PR UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ CAMPUS DE CURITIBA DEPARTAMENTO DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA E DE MATERIAIS - PPGEM VLÁDIA DAS CHAGAS BEZERRA RAMAZZOTTE INVENTÁRIO DO CICLO DE VIDA DA SOJA NO BRASIL CURITIBA FEVEREIRO - 2010 VLÁDIA DAS CHAGAS BEZERRA RAMAZZOTTE INVENTÁRIO DO CICLO DE VIDA DA SOJA NO BRASIL Dissertação apresentada como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Engenharia, do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais, Área de Concentração em Engenharia de Manufatura, do Departamento de Pesquisa e PósGraduação, do Campus de Curitiba, da UTFPR. Orientador: Prof. Cássia Maria Lie Ugaya, Drª CURITIBA FEVEREIRO – 2010 TERMO DE APROVAÇÃO VLÁDIA DAS CHAGAS BEZERRA RAMAZZOTTE INVENTÁRIO DO CICLO DE VIDA DA SOJA NO BRASIL Esta Dissertação foi julgada para a obtenção do título de mestre em engenharia, área de concentração em engenharia de Manufatura, e aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais. _________________________________ Prof. Giuseppe Pintaúde, Dr Coordenador de Curso Banca Examinadora ______________________________ ______________________________ Prof. Luciano F. Rossi, Dr (UTFPR) Prof. Livia Mari Assis, Dra. (UTFPR) ______________________________ ______________________________ Prof. Luiz Carlos Rodrigues, Dr (UTFPR) Prof.José Adolfo de A. Neto, Dr. (UESC) Curitiba, 23 de fevereiro de 2010 iii A Deus, fonte de inspiração, meu Senhor, amigo fiel e protetor. iv AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente aos meus pais, por todo incentivo, amor e dedicação, principalmente a minha mãe Marlene por cuidar dos meus filhos com afinco, meu esposo pela compreensão e apoio neste grande projeto da minha vida e meus queridos filhos Daniel e Hannah por serem minha maior alegria e motivação. À minha orientadora Cássia por nunca ter desistido de mim, sempre trazendo novos desafios e contribuindo para meu crescimento pessoal e profissional. A UTFPR por ser a Universidade que me proporcionou todas conquistas profissionais, fornecendo os 12 anos de formação que possuo e a seus professores queridos e sempre dispostos a ensinarem. A Renault por acreditar no meu potencial, principalmente ao Alejandro Wainberg, Dominique Farges, Geraldo Vicente, Ana Paula Roika e Thaiss Herman. A todos os meus amigos de mestrado e grupo de ACV, que contribuíram para meu amadurecimento e proporcionaram um clima agradável durante nossas trocas de conhecimento e lazer. v O coração do sábio instrui a sua boca, e aumenta o ensino dos seus lábios. (Provérbios 16:23) vi RAMAZZOTTE, Vládia das Chagas Bezerra Ramazzotte, Inventário do Ciclo de Vida da soja no Brasil, 2010, Dissertação de Mestrado, Curitiba, 70p. RESUMO O presente trabalho teve por objetivo a realização de um inventário do ciclo de vida (ICV) da soja no Brasil, conforme definição da norma da ABNT NBR ISO 14040 e a metodologia ecoinvent. O ICV é uma fase da ACV Avaliação de Ciclo de Vida, que envolve a coleta de dados necessária para atingir os objetivos propostos pelo estudo. Para o ciclo de vida da soja foram tomados como base deste estudo: as sementes, os grãos, a área e fertilizantes químicos do solo. As entradas principais do inventário micronutrientes da e fase os pré-semeadura; fungicidas; semeadura macronutrientes; e manejo herbicidas e foram: os inseticidas, respectivamente. Após a coleta dos dados eles foram inseridos no inventário do Ciclo de Vida da soja e posteriormente analisados Concluiu-se que a utilização do inventário do ciclo de vida proporcionou uma visualização do panorama da soja hoje no Brasil, sendo de suma importância a contribuição desta ferramenta para análise ambiental da ocupação do solo no Brasil. Palavras-chave: Inventário do Ciclo de Vida, Avaliação do ciclo de vida, Ocupação do solo. vii RAMAZZOTTE, Vládia das C. B, Inventário do Ciclo de Vida da soja no Brasil, 2010, Dissertação (Mestrado em Engenharia) - Programa de Pós-graduação em Engenharia Mecânica e de Materiais, Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Curitiba, 70p. ABSTRACT This work aimed at achieving a life cycle inventory(LCI) of soybean in Brazil, as defined in the standard of ISO 14040 and methodology ecoinvent . The LCI is a phase of LCA Life Cycle Assessment, which involves the collection of date necessary to meet the objectives proposed by the study. For the life cycle of soybean were used as basis for this study: seeds, grains area,and chemical fertilizers in the soil. The main entrances of the inventory of pre-sowing,sowing and managment were the micronutrients and fungicides,nutrients, herbicides and inseticides,respectively. After collecting the data they were inserted into the Life Cycle Inventory of soybean and analysed later concluded that the use of life cycle inventory provided a preview of the panorama of soybeans in Brazil today, which is extremely important contribution to this tool for environmental analysis of land use in Keywords: Life cycle Inventory, Life cycle Assessment, Land Use viii SUMÁRIO RESUMO.................................................................................................................... vi ABSTRACT ............................................................................................................... vii LISTA DE FIGURAS ................................................................................................... x LISTA DE TABELAS .................................................................................................. xi LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ....................................................................xiii LISTA DE SÍMBOLOS.............................................................................................. xiv 1 2 INTRODUÇÃO......................................................................................................1 1.1. Problema ..................................................................................................................................1 1.1 Objetivo Geral...........................................................................................................................3 1.2 Objetivos Específicos ...............................................................................................................3 1.3 Estrutura da Dissertação ..........................................................................................................3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA .................................................................................4 2.1 3 A soja........................................................................................................................................4 2.1.1 A Soja no Mundo ..................................................................................................................4 2.1.2 A soja no Brasil.....................................................................................................................6 2.2 Manejo do Solo.........................................................................................................................7 2.3 Conceitos da Avaliação do Ciclo de Vida ..............................................................................22 2.4 Definição do Objetivo e escopo..............................................................................................25 2.5 Análise de Inventário (ICV) ....................................................................................................26 MÉTODO ............................................................................................................33 3.1 Definição do Objetivo e escopo do Estudo ............................................................................33 3.1.1 3.2 4 Objetivo ..............................................................................................................................33 Definição do escopo ...............................................................................................................34 3.2.1 Função, unidade funcional e fluxo de referência. ..............................................................34 3.2.2 Sistemas do produto e limites do sistema..........................................................................34 3.2.3 Categorias de impacto........................................................................................................34 3.2.4 Categorias de dados ..........................................................................................................34 3.2.5 Requisitos iniciais da qualidade dos dados........................................................................35 3.3 Análise do inventário da ACV.................................................................................................38 3.4 Uso do solo.............................................................................................................................40 RESULTADOS E DISCUSSÃO ..........................................................................42 4.1 Dados da soja no Brasil .........................................................................................................42 4.1.1 Premissas para produção de Soja no Brasil ......................................................................44 4.1.2 Exigências Climáticas.........................................................................................................45 4.2 Inventário do Ciclo de Vida ....................................................................................................46 4.2.1 Inventário Ambiental da Soja Fase Pré-semeadura ..........................................................46 ix 4.2.2 Inventário Ambiental da soja Fase Semeadura .................................................................50 4.2.3 Inventário da soja Fase Manejo .........................................................................................52 4.2.4 Inventário Uso do Solo .......................................................................................................55 4.3 Comparação de Inventários do Ciclo de Vida da soja ...........................................................56 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES .............................................................61 REFERÊNCIAS.........................................................................................................62 ANEXO A – SISTEMA DE PLANTIO DIRETO ..........................................................70 x LISTA DE FIGURAS Figura 1- Produção mundial de óleo vegetais .............................................................4 Figura 2- Evolução da produção de soja por país .......................................................5 Figura 3: Produção de soja no Brasil ..........................................................................6 Figura 4: Área colhida de soja no Brasil......................................................................7 Figura 5: Produtividade da soja no Brasil....................................................................7 Figura 6 -Fases de uma ACV ...................................................................................23 Figura 7- Principais fases associadas ao ciclo de vida de um produto .....................24 Figura 8 – Procedimentos Simplificados para análise de Inventário (ABNT NBR ISO 14044 2009) .......................................................................................................27 Figura 9– Fluxogramas dos Processos das fases agrícolas da soja........................37 Figura 10 – Produção Brasileira de soja – Safra 2006/2007 .....................................42 Figura 11 – Evolução da produção por estado..........................................................43 Figura 12- Dados de Produção Paraná e Mato Grosso ............................................44 Figura 13 – Evolução da Produção de Soja por país ..............................................45 xi LISTA DE TABELAS Tabela 1 –Quantidade Absorvida e exportação de Nutrientes pela cultura da soja ....8 Tabela 2 - Interpretação de análise de solo para indicação de adubação ..................9 Tabela 3 - Indicação de adubação fosfatada corretiva, a lanço e adubação.............10 Tabela 4- Adubação corretiva de potássio para solos de Cerrados com ..................10 Tabela 5- Indicação de adubação com fósforo e potássio para a soja no.................11 Tabela 6-Indicação de Adubação de correção e de manutenção com enxofre conforme as faixas de teores de enxofre no solo (mg dm-3 )a duas profundidades do perfil do solo para a cultura da soja...............................................................12 Tabela 7 –Fungicidas e respectivas doses para o tratamento de sementes de soja. XXVII Reunião de Pesquisa de Soja da região central do Brasil Uberaba MG agosto, 2006. .....................................................................................................14 Tabela 8-Alternativas para o controle químico de plantas daninhas para a cultura da soja.....................................................................................................................16 Tabela 9-Insetos Praga da soja parte da planta que atacam ....................................18 Tabela 10-Níveis de ação de controle para as principais pragas da soja. ................19 Tabela 11-Inseticidas indicados para outras pragas da soja safra 2006/2007 .........20 Tabela 12 – Efeitos colaterais dos insetos praga ......................................................20 Tabela 13: Categorias e subcategorias do ICV .........................................................35 Tabela 14: Matriz Pedigree .......................................................................................36 Tabela 15: Fatores de Incerteza................................................................................36 Tabela 16: Modelo para coleta de dados do ICV