UNIVERSIDADE ESTADUAL DE GOIÁS UNIDADE UNIVERSITÁRIA DE CIÊNCIAS EXATAS E TECNOLÓGICAS CURSO DE ENGENHARIA AGRÍCOLA ANÁLISE ECONÔMICA DE UMA FAZENDA DE LEITE NO MUNICÍPIO DE GOIANÉSIA-GO ANTONIO CARLOS MACHADO Anápolis – GO 2011 ANTONIO CARLOS MACHADO ANÁLISE ECONÔMICA DE UMA FAZENDA DE LEITE NO MUNICÍPIO DE GOIANÉSIA-GO Monografia apresentada à Universidade Estadual de Goiás – UNUCET, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Agrícola. Área de Concentração: Engenharia de Sistemas. Orientador: Prof. Dr. Ricardo Caetano Rezende. Anápolis – GO 2011 ANTONIO CARLOS MACHADO ANÁLISE ECONÔMICA DE UMA FAZENDA DE LEITE NO MUNICÍPIO DE GOIANÉSIA-GO Monografia apresentada á Universidade Estadual de Goiás - UNUCET, como requisito para obtenção do título de Bacharel em Engenharia Agrícola. Área de concentração: Engenharia de Sistemas. Aprovado em: 22/06/2011 BANCA EXAMINADORA ______________________________________________ Prof. D.S. Ricardo Caetano Rezende Universidade Estadual de Goiás Presidente ______________________________________________ Profª D.S. Alzirene Vasconcelos Milhomem Universidade Estadual de Goiás Avaliadora ______________________________________________ Profª D.S. Roberta Passini Universidade Estadual de Goiás Supervisor de T.C.C DEDICATÓRIA Primeiramente agradeço a Deus pelas oportunidades colocadas em minha vida e pelas grandes lições vividas, porque sem ele não conseguimos nada. A Nossa Senhora Da Aparecida, Rainha do Brasil. Ao Nosso Divino Pai Eterno e a Nossa Senhora Da Abadia. OFEREÇO Aos meus amados pais, Antonio e Lucinês, Aos meus companheiros irmãos, Carlos e Leandro, As minhas avós adoráveis Geralda e Francisca, pelas lições de vida, A meu tio Roberto, que sempre me incentivou nos estudos, Enfim a cada uma daquelas pessoas que de alguma forma acompanharam minha trajetória e me apoiaram durante os altos e baixos da vida! SEREI ETERNAMENTE GRATO! iii AGRADECIMENTOS Primeiramente agradeço ao Pai maior pela vida que me ofertou e principalmente pelo berço familiar que Ele me proporcionou. Uma base familiar que sempre esteve ao meu lado nos bons e maus momentos da minha vida, isso sempre dá mais ânimo para vencer os obstáculos que sempre vivemos a cada dia. Agradeço aos meus amados pais, Lucinês e Antonio por tudo que fizeram e fazem por mim, pois sai de casa longo cedo pra procurar vencer na vida, pois a vida na fazenda é muito difícil e eles nunca se colocaram contra minha ideia de buscar novos horizontes e graças a eles estou realizando um sonho, o de ser Engenheiro Agrícola. Vocês são meu exemplo, minha fortaleza, meu tudo, sem vocês dificilmente estaria aqui. Aos meus irmãos que sempre estiveram ao lado nas minhas tomadas de decisões, graças a deus somos unidos e continuares unidos por muitos e muitos anos. Só tenho a agradecer a eles que me ajudaram e ajudam em muitas tarefas que, por razão de certa dificuldade que tenho nas mãos não consigo realizar. A meu Tio Roberto, que sempre me incentivou a estudar, me ajudou financeiramente em muita coisa, mais principalmente na sua lição de vida, pois passou por várias dificuldades na vida até vencer muitas barreiras e eu sempre me espelhei nas suas condutas. Aos meus familiares que mesmo longe também me auxiliaram com palavras carinhosas de apoio. Aos meus amigos Diego Eduardo (Nick), Renato (Nego), Leciane, Julliano (Birimbal), Rafael (Mestre), Daniel Max (Ceres), Gabriel (Guigui), Farley e Herbert (Os neguinhos), Daiane (menininha), Pamella, Gustavo (Tropeço), Ronega (Nega), Leonardo (Raeff), Silas (Calango), sempre mostrando boa vontade para auxiliar nos deveres acadêmicos. Aos meus verdadeiros amigos que durante este período de graduação me incentivaram e me colocaram para cima nos momentos de dificuldade. Ao Professor Ricardo Rezende pela paciência, compreensão e transmissão de seus conhecimentos que foram fundamentais para a elaboração deste trabalho. A Universidade Estadual de Goiás por proporcionar condições de aprendizagem à formação de mais um profissional na área de Engenharia Agrícola. iv EPÍGRAFE “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade”. Confúcio “O único lugar onde o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário”. Albert Einstein “A felicidade às vezes é uma bênção, mas geralmente é uma conquista”. Paulo Coelho “Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado”. Clarice Lispector “O sucesso é um professor perverso. Ele seduz as pessoas inteligentes e as faz pensar que jamais vão cair”. Bill Gates “Quem sabe concentrar-se numa coisa e insistir nela como único objetivo, obtém, ao fim e ao cabo, a capacidade de fazer qualquer coisa.” Mahatma Gandhi v SUMÁRIO RESUMO.................................................................................................................... VIII 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................... 9 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................................................................. 12 2.1 PRODUTOR RURAL: O CAPITALISTA E O EMPREENDEDOR ............... 13 2.2 PRODUÇÃO MUNDIAL DE LEITE ................................................................. 13 2.3 PRODUÇÃO DE LEITE NO BRASIL ............................................................... 15 2.4 PRODUÇÃO DE LEITE EM GOIÁS................................................................. 18 2.5 FORMAÇÃO DE PREÇOS DO LEITE ............................................................. 19 2.6 DESAFIOS DA CADEIA PRODUTIVA DE LEITE......................................... 20 2.7 PRONAF PARA ATIVIDADE LEITEIRA ........................................................ 22 2.8 ANÁLISE ECONÔMICA E FINANCEIRA ...................................................... 23 2.8.1 Balanço patrimonial......................................................................................24 2.8.2 Fluxo de Caixa..............................................................................................25 2.8.3 Custos e Receita............................................................................................26 2.8.4 Depreciação..................................................................................................27 2.8.5 Capital de giro..............................................................................................28 2.8.6 Valor Presente Líquido (VPL)......................................................................29 2.8.7 Taxa Interna de Retorno (TIR).....................................................................29 2.8.8 Payback Descontado (PBD).........................................................................29 2.8.9 Índice de Lucratividade (IL).........................................................................30 3 MATERIAL E MÉTODOS ..................................................................................... .31 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PROPRIEDADE .................................................... .31 3.2 ANÁLISE DO BALANÇA PATRIMONIAL ................................................... .31 3.3 VARIAÇÃO PATRIMONIAL.............................................................................32 3.4 CONSTRUÇÃO E AVALIAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA DO NEGÓCIO....32 3.5 DETERMINAÇÃO DOS PARÂMETROS ECONÔMICOS - CÁCULOS........32 3.5.1 Construção do Fluxo de Caixa......................................................................32 3.5.2 Valor Presente Líquido (VPL)......................................................................33 3.5.3 Taxa Interna de Retorno (TIR).....................................................................34 vi 3.5.4 Payback Descontado (PBD).........................................................................34 3.5.5 Índice de Lucratividade (IL).........................................................................35 4 RESULTADOS E DISCUSSÃO .............................................................................. 36 4.1 DESENVOLVIMENTO E ANÁLISE DO BALANÇO PATRIMONIAL ........ 36 4.2 IDENTIFICAÇÃO DA VIABILIDADE DE LONGO PRAZO ......................... 42 4.2.1 Definição do horizonte de análise................................................................42 4.3 VARIAÇÃO PATRIMONIAL ........................................................................... 42 4.3.1 Variação do capital natural...........................................................................43 4.3.2 Variação do capital físico.............................................................................43 4.3.3 Evolução do rebanho....................................................................................44 4.4 ESTIMATIVAS DE RECEITAS ........................................................................ 45 4.5 ESTIMATIVAS DE DESPESAS........................................................................ 46 4.6 CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA DA PROPRIEDADE ...................... 48 4.7 ANÁLISE DOS INDICADORES ....................................................................... 50 4.7.1 Valor Presente Líquido (VPL)......................................................................50 4.7.2 Taxa Interna de Retorno (TIR).....................................................................50 4.7.3 Payback Descontado (PBD).........................................................................50 4.7.4 Índice de Lucratividade (IL).........................................................................50 4.8 READEQUAÇÃO DA FAZENDA LAGEDO ................................................... 50 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 52 6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .................................................................... 53 vii RESUMO A pecuária de leite exerce uma grande importância na economia brasileira, pois é o setor que mais emprega no complexo agroindustrial e na mesa de milhões de pessoas por ser um alimento rico em vitaminas e proteínas. Porém, com problemas de administração da propriedade rural, o negócio se torna pouco rentável e muitas vezes inviável economicamente. Nesse intuito o objetivo principal desse trabalho foi realizar um estudo financeiro numa fazenda de leite localizada no município de Goianésia, Goiás. Foi construído um fluxo de caixa para um período de 10 anos, possibilitando a análise econômica pelos principais indicadores: VPL, IL, TIR e PBD. O diagnóstico informou que o investimento se mostrou viável apresentando VPL de R$ 64.689,02, uma TIR de 15,02% ao ano, um tempo de retorno de 9,68 anos e com uma lucratividade extra de R$ 0,19 para cada R$ 1,00 investido. Palavras-chave: Propriedade familiar, viabilidade econômica, produção leiteira, fluxo de caixa. viii 1 INTRODUÇÃO O leite e seus derivados são fontes ricas de várias vitaminas e proteínas de alta qualidade, além de calorias, cálcio e fósforo; isso ajuda a construir ossos fortes, contribuindo com a dieta e a cultura alimentar brasileira. A indústria de laticínios tem potencializado o valor nutritivo do produto, colocando no mercado uma série de bebidas lácteas enriquecidas com vitaminas, minerais e ômegas, assim como leites especiais para as pessoas que não conseguem digerir a lactose (EMBRAPA CERRADO, 2006). A maior parte da produção leiteira do Brasil está baseada na utilização de pastagens, por constituírem alimento mais barato que as forragens processadas ou conservadas. Entretanto, os índices de produtividade alcançados são baixos, em virtude de diversos fatores, destacando-se o baixo potencial e qualidade das forrageiras utilizadas (Pereira et al. (2001), citado por LÉDO et al., 2005). A intensificação dos sistemas de produção de leite vem ocorrendo em ritmo acelerado, exigindo aumento da produtividade, animais de maior potencial genético e a