FACULDADE DE EDUCAÇÃO DO VALE DO IPOJUCA S/A – SESVALI S/A FACULDADE DO VALE DO IPOJUCA – FAVIP CURSO DE BACHARELADO EM NUTRIÇÃO LILIAN DE LUCENA OLIVEIRA SUZANNE LÍVIA RAMALHO DA SILVA ÍNDICE DE REJEITO DE MERENDA ESCOLAR NAS ESCOLAS DE SANTA MARIA DO CAMBUCÁ - PE CARUARU 2011 LILIAN DE LUCENA OLIVEIRA SUZANNE LÍVIA RAMALHO DA SILVA ÍNDICE DE REJEITO DE MERENDA ESCOLAR NAS ESCOLAS DE SANTA MARIA DO CAMBUCÁ - PE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade do Vale do Ipojuca, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Nutrição. Orientadora: Profª. MsC. Carolina Estevam Fernandes CARUARU 2011 O482i Oliveira, Lilian de Lucena. Índice de rejeito de merenda escolar nas escolas de Santa Maria do Cambucá-PE / Lilian de Lucena Oliveira e Suzanne Lívia Ramalho da Silva. -- Caruaru : FAVIP, 2011. 18 f. : Orientador(a) : Carolina Estevam Fernandes. Trabalho de Conclusão de Curso (Nutrição) -- Faculdade do Vale do Ipojuca. Inclui anexo e apêndice 1. Merenda escolar. 2. Rejeito. 3. Sobras. 4. Aceitação. I. Silva, Suzanne Lívia Ramalho da. II. Título. CDU 612.3[12.1] Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 LILIAN DE LUCENA OLIVEIRA SUZANNE LÍVIA RAMALHO DA SILVA ÍNDICE DE REJEITO DE MERENDA ESCOLAR NAS ESCOLAS DE SANTA MARIA DO CAMBUCÁ - PE Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade do Vale do Ipojuca, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel em Nutrição. Orientadora: Profª. MsC. Carolina Estevam Fernandes Aprovado em: ___/___/____ Orientador(a): ____________________________________________________________ 1º Avaliador(a): ___________________________________________________________ 2º Avaliador(a): ___________________________________________________________ CARUARU 2011 Dedicamos a Deus e as nossas famílias. AGRADECIMENTOS A Deus pelo dom da sabedoria e por tudo que nos tem concedido e, sobretudo pela paciência e coragem para seguir em frente nessa jornada. Aos nossos pais pelo apoio constante e por concretizar o nosso sonho, e ao meu namorado, pela tamanha paciência e estímulo nos momentos mais difíceis. A todos que fazem parte das Escolas Professor Agripino de Almeida e Escola de Referência em Ensino Médio João David de Souza pela contribuição na realização deste projeto. A nossa orientadora, Carolina Estevam Fernandes, que com sua experiência e conhecimento nos orientou de maneira eficaz, colaborando diretamente em todos os momentos na execução desta pesquisa. A todos os amigos e familiares que incentivaram direta e indiretamente não nos deixando desistir dos nossos ideais e metas. De uma maneira especial, agradecemos a nossa amiga Narjara Lopes que em todos os momentos esteve presente e foi de suma importância em todo decorrer do projeto, no entanto por motivo de força maior não pode concluir conosco. “O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós.” Clarice Lispector SUMÁRIO Resumo ........................................................................................................................ 7 Abstract ....................................................................................................................... 8 Introdução .................................................................................................................... 9 Metodologia ................................................................................................................. 11 Resultados e discussão................................................................................................. 13 Conclusão ..................................................................................................................... 17 Referências ................................................................................................................... 18 Apêndice Apêndice 1 – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE)............. 21 Anexo 1 – Normas da Revista Higiene Alimentar........................................... 