resíduos em superfícies impregnadas com óleo para
absorção e secagem, produção de briquetes (geração de energia),
uso na compostagem ou outros usos.
Gesso em placas acartonadas
Proteger de intempéries.
É necessário verificar a possibilidade de reciclagem pelo fabricante
ou empresas de reciclagem.
Áreas de transbordo e triagem (verificar a disponibilidade na região).
Gesso de revestimento e
artefatos
Proteger de intempéries.
É necessário verificar a possibilidade do aproveitamento pela
indústria gesseira e empresas de reciclagem.
Solo
Examinar a caracterização prévia dos
solos para definir destinação.
Desde que não estejam contaminados, destinar a pequenas áreas de
aterramento ou em aterros de resíduos de construção civil, ambos
devidamente licenciados/autorizados pelos órgãos competentes.
Telas de fachada e de proteção Não há.
Possível reaproveitamento para a confecção de bags e sacos ou até
mesmo por recicladores de plásticos.
EPS
Possível destinação para empresas, cooperativas ou associações de
coleta seletiva que comercializam, reciclam ou aproveitam para
enchimentos (ver disponibilidade na região).
Confinar, evitando dispersão.
Materiais, instrumentos e
Maximizar a utilização dos materiais para Encaminhar para aterros licenciados para recepção de resíduos
embalagens contaminados por
a redução dos resíduos a descartar.
perigosos.
resíduos perigosos
• é preciso que o veículo que será usado no transporte seja compatível com a forma que os resíduos estão
acondicionados na obra. Muitos municípios exigem que os transportadores de resíduos classe A sejam
cadastrados;
• deve-se buscar reduzir os custos com a coleta e remoção dos resíduos, portanto parcerias com cooperativas
devem ser estimuladas; e
• deve-se adequar os equipamentos utilizados para coleta e remoção dos resíduos aos padrões definidos em
legislação e/ou pelos receptores.
É interessante que todas as obras tenham um cadastro com transportadores e destinatários (cooperativas
e compradores de resíduos). Além disso, os resíduos devem ser encaminhados para o local de destinação
acompanhados do CTR – Controle de Transporte de Resíduos, item de exigência da norma NBR 15112:2004 –
Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos.
Além disso, é necessário definir o local onde os resíduos serão depositados. A tabela a seguir possibilita a
identificação de algumas soluções de destinação para os resíduos gerados. No entanto é necessário verificar quais
as soluções disponíveis em cada cidade / região do país.
• Transportador g nome, CPF e/ou razão social e inscrição municipal;
• Gerador / origem g nome, CPF e/ou razão social e CNPJ;
• Endereço da retirada;
• Destinatário g nome, CPF e/ou razão social e CNPJ;
• Endereço do destino;
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Esta norma estabelece que o CTR deverá ser emitido em três vias (gerador, transportador e destinatário) e ter um
conteúdo mínimo, a saber:
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
• Volume (m3) ou quantidade (t) a ser transportada;
• Descrição do material predominante g solo, material asfáltico, madeira, concreto/argamassas/alvenaria,
volumosos (incluindo pedras) ou outros (especificar);
• Data;
• Assinatura do transportador;
• Assinatura da área de transbordo e triagem; e
• Assinatura da área de destinação de resíduos.
5.7NormasBrasileirasparaaGestãodeResíduos
A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas é o órgão responsável pela normalização técnica no país.
Sendo assim, ela é responsável pela criação das normas brasileiras sobre os mais diferentes temas.
A partir da necessidade manifestada pela sociedade brasileira é criada uma Comissão de Estudo (CE), com a
participação voluntária de diversos segmentos da sociedade, para discussão do tema e, por fim, o Projeto de Norma
é aprovado e encaminhado à Gerência do Processo de Normalização da ABNT para homologação e publicação
como Norma Brasileira.
Ligado ao tema Gestão de Resíduos existem cinco normas brasileiras, a saber:
• NBR 15112:2004 g Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos – Áreas de Transbordo e Triagem
– Diretrizes para Projeto, Implantação e Operação;
• NBR 15113:2004 g Resíduos Sólidos da Construção Civil e Resíduos Inertes – Aterros – Diretrizes para Projeto,
Implantação e Operação;
• NBR 15114:2004 g Resíduos Sólidos da Construção Civil – Áreas de Reciclagem – Diretrizes para Projeto,
Implantação e Operação;
• NBR 15115:2004 g Agregados Reciclados de Resíduos Sólidos da Construção Civil – Execução de Camadas de
Pavimentação – Procedimentos; e
• NBR 15116:2004 g Agregados Reciclados de Resíduos Sólidos da Construção Civil – Utilização em Pavimentação
e Preparo de Concreto sem Função Estrutural – Requisitos.
Estas normas são importante respaldo técnico e legal para estimular a segregação, reciclagem e destinação
responsável dos resíduos.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
A NBR 15113 fixa os requisitos exigíveis para projeto, implantação e operação de aterros de resíduos sólidos
da construção civil classe A e de resíduos inertes. Visa também a reserva de materiais de forma segregada,
possibilitando o uso futuro ou, ainda, a disposição destes materiais, com vistas à futura utilização da área, além
de buscar a proteção das coleções hídricas ou subterrâneas próximas, das condições de trabalho dos operadores
dessas instalações e da qualidade de vida das populações vizinhas.
Nesta norma, o aterro de resíduos da construção civil e de resíduos inertes é definido como uma área onde são
empregadas técnicas de disposição de resíduos classe A e resíduos inertes no solo, visando a reservação de
materiais segregados ao menor volume possível para um possível uso futuro dos materiais e/ou futura utilização
da área, sem causar danos à saúde pública e ao meio ambiente.
A NBR 15113 ainda dispõe:
• a respeito das condições de implantação dos aterros (critérios para localização, acessos, isolamento e sinalização,
iluminação e energia, comunicação, análise dos resíduos, treinamento e proteção das águas subterrâneas e
superficiais);
• das condições gerais para projeto (responsabilidade e autoria do projeto, partes constituintes do projeto e forma
de apresentação, memorial descritivo, memorial técnico, estimativa de custo e cronograma, desenhos e plantas);
e
• das condições de operação (recebimento de resíduos no aterro, triagem dos resíduos recebidos, disposição
segregada de resíduos, equipamentos de segurança, inspeção e manutenção e procedimentos para registro da
operação).
5.7.3 NBR15114–ResíduosSólidosdaConstruçãoCivil–ÁreasdeReciclagem–DiretrizesparaProjeto,
ImplantaçãoeOperação
Nesta norma são estabelecidos os requisitos mínimos exigíveis para projeto, implantação e operação de áreas
de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil classe A. Ela se aplica à reciclagem de materiais já triados
para a produção de agregados com características para a aplicação em obras de infra-estrutura e edificações, de
forma segura, sem comprometimento das questões ambientais, das condições de trabalho dos operadores dessas
instalações e da qualidade de vida das populações vizinhas.
Nos itens a seguir será discutido um pouco mais a respeito de cada uma delas.
De acordo com a NBR 15114, área de reciclagem de resíduos da construção civil é definida como sendo uma “área
destinada ao recebimento e transformação de resíduos da construção civil classe A, já triados, para produção de
agregados reciclados”.
5.7.1NBR15112–ResíduosdaConstruçãoCivileResíduosVolumosos–ÁreasdeTransbordoeTriagem
Nela são estabelecidas:
Esta norma fixa os requisitos exigíveis para elaboração do projeto, implantação e operação de áreas de transbordo
e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos.
• as condições gerais de implantação das áreas de reciclagem (critérios para localização, isolamento e sinalização,
acessos, iluminação e energia, proteção das águas superficiais e preparo da área de operação);
• as condições gerais para projeto (memorial descritivo, projeto básico, responsabilidade e autoria do projeto); e
• as condições de operação (recebimento, triagem e processamento de resíduos, treinamento e equipamentos de
segurança, inspeção e manutenção e procedimento para controle e registro da operação).
Segundo a NBR 15112 área de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos (ATT)
é uma “área destinada ao recebimento de resíduos da construção civil e resíduos volumosos, para triagem,
armazenamento temporário dos materiais segregados, eventual transformação e posterior remoção para destinação
adequada, sem causar danos à saúde pública e ao meio ambiente”.
A norma ainda traz: algumas definições relevantes ao tema, a classificação dos resíduos da construção civil seguindo
as classes já estabelecidas pela Resolução 307 do CONAMA, as condições para implantação da ATT, as condições
gerais para elaboração do projeto e as condições e diretrizes de operação. Para serem licenciadas as ATT´s devem
seguir as diretrizes estabelecidas nesta norma.
5.7.2 NBR 15113 – Resíduos Sólidos da Construção Civil e Resíduos Inertes – Aterros - Diretrizes para
Projeto,ImplantaçãoeOperação
38
5.7.4 NBR15115–AgregadosRecicladosdeResíduosSólidosdaConstruçãoCivil–Execuçãodecamadas
depavimentação–Procedimentos
A NBR 15115 tem por objetivo o estabelecimento de critérios para execução de camadas de reforço do subleito,
sub-base e base de pavimentos, bem como camada de revestimento primário, com agregado reciclado de resíduo
sólido da construção civil, denominado agregado reciclado, em obras de pavimentação.
Estabelece ainda:
• os requisitos necessários aos materiais que serão empregados para a execução das camadas de reforço,
39
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
• Volume (m3) ou quantidade (t) a ser transportada;
• Descrição do material predominante g solo, material asfáltico, madeira, concreto/argamassas/alvenaria,
volumosos (incluindo pedras) ou outros (especificar);
• Data;
• Assinatura do transportador;
• Assinatura da área de transbordo e triagem; e
• Assinatura da área de destinação de resíduos.
5.7NormasBrasileirasparaaGestãodeResíduos
A ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas é o órgão responsável pela normalização técnica no país.
Sendo assim, ela é responsável pela criação das normas brasileiras sobre os mais diferentes temas.
A partir da necessidade manifestada pela sociedade brasileira é criada uma Comissão de Estudo (CE), com a
participação voluntária de diversos segmentos da sociedade, para discussão do tema e, por fim, o Projeto de Norma
é aprovado e encaminhado à Gerência do Processo de Normalização da ABNT para homologação e publicação
como Norma Brasileira.
Ligado ao tema Gestão de Resíduos existem cinco normas brasileiras, a saber:
• NBR 15112:2004 g Resíduos da Construção Civil e Resíduos Volumosos – Áreas de Transbordo e Triagem
– Diretrizes para Projeto, Implantação e Operação;
• NBR 15113:2004 g Resíduos Sólidos da Construção Civil e Resíduos Inertes – Aterros – Diretrizes para Projeto,
Implantação e Operação;
• NBR 15114:2004 g Resíduos Sólidos da Construção Civil – Áreas de Reciclagem – Diretrizes para Projeto,
Implantação e Operação;
• NBR 15115:2004 g Agregados Reciclados de Resíduos Sólidos da Construção Civil – Execução de Camadas de
Pavimentação – Procedimentos; e
• NBR 15116:2004 g Agregados Reciclados de Resíduos Sólidos da Construção Civil – Utilização em Pavimentação
e Preparo de Concreto sem Função Estrutural – Requisitos.
Estas normas são importante respaldo técnico e legal para estimular a segregação, reciclagem e destinação
responsável dos resíduos.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
A NBR 15113 fixa os requisitos exigíveis para projeto, implantação e operação de aterros de resíduos sólidos
da construção civil classe A e de resíduos inertes. Visa também a reserva de materiais de forma segregada,
possibilitando o uso futuro ou, ainda, a disposição destes materiais, com vistas à futura utilização da área, além
de buscar a proteção das coleções hídricas ou subterrâneas próximas, das condições de trabalho dos operadores
dessas instalações e da qualidade de vida das populações vizinhas.
Nesta norma, o aterro de resíduos da construção civil e de resíduos inertes é definido como uma área onde são
empregadas técnicas de disposição de resíduos classe A e resíduos inertes no solo, visando a reservação de
materiais segregados ao menor volume possível para um possível uso futuro dos materiais e/ou futura utilização
da área, sem causar danos à saúde pública e ao meio ambiente.
A NBR 15113 ainda dispõe:
• a respeito das condições de implantação dos aterros (critérios para localização, acessos, isolamento e sinalização,
iluminação e energia, comunicação, análise dos resíduos, treinamento e proteção das águas subterrâneas e
superficiais);
• das condições gerais para projeto (responsabilidade e autoria do projeto, partes constituintes do projeto e forma
de apresentação, memorial descritivo, memorial técnico, estimativa de custo e cronograma, desenhos e plantas);
e
• das condições de operação (recebimento de resíduos no aterro, triagem dos resíduos recebidos, disposição
segregada de resíduos, equipamentos de segurança, inspeção e manutenção e procedimentos para registro da
operação).
5.7.3 NBR15114–ResíduosSólidosdaConstruçãoCivil–ÁreasdeReciclagem–DiretrizesparaProjeto,
ImplantaçãoeOperação
Nesta norma são estabelecidos os requisitos mínimos exigíveis para projeto, implantação e operação de áreas
de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil classe A. Ela se aplica à reciclagem de materiais já triados
para a produção de agregados com características para a aplicação em obras de infra-estrutura e edificações, de
forma segura, sem comprometimento das questões ambientais, das condições de trabalho dos operadores dessas
instalações e da qualidade de vida das populações vizinhas.
Nos itens a seguir será discutido um pouco mais a respeito de cada uma delas.
De acordo com a NBR 15114, área de reciclagem de resíduos da construção civil é definida como sendo uma “área
destinada ao recebimento e transformação de resíduos da construção civil classe A, já triados, para produção de
agregados reciclados”.
5.7.1NBR15112–ResíduosdaConstruçãoCivileResíduosVolumosos–ÁreasdeTransbordoeTriagem
Nela são estabelecidas:
Esta norma fixa os requisitos exigíveis para elaboração do projeto, implantação e operação de áreas de transbordo
e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos.
• as condições gerais de implantação das áreas de reciclagem (critérios para localização, isolamento e sinalização,
acessos, iluminação e energia, proteção das águas superficiais e preparo da área de operação);
• as condições gerais para projeto (memorial descritivo, projeto básico, responsabilidade e autoria do projeto); e
• as condições de operação (recebimento, triagem e processamento de resíduos, treinamento e equipamentos de
segurança, inspeção e manutenção e procedimento para controle e registro da operação).
Segundo a NBR 15112 área de transbordo e triagem de resíduos da construção civil e resíduos volumosos (ATT)
é uma “área destinada ao recebimento de resíduos da construção civil e resíduos volumosos, para triagem,
armazenamento temporário dos materiais segregados, eventual transformação e posterior remoção para destinação
adequada, sem causar danos à saúde pública e ao meio ambiente”.
A norma ainda traz: algumas definições relevantes ao tema, a classificação dos resíduos da construção civil seguindo
as classes já estabelecidas pela Resolução 307 do CONAMA, as condições para implantação da ATT, as condições
gerais para elaboração do projeto e as condições e diretrizes de operação. Para serem licenciadas as ATT´s devem
seguir as diretrizes estabelecidas nesta norma.
5.7.2 NBR 15113 – Resíduos Sólidos da Construção Civil e Resíduos Inertes – Aterros - Diretrizes para
Projeto,ImplantaçãoeOperação
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5.7.4 NBR15115–AgregadosRecicladosdeResíduosSólidosdaConstruçãoCivil–Execuçãodecamadas
depavimentação–Procedimentos
A NBR 15115 tem por objetivo o estabelecimento de critérios para execução de camadas de reforço do subleito,
sub-base e base de pavimentos, bem como camada de revestimento primário, com agregado reciclado de resíduo
sólido da construção civil, denominado agregado reciclado, em obras de pavimentação.
Estabelece ainda:
• os requisitos necessários aos materiais que serão empregados para a execução das camadas de reforço,
39
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
• os equipamentos básicos indicados para execução das camadas,
• de que forma deve acontecer a execução das camadas, e
• quais os ensaios e verificações necessárias após a execução.
5.7.5 NBR 15116 – Agregados Reciclados de Resíduos Sólidos da Construção Civil – Utilização em
PavimentaçãoePreparodeConcretosemFunçãoEstrutural-Requisitos
Esta norma estabelece os requisitos para o emprego de agregados reciclados de resíduos sólidos da construção
civil. Os agregados reciclados de que a norma trata destinam-se:
• a obras de pavimentação viária (camada de reforço de subleito, sub-base e base de pavimentação ou revestimento
primário de vias não pavimentadas) e
• ao preparo de concreto sem função estrutural.
Estabelece ainda:
• requisitos gerais e específicos para agregado reciclado destinado ao preparo de concreto sem função estrutural;
e
• controle da qualidade e caracterização do agregado reciclado.
A NBR 15116 traz em seus anexos procedimentos para a determinação da composição dos agregados reciclados
graúdos por análise visual e para a determinação do percentual de materiais não-minerais dos agregados reciclados
miúdos por líquidos densos.
5.8 Envolvimento das Pessoas para uma Gestão Eficiente
Para que se consiga promover uma gestão de resíduos adequada é necessário que todos os agentes (equipe
técnica e gerencial da obra, operários, empreiteiros e direção da empresa) estejam comprometidos com a nova
proposta, pois todos precisarão contribuir para o sucesso da gestão dos resíduos. O comprometimento dos
diversos envolvidos dependerá de treinamento e respeito às novas condições necessárias para a limpeza da obra,
segregação e destinação responsável dos resíduos.
A gerência da obra deve prover condições para a gestão eficiente dos resíduos, destinando recursos para a compra
e/ou confecção dos dispositivos necessários ao acondicionamento dos resíduos em quantidade suficiente. Junto
com a equipe responsável pela segurança, a gerência da obra deve cobrar dos envolvidos a manutenção da limpeza
e da segregação e a destinação responsável. Ações de valorização e estímulo ao envolvimento com a gestão dos
resíduos contribuem para o bom resultado.
Os responsáveis pela destinação dos resíduos (geralmente o almoxarife ou comprador), devem estar sempre
buscando informações sobre soluções para a destinação dos resíduos que privilegiem o reuso e a reciclagem.
Estes agentes são importantes também na fiscalização da destinação dos resíduos, mantendo registros através do
CTR – Controle de Transporte de Resíduo.