utilização de forrageiras que combinem elevada capacidade de produção com alta qualidade. Atualmente são poucas as cultivares de forrageiras disponíveis no mercado que atendem a esses requisitos (Pereira et al. (2001), citado por LÉDO et al., 2005). Além de seu valor nutricional, a indústria do leite apresenta um importante papel na economia de diversas regiões brasileiras, atuando como uma atividade geradora de renda, tributos e empregos (LOPES, 2006). A cadeia produtiva do leite é uma das mais importantes do complexo agroindustrial brasileiro. Movimentou em 2010 US$20 bilhões, emprega cerca de quatro milhões de pessoas. Produziu em 2010 30,6 bilhões de litros, provenientes de um dos maiores rebanhos do mundo, com grande potencial para abastecer o mercado interno e exportar (MILKWORLD, 2011). A produção de leite no Brasil é extremamente diversa. São muitos os sistemas de produção existentes no país, com significativas variações entre regiões e entre produtores, em termos de alimentação, manejo e genética do rebanho. O Estado de Goiás tem 95,7% da sua área total no cerrado e conseqüentemente 92% do volume de leite produzido é dessa região. As principais áreas produtoras estão localizadas no sul do Estado, mais especificamente nas microrregiões de Meia Ponte, 9 sudoeste de Goiás e Vale do Rio dos Bois. No Centro Goiano as microrregiões que mais se destacam são Ceres e Anápolis (EMBRAPA CERRADO, 2006). Não há dúvidas a respeito da expansão da pecuária de leite de Goiás. O Estado detêm 10% da produção nacional, com um incremento anual de 3,5% na produção nos últimos 10 anos. Outras razões que explicam o crescimento da pecuária leiteira goiana estão associadas aos menores custos médios do leite, em virtude dos preços mais baixos de concentrados e do baixo custo de oportunidade da terra. Além disso, a presença de cooperativas e grandes conglomeradas industriais de lácteos ampliou o mercado comprador, o que tem estimulado a modernização do setor (NOVAES, 2009). Em Goiás, de 2006 a 2008, houve um aumento da produtividade (litros por vaca/ano) de 6,67%: passou de 1.140 litros por vaca por ano para 1.216 litros por vaca ao ano (CARVALHO et al., 2010). A atividade leiteira em Goiás movimenta a economia da maioria dos seus 246 municípios. Gera renda e empregos para a população interiorana, sem contar com a arrecadação tributária. Não obstante, a toda essa evolução alcançada pelo Estado nos indicadores de produção e produtividade de leite, o setor ainda encontra muitos desafios e obstáculos para continuar crescendo e se desenvolvendo. Tais dificuldades levaram o Estado a passar de segundo para o quarto maior produtor de leite do País (NOVAES, 2009). De maneira geral, a produção de leite no Brasil é conduzida em aproximadamente 40% das propriedades rurais, sendo explorada por pequenos, médios e grandes produtores, estabelecendo unidades de produção com diferentes níveis de tecnologia e produtividade (LOPES, 2006). Haddade et al. (2005) destacam a importância da análise financeira de projetos agropecuários para avaliar a compensação do investimento em determinada atividade para gerar informações sobre a relevância financeira dos diversos itens do projeto e avaliar o risco de insucesso. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi realizar um estudo de caso na Fazenda Lagedo, propriedade de leite localizada à 6 quilômetros da GO-080, km 20, município de Goianésia-Go. Especificamente objetivou-se: a) Caracterizar a propriedade; b) Desenvolver e analisar o balanço patrimonial; c) Construir e avaliar o fluxo de caixa do negócio; 10 d) Propor mudanças e melhorias; 11 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Ledic (2005), citado por Aguiar e Resende (2010), afirma que o produtor de leite pode transformar sua atividade em uma opção competitiva com qualquer outro empreendimento dentro de uma visão do retorno do capital investido. O que difere a competitividade da produção de leite das outras atividades é que, geralmente, estas atividades já têm maior tecnificação e também uma tecnologia superior, obtendo sempre índices muito mais altos e, consequentemente, trazendo maior retorno financeiro ao produtor. Segundo Gomes e Zoccal (2003), citados por Aguiar e Resende (2010), o padrão de crescimento que vem ocorrendo na pecuária leiteira no Brasil caracteriza-se por grandes alterações no decorrer das últimas décadas. Nos anos 1970, esse crescimento foi explicado pelo aumento do número de vacas; nos anos 1980, os ganhos de produtividade e o aumento do número de vacas ordenhadas explicam, em igual importância, o crescimento da população. Entretanto, nos anos 1990, o fator mais importante para o crescimento da produção foi o aumento da produtividade. Na análise de uma exploração de vacas para a produção de leite, deve-se procurar estabelecer índices de produtividade, porque somente através deles torna-se possível elaborar uma apreciação técnica da atividade (AGUIAR e RESENDE, 2010). Ainda segundo os mesmos autores, a história da produção leiteira no Brasil foi escrita para animais rústicos que exigem poucos conhecimentos sobre seu manejo, porém pouco produtivo o que associado à baixa lotação das pastagens, alto intervalo entre partos e baixos níveis tecnológicos comprometem o sucesso da atividade quando encarada de forma empresarial. Frequentemente se diz que produzir leite, no Brasil, não é bom negócio, em razão do pequeno lucro, ou até mesmo do prejuízo que essa atividade dá ao produtor (AGUIAR e RESENDE, 2010). Segundo ainda os mesmos autores, a definição de eficiência de uma propriedade leiteira começa pela conjunção de despesas e receitas, gerando lucro ou prejuízo. Por não conseguir controlar o preço do produto que vende, o produtor necessita administrar as variáveis que estão sob o seu controle. Trata-se de uma estratégia para tornar seu produto competitivo, atingindo menores custos de produção. Seu resultado 12 econômico, eu um mercado caracterizado pela concorrência, depende do gerenciamento dos custos de produção do leite e dos ganhos de escala (AGUIAR e RESENDE, 2010). 2.1 PRODUTOR RURAL: O CAPITALISTA E O EMPREENDEDOR Com referência ao uso do capital na produção agropecuária, dois indivíduos distintos podem ser considerados: o proprietário do capital fundiário, que participa do negócio alugando seus bens e o empresário, que participa do negócio com o capital de exploração (Hoffmann (1989), citado por RESENDE 2010). Para Alves e Assis (2000), citados por Resende (2010), ambos devem ser tratados em separado, independente de situações em que seja a mesma pessoa. Na interpretação destes autores, o dono de todos os meios de produção é o capitalista. O empreendedor é aquele que aluga o capital para produzir. Para isso, assume o risco, o ônus do esforço e do tempo consumidos para administrar o empreendimento e dele produzir renda. O empreendedor fica com a renda residual do negócio, após pagar o aluguel ao capitalista e todos os demais dispêndios da produção. O capitalista recebe o pagamento pelos meios de produção (capital) que alugou para o empreendedor (RESENDE, 2010). Segundo Tupy et al. (2000), citado por Resende (2010), o sucesso da atividade leiteira em países desenvolvidos é atribuído, principalmente, ao processo de educação formal dos envolvidos no processo de produção de leite. Esses procedimentos produziram e têm produzido informações confiáveis, podendo controlar de forma eficiente o fluxo das informações zootécnicas e o processo de educação formal dos envolvidos na produção leiteira. As informações fornecidas devem ser discutidas entre seus usuários e em seguida auxiliá-los na tomada de decisões de manejo, minimizando os riscos dessas decisões e favorecendo a otimização da produção (RESENDE, 2010). Com a evolução da tecnologia e a busca por adquirir produtos de melhor qualidade, o produtor rural necessita desenvolver cada vez mais técnicas tanto na área de produção como também no gerenciamento financeiro de sua propriedade (MIRANDA et al., 2006). 2.2 PRODUÇÃO MUNDIAL DE LEITE 13 A Índia é o maior produtor de leite do mundo, detendo 21,67% da produção mundial. No ano de 2010, a produção mundial de leite foi de 503.307 mil toneladas, sendo 60% desse volume produzido na Europa e na América. O Brasil está em sexto lugar com 6,08% da produção mundial (ANUALPEC, 2010). Na Índia, o leite tem um papel a desempenhar pelas suas muitas vantagens nutricionais, bem como proporcionar complementação de renda para cerca de 70 milhões de agricultores em mais de 500.000 vilarejos remotos (MILKPOINT, 2010). Apesar de ser o maior produtor de leite do mundo, a indústria de transformação de leite na Índia não é muito grande. Apenas 12% do leite é entregue às fábricas de lacticínios, contra a média mundial de 70%. Em alguns países como a Nova Zelândia quase 98% da produção de leite é processado tradicionalmente. A Tabela 1 apresenta os principais produtores de leite do mundo (ANUALPEC, 2010). TABELA 1. Produção mundial de leite em 2010. Produção de leite (mil t) Países 2009 2010 União Européia Índia Estados Unidos Rússia China Brasil Nova Zelândia Ucrânia México Argentina Austrália Canadá Japão Total 139.024 88.000 77.488 32.000 23.684 23.317 15.000 14.106 10.326 9.250 10.377 7.905 8.329 475.565 137.848 109.200 85.820 32.500 31.225 30.600 16.601 11.540 11.305 10.100 9.670 8.200 7.900 503.307 Diferença% 2009/2010 -0.84 24.1 10.75 1.56 31.84 31.23 10.67 -18.2 9.48 9.2 -6.8 3.73 -5.1 11,8 % do total 2010 27.48 21.67 17.05 6.5 6.20 6.08 3.29 2.29 2.24 2.01 1.92 1.63 1.57 100 Fonte: ANUALPEC (2010). A produção de leite tem um papel fundamental em todas as economias, especialmente em países em desenvolvimento, porque além de envolver um componente social, o leite é considerado um produto essencial para a população nestes países (EMBRAPA CERRADO, 2006). Segundo Krug (2000), citado por Peres (2009), o leite no mundo é mal distribuído; isso indica que a pecuária leiteira mundial tem um grande potencial a explorar. Essa má distribuição gera um déficit na disponibilidade de leite per capita: 14 30% se encontram nos países em desenvolvimento, que abrigam 78% da população mundial. Por outro lado, 22% da população dos países desenvolvidos têm à disposição a comercialização de 70% do leite produzido. Segundo Lopes (2006), existe uma tendência de redução da produção de leite nos países desenvolvidos e de crescimento nos países em desenvolvimento. Com isso, os países em desenvolvimento têm aumentado sua participação na produção mundial. A produção de leite no Brasil vem crescendo nos últimos anos a taxas superiores às do incremento da população, o que significa que a produção per capita tem aumentado nos últimos anos (ZOCCAL, 2004). 2.3 PRODUÇÃO DE LEITE NO BRASIL O Brasil apresenta um enorme potencial de produção, pois possui a maior área agricultável do mundo e o maior reservatório de água, topografia e condições edafoclimáticas variadas, além de excelente luminosidade. Por essa e outras razões, é que o Brasil é considerado o celeiro do mundo, tendo em vista que o país ainda pode avançar muito na produção de leite e derivados (SILVA, 2007). Segundo o Censo Agropecuário de 2006, dos 80,25 milhões de hectares da agricultura familiar, 45% eram destinados a pastagens, 28% a florestas e 22% a lavouras. A agricultura familiar era responsável por 87% da produção nacional de mandioca, 70% da produção de feijão, 46% do milho, 38% do café (parcela constituída por 55% do tipo robusta ou conilon e 34% do arábica), 34% do arroz, 58% do leite (composta por 58% do leite de vaca e 67% do leite de cabra), 59% do plantel de suínos, 50% das aves, 30% dos bovinos e, ainda, 21% do trigo. A cultura com menor participação da agricultura familiar foi a soja (16%). Segundo o IBGE (2007), dos países que compõem o MERCOSUL, o Brasil responde por 70% do volume total de leite produzido. Nos últimos 10 anos, a produção brasileira de leite aumentou 62%, passando de 19 bilhões de litros em 2000, para 30,6 bilhões em 2010 (ANUALPEC, 2010). Nota-se que dentre os estados que mais crescem em produção (Tabela 2) estão Paraná, Rondônia e Bahia, devido à adoção de novas tecnologias; porém os estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás, merecem destaque, pois em 2009 foram responsáveis por cerca de 70% do volume produzido no país (MILKPOINT, 2010). 