Universidade do Estado do Pará Centro de Ciências Sociais e Educação Departamento de Matemática, Estatística e Informática Curso de Licenciatura em Matemática André de Oliveira Pinheiro Saulo Dias Santos Transformações geométricas com o GeoGebra Belém 2012 André de Oliveira Pinheiro Saulo Dias Santos Transformações geométricas com o GeoGebra Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisitado parcial para obtenção do título de Licenciado em Matemática, pela Universidade do Estado do Pará. Orientadora: Profª. Ma. Cinthia Cunha Maradei Pereira Campos. Belém 2012 André de Oliveira Pinheiro Saulo Dias Santos Transformações geométricas com o GeoGebra Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisitado parcial para obtenção do título de Licenciado em Matemática, pela Universidade do Estado do Pará. Orientadora: Profª. Ma. Cinthia Cunha Maradei Pereira Campos. Data: _____/______/______ Banca Examinadora ____________________________________ - Orientador Prof. Dr. em Educação Universidade do Estado do Pará ____________________________________ Prof. Dr. em Educação Universidade do Estado do Pará ____________________________________ Prof. Dr. em Educação Universidade Federal do Rio Grande do Norte Belém 2012 AGRADECIMENTOS A minha mãe, Maria do Socorro, meu pai, Paulo, minha tia, Auxiliadora, por todo apoio financeiro e emocional que me foi oferecido em minha graduação e por toda habilidade que vocês têm em se tornarem os melhores em suas posições. A minha avó, Maria de Lourdes por se tornar o melhor exemplo de pessoa que alguém pode ser. Ao meu amor, Laís, por me mostrar todos os dias que a felicidade existe; e ainda, em vivências simples como um beijo, um carinho, um sorriso, uma conversa, uma dança ou uma companhia na pulsação das noites de sexta. Aos meus amigos de graduação, Alexandre, Arthur, Hugo, Leandro, Mayara, Talita, Renato, Walmi por toda a colaboração e companheirismo nesses 4 anos; além de, é claro, todos os momentos de diversão, sem os quais nenhum ser humano pode viver. Ao Saulo, meu companheiro de TCC, por ter acreditar e trabalhar no desenvolvimento deste trabalho, e por suportar minha impontualidade, meu senso de humor ácido e meu temperamento. A professora mestra Cinthia Maradei, por nos orientar, por toda paciência, comparecimento e, além disso, por ajudar com várias idéias incríveis, sem as quais este trabalho não seria possível. Aos professores da UEPA por me servirem de exemplo profissional e a esta instituição, que mais do que uma Universidade, é um local de engrandecimento do saber, do caráter e da maturidade, para mim. A todos que esqueci de mencionar, pois me conhecendo muito bem, conhecem minha péssima memória. A Wes Anderson, pelo filme The Darjeeling Limited, que me mostrou que só o fato de querer ser uma pessoa melhor já nos torna uma pessoa melhor. Vocês são demais. André de Oliveira Pinheiro AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus por tudo de bom que proporcionou em minha vida. Agradeço a minha família, minha mãe Ana, meu pai Fernando, meu irmão Sávio, minha irmã Fernanda, por todo amor, carinho e ajuda que me deram, não só nesses quatro anos de universidade, e sim em toda minha vida, obrigado por estarem sempre comigo, amo todos vocês. Agradeço a todos os meus amigos de turma, em ordem alfabética: Andreza, Alexandre, Arthur, Camila, Diego, Douglas, Fernando, Franklin, Guilherme, Hugo, Jean, José, Leandro, Mayara, Nayra, Talita, Renato, Walmi e todos os outros que estiveram na turma, no entanto já saíram para traçar outros rumos, pelo companheirismo, pela amizade, pelos momentos divertidos, pelas “saídas”, pelas viagens e por tudo de bom que me proporcionaram nesses quatro anos de universidade, obrigado pela amizade de vocês e espero que ela perdure por muito tempo. Agradeço aos meus amigos, em ordem alfabética: Cleo, Daniellen, Itamar, Kathelen e Lilia, pela amizade, carinho, companheirismo e alegrias que me proporcionaram nesse tempo, obrigado por estarem comigo e pela ajuda que sempre me deram, muito obrigado. Agradeço também ao meu companheiro de TCC, o André, por ter se juntado comigo nessa empreitada, e apesar das dificuldades que tivemos, conseguimos concluir este trabalho, obrigado por toda ajuda. Agradeço a professora Mestra Cinthia Maradei por concordar em orientar este trabalho, muito obrigado. Agradeço aos professores, servidores e todos os funcionários da UEPA, muito obrigado. Agradeço à instituição UEPA por tudo que ofereceu nestes quatro anos, muito obrigado. Um muito obrigado . Saulo Dias Santos um cão apenas caminhando sozinho numa calçada quente em pleno verão parece ter mais poder do que dez mil deuses. Por que isso? Charles Bukowski RESUMO PINHEIRO, André de Oliveira; SANTOS, Saulo Dias. Transformações geométricas com o GeoGebra, 2011. 83 f. Trabalho de Conclusão de Curso - Universidade do Estado do Pará, Belém, 2011. Este trabalho apresenta os resultados de um estudo que teve como objetivo construir um conjunto de atividades para introduzir o conceito de transformações lineares com exemplificações através das transformações geométricas, explorando as conversões de registros de representação semiótica com ajuda do software GeoGebra. Para tal intuito, foi realizado um levantamento bibliográfico de assuntos relacionados com a temática abordada, a fim de oferecer maior compreensão sobre a realidade de tais temas. No desenvolvimento do trabalho é feito um estudo sobre a informática como tendência, mostrando os pontos positivos e negativos do uso de suas ferramentas na educação matemática; seguido de uma breve explicação sobre semiótica, para assim chegar na Teoria de Raymond Duval sobre os Registros de Representação Semiótica. Ainda na parte de referencial, são mostrados alguns conceitos sobre transformações lineares, com foco nas geométricas que tem essa característica. A partir destas teorias foram criadas atividades explorando vários registros e conversões das representações destas transformações, a partir de conceitos de geometria. Este trabalho poderá servir como ponto de partida para novas pesquisas nesta teoria. Palavras-Chave: Matemática. Educação Matemática. Transformações lineares. Transformações Geométricas. GeoGebra. Registros de Representação Semiótica. ABSTRACT PINHEIRO, André de Oliveira; SANTOS, Saulo Dias. Transformações geométricas com o GeoGebra, 2011. 83 f. Trabalho de Conclusão de Curso - Universidade do Estado do Pará, Belém, 2011. This paper presents the results of a study that aimed to build a set of activities to introduce the concept of linear transformations with exemplifications through geometric transformations, exploring conversions registers of semiotic representation with the help of software GeoGebra. To this end, we conducted a literature review of issues related to the theme addressed in order to provide greater understanding of the reality of such themes. In developing the work is done a study on the computer as trend, showing the positives and negatives of using their tools in mathematics education, followed by a brief explanation of semiotics, thus arriving at Raymond Duval Theory Records on Representation semiotics. Although part of the framework, some concepts are shown on linear transformations, focusing on geometric that has this feature. From these theories were created activities exploring various records and conversions of representations of these transformations, from concepts of geometry. This work could serve as a starting point for further research on this theory Keywords: Mathematics. Mathematics Education. Linear transformations. Geometric Transformations. GeoGebra. Records Semiotic Representation. LISTA DE FIGURAS Figura 1: Figura 2: Figura 3: Figura 4: Figura 5: Figura 6: Figura 7: Figura 8: Figura 9: Figura 10: Figura 11: Figura 12: Figura 13: Figura 14: Figura 15: Figura 16: Figura 17 Figura 18 Figura 19: Figura 20: Figura 21: Figura 22: Figura 23: Figura 24: Figura 25: Figura 26: Figura 27: Figura 28: Figura 29: Figura 30: Figura 31: Figura 32: Figura 33: Figura 34: Tela de entrada do GeoGebra Quadro de registro de representações por Duval Esquema para diferenciação de tratamentos e conversões por Duval Reflexões em relação aos eixos coordenados Exemplo de reflexão em torno do eixo Exemplo de reflexão em torno do eixo Exemplo de reflexão em torno da origem Exemplo de dilatação uniforme Exemplo de contração e dilatação na direção do eixo Exemplo de contração e dilatação na direção do eixo Exemplo de cisalhamento na direção do Exemplo de rotação Representação geométrica dos vetores , e Representação geométrica dos vetores e e dos vetores , e Representação dos vetores e Representação dos vetores e e dos vetores e Representação geométrica dos vetores , e (contraexemplo) Representação geométrica dos vetores e e dos vetores , e (contraexemplo) Representação geométrica dos vetores , e Construção da 1ª elipse Construção da 2ª elipse (sobre a 1ª) Reflexão em torno do eixo Reflexão em torno do eixo Reflexão em torno da origem Inserção dos três vetores O polígono descrito pelas extremidades e origem dos vetores Efeito do cisalhamento Efeito do cisalhamento Efeito do cisalhamento Primeiro vetor da atividade de rotação Criação do 1º vetor da atividade Modificações do no vetor (90º) Modificações no vetor (180º) Modificações no vetor (270º) 24 32 33 38 39 40 41 42 43 44 46 48 53 54 55 56 57 61 64 65 66 67 67 70 70 71 72 72 75 76 77 77 78 LISTA DE QUADROS Quadro 1: Quadro 2: Quadro 3: Quadro 4: Quadro 5: Quadro de Conversões da Atividade 1 Quadro de Conversões da Atividade 2 Quadro de Conversões da Atividade 3 Quadro de Conversões da Atividade 4 Quadro de Conversões da Atividade 5 51 59 62 68 74 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO 11 1.2 PROBLEMA 12 1.3 JUSTIFICATIVA 13 1.4 OBJETIVOS 16 1.4.1 Objetivo Geral 16 1.4.2 Objetivos Específicos 16 2 REFERENCIAL TEÓRICO 17 2.1 INFORMÁTICA APLICADA AO ENSINO DE MATEMÁTICA 17 2.1.1 Informática e educação matemática 17 2.1.2 O uso computador como ferramenta didática 18 2.1.3 O uso dos softwares educativos 21 2.1.4 GeoGebra 22 2.1.4.1 Pesquisas envolvendo o GeoGebra 24 2.2 SEMIÓTICA E MATEMÁTICA 27 2.2.1 O que é semiótica? 27 2.2.2 A Teoria de Duval 29 2.3 TRANSFORMAÇÕES LINEARES: ALGUNS CONCEITOS 35 2.3.1 Transformações Lineares 35 2.3.2 Definição 36 2.3.3 Transformações Geométricas 37 2.3.3.1 Reflexões 37 2.3.3.2 Dilatações e contrações 41 2.3.3.4 Cisalhamentos 45 2.3.3.5 Rotações 47 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 49 3.1 ATIVIDADE 1 49 3.1.1 Contraexemplo 56 3.2 ATIVIDADE 2 58 3.3 ATIVIDADE 3 61 3.4 ATIVIDADE 4 68 3.5 ATIVIDADE 5 73 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS 79 REFERÊNCIAS 81 11 1 INTRODUÇÃO A matemática, com o passar dos anos, vem se estabelecendo como uma importante ciência para nossa realidade. O seu corpo de conhecimento abrange diversas áreas, onde sua utilização se torna fundamental para a formalização, desenvolvimento e avanço das mesmas. Nesta perspectiva é necessário que seu processo de ensino esteja relacionado não apenas com o puro conhecimento matemático, mas também com a realidade do aluno, evidenciando as suas aplicações no cotidiano, proporcionando assim um aprendizado mais significativo. Um fato interessante que ocorre na aprendizagem matemática e que se torna um grande problema é a impossibilidade de acessar um objeto matemático por meio de um instrumento ou, mesmo, pela percepção por causa de sua natureza “não real”. Com isso, é preciso uma relação de denotação, a qual é possível por um sistema semiótico. Compreende-se sobre sistema semiótico como um sistema de signos que permite cumprir as funções de comunicação, tratamento e objetivação, não fazendo referência somente às notações convencionais que, por sua vez, não constituem um sistema. Podemos citar como exemplo de sistemas semióticos: a língua natural, o sistema numérico, o algébrico e o gráfico. Com vista a possibilitar tal aprendizagem utilizamos uma tendência que vem se destacando na Educação Matemática: a utilização da informática aplicada ao ensino de matemática. A escolha desta é devido a seus variados elementos fundamentais direcionados para a educação, proporcionando assim subsídios indispensáveis para a formação do individuo, haja vista que, com a modernidade e os avanços tecnológicos, a sua presença é notada nos mais variados setores da sociedade, entre eles a educação. Devido a isto, entende-se que o computador deva servir realmente como uma ferramenta didática onde os professores e alunos possam usufruir claramente das suas vantagens, como o uso de softwares educacionais. Com vista dos aspectos acima delineados, este trabalho encontra-se assim organizado tendo como primeira seção esta introdução, na qual apresentamos a descrição do problema que motivou e, consequentemente, nos proporcionou a elaboração deste estudo. 