JOHN KENNEDY GASPAR DE ABREU
APRENDER QUÍMICA ATRAVÉS DA PESQUISA EM FONTES
BIBLIOGRÁFICAS
Antonina
2009
JOHN KENNEDY GASPAR DE ABREU
APRENDER QUÍMICA ATRAVÉS DA PESQUISA EM FONTES
BIBLIOGRÁFICAS
Artigo apresentado à SEED – PR
como
requisito
parcial
à
conclusão do
Programa
de
Desenvolvimento Educacional –
PDE.
Orientador: Profº Cláudio Antonio Tonegutti
Antonina
2009
APRENDER QUÍMICA ATRAVÉS DA PESQUISA EM FONTES BIBLIOGRÁFICAS
John Kennedy Gaspar de Abreu¹, Cláudio Antonio Tonegutti²
RESUMO
Este artigo tem como enfoque principal apresentar o “Ensino de Química Através da
Pesquisa em Fontes Bibliográficas”, como uma forma de inovação da prática em
sala de aula. Tal inovação se caracteriza pelos resultados pouco efetivos obtidos
pela utilização de metodologias consideradas mais tradicionais. Dessa forma, a
abordagem dos conteúdos de química se constitui num importante processo de
apropriação dos conhecimentos químicos, dando aos alunos instrumentos que
possam ajudá-los a interpretar de forma crítica o mundo em que vivem, relacionando
esses conhecimentos com todas as questões sociais, ambientais, econômicas e
políticas. Ao desenvolver o estudo desta metodologia na escola em que atuo foi
necessário uma mudança de postura em relação ao processo de aprendizagem em
sala de aula, no intuito de se fazer prática pedagógica diferenciada, de maneira a
não confundir o ensino com pesquisa com a simples cópia de conteúdos retirados da
internet, livros, revistas ou afins para a elaboração de trabalhos escolares solicitado
pelo professor.
Palavras - chave: ensino de Química - pesquisa-metodologia - fontes bibliográficas.
ABSTRACT
This article focuses on the main lodge "Teaching Chemistry Through Research
Sources Bibliography" as a form of innovation practice in the classroom. Such
innovation is characterized by little result obtained by the use of methodologies
considered more traditional. Thus, the approach of the chemical content is a
important process of appropriation of chemical knowledge, giving students tools that
can help them to critically interpret the world around them, linking this knowledge with
all the social, environmental , economic and political. In developing the methodology
of this study in school, act was a necessary change of attitude toward the process of
learning in the classroom in order to do teaching practice differently, so as not to
confuse the teaching with research by simply copying content from the Internet,
books, magazines and related to the preparation of school work requested by the
teacher.
Keywords: chemical education - research methodology - sources.
¹ Professor de Química. Participante do PDE – PR, Antonina, PR. [email protected]
² Depto Química, UFPR, Curitiba, PR. [email protected]
INTRODUÇÃO
O presente artigo tem por finalidade explicitar de forma bastante sucinta os
resultados que foram obtidos com a experiência de implementação do Projeto
“Aprender química através da pesquisa em fontes bibliográficas” na escola onde
atuo.
Parto da problemática do ensino de química somado a experiência deste
professor em relação a esta metodologia que consiste em ensinar química através
de trabalhos escolares.
A estratégia não é nova, porém pude observar que os alunos ao realizar essa
tarefa acabam copiando textos pesquisados sem se quer lê-los para sua
compreensão e sem reelaborá-los.
É preciso assi nalar, no entanto que tal reprodução se deu devido à falta de
orientação por parte do professor. Sem a orientação necessária, percebi que o aluno
entende o trabalho escolar como uma pesquisa meramente formal para ser entregue
ao professor em troca de sua nota.
Assim, através do Programa de Desenvolvimento Educacional – PDE,
transformei essa problemática em objeto de estudo, onde me foi ofertado no primeiro
ano do programa cursos e atividades na modalidade presencial e à distância que me
proporcionaram subsídios teóricos – metodológicos na investigação dessa
problemática.
