Gratuito
Directora
Graça Franco
Editor
Raul Santos
Lisboa
Li
Lisboa
boa
Hoje
Hoje
Sexta
Porto
Po
Por
Porto
to
o
Amanhã
Am
Sábado
manhã
h
Grupo Renascença
www.rr.pt
www.rfm.pt
www.mega.fm
www.radiosim.pt
Quinta-feira
28 Janeiro de 2010
ÚLTIMAS
Gratuito REFORMAS: Deputado do PS quer alterar regras - DÉFICE: CIP suspeita de cálculos - MÚSICA: “We are the world” para o Haiti
Luís Amado diz que tudo
falhou no Afeganistão
Leia mais
OE 2010/Salários
Teixeira dos Santos
não rejeita corte
» Pág.10
O ministro das Finanças não exclui que o seu próprio ordenado
venha a ser diminuído. » Págs.2 a 4
Parlamento
Medidas anti-corrupção
estão em debate
A tipificação do crime urbanístico
é um dos pontos em debate, esta
tarde, em São Bento. » Pág.6
Câmara de Lisboa/Benfica
Arguido Carmona
responsabiliza Santana
Há cinco arguidos. O Benfica encaixou 65 milhões à custa de um
contrato com a Câmara. » Pág.6
Carolina Duarte/RR
LOC
Greve dos Enfermeiros
Trabalhadores pagam
maior fatia da crise
A Liga Operária Católica diz que
os trabalhadores estão cada vez
mais pobres. » Pág.13
Ministra da Saúde pede “bom senso”
Correntes d’Escrita
Amanhã há manifestação nacional, mas já hoje os enfermeiros concentraram-se à frente de
vários hospitais. Os profissionais falam em 88% de adesão ao segundo de três dias de paralisação. A ministra Ana Jorge apela ao “bom senso”. » Pág. 7
Agustina
homenageada
OPINIÃO
Fórmula 1
Quando os Católicos voltam
à Política
Ferraris menos
vermelhos
José Tolentino Mendonça
Alberto Astérix
Ângela Silva
» Pág.6
A “culpa” é da publicidade. O branco ocupa
parte do F10, o novo monolugar da Ferrari para a temporada 2010. O carro foi hoje
apresentado e, à hora de fecho desta edição, o brasileiro Felipe Massa está a experimentá-lo em pista. » Pág.16
Pela Póvoa de Varzim vão passar
66 escritores. Na 11ª edição, Agustina será a “Astrela”. » Pág.14
A 28 de Janeiro...
1986: explosão da
Challenger
» Pág.17
OE 2010
PÁG.
02
OE 2010
Teixeira dos Santos não exclui corte do seu próprio salário
As tomadas de posição sucedem-se, à medida que a proposta de Orçamento de Estado (OE)
para 2010 é analisada. O ministro das Finanças sublinha o facto de o nosso país não agarvar
a carga fiscal e, numa entrevista, admitiu até, caso seja necessário, vir a reduzir salários - o
seu, inclusive.
O ministro das Finanças, Teixeira dos Santos, admitiu,
numa entrevista, ontem à noita, à SIC reduzir o seu
salário se a situação económica não evoluir favoravelmente.
“Se a situação não evoluir conforme é necessário e desejamos, acho que temos de estar dispostos a tomar
medidas que dêem um sinal muito claro de determinação e todas as hipóteses terão de ser consideradas.
Ppessoalmente, não afasto sinais dessa natureza. Estaria disposto a abdicar de parte do meu salário, se fosse
necessário”, declarou Teixeira dos Santos.
O ministro das Finanças fez questão de sublinhar que
Portugal é dos poucos países europeus a iniciar a consolidação orçamental em 2010 e o único que o faz sem aumentar impostos, apontando os exemplos de Espanha,
da Grécia e da Irlanda como contrários, uma vez que
nestes países a carga fiscal vai ser agravada.
Patrões queriam mais “aperto”
A Associação Empresarial de Portugal (AEP) e a Associação Industrial Portuguesa (AIP) aplaudem o “congelamento” dos salários na Função Pública, mas dizem que
o Governo tem de fazer mais.
O presidente da AEP, porta-voz desta posição conjunta,
disse que a decisão de não aumentar os salários aos
funcionários públicos é um sinal para os privados, “fundamental para a competitividade das nossas empresas
e dos nossos produtos”.
José António Barros considera, no entanto, que as medidas previstas no OE são insuficientes para a consolidação das contas públicas. “Achamos que se deveria
ter avançado mais na contenção da despesa corrente
primária”, explicou.
Em relação às previsões do Governo para o cenário macroeconómico, Barros considera-as aceitáveis, nomeadamente a da inflação, embora duvide de que a taxa de
desemprego fique nos 9,8%, considerando que um crescimento económico de 0,7% é insuficiente para garantir
a criação líquida de emprego.
Novidades fiscais
Uma das novidades que sai da proposta do Governo é a
de que quem entregar a declaração de IRS pela Internet
pode contar com o reembolso em 20 dias. Outra medida
prevista é a do alargamento do regime simplificado de
IRS às prestações de serviços.
Os bónus e prémios pagos aos gestores passam a ser
tributados também em sede de IRC, a uma taxa autónoma de 35%, de forma permanente. Até aqui, eram só
tributados em IRS. Este ano, excepcionalmente, a taxa
será de 50%, para as sociedades financeiras, sempre
que esteja em causa mais do que 25% do salário anual e
mais de 27500 euros.
O Executivo reduz ainda os benefícios fiscais das em-
presas, de 40% para 25%, uma medida que visa sobretudo a banca. É ainda lançada uma nova amnistia fiscal,
de 5%, sobre as verbas que estão indevidamente no estrangeiro, para que sejam repatriadas, à semelhança
do perdão de 2005.
O imposto de selo é eliminado para vários contratos e
actos notariais, e passa a ser possível abater nas dívidas
fiscais dinheiro que os contribuintes tenham a haver da
administração directa do Estado, um conceito que não
inclui autarquias, empresas públicas ou institutos.
Abre-se, ainda, a possibilidade de existir arbitragem
fiscal, entre fisco e contribuintes, um princípio que ainda carece de concretização legislativa.
A avaliação da Ernst&Young
Na avaliação da consultora Ernst&Young, a proposta de
OE é neutra para as famílias, do ponto de vista fiscal.
João de Sousa, da consultora, lembra que os escalões
de IRS são actualizados à inflação prevista, que este
ano é de apenas 0,8%, e nas deduções não há alterações significativas, nem mesmo na saúde, onde o relatório encomendado pelo Executivo recomendava cortes
acentuados.
Mas ainda assim há surpresas em sede de IRS, como a
eliminação dos benefícios para a aquisição de computadores e outro material informático.
No IRC, a Ernst&Young destaca a redução dos benefícios
para as empresas e a tributação dos prémios e bónus na
banca, medidas que, segundo João de Sousa, vão agravar a taxa efectiva de imposto, paga pelos bancos.
Finanças Regionais: César critica
Jardim e Lacão prossegue contactos
O presidente do Governo Regional dos Açores disse hoje
que só por ignorância ou má-fé se pode comparar a situação dos Açores com a da Madeira.
Carlos César reagiu, em Bruxelas, à crítica de Alberto
João Jardim de que a Lei das Finanças Regionais dá mais
aos Açores do que à Madeira. César sustenta que para os
Açores atingirem os mesmos objectivos que a Madeira é
necessário investir muito mais.
O ministro dos Assuntos Parlamentares prossegue hoje
as reuniões com os partidos para desbloquear a questão
da Lei das Finanças Regionais. Depois de CDS-PP e PCP,
Jorge Lacão recebe, esta tarde, o Bloco e o PSD.
Os social-democratas sublinham a disponibilidade para o
diálogo. Contudo, o deputado Guilherme Silva já avisou
que a reunião terá de ser um ponto de partida para corrigir o “comportamento discriminatório” na atribuição
de verbas entre a Madeira e os Açores.
Também José Manuel Pureza, do Bloco de Esquerda (BE),
entende que é necessário corrigir uma discriminação em
relação à Madeira. Só assim, diz Pureza, será possível
limitar a capacidade de endividamento da região.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
OE 2010
Carvalho da Silva, secretário-geral da CGTP
“A situação exige uma mobilização
muito maior da sociedade”
O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, defende que, se Portugal
está à espera de sair da actual situação através de uma “iniciaitiva
autónoma não pressionada de qualquer Governo”, está errado. Diz Carvalho da Silva que “não há Presidente da República, nem Governo que
nos salve”, por isso, sublinha, “o que é preciso é a acção e intervenção
das pessoas”.
Sobre o Orçamento de Estado (OE) para para 2010, o líder da CGTP
diz que não é uma surpresa, porque foi negociado “com os partidos de
direita”.
»
PÁG.
03
Ana Carrilho
Página1 – Como é que vê este OE? É o que esperava?
Carvalho da Silva – Depois do Governo ter optado por
negociar com os partidos de direita e tendo presente aquilo que no plano europeu se chama “Saídas da
Crise” – que não são tentativas de saída da crise, são
apenas tentativas de recuperação económica para o
poder financeiro dominante, secundarizando as questões do emprego – este OE não é surpresa. É um OE que
conduzirá o país a um distanciamento crescente dos
níveis europeus e, portanto, a um empobrecimento e
a um acentuar das desigualdades. O último elemento
que veio contribuir quase de forma cirúrgica foi esta
chantagem das agências de rating, que ao longo de
décadas têm sido instrumentos importantes de manipulação financeira e de desvirtuamento das políticas.
Este acumular de elementos não podia dar outro resultado que não um orçamento virado para a recuperação
económica entre aspas, mas não do emprego.