12 Ainda nesta, é mostrada a justificativa que tem por base nossas experiências em sala de aula com a disciplina Álgebra Linear, mais precisamente o assunto transformações lineares. Além disso, ela também se baseia em trabalhos de autores como Celestino (2000) e Karrer (2006), entre outros. O objetivo geral e os objetivos específicos são apresentados na em seguida, onde podemos observar o propósito desta pesquisa. Com a seção 2 encontramos a fundamentação teórica utilizada na pesquisa, a qual está dividida em três subseções. A primeira enfatiza a introdução da informática no contexto educativo, assim como o uso de suas ferramentas pedagógicas: o computador e os softwares educativos, além de apresentar uma breve descrição do GeoGebra. A segunda focaliza basicamente nos aspectos relevantes da Teoria de Raymond Duval sobre os Registros de Representação Semiótica. Já a terceira mostra a definição de transformações lineares, assim como algumas transformações geométricas, que servem para exemplificar este conceito. A seção 3 é composta pela proposta de ensino. Nela podemos encontrar 5 atividades, as quais exploramos vários registros e conversões, com as representações de transformações lineares pelas transformações geométricas. Cada atividade apresenta seus objetivos, assim como um passo a passo para resolvê-las no GeoGebra. As considerações finais desta pesquisa são encontradas na seção 4. 1.2 PROBLEMA De acordo com a experiência de graduação obtida na Universidade do Estado do Pará, e pela leitura da pesquisa de Karrer (2005) foi possível perceber que o ensino de Transformações Lineares, na maioria das vezes é pautado apenas em registros de representação discursivas como a língua materna e tratamento numérico-algébrico e segregado em relação a outros conteúdos, como a Geometria, o que se traduz nos alunos em grande dificuldade de aprendizado, por não poderem recorrer à conhecimentos já obtidos e nem diferentes formas de visualização do objeto. Tem-se então que, de acordo com a Teoria dos registros de representação semiótica de Duval (2003, p.15) “a compreensão em matemática supõe a coordenação de ao menos dois registros de representações semiótica”, 13 sendo que um trabalho de conversão destes registros é o que influencia significativamente na compreensão do objeto. Ainda, no momento tecnológico em que vivemos, o computador pode ser um grande aliado do professor, quando a representação de um objeto se torna muito complexa para o quadro-negro. Nesse contexto, qual a possibilidade de elaboração de uma sequência de atividades que seria uma alternativa ao tratamento tradicional dado ao ensino introdutório do conceito de Transformações Lineares? 1.3 JUSTIFICATIVA Por empirismo, no 2º ano da graduação no curso de Licenciatura em Matemática foi possível perceber que o ensino de Álgebra Linear, nesse caso mais precisamente o objeto matemático chamado Transformações Lineares, é vinculado apenas a perspectivas conceituais, no esquema clássico conceito-exemplo-exercício (considerando que exemplo e exercício geralmente não são apresentados como forma de aplicação ou problemas e sem perspectivas gráficas). Assim tem-se que o ensino de transformações lineares se encerra em uma redoma de representações semióticas discursivas em detrimento, ou inexistência, das representações semióticas não discursivas. Estas percepções foram reforçadas pela leitura da pesquisa de Karrer (2005), como já foi mencionado; sendo essa pesquisa, uma proposta de ensino que articula Álgebra Linear, Geometria e os registros de representação semiótica. Nosso trabalho então está situado neste mesmo contexto, contudo se caracteriza pela elaboração de um conjunto de atividades e não uma proposta de ensino e, ainda, visa introduzir o conceito de transformações lineares com estas atividades, diferentemente do trabalho de Karrer (2005) que trabalha sua proposta de articulação com o conceito de transformações lineares já definido. Ainda, no quesito motivação, foi identificada, por meio do estudo realizado por Celestino (2000) sobre o estado da arte da Álgebra Linear, a necessidade de pesquisas referentes ao ensino e à aprendizagem de Geometria Analítica e Álgebra Linear. Sua pesquisa mostra uma alta taxa de reprovação nessas disciplinas (geralmente acima de 30%) em uma amostra de universidades brasileiras e ainda, segundo suas conclusões: “pesquisas em ensino-aprendizagem de disciplinas de cursos superiores, no mundo todo, são relativamente recentes, e 14 no início se concentravam na área de cálculo diferencial e integral” (Celestino, 2000, p.89). O que nos leva, então, a acrescentar uma forma de explicitar a relação intrínseca entre a Álgebra Linear e a Geometria, ou seja, para facilitar e enriquecer o desenvolvimento deste estudo, será executada, através de uma sequência de atividades, uma articulação entre os registros discursivos vistos em transformações lineares e registros não discursivos (gráficos) de Geometria, tornando estes últimos como uma espécie de pré-requisito para a modelagem, visualização e entendimento do conceito do primeiro, para que haja a conversão entre estes registros e com isso a efetiva compreensão do objeto; além de executar a mesma relação para mostrar as peculiaridades das transformações lineares do tipo geométricas. Para tal, será utilizado com ferramenta o software GeoGebra, pois de acordo com Papert (apud OLIVEIRA, 2009), “o computador é um dispositivo técnico aberto que estimula os docentes e discentes a impelir seus conhecimentos até o limite para realçar projetos através de uma ilimitada variedade de ‘efeitos’”. Esses “efeitos” viriam a se concretizar em representações que além de gráficas, seriam umas das poucas formas se visualizar um objeto matemático, uma vez abstrato, e tendo como únicas possibilidades de representação os registros semióticos. Ainda em torno deste eixo, pode-se dizer que vivemos em uma sociedade na qual os homens são direta ou indiretamente dependentes de tecnologia, sobretudo de recursos computacionais. Essa dependência pode vir a ser útil se bem direcionada, ao utilizarmos o computador para aperfeiçoarmos nossas atividades (rotineiras ou não) intelectuais. Sendo assim, a ideia para tal pesquisa, tem como uma de suas sementes também, o intenso interesse de utilizar uma ferramenta computacional para o ensino da matemática, uma vez que a informática vem desenvolvendo um papel bastante importante devido a era digital que se instala mundialmente, e como uma tendência matemática, ela se torna uma importante ferramenta de ensino. Karrer (2006) afirma em relação à interação entre o meio computacional e o meio conceitual matemático: A fim de que o estudante interaja com o computador para a aprendizagem de um conceito matemático, é necessário que o mesmo domine o sistema formal inerente ao software que está utilizando. Os autores afirmam que o uso do computador no ensino ainda é modesto, mas o impacto epistemológico ocorrido nas últimas décadas é muito significativo, tendo em vista que não se projetava o fato do computador tornar possível o estabelecimento de manipulações diretas de objetos matemáticos e relações. (Karrer, 2006, p. 35) 15 Para construirmos uma base, no que diz respeito a alicerce, mais sólida a pesquisa e assim engendrá-la de forma mais eficaz, buscamos aliar teorias ao uso de ferramentas computacionais, a fim de proporcionar maior credibilidade à pesquisa e aumentar seu potencial. Nesse sentido a teoria de registros de representação semiótica de Duval (2005) e os trabalhos de articulação entre Álgebra Linear e semiótica de Karrer (2006) e Karrer e Jahn (2004) vieram a suprir essa necessidade de referencial. A ligação primordial entre o contexto computacional e o contexto inerente à teoria de Duval, se dá em primeiro lugar, de acordo com perspectivas de Duval (2005, p. 14) de que “os objetos matemáticos, começando pelos números, não são objetos diretamente perceptíveis ou observáveis com a ajuda instrumentos”; o que nos leva a trabalhar apenas com suas representações semióticas. A pesquisa de Karrer e Jahn (2004) com livros didáticos de Álgebra Linear permite observar ainda o fato de que nestes existem “deficiências principalmente no que se refere à utilização do registro gráfico [não discursivo] e às demais conversões entre esse e os demais registros” (KARRER e JAHN, 2004, p. 1). Analisando estes estudos, pode-se perceber então dois problemas relacionados a essa falta de registros de representação de natureza gráfica: 1. A deficiência de concretização dos conceitos abstratos, os quais poderiam ser mais palpáveis com a ajuda de uma visualização gráfica. 2. A impossibilidade de trabalhar com a conversão entre registros discursivos e não discursivos, o que é conflitante, pois a abordagem cognitiva principal para a assimilação de um conceito seria a conversão entre registros de natureza diferenciada. Sendo assim, o uso do software vem a suprir essa impossibilidade gráfica, e assim se pode articular com sucesso, registros discursivos como a linguagem simbólica e registros não discursivos através do gráfico produzido pelo software. 16 1.4 OBJETIVOS 1.4.1 OBJETIVO GERAL Construir um conjunto de atividades para a introdução do conceito de ensino de transformações lineares, que trabalhe os mais variados registros de representação, por meio das transformações geométricas e do GeoGebra. 1.4.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS Identificar os registros de representação semiótica utilizados na aplicação; Verificar as conversões e tratamentos entre os registros identificados; Facilitar o processo de ensino-aprendizagem do conceito do objeto matemático transformações lineares e transformações geométricas. 17 2 REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 INFORMÁTICA APLICADA AO ENSINO DE MATEMÁTICA 2.1.1 Informática e educação matemática A informática é uma tendência que vem ganhando espaço nas últimas duas décadas na educação em geral. Mas é na comunidade de educação matemática onde cada vez mais se tem discutido o uso da informática para ensinar tal disciplina. “[...] Talvez ainda seja possível lembrar dos discursos sobre o perigo que a utilização da informática poderia trazer para a aprendizagem dos alunos. Um deles era o de que o aluno iria só apertar teclas e obedecer a orientação dada pela máquina. Isso contribuiria ainda mais para torná-lo um mero repetidor de tarefas. [...]” (BORBA e PENTEADO, 2003, p.11) Ainda em Borba e Penteado (2003, p.11) relatam-se comentários de palestras e eventos acadêmicos, principalmente entre os educadores de matemática, onde muitos destes concebem a matemática como a matriz do pensamento lógico e se o computador passa a executar esse raciocínio, como consequência o aluno deixa de utilizar a sua capacidade de raciocinar e acaba por não desenvolver sua inteligência. No entanto, não é com esta perspectiva que educadores devem visualizar esta tendência. Com o desenvolvimento das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) a sociedade vem passando por uma transformação onde a interação com a outra pessoa rompe barreiras. Desse mesmo modo, a informática aparece para romper barreiras na forma de se ensinar, proporcionando assim uma metodologia inovadora e interativa, capaz de fazer modificações e obter resultados instantaneamente, gerando vários benefícios ao processo de ensino-aprendizagem. Vejamos o seguinte trecho: “A informática, atualmente, é considerada uma das componentes tecnológicas mais importantes para a efetivação da aprendizagem matemática no mundo moderno. Sua relação com a Educação matemática se estabelece a partir das perspectivas metodológicas atribuídas à informática como meio de superação de alguns obstáculos encontrados por professores e estudantes no processo ensino-aprendizagem.” (MENDES, 2008, p.61). Em outras palavras, pensar na informática como um recurso pedagógico, é pensá-la com uma ferramenta que auxilia e propicia um aumento na eficiência e na 18 qualidade da aprendizagem, direcionando-a para buscar novas estratégias para a produção do conhecimento e pelo auxílio na busca de superação de problemas na aprendizagem. Cada vez mais o ambiente de aprendizagem informatizado ganha espaço como possibilidade de metodologia de ensino. Porém, é necessário que se tenha clareza de objetivos e metodologia a ser desenvolvida, exigindo empenho e tempo para a preparação das aulas. Além disso, o uso da informática poderá auxiliar na compreensão e propiciar novas formas de percepção a determinados conteúdos que não poderiam ser desenvolvidas apenas com as tradicionais mídias. “A informática deverá assumir duplo papel na escola. Primeiro, deverá ser uma ferramenta para permitir a comunicação de profissionais da escola e consultores ou pesquisadores externos, permitindo a presença virtual desse sistema de suporte na escola. Segundo, a informática poderá ser usada para apoiar a realização de uma pedagogia que proporcione a formação dos alunos, possibilitando o desenvolvimento de habilidades que serão fundamentais na sociedade do conhecimento.” (VALENTE, 1999, p.36-37) Por meio da informática os alunos desenvolvem competências e habilidades de visualização, argumentação lógica, compreensão de formas e relações de propriedades, as quais são imprescindíveis para criação de percepção, interpretação e compreensão de seu espaço físico, além de desenvolver um raciocínio visual. É importante salientarmos que só a inclusão da informática nas instituições de ensino não é indicação de mudança. O aluno usando o computador e realizando tarefas não quer dizer que compreendeu determinado assunto. “Do mesmo modo que não é o objeto que leva à compreensão, não é o computador que permite ao aluno entender ou não um determinado conceito. A compreensão é fruto de como o computador é utilizado e de como o aluno está sendo desafiado na atividade de uso desse recurso.” (VALENTE, 1999, p.37) Uma mudança como essa implica em um desafio enorme, e não será só na compra de equipamentos a solução do problema, e sim em uma proposta pedagógica eficaz e que preserve a união entre o professor, o aluno, a tecnologia e o conhecimento. 