23 Anexos Índice de Rejeito de Merenda Escolar nas Escolas de Santa Maria do Cambucá – PE Lilian de Lucena Oliveira1, Suzanne Lívia Ramalho da Silva1. Carolina Estevam Fernandes2 ¹Graduandas em Nutrição pela Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP, Caruaru/PE; ²Doutoranda da Pós-Graduação em Nutrição UFPE/Docente da Faculdade do Vale do Ipojuca – FAVIP, Caruaru/PE e da Faculdade São Miguel-FSM, Recife/PE. Resumo O presente estudo teve como objetivos avaliar e calcular o índice de rejeito e verificar as características organolépticas da merenda escolar de duas escolas, sendo uma da rede municipal de ensino e outra da rede estadual localizadas na cidade de Santa Maria do Cambucá-PE. A pesquisa realizou-se no período de cinco dias consecutivos, no turno da manhã e da tarde. A amostra foi obtida através da pesagem da merenda escolar produzida e distribuída, bem como das sobras limpas, sujas e o rejeito. Os resultados foram obtidos por meio do cálculo de índice de rejeito proposto por Abreu (2003) e classificado segundo Aragão (2005). As preparações que obtiveram menor índice de rejeito na Escola Municipal Agripino de Almeida foram a papa de maisena sabor chocolate e o arroz com soja e salsicha. Na Escola Estadual de Referência João David de Souza as preparações mais aceitas foram o arroz doce e a sopa com charque. Os valores médios do índice de rejeito na escola municipal e na estadual foram respectivamente 12% e 19,6% considerados elevados de acordo com os percentuais classificados por Aragão (2005), o que é considerado inaceitável. Palavras – chaves: Merenda escolar. Rejeito. Sobras. Aceitação. Abstract This study aims to assess and calculate the rate of rejection and check the organoleptic characteristics of school lunches for two schools, one of the municipal schools of the state and the other located in the city of Santa Maria do Cambucá-PE. The study was conducted over five consecutive days in the morning and afternoon. The sample was obtained by weighing the school meals produced and distributed, as well as clean scrap, waste and dirty. The results were obtained by calculating the rate of waste proposed by Abreu (2003) and ranked second Aragon (2005). Preparations had lower rates of waste at the Municipal School Agripino de Almeida were the Pope cornstarch chocolate flavored with soy and rice and sausage. In State School Reference John David de Souza preparations were the most accepted and sweet rice soup with beef jerky. The mean values of the index of municipal waste in the school and the state were 12% and 19.6% considered high according to the percentage classified by Aragon (2005), what is considered unacceptable. Keywords: School Meal. Rejected. Leftovers. 9 Introdução Merenda escolar ou mais precisamente alimentação escolar não se restringe a um lanche rápido e reduzido que apenas sacie a fome do escolar, mas sim uma refeição equilibrada e completa tendo em vista o fornecimento dos nutrientes necessários ao desenvolvimento do aluno enquanto sua permanência na escola (WEIS; ABRAHÃO; BELIK, 2007). Tendo em vista a importância de uma alimentação escolar de qualidade e segura do ponto de vista nutricional, em 1955 foi criado o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), sendo este o mais antigo programa social destinado atuar na área de alimentação e nutrição (COIMBRA, 1982; CARVALHO, 2005). Regulamentado pela Resolução FNDE/CD nº 32, o PNAE funciona por meio da transferência de recursos financeiros em caráter complementar, de forma a garantir, no mínimo, 15% das necessidades diárias dos alunos beneficiados e 30% para alunos indígenas e quilombolas. Este programa tem como objetivo atender às necessidades nutricionais dos alunos durante sua permanência em sala de aula, contribuindo para o crescimento e desenvolvimento dos alunos; a aprendizagem e o rendimento escolar; a formação de hábitos alimentares saudáveis; dinamização da