Para o envolvimento dos operários, é fundamental realizar treinamentos de toda a equipe de produção, mostrando
não só o que deve ser feito, mas também como e porquê deve ser feito.
Os agentes externos, empreiteiros e empresas terceirizadas, também devem ser envolvidos. Além de participar
dos treinamentos, para Pinto et al (2005) é necessário que exista um compromisso formalizado para os agentes
terceirizados, que deve contemplar:
• a necessidade de zelo com a limpeza e a organização permanentes da obra;
• responsabilidade dos empreiteiros pela má utilização dos insumos, materiais e dispositivos de uso comum;
• obrigação pela observância das condições estabelecidas para a triagem dos resíduos;
• em alguns casos, a responsabilidade compartilhada pela destinação dos resíduos, checando e aprovando solução
para destinação e exigindo apresentação de documentação pertinente;
• avaliação dos empreiteiros em relação à limpeza da obra, triagem dos resíduos nos locais de geração,
40
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
acondicionamento final e destinação (quando for aplicável), atribuindo notas e penalizando os responsáveis por
irregularidades.
A motivação e treinamento constante dos agentes envolvidos são fundamentais para a gestão eficiente dos resíduos
no canteiro.
6.ARACIONALIZAÇÃOCOMOFERRAMENTAPARAAREDUÇÃODAGERAÇÃODERESÍDUOS
A construção civil hoje assume seu papel de indústria competitiva que registra os maiores índices de capacidade de
emprego. Porém, ao contrário das outras indústrias de transformação, a construção civil possui peculiaridades que
ao mesmo tempo em que dificultam o emprego de metodologias específicas, estimulam o sentimento de “engenhar”
na busca de soluções mais econômicas e mais rápidas. Alie-se a isto a necessidade do setor de adequar-se às
novas tendências industriais no que diz respeito à capacidade de reduzir-se ao mínimo o consumo dos recursos
naturais e os resíduos gerados nos processos.
É preciso a conscientização de que o desperdício gerado na construção civil, seja por exigências de clientes,
seja por planejamento inadequado, resulta em prejuízo para toda a sociedade. Os recursos naturais utilizados
na fabricação dos insumos são limitados, sendo inadmissível que estes insumos sejam devolvidos em forma
de resíduos, descontroladamente ao meio ambiente, criando cada vez mais situações desfavoráveis no sistema.
Racionalizar, portanto, é palavra de ordem hoje no meio industrial e a construção civil empenha-se em contribuir
como um setor de fundamental importância na economia do país.
A racionalização da construção tem como objetivo a otimização do processo de construção (aumento de
produtividade, rentabilidade e qualidade) através da aplicação de alguns princípios de economia. De acordo com
Gehbauer (2004) a racionalização pode ser definida como sendo um “estudo do sistema de produção estabelecido
com base na realidade, com o objetivo de definir melhorias”.
A racionalização visa principalmente:
• melhorar as inter-relações: homem – homem e homem – máquina;
• melhorar o fluxo de materiais e produtos;
• melhorar o fluxo de informações; e
• melhorar a organização do processo de produção.
É importante desmistificar a idéia que para que aconteça a racionalização dos processos é necessário um grande
investimento financeiro por parte da organização, com a introdução de novas tecnologias construtivas ou
implementação de novos equipamentos no canteiro. A racionalização muitas vezes acontece com ações simples,
com pequenas alterações na rotina de trabalho dos operários que produzirão frutos no tocante a melhoria do
processo construtivo, economia de tempo, material e mão-de-obra, além de se evitar muitas vezes, a geração de
resíduos.
No livro Racionalização na Construção Civil: como melhorar processos de produção e de gestão de Fritz Gehbauer
é apresentada uma metodologia para promoção da racionalização no canteiro de obras. A metodologia foi
desenvolvida pelo autor no âmbito do Projeto Competir e já foi implementada em mais de 100 obras em várias
cidades do Nordeste do Brasil.
Este autor destaca que a produção na construção civil é marcada por uma série de particularidades: produto
individual, para cada produto tem-se um novo local de produção, projetos de curta duração, local de trabalho
sujeito às variações climáticas, cliente interferindo no processo de produção, entre outros. Este ambiente faz com
que o gerente de obras esteja ocupado em manter os trabalhos em andamento e em administrar os problemas
que surgem de forma reativa. Com estas dificuldades, resta pouco tempo para analisar os processos e introduzir
melhorias. É neste ponto que os métodos desenvolvidos por este autor e que serão apresentados na seqüência
pretendem fornecer subsídios para se promover a racionalização.
41
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
• os equipamentos básicos indicados para execução das camadas,
• de que forma deve acontecer a execução das camadas, e
• quais os ensaios e verificações necessárias após a execução.
5.7.5 NBR 15116 – Agregados Reciclados de Resíduos Sólidos da Construção Civil – Utilização em
PavimentaçãoePreparodeConcretosemFunçãoEstrutural-Requisitos
Esta norma estabelece os requisitos para o emprego de agregados reciclados de resíduos sólidos da construção
civil. Os agregados reciclados de que a norma trata destinam-se:
• a obras de pavimentação viária (camada de reforço de subleito, sub-base e base de pavimentação ou revestimento
primário de vias não pavimentadas) e
• ao preparo de concreto sem função estrutural.
Estabelece ainda:
• requisitos gerais e específicos para agregado reciclado destinado ao preparo de concreto sem função estrutural;
e
• controle da qualidade e caracterização do agregado reciclado.
A NBR 15116 traz em seus anexos procedimentos para a determinação da composição dos agregados reciclados
graúdos por análise visual e para a determinação do percentual de materiais não-minerais dos agregados reciclados
miúdos por líquidos densos.
5.8 Envolvimento das Pessoas para uma Gestão Eficiente
Para que se consiga promover uma gestão de resíduos adequada é necessário que todos os agentes (equipe
técnica e gerencial da obra, operários, empreiteiros e direção da empresa) estejam comprometidos com a nova
proposta, pois todos precisarão contribuir para o sucesso da gestão dos resíduos. O comprometimento dos
diversos envolvidos dependerá de treinamento e respeito às novas condições necessárias para a limpeza da obra,
segregação e destinação responsável dos resíduos.
A gerência da obra deve prover condições para a gestão eficiente dos resíduos, destinando recursos para a compra
e/ou confecção dos dispositivos necessários ao acondicionamento dos resíduos em quantidade suficiente. Junto
com a equipe responsável pela segurança, a gerência da obra deve cobrar dos envolvidos a manutenção da limpeza
e da segregação e a destinação responsável. Ações de valorização e estímulo ao envolvimento com a gestão dos
resíduos contribuem para o bom resultado.
Os responsáveis pela destinação dos resíduos (geralmente o almoxarife ou comprador), devem estar sempre
buscando informações sobre soluções para a destinação dos resíduos que privilegiem o reuso e a reciclagem.
Estes agentes são importantes também na fiscalização da destinação dos resíduos, mantendo registros através do
CTR – Controle de Transporte de Resíduo.
Para o envolvimento dos operários, é fundamental realizar treinamentos de toda a equipe de produção, mostrando
não só o que deve ser feito, mas também como e porquê deve ser feito.
Os agentes externos, empreiteiros e empresas terceirizadas, também devem ser envolvidos. Além de participar
dos treinamentos, para Pinto et al (2005) é necessário que exista um compromisso formalizado para os agentes
terceirizados, que deve contemplar:
• a necessidade de zelo com a limpeza e a organização permanentes da obra;
• responsabilidade dos empreiteiros pela má utilização dos insumos, materiais e dispositivos de uso comum;
• obrigação pela observância das condições estabelecidas para a triagem dos resíduos;
• em alguns casos, a responsabilidade compartilhada pela destinação dos resíduos, checando e aprovando solução
para destinação e exigindo apresentação de documentação pertinente;
• avaliação dos empreiteiros em relação à limpeza da obra, triagem dos resíduos nos locais de geração,
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acondicionamento final e destinação (quando for aplicável), atribuindo notas e penalizando os responsáveis por
irregularidades.
A motivação e treinamento constante dos agentes envolvidos são fundamentais para a gestão eficiente dos resíduos
no canteiro.
6.ARACIONALIZAÇÃOCOMOFERRAMENTAPARAAREDUÇÃODAGERAÇÃODERESÍDUOS
A construção civil hoje assume seu papel de indústria competitiva que registra os maiores índices de capacidade de
emprego. Porém, ao contrário das outras indústrias de transformação, a construção civil possui peculiaridades que
ao mesmo tempo em que dificultam o emprego de metodologias específicas, estimulam o sentimento de “engenhar”
na busca de soluções mais econômicas e mais rápidas. Alie-se a isto a necessidade do setor de adequar-se às
novas tendências industriais no que diz respeito à capacidade de reduzir-se ao mínimo o consumo dos recursos
naturais e os resíduos gerados nos processos.
É preciso a conscientização de que o desperdício gerado na construção civil, seja por exigências de clientes,
seja por planejamento inadequado, resulta em prejuízo para toda a sociedade. Os recursos naturais utilizados
na fabricação dos insumos são limitados, sendo inadmissível que estes insumos sejam devolvidos em forma
de resíduos, descontroladamente ao meio ambiente, criando cada vez mais situações desfavoráveis no sistema.
Racionalizar, portanto, é palavra de ordem hoje no meio industrial e a construção civil empenha-se em contribuir
como um setor de fundamental importância na economia do país.
A racionalização da construção tem como objetivo a otimização do processo de construção (aumento de
produtividade, rentabilidade e qualidade) através da aplicação de alguns princípios de economia. De acordo com
Gehbauer (2004) a racionalização pode ser definida como sendo um “estudo do sistema de produção estabelecido
com base na realidade, com o objetivo de definir melhorias”.
A racionalização visa principalmente:
• melhorar as inter-relações: homem – homem e homem – máquina;
• melhorar o fluxo de materiais e produtos;
• melhorar o fluxo de informações; e
• melhorar a organização do processo de produção.
É importante desmistificar a idéia que para que aconteça a racionalização dos processos é necessário um grande
investimento financeiro por parte da organização, com a introdução de novas tecnologias construtivas ou
implementação de novos equipamentos no canteiro. A racionalização muitas vezes acontece com ações simples,
com pequenas alterações na rotina de trabalho dos operários que produzirão frutos no tocante a melhoria do
processo construtivo, economia de tempo, material e mão-de-obra, além de se evitar muitas vezes, a geração de
resíduos.
No livro Racionalização na Construção Civil: como melhorar processos de produção e de gestão de Fritz Gehbauer
é apresentada uma metodologia para promoção da racionalização no canteiro de obras. A metodologia foi
desenvolvida pelo autor no âmbito do Projeto Competir e já foi implementada em mais de 100 obras em várias
cidades do Nordeste do Brasil.
Este autor destaca que a produção na construção civil é marcada por uma série de particularidades: produto
individual, para cada produto tem-se um novo local de produção, projetos de curta duração, local de trabalho
sujeito às variações climáticas, cliente interferindo no processo de produção, entre outros. Este ambiente faz com
que o gerente de obras esteja ocupado em manter os trabalhos em andamento e em administrar os problemas
que surgem de forma reativa. Com estas dificuldades, resta pouco tempo para analisar os processos e introduzir
melhorias. É neste ponto que os métodos desenvolvidos por este autor e que serão apresentados na seqüência
pretendem fornecer subsídios para se promover a racionalização.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Segundo este autor, a dinâmica da racionalização acontece em três níveis distintos, a saber:
• racionalização do tipo 1 (R1) g esforços de racionalização que visam o fluxo de material, a minimização
das distâncias de transporte, a otimização das máquinas empregadas e a melhoria do fluxo de informações e
da capacitação das pessoas envolvidas, ou seja, estudos de racionalização voltados para fatores que colocam
efetivamente o processo de produção e do canteiro de obras no centro das atenções;
• racionalização do tipo 2 (R2) g esforços de racionalização que visam os processos gerais de uma empresa,
representados na figura pela moldura que circunda a empresa. Incluído dentro dessa moldura está o gerenciamento
das funções de apoio: aquisição, logística, novas tecnologias, disponibilização de recursos, gestão da informação,
administração de pessoal, desenvolvimento de pessoal, estratégias, dentre outras;
• racionalização do tipo 3 (R3) g procura organizar a cadeia produtiva e suas interferências no foco da empresa.
nos custos para sua conclusão. Esta execução incompleta, ou seja, a falta de terminalidade na execução dos
serviços, muitas vezes é causada por um planejamento inadequado que também propicia a falta de materiais
necessários no momento da execução.
Outra causa da alta incidência de retrabalho nas obras está relacionado ao repetido manuseio de materiais que
chegam às obras antes do prazo previsto para sua aplicação ou “antes do planejado” e aí o conceito de just in
time14 pode ser aplicado.
Vários níveis de Racionalização são envolvidos, porém o ponto de partida é o canteiro de obras onde precisa ser
medido o dispêndio de horas e de onde precisam partir sugestões para a racionalização que, quando implementadas,
trarão as melhorias.
6.1ProcedimentosGerais
Para que o processo de racionalização surta efeito e se instale de forma permanente na empresa é necessário que o
estímulo venha a partir dos níveis mais altos da organização através, por exemplo, da possibilidade de participação
dos empregados na rentabilidade melhorada ou através de bônus salarial.
Os esforços de racionalização podem ser simples, dispensando maiores qualificações profissionais por parte dos
funcionários ou mais complexas, exigindo ações de capacitação que devem ser implantadas juntamente com as
novidades propostas (GEHBAUER, 2003).
A racionalização proporciona à empresa redução significativa dos tempos e custos das tarefas e o conseqüente
aumento de produtividade e qualidade.
A ferramenta PDCA15 é a base da racionalização: o planejamento (P) seria a escolha da área de trabalho a ser
analisada, escolha de equipe de estudo e a aplicação de várias metodologias para o planejamento da melhoria; na
fase do agir (D) tudo que foi planejado é posto em prática e testado e a avaliação (C) dos resultados irão orientar as
possíveis correções do planejamento inicial (A).
Figura 27 – Níveis Distintos da Racionalização.
A racionalização tipo R1 (canteiro de obras), que será o foco deste trabalho, na maior parte das vezes pode ser
implantada com recursos disponíveis na própria obra. O objetivo maior é proporcionar condições para que o
processo construtivo suprima os tempos de espera e de ociosidade nas equipes e nas interfaces entre sucessivas
equipes de trabalho.
Observa-se deficiências nestas áreas muitas vezes causadas pela falta de conscientização de que vale a pena estudar
os diferentes passos do trabalho detalhadamente e identificar possibilidades para pequenas ou grandes melhorias
(GEHBAUER, 2004).
Com o aumento da mecanização dos processos de construção tornando os canteiros industriais, maior é a
possibilidade de empregar métodos modernos de análise dos processos de construção. Apesar da singularidade de
cada obra, é possível padronizar-se determinadas tarefas que invariavelmente são interligadas por uma seqüência
tecnológica. Detalhes da organização do trabalho muitas vezes são negligenciados, daí existir neste campo as
grandes reservas de racionalização.
Em toda racionalização, se torna importante levar sempre em conta o fluxo contínuo de trabalho. Podem se utilizar
de “amortecedores“ para que o ciclo subseqüente não sofra interrupções, mesmo que o ciclo anterior tenha sido
sujeito a variação de produção.
Outra fonte de possibilidades de racionalização é a ocorrência permanente de “retrabalho” causadas por erros e
defeitos, além de execução incompleta de trabalho que ocorre em muitas obras causando um aumento exagerado
42
PLANEJAR (P):
1 – selecionar a área
2 – estabelecer time de estudo
3 – elaborar cronograma de barras do processo
4 – “brainstorming” para eliminar etapas desnecessárias
5 – reavaliar o processo em relação à segurança
6 – utilizar a experiência na prevenção de falhas
7 – determinar mão de obra, ferramentas, máquinas etc
FAZER (D):
8 – experimentar idéias
AVALIAR ( C):
9 – descrever e avaliar as ações: etapas, sequências, prazos, falhas e retrabalhos, perigos, recursos usados,
resultados
AGIR ( A):
10 – reunir de novo o time e solicitar idéias
11 – definir método melhorado como novo objetivo
GEHBAUER, 2003
Métodos para análise e melhoria dos processos:
• observar por inteiro;
• minimizar transportes;
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Segundo este autor, a dinâmica da racionalização acontece em três níveis distintos, a saber:
• racionalização do tipo 1 (R1) g esforços de racionalização que visam o fluxo de material, a minimização
das distâncias de transporte, a otimização das máquinas empregadas e a melhoria do fluxo de informações e
da capacitação das pessoas envolvidas, ou seja, estudos de racionalização voltados para fatores que colocam
efetivamente o processo de produção e do canteiro de obras no centro das atenções;
• racionalização do tipo 2 (R2) g esforços de racionalização que visam os processos gerais de uma empresa,
representados na figura pela moldura que circunda a empresa. Incluído dentro dessa moldura está o gerenciamento
das funções de apoio: aquisição, logística, novas tecnologias, disponibilização de recursos, gestão da informação,
administração de pessoal, desenvolvimento de pessoal, estratégias, dentre outras;
• racionalização do tipo 3 (R3) g procura organizar a cadeia produtiva e suas interferências no foco da empresa.
nos custos para sua conclusão. Esta execução incompleta, ou seja, a falta de terminalidade na execução dos
serviços, muitas vezes é causada por um planejamento inadequado que também propicia a falta de materiais
necessários no momento da execução.
Outra causa da alta incidência de retrabalho nas obras está relacionado ao repetido manuseio de materiais que
chegam às obras antes do prazo previsto para sua aplicação ou “antes do planejado” e aí o conceito de just in
time14 pode ser aplicado.
Vários níveis de Racionalização são envolvidos, porém o ponto de partida é o canteiro de obras onde precisa ser
medido o dispêndio de horas e de onde precisam partir sugestões para a racionalização que, quando implementadas,
trarão as melhorias.
6.1ProcedimentosGerais
Para que o processo de racionalização surta efeito e se instale de forma permanente na empresa é necessário que o
estímulo venha a partir dos níveis mais altos da organização através, por exemplo, da possibilidade de participação
dos empregados na rentabilidade melhorada ou através de bônus salarial.