2.1.2 O uso computador como ferramenta didática Como mencionamos anteriormente, com o passar dos anos, assim como a informática, o próprio computador tem sido alvo de grandes discussões pela 19 comunidade cientifica. Isso significa dizer que o uso do computador na sala de aula e em outros setores das instituições de ensino está sendo questionados a fim de propiciar uma positiva interação entre os usuários que se utilizam desta ferramenta digital. O computador no ensino de matemática ou ainda no processo de ensino aprendizagem é hoje conduzida a inúmeros resultados, estes baseados nas propostas que muito pesquisadores trazem a comunidade como um todo em vários eventos, congressos, semanas acadêmicas, enfim, nas grandes reuniões cientificas que ocorrem em todo o país. “O estudo do uso do computador no ensino de Matemática ou como ferramenta de investigação cognitiva ou como maneira de renovar os cursos tradicionais, tem se firmado como uma das áreas mais ativas e relevantes da Educação Matemática. Existem, atualmente, inúmeros grupos estudando o uso de computadores no ensino de Matemática. [...]” (MENDES, 2008, p.61) A utilização desta ferramenta propõe uma nova realidade para a educação, na qual o ensino tradicional perde espaço para uma aula mais interativa e motivacional, onde o aluno se depara com um ambiente de uma matemática imaginária diferente da qual está acostumado a ver no seu cotidiano. Outro ponto interessante no uso do computador é a manifestação do “erro” de uma forma menos traumática que as tradicionais (normalmente corrigidos, grifados e reescritos em vermelho). O erro nesta metodologia é um desafio que propõe ao sujeito a possibilidade de buscar novas descobertas, causando menos danos na sua busca pelo conhecimento. Segundo Mendes (2008, p.61) “o computador exerce um papel decisivo no ensino da matemática nos dias atuais em virtude das possibilidades de construção de modelos virtuais para a matemática imaginária”. No entanto, ainda com este autor, ao utilizar tal ferramenta poderemos ter vantagens, assim como também teremos riscos, conforme os modos de utilizá-lo e com base em cada proposta pedagógica em que está apoiado (MENDES, 2008, p.61). Assim como há vantagens na sua utilização, devido a “fácil” manipulação de fórmulas e figuras geométricas e, também, a informatização que ocorre na sociedade, há riscos para os professores quando não se apóiam numa metodologia eficiente, tendo prejuízo para o prosseguimento da aula. “Consequentemente, o professor deve estar preparado para compreender o pensamento de seu aluno na resolução do problema no ambiente informatizado e as suas formas de comunicação com a máquina, bem como 20 o papel assumido pelo computador no processo didático.” (KARRER, 2006, p.37) Sobre as discussões feitas sobre o computador no âmbito educacional, ainda há argumentos e questionamentos contrários ao seu uso em sala. Estes questionamentos podem ser desde sentimentos dúbios advindos de professores que por ventura pensem que o computador ocupará seus lugares e que acabarão sendo dispensáveis ou ainda, o entendimento de que esta ferramenta vem para atrapalhar suas vidas e dificultam em aceitar e empregar uma metodologia que eles nem mesmos vivenciaram. O que o educador deve ser capaz de entender é que, sim, o computador é realmente capaz de armazenar muitas informações e organizá-las segundo seus parâmetros, sendo até capaz de apresentá-las seguindo uma programação prédefinida, contudo não é capaz de orientar um raciocínio ou conduzir uma discussão. Nem é capaz de relacionar informações para as quais não foi programado. Assim, um computador nunca poderá ocupar o lugar de um professor que não se limite apenas a transmitir informações. A utilização do computador no ambiente escolar é feita para auxiliar o processo de aprendizagem, mas não para conduzi-lo. E ainda, a introdução da informática na educação propõe aos profissionais uma nova postura de se empenhar e prosseguir com uma formação continuada para sua constante atualização profissional, este sim é o maior desafio a ser enfrentado, pois muitos professores se formam e não continuam sua educação. Segundo Borba e Penteado (2003, p.15) “o computador pode ser uma problema a mais na vida já atribulada do professor, mas pode também desencadear o surgimento de novas possibilidades para o seu desenvolvimento como um profissional da educação”. [...] O professor deverá incentivar o processo de melhorias contínuas e ter consciência de que a construção do conhecimento se dá por meio do processo de depurar o conhecimento que o aluno já dispõe. Para tanto, o professor deverá conhecer os seus alunos, incentivando a reflexão e a crítica e permitindo que eles passem a identificar os próprios problemas na sua formação, buscando soluções para o mesmo. Caberá ao professor saber desempenhar um papel de desafiador, mantendo vivo o interesse do aluno, e incentivando relações sociais, de modo que os alunos possam aprender uns com os outros e saber como trabalhar em grupo. Além disso, o professor deverá servir como modelo de aprendiz e ter um profundo conhecimento dos pressupostos teóricos que embasam os processos de construção de conhecimento e das tecnologias que podem facilitar esses processos. (VALENTE, 1999, p.35) 21 Ainda com Valente (1999, p.35) “o professor deixará de ser o de total entregador da informação para ser o facilitador, supervisor, consultor do aluno no processo de resolver o seu problema”. Para isto, é imprescindível que o professor perceba e saiba a importância dos recursos computacionais para o bom desempenho e eficácia do seu trabalho. O computador é uma ferramenta poderosa quando utilizada com uma proposta pedagógica concreta e coerente, mas deve ser usada com cautela, pois não resolverá todos os problemas, “diferentemente do que acontece quando se trata de apontar os perigos, nem sempre aparece de forma explícita para qual problema o computador é a solução” (BORBA e PENTEADO, 2003, p.11), pois como as outras mídias, o uso da ferramenta computacional pode tornar uma aula desinteressante e monótona 2.1.3 O uso dos softwares educativos Com a introdução do computador na educação como recurso pedagógico, houve a criação de softwares específicos para auxiliar no processo de construção do conhecimento dos alunos. Para este software damos o nome de software educativo que serviu como mais um instrumento para agir junto com o computador no processo ensinoaprendizagem. O que confere a um software o caráter educacional é a sua aplicação no processo de ensino - aprendizagem, neste sentido um software pode ser considerado educacional quando adequadamente utilizado em uma relação de ensino – aprendizagem. Software aplicativo, nesta categoria entram aqueles que não foram desenvolvidos com finalidades educativas, mas podem ser utilizados para este fim. São os programas de uso geral no mercado e utilizados em contexto de ensino, como por exemplo, o banco de dados, processadores de texto, planilhas eletrônicas e editores gráficos. [...] Software educativo, o objetivo destes programas é favorecer os processos de ensino – aprendizagem, são desenvolvidos especialmente para construir o conhecimento relativo a um conteúdo didático. Entre as características principais de um software educativo estão o seu caráter didático com a finalidade de levar o aluno/usuário a construir o conhecimento em uma determinada área, sua possibilidade de interação, mediada pelo professor, entre usuário e programa e sua facilidade de uso, permitido que qualquer usuário possa desenvolver suas atividades com facilidade. (OLIVEIRA apud JUCÁ, 2006, p.89) 22 Como observamos neste trecho, o uso do software educacional em sala de aula aparece como uma ferramenta que podemos explorar e expandir nas instituições de ensino. Contudo a sua utilização no processo de ensino, geralmente, segue duas abordagens distintas: a abordagem instrucionista e a abordagem construcionista. As primeiras aplicações pedagógicas do computador foram no sentido que o computador fosse usado como uma máquina de ensinar e empregava o conceito de instrução programada. Para isto, é empregada a abordagem educacional instrucionista, onde sua principal característica é a informatização dos meios tradicionais de ensino, ou seja, o computador passa as informações necessárias a alunos passivos. Assim, o professor e o computador continuam sendo detentores do conhecimento. Dentre os softwares educativos que se encaixam nesta abordagem, encontram-se os tutoriais, os de exercício e prática, os jogos e as simulações. O termo construcionismo foi utilizado por Seymor Papert, na década de 80, para descrever a construção do conhecimento por meio da realização de uma atividade no computador. Ao contrário da abordagem instrucionista, em que o professor assume o papel de transmissor de informações e o aluno fica passivo no processo de aprendizagem, no ambiente construtivista, o papel do professor será de facilitador da aprendizagem do aluno. Nesta abordagem o computador é uma ferramenta que ajuda na resolução de problemas e auxilia em diversas tarefas. Assim, professor e máquina constroem os conhecimentos com os alunos, proporcionando criatividade e capacidade de interagir, questionar, criticar e dar soluções aos problemas propostos. Com isso, assumirão uma postura mais critica frente à sociedade e um olhar mais atento quanto às mudanças de parâmetros. Os softwares educativos que se adéquam a esta abordagem são os aplicativos, os de resolução de problemas, de produção de música, além de programas de controle de processo e a utilização do computador como comunicador. 2.1.4 GeoGebra O Software GeoGebra é um programa de computador de geometria dinâmica que foi criado por Marcus Hohenwarter, da Universidade de Salzburg na Áustria, em 2001. O software é livre e gratuito sob a Licença Pública Geral (GPL) e 23 está escrito em Java, o que lhe permite estar disponível em várias plataformas (Microsoft Windows, Linux, etc.). O GeoGebra é uma ferramenta computacional educacional que proporciona ao educador um grande aparato de opções afim de dinamizar o ensino e propor novas possibilidades metodológicas. Esse software é caracterizado por trabalhar com geometria dinâmica. Entende-se por softwares de Geometria Dinâmica aqueles capazes de construir e manipular objetos geométricos na tela do computador [...] Softwares deste tipo possibilitam trabalhar com Geometria Euclidiana Plana, Geometria Não-Euclidiana e Geometria Analítica, sendo possível também tratar de alguns assuntos não-geométricos, como funções, por exemplo. (SILVA, 2009, p. 5). O programa reune os conteúdos de Geometria, Álgebra e Cálculo, podendo ser utilizado em diversos níveis de ensino, permitindo realizar construções de pontos, vetores, segmentos, retas, seções cônicas, assim como funções e alterar todos esses objetos de forma dinâmica após a construção estar finalizada. Por outro lado, podem ser incluídas equações e coordenadas diretamente. Desse modo, o GeoGebra é capaz de lidar com variáveis para números, vetores e pontos, derivar e integrar funções e ainda oferece comandos para encontrar raízes e pontos extremos de uma função. Com isso, o programa reúne as ferramentas tradicionais de Geometria, com outras mais adequadas à Álgebra e ao Cálculo. Assim tem a vantagem didática de apresentar, ao mesmo tempo, duas representações diferentes de um mesmo objeto que interagem entre si: a sua representação geométrica e a sua representação algébrica. O software proporciona tanto para os alunos como os professores, nos laboratórios das escolas, utilizar recursos que antes eram considerados de grande dificuldade na construção e na demonstração de figuras gráficas e geometrias. Este programa possui recursos em duas e em três dimensões e podem ser encontrados em: Português, Inglês, Espanhol, Alemão, Frances, Catalão, Italiano, etc. Logo abaixo observamos a tela de entrada do GeoGebra. 