P1 – Portanto, na sua opinião vai gerar mais empobrecimento desigualdades e …
CS – …desemprego. O que mais chocou na apresentação do OE foi quando o ministro das Finanças disse,
com uma certa vaidade, que o facto de o Estado reduzir 73 mil postos de trabalho desde 2005 e que isto
agora ainda vai ser mais formal. Isto, num dia em que o
director-geral da OIT, Juan Somavia, na mensagem que
envia para Davos, diz que é preciso evitar uma recuperação sem trabalho. Ora, nós precisamos de emprego
no sector público e no privado. E um sinal no público
é sempre apanhado pelo privado. Neste momento temos milhares de jovens licenciados e qualificados que
não encontram emprego porque, entre outras causas,
o Estado tem reduzido as entradas nos serviços e não
há emprego para os jovens. Dizer isto é uma marca
“assassina” de qualquer projecto que se queira afirmar
com futuro.
P1 – Uma das marcas deste OE é o congelamento dos
salários da Administração Pública...
CS – Descongelar é um termo que tem que ser descodificado, porque na prática significa redução dos salários
reais. O que é proposto e é assumido quase como uma
bandeira – tenho que dizer isto – pelo Governo e pelos
partidos da direita. Um dos tópicos onde é mais visível
a pressão da direita é o controle do défice público,
sacrificando os trabalhadores.
Num momento em que a OIT diz que uma das três cau-
sas do agravamento do desemprego é a redução da remuneração pelo trabalho, vir-se dizer, com um certo
orgulho, que se vai reduzir os salários reais e dar-se
esse sinal para o sector privado é profundamente limitador de um alcance de futuro neste Orçamento.
P1 – Estas medidas e outras que constam do OE podem levar a um agravamento da instabilidade laboral
e social ?
CS – Em Portugal, o que nós precisamos é de mobilizar
mais as pessoas. Se estamos à espera de sair dos actuais bloqueios por uma iniciativa autónoma não pressionada de qualquer Governo ou de qualquer governante
inspirado, estamos errados. Não há Presidente da República nem Governo que nos salve. O que é preciso é
acção e intervenção das pessoas.
P1 – Mas estas propostas vão gerar, certamente, protestos. Aliás já estão anunciadas...
CS – Há protestos em marcha; ainda hoje tivemos uma
grande greve dos enfermeiros. Mas é preciso mais. A
situação exige uma mobilização muito maior da sociedade.
P1 – Quanto ao cenário macroeconómico, ele é credível?
CS – É difícil responder a essa questão com segurança.
Não sabemos com rigor se aquilo que se diz sobre o
défice público é assim; não sabemos quanto é o défice
público encoberto que tem a ver com a dívidas que
têm que se pagar a empresas de transportes, de autoestradas, as parcerias público-privadas, quanto é que
custam… Há um conjunto de factores que, a qualquer
momento, podem ser manipulados; por outro lado, há
estas chantagens das empresas de rating. Os indicadores macroeconómicos, pelo menos alguns deles, temos
que os ver sempre com muita reserva.
P1 – Mas quanto ao desemprego, tem poucas dúvidas
que não será de 9,8%, como diz o Governo...
CS – Penso que vamos ter – infelizmente – agravamento
do desemprego e vamos ter muitas dificuldades para
ter crescimento económico.
P1 – Se tivesse que usar uma palavra para definir este
OE, qual seria?
CS – Duas: injusto e limitador do desenvolvimento do
país.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
OE 2010
João Proença, secretário-geral da UGT
O número de trabalhadores pode diminuir,
mas é preciso motivá-los, aumentando salários
Perante a decisão de congelar os salários da Administração Pública, presente no Orçamento de Estado (OE) para 2010, o secretário-geral da UGT diz que o Governo não fez uma verdadeira
negociação. João Proença admite a redução de trabalhadores na
Função Pública, mas só se tiver efeitos práticos. Os que ficam
não estão motivados quando os salários não sobem.
João Proença critica o Governo, afirmando que escolheu o mais
baixo cenário de inflação para poder congelar os salários. “Não
há coincidências”, refere.
» Ana Carrilho
PÁG.
04
Página1 – O que é que esperava deste Orçamento?
João Proença – Esperávamos um Orçamento virado
para o crescimento, a competitividade o emprego,
num clima em que é fundamental continuar o combate
à crise. A posição unânime a nível europeu é que é preciso continuar a combater a crise, sob pena de enfrentarmos uma muito pior. O próprio FMI, ainda há dias
recomendava aos governos que mantivessem as medidas anti-crise. Ora, este OE não é de combate à crise
e não coloca o combate ao desemprego como prioridade. É um orçamento que se preocupa prioritariamente,
com a redução do défice. E isso, à partida, parece-nos
profundamente errado. Mas, vamos analisar melhor o
documento e tomaremos uma posição depois da reunião do Secretariado Nacional, marcada para daqui a
uma semana.
Nós defendemos algum combate ao défice em 2010,
mas na linha das orientações da União Europeia, deve
ser reduzido sobretudo no período 2011/2013 para atingir os 3%. Nós temos presente a pressão das agências
de rating, ameaçando até com a subida de encargos
com o pagamento da dívida para forçar a manutenção
de políticas, que estiveram na origem da crise. E isso
também nos parece errado.
P1 – Vamos conseguir reduzir o défice?
JP - A subida do défice é originada, em mais de dois
terços, pela redução das receitas devido à crise económica. Por outro lado, há uma parte que cresceu devido
ao aumento da despesa provocada precisamente com
o combate à crise. E é fundamental manter essas despesas. Portanto, é preciso haver sinais, nomeadamente
com o crescimento económico e uma gestão mais rigorosa das despesas do Estado.
É preciso ver onde estão os maiores desperdícios. São
nas áreas onde há maiores despesas, como a Educação e a Saúde. E os desperdícios também se traduzem
numa péssima utilização dos trabalhadores, que se
sentem desmotivados porque não há uma gestão eficiente. E quando há problemas recorre-se muitas vezes
à consultadoria externa, uma área em que o Estado
gasta milhões.
P1 – Mas o OE dá indicação que a redução de efectivos deve continuar...
JP - Em 2009, nós defendemos que em plena crise,
não era a altura do Estado continuar com a política de
redução dos trabalhadores, contribuindo directamente
para o agravamento do desemprego. Mas compreendemos que em 2010 se volte a pensar nisso. Mas deve ter
efeitos. Senão, teoricamente, reduzimos o número de
trabalhadores, mas continuamos a aumentar a despesa
porque é preciso recorrer a empresas de prestação de
serviços. O número de trabalhadores poderá ser reduzido, mas terá que haver mais motivação dos trabalhadores. E aí, consideramos completamente absurdo e
inaceitável o congelamento de salários na Administração Pública.
Primeiro, o ministro das Finanças nunca tinha falado em
congelamento de salários. Falou só em “não aumento
de salários reais”. E agora é que falou em congelamento. Achamos que é negativo para os trabalhadores e não vai provocar uma melhoria da Administração
Pública. Em segundo lugar, é um sinal completamente
errado que se dá à Economia. Para haver crescimento
económico tem que haver aumentos e melhoria dos salários. Para diminuir as desigualdades e criar condições
para um maior crescimento económico, dinamizando a
procura interna.
P1 – Esta proposta poderá contribuir para o aumento
da conflitualidade laboral?
JP – Compete aos sindicatos determinar as formas de
luta e com certeza que a UGT vai apoiar os seus sindicatos. E achamos inaceitável não só que o ministro
das Finanças tenha dito que vai propor um aumento
“zero”, mas também o hábito de não fazer uma verdadeira negociação. Porque nos anos anteriores fez uma
proposta inicial e nunca saiu dela. Portanto, não houve
uma negociação, mas sim um “simulacro”.Tudo aponta
que fará o mesmo em 2010. E é evidente que vai empurrar os trabalhadores para a luta.
P1 – O cenário macroeconómico definido pelo Governo é credível?
JP – Não nos admiramos que o Governo - entre vários
cenários possíveis de inflação – tenha optado pelo mais
baixo, precisamente para melhor poder congelar os salários na Função Pública; por outro lado, para diminuir
os aumentos salariais no sector privado. Lembramos
que, salvo no ano de 2009, durante 10 anos consecutivos, os governos enganaram-se sempre na inflação,
sempre em prejuízo dos trabalhadores e dos salários.
Como previsão, há sempre alguma possibilidade de incerteza, mas 10 anos seguidos não é possível: já tem
que ser uma política deliberada. Não há coincidências!
GRUPO RENASCENÇA, 2010
OPINIÃO
PÁG.
05
Quando os Católicos voltam à Política
José Tolentino Mendonça
Teólogo
São destes dias as palavras do Cardeal Angelo tre a vivência mística e o envolvimento na acBagnasco, presidente da importante Conferência ção política. A própria teologia passou a incluir
Episcopal Italiana, a incitar a um novo compro- uma leitura política da condição cristã, tentando
misso dos católicos com a política: “sonho com uma conciliação plena dos seus vários aspectos.
uma nova geração de italianos e de
Foram anos de grande efervescência
católicos que estejam dispostos a Diferentes
criativa, onde a paixão ideológica
dar o melhor do seu pensamento e
acreditou ser possível transformar e
vozes (...) têm
projectos, o melhor dos seus dias ao
impregnar a história de uma tensão
serviço da coisa pública”. Esta não é convergido
utópica.
uma declaração solitária, bem pelo no estimular
Depois, ou isso de todo não aconteceu
contrário. Diferentes vozes em diver- de uma nova
ou aconteceu, mas não da forma que
sos países europeus, e mesmo entre estação política, se esperava, e sucederam-se tempos
nós, têm convergido no estimular de
distanciados em relação à política,
que conte
uma nova estação política, que conolhada agora com desencanto e pragte também com a inscrição activa e também com a
matismo. A própria Igreja sentiu neo protagonismo de católicos. E, mais inscrição activa
cessidade de uma clarificação, recenprojectuais ou mais concretizadas, e o protagonismo trando-se no seu domínio religioso
multiplicam-se já as experiências de católicos
específico e criticando experiências
concretas no terreno.
que podiam enfermar de algum hibriO que há de novo neste regresso? A
dismo (recorde-se a gestão do dossier
uma época de militância política, entre os anos “Teologia da Libertação”).
