JOHN KENNEDY GASPAR DE ABREU APRENDER QUÍMICA ATRAVÉS DA PESQUISA EM FONTES BIBLIOGRÁFICAS Antonina 2009 JOHN KENNEDY GASPAR DE ABREU APRENDER QUÍMICA ATRAVÉS DA PESQUISA EM FONTES BIBLIOGRÁFICAS Artigo apresentado à SEED – PR como requisito parcial à conclusão do Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE. Orientador: Profº Cláudio Antonio Tonegutti Antonina 2009 APRENDER QUÍMICA ATRAVÉS DA PESQUISA EM FONTES BIBLIOGRÁFICAS John Kennedy Gaspar de Abreu¹, Cláudio Antonio Tonegutti² RESUMO Este artigo tem como enfoque principal apresentar o “Ensino de Química Através da Pesquisa em Fontes Bibliográficas”, como uma forma de inovação da prática em sala de aula. Tal inovação se caracteriza pelos resultados pouco efetivos obtidos pela utilização de metodologias consideradas mais tradicionais. Dessa forma, a abordagem dos conteúdos de química se constitui num importante processo de apropriação dos conhecimentos químicos, dando aos alunos instrumentos que possam ajudá-los a interpretar de forma crítica o mundo em que vivem, relacionando esses conhecimentos com todas as questões sociais, ambientais, econômicas e políticas. Ao desenvolver o estudo desta metodologia na escola em que atuo foi necessário uma mudança de postura em relação ao processo de aprendizagem em sala de aula, no intuito de se fazer prática pedagógica diferenciada, de maneira a não confundir o ensino com pesquisa com a simples cópia de conteúdos retirados da internet, livros, revistas ou afins para a elaboração de trabalhos escolares solicitado pelo professor. Palavras - chave: ensino de Química - pesquisa-metodologia - fontes bibliográficas. ABSTRACT This article focuses on the main lodge "Teaching Chemistry Through Research Sources Bibliography" as a form of innovation practice in the classroom. Such innovation is characterized by little result obtained by the use of methodologies considered more traditional. Thus, the approach of the chemical content is a important process of appropriation of chemical knowledge, giving students tools that can help them to critically interpret the world around them, linking this knowledge with all the social, environmental , economic and political. In developing the methodology of this study in school, act was a necessary change of attitude toward the process of learning in the classroom in order to do teaching practice differently, so as not to confuse the teaching with research by simply copying content from the Internet, books, magazines and related to the preparation of school work requested by the teacher. Keywords: chemical education - research methodology - sources. ¹ Professor de Química. Participante do PDE – PR, Antonina, PR. [email protected] ² Depto Química, UFPR, Curitiba, PR. [email protected] INTRODUÇÃO O presente artigo tem por finalidade explicitar de forma bastante sucinta os resultados que foram obtidos com a experiência de implementação do Projeto “Aprender química através da pesquisa em fontes bibliográficas” na escola onde atuo. Parto da problemática do ensino de química somado a experiência deste professor em relação a esta metodologia que consiste em ensinar química através de trabalhos escolares. A estratégia não é nova, porém pude observar que os alunos ao realizar essa tarefa acabam copiando textos pesquisados sem se quer lê-los para sua compreensão e sem reelaborá-los. É preciso assi nalar, no entanto que tal reprodução se deu devido à falta de orientação por parte do professor. Sem a orientação necessária, percebi que o aluno entende o trabalho escolar como uma pesquisa meramente formal para ser entregue ao professor em troca de sua nota. Assim, através do Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE, transformei essa problemática em objeto de estudo, onde me foi ofertado no primeiro ano do programa cursos e atividades na modalidade presencial e à distância que me proporcionaram subsídios teóricos – metodológicos na investigação dessa problemática. Foi muito importante no programa a implementação do Projeto na minha escola de atuação, pois a execução desta ação foi fundamental na busca da resposta para esta problemática. A idéia principal do Projeto consiste em ensinar química através de fontes bibliográficas, que é uma ação educativa apoiada no ensino com pesquisa com a pretensão de transformá-la em uma alternativa didática com condições para que o processo de aprendizagem se