24 Figura 1 – Tela de entrada do GeoGebra Fonte: Imagem produzida pelos autores. 2.1.4.1 Pesquisas envolvendo o GeoGebra De acordo com estas perspectivas, várias instituições têm trabalhado em produções científicas envolvendo o GeoGebra, algumas delas discutiremos aqui. Primeiramente temos que levar em consideração o International GeoGebra Institute (IGI). Este instituto é uma rede formada de vários institutos que são implantados afim de desenvolverem pesquisas relacionadas ao GeoGebra, como meio ou fim. Segundo as palavras do site oficial do GeoGebra O International GeoGebra Institute (IGI) é uma rede crescente de organizações sem fins lucrativos em todo o mundo. Nosso locais Institutos GeoGebra participar professores, estudantes, desenvolvedores de software e pesquisadores de todo o mundo para se envolver nas seguintes atividades: projeto de ensino gratuito e materiais de desenvolvimento profissional; face-a-face e oficinas on-line para professores; organização de competições estudantis; suporte on-line para usuários GeoGebra; desenvolvimento de software para o GeoGebra; tradução da documentação GeoGebra; projetos de pesquisa sobre GeoGebra e IGI; apresentações em congressos nacionais e internacionais; 25 publicações em revistas. (Em: <http://www.GeoGebra.org/cms/organization>, tradução nossa. Acesso em: 18/11/2011) No Brasil temos o Instituto GeoGebra de São Paulo, sediado na Faculdade de Ciências Exatas e Tecnologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e Instituto GeoGebra do Rio de Janeiro, sediado no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade Federal Fluminense. No site oficial do Instituto GeoGebra de São Paulo são disponibilizadas as pesquisas realizadas por alunos e professores com a utilização do software. Esse instituto vem desenvolvendo pesquisas voltadas ao ensino de diversos conteúdos dos ensinos Fundamental e Médio e uma voltada ao ensino de conteúdo superior. Os conteúdos são variados: inequações, função afim, função quadrática, função logarítmica, função trigonométrica, razões trigonométricas no triângulo retângulo, números complexos, simetria, e ainda, relacionado ao Ensino Superior, temos o cálculo diferencial. Com isso, podemos perceber as inúmeras possibilidades e ampla adequação de conteúdos, os quais podemos trabalhar através de metodologias e atividades no GeoGebra. Dentre estas pesquisas a mais relevante à nossa pesquisa seria a pesquisa de Evangelista (2011) a qual trabalha com transformações no plano, no âmbito do ensino Fundamental e embasada no contexto da Etnomatemática. O Instituto GeoGebra do Rio de Janeiro tem como estudo, a criação de tutoriais1 sobre o GeoGebra e, ainda, pequenos applets2 com este programa. Applets são programas desenvolvidos em linguagem de programação Java®, que podem ser incluídos em códigos HTML (DEITEL; DEITEL, 2003). Estes recursos, em geral, visam adicionar interatividade a aplicações Web. Na Matemática, o uso de applets permite experimentações e investigações, de forma interativa, e possibilita estabelecer conjecturas sobre determinado conceito, de modo que o mesmo possa ser construído de forma consistente (SANTOS, 2008). (apud, BARCELOS, BATISTA e MOREIRA, p.1 2008) Um applet interessante seria o encontrado na página A Geometria das Transformações Lineares do Plano no Plano3 e sugerido pelo Profº Dr. Humberto José Bortolossi, coordenador do Instituto GeoGebra do Rio de Janeiro. O applet tem com função a expansão/contração de um quadrado e de um círculo através da inserção de valores em campos de entrada ou de controles deslizantes, ficando a 1 Encontrados em < http://www.geogebra.im-uff.mat.br/vtt.html> Encontrados em < http://www.professores.uff.br/hjbortol/> 3 Encontrado em <http://www.professores.uff.br/hjbortol/arquivo/2011.1/aal/tl2x2/tl2x2-html/tl2x2-br.html> 2 26 cargo do usuário essa inserção, o que possibilita interatividade e possível entendimento das mudanças ocorridas em objetos devido mudanças ocorridas em coordenadas através de Transformações Lineares. Além dos dois institutos de pesquisas, temos outros estudos independentes de variadas universidades e institutos pelo Brasil, tais quais nos despertaram alguma atenção. Temos o trabalho desenvolvido pelos discentes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Cunha e Moraes (2008) o qual utiliza Transformações Geométricas Euclidianas (algumas delas são exemplos de Transformações Lineares Planas, contudo não mostradas neste âmbito) para o ensino do conceito de funções, utilizando o GeoGebra; o trabalho de Barcelos, Batista e Moreira (2010) que tem por objetivo aprenda a gerar ou modificar applets no GeoGebra. E na região Norte do país, mais precisamente no Pará, temos alguns trabalhos que valem à pena seres citados, como o trabalho de Costa e Tenório (2011) que nos premia com uma análise do GeoGebra como ferramenta didática, e ainda apresenta propostas metodológicas, experimentadas por eles em uma escola da rede pública de ensino da cidade de Belém. No mesmo trabalho também executam a mesma pesquisa com o software WxMaxima, contudo este não interessa ao nosso estudo, no momento; o trabalho de Fontes e Neri Jr. (2011) que nos permite perceber a sutil, porém conveniente, diferença entre construir e desenhar uma figura no software GeoGebra. Percebemos então, com toda essa pesquisa, que o GeoGebra vem sendo amplamente pesquisado e inserido em situações corriqueiras ao contexto da relação ensino-aprendizagem a qual se encontra o professor de matemática, o que é enriquecedor e possibilita a este professor novos aparatos de pesquisa e utilização para suas metodologias. Contudo, quando falamos deste professor, estamos nos referindo ao professor de matemática do ensino básico. Não conseguimos, infelizmente encontrar alguma pesquisa que utilize o GeoGebra voltado para o ensino de conteúdos do ensino superior. O que reforça o que frisamos anteriormente, sobre o fato do ensino superior necessitar de aparatos gráficos para visualização de seus conceitos matemáticos, uma vez que estes são considerados mais complexos e abstratos do que os do ensino básico. 27 2.2 SEMIÓTICA E MATEMÁTICA 2.2.1 O que é semiótica? Antes de qualquer discussão sobre as perspectivas da semiótica no contexto matemático, a qual temos por principal referencial a teoria dos registros de representação semiótica exposta por Raymond Duval em seu livro Sémiosis et Pensée Humaine, deve-se, de imediato partir à busca do significado do termo semiótica, que é considerada uma ciência na verdade, e toda etimologia envolvendo este termo. O objetivo de um conhecimento mais apurado sobre este termo está no fato de possibilitar a familiarização à ideia de Duval e com a relação entre esta ciência e a matemática. A semiótica é uma ciência relativamente nova, “é uma ciência, um território do saber e do conhecimento ainda não sedimentado, indagações e investigações em progresso” (SANTAELLA, 1983, p.1) e por ter uma grande abrangência de relações como qualquer ciência, seu sentido pode não parecer prontamente definido e objetivo. Em uma busca imediata por um conceito de semiótica, uma sentença encontrada em Santaella(1983, p.1) sintetiza bastante a natureza desta ciência: “é a ciência de toda e qualquer linguagem”. Apesar de sintetizada, esta sentença deixa claro qual o objeto de estudo desta. Assim estamos falando do sentido de linguagem, não apenas da língua materna a qual geralmente é associada a linguagem, e sim a toda as formas de comunicação que se pode utilizar; logo, fica perceptível a amplitude alcançada por estas ciência em seu estudo, e como ela pode ser empregada nas mais diversas ciências, pois abrange e focaliza “todas as linguagens, sejam elas verbais – como é a língua materna – ou não verbais, como são a Fotografia, a Pintura, a Arquitetura e, respeitadas algumas condições, a Matemática” (SANTOS, 2011, p.18,19). Atualmente percebe-se o poder das linguagens não-verbais ante a linguagem verbal ao nosso redor. Toda informação recebida através da TV, conduta de grupos sociais, moda e tecnologias da informação, também é uma intensa forma de aquisição de conhecimento, além ou em conjunto com a linguagem verbal. 28 De dois séculos para cá (pós-revolução industrial), as invenções de máquinas capazes de produzir, armazenar e difundir linguagens (a fotografia, o cinema, os meios de impressão gráfica, o rádio, a TV, as fitas magnéticas etc.) povoaram nosso cotidiano com mensagens e informações que nos espreitam e nos esperam. Para termos uma idéia das transmutações que estão se operando no mundo da linguagem, basta lembrar que, ao simples apertar de botões, imagens, sons, palavras (a novela das 8, um jogo de futebol, um debate político...) invadem nossa casa e a ela chegam mais ou menos do mesmo modo que chegam a água, o gás ou a luz. (SANTAELLA, 1983, p.2) Logo percebe-se o quanto a linguagem é um conceito complexo e que nos remete à formas socializantes de comunicação, tendo para isso que haver algum significado nesta comunicação. Dito isto, nos deparamos com algo próximo de nós, educadores: conhecimento, entendimento e cognição. Para que ocorra o significado em uma comunicação, é imprescindível que exista algum tipo de linguagem e esta seja satisfatória. Na semiótica, os signos, exercem este papel. A concepção de Charles Sanders Peirce, considerado como o pai da semiótica, reorganizada por Silva (s.d., p.1), diz que signo “é qualquer coisa que representa alguma outra coisa para alguém”. Nesse sentido pode-se considerar que signos são as formas de representação de qualquer mensagem, logo, as linguagens propriamente ditas. Ainda falando de signos temos que signo é um elemento que se correlacionam dois outros elementos, chamados de objeto e interpretante. Esta relação pode ser caracterizada como sendo uma tríade, intradependente, tendo o signo sendo o meio que representa a mensagem, conhecimento, etc; o objeto é o que é representado e o interpretante é, por sua vez, o que surge na mente do intérprete, ao perceber o signo, fazendo com que ele interprete de sua maneira peculiar, podendo ser a descrição objetiva do signo ou não. (SILVA, s.d., p.2) Os signos podem ser de três tipos: simbólicos (símbolos), icônicos (ícones) e indiciais (índices). Os signos simbólicos são dados por convenção entre os indivíduos e representam de forma arbitrária os objetos; eles não têm uma relação direta com a visualização do objeto que se quer representar, mas ainda sim é aceito como representação. Temos as letras, palavras e os símbolos matemáticos nesse caso. (SILVA, s.d, p.4; SANTOS, 2011, p.19). Os signos são icônicos quando guardam semelhança ou analogia com seu o objeto que se quer representar. Possuem uma relação imitativa com este 29 objeto; sua representação é dada pela semelhança, pela lembrança imediata. Podemos enquadrar nessa classificação, como por exemplo, uma foto para representar uma pessoa. (SILVA, s.d., p.4; SANTOS, 2011, p.19). Já os signos indiciais teriam essa mesma relação direta com o objeto que se quer representar, mas não de maneira imitativa e sim de maneira associativa; o signo nos faz perceber o objeto por que nos foi imposto isso e nem porque são semelhantes visualmente e sim porque são relacionados e temos conhecimento disto; o signo carrega indícios do objeto que se quer representar. Por exemplo, nuvens negras no céu as quais nos fazerm entender que uma chuva está por vir. (SILVA, s.d, p.5; SANTOS, 2011, p.19). Sendo assim, de acordo com as ideias referidas, um conceito para semiótica um pouco mais profundo e satisfatório para estabelecer a relação entre semiótica e educação (como busca do conhecimento), é encontrado através de uma síntese de Santaella (1983, p.2): A Semiótica é a ciência que tem por objeto de investigação todas as linguagens possíveis, ou seja, que tem por objetivo o exame dos modos de constituição de todo e qualquer fenômeno como fenômeno de produção designificação e de sentido. [...] Nos fenômenos, sejam eles quais forem — uma nesga de luz ou um teorema matemático, um lamento de dor ou uma idéia abstrata da ciência —, a Semiótica busca divisar e deslindar seu ser de linguagem, isto é, sua ação de signo. Tão só e apenas. E isso já é muito. (SANTAELLA, 1983, p.2,3). Assim percebe-se como a semiótica, utilizando o mote “teorema matemático”, pode se relacionar com a atividade cognitiva e o processo de ensinoaprendizagem, uma vez que ela busca dissecar toda a natureza das representações de um objeto, podendo muito bem ser um objeto matemático, analisando assim, todo o processo de formação do significado deste objeto e com isso, de formação algum conhecimento. Disto, é perceptível a luz, em semiótica, que deu origem à teoria de Duval, a teoria dos registros de representação semiótica, a qual utiliza a semiótica para mostrar uma forma de se ter um aprendizado eficaz, em matemática. Este foi o maior referencial o qual deu ímpeto a este trabalho. 