Foi muito importante no programa a implementação do Projeto na minha
escola de atuação, pois a execução desta ação foi fundamental na busca da
resposta para esta problemática.
A idéia principal do Projeto consiste em ensinar química através de fontes
bibliográficas, que é uma ação educativa apoiada no ensino com pesquisa com a
pretensão de transformá-la em uma alternativa didática com condições para que o
processo de aprendizagem se realize efetivamente.
Esta metodologia de ensinar, aprender e desenvolver o conteúdo químico
está voltada a aprendizagem significativa do aluno, especialmente quando se
trabalha com projetos.
Foi possível perceber durante a implementação do Projeto a dificuldade, hoje,
para os alunos, fazer um trabalho ou um resumo de um texto com as suas próprias
palavras, que traga, em seu relato, coerência e transmissão da idéia central do
assunto pesquisado.
A partir dos elementos observados até aqui temos claro que a finalidade do
professor deve ser determinante em relação aos métodos e processos de ensinoaprendizagem. Assim, a transmissão-assimilação do conhecimento passa a ser o
foco da construção do saber, portanto, o professor passa a ser o mediador do
processo, instrumentalizando e ensinando a dominar ferramentas que possam dar
suporte ao aluno e, de modo que os conteúdos possam se tornar assimiláveis.
Dessa forma a ação pedagógica para o professor e para o aluno passa
necessariamente pela relação que cada um estabelece com o próprio conhecimento.
A prática pedagógica de solicitar trabalhos escolares aos alunos tem sido
pouco efetiva no sentido de aprender à química, em função de eles estarem
despreparados para tal prática. Os próprios alunos reconhecem que não se sentem
suficientemente preparados para fazerem estes trabalhos, uma vez que o ensino de
química para eles é considerado extremamente teórico, abstrato, distante da vida
cotidiana e desestimulante, apesar de reconhecerem a importância do conhecimento
químico para a sociedade.
Este material foi desenvolvido por este pesquisador com o propósito de ajudar
os alunos a aprender química através da pesquisa em fontes bibliográficas, para tal
foi necessário diagnosticar os problemas existentes nesta prática de aprendizagem.
Existem diferentes formas de se construir o conhecimento, uma delas é a
pesquisa bibliográfica, que neste caso é o nosso objeto de estudo. Na nossa prática
profissional temos utilizado muito está metodologia, porém de forma equivocada. A
nossa proposta é realizar um estudo de forma coletiva sobre esta metodologia, de
forma que consigamos construir uma proposta fundamentada na realidade dos
nossos alunos. Todos nós queremos novas metodologias de ensino para nossas
práticas educativas, sabemos que tudo que é novo assusta, porém os nossos alunos
precisam estar motivados para aprender, e para isso precisamos estar preparados
para o uso das novas tecnologias. Com relação à leitura é imprescindível que os
nossos alunos adquiram o hábito de ler de tudo, pois é através dela que o nosso
projeto se concretizará.
O projeto que proponho pretende resgatar, refletir sobre o ensino da Química
através da pesquisa bibliográfica, em momento algum quando escrevi o projeto
pensei em responsabilizar nós professores pelos problemas de aprendizagem dos
nossos alunos. Entretanto, tenho comigo a opinião particular que nós professores
temos uma parcela de responsabilidade sobre isso. Isso me motiva a buscar novas
metodologias que me levem a minimizar esse problema. É preciso reconhecer que o
tempo para implementar a proposta foi pouco, mas acredito que nós professores
somos capazes de elaborar um planejamento para implementação deste projeto de
acordo com o nosso número de aulas, não podemos de deixar de realizar um
trabalho que acreditamos por causa da grade curricular.
Nestes tempos difíceis de ensinar, somos desafiados a criar novos métodos
de trabalho que motivem os nossos alunos a gostar de aprender Química. Temos a
missão de despertar o interesse de nossos alunos pelo conhecimento científico, e
para isso precisamos fazer mudanças na nossa forma de trabalhar. O meu objeto de
estudo proposto tem essa finalidade, e claro que a proposta não resolve
completamente os problemas de ensino-aprendizagem pelo qual todos passaram,
mas com certeza é uma contribuição de um educador que se preocupa com a
educação de nossos alunos.