realize efetivamente. Esta metodologia de ensinar, aprender e desenvolver o conteúdo químico está voltada a aprendizagem significativa do aluno, especialmente quando se trabalha com projetos. Foi possível perceber durante a implementação do Projeto a dificuldade, hoje, para os alunos, fazer um trabalho ou um resumo de um texto com as suas próprias palavras, que traga, em seu relato, coerência e transmissão da idéia central do assunto pesquisado. A partir dos elementos observados até aqui temos claro que a finalidade do professor deve ser determinante em relação aos métodos e processos de ensinoaprendizagem. Assim, a transmissão-assimilação do conhecimento passa a ser o foco da construção do saber, portanto, o professor passa a ser o mediador do processo, instrumentalizando e ensinando a dominar ferramentas que possam dar suporte ao aluno e, de modo que os conteúdos possam se tornar assimiláveis. Dessa forma a ação pedagógica para o professor e para o aluno passa necessariamente pela relação que cada um estabelece com o próprio conhecimento. A prática pedagógica de solicitar trabalhos escolares aos alunos tem sido pouco efetiva no sentido de aprender à química, em função de eles estarem despreparados para tal prática. Os próprios alunos reconhecem que não se sentem suficientemente preparados para fazerem estes trabalhos, uma vez que o ensino de química para eles é considerado extremamente teórico, abstrato, distante da vida cotidiana e desestimulante, apesar de reconhecerem a importância do conhecimento químico para a sociedade. Este material foi desenvolvido por este pesquisador com o propósito de ajudar os alunos a aprender química através da pesquisa em fontes bibliográficas, para tal foi necessário diagnosticar os problemas existentes nesta prática de aprendizagem. Existem diferentes formas de se construir o conhecimento, uma delas é a pesquisa bibliográfica, que neste caso é o nosso objeto de estudo. Na nossa prática profissional temos utilizado muito está metodologia, porém de forma equivocada. A nossa proposta é realizar um estudo de forma coletiva sobre esta metodologia, de forma que consigamos construir uma proposta fundamentada na realidade dos nossos alunos. Todos nós queremos novas metodologias de ensino para nossas práticas educativas, sabemos que tudo que é novo assusta, porém os nossos alunos precisam estar motivados para aprender, e para isso precisamos estar preparados para o uso das novas tecnologias. Com relação à leitura é imprescindível que os nossos alunos adquiram o hábito de ler de tudo, pois é através dela que o nosso projeto se concretizará. O projeto que proponho pretende resgatar, refletir sobre o ensino da Química através da pesquisa bibliográfica, em momento algum quando escrevi o projeto pensei em responsabilizar nós professores pelos problemas de aprendizagem dos nossos alunos. Entretanto, tenho comigo a opinião particular que nós professores temos uma parcela de responsabilidade sobre isso. Isso me motiva a buscar novas metodologias que me levem a minimizar esse problema. É preciso reconhecer que o tempo para implementar a proposta foi pouco, mas acredito que nós professores somos capazes de elaborar um planejamento para implementação deste projeto de acordo com o nosso número de aulas, não podemos de deixar de realizar um trabalho que acreditamos por causa da grade curricular. Nestes tempos difíceis de ensinar, somos desafiados a criar novos métodos de trabalho que motivem os nossos alunos a gostar de aprender Química. Temos a missão de despertar o interesse de nossos alunos pelo conhecimento científico, e para isso precisamos fazer mudanças na nossa forma de trabalhar. O meu objeto de estudo proposto tem essa finalidade, e claro que a proposta não resolve completamente os problemas de ensino-aprendizagem pelo qual todos passaram, mas com certeza é uma contribuição de um educador que se preocupa com a educação de nossos alunos. Durante o ano de 2008 passei a compreender melhor as nossas práticas educativas, quando se fala em buscar novos métodos de trabalho penso nos professores das IES que falavam nisso o tempo todo. O uso das tecnologias é uma inovação que não pode ser descartada, pois ela faz parte da vida de todos nós, inclusive dos alunos que amam a tecnologias haja vista todos os aparelhos que fazem parte do seu dia a dia. Acredito que, com este projeto, nós professores possamos