economia local; respeito aos hábitos regionais e a vocação agrícola da região (BRASIL, 2006). O profissional apto para realizar as atividades do PNAE é o nutricionista, que é responsável pelo planejamento dos cardápios, pela avaliação da aceitação da merenda, pela supervisão na produção, além do incentivo de práticas alimentares saudáveis através da educação nutricional. Dentre estas atividades destaca-se a avaliação da aceitação da merenda, que pode ser realizada mediante o controle do índice de rejeito, este é conceituado como a relação entre o resto devolvido nos pratos pelos alunos e a quantidade da merenda oferecida, expressa em percentual. O controle do resto ingestão visa avaliar a adequação das quantidades preparadas em relação às necessidades de consumo (sobras), o porcionamento da distribuição e aceitação do cardápio (restos) (MAISTRO, 2000; TEIXEIRA et al., 2007). O desperdício da merenda escolar é um fator preocupante do ponto de vista nutricional, pois pode acarretar futuras deficiências nutricionais aos alunos. Embora o crescimento ponderal das crianças seja lento, a alimentação nesta fase deve atingir todos os parâmetros (energéticos, protéicos, lipídicos, vitamínicos e de fibras) (JACOBSON, 1998). É importante que a merenda ofertada contemple os hábitos alimentares e regionais dos 10 escolares, e que estes recebam rotineiramente orientações sobre uma alimentação equilibrada, para que evite o consumo de alimentos não saudáveis, como guloseimas açucaradas e lanches gordurosos que são proibidos na merenda, mas que ainda são muito consumidos nas escolas, e que interferem também no rejeito da merenda escolar. Sabendo da importância de uma merenda escolar de qualidade que atenda as necessidades nutricionais recomendadas, considerando os hábitos alimentares e regionais dos escolares, o presente estudo objetivou avaliar o desperdício na merenda escolar determinando o índice de rejeito e identificando as principais causas que o influenciam. 11 Metodologia O presente estudo foi desenvolvido no município de Santa Maria do Cambucá, localizada no estado de Pernambuco, tendo sido submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade do Vale do Ipojuca. As escolas nas quais se realizou a pesquisa foram uma municipal e uma estadual, sendo a municipal a Escola Professor Agripino de Almeida constituída por 1598 alunos do maternal ao 9º ano. A Escola Estadual de Referência João David de Souza é constituída por 658 alunos do ensino fundamental e médio. Vale ressaltar que há dois tipos de alimentação escolar nesta instituição, sendo uma obtida de uma empresa terceirizada destinada aos 108 alunos do ensino médio que permanecem na escola por um período semi-integral e outra refeição produzida na própria escola que é servida no horário de intervalo aos demais alunos, sendo esta a que foi avaliada no estudo. Inicialmente foi enviada uma Carta de Anuência às escolas onde se realizou a pesquisa, que teve como finalidade contactar a direção informando-a sobre os objetivos da pesquisa bem como a relevância do tema para a sociedade. Durante o período de cinco dias consecutivos, realizou-se a pesagem desde a refeição produzida, passando pela refeição distribuída até o rejeito por parte dos alunos. Na escola Agripino de Almeida a pesagem foi realizada no turno da manhã enquanto que na escola João David de Souza foi no turno da tarde. Para a obtenção dos dados, utilizou-se uma balança digital com capacidade de 20 kg (Filizola), descontando o peso do recipiente que acondicionava a preparação. A partir de então, deu seguimento ao tempo destinado à alimentação dos alunos. Terminando este tempo, os alunos devolveram os pratos contendo ou não o resto alimentar no local indicado pelas pesquisadoras. Um cesto de lixo previamente selecionado foi colocado em local estratégico, tendo como finalidade o aporte de cascas e ossos, já que estes se tratam de materiais não comestíveis. Para obtenção do peso da