ANÁLISE MORFOMÉTRICA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIBEIRÃO JERUSALÉM, ES Gleissy Mary A. D. A. dos Santos1, Weena B. O. Viana 1, Cecília M. Yamada 1 Franciane L. R. O. Louzada2, Paulo H. M. Breda 2, Alexandre R. dos Santos2, Elter M. dos Santos2, Onair M. de Oliveira 2, Telma M. O. Peluzio2 1 FAFIA/Departamento de Farmácia, Belo Amorim, 100, Centro, Alegre, ES, [email protected]; [email protected] 2 UFES/Departamento Engenharia Florestal, Avenida Carlos Lindemberg, s/n, Centro, Jerônimo Monteiro,ES, [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected] Resumo - O presente trabalho foi desenvolvido na bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, com área total 2 de 67,88 km , pertencente à bacia hidrográfica do rio Alegre. Está compreendida entre as coordenadas o o o o geográficas 41 32’ e 41 38’ de longitude Oeste e 20 43’ e 20 51’ de latitude Sul. No presente trabalho é apresentado uma região hidrológica definida, bem como suas características físicas, procurando realizar a análise morfométrica da bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, ES. De acordo com os resultados, podese concluir que a bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém apresenta hidrografia dentrítica e sub-dentrítica, sombreamento tendendo para Sudeste com azimute médio de 133,75 graus, orientação do terreno tendendo para Nordeste e Leste e relevo fortemente ondulado. Palavras-chave: bacia hidrográfica, análise morformétrica, sistemas de informações geográficas. Área do Conhecimento: Ciências Agrárias. Introdução Metodologia Um dos desafios básicos da análise hidrológica é o delineamento e a caracterização morfométrica das bacias hidrográficas e da rede de drenagem associada. Tal informação é de utilidade em numerosas aplicações, tais como na modelagem dos fluxos hidráulicos, no transporte e deposição de poluentes e na predição de inundações (WANG & YIN, 1998; THIERFELDER, 1998; CEBALLOS & SCHNABEL, 1998). Além destas aplicações, os estudos relacionados com as drenagens fluviais possuem função relevante na geomorfologia. Assim, a análise da rede hidrográfica pode levar à compreensão e à elucidação de numerosas questões geomorfológicas, pois, os cursos d’água estão relacionados com processos morfogenéticos muito ativos. Confirmando esta idéia, CHRISTOFOLETTI (1970) destacou a noção de bacia fluvial como unidade geomorfológica fundamental. No presente trabalho é apresentado uma região hidrológica definida, bem como suas características físicas, procurando realizar a análise morfométrica da bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, ES. A área-base deste estudo abrange a bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, com área total 2 de 67,88 km , pertencente à bacia hidrográfica do rio Alegre. Está compreendida entre as o o coordenadas geográficas 41 32’ e 41 38’ de o o longitude Oeste e 20 43’ e 20 51’ de latitude Sul (Figura 1). LOCALIZAÇÃO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIBEIRÃO JERUSALÉM 40°0'0"W 7704000 236000 BACIA HIDROGRÁFICA DO JERUSALÉM 7700000 7700000 21°0'0"S 21°0'0"S 0 41°0'0"W 25 ÁREA = 67,88 km² PERÍMETRO = 41,41 km 10 km 260000 50 km 7696000 0 2.5 5 240000 7696000 20°0'0"S 20°0'0"S ALEGRE 220000 7700000 260000 7720000 240000 7720000 19°0'0"S 19°0'0"S 220000 7700000 18°0'0"S 18°0'0"S 41°0'0"W 232000 7704000 228000 40°0'0"W E: 1: 90.000 Projeção Universal Transversa de Mercator Datum SAD69 - Zona 24 S 228000 0 232000 1.5 3 km 236000 7692000 PROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES: NEDTEC - CCA-UFES COLABORADORES: EAFA / MPAL / IDAF / INCAPER / PMA / SAAE / FAFIA 7692000 ORGs.: Gleissy Mary. A. D. A. dos Santos Dr. Alexandre Rosa dos Santos (Orientador) Figura 1 - Localização da bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, ES. XII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VIII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 1 225000 230000 235000 240000 245000 7705000 7705000 HIDROGRAFIA DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIBEIRÃO JERUSALÉM Hidrografia Outros Córregos órr eg o Có Va rr e go ga Córrego do Estevão a tin g e cu lum g re oeira Ale Córrego Monte Belo Có g rre R ch o Ca ir ã ib e Córrego da Jacutinga da Córrego Roncador o E s tevã onte Be lo Córrego Santa Rita o reg o 7700000 d M o 7700000 C