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Revista Eletrônica da Facimed, v2,n.2, p.274 - 285, jul/dez 2010
ISSN 1982-5285 - ARTIGO REVISÃO
CRIANÇAS OBESAS PRÉ-PÚBERES E SEU INTERESSE EM AULAS DE
EDUCAÇÃO FÍSICA.
Helizandra Simoneti Bianchini Romanholo ¹
Rafael Ayres Romanholo 2
RESUMO
O objetivo do artigo é mostrar os estudos relacionando a obesidade como influenciador do
nível de interesse e atenção de crianças pré-púberes em participar das aulas de educação
física. O atual estudo tem características bibliográficas, onde se buscaram fontes literárias,
artigos científicos retroativos dos últimos 20 anos, mostrando a importância da saúde física no
desenvolvimento psicomotor das crianças. A obesidade infantil é um problema de saúde
pública, nos últimos 20 anos a obesidade infantil triplicou. Hoje quase 15% das crianças
brasileiras têm excesso de peso e 5% são obesas. Outro fator que deve ser levado em conta é a
transição nutricional ocorrida nos últimos anos, pode-se dizer que houve uma convergente
para uma dieta rica em gorduras de origem animal, açucares refinado e alimentos
industrializados e com poucos carboidratos complexos e fibras alimentares. Pode ser citado
como outro fator predominante do desencadeamento da obesidade infantil a falta de atividade
física. Conclui-se que as pesquisas realizadas na área escolar indicam que os fatores que
interferem na motivação da criança e adolescente para o aprendizado são os motivos internos
e externos, como: brincadeiras, desenvolvimento de habilidades, excitação e desafio pessoal,
realização e status, liberação de energia ou tensão e amizade, e a criança obesa tem a
tendência em se isolar, com isso perde sua interação e diminui o aprendizado.
Palavras chave: obesidade, psicomotor, escolar.
PRE-PUBESCENT OBESE CHILDREN AND ITS INTEREST IN PHYSICAL
EDUCATION CLASSES
ABSTRACT
The objective of the article is to show the studies making a list of the obesity like to influence
of the level of performance psychomotor in children pubescent-daily pay apprentices of the
classrooms of physical education. The current study has bibliographical characteristics, where
there for were looked literary fountains, scientific retroactive articles of the last 20 years,
showing the importance of the physical health in the development psychomotor of the
children. The childlike obesity is a problem of public health, in the last 20 years the childlike
obesity trebled. Today almost 15 % of the Brazilian children has excess weight and 5 % is
obese. Another factor that must be taken into account is the transition nutritional taken place
in the last years, it is possible to be said that there was the convergent one for a rich diet in
fats of animal origin, sweeten refined and industrialized foods and with few complex
carbohydrates and food fibers. The lack of physical activity can be quoted like another
___________________________________________________________________________
1
Professora Esp. Do Curso de Enfermagem-FACIMED
2Professor Ms. do Curso de Educação Física e Coordenador de Pós-Graduação - FACIMED
275
predominant factor of the trigger of the childlike obesity. It is ended that the inquiries carried
tension and friendship, and the obese child has the tendency in be isolating, with that lose his
interaction and it reduces the apprenticeship.
Key words: obesity, psychomotor, schoolboy
1 INTRODUÇÃO
Inúmeros estudos vêm demonstrando um grande problema em relação do excesso de peso
corporal e a dificuldade de aprendizagem em sala de aula, e no aspecto motor de escolares
(GOLVEIA, 2001), (CARNAVAL, 2000), (BJORNTORP apud KOGA, 2005), (MATSUDO,
2006), (BOUCHARD, 2003).
A obesidade infantil é um problema de saúde pública, segundo Carnaval (2000), nos
últimos 20 anos a obesidade infantil triplicou. Hoje quase 15% das crianças brasileiras têm
excesso de peso e 5% são obesas. Dados da Organização Mundial de Saúde – OMS (2000)
mostra que os estados com maior desenvolvimento como sul e sudeste ainda atingem um
maior índice de crianças obesas, porém esse número diminuiu se comparados aos estados
ditos menos desenvolvidos das regiões norte e nordeste.
A obesidade é definida segundo a Organização Mundial de Saúde (2000), como
"Doença na qual o excesso de gordura corporal se acumulou a tal ponto que a saúde pode ser
afetada", isso demonstra a preocupação desta entidade com as possíveis conseqüências do
acúmulo de tecido adiposo no organismo.