refeição distribuída e não consumida, foi utilizada um recipiente específico onde foi depositado o alimento rejeitado, após desconto do peso do mesmo utilizado. O Índice de Rejeito (IR) foi calculado de acordo com Abreu (2003), dividindo-se o peso da refeição rejeitada pelo peso da refeição distribuída, e transformando-se em percentual. O índice semanal obtido foi classificado segundo Aragão (2005) em ótimo, bom, ruim e inaceitável, levando-se em consideração os seguintes intervalos: ótimo: índice de 0 a 3,0%; 12 bom: 3,1 a 7,5%; ruim: 7,6 a 10%; inaceitável: acima de 10%. E o índice de aceitabilidade foi obtido através do cálculo da subtração do total da merenda produzida (100%) pela porcentagem do índice de rejeito obtido tendo como resultado o valor em percentual. 13 Resultados e Discussão De acordo com a tabela 1 abaixo, o cardápio da merenda escolar ofertado pela escola Municipal Agripino de Almeida, durante os cinco dias de pesquisa, baseava-se nas seguintes preparações: arroz com soja e salsicha; cuscuz ao molho de soja; papa de maisena sabor chocolate; xerém com soja e mortadela e arroz com soja e mortadela. A papa de maisena sabor chocolate foi a preparação com maior índice de aceitação (96,5%), seguida do arroz com soja e salsicha (94%). Por outro lado, as preparações de menor aceitação pelos alunos foram: xerém com soja e mortadela (81,9%) e arroz com soja e mortadela (89,4%). Tabela 1 - Peso em kg das preparações, índice de rejeito, sobra e Índice de Aceitabilidade (I.A.) segundo Gandra e Gambardella (1983), da merenda escolar da Escola Professor Agripino de Almeida, no turno da manhã- Santa Maria do Cambucá - PE, 2011. Dias/ Cardápio Manhã 1° Arroz com Quant. Refeições Refeições Sobras Sobras Rejeito Rejeito I.A. Refeições Produzidas Servidas (kg) % (kg) % % (kg) (kg) (kg) 257 26,700 25,600 1,100 4,1 3,300 12,9 94,0 188 30,600 18,800 11,800 38,5 2,800 14,9 85,1 567 56,700 56,700 0 0 2,000 3,5 96,5 237 33,000 32,700 0,300 0,9 6,000 18,2 81,9 283 28300 28,300 0 0 3,000 10,6 89,4 324,4 35,060 32,420 2,640 8,7 3,420 12,0 89,4 soja e salsicha 2° Cuscuz ao molho de soja 3° Papa de Maisena 4° Xerém com soja e mortadela 5° Arroz com soja e mortadela MÉDIA - 14 Em relação ao elevado índice de aceitação da papa de maisena deve-se considerar que os fatores que interferiram diretamente estão ligados ao sabor de chocolate, pois se trata de um dos sabores de maior preferência à faixa estaria atendida. Outro fator de relevância está associado à temperatura morna da preparação, agradando, desta forma, a preferência alimentar da maioria dos escolares. Por outro lado, no índice correspondente ao xerém com soja, Flávio (2004) relata que preparações a base de milho e seus derivados geram um elevado grau de saciedade. Sugere-se, então, que como na escola Agripino a repetição da refeição ocorre em grande quantidade, aumentando a ingesta da merenda e reduzindo as sobras, esta preparação saciou precocemente os escolares, reduzindo a repetição, por parte dos mesmos, e consequentemente elevando o índice de rejeito. No mesmo estudo realizado por Flávio (2004) foi analisado que preparações que continham o arroz como prato principal, apresentavam maior adesão por parte dos escolares. Diferentemente dos resultados obtidos, na pesquisa realizada o arroz com soja e mortadela apresentou baixa aceitação devido o modo de preparo. Além disso, a soja e a mortadela não apresentam harmonia, contrariando assim uma das leis da alimentação. Tabela 2- Peso em kg das preparações, Índice de Rejeito, sobra e Índice de Aceitabilidade (I.A.) segundo Gandra e Gambardella (1983), da merenda escolar da Escola João David de Souza do turno da tarde Santa Maria do Cambucá – PE, 2011. Dias/ Cardápio Manhã 1° Sopa de Quant. Refeições Refeições Sobras Sobras Rejeito Rejeito I.A. Refeições Produzidas Servidas (kg) % (kg) % % (kg) (kg) 36 16,800 9,400 7,400 44 1,000 10,6 87,1 46 8,000 5,500 2,500 14,9 0,900 16,4 54,6 22 1,400 