Durante o ano de 2008 passei a compreender melhor as nossas práticas
educativas, quando se fala em buscar novos métodos de trabalho penso nos
professores das IES que falavam nisso o tempo todo. O uso das tecnologias é uma
inovação que não pode ser descartada, pois ela faz parte da vida de todos nós,
inclusive dos alunos que amam a tecnologias haja vista todos os aparelhos que
fazem parte do seu dia a dia. Acredito que, com este projeto, nós professores
possamos debater, com os alunos, os conteúdos do nosso plano de aula,
fundamentando-se através desse projeto.
A minha opinião é compartilhada com você, também percebo o desejo dos
nossos alunos por algo de novo no ensino de Química. As aulas experimentais é um
algo a mais nas as nossas aulas, mas não é suficiente, precisamos de algo que
motive o aluno a aprender Química com motivação e não por obrigação. A nossa
proposta visa à construção do conhecimento através da pesquisa bibliográfica,
dessa forma os alunos são lançados a interpretar, analisar e opinar sobre situações
do seu cotidiano, situando e percebendo as dimensões da interação da humanidade
com o meio.
Fundamentação Teórica
Para iniciar a discussão sobre a proposta de ensinar química através da
pesquisa no Ensino Médio, faz-se necessário considerar algumas questões mais
amplas que afetam diretamente os saberes relacionados a esse campo do
conhecimento.
Destaca-se que o conhecimento químico, assim como todos os demais, não
é algo pronto, acabado e inquestionável, mas em constante transformação.
Esse processo de elaboração e transformação do conhecimento ocorre a
partir das necessidades humanas, uma vez que a Ciência é construída pelos
homens e mulheres, falíveis e inseparáveis dos processos sociais, políticos e
econômicos. “A ciência já não é mais considerada objetiva nem neutra, mas
preparada e orientada por teorias e/ ou modelos que, por serem
construções humanas com propósitos explicativos e previstos, são
provisórios” (CHASSOT, 1995, p. 68).
O conhecimento químico desempenha um papel fundamental no cotidiano
das pessoas. De fato, é comum encontrarmos substâncias químicas presentes em
vários produtos de alimentação, saúde, higiene, transporte e etc., no nosso dia a dia.
Logo estudar química não só nos permite uma vida longa e confortável, mas
também compreender os fenômenos naturais que ocorrem no universo e no nosso
organismo.
Segundo Albert Einstein: “A ciência não tem sentido senão quando serve aos
interesses da humanidade.”
A concepção de ensinar e aprender Química atualmente têm sido uma prática
desmotivadora tanto para os alunos como para os professores em relação aos
encaminhamentos metodológicos observados em sala de aula.
É preciso que haja mudanças nesses encaminhamentos para que possamos
mudar a forma de ensinar os conteúdos de química para nossos alunos.
De acordo com Bernardelli (2004), muitas pessoas resistem ao estudo da
Química pela falta de um método que contextualize seus conteúdos. Muitos
estudantes do Ensino Médio têm dificuldade de relacioná-los em situações
cotidianas, pois ainda se espera deles a excessiva memorização de fórmulas e
tabelas.
O mesmo autor destaca que:
Devemos criar condições favoráveis e agradáveis para o ensino e
aprendizagem da disciplina, aproveitando, no primeiro momento, a vivência
dos alunos, os fatos do dia-a-dia, a tradição cultural e a mídia, buscando
com isso reconstruir os conhecimentos químicos para que o aluno possa
refazer a leitura do seu mundo (BERNARDELLI, 2004, p.2).
A minha experiência como professor em relação aos resultados obtidos com a
aprendizagem dos alunos com a utilização de metodologias mais tradicionais foram
pouco efetivas.