Segundo Nahas (1999), Romanholo (2008), Prati et al. (2001) em relação à obesidade
o fator psicológico é uma variável importante no desenvolvimento da mesma (obesidade).
Mecanismos psíquicos de fixação oral, regressão oral e supervalorização dos alimentos são de
grande impacto na forma como as pessoas desenvolvem hábitos alimentares. É comum, por
exemplo, que uma história passada de depreciação da imagem corporal e insuficiente
condicionamento primitivo do controle do apetite leve aos transtornos alimentares, tais como
a bulimia, a anorexia e também a obesidade. Em São Paulo foi realizado um estudo com 8.020
adolescentes e revelou que 81% dos alunos de escolas particulares e 65% de escolas públicas
são sedentários.
De acordo com os dados da pesquisa, a maioria dos alunos das escolas públicas e
particulares são sedentários e realizam menos de 10 minutos de atividade física diária,
lembrando que o indicado pelos profissionais de saúde é de pelo menos 30 minutos diários.
Essa questão é ainda mais seria quando se verificam os altos índices de excesso de peso
(TANI, 2008).
276
A combinação entre a má alimentação e a pouca atividade física é uma das principais
causas da obesidade, que expõe crianças e adolescentes a problemas de saúde que vão desde
conflitos emocionais até alterações cardiovasculares (ROMANHOLO, 2008).
Com isso é válido dizer também, que o risco da saúde relacionado à gordura, inclui
além da quantidade também a distribuição da mesma e sua concentração, principalmente em
sua região abdominal (gordura intra-abdominal ou visceral). Segundo Bjorntorp apud Koga
(2005), a gordura visceral predispõe uma tendência a doenças cardiovasculares e metabólicas
do que a quantidade total de gordura.
Fisiologicamente, a obesidade infantil se desenvolve por hiperplasia, ou seja, aumento
no número de células gordurosas até sua saída da puberdade, com isso a um aumento na
enzima “ob” enzima responsável pela saciedade, agindo no sistema nervoso central. Quanto
maior o número de células adipócitas no organismo maior será o número dessa enzima, e se a
criança não degrada essas células (com o exercício físico), começam a criar enzimas
“preguiçosas”, fazendo com que essas dificultem o deslocamento das enzimas ativas. Isso faz
com que demore mais sua saciedade nas refeições. (MATSUDO, 2006).
Com o aumento da obesidade, a criança começa a perder espaço social, ou seja, ela
foge dos padrões de beleza de nossa sociedade, fazendo com que ocorra um isolamento
intrapessoal, externando para um isolamento interpessoal. Com isso as aulas de educação
física são aulas onde o esporte é o conteúdo principal e não a inclusão social dessas crianças
com atividades recreacionais, acarretando em uma perda de interesse pela pratica de
movimentos, já que no esporte apenas praticam quem tem uma habilidade motora
desenvolvida. E o obeso apresenta limitações funcionais de movimento, debilitando assim sua
prática esportiva e sua melhora na habilidade motora.(ROMANHOLO,2008)
Com isso o objetivo da pesquisa é mostrar os estudos relacionando a obesidade como
influenciador do nível de interesse de crianças pré-púberes em participar das aulas de
educação física.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 OBESIDADE INFANTIL:
A obesidade infantil vem crescendo de forma desordenada no mundo, com isso é
inevitável falar neste assunto. Para Romanholo (2008), a obesidade tem aumentado de forma
alarmante em países desenvolvidos e em desenvolvimento, sendo que a obesidade constitui o
principal problema de má nutrição a qual está notoriamente aumentada na população infantil.
277
Na década de 90, um em cada cinco adolescentes americanos tinha peso excessivo 1988-1991
mostram aumento de 40% na prevalência para esta faixa etária.
Estudos recentes trouxeram informações sobre obesidade em adolescentes que variam
de 8% a 20% em diferentes locais geográficos. Dados sobre prevalência de sobrepeso e
obesidade na adolescência são escassos. Os poucos estudos relevam uma crescente no
aumento da obesidade no Brasil, tanto em crianças, adolescentes e adultos (LAMONIER,
2000). Atualmente, a oferta de alimentos tornou-se praticamente constante em qualquer época
do ano. Com isso as empresas usam de marketing bem elaborado, usam visuais muito
atraentes e ricos em gorduras e energias.
