VOTO PROCESSO: 48500.006673/2012-19 INTERESSADA: Companhia Luz e Força Santa Cruz – CPFL Santa Cruz RELATOR: Diretor Julião Silveira Coelho RESPONSÁVEL: Diretoria – DIR ASSUNTO: Recurso interposto pela CPFL Santa Cruz em face do Auto de Infração n. 380/TN2245/2011, mediante o qual a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo – ARSESP – aplicou-lhe multa em virtude do descumprimento de disposições constantes dos Procedimentos de Distribuição de Energia Elétrica no Sistema Elétrico Nacional – PRODIST – no que tange aos níveis de tensão de energia elétrica. I. RELATÓRIO Contra o Auto de Infração n. 380/TN2245/2011, mediante o qual a ARSESP aplicou-lhe multa de R$ 67.790,19 (sessenta e sete mil, setecentos e noventa reais e dezenove centavos) em virtude do descumprimento dos prazos1 fixados para (i) a regularização dos níveis de tensão de atendimento e (ii) o pagamento de compensações a consumidores, a CPFL Santa Cruz interpôs recurso, o qual não ensejou reconsideração. 1. 1 Prazos fixados nos itens 2.12.2.1, 2.12.2.2 e 2.13.1 da Seção 8.1 do Módulo 8 do PRODIST: “2.12.2 Procedimentos para regularização. 2.12.2.1 Caso as medições de tensão, por reclamação e ou amostrais, indiquem valor de DRP superior ao DRPM, estabelecido no item 2.11.1 desta seção, a distribuidora deverá adotar providências para regularizar a tensão de atendimento, no prazo máximo de 90 (noventa) dias. 2.12.2.2 Caso as medições de tensão, por reclamação e ou amostrais, indiquem valor de DRC superior ao DRCM, estabelecido no item 2.11.2 anterior, a distribuidora deverá adotar providências para regularizar a tensão de atendimento, no prazo máximo de 15 (quinze) dias.[...] 2.13 Compensação aos Consumidores. 2.13.1 Transcorridos os prazos normais para a regularização da não conformidade, e não havido regularização dos níveis de tensão nos prazos constantes dos itens 2.12.2.1 e 2.12.2.2 , a distribuidora deve compensar as unidades consumidoras que estiveram submetidas a tensões de atendimento com transgressão dos indicadores DRP ou DRC e aquelas atendidas pelo mesmo ponto de conexão.” II. FUNDAMENTAÇÃO II.1. Conhecimento A CPFL Santa Cruz recebeu o Auto de Infração n. 380/TN2245/2011 em 14 de maio de 2012 e interpôs seu recurso, tempestivamente2, em 24 de maio de 20123. 2. II.2. Mérito II.2.1. Ajustes nos processos de controle de prazos A CPFL Santa Cruz afirmou ter efetuado “ajustes necessários em seus processos de controle, de forma a obter melhorias no controle de prazos para o atendimento ao disposto [no] PRODIST, encontrando-se já regularizados os procedimentos para os processos em execução”, argumento que, consoante anotado em precedentes4, não descaracteriza a infração. 3. II.2.2. Não-Conformidade N.1 – Descumprimento dos prazos para a regularização dos níveis de tensão de atendimento Quanto à alegação de que a aplicação de multa relativa à Não-Conformidade N.1, concernente ao descumprimento dos prazos para a regularização dos níveis de tensão de atendimento, consistiria em dupla punição, uma vez que a concessionária já teria creditado as compensações devidas aos consumidores lesados, cumpre destacar que a Diretoria já decidiu que “a compensação creditada aos consumidores consiste em exceção de contrato não cumprido decorrente da inadequação do serviço prestado, e não em penalidade”5. 4. II.2.3. Impossibilidade de conversão em advertência Também o pedido de conversão da multa em advertência deve ser rejeitado, haja vista não estar atendido o requisito do pequeno potencial ofensivo em razão de a conduta da CPFL Santa Cruz afetar diretamente a qualidade do serviço em 69 (sessenta e nove) unidades consumidoras. 5. II.2.4. Dosimetria: suposta inexistência de danos decorrentes da Não-Conformidade N.2 De acordo com o artigo 33 da Resolução Normativa n. 63/2004, “o prazo para interposição de recurso será de dez dias, contado do recebimento do AI.[...]”. 2 Cumpre destacar que, na Reunião Administrativa Ordinária realizada em 9 de novembro de 2011, a Diretoria “decidiu avocar [...] a competência de julgar os recursos interpostos na ARSESP após decisão em primeira instância da Diretoria da Agência Estadual”, conforme consta do Ofício n. 34/2012-SRI/ANEEL. 3 4 A título exemplificativo, vide Despachos n. 618, de 15 de fevereiro de 2011, e n. 258, de 1º de fevereiro de 2011. 5 Despacho n. 2.685, de 28 de agosto de 2012. Quanto à afirmação de que não haveria danos decorrentes da Não-Conformidade N.2, referente ao descumprimento dos prazos fixados para o pagamento de compensações a consumidores, “uma vez que todos receberam as compensações devidas, com as respectivas correções monetárias, quando necessárias”, cabe registrar que a correção monetária não afasta os danos decorrentes da retenção de quantias não pertencentes à concessionária, mas a consumidores. 6. III. DIREITO A presente análise foi realizada com observância (i) da Resolução n. 395/2009, a qual aprovou o PRODIST e (ii) da Resolução Normativa n. 63/2004. 7. IV. DISPOSITIVO Do exposto, e considerando o que consta do Processo n. 48500.006673/2012-19, voto por conhecer do recurso interposto pela Companhia Luz e Força Santa Cruz – CPFL Santa Cruz – em face do Auto de Infração n. 380/TN2245/2011 e negar-lhe provimento. 8. Brasília, de janeiro de 2013. JULIÃO SILVEIRA COELHO Diretor AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL DESPACHO Nº , DE DE DE 2013 O DIRETOR-GERAL DA AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA – ANEEL, no uso de suas atribuições regimentais, tendo em vista a deliberação da Diretoria e o que consta no Processo nº 48500.006673/2012-19, decide conhecer do recurso interposto pela Companhia Luz e Força Santa Cruz – CPFL Santa Cruz – em face do Auto de Infração n. 380/TN2245/2011 e negar-lhe provimento. NELSON JOSÉ HÜBNER MOREIRA