RESUMO TÉCNICO
Outubro 2012
Saúde Positiva,
Dignidade e Prevenção:
Envolvimento das
Pessoas que Vivem
com o VIH na Prevenção
Quénia: Serviço Abrangente para Cuidados VIH
O que é Saúde Positiva, Dignidade e
Prevenção?
Os esforços de prevenção devem ter como
alvo grupos populacionais específicos e serem
adaptados às suas necessidades em particular.
Historicamente, os esforços para prevenção do
VIH tendem a centrar-se na redução do risco de
VIH entre pessoas VIH negativas ou de seroestado desconhecido, ignorando o papel específico
que as pessoas VIH positivas podem desempenhar
na prevenção. Ganhos significativos no tratamento
e cuidados para as pessoas que vivem com o VIH
(PVVIH) e a atenção e financiamento para o
tratamento ARV resultaram em grandes números
de pessoas a viverem mais tempo com o VIH.
Portanto, há um reconhecimento crescente
da urgente necessidade de formas efectivas
para envolver esta população nos esforços de
prevenção do VIH que sejam apropriados às
suas necessidades1,2. “Saúde positiva, dignidade e
prevenção” (PHDP) (alternativamente conhecida
como “prevenção com positivos” ou “prevenção
STRONGER HEALTH SYSTEMS. GREATER HEALTH IMPACT.
positiva”) envolve na prevenção as pessoas que vivem com
o VIH. Ela envolve o apoio às pessoas VIH positivas para
aprenderem e praticarem formas de vida saudável e minimiar
os riscos de passarem o vírus a terceiros3,4.
Os planificadores de programas estão a começar a reconhecer
que melhorar o acesso à prevenção e tratamento do VIH e
consciencialização sobre redução do risco entre PVVIH pode
ser tão eficaz quanto concentrar-se nas pessoas VIH negativas.
Embora não haja um consenso firme sobre aquilo que a
PHDP envolve, geralmente inclui actividades centradas em:
• Permitir que as pessoas VIH positivas estejam física
e mentalmente saudáveis através do foco na terapia
antirretroviral (TARV) e vida positiva5
• Prevenção de mais transmissão do VIH através: Revelação
precoce; uso correcto e consistente do preservativo pelos
casais sero-discordantes; TARV; prevenção da transmissão
vertical (PTV); e triagem e tratamento de infecções de
transmissão sexual (ITS)
• Um movimento crescente que reconhece o valor de
envolver as pessoas que vivem com o VIH nas actividades
de prevenção, liderança e advocacia4
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Considerando que o ATV beneficia grandemente as pessoas
VIH positivas, com apoio o ATV pode ajudar a recrutar as
pessoas VIH positivas para os esforços de prevenção do VIH.
Alguns programas de prevenção positiva focam-se em garantir
que as pessoas VIH positivas descubram o seu estado VIH e
revelem o seu estado aos parceiros.
Ter conhecimento do próprio estado possibilita um
comportamento preventivo, tal como seleção informada de
parceiros, práticas sexuais mais seguras e aumento do acesso
aos cuidados e tratamento.
Combate ao Estigma do VIH/SIDA na Etiópia
Testagem e Aconselhamento VIH: um
Ponto de Entrada para Acesso à Prevenção,
Tratamento e Cuidados para o VIH
Até recentemente, a testagem e aconselhamento para o VIH
(TAV) era equivocamente percebida como uma intervenção
para prevenção do VIH. No entanto, não existem motivos
convincentes que justifiquem a crença de que simplesmente
saber o próprio estado (a componente de testagem) esteja
propenso a assumir uma prevenção positiva como resultado.
Os sucessos atribuídos ao ATV podem dever-se
maioritariamente à eficácia do aconselhamento baseado em
habilidades para a prevenção e não no teste VIH por si só6.
Na ausência de um processo de aconselhamento significativo,
o ATV pode consideravelmente comportar um risco para
as pessoas que tenham resultados negativos para o VIH e
pressuponham que não sejam vulneráveis7,8.
Alternativamente, o ATV deve ser visto como um ponto de
acesso para o tratamento VIH e para PHDP. Estudos indicam
que os benefícios preventivos do ATV são maiores para as
pessoas com resultados positivos no teste, considerando
que tendem a adoptar comportamentos de protecção que
reduzem o risco de transmissão do VIH a outras pessoas,
enquanto as pessoas seronegativas estão mais propensas a
continuarem a engajar-se em práticas sexuais não seguras
depois de um resultado negativo no teste VIH9.