Outro fator que deve ser levado em conta é a transição nutricional ocorrida nos últimos
anos segundo Barbanti (2004), pode-se dizer que houve uma convergente para uma dieta rica
em gorduras de origem animal, açucares refinados e alimentos industrializados e com poucos
carboidratos complexos e fibras alimentares. Pode ser citado como outro fator predominante
do desencadeamento da obesidade infantil a falta de atividade física. Segundo Bouchard
(2003), houve um declínio progressivo da atividade física dos indivíduos principalmente das
crianças, pois, com a evolução da ciência há cada vez mais aparelhos que poupam energia e
ainda na forma de diversão. Como por exemplos videogames, computadores entre outros,
como controles remotos, vidros elétricos dos carros.
A inatividade tem sido sem dúvida uma das grandes causas do aumento do peso
corporal devido ao desequilíbrio no balanço energético, isto devido à ingestão ser maior do
que o gasto calórico, levando como conseqüência ao estado de obesidade (ROBERTS et
al.,1988 apud CYRINO & JUNIOR, 1996). Obesidade é o excesso de gordura corporal no
peso corporal total do indivíduo. Ela é determinada pela porcentagem de tecido adiposo que o
indivíduo possui (BOUCHARD, 2003).
Existem evidências de que a obesidade infantil tem tomando proporções epidêmicas,
e sua prevalência vem aumentando. Em todo o mundo aproximadamente 22 milhões de
crianças maiores de 5 anos demonstram sobrepeso. Esse dado é alarmante, principalmente
porque se estima que 80% das crianças obesas tornam-se adultos obesos (ASSIS et al., 2005).
O início da escolarização formal constitui uma mudança importante no
desenvolvimento físico da criança. A escola significa o começo do período em que esta
deverá aprender todas as competências e papéis específicos que são parte de sua cultura
(GUILLARME, 1983).
Parece bastante claro que as crianças são naturalmente ativas e fazem muitos
exercícios físicos dentro de suas rotinas diárias, porém viver na cidade, morar em apartamento
278
e desfrutar da TV são fatores que têm criado estilos de vida sedentários para muitas dessas
crianças. (BARBANTI,2004)
2.2 EDUCAÇÃO FÍSICA ESCOLAR
O pressuposto básico adotado é o de que o trabalho adequado com o movimento incide
sobre os aspectos essenciais do desenvolvimento infantil, bem como engloba a aprendizagem
de um conjunto de códigos e produções sociais e científicas da humanidade, que caracterizam
a cultura de movimento, sendo fundamental para a interação com os outros e com o meio
ambiente (FERRAZ, 2000).
Propõe-se, portanto, as seguintes metas educacionais: a) Competência: auxiliar o
aprendiz a utilizar suas próprias habilidades, conhecimentos e potencial em uma interação
positiva com desafios, dúvidas e pessoas relacionadas às situações de movimento; b)
Individualidade: auxiliar o aprendiz a tomar decisões, desenvolver preferências, arriscar-se ao
fracasso, estabelecendo uma dinâmica independente para resolver problemas em atividades de
movimento, aceitando auxílio sem o sacrifício da independência; c) Socialização: auxiliar o
aprendiz a desenvolver sua capacidade de engajar-se nas relações de mutualidade com outras
pessoas em situações de movimento, dentro de valores democráticos (FERRAZ, 2004).
Considera-se que todas as crianças, independente de sexo, raça, potencial físico ou
mental têm direito a oportunidades que maximizem seu desenvolvimento.
Uma vez que o movimento tem um papel importante nesse processo, o currículo de
educação física na educação infantil implica na estruturação de um ambiente de aprendizagem
que auxilie as crianças a incorporar a dinâmica da solução de problemas, bem como a
motivação para a descoberta das manifestações da cultura de movimento.
Os objetivos específicos são estruturados para os três anos de educação infantil,
diferenciando-se o nível de profundidade por meio de diferentes conteúdos. Por exemplo, no
primeiro ano as partes do corpo referem-se à identificação dos segmentos e seus movimentos
(braço, perna, joelho, cotovelo, etc.), enquanto no segundo e no terceiro ano são contempladas
as partes internas, tais como: coração, pulmões e suas funções durante a atividade física.