Os esforços de racionalização podem ser simples, dispensando maiores qualificações profissionais por parte dos
funcionários ou mais complexas, exigindo ações de capacitação que devem ser implantadas juntamente com as
novidades propostas (GEHBAUER, 2003).
A racionalização proporciona à empresa redução significativa dos tempos e custos das tarefas e o conseqüente
aumento de produtividade e qualidade.
A ferramenta PDCA15 é a base da racionalização: o planejamento (P) seria a escolha da área de trabalho a ser
analisada, escolha de equipe de estudo e a aplicação de várias metodologias para o planejamento da melhoria; na
fase do agir (D) tudo que foi planejado é posto em prática e testado e a avaliação (C) dos resultados irão orientar as
possíveis correções do planejamento inicial (A).
Figura 27 – Níveis Distintos da Racionalização.
A racionalização tipo R1 (canteiro de obras), que será o foco deste trabalho, na maior parte das vezes pode ser
implantada com recursos disponíveis na própria obra. O objetivo maior é proporcionar condições para que o
processo construtivo suprima os tempos de espera e de ociosidade nas equipes e nas interfaces entre sucessivas
equipes de trabalho.
Observa-se deficiências nestas áreas muitas vezes causadas pela falta de conscientização de que vale a pena estudar
os diferentes passos do trabalho detalhadamente e identificar possibilidades para pequenas ou grandes melhorias
(GEHBAUER, 2004).
Com o aumento da mecanização dos processos de construção tornando os canteiros industriais, maior é a
possibilidade de empregar métodos modernos de análise dos processos de construção. Apesar da singularidade de
cada obra, é possível padronizar-se determinadas tarefas que invariavelmente são interligadas por uma seqüência
tecnológica. Detalhes da organização do trabalho muitas vezes são negligenciados, daí existir neste campo as
grandes reservas de racionalização.
Em toda racionalização, se torna importante levar sempre em conta o fluxo contínuo de trabalho. Podem se utilizar
de “amortecedores“ para que o ciclo subseqüente não sofra interrupções, mesmo que o ciclo anterior tenha sido
sujeito a variação de produção.
Outra fonte de possibilidades de racionalização é a ocorrência permanente de “retrabalho” causadas por erros e
defeitos, além de execução incompleta de trabalho que ocorre em muitas obras causando um aumento exagerado
42
PLANEJAR (P):
1 – selecionar a área
2 – estabelecer time de estudo
3 – elaborar cronograma de barras do processo
4 – “brainstorming” para eliminar etapas desnecessárias
5 – reavaliar o processo em relação à segurança
6 – utilizar a experiência na prevenção de falhas
7 – determinar mão de obra, ferramentas, máquinas etc
FAZER (D):
8 – experimentar idéias
AVALIAR ( C):
9 – descrever e avaliar as ações: etapas, sequências, prazos, falhas e retrabalhos, perigos, recursos usados,
resultados
AGIR ( A):
10 – reunir de novo o time e solicitar idéias
11 – definir método melhorado como novo objetivo
GEHBAUER, 2003
Métodos para análise e melhoria dos processos:
• observar por inteiro;
• minimizar transportes;
43
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
• minimizar estoques;
• balancear equipes;
• definir pontos de interface entre elos da produção;
• planejamento semanal de trabalho, recursos, rendimentos
Algumas recomendações importantes para a análise dos processos:
• procurar identificar a(s) pessoa(s) chave, responsável(is);
• as informações levantadas no início das observações devem se estender ao longo de todo o processo de
implementação agregando novas observações;
• recomenda-se começar a instalar o processo em uma obra não problemática e só então transferir a metodologia
para uma obra em crise, pois muitas vezes a crise tem razões fora da obra.
Na implementação da metodologia de racionalização é tão importante obter-se a adesão das pessoas que acreditam,
como das pessoas que provavelmente irão criar dificuldades, pois dessa forma, ficará mais fácil prever os prováveis
obstáculos e assim planejar de forma a transpô-los. As experiências vivenciadas e compartilhadas ajudam no
desenvolvimento do planejamento e o operário colabora com sua criatividade quando percebe que a direção está
empenhada em melhorias do sistema não devendo nunca ser excluído do processo, muito pelo contrário.
Algumas estratégias úteis:
• incluir pessoas que podem ajudar e pessoas que possam impedir;
• criar o hábito de incluir experiências como parte do planejamento;
• os líderes empenhados no desenvolvimento da melhoria estimulam os operários a desenvolver idéias;
• definir recursos adicionais e/ou modificados para a implementação;
• criar o hábito de registrar (de preferência com fotos) as situações existentes antes e depois das implementações
de melhoria formando um arquivo que poderá ser utilizado em ações futuras.
6.2OsTimesdeRacionalização
Em muitas situações de estudo de melhoria em canteiros de obras é possível que apenas uma pessoa seja capaz de
identificar e propor modificações no processo, porém situações mais complexas podem muitas vezes exigir a ação
de um grupo de pessoas que estejam diretamente envolvidos, seria então formado um time de racionalização (TR)
para cada obra que seria composto de funcionários líderes e de funcionários da área de produção.
Este time teria como função observar sistematicamente as possíveis situações passíveis de melhoria, identificá-las,
definir métodos de melhoria e coordenar sua implementação registrando sempre as situações anteriores e as atuais
melhoradas.
O maior objetivo do time é sem dúvida a troca de informações e idéias entre todos os envolvidos. É também
importante registrar que o time pode e deve ser alterado de acordo com a área a ser estudada.
Vale salientar também que as idéias e conhecimentos de todos devem ser aproveitadas. Geralmente operários de
produção são capazes de apresentar rapidamente e sem esforço, soluções criativas e apropriadas que poderão
diminuir custos, evitar retrabalho, aumentar a qualidade, melhorar a motivação para a produtividade, diminuir
prazos de execução, além de organizar o trabalho (GEHBAUER, 2004).
É importante que um coordenador seja designado para que este possa planejar, convocar e registrar as reuniões.
Em casos específicos e complexos, as reuniões podem ser conduzidas por um moderador que poderá fazer parte ou
não da empresa; em nenhuma hipótese o coordenador ou moderador deverá impor idéias, a proposta é estabelecer
mecanismos de participação de todo o grupo, estimulando a todos a formular idéias e solucionar conflitos que
eventualmente possam surgir.
44
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
A formação básica seria entre 3 a 6
participantes por time que teriam as
seguintes tarefas:
• identificar problemas;
• analisar as causas;
• selecionar as soluções;
• estabelecer um cronograma de ações;
e
• controle.
6.3DesenvolvimentodaMetodologia
6.3.1Introdução
A metodologia a ser aplicada, constitui-se
basicamente de cinco etapas: observar,
medir, esboçar, pensar e corrigir.
A experiência comprova que a grande
ferramenta da racionalização é o pensar,
deter-se diante de uma determinada
situação e não ter medo de ousar! É
preciso tentar ir além do cotidiano,
aventurar-se em soluções inusitadas,
testá-las e registrar seus resultados.
O processo analisado será observado,
serão efetuadas as medições necessárias,
tempo gasto em cada processo,
distâncias percorridas, número de
pessoas e máquinas envolvidas. O
fluxo do trabalho será registrado em
um esboço que servirá para análise. Em
seguida serão introduzidas correções e
ajustes no processo que será novamente
observado e medido para comparações
de resultados.
O fluxo abaixo demonstra o método
aplicado de forma seqüenciada com
etapas definidas.
É importante que a definição e o
entendimento de ciclo de trabalho
analisado esteja bem incorporado ao
responsável pela análise do processo
ou pelo time de racionalização, já que
exercerá influência nas medições e nos
resultados.
Define-se ciclo de trabalho um conjunto
de ações com início e término bem
caracterizado que se repita na execução
Figura 28 – Seqüência das Etapas da Metodologia.
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• minimizar estoques;
• balancear equipes;
• definir pontos de interface entre elos da produção;
• planejamento semanal de trabalho, recursos, rendimentos
Algumas recomendações importantes para a análise dos processos:
• procurar identificar a(s) pessoa(s) chave, responsável(is);
• as informações levantadas no início das observações devem se estender ao longo de todo o processo de
implementação agregando novas observações;
• recomenda-se começar a instalar o processo em uma obra não problemática e só então transferir a metodologia
para uma obra em crise, pois muitas vezes a crise tem razões fora da obra.
Na implementação da metodologia de racionalização é tão importante obter-se a adesão das pessoas que acreditam,
como das pessoas que provavelmente irão criar dificuldades, pois dessa forma, ficará mais fácil prever os prováveis
obstáculos e assim planejar de forma a transpô-los. As experiências vivenciadas e compartilhadas ajudam no
desenvolvimento do planejamento e o operário colabora com sua criatividade quando percebe que a direção está
empenhada em melhorias do sistema não devendo nunca ser excluído do processo, muito pelo contrário.
Algumas estratégias úteis:
• incluir pessoas que podem ajudar e pessoas que possam impedir;
• criar o hábito de incluir experiências como parte do planejamento;
• os líderes empenhados no desenvolvimento da melhoria estimulam os operários a desenvolver idéias;
• definir recursos adicionais e/ou modificados para a implementação;
• criar o hábito de registrar (de preferência com fotos) as situações existentes antes e depois das implementações
de melhoria formando um arquivo que poderá ser utilizado em ações futuras.
6.2OsTimesdeRacionalização
Em muitas situações de estudo de melhoria em canteiros de obras é possível que apenas uma pessoa seja capaz de
identificar e propor modificações no processo, porém situações mais complexas podem muitas vezes exigir a ação
de um grupo de pessoas que estejam diretamente envolvidos, seria então formado um time de racionalização (TR)
para cada obra que seria composto de funcionários líderes e de funcionários da área de produção.
Este time teria como função observar sistematicamente as possíveis situações passíveis de melhoria, identificá-las,
definir métodos de melhoria e coordenar sua implementação registrando sempre as situações anteriores e as atuais
melhoradas.
O maior objetivo do time é sem dúvida a troca de informações e idéias entre todos os envolvidos. É também
importante registrar que o time pode e deve ser alterado de acordo com a área a ser estudada.
Vale salientar também que as idéias e conhecimentos de todos devem ser aproveitadas. Geralmente operários de
produção são capazes de apresentar rapidamente e sem esforço, soluções criativas e apropriadas que poderão
diminuir custos, evitar retrabalho, aumentar a qualidade, melhorar a motivação para a produtividade, diminuir
prazos de execução, além de organizar o trabalho (GEHBAUER, 2004).
É importante que um coordenador seja designado para que este possa planejar, convocar e registrar as reuniões.
Em casos específicos e complexos, as reuniões podem ser conduzidas por um moderador que poderá fazer parte ou
não da empresa; em nenhuma hipótese o coordenador ou moderador deverá impor idéias, a proposta é estabelecer
mecanismos de participação de todo o grupo, estimulando a todos a formular idéias e solucionar conflitos que
eventualmente possam surgir.
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A formação básica seria entre 3 a 6
participantes por time que teriam as
seguintes tarefas:
• identificar problemas;
• analisar as causas;
• selecionar as soluções;
• estabelecer um cronograma de ações;
e
• controle.
6.3DesenvolvimentodaMetodologia
6.3.1Introdução
A metodologia a ser aplicada, constitui-se
basicamente de cinco etapas: observar,
medir, esboçar, pensar e corrigir.
A experiência comprova que a grande
ferramenta da racionalização é o pensar,
deter-se diante de uma determinada
situação e não ter medo de ousar! É
preciso tentar ir além do cotidiano,
aventurar-se em soluções inusitadas,
testá-las e registrar seus resultados.
O processo analisado será observado,
serão efetuadas as medições necessárias,
tempo gasto em cada processo,
distâncias percorridas, número de
pessoas e máquinas envolvidas. O
fluxo do trabalho será registrado em
um esboço que servirá para análise. Em
seguida serão introduzidas correções e
ajustes no processo que será novamente
observado e medido para comparações
de resultados.
O fluxo abaixo demonstra o método
aplicado de forma seqüenciada com
etapas definidas.
É importante que a definição e o
entendimento de ciclo de trabalho
analisado esteja bem incorporado ao
responsável pela análise do processo
ou pelo time de racionalização, já que
exercerá influência nas medições e nos
resultados.
Define-se ciclo de trabalho um conjunto
de ações com início e término bem
caracterizado que se repita na execução
Figura 28 – Seqüência das Etapas da Metodologia.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
de determinado processo; o estudo deverá se ater à análise de um ciclo podendo avaliar diversos ciclos do mesmo
processo para que os resultados sejam representativos.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 7 – Atividades Individuais (Formulário 7).
Por exemplo: imagine que seria estudado a produção, transporte e entrega no local de aplicação de concreto
estrutural em uma obra; a produção do concreto é feita no próprio canteiro em betoneira de 320 l com carregador,
será então observada a produção, transporte e entrega de 01 (uma) betonada de concreto e poderíamos dizer que
o ciclo de trabalho observado seria: 01 betonada = 0,32m³. Dentro deste foco poder-se-ia aplicar a metodologia
de observar, medir (deslocamento de homens, máquinas e material), transferir a observação com suas medidas
para um esboço (layout) e então pensar em mudanças que propiciassem redução de distâncias, tempos, estoques
intermediários, esforço físico desnecessário e energia, aumentando assim a produtividade e tornando a tarefa
menos fatigante. Também é importante determinar quais unidades (intervalos de tempo) poderiam ser adotadas
para o estudo do ciclo de trabalho e aí, a variável e o tempo total de cada ciclo e os processos intermediários.
No caso citado pode-se adotar como unidade de tempo o minuto, já que um ciclo não levaria mais do que 10
minutos para ser iniciado e concluído (suposição para efeito de definição). Bem, agora a pergunta que cabe é: como
utilizar esta metodologia e quais formulários usar.
6.3.2FormuláriosparaAplicaçãodaMetodologia
Para aplicação da metodologia, podem ser utilizados alguns formulários. Os formulários de 1 a 5 são mais utilizados
para estudos do R2 (racionalização dos processos internos das empresas) e não serão apresentados neste material.
Estes formulários podem ser encontrados no Livro Racionalização na Construção Civil de Fritz Gehbauer. Já os
formulários de 6 a 10, utilizados para R1, serão apresentados na seqüência.
• Formulário 6 – Diagrama de Fluxo
• Formulário 8 – Diagrama de Balanço das Equipes
Após a anotação das atividades individuais no FORM. 07 transfere-se o resultado para o gráfico de barras; o eixo
vertical indica os períodos de tempo do processo e o horizontal os diversos operários observados.
Cada atividade pode ser identificada com uma simbologia na barra e, para cada período de tempo, registra-se a
atividade executada (exemplo carregando material, transportando, virando traço, esperando, subindo guincho e
etc).
Observa-se então o conjunto e procura-se identificar os ‘’gargalos“ do processo: percebe-se muitas vezes tempos
excessivos de espera de determinado operário que não seria percebido se não tivesse sido “medido”.
Ao identificar o problema ou o processo a estudar no canteiro procura-se traçar o fluxo do processo (em planta
e/ou corte) com a indicação das distâncias existentes, número de pessoas (e em que locais estão) envolvidas,
estoques de materiais, etc.
Tabela 6 – Diagrama de Fluxo (Formulário 6).
• Formulário 7 – Atividades Individuais – R1
Neste formulário são anotadas as atividades (no mesmo intervalo de tempo) dos diversos envolvidos no processo.
Para isso, identifica-se previamente o ciclo de trabalho, indicando a quantidade produzida no mesmo.
Podem-se adotar símbolos para simplificar o preenchimento e baseado no total de tempo do ciclo deve-se adotar
uma unidade de tempo para a observação. É recomendado que mais de um observador registre estas atividades
já que geralmente mais de um operário (e/ou máquina) está envolvido e muitas vezes em locais distintos o que
inviabiliza a observação ao mesmo tempo por um único observador. Normalmente, deve-se definir o que observar
e regular os relógios (ou usar cronômetros) para uniformizar as observações.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
de determinado processo; o estudo deverá se ater à análise de um ciclo podendo avaliar diversos ciclos do mesmo
processo para que os resultados sejam representativos.
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Tabela 7 – Atividades Individuais (Formulário 7).
Por exemplo: imagine que seria estudado a produção, transporte e entrega no local de aplicação de concreto
estrutural em uma obra; a produção do concreto é feita no próprio canteiro em betoneira de 320 l com carregador,
será então observada a produção, transporte e entrega de 01 (uma) betonada de concreto e poderíamos dizer que
o ciclo de trabalho observado seria: 01 betonada = 0,32m³. Dentro deste foco poder-se-ia aplicar a metodologia
de observar, medir (deslocamento de homens, máquinas e material), transferir a observação com suas medidas
para um esboço (layout) e então pensar em mudanças que propiciassem redução de distâncias, tempos, estoques
intermediários, esforço físico desnecessário e energia, aumentando assim a produtividade e tornando a tarefa
menos fatigante. Também é importante determinar quais unidades (intervalos de tempo) poderiam ser adotadas
para o estudo do ciclo de trabalho e aí, a variável e o tempo total de cada ciclo e os processos intermediários.
No caso citado pode-se adotar como unidade de tempo o minuto, já que um ciclo não levaria mais do que 10
minutos para ser iniciado e concluído (suposição para efeito de definição). Bem, agora a pergunta que cabe é: como
utilizar esta metodologia e quais formulários usar.
6.3.2FormuláriosparaAplicaçãodaMetodologia
Para aplicação da metodologia, podem ser utilizados alguns formulários. Os formulários de 1 a 5 são mais utilizados
para estudos do R2 (racionalização dos processos internos das empresas) e não serão apresentados neste material.
Estes formulários podem ser encontrados no Livro Racionalização na Construção Civil de Fritz Gehbauer. Já os
formulários de 6 a 10, utilizados para R1, serão apresentados na seqüência.
• Formulário 6 – Diagrama de Fluxo
• Formulário 8 – Diagrama de Balanço das Equipes
Após a anotação das atividades individuais no FORM. 07 transfere-se o resultado para o gráfico de barras; o eixo
vertical indica os períodos de tempo do processo e o horizontal os diversos operários observados.
