ISSN 1984-0713
Julho, 2012
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Trigo
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento
Documentos 5
Versão eletrônica
Atas e Resumos
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA
REGIÃO SUL
24 a 26 de julho de 2012
Leila Maria Costamilan
Paulo Fernando Bertagnolli
Mercedes Concórdia Carrão-Panizzi
Mércio Luiz Strieder
Organizadores
Passo Fundo, RS
2012
ENTIDADES CREDENCIADAS PARTICIPANTES
 CCGL TECNOLOGIA
 Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola – COODETEC
 Emater/RS-Ascar
 Embrapa Clima Temperado
 Embrapa Soja
 Embrapa Trigo
 Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária - Fepagro
 Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Realização:
Embrapa Trigo e Apassul
Exemplares desta publicação podem ser adquiridos na:
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Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Embrapa Trigo
Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul (39. : 2012 : Passo Fundo, RS).
Atas e resumos... / XXXIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul ; organizada
por Leila Maria Costamilan... [et al.]. – Passo Fundo: Embrapa Trigo, 2012.
1 CD-ROM. (Documentos / Embrapa Trigo, ISSN 1984-0713 ; 5).
Realização da Embrapa Trigo e Apassul.
1. Soja - Brasil - Rio Grande do Sul. 2. Soja - Brasil - Santa Catarina. I. Costamilan,
L. M., org. II. Bertagnolli, P. F., org. III. Carrão-Panizzi, M. C., org. IV. Strieder, M. L.,
org. V. Título. VI. Série.
CDD: 633.34060816
 Embrapa Trigo - 2012
Comissão Organizadora da XXXIX RPS-Sul
Presidente:
Leila Maria Costamilan
Comissão
Denilson Focking
Fátima Maria de Marchi
Joseani Mesquita Antunes
Liliane Tagliari
Lisandra Lunardi
Luiz Henrique Magnante
Márcia Barrocas Moreira Pimentel
Marialba Osorski dos Santos
Mercedes Concórdia Carrão-Panizzi
Mércio Luiz Strieder (secretário)
Neori Damini
Paulo Fernando Bertagnolli
Paulo Odilon Ceratti Kurtz
Raul Alves dos Santos
Rosana de Fátima Vieira Lopes
Silvana Buriol
SUMÁRIO
I
Histórico da Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul
5
II
Sessão Plenária Solene de Abertura
10
III
Sessão do Seminário Técnico do Complexo Agroindustrial de Soja
12
Resumos das Palestras
13
Sessão do Relatório Técnico da Cultura da Soja
19
Resumos dos Relatos Técnicos
20
Atas das Comissões Técnicas
28
IV
V
1. Comissão de Genética, Melhoramento e Tecnologia de Sementes
Resumos
2. Comissão de Nutrição Vegetal e Uso do Solo
Resumos
3. Comissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais
Resumos
4. Comissão de Entomologia
28
32
90
92
104
114
149
Resumos
151
Normas da Comissão
157
5. Comissão de Controle de Plantas Daninhas
Normas da Comissão
6. Comissão de Fitopatologia
162
162
165
Resumos
168
Normas da Comissão
195
7. Comissão de Difusão de Tecnologia e Socioeconomia
Resumos
203
205
VI
Sessão de Apresentação de Trabalhos Inéditos / de Destaque
215
VII
Sessão Plenária Final
216
VIII Regimento Interno da Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul
217
Alerta
(1) A Embrapa Trigo não se responsabiliza pela correção e veracidade de dados
apresentados por outras instituições. A responsabilidade da Comissão Editorial
limita-se à adequação dos trabalhos às normas editoriais estabelecidas. A
ortografia, correção gramatical e o conteúdo dos trabalhos aqui publicados são de
responsabilidade exclusiva dos autores.
(2) Os autores dos resumos aqui publicados apresentaram o Termo de
Licenciamento, liberando a obra para veiculação pela Embrapa.
I - HISTÓRICO DA REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
I REUNIÃO CONJUNTA DE PESQUISA DE SOJA
LOCAL: Passo Fundo, RS
DATA: 06 a 10 de agosto de 1973
COORDENAÇÃO: Emídio Rizzo Bonato (informação pessoal)
COMISSÃO ORGANIZADORA: não foi mencionada em Ata
PARTICIPANTES: 146
II REUNIÃO CONJUNTA DE PESQUISA RS/SC - SOJA
LOCAL: Porto Alegre. RS
DATA: 26 a 30 de agosto de 1974
COORDENAÇÃO: IPAGRO
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - João Rui Jardim Freire
PARTICIPANTES: 140
III REUNIÃO CONJUNTA DE PESQUISA DA SOJA
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 18 a 22 de agosto de 1975
COORDENAÇÃO: FECOTRIGO
COMISSÃO ORGANIZADORA: Carmine Rosito, Gaspar Beskow, Ênio Pippi da Motta,
Francisco Terra Júnior, Frederico Bergmann
PARTICIPANTES: 181
IV REUNIÃO CONJUNTA DE PESQUISA DA SOJA - RS/SC
LOCAL: Santa Maria. RS
DATA: 23 a 27 de agosto de 1976
COORDENAÇÃO: MEC/UFSM/CCR
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Ailo Valmir Saccol
PARTICIPANTES: 115
V REUNIÃO CONJUNTA DE PESQUISA DA SOJA RS/SC
LOCAL: Pelotas, RS
DATA: 01 a 05 de agosto de 1977
COORDENAÇÃO: EMBRAPA-UEPAE de Pelotas/UFPEL
COMISSÃO ORGANIZADORA: não foi mencionada em Ata
PARTICIPANTES: 248
VI REUNIÃO CONJUNTA DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Florianópolis, SC
DATA: 31 de julho a 04 de agosto de 1978
COORDENAÇÃO: EMPASC/EMBRAPA-CNPSo
COMISSÃO ORGANIZADORA: não foi mencionada em Ata
PARTICIPANTES: 135
VII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 30 de julho a 03 de agosto de 1979
COORDENAÇÃO: IPAGRO/EMBRAPA-CNPSo
COMISSÃO ORGANIZADORA: não foi mencionada em Ata
PARTICIPANTES: 223
VIII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Cruz Alta, RS
DATA: 18 a 21 de agosto de 1980
COORDENAÇÃO: FECOTRIGO/DPAT/CEP-FECOTRIGO
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
5
COMISSÃO ORGANIZADORA: Carmine Rosito, Fernando C. de A. e Souza, Luiz Pedro
Bonetti, Reginaldo Escobar Vieira, Ricardo G. Matzenbacher
PARTICIPANTES: 133
IX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Passo Fundo, RS
DATA: 28 a 30 de julho de 1981
COORDENAÇÃO: EMBRAPA-CNPT
COMISSÃO ORGANIZADORA: José Alberto R. de O. Velloso, José Renato Bem, Paulo
Fernando Bertagnolli, Simião Alano VIeira, Armando Ferreira Filho, Liane Matzenbacher,
Mary Mara Ritter
PARTICIPANTES: 161
X REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 27 a 29 de julho de 1982
COORDENAÇÃO: UFRGS/Faculdade de Agronomia/Pró-Reitoria de Extensão/CNPSo
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - José Antônio Costa
PARTICIPANTES: 156
XI REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Santa Maria, RS
DATA: 02 a 04 de agosto de 1983
COORDENAÇÃO: UFSM/CCR/CNPSo
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Osmar Souza dos Santos
PARTICIPANTES: 142
XII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Pelotas, RS
DATA: 31 de julho a 03 de agosto de 1984
COORDENAÇÃO: EMBRAPA/CPATB e CNPso
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Mário Franklin da Cunha Gastal
PARTICIPANTES: 136
XIII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 30 de julho a 02 de agosto de 1985
COORDENAÇÃO: IPAGRO/Departamento de Pesquisa/Secretaria de Agricultura
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Elói Roque Hilgert
PARTICIPANTES: 170
XIV REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Chapecó, SC
DATA: 11 a 14 de agosto de 1986
COORDENAÇÃO: EMPASC/CPPP/EMBRAPA/CNPSo
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Evaristo Antonio Espindola
PARTICIPANTES: 131
XV REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Cruz Alta, RS
DATA: 10 a 13 de agosto de 1987
COORDENAÇÃO: Centro de Experimentação e Pesquisa - CEP/FECOTRIGO
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - José Luiz Tragnago
PARTICIPANTES: 129
XVI REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Santa Maria, RS
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
6
DATA: 25 a 28 de julho de 1988
COORDENAÇÃO: UFSM / Departamento de Defesa Fitossanitária, Centro de Ciências
Rurais
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente – Dionísio Link e Anísio Dário Marramon
Trindade
PARTICIPANTES: 134
XVII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 24 a 27 de julho de 1989
COORDENAÇÃO: UFRGS
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - José Antônio Costa
PARTICIPANTES: 177
XVIII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Passo Fundo, RS
DATA: 07 a 10 de agosto de 1990
COORDENAÇÃO: EMBRAPA-CNPT
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Emídio Rizzo Bonato
PARTICIPANTES: 162
XIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Pelotas, RS
DATA: 03 a 06 de setembro de 1991
COORDENAÇÃO: EMBRAPA/CPATB
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Mário Franklin da Cunha Gastal
PARTICIPANTES: 141
XX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Chapecó, SC
DATA: 04 a 06 de agosto de 1992
COORDENAÇÃO: EPAGRI/EMBRAPA-CNPSo
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Evaristo Antonio Espindola
PARTICIPANTES: 106
XXI REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Santa Rosa, RS
DATA: 10 a 13 de agosto de 1993
COORDENAÇÃO: Secretaria de Ciência e Tecnologia/CIENTEC/IPAGRO
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Elói Roque Hilgert
PARTICIPANTES: 136
XXII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Cruz Alta, RS
DATA: 9 a 11 de agosto de 1994
COORDENAÇÃO: FUNDACEP FECOTRIGO
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - José Luiz Tragnago
PARTICIPANTES: 150
XXIII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 01 a 03 de agosto de 1995
COORDENAÇÃO: Departamento de Plantas de Lavoura/Faculdade de
Agronomia/UFRGS
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - José Antônio Costa
PARTICIPANTES: 165
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
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XXIV REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Pelotas, RS
DATA: 06 a 08 de agosto de 1996
COORDENAÇÃO: EMBRAPA/CPATB
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Mário Franklin da Cunha Gastal
PARTICIPANTES: 132
XXV REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Passo Fundo, RS
DATA: 05 a 07 de agosto de 1997
COORDENAÇÃO: EMBRAPA Trigo
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Emídio Rizzo Bonato
PARTICIPANTES: 189
XXVI REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Cruz Alta, RS
DATA: 28 a 30 de julho de 1998
COORDENAÇÃO: UNICRUZ/Curso de Agronomia
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - José Luiz Tragnago
PARTICIPANTES: 160
XXVII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Chapecó, SC
DATA: 27 a 29 de julho de 1999
COORDENAÇÃO: EPAGRI/CPPP
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Evaristo Antonio Espindola
PARTICIPANTES: 129
XXVIII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Santa Maria, RS
DATA: 25 a 27 de julho de 2000
COORDENAÇÃO: UFSM, Centro de Ciências Rurais
COMISSÃO ORGANIZADORA: Ervandil Correa Costa; Dionísio Link; Anísio Dário
Marramon Trindade.
PARTICIPANTES: 141
XXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 24 a 26 de julho de 2001
COORDENAÇÃO: FEPAGRO
COMISSÃO ORGANIZADORA: João Carlos Canuto; Rosely de Oliveira Lang.
PARTICIPANTES: 155
XXX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Cruz Alta, RS
DATA: 23 a 25 de julho de 2002
COORDENAÇÃO: FUNDACEP-FECOTRIGO
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente: José Ruedell
PARTICIPANTES: 144
XXXI REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 29 a 31 de julho de 2003
COORDENAÇÃO: UFRGS, Faculdade de Agronomia, Departamento de Plantas de
Lavoura
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente: José Antonio Costa
PARTICIPANTES: 142
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
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XXXII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Passo Fundo, RS
DATA: 27 a 29 de julho de 2004
COORDENAÇÃO: Embrapa Trigo
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente: Paulo Fernando Bertagnolli
PARTICIPANTES: 215
XXXIII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Passo Fundo, RS
DATA: 26 a 28 de julho de 2005
COORDENAÇÃO: UPF, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária
COMISSÃO ORGANIZADORA: João Luiz Reichert
PARTICIPANTES: 142
XXXIV REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Pelotas, RS
DATA: 25 a 27 de julho de 2006
COORDENAÇÃO: Embrapa Clima Temperado
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente: Mario Franklin da Cunha Gastal
PARTICIPANTES: 232
XXXV REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Santa Maria, RS
DATA: 25 a 27 de julho de 2007
COORDENAÇÃO: UFSM
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente Jerson Carus Guedes
PARTICIPANTES: 230
XXXVI REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 29 a 31 de julho de 2008
COORDENAÇÃO: FEPAGRO - EMATER
COMISSÃO ORGANIZADORA: Ronaldo Matzenauer
PARTICIPANTES: 225
XXXVII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Porto Alegre, RS
DATA: 21 a 23 de julho de 2009
COORDENAÇÃO: Departamento de Plantas de Lavoura/Faculdade de
Agronomia/UFRGS
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente Ribas Antonio Vidal
PARTICIPANTES: 220
XXXVIII REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Cruz Alta, RS
DATA: 03 a 05 de agosto de 2010
COORDENAÇÃO: FUNDACEP FECOTRIGO
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Cleiton Steckling
PARTICIPANTES: do Seminário Técnico (307), da Reunião (103)
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
LOCAL: Passo Fundo, RS
DATA: 24 a 26 de julho de 2012
COORDENAÇÃO: Embrapa Trigo
COMISSÃO ORGANIZADORA: Presidente - Leila Maria Costamilan
PARTICIPANTES: 205
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
9
II - SESSÃO PLENÁRIA SOLENE DE ABERTURA
Às 14h15min do dia 24 de julho de 2012, nas dependências do Auditório Principal
da Embrapa Trigo, situado na BR 285, km 294, em Passo Fundo, foi realizada a
cerimônia solene de abertura da XXXIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul. A
mesa ficou assim constituída: Dr. Sérgio Roberto Dotto, Chefe Geral da Embrapa Trigo;
Pesquisadora da Embrapa Trigo Leila Maria Costamilan, presidente da comissão
organizadora da Reunião; Sr. Antônio Eduardo Loureiro da Silva, Diretor Administrativo
da Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do RS (Apassul);
Prof. Dr. Geraldo Chavarria, representando o Prof. Dr. Elio Carlos Rocha, diretor da
Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo
(FAMV/UPF); e Vereador Rafael Bortoluzzi, representando a Câmara de Vereadores de
Passo Fundo.
Após audição do Hino Nacional Brasileiro, fizeram uso da palavra os Senhores
Sérgio R. Dotto, Antônio E. Loureiro da Silva, Geraldo Chavarria e Leila M. Costamilan,
os quais saudaram aos participantes e declararam abertos os trabalhos da XXXIX
Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul. Após, a mesa foi desfeita, e foi chamado o
pesquisador da Embrapa Trigo, Dr. Antônio Ricardo Panizzi, que usou de espaço para
apresentação do livro Bioecologia e Nutrição de Insetos - Base para o Manejo
Integrado de Pragas, de Antônio Ricardo Panizzi e José Roberto Postali Parra. A seguir,
foi chamado o pesquisador da Embrapa Trigo, Dr. Paulo Fernando Bertagnolli, para
coordenar a Sessão de Seminário Técnico do Complexo Agroindustrial da Cultura de
Soja.
Saudação de Leila M. Costamilan, presidente da comissão organizadora:
Senhoras e Senhores, prezados colegas batalhadores pela cultura da soja na região fria
do Brasil, benvindos à XXXIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul e à atividade
que marca seu início, o Seminário Técnico do Complexo Agroindustrial de Soja.
A Embrapa Trigo tem a honra de sediar este evento e de ter a Apassul como
correalizadora. Foi em 1973 que a primeira Reunião foi realizada, coordenada pelo Dr.
Emídio Rizzo Bonato. Surgiu principalmente para organizar os esforços de várias
entidades, que lutavam em separado para realizar seus trabalhos de campo. Além de
congregá-las, orientou as bases técnicas para a cultura e transformou-se em momento
para debate de ideias e para apresentação de novidades científicas.
Hoje, aqui estamos novamente, unidos pelo interesse em encontrar soluções para
melhorar o desempenho desta cultura. A região fria do Brasil viu a soja passar de
curiosidade à condição de maior commodity do Brasil. Quantos dos agricultores do sul do
Brasil e de seus descendentes, que migraram para terras mais ao norte e expandiram o
cultivo da soja no Brasil, não tiveram suas práticas melhoradas com os resultados obtidos
nestas Reuniões Técnicas? O Dr. Romeu Kiihl vislumbrou esta possibilidade quando
declarou que um dos 10 fatores que influenciaram o sucesso da tropicalização da soja no
Brasil foi a mão de obra e a experiência gaúchas, constatação esta que nos enche de
orgulho. Mas a instabilidade de nossa produção continua a preocupar. Viemos de uma
safra muito difícil, aniquilada pela seca, com quebra de 50% e rendimento médio menor
que 1.500 kg/ha, mas antecedida de uma das melhores safras de todos os tempos. Como
nos preparar com tantos fatores extremos?
Com certeza, vamos continuar progredindo. Precisamos elevar o rendimento médio de
nossas lavouras. Quem sabe se, nesta Reunião, não surjirão novas ideias, e novos
resultados serão apresentados, levando a alterações, por menores que sejam, na
tecnologia de cultivo, e que trarão maior rendimento e mais estabilidade de produção de
soja no Sul do Brasil? É o que esperamos e desejamos. Vamos fazer a diferença. Vamos
ser importantes para o agricultor e para o Brasil.
Por fim agradecemos às empresas que acreditaram em nossa proposta e estão conosco
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
10
nesta Reunião: a Syngenta, a Basf e a Ihara; a Coodetec e a Nidera; a Brasmax, a
Cheminova e a Semeato; a Ubyfol e a Total Biotecnologia. Obrigada pelo seu patrocínio.
Também agradecemos ao apoio da Embrapa Soja e da Embrapa Produtos e Mercado,
sempre atendendo gentilmente às nossas solicitações. E aos palestrantes, que aceitaram
nosso convite e abrilhantam nossa Reunião, o muito obrigada de toda a Comissão
Organizadora. Vamos iniciar os trabalhos.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
11
III - SESSÃO DO SEMINÁRIO TÉCNICO DO COMPLEXO AGROINDUSTRIAL
DE SOJA
Às 15h15min do dia 24 de julho de 2012, nas dependências do Auditório Principal da
Embrapa Trigo, situado na BR 285, km 294, em Passo Fundo, foi iniciado o Seminário
Técnico do Complexo Agroindustrial da Cultura de Soja, evento inicial da XXXIX Reunião
de Pesquisa de Soja da Região Sul, sendo coordenado pelo pesquisador da Embrapa
Trigo, Dr. Paulo Fernando Bertagnolli. A sessão iniciou com palestra do Dr. Romeu Afonso
de Souza Kiihl, diretor técnico da Tropical Melhoramento e Genética (TMG), intitulada
Tendências de mercado de cultivares de soja. Após intervalo, teve início o Painel
sobre desafios e oportunidades do agronegócio soja, com as palestras e palestrantes
a seguir nominados:
Tendências para o mercado de soja - Flávio Roberto de França Júnior, SAFRAS &
Mercado;
Situação atual do tratamento de sementes - Dr. Ademir Assis Henning, Embrapa Soja;
Soja: novos usos em alimentação - Dra. Mercedes Concórdia Carrão-Panizzi, Embrapa
Trigo;
Principais doenças das últimas safras: ferrugem e podridões radiculares - Dr. José
Tadashi Yorinori, TADASHI Agro.
A sessão foi encerrada às 19h15min, com homenagem oficial da Comissão Organizadora
da XXXIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul ao Dr. José Tadashi Yorinori, por
seus relevantes serviços prestados à sojicultura nacional.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
12
Resumos das Palestras
Soja: Realidade e Tendências
Romeu Afonso de Souza Kiihl1
1
TMG Tropical Melhoramento e Genética Ltda.
Quando observamos a participação das empresas de melhoramento de soja na
área plantada no Brasil em 2011/2012 verificamos que nove das primeiras dez são da
iniciativa privada.
Acreditamos que, com os novos transgênicos que estão vindo, tal situação
provavelmente se consolidará.
Alem da tendência de as empresas privadas dominarem o mercado outro aspecto
chama a atenção: o aumento a participação de cultivares de crescimento indeterminado,
principalmente no sul do Brasil.
Em 2007 a região sul do Brasil semeava 80% de sua área com cultivares de
crescimento determinado. Em 2011 as cultivares de crescimento indeterminado foram
usadas em mais de 90% da área. Tal mudança ocorreu pela alta produtividade e
adaptação ao plantio antecipado, facilitando o sucesso do milho “safrinha”. Tal tendência
pode se repetir em parte do Brasil Central para facilitar “safrinhas” de algodão e milho.
A provável razão para o sucesso dos tipos “argentinos” de soja - altamente
resistentes ao acamamento e produtivos – no sul do Brasil seria a adaptação dos tipos
norte-americanos modernos para latitudes menores e em alguns casos plantios
antecipados. Tais tipos modernos resultaram, nos U.S.A., de cruzamentos entre
genótipos do sul com genótipos do norte, programas mais ou menos separados por pelo
menos cinqüenta anos. O principal exemplo é A 3127 que resultou do cruzamento entre
Williams e Essex. Do mesmo cruzamento foram obtidas mais de dez cultivares, sendo
que ‘Spring’ do mesmo cruzamento mostra bom comportamento no Brasil.
O futuro do melhoramento no Brasil está ligado à capacidade de testes
(mecanização), genotipagem (marcadores moleculares) e acesso a novos transgênicos.
No Brasil Central resistência a nematóides e doenças continuará importante.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
13
Novos Usos em Alimentação
M. C. Carrão-Panizzi1
1
Embrapa Trigo, BR 285, km 294, 99001-970, Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected]
Resumo: A produção de soja, no Brasil, mantém-se crescendo e é um dos mais
importantes componentes do agronegócio brasileiro. O grande mercado da soja
concentra-se na exportação de grãos e de farelo. Cultivares de soja para esse mercado
de “commodity” são diferentes das cultivares de soja especiais, que podem viabilizar
pequenos produtores e agroindústrias familiares. Portanto, uma proposta de produção e
processamento de sojas especiais, que apresentam sabor superior, para usos como
hortaliças, brotos e soja preta, além de ampliar mercado, também adiciona saúde e
diversidade à dieta brasileira.
Palavras chaves: Glycine max, consumo, tipos vegetais, brotos, soja preta, nichos de
mercado.
No mercado internacional, o complexo soja rende divisas consideráveis para o país,
enquanto que o mercado interno se concentra no consumo de óleo e ração animal,
viabilizando a suinocultura e avicultura, importantes componentes do agronegócio
brasileiro. O consumo de soja na alimentação humana está aumentando entre os
brasileiros, em decorrência da divulgação dos benefícios da soja para a saúde humana e
do crescimento da oferta no mercado de produtos à base de soja de melhor qualidade.
Segmentos de grandes indústrias (Sadia, Unilever e Batávia) e de indústrias menores
têm desenvolvido produtos à base de soja, sendo alguns de uso direto e outros,
derivados. A produção de bebidas à base de soja (BBS) cresce 15% ao ano, sendo que a
maioria dos grandes laticínios tem uma linha de bebidas à base de soja (original ou em
mistura com sucos de frutas). Junto com esse crescimento do mercado para bebidas à
base de soja, outros novos produtos são disponíveis, os quais incluem desde leite
condensado, creme de leite, chocolate, sorvete, macarrão a preparado para bolo. Todos
seguem uma linha de dieta saudável, porque a soja está no rol dos alimentos funcionais,
com benefícios comprovados à saúde. A proteína da soja é a única proteína vegetal que
contém todos os aminoácidos essenciais necessários para dar suporte ao crescimento e
à manutenção do organismo, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS).
Além de melhorar os níveis sanguíneos de colesterol, a soja também é a única alternativa
para as pessoas com intolerância à lactose.
O sabor da soja, que é um desafio a ser vencido pela indústria de alimentos, está
sendo superado graças às tecnologias adequadas de processamento. Os sucos à base
de soja superam a questão do sabor, tanto que produtos destinados ao público infantil
têm sido muito bem aceitos.
Tecnologias de processamento têm adequado as cultivares de soja convencionais
disponíveis no mercado aos diferentes tipos de utilizações (ração animal, alimentação
humana e usos industriais). Entretanto, em relação a alimentos à base de soja, percebese que, se houvesse uma interação efetiva entre os órgãos que desenvolvem cultivares
de sojas especiais e a indústria, seria possível a oferta de produtos de melhor qualidade
com menor custo de processamento. Dificuldades no uso dessas cultivares especiais
como quantidade adequada de matéria prima pelas indústrias, são devidas aos
problemas sobre disponibilidade de grãos, bem como por não haver uma definição sobre
pagamento de prêmios para esses materiais.
As cultivares de soja são classificadas em tipo grão e tipo alimento, de acordo
com os diferentes usos (LIU, 1999). As cultivares tipo grão são as direcionadas para o
processamento de óleo e alimentação animal e apresentam o sabor característico da
soja, descrito como “beany” (ranço ou feijão cru) (TORRES-PENARANDA et al. 1998;
TORRES-PENARANDA; REITMEIER, 2001), além de apresentarem gosto amargo e
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
14
sensação de adstringência (KUDOU et al., 1991; OKUBO et al., 1992). As cultivares tipo
alimento são as que apresentam características especiais mais adaptadas ao consumo
humano, que podem ser obtidas pelo melhoramento genético tradicional, cujo objetivo é o
desenvolvimento de genótipos de soja com diferentes caracteres relacionados com
qualidade, como: melhor sabor (introdução da característica de ausência das
lipoxigenases - enzimas responsáveis pelo sabor desagradável da soja - ou da
característica de melhor sabor de genótipos tipos vegetais ou alimento); sementes
grandes e hilo amarelo, para produção de tofu ou de soja vegetal tipo hortaliça, também
conhecida como soja verde, por serem grãos completamente desenvolvidos, mas ainda
imaturos; sementes pequenas para produção de brotos de soja ou “natto”; alto teor de
proteína; teor reduzido de inibidor de tripsina; e perfil diferenciado de ácidos graxos.
Com o objetivo de melhorar o sabor da soja e de seus produtos, muitos estudos
comprovaram que o tratamento térmico inativa as enzimas lipoxigenases (LIU, 1999),
permitindo a obtenção de produtos com melhor sabor. Cultivares de soja desprovidas das
lipoxigenases são matéria prima para produção de alimentos com melhores qualidades
sensoriais e com menor custo de processamento. A Embrapa lançou duas cultivares,
BRS 213 e BRS 257, com essa característica (CARRÃO-PANIZZI et al., 2009) que,
quando processadas, apresentam menores teores de n-hexanal, ao contrário das sojas
convencionais.
A Embrapa, pela sua disponibilidade de centros de pesquisa com capacidades
diferenciadas, pode desenvolver estudos sobre produtos ou processos diferentes
daqueles da indústria. Numa proposta inovadora, pode-se utilizar a soja como hortaliça,
para a qual produtos como soja verde, brotos e soja preta podem ser direcionados para
nichos de mercado, favorecendo a agricultura e a agroindústria familiar. Importante
salientar que esses tipos de utilização são tradicionais em países orientais e estão se
popularizando em países ocidentais. O Brasil deve seguir essa tendência e a pesquisa
deve se adiantar na oferta da nova matéria prima e de processamentos adequados às
necessidades da população brasileira.
Soja para consumo como hortaliça, como soja verde (“edamame”) e como brotos
é opção diferenciada de consumo e inovadora para o mercado brasileiro. Para esse tipo
de utilização, linhagens especiais também estão sendo avaliadas no projeto de
melhoramento da Embrapa. Importante salientar que, nesses estádios de crescimento
(verde e broto), a soja apresenta melhor valor nutritivo, pois além da composição normal,
ainda tem maior teor de vitamina C e pró-vitamina A (BATES; MATTHEWS, 1975), além
da mobilização de compostos antinutricionais. Quando colhida no estádio de crescimento
R6 (grãos completamente desenvolvidos, mas ainda imaturos e verdes), constitui-se na
soja verde ou hortaliça. Diferente da soja tipo grão, a soja tipo vegetal, hortaliça ou soja
verde (diferentes nomenclaturas para o mesmo tipo de produto) deve apresentar
aparência, sabor e textura diferenciados, que são fundamentais para a qualidade do
produto hortaliça. O tamanho grande de grãos é uma característica que se relaciona com
o rendimento em volume do produto, ou seja, para 500 g de vagens verdes, tem-se cerca
de 180 vagens de soja especial, ao contrário da soja normal, que, para as mesmas 500 g,
são necessárias cerca de 300 vagens. Isso evidencia a agregação de valor a esse
produto, que deve ser produzido e comercializado diferentemente da soja “commodity”. A
cultivar BRS 267, lançada pelo programa de melhoramento da Embrapa, apresenta boa
qualidade para uso como hortaliça e pode ser vendida com vagens soltas ou com os
grãos debulhados. Essa cultivar apresenta grãos de tamanho grande e sabor superior e
pode ser consumida como “edamame”, prato tradicional da cozinha japonesa, no qual as
vagens são fervidas com água e sal e os grãos verdes são consumidos diretamente.
Outra opção de consumo para os grãos verdes é de forma semelhante ao consumo de
ervilhas ou outras hortaliças. Portanto, o consumo direto dos grãos verdes é uma opção
de utilização atrativa, nutritiva e saborosa. Estudo inicial sobre processamento de
conservas de soja verde mostrou ser possível a industrialização do produto nessa forma
(CZAIKOSKI, 2011).
Cultivares com sementes pequenas, como as apresentadas pela BRS 216,
também podem ser utilizadas para produção de brotos de soja, conhecido como
“moyashi” no Japão. Além do melhoramento genético para obtenção de matéria prima
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
15
especial para utilização como brotos, OLIVEIRA et al. (2010a, 2010b) também conduziram
estudos para produção, composição química e utilização de brotos em diferentes
receitas. Interação com a agroindústria familiar deve ser articulada para o processamento
de brotos em conservas, viabilizando outra atividade econômica com a soja.
Soja com tegumento preto teve sua capacidade antioxidante evidenciada pela
mídia, o que fez crescer a demanda por este tipo de produto entre os brasileiros. Para
opção de consumo de soja preta, a Embrapa dispõe de linhagens com sabor
consideravelmente superior que, com certeza, permitirão a obtenção de produtos com
excelente qualidade.
Linhagens avançadas com essas características especiais estão sendo avaliadas
em ensaios de Valor de Cultivo e Uso (VCU), podendo ser indicadas em breve para
cultivo comercial. A partir das primeiras cultivares especiais lançadas pela Embrapa,
muitos estudos de avaliação química, nutricional, sensorial e de processamento foram
realizados. Entretanto, outras avaliações específicas sobre produção de matéria prima,
processamento e aceitabilidade dos produtos ainda são necessárias e devem ser
conduzidas em complementação ao trabalho de melhoramento genético. Avaliações de
sabor, da composição química e de diferentes formas de processamento dessas
linhagens são importantes para o direcionamento de utilização e mercado das mesmas.
Estudos dessa natureza só são possíveis com o envolvimento de instituições com
diferentes capacitações para processamento, avaliação físico-química, e motivação de
agricultores (universidades, centros de pesquisa da Embrapa e serviço de extensão
rural).
Como sabor é determinante na aceitação da soja como alimento, muitos estudos
têm sido focados nessa questão. SILVA (2009) observou que sensores eletrônicos foram
eficazes em separar e distinguir os sabores das diferentes cultivares de soja, sendo que
as respostas foram semelhantes às dos provadores treinados (análise sensorial). A
validação da língua eletrônica para determinação do sabor de linhagens de soja também
foi comprovada por ZOLDAN et al. (2012). Com base nesses resultados (SILVA, 2009;
GREGORUT, 2010; SILVA et al., 2012; GREGORUT et al, 2012), a língua eletrônica pode
ser utilizada para avaliar o sabor de linhagens, de cultivares e de produtos derivados
dessas cultivares, com pequenas quantidades de material.
Portanto, diferentemente do mercado da soja “commodity”, existem outros
mercados para sojas especiais, que devem ser estimulados no Brasil. Produtos
diferenciados podem atender a nichos de mercado, a pequenos produtores e a
agroindústrias familiares.
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XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
17
APLICADA AO AGRONEGÓCIO, 6., 2012, Fortaleza. Anais... São Carlos: Embrapa
Instrumentação; Fortaleza: Embrapa Agroindústria Tropical, 2012. p. 33-35.
Summary: Soybean production in Brazil is growing and is one of the most important
components of the Brazilian agribusiness. Soybean market is concentrated in exportation
of grains and meals. Soybean cultivars for this “commodity” market are different from
special soybeans cultivars that can be feasible for small growers and familiar agroindustries. Therefore, a proposal of production and processing of special soybeans that
present superior flavor, uses as vegetables, sprouts, and black soybeans, besides
increasing market, also add health and diversity to the Brazilian diet.
Key words: Glycine max, consumption, vegetable types, sprouts, black soybean, niche
market.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
18
IV - SESSÃO DO RELATÓRIO TÉCNICO DA CULTURA DA SOJA
Às 8h30min do dia 25 de julho de 2012, nas dependências do Auditório Principal da
Embrapa Trigo, situado na BR 285, km 294, em Passo Fundo, foi iniciada a Sessão do
Relatório Técnico das Safras 2010/11 e 2011/12, sendo coordenada pelo pesquisador da
Embrapa Trigo, Dr. Mércio Luiz Strieder, que chamou as palestras e palestrantes a seguir
nominados:
Região edafoclimática 101: Cláudia Erna Lange, IRGA;
Região edafoclimática 102: Cleiton Steckling, CCGL TECNOLOGIA;
Região edafoclimática 103: Cláudio Dóro, Emater/RS.
Foi proporcionado um momento de perguntas e respostas entre a audiência e os
palestrantes.
Após intervalo, os participantes dirigiram-se às respectivas Comissões Técnicas, onde
permaneceram reunidos até às 18h30min deste dia 25.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
19
Resumos dos Relatos Técnicos
Relatório Técnico das
Safras 2010/11 e 2011/12 - Região Edafoclimática 101
C. E. Lange1, A. Vedelago1, C. Petry1
1
Instituto Rio Grandense do Arroz, Bonifácio Carvalho Bernardes, 1494, 90950-030, Cachoeirinha, RS. Email: [email protected], [email protected], [email protected]
Resumo: A região 101 do zoneamento agroclimático da cultura da soja no Brasil
compreende uma vasta região do estado do Rio Grande do Sul, sendo composta por uma
grande gama de diferentes ambientes para o cultivo desta espécie. Apesar da grande área
disponível, a região 101 não é uma área tradicional do cultivo de soja, embora alguns de
seus municípios apresentem uma produção importante. Nos últimos anos vem ocorrendo
um aumento na área de cultivo de soja em decorrência do alto preço no mercado
internacional e do interesse na desinfestação de plantas daninhas, principalmente o arroz
vermelho, de lavouras de arroz e na reconversão de pastagens através da melhoria da
fertilidade do solo. As safras 2010/11 e 2011/12 apresentaram condições climáticas
bastante distintas, sendo que em 2010/11 se caracterizou pela predominância de
precipitações em volume suficiente e bem distribuídas, de forma a propiciar excelentes
rendimentos de grãos tanto em lavouras de coxilha quanto nas terras baixas propensas ao
excesso hídrico. Já na safra 2011/12, a baixa precipitação nos meses de dezembro até o
começo de fevereiro foi o principal motivo da redução de rendimento de grãos em grande
parte da região 101, principalmente nos cultivos de coxilha. Verifica-se uma intenção de
aumento de área cultivada com esta espécie na próxima safra.
Palavras-chave: Glycine max, rendimento de grãos, área cultivada, relato.
INTRODUÇÃO
Os relatos dos resultados de safra são importantes instrumentos de memória que
permitem, ao longo dos anos, o acompanhamento das flutuações de área e produtividade,
tornando possível a identificação tanto de problemas emergentes quanto de tendências
futuras. O objetivo deste trabalho foi o de relatar resultados das safras 2010/11 e 2011/12
de soja na Região 101.
A Região 101 compreende uma vasta área do território gaúcho, que vai desde a
fronteira oeste do Estado até a parte sul e margem oeste das Lagoas dos Patos e Mirim.
Predominantemente as áreas de lavoura estão a uma altitude máxima de 200 metros
acima do nível do mar, e parte significativa dos solos são vocacionados ao cultivo do arroz
irrigado por inundação por apresentarem baixa capacidade de infiltração. A vasta
distribuição da Região 101 traz uma ampla variação climática e de tipo de solo, os quais
são oriundos de quatro diferentes matrizes geológicas. Por este motivo, o desempenho da
cultura da soja dentro da região está fortemente sujeita a flutuações decorrentes da
interação genótipo x ambiente.
Paralelamente, a menor tradição do cultivo de soja na região determina menor
adoção de práticas de manejo adequadas, refletindo uma menor frequência de obtenção de
alta produtividade. Os limites da Região 101 coincidem praticamente com o contorno da
região arrozeira do Estado, exceto por uma pequena faixa litorânea externa às Lagoas dos
Patos e Mirim, pertencentes às regiões orizícolas Planície Costeira Externa e Zona Sul.
Estas regiões apresentam particularidades que as fazem distintas quanto à aptidão para o
cultivo de soja. A Fronteira Oeste e a Campanha são as mais propensas à deficiência
hídrica, principalmente durante o período reprodutivo, o que faz com que haja um grande
interesse no uso de irrigação. A Planície Costeira Externa, devido à proximidade com o
oceano e com as lagoas, apresenta o lençol freático próximo da superfície, resultando que o
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
20
excesso hídrico é o maior limitante para a obtenção de bons rendimentos de grãos. Esta
região também tem pouca tradição no cultivo de soja. A Planície Costeira Externa apresenta
limitações com excesso hídrico menos acentuado do que Planície Costeira Externa e possui
maior tradição no cultivo de soja. Na Zona Sul, a cultura sofre restrições tanto da ocorrência
de excesso hídrico quanto de deficiência hídrica, esta última principalmente na áreas mais
distantes das lagoas. Na Depressão Central há grande concentração de áreas niveladas
sem gradiente de declividade, onde excesso hídrico é o principal limitante, porém também é
comum a ocorrência de períodos de déficit hídrico a partir de novembro.
Neste relato será utilizada a divisão das regiões arrozeiras para detalhar as
diferentes situações observadas durante o decorrer das safras 2010.11 e 2011.12 na Região
101.
MATERIAL E MÉTODOS
A área cultivada de soja e as produtividades médias, máxima e mínima alcançadas
na Região 101 foram baseadas no levantamento realizado pelo Departamento de
Assistência Técnica e Extensão Rural do Instituto Rio Grandense do Arroz (DATER/IRGA)
entre os anos de 2010 e 2012 e no relato de produtores e assistentes técnicos acerca das
lavouras de soja conduzidas na região 101, particularmente em solos arrozeiros. Os dados
foram sistematizados por região orizícola dentro da Região 101, que são Fronteira Oeste,
Campanha, Depressão Central, Planície Costeira Interna, Planície Costeira Externa e Zona
Sul (Figura 1).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela 1 são apresentadas as áreas de cultivo de soja em solos arrozeiros nas
safras 2010.11 e 2011.12. Houve um incremento da área de cultivo em todas as regiões
orizícolas, exceto na Fronteira Oeste, onde se observou uma retração de 15%. A área total
de soja cultivada em solos arrozeiros cresceu aproximadamente 176%, de 66 à 183 mil
hectares. O aumento da área de cultivo de soja em solos arrozeiros foi motivado por
diferentes razões: pelo valor atual do grão e pelo relativo baixo custo da lavoura de soja,
contrastando com o baixo preço do grão e o alto custo de implantação do arroz irrigado; pela
necessidade de realizar a rotação de culturas para reduzir o banco de sementes de plantas
daninhas da lavoura de arroz, principalmente o arroz vermelho, garantindo a rotação de
princípios ativos de herbicidas que favorece o controle de ecotipos de arroz vermelho
resistentes aos herbicidas do grupo das imidazolinonas; à baixa disponibilidade de água nos
reservatórios, reduzindo a área de cultivo do arroz; devido à melhor remuneração obtida na
venda da soja em algumas regiões, decorrente da proximidade destas do porto de Rio
Grande. Todos estes fatores motivadores permanecem vigentes, o que indica que na safra
2012.13 haverá nova expansão de área de cultivo de soja nas regiões orizícolas. Mensurar
esta expansão, entretanto, não é tarefa fácil, pois a evolução de fatores mencionados
anteriormente que podem refrear o aumento da área de cultivo de soja: houve uma reação
do preço do arroz, tornando a rentabilidade da lavoura mais atraente; é possível que as
chuvas do período de inverno possam repor os mananciais hídricos na quantidade
necessária para garantir a irrigação das lavouras de arroz; a possibilidade de ocorrência do
fenômeno El Niño pode desestimular produtores de terras baixas a cultivar soja.
A variação de produtividade entre safras e dentro das regiões é muito grande e
reflete vários fatores. Primeiramente, a produtividade está subordinada às variações
climáticas de cada safra, sendo que na safra 2010.11 as condições de chuvas bem
distribuídas e em quantidade que não acarretavam episódios severos nem de deficiência
nem de excesso hídrico, proporcionando condições muito boas de desenvolvimento e
acumulação de biomassa durante o período vegetativo, permitindo a formação de um
potencial produtivo elevado. Durante o período reprodutivo também não houve restrição
hídrica, determinando rendimentos de grãos elevados tanto nas lavouras de coxilha como
nas lavouras em várzea. Na safra de 2011.12, no entanto, a deficiência hídrica reduziu
significativamente os níveis de produtividade, principalmente onde a deficiência hídrica
persistiu durante a fase reprodutiva. A deficiência hídrica atingiu de forma mais severa as
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
21
lavouras de coxilha do que as de várzea, embora tenha se verificado situações muito
severas de deficiência hídrica também em lavouras de várzea, que implicaram fortes perdas.
A região de maior crescimento foi a Campanha, que já apresentava a maior área de
cultivo de soja em solos arrozeiros na safra 2010.11. O grande crescimento se deveu, além
dos fatores mencionados anteriormente, aos excelentes resultados obtidos na safra 2010.11,
quando se verificou um grande potencial de rendimento de grãos de soja em praticamente
toda a Região 101, tanto nos solos arrozeiros quanto em coxilha, decorrente das condições
excepcionais de distribuição de chuvas sem a ocorrência de deficiência e excesso hídrico
significativo na maioria das regiões. Os excelentes resultados alcançados na safra 2010.11
com as cultivares de ciclo precoce (grupos I e II) semeadas no cedo (outubro até 15 de
novembro) incentivou os produtores a formarem as lavouras com cultivares precoces e
semeadura até 15 de novembro na safra 2011.12, porém com resultados bastante variados.
O predomínio de deficiência hídrica prolongada nos meses de dezembro e janeiro reduziu
fortemente o potencial produtivo, que em algumas partes do município de São Gabriel e
arredores ficou restrito à faixa de 10 a 20 sacos/ha. Entretanto, a distribuição de chuvas
desuniforme privilegiou algumas lavouras da região, onde as médias ficaram bem acima,
variando de 50 a 65 sc/ha. Os municípios de Bagé e Dom Pedrito foram menos afetados
pela deficiência hídrica e ostentaram produtividades mais elevadas. A Fronteira Oeste
também apresentou deficiência hídrica, sendo que lavouras não irrigadas apresentaram
rendimento médio de 1.500 a 1.800 kg/ha, enquanto que algumas lavouras irrigadas
renderam 3.500 a 4.000 kg/ha aproximadamente. As demais regiões orizícolas foram
menos afetadas pela deficiência hídrica, refletindo melhores produtividades.
Dentro das regiões também se verificam grandes flutuações de produtividade
motivadas por variações de manejo. Entre os fatores de manejo que podem implicar em
aumento do potencial produtivo destacam-se a calagem e adubação adequada, época de
semeadura, manejo de resíduo de pastagem de inverno que antecipa a cultura, drenagem
adequada no caso das várzeas, e manejo de plantas daninhas. A semeadura tardia está
vinculada a dois fatores, o primeiro é a predominância de lavouras arrendadas, tanto em
várzea como coxilha, que durante os meses de outono e inverno é utilizada na pecuária e
disponibilizada tardiamente para a implantação das lavouras. Já a adubação e calagem
inadequadas resultam da falta de conhecimento das necessidades da cultura e da relutância
dos produtores em realizar investimentos por receio de frustração de safra em decorrência
de flutuações climáticas. Em várzea a baixa nodulação das plantas, principalmente em
lavouras de primeiro ano de soja e em anos de maior precipitação na fase inicial de
estabelecimento das lavouras também tem limitado o potencial produtivo, exigindo um
esforço da pesquisa para a solução deste gargalo na cultura da soja em solos propensos ao
excesso hídrico.
Summary: The region 101 of agroclimatic souybean zoning in Brazil comprises a vast region
of Rio Grande do Sul, being composed of a wide range of different environments for the
cultivation of this species. Despite the large area available, the region 101 is not a traditional
area of soybean cultivation, although some of its cities have a good production. Recently,
there has been an increase in the cultivated area with soybean due to the high price in
international market and the interest in weeds control in rice farming, especially red rice, and
conversion of grasslands through improved fertility soil. Crops 2010/11 and 2011/12 showed
very different climatic conditions, and in 2010/11 was characterized by the predominance of
rainfall in sufficient volume and well distributed, that provided excellent grain yields in both
upland and lowlands. In the season 2011/12, the low rainfall in the months of December to
early February was the main reason for the reduction of grain yield in most of the region 101,
mainly in the uplands. There is an intention to increase the area cultivated with this species in
the next harvest.
.Key words: Glycine max, grain yield, cultivated area, report.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
22
Figura 1. Regiões orizícolas do Rio Grande do
Sul: 1- Fronteira Oeste; 2- Campanha; 3Depressão Central; 4- Planície Costeira Interna; 5Planície Costeira Externa; 6- Zona Sul.
Tabela 1. Variação da área cultivada de soja em solos arrozeiros na Região 101 nas
safras 2010.11 e 2011.12. Fonte: Departamento de Assistência Técnica e Extensão Rural
– DATER/IRGA.
Região
Área cultivada (hectares)
Fonteira Oeste
Campanha
Depressão Central
Planície Costeira Interna
Planície Costeira Externa
Zona Sul
TOTAL
Safra 2010.11
4000
30029
10351
13192
1310
7586
66468
Safra 2011.12
3393
98000
31466
28682
2360
19394
183295
Variação (%)
-15,2
226
204
117
80
156
176
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
23
Relatório Técnico da Safra 2010/11 e 2011/12
“Microrregião Sojícola 102 - MR 102”
C. Steckling1
1
CCGL TECNOLOGIA, RS 342, km 149, 98005-970, Cruz Alta, RS. E-mail: [email protected]
Resumo: A maioria das propriedades agrícolas do sul do Brasil tem uma grande
dependência da cultura da soja, e esta como todas as culturas agrícolas, tem seu
desempenho condicionado às condições climáticas. O presente trabalho tem por objetivo
fazer o relato do desempenho da cultura da soja nas safras 2010/11 e 2011/12 para a
microrregião sojícola 102 (MR-102). Para a coleta de dados, se utilizou de duas
metodologias distintas: questionário dirigido aos departamentos técnicos das cooperativas
da respectiva microrregião sojícola; e, levantamento de informações junto ao órgão
estadual de extensão rural (EMATER – RS). Houve grande similaridade nas informações
coletadas nos dois métodos. A microrregião 102 representa 3,63 milhões de hectares,
ocupando hoje 67% por lavouras de soja do RS, 70% das áreas de SC e 15% das lavouras
do estado do PR. As duas safras tiveram condições climáticas bem distintas, enquanto na
safra 2010/11 as chuvas foram abundantes e bem distribuídas, na safra 2011/12 as chuvas
foram de baixo volume e mal distribuídas. Na safra 2010/11 a média de rendimento foi de
3.004 kg ha-1, já na safra 2011/12 o rendimento médio foi de 1.385 kg ha-1, com muitas
lavouras da região noroeste do RS até sem ser colhidas. A perda de rendimento atribuída
principalmente ao stress hídrico na safra 2010/11 para 2011/12 foi na ordem de 54%.
Palavras-chave: Glycine max, Rendimento, MR 102.
INTRODUÇÃO
A cultura da soja se destacado na economia da região sul do Brasil e como todas
as culturas agrícolas, a soja tem seu desempenho condicionado ás condições climáticas.
Compreender os acontecimentos e causas que determinam os rendimentos agrícolas é
fator importante na predição e planejamento de ações para melhorar os ganhos na
atividade agrícola. Da mesma forma, isolar ou fragmentar regiões agrícolas podem ajudar
a entender suas particularidades climáticas, e para tanto, o Brasil foi mapeado e
fragmentado em macro e microrregiões sojícolas (Kaster, 2002). Ferramenta muito útil aos
programas de melhoramento e também aos órgãos oficiais de regulamentação de crédito,
como é o caso do critério já adotado pelo Registro Nacional de Cultivares (RNC) e pelo
zoneamento agrícola para a safra 2012/13.
MATERIAL E MÉTODOS
Para coleta de dados, se utilizou duas metodologias distintas: Questionário dirigido
aos departamentos técnicos da cooperativas da respectiva microrregião sojícola; e,
levantamento de informações junto ao órgão estadual de extensão rural (EMATER – RS). O
questionário solicitava informações relativas ás safras 2010/11 e 2011/12 como segue: área
ocupada com a cultura da soja, rendimento máximo, médio e mínimo obtido, pragas,
doenças, e plantas daninhas mais problemáticas, medidas corretivas utilizadas, manejo
adotado nas lavouras, também deixava espaço para as demanda de pesquisa por parte dos
técnicos de campo. No site da EMATER-RS se obteve resultados de rendimento e área
ocupada com a cultura da soja. Consideramos os dados relativos às regionais de: Santa
Rosa, Ijuí, Passo Fundo e Erechim como pertencentes á MR 102.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
24
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Apesar de alguns municípios citados pelo RNC/MAPA (Registro Nacional de
Cultivares do Ministério da Agricultura e Pecuária) como sendo da MR 102 não estarem
contemplados nas regionais consideradas, e vice versa, a alta correlação das informações
levantadas com os dados obtidos do questionário enviado aos DETEC das cooperativas,
nos permite afirmar que as regionais da EMATER-RS de Santa Rosa, Ijuí, Passo Fundo e
Erechim são representativos da MR 102 definida pelo RNC/MAPA.
A MR 102 representa aproximadamente 3,63 milhões de hectares de soja. Sendo
67% da área ocupada pela cultura no estado do RS, 70% do estado de SC e 15% do PR
(Figura 1.a). No RS, são 2,802 milhões de ha na safra 2010/11 e 2,773 na safra 2011/12,
uma redução de 1,1% (Figura 1.b). Provavelmente área que cambiou para a cultura do
milho.
Conforme os dados oficiais da EMATER-RS, o rendimento médio foi de 3004 kg.ha-1
na safra 2010/11 e 1385 kg ha-1 na safra 2011/12, uma redução de 54% no rendimento de
grãos(Figura 1.c). Dos dados obtidos junto aos DETEC, o rendimento foi respectivamente
3.198 kg ha-1 e 1.380 kg ha-1 para as safras 2010/11 e 2011/12, uma redução de 57% no
rendimento de grãos. A redução de rendimento é explicado pelas chuvas, que na safra
2011/12 ficaram bem abaixo da demanda das plantas (Figura 1.d).
Na safra 2010/11 as principais pragas destacadas pelos DETEC foram às lagartas da
soja seguida pelo complexo de percevejos. Já com relação às doenças, a ferrugem asiática
foi a principal.
Na safra 2011/12, a principais pragas foram os trips seguido pelos ácaros e
percevejos. Nas doenças, o oídio foi unanimidade.
Com relação ao uso de cultivares, se verificou que mais de 60% dos cultivares em
uso são de GM inferior a 6,0 (Figura 1.e). Com tendência de aumento de uso de cultivares
de GM mais curto em regiões de maior altitude.
Conforme expectativa dos DETEC haverá um aumento de área destinada a cultura
da soja na MR 102 da ordem de 5%. Área que deverá cambiar do milho para a soja, devido
ao custo elevado da lavoura de milho na próxima safra.
Como demanda de pesquisa foram destacados: Uso de gesso agrícola, controle de
trips e ácaros, controle de lagartas, controle de doenças radiculares, cultivares resistentes a
seca, arranjo de plantas, e uso de fitoreguladores (Figura 1.f).
CONCLUSÕES
A MR 102 corresponde a uma área de 3,6 milhões de hectares, no RS são 2,8
milhões de hectares ou 67% da área de soja do estado. A distribuição e o volume
pluviométrico são as principais causas da alternância de rendimento de grãos na cultura da
soja nas safras 2010/11 e 2011/12.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
KASTER, M.; FARIAS, J.R.B. Regionalização dos testes de Valor de Cultivo e Uso e da
indicação de cultivares de soja. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO
CENTRAL DO BRASIL, 24. 2002, São Pedro, SP). Resumos ... Londrina: Embrapa Soja,
p. 97-98.
Summary: The majority of farms in southern Brazil has a large dependence of the soybean
crop, and this like all crops, their performance is conditioned by climatic conditions. The
present work aims to make the reporting of performance of the soybean crop in 2010/11
and 2011/12 to 102 micro sojícola (MR-102). For data collection, we used two different
methodologies: a questionnaire directed to the technical departments of the respective
cooperatives, and information gathering by the state organ of extension (EMATER - RS). A
great similarity in the information collected in the two methods. The MR 102 is 3.63 million
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
25
hectares, covering 67% of today's soy crops RS, 70% of the areas of SC and 15% of the
crops of the state of PR. The two crops were very different climatic conditions, while in
2010/11 harvest rains were abundant and well distributed in 2011/12 harvest rainfall was
low volume and poorly distributed. In the season 2010/11 the average yield was 3.004 kg
ha-1, since the season 2011/12 the average yield was 1.385 kg ha-1, with many crops in
northwestern RS without being picked up. Loss of productivity attributed mainly to water
stress in 2010/11 crop for 2011/12 was around 54%.
Key words: Glycine max, productivity, MR 102.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
26
Figura 1. a) Localização da MR 102 na região sul do Br. b) Área plantada do RS relativo à
MR 102. c) Rendimento de grãos nas safras 2010/11 e 2011/12 na MR 102 do RS. d)
Precipitações ocorridas de outubro a março das safras 2010/11 e 2011/12. e) Percentual de
uso de cultivares por Grupo de Maturidade por cooperativa. f) Demanda de pesquisa
levantada pelas cooperativas.
a)
b)
Área Plantada (há)
3.000.000
2.802.910
2.772.939
2.500.000
safra 2010/11
safra 2011/12
2.000.000
1.500.000
MR 102
964.390
1.000.000
67% RS = 2.773 mil ha
70% SC = 230 mil ha
15% PR = 630 mil ha
952.914
836.755
642.740
824.455
647.818
500.000
359.025
347.752
-
3,633 milhões ha
Santa Rosa
Ijuí
Passo
Fundo
Erechim
Soma
Dados da EMATER
c)
d)
Rendimento (kg ha-1)
Precipitação ocorrida em Cruz Alta
4.500
350
safra 2010/11
safra 2011/12
4.000
300
3.500
3.000
250
3.004
mm
2.500
2.000
safra 2010/11
safra 2011/12
Necessidade
200
150
1.500
100
1.000
1.385
50
500
-
Santa Rosa
Ijuí
Passo
Fundo
Erechim
0
Média
Out
Nov
Dez
Jan
Fev
Mar
Dados da EMATER
e)
f)
Cultivares em uso por GM (em %)
Sugestões de Pesquisa:
100
90
1.Uso de Gesso Agrícola;
80
2.Controle de Trips e Ácaro;
70
Coopatrigo
Coopermil
Cotripal
Coagril
Cotrijal
60
50
40
30
20
3.Controle de Lagartas;
4.Controle e Manejo de doenças radiculares;
5.Cultivares Resistentes a Seca;
6.Arranjo de plantas;
10
7.Uso de fitoreguladores;
0
GM < 6
GM > 6
safra 2010/11
Dados DETEC Cooperativas
GM < 6
GM > 6
safra 2011/12
Dados DETEC Cooperativas
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
27
V - ATAS DAS COMISSÕES TÉCNICAS
1. COMISSÃO DE GENÉTICA, MELHORAMENTO E TECNOLOGIA DE
SEMENTES
A Comissão de Genética, Melhoramento e Tecnologia de Sementes, tendo como
coordenador o Eng. Agr. Paulo Fernando Bertagnolli (Embrapa Trigo) e relator, Gilmar
José Berlanda (Embrapa Trigo), reuniu-se no dia 25 de julho de 2012, nas dependências
da Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS, contando com a presença dos seguintes
participantes:
1.1
PARTICIPANTES
1.1.1 Representantes credenciados titulares
Ana Claudia Barneche de Oliveira – Embrapa Clima Temperado
Antonio Moacir Muccini – EMATER RS
Cleiton Steckling – CCGL TECNOLOGIA
Dorival Vicente – COODETEC – Coop. Central de Pesquisa Agrícola
José Ubirajara Vieira Moreira – Embrapa Soja
Liege Camargo da Costa - Fepagro
Paulo Fernando Bertagnolli – Embrapa Trigo
1.1.2 Representantes credenciados suplentes
Francisco de Jesus Vernetti Junior – Embrapa Clima Temperado
Glenio B. Kissmam – EMATER/RS
Mercedes Concórdia Carrão-Panizzi – Embrapa Trigo
Teresinha Roversi – CCGL TECNOLOGIA
1.1.3 Demais participante
Adelio Farinella da Silva – Embrapa Trigo
Alex Leal de Oliveira – UFPel
Alberto Bohn - UFPel
Aparecido da Silva Junior – Embrapa Trigo
Cassia Carine Cord – IFRS Campus Ibirubá
Carlos Abreu – Syngenta
Claudia Lange - IRGA
Daniel Schardong Gobbi – SOYTECH SEEDS
Danielli Olsen - UFPel
Darci A. Kruger - COTRIJUI
Erineo Vedana – Embrapa Produtos e Mercado
Edson Chambó Ruiz Junior – Brasmax Genética
Emidio Rizzo Bonato - autônomo
Gilmar José Berlanda – Embrapa Trigo
Gláucio Giovani Segala – IDEAU Getúlio Vargas
Gabriel Pavanatto Sanmartim – Granol Fud. Com. Exp. SA.
Guilherme Colussi – DonMario Sementes
Joice Aline Freiberg – IFRS Campus Ibirubá
João Inar Mello – Agropecuária São João
Joel Brollo – DonMario Sementes
Junior Edson Colla – Embrapa Trigo
Leo José Goi - COTRIJUÍ
Luiz Fernando Alliprandini – Monsoy Ltda.
Luiz Eichelberger – Embrapa Trigo
Ricardo Guilherme Matzenbacher – FT Sementes RS
Rodrigo Sassi – Monsoy Ltda
Sergio Rubin – Agropecuária Plátanos
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
28
Mário Luis de Oliveira – Monsoy Ltda.
Marciabela Corrêa - UFPel
Marcus A. Costa- Syngenta
Marco Aurélio Azzolin - autônomo
Nizio Fernando Giasson – DONMARIO Sementes
Osmair Mendonça – TMG
Renato Lopes Crizel – TMG
Romeu Afonso de Souza Kiihl- TMG
Romeu Cesar Deon – EMATER/RS
Thiago Reimers – DonMario Sementes
Vanderli Reinehr – Embrapa Trigo
Victor Gregório Rodrigues Nadal – UEPG
Victor Sommer – Fundação Pró-Sementes
Vilson Benz – Colégio Politécnico da UFSM
1.2 TRABALHOS APRESENTADOS
Melhoramento de soja na Embrapa Trigo. Paulo F. Bertagnolli - Embrapa Trigo.
Ensaio de competição de cultivares tolerantes ao glifosato da Rede Soja Sul de pesquisa,
na safra agrícola 2011/12. Paulo F. Bertagnolli - Embrapa Trigo.
Programa de melhoramento de soja da CCGL TEC. Cleiton Steckling - CCGL TEC.
Cultivar de soja – TEC 5721IPRO. Cleiton Steckling - CCGL TEC.
Cultivar de soja – TEC 5833IPRO. Cleiton Steckling - CCGL TEC.
Cultivar de soja – TEC 5936IPRO. Cleiton Steckling - CCGL TEC.
Cultivar de soja – TEC 7849IPRO. Cleiton Steckling - CCGL TEC.
Cultivar de soja – FUNDACEP 66RR. Cleiton Steckling - CCGL TEC.
Programa de melhoramento de soja do Grupo DonMario. Nizio F. Giasson – DonMario
Sementes.
Cultivar de soja - BMX Veloz RR (5053 SRF ). Nizio F. Giasson – DonMario Sementes.
Cultivar de soja - BMX Alvo RR (DM 5.9i ). Nizio F. Giasson – DonMario Sementes.
Cultivar de soja - BMX Tornado RR (6863 SRF ). Nizio F. Giasson – DonMario
Sementes.
Programa de melhoramento de soja da COODETEC. Dorival Vicente – Coodetec.
Cultivares de soja – CD 2585 RR, CD 2630 RR e CD 2737 RR. Dorival Vicente –
Coodetec.
Programa de melhoramento de soja da Fepagro. Sergio A. L. Rubin e Liege C. da
Costa – Fepagro.
Programa de melhoramento de soja da FT Sementes. Ricardo G. Matzenbacher – FT
Sementes.
Cultivar de soja - FTS Ibyara RR. Ricardo G. Matzenbacher – FT Sementes.
Cultivar de soja – BRS 360 RR. José Ubirajara Vieira Moreira – Embrapa Soja.
Fungicidas para controle de doenças na cultura da soja e qualidade fisiológica das
sementes produzidas. Cassia Carine Cord - IFRS – Campus de Ibirubá.
Efeitos da profundidade de semeadura de dois tamanhos de sementes na emergência da
cultura da soja. Joice Aline Freiberg - IFRS – Campus de Ibirubá.
Avaliação de linhagens de soja em ensaio final de primeiro ano em áreas de arroz, safra
2011/2012. Ana Cláudia B. Oliveira - Embrapa Clima Temperado.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
29
Avaliação de Genótipos de Soja Submetidos ao Encharcamento de Solo, safra
2011/2012. Ana Cláudia B. Oliveira - Embrapa Clima Temperado.
Avaliação de cultivares de soja RR GM 5, da Rede Soja Sul de Pesquisa, irrigadas por
aspersão em Bagé. Francisco de Jesus Vernetti Junior - Embrapa Clima Temperado.
Avaliação de cultivares de soja RR GM 5, da Rede Soja Sul de Pesquisa, irrigadas por
aspersão em Capao do Leão. Francisco de Jesus Vernetti Junior - Embrapa Clima
Temperado. Francisco de Jesus Vernetti Junior - Embrapa Clima Temperado.
Avaliação de cultivares de soja RR GM 6 e 7 da Rede Soja Sul de Pesquisa em
Jaguarão. Francisco de Jesus Vernetti Junior - Embrapa Clima Temperado.
Avaliação de cultivares de soja RR GM 6 e 7 da Rede Soja Sul de Pesquisa em Bagé.
Francisco de Jesus Vernetti Junior - Embrapa Clima Temperado.
Avaliação de cultivares de soja RR GM 6 da Rede Soja Sul de Pesquisa, irrigadas por
aspersão em Bagé. Francisco de Jesus Vernetti Junior - Embrapa Clima Temperado.
Sementes de soja recobertas com calcário dolomítico e caulim. Alex Leal de Oliveira Universidade Federal de Pelotas – UFPel.
Características morfológicas de cultivares de soja submetidas a alagamentos em estádio
de crescimento vegetativo. Marciabela F. Corrêa - Universidade Federal de Pelotas –
UFPEL.
Efeitos fisiológicos de inseticidas, fungicidas e nematicidas sobre parâmetros
morfológicos da soja. Alberto Bohn - Universidade Federal de Pelotas – UFPEL.
Avaliação da reação de cultivares comerciais de soja ao excesso hídrico, safra
2011/2012. Cláudia E. Lange – IRGA.
1.2.1 TRABALHO DESTAQUE
Como trabalho destaque desta comissão, foi escolhido: - Avaliação da reação de
cultivares comerciais de soja ao excesso hídrico, safra 2011/2012. Cláudia E. Lange –
IRGA.
1.3 INDICAÇÃO DE CULTIVARES NOVAS (LANÇAMENTOS) E ABRANGÊNCIA
GEOGRÁFICA
1.3.1 Cultivares novas
Embrapa Soja
BRS 360 RR – Macrorregião sojícola 1 (regiões edafoclimáticas 102 e 103).
Sementes DonMario
BMX Tornado RR (6863 SRF) – Macrorregião sojícola 1.
BMX Veloz RR (5053 SRF) – Macrorregião sojícola 1 (para o leste das regiões
edafoclimáticas 102 e 103).
BMX Alvo RR (DM 5.9i) – Macrorregião sojícola 1 (para o leste das regiões
edafoclimáticas 102 e 103).
Sementes Agropastoril
AMS Tibagi RR – Macrorregião sojícola 1 (para o leste das regiões edafoclimáticas 102 e 103).
COODETEC
CD 2585 RR – Macrorregião sojícola 1.
CD 2630 RR – Macrorregião sojícola 1.
CD 2737 RR – Macrorregião sojícola 1.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
30
FT Sementes RS
FTS Ibyara RR – Macrorregião sojícola 1.
CCGL TEC
TEC 5721IPRO – Macrorregião sojícola 1.
TEC 5833IPRO – Macrorregião sojícola 1.
TEC 5936IPRO – Macrorregião sojícola 1.
TEC 7849IPRO – Macrorregião sojícola 1.
FUNDACEP 66RR – Macrorregião sojícola 1.
1.4 ATUALIZAÇÃO DAS INDICAÇÕES TÉCNICAS
Incluir no Boletim de Indicações as seguintes cultivares:
BRS 360RR
BMX Tornado RR (6863 SRF)
BMX Veloz RR (5053 SRF)
BMX Alvo RR (DM 5.9i)
AMS Tibagi RR
CD 2585RR
CD 2630RR
CD 2737RR
TEC 5721IPRO
TEC 5833IPRO
TEC 5936IPRO
TEC 7849IPRO
FUNDACEP 66RR
FTS Ibyara RR
1.5 NECESSIDADES E PRIORIDADES DE PESQUISA
Não houve.
1.6 PROPOSIÇÕES APRESENTADAS
Não houve.
1.7 ASSUNTOS GERAIS
Não houve.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
31
Resumos
Melhoramento de Soja na Embrapa Trigo
P.F. Bertagnolli1, M.L. Strieder1, M.C.CarrãoPanizzi1, L.M. Costamilan1
1
Embrapa Trigo, BR 285, km 294, Caixa Postal 451, 99001-970 Passo Fundo, RS. E-mail:
[email protected]; [email protected]; [email protected];
[email protected]
Resumo: A Embrapa Trigo, em parceria com a Embrapa Soja, realiza pesquisas com
soja convencional e transgênica, buscando disponibilizar ao agricultor tecnologias
inovadoras, com a indicação de novas cultivares de soja para a Macrorregião Sojícola
1. A Embrapa Trigo trabalha com linhagens convencionais e com genes de tolerância
ao glifosato, a herbicidas do grupo das imidazolinonas e resistência a lagartas. A
metodologia utilizada inicia com o planejamento e execução dos cruzamentos e a
condução da geração F1 em casa de vegetação, em Londrina, PR. A geração F2 é
conduzida em condições de campo durante o verão em Londrina, PR, e a geração F3,
também a campo, é conduzida no inverno, no Brasil Central. Plantas individuais, que
originarão as progênies, são selecionadas na geração F4, na área experimental da
Embrapa Trigo em Passo Fundo, RS. Na formação de linhagens, procura-se aquelas
com resistência a doenças, em especial à podridão radicular de fitóftora
(Phytophthora sojae), cancro da haste (Diaporthe phaseolorum var. meridionalis),
podridão parda da haste (Cadophora gregata), mancha olho-de-rã (Cercospora
sojina) e pústula bacteriana (Xanthomonas axonopodis pv. glycines). Para a
condução dos ensaios de rendimento de grãos, com vistas ao lançamento comercial,
utiliza-se a estrutura da Embrapa Trigo e de parceria com instituições como a CCGL
TEC, a Fepagro e a Embrapa Clima Temperado.
Palavras chave: melhoramento, linhagem, população, progênie, seleção.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
32
Ensaio de Competição de Cultivares Tolerantes ao Glifosato da Rede Soja Sul
de Pesquisa, na Safra Agrícola 2011/12
P.F. Bertagnolli1, M.L. Strieder1, L.M. Costamilan1, R.L. de Castro1 , F.J.Vernetti Junior2, C.
Steckling3, T. Roversi3, S.A.L. Rubin4, L. Costa4, M.A.R. Oliveira5, D. Vicente5, A.J. Kurek6,
I. Hartwig6, N.F. Giasson7, G. Matei7, N.P. Bagatini8
1
2
Embrapa Trigo, Caixa Postal 451, 99001-970 Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected]; Embrapa
3
Clima Temperado, Caixa Postal 403, 96001-970 Pelotas, RS; CCGL TEC, Caixa Postal 10, 98100-970 Cruz
4
5
Alta, RS; Fepagro, Caixa Postal, 03, 98130-000 Júlio de Castilhos, RS; Coodetec, Caixa Postal 301, 858136
7
450 Cascavel, PR; Syngenta Seeds Ltda, Rua Paraná, 1241, Centro, 85812-010, Cascavel, PR; DonMario
8
Brasmax, Rua Álvares Cabral, 340, 99050-070 Passo Fundo, RS; Nidera, Rua Arlindo Porto, 439, 38700-222
Patos de Minas, MG
Resumo: A Rede Soja Sul de Pesquisa, composta por Don Mario Brasmax, Coodetec,
CCGL TEC, Embrapa Trigo, Embrapa Clima Temperado, Fepagro, FT Sementes, Nidera
Sementes, Syngenta Seeds e TMG, desenvolve avaliações comparativas de cultivares
geradas por estas instituições, indicadas para a Macrorregião Sojícola 1. Na safra
2011/12 foram avaliadas 55 cultivares em três ensaios, sendo 15 genótipos no ensaio de
grupo de maturidade relativo (GMR) 5, 26 no GMR 6 e 14 no GMR 7. Os ensaios foram
conduzidos nas quatro regiões edafoclimáticas (REC) da Macrorregião Sojícola 1. Na
REC 104, em áreas altas a leste do Estado do Rio Grande do Sul, foram implantados os
ensaios dos GMR 5 e 6. No centro-norte do RS, localiza-se a REC 103, onde foram
semeados todos os ensaios. A oeste e no sul do estado, nas regiões com terras baixas,
foram implantados os ensaios dos GMR 6 e 7. Os ensaios foram organizados em blocos
ao acaso, com três repetições, em parcelas de área total de 10,0 m2 e útil de 4,0 m2, com
quatro fileiras espaçadas em 0,5 m. Os ensaios da REC 101 e 102 foram
desconsiderados devido à ocorrência de forte estiagem. O ensaio do GMR 5 foi instalado
em quatro locais na REC 103 e em três locais na REC 104. Na REC 103, com
rendimento 10% acima da média, destacaram-se BMX Ativa RR, BMX Turbo RR, SYN
1059 RR, SYN 1157 RR e SYN 1158 RR. Na REC 104, com rendimento 5% acima da
média, destacaram-se BMX Ativa RR, BMX Turbo RR, BMX Apolo RR, SYN 1059 RR e
SYN 1152 RR. O ensaio do GMR 6 foi instalado em cinco locais na REC 103 e em três
locais na REC 104. Na REC 103, com rendimento 5% acima da média, destacaram-se A
6411 RR, BMX Magna RR, Fundacep 65 RR, NA 5909 RR e SYN 1163 RR. Na REC 104,
com rendimento 10% acima da média, destacaram-se A 6411 RR, FTS Ipê RR e NA 5909
RR. O ensaio do GMR 7 foi instalado em quatro locais na REC 103. Com rendimento
10% acima da média, destacou-se BRS 246 RR.
Palavras chave: adaptação, produtividade, experimentação, grupos de maturidade.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
33
BRS 360RR: Nova Cultivar de Soja
G.E. de S. Carneiro1; A.E. Pípolo1; W.P. Dias1; R.M. Soares1; A.M.R. Almeida1; F.B.
Gomide2; C.A.A. Arias1; M. Kaster1; M.F. Oliveira1; J.U.V. Moreira1; R.V. Abdelnoor1; R.L.
Brogin1; M.C. Carrão-Panizzi5; L.C. Miranda3; M.R. Petek3; D. Lima1; C.L. de Melo4; V.
Fronza1; O.L. Melo Filho1; M.J.Z. Pereira1; R.K. Zito1; P.F. Bertagnolli5, C.T. Moreira6;
S.P.da Silva Neto6, P.M.da Silva1; M.R.O. Teixeira4; E. Maranho4; L.M. Costamilan5
1
2
Embrapa Soja, Caixa Postal 231, CEP 86001-970, Londrina, PR, [email protected]; Fundação
3
4
Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária; Embrapa Produtos e Mercado; Embrapa Agropecuária5
6
Oeste; Embrapa Trigo; Embrapa Cerrados
Resumo: A cultivar BRS 360RR foi desenvolvida pela Embrapa Soja em parceria
com a Fundação Meridional de Apoio à Pesquisa Agropecuária e testada em Avaliação
Final nas safras 2009/10 a 2010/11. Os ensaios foram instalados em blocos casualizados,
com quatro repetições. Cada parcela foi constituída de quatro fileiras de 5,0 m de
comprimento, espaçadas de 0,5 m, com área útil de 4,00 m2. A densidade de semeadura
foi de 15 sementes aptas/metro linear.
Esta cultivar é do tipo de crescimento indeterminado, pertence ao grupo de
maturidade 6.2 – precoce (ciclo de 104 a 129 dias) e possui pubescência cinza, flor
branca e vagem cinza clara. Apresenta altura entre 102 e 122 cm e moderada resistência
ao acamamento (entre 1,2 e 3,0). O tegumento da semente é de cor amarela, com brilho
de intensidade baixa, o hilo é marrom claro, reação à peroxidase é positiva e o peso de
100 sementes é de 14,3 a 17,8 g (Tabela 1). Ela apresenta resistência a cancro da haste,
podridão parda da haste, podridão radicular de fitóftora e mosaico comum da soja; possui
moderada resistência a mancha “olho-de-rã”, oídio e nematoide de galhas Meloidogyne
incognita; apresenta ainda tolerância ao vírus da necrose da haste. Também, é tolerante
ao herbicida glifosato.
Os resultados obtidos com a BRS 360RR (Tabela 2) revelam sua ampla adaptação
geográfica, sendo indicada para cultivo nas Regiões Edafoclimáticas REC 102 (meiooeste de Santa Catarina e sudoeste do Paraná), REC 103 (centro-sul do Paraná e sul de
São Paulo), REC 201 (oeste e norte do Paraná e médio Paranapanema em São Paulo),
REC 202 (noroeste do Paraná, sudoeste de São Paulo e sul de Mato Grosso do Sul) e
REC 204 (centro-sul e sudoeste de Mato Grosso do Sul).
As regiões preferenciais para a produção de sementes desta cultivar são as RECs
102 e 103, de maior altitude, enquanto que, para a produção comercial de grãos, a
adaptabilidade maior é nas RECs 201, 202 e 204, cuja altitude é menor que 600 m.
Por apresentar bom porte em semeadura de início de outubro e em virtude da sua
precocidade, esta cultivar apropria-se à sucessão do milho de segunda safra (safrinha),
mantendo altos rendimentos em semeaduras até meados de novembro. A população
indicada, em semeadura de 0,45 m entre sulcos, é de 12 a 14 sementes aptas por metro
linear (270 a 310 mil plantas/ha) nas RECs 201 e 204 e de 14 a 16 sementes/m (310 a
350 mil plantas/ha) na REC 202 (arenito).
Palavras chave: Melhoramento genético, variedade, tolerância, glifosato, milho safrinha.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
34
Tabela 1. Ciclo, altura de planta, grau de acamamento e peso de 100 sementes da cv.
BRS 360RR nas safras 2009/10 e 2010/11, nas Macrorregiões Sojícolas 1 e 2 (MRS) e
respectivas Regiões Edafoclimáticas (REC), compreendendo os estados de Santa
Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Embrapa Soja - Londrina, PR. 2012.
MRS/REC 1 – ESTADO
(Nº Ambientes) 2
Ciclo
(dias)
Altura de
planta (cm)
Acamamento
(1-5)
Peso de 100
sementes (g)
REC 102 – SC (2)
129
120
2,8
17,8
122
110
3,0
15,0
120
102
1,2
16,2
119
122
1,5
17,5
Média MRS 1 (10)
122
114
2,1
16,6
REC 201 – PR (9)
117
113
1,9
15,3
REC 202 – PR (4)
110
109
2,0
15,7
– MS (2)
110
109
1,5
15,5
REC 204 – MS (6)
104
102
2,0
14,3
Média MRS 2 (21)
111
108
1,8
15,2
– PR (2)
REC 103 – PR (4)
– SP (2)
1
MRS/REC - Macrorregião Sojícola e Região Edafoclimática, cf. KASTER, M. & FARIAS, J.R.B.
Regionalização dos testes de Valor de Cultivo e Uso e da indicação de cultivares de soja - 3ª
Aproximação. Documentos, 330. Embrapa Soja - Londrina, PR. 2012. 72p.
2
Nº de ambientes de teste (locais x anos) em cada estado, por REC.
Tabela 2. Rendimento de grãos (kg/ha) da cv. BRS 360RR e das testemunhas Don Mário
7.0i e NK 7059RR nas safras 2009/10 e 2010/11, nas Macrorregiões Sojícolas 1 e 2
(MRS) e respectivas Regiões Edafoclimáticas (REC), compreendendo os estados de
Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul. Embrapa Soja - Londrina, PR.
2012.
