PR
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ
CAMPUS DE CURITIBA
DEPARTAMENTO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA
E DE MATERIAIS - PPGEM
VLÁDIA DAS CHAGAS BEZERRA RAMAZZOTTE
INVENTÁRIO DO CICLO DE VIDA DA SOJA NO
BRASIL
CURITIBA
FEVEREIRO - 2010
VLÁDIA DAS CHAGAS BEZERRA RAMAZZOTTE
INVENTÁRIO DO CICLO DE VIDA DA SOJA NO
BRASIL
Dissertação apresentada como requisito parcial
à obtenção do título de Mestre em Engenharia,
do
Programa
de
Pós-Graduação
em
Engenharia Mecânica e de Materiais, Área de
Concentração em Engenharia de Manufatura,
do Departamento de Pesquisa e PósGraduação, do Campus de Curitiba, da
UTFPR.
Orientador: Prof. Cássia Maria Lie Ugaya, Drª
CURITIBA
FEVEREIRO – 2010
TERMO DE APROVAÇÃO
VLÁDIA DAS CHAGAS BEZERRA RAMAZZOTTE
INVENTÁRIO DO CICLO DE VIDA DA SOJA NO
BRASIL
Esta Dissertação foi julgada para a obtenção do título de mestre em engenharia,
área de concentração em engenharia de Manufatura, e aprovada em sua forma final
pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais.
_________________________________
Prof. Giuseppe Pintaúde, Dr
Coordenador de Curso
Banca Examinadora
______________________________
______________________________
Prof. Luciano F. Rossi, Dr
(UTFPR)
Prof. Livia Mari Assis, Dra.
(UTFPR)
______________________________
______________________________
Prof. Luiz Carlos Rodrigues, Dr
(UTFPR)
Prof.José Adolfo de A. Neto, Dr.
(UESC)
Curitiba, 23 de fevereiro de 2010
iii
A Deus, fonte de inspiração, meu Senhor,
amigo fiel e protetor.
iv
AGRADECIMENTOS
Agradeço primeiramente aos meus pais, por todo incentivo, amor e dedicação,
principalmente a minha mãe Marlene por cuidar dos meus filhos com afinco, meu esposo
pela compreensão e apoio neste grande projeto da minha vida e meus queridos filhos Daniel
e Hannah por serem minha maior alegria e motivação.
À minha orientadora Cássia por nunca ter desistido de mim, sempre trazendo novos
desafios e contribuindo para meu crescimento pessoal e profissional.
A UTFPR por ser a Universidade que me proporcionou todas conquistas profissionais,
fornecendo os 12 anos de formação que possuo e a seus professores queridos e sempre
dispostos a ensinarem.
A Renault por acreditar no meu potencial, principalmente ao Alejandro Wainberg,
Dominique Farges, Geraldo Vicente, Ana Paula Roika e Thaiss Herman.
A todos os meus amigos de mestrado e grupo de ACV, que contribuíram para meu
amadurecimento e proporcionaram um clima agradável durante nossas trocas de
conhecimento e lazer.
v
O coração do sábio instrui a sua boca, e
aumenta o ensino dos seus lábios.
(Provérbios 16:23)
vi
RAMAZZOTTE, Vládia das Chagas Bezerra Ramazzotte, Inventário do Ciclo de
Vida da soja no Brasil, 2010, Dissertação de Mestrado, Curitiba, 70p.
RESUMO
O presente trabalho teve por objetivo a realização de um inventário do ciclo de vida
(ICV) da soja no Brasil, conforme definição da norma da ABNT NBR ISO 14040 e a
metodologia ecoinvent. O ICV é uma fase da ACV Avaliação de Ciclo de Vida, que
envolve a coleta de dados necessária para atingir os objetivos propostos pelo
estudo. Para o ciclo de vida da soja foram tomados como base deste estudo: as
sementes, os grãos, a área e fertilizantes químicos do solo. As entradas principais
do
inventário
micronutrientes
da
e
fase
os
pré-semeadura;
fungicidas;
semeadura
macronutrientes;
e
manejo
herbicidas
e
foram:
os
inseticidas,
respectivamente. Após a coleta dos dados eles foram inseridos no inventário do
Ciclo de Vida da soja e posteriormente analisados Concluiu-se que a utilização do
inventário do ciclo de vida proporcionou uma visualização do panorama da soja hoje
no Brasil, sendo de suma importância a contribuição desta ferramenta para análise
ambiental da ocupação do solo no Brasil.
Palavras-chave: Inventário do Ciclo de Vida, Avaliação do ciclo de vida, Ocupação
do solo.
vii
RAMAZZOTTE, Vládia das C. B, Inventário do Ciclo de Vida da soja no Brasil,
2010, Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Programa de Pós-graduação em
Engenharia Mecânica e de Materiais, Universidade Tecnológica Federal do Paraná,
Curitiba, 70p.
ABSTRACT
This work aimed at achieving a life cycle inventory(LCI) of soybean in Brazil,
as defined in the standard of ISO 14040 and methodology ecoinvent . The LCI
is a phase of LCA Life Cycle Assessment, which involves the collection of
date necessary to meet the objectives proposed by the study. For the life cycle
of soybean were used as basis for this study: seeds, grains area,and chemical
fertilizers in the soil. The main entrances of the inventory of pre-sowing,sowing
and managment were the micronutrients and fungicides,nutrients, herbicides
and inseticides,respectively. After collecting the data they were inserted into
the Life Cycle Inventory of soybean and analysed later concluded that the use
of life cycle inventory provided a preview of the panorama of soybeans in
Brazil today, which is extremely important contribution to this tool for
environmental analysis of land use in
Keywords: Life cycle Inventory, Life cycle Assessment, Land Use
viii
SUMÁRIO
RESUMO.................................................................................................................... vi
ABSTRACT ............................................................................................................... vii
LISTA DE FIGURAS ................................................................................................... x
LISTA DE TABELAS .................................................................................................. xi
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ....................................................................xiii
LISTA DE SÍMBOLOS.............................................................................................. xiv
1
2
INTRODUÇÃO......................................................................................................1
1.1.
Problema ..................................................................................................................................1
1.1
Objetivo Geral...........................................................................................................................3
1.2
Objetivos Específicos ...............................................................................................................3
1.3
Estrutura da Dissertação ..........................................................................................................3
REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................4
2.1
3
A soja........................................................................................................................................4
2.1.1
A Soja no Mundo ..................................................................................................................4
2.1.2
A soja no Brasil.....................................................................................................................6
2.2
Manejo do Solo.........................................................................................................................7
2.3
Conceitos da Avaliação do Ciclo de Vida ..............................................................................22
2.4
Definição do Objetivo e escopo..............................................................................................25
2.5
Análise de Inventário (ICV) ....................................................................................................26
MÉTODO ............................................................................................................33
3.1
Definição do Objetivo e escopo do Estudo ............................................................................33
3.1.1
3.2
4
Objetivo ..............................................................................................................................33
Definição do escopo ...............................................................................................................34
3.2.1
Função, unidade funcional e fluxo de referência. ..............................................................34
3.2.2
Sistemas do produto e limites do sistema..........................................................................34
3.2.3
Categorias de impacto........................................................................................................34
3.2.4
Categorias de dados ..........................................................................................................34
3.2.5
Requisitos iniciais da qualidade dos dados........................................................................35
3.3
Análise do inventário da ACV.................................................................................................38
3.4
Uso do solo.............................................................................................................................40
RESULTADOS E DISCUSSÃO ..........................................................................42
4.1
Dados da soja no Brasil .........................................................................................................42
4.1.1
Premissas para produção de Soja no Brasil ......................................................................44
4.1.2
Exigências Climáticas.........................................................................................................45
4.2
Inventário do Ciclo de Vida ....................................................................................................46
4.2.1
Inventário Ambiental da Soja Fase Pré-semeadura ..........................................................46
ix
4.2.2
Inventário Ambiental da soja Fase Semeadura .................................................................50
4.2.3
Inventário da soja Fase Manejo .........................................................................................52
4.2.4
Inventário Uso do Solo .......................................................................................................55
4.3
Comparação de Inventários do Ciclo de Vida da soja ...........................................................56
5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .............................................................61
REFERÊNCIAS.........................................................................................................62
ANEXO A – SISTEMA DE PLANTIO DIRETO ..........................................................70
x
LISTA DE FIGURAS
Figura 1- Produção mundial de óleo vegetais .............................................................4
Figura 2- Evolução da produção de soja por país .......................................................5
Figura 3: Produção de soja no Brasil ..........................................................................6
Figura 4: Área colhida de soja no Brasil......................................................................7
Figura 5: Produtividade da soja no Brasil....................................................................7
Figura 6 -Fases de uma ACV ...................................................................................23
Figura 7- Principais fases associadas ao ciclo de vida de um produto .....................24
Figura 8 – Procedimentos Simplificados para análise de Inventário (ABNT NBR ISO
14044 2009) .......................................................................................................27
Figura 9– Fluxogramas dos Processos das fases agrícolas da soja........................37
Figura 10 – Produção Brasileira de soja – Safra 2006/2007 .....................................42
Figura 11 – Evolução da produção por estado..........................................................43
Figura 12- Dados de Produção Paraná e Mato Grosso ............................................44
Figura 13 – Evolução da Produção de Soja por país ..............................................45
xi
LISTA DE TABELAS
Tabela 1 –Quantidade Absorvida e exportação de Nutrientes pela cultura da soja ....8
Tabela 2 - Interpretação de análise de solo para indicação de adubação ..................9
Tabela 3 - Indicação de adubação fosfatada corretiva, a lanço e adubação.............10
Tabela 4- Adubação corretiva de potássio para solos de Cerrados com ..................10
Tabela 5- Indicação de adubação com fósforo e potássio para a soja no.................11
Tabela 6-Indicação de Adubação de correção
e de manutenção com enxofre
conforme as faixas de teores de enxofre no solo (mg dm-3 )a duas profundidades
do perfil do solo para a cultura da soja...............................................................12
Tabela 7 –Fungicidas e respectivas doses para o tratamento de sementes de soja.
XXVII Reunião de Pesquisa de Soja da região central do Brasil Uberaba MG
agosto, 2006. .....................................................................................................14
Tabela 8-Alternativas para o controle químico de plantas daninhas para a cultura da
soja.....................................................................................................................16
Tabela 9-Insetos Praga da soja parte da planta que atacam ....................................18
Tabela 10-Níveis de ação de controle para as principais pragas da soja. ................19
Tabela 11-Inseticidas indicados para outras pragas da soja safra 2006/2007 .........20
Tabela 12 – Efeitos colaterais dos insetos praga ......................................................20
Tabela 13: Categorias e subcategorias do ICV .........................................................35
Tabela 14: Matriz Pedigree .......................................................................................36
Tabela 15: Fatores de Incerteza................................................................................36
Tabela 16: Modelo para coleta de dados do ICV da soja..........................................37
Tabela 17- Inventário Fase Pré-semeadura- Parte a ................................................48
Tabela 18 - Inventário Fase Pré-semeadura- Parte b ...............................................49
Tabela 19 - Inventário Fase Semeadura-Parte a ......................................................50
Tabela 20-Inventário Fase Semeadura-Parte b ........................................................51
xii
Tabela 21 – Inventário Ambiental Fase Manejo ........................................................53
Tabela 22 - Inventário Ambiental Fase Manejo-Parte b ............................................54
Tabela 23 – Inventário Uso do solo..........................................................................55
Tabela 24- Comparação entre Indicadores de Intensidade de material e energia para
a produção de soja.............................................................................................57
Tabela 25 –Comparação Inventários de soja no Brasil .............................................58
xiii
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ACV
CONAB
DFE
EPA
ICV
ISO
MAPA
MTE
SETAC
UNEP
- Avaliação de Ciclo de Vida
-Companhia Nacional do Abastecimento
- Design for Environmental
- Environmental Protection Agency
- Inventário de Ciclo de Vida
- Organização de Padronização Internacional
-Ministério da agricultura, Pecuária e Abastecimento.