Os objetivos do programa são:
1) Conhecer o corpo globalmente, identificando suas partes, dimensões e seus movimentos;
desenvolvendo uma atitude de interesse e cuidado com o próprio corpo;
2) Executar e identificar as diferentes possibilidades de utilização de movimentos,
considerando-se as dimensões de espaço, tempo, esforço e relacionamentos;
279
3) Conhecer, respeitar e confiar nas próprias competências motoras e habilidades básicas de
locomoção, manipulação e estabilização, considerando que seu aperfeiçoamento decorre de
perseverança e regularidade;
4) Demonstrar reconhecimento do ritmo proposto a partir da experimentação e interpretação
com movimentos de cantigas e músicas variadas;
5) Participar das atividades de movimento propostas, percebendo e respeitando as normas
combinadas e estabelecidas;
6) Conhecer, usufruir e apreciar as atividades motoras relacionadas ao tempo livre, tais como
jogos e atividades rítmicas.
2.3 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO EM DRIANÇAS PRÉ-PÚBERES
Há três grandes momentos a serem analisados numa exploração das ciências
cognitivas: o cognitivismo, o conexionismo e a enação. A intuição central do cognitivismo,
segundo os autores, é que a inteligência se assemelha de tal forma à computação em suas
características essenciais, que a cognição pode ser definida por computações sobre
representações simbólicas. Baseado na afirmação de que o comportamento inteligente
pressupõe a capacidade de representar o mundo de certa maneira, o ponto de vista
cognitivista deduz que só será possível explicar o comportamento cognitivo se for possível
supor um agente se representando traços pertinentes das situações em que se encontra. "Na
medida em que sua representação de uma situação seja precisa o comportamento do agente
será bem sucedido (VARELA et al.1993).
No conexionismo, avaliam os autores, considera-se que os cérebros operam de maneira
distribuída com base em interconexões massivas, de forma que as conexões efetivas entre
conjuntos de neurônios se modifiquem em função do desenrolar da experiência.
Enquanto o tratamento da informação simbólica, no modelo cognitivista, repousava em
regras seqüenciais, localizadas, no conexionismo os conjuntos apresentam capacidades autoorganizadoras, distribuídas, o que garante uma equipotencialidade e imunidade relativas, face
a possíveis mutilações do sistema. No conexionismo não há necessidade da intervenção de
uma unidade central de tratamento visando a guiar o conjunto da operação. O sistema opera
com a noção complexa de propriedades emergentes. A passagem de regras locais a uma
coerência global está no coração do que se costumava chamar auto-organização, nos anos
cibernéticos. Hoje, prefere-se falar de propriedades emergentes ou globais, de dinâmica de
redes, de redes não lineares, de sistemas complexos, ou mesmo de sinergética.(GO
TANI,2008)
280
A pressuposição tácita do cognitivismo e do conexionismo, segundo Varela, é a de um
realismo cognitivo: o mundo pode ser dividido em regiões de elementos e tarefas discretos.
A cognição, nesta abordagem, consistirá numa resolução de problemas que deve, para ser
atingida, respeitar os elementos, as propriedades e relações próprias a estas regiões já dadas.
Em ambos os modelos permanece o projeto de incorporar o conhecimento do mundo
anteriormente existente na forma de uma representação (com a re-apresentação deste
mundo).
Varela et al (1993) pretendem inverter este projeto e tratar o saber dependente do
contexto não como um artefato residual que poderá ser eliminado progressivamente pela
descoberta de regras cada vez mais elaboradas, mas como a essência mesma da cognição
criativa. Tomando o exemplo da percepção da cor, os autores argumentam que as cores não
estão lá fora, independentes de nossas capacidades perceptivas e cognitivas, nem "aqui
dentro", independentes de nosso meio biológico e nosso mundo cultural.
A cognição dependerá dos tipos de experiência que decorrem do fato de se ter um
corpo dotado de diversas capacidades sensório-motoras que se inscrevem num contexto
biológico, psicológico e cultural mais amplo.
