R E V I S T A
UMA PUBLICAÇÃO DA FEDERAÇÃO DOS TRABALHADORES
EM EDUCAÇÃO DE MATO GROSSO DO SUL
EDIÇÃO 04 | AGOSTO 2012
LIÇÕES QUE
VÊM DO CAMPO
Pág 26
Saúde
Sobrecarga de atividades e más
condições de trabalho afetam
a saúde dos profissionais da
educação
Pág 16
Entrevista
Aos 81 anos, Félix Nunes faz
uma retrospectiva da sua
atuação no jornalismo
Revista
ATUAÇÃO
| Agosto 2012 |
sindical
brasileiro
Pág 22
1
2 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 |
3
EXPEDIENTE
DESTAQUES
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Colaboraram nesta edição
Maria Irene Zardo
Karina Villas Boas
Aline dos Santos
Fotos
Wilson Jr.
Maria Irene Zardo
João Garrigó - Campo Grande News
Lucas Coelho
Conectados
......................................................................................................................................07
Rede municipal de ensino de Naviraí informatiza
100% das escolas
Reivindicação ...................................................................................................................................12
Estado tem déficit de 4.100 funcionários no
sistema educacional
Saúde
...................................................................................................................................................16
Trabalhadores em educação pedem afastamento
das atividades por problemas de saúde
Entrevista
..........................................................................................................................................22
Jornalista Félix Nunes fala de sua trajetória no
movimento sindical
Capa .....................................................................................................................................................26
Crianças e adolescentes tomam gosto pela
educação que vem do campo
Os textos assinados são de responsabilidade dos autores e
não representam, necessariamente, a opinião da revista.
4 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 |
5
EDITORIAL
CONECTADOS
Jovens têm novas
perspectivas com o
uso da tecnologia
Escola de sonhadores
Uma menina que, diante do computador, planeja ser
arquiteta e tem na internet uma ferramenta para obter
mais conhecimento. Um menino que madruga para não
perder a aula na escola rural e aprende a colher da terra a
esperança de futuro.
Uma professora que dedicou toda a vida à qualidade
de ensino. Todos são personagens da quarta edição da
revista Atuação. Um time de sonhadores que nos inspira
a seguir lutando pela Educação que todos queremos.
O desafio, aliás, não é dos mais fáceis. As reportagens
mostram as dificuldades dos administrativos, que
enfrentam falta de condições adequadas de trabalho e
sobrecarga nas atividades. Se isso não bastasse, foram
atingidos por um duro golpe.
O governo do Estado descumpriu o prometido e
cortou o ponto dos servidores que participaram da
paralisação contra o reajuste salarial de 6%. A saída,
contra a postura autoritária do governo, foi contar com
a solidariedade. E a realização de rifas ajudou a repor o
salário dos trabalhadores.
Já as salas de aulas superlotadas e a falta de
infraestrutura penalizam os professores. As más condições
atingem a saúde física e mental dos educadores, levando
ao afastamento de suas funções.
Mas, nas dificuldades do dia a dia, belos exemplos,
como o de Apolônio de Carvalho, nos animam a prosseguir.
Nascido em solo sul-mato-grossense, mais precisamente
Corumbá, “o herói de três mundos” representa a luta
contra a opressão. O ativista político, que morreu aos 93
anos, deixou um legado de liberdade.
“Quem passa pela vida e não tem nenhum horizonte
definido, nenhum ideal que possa e queira lutar, está
sujeito à mediocridade”.
O alerta de Apolônio de Carvalho nos lembra da
importância de seguir em frente na construção de uma
sociedade que nos permita sonhar.
Boa leitura!
Roberto Magno Botareli Cesar
Presidente da Federação dos Trabalhadores em
Educação de Mato Grosso do Sul
E
m um País com grande desigualdade de
acesso à informática, Vanessa Alves da Silva, de 13 anos, é uma estudante privilegiada. Desde que ingressou no ensino fundamental,
estuda em uma escola que possui sala de tecnologia educacional. “Com a internet, fico mais conectada com o mundo e aprendo muitas coisas novas. Assim é mais fácil fazer os trabalhos da escola.
Quando não entendo um assunto, tenho interesse
em procurar saber mais”, disse.
Decidida, Vanessa já traçou seu futuro. “Vou ser
arquiteta”, revelou. Sonho que se torna mais próximo devido a sua intimidade com a tecnologia. Atualmente, esses profissionais utilizam programas de
computador como, por exemplo, o AutoCAD, que
dinamiza o trabalho, proporcionando vantagens
como cálculos gerados automaticamente pelo
computador e visualização de plantas de imóveis
em 3D.
Muitos jovens brasileiros, no entanto, não contam com a mesma sorte de Vanessa. Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de
Alunos (PISA), relativos a 2009, no Brasil, metade
dos estudantes não tem acesso a computador e
internet. Além disso, o País está em último lugar
dentre 38 países avaliados em relação ao número
de computadores por aluno.
Ainda de acordo com o levantamento do PISA,
estudantes da Romênia, Rússia e Bulgária têm
maior acesso à informática do que os
Em Naviraí, 5.343
brasileiros. Já na Euestudantes do ensino
ropa, Estados Unidos
fundamental e do
e Japão, mais de 90%
têm computador.
EJA têm acesso a
Realidade que o
computadores
município de Navie à internet
raí (MS) conseguiu
mudar. Atualmente,
todas as seis escolas
da rede municipal possuem salas de tecnologia
educacional, atendendo a um total de 5.343 estudantes do ensino fundamental e da Educação de
Jovens e Adultos (EJA).
Todas as turmas do 1º ao 9º ano e do EJA da
Escola Municipal Marechal Rondon, onde Vanessa
estuda, têm aulas na sala de tecnologia, no mínimo,
uma vez por semana. São 885 alunos conectados
com o mundo. Além disso, no local, os estudantes
podem fazer pesquisas na internet fora do horário
de aula. Segundo a diretora Carmem Lúcia Cândido de Carvalho, a informatização da escola é muito importante. “A maioria dos nossos alunos tem
acesso à informática apenas na escola”, contou.
Diferente dos pais, que tiveram pouca formação
escolar e pouco acesso à informática, Vanessa, que
hoje cursa o 9º ano, terá mais chances de construir
um futuro melhor. “Estudantes que têm acesso à
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 |
7
tecnologia estão mais preparados para a vida, para ter uma
profissão porque, hoje, tudo é informatizado”, explicou Carmem.
Ensino-aprendizagem
A implantação de salas de tecnologia na rede municipal de ensino de Naviraí ocorreu entre 2006
e 2010. De acordo com o gerente
de Educação, César Martins da
Fonseca, a verba para a aquisição
dos equipamentos é proveniente
do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE),
vinculado ao Ministério da Educação (MEC), e de recursos municipais. “Hoje, a criança, quando
vai para a escola, já tem acesso à
informação. A informática é uma
ferramenta que facilita o trabalho
do professor. A escola não pode
ficar atrás”, ressaltou.
Nas salas de tecnologia, são
oferecidas aulas de todas as dis-
ciplinas. O professor responsável
pela sala de tecnologia e o professor da matéria em questão
trabalham juntos. Eles participam
de capacitações constantes oferecidas por meio de uma parceria entre o Núcleo de Tecnologia
Educacional (NTE), o MEC e o
município.
Para se tornar professor especializado, responsável pela sala
de tecnologia educacional, o profissional passa por capacitação e
avaliação feita pela escola onde
trabalha e pelo NTE.
Patrícia Bortoluzzo Meneguello, professora responsável
pela sala de tecnologia da Escola
Marechal Rondon, conhece a importância dessa ferramenta para
o ensino-aprendizagem. “A tecnologia amplia o conhecimento
Segundo dados do Programa Internacional de Avaliação de
Alunos (PISA), relativos a 2009, no Brasil, metade dos estudantes não tem acesso a computador e internet. Além disso, o País
está em último lugar dentre 38 países avaliados em relação ao
número de computadores por aluno.
Todas as turmas do 1º ao 9º ano e do EJA da Escola Municipal
Marechal Rondon, em Naviraí, têm aulas na sala de tecnologia,
no mínimo, uma vez por semana. São 885 alunos conectados
com o mundo.
do estudante, facilita o acesso
e a busca constante por informações, e também proporciona
ao professor trabalhar de forma
mais dinâmica e descontraída,
auxiliando no planejamento e
execução de atividades”, revelou.
Vantagens
A professora acrescenta que
a tecnologia favorece a inclusão social. “Estudantes de baixa
renda que não têm computador
e internet em casa passam a ter
acesso à tecnologia na escola”,
contou.
Segundo a integrante do Sindicato Municipal dos Trabalhadores em Educação (SIMTED) de
Naviraí, Antônia Bressa, as capacitações são oferecidas a todos
os professores da rede municipal
e eles têm que ministrar aulas
nas salas de tecnologia. “Conteúdos complexos podem ser
transmitidos com mais facilidade
e de maneira mais abrangente
com o uso de tecnologia. O ensino torna-se muito mais atrativo
do que na educação tradicional”,
afirmou.
Antônia cita um exemplo que
mostra porque é importante ter
acesso à tecnologia desde criança. O filho dela se alfabetizou sozinho, antes mesmo de ingressar
no ensino fundamental, usando
computador e internet. “Ele começou a ler com quatro anos.
Desde quando nasceu, tenho
computador em casa. Hoje, ele
me ensina muitas coisas no computador”, revelou.
Naviraí possui, ainda, um laboratório de informática para
atender o público em geral, na
Escola Professora Maria de Lourdes Aquino, e um curso de informática mantido pelo município.
“Com a internet, fico
mais conectada com
o mundo e aprendo
muitas coisas novas.
Assim é mais fácil
fazer os trabalhos da
escola. Quando não
entendo um assunto,
tenho interesse
em procurar saber
mais”.
Vanessa Alves
da Silva, de 13 anos,
estudante de Naviraí
8 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 9
CENTENÁRIO
O libertário Apolônio
100 anos de lutas e
conquistas
O
De viver
a vida
não me
fartou...
Apolônio de Carvalho
10 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
sonho de um mundo
mais justo e solidário
sempre mobilizou gerações, homens e mulheres que
acreditaram em ideais e doaram
suas vidas por uma causa, para
a construção de uma sociedade
mais justa e humana. Apolônio
de Carvalho foi uma dessas pessoas que viveram por um ideal,
pela liberdade e contra a opressão.
O libertário nasceu em Corumbá (MS), tornou-se oficial
formado pela Academia Militar
de Realengo, aderiu à Aliança
Libertadora Nacional nos anos
1930 e, por isso, foi expulso do
Exército brasileiro em 1936. Na
Espanha, foi voluntário na guerra civil e lutou contra as tropas
fascistas do General Franco. Lutou na Resistência francesa contra a ocupação nazista, durante
a Segunda Guerra Mundial, onde
ajudou a libertar várias cidades.
No fim da guerra, em 1945, foi
condecorado
pelo
governo
francês com a medalha “Legião
de Honra”.
Na França, conheceu Renée
France, uma jovem militante
comunista, que tornou-se sua
companheira por 62 anos. Voltou ao Brasil e à clandestinidade
no Partido Comunista. Durante
a ditadura foi preso, torturado e
exilado. Viveu na Argélia até ser
anistiado, prosseguiu com seus
ideais de esquerda e foi o primeiro inscrito, aos 78 anos, na
ficha de filiações do Partido dos
Trabalhadores (PT). O militante
ficou na direção do PT durante
sete anos.