VASCONCELOS (1995, p. 21) afirma que o aluno recebe tudo pronto, não
problematiza, não é solicitado a fazer relação com aquilo que já conhece ou a
questionar a lógica interna do que está recebendo e acaba se acomodando. A
prática tradicional é caracterizada pelo ensino “blá-blá-blante”, salivante, sem
sentido para o educando, meramente transmissora, passiva, a-crítica, desvinculada
da realidade, contextuada.
Este artigo é um convite a uma reflexão sobre de que forma o “Aprender
química através da pesquisa em fontes bibliográficas”, pode contribuir para a
apropriação dos conteúdos escolares de química no Ensino Médio.
Segundo GIL (1991):
A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado,
constituído principalmente de livros e artigos cientifícos. Embora quase
todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há
pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas.
(GIL, 1991, p. 48).
A minha preocupação com a aprendizagem dos alunos do Ensino Médio em
Química, exige práticas pedagógicas em sala de aula inovadoras, isto é, o
conhecimento químico preconiza a renovação metodológica dos processos ensinoaprendizagem na articulação das funções de docência e pesquisa.
Dentre as iniciativas inovadoras do ponto de vista metodológico, podemos
citar a pesquisa em sala de aula, que poderá gerar bons resultados na aquisição do
conhecimento químico.
Essas inovações podem se constituir em ações que favoreçam as ligações
entre os conteúdos de várias disciplinas, que enfatizem os conceitos e habilidades
básicas que favoreçam a solução de problemas reais e que proponham trabalhos
sob orientação docente, desenvolvidos fora do espaço das disciplinas tradicionais.
Assim,
programas
de
atividade
extraclasse,
desenvolvimento
de
projetos
interdisciplinares e iniciação à pesquisa devem ser incentivados (KUENZER, 2005,
p. 156).
O ensino com pesquisa trabalha com a questão da reconstrução, que ocorre
entre a teoria e prática, somada com o conhecimento que o aluno já possui.
Segundo Demo (1997, p. 9) “a pesquisa busca na prática a renovação da teoria e na
teoria a renovação da prática”. Esta relação associa-se com o conhecimento mais
completo, construindo dessa forma um saber significativo. Ainda Demo (Demo,
1997, p. 64) afirma que o questionamento reconstrutivo “implica na capacidade de
escolha do material de leitura, interpretação pós-leitura e formulação própria.
Ninguém questiona aquilo que não compreende, muito menos emite um juízo de
valor sobre algo que lhe é estranho. É a partir disso que o aluno faz o exercício da
crítica e da reflexão, aprende a duvidar, perguntar, querer saber mais. Assim, tem
início à sua elaboração própria”.
É necessário que o professor tome consciência que repassar os
conhecimentos já produzidos historicamente aos alunos é um equívoco no processo
de ensino-aprendizagem, pois dessa forma segundo Demo (1997, p. 7): “o aluno
passa a ser um sujeito condenado a escutar, tomar notas, decorar, e fazer prova”.
No sentido exposto, a aprendizagem de química ocorre na medida em que
aprender não é memorizar fórmulas e conceitos sem compreendê-los. Modificar o
cotidiano de sala de aula tem sido o grande desafio para o professor que há
décadas vem desenvolvendo esta forma de trabalho citado anteriormente.
Segundo Almeida (2005), cabe ao professor promover o desenvolvimento de
atividades que provoquem o envolvimento e a livre participação do aluno, assim
como a interação que gera a co-autoria e a articulação entre informações e
conhecimentos, com vistas a construir novos conhecimentos que levem à
compreensão do mundo e a atuação crítica no contexto.
Para Behrens (2005), em parceria, professores e alunos precisam buscar um
processo de auto-organização para produzir conhecimento significativo e relevante...
... A exigência de tornar o aluno um competente produtor do seu próprio
conhecimento implica valorizar a reflexão, a ação, a curiosidade, o espírito crítico, a
incerteza, a provisoriedade, o questionamento e, para tanto, exige que o professor
reconstrua a prática conservadora que em desenvolvendo em sala de aula.