Cada atividade pode ser identificada com uma simbologia na barra e, para cada período de tempo, registra-se a
atividade executada (exemplo carregando material, transportando, virando traço, esperando, subindo guincho e
etc).
Observa-se então o conjunto e procura-se identificar os ‘’gargalos“ do processo: percebe-se muitas vezes tempos
excessivos de espera de determinado operário que não seria percebido se não tivesse sido “medido”.
Ao identificar o problema ou o processo a estudar no canteiro procura-se traçar o fluxo do processo (em planta
e/ou corte) com a indicação das distâncias existentes, número de pessoas (e em que locais estão) envolvidas,
estoques de materiais, etc.
Tabela 6 – Diagrama de Fluxo (Formulário 6).
• Formulário 7 – Atividades Individuais – R1
Neste formulário são anotadas as atividades (no mesmo intervalo de tempo) dos diversos envolvidos no processo.
Para isso, identifica-se previamente o ciclo de trabalho, indicando a quantidade produzida no mesmo.
Podem-se adotar símbolos para simplificar o preenchimento e baseado no total de tempo do ciclo deve-se adotar
uma unidade de tempo para a observação. É recomendado que mais de um observador registre estas atividades
já que geralmente mais de um operário (e/ou máquina) está envolvido e muitas vezes em locais distintos o que
inviabiliza a observação ao mesmo tempo por um único observador. Normalmente, deve-se definir o que observar
e regular os relógios (ou usar cronômetros) para uniformizar as observações.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 8 – Diagrama de Balanço (Formulário 8).
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 9 – Simbologia do Diagrama de Processos.
Tabela 10 – Diagrama de Processos (Formulário 09).
Com base nestas informações parte-se para elaborar o Diagrama de Processos.
• Formulário 9 – Diagrama de Processos
Este diagrama utiliza simbologia própria para cada atividade identificada. A seguir será apresentada a simbologia
normalmente empregada.
É importante esclarecer a diferença entre os conceitos de metros de transporte e homens.metro. O primeiro referese à distância percorrida pelo material através de equipamentos e força humana. Neste caso não são consideradas
eventuais repetições do trajeto. Por exemplo: para carregar a betoneira é necessário 2 ou 3 viagens ao estoque,
porém a distância considerada é apenas o deslocamento unitário, de uma só viagem.
Já homens.metro é a distância percorrida pelo material transportado pela força do homem. Neste diagrama devese registrar apenas a ida do material. A volta do operário para carregar novamente não deve ser indicada. Esta
informação apenas aparecerá no diagrama de balanço.
48
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 8 – Diagrama de Balanço (Formulário 8).
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Tabela 9 – Simbologia do Diagrama de Processos.
Tabela 10 – Diagrama de Processos (Formulário 09).
Com base nestas informações parte-se para elaborar o Diagrama de Processos.
• Formulário 9 – Diagrama de Processos
Este diagrama utiliza simbologia própria para cada atividade identificada. A seguir será apresentada a simbologia
normalmente empregada.
É importante esclarecer a diferença entre os conceitos de metros de transporte e homens.metro. O primeiro referese à distância percorrida pelo material através de equipamentos e força humana. Neste caso não são consideradas
eventuais repetições do trajeto. Por exemplo: para carregar a betoneira é necessário 2 ou 3 viagens ao estoque,
porém a distância considerada é apenas o deslocamento unitário, de uma só viagem.
Já homens.metro é a distância percorrida pelo material transportado pela força do homem. Neste diagrama devese registrar apenas a ida do material. A volta do operário para carregar novamente não deve ser indicada. Esta
informação apenas aparecerá no diagrama de balanço.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Todo este procedimento deve ser aplicado no estudo de determinado processo, nas condições em que é executado,
que chamamos de situação existente. Após a finalização da observação, medição e registro da situação existente,
parte-se para as etapas de pensar, desenvolver melhoria no processo e se possível simular as operações na planilha
para ter-se uma visão geral do efeito que irá causar. Comparam-se os resultados, e caso sejam positivos, a ponto
de justificar a mudança, implementa-se em campo. Desta forma, obtém-se um banco de dados que servirá para
consultas e resgates de situações anteriores.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 11 – Teste Aleatório (Formulário 10).
Após a implementação das mudanças, deve-se, novamente, registrar a situação melhorada. Esta medição
permitirá identificar os ganhos econômicos obtidos com a melhoria, o que estimula a continuidade do processo de
racionalização.
• Formulário 10 – Teste Aleatório – R1
Este formulário é utilizado para auxiliar a observação aleatória dos trabalhadores no canteiro, de modo a medir o
grau de efetividade dos trabalhos em operação.
A coleta se faz da seguinte forma:
• um teste aleatório deve compreender pelo menos 250 observações;
• as chances de ser observado devem ser as mesmas para todos os trabalhadores;
• as observações não devem obedecer uma seqüência pré-determinada;
• para que julgamentos pessoais sejam eliminados, a classificação em uma categoria só pode ser feita a partir do
momento em que o trabalhador for visto pelo observador, e este não deve refletir sobre que tarefa o trabalhador
acabou de executar ou está iniciando naquele momento; e
• as condições gerais do ambiente de trabalho devem permanecer inalteradas durante a realização das
observações.
A classificação das atividades segue os seguintes critérios:
• A – Trabalho Eficaz
• trabalhar diretamente no produto;
• deslocamento dentro de 3m para apanhar algum equipamento ou ferramenta ou fazer uma ação necessária ao
produto.
• B – Trabalho Essencialmente Contribuidor
• trabalhos auxiliares ao produto;
• deslocamento entre 3 e 10m para apanhar algum equipamento ou ferramenta ou fazer uma ação necessária ao
produto.
• C – Trabalho Ineficaz
• não fazer nada ou ação sem relação com o produto;
• deslocamentos maiores que 10m.
Com base na metodologia apresentada é possível se conseguir grande redução de gastos sem grandes investimentos.
Porém é imprescindível boa vontade dos que fazem parte da empresa, além de um maior investimento no uso
do pensar. A seguir será apresentado um exemplo de racionalização R1 para que se possa ver a aplicação da
metodologia apresentada, além de demonstrar o ganho possível com aplicação dos princípios de racionalização.
6.4ExemplodeRacionalizaçãoR1emumCanteirodeObras16
Este exemplo simples servirá como demonstração do potencial que muitas vezes se tem em mãos e raramente é
utilizado.
Este caso refere-se ao estudo de um ciclo de fabricação (0,30m³), transporte e entrega do concreto estrutural na 5ª
laje tipo de uma edificação. Tem-se 04 operários envolvidos neste processo:
• OP.1 g responsável pelo peneiramento, enchimento dos carros de mão e transporte da areia, brita e cimento até
a betoneira e sua operação;
• OP.2 g também se ocupa com o enchimento dos carros de mão e transporte de areia e brita até a betoneira, além
de carregar a jerica com o concreto misturado e transportá-la até o balde da grua;
• OP.3 g opera a grua; e
• OP.4 g está na laje e é responsável pelo recebimento do concreto no pavimento.
O ciclo a observar é concluído no momento em que o OP.4 descarrega o balde da grua na laje, neste instante iniciase novo ciclo (que não será analisado neste momento).
Para facilitar o cálculo, podemos considerar que são necessários 3 carros de mão (CM) de areia, 3 CM de brita e 1
saco de cimento para a produção de um traço que representa o ciclo estudado; considerar também que o CM fica
a uma distância de 2,50 m do depósito da areia e que são necessárias 4 pás para o enchimento de cada carro. No
caso da brita o CM chega a uma distância de 2,00 m do depósito, não sendo necessário considerar o deslocamento
do operário para carregar o carro de mão.
50
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Todo este procedimento deve ser aplicado no estudo de determinado processo, nas condições em que é executado,
que chamamos de situação existente. Após a finalização da observação, medição e registro da situação existente,
parte-se para as etapas de pensar, desenvolver melhoria no processo e se possível simular as operações na planilha
para ter-se uma visão geral do efeito que irá causar. Comparam-se os resultados, e caso sejam positivos, a ponto
de justificar a mudança, implementa-se em campo. Desta forma, obtém-se um banco de dados que servirá para
consultas e resgates de situações anteriores.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 11 – Teste Aleatório (Formulário 10).
Após a implementação das mudanças, deve-se, novamente, registrar a situação melhorada. Esta medição
permitirá identificar os ganhos econômicos obtidos com a melhoria, o que estimula a continuidade do processo de
racionalização.
• Formulário 10 – Teste Aleatório – R1
Este formulário é utilizado para auxiliar a observação aleatória dos trabalhadores no canteiro, de modo a medir o
grau de efetividade dos trabalhos em operação.
A coleta se faz da seguinte forma:
• um teste aleatório deve compreender pelo menos 250 observações;
• as chances de ser observado devem ser as mesmas para todos os trabalhadores;
• as observações não devem obedecer uma seqüência pré-determinada;
• para que julgamentos pessoais sejam eliminados, a classificação em uma categoria só pode ser feita a partir do
momento em que o trabalhador for visto pelo observador, e este não deve refletir sobre que tarefa o trabalhador
acabou de executar ou está iniciando naquele momento; e
• as condições gerais do ambiente de trabalho devem permanecer inalteradas durante a realização das
observações.
A classificação das atividades segue os seguintes critérios:
• A – Trabalho Eficaz
• trabalhar diretamente no produto;
• deslocamento dentro de 3m para apanhar algum equipamento ou ferramenta ou fazer uma ação necessária ao
produto.
• B – Trabalho Essencialmente Contribuidor
• trabalhos auxiliares ao produto;
• deslocamento entre 3 e 10m para apanhar algum equipamento ou ferramenta ou fazer uma ação necessária ao
produto.
• C – Trabalho Ineficaz
• não fazer nada ou ação sem relação com o produto;
• deslocamentos maiores que 10m.
Com base na metodologia apresentada é possível se conseguir grande redução de gastos sem grandes investimentos.
Porém é imprescindível boa vontade dos que fazem parte da empresa, além de um maior investimento no uso
do pensar. A seguir será apresentado um exemplo de racionalização R1 para que se possa ver a aplicação da
metodologia apresentada, além de demonstrar o ganho possível com aplicação dos princípios de racionalização.
6.4ExemplodeRacionalizaçãoR1emumCanteirodeObras16
Este exemplo simples servirá como demonstração do potencial que muitas vezes se tem em mãos e raramente é
utilizado.
Este caso refere-se ao estudo de um ciclo de fabricação (0,30m³), transporte e entrega do concreto estrutural na 5ª
laje tipo de uma edificação. Tem-se 04 operários envolvidos neste processo:
• OP.1 g responsável pelo peneiramento, enchimento dos carros de mão e transporte da areia, brita e cimento até
a betoneira e sua operação;
• OP.2 g também se ocupa com o enchimento dos carros de mão e transporte de areia e brita até a betoneira, além
de carregar a jerica com o concreto misturado e transportá-la até o balde da grua;
• OP.3 g opera a grua; e
• OP.4 g está na laje e é responsável pelo recebimento do concreto no pavimento.
O ciclo a observar é concluído no momento em que o OP.4 descarrega o balde da grua na laje, neste instante iniciase novo ciclo (que não será analisado neste momento).
Para facilitar o cálculo, podemos considerar que são necessários 3 carros de mão (CM) de areia, 3 CM de brita e 1
saco de cimento para a produção de um traço que representa o ciclo estudado; considerar também que o CM fica
a uma distância de 2,50 m do depósito da areia e que são necessárias 4 pás para o enchimento de cada carro. No
caso da brita o CM chega a uma distância de 2,00 m do depósito, não sendo necessário considerar o deslocamento
do operário para carregar o carro de mão.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 12 – Diagrama de Fluxo da Situação Observada.
Tabela 13 – Ficha de Atividades Individuais da Situação Observada.
Em seguida define-se quantos observadores irão atuar, como registrarão as atividades dos operários e qual a
unidade de tempo que será adotada. Neste caso, o ciclo se completa em aproximadamente 20 minutos, então
escolhe-se períodos de 1 minuto para observação.
Vemos que o ciclo se completou em um total de 21 minutos (será indicado no diagrama de balanço como
representando 100%). É interessante observar que o ciclo para cada operário termina em tempos diferentes, pois
lembremos que estamos observando o ciclo: produzir, transportar e entregar 1 betonada de concreto.
No FORM. 07 - Atividades Individuais registram-se as ações de cada operário nos intervalos de tempo definidos.
O operário 01 conclui seu ciclo no 20º minuto, pois a partir deste ponto será iniciado um novo ciclo de preparação
da 2ª betonada; o operário 02 conclui no 21º minuto, o operário 03 no 21º (100% do ciclo) e o operário 04 também
no 21º minuto.
A tarefa agora será transportar estes resultados para o FORM.08 - Diagrama de Balanço das Equipes. De modo a
facilitar é importante criar uma simbologia de cores para cada atividade executada.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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Tabela 12 – Diagrama de Fluxo da Situação Observada.
Tabela 13 – Ficha de Atividades Individuais da Situação Observada.
Em seguida define-se quantos observadores irão atuar, como registrarão as atividades dos operários e qual a
unidade de tempo que será adotada. Neste caso, o ciclo se completa em aproximadamente 20 minutos, então
escolhe-se períodos de 1 minuto para observação.
Vemos que o ciclo se completou em um total de 21 minutos (será indicado no diagrama de balanço como
representando 100%). É interessante observar que o ciclo para cada operário termina em tempos diferentes, pois
lembremos que estamos observando o ciclo: produzir, transportar e entregar 1 betonada de concreto.
No FORM. 07 - Atividades Individuais registram-se as ações de cada operário nos intervalos de tempo definidos.
O operário 01 conclui seu ciclo no 20º minuto, pois a partir deste ponto será iniciado um novo ciclo de preparação
da 2ª betonada; o operário 02 conclui no 21º minuto, o operário 03 no 21º (100% do ciclo) e o operário 04 também
no 21º minuto.
A tarefa agora será transportar estes resultados para o FORM.08 - Diagrama de Balanço das Equipes. De modo a
facilitar é importante criar uma simbologia de cores para cada atividade executada.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 14 – Diagrama de Balanço da Situação Observada.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
na tabela 09.
• existe material estocado (areia, brita e cimento):
• o material é carregado até o carro de mão (areia e brita): g g
• o material é transportado até a betoneira (cimento, areia e brita):
• o material é descarregado na betoneira (cimento, areia e brita): g g g
• o material é misturado (concreto): g
• o material é descarregado na jerica (o concreto): g
• o material é transportado ate o balde da grua (concreto):
• o material é descarregado no balde da grua: g
• o material e transportado pela grua ate a 5ª laje:
Transferindo para o FORM. 09, temos:
Tabela 15 – Diagrama de Processo da Situação Observada.
É possível identificar ao olhar para o gráfico, que o op.04 - espalhador de concreto tem um longo período de espera
(13 minutos de um total de 21) do mesmo modo o op.03 - grueiro (15 minutos).
Vale observar que o op.04 no início do ciclo está em outras atividades, pois é provável que esteja espalhando
concreto da betonada anterior e não faz parte do ciclo atual.
A próxima etapa será preencher o FORM.09 - Diagrama de Processos para que se possa identificar os totais das
atividades.
Pensando exclusivamente no material areia, cimento e brita, observa-se que de uma forma geral têm-se as seguintes
operações: carregar areia, carregar brita, carregar cimento, descarregar areia, descarregar brita, descarregar cimento,
misturar, enchimento do balde da grua e descarregamento na laje (09 operações). É importante que observemos
que para cada operação pode haver um desdobramento. Como é o caso do carregamento de brita e areia, que
poderemos identificar o número de pás que serão necessárias para encher um carro de mão; suponhamos que
sejam 04 pás de areia e 03 pás de brita. Esta informação será importante na quantificação de homem x hora como
veremos a seguir. Para preencher o FORM.09 temos que “criar” uma seqüência, utilizando a simbologia definida
54
Observando-se apenas os deslocamentos do material, desde a sua chegada (como areia, cimento e brita) no canteiro
de obras até sua entrega (já como concreto) na 5ª laje tipo (figura 29), podemos tirar algumas conclusões.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 14 – Diagrama de Balanço da Situação Observada.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
na tabela 09.
• existe material estocado (areia, brita e cimento):
• o material é carregado até o carro de mão (areia e brita): g g
• o material é transportado até a betoneira (cimento, areia e brita):
• o material é descarregado na betoneira (cimento, areia e brita): g g g
• o material é misturado (concreto): g
• o material é descarregado na jerica (o concreto): g
• o material é transportado ate o balde da grua (concreto):
• o material é descarregado no balde da grua: g
• o material e transportado pela grua ate a 5ª laje:
Transferindo para o FORM. 09, temos:
Tabela 15 – Diagrama de Processo da Situação Observada.
É possível identificar ao olhar para o gráfico, que o op.04 - espalhador de concreto tem um longo período de espera
(13 minutos de um total de 21) do mesmo modo o op.03 - grueiro (15 minutos).
Vale observar que o op.04 no início do ciclo está em outras atividades, pois é provável que esteja espalhando
concreto da betonada anterior e não faz parte do ciclo atual.
A próxima etapa será preencher o FORM.09 - Diagrama de Processos para que se possa identificar os totais das
atividades.
Pensando exclusivamente no material areia, cimento e brita, observa-se que de uma forma geral têm-se as seguintes
operações: carregar areia, carregar brita, carregar cimento, descarregar areia, descarregar brita, descarregar cimento,
misturar, enchimento do balde da grua e descarregamento na laje (09 operações). É importante que observemos
que para cada operação pode haver um desdobramento. Como é o caso do carregamento de brita e areia, que
poderemos identificar o número de pás que serão necessárias para encher um carro de mão; suponhamos que
sejam 04 pás de areia e 03 pás de brita. Esta informação será importante na quantificação de homem x hora como
veremos a seguir. Para preencher o FORM.09 temos que “criar” uma seqüência, utilizando a simbologia definida
54
Observando-se apenas os deslocamentos do material, desde a sua chegada (como areia, cimento e brita) no canteiro
de obras até sua entrega (já como concreto) na 5ª laje tipo (figura 29), podemos tirar algumas conclusões.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 16 – Diagrama de Fluxo da Situação Melhorada.
