274 Revista Eletrônica da Facimed, v2,n.2, p.274 - 285, jul/dez 2010 ISSN 1982-5285 - ARTIGO REVISÃO CRIANÇAS OBESAS PRÉ-PÚBERES E SEU INTERESSE EM AULAS DE EDUCAÇÃO FÍSICA. Helizandra Simoneti Bianchini Romanholo ¹ Rafael Ayres Romanholo 2 RESUMO O objetivo do artigo é mostrar os estudos relacionando a obesidade como influenciador do nível de interesse e atenção de crianças pré-púberes em participar das aulas de educação física. O atual estudo tem características bibliográficas, onde se buscaram fontes literárias, artigos científicos retroativos dos últimos 20 anos, mostrando a importância da saúde física no desenvolvimento psicomotor das crianças. A obesidade infantil é um problema de saúde pública, nos últimos 20 anos a obesidade infantil triplicou. Hoje quase 15% das crianças brasileiras têm excesso de peso e 5% são obesas. Outro fator que deve ser levado em conta é a transição nutricional ocorrida nos últimos anos, pode-se dizer que houve uma convergente para uma dieta rica em gorduras de origem animal, açucares refinado e alimentos industrializados e com poucos carboidratos complexos e fibras alimentares. Pode ser citado como outro fator predominante do desencadeamento da obesidade infantil a falta de atividade física. Conclui-se que as pesquisas realizadas na área escolar indicam que os fatores que interferem na motivação da criança e adolescente para o aprendizado são os motivos internos e externos, como: brincadeiras, desenvolvimento de habilidades, excitação e desafio pessoal, realização e status, liberação de energia ou tensão e amizade, e a criança obesa tem a tendência em se isolar, com isso perde sua interação e diminui o aprendizado. Palavras chave: obesidade, psicomotor, escolar. PRE-PUBESCENT OBESE CHILDREN AND ITS INTEREST IN PHYSICAL EDUCATION CLASSES ABSTRACT The objective of the article is to show the studies making a list of the obesity like to influence of the level of performance psychomotor in children pubescent-daily pay apprentices of the classrooms of physical education. The current study has bibliographical characteristics, where there for were looked literary fountains, scientific retroactive articles of the last 20 years, showing the importance of the physical health in the development psychomotor of the children. The childlike obesity is a problem of public health, in the last 20 years the childlike obesity trebled. Today almost 15 % of the Brazilian children has excess weight and 5 % is obese. Another factor that must be taken into account is the transition nutritional taken place in the last years, it is possible to be said that there was the convergent one for a rich diet in fats of animal origin, sweeten refined and industrialized foods and with few complex carbohydrates and food fibers. The lack of physical activity can be quoted like another ___________________________________________________________________________ 1 Professora Esp. Do Curso de Enfermagem-FACIMED 2Professor Ms. do Curso de Educação Física e Coordenador de Pós-Graduação - FACIMED 275 predominant factor of the trigger of the childlike obesity. It is ended that the inquiries carried tension and friendship, and the obese child has the tendency in be isolating, with that lose his interaction and it reduces the apprenticeship. Key words: obesity, psychomotor, schoolboy 1 INTRODUÇÃO Inúmeros estudos vêm demonstrando um grande problema em relação do excesso de peso corporal e a dificuldade de aprendizagem em sala de aula, e no aspecto motor de escolares (GOLVEIA, 2001), (CARNAVAL, 2000), (BJORNTORP apud KOGA, 2005), (MATSUDO, 2006), (BOUCHARD, 2003). A obesidade infantil é um problema de saúde pública, segundo Carnaval (2000), nos últimos 20 anos a obesidade infantil triplicou. Hoje quase 15% das crianças brasileiras têm excesso de peso e 5% são obesas. Dados da Organização Mundial de Saúde – OMS (2000) mostra que os estados com maior desenvolvimento como sul e sudeste ainda atingem um maior índice de crianças obesas, porém esse número diminuiu se comparados aos estados ditos menos desenvolvidos das regiões norte e nordeste. A obesidade é definida segundo a Organização Mundial de Saúde (2000), como "Doença na qual o excesso de gordura corporal se acumulou a tal ponto que a saúde pode ser afetada", isso demonstra a preocupação desta entidade