15 TABELA 2. Evolução da produção nos dez maiores estados produtores de leite no Brasil, 2000-2009 (milhões de litros). Produção Estados 2000 2009 Evolução% Minas Gerais 5.865 7.931 35,2 Rio Grande do Sul 2.102 3.400 61,8 Paraná 1.799 3.339 85,6 Goiás 2.194 3.003 36,9 Santa Catarina 1.003 2.238 23,1 São Paulo 1.861 1.584 -14,88 Bahia 725 1.182 63,0 Rondônia 422 747 77,0 Mato Grosso 432 681 60,9 Ceará 332 433 30,4 16.726 24.538 46,7 Total Fonte: MILKPOINT (2010). Dentre os Estados maiores produtores, São Paulo foi o único onde a produção diminuiu, com redução de 14,88% no período (Tabela 2). Neste estado a pecuária leiteira está cedendo lugar, principalmente, para o cultivo da cana-de-açúcar (MILKPOINT, 2010). A produção de leite no Brasil é extremamente diversa. São muitos os sistemas de produção existentes no país, com significativas variações entre regiões e entre produtores, em termos de alimentação, manejo e genética do rebanho (CANZIANI et al., 2003). Segundo Breitenbach e Souza (2008), as mudanças estruturais e institucionais da cadeia produtiva do leite mostram um mercado que se torna cada vez mais concorrenciais, no qual a competição via preço acirra-se, tornando as margens menores para cada setor. Por isso, permanecer competitivo, aumentar os ganhos de escala e de produtividade nas operações, juntamente com a redução de custos, tornou-se um desafio. Desta forma, tanto o setor industrial quanto os produtores precisam de recursos financeiros, tecnologia e capacidade gerencial para que possam expandir e manter-se no mercado. A cadeia produtiva do leite no Brasil passou por importantes transformações nas últimas décadas, sendo as mais significativas na década de 1990, quando ocorreu a 16 desregulamentação do setor, que perde a tutela governamental, a abertura comercial no Exterior, a consolidação do MERCOSUL e a implantação do Plano Real (BREITENBACH e SOUZA, 2008). O fim da intervenção do governo no setor de laticínios fez com que aumentasse a concorrência entre as empresas, provocando redução nos preços, estratégias de lançamento de novos produtos e aumento no volume de produção, além de crescimento da oferta de produtos lácteos. Para Castro e Neves (2001), citados por Breitenbach e Souza (2008), esse cenário veio acompanhado de mudanças na estrutura produtiva, com predominância de multinacionais e faturamentos industriais altíssimos. Segundo Castro e Neves (2001), citados por Breitenbach e Souza (2008), por frente a essa concorrência, as empresas de laticínios apresentarem diferentes estratégias comerciais à jusante e frente aos consumidores, que são o alvo final de seus produtos. Por outro lado, à montante, ou seja, na relação com o produtor, também houve transformações, pois as indústrias buscaram aumentar o volume de captação com redução no número de produtores. O pagamento do leite pela indústria é normalmente mensal, referente à produção recebida da cada mês anterior (CANZIANI et al., 2003). Segundo Canziani et al. (2003), o setor industrial do leite é composto por um grande conjunto de empresas incluindo multinacionais de grande porte, centrais de cooperativas, cooperativas singulares, grupos nacionais de médio e pequeno porte e até mini-usinas. Segundo Jorge Rubez, presidente da Associação Leite Brasil, nos últimos 30 anos, o consumo de leite e derivados no Brasil teve um aumento de 60%. Enquanto que em 1980 o brasileiro ingeriu em média 100 litros de leite e derivados por ano, em 2010 este consumo aumentou para 161 litros. De acordo com estudo realizado pela Associação Leite Brasil, somente no ano passado o crescimento foi cerca de 4,4% em relação a 2009 (REVISTA ONLINE, 2011). A porcentagem de consumo de leite longa vida em comparação ao total em 1990 era de 4,4%, já em 2008 essa porcentagem foi para 73,5%, de acordo com a Associação Brasileira de Leite Longa Vida – ABLV. O consumidor de hoje encontra-se muito bem informado e contribui de maneira decisiva nas mudanças dos produtos que as empresas realizam. O consumidor não quer apenas um produto de qualidade, mas também seguro, que tenha sido fabricado em condições de higiene perfeita, bom preço e agrade seu paladar (MAGDALENA et al., 2008). 17 Segundo Canziani et al. (2003), a preferência do consumidor brasileiro pelo UHT em relação ao pasteurizado provocou importantes mudanças estruturais no mercado lácteo, tais como: a) Redução das perdas em nível do consumidor; b) Ampliação da área geográfica de atuação das empresas; c) Maiores incentivos à produção de leite em regiões mais distantes dos grandes centros consumidores; d) Redução dos preços do leite UHT ao consumidor final, pela maior concorrência e pressão dos supermercados; e) Redução da margem de lucro de comercialização da indústria; f) Maior pressão negativa sobre os preços, de forma a manter os preços do UHT ao consumidor final em níveis próximos ao do leite pasteurizado, vendido em embalagens plásticas de menor custo. É mostrado na Figura 1; o fluxo de comercialização do leite e derivados no Brasil. As linhas contínuas representam os canais de comercialização mais comumente observados no mercado brasileiro; já as linhas tracejadas representam canais alternativos, menos comuns (CANZIANI et al., 2003). FIGURA 1 - Fluxo de comercialização do leite e derivados. Fonte: BARROS et.al., (2002), citado por CANZIANI et al., (2003). 2.4 PRODUÇÃO DE LEITE EM GOIÁS Goiás é o maior estado produtor de leite da região Centro-Oeste e, atualmente, o quarto maior produtor nacional. O crescimento de produção entre 2000 e 2009 foi da 18 ordem de 36,9%, índice superior ao desempenho apresentado por Minas Gerais, maior produtor do país 35,2% (MILKPOINT, 2010). Observa-se um grande aumento na produção de leite não só no estado de Goiás, que apresentou o 6° maior crescimento entre 2000 e 2009 (809 mil litros). Assim, os produtores de Goiás conseguem sobreviver com um menor preço do leite do que estados tradicionais, a exemplo de São Paulo, que não conseguem competir com esses produtores, pois apresentam altos custos de produção. Outros fatores como o aumento do poder aquisitivo dos consumidores e incentivos governamentais como o FCO (Fundo do Centro Oeste), contribuem para o desenvolvimento da pecuária leiteira no cerrado. Não obstante, a toda essa evolução alcançada pelo Estado de Goiás nos indicadores de produção e produtividade de leite, o setor ainda encontra muitos desafios e obstáculos para continuar crescendo e se desenvolvendo (FAEG, 2009). 2.5 FORMAÇÃO DE PREÇOS DO LEITE No Brasil, os preços do leite nas diferentes bacias produtivas variam com razoável grau de coordenação indicando que a variação de preços em uma região é repassada a outras regiões e que há uma relação de dependência de longo prazo entre os preços do leite ao produtor nas diversas regiões. O Estado de Minas Gerais é a principal bacia formadora de preços no país, com sentido causal sobre os preços de todas as demais regiões, ou seja, que as variações de preços ao produtor em Minas tendem a se transmitir para os preços nas demais regiões. A produção é pouco inferior à soma das produções do Rio Grande do Sul, São Paulo e Goiás. Portanto, o preço ao produtor em um determinado estado está ligado fortemente ao preço em outro estado (Barros et al. (2002), citado por CANZIANI et al., 2003). As elasticidades de transmissão de preços ao produtor nas bacias leiteiras indicam que as variações de preço em Minas Gerais são transmitidas, em boa parte, simultaneamente (dentro de 1 mês) para os demais estados, e são transmitidos na totalidade em cerca de 2 a 3 meses. A coordenação de preços entre regiões, no entanto, não significa preços absolutos iguais praticados pelas empresas na captação da matériaprima que, aliás, variam consideravelmente conforme a disputa regional pela produção e o volume individual entregue pelo produtor (CANZIANI et al., 2003). 19 Segundo Barros et al. (2002), citado por Canziani et al. (2003), o volume é o principal parâmetro de bonificação utilizado pelas indústrias no país. Assim, o preço efetivamente pago aos produtores por parte das empresas difere de acordo com o produtor. Cada laticínio tem um sistema próprio de bonificações e descontos de forma que o seu preço médio final é resultado da sua política leiteira. Uma diretriz é comum entre as indústrias, especialmente as de médio e grande porte: não pode faltar leite para abastecer as fábricas. Portanto, as empresas disputam os produtores entre si – especialmente aqueles que se enquadram nos atributos procurados por elas (volume, qualidade e preço) (Barros et al. (2002), citado por CANZIANI et al., 2003). Um grande produtor vai receber mais para viabilizar a “linha” em que se encontra, e é ele que possibilita a coleta do leite dos pequenos produtores que estão nessa linha de leite (CANZIANI et al., 2003). Ao longo do ano, o padrão sazonal dos preços do leite indica uma valorização do produto entre os meses de fevereiro a agosto e desvalorização entre setembro a janeiro, o mesmo ocorrendo com os preços do leite UHT ao consumidor (CANZIANI et al., 2003). O estudo de Barros et al. (2002), citado por Canziani et al. (2003), indica que os preços deste produto e da matéria-prima ao produtor variam praticamente na mesma forma e intensidade. 2.6 DESAFIOS DA CADEIA PRODUTIVA DE LEITE Segundo Jank et al. (1999), citado por Peres et al. (2009), várias mudanças estruturais desregularam o mercado do leite no Brasil, tais como o acesso aos mercados externos e o processo de estabilização da economia. Para Crevelin e Escalco (2007), citam outras mudanças: a importação de lácteos com preços competitivos; baixa especialização na atividade no segmento da produção primária de leite; avanço de outras culturas em regiões tradicionais na pecuária de leite; não cumprimento correto das normas e padrões de qualidade por parte dos produtores; sistema pouco eficiente de inspeção sanitária do produto; falta de um fluxo eficiente de informações entre os agentes do sistema agroindustrial do leite; baixo 20 consumo do leite e deficiências nos programas de marketing; carência de programas de treinamento; e a baixa capacitação tecnológica e gerencial dos produtores. Outro fator foi a criação da Instrução Normativa nº 51 de 2002, que trata do aperfeiçoamento e da modernização da legislação sanitária federal sobre a produção de leite (MAPA, 2002). A demanda do mercado por maior oferta de produtos de qualidade e variedade tem exigido mais eficiência dos envolvidos na atividade leiteira havendo uma tendência de redução do número de empresas. Com isso há exigências na redução nos custos de produção para poder se tornar sustentável e competitiva (SILVA, 2008). Segundo Andrade (2008), durante muitos anos a atividade leiteira ficou desacreditada no país, já que o preço oferecido pelo litro de leite ao produtor mal pagava os custos para produzi-lo. Isso fez com que diversos produtores, principalmente os pequenos, abandonassem a atividade. Neste sentido, Miranda et al. (2006), destacam que a agricultura passou por uma crise na década de 1990 onde muitos ficaram no meio do caminho e só sobreviveram aqueles que adotaram métodos de gestão profissional no campo. Com isso, houve uma melhor exploração dos recursos para se obter maior rentabilidade e também oferta de melhores produtos e serviços a um mercado consumidor cada vez mais exigente e em busca de qualidade. Para Haddade e Souza (2005), a melhor opção para se ter sucesso financeiro em um sistema de produção de leite são adoções de técnicas adequadas de produção e o planejamento produtivo. Para Segala e Silva (2007), o produtor rural necessita desenvolver cada vez mais técnicas tanto na área de produção como também no gerenciamento financeiro de sua propriedade. A obtenção de lucratividade aceitável não é tarefa difícil, mas é preciso investir não só em aumento da produtividade, mas também em avaliação financeira. (YAMAGUCHI, 2003). Poucas são as propriedades rurais de pequeno e médio porte que contabilizam suas atividades para posterior análise econômica e, por isto, não conhecem seus custos de produção de leite. Assim, a inexistência de fontes de informações confiáveis levou os produtores à tomada de decisões condicionadas à sua experiência, à tradição (OLIVEIRA, 2007). 