Figura 29 – Esboço dos Deslocamentos dos Materiais.
A primeira coisa que chama a atenção quando se coloca de forma representativa, é que o percurso é extremamente
sinuoso e o mais curioso é que este aspecto nunca foi questionado nem pelos operários nem pelos chefes de
equipe; começa-se a perceber que o transporte do cimento para a betoneira é feito com a “força dos braços“ com
certo deslocamento que ao ser multiplicado pelo número de sacos de cimento (50kg) necessários para a execução
de toda obra nos dá impressionantes distâncias e incrível peso transportado unicamente pela força humana.
Outro detalhe que chama a atenção é o fato de existir uma rampa de altura de 50cm para o carregador da betoneira
que é percorrida pelo operário com o carrinho de mão carregado de areia e brita: mais uma vez nota-se que se
multiplicar a altura de 50cm pelo número de vezes necessárias ao transporte de toda a areia e brita da obra chegarse-á a uma impressionante marca de altura percorrida pelo operário além de perceber que quase todo o peso
próprio da edificação estará sendo carregado pelo operário em todo este percurso.
Com base nestas observações e sabendo-se que para a concretagem das oito lajes seriam necessários 430m3 de
concreto, é possível concluir que:
Com base no novo layout são feitas novas medições de tempo e atividades e estas são registradas no FORM. 07.
• seriam gastos 47.031 minutos ou 783 horas;
• seriam percorridos 106 km pelo operário com o material para a produção, transporte e entrega do concreto para
as 8 lajes; e
• seriam necessárias 22.844 operações.
Se considerarmos que destes 106km, 24km são referentes a 0,50m de desnível entre a cuba da betoneira e o nível
do solo, aproximadamente 750 toneladas seriam erguidas com única e exclusiva força humana.
Com base em todas estas observações parte-se para um estudo de melhoria e a primeira ação seria tornar os
percursos sinuosos em percursos retos, diminuindo assim as distâncias de transportes e invertendo-se as posições
das baias. É necessário também instalar a betoneira de forma que seu carregador fique ao nível do solo evitando
assim a subida da rampa com o carrinho carregado além de aproximá-la da grua. Desloca-se da mesma forma
o depósito de cimento para mais perto da central de betoneira; é bom sempre ter em mente que a economia
ergonômica deve ser levada em conta sempre no planejamento, pois apesar de ser de difícil medição ela está
presente nos custos produtivos.
Com todas as ações devidamente planejadas na etapa anterior, parte-se para a nova arrumação do canteiro que
deverá ser registrada com novo layout e fotos para arquivo.
Procede-se a nova medição do processo com as alterações implementadas e verifica-se que a redução de tempo é
significativa e o quanto representa esta redução em termos de percentuais de custo. A seguir apresenta-se o novo
layout e as tabelas com os novos tempos e as reduções conseguidas.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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Tabela 16 – Diagrama de Fluxo da Situação Melhorada.
Figura 29 – Esboço dos Deslocamentos dos Materiais.
A primeira coisa que chama a atenção quando se coloca de forma representativa, é que o percurso é extremamente
sinuoso e o mais curioso é que este aspecto nunca foi questionado nem pelos operários nem pelos chefes de
equipe; começa-se a perceber que o transporte do cimento para a betoneira é feito com a “força dos braços“ com
certo deslocamento que ao ser multiplicado pelo número de sacos de cimento (50kg) necessários para a execução
de toda obra nos dá impressionantes distâncias e incrível peso transportado unicamente pela força humana.
Outro detalhe que chama a atenção é o fato de existir uma rampa de altura de 50cm para o carregador da betoneira
que é percorrida pelo operário com o carrinho de mão carregado de areia e brita: mais uma vez nota-se que se
multiplicar a altura de 50cm pelo número de vezes necessárias ao transporte de toda a areia e brita da obra chegarse-á a uma impressionante marca de altura percorrida pelo operário além de perceber que quase todo o peso
próprio da edificação estará sendo carregado pelo operário em todo este percurso.
Com base nestas observações e sabendo-se que para a concretagem das oito lajes seriam necessários 430m3 de
concreto, é possível concluir que:
Com base no novo layout são feitas novas medições de tempo e atividades e estas são registradas no FORM. 07.
• seriam gastos 47.031 minutos ou 783 horas;
• seriam percorridos 106 km pelo operário com o material para a produção, transporte e entrega do concreto para
as 8 lajes; e
• seriam necessárias 22.844 operações.
Se considerarmos que destes 106km, 24km são referentes a 0,50m de desnível entre a cuba da betoneira e o nível
do solo, aproximadamente 750 toneladas seriam erguidas com única e exclusiva força humana.
Com base em todas estas observações parte-se para um estudo de melhoria e a primeira ação seria tornar os
percursos sinuosos em percursos retos, diminuindo assim as distâncias de transportes e invertendo-se as posições
das baias. É necessário também instalar a betoneira de forma que seu carregador fique ao nível do solo evitando
assim a subida da rampa com o carrinho carregado além de aproximá-la da grua. Desloca-se da mesma forma
o depósito de cimento para mais perto da central de betoneira; é bom sempre ter em mente que a economia
ergonômica deve ser levada em conta sempre no planejamento, pois apesar de ser de difícil medição ela está
presente nos custos produtivos.
Com todas as ações devidamente planejadas na etapa anterior, parte-se para a nova arrumação do canteiro que
deverá ser registrada com novo layout e fotos para arquivo.
Procede-se a nova medição do processo com as alterações implementadas e verifica-se que a redução de tempo é
significativa e o quanto representa esta redução em termos de percentuais de custo. A seguir apresenta-se o novo
layout e as tabelas com os novos tempos e as reduções conseguidas.
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Tabela 17 – Ficha de Atividades Individuais da Situação Melhorada.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 18 – Diagrama de Balanço da Situação Melhorada.
Tabela 19 – Diagrama de Processos da Situação Melhorada.
Com as novas medições constatou-se que o tempo do ciclo foi reduzido de 21 para 13 minutos. Assim, elabora-se
o novo diagrama de balanço de equipes para a situação melhorada.
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Tabela 17 – Ficha de Atividades Individuais da Situação Melhorada.
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Tabela 18 – Diagrama de Balanço da Situação Melhorada.
Tabela 19 – Diagrama de Processos da Situação Melhorada.
Com as novas medições constatou-se que o tempo do ciclo foi reduzido de 21 para 13 minutos. Assim, elabora-se
o novo diagrama de balanço de equipes para a situação melhorada.
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Analisando as tabelas percebe-se claramente a redução no tempo do ciclo (de 21 minutos para 13 – 40% no total),
nas distâncias percorridas pelo material, no deslocamento de material por força humana (de 112 Hm para 15 Hm
– 87% no total) e no número de atividades (de 17 para 12 – 29%). Isto foi conseguido sem grandes investimentos,
apenas com uma nova organização do canteiro, o que exigiu apenas um pouco do pensar. É preciso levar em conta
que, além da empresa, o operário ganha ao despender menos esforço, conseguindo assim melhor desempenho e,
com a aplicação das ferramentas de racionalização consegue-se reduzir a geração de resíduos devido à redução das
perdas, que tanto contribuem para a o aumento do volume de resíduos.
as modificações solicitadas pelos clientes. Sabe-se que fatores comerciais muitas vezes impõem às obras a
necessidade de realizar modificações expressivas nos projetos, ocasionando demolições de paredes já construídas,
rasgos em lajes para passagem de instalações, substituição de pisos já assentados, etc. Ações nas etapas de
projeto e planejamento podem evitar ou, pelo menos, reduzir a incidência deste tipo de resíduo. Estabelecer limites
e prazos para as modificações, utilizar sistemas construtivos com maior flexibilidade para alterações são exemplos
de soluções. Sabe-se, ainda, que algumas empresas construtoras optam por não permitir alterações de projetos
por parte dos clientes.
Além das ferramentas já apresentadas existem algumas outras simples que podem ser aplicadas de forma eficaz
auxiliando o processo de redução da geração de resíduos. Dentre elas podemos destacar o projeto, o planejamento
e a organização do canteiro que veremos na seqüência.
6.6OrganizaçãodoCanteiro
6.5ProjetoePlanejamento
Uma etapa de projeto que prevê uma adequada compatibilização entre os diversos agentes intervenientes
(empreendedor, arquitetos, projetista estrutural, projetistas de instalações, entre outros), é uma das mais importantes
para a redução de desperdícios e conseqüente redução da geração de resíduos. Isso pois, quanto mais detalhes
e incompatibilidades entre os diversos projetos puderem ser verificados e resolvidos antes da execução, menos
perda e menos geração de resíduos ocorrerão.
A figura a seguir mostra o aumento do custo da falha descoberta em diferentes etapas do empreendimento, ou seja,
se a falha for descoberta ainda na fase de projeto o custo dessa falha será bem menor que na fase de construção.
Assim como o custo de uma falha descoberta na fase de utilização será bem maior que na fase de construção.
De acordo com Maia e Souza (2003)17 o canteiro de obras é o local no qual se dispõem todos os recursos de
produção (mão-de-obra, materiais e equipamentos), organizados e distribuídos de forma a apoiar e a realizar os
trabalhos de construção, observando os requisitos de gestão, racionalização, produtividade e segurança/conforto
dos operários.
Nele são identificados elementos ligados à produção, elementos de apoio à produção, sistemas de transporte,
elementos de apoio técnico/administrativo, áreas de vivência, entre outros elementos. São essas partes, ou
elementos, que deverão ser alocadas no canteiro de forma a facilitar a execução dos serviços de construção,
assegurar a segurança dos trabalhadores e, enfim, garantir o cumprimento das diretrizes demandadas pela
legislação, pelas empresas construtoras e pelos gerentes de construção.
Um canteiro onde estes elementos não estão dispostos de forma organizada é parceiro do desperdício e da
geração de resíduos. Quanto mais organizado o canteiro, menor a chance de perda de material, além de se evitar
acidentes.
Figura 31 – Canteiro Desorganizado com Possibilidade de Acidente e Desperdício Causado pelo Retrabalho.
Figura 30 – Custo da Falha Descoberta em Diferentes Etapas do Empreendimento.
A falta de um projeto desenvolvido de forma adequada traz como conseqüências levantamentos incorretos de
materiais e mão-de-obra, com distorções em custos e cronogramas, além da impossibilidade de um planejamento
adequado para as etapas seguintes da obra.
Alguns exemplos de como as etapas de projeto e planejamento podem contribuir para a redução da geração de
resíduos são citados a seguir:
• a adequada compatibilização entre os projetos (arquitetônico, estrutural e de instalações) podem evitar sobreespessuras de revestimentos e minimizar a quebra de blocos e pedras cerâmicas.
• projetos bem detalhados para a produção e a escolha adequada da tecnologia construtiva evitam rasgos em
alvenarias para a passagem de instalações elétricas e hidráulicas.
• o planejamento criterioso do sequenciamento das atividades com o estabelecimento de critérios para inspeções
parciais evitam retrabalhos por falhas e fabricação de produtos defeituosos.
Um outro aspecto importante a comentar e que é responsável por uma significativa geração de resíduos são
60
Figura 32 – Canteiro Desorganizado.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Analisando as tabelas percebe-se claramente a redução no tempo do ciclo (de 21 minutos para 13 – 40% no total),
nas distâncias percorridas pelo material, no deslocamento de material por força humana (de 112 Hm para 15 Hm
– 87% no total) e no número de atividades (de 17 para 12 – 29%). Isto foi conseguido sem grandes investimentos,
apenas com uma nova organização do canteiro, o que exigiu apenas um pouco do pensar. É preciso levar em conta
que, além da empresa, o operário ganha ao despender menos esforço, conseguindo assim melhor desempenho e,
com a aplicação das ferramentas de racionalização consegue-se reduzir a geração de resíduos devido à redução das
perdas, que tanto contribuem para a o aumento do volume de resíduos.
as modificações solicitadas pelos clientes. Sabe-se que fatores comerciais muitas vezes impõem às obras a
necessidade de realizar modificações expressivas nos projetos, ocasionando demolições de paredes já construídas,
rasgos em lajes para passagem de instalações, substituição de pisos já assentados, etc. Ações nas etapas de
projeto e planejamento podem evitar ou, pelo menos, reduzir a incidência deste tipo de resíduo. Estabelecer limites
e prazos para as modificações, utilizar sistemas construtivos com maior flexibilidade para alterações são exemplos
de soluções. Sabe-se, ainda, que algumas empresas construtoras optam por não permitir alterações de projetos
por parte dos clientes.
Além das ferramentas já apresentadas existem algumas outras simples que podem ser aplicadas de forma eficaz
auxiliando o processo de redução da geração de resíduos. Dentre elas podemos destacar o projeto, o planejamento
e a organização do canteiro que veremos na seqüência.
6.6OrganizaçãodoCanteiro
6.5ProjetoePlanejamento
Uma etapa de projeto que prevê uma adequada compatibilização entre os diversos agentes intervenientes
(empreendedor, arquitetos, projetista estrutural, projetistas de instalações, entre outros), é uma das mais importantes
para a redução de desperdícios e conseqüente redução da geração de resíduos. Isso pois, quanto mais detalhes
e incompatibilidades entre os diversos projetos puderem ser verificados e resolvidos antes da execução, menos
perda e menos geração de resíduos ocorrerão.
A figura a seguir mostra o aumento do custo da falha descoberta em diferentes etapas do empreendimento, ou seja,
se a falha for descoberta ainda na fase de projeto o custo dessa falha será bem menor que na fase de construção.
Assim como o custo de uma falha descoberta na fase de utilização será bem maior que na fase de construção.
De acordo com Maia e Souza (2003)17 o canteiro de obras é o local no qual se dispõem todos os recursos de
produção (mão-de-obra, materiais e equipamentos), organizados e distribuídos de forma a apoiar e a realizar os
trabalhos de construção, observando os requisitos de gestão, racionalização, produtividade e segurança/conforto
dos operários.
Nele são identificados elementos ligados à produção, elementos de apoio à produção, sistemas de transporte,
elementos de apoio técnico/administrativo, áreas de vivência, entre outros elementos. São essas partes, ou
elementos, que deverão ser alocadas no canteiro de forma a facilitar a execução dos serviços de construção,
assegurar a segurança dos trabalhadores e, enfim, garantir o cumprimento das diretrizes demandadas pela
legislação, pelas empresas construtoras e pelos gerentes de construção.
Um canteiro onde estes elementos não estão dispostos de forma organizada é parceiro do desperdício e da
geração de resíduos. Quanto mais organizado o canteiro, menor a chance de perda de material, além de se evitar
acidentes.
Figura 31 – Canteiro Desorganizado com Possibilidade de Acidente e Desperdício Causado pelo Retrabalho.
Figura 30 – Custo da Falha Descoberta em Diferentes Etapas do Empreendimento.
A falta de um projeto desenvolvido de forma adequada traz como conseqüências levantamentos incorretos de
materiais e mão-de-obra, com distorções em custos e cronogramas, além da impossibilidade de um planejamento
adequado para as etapas seguintes da obra.
Alguns exemplos de como as etapas de projeto e planejamento podem contribuir para a redução da geração de
resíduos são citados a seguir:
• a adequada compatibilização entre os projetos (arquitetônico, estrutural e de instalações) podem evitar sobreespessuras de revestimentos e minimizar a quebra de blocos e pedras cerâmicas.
• projetos bem detalhados para a produção e a escolha adequada da tecnologia construtiva evitam rasgos em
alvenarias para a passagem de instalações elétricas e hidráulicas.
• o planejamento criterioso do sequenciamento das atividades com o estabelecimento de critérios para inspeções
parciais evitam retrabalhos por falhas e fabricação de produtos defeituosos.
Um outro aspecto importante a comentar e que é responsável por uma significativa geração de resíduos são
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Figura 32 – Canteiro Desorganizado.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
realizados e paralelamente a estes, no inicio da década de 80, se difundiu o uso de “masseiras-moinho”, equipamento
de pequeno porte que possibilita a moagem intensa de resíduos menos resistentes para reutilização. O resultado
da sua utilização é bastante positivo, pois induz à segregação dos resíduos na obra, contribui para a minoração do
impacto ambiental dos RCD nas áreas urbanas, reduz o consumo de agregados naturais, além de contribuir para a
redução da emissão de poluentes.
De acordo com Pinto (1999), em relação a equipamentos de maior porte, a experiência brasileira é mais recente,
tendo sido iniciada em 1991. A instalação destes equipamentos aconteceu em alguns municípios como resultado
de planos de gestão dos RCD e, em outros, como simples aquisição de equipamentos descoordenada de um
planejamento de ações, o que inevitavelmente compromete os resultados a serem alcançados, eliminando em
alguns casos qualquer impacto positivo da presença destas instalações.
Hoje em dia observa-se em alguns municípios a presença de unidades públicas, como em Belo Horizonte, ou
privadas, como em São Paulo para reciclagem de resíduos. Em Belo Horizonte, os agregados reciclados são usados
para confecção de meio-fio, base e sub-base de pavimentos. Em São Paulo, a distância para as pedreiras e mineração
de areia eleva o custo do agregado natural e justifica a existência de algumas áreas para reciclagem privadas.
Figura 33 – Excesso de Desorganização na Frente de Serviço.
7.1VantagensdaReciclagem
Como principais vantagens da reciclagem, tem-se:
• preservação de recursos naturais com a substituição destes por resíduos, prolongando a vida útil das reservas
naturais e reduzindo o impacto ambiental;
• redução da necessidade de áreas para aterro devido à diminuição do volume de resíduos a serem depositados;
• redução no gasto de energia, seja para produção de um novo bem, seja com o transporte e gestão do aterro;
• geração de empregos com o surgimento das empresas para reciclagem;
• redução da poluição emitida com a fabricação de novos produtos; e
• aumento da durabilidade da construção em determinadas situações como, por exemplo, na adição de escória de
alto forno e pozolanas ao cimento.
7.2BarreirasdaReciclagemdeRCDnoBrasil
A reciclagem de RCD no Brasil, se compararmos a países de primeiro mundo ainda é bastante tímida, porém possui
um enorme potencial de ampliação.
Figura 34 – Situação Insegura Causada pelo Excesso de Desorganização na Frente de Serviço.