2.2.2 A Teoria de Duval Os pontos convergentes entre a semiótica e a atividade cognitiva, são os signos (sejam símbolos, índices ou ícones) os quais para semiótica são um dos objetos de estudo e para a atividade cognitiva podem vir a ser (se considerarmos os 30 conceitos adotados) o que busca representar o objeto que se quer representar para formar o conhecimento. A representação tem então, uma importância primordial à atividade cognitiva, sendo esta praticamente dependente da primeira, porque para conhecer é preciso ter acesso aos objetos do conhecimento problema fundamental da aquisição do conhecimento. Logo, a representação será o modo pelo qual se toma possível a visibilidade, a transparência e, assim, a ordenação dos objetos do conhecimento. A representação como suporte que possibilita a mediação entre dois pólos: o do sujeito e o do objeto. (FLORES, 2006, p.6). Tudo que o homem percebe ao seu redor, observa, sente, toca, ouve é uma linguagem do ambiente ao seu redor em relação à ele; tudo pode ser um signo representando os aspectos da realidade. Diante de qualquer fenômeno, isto é, para conhecer e compreender qualquer coisa, a consciência produz um signo, ou seja, um pensamento como mediação irrecusável entre nós e os fenômenos. E isto, já ao nível do que chamamos de percepção. Perceber não é senão traduzir um objeto de percepção em um julgamento de percepção, ou melhor, é interpor uma camada interpretativa entre a consciência e o que é percebido. Nessa medida, o simples ato de olhar já está carregado de interpretação, visto que é sempre o resultado de uma elaboração cognitiva, fruto de uma mediação sígnica que possibilita nossa orientação no espaço por um reconhecimento e assentimento diante das coisas que só o signo permite. O homem só conhece o mundo porque, de alguma forma, o representa e só interpreta essa representação numa outra representação [...] (SANTAELLA, 1983 p.11) Assim Raymond Duval embasa sua teoria de busca da otimização da cognição, na essencialidade das representações. Raymond Duval é um filósofo e psicólogo de formação. O principal foco de suas pesquisas é a Psicologia Cognitiva, pesquisas tais que resultaram em sua principal obra Sémiosis et penseé humaine. Nesta obra ele desenvolveu um modelo de funcionamento cognitivo do pensamento, em termos de registro de representação semiótica. (MACHADO, 2003, p.7). Estes registros de representação nada mais são do que os signos estudados pela semiótica, pois, como mencionamos são as diversas linguagens e formas de se representar um objeto. O foco de sua teoria foi funcionamento cognitivo em matemática, esta a qual sabemos esta repleta de representações e dos mais variados tipos: símbolos, gráficos, linguagem escrita, linguagem oral, etc. Se por um lado a universalização de símbolos ajudou a Matemática a se desenvolver de forma acelerada nos últimos cinco séculos, a compreensão dos conceitos matemáticos por meio dessa simbologia tem sido um desafio para os alunos da Educação Básica da atualidade. 31 Foi este fenômeno que motivou Duval a estudar o fenômeno da compreensão em Matemática sob uma “abordagem cognitiva”. (SANTOS, 2011, p.22) Essa abordagem cognitiva e a questão da aprendizagem em matemática se relacionam diretamente com os processos definidos pelo autor como semiosis e noesis. “Entende-se por semiosis a apreensão ou produção de uma representação semiótica, e por noesis, os atos cognitivos como a apreensão conceitual de um objeto [...]” (KARRER, 2006, p.17) formando assim uma relação intrínseca entre estes conceitos e o objeto; análoga a tríade mencionada anteriormente que relaciona signo, objeto e interpretante. Essa mesma relação se faz presente porque, o último (noesis) não pode existir sem o primeiro (semiosis), não há como adquirir um conceito relacionado a um objeto sem recorrer aos seus sistemas de representação. (KARRER, 2006, p.17). Assim temos que a noesis ou o raciocínio e a aprendizagem matemática está diretamente ligada as diversas representações semióticas existentes em matemática, uma vez que toda a visualização matemática se alicerça nessas representações. Isso porque, considerando Flores (2006, p.2) “os objetos matemáticos, não sendo acessíveis pela percepção, só podem sê-lo por sua representação, lembrando que um mesmo objeto matemático poderá ter representações diferentes, dependendo da necessidade e do uso”, ou seja, os objetos de estudo da matemática, os valores e conjuntos numéricos, as grandezas, as operações e relações, etc., não são palpáveis e observáveis como os das demais ciências, como a física ou a biologia, tendo que se valer única e exclusivamente dos registros de representação para se fazer visível. Como saberíamos como expressar e ter uma certa visualização do infinito sem a língua materna para explicar (um dos registros de representação) ou o símbolo “∞” (outro registro) para manipular? Esta natureza ímpar da matemática como ciência permite ainda a Duval (2003) diferenciar a atividade cognitiva neste domínio do conhecimento dos outros domínios através das duas características seguintes já comentadas, contudo, agora objetivamente em síntese: a importância primordial das representações semióticas e a grande variedade destas representações utilizadas em matemática. A percepção da primeira característica acontece, de acordo com Duval (2003) por dois motivos; primeiro porque as formas de tratar os objetos matemáticos dependem necessariamente do sistema de representação utilizado. Como 32 exemplificou Duval (2003, p.13) “o sistema de numeração decimal de posição oferece mais possibilidades que os sistemas grego ou romano de numeração”. Segundo porque, como já foi dito, o acesso aos objetos matemáticos é complexa e somente perceptível ou observável com a ajuda de instrumentos e representações. A segunda característica é claramente perceptível no primeiro contato com a matemática, a gama de representações em matemática é imensa. “Além dos sistemas de numeração, existem as figuras geométricas, as escritas algébricas e formais as representações gráficas e a língua natural, mesmo se ela é utilizada de outra maneira que não a da linguagem corrente” Duval (2003, p.14). Sendo assim, ante essa diversidade, Duval (2003) desenvolve uma classificação para os registros de representação (a qual podemos verificar no quadro que segue) em registros multifuncionais, que podem ser de representação discursiva ou não discursiva e registros monofuncionais que também podem ser classificados da mesma maneira, em registros de representação discursiva ou não discursiva. Figura 2 – Quadro de registros de representações por Duval. Fonte: Duval (2003, p. 14). Essa classificação permite Duval a chegar na conjectura definitiva de sua teoria definindo assim a maneira propícia de se tratar de forma eficaz, a compreensão em matemática. Esta hipótese ou conjectura pode ser encontrada em Duval (2003, p. 14, 15): A originalidade da atividade matemática está na mobilização simultânea de ao menos dois registros de representação ao mesmo tempo, ou na possibilidade de trocar a todo o momento de registro de representação [...] Podemos então antecipar a hipótese, ou, em linguagem matemática, ‘conjecturar’ o seguinte: a compreensão em matemática supõe a coordenação de ao menos dois registros de representações semióticas. (DUVAL, 2003, p. 14, 15). 33 Ou seja, a atividade cognitiva em matemática, se dá de forma plena e através da manipulação dos mais variados registros, o que facilita a aquisição de um conceito. Ao lidar com essas várias representações de um mesmo objeto matemático e saber proporcionar interações entre eles, respeitando suas naturezas, o aluno pode vir a ter uma efetiva compreensão daquele objeto que está sendo representado. Tudo depende também do estímulo dado pelo professor para que haja um contexto propício a essas manipulações dos registros. Vale lembrar também que não se deve confundir um objeto e sua representação, ou seja, eles não são a mesma coisa. Há duas formas de se executar essas manipulações/transformações de registros, considerando, que ao se deparar com uma informação, conceito a ser adquirido ocorre “a formação de representação dentro de um registro semiótico particular, seja pela expressão de uma representação mental, seja pela evocação de um objeto real” (SANTOS, 2011, p.22). As transformações podem ser tratamentos ou conversões. [...] essas atividades relacionam-se à capacidade de transformar essa representação em outras que possam preservar o conteúdo da representação inicial. Essa transformação pode ocorrer dentro do mesmo registro, ou de um registro para outro. Ao primeiro caso, Duval chama de tratamento; ao segundo, de conversão. (Santos 2011, p.22, 23) Abaixo temos o esquema desenvolvido por Duval (2003) para exemplificar essa diferença: Figura 3 – Esquema para diferenciação de tratamentos e conversões por Duval. Fonte: Duval (2003, p. 15). 34 Um tratamento é a transformação de uma representação que acontece permanecendo no mesmo registro, como um ato de resolver uma equação ou um sistema de equações. Já a conversão é a transformação de uma representação que consiste em mudar de registro, obviamente sem alterar a natureza do objeto; um exemplo, digamos que primordial ao nosso trabalho como veremos adiante, seria passar uma equação de sua escrita algébrica para sua representação gráfica. (DUVAL, 2003) As duas transformações tem um grande poder no entendimento da matemática por parte do indivíduo o qual se objetiva ensinar, e esse poder vem do seguinte fato que ao transitar entre registros de representação de um mesmo objeto, fica claro que o entendimento do que é este objeto está preciso; não há a possível confusão entre o objeto e sua representação. A obtenção dessa distinção e a manipulação das representações demonstram então que o indivíduo percebe a real natureza de um objeto. De acordo com a inferência acima, fica um pouco mais claro que uma dessas transformações é mais eficaz que a outra no entendimento de um objeto matemático. De acordo com Duval (2003) é a conversão que toma um papel de atividade de transformação fundamental à condução de todos mecanismos subjacentes à compreensão. É claro que o tratamento tem o seu valor cognitivo uma vez que também é uma fuga ao enclausuramento de um objeto em uma representação. Contudo a conversão por permitir trabalhar com o objeto em registros diferentes, possibilita perceber todo o conteúdo diferenciado advindo destes registros (de natureza desigual) e reconhecê-lo como conteúdo de natureza do objeto. Assim, para Duval (2003) deve-se realizar a atividade de conversão de forma correta para resultados satisfatórios; não ver a conversão como uma simples tradução, codificação ou associação entre nomes, símbolos e figuras, como por exemplo, passar de uma equação à sua representação gráfica se valendo apenas de uma codificação em que seria suficiente aplicar uma regra tabelada a qual um ponto está associado a um par de números sobre um plano quadriculado por dois eixos graduados. Isso se caracterizaria apenas como uma atividade superficial, pois esta codificação permitiria apenas uma leitura pontual das representações gráficas. 35 Na realidade, a conversão entre gráficos e equações supõe que se consiga levar em conta, de um lado, as variáveis visuais próprias dos gráficos (inclinação, intersecção com os eixos, etc.) [sendo estas de natureza própria desta representação] e, de outro, os valores escalares das equações (coeficientes positivos ou negativos, maior, menor ou igual a 1, etc.) [estas de natureza da representação algébrica] [...] São essas variáveis que permitem determinar quais as unidades de significados pertinentes, que devem ser levadas em consideração, em cada um dos dois registros. (DUVAL, 2003, p. 17) Entende-se aqui por fim, e com base nesse aparato teórico, que a atividade matemática de cognição está sim, intimamente ligada com a manipulação de registros, sendo a principal a de conversão, como foi explicitado assim, permitindo reconhecer o objeto e os diferencia-lo de suas representações. Esse reconhecimento é a condição fundamental para que um aluno possa, por si próprio, transferir ou modificar formulações ou representações de informações durante a resolução de um problema. Essa condição supõe que ele não identifica mais os objetos matemáticos com os conteúdos de certas representações. (DUVAL, 2003, p.23). E, mais além, percebemos que, a base teórica de Duval nos leva a outras reflexões que não se referem propriamente ao aspecto cognitivo do aluno. O que queremos dizer é que ela nos faz pensar sobre o papel primordial, o funcionamento e a constituição de um sistema de representação que rege a construção dos saberes, no nosso contexto, saberes matemáticos. 