21 Para que o produtor utilize os fatores de produção (terra, trabalho e capital) de forma mais eficiente é preciso fazer uma analise econômica da atividade (MARION, 2002). O sucesso da atividade leiteira em países desenvolvidos é atribuído, principalmente, ao processo de educação formal dos envolvidos no processo de produção de leite. As informações fornecidas devem ser discutidas entre seus usuários para, em seguida, auxiliá-los na tomada de decisões de manejo, minimizando os riscos dessas decisões e favorecendo a otimização da produção (SILVA et al., 2007). 2.7 PRONAF PARA ATIVIDADE LEITEIRA Visando promover o desenvolvimento sustentável no meio rural, o Governo Federal criou o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar PRONAF pelo Decreto n° 1.946, de 28 de junho de 1996 (SÁ, 2009). As ações do programa visam, conforme o parágrafo 2º do artigo 2º do Decreto citado anteriormente: melhoramento da qualidade de vida, aprimoramento das tecnologias produtivas via estímulos à pesquisa, desenvolvimento e difusão de técnicas adequadas à agricultura familiar, capacitação visando novos padrões tecnológicos e gerenciais, participação dos agricultores familiares e de seus representantes nas decisões e iniciativas do programa (SÁ, 2009). Atualmente o Pronaf como um todo é considerado como o principal programa destinado aos agricultores familiares em nível nacional, tendo inclusive contribuído para a consolidação deste termo como definidor de um público já denominado de pequenos agricultores, agricultores de subsistência ou de baixa renda (Cazella et al. (2004, p. 1), citados por SÁ, 2009). A pecuária, no segmento familiar, contribui com cerca de 15% de seu PIB total, sendo que para a patronal sua participação é inferior a 10% (SÁ, 2009). Segundo Bittencourt (2003, p 107), citado por Sá (2009), “O Pronaf é uma conquista dos agricultores familiares e suas organizações, e pode ser considerada a primeira linha de crédito destinada especificamente à agricultura familiar no Brasil.”, evidenciando que o programa é mais que uma ação governamental, passando antes de tudo por um processo de diálogo entre o governo e os agricultores familiares. Uma das principais inovações institucionais do Pronaf e que prevalecem até hoje, ocorreu em 1999. Trata-se da criação dos grupos A, B, C e D, sendo que o 22 primeiro abrange os agricultores da reforma agrária e os demais aos agricultores familiares da menor para a maior renda. Para o grupo A, foi concedido crédito de até R$ 9.500,00 com bônus de 75% sobre a TJLP e de 40% sobre o principal para pagamentos em dia, o grupo B também fez jus a bônus de 40% sobre o principal e teve taxa de 1% a.a. para empréstimos limitados à R$ 500,00 (SÁ, 2009). Vale destacar que em 2009, o Pronaf passou a ser gerido pelo recém-criado Ministério do Desenvolvimento Agrário – MDA, que assumiu o lugar do Ministério extraordinário de assuntos fundiários, saindo da alçada do Ministério da Agricultura e do Abastecimento – MAARA (SÁ, 2009). Buscando reduzir a dependência dos agricultores familiares da locação de implementos agrícolas e como resposta à crise financeira mundial, é lançado o Pronaf Mais Alimentos, cujo objetivo é financiar máquinas e implementos agrícolas de até R$ 100.000,00, para agricultores que produzam milho, feijão, arroz, trigo, mandioca, olerícolas, frutas, leite, caprinos e ovinos (SÁ, 2009). A criação dessa linha de financiamento veio atrelada à construção de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores – ANFAVEA, Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos - ABIMAQ e Sindicato das Indústrias de Máquinas e Equipamentos Agrícolas do Rio Grande do Sul – SIMERS para venda de tratores e equipamentos a preços mais baixos, reduzindo a margem de lucro e custos de transação, tais como venda direto de fábrica, resultando em tratores com até 17,5% de desconto e equipamento até 15% mais baratos (SÁ, 2009). 2.8 ANÁLISE ECONÔMICA E FINANCEIRA A maioria dos produtores rurais não leva em consideração a análise financeira na tomada de decisão de suas propriedades e, com isso, não conhecem a sua verdadeira rentabilidade, que pode ser positiva ou negativa. O principal objetivo da gestão financeira é maximizar o valor do empreendimento, que depende da distribuição no tempo dos fluxos de caixa de seus investimentos (Brigham e Houston (1999), citados por MACEDO, 2007). Segundo Noronha e Duarte (1998), citados por Macedo (2007), fazer uma análise econômico-financeira de um projeto é uma atividade produtiva de vida limitada, 23 pois implica na mobilização de alguns recursos na forma de bens de produção, em determinado momento, na expectativa de gerar recursos futuros oriundos da produção. A rentabilidade de um projeto é analisada com base no fluxo de caixa do investimento bem como os custos de produção, onde o valor do capital investido é dividido ao longo de sua vida útil, fornecendo um custo médio por mês. Ela indica a porcentagem da remuneração do capital investido. O porcentual esperado por micro e pequenas empresas, conforme dados do SEBRAE (2008), é de 2% a 4% ao mês. Segundo Macedo (2007), um dos modelos de análise econômico-financeira mais importante e mais utilizado é o Modelo de Fluxo de Caixa Descontado (DFC), que representa a análise, a valor presente, dos fluxos de caixa futuros líquidos gerados. Neste modelo, várias técnicas podem ser utilizadas, tais como: o Valor Presente Líquido (VPL), que mede a riqueza gerada por um determinado ativo a valores atuais; a Taxa Interna de Retorno (TIR), que representa a rentabilidade do projeto; a Relação Benefício Custo (B/C), que representa a relação entre o valor presente das entradas e o das saídas de caixa; e o Payback Descontado (PBD), que representa o prazo de recuperação do capital investido, considerando explicitamente o valor do dinheiro no tempo. 2.8.1 Balanço Patrimonial O balanço patrimonial fornece as características da empresa em determinado tempo. É uma organização sistemática de tudo que é “possuído” pela empresa em dado tempo. O conjunto dos valores possuídos pela empresa é mais apropriadamente chamado de ativo e toda obrigação ou débito é referido como passivo. Portanto, é uma lista dos ativos e passivos, concluída com uma estimativa do patrimônio líquido, que é a diferença entre ativo total e o passivo total (VALE e RIBON, 2000). Ainda segundo os mesmos autores, podem ser feito em qualquer época do ano, mas, usualmente, é elaborado no fim do ano do período da contabilidade. Esse procedimento permite que o balanço seja utilizado tanto no fim daquele período como no início do período seguinte. Para comparação, é necessário ter o balanço disponível tanto no início quanto no fim de cada período selecionado, uma vez que a lucratividade da empresa é, em geral, computada anualmente (VALE e RIBON, 2000). 24 Ainda segundo os mesmos autores, apesar de ser um documento simples, a preparação de um balanço patrimonial podem ser um tanto complicados. É necessário, primeiramente, que se faça uma lista completa do ativo e do passivo da empresa. Feita a listagem, os valores de todos os componentes devem ser calculados. 2.8.2 Fluxo de Caixa Os fluxos de caixa são descontados a uma taxa ajustada ao risco, para se chegar a uma estimativa de valor para o ativo (DAMODARAN, 1997). No fluxo de caixa global são indicados os valores de depreciação, investimentos de imposto de renda, mudança do capital de giro e a soma do lucro (ANDRADE, 2008). O fluxo de caixa tem como principal objetivo projetar as entradas e saídas de recursos financeiros dentro de um período determinado, visando diagnosticar possíveis necessidades de captar empréstimos ou aplicar os excedentes do caixa nas operações mais rentáveis para a empresa (SANVICENTE, 1997). Assaf Neto (2002) entende o fluxo de caixa como um processo pelo qual a empresa gera e aplica os recursos do caixa em determinadas atividades dentro da empresa. Cupertino (2005) ainda diz que, o fluxo de caixa é um instrumento de controle financeiro, pois auxilia nas decisões de uma organização visando sempre atingir os objetivos esperados, dando certeza ao fluxo dos recebimentos e pagamentos da empresa. Ele promove informações aproximadas das atividades operacionais, atividades de investimentos sendo, portanto, uma ferramenta gerencial para auxiliar e evitar problemas de liquidez. Segundo Cupertino (2005), a construção de um fluxo de caixa de um projeto de investimento possui 3 partes básicas, são elas: Data zero: ocorrem os investimentos em ativos fixos e em capital de giro; Data terminal: é a data em que o capital de giro será integralmente recuperado, podendo os ativos fixos também serem recuperados parcialmente; Data um até data terminal: determina-se o fluxo de caixa operacional (FCO), que é justamente o retorno líquido ao longo do investimento. 25 A elaboração de um fluxo pode ser feita manualmente ou através de planilhas eletrônicas ou ainda por programas de gestão que dependerá da capacidade financeira da empresa. É de suma importância ter o fluxo de caixa ajustado à realidade da empresa, considerando cada característica das informações geradas (CUPERTINO, 2005). É relevante que cada empresa fizesse o seu fluxo de caixa, pois assim evitariam possíveis gastos excessivos bem como saber onde e quanto empregar o que se pretende investir. Portanto, o fluxo de caixa é uma ferramenta de planejamento, de gestão, em que o empresário poderá ver descrito tudo o que ocorre dentro de sua empresa (CUPERTINO, 2005). A seguir têm-se alguns itens que fazem parte da elaboração de um fluxo de caixa. 2.8.3 Custos e Receita Segundo Padozeve (1997), citado por Andrade (2008), o que não é investimento gasto pela empresa é denominado custo. São os gastos realizados pela empresa necessários para a produção do produto ou para a realização de prestação de serviços. O investimento inicial é a saída do caixa que será despendido para a implantação de um projeto. O cálculo se dá pela diferença entre todas as saídas e entradas que ocorrem no instante em que o investimento é iniciado. As variáveis que devem ser consideradas para um investimento inicial são: custos de instalação (se houver), gastos com equipamentos (sistema de irrigação, trator, etc.) e mudanças no capital de giro se houver necessidade (MARION, 2002). No fluxo de caixa do projeto de investimento devem ser incluídos os custos fixos e os custos variáveis. Os custos fixos são todos os gastos associados à administração e ao financiamento das atividades da empresa, ou seja, são os gastos que não dependem da quantidade produzida. Já os custos variáveis são os custos que dependem da quantidade produzida e da distribuição (FIGUEIREDO, 2001). Os custos fixos estão relacionados a fatores de produção, que não podem ser modificados e estarão presentes na atividade, mesmo que a produção seja zero, tendendo a diminuir quando o volume de produção aumenta. São exemplos de custos 26 fixos: depreciações, juros sobre o capital investido, impostos, etc. (IUDICIBUS e MARION, 2000). Os custos fixos são aqueles que ficam constantes dentro de certo intervalo de tempo. O intervalo de tempo, geralmente, não supera alguns meses. Caso haja uma retração mais prolongada nas atividades ou um ciclo de expansão dos negócios, o valor total deles será ajustado para um novo patamar, em decorrência de decisões da administração (Braga (1995), citado por Andrade (2008)). Os custos variáveis são aqueles cujos valores mudam ao longo de tempo e estão em função do volume de produção e de venda. São exemplos de custos variáveis: gasto com insumos, embalagens, matéria prima, impostos diretos (Imposto sobre circulação de Mercadorias e Serviço (ICMS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (CONFINS), etc.), mão-de-obra, telefone, transporte, energia elétrica, prestadores de serviço, aluguel e outros (MENEGATTI e BARROS, 2007). 