da soja..........................................37 Tabela 17- Inventário Fase Pré-semeadura- Parte a ................................................48 Tabela 18 - Inventário Fase Pré-semeadura- Parte b ...............................................49 Tabela 19 - Inventário Fase Semeadura-Parte a ......................................................50 Tabela 20-Inventário Fase Semeadura-Parte b ........................................................51 xii Tabela 21 – Inventário Ambiental Fase Manejo ........................................................53 Tabela 22 - Inventário Ambiental Fase Manejo-Parte b ............................................54 Tabela 23 – Inventário Uso do solo..........................................................................55 Tabela 24- Comparação entre Indicadores de Intensidade de material e energia para a produção de soja.............................................................................................57 Tabela 25 –Comparação Inventários de soja no Brasil .............................................58 xiii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACV CONAB DFE EPA ICV ISO MAPA MTE SETAC UNEP - Avaliação de Ciclo de Vida -Companhia Nacional do Abastecimento - Design for Environmental - Environmental Protection Agency - Inventário de Ciclo de Vida - Organização de Padronização Internacional -Ministério da agricultura, Pecuária e Abastecimento. -Ministério do Trabalho e Emprego -Sociedade Ambiental de Química e Toxicologia -Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente xiv LISTA DE SÍMBOLOS At Área total Io Impacto de Ocupação Itr Impacto de transformação mt Massa total to Tempo de ocupação Capítulo 1 Introdução 1 1 INTRODUÇÃO 1.1. Problema No início dos anos 90, os fabricantes começaram a pensar em termos de qualidade ou características em seus produtos e processos. Ao mesmo tempo, pontos de vista sobre a gestão de riscos deram início às abordagens que promoveram a redução dos mesmos através da prevenção da poluição (também reconhecido como redução na fonte). Naquela época, a EPA -Environmental Protection Agency (EPA, 2009) reconheceu a necessidade de desenvolver um programa de tecnologias limpas e seguras que fossem competitivas e mais aceitas em termos ambientais. As iniciativas voluntárias, a análise de risco e o desenvolvimento de tecnologias alternativas se fundiram para criação do denominado “projeto para o meio ambiente” (Dfe - Design for Environmental). As premissas do referido projeto: • Reduzir os riscos através de abordagens de prevenção da poluição; • Capacitar a indústria de articular e cumprir metas ambientais; • Integrar objetivo econômico e ambiental de desempenho para redesenho de processos de produtos e sistemas de gestão. Segundo Prates (1998), um dos objetivos do DFE é avaliar o desempenho ambiental do produto, reduzindo os recursos não renováveis utilizados em sua construção e possibilitando a reciclagem do produto após o uso. Sabendo-se que a prevenção é mais racional e econômica do que o tratamento ou remediação de seus efeitos houve a necessidade de incorporação de uma ferramenta que facilitasse a comparação, quanto ao impacto ambiental, entre atividades, serviços ou produtos, proporcionando o aumento do uso da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) (DUARTE, 1997). 2 Capítulo 1 Introdução De acordo com Udo de Haes (1996), a ACV é “o processo de avaliar as cargas ambientais associadas com um produto, processo ou atividade através da identificação e quantificação do uso da energia e materiais e de emissões ambientais e o seu impacto e as oportunidades de melhorias. A avaliação inclui todo o ciclo do produto, processo ou atividade, envolvendo extração e processamento de matérias – primas; fabricação, transporte e distribuição; reciclagem; e disposição final”. Nos últimos anos aumentou-se o interesse em utilizar a metodologia de ACV pelas industrias, especialistas ambientais, instituições públicas, organizações ambientais e público em geral, que visam à qualidade ambiental dos seus processos de produção e dos produtos. A ACV também tem um papel de destaque na avaliação das fontes alternativas de energia, principalmente aquelas que contribuem para a redução dos gases do efeito estufa. Segundo Cavalett (2008) a soja é uma dos grãos mais importantes para o agronegocio do país e principal matéria-prima para a fabricação do biodiesel. O Brasil é segundo maior produtor e exportador de soja, somente atrás dos Estados Unidos, maior produtor desta leguminosa, com uma participação de mais de 33% do mercado mundial. Entretanto no plantio desta leguminosa é necessária uma grande quantidade de materiais e energia fóssil na forma de fertilizantes e defensivos agrícolas, além de ocupar uma extensa área para sua produção, muitas vezes área de reservas florestais ou de regiões de preservação ambiental, apresentando um grande problema para o processo de ocupação e transformação do uso do solo,(CAVALETT, 2008). De acordo com Frischknecht et al. (2007) há um destaque para as discussões sobre o uso do solo no âmbito da ACV, principalmente no que diz respeito aos métodos de avaliação de impacto, especialmente para os produtos agrícolas. Os impactos do uso do solo são conhecidos como decorrentes dos processos de ocupação e transformação. Da perspectiva do inventário do Ciclo de vida, o termo processo de ocupação do solo refere-se ao uso da área controlada pelo homem com Capítulo 1 Introdução 3 uma finalidade (por exemplo, agricultura e construção). Em contraste, um processo de transformação do solo implica em mudanças de uma área de solo de acordo com as exigências de um dado novo tipo de processo de ocupação (por exemplo, mudança de pântano para lavouras). 1.1 Objetivo Geral Este trabalho tem como objetivo a realização de um inventário do ciclo de vida da soja, utilizando a ferramenta de ACV (Avaliação de Ciclo de Vida), considerando aspectos ambientais de sua utilização, com destaque para a ocupação da soja no solo no Brasil. 1.2 Objetivos Específicos • Compreender a ferramenta de avaliação do ciclo de vida do produto; • Contribuição e elaboração do inventário da soja • Analisar os principais impactos da soja no uso do solo; 1.3 Estrutura da Dissertação O capítulo 2 apresenta a revisão bibliográfica, com as descrições das ferramentas ACV e uso do solo no contexto da soja. O capítulo 3 descreve o método como serão coletados os dados, bem como a forma como os mesmos serão calculados. No capítulo 4 constam os resultados e discussões sobre o inventário do ciclo de vida da soja e seus impactos no uso do solo. No capítulo 5 são descritas as conclusões e recomendações obtidas neste estudo e respectivas discussões. 4 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 A soja A soja é uma planta herbácea pertence à família das leguminosas. Sua semente é muito rica em substâncias protéicas e graxas. A soja ocupa em torno de 57% da área de plantio de culturas temporárias no Brasil. 2.1.1 A Soja no Mundo A soja, apesar do seu baixo teor de óleo (18 a 20%) é a segunda oleoginosa mais importante do planeta, depois do dendê. Atualmente responde a 30% do óleo vegetal produzido no mundo, contra 34% do dendê (óleo da polpa e da amêndoa (EMBRAPA SOJA,2008)Figura 1. 4% 4% 3% 2% Dendê (polpa+amêndoa) Soja 8% 35% Colza Girassol Amendoim 14% Algodão Coco 30% Oliva Figura 1- Produção mundial de óleo vegetais Fonte: Embrapa Soja, 2008. Segundo dados da Embrapa Soja (2008) A soja hoje cultivada em várias nações é muito diferente dos ancestrais que lhe deram origem. A soja era uma planta rasteira e habitava a costa leste da Ásia, principalmente a região norte da china. Sua evolução ocorreu de plantas oriundas de cruzamentos naturais entre 5 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica duas espécies de soja selvagem, que foram domesticadas e melhoradas por cientistas da antiga China. Apesar de conhecida como um grão sagrado e explorada intensamente no oriente há mais de 5 mil anos, o ocidente ignorou o seu cultivo até a segunda décda do século vinte, quando os EUA iniciaram sua exploração comercial- como forrageira primeiro e depois como grão. A partir de 1940 a área destinada ao cultivo de grãos começou a crescer de forma exponencial, não apenas nos EUA, como também no Brasil e na Argentina, principalmente. Os três países são responsáveis por mais de 80% da produção mundial de soja. O Brasil é o segundo maior produtor mundial de soja, perdendo somente para os Estados Unidos. (MARZULLO, 2007)(Figura 2). m i l h õ e s d e 100 90 80 70 USA 60 BRASIL 50 ARGENTINA 40 CHINA 30 INDIA PARAGUAI 20 10 20 07 /0 8 20 06 /0 7 20 00 /0 6 19 90 /9 9 19 80 /8 9 19 70 /7 9 19 60 /6 9 19 50 /5 9 19 40 /4 9 0 19 35 /3 9 t o n e l a d a s Figura 2- Evolução da produção de soja por país Fonte: Embrapa Soja, 2008. 6 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 2.1.2 A soja no Brasil O desenvolvimento da soja no Brasil ocorreu por volta de 1960 a 1970 no estado do Rio Grande do Sul, cerca de 80% da produção concentrava-se na região Sul. Atualmente, seu cultivo tem expandido pelo cerrado e também já chegou ao norte do Brasil. Para Cavalett (2008) os negócios gerados em torno da cultura da soja movimentam a economia brasileira. O agronegócio é responsável por uma parcela bastante significativa das exportações brasileiras e dos empregos gerados. Neste cenário destaca-se a produção de soja, que nos últimos anos tornou-se um dos principais produtos de exportação do país. De acordo como relatório IBGE (2006 e 2007) a produção de soja no Brasil aumentou, sendo que enquanto o valor da safra de 1990/1991 era de 15,4 milhões de toneladas, na safra de 2005/2006, este valor era de 53,4 milhões de toneladas, correspondente a um crescimento de 6,5% a.a., conforme apresentado na Figura 3. 60 milhões t 50 40 30 20 10 19 90 19 /91 91 19 /92 92 19 /93 93 19 /94 94 19 /95 95 19 /96 96 19 /97 97 19 /98 98 19 /99 99 20 /00 00 20 /01 01 20 /02 02 20 /03 03 20 /04 04 20 /05 05 /0 6 - Figura 3: Produção de soja no Brasil Fonte: CONAB, 2008 Como decorrência do aumento de produção, houve a expansão da área plantada, que praticamente dobrou, sendo de 11,5 milhões ha no início do período e de 22,9 milhões de ha em 2005, menor que o crescimento no período da produção, em virtude do aumento da produtividade, que pode ser observada na Figura 5, muito Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 7 embora nos últimos anos tenha ocorrido uma queda de produtividade ( IBGE (2006 e 2007) . 25 milhões ha 20 15 10 5 19 90 19 91 19 92 19 93 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 - Figura 4: Área colhida de soja no Brasil Fonte: IBGE, 2007 2.9 2.7 t/ha 2.5 2.3 2.1 1.9 1.7 19 90 19 91 19 92 19 93 19 94 19 95 19 96 19 97 19 98 19 99 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 05 1.5 Figura 5: Produtividade da soja no Brasil Fonte: IBGE, 2007 2.2 Manejo do Solo O manejo do solo consiste num conjunto de operações realizadas com objetivos de propiciar condições favoráveis à semeadura, ao desenvolvimento e à produção das plantas cultivadas, por tempo ilimitado. Para que esses objetivos sejam atingidos, é imprescindível a adoção de diversas práticas, dando-se prioridade ao uso do Sistema Plantio Direta visto que envolve, simultaneamente, todas as boas Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 8 práticas conservacionistas. Alternativamente justificado, poderão ser utilizadas práticas racionais de preparo do solo (EMBRAPA, 2007). A absorção de nutrientes por uma determinada espécie vegetal é influenciada por diversos fatores, entre eles as condições climáticas como chuvas e temperaturas, as diferenças genéticas entre cultivares de uma mesma espécie, o teor de nutrientes no solo e os diversos tratos culturais. Na Tabela 1, são apresentadas as quantidades médias de nutrientes, contidos em 1.000 kg de restos culturais de soja e em 1.000 kg de grãos de soja, considerando-se um solo virgem para soja ,isto é que receberá o plantio de soja pela primeira vez. Tabela 1 –Quantidade Absorvida e exportação de Nutrientes pela cultura da soja Fonte: Embrapa Soja, 2007. NITROGÊNIO A soja obtém a maior parte do nitrogênio que necessita através da fixação simbiótica que ocorre com bactérias do gênero Bradyrhizobium. O nitrogênio (N) é o nutriente requerido em maior quantidade pela cultura da soja. Estima-se que para produzir 1000 kg de grãos são necessários 80 kg de N. considerando-se um solo virgem para soja, isto é que receberá o plantio de soja pela primeira vez Basicamente, as fontes de N disponíveis para a cultura da soja são os fertilizantes nitrogenados e a fixação biológica do nitrogênio (FBN) (EMBRAPA, 2007). Fixação biológica do nitrogênio (FBN) - É a principal fonte de N para a cultura da soja. Bactérias do gênero Bradyrhizobium, quando em contato com as raízes da 9 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica soja, infectam as raízes, via pêlos radiculares, formando os nódulos. A FBN pode, dependendo de sua eficiência, fornecer todo o N que a soja necessita. REGIÃO DOS CERRADOS Adubação Fosfatada A indicação da quantidade de nutrientes, principalmente em se tratando de adubação corretiva, é feita com base nos resultados da análise do solo. Na Tabela 2 são apresentados os teores de P extraível, obtidos pelo método Mehlich I e a correspondente interpretação, que varia em função dos teores de argila. Tabela 2 - Interpretação de análise de solo para indicação de adubação Fosfatada (fósforo extraído pelo método Mehlich I), para solos. De Cerrado. Fonte: Embrapa (2007) Ao atingir níveis de P extraível acima dos valores estabelecidos nesta classe utilizar somente adubação de manutenção. Duas proposições são apresentadas para a indicação de adubação fosfatada corretiva: a correção do solo de uma só vez, com posterior manutenção do nível de fertilidade atingido e a correção gradativa, através de aplicações anuais no sulco de semeadura (Tabela 3). 