2.4 DESENVOLVIMENTO MOTOR NAS CRIANÇAS PRÉ-PRUBERES
O ser humano sempre teve a preocupação de acompanhar e compreender o seu
desenvolvimento, suas características físicas e suas variações tanto internas quanto externas,
pois, sua acentuada curiosidade despertou esse desejo de conhecer, compreender e explicar
tudo a sua volta. Hipócrates (460 - 377 a.c.) já mencionava a teoria da influência do meio
ambiente sobre as características físicas do homem, esse conhecimento era relevante não
somente para a seleção de guerreiros, mas também por considerações estéticas. Pois o homem
percebeu que a sua capacidade para realizar trabalho ou atividade física estava relacionada
com a proporção entre diferentes tecidos (GALLAHUE, 2001).
Assim, compreender suas características físicas, bem como o movimento humano foi
importante para nossa civilização tanto no sentido do desenvolvimento da arte, do esporte ou
mesmo para fins bélicos, pois notamos o quanto o movimento humano se faz presente na
nossa vida, partindo desde a aquisição de novas habilidades até a perda de algumas delas na
senilidade. (GALLAHUE,2001)
Contudo a infância e a adolescência representam períodos ótimos para estimular
hábitos e comportamentos de um estilo de vida mais saudável, os quais quando são adquiridos
281
nessa faixa etária, possibilitam uma maior probabilidade de serem transferidos para a idade
adulta (GO TANI, 2008).
Os efeitos desencadeados pela ação do crescimento, desenvolvimento e maturação
podem ser tão significativos ou até maiores do que as adaptações decorrentes de um programa
de atividade física.
Portanto é imprescindível ter-se conhecimento sobre as alterações e adaptações que o
organismo da criança e do adolescente sofre durante o período de crescimento, bem como, de
que maneira estas alterações influenciam na capacidade física e na resposta ao exercício.
É necessário ao profissional de educação física ter conhecimento sobre crescimento,
desenvolvimento, maturação, idade cronológica e idade biológica, conceitos esses relevantes
para compreendermos o verdadeiro papel da atividade física na criança. (BETTI,1997)
Ao ouvir a famosa frase de que o esporte faz crescer, devemos considerar que o
crescimento físico é caracterizado pelo somatório de fenômenos celulares, biológicos,
bioquímicos e morfológicos, sendo predeterminado geneticamente e apenas influenciado pelo
meio ambiente. (ASSIS,2005)
O ambiente contribui com os seguintes fatores: os efeitos da nutrição, as diferenças
étnicas, os efeitos sazonais e climáticos, os efeitos de doença, a pressão psicossocial, a
urbanização, o tamanho da família, a posição socioeconômica e a tendência secular
(alterações de variáveis de crescimento e diferenciação somática ao longo do tempo).
A atividade física nesse contexto atua como um fator coadjuvante, onde o exercício
físico moderado pode estimular o crescimento, muito provavelmente por induzir aumentos
significativos no hormônio do crescimento na circulação, tanto de crianças, como de
adolescentes e adultos. (ASSIS,2005)
2.5 CRIANÇAS OBESAS E SEU NÍVEL DE INTERESSE EM AULAS DE EDUAÇÃO
FÍSICA
A educação física é um conteúdo pedagógico que compõe o currículo educacional e
participa da formação do aluno. Nesse estudo, optou-se por focalizar a questão motivacional
nas aulas de educação física. (NAHAS,1999)
Partiu-se do pressuposto de que as habilidades esportivas, o esporte a ser praticado, o
professor de educação física, as características físicas são determinantes na motivação dos
alunos. Ressaltaram-se, ainda, as influências da personalidade de cada indivíduo, suas
experiências individuais e o ambiente social da escola, isto é, os aspectos bio-psico-social do
282
aluno. Tais fatores podem influenciar a motivação para as aulas de educação física de maneira
positiva ou negativa (NAHAS, 1999).
A motivação dos adolescentes nas aulas de educação física constitui um importante
tema de pesquisa, pois pode trazer contribuições para melhorar as variáveis que participam
desse processo educativo, fazendo com que o aluno se interesse e perceba a sua importância
para a saúde, para os aspectos social, psicológico e físico. Para que isso ocorra é necessário
também que os próprios professores conheçam os estudos sobre a motivação e que reflitam
sobre a sua postura na maneira de conduzir as aulas, o conteúdo do programa e,
principalmente, a introdução de novos esportes.