50 e 70, seguiram-se décadas de silêncio e au- As palavras recentes do Cardeal Bagnasco mossência. Os movimentos cristãos, nomeadamente tram, por isso, que se está a construir, efectivaa Acção Católica, constituiram uma espécie de mente, um novo modelo. Os Católicos voltam à
laboratório de compromisso com o mundo e de política. E, sobre isso, há um debate necessário e
empenho político. Era normal a circulação en- aberto a realizar, também em Portugal.
Alberto Astérix
Alberto João Jardim diz que é o Astérix, vítima de
Roma, mas os funcionários públicos que voltam a
ver os seus vencimentos congelados e os desempregados que não param de crescer no país não vão ter
pena da Madeira.
Jardim tem razão numa coisa: a lei que retirou verbas à Região Autónoma foi feita por Sócrates com
grandes motivações políticas. O Primeiro-ministro
socialista sempre quis estrangular Alberto João e
a maneira mais diplomática é estrangulá-lo financeiramente.
Mas não podia haver pior ano do que este para
emendar a injustiça. Dar a Jardim a capacidade de endividamento que ele reivindica
e aumentar-lhe a dotação orçamental como
ele pede, no ano em que todos, mas mesmo
todos, são convocados para apertar o cinto,
seria, isso sim, muito injusto e o presidente
do Governo Regional vai acabar por percebê-lo. Dar um sinal de razoabilidade só lhe
fica bem.
Se for preciso, não ficava nada mal ao Presidente da República, que tanto pediu bom
senso aos partidos, lembrar a Alberto João
que ele não vive num mundo à parte. Ou
seja, a ilha não pode dar para tudo.
Ângela Silva
GRUPO RENASCENÇA, 2010
NACIONAL
PÁG.
06
Parlamento
Medidas anti-corrupção em debate
» Pedro Mesquita
João Cravinho concorda com a ideia de que os políticos
condenados no exercício de funções devem ser impedidos de se recandidatar.
A medida - defendida pelo CDS-PP e recuperada, agora,
pelo PSD – está a ser debatida no Parlamento, à hora de
fecho desta edição.
Apesar de não ter sugerido esta regra no pacote anticorrupção que, há cerca de três anos, apresentou ao
Parlamento, o antigo ministro e deputado socialista declara-se, não só, favorável à proposta, como defensor
de medidas mais restritivas neste tipo de casos.
O deputado social-democrata Miguel Macedo diz que a
intenção da proposta do PSD é impedir que se repitam
situações como as verificadas nas últimas autárquicas,
embora não refira nomes. Contudo, entre os autarcas
condenados por crime de corrupção passiva - ainda que
a sentença não tenha ainda transitado em julgado - encontra-se o presidente da Câmara de Oeiras.
Contactado pela Renascença, Isaltino Morais não rejeitou a medida, mesmo que o possa atingir, embora
sublinhe a necessidade de serem respeitados os direitos
consagrados na Constituição.
Entre as medidas anti-corrupção em debate, hoje, no
Parlamento, está a da tipificação do crime urbanístico,
defendida por CDS-PP e Bloco de Esquerda. João Cravinho considera-a fundamental.
Também Paulo Morais, professor universitário, comentador da Renascença e antigo vereador do Urbanismo na
Câmara do Porto, concorda com este tipo de medida.
No âmbito do combate e prevenção da corrupção, o
PCP, através do deputado António Filipe, propõe o alargamento aos titulares de cargos públicos do chamado
regime das incompatibilidades.
Fundação das Comunicações Móveis : Comissão de Inquérito quer
ouvir Freitas do Amaral
A comissão eventual de inquérito à
Fundação das Comunicações Móveis,
responsável pela gestão dos Meios financeiros do programa Magalhães, tomou posse ao final da manhã, no Parlamento.
A comissão, que será presidida pelo
social-democrata Miguel Macedo, ain-
da não tem data para iniciar audições,
mas há já um conjunto alargado de
personalidades em lista, para ouvir.
O PSD pretende levar à comissão o exministro Mário Lino e o actual titular
do cargo, António Mendonça.
O PSD solicitou também a presença
no Parlamento do secretário de Esta-
do Adjunto das Obras Públicas, Paulo
Campos, bem como do Presidente da
empresa JP Sá Couto, além de pretender ainda ouvir os representantes das
três operadoras móveis nacionais.
Também Freitas do Amaral, especialista em Direito Administrativo, será chamado à comissão.
Câmara de Lisboa/Benfica
Arguido Carmona Rodrigues responsabiliza Santana Lopes por
contrato que terá favorecido o clube
O antigo vice-presidente da Câmara de Lisboa Carmona Rodrigues acusa Santana Lopes de ser o responsável
pelo caso EPUL, relativo a alegados apoios de milhares
de euros que a empresa municipal concedeu ao clube
Sport Lisboa e Benfica, para a construção do Estádio
da Luz na altura do Euro 2004.
De acordo com o JN de hoje, o Benfica encaixou 65 milhões de euros à custa do contrato-programa firmado
com a Câmara de Lisboa, no âmbito do Euro 2004.
Pedro Santana Lopes não é arguido, apesar de a PJ ter
concluído que município, a que ele presidia, instrumentalizou a EPUL para financiar o Benfica. Já Carmona Rodrigues, à data dos factos vice-presidente da
autarquia, é um dos cinco arguidos constituídos durante a investigação que a PJ acaba de concluir, sob
a direcção da unidade especial do Ministério Público,
criada para investigar o “Apito Dourado”. Os restantes
arguidos são ex-administradores da EPUL - Empresa
Pública de Urbanização de Lisboa.
O inquérito centrou-se no contrato-programa assinado, em Julho de 2002, pela Câmara de Lisboa, EPUL,
Benfica e Sociedade Benfica Estádio SA. O acordo fixa-
va os moldes da participação da EPUL na construção do
novo Estádio da Luz, para o Euro 2004.
Um relatório da Inspecção-Geral de Finanças (IGF),
que suportou o trabalho da PJ, apontou défices de
transparência ao contrato-programa, referindo que
as formas de apoio acordadas e atribuídas ao Benfica
“consubstanciam verdadeiras comparticipações financeiras, concedidas por instâncias municipais”.
“O contrato contrariou os normativos legais vigentes”,
acrescentou a IGF, por não terem sido quantificados
devidamente os encargos das entidades públicas envolvidas, em desrespeito pelos princípios da boa gestão dos dinheiros públicos.
A investigação conclui que, ao aprovarem o referido
contrato-programa, a Câmara e a Assembleia Municipal de Lisboa “instrumentalizaram a EPUL”, fazendo-a
assumir encargos directos de 18 milhões de euros na
prossecução de fins estranhos ao seu objecto social.
Mas, além dos 18 milhões, o Benfica encaixou mais 47,
pois o contrato-programa ainda lhe permitiu vender
um terreno à EPUL e receber outro da Câmara de Lisboa.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
07
Ministra apela ao “bom senso”
100%, sendo que metade desse número teve uma adesão total”, assegurou Martins, referindo-se ao turno
que abrange o período entre as 00h00 e as 8h00.
Para esta quinta-feira, foram convocadas perto de 20
concentrações de enfermeiros em frente a hospitais,
“por todo o país”, com o objectivo de estes profissionais “manifestarem o seu descontentamento” relativamente à proposta do Governo de ingresso na carreira
com um salário de 995 euros.
Já hoje o Ministério da Saúde esclareceu que a proposta de ingresso na carreira que está em discussão com
os enfermeiros é no sentido de manter o valor actual
dos 1020 euros.
A ministra da Saúde apelou hoje ao “bom senso” dos
enfermeiros, que estão a cumprir o segundo de três
dias de greve, no sentido de continuarem as negociações com o Governo sobre a carreira profissional.
Em declarações prestadas à margem das VII Jornadas
de Doenças Infecciosas, que decorrem em Lisboa, a ministra Ana Jorge lembrou que o país está a viver “um
período difícil” do ponto de vista económico e financeiro.
Apesar de dizer respeitar o direito à greve, a ministra
apelou ao “bom senso” dos enfermeiros para continuarem a discutir a proposta do Governo de ingresso na
carreira.
A greve, que teve início ontem, está a paralisar dezenas de hospitais e maternidades, segundo o secretáriogeral do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP),
José Carlos Martins. O mais recente balanço sindical
dava conta de uma adesão, neste segundo dia de greve, na ordem dos 88%.
“Todos os hospitais tiveram uma adesão de entre 85% e
Sindicato garante serviços mínimos
Mário Cruz/LUSA
NACIONAL
PÁG.
Greve dos Enfermeiros
O secretário-geral do SEP disse também que os serviços
mínimos estão assegurados nos hospitais com intervenções cirúrgicas urgentes, além de estarem igualmente
garantidos “nos serviços de internamento”.
“Os enfermeiros vão continuar num crescendo até à
manifestação de amanhã”, garantiu, por seu lado, à
Renascença, Guadalupe Simões, dirigente do Sindicato
dos Enfermeiros Portugueses.
O dia de hoje ficou marcado por manifestações de rua,
“de Norte a Sul”. Guadalupe adiantava que a concentração começou em Braga e no Porto, com uma marcha
lenta na VCI.
Em Lisboa, os enfermeiros concentraram-se junto ao
Hospital Santa Maria. E, no Algarve, os enfermeiros
concentraram-se à porta do Hospital de Faro.