2.8.4 Depreciação A depreciação econômica é a perda de valor dos bens de uma empresa devido à utilização no decorrer do tempo (MATOS, 2004). A depreciação do ativo imobilizado diretamente empregado na produção será alocada como custo (inclui depreciações de equipamentos destinados à atividade leiteira, energia elétrica, manutenção, gasolina para viagens ligadas a fazenda, etc.). Por sua vez, os ativos que não forem utilizados diretamente na produção, terão suas depreciações contabilizadas como despesas (é todo gasto relativo à administração da fazenda, ao comercial e ao financeiro). Existem alguns métodos básicos para se calcular a depreciação dos bens que são: depreciação linear e depreciação por uso (MATOS, 2004). Depreciação linear (modelo clássico): no modelo linear, a depreciação é calculada aplicando-se uma taxa de desvalorização constante sobre o bem que perde o mesmo valor anualmente. O cálculo leva em conta a vida útil do bem, por exemplo: considerando o valor inicial de um bem seja 100%, se sua vida útil for de 5 anos, a depreciação linear será de 20% ao ano, ou seja, 100/5. 27 Depreciação por uso: método mais utilizado para calcular a depreciação de máquinas de linha de produção. Neste modelo é calculada uma média de quantas unidades uma máquina é capaz de produzir durante a sua vida útil, com depreciação não linear à medida que for produzindo. Por exemplo: uma máquina injetora de plástico é capaz de produzir 400.000 peças durante sua vida útil; logo, se ela produzir 125.000 unidades em um ano esta irá perder 31% de seu valor. Além das unidades produzidas, com este modelo também se pode contabilizar as horas de uso, sendo o procedimento de cálculo o mesmo. Em termos contábeis, o cálculo da depreciação deverá obedecer aos critérios determinados pelo governo, através da Secretaria da Receita Federal, sendo o método de cálculo utilizado por este órgão o método da depreciação linear (MATTOS, 2004). 2.8.5 Capital de Giro O Capital de Giro (CG), que também pode ser considerado como Capital Circulante Líquido (CCL), é calculado como a diferença entre o ativo circulante e o passivo circulante, sendo positivo quando o ativo circulante é maior que o passivo circulante (Nogueira (2002), citado por AGUIAR e RESENDE, 2010). Uma das variáveis do capital de giro é a Necessidade do Capital de Giro (NCDG). Através da análise da NCDG será possível verificar quanto a empresa necessita, em volume financeiro, para a sua atividade operacional (OLIVEIRA, 2007). A variação do ciclo financeiro será um importante indicador para avaliação do desempenho financeiro da empresa, determinando o nível de recursos necessários para manter o giro dos negócios. O ciclo financeiro ampliando-se acarretará diretamente um aumento das necessidades de recursos para financiamento da atividade operacional O CG demonstra quanto efetivamente à empresa dispõe de capital para giro, financiando a sua atividade operacional. Já a NCDG demonstrará quanto a empresa realmente necessita de recursos. Graficamente, se a linha do CG ficar acima da linha da NCDG isto significa que empresa tem mais recursos para giro do que aquilo que necessita. Se o contrário ocorrer significará que a empresa não possui recursos suficientes para financiar as suas necessidades (OLIVEIRA, 2007). 28 Quando o capital de giro der negativo isto significara que as aplicações em ativos foram superiores às fontes de capital de giro. Já quando a NCDG der negativa, significará que as aplicações operacionais são inferiores as fontes operacionais. 2.8.6 Valor Presente Líquido (VPL) O valor presente líquido é a concentração de todos os valores esperados de um fluxo de caixa na data zero (ANDRADE, 2008). O VPL é obtido subtraindo-se o investimento inicial de um projeto do valor presente das entradas de caixa descontada a uma taxa igual ao custo de capital da empresa. Após os cálculos, se o VPL for maior que zero, se aceita o projeto o que significa que a empresa obterá um retorno maior do que seu custo de capital, mas se o VPL for menor que zero, rejeita-se o projeto. O VPL possui as seguintes vantagens: inclui todos os capitais do fluxo de caixa e a taxa mínima requerida no procedimento de cálculo, considerando o risco das estimativas futuras do fluxo de caixa; independe do tipo de fluxo de caixa; informa se o projeto é de investimento; considera o valor do dinheiro no tempo; inclui todos os capitais na avaliação e inclui o risco do investimento considerando-o embutido na taxa mínima requerida; tem como desvantagem da resposta ser dada em valor monetário e ter conhecimento da taxa monetária admissível (LAPPONI, 2000). O critério do método do VPL estabelece que, o projeto deverá ser aceito quando o VPL for maior que zero, se o VPL for igual a zero é indiferente aceitar ou não e se VPL for menor que zero não se aceita o projeto (AFONSO et al., 2006). 2.8.7 Taxa Interna de Retorno (TIR) A taxa interna de retorno (TIR) é uma taxa de desconto que iguala o valor presente dos fluxos de caixa futuros ao investimento inicial, ou seja, é uma taxa de desconto que torna o VPL igual a zero (ANDRADE, 2008). A TIR deve ser entendida como uma medida de decisão dentro de um projeto. O risco o projeto apresentar retorno menor do que a aplicação financeira a uma TMA aumenta na medida em que a TMA se aproxima da TIR (KREUZ et al., 2005). 2.8.8 Payback Descontado (PBD) 29 O payback é o período necessário para a recuperação dos recursos investidos para um projeto. É o período em que os fluxos negativos se anulam com os fluxos positivos (Nogueira (2004), citado por AGUIAR e RESENDE, 2010). O PBD, tem como vantagem analisar o comportamento do dinheiro em função do tempo de análise (Nogueira (2004), citado por AGUIAR e RESENDE, 2010). Portanto, ao se investir em um negócio, por menor que este seja, é imprescindível que se faça um estudo de sua viabilidade, e se este já estiver implantado que se possa buscar alternativas para possíveis problemas que poderão ser detectados através da análise econômica (Nogueira (2004), citado por AGUIAR e RESENDE, 2010). 2.8.9 Índice de Lucratividade (IL) O índice de lucratividade nada mais é que o retorno trazido por um investimento em porcentagem (ANDRADE, 2008). O método do IL vem para resolver uma deficiência deixada pelo método VPL, pois enquanto o VPL apresenta como resultado um valor absoluto, o IL apresenta resultado em valor relativo, ou seja, em porcentagem (LAPPONI, 2000). O IL mede o VP dos retornos de cada unidade de capital investido na data zero. Os resultados referentes ao índice de lucratividade podem ser interpretados da seguinte forma: se IL > 1, significa que o investimento será recuperado; se IL = 1, o investimento não terá lucro, mas também não terá prejuízo. Por exemplo: se eu investir R$ 1,00 para produzir 1 litro de leite no negócio, mas ao final de tudo, vai me retornar R$ 1,00; se IL < 1, o investimento gerará prejuízo. Por exemplo: o índice de lucratividade do meu projeto der R$ 0,94 centavos, mas tenho que investir R$ 1,00 para produzir 1 litro de leite, portanto vou ter prejuízo de R$ 0,06 centavos/por unidade produzida. 30 3 MATERIAL E MÉTODOS 3.1 CARACTERIZAÇÃO DA PROPRIEDADE A propriedade analisada denomina-se Fazenda Lagedo, e localiza-se a 6 km da Go-080, Km 20, município de Goianésia, Estado de Goiás. É uma propriedade familiar que possui uma área de 38,72 ha, cujas atividades financeiras desenvolvidas na fazenda são principalmente a venda de leite, uma parte do leite é usada para fabricação de queijo que é vendida na cidade e a venda de bezerros e animais de descarte. É mostrada na Figura 2 uma foto área da Fazenda Lagedo com as suas demarcações de divisas. Figura 2 – Vista área da Fazenda Lagedo – Goianésia-Go. Fonte: Google Earth. 3.2 ANÁLISE DO BALANÇO PATRIMONIAL Para análise do balanço patrimonial, primeiramente foi preciso coletar em campo todas as informações possíveis da propriedade como: quantidade de hectares para pastagem, para culturas anuais, reserva legal, benfeitorias e melhoramentos, 31 máquinas e equipamentos, animais da propriedade divididos por categoria e trabalho, insumos estocados, receitas e custos, produção de leite/dia, quantidade de dinheiro em caixa, dinheiro em bancos, contas a pagar e financiamentos. De posse desses dados realizou-se a construção das planilhas eletrônicas individualmente para cada item e foi descrito de forma clara o valor no início do ano de 2010 e fim do ano de 2010. 3.3 VARIAÇÃO PATRIMONIAL Em seguida foi feita a variação patrimonial dos estoques de capital ao longo do tempo e a evolução do rebanho da propriedade no ano de 2010. Os dados levantados foram obtidos por meio de consultas aos produtores e empresas de laticínios da região para obtenção de custos unitários, preços dos animais, implementos, litro de leite e insumos (sal, ração, remédios, etc.). 3.4 CONSTRUÇÃO E AVALIAÇÃO DO FLUXO DE CAIXA DO NEGÓCIO Em seguida obtiveram-se as planilhas de fluxo de caixa da propriedade juntamente com os índices de Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback Descontado (PBD) e Índice de Lucratividade (IL). Para isso foi preciso ter informações das receitas e custos da propriedade no ano de 2010; depreciação do capital físico; FCO; capital de giro; investimento capital de giro e a TMA utilizada no projeto. 3.5 DETERMINAÇÃO DOS PARÂMETROS ECONÔMICOS – CÁLCULOS 3.5.1 Construção do Fluxo de Caixa Descontado Após confecção da planilha com os dados necessários, foi calculado o fluxo de caixa operacional (FCO) utilizando a Equação 1 (GITMAN, 2001): F (1) Em que: FCO= fluxo de caixa operacional; 32 R= Receitas; C= custos; T= alíquota do imposto de renda, em decimal; e Dep= depreciação. A depreciação pode ser calculada pela Equação 2 (NORONHA, 1987): (2) Em que: Dep = depreciação linear (R$/ano) e n = templo de planejamento. Logo o FC se dará por meio da Equação 3 (NORONHA, 1987): O capital de giro será de 20% valor das receitas de cada ano do projeto. O IDCG é calculado subtraído o capital de giro dos anos do projeto. Basta pegar o Ano próximo – Ano anterior do capital de giro e assim até o último ano. O Valor Residual será considerado o valor da terra no último ano de projeto + Valor do capital físico + Valor dos animais e não terá Imposto de Renda sobre o valor. – (3) Em que: FC= Fluxo de caixa; FCO= Fluxo de caixa operacional; e IDCG= Investimento do capital de giro. 3.5.2 Valor Presente Líquido (VPL) Após a determinação do valor presente de todos os fluxos positivos e negativos, realiza-se a diferença entre eles para resultar no valor presente líquido, dada certa taxa mínima de atratividade - TMA (Equação 4; GITMAN, 2001). 33 (4) Em que: VPL = valor presente líquido, em reais; I = Investimento de capital na data zero, registrado com sinal negativo, em reais; n = prazo de análise do projeto; t = ano referente ao FC; FC = fluxo de caixa no período t; k = taxa mínima de atratividade (TMA), em decimal. 