5,200 8,800 62,8 0,900 17,3 82,7 19 6,200 2,850 3,350 54 0,500 17,9 82,5 charque 2° Arroz com charque 3° Sopa de charque 4° Inhame com charque 15 5° Arroz 43 12,200 8,400 3,800 31,1 0,600 7,1 92,9 32,2 11,440 6,270 5,170 41,4 780 19,6 80 doce MÉDIA - Conforme exposto na tabela 2, o cardápio ofertado pela escola estadual João David de Souza durante os cinco dias de pesquisa de campo, constitui-se das seguintes preparações: sopa de charque que foi repetida por dois dias; arroz com charque; inhame com charque; arroz doce. As preparações que obtiveram maior aceitabilidade foram: arroz doce (92,9%) e sopa com charque (87,1%).Os índices de menor aceitabilidade foram compostos pelos seguintes pratos: arroz com charque (54,6%) e inhame com charque (82,5%), explicados pelo fato da repetição do prato protéico, que neste caso foi o charque. O dia que mais se aproximou do valor tido como aceitável foi o 5º dia em que a preparação oferecida foi o arroz doce, que por ser um prato regional e ofertado de forma esporádica deve ter influenciado no resultado positivo. Resultado diferente do estudo realizado por Conrado; Novello (2007), que relatam a inaceitação do arroz doce em duas escolas da rede municipal de ensino fundamental localizadas no estado do Paraná, devido à preparação ser constituída apenas dos seguintes ingredientes: açúcar, leite e arroz. Como são cores claras, o prato se torna menos atrativo e a ausência de ingredientes que o deixem mais saboroso são fatores que contribuíram para o resultado obtido. A solução encontrada pelos autores foi à adição de cravo e canela que conferem sabor e cor tornando o prato mais apresentável. Já no 4º dia, onde se obteve o menor índice, a preparação inhame com charque apresentou algumas características organolépticas relacionadas à aparência e a temperatura que não agradaram os escolares. Bem como, as merendeiras prepararam uma quantidade muito elevada em comparação à quantidade de alunos que consomem normalmente a merenda escolar, obtendo não somente nesse dia um rejeito elevado como também sobras. O fato dos alunos desta escola serem adolescentes e preferirem aderir aos alimentos industrializados pode justificar o rejeito obtido nesse dia. Assim também confirma o estudo realizado pelo Instituto Sodexho que mostrou que os adolescentes na faixa etária compreendida entre 5 a 17 anos em 11 países, estão adquirindo autonomia alimentar no âmbito escolar, substituindo o consumo da merenda escolar por fast-foods. Um estudo realizado por Sturion et al. (2005) identifica alterações no comportamento alimentar dos adolescentes conforme o gênero e faixa etária. 16 A preparação sopa com charque apesar de estar presente no cardápio por duas vezes na semana do estudo obteve boa aceitação. Este fato pode ser explicado, pois além do clima do frio favorável, a sopa apresentava todas as características organolépticas adequadas. Na pesquisa realizada por Sturion et al. (2005), foi relatado que os escolares não gostavam de consumir a sopa, pois, segundo eles, a mesma era pra ser consumida no jantar e não ser ofertada como um lanche. Desta forma percebe-se a falta de conhecimento por parte dos escolares em relação ao contexto da merenda já que esta não se resume em apenas um lanche. Sendo assim, a educação nutricional é de suma importância na formação de bons hábitos alimentares dos escolares. Como demonstra Boog (2004) o qual relatou a contribuição positiva da educação nutricional para a construção da segurança alimentar, tornando o escolar mais seletivo quanto à escolha correta dos alimentos. Em linhas gerais, comparando as duas escolas estadual e municipal percebeu-se que um dos principais fatores relacionados a aceitação da alimentação escolar esteve associada à presença e/ou ausência do profissional nutricionista no ambiente escolar. Na Escola Municipal Professor Agripino de Almeida a aceitação da merenda foi melhor e nessa escola o nutricionista tem uma presença