A Ordem dos Enfermeiros mostru-se, entretanto, solidária com a greve. O vice-presidente da Ordem, Jacinto Oliveira, considera que a classe tem todos os motivos para expressar o seu descontentamento.
Belmiro de Azevedo
“Cavaco é ditador”
O empresário Belmiro de Azevedo considera que o Presidente da República não foi talhado para corta-fitas,
sendo um homem do Governo, activo e também “ditador”.
O líder histórico da SOANE produziu estas declarações à
revista “Visão”, numa entrevista em que “dispara” em
múltiplas direcções.
Belmiro de Azevedo confirma que está zangado com
Cavaco Silva, queixando-se de que o agora Presidente
“mandou para rua” quatro dos seus amigos que foram
dos melhores ministros do país: Teresa Gouveia, Miguel
Cadilhe, Álvaro Barreto e Eurico de Melo.
Sobre Manuel Alegre, de quem foi colega de liceu, no
Porto, Belmiro diz que o poeta “devia ter juízo”, porque, se vier a ser eleito Presidente da República, terá,
no final do mandato, Alegre, perto de 80 anos, “o que
não é muito sensato”.
A isto acresce o facto de Belmiro de Azevedo não compreender como pode alguém candidatar-se a um lugar
“chato e com margem de manobra limitado”.
O Governo também não escapa às críticas do empresário, que se mostra-se satisfeito pelo facto de haver um
Governo sem maioria absoluta, o que “obrigou Sócrates
a perder um pouco da arrogância”.
Em relação ao Governo, Belmiro nota que tem “três ou
quatro ministros que ninguém sabe quem são nem de
onde vêm”.
O empresário diz que o ministro das Finanças “não é
milagreiro, mas é esforçado” e acrescenta que “é o
único com algum poder, uma vez que Sócrates não tem
competência para gerir contas públicas”.
Manuela Ferreira Leite também é alvo do julgamento
crítico de Belmiro de Azevedo: a líder do PSD nunca
dormiu mal com a responsabilidade de pagar salários,
porque sempre trabalhou para o Estado.
Em plena discussão do Orçamento do Estado, o fundador da SONAE vaticina um ano de instabilidade política
e afirma-se favorável a aumentos dos salários.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
NACIONAL
PÁG.
08
TAP
Pilotos não fazem greve e dão voto de confiança
ao sindicato
Os pilotos da TAP, reunidos em assembleia geral extraordinária, decidiram não fazer greve, optando por
conceder um voto de confiança ao sindicato que os
representa.
O Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil justificou a
convocação da assembleia extraordinária com uma série de “atentados perpetrados” pela administração da
transportadora, remetendo um dos pontos da ordem
de trabalhos para a possível marcação de uma greve.
A reunião de ontem, realizada à porta fechada, prolongou-se por sete horas, não tendo havido declarações aos jornalistas. O encontro foi convocado alguns
dias depois de ter sido noticiado que a administração
da TAP tinha convocado nove dos seus pilotos para um
“curso de ética”, alegadamente por estes terem discutido assuntos da empresa na rede social Facebook.
Fonte do Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil disse
à agência Lusa que os pilotos decidiram, por maioria, não fazer greve, tendo concedido “um voto de
confiança” à direcção do sindicato “para resolver os
processos em agenda” e comunicar posteriormente as
“diligências que serão promovidas”. O voto de confiança foi aprovado com 363 votos a favor e dez abstenções.
Os pilotos entendem que o “curso de ética” é uma
“sanção disciplinar ilícita” e discriminatória, mas a
TAP alega que faz parte da formação dada a todos os
trabalhadores e que se destina a todos os pilotos e
pessoal de cabina.
O sindicato acusa a administração da transportadora
de se recusar a assumir os custos com a formação necessária em língua inglesa e de ter instaurado, de forma “arbitrária e prepotente”, um processo disciplinar
com “intenção de despedimento” a um piloto - com
base em “factos que não correspondem à verdade” - e
depois de o manter numa “situação de suspensão preventiva ilícita durante 45 dias”.
À TAP é ainda apontada a “não correcção dos descontos” feitos indevidamente aos pilotos que trabalharam
parcialmente durante a greve de 24 e 25 de Setembro.
Sobre estas acusações, a companhia recusou fazer
qualquer comentário.
Aveiro
DECO
Pescadores resgatados após naufrágio
Má nota para
parques
subterrâneos
Nove pescadores foram hoje salvos, ao largo de Aveiro, depois de a embarcação em que seguiam ter naufragado, esta manhã.
Dois homens foram recolhidos por um helicóptero da Força Aérea, tendo
os restantes aguardado numa balsa até serem resgatados por uma embarcação da Marinha.
De acordo com o presidente da Câmara de Vila do Conde, os nove homens
são naturais do concelho - das Caxinas - e andavam à pesca do espadarte.
Incidente
Lancha da Armada abriu fogo contra
barco da Polícia Marinha
Uma lancha da Armada abriu fogo de metralhadora sobre uma embarcação descaracterizada da Polícia Marítima (PM). A informação foi avançada à
agência Lusa por uma fonte dos serviços de informações.
O barco da PM estava a realizar uma operação costeira, perto de Portimão.
A cerca de quatro milhas da costa, ao largo da praia da Salema, a lancha
“Pegaso” da Marinha Portuguesa aproximou-se de um barco, que levantou
suspeitas para a Armada, tendo disparado quatro rajadas de metralhadora.
Afinal, tratava-se de uma embarcação descaracterizada, onde seguiam três
elementos da PM.
Sem responder ao fogo, a embarcação acelerou para ponto seguro, “ligando
posteriormente os pirilampos rotativos” que a identificam enquanto lancha
policial.
O incidente aconteceu numa área referenciada pelas autoridades como uma
zona de tráfico de estupefacientes do norte de África para o sul do Europa.
Contactado pela Agência Lusa, o gabinete do chefe de Estado-Maior da Armada não quis comentar “questões de natureza operacional”.
A Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO) atribuiu
nota negativa a 17 de 23 parques de
estacionamento subterrâneo de Lisboa e Porto que inspeccionou,.
O estudo conclui que mais de 70% dos
parques não estão preparados para situações de pânico.
Dos 23 espaços avaliados, apenas três
receberam “bom”: em Lisboa, os parques dos Restauradores e do Marquês
de Pombal e, no Porto, o parque de estacionamento da Cordoaria.
Ainda assim, nenhum teve a nota “máxima de muito bom” e sete foram mesmo considerados “maus”.
Segundo a DECO, a má sinalização e os
percursos confusos contribuem para
que a maioria dos parques de estacionamento não tenha segurança. “Muitos não têm saídas para o exterior ou
comunicam com locais desprotegidos
do centro comercial”, refere a associação, considerando que “num incêndio
aqueles podem ser invadidos pelo
fumo e fogo”. Se houver um incêndio,
a evacuação é difícil e há mesmo alguns parques sem extintores.
A DECO aponta falhas a uma lei que
considera incompleta e permissiva.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
NACIONAL
PÁG.
09
Porta 65 Jovem
Aprovadas novas
regras
Alargamento do universo de beneficiários, flexibilização e simplificação dos critérios de candidatura são
algumas das alterações ao programa
“Porta 65 Jovem”, aprovadas hoje
em Conselho de Ministros.
O programa “Porta 65” estava aberto a candidatos até aos 30 anos.
Com as alterações, as candidaturas
mantém-se nos 30 anos, mas os beneficiários serão apoiados até aos
32.
Os três anos de benefícios poderão
ser aproveitados de forma intercalada, desde que seja respeitado o
limite de idade.
O executivo também mexeu em critérios de atribuição.
Parceira Renascença/VER
Portugal dá
pontapé de saída
contra pobreza
» Gabriela Costa
Um “Call to Action” global para unir
toda a Europa numa luta cada vez
mais premente: a pobreza já não é
um problema exclusivo dos países
em desenvolvimento, mas atinge
um em cada seis europeus. Em Portugal foi lançada uma página na Internet e o tema reúne já muitos comentários nas redes sociais. Ontem
o país deu o pontapé de saída para
este desafio europeu, com o Football Match Against Poverty, cujas
receitas revertem integralmente a
favor das vítimas do Haiti
O Ano Europeu do Combate à Pobreza e Exclusão Social (AECPES)
foi oficialmente inaugurado no dia
21 de Janeiro, em Madrid, no âmbito da Presidência Espanhola da
União Europeia. Sob o mote “Ponha
fim à Pobreza”, a iniciativa da Comissão Europeia propõe-se colocar
na agenda mediática de todos os
países da União Europeia (UE), em
2010, esta problemática que afecta um em cada seis europeus. O
lançamento da campanha reuniu o
presidente da Comissão Europeia,
Durão Barroso e o primeiro-ministro
espanhol, José Luiz Zapatero.
Leia mais em http://www.ver.
pt/conteudos/ver_mais_Sermais.
aspx?docID=983.
Ponto de vista
A decepção dos mercados
Francisco Sarsfield Cabral
Jornalista
O ministro das Finanças chamou-lhe “um Orçamento de confiança”. Mas a reacção dos mercados ao OE para 2010 não revela confiança. Os juros da dívida portuguesa subiram, depois de vários
dias a baixarem. Não é só contágio da Grécia.
A decepção dos mercados surge apesar de o Orçamento ter aprovação assegurada e de prever a redução de um ponto percentual
no défice. Mas essa redução parte de um valor altíssimo, 9,3% do
PIB, bem acima do anunciado pelo Governo antes das eleições. E
a modéstia dos cortes na despesa pública adia a consolidação das
contas do Estado para os próximos anos – nessa altura terá de ser
violenta. Ora os mercados desconfiam da capacidade dos nossos
políticos para tomarem medidas duras.