Testemunhas
MRS/REC – ESTADO
(Nº Ambientes)
BRS 360RR
REC 102 – SC (2)
4.896
Don Mario
7.0i
4.970
3.217
3.734
3.470
3.464
3.553
3.303
3.970
3.890
3.948
Média MRS 1 (10)
3.803
3.966
3.741
REC 201 – PR (9)
3.966
3.939
4.144
REC 202 – PR (4)
4.073
3.736
3.737
– MS (2)
3.936
4.006
3.947
REC 204 – MS (6)
3.879
3.668
3.867
Média MRS 2 (21)
3.959
3.829
3.969
– PR (2)
REC 103 – PR (4)
– SP (2)
NK 7059RR
Média
4.682
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
3.854
3.898
35
Fungicida para o Controle de Doenças na Cultura da Soja e Qualidade Fisiológica
das Sementes Produzidas
C.C.Cord, D.Eickstedt¹, M.M.Santos¹, R.Güntzel¹ M.P. Ludwig1, E. Girotto1, R.A. Fiorin2
1
Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia Rio Grande do Sul Campus Ibirubá Rua Nelsi Ribas
Fritsch, 1111 | Bairro Esperança | CEP: 98200-000 | Ibirubá/RS RS. E-mail:,
[email protected] , [email protected], [email protected] ,
2
[email protected]; Universidade Federal de Santa Maria, CCR, [email protected]
Resumo: A aplicação de fungicidas é uma técnica conhecida para o controle de
doenças, no entanto poucos trabalhos relacionam a aplicação dos fungicidas com a
qualidade de sementes produzidas. Assim o objetivo do presente trabalho foi de avaliar a
produção e a qualidade fisiológica das sementes da cultura da soja produzida com
aplicação de diferentes fungicidas. O experimento foi conduzido a campo no município de
Tapera na safra 2011/12, e os testes laboratoriais foram realizados no Laboratório
Didático e de Pesquisa em Sementes e Grãos do Instituto Federal de Educação Ciência e
Tecnologia Câmpus de Ibirubá. Os testes realizados para avaliação da qualidade
fisiológica foram germinação e vigor (primeira contagem e envelhecimento acelerado). A
produtividade foi afetada positivamente com o uso dos fungicidas já a qualidade
fisiológica das sementes não, com o uso de fungicidas durante o ciclo produtivo da
cultura da soja.
Palavras-chave: Glycine max, doença, relato.
INTRODUÇÃO
O nível de impacto sobre a produtividade agrícola e o lucro obtido pelo uso de
novas cultivares, está estreitamente relacionadas com a qualidade da semente colocada
à disposição do agricultor (Vieira e Rava, 2000). Está qualidade das sementes tem sido
atribuída a sua pureza física, elevado potencial genético, alta germinação e vigor,
ausência de danos mecânicos, boa sanidade e uniformidade de tamanho. A aplicação de
fungicidas é uma técnica conhecida para o controle de doenças nas culturas e muito
eficiente (Almeida et al., 2009). Sabe-se que o uso de fungicida resulta em melhoria da
qualidade das sementes em comparação com áreas não tratadas. Isso porque, muitos
patógenos são transmitidos pelas sementes e desempenham um importante papel na
epidemiologia das doenças (Tanaka et al., 2008). Além disso, doenças fúngicas na cultura
da soja são responsáveis pela redução da produtividade, além de aumentar o custo de
produção da cultura, em virtude da necessidade de aplicação de fungicidas para o seu
controle.
As doenças de final de ciclo (DFC) podem provocar perdas superiores a 20% na
produção de grãos. Entre as principais medidas de controle das doenças está o uso de
sementes sadias, o tratamento de sementes, a incorporação dos restos culturais, a
aplicação de fungicidas entre o florescimento e o enchimento de grãos e a rotação com
espécies não suscetíveis (Embrapa, 1999a).
O trabalho teve por objetivo avaliar a produção e a qualidade fisiológica das
sementes da cultura da soja produzidas com a aplicação de diferentes fungicidas para o
controle de doenças foliares durante seu ciclo produtivo.
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho de campo foi conduzido no município de Tapera na safra 2011/12, com a
cultivar BMX Potencia, sob sistema de semeadura direta com espaçamento entre linhas
de 0,45m. O delineamento experimental foi o de blocos ao acaso com quatro repetições e
parcelas constituídas por 6 linhas com 6m de comprimento. Os tratamentos aplicados
foram:
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
36
1 – Testemunha (sem aplicação de fungicidas)
2 - Azoxistrobin + Cyproconazole + Hidrocarboneto
3 - Azoxistrobin+ Cyproconazole+ Hidrocarboneto+ Tebuconazole
4 - Azoxystrobin+ Tebuconazole+ Hidrocarboneto
5 - Pyraclos. & Epoxicon
6 - Picoxyst & Cyproc+ Hidrocarboneto
7 - Picoxystrobin+ Tebuconazole+ Hidrocarboneto
8 - Trifloxy & Protioconazole+ OMS
Após a colheita as amostras forma levadas para o Laboratório Didático e de
Pesquisa em Sementes e Grãos do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio
Grande do Sul, Câmpus Ibirubá. Para avaliação da qualidade fisiológica das sementes.
Os testes realizados foram germinação, primeira contagem da germinação e
envelhecimento acelerado.
Teste de germinação: realizado segundo as Regras para Análise de Sementes RAS (Brasil, 2009), por meio da semeadura de 200 sementes por tratamento, divididas
em quatro repetições de 50 sementes, em rolo de papel toalha germitest umedecido com
água. Os rolos ficaram no germinador à temperatura de 25ºC por oito dias, quando foi
realizado a avaliação. Os resultados serão expressos em porcentagem de plântulas
normais.
Testes de vigor: Primeira contagem: realizada conjuntamente ao teste de
germinação, foram a contagem das plântulas normais executada aos cinco dias após
inicio do teste. Os resultados foram expressos em porcentagem de plântulas.
Envelhecimento acelerado: foram analisadas 200 sementes, divididas em quatro
repetições de 50 sementes, utilizando o método de gerbox adaptado. As sementes foram
espalhadas em camada única sobre uma tela suspensa dentro de caixas de gerbox,
contendo 40 ml de água. Posteriormente essas caixas permaneceram em câmara BOD, a
41ºC por 48h. Após este período, as sementes foram colocadas para germinar conforme
metodologia descrita para o teste de germinação (Brasil, 2009), porém com avaliação aos
cinco dias após a semeadura. Nas avaliações foram computadas apenas as plântulas
normais.
Os dados foram submetidos à análise da variância e teste de hipóteses para
verificar a significância com auxílio de programas estatísticos. A média foi determinada
pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
RESULTADOS E DISCUSÃO
Não se observou diferenças entre os tratamentos com aplicação de fungicidas
(Tabela 1). Esses resultados podem ser atribuídos em grande parte ao déficit hídrico que
a cultura sofreu durante seu ciclo vegetativo, o que reduziu drasticamente a produção de
todos os tratamentos. O déficit hídrico também pode ter afetado a incidência de doenças
fúngicas na cultura. Contudo, o tratamento testemunha apresentou a menor
produtividade. Além disso, apresentou maior número de sementes danificadas e com
ataque de doenças. Este menor valor da produtividade no tratamento testemunha pode
estar relacionada ao maior descarte de sementes danificados, como se observa na tabela
1.
Com relação a fisiologia das sementes (Tabela 2) o melhor desempenho foi o
tratamento Azoxistrobin + Cyproconazole + Hidrocarboneto + Tebuconazole, da primeira
contagem com maior porcentagem com 96%. Na germinação o mesmo tratamento
obteve 98,7% e no envelhecimento acelerado 94,6%, porém não diferiu do tratamento
testemunha. Por outro lado, o tratamento Azoxystrobin + Tebuconazole + Hidrocarboneto
foi que apresentou os menores valores na primeira contagem da germinação e de
envelhecimento. Contudo, este tratamento não diferiu do tratamento testemunha.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
37
Tabela 1. Produtividade de sementes de soja (kg/ha) e descarte (%) de oito tratamentos
com fungicidas aplicados na cultura da soja na safra 2011/12 em Tapera, RS.
Tratamentos
Produtividade, Descarte,
kg/ha
%
Testemunha
1799 b
7,4
Azoxistrobin + Cyproconazole + Hidrocarboneto
2032 ab
4,9
Azoxistrobin+ Cyproconazole+ Hidrocarboneto+
2057 ab
Tebuconazole
2,9
Azoxystrobin+ Tebuconazole+ Hidrocarboneto
2035 ab
4,9
Pyraclos. & Epoxicon
2079 ab
5,9
Picoxyst & Cyproc+ Hidrocarboneto
2120 ab
4,0
Picoxystrobin+ Tebuconazole+ Hidrocarboneto
2290 a
3,5
Trifloxy & Protioconazole+ OMS
2365 a
3,6
Média
2097
C.V.
7,16
* Médias seguidas pela mesma letra não diferiram pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
Tabela 2. Primeira contagem % (PC), germinação %(G) envelhecimento acelerado %
(EA) de oito tratamentos com fungicidas aplicados na cultura da soja na safra 2011/12 em
Tapera, RS.
Tratamentos
PC
G
EA
Testemunha
91,2 ab
97,2 ab 95,0 ab
Azoxistrobin + Cyproconazole + Hidrocarboneto
90,0 b
94,5 b
90,0 b
Azoxistrobin+ Cyproconazole+ Hidrocarboneto+
96,5 a
98,7 a
94,6 a
Tebuconazole
Azoxystrobin+ Tebuconazole+ Hidrocarboneto
94,6 ab
97,9 a
97,7 a
Pyraclos. & Epoxicon
93,7 ab
96,6 ab
89,4 b
Picoxyst & Cyproc+ Hidrocarboneto
93,7 ab
97,6 ab
90,6 b
Picoxystrobin+ Tebuconazole+ Hidrocarboneto
90,0 b
95,9 ab 93,6 ab
Trifloxy & Protioconazole+ OMS
92,9 ab
96,9 ab
89,9 b
Média
92,8
96,9
92,6
C.V.
2,84
1,4
3,44
* Médias seguidas pela mesma letra não diferiram pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
CONCLUSÕES
A produtividade foi afetada positivamente com o uso dos fungicidas já a qualidade
fisiológica das sementes não, com o uso de fungicidas durante o ciclo produtivo da
cultura da soja.
REFERENCIAS
KRZYZANOWSKI, F.C.; FRANÇA-NETO, J.B.; COSTA, N.P. Efeito da classificação de
sementes de soja por tamanho sobre sua qualidade e a precisão de semeadura. Revista
Brasileira de Sementes, v.13, n.1, p.59-68, 1991.
VIEIRA, E.H.N.; RAVA, C.A. Sementes de feijão: produção e tecnologia. 1. ed. Santo
Antônio de Goiás: Embrapa Arroz e Feijão, 2000. p.29-34.
LIMA, R.M. Efeito do tamanho das sementes sobre alguns atributos fisiológicos e
agronômicos. Anuário Abrasem, Associação Brasileira dos Produtores de Sementes,
p.39-43, 1996.
ALMEIDA, A. DA S.; TILLMANN, M. Â. A.; VILLELA, F. A.; PINHO, M. DA S. Bioativador
no desempenho fisiológico de sementes de cenoura. Revista Brasileira de Sementes,
vol. 31, nº 3, p.087-095, 2009.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
38
TANAKA, M.A.S; FREITAS, J.G.; MEDINA, P.F. Incidência de doenças fúngicas e
sanidade de sementes de trigo sob diferentes doses de nitrogênio e aplicação de
fungicida. Summa Phytopathologica, v.34, n.4, p.313-317, 2008.
EMBRAPA. Recomendações técnicas para a cultura da soja no Paraná 1999/2000.
Londrina: Embrapa Soja, 1999. (Embrapa Soja. Documentos, 131).
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Regras para análise de
sementes.
Summary: The application of fungicides is a known technique for the control of diseases,
yet few studies relate the application of fungicides with the quality of seeds produced.
Thus the objective of this study was to evaluate the production and physiological quality of
soybean seed produced with application of fungicides. The field experiment was
conducted in the municipality of Tapera in 2011/12 harvest, and the laboratory tests were
performed in Didactic Laboratory and Research Seeds and Grains Federal Institute of
Science and Technology Education Campus of Ibirubá. Tests conducted to evaluate the
physiological quality were germination and vigor (first count, accelerated aging). The
productivity was positively affected by the use of fungicides as a seed physiological quality
not with the use of fungicides during the production cycle of the soybean crop.
Key words: Glycine max, disease reporting.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
39
Características Morfofisiológicas de Cultivares de Soja Submetidas a Alagamento
em Estádio de Crescimento Vegetativo
M. F. Corrêa2, M. P. Ludwig1, L. O. B. Schuch2, F. de J. Vernetti Junior3, T. L. Nunes2, R. L.
Crizel4
1
Professor do Instituto Federal do Rio Grande do Sul, 98200-000, Ibirubá, [email protected].
Programa de Pós Graduação em Ciência e Tecnologia de Sementes da Universidade Federal de Pelotas 3
UFPel e-mail: [email protected], [email protected], [email protected]. Pesquisador da
4
Embrapa Clima Temperado, 96001-970, Pelotas, [email protected]. Eng. Agr. da
Empresa Tropical Melhoramento Genético – TMG, e-mail: [email protected]
2
Resumo: A cultura da soja (Glycine max L. Merril) cada vez mais vem sendo cultivada
em regiões de solos de várzea, estando sujeita a eventuais condições de alagamento
do solo. O objetivo do presente trabalho foi de avaliar o efeito do alagamento do solo
sobre diferentes genótipos, no estádio vegetativo sobre os parâmetros altura, diâmetro
de caule e índice do teor de clorofila. O experimento foi conduzido na Estação
Experimental de Terras Baixas, da Embrapa Clima Temperado. Realizou-se a análise
da variância e teste de hipóteses para verificar a significância dos efeitos principais e
das interações. Para a comparação de médias foi utilizado o teste de Tukey a 5% de
probabilidade de erro. O alagamento provoca redução na altura de plantas e aumento
no diâmetro da haste principal. O índice do teor de clorofila nas folhas diminui com o
alagamento do solo.
Palavras-chave: Glycine max, solo de várzea, adaptações morfológicas
INTRODUÇÃO
A cultura da soja uma das principais “commodities” do agronegócio brasileiro
cresce a cada safra em área e produtividade. Em solos de várzea, a soja Glycine max (L.)
Merr. vem sendo utilizada como opção de cultivo em rotação com arroz e pastagem, por
facilitar o controle de plantas invasoras à cultura do arroz, por ser uma cultura de verão
com boa tolerância a períodos curtos de inundação e por proporcionar boas garantias de
comercialização (SCHÖFFEL et al., 2001).
A “Metade Sul” do Rio Grande do Sul é a única região com área ainda disponível
para expansão da soja no estado (THEISEN et al, 2009), e esta cultura vem sendo
inserida tanto nas coxilhas quanto nos solos de várzea, em geral são solos pouco
profundos, com drenagem deficiente e que alagam com facilidade, onde tradicionalmente
se cultiva arroz irrigado.
A extensão de danos do encharcamento do solo depende de vários fatores,
incluindo a duração do período de inundação, o estádio de desenvolvimento da planta, a
espécie e/ou cultivar e as condições ambientais, como temperatura e conteúdo de dióxido
de carbono, entre outras. O cultivo sobre estas condições requer estudo para avaliar
cultivares que possuem capacidades de tolerar estas condições e apresentar uma menor
redução de rendimento.
O objetivo deste trabalho foi estudar o comportamento de algumas características
morfofisiológicas de dez cultivares de soja de ciclo precoce submetidas ao alagamento no
estádio de crescimento vegetativo.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido na Estação Experimental de Terras Baixas, da
Embrapa Clima Temperado, localizada no Município de Capão do Leão, RS (31º52’00’’S,
52º21’24’’W), em um Planossolo Háplico Eutrófico Solódico com textura franco-arenosa,
de profundidade entre 20 e 40 cm, e horizonte B impermeável, durante a safra
2009/2010. Foram semeadas dez cultivares de ciclo de precoce (BMX Apolo, BRS
Macota, BRS 211, CD 213 RR, CD 221, Fundacep 53 RR, IAS 5, PCL04-12, PCL04-18 e
PCL06-04).
O delineamento experimental utilizado foi blocos casualizados com parcelas
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
40
subdivididas, com quatro repetições. Nas parcelas principais foram dispostos os manejos
de água e nas subparcelas as cultivares. Nas parcelas que receberam alagamento foram
construídas taipas ao redor das mesmas para possibilitar a manutenção de uma lâmina
de água de cinco centímetros de altura. As parcelas permaneceram sob alagamento por
oito dias no período vegetativo.
Logo após, a área foi drenada, e as parcelas permaneceram sob condição
naturais de cultivo até a maturação.
As subparcelas foram compostas de quatro linhas de cinco metros de
comprimento, espaçadas em 0,50 m; a área útil foi constituída das duas linhas centrais,
eliminando-se 0,50 m de cada extremidade, perfazendo o total de 4,0 metros quadrados.
A densidade de semeadura utilizada foi estipulada para obtenção de uma população de
plantas inicial de 300 mil plantas por hectare.
O controle de pragas, doenças e plantas invasoras foram realizadas com
produtos recomendados e nas doses e épocas usuais para a região.
Neste experimento foram avaliados altura de plantas, diâmetro da haste principal
e índice do teor de clorofila. A medida do diâmetro da haste principal (DHP) foi obtida com
paquímetro a uma altura de cinco centímetros do solo, 12 horas após a retirada da água,
em seis plantas da área útil a parcela; a altura de plantas (AP) foi realizada com réguas
de madeira aos 14 dias após a drenagem da área, na parte aérea de seis plantas da área
útil de cada parcela; o índice do teor de clorofila (ITC) foi medido com o aparelho “CCM200 Chlorophyll Meter” que utiliza a absorbância para estimar o teor de clorofila no tecido
foliar.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise da variância realizada nas cultivares de ciclo precoce, para a variável
altura de plantas (AP), na ocasião da drenagem mostrou que houve interação entre os
fatores analisados, determinando um comportamento diferenciado das cultivares dentro
de cada manejo de água (Tabela 1). Esta observação contaria as observações de
HENSHAW (2005) que não observou interação significativa entre genótipo de soja e
manejo de água para a variável altura de plantas. Embora a análise deste parâmetro
deva ser realizada dentro de cada manejo de água é notável a diferença absoluta entre
os valores obtidos para a média em cada um deles. O alagamento determinou uma
diminuição média na AP da soja de 46,1%, valores esses semelhantes aos observados
por VANTOAI et al. (2001) e CHO et al. (2006). No tratamento com alagamento a cultivar
BRS Macota apresentou o menor porte médio (16,9 cm) diferindo das cultivares CD 221,
CD 213 RR, Fundacep 53 RR e BRS 211 que, apresentaram as maiores alturas de
planta.
O diâmetro da haste principal (DHP) nas cultivares precoces apresentou diferença
entre cultivares e entre os estádios de alagamento (Tabela 1). Houve um aumento médio
de 12,5% no DHP das cultivares submetidas ao tratamento com alagamento, estando
esse comportamento provavelmente, relacionado com desenvolvimento de estruturas
adaptativas ou mecanismos morfológicos de tolerância, como formação de vias
alternativas para aumentar a aeração do sistema radicular (THOMAS et al., 2005).
Considerando-se a relação existente entre o aumento de DHP e a tolerância ao
alagamento do solo (PIRES et al., 2002) pode-se verificar (Tabela 1) que,
respectivamente destacam-se como as mais tolerantes as cultivares BMX Apolo, CD 221
e Fundacep 53 RR. Verifica-se também, como as mais suscetíveis ao alagamento as
cultivares BRS 211 e BRS Macota. Em função dos valores acima descritos de altura de
planta e os resultados observados para DHP pode-se afirmar que as cultivares CD 221 e
BRS Macota, respectivamente apresentam os maiores níveis de tolerância e
suscetibilidade ao alagamento do solo no período vegetativo.
Para as cultivares precoces as medidas do índice do teor de clorofila (ITC) (Tabela
2) realizadas antes da entrada de água não demonstraram haver diferença significativa
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
41
entre as cultivares, variando entre 18,93 a 24,66.para as cultivares BMX Apolo e PCL0418 respectivamente. O alagamento do solo determinou acentuada redução no ITC
medido até os 19 DAEA, ou seja, 11 dias após a retirada da água, quando os valores
médios começaram a crescer. Até os 19 DAEA as cultivares responderam
diferenciadamente ao alagamento. Apenas na última data de avaliação àquelas deixaram
de apresentar estas diferenças (Tabela 2).
CONCLUSÕES
O alagamento provoca redução na altura de plantas e aumento no diâmetro da
haste principal. O índice do teor de clorofila nas folhas diminui com o alagamento do solo.
A redução do índice do teor de clorofila apresentou diferenças entre alguns genótipos
indicando maior tolerância ou sensibilidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CHO, J.; YAMAKAWA, T. Effects on Growth and Seed Yield of Small Seed Soybean
Cultivars of Flooding Conditions in Paddy Field. Journal of the Faculty of Agriculture,
Kyushu, v.51, n. 2, p. 189–193, 2006.
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flood stress. Tese de MSc. Florida University. 105 p. 2005. Disponível:
<http://etd.fcla.edu/UF/UFE0011761/henshaw_t.pdf>. Acesso em: julho de 2012.
PIRES J. L. F.; SOPRANO, E.; CASSOL, B. Adaptações morfofisiológicas da soja em solo
inundado. Pesquisa Agropecuária Brasileira. v. 37, n. 1, p. 41-50, 2002.
SCHÖFFEL, E. R.; SACCOL, A. V.; MANFRON, P. A.; MEDEIROS, S. L. P. Excesso
hídrico sobre os componentes do rendimento da cultura da soja. Ciência Rural, Santa
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THEISEN, G., VERNETTI JUNIOR, F. de J., ANDRES, A., SILVA, J. J. C. Manejo da
cultura da soja em terras baixas em safras com El-niño. Pelotas: Embrapa Clima
Temperado, 2009. 3 p. (Embrapa Clima Temperado. Circular Técnica, 82).
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Recovery from Hypoxia of the Flooded Root System of Nodulated Soybean. Annals of
Botany, v.96, p.1191–1198, 2005. Disponível em: www.aob.oxfordjournals.org, Acesso
em: julho de 2012. doi:10.1093/aob/mci272.
VANTOAI, T.T, MARTIN, S. K. ST.; CHASE, K.; BORU, G.; SCHNIPKE, V.;
SCHMITTHENNER, A. F.; LARK, K. G. Identification of a QTL associated with tolerance of
soybean to soil waterlogging. Crop Science. 41:1247-1252. 2001.
Summary: The soybean (Glycine max L. Merril) is increasingly being grown in areas of
lowland soils, subject to eventual conditions for flooding. The aim of this study was to
evaluate the effect of flooding on different genotypes during the vegetative stage on the
parameters plant height, stem diameter and chlorophyll content index. The experiment
was carried out at the Lowland Experimental Station, from Embrapa Clima Temperado.
Was held the analysis of variance and hypothesis testing to assess the significance of
main effects and interactions. To compare means it was used the Tukey test at 5% of
probability. Flooding causes reduction in plant height and increase the stem diameter. The
index of chlorophyll content in leaves decreases with flooding.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
42
Tabela 1 – Altura de planta e diâmetro da haste principal (cm) de cultivares de soja
precoces, conduzidas sem (SA) e com alagamento por oito dias no período vegetativo
(V3/V4) (APV) em 2009/10. Embrapa Clima Temperado, Capão do Leão, RS.
Altura de planta (cm)
Diâmetro da haste principal (cm)
Cultivares
SA
APV
SA
APV
BMX Apolo
32,3 d A
18,8 cd B
0,529 a
0,586 a
BRS Macota
38,2 bcd A
16,9 d B
0,414 b
0,400 b
BRS211
51,5 a A
23,4 abc B
0,406 b
0,394 b
CD 213 RR
47,7 ab A
25,1 ab B
0,419 b
0,431 ab
CD 221
45,4 abc A
27,1 a B
0,403 b
0,554 ab
Fundacep 53 RR
36,0 cd A
23,5 abc B
0,405 b
0,513 ab
IAS 5
37,9 bcd A
21,7 abcd B
0,436 ab
0,473 ab
PCL04-12
40,6 abcd A 22,4 abcd B
0,427 ab
0,508 ab
PCL04-18
39,2 bcd A
21,6 abcd B
0,418 b
0,501 ab
PCL06-04
41,0 abcd A 20,4 bcd B
0,401 b
0,428 ab
Média
41,0
22,1
0,426 B
0,478 A
F
*
ns
CV. (%)
9,9
10,6
* Médias seguidas por mesma letra, minúscula na coluna não diferiram pelo teste de Tukey e maiúscula na
linha pelo teste F ambos a 5% de probabilidade; * teste F significativo a 5% para a interação cultivares x
tratamento de alagamento; ns – teste F não significativo.
Tabela 2 – Índice do teor de clorofila de cultivares de soja precoces, em cinco datas de
avaliação (antes do alagamento, aos 5, 12, 19 e 33 dias após a entrada da água, DAEA)
conduzidas com alagamento por oito dias no período vegetativo (V3/V4) em 2009/10.
Embrapa Clima Temperado, Capão do Leão, RS.
Cultivares
Antes
5 DAEA
12 DAEA
19 DAEA
33 DAEA
BMX Apolo
24,66 a
13,91 ab
7,92 abc
9,16 a
21,16 a
BRS Macota
22,21 a
16,76 ab
2,93 d
4,91 bc
21,43 a
BRS211
22,12 a
12,95 ab
5,56 bcd
3,88 c
20,12 a
CD 213 RR
22,94 a
13,66 ab
4,54 cd
3,88 c
15,74 a
CD 221
22,69 a
17,04 ab
10,11 a
6,64 abc
17,57 a
Fundacep 53 RR
20,72 a
16,85 ab
9,21 ab
7,78 ab
24,41 a
IAS 5
22,83 a
18,22 a
6,79 abcd
5,52 abc
16,79 a
PCL04-12
20,64 a
11,98 b
5,75 bcd
5,22 bc
15,53 a
PCL04-18
18,93 a
12,95 ab
7,08 abc
7,37 abc
17,56 a
PCL06-04
23,12 a
12,78 ab
5,20 bcd
5,40 abc
15,36 a
Média
22,08
14,66
6,51
6,07
18,57
F
*
*
*
ns
CV. (%)
12,7
11,7
11,5
12,1
12,7
* Médias seguidas por mesma letra minúscula na coluna não diferiram pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade; * teste F significativo a 5% para a interação cultivares x tratamento de alagamento; ns – teste F
não significativo.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
43
Efeitos Fisiológicos de Inseticidas, Fungicidas e Nematicidas sobre Parâmetros
Morfológicos da Soja
R. P. Cunha¹, M. F. Corrêa¹, A. Bohn¹, T. L. Almeida², T.L. Nunes², L.O.B. Schuch³,
¹Aluno de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Ciência e Tecnologia de Sementes da Universidade
Federal de Pelotas - UFPel e-mail: [email protected], [email protected],
[email protected]. ²Aluno de graduação em Agronomia da Universidade Federal de Pelotas - UFPel
³Professor Adjunto do Departamento de Fitotecnia – UFPel, Pelotas, RS. e-mail: [email protected]
Resumo: A cada ano são descobertos e utilizados novos produtos para o tratamento de
sementes, inclusive para a soja (Glycine max, L. Merril). Porém deve-se conhecer a
influência desses produtos sobre as sementes para obter sucesso e não prejudicar a
qualidade física e fisiológica da semente. Neste trabalho objetivou-se avaliar o efeito
fisiológico de oito produtos utilizados no tratamento de sementes, entre os quais
inseticidas, fungicidas e nematicidas. O experimento foi realizado à campo, no período
vegetativo da cultura e as avaliações ocorreram aos 15, 30 e 45 dias após a semeadura.
As variáveis analisadas foram: altura, diâmetro do caule, área foliar, massa seca das
folhas e do colmo. Foi utilizada a cultivar Nidera 5909 recomendada no zoneamento
agroclimático da região Sul do Brasil, com nove sementes/cova, descartando-se três
plantas menos vigorosas, três plantas para fazer análise destrutiva e três plantas
conduzidas até o final do ciclo, sendo a bordadura feita com a mesma cultivar. As
medidas das covas, 15 x 15 cm, com espaçamento de 45 cm entre as covas e a parede
dos canteiros. As dosagens utilizadas nos tratamentos foram em mL/200 gramas de
sementes. O Avicta 500 FS de 0,2 mL/200g, Avicta Completo de 1 mL/200g, Maxim XL de
0,2 mL/200g, Sedaxane de 0,15 mL/200g, Standak Top de 0,4 mL/200g, Cruiser 350 FS
0,4 mL/200g, Cruiser Advanced de 0,4 mL/200g, CropStar de 0,5 mL/200g e com uma
Testemunha não sendo utilizado nenhum produto. Os tratamentos mostraram que com o
passar dos dias houve um aumento linear das variáveis analisadas, no entanto não
ocorreu diferença significativa entre os tratamentos.
Palavras-chave: Glycine max, tratamento de sementes, efeito fisiológico.
INTRODUÇÃO
A soja (Glycine max, L. Merril) é a mais importante cultura do Brasil. É originária
da China e a partir da década de 60 foi adquirindo importância no Brasil, sendo
inicialmente cultivada na região sul (Santa Rosa - RS), onde apresentou melhor
adaptação, devido a semelhança com regiões tradicionais de cultivo no mundo (BORÉM
et. al. 2005).O tratamento de sementes visa proteger a semente contra fatores externos
que possam prejudicar o desenvolvimento inicial da cultura. O controle de pragas e
doenças deve ser realizado desde o início do ciclo da cultura (Castro et al., 2008). Apesar
do reconhecido benefício que o tratamento de sementes agrega ao controle doenças e
pragas, alguns trabalhos mostraram que mesmo na ausência ou em baixos níveis de
organismos nocivos à cultura, o tratamento de sementes tem melhorado o
estabelecimento da mesma, proporcionando aumento no vigor das plantas, repercutindo
de maneira positiva no rendimento de grãos. Até recentemente, o uso de fungicidas tinha
como único foco o controle de doenças, após o lançamento das estrobilurinas, essa
perspectiva foi alterada e o manejo de doenças adquiriu um novo conceito devido aos
benefícios fisiológicos propiciados por tais fungicidas (Venâncio et al., 2003).
O uso de inseticidas no tratamento de sementes também tem sido uma prática
bastante interessante para proteger a cultura do ataque de pragas iniciais, momento de
maior vulnerabilidade, além de garantir estande adequado de plantas. O tratamento de
sementes com inseticidas de atuação fisiológica é indireto, atuando na expressão dos
genes responsáveis pela síntese e pela ativação de enzimas metabólicas, relacionadas
ao crescimento da planta, alterando a produção de aminoácidos precursores de
hormônios vegetais. Com a maior produção de hormônios, a planta apresenta maior
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
44
vigor, germinação e desenvolvimento de raízes. Esse ingrediente ativo também melhora a
nutrição mineral da soja, e estimula a expressão gênica das proteínas de membranas que
aumentam o transporte iônico e a absorção de minerais.
Nos últimos anos há uma maior preocupação no controle de nematoides
(parasitas que hospedam as raízes das plantas, sugam os nutrientes, favorecendo o
ataque de pragas e doenças, ocorrendo uma diminuição da produtividade). Para obter um
maior controle dos nematoides recomenda-se fazer o uso de nematicidas juntamente
com a rotação de culturas em áreas bastante infestadas.
O presente trabalho tem por objetivo avaliar o efeito fitotônico de princípios ativos
aplicados via tratamento de sementes sobre a morfologia e fisiologia de plantas de soja.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no Laboratório de Análise de Sementes do
Departamento de Fitotecnia da Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM) e nos
canteiros experimentais da Universidade Federal de Pelotas, no período de dezembro de
2011 a abril de 2012. Foram utilizadas sementes de soja (Glycine max L. Merrill) da
cultivar Nidera 5909 RG, recomendada para a região Sul do Rio Grande do Sul. O
delineamento experimental foi em blocos ao acaso com oito repetições. As sementes
foram submetidas aos seguintes tratamentos: Thiametoxam (Cruiser 350 FS), (Cruiser
Advanced), abamectina (Avicta), abamectina + thiametoxam + fludioxonil (Avicta
Completo), fipronil + tiofanatometilico + piraclostrobina (Standak Top), imidacloprido +
tiodicarbe (CropStar), fludioxonil (Maxim XL), carboxamida (Sedaxane) e testemunha,
sem tratamento.
Nos canteiros foram semeadas 9 sementes por cova (15 X 15 cm). A adubação foi
realizada conforme a análise de solo (ROLAS). As sementes foram inoculadas com
rhizobium específico (200 mL por 100 kg de sementes). O controle de invasoras foi
realizado manualmente. Houve o descarte das três plantas menos vigorosas, sendo
coletadas e avaliadas uma planta por avaliação (15, 30 e 45 dias, respectivamente). As
variáveis analisadas foram: área foliar (medidor), altura de planta (régua), diâmetro
(paquímetro) e massa seca das folhas e do colmo (estufa 65ºC). A análise estatística foi
realizada com a utilização do programa SISVAR (Lavras-MG), através da comparação de
médias pelo Teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Analisando a tabela 01, com 15 dias após a emergência observa-se que o
tratamento com imidacloprido + tiodicarbe (CropStar) apresentou os maiores resultados
nas variáveis altura, diâmetro de caule, área foliar, massa seca de folhas e do colmo,
juntamente com o tratamento com + thiametoxam + fludioxonil (Avicta Completo), porém
não diferiu significativamente dos demais. Na avaliação aos 30 dias após emergência, os
tratamentos não diferiram novamente, sendo que o tratamento testemunha obteve os
melhores resultados na maioria das variáveis analisadas. Já para a avaliação aos 45 dias,
o tratamento que se destacou foi com Cruiser Advanced, mas este novamente não diferiu
significativamente dos demais. O mesmo pode ser explicado pelo fato de a cultura ter
enfrentado condições adversas de estresse hídrico durante o período experimental, o que
pode de certa forma, confundir o desempenho dos produtos.
Por outro lado, segundo (Silva et al., 2009), o tratamento de sementes com
produtos que contem piraclostrobina e thiamethoxam em sua formulação contribuem com a
melhoria de alguns parâmetros fisiológicos na cultura da soja, expresso por um aumento
na altura, conteúdo de clorofila, massa fresca e seca das plantas. O que não se confirmou
nesse trabalho, visto que todos os tratamentos apresentaram um aumento linear dos
parâmetros analisados dos 15 aos 45 dias.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
45
CONCLUSÕES
De acordo com as avaliações realizadas, não houve diferença significativa entre os
tratamentos nos períodos analisados.
A combinação de mais de um principio ativo pode aumentar o efeito no vigor de
plantas de soja, sem diferença estatística constatada.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BORÉM, A.; MIRANDA, G. V. Melhoramento de Plantas. 4ª ed. Viçosa. Ed. UFV, 2005.
FISS, G.; MERTZ, L.; HENNING, F.; MACHADO, R.; PESKE, S. T.; ZIMMER, P.D.
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bioprotetores. In: XVII Congresso de Iniciação Científica e X Encontro de Pósgraduação, Pelotas-RS. 2008.
SILVA, F. D. L.; BALARDIN, R. S.; DEBONA, D.; CORTE, G. D.; TORMEN, N. R.;
DOMINGUES, L. da S. Efeito fisiológico do tratamento de sementes de soja com
fungicidas e inseticidas. In: XVIII Congresso de Iniciação Científica, XI ENPOS e I
mostra Científica, Pelotas-RS. 2009.
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Physiological effects of strobilurin fungicides on plants. Publ. UEPG Ci. Exatas Terra, Ci.
Agr. Eng., 2003, 9, p. 59-68.
Summary: They are each year discovered and used new products for the treatment of seeds,
including soybeans (Glycine max L.Merril). Notwihstanding must know influence these
products on the seeds for success and not harm the physical and physiological quality of
seeds. This work aimed assess the physiological effect for eight products used for seeds
treatment, including insecticides, fungicides and nematicides. The experiment was performed
in the field, the vegetative period and evaluations were performed at 15, 30 and 45 days after
sowing. The variables analyzed were: height, stem diameter, leaf area, leaf dry weight and
stem. The cultivar used was Nidera 5909 is that recommended agroclimatic zoning in
southern Brazil, with nine seeds/pit, discarding three plants less vigorous, three pants to do
destructive analysis and three plants conducted by the end cycle, boundary made being with
an same variety. The measures of pits, 15 x 15 cm with 45 cm spacing between the pits and
the wall of beds. The dosages used in the treatments were in mL/200 grams of seeds. The
Avicta FS 500 0.2mL/200g, Avicta Complete 1 mL/200g, Maxim XL 0.2 mL/200g, Sedaxane
0.15 mL/200g, Standak Top 0.4 mL/200g, Cruiser 350 FS 0.4 mL/200g, Cruiser Advanced 0.4
mL/200g, CropStar 0.5 mL/200g and a witness not being used any products. The treatments
showed that with each passing days there was a linear increase from variables, however no
significant difference between treatments.
Key words: Glycine max, seed treatment, physiological effect.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
46
Tabela 1: Altura, diâmetro, área foliar, massa seca das folhas e do colmo relativos aos 15, 30
e 45 dias após a emergência.
15 Dias
Área Foliar
(cm²)
73,90 a
Massa Seca Folhas
(g)
0,29 a
Tratamento
Altura (cm)
Avicta 500 FS
7,43 a
Diâmetro
(cm)
2,76 a
Avicta Completo
8,73 a
3,16 a
94,21 a
0,39 a
0,13 a
Massa Seca Colmo (g)
0,09 a
Maxim XL
7,88 a
2,81 a
80,92 a
0,33 a
0,98 a
Sedaxane
8,16 a
2,51 a
85,59 a
0,35 a
0,11 a
Standak Top
8,16 a
3,04 a
77,54 a
0,26 a
0,13 a
Cruiser 350 FS
8,86 a
3,10 a
85,93 a
0,34 a
0,11 a
Cruiser Advanced
8,36 a
3,19 a
90,98 a
0,37 a
0,11 a
CropStar
8,91 a
3,35 a
94,12 a
0,40 a
0,13 a
Testemunha
7,91 a
3,08 a
94,01 a
0,38 a
0,11 a
30 Dias
Área Foliar
(cm²)
357,96 a
Massa Seca Folhas
(g)
1,86 a
Tratamento
Altura (cm)
Avicta 500 FS
15,80 a
Diâmetro
(cm)
4,59 a
Avicta Completo
17,51 a
4,88 a
364,67 a
2,38 a
0,81 a
Massa Seca Colmo (g)
0,59 a
Maxim XL
15,66 a
5,40 a
433,88 a
2,35 a
0,81 a
Sedaxane
16,59 a
5,21 a
403,23 a
2,18 a
0,72 a
Standak Top
15,74 a
5,30 a
341,13 a
1,85 a
0,66 a
Cruiser 350 FS
18,05 a
5,33 a
369,70 a
2,18 a
0,63 a
Cruiser Advanced
16,38 a
4,63 a
413,63 a
2,19 a
0,72 a
CropStar
17,53 a
5,48 a
445,73 a
2,40 a
0,77 a
Testemunha
18,48 a
5,46 a
449,58 a
2,45 a
0,77 a
45 Dias
Área Foliar
(cm²)
1111,96 a
Massa Seca Folhas
(g)
6,87 a
Tratamento
Altura (cm)
Avicta 500 FS
27,78 a
Diâmetro
(cm)
7,74 a
Avicta Completo
31,01 a
7,80 a
1357,61 a
8,07 a
4,31 a
Maxim XL
29,69 a
7,81 a
1249,85 a
6,58 a
3,41 a
Massa Seca Colmo (g)
3,28 a
Sedaxane
27,31 a
7,65 a
1184,78 a
5,26 a
2,76 a
Standak Top
27,60 a
8,04 a
1191,49 a
7,14 a
3,50 a
Cruiser 350 FS
31,73 a
7,93 a
1313,56 a
6,80 a
3,34 a
Cruiser Advanced
32,59 a
8,46 a
1425,76 a
8,71 a
4,65 a
CropStar
26,94 a
7,64 a
1096,39 a
6,19 a
3,10 a
Testemunha
28,94 a
8,00 a
1299,82 a
7,46 a
3,47 a
As médias seguidas pela mesma letra minúscula na coluna não diferem pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
47
Efeito da Profundidade de Semeadura de Dois Tamanhos de Sementes na
Emergência da Cultura da Soja
J. A. Freiberg¹, D.Eickstedt¹, C.C.Cord¹, M.M.Santos¹, R.Güntzel¹, M.P. Ludwig¹, E. Girotto¹
¹ Instituto federal de Educação Ciência e Tecnologia Rio Grande do Sul Campus Ibirubá Rua Nelsi Ribas Fritsch,
1111 | Bairro Esperança | CEP: 98200-000 | Ibirubá/RS RS. E-mail: [email protected],
[email protected], [email protected], [email protected],
[email protected], [email protected], [email protected].
Resumo: A obtenção de alta produtividade na cultura da soja está diretamente relacionada
ao aprimoramento de técnicas e métodos de produção. O objetivo do presente trabalho foi
avaliar o efeito da profundidade de semeadura de dois tamanhos de sementes na
emergência da cultura da soja. O experimento foi conduzido no Laboratório Didático e de
Pesquisa de Sementes e Grãos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do
Rio Grande do Sul, Câmpus Ibirubá (IFRS). Foram utilizados dois tamanhos de sementes
7,5 e 6,5 mm, semeadas em três profundidades (2 cm, 4 cm e 6 cm). Realizou-se avaliação
do índice de velocidade de emergência e crescimento das plântulas. A partir dos resultados
verificou-se que o tamanho das sementes influencia a velocidade de emergência e
crescimento das plântulas em diferentes profundidades de semeadura. Sementes de 6,5
mm apresentaram maior velocidade de emergência e plântulas maiores que as produzidas
com tamanho de 7,5 mm.
Palavras-chave: Glycine max, padronização, índice de crescimento de plântulas.
INTRODUÇÃO
O aprimoramento de técnicas, métodos de produção e a utilização de sementes de
qualidade são importantes mecanismos para o aumento da produtividade agrícola (ÁVILA et
al. 2008). O tamanho das sementes favorece o aspecto visual, permite a regulagem eficaz
de semeadoras e a própria economia de sementes por área (LIMA & CARMONA, 1999). O
menor tamanho das sementes tem representado benefícios na inoculação, tratamento,
transporte e aquisição de sementes (ÁVILA et al. 2008).
Em estudos analisando o tamanho das sementes e o desempenho de três cultivares
de soja, Camozzato et al. (2009) não evidenciaram efeitos significativos entre sementes de
tamanho 5,5 e 6,5 mm. Segundo Lima & Carmona (1999), há uma arena de controvérsias
pertencentes ao tamanho da semente, principalmente no seu desempenho a campo. Nesse
sentido, faz-se necessário o desenvolvimento de pesquisas sobre o assunto.
O presente trabalho tem por objetivo avaliar a influência do tamanho da semente de
soja em diferentes profundidades de semeadura na velocidade da emergência e
crescimento de plântulas em laboratório.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido junto ao Laboratório Didático e de Pesquisa de
Sementes e Grãos do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande
do Sul, Câmpus Ibirubá (IFRS).
A partir de um lote de sementes da variedade BMX Turbo (safra 2011/2012), foram
padronizadas amostras de sementes com peneiras 8,0; 7,5; 7,0 e 6,5 mm, separando-se as
sementes retidas nas peneiras 7,5 mm (T1) e 6,5 mm (T2) em sub-amostras de 27
sementes cada.
As amostras foram semeadas em profundidades de 2 cm (P1), 4 cm (P2) e 6 cm
(P3). A semeadura foi realizada em 29 de junho de 2012, em bandejas 26 cm x 33 cm, com
substratato vermiculita em quatro blocos, com duas unidades experimentais de cada
tratamento.
A germinação foi avaliada pelo teste de germinação, segundo a RAS (BRASIL,
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
48
2009), sendo obtidos os seguintes valores: 94% para T1 e 96% para T2. Foi quantificado o
peso de 100 sementes T1 e T2, respectivamente 23,6 g e 14,9 g. Estimou-se a massa seca
do peso de 100 sementes T1 e T2, por meio de quatro sub-amostras contendo 27 sementes
de cada, respectivamente 20,4 g e 13,4 g, e o tamanho médio de duas repetições de 27
sementes T1 (7,5 mm) e T2 (6,5 mm), com auxílio de um paquímetro digital.
A emergência (estágio vegetativo VE) foi verificada através da contagem diária das
plântulas com altura superior a 2 cm, por um período de 8 dias. A partir do quinto dia após
semeadura (DAS), acompanhou-se o crescimento de dez plântulas de cada tratamento por
meio de uma régua graduada.
Os dados foram submetidos à análise da variância e teste de hipóteses para verificar
a significância do efeito principal e das interações com auxílio de programas estatísticos. A
média foi determinada pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O índice de velocidade de emergência (Tabela 1) apresentou diferença significativa
entre as sementes 7,5 mm e 6,5 mm para a profundidade 6 cm (P3). Nesse caso, as
sementes menores apresentaram índice de velocidade de emergência maior. Possivelmente
esse resultado tenha relação à força exercida dos cotilédones e o substrato durante a
emergência.
Para as sementes maiores a velocidade de emergência foi semelhante nas
profundidades de 2 e 4 cm. Já a 6 cm a velocidade foi menor. Por outro lado, nas sementes
de 6,5 mm a maior velocidade de emergência foi observada na profundidade de 2 cm, não
ocorrendo diferenças entre as demais profundidades.
Tabela 1. Índice de velocidade de emergência, em dois tamanhos de sementes e três
profundidades de semeadura na cultura da soja. IFRS – Câmpus Ibirubá.
Velocidade de emergência
Tamanho (mm)
2 cm
4 cm
6 cm
7,5
5,4 a A
5,1 a A
4,3 b B
6,5
5,5 a A
4,9 a B
4,8 a B
*Médias seguidas por mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferiram
pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
Em estudos com a cultura de soja em nível de campo, Lima & Carmona (1999)
observaram que sementes pequenas apresentaram menor índice de emergência e
originaram plantas de menor altura na fase adulta. Krzyzanowski et al. (1991) verificaram
que sementes menores apresentaram vigor superior, justificado por estas estarem menos
sujeitas à danificação mecânica nos processos de colheita e beneficiamento.
Quanto ao crescimento das plântulas (Tabela 2), verificou-se que as sementes de 6,5
mm (T2) apresentaram maior crescimento em relação às sementes 7,5 mm (T1), sendo que
em ambas houve decréscimo da altura de plântulas com a profundidade, mas média de
crescimento contínuo, conforme Figura 1.
Tabela 2. Crescimento das plântulas (cm), originadas de dois tamanhos de sementes em,
três profundidades de semeadura, na média de cinco dias de avaliação, na cultura da soja.
IFRS – Câmpus Ibirubá.
Crescimento das plântulas (%)
Tamanho (mm)
2 cm
4 cm
6 cm
7,5
8,5 b A
7,2 b B
5,0 b C
6,5
9,1 a A
8,5 a B
7,4 a C
*Médias seguidas por mesma letra minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferiram
pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
49
Figura 1. - Crescimento de plântulas de soja durante oito dias na média de dois tamanhos
(7,5 e 6,5 mm) de sementes e três profundidades de semeadura (2, 4 e 6 cm).
CONCLUSÕES
O tamanho das sementes influencia a velocidade de emergência e crescimento das
plântulas em diferentes profundidades de semeadura. Sementes de 6,5 mm apresentaram
maior velocidade de emergência e plântulas maiores que as produzidas com tamanho de
7,5 mm.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ÁVILA, W.; PERIN, A.; GUARESCHI, R. F.; GAZOLLA, P. R. Influência do tamanho da
semente na produtividade de variedades de soja. Agrarian, v. 1, n. 1, p. 83-89, out/dez.
2008.
BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Secretaria de Defesa
Agropecuária. Regras para análise de sementes. Brasília: Mapa/ACS, 2009.
CAMOZZATO. V. A.; PESKE, S. T.; POSSENTI, J. C.; MENDES, A. S. Desempenho de
cultivares de soja em função do tamanho das sementes. Revista Brasileira de Sementes,
v. 31, n. 1, Londrina, 2009. Disponível em:
<http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S010131222009000100032&script=sci_arttext>.
Acesso em: 12 jul. 2012.
KRZYZANOWSKI, F.C.;NETO, J. de B. F.; COSTA, N. P. Efeito da classificação de
sementes de soja por tamanho sobre sua qualidade e a precisão de semeadura. Revista
Brasileira de Sementes, v. 13, n. 1, p. 59-68, 1991.
LIMA, A.M.M.P.de; CARMONA, R. Influência do tamanho da semente no desempenho
produtivo da soja. Revista Brasileira de Sementes, v. 21, n. 1, p. 157-163, 1999. Disponível
em: <http://www.abrates.org.br/revista/artigos/1999/v21n1/artigo24.pdf>. Acesso em: 12 jul.
2012.
Summary: The high productivity of soybean is directly related to the improvement of
techniques and methods of production. The objective of this study was to evaluate the effect
of sowing depth of two seed size on emergence of soybean. The experiment was conducted
in Didactic Laboratory and Research Seeds and Grains of Federal Institute of Education,
Science and Technology of Rio Grande do Sul, Câmpus Ibirubá (IFRS). We used two sizes
of 7.5 and 6.5 mm seed, sown at three depths (2 cm, 4 cm and 6 cm). We conducted
evaluations of emergence rate and seedling growth. From the results it was found seed size
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
50
influences the speed of emergence and seedling growth at different depths of sowing. Seeds
were more than 6.5 mm and seedling emergence speed higher than those produced with
size 7.5 mm.
Keywords: Glycine max, standardization, rate of growth of seedlings.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
51
Avaliação da Reação de Cultivares Comerciais de Soja ao Excesso Hídrico,
Safra 2011/12
C.E.Lange1, A. Vedelago1
1
Instituto Rio Grandense do Arroz, Bonifácio Carvalho Bernardes, 1494, 90950-030, Cachoeirinha, RS. Email: [email protected], [email protected]
Resumo: A soja é uma espécie sensível ao estresse de hipóxia causado pelo excesso
hídrico no solo, sendo esta uma das limitações ao cultivo desta espécie em solos onde
tradicionalmente é cultivado o arroz irrigado. Entretanto, existe variação genética para a
tolerância ao excesso hídrico, o que abre a possibilidade de seleção de genótipos mais
adequados ao cultivo em várzea e torna possível obter progressos genéticos para esta
característica através de programas de melhoramento. A avaliação da tolerância ao
excesso hídrico de cultivares comerciais de soja através de ensaios de inundação à campo
vem sendo realizada anualmente pelo IRGA, com o intuito de subsidiar os produtores
interessados em cultivar soja em terras baixas e para indicar fontes de tolerância para
serem empregados como genitores em programas de melhoramento desta característica.
Palavras-chave: Glycine max, tolerância ao excesso hídrico, estresse abiótico.
INTRODUÇÃO
A caracterização da reação dos genótipos frente ao excesso hídrico (EH) é o ponto
de partida para um programa de melhoramento para esta característica. Em soja, a
tolerância ao excesso hídrico é conferida por muitos genes com efeito restrito sobre a
tolerância (herança quantitativa), sendo amplamente aceito que o germoplasma
proveniente de países da Ásia, berço da cultura da soja, apresenta uma maior freqüência
de alelos positivos para a característica (VANTOAI et a. 2001) . O germoplasma de soja
brasileiro, basicamente derivado do germoplasma norte-americano, foi desenvolvido quase
que exclusivamente em solos bem drenados. Por este motivo, provavelmente os atuais
cultivares ocidentais de elite detenham um grau de tolerância ao excesso hídrico inferior às
antigas variedades orientais. Entretanto, o germoplasma adaptado, de grande valor
agronômico e de alto potencial produtivo na ausência de fatores restritivos, pode contribuir
para um germoplasma tolerante ao excesso hídrico com vários genes de pequeno efeito
para a característica, os quais provavelmente encontram-se dispersos em diferentes
genótipos (LINKEMER et al, 1998; VANTOAI, 2003 BARNI e COSTA, 1976 a e b; THOMAS
et al.,2000). A obtenção de populações recombinantes para alelos oriundos de diferentes
loci de variedades menos sensíveis permite, através da seleção, criar novos genótipos com
maior tolerância ao excesso hídrico a cada ciclo de seleção.
O uso de ensaios de inundação para a avaliação da tolerância ao excesso hídrico
tanto do germoplasma exótico quanto do adaptado é um trabalho continuado ao longo dos
anos em função da necessidade de caracterização do efeito da interação genótipo x ano.
Tais ensaios caracterizam-se também pela constante entrada de novos genótipos a cada
ano e pela retirada de genótipos que por dois ou mais anos caracterizaram-se por se
apresentarem com reação de sensibilidade.
Na safra 2011/12, cultivares comerciais de soja foram avaliadas para a tolerância
ao excesso hídrico em um ensaio na Estação Experimental do Arroz (IRGA) em
Cachoeirinha com o objetivo de identificar genótipos mais tolerantes ao EH e genitores
para o programa de melhoramento de soja do IRGA para esta característica.
MATERIAL E MÉTODOS
O ensaio foi instalado em 14/11/2011 no sistema de plantio direto, no delineamento
de blocos ao acaso com três repetições. Para evitar outras restrições ao desenvolvimento
das plantas de soja que não o excesso hídrico imposto, foi empregado um manejo visando
alta produtividade, com adubação ajustada para obter 4 toneladas por hectare de
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
52
rendimento de grãos. O excesso hídrico foi imposto na fase vegetativa (estádios V7) através
de lâmina de água de 5 cm acima do solo, após a área do experimento ser cercada por
taipas. A lâmina foi mantida diariamente nesta altura, colocando-se água conforme a
necessidade. A drenagem foi realizada quando os genótipos apresentavam diferença de
reação, expressa pela clorose das folhas e morte de plantas. A reação dos genótipos foi
avaliada 10 dias após a drenagem através de uma escala visual de parcela, que varia de 1 a
5 (1- todas plantas vivas e sem aparentar murcha ou clorose das folhas; 5- todas as plantas
mortas) (Cornelius et al., 2005). Os dados foram submetidos à análise de variância e as
médias comparadas pelo teste de DMS.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
O efeito de genótipo foi altamente significativo na análise de variância (Tabela 1)
indicando que houve diferenças no grau de tolerância entre as cultivares avaliadas e
confirmando a existência de variabilidade genética para a característica. Na Tabela 2 são
apresentados os genótipos avaliados e as respectivas médias de reação.
Tabela 1- Fonte de variação e quadrados médios da análise de variância da tolerância ao
excesso hídrico de cultivares comerciais de soja no RS. EEA-IRGA, Cachoerinha, RS, safra
2011/12.
Fonte de variação
Quadrado Médio
Bloco
1,32
Ns
Genótipos
0,95
**
** Altamente significativo pelo F-teste.
ns Não significativo
A distribuição das médias dos genótipos foi contínua, o que é esperado para
características quantitativas, como a tolerância ao excesso hídrico. Entre os genótipos de
melhor desempenho há representantes de diferentes ciclos de maturação, indicando que os
produtores tem opção de escolher cultivares de diferentes ciclos com maior tolerância ao
excesso hídrico. De forma geral, genótipos que vinham se apresentando como melhores em
testes em anos anteriores, mantiveram a mesma tendência, consolidando resultados obtidos
anteriormentes. Entre eles, Brasmax Apolo (Dom Mário 5.8i), BRS Charrua, BRS 255 e BRS
243. Estes genótipos são mais tolerantes ao EH e podem ser aproveitados como genitores
no programa de melhoramento para esta característica.
Por outro lado, a reação de cultivares testados pela primeira vez, como Brasmax
Ativa devem ser confrontados com resultados a serem obtidos em mais ensaios, para
consolidar a caracterização das reações.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Barni, N. A.; Costa, J.A. Efeito de períodos de inundação do solo sobre o crescimento
e características morfológicas da planta de soja (Glycine max (L.) Merril). Agronomia
Sulriograndense, Porto Alegre, v. 12, n. 2, p. 147-162, 1976a.
Barni, N. A.; Costa, J.A. Efeitos do excesso de água no solo sobre os percentuais de
óleo e proteína do grão e o poder germinativo de sementes de soja. Agronomia
Sulriograndense, Porto Alegre, v. 12, n. 2, p. 147-162, 1976b.
Cornelius, B.; Chen, P.; Chen, Y.; de Leon, N.; Shannon, J.G.; Wang, D. Identification
of QTLs underlying water-logging tolerance in soybean. Molecular Breeding v. 16, p. 103112. 2005.
Linkemer, G. et al. Waterlogging effect on growth and yield components of lateplanted soybean. Crop Science, Madison, v.38, p. 1576-1584, 1998.
Thomas, A.L, et al. Rendimento de grãos de cultivares de soja em solo de várzea.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
53
Pesquisa Agropecuária Gaúcha, Porto Alegre, v.6, n. 1, p. 107-112, 2000.
VanToai, T.T et al. Identification of a QTL associated with tolerance of soybean to soil
waterlogging. Crop Science, Madison, v. 41, p. 1247-1252, 2001.
VanToai, T. Mapping flood-prone soybean field.
http://twri.tamu.edu/watertalk/archive/200-jan/jan31.1html. Acessado em 24/07/2003.
Summary: Soybean is a species susceptible to the stress of hypoxia caused by
excessive soil water, which is a limitation to the growth of this species in soil where rice is
traditionally cultivated. However, there is genetic variation for tolerance to excess water,
which opens the possibility of selecting genotypes better suited to growing in lowland and
makes it possible to obtain genetic progress for this trait through breeding programs. The
assessment of tolerance to excess water from commercial cultivars of soybean through
flood tests in the field has been conducted annually by IRGA, in order to subsidize
producers interested in growing soybeans in the lowlands and to indicate sources of
tolerance to be used as parents in breeding programs of this feature.
Key words: Glycine max, waterlogging tolerance, abiotic stress
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
54
Tabela 2- Grau médio de tolerância ao excesso hídrico (escala de 1 a 5) de genótipos de soja
avaliados em um ensaio de inundação a campo. EEA –IRGA, Cachoeirinha, RS, safra
2010/11.
Cultivar
Reação média Cultivar
Reação média
NS 4823
5,00
FPS URANO RR
4,23
CD 226 RR
5,00
CD 214 RR
4,23
NS 5858
4,93
FPS JUPITER RR
4,23
SYN 9070 RR
4,93
FTS CAMPO MOURÂO RR
4,20
5D711 RR
4,93
BRS 255 RR
4,20
5D688 RR
4,93
FPS NETUNO RR
4,17
CD 249 RR STS
4,90
FTS REALEZA RR
4,17
NK 7059 RR
4,83
CD 231 RR
4,17
TMG 4001 RR
4,80
BRS 246 RR
4,17
NA 4990 RG
4,77
ROOS CAMINO RR
4,13
TMG 7161 RR
4,73
BRS TORDILHA RR
4,13
FUNDACEP 59 RR
4,73
FUNDACEP 55 RR
4,10
5D690 RR
4,70
BRS PAMPA RR
4,10
FUNDACEP 62 RR
4,67
FUNDACEP 53 RR
4,10
SYN 9053 RR
4,60
BRS CHARRUA RR
4,07
RA 728
4,57
CD 235 RR
4,07
CD 239 RR
4,53
RA 628
4,03
NA 5909 RG
4,53
BMX TURBO RR
4,00
DON MARIO 7.0I RR
4,53
BMX TITAN RR
4,00
SYN 3358 RR
4,53
BMX FORÇA RR
3,97
CD 206 RR
4,50
CD 219 RR
3,93
SYN 1049 RR
4,50
BMX POTÊNCIA RR
3,87
FTS CASCAVEL RR
4,50
SYN 1059 RR
3,85
NS 6262
4,50
TMG 1067 RR
3,80
CD 250 RR STS
4,47
CD 236 RR
3,80
BRS Tertúlia RR
4,43
RA 518
3,77
A 6411 RG
4,43
CD 238 RR
3,73
RA 626
4,43
BRS 243 RR
3,67
FTS CAFELÂNDIA RR
4,43
ROOS AVANCE RR
3,67
FUNDACEP 65 RR
4,40
FUNDACEP 66 RR
3,57
NS 6636
4,37
BRS ESTÂNCIA RR
3,33
FEPAGRO 37 RR
4,33
BMX ATIVA RR
3,30
FUNDACEP 57 RR
4,33
FUNDACEP 64 RR
3,17
FUNDACEP 58 RR
4,27
FUNDACEP 61 RR
3,00
A 4725 RG
4,27
FEPAGRO 36 RR
2,77
FTS ARAPOTY RR
4,23
DON MARIO 5.8I RR
2,50
DMS (0,05)
1,2
5D660 RR
4,23
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
55
Análise Conjunta da Avaliação de VCU em Linhagens Convencionais de Soja,
2011/2012
L. C. Costa1, M. G. S. Lima1, S. A. L. Rubin1, J. G. Ozelame1, A. B. Beltrame1, T.
Roversi2, C. Steckling2
1
Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária, Júlio de Castilhos, RS, 98130-000. E-mail: liege2
[email protected]. Pesquisadora, CCGL FUNDACEP, Cx. Postal 10, CEP 98100-970, Cruz Alta – RS
[email protected]
Resumo: Este trabalho tem como objetivo relatar o desempenho dos genótipos
convencionais avaliados conjuntamente no Estado do Rio Grande do Sul, para deliberar
sobre o lançamento de novas cultivares. O delineamento experimental foi blocos ao acaso
com três repetições. Os ensaios de VCU foram realizados nos municípios de Júlio de
Castilhos, Santa Rosa, São Borja e Vacaria pela FEPAGRO, e Cruz Alta pela FUNDACEP.
A análise conjunta mostrou que há diferenças significativas entre os locais para todas as
variáveis analisadas. Em Júlio de Castilhos não houve diferenças significativa para
rendimento/ parcelas (g.parcelas-1) entre as linhagens avaliadas, igualmente para Cruz Alta
para esta e para a variável rendimento de grãos/ ha. Em Júlio de Castilhos, a linhagem
JC06037 apresentou a mais elevada produtividade de grãos/ha (2188,3 kg.ha-1), superior à
melhor testemunha para o local (RS10, com 1831 kg.ha-1). Esta produção corresponde a
um acre´scimo de 16,3% sobre a produção da melhor testemunha para o local e 35% sobre
a menor produtividade obtida pela linhagem JC24122-02 (1422,7 kg.ha-1). As linhagens JC
06037 e JC 06036, em Júlio de Castilhos e JC 06197 e CEPs 09047 produziram acima das
testemunhas IAS-5, CD 201, BRS 154 e RS 10, para os respectivos locais de ensaios,
contudo não diferindo estatisticamente das testemunhas em Cruz Alta. O período da
emergência à maturação médio foi de 143 e 123 dias, respectivamente em Júlio de
Castilhos e Cruz Alta. As linhagens CEPs 09048, JC 06036, JC 07142, JC 08090 e
JC06197 apresentaram maturação mais tardia em relação às testemunhas, em Júlio de
Castilhos enquanto todas as linhagens maturaram após a testemunha mais precoce em
Cruz Alta. As linhagens não apresentaram acamamento nem retensão foliar nos diferentes
locais de avaliação. A altura média de plantas foi 76 cm, variando de 67cm (JC 2536-2) a
95 cm (CEPs 09047), em Júlio de Castilhos e 40 cm (JC 06037) a 70 cm (testemunha RS
10), em Cruz Alta. Em relação ao peso de cem sementes avaliado, CEPS 09052
apresentou o mais elevado (19,5 g) e os mais baixos forma observados em CEPs 09047 e
09048, em Júlio de Castilhos, sendo que em Cruz Alta as testemunhas RS 10 e CD 201
apresentaram o mais elevado e mais baixo peso de cem sementes (39,9g e 27,9g).
Palavras-chave: Linhagem, rendimento, fenologia.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
56
Melhoramento Genético de Soja na Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária
no Ano Agrícola 2011
L. C. Costa1, S. A. L. Rubin1, J. G. Ozelame1, M. G. S. Lima1
1
Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária, Júlio de Castilhos, RS. E-mail: [email protected]
Resumo: Para desenvolver cultivares com alto potencial de rendimento de grãos, com
resistência às principais doenças, com boas características agronômicas em geral, rústicas
e bem adaptadas às condições edafoclimáticas do Rio Grande do Sul, a FEPAGRO, órgão
vinculado à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Agronegócio do Estado do Rio Grande do
Sul, conduz o Programa de Melhoramento Genético de Soja na FEPAGRO Sementes em
Júlio de Castilhos, região do Planalto Médio Riograndense. Os trabalhos, em semeadura
direta, foram executados em solo da Unidade de Mapeamento Passo Fundo. A adubação
de manutenção com a fórmula 02-25-20, foi colocada no momento da abertura do sulco
com semeadeira de parcelas Semeato SHP, em área sobre aveia dessecada. O bloco de
cruzamentos foi semeado em casa de vegetação e no campo simultaneamente, com 63
genótipos em três épocas distintas na casa de vegetação e três à campo, desde final de
outubro a final de novembro de 2010, para possibilitar o cruzamento de materiais de
diferentes grupos de maturação. Os cruzamentos foram executados em janeiro e
fevereiro/2011, preferentemente entre materiais com tolerância a glifosato combinados com
linhagens e cultivares de elite, com alta produtividade e resistência à doenças, e também
dando ênfase para cruzamentos com genótipos tolerantes à ferrugem asiática. De acordo
com os objetivos propostos, foram planejadas 60 diferentes combinações no período.
Foram obtidas 59 vagens de 39 diferentes cruzamentos. As sementes serão semeadas em
casa de vegetação na safra 2012 para avanço de geração. Foram conduzidas 2914
parcelas de gerações fixas e segregantes tanto convencionais como tolerantes ao glifosato,
de onde foram selecionadas 2524, sendo 913 plantas pelo método genealógico, 1276
linhas pelo método SSD modificado (cerca de 2 a 3 vagens por planta) e 335 pelo método
massal. Foram usados na seleção os métodos SSD modificado (F3 e F4), genealógico (F1,
F2 e F5) e massal (F6 em diante). Para obtenção de sementes genéticas foram conduzidos
pequenos talhões, efetuando roguing na floração e na pré-colheita para manutenção da
pureza genética, 4 linhagens convencionais e 10 linhagens RR do lº ano de avaliação do
valor de cultivo e uso, sendo retiradas 50 plantas de cada talhão para obtenção de semente
genética no ano seguinte. Foram produzidas, em áreas de diferentes dimensões na
FEPAGRO Sementes de Júlio de Castilhos, as seguintes linhagens e cultivares
convencionais: JC 07142, JC 06036, JC 06037, JC 09127, FEPAGRO 23, FEPAGRO 24,
FEPAGRO 25, FEPAGRO 31 e RS 10 e as “RR” JCRR 09053, JCRR 09122, JCRR 052742, JCRR 08043, JCRR 09075, JCRR 09128, JCRR 08035 além das cultivares FEPAGRO
36 RR e FEPAGRO 37 RR, em áreas que variaram de 5 a 20 ha, tendo sido purificadas na
floração e na pré-colheita.
Palavras-chave: Glycine max, melhoramento genético, cruzamentos.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
57
Avaliação de Genótipos de Soja Submetidos ao Encharcamento do Solo,
Safra 2011/12
A.C.B.Oliveira1, B.M. Emygdio1, F.K. Rosa2, D. Hohn2, P.H. Facchinello2, L.N. Oliveira3,
W.M.Dorosz4
1
Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 78, 99010-970, Pelotas, RS. E-mail:
2
[email protected], [email protected] . Acadêmico curso de Agronomia,
FAEM, Universidade Federal de Pelotas, RS. E-mail: [email protected] [email protected],
3
[email protected]. Acadêmico curso de Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Pelotas,
4
RS. E-mail: [email protected]. Aluno do curso Técnico em Agropecuária, Escola
Estadual Técnica Fronteira Noroeste, Santa Rosa, RS. E-mail: [email protected]
Resumo: A soja é uma das culturas que possibilita o manejo do solo em rotação com o
arroz, pois facilita o controle de plantas invasoras e, por ser uma "commodity" proporciona
boa garantia de comercialização. Levando-se em consideração a grande variedade de
cultivares no mercado, torna-se necessário a seleção dos genótipos de soja adaptados ao
encharcamento. Assim, o objetivo deste trabalho foi a avaliação do comportamento de
genótipos de soja quando submetidos a período de encharcamento do solo. O ensaio foi
conduzido na safra 2011/12 no campo experimental da Estação Terras Baixas da Embrapa
Clima Temperado (Município de Capão do Leão/RS). Foi usado o delineamento de blocos
ao acaso, com quatro repetições, sendo a parcela composta por quatro linhas com 5 m de
comprimento e 0,50 m de espaçamento entre linhas, sendo descartadas as duas linhas
externas e 50 cm na extremidade das duas linhas centrais. Foram avaliados dez genótipos
de soja: FUNDACEP 53 RR, BRS 243 RR, CD 221, IAS 5 e BRS Macota (ciclo precoce);
BRS 244 RR, BRS 246 RR, BRS Charrua RR, BRS 154 e BRS Taura RR (ciclo médio). Os
genótipos foram submetidos a um período de 5 dias de encharcamento no estádio V3/V4 e
a testemunha foi sem encharcamento. Foram avaliados o peso de cem sementes (PCS),
altura da planta (AltPlan), número de dias para maturação (NDM) e o rendimento de grãos
(Rend). Os dados foram submetidos à análise de variância, e as médias comparadas pelo
teste de Tukey com 5% de significância. Os resultados obtidos permitem inferir que o
encharcamento do solo no período vegetativo, de um modo geral, diminuiu a altura de
planta e o rendimento de grãos, e aumentou o ciclo de todos os genótipos avaliados.
Quanto ao peso de cem sementes, em geral houve aumento do peso quando os genótipos
foram submetidos ao encharcamento no período vegetativo, com exceção da CD 221, BRS
Macota e BRS 154 que reduziram o PCS,e da BRS Taura RR que manteve o mesmo PCS.
Os genótipos obtiveram rendimentos semelhantes quando submetidos ao encharcamento:
Fundacep 53 RR (956 kg ha-1), CD 221 (894 kg ha-1), BRS 243 RR (886 kg ha-1), BRS Macota
(869 kg ha-1), IAS5 (670 kg ha-1), BRS 244 RR (1043 kg ha-1), BRS Charrua RR (943 kg ha-1),
BRS 246 RR (918 kg ha-1), BRS 154 (783 kg ha-1), BRS Taura RR (518 kg ha-1).
Agradecimento: Fundo de pesquisa Embrapa/Monsanto; CNPq.
Palavras-chave: Glycine max, hidromórfico, alagamento.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
58
Avaliação de Linhagens de Soja em Ensaio Final de Primeiro Ano em Áreas de
Arroz, Safra 2011/12
A.C.B.Oliveira1, A.P. Afonso1, F.K. Rosa2, D. Hohn2, V.A. Zardim Filho3, L.N. Oliveira3,
W.M.Dorosz4, C.W.Leite5
1
Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 78, 99010-970, Pelotas, RS. E-mail:
2
[email protected] , [email protected] . Acadêmico curso de Agronomia, FAEM,
Universidade Federal de Pelotas, RS. E-mail: [email protected] [email protected]
3
Acadêmico curso de Engenharia Agrícola, Universidade Federal de Pelotas, RS. E-mail:
4
[email protected]. Aluno do curso Técnico em Agropecuária, Escola Estadual Técnica
5
Fronteira Noroeste, Santa Rosa, RS. E-mail: [email protected]. Granja do Salso, Santa Vitória do
Palmar, RS. E-mail: [email protected]
Resumo: Dentro do programa de melhoramento de soja da Embrapa existe uma atividade
cujo foco principal é o desenvolvimento de linhagens de soja com maior adaptação as áreas
de rotação da cultura do arroz irrigado no Rio Grande do Sul. O ensaio de avaliação final de
primeiro ano foi conduzido na safra 2011/12, em três locais: Embrapa Clima Temperado
(ETB- Capão do Leão), Granja do Salso (Santa Vitória do Palmar) e Associação Rural
(Jaguarão), macro região sojícola 101. O ensaio foi realizado no delineamento de blocos ao
acaso, com quatro repetições, sendo a parcela composta por quatro linhas com 5 m de
comprimento e 0,50 m de espaçamento entre linhas, sendo descartadas as duas linhas
externas e 50 cm na extremidade das duas linhas centrais. Foram avaliados quatorze
genótipos de soja, sendo seis linhagens: PF071932, PF071978, PF071936, PF071973,
PF071946, PF071996; e oito cultivares comerciais BRS 255 RR, BRS 246 RR, Fundacep 53
RR, RA 516, NA 5909 RG, BMX Ativa RR, FPS Júpiter RR e BMX Apolo RR. Foi avaliado o
peso de cem sementes e o rendimento de grãos. Todos os dados foram submetidos à
análise de variância, e as médias comparadas pelo teste de Tukey com 5% de significância.
Pela análise de variância houve diferenças significativas para rendimento de grãos entre
locais, sendo a melhor média obtida em Jaguarão (2.850 kg.ha-1). A média da análise
conjunta para rendimento de grãos foi de 2.359 kg.ha-1. Quanto ao comportamento dos
genótipos avaliados destaca-se a linhagem PF071932, a qual obteve na análise conjunta o
rendimento de grãos de 2.927 kg.ha-1, ocupando sempre a primeira posição em todos os
locais de avaliação.
Agradecimento: CNPq.
Palavras-chave: Glycine max, hidromórfico.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
59
VCU de Linhagens de Soja RR Precoce da Rede Sul Fepagro - CCGL TECNOLOGIA,
Safra 2010/11
T. Roversi1; C.Steckling1, S. A. L. Rubin2
1
CCGL TECNOLOGIA, RS 342, KM 149, CX. P. 10. CEP 98105 970 - Cruz Alta, RS,
2
[email protected]; [email protected]. FEPAGRO-SEMENTES, Júlio de Castilhos,
RS
Resumo: Na safra 2010/11 a CCGL TECNOLOGIA e a FEPAGRO conduziram uma rede
de experimentação e avaliação de VCU RR em diferentes locais do Estado do RS.
Dezessete linhagens de ciclo precoce e semi precoces estiveram nos ensaios de VCU
RR em sete locais (Cruz Alta, Cachoeira do Sul, São Luiz Gonzaga, Júlio de Castilhos,
Santo Augusto, Vacaria e São Borja). Os padrões comparativos foram: FUNDACEP
53RR, BRS 255RR e NA 5909RG. Na análise conjunta dos dados, as linhagens JCRR
09075, JCRR 08035, CEPsRR 08070 e CEPsRR 09295 com (3.123, 3.066, 3.026 e 2.932
kg ha-1, respectivamente) apresentaram rendimentos médios superiores a melhor
testemunha (FUNDACEP 53RR 2.928 kg ha-1), porém não diferiram estatisticamente da
mesma. As melhores médias de rendimentos do ensaio foram obtidas em Cruz Alta e
Júlio de Castilhos (3.821 e 3.706 kg ha-1), e a mais baixa média de rendimento de ensaio
em São Borja (1.955 kg ha-1). O ciclo médio dos locais da emergência a floração ficou em
57 dias e da emergência a maturação 125 dias. A altura média dos locais foi de plantas
89 cm. O peso médio de 100 sementes dos locais foi de 14,5 g, com destaque para a
linhagem JCRR 08055 com 19,0 g. Vacaria foi o local que mais apresentou acamamento
de plantas com nota média geral de 3,2. Na retrospectiva de avaliações, as linhagens
JCRR 08035 e CEPsRR 08070 com dois anos de avaliação de VCU apresentaram ampla
capacidade de adaptação em diferentes ambientes com grande potencial de competição
com os padrões.
Palavras-chave: Glycine Max, Linhagens RR, Fepagro, CCGL TECNOLOGIA
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
60
Fundacep 66RR: Nova Cultivar de Soja RR Tolerante a Ferrugem Asiática
T. Roversi1; C.Steckling1, J.S.da S. Bruinsma1; C. Wesp-Guterres1
1
CCGL TECNOLOGIA, RS 342, KM 149, CX. P. 10. CEP 98105 970
[email protected]; [email protected]
- Cruz Alta, RS,
Resumo: O Estado do Rio Grande do Sul ocupa o terceiro lugar em área de produção de
soja no Brasil. Nos últimos anos tem sido uma busca frequente por cultivares mais
precoces e mais tolerantes a um número cada vez maior de doenças que atacam a
cultura da soja. Desta forma a linhagem CEPsRR 09040 que deu origem a cultivar
FUNDACEP 66RR, foi avaliada por dois anos em 5 distintos locais do estado do Rio
Grande do Sul (Cruz Alta, São Luiz Gonzaga, Santa Rosa, Cachoeira do Sul e Capão
Bonito do Sul) comparando com as testemunhas NK 7059RR e BRS 255RR. Na média
de dois anos a linhagem obteve um rendimento médio de 3017 kg.ha-1, contra 3001
kg.ha-1 da média das duas testemunhas. As principais características da cultivar
FUNDACEP 66RR são: grupo de maturidade 6.0, flor roxa, pubescência cinza, tipo de
crescimento indeterminado, apresenta porte alto, porém é resistente ao acamamento.
habito de crescimento semi-ereto, cor do hilo preto Imperfeito e elevado peso de cem
sementes (média de 20,0 g). Com relação a doenças, apresenta Moderada Resistência a
Pústula Bacteriana, Crestamento Bacteriano, Oídio, Mancha Olho de Rã, Podridão Parda
da Haste e Podridão Vermelha da Raiz. É Moderadamente Tolerante ao Nematóide de
Galha M. javanica. Resistente a Cancro da Haste e a Podridão de Fitóftora. Apresenta
tolerância a Ferrugem Asiática (Phakopsora pachyrhizi), porém recomenda-se realizar no
mínimo uma aplicação de fungicida para ferrugem asiática, evitando-se assim uma
pressão de seleção sobre a população do fungo, minimizando a probabilidade da perda
da tolerância. Tendo em vista que as microrregiões extrapolam os limites do Estado do
RS, a mesma também está sendo recomendada para cultivo nos estados de SC, PR e
SP nas microrregiões semelhantes.
Palavras-chave: Tolerância a Phakopsora pachyrhizi, Glycine max
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
61
Sementes de Soja Recobertas com Calcário Dolomítico e Caulim
C.A. Rufino1, L.C. Tavares1, A.L. Oliveira1, A.P. Brunes,1, E.S. Lemes, S. Oliveira, A. C. S.