2.3 TRANSFORMAÇÕES LINEARES: ALGUNS CONCEITOS Sendo o objeto de estudo deste trabalho o ensino de transformações lineares e de transformações geométricas, é necessário observar alguns conceitos importantes para a eficácia do entendimento das atividades propostas. Assim, baseado em Steinbruch e Winterle (1987), abaixo vejamos um resumo destes conceitos. 2.3.1 Transformações Lineares Transformações lineares é a definição dada a um tipo de aplicação onde o domínio e o contra domínio são espaços vetoriais reais, assim tanto a variável independente quanto a variável dependente são vetores, assim são consideradas funções vetoriais, mais precisamente funções vetoriais lineares. 36 Simbolicamente, uma transformação vetorial , é definida por cada elemento (vetor) indicado por . Sendo do espaço vetorial no espaço uma função, temos por definição, que tem somente um vetor imagem , o qual é . Para caracterizar uma transformação como linear, esta deve obedecer duas condições. 2.3.2 Definição Sejam e espaços vetoriais, uma aplicação transformação linear se é chamada de preserva as operações de adição e multiplicação por escalar, isto é, satisfaz as seguintes condições: i) Para quaisquer ii) Para todo No caso de , e para todo , ou seja, . , . , temos que é um operador linear. Exemplo: , , é linear. Prova: i) Sejam e vetores genéricos de Então: ii) Para todo e para qualquer , tem-se: . 37 2.3.3 Transformações Geométricas Um exemplo de transformações lineares, que será importante para nossa pesquisa são as transformações geométricas. Vejamos abaixo um resumo deste conceito. Seja um plano. Definimos uma transformação geométrica no plano como sendo uma função de de em , denotado por particular, se que associa cada ponto . Para chamamos imagem de é uma figura no plano, a imagem de imagens de , denotado por do plano por um ponto por . Em é o conjunto de pontos . Este assunto será importante para o desenvolvimento de nossa pesquisa, pois servirá para criar as atividades e consequentemente ajudar na introdução do conceito de transformações lineares. Passamos agora a detalhar algumas transformações que serão detalhadas na seqüência de atividades. 2.3.3.1 Reflexões Pode-se entender por reflexão como sendo a transformação de figuras em imagens num espelho, por isso que muitas vezes é chamada de espelhamento. Geometricamente temos dois tipos de reflexões: a reflexão em relação a um ponto e a reflexão em relação a uma reta. Na primeira a reflexão em relação a um ponto A, a reflexão aplicada a um ponto gerará um ponto , tal que seja ponto médio do segmento . Já a segunda, teremos uma reflexão em relação a reta , onde a transformação aplicada a um ponto segmento gerará um ponto de tal forma que a reta seja mediatriz do . Para analisar de forma algébrica a reflexão em torno de uma reta, vamos pensar nela em torno dos eixos coordenados (Figura 4). Na reflexão do ponto em relação ao eixo das ordenadas, observamos que o ponto , pois teremos o eixo das ordenadas sendo a bissetriz do segmento forma semelhante a reflexão do ponto . De em relação ao eixo das abscissas, de modo que neste caso a relação entre as coordenadas será . 38 Figura 4 – Reflexões em relação aos eixos coordenados. Fonte: Internet. Análogo a idéia de reflexão em transformações geométricas, também temos nas transformações lineares, uma vez que esta tranformação é considerada também linear, podendo então ser representada também sob a ótica deste objeto matemático. a) Reflexões em torno do eixo A reflexão em torno do eixo ponto para a sua imagem é uma transformação linear que leva cada , que é simétrica em relação ao eixo . Sendo assim, essa transformação pode ser representada simbolicamente por: ou Na figura 5, temos um exemplo geométrico do que acontece com um ponto sob esta transformação linear. 39 Figura 5 – Exemplo de reflexão em torno do eixo . Fonte: Steinbruch e Winterle (1987, p.196) b) Reflexões em torno do eixo A reflexão em torno do eixo ponto para a sua imagem é uma transformação linear que leva cada , logo, é simétrica em relação ao eixo . Simbolicamente, pode ser representada por: ou Um exemplo do que ocorre geometricamente pode ser verificado na figura 6, seguinte. 40 Figura 6 – Exemplo de reflexão em torno do eixo . Fonte: Steinbruch e Winterle (1987, p.196) c) Reflexões em torno da origem A reflexão em torno do eixo ponto é uma transformação linear que leva cada para a sua imagem , logo, modifica as duas coordenadas, criando uma imagem simétrica em relação à ambas. Simbolicamente, pode ser representada por: ou Exemplo na figura 7. 41 Figura 7 – Exemplo de reflexão em torno da origem. Fonte: Steinbruch e Winterle (1987, p.196) 2.3.3.2 Dilatações e contrações Nas transformações geométricas as dilatações e contrações são consideradas homotetias4, pois elas ampliam ou reduzem as figuras no sentido horizontal ou no vertical. Para estas transformações temos deformações na direção do eixo x de acordo com uma constante , e na direção do eixo y conforme uma constante . Dessa forma, as coordenadas do ponto P’ obtido a partir de P são dadas por: Análogo a idéia de dilatação e contração em transformações geométricas, também este tipo de transformação sob a ótica das transformações lineares, que veremos em seguida. 4 São transformações geométricas que geram ampliações e reduções no tamanho de figuras do plano. 42 a) Dilatações (ou contrações) na direção do vetor Esse tipo transformação linear leva cada vetor de mesma direção e sentido de do plano num vetor , que seria sua imagem, porém vezes maior (ou menor). É também chamada de dilatação ou contração uniforme. Pode ser representada por: ou Exemplo abaixo, figura 8. Figura 8 – Exemplo de dilatação uniforme. Fonte: Steinbruch e Winterle (1987, p.198) Pode-se verificar, de acordo com a natureza desta transformação, que: se , se é uma dilatação; , é uma contração; se , é a identidade ; se , troca o sentido do vetor, análogo à reflexão em torno da origem; 43 b) Dilatação (ou contração) na direção do eixo x. Esse tipo transformação linear leva cada vetor de mesmo sentido de coordenada , em do plano num vetor , que seria sua imagem, porém alterando apenas sua vezes. É representada por: ou Exemplo gráfico abaixo, na figura 9, considerando e . Figura 9 – Exemplo de contração e dilatação na direção do eixo . Fonte: Steinbruch e Winterle (1987, p.198) É observável que: se se , é uma dilata o vetor; , é uma contrai o vetor. c) Dilatação (ou contração) na direção do eixo y. Esse tipo transformação linear é análoga à dilatação (ou contração), porém alterando apenas sua coordenada , em vezes. 44 É representada por: ou Exemplo gráfico abaixo, na figura 10, considerando e . Figura 10 – Exemplo de contração e dilatação na direção do eixo . Fonte: Steinbruch e Winterle (1987, p.199) A diferença em uma dilatação ou contração em em uma dilatação ou contração em . é análoga à diferença 45 2.3.3.4 Cisalhamentos Nas transformações geométricas o cisalhamento também é uma homotetia, pois provoca um deslocamento horizontal ou vertical nos ponto de um plano, de forma que as figuras geométricas são deformadas. A relação entre as coordenadas de um ponto qualquer coordenadas de , imagem do ponto do plano, e as pela transformação de cisalhamento horizontal é dada por: Onde é o ângulo em relação ao eixo dos . Analogamente, o cisalhamento vertical é dado por: Análogo a idéia de cisalhamento em transformações geométricas, sob a ótica das transformações lineares, temos abaixo: a) Cisalhamento na direção do eixo Essa transformação coordenada do vetor e , tal qual linear consiste na modificação da primeira , substituindo-a por uma combinação linear específica de . É representada por: ou 46 Graficamente abaixo (figura 11): Figura 11 – Exemplo de cisalhamento na direção do . Fonte: Steinbruch e Winterle (1987, p.200). O efeito do cisalhamento é transformar o retângulo OAPB no paralelogramo OAP’B’, de mesma base e altura. É observável que cada ponto se desloca paralelamente ao eixo até chegar em mesmo não acontece para os pontos do próprio eixo temos , . Tem-se ainda que o , uma vez que para eles . b) Cisalhamento na direção do eixo . É análogo ao cisalhamento na direção do eixo , contudo com todas as suas mudanças relacionadas ao eixo . É dado por: ou 47 2.3.3.5 Rotações Uma rotação fica determinada por um sentido (horário ou anti-horário) e por um ângulo de giro. Desta forma, para que a rotação fique inteiramente definida e caracterizada precisamos indicar o ângulo de giro e o centro da rotação. Quando o centro da rotação estiver definido, é fácil notar que é o único ponto que, quando aplicada a transformação, não mudará de lugar, por isso chamado de ponto fixo. Analisando de forma algébrica, dado um sistema de coordenadas de origem , a rotação de centro e ângulo transforma o ponto no ponto com: Análogo a idéia de rotação em transformações geométricas, também temos nas transformações lineares, que veremos em seguida. A rotação de um plano dado é um tipo de transformação linear que permite a cada ponto deste plano descrever um ângulo . Pode ser representado por: ou Geometricamente na figura 12 (considerando os vetores : e 48 Figura 12 – Exemplo de rotação. Fonte: Steinbruch e Winterle (1987, p.201). 49 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este conjunto de atividades está focado nas ideias dos registros de representação semiótica e suas conversões e na possibilidade destas atividades serem utilizadas em uma aula introdutória ao conceito do objeto matemático transformações lineares, utilizando como exemplificações as transformações geométricas, uma vez que, como já foram mostradas, algumas destas são tipos de transformações lineares. Nestas atividades são trabalhados alguns tipos de registros de representação e a conversões entre eles. Uma vez que o interesse está nos tipos de representação menos usuais, as atividades são focadas de forma mais incisiva na conversão entre o tipo de representação discursiva e o de não discursiva, a qual será utilizada a conversão entre registros monofuncionais que se caracteriza partindo do meio algébrico/numérico/simbólico para o meio gráfico, e vice-versa, através de atividades desde a construção de figuras até sua manipulação, partido do sistema algébrico, através de reflexões, rotações e deformações, ou seja, as propostas de transformações geométricas de uma figura. Terá uso também, outros tipos de conversões e representações como atividades complementares e, com isso, válidas, para o entendimento do objeto, para por fim, alicerçar uma introdução ao conceito de Transformações Lineares e suas implicações no plano. Assim, são propostas estas atividades, afim o professor conduza o aluno à percepção das relações entre os registros e da visualização do concreto para entender o conceito de transformações lineares e as transformações geométricas. 3.1 ATIVIDADE 1 Título: O conceito de transformação linear. Objetivo: Perceber as duas condições necessárias para uma transformação ser linear e ainda uma interpretação geométrica do significado desse tipo de transformação. Material: Papel, lápis ou caneta e computador com o GeoGebra instalado. 