-Ministério do Trabalho e Emprego
-Sociedade Ambiental de Química e Toxicologia
-Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente
xiv
LISTA DE SÍMBOLOS
At
Área total
Io
Impacto de Ocupação
Itr
Impacto de transformação
mt
Massa total
to
Tempo de ocupação
Capítulo 1 Introdução
1
1 INTRODUÇÃO
1.1. Problema
No início dos anos 90, os fabricantes começaram a pensar em termos de
qualidade ou características em seus produtos e processos. Ao mesmo tempo,
pontos de vista sobre a gestão de riscos deram início às abordagens que
promoveram a redução dos mesmos através da prevenção da poluição (também
reconhecido como redução na fonte). Naquela época, a EPA -Environmental
Protection Agency (EPA, 2009) reconheceu a necessidade de desenvolver um
programa de tecnologias limpas e seguras que fossem competitivas e mais aceitas
em termos ambientais.
As iniciativas voluntárias, a análise de risco e o desenvolvimento de
tecnologias alternativas se fundiram para criação do denominado “projeto para o
meio ambiente” (Dfe - Design for Environmental).
As premissas do referido projeto:
•
Reduzir os riscos através de abordagens de prevenção da poluição;
•
Capacitar a indústria de articular e cumprir metas ambientais;
•
Integrar objetivo econômico e ambiental de desempenho para redesenho de
processos de produtos e sistemas de gestão.
Segundo Prates (1998), um dos objetivos do DFE é avaliar o desempenho
ambiental do produto, reduzindo os recursos não renováveis utilizados em sua
construção e possibilitando a reciclagem do produto após o uso.
Sabendo-se que a prevenção é mais racional e econômica do que o
tratamento ou remediação de seus efeitos houve a necessidade de incorporação de
uma ferramenta que facilitasse a comparação, quanto ao impacto ambiental, entre
atividades, serviços ou produtos, proporcionando o aumento do uso da Avaliação do
Ciclo de Vida (ACV) (DUARTE, 1997).
2
Capítulo 1 Introdução
De acordo com Udo de Haes (1996), a ACV é “o processo de avaliar as
cargas ambientais associadas com um produto, processo ou atividade através da
identificação e quantificação do uso da energia e materiais e de emissões
ambientais e o seu impacto e as oportunidades de melhorias. A avaliação inclui todo
o ciclo do produto, processo ou atividade, envolvendo extração e processamento de
matérias – primas; fabricação, transporte e distribuição; reciclagem; e disposição
final”.
Nos últimos anos aumentou-se o interesse em utilizar a metodologia de ACV
pelas industrias, especialistas ambientais, instituições públicas, organizações
ambientais e público em geral, que visam à qualidade ambiental dos seus processos
de produção e dos produtos.
A ACV também tem um papel de destaque na avaliação das fontes
alternativas de energia, principalmente aquelas que contribuem para a redução dos
gases do efeito estufa.
Segundo Cavalett (2008) a soja é uma dos grãos mais importantes para o
agronegocio do país e principal matéria-prima para a fabricação do biodiesel. O
Brasil é segundo maior produtor e exportador de soja, somente atrás dos Estados
Unidos, maior produtor desta leguminosa, com uma participação de mais de 33% do
mercado mundial.
Entretanto no plantio desta leguminosa é necessária uma grande quantidade
de materiais e energia fóssil na forma de fertilizantes e defensivos agrícolas, além de
ocupar uma extensa área para sua produção, muitas vezes área de reservas
florestais ou de regiões de preservação ambiental, apresentando um grande
problema
para
o
processo
de
ocupação
e
transformação
do
uso
do
solo,(CAVALETT, 2008).
De acordo com Frischknecht et al. (2007) há um destaque para as discussões
sobre o uso do solo no âmbito da ACV, principalmente no que diz respeito aos
métodos de avaliação de impacto, especialmente para os produtos agrícolas. Os
impactos do uso do solo são conhecidos como decorrentes dos processos de
ocupação e transformação. Da perspectiva do inventário do Ciclo de vida, o termo
processo de ocupação do solo refere-se ao uso da área controlada pelo homem com
Capítulo 1 Introdução
3
uma finalidade (por exemplo, agricultura e construção). Em contraste, um processo
de transformação do solo implica em mudanças de uma área de solo de acordo com
as exigências de um dado novo tipo de processo de ocupação (por exemplo,
mudança de pântano para lavouras).
1.1 Objetivo Geral
Este trabalho tem como objetivo a realização de um inventário do ciclo de vida
da soja, utilizando a ferramenta de ACV (Avaliação de Ciclo de Vida), considerando
aspectos ambientais de sua utilização, com destaque para a ocupação da soja no
solo no Brasil.
1.2 Objetivos Específicos
•
Compreender a ferramenta de avaliação do ciclo de vida do produto;
•
Contribuição e elaboração do inventário da soja
•
Analisar os principais impactos da soja no uso do solo;
1.3 Estrutura da Dissertação
O capítulo 2 apresenta a revisão bibliográfica, com as descrições das
ferramentas ACV e uso do solo no contexto da soja.
O capítulo 3 descreve o método como serão coletados os dados, bem como a
forma como os mesmos serão calculados.
No capítulo 4 constam os resultados e discussões sobre o inventário do ciclo
de vida da soja e seus impactos no uso do solo.
No capítulo 5 são descritas as conclusões e recomendações obtidas neste
estudo e respectivas discussões.
4
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA
2.1 A soja
A soja é uma planta herbácea pertence à família das leguminosas. Sua
semente é muito rica em substâncias protéicas e graxas. A soja ocupa em torno de
57% da área de plantio de culturas temporárias no Brasil.
2.1.1 A Soja no Mundo
A soja, apesar do seu baixo teor de óleo (18 a 20%) é a segunda oleoginosa
mais importante do planeta, depois do dendê. Atualmente responde a 30% do óleo
vegetal produzido no mundo, contra 34% do dendê (óleo da polpa e da amêndoa
(EMBRAPA SOJA,2008)Figura 1.
4%
4% 3% 2%
Dendê (polpa+amêndoa)
Soja
8%
35%
Colza
Girassol
Amendoim
14%
Algodão
Coco
30%
Oliva
Figura 1- Produção mundial de óleo vegetais
Fonte: Embrapa Soja, 2008.
Segundo dados da Embrapa Soja (2008) A soja hoje cultivada em várias
nações é muito diferente dos ancestrais que lhe deram origem. A soja era uma
planta rasteira e habitava a costa leste da Ásia, principalmente a região norte da
china. Sua evolução ocorreu de plantas oriundas de cruzamentos naturais entre
5
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
duas espécies de soja selvagem, que foram domesticadas e melhoradas por
cientistas da antiga China.
Apesar de conhecida como um grão sagrado e explorada intensamente no
oriente há mais de 5 mil anos, o ocidente ignorou o seu cultivo até a segunda décda
do século vinte, quando os EUA iniciaram sua exploração comercial- como forrageira
primeiro e depois como grão. A partir de 1940 a área destinada ao cultivo de grãos
começou a crescer de forma exponencial, não apenas nos EUA, como também no
Brasil e na Argentina, principalmente. Os três países são responsáveis por mais de
80% da produção mundial de soja. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de
soja, perdendo somente para os Estados Unidos. (MARZULLO, 2007)(Figura 2).
m
i
l
h
õ
e
s
d
e
100
90
80
70
USA
60
BRASIL
50
ARGENTINA
40
CHINA
30
INDIA
PARAGUAI
20
10
20
07
/0
8
20
06
/0
7
20
00
/0
6
19
90
/9
9
19
80
/8
9
19
70
/7
9
19
60
/6
9
19
50
/5
9
19
40
/4
9
0
19
35
/3
9
t
o
n
e
l
a
d
a
s
Figura 2- Evolução da produção de soja por país
Fonte: Embrapa Soja, 2008.
6
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
2.1.2 A soja no Brasil
O desenvolvimento da soja no Brasil ocorreu por volta de 1960 a 1970 no
estado do Rio Grande do Sul, cerca de 80% da produção concentrava-se na região
Sul. Atualmente, seu cultivo tem expandido pelo cerrado e também já chegou ao
norte do Brasil.
Para Cavalett (2008) os negócios gerados em torno da cultura da soja
movimentam a economia brasileira. O agronegócio é responsável por uma parcela
bastante significativa das exportações brasileiras e dos empregos gerados. Neste
cenário destaca-se a produção de soja, que nos últimos anos tornou-se um dos
principais produtos de exportação do país.
De acordo como relatório IBGE (2006 e 2007) a produção de soja no Brasil
aumentou, sendo que enquanto o valor da safra de 1990/1991 era de 15,4 milhões
de toneladas, na safra de 2005/2006, este valor era de 53,4 milhões de toneladas,
correspondente a um crescimento de 6,5% a.a., conforme apresentado na Figura 3.
60
milhões t
50
40
30
20
10
19
90
19 /91
91
19 /92
92
19 /93
93
19 /94
94
19 /95
95
19 /96
96
19 /97
97
19 /98
98
19 /99
99
20 /00
00
20 /01
01
20 /02
02
20 /03
03
20 /04
04
20 /05
05
/0
6
-
Figura 3: Produção de soja no Brasil
Fonte: CONAB, 2008
Como decorrência do aumento de produção, houve a expansão da área
plantada, que praticamente dobrou, sendo de 11,5 milhões ha no início do período e
de 22,9 milhões de ha em 2005, menor que o crescimento no período da produção,
em virtude do aumento da produtividade, que pode ser observada na Figura 5, muito
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
7
embora nos últimos anos tenha ocorrido uma queda de produtividade ( IBGE (2006 e
2007) .
25
milhões ha
20
15
10
5
19
90
19
91
19
92
19
93
19
94
19
95
19
96
19
97
19
98
19
99
20
00
20
01
20
02
20
03
20
04
20
05
-
Figura 4: Área colhida de soja no Brasil
Fonte: IBGE, 2007
2.9
2.7
t/ha
2.5
2.3
2.1
1.9
1.7
19
90
19
91
19
92
19
93
19
94
19
95
19
96
19
97
19
98
19
99
20
00
20
01
20
02
20
03
20
04
20
05
1.5
Figura 5: Produtividade da soja no Brasil
Fonte: IBGE, 2007
2.2 Manejo do Solo
O manejo do solo consiste num conjunto de operações realizadas com
objetivos de propiciar condições favoráveis à semeadura, ao desenvolvimento e à
produção das plantas cultivadas, por tempo ilimitado. Para que esses objetivos
sejam atingidos, é imprescindível a adoção de diversas práticas, dando-se prioridade
ao uso do Sistema Plantio Direta visto que envolve, simultaneamente, todas as boas
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
8
práticas conservacionistas. Alternativamente justificado, poderão ser utilizadas
práticas racionais de preparo do solo (EMBRAPA, 2007).
A absorção de nutrientes por uma determinada espécie vegetal é influenciada
por diversos fatores, entre eles as condições climáticas como chuvas e
temperaturas, as diferenças genéticas entre cultivares de uma mesma espécie, o
teor de nutrientes no solo e os diversos tratos culturais. Na Tabela 1, são
apresentadas as quantidades médias de nutrientes, contidos em 1.000 kg de restos
culturais de soja e em 1.000 kg de grãos de soja, considerando-se um solo virgem
para soja ,isto é que receberá o plantio de soja pela primeira vez.
Tabela 1 –Quantidade Absorvida e exportação de Nutrientes pela cultura da soja
Fonte: Embrapa Soja, 2007.
NITROGÊNIO
A soja obtém a maior parte do nitrogênio que necessita através da fixação
simbiótica que ocorre com bactérias do gênero Bradyrhizobium.
O nitrogênio (N) é o nutriente requerido em maior quantidade pela cultura da
soja. Estima-se que para produzir 1000 kg de grãos são necessários 80 kg de N.
considerando-se um solo virgem para soja, isto é que receberá o plantio de soja pela
primeira vez Basicamente, as fontes de N disponíveis para a cultura da soja são os
fertilizantes nitrogenados e a fixação biológica do nitrogênio (FBN) (EMBRAPA,
2007).
Fixação biológica do nitrogênio (FBN) - É a principal fonte de N para a cultura
da soja. Bactérias do gênero Bradyrhizobium, quando em contato com as raízes da
9
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
soja, infectam as raízes, via pêlos radiculares, formando os nódulos. A FBN pode,
dependendo de sua eficiência, fornecer todo o N que a soja necessita.
REGIÃO DOS CERRADOS
Adubação Fosfatada
A indicação da quantidade de nutrientes, principalmente em se tratando de
adubação corretiva, é feita com base nos resultados da análise do solo.