A. Barros2
1
Pós-Graduandos em Ciência e Tecnologia de Sementes, Universidade Federal de Pelotas, (UFPel). E-mail:
2
[email protected]. Professor Dr. em Ciência e Tecnologia de Sementes, Universidade Federal
de Pelotas, (UFPel), Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel (FAEM).
Resumo: O objetivo do presente trabalho foi avaliar o desempenho de sementes
de soja recobertas com calcário dolomítico e caulim. O delineamento experimental
adotado foi inteiramente casualizado. Os tratamentos consistiram de combinações de
duas cultivares de soja e calcário dolomítico e caulim, em esquema fatorial 2 X 4 (Fator A:
cultivar “BRS 243 RR e CD 233 RR” e Fator B: calcário dolomítico e caulim, calcário
dolomítico, caulim e testemunha), totalizando 8 tratamentos, com quatro repetições. As
fontes de nutrientes utilizadas, calcário dolomítico (cálcio e magnésio) e caulim (silício)
foram aplicadas na dose de 50 g/100kg de sementes. As variáveis analisadas foram área
foliar, altura de planta e matéria seca da parte aérea aos 10, 20 e 30 dias após a
emergência (DAE). Conclui-se que o recobrimento de sementes de soja com calcário
dolomítico e caulim promove maior massa seca de planta aos 30 dias após a emergência
(DAE) especialmente para cultivar BRS 243 RR e proporciona maior altura de planta aos
10 DAE. A cultivar CD 233 RR apresenta desempenho superior ao da cultivar BRS 243
RR, quando o recobrimento de sementes é realizado com calcário dolomítico e caulim
para altura de planta, aos 10 e 20 DAE, e os tratamentos com calcário dolomítico +
caulim combinados e caulim isolado proporcionam maior área foliar aos 30 DAE.
Palavras-chave: Glycine max (L.) Merrill, recobrimento de sementes, nutrientes.
INTRODUÇÃO
A soja (Glycine max L. Merril), é uma espécie de origem asiática, sendo a
oleaginosa mais cultivada no mundo, representando um dos principais itens de
exportação do agronegócio brasileiro. O Brasil é o segundo maior produtor de soja tendo
grande expansão na década 90, quando a produção nacional passou de 23 para 68
milhões de toneladas na safra 2010/2011 (CONAB, 2011). Entre os vários fatores de
produção, pode-se destacar a necessidade do uso de uma adubação equilibrada, que
deve incluir não apenas os macronutrientes primários e secundários, mas também os
micronutrientes, os quais ainda não são considerados na rotina das adubações pela
maioria dos agricultores (NAVA, 2008). Os nutrientes podem ser fornecidos à soja pela
aplicação via solo, via foliar, ou pela aplicação via semente (VITTI e TREVISAN, 2000).
O silício é considerado, para as fabáceas, um elemento de absorção
intermediária, mas de elevada importância, pois, em muitas situações, tem proporcionado
maiores tolerâncias a estresses bióticos e abióticos (RUFINO, 2010). Vários estudos
demonstram o envolvimento do silício (Si) em vários aspectos estruturais, fisiológicos e
bioquímicos na vida das plantas, apresentando importante papel na relação solo-plantaambiente.
É essencial que mais pesquisas sejam realizadas visando relacionar a eficiência da
aplicação de elementos essenciais e não essenciais na qualidade fisiológica das
sementes, uma vez que a agricultura de alta qualidade começa com a utilização de
sementes de alta qualidade, refletindo assim, em maiores rendimentos e produtividades.
Contudo, a utilização de métodos e tecnologias de produção, como a do recobrimento de
sementes, vem sendo uma exigência do mercado cada vez mais competitivo, garantindo
a emergência de plântulas mais vigorosas e com alto potencial de produção.
Nesse contexto objetivou-se no presente estudo avaliar o desempenho
agronômico de duas cultivares de soja, oriundas de sementes recobertas com calcário
dolomítico e caulim.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
62
MATERIAL E MÉTODOS
O trabalho foi conduzido no Laboratório Didático de Análise de Sementes LDAS e
em casa de vegetação, na Faculdade de Agronomia “Eliseu Maciel” (FAEM),
Universidade Federal de Pelotas, no período de 2009/2010.
Foi semeado em casa de vegetação 12 sementes de soja por balde, e
posteriormente, realizado o desbaste restando três plantas (as mais vigorosa). As
avaliações em casa de vegetação foram realizadas aos 10, 20 e 30 dias após
emergência (DAE).
O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, com quatro repetições
(para os vasos em casa de vegetação). Os tratamentos consistiram das combinações de
calcário dolomítico e caulim, em esquema fatorial 2 X 4 (Fator A: cultivar “BRS 243 RR e
CD 233 RR” e Fator B: calcário dolomítico (Ca e Mg) e caulim (Si), calcário dolomítico,
caulim e testemunha), totalizando 8 tratamentos. A dose utilizada para ambas as fontes,
calcário dolomítico e caulim no recobrimento das sementes foi de 50 g por 100 kg -1 de
sementes.
As sementes foram recobertas com os seguintes produtos: foi adotada a sequência
de fungicida marca comercial Maxim-XL® (fludioxonil + metalaxyl, com 25 g.l-1 + 10 g.l-1,
respectivamente), na dosagem de 100 mL.100 kg-1 de sementes, após calcário dolomítico
e caulim e por fim recobertas com polímero (Sepiret®) na dose de 300 ml/ 100 kg de
sementes. No recobrimento foi adicionada a mesma proporção de água do volume final,
proporcionando um volume de calda (fungicida + nutrientes + polímero + água) de 700
ml/100 kg de sementes. A metodologia do recobrimento das sementes utilizada foi a
metodologia proposta por NUNES (2005).
A forma do silício utilizada foi o caulim, que é uma argila que passa por uma série
de classificações de tamanho e processos de refinamento para remover metais pesados,
impurezas e melhorar sua brancura, resultando em um pó esbranquiçado, rocha moída,
não tóxico, que contém 77,9% de SiO2 e pH 5,5. A fonte de cálcio e magnésio utilizada
para o experimento foi o calcário dolomítico, que é um produto obtido pela moagem da
rocha calcária. Seu principal constituinte é o carbonato de cálcio - CaCO3., que contém 32
% de CaO (Óxido de Cálcio) e 16 % MgO (Óxido de Magnésio) reatividade de 73 % e
PRNT de 70 %.
A unidade experimental foi representada por um balde contendo 3 plantas,
totalizando 32 unidades experimentais.
Os dados obtidos foram submetidos à análise da variância e, na presença de
interação significativa, procederam-se os desdobramentos necessários e avaliados por
comparações de médias, pelo do teste de Tukey ao nível de 5% de significância. Para a
análise estatística foi utilizado o Sistema de Análise Estatística para Windows – WinStat –
Versão 2.0 (Machado e Conceição, 2003).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na Tabela 1, verifica-se de maneira geral que para variável altura de planta as
cultivares não diferiram entre si, nos períodos de avaliação 10, 20 e 30 dias após a
emergência (DAE), podendo-se destacar que a combinação de calcário dolomítico +
caulim apresentou influência positiva em relação aos demais tratamentos 10 DAE na
cultivar BRS 243 RR, aos 20 DAE em ambas cultivares estudadas e aos 30 DAE na
cultivar BRS 243RR.
No tocante a Tabela 2, pode-se constatar que a cultivar BRS 243 RR foi superior a
cultivar CD223 RR na produção de massa seca de planta na avaliação aos 10 e 30 DAE,
entretanto o tratamento testemunha foi superior aos demais na cultivar CD223 RR nas
avaliações realizadas aos 10 e 30 DAE. A combinação do calcário dolomítico + caulim
apresentou influencia positiva na cultivar BRS 243 RR nas avaliações realizadas aos 10 e
20 DAE. No que diz respeito à área foliar (tabela 3) a cultivar BRS243 RR apresentou-se
superior estatisticamente a cultivar CD233 RR nas avaliações 10 e 20 DAE. Harter e
Barros (2011) realizaram um experimento com aplicação aérea de caulim e calcário
dolomítico em plantas de soja, e concluíram que houve benefícios na qualidade das
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
63
sementes produzidas após a aplicação aérea, porém não encontraram aumentos na
produtividade.
CONCLUSÕES
O recobrimento de sementes de soja com calcário dolomítico e caulim promove
maior massa seca de planta aos 30 dias após a emergência (DAE) especialmente para
cultivar BRS 243 RR e proporciona maior altura de plantas aos 10 DAE.
A cultivar CD 233 RR apresenta desempenho superior ao da cultivar BRS 243 RR,
quando o recobrimento de sementes é realizado com calcário dolomítico e caulim para
altura de planta, aos 10 e 20 DAE, e os tratamentos com calcário dolomítico + caulim
combinados e caulim isolado proporcionam maior área foliar aos 30 DAE.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONAB, Companhia Nacional de Abastecimento. Acompanhamento de safra
brasileira: grãos, Quarto levantamento, janeiro 2011 / Companhia Nacional de
Abastecimento.
–
Brasília
:
Conab,
2011.
Disponível
em:
http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/11_01_06_08_41_56_boletim_grao
s_4o_lev_safra_2010_2011..pdf Acessado: 25 de janeiro de 2011.
HARTER, F. S. ; BARROS, A. C. S. A. Cálcio e silício na produção e qualidade de
sementes de soja. Revista Brasileira de Sementes, v.33, n.1, p. 54-60. 2011.
NUNES, J.C. Tratamento de semente - qualidade e fatores que podem afetar a sua
performance em laboratório. Syngenta Proteção de Cultivos Ltda. 2005. 16p.
NAVA, I. A. Produtividade da soja em função da aplicação de fertilizantes comerciais
formulados com diferentes fontes de zinco e fitodisponibilidade dos metais
pesados tóxicos cádmio, chumbo e cromo. Marechal Candido Randon, 2008 – 56 f.
Dissertação (Mestrado). Programa de Pós-Graduação em Agronomia.
VITTI, G.C.; TREVISAN, W. Manejo de macro e micronutrientes para alta produtividade
da soja. Informações Agronômicas, Piracicaba, n.90, 2000. 16p. (Encarte técnico).
RUFINO, C. A.; TAVERES, L. C.; TRZECIAK, M. B.; DORR, C. S.; BARROS, A. C. S. A.
Acúmulo de matéria seca e área foliar em plantas de soja submetidas ao recobrimento de
sementes com cálcio e silício. XII Enpos, II Amostra Científica, Universidade Federal de
Pelotas, 2010.
Summary: The objective of this study was to evaluate the performance of soybean
seeds coated with lime and kaolin. The experiemental design was completely
randomized. Treatments consisted of combinations of two soybean cultivars and
dolomitic limestone and kaolin, in a factorial 2 X 4 (Factor A: 'BRS 243 RR 233 RR and
CD "and Factor B: lime and kaolin, limestone, kaolin and control), totaling eight
treatments with four replications. The nutrient sources used, dolomitic lime (calcium and
magnesium) and kaolin (silicon) were applied at a dose of 50 g/100kg seed. The
variables analyzed were leaf area, plant height and shoot dry matter at 10, 20 and 30
days after emergence (DAE). It is concluded that the coating of soybean seeds with
lime and kaolin is a viable alternative, because it promotes greater plant dry matter at
30 DAE especially in BRS 243 RR and influences also increased plant height at 10
DAE. The cultivar CD 233 RR covered with limestone and kaolin promotes greater plant
height at 10 and 20 DAE and the treatments with dolomitic limestone and kaolin +
kaolin combined isolates provide greater leaf area at 30 DAE.
Key words: Glycine max (L.) Merrill, seeds coating, nutrients.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
64
Tabela 1. Altura de planta (AP), de plantas de soja recobertas com calcário dolomítico e caulim aos 10, 20 e 30 dias após a emergência.
Altura de Plantas (cm)
TRATAMENTO
10 dias
20 dias
30 dias
CD223RR
BRS243RR
CD223RR
BRS243RR
CD223RR
BRS243RR
Calcário dolomítico + caulim
13,3 B
15,3 A
34,4 A
27,3 A
46,6 A
41,8 B
Calcário dolomítico
11,5 C
12,5 B
27,8 B
26,7 A
37,1 C
42,6 B
Caulim
12,8 B
10,9 C
22,5 C
26,4 A
39,4 B
51,5 A
Testemunha
16,2 A
11,9 B
27,4 B
25,1 A
42,6 B
38,5 C
Média
13,0 a
12,2 a
27,6 a
26,6 a
41,0 a
42,2 a
C.V. (%)
5,87
6,86
5,45
*Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha e pela mesma letra maiúscula na coluna, em cada período não diferem estatisticamente entre si, pelo teste Tukey a 5% de
probabilidade.
Tabela 2. Massa seca de plantas (MSP), de soja recobertas com calcário dolomítico e caulim aos 10, 20 e 30 dias após a emergência.
TRATAMENTO
Calcário dolomítico + caulim
Calcário dolomítico
Caulim
Testemunha
Média
C.V. (%)
10 dias
CD223RR
BRS243RR
226 B
288 A
250 B
298 A
148 C
298 A
335 A
125 B
238,1 b
293,0 a
18,9
Massa Seca de plantas (mg.pl-1)
20 dias
CD223RR BRS243RR
Média
1244 a
1223 a
1233,5 B
1466 a
1648 a
1556,8 B
1287 a
1423 a
1354,8 B
2274 a
2231 a
2252,3 A
1376,3
1535,2
18,15
30 dias
CD223RR
BRS243RR
4105 B
5576 A
3224 B
3462 B
2580 C
3960 B
4984 A
4669 B
3664,5 b
4314,5 a
12,0
*Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha e pela mesma letra maiúscula na coluna, em cada período não diferem estatisticamente entre si, pelo teste Tukey a 5% de
probabilidade.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
65
Tabela 3. Área foliar (AF), de plantas de soja recobertas com calcário dolomítico e caulim aos 10, 20 e 30 dias após a emergência.
TRATAMENTO
Calcário dolomítico + caulim
Calcário dolomítico
Caulim
Testemunha
Média
C.V. (%)
10 dias
CD223RR
BRS243RR
67,4 b B
130,6 a A
65,1 b B
99,2 a B
104,8 a A
95,7 a B
80,3 b A
100,5 a B
9,97
5,87
Área Foliar (cm2)
20 dias
CD223RR
BRS243RR
329,6
565,6
303,6
347,0
263,4
392,0
393,5
413,6
316,6 b
402,8 a
30 dias
CD223RR
BRS243RR
855,8 A
707,2 B
840,7 A
758,1 A
413,0 C
620,8 C
677,2 B
637,3 C
758,9 a
672,2 b
11,55
6,02
*Médias seguidas pela mesma letra minúscula na linha e pela mesma letra maiúscula na coluna, em cada período não diferem estatisticamente entre si, pelo teste Tukey a 5% de
probabilidade.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
66
Cultivar de Soja
TEC 5833IPRO
C. Steckling1, T. Roversi1, M.A. Bianchi1, J.S.da S. Bruinsma1
1
CCGL TEC, RS 342, km 149, 98000-970, Cruz Alta, RS. E-mail: [email protected],
[email protected]
Resumo: A cultura da soja é a principal fonte de proteína para a indústria de alimentos, e
apesar do aumento do rendimento e da área cultivada, a crescente demanda mundial tem
baixado os estoques e impulsionado novas técnicas para aumento do rendimento. A
tecnologia INTACTA RR2 PROTM vem ao encontro da necessidade de aumentar o
rendimento da cultura. É uma tecnologia que agrega em um único individuo resistência às
lagartas da soja, ao herbicida glifosato e aumento de rendimento. O presente trabalho tem
por objetivo caracterizar a cultivar de soja TEC 5833IPRO, que apresenta a tecnologia
INTACTA RR2 PROTM. A então linhagem CEPsBt 09033 foi testada em experimentos de
VCU nas safras 2010/11 e 2011/12. Apresentou rendimento 7,0% superior a média dos
padrões (NA 5909RG e NK 7059RR) do grupo de maturidade na média da região de
registro. Apresenta tipo de crescimento indeterminado, flor branca, pubescência cinza
escuro, sementes de hilo cor marrom claro, peroxidase positiva, grupo de maturidade 5.8,
portanto precoce para os padrões da microrregião sojícola - MR 102, 103, 201 e super
precoce para a MR 202 e 204 para as quais está registrada. Apresenta porte médio a alto e
se destaca pelo excelente potencial produtivo e alto peso de cem sementes (17,5 g).
Apresenta resistência ao Cancro da Haste, PPH, Cercospora sojae e a podridão radicular
de fitoftora. Moderada suscetibilidade ao nematóides de galha (M. javanica). Com base nas
características informadas, pode ser usado em áreas de rotação com pecuária e na
abertura de semeadura, respeitando os prazos do vazio sanitários de cada estado e
também do zoneamento agrícola de cada região.
Palavras-chave: Glycine max, resistência às lagartas da soja, TEC 5833IPRO.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
67
Cultivar de Soja
TEC 5721 IPRO
C. Steckling1, T. Roversi1, M.A. Bianchi1, J.S.da S. Bruinsma1
1
1
CCGL TEC, RS 342, km 149, 98000-970, Cruz Alta, RS. E-mail CCGL TEC, RS 342, km 149, 98000-970,
Cruz Alta, RS. E-mail: [email protected], [email protected]
Resumo: A cultura da soja é a principal fonte de proteína para a indústria de alimentos, e
apesar do aumento do rendimento e da área cultivada, a crescente demanda mundial tem
baixado os estoques e impulsionado novas técnicas para aumento do rendimento. A
tecnologia INTACTA RR2 PROTM vem ao encontro da necessidade de aumentar o
rendimento da cultura. É uma tecnologia que agrega em um único individuo resistência às
lagartas da soja, ao herbicida glifosato e aumento de rendimento. O presente trabalho tem
por objetivo caracterizar a cultivar de soja TEC 5721IPRO, que apresenta a tecnologia
INTACTA RR2 PROTM. A linhagem CEPsBt 09021 foi testada em experimentos de VCU nas
safras 2010/11 e 2011/12. Apresentou rendimento 8,2% superior a média dos padrões (NA
5909RG e NK 7059RR). Apresenta tipo de crescimento indeterminado, flor branca,
pubescência marrom escuro, grupo de maturidade 5.7, portanto precoce para os padrões
da microrregião sojícola - MR 102, 201 e super precoce para a MR 202 e 204 para as quais
está registrada. Apresenta porte baixo, hilo de coloração marrom médio e reação a
peroxidase negativa, e se destaca pelo excelente potencial produtivo. Apresenta resistência
a Cancro da Haste e PPH, suscetível aos nematoides de galha e cisto, suscetível a
podridão radicular de fitóftora. Com base nas características informadas, se recomenda a
sua utilização em áreas de rotação de cultivo em solos de alta fertilidade, não compactados
e com boa drenagem sem histórico de ocorrência de fitóftora.
Palavras-chave: Glycine max, INTACTA RR2 PROTM, resistência às lagartas da soja.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
68
Cultivar de Soja
TEC 5936 IPRO
C. Steckling1, T. Roversi1, M.A. Bianchi1, J.S.da S. Bruinsma1
1
CCGL TECNOLOGIA, RS 342, KM 149, CX. P. 10. CEP 98105 970 - Cruz Alta, RS,
[email protected]; [email protected]
Resumo: A crescente demanda por alimentos torna a cultura da soja a principal fonte de
matéria prima na produção de alimentos no mundo. A tecnologia INTACTA RR2 PROTM vem
ao encontro da necessidade de aumentar o rendimento da cultura. É uma tecnologia que
agrega em um único individuo resistência às lagartas da soja (gene Cry1Ac): Anticarsia
gemmatalis (lagarta da soja), Pseudoplusia includens e Rachiplusia nu (falsa medideira),
Crocidosema aporema (broca das axilas) e Heliothis virescens (Lagarta da maça do
algodão); resistência ao herbicida glifosato (gene CP4) e aumento de rendimento. O
presente trabalho tem por objetivo caracterizar a cultivar de soja TEC 5936IPRO, que
apresenta a tecnologia INTACTA RR2 PROTM. A linhagem CEPsBt 09036 foi testada em
experimentos de VCU nas safras 2010/11 e 2011/12. Apresentou rendimento 11,1%
superior a média dos padrões (NA 5909RG e NK 7059RR) do grupo de maturidade na
média da região de registro. Apresenta tipo de crescimento indeterminado, flor roxa,
pubescência cinza escura, grupo de maturidade 5.9, portanto precoce para os padrões da
microrregião sojícola - MR 102, 103, 201 e super precoce para a MR 202 e 204 para as
quais está registrada. Apresenta porte médio a alto, hilo de coloração marrom claro e
reação a peroxidase negativa, e se destaca pelo excelente potencial produtivo. Apresenta
resistência a cancro da haste e PPH, moderada tolerância a nematóides de galha (M.
javanica) e a oídio, resistente a podridão radicular de fitóftora. Indicamos seu cultivo
preferencial para o início da época recomendada para semeadura. Porém vai apresentar
bom desempenho durante todo o período indicado pelo zoneamento agrícola.
Palavras-chave: Glycine max, INTACTA RR2 PROTM, Resistência às lagartas da soja
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
69
Cultivar de Soja
TEC 7849 IPRO
C. Steckling1, T. Roversi1, M.A. Bianchi1, J.S.da S. Bruinsma1
1
CCGL TECNOLOGIA, RS 342, KM 149, CX. P. 10. CEP 98105 970 - Cruz Alta, RS,
[email protected]; [email protected]
Resumo: A crescente demanda por alimentos torna a cultura da soja a principal fonte de
matéria prima na produção de alimentos no mundo. A tecnologia INTACTA RR2 PROTM vem
ao encontro da necessidade de aumentar o rendimento da cultura. É uma tecnologia que
agrega em um único individuo resistência às lagartas da soja (gene Cry1Ac): Anticarsia
gemmatalis (lagarta da soja), Pseudoplusia includens e Rachiplusia nu (falsa medideira),
Crocidosema aporema (broca das axilas) e Heliothis virescens (Lagarta da maça do
algodão); resistência ao herbicida glifosato (gene CP4) e aumento de rendimento. O
presente trabalho tem por objetivo caracterizar a cultivar de soja TEC 7849IPRO, que
apresenta a tecnologia INTACTA RR2 PROTM. A linhagem CEPsBt 09049 foi testada em
experimentos de VCU nas safras 2010/11 e 2011/12. Apresentou rendimento 3.202 kg ha-1,
11,4% superior à média dos padrões (BMX Potencia RR e BRS 246 RR) nas microrregiões
sojícolas (MR) 102 e 201. Rendimento 4.392 kg ha-1, 21,8% superior aos padrões (BMX
Potencia RR e DM 7.0i) na MR 204. Rendimento de 5.035 kg ha-1, 29,2% superior a média
dos padrões (Anta 82 e M7211RR) na MR 301 e rendimento de 3.760 kg ha-1, 16,4%
superior as cultivares M7639RR e P98y11 na MR 401. Apresenta tipo de crescimento
indeterminado, flor branca, pubescência cinza clara, grupo de maturidade 7.8, contudo por
apresentar ausência de juvenilidade e alta sensibilidade ao fotoperíodo crítico, quando
cultivado em latitudes menores, reduz significativamente o ciclo vegetativo, comportando
nessas situações como GM 6.9. Apresenta porte alto, hilo de coloração marrom claro e
reação à peroxidase negativa. Tem como grande diferencial o excelente potencial
produtivo. Apresenta resistência a cancro da haste e PPH, moderada tolerância ao
nematóides de galha (M. javanica) e a oídio.
Palavras-chave: Glycine max, resistência às lagartas da soja.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
70
Avaliação de Cultivares de Soja RR GM 5, da Rede
Soja Sul de Pesquisa, Irrigadas por Aspersão em Bagé
F. de J. Vernetti Junior1
1
Embrapa Clima Temperado.BR 392 Km 78.Caixa Postal 403, CEP 96010-971- Pelotas, RS.
[email protected]
Resumo: As cultivares de soja do grupo de maturidade GM 5 provenientes dos programas
de melhoramento das instituições integrantes da rede Soja Sul de Pesquisa foram
avaliadas na Embrapa Pecuária Sul (Bagé) em condições de solo de coxilha, conduzidas
sob condições irrigadas (pivô central), nos anos agrícolas 2010/11 e 2011/12. O ensaio foi
composto por 11 cultivares no primeiro ano e por 15 no último ano. A produtividade média
obtida foi de 3.544 e 4.044 kg ha-1, respectivamente em 2010/11 e 2011/12. As cultivares
NS 4823 e BMX Ativa RR considerando os dois anos de avaliação apresentaram as
maiores produtividades de grãos, superando, respectivamente, em 18% e 10% a
produtividade média geral daquele periodo. Além destas duas cultivares destacam-se BMX
Turbo, SYN 1158RR, SYN 1157RR e SYN 1059RR, todas com produtividades acima de
4171 kg ha-1. Os resultados obtidos indicam que em condições de irrigação por aspersão
os genótipos do GM 5 podem ser cultivados sem restrições na região da Campanha, sul do
estado do Rio Grande do Sul (REC 101 da macroregião sojícola 1).
Palavras-chave: Glycine max, melhoramento genético
INTRODUÇÃO
As empresas obtentoras de cultivares recomendam genótipos de grupos de
maturidade (GM) 5 ou ainda inferiores para o Rio Grande do Sul, exceto para a metade
sul do estado, principalmente devido a ocorrência freqüente de estiagens nessa região.
As cultivares deste GM por serem genótipos de ciclo precoce tendem a demandar maior
nível tecnológico, melhor estruturação e fertilidade do solo, ajustes em época de
semeadura, no arranjo de plantas e melhor distribuição de chuvas durante seu
desenvolvimento.
Dessa forma, a Embrapa Clima Temperado em parceria com a Embrapa Pecuária
Sul, conduziram ensaios que avaliaram características agronômicas de cultivares
registradas deste GM, no município de Bagé. Considerando que as estiagens são
recorrentes nessa região, este trabalho tem o objetivo de fornecer à assistência técnica,
produtores e obtentores de cultivares, informações regionalizadas sobre o desempenho
agronômico de cultivares registradas de soja GM 5 RR, quando mantidas sob irrigação e
comparadas nas mesmas condições de manejo dentro de cada grupo de maturidade.
MATERIAL E MÉTODOS
O grupo de maturidade GM 5 abrange cultivares dos grupos quatro longo (4.5 a 4.9),
cinco curto (5.0 a 5.4) e cinco longo (5.5 a 5.9), conforme Tabela 1.
Os ensaios foram conduzidos em blocos casualizados, com três repetições. Cada
parcela constou de quatro linhas com 5,0 m de comprimento e espaçadas em 0,5 m,
buscando-se obter uma população entre 250.000 e 300.000 plantas ha-1. A fertilização do
solo, tratos culturais e manejo da cultura seguiram indicações técnicas vigentes para a
soja no sul do Brasil (REUNIÃO..., 2010). O experimento recebeu suplementação de
água por aspersão através de um pivô central Foking. O controle foi realizado através do
monitoramento de umidade do solo pelo sensor “watermark”, que mede a tensão com
que a água encontra-se retida pelo arranjo das partículas de solo.
Das avaliações constaram a produtividade de grãos das duas linhas centrais da
parcela, área útil de 4,0 m2, sendo estimado o rendimento de relativo de grãos de cada
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
71
cultivar, em comparação à média de rendimento de todas cultivares nos dois anos em
cada ambiente (locais).
Os resultados foram submetidos à análise de variância através do teste F, e as
médias dos fatores foram avaliadas pelo Teste de Tukey (p ≤ 0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos pelos ensaios do GM 5 em Bagé/RS, apresentaram um
desempenho agronômico bastante satisfatório. A média dos rendimentos de grãos dos
ensaios nos dois anos considerados foram superiores a média de produtividade de soja
obtida no Rio Grande do Sul nas safras 2010/11 e 2011/12.
As produtividades de grãos obtidas foram 3.544 kg ha-1 e 4044 kg ha-1,
respectivamente em 2010/11 e 2011/12 (Tabela 2). As análises de variância para este
parâmetro não foram significativas, bem como o teste de comparação de médias nos dois
anos analisados. Entretanto, em valores absolutos, as cultivares NS 4823 e BMX Ativa
RR considerando-se os dois anos de avaliação apresentaram as maiores produtividades
de grãos, superando, respectivamente, em 18% e 10% a produtividade média geral
daquele período. Analisando-se a média das cultivares que passaram a integrar o
experimento no último ano em relação à média geral dos dois anos e de todas as
cultivares avaliadas (3.794 kg ha-1), além das duas cultivares acima citadas, destacam-se
BMX Turbo, SYN 1158RR, SYN 1157RR e SYN 1059RR, todas com produtividades
acima de 4.171 kg ha-1. Os resultados obtidos com as duas primeiras cultivares citadas
anteriormente vem ao encontro dos resultados obtidos por Bertagnolli et al. (2011), nas
regiões edafoclimáticas 103 e 104, conforme indicações técnicas vigentes (REUNIÃO...,
2010).
A duração média dos subperíodos emergência início da floração e emergência
maturação em 2011/12 foi um pouco mais longa, cerca de 7 dias maior que em 2010/11
(Tabela 3). A altura média das plantas na maturação e a altura de inserção dos legumes
em Bagé foram, em 2010/2011 de 94,9 e 18,9 cm, e em 2011/2012 de 102,8 e 12,7 cm. O
elevado porte não ocasionou acamamento de plantas no primeiro ano. No segundo ano
agrícola a nota média de acamamento foi bastante elevada (3,1), fato que provavelmente
acarretaria em perdas na colheita mecanizada.
CONCLUSÕES
Os resultados obtidos nos dois anos agrícolas com as cultivares de soja avaliadas,
indicam que em condições de irrigação por aspersão os genótipos do GM 5 podem ser
cultivados sem restrições na região da Campanha do Rio Grande do Sul (Região
edafoclimática 101 da macroregião sojícola 1.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REUNIÃO DE PESQUISA DA SOJA DA REGIÃO SUL, 38., 2010, Cruz Alta. Indicações
técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2010/2011
e 2011/2012. Cruz Alta: FUNDACEP/FECOTRIGO, 2010. 168 p.
Summary: Soybean cultivars of maturity group (GM) 5 from breeding programs of the
Southern Soybean Research Network were evaluated at Embrapa Pecuária Sul (Bagé), in hill
soil, conducted under irrigated conditions (central pivot) in the years of 2010/11 and 2011/12.
The trial were carried out with 11 cultivars in the first and 15 in the last year. The average yield
obtained was 3544 and 4044 kg ha-1 respectively in 2010/11 and 2011/12. The cultivars NS
4823 and BMX Ativa RR considering the two-year evaluation showed the highest grain yield,
exceeding respectively 18% and 10% overall average productivity of that period. Aside from
these two cultivars stand out BMX Turbo 1158RR SYN, SYN and SYN 1157RR 1059RR, all
them with yields above 4171 kg ha-1. The results indicate that under sprinkler irrigation GM 5
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
72
genotypes can be grown without restrictions in the Campanha region, the southern state of
Rio Grande do Sul (REC 101 macroregião sojícola one).
Key words: Glycine max, plant breeding.
Tabela 1. Cultivares de soja RR, dos grupos de maturidade (GM) 5, da Rede Soja Sul de
Pesquisa, registradas para cultivo no sul do Brasil. Embrapa Clima Temperado, 2012
2010/11
A4725 RG
BMX Energia RR
DonMario 5.8i
BMX Ativa RR
CD 250RR STS
FTS Cafelândia RR
Fundacep 62RR
NA4990 RG
NS4823
CD 225RR
Fundacep 63RR
-
2011/12
A4725RG
BMX Energia RR
DonMario 5.8i
BMX AtivaRR
CD 250 RR STS
FTS Cafelândia
Fundacep 62 RR
NA4990RG
NS4823
BMX Turbo RR
CD 215 RR
SYN 1152 RR
SYN 1157RR
SYN 1158 RR
SYN 1059RR
Empresa obtentora
Nidera Sementes Ltda
Brasmax
Brasmax
Brasmax
Coodetec
FT Sementes RS
Fundacep
Nidera Sementes Ltda
Nidera Sementes Ltda
Coodetec
Fundacep
Brasmax
Coodetec
Syngenta
Syngenta
Syngenta
Syngenta
GM
5.3
5.0
5.5
5.6
5.5
5.6
5.8
5.5
5.3
5.8
4.9
5.8
5.9
5.2
5.7
5.8
5.9
Tabela 2 - Produtividade de grãos (kg ha-1) e produtividade relativa à média do ensaio de
cultivares de soja RR, GM 5, em Bagé, conduzido sob irrigação por aspersão. Embrapa
Clima Temperado, 2012
-1
Cultivares
NS4823
SYN1059RR
BMX Ativa RR
BMX Energia RR
SYN1157RR
BMX Turbo RR
SYN1158 RR
CD 250RR STS
Don Mario 5.8i
A4725 RG
FTS Cafelândia
Fundacep 62 RR
NA4990 RG
SYN1152 RR
CD 225 RR
Fundacep 63 RR
CD215RR
Média
CV
1
2010/11
2
4319 a
4217 a
3502 a
3420 a
3379 a
3335 a
3802 a
3131 a
3594 a
3149 a
3132 a
3544
12,5
Produtividade Kg ha
2011/12
4625 a
4528 a
4124 a
4437 a
4256 a
4211 a
4208 a
4315 a
4137 a
4102 a
3239 a
3874 a
3401 a
3697 a
3512 a
4044
15,4
1
Média
4472
4528
4171
3970
4256
4211
4208
3868
3758
3719
3521
3503
3498
3697
3149
3132
3512
3794
% relativa à média
geral
118
112
110
105
105
104
104
102
99
98
93
92
92
91
89
88
87
Média da cultivar nos dois anos quando há. 2Teste de Tukey (5%).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
73
Tabela 3 - Duração média dos subperíodos à partir da emergência (E) ao início da
floração (IF) e da emergência à maturidade (M), altura de planta (AP), altura de inserção
dos legumes (AI) e nota média de acamamento (ACAM.) do ensaios de cultivares de
soja RR, GM 5, em Bagé, conduzidos sob irrigação por aspersão, nos anos agrícolas
2010/11 e 2011/12. Embrapa Clima Temperado, 2012
Cultivares
A4725 RG
Don Mario 5.8i
BMX Ativa RR
BMX Energia
RR
CD 225 RR
CD 250RR
STS
FTS Cafelândia
Fundacep 62
RR
Fundacep 63
RR
NA4990 RG
NS4823
BMX Turbo RR
SYN1158 RR
CD215RR
SYN1157RR
SYN1152 RR
SYN1059RR
Média
E - IF
43
48
49
49
E-M
105
114
114
112
2010/2011
AP
84,1
92,1
73,6
90,2
AI
16,9
19,9
17,6
17,9
ACAM.
1,0
1,0
1,0
1,0
52
49
114
112
116,9
103,1
24,2
18,7
1,0
1,0
47
50
118
113
103,9
101,2
20,5
21,5
1,0
1,0
47
103
100,2
19,1
43
43
47
111
108
112
84,6
80,5
94,9
15,9
13,5
18,9
2011/2012
AP
89,4
107,1
71,3
96,9
AI
10,1
16,3
12,7
13,0
ACAM.
3,0
3,0
2,7
3,3
119,1
11,1
3,7
115,2
115,1
8,9
13,2
3,7
3,7
120
-
-
-
-
117
110
122
123
123
122
119
120
119
92,7
90,9
105,1
106,0
108,0
113,6
101,3
110,1
102,8
11,1
10,0
13,0
18,5
12,1
13,5
11,7
14,8
12,7
3,3
1,7
3,7
3,0
3,7
2,7
2,3
3,0
3,1
E - IF
48
54
55
E-M
114
119
118
54
-
119
-
56
56
119
122
1,0
56
-
1,0
1,0
1,0
46
48
56
61
62
56
48
55
54
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
74
Avaliação de Cultivares de Soja RR GM 5, da Rede
Soja Sul de Pesquisa, Irrigadas por Aspersão em Capão do Leão
F. de J. Vernetti Junior1, L.O.B. Schuch2, M. F. Corrêa2
1
Embrapa Clima Temperado.BR 392 Km 78.Caixa Postal 403, CEP 96010-971- Pelotas, RS.
2
[email protected] UFPel [email protected]
Resumo: As cultivares de soja do grupo de maturidade GM 5 provenientes dos programas
de melhoramento das instituições integrantes da rede Soja Sul de Pesquisa foram
avaliadas na Embrapa Clima Temperado (Capão do Leão) em condições de solo de arroz
irrigado, sob condições irrigadas (pivô linear), nos anos agrícolas 2010/11 e 2011/12. O
ensaio foi composto por 11 cultivares no primeiro ano e por 15 no último ano. A
produtividade média obtida no Capão do Leão foram de 2.903 e 2.276 kg ha-1,
respectivamente em 2010/11 e 2011/12. Os maiores rendimentos de grãos, considerandose os dois anos agrícolas, foram alcançados por Fundacep 62 RR (3.093 kg ha-1), CD
225RR (3.042 kg ha-1), Fundacep 63 RR (3.032 kg ha-1), FTS Cafelândia RR (2.875 kg ha-1)
e BMX Energia RR (2.823 kg ha-1). Os resultados obtidos indicam que em condições de
irrigação por aspersão os genótipos do GM 5 podem ser cultivados sem restrições na
região sudeste do Rio Grande do Sul (Região edafoclimática 101 da macroregião sojícola
1).
Palavras-chave: Glycine max, melhoramento.
INTRODUÇÃO
As empresas obtentoras de cultivares recomendam genótipos de grupos de
maturidade (GM) 5 ou ainda inferiores para o Rio Grande do Sul, exceto para a metade
sul do estado, principalmente devido a ocorrência freqüente de estiagens nessa região.
As cultivares deste GM por serem genótipos de ciclo precoce tendem a demandar maior
nível tecnológico, melhor estruturação e fertilidade do solo, ajustes em época de
semeadura, no arranjo de plantas e melhor distribuição de chuvas durante seu
desenvolvimento.
Dessa forma, a Embrapa Clima Temperado conduziu ensaios que avaliaram
características agronômicas de cultivares registradas deste GM, no municípios do Capão
do Leão. Considerando que as estiagens são recorrentes nessa região, este trabalho tem
o objetivo de fornecer à assistência técnica, produtores e obtentores de cultivares,
informações regionalizadas sobre o desempenho agronômico de cultivares registradas de
soja GM 5 RR, quando mantidas sob irrigação e comparadas nas mesmas condições de
manejo dentro de cada grupo de maturidade.
MATERIAL E MÉTODOS
O grupo de maturidade GM 5 abrange cultivares dos grupos quatro longo (4.5 a 4.9),
cinco curto (5.0 a 5.4) e cinco longo (5.5 a 5.9), conforme Tabela 1.
Os ensaios foram conduzidos em blocos casualizados, com três repetições. Cada
parcela constou de quatro linhas com 5,0 m de comprimento e espaçadas em 0,5 m,
buscando-se obter uma população entre 250.000 e 300.000 plantas ha-1. A fertilização do
solo, tratos culturais e manejo da cultura seguiram indicações técnicas vigentes para a
soja no sul do Brasil (REUNIÃO..., 2010). O experimento recebeu suplementação de
água por aspersão através de um pivô linear Valley. O controle foi realizado através do
monitoramento de umidade do solo pelo sensor “watermark”, que mede a tensão com
que a água encontra-se retida pelo arranjo das partículas de solo.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
75
Das avaliações constaram a produtividade de grãos das duas linhas centrais da
parcela, área útil de 4,0 m2, sendo estimado o rendimento de relativo de grãos de cada
cultivar, em comparação à média de rendimento de todas cultivares nos dois anos em
cada ambiente (locais).
Os resultados foram submetidos à análise de variância através do teste F, e as
médias dos fatores foram avaliadas pelo Teste de Tukey (p ≤ 0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos pelos ensaios do GM 5 em Capão do Leão /RS, apresentaram
um desempenho agronômico bastante satisfatório. A média dos rendimentos de grãos
dos experimentos foram superiores a média de produtividade de soja obtida no Rio
Grande do Sul nas safras 2010/11 e 2011/12.
No Capão do Leão, em condições de solo de arroz irrigado (Planossolo Háplico
Eutrófico solódico) as produtividades médias foram de 2.903 e 2.276 kg ha-1,
respectivamente em 2010/11 e 2011/12. As análises de variância para este parâmetro
não foram significativas, bem como o teste de comparação de médias em 2010/11. No
ano seguinte em função de problemas nas 3 repetições da cultivar SYN 1152 RR, houve
diferença significativa no teste de comparação de médias. As cultivares que
apresentaram os maiores rendimentos de grãos, considerando-se os dois anos agrícolas,
foram Fundacep 62 RR (3.093 kg ha-1), CD 225RR (3.042 kg ha-1), Fundacep 63 RR
(3.032 kg ha-1), FTS Cafelândia RR (2.875 kg ha-1) e BMX Energia RR (2.823 kg ha-1),
respectivamente 22%, 20%, 19%, 13% e 11% superior à média dos dois anos agrícolas
analisados .
A duração média dos subperíodos emergência início da floração e emergência à
maturação das plantas em 2010/11 foi um pouco menor que em 2011/12, cerca de 8 e 12
dias respectivamente (Tabela 3). A altura média das plantas na maturação e a altura de
inserção dos legumes (dados não apresentados) em 2010/11 e 2011/12 foram,
respectivamente, de 68,8 cm e 8,8 cm e de 73,2 cm e 9,1 cm. As cultivares A4725 RG,
Fundacep 63 RR, NA4990 RG e NS 4823, provavelmente apresentariam maiores perdas
de colheita devido à baixa altura de inserção dos primeiros legumes no Capão do Leão.
Não houve problemas relacionados a acamamento em nenhum dos anos observados.
CONCLUSÕES
Os resultados obtidos nos dois anos agrícolas com as cultivares de soja avaliadas,
indicam que em condições de irrigação por aspersão os genótipos do GM 5 podem ser
cultivados sem restrições na região edafoclimática (REC) 101 da macroregião sojícola 1,
sul do estado do Rio Grande do Sul.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REUNIÃO DE PESQUISA DA SOJA DA REGIÃO SUL, 38., 2010, Cruz Alta. Indicações
técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2010/2011
e 2011/2012. Cruz Alta: FUNDACEP/FECOTRIGO, 2010. 168 p.
Summary: Soybean cultivars of maturity group (GM) 5 from breeding programs of the
Southern Soybean Research Network were evaluated at Embrapa Clima Temperado (Capão
do Leão) in lowland soils, under irrigated conditions (linear pivot) in the years of 2010/11 and
2011/12. The trial were carried out with 11 cultivars in the first and 15 in the last year. In
Capão do Leão yields were between 2903 and 2276 kg ha-1, respectively in 2010/11 and
2011/12. The highest grain yield, considering both years, were achieved by Fundacep 62RR
(3093 kg ha-1), CD 225RR (3042 kg ha-1), Fundacep 63RR (3032 kg ha-1), FTS Cafelândia RR
(2875 kg ha-1) and BMX Energia RR (2823 kg ha-1). The results indicate that under sprinkler
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
76
irrigation GM 5 genotypes can be grown without restrictions in the southern state of Rio
Grande do Sul
Key words: Glycine max, breeding.
Tabela 1. Cultivares de soja RR, dos grupos de maturidade (GM) 5, da Rede Soja Sul de
Pesquisa, registradas para cultivo no sul do Brasil. Embrapa Clima Temperado, 2012
2010/11
A4725 RG
BMX Energia RR
DonMario 5.8i
BMX Ativa RR
CD 250RR STS
FTS Cafelândia RR
Fundacep 62RR
NA4990 RG
NS4823
CD 225RR
Fundacep 63RR
-
2011/12
A4725RG
BMX Energia RR
DonMario 5.8i
BMX AtivaRR
CD 250 RR STS
FTS Cafelândia
Fundacep 62 RR
NA4990RG
NS4823
BMX Turbo RR
CD215RR
SYN1152 RR
SYN1157RR
SYN1158 RR
SYN1059RR
Empresa obtentora
Nidera Sementes Ltda
Brasmax
Brasmax
Brasmax
Coodetec
FT Sementes RS
Fundacep
Nidera Sementes Ltda
Nidera Sementes Ltda
Coodetec
Fundacep
Brasmax
Coodetec
Syngenta
Syngenta
Syngenta
Syngenta
GM
5.3
5.0
5.5
5.6
5.5
5.6
5.8
5.5
5.3
5.8
4.9
5.8
5.9
5.2
5.7
5.8
5.9
Tabela 2 - Produtividade de grãos (kg ha-1) e produtividade relativa à média do ensaio de
cultivares de soja RR, GM 5, em Capão do Leão conduzidos sob irrigação por aspersão,
nos anos agrícolas 2010/11 e 2011/12. Embrapa Clima Temperado, 2012
Cultivares
Fundacep 62 RR
CD 225 RR
Fundacep 63 RR
FTS Cafelândia
BMX Energia RR
NS4823
BMX Turbo RR
BMX Ativa RR
Don Mario 5.8i
SYN1158 RR
CD 250RR STS
CD215RR
SYN1157RR
SYN1059RR
NA4990 RG
A4725 RG
SYN1152 RR
Média
CV
1
2010/11
2
3153 a
3042 a
3032 a
3123 a
3264 a
3076 a
3097 a
3005 a
2330 a
2897 a
2165 a
2903
14,9
Produtividade Kg ha
2011/12
3032 a
2627 ab
2382 ab
2362 ab
2699 ab
2243 ab
2330 ab
2524 ab
2490 ab
2373 ab
2367 ab
2364 ab
1816 bc
2242 ab
1041 c
2276
14,9
-1
1
Média
3093
3042
3032
2875
2823
2719
2699
2670
2668
2524
2410
2373
2367
2364
2357
2204
1041
2510
% relativa à média
geral
122
120
119
113
111
107
106
105
105
99
95
93
93
93
93
87
41
Média da cultivar nos dois anos quando há. 2Teste de Tukey (5%).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
77
Tabela 3 - Duração média dos subperíodos à partir da emergência (E) ao início da
floração (IF) e da emergência à maturidade (M) e nota média de acamamento (ACAM.)
do ensaios de cultivares de soja RR, GM 5, em Capão do Leão, conduzidos sob irrigação
por aspersão, nos anos agrícolas 2010/11 e 2011/12. Embrapa Clima Temperado, 2012
Cultivares
A4725 RG
Don Mario 5.8i
BMX Ativa RR
BMX Energia RR
CD 225 RR
CD 250RR STS
FTS Cafelândia
Fundacep 62 RR
Fundacep 63 RR
NA4990 RG
NS4823
BMX Turbo RR
SYN1158 RR
CD215RR
SYN1157RR
SYN1152 RR
SYN1059RR
Média
E - IF
37
46
47
47
48
46
43
49
42
35
35
-
2010/2011
E-M
106
115
118
114
111
105
115
110
103
113
106
-
ACAM.
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
-
E - IF
47
49
53
47
36
45
58
56
55
56
47
57
2011/2012
E-M
118
123
122
123
123
126
124
121
114
126
127
127
126
123
124
ACAM.
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
1,0
43
111
1,0
51
123
1,0
48
55
51
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
78
Avaliação de Cultivares de Soja RR GM 6 e 7 da Rede Soja Sul de Pesquisa, em
Jaguarão
F. de J. Vernetti Junior1
1
Embrapa Clima Temperado.BR 392 Km 78.Caixa Postal 403, CEP 96010-971- Pelotas, RS.
[email protected]
Resumo: As cultivares de soja RR do grupo de maturidade GM 6 e 7 provenientes dos
programas de melhoramento das instituições integrantes da rede Soja Sul de Pesquisa
foram avaliadas em Jaguarão, em solo de coxilha no ano agrícola 2011/12. Os ensaios
foram compostos por 26 e 15 cultivares, respectivamente, dos grupos GM 6 e GM 7, que
alcançaram, por sua vez uma produtividade média de 2.174 kg ha-1 e 2.256 kg ha-1 . No
GM 6 destacaram-se as cultivares NA 5909 RG, A 6411 RG, BRS Estância RR,
Fundacep 65 RR, CD 239 RR, Fundacep 58 RR, Fepagro 37 RR, Fundacep 61 RR e
Vmax. As cultivares SYN9070, BRS 246 RR, Fundacep 59 RR, Fundacep 64 RR,
CD231 RR, TMG4001, BRS Pampa RR e CD219 RR foram os destaques no GM 7. A
altura média das plantas na maturação e a altura de inserção dos legumes de ambos
grupos de maturação foram adequados à colheita mecânica. Não houve acamamento.
Palavras-chave: Glycine max, melhoramento genético.
INTRODUÇÃO
A Rede Soja Sul de Pesquisa, composta por empresas estatais e privadas, conduz
ensaios que avaliam características agronômicas de cultivares registradas de diferentes
obtentores, nas mesmas condições de ambiente e manejo, em diversos locais no sul do
Brasil.
O presente trabalho tem como objetivo principal fornecer, aos profissionais da
área de assistência técnica, produtores e obtentores de cultivares, informações
regionalizadas sobre o desempenho agronômico de cultivares registradas de soja
tolerantes ao glifosato dos grupos de maturidade (GM) 6 e 7 na safra 2011/2012, quando
comparadas nas mesmas condições ambientais e de manejo dentro de cada GM.
MATERIAL E MÉTODOS
Vinte e seis cultivares de soja do grupo de maturidade (GM) 6 e quinze cultivares
do GM 7 foram avaliadas no município de Jaguarão, RS em 2011/12 (Tabela 1).
O experimento foi conduzido em um delineamento experimental de blocos ao
acaso, com três repetições. As parcelas foram compostas de quatro linhas de 5 metros
de comprimento, espaçadas de 50 cm entre linhas, com uma área útil de 4 m2.
A fertilização, inoculação das sementes e controle de invasoras e pragas foram
realizados segundo as recomendações técnicas para a cultura (REUNIÃO, 2010). As
datas de semeadura e de emergência dos ensaios foram, respectivamente, 21 e 28 de
novembro de 2011.
No decorrer do ciclo biológico, registraram-se as alturas de planta e de inserção
dos legumes na maturação, o peso de cem sementes, nota média de acamamento, bem
como a produtividade de grãos das cultivares.
Os resultados foram submetidos à análise de variância através do teste F, e as
médias dos fatores foram avaliadas pelo Teste de Tukey (p ≤ 0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise da variância e o teste de comparação de médias (Tukey) foi significativo
para rendimento de grãos entre as cultivares testadas do GM 6 (Tabela 2). A
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
79
produtividade média de grãos do experimento do GM 6 foi de 2.174 Kg ha-1 e
destacaram-se as cultivares NA 5909 RG, A 6411 RG, BRS Estância RR, Fundacep 65
RR, CD 239 RR, Fundacep 58 RR, Fepagro 37 RR, Fundacep 61 RR e Vmax que
apresentaram rendimentos de grãos acima de 2.371 kg ha-1, variando de 9% a 42%
acima da média experimental. Considerando-se os resultados obtidos por Vernetti Jr. et
al. (2011), em experimento similar (GM 6) em Jaguarão, cuja média experimental foi de
2.178 kg ha-1, observa-se pelo segundo ano consecutivo a presença das cultivares
Fepagro 37 RR, CD 239 RR e Fundacep 58 RR entre os maiores rendimentos de grãos
observados.
A altura média das plantas na maturação e a altura de inserção dos legumes
foram, respectivamente, 71,2 e 8,3 cm, valores adequados à colheita mecânica. Não
houve acamamento.
A produtividade média de grãos do experimento do GM 7 foi de 2.256 kg ha-1 e
destacaram-se as cultivares SYN9070, BRS 246 RR, Fundacep 59 RR, Fundacep 64
RR, CD231 RR, TMG4001, BRS Pampa RR e CD219 RR que apresentaram
rendimentos de grãos acima de 2.340 kg ha-1, variando de 4% a 11% acima da média
experimental. Considerando-se os resultados obtidos por Vernetti Jr. et al. (2011), em
experimento similar (GM 7) em Jaguarão, cuja média experimental foi de 2.230 kg ha -1,
observa-se pelo segundo ano consecutivo a presença das cultivares Fundacep 59 RR,
Fundacep 64 RR, BRS Pampa RR e CD 219 RR entre os maiores rendimentos de grãos
observados. A altura média das plantas na maturação e a altura de inserção dos legumes
do experimento do GM 7 foram, respectivamente, 82,1 e 8,3 cm, valores adequados à
colheita mecânica. Não houve acamamento.
CONCLUSÕES
As produtividades de grãos de soja dos experimentos dos GM 6 e 7 foram
superiores à média dos rendimentos verificados na região. No GM 6 destacaram-se as
cultivares BMX Força RR, BRS Tordilha RR, Vmax RR, BMX Potência RR e CD 236 RR.
No GM 7 destacaram-se as cultivares SYN9070, BRS 246 RR, Fundacep 59 RR,
Fundacep 64 RR, CD231 RR, TMG4001, BRS Pampa RR e CD219 RR. A altura de
inserção dos primeiros legumes e o porte das plantas foram adequados à colheita
mecânica.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REUNIÃO DE PESQUISA DA SOJA DA REGIÃO SUL, 38., 2010, Cruz Alta. Indicações
técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2010/2011
e 2011/2012. Cruz Alta: FUNDACEP/FECOTRIGO, 2010. 168 p.
VERNETTI JUNIOR, F.J. et al. Resultados de Pesquisa de Soja na Embrapa Clima
Temperado – 2011. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2011. 122 p. (Embrapa Clima
Temperado, Documentos, 340)
Summary: The RR soybean cultivars of maturity group GM 6 and 7 from the breeding
programs of the Southern Soybean Research Network were evaluated in Jaguarão in hill
soils in the year 2011/12. The tests were composed of 26 and 15 cultivars, of the maturity
groups GM 6 and GM 7, which presented an average yield of 2174 kg ha-1 and 2256 kg
ha-1, respectively. In GM 6 highlights the cultivars NA RG 5909, A 6411 RG, BRS Estância
RR, Fundacep 65 RR, CD 239 RR, Fundacep 58 RR, Fepagro 37 RR Fundacep 61 RR
and Vmax. In the maturity group GM 7 highlights cultivars were the SYN9070, BRS 246
RR, Fundacep 59 RR, Fundacep 64 RR, CD 231 RR, TMG4001, BRS Pampa RR and CD
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
80
219 RR. The average plant height at maturity and height of legume insertion on both
maturity groups were suitable for mechanical harvesting. There are no lodging.
Key words: Glycine max, plant breeding.
Tabela 1 – Cultivares de soja tolerantes ao glifosato, dos grupos de maturidade (GM) seis
e sete, da Rede Soja Sul de Pesquisa, registradas para cultivo no sul do Brasil. Embrapa
Clima Temperado, 2012
Cultivar
A 6411 RG
BMX Força RR
BMX Potencia RR
BRS Estância RR
BRS Tertúlia RR
BRS Tordilha RR
CD 202 RR
CD 206 RR
CD 235 RR
CD 236 RR
CD 239 RR
CD 248 RR
CD 249RR STS
Don Mario 7.0i
(Magna)
Fepagro 37 RR
FTS Campo Mourão
RR
FTS Ipê RR
Fundacep 57 RR
Fundacep 58 RR
Fundacep 61 RR
Fundacep 65 RR
Fundacep 66 RR
NA 5909 RG
Vmax RR
SYN 1161 RR
SYN 1163 RR
GM 6 RR
Empresa
obtentora
Nidera Sementes
Brasmax
Brasmax
Embrapa
Embrapa
Embrapa
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Brasmax
GM
Cultivar
6.2
6.2
6.7
6.1
6.5
6.2
6.4
6.8
6.8
6.4
6.4
6.1
6.7
6.2
BRS 246 RR
BRS Charrua RR
BRS Pampa RR
BRS Taura RR
CD 219 RR
CD 231 RR
CD 238 RR
Fepagro 36 RR
FTS Cascavel RR
FTS Realeza RR
FTS Tapes RR
Fundacep 59 RR
Fundacep 64 RR
Syn 9070RR
Fepagro
FT Sementes RS
6.1
6.6
TMG 4001RR
FT Sementes RS
Fundacep
Fundacep
Fundacep
Fundacep
Fundacep
Nidera Sementes
Syngenta
Syngenta
Syngenta
6.7
6.7
6.8
6.0
6.0
6.0
6.1
6.0
6.1
6.3
GM 7 RR
Empresa
obtentora
Embrapa
Embrapa
Embrapa
Embrapa
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Fepagro
FT Sementes RS
FT Sementes RS
FT Sementes RS
Fundacep
Fundacep
Syngenta
TMG
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
GM
7.2
7.2
7.7
7.3
8.1
7.3
7.1
7.1
7.4
7.6
7.4
7.4
7.5
7.1
7.1
81
Tabela 2 - Altura média das plantas (AP) na maturação e de inserção dos primeiros
legumes (AI), acamamento (AC), peso de cem sementes (PCS) e rendimento de grãos
do ensaio de cultivares de soja tolerantes ao glifosato, do grupo de maturidade 6, em
Jaguarão. Embrapa Clima Temperado, 2012
Cultivares
NA 5909 RG
A 6411 RG
BRS Estância RR
Fundacep 65 RR
CD 239 RR
Fundacep 58 RR
Fepagro 37 RR
Fundacep 61 RR
Vmax RR
Fundacep 66 RR
Fundacep 57 RR
CD 206 RR
Don Mario 7.0i RR
SYN 1163 RR
CD 235 RR
BRS Tertúlia RR
BMX Força
BMX Potência RR
FTS Campo Mourão
CD 202 RR
BRS Tordilha
FTS Ipê
CD 236 RR
CD 248 RR
SYN 1161 RR
CD 249 RR
Media
CV (%)
AP
(cm)
71,7
78,3
63,5
56,0
84,7
69,3
63,0
56,3
84,3
80,7
69,0
82,3
63,7
83,7
85,3
62,3
83,3
79,7
64,0
82,0
60,1
70,3
70,0
59,3
56,3
55,0
71,2
AI
(cm)
10,7
7,3
6,3
5,7
10,7
9,0
6,3
6,3
10,7
6,7
6,7
12,0
6,7
9,0
10
7,0
9,3
10,0
9,3
11,3
8,3
10,0
7,0
8,0
7,0
5,7
8,3
AC
PCS
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
17,3
17,7
18,0
17,0
13,0
13,3
16,3
17,7
19,0
20,0
15,0
15,7
14,7
17,0
15,0
16,0
15,7
15,0
17,0
16,3
17,0
15,0
16,0
17,7
16,7
13,0
16,2
Rendimento
-1
(kg ha )
2
3094 a
2942 ab
2679 abc
2630 abcd
2577 abcd
2566 abcd
2521 abcd
2512 abcd
2371 abcd
2270 abcde
2249 abcde
2210 bcde
2195 abcde
2195 abcde
2075 abcde
2036 bcde
2014 bcde
1917 bcde
1835 cde
1827 cde
1825 cde
1736 cde
1668 cde
1648 cde
1625 de
1314 e
2174
15,1
%
1
142
135
123
121
119
118
116
116
109
104
103
102
101
101
95
94
93
88
84
84
84
80
77
76
75
60
1
Percentagem relativa à media geral das cultivares no local. 2 Teste de Tukey (5%)
Tabela 3 - Altura média das plantas (AP) na maturação e de inserção dos primeiros
legumes (AI), acamamento (AC), peso de cem sementes (PCS) e rendimento de grãos
do ensaio de cultivares de soja tolerantes ao glifosato, do grupo de maturidade 7, em
Jaguarão. Embrapa Clima Temperado, 2012
Cultivares
SYN9070
BRS 246 RR
Fundacep 59 RR
Fundacep 64 RR
CD231 RR
TMG4001
BRS Pampa RR
CD219 RR
BRS Charrua
FTS Realeza
BRS Taura
Fepagro 36 RR
CD238 RR
FTS Tapes
Media
CV (%)
AP
(cm)
86,3
86,3
75,7
82,3
80,7
81,0
87,0
88,3
79,3
90,3
85,0
73,7
81,0
80,7
82,1
AI
(cm)
7,3
8,7
7,3
8,3
8,0
7,7
10,0
9,7
9,3
8,7
10,3
6,7
7,0
7,7
8,3
AC
PCS
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
13,3
14,7
14,7
13,0
12,0
12,3
15,0
13,3
13,5
12,3
15,7
14,7
14,7
14,0
13,8
Rendimento
(kg ha-1)
2508 a2
2473 a
2464 a
2420 a
2387 a
2360 a
2354 a
2340 a
2267 a
2157 a
2063 a
1943 a
1942 a
1900 a
2256
15,8
%1
111
110
109
107
106
105
104
104
100
96
91
86
86
84
1
Percentagem relativa à media geral das cultivares no local. . 2 Teste de Tukey (5%)
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
82
Avaliação de Cultivares de Soja RR GM 7, da Rede Soja Sul de Pesquisa, Irrigadas
por Aspersão em Bagé
F. de J. Vernetti Junior1
1
Embrapa Clima Temperado.BR 392 Km 78.Caixa Postal 403, CEP 96010-971- Pelotas, RS.
[email protected]
Resumo: As cultivares de soja RR do grupo de maturidade GM 7 provenientes dos
programas de melhoramento das instituições integrantes da rede Soja Sul de Pesquisa
foram avaliadas na Embrapa Pecuária Sul, em Bagé, em solo de coxilha, conduzidos sob
condições irrigadas (pivot central), no ano agrícola 2011/12. O ensaio foi composto por 14
cultivares que alcançaram uma produtividade média de 3.355 kg ha-1 . Destacaram-se as
cultivares FTS Tapes RR, BRS 246 RR, Fundacep 59 RR, SYN 9070 RR e BRS Taura RR
que apresentaram rendimentos de grãos acima de 3.937 kg ha-1, respectivamente 21%,
17%, 15%, 10% e 7% acima da média experimental. Considerando-se os resultados
obtidos em 2011, neste mesmo experimento (GM 7) em Bagé, cuja média experimental
foi de 2.902 kg ha-1, observa-se pelo segundo ano consecutivo a presença destas
mesmas cultivares, exceto a Fundacep 59 RR que não fez parte dos destaques de
produtividade daquele ano. As produtividades de grãos de soja irrigada do experimento
do GM 7 foi superior à média dos rendimentos verificados sem irrigação na região. A
duração dos subperíodos emergência ao início da floração e à maturação foram
condizentes com as cultivares deste grupo, e a altura de inserção dos primeiros legumes
adequados à colheita mecânica. O elevado porte das plantas ocasionou um grau
bastante alto de acamamento.
Palavras-chave: Glycine max, cultivares.
INTRODUÇÃO
A Rede Soja Sul de Pesquisa, composta por empresas estatais e privadas, conduz
ensaios que avaliam características agronômicas de cultivares registradas de diferentes
obtentores, nas mesmas condições de ambiente e manejo, em diversos locais no sul do
Brasil.
O presente trabalho tem como objetivo principal fornecer, aos profissionais da
área de assistência técnica, produtores e obtentores de cultivares, informações
regionalizadas sobre o desempenho agronômico de cultivares registradas de soja
tolerantes ao glifosato na safra 2011/2012, quando irrigadas e comparadas nas mesmas
condições ambientais e de manejo dentro de cada grupo de maturidade.
MATERIAL E MÉTODOS
A Rede Soja Sul de Pesquisa separa a avaliação de cultivares registradas para
semeadura em grupos de maturidade, no caso, GM 7. Esse grupo compreende cultivares
dos grupos sete curto (7.0 a 7.4), sete longo (7.5 a 7.9) e oito curto (8.0 a 8.5) (Tabela 1).
O experimento foi conduzido na Embrapa Pecuária Sul em parceria com a
Embrapa Clima Temperado, no município de Bagé, RS, em solo caracterizado como
Luvissolo Háplico órtico típico, com suplementação hídrica, prática, entretanto, não
comum na região, especialmente na cultura da soja. Por conta disso, estes dados podem
ser utilizados como indicativos do potencial de produtividade de grãos da cultura nessa
região.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com três
repetições. As parcelas foram compostas de quatro fileiras de 5 metros de comprimento,
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
83
espaçadas de 50 cm entre linhas, com uma área útil de 4 m2.
A fertilização, inoculação das sementes e controle de invasoras e pragas foram
realizados segundo as recomendações técnicas para a cultura (REUNIÃO, 2010). As
datas de semeadura e de emergência dos ensaios foram, respectivamente, 22 e 29 de
novembro de 2011.
No decorrer do ciclo biológico, foram coletados dados referentes ao número de
dias transcorridos da emergência ao início do florescimento, da emergência ao fim do
florescimento e da emergência à maturação fisiológica. Registraram-se as alturas de
planta e de inserção dos legumes na maturação, bem como a produtividade de grãos das
cultivares.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise da variância e o teste de comparação de médias (Tukey) não foram
significativos para rendimento de grãos entre as cultivares testadas (Tabela 2). A
produtividade média de grãos do experimento do GM 7 foi de 3.355 Kg ha-1 e
destacaram-se as cultivares FTS Tapes RR, BRS 246 RR, Fundacep 59 RR, SYN 9070
RR e BRS Taura RR, respectivamente 21%, 17%, 15%, 10% e 7% acima da média
experimental. Considerando-se os resultados obtidos por Vernetti Jr. et al. em 2011, em
Bagé, cuja média experimental foi de 2.902 kg ha-1, observa-se pelo segundo ano
consecutivo a presença destas mesmas cultivares, exceto a Fundacep 59 RR que não
fez parte dos destaques de produtividade daquele ano.
No que se refere a duração dos subperíodos emergência início da floração e
emergência maturação, as cultivares deste experimento apresentaram, respectivamente,
uma duração média de 54 e 132 dias. A altura média das plantas na maturação e a altura
de inserção dos legumes foram, respectivamente, 107 e 14,5 cm, valores adequados à
colheita mecânica. O elevado porte acabou causando acamamento de plantas. Pelos
resultados obtidos por Vernetti Jr. et al. (2011) verifica-se um aumento de cerca de 3 dias
para o início do florescimento e de dois dias no ciclo total das cultivares. O porte das
plantas em 2011/12 foi cerca de 10 cm superior ao do ano anterior ocasionando
acamamento, fato que não se verificou naquele ano.
CONCLUSÕES
As produtividades de grãos de soja irrigada do experimento do GM 7 foi superior à
média dos rendimentos verificados sem irrigação na região. Destacaram-se as cultivares
FTS Tapes RR, BRS 246 RR, Fundacep 59 RR, SYN 9070 RR e BRS Taura RR. A
duração dos subperíodos emergência ao início da floração e à maturação foram
condizentes com as cultivares deste GM, e a altura de inserção dos primeiros legumes
adequados à colheita mecânica. O elevado porte das plantas ocasionou um grau
elevado de acamamento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REUNIÃO DE PESQUISA DA SOJA DA REGIÃO SUL, 38., 2010, Cruz Alta. Indicações
técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2010/2011
e 2011/2012. Cruz Alta: FUNDACEP/FECOTRIGO, 2010. 168 p.
VERNETTI JUNIOR, F.J. et al. Resultados de Pesquisa de Soja na Embrapa Clima
Temperado – 2011. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2011. 122 p. (Embrapa Clima
Temperado, Documentos, 340)
Summary: RR soybean cultivars of maturity group 7 from breeding programs of the Southern
Soybean Research Network were evaluated at Embrapa Pecuária Sul, in Bagé, in hill,
conducted under irrigated conditions (central pivot) in the year 2011/12. The test consisted of
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
84
14 varieties that have achieved an average yield of 3355 kg ha-1. The highlights were the
cultivars FTS Tapes RR, BRS 246 RR, Fundacep 59 RR, SYN 9070 RR and BRS Taura RR
showed that grain yield above 3598 kg ha-1 respectively 21%, 17%, 15%, 10% and 7% above
of the average yield. Considering the results obtained in 2011, in the same experiment (GM 7)
in Bagé, whose experimental average was 2902 kg ha-1, it is the second consecutive year
where these cultivars show up between the highest income grain observed. Grain yield of
irrigated soybean GM 7 experiment was higher than the average income verified without
irrigation in the region. The duration of the subperiods from emergence to beginning of
flowering and emergence to maturity were consistent with the cultivars of this group, and the
height of insertion of the first legumes is suitable for mechanical harvesting. The high plants
height caused a rather high degree of lodging.
Key words: Glycine max, cultivars.
Tabela 1. Cultivares de soja tolerantes ao glifosato, dos grupos de maturidade (GM) sete
curto (7.0 a 7.4), sete longo (7.5 a 7.9) e oito curto (8.0 a 8.5), da Rede Soja Sul de
Pesquisa, registradas para cultivo no sul do Brasil. Embrapa Clima Temperado, 2012
Cultivar
BRS 246 RR
BRS Charrua RR
BRS Pampa RR
BRS Taura RR
CD 219 RR
CD 231 RR
CD 238 RR
Fepagro 36 RR
FTS Cascavel RR
FTS Realeza RR
FTS Tapes RR
Fundacep 59 RR
Fundacep 64 RR
Syn 9070RR
TMG 4001RR
Empresa obtentora
Embrapa
Embrapa
Embrapa
Embrapa
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Fepagro
FT Sementes RS
FT Sementes RS
FT Sementes RS
Fundacep
Fundacep
Syngenta Seeds
TMG
GM
7.2
7.2
7.7
7.3
8.1
7.3
7.1
7.1
7.4
7.6
7.4
7.4
7.5
7.1
7.1
Tabela 2. Duração média dos subperíodos à partir da emergência (E) ao início da
floração (IF) e da emergência à maturidade (M); altura média das plantas (AP) na
maturação e de inserção dos primeiros legumes (AI), acamamento (AC), peso de cem
sementes (PCS) e rendimento de grãos do ensaio de cultivares de soja tolerantes ao
glifosato, do grupo de maturidade 7, em Bagé, conduzidos sob irrigação por aspersão.
Embrapa Clima Temperado 2012
Cultivar
FTS Tapes
BRS 246 RR
Fundacep 59 RR
SYN 9070 RR
BRS Taura RR
Fepagro 36 RR
CD 238 RR
BRS Pampa RR
CD 219 RR
BRS Charrua RR
CD 231 RR
TMG 4001 RR
Fundacep 64 RR
FTS Realeza RR
Media
E-IF
54
51
54
67
52
47
61
54
46
48
53
57
61
56
54
E-M
129
135
134
129
135
129
129
134
137
130
134
127
130
135
132
AP.
103,5
95,8
103,9
121,2
108,0
97,8
108,5
108,2
115,7
100,0
97,5
114,3
109,4
110,1
106,7
AI
14,7
12,7
14,4
13,8
12,1
13,8
16,4
14,5
19,0
15,3
15,0
14,6
14,4
12,2
14,5
AC
3,3
2,7
3,0
3,7
3,0
3,0
2,7
3,7
3,7
2,5
3,5
3,0
3,0
4,0
3,2
PCS
12,3
15,3
13,5
11,3
14,3
13,7
13,3
13,3
13,3
11,7
10,0
11,7
11,7
11,0
12,6
Rendimento
4061 a
3925 a
3871 a
3681 a
3598 a
3348 a
3302 a
3241 a
3224 a
3191 a
3061 a
2964 a
2841 a
2660 a
3355
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
1
%
121
117
115
110
107
100
98
97
96
95
91
88
85
79
85
Avaliação de Cultivares de Soja RR GM 6 da Rede Soja Sul de Pesquisa, Irrigadas
por Aspersão em Bagé
F. de J. Vernetti Junior1
1
Embrapa Clima Temperado.BR 392 Km 78.Caixa Postal 403, CEP 96010-971- Pelotas, RS.
[email protected]
Resumo: As cultivares de soja RR do grupo de maturidade GM 6 provenientes dos
programas de melhoramento das instituições integrantes da rede Soja Sul de Pesquisa
foram avaliadas na Embrapa Pecuária Sul, em Bagé, em solo de coxilha, conduzidos sob
condições irrigadas (pivot central), no ano agrícola 2011/12. O ensaio foi composto por 26
cultivares que alcançaram uma produtividade média de 3.587 kg ha-1 . Destacaram-se as
cultivares BMX Força, BRS Tordilha RR, Vmax RR, BMX Potência e CD 236 RR que
apresentaram rendimentos de grãos acima de 3.937 kg ha-1, respectivamente 27%, 17%,
15%, 10% e 10% acima da média experimental. Considerando-se os resultados obtidos
em 2011, neste mesmo experimento (GM 6) em Bagé, cuja média experimental foi de
3.506 kg ha-1, observa-se pelo segundo ano consecutivo a presença das cultivares Vmax
e BMX Potência entre os 4 maiores rendimentos de grãos. As produtividades de grãos de
soja irrigada do experimento do GM 6 foi superior à média dos rendimentos verificados
sem irrigação na região. A duração dos subperíodos emergência ao início da floração e à
maturação foram condizentes com as cultivares deste grupo, e a altura de inserção dos
primeiros legumes adequados à colheita mecânica. O elevado porte das plantas
ocasionou um grau bastante alto de acamamento.
Palavras-chave: Glycine max, cultivares, GM 6, irrigação.
INTRODUÇÃO
A Rede Soja Sul de Pesquisa, composta por empresas estatais e privadas, conduz
ensaios que avaliam características agronômicas de cultivares registradas de diferentes
obtentores, nas mesmas condições de ambiente e manejo, em diversos locais no sul do
Brasil.
O presente trabalho tem como objetivo principal fornecer, aos profissionais da
área de assistência técnica, produtores e obtentores de cultivares, informações
regionalizadas sobre o desempenho agronômico de cultivares registradas de soja
tolerantes ao glifosato na safra 2011/2012, quando irrigadas e comparadas nas mesmas
condições ambientais e de manejo dentro de cada grupo de maturidade.
MATERIAL E MÉTODOS
A Rede Soja Sul de Pesquisa separa a avaliação de cultivares registradas para
semeadura em grupos de maturidade, no caso, GM 6. Esse grupo compreende cultivares
dos grupos seis curto (6.0 a 6.4) e seis longo (6.5 a 6.9) (Tabela 1).
O experimento foi conduzido na Embrapa Pecuária Sul em parceria com a
Embrapa Clima Temperado, no município de Bagé, RS, em solo caracterizado como
Luvissolo Háplico órtico típico, com suplementação hídrica, prática, entretanto, não
comum na região, especialmente na cultura da soja. Por conta disso, estes dados podem
ser utilizados como indicativos do potencial de produtividade de grãos da cultura nessa
região.
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso, com três
repetições. As parcelas foram compostas de quatro fileiras de 5 metros de comprimento,
espaçadas de 50 cm entre linhas, com uma área útil de 4 m2.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
86
A fertilização, inoculação das sementes e controle de invasoras e pragas foram
realizados segundo as recomendações técnicas para a cultura (REUNIÃO, 2010). As
datas de semeadura e de emergência dos ensaios foram, respectivamente, 22 e 29 de
novembro de 2011.
No decorrer do ciclo biológico, foram coletados dados referentes ao número de
dias transcorridos da emergência ao início do florescimento, da emergência ao fim do
florescimento e da emergência à maturação fisiológica. Registraram-se as alturas de
planta e de inserção dos legumes na maturação, bem como a produtividade de grãos das
cultivares.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A análise da variância e o teste de comparação de médias (Tukey) foi significativo
para rendimento de grãos entre as cultivares testadas (Tabela 2). A produtividade média
de grãos do experimento do GM 6 foi de 3.587 Kg ha-1 e destacaram-se as cultivares
BMX Força, BRS Tordilha RR, Vmax RR, BMX Potência e CD 236 RR que apresentaram
rendimentos de grãos acima de 3.937 kg ha-1, respectivamente 27%, 17%, 15%, 10% e
10% acima da média experimental. Considerando-se os resultados obtidos por Vernetti
Jr. et al. em 2011, neste mesmo experimento (GM 6) em Bagé, cuja média experimental
foi de 3.506 kg ha-1, observa-se pelo segundo ano consecutivo a presença das cultivares
Vmax e BMX Potência entre os 4 maiores rendimentos de grãos observados.
No que se refere a duração dos subperíodos emergência início da floração e
emergência maturação, as cultivares deste experimento apresentaram, respectivamente,
uma duração média de 61 e 123 dias. A altura média das plantas na maturação e a altura
de inserção dos legumes foram, respectivamente, 108 e 14,2 cm, valores adequados à
colheita mecânica. O elevado porte acabou causando acamamento de plantas. Pelos
resultados obtidos por Vernetti Jr. et al. (2011) verifica-se um aumento de cerca de 5 dias
para o início do florescimento e de uma antecipação de dois dias para o ciclo total das
cultivares. O porte das plantas em 2011/12 foi cerca de 10 cm superior ao do ano anterior
ocasionando acamamento fato que não se verificou naquele ano.
CONCLUSÕES
As produtividades de grãos de soja irrigada do experimento do GM 6 foi superior à
média dos rendimentos verificados sem irrigação na região. Destacaram-se as cultivares
BMX Força RR, BRS Tordilha RR, Vmax RR, BMX Potência RR e CD 236 RR. A duração
dos subperíodos emergência ao início da floração e à maturação foram condizentes com
as cultivares deste GM, e a altura de inserção dos primeiros legumes adequados à
colheita mecânica. O elevado porte das plantas ocasionou um grau bastante alto de
acamamento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
REUNIÃO DE PESQUISA DA SOJA DA REGIÃO SUL, 38., 2010, Cruz Alta. Indicações
técnicas para a cultura da soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2010/2011
e 2011/2012. Cruz Alta: FUNDACEP/FECOTRIGO, 2010. 168 p.
VERNETTI JUNIOR, F.J. et al. Resultados de Pesquisa de Soja na Embrapa Clima
Temperado – 2011. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2011. 122 p. (Embrapa Clima
Temperado, Documentos, 340)
Summary: RR soybean cultivars of maturity group 6 from breeding programs of the Southern
Soybean Research Network were evaluated at Embrapa Pecuária Sul, in Bagé, in hill,
conducted under irrigated conditions (central pivot) in the year 2011/12. The test consisted of
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
87
26 varieties that have achieved an average yield of 3587 kg ha-1. The highlights were the
cultivars BMX Força RR, BRS Tordilha RR, Vmax RR, BMX Potência RR and CD 236 RR
showed that grain yield above 3937 kg ha-1 respectively 27%, 17%, 15%, 10% and 10%
above of the average yield. Considering the results obtained in 2011, in the same experiment
(GM 6) in Bagé, whose experimental average was 3506 kg ha-1, it is the second consecutive
year where Vmax RR and BMX Potência RR cultivars show up between the four highest
income grain observed. Grain yield of irrigated soybean GM 6 experiment was higher than
the average income verified without irrigation in the region. The duration of the subperiods
from emergence to beginning of flowering and emergence to maturity were consistent with the
cultivars of this group, and the height of insertion of the first legumes is suitable for
mechanical harvesting. The high plants height caused a rather high degree of lodging.