com as possíveis conseqüências do acúmulo de tecido adiposo no organismo. Segundo Nahas (1999), Romanholo (2008), Prati et al. (2001) em relação à obesidade o fator psicológico é uma variável importante no desenvolvimento da mesma (obesidade). Mecanismos psíquicos de fixação oral, regressão oral e supervalorização dos alimentos são de grande impacto na forma como as pessoas desenvolvem hábitos alimentares. É comum, por exemplo, que uma história passada de depreciação da imagem corporal e insuficiente condicionamento primitivo do controle do apetite leve aos transtornos alimentares, tais como a bulimia, a anorexia e também a obesidade. Em São Paulo foi realizado um estudo com 8.020 adolescentes e revelou que 81% dos alunos de escolas particulares e 65% de escolas públicas são sedentários. De acordo com os dados da pesquisa, a maioria dos alunos das escolas públicas e particulares são sedentários e realizam menos de 10 minutos de atividade física diária, lembrando que o indicado pelos profissionais de saúde é de pelo menos 30 minutos diários. Essa questão é ainda mais seria quando se verificam os altos índices de excesso de peso (TANI, 2008). 276 A combinação entre a má alimentação e a pouca atividade física é uma das principais causas da obesidade, que expõe crianças e adolescentes a problemas de saúde que vão desde conflitos emocionais até alterações cardiovasculares (ROMANHOLO, 2008). Com isso é válido dizer também, que o risco da saúde relacionado à gordura, inclui além da quantidade também a distribuição da mesma e sua concentração, principalmente em sua região abdominal (gordura intra-abdominal ou visceral). Segundo Bjorntorp apud Koga (2005), a gordura visceral predispõe uma tendência a doenças cardiovasculares e metabólicas do que a quantidade total de gordura. Fisiologicamente, a obesidade infantil se desenvolve por hiperplasia, ou seja, aumento no número de células gordurosas até sua saída da puberdade, com isso a um aumento na enzima “ob” enzima responsável pela saciedade, agindo no sistema nervoso central. Quanto maior o número de células adipócitas no organismo maior será o número dessa enzima, e se a criança não degrada essas células (com o exercício físico), começam a criar enzimas “preguiçosas”, fazendo com que essas dificultem o deslocamento das enzimas ativas. Isso faz com que demore mais sua saciedade nas refeições. (MATSUDO, 2006). Com o aumento da obesidade, a criança começa a perder espaço social, ou seja, ela foge dos padrões de beleza de nossa sociedade, fazendo com que ocorra um isolamento intrapessoal, externando para um isolamento interpessoal. Com isso as aulas de educação física são aulas onde o esporte é o conteúdo principal e não a inclusão social dessas crianças com atividades recreacionais, acarretando em uma perda de interesse pela pratica de movimentos, já que no esporte apenas praticam quem tem uma habilidade motora desenvolvida. E o obeso apresenta limitações funcionais de movimento, debilitando assim sua prática esportiva e sua melhora na habilidade motora.(ROMANHOLO,2008) Com isso o objetivo da pesquisa é mostrar os estudos relacionando a obesidade como influenciador do nível de interesse de crianças pré-púberes em participar das aulas de educação física. 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 OBESIDADE INFANTIL: A obesidade infantil vem crescendo de forma desordenada no mundo, com isso é inevitável falar neste assunto. Para Romanholo (2008), a obesidade tem aumentado de forma alarmante em países desenvolvidos e em desenvolvimento, sendo que a obesidade constitui o principal problema de má nutrição a qual está notoriamente aumentada na população infantil. 