O professor deve incentivar o exercício da autonomia no processo da
aprendizagem, pois esta atitude ao ser requerida, estimulada e compreendida fará
com que o estudante tenha maiores êxitos na aquisição do conhecimento científico.
Portanto, ao considerar o estudante autônomo, é preciso compreender o
significado deste termo. A autonomia é a qualidade ou estado de autônomo.
Autônomo que se governa por leis próprias. (MICHAELS, 1998). Significa a
capacidade de cada cidade de se autogovernar, de elaborar seus preceitos e suas
leis, dos cidadãos decidirem o que fazer. É uma qualidade inerente à cidadania, que
expressa suas próprias idéias (PRETI, 2005). Ter autonomia significa decidir a
própria vida, sua linguagem e argumentação e o próprio agir. Infere-se daí a
necessidade da coerência entre o falar e o agir, entre a ação e o conhecimento
(MARTINS, 2005, p. 17).
Na relação pedagógica, autonomia significa reconhecer no outro sua
capacidade de ser, de participar, de ter o que oferecer, de decidir, uma vez que a
educação é um ato de liberdade e de participação.
Neste processo de aprendizagem a ênfase deve ser dada ao aluno. O aluno
passa a ser o sujeito principal na construção e apropriação do conhecimento,
apoiando-se na mediação desenvolvida entre o professor que deverá propiciar-lhe
suporte na aprendizagem mais autônoma e segura.
Os professores exercem papel fundamental neste processo, uma vez que seu
trabalho como orientador na construção do conhecimento através da pesquisa é
extremamente importante na condução dos trabalhos que serão realizados pelos
alunos durante a pesquisa em sala de aula.
Diante dessa situação, MASETTO (2001, p. 144) propõe que seja explicitado
como pode ser entendida a mediação pedagógica em sala de aula.
Por mediação pedagógica entendemos a atitude, comportamento, do
professor que se coloca como facilitador incentivador ou motivador da
aprendizagem, que se apresenta com a disposição de ser uma ponte entre
o aprendiz e sua aprendizagem não uma ponte estática, mas uma ponte
“rolante”, que ativamente colabora para que o aprendiz chegue aos seus
objetivos. É a forma de apresentar e tratar um conteúdo ou tema que ajuda
o aprendiz a coletar informações, relacioná-las, organizá-las, manipulá-las,
discuti-las e debatê-las com seus colegas, com o professor e com outras
pessoas (interaprendizagem), até chegar a produzir um conhecimento que
seja significativo para ele, conhecimento que se incorpore ao seu mundo
intelectual e vivencial, e que o ajude a compreender sua realidade humana
e social, e mesmo a interferir nela.
A mediação da aprendizagem, nessa perspectiva, põe em evidência o papel
de sujeito do aluno e fortalece o seu papel ativo nas atividades que lhes permitirão
aprender, bem como renova o papel do professor e permite a entrada de novos
métodos de aprendizagem em sala de aula.
É neste enfoque que este artigo foi escrito, ou seja, fazer com que os alunos
aprendam química através da metodologia da pesquisa, desenvolvendo desta forma
suas potencialidades em relação à construção do seu próprio conhecimento.
Segundo Bagno (1998):
Pesquisa é uma palavra que nos veio do espanhol. Este por sua vez
herdou-a do latim. Havia em latim o verbo perquiro, que significava
“procurar; buscar com cuidado; procurar por toda parte; informar-se; inquirir;
perguntar; indagar bem, aprofundar na busca”. O particípio passado desse
verbo latino era perquisitum. Por alguma lei da fonética histórica, o primeiro
R se transformou em S na passagem latim para o espanhol, dando o verbo
pesquisar que conhecemos hoje. Perceba que os significados desse verbo
em latim insistem na idéia de uma busca feita com cuidado e profundidade.
Nada a ver, portanto, com trabalhos superficiais, feitos só para “dar nota”.