Key words: Glycine max, cultivars.
Tabela 1. Cultivares de soja tolerantes ao glifosato, dos grupos de maturidade (GM) seis
curto (6.0 a 6.4) e seis longo (6.5 a 6.9), da Rede Soja Sul de Pesquisa, registradas para
cultivo no sul do Brasil. Embrapa Clima Temperado 2012.
Cultivar
A 6411 RG
BMX Força RR
BMX Potencia RR
BRS Estância RR
BRS Tertúlia RR
BRS Tordilha RR
CD 202 RR
CD 206 RR
CD 235 RR
CD 236 RR
CD 239 RR
CD 248 RR
CD 249RR STS
Don Mario 7.0i (Magna)
Fepagro 37 RR
FTS Campo Mourão RR
FTS Ipê RR
Fundacep 57 RR
Fundacep 58 RR
Fundacep 61 RR
Fundacep 65 RR
Fundacep 66 RR
NA 5909 RG
Vmax RR
SYN 1161 RR
SYN 1163 RR
Empresa obtentora
Nidera Sementes
Brasmax
Brasmax
Embrapa
Embrapa
Embrapa
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Coodetec
Brasmax
Fepagro
FT Sementes RS
FT Sementes RS
Fundacep
Fundacep
Fundacep
Fundacep
Fundacep
Nidera Sementes
Syngenta
Syngenta
Syngenta
GM
6.2
6.2
6.7
6.1
6.5
6.2
6.4
6.8
6.8
6.4
6.4
6.1
6.7
6.2
6.1
6.6
6.7
6.7
6.8
6.0
6.0
6.0
6.1
6.0
6.1
6.3
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
88
Tabela 2. Duração média dos subperíodos à partir da emergência (E) ao início da
floração (IF) e da emergência à maturidade (M); altura média das plantas (AP) na
maturação e de inserção dos primeiros legumes (AI), acamamento (AC), peso de cem
sementes (PCS) e rendimento de grãos do ensaio de cultivares de soja tolerantes ao
glifosato, do grupo de maturidade 6, em Bagé, conduzidos sob irrigação por aspersão.
Embrapa Clima Temperado 2012
Cultivar
BMX Força
BRS Tordilha
Vmax RR
BMX Potência
RR
CD 236 RR
BRS Estância
RR
CD 248 RR
Fepagro 37 RR
BRS Tertúlia RR
Don Mario 7.0i
RR
SYN 1163 RR
SYN 1161 RR
CD 202 RR
Fundacep 66
RR
CD 239 RR
Fundacep 61
RR
Fundacep 65
RR
A 6411 RG
CD 235 RR
FTS Campo
Mourão
Fundacep 57
RR
CD 206 RR
Fundacep 58
RR
NA 5909 RG
CD 249 RR
FTS Ipê
Media
E-IF
61
59
61
E-M
122
122
114
61
62
126
112
58
61
60
62
121
123
124
125
60
60
55
61
124
124
123
123
62
62
123
125
61
124
55
60
61
120
123
121
62
125
63
63
125
125
63
62
63
64
61
126
123
125
126
123
AP.
119,8
99,4
125,4
120,6
AI
20,9
11,8
17,5
13,9
AC
3,3
3,3
3,7
2,7
PCS
15
18
18
14,3
Rendimento
4573 a
4180 ab
4133 ab
3935 abc
99,1
95,2
10,3
10,7
3
2,7
15,3
17
3937 abc
3852 abc
95
89,5
99
111,7
11,3
12,5
11,7
16,5
2,3
2,3
4
1,7
15
14,7
15,7
13,7
3813 abc
3762 abc
3728 abc
3708 abc
123
115,2
120,5
120,3
22,5
17,3
11,3
11,8
3
2,7
3,7
2,7
15
16
14
20,3
3710 abc
3647 abc
3639 abc
3594 abc
98,5
108,8
12,6
10,4
3
2
11,7
18,7
3566 abc
3470 abc
107,6
15,1
2,3
14,3
3421 abc
98,7
106
119,3
18,5
10,7
16,1
2,7
2,7
3
17,3
14
15,3
3376 abc
3318 abc
3324 abc
97,5
15,9
3,3
15
3333 abc
111,6
117,7
14,1
13,8
2,7
2,3
14
11,7
3297 abc
3206 abc
105,9
111,6
99,9
108
16,3
12,6
12,3
14,2
1,7
3,3
3,7
2,8
15,7
11,7
16
15,3
3133 abc
2954 bc
2661 c
3587
%1
127
117
115
110
110
107
106
105
104
103
103
102
101
100
99
97
95
94
93
93
93
92
89
87
82
74
1
Percentagem relativa à media geral das cultivares no local.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
89
2. COMISSÃO DE NUTRIÇÃO VEGETAL E USO DO SOLO
A Comissão de Nutrição Vegetal e Uso do Solo, tendo como coordenador o Eng.
Agr. Sírio Wiethölter (Embrapa Trigo) e relator o Eng. Agr. José Eloir Denardin (Embrapa
Trigo), reuniu-se no dia 25 de julho de 2012, nas dependências da Embrapa Trigo, em
Passo Fundo, RS, contando com a presença dos seguintes participantes:
2.1 PARTICIPANTES
2.1.1 Representantes credenciados titulares
Ademir Assis Henning - Embrapa Soja
Cláudio Dóro - EMATER/RS
2.1.2 Representantes credenciados suplentes
Edisson C. Lopes - EMATER/RS
Sirio Wiethölter - Embrapa Trigo
2.1.3 Demais participantes
Anderson Vedelago - IRGA
Carlos A. B. Pires - UFSM/Frederico Westphalen, RS
César Kersting - Total Biotecnologia
Cleber Giordani - Ubyfol
Danielli Olsen - UFPel
Fernando Molinari - Agritec
Gustavo Crespi - UPF
Helena W. Trombeta - UFSM
José Eloir Denardin - Embrapa Trigo
Luciano Compagnoni - UFPel
Luis Eugênio Dias dos Santos - Cotrisul, Caçapava, RS
Marco A. L. Thibes - Ubyfol
Mateus B. Bisognin - UFSM
Moisés Ecco - Razera Agrícola
Samuel Welter - Prefeitura Municipal de Santa Clara do Sul, RS
Otacílio Pasa -Campina Agrícola Ltda/Xanxerê, SC.
2.2 TRABALHOS APRESENTADOS
Indicadores de acidez do solo, necessidade de calcário e disponibilidade de nutrientes
para a cultura da soja cultivada em solos arrozeiros do Rio Grande do Sul. Anderson
Vedelago - IRGA
Produtividade da soja com adubação adicional e descompactação do solo em plantio
direto. L. Compagnoni - UFPel.
Influência de diferentes doses de gesso agrícola na produtividade de soja. C.A.B. Pires –
UFSM/CESNORS.
2.2.1 TRABALHO DESTAQUE
Como trabalho destaque para apresentação na sessão plenária a Comissão escolheu o
seguinte trabalho:
Produtividade da soja com adubação adicional e descompactação do solo em plantio
direto. L. Compagnoni – UFPel.
2.3 ATUALIZAÇÃO DAS INDICAÇÕES TÉCNICAS
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
90
Adubação e calagem - foi realizada a revisão do texto e feitos alguns ajustes redacionais,
sendo alterada apenas a quantidade de células de rizóbio de 600.00 para 1,2 milhões por
semente, em conformidade com indicações técnicas da Embrapa Soja.
Manejo e conservação do solo - foi realizada a revisão do texto sem alterar as indicações
técnicas.
2.4 NECESSIDADES E PRIORIDADES DE PESQUISA
1) Mitigação da compactação do solo em plantio direto
Justificativa - Os solos sob plantio direto apresentam atualmente compactação, que afeta
o desenvolvimento radicular e o fluxo de água no solo, antecipando o efeito deletério de
estiagens. Em geral, há dúvidas sobre quais práticas poderiam ser empregadas para
amenizar o problema.
Proposição - Ampliar os estudos para mitigar o efeito da compactação no
desenvolvimento das culturas. Sugere-se que os trabalhos envolvam determinações
físicas e químicas do solo em camadas e parâmetros de planta que possam explicar os
efeitos das práticas. Os experimentos devem ser conduzidos em diversos tipos de solo e
por um período de tempo que permita a indicação de tecnologias apropriadas.
2) Gesso
Justificativa - Os dados atuais indicam que o gesso em geral não apresenta efeito no
rendimento de soja.
Proposição - Ampliar os estudos com gesso para verificar em quais condições de solo
poderia haver efeito no rendimento de soja e quais os indicadores de solo que poderiam
ser usados para subsidiar a indicação ou não de gesso.
Sugere-se que os trabalhos envolvam determinações químicas e físicas do solo em
camadas e diversos parâmetros de planta que possam explicar os resultados. Os
experimentos devem ser conduzidos em diversos tipos de solo e por um período de
tempo que permita a consolidação dos resultados.
3) Teste de adubos especiais e estimulantes diversos
Justificativa - Há muitos produtos no mercado para aplicação foliar e nas sementes para
os quais há dúvida sobre seu efeito econômico no rendimento.
Proposição - Realizar o teste sistemático dos produtos que são introduzidos no
mercado. Os experimentos devem ser conduzidos em diversos tipos de solo e por várias
safras.
2.5 PROPOSIÇÕES APRESENTADAS
Não houve.
2.6 ASSUNTOS GERAIS
Não houve.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
91
Resumos
Produtividade da Soja com Adubação Adicional e Descompactação do Solo em
Plantio Direto
L.Compagnoni1, A.C.S.A.Barros2, G. E Meneghello3, M.F Corrêa1 e L. O. B. Schuch2
1
Alunos de Mestrado do Programa de Pós Graduação em Ciência e Tecnologia de Sementes da
Universidade Federal de Pelotas, BR 285, s/n, Pelotas, RS, CEP 96010-900 . E-mail:
2
[email protected], [email protected]. Professor Associado do Departamento de
Fitotecnia – UFPel , Pelotas, RS e-mail; [email protected], [email protected]
3
Eng Agr Dr. Prog Pos Graduação em Ciência e Tecnologia de sementes. [email protected]
Resumo: O objetivo do trabalho foi testar uma fertilização adicional de uma mistura
comercial 5-30-10 nas doses: 0, 250, 500, 750 e 1000Kg.ha-1, além da adubação de
base, aplicadas em cobertura 20 dias após a semeadura, nas condições de solo
compactada e descompactada. O grande número de tratos culturais da soja somado
aos tratos das culturas de inverno que usam a mesma área de plantio durante vários
anos seguidos compacta o solo comprometendo o desenvolvimento das raízes e
diminuindo a superfície de absorção das mesmas. Nesse sentido buscou-se avaliar o
uso de uma adubação adicional como forma de mitigar esses problemas e a reforma
do plantio direto usando uma descompactação anterior à implantação da forrageira
formadora da palhada. As respostas da adubação adicional foram similares nas duas
condições de preparo do solo. Os tratamentos com dose adicional de fertilizantes não
diferenciaram da testemunha. Entretanto, um preparo de solo com subsolagem
(descompactado) antes da implantação da forrageira, para execução do plantio direto
sobre a palha, foi superior ao plantio sem a descompactação.
Palavras-chave: Glycine max, compactação, adubação adicional.
INTRODUÇÃO
A soja (Glycine max (L.) Merr.) é o principal produto de exportação brasileira.
Em 2011 a venda do produto em grão, farelo e óleo foram responsáveis por 38% do
total exportado pelo Brasil (MAPA, 2012). Essa cultura tem enorme importância social
e econômica gerando trabalho e renda, levando desenvolvimento e industrialização
para o interior do país. Tecnologias que aumentam a produtividade por área cultivada
representam ganhos para as pessoas e meio ambiente. Para ter alta produtividade,
uma boa condição de solo é fundamental. O plantio direto é uma tecnologia
fundamental para sustentabilidade da produção agrícola de grandes culturas como a
soja, gerando acumulo de matéria orgânica e a formação de uma camada superficial
de palha o que confere maior resistência a sua compactação. Entretanto, devido ao
surgimento de plantas resistentes a herbicida, aparecimento de novas doenças, uso
de material genético mais produtivo, porém, pouco tolerante a desfolha e
consequentemente mais suscetível a ataque de pragas e doenças aumentou o número
de tratos culturais que exigem entrada de máquinas agrícolas nas lavouras, e assim,
problemas como compactação tornaram-se mais frequentes. A compactação se
expressa por uma alteração estrutural que causa reorganização das partículas dos
agregados, promovendo, concomitantemente, aumento da densidade do solo e
redução da porosidade total e da macroporosidade (STONE et al., 2002), altera a
disponibilidade de nutrientes, água e reduz o crescimento das raízes das plantas. Em
anos com déficit hídrico como o ocorrido na ultima safra de 2011/12 o problema é
agravado. O potássio absorvido pelas plantas é o principal nutriente envolvido na
osmose, balanço iônico e na abertura e fechamento dos estômatos. Além do potássio
a maior concentração de outros nutrientes poderia também suprir um volume menor
de raízes causado pela compactação. Objetivo desse trabalho foi testar o uso de
nutrientes adicionais em duas condições de preparo de solo para a cultura da soja.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
92
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi realizado na cidade de Lagoão/RS,(29°14’01.46”S,
52°47’19.37”O – Altitude 624m), durante a safra de 2011/12; A primeira safra 2010/11
foi semeada no sistema de cultivo convencional, recebendo como preparo um
revolvimento superficial realizado com uma passada de grade aradora e uma de grade
niveladora, sobre campo nativo, que não eliminou totalmente a compactação existente
no solo. O delineamento experimental utilizado foi o de blocos ao acaso com parcelas
subdivididas com três repetições. Foram testados dois fatores, o primeiro com cinco
níveis de adubação adicional e o segundo com dois níveis: compactado e
descompactado. Nas parcelas foram dispostos os manejos de compactação e, nas
subparcelas, os níveis adicionais de fertilizantes (zero, 250, 500, 750, 1000kg de
fertilizantes da formula 5-30-10). A descompactação foi realizada com subsolador de
cinco hastes e a profundidade de trabalho foi de 40 cm. As parcelas compactadas não
foram subsoladas. A semeadura da aveia preta (Avena strigosa) foi realizada a lanço
simultaneamente em todas as parcelas. A soja foi semeada em 10 de novembro de
2010, com uma semeadora equipada com sulcador do tipo guilhotina, com sistema de
distribuição de sementes de disco perfurado, regulado para uma distribuição de 12
sementes por metro linear, com espaçamento de linhas de 45 cm. Na base foi
utilizada uma adubação de 350 kg de adubo da formula 5-30-10 por hectare
depositado no sulco de semeadura, conforme recomendação técnica (SBCS, 2004).
Os tratamentos com níveis diferentes de adubação foram realizados 20 dias após a
emergência. A aplicação a lanço foi para evitar problemas na salinização do sulco nas
doses maiores.
As parcelas foram montadas com 20m de comprimento por 3,15m (7 linhas) de
largura e divididas em 5 subparcelas com 4m de comprimento e a mesma largura. As
subparcela foram ceifadas manualmente. Para determinar a produtividade foi colhido
1,5m linear de cada uma das três linhas centrais da subparcela, respeitando uma
bordadura mínima de 0,5m na dimensão comprimento. Em seguida foram debulhadas
em uma máquina artesanal construída especificamente para a debulha de sementes
de parcelas experimentais. Foi determinada a umidade da semente e ajustado o valor
da massa de sementes para 13% de umidade. Para determinar o diâmetro do caule,
massa seca, altura de plantas e rendimento de colheita foi coletada amostras de um
metro linear ao lado das três linhas retiradas para a determinação do rendimento. O
diâmetro do caule foi obtido com auxilio de um paquímetro e altura de planta com uma
trena. Após as amostras foram pesadas para determinar a massa seca total e em
seguida trilhadas, as sementes resultantes do processo de trilha também foram
pesadas. O índice de colheita foi obtido dividindo o peso da semente pelo peso total
(massa seca total + peso da semente).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Não houve interação entre os fatores dose adicional de adubo e compactação.
Os dados apresentados na tabela 1 mostram que não houve incremento de
produtividade com o aumento progressivo da adubação, nem mesmo os tratamentos
extremos apresentaram diferença significativa. A hipótese de maximizar a produção
usando doses adicionais de nutriente não foi confirmada nesse experimento. Firman
et al. (2009), encontraram uma maior taxa de assimilação de CO2 utilizando P
adicional em uma condição de deficiência hídrica porem esses efeitos não conferiram
maior estabilidade no acumulo de massa seca pelas vagens. Durante a realização
deste experimento houve grande deficiência hídrica, o que corrobora com os dados de
trabalho mencionados quanto à acumulação de massa seca pelas vagens. Em
sistemas especiais de produção, ode há restrição ao crescimento das raízes, come é o
caso de cultivos em vaso recomenda-se concentrações mais elevadas de nutrientes
(ROSSI et al.,1994). A hipótese de que nutrientes adicionais poderiam ter efeito
compensatório à compactação, que também limita o crescimento das raízes não foi
observada. O efeito salino do Potássio no sulco de plantio, observado em doses
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
93
superior a 80kg.ha-1 (BORKERT, 1994) recomenda sua aplicação a lanço após o
plantio. É frequente o uso por agricultores de cloreto de potássio em adubação de
cobertura na soja buscando incremento de produção. Usando aplicação de potássio
antes e após o plantio Backes & Trento, encontraram incremento de produção nas
aplicações de cloreto com 10, 20 e 30 dias após o plantio. Se for analisado de forma
fracionada os nutrientes utilizados experimento, o Potássio aplicado nos tratamentos
foi: zero; 25; 50; 75 e 100kg.ha-1. Na condição de solo e clima que foi conduzido, as
doses adicionais de Potássio aplicadas 20 dias após o plantio não teve acréscimo de
produção, corroborando com os resultados encontrados por Heinzmann (2009).
Os parâmetros, altura de planta, diâmetro de caule, massa seca total (Tabela 2)
e produtividade (Tabela 1), foram afetados pelo fator compactação do solo. Nesses
parâmetros os resultados foram sempre superiores na condição descompactada. Os
tratamentos descompactados tiveram maior altura, como reflexo da melhor condição
de solo que proporcionou um melhor desenvolvimento das plantas. O diâmetro de
caule acompanhou o maior crescimento em altura no tratamento descompactado.
Mesmo havendo uma maior mobilização de fotoassimilados para o caule o aumento
desse parâmetro é positivo, pois confere maior resistência ao acamamento. O índice
de colheita foi menor na condição descompactada, devido a um maior crescimento da
parte aéreas das plantas. Em uma condição mais adequada (descompactada) houve
maior competição por recursos naturais, esse maior desenvolvimento da parte aérea
da planta não foi totalmente acompanhado pela produção levando a diminuição do
índice de colheita. Os resultados mostram que há incremento na produtividade quando
se realiza a descompactação do solo antes da implantação da forrageira para a
formação da palhada. A produção a mais no tratamento descompactado foi de
852Kg.ha-1. Esse fato indica que a reforma do sistema plantio direto, para eliminar
problemas decorrentes do uso excessivo de máquinas é justificado pelo incremento de
produção na cultura da soja.
CONCLUSÕES
O uso de adubação adicional não incrementa a produção de soja independente
da compactação do solo.
A condição descompactada apresenta incremento de produção de 852Kg de
soja por hectare.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BACKES, D.; TRENTO, S. Efeito da época de aplicação de cloreto de potássio na
cultura da soja.
http://www.fag.edu.br/tcc/2007/Agronomia/efeito_da_epoca_de_aplicacao_de_cloreto_
de_potassio_na_cultura_da_soja.pdf - Acesso em 9/07/2012.
BORKERT, C.M. Extração de Nutrientes pela Soja. In: REUNIÃO DE PESQUISA DE
SOJA DA REGIÃO SUL. Chapecó, 1986. p. 164-165. (EMBRAPA-CNPSO.
Documento, 14).
HEINZMANN, C. L. Efeito da adubação potássica na produtividade da soja.
Cultivando o Saber, v.2, n.4, p.26-32, 2009.
MAPA. Soja é destaque nas exportações do agronegócio brasileiro, Ruralbr, Porto
Alegre, 10 de janeiro de 2012 . Online. Disponivel em:
http://agricultura.ruralbr.com.br/noticia/2012/01/soja-e-destaque-nas-exportacoes-doagronegocio-em-2011-3626435.html. Acesso em: 13 jul. 20012.
SBCS - SOCIEDADE BRASILEIRA DE CIÊNCIA DO SOLO, COMISSÃO DE
QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO. Manual de adubação e calagem para os
Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 10 ed. Porto Alegre, 2004. 400p.
ROSSI, C.; FAQUIN, V.; RAMOS,. Níveis de adubação NPK para o milho e feijão em
experimentos de casa de vegetação. I. Produção de matéria seca. In: REUNIÃO
BRASILEIRA DE FERTILIDADE DO SOLO E NUTRIÇÃO DE PLANTAS, 21, Petrolina.
Anais... Petrolina: SBCS, 1994. p.293-294.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
94
STONE, l.F.; GUIMARÃES, C.M. & MOREIRA, J.A.A. Compactação do solo na
cultura do feijoeiro. I: efeitos nas propriedades físico-hídricas do solo. Revista
Brasileira Engenharia Agricola Ambiental, v.6 n.2 p.207-212, 2002.
OLIVEIRA, P.R.; CENTURION, J. F.; FRANCO, H. B. J.; PEREIRA, F. S.; JÚNIOR,
L.S.B. & ROSSETTI, K.V. Qualidade Física de um latossolo Vermelho cultiVado com
soja submetido a níveis de compactação e de irrigação, Revista Brasileira Ciencia
do Solo, v.36 n.2 p.587-597, 2012.
Summary: The objective of this work was to test an additional fertilization of a
commercial mixture 5-30-15 in doses: 0, 250, 500, 750 and 1000Kg.ha-1, in addition to
the fertilizer, applied in coverage 20 days after sowing, conditions of soil compressed
and decompressed. The large number of cultural practices in soybeans added to the
treatment of winter crops using the same planting area for several years running
compacts the soil affecting the root development and reducing the absorptive surface
of the same. Accordingly we sought to evaluate the use of additional fertilizers as a way
to mitigate these problems and reform of direct seeding using a decompression before
deploying cover crop. The treatments with an additional dose of fertilizer did not differ
from control. However, a soil tillage with subsoiling (uncompressed) before the
establishment of forage for the implementation of tillage on straw, was superior to
planting without unpacking.
Key words: Glycine max, compaction, additional fertilization.
Tabela 1. Produtividade da soja com cinco níveis de adubação adicional em duas
condições de solo.
Solo
Adubação( NPK)
Solo compactado
descompactado
Produtividade (kg ha-1)
Kg.ha-1
0
2589 Ba
3462 Aa
250
2453 Ba
3181 Aa
500
2383 Ba
3334 Aa
750
2553 Ba
3381 Aa
1000
2662 Ba
3413 Aa
Média
2502 B
3354 A
Médias seguidas por mesma letra, minúscula na coluna e maiúscula na linha não diferiram pelo teste de
Tukey a 5% de probabilidade. Teste F não significativo a 5% para a interação adubação x condição do
solo.
Tabela 2. Matéria seca total, diâmetro de caule, altura, índice de colheita de soja em
solo compactado e descompactado.
Matéria
Diâmetro
Altura
Índice de
Condições de
Seca
do caule
(cm)
Colheita
solo
(kg)
(cm)
Solo Compactado
5385b
0,75b
70,86b
0,498a
Solo
7514a
1,01a
96,4a
0,474b
descompactado
CV (%)
16,5
13,8
9,4
3,7
Médias seguidas por mesma letra, minúscula na coluna não diferiram pelo teste de Tukey a 5% de
probabilidade.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
95
Influência de Diferentes Doses de Gesso Agrícola na Produtividade de Soja
C.A.B. Pires¹, V.R. da Silva², C. J. Basso2, A.M. Bertollo³, D.A. Breitenbach¹, W.F.
Jandrey¹
¹Acadêmico do Curso de Agronomia UFSM/CESNORS. E-mail do autor correspondente:
[email protected]. ²Eng. Agr., Professor Orientador. Departamento de Ciências Agronômicas e
Ambientais, UFSM/FW, Linha Sete de Setembro, BR-386, km-40, Frederico Westphalen, RS. ³Mestrando em
Agronomia, Agricultura e Ambiente da Universidade Federal de Santa Maria
Resumo: A aplicação de gesso agrícola é uma alternativa para a adição de nutrientes em
profundidade, favorecendo a distribuição radicular da cultura ao longo do perfil em busca
desses elementos e de água, potencializando o aumento da produtividade. Porém, a
compactação, associada à baixa fertilidade das camadas inferiores tem provocado o
confinamento do sistema radicular das culturas e, consequentemente, aumento da
vulnerabilidade em momentos de estiagem. Desta forma, a hipótese deste trabalho é que
a gessagem melhore o ambiente radicular e proporcione aumento de produtividade na
cultura da soja. O objetivo foi avaliar a influência de diferentes doses de gesso agrícola
aplicadas em superfície, visando proporcionar um melhor desenvolvimento radicular e
maximizar a produtividade da soja. O referido estudo foi realizado no município de
Jaboticaba-RS sob um Latossolo Vermelho Distroférrico, cuja área vem sendo manejada
com plantio direto há 12 anos. O delineamento experimental utilizado é de blocos ao
acaso com quatros repetições. A área experimental é constituída por 36 parcelas de 5,0 x
5,0 m, totalizando uma área de 900 m². Os tratamentos constam de nove diferentes
doses de gesso agrícola (0, 500, 1.000, 1.500, 2.000, 2.500, 3.000, 4.500 e 6.000 kg ha-1)
aplicadas em superfície, a lanço e sem incorporação. Houve ausência de resposta
positiva da soja, nos dois anos de cultivo, às doses gesso agrícola aplicadas, quando
relacionadas com a produtividade de grãos, precisando-se de mais pesquisas visando
uma melhor utilização do gesso agrícola.
Palavras-chave: Glycine max, gessagem, rendimento, latossolo, plantio direto.
INTRODUÇÃO
A agricultura brasileira atravessa uma fase na qual torna-se justificável todo e
qualquer esforço para a verticalização da produção, objetivando atingir ganhos em
produtividade que permitam tornar o processo produtivo mais rentável. Outro fator
importante para o bom desenvolvimento vegetal e potencialização da produtividade é a
quantidade de água disponível no solo e a boa distribuição radicular da cultura ao longo
do perfil. Porém, devido a fatores como a compactação do solo e baixa fertilidade das
camadas inferiores, o sistema radicular das culturas não tem se aprofundado no perfil do
solo, aumentando a sua vulnerabilidade em momentos da estiagem. Para possibilitar o
aprofundamento das raízes é ideal que não haja impedimentos físicos ou químicos, como
compactação e acidez nas camadas mais profundas. Como opções para solucionar tais
impedimentos, pode-se utilizar a fosfatagem, calagem e gessagem. No sistema Plantio
Direto (SPD) onde, geralmente a aplicação de calcário é realizada na superfície do solo,
a ação efetiva do calcário ocorre na camada de 0-10 cm (AMARAL et al. 2004). Isso se
dá devido a baixa solubilidade do calcário e a, consequente, ausência de lixiviação no
perfil do solo.
Por esse motivo, tem sido utilizado gesso (CaSO4.2H2O), produto condicionador
de solo, que apresenta alta mobilidade no perfil, capaz de disponibilizar os íons Ca2+ e
SO42- em solução e de ser lixiviado, enriquecendo de nutrientes as camadas
subsuperficiais e reduzindo a saturação por Al3+ em profundidade (ALCARDE e
RODELLA, 2003).
Dessa maneira se faz possível a neutralização do Al tóxico e a fertilização das
camadas mais profundas e o consequente aprofundamento do sistema radicular da soja,
possibilitando um maior aproveitamento dos nutrientes e da água do solo.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
96
A resposta da soja à adição de gesso agrícola, fonte de S, na maioria dos solos
do RS e SC tem sido baixa (ERNANI et al. 1993). No entanto, Nuerberg et al. (2002), em
ano de estiagem, encontraram resposta positiva da soja à adição de gesso, atribuindo o
resultado ao maior aprofundamento do sistema radicular. A aplicação de gesso na
superfície seguida por lixiviação para subsolos ácidos resulta em melhor crescimento
radicular e maior absorção de água e nutrientes pelas raízes das plantas (CARVALHO &
RAIJ, 1997).
Para Raij (2008), três são os fatores que restringem o maior uso do gesso agrícola
na agricultura: o custo do transporte, que limita a distância da fonte até a propriedade
agrícola em que o produto pode ser usado; a água contida no fosfogesso, além de onerar
o transporte, dificulta a aplicação; e a falta de informações quantitativas de resposta de
culturas que permitam uma análise econômica em que o custo de transporte é um
ingrediente essencial.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi implantado no município de Jaboticaba – RS, na propriedade do
SR. Valdomiro Santi. O solo do local é classificado como Latossolo Vermelho distrófico
(EMBRAPA, 1999) com 67% de argila e há 12 anos vem sendo conduzido sob sistema
de plantio direto. O clima da região segundo a classificação de KOEPPEN é do tipo Cfa
(MORENO, 1961).
O delineamento experimental utilizado é de blocos ao acaso com quatros
repetições. A área experimental é constituída por 36 parcelas de 5,0 x 5,0 m, totalizando
uma área útil de 900 m². Os tratamentos constam de noves diferentes doses de gesso
agrícola (0, 500, 1.000, 1.500, 2.000, 2.500, 3.000, 4.500 e 6.000 kg ha-1) aplicadas em
superfície, a lanço e sem incorporação. As aplicações dos tratamentos foram realizadas
no dia 24 de outubro de 2009, 45 dias antes da semeadura da soja.
O experimento foi conduzido sob duas épocas, ano agrícola 2009/2010 e ano
agrícola 2010/2011. Na safra 2009/2010 a semeadura da soja foi realizada no dia 7 de
setembro de 2009, a cultivar utilizada foi FUNDACEP 53. No dia 07/04/2010 foi realizada
a avaliação dos componentes de rendimento e produtividade. Coletando as plantas de
quatro linhas de semeadura pelo comprimento de 5 metros foi realizada a avaliação da
produtividade, as quais foram trilhadas com equipamento mecanizado. Após, os grãos
foram pesados e os dados corrigidos para 13% de umidade. Na safra 2010/2011 foi
realizada a dessecação da área experimental em pré-semeadura no dia 01/10/2010, a
semeadura da soja foi realizada no dia 2 de novembro de 2010, sendo utilizada a cultivar
BMX Potência.
Em 13/03/2011 foi realizada a colheita da soja. Após, os grãos foram pesados e
os dados corrigidos para 13% de umidade. Os dados foram submetidos à análise de
variância pelo teste F a 5% de probabilidade de erro, utilizando o software estatístico
Statical Analysis System (SAS, 1999). Os resultados de produtividade não diferiram
estatisticamente, com isso, não foram realizadas às análises de regressão polinomial.
RESULTADOS E DISCUÇÃO
Os resultados são apresentados quanto à resposta de duas cultivares de sojas
(CEP 53 e BMX Potência) cultivadas em dois anos agrícolas consecutivos (2009/10 e
2010/11, respectivamente). Os valores registrados de precipitação ocorridos durante o
ciclo da cultivar CEP 53 (2009/2010) foram de 662,4 mm e para a cultivar BMX Potencia
(2010/2011) foi de 724,8 mm.
Caíres et al, (2001) não verificaram aumentos de produtividade de soja com à
aplicação de gesso agrícola, relacionando este acontecimento com o fato de o
crescimento do sistema radicular da soja, na ausência de déficit hídrico, não ser
influenciado pela redução da saturação por Al no subsolo.
Melhorias do ambiente radicular em subsolo foram verificados por Caíres et al.
(2003) em uma área cultivada com plantio direto. Os mesmo autores concluíram que a
aplicação de gesso agrícola aumentou a concentração de fósforo na camada superficial do
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
97
solo e no tecido foliar da soja, causou redução no teor de Magnésio no solo e nas folhas,
porém não ocasionou aumentos de produtividade de grãos.
Houve ausência de resposta positiva da soja nos dois anos de cultivo, às doses
gesso agrícola aplicadas, conforme resultados apresentados na tabela 1.
Resultados semelhantes têm sido relatados em outros estudos realizados em
áreas de cultivos anuais preparadas convencionalmente e em sistema de plantio direto.
CONCLUSÕES
Com os resultados apresentados neste trabalho pode-se concluir que para anos
com precipitação normal, sem ocorrência de déficit hídrico, a cultura da soja apresenta
produção satisfatória para todos os tratamentos, não sendo influenciada pela aplicação
superficial de gesso agrícola.
Devem-se realizar estudos principalmente a fim de descobrir quais são os reais
benefícios de diferentes doses de gesso aplicados em Latossolos que apresentam níveis
adequados de fertilidade, analisando também qual a reação de diferentes culturas
quando submetidas a solos que apresentem diferentes doses de gesso aplicadas em
superfície.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALCARDE, J. C.; RODELLA, A. A. Qualidade e legislação de fertilizantes e corretivos. In:
CURI, N.; et al., Cds. Tópicos em Ciência do Solo. Viçosa, Sociedade brasileira de
Ciência do Solo, p. 291-334, 2003.
AMARAL, A.S.; ANGHINONI, I. & DESCHAMPS, F.C. Resíduos de plantas de cobertura
e mobilidade dos produtos da dissolução do calcário aplicado na superfície do solo
Revista Brasileira de Ciência do Solo, v28, p.115-123, 2004.
CAIRES, E.F.; FONSECA, A.F.; FELDHAUS, I.C. & BLUM, J. Crescimento radicular e
nutrição da soja cultivada no sistema plantio direto em resposta ao calcário e gesso na
superfície. Revista Brasileira de Ciência do Solo, 25:1029-1040, 2001.
CAIRES, E. F.; BLUM, J.; BARTH, G.; GARBUIO, F. J. & KUSMAN, M. T. Alterações
químicas do solo e resposta da soja ao calcário e gesso aplicados na implantação do
sistema plantio direto. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v.27, p.275-286, 2003.
CARVALHO, M.C.S. & RAIJ, B. van. Calcium sulphate, phosphogypsum and calcium
carbonate in the amelioration of acid subsoils for root growth. Plant Soil, 192:37-48,
1997.
EMBRAPA. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Centro
Nacional de Pesquisa de Solos (Rio de Janeiro - RJ). Sistema brasileiro de
classificação de solos. – Brasília: Embrapa Produção de Informação; Rio de Janeiro:
Embrapa Solos, 1999.
ERNANI, P. R. Uso de gesso agrícola nos estados do Rio Grande do Sul e Santa
Catarina. Florianópolis: SBCS - Núcleo Regional Sul / UDESC-CAV, 15p. 1993. (Boletim
Técnico, 1)
MORENO, J. A. Clima do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Secretaria da Agricultura,
Diretoria de Terras e Colonização, Secção de Geografia, 1961. 46 p.
NUERBERG, N. J.; RECH, T. D.; BASSO, T. D. Uso do gesso agrícola. Florianópolis:
EPAGRI, 2002, 31p. (Boletim Técnico, 122).
RAIJ, B.V. Gesso na agricultura. Instituto Agronômico, Campinas: SP, 2008. 233p.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
98
SAS INSTITUTE - Statistical Analysis System. SAS/STAT User´s Guide 8.0. North
Caroline, NC: SAS Institute Inc., 1999.
Summary: The application of agricultural gypsum is an alternative to the addition of
nutrients in deep, favoring the root distribution of culture along the profile in search of
these substances and water, increasing the productivity. However, compression,
combined with the low fertility of the lower layers have caused the confinement of crop
root system and, consequently, increased vulnerability in times of drought. In this way, the
hypothesis of this work is that the plastering enhance root Environment and provides
increased productivity in soybean culture. The objective was to evaluate the influence of
different doses of plaster applied agricultural, in order to provide a surface better root
development and maximize the productivity of soybean. This study was conducted in the
municipality of Jaboticaba-RS under a Red Latosol (Haplustox), whose area has been
managed with tillage for 12 years. The used experimental delineation is a random block
with four repetitions. The experimental area consists of 36 parcels of 5.0 x 5.0 m, totaling
an area of 900 m². The treatments consist of nine different doses of agricultural gypsum
(0, 500, 1,000, 1,500, 2,000, 3,000, 2,500, and 4,500 6,000 kg ha-1) applied on the
surface, the throwing and without incorporation. There was no positive response of
soybeans, in two years of cultivation, at doses applied agricultural gypsum, when related
to the productivity of grain, needing more research aimed at better use of agricultural
gypsum.
Key words: Glycine max, plastering, yield, latosol, direct plantation.
Tabela 1. Média da produtividade de grãos das cultivares de soja, Fundacep 53 e BMX
Potência cultivadas sob plantio direto e submetidas a doses de gesso agrícola em
superfície. (Jaboticaba – RS, 2011)
Ano Agrícola 2009/2010
Ano agrícola 2010/2011
-1
-1
Doses (kg ha )
-------- kg ha ------------------Kg ha-1---------0 ha-1
3580,80
4155,07
-1
500 ha
3543,00
4064,08
-1
1000 ha
3355,80
4231,01
-1
1500 ha
3396,00
3772,70
-1
2000 ha
3529,80
4296,58
-1
2500 ha
3466,80
4156,30
-1
3000 ha
3453,00
4527,60
-1
4500 ha
3337,80
3997,20
-1
6000 ha
3387,00
4483,90
MÉDIA
3449,40
4187,15
C.V.%
8,44
11,2
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
99
Indicadores de Acidez do Solo, Necessidade de Calcário e Disponibilidade de
Nutrientes para a Cultura da Soja Cultivada em Solos Arrozeiros do
Rio Grande do Sul
A. Vedelago1, F. C. Carmona1, C. E. Lange1, M. Boeni1, I. Anghinoni2
1
Instituto Rio Grandense do Arroz, Avenida Bonifácio Carvalho Bernardes, 1494, 94930-030, Cachoeirinha,
2
RS. Consultor Técnico - Instituto Rio Grandense do Arroz. E-mail: [email protected],
[email protected], [email protected], [email protected], [email protected].
Resumo: A soja é uma cultura que está aumentando sua importância na metade Sul do
RS, quer seja pela cultura em si, quer seja pelos benefícios que traz ao arroz cultivado
em rotação. Esse aumento de importância pode ser melhor suportado se acompanhado
de práticas agrícolas adequadas, entre elas a correção da acidez do solo e a adequada
adubação. Para se obter altas produtividades é necessário, então, atender suas
demandas nutricionais. O objetivo deste trabalho foi avaliar indicadores de acidez do solo
e de disponibilidade de fósforo e potássio dos solos de cultivados com arroz irrigado no
Rio Grande do Sul, de modo a fornecer subsídios para recomendações de correção e
adubação para a cultura da soja. A maioria das regiões arrozeiras apresenta alta acidez
do solo, com alta demanda de calcário para correção. Ocorrem, predominantemente,
teores nas classes Muito Baixo de fósforo e Alto de potássio.
Palavras-chave: Glycine max, fertilidade, várzea.
INTRODUÇÃO
O arroz e a soja podem ser cultivados em um sistema rotacional em solos
arrozeiros, porém a composição da solução, a dinâmica da acidez e a disponibilidade de
nutrientes variam consideravelmente pelo fato de que, no cultivo de arroz irrigado, os
solos, em sua grande maioria, são de várzea e a lavoura passa cerca de 100 dias
inundada. O alagamento promove uma série de alterações no ambiente radicular,
provocadas, principalmente, pelo consumo de praticamente todo o oxigênio do solo na
atividade microbiana. Dessa forma, as características químicas de um solo alagado são
bastante diferentes em comparação ao solo oxidado (Vahl, 1999).
Uma das principais implicações do alagamento é o aumento do pH do solo para
valores próximos a 6,0. Por isso, a calagem pode ser secundária para o arroz desde que
os níveis de cálcio e de magnésio sejam satisfatórios. Entretanto, ao final do período de
irrigação, o solo, à medida que seca, volta a uma situação de acidez muito próxima
daquela em que se encontrava antes do alagamento. Ou seja, o solo originalmente ácido,
mesmo que atinja valores próximos à neutralidade durante o cultivo de arroz, voltará a
ser ácido depois de drenado. Dessa forma é necessário que o pH do solo seja corrigido
para 6,0 para o cultivo de soja.
O alagamento do solo aumenta a disponibilidade de fósforo, potássio, cálcio,
magnésio, ferro e manganês na solução. Essas alterações, que beneficiam o arroz
irrigado, não ocorrem nas lavouras de soja, uma vez que o solo, para esta cultura, é
mantido permanentemente oxidado. Desta forma, é importante adubar a soja
adequadamente para não impor restrições ao rendimento de grãos.
Atualmente, é crescente o interesse no cultivo de soja em rotação com o arroz
irrigado. Considerando-se que a soja é mais exigente em fertilidade do solo do que o
arroz, o sucesso do cultivo dessa leguminosa nos solos arrozeiros vai depender da
adoção de práticas agrícolas adequadas, entre elas a correção da acidez do solo e de
adubação o para obtenção de alta produtividade dessa cultura. Neste contexto, o
objetivo deste trabalho foi avaliar o estado de acidez e disponibilidade de nutrientes dos
solos de várzea nos últimos três anos (2009 a 2011) de modo a fornecer subsídios para
recomendações de corretivos do solo e adubação da cultura da soja.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
100
MATERIAL E MÉTODOS
Para a avaliação da situação da fertilidade dos solos cultivados com arroz irrigado
e voltados ao cultivo de soja, foram utilizados os resultados das análises de 20.221
amostras de solo processadas pelo Laboratório de Análises de Solos da EEA/IRGA nos
anos de 2009 a 2011. Dessas amostras, 3.557 são originadas da região arrozeira
Planície Costeira Externa (PCE) (17,19%), 4.132 da Planície Costeira Interna (PCI)
(19,96%), 3.010 da Depressão Central (DC) (14,54%), 2.732 da Zona Sul (ZS) (13,20%),
3.389 da Campanha (CA) (16,37%) e 3.401 da Fronteira Oeste (FO) (16,43%). Os
resultados das análises foram interpretados para as necessidades e requerimentos da
cultura da soja segundo o Manual de Adubação e Calagem para os Estados do Rio
Grande do Sul e Santa Catarina (CQFS RS/SC, 2004).
Assim, os resultados do pH em água foram enquadrados em quatro faixas: < 4,5;
4,6 - 5,0; 5,1 - 5,4; 5,5 - 6,0 e > 6,0, que correspondem às classes Extremamenete baixo,
Muito Baixo, Baixo, Médio e Alto, respectivamente. As faixas de necessidade de calcário
foram divididas em seis faixas: > 7,5; 7,5 - 5,5; 5,4 - 3,2; 3,1 - 1,1; 1,0 - 0,2 e < 0,2
toneladas de calcário por hectare (PRNT 100%) para aumentar o pH do solo a 6,0.
Os resultados dos teores de fósforo e potássio disponível (Mehlich 1) foram
enquadrados em diferentes faixas de interpretação, conforme a CQFS, (2004). Os teores
de fósforo disponível foram agrupados relacionando seu nível no solo com o teor de
argila. Os teores de potássio disponível foram interpretados em função da capacidade de
troca de cátions (CTCpH 7,0) do solo, a partir dos teores críticos de 45, 60 e 90 mg dm-3,
que foram estabelecidos para solos com CTCpH7,0 < 5,0; entre 5,1 e 15,0 e > 15,0
cmolc/dm-3 (CQFS, 2004). Utilizou-se a média ponderada de cada faixa para cada um dos
indicadores utilizados.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
De acordo com a Figura 1, apenas 6 % do total de amostras analisadas estão com
pH do solo superior a 6,0 e, desta forma, não necessitam de calagem para o cultivo da
soja;,o restante necessita de aplicação de corretivo de acidez do solo. Em todas as
regiões o problema da acidez está muito presente, destacando-se a Depressão Central
com 69% das amostras na classe Baixo, contrastando com a Fronteira Oeste, com 37%
nessa classe.
Em todas as regiões, há predominância de Alta (> 3,2 t ha-1) necessidade de
calcário (Figura 2), exceto a Zona Sul, que apresenta predominância Média (1,1 a 3,1 t
ha-1). Assim, considerando-se o conjunto delas, verifica-se que mais de 20% das
amostras necessitam mais de 5,5 t ha-1 de calcário. Na maioria das regiões, predomina
necessidade de 3,2 a 5,4 t ha-1, exceto a Zona Sul onde predomina necessidade entre 1,1
a 3,1 t ha-1.
Para fósforo disponível, ocorre predominância em todas as regiões das classes
Muito baixo ou Baixo (Figura 3). Esta é uma situação diferente em relação às classes de
interpretação desse nutriente para o arroz (solos alagados), onde tanto no primeiro
levantamento, com dados de análises de solos no período de 1997 a 2002 (Anghinoni et
al., 2004), como no segundo, no período de 2003 a 2008 (Boeni et al., 2010), mais de
60% das amostras se encontravam nas classes Alto ou Muito alto. Essa nova situação
demanda atenção por parte de técnicos e produtores com relação à adubação fosfatada
na cultura da soja em solos tradicionalmente cultivados com arroz no Estado. É
importante salientar que a interpretação dos teores de fósforo do solo para a soja é
diferente em relação à interpretação para a cultura do arroz irrigado. Para a soja, leva-se
em consideração o teor do nutriente no solo relacionado com o teor de argila. Desta
forma, quanto menor for o teor de argila do solo maior será o nível crítico de P do solo,
conforme apresentado pela CQFS RS/SC (2004).
A Fronteira Oeste é região com menor disponibilidade de P nos solos, onde a
grande maioria deles (71%) se encontram na classe Muito baixo. Isto ocorre porque os
solos dessa região tem sua gênese a partir de sedimentos de basalto, pobres em P. A
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
101
Zona Sul é a segunda mais carente em fósforo, pois possui 50% das amostras na classe
Muito baixo e 32% na classe Baixo. A seguir, vem a Planície Costeira Interna, com 45%
das amostras na classe Muito baixo e 28 % na classe Baixo.
A região da Campanha é a mais bem suprida de potássio (Figura 4), com 60% das
amostras na faixa de suficiência. Os valores de K disponível estão relacionados com os
teores de argila e matéria orgânica do solo, sendo a maior ocorrência de valores altos em
solos mais argilosos, especialmente nos esmectíticos (argila do tipo 2:1) como os que
ocorrem nessa região (BOENI, et al., 2010). As regiões com menor disponibilidade de K
são a Planície Costeira Externa e a Planície Costeira Interna, devido à predominância de
solos arenosos formados a partir de sedimentos marinhos.
CONCLUSÕES
A grande maioria das amostras analisadas necessita de calagem para o cultivo da
soja, com predominância de necessidade de calcário de 3,2 a 5,4 t/ha, em todas as
regiões, exceto a Zona Sul, que apresenta predominância de necessidade entre 1,1 a
3,1 t ha-1. A Fronteira Oeste é a região com menor disponibilidade de fósforo, porém
todas as regiões apresentam predominância nas classes Muito baixo ou Baixo para esse
nutriente. As regiões das Planícies Costeiras Interna e Externa são as mais problemáticas
com relação à potássio disponível.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VAHL, L.C. FERTILIDADE DE SOLOS DE VÁRZEA. In: GOMES, A.S.; PAULETTO, E.A.
(eds). Manejo do solo e da água em áreas de várzea. Pelotas: Embrapa Clima
Temperado, 1999. p.119-162.
ANGHINONI, I.; GENRO JUNIOR, S. A.; SILVA, L. S.; BOHNEN, H.; RHEINHEIMER, D.
S.; OSÓRIO FILHO, B. D.; MACEDO, V. R. M.; MARCOLIN, E. Fertilidade dos solos
cultivados com arroz irrigado no Rio Grande do Sul. Cachoeirinha: IRGA/Estação
Experimental do Arroz, 2004. 51 p. (Boletim Técnico)
BOENI, M.; ANGHINONI, I.; GENRO JUNIOR, S. A.; OSÓRIO FILHO, B. D. Evolução da
fertilidade dos solos cultivados com arroz irrigado no Rio Grande do Sul.
Cachoeirinha: IRGA/Estação Experimental do Arroz, 2010. 38 p. (Boletim Técnico)
COMISSÃO DE QUÍMICA E FERTILIDADE DO SOLO – RS/SC. Manual de adubação e
de calagem para os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Porto Alegre:
Núcleo Regional Sul/SBCS, 2004. 400 p.
Summary: Soybean is a culture that is increasing in importance in the Southern partof Rio
Grande do Sul state, Brazil. For high yields, is necessary to satisfy plant nutricional
demand. This work evaluated soil acidity and phosphorus and potassium availability of low
land rice in Rio Grande do Sul, in order to supply correction recommendations and
fertilization support for soybean culture. The majority of rice regions present high soil
acidity levels, with high lime requirement, and predominantly very low levels of available
phosphorus and low levels of available potassium.
Key word: Glycine max, fertility, lowland areas.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
102
Figura 1. Distribuição dos valores de pH
dos solos das regiões arrozeiras no período
de 2009 a 2011.
Figura 3: Distribuição em classes de
disponibilidade de fósforo nas Regiões
Arrozeiras do Rio Grande do Sul no período
de 2009 a 2011.
Figura 2: Distribuição dos valores de
necessidade de calcário (Mg ha-1) dos solos
das regiões arrozeiras no período de 2009
a 2011.
Figura 4: Distribuição em classes de
disponibilidade de potássio nas Regiões
Arrozeiras do Rio Grande do Sul no período
de 2009 a 2011.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
103
3. COMISSÃO DE ECOLOGIA, FISIOLOGIA E PRÁTICAS CULTURAIS
A Comissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais, juntamente com a
Comissão de Controle de Plantas Daninhas, tendo como coordenador o Eng. Agr. Giovani
Theisen (Embrapa Clima Temperado) e relator o Eng. Agr. Mércio Luiz Strieder (Embrapa
Trigo), reuniram-se no dia 25 de julho de 2012, nas dependências da Embrapa Trigo, em
Passo Fundo, RS, contando com a presença dos seguintes participantes:
3.1 PARTICIPANTES
3.1.1 Representantes credenciados titulares
Dalvane Rockenbach – CCGL TECNOLOGIA
Elemar Voll – Embrapa Soja
Fernando Augusto Henning – Embrapa Soja
Giovani Theisen – Embrapa Clima Temperado
Lília Sichmann Heiffig Del Aguila – Embrapa Clima Temperado
Maria da Graça de Souza Lima – Fepagro Sementes
Mércio Luiz Strieder – Embrapa Trigo
Moacir Antonio Curzel – Emater-RS
3.1.2 Representantes credenciados suplentes
Carlos Geuvani Kaefer – Emater-RS
João Leonardo Fernandes Pires – Embrapa Trigo
3.1.3 Demais participantes
Alexandre Luis Müller – PUC/PR (Campus Toledo)
Anderson Vedelago – IRGA
Carlos André Groth – Emater-RS
Cláudia Lange – IRGA
Décio Pelizzaro – Embrapa Trigo
Elmar Konrad – Farsul/Sindicato Rural de Ibirubá
Elton Rovani Arnot Roggia – Cooperativa Agroindustrial Alegrete LTDA
Ênio A. Molinari – autônomo
Felipe Molinari Martins – Agritec
Fernando Luiz Gugel – autônomo
Gilberto Rocca da Cunha – Embrapa Trigo
Guilherme Possan Lettrari – PUC/PR (Campus Toledo)
Henrique Pereira dos Santos – Embrapa Trigo
Ivan Preussler – PUC/PR (Campus Toledo)
João Carlos Haas – Embrapa Trigo
José Miotto – Emater-RS
Juliano Gonçalves Garcez – Embrapa Trigo
Marcos Carrafa – SETREM
Marcos Kovaleski – UPF
Osmar Rodrigues – Embrapa Trigo
Paulo Vitor Campos – Syngenta
Rafael José Vogt – PUC/PR (Campus Toledo)
Rafael Ramos – Cooperativa Agroindustrial Alegrete LTDA
Renato Bagitto Kreitmaier – Emater-RS
Rudimar Arciero Brusch – Emater-RS
Samuel Kovaleski – autônomo
Silvino Caus – Cooperativa Agrária
Vinicius Toso – Emater-RS
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
104
3.2 TRABALHOS APRESENTADOS
Efeito da população de plantas e época de semeadura sobre a produtividade de cinco
linhagens de soja CCGL Tecnologia, safra 2011/12. Dalvane Rockenbach – CCGL TEC.
Rendimento de grãos e características agronômicas de soja em função dos tipos de manejo do
solo. Henrique Pereira dos Santos – Embrapa Trigo.
Rendimento de grãos e características agronômicas de soja em função de sistemas de rotação
de culturas. Henrique Pereira dos Santos – Embrapa Trigo.
Compactação do solo hidromórfico em plantio direto reduz a produtividade de soja em
terras baixas. Giovani Theisen – Embrapa Clima Temperado.
Aplicação de uréia em soja: resultados de experimentos conduzidos em solo hidromórfico
na safra 2011/12. Giovani Theisen – Embrapa Clima Temperado.
Avaliação de cultivares convencionais de soja registradas da Rede Soja Sul de pesquisa
na Embrapa Clima Temperado. Lília Sichmann Heiffig Del Aguila – Embrapa Clima
Temperado.
Avaliação de cultivares de soja do grupo de maturação 6 RR, da Rede Soja Sul de
pesquisa, na Embrapa Clima Temperado Lília Sichmann Heiffig Del Aguila – Embrapa
Clima Temperado.
Avaliação de cultivares de soja do grupo de maturação 7 tolerantes a glifosato registradas
da Rede Soja Sul de pesquisa na Embrapa Clima Ttemperado. Lília Sichmann Heiffig
Del Aguila – Embrapa Clima Temperado.
Avaliação de cultivares de soja em rotação com arroz irrigado sob pivô central na fronteira
oeste do RS. Lília Sichmann Heiffig Del Aguila – Embrapa Clima Temperado.
Desempenho de soja em solo de várzea cultivado com arroz irrigado por 16 anos sob
plantio direto, cultivo mínimo e sistema pré-germinado. Anderson Vedelago - IRGA.
Fenologia de cultivares de soja contrastantes em ciclo e tipo de crescimento, semeadas
em cinco épocas. Mércio Luiz Strieder – Embrapa Trigo.
Resposta da cultura da soja transgênica ao controle de plantas daninhas em diferentes
estágios. Rafael J. Vogt – PUC-PR.
Redução da infestação de arroz vermelho na soja cultivada em várzea com herbicidas de
ação residual. Anderson Vedelago - IRGA.
3.2.1 TRABALHO DESTAQUE
Pela Comissão de Ecologia, Fisiologia e práticas Culturais:
Fenologia de cultivares de soja contrastantes em ciclo e tipo de crescimento, semeadas
em cinco épocas. Mércio Luiz Strieder – Embrapa Trigo.
Pela Comissão de Plantas Daninhas:
Redução da infestação de arroz vermelho na soja cultivada em várzea com herbicidas de
ação residual. Anderson Vedelago – IRGA.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
105
3.3 ATUALIZAÇÃO DAS INDICAÇÕES TÉCNICAS
Foram realizados ajustes redacionais no capítulo 4 (Manejo da Cultura), no
capítulo 5 (Sistema de Produção de Grãos) e no capítulo 9 (Colheita) para adequação de
termos técnicos e melhor harmonização do texto.
Foi proposta alteração da denominação de ciclo das cultivares para grupo de
maturidade relativo (GMR) das cultivares, ajustando-a, desta forma, à nomenclatura e
denominação vigentes na portaria relativa ao Zoneamento Agrícola de Risco Climático
para a cultura da soja no Estado do Rio Grande do Sul. Esta proposta foi encaminhada
para avaliação e discussão na plenária. Esta proposta prevê alteração da denominação
ciclo tardio para GMR > 7.4; de ciclo semitardio e médio para GMR ≤7.4 a ≥6.4; e
semiprecoce e precoce para GMR < 6.4.
Nas tabelas de indicação de herbicidas, foram feitos ajustes para adequar as
informações apresentadas àquelas constantes na base AGROFIT. Estas modificações
contemplam doses de produto comercial a ser aplicadas, classe toxicológica, período de
carência e ainda a retirada de produtos não mais registrados para uso na cultura da soja.
Para consolidar estas modificações, será enviada consulta aos respectivos fabricantes
dos produtos com vistas ao atendimento do pleito exposto.
3.4 NECESSIDADES E PRIORIDADES DE PESQUISA
Condução de estudos bioclimáticos de soja em solos de arroz irrigado e em solos de
coxilha na região edafoclimática 101;
Identificação de genótipos de soja tolerantes ao estresse por excesso hídrico em
áreas utilizadas para a cultura de arroz irrigado.
Avaliação do arranjo de plantas e da época de semeadura de diferentes materiais de
ciclo e tipo de crescimento diferenciados;
Avaliação de como o sistema de produção da soja pode contribuir na redução de
passivos ambientais, tais como lodo de esgoto e demais resíduos sólidos;
Seleção de variáveis indicadoras de sustentabilidade de sistemas de produção da
soja;
Avaliação dos potenciais problemas para a cultura da soja associados à física, acidez
e fertilidade do solo em camadas abaixo de 10 cm de profundidade no sistema de
plantio direto;
Avaliação da contribuição de micro-organismos promotores de crescimento vegetal e
de plantas recicladoras no sistema de produção da cultura da soja;
Pela Comissão de Plantas Daninhas:
Manejo de plantas daninhas resistentes e tolerantes ao glifosato;
Determinações de nível de dano econômico com ênfase em Conyza bonariensis;
Métodos alternativos de controle de plantas daninhas (análise técnica e econômica);
Manejo de plantas daninhas em áreas de pousio (controle químico e cultural);
Estudos sobre ecofisiologia de buva (Conyza canadensis e Conyza bonariensis).
3.5 PROPOSIÇÕES APRESENTADAS
Considerando as demandas apresentadas pelo setor produtivo da Metade Sul do
Rio Grande do Sul, notadamente para a região VCU 101 para a cultura da soja,
apresentadas por intermédio da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul
(FARSUL), nas pessoas de Elmar Konrad, da Cooperativa Agroindustrial Alegrete LTDA
(CAAL) e de Rafael Ramos e Elton Rovani Roggia;
Considerando carta enviada à Embrapa pelos Sindicatos Rurais da Regional 7 da
FARSUL, no que se refere ao atendimento de demandas com vistas a alterações no
Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura da soja no Estado do Rio Grande
do Sul (visando à antecipação de época de semeadura e inclusão de municípios não
contemplados),
Esta comissão deliberou o que segue:
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
106
 o pleito para alterar o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura da
soja no Estado do Rio Grande do Sul é procedente;
 será elaborada correspondência, a ser encaminhada ao Secretário de Política
Agrícola, órgão vinculado ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento,
e ainda à empresa Agroconsult, com vistas a reavaliar a Portaria 136/2012 (DOU
10/07/2012), contendo embasamento para sustentar os pleitos acima expostos;
 estabelecer rede de ensaios para avaliação bioclimatológica de cultivares de soja
como forma de subsidiar decisões futuras quanto ao Zoneamento Agrícola de
Risco Climático e para atualização de Indicações Técnicas para a Cultura da Soja;
 Formar grupo de trabalho, inicialmente conduzido pela Embrapa, o qual contará
com a participação e colaboração efetivas das seguintes entidades de pesquisa:
Instituto Rio-Grandense do Arroz (IRGA), Cooperativa Central Gaúcha de
Laticínios Tecnologia (CCGL TEC), Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária
(Fepagro); Universidades e obtentores de cultivares; da extensão rural: EmaterRS e Fundação Pró-Sementes; e do setor produtivo: Federação da Agricultura do
Rio Grande do Sul (FARSUL), Cooperativas, Sindicatos e Associações, com
intuito de elaborar projeto de pesquisa, estabelecer metodologias de condução e
avaliação e buscar parcerias e recursos financeiros para operacionalizar esta rede
de ensaios.
3.6 ASSUNTOS GERAIS
A principal discussão desta subcomissão foi relacionada às lacunas no
Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura da soja no Estado do Rio Grande
do Sul para a safra 2012/13, cujos encaminhamentos estão descritos no item 3.5 (acima).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
107
Comissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais
Passo Fundo, RS, 31 de julho de 2012
Ao
Dr. Caio Tibério Dornelles da Rocha
Secretário de Política Agrícola
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA
Brasília/DF
Assunto: Solicitação de revisão do Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a
cultura de soja no Estado do Rio Grande do Sul, ano-safra 2012/2013, conforme Portaria
136/2012 (DOU 10/07/2012).
Senhor Secretário,
Solicita-se vossa apreciação à situação explicitada nesta carta, a qual se refere,
em síntese, à reivindicação oriunda de representações de produtores rurais do Estado do
Rio Grande do Sul, envolvendo o Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura
de soja no RS, ano-safra 2012/2013, conforme Portaria 136/2012 (DOU 10/07/2012),
especificamente no que diz respeito ao cultivo dessa oleaginosa na metade sul do
Estado, mais especificamente na região de VCU 101.
O Zoneamento Agrícola de Risco Climático é um importante instrumento de
política agrícola implementado em nível nacional pelo Ministério da Agricultura, Pecuária
e Abastecimento desde meados dos anos 1990, reconhecido pela sociedade, que visa a
orientar os produtores rurais, a assistência técnica e os agentes financeiros sobre épocas
de semeadura, tipo de solo, cultivares e locais mais aptos para o cultivo de grande parte
das espécies vegetais cultivadas no Brasil. A aplicação dos pressupostos do Zoneamento
objetiva reduzir os riscos inerentes à atividade agrícola, notadamente aqueles
relacionados com variabilidade climática extrema, beneficiando sobremaneira aos
produtores rurais e, indiretamente, a toda a sociedade brasileira, que recebe os reflexos
dos resultados decorrentes do desempenho da nossa agricultura.
Apesar da importância desta ferramenta e do impacto positivo no contexto da
agricultura no Brasil, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático, como qualquer outra
ferramenta de suporte à tomada de decisão, apresenta uma margem intrínseca de
incerteza, uma vez que tem como produto final um conjunto de informações geradas, em
parte, no campo das probabilidades e em extrapolações, a partir de dados amostrais
passados sobre o clima e em características do solo, especialmente capacidade de
armazenamento de água.
Com a devida consideração e respeito quanto ao trabalho desenvolvido pela
empresa Agroconsult, que, sob contrato, executou esse estudo para o MAPA, e tomandose como base os resultados que subsidiaram a Portaria 136/2012 (DOU 10/07/2012),
leva-se à apreciação de Vossa Senhoria alguns anseios do setor produtivo gaúcho,
dados a conhecer por intermédio de suas representações, à XXXIX Reunião de Pesquisa
de Soja da Região Sul, especialmente envolvendo a região de VCU 101, que
compreende a metade Sul do RS:
a) a região sul do RS é praticamente a única dentro deste Estado que apresenta
área disponível à expansão da soja, cuja demanda mundial por seu grão vem
aumentando significativamente nos últimos anos;
b) no sul do RS, a inserção da soja na rotação com arroz irrigado tem reduzido
os danos e o impacto das plantas daninhas ao arroz, principal componente da
dieta alimentar brasileira. Ressalta-se que mais de 63% do arroz consumido
no Brasil é oriundo na metade Sul do RS, e medidas que minimizem o impacto
ambiental do cultivo deste cereal são necessárias. A soja, nesse sentido, além
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
108
c)
d)
e)
f)
g)
h)
de reduzir o impacto das plantas daninhas, beneficia o sistema de produção
ao fornecer nitrogênio a partir de fixação biológica;
de modo semelhante ao cultivo do arroz irrigado, a soja beneficia a
produtividade de pastagens em sucessão, ao prover importante quantidade de
nitrogênio, aproveitado pela gramínea cultivada em sequência, num sistema
de produção conhecido como sistema de integração lavoura - pecuária. Nesse
sentido, destaca-se que o RS é importante produtor de carne bovina e ovina
no Brasil, com rebanhos dependentes de pastagem, localizados
predominantemente na metade Sul do RS;
o limite municipal utilizado pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático da
soja para definir áreas mais ou menos aptas ao cultivo da leguminosa pode ter
suficiente precisão numa grande escala; contudo, a prática tem revelado que
essa sistemática conduz à ocorrência de “nichos de problemas”. Um exemplo
emblemático nesse sentido são áreas vizinhas, iguais em solo e em clima,
divididas somente por uma cerca ou estrada vicinal, mas classificadas
diferentemente pelo critério do zoneamento;
para a região próxima ao porto de Rio Grande, RS (municípios de Rio Grande,
Pelotas, Chuí, Santa Vitória do Palmar e outros), o cultivo da soja apresenta
vantagem competitiva extra quando comparado à região Norte do RS,
tradicional produtora: os custos com fretes de fertilizantes e de deslocamento
da produção para a exportação são menores, o que agrega valor superior de
mercado à soja dessa região;
considerando que o zoneamento ainda não contempla alterações importantes
que ocorreram nesta cultura, como o desenvolvimento de cultivares de soja
com mais contrastes quanto a ciclo, a disponibilização de cultivares de
diferentes tipos de crescimento (determinado, semideterminado ou
indeterminado) e a possibilidade de irrigação, aspectos estes que são
ferramentas relevantes frente a uma eventual situação de limitação hídrica;
considerando a oportunidade ímpar atualmente oferecida pela soja - por conta
de sua excepcional valorização - de ampliar a base monetária regional em
circulação e de capitalizar o setor produtivo;
e, considerando ainda, que os últimos informes a respeito dos fenômenos
climáticos “El Niño” e “La Niña” preveem como baixa a possibilidade de
ocorrência de La Niña para a safra verão 2012/2013, o que implica em menor
probabilidade de ocorrência de deficiência hídrica no RS para o período, ...
...a XXXIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, após ampla discussão
entre técnicos e representantes de organizações de produtores rurais, em assembleia
geral, endossa as demandas da representação do setor produtivo apresentadas nesta
Reunião, e solicita, ao menos em carácter excepcional e temporário:
1) a antecipação da data de semeadura de soja para a região de VCU 101
(metade Sul do RS) a partir do período 30 (21 de outubro) para a condição de solo tipo 2;
e
2) a inclusão dos municípios de Rio Grande, Chuí, Santa Vitória do Palmar, Santo
Antônio da Patrulha e Capivari do Sul na relação dos municípios constantes no
zoneamento da soja.
Justificativas técnicas complementares a estas demandas são apontadas pelo
setor produtivo: os resultados de produtividade obtidos nas últimas safras, que mostram
melhores médias de produção nas áreas semeadas entre o segundo decêndio de outubro
e a primeira quinzena de novembro; eventuais deficiências hídricas em final de dezembro
dificultam a instalação e o desenvolvimento inicial das plantas semeadas neste mês e no
final de novembro; e a existência de diversas cultivares de diferentes ciclos e de tipo
indeterminado permite um planejamento, a fim de que se possa fazer coincidir o
subperíodo de floração/enchimento de grãos (mais crítico em relação à deficiência
hídrica) com o período de adequada disponibilidade hídrica.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
109
Quanto à inclusão dos novos municípios no zoneamento: os trabalhos de campo
conduzidos pela Embrapa Clima Temperado e pelo Instituto Rio-Grandense do Arroz
(IRGA) apontam que é possível alcançar boa produtividade em soja, em nível adequado
à realidade regional, principalmente ao se levar em consideração a vantagem competitiva
referente à logística; há de se considerar, também, o contexto da inserção da soja no
sistema de produção arroz-pecuária, onde a leguminosa potencializa a produção de arroz
e a produção pecuária.
Diante do que foi posto, solicita-se vossa injunção junto à Agroconsult, empresa
responsável pelo trabalho, para avaliar, em caráter de urgência, a pertinência das
questões que estão apresentadas nesse documento, com vistas à revisão da Portaria
136/2012 (DOU 10/07/2012). Outrossim, informa-se que esta Reunião de Pesquisa
entende também como necessária a realização de ensaios bioclimáticos com novas
cultivares de soja de diferentes grupos de maturidade e tipo de crescimento na região
VCU 101, visando, para médio prazo, a esclarecer em mais detalhes o comportamento
destas cultivares nesta condição e assim refinar seu manejo, além de subsidiar eventuais
ajustes quanto ao zoneamento ora em voga. Colocamo-nos à disposição para demais
esclarecimentos.
Entidades participantes da Comissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais
da XXXIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul:
1. Cooperativa Agrária Industrial
2. Cooperativa Agroindustrial Alegrete LTDA – CAAL
3. Cooperativa Central Gaúcha de Laticínios – Tecnologia – CCGL-TEC
4. Embrapa Clima Temperado
5. Embrapa Soja
6. Embrapa Trigo
7. Emater-RS
8. Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul - FARSUL
9. Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária - FEPAGRO
10. Instituto Rio-Grandense do Arroz – IRGA
11. Sociedade Educacional Três de Maio – SETREM
12. Pontifícia Universidade Católica – PUC-PR, Campus Toledo
13. Sindicato Rural de Ibirubá-RS
14. Syngenta Brasil
15. Universidade de Passo Fundo - UPF
Em nome das Entidades Participantes e da Comissão Organizadora da XXXIX
Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, subscreve:
Leila Maria Costamilan
Presidente da Comissão Organizadora da XXXIX Reunião de Pesquisa de Soja da
Região Sul
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Resumos
Desempenho de Soja em Solo de Várzea Cultivado com Arroz Irrigado por 16 Anos
sob Plantio Direto, Cultivo Mínimo e Sistema Pré-Germinado
C.E.Lange1, A. Vedelago1, Élio Marcolin1
1
Instituto Rio Grandense do Arroz, Bonifácio Carvalho Bernardes, 1494, 90950-030, Cachoeirinha, RS. Email: [email protected], [email protected]
Resumo: Na safra 2010/11, foi cultivado soja sobre uma área de um ensaio de longo prazo
para a comparação do desempenho de arroz irrigado nos sistemas de cultivo Plantio Direto,
Pré-Germinado e Plantio Convencional. A soja apresentou grandes diferenças de
desenvolvimento entre os talhões dos três sistemas de cultivo, indicando que estes
afetaram diferentemente as condições do solo, as quais se refletiram na habilidade da soja
em se desenvolver e produzir. Foram realizadas determinações para aferir a diferença de
desenvolvimento das plantas, e os dados apurados indicam que o plantio direto do arroz
proporcionou um melhor ambiente de cultivo para a soja do que o sistema Pré-Germinado
e Cultivo Convencional.
Palavras-chave: Glycine max, estresse abiótico, rendimento de grãos.
INTRODUÇÃO
O cultivo de soja em rotação com o arroz irrigado traz muito benefícios para
sistema de produção orizícola do Rio Grande do Sul, como redução do banco de
sementes de espécies daninhas, em especial o arroz –vermelho, redução dos custos de
produção e diversificação de receitas da propriedade (RECOMENDAÇÕES, 2010). A soja
é um espécie tradicionalmente de cultivo de sequeiro, em solos profundos e bem
drenados. De forma oposta, os solos arrozeiros caracterizam-se por apresentarem má
drenagem devido à presença de horizonte B textural impermeável, pela própria
constituição (textura) do solo, pela topografia plana e pela baixa altitude. Além da sua
constituição intrínsica, o sistema de cultivo do arroz que vem sendo praticado caracterizase pelo intensa e frequente mobilização do solo, que beneficia a mineralização da matéra
orgânica e a sua desestruturação, com o consequente aumento de densidade,
dificultando ainda mais a drenagem e aumentando a resistência para o crescimento
radicular de espécies de sequeiro como a soja (GOMES & PAULETTO, 1999). Estas
condições descritas predispõem à cultura da soja a dois estresses ambientais
diametralmente opostos: o excesso hídrico e à deficiência hídrica (THOMAS & COSTA,
2010).
Na safra 2010/11, soja cultivada em uma área de um ensaio de longo prazo para a
comparação do desempenho de arroz irrigado nos sistemas de cultivo Plantio Direto, PréGerminado e Plantio Convencional apresentou grandes diferenças de desenvolvimento,
indicando que estes afetaram diferentemente as condições do solo, as quais se refletiram
na habilidade da soja em se desenvolver e produzir. As determinações realizadas indicam
que o plantio direto do arroz proporcionou um melhor ambiente de cultivo para a soja do
que o sistema Pré-Germinado e Cultivo Convencional.
MATERIAL E MÉTODOS
A área relativa a um ensaio de comparação de métodos de cultivo de arroz
irrigado conduzido por 16 safras agrícolas consecutivas na Estação Experimental do
Arroz do IRGA, em Cachoeirinha/RS, em um Gleissolo Háplico Ta distrófico típico, foi
cultivada com soja como o objetivo de descontaminação da área com o arroz vermelho.
Na referida área, foi realizado durante as safras de 1994/95 a 2009/10 um ensaio de
avaliação comparativa dos sistemas de cultivo de arroz plantio convencional, prégerminado e plantio direto, em blocos ao acaso com três repetições. Os resultados da
análise do solo dos três sistemas de cultivo são apresentados na Tabela 1.
A cultivar BRS Charrua foi semeada em 22/10/2010 sobre resteva de azevém
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
114
dessecado, na densidade de 14 plantas por metro linear e 40 cm de distância entrelinhas.
As sementes foram previamente tratadas com uma solução de 200 mL de Standak e 100
mL de Vitavax Tiran por 100 Kg de sementes. A inoculação das sementes foi realizada
imediatamente antes da semeadura, utilizando inoculante líquido comercial na proporção
de três doses por hectare. A adubação foi feita na linha de semeadura na quantidade de
300 kg. ha-1 da fórmula 04-17-27. O controle de plantas daninhas foi feito com herbicida
glifosato (4 L ha-1 ) em 02 e 24/12/2010. O controle de insetos pragas foi realizado
sempre que necessário (INDICAÇÕES... 2010) e o controle de ferrugem foi feito
preventivamente com três aplicações de fungicida.
Tabela 1. Teores médios de argila, pH em água, fósforo (P), potássio (K), matéria
orgânica (MO), cálcio (Ca) e magnésio (Mg) do solo após 16 anos sob diferentes
sistemas de cultivo do arroz irrigado. EEA IRGA, Cachoeirinha, RS, safra 2010/11.
Sistema de
Argila
pH
P
K
MO
Ca
Mg
cultivo do
%
H2O
mg/dm3
mg/dm3 %
cmol/dc3 cmol/dc3
arroz
Plantio Direto
17
5,5
8,7
40,7
1,93 3,80
1,20
Pré-Germinado
16
5,2
12,8
41,0
1,57 3,60
1,17
Plantio
18
5,2
16,1
43,7
1,60 3,17
0,97
Convencional
Durante a fase vegetativa houve uma pequena estiagem (Tabela 2), momento em
que foi observada variação no desenvolvimento vegetativo das plantas. Nesta ocasião
foram realizadas as seguintes determinações: massa seca da parte aérea (MSPA), em
uma amostra de 10 plantas por parcela; estádio de desenvolvimento das plantas (ED) em
uma amostra de 10 plantas, seguindo a escala de Fehr e Calviness (1977); altura de
planta (AP), em uma amostra de 10 plantas por parcela; número de nódulos por raiz
(NNR), em uma amostra de 4 plantas por parcela. A coleta foi realizada com uma pá,
retirando um bloco de solo contendo 6 plantas. O bloco de solo foi destruído com água e
as raízes das 4 plantas centrais foram utilizadas para a avaliação; massa seca dos
nódulos de 4 plantas (MSN).
Na floração plena (estádio R2), foi realizada uma coleta de plantas de 2,5 metros
lineares para determinação de matéria seca por metro quadrado (MSR2).No mês de
fevereiro houve chuvas fortes e intensas no município (Tabela 2) o que resultou em um
grande período úmido e de saturação do solo. Foi observado diferenças entre áreas dos
sistemas de cultivo quanto ao excesso hídrico (EH). Foi realizada uma avaliação da
severidade do estresse nas parcelas através de um escala visual que varia de 1( parcela
com plantas sem sintomas de EH) a 5 (todas as plantas com folhas murchas ou mortas),
de acordo com o descrito por (CORNELIUS et al., 2005).
Tabela 2. Precipitação pluviométrica (mm) por decêncios nos meses de novembro e
dezembro de 2010 e janeiro e fevereiro de 2011. EEA IRGA, Cachoeirinha, RS, safra
2010/11.
2010
2011
Decêndio
Novembro
Dezembro
Janeiro
Fevereiro
Primeiro
27
22,5
18
224
Segundo
9
32,5
52
57
Terceiro
62,5
28
17
26
Na maturação de grãos foram realizadas as seguintes determinações: população
de plantas por metro linear (PPML), em quatro amostras por parcelas, através da
contagem do número de plantas em 4 metros lineares; rendimento de grãos (RG): foram
colhidas 3 amostras por parcela, cada amostra correspondendo a colheita de
aproximadamente 40 m2. Os grãos foram limpos, e pesados e o valor resultante corrigido
para 13% de umidade. Por fim, o valor de cada amostra foi convertido para Kg ha-1; peso
de cem sementes (PCS)
Todos s dados foram submetidos à análise de variância utilizando o modelo de
blocos ao acaso com três repetições e sub-amostras dentro de repetição, exceto para
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
115
matéria seca na floração que apresentava apenas uma observação por unidade
experimental.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Durante o estádio vegetativo houve grande variação no desenvolvimento das
plantas (Tabela 3). Nestas condições, ficou claro que o solo resultante do plantio direto do
arroz garantiu melhores condições de suporte do cultivo da soja, resultando em melhor
desenvolvimento de planta (ED, MSPA, AP) e número de nódulos. Esta última
observação é particularmente relevante para a pesquisa de rotação arroz irrigado x soja,
pois a deficiência de nodulação vem sendo um dos grandes gargalos para a adaptação
da cultura da soja aos solos de várzea.
Tabela 3. Médias, quadrados médios, número de amostras e coeficiente de variação para
estádio de desenvolvimento (ED), massa seca da parte aérea (MSPA), altura de planta
(AP), número de nódulos por raiz (NNR), matéria seca de raiz (MSR) e massa seca de
nódulos (MSN). EEA/IRGA, Cachoeirinha, RS, safra 2010/11.