277 Na década de 90, um em cada cinco adolescentes americanos tinha peso excessivo 1988-1991 mostram aumento de 40% na prevalência para esta faixa etária. Estudos recentes trouxeram informações sobre obesidade em adolescentes que variam de 8% a 20% em diferentes locais geográficos. Dados sobre prevalência de sobrepeso e obesidade na adolescência são escassos. Os poucos estudos relevam uma crescente no aumento da obesidade no Brasil, tanto em crianças, adolescentes e adultos (LAMONIER, 2000). Atualmente, a oferta de alimentos tornou-se praticamente constante em qualquer época do ano. Com isso as empresas usam de marketing bem elaborado, usam visuais muito atraentes e ricos em gorduras e energias. Outro fator que deve ser levado em conta é a transição nutricional ocorrida nos últimos anos segundo Barbanti (2004), pode-se dizer que houve uma convergente para uma dieta rica em gorduras de origem animal, açucares refinados e alimentos industrializados e com poucos carboidratos complexos e fibras alimentares. Pode ser citado como outro fator predominante do desencadeamento da obesidade infantil a falta de atividade física. Segundo Bouchard (2003), houve um declínio progressivo da atividade física dos indivíduos principalmente das crianças, pois, com a evolução da ciência há cada vez mais aparelhos que poupam energia e ainda na forma de diversão. Como por exemplos videogames, computadores entre outros, como controles remotos, vidros elétricos dos carros. A inatividade tem sido sem dúvida uma das grandes causas do aumento do peso corporal devido ao desequilíbrio no balanço energético, isto devido à ingestão ser maior do que o gasto calórico, levando como conseqüência ao estado de obesidade (ROBERTS et al.,1988 apud CYRINO & JUNIOR, 1996). Obesidade é o excesso de gordura corporal no peso corporal total do indivíduo. Ela é determinada pela porcentagem de tecido adiposo que o indivíduo possui (BOUCHARD, 2003). Existem evidências de que a obesidade infantil tem tomando proporções epidêmicas, e sua prevalência vem aumentando. Em todo o mundo aproximadamente 22 milhões de crianças maiores de 5 anos demonstram sobrepeso. Esse dado é alarmante, principalmente porque se estima que 80% das crianças obesas tornam-se adultos obesos (ASSIS et al., 2005). O início da escolarização formal constitui uma mudança importante no desenvolvimento físico da criança. A escola significa o começo do período em que esta deverá aprender todas as competências e papéis específicos que são parte de sua cultura (GUILLARME, 1983). Parece bastante claro que as crianças são naturalmente ativas e fazem muitos exercícios físicos dentro de suas rotinas diárias, porém viver na cidade, morar em apartamento 278 e desfrutar da TV são fatores que têm criado estilos de vida sedentários para muitas dessas crianças. (BARBANTI,2004) 2.2 EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR O pressuposto básico adotado é o de que o trabalho adequado com o movimento incide sobre os aspectos essenciais do desenvolvimento infantil, bem como engloba a aprendizagem de um conjunto de códigos e produções sociais e científicas da humanidade, que caracterizam a cultura de movimento, sendo fundamental para a interação com os outros e com o meio ambiente (FERRAZ, 2000). Propõe-se, portanto, as seguintes metas educacionais: a) Competência: auxiliar o aprendiz a utilizar suas próprias habilidades, conhecimentos e potencial em uma interação positiva com desafios, dúvidas e pessoas relacionadas às situações de movimento; b) Individualidade: auxiliar o aprendiz a tomar decisões, desenvolver preferências, arriscar-se ao fracasso, estabelecendo uma dinâmica independente para resolver problemas em atividades de movimento, aceitando auxílio sem o sacrifício da independência; c) Socialização: auxiliar o aprendiz a desenvolver sua capacidade de engajar-se nas relações de mutualidade com outras pessoas em situações de movimento, dentro de valores democráticos (FERRAZ, 2004). Considera-se que todas as crianças, independente de sexo, raça, potencial físico ou mental têm direito a oportunidades que maximizem seu desenvolvimento. Uma vez que o movimento tem um papel importante nesse processo, o currículo de educação física na educação infantil implica na estruturação de um ambiente de aprendizagem que auxilie as crianças a incorporar a dinâmica da solução de problemas, bem como a motivação para a descoberta das manifestações da cultura de movimento. Os objetivos específicos são estruturados para os três anos de educação infantil, diferenciando-se o nível de profundidade por meio de diferentes conteúdos. Por exemplo, no primeiro ano as partes do corpo referem-se à identificação dos segmentos e seus movimentos (braço, perna, joelho, cotovelo, etc.), enquanto no segundo e no terceiro ano são contempladas as partes internas, tais como: coração, pulmões e suas funções durante a atividade física. Os objetivos do programa são: 1) Conhecer o corpo