debater, com os alunos, os conteúdos do nosso plano de aula, fundamentando-se através desse projeto. A minha opinião é compartilhada com você, também percebo o desejo dos nossos alunos por algo de novo no ensino de Química. As aulas experimentais é um algo a mais nas as nossas aulas, mas não é suficiente, precisamos de algo que motive o aluno a aprender Química com motivação e não por obrigação. A nossa proposta visa à construção do conhecimento através da pesquisa bibliográfica, dessa forma os alunos são lançados a interpretar, analisar e opinar sobre situações do seu cotidiano, situando e percebendo as dimensões da interação da humanidade com o meio. Fundamentação Teórica Para iniciar a discussão sobre a proposta de ensinar química através da pesquisa no Ensino Médio, faz-se necessário considerar algumas questões mais amplas que afetam diretamente os saberes relacionados a esse campo do conhecimento. Destaca-se que o conhecimento químico, assim como todos os demais, não é algo pronto, acabado e inquestionável, mas em constante transformação. Esse processo de elaboração e transformação do conhecimento ocorre a partir das necessidades humanas, uma vez que a Ciência é construída pelos homens e mulheres, falíveis e inseparáveis dos processos sociais, políticos e econômicos. “A ciência já não é mais considerada objetiva nem neutra, mas preparada e orientada por teorias e/ ou modelos que, por serem construções humanas com propósitos explicativos e previstos, são provisórios” (CHASSOT, 1995, p. 68). O conhecimento químico desempenha um papel fundamental no cotidiano das pessoas. De fato, é comum encontrarmos substâncias químicas presentes em vários produtos de alimentação, saúde, higiene, transporte e etc., no nosso dia a dia. Logo estudar química não só nos permite uma vida longa e confortável, mas também compreender os fenômenos naturais que ocorrem no universo e no nosso organismo. Segundo Albert Einstein: “A ciência não tem sentido senão quando serve aos interesses da humanidade.” A concepção de ensinar e aprender Química atualmente têm sido uma prática desmotivadora tanto para os alunos como para os professores em relação aos encaminhamentos metodológicos observados em sala de aula. É preciso que haja mudanças nesses encaminhamentos para que possamos mudar a forma de ensinar os conteúdos de química para nossos alunos. De acordo com Bernardelli (2004), muitas pessoas resistem ao estudo da Química pela falta de um método que contextualize seus conteúdos. Muitos estudantes do Ensino Médio têm dificuldade de relacioná-los em situações cotidianas, pois ainda se espera deles a excessiva memorização de fórmulas e tabelas. O mesmo autor destaca que: Devemos criar condições favoráveis e agradáveis para o ensino e aprendizagem da disciplina, aproveitando, no primeiro momento, a vivência dos alunos, os fatos do dia-a-dia, a tradição cultural e a mídia, buscando com isso reconstruir os conhecimentos químicos para que o aluno possa refazer a leitura do seu mundo (BERNARDELLI, 2004, p.2). A minha experiência como professor em relação aos resultados obtidos com a aprendizagem dos alunos com a utilização de metodologias mais tradicionais foram pouco efetivas. VASCONCELOS (1995, p. 21) afirma que o aluno recebe tudo pronto, não problematiza, não é solicitado a fazer relação com aquilo que já conhece ou a questionar a lógica interna do que está recebendo e acaba se acomodando. A prática tradicional é caracterizada pelo ensino “blá-blá-blante”, salivante, sem sentido para o educando, meramente transmissora, passiva, a-crítica, desvinculada da realidade, contextuada. Este artigo é um convite a uma reflexão sobre de que forma o “Aprender química através da pesquisa em fontes bibliográficas”, pode contribuir para a apropriação dos conteúdos escolares de química no Ensino Médio. Segundo GIL (1991): A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos cientifícos. Embora quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. (GIL, 1991, p. 48). A minha preocupação com a aprendizagem dos alunos do Ensino Médio em Química, exige práticas pedagógicas em sala de aula inovadoras, isto é, o conhecimento químico preconiza a renovação metodológica dos processos ensinoaprendizagem na articulação das funções de docência e pesquisa. Dentre as iniciativas inovadoras do ponto de vista metodológico, podemos citar a pesquisa em sala de aula, que poderá