Apolônio de Carvalho foi a
expressão do ideal em toda a
sua força e em toda a sua pureza. Definiu o século XX como
o mais cruel e contraditório de
todos os séculos.
Sua garra e perseverança inspiraram o escritor baiano Jorge
Amado, que, em “Subterrâneos
da Liberdade”, criou um personagem chamado Apolinário, inspirado no comunista. O escritor
definiu Apolônio como um herói
de três pátrias: Brasil, Espanha
e França.
O homem que lutou pela democracia, pelo diálogo entre
o povo e o governo viveu com
simplicidade. Deixou como herança a liberdade, a força e o
ideal de construir uma sociedade justa e solidária.
O ativista político morreu aos
93 anos, em 2005, no Rio de Janeiro.
“Para viver é preciso
merecer viver. A vida é
uma coisa extraordinária,
é um dom. É preciso
valorizá-la. E para isso,
é preciso ter um ideal
na vida para torná-la
melhor, para ter uma
sociedade melhor”.
Apolônio de Carvalho
Paris. Final da Guerra. Preparando a volta para o Brasil.
Clarice Lispector, o diplomata Maury Gurgil Valente, Apolônio, Samuel Wainer e Daniel, irmão de Renée.
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 11
REIVINDICAÇÃO
não são os únicos problemas enfrentados pelos funcionários de escola. A insatisfação aumenta quando recebem o pagamento. Muitos
precisam complementar a renda
de uma outra forma. É o caso da
inspetora Otília Nunes, de 55 anos,
que há 30 anos é servidora do Estado. Otília vende “gelinho” há muito tempo para aumentar a renda
do lar. Tenho dois filhos, um está
formando em Economia e outro
em Medicina. Não dá para viver só
do salário”.
Reajuste
Sem administrativos
a escola não funciona
P
ara o bom funcionamento
de uma escola é preciso
um conjunto de pessoas
realizando uma série de tarefas.
Além de professores e alunos, a escola precisa de secretários, zeladores, merendeiras, inspetores e um
diretor para coordenar toda essa
equipe.
Em Mato Grosso do Sul, a rede
estadual de ensino possui 6.400
funcionários administrativos na
ativa, todos realizando múltiplas
tarefas, uma vez que as escolas
precisam de pelo menos 10.500
funcionários, ou seja, existe um déficit de 4.100 trabalhadores.
“As faxineiras têm que ajudar na
merenda, e, se elas não me ajudas12 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
sem, não sei como daria conta do
trabalho na cozinha. Certamente,
as crianças seriam prejudicadas”,
contou a merendeira, Arlete de Brito Garcia, de 50 anos, moradora do
município de Três Lagoas.
“Uma mão lava a outra”, disse
Arlete. A merendeira, após terminar o serviço na cozinha, ajuda as
colegas da limpeza a varrer o pátio, limpar as salas e banheiros. Porém, a sobrecarga de atividades
resultou em problemas de saúde.
A hérnia de disco, problema na coluna que causa fortes dores e limita
os movimentos, foi a herança que
dona Arlete recebeu depois de 12
anos dedicados às atividades escolares.
Trabalhadores são
sobrecarregados para suprir
déficit de servidores estaduais
Na escola estadual João Carlos Flores, no bairro Rita Vieira,
em Campo Grande, a situação não
é diferente. Existem apenas dois
agentes de limpeza para atender
os mais de 700 alunos que frenquentam a escola nos três períodos. De acordo com a agente Fátima Rosa dos Santos, que trabalha
na escola, o ideal seria ter, no mínimo, quatro funcionários para a limpeza. “Não recebemos pela ajuda
que prestamos a outros setores, o
governo ganha em cima da gente.
Acabamos trabalhando mais em
consideração ao colega”, desabafou Fátima.
A falta de condições de trabalho e a sobrecarga de atividades
No primeiro semestre de 2012,
os administrativos da Educação estiveram mobilizados para que a categoria recebesse o Piso Salarial do
Magistério, no valor de R$ 1.451,00,
como os professores. A Federação
dos Trabalhadores em Educação
de Mato Grosso do Sul (FETEMS)
vem reivindicando, há mais de dois,
anos a reformulação do plano de
cargos e carreira da categoria.
Os administrativos pediram um
aumento gradativo, de 17%, em
2012, 2013 e 2014. Desta forma, no
final de três anos estariam recebendo o valor equivalente ao Piso.
Contudo, o governo do Estado
apresentou uma proposta de reajuste de 6%, que causou indignação
e polêmica entre os trabalhadores
durante sessão na Assembleia Legislativa, no dia 15 de maio.
Conforme Idalina Silva, secretária dos funcionários administrativos
da educação da FETEMS, “a luta da
entidade é para que os administrativos tenham sua carreira incluída
no Estatuto dos Profissionais da
Educação Básica de Mato Grosso
do Sul, conforme a Lei Complementar 0087/2000. A partir disso,
teremos uma carreira unificada”,
ressaltou.
O valor do reajuste salarial acabou sendo de 6% para todas as categorias de servidores. Em negociação com a FETEMS, o governo
comprometeu-se a incluir os administrativos no Estatuto dos Profis-
sionais do Magistério.
A FETEMS defende a proposta de uma escola unificada, onde
professores e administrativos sejam considerados educadores, pois
passam o dia dentro das escolas,
lidando diretamente com os alunos
e garantindo o bom funcionamento do ensino.
Segundo o presidente da
FETEMS, Roberto Magno Botareli
Cesar, a valorização profissional é
um dos principais caminhos para
construir uma educação pública de
qualidade. “A educação não é gasto, nem despesa. É investimento,
desenvolvimento e qualidade de
vida”, disse.
Protesto
Antes dos deputados votarem
o reajuste, a categoria, por meio
da FETEMS e dos SIMTEDs, esteve
mobilizada nos dias 9, 10, 14 e 15 de
maio. Vários municípios paralisaram suas atividades.
O SIMTED de Dourados, durante assembleia na Federação, disse
que, além do trabalho dobrado, os
administrativos enfrentam até situações de assédio moral.
Em Nova Alvorada do Sul, os
manifestantes exigiram a abertura
de concursos públicos e que os trabalhadores em educação tenham
uma data-base única.
“É preciso que todos tenham
consciência de que a escola não
funciona sem os administrativos
e de que eles também são educadores. Esperamos que os pais
e alunos venham somar conosco
nessa luta”, disse o presidente do
SIMTED de Aparecida do Taboado,
Joaquim Donizete de Matos.
Cada um no seu quadrado
Insatisfeitos, administrativos lançam
campanha contra sobrecarga de trabalho
Com o objetivo de lutar pela qualidade do trabalho e pela valorização profissional dos administrativos da educação, a FETEMS,
juntamente com seus 71 sindicatos afiliados, lançou a campanha
“Cada um no seu quadrado”, uma ação para que os trabalhadores passem a desempenhar apenas a função para a qual foram
aprovados em concurso público.
A campanha está embasada nas Leis Estaduais nº. 2.065 e
2.599, nos Decretos nº. 11.627 e 11.754, na Resolução da Secretaria Estadual de Educação nº. 2.443 e nos editais dos concursos
realizados em 2006 e 2011.
A FETEMS e os SIMTED’s querem mostrar à sociedade a importância dos administrativos e fazer com que o governo do Estado abra novos concursos públicos, para suprir a falta de servidores nas escolas da rede estadual de ensino.
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 13
Rifa solidária
ajuda a repor
desconto nos
salários dos
manifestantes
Governo do Estado corta dia de
trabalho dos administrativos da
educação que participaram de
paralisação
O SIMTED de Aquidauana realizou uma rifa solidária para ressarcir mais de 20 administrativos
da educação do município, que
tiveram um dia de trabalho descontado do salário do mês de
maio por terem participado da
paralisação contra o reajuste salarial de 6%, pela valorização profissional e melhores condições de
trabalho.
Segundo o presidente do
SIMTED, Florêncio Garcia Escobar, os trabalhadores da rede pública de ensino estão comprando
a rifa e ajudando a repor o valor
descontado no holerite. “Unidos
vamos conseguir atingir nossos
objetivos. Ações como essa mostram a força do movimento sindical”, ressaltou.
A tesoureira do sindicato, Janete Aparecida Mianutti, explicou
que foi enviado para o banco um
documento com a relação de nomes dos administrativos que tiveram o dia de trabalho descontado. “O banco fez a transferência
da conta do sindicato para a conta de cada um deles”.
A rifa foi vendida pelo valor de
R$ 5,00, e o prêmio foi um kit de
beleza. O sorteio aconteceu no
dia 20 de junho.
14 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
“A luta da entidade é
para que os administrativos tenham sua carreira
incluída no Estatuto dos
Profissionais da Educação Básica de Mato
Grosso do Sul, conforme a Lei Complementar
0087/2000. A partir disso, teremos uma carreira
unificada”.
Idalina Silva, secretária
dos funcionários
administrativos da FETEMS
“Existem apenas
dois agentes de
limpeza para atender
mais de 700 alunos
que frenquentam a
escola nos três
períodos”.
Fátima Rosa dos Santos,
agente de limpeza em
Campo Grande
“As faxineiras têm que
ajudar na merenda e, se
elas não me ajudassem,
não sei como daria conta
do trabalho na cozinha.
Certamente, as crianças
seriam prejudicadas”.
Arlete de Brito Garcia,
merendeira em Três Lagoas
A Cassems obteve, mais uma vez, o reconhecimento
pelo trabalho que realiza em Mato Grosso do Sul,
no atendimento à saúde dos servidores e
seus familiares e, novamente, está incluída entre
I N S T I T U T O A M B I E N TA L
Destaque Empresarial em Meio Ambiente
e Desenvolvimento Sustentável
Selo de
Certificação Social
Melhores e Maiores
2009 | 2010 | 2011 | 2012
as Melhores e Maiores no ranking da Revista Exame.
Essa conquista reafirma o empenho da Cassems em fazer
Nossa Vida Melhor.
Fonte: Rev. Exame - Edição Especial - Melhores e Maiores | julho 2012
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 15
SAÚDE
Más condições de trabalho
e sobre-esforço atingem a
saúde física e mental dos
trabalhadores em educação.
O resultado é um número
elevado de licenças médicas.
L
ágrimas nos olhos, coriza,
dificuldades para respirar,
coceiras nas mãos. Esses
foram os sintomas que o professor de Química, José Correia, começou a sentir depois de alguns
anos ensinando. O professor Zé
Coco, como é conhecido, leciona
há 18 anos, mas depois de aproximadamente seis anos em sala
de aula, sentiu que os incômodos
aumentavam a cada dia, até que
resolveu procurar um médico e
descobriu que tinha desenvolvido alergia ao seu instrumento de
trabalho, o giz. “Tive que começar a usar outro tipo de giz, um
antialérgico, que não libera tanto
pó, e o meu problema melhorou.
Desde então, passei a carregar o
meu próprio material”.