Na Tabela 2 são apresentados os teores de P extraível, obtidos pelo método
Mehlich I e a correspondente interpretação, que varia em função dos teores de
argila.
Tabela 2 - Interpretação de análise de solo para indicação de adubação
Fosfatada (fósforo extraído pelo método Mehlich I), para solos.
De Cerrado.
Fonte: Embrapa (2007)
Ao atingir níveis de P extraível acima dos valores estabelecidos nesta classe
utilizar somente adubação de manutenção.
Duas proposições são apresentadas para a indicação de adubação fosfatada
corretiva: a correção do solo de uma só vez, com posterior manutenção do nível de
fertilidade atingido e a correção gradativa, através de aplicações anuais no sulco de
semeadura (Tabela 3).
10
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
Tabela 3 - Indicação de adubação fosfatada corretiva, a lanço e adubação
Fosfatada corretiva gradual no sulco de semeadura, de acordo com a classe de
disponibilidade de P e o teor de argila, para solos de Cerrados.
Fonte: Embrapa soja, 2007.
Adubação Potássica
A indicação para adubação corretiva com potássio, de acordo com a análise
do solo, é apresentada na Tabela 4. Esta adubação deve ser feita a lanço, em solos
com teor de argila maior que 20%. Em solos de textura arenosa (<20% de argila),
não se deve fazer adubação corretiva de potássio, devido às acentuadas perdas por
lixiviação.
Tabela 4- Adubação corretiva de potássio para solos de Cerrados com
teor de argila >20%, de acordo com dados de análise de.
Solo
Fonte: Embrapa, 2007.
De acordo com Embrapa (2007) na semeadura da soja, como manutenção,
aplicá-se 20kg de K2O para cada 1.000 kg de grãos que se espera produzir.
Nas dosagens de K2O acima de 50 kg /ha ou quando o teor de argila for
<40%, fazer a adubação de 1/3 da quantidade total indicada na semeadura e 2/3 em
11
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
cobertura, 30 ou 40 dias após a germinação, respectivamente para cultivares de
ciclo mais precoce e mais tardio.
PARANÁ
Adubação com Fósforo e potássio
Tabela 5- Indicação de adubação com fósforo e potássio para a soja no
Estado do Paraná em solos com teor de argila >40%1
Fonte: Embrapa, 2007.
Quando o teor no solo for muito baixo, menor que 0,008 cmolc dm-3 ou 31 mg
dm-3, fazer adubação corretiva com 140kg há-1 de K2O a lanço e incorporar com
grade, além da adubação de manutenção na semeadura, indicada na tabela acima.
Adubação com Enxofre
Para determinar corretamente a necessidade de enxofre (S), deve-se fazer a
análise de solo em duas profundidades, 0 a 20 cm e 20 a 40 cm, devido à
1
Pode-se usar até 10kg a menos do que o indicado
12
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
mobilidade do nutriente no solo e o seu acúmulo na segunda camada. A Tabela 6
apresenta as quantidades recomendadas, de acordo com a classe de teores. No
solo, os níveis críticos são 10 mg dm-3 e 35 mg dm-3 para solos argilosos (> 40% de
argila) e 3 mg dm-3
e 9 mg dm-3
para solos arenosos (≤ 40% de argila),
respectivamente nas profundidades 0 a 20 cm e 20 a 40 cm (EMBRAPA, 2007).
Tabela 6-Indicação de Adubação de correção e de manutenção com enxofre
conforme as faixas de teores de enxofre no solo (mg dm-3 )a duas profundidades do
perfil do solo para a cultura da soja
M=Manutenção: 10kg para cada 1000kg de produção de grãos esperada
Fonte: Embrapa, 2007.
Considerando a absorção e a exportação do nutriente, a adubação de
manutenção corresponde a 10 kg de S para cada 1.000 de produção de grãos
esperada.
A análise de folhas deve ser realizada caso haja dúvidas com a análise de solo.
No mercado, encontram-se algumas fontes de S, que são: gesso agrícola (15%
de S), superfosfato simples (12% de S) e “flor” de enxofre ou enxofre elementar
13
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
(98% de S). Além disso, há várias fórmulas N-P-K no mercado que contém S
(EMBRAPA, 2007).
FUNGICIDAS
O tratamento das sementes com fungicidas oferece garantia de melhor
estabelecimento da população de plantas por controlar patógenos importantes
transmitidos pelas sementes, diminuindo a chance de sua introdução em áreas
indenes. As condições desfavoráveis à germinação e emergência da soja,
especialmente a deficiência hídrica, tornam mais lento esse processo, expondo as
sementes por mais tempo a fungos do solo, como Rhizoctonia solani, Pythium spp.
Fusarium spp. e Aspergillus spp. (A. flavus), entre outros, que podem causar a sua
deterioração ou a morte da plântula.
Os principais patógenos transmitidos pela semente de soja são: Cercospora
kikuchii, Cercospora sojina, Fusarium semitectum, Phomopsis spp. Anamorfo de
Diaporthe spp. e Colletotrichum truncatum. O melhor controle dos quatro primeiros
patógenos citados é propiciado pelos fungicidas do grupo dos benzimidazóis. Dentre
os produtos avaliados e indicados para o tratamento de sementes de soja,
carbendazin, tiofanato metílico e thiabendazole são os mais eficientes no controle de
Phomopsis spp., podendo assim ser considerados opção para o controle do agente
do cancro da haste, em sementes, pois Phomopsis é a forma imperfeita de
Diaporthe.
Os fungicidas de contato tradicionalmente conhecidos (captan, thiram e
tolylfluanid), que têm bom desempenho no campo quanto à emergência, não
controlam, totalmente, Phomopsis spp. e Fusarium semitectum nas sementes que
apresentam índices elevados desses patógenos (>40%).
Os fungicidas de contato e sistêmicos, indicados para o tratamento de sementes de
soja são apresentados na Tabela 7.
14
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
Tabela 7 –Fungicidas e respectivas doses para o tratamento de sementes de soja.
XXVII Reunião de Pesquisa de Soja da região central do Brasil Uberaba MG agosto,
2006.
Fonte-Embrapa, 2007.
HERBICIDAS
O controle de plantas daninhas é uma prática de elevada importância para a
obtenção de altos rendimentos em qualquer exploração agrícola e tão antiga quanto
a própria agricultura.
As plantas daninhas constituem grande problema para a cultura da soja e a
necessidade de controlá-las, um imperativo. Conforme a espécie, a densidade e a
distribuição da invasora na lavoura, as perdas são significativas.
15
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
A invasora prejudica a cultura, porque com ela compete pela luz solar, pela
água e pelos nutrientes, podendo, a depender do nível de infestação e da espécie,
dificultar a operação de colheita e comprometer a qualidade do grão.
Os métodos normalmente utilizados para controlar as invasoras são o
mecânico, o químico e o cultural. Quando possível, é aconselhável utilizar a
combinação de dois ou mais métodos.
O controle cultural consiste na utilização de técnicas de manejo da cultura
(época de semeadura, espaçamento, densidade, adubação, cultivar, etc.) que
propiciem o desenvolvimento da soja, em detrimento ao da planta daninha.
O método mais utilizado para controlar as invasoras é o químico, isto é, o uso
de herbicidas. Suas vantagens são a economia de mão de obra e a rapidez na
aplicação. Para que a aplicação dos herbicidas seja segura, eficiente e econômica,
exigem-se
técnicas
refinadas.
O
reconhecimento
prévio
das
invasoras
predominantes é condição básica para a escolha adequada do produto que resultará
no controle mais eficiente das invasoras.
A eficiência dos herbicidas aumenta quando aplicados em condições
favoráveis.
É fundamental que se conheçam as especificações do produto antes de sua
utilização e que se regule corretamente o equipamento de pulverização, quando for
o caso, para evitar riscos de toxicidade ao homem e à cultura. Os herbicidas são
classificados quanto a época de aplicação, em pré plantio, pré-emergentes e pósemergentes, e na do controle químico para a soja
Tabela 8, encontram-se os principais herbicidas indicados pela pesquisa. De acordo
com a comissão de plantas daninhas há uma recomendação das dosagens do
controle químico para a soja
Tabela 8-Alternativas para o controle químico de plantas daninhas para a cultura da
soja.
16
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
Fonte: Embrapa, 2007.
1A
escolha do produto deve ser feita de acordo com cada situação. É importante conhecer as especificações dos produtos
escolhidos.
2A
escolha da dose depende da espécie e do tamanho das invasoras para os herbicidas de pós-emergência e da textura do
solo para os de pré-emergência. Para solos arenosos e de baixo teor de matéria orgânica, utilizar doses menores. As doses
maiores são utilizadas em solos pesados e com alto teor de matéria orgânica.
3 PPI
= pré-plantio incorporado; PRÉ = pré-emergência; PÓS = pós-emergência; PÓSi = pós emergência inicial; i.a. =
ingrediente ativo.
4 Classe
toxicológica: I = extremamente tóxico (DL50 oral = até 50); II = altamente tóxico (DL50 oral = 50-500); III =
medianamente tóxico (DL50 oral = 500-5000); IV = pouco tóxico (DL50 oral = > 5000 mg/kg).
5 Juntar
adjuvante recomendado pelo fabricante. No caso de Blazer e Tackle a 170 g/L, dispensa o uso de adjuvante,
mantendo-se a dose por hectare.
* Antes de emitir recomendação e/ou receituário agronômico, consultar relação de defensivos registrados no Ministério da
Agricultura e cadastrados na Secretaria de Agricultura do estado (onde houver legislação pertinente).
Obs.: Aplicar herbicidas PRÉ logo após a última gradagem, com o solo em boas condições de umidade. Não aplicar herbicidas
PÓS durante períodos de seca, em que as plantas estejam em déficit hídrico.
INSETICIDAS
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
17
A cultura da soja está sujeita, durante todo o seu ciclo, ao ataque de diferentes
espécies de insetos. Embora esses insetos tenham suas populações reduzidas por
predadores, parasitóides e doenças, em níveis dependentes das condições
ambientais e do manejo de pragas que se pratica, quando atingem populações
elevadas, capazes de causar perdas significativas no rendimento da cultura,
necessitam ser controlados.
Apesar de os danos causados na cultura da soja serem, em alguns casos,
alarmantes, não se indica a aplicação preventiva de produtos químicos, pois, além
do grave problema de poluição ambiental, a aplicação desnecessária eleva os
custos da lavoura e contribui para o desequilíbrio populacional dos insetos.
O controle das principais pragas da soja deve ser feito com base nos princípios
do “Manejo de Pragas”. Consistem de tomadas de decisão de controle com base no
nível de ataque, no número e tamanho dos insetos-pragas e no estádio de
desenvolvimento da soja, informações estas obtidas em inspeções regulares na
lavoura com este fim. Em situações adversas, como estresse hídrico e excesso de
chuvas, o técnico também deverá considerar, na tomada de decisão para realizar o
controle dos insetos-pragas, o porte das plantas, o tamanho da área a ser tratada e
a disponibilidade de equipamentos. Nos casos das lagartas desfolhadoras e dos
percevejos, as amostragens devem ser realizadas com um pano-de-batida, de cor
branca, preso em duas varas, com 1m de comprimento, o qual deve ser usado em
duas (lagarta) ou uma (percevejo) fileira de soja. As plantas devem ser sacudidas
vigorosamente sobre o mesmo, promovendo a queda dos insetos, que deverão ser
contados. Esse procedimento deve ser repetido em vários pontos da lavoura,
considerando-se, como resultado, a média de todos os pontos amostrados.
Especificamente para os percevejos, as amostragens devem seguir as seguintes
indicações:
• Ser realizadas nos períodos mais frescos do dia, quando os percevejos se
movimentam menos;
• Ser feitas com maior intensidade nas bordas da lavoura, onde, em geral, os
percevejos iniciam seu ataque;
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
18
• Ser repetidas, de preferência, todas as semanas, do início da formação de
vagens (R3) até a maturação fisiológica (R7); e usar o pano-de-batida em
apenas 1m de fileiras de soja.
A simples observação visual sobre as plantas não expressa a população real
presente na lavoura, especialmente dos percevejos. O controle deve ser realizado
somente quando forem atingidos os níveis de danos mencionados na Tabela 9 e
Tabela 10.