O pior é que há muita despesa fora do Orçamento. Não são apenas
os enormes défices de empresas do Estado. É, também, a multiplicação de esquemas de financiamento de obras públicas que atiram
para o futuro o pagamento do grosso dos encargos. Ou seja, para
fugir a dificuldades imediatas estamos a preparar um monumental
sarilho para daqui a uns tempos.
”Porto Cidade Solidária”
Universidade Católica aposta no
voluntariado
“Porto Cidade Solidária” é um projecto lançado para dar mais apoio a
quem mais precisa, lançado pela Universidade Católica Portuguesa (UCP)
no espírito do Ano Europeu Contra a Pobreza e Exclusão Social.
Visando mobilizar toda a universidade, o projecto tem no voluntariado junto de idosos uma das faces mais visíveis, de acordo com a coordenadora
Isabel Baptista.
O “Porto Cidade Solidária” funciona também como uma plataforma de debate da cidade: “É um espaço de diálogo permanente onde estão divulgadas as iniciativas que já estão a decorrer e onde estão, sobretudo, criados
espaços que permitem que as pessoas possam vir até nós, inscrever-se, conhecer as instituições, etc. O próprio site ‘Porto Cidade Solidária’ já é uma
iniciativa. Queremos ter aqui pessoas de referência ao nível da intervenção
cívica, que nos ajudem a pensar”, disse Isabel Batista à Renascença.
Presente na apresentação do projecto, o presidente do Centro Regional do
Porto da Universidade Católica, Joaquim Azevedo sublinhou que, identificados os problemas da cidade, a iniciativa quer influenciar o poder político
e mostrar caminhos para a solução dos problemas.
“O Porto é uma cidade que tem muitos problemas de desigualdade, de
fragmentação social, ao mesmo tempo com um património de solidariedade muito grande, mas precisamos de pensar a cidade de outra maneira,
com mais justiça e mais paz”, sublinhou Joaquim Azevedo, para quem a
instituição que lidera tem uma responsabilidade acrescida junto da comunidade por se tratar de uma escola de valores.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
INTERNACIONAL
Conferência de Londres
Amado reconhece que tudo falhou no Afeganistão
Em oito anos de missão, tudo falhou no Afeganistão,
afirma o ministro português dos Negócios Estrangeiros,
Luís Amado, que se encontra em Londres para participar na cimeira sobre o Afeganistão. Em declarações à
Renascença, Amado defende uma mudança de estratégia para esta região.
“Uma acção militar ao longo de oito anos que não tem
obtido resultados – pelo contrário, na questão da segu-
PÁG.
Clinton: plano da NATO não é estratégia de saída
Carl Court/EPA
10
O Primeiro-ministro reforçou também ainda a ideia de
que a questão do Afeganistão ultrapassa as fronteiras
daquele país. “Cada um dos países aqui representados
hoje reconhece que esta missão é vital para a nossa
segurança nacional. É vital para a estabilidade desta
região crucial e vital para a segurança”, sublinhou.
Brown mostrou-se convencido da possibilidade de derrotar a ameaça representada pelos talibãs e pela AlQaeda: “vamos derrotá-los não só no campo de batalha, mas também nas mentes e nos corações do povo,
ou em qualquer país no qual busquem refúgio”.
“Esta conferência é a demonstração de que o mundo
fala com uma só voz. Unidos, derrotaremos o terrorismo”, concluiu.
rança tem-se vindo a deteriorar – significa que, no plano político e no âmbito da acção civil, os passo dados
não têm sido eficazes”, sublinha.
O chefe da diplomacia portuguesa admite, sem se querer comprometer, que as forças internacionais possam
começar a deixar o Afeganistão dentro de 18 meses,
mas sublinha que essa decisão será tomada ao nível
da NATO.
“Fala-se numa estratégia de saída a 18 meses e é preciso que, a partir daí, se comece a definir um calendário
de estabilização que dispense a presença tão significativa, como é hoje, de militares”, explica o ministro.
De Portugal, estão para partir mais militares para o
Afeganistão, com o objectivo de preparar a missão
para o contingente que deve estar no terreno até final
de Fevereiro.
A partida da primeira equipa estava prevista para a
passada segunda-feira, mas ainda não aconteceu. Fonte das Forças Armadas indicou, esta manhã, à Renascença, que não é de excluir que os militares possam
partir ainda hoje.
Brown ameaça Al-Qaeda
O plano da NATO para uma transferência para as forças
afegãs do esforço militar no Afeganistão “não é uma
estratégia de saída”, sublinhou hoje a Secretária de
Estado norte-americana, Hillary Clinton, na conferência de Londres.
“Apoiamos o plano de transição da NATO, mas deve
ficar claro que não é uma estratégia de saída”, declarou a chefe da diplomacia norte-americana. “Trata-se
de estabelecer as condições que permitirão às forças
afegãs ficar com a gestão de toda a segurança numa
determinada zona”, explicou, concluindo que “continuaremos a apoiar os nossos parceiros afegãos durante
a transição”.
Karzai lança apelo aos afegãos
Por sua vez, o presidente afegão, Hamid Karzai, afirmou hoje ser pelo diálogo com os afegãos que não têm
vínculos com organizações terroristas, na abertura da
Conferência de Londres.
“Devemos estender a mão a todos os nossos compatriotas, em particular aos nossos irmãos desiludidos que
não são membros da Al-Qaeda ou de outras organizações terroristas”, declarou Karzai ao apresentar o seu
plano de reconciliação com os talibãs.
Antes, em declarações à BBC, o presidente afegão tinha sustentado que o seu país terá necessidade de ajuda internacional durante dez a 15 anos.
São 70 os países que participam na Cimeira de Londres, na qual marcam presença,
entre outros líderes mundiais, o Presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, o Primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, e o
Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban
Ki-moon.
Gordon Brown, anfitrião da conferência,
fez o discurso de abertura, apontando
este como um momento de transição na
estratégia para o Afeganistão.
“Este é um momento decisivo para a cooperação internacional que está a ajudar o
povo afegão a governar e a garantir a segurança no seu próprio país”, defendeu.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
11
Obama aposta no emprego e insiste na saúde
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, proferiu na noite de ontem o seu primeiro
discurso sobre o Estado da União.
Com o país ainda mergulhado numa grave crise económica, Obama prometeu criar emprego este ano e insistiu em levar por diante a
controversa reforma do sistema de saúde.
Dois terços do seu discurso perante o Congresso foram dedicados à economia, juntando à
promessa de tornar o emprego a sua grande
prioridade em 2010 a de reduzir o défice.
Barack Obama voltou-se depois para a banca,
reforçando a intenção de criar uma taxa sobre
os maiores bancos, para recuperar os milhões
de dólares gastos pelos contribuintes para salvar o sector financeiro.
“Os mercados estabilizaram e já recuperámos
a maior parte do dinheiro que gastámos nos
bancos. A maioria, não tudo! Para recuperar o resto,
proponho uma taxa sobre os maiores bancos. Eu sei que
Wall Street não gosta desta ideia, mas se os grandes
bancos podem pagar grandes bónus, também podem
pagar uma taxa modesta para pagar aos contribuintes
que os salvaram quando precisaram”, defendeu.
Num discurso que durou mais de uma hora, e em que
foi aplaudido várias vezes, o Presidente dos EUA apelou
a democratas e republicanos que a reforma do sistema
de saúde seja aprovada.
“Se alguém tem uma solução melhor para baixar os
prémios e o défice, garantir seguros a quem não tem,
reforçar os cuidados médicos aos idosos e travar os abusos das seguradoras, então venha falar comigo! O que
peço ao Congresso é que não vire as costas às reformas.
Não agora, quando estamos tão próximos. Deixem-nos
Dennis M. Sabangan/EPA
INTERNACIONAL
PÁG.
“Estado da União”
encontrar uma solução e acabar o trabalho para o povo
americano”, pediu.
Barack Obama falou ainda sobre o Iraque e garantiu
que todos os soldados norte-americanos estarão de regresso até ao final de 2011.
O discurso do Estado da União coincidiu com um dos
piores momentos de Obama desde que tomou posse:
perdeu a maioria qualificada no Senado e pela primeira
vez as sondagens referem que mais de metade da população não confia na sua gestão da crise económica.
“Terminamos um ano difícil. Ultrapassámos uma década difícil, mas um novo ano chegou, uma nova década
apresenta-se pela frente. Nós não desistimos. Eu não
desisto. Vamos aproveitar este momento para levar o
sonho avante e fortalecer a nossa união uma vez mais”,
afirmou, no final.
Fórum de Davos
Bill Clinton pede mais investimentos privados no Haiti
O ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton garantiu hoje que o Fórum Económico Mundial vai trabalhar
para fornecer informações com o objectivo de ampliar
o investimento do sector privado no Haiti. O país foi vítima, no dia 12, de um violento terramoto, que matou
mais de 170 mil pessoas.
Falando em Davos, durante Fórum Social Mundial, Clinton disse que é necessário garantir a segurança e melhorar as condições sanitárias, além de mais comida e
água.
Por sua vez, o Brasil pediu no Fórum de Davos, que
todos os países do mundo em condições de fazê-lo,
apliquem uma tributação zero sobre os produtos procedentes do Haiti, durante um período de 15 a 20 anos,
para ajudar à reconstrução do território.
A proposta foi avançada pelo diplomata Celso Amorim,
que substitui, na reunião, o Presidente brasileiro, Lula
da Silva (ver caixa). “Há sempre um modo de o fazer,
se houver vontade política”, sublinhou Amorim.
Lula tem alta
O Presidente brasileiro, Lula da Silva, recebeu alta hoje
de manhã do Hospital Português, no Recife, onde foi
internado de madrugada devido a uma crise de hipertensão que o impediu de participar no Fórum Social de
Davos, tal como estava previsto.