ED
Sistema de
MSPA
AP
MSN
Nós/plant
NNR
Cultivo
g/planta cm
g
a
β
Plantio Direto
8,7 A
11,1 A
40 A
44 A
1,61 NS
7,5 B
Pré-Germinado
7,4 B
33 B
25 B
0,83
Plantio
7,9 B
6,1 B
32 B
21 B
1,10
Convencional
QM Sistema
10,94**
120 **
615 **
1788 * 0,47 NS
QM Resíduo
1,45
8
15
382
0,12
Amostras/Sistema 30
18
30
12
3
CV (%)
15
34
11
66
30
β Valores seguidos pela mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Duncan a 5%.
** e * Significativamente diferente pelo F teste.
NS sem diferença significativa.
As médias das determinações realizadas a partir da floração também indicam uma
vantagem da soja cultivada na área de plantio direto, exceto para o PCS que permaneceu
muito semelhante entre os três sistemas (Tabela 4). Embora não tenha sido possível
detectar diferenças significativas entre as médias de MSR2, a soja cultivada em área de
plantio direto produziu em média 100 g a mais que a cultivada em Pré-germinado e plantio
convencional. A avaliação de severidade por EH mostrou uma clara vantagem da área de
plantio direto, indicando que este solo apresentou tanto melhor capacidade de retenção de
água e suporte das plantas durante a estiagem quanto de infiltração. O plantio direto
continuado em diferentes solos sabidamente aumenta a incorporação da porção de matéria
orgânica e aumenta a agregação do solo, o que por sua vez aumenta a capacidade de
infiltração e de retenção de água, além de reduzir o adensamento do solo, aumentando a
porosidade que beneficia a expansão radicular, aumentando também a capacidade das
plantas em buscar água e nutrientes, resultando em melhor desenvolvimento total da planta
(MIELNICZUK et al., 2003). A população final de planta também foi diferente nos três
sistemas, mostrando que o sistema de preparo do solo praticado no arroz também
influenciou no estabelecimento das plantas. O rendimento de grãos foi fortemente afetado
pelo sistema de preparo do solo. O pior resultado foi alcançado no tratamento em que nas
safras anteriores havia sido cultivado com arroz irrigado no sistema de plantio convencional.
Também foi este o sistema que apresentou maior severidade devido ao EH.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
116
Tabela 4. Médias, quadrados médios, número de amostras e coeficiente de variação para.
Massa seca no estádio R2 (MSR2), excesso hídrico (EH), população de plantas
por metro linear (PPML), rendimento de grãos (RG), e peso de cem sementes
(PCS). EEA/IRGA, Cachoeirinha, RS, safra 2010/11.
Sistema de
MSR2
EH
RG
PCS
PPML
Cultivo
g. m-2
Nota 1-5
Kg ha-1
g
Plantio Direto
319 NS
1,50 B
10,7 A
3291 A
13,6 NS
Pré-Germinado
202
3,17 A
7,8 C
2611 A
13,4
Plantio
194
3,67 A
9,4 B
1850 B
13,3
Convencional
QM Sistema
14564 NS
3,86 NS
26,0 **
4680620 **
0,134 NS
QM Resíduo
3946
0,19
1,4
365861
0,505
Amostras/Sistema
3
3
12
12
12
CV (%)
26
16
13
23
5
β Valores seguidos pela mesma letra na coluna não diferem pelo teste de Duncan a 5%.
** e * Significativamente diferente pelo F teste.
NS sem diferença significativa.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Técnica da Cultura do Arroz Irrigado. Bento Gonçalves, RS: Sosbai, 2010.
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do Solo, 2003. v.3. p.209-248.
Thomas, A. L. & COSTA, J.A.O. SOJA: Manejo Para Alta Produtividade de Grãos. Porto
Alegre: Evangraf, 2010.
Summary: In 2010/11 growing season, soybean was cultivated in a long-term trial area
for comparing the performance of irrigated rice cropping systems No-Till, Pre-germinated
and Conventional Planting. Soybean showed large differences in development between
plots of different cropping systems, indicating that these cultivation systems changed soil
conditions, which reflected in the ability of soybean to develop and produce.
Determinations were carried out to assess the difference in plant development, and the
results indicate that No-Till provided a better environment for the cultivation of soybeans
that the pre-germinated and conventional farming systems.
Key words: Glycine max, abiotic stress, grain yield
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
117
Efeito da População de Plantas e Época de Semeadura sobre a Produtividade de
Cinco Linhagens de Soja CCGL TECNOLOGIA, Safra 2011/12
D. Rockenbach1, C. Steckling¹, T. Roversi1
1
CCGL TECNOLOGIA, RS 342, km 149, 98005-970, Cruz Alta, RS. E-mail:
[email protected], [email protected], [email protected]
Resumo: A população de plantas ideal pode variar de um genótipo para outro. Por
apresentar grande plasticidade, a cultura da soja se adapta a diferentes populações de
plantas podendo compensar populações mais baixas. O objetivo deste trabalho foi o de
estudar o comportamento de diferentes linhagens em diferentes populações de plantas
em função da época de semeadura adotada. Foram estudadas duas épocas de
semeadura (20/10 e 20/12/2011), quatro populações de plantas (15; 25; 35 e 45 plantas
m²) e cinco linhagens (CEPsBt 09033, CEPsBt 09036, CEPsBt 10129, CEPsBt 10104 e
CEPsBt 09018) em um experimento tri fatorial 2X4X5 com parcelas sub-subdivididas, no
município de Cruz Alta – RS, na estação de crescimento 2011/12. A maioria das
linhagens não apresentou diferenças na produtividade em função das populações de
plantas avaliadas, somente a linhagem CEPsBt 09018 apresentou produtividade inferior
na população de 35 plantas/m². A época de semeadura afetou a produtividade somente
das linhagens CEPsBt 09033 na população de 15 plantas/m² e CEPsBt 09036 na
população de 45 plantas/m². Na semeadura de 20/10/2011 as linhagens CEPsBt 09036,
CEPsBt 10129 e CEPsBt 09018 apresentaram as melhores produtividades em todas as
populações avaliadas. Na semeadura de 20/11/2011 as linhagens CEPsBt 09036 e
CEPsBt 10129 apresentaram as melhores produtividades em todas as populações
avaliadas.
Palavras-chave: Glycine max, genótipos, plasticidade.
INTRODUÇÃO
A soja é uma cultura que se caracteriza pela sua ampla plasticidade quanto a
resposta ao arranjo espacial de plantas, alterando caracteristicas como estatura de
planta, inserção das primeiras vagens, número de nós, número de ramos e número de
vagens por planta (TECNOLOGIAS DE PRODUÇÃO, 2008).
A população de plantas adequada pode variar de uma cultivar para outra, em
função da arquitetura de planta, hábito de crescimento, tipo de crescimento e ciclo,
sendo que a população indicada para a cultura da soja situa-se em torno de 300.000
plantas por hectare ou 30 plantas/m² (REUNIÃO, 2010).
O arranjo de plantas pode ser alterado tanto no espaçamento entrelinhas quanto
na população de plantas. A população de plantas é o fator que menos afeta a
produtividade da soja, desde que as plantas estejam distribuidas uniformemente na área
(ENDRES, 1996). A ausencia de resposta diferenciada para produtividade em função das
diferentes populações de plantas utilizadas esta relacionada com a plasticidade fenotipica
que a cultura apresenta.
Segundo Rocha (2001), no estabelecimento da população de plantas, deve-se
levar em consideração a cultivar a ser utilizada, a fertilidade do solo, a época de plantio,
espécies de plantas daninhas predominantes, época de semeadura e sistema de manejo
de pragas. Em razão de todos esses fatores é que se faz necessária uma avaliação
criteriosa para o estabelecimento da população de plantas, para que se encontre um
ponto de equilíbrio.
Cada cultivar possui morfologia diferente, e para se identificar qual a densidade
mais adequada, deve-se levar em consideração componentes de rendimento como o
número de sementes por área, número de vagens por área, número de nós produtivos
por área e número de nós por área (BOARD, 2005).
Para semeaduras realizadas no final da época recomendada, indica-se um
aumento na população de plantas, visando compensar a redução de estatura de planta
em função do encurtamento do subperíodo vegetativo (REUNIÃO, 2010).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
118
Objetivou-se com o presente trabalho estudar o comportamento de diferentes
linhagens em deferentes populações de planta função da época de semeadura adotada.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho foi conduzido na estação de crescimento 2011/12, na área
experimental da CCGL TECNOLOGIA em Cruz Alta, RS, localizada na região do Planalto
Médio do RS (RIO GRANDE DO SUL, 1994), à latitude de 28o36’ Sul, longitude de 53o40’
Oeste e altitude média de 409 m, com solo classificado como Latossolo Vermelho distrófico
típico (EMBRAPA, 1999).
Foram utilizadas 5 linhagens de soja Intacta RR2PRO, combinadas com quatro
populações de plantas e duas épocas de semeadura. As linhagens utilizadas foram as
seguintes: CEPsBt 09033; CEPsBt 09036; CEPsBt 10129; CEPsBt 10104 e CEPsBt 09018,
combinadas com as populações de 15; 25; 35 e 45 plantas m², semeadas em 20/10/2011
(E1) e 20/11/2011 (E2).
O delineamento experimental utilizado foi o trifatorial 5X4X2, com parcelas subsubdivididas, com quatro repetições, onde as parcelas principais foram constituídas pelas
épocas de semeadura, as subparcelas foram compostas pelas cultivares e as subsubparcelas pelas populações de plantas.
A semeadura foi realizada com semeadora de parcelas, e a quantidade de sementes
foi ajustada para obter a população final de plantas desejada. As sub-subparcelas
consistiram de quatro fileiras com espaçamento entre fileiras de 50cm com seis metros de
comprimento, as duas fileiras centrais com a eliminação de 50cm em cada extremidade
compuseram a área útil totalizando 5m².
A cultura foi manejada e conduzida conforme indicações da REUNIÃO (2010).
Foram avaliadas as populações de plantas estabelecidas; número de flores por
planta; estatura na floração e na maturação; número de nós, de ramos e de vagens por
planta, altura da inserção da primeira vagem com base em cinco plantas dispostas em
seqüência na parcela, além da produtividade de grãos.
Os resultados para rendimento de grãos foram submetidos à análise da variância e
os valores médios comparados pelo teste de Duncan ao nível de 5% de probabilidade do
erro.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados encontrados para produtividade de grãos encontram-se na Tabela 1. a
analise de variância mostrou que houve interação entre os fatores estudados. As épocas de
semeadura tiveram comportamento semelhante em praticamente todas as populações e
linhagens, exceto na população de 15 plantas m² da linhagem CEPsBt 09033, onde a E1
apresentou resultado superior a E2. e para a população de 45 plantas m² da linhagem
CEPsBt 09036 onde a produtividade da E2 foi superior a E1.
As populações de plantas diferiram entre si somente para a linhagem CEPsBt 09018
na E1, onde as populações de 15 plantas m² e 25 plantas m² tiveram produtividade superior
a população de 35 plantas m², já a população de 45 plantas m² não diferiu das demais
populações.
As linhagens apresentaram poucas diferenças entre si em relação a cada população
avaliada. Na E1, as linhagens CEPsBt 09033 e CEPsBt 09018 apresentaram produtividade
inferior as demais nas populações de 25 e 35 plantas m². Na E2 as linhagens CEPsBt 09036
e CEPsBt 10129 apresentaram produtividade superior as demais em todas as populações
avaliadas.
Na população mais baixa (15 plantas m²), as linhagens CEPsBt 09033 e CEPsBt
09018 tiveram as menores produtividades.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
119
CONCLUSÕES
Na safra 2011/12 praticamente não houve diferenças entre as épocas de semeadura
avaliadas. Diferenças de produtividade entre as populações avaliadas somente foram
encontradas para a linhagem CEPsBt 09018 na primeira época de semeadura avaliada.
Existem diferenças entre linhagens em relação à população de plantas estudadas.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOARD, J. E.; MODALI, H.; dry matter accumulation predictors for optimal yield in
soybean. CROP SCIENCE, VOL. 45, SEPTEMBER–OCTOBER 2005.
EMBRAPA - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, Centro Nacional de Pesquisa
de Solos. Sistema brasileiro de classificação de solos. Embrapa Produção de
Informação/Embrapa Solos. 1999, 412 p.
ENDRES, V. C. Espaçamento, densidade e época de semeadura. In: EMBRAPA. Centro
de Pesquisa Agropecuária do Oeste (Dourados, MS). Soja: recomendações técnicas
para Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Dourados, 1996. p. 82-85. (Circular Técnica,
3).
REUNIÃO DE PESQUISA DA SOJA DA REGIÃO SUL, 38.,2010, Cruz Alta. Indicações
Técnicas para a Cultura da Soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina
2010/2011 e 2011/2012. Cruz Alta: FUNDACEP FECOTRIGO, 2010. 168p.
ROCHA, R. N. C.; PELUZIO, J. M.; BARROS, B. H.; FIDELIS, R. R.; JUNIOR, H. P. S.
Comportamento de cultivares de soja em diferentes populações de plantas, em
Gurupi, Tocantis. Revista Ceres, 48(279):529-537, 2001.
TECNOLOGIAS DE PRODUÇÃO DE SOJA – Região Central do Brasil – 2009 e 2010.Londrina: Embrapa Soja: Embrapa Cerrados: Embrapa Agropecuária Oeste, 2008. 262p.
Summary: The ideal population of plants can vary from one to another genotype. By
presenting great plasticity, soybean adapts to different populations of plants and can
compensate for lower populations. The objective of this work was to study the behavior of
different lineages in different plant populations in function of sowing date adopted. We
studied two sowing dates (20/10 and 12/20/2011), four plant populations (15, 25, 35 and
45 plants m²) and five lineages (CEPsBt 09033, CEPsBt 09036, CEPsBt 10129, CEPsBt
10104 and CEPsBt 09018) in a 2X4X5 trifactorial experiment with plots subdivided in Cruz
Alta - RS, in the growing season 2011/12. Most lineages showed no differences in yield as
a function of plant populations tested, only lineage CEPsBt 09018 had lower productivity
in the population of 35 plants/m². The sowing time affected the productivity of the lineages
CEPsBt 09033 in the population of 15 plants/m² and CEPsBt 09036 in the population of
45/m². In the sowing made at 20/10/2011 the lineages CEPsBt 09036, CEPsBt 10129 and
CEPsBt 09018 had the best yields in all populations. In the sowing of 20/11/2011 the
lineages CEPsBt 09036 and CEPsBt 10129 had the best yields in all populations
evaluated.
Key words: Glycine max, genotypes, plasticity.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
120
Tabela 1. Produtividade de linhagens de soja em função de diferentes populações de
plantas e épocas de semeadura, Cruz Alta, safra 2011/12.
Época de Semeadura
20/10/2011
20/11/2011
Linhagem
População
15 pl/m²
CEPsBt 09033
CEPsBt 09036
CEPsBt 10129
CEPsBt 10104
CEPsBt 09018
Produtividade kg/ha
A³
818 a
1164 *¹
a²
25 pl/m²
35 pl/m²
1006
1027
a
a
45 pl/m²
15 pl/m²
1161
1369
a
a
A
A
1088 a
1494 a
A
25 pl/m²
35 pl/m²
1386
1374
a
a
A
A
1571 a
1520 a
A
A
B
45 pl/m²
15 pl/m²
1289
1233
a
a
A
A
1582 a
1447 a
A
A
B
25 pl/m²
35 pl/m²
1340
1413
a
a
A
A
1532 a
1594 a
A
A
45 pl/m²
15 pl/m²
1371
1425
a
a
A
A
1614 a
1196 a
A
25 pl/m²
35 pl/m²
1405
1347
a
a
A
A
45 pl/m²
15 pl/m²
1198
1350
a
a
25 pl/m²
35 pl/m²
1282
989
a
B
B
b
D
889 a
1036 a
C
C
B
B
C
1202 a
1270 a
B
B
C
A
A
1191 a
1074 a
B
AB
B
1234 a
1064 a
B
C
D
C
45 pl/m²
1108
a b A
1234 a
B
CV
15,79
1
O símbolo * compara cada população das linhagens nas duas épocas, onde * indica a época que
apresentou produtividade superior, a ausência do * indica que não houve diferença entre as épocas pelo teste
de Duncan ao nível de 5% de probabilidade.
² Letras minúsculas compram as populações dentro de cada linhagem nas épocas pelo teste de Duncan ao
nível de 5% de probabilidade.
³ Letras maiúsculas comparam as cultivares em cada população nas épocas pelo teste de Duncan ao nível de
5% de probabilidade.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
121
Rendimento de Grãos e Características Agronômicas de Soja em Função dos
Tipos de Manejo do Solo
H. P. dos Santos,1,2, R. S. Fontaneli1,3, J. L. F. Pires1
1
Embrapa Trigo, BR 285, km 294, Caixa Postal 451, CEP 99001-970 Passo Fundo, RS. E-mail:
2
[email protected], [email protected], [email protected]. Bolsista de produtividade
3
em Pesquisa do CNPq. Professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UPF.
Resumo - O rendimento de grãos e algumas características agronômicas de soja foram
avaliados em solo classificado como Latossolo Vermelho distrófico típico, em Passo
Fundo, RS, das safras de 1996/97 a 2010/11, em tipos de manejo de solo, fator analisado
nesse trabalho. Foi empregado delineamento experimental de blocos ao acaso, com
parcelas subdivididas e três repetições. A parcela principal foi constituída pelos tipos de
manejo de solo e as subparcelas pelos sistemas de rotação de culturas. A parcela principal
mediu 360 m2 (4 m de largura por 90 m de comprimento), e a subparcela, 40 m2 (4 m de
largura por 10 m de comprimento). Os tratamentos foram constituídos por quatro tipos de
manejo de solo — 1) sistema plantio direto, 2) cultivo mínimo, 3) preparo convencional de
solo com arado de discos mais grade de discos e 4) preparo convencional de solo com
arado de aivecas mais grade de discos — e por três sistemas de rotação de culturas:
sistema I (trigo/soja), sistema II (trigo/soja e ervilhaca/milho ou sorgo) e sistema III
(trigo/soja, aveia preta ou aveia branca/soja e ervilhaca/milho ou sorgo). As cultivares de
soja usadas foram BR-16 em 1996 e 1997 BRS 137 em 1998 e 1999, BRS 154 de 2000 a
2003, BRS 153 em 2004, BRS 244 RR em 2005, BRS Charrua RR em 2006, BRS 255 RR
de 2007 a 2009, e BRS Tertúlia RR em 2010, semeadas em época única. Soja cultivada
sob cultivo mínimo e sob sistema plantio direto mostrou maior rendimento de grãos,
massa de 1.000 grãos e estatura de planta, comparativamente a soja cultivada sob
preparo convencional de solo com arado de aivecas. Após 15 anos, a combinação de
sistemas conservacionistas de manejo de solo (sistema plantio direto e cultivo mínimo) e
rotação de culturas favoreceu o maior rendimento da cultura de soja. Não houve diferença
dos tipos de manejo de solo entre as médias conjuntas dos dados obtidos em relação ao
número de legumes por planta, ao número de grãos por planta, a massa de grãos e a altura
de inserção dos primeiros legumes de soja.
Palavras-chave: componentes do rendimento, massa 1.000 grãos, estatura de plantas,
altura de inserção dos primeiros legumes, sistema plantio direto.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
122
Rendimento de Grãos e Características Agronômicas de Soja em Função de
Sistemas de Rotação de Culturas
H.P. dos Santos1,2, R.S. Fontaneli1,3 e J.L.F. Pires1
1
Embrapa Trigo, BR 285, km 294, Caixa Postal 451, CEP 99001-970 Passo Fundo, RS. E-mail:
2
[email protected], [email protected], [email protected]. Bolsista de produtividade
3
em Pesquisa do CNPq. Professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da UPF.
Resumo - O rendimento de grãos e algumas características agronômicas de soja foram
avaliados em solo classificado como Latossolo Vermelho distrófico típico, em Passo
Fundo, RS, nas safras de 1996/97 a 2010/11, considerando tipos de manejo de solo e a
rotação de culturas utilizada, fator analisado nesse trabalho. Foi empregado delineamento
experimental de blocos ao acaso, com parcelas subdivididas e três repetições. A parcela
principal era constituída pelos tipos de manejo de solo e as subparcelas pelos sistemas de
rotação de culturas. A parcela principal possuía área de 360 m2 (4 m de largura por 90 m de
comprimento), e a subparcela, 40 m2 (4 m de largura por 10 m de comprimento). Os
tratamentos foram constituídos por quatro tipos de manejo de solo 1) sistema plantio direto,
2) cultivo mínimo, 3) preparo convencional de solo com arado de discos mais grade de
discos e 4) preparo convencional de solo com arado de aivecas mais grade de discos e por
três sistemas de rotação de culturas: sistema I (trigo/soja), sistema II (trigo/soja e
ervilhaca/milho ou sorgo) e sistema III (trigo/soja, aveia preta ou aveia branca/soja e
ervilhaca/milho ou sorgo). As cultivares de soja usadas foram BR-16, em 1996 e 1997, BRS
137, em 1998 e 1999, BRS 154, de 2000 a 2003, BRS 153, em 2004, BRS 244 RR, em
2005, BRS Charrua RR, em 2006, BRS 255 RR, de 2007 a 2009, e BRS Tertúlia RR, em
2010. A análise conjunta dos dados obtidos não indicou diferença entre os sistemas de
rotação de culturas em relação ao número de grãos por planta, à massa de 1.000 grãos e
à altura de inserção dos primeiros legumes de soja. Finalmente, a rotação de culturas por
um verão, utilizando milho ou sorgo, propicia maior rendimento de grãos de soja, em
comparação aos demais sistemas estudados e à soja em monocultura. Massa de grãos
menor ocorreu em monocultura (trigo/soja).
Palavras-chave: componentes do rendimento, massa 1.000 grãos, estatura de plantas,
altura de inserção dos primeiros legumes, sistema plantio direto.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
123
Compactação do Solo Hidromórfico em Plantio Direto Reduz a Produtividade de
Soja em Terras Baixas
G. Theisen1, J.M.Parfitt1, J.J.C.Silva, F.J. Vernetti Jr. 1, M.V.Fipke2, J.F.L.Bonow2,
F.M.Xavier2, A.Reis2
1
Pesquisadores da Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 78, 98001-970, Pelotas, RS, RS. E-mail:
2
[email protected]. Estagiários da Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS.
Resumo: A introdução e consolidação do plantio direto nas terras brasileiras são
consideradas como um marco na agricultura nacional, sendo este modo de cultivo um
elemento de competitividade às diversas culturas implantadas sob este sistema. Com o
aumento na demanda mundial por alimentos novas áreas agrícolas passaram a ser
incorporadas à produção de grãos, caso do Rio Grande do Sul, onde tem ocorrido
expansão do cultivo de soja na metade sul deste estado, região em que a oleaginosa ocupa
tanto as áreas altas quanto as terras baixas em rotação com o arroz irrigado. As terras
baixas são caracterizadas por solos de difícil drenagem, com características físicas que
lhes conferem relativamente alta suscetibilidade à compactação. Ademais, após a colheita
do arroz – feita preferencialmente com solo molhado para garantir a qualidade industrial do
cereal – fazem-se necessárias operações de nivelamento do solo, geralmente envolvendo
aração, gradagem e aplainamento. Nas terras baixas em que se pratica a rotação arroz soja, portanto, o cultivo de soja em plantio direto pode não ser exatamente o mesmo
daquele praticado nas áreas altas, em que a mobilização e o revolvimento do solo são,
realmente, mínimos ao longo do ano. Algumas áreas cultivadas com soja em plantio direto
em terras baixas têm apresentado sinais que podem ser associados à compactação do
solo, tais como o pouco crescimento de raízes, a fraca nodulação e a coloração verde-claro
das folhas das plantas. Nesse sentido, dois experimentos foram conduzidos para identificar
o efeito da compactação do solo em áreas de plantio direto em terras baixas sobre
características da soja, principalmente quanto à sua produtividade. Os dados obtidos foram
contundentes no sentido de identificar a perda produtiva da soja associada à compactação
do solo: em área com plantio direto recente (dois anos) irrigada com aspersão e
descompactada obteve-se 3818 kg ha-1 de grãos, com uma redução de 45% devido à
compactação. Já quando a cultura foi implantada em área sem irrigação, em plantio direto
já consolidado (6 anos sem revolvimento) obteve-se 3024 de grãos, com uma perda de
14% devido à compactação do solo.
Palavras-chave: Glycine max, escarificação, descompactação, densidade, rendimento
INTRODUÇÃO
A introdução e consolidação do plantio direto na agricultura brasileira são
consideradas um marco significativo, sendo este modo de cultivo um fator de
competitividade às culturas implantadas sob este sistema. O aumento na demanda
mundial por alimentos induziu a que novas áreas agrícolas fossem incorporadas à
produção de grãos. No Rio Grande do Sul tem ocorrido a expansão do cultivo de soja na
metade sul deste estado, onde a cultura ocupa tanto as áreas altas (cerca de 700 mil ha)
quanto as terras baixas com solos hidromórficos (estima-se em 300 mil ha) em rotação
com o arroz irrigado ou com a pecuária extensiva. As terras baixas são caracterizadas
por solos planos ou levemente ondulados, hidromórficos, com difícil drenagem, com
características físicas que lhes conferem alta suscetibilidade à compactação. Além disso,
após a colheita do arroz, que é feita de preferência em solo molhado para garantir a
qualidade industrial do cereal, são feitas operações de revolvimento do solo envolvendo
aração, gradagem e aplainamento. Nos solos hidromórficos das terras baixas é comum
realizarem-se operações agrícolas quando o solo apresenta alto teor de umidade. Isso
tem resultado na quebra de agregados e destruição dos macroporos, com consequente
aumento da densidade do solo e resistência à penetração, causando efeitos negativos
sobre o desenvolvimento das culturas (LIMA et al., 2006). Desse modo, nas áreas com
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
124
rotação de culturas entre arroz irrigado e soja, o sistema de manejo que se denomina
‘plantio direto’ geralmente não é exatamente o mesmo praticado nas áreas altas (região
do planalto do RS), em que a mobilização e revolvimento do solo são, realmente,
mínimos ao longo do ano. Uma vez que a fixação biológica de nitrogênio é bastante
dependente da oxigenação no solo e que a absorção de água e de nutrientes pelas
plantas é proporcional ao volume de solo explorado pelas raízes, o uso de implementos
que reduzam a compactação do solo pode reduzir as perdas associadas a esse fator em
soja, principalmente naquelas áreas localizadas em solos hidromórficos.
MATERIAL E MÉTODOS
Dois experimentos foram conduzidos na Estação Experimental Terras Baixas, em
Capão do Leão, RS na safra 2011/2012, em duas áreas conduzidas sob plantio direto a
dois anos (Área 1) e a seis anos (Área 2). A primeira área foi irrigada por aspersão com
sistema linear móvel programado para irrigar 9mm/h sempre que os sensores de água do
solo (tipo Watermark) registrassem 40 kPa. O solo da área é do tipo Planossolo
hidromórfico eutrófico solódico (EMBRAPA, 1999), cuja análise apresentou em ambas as
áreas teores médios de argila de 20%, matéria orgânica 1,9% e pH em água 5,7. Na Área
1 o nível de P e K é considerado ‘baixo’, enquanto na Área 2 o P é classificado como
‘baixo’, e o K como ‘alto’ para o cultivo de soja. A adubação da cultura foi ajustada à
interpretação da análise de solo para ambos os locais, e os demais tratos culturais
seguiram a indicação técnica descrita em REUNIÃO (2009). A descompactação do solo
foi realizada aos sete dias antes da semeadura da soja, imediatamente antes da
dessecação da vegetação de cobertura, com escarificador de hastes desencontradas,
espaçadas em 30cm, operando em uma profundidade média de até 25cm. Foram
demarcadas faixas de passagem do equipamento (5m), sendo a soja cultivar BRS 246RR semeada em 15/11/2011, em sentido transversal às faixas de descompactação.
Avaliou-se o índice de clorofila das folhas com um clorofilômetro portátil modelo CCM
200, na porção mediana dos três folíolos do primeiro e segundo trifólios superiores
completamente expandidos das plantas (10 plantas por parcela), o peso de sementes e a
produtividade de grãos, uniformizada à umidade-padrão de 13%. Os experimentos
seguiram o delineamento de blocos casualizados com seis repetições por tratamento e os
dados das variáveis foram submetidos à análise de variância e comparados entre si pelo
teste F a 5% de probabilidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A escarificação do solo interferiu nas variáveis avaliadas em ambos os experimentos.
O índice de clorofila das folhas superiores completas, dada em uma unidade
adimensional baseada na intensidade da cor verde das folhas (Figura 1), indicou que a
escarificação anterior ao cultivo da soja elevou significativamente o teor de clorofila, em
53% (Área 1) e em 9% (Área 2). A escarificação do solo elevou o peso de cem sementes
quando a cultura esteve submetida à irrigação, contudo não se observou efeito
significativo (p ≥ 0,05) sobre o peso de sementes na área não irrigada, com valores
próximos a 12 gramas por 100 sementes (Figura 2). Já a produtividade de grãos,
componente mais importante no contexto da produção agrícola, foi favorecida pela
escarificação do solo. Sob irrigação, obteve-se mais de 3.800 kg ha-1 quando o solo em
cultivo foi escarificado previamente à semeadura, com drástica redução de produtividade
na área mais compactada. Além dos componentes apresentados neste trabalho, outros
fatores podem contribuir com tão contundente efeito, dentre os quais não se descarta a
pouca capacidade de infiltração de água no solo compactado, o que, além de poder
prejudicar a fixação biológica de nitrogênio, pode ter encharcado por ocasião das
irrigações, prejudicando a cultura. Na área com plantio direto mais consolidado (Área 2),
a diferença em produtividade dada pela escarificação foi menor, contudo ainda
significativa (p ≤ 0,05). Nesse caso, a descompactação do solo antes da semeadura
incrementou a produtividade de grãos em cerca de 17%.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
125
CONCLUSÕES
.
A descompactação do solo hidromórfico manejado sob plantio direto em terras baixas
elevou o teor de clorofila das folhas de soja e incrementou a produtividade de grãos da
cultura.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos. Sistema brasileiro de classificação
de solos. Brasília: Embrapa-SPI; Rio de Janeiro: Embrapa-CNPS, 1999. 412 p.
LIMA, C.L.R.; PAULETTO, E.; GOMES, A.S.; HARTWIG, M.P. & PASSIANOTO, C.C.
Compactação de um Planossolo em função de sistemas de manejo. Revista Brasileira de
Agrociência, Pelotas, v.12 p.179-182, 2006.
REUNIÃO DE PESQUISA DA SOJA DA REGIÃO SUL, 37., 2009, Porto Alegre. Indicações
Técnicas para a Cultura da Soja no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2009/20010.
Porto Alegre: Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2009. 144p.
Summary: The introduction and consolidation of no-till system in Brazil is considered as a
milestone in national agriculture, and this mode of cultivation is an element of competitiveness
to the various cultures established under this system. With the increasing of global demand
for food new agricultural areas have become incorporated into grain production, the case of
Rio Grande do Sul, where there has been expansion of soybean in the southern part of this
state, a region where this crop is planted as in high areas as in the lowlands, in rotation with
irrigated rice. The soils in lowlands are characterized by the difficult to drain, with physical
characteristics that give them relatively high susceptibility to compaction. Moreover, after the
rice harvest - preferably made with wet soil – there are necessity of operations to re-leveling
the ground, usually involving plowing, harrowing and leveling. In the lowlands where the main
rotation is rice - soybeans, the cultivation of soybeans in no-till may not be exactly the same
as the no-till practiced in the highlands, where the mobilization and soil disturbance are really
minimal over year. Some areas cultivated with soybeans in no-till in the lowlands have shown
signs that may be associated with the soil compaction, such as the little root growth, weak
nodulation and the weakness in the green color of the leaves. Accordingly, two experiments
were conducted to identify the effect of soil compaction in no-till fields in the lowlands over the
characteristics of soybeans, especially their grain yield. The data were compelling to identify
the losses in grain yield associated to the soil compaction. The area with recent no-till (two
years) irrigated with sprinkler and uncompressed yielded 3818 kg ha-1, with a reduction of
45% due to compaction. When the crop was planted in area without irrigation, but with
consolidated no-till (6 years without tillage) the grain yield was 3024 kg ha-1, with a loss of
14% due to soil compaction.
Key words: Glycine max, chisel, soil density, soil scarifier, lowlands
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
126
Índice de Clorofila (CCM)
20
15
10
5
0
A1. E
A1. NE
A2. E
A2. NE
Figura 1. Índice de clorofila das folhas completamente expandidas de soja no estádio
V6-V7 em duas áreas (A1 e A2) em terras baixas conduzidas em plantio direto, com e
sem (E e NE) escarificação do solo antes da semeadura da cultura. Embrapa Clima
Temperado, Capão do Leão, RS. 2012. [barras verticais indicam o erro-padrão da
média. Em cada área o efeito da escarificação foi significativo (p ≤ 0,05)].
13,0
PCS (g)
12,5
12,0
11,5
11,0
A1. E
A1. NE
A2. E
A2. NE
Produtividade (kg ha-1)
Figura 2. Peso de cem sementes de soja cultivada em duas áreas (A1 e A2) em terras
baixas conduzidas em plantio direto com e sem (E e NE) escarificação do solo antes da
semeadura da cultura. Embrapa Clima Temperado, Capão do Leão, RS. 2012. [barras
verticais indicam o erro-padrão da média. Em A1 o efeito da escarificação foi
significativo (p ≤ 0,05)].
5000
4000
3000
2000
1000
0
A1. E
A1. NE
A2. E
A2. NE
Figura 3. Produtividade de soja em duas áreas (A1 e A2) em terras baixas conduzidas
em plantio direto, com e sem (E e NE) escarificação do solo antes da semeadura da
cultura. Embrapa Clima Temperado, Capão do Leão, RS. 2012. [barras verticais
indicam o erro-padrão da média. Em cada área o efeito da escarificação foi significativo
(p ≤ 0,05)].
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
127
Aplicação de Uréia em Soja: Resultados de Experimentos Conduzidos em Solo
Hidromórfico na Safra 2011/12
G.Theisen1, F.J.Vernetti Jr.1, J.J.C.Silva1, M.V.Fipke2, A.Reis2, J.F.L.Bonow2, F.M.Xavier2,
C.Nemitz2
1
Pesquisadores da Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 78, 98001-970, Pelotas, RS, RS. E-mail:
2
[email protected]. Estagiários da Embrapa Clima Temperado, Pelotas, RS.
Resumo: A cultura da soja é altamente demandante em nitrogênio. Parte da necessidade
desse nutriente é atendida através da absorção no solo, porém a maior porção provém da
simbiose entre a cultura e bactérias do gênero Bradyrhizobium. Este processo, denominado
fixação biológica de nitrogênio (FBN) é considerado, depois da fotossíntese, um dos
principais processos biológicos na natureza. Para que se tenha eficiência na FBN em soja,
é necessário um conjunto de fatores, destacando-se a disponibilidade de oxigênio no
ambiente e o fornecimento de energia, dado pela planta. A redução da FBN em soja pode
ocorrer em algumas condições, especialmente quando não existir, na interface solo-raiz,
estes elementos básicos de suporte ao processo simbiótico. A área de soja vem
aumentando na metade sul do RS. A rotação da cultura com o arroz irrigado já é presente
em 1/3 da área (cerca de 300 mil ha), e há tendência de aumento, impulsionado pelos
preços atrativos e por benefícios ao sistema de produção arroz-pecuária. Nas terras baixas
predominam solos hidromórficos, os quais têm uma natural suscetibilidade à compactação
e adensamento. Estes aspectos, juntamente às dificuldades de drenagem em algumas
condições, podem restringir o pleno desenvolvimento da simbiose entre a soja e as
bactérias nitrificadoras. Baseados nessa premissa, na justificativa de que o ciclo dos
cultivares atuais é bastante curto, e também na busca de oportunidades comerciais,
existem algumas indicações informais aos produtores de que a aplicação de uréia na
cultura da soja em terras baixas é uma necessidade. Visando contribuir em esclarecer este
assunto, foram implementados quatro experimentos (DBC, 4 repetições) em distintos locais
e épocas de semeadura na Estação Experimental Terras Baixas da Embrapa Clima
Temperado, em Capão do Leão, RS na safra 2011/12, em que se compararam os seguintes
tratamentos: a) soja sem uréia; b) aplicação de 100 kg ha-1 de uréia no estádio V4; c)
aplicação de 100 kg ha-1 de uréia no estádio R2; d) aplicação parcelada em V4 e R2, com
50 kg ha-1 de uréia por estádio. A soja cv BRS246-RR foi inoculada antes da semeadura, e
as áreas já foram cultivadas com soja nos últimos anos. Avaliou-se o peso de 100
sementes e a produtividade de grãos. Constatou-se leve tendência de incremento no peso
de 100 sementes quando se aplicou a uréia no início do enchimento de grãos da soja. A
produtividade de grãos variou entre 1299 kg ha-1 (na área mais adensada e com parcial
encharcamento) até 2969 kg ha-1, não ocorrendo diferença significativa entre os
tratamentos em nenhum dos experimentos.
Palavras-chave: Glycine max, nitrogênio, nutrição, rizobium, simbiose, terras
baixas.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
128
Avaliação de Cultivares Convencionais de Soja Registradas da Rede Soja Sul de
Pesquisa na Embrapa Clima Temperado
F. de J.Vernetti Junior1, L.S.Heiffig-del Aguila1
1
Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 78, 96010-971, Pelotas, RS. E-mail:
[email protected], [email protected].
Resumo: As cultivares convencionais de soja provenientes dos programas de
melhoramento das instituições integrantes da rede Soja Sul de Pesquisa foram avaliadas
na Embrapa Clima Temperado, em áreas de cultivo de arroz irrigado. O ensaio de
cultivares recomendadas de soja do grupo de maturação 6 (ciclo precoce) foi composto por
7 cultivares que alcançaram uma produtividade média de 1.591 kg ha-1. As análises de
variância para altura final de planta, peso de 100 sementes e produtividade de grãos não
foram significativas, bem como o teste de comparação de médias. Entretanto, em valores
absolutos, pode-se observar que a cultivar mais produtiva CD 215 apresentou
produtividade de grãos 33% superior (cerca de 8,0 sacos ha-1) as duas cultivares de menor
rendimento, no caso CD 216 e BRS Macota. Na avaliação de cultivares recomendadas de
soja do grupo de maturação 7 (ciclo médio e tardio) foram utilizadas 8 cultivares, estas
apresentaram diferença significativa quanto ao peso de 100 sementes e a produtividade de
grãos. A cultivar Fundacep Missões, em valores absolutos, apresentou o maior rendimento
de grãos (2.500 kg ha-1), 18,4% superior à média geral do experimento. As cultivares
Fepagro RS-10, BRS Torena e Fundacep 44 foram, respectivamente em ordem
decrescente de produtividade, as melhores cultivares com produtividade de grãos superior
à média geral do experimento. A cultivar CD 218 apresentou a menor produtividade de
grãos.
Palavras-chave: Glycine max, produtividade agrícola, áreas de cultivo de arroz irrigado.
INTRODUÇÃO
A chamada “Metade Sul” do Rio Grande do Sul é a única região com área ainda
disponível para expansão da cultura da soja no Estado (THEISEN et al, 2009). E esta
cultura vem sendo inserida tanto nas coxilhas quanto nas várzeas com solos típicos de
arroz irrigado.
Os resultados adiante alinhados dão suporte técnico à cultura da soja na região
onde atua a Embrapa Clima Temperado, especialmente ao cultivo em “terras de arroz”.
O presente trabalho tem como objetivo principal fornecer aos profissionais da área
de assistência técnica e aos produtores, informações sobre a produtividade e o
desempenho de algumas cultivares convencionais de soja indicadas para o Rio Grande
do Sul.
MATERIAL E MÉTODOS
Quinze cultivares de soja desenvolvidas pelos programas de melhoramento das
instituições de pesquisa que atuam em melhoramento genético no Estado do Rio Grande
do Sul foram avaliadas quanto a produtividade agrícola e algumas características
fenológicas e fenométricas.
Para tal, foram conduzidos dois experimentos com genótipos convencionais:
1.Avaliação de cultivares recomendadas de soja do grupo de maturação 6 (ciclo
precoce); e, 2.Avaliação de cultivares recomendadas de soja do grupo de maturação 7
(ciclo médio e tardio).
No experimento 1 foram avaliados os seguintes materiais: Fepagro 31, BRS
Macota, CD 202, CD 215, CD 216, CD 221 e Fepagro 25. No experimento 2 foram
avaliadas as seguintes cultivares: BRS 154, BRS Fepagro 24, BRS Torena, CD 217, CD
218, Fepagro RS-10, Fundacep 44 e Fundacep Missões.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
129
Os experimentos foram conduzidos em área experimental da Embrapa Clima
Temperado, localizada no município de Capão do Leão, RS, em solo típico de arroz
irrigado, caracterizado como Planossolo Háplico Eutrófico solódico.
O delineamento experimental utilizado foi blocos ao acaso, com três repetições.
As parcelas foram compostas de quatro fileiras de cinco metros, espaçadas de 50 cm
entre linhas, com uma área útil de 4 m2. A adubação, inoculação das sementes e controle
de invasoras e pragas foram realizadas segundo as recomendações técnicas para a
cultura. As datas de semeadura e emergência dos ensaios foram, respectivamente, 13 e
21 de novembro de 2011.
No decorrer do ciclo biológico, foram coletados dados referentes ao número de
dias da emergência ao início do florescimento e da emergência à maturação fisiológica.
Registraram-se o peso de cem sementes e a produtividade das cultivares.
Os resultados foram submetidos à análise de variância através do teste F, e as
médias dos fatores foram avaliadas pelo Teste de Tukey (p ≤ 0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os dados de precipitação pluvial e de temperatura do solo, média das máximas,
média das mínimas e temperatura média do ar registrados no ano agrícola 2011/2012,
foram favoráveis ao crescimento, à frutificação e à maturação das plantas.
O ensaio de avaliação de cultivares do grupo de maturação 6 (ciclo precoce),
safra 2011/2012, apresentou um rendimento médio de grãos de 1.591,2 kg ha-1. As
análises de variância para altura final de planta, peso de 100 sementes e produtividade
de grãos não foram significativas, bem como o teste de comparação de médias.
Entretanto, em valores absolutos, pode-se observar que a cultivar mais produtiva CD 215
apresentou produtividade de grãos 33% superior (cerca de 8,0 sacos ha-1) as duas
cultivares de menor rendimento, no caso CD 216 e BRS Macota (Tabela 1).
O número de dias entre a emergência e o início da floração variou de 63 a 70
dias. Já, a variação entre a emergência e a maturação fisiológica em média foi de 140
dias, variando de 135 dias, para a mais precoce (CD 202), a 147 dias, para a mais tardia
(CD 215).
Na avaliação de cultivares recomendadas de soja do grupo de maturação 7 (ciclo
médio e tardio) foram utilizadas 8 cultivares, estas apresentando diferença significativa
quanto ao peso de 100 sementes e a produtividade de grãos. A cultivar Fundacep
Missões, em valores absolutos, apresentou o maior rendimento de grãos (2.500 kg ha-1),
18,4% superior à média geral do experimento. As cultivares Fepagro RS-10, BRS Torena
e Fundacep 44 foram, respectivamente em ordem decrescente de produtividade, as
melhores cultivares com produtividade de grãos superior à média geral do experimento. A
cultivar CD 218 apresentou a menor produtividade de grãos (Tabela 2).
Comparando-se os resultados obtidos no ano agrícola 2011/12 com os obtidos no
ano agrícola 2010/11 por Vernetti Jr. et al. (2011), verifica-se uma certa conformidade em
relação as cultivares que apresentaram as melhores produtividades (Fundacep 44 –
2.257 kg ha-1, Fepagro RS-10 – 2.182 kg ha-1, Fundacep Missões – 2.160 kg ha-1 e BRS
Torena – 2.087 kg ha-1).
O coeficiente de variação do experimento foi 14,3% conferindo precisão às
análises. A duração média dos subperíodos emergência-início da floração e emergência
à maturação fisiológica foi, respectivamente, de 70 e 152 dias. A floração das cultivares
teve início entre 69 e 72 dias após a emergência. O número de dias entre a emergência e
a maturação fisiológica variou de 139 dias para a mais precoce (CD 217) a 162 dias para
a mais tardia (BRS Torena).
Mais uma vez, levando-se em consideração os resultados obtidos por Vernetti Jr.
et al. (2011) infere-se num aumento na duração média dos subperíodos emergênciainício da floração e emergência à maturação fisiológica, do ano 2010/11 para o 2011/12,
tanto para as cultivares do grupo de maturação 6, quanto para aquelas do grupo de
maturação 7, respectivamente de 41 para 68 dias e de 57 para 70 dias (emergência-início
da floração); e, de 109 para 127 dias e de 140 para 152 dias (emergência à maturação
fisiológica).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
130
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
THEISEN, G., VERNETTI JUNIOR, F.J., ANDRES, A., SILVA, J.J.C. Manejo da Cultura
da Soja em Terras baixas em Safras com El-niño. Circular Técnica. Pelotas: Embrapa
Clima Temperado, 2009. 3 p.
VERNETTI JUNIOR, F.J. et al. Resultados de Pesquisa de Soja na Embrapa Clima
Temperado – 2011. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2011. 122 p. (Embrapa Clima
Temperado, Documentos, 340)
Summary: Evaluation of conventional registered soybean cultivars from the South
Soybean Network Research at Embrapa Clima Temperado. Conventional soybean
cultivars from breeding programs of institutions member’s of the South Soybean Network
Research were evaluated at Embrapa Clima Temperado conditions, in soil of irrigated rice
areas. The test of conventional group 6 soybean cultivars (early maturity) was composed
of seven cultivars that reached an average yield of 1591 kg ha-1. Analysis of variance for
plant height, weight of 100 seeds and grain yield was not significant, and either the means
comparison test. However, in absolute records, the most productive cultivar CD 215 had
grain yield 33% higher (about 8.0 sacks ha-1) than both cultivars with lower incomes (CD
216 and BRS Macota). In the evaluation of group 7 maturity soybean cultivars (medium
and medium late maturity) were used eight cultivars also showed significant difference
between the weight of 100 seeds and grain yield. The cultivar Fundacep Missões showed
the highest grain yield (2500 kg ha-1), 18.4% higher than the overall mean. The cultivars
Fepagro RS-10, BRS Torena and Fundacep 44 were, respectively in decreasing order of
productivity, the best varieties with higher yield than the overall mean. CD 218 cultivar
showed the lowest yield.
Key words: Glycine max, yield, irrigated rice areas.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
131
Tabela 1. Avaliação de cultivares do grupo de maturação 6 (ciclo precoce), em Capão do
Leão, RS. Duração (dias) dos subperíodos emergência-início da floração (E-IF) e
emergência-maturação fisiológica (E-M); peso médio de 100 sementes (g); e,
produtividade de grãos (kg ha-1). Embrapa Clima Temperado, 2012
Alt.
Peso de 100
Produtividade de
Cultivares
EM-IF
EM-MAT
planta
sementes
grãos
1
CD 215
71
147
65,3 a
13,7 a
1.835 a
Fepagro 31
68
140
54,6 a
13,0 a
1.698 a
CD 221
67
138
63,8 a
14,0 a
1.669 a
Fepagro 25
70
139
62,2 a
15,3 a
1.627 a
CD 202
66
135
72,8 a
13,7 a
1.565 a
BRS Macota
70
140
66,1 a
12,7 a
1.399 a
CD 216
63
140
67,2 a
13,7 a
1.344 a
Média
68
140
64,6
13,7
1.591,2
F
ns
ns
ns
CV %
10,2
8,8
28,1
1
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (5%). ** - F
(5%); ns – não significativo.
Tabela 2. Avaliação de cultivares do grupo de maturação 7 (ciclo médio e tardio), em
Capão do Leão, RS. Duração (dias) dos subperíodos emergência–início da floração (EIF) e emergência-maturação fisiológica (E-M); peso médio de 100 sementes (g); e
produtividade de grãos (kg ha-1). Embrapa Clima Temperado, 2012
Alt.
Peso de 100
Produtividade
Cultivares
EM-IF
EM-MAT
planta
sementes
de grãos
Fundacep
71
150
65,9 a
13,3 cd
2.500 a
Missões
Fepagro RS 10
70
161
74,1 a
18,7 a
2.374 a
BRS Torena
69
162
68,5 a
14,7 bc
2.358 a
Fundacep 44
70
149
66,5 a
13,7 bcd
2.305 a
BRS Fepagro 24
70
149
69,1 a
15,3 b
2.064 ab
BRS 154
69
150
65,3 a
17,3 a
2.049 ab
12,7
CD 217
72
139
66,7 a
1.807 ab
d
CD 218
71
154
73,9 a
14,3 bcd
1.435 b
Média
70
152
68,8
15,0
2.111,6
F
ns
**
**
CV %
6,3
4,0
14,3
1
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (5%). ** - F
(5%); ns – não significativo.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
132
Avaliação de Cultivares de Soja do Grupo de Maturação 6 RR, da Rede Soja Sul de
Pesquisa, na Embrapa Clima Temperado
F. de J.Vernetti Junior1, L.S.Heiffig-del Aguila1
1
Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 78, 96010-971, Pelotas, RS. E-mail:
[email protected], [email protected].
Resumo: Avaliaram-se durante o ano agrícola 2011/2012 vinte e seis cultivares de soja
do grupo de maturação 6, tolerantes ao glifosato, registradas, da Rede Soja Sul de
Pesquisa em condições de solo de cultivo de arroz irrigado. O trabalho foi conduzido na
Estação Experimental de Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado em solo
caracterizado como Planossolo Háplico Eutrófico Solódico. Os ensaios foram instalados
em blocos ao acaso com três repetições. Foram processadas análises de variância e as
médias foram comparadas pelo teste de Tukey e não houve diferença entre as
produtividades de grãos das cultivares. Entretanto em valores absolutos variaram de
2.171 kg ha-1 (FTS Ipê) a 948 kg ha-1 (SYN 1161 RR), o que acarreta, economicamente,
em diferenças significativas. Em média o florescimento teve início aos 66 dias e a
maturação fisiológica, em média, aos 136 dias. As médias de alturas de plantas (59,8 cm)
e de inserção de vagens (9,3 cm) se apresentaram um pouco abaixo do considerado
adequado à espécie e à colheita mecânica.
Palavras-chave: Glycine max, produtividade agrícola, áreas de cultivo de arroz irrigado.
INTRODUÇÃO
A chamada “Metade Sul” do Rio Grande do Sul é a única região com área ainda
disponível para expansão da cultura da soja no Estado (THEISEN et al, 2009). A área
cultivada desta cultura vem aumentando na região, acima de 10% ao ano, e vem sendo
inserida tanto em terras altas quanto em rotação nas terras baixas com solos típicos de
arroz irrigado (IBGE, 2009). As gramíneas, principalmente o capim arroz e o arroz
daninho estão presentes, praticamente, em todos os locais onde se cultiva o arroz
irrigado. O uso de cultivares de soja que possuam em seu genoma a tolerância ao
glifosato representa um dos métodos mais eficazes na recuperação destas áreas, devido
à possibilidade de utilização desse herbicida total para o controle de plantas daninhas.
O presente trabalho tem como objetivo principal fornecer aos profissionais da área
de assistência técnica e aos produtores informações sobre a produtividade e o
desempenho de algumas cultivares de soja do grupo de maturação 6 tolerantes ao
glifosato, indicadas para o Rio Grande do Sul pelas instituições de pesquisa que atuam
em melhoramento genético.
MATERIAL E MÉTODOS
Vinte e seis cultivares de soja RR desenvolvidas pelos programas de
melhoramento da Embrapa Trigo, Fundacep, Fepagro, Coodetec, Nidera Sementes,
Brasmax, Syngenta e FT Sementes RS foram avaliadas quanto a produtividade agrícola
e algumas das principais características fenológicas e fenométricas.
Para tal, foi conduzido um experimento “Avaliação de cultivares recomendadas de
soja RR do ciclo médio (grupos de maturidade seis curto (6.0 a 6.4) e seis longo (6.5 a
6.9), onde foram avaliados os seguintes materiais: A6411 RG, BMX Força RR, BMX
Potência RR, BRS Estância RR, BRS Tertúlia RR, BRS Tordilha, CD 202 RR, CD 206
RR, CD 235 RR, CD 236 RR, CD 239 RR, CD 248 RR, CD 249 RR STS, Don Mario 7.0i
RR, Fepagro 37 RR, FTS Campo Mourão RR, FTS Ipê, Fundacep 57 RR, Fundacep 58
RR, Fundacep 61 RR, Fundacep 65 RR, Fundacep 66 RR, NA5909 RG, NK 7059 RR,
SYN 1161 RR e SYN 1163 RR.
Os experimentos foram conduzidos na Estação Experimental de Terras Baixas da
Embrapa Clima Temperado, localizada no município de Capão do Leão, RS em solo
típico de várzea, caracterizado como Planossolo Háplico Eutrófico solódico.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
133
O delineamento experimental utilizado foi blocos ao acaso, com três repetições.
As parcelas foram compostas de quatro fileiras de cinco metros de comprimento,
espaçadas de 50 cm entre linhas, com uma área útil de 4 m2.
A adubação, inoculação das sementes e controle de invasoras e pragas foram
realizadas segundo as recomendações técnicas para a cultura. As datas de semeadura e
emergência dos ensaios foram, respectivamente, 13 e 21 de novembro de 2011.
No decorrer do ciclo biológico, foram coletados dados referentes ao número de
dias da emergência ao início do florescimento e da emergência à maturação fisiológica.
Registraram-se as alturas de planta e de inserção das vagens na maturação, o peso de
cem sementes e a produtividade das cultivares.
Os resultados foram submetidos à análise de variância através do teste F, e as
médias dos fatores foram avaliadas pelo Teste de Tukey (p ≤ 0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na avaliação de cultivares do grupo de maturação 6 (ciclo médio) a duração
média dos subperíodos emergência-início da floração e emergência–maturação foram: a
primeira 66 dias (ente 64 e 70 dias) e a última 136 dias (132 a mais precoce e 149 dias a
mais tardia), conforme a Tabela 1.
A altura de plantas na maturação também foi significativamente distinta entre as
cultivares, com alguns valores um pouco abaixo daqueles considerados adequados à
colheita mecânica, principalmente quanto a altura de inserção de vagens.
O peso de cem sementes do ensaio de avaliação de cultivares RR de ciclo médio
indica diferenças significativas tanto para análise de variância como para o teste de
comparações de médias, tendo variado entre 10,3 (CD 249 RR STS) e 18,0 g 100
sementes-1 (Fundacep 66 RR).
Foram processadas análises de variância e as médias foram comparadas pelo
teste de Tukey e não houve diferença entre as produtividades de grãos das cultivares,
provavelmente devido ao elevado CV. Entretanto em valores absolutos estas variaram de
2.171 kg ha-1 (FTS Ipê) a 948 kg ha-1 (SYN 1161 RR), o que acarreta, economicamente,
em diferenças significativas. Cabe destacar algumas cultivares que apresentaram
produtividade acima da média geral, respectivamente, em ordem decrescente: FTS Ipê,
CD 206 RR, Fundacep 57 RR, BRS Tordilha, CD 239 RR, BMX Força, Fepagro 37 RR,
FTS Campo Mourão, SYN 1163 RR, BMX Potência RR, BRS Tertúlia RR e CD 202 RR. A
produtividade média das cultivares analisadas no experimento foi de 1.591 kg ha-1
(Tabela 1).
Levando-se em consideração os resultados obtidos por Vernetti Jr. et al. (2011)
infere-se num decréscimo de produtividade média de 2.124,0 kg ha-1 (2010/11) para
1.591,5 kg ha-1 (2011/12) e num incremento na duração média dos subperíodos
emergência-início da floração e emergência à maturação fisiológica, do ano 2010/11 para
o 2011/12, para as cultivares do grupo de maturação 6, respectivamente de 42,7 para 66
dias (emergência-início da floração); e, de 110,5 para 136 dias (emergência à maturação
fisiológica).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
IBGE. Produção agrícola municipal. Rio de Janeiro, 2009. Disponível em:
<http://www.sidra.ibge.gov.br/ bda/agric/>. Acesso em: 19 out. 2009.
THEISEN, G., VERNETTI JUNIOR, F.J., ANDRES, A., SILVA, J.J.C. Manejo da Cultura
da Soja em Terras baixas em Safras com El-niño. Circular Técnica. Pelotas: Embrapa
Clima Temperado, 2009. 3 p.
VERNETTI JUNIOR, F.J. et al. Resultados de Pesquisa de Soja na Embrapa Clima
Temperado – 2011. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2011. 122 p. (Embrapa clima
Temperado, Documentos, 340)
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
134
Summary: Evaluation of glyphosate tolerant soybean cultivars maturity group six from the
South Soybean Network Research at Embrapa Clima Temperado. Twenty six medium
maturity (MG 6) RR cultivars from breeding programs of the South Soybean Network
Research were evaluated at Embrapa Clima Temperado conditions, in lowland soil. The
average duration of the emergency to beginning bloom and emergence to beginning
maturity were respectively 66 and 136 days. Were processed analyzes of variance and
means were compared by Tukey test and there was no difference between cultivars yields
but in absolute values of these varied from 2171 kg ha-1 (FTS Ipê) to 948 kg ha-1 (SYN
1161 RR), which carries in economically significant differences. However, it is worth noting
that some cultivars had yields above the general average (1591.5 kg ha-1), respectively, in
descending order of yield: FTS Ipê, CD 206 RR, Fundacep 57 RR, BRS Tordilha, CD 239
RR, BMX Força, Fepagro 37 RR, FTS Campo Mourão, SYN 1163 RR, BMX Potência RR,
BRS Tertúlia RR e CD 202 RR.
Key words: Glycine max, yield, irrigated rice areas, RR.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
135
Tabela 1. Avaliação de cultivares do grupo de maturação 6 (ciclo médio), em Capão do
Leão, RS. Duração (dias) dos subperíodos emergência-início da floração (E-IF) e
emergência-maturação fisiológica (E-M); alturas de inserção de vagem e de planta; peso
médio de 100 sementes (g); e, produtividade de grãos (kg ha-1). Embrapa Clima
Temperado, 2012
EMAlt.
Peso 100
Produtividade
EM-MAT
Alt. planta
IF
Inserção
sementes
de grãos
FTS Ipê
70
149
11,8
63,2 abc
14,0 bce
2171 a
CD 206 RR
69
138
11,6
66,1 abc
14,7 abcd
2066 a
Fundacep 57 RR
66
133
9,5
60,1 abc
13,3 bcde
1938 a
BRS Tordilha
64
135
8,3
57,4 bc
15,7 abc
1860 a
CD 239 RR
66
135
10,7
61,6 abc
12,0 cde
1849 a
BMX Força
66
134
8,1
60,9 abc
12,7 bcde
1830 a
Fepagro 37 RR
64
133
8,9
52,9 bc
14,7 abcd
1768 a
FTS Campo Mourão
66
135
9,8
59,5 abc
14,0 bcde
1762 a
SYN 1163 RR
64
134
9,2
77,3 a
15,0 abcd
1716 a
BMX Potência RR
68
140
8,7
69,9 ab
13,0 bcde
1698 a
BRS Tertúlia RR
67
137
9,3
62,6 abc
12,0 cde
1650 a
CD 202 RR
67
133
8,9
61,3 abc
13,3 bcde
1602 a
Fundacep 58 RR
67
139
9,2
59,0 bc
13,0 bcde
1563 a
CD 248 RR
66
142
8,1
49,1 c
14,7 abcd
1546 a
CD 235 RR
65
132
10,0
66,5 abc
12,0 cde
1532 a
CD 236 RR
66
133
9,7
57,5 bc
13,3 bcde
1521 a
Don Mario 7.0i RR
66
133
8,9
54,3 bc
11,7 de
1490 a
CD 249 RR STS
70
137
9,9
64,1 abc
10,3 e
1490 a
NK 7059 RR
65
140
8,0
59,5 abc
16,0 ab
1474 a
Fundacep 66 RR
65
135
9,6
70,1 ab
18,0 a
1458 a
NA 5909 RG
65
134
9,9
59,0 bc
13,7 bcde
1334 a
BRS Estância RR
65
134
7,5
51,5 c
15,7 abc
1329 a
Fundacep 61 RR
65
138
8,3
49,9 c
16,3 ab
1312 a
A 6411 RG
65
137
9,7
55,7 bc
13,3 bcde
1287 a
Fundacep 65 RR
64
133
8,7
49,6 c
14,0 bcde
1229 a
SYN 1161 RR
64
133
7,7
57,3 bc
12,7 bcde
948 a
Média
66
136
9,3
59,8
13,8
1591,5
1
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (5%). ** - F
(5%); ns – não significativo.
Cultivares
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
136
Avaliação de Cultivares de Soja do Grupo de Maturação 7 Tolerantes a Glifosato
Registradas da Rede Soja Sul de Pesquisa na Embrapa Clima Temperado
F. de J.Vernetti Junior1, L.S.Heiffig-del Aguila1
1
Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 78, 96010-971, Pelotas, RS. E-mail:
[email protected], [email protected].
Resumo: Avaliaram-se durante o ano agrícola 2011/2012 quatorze cultivares de soja do
grupo de maturação 7, tolerantes ao glifosato, registradas da Rede Soja Sul de Pesquisa
em condições de solo de cultivo de arroz irrigado. O trabalho foi conduzido na Estação
Experimental de Terras Baixas da Embrapa Clima Temperado em solo caracterizado
como Planossolo Háplico Eutrófico Solódico. Os ensaios foram instalados em blocos ao
acaso com três repetições. Foram processadas análises de variância e as médias foram
comparadas pelo teste de Tukey e não houve diferença entre as produtividades de grãos
das cultivares, entretanto em valores absolutos estas variaram de 1.932 kg ha-1 (FTS
Tapes) a 830 kg ha-1 (BRS Pampa RR), o que economicamente acarreta em diferenças
significativas. Em média, o florescimento teve início aos 70 dias e a maturação fisiológica,
em média, aos 145 dias. As médias de alturas de plantas (61,9 cm) e de inserção de
vagens (9,3 cm) se apresentaram um pouco abaixo do considerado adequado à espécie
e à colheita mecânica.
Palavras-chave: Glycine max, produtividade agrícola, áreas de cultivo de arroz irrigado.
INTRODUÇÃO
A chamada “Metade Sul” do Rio Grande do Sul é a única região com área ainda
disponível para expansão da cultura da soja no Estado (THEISEN et al, 2009). A área
cultivada desta cultura vem aumentando na região, acima de 10% ao ano, e vem sendo
inserida tanto em terras altas quanto em rotação nas terras baixas com solos típicos de
arroz irrigado (IBGE, 2009). As gramíneas, principalmente o capim arroz e o arroz
daninho estão presentes, praticamente, em todos os locais onde se cultiva o arroz
irrigado. O uso de cultivares de soja que possuam em seu genoma a tolerância ao
glifosato representa um dos métodos mais eficazes na recuperação destas áreas, devido
à possibilidade de utilização desse herbicida total para o controle de plantas daninhas.
O presente trabalho tem como objetivo principal fornecer aos profissionais da área
de assistência técnica e aos produtores informações sobre a produtividade e o
desempenho de algumas cultivares de soja do grupo de maturação 7 tolerantes ao
glifosato indicadas para o Rio Grande do Sul, pelas instituições de pesquisa que atuam
em melhoramento genético em áreas próprias para o cultivo do arroz irrigado.
MATERIAL E MÉTODOS
Quatorze cultivares de soja RR desenvolvidas pelos programas de melhoramento
da Embrapa Trigo, Fundacep, Fepagro, Coodetec, Nidera Sementes, Brasmax, Syngenta
e FT Sementes RS foram avaliadas quanto a produtividade de grãos e algumas
características fenológicas e fenométricas.
Para tal, foi conduzido um experimento “Avaliação de cultivares recomendadas de
soja RR do grupo de maturação 7 (ciclo longo), onde foram avaliados os seguintes
genótipos: BRS 246 RR, BRS Charrua, BRS Pampa RR, BRS Taura, CD 219 RR, CD 231
RR, CD 238 RR, Fepagro 36 RR, FTS Realeza, FTS Tapes, Fundacep 59 RR, Fundacep
64 RR, SYN 9070 e TMG 4001.
Os experimentos foram conduzidos na Estação Experimental de Terras Baixas da
Embrapa Clima Temperado, localizada no município de Capão do Leão, RS em solo
típico de cultivo do arroz irrigado, caracterizado como Planossolo Háplico Eutrófico
solódico.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
137
O delineamento experimental utilizado foi blocos ao acaso, com três repetições.
As parcelas foram compostas de quatro fileiras de cinco metros de comprimento,
espaçadas de 50 cm entre linhas, com uma área útil de 4 m2.
A adubação, inoculação das sementes e controle de invasoras e pragas foram
realizadas segundo as recomendações técnicas para a cultura. As datas de semeadura e
emergência dos ensaios foram, respectivamente, 13 e 21 de novembro de 2011.
No decorrer do ciclo biológico, foram coletados dados referentes ao número de
dias da emergência ao início do florescimento e da emergência à maturação fisiológica.
Registraram-se as alturas de planta e de inserção das vagens na maturação, o peso de
cem sementes e a produtividade das cultivares.
Os resultados foram submetidos à análise de variância através do teste F, e as
médias dos fatores foram avaliadas pelo Teste de Tukey (p ≤ 0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na avaliação de cultivares do grupo de maturação 7 (ciclo longo) a duração média
dos subperíodos emergência-início da floração e emergência–maturação foram: a
primeira 70 dias (ente 65 e 76 dias) e a última 145 dias (133 a mais precoce e 164 dias a
mais tardia), conforme a Tabela 1.
A altura de plantas na maturação também foi significativamente distinta entre as
cultivares, com alguns valores um pouco abaixo daqueles considerados adequados à
colheita mecânica, principalmente quanto a altura de inserção de vagens.
O peso de cem sementes do ensaio de avaliação de cultivares RR de ciclo longo
indica diferenças significativas tanto para análise de variância como para o teste de
comparações de médias, tendo variado entre 9,7 (Fundacep 64 RR) e 15,3 g 100
sementes-1 (BRS Taura).
Foram processadas análises de variância e as médias foram comparadas pelo
teste de Tukey e não houve diferença entre as produtividades de grãos das cultivares,
provavelmente deviod ao elevado CV, entretanto em valores absolutos estas variaram de
1.932 kg ha-1 (FTS Tapes) a 830 kg ha-1 (BRS Pampa RR), o que economicamente
acarreta em diferenças significativas. Cabe destacar algumas cultivares que
apresentaram produtividade acima da média geral, respectivamente, em ordem
decrescente: FTS Tapes, BRS 246 RR, Fundacep 59 RR, TMG 4001, CD 238 RR,
Fepagro 36 RR e CD 219 RR. A produtividade média das cultivares analisadas no
experimento foi de 1.435 kg ha-1 (Tabela 1).
Levando-se em consideração os resultados obtidos por Vernetti Jr. et al. (2011)
observa-se um decréscimo de produtividade média de 2.260 kg ha-1 (2010/11) para 1.435
kg ha-1 (2011/12) e num incremento na duração média dos subperíodos emergênciainício da floração e emergência à maturação fisiológica, do ano 2010/11 para o 2011/12,
para as cultivares do grupo de maturação 7, respectivamente de 48,5 para 70 dias
(emergência-início da floração); e, de 118,4 para 145 dias (emergência à maturação
fisiológica).
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
IBGE. Produção agrícola municipal. Rio de Janeiro, 2009. Disponível em:
<http://www.sidra.ibge.gov.br/ bda/agric/>. Acesso em: 19 out. 2009.
THEISEN, G., VERNETTI JUNIOR, F.J., ANDRES, A., SILVA, J.J.C. Manejo da Cultura
da Soja em Terras baixas em Safras com El-niño. Circular Técnica. Pelotas: Embrapa
Clima Temperado, 2009. 3 p.
VERNETTI JUNIOR, F.J. et al. Resultados de Pesquisa de Soja na Embrapa Clima
Temperado – 2011. Pelotas: Embrapa Clima Temperado, 2011. 122 p. (Embrapa clima
Temperado, Documentos, 340)
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
138
Summary: Evaluation of glyphosate tolerant soybean cultivars maturity group seven from
the South Soybean Network Research at Embrapa Clima Temperado. Fourteen seven
long maturity (MG 7) RR cultivars from breeding programs of the South Soybean Network
Research were evaluated at Embrapa Clima Temperado conditions, in lowland soil. The
average duration of the emergence to beginning bloom and emergence to beginning
maturity were respectively 70 and 145 days. Were processed analyzes of variance and
means were compared by Tukey test and there was no difference between cultivars yields
but in absolute values of these varied from 1932 kg ha-1 (FTS Tapes) to 830 kg ha-1 (BRS
Pampa RR), which carries in economically significant differences. However, it is worth
noting that some cultivars had yields above the general average (1435 kg ha-1),
respectively, in descending order of yield: FTS Tapes, BRS 246 RR, Fundacep 59 RR,
TMG 4001, CD 238 RR, Fepagro 36 RR e CD 219 RR.
Key words: Glycine max, yield, irrigated rice areas, RR.
Tabela 1. Avaliação de cultivares do grupo de maturação 7 (ciclo longo), em Capão do
Leão, RS. Duração (dias) dos subperíodos emergência-início da floração (E-IF) e
emergência-maturação fisiológica (E-M); alturas de inserção de vagem e de planta; peso
médio de 100 sementes (g); e, produtividade de grãos (kg ha-1). Embrapa Clima
Temperado, 2012.
Cultivares
FTS Tapes
BRS 246 RR
Fundacep 59 RR
TMG 4001
CD 238 RR
Fepagro 36 RR
CD 219 RR
FTS Realeza
BRS Taura
BRS Charrua
CD 231 RR
Fundacep 64 RR
SYN 9070
BRS Pampa RR
Média
F
CV %
EM-IF
(dias)
EM-MAT
(dias)
Alt. (cm)
Inserção
71
71
68
70
69
67
71
76
68
70
72
69
65
73
70
149
144
139
142
143
142
148
164
149
144
146
133
134
148
145
9,3
10,8
9,1
9,3
9,1
9,3
7,9
6,8
10,9
9,5
9,3
10,2
9,2
10,1
9,3
Alt. Planta
(cm)
62,1 abc
69,5 ab
54,5 bc
67,3 abc
58,1 abc
57,7 abc
68,3 abc
59,4 abc
72,9 a
59,5 abc
60,6 abc
65,5 abc
51,8 c
59,9 abc
61,9
**
9,2
Peso 100
sementes
(g)
13,0 abc
12,3 bcd
12,7 bc
12,7 bc
12,3 bcd
12,3 bcd
13,3 abc
14,7 ab
15,3 a
11,7 cde
12,3 bcd
9,7 e
10,0 de
13,3 abc
12,6
**
6,6
Produtividade
-1
(kg ha )
1932 a
1892 a
1710 a
1690 a
1674 a
1555 a
1448 a
1427 a
1367 a
1209 a
1207 a
1158 a
996 a
830 a
1435
ns
27,0
1
Médias seguidas pela mesma letra na coluna não diferem significativamente pelo teste de Tukey (5%). ** - F
(5%); ns – não significativo.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
139
Avaliação de Cultivares de Soja em Rotação com Arroz Irrigado sob Pivô Central na
Fronteira Oeste do RS
F. de J.Vernetti Junior1, J.M.B.Parfitt1, L.S.Heiffig-del Aguila1, A. Arns2, M. Spor3
1
Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 78, 96010-971, Pelotas, RS. E-mail:
2
[email protected], [email protected], [email protected].
3
UFPel, Capão de Leão, RS. Granja Águas Claras, Uruguaiana, RS.
Resumo: O objetivo do trabalho foi avaliar cultivares de soja num sistema de produção de
rotação com arroz, irrigados por aspersão. O presente experimento foi conduzido no ano
agrícola 2011/12, sob pivô central em Uruguaiana, RS. O delineamento experimental foi
blocos ao acaso, com seis repetições. As cultivares utilizadas foram BMX Turbo RR, BMX
Apolo RR, SYNGENTA 08 CA 907562, BRSTaura RR, CD 231RR, Roos Na4990, Fundacep
59 RR, SYNGENTA 08 CA 904745, BRS 246 RR, BRS Tertúlia RR, BMX Energia RR, DOW
5D711 Unido, BRS 243 RR e NS 4823. Os parâmetros avaliados foram produtividade de
grãos, altura de inserção das primeiras vagens e das plantas na maturação, e, nota média
de retenção foliar ou haste verde. Destacou-se em produtividade, a cultivar BMX Turbo RR,
seguida em ordem decrescente, das cultivares BMX Apolo RR e SYNGENTA 08 CA
907562, todas com produtividade de grãos acima de 3100 kg ha-1. No que se refere a altura
de planta na maturação, as plantas apresentaram porte adequado (altura média de 75 cm).
A altura média de inserção das vagens acima de 12 cm é adequada à colheita mecânica,
minimizando possíveis perdas de colheita. A nota média de retenção foliar foi baixa, exceto
para as cultivares BMX Turbo RR, BMX Apolo RR e BMX Energia RR, que apresentaram
um valor de intermediário a alto para essa característica, entretanto sem ocasionar maiores
problemas ao seu desempenho. Conclui-se que as cultivares de soja avaliadas respondem
adequadamente a irrigação por aspersão sob pivô central, o que possibilita a adoção plena
da rotação de culturas e, também, do sistema de plantio direto para o sistema produtivo
proposto.
Palavras-chave: Glycine max, irrigação, rotação de culturas.
INTRODUÇÃO
No Rio Grande do Sul, praticamente a totalidade da área cultivada com arroz
utiliza o sistema irrigado por inundação contínua. As áreas tradicionalmente utilizadas
com essa cultura apresentam relevo diversificado, variando desde zonas muito planas
(declividade menor de 0,2%) a zonas suavemente onduladas (declividades maiores que
2,0%). Estas últimas ocorrem com maior frequência na região denominada Fronteira
Oeste.
O sistema de irrigação por inundação contínua nessas áreas mais onduladas, em
razão da grande quantidade de taipas necessárias ao controle adequado da água,
provoca dificuldades adicionais importantes nos tratos culturais da lavoura,
particularmente na semeadura, colheita e irrigação propriamente dita. Isso tem levado
alguns produtores, da região da Fronteira Oeste, a procurarem métodos alternativos de
irrigação para o arroz, dentro dos quais se destaca o de aspersão no sistema de pivô
central.
A produtividade de grãos de arroz obtida nas primeiras safras nesse sistema
equiparou-se à de lavouras irrigadas por inundação. Entretanto essas produtividades não
se repetiram nas safras seguintes, desestimulando os usuários desse novo modelo de
produção. O motivo principal provável é a ausência de estabelecimento de sistemas de
produção com sucessão e rotação de culturas, onde a cultura do arroz seja um dos
componentes, pois os poucos produtores que permaneceram nesse sistema foram os
que utilizaram o arroz em rotação com soja ou pastagens.
Assim, o objetivo deste trabalho foi avaliar cultivares de soja num sistema de
produção de rotação com arroz, irrigadas por aspersão sob pivô central.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
140
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido no ano agrícola 2011/12, em área sob pivô central
em Uruguaiana, RS. O delineamento experimental foi blocos ao acaso, com seis
repetições. As cultivares utilizadas foram BMX Turbo RR, BMX Apolo RR, SYNGENTA 08
CA 907562, BRS Taura RR, CD 231RR, Roos Na4990, Fundacep 59 RR, SYNGENTA 08
CA 904745, BRS 246 RR, BRS Tertúlia RR, BMX Energia RR, DOW 5D711 Unido, BRS
243 RR e NS 4823 em sua maioria recomendadas pela Rede Soja Sul de Pesquisa para
cultivo no estado do RS. O espaçamento utilizado foi de 0,45 m entre linhas e a cultura
foi semeada em sistema de plantio direto em 06/11/2011.
As sementes foram tratadas com fungicida e devidamente inoculadas. A adubação
utilizada foi baseada na análise de solo utilizando-se 130 kg ha-1 da formulação comercial
00-00-60 e 130 kg ha-1 da formulação comercial 00-45-00, ambas a lanço e 130 kg ha-1
da formulação comercial 00-18-00 na linha de semeadura.
O controle de irrigação foi realizado pelo equipamento “watermark” o que
determinou a aplicação de irrigação durante o ciclo da cultura. As lavouras irrigadas
foram instaladas sob pivô central Valley, modelo 8000, equipado com distribuidores de
água SuperSpray®.
As demais práticas de manejo foram realizadas conforme recomendações
técnicas da pesquisa para o cultivo da soja (STECKLING; ROVERSI, 2010).
Os parâmetros avaliados foram produtividade de grãos, altura de inserção das
primeiras vagens e das plantas na maturação e nota média de retenção foliar ou haste
verde. Os resultados foram submetidos à análise de variância através do teste F, e as
médias dos fatores foram avaliadas pelo Teste de Tukey (p ≤ 0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A soja foi colhida na primeira quinzena de abril totalizando ao redor de 154 dias
entre a emergência e a colheita.
A produtividade de grãos de soja diferiu significativamente entre as cultivares
avaliadas, em decorrência, principalmente da variação obtida no peso de 100 sementes,
se destacando em produtividade, a cultivar BMX Turbo RR, seguida em ordem
decrescente, das cultivares BMX Apolo RR e SYNGENTA 08 CA 907562, todas com
produtividade de grãos acima de 3100 kg ha-1 (Tabela 1).
No que se refere à altura de planta na maturação, as plantas apresentaram porte
adequado (altura média de 75 cm). A altura média de inserção das vagens acima de 12
cm é adequada à colheita mecânica, minimizando possíveis perdas de colheita. A nota
média de retenção foliar foi baixa, exceto para as cultivares BMX Turbo RR, BMX Apolo
RR e BMX Energia RR, que apresentaram um valor de intermediário a alto para essa
característica, entretanto sem ocasionar maiores problemas ao seu desempenho.
CONCLUSÕES
As cultivares de soja respondem adequadamente a irrigação por aspersão sob
pivô central, o que possibilita a adoção plena da rotação de culturas e, também, do
sistema de plantio direto para o sistema produtivo proposto.
AGRADECIMENTOS
À Granja Águas Claras pela cessão da área experimental e pelo auxílio na
condução do experimento.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
STECKLING, C.; ROVERSI, T. (Eds.) Indicações técnicas para a cultura da soja no
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
141
Rio Grande do Sul e em Santa Catarina 2010/2011 e 2011/2012. REUNIÃO DE
PESQUISA DA SOJA DA REGIÃO SUL, 38. Cruz Alta, RS: FUNDACEP FECOTRIGO,
2010. 168 p.