Tabela 9-Insetos Praga da soja parte da planta2 que atacam
Continua
2
Br = brotos; Co = cotilédones; Fj = folhas jovens; Fo = folhas; Ha = hastes; No =nódulos; Pe = pecíolos; Pl = plântulas; Pp =
plantas pequenas; Ra = raízes; Se = sementes; Va = vagens.
(A) = adulto, (L) = larva.
19
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
Fonte: Embrapa, 2007.
Tabela 10-Níveis de ação de controle para as principais pragas da soja.
* Maiores de 1,5cm e considerando a batida de 2 fileiras de soja sobre o pano.
** Maiores de 0,5cm e considerando a batida de apenas 1 fileira de soja sobre o pano.
Fonte: Embrapa, 2007.
20
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
Na tabela 11 consta a lista dos insetos praga da safra 2006:
Tabela 11-Inseticidas indicados para outras pragas da soja safra 2006/2007 3
Fonte: Embrapa, 2007.
Alguns efeitos colaterais dos insetos praga em predadores de sangue quente
são listados abaixo:
Tabela 12 – Efeitos colaterais dos insetos praga4
3
A dose em g/100kg de semente, correspondente a 200ml do produto comercial/100kg de semente.
(Índice de segurança (I.S.) = 100 x DL50/dose de i.a.); considera o risco de intoxicação em função da formulação e da
quantidade de produto a ser manipulado; quanto menor o índice, menor a segurança.
4
21
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
continua
Fonte: Embrapa, 2007.
Para analisar comparativamente os efeitos ambientais decorrentes da
produção de soja e seus impactos no uso do solo, utilizou-se o método de avaliação
de ciclo de vida (ACV).
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
22
2.3 Conceitos da Avaliação do Ciclo de Vida
Ciclo de vida do produto é o conjunto de etapas necessárias para que um
produto cumpra a função, desde a obtenção dos recursos naturais até a disposição
final após ter se completado o referido cumprimento de função.
A ACV pode ser definida como um método capaz de “Avaliar um produto,
atividade ou processo, identificando e quantificando a energia, os materiais
utilizados e os resíduos liberados para o meio ambiente, com o objetivo de por em
prática, melhorias ambientais” (UDO de HAES, 1996).
A técnica de ACV é realizada mediante quatro fases, como mostrado na
Figura 6 ( ABNT,2009) que compreende:
•
Definição de Objetivo e escopo;
•
Inventário de entradas e saídas;
•
Avaliação dos impactos ambientais potenciais associados a essas entradas e
saídas;
•
Interpretação dos resultados das fases de análise de inventário e de
avaliação de impactos.
23
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
Figura 6 -Fases de uma ACV
Fonte: ABNT, 2009.
Conforme apresentado na Figura 6 , a ACV pode ser utilizada para a
identificação de oportunidades com o intuito de aperfeiçoar os aspectos ambientais
dos produtos em vários pontos de seu ciclo de vida. O uso da ACV proporciona uma
avaliação ampla dos aspectos e impactos desde a extração da matéria – prima até o
descarte do material, podendo ser aplicado em melhoria de produto, planejamento
estratégico, entre outras aplicações.
A avaliação do ciclo de vida permite: uma contabilização ambiental, onde se
consideram as retiradas de recursos naturais e energia da natureza e as
”devoluções” para o meio ambiente; e a avaliação dos impactos ambientais
potenciais relativos às entradas e saídas do sistema.
Conforme Marzullo (2007), a Avaliação do Ciclo de Vida do produto pode ser
considerada a primeira e única ferramenta de avaliação ambiental padronizada em
termos internacionais (com as normas da série ISO 14040). Os princípios básicos
que distinguem a ACV dos demais métodos de avaliação ambiental são: a
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
24
possibilidade de condução da análise desde a extração da matéria-prima ao
descarte do material conforme a Figura 7, referência dos aspectos e impactos a uma
“unidade funcional” como uma mensuração quantitativa da função ou benefício do
sistema e conseqüente possibilidade de ser um instrumento comparativo. Está
representada em blocos que devem corresponder a processos ou ações, devendo,
circular energia e materiais, como por exemplo: eletricidade (energia), sementes
(material A), defensivos agrícolas (material B).
Figura 7- Principais fases associadas ao ciclo de vida de um produto
Fonte: Caldeira-Pires, Rabelo e Xavier, 2002.
Weidema (1997) apresenta os seguintes conceitos sobre a ACV que têm
grande importância para compreensão:
a) Ambiente: meio que envolve as operações da organização (empresa,
atividade) analisada.
b) Impacto ambiental: qualquer mudança no ambiente, adversa ou
benéfica, resultado de atividades ou produtos da organização.
c) Intervenções: são os inputs ambientais (recursos) utilizados pelo
sistema de produção; os outputs ambientais produzidos pelo sistema
(emissões para o ar, água e solo), bem como as relações ambientais
que não estão diretamente relacionadas com os inputs ou outputs, tais
como, uso do solo; impactos físicos; aspectos relativos à saúde
ocupacional; bem-estar de trabalhadores, entre outros.
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
25
d) Produto: é um bem físico ou serviço não-material que cumpre uma ou
mais funções definidas.
e) Sistema de Produção: é o conjunto, material ou energético, de
processos unitários conectados que oferece um ou mais produtos. Num
sistema de produção, um processo unitário é o menor nível para a coleta
de dados.
As etapas da ACV estão internacionalmente difundidas pela Society of
Environmental Toxicology and Chemistry (SETAC-Sociedade Ambiental de Química
e toxicologia) e padronizadas pela International Standardization Organization (ISOOrganização de Padronização Internacional). A ACV é dividida em quatro fases
principais: definição do objetivo e do escopo do estudo, inventário dos processos
envolvidos, com enumeração das entradas e saídas do sistema; determinação dos
impactos ambientais associados às entradas e saídas do sistema; interpretação dos
resultados das fases de inventário e avaliação, considerando os objetivos do estudo
(Berlin, 2002).
2.4
Definição do Objetivo e escopo
A definição de objetivo e escopo, segundo a norma NBR ISO 14044(2009),
deve ser determinada na etapa de definições. O objetivo do estudo deve declarar a
aplicação pretendida, as razões para sua condução e o seu público–alvo, para quem
se espera comunicar os resultados do estudo.
Nesta etapa a importância da meta e o alcance são o de definir e limitar o
modelo do sistema de forma que, caso haja seja utilizado alguma simplificação, o
resultado não seja prejudicado quando analisados com os dados reais.
Um estudo de ACV é uma técnica interativa. À medida que as informações
são coletadas, alguns aspectos do escopo podem demandar alteração para atingir o
objetivo inicial do estudo.Em alguns casos, o próprio objetivo do estudo pode ser
revisado devido a imprevistas limitações.
O objetivo deve partir da clara definição do sistema do produto ou serviço. Isto
envolve a definição da chamada unidade funcional, esta define a quantificação das
funções identificadas. A principal característica da unidade funcional é fornecer uma
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
26
referência com relação à qual os dados de entrada e saída são padronizados. Esta
deve ser claramente definida e mensurável.
Após a definição da unidade funcional, a quantidade de produto que é
necessário para cumprir a função deve ser quantificada. Resultando no fluxo de
referência.
O fluxo de referência é utilizado para realização dos cálculos de entrada e
saída do sistema.
Segundo a norma NBR ISO 14044 (2009) as fronteiras do sistema definem os
processos elementares a serem incluídos no sistema a ser modelado. Seria
recomendável que o sistema de produto fosse modelado de tal modo que as
entradas e saídas se tornassem fluxos elementares. Devem ser tomadas decisões
relativas a que liberações para o meio ambiente devem ser avaliadas e qual
detalhamento desta avaliação. É recomendado que os critérios utilizados para apoiar
a escolha das entradas e saídas sejam claramente compreendidos e descritos.
O escopo refere-se a três dimensões básicas: a extensão, indicando início e
término do estudo; a largura indicando os níveis de análises a serem incluídos e a
profundidade que estabelece qual nível de detalhamento da análise. As três
dimensões devem ser realizadas de forma a atender os objetivos estabelecidos.
2.5 Análise de Inventário (ICV)
De acordo com a NBR ISO 14044 (2009), nesta etapa é elaborado um modelo
de ciclo de vida para o produto em questão considerando todos os fluxos ambientais
de entrada e saída. A análise do inventário refere-se à coleta de dados e ao
procedimento de cálculo para que se possa fazer o agrupamento destes dados em
categorias ambientais utilizáveis e comparáveis. A Figura 8 a seguir apresenta as
etapas operacionais a serem realizadas em um inventário do Ciclo de vida
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
27
Figura 8 – Procedimentos Simplificados para análise de Inventário (ABNT NBR ISO
14044 2009)
Nesta etapa de análise de inventário, o escopo e os objetivos de um estudo
fornecerão o plano inicial para a realização do estudo, estabelecendo um conjunto
de processos elementares e categoria de dados associados. Esta fase da análise do
ciclo de vida pode tornar-se uma das mais difíceis e trabalhosas em função da não
disponibilidade dos dados ou da qualidade dos dados disponíveis. Portanto a análise
toma em consideração a avaliação da qualidade dos dados e análises de
sensibilidade de entradas e saídas e escolhas de metodologias, de modo a
compreender as incertezas dos resultados. A análise de inventário deve considerar
alguns aspectos em relação ao estudo:
a)
A adequada definição do sistema e sua unidade funcional
b)
A definição de fronteira do sistema
c)
Limitações identificadas pela avaliação de qualidade dos dados e pela
análise de sensibilidade.
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
28
Nestes casos, a Avaliação de Impacto do Ciclo de Vida não é realizada,
reduzindo tanto a definição do escopo quanto a interpretação. É recomendável que
os resultados sejam interpretados com cautela porque eles se referem a dados de
entradas e saídas e não a impactos ambientais.
Além disso, incerteza é introduzida nos resultados de um ICV pelos efeitos
cultivos das incertezas das entradas e pela variabilidade dos dados. A análise de
incerteza como aplicada ao ICV é uma técnica em fase embrionária. Não obstante,
ela pode ajudar a caracterizar a incerteza nos resultados e conclusões usando faixas
e/ou distribuições de probalidade. Sempre que possível, é recomendável que tal
análise seja realizada para explicar melhor e apoiar as conclusões do ICV.
Os componentes-chave para uma análise de inventário do Ciclo de vida
segundo a norma NBR ISO 14044 (2009) são:
a) Sistema do produto: conjunto de unidades de processo, conectadas
material ou energeticamente, que realiza uma ou mais funções
definidas. É, portanto o detalhamento do modelo a ser estudado na
ACV. A descrição de sistema de produto inclui os processos
elementares, fluxos elementares, fluxos de produto através das
fronteiras do sistema e fluxos de produtos intermediários dentro do
sistema.
b) Processo elementar: divisão do sistema de produtos, sendo interligados
uns aos outros, mediante fluxos de produto e ao meio ambiente por
fluxos elementares.
c) Categoria de dados: os dados coletados, medidos e estimados são
utilizados para quantificar as entradas e saídas de um processo
elementar.
A norma NBR ISO 14044 (2009) recomenda três grandes conjuntos de
categoria de dados:
-Insumos-energia, matérias primas, matérias auxiliares e outras entradas
físicas;
-Produtos
29
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
-Emissões (ar, água, solo, etc).
As principais etapas do inventário do Ciclo de Vida são apresentadas a seguir:
1. Preparação para Coleta de dados
Esta etapa deve incluir:
-construção
de
fluxogramas
dos
processos
unitários,
incluindo
suas
interrelações;
-descrição de cada processo e listagem das categorias de dados a estes
associadas;
-determinação das unidades de medida;
-determinação e descrição dos métodos de coleta e cálculo para cada
categoria de dado, e;
-provisão de instruções para documentação de casos especiais, irregularidades
, etc.
2. Coleta de dados
Na coleta de dados, os procedimentos usados variam de acordo com cada
processo elementar, sendo necessário um conhecimento completo sobre cada
processo elementar e com registro de cada um destes.
As principais fontes de dados são: Especialistas, dados da literatura, banco de
dados eletrônicos, dados repassados por empresas, órgãos do governo,
laboratórios, etc) e medições feitas diretas no campo,podendo o procedimento de
coleta ser realizado por exemplo,através de revisão bibliogáfica, aplicação de
quatonários específicos ,cálculos teóricos a partir de modelos ou medições de
campo. Ao final desta etapa de coleta o que se obtém é uma planilha de aspectos
ambientais quantificados para cada processo em separado.