7.ARECICLAGEMNACADEIAPRODUTIVADACONSTRUÇÃO
O acelerado desenvolvimento da economia neste século tem ocasionado um aumento expressivo da geração
de resíduos sólidos. Historicamente, a atividade construtiva sempre se caracterizou como grande geradora de
resíduos, além de ser potencial consumidora dos resíduos gerados por ela ou por outras atividades. Assim, tornase inevitável o desenvolvimento de políticas que estimulem o tratamento e reutilização dos RCD18, visto que os
recursos naturais são finitos e estão cada vez mais escassos, como pôde ser comprovado no capítulo 03.
A reciclagem de resíduos da própria construção vem sendo praticada há milênios. Porém o uso de RCD só se
intensificou após a Segunda Guerra Mundial, principalmente na Alemanha, devido à enorme demanda por matériaprima. Apesar da Alemanha ter sido uma das precursoras, esta prática também é bastante difundida em toda
comunidade européia. De acordo com Pinto (1999) em praticamente todos os países-membro da comunidade
européia existem instalações de reciclagem de RCD, normas e políticas específicas para este tipo de resíduo, além
de um esforço mais recente para consolidação de normativa única para toda a comunidade. No Japão e nos Estados
Unidos esta prática também tem sido bastante difundida e utilizada.
Já no Brasil a reciclagem dos resíduos de construção e demolição é bastante recente. Alguns estudos foram
62
Esse atraso em relação a outros países se dá por diversos fatores. Um deles é que a questão ambiental no Brasil
ainda é vista como um problema de preservação da natureza, focado principalmente nas florestas e animais em
extinção, deposição de materiais em aterros controlados e controle da poluição do ar, com o estado exercendo o
papel de polícia. A Lei Federal de Crimes Ambientais de 1998 é uma prova disso, revela um estado muito mais
preocupado com punições a transgressões, em vez de trabalhar os diversos agentes na promoção da redução do
impacto ambiental das atividades através da reciclagem por exemplo (JOHN, 2000).
Algumas outras barreiras são:
• dificuldade de introdução de novas tecnologias na construção civil;
• concepção errônea que um produto confeccionado com a utilização de resíduos possui qualidade inferior a outro
confeccionado com matérias primas virgens;
• sensação de risco de baixo desempenho com relação ao uso de novas tecnologias;
• custo baixo dos agregados naturais; e
• falta de cultura para segregação de resíduos.
7.3ExemplosdaReciclagemdeRCDnoBrasil
Algumas cidades brasileiras já têm adotado uma gestão diferenciada para os RCD. A seguir são apresentados
alguns exemplos de práticas já adotadas.
63
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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realizados e paralelamente a estes, no inicio da década de 80, se difundiu o uso de “masseiras-moinho”, equipamento
de pequeno porte que possibilita a moagem intensa de resíduos menos resistentes para reutilização. O resultado
da sua utilização é bastante positivo, pois induz à segregação dos resíduos na obra, contribui para a minoração do
impacto ambiental dos RCD nas áreas urbanas, reduz o consumo de agregados naturais, além de contribuir para a
redução da emissão de poluentes.
De acordo com Pinto (1999), em relação a equipamentos de maior porte, a experiência brasileira é mais recente,
tendo sido iniciada em 1991. A instalação destes equipamentos aconteceu em alguns municípios como resultado
de planos de gestão dos RCD e, em outros, como simples aquisição de equipamentos descoordenada de um
planejamento de ações, o que inevitavelmente compromete os resultados a serem alcançados, eliminando em
alguns casos qualquer impacto positivo da presença destas instalações.
Hoje em dia observa-se em alguns municípios a presença de unidades públicas, como em Belo Horizonte, ou
privadas, como em São Paulo para reciclagem de resíduos. Em Belo Horizonte, os agregados reciclados são usados
para confecção de meio-fio, base e sub-base de pavimentos. Em São Paulo, a distância para as pedreiras e mineração
de areia eleva o custo do agregado natural e justifica a existência de algumas áreas para reciclagem privadas.
Figura 33 – Excesso de Desorganização na Frente de Serviço.
7.1VantagensdaReciclagem
Como principais vantagens da reciclagem, tem-se:
• preservação de recursos naturais com a substituição destes por resíduos, prolongando a vida útil das reservas
naturais e reduzindo o impacto ambiental;
• redução da necessidade de áreas para aterro devido à diminuição do volume de resíduos a serem depositados;
• redução no gasto de energia, seja para produção de um novo bem, seja com o transporte e gestão do aterro;
• geração de empregos com o surgimento das empresas para reciclagem;
• redução da poluição emitida com a fabricação de novos produtos; e
• aumento da durabilidade da construção em determinadas situações como, por exemplo, na adição de escória de
alto forno e pozolanas ao cimento.
7.2BarreirasdaReciclagemdeRCDnoBrasil
A reciclagem de RCD no Brasil, se compararmos a países de primeiro mundo ainda é bastante tímida, porém possui
um enorme potencial de ampliação.
Figura 34 – Situação Insegura Causada pelo Excesso de Desorganização na Frente de Serviço.
7.ARECICLAGEMNACADEIAPRODUTIVADACONSTRUÇÃO
O acelerado desenvolvimento da economia neste século tem ocasionado um aumento expressivo da geração
de resíduos sólidos. Historicamente, a atividade construtiva sempre se caracterizou como grande geradora de
resíduos, além de ser potencial consumidora dos resíduos gerados por ela ou por outras atividades. Assim, tornase inevitável o desenvolvimento de políticas que estimulem o tratamento e reutilização dos RCD18, visto que os
recursos naturais são finitos e estão cada vez mais escassos, como pôde ser comprovado no capítulo 03.
A reciclagem de resíduos da própria construção vem sendo praticada há milênios. Porém o uso de RCD só se
intensificou após a Segunda Guerra Mundial, principalmente na Alemanha, devido à enorme demanda por matériaprima. Apesar da Alemanha ter sido uma das precursoras, esta prática também é bastante difundida em toda
comunidade européia. De acordo com Pinto (1999) em praticamente todos os países-membro da comunidade
européia existem instalações de reciclagem de RCD, normas e políticas específicas para este tipo de resíduo, além
de um esforço mais recente para consolidação de normativa única para toda a comunidade. No Japão e nos Estados
Unidos esta prática também tem sido bastante difundida e utilizada.
Já no Brasil a reciclagem dos resíduos de construção e demolição é bastante recente. Alguns estudos foram
62
Esse atraso em relação a outros países se dá por diversos fatores. Um deles é que a questão ambiental no Brasil
ainda é vista como um problema de preservação da natureza, focado principalmente nas florestas e animais em
extinção, deposição de materiais em aterros controlados e controle da poluição do ar, com o estado exercendo o
papel de polícia. A Lei Federal de Crimes Ambientais de 1998 é uma prova disso, revela um estado muito mais
preocupado com punições a transgressões, em vez de trabalhar os diversos agentes na promoção da redução do
impacto ambiental das atividades através da reciclagem por exemplo (JOHN, 2000).
Algumas outras barreiras são:
• dificuldade de introdução de novas tecnologias na construção civil;
• concepção errônea que um produto confeccionado com a utilização de resíduos possui qualidade inferior a outro
confeccionado com matérias primas virgens;
• sensação de risco de baixo desempenho com relação ao uso de novas tecnologias;
• custo baixo dos agregados naturais; e
• falta de cultura para segregação de resíduos.
7.3ExemplosdaReciclagemdeRCDnoBrasil
Algumas cidades brasileiras já têm adotado uma gestão diferenciada para os RCD. A seguir são apresentados
alguns exemplos de práticas já adotadas.
63
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
7.3.1OCasodeBeloHorizonte-MG
A cidade de Belo Horizonte é uma referência em se tratando de reciclagem de RCD no Brasil. Implantado desde
1993, o plano de gestão diferenciada, na época denominado Programa de Correção Ambiental e Reciclagem dos
Resíduos de Construção, definiu ações específicas para captação, reciclagem, informação ambiental e recuperação
de áreas degradadas.
Este programa fez parte de um pacote maior de ações que constituiu o Modelo de Gestão de Resíduos de Belo
Horizonte. Nele definiu-se a necessidade de uma rede de atração com 9 áreas e 4 centrais de reciclagem. O processo
de implantação dessas unidades foi iniciado em 1995 e em 1999 tinha evoluído para 50% do que tinha sido previsto
inicialmente (PINTO, 1999).
resíduo classe A gerado, cerca de 12000m3, após conclusão das análises técnica, ambiental, social e econômica
foi reaproveitado como agregado para produção de concreto, blocos para alvenaria e pavimentação, e elementos
pré-moldados.
Estas iniciativas não se limitam à região sudeste. Em Maceió e Salvador têm-se exemplos de construtoras que
promovem a reciclagem de resíduos classe A em obra. Em Aracaju, foi conduzido um estudo pelo SENAI para
utilização de uma recicladora móvel em obras da cidade. O resíduo classe A gerado é devidamente segregado,
peneirado, triturado e o agregado reciclado é utilizado na produção de bloquetes para pavimentação e argamassa
para assentamento de alvenaria, emboço e contrapiso.
Hoje existem em Belo Horizonte 28 Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes (URPV) e 3 unidades de
reciclagem dos Resíduos Classe A. Uma delas, inaugurada em 2006, permite separar os agregados reciclados de
acordo com a granulometria, ampliando as possibilidades de uso deste agregado. O RCD captado nas Unidades de
Recebimento é encaminhado para as estações de reciclagem, onde são selecionados, descontaminados, triturados
e expedidos. O agregado reciclado é utilizado principalmente como base e sub-base de pavimentação.
Figura 36 – Recicladora Móvel em Utilização na Cidade de Aracaju.
8.METODOLOGIAPARAIMPLANTAÇÃODAGESTÃODERESÍDUOSNOCANTEIRO
7.3.2OCasodeRibeirãoPreto-SP
Figura 35 – Estação de Reciclagem “Estoril”.
Em 1995 a cidade de Ribeirão Preto desenvolveu o Programa para Correção Ambiental e Reciclagem dos Resíduos
de Construção que previa a implantação de catorze pontos de atração de resíduos em pequenos volumes, a
incorporação de duas centrais de reciclagem e ações para recuperação e informação ambiental.
No ano de 1996 entrou em operação a primeira central de reciclagem, que depois de 32 meses de funcionamento,
de acordo com Pinto (1999), sua produção permitiu a execução de 218.000m2 de pavimentação, o equivalente a
31km de vias.
Esta central, por ter sido a primeira a operar no interior de São Paulo, foi a fornecedora de RCD reciclado para
estudos desenvolvidos na UNICAMP e na Escola de Engenharia de São Carlos, que contribuíram para a consolidação
da tecnologia e disseminação de suas potencialidades.
7.3.3ReciclagememObra
Além das iniciativas públicas e privadas já mencionadas, vale ressaltar a iniciativa de algumas construtoras com
relação à reciclagem de resíduos classe A. Como exemplo, pode-se citar uma obra em São Paulo. Para a construção
do novo empreendimento foi necessária a demolição de antigas edificações e pisos industriais em concreto. O
64
Como foi visto ao longo dos capítulos anteriores, a sociedade está se tornando cada vez mais exigente em relação
à questão ambiental. O entulho, resíduo das atividades de construção e demolição (RCD), apresenta-se como um
dos principais problemas nas áreas urbanas, pois sua geração e descarte inadequado causam diversos impactos
ambientais, sociais e econômicos. As soluções para esses problemas passam por desenvolvimento e implantação
de tecnologias que busquem a redução, reutilização e reciclagem desse resíduo.
A construção sustentável baseia-se na prevenção e redução dos resíduos pelo desenvolvimento de tecnologias
limpas, no uso de materiais recicláveis ou reutilizáveis, no uso dos resíduos como materiais secundários e na coleta
e deposição de resíduo inerte. Portanto, devem ser tomadas medidas que transformem as correntes de resíduos
em recursos reutilizáveis. Quando esses resíduos são selecionados, graduados e têm teor de material pulverulento,
apresentam elevado potencial de reciclagem, podendo ser utilizados como matéria-prima para produção de
materiais de construção.
Devido a esse contexto, o SENAI, o SEBRAE e a GTZ, parceiros do Projeto COMPETIR, identificaram no mercado
nacional programas de consultoria existentes que atendessem às necessidades das empresas do setor, no que
se refere à adequação dos canteiros para atendimento à Resolução 307 do CONAMA. A metodologia selecionada,
desenvolvida pela empresa Obra Limpa em São Paulo, foi adaptada à realidade nordestina, gerando o Programa de
Gestão de Resíduos da Construção Civil19.
8.1ObjetivosdoPrograma
Este programa busca fornecer às empresas construtoras, através de consultoria técnica especializada, ferramentas
que permitam a gestão adequada dos resíduos de construção nos canteiros de obras, atendendo às exigências da
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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7.3.1OCasodeBeloHorizonte-MG
A cidade de Belo Horizonte é uma referência em se tratando de reciclagem de RCD no Brasil. Implantado desde
1993, o plano de gestão diferenciada, na época denominado Programa de Correção Ambiental e Reciclagem dos
Resíduos de Construção, definiu ações específicas para captação, reciclagem, informação ambiental e recuperação
de áreas degradadas.
Este programa fez parte de um pacote maior de ações que constituiu o Modelo de Gestão de Resíduos de Belo
Horizonte. Nele definiu-se a necessidade de uma rede de atração com 9 áreas e 4 centrais de reciclagem. O processo
de implantação dessas unidades foi iniciado em 1995 e em 1999 tinha evoluído para 50% do que tinha sido previsto
inicialmente (PINTO, 1999).
resíduo classe A gerado, cerca de 12000m3, após conclusão das análises técnica, ambiental, social e econômica
foi reaproveitado como agregado para produção de concreto, blocos para alvenaria e pavimentação, e elementos
pré-moldados.
Estas iniciativas não se limitam à região sudeste. Em Maceió e Salvador têm-se exemplos de construtoras que
promovem a reciclagem de resíduos classe A em obra. Em Aracaju, foi conduzido um estudo pelo SENAI para
utilização de uma recicladora móvel em obras da cidade. O resíduo classe A gerado é devidamente segregado,
peneirado, triturado e o agregado reciclado é utilizado na produção de bloquetes para pavimentação e argamassa
para assentamento de alvenaria, emboço e contrapiso.
Hoje existem em Belo Horizonte 28 Unidades de Recebimento de Pequenos Volumes (URPV) e 3 unidades de
reciclagem dos Resíduos Classe A. Uma delas, inaugurada em 2006, permite separar os agregados reciclados de
acordo com a granulometria, ampliando as possibilidades de uso deste agregado. O RCD captado nas Unidades de
Recebimento é encaminhado para as estações de reciclagem, onde são selecionados, descontaminados, triturados
e expedidos. O agregado reciclado é utilizado principalmente como base e sub-base de pavimentação.
Figura 36 – Recicladora Móvel em Utilização na Cidade de Aracaju.
8.METODOLOGIAPARAIMPLANTAÇÃODAGESTÃODERESÍDUOSNOCANTEIRO
7.3.2OCasodeRibeirãoPreto-SP
Figura 35 – Estação de Reciclagem “Estoril”.
Em 1995 a cidade de Ribeirão Preto desenvolveu o Programa para Correção Ambiental e Reciclagem dos Resíduos
de Construção que previa a implantação de catorze pontos de atração de resíduos em pequenos volumes, a
incorporação de duas centrais de reciclagem e ações para recuperação e informação ambiental.
No ano de 1996 entrou em operação a primeira central de reciclagem, que depois de 32 meses de funcionamento,
de acordo com Pinto (1999), sua produção permitiu a execução de 218.000m2 de pavimentação, o equivalente a
31km de vias.
Esta central, por ter sido a primeira a operar no interior de São Paulo, foi a fornecedora de RCD reciclado para
estudos desenvolvidos na UNICAMP e na Escola de Engenharia de São Carlos, que contribuíram para a consolidação
da tecnologia e disseminação de suas potencialidades.
7.3.3ReciclagememObra
Além das iniciativas públicas e privadas já mencionadas, vale ressaltar a iniciativa de algumas construtoras com
relação à reciclagem de resíduos classe A. Como exemplo, pode-se citar uma obra em São Paulo. Para a construção
do novo empreendimento foi necessária a demolição de antigas edificações e pisos industriais em concreto. O
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Como foi visto ao longo dos capítulos anteriores, a sociedade está se tornando cada vez mais exigente em relação
à questão ambiental. O entulho, resíduo das atividades de construção e demolição (RCD), apresenta-se como um
dos principais problemas nas áreas urbanas, pois sua geração e descarte inadequado causam diversos impactos
ambientais, sociais e econômicos. As soluções para esses problemas passam por desenvolvimento e implantação
de tecnologias que busquem a redução, reutilização e reciclagem desse resíduo.
A construção sustentável baseia-se na prevenção e redução dos resíduos pelo desenvolvimento de tecnologias
limpas, no uso de materiais recicláveis ou reutilizáveis, no uso dos resíduos como materiais secundários e na coleta
e deposição de resíduo inerte. Portanto, devem ser tomadas medidas que transformem as correntes de resíduos
em recursos reutilizáveis. Quando esses resíduos são selecionados, graduados e têm teor de material pulverulento,
apresentam elevado potencial de reciclagem, podendo ser utilizados como matéria-prima para produção de
materiais de construção.
Devido a esse contexto, o SENAI, o SEBRAE e a GTZ, parceiros do Projeto COMPETIR, identificaram no mercado
nacional programas de consultoria existentes que atendessem às necessidades das empresas do setor, no que
se refere à adequação dos canteiros para atendimento à Resolução 307 do CONAMA. A metodologia selecionada,
desenvolvida pela empresa Obra Limpa em São Paulo, foi adaptada à realidade nordestina, gerando o Programa de
Gestão de Resíduos da Construção Civil19.
8.1ObjetivosdoPrograma
Este programa busca fornecer às empresas construtoras, através de consultoria técnica especializada, ferramentas
que permitam a gestão adequada dos resíduos de construção nos canteiros de obras, atendendo às exigências da
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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Resolução 307 do CONAMA.