50 Procedimento: Dados os vetores e , resolva Parte I e Parte II desta atividade. Parte I a) Determine o cálculo da adição . b) Utilize o GeoGebra para representar graficamente os vetores , c) Agora multiplique a matriz e pelos os vetores . , mudando a simbologia dos novos vetores. d) Ainda na mesma janela GeoGebra e represente graficamente os vetores obtidos no item anterior. e) Efetue a adição entre os vetores correspondentes à multiplicação da matriz dada e os vetores e , e represente o resultado no GeoGebra. f) Descreva, com palavras, que efeito geométrico ocorre nos vetores, nos itens c) e e). Parte II a) Determine o cálculo da multiplicação . b) Utilize o GeoGebra para representar graficamente os vetores c) Multiplique a matriz pelos vetores e e . , mudando a simbologia dos novos vetores. d) Abra uma nova janela no GeoGebra e represente os dois vetores encontrados no item anterior. e) Multiplique também por dada e o vetor o vetor correspondentes à multiplicação da matriz e represente o resultado no GeoGebra. f) Descreva, com palavras, que efeito geométrico ocorre nos vetores, nos itens c) e e). Obs.: Esta atividade está dividida em duas partes para uma explanação melhor do assunto envolvido: Parte I e Parte II. 51 Quadro 1 – Quadro de Conversões da Atividade 1. Quadro de Conversões Item Situação Tipo de conversão ou tratamento Vetores dados para a efetuação de cálculos Item “a” entre eles e, consequentemente, resultarem em novos Tratamento no registro monofuncional de representação discursiva vetores. Conversão entre o registro Item “b” Vetores dados para a monofuncional de construção de uma representação discursiva para figura geométrica. o registro multifuncional de representação não discursiva Vetores dados para Item “c” calcular uma Tratamento no registro multiplicação por uma monofuncional de matriz resultando em representação discursiva um vetor Conversão entre o registro Itens “d” e “e” Vetores dados para a monofuncional de construção de uma representação discursiva para figura geométrica. o registro multifuncional de representação não discursiva Item “f” Análise da modificação Conversão entre o registro visualizada monofuncional de geometricamente para representação não discursiva expressão em língua para o registro multifuncional materna de representação discursiva Fonte: Quadro produzido pelos autores. Com relação aos objetivos específicos, nos itens “a”, “b”, “c” e “d” de cada parte pretende-se verificar se o aluno demonstra domínio na coordenação entre os 52 registros simbólico-algébrico, gráfico e numérico-tabular, além de representar por meio do GeoGebra como os vetores se relacionam geometricamente a partir das operações que ocorrem entre eles. No item “e” pretende-se que o aluno expresse em língua natural o efeito geométrico que ocorre a partir das imagens geradas pelo GeoGebra, partindo de uma conversão de registro gráfico para linguagem natural. Pretende-se ainda com esta atividade mostrar para o aluno a definição de uma transformação linear na sua forma geométrica, isto é, utilizando a ferramenta GeoGebra, mostrar como a representação geométrica dos vetores mantém preservado a soma e a multiplicação por escalar quando efetuamos a transformação, pois normalmente o aluno se depara só com sua forma algébrica em sala de aula. Para executar esses objetivos devemos utilizar o GeoGebra e para isto seguiremos os procedimentos abaixo: Passo 1: Resolução no GeoGebra do item “b” da “Parte I” Nesta etapa vamos utilizar os vetores , e para serem representados graficamente no GeoGebra. Com o GeoGebra aberto inserimos no campo entrada os valores de cada vetor: desta etapa teremos a seguinte imagem: , , . Depois 53 Figura 13 – Representação geométrica dos vetores , Fonte: Imagem produzida pelos autores. Obs.: O vetor e . que é obtido no item “a” foi representado pelo vetor para facilitar o prosseguimento da atividade. Passo 2: Resolução no GeoGebra do item “d” da “Parte I” Neste passo iremos inserir, na mesma janela do passo anterior, os valores dos vetores obtidos no item “c”. Para este procedimento foi utilizado a seguinte simbologia: e . Já com o GeoGebra na tela inserimos no campo entrada os valores destes vetores: seguinte: , e . A imagem formada será a 54 Figura 14 – Representação geométrica dos vetores e e dos vetores , Fonte: Imagem produzida pelos autores. e . Assim, ao efetuar a adição requerida no item “e” este novo vetor será idêntico ao vetor , logo será visível que ; sendo possível ao professor introduzir a ideia de conservação da adição para as Transformações Lineares. Passo 3: Resolução no GeoGebra do item “b” da “Parte II” Abrindo uma nova janela do GeoGebra vamos inserir no campo de entrada os valores dos vetores e . Este último é obtido a partir do item “a” da “Parte II”. Com o GeoGebra aberto inserimos no campo entrada os valores de cada vetor: e . A figura formada será a seguinte: 55 Figura 15 - Representação dos vetores e Fonte: Imagem produzida pelos autores. Obs.: Neste procedimento o vetor . é representado pelo vetor para facilitar o prosseguimento da atividade. Passo 4: Resolução no GeoGebra do item “d” da “Parte II” Neste passo iremos inserir, na mesma janela do passo anterior, os valores dos vetores obtidos no item “c”. Para este procedimento foi utilizado a seguinte simbologia: e . Então com a janela do GeoGebra na tela iremos inserir no campo de entrada os valores dos vetores: seguinte: e . A figura formada será a 56 Figura 16 - Representação dos vetores e e dos vetores Fonte: Imagem produzida pelos autores. e . Assim, ao efetuar a multiplicação requerida no item e) este novo vetor será idêntico ao vetor , logo será visível que ; sendo possível ao professor introduzir a ideia de conservação da multiplicação por escalar para as Transformações Lineares. Neste passo a passo fica visível para o aluno e para o professor como os vetores atuam geometricamente em uma transformação linear, além de proporcionar a visualização do que define este objeto matemático, pois analisando as imagens fornecidas observamos que a adição e a multiplicação por escalar dos vetores permanecem preservados. 3.1.1 Contraexemplo Objetivo: A partir do comando da atividade anterior provaremos, por um contraexemplo, quando uma determinada sentença não é uma transformação linear. Material: Papel, lápis ou caneta e computador com o GeoGebra instalado. Procedimento: 57 Dados os vetores e , resolva utilizando os comandos da parte i da atividade 1, no entanto, no item “c” utilize a matriz . Passo 1: Resolução no Geogebra do item “b” da “Parte I” Nesta etapa vamos utilizar os vetores , e para serem representados graficamente no GeoGebra. Com o GeoGebra aberto inserimos no campo entrada os valores de cada vetor: , , . Depois desta etapa teremos a seguinte imagem: Figura 17 – Representação geométrica dos vetores , e Fonte: Imagem produzida pelos autores. Obs.: O vetor (contraexemplo). que é obtido no item “a” foi representado pelo vetor para facilitar o prosseguimento da atividade. Passo 2: Resolução no GeoGebra do item “d” da “Parte I” Neste passo iremos inserir, na mesma janela do passo anterior, os valores dos vetores obtidos no item “c”. Para este procedimento foi utilizado a seguinte simbologia: e . 58 Já com o GeoGebra na tela inserimos no campo entrada os valores destes vetores: , e . A imagem formada será a seguinte: Figura 18 – Representação geométrica dos vetores e e dos vetores , (contraexemplo). Fonte: Imagem produzida pelos autores e A partir da interpretação geométrica da figura 18 fica visível que não ocorre a preservação da adição, logo a sentença que é estudada não é uma transformação linear. 3.2 ATIVIDADE 2 Título: Exemplo de transformação linear: a transformação geométrica de contração/dilatação. Objetivo: Visualizar como ocorre geometricamente uma transformação linear, do tipo transformação geométrica de contração/dilatação e perceber os padrões numéricos utilizados, afim representar essa transformação sob a simbologia das transformações lineares. 59 Material: Papel, lápis ou caneta e computador com o GeoGebra instalado. Procedimento: Dado o vetor a) Multiplique por b) Multiplique por , faça o seguinte: a abscissa do vetor . a abscissa do vetor . c) Agora utilizando o GeoGebra represente na mesma janela o vetor e os vetores formados no item “a” e “b”. d) e) Descreva, com palavras, que efeito geométrico nota-se com a figura do item “c” quando multiplicamos por e depois por a abscissa do vetor . Quadro 2 – Quadro de Conversões da Atividade 2. (continua). Quadro de Conversões Item Item “a” Item “b” Situação Tipo de conversão ou tratamento Vetor dado para a Tratamento no registro efetuação de cálculo monofuncional de com um escalar. representação discursiva. Vetor dado para a Tratamento no registro efetuação de cálculo monofuncional de com um escalar. representação discursiva. Conversão entre o registro Item “c” Vetores dados para a monofuncional de construção de uma representação discursiva para figura geométrica. o registro multifuncional de representação não discursiva. 60 Quadro 2 – Quadro de Conversões da Atividade 2. (conclusão). Análise da modificação visualizada Item “d” geometricamente para expressão em língua materna Conversão entre o registro monofuncional de representação não discursiva para o registro multifuncional de representação discursiva. Fonte: Quadro produzido pelos autores. Com relação aos objetivos específicos, nos itens “a” e “b” pretende-se que o aluno faça um tratamento com o registro simbólico-algébrico a partir do vetor e dos dados fornecidos. No item “c” pretende-se, com o uso do GeoGebra, estabelecer uma conversão do registro simbólico-algébrico para o gráfico do vetor u, com o intuito do aluno observar como a formato de um vetor se apresenta quando modificamos sua abscissa. Como conseqüência desta visualização, o item “d” consiste que o aluno expresse em língua materna o efeito geométrico que ocorre com a modificação da primeira coordenada do vetor, partindo da conversão do registro gráfico para a linguagem materna. Para executar esses objetivos devemos utilizar o GeoGebra e para isto seguiremos os procedimentos abaixo: Depois de ter resolvido os itens “a” e “b” iremos abrir uma janela do GeoGebra e no campo entrada inserir os valores de cada vetor. A figura formada será a seguinte: 61 Figura 19 – Representação geométrica dos vetores , Fonte: Imagem produzida pelos autores. e . A partir da visualização desta imagem o aluno poderá resolver o item “d” da atividade. 3.3 ATIVIDADE 3 Título: Exemplo de transformação linear: a transformação geométrica de reflexão. Objetivo: Visualizar como ocorre geometricamente uma transformação linear, do tipo transformação geométrica de reflexão e perceber os padrões numéricos utilizados, afim representar essa transformação sob a simbologia transformações lineares. Material: Papel, lápis ou caneta e computador com o GeoGebra instalado. Procedimento: Dada a elipse de equação a) Encontre os focos desta elipse. . das 62 b) Com os focos determinados, construa uma elipse no GeoGebra, tendo um 3º ponto de referência c) Descreva o que acontece com ao mudarmos o valor da 1ª coordenada de cada um dos nossos pontos de referência para seus simétricos. d) Descreva o que acontece com ao mudarmos o valor da 2ª coordenada de cada um dos nossos pontos de referência para seus simétricos. e) Descreva o que acontece com ao mudarmos o valor das duas coordenadas de cada um dos nossos pontos de referência para seus simétricos. f) Como podemos descrever isso através da simbologia das Transformações Lineares? Quadro 3 – Quadro de Conversões da Atividade 3 (continua) Quadro de Conversões Item Situação Da equação dada ao Item “a” encontro de dois termos componentes desta equação: os focos. Modificações algébricas nos vetores para Itens “c”, “d” e ”e” modificação da figura geométrica e sua consequente visualização. Itens “c”, “d” e ”e” Tipo de conversão ou tratamento Tratamento de registro monofuncional de representação discursiva. Conversão entre o registro monofuncional de representação discursiva para o registro monofuncional de representação não discursiva. Análise da modificação Conversão entre o registro visualizada monofuncional de geometricamente para representação não discursiva expressão em língua para o registro multifuncional materna. de representação discursiva. 63 Quadro 3 – Quadro de Conversões da Atividade 3 (conclusão) Da observação do padrão Item “f” Tratamento no registro das mudanças algébricas para a uma modelo matemático desse padrão. monofuncional de representação discursiva. Fonte: Quadro produzido pelos autores. No item “a” a finalidade é rever os conceitos de Geometria Analítica, no caso a elipse, já sabidos pelo aluno como forma à torná-los uma espécie de zona de conforto a ele, e para que ele possa construir a elipse que servirá de objeto para a representação das transformações. Os itens “b”, temos o aperfeiçoamento da utilização do GeoGebra, com a utilização de mais uma de suas ferramentas. Os itens “c”, “d” e “e”, podem possibilitar que o aluno visualize graficamente o ocorrido através das mudanças de valores dos pontos, e descreva este ocorrido, convertendo esta visualização para sua linguagem materna. O item “f” tem por objetivo que o aluno descreva, agora, simbólico-algebricamente a mudança e por fim realiza a modelagem do conceito de uma transformação linear, que seria a reflexão, sob seus três aspectos. Para execução de tal atividade no GeoGebra, devemos primeiramente inserir os focos encontrados (aqui chamaremos de e ) e o ponto dado ( ), através do Campo de Entrada. Feito isso, utilizando a ferramenta “Elipse”, devemos construir a elipse, selecionando os pontos criados. A elipse ficará assim dependente dos pontos, o que possibilitará a visualização de sua movimentação. O esperado está na figura 20, seguinte. 64 Figura 20 – Construção da 1ª elipse. Fonte: Imagem produzida pelos autores. Esta elipse servirá como ponto de referência para as modificações e comparações; assim deve-se deixar esta fixa e criar uma nova elipse (da mesma forma e com os mesmos valores, aqui chamados de e ). Caso haja alguma dificuldade em criar a nova elipse sobre a anterior, sugestionamos, apenas no momento da criação, ocultar os objetos antigos (botão direito sobre o objeto e em seguida a opção “Exibir objeto”). O resultado está na figura seguinte, quase imperceptível graficamente. 65 Figura 21 – Construção da 2ª elipse (sobre a 1ª). Fonte: Imagem produzida pelos autores. Pode ocorrer uma irrisória variação em algum termo da equação da nova elipse em relação à antiga; isso ocorre devido a imprecisão do mouse ao construir a segunda de forma idêntica à primeira. Essa variação, contudo, não afetará os resultados. Após essa criação, deve-se modificar as coordenadas da nova elipse como pedido no item “c”. Isso pode ser feito inserindo os valores diretamente no campo de entrada ou na janela algébrica (lado esquerdo) dando um duplo-clique no item que se quer modificar. Após as devidas modificações, a imagem será a descrita pela figura 22 seguinte. 