3.5.3 Taxa Interna de Retorno (TIR) A TIR será calculada pelo processo de tentativa e erro, utilizando o modelo matemático do VPL para procurar a taxa de juros que zera o VPL (Equação 5; FERREIRA, 2005). (5) Em que: TIR = Taxa que zera o VPL, em decimal. 3.5.4 Payback Descontado (PBD) O PBD será calculado utilizando o método do valor presente. Primeiramente deve se achar o VP, que é o valor presente através da Equação 6 (NOTAS DE AULA, 2011): V (6) Em que: VP = valor presente, em reais; F = capital, em reais; k = taxa mínima requerida, em decimal; n = Ano em que está sendo feito o VP. 34 Em seguida faz-se o VP acumulado dos anos. O valor do VP acumulado no Ano 0 será o próprio VP do Ano 0, nos outros VP acumulados soma se o VP acumulado do ano 0 + VP do Ano 1 e assim vai fazendo para os anos subsequentes, até o último ano do projeto. Quando o VP acumulado ficar positivo, pega o último Ano do VP acumulado negativo e o primeiro Ano do VP acumulado positivo. O exemplo de cálculo do PBD é descrito pela Equação 7 (NOTAS DE AULA, 2011): (7) Em que: PBD = Payback descontado; Ano 1 = último ano do valor presente negativo; Ano 2 = primeiro ano do valor presente positivo; V1 = último valor presente negativo; V2 = primeiro valor presente positivo. 3.5.5 Índice de Lucratividade (IL) Segundo Kassai et al. (2000), o IL pode ser calculado pela Equação 8: (8) Em que: VP = Valor presente dos retornos. 35 4 RESUTADOS E DISCUSSÃO 4.1 DESENVOLVIMENTO E ANÁLISE DO BALANÇO PATRIMONIAL A seguir o Inventário da terra nua (ha) no ano de 2010 detalhados na Tabela 3, onde mostra a distribuição das áreas ocupadas por culturas anuais, pastagens, matas, etc. TABELA 3 - Inventário da terra nua (ha) da Fazenda Lagedo no ano de 2010, em Goianésia. Item Área (ha) Valor unitário Valor Total Uso atual Terra nua classe I 26,78 5.600,00 (R$/ha) 149.968,00 (R$) Pastagem Terra nua classe II Terra nua classe III Terra nua classe IV Total 6,02 3,93 1,99 38,72 3.000,00 2.000,00 1.000,00 4.597,11 18.060,00 7.860,00 1.900,00 178.000,00 Mato Agricultura Sem uso - Fonte: Dados da pesquisa. A propriedade conta com pouca estrutura como cercas, currais. A maioria das cercas é de arrame farpado e em alguns lugares estão de péssima qualidade devendo ser refeitas novamente. Já o curral não atente ao manejo básico dos animais, devendo ser refeito, já que o atual é feito de maneira improvisada. Um ponto positivo na propriedade é a abundância de madeira para fazer as cercas e currais, já que se fosse preciso comprar ficaria muito caro. Possui casa-sede regular onde mora o proprietário juntamente com sua esposa. Na fazenda não há sistema de terraceamento (curvas de níveis), nem represas. A estrada que dá acesso a propriedade é sempre conservada pela Prefeitura Municipal, o que garante fácil escoamento da produção. A propriedade possui algumas benfeitorias e melhoramentos, conforme a Tabela 4. Já com maquinaria e equipamentos a propriedade conta com: carroça, ferramentas, picadeira, motores e veículo utilitário, conforme a Tabela 5. Estimam-se os seguintes valores residuais para os capitas físicos da fazenda, sobre o valor atual: 30% para as estradas, picadeira, veículo utilitário; 20% para as pastagens, casa, cercas, curral, paiol; e 10% para os outros implementos. 36 TABELA 4 - Benfeitorias e Melhoramentos na Fazenda Lagedo no ano de 2010. Início do Ano Quant. Depre- Reforma Ciação (R$) (R$) (R$) (3) (1) (2) Valor Descrição Casa do Propr. 1 15.000.00 1.200,00 2.500,00 Pastagens 20 9.800,00 784,00 Cercas 4.000 5.000,00 Curral 2 Paiol Fim do Ano Quant. Valor (R$) (1)- (2) + (3) =(4) 1 16.300,00 2.000,00 20 11.232,00 400,00 600,00 4.000 5.200,00 3.000,00 240,00 200,00 2 2.960,00 1 1.000,00 80,00 0,00 1 920,00 Estrada Interna 2 5.000,00 233,33 3.300,00 2 4.766,67 Total - 29.000,00 2.937,33 8.600,00 - 40.138,67 Fonte: Dados da pesquisa. TABELA 5 - Maquinaria e Equipamentos da Fazenda Lagedo no ano de 2010. Início do Ano Depre- Reforma Quant. Valor Ciação (R$) (R$) (R$) (3) (1) (2) Descrição Fim do Ano Quant. Valor (R$) (1) – (2) + (3) = (4) Carroça 1 500,00 45,00 100,00 1 555,00 Ferramentas 10 400,00 36,00 80,00 12 444,00 Motores 1 800,00 56,00 150,00 1 894,00 Picadeira 1 300,00 21,00 90,00 1 369,00 Veiculo Uti. 1 5.000,00 437,50 1.200,00 1 5.762,00 Total - 7.000,00 5595,50 1.620,00 - 8.024,00 Fonte: Dados da pesquisa. A seguir será mostrado os animais da fazenda divididos em bovinos, suínos, aves e animais de trabalho detalhando a quantidade e o valor no início de 2010 e fim de 2010, conforme a Tabela 6. 37 TABELA 6 – Animais de Produção e Trabalho da Fazenda Lagedo no de 2010. Descrição Bovinos Início do ano Quant. Valor (R$) Fim do Ano Quant. Valor (R$) Reprodutores 3 8.500,00 2 6.500,00 Vacas em Lactação 38 36.100,00 25 45.000,00 Vacas Secas 20 19.000,00 19 34.200,00 Novilhas de 1 a 3 anos 4 2.000,00 13 9.100,00 Bezerras até 1 ano 23 6.440,00 17 3.200,00 Garrotes de 2 a 3 anos 2 1.400,00 2 2.160,00 Garrotes de 1 a 2 anos 2 900,00 1 600,00 Bezerros até 1 ano 24 8.510,00 10 3.200,00 116 82.850,00 89 103.960,00 Reprodutores 1 200,00 1 260,00 Matrizes 2 700,00 1 400,00 Leitões 10 300,00 6 240,00 Animais em Crescimento 4 240,00 2 160,00 17 1.440,00 10 1.060,00 Poedeiras 30 450 35 560 Frangos 55 990 60 1.080,00 85 1.440,00 95 1.640,00 2 2.500,00 2 3.000,00 2 2.500,00 2 3.000,00 220 88.230,00 196 109.660,00 Sub – Total Suínos Sub – Total Aves Sub – Total Animais de Trabalho Cavalos Sub – Total Total Fonte: Dados da pesquisa. A seguir será mostrado os insumos da propriedade estocados, bem como a quantidade e o valor no início de 2010 e final de 2010, conforme a Tabela 7. 38 TABELA 7 – Insumos da Fazenda Lagedo no ano de 2010. Descrição Início do Ano Quant. Fim do Ano Valor (R$) Quant. Valor (R$) Adubo Químico 10 540,00 20 1.000,00 Estacas 5 300,00 12 720,00 Produtos Veterinários 10 500,00 15 750,00 Sal 10 200,00 12 240,00 Sal Mineral 4 320,00 6 510,00 Silagem 54 5.400,00 0 0,00 Suplementos 3 78,00 20 560,00 Total - 8.088,00 - 5.040,00 Fonte: Dados da pesquisa. Será mostrado a seguir na Tabela 8, os valores de dinheiros em mãos e em bancos da propriedade no início e final de 2010. TABELA 8 – Outros Valores da Fazenda Lagedo no ano de 2010. Descrição Início do Ano Quant. Valor (R$) Fim do ano Quant. Valor (R$) Dinheiro em Mãos - 1.200,00 - 2.000,00 Dinheiro em Bancos 1 800,00 1 25.000,00 Total - 2.000,00 - 27.000,00 Fonte: Dados da pesquisa. A seguir será mostrado na Tabela 9, o balanço patrimonial da propriedade detalhando todo seu ativo, que é todo o possuído de circulante, ou seja, que possui alta liquidez (que gera dinheiro ou produção a curto prazo), realizável a longo prazo e permanente, ou seja, possui baixa liquidez (gera dinheiro ou produção a longo prazo) e o passivo, que é as obrigações de pagamento a curto prazo e exigível a longo tempo e consequentemente o patrimônio líquido no início e final de 2010. 39 TABELA 9 – Balanço Patrimonial da Fazenda Lagedo no ano de 2010. Contas Valor no Início Valor no Fim do Período (R$) do Período (R$) Ativo 1 Circulante 1.200,00 2.000,00 800,00 27.0000,00 Estoques de Insumos 8.088,00 5.040,00 Animais de produção e de trabalho e criações 88.230,00 109.660,00 Total (1) 98.318,00 143.700,00 0,00 0,00 3.000,00 8.000,00 Terras 178.000,00 185.400,00 Construções e melhoramentos 29.000,00 29.906,67 Máquinas, motores e equipamentos 7.000,00 8.014,00 217.000,00 231.320,67 315.318,00 375.020,67 3.500,00 4.000,00 200,00 200,00 0,00 0,00 3.700,00 4.200,00 Financiamentos 20.000,00 25.000,00 Total (5) 20.000,00 25.000,00 6 Patrimônio Líquido (1+2+3-4-5)=6 291.618,00 345.820,67 Total do Passivo (4+5+6) 315.318,00 375.820,67 Dinheiro em caixa Aplicações financeiras a curto prazo 2 Realizável a Longo Prazo Títulos e contas a receber a longo prazo Total (2) 3 Permanente Investimentos Total (3) Total do Ativo (1+2+3) Passivo 4 Circulante Títulos e contas a pagar a curto prazo Impostos a pagar Empréstimos a pagar Total (4) 5 Exigível a Longo Prazo Fonte: Dados da pesquisa. 40 A seguir será detalhado a Análise do Balanço Patrimonial e os Índices Financeiros da propriedade como: Liquidez Geral, Liquidez Corrente, Solvência Geral, Índice de Endividamento e Participação da dívida a curto prazo e avaliando cada item para se saber realmente como anda a vida financeira da fazenda, conforme a Tabela 10. TABELA 10 – Análise do Balanço Patrimonial e Índices Financeiros Fazenda Lagedo no ano de 2010. ÍNDICES CÁLCULOS 1 Liquidez Geral = Total Ativo (1+2+3) / Passivo (4+5) 12,83 2 Liquidez Corrente = Ativo Circulante (1) / Passivo Circulante (4) 34,21 3 Solvência Geral = Passivo Circulante + Exigível a Longo Prazo 0,08 (4+5) / Total do Ativo (1+2+3) 4 Índice de Endividamento = Passivo (4+5) / Patrimônio Líquido 0,084 (6) 5 Participação da dívida a curto prazo = Passivo Circulante (4) / 0,14 Passivo (4+5) Fonte: Dados da pesquisa. Liquidez Geral: Esse índice é utilizado para se verificar a saúde financeira a curto e a longo prazo da empresa, através da comparação do Ativo Circulante, mais o Realizável a Longo Prazo, com o Passivo Circulante mais o Exigível a Longo Prazo. Indica quanto a empresa possui em dinheiro, bens e direitos realizáveis à curto e longo prazo, para fazer face às suas dívidas totais (SOUZA, 2003). Com isso, para cada real de dívidas totais (seja de curto ou longo prazo) com terceiros (passivo exigível), a empresa dispõe de R$ 12,83 de bens e direitos de curto e longo prazo, para pagar, ou seja, se negociar os bens e direitos de curto e longo prazos, para cada R$ 12,83 que recebe, paga R$ 1,00 e sobram R$ 11,83. Liquidez Corrente: Este índice irá refletir a capacidade de pagamento da empresa em curto prazo, ele nasce da confrontação de quanto a empresa possui no ativo circulante com as dívidas existentes no passivo circulante, ou seja, se a empresa possui recursos suficientes no ativo circulante para cobrir suas dívidas de curto prazo. Indica quanto a empresa possui em dinheiro mais bens e direitos realizáveis no curto prazo, comparado com suas dívidas a serem pagas no mesmo período (SOUZA, 2003). 41 Ainda segundo o mesmo autor, para se afirmar que um índice de liquidez corrente é bom ou ruim, não basta somente que o mesmo seja superior a 1, tem que se analisar o tipo de atividade da mesma e principalmente deve-se considerar o seu ciclo financeiro, ou seja, o prazo de rotação dos seus estoques, o recebimento de suas vendas e o pagamento de suas compras. Isso indica que para cada real de dívida de curto prazo (Passivo Circulante), a empresa dispõe de R$ 34,21 de bens e direitos de curto prazo (Ativo Circulante) para pagar, ou seja, se a empresa negociar todo o seu Ativo Circulante, para cada R$ 34,21 que receber paga R$ 1,00 e sobram R$ 33,21 que poderão ser investidos na empresa. Solvência Geral: Mede a capacidade da propriedade de saldar todas as obrigações por meio da “venda” de todo o seu ativo; é, portanto, um conceito a longo prazo. A propriedade nesse índice está com 8%, o que mostra um controle de gastos normal para esse ramo de atividade da fazenda. Índice de Endividamento: Indica o percentual de Capital de Terceiros em relação ao Patrimônio Líquido, retratando a dependência da empresa em relação aos recursos externos. O índice de endividamento da propriedade é de 8,4% do total do patrimônio líquido. Participação da dívida a curto prazo: É um índice que avalia os compromissos assumidos pela propriedade a curto prazo sem afetar o patrimônio líquido. Nesse caso a propriedade tem 14% do patrimônio total na participação de dívida a curto prazo, mostrando que a propriedade não trabalha pondo o patrimônio sobe risco. 