10 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Tabela 3 - Indicação de adubação fosfatada corretiva, a lanço e adubação Fosfatada corretiva gradual no sulco de semeadura, de acordo com a classe de disponibilidade de P e o teor de argila, para solos de Cerrados. Fonte: Embrapa soja, 2007. Adubação Potássica A indicação para adubação corretiva com potássio, de acordo com a análise do solo, é apresentada na Tabela 4. Esta adubação deve ser feita a lanço, em solos com teor de argila maior que 20%. Em solos de textura arenosa (<20% de argila), não se deve fazer adubação corretiva de potássio, devido às acentuadas perdas por lixiviação. Tabela 4- Adubação corretiva de potássio para solos de Cerrados com teor de argila >20%, de acordo com dados de análise de. Solo Fonte: Embrapa, 2007. De acordo com Embrapa (2007) na semeadura da soja, como manutenção, aplicá-se 20kg de K2O para cada 1.000 kg de grãos que se espera produzir. Nas dosagens de K2O acima de 50 kg /ha ou quando o teor de argila for <40%, fazer a adubação de 1/3 da quantidade total indicada na semeadura e 2/3 em 11 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica cobertura, 30 ou 40 dias após a germinação, respectivamente para cultivares de ciclo mais precoce e mais tardio. PARANÁ Adubação com Fósforo e potássio Tabela 5- Indicação de adubação com fósforo e potássio para a soja no Estado do Paraná em solos com teor de argila >40%1 Fonte: Embrapa, 2007. Quando o teor no solo for muito baixo, menor que 0,008 cmolc dm-3 ou 31 mg dm-3, fazer adubação corretiva com 140kg há-1 de K2O a lanço e incorporar com grade, além da adubação de manutenção na semeadura, indicada na tabela acima. Adubação com Enxofre Para determinar corretamente a necessidade de enxofre (S), deve-se fazer a análise de solo em duas profundidades, 0 a 20 cm e 20 a 40 cm, devido à 1 Pode-se usar até 10kg a menos do que o indicado 12 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica mobilidade do nutriente no solo e o seu acúmulo na segunda camada. A Tabela 6 apresenta as quantidades recomendadas, de acordo com a classe de teores. No solo, os níveis críticos são 10 mg dm-3 e 35 mg dm-3 para solos argilosos (> 40% de argila) e 3 mg dm-3 e 9 mg dm-3 para solos arenosos (≤ 40% de argila), respectivamente nas profundidades 0 a 20 cm e 20 a 40 cm (EMBRAPA, 2007). Tabela 6-Indicação de Adubação de correção e de manutenção com enxofre conforme as faixas de teores de enxofre no solo (mg dm-3 )a duas profundidades do perfil do solo para a cultura da soja M=Manutenção: 10kg para cada 1000kg de produção de grãos esperada Fonte: Embrapa, 2007. Considerando a absorção e a exportação do nutriente, a adubação de manutenção corresponde a 10 kg de S para cada 1.000 de produção de grãos esperada. A análise de folhas deve ser realizada caso haja dúvidas com a análise de solo. No mercado, encontram-se algumas fontes de S, que são: gesso agrícola (15% de S), superfosfato simples (12% de S) e “flor” de enxofre ou enxofre elementar 13 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica (98% de S). Além disso, há várias fórmulas N-P-K no mercado que contém S (EMBRAPA, 2007). FUNGICIDAS O tratamento das sementes com fungicidas oferece garantia de melhor estabelecimento da população de plantas por controlar patógenos importantes transmitidos pelas sementes, diminuindo a chance de sua introdução em áreas indenes. As condições desfavoráveis à germinação e emergência da soja, especialmente a deficiência hídrica, tornam mais lento esse processo, expondo as sementes por mais tempo a fungos do solo, como Rhizoctonia solani, Pythium spp. Fusarium spp. e Aspergillus spp. (A. flavus), entre outros, que podem causar a sua deterioração ou a morte da plântula. Os principais patógenos transmitidos pela semente de soja são: Cercospora kikuchii, Cercospora sojina, Fusarium semitectum, Phomopsis spp. Anamorfo de Diaporthe spp. e Colletotrichum truncatum. O melhor controle dos quatro primeiros patógenos citados é propiciado pelos fungicidas do grupo dos benzimidazóis. Dentre os produtos avaliados e indicados para o tratamento de sementes de soja, carbendazin, tiofanato metílico e thiabendazole são os mais eficientes no controle de Phomopsis spp., podendo assim ser considerados opção para o controle do agente do cancro da haste, em sementes, pois Phomopsis é a forma imperfeita de Diaporthe. Os fungicidas de contato tradicionalmente conhecidos (captan, thiram e tolylfluanid), que têm bom desempenho no campo quanto à emergência, não controlam, totalmente, Phomopsis spp. e Fusarium semitectum nas sementes que apresentam índices elevados desses patógenos (>40%). Os fungicidas de contato e sistêmicos, indicados para o tratamento de sementes de soja são apresentados na Tabela 7. 14 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Tabela 7 –Fungicidas e respectivas doses para o tratamento de sementes de soja. XXVII Reunião de Pesquisa de Soja da região central do Brasil Uberaba MG agosto, 2006. Fonte-Embrapa, 2007. HERBICIDAS O controle de plantas daninhas é uma prática de elevada importância para a obtenção de altos rendimentos em qualquer exploração agrícola e tão antiga quanto a própria agricultura. As plantas daninhas constituem grande problema para a cultura da soja e a necessidade de controlá-las, um imperativo. Conforme a espécie, a densidade e a distribuição da invasora na lavoura, as perdas são significativas. 15 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica A invasora prejudica a cultura, porque com ela compete pela luz solar, pela água e pelos nutrientes, podendo, a depender do nível de infestação e da espécie, dificultar a operação de colheita e comprometer a qualidade do grão. Os métodos normalmente utilizados para controlar as invasoras são o mecânico, o químico e o cultural. Quando possível, é aconselhável utilizar a combinação de dois ou mais métodos. O controle cultural consiste na utilização de técnicas de manejo da cultura (época de semeadura, espaçamento, densidade, adubação, cultivar, etc.) que propiciem o desenvolvimento da soja, em detrimento ao da planta daninha. O método mais utilizado para controlar as invasoras é o químico, isto é, o uso de herbicidas. Suas vantagens são a economia de mão de obra e a rapidez na aplicação. Para que a aplicação dos herbicidas seja segura, eficiente e econômica, exigem-se técnicas refinadas. O reconhecimento prévio das invasoras predominantes é condição básica para a escolha adequada do produto que resultará no controle mais eficiente das invasoras. A eficiência dos herbicidas aumenta quando aplicados em condições favoráveis. É fundamental que se conheçam as especificações do produto antes de sua utilização e que se regule corretamente o equipamento de pulverização, quando for o caso, para evitar riscos de toxicidade ao homem e à cultura. Os herbicidas são classificados quanto a época de aplicação, em pré plantio, pré-emergentes e pósemergentes, e na do controle químico para a soja Tabela 8, encontram-se os principais herbicidas indicados pela pesquisa. De acordo com a comissão de plantas daninhas há uma recomendação das dosagens do controle químico para a soja Tabela 8-Alternativas para o controle químico de plantas daninhas para a cultura da soja. 16 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Fonte: Embrapa, 2007. 1A escolha do produto deve ser feita de acordo com cada situação. É importante conhecer as especificações dos produtos escolhidos. 2A escolha da dose depende da espécie e do tamanho das invasoras para os herbicidas de pós-emergência e da textura do solo para os de pré-emergência. Para solos arenosos e de baixo teor de matéria orgânica, utilizar doses menores. As doses maiores são utilizadas em solos pesados e com alto teor de matéria orgânica. 3 PPI = pré-plantio incorporado; PRÉ = pré-emergência; PÓS = pós-emergência; PÓSi = pós emergência inicial; i.a. = ingrediente ativo. 4 Classe toxicológica: I = extremamente tóxico (DL50 oral = até 50); II = altamente tóxico (DL50 oral = 50-500); III = medianamente tóxico (DL50 oral = 500-5000); IV = pouco tóxico (DL50 oral = > 5000 mg/kg). 5 Juntar adjuvante recomendado pelo fabricante. No caso de Blazer e Tackle a 170 g/L, dispensa o uso de adjuvante, mantendo-se a dose por hectare. * Antes de emitir recomendação e/ou receituário agronômico, consultar relação de defensivos registrados no Ministério da Agricultura e cadastrados na Secretaria de Agricultura do estado (onde houver legislação pertinente). Obs.: Aplicar herbicidas PRÉ logo após a última gradagem, com o solo em boas condições de umidade. Não aplicar herbicidas PÓS durante períodos de seca, em que as plantas estejam em déficit hídrico. INSETICIDAS Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 17 A cultura da soja está sujeita, durante todo o seu ciclo, ao ataque de diferentes espécies de insetos. Embora esses insetos tenham suas populações reduzidas por predadores, parasitóides e doenças, em níveis dependentes das condições ambientais e do manejo de pragas que se pratica, quando atingem populações elevadas, capazes de causar perdas significativas no rendimento da cultura, necessitam ser controlados. Apesar de os danos causados na cultura da soja serem, em alguns casos, alarmantes, não se indica a aplicação preventiva de produtos químicos, pois, além do grave problema de poluição ambiental, a aplicação desnecessária eleva os custos da lavoura e contribui para o desequilíbrio populacional dos insetos. O controle das principais pragas da soja deve ser feito com base nos princípios do “Manejo de Pragas”. Consistem de tomadas de decisão de controle com base no nível de ataque, no número e tamanho dos insetos-pragas e no estádio de desenvolvimento da soja, informações estas obtidas em inspeções regulares na lavoura com este fim. Em situações adversas, como estresse hídrico e excesso de chuvas, o técnico também deverá considerar, na tomada de decisão para realizar o controle dos insetos-pragas, o porte das plantas, o tamanho da área a ser tratada e a disponibilidade de equipamentos. Nos casos das lagartas desfolhadoras e dos percevejos, as amostragens devem ser realizadas com um pano-de-batida, de cor branca, preso em duas varas, com 1m de comprimento, o qual deve ser usado em duas (lagarta) ou uma (percevejo) fileira de soja. As plantas devem ser sacudidas vigorosamente sobre o mesmo, promovendo a queda dos insetos, que deverão ser contados. Esse procedimento deve ser repetido em vários pontos da lavoura, considerando-se, como resultado, a média de todos os pontos amostrados. Especificamente para os percevejos, as amostragens devem seguir as seguintes indicações: • Ser realizadas nos períodos mais frescos do dia, quando os percevejos se movimentam menos; • Ser feitas com maior intensidade nas bordas da lavoura, onde, em geral, os percevejos iniciam seu ataque; Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 18 • Ser repetidas, de preferência, todas as semanas, do início da formação de vagens (R3) até a maturação fisiológica (R7); e usar o pano-de-batida em apenas 1m de fileiras de soja. A simples observação visual sobre as plantas não expressa a população real presente na lavoura, especialmente dos percevejos. O controle deve ser realizado somente quando forem atingidos os níveis de danos mencionados na Tabela 9 e Tabela 10. Tabela 9-Insetos Praga da soja parte da planta2 que atacam Continua 2 Br = brotos; Co = cotilédones; Fj = folhas jovens; Fo = folhas; Ha = hastes; No =nódulos; Pe = pecíolos; Pl = plântulas; Pp = plantas pequenas; Ra = raízes; Se = sementes; Va = vagens. (A) = adulto, (L) = larva. 19 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Fonte: Embrapa, 2007. Tabela 10-Níveis de ação de controle para as principais pragas da soja. * Maiores de 1,5cm e considerando a batida de 2 fileiras de soja sobre o pano. ** Maiores de 0,5cm e considerando a batida de apenas 1 fileira de soja sobre o pano. Fonte: Embrapa, 2007. 20 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Na tabela 11 consta a lista dos insetos praga da safra 2006: Tabela 11-Inseticidas indicados para outras pragas da soja safra 2006/2007 3 Fonte: Embrapa, 2007. Alguns efeitos colaterais dos insetos praga em predadores de sangue quente são listados abaixo: Tabela 12 – Efeitos colaterais dos insetos praga4 3 A dose em g/100kg de semente, correspondente a 200ml do produto comercial/100kg de semente. (Índice de segurança (I.S.) = 100 x DL50/dose de i.a.); considera o risco de intoxicação em função da formulação e da quantidade de produto a ser manipulado; quanto menor o índice, menor a segurança. 4 21 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica continua Fonte: Embrapa, 2007. Para analisar comparativamente os efeitos ambientais decorrentes da produção de soja e seus impactos no uso do solo, utilizou-se o método de avaliação de ciclo de vida (ACV). Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 22 2.3 Conceitos da Avaliação do Ciclo de Vida Ciclo de vida do produto é o conjunto de etapas necessárias para que um produto cumpra a função, desde a obtenção dos recursos naturais até a disposição final após ter se completado o referido cumprimento de função. A ACV pode ser definida como um método capaz de “Avaliar um produto, atividade ou processo, identificando e quantificando a energia, os materiais utilizados e os resíduos liberados para o meio ambiente, com o objetivo de por em prática, melhorias ambientais” (UDO de HAES, 1996). A técnica de ACV é realizada mediante quatro fases, como mostrado na Figura 6 ( ABNT,2009) que compreende: • Definição de Objetivo e escopo; • Inventário de entradas e saídas; • Avaliação dos impactos ambientais potenciais associados a essas entradas e saídas; • Interpretação dos resultados das fases de análise de inventário e de avaliação de impactos. 