Os procedimentos utilizados para a coleta dos dados variam de acordo com
cada processo elementar nos diferentes sistemas modelados por um estudo de
ACV. A coleta de dados requer conhecimento completo sobre cada processo
elementar. Os dados coletados, medidos, calculados ou estimados são utilizados
para quantificar as entradas e saídas de um processo elementar.
As entradas
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
30
podem ser: entradas de energia, de matéria-prima, auxiliar ou outras entradas
físicas, as saídas são principalmente: emissões para atmosfera, para a água e para
o solo.
3.
Procedimentos de cálculo
Estes são necessários, assim como o procedimento para coleta de dados.
Adequar os processos unitários e a unidade funcional, além de avaliar sua
qualidade. Este procedimento pode ser dividido nas seguintes etapas (NBR ISO
14044:2009):
I-Validação dos dados: verificações dos balanços de massa e energia, análises
comaprativas, etc. procedimentos para detectar, ainda em uma fase inicial,
quaisquer anomalias existentes, e determinar o que se deve ser feito na ausência
do dado desejado;
II-adequação dos dados à unidade funcional: transformação dos valores
obtidos para cada processo, na base unitária de cada um, a uma mesma base de
cálculo referente à unidade funcional (por exemplo, 1 kg de produto, 1MJ de energia,
etc), fazendo tanto as necessárias alocações das cargas ambientais como a
conversão de unidades;
III-agregação de dados: Os dados obtidos em uma única tabela devem ser
agregados. Na verdade, a medição dos aspectos das etapas de transporte em t.km
existe como uma forma de alocar, a cada tonelada transportada, apenas a
respectiva parcela dos aspectos ambientais.
Para o planejamento do inventário de ciclo de vida, além da série 14040 da
ABNT existem também os estudos do Centro Suíço para Inventário de ciclo de vida,
através do software ecoinvent, cujo projeto começou a partir dos anos 90. Ele é
composto por mais de 4000 dados de produtos, serviços e processos utilizados em
ACV, tais como energia (incluindo petróleo, gás natural, carvão, energia nuclear,
energia, hidroelétrica, energia fotovoltaica, energia térmica, energia eólica,
combinação de eletricidades e biocombustíveis), transporte, materiais de construção,
madeira (européias e tropicais), fibras renováveis, metais (incluindo metais
preciosos), químicos (incluindo solventes petroquímicos e detergentes), eletrônicos,
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
31
engenharia mecânica (metais e tratamento de ar comprimido), papéis e celulose,
plásticos e tratamento de produtos e resíduos agrícolas (FRISCHKNECHT, 2007).
De acordo com Frishchknecht et al. (2007) o objetivo do Centro Suíço para
Inventários de Ciclo de Vida é oferecer um conjunto unificado e genérico para o
inventário de ciclo de vida com dados de alta qualidade, incluindo áreas de energia e
bioenergia, transporte, gestão de resíduos, mecânica.
A confiabilidade e, portanto, a aplicabilidade dos resultados da ACV depende
da qualidade dos dados e das informações originais. Dessa forma, o manejo da
qualidade dos dados deve ser uma parte integrada a ACV. Essa qualidade pode ser
aferida pelo uso de indicadores para cada conjunto de dados que especificam sua
qualidade em relação à maneira como serão utilizados no estudo.
Frishchknecht et al. (2007) investiga os produtos e processos agrícolas através
do relatório nº 1513 e relatório parcial nº 17, que tem como base estudos em ACV
no setor de alimentos , mas em parte também apresenta outras aplicações , tais
como energia renováveis nos sitemas de energia ou de materiais renováveis. Os
dados são divididos em duas categorias: meios de produção agrícola e produção
agrícola. Meios de produção agrícola contêm conjuntos de dados que são
necessários para a modelagem de sistemas agrícolas, como prédios, pesticidas,
sementes e alimentos. Eles são destinados a usuários que desejam calcular a ACV.
Os fertilizantes são baseados em na situação de produção européia, pesticidas na
Europa e situação na Suíça. Os fertilizantes são calculados com os respectivos
nutrientes (N kg, kg de P2O5 e kg de K2O), como fluxo de referência, os pesticidas
referem-se à substância ativa. Vários processos de trabalhos são definidos. A fim de
permitir o uso flexível, esses processos contêm o uso da infaestrutura e de
combustível, bem como as relações de emissões, mas não os outros insumos como
sementes, fertilizantes e pesticidas. Estes últimos são adicionados de forma
particular. A produção de agricultura contém produtos da agricultura. Estes conjuntos
de dados se destinam para utilizadores que necessitem de dados não-agrícolas em
seu estudo de ACV. Os produtos agrícolas no banco de dados ecoinvent são
representativos na Suíça (culturas agrícolas), bem como de produtos provenientes
da Ásia, EUA e Brasil. Para produtos agrícolas da Suíça, os conjuntos de dados para
produção agrícola integrada, ampla e orgânica são definidos, para os outros países,
Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica
32
conjuntos de dados referem-se a média de produção convencional. Eles podem ser
utilizados para estudos de ACV e para comparações no nível d produto, mas não
para avaliação e comparação dos diferentes sistemas agrícolas. Os impactos
ambientais da produção agrícola dependem das condições naturais (solo, clima),
técnicas agrícolas e rendimentos, e varia fortemente dentro dos países. Assim
recomenda-se pelo ecoinvent investigar os dados da situação específica no caso de
produtos agrícolas.
Capítulo 3 – Método
33
3 MÉTODO
Neste capítulo é realizado o levantamento do ICV da soja segundo as etapas
propostas na (NBR ISO 14044:2009).
3.1 Definição do Objetivo e escopo do Estudo
3.1.1 Objetivo
O objetivo do presente estudo é disponibilizar um Inventário do ciclo de Vida
(ICV) para a soja nas condições do Brasil. Sua principal aplicação encontra-se nos
estudos de ACV de produtos que utilizem a soja como matéria-prima, principlamente
o biodiesel no Brasil.
A justificativa para a realização deste estudo se encontram na disponibilização
de base de dados nacional para se desenvolver ACVs sobre este tema no Brasil.
De acordo com a ferramenta de ACV na primeira etapa são definidos o objetivo
e escopo, e, portanto primeiramente será determinado a fronteira do sistema. A
proposta deste trabalho em relação a esta definição é de que todas as informações
necessárias para execução da ACV sejam incorporadas à ferramenta do uso do
solo. O objetivo principal desta ACV é identificar os principais impactos do uso do
solo na fase agrícola da soja para produção do Biodiesel no Brasil, abrangendo os
seguintes processos principais: pré-semeadura5, semeadura6 e manejo, com os
macros e micronutrientes, defensivos agrícolas, fertilizantes, área total de plantio,
sementes e grãos. Sendo o foco da análise do estudo os impactos da produção de
soja, foi considerado como unidade funcional 58 milhões de toneladas de grãos de
soja produzidos nestas fases, que serão a base para a análise e comparação dos
sistemas (CONAB, 2010).
5
Pré-Semeadura é a fase de tratamento das sementes e aplicação dos micronutrientes de adubação do solo. Semeadura é a
fase de adubação dos principais macronutrientes no solo e inserção da semente no solo (Embrapa, 2007).
6
Semeadura é fase de adubação dos principais macronutrientes no solo e inserção da semente no solo (Embrapa, 2007).
Capítulo 3 – Método
34
3.2 Definição do escopo
Apesar da ACV ser uma metodologia com etapas padrões, de acordo com a
norma NBR ISO 14044 (2009), a abrangência do estudo pode ocasionar
discrepâncias entre dois estudos do mesmo objeto. O escopo deste estudo de ACV
aborda a definição da função do produto, da unidade funcional, do fluxo de
referência, do sistema de produto e do critério de alocação.
3.2.1 Função, unidade funcional e fluxo de referência.
A função selecionada para este estudo de ACV da semente de soja é a
produção de grãos de soja.
A unidade funcional do produto semente de soja será capacidade de produzir
1t de grãos de soja.
O fluxo de referência estabelecido foi de um processo que produza 1 tonelada
de grãos de soja.
De acordo com CONAB (2010) foram produzidos em 2006 58,4 MMt utilizando,
aplicando-se no solo 2,7 MMt de sementes em uma área correspondente a 20,8 MM
h a . Portanto para a obtenção de 1t de grãos de soja em 2006 são necessários
2,148E+01 kg de semente em 0,356 ha de terra.
3.2.2 Sistemas do produto e limites do sistema
O sistema do produto é do berço ao portão, não tendo sido incluídas a fase de
transporte, Processo de esmagamento ,transporte do farelo e transporte do óleo.
3.2.3 Categorias de impacto
Neste trabalho não foi realizada a análise de categoria de impacto relacionada
com a soja.
3.2.4 Categorias de dados
Os dados foram coletados categorizados em entradas e saídas. Em seguida,
as entradas foram classificadas em recurso renovável e não-renovável. Grande parte
dos dados é proveniente da EMBRAPA e pesquisadores da área de agronegócio,
através de entrevistas por telefone e contato por email.
35
Capítulo 3 – Método
As saídas foram divididas em emissões para o ar, para a água e para o solo
e, posteriormente nas subcategorias apresentadas na Tabela 13.
Tabela 13: Categorias e subcategorias do ICV
Categorias
Ar
Recursos
Solo
Água
Subcategorias
Baixa densidade populacional
Baixa densidade populacional, longo prazo
Baixa estratosfera + troposfera
Alta densidade populacional
Não especificado
No ar
Biótico
No solo
Solo (uso e ocupação do solo)
Na água
Agricultura
Floresta
Industrial
Não especificado
Subterrânea, longo prazo
Lago
Oceano
Rio
Rio, longo prazo
Fóssil, não especificado
Fonte: Frischknecht et al, 2007.
3.2.5 Requisitos iniciais da qualidade dos dados
De acordo com dados do relatório do CNPq (2010) para calcular a incerteza
dos dados, considerou-se os seguintes requisitos iniciais da qualidade dos dados.
1)
Cobertura temporal: 2006
2)
Região: Brasil
3)
Tecnologia utilizada: dados da tecnologia média utilizada no país
4)
Precisão, completeza e representatividade dos dados: 90%
5)
Consistência e reprodutibilidade dos métodos usados ao longo da ACV
(métodos de medição alocação e agregação utilizada)
Tendo em vista que nem todos os dados obtidos correspondem aos requisitos
iniciais estabelecidos, é necessária a avaliação do desvio, que foi realizada de
acordo com Frischknecht et al. (2007), em que se utiliza a Matriz Pedigree (
36
Capítulo 3 – Método
Tabela 14).
Tabela 14: Matriz Pedigree
Pontuação
Confiança
Completeza
Dados representativos de um
número suficiente de empresas
durante um peróodo que
permita eliminar flutuações
Dados parcialmente
Dados representativos de um
2
verificados e baseados em pequeno número de empresas,
hipóteses ou dados não
mas para os períodos
berificados, mas baseados
adequados
em medições
Dados não verificados e
Dados representativos de um
3
parcialmente baseados em
número adequado de
hipóteses
empresas, mas para períodos
pequenos
4 Estimativas verificadas ou Dados representativos, mas de
estimativas qualificadas
um número pequeno de
(realizados por peritos)
empresas e de períodos
reduzidos, ou incompletos mas
de um número adequado de
empresas e períodos
Representatividade
5 Estimativas dos dados não
qualificados e não
desconhecida, ou dados
verificadas
incompletos de um pequeno
número de empresas e/ou de
reduzidos períodos.
1
Dados verificados e
baseados em medições
Correlação
temporal
Diferença máxima
de 3 anos face ao
ano de estudo
Correlação
geográfica
Dados provenientes
da área em estudo
Correlação
tecnológica
Dados da empresa
em estudo
Menos de 6 anos
de diferença
Dados médios
respeitantes a uma
área maior do que a
área em estudo, mas
que a engloba
Dados de uma área
com condições de
produção
semelhantes
Dados de uma área
com condições de
produção com
algumas
semelhanças
Dados relativos aos
mesmos processos /
materiais, mas de
outras empresas
Dados dos mesmos
processos /
materiais, mas
diferente tecnologia
Dados relativos a
processos /
materiais
semelhantes, mas
tecnologia análoga
Dados de área
desconhecida, ou de
área com condições
de produção muito
diferentes.