A pesquisa escolar pode ser entendida como um processo racional e
sistemático, “[ . . . ] com método de pensamento reflexivo que requer um tratamento
científico e tem como objetivo buscar respostas aos problemas sugeridos.” Os
professores devem orientar e subsidiar todas as etapas para a realização da
pesquisa escolar, seguindo uma metodologia para um melhor resultado da atividade,
tais como: foco do tema a ser pesquisado (o que), objetivos que se pretende
alcançar com a atividade (para que), formas de busca, de elaboração e de
apresentação do trabalho (como), fontes, locais ou referências (onde) data de
entrega ou apresentação (quando). A pesquisa escolar
[ . . . ] é uma das atividades que possibilita aos alunos a captação, a
geração, a disseminação e a aplicação dos conheciementos adquiridos.
Para que isso ocorra, é necessário que as etapas de desenvolvimento
sejam orientadas pelo professor e seguidas pelos alunos e bibliotecários,
quanto à seleção do assunto, estratégias de busca e identificação das
fontes, planejamento do trabalho, seleção e coleta de informações,
organização das referências consultadas, organização dos registros para
apresentação do trabalho (oral ou escrito). (MORO; ESTABEL, 2004).
Desta maneira acreditamos que a utilização da abordagem da pesquisa em
sala de aula no ensino de química pode tornar o aprendizado desta disciplina, no
ensino médio, mais significativo para os alunos. A intenção de trabalhar os
conteúdos na forma de pesquisa se faz justamente pensando que o aluno se
envolva na experiência educativa construindo assim seus conhecimentos ligados as
suas histórias.
Segundo Freire (2002):
Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que – fazeres
se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando,
reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me
indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo
e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar
ou anunciar a novidade (Freire, 2002).
Para mim que sou um professor de sala aula tradicional, foi muito importante
conhecer melhor esta metodologia de ensino. Através dela consegui ver uma
infinidade de possibilidades de aprendizagem através das TICs, antes eu só
conseguia
ver
o
processo
de
ensino
aprendizagem
presencial,utilizando quadro negro, giz, livro, etc…
na
sala
de
aula
Hoje a minha visão de ensinar mudou completamente após meu contato com
as NTICs. Penso que utilizando os recursos tecnológicos no processo de ensino
aprendizagem os alunos aprendem muito mais, ficam mais motivados em aprender.
A introdução dessas tecnologias como instrumento de aprendizagem
despertou nos alunos um sentimento de colaboração e cooperação. Diante dessa
nova perspective o aprender ficou mais interessante e motivacional.
Ao se inserir na educação a aprendizagem mediada pelas NTICs, ou pela
Web, o professor mostra que está aberto as novas metodologias de aprendizagem,
caminhando dessa forma para a democratização da educação.
Ensinar os alunos da forma como aprendemos quando nós erámos alunos
deixou de ser suficiente para o cidadão que queremos formar para a sociedade do
futuro. Nós professores do século XXI, precisamos levar em conta as mudanças que
vêm transformando a sociedade e o mercado de trabalho.
Conclusão
Esta proposta foi desenvolvida dentro do Programa de Desenvolvimento da
Educação (PDE) da Secretaria do Estado da Educação do Paraná, um modelo de
programa de formação continuada que visa proporcionar ao professor o retorno às
atividades acadêmicas de sua área de formação inicial, no qual o professor da
educação básica em conjunto com seu orientador, dentre outras atividades, deve
elaborar um material didático para intervenção na realidade escolar.
Neste trabalho apresentamos uma proposta metodológica para o ensino de
química utilizando a abordagem por pesquisa em uma escola pública na cidade de
Antonina-PR.
De acordo com a análise prévia dos trabalhos apresentados, observou-se que
os alunos apresentaram uma série de dificuldades, entre elas destaca-se a busca
por fontes bibliográficas relativas ao tema do material didático.