O professor conta que o giz é
um pouco mais caro. Enquanto
uma caixa do comum custa em
média R$ 1,00, a caixa de giz an-
tialérgico custa em torno de R$
2,50. Para ele, a diferença compensa. “O giz antialérgico dura
muito mais do que o comum e é
mais resistente, não quebra com
facilidade. Além disso, evita uma
série de complicações. As escolas privadas fornecem esse tipo
de material. Já na rede pública,
somente em algumas escolas encontramos o giz antialérgico. Particularmente, penso que é uma
economia irrisória do Estado e do
município. Todas as escolas da
rede pública deveriam comprar
somente esse tipo de material. É
uma forma de preservar a saúde
do professor,” comentou.
Assim como Zé Coco, muitos trabalhadores em Educação
desenvolvem patologias decorrentes da atividade profissional.
“Entre os profissionais ligados à
educação é frequente o diagnóstico de disfunções músculoesqueléticas: bursite, tendinite, LER/
DORT; alergias a giz, complicações na coluna, varizes, doenças
relacionadas à voz, Síndrome do
Túneo do Carpo e transtorno
mentais ou de comportamento”,
“O giz antialérgico dura muito
mais do que o comum e é mais
resistente, não quebra com
facilidade. Além disso, evita
uma série de complicações”.
explicou o médico do trabalho,
Luiz Garcia de Oliveira Lima.
Para o doutor Lima, as más
condições de trabalho refletem
diretamente na saúde do trabalhador. Segundo ele, a escola pública não oferece condições ao
profissional. “As salas de aulas
brasileiras não têm infraestrutura.
A cadeira e a mesa do professor e
dos alunos não são confortáveis.
O professor no início da carreira
está ótimo, mas depois de um
ano em sala de aula apresenta
algum diagnóstico de enfermidade. Não estamos falando aqui só
dos professores e, sim, a respeito de todos os trabalhadores do
quadro escolar”.
“Você sabe o que é Síndrome
do Túneo do Carpo? É uma inflamação do nervo mediano no canal do carpo, localizado entre a
mão e o antebraço. Por exemplo,
o pessoal que trabalha nas secretarias das escolas, que passa muito tempo digitando com o antebraço apoiado em mesas que não
têm o acabamento arredondado,
podem sofrer uma compressão
no nervo, ele inflama, causa formigamento e dor na região”, detalhou o médico.
A professora de Educação Física, Kátia Regina Ferreira Garcia,
que também leciona há 18 anos,
vem, há três anos, convivendo
com uma dor constante no braço
direito causada por uma tendinite. “No meu caso, não é a falta de
exercício físico, nem o excesso
dele, já que o médico disse que
minha tendinite é decorrente do
estresse. Hoje, nosso maior problema na Educação é a superlotação das salas de aula. Onde
o limite é de 25 alunos por sala,
chegam a estudar até 40 crianças. Lecionar assim é muito desgastante, o corpo somatiza”, desabafou Kátia.
Dados
A pesquisa “Saúde dos Profes-
sores e a Qualidade do Ensino”,
realizada em 2010, pelo Centro
de Estudos e Pesquisas (CEPES),
subseção do Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese) do Sindicato dos
Professores do Ensino Oficial do
Estado de São Paulo (APEOESP),
aponta as principais causas de sofrimento no exercício do trabalho
dos professores. A dificuldade de
aprendizagem dos alunos aparece como a principal causa de sofrimento, com 75,5% das queixas.
Em seguida aparecem a superlotação das salas de aula, jornada de
trabalho excessiva e situação social do aluno.
Para mais de 40% dos participantes da pesquisa, também são
causas de sofrimento no exercício da profissão os seguintes
itens: situação social dos alunos,
falta de recursos pedagógicos
e de material didático e a dupla
jornada de trabalho (trabalho
remunerado+doméstico).
No ano de 2003, a APEOESP
realizou a mesma pesquisa, e a
superlotação das salas de aula
apareceu em primeiro lugar, com
72,6% das reclamações, seguido da falta de material didático.
A dificuldade de aprendizagem
dos alunos aparecia em terceiro
lugar, com 64,9%.
Campo Grande
Fonte: APEOESP - Pesquisa Saúde e Condições do Trabalho dos Professores, 2010
Elaboração: DIEESE, subseção APEOESP/CEPES Obs: Total de 1.615 questionários
O Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação
Pública (ACP) divulgou, em 2009,
uma pesquisa também relacionada à saúde dos profissionais da
educação pública do município.
O resultado mostra que os educadores da Capital, assim como
os demais profissionais do país,
enfrentam graves problemas em
seu dia a dia, que afetam a saúde
física e metal.
Dos entrevistados da Rede
Pública de Campo Grande, a sobrecarga de trabalho é indicada
em 55% dos profissionais. Mais
de 50% dos entrevistados já foram agredidos moralmente por
alunos e 95% considera que a superlotação das salas contribui negativamente para a qualidade do
ensino. Para a maioria dos educadores, o número ideal de discentes por turma não deve ultrapassar 30 alunos. Na pré-escola e
nos anos iniciais, essa estimativa
cai para 25.
Fonte: Sindicato Campo-Grandense dos Profissionais da Educação Pública, 2009
Pesquisa: Saúde dos Profissionais da Educação Pública de Campo Grande (MS)
João Correia, professor de Química.
16 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 17
Diagnóstico
A mesma pesquisa da APEOESP,
revela que, entre os diagnósticos
confirmados de doenças, o estresse aparece em primeiro lugar, com 48,5% de frequência. Os
problemas na voz aparecem em
segundo lugar, seguido da gripe,
resfriado e rinite.
A professora Kátia Regina,
desde que recebeu o diagnóstico
de tendinite, já pegou várias licenças médicas para o tratamento. Em 2011, ficou afastada durante 30 dias das salas de aula e,
este ano, esteve afastada durante
três dias. “Eu cheguei ao ponto
de perder a força no braço, não
conseguia dirigir, nem escrever
durante as aulas em sala. O pior
é que tenho ainda muito tempo
de trabalho pela frente. O médico me disse que meu problema
é crônico, vamos amenizando a
dor com medicamentos, fisioterapia, acupuntura e tudo mais”,
lamentou.
De acordo com o doutor Lima,
a atuação da medicina do trabalho no setor público ainda é muito discreta. “Há pouco tempo o
Estado começou a contratar ou
abrir concurso para esses profissionais”.
O médico explica que a medicina do trabalho contribui para
resolver até 80% dos problemas
decorrentes das atividades laborais. Quando uma determinada
função causa doença no trabalhador, cabe ao médico do trabalho,
junto à diretoria da empresa ou
órgão competente, alterar aquele posto, adaptando a função ao
funcionário. Quando as melhorias
não resolvem o problema, é preciso modificar todo o projeto da
empresa. “Isso acontece muito
no setor privado. Agora, imagine você, um médico do trabalho
que presta serviço ao Estado dizer que determinada escola pública precisa ser fechada por não
oferecer condições adequadas a
seus funcionários? Já pensou, fe18 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
char um escola pública no Brasil?
Sem dúvidas, que ele vai ser mandado embora”.
Para o doutor Lima, o Brasil
precisa avançar muito no que diz
respeito a condições de trabalho.
“Muitos profissionais recebem
por insalubridade e periculosidade, mas não é o caso do professor. Nos Estados Unidos, por
exemplo, se um empresário quiser abrir uma empresa onde os
funcionários irão exercer alguma
atividade insalubre, ele não consegue viabilizar a documentação.
A lei não permite. A insalubridade
e a periculosidade representam a
venda de uma parte da vida do
trabalhador. Quando ele recebe
por isso, ele está vendendo a própria saúde”.
“Agora, imagine você, um
médico do trabalho que
presta serviço ao Estado
dizer que determinada
escola pública precisa ser
fechada por não oferecer
condições adequadas a
seus funcionários? Já
pensou, fechar um escola
pública no Brasil? Sem
dúvidas que ele vai ser
mandado embora”.
Licenças
A assistente social Mônica Pereira Nogueira, do setor psicossocial da Secretaria Municipal de
Educação de Campo Grande, tem
como função visitar os servidores
afastados das atividades profissionais em virtude de problemas
de saúde. Diante do elevado número de licenças, Mônica iniciou
uma pesquisa que resultou em
seu trabalho de pós-graduação:
Serviço Social na Área da Educação: Um estudo sobre as licenças
médicas dos profissionais das escolas municipais de Campo Grande. “No caminhar do meu estudo,
pude perceber que, primeiramente, os trabalhadores apresentam patologias físicas, como do-
“Hoje, nosso maior
problema na Educação é
a superlotação das salas
de aula. Onde o limite é
de 25 alunos por sala,
chegam a estudar até 40
crianças. Lecionar assim é
muito desgastante, o corpo
somatiza”.
Kátia Regina Ferreira Garcia,
professora de Educação Física
em Campo Grande
Fonte: APEOESP - Pesquisa Saúde e Condições do Trabalho
dos Professores, 2010
Elaboração: DIEESE, subseção APEOESP/CEPES Obs: Total
de 1.615 questionários
res nas pernas, dores na coluna,
varizes e disfunções osteomusculares. Com o passar do tempo
apresentam transtornos depressivos. Os problemas osteomusculares ocupam o primeiro lugar no
ranking dos diagnósticos”.
Para Mônica, o ambiente de
trabalho não é o único que contribui com o surgimento de doenças. “É preciso analisar todo o
contexto de vida do trabalhador.
As pessoas têm outros tipos de
problemas, de ordem familiar, financeira, etc. Situações diversas
que agravam as enfermidades”,
explicou.
Ainda de acordo com a assistente social, o ideal, para evitar
uma série de problemas na comunidade escolar (trabalhadores
em educação, alunos e pais), é a
ação conjunta entre as escolas,
rede de saúde e a Secretaria de
Assistência Social (SAS).
Mônica realizou o estudo a
partir de dados documentais. Em
julho de 2007, a médias aproximada de licenças médica por dia,
de cinco categorias profissionais
que atuam na educação, foi de
1,9.
Luiz Garcia de Oliveira Lima,
médico do trabalho em
Campo Grande
Fonte: DPLAN/SEMED/2007
“É preciso analisar todo
o contexto de vida do
trabalhador. As pessoas têm
outros tipos de problemas,
de ordem familiar,
financeira, etc. Situações
diversas que agravam as
enfermidades”.
Mônica Pereira Nogueira,
assistente social em
Campo Grande
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 19
ASSISTÊNCIA
artigo
Movimento Sindical: A importância de se
eleger representantes no Legislativo
Cassems amplia rede de
atendimento e beneficia usuários
A entidade possui sete unidades hospitalares em
Mato Grosso do Sul
P
ara os cuidados com a
saúde, os servidores estaduais contam com a
assistência médico-hospitalar da
Caixa de Assistência dos Servidores do Estado de Mato Grosso
do Sul (Cassems), que atualmente possui 172 mil usuários. Desse
total, 40% são trabalhadores em
educação.
A Cassems vem ampliando sua
rede de atendimento e seus programas de prevenção. A entidade
inaugurou, no mês de março deste ano, em Campo Grande, o Centro de Prevenção em Saúde “Cássio Pereira do Nascimento”. O
local dispõe de profissionais das
áreas de fisioterapia e nutrição.
Também são oferecidas aulas de
hidroginástica, hidroterapia, academia e, na cozinha experimental,
há cursos de alimentação saudável.