Visivelmente abatido, Lula da Silva, acompanhado pelos
ministros da Casa Civil, Dilma Rousseff, e das Relações
Institucionais, Alexandre Padilha, não falou com a imprensa ao deixar o hospital e seguiu directamente para
sua casa em São Bernardo do Campo.
De acordo com os médicos, a pressão arterial do Presidente chegou a 18/12 e a crise pode ter sido provocada
por stress.
De acordo com o jornal “O Estado de São Paulo”, Lula
da Silva começou a sentir-se mal ao final da tarde de
ontem, quando participava numa homenagem às vítimas
do Holocausto, em Recife.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
As equipas de salvamento retiraram dos escombros de
um prédio de Port-au-Prince mais uma sobrevivente do
sismo de há 15 dias no Haiti.
A adolescente está muito desidratada e aparenta ter
um ferimento numa perna, informaram as equipas
francesas e haitiana que participaram na operação de
resgate. “Não sei como é que ela conseguiu resistir
tanto tempo. É um milagre”, disse o socorrista J.P. Malaganne, em declarações à agência Reuters.
Entretanto, o porta-voz da missão das Nações Unidas
no país, David Wimhurst, disse hoje à agência Lusa,
que a ONU recusa-se a usar os seus recursos para proteger no Haiti espaços comerciais contra pilhagens, pois
a prioridade são as vítimas do terramoto. “Existem situações muito mais preocupantes”, explicou.
Ministros debatem envio da GNR
O envio de militares da GNR para o Haiti terá sido esta
manhã abordado na reunião do Conselho de Ministros,
mas muito dificilmente haverá, ainda hoje, uma decisão
final. Portugal terá em breve que assumir uma posição
face ao cada vez mais provável envio de um contingente
da Eurogendfor para ajudar a repor a ordem no Haiti. A
presença de portugueses numa eventual força do organismo que reúne as chamadas gendarmeries europeias
está ainda dependente de duas avaliações distintas:
uma sobre os inconvenientes de ceder mais elementos
da GNR para missões internacionais, e outra, externa,
que consiste em saber que contornos teria essa missão.
Líbano
Sri Lanka
Encontradas caixas-negras
do avião etíope
Presidente vai
dissolver parlamento
As caixas-negras do avião etíope que caiu na segunda-feira
pouco depois de levantar voo
de Beirute foram localizadas
ontem, informaram fontes
militares.
De acordo com os militares,
as caixas foram achadas por
uma embarcação americana
especializada a cerca de dez
quilómetros do aeroporto internacional de Beirute e a uma profundidade de 1300 metros.
O avião, um Boeing 737-800 da companhia Ethiopian Airlines, levava 90
pessoas, entre passageiros e tripulação, a maioria delas de nacionalidade
libanesa e etíope.
Não foram encontrados sobreviventes do acidente até ao momento. Os
trabalhos de busca a vítimas e restos do avião no litoral do Líbano continuam.
A principal hipótese avançada para a queda do avião prende-se com as
condições meteorológicas, já que na noite do acidente havia uma forte
tempestade.
As autoridades libanesas afirmam que 14 corpos foram recuperados, mas
a Ethiopian Airlines informou na terça-feira que já foram encontrados 60,
embora apenas 14 tenham sido identificados.
Coreias
Mais tiros disparados por Pyongyang
A Coreia do Norte disparou vários tiros de artilharia em direcção à costa
da Coreia do Sul.
É o segundo dia de tiros na região, avança a agência Yonhapm.
A zona atingida ainda pertence, alegadamente, ao lado de Pyongyang,
numa zona de fronteira marítima disputada pelos dois países.
Ontem houve uma troca de tiros entre as duas Coreias no Mar Amarelo.
Não se registaram feridos ou danos.
Após a esmagadora vitória nas eleições de terça-feira, Mahinda Rajapaksa quer consolidar o seu controlo sobre o parlamento também.
Ao contrário de muitas das previsões, a vitória de Rajapaksa sobre
o seu antigo chefe militar, Sarath
Fonseka, não deixou margens para
dúvidas.
Motivado
pela
confiança
expressada
nele
pelos eleitores,
o presidente já
fez saber que vai
dissolver o parlamento,
cujo
mandato terminaria em Abril,
convocando eleições antecipadas.
O presidente espera assim poder
reformular a coligação que o apoia,
consolidando o seu domínio político
sobre a legislatura.
A vitória de Rajapaksa foi confirmada pela comissão eleitoral, mas recusada pelo candidato da oposição,
Sarath Fonseka, que já prometeu
recorrer aos tribunais para anular a
validade do escrutínio.
Estas foram as primeiras eleições
realizadas depois do fim da guerra
civil que opôs os Tigres Tamil ao Governo de Colombo. O Presidente é
visto como um herói por ter posto
fim à guerra, e durante o seu segundo mandato promete maximizar
o crescimento económico que a paz
poderá trazer ao país.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
STR/EPA
12
Adolescente retirada com vida dos escombros
Nabil Mounzer/EPA
INTERNACIONAL
PÁG.
Haiti
RELIGIÃO
PÁG.
13
LOC
Trabalhadores continuam a pagar a crise
A Liga Operária Católica (LOC) critica a proposta de Orçamento de
Estado (OE) para 2010, chamando
a atenção para o facto de que são
sempre os trabalhadores a pagar a
maior factura da crise.
“Os trabalhadores cada vez estão
mais pobres e com mais dificuldades em viver: é o acesso ao trabalho, o desemprego, a pobreza que
aumenta, é termos trabalho mas
continuando pobres, é a necessidade de termos uma segurança social
sustentável”, disse o vice-coordenador nacional da LOC, José Rodrigues, apelando, ainda, a que haja
“mais alguma justiça social”.
A LOC vê a proposta de OE 2010
como um documento demasiado
economicista que não dá atenção às
pessoas.
“Quando não é previsível qualquer
aumento para a Função Pública,
isso é depois reflectido ao nível das
outras instituições e classes. O orçamento tem apenas o desejo economicista de equilibrar a economia,
mas, como diz o Papa Bento XVI, na
sua última Encíclica, a questão do
desenvolvimento não é só económica, mas de pessoas”, sublinhou José
Rodrigues.
A LOC está a promover, em Guimarães, um seminário internacional
intitulado “Pobre, apesar do Trabalho”.
Caminho das Dioceses
Alemanha
Bispo de Setúbal diz que a crise está
de volta ao distrito
Bispo Williamson
chamado a tribunal
O Bispo de Setúbal disse à Renascença que a crise voltou a atingir o distrito de Setúbal, ainda que não de maneira tão acentuada como nos anos
80.
D. Gilberto Canavarro dos Reis foi entrevistado por Ângela Roque para a
série “Caminho das Dioceses”, que a Renascença está a realizar no quadro da visita do Papa Bento XVI a Portugal.
O Bispo de Setúbal apela a que seja efita uma reflexão sobre as suas causas das dificuldades que atingem a sua Diocese.
Os pedidos de ajuda às instituições da
Igreja aumentaram,
no último ano, entre
20% e 30%, revela D.
Gilberto Reis, e muitos desses pedidos
vêm dos chamados
“novos pobres”.
Neste entrevista o
bispo falou também
sobre os bairros sociais da região, com
particular atenção para o Bairro da Belavista, para o qual pede soluções.
“É preciso o envolvimento de todos – do Governo, da autarquia, das instituições, das próprias pessoas que estão no bairro – para fazer um grande
projecto para que, daqui a um conjunto de anos, a situação das pessoas
se possa inverter”, disse.
Noutro plano, o Bispo de Setúbal diz que os portugueses se mostraram
mais solidários no último ano, mas, numa análise global, nota que “falta
coração ao Homem” para ajudar mais os que mais precisam: “Não temos
falta de bens no mundo. Temos bens de sobra. Temos falta de coração
para os distribuir melhor. Tenho encontrado gente com coração de ouro,
mas se esta solidariedade vai até ao fim, não sei. Oxalá que esta crise nos
ajude a ter a coragem de reflectirmos sobre nós mesmos e a nos abrirmos
mais aos outros”.
Versão vídeo da entrevista disponível em www.rr.pt.
O Bispo Williamson, da Sociedade
de São Pio X (SSPX), que, no ano
passado, afirmou numa entrevista
que apenas 300 mil judeus tinham
morrido no holocausto, está a braços com a justiça alemã.
Richard Williamson fez as polémicas
declarações numa entrevista concedida a uma televisão sueca, mas
que foi gravada na Alemanha, onde
a negação do holocausto é considerada crime. A apesar de não residir
na Alemanha nem de se encontrar
no páis na altura das declarações,
o Bispo recebeu uma multa sumária
no valor de 12 mil euros.
Williamson recorreu da decisão,
pelo que deve comparecer diante
de um tribunal para se justificar.
Caso não compareça, a multa passará a ter força de lei. Não sendo
residente, não pode ser obrigado a
pagar, mas arriscar-se-á a ser detido
caso volte a pisar solo alemão.
O caso Williamson surgiu dias antes
de Bento XVI lhe levantar, tal como
outros três prelados, a excomunhão
em que tinham incorrido quando
foram ordenados por Lefebvre, sem
autorização do Papa. O levantamento da excomunhão pretendia facilitar o diálogo entre a Igreja e a SSPX
e não reflectia qualquer aceitação
ou apoio das opiniões de Williamson, embora tenham sido estas que
concentraram a atenção mediática.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
14
Correntes d’Escrita homenageia Agustina
e recebe 66 escritores
São 66 os escritores que vão passar pela Póvoa de Varzim entre 24 e 27 de Fevereiro, na 11.ª edição das Correntes d’Escritas – Encontro de Escritores de Expressão
Ibérica.