23 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica Figura 6 -Fases de uma ACV Fonte: ABNT, 2009. Conforme apresentado na Figura 6 , a ACV pode ser utilizada para a identificação de oportunidades com o intuito de aperfeiçoar os aspectos ambientais dos produtos em vários pontos de seu ciclo de vida. O uso da ACV proporciona uma avaliação ampla dos aspectos e impactos desde a extração da matéria – prima até o descarte do material, podendo ser aplicado em melhoria de produto, planejamento estratégico, entre outras aplicações. A avaliação do ciclo de vida permite: uma contabilização ambiental, onde se consideram as retiradas de recursos naturais e energia da natureza e as ”devoluções” para o meio ambiente; e a avaliação dos impactos ambientais potenciais relativos às entradas e saídas do sistema. Conforme Marzullo (2007), a Avaliação do Ciclo de Vida do produto pode ser considerada a primeira e única ferramenta de avaliação ambiental padronizada em termos internacionais (com as normas da série ISO 14040). Os princípios básicos que distinguem a ACV dos demais métodos de avaliação ambiental são: a Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 24 possibilidade de condução da análise desde a extração da matéria-prima ao descarte do material conforme a Figura 7, referência dos aspectos e impactos a uma “unidade funcional” como uma mensuração quantitativa da função ou benefício do sistema e conseqüente possibilidade de ser um instrumento comparativo. Está representada em blocos que devem corresponder a processos ou ações, devendo, circular energia e materiais, como por exemplo: eletricidade (energia), sementes (material A), defensivos agrícolas (material B). Figura 7- Principais fases associadas ao ciclo de vida de um produto Fonte: Caldeira-Pires, Rabelo e Xavier, 2002. Weidema (1997) apresenta os seguintes conceitos sobre a ACV que têm grande importância para compreensão: a) Ambiente: meio que envolve as operações da organização (empresa, atividade) analisada. b) Impacto ambiental: qualquer mudança no ambiente, adversa ou benéfica, resultado de atividades ou produtos da organização. c) Intervenções: são os inputs ambientais (recursos) utilizados pelo sistema de produção; os outputs ambientais produzidos pelo sistema (emissões para o ar, água e solo), bem como as relações ambientais que não estão diretamente relacionadas com os inputs ou outputs, tais como, uso do solo; impactos físicos; aspectos relativos à saúde ocupacional; bem-estar de trabalhadores, entre outros. Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 25 d) Produto: é um bem físico ou serviço não-material que cumpre uma ou mais funções definidas. e) Sistema de Produção: é o conjunto, material ou energético, de processos unitários conectados que oferece um ou mais produtos. Num sistema de produção, um processo unitário é o menor nível para a coleta de dados. As etapas da ACV estão internacionalmente difundidas pela Society of Environmental Toxicology and Chemistry (SETAC-Sociedade Ambiental de Química e toxicologia) e padronizadas pela International Standardization Organization (ISOOrganização de Padronização Internacional). A ACV é dividida em quatro fases principais: definição do objetivo e do escopo do estudo, inventário dos processos envolvidos, com enumeração das entradas e saídas do sistema; determinação dos impactos ambientais associados às entradas e saídas do sistema; interpretação dos resultados das fases de inventário e avaliação, considerando os objetivos do estudo (Berlin, 2002). 2.4 Definição do Objetivo e escopo A definição de objetivo e escopo, segundo a norma NBR ISO 14044(2009), deve ser determinada na etapa de definições. O objetivo do estudo deve declarar a aplicação pretendida, as razões para sua condução e o seu público–alvo, para quem se espera comunicar os resultados do estudo. Nesta etapa a importância da meta e o alcance são o de definir e limitar o modelo do sistema de forma que, caso haja seja utilizado alguma simplificação, o resultado não seja prejudicado quando analisados com os dados reais. Um estudo de ACV é uma técnica interativa. À medida que as informações são coletadas, alguns aspectos do escopo podem demandar alteração para atingir o objetivo inicial do estudo.Em alguns casos, o próprio objetivo do estudo pode ser revisado devido a imprevistas limitações. O objetivo deve partir da clara definição do sistema do produto ou serviço. Isto envolve a definição da chamada unidade funcional, esta define a quantificação das funções identificadas. A principal característica da unidade funcional é fornecer uma Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 26 referência com relação à qual os dados de entrada e saída são padronizados. Esta deve ser claramente definida e mensurável. Após a definição da unidade funcional, a quantidade de produto que é necessário para cumprir a função deve ser quantificada. Resultando no fluxo de referência. O fluxo de referência é utilizado para realização dos cálculos de entrada e saída do sistema. Segundo a norma NBR ISO 14044 (2009) as fronteiras do sistema definem os processos elementares a serem incluídos no sistema a ser modelado. Seria recomendável que o sistema de produto fosse modelado de tal modo que as entradas e saídas se tornassem fluxos elementares. Devem ser tomadas decisões relativas a que liberações para o meio ambiente devem ser avaliadas e qual detalhamento desta avaliação. É recomendado que os critérios utilizados para apoiar a escolha das entradas e saídas sejam claramente compreendidos e descritos. O escopo refere-se a três dimensões básicas: a extensão, indicando início e término do estudo; a largura indicando os níveis de análises a serem incluídos e a profundidade que estabelece qual nível de detalhamento da análise. As três dimensões devem ser realizadas de forma a atender os objetivos estabelecidos. 2.5 Análise de Inventário (ICV) De acordo com a NBR ISO 14044 (2009), nesta etapa é elaborado um modelo de ciclo de vida para o produto em questão considerando todos os fluxos ambientais de entrada e saída. A análise do inventário refere-se à coleta de dados e ao procedimento de cálculo para que se possa fazer o agrupamento destes dados em categorias ambientais utilizáveis e comparáveis. A Figura 8 a seguir apresenta as etapas operacionais a serem realizadas em um inventário do Ciclo de vida Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 27 Figura 8 – Procedimentos Simplificados para análise de Inventário (ABNT NBR ISO 14044 2009) Nesta etapa de análise de inventário, o escopo e os objetivos de um estudo fornecerão o plano inicial para a realização do estudo, estabelecendo um conjunto de processos elementares e categoria de dados associados. Esta fase da análise do ciclo de vida pode tornar-se uma das mais difíceis e trabalhosas em função da não disponibilidade dos dados ou da qualidade dos dados disponíveis. Portanto a análise toma em consideração a avaliação da qualidade dos dados e análises de sensibilidade de entradas e saídas e escolhas de metodologias, de modo a compreender as incertezas dos resultados. A análise de inventário deve considerar alguns aspectos em relação ao estudo: a) A adequada definição do sistema e sua unidade funcional b) A definição de fronteira do sistema c) Limitações identificadas pela avaliação de qualidade dos dados e pela análise de sensibilidade. Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 28 Nestes casos, a Avaliação de Impacto do Ciclo de Vida não é realizada, reduzindo tanto a definição do escopo quanto a interpretação. É recomendável que os resultados sejam interpretados com cautela porque eles se referem a dados de entradas e saídas e não a impactos ambientais. Além disso, incerteza é introduzida nos resultados de um ICV pelos efeitos cultivos das incertezas das entradas e pela variabilidade dos dados. A análise de incerteza como aplicada ao ICV é uma técnica em fase embrionária. Não obstante, ela pode ajudar a caracterizar a incerteza nos resultados e conclusões usando faixas e/ou distribuições de probalidade. Sempre que possível, é recomendável que tal análise seja realizada para explicar melhor e apoiar as conclusões do ICV. Os componentes-chave para uma análise de inventário do Ciclo de vida segundo a norma NBR ISO 14044 (2009) são: a) Sistema do produto: conjunto de unidades de processo, conectadas material ou energeticamente, que realiza uma ou mais funções definidas. É, portanto o detalhamento do modelo a ser estudado na ACV. A descrição de sistema de produto inclui os processos elementares, fluxos elementares, fluxos de produto através das fronteiras do sistema e fluxos de produtos intermediários dentro do sistema. b) Processo elementar: divisão do sistema de produtos, sendo interligados uns aos outros, mediante fluxos de produto e ao meio ambiente por fluxos elementares. c) Categoria de dados: os dados coletados, medidos e estimados são utilizados para quantificar as entradas e saídas de um processo elementar. A norma NBR ISO 14044 (2009) recomenda três grandes conjuntos de categoria de dados: -Insumos-energia, matérias primas, matérias auxiliares e outras entradas físicas; -Produtos 29 Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica -Emissões (ar, água, solo, etc). As principais etapas do inventário do Ciclo de Vida são apresentadas a seguir: 1. Preparação para Coleta de dados Esta etapa deve incluir: -construção de fluxogramas dos processos unitários, incluindo suas interrelações; -descrição de cada processo e listagem das categorias de dados a estes associadas; -determinação das unidades de medida; -determinação e descrição dos métodos de coleta e cálculo para cada categoria de dado, e; -provisão de instruções para documentação de casos especiais, irregularidades , etc. 2. Coleta de dados Na coleta de dados, os procedimentos usados variam de acordo com cada processo elementar, sendo necessário um conhecimento completo sobre cada processo elementar e com registro de cada um destes. As principais fontes de dados são: Especialistas, dados da literatura, banco de dados eletrônicos, dados repassados por empresas, órgãos do governo, laboratórios, etc) e medições feitas diretas no campo,podendo o procedimento de coleta ser realizado por exemplo,através de revisão bibliogáfica, aplicação de quatonários específicos ,cálculos teóricos a partir de modelos ou medições de campo. Ao final desta etapa de coleta o que se obtém é uma planilha de aspectos ambientais quantificados para cada processo em separado. Os procedimentos utilizados para a coleta dos dados variam de acordo com cada processo elementar nos diferentes sistemas modelados por um estudo de ACV. A coleta de dados requer conhecimento completo sobre cada processo elementar. Os dados coletados, medidos, calculados ou estimados são utilizados para quantificar as entradas e saídas de um processo elementar. As entradas Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 30 podem ser: entradas de energia, de matéria-prima, auxiliar ou outras entradas físicas, as saídas são principalmente: emissões para atmosfera, para a água e para o solo. 3. Procedimentos de cálculo Estes são necessários, assim como o procedimento para coleta de dados. Adequar os processos unitários e a unidade funcional, além de avaliar sua qualidade. Este procedimento pode ser dividido nas seguintes etapas (NBR ISO 14044:2009): I-Validação dos dados: verificações dos balanços de massa e energia, análises comaprativas, etc. procedimentos para detectar, ainda em uma fase inicial, quaisquer anomalias existentes, e determinar o que se deve ser feito na ausência do dado desejado; II-adequação dos dados à unidade funcional: transformação dos valores obtidos para cada processo, na base unitária de cada um, a uma mesma base de cálculo referente à unidade funcional (por exemplo, 1 kg de produto, 1MJ de energia, etc), fazendo tanto as necessárias alocações das cargas ambientais como a conversão de unidades; III-agregação de dados: Os dados obtidos em uma única tabela devem ser agregados. Na verdade, a medição dos aspectos das etapas de transporte em t.km existe como uma forma de alocar, a cada tonelada transportada, apenas a respectiva parcela dos aspectos ambientais. Para o planejamento do inventário de ciclo de vida, além da série 14040 da ABNT existem também os estudos do Centro Suíço para Inventário de ciclo de vida, através do software ecoinvent, cujo projeto começou a partir dos anos 90. Ele é composto por mais de 4000 dados de produtos, serviços e processos utilizados em ACV, tais como energia (incluindo petróleo, gás natural, carvão, energia nuclear, energia, hidroelétrica, energia fotovoltaica, energia térmica, energia eólica, combinação de eletricidades e biocombustíveis), transporte, materiais de construção, madeira (européias e tropicais), fibras renováveis, metais (incluindo metais preciosos), químicos (incluindo solventes petroquímicos e detergentes), eletrônicos, Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 31 engenharia mecânica (metais e tratamento de ar comprimido), papéis e celulose, plásticos e tratamento de produtos e resíduos agrícolas (FRISCHKNECHT, 2007). De acordo com Frishchknecht et al. (2007) o objetivo do Centro Suíço para Inventários de Ciclo de Vida é oferecer um conjunto unificado e genérico para o inventário de ciclo de vida com dados de alta qualidade, incluindo áreas de energia e bioenergia, transporte, gestão de resíduos, mecânica. A confiabilidade e, portanto, a aplicabilidade dos resultados da ACV depende da qualidade dos dados e das informações originais. Dessa forma, o manejo da qualidade dos dados deve ser uma parte integrada a ACV. Essa qualidade pode ser aferida pelo uso de indicadores para cada conjunto de dados que especificam sua qualidade em relação à maneira como serão utilizados no estudo. Frishchknecht et al. (2007) investiga os produtos e processos agrícolas através do relatório nº 1513 e relatório parcial nº 17, que tem como base estudos em ACV no setor de alimentos , mas em parte também apresenta outras aplicações , tais como energia renováveis nos sitemas de energia ou de materiais renováveis. Os dados são divididos em duas categorias: meios de produção agrícola e produção agrícola. Meios de produção agrícola contêm conjuntos de dados que são necessários para a modelagem de sistemas agrícolas, como prédios, pesticidas, sementes e alimentos. Eles são destinados a usuários que desejam calcular a ACV. Os fertilizantes são baseados em na situação de produção européia, pesticidas na Europa e situação na Suíça. Os fertilizantes são calculados com os respectivos nutrientes (N kg, kg de P2O5 e kg de K2O), como fluxo de referência, os pesticidas referem-se à substância ativa. Vários processos de trabalhos são definidos. A fim de permitir o uso flexível, esses processos contêm o uso da infaestrutura e de combustível, bem como as relações de emissões, mas não os outros insumos como sementes, fertilizantes e pesticidas. Estes últimos são adicionados de forma particular. A produção de agricultura contém produtos da agricultura. Estes conjuntos de dados se destinam para utilizadores que necessitem de dados não-agrícolas em seu estudo de ACV. Os produtos agrícolas no banco de dados ecoinvent são representativos na Suíça (culturas agrícolas), bem como de produtos provenientes da Ásia, EUA e Brasil. Para produtos agrícolas da Suíça, os conjuntos de dados para produção agrícola integrada, ampla e orgânica são definidos, para os outros países, Capítulo 2 – Revisão Bibliográfica 32 conjuntos de dados referem-se a média de produção convencional. Eles podem ser utilizados para estudos de ACV e para comparações no nível d produto, mas não para avaliação e comparação dos diferentes sistemas agrícolas. Os impactos ambientais da produção agrícola dependem das condições naturais (solo, clima), técnicas agrícolas e rendimentos, e varia fortemente dentro dos países. Assim recomenda-se pelo ecoinvent investigar os dados da situação específica no caso de produtos agrícolas. Capítulo 3 – Método 33 3 MÉTODO Neste capítulo é realizado o levantamento do ICV da soja segundo as etapas propostas na (NBR ISO 14044:2009). 