Summary: To evaluate soybean cultivars in sprinkler irrigated rice crop rotation, the
experiment was carried out during 2011/12, under central pivot in Uruguaiana, RS. The
experimental design was randomized blocks with six replications. The cultivars used were
BMX Turbo RR, BMX Apolo RR, SYNGENTA 08 CA 907562, BRS Taura RR, CD 231 RR,
Roos Na4990, Fundacep 59 RR, SYNGENTA 08 CA 904745, BRS 246 RR, BRS Tertúlia
RR, BMX Energia RR, DOW 5D711 Unido, BRS 243 RR and NS4823. The parameters
evaluated were yield, first pods height insertion, plants height at maturity and leaf
retention or green stem. BMX Turbo RR cultivar excelled in productivity, followed in
decreasing order of cultivars BMX Apolo RR and SYNGENTA 08 CA 907562, all with yield
above 3100 kg ha-1. Plant height at maturity were suitable size (75 cm). First pods height
insertion above 12 cm is suitable mechanical harvesting thereby minimizing crop losses.
The leaf retention was low, except for the cultivars BMX Turbo RR, BMX Apolo RR and
BMX Energia RR, which had a intermediate to high value for this feature, however without
causing major problems to its performance.
Key words: Glycine max, irrigation, crop rotation.
Tabela 1. Produtividade de grãos e algumas características agronômicas de cultivares de
soja conduzidas sob irrigação em pivô central. Uruguaiana, RS
Retenção Altura
Alt.
Peso de 100 Produtividade
Cultivares
1
foliar
planta inserção
sementes
agrícola
------ cm --------- g ----- kg ha-1 --BMX Turbo RR
4
81,0
13,6
18,5
3.316 a2
BMX Apolo RR
3
58,4
9,6
15,6
3.174 ab
SYNGENTA 08 CA
1
96,6
13,2
14,4
3.130 ab
907562
BRSTaura
1
93,6
11,4
15,5
2.913 abc
CD231RR
1
84,6
21,6
11,9
2.784 abc
Roos Na4990
2
76,8
13,2
17,7
2.735 abcd
Fundacep 59 RR
1
81,6
15,8
13,5
2.670 abcd
SYNGENTA 08 CA
1
78,0
8,0
13,7
2.666 abcd
904745
BRS246RR
1
73,6
15,8
12,7
2.662 abcd
BRS Tertúlia RR
1
60,2
7,6
13,7
2.630 bcd
BMX Energia RR
3
68,0
8,2
17,1
2.593 bcd
DOW 5D711 Unido
1
82,8
15,4
12,5
2.375 cd
BRS243RR
1
58,0
11,8
12,4
2.310 cd
NS4823
2
59,0
6,6
16,3
2.114
d
Média
75,2
12,3
14,75
2.719
CV %
9,7
1
Notas correspondentes ao índice de retenção foliar ou haste verde: 1 – sem retenção foliar (folíolos verdes
ausentes e ausência de hastes verdes); 2 – pouca retenção foliar (poucos folíolos verdes e algumas hastes
verdes); 3 – retenção foliar média (25 a 50% de hastes verdes); 4 – retenção foliar alta (51 a 70% de hastes
verdes); 5 – retenção foliar muito alta (mais de 70% de hastes verdes).
2
Médias seguidas por letras iguais, nas colunas, não diferem entre si, ao nível de 5% de probabilidade pelo
teste de Tukey.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
142
Fenologia de Cultivares de Soja Contrastantes em Ciclo e Tipo de Crescimento,
Semeadas em Cinco Épocas
M.L. Strieder1, J.L.F. Pires1, P.F. Bertagnolli1, G.R da Cunha1, C. Remor1
1
Embrapa Trigo, BR 285, km 294, Caixa Postal 451, 99001-970 Passo Fundo, RS. E-mail:
[email protected]; [email protected]; [email protected]; [email protected];
[email protected]
Resumo: O crescimento e desenvolvimento da soja são regulados pela temperatura
ambiente e, principalmente, pelo fotoperíodo. A antecipação da época de semeadura ou a
implantação da segunda safra, práticas comuns em diversas regiões do sul do Brasil nos
anos recentes, alteram as condições do ambiente de cultivo e, potencialmente, podem
afetar negativamente o desenvolvimento da soja. Objetivando avaliar a fenologia de
cultivares de soja resistentes ao glifosato e indicadas para cultivo no Sul do Brasil em
semeaduras desde setembro a janeiro, cinco experimentos foram conduzidos a campo na
Embrapa Trigo, em Passo Fundo/RS. Trinta e nove genótipos, contemplando grupos de
maturidade entre 5.0 e 7.7, tipo de crescimento (in)determinado e genótipos
desenvolvidos por nove obtentores, foram semeados em duas épocas antecipadas (22/09
e 05/10/2011), em duas épocas indicadas (05/11 e 14/12/2011) e em uma época tardia
(24/01/2012). Fertilizantes, inseticidas, fungicidas e práticas de manejo seguiram as
indicações técnicas para soja no RS e SC. Foram avaliados estádios fenológicos de
emergência (VE), início do florescimento (R1), florescimento pleno (R2), início de
enchimento de grãos (R5) e maturação fisiológica (R8). Posteriormente, estimou-se a
duração de alguns subperíodos fenológicos. Ainda foram avaliadas estatura de planta,
altura de inserção do primeiro legume e, em alguns genótipos o rendimento de grãos.
Como esperado, o maior ciclo ocorreu na semeadura de setembro e o menor na de
janeiro, com variação de 69 dias entre genótipos de tipo determinado e de 64 dias nos
indeterminados entre as semeaduras de setembro e janeiro. Relativamente à novembro,
nas semeaduras de setembro e outubro o ciclo aumentou 32,2 e 23,3 dias, enquanto nas
de dezembro e janeiro diminuiu 25,6 e 34,6 dias, na média dos genótipos. De setembro
para novembro, o período reprodutivo reduziu 32,3 dias em cultivares de grupo de
maturidade (GM) ≤ 5.9, em 25,2 dias nos de GM > 6.0 e ≤ 6.9 e em 25,7 dias nas de GM
> 6.9. A duração do período reprodutivo é mais afetado em semeaduras antecipadas e
em tardias relativamente ao vegetativo. A adoção de semeaduras antecipadas (Setembro
e Outubro) incrementa o ciclo e, dependendo da cultivar, compromete o desenvolvimento
da planta. Já, semeaduras em épocas tardias (Janeiro) resultam em encurtamento do
ciclo e redução da estatura de planta e altura de inserção do primeiro legume. Os dados
preliminares sugerem que genótipos de tipo indeterminado são menos sensíveis às
alterações de temperatura e fotoperíodo entre as épocas de semeadura. Os resultados
obtidos podem possibilitar a predição de crescimento e desenvolvimento de cultivares em
fase de melhoramento não lançadas comercialmente. Estudos com este enfoque devem
ser conduzidos também em outras regiões da macrorregião sojícola 1, para refinar
informações e subsidiar indicações do zoneamento agrícola para a soja. Como a safra
2011/12 foi caracterizada por deficiência hídrica intensa no sul do Brasil haverá
recondução deste em ano com melhores condições hídricas a fim de consolidar as
conclusões prévias.
Palavras-chave: Glycine max, grupos de maturidade, genótipos, predição de crescimento
e desenvolvimento.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
143
Redução da Infestação de Arroz Vermelho na Soja Cultivada em Várzea com
Herbicidas de Ação Residual
A. Vedelago1, A. Kalsing1, C.E. Lange1, V.G. Menezes1
1
Instituto Rio Grandense do Arroz, Avenida Bonifácio Carvalho Bernardes, 1494, 94930-030, Cachoeirinha,
RS. E-mail: [email protected], [email protected],
[email protected], [email protected]
ResumoNas últimas safras tem ocorrido consistente aumento da área semeada com a
cultura da soja (Glycine max) em ambiente de várzea no Estado do Rio Grande do Sul,
havendo a necessidade de formulação de estratégias de manejo de plantas daninhas
específicas para estas situações. O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos do uso de
herbicidas residuais, aplicados em pré-emergência da cultura, sobre a redução da
infestação de arroz-vermelho (Oryza sativa) na soja na várzea. Para isto, realizou-se um
experimento a campo, testando-se seis herbicidas residuais, aplicados em duas doses
cada, mais testemunha com o sem controle permanente. Os herbicidas clomazone e Smetolachlor apresentaram maior eficácia do controle e redução da infestação de arrozvermelho em comparação aos demais herbicidas. Mas, mesmo obtendo-se nível de
controle satisfatório destas infestantes com a utilização destes produtos, devem-se integrar
outras práticas de manejo em pós-emergência da cultura.
Palavras-chave: Glycine max, arroz-vermelho, herbicidas residuais.
INTRODUÇÃO
O Rio Grande do Sul é um dos Estados pioneiros na produção de soja (Glycine
max)no Brasil. Neste Estado, a região tradicional de cultivo é o Planalto, que apresenta
solos profundos e bem drenados que favorecem o cultivo desta leguminosa. Nas últimas
décadas vem aumentando o interesse no cultivo de soja em regiões de menor tradição,
como a metade Sul do Estado. A soja vem sendo cultivada em rotação com o arroz
irrigado no Rio Grande do Sul desde a década de 1970, principalmente como ferramenta
de controle de plantas daninhas, em especial o arroz-vermelho. Neste período, a área
cultivada nesta rotação apresentou grandes flutuações motivadas por questões de custo
de produção, valor do grão no mercado e, principalmente, pelo sucesso ou insucesso
ditados pelas condições climáticas da safra anterior.
Nos últimos está ocorrendo um consiste aumento de área de soja cultivada em
rotação com o arroz irrigado. Na safra 2010/11 a área semeada foi de 67 mil hectares,
passando para 182 mil hectares na safra 2011/12. Este expressivo crescimento ocorreu
em parte impulsionado pela necessidade da orizicultura gaúcha em ter uma alternativa
eficiente para redução do banco de sementes de plantas daninhas nas lavouras de arroz
irrigado, especialmente o arroz-vermelho, e que, ao mesmo tempo, contribua para a
sustentabilidade econômica da propriedade.
O cultivo de soja apresenta algumas instabilidades produtivas nas várzeas que
geralmente estão associadas às condições ambientais adversas, sobretudo por
excesso hídrico (Lange et al., 2011). Este fato justifica a necessidade de realização de
práticas de manejo específicas para estas áreas, objetivando-se a diminuição de fatores
que causem estresses à cultura da soja. Assim, para obter alto rendimento de grãos,
necessita-se controlar eficazmente as plantas daninhas na cultura da soja nas várzeas,
limitando a interferência negativa destas espécies. Satisfeita esta condição, a soja
cumpre com a sua função primordial de redução do nível de infestação com plantas
daninhas e se torna uma importante opção de renda para os agricultores.
Ao longo dos anos, foram desenvolvidos diversos herbicidas residuais com
seletividade para soja, muitos dos quais são recomendados pelos fabricantes para
o controle de gramíneas anuais. No Brasil existem, atualmente, mais de 10 herbicidas
com registro para utilização no controle de gramíneas anuais nesta cultura, sendo que a
maioria possui mais de uma marca (MAPA, 2010). Apesar disto, os produtores
geralmente valem-se somente do herbicida glyphosate para controlar plantas daninhas na
cultura, o que acarreta em reinfestação da área com o passar do tempo e contribui para o
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
144
surgimento de biótipos resistentes ao mesmo herbicida. Hipotetiza-se que os herbicidas
residuais ou de aplicação em pré-emergência da soja reduzem a infestação de
gramíneas anuais durante o período crítico de matointerferência da cultura.
O objetivo do presente trabalho foi avaliar os efeitos do uso de herbicidas
residuais, aplicados na condição de pré-emergência da soja cultivada em ambiente de
várzea, sobre a redução do nível de infestação de arroz-vermelho na cultura.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido a campo na Estação Experimental do Arroz,
pertencente ao Instituto Rio Grandense do Arroz (EEA/IRGA), em Cachoeirinha (RS), na
estação de crescimento 2011/12. O clima da região é do tipo subtropical úmido, conforme
classificação de Köppen, com temperatura média do ar de 9,8 e 31,6ºC, nos meses mais
frios e mais quentes, respectivamente. O solo da área experimental é classificado como
Gleissolo Háplico Distrófico típico (STRECK et al., 2010), e conteve, na análise
laboratorial, as seguintes características químicas: pH (H2O): 5,2; Argilas: 22%; Matéria
orgânica: 1,1%; Fósforo: 26,3 mg L-1; e, Potássio: 89 mg L-1. A área vinha sendo
anualmente cultivada no sistema de cultivo mínimo do solo, com o cultivo de arroz
irrigado na estação estival e pousio na estação hibernal (vegetação espontânea).
O delineamento experimental utilizado foi o de blocos completamente
casualizados, com tratamentos dispostos em esquema fatorial, com quatro repetições por
tratamento. O fator ‘herbicida’ (A) foi constituído de oito herbicidas aplicados em préemergência da cultura da soja e o fator ‘dose’ (B) foi constituído de duas doses de cada
herbicida. Para estabelecer padrões de comparação, adicionou-se a cada bloco parcela
com o sem controle de plantas daninhas. As doses utilizadas de clomazone, flumioxazin,
sulfentrazone, alachlor, acetochlor, s-metolachlor, pendimethalin e trifluralin constam da
mínima e máxima registras para a cultura (Tabela 1). As unidades experimentais
corresponderam a parcelas com dimensões de 7,0 x 2,0m, nas quais foram aplicados, de
forma totalmente aleatória, os diferentes tratamentos herbicidas. Os tratamentos foram
aplicados logo apos a semeadura da cultura da soja, usando-se pulverizador costal
pressurizado à CO2, aspergindo-se volume de calda de 120 l ha-1.
A cultivar de soja utilizada foi a BMX Apolo RR, semeada após duas operações
de preparo mecânico do solo, no sistema de microcamalhões. A semeadura da soja
ocorreu na época considerada preferencial (23/11), na densidade de 18 sementes por
metro linear, perfazendo-se inicialmente uma população média de 36 plantas m-2.
Previamente, as sementes de soja foram tratadas com inoculante líquido, com três doses
ha-1. A adubação do solo foi realizada por meio da distribuição nas linhas de semeadura
de 350 kg ha-1 da fórmula 04.17.27, o que aportou 20 kg N ha-1, 80 kg P2O5 ha-1 e 120 kg
K2O ha-1. O controle de ácaros, insetos e doenças foi realizado conforme as práticas de
manejo recomendadas pela pesquisa para a cultura da soja na região Sul do Brasil
(Indicações, 2010).
Os efeitos dos tratamentos sobre a cultura e arroz-vermelho foram avaliados no inicio e no
final do período crítico de interferência, o que corresponde, respectivamente, aos estádios V4 e V6
da cultura. Nestas datas, foram avaliadas, em cada parcela, a fitointoxicação visual (%) da soja e o
controle visual (%) de arroz vermelho. Os dados obtidos com as variáveis avaliadas foram
submetidos a análise de variância pelo teste F e, quando detectada significância, foram
comparados pelo teste de Tukey (p<0,05).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A fitointoxicação visual nos estádios V4 variou em função do efeito simples
de herbicidas (p<0,01), enquanto que, no estádio V6, variou em função da interação
entre herbicidas e doses (p<0,05). Flumioxazin, sulfentrazone e S-metolachlor foram os
herbicidas que mais causaram injúrias nas plantas de soja, cuja magnitude do seu efeito
situou-se entre 1,6 e 10,6 % (Tabela 2). De forma diferenciada, pendimethalin e trifluralin
não causaram quaisquer sintomas visuais na cultura em nenhuma das doses, o que
mostra elevada seletividade às plantas de soja. Vale destacar que as plantas de soja de
todas as parcelas aspergidas com herbicidas recuperaram-se gradualmente dos
efeitos destes produtos com o passar do tempo.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
145
A densidade de plantas de arroz-vermelho variou em função do fator herbicidas
(p<0,05), tanto no início (estádio V4) como no final (estádio V6) do período crítico de
matointerferência. Em todos os casos, verificou-se maior redução da infestação com Smetolachlor e clomazone, tendo a magnitude do seu efeito variado entre 73 e 100%
(Figura 1). Mas, apesar de não diferirem estatisticamente, observa-se que S-metolachlor
apresentou menor variação interquartílica do que clomazone, o que indica menor
variabilidade do controle. Os demais herbicidas apresentaram menores valores redução
da densidade de plantas de arroz-vermelho, os quais nem sempre atingiram redução da
infestação satisfatória (>70%).
A hipótese deste trabalho era de que a utilização de herbicidas residuais na
condição de pré-emergência da soja reduziria a infestação de arroz-vermelho no
período crítico de matointerferência. Com efeito, clomazone e S-metolachlor diminuíram a
infestação arroz-vermelho eficazmente em relação à situação sem controle dessa
espécie. Estes resultados permitem afirmar que é viável utilizar herbicidas préemergentes para o controle de arroz-vermelho nas áreas cultivadas com soja. Além disto,
o uso destes produtos reduz as chances de seleção de biótipos resistentes ao
glyphosate, uma vez que ocorre a rotação de dois herbicidas com mecanismos de ação
distintos (Heap, 2012). Neste contexto, S-metolachlor possui mais benefícios do que os
demais herbicidas testados, pois representa uma classe de herbicidas que não são
utilizados na cultura do arroz irrigado.
CONCLUSÕES
A utilização de herbicidas residuais em pré-emergência reduziu a infestação de arrozvermelho na soja durante o período crítico de matointerferência da cultura. Clomazone e
S-metolachlor apresentaram maior eficácia do controle e redução da infestação de arrozvermelho em comparação aos demais herbicidas. Mas, mesmo obtendo-se nível de
controle satisfatório destas infestantes com a utilização destes produtos, devem-se
integrar outras práticas de manejo em pós-emergência da cultura.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
HEAP, I. The international survey of herbicide resistant weeds. Disponível em:
<http://www.weedscience.org>. Acesso: 10/04/12.
INSTITUTO RIO GRANDENSE DO ARROZ – IRGA Área, Produção e Produtividade.
<http:/www.irga.rs.gov.br/uploads/anexo/1299787796Area_Producao_e_Produtividade.pd
f> Acesso: 12/04/12.
LANGE, C.E. et al. Avaliação da reação de cultivares comerciais de soja ao excesso
hídrico. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE ARROZ IRRIGADO, 7., 2011. Calneário
Camburiú. Anais... EPAGRI/SOSBAI, 2011. p.267-270.
MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO (MAPA). Sistemas
de Agrotóxicos Fitossanitários - AGROFIT. Disponível em:
http://extranet.agricultura.gov.br /agrofit_cons/principal_agrofit_cons. Acesso em:
01.04.2011.
STRECK, E.V. et al. Solos do Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Emater/RS - UFRGS,
2002. 126 p.
Summary: In recent years there has been consistent increase in the soybean (Glycine
max) cultivation in lowland areas in the Rio Grande do Sul State, Brazil, with the need to
formulate strategies for weed management for these situations. This work evaluated the
effects of the residual herbicides, applied in crop preemergence, on the reduction of red rice
(Oryza sativa) infestation in soybean in lowland areas. The experiment was conducted in
the field conditions, and the treatments consisted of six residual herbicides, applied in two
rates. The herbicides clomazone and S-metolachlor were more effective control and
reduction of red-rice infestation in compared to other herbicides. But, to be successful in
reducing the red-rice infestation with residual herbicides, must also use weed management
actions in postemergence conditions of the soybean.
Key words: Glycine max, red rice, residual herbicide.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
146
Tabela 1. Tratamentos herbicidas utilizados nos experimentos a campo com herbicidas
residuais. EEA/IRGA, Cachoeirinha (RS), 2011/12.
Herbicidas
Concentração
Clomazone
Flumioxazin
Sulfentrazone
S-metolachlor
Pendimethalin
Trifluralin
(g i.a. L-1)
360
500
500
960
400
600
Dose recomendada
Mínima
Máxima
------- l ou kg p.c. ha-1 ------1,50
2,00
0,10
0,12
0,60
0,80
1,50
2,00
1,50
3,00
0,90
4,00
Tabela 2. Fitointoxicação visual (%) de plantas em soja cultivada em área de várzea,
em função de seis herbicidas aplicados em pré-emergência e de duas doses, em duas
épocas de avaliação. EEA/IRGA, Cachoeirinha (RS), 2011/12.
Fitointoxicação visual (%)
----- Estádio V6 ----Herbicidas
----- Estádio V4 ----Dose Mín
Dose Máx
Clomazone
0,7 b
3,3 Aa
3,0 Aa
Flumioxazin
8,0 a
0,6 Ba
8,5 Ab
Sulfentrazone
1,6 b
0,0 Ba
9,6 Ab
S-metolachlor
5,2 ab
5,0Aa
10,6 Ab
Pendimethalin
0,0 b
0,0 Aa
0,0 Ab
Trifluralin
0,0 b
0,0 Aa
0,0 Ab
DMS (p<0,05)2/
4,8
----- 6,0 ----1/
2/
Letras minúsculas comparam herbicidas e letras maiúsculas comparam doses de herbicidas.
Diferença mínima significativa para comparar médias entre tratamentos.
Figura 1. Redução da infestação de arroz-vermelho (%) na cultura da soja em função de
diferentes herbicidas aplicados em pré-emergência, na avaliação realizada no início do
período crítico de interferência (estádio V4 da cultura).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
147
Resposta da Cultura da Soja Transgênica ao Controle de Plantas Daninhas em
Diferentes Estágios
R.J.Vogt1, A.L. Müller2, J. Daga2, I. Preussler1, G.P. Lettrari1, H.I. Romão1
1
Acadêmicos de Agronomia da PUC-PR – Campus Toledo, Av. da União, 500, Jardim Coopagro, 85902-532,
Toledo, PR. E-mail: [email protected], [email protected], [email protected],
2
[email protected] . Professores do Curso de Agronomia da PUC-PR – Campus Toledo, Av. da
União, 500, Jardim Coopagro, 85902-532, Toledo, PR. E-mail: [email protected], [email protected]
Resumo: Existem vários tipos de tratos culturais realizados na cultura da soja, entre eles
o controle de plantas daninhas, esse controle deve ser realizando buscando evitar
competição entre a cultura desejada e as demais plantas que possam vir a se
desenvolver dentro da área de cultivo. O objetivo deste trabalho foi determinar qual a
melhor época de aplicação de herbicida na soja para o controle das plantas daninhas. O
experimento foi realizado na safra de 2011/2012, na fazenda experimental PUC-PR –
Campus Toledo, PR, com a seguinte característica de solo, LATOSSOLO VERMELHO
eutroférrico. O delineamento experimental utilizado foi em blocos ao acaso, com sete
tratamentos e três repetições. Foi realizada a dessecação de toda a área dez dias antes
da semeadura, sendo a semeadura da soja realizada no dia 04/11/2011, a cultivar
utilizada no experimento foi NA5909RR, e na adubação de base utilizada levou-se em
consideração a análise de solo do local e os demais tratos culturais ocorreram conforme
necessidades da cultura. O herbicida utilizado para o realização dos tratamentos foi
glifosato (Roundup Ready®), na dose de 2 L.ha-1, as aplicações foram realizados
seguindo os estádios fenológicos da cultura: T1 – Testemunha; T2 – Segundo trifólio
aberto; T3 – Terceiro trifólio aberto; T4 – Quarto trifólio aberto; T5 – Quinto trifólio aberto;
T6 – Sexto trifólio aberto; T7 – Sétimo trifólio aberto. No momento da colheita
(27/03/2012) foram realizadas as seguintes avaliações: altura de plantas, número de
grãos por planta e produtividade final (kg.ha-1), os resultados foram submetidos à análise
de variância pelo teste F e quando houve significância, as diferenças entre médias foram
comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro, utilizando o programa
estatístico CoStat. Com relação à altura de plantas houve diferença significativa, sendo
que o T3 e T4 apresentaram maior altura de plantas (aproximadamente 50 cm) e o T1 a
menor altura de plantas (46 cm). Para o número de grãos por planta, destacaram-se com
a maior quantidade de grãos os tratamentos T4, T3 e T2 (119, 116 e 114 grãos,
respectivamente) e o T1 a menor quantidade (88 grãos). Para a produtividade final, o T3
foi o tratamento que se destacou com a maior produtividade de grãos (1685 kg.ha-1) e o
T1 foi o que apresentou a menor produtividade (807 kg.ha-1). Os resultados obtidos no
presente trabalho estão de acordo com as indicações de controle de plantas daninhas na
cultura da soja, sendo importante realizar esse controle no estádio V3 (terceiro trifólio
aberto), buscando reduzir as perdas de produtividade da cultura em função da matocompetição.
Palavras-chave: Glycine max, competição, produtividade.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
148
4. COMISSÃO DE ENTOMOLOGIA
A Comissão de Entomologia, tendo como coordenador o Eng. Agr. Dionísio Link
(UFSM) e relator o Eng. Agr. Paulo Roberto V. da S. Pereira (Embrapa Trigo), reuniu-se
no dia 25 de julho de 2012, nas dependências da Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS,
contando com a presença dos seguintes participantes:
4.1 PARTICIPANTES
4.1.1 Representantes credenciados titulares
Ana Paula Schneid Afonso - Embrapa Clima Temperado
Dieter Windmoller - Emater/RS
Dionísio Link - Universidade Federal de Santa Maria (UFSM)
Paulo Roberto Valle da Silva Pereira - Embrapa Trigo
4.1.2 Representantes credenciados suplentes
Antônio Ricardo Panizzi – Embrapa Trigo
4.1.3 Demais participantes
Adilson Jauer - Syngenta
Alberto Luiz Marsaro Júnior - Embrapa Trigo
Diogo Machado Cezimbra - Syngenta
Elias Guidini - BASF
João Luiz Reichert - Universidade de Passo Fundo (UPF)
Lilian Cris Dallagnol - Universidade de Passo Fundo (FAMV-UPF)
Marcos Ivan Bilibio - Universidade de Passo Fundo (FAMV-UPF)
Tharles Saccardo Rocha - Universidade de Passo Fundo (FAMV-UPF)
4.2 TRABALHOS APRESENTADOS
Desempenho biológico de Spodoptera eridania (Lep.: Noctuidae) em diferentes espécies
vegetais. Marcos Ivan Bilibio - Universidade de Passo Fundo (FAMV-UPF).
Resposta da soja, cv. BMX Apolo RR, a níveis de desfolha em fases vegetativa e
reprodutivas das plantas, safra 2009-10. Marcos Ivan Bilibio - Universidade de Passo
Fundo (FAMV-UPF).
Efeito de injúrias foliares em estádios iniciais de desenvolvimento, no rendimento de
grãos do cv. de soja BMX Apolo RR, safra 2010-11. Tharles Saccardo Rocha Universidade de Passo Fundo (FAMV-UPF).
Biologia e consumo de Spodoptera eridania e Anticarsia gemmatalis (Lep.: Noctuidae),
em folhas de soja. Lilian C. Dallagnol - Universidade de Passo Fundo (FAMV-UPF).
Efeito de injúrias foliares em estádios iniciais de desenvolvimento, no rendimento de
grãos do cv. de soja BMX Apolo RR, safra 2009-10. Lilian C. Dallagnol - Universidade
de Passo Fundo (FAMV-UPF).
Controle de lagartas na cultura da soja com nova formulação de inseticida. Dionísio Link
- Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
149
4.2.1
TRABALHO DESTAQUE
Como trabalho destaque desta comissão, foi escolhido:
Biologia e consumo de Spodoptera eridania e Anticarsia gemmatalis (Lep.: Noctuidae),
em folhas de soja. Lilian C. Dallagnol - Universidade de Passo Fundo (FAMV-UPF).
4.3 ATUALIZAÇÃO DAS INDICAÇÕES TÉCNICAS
Foi realizada a revisão das tabelas 8.1 e 8.2 das Indicações Técnicas, considerando o
AGROFIT como documento base para permanência de inseticidas nas tabelas. Nos
casos de modificação de doses, classe toxicológica ou alteração de formulação, os
mesmos permanecem nas tabelas, com as devidas correções, mas será feita solicitação
formal às empresas formuladoras para o envio das informações toxicológicas pertinentes.
4.4 NECESSIDADES E PRIORIDADES DE PESQUISA
- Manejo de pragas iniciais e associadas ao solo.
- Caracterização da importância relativa das diferentes espécies de inimigos naturais em
relação às principais pragas.
- Impacto de produtos fitossanitários sobre organismos não-alvos (organismos benéficos,
pragas secundárias etc.).
- Identificação, biologia, ecologia, danos e controle de ácaros, tripes e mosca-branca.
- Distribuição, danos e controle de percevejos, falsas-medideiras e lagartas-pretas.
- Avaliação de tecnologias de aplicação de produtos fitossanitários para controle de
pragas.
- Monitoramento da resistência de insetos pragas a inseticidas.
- Estudos sobre a eficácia das cultivares Bt no controle das diferentes espécies de
lagartas da soja.
4.5 PROPOSIÇÕES APRESENTADAS
Não foram apresentadas proposições.
4.6 ASSUNTOS GERAIS
Recomenda-se que as empresas formuladoras atualizem regularmente as informações
relacionadas aos inseticidas que compõem as indicações técnicas, preferencialmente
antes da realização das reuniões de pesquisa.
Há a necessidade de salientar a importância do uso das práticas de Manejo Integrado de
Pragas e a sua interação e ampla difusão entre pesquisa e extensão.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
150
Resumos
Biologia e Consumo de Spodoptera eridania e Anticarsia gemmatalis
(Lep.: Noctuidae), em Folhas de Soja
C.M. Tibola1; L. Silva1; L.C. Dallagnol1; M.I. Bilibio1; M. Gotardo1; T.S. Rocha1; J.R.
Salvadori1
1
Universidade de Passo Fundo – PPGAgro FAMV, Caixa Postal 611, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS,
[email protected]; [email protected]
Resumo: A principal lagarta desfolhadora da soja é Anticarsia gemmatalis Hübner, no
entanto, nas principais regiões produtoras brasileiras, Spodoptera eridania (Cramer),
conhecida como lagarta-das-vagens, vêm causando danos expressivos à cultura, como
praga filófaga. O objetivo deste trabalho foi comparar as espécies S. eridania e A.
gemmatalis quanto ao desempenho biológico e à capacidade de consumo, em plantas de
soja. O estudo foi conduzido em sala climatizada (23 ± 2ºC, umidade relativa de 60 ± 10%
e fotofase 12 horas), no Laboratório de Entomologia da Faculdade de Agronomia e
Medicina Veterinária, da Universidade de Passo Fundo. A partir de oitenta lagartas recémeclodidas de cada espécie, individualizadas em recipientes de acrílico com tampa (5,0 cm
de diâmetro e 4,0 cm de altura), alimentadas com discos foliares (4,0 cm²) do cultivar de
soja BMX Apolo RR, foi avaliado o consumo larval e parâmetros biológicos relacionados
às fases de ovo, larva, pupa e adulta. Os dados foram submetidos à análise da variância
(delineamento inteiramente casualizado) e as médias comparadas pelo teste de Tukey, a
5% de probabilidade de erro. S. eridania apresentou maior período larval (23,8 dias),
maior capacidade de consumo foliar (243,3 cm2), pupas mais pesadas (♂ 168 e ♀ 193
mg), menor longevidade (♂ 6,0 e ♀ 9,8 dias), maior capacidade de postura (770,4
ovos/♀) e maior viabilidade de ovos (94,5%) que A. gemmatalis.
Palavras-chave: Lagartas, pragas, Glycine max
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
151
Desempenho Biológico de Spodoptera eridania (Lep.: Noctuidae) em Diferentes
Espécies Vegetais
C.M. Tibola1; L. Silva1; L.C. Dallagnol1; M.I. Bilibio1; M. Gotardo1; T.S. Rocha1; J.R.
Salvadori1
1
Universidade de Passo Fundo – PPGAgro FAMV, Caixa Postal 611, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS,
[email protected]; [email protected]
Resumo: A lagarta Spodoptera eridania (Cramer) é um inseto polífago e com ampla
distribuição, que pode ser encontrada em várias espécies de plantas cultivadas e
daninhas. Objetivou-se estudar a biologia de S. eridania em folhas de soja, trigo, aveiapreta, milho, girassol, canola, trevo-vermelho, tremoço, ervilhaca, nabo-forrageiro, milhã,
papuã, leiteiro, picão-preto, buva, corda-de-viola e caruru-roxo. O experimento foi
realizado em delineamento inteiramente casualizado, com dezessete tratamentos e seis
repetições, em sala climatizada (temperatura: 23±2ºC, umidade relativa do ar: 60±10% e
fotofase: 12 horas), no Laboratório de Entomologia da Faculdade de Agronomia e
Medicina Veterinária, da UPF, Passo Fundo, RS. A partir de cinco lagartas recémeclodidas por repetição (potes plásticos de 6,0cm altura/6,0cm Ø), alimentadas com
folhas completamente expandidas da região apical das plantas em comparação, foram
avaliados parâmetros biológicos relacionados às fases de ovo, larva, pupa e adulta. Os
dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas pelo teste de
Tukey (5%). Dentre os vegetais consumidos durante a fase larval apenas buva, canola,
caruru-roxo, corda-de-viola, girassol, nabo-forrageiro, picão-preto, soja e tremoço
permitiram a sobrevivência de S. eridania até a fase adulta. A sobrevivência e a duração
das larvas foram influenciadas pelo alimento, variando de 56,7 a 92,8% e de 33,7 a 21,9
dias para lagartas criadas em folhas de buva e girassol, respectivamente. Em soja, as
lagartas duraram 24,2 dias, não diferindo significativamente de lagartas alimentadas com
folhas de canola, caruru-roxo, girassol e tremoço. S. eridania não apresentou
desenvolvimento adequado quando alimentada exclusivamente nas gramíneas. Adultos
provenientes de soja ovipositaram mais em comparação aos demais alimentos (793,6
ovos/♀), sem diferir significativamente de corda-de-viola (491,7 ovos/♀) e girassol (458,0
ovos/♀).
Palavras-chave: Pragas, hospedeiros, Glycine max
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
152
Efeito de Injúrias Foliares em Estádios Iniciais de Desenvolvimento, no Rendimento
de Grãos do Cv. de soja BMX Apolo RR, Safra 2009-10
L.C. Dallagnol¹; M.I. Bilibio¹; M. Gotardo¹; J.R.Salvadori¹; P.R.V.S. Pereira²
¹ Universidade de Passo Fundo – FAMV, Caixa Postal 611, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS,
[email protected]; [email protected]. ² Embrapa Trigo, Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo
Fundo, RS, [email protected]
Resumo: Devido ao desenvolvimento de novos cultivares, diferentes quanto a ciclo,
hábito de crescimento e potencial produtivo, e às mudanças que ocorreram no processo
produtivo da soja (Glycine max.), especialmente a redução da população de plantas por
área, questionamentos têm sido originados sobre a validade dos critérios, recomendados
há décadas, para tomada de decisão no controle de pragas da soja. Objetivando reavaliar
os parâmetros utilizados para controle de insetos filófagos nas fases iniciais de
desenvolvimento de plantas, estudou-se o efeito de diferentes graus de injúria em
cotilédones e folhas no rendimento de grãos, do cultivar de soja BMX Apolo RR. O
experimento foi conduzido na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da
Universidade de Passo Fundo, Passo Fundo, RS, na safra 2009/2010. O delineamento
experimental foi de blocos ao acaso, com quatro repetições e onze tratamentos, assim
especificados: remoção de 100% dos cotilédones, de 100% das folhas unifolioladas e
corte da plântula abaixo das folhas unifolioladas, no estádio Vc; remoção de 100% da 1ª
folha trifoliolada em V1; desfolha de 33%, 67% e 100% de todas as folhas trifolioladas,
em V2 e em V4; e uma testemunha, sem desfolha. Constatou-se redução
estatisticamente significativa (5% de probabilidade de erro) na produção de grãos quando
foram removidas 100% das folhas em V2 e em V4, em comparação com as plantas sem
desfolha. Em posição intermediária e inconclusiva, ficaram os demais tratamentos de
injúria, que se igualaram tanto à testemunha como a estes dois tratamentos que afetaram
comprovadamente o rendimento de grãos.
Palavras-chave: Danos, pragas, Glycine max
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
153
Resposta da Soja, Cv. BMX Apolo RR, a Níveis de Desfolha em Fases Vegetativa e
Reprodutiva das Plantas
M.I. Bilibio¹; L.C. Dallagnol¹; M. Gotardo¹; J.R. Salvadori¹; P.R.V.S. Pereira2
1
2
Universidade de Passo Fundo – FAMV, CEP 99001-970, [email protected]; [email protected]
Embrapa Trigo, Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS, [email protected]
Resumo: Inovações no processo produtivo de soja (Glycine max.), como o emprego de
cultivares de ciclo mais curto, mais produtivos e com menor índice de área foliar, bem
como o uso de menor densidade de plantas por área, podem interferir na tolerância da
soja ao desfolhamento. A recomendação atual de manejo integrado de pragas filófagas
da soja se baseia no percentual de desfolhamento, sendo que os níveis de ação para o
controle de insetos desfolhadores foram determinados com base em cultivares que
possuíam características distintas das dos cultivares atuais. Desta maneira, o objetivo
deste trabalho foi avaliar se os níveis recomendados de desfolhamento de 30% antes da
floração e de 15%, na fase reprodutiva, continuam adequados para uso.. O experimento
foi conduzido no campo experimental da Faculdade da Agronomia e Medicina Veterinária
da Universidade de Passo Fundo, em Passo Fundo/RS, com o cultivar de soja BMX
Apolo RR, na densidade de 333 mil plantas por hectare, no ano agrícola 2009/2010, em
delineamento de blocos ao acaso com quatro repetições, em parcelas subdivididas.
Avaliou-se o efeito no rendimento de grãos de quatro níveis de desfolha artificial (0, 17,
33 e 50 %) em três estádios de desenvolvimento das plantas (V8, ou oitavo nó, R2 ou
pleno florescimento e R5.3 ou fase de enchimento dos grãos). Pela análise da variância,
não houve diferença entre estádios e apenas o desfolhamento de 50% diferiu
significativamente da testemunha (Tukey, 5%). Os resultados quanto aos níveis de
desfolhamentos de 17 e de 33%, que não diferiram da testemunha nem de 50% de
desfolhamento, foram inconclusivos. Todavia, a análise de regressão evidenciou uma
resposta linear da soja ao desfolhamento, com perdas crescentes no rendimento de
grãos (R² = 0,97).
Palavras-chave: Pragas filófagas, danos, Glycine max
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
154
Efeito de Injúrias Foliares em Estádios Iniciais de Desenvolvimento no Rendimento
de Grãos do Cv. de Soja BMX Apolo RR, Safra 2010-11
T.S. Rocha1; L.C. Dallagnol1; J.Q. Schuch1; J.R. Salvadori1; P.R.V.S. Pereira2
1
Universidade de Passo Fundo – FAMV, Caixa Postal 611, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS,
2
[email protected]; [email protected]. Embrapa Trigo, Caixa Postal 451, CEP 99001-970, Passo
Fundo, RS, [email protected]
Resumo: A partir da evolução dos genótipos (ciclo, hábito e potencial produtivo) e no
processo produtivo da soja (Glycine max), principalmente a redução na densidade de
plantas/ha, questionamentos têm sido originados sobre a validade dos critérios
recomendados para tomadas de decisão no controle de pragas da soja. Objetivando
avaliar o efeito do desfolhamento em estádios iniciais de desenvolvimento das plantas no
rendimento de grãos da soja, foi conduzido um experimento com a cultivar BMX Apolo
RR. O trabalho foi realizado na Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da
Universidade de Passo Fundo, RS, na safra 2010/2011, em delineamento de blocos
casualizados, com quatro repetições e onze tratamentos, assim especificados: remoção
de 100% dos cotilédones, de 100% das folhas unifolioladas e corte na haste, logo abaixo
das folhas unifolioladas, no estádio Vc; retirada de 100% das folhas, em V1; desfolha de
33, 67 e 100%, em V2 e em V4; e tratamento testemunha, sem desfolha. Constatou-se
redução estatisticamente significativa (5 % de probabilidade de erro) na produção de
grãos com 100% de desfolhamento no estádio V2, em comparação com as plantas sem
desfolha da testemunha. Os resultados foram inconclusivos para os demais tratamentos
de injúria, uma vez que se igualaram estatisticamente tanto à testemunha quanto ao
tratamento que reduziu comprovadamente o rendimento de grãos.
Palavras-chave: Danos, pragas, Glycine max
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
155
Controle de Lagartas na Cultura da Soja com Nova Formulação de Inseticida
D. Link1, M.P.B Pasini1, R.L.L. Serafim Junior1
1
Universidade Federal de Santa Maria, Departamento de Defesa Fitossanitária. Av. Roraima, n. 1000, Cidade
Universitária, 97105-900, Santa Maria, RS. E-mail: [email protected], [email protected]
Resumo: Um ensaio de controle da lagarta da soja (Anticarsia gemmatalis) e da lagarta
falsa medideira (Pseudoplusia includens) foi instalado na localidade de Parada Link, 7º
Distrito de Santa Maria, Rio Grande do Sul, em 18 de fevereiro de 2011. Em delineamento
de blocos ao acaso com cinco repetições foram aplicados em pulverização foliar:
Lambdacialotrina + Clorantranilprole (AMPLIGO) nas doses de 15 ml, 35 ml, 55 ml e 75 ml
de p.c./ha, e Metamidofós (TAMARON) na dose de 500 ml do p.c./ha e água (testemunha).
Todas as doses foram diluídas em 150 l de calda por ha, aplicando-se sobre as plantas de
soja, cv Fundacep 59, no estádio R2, com altura média de 0,8 m, amplitude de 0,55-1 m e
densidade de 12 plantas/metro de linha, com espaçamento de 0,4 m entre linhas. A
desfolha média inicial foi em média de 10%. No momento da aplicação entre 9 e 10 da
manhã a temperatura foi de 26,7ºC, leve aragem, UR 67% e 10% de nuvens. Avaliaram-se
a eficiência de controle, realizando a amostragem em dois pontos da parcela com a lona de
coleta, aos, 0, 2, 4, 7, 10 e 14 dias após a aplicação (DAA). Todas as doses e produtos
reduziram significativamente as populações infestantes das lagartas ocorrentes. Para A.
gemmatalis as maiores concentrações de Lambolacialotrina + Clorantranilpiole (55 ml e 75
ml) e o tratamento com Metamidofós apresentaram maior eficiência no controle nos
diferentes DAA. Para Pseudoplusia includens não se obteve o mesmo desempenho, os
tratamentos apresentaram eficiência inferior a 80%. A partir de 55 ml de p.c./ha pode-se
indicar esta mistura para o controle da lagarta da soja.
Palavras-chave: Glycine max, defensivo, praga.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
156
Normas da Comissão
4.7. NORMAS DE EXECUÇÃO DE ENSAIOS VISANDO À INCLUSÃO OU RETIRADA
DE INSETICIDAS DAS TABELAS DE INDICAÇÕES
Estas normas disciplinam a elaboração de testes de avaliação agronômica, para
produtos químicos destinados ao controle de pragas da cultura da soja na Região Sul do
Brasil (RS e SC), integrantes das tabelas de indicações propostas pela Comissão de
Entomologia da Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul.
CAPÍTULO I
DA EXECUÇÃO DE ENSAIOS
Art. 1o As propostas para testes deverão ser encaminhadas pelas empresas
interessadas, às Instituições de pesquisa credenciadas junto à Comissão de Entomologia
da RPS-Sul, contendo informações técnicas e toxicológicas do produto.
Art. 2º Os ensaios devem ser conduzidos em condições de campo e,
individualmente, para cada espécie-alvo. Além dos cuidados e do controle experimental,
básicos e usuais, outros fatores específicos que podem provocar variabilidade
experimental, como por exemplo, infestação de plantas daninhas (corós), doenças
(lagartas desfolhadoras) etc., devem ser controlados.
Art. 3º O delineamento utilizado deve ser o de blocos casualizados com no mínimo
quatro (4) repetições e, no mínimo seis (6) e máximo dez (10) tratamentos.
Art. 4º Nos ensaios visando a eficiência de produtos para inseto-pragas da parte
aérea devem ser realizadas observações de pré-aplicação dos tratamentos e, aos 2/3,
6/7 e até 15 dias após a aplicação (DAA). No caso específico de testes de controle de
tamanduá-da-soja com inseticidas via tratamento de sementes, as avaliações devem ser
feitas aos 7, 14, 21 e 28 dias (mortalidade e número de plantas danificadas). No caso
específico de testes de controle de corós com inseticidas via tratamento de sulco ou de
sementes, as avaliações devem ser feitas antes da semeadura (no máximo com 3 dias
de antecipação e exceto com infestação artificial), e aos 15 e 30 dias após ao 40
emergência das plantas (nº de corós e população de plantas) e na colheita (massa seca e
rendimento de grãos).
Art. 5º Nos ensaios objetivando avaliação da seletividade de produtos para insetos
predadores, além da pré-contagem, deverão ser realizadas três avaliações até o oitavo
dia após a aplicação dos tratamentos. Para insetos parasitóides seguir a metodologia
descrita no artigo 17.
Art. 6º Os valores observados devem ser submetidos à análise da variância e, as
médias agrupadas pelo Teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade. Para cada
observação deve ser especificado o coeficiente de variação (CV).
Art. 7º Deve ser feita a especificação da densidade média, da estatura e do
estádio fenológico das plantas, segundo escala de Fehr et al. (1977).
Art. 8º Nos testes de eficiência agronômica, as percentagens de controle devem
ser calculadas pela fórmula de Abbott (1925). Utilizar Henderson & Tilton (1955) no caso
de haver diferença significativa na avaliação de pré-contagem.
Art. 9º Nos testes de seletividade, o índice de mortalidade deve ser calculado por
Henderson & Tilton (1955), utilizando a média geral das avaliações (Art. 10), e
enquadrado na escala de notas: 1 = 0-20%; 2 = 21-40%; 3 = 41-60%; 4 = 61-80%; 5 = 81100% de redução populacional de insetos predadores.
Art. 10° Na apresentação dos resultados devem constar os valores originais das
repetições, a média de cada avaliação e a média geral das avaliações.
Art. 11° Metodologia para testes de controle de corós:
Tamanho da parcela: em áreas com infestação natural, mínimo 5-6 linhas de 4-6 metros
de comprimento. No caso de infestação artificial, usar microparcelas (3-5 linhas de 1,0
metro de comprimento), com número igual de corós/parcela.
Infestação: com infestação natural sugere-se executar o teste com a densidade média
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
157
de 1 coró/ 2-4 plantas; anotar o estádio dos corós ou classificá-los por tamanho
(pequenos, médios e grandes). Com infestação artificial, sugere-se 1 coró/2 plantas.
Amostragens: contagem do número de corós em trincheiras no solo, medindo 30 cm x
20 cm x 30 cm de profundidade, sobre a linha. Fazer 4 e 2 amostras/parcela,
respectivamente, com infestação natural e artificial.
Avaliar também: população de plantas (2 m/parcela), massa seca de raiz e parte aérea e
rendimento de grãos na área útil da parcela.
Art. 12° Metodologia para testes de controle de tamanduá-da-soja:
Tamanho da parcela: mínimo de vinte (20) fileiras de plantas com quinze (15) metros de
comprimento.
Infestação: executar o teste somente quando houver no mínimo um (1) adulto a cada 2
metros de fileira de soja. No caso de testes com gaiolas, no mínimo cinco (5) adultos
vivos por m linear.
Amostragens: contagem do número de adultos vivos e número de plantas sadias e
atacadas em no mínimo dois (2) pontos de 2 (dois) metros de fileira de soja, distribuídos
ao acaso, dentro de cada uma das parcelas. Procurar alocar as parcelas por comprido,
ao longo da região de entrada dos adultos na lavoura (ex.: bordadura de milho), visando
diminuir a variação populacional entre as repetições. Sempre que possível, realizar
observações relativas à densidade e rendimento.
Art. 13° Metodologia para testes de controle de lagartas filófagas:
Tamanho da parcela: mínimo de dez (10) fileiras de plantas com dez (10) metros de
comprimento.
Infestação: executar o teste somente quando houver no mínimo dez (10) lagartas
grandes (> 1,5 cm) por pano de batida. Amostragem: pano de batida, com no mínimo
duas (2) batidas/parcela e duas (2) pessoas efetuando a operação. Considerar apenas as
lagartas grandes (> 1,5 cm), exceto no caso de testes com inseticidas reguladores de
crescimento e biológicos, para os quais também devem ser consideradas lagartas
pequenas (< 1,5 cm). Sempre que possível, realizar observações relativas ao
desfolhamento e rendimento de grãos.
Art. 14° Metodologia para testes de controle de broca-dos-ponteiros:
Tamanho da parcela: mínimo de dez (10) fileiras de plantas com oito (8) metros de
comprimento.
Infestação: executar o teste somente quando houver no mínimo dez (10%) de plantas
atacadas.
Amostragem: contagem do número de plantas atacadas e sadias em dois (2) metros de
fileira, anotando-se a quantidade de brocas vivas nos ponteiros examinados. Não
executar novas observações nos pontos anteriormente examinados. Não repetir
avaliações nos ponteiros já examinados.
Art. 15° Metodologia para controle a percevejos:
Tamanho de parcela: mínimo de vinte (20) fileiras de plantas com quinze (15) metros de
comprimento.
Infestação: fazer aplicação quando houver, no mínimo, em média, quatro (4) insetos
(ninfas grandes + adultos/amostragem). Classificar os insetos por espécie e separá-los
por estádio de desenvolvimento nas categorias de ninfas grandes (3o ao 5o ínstar ou >
0,5 cm) e adultos.
Amostragem: utilizar pano de batida, em 1 metro, com no mínimo quatro (4)
coletas/parcela.
Art. 16° Metodologia para testes de seletividade a predadores:
Tamanho da parcela: mínimo de vinte (20) fileiras de plantas com quinze (15) metros de
comprimento.
Infestação: executar o teste somente quando houver, no mínimo, em média, três (3)
predadores (insetos e aranhas)/pano de batida.
Amostragem: pano de batida com quatro (4) coletas/parcela ou rede-de-varredura,
efetuando-se 4 amostragens de 10 redadas/parcela. A critério do pesquisador, a
contagem dos predadores poderá ser feita no laboratório ou no campo, sempre
identificando-os, por espécie.
Art. 17° Metodologia para testes de seletividade a parasitóides
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
158
Os experimentos terão metodologia adequada àquela proposta pela IOBC e serão
realizados sobre parasitóides de ovos de percevejos, envolvendo um esquema
seqüencial de testes de laboratório, semi-campo e campo, com avaliações do efeito de
produtos sobre a fase adulta dos parasitóides, considerada como a mais vulnerável, e
sobre as pupas, correspondendo à fase menos vulnerável. Além disso, compreenderão
experimentos de campo, realizados com populações de parasitóides de ocorrência
natural ou liberados.
a) Efeito sobre a fase adulta
Ensaios de laboratório e semi-campo: Para os testes de laboratório e semi-campo,
serão utilizados adultos de Trissolcus basalis e/ou Telenomus podisi, provenientes de
criações de laboratório, com até no máximo cinco dias de vida adulta, previamente
alimentados com solução de mel e água. Os parasitóides adultos serão expostos a um
filme do inseticida aplicado em placas ou tubos de vidro, evitando o escorrimento do
produto (testes laboratoriais) ou expostos a folhas de soja tratadas a 1, 2 e 4 dias após a
aplicação do produto, com a sua degradação ao ar livre, imitando as condições de
campo.
Nos ensaios de semi-campo, o produto será aplicado com pulverizador de precisão
(CO2) em uma fileira de 5 m de soja, com coleta de folhas, do topo das plantas, nos 3 m
centrais, 1 dia após a aplicação, colocando-se as folhas (1 folha/tubo) e os adultos em
gaiolas com ventilação adequada e solução nutritiva. Os experimentos serão conduzidos,
no mínimo, com três tratamentos: 1. Inseticidateste, avaliado na maior dose
agronomicamente recomendada na cultura; 2. Água (testemunha negativa); e 3.
Inseticida reconhecidamente não-seletivo - classe 4 (testemunha positiva).
- Número de insetos: 25 adultos/repetição
- Delineamento experimental: inteiramente casualizado
- Número de repetições: mínimo de 5/tratamento. Para maior precisão da análise, o
número de repetições poderá ser superior, obtendo-se no mínimo 15 graus de liberdade.
- Análise estatística: análise de variância e comparação de médias pelo teste de Tukey, a
5% de probabilidade.
- Avaliações: leitura da mortalidade às 6, 24 e 48 horas de contato com o produto, com
avaliações da redução populacional dos parasitóides pela fórmula de Abbott (1925).
- Apresentação dos resultados: individuais/avaliação (6, 24 e 48 h) e cumulativos.
- Escala proposta: 1 – 0 a 20% (seletivos); 2 – 21 a 40% (moderamente seletivos; 3 – 41
a 60% (pouco seletivos); 4 – 61 a 100% de mortalidade (não seletivos), em relação à
testemunha negativa.
Experimentos de campo: Os ensaios serão realizados com insetos de ocorrência
natural ou após liberação massal. O efeito será avaliado sobre o complexo de
parasitóides de ovos que ocorram na área experimental, constando na tabela de
apresentação dos resultados apenas a expressão “parasitóides de ovos”.
- Tamanho da parcela: 30 linhas x 20 m comprimento Os experimentos serão conduzidos,
no mínimo, com três tratamentos: 1. Inseticida-teste, avaliado na maior dose
agronomicamente recomendada na cultura; 2. Água (testemunha negativa); e 3.
Inseticida reconhecidamente não-seletivo - classe 4 (testemunha positiva). Delineamento experimental: Blocos ao acaso - Número de repetições: mínimo de 5 /
tratamento. Para maior precisão da análise, o número de repetições poderá ser superior,
obtendo-se um mínimo 15 graus de liberdade. - Método de amostragem: massas de
ovos* de percevejos, com cerca de 60 ovos, serão fixadas 1 dia após a aplicação dos
tratamentos nos folíolos da soja (lado ventral), ou nas vagens, em número de 9 posturas
por parcela, distribuídas, ao acaso, nas 3 fileiras da faixa central, deixando-se 10 fileiras
de bordadura de cada lado das parcelas. As posturas ficarão expostas à ação dos
parasitóides por 72 horas.
- Acompanhamento em laboratório: após o período de exposição dos ovos aos
parasitóides no campo, as posturas serão recolhidas, individualizadas em placas de Petri
e observadas no laboratório. Após o período de desenvolvimento, emergência e morte
dos adultos será realizada a leitura do número de ovos parasitados em relação ao
número total de ovos por postura. Para efeito de avaliação serão considerados como
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
159
ovos parasitados, todos aqueles ovos que apresentarem emergência de adultos.
- Avaliações complementares: procurar medir o índice de parasitismo em ovos de
percevejos antes da instalação do experimento, pela coleta, ao acaso, de posturas de
percevejos, encontradas naturalmente na área experimental, ou pela colocação de
massas de ovos nas plantas de soja e retirada das mesmas, após 3 dias, para
acompanhamento e leitura, no laboratório, do índice de parasitismo. Fazer a colagem das
posturas nas parcelas 1 dia após a aplicação dos produtos e, 3 dias depois, fazer a coleta
das mesmas para acompanhamento no laboratório, mantidas em condições controladas.
- Análise estatística: os resultados serão analisados quanto ao efeito de cada tratamento
em relação à testemunha negativa, sendo as médias comparadas pelo teste de Tukey. No
caso de ensaios após a liberação massal de parasitóides a seqüência deve ser: aplicar o
inseticida 24 horas após a liberação e colocar as massas de ovos, 24 horas após a
aplicação dos inseticidas. * Para a obtenção dos ovos, percevejos coletados no campo
serão criados em gaiolas teladas, no laboratório local, segundo a metodologia descrita
por Corrêa - Ferreira (1985). Para os testes, poderão ser utilizados ovos frescos ou ovos
de percevejos que foram conservados a 5ºC (geladeira), por 3 ou 4 dias. Como
hospedeiro, utilizar a espécie de percevejo que estiver ocorrendo em maior abundância
na região. Quando utilizar ovos de Euschistus heros, a colagem nos folíolos da soja
poderá ser dificultada, em função do número pequeno de ovos por postura. Nesse caso,
poderá ser utilizada outra metodologia, como por exemplo, colagem dos ovos em cartelas
de papelão e estas colocadas nas plantas, com tela protetora, para evitar a predação dos
ovos.
b) Efeito sobre a fase de pupa
Os produtos serão pulverizados sobre massas de ovos com o parasitóide, no interior dos
ovos, no estádio de pupa (7 a 8 dias após o parasitismo). Após o desenvolvimento, será
avaliada a percentagem de viabilidade do parasitismo, 1 semana após a aplicação.
- Número mínimo de ovos: 25/repetição.
- Tratamentos: mínimo de 3 (idem ensaios de laboratório/semi-campo)
- Delineamento experimental: inteiramente casualizado.
- Número de repetições: mínimo de 5/tratamento. Para maior precisão da
análise, o número de repetições poderá ser superior, obtendo-se no mínimo 15 graus de
liberdade.
- Análise estatística: análise de variância e comparação de médias pelo teste de Tukey, a
5% de probabilidade.
- Escala proposta: 1 – 0 a 20% (seletivos); 2 – 21 a 40% (moderamente seletivos; 3 – 41
a 60% (pouco seletivos); 4 – 61 a 100% de redução de viabilidade de parasitismo (não
seletivos), em relação à testemunha negativa.
CAPÍTULO II
DOS CRITÉRIOS PARA INCLUSÃO DE INSETICIDAS NAS TABELAS DE INDICAÇÃO
Art. 18° O produto/dose deve ser registrado no SDSV/MAPA, para a cultura e
espécie alvo.
Art. 19° Conter dados de no mínimo quatro (4) trabalhos de eficiência agronômica
e quatro (4) de seletividade, sendo no mínimo três realizados na região de abrangência
da RPS-Sul, por pelo menos três (3) Instituições de Pesquisa ou Ensino credenciadas, na
Comissão de Entomologia. Quando do mesmo pesquisador somente serão aceitos
trabalhos de diferentes safras. Quando da mesma instituição, somente serão aceitos
trabalhos realizados por diferentes pesquisadores, sem repetição de autoria. Assim, para
o mesmo produto comercial e espécie-alvo, serão aceitos um (1) trabalho de
eficiência/safra e um (1) de seletividade/safra por pesquisador (independentemente de
este ser autor ou co-autor). Para testes via tratamento de sementes ou de sulco para
controle de tamanduá-da-soja e de corós rizófagos, os testes de seletividade são
dispensados.
Art. 20° Os resultados de pesquisa visando à inclusão nas tabelas de indicação
terão validade de dez (10) anos anteriores à solicitação, exceto em casos comprovados
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
160
de resistência.
Art. 21° As propostas para inclusão deverão ser encaminhadas da seguinte forma:
a carta de solicitação deve ser enviada pela ANDEF ou AENDA para a Instituição
Organizadora; cabe à empresa solicitante enviar cópia da carta de solicitação da ANDEF,
acompanhada da documentação necessária (certificado de registro, bula, cópias dos
laudos ou relatórios de eficiência agronômica e seletividade e todos os demais dados
necessários à inclusão na indicação, Art. 25) para as instituições credenciadas na
Comissão de Entomologia da RPS-Sul, até vinte (20) dias antes das reuniões anuais, via
correio, com A.R. (aviso de recebimento). Os documentos deverão impressos em papel
timbrado, devidamente assinados. Entidades não filiadas às associações supra citadas
poderão fazer propostas através das Instituições de Pesquisa ou Ensino credenciadas na
Comissão de Entomologia.
Art. 22° O produto deve apresentar eficiência média de 80% em duas avaliações
subseqüentes. No caso específico de tamanduá-da-soja, considerar o índice de 80%
somente na primeira data de avaliação (2 DAA, nos ensaios em aplicação foliar e 7-14
DAA, via tratamento de sementes).
Art. 23° No caso de corós, a critério da comissão, poderão ser indicados
inseticidas com eficiência de controle inferior a 80%, desde que fique comprovado o
efeito dos tratamentos no rendimento de grãos, população de plantas e/ou massa seca.
Art. 24° O efeito médio na redução populacional de insetos predadores e
parasitóides não deve ser superior a 40% (Nota 2), quando tratar-se de produtos
indicados para Anticarsia gemmatalis e de 60% (Nota 3) quando indicados para as
demais pragas.
Art. 25° O produto será incluído nas tabelas de indicações com os seguintes
dados:
- Nome técnico
- Dose (g i.a./ha)
- Intervalo de Segurança
- Nota de seletividade para insetos predadores
- Índice de risco
- Nome(s) comercial (ais) registrados no SDSV/MAPA
- Formulações e concentrações (g i.a./ L ou kg)
- Dose (L ou kg de comercial/ha)
Art. 26° Os critérios para alteração de doses dos produtos estão especificados nos
artigos 18, 19 e 20.
Art. 27° Caberá ao pesquisador credenciado na Comissão de Entomologia pela
instituição organizadora de reunião, ou outro por ela indicado, atuar como relator do(s)
processo(s) de solicitação de inclusão de inseticidas nas indicações técnicas, o qual terá
a incumbência de elaborar e trazer para a reunião parecer conclusivo, incluindo tabela(s)
com os valores parciais e médios, conforme os demais artigos deste capítulo.
CAPÍTULO III
DOS CRITÉRIOS PARA RETIRADA DE INSETICIDAS DAS TABELAS DE INDICAÇÃO
Art. 28° O produto será retirado das tabelas de indicação por solicitação da
empresa responsável, ou por não atender os artigos 18, 19, 20, 21, 22 e 23, destas
Normas, ou pertencer à classe toxicológica I.
Art. 29° Casos omissos serão resolvidos pela Comissão de Entomologia da RPSSul.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
161
5. COMISSÃO DE CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS
Esta Comissão reuniu-se em conjunto com a Comissão de Ecologia, Fisiologia e
Práticas Culturais, excepcionalmente neste evento, devido ao baixo número de
participantes. Os relatos de sua atividade, bem como os Resumos apresentados, estão
transcritos no relatório da Comissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais.
Normas da Comissão
NORMAS PARA AVALIAÇÃO E RECOMENDAÇÃO DE HERBICIDAS PARA A
CULTURA DE SOJA NA REGIÃO SUL DO BRASIL
MÉTODO DE PESQUISA
O método a ser empregado nos experimentos realizados sob coordenação da
Comissão de Plantas Daninhas será discutido durante a fase de planejamento da
Reunião de Pesquisa. Contudo, ensaios de campo para avaliação de herbicidas devem
conter, pelo menos, quatro repetições e mínimo de seis tratamentos.
Para proceder à avaliação da eficácia do produto, devem ser realizadas, no
mínimo, três avaliações visuais durante o ciclo da cultura e, opcionalmente, uma
avaliação de matéria seca das plantas daninhas. Quando estiverem incluídos no ensaio
produtos que apresentem apenas efeito supressor sobre as plantas daninhas, uma das
avaliações visuais deverá ser realizada por ocasião da colheita da cultura.
Para efetuar avaliação visual de controle, deve ser adotada a escala percentual. A
avaliação visual da seletividade do produto deve ser executada, no mínimo, em duas
épocas durante o ciclo da cultura e, opcionalmente, poderá ser realizada uma avaliação
quantitativa. Para avaliações visuais desta variável, recomendam-se as escalas ALAM,
EWRC ou WSSA.
AVALIAÇÃO DE HERBICIDAS
Para inclusão de herbicidas nos ensaios a serem realizados sob coordenação da
Comissão de Plantas Daninhas, deverá ser encaminhada solicitação por escrito, dirigida
aos representantes credenciados das Instituições de Pesquisa e à Coordenação da
Comissão, até vinte dias antes da data da respectiva Reunião de Pesquisa.
O encaminhamento da solicitação da empresa interessada para teste de herbicida
deverá ser acompanhado, para produtos novos, da cópia do registro especial temporário
e dos documentos que lhe deram origem, ou, para produtos com registro definitivo, da
cópia do registro, acompanhada da respectiva ficha técnica. A empresa solicitante deverá
atender à legislação vigente sobre o assunto e às demais normas estabelecidas pelos
órgãos oficiais competentes.
Os produtos que irão compor os ensaios a serem conduzidos sob a Coordenação
da Comissão de Plantas Daninhas serão indicados durante a respectiva Reunião Anual.
As empresas que tiverem aprovada a inclusão de produto nos ensaios deverão
encaminhar às Instituições de Pesquisa as respectivas amostras, adequadamente
embaladas e identificadas. As amostras devem ser enviadas segundo as normas
estabelecidas pela legislação para transporte de produtos perigosos e até a data limite de
quarenta e cinco dias após a Reunião de Pesquisa.
A permanência máxima dos produtos novos em experimentação em rede sob a
Coordenação da Comissão será de três anos. Após a etapa de testes, será realizada uma
avaliação do comportamento, decidindo-se ou não pela manutenção na programação.
INDICAÇÃO DE HERBICIDAS
As indicações de herbicida e respectivas revisões serão feitas por ocasião da
Reunião da Comissão, a ser realizada na segunda quinzena de junho de cada ano,
mediante análise conjunta dos resultados obtidos nas várias instituições de pesquisa
participantes da Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, conforme consta do
Capítulo V, artigo 10º, item “a” do respectivo Regimento Interno, e atendendo-se aos
critérios estabelecidos nestas normas.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
162
Toda a solicitação proveniente de alguma empresa, para recomendação de
herbicida ou para alteração de produto já indicado, somente será examinada se
encaminhada através da ANDEF ou AENDA e for enviada às instituições participantes da
comissão dentro do prazo estabelecido nas normas vigentes.
Em cada Reunião da Comissão, a análise das propostas encaminhadas pelas
respectivas associações será realizada por um relator, especialista na área de plantas
daninhas (herbologia), designado especificamente para tal fim na reunião anterior, o qual
deverá emitir, por escrito, parecer para apreciação da comissão quanto ao mérito da
solicitação e à admissibilidade e adequação dos pedidos às normas vigentes.
O produto a ser recomendado deverá estar registrado para a cultura junto aos
órgãos oficiais competentes até a data de realização da respectiva Reunião da
Comissão.
Solicitações de inclusão ou de alteração de produtos nas indicações serão
formalizadas de acordo com o contido nas presentes normas. Portanto, as propostas de
inclusão de novos produtos nas indicações ou de alterações daquelas vigentes deverão
estar acompanhadas da documentação necessária completa e devem ser encaminhadas
aos membros da comissão com antecedência mínima de vinte dias úteis anteriormente à
data de realização da Reunião da Comissão.
A fim de propiciar análise da procedência do pedido, por parte dos membros da
comissão, toda a solicitação para inclusão de produto nas indicações, ou para extensão
de uso de produto já indicado, ou ainda qualquer outra modificação ou alteração que for
solicitada, sempre deverá vir acompanhada do respectivo registro e da bula de
recomendações atualizadas e ser remetidas até a data limite estipulada nas normas.
Para efeito de indicação ou alteração de indicação de herbicida, serão avaliados
apenas resultados obtidos em trabalhos de pesquisa conduzidos a campo.
Os ensaios que tenham por objetivo a seleção de herbicidas visando à indicação
ou alteração de indicação devem ter sido realizados por entidades de pesquisa
credenciadas e participantes da Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, conforme
definido no Capítulo V, artigo 10º, item “a”, do Regimento Interno, respeitadas as demais
determinações contidas nesse regimento e também aquelas contidas nestas normas.
A análise conjunta dos experimentos realizados na região deverá indicar
resultados de eficiência e de seletividade que viabilizem a indicação. Assim, quanto ao
controle, o produto deverá atingir conceito, no mínimo, equivalente aos obtidos nas
testemunhas padrões usadas, devendo apresentar esse nível de controle na maioria dos
ensaios conduzidos. Quanto à fitotoxicidade, o dano máximo tolerado para considerar o
produto seletivo será moderado com recuperação da cultura, independentemente da
escala aplicada para tal avaliação.
Para indicação de herbicidas, a comissão incluirá as seguintes informações
mínimas:
- Doses a serem usadas de acordo com o tipo de solo ou estádio de
desenvolvimento de plantas daninhas e da cultura;
- Época e método de aplicação;
- Espécies daninhas controladas, nível de controle e espécies não controladas;
- Sumário das peculiaridades de cada herbicida, contendo dados que possam
auxiliar na obtenção de eficiência agronômica e segurança máxima em seu emprego.
- Para ocorrer a primeira inclusão de um produto na indicação, ou em decorrência
de mudança na respectiva formulação, serão exigidos, no mínimo, dois anos de testes
em dois locais, totalizando quatro experimentos conduzidos por diferentes instituições de
pesquisa na Região Sul.
- Para extensão do uso de herbicida já indicado a sistema de cultivo diferente ou a
época ou método de aplicações diferentes, serão necessários, no mínimo, três
experimentos conduzidos na região, os quais poderão ser realizados desde um ano em
três locais até três anos em um só local.
- Para extensão do uso de herbicida já indicado, a outras plantas daninhas
específicas, serão requeridos dois experimentos conduzidos na região, podendo ser
realizados num só ano em locais diferentes ou num ou mais locais em anos diferentes.
A comissão reserva-se o direito de rejeitar laudos ou relatórios de ensaios que não
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
163
tenham seguido as resoluções estabelecidas pela Secretaria Nacional de Defesa
Agropecuária e os procedimentos de pesquisa recomendados pela Sociedade Brasileira
da Ciência das Plantas Daninhas. Também podem ser rejeitados laudos ou relatórios que
se caracterizem por apresentar baixa qualificação técnica, por levarem a conclusões
duvidosas ou por terem sido conduzidos por profissional sem formação e atuação na
respectiva área de especialização.
Apresentação de trabalhos ou depoimento pessoal durante a realização da
Reunião da Comissão, sem apresentação prévia do respectivo laudo ou relatório técnico
dentro do prazo definido nestas normas não caracteriza ensaio ou resultados a serem
submetidos à apreciação pela comissão para fins de indicação de herbicida ou alteração
em produto já indicado.
A comissão reserva-se o direito de não indicar determinado herbicida, apesar da
eficiência técnica deste, bem como de alertar a coletividade agrícola sobre os riscos que
este possa oferecer, quando constatados problemas graves de toxicologia ou efeito
nocivo sobre o ambiente.
Por solicitação de um ou mais membros da comissão, e após exame de critérios
técnicos que o indiquem, um herbicida poderá ser retirado das indicações quando se
apresentar ineficiente no controle de espécies daninhas anteriormente controladas,
sugerindo aparecimento de casos de resistência nessas espécies; apresentar muito baixa
seletividade às principais culturas em uso; mostrar elevado índice de toxicidade ou casos
freqüentes de intoxicação; apresentar sérios danos ao ambiente, especialmente alta
persistência no solo ou presença na água; ou mostrar outras propriedades indesejáveis, a
critério da comissão.
Também poderá ser retirado das indicações o herbicida cuja empresa fabricante
e/ou distribuidora não comprovar o respectivo registro nos órgãos competentes quando
solicitada, ou, ainda, por solicitação da própria empresa registrante do produto.
Para cada Reunião de Pesquisa, a ANDEF, ou AENDA, deve enviar a lista
atualizada dos produtos herbicidas registrados por seus membros para uso em soja,
manifestando o interesse na manutenção na relação de produtos indicados para a
cultura, caso contrário, poderão ser retirados das indicações.
ALTERAÇÕES E INFORMAÇÕES PARA REGISTRO
As instituições de pesquisa participantes da Reunião de Pesquisa poderão, a seu critério,
fornecer as informações que viabilizem o registro de produtos junto aos órgãos oficiais
competentes, o que, entretanto, não constituirá obrigatoriedade de indicação futura por
parte da comissão.
A comissão solicitará às empresas registrantes, quando for o caso, que encaminhem aos
órgãos oficiais competentes pedidos de alteração dos dados técnicos nos respectivos
registros, de forma a harmonizar registros e indicações.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
164
6. COMISSÃO DE FITOPATOLOGIA
A Comissão de Fitopatologia, tendo como coordenador o Eng. Agr. Rafael Moreira
Soares (Embrapa Soja) e relatora a Bióloga Cláudia Cristina Clebsch (Embrapa Trigo),
reuniu-se no dia 25 de julho de 2012, nas dependências da Embrapa Trigo, em Passo
Fundo, RS, contando com a presença dos seguintes participantes:
6.1 PARTICIPANTES
6.1.1 Representantes credenciados titulares
Adriano N. Almeida – EMATER-RS
André Boldrin Beltrame – Fepagro
Caroline Wesp – CCGL TECNOLOGIA
Cley Donizeti Martins Nunes – Embrapa Clima Temperado
Leila Maria Costamilan – Embrapa Trigo
Rafael Moreira Soares – Embrapa Soja
6.1.2 Representantes credenciados suplentes
Cláudia C. Clebsch – Embrapa Trigo
6.1.3 Demais participantes
Alberi Souza Jardim – Syngenta
Ana Carolina Kapp – SEEDS
Ana Silvia de Camargo – SEEDS
Cristiano Didonet Cardoso – UFPEL
Elias Guidini – BASF
Eniolí Júnior Dutra – UFPEL
Erlei Melo Reis – UPF
Evandro Carlos Binsfeld – BASF
Fernando Gugel – UPF
Fernando Martins – Cotrijal
Idanir Bianchetti – EMATER-RS
José Sérgio da Silva Witt – SENAR
José Stella – Cheminova
José Tadashi Yorinori – TADASHI Agro
Laércio Luiz Hoffmann – Syngenta
Leandra Leite – IHARA
Marcelo Cigana Ferreira – Cigana Consultoria Agro.
Marcos Kovaleski – UPF
Nara Lucia M. Moraes – BASF SA
Otacílio Pasa – Campina Agrícola Ltda.
Rafael Cabeda – Bayer
Renato Reni Serafini – EMATER-RS
Ricardo Brustolin – UPF
Rodrigo Alff – IHARA
Victória V. Bertagnolli – UFSM
Walter Boller – UPF/FAMV
6.2 TRABALHOS APRESENTADOS
Reação de linhagens de soja da CCGL TEC à misturas de raças de Cercospora sojina –
Caroline Wesp-Guterres – CCGL TEC
Longevidade de escleródios de Sclerotinia sclerotiorum na superfície do solo em
condições de campo – Ricardo Brustolin – UPF
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
165
Sementes de soja infectadas por Sclerotinia sclerotiorum: fonte de inóculo e transmissão
– Ricardo Brustolin – UPF
Avaliação dos fungicidas no controle da ferrugem asiática da soja, safra 2011/12 – Cley
D. M. Nunes – Embrapa Clima Temperado
Eficiência do número de aplicações de fungicidas no controle da ferrugem asiática da
soja, safra 2011/12 - Cley Donizeti Martins Nunes – Embrapa Clima Temperado
Ensaio cooperativo para controle químico de ferrugem de soja, safra 2010/2011 –
resultados da Embrapa Trigo – Leila Maria Costamilan – Embrapa Trigo
Critérios para o início das aplicações de fungicida no controle da ferrugem asiática da
soja, safra 2009/10 – Marcelo Cigana Ferreira – UPF
Critérios para o início das aplicações de fungicida no controle da ferrugem asiática da
soja, safra 2010/11 – Marcelo Cigana Ferreira - UPF
Utilização de auxílio à barra de pulverização, horários de aplicação e pontas de
pulverização em aplicações de fungicidas na cultura da soja – Walter Boller – UPF
Pontas de pulverização de jatos planos simples e duplos e uso de adjuvante redutor de
deriva em aplicações de fungicida na cultura da soja – Walter Boller – UPF
Quantificação de danos causados pela ferrugem asiática da soja - Erlei M. Reis - UPF
Sumarização de ensaios cooperativos de ferrugem safra 2011/2012 – Rafael Moreira
Soares – Embrapa Soja (sem apresentação de resumo).
Sumarização dos resultados dos ensaios cooperativos no controle químico de mofo
branco – Rafael Moreira Soares – Embrapa Soja (sem apresentação de resumo)
6.2.1
TRABALHO DESTAQUE
Como trabalho destaque desta comissão, foi escolhido:
Longevidade de escleródios de Sclerotinia sclerotiorum na superfície do solo em
condições de campo – Ricardo Brustolin – UPF
6.3 ATUALIZAÇÃO DAS INDICAÇÕES TÉCNICAS
Coordenação enviará mensagens às empresas detentoras, solicitando informações sobre
existência de fungicidas no mercado e possibilidade de retirar os que não estão mais
disponíveis ou que não apresentam eficiência (prazo de 15 dias), nas Tabelas 7.1
(Tratamento de Sementes), 7.3 (Oídio) e 7.6 (Ferrugem).
Incluir texto no item 7.1 Tratamento de sementes, como segue:
Se o tratamento de sementes envolver outros produtos, além dos fungicidas (Tabela 7.1),
como, por exemplo, inseticidas, nematicidas, micronutrientes (CoMo), enraizadores,
hormônios, inoculantes, etc., atentar para possíveis problemas de compatibilidade entre
os mesmos, evitando a mistura de tanque (IN 46/2002). Além disso, observar que o
volume final de calda não deve ultrapassar 600-700 ml, sob pena de comprometer a
germinação da semente. É indicada a realização da análise sanitária de sementes para
direcionar o fungicida em função de sua especificidade e da sensibilidade do(s)
patógeno(s) presente(s) nas sementes.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
166
Incluir texto no item 7.2 Tratamento químico da parte aérea, a ser redigido pelo Prof.
Walter Boller, da UPF (prazo de 15 dias), melhorando aspectos relativos à aplicação
terrestre.
A Tabela 7.2 (Atividade específica de fungicidas de semente): será atualizada pelo Prof.
Erlei Reis, da UPF (prazo 15 dias).
Incluir no item 7.2.3 Ferrugem asiática, o texto a seguir:
Como consequência da menor eficiência observada com os fungicidas do grupo dos
triazóis a partir da safra 2007/08, na região Centro-oeste, e nas demais regiões a partir da
safra 2008/09, a Comissão de Fitopatologia da Reunião de Pesquisa de Soja da Região
Sul passa a indicar somente a utilização de misturas comerciais de triazois com
estrobilurinas para o controle da ferrugem. A baixa eficiência de controle com a utilização
de triazois isolados, nos ensaios cooperativos, reforça essa orientação.
Atualizar a Tabela 7.7 (Reação de cultivares de soja), de acordo com as informações da
Comissão de Genética, Melhoramento e Tecnologia de Sementes.