O encontro regressa à sua dimensão habitual, depois de
a edição de 2009, na qual se assinalaram os dez anos do
evento, ter contado com 130 escritores.
“A nossa média sempre foi 50 a 60 escritores”, diz ao
Página1 o vereador da Cultura da Câmara da Póvoa de
Varzim, Luís Diamantino.
Agustina Bessa-Luís será a escritora em destaque. “Tem
uma relação com a Póvoa muito próxima. Passou a sua
infância e juventude na Póvoa e os seus livros referem
a Póvoa”, afirma.
Isabel Alçada, ministra da Educação e escritora, vai
estar presente na sessão de abertura das Correntes
d’Escritas, em que serão anunciados os vencedores dos
três prémios atribuídos no âmbito do encontro: o Pré-
mio Literário Casino da
Póvoa, Prémio Literário
Correntes d’Escritas/Papelaria Locus e Prémio
Conto Infantil Ilustrado
Correntes
d’Escritas/
Porto Editora.
Dos 66 escritores, 33
Agustina Bessa-Luís será homenageada
nunca passaram pelas
Correntes d’Escrita, número que, segundo o vereador, diz bem da aposta do
certame nos novos talentos. “É também um espaço de
lançamento de escritores”, sublinha.
O vereador destaca a relação de “proximidade” estabelecida entre os escritores, os leitores e a cidade
(cuja média dimensão facilita esta partilha). “Tornamse amigos da Póvoa e dos leitores”, refere. O auditório
municipal, com capacidade para 320 lugares, está quase sempre cheio.
DR
» Pedro Rios
O iPad chegou… mas não deslumbrou
Pedro Caeiro
A Apple apresentou ontem em São
Francisco, na Califórnia, o “brinquedo
mais esperado do ano”, mas as opiniões dividem-se. A maioria diz que “o
iPhone foi uma revolução maior”.
Era um dos segredos mais bem guardados dos últimos anos na área da tecnologia e criou as maiores expectativas desde o lançamento do iPhone, há
três anos. Steve Jobs, dono da Apple
definiu-o como “um produto mágico e
revolucionário”. “O que este objecto
faz é extraordinário. É a melhor experiência de navegação que já tiveram.
Muito melhor que um laptop e que um
smartphone”, afirmou.
Na prática, trata-se de um pequeno
computador, do tamanho de uma folha A4, que vai juntar Internet, vídeos,
jogos, e a consulta de livros e jornais.
Tudo sem teclado e num ecrã de 10 polegadas sensível ao toque.
O aparelho tem apenas 1,2 centímetros
de espessura,
pesa
pe
pouco
mais
m
de meio
quilo,
qu
suporta todas as
aplicações
ap
da
Apple
Ap
e terá
trê versões:
três
uma
um
de 16
Gb outra de
Gb,
32 e outra de
64
64.
Porquê tanta expectativa?
As expectativas eram elevadas. Primeiro, porque a chegada do iPhone,
há três anos, revolucionou um pouco o
mercado dos telemóveis (apesar de o
iPhone nem sequer ser líder de mercado, ditou tendências).
Em segundo lugar, apesar dos lucros
apresentados pela Apple na terça-feira,
a empresa norte-americana não podia
perder a corrida aos chamados e-books,
ou seja, os livros electrónicos, em que
basta carregar num pequeno computador o texto e ilustrações dos livros que
queremos ler. No fundo, quem tem um,
passa a ficar com a sua biblioteca condensada num mini-computador.
Por um lado, a indústria da imprensa
escrita está a caminhar para um espaço
desconhecido e fala-se cada vez mais
do fim dos jornais em papel. Por outro,
a resposta mais simples resume-se a
uma palavra: marketing.
Segundo os especialistas em novas tecnologias da informação, em 2010, só
nos Estados Unidos, deverá haver seis
milhões de pessoas a comprar estes
aparelhos.
O Kindle, da Amazon, já está no mercado e a Apple arriscava-se a perder essa
clientela potencial. Por isso, precisava
de manter o público interessado e conseguiu.
Já na opinião dos analistas, aquilo que
o iPhone representou em termos de
revolução, elevou de tal modo as expectativas que o iPad acaba por não
deslumbrar.
O problema, aqui, são as inevitáveis
comparações. Resta saber agora como
se vai sair nas vendas. Nos Estados Unidos o preço de lançamento da versão
mais básica é de 499 dólares, ou seja
pouco mais de 350 euros.
John G. Mabanglo/EPA
CULTURA
PÁG.
Póvoa de Varzim
Steve Jobs diz que o iPad é “mágico”
GRUPO RENASCENÇA, 2010
DESPORTO
PÁG.
15
Ponto Final
Pequenos grandes clubes
CAN 2010
Finalistas
conhecidos hoje
Ribeiro Cristóvão
Jornalista
Não raras vezes são pequenos os grandes clubes que se conhecem
por esse mundo fora.
Uma diferença marcada, amiúde, por actos e palavras que deixam
à vista a ambição sem medida de dirigentes de discutível qualidade.
Entre nós, vamos tendo, infelizmente, exemplos desses com alguma regularidade, e que se acentuam quando os calendários
avançam e começam a deixar antever dificuldades imprevistas e,
sobretudo, indesejáveis.
A necessidade de ganhar campeonatos, taças e afins, coloca com
frequência jogadores e técnicos fora de jogo para entrarem em
campo os dirigentes que, actuando muito para além das dezassete
leis do futebol, o transformam em qualquer coisa completamente
diferente.
Os últimos dias têm sido pródigos em episódios, nalguns casos grotescos. Cá e lá fora.
Entre nós, a guerra dos túneis e os aliciamentos para conseguir
resultados são os actos mais recentes de uma peça que se não
fosse capaz de atrair perigosas consequências, até seria capaz de
ajudar a umas quantas boas gargalhadas, tão necessárias nestes
tempos em que as apreensões quanto ao futuro nos atiram para a
mais profunda melancolia.
Pois bem. Aquilo que por cá são bem capazes de protagonizar os
tais clubes grandes, repete-se em muitos outros países nesta Europa ensandecida, onde o futebol é apenas uma parte dos que,
noutros domínios, fogem às boas práticas preferindo desprezar a
ética que deveria ser a sua principal bandeira.
Aqui ao lado, o assunto do momento tem a ver com dois jogos de
suspensão aplicados ao português Cristiano Ronaldo por conduta pouco recomendável num desafio recente em que até brilhou,
marcando dois golos. Em Barcelona aplaude-se, e há mesmo quem
não hesite em afirmar que de um fraco castigo se trata, antevendo
já que um recurso oportuno o vai reduzir para metade.
Mas, em Madrid, o clube de Ronaldo vai mais longe. E pegando
num vídeo que mostra uma jogada semelhante de Messi no decorrer de um jogo contra o Sevilha, acentua a comparação, pedindo
por isso outra justiça através da imprensa local. Para esta, a estrela portuguesa é apenas um jogador que dá tudo na entrega
que faz ao jogo. Os catalães respondem com a afirmação de que
Ronaldo joga com a provocação e o protesto permanentes, sem
deixarem de recordar as seis expulsões de que já foi alvo ao longo
destes últimos anos.
Por detrás de tudo isto estão Barcelona, Real Madrid e os dirigentes de ambos.
É por acontecimentos como este que tantas vezes são bem pequenos os chamados grandes clubes.
Ouça a crónica de Ribeiro Cristóvão às 22h30, em Bola Branca
Adeptos argelinos chegaram hoje, em massa, de
avião, a Angola
As selecções do Egipto e do Gana são
favoritas nas respectivas partidas das
meias-finais da Taça Africana das Nações (CAN) que se disputam hoje nas
cidades de Luanda ede Benguela.
Na capital, os ganenses defrontam,
às 16h00, a Nigéria, enquanto que os
egípcios vão jogar com a Argélia.
A Nigéria, duas vezes campeã de
África, para chegar às meias-finais,
eliminou a Zâmbia na única partida
até ao momento decidida nas grandes penalidades (5-4). Esse facto e o
de ter jogado 24 horas depois do seu
adversário, poderá significar maior
desgaste e menor tempo de recuperação. Por sua vez, o Gana foi a
única formação que não teve de ir a
prolongamento para se qualificar.
No jogo de Benguela, a Argélia, com
apenas um título, teve menos desgaste diante da Costa do Marfim do
que o Egipto frente aos Camarões,
embora ambos os encontros tenham
ido a prolongamento.
O Egipto, detentor do troféu, quarto
do raking africano, é, curiosamente,
o único semi-finalista que não conseguiu apurar-se para o Campeonato
do Mundo da África do Sul.
Futsal/Europeu
Portugal à procura
de um lugar na final
Portugal defronta esta tarde, às
17h30, o Azerbaijão em jogo das
meias-finais do Campeonato da Europa de futsal, que está a decorrer
na Hungria.
Depois de, na fase de qualificação,
a selecção nacional ter empatado,
3-3, com a selecção azeri, Portugal
quer vencer hoje para garantir um
lugar na final.
O outro finalista será escolhido na
outra meia-final, marcada para as
20h00, entre a Espanha e a República Checa.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
DESPORTO
Fórmula 1
Os Ferrari estão menos vermelhos
PÁG.
Ferrari/EPA
16
A Ferrari tornou-se hoje na primeira equipa de Fórmula
1 a apresentar o carro para a temporada 2010 do Campeonato do Mundo.
O F10 foi apresentado numa cerimónia em Maranello,
transmitida em directo pela Internet, no site da escuderia. No monolugar destacam-se as longas faixas brancas na frente e na traseira do carro. Uma consequência
da mudança de patrocinador.