constante realizando atividades de avaliação do estado nutricional dos escolares, planejamento do cardápio baseado nos resultados obtidos, aplicação de teste de aceitabilidade e monitoramento contínuo da execução do cardápio pelas merendeiras. No que se refere à Escola Estadual de Referência João David de Souza verificou-se um elevado índice de rejeito, sendo atualmente o cardápio elaborado aleatoriamente pelas próprias merendeiras, sem planejamento e com repetições excessivas, comprometendo a adesão dos alunos á merenda escolar. Deveria existir nesta escola um acompanhamento contínuo do nutricionista promovendo não somente uma educação nutricional aos alunos visando reduzir o elevado índice de rejeito e conseqüentemente adesão dos alunos aos fastfoods, como também para aplicar o teste de aceitabilidade constando as preparações de baixa aceitação e realizando modificações favoráveis de acordo com os hábitos alimentares dos escolares. Essas atribuições do nutricionista no PNAE estão regulamentadas na Resolução do Conselho Federal de Nutrição nº 358/2005 , que descreve como atividades competentes ao nutricionista o planejamento, organização, direção, supervisão e avaliação dos serviços de alimentação além da realização da assistência e educação nutricional . 17 Conclusão Através dos resultados obtidos, pode-se concluir que a maioria das preparações apresentou um elevado índice de rejeito, demonstrando, desta forma, falhas no planejamento e na execução do cardápio. Em relação à Escola Municipal Agripino de Almeida, os alunos apresentaram uma maior aceitação à merenda escolar, o que pode ser explicado pelo acompanhamento contínuo do profissional nutricionista, envolvendo o planejamento de cardápio e verificação da aceitação do mesmo pelos alunos. Por outro lado, em algumas preparações tornam-se necessárias modificações que aprimorem as características organolépticas das preparações produzidas por esta escola. No que se refere à escola estadual, há a necessidade de um acompanhamento assíduo do profissional nutricionista para que o cardápio una os hábitos alimentares com a necessidade nutricional dos escolares, pois atualmente o cardápio é elaborado aleatoriamente pelas próprias merendeiras, sem planejamento e com repetições excessivas, comprometendo a adesão dos alunos á merenda escolar. 18 Referências ABREU, E.S.; SPINELLI, M.G.N.; ZANARDI, A.M.P. Gestão de Unidades de Alimentação e Nutrição: um modo de fazer. São Paulo: Metha, 2003. 140p. ARAGÃO, M.F.J. Controle da aceitação de refeições em uma Unidade de Alimentação Institucional da cidade de Fortaleza-CE. 2005. 78p. Monografia(Especialização em Gestão de Qualidade em Serviços de Alimentação) -Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2005. BOOG, M.C.F. Contribuições da educação nutricional à construção da segurança alimentar. Saúde Rev. 2004; 6(13):17-23. BRASIL. Resolução FNDE/CD/N°32/2006. 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APÊNDICE APÊNDICE I SOLICITAÇÃO DE CARTA DE ANUÊNCIA Prezada Senhor (a) _________________________________________ Gestor (a) da escola __________________________________ Eu, Carolina Estevam Fernandes, professora do curso de Nutrição da Favip, juntamente com Lilian de Lucena Oliveira e Suzanne Lívia Ramalho da Silva estudantes do curso de Nutrição, estamos pretendendo realizar a pesquisa intitulada ÍNDICE DE REJEITO DE MERENDA ESCOLAR DAS ESCOLAS DE SANTA MARIA DO CAMBUCÁ-PE, para a qual será necessária a obtenção do acesso a _______________________. O presente estudo terá como objetivos determinar o índice de rejeito de merenda escolar por parte dos alunos do ensino fundamental, bem como os fatores que interferem o consumo de merenda escolar pelos dos alunos. Nesse contexto, vimos por meio desta solicitar sua autorização para a realização dessa pesquisa. Espera-se que com a conclusão do estudo possa contribuir na redução do desperdício da merenda garantindo aos alunos um estado nutricional