globalmente, identificando suas partes, dimensões e seus movimentos; desenvolvendo uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo; 2) Executar e identificar as diferentes possibilidades de utilização de movimentos, considerando-se as dimensões de espaço, tempo, esforço e relacionamentos; 279 3) Conhecer, respeitar e confiar nas próprias competências motoras e habilidades básicas de locomoção, manipulação e estabilização, considerando que seu aperfeiçoamento decorre de perseverança e regularidade; 4) Demonstrar reconhecimento do ritmo proposto a partir da experimentação e interpretação com movimentos de cantigas e músicas variadas; 5) Participar das atividades de movimento propostas, percebendo e respeitando as normas combinadas e estabelecidas; 6) Conhecer, usufruir e apreciar as atividades motoras relacionadas ao tempo livre, tais como jogos e atividades rítmicas. 2.3 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM DRIANÇAS PRÉ-PÚBERES Há três grandes momentos a serem analisados numa exploração das ciências cognitivas: o cognitivismo, o conexionismo e a enação. A intuição central do cognitivismo, segundo os autores, é que a inteligência se assemelha de tal forma à computação em suas características essenciais, que a cognição pode ser definida por computações sobre representações simbólicas. Baseado na afirmação de que o comportamento inteligente pressupõe a capacidade de representar o mundo de certa maneira, o ponto de vista cognitivista deduz que só será possível explicar o comportamento cognitivo se for possível supor um agente se representando traços pertinentes das situações em que se encontra. "Na medida em que sua representação de uma situação seja precisa o comportamento do agente será bem sucedido (VARELA et al.1993). No conexionismo, avaliam os autores, considera-se que os cérebros operam de maneira distribuída com base em interconexões massivas, de forma que as conexões efetivas entre conjuntos de neurônios se modifiquem em função do desenrolar da experiência. Enquanto o tratamento da informação simbólica, no modelo cognitivista, repousava em regras seqüenciais, localizadas, no conexionismo os conjuntos apresentam capacidades autoorganizadoras, distribuídas, o que garante uma equipotencialidade e imunidade relativas, face a possíveis mutilações do sistema. No conexionismo não há necessidade da intervenção de uma unidade central de tratamento visando a guiar o conjunto da operação. O sistema opera com a noção complexa de propriedades emergentes. A passagem de regras locais a uma coerência global está no coração do que se costumava chamar auto-organização, nos anos cibernéticos. Hoje, prefere-se falar de propriedades emergentes ou globais, de dinâmica de redes, de redes não lineares, de sistemas complexos, ou mesmo de sinergética.(GO TANI,2008) 280 A pressuposição tácita do cognitivismo e do conexionismo, segundo Varela, é a de um realismo cognitivo: o mundo pode ser dividido em regiões de elementos e tarefas discretos. A cognição, nesta abordagem, consistirá numa resolução de problemas que deve, para ser atingida, respeitar os elementos, as propriedades e relações próprias a estas regiões já dadas. Em ambos os modelos permanece o projeto de incorporar o conhecimento do mundo anteriormente existente na forma de uma representação (com a re-apresentação deste mundo). Varela et al (1993) pretendem inverter este projeto e tratar o saber dependente do contexto não como um artefato residual que poderá ser eliminado progressivamente pela descoberta de regras cada vez mais elaboradas, mas como a essência mesma da cognição criativa. Tomando o exemplo da percepção da cor, os autores argumentam que as cores não estão lá fora, independentes de nossas capacidades perceptivas e cognitivas, nem "aqui dentro", independentes de nosso meio biológico e nosso mundo cultural. A cognição dependerá dos tipos de experiência que decorrem do fato de se ter um corpo dotado de diversas capacidades sensório-motoras que se inscrevem num contexto biológico, psicológico e cultural mais amplo. 