Como objetivos específicos pode-se destacar:
• fornecer à empresa construtora ferramentas que facilitem a gestão e controle dos resíduos gerados na obra,
capacitando a equipe técnica na utilização destas ferramentas;
• fazer um planejamento da gestão de resíduos na obra, definindo quantidade e localização de dispositivos para
coleta seletiva destes resíduos, permitindo a segregação dos mesmos desde a origem;
• sensibilizar os colaboradores da empresa com relação à limpeza e segregação dos resíduos na obra, para que
estes sejam agentes da gestão de resíduos em seus postos de trabalho; e
• monitorar a implementação do Programa através de visitas técnicas com base em check-list específicos, gerando
relatórios técnicos e fotográficos.
8.2SeqüênciadasAtividades
O processo de implantação do programa de gestão de resíduos contempla o desenvolvimento de um conjunto
de atividades realizadas dentro e fora dos canteiros, a saber: treinamento inicial, planejamento, implantação e
monitoramento.
• quantidade de funcionários e equipes;
• área de construção;
• arranjo físico do canteiro (espaços, atividades, número de pavimentos, fluxo de materiais, fluxo de resíduos,
equipamentos de transporte disponíveis, etc.);
• resíduos que serão gerados, a depender dos processos e sistemas construtivos adotados;
• sistemática existente para a remoção dos resíduos gerados; e
• transportadores e locais de destinação dos resíduos já utilizados pela obra.
Caso a obra tenha elaborado o PGRCC – Projeto de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil, este deve ser
considerado no levantamento de informações, tomando-se o cuidado de adequá-lo à realidade da obra no momento
da implantação do programa.
Com base nas informações coletadas elabora-se um plano para a gestão de resíduos, que contempla:
• proposta para aquisição e distribuição de dispositivos de coleta, além da sinalização do canteiro;
• definição do fluxo dos resíduos nos locais de acondicionamento inicial e para os locais de armazenamento final;
• definição dos locais para a destinação dos resíduos e cadastramento dos destinatários;
• elaboração da rotina para o registro da destinação dos resíduos;
• verificação das possibilidades de reciclagem e aproveitamento dos resíduos gerados; e
• prévia caracterização dos resíduos que poderão ser gerados pela obra com base na fase de execução que a obra
se encontra.
No final desta etapa é gerado um plano e um orçamento para que as empresas possam providenciar os recursos
necessários para a implantação do programa. Na Figura 40, apresenta-se planilha com um exemplo de fluxo para
os resíduos gerados em uma obra.
Figura 37 – Etapas do Programa de Gestão de Resíduos.
8.2.1TreinamentoInicial
Treinamento preliminar realizado com a presença da direção da empresa e da equipe gerencial das obras (engenheiros,
mestres, encarregados administrativos, responsáveis pela qualidade, segurança do trabalho e suprimentos) nas
quais o programa será implantado.
Esta reunião tem por objetivos:
• sensibilizar as equipes quanto aos impactos ambientais causados pelas atividades de construção e demolição nas
cidades;
• mostrar de que forma as leis e as novas diretrizes estabelecem um novo panorama para gerenciamento integrado
desses resíduos e quais são as implicações para o setor;
• estabelecer as alterações que irão acontecer no dia-a-dia das obras em função da implantação do Programa de
Gestão de Resíduos; e
• repassar as ferramentas utilizadas no Programa de Gestão de Resíduos.
8.2.2Planejamento
Esta etapa é desenvolvida nos canteiros buscando inicialmente caracterizar a obra através das seguintes
informações:
66
Figura 38 – Exemplo de Planilha Gerada ao Final da Etapa de Planejamento – Fluxo dos Resíduos.
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Resolução 307 do CONAMA.
Como objetivos específicos pode-se destacar:
• fornecer à empresa construtora ferramentas que facilitem a gestão e controle dos resíduos gerados na obra,
capacitando a equipe técnica na utilização destas ferramentas;
• fazer um planejamento da gestão de resíduos na obra, definindo quantidade e localização de dispositivos para
coleta seletiva destes resíduos, permitindo a segregação dos mesmos desde a origem;
• sensibilizar os colaboradores da empresa com relação à limpeza e segregação dos resíduos na obra, para que
estes sejam agentes da gestão de resíduos em seus postos de trabalho; e
• monitorar a implementação do Programa através de visitas técnicas com base em check-list específicos, gerando
relatórios técnicos e fotográficos.
8.2SeqüênciadasAtividades
O processo de implantação do programa de gestão de resíduos contempla o desenvolvimento de um conjunto
de atividades realizadas dentro e fora dos canteiros, a saber: treinamento inicial, planejamento, implantação e
monitoramento.
• quantidade de funcionários e equipes;
• área de construção;
• arranjo físico do canteiro (espaços, atividades, número de pavimentos, fluxo de materiais, fluxo de resíduos,
equipamentos de transporte disponíveis, etc.);
• resíduos que serão gerados, a depender dos processos e sistemas construtivos adotados;
• sistemática existente para a remoção dos resíduos gerados; e
• transportadores e locais de destinação dos resíduos já utilizados pela obra.
Caso a obra tenha elaborado o PGRCC – Projeto de Gerenciamento de Resíduos de Construção Civil, este deve ser
considerado no levantamento de informações, tomando-se o cuidado de adequá-lo à realidade da obra no momento
da implantação do programa.
Com base nas informações coletadas elabora-se um plano para a gestão de resíduos, que contempla:
• proposta para aquisição e distribuição de dispositivos de coleta, além da sinalização do canteiro;
• definição do fluxo dos resíduos nos locais de acondicionamento inicial e para os locais de armazenamento final;
• definição dos locais para a destinação dos resíduos e cadastramento dos destinatários;
• elaboração da rotina para o registro da destinação dos resíduos;
• verificação das possibilidades de reciclagem e aproveitamento dos resíduos gerados; e
• prévia caracterização dos resíduos que poderão ser gerados pela obra com base na fase de execução que a obra
se encontra.
No final desta etapa é gerado um plano e um orçamento para que as empresas possam providenciar os recursos
necessários para a implantação do programa. Na Figura 40, apresenta-se planilha com um exemplo de fluxo para
os resíduos gerados em uma obra.
Figura 37 – Etapas do Programa de Gestão de Resíduos.
8.2.1TreinamentoInicial
Treinamento preliminar realizado com a presença da direção da empresa e da equipe gerencial das obras (engenheiros,
mestres, encarregados administrativos, responsáveis pela qualidade, segurança do trabalho e suprimentos) nas
quais o programa será implantado.
Esta reunião tem por objetivos:
• sensibilizar as equipes quanto aos impactos ambientais causados pelas atividades de construção e demolição nas
cidades;
• mostrar de que forma as leis e as novas diretrizes estabelecem um novo panorama para gerenciamento integrado
desses resíduos e quais são as implicações para o setor;
• estabelecer as alterações que irão acontecer no dia-a-dia das obras em função da implantação do Programa de
Gestão de Resíduos; e
• repassar as ferramentas utilizadas no Programa de Gestão de Resíduos.
8.2.2Planejamento
Esta etapa é desenvolvida nos canteiros buscando inicialmente caracterizar a obra através das seguintes
informações:
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Figura 38 – Exemplo de Planilha Gerada ao Final da Etapa de Planejamento – Fluxo dos Resíduos.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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8.2.3Implantação
Esta etapa é iniciada assim que a empresa adquire e distribui todos os dispositivos de coleta e os demais acessórios
necessários ao programa.
Imediatamente após a colocação dos dispositivos no canteiro, são feitos treinamentos com todos os funcionários
de modo a sensibilizá-los para a necessidade da contribuição de cada um para o sucesso do programa e instruí-los
quanto ao adequado manejo dos resíduos, visando, principalmente, sua correta triagem.
A equipe gerencial da obra é capacitada para que novos treinamentos sejam realizados quando do ingresso de novos
operários ou mesmo quando a equipe julgar necessário, diante das falhas detectadas nas avaliações realizadas.
Além do treinamento com toda a equipe da obra (funcionários e terceiros), é feito um treinamento específico
com os responsáveis pelo controle da destinação dos resíduos, orientando-os quanto às soluções adequadas,
repassando contatos de transportadores e destinatários de resíduos, além de implantar os controles operacionais:
o CTR (Controle de Transporte de Resíduos) e a Planilha de Registro da Destinação.
O CTR (Figura 41) foi desenvolvido atendendo aos requisitos da NBR 15112:2004. Deve ser preenchido em 3
vias: uma para a obra, uma para o transportador e outra para o destinatário. Observe-se que fica registrado neste
formulário: dados da obra, o tipo e a quantidade do resíduo que é retirado e a identificação do transportador e do
destinatário, com as devidas assinaturas.
Figura 39 – Modelo do CTR.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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8.2.3Implantação
Esta etapa é iniciada assim que a empresa adquire e distribui todos os dispositivos de coleta e os demais acessórios
necessários ao programa.
Imediatamente após a colocação dos dispositivos no canteiro, são feitos treinamentos com todos os funcionários
de modo a sensibilizá-los para a necessidade da contribuição de cada um para o sucesso do programa e instruí-los
quanto ao adequado manejo dos resíduos, visando, principalmente, sua correta triagem.
A equipe gerencial da obra é capacitada para que novos treinamentos sejam realizados quando do ingresso de novos
operários ou mesmo quando a equipe julgar necessário, diante das falhas detectadas nas avaliações realizadas.
Além do treinamento com toda a equipe da obra (funcionários e terceiros), é feito um treinamento específico
com os responsáveis pelo controle da destinação dos resíduos, orientando-os quanto às soluções adequadas,
repassando contatos de transportadores e destinatários de resíduos, além de implantar os controles operacionais:
o CTR (Controle de Transporte de Resíduos) e a Planilha de Registro da Destinação.
O CTR (Figura 41) foi desenvolvido atendendo aos requisitos da NBR 15112:2004. Deve ser preenchido em 3
vias: uma para a obra, uma para o transportador e outra para o destinatário. Observe-se que fica registrado neste
formulário: dados da obra, o tipo e a quantidade do resíduo que é retirado e a identificação do transportador e do
destinatário, com as devidas assinaturas.
Figura 39 – Modelo do CTR.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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Este é, portanto, um importante instrumento para a comprovação da destinação ambientalmente correta dos
resíduos, em caso de fiscalização dos órgãos públicos, bem como para o controle interno, alimentando a Planilha
de Registro da Destinação. Esta segunda ferramenta possibilita o controle geral dos resíduos gerados na obra:
quantidade de resíduo por tipo, destinos dados e valores gastos e/ou recebidos com o descarte dos resíduos.
Nesta etapa também são realizados os primeiros check-lists, que serão descritos mais detalhadamente no item a
seguir. Estes são aplicados durante algumas visitas programadas que tem por objetivo a transmissão da metodologia
para a equipe de obra.
8.2.4Monitoramento
Nesta fase do programa são realizadas visitas pré-agendadas onde os consultores avaliam o desempenho da obra
em relação à limpeza, segregação e destinação compromissada dos resíduos por meio do check-list apresentado
na Figura 42. Destes check-lists são gerados relatórios periódicos remetidos para as empresas, servindo como
referência para a direção da obra na correção dos desvios observados. Estas ferramentas serão detalhadas a
seguir.
Figura 41 – Os Três Grandes Blocos de Informações do Check-list.
A avaliação é feita atribuindo-se notas para cada um dos aspectos analisados. Existe um padrão pré-determinado
para auxiliar na definição das notas, a saber:
• 10 – 9 g Excelente. Sistemática implementada de forma eficaz;
• 8 – 7 g Bom. Sistemática adequadamente implementada, porém com falhas pontuais e em pequeno volume;
• 6 – 5 g Regular. Sistemática ineficaz. Presença de problemas pontuais em diferentes locais ou em volume
significativo;
• 4 – 3 g Ruim. Sistemática parcialmente implementada. Resíduo acumulado e não segregado de forma generalizada
no pavimento;
• 2 – 1 g Péssimo. Sistemática não implementada. Muito resíduo acumulado por muito tempo no pavimento.
Na parte 1 (figura 44), são informados os pavimentos a serem avaliados, a área de cada um deles e seus respectivos
fatores de ponderação, calculados automaticamente e, associado a cada um dos pavimentos, as notas para limpeza
e segregação. À direita das notas devem ser especificadas as quantidades de dispositivos (bombonas) presentes
em cada um dos pavimentos de acordo com o tipo de resíduo (orgânico, papel, plástico, metal, madeira). Na parte
inferior são apresentadas as médias ponderadas de limpeza e segregação na fonte.
Figura 40 – Modelo do Check-list Utilizado na Implantação e no Monitoramento20.
Para melhor compreensão do check-list pode-se dividi-lo em três grandes blocos de informações, conforme
apresentado na figura 43.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
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Este é, portanto, um importante instrumento para a comprovação da destinação ambientalmente correta dos
resíduos, em caso de fiscalização dos órgãos públicos, bem como para o controle interno, alimentando a Planilha
de Registro da Destinação. Esta segunda ferramenta possibilita o controle geral dos resíduos gerados na obra:
quantidade de resíduo por tipo, destinos dados e valores gastos e/ou recebidos com o descarte dos resíduos.
Nesta etapa também são realizados os primeiros check-lists, que serão descritos mais detalhadamente no item a
seguir. Estes são aplicados durante algumas visitas programadas que tem por objetivo a transmissão da metodologia
para a equipe de obra.
8.2.4Monitoramento
Nesta fase do programa são realizadas visitas pré-agendadas onde os consultores avaliam o desempenho da obra
em relação à limpeza, segregação e destinação compromissada dos resíduos por meio do check-list apresentado
na Figura 42. Destes check-lists são gerados relatórios periódicos remetidos para as empresas, servindo como
referência para a direção da obra na correção dos desvios observados. Estas ferramentas serão detalhadas a
seguir.
Figura 41 – Os Três Grandes Blocos de Informações do Check-list.
A avaliação é feita atribuindo-se notas para cada um dos aspectos analisados. Existe um padrão pré-determinado
para auxiliar na definição das notas, a saber:
• 10 – 9 g Excelente. Sistemática implementada de forma eficaz;
• 8 – 7 g Bom. Sistemática adequadamente implementada, porém com falhas pontuais e em pequeno volume;
• 6 – 5 g Regular. Sistemática ineficaz. Presença de problemas pontuais em diferentes locais ou em volume
significativo;
• 4 – 3 g Ruim. Sistemática parcialmente implementada. Resíduo acumulado e não segregado de forma generalizada
no pavimento;
• 2 – 1 g Péssimo. Sistemática não implementada. Muito resíduo acumulado por muito tempo no pavimento.
Na parte 1 (figura 44), são informados os pavimentos a serem avaliados, a área de cada um deles e seus respectivos
fatores de ponderação, calculados automaticamente e, associado a cada um dos pavimentos, as notas para limpeza
e segregação. À direita das notas devem ser especificadas as quantidades de dispositivos (bombonas) presentes
em cada um dos pavimentos de acordo com o tipo de resíduo (orgânico, papel, plástico, metal, madeira). Na parte
inferior são apresentadas as médias ponderadas de limpeza e segregação na fonte.
Figura 40 – Modelo do Check-list Utilizado na Implantação e no Monitoramento20.
Para melhor compreensão do check-list pode-se dividi-lo em três grandes blocos de informações, conforme
apresentado na figura 43.
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Por fim, na parte 3 (figura 46), busca-se avaliar o acondicionamento final dos resíduos com a atribuição de notas
por tipo de acondicionamento (bags, baias, caçambas) e os respectivos fatores de ponderação. Estes fatores
são estabelecidos pelo avaliador com base no volume global dos resíduos que devem passar por cada tipo de
acondicionamento.
Em cada linha, coloca-se um tipo de dispositivo de acondicionamento final. Nas colunas registram-se as fotos
tiradas, identificam-se os tipos de resíduo e os problemas apresentados. Os itens avaliados (resíduo misturado,
lotado, sem uso, uso incorreto, não sinalizado, resíduo em torno) e os tipos de acondicionamento final podem ser
adequados à realidade de cada obra.
Figura 44 – Parte 3 do Check-list – Avaliação do Acondicionamento Final.
Com base no check-list aplicado na obra, elabora-se o Relatório de Visita (Figuras 47 a 49). Este relatório tem como
principal objetivo a apresentação de forma sucinta dos resultados alcançados pela obra e os pontos de melhoria
identificados, além de enfatizar a questão da destinação compromissada dos resíduos.
Figura 42 – Parte 1 do Check-list – Atribuição de Notas e Identificação dos Dispositivos.
Já na parte 2 (figura 45), devem-se sinalizar os problemas encontrados nos pavimentos no tocante à limpeza e
segregação dos resíduos. Na primeira coluna faz-se uma referência aos registros fotográficos, indicando o número
das fotos tiradas dos aspectos positivos ou dos pontos de melhoria.
Em um período de tempo determinado (geralmente 15 dias), são avaliados: limpeza da obra e segregação dos
resíduos, uso dos dispositivos para acondicionamento dos resíduos, armazenamento de materiais, geração e
destinação dos resíduos, organização geral da obra e comprometimento da equipe com o programa, conforme
modelo da Figura 47. Sempre que possível, são referenciadas fotos que caracterizem a situação observada.
Nas colunas seguintes, registram-se os problemas identificados e observações gerais em relação aos diversos
itens avaliados: varrição insuficiente, resíduos classe A, resíduos de madeira, resíduos metálicos, resíduos de
gesso, embalagens de plástico e papel, pedaços de conduítes, lonas e telas espalhadas no local, resíduos especiais,
material acondicionado incorretamente, resíduos não segregados empilhados, resíduos orgânicos, maços de
cigarros, garrafas pet, material para uso e resíduo misturados, etc. Estes itens devem ser adaptados à realidade de
cada obra.
Figura 43 – Parte 2 do Check-list – Registro Fotográfico e Identificação de Falhas.
72
Figura 45 – Relatório de Visita21.
73
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Por fim, na parte 3 (figura 46), busca-se avaliar o acondicionamento final dos resíduos com a atribuição de notas
por tipo de acondicionamento (bags, baias, caçambas) e os respectivos fatores de ponderação. Estes fatores
são estabelecidos pelo avaliador com base no volume global dos resíduos que devem passar por cada tipo de
acondicionamento.