3.1 Definição do Objetivo e escopo do Estudo 3.1.1 Objetivo O objetivo do presente estudo é disponibilizar um Inventário do ciclo de Vida (ICV) para a soja nas condições do Brasil. Sua principal aplicação encontra-se nos estudos de ACV de produtos que utilizem a soja como matéria-prima, principlamente o biodiesel no Brasil. A justificativa para a realização deste estudo se encontram na disponibilização de base de dados nacional para se desenvolver ACVs sobre este tema no Brasil. De acordo com a ferramenta de ACV na primeira etapa são definidos o objetivo e escopo, e, portanto primeiramente será determinado a fronteira do sistema. A proposta deste trabalho em relação a esta definição é de que todas as informações necessárias para execução da ACV sejam incorporadas à ferramenta do uso do solo. O objetivo principal desta ACV é identificar os principais impactos do uso do solo na fase agrícola da soja para produção do Biodiesel no Brasil, abrangendo os seguintes processos principais: pré-semeadura5, semeadura6 e manejo, com os macros e micronutrientes, defensivos agrícolas, fertilizantes, área total de plantio, sementes e grãos. Sendo o foco da análise do estudo os impactos da produção de soja, foi considerado como unidade funcional 58 milhões de toneladas de grãos de soja produzidos nestas fases, que serão a base para a análise e comparação dos sistemas (CONAB, 2010). 5 Pré-Semeadura é a fase de tratamento das sementes e aplicação dos micronutrientes de adubação do solo. Semeadura é a fase de adubação dos principais macronutrientes no solo e inserção da semente no solo (Embrapa, 2007). 6 Semeadura é fase de adubação dos principais macronutrientes no solo e inserção da semente no solo (Embrapa, 2007). Capítulo 3 – Método 34 3.2 Definição do escopo Apesar da ACV ser uma metodologia com etapas padrões, de acordo com a norma NBR ISO 14044 (2009), a abrangência do estudo pode ocasionar discrepâncias entre dois estudos do mesmo objeto. O escopo deste estudo de ACV aborda a definição da função do produto, da unidade funcional, do fluxo de referência, do sistema de produto e do critério de alocação. 3.2.1 Função, unidade funcional e fluxo de referência. A função selecionada para este estudo de ACV da semente de soja é a produção de grãos de soja. A unidade funcional do produto semente de soja será capacidade de produzir 1t de grãos de soja. O fluxo de referência estabelecido foi de um processo que produza 1 tonelada de grãos de soja. De acordo com CONAB (2010) foram produzidos em 2006 58,4 MMt utilizando, aplicando-se no solo 2,7 MMt de sementes em uma área correspondente a 20,8 MM h a . Portanto para a obtenção de 1t de grãos de soja em 2006 são necessários 2,148E+01 kg de semente em 0,356 ha de terra. 3.2.2 Sistemas do produto e limites do sistema O sistema do produto é do berço ao portão, não tendo sido incluídas a fase de transporte, Processo de esmagamento ,transporte do farelo e transporte do óleo. 3.2.3 Categorias de impacto Neste trabalho não foi realizada a análise de categoria de impacto relacionada com a soja. 3.2.4 Categorias de dados Os dados foram coletados categorizados em entradas e saídas. Em seguida, as entradas foram classificadas em recurso renovável e não-renovável. Grande parte dos dados é proveniente da EMBRAPA e pesquisadores da área de agronegócio, através de entrevistas por telefone e contato por email. 35 Capítulo 3 – Método As saídas foram divididas em emissões para o ar, para a água e para o solo e, posteriormente nas subcategorias apresentadas na Tabela 13. Tabela 13: Categorias e subcategorias do ICV Categorias Ar Recursos Solo Água Subcategorias Baixa densidade populacional Baixa densidade populacional, longo prazo Baixa estratosfera + troposfera Alta densidade populacional Não especificado No ar Biótico No solo Solo (uso e ocupação do solo) Na água Agricultura Floresta Industrial Não especificado Subterrânea, longo prazo Lago Oceano Rio Rio, longo prazo Fóssil, não especificado Fonte: Frischknecht et al, 2007. 3.2.5 Requisitos iniciais da qualidade dos dados De acordo com dados do relatório do CNPq (2010) para calcular a incerteza dos dados, considerou-se os seguintes requisitos iniciais da qualidade dos dados. 1) Cobertura temporal: 2006 2) Região: Brasil 3) Tecnologia utilizada: dados da tecnologia média utilizada no país 4) Precisão, completeza e representatividade dos dados: 90% 5) Consistência e reprodutibilidade dos métodos usados ao longo da ACV (métodos de medição alocação e agregação utilizada) Tendo em vista que nem todos os dados obtidos correspondem aos requisitos iniciais estabelecidos, é necessária a avaliação do desvio, que foi realizada de acordo com Frischknecht et al. (2007), em que se utiliza a Matriz Pedigree ( 36 Capítulo 3 – Método Tabela 14). Tabela 14: Matriz Pedigree Pontuação Confiança Completeza Dados representativos de um número suficiente de empresas durante um peróodo que permita eliminar flutuações Dados parcialmente Dados representativos de um 2 verificados e baseados em pequeno número de empresas, hipóteses ou dados não mas para os períodos berificados, mas baseados adequados em medições Dados não verificados e Dados representativos de um 3 parcialmente baseados em número adequado de hipóteses empresas, mas para períodos pequenos 4 Estimativas verificadas ou Dados representativos, mas de estimativas qualificadas um número pequeno de (realizados por peritos) empresas e de períodos reduzidos, ou incompletos mas de um número adequado de empresas e períodos Representatividade 5 Estimativas dos dados não qualificados e não desconhecida, ou dados verificadas incompletos de um pequeno número de empresas e/ou de reduzidos períodos. 1 Dados verificados e baseados em medições Correlação temporal Diferença máxima de 3 anos face ao ano de estudo Correlação geográfica Dados provenientes da área em estudo Correlação tecnológica Dados da empresa em estudo Menos de 6 anos de diferença Dados médios respeitantes a uma área maior do que a área em estudo, mas que a engloba Dados de uma área com condições de produção semelhantes Dados de uma área com condições de produção com algumas semelhanças Dados relativos aos mesmos processos / materiais, mas de outras empresas Dados dos mesmos processos / materiais, mas diferente tecnologia Dados relativos a processos / materiais semelhantes, mas tecnologia análoga Dados de área desconhecida, ou de área com condições de produção muito diferentes. Dados relativos a processos / materiais semelhantes, mas tecnologia diferente. Diferença máxima de 10 anos Diferença máxima de 15 anos Idade dos dados desconhecida ou superior a 15 anos Fonte: Weidema e Wesnaes, 1996. A partir da pontuação de cada dado na Matriz Pedigree, foi realizado o cálculo das incertezas por meio da Equação 1, em que Ui são os fatores de incerteza, conforme a Tabela 15 e Ub é a incerteza básica dada em Frischknecht et al. (2007). Equação 1 Tabela 15: Fatores de Incerteza Pontuação do indicador Confiança na fonte Completeza Correlação temporal Correlação geográfica Correlação tecnológica Tamanho da Amostra 1 2 3 4 5 1.00 1.00 1.00 1.00 1.05 1.02 1.03 1.01 1.10 1.05 1.10 1.02 1.20 1.10 1.20 1.50 1.20 1.50 1.10 1.20 1.50 2.00 1.05 1.10 1.20 1.00 1.00 1.02 Fonte: Frischknecht et al., 2007. A tabela abaixo foi utilizada como modelo para o inventário do ciclo de vida da soja 37 Capítulo 3 – Método Tabela 16: Modelo para coleta de dados do ICV da soja Responsável: Processo: Início do processo: Final do processo: Produto: Quantidade de produto: Fluxograma do processo em anexo! Quantidade Categoria Subcategoria Ano Região Tecnologia Representatividade no Brasil Dados completos (Se não, descrever) Forma de obtenção dos dados Co nf ia In nç te a gr al id ad Te e m po r G eo al gr á Te fic cn a ol óg Am ica os t ra U 1 Matriz Pedigree Unidade Entradas Saídas Os processos do inventário de ciclo de vida da soja a serem considerados são representados, de forma simplificada, na Figura 9 Figura 9– Fluxogramas dos Processos das fases agrícolas da soja 38 Capítulo 3 – Método Fonte: Nemecek et Erzinger, 2003. Esta definição de fronteiras é justificada pelas questões abaixo: 1) A adição de fertilizantes (macronutrientes e micronutrientes) e defensivos agrícolas (fungicidas, herbicidas e inseticidas) deve ser considerada na avaliação ambiental por representar relevada importância na produção do uso do solo. 2) A semente corresponde a entrada principal para o inventário da présemeadura, fase de preparação da semente. 3) Todos os processos do inventário da soja tem como entrada água e energia 3.3 Análise do inventário da ACV A próxima etapa da ACV á análise de inventário. A primeira das cinco etapas da análise de inventário é a preparação para a coleta dos dados, específica para a soja como produto. Neste trabalho foi realizado através de estudos de trabalhos científicos realizados pela Embrapa, Pesquisadores da soja e ONG’s relacionadas ao solo. A etapa seguinte no processo de análise de inventário é a coleta de dados. A coleta de dados para o inventário foi realizada através de pesquisa qualitativa e quantitativa para ano de 2006 no Brasil, visando extrair as informações que fossem mais representativas em termos de qualidade de uso do solo para a soja no Brasil. A coleta de dados para o inventário do ciclo de vida (ICV) da fase agrícola da soja foi realizada em Maio de 2009, através de entrevistas aos pesquisadores da Embrapa soja de Londrina Prof Fábio Alvares e Julio Franchini (informação verbal) e leitura das publicações “Tecnologias de Produção de soja Região Central do Brasil 2007” e “Tecnologias de Produção de soja -Paraná 2007” (EMBRAPA, 2007). Todos os dados foram coletados para o ano base 2006. Todas as entradas (matéria-prima e materiais auxiliares) são consideradas como um recurso de subcategoria não-renovável na natureza para o ano Base de 2006, na região do Brasil para uma tecnologia média e 100% de representatividade. 39 Capítulo 3 – Método A forma de obtenção dos dados foi calculada para todas as entradas, menos para a água que entra no ciclo da soja e constitui um dado medido pela Embrapa, (2007). Após a coleta, os dados foram inseridos em planilhas do Excel, conforme modelo apresentado no Capítulo 4. Os principais elementos contidos no inventário que serviram como base de cálculo foi: quantidade de sementes(t), quantidade de grãos (t) e área (ha). Além destes elementos o inventário possui entradas: matéria prima e materiais auxiliares, água e energia. Os elementos necessários para cada entrada são: unidade, dose, quantidade aplicada, categoria, subcategoria, ano, região, tecnologia, representatividade no Brasil, dados completos, forma de obtenção dos dados, matriz pedigree (confiança, integralidade, temporal, geográfica, tecnológica e amostra) conforme Tabela 14, e a fonte da pesquisa. A terceira etapa na análise de inventário é a de procedimentos de cálculo, que deve ser iniciada com balanços de massa e energia. Neste trabalho foram realizadas as conversões de unidades, balanços de massa e cálculos de incerteza para confiabilidade dos dados do inventário, cujas etapas serão descritas a seguir: I. Após seleção dos dados de entrada, todas as doses foram alteradas para unidades no sistema internacional, massa (Kg) e superfície m2. II. Para cada entrada de material (fertilizantes, sementes, micronutrientes, macronutrientes, defensivos agrícolas (herbicidas, fungicidas e inseticidas) foram realizados os cálculos da quantia aplicada total para o processo de produção dos grãos de soja, considerando-se a área total de plantio de soja no Brasil). Para as entradas de fertilizantes químicos NPK (Nitrogênio, Fósforo e Potássio) está diretamente ligado à produtividade. Para Embrapa, (2007) quando se deseja uma produtividade de 1000 kg, a quantidade de nitrogênio, fósforo e potássio, devem ser respectivamente: 80kg, 20kg e 20kg. Essa situação é 40 Capítulo 3 – Método considerada como o pior caso para a semeadura, parte do princípio que o solo nunca foi recebeu a soja, portanto precisa ser adubado com esses fertilizantes. 