gerar bons resultados na aquisição do conhecimento químico. Essas inovações podem se constituir em ações que favoreçam as ligações entre os conteúdos de várias disciplinas, que enfatizem os conceitos e habilidades básicas que favoreçam a solução de problemas reais e que proponham trabalhos sob orientação docente, desenvolvidos fora do espaço das disciplinas tradicionais. Assim, programas de atividade extraclasse, desenvolvimento de projetos interdisciplinares e iniciação à pesquisa devem ser incentivados (KUENZER, 2005, p. 156). O ensino com pesquisa trabalha com a questão da reconstrução, que ocorre entre a teoria e prática, somada com o conhecimento que o aluno já possui. Segundo Demo (1997, p. 9) “a pesquisa busca na prática a renovação da teoria e na teoria a renovação da prática”. Esta relação associa-se com o conhecimento mais completo, construindo dessa forma um saber significativo. Ainda Demo (Demo, 1997, p. 64) afirma que o questionamento reconstrutivo “implica na capacidade de escolha do material de leitura, interpretação pós-leitura e formulação própria. Ninguém questiona aquilo que não compreende, muito menos emite um juízo de valor sobre algo que lhe é estranho. É a partir disso que o aluno faz o exercício da crítica e da reflexão, aprende a duvidar, perguntar, querer saber mais. Assim, tem início à sua elaboração própria”. É necessário que o professor tome consciência que repassar os conhecimentos já produzidos historicamente aos alunos é um equívoco no processo de ensino-aprendizagem, pois dessa forma segundo Demo (1997, p. 7): “o aluno passa a ser um sujeito condenado a escutar, tomar notas, decorar, e fazer prova”. No sentido exposto, a aprendizagem de química ocorre na medida em que aprender não é memorizar fórmulas e conceitos sem compreendê-los. Modificar o cotidiano de sala de aula tem sido o grande desafio para o professor que há décadas vem desenvolvendo esta forma de trabalho citado anteriormente. Segundo Almeida (2005), cabe ao professor promover o desenvolvimento de atividades que provoquem o envolvimento e a livre participação do aluno, assim como a interação que gera a co-autoria e a articulação entre informações e conhecimentos, com vistas a construir novos conhecimentos que levem à compreensão do mundo e a atuação crítica no contexto. Para Behrens (2005), em parceria, professores e alunos precisam buscar um processo de auto-organização para produzir conhecimento significativo e relevante... ... A exigência de tornar o aluno um competente produtor do seu próprio conhecimento implica valorizar a reflexão, a ação, a curiosidade, o espírito crítico, a incerteza, a provisoriedade, o questionamento e, para tanto, exige que o professor reconstrua a prática conservadora que em desenvolvendo em sala de aula. O professor deve incentivar o exercício da autonomia no processo da aprendizagem, pois esta atitude ao ser requerida, estimulada e compreendida fará com que o estudante tenha maiores êxitos na aquisição do conhecimento científico. Portanto, ao considerar o estudante autônomo, é preciso compreender o significado deste termo. A autonomia é a qualidade ou estado de autônomo. Autônomo que se governa por leis próprias. (MICHAELS, 1998). Significa a capacidade de cada cidade de se autogovernar, de elaborar seus preceitos e suas leis, dos cidadãos decidirem o que fazer. É uma qualidade inerente à cidadania, que expressa suas próprias idéias (PRETI, 2005). Ter autonomia significa decidir a própria vida, sua linguagem e argumentação e o próprio agir. Infere-se daí a necessidade da coerência entre o falar e o agir, entre a ação e o conhecimento (MARTINS, 2005, p. 17). Na relação pedagógica, autonomia significa reconhecer no outro sua capacidade de ser, de participar, de ter o que oferecer, de decidir, uma vez que a educação é um ato de liberdade e de participação. Neste processo de aprendizagem a ênfase deve ser dada ao aluno. O aluno passa a ser o sujeito principal na construção e apropriação do conhecimento, apoiando-se na mediação desenvolvida entre o professor que deverá propiciar-lhe suporte na aprendizagem mais autônoma e segura. Os professores exercem papel fundamental neste processo, uma vez que seu trabalho como orientador na construção do conhecimento através da pesquisa é extremamente importante na condução dos trabalhos que serão realizados pelos alunos durante a pesquisa em sala de aula. Diante