Similarmente, outro estudo concluiu que as mulheres que
tiveram resultado positivo no teste VIH reportaram aumento
no uso do preservativo, enquanto as pessoas que tiveram
resultados negativos reportaram mais parceiros sexuais
concorrentes no último mês após o teste10. Há evidências que
sugerem que ter conhecimento de que se é VIH positivo não
garante o uso do preservativo; no entanto, num estudo, quase
metade das pessoas que estavam sob ou quase a iniciar TARV
reportaram ter tido sexo desprotegido recentemente11,12.
Evidências sugerem que aproximadamente 60% das pessoas
que vivem com o VIH não têm conhecimento do seu estado
e que portanto estão inadvertidamente a passar o vírus para
outras pessoas13.
STRONGER HEALTH SYSTEMS. GREATER HEALTH IMPACT.
O aconselhamento e testagem VIH para casais tiveram êxito
na redução do comportamento de risco e da transmissão do
VIH entre casais ou uniões de facto sero-discordantes14.
Estudos no Uganda descobriram que a revelação do VIH
apoiava a redução do risco e melhorava o comportamento
de busca de cuidados, testagem dos parceiros, ansiedade
reduzida, aumento da comunicação sexual e motivação para
planificação do futuro15.
Sero-discordância: o VIH ocorre com
frequência em relacionamentos estáveis
Historicamente, as mensagens sobre prevenção do VIH
tinham tendência a concentrar-se em comportamentos
sexuais considerados de alto risco, tais como envolver-se
com profissionais do sexo ou ter sexo casual sem protecção.
No entanto, vários estudos demonstraram que uma grande
proporção de infecções pelo VIH ocorre em relações estáveis,
devido quer à infecção prévia de um dos parceiros ou à
infidelidade. Dados recentes indicam que a maioria das novas
infecções pelo VIH ocorre entre casais VIH sero-discordantes
e que a revelação e uso do preservativo entre estes casais
continua baixo4. Poucos programas de prevenção do VIH têm
como alvo casais, descurando uma importante oportunidade
para prevenção do VIH. Esta necessidade torna-se mais
premente uma vez que as pessoas VIH positivas têm vidas
mais longas graças à TARV, aumentando assim o número de
pessoas em relações sero-discordantes.
Avaliações em países subsarianos de alta prevalência
descobriram que até metade de dois terços de pessoas
VIH positivas em relações estáveis tinham um parceiro
VIH negativo16,17,18.Em quase metade dos casos num
estudo, descobriu-se que a mulher era o parceiro infectado,
questionando a percepção comum de que só os homens é que
põem as suas parceiras em risco16.
Estudos sobre a concordância e discordância VIH entre casais
migrantes e não migrantes na zona rural da África do Sul em
2003 constataram que a direcção da disseminação do VIH
não era somente dos homens migrantes de regresso para as
suas parceiras, mas também das mulheres que permaneciam
em casa para os seus parceiros migrantes19.
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Os factores que influenciam a transmissão nas relações serodiscordantes incluem uma baixa percepção do risco e normas
sexuais que contribuem para baixas taxas de aconselhamento
e testagem VIH, resultando em grandes números de pessoas
sem conhecimento do seu estado VIH20,21. Para aqueles que
conhecem o seu estado VIH positivo, o medo do estigma e
discriminação pode prevenir ou adiar a revelação. Esta falta
de revelação, aliada a outras questões estruturais, tais como
custo e fraco acesso ao tratamento VIH e outros serviços de
saúde, pode adiar as pessoas VIH-positivas de iniciar a TARV,
levando a cargas virais mais altas19. Os casais coabitantes
muitas vezes têm taxas baixas de uso do preservativo e
continuar a ter coito sem protecção, apesar do conhecimento
do seu sero-estado18.
Assim, é extremamente importante considerar as
circunstâncias que colocam casais VIH discordantes em
maior risco de transmissão do VIH e de outras ITSs.
Evitar o acto sexual sem protecção e registar os parceiros
infectados pelo VIH na TARV nos casais sero-discordantes
são vistas como medidas complementares importantes
para prevenir a transmissão do VIH. Isto porque a
infectividade heterossexual nas pessoas que recebem uma
combinação eficaz de tratamento antirretroviral é baixa, uma
probabilidade de menos de 1 em 2.000 exposições de risco22.
Oferecer TARV às pessoas VIH positivas em relacionamentos
independentemente da sua contagem CD4 é uma medida
preventiva que funciona para os casais. (Vide o capítulo
abaixo sobre tratamento para prevenção).