3.4 Uso do solo A última verificação a ser realizada é a análise do inventário de ocupação e transformação do uso do solo. A partir dos dados do inventário da fase agrícola da soja, foi realizado o cálculo da área de ocupação e transformação do uso do solo, baseado em Frischknecht et al. (2007). Onde a área AT corresponde à área total ocupada para a produção de soja de 1970 a 2006, totalizando 36 anos de ocupação, mt sinaliza a produção de grãos de soja na safra 2006. A ocupação do solo é calculada pela divisão da área total usada sobre um período de tempo pela quantidade de grãos extraídos por ano para uma dada região. A unidade do impacto de ocupação é dado em m2a. O impacto de ocupação do uso do solo é obtido pela Equação abaixo: AOn = ATn mTn , Equação 2. Onde: Ao é a área ocupada no ano n; AT é a área total no ano n e; mT é a massa total produzida no ano n; Onde a área AT corresponde à área total ocupada para a produção de soja em 2006, mT sinaliza a produção de grãos de soja na safra 2006. O do impacto de ocupação é dado em área por ano (m2a). Em relação ao impacto de transformação do Uso do solo, o cálculo é realizado dividindo-se a área total em (m2) pela produção total de tempo de vida. Conforme a equação abaixo: , Equação 3. Capítulo 3 – Método 41 Onde: ATr é a área transformada no ano n; AT é a área total no ano n e; Tttr é o tempo de transformação no ano n; MT é a massa total produzida no ano n; Onde a área ATr corresponde à área total transformada para a produção de soja em 2006, mT sinaliza a produção de grãos de soja na safra 2006 e ttr é o tempo do ciclo de vida total da cultura a ser analisada. A unidade do impacto de transformação é dado em unidades de área por Kg. Todos os cálculos foram realizados considerando-se somente o tempo de ocupação ciclo do plantio da soja no Brasil, não foram consideradas as culturas anteriores e paralelas entre safras. 42 Capítulo 4 – Resultados e Discussões 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 4.1 Dados da soja no Brasil A fim de avaliar a aplicabilidade da ferramenta apresentada no capítulo 3, foi realizado o estudo a partir da coleta de dados da produção de grãos de soja para o Brasil da safra 2006/2007. De acordo com a Figura 10 a produção de soja foi cerca de 58.381.800 t de soja e a área plantada foi em torno de 20.686.800 ha. A produtividade média foi de 2823kg/ ha . Figura 10 – Produção Brasileira de soja – Safra 2006/2007 Fonte: Conab, 2010. Capítulo 4 – Resultados e Discussões 43 A Figura 11 apresenta a evolução da produção dos estados brasileiros na produção de soja ,observa-se que a região central vem crescendo ano após ano e se destacando como líder na produção de soja no Brasil , de 1970 a 2007 cresceu em torno de 75 vezes de 500 toneladas para 37,8 milhões de toneladas, enquanto a região sul cresceu apenas 3 vezes (7,3 milhões para 22,1 milhões de toneladas). Figura 11 – Evolução da produção por estado Fonte: Embrapa Soja, 2008 44 Capítulo 4 – Resultados e Discussões A Figura 12 apresenta algumas informações sobre os dois maiores produtores de soja no Brasil: Mato Grosso e Paraná. O Mato Grosso de destaca como maior produtor brasileiro e Paraná com o segundo maior produtor. 1,000E+08 MT 1,000E+05 1,000E+02 Paraná t ha kg/ha Produção Área plantada Produtividade MT 1,536E+07 5,125E+06 2,997E+03 Paraná 1,192E+07 3,998E+06 2,995E+03 Figura 12- Dados de Produção Paraná e Mato Grosso Fonte: Embrapa soja, 2008. 4.1.1 Premissas para produção de Soja no Brasil A soja é produzida em um sistema de agricultura moderna industrial, baseado no uso de energia fóssil, insumos industriais, fertilizantes químicos, agrotóxicos, mecanização, pouca mão-de-obra, variedades geneticamente modificadas de alto potencial produtivo além de muitos outros recursos não renováveis. Ainda, a expansão sem controle da monocultura de soja promoveu o desmatamento da maior parte do ecossistema do Cerrado e agora ameaça a floresta amazônica. Os problemas sociais e ambientais resultantes deste modelo agrícola têm sido amplamente relatados tais como o declínio da fertilidade do solo, intoxicação de pessoas e animais por produtos tóxicos, expulsão de pequenos agricultores de suas terras, contaminação do solo e da água, erosão ou assoreamento dos rios, (CAVALETT, 2008). No gráfico abaixo se observa uma evolução da produção de mundial soja até o ano 2008, o Brasil se destaca como segundo maior produtor de soja, e responsável por aproximadamente 40% da produção mundial de soja (CONAB, 2010). Capítulo 4 – Resultados e Discussões 45 Figura 13 – Evolução da Produção de Soja por país Fonte: Embrapa soja, 2008. 4.1.2 Exigências Climáticas A água constitui aproximadamente 90% do peso da planta, atuando em, praticamente, todos os processos fisiológicos e bioquímicos. Desempenha a função de solvente, através do qual: gases, minerais e outros solutos entram nas células e movem-se pela planta. Tem, ainda, papel importante manutenção e distribuição do calor. A disponibilidade de água é importante, principalmente, em dois períodos de desenvolvimento da soja: germinação-emergência e floração-enchimento de grãos. Durante o primeiro período, tanto o excesso quanto o déficit de água são prejudiciais à obtenção de uma boa uniformidade na população de plantas. A semente de soja necessita absorver, no mínimo, 50% de seu peso em água para assegurar boa Capítulo 4 – Resultados e Discussões 46 germinação. Nessa fase, o conteúdo de água no solo não deve exceder a 85% do total máximo de água disponível e nem ser inferior a 50%. A necessidade de água na cultura da soja vai aumentando com o desenvolvimento da planta, atingindo o máximo durante a floração-enchimento de grãos (7 a 8 mm/dia), decrescendo após esse período. Déficits hídricos expressivos, durante a floração e o enchimento de grãos, provocam alterações fisiológicas na planta, como o fechamento estomático e o enrolamento de folhas e, como conseqüência, causam a queda prematura de folhas e de flores e abortamento de vagens, resultando, por fim, em redução do rendimento de grãos. A necessidade total de água na cultura da soja, para obtenção do máximo rendimento, varia entre 450 a 800 mm/ciclo, dependendo das condições climáticas, do manejo da cultura e da duração do ciclo de acordo com Embrapa (2007). 4.2 Inventário do Ciclo de Vida O inventário foi dividido em duas tabelas para melhor compreensão dos dados. Na parte “a” estão incluídos a unidade, dose, quantidade aplicada total, categoria, subcategoria, ano, região e tecnologia. Na parte “b” são apresentados os itens representatividade, completeza dos dados, forma de obtenção dos dados, matriz pedigree e incertezas e fonte. 4.2.1 Inventário Ambiental da Soja Fase Pré-semeadura Neste processo de pré-semeadura apresentado na Tabela 17 foram consideradas como entradas da matéria prima do processo os micronutrientes: Boro (B), Cloro (Cl), Cobalto (Co), Molibdênio (Mo), Ferro (Fe), Manganês (Mn),Zinco(Zn) e Cobre(Cu). As doses de referência dos micronutrientes são para 1 t de grãos que se espera produzir e são apresentadas em toneladas. Para o Boro, por exemplo, a dose média recomendada pela Embrapa (2007) é de 0,000077t para 1 t de grãos. Como a produção em 2006 segundo dados da Conab (2008) foi de 58 milhões de toneladas. A quantidade aplicada total de Boro foi de 4.466t. Esse cálculo foi realizado para todos os micronutrientes subseqüentes. Os materiais auxiliares são constituídos dos fungicidas de contato e fungicidas sistêmicos. De acordo com a Embrapa (2007) os fungicidas servem para tratamento das sementes, oferecendo garantia de melhor estabelecimento da Capítulo 4 – Resultados e Discussões 47 população de plantas por controlar patógenos importantes transmitidos pelas sementes. Os principais patógenos transmitidos pela semente de soja são: Cercosporakikuchii, Cercospora sojina, Fusarium semitectum, Phomopsis spp. Anamorfo de Diaporthe spp. e Colletotrichum truncatum. O melhor controle dos quatro primeiros patógenos citados é propiciado pelos fungicidas do grupo dos benzimidazóis. Os fungicidas de contato e sistêmicos são os mais indicados para o tratamento de sementes de soja. A função dos fungicidas de contato é proteger a semente contra fungos do solo, os tradicionalmente conhecidos são: Captan-C, Thiram e Tolyfluonid. A função dos fungicidas sistêmicos é controlar fitopatógenos presentes nas sementes. Assim, é importante que os fungicidas estejam em contato direto com a semente. Os principais fungicidas sistêmicos são: Carbendazin, carbendazin + Thiram e Carboxin + Thiram. O tratamento é realizado com pré-diluição, na proporção de 250 ml de produto e 250 ml de água para 100 kg de sementes. Para efeitos de cálculos do inventário, foi convertido em 0,1 toneladas de sementes. Todas as doses dos fungicidas são para 0,1 t de sementes. Em 2006 foram geradas 959.453t de sementes segundo dados da Associação Brasileira de Sementes e Muda – (Abrasem) (MIYAMOTO, 2008). A quantidade aplicada de cada fungicida é a dose em toneladas multiplicada pela quantidade de sementes em toneladas geradas em 2006 e dividida pelo número de sementes de referência. Para o Captan-C, por exemplo, a dose recomendada é de 0,0009t para 0,1t de sementes. A quantidade total aplicada do Captan-C foi de 863,51t, multiplicando-se 0,0009t por 959.453 t produção total de sementes e dividindo por 0,1t (quantidade de sementes referência para aplicação dos fungicidas). Todos os dados deste inventário estão incluídos na categoria recurso e em relação ao item subcategoria foi atribuído não-renovável para todos os dados, excetuando-se o item água da chuva atribuída como item renovável. Os dados foram todos calculados para o ano de 2006 cuja tecnologia foi considerada média, por abranger Paraná e Cerrado que correspondem a mais de 80% da produção brasileira de grãos de soja. 48 Capítulo 4 – Resultados e Discussões Tabela 17- Inventário Fase Pré-semeadura- Parte a Fonte: Própria 49 Capítulo 4 – Resultados e Discussões A Tabela 18 apresenta a parte b do inventário de pré-semeadura. Os dados foram considerados 100% representativos, com completeza e quase todos foram calculados com exceção da água da chuva que foi medido de acordo com Embrapa (2007). A matriz pedigree apresenta o valor 2 para os itens : confiança, pois os dados foram baseados em estimativas e 2 para integralidade,pois os dados são repreentativos para mais de 50% da localidade considerados relevantes, apresentou 1 para correlação temporal, pois tem menos de três anos de diferença para o estudo, 3 para correlação geográfica,pois os dados são de uma área menor que a área de estudo, 3 para correlação tecnológica,pois os dados e processos são de mesma tecnologia e 2 para número de amostra, pois é maior que vinte. As incertezas U1 a U6 foram calculadas com base na matriz pedigree e aplicando-se a Tabela 15 fatores de incerteza. A fonte utilizada para construção do inventário foi a Embrapa soja de Londrina. Tabela 18 - Inventário Fase Pré-semeadura- Parte b Fonte: Própria 50 Capítulo 4 – Resultados e Discussões 4.2.2 Inventário Ambiental da soja Fase Semeadura No inventário de semeadura da Tabela 19 foram consideradas como entradas da matéria prima do processo os macronutrientes: Nitrogênio(N), Fósforo(P), Potássio(K), Cálcio (Ca), Magnésio (Mg) e Enxofre(S). As doses de macronutrientes são referentes à 1t de grãos que se quer produzir. O nitrogênio (N) é o nutriente requerido em maior quantidade pela cultura da soja. Estima-se que para produzir 1 t de grãos são necessários 0,08t de N. A quantidade total a ser aplicada é 4.640.000,0t de nitrogênio para a produção de 58milhões t . Basicamente, as fontes de N disponíveis para a cultura da soja são os fertilizantes nitrogenados e a fixação biológica do nitrogênio (FBN). No caso do Nitrogênio para o pior caso, cujo solo é pobre em Nitrogênio há uma necessidade do solo de 0,08t desta substância. Fixação biológica do nitrogênio (FBN) - É a principal fonte de N para a cultura da soja. Bactérias do gênero Bradyrhizobium, quando em contato com as raízes da soja, infectam as raízes, via pelos radiculares, formando os nódulos. A FBN pode, dependendo de sua eficiência, fornecer todo o N que a soja necessita (EMBRAPA, 2007). Todos os dados do inventário de semeadura estão incluídos na categoria recurso e em relação ao item subcategoria foi atribuído não-renovável. Os dados foram todos calculados para o ano de 2006, cuja tecnologia foi considerada média para todos os itens menos para o Nitrogênio que foi considerado o pior caso. Tabela 19 - Inventário Fase Semeadura-Parte a Fonte: Própria 51 Capítulo 4 – Resultados e Discussões A Tabela 20 apresenta a parte b do inventário de pré-semeadura. Os dados foram considerados 100% representativos, com completeza. A matriz pedigree apresenta o valor 2 para os itens : confiança, pois os dados foram baseados em estimativas e 2 para integralidade,pois os dados são repreentativos para mais de 50% da localidade considerados relevantes, apresentou 1 para correlação temporal, pois tem menos de três anos de diferença para o estudo, 3 para correlação geográfica,pois os dados são de uma área menor que a área de estudo, 3 para correlação tecnológica,pois os dados e processos são de mesma tecnologia e 3 para número de amostra, pois é maior que dez. As incertezas U1 a U6 foram calculadas da mesma forma que para a processo de pré-semeadura. Tabela 20-Inventário Fase Semeadura-Parte b Fonte: Própria Capítulo 4 – Resultados e Discussões 52 4.2.3 Inventário da soja Fase Manejo Neste inventário as entradas consideradas são os materiais auxiliares e energia. Nesta fase de manejo que são aplicados os defensivos agrícolas herbicidas e inseticidas, com o propósito de controlar as plantas daninhas e os insetos-pragas. O controle de plantas daninhas é uma prática de levada importância para a obtenção de altos rendimentos em qualquer exploração agrícola e tão antiga quanto a