adequado. Comunicamos que não haverá custos para a instituição e, na medida do possível, não iremos interferir na operacionalização e/ou nas atividades cotidianas da mesma. Esclarecemos que tal autorização é uma pré-condição bioética para execução de qualquer estudo envolvendo seres humanos, sob qualquer forma ou dimensão, em consonância com a resolução 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. Agradecemos antecipadamente seu apoio e compreensão, certos de sua colaboração para o desenvolvimento da pesquisa científica em nossa região. Caruaru, ___/___/____ _________________________________ Profª MsC Carolina Estevam Fernandes ________________________________ Acadêmicas ANEXO ANEXO I NORMAS DA REVISTA HIGIENE ALIMENTAR ORIENTAÇÃO AOS NOSSOS COLABORADORES, PARA REMESSA DE MATÉRIA TÉCNICA. 01. As colaborações enviadas à Revista Higiene Alimentar na forma de artigos, pesquisas, comentários, atualizações bibliográficas, notícias e informações de interesse para toda a área de alimentos, devem ser elaboradas utilizando softwares padrão IBM/PC (textos em Word for DOS ou Winword, até versão 2003; gráficos em Winword até versão 2003, Power Point ou Excel 2003) ou Page Maker 7, ilustrações em Corel Draw até versão 12 (verificando para que todas as letras sejam convertidas para curvas) ou Photo Shop até versão CS. 02. Com a finalidade de tornar mais ágil o processo de diagramação da Revista, solicitamos aos colaboradores que digitem seus trabalhos em caixa alta e baixa (letras maiúsculas e minúsculas), evitando títulos e /ou intertítulos totalmente em letras maiúsculas e em negrito. O tipo da fonte pode ser Times New Roman, ou similar, no tamanho 12. 03. Os gráficos, figuras e ilustrações devem fazer parte do corpo do texto e o tamanho total do trabalho deve ficar entre 6 e 9 laudas (aproximadamente 9 páginas em fonte TNR 12, com espaço 1,5 e margens 2,5 cm) 04. Do trabalho devem constar: o nome completo do autor e co-autores (negritado), nome completo das instituições às quais pertencem, summary, resumo e palavras-chave. 05. As referências bibliográficas devem obedecer às normas técnicas da ABNT-NBR-6023 e as citações conforme NBR 10520 sistema autor-data. 06. Para a garantia da qualidade da impressão, são indispensáveis as fotografias e originais das ilustrações a traço. Imagens digitalizadas deverão ser enviadas mantendo a resolução dos arquivos em, no mínimo, 300 pontos por polegada (300 dpi). 07. O primeiro autor deverá fornecer o seu endereço completo (rua, n°, cep, cidade, estado, país, telefone, fax e e-mail), o qual será inserido no espaço reservado à identificação dos autores e será o canal oficial para correspondência entre autores e leitores. 06. Os trabalhos deverão ser encaminhados exclusivamente on-line, ao e-mail [email protected] . 07. Recebido o trabalho pela Redação, será enviada [email protected] declaração de recebimento ao primeiro autor, no prazo de dez dias úteis; caso isto não ocorra, comunicar-se com a redação através do e-mail 08. Arquivos que excederem a 1 MB deverão ser enviados zipados (Win Zip ou WinRAR) 09. Será necessário que os colaboradores mantenham seus programas anti-vírus atualizados. 10. As colaborações técnicas serão devidamente analisadas pelo Corpo Editorial da revista e, se aprovadas, será enviada ao primeiro autor declaração de aceite, via e-mail. 11. As matérias serão publicadas conforme ordem cronológica de chegada à Redação. Os autores serão comunicados sobre eventuais sugestões e recomendações oferecidas pelos consultores. 12. Para a Redação viabilizar o processo de edição dos trabalhos, o Conselho Editorial solicita, a título de colaboração e como condição vital para manutenção econômica da publicação, que pelo menos um dos autores dos trabalhos enviados seja assinante da Revista. 13. Não serão recebidos trabalhos via fax. 15. Quaisquer dúvidas deverão ser imediatamente comunicadas à Redação através do e-mail [email protected]