“Quando inauguramos o Centro de Prevenção, nosso foco es-
“Quando inauguramos o Centro
de Prevenção, nosso foco estava
voltado para o público com idade
acima de 40 anos. Hoje, o centro
atende mais de 400 usuários
cadastrados nos programas”.
Ricardo Ayache, presidente da
Cassems Campo Grande
20 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
tava voltado para o público com
idade acima de 40 anos. Hoje, o
centro atende mais de 400 usuários cadastrados nos programas”,
explicou o presidente da Cassems,
Ricardo Ayache.
Rede de atendimento
A entidade possui unidades
hospitalares nos municípios de
Aquidauana, Dourados, Nova Andradina, Ponta Porã, Naviraí, Paranaíba, Três Lagoas e, até o final de
2012, vai inaugurar mais uma unidade em Coxim. “Estamos viabilizando recursos junto ao governo
do Estado para a construção de
um hospital em Campo Grande.
Esses recursos são da própria
Cassems e estão retidos pelo governo estadual desde 2006. Porém, nos últimos anos nossa prioridade tem sido o interior, devido
à carência no que diz respeito ao
atendimento médico-hospitalar
Centro de Prevenção em Saúde
localizado na rua Abrão Júlio Rahe,
97, Centro.
nessas localidades. O hospital
de Campo Grande vai dispor de
aproximadamente 200 leitos e
receberá os pacientes do interior
que não puderem resolver seus
problemas de saúde nos pólos regionais”, explicou.
Devido à iniciativa da Cassems
em interiorizar o atendimento,
os usuários residentes em outros
municípios não precisam mais se
deslocar a Campo Grande para
realizar procedimentos como cirurgias por vídeo, tomografias,
mamografia e ultrassonografia.
Em outubro do ano passado, a
Cassems colocou em circulação
o Ônibus da Saúde, com atendimento itinerante. Foram realizados exames preventivos de câncer de útero e de mama em mais
de 15 municípios.
Ônibus da Saúde da Cassems percorre
municípios realizando exames
preventivos.
A eleição de representantes
do movimento sindical para as
Câmaras de Vereadores, neste
ano, tem papel estratégico para a
conquista de melhores condições
de vida e trabalho com a oxigenação da própria democracia,
que anda meio encoberta pelas
teias de aranha do oportunismo.
O bom sindicalista, além de
ser comprometido com o projeto democrático-popular em curso no Brasil, não foge do bom
combate, pois conhece de perto
e como ninguém as distintas realidades, assim como as principais
carências e necessidades da cidade, do Estado e do País. Isso, é
claro, lhe permite contribuir com
soluções mais ágeis, precisas e
qualificadas.
Vale lembrar que, apesar de
constarem nos programas de
absolutamente todos os partidos como “prioridades número
1”, temas como saúde, educação,
cultura, transporte e segurança, com indiscutível relevância
e alcance social, acabam sendo
reduzidos a meras promessas
de palanque, demagogia barata
para angariar votos de incautos.
Há também os vereadores que se
dispõem a acertar, mas que devido a insuficiências de formação
política e ideológica, logo recuam
diante das pressões e chantagens
de empresários ou de governos,
acabando por contestar práticas
descabidas e criminosas contra o
erário.
A valorização dos serviços
e dos servidores públicos, por
exemplo, tão essencial para o
bom funcionamento da máquina
administrativa, acaba sendo deixada de lado por políticas privatistas, de terceirização e precarização das relações de trabalho,
com resultados desastrosos para
o presente e o futuro da cidade e
de seus moradores.
Neste sentido, além de fortalecer a democracia, as decisões
tomadas por um parlamentar
sindicalista — que honre o seu
passado e o seu mandato — deve
garantir o respeito à vontade popular e abrir novos horizontes
à participação política. Porque,
como aprendemos no sindicato,
a entrada em cena de novos atores sociais impulsiona a um maior
empoderamento das pessoas,
elevando a autoestima e a consciência crítica.
É desta forma que a política
começa a deixar de ser compreendida como a prática do vale
tudo ou do toma lá dá cá, para ser
incorporada como processo de
disputa de hegemonia, de queda
de braço, de confronto de ideias.
A explicitação de divergências é
que torna possível a melhor compreensão dos diferentes campos.
Assim, o tomar partido — a identificação com bandeiras que traduzem concepções e convicções
— passa a ser encarado como
deve ser. Com naturalidade, com
elementos de consciência necessários à construção de consensos
na diversidade para a concretização do bem comum.
A identidade com o polo que
se manifesta em favor do espírito coletivo acaba fortalecendo a
responsabilidade individual e o
poder do conjunto, fazendo com
que a ação plural se sobreponha aos mesquinhos interesses
de grandes empresas ou de governos reacionários, que tentam
“O bom sindicalista, além
de ser comprometido com o
projeto democrático-popular
em curso no Brasil, não foge
do bom combate, pois conhece
de perto e como ninguém as
distintas realidades, assim
como as principais carências
e necessidades da cidade, do
Estado e do País”.
abafar o contraditório pelo poder
econômico e o uso da mídia para
a manipulação da opinião pública.
Frente à complexidade da
luta, é preciso empenho para assegurar a eleição de sindicalistas
comprometidos com a população, sem o que não haverá o tão
necessário reforço da esfera pública, nem o devido contraponto
aos oportunistas que infectam e
infestam inúmeras Câmaras de
Vereadores pelo País.
O fato de um parlamentar colocar na pauta do Legislativo municipal as reais necessidades da
população, em estreito diálogo
com as entidades populares, elevará a um novo patamar a ação
política, potencializando seus frutos. Para o bem de todos.
Vamos às urnas e à vitória!
Leonardo Wexell Severo
Assessor de Comunicação da CUT Nacional
e autor do livro Latifúndio Midiota.
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 21
ENTREVISTA
1960, o jornal do PCB foi fechado
por questões políticas. Trabalhei
em diversos locais, sempre na defesa das lutas dos trabalhadores.
A comunicação sindical sempre
foi uma das minhas principais linhas de atuação.
O que fez quando o jornal
do PCB foi fechado?
Com apenas o curso primário, Félix Nunes enfrentou as dificuldades
da vida e tornou-se um dos maiores jornalistas sindicais do País.
Com coragem, escreveu contra à ditadura, caminhou no movimento
sindical do ABC ao lado do amigo Lula e idealizou João Ferrador,
personagem que tornou-se ícone dos operários brasileiros.
A
ntônio Carlos Félix Nunes nasceu em 1931, em
Itirapina, no interior do
Estado de São Paulo. Filho de
gente simples, estudou apenas o
primário. Na infância, desenvolveu uma adoração pela leitura
de jornais. Autodidata, tornou-se jornalista e escritor forjado na
cartilha sindical do ABC paulista.
O jornalista é considerado um
dos pioneiros da comunicação
sindical brasileira. Editou jornais,
para cerca de 20 sindicatos, no
período entre 1964 e 1980. Fundou, em 1971, e foi editor por mais
de 10 anos do Tribuna Metalúrgica, jornal considerado responsável pela eclosão da primeira
greve operária no ABC paulista,
que apressaria o fim da ditadura
militar no país.
Criou personagens que viraram ícones das lutas dos trabalhadores brasileiros, como o João
Ferrador, operário, que foi de22 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
senhado pelo cartunista Laerte
Coutinho. No Tribuna Metalúrgica, o personagem escrevia cartas
aos governantes exigindo seus
direitos.
Félix é autor dos livros Além
da Greve, PC Linha Leste, Fora de
Pauta, Bilhetes de João Ferrador,
Soprando nossas Ideias, Quando
os Pássaros Foram à Luta e Miscelânia, que está sendo reeditado.
Em 1995, Félix veio pescar em
Aquidauana e apaixonou-se pelas belezas naturais da região.
Resolveu se mudar para o Estado
e atualmente reside no município
de Anastácio. Aos 81 anos, Félix
Nunes continua exercendo o jornalismo com paixão.
Por que resolveu ser jornalista?
Félix – Quando criança eu
acompanhava o meu pai em tudo.
Era filho único e queria fazer tudo
que ele fazia. Trabalhei com ele
no comércio e fui bóia fria. Mas,
depois que eu aprendi a ler e a
entender as palavras, passei a
adorar a leitura de jornais. Contudo, na maioria das vezes, eu tinha acesso apenas a publicações
velhas. Mesmo assim, lia todas as
edições e foi daí que surgiu a minha vontade de ser jornalista.
Como conseguiu atuar como
jornalista apenas com o curso
primário?
Félix – Naquela época, bastava
aprender a usar a máquina de escrever e ter coragem. Sou autodidata e foi isso que eu fiz, aprendi
a lidar com a máquina. Me filiei
ao Partido Comunista Brasileiro
(PCB) e fui ser o redator de um
jornal do partido, que se chamava Notícias de Hoje, a partir disso
fui aprendendo no dia a dia. Em
Félix – Já estávamos vivendo
o clima da ditadura militar e, para
sobreviver, fui trabalhar com a
burguesia. Fui redator do jornal
da Associação Comercial de São
Paulo, um veículo que é muito
forte até os dias de hoje. Depois,
arrisquei na grande mídia e consegui emprego no jornal Notícias
Populares, do grupo da Folha de
S.Paulo, que naquela época já tinha uns seis jornais. Fazia uma
coluna sindical diariamente, era
o assunto que eu mais entendia.
Essa coluna estourou, tinha pessoas que compravam o veículo
só para ler o que eu escrevia. A
partir disso, os sindicatos começaram a me procurar para escrever os seus jornais e a minha carreira foi se consolidando no meio
sindical.
O que o Tribuna Metalúrgica representou na sua vida?
Félix – Eu morava distante de
São Bernardo, onde ficava localizada a sede do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista. Um
dia, recebi a visita de alguns diretores do Sindicato, que me pediram para fazer o jornal. Na época,
já fazia mais de 10 jornais sindicais, tentei resistir, mas não deu.
Então, nasceu o Tribuna Metalúrgica, em julho de 1971, que surgiu
da necessidade de se manter um
diálogo com os trabalhadores. No
início, houve resistência da parte
dos próprios trabalhadores, que
muitas vezes não queriam ler o
jornal. Eram tempos difíceis, um
dos períodos mais repressores
da ditadura militar, quando ha-
viam editado o Ato Institucional
número 5, o famigerado AI-5. O
Tribuna Metalúrgica é extremamente importante na minha vida.
Ainda lembro, nós do Sindicato,
panfletando o jornal nas portas
das fábricas, tentando convencer
os trabalhadores de que o regime
ditador era o que podia existir de
pior para o País.
Foi nessa época que surgiu
o personagem João Ferrador?
Félix – Nós precisávamos pensar numa solução para facilitar o
contato com os trabalhadores.
Dessas conversas, surgiu a ideia
de criarmos um personagem, um
operário, que dialogasse diretamente com a categoria. Então,
criei o João Ferrador, metalúrgi-
“Trabalhei em
diversos locais,
sempre na defesa
das lutas dos
trabalhadores.
A comunicação
sindical sempre foi
uma das minhas
principais linhas
de atuação”.
co, que escrevia bilhetes, geralmente direcionados à autoridades do governo, exigindo os seus
direitos, como melhores salários,
condições de trabalho e assim
por diante. Era uma linguagem
mais ou menos da fábrica, com
ironia. Aí pegou. Na época, o personagem foi desenhado pelo cartunista Laerte Coutinho.