4.2 IDENTIFICAÇÃO DA VIABILIDADE DE LONGO PRAZO 4.2.1 Definição do horizonte de análise A viabilidade de longo prazo da propriedade será analisada para um horizonte de 10 anos, período, tendo em vista as atividades desenvolvidas e a vida útil restante dos estoques de capitais físicos existentes na propriedade. Entende-se que a escolha do período de 10 anos para se realizar a analise econômica e financeira é adequada para a atividade pecuária de leite. 4.3 VARIAÇÃO PATRIMONIAL 42 4.3.1 Variação do capital natural Na região de Goianésia o valor da terra vem aumentando a cada ano que passa. Isso se justifica dentre outros motivos como: a expansão da cana-de-açúcar, introdução de culturas antes não conhecidas na região como o plantio de eucaliptos e seringueiras. Isso está comprovado nas últimas terras vendidas de alguns vizinhos da fazenda que o preço tem se valorizado consideravelmente, com isso será adotada uma taxa média anual de valorização da terra nua de 3%, com isso o valor do capital natural da fazenda passaria dos atuais R$ 178.000,00 para R$ 245.055,14 conforme a Tabela 11. TABELA 11 - Valor do capital natural da Fazenda Lagedo nos anos zero e dez. Item Terra nua classe I Terra nua classe II Terra nua classe III Terra nua classe IV Total Valor no ano zero (R$) 149.968,00 18.060,00 7.860,00 1.900,00 178.000,00 Valor no décimo ano 10 (R$) 207.590,79 24.271,13 10.563,18 2.630,04 245.055,14 Fonte: Dados da pesquisa. 4.3.2 Variação do capital físico O valor do capital físico terá uma redução de R$ 48.162,67 para R$ 11.183,12 devido a sua depreciação, conforme a Tabela 12. 43 TABELA 12 - Valor do capital físico da Fazenda Lagedo nos anos zero e dez. Item Valor ano 0 Vida útil Valor (%) 20 Pastagem 10.232,00 Casa do Pr. 16.300,00 10 (anos) 10 Cercas 5.200,00 10 Curral 2.720,00 10 555,00 Veículo Ut. Estrada Int. 20 residual (%) 20 Depreciação Valor ano 10 818,56 anual (%) 1.304,00 2.046,40 3.260,00 416,00 1.040,00 20 217,60 544,00 10 10 45,00 50,00 5.762,00 8 30 504,18 720,25 4.766,67 15 30 222,44 2.542,22 Paiol 920,00 10 20 73,60 736,00 Motores 894,00 10 10 80,46 89,40 Ferramentas 444,00 10 10 39,96 44,4 Picadeira 369,00 10 30 25,83 110,70 48.162,67 - - 3.747,03 11.183,12 Carroça Total Fonte: Dados da pesquisa. 4.3.3 Evolução do rebanho A dinâmica da evolução do rebanho da pecuária leiteira é relativamente complexa ao longo do tempo, envolvendo as entradas de animais por meio de compras e nascimentos e as saídas compostas pelas mortes, vendas de animais e as mudanças de categorias pelo crescimento dos animais jovens. O rebanho da fazenda vem se mantendo estável nos últimos anos, com uma media anual de 25 vacas em lactação, 19 vacas secas, 13 novilhas de 1 a 2 anos e 2 touros. Os coeficientes técnicos da fazenda estão demonstrados na Tabela 13. 44 TABELA 13 – Evolução do rebanho da Fazenda Lagedo. Item Unidade Valores Vacas em lactação Cabeças 25 Produtividade media anual Litros/vaca/dia 5,8 Intervalos entre partos Meses 12 Idade ao primeiro parto Meses 32 Descarte de animais % 20 Mortalidade de bezerros % 10 Produção de leite Litros/ano 52.925 Produção de leite Litros/vaca/ano 1740 Produção de leite Litros/dia 145 Fonte: Dados da pesquisa. 4.4 ESTIMATIVAS DE RECEITAS Na fazenda as receitas dos produtos são obtidas através da venda diária do leite, venda de queijo na feira da cidade e da venda anual de cerca de 20 bezerros por um preço médio de R$ 420,00/cabeça e de cerca de 10 vacas de descarte no valor de R$ 900,00/cabeça. A produção anual de leite é de 52.925 litros. Em torno 32.400 litros é vendido a um preço médio de R$ 0,60/l e os restantes 20.525 litros é destinado a produção de queijo vendido em média a 5 reais a peças . Foi considerada uma valorização de 4% a.a. para as receitas; as somas dessas receitas estão detalhadas na Tabela 14. 45 TABELA 14 - Estimativas das receitas de caixa do ano 1 ao 10 para a Fazenda Lagedo. Descrição Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Venda do leite R$ 20.000,00 R$ 20.800,00 R$ 21.632,00 R$ 22.497,28 R$ 23.397,17 Venda queijo R$ 21.525,00 R$ 22.386,00 R$ 23.281,44 R$ 24.212,70 R$ 25.181,21 Bezerros R$ 8.000,00 R$ 8.320,00 R$ 8.652,80 R$ 8.998,91 R$ 9.358,87 Vacas descarte R$ 3.500,00 R$ 3.640,00 R$ 3.785,60 R$ 3.637,02 R$ 4.094,50 Total R$ 53.025,00 R$ 55.146,00 R$ 57.351,84 R$ 59.645,91 R$ 62.031,75 Descrição Ano 6 Ano 7 Ano 8 Ano 9 Ano 10 Venda de leite R$ 24.333,06 R$ 25.306,38 R$ 26.318,64 R$ 27.371,38 R$ 28.466,24 Venda queijo R$ 26.188,45 R$ 27.235,99 R$ 28.325,45 R$ 29.458,45 R$ 30.636,79 Bezerros R$ 9.733,22 R$ 10.122,55 R$ 10.527,45 R$ 10.948,55 R$ 11.386,49 Vacas descarte R$ 4.258,29 R$ 4.428,62 R$ 4.605,76 R$ 4.789,99 R$ 4.981,59 Total R$ 67.093,54 R$ 69.777,28 R$ 72.568,37 R$ 75.471,11 R$ 64.513,02 Fonte: Dados da pesquisa. 4.5 ESTIMATIVAS DAS DESPESAS As despesas da fazenda vão desde os gastos com sementes, adubo e locação de máquinas com o cultivo de milho e sorgo para a produção de silagem até os gastos com medicamentos, vacinas e mineralização do rebanho. As Tabelas 15 e 16 detalham essas despesas na propriedade. 46 TABELAS 15 - Estimativas das despesas com Silagem para a fazenda Lagedo em 2010 (em R$). Descrição Unidade Semente (Milho) R$/Hectare 38 4 152,00 Semente (Sorgo) R$/Hectare 38 4 152,00 Fertilizante (4-30-10) R$/Hectare 200 4 800,00 Sulfato de amônio R$/Hectare 68 4 275,00 Aração R$/Hectare 210 4 840,00 Gradagem R$/Hectare 115 4 460,00 Forrageira R$/Hectare 595 4 2.380,00 Mão-de-obra Homens/dia - - 455,00 Lona plástica m2 83 4 330,00 Total Sumário - - 5.844,00 Fonte: Dados da pesquisa. Digite o título do Quant. Hectare R$/Ano capítulo (nível 1) TABELA 16 - Estimativas das despesas com o manejo do rebanho da fazenda Lagedo 1 em 2011. Digite o título Descrição do capítulo Ração comercial (nível 2) Mineralização 2 Energia Elétrica Digite o título Vacinas e medicamentos do capítulo Total (nível 3) Fonte: Dados da pesquisa. R$/ano 5.000,00 3.800,00 600,00 6000,00 10.000,00 3 Digite o título Os gastos anuais com manutenção das benfeitorias foram estimados pelo do capítulo produtor em R$ 2.000,00. Foi considerado um acréscimo de 3% a.a. nas despesas. (nível 1) Todos os valores acima estão representados na Tabela 17. 4 Digite o título do capítulo (nível 2) 5 Digite o título do capítulo (nível 3) 6 47 TABELA 17 - Estimativas das saídas de caixa do ano 1 ao 10 da fazenda Lagedo em 2011. Descrição Ano 1 Ano 2 Ano 3 Ano 4 Ano 5 Silagem R$ 5.844,00 R$ 6.019,32 R$ 6.199,89 R$ 6.385,88 R$ 6.577,45 Rebanho R$ 10.000,00 R$ 10.300,00 R$ 10.609,00 R$ 10.927,27 R$ 11.255,08 Pastagens R$ 3.500,00 R$ 3.605,00 R$ 3.713,15 R$ 3.824,54 R$ 3.939,27 Benfeitorias R$ 2.000,00 R$ 2.060,00 R$ 2.128,80 R$ 2.192,45 R$ 2.258,22 ITR R$ 50,00 R$ 50,00 R$ 50,00 R$ 50,00 R$ 50,00 Total R$ 21.394,00 R$ 22.034,32 R$ 22.700,84 R$ 23.370,14 R$ 24.080,02 Descrição Ano 6 Ano 7 Ano 8 Ano 9 Ano 10 Silagem R$ 6.774,77 R$ 6.978,01 R$ 7.187,35 R$ 7.402,97 R$ 7.625,05 Rebanho R$ 11.592,73 R$ 11.940,51 R$ 12.298,72 R$ 12.667,68 R$ 13.047,71 Reforma R$ 4.057,44 R$ 4.179,16 R$ 4.304,53 R$ 4.433,66 R$ 4.566,66 Benfeitorias R$ 2.325,96 R$ 2.395,73 R$ 2.467,60 R$ 2.541,62 R$ 2.617,86 ITR R$ 50,00 R$ 50,00 R$ 50,00 R$ 50,00 R$ 50,00 Total R$ 24.800,90 R$ 25.543,41 R$ 26.308,20 R$ 27.095,93 R$ 27.907,28 Fonte: Dados da pesquisa. 4.6 CONSTRUÇÃO DO FLUXO DE CAIXA DA PROPRIEDADE O fluxo de caixa foi construído com finalidade para verificar a rentabilidade do negócio em questão. Na data zero o investimento foi de R$ 335.823,00 (terra + capital físico + animais). Não houve alíquota, pois conforme o agricultor este não paga impostos, sendo portando a alíquota igual a zero. O capital de Giro foi considerado 20% das receitas geradas. Ver o fluxo na Tabela 18. 48 TABELA 18 - Fluxo de caixa da propriedade no ano de 2010. (-) Investimento Alíquota IR Anos (+) Receita (-) Custos Depreciação FCO (-) Capital De Giro (-) IDGC (+) Valor Residual Fluxo de Caixa Anos (+) Receita (-) Custos Depreciação FCO (-) Capital De Giro (-) IDGC (+) Valor Residual Fluxo de Caixa Taxa Requerida VPL TIR (R$ 335.823,00) 0 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 0 R$ 10.605,00 R$ 0 - R$ 346.428,00 6 R$ 64.513,02 R$ 24.793,55 R$ 3.747,03 R$ 43.466,50 R$ 12.902,60 R$ 516,10 R$ 0 R$ 42.950,40 12,25% R$ 64.689,02 15,02% 1 R$ 53.025,00 R$ 21.394,00 R$ 3.747,03 R$ 35.378,03 R$ 10.605,00 R$ 424,20 R$ 0 R$ 34.953,83 7 R$ 67.093,54 R$ 25.535,85 R$ 3.747,03 R$ 45.304,72 R$ 13.418,71 R$ 536,75 R$ 0 R$ 44.767,97 2 R$ 54.146,00 R$ 22.034,85 R$ 3.747,03 R$ 36.858,71 R$ 11.029,20 R$ 441,17 R$ 0 R$ 36.417,54 8 R$ 69.777,28 R$ 26.300,43 R$ 3.747,03 R$ 47.223,88 R$ 13.955,46 R$ 558,22 R$ 0 R$ 46.665,67 3 R$ 57.351,84 R$ 22.693,32 R$ 3.747,03 R$ 38.405,02 R$ 11.470,37 R$ 458,81 R$ 0 R$ 37.946,21 9 R$ 72.568,37 R$ 27.087,94 R$ 3.747,03 R$ 49.227,46 R$ 14.513,67 R$ 580,55 R$ 0 R$ 48.646,92 4 R$ 59.645,91 R$ 23.373,17 R$ 3.747,03 R$ 40.019,78 R$ 11.929,18 R$ 477,17 R$ 0 R$ 39.542,61 10 R$ 75.471,11 R$ 27.899,08 R$ 3.747,03 R$ 51.319,06 R$ 15.094,22 (R$ 15.094,22) R$ 565.898,26 R$ 632.311,54 5 R$ 62.031,75 R$ 24.072,86 R$ 3.747,03 R$ 41.705,92 R$ 12.406,35 R$ 496,25 R$ 0 R$ 41.209,67 Fonte: Dados da pesquisa. 49 4.7 ANÁLISE DOS INDICADORES A Taxa Mínima de Atratividade (TMA) adotada foi à taxa SELIC no dia 08/Junho de 2011 é de 12,25% ao ano conforme o Comitê de Política Monetária (COPOM). 4.7.1 Valor Presente Líquido (VPL) O projeto apresentou um VPL de R$ 64.689,02, como é um valor positivo indica que o projeto é rentável e deve ser aceito. 4.7.2 Taxa Interna de Retorno (TIR) A TIR calculada foi de 15,02%, o que indica que o projeto deve ser aceito, pois a TMA é de 12,25% (TIR > TMA). 4.7.3 Payback Descontado (PBD) O projeto apresentou um PBD de 9,68, Que significa dizer que o retorno do investimento se dará em pouco mais de 9 anos após sua aplicação, ou seja o investimento só foi recuperado no ultimo ano da análise. 4.7.4 Índice de Lucratividade (IL) O IL do projeto é de 1,19, o que significa dizer que para cada R$ 1 investido no projeto o produtor terá um lucro de R$ 0,19. 4.8 READEQUAÇÃO DA FAZENDA LAGEDO Calculados os índices do fluxo de caixa da propriedade e com os resultados acima, o projeto feito na propriedade mostrou ser rentável no prazo previsto que foi de 10 anos. Com isso poderá fazer as implantações de melhorias nas instalações da propriedade como: construção de currais mais modernos; equipamento de ordenha que 50 irá aperfeiçoar mão-de-obra do produtor; colocação de tanque de expansão para possibilitar agregar valor do litro de leite pago pelo laticínio; troca de animais velhos e com produção baixa por animais de alto valor genético; uso de inseminação para diminuir nascimento de bezerros machos; substituição do capim Brachiária por capim mombaça que é um capim com alto valor proteico possibilitando assim diminuição de ração concentrada no período de chuva; repartição dos pastos em piquetes rotacionados; aumentar a área destinada ao cultivo de milho para produção de silagem, evitando assim qualquer perda de animais ou diminuição da produção mensal da fazenda no período de seca. Com isso tudo mudar a mentalidade do produtor que é bastante arcaica, trazendo-o para o mundo moderno de hoje, onde tem que ter tudo da propriedade na ponta do lápis ou na tela do computador. 