Dados relativos a
processos /
materiais
semelhantes, mas
tecnologia diferente.
Diferença máxima
de 10 anos
Diferença máxima
de 15 anos
Idade dos dados
desconhecida ou
superior a 15 anos
Fonte: Weidema e Wesnaes, 1996.
A partir da pontuação de cada dado na Matriz Pedigree, foi realizado o cálculo
das incertezas por meio da Equação 1, em que Ui são os fatores de incerteza,
conforme a Tabela 15 e Ub é a incerteza básica dada em Frischknecht et al. (2007).
Equação 1
Tabela 15: Fatores de Incerteza
Pontuação
do
indicador
Confiança na fonte
Completeza
Correlação temporal
Correlação
geográfica
Correlação
tecnológica
Tamanho da Amostra
1
2
3
4
5
1.00
1.00
1.00
1.00
1.05
1.02
1.03
1.01
1.10
1.05
1.10
1.02
1.20
1.10
1.20
1.50
1.20
1.50
1.10
1.20
1.50
2.00
1.05
1.10
1.20
1.00
1.00
1.02
Fonte: Frischknecht et al., 2007.
A tabela abaixo foi utilizada como modelo para o inventário do ciclo de vida da soja
37
Capítulo 3 – Método
Tabela 16: Modelo para coleta de dados do ICV da soja
Responsável:
Processo:
Início do processo:
Final do processo:
Produto:
Quantidade de produto:
Fluxograma do processo em anexo!
Quantidade
Categoria
Subcategoria
Ano
Região
Tecnologia
Representatividade no Brasil
Dados completos (Se não, descrever)
Forma de obtenção dos dados
Co
nf
ia
In
nç
te
a
gr
al
id
ad
Te
e
m
po
r
G
eo al
gr
á
Te
fic
cn
a
ol
óg
Am ica
os
t ra
U
1
Matriz Pedigree
Unidade
Entradas
Saídas
Os processos do inventário de ciclo de vida da soja a serem considerados são
representados, de forma simplificada, na Figura 9
Figura 9– Fluxogramas dos Processos das fases agrícolas da soja
38
Capítulo 3 – Método
Fonte: Nemecek et Erzinger, 2003.
Esta definição de fronteiras é justificada pelas questões abaixo:
1) A adição de fertilizantes (macronutrientes e micronutrientes) e
defensivos agrícolas (fungicidas, herbicidas e inseticidas) deve ser
considerada
na
avaliação
ambiental
por
representar
relevada
importância na produção do uso do solo.
2) A semente corresponde a entrada principal para o inventário da présemeadura, fase de preparação da semente.
3) Todos os processos do inventário da soja tem como entrada água e
energia
3.3 Análise do inventário da ACV
A próxima etapa da ACV á análise de inventário. A primeira das cinco etapas
da análise de inventário é a preparação para a coleta dos dados, específica para a
soja como produto. Neste trabalho foi realizado através de estudos de trabalhos
científicos realizados pela Embrapa, Pesquisadores da soja e ONG’s relacionadas
ao solo.
A etapa seguinte no processo de análise de inventário é a coleta de dados. A
coleta de dados para o inventário foi realizada através de pesquisa qualitativa e
quantitativa para ano de 2006 no Brasil, visando extrair as informações que fossem
mais representativas em termos de qualidade de uso do solo para a soja no Brasil.
A coleta de dados para o inventário do ciclo de vida (ICV) da fase agrícola da
soja foi realizada em Maio de 2009, através de entrevistas aos pesquisadores da
Embrapa soja de Londrina Prof Fábio Alvares e Julio Franchini (informação verbal) e
leitura das publicações “Tecnologias de Produção de soja Região Central do Brasil
2007” e “Tecnologias de Produção de soja -Paraná 2007” (EMBRAPA, 2007). Todos
os dados foram coletados para o ano base 2006.
Todas as entradas (matéria-prima e materiais auxiliares) são consideradas
como um recurso de subcategoria não-renovável na natureza para o ano Base de
2006, na região do Brasil para uma tecnologia média e 100% de representatividade.
39
Capítulo 3 – Método
A forma de obtenção dos dados foi calculada para todas as entradas, menos para a
água que entra no ciclo da soja e constitui um dado medido pela Embrapa, (2007).
Após a coleta, os dados foram inseridos em planilhas do Excel, conforme
modelo apresentado no Capítulo 4.
Os principais elementos contidos no inventário que serviram como base de
cálculo foi: quantidade de sementes(t), quantidade de grãos (t) e área (ha). Além
destes elementos o inventário possui entradas: matéria prima e materiais auxiliares,
água e energia. Os elementos necessários para cada entrada são: unidade, dose,
quantidade
aplicada,
categoria,
subcategoria,
ano,
região,
tecnologia,
representatividade no Brasil, dados completos, forma de obtenção dos dados, matriz
pedigree (confiança, integralidade, temporal, geográfica, tecnológica e amostra)
conforme
Tabela 14, e a fonte da pesquisa.
A terceira etapa na análise de inventário é a de procedimentos de cálculo, que
deve ser iniciada com balanços de massa e energia. Neste trabalho foram realizadas
as conversões de unidades, balanços de massa e cálculos de incerteza para
confiabilidade dos dados do inventário, cujas etapas serão descritas a seguir:
I. Após seleção dos dados de entrada, todas as doses foram alteradas para
unidades no sistema internacional, massa (Kg) e superfície m2.
II. Para cada entrada de material (fertilizantes, sementes, micronutrientes,
macronutrientes, defensivos agrícolas (herbicidas, fungicidas e inseticidas)
foram realizados os cálculos da quantia aplicada total para o processo de
produção dos grãos de soja, considerando-se a área total de plantio de soja
no Brasil).
Para as entradas de fertilizantes químicos NPK (Nitrogênio, Fósforo e
Potássio) está diretamente ligado à produtividade. Para Embrapa, (2007) quando se
deseja uma produtividade de 1000 kg, a quantidade de nitrogênio, fósforo e
potássio, devem ser respectivamente: 80kg, 20kg e 20kg. Essa situação é
40
Capítulo 3 – Método
considerada como o pior caso para a semeadura, parte do princípio que o solo
nunca foi recebeu a soja, portanto precisa ser adubado com esses fertilizantes.
3.4 Uso do solo
A última verificação a ser realizada é a análise do inventário de ocupação e
transformação do uso do solo.
A partir dos dados do inventário da fase agrícola da soja, foi realizado o
cálculo da área de ocupação e transformação do uso do solo, baseado em
Frischknecht et al. (2007).
Onde a área AT corresponde à área total ocupada para a produção de soja de
1970 a 2006, totalizando 36 anos de ocupação, mt sinaliza a produção de grãos de
soja na safra 2006. A ocupação do solo é calculada pela divisão da área total usada
sobre um período de tempo pela quantidade de grãos extraídos por ano para uma
dada região. A unidade do impacto de ocupação é dado em m2a.
O impacto de ocupação do uso do solo é obtido pela Equação abaixo:
AOn =
ATn
mTn ,
Equação 2.
Onde: Ao é a área ocupada no ano n;
AT é a área total no ano n e;
mT é a massa total produzida no ano n;
Onde a área AT corresponde à área total ocupada para a produção de soja em
2006, mT sinaliza a produção de grãos de soja na safra 2006. O do impacto de
ocupação é dado em área por ano (m2a).
Em relação ao impacto de transformação do Uso do solo, o cálculo é realizado
dividindo-se a área total em (m2) pela produção total de tempo de vida. Conforme a
equação abaixo:
,
Equação 3.
Capítulo 3 – Método
41
Onde: ATr é a área transformada no ano n;
AT é a área total no ano n e;
Tttr é o tempo de transformação no ano n;
MT é a massa total produzida no ano n;
Onde a área ATr corresponde à área total transformada para a produção de
soja em 2006, mT sinaliza a produção de grãos de soja na safra 2006 e ttr é o
tempo do ciclo de vida total da cultura a ser analisada. A unidade do impacto de
transformação é dado em unidades de área por Kg.
Todos os cálculos foram realizados considerando-se somente o tempo de
ocupação ciclo do plantio da soja no Brasil, não foram consideradas as culturas
anteriores e paralelas entre safras.
42
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1
Dados da soja no Brasil
A fim de avaliar a aplicabilidade da ferramenta apresentada no capítulo 3, foi
realizado o estudo a partir da coleta de dados da produção de grãos de soja para o
Brasil da safra 2006/2007. De acordo com a Figura 10 a produção de soja foi cerca
de 58.381.800 t de soja
e a área plantada foi em torno de 20.686.800 ha. A
produtividade média foi de 2823kg/ ha .
Figura 10 – Produção Brasileira de soja – Safra 2006/2007
Fonte: Conab, 2010.
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
43
A Figura 11 apresenta a evolução da produção dos estados brasileiros na
produção de soja ,observa-se que a região central vem crescendo ano após ano e
se destacando como líder na produção de soja no Brasil , de 1970 a 2007 cresceu
em torno de 75 vezes de 500 toneladas para 37,8 milhões de toneladas, enquanto a
região sul cresceu apenas 3 vezes (7,3 milhões para 22,1 milhões de toneladas).
Figura 11 – Evolução da produção por estado
Fonte: Embrapa Soja, 2008
44
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
A Figura 12 apresenta algumas informações sobre os dois maiores produtores
de soja no Brasil: Mato Grosso e Paraná. O Mato Grosso de destaca como maior
produtor brasileiro e Paraná com o segundo maior produtor.
1,000E+08
MT
1,000E+05
1,000E+02
Paraná
t
ha
kg/ha
Produção
Área plantada
Produtividade
MT
1,536E+07
5,125E+06
2,997E+03
Paraná
1,192E+07
3,998E+06
2,995E+03
Figura 12- Dados de Produção Paraná e Mato Grosso
Fonte: Embrapa soja, 2008.
4.1.1 Premissas para produção de Soja no Brasil
A soja é produzida em um sistema de agricultura moderna industrial, baseado
no uso de energia fóssil, insumos industriais, fertilizantes químicos, agrotóxicos,
mecanização, pouca mão-de-obra, variedades geneticamente modificadas de alto
potencial produtivo além de muitos outros recursos não renováveis. Ainda, a
expansão sem controle da monocultura de soja promoveu o desmatamento da maior
parte do ecossistema do Cerrado e agora ameaça a floresta amazônica. Os
problemas sociais e ambientais resultantes deste modelo agrícola têm sido
amplamente relatados tais como o declínio da fertilidade do solo, intoxicação de
pessoas e animais por produtos tóxicos, expulsão de pequenos agricultores de suas
terras, contaminação do solo e da água, erosão ou assoreamento dos rios,
(CAVALETT, 2008).
No gráfico abaixo se observa uma evolução da produção de mundial soja até o
ano 2008, o Brasil se destaca como segundo maior produtor de soja, e responsável
por aproximadamente 40% da produção mundial de soja (CONAB, 2010).
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
45
Figura 13 – Evolução da Produção de Soja por país
Fonte: Embrapa soja, 2008.
4.1.2
Exigências Climáticas
A água constitui aproximadamente 90% do peso da planta, atuando em,
praticamente, todos os processos fisiológicos e bioquímicos. Desempenha a função
de solvente, através do qual: gases, minerais e outros solutos entram nas células e
movem-se pela planta. Tem, ainda, papel importante manutenção e distribuição do
calor.
A disponibilidade de água é importante, principalmente, em dois períodos de
desenvolvimento da soja: germinação-emergência e floração-enchimento de grãos.
Durante o primeiro período, tanto o excesso quanto o déficit de água são prejudiciais
à obtenção de uma boa uniformidade na população de plantas. A semente de soja
necessita absorver, no mínimo, 50% de seu peso em água para assegurar boa
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
46
germinação. Nessa fase, o conteúdo de água no solo não deve exceder a 85% do
total máximo de água disponível e nem ser inferior a 50%.
A necessidade de água na cultura da soja vai aumentando com o
desenvolvimento da planta, atingindo o máximo durante a floração-enchimento de
grãos (7 a 8 mm/dia), decrescendo após esse período. Déficits hídricos expressivos,
durante a floração e o enchimento de grãos, provocam alterações fisiológicas na
planta, como o fechamento estomático e o enrolamento de folhas e, como
conseqüência, causam a queda prematura de folhas e de flores e abortamento de
vagens, resultando, por fim, em redução do rendimento de grãos.