dessa situação, MASETTO (2001, p. 144) propõe que seja explicitado como pode ser entendida a mediação pedagógica em sala de aula. Por mediação pedagógica entendemos a atitude, comportamento, do professor que se coloca como facilitador incentivador ou motivador da aprendizagem, que se apresenta com a disposição de ser uma ponte entre o aprendiz e sua aprendizagem não uma ponte estática, mas uma ponte “rolante”, que ativamente colabora para que o aprendiz chegue aos seus objetivos. É a forma de apresentar e tratar um conteúdo ou tema que ajuda o aprendiz a coletar informações, relacioná-las, organizá-las, manipulá-las, discuti-las e debatê-las com seus colegas, com o professor e com outras pessoas (interaprendizagem), até chegar a produzir um conhecimento que seja significativo para ele, conhecimento que se incorpore ao seu mundo intelectual e vivencial, e que o ajude a compreender sua realidade humana e social, e mesmo a interferir nela. A mediação da aprendizagem, nessa perspectiva, põe em evidência o papel de sujeito do aluno e fortalece o seu papel ativo nas atividades que lhes permitirão aprender, bem como renova o papel do professor e permite a entrada de novos métodos de aprendizagem em sala de aula. É neste enfoque que este artigo foi escrito, ou seja, fazer com que os alunos aprendam química através da metodologia da pesquisa, desenvolvendo desta forma suas potencialidades em relação à construção do seu próprio conhecimento. Segundo Bagno (1998): Pesquisa é uma palavra que nos veio do espanhol. Este por sua vez herdou-a do latim. Havia em latim o verbo perquiro, que significava “procurar; buscar com cuidado; procurar por toda parte; informar-se; inquirir; perguntar; indagar bem, aprofundar na busca”. O particípio passado desse verbo latino era perquisitum. Por alguma lei da fonética histórica, o primeiro R se transformou em S na passagem latim para o espanhol, dando o verbo pesquisar que conhecemos hoje. Perceba que os significados desse verbo em latim insistem na idéia de uma busca feita com cuidado e profundidade. Nada a ver, portanto, com trabalhos superficiais, feitos só para “dar nota”. A pesquisa escolar pode ser entendida como um processo racional e sistemático, “[ . . . ] com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento científico e tem como objetivo buscar respostas aos problemas sugeridos.” Os professores devem orientar e subsidiar todas as etapas para a realização da pesquisa escolar, seguindo uma metodologia para um melhor resultado da atividade, tais como: foco do tema a ser pesquisado (o que), objetivos que se pretende alcançar com a atividade (para que), formas de busca, de elaboração e de apresentação do trabalho (como), fontes, locais ou referências (onde) data de entrega ou apresentação (quando). A pesquisa escolar [ . . . ] é uma das atividades que possibilita aos alunos a captação, a geração, a disseminação e a aplicação dos conheciementos adquiridos. Para que isso ocorra, é necessário que as etapas de desenvolvimento sejam orientadas pelo professor e seguidas pelos alunos e bibliotecários, quanto à seleção do assunto, estratégias de busca e identificação das fontes, planejamento do trabalho, seleção e coleta de informações, organização das referências consultadas, organização dos registros para apresentação do trabalho (oral ou escrito). (MORO; ESTABEL, 2004). Desta maneira acreditamos que a utilização da abordagem da pesquisa em sala de aula no ensino de química pode tornar o aprendizado desta disciplina, no ensino médio, mais significativo para os alunos. A intenção de trabalhar os conteúdos na forma de pesquisa se faz justamente pensando que o aluno se envolva na experiência educativa construindo assim seus conhecimentos ligados as suas histórias. Segundo Freire (2002): Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que – fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade (Freire, 2002). Para mim que sou um professor de sala aula tradicional, foi muito importante conhecer melhor esta metodologia de ensino. Através dela consegui ver uma infinidade de possibilidades de aprendizagem através das TICs, antes eu só conseguia ver o processo de ensino aprendizagem presencial,utilizando quadro negro, giz, livro, etc… na sala de aula Hoje a minha visão de ensinar mudou completamente após meu contato com as NTICs. Penso que utilizando os recursos tecnológicos no processo