Os teóricos apresentam diferentes percepções sobre a motivação. Machado e Gouvêa
(1997), por exemplo, conceituam o motivo como um fator interno, não observável e que
direciona o comportamento. Além disso, o motivo pode ser dividido em dois aspectos: o
impulso, processo interno que faz com que o indivíduo tenha a ação do comportamento e a
motivação que termina ou diminui, quando o objetivo é alcançado. Os mesmos autores
relatam que as aspirações dos alunos determinam a motivação para um determinado esporte,
ou seja, ele pode se motivar mais por basquete do que por handebol.
Da mesma forma que as necessidades biológicas são inerentes ao indivíduo, a
motivação intrínseca também. Segundo Forties e Cols (1995) apud Gouvêa (1997), ela é
caracterizada como um exercício para si mesmo, realizado apenas pela satisfação de praticar e
executar, sem nenhum outro interesse. É inerente ao objeto e à matéria a ser aprendida, não
dependendo de elementos externos.
Por outro lado, os motivos sociais são secundários e da ordem da aprendizagem, pois
os motivos biológicos os antecedem por estarem ligados à sobrevivência do indivíduo
(SAWREY & TELFORD, 1973). Os motivos sociais constituem-se de: motivo gregário,
motivo de prestígio e motivo de aceitação. O motivo gregário está relacionado ao afeto e
refere-se à relação aluno professor, considerado como um dos fatores mais importantes para
motivar (RODRIGUES e ROCHA, 2000). Infelizmente, percebe-se que é um motivo pouco
utilizado. Já o motivo de prestígio e o motivo de aceitação são usados com mais freqüência
pelos professores. O aluno tende a perpetuar o comportamento positivo quando recebe elogio
por parte dos colegas, pais, professores e outros indivíduos e a diminuir ou extinguir os
comportamentos negativos. Além disso, o aluno tende a repetir o comportamento em que ele
se sai bem, isto é, se tiver mais sucesso na prova de vôlei do que na de basquete, a tendência é
de motivar- se mais pelo vôlei e, conseqüentemente, praticá-lo mais.
De acordo com Betti, (1997) e Leite, (2000) dependendo da maneira como são
ministradas as aulas, o esporte terá ou não um valor educativo, atuando como um reflexo das
283
pessoas que o praticam. Ainda assim, o autor relata que se pode conciliar a difusão de jogos
de origem folclórica ou mesmo criados por alunos durante o período de aula tanto com
esportes considerados “formais”, como com outros conteúdos que contribuam para a
formação integral dos alunos.
Para Samulski, (1995) e Canfield e Jaeguer, (1994) a motivação é caracterizada como
um processo ativo, intencional e dirigido a uma meta, o qual depende de fatores pessoais
(intrínsecos) e ambientais (extrínsecos). Assim, a motivação possui uma determinante
energética (nível de ativação) e uma de direção de comportamento (intenções, interesses,
motivos e metas).
Entretanto, as pesquisas realizadas na área escolar indicam que os fatores que
interferem na motivação do atleta adolescente para o esporte são os motivos internos e
externos, como: brincadeiras, desenvolvimento de habilidades, excitação e desafio pessoal,
realização e status; liberação de energia ou tensão e amizade. Os meninos valorizam mais a
realização e o status e as meninas, as brincadeiras e as amizades.
Na opinião de Machado (1997), muitos são os motivos responsáveis pelo bom
desenvolvimento e desempenho na aquisição e manutenção de habilidades em aulas de
educação física na escola. Existem outras atividades que não precisam necessariamente
envolver movimento muscular, como, por exemplo, ouvir uma aula teórica. As atividades que
requerem maior participação, ou seja, com mais movimentos, concentram maior número de
motivos para aumentar o interesse e o estímulo do participante, além de despertar um
sentimento de desafio.
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Conclui-se que as pesquisas realizadas na área escolar indicam que os fatores que
interferem na motivação e no aprendizado da criança e adolescente são os motivos internos e
externos, como: brincadeiras, desenvolvimento de habilidades, excitação e desafio pessoal,
realização e status; liberação de energia ou tensão e amizade, e a criança obesa tem a
tendência em se isolar com isso perde sua interação e diminui o aprendizado. E que o
professor é responsável direto na inclusão e estimulação constante destes alunos nas aulas de
educação física escolar.
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274 CRIANÇAS OBESAS PRÉ-PÚBERES E SEU