Félix – Era uma época de repressão, de censura à liberdade
de imprensa. Nós tínhamos que
ter muita coragem para continuar escrevendo, principalmente os
jornais sindicais, que eram críticos ao regime ditador e exigiam
melhores condições de trabalho
para as categorias. Recordo que
o AI-5, que foi o quinto de uma
série de decretos emitidos pelo
regime militar brasileiro, nos anos
seguintes ao golpe militar de
1964, dava poderes extraordinários ao presidente da república e
suspendia várias garantias constitucionais. Além disso, durante
a vigência desse decreto, veio a
censura prévia, que se estendia
à imprensa. Cheguei a ser preso para dar informação, vivíamos tensos, trabalhávamos com
medo, sabíamos de amigos que
tinham sido presos e estavam
desaparecidos, mas, ao mesmo
tempo, tínhamos a nossa ideologia e uma vontade enorme de
ver a democracia restabelecida
no Brasil.
João Ferrador foi idealizado por Félix Nunes com o objetivo
de dialogar com os operários. O personagem fazia parte do
jornal Tribuna Metalúrgica e foi desenhado pelo cartunista
Laerte Coutinho.
Como era ser jornalista na
ditadura militar?
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 23
“Caminhei muito
ao lado do Lula,
nas portas das
fábricas,
registrando as
mobilizações e as
lutas do
Sindicato...
Nossa história é de
companheirismo”.
Como era a sua relação
com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Sindicato dos Metalúrgicos no ABC
paulista?
Félix – Quando entrei no Sindicato dos Metalúrgicos, o Lula
ainda não tinha um cargo de expressão na diretoria, ele estava
estudando e trabalhando. Depois
de um tempo, ele veio de vez
para o Movimento Sindical. Começou a ter contato com o movimento por intermédio de seu irmão, José Ferreira da Silva, mais
conhecido como Frei Chico.
Em 1969, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do
Campo e Diadema, no ABC paulista, realizou uma eleição para
escolher uma nova diretoria. Foi
aí que Lula foi eleito suplente. Na
eleição seguinte, em 1972, tornou-se primeiro-secretário. Em
1975, foi eleito presidente do sindicato e eu fui assessor dele nessa época. Ele não fazia nada sem
me consultar. Lembro que ele lia
o Tribuna Metalúrgica antes de
qualquer pessoa, antes de enviarmos para a diagramação. Ele era
o primeiro a revisar o jornal. Caminhei muito ao lado do Lula, nas
portas das fábricas, registrando
as mobilizações e as lutas do Sindicato.
24 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
Fiquei com ele no Sindicato
até as coisas apertarem durante
a ditadura militar, fiquei um ano
trabalhando sem poder produzir
o Tribuna Metalúrgica, por causa da repressão. Depois sai de lá,
mas até hoje temos contato. Nossa história é de companheirismo.
Por que decidiu morar em
Mato Grosso do Sul?
Félix – Eu vim pescar em Aquidauana e me encantei com as belezas daqui, a natureza, a calma
e a paz do lugar. Já estava aposentado por tempo de serviço,
então resolvi fugir da loucura de
São Paulo e vim para cá em 1995.
Depois de algum tempo, comprei uma casa aqui em Anastácio,
trouxe a minha companheira Maria. Aqui, colaborei esporadicamente com a Folha de S.Paulo e
alguns outros jornais da capital
paulista. Aqui nasceu também o
jornal O Aroeira, idealizado por
um grupo de amigos, inclusive
com a participação do professor
Roberto Magno, atual presidente
da FETEMS. A ideia era termos
um veículo mais popular, que
combatesse a oligarquia local e
dialogasse com os trabalhadores da região. O nome surgiu por
causa da árvore Aroeira, imponente pelo seu porte, pela dureza
da madeira e que carrega a fama
de ser a mais resistente do Brasil.
“É de extrema
importância para o
movimento sindical
investir em
comunicação. Sem
divulgar as ações,
não há fortalecimento
da luta e os sindicatos
não conseguem
avançar nas
conquistas”.
Qual a importância dos sindicatos investirem em comunicação?
Félix – É de extrema importância para o movimento sindical
investir em comunicação, sem
divulgar das ações, não há fortalecimento da luta e os sindicatos não conseguem avançar nas
conquistas. É preciso que haja
veículos informativos que falem
a língua dos trabalhadores, que
os mantenham informados sobre
o que está acontecendo em relação a sua categoria.
“Nós tínhamos que
ter muita coragem
para continuar
escrevendo,
principalmente os
jornais sindicais,
que eram críticos
ao regime ditador
e exigiam melhores
condições de
trabalho para as
categorias”.
Como analisa os meios atuais de comunicação?
Félix – Avançamos em tecnologia apenas, mas a comunicação
que a maioria da população tem
acesso continua concentrada nas
mãos de poucos. De famílias da
oligarquia brasileira, que detêm
o poder para informar o que quiserem e quando quiserem. Esta
é a realidade do Brasil há muitos
anos. É preciso democratizar a
comunicação, para que ela realmente chegue a todos, de forma
verdadeira, informativa e crítica.
FÉLIX NUNES
História sindical e paixão
pelo jornalismo
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 |
25
CAPA
Educação
que vem
do campo
26 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
Desde cedo, alunos
aprendem técnicas para
criação de animais e
cultivo de plantas. o
resultado é a formação
de jovens profissionais
preparados para atender
às demandas da cadeia
produtiva do Estado.
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 27
A
cordar de madrugada
faz parte da rotina dos
alunos da Escola Municipal Agrícola Governador Arnaldo Estevão de Figueiredo. Por
volta das quatro horas da manhã,
os ônibus que fazem o transporte
dos estudantes começam a percorrer o itinerário, que tem como
ponto final a sede da Fazenda Escola, localizada na região da Três
Barras, na zonal rural de Campo
Grande.
Às 7h30, os 332 alunos já tomaram o café e estão prontos
para dar início às atividades do
dia. São 22 disciplinas na grade
curricular, divididas em aulas teóricas e práticas de campo.
Mesmo com o sacrifício de
acordar cedo, Jean Carlos de
Oliveira, de 11 anos, aluno do 6°
ano do ensino fundamental, não
desanima, gosta da escola e fala
com segurança a respeito do trato com as aves. “Eu aprendi sobre a alimentação das galinhas,
o que elas precisam comer para
aumentar a produção de ovos. A
ração tem que ser apropriada, e a
temperatura do aviário deve ser
de 37º graus”, explicou o menino,
que adquiriu o conhecimento nas
aulas de avicultura.
De origens simples, o pequeno Jean mora em uma das fazendas da região. O pai é capataz e
a mãe dona de casa. O menino
aplicado gosta de estudar nos finais de semana. “Pego os livros
aqui na biblioteca e leio em casa.
Quando crescer quero ser veterinário e trabalhar na fazenda onde
moro”.
O professor de produção animal, Oberdan Tenório, formado
em zootecnia e medicina veterinária, leciona na escola desde
2008. Para ele, o ensino agrícola
é fundamental para quem quer
ingressar em cursos universitários da área do campo. “Eu estudei em escolas convencionais,
não tive a oportunidade de ter
essa vivência. Sempre digo aos
meus alunos que eles estão na
28 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
frente dos outros, têm um conhecimento que os meninos da cidade não têm”.
A escola foi fundada em 1997
oferecendo o ensino fundamental
de 5ª à 8ª. Hoje, já dispõe dos três
ciclos escolares. O ensino profissional integrado ao ensino médio foi implantando em 2006 e,
no ano seguinte, veio o primário.
“Antes da implantação dos ciclos
tínhamos dois problemas. Os alunos que ingressavam na 5ª série
do ensino fundamental vinham
com deficiências de aprendizagem, pois completavam o ensino
básico naquelas escolas rurais
com salas multisseriadas, ou seja,
um professor para lecionar várias
séries na mesma sala de aula. O
outro problema era o aluno que
concluía a 8ª série e não tinha
como dar continuidade nos estudos aqui. Geralmente, os jovens
iam embora para outros Estados,
onde terminavam o ensino médio também em escolas agrícolas, ingressavam na faculdade e
não voltavam mais. As famílias
perdiam, o município e o Estado
perdiam mão de obra qualifica-
“Eu aprendi sobre a
alimentação das galinhas,
o que elas precisam comer
para aumentar a produção
de ovos. A ração tem que
ser apropriada, à base de
sorgo, milho ou milheto”.
Jean Carlos de Oliveira,
aluno da Escola Agrícola
Arnaldo Estevão de Figueiredo
da”, contou o diretor da escola,
Moacir José da Silva Borges.
A proposta pedagógica da
instituição é formar técnicos em
agropecuária por meio da educação profissional integrada ao
ensino médio. Apenas alunos moradores do campo podem ingressar no colégio. A unidade escolar
atende as comunidades rurais
das regiões do aeroporto Santa
Maria, Bom Jardim, Três Barras,
Cachoeira e Morada do Sol, uma
população equivalente a duas mil
pessoas.
Também de origem campeira,
o diretor Moacir conhece bem as
dificuldades que os alunos rurais
enfrentam para estudar. “Sou daqui, tive que deixar a comunidade para estudar. Depois de formado, retornei com o propósito
de lutar para segurar a juventude
aqui no campo, de oferecer uma
educação pública de qualidade.
Vi muitas famílias indo embora
para educar seus filhos na cidade, iludidos com as imagens que
a televisão vendia. Chegando lá
se deparavam com a realidade,
desemprego, aluguel e favelas. O
verdadeiro êxodo rural!”.
À frente da escola desde sua
fundação, Moacir ainda tem um
sonho a ser realizado. “Quero ver
uma extensão da Universidade
aqui, com cursos de agronomia,
veterinária, zootecnia, biologia,
etc. A escola aguça o desejo do
aluno em continuar estudando
nessa área. Nosso Estado precisa
desses profissionais, temos uma
economia agropecuária”.
Reforma Agrária e Desenvolvimento Sustentável
Os alunos formados na Arnaldo Estevão de Figueiredo estão
aptos a trabalhar nas atividades
do campo. São técnicos agropecuários. Para o diretor-adjunto
Luiz Taíra, as escolas agrícolas
são a solução para uma reforma agrária consistente. “Aqui, o
aluno recebe a técnica e um dos
grandes problemas da reforma
agrária no País é a distribuição
de terras sem assistência técnica
especializada. Mesmo com boa
vontade, se o agricultor não tem
conhecimento ele não consegue
produzir,” afirmou.
O diretor Moacir disse que o
Brasil precisa repensar também a
produção de alimentos, uma vez
que a agricultura familiar é responsável por 70% da produção de
alimentos do País. Segundo ele,
uma das propostas pedagógicas
da escola é ampliar o conceito
de agricultura familiar, aliada ao
desenvolvimento sustentável. “O
conceito de agricultura familiar é
aquele ainda de pequenas produções, em pequenas propriedades.
Isso não existe mais, com conhecimento e tecnologia é possível
ter uma grande produção, utilizando espaços menores e sem
agredir o meio ambiente. Nossos
alunos saem daqui com condições de contribuir com uma nova
proposta para produção agropecuária, seja ela de pequeno ou
grande porte”, garantiu Moacir.