de ensino aprendizagem os alunos aprendem muito mais, ficam mais motivados em aprender. A introdução dessas tecnologias como instrumento de aprendizagem despertou nos alunos um sentimento de colaboração e cooperação. Diante dessa nova perspective o aprender ficou mais interessante e motivacional. Ao se inserir na educação a aprendizagem mediada pelas NTICs, ou pela Web, o professor mostra que está aberto as novas metodologias de aprendizagem, caminhando dessa forma para a democratização da educação. Ensinar os alunos da forma como aprendemos quando nós erámos alunos deixou de ser suficiente para o cidadão que queremos formar para a sociedade do futuro. Nós professores do século XXI, precisamos levar em conta as mudanças que vêm transformando a sociedade e o mercado de trabalho. Conclusão Esta proposta foi desenvolvida dentro do Programa de Desenvolvimento da Educação (PDE) da Secretaria do Estado da Educação do Paraná, um modelo de programa de formação continuada que visa proporcionar ao professor o retorno às atividades acadêmicas de sua área de formação inicial, no qual o professor da educação básica em conjunto com seu orientador, dentre outras atividades, deve elaborar um material didático para intervenção na realidade escolar. Neste trabalho apresentamos uma proposta metodológica para o ensino de química utilizando a abordagem por pesquisa em uma escola pública na cidade de Antonina-PR. De acordo com a análise prévia dos trabalhos apresentados, observou-se que os alunos apresentaram uma série de dificuldades, entre elas destaca-se a busca por fontes bibliográficas relativas ao tema do material didático. Outro elemento importante constatado durante a realização da pesquisa foi o trabalhado de modo cooperativo muito bem sucedido, lembrando que a disposição das equipes foi de livre escolha, até mesmo com o intuito de se resolver os conflitos que surgiriam entre eles durante o trabalho. Algumas pesquisas realizadas foram para satisfazer o professor e cumprir com o dever escolar, que é a pesquisa de copiar e colar de algum recurso pesquisado. Houve outras formas de pesquisa mais elaborada. São aquelas realizadas por alunos com mais maturidade. Além deste panorama, o que causa mais preocupação é a falta de leitura dos alunos. Isso fica muito evidente nas referências bibliográficas apresentadas. Vale ressaltar que é de suma importância orientar os alunos, antes da realização da pesquisa bibliográfica. Essa orientação tem que se dar em todos os lugares onde se fizer necessário a busca de informações relativas ao tema, principalmente nas bibliotecas escolares, que em minha opinião é onde se inicia as primeiras buscas de dados para elaboração da pesquisa. Cabe a biblioteca escolar incentivar o uso adequado de qualquer suporte de informação, é preciso assinalar, no entanto que os alunos sentiram a ausência de alguém na biblioteca que os orienta-se adequadamente, isso sem falar sobre o acervo que atende-se às necessidades dos alunos que estavam pesquisando. Diversos recursos foram utilizados pelos alunos na busca de informação para a pesquisa, mas não há dúvida de que a internet foi a mais utilizada por eles. Alguns dos trabalhos analisados são cópias de sites utilizados como fonte para realização da pesquisa escolar. Estes casos vêm mostrando uma preocupação por parte de alguns professores, cansados de receber trabalhos escolares copiados da internet. Eu particularmente conversei com eles e expliquei que copiar na íntegra textos de fontes bibliográficas como se fossem deles é crime, que na verdade eles até podem utilizar esses textos, mas com uma citação do seu trabalho, respeitando o autor do texto. No entanto, é preciso compreender que a minha proposta de intervenção pedagógica é corrigir esses vícios encontrados nos trabalhos escolares de pesquisa. O foco principal do estudo é orientar os alunos para o melhor encaminhamento na produção do trabalho escolar com o objetivo de se formar um pesquisador comprometido com o seu objeto de estudo. Referências: VyGOTSKI, L. – A formação social da mente. SP, Martins Fontes, 1987. __________ . _ Pensamento e linguagem. SP, Martins Fontes, 1988. VyGOTSKI, Leontiev, Luria. – Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. SP, Ícone, 1988. Demo, Pedro. Educar pela pesquisa. Campinas, SP: Autores Associados, 2002a. Maldaner, O. A. 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