6.4 PROPOSIÇÕES APRESENTADAS
Não foram apresentadas propostas.
6.5 ASSUNTOS GERAIS
Orientações geradas pelo Dr. José Tadashi Yorinori:
Em virtude da existência do fungo do cancro da haste Diaporthe phaseolorum var.
meridionalis nos restos culturais das lavouras da região sul, recomenda-se utilizar
cultivares resistentes.
Devido ao alto potencial de introdução da doença mancha olho-de-rã da Argentina, onde
causou severas perdas nas safras 2008/09 a 2010/11, evitar o plantio de cultivares
suscetíveis à doença. Às empresas detentoras das cultivares semeadas na Região Sul,
recomenda-se que sejam feitos os testes de reação à doença e informar aos agricultores.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
167
Resumos
Utilização de Auxílio à Barra de Pulverização, Horários de Aplicação e Pontas de
Pulverização em Aplicações de Fungicidas na Cultura da Soja
W. Boller1, J. S. da S. Witt2, E. Brugnera3
1
Eng.-Agr. Dr., Prof. do Curso de Agronomia da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da
Universidade de Passo Fundo – FAMV/UPF, BR 285, km 171, CEP 99001-970, Passo Fundo, RS. e2
mail: [email protected]. Eng.-Agr., Instrutor da área de tecnologia de aplicação e NR-31 do SENAR-RS. e3
mail: [email protected]. Acadêmico do Curso de Agronomia da FAMV/UPF, auxiliar de pesquisa email: [email protected]
Resumo: O controle químico da ferrugem da soja requer a utilização de fungicidas
eficazes que devem ser depositados em todas as folhas que se deseja proteger. A partir
do momento em que a parte aérea das plantas sombreia o solo, a barreira física das
folhas dos estratos superiores aumenta a dificuldade para o adequado depósito de
fungicidas nas folhas das camadas inferiores, onde a doença inicia a infecção das
plantas. Com o objetivo de avaliar os efeitos de uma cortina de correntes e de uma
cortina de ar sobre o controle da ferrugem asiática em diferentes estratos do dossel da
cultura da soja realizou-se dois experimentos no Campo Experimental da FAMV/UPF, em
Passo Fundo-RS. O primeiro experimento foi com soja cv. BRS-246RR e o segundo com
BMX Potência RR, semeadas no início de dezembro de 2010. No primeiro experimento
utilizou-se o fungicida epoxiconazol + piraclostrobina na dose de 0,5 L ha-1 e os
tratamentos constaram de: T1 - barra equipada com pontas de jatos planos XR 110015;
T2 - barra + cortina de correntes; T3 - barra + cortina de ar; T4 - barra + cortinas de
corrente e de ar e foram aplicados em dois horários (início da manhã e início da tarde).
No segundo experimento foi utilizado o fungicida azoxistrobina + ciproconazol na dose de
0,3 L ha-1 e foram comparados os mesmos quatro tratamentos, porém combinados com
dois modelos de pontas de pulverização (Teejet XR® 110015 – gotas finas e Hypro®
Guardian 120015 – gotas médias). Foram realizadas duas pulverizações (11/02/11 estádio R1 e 03/03/11 - estádio R5.1). A pressão de operação foi de 3,0 bar e o volume
de aplicação 120 L ha-1. No primeiro experimento não houve diferenças significativas (p ≤
0,05) entre os horários de aplicação, porém os tratamentos com a barra assistida
promoveram maior controle da ferrugem. O segundo experimento também demonstrou a
importância da assistência à barra de pulverização, especialmente quando se utilizou
pontas que geram gotas médias. Ambos os experimentos evidenciaram a capacidade das
cortinas de correntes e de ar em aumentar a deposição de gotas no interior do dossel da
soja e com isso aumentar o controle de doenças.
Palavras-chave: Glycine max, tecnologia de aplicação, controle de doenças.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
168
Pontas de Pulverização de Jatos Planos Simples e Duplos e Uso de Adjuvante
Redutor de Deriva em Aplicações de Fungicida na Cultura da Soja
Walter Boller1, Márcio Gazola2, Rafael Gobbi3, Alexandre Picinin4
1
Eng.-Agr. Dr., Prof. do Curso de Agronomia da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária da
2
Universidade de Passo Fundo (FAMV / UPF) e-mail: [email protected]. Aluno do Curso de Agronomia da
3
FAMV / UPF, bolsista do PIBIC/UPF. e-mail: [email protected]. Aluno do Curso de Agronomia
4
da FAMV/UPF, bolsista do PROBIC/Fapergs. e-mail: [email protected]. Aluno do Curso de Agronomia da
FAMV/UPF, bolsista do PIBIC/CNPq. e-mail: [email protected]
Resumo: A soja é a mais importante cultura produtora de grãos no Brasil, sendo a
ferrugem asiática um dos fatores que limitam a produção desta oleaginosa. Dentre as
medidas utilizadas para proteger a soja contra a ferrugem asiática, destaca-se o controle
químico através de pulverizações de fungicidas. Nas pulverizações, a utilização de gotas
mais finas possibilita aumentar a cobertura do alvo com redução do volume de aplicação
(economia), porém isso implica em aumentar o risco de perdas por deriva. O uso de
adjuvantes que reduzem a formação de gotas mais finas pode auxiliar no controle da
deriva. O objetivo do trabalho foi avaliar os efeitos de aplicações de um fungicida com
quatro modelos de pontas de pulverização e de um adjuvante redutor da deriva sobre o
controle da ferrugem asiática da soja e o rendimento de grãos. Realizaram-se duas
aplicações do fungicida axoxistrobina + ciproconazol (0,3 L ha-1) + óleo Nimbus® (0,5 L
ha-1), em nível de campo. O delineamento experimental foi de blocos ao acaso com
arranjo fatorial (4 x 2) e 4 repetições. Foram comparados os seguintes tratamentos:
quatro pontas de pulverização: 1 - Teejet XR 11001® (100 L ha-1); 2 - Teejet® XR 110015
(150 L ha-1); 3 - Teejet® TJ60 11002 (200 L ha-1) e 4 - Teejet® DGTJ60 11002 (200 L ha-1).
As quatro pontas aplicaram a calda fungicida com e sem a adição de um adjuvante
redutor da deriva (Tek-F®) na dose de 50 mL ha-1. As condições de temperatura, umidade
relativa do ar e velocidade do vento foram monitoradas durante as aplicações e se
mantiveram próximas aos limites indicados para realizar uma aplicação segura.
Avaliou-se a severidade da ferrugem e calculou-se o controle da doença. Após a colheita
determinou-se o peso de mil grãos e o rendimento de grãos. Os dados foram submetidos
à análise de variância e ao teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro. Para o controle
da ferrugem asiática houve diferenças entre as pontas e respostas ao adjuvante redutor
da deriva e interações significativas entre estes fatores. O peso de mil grãos não
respondeu aos tratamentos, enquanto que o rendimento de grãos somente respondeu ao
uso do adjuvante, que resultou em aumento significativo de 138 kg ha-1.
Palavras-chave: Glycine max, ferrugem asiática da soja, tecnologia de aplicação
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
169
Reação de Linhagens de Soja da CCGL TEC ao Cancro da Haste,
nas Safras 2010/11 e 2011/12
J.S.S. Bruinsma1, C.Wesp-Guterres1, T. Roversi1, C. Steckling1
1
CCGL TEC, RS 342, KM 149, C.P.:10, Cruz Alta, RS. E-mail: [email protected],
[email protected], [email protected], [email protected]
Resumo: O cancro da haste da soja é causado pelo fungo Diaphorte phaseolorum f.sp.
meridionalis, os sintomas da doença inicialmente são caracterizados por pequenos
pontos negros com 1-2 mm de diâmetro nas hastes e, a medida que as lesões
desenvolvem-se, estas tornam-se escuras, alongadas a elípticas e com bordas castanho
avermelhadas. Em fase adiantada de infecção as folhas tornam-se amareladas e com
necrose entre as nervuras. Em infecções severas há quebra da haste e acamamento,
causando danos significativos a cultura. A utilização de cultivares resistentes, além de ser
a forma mais econômica de controle, tem resultado em efetivo controle do cancro da
haste no Brasil. Este trabalho teve por objetivo avaliar a resistência de linhagens de soja,
do programa de melhoramento da CCGL TEC ao cancro da haste. Os testes foram
realizados em casa de vegetação nas dependências da CCGL TEC em Cruz Alta, RS, no
período de agosto-outubro de 2010 e 2011. Foram avaliados 560 genótipos, semeados
em vasos plásticos com capacidade para 2 Kg de solo. Foram inoculadas doze plantas
por genótipo no delineamento inteiramente casualizado, 20 dias após a semeadura. A
inoculação foi realizada inserindo-se a ponta de um palito de madeira colonizada pelo
patógeno no hipocótilo de cada planta (aproximadamente 1 cm abaixo do nó cotiledonar).
A cultivar Coob foi utilizada como testemunha suscetível e FUNDACEP 58RR como
testemunha resistente. Após a inoculação as plantas foram mantidas sob condições de
umidade próximas à saturação, durante o período de 48 horas. A avaliação ocorreu 25
dias após a inoculação e consistiu na contagem do número de plantas mortas e com
sintomas da doença (infectadas). A reação do genótipo é baseada na percentagem de
plantas mortas, onde se considera cada duas plantas infectadas equivalentes a uma
planta morta, com auxílio da escala: resistente (0 a 25% de plantas mortas);
moderadamente resistente (26 a 50%); suscetível (51 a 100%). A classificação quanto à
reação ao cancro da haste para as 560 linhagens avaliadas resultou em 508 linhagens
classificadas como resistentes, 18 moderadamente resistentes e 34 linhagens
suscetíveis. Concluiu-se que das linhagens do melhoramento genético de soja da CCGL
TEC, avaliadas nas safras 2010/11 e 2011/12, 91% são resistentes, 3% moderadamente
resistente e 6% suscetíveis ao cancro da haste da soja.
Palavras chave: Glycine max, Diaporthe phaseolorum f.sp. meridionalis
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
170
Reação de Linhagens de Soja da CCGL TEC à Podridão Radicular de Fitóftora,
nas Safras 2010/11 E 2011/12
J.S.S. Bruinsma1, C.L.Wesp-Guterres1, T. Roversi1, C. Steckling1
1
CCGL TEC, RS 342, KM 149, C.P.:10, Cruz Alta, RS. E-mail: [email protected],
[email protected], [email protected], [email protected]
Resumo: A cultura da soja é afetada por vários problemas radiculares, dentre os quais
se destaca a podridão radicular de fitóftora, ocasionada pelo fungo Phytophthora sojae.
Sua manifestação está intimamente associada com excesso de umidade no solo e
plantio em solos argilosos e compactados. Em soja esta doença causa apodrecimento de
sementes, morte de plântulas, redução de crescimento e morte de plantas adultas. As
sementes infectadas podem apresentar germinação lenta e originar plântulas com
hipocótilo de aspecto encharcado e coloração marrom. Em plantas adultas o sintoma se
inicia pela clorose de folhas e murcha da planta. As folhas secas permanecem presas à
haste. Hastes e ramos laterais exibem apodrecimento de coloração marrom-escura, que
progride de baixo para cima na planta, a partir da linha do solo. O cortéx e tecidos
vasculares tornam-se escurecidos. Como pode provocar a morte de plantas desde a
emergência até a fase adulta, é capaz de afetar extensas áreas de cultivo e provocar
grandes prejuízos a cultura da soja. A redução de rendimentos de grãos pode ser de até
100% em cultivares altamente suscetíveis. Sendo, portanto, a utilização de cultivares
resistentes a melhor medida de controle. Este trabalho teve por objetivo avaliar 555
linhagens de soja, do programa de melhoramento da CCGL TEC para resistência a
podridão radicular de fitóftora. Os testes foram realizados em casa de vegetação nas
dependências da CCGL TEC em Cruz Alta, RS, no período de novembro a dezembro de
2010 e 2011. As linhagens foram semeadas em vasos plásticos com capacidade para
dois quilos de solo. Foram inoculadas doze plantas no delineamento inteiramente
casualizado 20 dias após a semeadura, inserindo-se a ponta de um palito de madeira
colonizada pelo patógeno no hipocótilo de cada planta (aproximadamente 1 cm abaixo do
nó cotiledonar). A cultivar FUNDACEP 63RR foi utilizada como testemunha suscetível e
FUNDACEP 58RR como testemunha resistente. Após a inoculação do fungo as plantas
foram mantidas sob condições de umidade próximas à saturação, durante o período de
48 horas. A avaliação ocorreu 07 dias após inoculação e consistiu na contagem do
número de plantas mortas. A reação foi atribuída de acordo com a seguinte escala:
resistente (0 a 30% de plantas mortas); moderadamente resistente (31 a 70%); suscetível
(71 a 100%). A classificação quanto a reação a fitóftora para as 555 linhagens avaliadas
resultou em 237 linhagens classificadas como resistentes, 89 moderadamente
resistentes e 229 linhagens suscetíveis. Concluiu-se que das linhagens do melhoramento
genético de soja da CCGL TEC, avaliadas nas safras 2010/11 e 2011/12, 43% são
resistentes, 16% moderadamente resistente e 41% suscetíveis a podridão radicular de
fitóftora.
Palavras chave: Glycine max, Phytophthora sojae.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
171
Reação de Linhagens de Soja da CCGL Tec a Misturas de Raças de Cercospora
sojina
J.S.S. Bruinsma1, C.Wesp-Guterres1,T. Roversi1, C. Steckling1, G. Seidel1
1
CCGL TEC, RS 342 KM 149, C.P.:10, Cruz Alta, RS. E-mail: [email protected],
[email protected], [email protected], [email protected],
[email protected]
Resumo: A mancha olho-de-rã, causada pelo fungo Cercospora sojina, apresenta 25
raças identificadas no Brasil e pode causar sérios danos e prejuízos a cultura. A doença
ocorre em qualquer estádio de desenvolvimento das plantas, sendo mais comum no
florescimento. Os sintomas incluem lesões circulares nas folhas, o que pode levar ao
coalescimento e queda prematura. Atualmente a doença está sob controle devido ao uso
de cultivares resistentes, sendo este o método de controle mais eficiente. Devido a
necessidade de constante monitoramento, este trabalho teve como objetivo avaliar a
reação de linhagens de soja da CCGL TEC a Cercospora sojina, com duas misturas de
raças distintas. O experimento foi realizado em Cruz Alta, RS, nas safras 2009/10 e
2010/11. Foram testadas 288 linhagens de soja do programa de melhoramento da CCGL
TEC quanto à reação a dois grupos de misturas de raças de Cercospora sojina. O
primeiro grupo contou com a mistura das raças Cs2, Cs4, Cs7 e Cs15, e o segundo
grupo foi composto com a mistura das raças Cs23, Cs24 e Cs25. As linhagens foram
semeadas em vasos, com um total de 10 plântulas viáveis para o teste por linhagem. O
delineamento utilizado foi inteiramente casualizado. O patógeno foi inoculado 21 dias
após a semeadura, quando as plantas encontravam-se no estádio V4-V5, com
suspensões de conídios produzidos em laboratório, na concentração de 1,5 x 104
conídios/ml. Após a inoculação do fungo as plantas foram mantidas em condições de
umidade próximas à saturação, durante o período de 48 horas, com temperatura variando
de 25-28ºC. A avaliação ocorreu entre 21 e 25 dias após a inoculação. Em cada uma das
dez plantas de cada vaso, considerou-se o folíolo mais infectado e seguiram-se dois
critérios de discriminação das reações, o TL (tipo predominante de lesões) e NI (nível de
infecção e porcentagem de área foliar infectada). A reação do genótipo é baseada na
predominância dos tipos de lesões (TL) e do nível de infecção (NI), de acordo com a
seguinte escala: resistente (NI = 0 e TL = 0), moderadamente resistente (NI = 1 a 2 e TL =
1 a 3), suscetível (NI = 3 a 5 e TL > 3). Das linhagens de soja CCGL TEC avaliadas, no
primeiro grupo de raças, 25% foram classificadas como suscetíveis, 42% como
moderadamente resistentes e 33% resistentes. No teste com o segundo grupo de
misturas de raças, 39% foram suscetíveis, 33% moderadamente resistentes e 28% foram
classificadas como resistentes.
Palavras chave: Glycine max, mancha olho-de-rã.
INTRODUÇÃO
Identificada na década de 70, a mancha olho-de-rã, causada pelo fungo
Cercospora sojina Hara foi responsável por grandes prejuízos na Região Sul e nos
Cerrados. Atualmente está sob controle em razão da utilização de cultivares resistentes,
com ocorrência eventual.
A doença pode ocorrer em qualquer estádio de desenvolvimento da planta, mas é
mais comum a partir do florescimento. Os sintomas iniciam-se por pequenos pontos ou
manchas de encharcamento, evoluindo para lesões circulares, de coloração castanhoclara no centro, na face superior, e cinza, na face inferior, com bordos castanhoavermelhados (Figura 1). As lesões variam entre 1 e 5 mm de diâmetro e podem
coalescer formando áreas grande e irregulares, levando à queda prematura de folhas
(Costamilan, 2003).
A expressão da doença é mais severa em condições de alta umidade. Sementes
infectadas constituem-se na principal fonte de inóculo primário e importante agente de
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
172
disseminação da doença. Resíduos infectados de lavoura são outra fonte de inóculo. A
partir de lesões primárias esporos do fungo são disseminados pela ação do vento
associado a chuva (Balardin, 2002).
No momento, a doença está sob controle. Porém, devido à capacidade do fungo
em desenvolver raças (25 raças já foram identificadas no Brasil), é importante que, além
do uso de cultivares resistentes, haja também a diversificação regional de cultivares, com
fontes de resistência distintas (Tecnologias de produção de soja, 2011).
Diante destas informações, este trabalho teve como objetivo avaliar a reação de
linhagens do programa de melhoramento genético de soja da CCGL TEC a Cercospora
sojina, com duas misturas de raças distintas.
MATERIAL E MÉTODOS
O presente trabalho foi realizado na CCGL TEC, em Cruz Alta, RS, no período de
novembro a janeiro, nas safras 2009/10 e 2010/11. Foram testadas 288 linhagens de soja
do programa de melhoramento da CCGL TEC quanto à reação a dois grupos de misturas
de raças de Cercospora sojina. O primeiro grupo contou com a mistura das raças Cs2,
Cs4, Cs7 e Cs15, e o segundo grupo foi composto com a mistura das raças Cs23, Cs24 e
Cs25.
De acordo com metodologia descrita por Yorinori (2009) as linhagens foram
semeadas em vasos com capacidade para 2 Kg de solo, com um total de 10 plântulas
viáveis para o teste. As plantas foram inoculadas 21 dias após a semeadura quando
estas estavam no estádio V4 - V5, conforme os grupos de mistura de raças, com
suspensões de conídios produzidos em laboratório, na concentração de 1,5 x 104
conídios/ml, em delineamento inteiramente casualizado,
O inóculo foi produzido em laboratório em meio de cultura contendo extrato de
tomate, carbonato de cálcio, ágar e água destilada, mantido em incubadora BOD à
temperatura de 25ºC com 12h luz/12h escuro por aproximadamente 20 dias até
colonização completa do meio e abundante esporulação.
A cultivar Bragg foi utilizada como testemunha suscetível e a cultivar FUNDACEP
57RR como testemunha resistente. Após a inoculação do fungo na planta
(aproximadamente 10 ml de suspensão por planta) o ambiente foi saturado com umidade
por meio de nebulização de água por 5 minutos. Durante as 48 horas seguintes, a cada
30 minutos, as plantas foram submetidas a 30 segundos de nebulização, mantendo o
ambiente úmido. A casa de vegetação permaneceu com temperatura de 25-28ºC. A
avaliação ocorreu 21-25 dias após a inoculação. Em cada uma das dez plantas de cada
vaso, considerou-se o folíolo mais infectado e seguiram-se dois critérios de discriminação
das reações, o TL (tipo, tamanho ou diâmetro predominante de lesões ou manchas que
variam de 1mm a 5mm) e NI (nível de infecção) e porcentagem de área foliar infectada
(% a.f.i.).
A reação do genótipo é baseada na predominância dos tipos de lesões (TL) e do
nível de infecção (NI), de acordo com a seguinte escala: resistente (NI = 0 e TL = 0),
moderadamente resistente (NI = 1 a 2 e TL = 1 a 3), suscetível (NI = 3 a 5 e TL > 3).
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As linhagens de soja avaliadas apresentaram grande variabilidade em relação à
reação à mancha olho-de-rã.
Na avaliação do teste do primeiro grupo de mistura de raças verificou-se que das
288 linhagens avaliadas, 96 não apresentaram nenhuma lesão, sendo consideradas
resistentes (R), 120 foram classificadas como moderadamente resistente (MR) e 72 como
suscetíveis (S).
Para o segundo grupo de mistura de raças, das 229 linhagens testadas, 64 foram
classificadas como resistentes, pois não apresentaram nenhuma lesão nas folhas, 75
foram classificadas como moderadamente resistentes e 90 como suscetíveis. Os
resultados em percentagem são apresentados na figura 2.
Comparando-se as duas misturas de raças de Cercospora sojina, o grupo 2,
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
173
formado pelas raças Cs-23, Cs-24 e Cs-25 parece ser mais agressivo que a mistura do
grupo 1, já que os genótipos apresentaram maior grau de suscetibilidade à este (Figura
2).
No ano de 1996, isolados obtidos de lavoura com severa incidência de mancha
olho-de-rã no estado de Goiás foram identificados como sendo de uma nova raça,
denominada Cs23. Trabalhos realizados com diversas cultivares comerciais, até então
resistentes a todas as raças do fungo identificadas, mostraram-se suscetíveis a essa
nova raça Cs23 (Yorinori, 1997). Estes resultados estão de acordo com os apresentados
neste trabalho, onde grande parte das linhagens testadas com o grupo 2, que contempla
a raça Cs23 e as subsequentes a esta, apresentou-se suscetível. Provavelmente estas
raças combinam mais genes de virulência que as demais identificadas anteriormente.
CONCLUSÕES
Das linhagens de soja CCGL TEC avaliadas com o primeiro grupo de raças (Cs-2,
Cs-4, Cs-7 e Cs-15), 25% foram classificadas como suscetíveis, 42% como
moderadamente resistentes e 33% das linhagens como resistentes. No teste com o
segundo grupo de mistura de raças (Cs-23, Cs-24 e Cs-25), 39% foram suscetíveis, 33%
foram moderadamente resistentes e 28% foram resistentes.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BALARDIN, R.S. Doenças da soja. Santa Maria: Ed. Autor, 2002. 107p.
COSTAMILAN, L.M. Manchas foliares mais comuns em soja. Passo Fundo: Embrapa
trigo, 2003. (Embrapa Trigo. Circular Técnica, 12).
TECNOLOGIAS de produção de soja - região central do Brasil 2012 e 2013. Londrina:
Embrapa Soja, 2011. 261p. (Embrapa Soja. Sistemas de produção, n.15).
YORINORI, J.T. Reação à “mancha olho de rã” (Cercospora sojina). In: BRASIL,
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Serviço Nacional de Proteção de
Cultivares. Anexo II. Instruções para execução dos ensaios de distinguibilidade,
homogeneidade e estabilidade de cultivares de soja (Glycine max (L.) Merrill). Disponível
em:
http://www.agricultura.gov.br/arq_editor/file/vegetal/Re...oCultivares/SOJA_ANEXO_II__P
ROTOCOLOS_DOEN%C7AS_P.doc >. Acesso em 10 de julho 2012.
YORINORI, J.T. Reação de cultivares brasileiras de soja a nova raça Cs-23 de
Cercospora sojina. Fitopatologia Brasileira. 22:231. 1997.
Summary: The Frogeye leaf spot, caused by the fungus Cercospora sojina, has 25 races
identified in Brazil and can cause serious damages to the culture. The disease occurs at
any stage of plant development, being more common in flowering. Symptoms include
circular lesions on the leaves, which can lead to premature coalescence and fall. Currently
the disease is under control due to the use of resistant cultivars, which is the most
effective control method. Because the need for constant monitoring, this study aimed to
evaluate the reaction of soybean lines of the TEC CCGL to Cercospora sojina with two
mixtures of different races. The experiment was conducted in Cruz Alta, RS, during the
harvest 2009/10 and 2010/11. We tested 288 soybean lines from soybean breeding
program of CCGL TEC in reaction to two groups of mixed races of Cescospora sojina. The
first group included the mixing of the races Cs2, Cs4, CS7 and CS15, and the second
group was made with the mixture of races CS23, CS25 and Cs24. The lineages were
grown in pots, with a total of 10 viable seedlings to test for lineage. The experimental
design was completely randomized. The pathogen was inoculated 21 days after sowing,
when plants were at stage V4-V5, with suspensions of conidia produced in the laboratory
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
174
at a concentration of 1.5 x 104 conidia/ml. After fungus inoculation the plants were kept in
a humidity close to saturation, during 48 hours at a temperature ranging from 25-28 ° C.
The evaluation took place between 21 and 25 days after inoculation. In each of ten plants
per pot, it was considered the most infected leaflet and followed two criteria for
discrimination of reactions, the TL (the predominant type of injury) and NI (level of
infection and percentage of infected leaf area). The reaction is based on genotype
predominance of lesions (TL) and the level of infection (NI), according to the following
scale: resistance (NI = 0 and TL = 0), moderately resistant (NI = 1-2 and TL = 1-3),
susceptible (NI = 3-5 and TL> 3). Of CCGL TEC soybean lines evaluated in the first group
of races, 25% were classified as susceptible, 42% as moderately resistant and 33%
resistant. In the test with the second group of mixed races, 39% were susceptible, 33%
moderate resistance and 28% were classified as resistant.
Key words: Glycine max, Frogeye leaf spot
Figura 1. Sintomas típicos de mancha olho-de-rã em soja, causados pelo
fungo Cercospora sojina, Cruz Alta, 2012.
45%
40%
35%
30%
42%
25%
20%
33%
39%
Cs 2, 4, 7, 15
Cs 23, 24, 25
33%
28%
25%
15%
10%
R
MR
S
Figura 2. Reação das linhagens de soja CCGL TEC testadas para dois grupos
de misturas de raças de Cercospora sojina, Cruz Alta, 2012.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
175
Longevidade de Escleródios de Sclerotinia sclerotiorum na Superfície do Solo em
Condições de Campo
R.Brustolin1, E.M.Reis1, L.Pedron1, R.L. De Rossi1
1
Laboratório de Micologia, Universidade de Passo Fundo (UPF), prédio G3, BR 285, bairro São José, CEP:
99052-900, Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected], [email protected]
Resumo: O aumento da área infestada e os danos causados pelo mofo branco na
cultura da soja, no Brasil, preocupa o agronegócio. Os escleródios são estruturas de
sobrevivência e desempenham um papel importante no ciclo da doença, pois produzem o
inóculo ao longo do tempo. Na literatura os dados são muito discordantes em relação ao
tempo que os escleródios mantém a viabilidade no solo. Assim o objetivo deste trabalho
foi quantificar o período de viabilidade de escleródios de Sclerotinia sclerotiorum (Ss) em
condições de campo. O ensaio foi conduzido no campo experimental da Universidade de
Passo Fundo com altitude de 705 metros acima do nível do mar. Escleródios
naturalmente produzidos em plantas de soja, de uma lavoura aonde houve ocorrência da
doença, foram coletados numa máquina de pré-limpeza. Separaram-se apenas aqueles
produzidos dentro da medula das plantas e com tamanho semelhante, aproximadamente
8 mm de comprimento e 1,9 mm de diâmetro. Cinquenta esclerócios foram colocados em
cada recipiente feito com tela de nylon branca, malha de 0,25 mm. Posicionou-se na
superfície do solo 80 recipientes, simulando o plantio direto e mensalmente foram
removidos quatro. O solo aderido foi removido das embalagens com jato d´água e os
escleródios submetidos a assepsia com hipoclorito de sódio e postos a germinar em areia
esterilizada com potencial osmótico zero e incubados em câmara de crescimento a 15oC
e fotoperiodo de 12 horas. Os escleródios na superfície perderam a viabilidade em 12
meses nas condições edafoclimáticas de Passo Fundo. Conclui-se que sob plantio direto
os escleródios perdem a viabilidade num período de tempo menor do que os citados na
literatura e que a densidade de inóculo de Ss pode ser reduzida pela rotação de culturas,
considerada uma tática fundamental no manejo integrado de doenças.
Palavras-chave: Glycine max, sobrevivência, escleródios.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
176
Sementes de Soja Infectadas por Sclerotinia sclerotiorum: Fonte de Inóculo e
Transmissão
R.Brustolin1, E.M.Reis1, L.Pedron1, R.L. De Rossi1
1
Laboratório de Micologia, Universidade de Passo Fundo (UPF), prédio G3, BR 285, bairro São José, CEP:
99052-900, Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected], [email protected]
Resumo: O aumento da área infestada e os danos causados pelo mofo branco na
cultura da soja, no Brasil, preocupa o agronegócio. A semente é um veículo importante na
disseminação de Sclerotinia sclerotiorum (Ss), contendo internamente o micélio
dormente. Na literatura não esta claro a possibilidade da transmissão deste patógeno a
partir de sementes, e consequentemente, a sua introdução em áreas livres do inóculo. O
objetivo deste trabalho foi utilizar sementes infectadas artificialmente para descrever o
processo de transmissão do inóculo da semente para os órgãos aéreos via lesão
cotiledonar e se ocorre a produção de escleródios no processo. Para isso, 1.200
sementes de soja foram expostas ao micélio do isolado CX2011 de Ss com 10 dias de
idade, por 48 horas e incubadas a temperatura de 25°C e fotoperíodo de 12 horas. As
sementes foram retiradas no tempo estabelecido, secadas, desinfestadas e plaqueadas
em gerboxes contendo meio de NEON-S para a detecção de Ss através da formação do
halo amarelado em volta das sementes infectadas. Entre o terceiro e o quinto dias foi
retirado dois tratamentos com quatro repetições, sendo sementes com (infectada) e sem
halo amarelado (não infectadas). Estas sementes foram semeadas a 2,5 cm de
profundidade, em vazo (0,5L de volume), contendo solo e mantidas em câmara
climatizada a 23°C e fotoperiodo de 12 horas. Para cada tratamento foram transferidas 68
sementes, sendo 17 sementes por repetição. Após 15 dias constatou-se que apenas
8,3% e 95% das sementes infectadas e não infectadas emergiram respectivamente.
Conclui-se que 86,7% dos embriões das sementes infectadas foram mortos pelo fungo, e
que, pode formar-se até 2,18 escleródios por semente, no interior do solo. Portanto os
escleródios formados a partir de sementes infectadas e mortas, constituem-se em fonte
de inóculo em lavouras. Desta forma, recomenda-se o tratamento de sementes com
fungicidas específicos para Ss, evitando a introdução em áreas livres deste patógeno.A
transmissão não foi comprovada via lesão cotiledonar.
Palavras-chave: Glycine max, Sclerotinia sclerotiorum, inóculo
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
177
Avaliação dos Fungicidas no Controle da Ferrugem Asiática da Soja, Safra 2011/12
C D. M. Nunes1, J. F. S. Martins1, F. F. Friedrich1, R. S. Ramos1
1
Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 70, 96001-970, Pelotas, RS. E-mail: [email protected]
Resumo: O objetivo deste estudo foi determinar a eficiência de diferentes fungicidas no
controle da ferrugem asiática da soja na safra 2011/12. O experimento foi instalado na
Estação de Terras Baixa da Embrapa Clima Temperado, município do Capão do Leão,
RS. O delineamento foi o de blocos ao acaso, com sete tratamentos e quatro repetições,
numa área cultivada com BMX Potência RR, semeada em novembro de 2011. A doença
surgiu tardiamente na região, tendo baixa severidade na área experimental, não atingindo
nível médio acima de 3,2% na fase final da granação das vagens. Mesmo assim, os
fungicidas mostraram-se eficientes, tanto para o controle da doença como para o
incremento da produtividade de grãos, quando comparados com a testemunha sem
aplicação.
Palavras-chave: Glycine max, doença, manejo.
INTRODUÇÃO
A soja é um dos produtos de exportação do Brasil e sendo uma das principais
comodities do mundo. No Brasil, a produção tem sido crescente, pela boa tecnologia
aplicada, o uso de material genético de bom potencial produtivo e pela crescente
profissionalização dos produtores rurais. A área plantada aumentou 3,5% (856,5 mil
hectares), passando de 24,18 milhões para 25,04 milhões de hectares (CONAB, 2012).
Entretanto, as condições climáticas e as doenças da cultura causam danos e limitam o
aumento de produtividade. Entre as principais doenças se destaca a ferrugem asiática
(Phakopsora pachyrhizi). Os danos causados pela doença variam com a região, o clima,
a época de semeadura, cultivar e outros fatores.
O alto potencial de dano da doença está atrelado a sua elevada taxa de
progressão sendo necessários 9 dias desde a infecção a reprodução, o que em
condições favoráveis com temperaturas entre 18 e 26,5°C e alta umidade relativa
associada a chuvas freqüentes pode disseminá-la rapidamente formando uma epidemia
(YONG et al., 2011).
Este trabalho teve por objetivo determinar a eficiência de diferentes fungicidas no
controle da ferrugem asiática na cultura da soja na safra 2011/12 no município do Capão
do Leão, RS.
MATERIAL E MÉTODOS
Um experimento foi instalado na Estação Terras Baixa da Embrapa Clima
Temperado, município do Capão do Leão, RS. O delineamento usado foi o de blocos ao
acaso, com sete tratamentos (Tabela 1) e quatro repetições em uma área com soja BMX
Potência RR, semeada em 26 de novembro de 2011. As parcelas se constituíram de seis
fileiras de plantas, espaçadas de 0,50 m, com 5 metros de comprimento. Os fungicidas
foram aplicados com volume de calda de 200 L ha-1, utilizando-se um pulverizador de
parcela com pressão constante e pontas de pulverização do tipo leque 11002.
Os tratamentos com adição de adjuvante a 0,50 L ha-1 foram aplicados no estádio
R1 (inicio da floração) e repetidos aos 18 dias. A avaliação da porcentagem de área foliar
com sintomas de ferrugem foi realizada 15 dias após a ultima aplicação dos fungicidas
utilizando a escala de Godoy et al. (2006). Avaliou-se também o peso de 100 grãos e a
produtividade de grãos de soja, sendo que para isso determinou-se, além do peso, a
umidade da massa de grãos, ajustando-se os resultados para 13% de umidade. Foram
realizadas as analises de variância, coeficiente de variância e teste de comparação
múltipla de médias de Duncan (p≤0,05) no programa SAS, versão 9.1.3.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
178
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A cultivar BMX Potência RR, ao final do experimento, apresentou baixa pressão
de ferrugem asiática, que se manifestou inicialmente nas folhas do terço inferior das
plantas (Tabela 1), podendo estar associado à baixa precipitação e umidade do ar,
inferiores as normais nos meses de março e abril.
Na avaliação de severidade da doença realizada em R6, quando ocorreram 100%
da granação das vargens, observou entre os melhores tratamentos que obteve maiores
controles foram Azoxistrobina + Tetraconazol, Trifloxistrobina + Epoxiconazole e
Pyraclostrobina + Epoxiconazole.
A mistura, Pyraclostrobina + Epoxiconazole se destacou com maior peso de 100
sementes, mas não diferiu significativamente entre os demais tratamentos, exceto de
Tebuconazole 1. Este fungicida não difere significativamente do tratamento que obteve
maior produtividade (Tebuconazole 2) com 2122 kg ha-1.
Entretanto, todos os
tratamentos produziram mais que a testemunha e não diferem entre si.
A baixa severidade da doença não permitiu descriminar os melhores fungicidas.
Entretanto a mistura Pyraclostrobina + Epoxiconazole esta entre os melhores fungicidas
no controle da doença e na produtividade, em 27 e 24 experimentos na safra 2010/2011 e
2011/2012 nas principais regiões produtoras de soja conduzidos por Godoy et al. (2011 e
2012), respectivamente.
CONCLUSÕES
A doença surgiu tardiamente na região, tendo baixa severidade na área
experimental, não atingindo nível médio acima de 3,2% na fase final da granação das
vagens. Mesmo assim, os fungicidas mostraram-se eficientes, tanto para o controle da
doença como para o incremento da produtividade de grãos, quando comparados com a
testemunha sem aplicação
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CONAB Acompanhamento da safra brasileira de grãos, safra 2011/2012, nono
levantamento, Junho/2012. Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento. Brasília,
34p., Jun/2012. Disponível em: <
http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/12_06_12_16_15_32_boletim_portu
gues_junho_2012.pdf >. Acesso em: 02/07/2012.
GODOY C. V. et al. Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da
soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2010/11: resultados sumarizados dos ensaios
cooperativos. Londrina/PR, Embrapa Soja, Londrina, Agosto./2011, 8p. (Embrapa Soja,
Circular Técnica n. 87).
GODOY, C. V. et al. Eficiência de fungicidas para o controle da ferrugem-asiática da
soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2011/12: resultados sumarizados dos ensaios
cooperativos. Londrina/PR, Embrapa Soja, Londrina, Jun./2012, 8p. (Embrapa Soja,
Circular Técnica n. 93).
GODOY, C.V., KOGA, L.J.; CANTERI, M.G. Diagrammatic scale for assessment of
soybean rust severity. Fitopatologia Brasileira, Brasília, n. 1, v.31, p.63-68, 2006.
YOUNG, H. M., MAROIS, J. J., WRIGHT, D. L., NARVÁEZ, D. F., AND O’BRIEN, G. K.
Epidemiology of soybean rust in soybean sentinel plots in Florida. Plant Disease. St.
Paul, v.95, p.744-750, 2011.
Summary: The objective of this study was to determine the effectiveness of different
fungicides to control asian soybean rust in the 2011/12 crop season. The experiment was
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
179
conducted at the Embrapa Clima Temperado, at the Estação Experimental de Terras
Baixas (ETB), in the municipality the Capão do Leão, RS. A randomized complete blocks
design us used, with four replicates of seven treatments in an area sowed with cultivars
BMX Potência RR, in November 2011. The late appearance of rust in the region and low
severity in the experimental area, so that did not reach the average level over 3.2% in the
final stages of pod filling. Even so, the results showed that fungicides applied were
effective, both for disease control and to increase the yield, when compared with the
untreated control.
Key words: Glycine max, disease, management.
Tabela 1. Controle da severidade da ferrugem asiática da soja, peso de 100 sementes e
produtividade obtidos com o tratamentos aplicados nas plantas da cultivar BMX Potência
RR. Capão do Leão, RS, Embrapa Clima Temperado, safra 2011/12.
0,50
0,30
Severidade
de
Ferrugem
(%)
3,17 a1
0,28 ab
0,24 ab
0,60
Dosagem
(l p.c ha1
)*
Tratamentos
(Nome técnico)
Testemunha
Tebuconazole-1
Azoxistrobina +
Ciproconazole
Azoxistrobina +
Tetraconazol
Trifloxistrobina +
Epoxiconazole
Pyraclostrobina
+ Epoxiconazole
Tebuconazole-2
Peso 100
Sementes
(g)
Produtividade
(kg ha-1)
Redução de
produtividade
(%)
11,6 ab
11,1 b
11,6 ab
1514 b
1805 ab
1842 ab
29
15
13
0,03 b
11,6 ab
1851 ab
13
0,50
0,15 b
11,4 ab
1945 ab
8
0,50
0,07 b
12,0 a
2045 a
4
0,50
CV (%)
0,83 ab
49,9
11,4 ab
3,2
2122 a
14,4
0
*Dosagem em litros do produto comercial por hectare
1
Médias seguidas de mesma coluna não diferem entre si pelo teste de Duncan (p ≤ 0,05%).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
180
Eficiência do Número de Aplicações de Fungicidas no Controle da Ferrugem
Asiática da Soja, Safra 2011/12
C D. M. Nunes1, J. F. S. Martins, L. S.H. Del Aguila1, F. F. Friedrich1, R. S. Ramos1
1
Embrapa Clima Temperado, BR 392, km 70, 96001-970, Pelotas, RS. E-mail: [email protected]
Resumo: O objetivo deste estudo foi determinar a eficiência do controle da ferrugem
asiática em função do número de aplicações em diferentes estádios de desenvolvimento
reprodutivo das plantas de soja, na safra 2011/12. O ensaio foi instalado na Estação de
Terras Baixa da Embrapa Clima Temperado, município do Capão do Leão, RS. O
delineamento experimental usado foi de blocos ao acaso, com quatro repetições de seis
tratamentos em uma área cultivada com BMX Potência RR, semeada em novembro de
2011. Nesta condição de interação de baixa precipitação e pressão da doença e relativo
grau de resistência da cultivar, uma aplicação de fungicida no inicio da floração (R1) foi
mais eficiente no controle da ferrugem asiática e contribuiu para manutenção da maior
produtividade e redução da quantidade de fungicida aplicado.
Palavras-chave: Glycine max, doença, tratos culturais.
INTRODUÇÃO
A ferrugem causada por Phakopsora pachyrhizi, conhecida como ferrugem
asiática é a principal doença que ocorre na cultura da soja. Considerada altamente
agressiva, causando perdas na produção de grãos, estimada em até 90%.
O alto potencial de dano da doença está atrelado a sua elevada taxa de
progressão, sendo necessários 9 dias desde a infecção à reprodução, o que em
condições favoráveis de temperaturas entre 18 e 26,5°C e alta umidade relativa
associada a chuvas freqüentes podem disseminá-la rapidamente formando uma epidemia
(YONG et al., 2011).
A severidade da ferrugem asiática sob ausência de controle químico varia em
função da cultivar e da época de semeadura. A doença compromete severamente a
formação e o enchimento de vagens e o peso final dos grãos. Quanto mais precoce
causar a desfolha menor será o tamanho e peso dos grãos e consequentemente, maior a
perda de produtividade e de qualidade
O método mais prático para o produtor controlar as doenças das plantas, de modo
eficiente, econômico e ambientalmente correto, consiste na semeadura de cultivares mais
resistentes ou tolerantes. Isto permite reduzir o número de aplicações de fungicidas,
assim como os custos de produção. Permite também maior segurança e maior espaço de
tempo para aplicação de fungicida, sem prejuízos à produtividade, o que é um grande
diferencial para um período chuvoso durante a fase de florescimento e enchimento de
grãos da soja. Ressalta-se que a maior importância deste sistema esta o efeito genético,
ou seja, menor efeito da época ou do número de aplicação (UNFRIED et al.,2010).
Este trabalho teve por objetivo determinar a eficiência do controle da ferrugem
asiática da soja em função do número de aplicações de fungicidas realizadas em
diferentes estádios de desenvolvimento reprodutivo das plantas, na safra 2011/12, no
município do Capão do Leão.
MATERIAL E MÉTODOS
O ensaio foi instalado na Estação Terras Baixa da Embrapa Clima Temperado,
município do Capão do Leão, RS. O delineamento experimental usado foi o de blocos ao
acaso, com quatro repetições e seis tratamentos (Tabela 1) em uma área cultivada com
soja BMX Potência RR, semeada em novembro de 2011. As parcelas constituíram de
seis linhas de semeadura, espaçadas de 0,50 m entre si, e comprimento de 5 metros. O
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
181
fungicida (azoxistrobina + ciproconazole) na dose de 0,5 L/ha, com adição de adjuvante
0,5 L/ha foi aplicado com volume de calda de 200 l.ha-1, utilizando-se um pulverizador de
parcela com pressão constante e pontas de pulverização do tipo leque 11002.
Os tratamentos constituíram-se de número de aplicações do fungicida realizada
em diferentes estádios de desenvolvimento reprodutivos (Tabela 1). A avaliação da
porcentagem de área foliar com sintomas de ferrugem foi realizada 15 dias após a ultima
aplicação dos fungicidas utilizando a escala de Godoy et al. (2006). Avaliou-se também o
peso de 100 grãos e a produtividade de grãos de soja, sendo que para isso determinouse, além do peso, a umidade da massa de grãos, ajustando-se os resultados para 13%
de umidade. Foram realizadas as análises de variância, coeficiente de variância e teste
de comparação múltipla de médias de Duncan (p≤0,05) no programa SAS, versão 9.1.3.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Na área experimental a doença ocorreu tardiamente, que correspondeu em R6,
100% da granação das vargens, uma baixa severidade, obtendo-se na média das
testemunhas, sem aplicação de fungicida, 6,6 % de severidade (Tabela 1).
O melhor controle da doença a nível de 5% de probabilidade de serem
semelhantes foram com uma, duas e três aplicações de fungicidas nos estádios
fenológicos R1, R1/R4 e R1/R4/R5.4, respectivamente, reduzindo de 0,5 a 1% de
severidade. Entre estes tratamentos, em relação ao peso de 100 grãos destacou-se com
uma aplicação no inicio da floração (R1), mas não diferiu significativamente do tratamento
com três aplicações em R1, R4 e R5.4.
Todos os tratamentos com relação à produtividade foram semelhantes, entretanto,
quando retardou a primeira aplicação do fungicida, na fase R5.1, ocorreu maior redução,
em 14 %, sem diferenças significativa para testemunha, sem aplicação de fungicida, com
19%.
Evidencia-se perante as condições ambientais na área experimental (baixa
quantidade de chuva) com interação com a cultivar BMX Potência RR, presença tardia do
patógeno e baixa pressão de inóculo, uma boa resposta a produtividade com uma
aplicação de fungicida no inicio da floração (R1). Este resultado pode ter ação do
fungicida, azoxistrobina + ciproconazole, quando aplicado somente em R1 e ter ativado
mecanismos de indução de resistência além do período de ação de proteção. Outra
hipótese e que as condições de ambiente como baixa precipitação e umidade do ar,
inferiores as normais nos meses de março e abril (Figura 1) influenciaram na ocorrência
tardia do patógeno e a progressão da doença.
Para a região sul, a semeadura mais cedo, usando cultivares de ciclo mais
precoce pode também reduzir o número de aplicações de fungicidas ou até não ser
necessária, o que reduz o custo de produção. Portanto, há necessidade de se repetir por
mais anos este tipo de ensaio para obter maior confiabilidade sobre a eficiência exercida
por este manejo da aplicação do fungicida.
Os resultados obtidos reforçam a afirmação de Unfried et al., (2010), sobre a
importância no lançamento de cultivares mais resistente a doença, que pode dar
posicionamento ao melhor momento e o número de aplicações de fungicidas, em função
da severidade da ferrugem e com redução de custo de produção.
CONCLUSÕES
Numa condição de baixa pressão da ferrugem asiática da soja, associada à
escassez de chuvas e relativo grau de resistência da cultivar BMX Potência RR,
evidencia-se que uma aplicação de fungicida é suficiente para o controle da doença,
mantendo a produtividade e contribuindo para a redução do uso de fungicida.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
182
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
GODOY, C.V., KOGA, L.J.; CANTERI, M.G. Diagrammatic scale for assessment of
soybean rust severity. Fitopatologia Brasileira, Brasília, n. 1, v.31, p.63-68, 2006.
UNFRIED, J.R.; KIIHL, R.A.S.2 ; CALVO, E.S.; TAKEDA, C.1; NOUCHI, A.; OTUBO, S1;
SIQUERI, F. Genética e melhoramento para resistência à ferrugem asiática da soja. In:
SARAIVA, O.F.; LEITE, R.M.V.B.C.; SOARES, R.M. Ata da XXXI Reunião de Pesquisa
de Soja da Região Central do Brasil. Londrina: Embrapa Soja, Novembro, 2010, p.130140p. (Embrapa Soja, Documentos, 324).
YOUNG, H. M., MAROIS, J. J., WRIGHT, D. L., NARVÁEZ, D. F., AND O’BRIEN, G. K.
Epidemiology of soybean rust in soybean sentinel plots in Florida. Plant Disease. v.95,
p.744-750, 2011.
Summary: The objective of this study was to determine the effectiveness of the control of
Asian rust by number of fungicide applications at different growth stages of soybean
plants in the 2011/12 crop season. The experiment was conducted at the Embrapa Clima
Temperado, at the Estação Experimental de Terras Baixas (ETB), in the municipality the
Capão do Leão, RS. A randomized complete blocks design us used, with four replicates of
six treatments in an area sowed with cultivars BMX Potência RR, in November 2011. For
this condition de interaction of low rainfall and disease pressure and relative degree of
cultivar resistance, a fungicide application at the beginning of flowering (R1) was more
effective in controlling soybean Asian rust and contributed to maintaining the highest yield
and reducing the amount applied.
Key words: Glycine max, disease, crop management.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
183
Tabela 1. Severidade de ferrugem asiática da soja, peso de 100 grãos, produtividade e
redução de produtividade função do número de aplicação de fungicida azoxistrobina +
ciproconazole, total aplicado de produto comercial em diferentes estádios fenológico das
plantas da cultivar BMX Potência RR. Capão do Leão, RS, Embrapa Clima Temperado,
safra 2011/12.
Número
Total
Severidade Peso 100
Redução de
Estádios de
Produtividade
de
aplicado
Ferrugem
grãos
produtividade
plantas2
(kg há-1)
Aplicações
(L/ha)
(%)
(g)
(%)
1
R1
0,5
1,0
c
13,1 a1
2037 a
0
3
R1/R4/R5.4
1,5
0,5
c
12,5 ab
1907 a
6
2
R4/R5.4
1,0
4,4 b
12,2 b
1857 a
9
2
R1/R4
1,0
0,5
c
12,0 b
1854 a
9
1
R5.4
0,5
6,4 b
12,2 b
1751 a
14
0
0
6,6 a
11,8 b
1641 a
19
CV
22,73
4,07
14,36
1
Médias seguidas de mesma coluna não diferem entre si pelo teste de Duncan (p ≤ 0,05%).
R1 – Inicio da floração; R4 vargens completamente desenvolvida; R5.4 – 51 a 75% de granação das
vagens.
2
Figura 1. Dados e normais de precipitação (Pr) e umidade relativa do ar (UR) dos meses
de março e abril do ano 2012, da Estação Terras Baixa. Capão do Leão, RS, Embrapa
Clima Temperado, safra 2011/12.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
184
Quantificação de Danos Causados pela Ferrugem Asiática da Soja
A.L.D. Danelli1, E.M.Reis2,C.Boaretto3
1,3
Laboratório de Fitopatologia - Micologia, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade de
2
Passo Fundo, 99001-970, Passo Fundo, RS, Brasil; Bolsista do CNPq. E-mail:
[email protected], [email protected], [email protected]
Resumo: O controle químico é uma das principais medidas de controle da ferrugem
asiática da soja (FAS). O objetivo do trabalho foi gerar funções de dano FAS pela regressão
entre a incidência foliolar (%), número de lesões/cm2 e urédias/cm2 com o rendimento de
grãos para os cultivares BRS GO 7560 e BRS 246 RR em diferentes estádios fenológicos.
Os experimentos foram conduzidos nas safras 2009/2010 e 2010/2011, em duas épocas de
semeadura, no município de Passo Fundo, RS. O delineamento foi blocos casualizados,
com quatro repetições. O gradiente da doença foi gerado por aplicações de fungicida em
diferentes estádios da cultura com azoxistrobina 60 g i.a./ha + ciproconazol 24 g i.a./ha
(Priori Xtra) + 0,5 % do adjuvante Nimbus R5.3, R5.4 e R5.5. Os dados de IF de cada
intervalo entre aplicações, foram submetidos à análise de regressão não-linear,
representado pelo modelo Logístico. Independentemente do ano e época de semeadura, o
número de lesões/cm2 e urédias/cm2 nos dois cultivares apresentaram a melhor relação
com os danos e os estágios R5.3 e R5.4 foram os que mostraram os maiores coeficientes
de dano. É possível estimar dano em função da relação entre a intensidade da doença e o
rendimento. Os melhores critérios patométricos para desenvolver as equações de dano
foram o número de lesões/cm2 e urédias/cm2, mas são mais trabalhosos para serem
executados.
Palavras-chave: ferrugem asiática da soja, dano, limiar de dano econômico.
INTRODUÇÃO
Na cultura da soja [Glycine max (L.) Merril] ocorrem diversas doenças causadas
por fungos, bactérias, vírus e nematóides. Entre elas a ferrugem asiática (FAS) causada
pelo fungo Phakopsora pachyrhizi Sydow & Sydow. destaca-se pela sua ocorrência
generalizada e pelos danos causados. No Brasil os danos variam de 30 a 70 %
(Zambolim, 2006).
Neste trabalho os termos dano e perda são usados segundo a definição de Nutter
& Jenco (1993). Dano é qualquer redução na qualidade e na quantidade da produção e
perda, é a redução financeira por área. Ainda são poucos os trabalhos que quantificaram,
cientificamente, os danos causados pela ferrugem da soja, no Brasil. Por isso, em face do
potencial de danos causados em outros países, a pesquisa procura quantificar os efeitos
da doença nos componentes e no rendimento de grãos. Na safra 2001/02 a ferrugem foi
constatada no Paraguai e no Brasil, respectivamente, com a ameaça de causar danos
superiores a 50%.
Na quantificação dos danos causados pela doença, pelo método científico, é
necessária ser gerada a função e o coeficiente de dano para cada patossistema. Doença
importante é aquela que causa dano econômico. O controle econômico de uma doença,
pela aplicação de fungicida, ocorre quando a perda (R$) for menor do que o custo do
controle (R$ 110,00 ha-1). Para identificar quando é viável economicamente ou necessário
se aplicar fungicida é indispensável se saber a relação entre o rendimento e a quantidade
de ferrugem dada pela função de dano (Munford & Norton, 1984).
O primeiro trabalho e o mais prioritário em fitopatologia deve ser a quantificação
dos danos que as diferentes doenças causam à cultura da soja (Bergamin Filho e
Amorim, 1996). Cabe a pesquisa desenvolver estratégias para evitar ou reduzir os danos
potencias causado à soja pela ferrugem. O objetivo deste trabalho foi desenvolver um
modelo para estimar os danos causados pela ferrugem asiática da soja baseado no
modelo de ponto crítico.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
185
MATERIAL E MÉTODOS
Neste trabalho foram determinados os danos comparando-se dois genótipo de
soja: a BRS 7560 e a BRS 246 RR.
O gradiente da intensidade da ferrugem, avaliada através de incidência foliolar e
número de urédias e lesões/cm2, foi gerado pela aplicação de quatro vezes, ao longo do
ciclo da soja, de cinco diferentes doses do fungicida azoxistrobina 60 g ia/ha +
ciproconazol 24 g de ia/ha (Priori Xtra ®) + 0,5% do adjuvante Nimbus ®. A primeira
pulverização foi realizada, segundo o limiar de dano econômico (LDE) e as demais
espaçadas de 10, 15, 20, 25 dias. Semanalmente, a partir do momento da primeira
aplicação em diante, a intensidade da doença, em folíolos centrais da haste principal, foi
avaliada.
Os dados foram submetidos a análise de regressão obtendo-se a função e o
coeficiente de dano.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
As análises de regressão (Figura 1), realizadas entre o rendimento de grãos e os
critérios de avaliação da intensidade da doença, geraram 56 equações lineares da função
de dano. Para o cultivar BRS GO 7560 as equações médias para incidência, número de
urédias e lesões/cm2 foram R = 1.000 - 5,61 I, R = 1.000 - 80,63 L e R = 1.000 – 46,35 U
respectivamente. Para o cultivar BRS 246 RR as equações médias para incidência,
número de urédias e lesões/cm2 foram R = 1.000 – 6,08 I, R = 1.000 – 60,51 L e R =
1.000 – 29,74 U respectivamente. Onde R = rendimento de grãos normalizado para 1.000
kg/ha, I=incidência foliolar, L= número de lesões e U= número de urédias sendo o
rendimento de grãos normalizado para 1.000 kg/ha. As funções geradas são
fundamentais para o cálculo do LDE.
A literatura científica apresenta poucas alternativas técnicas como suporte
científico e racionalmente fundamentada, para a primeira aplicação, de fungicidas numa
cultura (Fawcett & Lee, 1926; Stern et al. 1959; FAO, 1967, NAS, 1969; Zadoks, 1985;
Zadoks & Schein, 1979; Munford & Norton, 1984; Bergamin Filho e Amorin, 1996).
No cálculo do LDE, se usa a fórmula de Munford & Norton (1984) modificada
para uso com doenças fúngicas: ID = [Cc/(Pp * Cd)] * Ec. Onde ID = Intensidade da
doença que se quer saber; Cc = custo do controle; Pp = preço da tonelada de soja; Cd =
coeficiente de dano (segundo membro da equação) ajustado para o potencial produtivo
da lavoura; Ec = eficiência do controle; I = incidência foliolar da ferrugem. Por ex. Cc =
R$ 110,00/ha/aplicação (Boller, 2010); Pp = R$ 800,00/t (Preço em 27/03/12), Ec = 85%
ou 0,85; rendimento potencial da lavoura 3,250 t/ha; função de dano, da BRS 246 RR , Y
= 1.000 - 6,08 I (Ajustar para o rendimento potencial); ID = [110/750,00*0.01976]*0,85 =
6,3; ID = LDE = 6,3 I; portanto, com uma incidência foliolar de 6,3% a perda resultate da
ferrugem é de R$ 110,00/ha .
Esta é a intensidade máxima da ferrugem, tolerável economicamente numa lavoura
de soja. É tão importante se saber quanto de doença ocorre no momento da primeira
aplicação de fungicida, como quanto resta no final do ciclo da soja (R6).
O LDE não é fixo, devendo ser calculado sempre que houver alteração de preços e
custos.
CONCLUSÕES
É possível estimar dano em função da relação entre a intensidade da doença e o
rendimento. Os melhores critérios patométricos para desenvolver as equações de dano
foram o número de lesões/cm2 e urédias/cm2, mas são mais trabalhosos para serem
executados. Com este trabalho gerou-se as equações de dano que podem ser utilizadas
no cálculo do LDE, e que este é uma opção indicadora do momento para realizar o
controle químico da FAS mantendo a sustentabilidade econômica e ambiental da
atividade agrícola.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
186
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BERGAMIN FILHO, A. & AMORIM, L. Doenças de plantas tropicais: epidemiologia e
controle econômico. São Paulo: Agronômica Ceres, 1996. 289p.:il.
BOLLER, W. Aspectos econômicos da aplicação de fungicidas em órgãos aéreos. In:
Reis, E. M. Org. Critérios indicadores do momento para a primeira e intervalo de
aplicações de fungicidas nas culturas de soja e trigo. Passo Fundo, Aldeia Norte Editora.
p.31- 45, 2010.
FAO. Report of the first session of the F.A. O. Panel of experts on integrated pest control.
F.A. O. Meeting Report. No. PL/1967/M/7. Annals, Rome.
FAWCET, H. S. & LEE, H. A. Citrus diseases and their control. McGraw-Hill, New York.
1926.
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Washington. 1969.
NUTTER, F. W. ; JENCO, J. H. Development of a critical-point yield loss model to
estimate yield losses in corn caused by Cercospora zeae-maydis. Phytopathology,
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STERN, V.M.; SMITH, R.F.; van den BOSCH, R & HAGEN, K.S. The integrated control
concept. Hilgardia 28:81-101. 1959.
ZADOKS, J. C. On the conceptual basis of crop loss assessment: the threshold theory.
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Oxford University Press, 1979. 427p
ZAMBOLIN, L. Manejo integrado da ferrugem asiática da soja. In: Ferrugem asiática da
soja. Viçosa-MG, UFV, DFP, 2006. 140p.
Summary: Chemical control is a key measure of control of Asian soybean rust (ASR). The
objective was to generate the damage functions ASR by regressing the incidence leaflets (%),
and number of lesions/cm2 uredia/cm2 with grain yield for BRS GO 7560 and BRS 246 RR at
different growth stages. The experiments were conducted during the harvest 2009/2010 and
2010/2011, in two sowing dates in the city of Passo Fundo, RS. The design was randomized
blocks with four replications. The gradient was generated by the disease fungicide
applications at different stages of the culture azoxystrobina 60 g ai / ha cyproconazole + 24 g
ai / ha (Priori Xtra) + 0.5% of adjuvant Nimbus R5.3, R5.4 and R5.5. The leaflets incidence
data from each range of applications, were analyzed using nonlinear regression represented
by logistic model. Regardless of the year and sowing date, the number of lesions/cm 2
uredia/cm2 and in both cultivars showed the best relationship with the damage and stages
R5.3 and R 5.4 showed the highest coefficients of the damage. It is possible to estimate
damage to the ratio between the intensity of the disease and yield. The best criteria
patométricos to develop the equations of damage were the number of lesions/cm 2 and
uredia/cm2, but are more cumbersome to run. The BRS GO 7560 though considered
resistant, showed greater damage. Applications fungicide after economic damage threshold
(EDT) reduce the efficiency of control.
Key words: Asian soybean rust, damage, economic damage threshold, Phakopsora
pachyrhizi.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
187
B
Rendimento (kg/ha)
A
C
D
F
E
Figura 1. Relação entre incidência foliolar (%), lesões (no/cm2), urédias (no/cm2) e
rendimento de grãos (patossistema soja X ferrugem asiática da soja) no cultivar BRS
GO 7560 (A, C, E) e cultivar BRS 246 RR (B, D, F).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
188
Ensaio Cooperativo para Controle Químico de Ferrugem de Soja, Safra 2010/2011 –
Resultados da Embrapa Trigo
L.M. Costamilan1, C.V. Godoy2
1
2
Embrapa Trigo, BR 285, km 294, 99001-970, Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected]. Embrapa
Soja, Rod. Carlos João Strauss, s/nº, 86001-970, Londrina, PR. E-mail: [email protected]
Resumo: A aplicação de fungicidas na folhagem da soja continua sendo a forma
mais efetiva de controle de ferrugem, causada por Phakopsora pachyrhizi. O objetivo deste
trabalho foi determinar a eficiência de fungicidas no controle de ferrugem em soja em
Passo Fundo (RS), na safra 2010/11. O rendimento de grãos e o peso de 1000 grãos
foram obtidos. A severidade variou entre 12% (com picoxistrobina + tebuconazol, Horos) e
61% (testemunha). O maior rendimento foi de 3.911,09 kg/ha, e o menor foi de 2.170,21
kg/ha, representando diferença de 44,5%. Os tratamentos com piraclostrobina +
epoxiconazol (Envoy), azoxistrobina Nortox + tebuconazol (NTX 3900), azoxistrobina +
tebuconazol (Azimut) e picoxistrobina + tebuconazol (Horos) apresentaram maior
rendimento de grãos. Oxicarboxim (Plantvax 750 WP) e tebuconazol (Folicur) não diferiram
da testemunha. O maior peso de 1000 grãos foi de 163,2 g com azoxistrobina +
tetraconazol (ISB021F), embora não diferindo de trifloxistrobina + protioconazol (Fox),
piraclostrobina + metconazol (BAS 556 01F), piraclostrobina + epoxiconazol (Opera),
azoxistrobina + ciproconazol (Priori Xtra) e ciproconazol (Alto 100). Misturas de triazóis e
estrobilurinas, ou somente estrobilurina, foram efetivas no controle de ferrugem asiática da
soja em Passo Fundo, na safra 2010/11.
Palavras-chave: Glycine max, Phakopsora pachyrhizi, fungicida, eficiência, Passo Fundo
INTRODUÇÃO
A aplicação de fungicidas na parte aérea em soja continua sendo a forma mais
efetiva de controle de ferrugem, causada por Phakopsora pachyrhizi. Desde a safra
2003/04, ensaios em rede e cooperativos vêm sendo realizados para a comparação dos
fungicidas registrados e em fase de registro (Godoy et al., 2011). O objetivo deste trabalho
foi determinar a eficiência de fungicidas quanto ao controle de ferrugem em soja no
ambiente de Passo Fundo, RS, na safra 2010/11.
MATERIAL E MÉTODOS
A cultivar de soja BRS Taura RR foi semeada no campo experimental da Embrapa Trigo,
Passo Fundo, RS, em 9/12/2010, em blocos ao acaso, com quatro repetições. Cada parcela foi
composta de cinco fileiras de cinco metros, espaçadas em 0,45 m. Os tratamentos foram
aplicados em duas épocas, a primeira no estádio R2 de desenvolvimento (floração plena, pela
escala de Fehr et al., 1971), quando da observação dos primeiros sinais da doença, e a
segunda, no estádio R3 (final da floração; vagens com até 1,5 cm de comprimento, Fehr et al.,
1971), com pulverizador de barra propelido a CO2, com nove bicos tipo cone D2-13, distanciados
em 25 cm, e volume de calda ajustado para vazão de 200 L/ha.
As avaliações de severidade foram realizadas nas parcelas testemunhas nos dias das
aplicações, e em dias correspondentes a uma e duas semanas após a última aplicação, em
todas as parcelas. Foram coletados 10 folíolos centrais de folhas posicionadas nos estratos
inferior, médio e superior, totalizando 30 folíolos por parcela, e notas de severidade foram
estimadas visualmente, por folíolo, considerando porcentagem de área foliar afetada pela
doença, seguindo escala proposta por Godoy et al. (2006).
A colheita foi realizada em 19 de abril, com colhedora de parcelas experimentais marca
Wintersteiger, nas três linhas centrais das parcelas, desprezando-se 0,50 m de cada cabeceira
das bordaduras. A massa de grãos e o peso de 1000 grãos foram obtidos por parcela, com a
umidade ajustada em 13%. Foi realizada a análise da variância, e as médias foram comparadas
pelo teste de Tukey, a 5% de significância, utilizando-se o programa SASM-Agri, versão 3.2.4
(Althaus et al., 2001).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
189
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Observou-se que, na primeira avaliação (correspondendo ao estádio R5.2 de
desenvolvimento de soja), a menor severidade média entre os folíolos centrais das folhas
dos terços inferior, médio e superior das plantas foi de 4%, no tratamento com Fox, e a
maior severidade ocorreu no tratamento testemunha (23%). Já na segunda avaliação, uma
semana após, as severidades variaram entre 12% no tratamento com o produto Horos, e
61%, na testemunha.
A desfolha variou entre 52%, no tratamento com o produto Horos, e 98% na
testemunha. Foram semelhantes à testemunha os produtos Folicur e Plantvax 750 WP,
sendo os demais semelhantes entre si, proporcionando menor desfolha.
Os resultados de rendimento de grãos e de peso de 1000 grãos encontram-se na
Tabela 1. O maior rendimento obtido foi de 3.911,09 kg/ha, e o menor, na testemunha, foi
de 2.170,21 kg/ha, representando controle de 44%. Os tratamentos com Envoy, NTX 3900,
Azimut e Horos foram significativamente superiores aos demais quanto ao maior
rendimento de grãos, sendo também semelhantes a Aproach Prima, NTX 3200, Fox, Bas
556 01F, Opera, Priori Xtra, Nativo, ISB021F, Sphere Max e MILFF 0453. Os produtos
Plantvax 750 WP e Folicur não diferiram da testemunha não tratada, e Alto 100 localizouse no grupo intermediário.
Quanto ao peso de 1000 grãos, os valores variaram entre 163,2 g e 134,0 g,
correspondendo a uma diferença de 18%. O tratamento onde foi observado o maior peso
foi ISB021F, não sendo estatisticamente diferente de Fox, BAS 556 01F, Opera, Priori Xtra
e Alto 100. Os menores pesos de grãos foram observados nos tratamentos testemunha,
Horos e NTX 3200.
CONCLUSÕES
Na situação deste ensaio, soja afetada por ferrugem asiática e tratada com
fungicidas à base de mistura de triazol e estrobilurina, ou somente estrobilurina,
apresentou maior rendimento de grãos que soja não tratada ou tratada apenas com triazol
ou com oxicarboxim. O peso de 1000 grãos não teve relação com os resultados obtidos
para rendimento de grãos, não correlacionando produtos que conferiram maior rendimento
com aqueles que conferiram maior peso de 1000 grãos.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
ALTHAUS, R.A., CANTERI, M.G., GIGLIOTI, E.A. Tecnologia da informação aplicada ao
agronegócio e ciências ambientais: sistema para análise e separação de médias pelos
métodos de Duncan, Tukey e Scott-Knott. Anais do X Encontro Anual de Iniciação
Científica, Parte 1, Ponta Grossa, p.280-281, 2001.
FEHR, W.R.; CAVINESS, C.E.; BURMOOD, D.T.; PENNINGTON, J.S. Stage of
development descriptions for soybeans, Glycine max (L.) Merrill. Crop Science, v.11, p.929931, 1971.
GODOY, C.V; KOGA, L.J.; CANTERI, M.G. Diagrammatic scale for assessment of soybean
rust severity. Fitopatologia Brasileira, v.31, n.1, p.63-68, 2006.
GODOY, C.V.; UTIAMADA, C.M.; SILVA, L.H.C.P. DA; SIQUERI, F.V.; HENNING, A.A.;
ROESE, A.D.; FORCELINI, C.A.; PIMENTA, C.B.; JACCOUD FILHO, D.S.; RAMOS
JUNIOR, E.U.; BORGES, E.P.; DEL PONTE, E.M.; JULIATTI, F.C.; FEKSA, H.R.;
CAMPOS, H.D.; NUNES JUNIOR, J.; SILVA, J.R.C.; COSTAMILAN, L.M.; NAVARINI, L.;
CARNEIRO, L.C.; SATO, L.N.; CANTERI, M.G.; MADALOSSO, M.; ITO, M.A.; CUNHA,
M.G DA; ITO, M.F.; MEYER, M.C.; MELO, R.A. DE C.E; BALARDIN, R.S.; IGARASHI, S.;
SILVA, S.A DA; FURLAN, S.H.; NORA, T.D.; CARLIN, V.J. Eficiência de fungicidas para o
controle da ferrugem-asiática da soja, Phakopsora pachyrhizi, na safra 2010/11: resultados
sumarizados dos ensaios cooperativos. Londrina: Embrapa Soja, 2011. (Embrapa Soja.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
190
Circular Técnica, 87). 8p.
Cooperative test to compare soybean rust chemical control, growing season 2010/2011 –
Embrapa Trigo results.
Summary: Fungicide application in soybean foliage has been the most effective way to
control soybean rust, caused by Phakopsora pachyrhizi. This work aimed to determine
fungicide efficiency of soybean rust control in Passo Fundo (RS), in the 2010/11 growing
season. The grain yield and the 1000-grain weight were recorded. The disease severity
varied from 12% (with picoxystrobin + tebuconazole, Horos) to 61% (control check). The
highest grain yield was 3911.09 kg/ha, and the lowest, 2170.21 kg/ha, representing a
difference of 44,5%. The treatments with pyraclostrobin + epoxyconazole (Envoy),
azoxystrobin Nortox + tebuconazole (NTX 3900), azoxystrobin + tebuconazole (Azimut),
and picoxystrobin + tebuconazole (Horos) showed significantly higher grain yield.
Oxycarboxin (Plantvax 750 WP) and tebuconazole (Folicur) did not differ from the control.
The highest 1000-grain weight was 163.2 g with azoxystrobin + tetraconazole (ISB021F),
although not different from trifloxystrobin + prothioconazole (Fox), pyraclostrobin +
metconazole (BAS 556 01F), pyraclostrobin + epoxyconazole (Opera), azoxystrobin +
cyproconazole (Priori Xtra), and cyproconazole (Alto 100). Mixtures of triazoles and
strobilurin, or strobilurin alone, were effective to control soybean rust in Passo Fundo, in
the 2010/11 growing season.
Keywords: Glycine max, Phakopsora pachyrhizi, fungicide, efficiency, Passo Fundo.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
191
Tabela 1. Efeito da aplicação de fungicidas sobre rendimento e peso de 1000 grãos da
cultivar de soja BRS Taura RR, safra 2010/11. Embrapa Trigo, Passo Fundo, RS. 2011.
Nome
Nome comum
Rendimento
Peso 1000
comercial
(kg/ha)1
grãos (g)
Envoy
Piraclostrobina + epoxiconazol
3911,09 a
152,07 bcde
NTX 3900
Azoxistrobina Nortox +
3744,12 a
147,07 cde
tebuconazol
Azimut
Azoxistrobina + tebuconazol1
3742,02 a
146,87 de
Horos
Picoxistrobina + tebuconazol1
3662,15 a
142,83 efg
Aproach Prima Picoxistrobina + ciproconazol
3574,55 ab
145,80 de
NTX 3200
Azoxistrobina Nortox
3554,44 ab
134,83 fg
Fox
Trifloxistrobina + protioconazol
3533,52 ab
159,33 ab
BAS 556 01F
Piraclostrobina + metconazol
3513,63 ab
154,33 abcd
Opera
Piraclostrobina + epoxiconazol
3494,09 ab
152,40 abcd
e
Priori Xtra
Azoxistrobina + ciproconazol
3476,56 ab
154,67 abcd
Nativo
Trifloxistrobina + tebuconazol
3469,47 ab
151,20 bcde
ISB021F
Azoxistrobina + tetraconazol
3466,50 ab
163,17 a
Sphere Max
Trifloxistrobina + ciproconazol
3341,22 ab
149,77 bcde
1
MILFF 0453
Azoxistrobina + epoxiconazol
3333,96 abc
147,53 cde
Alto 100
Ciproconazol
2978,66 bcd
157,83 abc
Plantvax 750
Oxicarboxim
2737,28 cde
145,57 def
WP
Folicur
Tebuconazol
2494,92 de
145,40 def
Testemunha
2170,21 e
133,97 g
CV (%)
6,90
2,40
Médias seguidas de mesma letra não diferem entre si, pelo Teste de Tukey a 5% de significância.
1
Dados corrigidos para 13% de umidade da massa de grãos.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
192
Critérios para o Início das Aplicações de Fungicida no Controle da Ferrugem
Asiática da Soja, Safra 2009/10 1
Marcelo Cigana Ferreira2; Walter Boller3
1
Parte da tese de doutorado do primeiro autor apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia
2
(PPGAgro) da Universidade de Passo Fundo (UPF). Eng.-Agr. MS, aluno de doutorado do PPGAgro/UPF
3
Passo Fundo – RS. e-mail: [email protected]. Eng.-Agr. Dr. Prof. do PPGAgro/UPF, orientador da
tese. e-mail: [email protected]
RESUMO: Uma das opções mais eficazes para proteger a cultura da soja do ataque da
ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi H. Sydow & P. Sydow) é a utilização racional de
fungicidas. O objetivo deste trabalho foi comparar a eficiência de cinco critérios
indicadores para o início das aplicações de fungicida, visando ao controle da ferrugem
asiática da soja. Os critérios indicadores compreenderam os estádios fenológicos R1 e
R5.1, Limiar de Dano Econômico (LDE), Pré-Fechamento das entre linhas e Soma
Térmica. O delineamento experimental foi o de blocos casualizados com 4 repetições,
mantendo-se uma testemunha sem aplicação de fungicida. Utilizou-se o fungicida
trifloxistrobina + ciproconazol (Sphere Max®) na dose de 0,15 L/ha + óleo vegetal Áureo®
a 0,5 L/ha. As pulverizações foram realizadas com volume de calda de 120 L/ha. Avaliouse a incidência, a severidade foliolar da ferrugem e o rendimento de grãos. Os dados
foram submetidos à análise da variância e as médias comparadas pelo teste de Tukey a
5% de probabilidade de erro. Os critérios Pré-Fechamento e Soma Térmica foram os que
mantiveram as plantas com menor intensidade da doença ao longo de todo o ciclo da
cultura. Já para o rendimento não houve diferença significativa entre os tratamentos LDE,
pré-fechamento, soma térmica e R1. Talvez o motivo resida no fato de que as condições
climáticas não foram favoráveis ao desenvolvimento da doença, entretanto o tratamento
baseado no critério R5.1 com aplicação tardia apresentou o menor desempenho em
relação aos demais.
Palavras-chave: Glycine max, Phakopsora pachyrhizi, tecnologia de aplicação.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
193
Critérios para o Início das Aplicações de Fungicida no Controle da Ferrugem
Asiática da Soja, Safra 2010/11 1
Marcelo Cigana Ferreira2; Walter Boller3
1
Parte da tese de doutorado do primeiro autor apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Agronomia
2
(PPGAgro) da Universidade de Passo Fundo (UPF). Eng.-Agr. MS, aluno de doutorado do PPGAgro/UPF
3
Passo Fundo – RS. e-mail: [email protected]. Eng.-Agr. Dr. Prof. do PPGAgro/UPF, orientador da
tese. e-mail: [email protected]
RESUMO: A soja [Glycine max (L.) Merrill], é uma das principais culturas na agricultura
mundial e brasileira em função da sua produtividade e valor nutritivo com diversas
aplicações na alimentação humana e animal, bem como no papel sócio econômico,
impulsionando de forma significativa o agronegócio. O objetivo deste trabalho foi
comparar a eficiência de cinco critérios indicadores para o início das aplicações de
fungicida, visando ao controle da ferrugem asiática da soja. Os critérios indicadores
compreenderam os estádios fenológicos R1 e R5.1, Limiar de Dano Econômico (LDE),
Pré-Fechamento das entre linhas e Soma Térmica. O delineamento experimental foi o de
blocos casualizados com 4 repetições, mantendo-se uma testemunha sem aplicação de
fungicida. Utilizou-se o fungicida trifloxistrobina + ciproconazol (Sphere Max®) na dose de
0,15 L/ha + óleo vegetal Áureo® a 0,5 L/ha. As pulverizações foram realizadas com
volume de calda de 120 L/ha. Avaliou-se a incidência, a severidade foliolar da ferrugem e
o rendimento de grãos. Os dados foram submetidos à análise da variância e as médias
comparadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro. A eficácia do controle foi
decrescente com as aplicações iniciando no pré-fechamento, soma térmica e estádio
fenológico R1, entretanto o tratamento LDE foi superior ao estádio fenológico R5.1. Já
para o rendimento de grãos os tratamentos estádio fenológico R1, pré-fechamento e
soma térmica foram superiores ao LDE, que foi superior ao estádio fenológico R5.1.
Palavras-chave: Glycine max, Phakopsora pachyrhizi, tecnologia de aplicação.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
194
Normas da Comissão
NORMAS DA COMISSÃO DE FITOPATOLOGIA
NORMAS PARA AVALIAÇÃO E RECOMENDAÇÃO DE FUNGICIDAS PARA A
CULTURA DE SOJA
CAPÍTULO I
DOS CRITÉRIOS PARA EXECUÇÃO DOS ENSAIOS DE FUNGICIDAS PARA
TRATAMENTO DE SEMENTE
Art. 1º As propostas para testes de fungicidas devem ser encaminhadas às instituições
membros da Comissão de Fitopatologia, contendo identificação, informações
técnicas toxicológicas, dose(s) a testar e patógenos visados. Os trabalhos
apresentados, obrigatoriamente, deverão conter testes de laboratório e de campo,
conforme o método descrito abaixo.