66 Figura 22 – Reflexão em torno do eixo . Fonte: Imagem produzida pelos autores. Aqui temos uma importante conversão, a qual ocorre quando manipulamos as variáveis algébricas em virtude da visualização geométrica do objeto, que é afetado pela transformação linear plana de reflexão em torno do eixo . O mesmo ocorre nos itens “d” (reflexão em torno do eixo ) e “e” (reflexão em torno da origem) as quais as figuras 23 e 24 respectivamente descrevem o ocorrido. 67 Figura 23 – Reflexão em torno do eixo . Fonte: Imagem produzida pelos autores. Figura 24 – Reflexão em torno da origem. Fonte: Imagem produzida pelos autores. Por fim, após essas visualizações, o esperado é que o aluno perceba os padrões nas mudanças e os descreva algebricamente, sob os conceitos de transformações lineares. 68 3.4 ATIVIDADE 4 Título: Exemplo de transformação linear: a transformação geométrica de cisalhamento. Objetivo: Visualizar como ocorre geometricamente uma transformação linear, do tipo transformação geométrica de cisalhamento e perceber os padrões numéricos utilizados, afim representar essa transformação sob a simbologia das transformações lineares. Material: Papel, lápis ou caneta e computador com o GeoGebra instalado. Procedimento: Dados os vetores , e ; ou , e . a) Utilizando o GeoGebra, verifique que figura geométrica é formada pelas extremidades destes vetores? b) Descreva agora o que acontece se substituirmos a 1ª coordenada de cada vetor pelo valor de ? E de ? E de ? Quadro 4 – Quadro de Conversões da Atividade 4 (continua) Quadro de Conversões Item Situação Vetores dados para a Item “a” construção de uma figura geométrica com suas extremidades. Tipo de conversão ou tratamento Conversão entre o registro monofuncional de representação discursiva para o registro multifuncional de representação não discursiva 69 Quadro 4 – Quadro de Conversões da Atividade 4 (conclusão) Modificações algébricas nos vetores para modificação da figura Item “b” geométrica e sua monofuncional de representação discursiva para o registro monofuncional de consequente representação não discursiva visualização Item “b” Conversão entre o registro Análise da modificação Conversão entre o registro visualizada monofuncional de geometricamente para representação não discursiva expressão em língua para o registro multifuncional materna de representação discursiva Fonte: Quadro produzido pelos autores. Especificamente falando, temos no item “a” a finalidade de verificar se o estudante determina a imagem geométrica de um objeto, partindo da forma simbólico-algébrica, através dos conceitos de vetores e a utilização do GeoGebra; e no item “b”, o objetivo é proporcionar ao aluno a visualização do que acontece com o objeto geométrico a partir da substituições dos valores da primeira coordenada. Para executar esses objetivos, devemos seguir os seguintes procedimentos: No item “a” devemos inserir os valores dos vetores dados no campo de entrada do GeoGebra. O esperado, após inserirmos os vetores no GeoGebra, podemos ver na figura seguinte. 70 Figura 25 – Inserção dos três vetores. Fonte: Imagem produzida pelos autores. Para resolver efetivamente o item “a”, temos então que utilizar ferramenta “Polígono” e construir o polígono utilizando as extremidades e a origem dos vetores como vértices desse polígono, resultando na figura abaixo Figura 26 – O polígono descrito pelas extremidades e origem dos vetores. Fonte: Imagem produzida pelos autores. 71 .Temos então um quadrado formado pelas extremidades e a origem dos vetores. Esse primeiro item funciona apenas para construção do nosso registro gráfico inicial, servindo como introdução à questão principal, o item “b”. Para resolução desse item, temos que modificar, através do campo de entrada, os valores da 1ª coordenada de cada vetor pelo valor de de suas coordenadas. Temos então, como resultado esperado, uma deformação do quadrado, o “transformando” em um paralelogramo como mostra a figura abaixo. Figura 27 – Efeito do cisalhamento . Fonte: Imagem produzida pelos autores. Aqui podemos encontrar preciosas conversões entre o registro algébrico e o registro gráfico, pois, através da manipulação algébrica temos a visualização geométrica do ocorrido. De mesma forma executamos as outras mudanças da 1ª coordenada em (figura 28) e (figura 29). 72 Figura 28 – Efeito do cisalhamento . Fonte: Imagem produzida pelos autores. Figura 29 – Efeito do cisalhamento . Fonte: Imagem produzida pelos autores. 73 Por fim, é esperado que o aluno possa chegar a conclusão de que há uma deformação padrão no objeto geométrico, e de forma horizontal, através da variação dos valores que multiplicam “y” somados ao valor de “x”, na substituição da 1ª coordenada; chegando à uma sentença matemática padrão, que vai se caracterizar por ser um tipo de transformação linear plana; o cisalhamento. 3.5 ATIVIDADE 5 Título: Exemplo de transformação linear: a transformação geométrica de rotação. Objetivo: Visualizar como ocorre geometricamente uma transformação linear, do tipo transformação geométrica de rotação e perceber os padrões numéricos utilizados, afim representar essa transformação sob a simbologia das transformações lineares. Material: Papel, lápis ou caneta e computador com o GeoGebra instalado. Procedimento: Utilizando o GeoGebra, execute os passos abaixo a) Construa o vetor b) Ainda no GeoGebra construa a matriz seletor de até , incremento de c) Multiplique agora a matriz resultante crie um novo vetor e um . pelo vetor (M1*u) e com o ponto . d) Caminhe com o seletor por todos os seus pontos, verifique e descreva o que acontece. e) Faça essa multiplicação (com os valores do seletor) no papel e verifique se há algum padrão que permita considerar essa operação como uma transformação linear. Se sim, descreva-a simbolicamente. 74 Quadro 5 – Quadro de Conversões da Atividade 5 Quadro de Conversões Item Situação Tipo de conversão ou tratamento Conversão entre o registro Item “a” Vetores dados para a monofuncional de construção deste com representação discursiva para ferramenta. o registro multifuncional de representação não discursiva Modificações algébricas nos vetores para Itens “c” e “d” modificação da figura geométrica e sua consequente visualização Itens “c” e “d” Conversão entre o registro monofuncional de representação discursiva para o registro monofuncional de representação não discursiva Análise da modificação Conversão entre o registro visualizada monofuncional de geometricamente para representação não discursiva expressão em língua para o registro multifuncional materna de representação discursiva Da observação do Item “e” padrão das mudanças Tratamento no registro algébricas para a uma monofuncional de modelo matemático representação discursiva. desse padrão. Fonte: Quadro produzido pelos autores. Especificamente falando, do item “a” ao “c” tem por objetivo converter os registros já conhecidos dos vetores e matrizes para o geométrico, com a utilização da ferramenta, e com isso o aperfeiçoamento no uso desta. Ainda em “c” e chegando em “d”, tem-se que estes itens podem possibilitar que o aluno visualize graficamente o ocorrido através das mudanças de valores dos pontos, e descreva este ocorrido, convertendo esta visualização para sua linguagem materna. 75 O item “e” tem por objetivo que o aluno descreva, agora, simbólicoalgebricamente a mudança e o padrão e por fim realize a modelagem do conceito de um transformação linear, que seria a rotação. Para executar esta atividade deve-se primeiramente inserir o vetor no GeoGebra, com resultado esperado na figura 30 abaixo. Figura 30 – Primeiro vetor da atividade de rotação. Fonte: Imagem produzida pelos autores. Deve-se “ então inserir a matriz dada, da seguinte forma ” e o seletor na ferramenta “Seletor”. Assim a imagem abaixo descreve o resultado esperado (figura 31): 76 Figura 31 - Criação do 1º vetor da atividade. Fonte: Imagem produzida pelos autores. Em seguida, ao multiplicar a matriz sobre o ponto pelo vetor , o ponto é criado , e com este ponto deve-se criar um novo vetor . Assim, o primeiro vetor servirá como comparação fixa às modificações ocorridas no segundo. Após as movimentações no seletor temos os resultados abaixo (para 90°, 180°, 270°; 360º é a volta, o mesmo local do 0°): 77 Figura 32 - Modificações do no vetor (90º). Fonte: Imagem produzida pelos autores. Figura 33 - Modificações no vetor (180º). Fonte: Imagem produzida pelos autores. 78 Figura 34 - Modificações no vetor (270º). Fonte: Imagem produzida pelos autores. Pode-se também, para uma melhor visualização da rotação, diminuir o incremento deste e deixá-lo percorrer seus valores automaticamente, em “Animação Ativada”. Por fim, o item “e” permite perceber o padrão das multiplicações no vetor, e assim definir o modelo de transformação linear plana de rotação. 79 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Há décadas existe a busca pela melhoria do ensino da Matemática, seja através de pesquisas nesta área educativa e pedagógica, como através do desenvolvimento de materiais educativos possibilitando novas formas de se ensinar e repassar o conhecimento. Nesta perspectiva é que as tecnologias de informação e comunicação estão sendo cada vez mais utilizadas e hoje se tornaram uma realidade no processo de ensino-aprendizagem. Com base nos estudos analisados, que foram base para a realização desse trabalho, podemos afirmar que, apesar dos avanços e das tentativas de incorporação de tecnologias de informação pelo ensino, ainda são muitos os obstáculos a transpor pelas instituições e professores. Esses obstáculos vão desde a necessidade de novas posturas por parte dos profissionais da educação, mudanças curriculares nos cursos que formam esses profissionais e projetos que respeitem e considerem os princípios de uma educação transformadora. Acreditamos que a dinâmica oferecida não só pelo software GeoGebra, como também por outros voltados para o ensino de Álgebra Linear e, também, para a matemática em geral, podem contribuir significativamente para o desenvolvimento da aprendizagem nessa área. Apesar das possibilidades oferecidas por esses softwares, o ambiente lápis e papel e o uso de outras tecnologias serão complementares e essenciais para o desenvolvimento da aprendizagem. Os tipos de problemas propostos e a metodologia de trabalho do professor também serão fatores determinantes para a aprendizagem dos alunos. Por fim, esperamos que este trabalho tenha destacado a importância da Teoria de Raymond Duval sobre os Registros de Representação Semiótica, aqui visto no caso particular das transformações lineares e transformações geométricas. E que possibilite a visualização de que é possível desenvolver novas propostas em sala, aliando novas teorias com a utilização de tecnologias da informação. Também esperamos com a futura aplicação destas atividades, evidências suficientes para identificarmos quais conversões os alunos poderão ter mais dificuldades e quais, de fato, podem trazer a compreensão conceitual do objeto matemático em questão, para assim podermos trabalhar em cima de cada uma delas. 80 Neste trabalho, foram abordadas apenas atividades de ensino referentes a conhecimentos sobre transformações lineares, no entanto a aplicabilidade do software abrange outros conhecimentos matemáticos, por isso surgirão pesquisas futuras, como por exemplo, a elaboração de atividades para outros tópicos de Álgebra Linear como autovalores e autovetores, ortogonalização e formas quadráticas. Salientamos que esta pesquisa é apenas o começo de futuras investigações e pesquisas que pretendemos continuar realizando, na tentativa de buscar contribuições para a aprendizagem Matemática que se processa nas instituições de ensino. Ressaltamos ainda que este trabalho possa servir de base para estudos e pesquisas posteriores que venham propor uma transformação no processo de ensino-aprendizagem, objetivando a construção de conceitos e consequentemente uma aprendizagem significativa. 81 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BARCELOS, G.T., BATISTA, S. C. F. & MOREIRA, L. S.. Gerando applets no software GeoGebra. 2010. Disponível em: <http://www.essentiaeditora.iff.edu.br/ index.php/outraspub/article/viewFile/381/343>. Acesso em: 17/10/2011. BORBA, Marcelo de Carvalho; PENTEADO, Mirian Godoy. Informática e Educação Matemática / Marcelo de Carvalho Borba, Miriam Godoy Penteado. 3ª Edição. Belo Horizonte: Autêntica, 2003. CELESTINO, M. R. Ensino-aprendizagem de álgebra linear: as pesquisas brasileiras na década de 90. 2000. 113f. Dissertação (Mestrado em Educação Matemática) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2000. COSTA, Fernanda & TENÓRIO, Aldo. 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