própria agricultura. O método mais utilizado para controlar as invasoras é o químico, isto é, o uso de herbicidas. Suas vantagens são a economia de mão de obra e a rapidez na aplicação. Alguns dos principais herbicidas aplicados na cultura da soja estão contidos na Tabela 21. O valor para o cálculo do herbicida Acidofluoren-sódio foi obtido através da dose de 0,000001t multiplicando-se o total da área de cultivo no Brasil, que segundo dados da Conab, (2008) foi de 20.686.000ha. O valor calculado foi de 20,69 t. Os outros herbicidas foram calculados seguindo a mesma lógica do acidofluoren-sódio. Os inseticidas também seguem a ferramenta de cálculo dos herbicidas. Por exemplo, para a obtenção da quantidade de baculovirus anticarsia que combate a lagarta da soja, foi multiplicado a dose de 0,00005t pela área total do Brasil 20.686.000ha, obtendo o valor de 1.031,30t deste inseticida.Todos os outros inseticidas observaram o mesmo método de cálculo para a obtenção dos resultados desta tabela de inventário. Para o cálculo de energia foi utilizado o dado de combustível de Gazzoni (2009), onde 0,066t de combustíveis fósseis são utilizados para uma produtividade de 4t de grãos. Portanto para 58 milhões de toneladas, a quantidade de combustível fóssil foi de 957.000t. 53 Capítulo 4 – Resultados e Discussões Tabela 21 – Inventário Ambiental Fase Manejo Fonte: Própria 54 Capítulo 4 – Resultados e Discussões A Tabela 22 apresenta a parte b do inventário de manejo. Os dados dos itens: representatividade, completeza, recurso, aos de pré-semeadura e semeadura100% representativos, com completeza, forma de obtenção dois dados ,matriz pedigree e incertezas foram obtidos da mesma forma que para o processo de semeadura. Tabela 22 - Inventário Ambiental Fase Manejo-Parte b Fonte: Própria 55 Capítulo 4 – Resultados e Discussões 4.2.4 Inventário Uso do Solo A Tabela 23 demonstra os resultados de ocupação e transformação para as principais regiões do Brasil no ciclo da soja para a safra 2006. Foram realizados os cálculos para as regiões de maior produção da soja de acordo com (IBGE, 2006). O tempo de ocupação foi considerado o mesmo para todas as regiões, isto é do ciclo inicial da soja em 1970 até 2006, ano temporal da safra em estudo. Nota-se que o Mato Grosso, o estado de maior produção de soja em 2006 foi o que obteve o menor valor de Impacto de ocupação com 0,37269, porém o Rio Grande do Sul que ocupava a terceira posição em produção de soja foi o que obteve o maior impacto por ocupação no uso do solo, em torno de 0,5111. Com relação ao impacto de transformação o Rio Grande do sul também apresentou o pior desempenho 0,014 seguido pelo estado de Mato Grosso do Sul 0,013 e o Mato Grosso também foi o de melhor desempenho em relação ao impacto de transformação. Tabela 23 – Inventário Uso do solo Parâmetros Mato Paraná Rio Grande Grosso Goiás do Sul Mato Minas Demais Grosso do Gerais Estados Sul AT Área (m2) colhida mT 5.811.907. 3.931.721.000 000 (kg) Quantidade 15.594.221 9.362.901.000 .000 3.863.726.0 249.276.0 1.903.852. 1.005.11 3.038.27 00 00 000 3.000 0.000 7.559.291.0 6.017.719. 4.153.542. 2.453.97 7322991 00 000 000 5.000 000 Produzida to(anos) 36 36 36 36 36 36 36 2 0,3727 0,4199 0,5112 0,4143 0,4584 0,4095 0,4148 2 0,0104 0,0117 0,0142 0,0115 0,0127 0,0113 0,0115 Io (m . a ) Itr (m /Kg) Fonte: IBGE, 2006. De acordo com os resultados dos cálculos demonstrados na Tabela 23 o Mato Grosso, região do cerrado, seguido de Minas Gerais, Goiás e Paraná são os que Capítulo 4 – Resultados e Discussões 56 possuem a menor área de ocupação e transformação do uso do solo. Isto se deve em grande parte a grande produtividade destas regiões, cerca de 90% da produção do Brasil está concentrada nesta região, com otimização da área disponível para o plantio, a utilização do sistema de plantio direto , melhor aproveitamento da área ocupada , mais conhecimento técnico na utilização de maquinas agrícolas. Significa que a região está trabalhando de forma adequada os recursos naturais disponíveis, contribuindo para a diminuição de erosões, lixiviações, acidificação, além da preservação dos recursos bióticos e abióticos, além da biodiversidade e reduções de contaminações aos seres humanos provenientes do uso do solo. A ocupação e transformação influenciam fortemente no comportamento da qualidade do uso do solo. Apesar do estudo do inventário do ciclo da soja não contemplar o impacto na qualidade do solo, teríamos que considerar para próximos estudos a análise das emissões para o solo que influenciaria fortemente na qualidade do solo ,principalmente a parcela de contaminantes que vai para o solo dos herbicidas , fungicidas e inseticidas, além de contaminação do lençol freático. 4.3 Comparação de Inventários do Ciclo de Vida da soja Os dados utilizados coletados para o cálculo dos indicadores de Intensidade de material e energia Tabela 24 são provenientes de duas fontes principais : Embrapa (2007) e Cavalett( 2008). A unidade funcional (FU) para a soja é 1kg de soja. Considerações preliminares e conversões para os indicadores: -Água direta considerada foi a água da chuva para a produção de soja nas três fases do estudo (pré- semeadura, semeadura e manejo). 800mm/ciclo, correspondem a 0,512m3 = 512 kg. -Eletricidade direta foi considerada a energia na fase do manejo de accordo com estudos de Gazonni (2008) - Demanda de fertilizantes foi somado todos os fertilizantes químicos aplicados nas três fases do ciclo da soja e aplicados para 1kg de soja 57 Capítulo 4 – Resultados e Discussões -Demanda de defensivos agrícolas foram somadas todas as aplicações de fungicidas, herbicidas, inseticidas considerados no inventário do ciclo de vida da soja e aplicados para a FU. -Demanda de área agrícola foi realizado o cálculo da área necessária para produção de 1kg de soja na safra de 2006. Tabela 24- Comparação entre Indicadores de Intensidade de material e energia para a produção de soja Indicador Embrapa Cavalett Unidade Água direta 512 6056 kg/FU Eletricidade direta 0,171 0,012 kWh/FU 0,139 kg/FU 0,003 kg/FU 3,53 kg/FU Demanda de fertilizantes 0,18 químicos Demanda de defensivos 0,097 agrícolas Demanda de área agrícola 2,8 Fonte: Embrapa (2007); Cavalett (2008) Os valores encontrados nos dois inventários não foram considerados muito divergentes apesar de não convergirem para a igualdade. No estudo o objetivo desta dissertação considerou somente os dados para as fases agrícolas da soja, enquanto para Cavalett (2008) a fase de produção de óleo diesel para a indústria de biodiesel também é levada em consideração. Os demais valores encontram-se muito próximo dos dados da Embrapa (2007). A Tabela 25 é um trabalho de comparação entre os principais trabalhos sobre soja no Brasil. 58 Capítulo 4 – Resultados e Discussões Tabela 25 –Comparação Inventários de soja no Brasil Fonte: Própria Nesta tabela comparativa foram considerados os dados para o ano base de 2006 e para 1 tonelada de soja. Podemos observar que para os inputs renováveis, a água da chuva é o valor mais disponível para os pesquisadores da soja, sendo que a energia do sol, calor interno, O2, ar ,N2 no ar e fixado na atmosfera,insignificante para a escala analizada. O CO2 na atmosfera foi contabilizado por Cavallet e Marzullo. Para os inputs não-renováveis, no que se refere à aplicação de herbicidas, 59 Capítulo 4 – Resultados e Discussões inseticidas e fungicidas, foi detectada uma grande diferença entre os valores apontados pelos pesquisadores, não há um valor de proximidade nestes elementos para nenhum dos inventários, já no item sementes, o valor foi bem próximo, apenas Cavallet atribui um valor de semente no inventário identificado como o triplo dos demais, 69Kg para Cavallet 21,48 Kg para Embrapa, 23Kg para Mourad, 22Kg Ecoinvent, 20,8 Marzullo. Nos elementos nitrogênio, fósforo e potássio no fertilizante, os valores de Marzullo e Ecoinvent apesar de diferentes são os que apresentaram a maior proximidade de valores, Embrapa e Mourad também tiveram valores mais próximos. Para eletricidade e diesel os únicos dados disponíveis foram de Embrapa, Mourad e Cavallet, chegando a uma diferença de 50% entre eles. Para outras entradas como: construções agrícolas, mão de obra contratada e externalidades foram disponibilizadas apenas por Cavallet. O item co-produto da soja obteve uma igualdade de valores para produtividade da soja entre Embrapa, Cavallet e Marzullo. O inventário do ciclo de vida da soja permitiu constatar: Respeitar o solo como um recurso natural. O solo como recurso natural deve ser considerado como um dos principais agentes que contribuem para a qualidade de vida, principalmente por ser um dos principais fornecedores da principal matéria-prima mais produzida no Brasil atualmente que serve tanto par alimentação, quanto para fornecimento de energia renovável, como é a produção do biodiesel. Utilizar adequadamente os defensivos agrícolas, de forma a não propagar intoxicação nem na planta da soja, solo, animais ou até mesmo nos seres humanos. Participar de todas as discussões sobre as melhores soluções para a produção sustentável do biodiesel em substituição ao diesel, procurando conhecer toda diretamente sua cadeia envolvidos: produtiva, empresários, principalmente pesquisadores, os atores agricultores, 60 Capítulo 4 – Resultados e Discussões transportadores. Conhecendo os impactos que podem ser causados durante a extração de sua principal matéria-prima que é soja. Empregar a ferramenta de Avaliação do Ciclo de vida ao uso do solo, com o intuito de respeitar o meio ambiente e a sustentabilidade, contribuindo para que as gerações futuras possam usar os recursos naturais do solo economicamente, ou até mesmo freando o avanço tecnológico quando necessário, evitando utilizar áreas de conservação do solo e florestas para aumento da industrialização. Divulgar a ferramenta de ICV, com propósito de levar as comunidades e autoridades locais ao envolvimento com os problemas ambientais relacionados ao uso do solo. Conhecer os impactos de transformação e uso do solo, pois à medida que governo, indústrias, agricultores, estudantes, investidores e sociedade em geral adquirem conhecimento dos problemas relacionados aos processos de ocupação e transformação do uso do solo , este , que é um recurso natural importante para o habitat humano, menor impacto ambiental e social, sofrerá o levando a uma população mais consciente, que possivelmente atuará na preservação e conservação de sua função de suporte de vida e qualidade humana. 61 Capítulo 5 – Conclusões e Recomendações 5 CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Este trabalho teve como principal objetivo analisar o inventário do ciclo de vida da soja, Procurando avaliar criteriosamente a ferramenta de avaliação do ciclo de vida com o propósito de contribuir com a melhora do banco de dados brasileiro para realização de pesquisas nas universidades e proporcionar consulta aos dados agrícolas da soja. A ferramenta de Avaliação do ciclo de vida do produto promoveu grande aprendizado sobre a situação da do ciclo de vida da soja e do solo no Brasil, fortalecendo os conhecimentos sobre a coleta de dados e análise inventário do ciclo de vida, bem como proporcionou um tempo de reflexão sobre os impactos na qualidade do uso do solo. Alguns trabalhos podem ser realizados futuramente, tais como o aprofundamento da ferramenta de avaliação do ciclo de vida nas fases de industrialização, logística e descarte e impactos no uso do solo, ar e água, também o estudo aprofundado da ferramenta de ACV, com destaque para a contabilização econômica dos impactos no uso do solo na cultura da soja. Para trabalhos futuros sugiro o tema inventário da ASCV (avaliação Social do Ciclo de vida) da soja, pois tem grande potencial para realização de estudos aprofundados sobre os trabalhadores da soja, trabalho escravo em fazendas de soja, más condições de trabalho e contaminação pelos defensivos agrícolas. 62 REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS ABNT, NBR ISO 14044: 2009. Avaliação do ciclo de vida – Princípios e estrutura. Rio de Janeiro, 2009. ABNT, NBR ISO 14044: 2009. Gestão Ambiental-Avaliação do Ciclo de VidaRequisitos e orientações. Rio de Janeiro, 2009. ANDA.Boletim técnico Nº2 - Interpretação de Análise de solo. Minas Gerais, 2004. ANDA. Boletim técnico Nº 4 – Uso Eficiente de Fertilizantes e Corretivos AgrícolasAspectos Agronômicos. São Paulo, 2000. ANDERSON, J.P.; DOMSCH, K.H. The metabolic quotient for CO2 (qCO2) as a specific activity parameter to asses the effects of environmental conditions, such as pH, on the microbial biomass of forest soils. Soil Biology and Biochemistry, v.25, p.393-395, 1993. ARAÚJO, A. S.,F; MONTEIRO, R. T. R. Indicadores Biológicos de Qualidade do solo.Biosci.J.v23, n 3, p. 66-75.Uberlândia, 2007. ARSHAD, M. A.; MARTIN, S. Identifying critical limits for soil quality indicators in agroe-ecosystems. Agriculture, Ecosystems and Environment, Amsterdam, v. 88, p. 153-160, 2002. BERLIN,J. Environmental life cycle assessment (LCA) of Swedish semi-hard cheese. International Dayri Journal, Oxford, England, v12, p.939-953, 2002. BROOKES, D. C. The use of microbial parameters in monitoring soil pollution by heavy metals. Biology and Fertility of Soils, Berlin, v. 19, p. 269-279, 1995. CAMPOS, B-H. C. Dinâmica do Carbono em Latosolo vermelho sob Sistemas de Preparo de solo e de culturas –Dissertação de Doutorado – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, 2006. CAVALETT, Otávio. Análise do ciclo de vida da soja – Dissertação de DoutoradoUniversidade Estadual de Campinas, São Paulo, 2008. 63 REFERÊNCIAS COLEMAN, D.C.; BEZDICEK, D. F.; STEWART, B. A. (Org.) Defining soil quality for a sustainable environment. Madison: SSSA, 1994. p. 3-21. CONAB.Companhia Nacional de Abastecimento – Área e Produção das safras paranaense e brasileira 2006/2007 e 2007/2008 –Disponível em: http://www.conab.gov.br/conabweb/download/sureg/PR/Soja%20Agosto%202008.pd f Acesso em Dezembro/ 2008. COSTA, E. A; GOEDERT, W. J; SOUSA, D. M.G. Qualidade do solo submetido a sistemas de cultivo com preparo Convencional e plantio direto, Pesq. agropec. bras. Brasília, v.41, n.7, p.1185-1191, julho. 