O potencial conflito entre parceiros recentemente
diagnosticados discordantes tem que ser abordado e
deve incluir apoio contínuo para responder aos aspectos
subjacentes da discordância. “Os casais precisam de apoio,
independentemente de a relação sustentar-se ou não e,
os casais que optarem por continuar juntos precisam de
acesso a um repertório de estratégias para gerirem a sua
abordagem à intimidade sexual, enquanto minimizam o
risco de transmissão do VIH.”23
Sexualidade e Prevenção: Aumento dos
Comportamentos Protectores
Um estudo recente no Uganda constatou que a maioria
das PVVIH tinha feito mudanças no seu comportamento
sexual para reduzir o risco de transmissão do VIH. O que
está primariamente associado ao uso do preservativo (com
as pessoas VIH positivas sendo três vezes mais propensas a
usarem o preservativo do que as pessoas VIH negativas ou
que não conheciam o seu estado), Embora uma proporção
bastante alta de PVVIH, especialmente mulheres com idades
entre 30-49, não tinha tido relações sexuais no ano anterior.
A abstinência parece ser um fenómeno bastante disseminado
entre PVVIH, que tenha o objectivo de estratégia de
prevenção ou não23.
STRONGER HEALTH SYSTEMS. GREATER HEALTH IMPACT.
Portanto, a comunicação sobre PHDP deve abordar a
sexualidade em relação à abstinência, além de outros aspectos
da sexualidade.
O estudo Ugandês descobriu alguma incerteza sobre os
riscos de re-infecção de um parceiro positivo, ou os riscos de
transmissão no contexto da TARV. Em algumas partes do
mundo, as PVVIH usaram a estratégia de “sero-selecção” –
preferindo ter um parceiro que também fosse VIH positivo.
O que aparenta não ser o caso entre os casais heterossexuais
Sul-africanos24 e provavelmente não será verdade para
outras populações na SADC. Embora o sexo sem protecção
entre duas pessoas VIH positivas não comporte o risco de
transmissão do VIH, existem implicações para a saúde, de
notar a recombinação de vírus e vírus resistente, e superinfecção25.
Apesar do baixo risco de transmissão entre pessoas com uma
carga viral indetectável, os preservativos e lubrificantes devem
continuar a ser promovidos dada a sua eficácia.
O que é particularmente importante nos contextos onde
o acesso ao tratamento é fraco. Um estudo sistemático da
Organização Mundial da Saúde (OMS) descobriu que o uso
consistente do preservativo por homens que mantêm relações
sexuais com homens corta o risco de transmissão do VIH em
64% e o risco de aquisição de uma ITS em 42%26. Discutir os
benefícios do uso do preservativo para a prevenção de ITS foi
recomendado como uma estratégia para promoção do uso do
preservativo entre pessoas VIH positivas27.
Tratamento Antirretroviral Um Avanço
para a Prevenção
Uma área emergente que requer mais atenção nos
programas de prevenção positiva é a terapia antirretroviral
para a prevenção. Estudos observacionais sugerem que a
terapia antirretroviral reduz a transmissão sexual do VIH
nas epidemias generalizadas.28 A TARV reduz o ácido
ribonucleico (RNA) do VIH-1 no plasma, reduzindo a
infecciosidade das PVVIH em tratamento, além de reduzir
em 80-92% o risco de transmissão da tuberculose. 29,30,39
Estudos em casais sero-discordantes constataram que se o
vírus tiver sido indetectável durante seis meses, não há risco
de transmissão do VIH desde que o parceiro infectado adira
estritamente ao seu regime TARV e esteja livre de ITSs31.
Dado o sucesso assombroso do estudo 052 da Rede de Testes
para Prevenção do VIH (HPTN), que constatou que a
terapia antirretroviral altamente activa (HPTN) imediata
reduziu a transmissão aos parceiros seronegativos em 96%32,
além de outros estudos, existem evidências conclusivas de
que o tratamento previne a morbilidade, mortalidade e
transmissão do VIH e da tuberculose30.
Também há evidências de que estar em tratamento
aumento o comportamento de prevenção do VIH24.Apesar
de receios inicias de que a TARV levaria ao aumento do
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lactentes nascidos de mães com o VIH em África correm um
risco elevado de adquirir o VIH35. A PTV é uma intervenção
crucial para as mães e futuras mães VIH positivas. Estudos
descobriram que entre as mulheres VIH positivas existe uma
necessidade não atendida na área de planeamento familiar.