51 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Os controles administrativos de uma empresa são extremamente importantes, pois, de nada adianta que a empresa possua capacidade de produção, produtos de qualidade, espaço no mercado se não dispor de controles administrativos rigorosos e confiáveis. Neste sentido o presente estudo propôs a apuração da viabilidade econômica da produção de leite em uma propriedade rural localizada no município de Goianésia-GO, tendo em vista que feitas algumas visitas foi possível identificar a necessidade de realização de um estudo que pudesse auxiliar na organização de informações geradas por um controle confiável dos custos de produção e consequentemente proporcione informações reais para a estruturação de qualquer informação necessária para a gestão da propriedade. Foi possível verificar que a fazenda é viável economicamente conforme resultados dos indicadores, o projeto apresentou rentabilidade R$ 64.689,02 no prazo de 10 anos, trazendo esses valores anualmente terá rentabilidade de R$ 6.468,90 e mensalmente terá rentabilidade de R$ 536,08. Com isso, deve ter um bom planejamento no dia-a-dia da propriedade, pois o rendimento mensal na duração do projeto foi baixo. Mas para que isso aconteça é preciso que o produtor invista em tecnologia e em ferramentas de controle do processo produtivo, como agregar valor ao litro de leite, volume, manter o leite produzido em boa qualidade. Recomenda-se também ao produtor a continuidade do experimento adotando a utilização das planilhas elaboradas, para a apuração de receita e produtividade, depreciações, custo fixo, custo variável, despesas administrativas, custo operacional, Investimentos, variação do rebanho no sentido de manter um controle confiável que possa subsidiar informações úteis ao gerenciamento da propriedade. 52 6 REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS AFONSO, J. P. C.; OLIVEIRA,F. D.; COSTA, D. R. Viabilidade econômica de produção de lenha de eucalipto para secagem de produtos agrícolas. Engenharia Agrícola, Jaboticabal, v. 26, n.1. P. 26, Jan/Abr. 2006. AGUIR, A. P. A; REZENDE, J. R. Pecuária de Leite. Custos de produção e análise Econômica. 1 ed. Viçosa, MG. Aprenda Fácil, 2010. 118p. ANDRADE, M. T. Análise da viabilidade financeira e econômica da produção leiteira em vacas holandesas utilizando suplementação de silagem de milho na região do núcleo rural de Taguatinga-DF. Brasília. 2008. v1. ANUALPEC. Anuário da pecuária brasileira. São Paulo. 2010. 218 p. ASSAF NETO, A. Estrutura e Análise de Balanços – um enfoque econômico financeiro do comercio e serviços, industriais, bancos comerciais e múltiplos. 7 ed. São Paulo: Atlas, 2002. 48p. BANCO CENTRAL DO BRASIL. Histórico das taxas de juros. Disponível em:< http://www.bcb.gov.br/?COPOMJUROS>. Acesso em: 09 de junh. 2011. BREITENBACH, R.; SOUZA, R. S. Estruturas de mercado de fatores e governança na cadeia produtiva do leite: Um Estudo de Caso do Município de Ajuricaba-RS. Disponível em:<http://www.sober.org/palestra/9/594.pdf>. Acesso em: 12 mar. 2011. CANZIANI, J. R.; PERES, F. C.; GUIMARÃES, V. A.; HIRONAKA, G. M. F. N. Programa empreendedor rural – PER (SENAR/PR SEBRAE/PR).Vol. 2, 2003. 240p. CARVALHO, G. R.; CARNEIRO, A. V.; TRAVASSOS, G. F.; PINHA, L. C. Principais indicadores leite e derivados: Boletim eletrônico mensal. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, v. 3, n. 26, 13 ago. 2010. Disponível em:<http://www.cileite.com.br/sites/default/files/2010_08_indicadores_leite.pdf>. Acesso em: 29 abr. 2011. COSTA, J. L.; NOVAES L. P. Modelos físicos de sistemas de produção de leite. In: SANTOS, C. A.; CARVALHO L. A. et al (Ed.). Embrapa Gado de Leite: 30 anos de pesquisa e conquistas para o Brasil. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2006. p. 173192. CREVELIN, S. A.; SCALCO, A. R. Projeto “agricultura familiar gado de leite”: melhorias ocorridas em uma propriedade familiar no município de tupã. In: Congresso da Sociedade brasileira de economia, administração e sociologia rural, 65, Londrina-PR. p1-14. Julho, 2007. CUPERTINO, C. M. Fluxo de caixa, lucro contábil e dividendos: comparação de diferentes enfoques na avaliação de empresas brasileiras. 2005. 50f. Dissertação em 53 ECONOMIA, ÁREA DE CONCENTRAÇÃO: ECONOMIA E FINANÇAS) Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2005. DAMODARAN, A. Avaliação de investimento: ferramentas e técnicas para a determinação do valor de qualquer ativo. Rio de Janeiro: Qualitymark, 1997. 90p. EMBRAPA CERRADO. Importância da pecuária leiteira. 2006. Disponível em: <http://sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br/FontesHTML/Leite/LeiteCerrado/import ancia>.htm. Acesso em: 25 fev. 2011. FAEG. Diagnóstico da cadeia produtiva do leite em Goiás. Goiânia. 2009. 65p. FERREIRA, J. A. S. Finanças Corporativas: conceitos e aplicações. São Paulo: Pearson/Prentice Hall, 2005. 70p. FIGUEIREDO, L. H. M. Sistema flexível e eficaz para o gerenciamento e a tomada de decisão baseados no risco. Gerenciamento Ambiental, v.3, n16, 2001. 15p. GITMAN, L. J. Princípios de administração financeira. 2 ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. 40p. HADDADE, I. R.; SOUZA, P. M.; BARROS, E. E. L.; ALVES, G. R.; SCOLFORO, L.; CORDEIRO, M. D.; PERES, A. A. C.; HENRIQUES, L. T. Avaliação econômica sob condições de risco em sistema produtivo de gado de leite na região Norte do estado do Rio de Janeiro. Arquivo Brasileiro de Medicina Veterinária e Zootecnia. v.57, n.3, p.361-366, 2005. IBGE, Censo Agropecuário – Agricultura familiar 2006. Disponível em:<http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_impressao.php?id_notic ia=1466>. Acesso em: 01 mai. 2011. IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Tabelas. 2007. Disponível em: <http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/agropecuaria/lspa/default. shtm>. Acesso em: 09 mar. 2011. IUDICIBUS, S.; MARION, J. C. Manual de contabilidade para não contadores. São Paulo: Atlas, 2000. 128p. KASSAI, J. et. al. Retorno de investimento: abordagem matemática e contábil do lucro empresarial. 2 ed., São Paulo: Atlas 2000. 280p. KREUZ, C. L.; SOUZA, A.; SCHUCK, E.; PETRI5, J. L. Avaliação econômica de alternativas de investimento no agronegócio da uva no Meio Oeste catarinense. Revista Brasileira de Fruticultura, Jaboticabal, v. 27, n. 2, p. 230-237, Agosto, 2005. LAPPONI, J. C. Projeto de investimento: construção e avaliação do fluxo de caixa. São Paulo: Empresa das Artes, 2000. 30p. LÉDO, F. J. S.; PEREIRA, A. V.; SOBRINHO, F. S.; JANK, L.; ALVES, T. G.; CARNEIRO, J. C.; AUAD, A. M.; OLIVEIRA, J. S. Avaliação de genótipos de 54 Panicum no Estado do Rio de Janeiro. Disponível em:<hptt:www.cnpgl.embrapa.br/nova/publicacoes/boletim/BOP19.pdf> Acesso em: 03 mar. 2011. LOPES, P. F. Custos e escala de produção na pecuária leiteira: Um estudo nos principais estados produtores do Brasil. 2006. 86p. Dissertação de (Mestrado em Administração) - Universidade Federal de Lavras, Lavras-MG, 2006. MACEDO, M. A. S. Análise de viabilidade econômico-financeira de Projetos agropecuários: o caso da implantação de um Projeto de produção de produtos apícolas. 14º Congresso da sociedade brasileira de economia, administração e sociologia rural, Londrina. p. 1-21, Julho de 2007. MAGDALENA, H. Z; SCARE, R. F; CASANOVA, A. C. P. Hábitos de consumo e atributos valorizados na compra de leite pelo público da terceira idade. Disponível em:< http://www.sober.org.br/palestra/9/631.pdf>. Acesso em: 16 mai. 2011. MAPA - MINISTÉRIO DA AGRICULTURA, PECUÁRIA E ABASTECIMENTO. 2002. Instrução Normativa N.51. Disponível em: <http://www.agricultura.gov.br>. Acesso em: 13 mar. 2011. MARION, J. C. Análise das demonstrações contábeis – contabilidade empresarial. 2a Ed. São Paulo: Atlas, 2002. 22p. MATOS, L. L. Estratégias para redução do custo de produção de leite e garantia de sustentabilidade da atividade leiteira. Simpósio sobre Sustentabilidade da Pecuária Leiteira na Região Sul do Brasil. Maringá, p. 156-183.ago,2004. MENEGATTI, A. L. A.; BARROS, A. L. M. Análise comparativa dos custos de produção entre soja transgênica e convencional: um estudo de caso para o estado do Mato Grosso do Sul. Revista de Economia e Sociologia Rural. v.45, n. 1, Brasília, jan./fev., 2007. MilkPoint. Tabelas. 2010. Disponível em: <hptt://www.milkpoint.com.br/estatisticas/Producao_Estado.htm>. Acesso em: 09 mar. 2011. MILKWORLD. Cadeia do leite é a maior empregadora do setor privado. Disponível em: <http://milkworld.com.br/noticias/post/cadeia-do-leite-e-a-maior-empregadora-dosetor-privado>. Acesso em: 16 maio 2011. MIRANDA, E. E.; CRISCUOLO, C.; QUARTAROLI, C. F. Desenvolvimento rural – Gestão territorial. Revista Agroanalysis (FGV), São Paulo, jul. 2006, p. 40. NORONHA, J. F. Projetos agropecuários: administração financeira, orçamentária e viabilidade econômica. 2 ed. São Paulo: Atlas, 1987. 55 NOVAES, E. A. Novos caminhos da pecuária leiteira de Goiás. Disponível em: <http://www.ecampo.com.br/Conteudo/Artigos/VisArtigos.aspx?ch_top=433&Painel=1 &>. Acesso em: 11 mar. 2011. OLIVEIRA, E. R. Estudo de rentabilidade econômica, sob condição de risco, para três sistemas produtivos de bovinocultura de leite em Piracanjuba - GO. In: Congresso da sociedade brasileira de economia, administração e sociologia rural, Londrina. p 119, Julho de 2007. PERES, A. A. C. Análise financeira e de sensibilidade de sistemas de produção de leite em pastagem. Revista Brasileira de Zootecnia, v.38, n.10, p.2072-2078, 2009. PORTO, G. O Estado de São Paulo. Mercado de leite deve seguir aquecido este ano. Disponível em: < http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110406/not_imp702231,0.php>. Acesso em: 03 mai. 2011. RESENDE, J. C. Tese de Pós-Graduação sobre Determinantes de lucratividade em fazendas leiteiras de Minas Gerais. 2010. Disponível em: <http://www.cileite.com.br/2010.pdf.>. Acesso: em 25 Fev. 2011. REVISTA ONLINE BRASIL ALIMENTOS. Estudo aponta que brasileiro consumiu mais leite em 2010. Disponível em: < http://www.brasilalimentos.com.br/acontece/2011/estudo-aponta-que-brasileiroconsumiu-mais-leite-em-2010>. Acesso em: 16 mai. 2011. SÁ, H. D. F. de. Engenharia financeira do Pronaf: Reflexões sobre os arranjos adotados. Brasília: Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária, Universidade de Brasília, 2009. 106p. Dissertação (Mestrado em Agronegócios). Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/25786757/8/Evolucao-institucional-do-Pronaf>. Acesso em: 06 mai. 2011. SANTOS, J. S.; MARION, J. C.; SEGATTI, S. Administração de custos na agropecuária. 3.ed. São Paulo: Atlas, 2002. 25p. SANVICENTE, A. Z. Administração financeira. 3 Ed., São Paulo: Atlas, 1997, 3538p. SEBRAE. A função financeira nas empresas, 2008. Site disponível em: <http://www.sebrae.com.br/customizado/estudos-e pesquisas.>. Acesso em: 25 fev. 2011. SEGALA, C. Z. S.; SILVA, I. T. Apuração dos custos na produção de leite em uma propriedade rural do município de Irani-SC. CUSTOS E @GRONEGÓCIO ON LINE, v. 3, n. 1 - Jan/Jun. - 2007. Disponível: <http ://www.custoseagronegocioonline.com.br /numero1v3/ Custos %20do%20leite.pdf> Acesso em: 13 mar. 2011. SILVA, D. M. Estudo de viabilidade econômica para a ampliação da produção Leiteira em uma propriedade rural. SIC, 16. Pelotas –PR. p. 1-5, Novembro de 2007. 56 SIVA, H. A. Análise da viabilidade econômica da produção de leite a pasto e com suplementos na região dos Campos Gerais – Paraná. Ciência Rural, v.38, n.2, mar abr, 2008. SIQUEIRA, K. B.; ALMEIDA, M. F.; STOCK, L. A.; DUARTE, M. G. P. Embrapa Gado de Leite - Núcleo do Conhecimento do Agronegócio do Leite. Relações do preço do leite em pó integral no mercado internacional. Disponível em: < http://www.cileite.com.br/sites/default/files/2010_07_relacoes%20do%20preco%20do %20leite%20em%20po%20integral.pdf>. Acesso em: 03 maio 2011. SOUZA, S. V. Liquidez. A saúde financeira das empresas. Disponível em: < http://www.peritocontador.com.br/artigos/colaboradores/Liquidez%5B1%5D._A_Sa_de _Financeira_das_Empresas.pdf>. Acesso em: 13 junh. 2011. VALE, S. M. L. R.; RIBON, M. Manual de escrituração da empresa rural. 2 ed. Viçosa, MG: UFV, 2000. 95p. YAMAGUCHI, L. C. T. Viabilidade econômica da produção de leite: um estudo de caso em coronel Xavier Chaves - MG. Revista eletrônica de economia. Ed 3. P. 1-10, 2003. ZOCCAL, R. O agronegócio do leite: análise e perspectivas. Congresso Brasileiro de Economia e Sociologia Rural, Cuiabá-MT. 2004. p 1- 13. 57