A necessidade total de água na cultura da soja, para obtenção do máximo
rendimento, varia entre 450 a 800 mm/ciclo, dependendo das condições climáticas,
do manejo da cultura e da duração do ciclo de acordo com Embrapa (2007).
4.2 Inventário do Ciclo de Vida
O inventário foi dividido em duas tabelas para melhor compreensão dos dados.
Na parte “a” estão incluídos a unidade, dose, quantidade aplicada total, categoria,
subcategoria, ano, região e tecnologia. Na parte “b” são apresentados os itens
representatividade, completeza dos dados, forma de obtenção dos dados, matriz
pedigree e incertezas e fonte.
4.2.1
Inventário Ambiental da Soja Fase Pré-semeadura
Neste processo de pré-semeadura apresentado na Tabela 17 foram
consideradas como entradas da matéria prima do processo os micronutrientes: Boro
(B), Cloro (Cl), Cobalto (Co), Molibdênio (Mo), Ferro (Fe), Manganês (Mn),Zinco(Zn)
e Cobre(Cu). As doses de referência dos micronutrientes são para 1 t de grãos que
se espera produzir e são apresentadas em toneladas. Para o Boro, por exemplo, a
dose média recomendada pela Embrapa (2007) é de 0,000077t para 1 t de grãos.
Como a produção em 2006 segundo dados da Conab (2008) foi de 58 milhões de
toneladas. A quantidade aplicada total de Boro foi de 4.466t. Esse cálculo foi
realizado para todos os micronutrientes subseqüentes.
Os materiais auxiliares são constituídos dos fungicidas de contato e
fungicidas sistêmicos. De acordo com a Embrapa (2007) os fungicidas servem para
tratamento das sementes, oferecendo garantia de melhor estabelecimento da
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
47
população de plantas por controlar patógenos importantes transmitidos pelas
sementes. Os principais patógenos transmitidos pela semente de soja são:
Cercosporakikuchii, Cercospora sojina, Fusarium semitectum, Phomopsis spp.
Anamorfo de Diaporthe spp. e Colletotrichum truncatum. O melhor controle dos
quatro primeiros patógenos citados é propiciado pelos fungicidas do grupo dos
benzimidazóis. Os fungicidas de contato e sistêmicos são os mais indicados para o
tratamento de sementes de soja. A função dos fungicidas de contato é proteger a
semente contra fungos do solo, os tradicionalmente conhecidos são: Captan-C,
Thiram e Tolyfluonid. A função dos fungicidas sistêmicos é controlar fitopatógenos
presentes nas sementes. Assim, é importante que os fungicidas estejam em contato
direto com a semente. Os principais fungicidas sistêmicos são: Carbendazin,
carbendazin + Thiram e Carboxin + Thiram.
O tratamento é realizado com pré-diluição, na proporção de 250 ml de produto
e 250 ml de água para 100 kg de sementes. Para efeitos de cálculos do inventário,
foi convertido em 0,1 toneladas de sementes. Todas as doses dos fungicidas são
para 0,1 t de sementes. Em 2006 foram geradas 959.453t de sementes segundo
dados da Associação Brasileira de Sementes e Muda – (Abrasem) (MIYAMOTO,
2008). A quantidade aplicada de cada fungicida é a dose em toneladas multiplicada
pela quantidade de sementes em toneladas geradas em 2006 e dividida pelo
número de sementes de referência. Para o Captan-C, por exemplo, a dose
recomendada é de 0,0009t para 0,1t de sementes. A quantidade total aplicada do
Captan-C foi de 863,51t, multiplicando-se 0,0009t por 959.453 t produção total de
sementes e dividindo por 0,1t (quantidade de sementes referência para aplicação
dos fungicidas). Todos os dados deste inventário estão incluídos na categoria
recurso e em relação ao item subcategoria foi atribuído não-renovável para todos os
dados, excetuando-se o item água da chuva atribuída como item renovável. Os
dados foram todos calculados para o ano de 2006 cuja tecnologia foi considerada
média, por abranger Paraná e Cerrado que correspondem a mais de 80% da
produção brasileira de grãos de soja.
48
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
Tabela 17- Inventário Fase Pré-semeadura- Parte a
Fonte: Própria
49
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
A Tabela 18 apresenta a parte b do inventário de pré-semeadura. Os dados
foram considerados 100% representativos, com completeza e quase todos foram
calculados com exceção da água da chuva que foi medido de acordo com Embrapa
(2007). A matriz pedigree apresenta o valor 2 para os itens : confiança, pois os
dados foram baseados em estimativas e 2 para integralidade,pois os dados são
repreentativos para mais de 50% da localidade considerados relevantes, apresentou
1 para correlação temporal, pois tem menos de três anos de diferença para o estudo,
3 para correlação geográfica,pois os dados são de uma área menor que a área de
estudo, 3 para correlação tecnológica,pois os dados e processos são de mesma
tecnologia e 2 para número de amostra, pois é maior que vinte. As incertezas U1 a
U6 foram calculadas com base na matriz pedigree e aplicando-se a Tabela 15
fatores de incerteza. A fonte utilizada para construção do inventário foi a Embrapa
soja de Londrina.
Tabela 18 - Inventário Fase Pré-semeadura- Parte b
Fonte: Própria
50
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
4.2.2 Inventário Ambiental da soja Fase Semeadura
No inventário de semeadura da Tabela 19 foram consideradas como entradas
da matéria prima do processo os macronutrientes: Nitrogênio(N), Fósforo(P),
Potássio(K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre(S). As doses de macronutrientes
são referentes à 1t de grãos que se quer produzir. O nitrogênio (N) é o nutriente
requerido em maior quantidade pela cultura da soja. Estima-se que para produzir 1 t
de grãos são necessários 0,08t de N. A quantidade total a ser aplicada é
4.640.000,0t de nitrogênio para a produção de 58milhões t . Basicamente, as fontes
de N disponíveis para a cultura da soja são os fertilizantes nitrogenados e a fixação
biológica do nitrogênio (FBN). No caso do Nitrogênio para o pior caso, cujo solo é
pobre em Nitrogênio há uma necessidade do solo de 0,08t desta substância.
Fixação biológica do nitrogênio (FBN) - É a principal fonte de N para a cultura da
soja. Bactérias do gênero Bradyrhizobium, quando em contato com as raízes da
soja, infectam as raízes, via pelos radiculares, formando os nódulos. A FBN pode,
dependendo de sua eficiência, fornecer todo o N que a soja necessita (EMBRAPA,
2007). Todos os dados do inventário de semeadura estão incluídos na categoria
recurso e em relação ao item subcategoria foi atribuído não-renovável. Os dados
foram todos calculados para o ano de 2006, cuja tecnologia foi considerada média
para todos os itens menos para o Nitrogênio que foi considerado o pior caso.
Tabela 19 - Inventário Fase Semeadura-Parte a
Fonte: Própria
51
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
A Tabela 20 apresenta a parte b do inventário de pré-semeadura. Os dados
foram considerados 100% representativos, com completeza. A matriz pedigree
apresenta o valor 2 para os itens : confiança, pois os dados foram baseados em
estimativas e 2 para integralidade,pois os dados são repreentativos para mais de
50% da localidade considerados relevantes, apresentou 1 para correlação temporal,
pois tem menos de três anos de diferença para o estudo, 3 para correlação
geográfica,pois os dados são de uma área menor que a área de estudo, 3 para
correlação tecnológica,pois os dados e processos são de mesma tecnologia e 3
para número de amostra, pois é maior que dez. As incertezas U1 a U6 foram
calculadas da mesma forma que para a processo de pré-semeadura.
Tabela 20-Inventário Fase Semeadura-Parte b
Fonte: Própria
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
52
4.2.3 Inventário da soja Fase Manejo
Neste inventário as entradas consideradas são os materiais auxiliares e
energia.
Nesta fase de manejo que são aplicados os defensivos agrícolas herbicidas e
inseticidas, com o propósito de controlar as plantas daninhas e os insetos-pragas. O
controle de plantas daninhas é uma prática de levada importância para a obtenção
de altos rendimentos em qualquer exploração agrícola e tão antiga quanto a própria
agricultura. O método mais utilizado para controlar as invasoras é o químico, isto é, o
uso de herbicidas. Suas vantagens são a economia de mão de obra e a rapidez na
aplicação. Alguns dos principais herbicidas aplicados na cultura da soja estão
contidos na Tabela 21. O valor para o cálculo do herbicida Acidofluoren-sódio foi
obtido através da dose de 0,000001t multiplicando-se o total da área de cultivo no
Brasil, que segundo dados da Conab, (2008) foi de 20.686.000ha. O valor calculado
foi de 20,69 t. Os outros herbicidas foram calculados seguindo a mesma lógica do
acidofluoren-sódio.
Os inseticidas também seguem a ferramenta de cálculo dos herbicidas. Por
exemplo, para a obtenção da quantidade de baculovirus anticarsia que combate a
lagarta da soja, foi multiplicado a dose de 0,00005t pela área total do Brasil
20.686.000ha, obtendo o valor de 1.031,30t deste inseticida.Todos os outros
inseticidas observaram o mesmo método de cálculo para a obtenção dos resultados
desta tabela de inventário.
Para o cálculo de energia foi utilizado o dado de combustível de Gazzoni
(2009), onde 0,066t de combustíveis fósseis são utilizados para uma produtividade
de 4t de grãos. Portanto para 58 milhões de toneladas, a quantidade de combustível
fóssil foi de 957.000t.
53
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
Tabela 21 – Inventário Ambiental Fase Manejo
Fonte: Própria
54
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
A Tabela 22 apresenta a parte b do inventário de manejo. Os dados dos itens:
representatividade, completeza, recurso, aos de pré-semeadura e semeadura100%
representativos, com completeza, forma de obtenção dois dados ,matriz pedigree e
incertezas foram obtidos da mesma forma que para o processo de semeadura.
Tabela 22 - Inventário Ambiental Fase Manejo-Parte b
Fonte: Própria
55
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
4.2.4
Inventário Uso do Solo
A Tabela 23 demonstra os resultados de ocupação e transformação para as
principais regiões do Brasil no ciclo da soja para a safra 2006. Foram realizados os
cálculos para as regiões de maior produção da soja de acordo com (IBGE, 2006). O
tempo de ocupação foi considerado o mesmo para todas as regiões, isto é do ciclo
inicial da soja em 1970 até 2006, ano temporal da safra em estudo. Nota-se que o
Mato Grosso, o estado de maior produção de soja em 2006 foi o que obteve o menor
valor de Impacto de ocupação com 0,37269, porém o Rio Grande do Sul que
ocupava a terceira posição em produção de soja foi o que obteve o maior impacto
por ocupação no uso do solo, em torno de 0,5111. Com relação ao impacto de
transformação o Rio Grande do sul também apresentou o pior desempenho 0,014
seguido pelo estado de Mato Grosso do Sul 0,013 e o Mato Grosso também foi o de
melhor desempenho em relação ao impacto de transformação.
Tabela 23 – Inventário Uso do solo
Parâmetros
Mato
Paraná
Rio Grande
Grosso
Goiás
do Sul
Mato
Minas
Demais
Grosso do
Gerais
Estados
Sul
AT
Área
(m2)
colhida
mT
5.811.907.
3.931.721.000
000
(kg)
Quantidade
15.594.221
9.362.901.000
.000
3.863.726.0
249.276.0
1.903.852.
1.005.11
3.038.27
00
00
000
3.000
0.000
7.559.291.0
6.017.719.
4.153.542.
2.453.97
7322991
00
000
000
5.000
000
Produzida
to(anos)
36
36
36
36
36
36
36
2
0,3727
0,4199
0,5112
0,4143
0,4584
0,4095
0,4148
2
0,0104
0,0117
0,0142
0,0115
0,0127
0,0113
0,0115
Io (m . a )
Itr (m /Kg)
Fonte: IBGE, 2006.