A integração do planeamento familiar e dos serviços VIH
nos níveis da política, sistemas e prestação de serviço é
uma prioridade crucial para os Estados Membro da SADC
uma vez que ajudaria as PVVIH a aumentarem o uso de
contraceptivos, reduzir as gravidezes indesejadas e planificar
gravidezes seguras.
comportamento de risco (desinibição comportamental)
estudos em vários países africanos demonstraram que as
PVVIH tendiam a tornar-se mais cuidadosas depois de
começarem o tratamento. O que pode ser por a prestação do
serviço TARV também apresentar uma oportunidade para
redução do risco comportamental (quando acompanhado por
aconselhamento direccionado para a prevenção e distribuição
de preservativos). Constatou-se que enfatizar os benefícios
do tratamento para prevenção da transmissão era um ponto
de discussão útil para os clínicos encorajarem os utentes a
iniciarem a TARV33.
Encorajar as pessoas VIH positivas a considerarem o início da
TARV como forma de alcançar uma carga viral indetectável
é uma importante inovação na PHDP. No entanto,
existem poucas evidências de que os efeitos da TARV para
prevenção do VIH tenham sido largamente promovidos ou
comunicados na África Subsariana, talvez devido ao receio de
uma potencial descida nos comportamentos de redução do
risco do VIH. Nos Estados Unidos, os programas almejam
ter todas as PVVIH em TARV, independentemente da sua
contagem CD4, foram criticados de enganar as PVVIH ao
não explicar na totallidade a justificação da prevenção58.
Prevenção da Transmissão Vertical: uma
Intervenção Crucial para as Mulheres e
Lactentes
O desejo de conceber nas pessoas com o VIH é uma área
importante a abordar. Um estudo recente no Quénia discutiu
que a intenção de conceber pode estar a contribuir para
a epidemia nos casais VIH discordantes34. Outro estudo
descobriu que um terço das mulheres que foram inquiridas
engravidou depois de descobrir que era VIH positiva e que
metade das jovens VIH positivas não estavam a usar nenhuma
forma de contracepção23. O foco na tomada de decisões
reprodutivas nos casais onde um ou os dois parceiros são VIH
positivos e que possa guiá-los ao levarem em conta a carga
viral, é importante em qualquer programa voltado para a
prevenção do VIH nos casais.
Apesar de existir a tecnologia para redução da TV para menos
de 2%, continua a haver problemas que impedem o sucesso
dos esforços de PTV.
Por exemplo, entre 2005 e 2009, somente 56% das mulheres
grávidas na África do Sul receberam cuidados pré-natais pelo
menos quatro vezes durante a gravidez36. O acesso regular
das mulheres grávidas e adesão à TARV continuam a ser uma
preocupação. A revelação do próprio estado VIH continua a
ser um problema entre os casais, portanto uma mulher pode
não cumprir totalmente com a TARV se ela estiver a tentar
esconder os medicamentos do parceiro.
Apesar destes desafios, na última década foram alcançados
progressos significativos na prevenção da transmissão vertical.
Na região da África Austral, o Botswana, Namíbia, África do
Sul e Suazilândia alcançaram mais de 80% de cobertura com
a profilaxia antirretroviral para prevenção da transmissão
vertical (ONUSIDA 2010). O Malawi e o Uganda deram um
forte exemplo ao adoptar a mais recente estratégia da OMS
para PTV, a “Opção B+” que garante que todas as mulheres
grávidas VIH positivas recebam TARV para toda a sua
vida37. Sete outros países na África Subsariana têm níveis de
cobertura de 50% a 80%. A África subsariana como um todo
alcançou uma cobertura de 54%36.
Melhoria do Diagnóstico e Tratamento de
Infecções de Transmissão Sexual
De acordo com um estudo, a não adesão à TARV foi associada
a práticas sexuais inseguras continuadas entre PVVIH, com
até um terço das PVVIH tendo contraído novas ITSs após o
diagnóstivo VIH38. O diagnóstico efectivo e tratamento de
ITSs para as pessoas que vivem com o VIH e seus parceiros,
também é uma parte importante da PHDP, dado que ter uma
ITS aumenta o risco de transmissão e aquisição do VIH e está
associado ao aumento da carga viral nas secreções genitais.
A presença de uma ITS, tal como herpes genital ou sífilis,
aumenta o risco de esta pessoa transmitir o vírus se ela for
VIH positiva ou de ficar infectada pelo VIH se ela for VIH
negativa39,40. Uma vez que a maioria das ITSs permanece
assintomática, a triagem regular e apropriada das ITS é uma
estratégia essencial para limitar o risco de transmissão das
PVVIH. A prevenção da gravidez indesejada e da transmissão vertical
(PTV) são chave na prevenção positiva, uma vez que os
STRONGER HEALTH SYSTEMS. GREATER HEALTH IMPACT.
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em geral45. Responder às necessidades de saúde mental e
psicossociais das PVVIH é outra forma de fortalecer as
intervenções de prevenção e a adesão ao tratamento46.