Art. 2º Os ensaios de laboratório para avaliação da eficiência de fungicidas para
tratamento de semente de soja deverão atender aos seguintes requisitos:
I. A fungitoxicidade dos produtos deve ser avaliada em bioensaios conduzidos em
laboratório, para cada um dos principais patógenos e fungos de
armazenamento associados às sementes de soja [(ex. Colletotrichum
dematium var. truncata (sin. Colletotrichum truncatum), Phomopsis sojae,
Cercospora sojina, Cercospora kikuchii, Fusarium spp., Aspergillus spp.];
II. As sementes devem ser naturalmente infectadas, apresentando índices de
infecção suficientes para permitir discriminação dos produtos;
III. Deve ser usado o método padrão de teste de sanidade recomendado pela
INTERNATIONAL SEED TESTING ASSOCIATION (ISTA), ou seja, os
métodos do papel de filtro (“blotter test”) ou meio de cultura;
IV. Cada tratamento, assim como a testemunha sem fungicida, deve ser constituído
de, no mínimo, 4 (quatro) repetições de 100 sementes;
V. A eficiência de um tratamento deve ser avaliada pela contagem do número de
sementes infectadas e expressa em porcentagem de ocorrência e de controle,
em relação à testemunha sem fungicida, para cada espécie recuperada;
VI. Cada experimento deve ter, no mínimo, 6 (seis) tratamentos, incluindo a
testemunha sem fungicida e, pelo menos, um tratamento padrão;
Art. 3º Nos experimentos de campo, as avaliações de fungicidas para tratamento de
semente devem obedecer aos seguintes requisitos:
I. O lote de semente usado será o mesmo dos testes de laboratório, quando possuir
qualidade fisiológica adequada (vigor > 70% e germinação > 80%). Caso
contrário, usar semente fiscalizada ou certificada;
II. Cada experimento deve ser constituído de, no mínimo, 6 (seis) tratamentos,
incluindo 1 (um) tratamento testemunha, sem fungicida, e, pelo menos, 1 (um)
tratamento padrão;
III. Os ensaios em campo devem ser conduzidos dentro da época de semeadura
comercial recomendada para cada estado ou região;
IV. O delineamento experimental deve ser de blocos casualizados com, no mínimo, 4
(quatro) repetições, cada repetição (parcela) com 4 (quatro) linhas de 6 (seis)
m, espaçadas 0,4 m a 0,5 m, ajustando a população para 300 mil plantas por
hectare, conforme o teste de germinação do lote;
Avaliações a serem realizadas:
a) determinação do estande inicial, com a contagem do número de plântulas
em cada uma das 4 (quatro) linhas de 6 (seis) m, 3 (três) ou 4 (quatro)
semanas após a semeadura;
b) contagem do número de plântulas que apresentam sintomas de doenças
em cotilédones, nas primeiras folhas ou com tombamento;
c) fitotoxicidade, avaliada pela observação do atraso da emergência (3
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
195
avaliações realizadas no início da emergência, dois e quatro dias após),
altura de plântulas, clorose, redução do estande e/ou outros sintomas,
quando apropriado;
d) contagem do estande final e medição da altura de plantas no momento da
colheita, em 5,0 m das duas linhas centrais de cada parcela (opcional);
e) colheita de 5,0 m das duas linhas centrais de cada parcela ou área útil de
5,0 m2 e determinação de rendimento pela fórmula:
kg/ha = (100- US) PP/(100-13)AP/10
Onde:
US = umidade da semente;
PP = peso por parcela, em kg;
AP = área útil da parcela: 5,0 m2;
- Incluir os dados climáticos (temperatura e pluviosidade) do período mínimo
compreendido 15 dias antes e 15 dias após a semeadura do experimento;
- Incluir os dados de PG e V das sementes após a execução de todos os
tratamentos, sendo comparados à testemunha não tratada.
CAPÍTULO II
DOS CRITÉRIOS PARA EXECUÇÃO DE ENSAIOS DE CAMPO PARA AVALIAÇÃO DE
FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE DOENÇAS DA PARTE AÉREA
Art. 4º As propostas para testes de fungicidas deverão ser encaminhadas às instituições
membros da Comissão de Fitopatologia, contendo identificação, informações
técnicas e toxicológicas do produto, dose(s) a testar e patógenos controlados ou
visados.
Art. 5º Os ensaios de campo para avaliação da eficiência de fungicidas para controle das
doenças da parte aérea devem obedecer aos seguintes critérios:
I. A Comissão de Fitopatologia deverá definir, por ocasião da Reunião de Pesquisa
de Soja da Região Sul, a(s) variedade(s) a ser usada(s), tendo em vista a
suscetibilidade às doenças visadas;
II. O delineamento experimental deve ser de blocos casualizados com, no mínimo, 4
(quatro) repetições/tratamento, parcelas com linhas de 6,0 m e área útil de
colheita de 5,0 m2. No caso de espaçamentos diferentes do padrão de 0,4 a
0,5 m, alterar o comprimento das linhas, de modo a ter a área útil de 5,0 m2
por parcela, com eliminação de 0,5 m de bordadura em cada extremidade;
III. O experimento poderá ser realizado com semeadura em parcelas ou com
parcelas demarcadas em lavouras comerciais;
IV. A época de semeadura deve ser a mesma do plantio comercial, recomendada
para cada estado ou região;
V. A aplicação de fungicidas deve ser efetuada com pulverizador de precisão a
pressão constante, usando tipo de bico e volume de calda que assegurem
adequada cobertura;
VI. Cada experimento deve conter uma testemunha sem fungicida e, pelo menos, um
tratamento com fungicida padrão, eficaz para a doença considerada;
VII. Avaliações a serem realizadas:
a) no momento de cada aplicação de fungicida e no momento em que a
testemunha sem fungicida atingir o estádio R7.3 (ver Anexo I), proceder à
determinação do nível de infecção (NI) de doença, conforme descrito no
Anexo II;
b) no momento da execução de cada operação, pulverização ou avaliação de
doenças, deve ser anotado o estádio de desenvolvimento da planta de
soja, conforme descrito no Anexo I;
c) para cada doença, deve ser ajustado o momento mais adequado para
pulverização e adotado o critério mais apropriado de avaliação do nível de
infecção (Anexo II);
d) no momento em que a testemunha sem fungicida atingir 80-85% de
desfolha (estádio R8.2), determinar a porcentagem de desfolha e o nível
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
196
de infecção em cada tratamento;
e) no momento da maturação de colheita (R9), determinar:
1) número de plantas nas duas linhas da área útil da parcela;
2) data em que cada parcela atingiu o estádio de maturação de colheita
(R9) e fazer a colheita de acordo com o momento de maturação para
cada tratamento, considerando a área útil de 5,0 m2;
f) avaliação de algumas doenças em casos específicos;
g) rendimento de grãos, convertendo para kg/ha a 13% de umidade, pela
fórmula:
kg/ha = (100-US) PP/(100-13) AP/10
Onde:
US = umidade da semente colhida;
PP = peso da colheita de cada parcela;
AP = área útil da parcela (mínimo de 5,0 m2);
h) Após a avaliação de rendimento de grãos, determinar o peso de 4 (quatro)
amostras de 1.000 sementes por parcela em cada tratamento;
i) no caso dos experimentos de fungicidas que visem especificamente ao
controle das doenças que afetam a qualidade da semente (ex. antracnose,
seca da haste e da vagem ou Phomopsis da semente), ou de tratamentos
que visem, além do rendimento, à melhoria da qualidade da semente
(controle de doenças de fim de ciclo e mancha-olho-de-rã). Deve ser
realizada a análise sanitária da semente pelo “blotter test”, conforme
recomendado no Art. 2o, III.
CAPÍTULO III
DOS CRITÉRIOS PARA RECOMENDAÇÃO DE FUNGICIDAS
Art. 6º O fungicida deve estar registrado no Ministério da Agricultura, Pecuária e
Abastecimento (Mapa), para a cultura de soja e a doença visada.
Art.7º Para tratamento de semente deverão ser apresentados, pelas empresas
interessadas, no mínimo, dados de 4 (quatro) laudos técnicos de eficácia
completos (dados de laboratório e de campo), e, para fungicida da parte aérea,
no mínimo 4 (quatro) laudos técnicos de eficácia que justifiquem a
recomendação do fungicida, que poderá ser regionalizada a critério da
comissão. Esses trabalhos devem ser realizados por, pelo menos 2, (duas)
instituições dos estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Se os
trabalhos forem realizados no mesmo ano, deverão ser conduzidos com 2 (duas)
cultivares ou entidades públicas/privadas diferentes, credenciadas pelo Mapa.
Será aceito 1 (um) Laudo Técnico de Eficácia gerado em outro estado, desde
que realizado de acordo com as normas e apresentado pelo pesquisador. Serão
aceitos laudos realizados nos últimos 6 (seis) anos. Somente serão analisados
laudos cujos protocolos de ensaio estejam de acordo com as indicações da bula
do produto.
Art. 8º Os requerimentos para inclusão de novos fungicidas nas Indicações Técnicas
deverão ser encaminhados pelas empresas interessadas às instituições
credenciadas na Comissão de Fitopatologia. No prazo de até 15 dias antes da
data de abertura da Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul (data de
postagem), acompanhados das respectivas monografias do Ministério da Saúde
(dados toxicológicos), do texto da bula de cada produto e de cópias dos laudos
de eficácia com valor científico.
Art. 9º Para indicação, os tratamentos com fungicidas na parte aérea deverão apresentar
eficácia igual ou superior à de um produto indicado por esta comissão para a
doença-alvo e rendimento de grãos significativamente superior ao da
testemunha.
Art. 10 O fungicida será incluído nas indicações com os seguintes dados:
a) nome comum;
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
197
b) nome(s) comercial(is) e formulação(ões) registrada(s) no Mapa;
c) formulações e concentrações (g i.a./kg ou litro);
d) dose (g i.a./ha ou /100 kg semente);
e) dose (kg ou litro p.c./ha ou/100 kg semente);
Art. 11 Para alteração de doses dos fungicidas indicados devem ser seguidos os critérios
especificados nos artigos 7º, 8º e 9º.
CAPÍTULO IV
DOS CRITÉRIOS PARA RETIRADA DE FUNGICIDAS DA INDICAÇÃO
Art. 12 O fungicida será retirado da indicação quando apresentar, pelo menos, uma das
seguintes situações:
a) três e quatro trabalhos que demonstrem a ineficiência do produto, para
tratamento de semente e da parte aérea, respectivamente, durante duas
safras agrícolas, ou no mesmo ano, se executados por diferentes instituições;
b) alta concentração em curso de água e/ou no solo, ou mortalidade de animais
silvestres, ou resíduos nos grãos, ou efeitos deletérios ou tóxicos sobre
fungos entomófagos;
c) solicitação da retirada de indicação pela empresa registrante do fungicida;
d) não ter registro no Mapa.
Parágrafo único: a comissão de Fitopatologia reserva-se o direito de não indicar produtos
que, apesar da eficácia no controle das doenças visadas, apresentem toxicologia ou
efeitos nocivos ao ambiente.
CAPÍTULO V
DAS CONSIDERAÇÕES GERAIS
Art. 13 Os casos omissos serão resolvidos pela Comissão de Fitopatologia, durante a
Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul.
ANEXO II
MÉTODO DE AVALIAÇÃO DE FUNGICIDAS PARA CONTROLE DE DOENÇAS DA
PARTE AÉREA EM SOJA DOENÇAS A SEREM AVALIADAS
I. Mancha-olho-de-rã: Cercospora sojina Hara
II. Doenças foliares de fim de ciclo:
a) mancha parda ou septoriose: Septoria glycines Hemmi
b) crestamento foliar de cercospora: Cercospora kikuchii (Mats. ; Tomoy.) Gardner
III. Doenças da vagem e da semente:
a) antracnose: Colletotrichum dematium (Pers. ex Fr.) Grove var. truncata (Schw.)
Arx; sinon. C. truncatum (Schw.) Andrus ; W. D. Moore
b) seca da haste e da vagem: Phomopsis sojae Lehman/Diaporte phaseolorum
(Cke ; Ell.) Sacc. var. sojae (Lehman) Wehm.
I. MANCHA-OLHO-DE-RÃ
 Época usual de início de ocorrência_da doença: fase de floração: estádios de R1
a R3 (ver Anexo I).
 Condições predisponentes: elevadas temperatura e umidade; precipitação pluvial
regularmente distribuída.
 Época e volume de aplicação de fungicida:
o Época de aplicação: média de 5 a 10% de infecção ou máximo de 10 a 20
manchas por folíolo mais infectado, em 10 plantas tomadas ao acaso.
Repetir a aplicação entre 10 e 15 dias após a primeira.
o Volume e modo de aplicação: conforme Capítulo II, Art. 5o e Parágrafo IV.
 Avaliações a serem feitas:
o no momento da primeira aplicação de fungicida, avaliar o nível de infecção
(NI) pela contagem do número de lesões e tipo predominante de lesões
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
198
(este expresso em mm, variando de 1 a 5 mm de diâmetro) ou pela
porcentagem de área foliar afetada, no folíolo mais infectado, em 10
plantas tomadas ao acaso por parcela, de acordo com a escala:
 0 = sem sintoma;
 1 = 1 a 10% de área foliar infectada (a.f.i.);
 2 = 11 a 25% de a.f.i.;
 3 = 26 a 50% de a.f.i.;
 4 = 51 a 75 % de a.f.i.;
 5 = mais de 75% de a.f.i.;
o repetir a avaliação a cada 15 dias, para determinar a curva de progresso
da doença;
o no momento em que a testemunha sem fungicida atingir o estádio R7.1,
determinar o NI, seguindo o mesmo procedimento descrito e/ou, se o nível
de infecção for severo na testemunha, estimar a porcentagem de desfolha
em cada parcela (repetição) através da avaliação visual da desfolha na
parcela como um todo;
o no momento da maturação de colheita (R9) de cada parcela ou tratamento,
colher 5,0 m2 (duas linhas centrais de 5,0 m) e determinar o rendimento
(kg/ha) de cada tratamento, convertendo para 13% de umidade;
o determinar o peso médio de 1.000 sementes de cada tratamento através
de contagem de cinco repetições de 1.000 sementes por parcela;
o determinar a taxa de transmissão do fungo C. sojina e a qualidade
sanitária da semente através da análise patológica pelo método do “blotter
test”; analisar 4 x 100 sementes da mistura homogeneizada das repetições
de cada tratamento.
o fazer a análise de variância dos parâmetros avaliados;
o fazer o gráfico de evolução da mancha-olho-de-rã, para cada tratamento,
comparando os níveis de infecção no momento da primeira aplicação de
fungicida e no estádio R7.1.
o determinar a eficiência relativa de controle (% de controle) comparando os
parâmetros avaliados, entre cada tratamento e a testemunha sem
fungicida.
Obs.: é necessária a vistoria periódica da lavoura, para detectar a doença na fase
inicial. Na falta da ocorrência natural da doença, é possível simular uma epidemia
através da inoculação de variedade suscetível, aos 35-40 dias após a
emergência.
II. DOENÇAS FOLIARES DE FIM DE CICLO
A. Mancha parda ou septoriose: Septoria glycines;
B. Crestamento foliar de Cercospora e mancha púrpura da semente: Cercospora
kikuchii.
 Época usual de ocorrência: a mancha parda tem início nas folhas unifoliadas,
sendo visível a partir de 10-15 dias após a emergência. Depois desse estádio, as
plantas geralmente se recuperam, apresentando enfolhamento normal, porém a
doença permanece nas folhas inferiores. A doença pode retornar a partir do
momento em que as vagens atingem o máximo de desenvolvimento (estádio R6)
e progredir rapidamente, podendo causar desfolha e maturação prematuras, com
conseqüente redução do rendimento de grãos. O crestamento de Cercospora tem
início na mesma época de ocorrência da mancha parda de fim de ciclo.
Dependendo da região e do regime de chuva, há predominância de uma ou de
outra doença, porém, freqüentemente, ocorrem simultaneamente, dificultando a
avaliação individual das doenças. Em solos de baixa fertilidade, ambas as
doenças podem iniciar a desfolha antes do completo enchimento das vagens
(R5.4), o que pode causar perdas severas de rendimento de grãos.
 Condições predisponentes: a ocorrência de danos severos está relacionada com
solos de baixa fertilidade, cultivo contínuo de soja na mesma área, chuvas
regularmente distribuídas durante a safra e elevada temperatura. De modo geral,
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
199




a mancha parda é favorecida por chuvas freqüentes, e o crestamento de
Cercospora, pela presença de orvalho.
Escolha de área experimental: Selecionar áreas de lavoura com declividade suave
a plana, estande uniforme, solo uniforme e de considerável fertilidade. Escolher
área que teve soja na safra anterior.
o Delineamento experimental: bloco casualizados com, no mínimo, 4 (quatro)
repetições.
o Tamanho das parcelas: área total: 4 (quatro) linhas de 6 (seis) metros,
espaçadas 0,5 m. Área útil: 2 (duas) linhas centrais de 5 (cinco) m (5,0
m2), deixando, em cada extremidade, 0,5 m de bordadura.
Obs.: se o espaçamento entre as linhas for diferente do exemplo acima, o
comprimento das linhas deve variar, de modo que a área colhida seja sempre de
5 (cinco) m quadrados. Se desejar verificar o efeito residual do(s) fungicida(s)
sobre a qualidade da semente, com retardamento de colheita, aumentar o número
de linhas tratadas de 4 para 6. No momento da maturação de colheita, colher as
duas linhas centrais (linhas 3 e 4). Após o tempo estipulado de retardamento de
colheita, colher as linhas 2 e 5.
o Modo de aplicação: conforme Capítulo IV, Art. 4o.
o Estádio da(s) aplicação(ões): a aplicação de fungicida deve ser efetuada
no estádio R5.4, para cultivares precoces ou semi-precoces, e no estádio
R5.5, em cultivares tardias. No caso de uma segunda aplicação, esta deve
ser feita 10-12 dias após a primeira.
Obs.: em solos de baixa fertilidade e em anos de precipitações pluviais intensas, a
incidência das doenças pode adiantar-se, exigindo antecipação na aplicação de
fungicidas. O sucesso do experimento depende do momento correto da aplicação
e da noção das condições climáticas de cada safra.
Anotações a serem feitas:
o datas da semeadura, das aplicações e da colheita. Em cada aplicação,
anotar o estádio da cultura de soja (ver Anexo I);
o espaçamento entre fileiras, número de sementes/m e quantidade de
sementes/ha;
o adubação e tratos culturais realizados.
Parâmetros a serem avaliados:
o no momento de cada aplicação, identificar as doenças foliares de fim de
ciclo e avaliar a predominância relativa de cada uma;
o no momento em que as parcelas testemunhas atingirem o estádio R7.3,
avaliar os níveis de infecção (NI) em todos os tratamentos, tomando, ao
acaso, 5 (cinco) plantas em cada uma das duas linhas centrais da área útil
de cada parcela. Em cada planta, tomar o trifólio mais infectado e avaliar o
NI, de acordo com a seguinte escala:
 0 = sem sintoma de doença
 1 = até 10% de área foliar infectada (a.f.i.)
 2 = de 11% a 25% de a.f.i.
 3 = de 26% a 50% de a.f.i.
 4 = de 51% a 75% de a.f.i.
 5 = mais de 75% de a.f.i.
o no momento em que a testemunha sem fungicida atingir 80-85% de
desfolha, determinar a porcentagem de desfolha em todos os tratamentos
através da avaliação visual média em cada parcela;
o anotar a data de maturação de colheita (estádio R9) de cada parcela e
contar o número de plantas em cada uma das duas linhas da área útil de
cada parcela (estande final).
Avaliação de rendimento de grãos: no momento ideal da colheita de cada parcela,
colher as duas linhas centrais da área útil considerada (5,0 m2). Se houver
retardamento de maturação nas parcelas tratadas, a colheita deve ser feita de
acordo com o retardamento ocorrido.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
200

Determinação do rendimento de grãos: após a colheita, determinar a umidade da
semente e o peso de cada parcela e transformar a produção em kg/ha a 13% de
umidade, aplicando a seguinte fórmula:
kg/ha = (100 - US) x PP/(100 - 13) x AP/10
US = umidade da semente (%)
PP = peso (kg) de semente colhida/parcela
AP = área da parcela (5 m2)
 Análise dos resultados: efetuar a análise estatística mediante a comparação das
médias entre todos os tratamentos.
 Determinações adicionais:
o peso (g) de 1.000 sementes: após determinados a umidade e o peso de
sementes de cada parcela, contar 5 (cinco) amostras de 1.000 sementes e
pesar individualmente cada amostra.
o análise sanitária: após obtenção dos parâmetros de rendimento de grãos e
peso de 1.000 sementes, misturar e homogeneizar as sementes de cada
tratamento e tomar uma amostra de 1 (um) kg. Dessa amostra, obter 4
(quatro) subamostras de 100 sementes e realizar o teste de sanidade da
semente de acordo com o método do papel de filtro (“blotter test”),
conforme as normas do ISTA.
 Análise de germinação padrão: seguir o mesmo procedimento de amostragem
acima.
III. DOENÇAS DA VAGEM E DA SEMENTE
As principais doenças que afetam a qualidade da semente são antracnose e seca
da haste e da vagem ou Phomopsis da semente.
A. Antracnose: Colletotrichum dematium var. truncata (sin. Colletotrichum
truncatum)
 Época usual de ocorrência: do início da formação das vagens (R3/R4) ao estádio
inicial de maturação (R7.1).
 Condições predisponentes: chuvas prolongadas, dias nublados, elevada
temperatura e alta densidade de plantio e infestação de percevejos.
 Época da primeira aplicação de fungicidas: depende da época da constatação da
doença. Nas condições do norte de Mato Grosso do Sul e de Mato Grosso, a
época é entre os estádios R3 e R4, com necessidade de repetição de uma a duas
aplicações em intervalos de 10 a 15 dias.
Obs.: exige vistoria periódica para detectar o início da ocorrência da doença e
noção das condições climáticas durante a safra. Plantio de lavouras com
espaçamento entre as linhas menor que 0,5 m dificulta a penetração do fungicida
no interior das plantas. Para maior eficiência no controle de doenças que afetam
vagem e semente, é necessário ampliar o espaçamento e reduzir a densidade de
semeadura. Isso exigirá também um controle eficiente de plantas daninhas.
B. Seca da haste e da vagem ou Phomopsis da semente: P. sojae e P. longicola
 Época usual de ocorrência da doença: o fungo associa-se à planta em toda
extensão desta, do estádio de plântula à maturação de colheita (R9),
permanecendo em estado latente até que ocorram condições que favoreçam o
desenvolvimento da doença nas vagens. Sua expressão depende das mesmas
condições que favorecem a antracnose e ocorre, principalmente, nos estádios
R3/R4 e no fim da maturação (R8.2/R9). O agravamento da doença ocorre no fim
da maturação de soja, em caso de retardamento de colheita motivado por
excesso de chuva.
 Condições predisponentes: chuva prolongada, dias nublados, elevada
temperatura, espaçamentos estreitos entre as fileiras (menor que 0,5 m) e
infestação de percevejos.
 Épocas de aplicação de fungicidas:
o no estádio R4.
o no estádio R5.5/R6, para proteção das vagens/sementes e controle de
doenças de fim de ciclo.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
201





Repetir a aplicação entre 10 e 15 dias após a primeira, no caso da
aplicação no estádio R4.
Parâmetros a serem avaliados:
o Nível de infecção ou número de vagens infectadas: no momento de cada
aplicação de fungicida e nos estádios R5.1/R5.2 e R8.2, tomar, ao acaso,
10 plantas/parcela (duas de cada linha de bordadura) e contar o número
de vagens com sintoma de cada doença.
Avaliação de rendimento de grãos: (idem p/II. Doenças Foliares de Fim de Ciclo).
Determinação de rendimento de grãos: (idem p/II. Doenças Foliares de Fim de
Ciclo).
Análise dos resultados: (idem p/II. Doenças Foliares de Fim de Ciclo).
Determinações adicionais: (idem p/II. Doenças Foliares de Fim de Ciclo).
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
202
7. COMISSÃO DE DIFUSÃO DE TECNOLOGIA E SOCIOECONOMIA
A Comissão de Difusão de Tecnologia e Socioeconomia, tendo como coordenador
o Eng. Agr. Pedro Moreira da Silva Filho (Embrapa Soja) e relator o Eng. Agr. Giovani
Stefani Faé (Embrapa Trigo), reuniu-se no dia 25 de julho de 2012, nas dependências da
Embrapa Trigo, em Passo Fundo, RS, contando com a presença dos seguintes
participantes:
7.1 PARTICIPANTES
7.1.1 Representantes credenciados titulares
Alencar Paulo Rugeri - Emater RS
Giovani Stefani Faé – Embrapa Trigo
Pedro Moreira da Silva Filho – Embrapa Soja
7.1.2 Demais participantes
Alvaro A. Dossa – Embrapa Trigo
Darlan Eickstedt - Instituto Federal da Educação, Ciência e Tecnologia – Campus Ibirubá
Eduardo Girotto - Instituto Federal da Educação, Ciência e Tecnologia – Campus Ibirubá
Everton F. Weber – Embrapa Trigo
Jorge Cerbaro – Embrapa Trigo
Renir Renato Resener – Banco do Brasil
7.2 TRABALHOS APRESENTADOS
Sistemas de cultivo de soja nos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do
Sul. Giovani Stefani Faé – Embrapa Trigo.
Atividades de transferência de tecnologia da Embrapa Trigo para soja na safra 2011/12.
Giovani Stefani Faé – Embrapa Trigo.
Sistemas de corte de palha e a manutenção da cobertura do solo em semeadura direta
da cultura da soja. Darlan Eickstedt – IFRS Campus Ibirubá.
Levantamento de perdas de soja no Rio Grande do Sul safra 2011/2012. Alencar Paulo
Rugeri – Emater RS
7.2.1
TRABALHO DESTAQUE
Levantamento de perdas de soja no Rio Grande do Sul safra 2011/2012. Alencar Paulo
Rugeri – Emater RS
7.3 ATUALIZAÇÃO DAS INDICAÇÕES TÉCNICAS
- Revisar as indicações de planejamento do sistema de rotação de culturas,
exemplificando e incluindo resultados de pesquisa dos diferentes sistemas de produção.
- Revisar as indicações de profundidade de amostragem de solo para as diferentes
análises, sobretudo em áreas de agricultura de precisão, visando à correção em
profundidade e de enxofre.
7.4 NECESSIDADES E PRIORIDADES DE PESQUISA
- Estabelecer metodologias eficientes para avaliação de adoção e impacto de tecnologias
transferidas.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
203
7.5 PROPOSIÇÕES APRESENTADAS
- Aumentar a distribuição das Indicações Técnicas aos profissionais da extensão rural e
agentes financeiros.
- Promover eventos de capacitação para técnicos de agências de extensão e
financiamento, difundindo as informações do documento gerado pela reunião técnica.
- Implementar a transferência de tecnologia através de lavouras expositivas.
7.6 ASSUNTOS GERAIS
Nada consta.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
204
Resumos
Sistemas de Cultivo de Soja nos Estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato
Grosso do Sul
C. De Mori1, E. Caeirão1, M. L. Strieder1, J. L. F. Pires1, G. S. Faé1 e V. M. Vieira1
1
Embrapa Trigo, Rodovia BR 285, km 294, CEP 99001-970 Passo Fundo, RS. E-mail:
[email protected], [email protected], [email protected], [email protected],
[email protected], [email protected]
Resumo: A ampla heterogeneidade edafoclimática e socioeconômica do espaço
agrícola brasileiro origina diferentes padrões de uso de tecnologias no cultivo da soja. O
presente trabalho teve por objetivo caracterizar os sistemas de cultivo de soja praticados
em algumas regiões dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul.
Por meio de painéis regionais, os sistemas foram caracterizados em termos de
rendimento de grãos esperado, manejo do solo, épocas de semeadura e de colheita,
espaçamento entre linhas, densidade de semeadura, cultivares predominantes, uso de
tratamento de sementes, adubação e manejo fitossanitário. Foram realizados sete painéis
regionais no período de outubro a dezembro de 2011. Os principais elementos de
variação entre os sistemas de cultivo dizem respeito à antecipação da época de
semeadura, ao tratamento de sementes com inseticida, a adubação de base, ao uso de
micronutrientes e ao número de aplicações de agroquímicos para controle de doenças e
pragas.
Palavras-chave: diagnóstico, uso de insumos externos, Glycine max L. Merrill.
INTRODUÇÃO
A soja é cultivada em grande parte do território brasileiro, desde altas latitudes no
sul do país até baixas latitudes equatoriais ao norte. Diferentes condições
edafoclimáticas, tipos de propriedade, níveis de capitalização, comportamento de
mercado de produtos e insumos e acesso à assistência técnica e à informação
condicionam a existência de diferentes sistemas de cultivo agrícola. Segundo a CONAB
(2012), a produção total de soja na safra 2011/12 foi de 66,37 milhões de toneladas e os
estados do RS, PR e MS responderam por 33,2% da quantidade total produzida. Neste
sentido, o presente trabalho teve por objetivo caracterizar os sistemas de cultivo de soja
praticados em algumas regiões dos estados do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato
Grosso do Sul.
MATERIAL E MÉTODOS
A identificação dos perfis dos sistemas de cultivo foi realizada por meio de painéis
regionais, os quais foram realizados no período de 03 de outubro a 17 de dezembro de
2011 em sete municípios: Três de Maio/RS, Vacaria/RS, Passo Fundo/RS,
Guarapuava/PR, Londrina/PR, Toledo/PR e Dourados/MS. A escolha dos locais foi
baseada em aspectos edafoclimáticos e de distribuição geográfica do cultivo da
leguminosa nos estados contemplados. Os painéis contaram com a participação de
representantes do setor agropecuário envolvidos com o cultivo de soja: produtores rurais,
assistência técnica (empresas estaduais, cooperativas e empresas privadas), agentes de
financiamento, representantes de empresas de insumos, pesquisadores, professores e
órgãos de classe. Previamente, foi encaminhado para os convidados um questionário on
line com algumas perguntas, sendo as respostas agrupadas e utilizadas como ponto de
partida para o debate. Durante a reunião, por meio de consenso entre os participantes,
foram caracterizados sistemas de cultivo com base em três níveis de uso de insumos
externos: baixo (BUI), médio (MUI) e alto (AUI). Em alguns locais, houve exclusão ou
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
205
inclusão de sistemas conforme a realidade local. Os sistemas foram descritos
considerando os seguintes aspectos: rendimento de grãos esperado, manejo de solo,
épocas de semeadura e de colheita, espaçamento entre linhas, densidade de
semeadura, cultivares predominantes, uso de tratamento de sementes, adubação e
manejo fitossanitário.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A Tabela 1 contempla o resumo dos sistemas de cultivo caracterizados nas
diferentes regiões. Os rendimentos esperados variaram entre 1.800 a 5.000 kg/ha, sendo
a faixa de 1.800 a 3.000 kg/ha predominante em sistemas com baixo uso de insumos
externos (BUI). Em sistemas de cultivo com médio uso de insumos externos (MUI), a
faixa de rendimento variou de 2.400 a 4.000 kg/ha e, em sistemas de alto uso de insumos
externos (AUI), de 3.000 a 5.000 kg/ha. Nas regiões de Guarapuava e Londrina, os
rendimentos estabelecidos para os sistemas foram maiores e, na região de Três de Maio,
foram atribuídos os menores rendimentos.
Todos os sistemas descritos são conduzidos sob semeadura direta, a qual se
concentra em final de setembro a começo de outubro na região norte do PR e sul do MS
e na segunda quinzena de outubro a segunda quinzena de novembro no RS e sul do PR.
Os relatos são de antecipação da época de semeadura em decorrência do perfil das
cultivares e da possibilidade de condução de safrinha de milho, no caso das regiões ao
norte do PR e MS, e de feijão, no sul do PR. Somente na região de Vacaria houve
distinção de época de semeadura em decorrência do perfil do sistema de cultivo com
semeadura mais tardia no caso do sistema BUI.
A quantidade de semente utilizada variou de 40 a mais de 60 kg de semente/ha,
em decorrência da cultivar e do perfil da semente, havendo tendência de maior
quantidade nas regiões norte do PR e MS. Em Vacaria, Passo Fundo e Guarapuava
houve distinção de quantidade superior de sementes nos sistemas BUI (Vacaria e Passo
Fundo) e AUI (Guarapuava). Não foi atribuída variação de espaçamento entre linhas em
função do perfil do sistema e o espaçamento de 45 cm é empregado na maioria das
regiões com exceção de Passo Fundo, onde o espaçamento estabelecido pelo grupo foi
de 50 cm. Embora o espaçamento entre linhas seja uniforme entre as regiões, o
levantamento indicou variação na população empregada de 20 a 40 plantas/m2, sendo
mais comum 30 plantas/m2. Em Londrina, Toledo e Guarapuava, as populações
especificadas foram maiores quando comparadas com as demais localidades. Em Três
de Maio, Vacaria e Toledo houve distinção de população conforme o perfil do sistema de
cultivo no caso do BUI (Vacaria – população maior que os demais sistemas) e AUI
(Toledo – população menor e Três de Maio – população maior quando comparados com
os demais sistemas de cultivo do local). Em algumas regiões, houve menção de uso de
cultivares específicas segundo o perfil do sistema empregado, mais especificamente, em
relação ao sistema BUI em relação aos outros dois níveis.
Em termos de tratamento de sementes, em todas as regiões foi estabelecida a
prática de tratamento com fungicida, somente sendo feita distinção nos municípios de
Passo Fundo e Guarapuava, onde os sistemas BUI foram descritos com não uso de
tratamento de sementes com fungicida. No caso de tratamento de sementes com
inseticida, prevalece a descrição de uso nos sistemas de MUI e AUI e de não uso em
sistemas BUI (Passo Fundo, Guarapuava, Londrina e Toledo). Todavia, em Dourados e
Três de Maio, a prática de tratamento com inseticida foi estabelecida como sendo
adotada por todos os sistemas. Chama atenção o baixo uso da técnica de inoculação de
sementes com Rhizobium e Bradyrhizobium e de relatos da execução da mesma
diretamente nas caixas das semeadoras. Em Três de Maio, Guarapuava e Londrina não
houve relato de uso da técnica em todos os sistemas. Em Passo Fundo, Toledo e
Dourados somente mencionou-se o uso da tecnologia em sistemas AUI. Somente em
Vacaria, apontou-se o uso da inoculação em todos os sistemas de cultivo. O uso de
micronutrientes nas sementes é empregado em todos os sistemas AUI e na maioria dos
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
206
MUI. Já no caso dos sistemas BUI, a prática de uso de micronutrientes na semente e
também na parte aérea não é empregada, diferente do sistema AUI onde a prática foi
citada como amplamente empregada. Nos sistemas de cultivo intermediário, observamse combinações por localidade. Em Três de Maio, Guarapuava e Londrina relatou-se o
uso de adubação com micronutrientes na semente e na parte aérea, enquanto em
Vacaria e Passo Fundo, somente o uso deste na semente e, em Toledo e Dourados, não
há uso em nenhum dos dois momentos.
Com relação ao manejo de adubação, ocorre adoção de quantidades crescentes
de fertilizantes de base com relação aos sistemas nas regiões de Três de Maio, Passo
Fundo, Londrina, Toledo e Dourados. Em Guarapuava, foi estabelecida a mesma
quantidade de fertilizante para todos os sistemas e, em Vacaria, o sistema BUI não faz
uso de adubação de base aproveitando o efeito residual do trigo, enquanto nos demais a
quantidade de fertilizantes é similar. As fórmulas mais citadas como empregadas foram 020-20, 2-20-20, 0-25-25 e 2-18-28. As quantidades de adubo empregadas são: de 100 a
200 kg de fertilizantes por hectare, no caso de sistemas de cultivo BUI, de 200 a 300
kg/ha, no sistema de cultivo MUI, e de 300 a 400 kg/ha, no sistema de alto uso de
insumos externos (AUI). Somente em Toledo e Londrina houve registro de uso de
adubação de cobertura com cloreto de potássio no sistema AUI.
As aplicações de herbicida pós-emergentes variaram de uma a duas aplicações,
sendo duas aplicações prática predominante. No caso de manejo de proteção, as
aplicações de fungicidas variaram de uma a cinco aplicações, na maioria misturas de
triazóis e estrobilurina, e, de uma até seis aplicações, no caso de inseticidas, com uso
predominante de fisiológicos e de piretróide + neonicotinóide. Em geral, observa-se
tendência crescente de adoção do número de aplicações totais dos sistemas BUI a AUI.
Outro aspecto que deve ser salientado refere-se ao aumento do número de aplicações, a
calendarização das aplicações e ao uso de meia dose, principalmente no caso do
inseticida, destacadamente pela ocorrência de percevejos durante o período de
enchimento de grãos.
CONCLUSÕES
O levantamento do padrão de tecnologia empregado no cultivo de soja auxilia na
avaliação do grau de adoção, pelos produtores, das tecnologias geradas. Os principais
elementos de variação entre os sistemas caracterizados são: antecipação da época de
semeadura, tratamento de sementes com inseticida, adubação de base, uso de
micronutrientes e número de aplicações de agroquímicos para controle de doenças e
pragas.
REFERÊNCIA
CONAB. Acompanhamento da safra brasileira: grãos, safra 2011/2012, nono
levantamento, junho 2012 34p. Disponível em:
<http://www.conab.gov.br/OlalaCMS/uploads/arquivos/12_06_12_16_15_32_boletim_port
ugues_junho_2012.pdf>. Acesso em: 23 jun. 2012.
Summary: The wide heterogeneity of edaphoclimatic and socioeconomic conditions of
the Brazilian agricultural space give rise to different technologies use patterns at soybean
cultivation. This study aimed to characterize the soybean cropping systems in use in some
regions of the Rio Grande do Sul, Parana and Mato Grosso do Sul states. The systems
were characterized in terms of expected grain yield, soil management, sowing and
harvesting periods, row spacing, plant population, most adopted cultivars, seed treatment,
fertilization and pest management. Seven expert panels were held from October to
December 2011. The main elements of variation were related to early sowing date, seeds
treatment with pesticides, use of fertilizers and use of micronutrients and the number of
applications to control diseases and pests.
Key words: diagnosis, use of external inputs, Glycine max L. Merril.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
207
Tabela 1. Síntese dos sistemas de cultivo de soja com baixo (BUI), médio (MUI) e alto
(AUI) uso de insumos externos, segundo levantamento realizado em painéis regionais no
estado do Rio Grande do Sul, Paraná e Mato Grosso do Sul, 2011.
ITEM
Rendimento de grãos esperado (kg/ha)
Sistema de manejo de solo
Quantidade de sementes (kg/ha)
Espaçamento entre linhas (cm)
2
População de plantas (plantas/m )
Cultivares predominantes
Tratamento de sementes com
fungicida
Tratamento de sementes com
inseticida
Inoculação da semente
Uso de micronutriente na semente
Uso de micronutriente na parte aérea
Adubação de semeadura - NPK
(kg/ha)
Adubação de cobertura
Aplicações de herbicida em pós
emergência (n°)
Aplicações de fungicida na parte aérea
(n°)
Aplicações de inseticida na parte
aérea (n°)
BUI
SISTEMAS DE CULTIVO
MUI
1.800 a 3.000
(2.500)
Semeadura Direta
40-60 (50)
45-50 (45)
20-40 (30)
semente salva, A
4725RG, A 6001RR,
A 7636RR, BMX
Apolo RR (Don
Mario 5.8i RR),
BMX Energia RR,
BMX Potencia RR,
BMX Titan RR, BMX
Turbo RR, BRS
232, BRS 257, CD
206RR, Fundacep
55RR, M6707 RR,
NA 4909RG, NA
5909RG, Vmax RR
2.400 a 4.000
(3.500)
Semeadura Direta
40-60 (50)
45-50 (45)
20-40 (30)
A 4725RG, A
6411RG, BMX Apolo
RR (Don Mario 5.8i
RR), BMX Energia
RR, BMX Força RR,
BMX Magna RR,
BMX Potencia RR,
BMX Titan RR, BMX
Turbo RR, BRS
239, BRS 245RR,
BRS 246RR, BRS
284, BRS Taura RR,
CD 250RR, FPS
Urano RR,
Fundacep 55RR,
Fundacep 61RR,
Fundacep 62RR,
Monasca, M6707
RR, NA 4990RR,
NA 5909RG, NS
4823RR, Roos
Camino RR, SYN
3358RR, Vmax RR
AUI
3.000 a 5.000
(4.000)
Semeadura Direta
40-60 (50)
45-50 (45)
20-40 (30)
A 4725RG, A
6411RG, A 7636RR,
BMX Apolo RR
(Don Mario 5.8i
RR), BMX Ativa RR,
BMX Força RR,
BMX Magna RR,
BMX Potencia RR,
BMX Titan RR, BMX
Turbo RR, BRS
239, BRS 245RR,
BRS 246RR, BRS
284, BRS Taura RR,
Fundacep 55RR,
Fundacep 61RR,
Fundacep 62RR,
Monasca, NA
5909RG, Roos
Camino RR, SYN
3358RR, Vmax RR
Não/Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Sim
Não
Não
Não
Não
Sim
Não
Sim
Sim
Sim
100-200 (150)
100-300 (250)
100-400 (350)
Não
Não
Não
1 a 2 (2)
2
2
1 a 3 (1)
2 a 4 (2)
3 a 5 (3)
1 a 2 (2)
2 a 4 (3)
3 a 6 (4)
OBS: valores entre parênteses correspondem a valores mais citados considerando todas as regiões.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
208
Sistemas de Corte de Palha e a Manutenção da Cobertura do Solo em Semeadura
Direta da Cultura da Soja
D.Eickstedt¹, C.C.Cord1, J.A.Freiberg1, M.Santos1, R.Güntzel1, M.P.Ludwig1, E.Girotto1
1
Instituto federal de Educação Ciência e Tecnologia Rio Grande do Sul Campus Ibirubá Rua Nelsi Ribas
Fritsch, 1111 | Bairro Esperança | CEP: 98200-000 | Ibirubá/RS RS. E-mail:,
[email protected] , [email protected], [email protected],
[email protected] , [email protected], [email protected],
[email protected]
Resumo: A introdução de novas tecnologias na agricultura permitiu o aumento da área
cultivada produtividade e a alteração da relação área cultivada por pessoa envolvida na
atividade. Das máquinas para cultivo as semeadoras são as que mais sofreram
modificações para operação dos sistemas. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o
desempenho de dois sistemas de corte palha quanto ao corte de palha e manutenção da
cobertura do solo na semeadura da cultura da soja, os sistemas de corte palha testados
foram disco e disco turbo e disco e disco sulcador. O experimento foi conduzido na área
didática e experimental do Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do
Sul, campus Ibirubá (IFRS - Campus Ibirubá). Situada na região fisiográfica do Planalto
Médio, Rio Grande do Sul, com clima Cfa (subtropical úmido) (MORENO,1961). O solo é
classificado como Latossolo Vermelho Distroférrico Típico (EMBRAPA, 1999), a área esta
localizada a 416 m acima do nível do mar a uma latitude sul de 28° 37’39’’ e longitude
oeste de 53° 05’23’’. O delineamento experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso
com três repetições. A semeadora utilizada neste foi fornecida pela Indústria de
Implementos Agrícolas Vence Tudo, com sete linhas espaçadas 0,45 cm os dois sistemas
de corte de palha disco e disco turbo e disco e disco sulcador. Foram utilizadas três
velocidades de deslocamento 3, 5 e 7 km/h. Além disso, com duas profundidades de
semeadura 3 e 5 cm, em cada velocidade de deslocamento. Foi avaliada a manutenção
da cobertura do solo após a passagem dos sistemas. . Na condição do experimento
concluiu-se que comparando os dois sistemas não ocorreu variação, porém na
profundidade de 3 cm ouve menor revolvimento do solo(tabela3), constatamos que foi
devido as condições do solo.
Palavras-chave: manutenção da palha, mecanização agrícola, semeadura direta,
sulcador.
INTRODUÇÃO
A introdução de novas tecnologias na agricultura permitiu o aumento da área
cultivada, produtividade e a alteração da relação área cultivada por pessoa envolvida na
atividade. Resultado que pode ser observado quando comparado à área cultivada no
Brasil em 1920 e 2011 que passou de 7 milhões para 48 milhões hectares e a produção
passou de 24 para 516 milhões de toneladas (IBGE, 2011). Além de permitir o aumento
da área cultivada atualmente as máquinas agrícolas têm de atender características de
qualidade, para permitirem o uso racional de insumos, sem perdas ou distribuição
heterogênea, permitindo a colheita com o mínimo de perda e garantido a máxima
qualidade do produto permitindo a distribuição de sementes e adubos corretamente
evitando problemas de emergência.
Das máquinas para cultivo as semeadoras são as que mais sofreram modificações para
operação dos sistemas, devido a necessidade de realizar o corte da cobertura vegetal, a
penetração do sulcador para abertura do sulco e cobertura deste com solo e palha com o mínimo
de mobilização do solo (SIQUEIRA et al., 2001). Desta forma perfazendo uma serie de avaliações
nos equipamentos para garantir a qualidade dos mesmos.
O desenvolvimento de novas tecnologias vem acontecendo de forma rápida no
setor agrícola, o que faz com que as empresa busquem cada vez mais o
desenvolvimento de equipamento com performance avançada. Atendendo assim a
demanda dos produtores, pois estes buscam equipamentos que permite a realização das
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
209
atividades com o máximo de eficiência. Atualmente na agricultura há criação de novos
consumidores de tecnologia, estes agricultores exigem qualidade dos equipamentos e
observam estas características no momento da aquisição de novos equipamentos. Além
da qualidade na realização das práticas culturas a durabilidade do equipamento é
fundamental para o bom desempenho do produto no mercado.
O objetivo do presente trabalho foi avaliar o desempenho de dois sistemas de corte palha quanto
ao corte de palha e manutenção da cobertura do solo na semeadura da cultura da soja, os
sistemas de corte palha testados foram disco e disco turbo e disco e disco sulcador.
MATERIAL E MÉTODOS
O experimento foi conduzido na área didática e experimental do Instituto Federal
de Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Sul, campus Ibirubá (IFRS - Campus Ibirubá).
Situada na região fisiográfica do Planalto Médio, Rio Grande do Sul, com clima Cfa
(subtropical úmido) (MORENO,1961). O solo é classificado como Latossolo Vermelho
Distroférrico Típico (EMBRAPA, 1999), a área esta localizada a 416 m acima do nível do
mar a uma latitude sul de 28° 37’39’’ e longitude oeste de 53° 05’23’’. O delineamento
experimental utilizado foi o inteiramente ao acaso com três repetições. A semeadora
utilizada neste foi fornecida pela Indústria de Implementos Agrícolas Vence Tudo, com
sete linhas espaçadas 0,45 cm os dois sistemas de corte de palha disco e disco turbo e
disco e disco sulcador. Foram utilizadas três velocidades de deslocamento 3, 5 e 7 km/h.
Além disso, com duas profundidades de semeadura 3 e 5 cm, em cada velocidade de
deslocamento. O trabalho foi realizado sobre cobertura de aveia preta e azevém, com
3000 kg de massa seca por hectare.
Para determinar a cobertura do solo após a passagem da semeadora foi utilizada trena
de 10m, sendo tomados pontos a 0,10 m, totalizando 100 pontos; a trena foi posicionada
em ângulo de 45º em relação ao sentido de deslocamento do conjunto trator-protótipo.
Foram contabilizados os pontos com ou sem palha e posteriormente calculado o
percentual de cobertura da área.
A análise estatística realizada foi através da ANOVA e teste de média utilizado foi
Tukey a 5% de probabilidade.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os sistemas de corte palha não afetaram na manutenção da cobertura do solo
(Tabela 1) As velocidades de semeadura com os valores de 3, 5 e 7 km também não
afetaram a manutenção da cobertura do solo (Tabela 2). As profundidades de semeadura
(Tabela 3) afetaram a manutenção da cobertura do solo. A profundidade maior revolve
mais o solo assim reduzindo a cobertura.
Ocorreu interação entre os sistemas de corte de palha e as profundidades de
semeadura. Na profundidade de 3 cm se observou menor manutenção da cobertura do
que a profundidade de 6 cm no sistema disco e disco turbo. Contudo, esses resultados
podem ter sido obtidos em função das alta umidade do solo . Quanto ao sistema de disco
e sulcador não ocorreu variação nos resultados nas diferentes profundidades, o que um
fato importante na busca de sistemas de semeadura direta com o mínimo de mobilização
(SIQUEIRA et al., 2001) e boa manutenção da cobertura no solo em diversas situações
de semeadura.
Tabela 1 – Cobertura do solo (%), em dois sistemas de corte de palha e abertura do sulco
disco-disco e disco-sulcador, em duas profundidades e média de cinco linhas. IFRS –
Campus Ibirubá.
Sistemas
Cobertura do solo (%)
Disco-disco
94 a
Disco-sulcador
94 a
*Médias seguidas por mesma letra não diferiram pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
210
Tabela 2 – Cobertura do solo (%), em dois sistemas de corte de palha e abertura do sulco
disco-disco e disco-sulcador, em duas profundidades e média de cinco linhas. IFRS –
Campus Ibirubá.
Velocidades
Cobertura do solo (%)
3 km/hora
95 a
5 km/hora
93 a
7 km/hora
93 a
*Médias seguidas por mesma letra não diferiram pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
Tabela 3 – Cobertura do solo (%), em dois sistemas de corte de palha e abertura do sulco
disco-disco e disco-sulcador, em duas profundidades e média de cinco linhas. IFRS –
Campus Ibirubá.
Profundidades
Cobertura do solo (%)
3 cm
95 a
6 cm
93 b
*Médias seguidas por mesma letra não diferiram pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
Tabela 4 – Cobertura do solo (%), em dois sistemas de corte de palha e abertura do sulco
disco-disco e disco-sulcador, em duas profundidades e média de cinco linhas. IFRS –
Campus Ibirubá.
Cobertura do solo (%)
Sistemas
3 cm
6 cm
Disco-disco
92 b B
96 a A
Disco-sulcador
94 a A
94 b A
*Médias seguidas por mesma letra não diferiram pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade de erro.
CONCLUSÕES
Na condição do experimento concluiu-se que comparando os dois sistemas não ocorreu
variação, porém na profundidade de 3 cm ouve menor revolvimento do solo(tabela3),
constatamos que foi devido as condições do solo, quando comparados os sistemas em
relação a profundidade constatamos que ocorreram variações, se tornando importante
que se regule a profundidade coreta de acordo com o sistema usado na hora da
semeadura.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
EMBRAPA. Centro Nacional de Pesquisa de Solos Sistema Brasileiro de Classificação de
Solos. Brasília: EMBRAPA Produção de Informações; EMBRAPA Solos, 1999. 412p.
IBGE. Produção vegetal e Área colhida dos estabelecimentos agropecuários por tipo de
produção vegetal - série histórica (1920/2006). 2007. Disponível em:
http://www.sidra.ibge.gov.br/bda/tabela/protabl.asp?c=283&z=t&o =11&i=P, Acesso em:
24 de junho de 2011.
SIQUEIRA, R.; CASÃO JUNIOR, R.; ARAÚJO, A. G. Escolha certa. Cultivar Máquinas,
v.1, n.4, p. 15-19. 2001.
ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR/9743 - Semeadora de fluxo
contínuo em linha
Summary: The introduction of new technologies in agriculture led to an increase in
cultivated area and productivity change in the relationship cultivated area per person
involved in the activity. Of machinery for planting the planters are the most suffered
modifications to operating systems. The objective of this study was to evaluate the
performance of two systems cut straw on the straw cutting and maintenance of soil cover
at sowing of soybean, straw cutting systems were tested turbo disk and disk and hard disk
and plow. The experiment was conducted at the didactic and experiential Federal Institute
of Science and Technology of Rio Grande do Sul, campus Ibirubá (IFRS - Campus
Ibirubá). Located in Plateau physiographic region of the Middle Rio Grande do Sul, with
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
211
Cfa climate (humid subtropical) (MORENO, 1961). The soil is classified as Hapludox
Characteristic (EMBRAPA, 1999), the area is located 416 m above sea level at a latitude
of 28 ° 37'39'' and longitude 53 ° 05'23'' . The experimental design was completely
randomized with three replications. The planter used in this was provided by the
Agricultural Implements Industry Wins All, with seven rows spaced 0.45 cm the two
systems straw cutting disk and hard disk drive and turbo and plow. We used three forward
speeds and 3, 5 and 7 km / h. In addition, two sowing depths 3 and 5 cm in each speed.
We evaluated the maintenance of soil cover after the passage of the systems. . In the
condition of the experiment was concluded that comparing the two systems there was no
variation, but at a depth of 3 cm hears low soil (Table 3), we found that was due to soil
conditions.
Keywords: maintenance of straw, farm machinery, tillage, plow.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
212
Levantamento de Perdas de Soja no Rio Grande do Sul Safra 2011/2012
Alencar Paulo Rugeri; José Enoir Daniel: Luiz Antonio Rocha Barcellos: Volnei Marin
Righi: Paulo Edgar da Silva.
A EMATER/RS com o objetivo de avaliar as perdas ocorridas na colheita da soja,
realizou levantamento de perdas na safra 2011/2012. Estes levantamentos foram
realizados pelos técnicos da instituição que foram capacitados para a realização da
atividade.
A atividade foi desenvolvida em 48 municípios das dez regiões administrativas de
EMATER/RS, que contemplam todas as áreas de produção de soja do estado. A área
amostrada correspondeu a
15.154 ha. O tamanho das propriedades amostradas
variou de 3ha a 500ha, onde 192 colheitadeiras fizeram parte do estudo, sendo que a
mais antiga foi do ano de 1974.
A metodologia utilizada nos trabalhos de levantamento de perdas na colheita de
soja, foi a desenvolvida pela EMBRAPA-Soja de Londrina, com 3 repetições de cada
ponto/colheitadeira/propriedade amostrada. Esta metodologia envolve o uso de uma
armação.
A área da armação tem 2,0 m², sendo obtida da seguinte maneira: largura da plataforma
da colhedora e outra medida y, Esta armação determina a área para se fazer a coleta dos
grãos. Os grãos são coletados num copo, denominado copo medidor volumétrico que tem
uma coluna numerada que determina a perda em sacos/hectare
A avaliação foi feita buscando-se as seguintes informações: produtor, município,
variedade, produtividade média do município, modelo e ano da colheitadeira, área da
propriedade e se é a colheita é realizada pelo proprietário ou terceirizada.
No levantamento de perdas foram obtidas as seguintes informações, perda média
de 94,2 kg/há, sendo que a variação foi de 6 kg/ha a 462 kg/ha, a idade média da
colheitadeira é de 18 anos.
O Estado do Rio Grande do Sul perdeu nesta safra de 11/12 o equivalente a
6.391.164 sacas considerando preço médio de R$ 50,00 tivemos uma perda de R$
320.000.000.00 Deve-se considerar a estiagem ocorrida influenciou fortemente no
rendimento da safra.
Palavras-chave: levantamento, perdas e análise.
Colaboradores
Welison José Valduga, Vilson Antonio Nadin, Josmar Freitas Veloso, Fabiano Maciel
Varela, Diego Barden dos Santos, Gustavo José Bonotto, Rogério Mazzardo, Dirceu
Segabinazzi Moller, Gilberto Welzel, Vitor Hugo Ribeiro da Luz, Jair Paulo Ross , Carlos
Laércio Dalla Corte.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
213
Atividades de Transferência de Tecnologia da Embrapa Trigo para Soja
na Safra 2011/12
V. M. Vieira1, G. S. Faé1, L. Eichelberger1, A. Acosta2, M. L. Strieder1, P. F Bertagnolli1, F. T.
F. Pereira2, M. P. da Silva2, L. Lunardi1 e J. Antunes1
1
Embrapa Trigo, BR 285, km 294, 99001-970, Passo Fundo, RS. E-mail: [email protected],
[email protected], [email protected],[email protected], [email protected],
2
[email protected], [email protected]. Embrapa Produtos e Mercado, Escritório de Passo
Fundo, BR 285, km 294, 99001-970, Passo Fundo, RS. Email: [email protected],
[email protected], [email protected]
Resumo: Este trabalho relata as atividades de transferência de tecnologia executadas
para a cultura da soja na safra 2011/12 pela Embrapa Trigo e Embrapa Produtos e
Mercado, Escritório de Passo Fundo. As atividades tiveram como objetivos: licenciar
cultivares, capacitar técnicos e agricultores acerca de cultivares e práticas de manejo e
comunicar à sociedade os temas relevantes para a cultura. O método de transferência de
tecnologia adotado seguiu dois modelos complementares. Um deles refere-se à produção
de sementes e ao licenciamento de cultivares, vinculado à oferta de cultivares pela
Embrapa Produtos e Mercado e à trajetória percorrida por elas no âmbito das empresas
de sementes. De outra parte, as atividades decorreram da programação dos diversos
projetos da Embrapa Trigo. Foram instaladas unidades demonstrativas (UDs) e vitrines de
tecnologias (VT) com organização de dias de campo (DC), palestras e eventos técnicos
com as rotinas associadas de planejamento, acompanhamento e avaliação das
atividades. A Embrapa Produtos e Mercado comercializou sementes básicas para
empresas de sementes e licenciou cultivares por meio de contratos nas diferentes
categorias de sementes. Esse modelo integrou-se às atividades de transferência de
tecnologia e comunicação da Embrapa Trigo. Foram instaladas 57 UDs com as cultivares
BRS Tordilha RR, BRS Estância RR e BRS Taura RR. Essas UDs foram a base para a
realização de sete DC, com participação de mais de 1.800 agricultores, técnicos e
estudantes. A destacar, ainda, a realização de duas VT com a participação de mais de
25.000 pessoas nas feiras Expodireto Cotrijal e Expoagro Afubra. Junto a essas
atividades foram proferidas 21 palestras sobre temas relacionados à cultura da soja,
totalizando público de 1.247 pessoas. Foram organizados 12 eventos como cursos, feiras
e seminários, que mobilizaram 26.278 pessoas. Nestas atividades, procurou-se informar
aos públicos interno e externo acerca dos eventos e das tecnologias transferidas por
meio de informativos locais, em páginas da web e artigos de divulgação em mídia. Nesse
aspecto, foram realizadas 40 inserções na imprensa.
Palavras-chave: Glycine max, dia de campo, unidade demonstrativa.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
214
VI - SESSÃO DE APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS INÉDITOS / DE DESTAQUE
Às 8h30min do dia 26 de julho de 2012, nas dependências do Auditório Principal da
Embrapa Trigo, situado na BR 285, km 294, em Passo Fundo, foi realizada a Sessão de
apresentação de trabalhos inéditos / de destaque, indicados pelas Comissões Técnicas,
sob coordenação da pesquisadora da Embrapa Trigo, Dra. Mercedes Concórdia CarrãoPanizzi. Os títulos e os apresentadores são a seguir nominados:
Comissão de Genética, Melhoramento e Tecnologia de Sementes: Avaliação da reação
de cultivares comerciais de soja ao excesso hídrico, safra 2011/12 – C. E. Lange, IRGA.
Comissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais: Fenologia de cultivares de soja
contrastantes em ciclo e tipo de crescimento, semeadas em cinco épocas - M. L. Strieder,
Embrapa Trigo
Comissão de Plantas Daninhas: Redução da infestação de arroz vermelho na soja
cultivada em várzea com herbicidas de ação residual – A. Vedelago, IRGA.
Comissão de Entomologia: Biologia e consumo de Spodoptera eridania e Anticarsia
gemmatalis (Lep.: Noctuidae) em folhas de soja – L. C. Dallagnol, UPF.
Comissão de Fitopatologia: Longevidade de escleródios de Sclerotinia sclerotiorum na
superfície do solo em condições de campo – R. Brustolin, UPF.
Comissão de Nutrição Vegetal e Uso do Solo: Produtividade da soja com adubação
adicional e descompactação do solo em plantio direto – L. Compagnoni, UFPel.
Comissão de Difusão de Tecnologia e Socioeconomia: Levantamento de perdas de soja
no Rio Grande do Sul safra 2011/2012 – A. P. Rugeri.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
215
VII - SESSÃO PLENÁRIA FINAL
Ata da Assembleia Geral da 39ª Reunião de Pesquisa da Soja da Região Sul
Às 10h40min do dia 26 de julho de 2012, nas dependências do Auditório Principal da
Embrapa Trigo, situado na BR 285, km 294, em Passo Fundo, foi realizada a Sessão
Plenária Final da XXXIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, sendo coordenada
pelo Eng. Agr. Aroldo Gallon Linhares, consultor da Fundação Pró-Sementes, e
secretariada pela pesquisadora Leila Maria Costamilan, da Embrapa Trigo. O relator da
Comissão de Nutição Vegetal e uso do Solo, Dr. José Eloir Denardin, da Embrapa Trigo,
procedeu ao relato de sua comissão, que foi aprovado pelo plenário. A seguir, foi lido o
relatório da Comissão de Genética, Melhoramento e Tecnologia de Sementes, por Gilmar
Berlanda, da Embrapa Trigo, e após algumas indicações de correções no texto
levantadas pela audiência, também foi aprovado. Seguiu-se o relato da comissão de
Fitopatologia, pela Bióloga Cláudia Cristina Clebsch, da Embrapa Trigo, que também foi
aprovado, após algumas correções sugeridas pela audiência. Foi dado prazo de 15 dias
para que as alterações sugeridas no texto das Indicações Técnicas fossem
encaminhadas. O relato da Comissão de Entomologia foi realizado pelo pesquisador
Paulo R. V. da Silva Pereira, da Embrapa Trigo, e o mesmo foi aprovado. A seguir, o Eng.
Agr. Giovani Stefani Faé, da Embrapa Trigo, fez o relato da Comissão de Difusão de
Tecnologia e Socioeconomia. A audiência manifestou-se pela maior rapidez da liberação
das Indicações Técnicas. Foi esclarecido que o mês de julho é o mais indicado para este
tipo de reunião, e que, tão logo o texto das Indicações esteja pronto, será liberado
digitalmente na página da Embrapa Trigo, além de ser distribuído de forma impressa,
posteriormente. O relato foi, então, aprovado. O relato da Comissão de Plantas Daninhas
foi feito por Mércio Luiz Strieder, pesquisador da Embrapa Trigo. Esta Comissão foi
reunida, neste ano, com a Comissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais, devido
ao pequeno número de presentes. Foi dado prazo de 15 dias para que as alterações de
produtos químicos nas Tabelas sejam efetivadas. O relatório foi, então, aprovado. Seguiuse o relatório da Comissão de Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais, pelo mesmo
relator. Durante o encontro desta Comissão, por solicitação da Federação da Agricultura
do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), foi elaborada Carta ao Sr. Secretário de Política
Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Caio Tibério Rocha,
solicitando a revisão do Zoneamento Agrícola de Risco Climático para a cultura de soja
no Estado do Rio Grande do Sul, ano-safra 2012/2013, conforme Portaria 136/2012 (DOU
10/07/2012). A mesma foi lida pelo Coordenador da Comissão, Eng. Agr. Giovani
Theisen, da Embrapa Clima Temperado. Seguiram-se debates sobre a referida carta. A
Eng. Agr. Cláudia Lange, do IRGA, mencionou a inclusão de municípios a esta
solicitação. Ficou definido que um grupo, liderado por Mércio Strieder, realizaria melhorias
na redação e que a Coordenação da Reunião faria o encaminhamento da mesma. A
seguir, o Eng. Agr. Aroldo Linhares devolveu a palavra à Coordenadora da Reunião,
pesquisadora Leila Costamilan, que se pronunciou sobre prazos para recebimento de
termos de licenciamento de resumos (30 dias), sobre liberação dos textos das Indicações
Técnicas (on-line, no site da Embrapa Trigo e, posteriormente, impresso, sendo
encaminhado um exemplar para cada participante inscrito) e da Ata e Resumos (somente
em CD, sendo encaminhado um exemplar para cada participante inscrito). Foram
definidos os responsáveis para a realização das próximas duas Reuniões, ficando a
Embrapa Clima Temperado responsável por 2014 e a Faculdade de Agronomia e
Medicina Veterinária da UPF, para 2016. Nada mais havendo a tratar, foram encerradas a
Assembleia Geral e a XXXIX Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul, às 12h20min.
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
216
VIII - REGIMENTO INTERNO DA REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL
CAPÍTULO I
DA DEFINIÇÃO E DOS OBJETIVOS
Art. 1º A Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul (RPS - Sul) congrega a cada
dois anos (2 anos), preferencialmente no mês de julho, as instituições/entidades de
Pesquisa Agronômica, Assistência Técnica, Extensão Rural e Economia da Produção,
dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, com o apoio da Embrapa Soja.
Parágrafo único: Convocação extraordinária.
A coordenação da Reunião poderá convocar sessões extraordinárias de uma ou
mais comissões, para análise e tomada de decisões sobre assuntos de extrema
relevância. A sessão extraordinária deverá ocorrer preferencialmente no mês de julho do
ano posterior a reunião ordinária. A decisão da comissão, que é soberana nestes casos,
será repassada as demais instituições credenciadas, presentes na última reunião
ordinária.
Art. 2º O objetivo geral da reunião é avaliar resultados, elaborar indicações
técnicas e planejar a pesquisa com soja para a região, integrando os programas das
instituições/entidades de pesquisa, consideradas as peculiaridades inerentes às
diferentes áreas de cada Estado.
Art. 3º Os objetivos específicos da reunião são os seguintes:
a. Ampliar e aperfeiçoar o plano integrado interinstitucional e interdisciplinar de
pesquisa com a cultura da soja;
b. Promover a participação efetiva das Instituições/entidades de assistência
técnica, de extensão rural, de economia da produção e associações de profissionais de
agronomia, na elaboração do plano integrado de pesquisa e de difusão de tecnologia de
soja para a região, especificadas no Art. 10°, alínea “b”.
CAPÍTULO II
DO FUNCIONAMENTO
Art. 4º A Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul funcionará sob o sistema de
Comissões Técnicas.
Parágrafo 1º As comissões técnicas serão as seguintes:
a. Genética, Melhoramento e Tecnologia de Sementes;
b. Nutrição Vegetal e Uso do Solo;
c. Fitopatologia;
d. Entomologia;
e. Controle de Plantas Daninhas;
f. Ecologia, Fisiologia e Práticas Culturais; e
g. Difusão de Tecnologia e Socioeconomia.
Parágrafo 2º Para cada Comissão Técnica serão eleitos, anualmente, um Coordenador e
um Relator. A escolha do Coordenador e do Relator será feita pelos membros da
Comissão, sob a presidência, preferencialmente, do Coordenador da reunião anterior.
Parágrafo 3º Os mandatos do Coordenador e do Relator se estenderão até a reunião
seguinte.
Parágrafo 4º Compete ao Coordenador:
a. Dirigir os trabalhos da Comissão Técnica;
b. Nomear um Relator substituto nos impedimentos do titular.
Parágrafo 5º Compete ao Relator:
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
217
a. Elaborar documento/relatório contendo as informações de maior relevância
obtidas pelas instituições/entidades em sua respectiva Comissão Técnica e apresentá-lo
na sessão plenária de Assembléia Geral de que trata o Art. 5º, alíena “f”;
b. Elaborar a ata dos trabalhos de sua Comissão e apresentá-la na Sessão de
Assembléia Geral de que trata do Art. 5º, alínea “f”;
c. Substituir o Coordenador em seus impedimentos e, neste caso, nomear um dos
Membros como Relator Substituto.
CAPÍTULO III
DAS SESSÕES
Art. 5º A reunião constará de:
a. Sessão Plenária Solene de Abertura com a finalidade de saudação aos
participantes, recebimento de credenciais e informações gerais;
b. Sessão Plenária de Apresentação do Relatório Técnico sobre o desempenho da
soja e/ou do negócio soja nas últimas safras nos Estados do Rio Grande do Sul e de
Santa Catarina, a ser apresentado pelas EMATER-RS, EMATERSC/(EPAGRI) e
Cooperativas;
c. Sessões Técnicas por Comissão com o objetivo de apresentação e discussão
dos resultados, elaboração de indicações técnicas e planejamento de pesquisa,
envolvendo a avaliação das necessidades e prioridades de pesquisa, segundo cada
Comissão Técnica e seleção (escolha/eleição) de trabalhos inéditos para apresentação
na Sessão Plenária de que trata a alínea “e”, deste Art. 5°;
d. Sessão Plenária de Seminário Técnico da Cadeia Produtiva da Cultura da Soja,
desenvolvido através de Palestras e/ou Painéis de interesse do agronegócio;
e. Sessão Plenária de apresentação de Trabalhos Inéditos e considerados
inovações tecnológicas consolidadas de cada Comissão Técnica. Serão apresentados,
no máximo, 07 (sete) trabalhos, tendo para cada trabalho 12 (doze) minutos para a sua
apresentação, não permitindo perguntas;
f. Sessão Plenária de Assembléia Geral com o objetivo de apresentação e
aprovação dos relatórios/atas e resoluções das Comissões Técnicas, definição das
instituições promotoras das duas reuniões seguintes, assuntos gerais, discussão e
votação de sugestões de alteração deste Regimento Interno e encerramento do evento;
CAPÍTULO IV
DAS ATIVIDADES TÉCNICAS
Art. 6º A apresentação dos resultados de pesquisa será feita em nível de
Comissão Técnica como trata o Art. 5º, alínea “c”. O tempo destinado a cada trabalho
será definido com base no número total de trabalhos a serem apresentados, de modo a
possibilitar elaboração das indicações técnicas e o planejamento da pesquisa, dentro do
período estabelecido para o trabalho das Comissões.
Parágrafo Único Os resultados da avaliação econômica dos sistemas de produção,
empregados nos campos e nas unidades de demonstração, serão apresentados por
qualquer uma das entidades credenciadas e/ou por convite a terceiros da Coordenação
da Reunião.
Art. 7º Nas sessões das Comissões Técnicas para apresentação de trabalhos,
discussão de resultados, elaboração de indicações técnicas e planejamento de pesquisa,
cada Comissão deverá:
a. Selecionar (escolher/eleger) trabalhos inéditos/destaques para apresentação na
Sessão Plenária de que trata a alínea “e”, do Art. 5°;
b. Elaborar indicações à Assistência Técnica e Extensão Rural, detalhando e
aprofundando as informações, à luz dos resultados obtidos e do avanço científico em
cada área do conhecimento, explicitando os métodos e processos adotados no
desenvolvimento das tecnologias;
c. As Comissões Técnicas devem prever espaços para reuniões conjuntas em
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
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temas que tenham interface na formulação, detalhamento e consolidação das indicações
técnicas (exemplo, o tema Rotação de Culturas, envolverá as Comissões de Ecologia,
Fisiologia e Práticas Culturais; Nutrição Vegetal e Uso do Solo; Fitopatologia;
Entomologia e Melhoramento Genético e Tecnologia de Sementes);
d. Equacionar as medidas consideradas indispensáveis à melhor integração,
execução e coordenação das atividades de pesquisa;
e. Detalhar o planejamento de pesquisa e a metodologia proposta, analisada em
nível de experimento. Nessas reuniões, poderá ser solicitada a assessoria de técnicos
vinculados às demais Comissões.
Art. 8º Na Sessão Plenária de Apresentação de Trabalhos Inéditos serão
apresentados os trabalhos de maior relevância e/ou inéditos que foram selecionados nas
Sessões das Comissões Técnicas, relacionadas no Art. 4º,
Parágrafo 1º.
Art. 9º Na sessão plenária de Assembléia Geral, o Relator de cada Comissão
Técnica apresentará as informações e conclusões relativas às alíneas “a”, “b” e “c” do Art.
7º e relacionará as instituições/entidades e os locais de execução, ressaltando as
pesquisas conduzidas de forma integrada.
CAPÍTULO V
DOS PARTICIPANTES
Art. 10 A Reunião de Pesquisa de Soja da Região Sul congregará duas categorias
de entidades participantes:
a. De Pesquisa:
Entidades Oficiais, Fundações, Organizações de Cooperativas Agrícolas e Empresas que
realizam pesquisa com soja:
1. Embrapa Soja;
2. Embrapa Clima Temperado;
3. Universidade Federal de Santa Maria - UFSM;
4. Fundação Centro de Experimentação e Pesquisa FUNDACEP/FECOTRIGO;
5. Universidade Federal do Rio Grande do Sul - UFRGS;
6. Universidade Federal de Pelotas – UFPEL;
7. Universidade de Passo Fundo - UPF;
8. Fundação Estadual de Pesquisa Agropecuária – FEPAGRO;
9. Empresa de Pesquisa Agropecuária e Difusão de Tecnologia de Santa Catarina
- EPAGRI;
10. Embrapa Trigo;
11. Universidade de Cruz Alta – UNICRUZ;
12. SANTAGRO;
13. SEEDS – Serviço Especial em Diagnose de Sementes Ltda;
14. Cooperativa Central de Pesquisa Agrícola – COODETEC.
b. De Apoio:
1. Associação Sulina de Crédito e Assistência Rural - ASCAR/Associação
Riograndense de Empreendimentos de Assistência Técnica Extensão Rural EMATER/RS;
2. Empresa de Pesquisa Agropecuária e Difusão de Tecnologia de Santa Catarina
- EPAGRI;
3. Federação de Cooperativas Agropecuárias de Santa Catarina – FECOAGRO;
4. Departamento de Pesquisa e Desenvolvimento – DPD Embrapa;
5. Banco do Brasil S/A;
6. Comissão Estadual de Sementes e Mudas do Estado do Rio Grande do Sul CESM/RS;
7. Comissão Estadual de Sementes e Mudas do Estado de Santa Catarina
XXXIX REUNIÃO DE PESQUISA DE SOJA DA REGIÃO SUL – Atas e Resumos
219
CESM/SC;
8. Associação dos Produtores de Sementes do Rio Grande do Sul – APASSUL;
9. Associação de Produtores de Sementes de Santa Catarina – APROSESC;
10. Embrapa Produtos e Mercado;
11. Seção de Defesa Sanitária Vegetal da Delegacia Federal da Agricultura do Rio
Grande do Sul;
12. Seção de Defesa Sanitária Vegetal da Delegacia Federal da Agricultura de
Santa Catarina;
13. ANDEF- Associação Nacional de Defesa Vegetal;
14. ANDA – Associação Nacional para Difusão de Adubos;
15. AENDA – Associação das Empresas Nacionais de Defensivos Agrícolas;
16. APAs - Associações de Profissionais de Agronomia.
Art. 11 Outras Instituições podem ser admitidas na RPS-Sul desde que:
a. Estejam realizando pesquisa nos Estados de atuação da RPS-Sul, definida no
Art. 1° deste Regimento;
b. Justifiquem a sua admissão por trabalhos realizados, trabalhos em andamento
e tenham estrutura de pesquisa na(s) área(s) de atuação especificadas no Art. 4°,
Parágrafo 1°;
c. Solicitem sua admissão ao Coordenador da RPS-Sul até 30 de abril do ano de
realização da reunião, sendo a mesma apreciada e aprovada na sessão plenária de
Assembléia Geral da Reunião, de que trata o Art. 5°, alínea f.
CAPÍTULO VI
DO CREDENCIAMENTO DE REPRESENTANTES E VOTAÇÃO
Art. 12 Cada instituição/entidade de pesquisa indicará os representantes para
cada Comissão Técnica, prevista no Parágrafo 1º do Art. 4º, desde que a mesma realize
trabalhos nas linhas de pesquisa que caracterizam cada Comissão.
Art. 13 Cada instituição/entidade de pesquisa credenciará um titular que terá
direito a voto nas sessões da Comissão Técnica a que pertence e na Sessão de
Assembléia Geral (Art. 5º, alínea “f”). Cada instituição/entidade de pesquisa credenciará
também um suplente, com direito a voto na ausência do titular.
Art. 14 Cada instituição/entidade de assistência técnica ligada ao Sistema
EMBRATER (EMATERs) poderá credenciar um titular para cada uma das Comissões
Técnicas constantes no Parágrafo 1º do Art. 4º, o qual terá direito a voto nas Sessões da
Comisssão Técnica respectiva. Para a Sessão de Assembléia Geral constante na alínea
“f” do Art. 5º, essas instituições/entidades credenciarão um titular com direito a voto. As
instituições/entidades poderão, também, credenciar um suplente, em ambos os casos,
com direito a voto na ausência do titular.
Parágrafo Único As organizações ANDA, ANDEF, AENDA e APAs terão os mesmos
direitos constantes nesse Art. 14°, nas seguintes condições: ANDEF e AENDA nas
Comissões Técnicas “c”, “d” e “e” com direito a um voto para cada associação, ANDA na
“b” e APAs em todas as comissões, constantes do Parágrafo 1º, do Art. 4º.
Art. 15 Para todas as sessões, o regime de votação será o de maioria simples
(cinqüenta por cento mais um dos representantes com direito a voto), salvaguardada a
possibilidade do voto de minerva do Coordenador da Comissão Técnica, nas sessões
das Comissões, e do Presidente da Mesa, na Sessão Plenária de Assembléia Geral.
CAPÍTULO VII
DAS DISPOSIÇÕES GERAIS
Art. 16 Os trabalhos de organização da Reunião de Pesquisa de Soja da Região
Sul ficarão a cargo da Instituição/entidade escolhida na última reunião, obedecendo um
sistema de rodízio interinstitucional.
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Parágrafo Único Apenas as Entidades de Pesquisa enquadradas na alínea “a” do Art. 10
entrarão no sistema de rodízio interinstitucional para organizar a Reunião de Pesquisa de
Soja da Região Sul – RPS-Sul.
Art. 17 A escolha do Presidente de mesa, para a Sessão Plenária de Assembléia
Geral, ficará a cargo da Comissão Organizadora.
Art. 18 Os representantes credenciados pelas instituições participantes deverão
entregar na Secretaria da Reunião, no momento da inscrição, seu credenciamento. Os
trabalhos devem ser entregues eletronicamente, de acordo com a forma e modelo
solicitado pela Comissão Organizadora.
Art. 19 Os casos omissos neste Regimento Interno serão resolvidos na sessão
plenária de Assembléia Geral da Reunião, prevista no Art. 5°, alínea f.
Regimento Interno Aprovado na XXXII RPS-Sul, em 29/07/2004 e atualizado na
XXXVIII RPS-Sul, em 05 de agosto de 2010.
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