2.4 DESENVOLVIMENTO MOTOR NAS CRIANÇAS PRÉ-PRUBERES O ser humano sempre teve a preocupação de acompanhar e compreender o seu desenvolvimento, suas características físicas e suas variações tanto internas quanto externas, pois, sua acentuada curiosidade despertou esse desejo de conhecer, compreender e explicar tudo a sua volta. Hipócrates (460 - 377 a.c.) já mencionava a teoria da influência do meio ambiente sobre as características físicas do homem, esse conhecimento era relevante não somente para a seleção de guerreiros, mas também por considerações estéticas. Pois o homem percebeu que a sua capacidade para realizar trabalho ou atividade física estava relacionada com a proporção entre diferentes tecidos (GALLAHUE, 2001). Assim, compreender suas características físicas, bem como o movimento humano foi importante para nossa civilização tanto no sentido do desenvolvimento da arte, do esporte ou mesmo para fins bélicos, pois notamos o quanto o movimento humano se faz presente na nossa vida, partindo desde a aquisição de novas habilidades até a perda de algumas delas na senilidade. (GALLAHUE,2001) Contudo a infância e a adolescência representam períodos ótimos para estimular hábitos e comportamentos de um estilo de vida mais saudável, os quais quando são adquiridos 281 nessa faixa etária, possibilitam uma maior probabilidade de serem transferidos para a idade adulta (GO TANI, 2008). Os efeitos desencadeados pela ação do crescimento, desenvolvimento e maturação podem ser tão significativos ou até maiores do que as adaptações decorrentes de um programa de atividade física. Portanto é imprescindível ter-se conhecimento sobre as alterações e adaptações que o organismo da criança e do adolescente sofre durante o período de crescimento, bem como, de que maneira estas alterações influenciam na capacidade física e na resposta ao exercício. É necessário ao profissional de educação física ter conhecimento sobre crescimento, desenvolvimento, maturação, idade cronológica e idade biológica, conceitos esses relevantes para compreendermos o verdadeiro papel da atividade física na criança. (BETTI,1997) Ao ouvir a famosa frase de que o esporte faz crescer, devemos considerar que o crescimento físico é caracterizado pelo somatório de fenômenos celulares, biológicos, bioquímicos e morfológicos, sendo predeterminado geneticamente e apenas influenciado pelo meio ambiente. (ASSIS,2005) O ambiente contribui com os seguintes fatores: os efeitos da nutrição, as diferenças étnicas, os efeitos sazonais e climáticos, os efeitos de doença, a pressão psicossocial, a urbanização, o tamanho da família, a posição socioeconômica e a tendência secular (alterações de variáveis de crescimento e diferenciação somática ao longo do tempo). A atividade física nesse contexto atua como um fator coadjuvante, onde o exercício físico moderado pode estimular o crescimento, muito provavelmente por induzir aumentos significativos no hormônio do crescimento na circulação, tanto de crianças, como de adolescentes e adultos. (ASSIS,2005) 2.5 CRIANÇAS OBESAS E SEU NÍVEL DE INTERESSE EM AULAS DE EDUAÇÃO FÍSICA A educação física é um conteúdo pedagógico que compõe o currículo educacional e participa da formação do aluno. Nesse estudo, optou-se por focalizar a questão motivacional nas aulas de educação física. (NAHAS,1999) Partiu-se do pressuposto de que as habilidades esportivas, o esporte a ser praticado, o professor de educação física, as características físicas são determinantes na motivação dos alunos. Ressaltaram-se, ainda, as influências da personalidade de cada indivíduo, suas experiências individuais e o ambiente social da escola, isto é, os aspectos bio-psico-social do 282 aluno. Tais fatores podem influenciar a motivação para as aulas de educação física de maneira positiva ou negativa (NAHAS, 1999). A motivação dos adolescentes nas aulas de educação física constitui um importante tema de pesquisa, pois pode trazer contribuições para melhorar as variáveis que participam desse processo educativo, fazendo com que o aluno se interesse e perceba a sua importância para a saúde, para os aspectos social, psicológico e físico. Para que isso ocorra é necessário também que os próprios professores conheçam os estudos sobre a motivação e que reflitam sobre a sua postura na maneira de conduzir as aulas, o conteúdo do programa e, principalmente, a introdução de novos esportes. Os teóricos apresentam diferentes percepções sobre a motivação. Machado e Gouvêa (1997), por exemplo, conceituam o motivo como um fator interno, não observável e que direciona o comportamento. Além