Ja Có r Córrego Santo Antônio Có rrego Santo A n tô n i o Je u Córrego Vagalume Ribeirão Cachoeira Alegre ca do r Ri b e irão lé m sa Ribeirão Vargem Alegre o em do Ro n e gr A le Ribeirão Jerusalém ão Va rg Cór r e g r ei Rib R i ta Projeção Universal Transversa de Mercator Datum SAD69 - Zona 24 S an ta oS E: 1: 75.000 7695000 7695000 g rr e Có ORGs.: Gleissy Mary. A. D. A. dos Santos Dr. Alexandre Rosa dos Santos (Orientador) PROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES: NEDTEC - CCA-UFES COLABORADORES: EAFA / MPAL / IDAF / INCAPER / PMA / SAAE / FAFIA 225000 230000 0 235000 2,5 5 km 240000 245000 Figura 3 – Representação da hidrografia da bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, ES. 225000 230000 235000 240000 7705000 MODELO SOMBREADO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIBEIRÃO JERUSALÉM 7705000 As informações de referência utilizadas para análises foram extraídas das cartas topográficas da região no formato digital disponibilizadas pelo IBGE, que incluíram as curvas de nível de 20m em 20m, rede hidrográfica e limites da bacia. Os processamentos e as análises foram geradas no aplicativo computacional ArcGis 9.2. Os procedimentos utilizados visando alcançar os objetivos propostos são descritos a seguir : - geração da base de dados primários, no formato digital; - interpolação dos valores altimétricos para geração de uma superfície (grade) contínua e hidrologicamente correta com valores de altitude para cada um de seus pontos (MDE); - eliminação das distorções do MDE geradas por erros na interpolação; - hierarquização (classificação segundo a ordem de importância) dos cursos d’água; - análise espacial para elaboração dos mapas de hipsometria, modelo sombreado, orientação do terreno e classes de declividade. Modelo sombreado Resultados 7700000 < Iluminação 7695000 Projeção Universal Transversa de Mercator Datum SAD69 - Zona 24 S 7695000 O modelo numérico do terreno (MDE), antes de sua reclassificação, para a bacia hidrográfica do Jerusalém, é mostrado na Figura 2. A Figura 3 apresenta o mapa de hidrografia da bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém. O mapa do modelo sombreado do relevo obtido para a bacia, considerando um ângulo azimutal de 315 graus e uma elevação de 45 graus é apresentado na Figura 4. Na Figura 5 e Tabela 1 observa-se a orientação do terreno da bacia, em valores agrupados de acordo com as 8 principais direções cardinais. 7700000 > Iluminação E: 1: 75.000 ORGs.: Gleissy Mary. A. D. A. dos Santos Dr. Alexandre Rosa dos Santos (Orientador) PROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES: NEDTEC - CCA-UFES 0 COLABORADORES: EAFA / MPAL / IDAF / INCAPER / PMA / SAAE / FAFIA 225000 230000 235000 2,5 5 km 240000 Figura 4 – Modelo digital sombreado da bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, ES. 225000 230000 235000 240000 245000 ORIENTAÇÃO DO TERRENO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIBEIRÃO JERUSALÉM 245000 Orientação do terreno 7705000 7705000 7705000 240000 Relevo plano Norte Nordeste Leste Sudeste Sul Sudoeste Oeste Noroeste Norte Có rre go choeir a a ting e e Ale g r 1140,0 m Có o Ca Altitude cu m lu go rre i rã be Ri Outros Córregos Córrego da Jacutinga Córrego do Estevão Córrego Monte Belo Córrego Roncador Córrego Santa Rita Córrego Santo Antônio Córrego Vagalume Ribeirão Cachoeira Alegre Ribeirão Vargem Alegre Ribeirão Jerusalém da Ja Va ga Có r reg od o nte B el o E st e vã o A n tô n i o Có rrego S an to 7700000 M o Je u sa 260,0 m lé m do Ro nc ad or R i b e irão o em re eg Al Projeção Universal Transversa de Mercator Datum SAD69 - Zona 24 S ão Va rg Có rr e g r ei Projeção Universal Transversa de Mercator Datum SAD69 - Zona 24 S g rr e Có oS E: 1: 75.000 ORGs.: Gleissy Mary. A. D. A. dos Santos Dr. Alexandre Rosa dos Santos (Orientador) 7695000 7695000 an ta R i ta b Ri PROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES: NEDTEC - CCA-UFES COLABORADORES: EAFA / MPAL / IDAF / INCAPER / PMA / SAAE / FAFIA 230000 235000 PROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES: NEDTEC - CCA-UFES COLABORADORES: EAFA / MPAL / IDAF / INCAPER / PMA / SAAE / FAFIA 225000 ORGs.: Gleissy Mary. A. D. A. dos Santos Dr. Alexandre Rosa dos Santos (Orientador) 225000 E: 1: 75.000 7695000 o 7700000 Có rre g 7700000 Hidrografia 0 240000 