2006. COWEL, S. J. Environmental life cycle assessment of agricultural systems: integration into decision-making. Ph thesis. Guildford, UK: Centre for Environmental Strategy, University of Surrey;1998. CHEHEBE, J. B. Análise do ciclo de vida de produtos. Rio de Janeiro: ED. Qualitymark, 1997. 120p. EMBRAPA SOJA. Realidade e perspectivas do Brasil na Produção de alimentos e agroenergia, com ênfase na soja, 2008. DE LUCA, T.H. Relationship of 0,5 M K2SO4 extractable anthronereactive carbon to indices of microbial activity in forest soils. Soil Biology and Biochemistry, v.30, p.1293-1299, 1998. DORAN, J. W.; PARKIN, T. B. Defining and assessing soil quality. In: DORAN, J.W.; COLEMAN, D.C.,BEZDICEK, D.F.; STEWART, B.A. (Org) Defining soil quality for a sustainable environment. Madison: sssa,1994. p.3-21. DUARTE, M. D. Caracterização da rotulagem ambiental de produtos. Dissertação de Mestrado-Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1997. EMBRAPA CERRADOS – Boletim de Pesquisa e Desenvolovimento 177Compactação do Solo e Produtividade da Cultura da soja em área irrigada no Cerrado – Planaltina: Embrapa Cerrado, 2007, 31p. ISSN 1676-918X. REFERÊNCIAS 64 EMBRAPA SOJA - Tecnologias de produção de soja - Região Central do Brasil 2007- Londrina: Embrapa Soja: Embrapa Cerrados, Embrapa Agropecuária Oeste, 2006. 225p. 21 cm (Sistemas de Produção Embrapa Soja) ISSN 1677-8499 N11. EMBRAPA SOLOS – Manual de Métodos de Análise de solo - Rio de Janeiro: Embrapa solos, 1997, 211p. ISBN 85-85864-03-6. EPA, 2009 – História do Programa – Disponível em : http://www.epa.gov/dfe/ Acesso em Janeiro /2008. FAVA, J.;CONSOLI, F.;DICKINSON K, MOHIN, T.; VIGOB,B.A conceptual framework for life-cycle impact assessment. SETAC, Pensacola, USA, 1993. FRANZLUEBBERS, A.J.; HANEY, R.L.; HONS, F.M. Relationships of chloroform fumigation-incubation to soil organic matter pools. Soil Biology and Biochemistry, v.31, p.395-405, 1999. FERNANDES, I. O. L. Avaliação Energética e Ambiental de Produção de Óleo de dendê para Biodiesel na região do Baixo Sul, Bahia. Dissertação de Mestrado – Universidade Estadual Santa Cruz, Ilhéus, 2009. FRISCHKNECHT R., JUNGBLUTH N. ALTHAUS H. -J., DOKA G., HECK T., HELLWEG S., HISCHIER R., NEMECEK T., REBITZER G., SPEIELDMANN M., WERNET G. (2007) Overview and Methodology. Ecoinvent report No. 1. Swiss Centre for Life Cycle Inventories, Dübendorf, 2007. FURTINI, N. A. E; VALE, F.R; RESENDE, A.V; GUILHERME, L.R.G; GUEDES, G.A.A. Fertilidade do solo. Lavras: hotel, 2001. 252p. GAMA-RODRIGUES, E. F. Biomassa microbiana e ciclagem de nutrientes. In: SANTOS, G. A; CAMARGO, F.A.O. (Ed.). Fundamentos da matéria orgânica do solo: ecossistemas tropicais e subtropicais. Porto Alegre: Gênesis, 1999. P.227-243. GAZZONI, D. L. Políticas Públicas de Biocombustíveis e o mercado de Oleaginosas, 2008. 65 REFERÊNCIAS GAZZONI, D.L. Balanço energético das culturas de soja e girassol para produção de biodiesel. Disponível em: http://www.biodiesel.gov.br/docs/congressso2006/agricultura/BalancoEnergetico.pdf Acesso em Abril 2009. HEIJUNGS, R; GUINEE, J. B; HUPPES, G ; LANKREIJER, RM; UDO DE HAES, HÁ; WEGNER,A; ANSEMS, A; EGGELS, P G ; VAN DUIN, R; GOEDE, H P. Environmental Life Cycle Assessment of Products : Guide and Backgrounds. CML, Leiden University, The Netherlands, 1992. IBGE. Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Agropecuária, Produção Agrícola Municipal, 2006. Disponível: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=93 1 Acesso em Jan, 2010. ISO 14040. Environmental Management – Life Cycle Assessment – Principles and Framework. International Organization of Standardization, Geneva, Switzerland. 2009. ISO 14044. Environmental Management - Life Cycle Assessment - Requirements and Guidelines. International Organization of Standardization, Geneva, Switzerland. 2009. JACKSON, L.E.; CALDERON, F.J.; STEENWERTH, K.L.; SCOW, K.M.; ROLSTON, D.E. Responses of soil microbial processes and community structure to tillage events and implications for soil quality. Geoderma, v.114, p.305-317, 2003. JENKINSON, D.S.; LADD, J.N. Microbial biomass in soil: measurement and turnover. In: PAUL, E.A.; LADD, J.N. Soil biochemistry. New York: M. Dekker, 1981. v.5, p.415-471. JESUS, C.P. Atributos físicos do solo e produtividade da soja após um ano de integração lavoura-pecuária em área sob plantio direto. Dissertação de Mestrado – Centro de Ciências Agroveterinárias, Lajes, 2006. 66 REFERÊNCIAS JOHNSON, D. L.; AMBROSE, S. H.; BASSET, J. J.; BOWEN, M. L. CRUMMEY, D. E.; ISAACSON, J. S.; JOHNSON, D. N.; LAMB, P.; SAUL, M.; WINTER-NELSON, A. E. Meanings of environmental terms. Journal of Environmental Quality, New York, v. 26, p. 581-589, 1997. KARLEN, D. L.; MAUSBACH, M. J.; DORAN, J. W.; CLINE, R. G.; HARRIS, R. F.; SCHUMAN, G. E. Soil quality: a concept, definition and framework for evaluation. Soil Science Society American Journal, Madison, v. 61, p. 4-10, 1997. KENNEDY, A.; DORAN, J. Sustainable agriculture: role of microorganisms. In: BITTON, G. (Org.)Encyclopedia of Environmental Microbiology. New York: John Wiley & Sons, 2002. p. 3116-3126. LIMA, Marcelo Ricardo; MORAES, Alessandra R; CAMPAGNA, Aline Fernanda; Santos Silvia. Recursos Naturais: Solo. http: // educar.sc.usp.br/ciências/recursos/solo.html Acesso em Abril/09. MARZULLO, R.C.M. Análise de Ecoeficiência dos óleos vegetais oriundos da soja e palma, visando à produção de biodiesel. - Dissertação de Mestrado-Escola Politécnica da Universidade de São Paulo-São Paulo, 2007. MAPA - Ministério da Agricultura, pecuária e Abastecimento 2005. Plano Nacional de Agroenergia 2006-2011/ Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Secretaria de produção e Agroenergia, 2 ed rev. Embrapa Informação tecnológica: Antonio Jorge de Oliveira e José ramalho (coordenadores). 110p.;17,5 x 24 cm (Agronegócios) Brasília: MAPA/AGE, 2006. ISBN 85-7383-357-2. MIYAMOTO, Ywao. O Desafio do Agronegócio Brasileiro: Incorporar as inovações científicas e tecnológicas disponíveis e fatores de risco dos sistemas. Disponível em: http://www.abmr.com.br/atividades/2008_10_safra/palestras/ywao-miyamotorasem.pdf. Acesso em Maio/2009. MOURAD, Ana Lucia. Avaliação da Cadeia Produtiva de Biodiesel a partir da Soja. Tese de Doutorado- Universidade Estadual de Campinas- Campinas,2008. NEMECEK, T.; ERZINGER,S. Special LCA fórum. December, 2003. 67 REFERÊNCIAS NICOLOSO, R. S.;LOVATO,T.;AMADO,C.,T.,J;BAYER,C;LANZANOVA,M.;E. Balanço do Carbono Orgânico no Solo sob Integração Lavoura-Pecuária no Sul do Brasil. Revista Ciência do Solo, 2008. ONG REPÓRTER BRASIL. O Brasil dos Agrocombustíveis -Soja Mamona 2009, Abril 2009. PARENTE, EXPEDITO JOSÉ DE SÁ. Biodiesel: Uma Aventura Tecnológica num País Engraçado. Ceará, 2003. PATRA,D.D.; BROOKS,P.C;. COLEMAN,K.;JENKINSON, D.,Seasonal changes of soil microbial biomass in an arable and a grassland soil which have been under uniform managemant for many years. Soil Biology and Biochemistry, v22, p. 739742,1990. PEREZ, K.S.S.;RAMOS,L.G.;MCMANUS C. Nitrogênio da biomassa microbiana em solo cultivado com soja, sob diferentes sistemas de manejo, nos Cerrados. Pesquisa Agropecuária. Brasília, v40, n2,p 137-144, fevereiro, 2005. PRATES, G. A. Ecodesign utilizando QFD, métodos Tagushi e DFE. Tese de Doutorado. Universidade Federal de Santa Catarina. Florianópolis, 1998. POWLSON, D. S.; BROOKES, P. C.; CHRISTENSEN, B. T. Measurement of soil microbial biomass provides an early indication of changes in total soil organic matter due to straw incorporation. Soil Biology & Biochemistry, Oxford, v. 19, p. 159-164, 1997. REEVES, D.W.1995. Soil management under no-tillage: soil physical aspects. P.127-130. In seminário International do Sistema Plantio Direto,1. Passo Fundo. 182 p. Resumos. SEGUY, L.; KLUTHCOUSKI, J.; SILVA, J.G.; BLUMENSCHEIN, F.N.; DALL’ACQUA, F.M. Técnicas de preparo do solo: efeitos na fertilidade e na conservação do solo, nas ervas daninhas e na conservação de água. Goiânia: Embrapa-CNPAF, 1984. 26p. 68 REFERÊNCIAS SEYBOLD, C. A.; HERRICK, J. E.; BREDJA, J. J. Soil resilience: a fundamental component of soil quality. Soil Science, Madison, v.164, p. 224-233, 1998. SENGIK, ERICO. Solos e Adubação. http://www.dzo.uem.br/disciplinas/Solos/pratica.doc. Acesso em jan 2010. SILVEIRA NETO, A. N.; SILVEIRA, P. M.; STONE, L. F.;OLIVEIRA, L. F. C. Efeitos de Manejo e Rotação de Culturas em Atributos Físicos do solo. Pesquisa Agropecuária Tropical, 36 (1): 29-35, 2006. STARTSEV,A.D.;MCNABB,D.H.Skidder traffic effects on water retention,poresize doistribution, and van Genuchten parameters of boreal forest soils. Soil Science Society of America Jornal. V65, p. 224-231, 2001. UDO DE HAES, H. (ed) (1996): Towards a methodology for lifecycle impact assessment. SETAC-Europe, Report of the SETACEurope first Working Group on Life-Cycle Impact Assessment, Brussels, Belgium . UGAYA, C. M.L et all: Relatório do Projeto: Avaliação Social e ambiental do biodiesel:sugestão de melhorias para o Brasil e África do Sul( ASABBRS), Curitiba,2009. UNEP-Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.Linhas e Diretrizes para Análise Social do Ciclo de Vida do Produto. 103 p, Paris, 2009. ISBN 97892-807-3051-7. WARDLE, D.A. Metodologia para quantificação da biomassa microbiana do solo. In: HUNGRIA, M; ARAÚJO, R.S. (Ed.). Manual de métodos empregados em estudos de microbiologia agrícola. Brasília: Embrapa-CNPAF; Embrapa-CNPSo, 1994. p.419-436. WEIDEMA,B.P. Environmental Assessments of Products: a textbooks on Life Cycle Assessment. Helsinki: The Finnish Association of Graduate Engineers TEK, 1997. 93p. 69 REFERÊNCIAS WEIDEMA,B.P.;MEUSSEN, M.J.G(Ed). Agricultural dta for Life Cycle Assessment. Haugue: Agricultural Aconomics Resarch Institute ( LEI), Vol. 1,200.208p. WITTIG, R. General aspects of biomonitoring heavy metals by plants. In: MARKERT, B. (Org.) Plant as biomonitors. Indicators for heavy metals in the terrestrial environment. Weinheim: VCH, 1993. p. 3-27. XAVIER, J. H. V. Análise de Ciclo de Vida (ACV) da produção Agrícola familiar em Unaí-MG: Resultados Econômicos e Impactos Ambientais. Dissertação de Mestrado.Universidade de Brasília. Brasília, 2003. Anexo A SISTEMA DE PLANTIO DIRETO 70 ANEXO A – SISTEMA DE PLANTIO DIRETO Trata-se de sistema de produção conservacionista, que se contrapõe ao sistema tradicional de manejo. Envolve o uso de ferramentas para produzir, preservando a qualidade ambiental. Fundamenta-se na ausência de preparo do solo e na cobertura permanente do terreno através de rotação de culturas. O sistema de produção de soja na região central do Brasil, algumas vezes ainda, tem como forma de preparo do solo o uso continuado de grades de discos, com várias operações anuais. Como resultado, ocorre degradação de sua estrutura, com formação de camadas compactadas, encrostamento superficial e perdas por erosão. O SPD pode ser a melhor opção para diminuir a maioria dos problemas antes apontados, pois, o uso contínuo das tecnologias que compõem o SPD proporciona efeitos significativos na conservação e na melhoria do solo, da água, no aproveitamento dos recursos e insumos como os fertilizantes, na redução dos custos de produção, na estabilidade de produção e nas condições de vida do produtor rural e da sociedade. Para que esses benefícios aconteçam, tanto os agricultores, como a assistência ferramenta, devem estar predispostos a mudanças, conscientes de que o sistema é importante para alcançar êxito e sustentabilidade na atividade agrícola. O conhecimento detalhado da propriedade agrícola é essencial para obtenção de sucesso no SPD. Para tanto, é necessário o levantamento dos seguintes recursos: a) Solos: Coletar e organizar informações referentes ao tipo de solo, à fertilidade, à presença de camadas compactadas, à distribuição e espécies de plantas daninhas, à topografia, à ocorrência de erosão, às práticas conservacionistas existentes, às vias de acesso, à drenagem, aos córregos, aos açudes, etc. b) Plantas daninhas: O levantamento e o mapeamento da ocorrência de plantas daninhas será muito útil, para definir o herbicida a ser utilizado e a programação das aplicações dos mesmos. Anexo A SISTEMA DE PLANTIO DIRETO 71 c) Máquinas e equipamentos: No SPD, é essenciais a existência de pulverizador de herbicida devidamente equipado com bicos adequados para as diferentes condições e controladores de pressão. O uso de equipamentos de avaliação das condições climáticas é também muito útil nesse caso. Quanto às semeadoras, existem disponíveis no mercado vários modelos específicos para o SPD. No entanto, na fase inicial de implantação do sistema, podem-se utilizar semeadoras tradicionais com adaptações, fazendo com que os agricultores reduzam as despesas. d) Humanos: Para a execução do SPD, a mão-de-obra deverá estar conscientizada dos princípios do sistema e adequadamente informada quanto ao uso das tecnologias que o compõem. São necessários treinamentos, especialmente para os operadores de máquinas, quanto ao uso de semeadoras e pulverizadores e tecnologia de aplicação (características de bicos, horário de aplicação, etc.) de defensivos, além de conhecimentos sobre plantas daninhas e herbicidas. O treinamento da mão-de-obra deve ser planejado de forma que, no momento de realizar as operações, haja conhecimento suficiente para realizar as ações de forma adequada. A participação do produtor e da assistência técnica em associações ou grupos de troca de informações e experiências como Grupo de Plantio Direto, Clube Amigos da Terra, etc, são importantes para facilitar e impulsionar a adoção do SPD. O manuseio de tais informações deve gerar mapas e/ou planilhas de uso e da situação atual da propriedade, a serem utilizados como base, para o planejamento das atividades a serem implementadas (Embrapa, 2007).