As pequenas propriedades
“Vi muitas famílias indo
embora para educar seus
filhos na cidade, iludidos
com as imagens que a
televisão vendia. Chegando
lá se deparavam com a
realidade, desemprego,
aluguel e favelas. O
verdadeiro êxodo rural!”.
Moacir José da Silva Borges,
diretor da Escola Agrícola
brasileiras são tão produtivas que
boa parte dos alimentos vem das
propriedades que possuem até 10
hectares de terra. Dos donos de
mais de 1.000 hectares, sai uma
parte relativamente pequena de
alimentos. Ou seja, eles produzem menos, embora tenham 100
vezes mais terra.
Segundo pesquisa
apresentada em 2010,
pelo Instituto Nacional de
Colonização e Reforma
Agrária (INCRA), 44% dos
assentados do País são
jovens com menos de 20
anos e 13% têm entre 21 e
30 anos.
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 29
Do campo
para a cozinha
Em 150 hectares de terra, a fazenda escola cultiva para a própria subsistência. Alunos, técnicos, professores e funcionários
produzem leite, ovos, carne bovina e suína, mandioca, hortaliças,
frutas, peixes e muito mais. Os
alimentos cultivados são destinados para a merenda escolar, que
conta com cinco refeições diárias.
Na cozinha experimental, ex-alunos ensinam os novatos. Uma
troca de experiência que Idalita
Gamba Rodrigues, de 21 anos, faz
com prazer. A jovem terminou o
ensino médio na Escola Agrícola e, hoje, é funcionária da unidade. Ela conta que aprendeu a
fazer de tudo, desde tirar o leite
da vaca no mangueiro até fazer o
queijo na cozinha. Também sabe
vacinar os bovinos e cuidar da
horta. “Acho que fui uma privilegiada, quero passar meu conhecimento adiante, já sou técnica
em agropecuária e pretendo me
especializar ainda mais”.
Idalita Gamba Rodrigues,
21 anos.
Embrapa
Bons frutos
No Exame Nacional do Ensino
Médio (ENEM) de 2010, a Escola
Municipal Agrícola Governador
Arnaldo Estevão de Figueiredo
conquistou o 11º lugar entre as 35
melhores escolas do País e ficou
na 3ª colocação entre as 17 escolas rurais que participaram do
exame.
Em 2011, dos 26 alunos que
concluíram o ensino profissionalizante integrado ao ensino médio
na escola, 10 foram aprovados
em universidades públicas, 10 em
universidades privadas e o restante vai participar de um curso
na Embrapa Gado de Corte, em
Campo Grande.
A Agroescola é um projeto
em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), Prefeitura
Municipal de Campo Grande,
Governo do Estado e Embrapa Gado de Corte. Tem como
proposta a formação de profissionais especializados em
pecuária de corte. “O curso é
destinado apenas para alunos
que concluíram o ensino médio
em escolas agrícolas”, explicou
o coordenador do projeto da
Embrapa, Websten Cesário da
Silva.
A especialização tem carga horária de 1.600 horas e vai
formar a primeira turma em 10
meses. São 30 alunos dos mu-
nicípios de Campo Grande, Nova
Alvorada do Sul, Ivinhema, Aquidauana e Amambai.
O processo seletivo foi realizado pela Fundação de Apoio ao
Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso do Sul (Fundect/MS), no mês
de junho. Os alunos matriculados
recebem uma bolsa no valor de
R$ 550,00.
Os professores são pesquisadores da Embrapa e ministram
aulas de melhoramento animal,
sanidade animal, forragicultura e
manejo de pastagens, sistema de
produção e ovinocultura. “A qualidade do curso é excelente, nossos pesquisadores têm mestrado
e doutorado. É um curso para
profissionais com nível superior,
porém fizemos uma adaptação
na linguagem, com uma didática
voltada para o perfil dos jovens”,
comentou Cesário.
A professora Rosimar Lopes Bezerra trabalhou na Escola Agrícola Governador Arnaldo
Estevão de Figueiredo durante
10 anos e foi convidada a fazer
parte do projeto da Embrapa.
Atualmente, Rosimar é diretora
da Agroescola e explicou que os
alunos formados no curso vão
atender às necessidades do mercado sul-mato-grossense.
“Eu
acompanho vários desses jovens
desde a infância, sei do potencial
deles e posso garantir que serão
excelentes profissionais. São alunos comprometidos, dinâmicos e
dedicados”, afirmou.
Mesmo morando na cidade,
Hélia Nayara Paredes D’Avila
sempre gostou das atividades do
campo, uma vocação que, segundo ela, herdou do avô, que era
administrador de fazenda. “Meu
avô dizia que eu era a única neta
que se parecia com ele, que gostava de cavalo, boi e essas coisas
rurais. Ele faleceu há pouco e fiquei com as traias de montaria
que eram dele”, contou.
Hélia ingressou na escola agrícola por meio de um processo
seletivo para os alunos da cidade.
Ela passou por um teste de aptidão no campo. Hoje, o processo não existe mais, as vagas são
destinadas apenas para os moradores da zona rural. Com 18 anos,
Hélia é aluna do curso da Embrapa e depois vai se dedicar ao vestibular em zootecnia.
“Aqui, o aluno recebe
a técnica e um dos
grandes problemas da
reforma agrária no País
é a distribuição de terras
sem assistência técnica
especializada. Mesmo com
boa vontade, se o agricultor
não tem conhecimento ele
não consegue produzir”.
Luiz Taíra, diretor-adjunto
da Escola Agrícola
“Meu avô dizia que eu era a única
neta que se parecia com ele, que
gostava de cavalo, boi e essas coisas
rurais. Ele faleceu há pouco e fiquei
com as traias de montaria que eram
dele”.
Hélia Nayara Paredes D’Avila, 18 anos,
estudante
84% é o nível de alfabetização dos
assentados da reforma agrária.
Pesquisa revelou que o principal
problema está no ensino médio
e superior, com acesso inferior a
10%.
(INCRA 2010)
30 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 31
PERSONALIDADE
V
Maria Constança de Barros Machado
32 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
árias
personalidades
contribuíram para a
formação da educação
em Mato Grosso do Sul. Porém, é
preciso reconhecer que algumas
foram fundamentais e indispensáveis para a história educacional do Estado. É o caso da cuiabana Maria Constança de Barros
Machado, professora de conduta
firme, que, ao mesmo tempo, não
deixava de ser afetuosa com seus
alunos. Dedicou sua vida à prática de ensinar e lutou para que o
acesso à educação fosse um direito de todos.
A professora Constança, como
era conhecida, concentrou sua
capacidade e energia em solo
campo-grandense. Pisou pela
primeira vez na cidade Morena em março de 1918. Naquela
época, moça que se prezasse
não morava sozinha. Foi morar por algum tempo na casa
de uma prima. “Campo Grande
era um matagal. Ruas enlameadas, casas isoladas, calçamento
só na 14 de Julho”, disse Constança em sua narrativa registrada no livro Memória da Cultura e
da Educação em Mato Grosso do
Sul, de autoria da professora Maria da Glória Sá Rosa.
Lecionar, nos anos de 1930,
era um grande desafio. Os professores eram abnegados, trabalhavam muito e ganhavam pouco.
Com as economias, Constança
comprava livros para premiar os
melhores alunos no final do ano.
Além dos baixos salários e das
precárias condições das poucas
escolas públicas que existiam na
época, os professores lidavam
também com a frustração quando
os alunos pobres não podiam dar
continuidade aos estudos, após
terminarem os primeiros anos do
primário. Naquele momento, da
necessidade de se formar o ensino do ginásio público na futura
capital sul-mato-grossense, Maria
Constança surgiu como personagem principal.
“Em 1939, propus ao interventor Júlio Müller e ao doutor João
Ponce de Arruda, secretário de
Fazenda do Estado, a criação de
um ginásio estadual que pudesse resolver o problema dos que
precisavam continuar o ensino
fundamental, mas não podiam
pagar”, narrou. Nesse período, a
professora já coordenava o Grupo Escolar Joaquim Murtinho.
Os pais que tinham melhor
condição financeira matriculavam
seus filhos nos três únicos ginásios particulares da cidade: o Colégio Osvaldo Cruz, Dom Bosco e
Colégio das Irmãs.
A solicitação da professora
foi atendida e, no mesmo ano,
foi instalado e organizado o Liceu Campo-Grandense, mais tarde chamado de Ginásio Estadual
Campo-Grandense. Entretanto,
um ano depois, o Ministério da
Educação e Cultura determinou o
encerramento das atividades do
Ginásio Estadual, alegando que o
colégio não atendia às exigências
para funcionamento. Muitos alunos foram prejudicados e ficaram
impossibilitados de continuar os
estudos.
Contudo, Constança não desistiu e depois de muita luta judicial,
em 1943, uma portaria ministerial
concedia o retorno das aulas na
instituição. O Colégio Estadual
funcionou até 1954 no prédio do
Grupo Escolar Joaquim Murtinho.
A professora, idealista, incentivava a arte e a cultura no ambiente escolar. Estimulou a criação
do Grêmio Literário Machado de
Assis, que promovia festas, cantos, discursos e declamações. Por
meio do Grêmio, os alunos criaram o jornal A Pena, que veiculava artigos dos estudantes.
O Colégio Estadual tornou-se
referência no ensino da região sul
do Mato Grosso. Embora fosse
referência, contava com péssimas
instalações, que sacrificavam alunos e professores.
Foi então que, no dia 27 de
agosto de 1954, foi inaugurado o
novo prédio do Colégio Estadual
Campo-Grandense, com arquitetura moderna, projetado por Oscar Niemeyer.
Além do ginásio, foi implantado na nova sede o curso colegial.
Os alunos que concluíam o científico no colégio eram aprovados
nas melhores universidades do
Brasil sem fazer cursinho.
Entre idas e vindas, Maria
Constança esteve à frente do Colégio Estadual até o final dos anos
60. Além da educação, dedicou-se ao trabalho social e à política.
Hoje, o Colégio Estadual leva
o nome de Escola Estadual Maria
Constança de Barros Machado,
uma homenagem justa à professora que dedicou sua vida ao ensino sul-mato-grossense.
A Escola
A doutora em educação, Eurize Caldas Pessanha, da Universidade Federal de Mato Grosso do
Sul (UFMS), na pesquisa Tempo
de cidade, lugar de escola: um
estudo comparativo sobre a cultura escolar de escolas exemplares constituídas no processo de
urbanização e modernização das
cidades brasileiras (1880-1970),
realizada entre 2005 e 2007,
identificou que a Escola Estadual
Maria Constança Barros Machado
foi referência de qualidade e ligada à identidade dos grupos sociais
que, em determinados momentos
históricos, se consideravam eli-
te na cidade. O Maria Constança
tornou-se disputado pelas famílias e não era fácil ingressar na escola porque havia um exame de
admissão muito concorrido. Em
alguns anos, havia mais de 500
candidatos.
Além dessa pesquisa, já foram
concluídas outras 13, entre dissertações de mestrado e teses de
doutorado, referentes à história
do então Liceu Campo-grandense e sua influência na formação
do ensino sul-mato-grossense.
No dia 12 de julho, durante
o Congresso Luso-Brasileiro de
História da Educação, em Lisboa,
Portugal, foi lançado o livro Tempo de cidade, lugar de escola: história, ensino e cultura escolar em
escolas exemplares. O livro foi organizado por Eurize Caldas Pessanha e Décio Gatti Júnior e inclui
os resultados da pesquisa sobre o
Maria Constança.