A Ferrari quer, na nova época, que arranca a 14 de
Março, no Bahrein, apagar as más memórias deixadas
na última temporada. No ano passado, a Ferrari ganhou
apenas uma corrida e ficou no quarto lugar no Mundial
de Construtores.
O primeiro a pilotar o carro de 2010 vai ser, este final
de tarde, o brasileiro Felipe Massa. O piloto vai fazer
uma volta simbólica com o novo modelo no circuito de
Fiorano, em Itália.
“O campeonato vai ser muito importante para nós. O
último, por diferentes razões, não foi positivo, e é por
isso que estamos a olhar para este com a intenção de
sermos competitivos”, explicou, na cerimónia, o director desportivo da Ferrari, Stefano Domenicali.
Na marca italiana, Felipe Massa, recuperado do acidente do ano passado, vai ter como companheiro de
equipa o espanhol Fernando Alonso.
Sobre os dois Domenicalli disse: “Fernando é um bicampeão e já aparece entre os grandes campeões na
Fórmula 1. É o momento certo para ele, para nós. Teremos, também, uma nova versão do Felipe. Após um
campeonato tão dramático como o do ano passado,
com o acidente na Hungria numa temporada tão fantástica, Felipe tem todos os recursos para provar que ele é
muito bom. Ele pode provar que quer recomeçar o seu
caminho e que foi o destino que o interrompeu”.
A marca italiana revelou ainda que terá três pilotos de
teste: Giancarlo Fisichella, Luca Badoer e Marc Gené.
Open da Austrália
Serena Williams e Justine Henin vão disputar o título
do primeiro Grand Slam do ano, na Austrália. As duas
tenistas entraram neste torneio com a mesma ambição, mas com um percurso recente bem diferente. A
grande sensação, como não podia deixar de ser, é a
belga, antiga líder do ranking WTA, que abandonou a
competição há um ano e meio, quando era número um.
Num regresso por muitos classificado como sendo de
sonho, Justine Henin foi ultrapassando, com maior ou
menor dificuldade, as adversárias que lhe apareceram
pelo caminho. No último passo rumo à final, a belga
afastou a chinesa Jie Zheng, com os parciais de 6-1 e
6-0.
Mais difícil foi a tarefa de Serena Williams. A actual
líder do ténis feminino foi obrigada, pela chinesa Na Li,
a dois tie-breaks. Em ambos os casos a americana foi
Paul Crock/EPA
Serena defronta Henin na final
mais forte, vencendo a partida por duplo 7-6.
As duas tenistas têm, agora, encontro marcado para
sábado, no Rod Laver, court principal do complexo de
ténis de Melbourne.
GRUPO RENASCENÇA, 2010
ONTEM
E HOJE
PÁG.
17
A 28 de Janeiro de 1986...
Vaivém Challenger explode no ar
» André Rodrigues
73 segundos. Foi o voo mais curto da história da exploração espacial. Sete astronautas perderam a vida.
Com a explosão do vaivém Challenger, o Programa Espacial Norte Americano sentiu, pela primeira vez, o
amargo da tragédia.
A nave situava-se a cerca de 14 mil metros de altitude, quando começaram a sair chamas de um dos foguetes, que se soltou, chocando com um dos tanques
de combustível. O aparelho deflagrou numa bola de
fogo, em forma de Y. O episódio ficou conhecido como
“The Big Y”.
“A minha primeira reacção foi de descrença”, recorda Larry Young, investigador em ciências espaciais, do
Massachussets Institute of Technology (MIT). “Achei
que era uma brincadeira de mau gosto. Não podia ser
verdade. Quando me recompus do choque, havia uma
série de questões que se levantavam: como é que o
nosso programa espacial vai recuperar de tudo isto?
Teremos a força de vontade e de
compromisso para ultrapassar
isto?”.
A verdade é que a explosão do
Challenger trouxe à evidência
uma série de erros que a NASA
nunca devia ter cometido. Young
reconhece que “do ponto de vista das políticas de segurança, o
Programa Espacial Norte Americano sempre pecou por uma
certa sensação de invencibilidade, de que nada corria
mal”.
Foi, aliás, essa atitude negligente que acabou por provocar o segundo momento mais trágico da história da
exploração espacial: a 1 de Fevereiro de 2003, a desintegração do Columbia, à entrada da atmosfera terrestre,
provou que, em pouco menos de 20 anos, pouco ou nada
tinha mudado na política de segurança da NASA. O
desfecho foi idêntico: sete astronautas mortos.
“Infelizmente, houve problemas de gestão comuns a
ambos os acidentes. A comissão que investigou o acidente do Columbia produziu um relatório exaustivo
que concluiu que uma das principais dificuldades é a
falta de abertura dos técnicos da NASA aos conselhos
de técnicos externos à agência”.
Agora que se projecta a ida do Homem a Marte, a
segurança em meio espacial volta à ordem do dia.
Larry Young sugere que uma missão desta envergadura “obriga a que a comunidade
científica esteja disponível para
assumir o risco de que algo pode
falhar”. Para este especialista do
MIT, a conquista do Planeta Vermelho poderá acontecer “dentro
de 15 anos, mas é necessário que
as nações envolvidas disponibilizem os (muitos) meios financeiros necessários para que a missão
seja bem sucedida”.
Olhar
Pelo menos nove
pessoas morreram
hoje, na queda de
um avião militar na
cidade de Cotabato,
a 960 quilómetros
de Manila, Filipinas.
O avião despenhouse sobre três casas
na capital. Uma das
vítimas é um general da Força Aérea
das Filipinas. Outra
é um morador de
uma das casas.
Foto: Sybhel Cordero/EPA
GRUPO RENASCENÇA, 2010
ÚLTIMAS
PÁG.
18
Música
OE 2010
Protecção de Dados
“We are the world”
vai ser regravado a
favor do Haiti
CIP suspeita dos
cálculos do défice
Comissão fez
balanço de 2009
A Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) levantou hoje suspeitas
sobre um eventual empolamento do
défice para que o Governo “apresente serviço” em 2010.
Em conferência de imprensa, a CIP
manifestou a ideia de que as linhas
orientadoras do Orçamento de Estado (OE) para 2010 não permitem
conter a despesa e questionou mesmo o valor do défice. “Há aqui alguma interrogação se este défice de
2009 não estará a ser aumentado,
de forma a apresentar serviço e
se diga que de 2009 para 2010 há
uma redução em cerca de um ponto
percentual do PIB”, afirmou o vicepresidente Mira Amaral.
Já António Saraiva, presidente da
CIP, disse que o OE “sabe a pouco”,
uma vez que esperava “mais rigor e
mais contenção da despesa pública,
porque nos encontramos hoje numa
encruzilhada de dificuldades: a dívida pública e a externa”.
A Comissão Nacional de Protecção
de Dados aplicou, no último ano,
coimas no valor de meio milhão de
euros a cerca de 250 empresas.
Em 2009, foram ainda abertos mais
de 700 processos de contra-ordenação. Muitas das situações visavam
os sistemas de videovigilância e o
sector financeiro.
Os números foram divulgados no
âmbito do Dia Europeu da Protecção de Dados, que hoje se assinala.
Vinte e cinco anos após a primeira
versão para angariar fundos para a
luta contra a fome em África, “We
are the world” vai ter uma nova
versão, em benefício das vítimas do
sismo no Haiti.
O músico e produtor Quincy Jones,
de 76 anos, confirmou que a nova
versão vai ser gravada na próxima
segunda-feira, em Los Angeles, mas
não avançou nomes de participantes. Contudo, a imprensa norteamericana fala em Usher, Justin
Timberlake, Natalie Cole, John Legend, Fergie, Rihanna ou Wyclef.
A música original, escrita por Michael Jackson e Lionel Richie em 1985,
contou com a participação de músicos como Bruce Springsteen, Cyndi
Lauper, Stevie Wonder, Billy Joel e
Tina Turner, entre muitos outros.
A fechar...
TEMPO
Deputado do PS quer alterar
regras de reforma
O deputado Vítor Baptista (PS) vai avançar uma proposta de
alteração ao OE para evitar que quem tem mais de 40 anos
de serviço e mais de 55 anos se reforme com penalizações.
Loures: aprovada Polícia Municipal
O Conselho de Ministros aprovou hoje a criação da Polícia Municipal de Loures, a 35.ª força do génereo a ser
constituída em Portugal.
AEP: prémios por atribuir
SEXTA
SÁBADO
14ºC/5ºC
14ºC/5ºC
12ºC/2ºC
12ºC/3ºC
16ºC/5ºC
15ºC/7ºC
11ºC/2ºC
11ºC/4ºC
21ºC/15ºC
20ºC/14ºC
16ºC/12ºC
15ºC/13ºC
LISBOA
PORTO
FARO
COIMBRA
Os prémios revelação de poesia e ensaio literário da Associação Portuguesa de Escritores ficam, este ano, por
atribuir, por decisão unânime, do juri.
MADEIRA
Open da Austrália: Murray na final
O britânico Andy Murray é o primeiro finalista masculino
do Open da Austrália, depois de ter vencido, na meia-final,
por 3-1, o croata Marin Cilic. Murray vai defrontar o vencedor do jogo entre Roger Federer e Jo-Wilfried Tsonga.
AÇORES
Página1 é um jornal registado na ERC, sob o nº 125177. É propriedade/editor Rádio Renascença Lda, com o nº de pessoa colectiva nº 500725373. O Conselho de
Gerência é constituído por João Aguiar Campos, José Luís Ramos Pinheiro, Luís Manuel David Soromenho de Alvito e Luiz Gonzaga Torgal Mendes Ferreira. O capital
da empresa é detido pelo Patriarcado de Lisboa e Conferência Episcopal Portuguesa. Rádio Renascença. Rua Ivens, 14 - 1249-108 Lisboa.
Download

Luís Amado diz que tudo falhou no Afeganistão Pág.10