2.5 7700000 235000 MODELO DIGITAL DE ELEVAÇÃO (MDE) DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIBEIRÃO JERUSALÉM 7695000 230000 7705000 225000 230000 235000 0 240000 2,5 5 km 245000 5 km 245000 Figura 2 - Modelo digital de elevação (MDE) da bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, ES. Figura 5 – Orientação do terreno na bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, ES. XII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VIII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 2 Tabela 1. Quantificação (%) das classes de orientação das vertentes na bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém, ES. Classes Pixels % Relevo Plano 99210 24,70 Norte 20727 5,16 Nordeste 57367 14,28 Leste 61990 15,43 Sudeste 45950 11,44 Sul 32390 8,06 Sudoeste 25532 6,36 Oeste 28905 7,20 Noroeste 29547 7,36 Norte 18765 4,67 Total 401618 100 As características da declividade do terreno podem ser observadas na Figura 6, enquanto que a Tabela 2 apresenta as informações quantitativas associadas. 225000 230000 235000 240000 (altitude mínima) a 1140,0 m (altitude máxima), sendo que a altitude média é de 640,5 m. Devido às características geomorfológicas da área de estudo, a hidrografia apresenta-se como dentrítica e sub-dentrítica, proporcionando boa drenagem fluvial (Figura 3). A presença de vertentes com declividades elevadas proporciona a formação de sombreamentos (áreas menos iluminadas) nas áreas tendendo a Sudeste da bacia, pelo fato do azimute médio ser de 133,75 graus (Figura 4). De acordo com a Tabela 1, a bacia hidrográfica apresenta 24,70 % de relevo plano. No entanto, as vertentes voltadas para Nordeste e Leste destacam-se, apresentando em conjunto 29,71 % de ocorrência. A declividade que apresenta maior porcentagem de ocorrência (Tabela 2) refere-se ao relevo fortemente ondulado (46,24 %), que agrava os impactos ambientais referentes aos fenômenos hidrometeorológicos, como, por exemplo, as precipitações pluviométricas máximas em 24 horas. 245000 Conclusão 7705000 7705000 DECLIVIDADE DO TERRENO DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIBEIRÃO JERUSALÉM De acordo com os resultados, pode-se concluir que a bacia hidrográfica do ribeirão Jerusalém apresenta: 7700000 Plano (0 - 3 %) Suavemente ondulado (3 - 8 %) Ondulado (8 - 20%) Fortemente ondulado (20 - 45 %) Montanhoso (45 - 75 %) Fortemente montanhoso (> 75 %) 7700000 Declividade do relevo Projeção Universal Transversa de Mercator Datum SAD69 - Zona 24 S 7695000 7695000 E: 1: 75.000 ORGs.: Gleissy Mary. A. D. A. dos Santos Dr. Alexandre Rosa dos Santos (Orientador) PROCESSAMENTO DAS INFORMAÇÕES: NEDTEC - CCA-UFES COLABORADORES: EAFA / MPAL / IDAF / INCAPER / PMA / SAAE / FAFIA 225000 230000 235000 0 240000 2,5 5 km − hidrografia dentrítica e sub-dentrítica; − sombreamento tendendo para Sudeste com azimute médio de 133,75 graus; − orientação do terreno tendendo para Nordeste e Leste; − relevo fortemente ondulado. 245000 Referências Figura 6. Representação das características de declividade do terreno na bacia hidrografica do ribeirão Jerusalém, ES. Tabela 2 - Quantificação das áreas homogêneas por classes de declividade na bacia hidrografica do ribeirão Jerusalém, ES. Declividade (%) % 0 – 3 (plano) 22.21 3 – 8 (suavemente ondulado) 2.88 8 – 20 (ondulado) 14.08 20 –45 (fortemente ondulado) 46.24 45 – 75 (montanhoso) 13.48 > 75 (fortemente montanhoso) 1.10 Total 100,00 Discussão O comportamento da altitude mostrado na Figura 2 (MDE) indica um relevo bastante acidentado com valores variando de 260,0 − CEBALLOS, A.; SCHNABEL, S. Hydrological behaviour of a small catchment in the dehesa landuse system (Extremadure, SW Spain). Journal of Hidrology, v. 210, p.146-160, 1998. − CHRISTOFOLETTI, A. Geomorfologia. São Paulo: Edgard Blucher, 2ed, 188p, 1970. − GORR, W.; KURLAND, K. GIS Tutorial: Workbook for ArcView 9.0. ESRI Press, 2005. − THIERFELDER, T. The morphology of landscape elements as predictors of water quality in glacial/boreal lakes. v. 207, p. 189203, 1998. − WANG, X.; YIN, Z.Y. A comparison of drainage networks derived from digital elevation models at two scales. Journal of Hidrology, v. 210, p. 221-241, 1998. XII Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e VIII Encontro Latino Americano de Pós-Graduação – Universidade do Vale do Paraíba 3