A Escola Estadual Maria
Constança de Barros Machado
traz na fachada um livro aberto.
Foi projetada pelo arquiteto
Oscar Niemeyer na década de
50. O colégio, que está localizado
na rua Marechal Cândido
Mariano Rondon, passou por
uma recente reforma, voltou às
cores originais e ganhou jogos
de luzes que se destacam na
paisagem noturna.
Foto: João Garrigó - Campo Grande News
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 33
RECONHECIMENTO
Com planejamento, Três Lagoas
foi o primeiro município de MS
a implantar a Lei do Piso
Alunos e
trabalhadores foram
beneficiados com a
legislação, mas agora
enfrentam novos
desafios para melhorar
A qualidade do ensino
P
Foto: Lucas Coelho
34 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
rofessores da rede municipal de ensino de Três
Lagoas foram os primeiros profissionais do Estado
de Mato Grosso do Sul a serem
beneficiados pelo cumprimento
integral da lei 11.738, de 16 de julho de 2008, que garante o Piso
Salarial Nacional de R$ 1.451,00 e
33% da carga horária total para
atividades extraclasse. No entanto, é preciso dizer que a condição
atual é resultado de um trabalho
prévio entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinted) de Três Lagoas e Selvíria e
a Secretaria Municipal de Educação. Trabalho que durou cerca de
um ano e resultou não apenas no
cumprimento integral da lei, mas
na elaboração e implantação de
um plano de cargos e carreiras,
além da reestruturação da grade
curricular.
Maria Diogo, atual presidente do Sinted, conta que quando
começaram a noticiar a Lei do
Piso, ela estava à frente do departamento jurídico do sindicato.
O ano era 2008 e ela conta que
quando a lei foi sancionada pelo
então presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, “ninguém acreditou”.
A partir disso, tanto o Sinted
quanto a Secretaria Municipal
de Ensino dedicaram todo ano
de 2009 para implantar uma
mudança que fosse além da lei.
“Quando começamos a nos reunir, em 2009, traçamos metas
para chegar ao fim do ano com
algo palpável”, explicou o secre-
tário municipal de educação, Mário Grespan.
“Hoje, muitas cidades que vivem o mesmo processo nos procuram para saber como fizemos
e o que fizemos. Sempre reforço
que não foi do dia para a noite.
Foi um ano de debate e preparação para que isso acontecesse”,
contou.
Desde 23 de fevereiro de 2010,
Três Lagoas cumpre a lei na íntegra. Na época, o Piso Nacional
estipulado era de R$ 950. Pouca
coisa acima do valor pago aos
professores da rede municipal.
O secretário explicou que, com a
implantação do Piso Nacional em
2010, os professores receberam a
diferença retroativa referente ao
período de 2008 e 2009.
Entretanto, Maria Diogo afirma que o maior impacto sentido
pelos profissionais da educação
não foi o financeiro, foi referente à hora-atividade. “Na época,
tínhamos 25% de hora-atividade
e precisávamos crescer 8% para
chegar aos 33% determinado por
lei. Foi feito um estudo que mostrou que, para cumprir essa meta,
a Prefeitura precisaria contratar
um novo professor a cada sete
profissionais atuando na rede.
Não se tratava apenas de pagar o
Piso, era preciso investir. Esse foi
o maior investimento”, disse.
Dessa forma, Três Lagoas foi
a primeira cidade do Estado a
implementar a hora-atividade,
conforme previsto em lei. “Durante as conversas com os gestores, a gente sente que essa é a
maior dificuldade de cumprir a lei
em sua totalidade. E não se trata
apenas da contratação, é preciso pensar na manutenção desses
profissionais, com todos os custos e benefícios inerentes à carreira, como plano de saúde, por
exemplo”, explicou Maria Diogo.
Nova realidade, novos desafios
A implantação a Lei do Piso
Foto: Lucas Coelho
refletiu de várias maneiras na
educação de Três Lagoas. Houve
uma redução significativa no número de licenças médicas.
A redução é constatada quando conversamos com profissionais da rede municipal de ensino.
Lecionando Língua Portuguesa
há cinco anos na Escola Municipal Parque São Carlos, Leide Patrícia Dias Traminn afirmou que
foram muitos os benefícios e que
eles se refletem em sala de aula
e na vida pessoal. “A gente não
fica mais colado no livro didático.
Podemos usar materiais alternativos e isso se reflete na participação do aluno em sala de aula.
Mas também melhorou porque a
gente não precisa mais levar trabalho para casa. Antes, tínhamos
pilhas e pilhas de atividades e
correções. Eu chegava estressada na segunda-feira para trabalhar. Agora não”.
Para a especialista em educação Vanessa Cristina Silva Viana,
que está há cinco anos em Três
Lagoas, a integralidade da Lei do
Piso gerou um problema novo e,
de certa forma, inusitado: a burocracia. Cresceu o número de
profissionais de ensino, mas não
o número de profissionais administrativos, que continua o mesmo desde 2008. “Isso gerou uma
burocracia, os professores nem
sempre são atendidos em tempo
“Durante as conversas com
os gestores, a gente sente que
essa é a maior dificuldade de
cumprir a lei em sua totalidade.
E não se trata apenas da
contratação, é preciso pensar
na manutenção desses
profissionais, com todos os
custos e benefícios inerentes à
carreira, como plano de saúde,
por exemplo”.
Maria Diogo, presidente
do Sinted de Três Lagoas
hábil”, comentou Vanessa.
Outra dificuldade enfrentada
pelas professoras em relação à
hora-atividade é quanto a infraestrutura. “Aumentou o quadro
de professores, mas não o espaço
físico da escola. Nesse momento,
temos quatro professoras preparando suas aulas e apenas dois
computadores. Muitas vezes, os
professores usam a sala de informática dos alunos. É possível,
mas não é o ideal”, contou Viviane da Silva Corrêa, que atuou 11
anos como professora do Parque
São Carlos e há três é diretora do
local.
A Escola Municipal Parque São
Carlos é a maior escola da rede
municipal e possui pouco mais
de 1.100 alunos e 80 funcionários,
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 35
artigo
que mostra os municípios de Mato Grosso do Sul que
cumprem integralmente a legislação. Três Lagoas divide
o oitavo e último lugar com Brasilândia, São Gabriel do
Oeste, Inocência, Miranda e Camapuã. Os três primeiros
lugares são ocupados por Paranaíba, que tem um piso
de R$ 2.019,80; Naviraí, com piso de R$ 1.7771,32, e Água
Clara, com piso de R$ 1.585,00.
“Quando a lei foi sancionada, Três Lagoas tinha o segundo maior Piso do Estado e fomos os pioneiros na implantação da hora-atividade. Hoje, caímos para oitavo lugar se considerados apenas os municípios que cumprem
a lei integralmente. No panorama geral, estamos em 25º
lugar. Temos a segunda maior arrecadação do Estado.
Precisamos reverter isso. A cidade deveria estar, pelo
menos, entre os cinco primeiros”, avaliou Maria Diogo.
A Lei do Piso, também conhecida como Lei 11.738, de
16 de julho de 2008, determina o Piso Salarial mínimo
para professores com jornada de trabalho de até 40 horas semanais. Em 2009, primeiro ano de vigência da lei, o
piso era de R$ 950,00. No seguinte, foi para R$ 1.024,00
e, em 2010, para R$1.187. Atualmente, o valor em prática
é de R$ 1.451,00.
Foto: Lucas Coelho
“Hoje, muitas cidades que vivem o mesmo processo
nos procuram para saber como fizemos e o que
fizemos. Sempre reforço que não foi do dia para a
noite. Foi um ano de debate e preparação para que
isso acontecesse”.
Foto: Lucas Coelho
Mário Grespan, secretário municipal de Educação
sendo 60 professores. Dados
da secretaria municipal de ensino mostram que, em 2011, havia
11.300 alunos matriculados na
rede municipal de ensino, sendo
3.782 da educação infantil. Nesse
último caso, 87% dos alunos de
zero a três anos são atendidos
pela rede municipal. No caso de
alunos de quatro a cinco anos,
esse número sobe para 99%. A
média nacional é de 40%.
As lutam continuam
Em março deste ano, a Federação dos Trabalhadores em
Educação de Mato Grosso do Sul
(FETEMS) publicou um relatório
36 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
“A gente não fica mais colado no livro didático. Podemos usar
materiais alternativos e isso se reflete na participação do aluno
em sala de aula. Mas também melhorou porque a gente não
precisa mais levar trabalho para casa. Antes, tínhamos pilhas
e pilhas de atividades e correções. Eu chegava estressada na
segunda-feira para trabalhar. Agora não”.
Leide Patrícia Dias Traminn, professora de língua portuguesa em Três Lagoas
Educação Infantil de qualidade:
Direito da criança
“Creche não pode ser aqui entendida como sinônimo de
estabelecimento ou instituição, mas, sim, como Educação Infantil”.
A Educação Infantil é um direito da criança de 0 até 6 anos de
idade assegurado na Constituição Federal de 1988 e na Lei de
Diretrizes e Bases da Educação
(LDBEN) n° 9394/96. Ou seja,
há 15 anos é considerada como
1ª etapa da Educação Básica. No
entanto, ainda tem sido palco de
discussões controversas devido à
sua história e às funções higienistas, assistencialistas e compensatórias que lhes foram atribuídas
ao longo do tempo.
Mesmo com avanços significativos no campo da pedagogia
da infância e na legislação, ainda
somos surpreendidos com propostas que não são cabíveis no
âmbito da Política Educacional
para esta faixa etária, se considerarmos os avanços conceituais e
legais da área. Na LDBEN, o termo creche é usado para designar
a faixa etária de 0 a 3 anos, e a
expressão pré-escola designa os
grupos de crianças de 4 a 6 anos.
Logo, a palavra creche não pode
ser aqui entendida como sinônimo de estabelecimento ou instituição, mas, sim, como Educação
Infantil.
Reafirmando o conceito de
Educação Infantil, como etapa
educacional, o art. 5º da Resolução CNE/CEB Nº 5, de 17 de
dezembro de 2009, Diretrizes
Curriculares de Educação Infantil, define: “A Educação Infantil,
primeira etapa da Educação Básica, é oferecida em creches e pré-escolas, as quais se caracterizam
como espaços institucionais não
domésticos, que constituem estabelecimentos educacionais públicos ou privados que educam e
cuidam de crianças de 0 a 5 anos
de idade no período diurno, em
jornada integral ou parcial, regulados e supervisionados por órgão competente do sistema de
ensino e submetidos a controle
social”.
Portanto, os municípios não
devem investir recursos da educação em atendimento, cujos
objetivos não podem ser entendidos como oferta educacional
de acordo com a legislação vigente. Assim sendo, projetos de
lei que trazem propostas que se
contrapõem às DCNEI são propósitos de Políticas Públicas para
a infância e não restritas à Educação. Nesse contexto, propostas
como creche noturna, domiciliares, atendimento em férias, finais
de semana e tantos outros não
procedem ao contexto histórico
legal atual das Políticas Educacionais de Educação Infantil. Os investimentos públicos devem existir para garantir os direitos à Educação Infantil. As verbas
públicas educacionais devem ser
utilizadas para fins de ampliar a
oferta de matrícula das crianças
de 0 até 6 anos em instituições
públicas de educação, atendendo
ao direito de frequentar uma instituição de Educação Infantil de
qualidade.