disso, o motivo pode ser dividido em dois aspectos: o impulso, processo interno que faz com que o indivíduo tenha a ação do comportamento e a motivação que termina ou diminui, quando o objetivo é alcançado. Os mesmos autores relatam que as aspirações dos alunos determinam a motivação para um determinado esporte, ou seja, ele pode se motivar mais por basquete do que por handebol. Da mesma forma que as necessidades biológicas são inerentes ao indivíduo, a motivação intrínseca também. Segundo Forties e Cols (1995) apud Gouvêa (1997), ela é caracterizada como um exercício para si mesmo, realizado apenas pela satisfação de praticar e executar, sem nenhum outro interesse. É inerente ao objeto e à matéria a ser aprendida, não dependendo de elementos externos. Por outro lado, os motivos sociais são secundários e da ordem da aprendizagem, pois os motivos biológicos os antecedem por estarem ligados à sobrevivência do indivíduo (SAWREY & TELFORD, 1973). Os motivos sociais constituem-se de: motivo gregário, motivo de prestígio e motivo de aceitação. O motivo gregário está relacionado ao afeto e refere-se à relação aluno professor, considerado como um dos fatores mais importantes para motivar (RODRIGUES e ROCHA, 2000). Infelizmente, percebe-se que é um motivo pouco utilizado. Já o motivo de prestígio e o motivo de aceitação são usados com mais freqüência pelos professores. O aluno tende a perpetuar o comportamento positivo quando recebe elogio por parte dos colegas, pais, professores e outros indivíduos e a diminuir ou extinguir os comportamentos negativos. Além disso, o aluno tende a repetir o comportamento em que ele se sai bem, isto é, se tiver mais sucesso na prova de vôlei do que na de basquete, a tendência é de motivar- se mais pelo vôlei e, conseqüentemente, praticá-lo mais. De acordo com Betti, (1997) e Leite, (2000) dependendo da maneira como são ministradas as aulas, o esporte terá ou não um valor educativo, atuando como um reflexo das 283 pessoas que o praticam. Ainda assim, o autor relata que se pode conciliar a difusão de jogos de origem folclórica ou mesmo criados por alunos durante o período de aula tanto com esportes considerados “formais”, como com outros conteúdos que contribuam para a formação integral dos alunos. Para Samulski, (1995) e Canfield e Jaeguer, (1994) a motivação é caracterizada como um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta, o qual depende de fatores pessoais (intrínsecos) e ambientais (extrínsecos). Assim, a motivação possui uma determinante energética (nível de ativação) e uma de direção de comportamento (intenções, interesses, motivos e metas). Entretanto, as pesquisas realizadas na área escolar indicam que os fatores que interferem na motivação do atleta adolescente para o esporte são os motivos internos e externos, como: brincadeiras, desenvolvimento de habilidades, excitação e desafio pessoal, realização e status; liberação de energia ou tensão e amizade. Os meninos valorizam mais a realização e o status e as meninas, as brincadeiras e as amizades. Na opinião de Machado (1997), muitos são os motivos responsáveis pelo bom desenvolvimento e desempenho na aquisição e manutenção de habilidades em aulas de educação física na escola. Existem outras atividades que não precisam necessariamente envolver movimento muscular, como, por exemplo, ouvir uma aula teórica. As atividades que requerem maior participação, ou seja, com mais movimentos, concentram maior número de motivos para aumentar o interesse e o estímulo do participante, além de despertar um sentimento de desafio. 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Conclui-se que as pesquisas realizadas na área escolar indicam que os fatores que interferem na motivação e no aprendizado da criança e adolescente são os motivos internos e externos, como: brincadeiras, desenvolvimento de habilidades, excitação e desafio pessoal, realização e status; liberação de energia ou tensão e amizade, e a criança obesa tem a tendência em se isolar com isso perde sua interação e diminui o aprendizado. E que o professor é responsável direto na inclusão e estimulação constante destes alunos nas aulas de educação física escolar. 284 4 REFERENCIAL ASSIS, A.M.O.; GOMES, G.S.S.G.; PRADO, M.S.; BARRETO, M.L. 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