Em cada linha, coloca-se um tipo de dispositivo de acondicionamento final. Nas colunas registram-se as fotos
tiradas, identificam-se os tipos de resíduo e os problemas apresentados. Os itens avaliados (resíduo misturado,
lotado, sem uso, uso incorreto, não sinalizado, resíduo em torno) e os tipos de acondicionamento final podem ser
adequados à realidade de cada obra.
Figura 44 – Parte 3 do Check-list – Avaliação do Acondicionamento Final.
Com base no check-list aplicado na obra, elabora-se o Relatório de Visita (Figuras 47 a 49). Este relatório tem como
principal objetivo a apresentação de forma sucinta dos resultados alcançados pela obra e os pontos de melhoria
identificados, além de enfatizar a questão da destinação compromissada dos resíduos.
Figura 42 – Parte 1 do Check-list – Atribuição de Notas e Identificação dos Dispositivos.
Já na parte 2 (figura 45), devem-se sinalizar os problemas encontrados nos pavimentos no tocante à limpeza e
segregação dos resíduos. Na primeira coluna faz-se uma referência aos registros fotográficos, indicando o número
das fotos tiradas dos aspectos positivos ou dos pontos de melhoria.
Em um período de tempo determinado (geralmente 15 dias), são avaliados: limpeza da obra e segregação dos
resíduos, uso dos dispositivos para acondicionamento dos resíduos, armazenamento de materiais, geração e
destinação dos resíduos, organização geral da obra e comprometimento da equipe com o programa, conforme
modelo da Figura 47. Sempre que possível, são referenciadas fotos que caracterizem a situação observada.
Nas colunas seguintes, registram-se os problemas identificados e observações gerais em relação aos diversos
itens avaliados: varrição insuficiente, resíduos classe A, resíduos de madeira, resíduos metálicos, resíduos de
gesso, embalagens de plástico e papel, pedaços de conduítes, lonas e telas espalhadas no local, resíduos especiais,
material acondicionado incorretamente, resíduos não segregados empilhados, resíduos orgânicos, maços de
cigarros, garrafas pet, material para uso e resíduo misturados, etc. Estes itens devem ser adaptados à realidade de
cada obra.
Figura 43 – Parte 2 do Check-list – Registro Fotográfico e Identificação de Falhas.
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Figura 45 – Relatório de Visita21.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Na etapa seguinte do relatório (Figura 48) é avaliada a destinação compromissada dos resíduos. São consideradas
as soluções anteriormente adotadas pela obra e as soluções atuais para cada um dos tipos de resíduos; e para cada
uma dessas soluções é atribuída uma nota com base na tabela 19. Esta tabela deve ser reavaliada periodicamente
com base nas soluções disponíveis.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 20 – Exemplo de Padronização de Notas para Avaliação da Destinação
dos Resíduos.
Figura 46 – Avaliação da Destinação Compromissada dos Resíduos Realizada no Relatório de Visita.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Na etapa seguinte do relatório (Figura 48) é avaliada a destinação compromissada dos resíduos. São consideradas
as soluções anteriormente adotadas pela obra e as soluções atuais para cada um dos tipos de resíduos; e para cada
uma dessas soluções é atribuída uma nota com base na tabela 19. Esta tabela deve ser reavaliada periodicamente
com base nas soluções disponíveis.
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Tabela 20 – Exemplo de Padronização de Notas para Avaliação da Destinação
dos Resíduos.
Figura 46 – Avaliação da Destinação Compromissada dos Resíduos Realizada no Relatório de Visita.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Na parte final do relatório é apresentado um resumo das notas, como pode ser visto na figura 49.
Tabela 21 – Destinação dos Resíduos (adaptada de PINTO et al, 2005).
Tipo de Área
Pontos de entrega
Descrição
Área pública ou viabilizada pela
administração pública apta para o
recebimento de pequenos
volumes de resíduos da
construção civil.
Condições para
Utilização
Disponibilizada pela
administração pública local
como parte integrante do
Programa Municipal de
Gerenciamento de
Resíduos da Construção
Civil.
Figura 47 – Resumo de Notas.
8.3QualificaçãodosAgentesEnvolvidos
Todos os agentes envolvidos no Programa de Gestão de Resíduos devem ser previamente identificados e
qualificados, para garantir a segurança dos processos posteriores à geração.
Para facilitar a implantação do programa pelas empresas, deve-se manter um cadastro atualizado dos fornecedores
de dispositivos e acessórios, bem como dos transportadores e destinatários.
A destinação dos resíduos, por sua vez, deverá estar vinculada a determinadas condições, como as mostradas na tabela 20.
Área de Transbordo
e Triagem (ATT)
Estabelecimento privado ou
Licenciada pela
público destinado ao recebimento administração pública
de resíduos da construção civil e municipal.
resíduos volumosos gerados e
coletados por agentes privados, e
que deverão ser usadas para a
triagem dos resíduos recebidos,
eventual transformação e
posterior remoção para adequada
disposição.
Área de Reciclagem Estabelecimento privado ou
Licenciada pela
público destinado à
administração pública
transformação dos resíduos
municipal. No âmbito
classe A em agregados.
estadual, licenciamento
pelo órgão de controle
ambiental, expresso nas
licenças de instalação e
operação.
Aterros de Resíduos Estabelecimento privado ou
Licenciamento municipal e
da Construção Civil público onde serão empregadas
estadual de acordo com
técnicas de disposição de
legislação específica.
resíduos da construção civil
classe A no solo, visando à
reservação de materiais
segregados de forma a
possibilitar seu uso futuro e/ou
futura utilização da área,
utilizando princípios de
engenharia para confiná-los ao
menor volume possível, sem
causar danos à saúde pública e ao
meio ambiente.
Aterros para
Área licenciada para o
Licenciamento municipal e
resíduos industriais recebimento de resíduos
estadual de acordo com
industriais classe I e II (conforme legislação específica.
antiga versão da NBR
10004:2004)
Agentes diversos
76
Sucateiros, cooperativas, grupos
de coleta seletiva e outros agentes
que comercializam resíduos
recicláveis.
Contrato social ou
congênere, alvará de
funcionamento, inscrição
municipal.
Observações
Restrição ao recebimento
de cargas de resíduos de
construção civil
constituídas
predominantemente por
resíduos da construção
civil perigosos e nãoinertes (tintas, solventes,
óleos, resíduos
provenientes de
instalações industriais e
outros).
Restrição ao recebimento
de cargas
predominantemente
constituídas por resíduos
classe D.
Os resíduos classe B, C e D
poderão apenas transitar
pela área para serem, em
seguida, transferidos para
destinação adequada.
Caracterização prévia dos
resíduos definirá se
deverão ser destinados a
aterros industriais classe I
e II (conforme antiga
versão da NBR
10004:2004).
Em caso de necessidade
da utilização de agentes
eminentemente informais
(condição de baixa
atratividade para coleta
associada a
indisponibilidade de
agentes formais),
reconhecer o destino a ser
dado ao resíduo e registrálo da maneira mais segura
possível).
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Na parte final do relatório é apresentado um resumo das notas, como pode ser visto na figura 49.
Tabela 21 – Destinação dos Resíduos (adaptada de PINTO et al, 2005).
Tipo de Área
Pontos de entrega
Descrição
Área pública ou viabilizada pela
administração pública apta para o
recebimento de pequenos
volumes de resíduos da
construção civil.
Condições para
Utilização
Disponibilizada pela
administração pública local
como parte integrante do
Programa Municipal de
Gerenciamento de
Resíduos da Construção
Civil.
Figura 47 – Resumo de Notas.
8.3QualificaçãodosAgentesEnvolvidos
Todos os agentes envolvidos no Programa de Gestão de Resíduos devem ser previamente identificados e
qualificados, para garantir a segurança dos processos posteriores à geração.
Para facilitar a implantação do programa pelas empresas, deve-se manter um cadastro atualizado dos fornecedores
de dispositivos e acessórios, bem como dos transportadores e destinatários.
A destinação dos resíduos, por sua vez, deverá estar vinculada a determinadas condições, como as mostradas na tabela 20.
Área de Transbordo
e Triagem (ATT)
Estabelecimento privado ou
Licenciada pela
público destinado ao recebimento administração pública
de resíduos da construção civil e municipal.
resíduos volumosos gerados e
coletados por agentes privados, e
que deverão ser usadas para a
triagem dos resíduos recebidos,
eventual transformação e
posterior remoção para adequada
disposição.
Área de Reciclagem Estabelecimento privado ou
Licenciada pela
público destinado à
administração pública
transformação dos resíduos
municipal. No âmbito
classe A em agregados.
estadual, licenciamento
pelo órgão de controle
ambiental, expresso nas
licenças de instalação e
operação.
Aterros de Resíduos Estabelecimento privado ou
Licenciamento municipal e
da Construção Civil público onde serão empregadas
estadual de acordo com
técnicas de disposição de
legislação específica.
resíduos da construção civil
classe A no solo, visando à
reservação de materiais
segregados de forma a
possibilitar seu uso futuro e/ou
futura utilização da área,
utilizando princípios de
engenharia para confiná-los ao
menor volume possível, sem
causar danos à saúde pública e ao
meio ambiente.
Aterros para
Área licenciada para o
Licenciamento municipal e
resíduos industriais recebimento de resíduos
estadual de acordo com
industriais classe I e II (conforme legislação específica.
antiga versão da NBR
10004:2004)
Agentes diversos
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Sucateiros, cooperativas, grupos
de coleta seletiva e outros agentes
que comercializam resíduos
recicláveis.
Contrato social ou
congênere, alvará de
funcionamento, inscrição
municipal.
Observações
Restrição ao recebimento
de cargas de resíduos de
construção civil
constituídas
predominantemente por
resíduos da construção
civil perigosos e nãoinertes (tintas, solventes,
óleos, resíduos
provenientes de
instalações industriais e
outros).
Restrição ao recebimento
de cargas
predominantemente
constituídas por resíduos
classe D.
Os resíduos classe B, C e D
poderão apenas transitar
pela área para serem, em
seguida, transferidos para
destinação adequada.
Caracterização prévia dos
resíduos definirá se
deverão ser destinados a
aterros industriais classe I
e II (conforme antiga
versão da NBR
10004:2004).
Em caso de necessidade
da utilização de agentes
eminentemente informais
(condição de baixa
atratividade para coleta
associada a
indisponibilidade de
agentes formais),
reconhecer o destino a ser
dado ao resíduo e registrálo da maneira mais segura
possível).
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Como foi visto no capítulo 5, no item 5.6, é importante que as obras tenham um cadastro com transportadores e
destinatários (cooperativas e compradores de resíduos) e que os resíduos sejam encaminhados para o local de
destinação acompanhados do CTR22, item de exigência da norma NBR 15112:2004.
9.CONSIDERAÇÕESFINAIS
Como pôde ser visto ao longo deste material, a indústria da construção civil ocupa uma posição de destaque na
economia nacional. Por outro lado, é grande geradora de impactos ambientais, aparecendo muitas vezes como o
maior gerador de resíduos de toda a sociedade.
A expressiva quantidade de resíduos gerados e o descarte inadequado nos remetem à necessidade urgente de uma
ação conjunta da sociedade – poderes públicos, setor industrial da construção civil e sociedade civil organizada – na
busca de soluções efetivas para minimizar os impactos sócio-ambientais, preservar recursos naturais e melhorar
a qualidade de vida nas áreas urbanas. No Brasil, as políticas públicas voltadas ao gerenciamento de Resíduos de
Construção Civil (RCC) visam impulsionar as empresas geradoras de resíduos a tomarem uma nova postura com
relação aos seus resíduos.
A principal ação efetivada em termos legais, visando à mudança deste quadro foi a aprovação da Resolução nº307 do
CONAMA, já comentada anteriormente. Porém, esta ação ainda tem se mostrado insuficiente para uma mobilização
completa dos atores envolvidos no sentido de promover o adequado manuseio, redução, reutilização, reciclagem
e disposição dos resíduos.
Ao longo deste material buscou-se apresentar e discutir alguns assuntos relacionados à gestão de resíduos da
construção como o impacto ambiental da cadeia, classificação das perdas, novas diretrizes para gerenciamento
dos resíduos, ferramentas para a redução da geração e reciclagem na cadeia produtiva da construção, de modo a
estabelecer um referencial teórico e auxiliar o processo de aprendizagem a respeito do tema. Além disso, apresentouse o esboço da metodologia de implantação do Programa de Gestão de Resíduos da Construção Civil utilizada pelo
SENAI e SEBRAE no âmbito do Projeto Competir que serve de referencial para balizar o processo de implantação
dos programas nas empresas construtoras. A sua concepção baseia-se na segregação dos resíduos no canteiro,
de forma a reaproveitá-los ou conduzi-los à destinação adequada e no incentivo à redução da geração de resíduos
da construção.
Diversas empresas dos vários estados do nordeste já implantaram a gestão diferenciada dos resíduos no canteiro
com base na metodologia apresentada. De forma geral, os objetivos foram atingidos, melhorando-se a organização
e a limpeza dos canteiros, segregando-se os resíduos e destinando-os de forma a possibilitar a reciclagem ou o
acondicionamento adequado. No entanto, muito ainda pode ser feito para multiplicação destas ações a um número
cada vez maior de empresas e obras.
Muitos municípios ainda não apresentam estrutura suficiente para a destinação de todos os tipos de resíduo gerado
nas obras, o que não invalida as ações para segregação e descarte adequado de parte dos resíduos gerados.
Acredita-se que, com a mobilização das empresas, dos sindicatos da indústria da construção, do setor público e
de fornecedores da cadeia produtiva, novas soluções surgirão ou serão ampliadas, como: áreas para transbordo
e triagem dos resíduos, áreas para reciclagem dos resíduos Classe A, soluções economicamente viáveis para
destinação dos resíduos de gesso, etc.
Deve-se, no entanto, salientar que o objetivo principal do construtor deve ser não gerar resíduos, o que impõe
uma forte mudança na cultura hoje estabelecida na construção civil e uma alteração nos sistemas construtivos
existentes. Para que isto aconteça, é necessário re-estudar os processos, visando estabelecer formas de evitar a
geração de resíduos. Além de reduzir, reutilizar e reciclar é preciso, antes de tudo, repensar.
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GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
GESTÃODERESÍDUOSNACONSTRUÇÃOCIVIL
Como foi visto no capítulo 5, no item 5.6, é importante que as obras tenham um cadastro com transportadores e
destinatários (cooperativas e compradores de resíduos) e que os resíduos sejam encaminhados para o local de
destinação acompanhados do CTR22, item de exigência da norma NBR 15112:2004.
9.CONSIDERAÇÕESFINAIS
Como pôde ser visto ao longo deste material, a indústria da construção civil ocupa uma posição de destaque na
economia nacional. Por outro lado, é grande geradora de impactos ambientais, aparecendo muitas vezes como o
maior gerador de resíduos de toda a sociedade.
A expressiva quantidade de resíduos gerados e o descarte inadequado nos remetem à necessidade urgente de uma
ação conjunta da sociedade – poderes públicos, setor industrial da construção civil e sociedade civil organizada – na
busca de soluções efetivas para minimizar os impactos sócio-ambientais, preservar recursos naturais e melhorar
a qualidade de vida nas áreas urbanas. No Brasil, as políticas públicas voltadas ao gerenciamento de Resíduos de
Construção Civil (RCC) visam impulsionar as empresas geradoras de resíduos a tomarem uma nova postura com
relação aos seus resíduos.
A principal ação efetivada em termos legais, visando à mudança deste quadro foi a aprovação da Resolução nº307 do
CONAMA, já comentada anteriormente. Porém, esta ação ainda tem se mostrado insuficiente para uma mobilização
completa dos atores envolvidos no sentido de promover o adequado manuseio, redução, reutilização, reciclagem
e disposição dos resíduos.
Ao longo deste material buscou-se apresentar e discutir alguns assuntos relacionados à gestão de resíduos da
construção como o impacto ambiental da cadeia, classificação das perdas, novas diretrizes para gerenciamento
dos resíduos, ferramentas para a redução da geração e reciclagem na cadeia produtiva da construção, de modo a
estabelecer um referencial teórico e auxiliar o processo de aprendizagem a respeito do tema. Além disso, apresentouse o esboço da metodologia de implantação do Programa de Gestão de Resíduos da Construção Civil utilizada pelo
SENAI e SEBRAE no âmbito do Projeto Competir que serve de referencial para balizar o processo de implantação
dos programas nas empresas construtoras. A sua concepção baseia-se na segregação dos resíduos no canteiro,
de forma a reaproveitá-los ou conduzi-los à destinação adequada e no incentivo à redução da geração de resíduos
da construção.
Diversas empresas dos vários estados do nordeste já implantaram a gestão diferenciada dos resíduos no canteiro
com base na metodologia apresentada. De forma geral, os objetivos foram atingidos, melhorando-se a organização
e a limpeza dos canteiros, segregando-se os resíduos e destinando-os de forma a possibilitar a reciclagem ou o
acondicionamento adequado. No entanto, muito ainda pode ser feito para multiplicação destas ações a um número
cada vez maior de empresas e obras.
Muitos municípios ainda não apresentam estrutura suficiente para a destinação de todos os tipos de resíduo gerado
nas obras, o que não invalida as ações para segregação e descarte adequado de parte dos resíduos gerados.
Acredita-se que, com a mobilização das empresas, dos sindicatos da indústria da construção, do setor público e
de fornecedores da cadeia produtiva, novas soluções surgirão ou serão ampliadas, como: áreas para transbordo
e triagem dos resíduos, áreas para reciclagem dos resíduos Classe A, soluções economicamente viáveis para
destinação dos resíduos de gesso, etc.
Deve-se, no entanto, salientar que o objetivo principal do construtor deve ser não gerar resíduos, o que impõe
uma forte mudança na cultura hoje estabelecida na construção civil e uma alteração nos sistemas construtivos
existentes. Para que isto aconteça, é necessário re-estudar os processos, visando estabelecer formas de evitar a
geração de resíduos. Além de reduzir, reutilizar e reciclar é preciso, antes de tudo, repensar.
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GESTÃO DE RESÍDUOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL: Redução