Outro elemento importante constatado durante a realização da pesquisa foi o
trabalhado de modo cooperativo muito bem sucedido, lembrando que a disposição
das equipes foi de livre escolha, até mesmo com o intuito de se resolver os conflitos
que surgiriam entre eles durante o trabalho.
Algumas pesquisas realizadas foram para satisfazer o professor e cumprir
com o dever escolar, que é a pesquisa de copiar e colar de algum recurso
pesquisado.
Houve outras formas de pesquisa mais elaborada. São aquelas realizadas por
alunos com mais maturidade.
Além deste panorama, o que causa mais preocupação é a falta de leitura dos
alunos. Isso fica muito evidente nas referências bibliográficas apresentadas.
Vale ressaltar que é de suma importância orientar os alunos, antes da
realização da pesquisa bibliográfica.
Essa orientação tem que se dar em todos os lugares onde se fizer necessário
a busca de informações relativas ao tema, principalmente nas bibliotecas escolares,
que em minha opinião é onde se inicia as primeiras buscas de dados para
elaboração da pesquisa.
Cabe a biblioteca escolar incentivar o uso adequado de qualquer suporte de
informação, é preciso assinalar, no entanto que os alunos sentiram a ausência de
alguém na biblioteca que os orienta-se adequadamente, isso sem falar sobre o
acervo que atende-se às necessidades dos alunos que estavam pesquisando.
Diversos recursos foram utilizados pelos alunos na busca de informação para
a pesquisa, mas não há dúvida de que a internet foi a mais utilizada por eles.
Alguns dos trabalhos analisados são cópias de sites utilizados como fonte
para realização da pesquisa escolar.
Estes casos vêm mostrando uma preocupação por parte de alguns
professores, cansados de receber trabalhos escolares copiados da internet.
Eu particularmente conversei com eles e expliquei que copiar na íntegra
textos de fontes bibliográficas como se fossem deles é crime, que na verdade eles
até podem utilizar esses textos, mas com uma citação do seu trabalho, respeitando
o autor do texto.
No entanto, é preciso compreender que a minha proposta de intervenção
pedagógica é corrigir esses vícios encontrados nos trabalhos escolares de pesquisa.
O foco principal do estudo é orientar os alunos para o melhor
encaminhamento na produção do trabalho escolar com o objetivo de se formar um
pesquisador comprometido com o seu objeto de estudo.
Referências:
VyGOTSKI, L. – A formação social da mente. SP, Martins Fontes, 1987.
__________ . _ Pensamento e linguagem. SP, Martins Fontes, 1988.
VyGOTSKI, Leontiev, Luria. – Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. SP, Ícone,
1988.
Demo, Pedro. Educar pela pesquisa. Campinas, SP: Autores Associados, 2002a.
Maldaner, O. A. A formação inicial e continuada de professores de Química: professor
/ pesquisador. Ijuí: Editora Unijuí, 2000.
Bagno, Marcos. Pesquisa na escola. O que é como se faz. SP, Edições Loyola, 1998.
BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de l996.
BRASIL. Ministério da Educação e do Desporto. Conselho Nacional de Educação.
Resolução CEB/CNE nº. 3, de 26 de junho de 1998, que institui as Diretrizes
Curriculares Nacionais para o Ensino Médio.
Galiazzi, M. C. et al. Educar pela pesquisa: as resistências sinalizando…Curitiba, Editora
UFPR, 2003, 227 – 241.
PÉREZ – GOMES, A. I. A função e formação do professor/a no ensino para a
compreensão: diferentes perspectivas. In: SACRISTÁN, J. G.; PÉREZ – GOMES, A. I.
Compreender e transformar o ensino. 4. ed. Tradução de: Ernani F. da Fonseca Rosa.
Porto Alegre: Artmed.,1998.
PARANÁ,Secretaria de Estado da Educação- Diretrizes Curriculares de Química para a
Educação Básica. Curitiba,2006
PARANÁ,Secretaria de Estado da Educação – Livro Didático Público de Química/vários
autores. - Curitiba, 2006. – p. 248.
Download

john kennedy gaspar de abreu aprender química através da