De acordo com os resultados dos cálculos demonstrados na Tabela 23 o Mato
Grosso, região do cerrado, seguido de Minas Gerais, Goiás e Paraná são os que
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
56
possuem a menor área de ocupação e transformação do uso do solo. Isto se deve
em grande parte a grande produtividade destas regiões, cerca de 90% da produção
do Brasil está concentrada nesta região, com otimização da área disponível para o
plantio, a utilização do sistema de plantio direto , melhor aproveitamento da área
ocupada , mais conhecimento técnico na utilização de maquinas agrícolas. Significa
que a região está trabalhando de forma adequada os recursos naturais disponíveis,
contribuindo para a diminuição de erosões, lixiviações, acidificação, além da
preservação dos recursos bióticos e abióticos, além da biodiversidade e reduções de
contaminações aos seres humanos provenientes do uso do solo.
A ocupação e transformação influenciam fortemente no comportamento da
qualidade do uso do solo. Apesar do estudo do inventário do ciclo da soja não
contemplar o impacto na qualidade do solo, teríamos que considerar para próximos
estudos a análise das emissões para o solo que influenciaria fortemente na
qualidade do solo ,principalmente a parcela de contaminantes que vai para o solo
dos herbicidas , fungicidas e inseticidas, além de contaminação do lençol freático.
4.3 Comparação de Inventários do Ciclo de Vida da soja
Os dados utilizados coletados para o cálculo dos indicadores de Intensidade
de material e energia Tabela 24 são provenientes de duas fontes principais :
Embrapa (2007) e Cavalett( 2008). A unidade funcional (FU) para a soja é 1kg de
soja.
Considerações preliminares e conversões para os indicadores:
-Água direta considerada foi a água da chuva para a produção de soja nas três fases
do estudo (pré- semeadura, semeadura e manejo). 800mm/ciclo, correspondem a
0,512m3 = 512 kg.
-Eletricidade direta foi considerada a energia na fase do manejo de accordo com
estudos de Gazonni (2008)
- Demanda de fertilizantes foi somado todos os fertilizantes químicos aplicados nas
três fases do ciclo da soja e aplicados para 1kg de soja
57
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
-Demanda de defensivos agrícolas foram somadas todas as aplicações de
fungicidas, herbicidas, inseticidas considerados no inventário do ciclo de vida da soja
e aplicados para a FU.
-Demanda de área agrícola foi realizado o cálculo da área necessária para produção
de 1kg de soja na safra de 2006.
Tabela 24- Comparação entre Indicadores de Intensidade de material e energia para
a produção de soja
Indicador
Embrapa
Cavalett
Unidade
Água direta
512
6056
kg/FU
Eletricidade direta
0,171
0,012
kWh/FU
0,139
kg/FU
0,003
kg/FU
3,53
kg/FU
Demanda de fertilizantes 0,18
químicos
Demanda de defensivos 0,097
agrícolas
Demanda de área agrícola
2,8
Fonte: Embrapa (2007); Cavalett (2008)
Os valores encontrados nos dois inventários não foram considerados muito
divergentes apesar de não convergirem para a igualdade. No estudo o objetivo desta
dissertação considerou somente os dados para as fases agrícolas da soja, enquanto
para Cavalett (2008) a fase de produção de óleo diesel para a indústria de biodiesel
também é levada em consideração. Os demais valores encontram-se muito próximo
dos dados da Embrapa (2007).
A Tabela 25 é um trabalho de comparação entre os principais trabalhos sobre soja
no Brasil.
58
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
Tabela 25 –Comparação Inventários de soja no Brasil
Fonte: Própria
Nesta tabela comparativa foram considerados os dados para o ano base de 2006 e
para 1 tonelada de soja. Podemos observar que para os inputs renováveis, a água
da chuva é o valor mais disponível para os pesquisadores da soja, sendo que a
energia do sol, calor interno, O2, ar ,N2 no ar e fixado na atmosfera,insignificante
para a escala analizada. O CO2 na atmosfera foi contabilizado por Cavallet e
Marzullo. Para os inputs não-renováveis, no que se refere à aplicação de herbicidas,
59
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
inseticidas e fungicidas, foi detectada uma grande diferença entre os valores
apontados pelos pesquisadores, não há um valor de proximidade nestes elementos
para nenhum dos inventários, já no item sementes, o valor foi bem próximo, apenas
Cavallet atribui um valor de semente no inventário identificado como o triplo dos
demais, 69Kg para Cavallet 21,48 Kg para Embrapa, 23Kg para Mourad, 22Kg
Ecoinvent, 20,8 Marzullo.
Nos elementos nitrogênio, fósforo e potássio no
fertilizante, os valores de Marzullo e Ecoinvent apesar de diferentes são os que
apresentaram a maior proximidade de valores, Embrapa e Mourad também tiveram
valores mais próximos. Para eletricidade e diesel os únicos dados disponíveis foram
de Embrapa, Mourad e Cavallet, chegando a uma diferença de 50% entre eles. Para
outras entradas como: construções agrícolas, mão de obra contratada e
externalidades foram disponibilizadas apenas por Cavallet. O item co-produto da
soja obteve uma igualdade de valores para produtividade da soja entre Embrapa,
Cavallet e Marzullo.
O inventário do ciclo de vida da soja permitiu constatar:
Respeitar o solo como um recurso natural. O solo como recurso natural
deve ser considerado como um dos principais agentes que contribuem
para a qualidade de vida, principalmente por ser um dos principais
fornecedores da principal matéria-prima mais produzida no Brasil
atualmente que serve tanto par alimentação, quanto para fornecimento
de energia renovável, como é a produção do biodiesel.
Utilizar adequadamente os defensivos agrícolas, de forma a não
propagar intoxicação nem na planta da soja, solo, animais ou até mesmo
nos seres humanos.
Participar de todas as discussões sobre as melhores soluções para a
produção sustentável do biodiesel em substituição ao diesel, procurando
conhecer
toda
diretamente
sua
cadeia
envolvidos:
produtiva,
empresários,
principalmente
pesquisadores,
os
atores
agricultores,
60
Capítulo 4 – Resultados e Discussões
transportadores. Conhecendo os impactos que podem ser causados
durante a extração de sua principal matéria-prima que é soja.
Empregar a ferramenta de Avaliação do Ciclo de vida ao uso do solo,
com o intuito de respeitar o meio ambiente e a sustentabilidade,
contribuindo para que as gerações futuras possam usar os recursos
naturais do solo economicamente, ou até mesmo freando o avanço
tecnológico quando necessário, evitando utilizar áreas de conservação
do solo e florestas para aumento da industrialização.
Divulgar a ferramenta de ICV, com propósito de levar as comunidades e
autoridades locais ao envolvimento com os problemas ambientais
relacionados ao uso do solo.
Conhecer os impactos de transformação e uso do solo, pois à medida
que
governo,
indústrias,
agricultores,
estudantes,
investidores
e
sociedade em geral adquirem conhecimento dos problemas relacionados
aos processos de ocupação e transformação do uso do solo , este , que
é um recurso natural importante para o habitat humano,
menor impacto
ambiental e social,
sofrerá o
levando a uma população mais
consciente, que possivelmente atuará na preservação e conservação de
sua função de suporte de vida e qualidade humana.
61
Capítulo 5 – Conclusões e Recomendações
5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES
Este trabalho teve como principal objetivo analisar o inventário do ciclo de vida
da soja, Procurando avaliar criteriosamente a ferramenta de avaliação do ciclo de
vida com o propósito de contribuir com a melhora do banco de dados brasileiro para
realização de pesquisas nas universidades e proporcionar consulta aos dados
agrícolas da soja.
A ferramenta de Avaliação do ciclo de vida do produto promoveu grande
aprendizado sobre a situação da do ciclo de vida da soja e do solo no Brasil,
fortalecendo os conhecimentos sobre a coleta de dados e análise inventário do ciclo
de vida, bem como proporcionou um tempo de reflexão sobre os impactos na
qualidade do uso do solo.
Alguns
trabalhos
podem
ser
realizados
futuramente,
tais
como
o
aprofundamento da ferramenta de avaliação do ciclo de vida nas fases de
industrialização, logística e descarte e impactos no uso do solo, ar e água, também o
estudo aprofundado da ferramenta de ACV, com destaque para a contabilização
econômica dos impactos no uso do solo na cultura da soja.
Para trabalhos futuros sugiro o tema inventário da ASCV (avaliação Social do
Ciclo de vida) da soja, pois tem grande potencial para realização de estudos
aprofundados sobre os trabalhadores da soja, trabalho escravo em fazendas de
soja, más condições de trabalho e contaminação pelos defensivos agrícolas.
62
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B. (Org.) Plant as biomonitors. Indicators for heavy metals in the terrestrial
environment. Weinheim: VCH, 1993. p. 3-27.
XAVIER, J. H. V. Análise de Ciclo de Vida (ACV) da produção Agrícola familiar em
Unaí-MG: Resultados Econômicos e Impactos Ambientais. Dissertação de
Mestrado.Universidade
de
Brasília.
Brasília,
2003.
Anexo A SISTEMA DE PLANTIO DIRETO
70
ANEXO A – SISTEMA DE PLANTIO DIRETO
Trata-se de sistema de produção conservacionista, que se contrapõe ao
sistema tradicional de manejo. Envolve o uso de ferramentas para produzir,
preservando a qualidade ambiental. Fundamenta-se na ausência de preparo do solo
e na cobertura permanente do terreno através de rotação de culturas.
O sistema de produção de soja na região central do Brasil, algumas vezes
ainda, tem como forma de preparo do solo o uso continuado de grades de discos,
com várias operações anuais. Como resultado, ocorre degradação de sua estrutura,
com formação de camadas compactadas, encrostamento superficial e perdas por
erosão.
O SPD pode ser a melhor opção para diminuir a maioria dos problemas antes
apontados, pois, o uso contínuo das tecnologias que compõem o SPD proporciona
efeitos significativos na conservação e na melhoria do solo, da água, no
aproveitamento dos recursos e insumos como os fertilizantes, na redução dos custos
de produção, na estabilidade de produção e nas condições de vida do produtor rural
e da sociedade.
Para que esses benefícios aconteçam, tanto os agricultores, como a
assistência ferramenta, devem estar predispostos a mudanças, conscientes de que o
sistema é importante para alcançar êxito e sustentabilidade na atividade agrícola.
O conhecimento detalhado da propriedade agrícola é essencial para obtenção
de sucesso no SPD. Para tanto, é necessário o levantamento dos seguintes
recursos:
a) Solos: Coletar e organizar informações referentes ao tipo de solo, à
fertilidade, à presença de camadas compactadas, à distribuição e
espécies de plantas daninhas, à topografia, à ocorrência de erosão, às
práticas conservacionistas existentes, às vias de acesso, à drenagem,
aos córregos, aos açudes, etc.
b) Plantas daninhas: O levantamento e o mapeamento da ocorrência de
plantas daninhas será muito útil, para definir o herbicida a ser utilizado
e a programação das aplicações dos mesmos.
Anexo A SISTEMA DE PLANTIO DIRETO
71
c) Máquinas e equipamentos: No SPD, é essenciais a existência de
pulverizador de herbicida devidamente equipado com bicos adequados
para as diferentes condições e controladores de pressão. O uso de
equipamentos de avaliação das condições climáticas é também muito
útil nesse caso. Quanto às semeadoras, existem disponíveis no
mercado vários modelos específicos para o SPD. No entanto, na fase
inicial de implantação do sistema, podem-se utilizar semeadoras
tradicionais com adaptações, fazendo com que os agricultores
reduzam as despesas.
d) Humanos: Para a execução do SPD, a mão-de-obra deverá estar
conscientizada dos princípios do sistema e adequadamente informada
quanto ao uso das tecnologias que o compõem. São necessários
treinamentos, especialmente para os operadores de máquinas, quanto
ao uso de semeadoras e pulverizadores e tecnologia de aplicação
(características de bicos, horário de aplicação, etc.) de defensivos,
além de conhecimentos sobre plantas daninhas e herbicidas. O
treinamento da mão-de-obra deve ser planejado de forma que, no
momento de realizar as operações, haja conhecimento suficiente para
realizar as ações de forma adequada. A participação do produtor e da
assistência técnica em associações ou grupos de troca de informações
e experiências como Grupo de Plantio Direto, Clube Amigos da Terra,
etc, são importantes para facilitar e impulsionar a adoção do SPD.
O manuseio de tais informações deve gerar mapas e/ou planilhas de uso e da
situação atual da propriedade, a serem utilizados como base, para o planejamento
das atividades a serem implementadas (Embrapa, 2007).
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ICV Soja Vladia_versao final