Os municípios devem investir
na ampliação da oferta de vagas
com qualidade, em tempo integral, tanto para as crianças de 4
até 6 anos (pré-escola) — uma
“Mesmo com avanços
significativos no campo da
pedagogia da infância e na
legislação, ainda somos
surpreendidos com propostas
que não são cabíveis no
âmbito da Política Educacional
para esta faixa etária, se
considerarmos os avanços
conceituais e legais da área.
vez que tornou-se matrícula obrigatória com a Emenda 59/2009
— cumprindo o princípio do direito público subjetivo presente
na Constituição Federal de 1988;
como para a faixa etária de 0 a 3
anos, cumprindo metas do Plano
Nacional de Educação.
Um outro aspecto relevante a
se discutir é que, na Educação Infantil, há bebês e crianças pequenas, que, devido à sua tenra idade, são dependentes dos adultos
nas rotinas de educação e cuidados, realizadas de maneira indissociável, em ação complementar
à das famílias.
Nesse contexto, é preciso reafirmar que todas as ações que
envolvem o cuidar e o educar
nas instituições de Educação Infantil, independente da classe
social das crianças atendidas, devem ser exercidas por professores habilitados, o que significa a
contratação de professores por
concursos públicos, pois estes
profissionais da educação é que
receberam uma formação teórico-prática sobre a criança em
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 37
Dicas para uma boa leitura
sua integralidade, para melhor
atendê-la.
No sentido de assegurar que
sejam professores(as) a atuarem
na Educação Infantil, a Política
Nacional estabelece em suas metas, para que não fiquem dúvidas
sobre a questão, que se deve:
“Extinguir progressivamente os
cargos de monitor, atendente,
auxiliar, entre outros, mesmo que
ocupados por profissionais concursados em outras secretarias
ou na Secretaria de Educação e
que exercem funções docentes”.
Além disso, a Política Nacional
de Educação Infantil explicita que
“os sistemas de ensino devem assegurar a valorização de funcionários não-docentes, que atuam
nas instituições de Educação Infantil, promovendo sua participação em programas de formação
inicial e continuada”. E, aqui, esclarece que os outros profissionais são aqueles que não atuam
diretamente em salas de atividades, junto às crianças.
Pensando nas questões aqui
apresentadas, é importante apontar que tivemos avanços na Educação Infantil, tanto conceituais
como dos preceitos legais, porém devemos nos atentar para
que estes se materializem cada
vez mais na ampliação de vagas,
na garantia de oportunidades
de formação inicial e continuada
para professores, na adequação e
aparelhamento dos espaços físi-
cos, na construção de propostas
pedagógicas em que se façam
presentes a concepção de criança e de infância em uma perspectiva plural, ocorrendo em instituições próprias com currículo
específico, que coloque a criança
no centro do processo educativo.
Mariéte Félix Rosa
Professora da Educação Infantil das redes públicas
de ensino do Estado de Mato Grosso do Sul e de
Campo Grande. Mestre e Doutora em Educação pela
FEUSP; assessora técnica do CME de Campo Grande
(MS); integrante do Comitê Diretivo do Movimento
Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (MIEIB) e
da Coordenação Colegiada do Fórum de Educação
Infantil de MS.
[email protected]
Alfabetização
em Processo
Emília Ferreiro,
136 páginas,
Editora Cortez
Fonte:www.zemoleza.com.br
Bullying e
Cyberbullying - O que
fazemos com o que
fazem conosco?
Maria Tereza Maldonado,
143 páginas,
Editora Moderna
Fonte:www.skoob.com.br e
http://professoresdepaulistape.blogspot.com.br
38 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
Escrito pela psicolinguistica argentina Emília Ferreiro em 1986, a obra
Alfabetização em Processo é um clássico que todos os educadores devem ler. A autora analisa, por meio de cinco textos, o processo de construção da leitura e da escrita infantil, faz uma relação entre o todo e
as partes que constituem esse processo. Analisa também o ensino de
cálculos matemáticos para crianças que ainda estão na fase de alfabetização, pesquisando como a criança faz, antes mesmo de aprender na
escola, cálculos de somar e subtrair com grande precisão.
Para que a descoberta do caráter simbólico da escrita seja aprendida, é preciso oferecer ao aprendiz situações em que a escrita se torne
objeto de seu pensamento. É uma teoria que inspirou vários métodos
que valorizam os conhecimentos que a criança já tem e o contato dela
com o mundo letrado dos jornais, revistas, rótulos, outdoors, permitindo
assim uma maior aproximação entre a escola e a realidade.
Sobre a autora - Emília Ferreiro é psicóloga e pesquisadora argentina, radicada no México, fez seu doutorado na Universidade de Genebra,
sob a orientação de Jean Piaget.
Na Universidade de Buenos Aires, a partir de 1974, como docente, iniciou seus trabalhos experimentais, que deram origem aos pressupostos
teóricos sobre a Psicogênese do Sistema de Escrita, campo não estudado por seu mestre, que veio a tornar-se um marco na transformação do
conceito de aprendizagem da escrita pela criança.
De autoria de Maria Tereza Maldonado, o livro trata da fronteira entre
a brincadeira, agressão e perseguição. Como distinguir entre brincadeiras saudáveis, em que todos se divertem, e o padrão de ataques repetitivos no qual apenas alguns se divertem ou levam vantagens à custa
de provocar sofrimento em outros? Quais são as manifestações mais
comuns da agressividade entre alunos? Como contribuir para o uso responsável da tecnologia e das redes sociais? O trabalho conjunto entre
famílias, escolas e comunidades é essencial para criar uma cultura de
não tolerância à prática do bullying e do cyberbullying, desenvolvendo
a educação com base em valores que permitem a construção de uma
rede saudável de relacionamentos em que fique claro para todos que
“agressão não é diversão”.
Sobre a autora - Maria Tereza Maldonado nasceu no Rio de Janeiro.
Formou-se em Psicologia pela PUC-RJ, onde fez mestrado em Psicologia Clínica. Foi professora da PUC-RJ e da Universidade Santa Úrsula.
É membro da American Academy of Family Therapy e da World Association for Infant Mental Health. Atualmente, participa de ONGs que desenvolvem projetos sociais (Pastoral da Criança, Associação Brasileira
Terra dos Homens), trabalha como psicoterapeuta de famílias e como
conferencista e consultora nas áreas de saúde e educação.
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 39
artigo
As lutas do movimento sindical nas
conquistas dos trabalhadores brasileiros
“Amanhã, quem garante que não estaremos sem emprego, vivendo na
informalidade, sem salário, sem renda, sem direitos, sem futuro?”
Que os sindicatos são instituições consolidadas na vida dos
trabalhadores, isso já está claro.
No entanto, poucas pessoas sabem da fundamental importância
que eles possuem na conquista
dos direitos, defesa da democracia, justiça social. A história
do sindicalismo coincide com a
história da sociedade e do modo
de produção capitalista. Ele surgiu como resposta à exploração
de classe dos capitalistas, na violência de classe que estes impuseram aos trabalhadores no processo da Revolução Industrial até
os nossos dias.
O capitalismo se baseia na
compra da força de trabalho do
trabalhador, por meio do assalariamento, e o lucro dos capitalistas é produzido pelo trabalho não pago (mais-valia) e pela
apropriação direta e indireta do
que ele produz. O sindicato existe para defender os direitos dos
trabalhadores. Nossos direitos
são frutos de muitas lutas e, para
garanti-los, temos que ter um sindicato forte e de luta. Hoje, temos
emprego, salário, previdência,
plano de saúde e tantos outros
direitos garantidos. Milhões de
trabalhadores não têm.
Amanhã, quem garante que
não estaremos sem emprego,
vivendo na informalidade, sem
salário, sem renda, sem direitos,
40 | Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012
sem futuro? É pensando nisso
que nos organizamos em sindicatos. Os direitos que os trabalhadores têm, hoje, são frutos de
muitas lutas, vindas desde o século XIX. Duros combates e mobilizações para melhorar a vida
dos trabalhadores se deram não
só no Brasil (desde a escravidão),
mas no mundo inteiro. A luta pela
definição e, depois, pela redução
da jornada de trabalho vem de
150 anos.
Quando não havia sindicatos
nem direitos trabalhistas, era o
patrão quem decidia o preço da
força de trabalho e a duração da
jornada. Eram de 14 ou 16 horas
diárias e o trabalho das crianças
e mulheres não era remunerado.
Só na década de 1920 os trabalhadores conquistaram a jornada
de 8 horas diárias. E no Brasil foi
garantida na lei só em 1932. A
vida “produtiva” de um trabalhador não passava de 25 anos de
trabalho. Viravam bagaços humanos nas engrenagens das fábricas.
Só a partir de 1910 foram garantidos o descanso aos domingos e o direito a férias. E essas
conquistas foram a custa de
muitas greves, mobilizações de
massas, sofrendo repressões violentas, torturas, prisões, desaparecimentos, mortes. Operárias
queimadas vivas numa fábrica
de Chicago são prova disso. Os
grandes banqueiros e empresários só acumulam lucros porque
exploram os trabalhadores. Dinheiro não nasce em árvore nem
cai do céu.
O lucro privado ou estatal é
produto da exploração do traba-
“Quando não havia
sindicatos nem direitos
trabalhistas, era o patrão
quem decidia o preço
da força de trabalho e a
duração da jornada. Eram
de 14 ou 16 horas diárias
e o trabalho das crianças
e mulheres não era
remunerado”.
lho e do trabalhar, da ausência de
políticas sociais de distribuição
da riqueza e dos benefícios gerados pelo trabalho humano; ou
quando o Estado vira um comitê de negócios e interesses das
classes que dominam a sociedade e monopolizam a economia.
Tenha certeza que, se dependesse da empresa ou do governo,
você receberia 0% de reajuste salarial, seus direitos seriam reduzidos e benefícios retirados. Só não
nos atacam mais porque lutamos
coletivamente e porque o sindicato luta com você.
Helder Molina
Historiador, mestre em Educação, doutor em
Políticas Públicas e Formação Humana, professor da
Universidade do Estado do Rio de Janeiro, educador
e assessor sindical.
[email protected]
heldermolina.blogspot.com
Revista ATUAÇÃO | Agosto 2012 | 41
Produção
Luzes
E lá vamos nós
E estamos nós
Lançando luzes sobre nossos problemas
Clareando nossas necessidades
Esclarecendo nossas reivindicações
Câmeras
E registramos nós
E divulgamos nós
As imagens de nossas lutas
facebook/fetems
A coragem de nossa gente
A disposição de nossa classe
Ação
E reunimo-nos todos
E aglomeramos nossas forças
E fazemos passeatas,invasões
E pernoitamos fora de nossos lares
twitter/fetems
E nos alimentamos de nossas forças e
sonhos
E eis que
A ditadura convicta
De percepção restrita
Contrapõe-se aos fatos
E em combate aos nossos atos
Fecham as janelas e portas
E num eco brado e retumbante
youtube/fetems
Em voz cavernosa e troante
Profere:
Cooooooooooorta!!!
E lá foi nosso dia de ponto
E ponto.
Ponto final??!!!
Ademir Cerri
CAMINHOS
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