Foco nas Necessidades Particulares dos
Jovens que Vivem com o VIH
Aproximadamente dois milhões de adolescentes estão a viver
com o VIH, a maioria desconhecendo o seu estado VIH12.
Dados de estudos recentes demonstram que somente 15%
das jovens com idades entre os 15-24 anos e 10% dos jovens
na África Subsariana fizeram o teste e conhecem o seu estado
VIH47, evidenciando que a maioria dos jovens VIH positivos
ainda não está a ser abrangida pelos esforços de PHDP.
Os jovens que vivem com o VIH enfrentam dificuldades
similares em torno da prevenção do VIH e manejo da
potencial discordância entre parceiros como jovens que
são VIH negativos. A revelação pode ser uma questão
particularmente sensível para os jovens. No Botswana foi dito
aos jovens para guardarem silêncio sobre o seu estado48.
Resposta à Dependência do Álcool
Vários estudos demonstraram que os homens e pessoas
desempregadas que vivem com o VIH têm altos níveis de
dependência do álcool (e outras dependências químicas)
comparando à população em geral41. O que pode dever-se
ao estigma e consequências psicossociais de estar infectado.
Dado que a dependência do álcool aumenta o risco de
transmissão do VIH, é importante abordá-la uma vez que
é provável que seja um problema significativo encontrado
na promoção da prevenção positiva entre homens e pessoas
desempregadas. As mensagens de prevenção do VIH que são
adaptadas para os homens VIH positivos devem questionar as
crenças e expectativas de que o consumo do álcool aumente o
prazer e o desempenho sexual42.
Consideração das Necessidades
Psicossociais das PVVIH
As consequências de estar infectado pelo VIH sobre a saúde
mental frequentemente não são reconhecidas. Ambientes
com falta de apoio caracterizados por actos de estigma,
discriminação, medo irracional e atitudes preconceituosas
levam à marginalização das PVVIH43. O impacto da saúde
mental sobre os comportamentos de busca de saúde e não
revelação devem ser levados em consideração na concepção
de programas eficazes de PHDP que ajudem as pessoas a
adaptarem-se à vida com o VIH44.
Constatou-se que a depressão, ansiedade, distúrbio de stress
pós-traumático, falta de confiança no sistema de cuidados
de saúde e no governo, e experiências de estigma são mais
comuns entre pessoas VIH positivas comparando à população
STRONGER HEALTH SYSTEMS. GREATER HEALTH IMPACT.
As estratégias de PHDP enfrentam o desafio de influenciar
aos mais jovens, dada a percepção de que o VIH entre os
jovens agravou-se, com mais novas infecções atribuídas ao
senso de irresponsabilidade perante terceiros, comportamento
de risco e normalização da vida com o VIH devido a melhores
opções de tratamento e cuidados23. Também é necessário
envolver aos adultos VIH positivos nos programas de
prevenção do VIH que respondam à vulnerabilidade dos
jovens, por exemplo, PVVIH mais velhas em relações com
grande diferença de idades.
Uma proporção significativa de jovens que vivem com o
VIH pode ter adquirido o VIH perinatalmente. O que
apresenta uma oportunidade de prevenção única, dados os
desafios particulares que surgem à medida que uma geração
de crianças que adquiriram o VIH à nascença chegam à
adolescência. Algumas crianças carecem de compreensão
sobre o seus estado VIH em consequência de os seus
cuidadores não estarem dispostos a informá-las sobre o seu
estado49. Outra preocupação foi evidenciada num estudo
no Uganda que constatou que as crianças não se viam como
VIH positivas, mas sim como “inocentes” e que a maioria não
tinha revelado ao seu parceiro50. As PVVIH jovens podem
ser marginalizadas e menos capazes de se envolverem na
prevenção da transmissão do VIH nos relacionamentos.
A maior probabilidade de problemas de saúde mental, tal
como mencionado acima também afectaria as relações, adesão
e necessidades de prevenção das PVVIH jovens. O acesso à
TARV também é um factor, dada a capacidade da TARV para
funcionar como um método de prevenção. Actualmente, 54%
das crianças VIH positivas na África do Sul que necessitam de
TARV estão a recebê-la51. O que é ainda mais exacerbado pela
desnutrição, sendo 50% das crianças nos programas TARV
africanos desnutridas52.
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Ainda temos que acumular evidências de prevenção positiva
a nível programático. Um estudo no Uganda constatou
que embora a consciência da prevenção positiva (incluindo
sexo seguro, redução de parceiros, re-infecção e adesão) seja
elevada, não está clara como é que mensagens de PHDP
eram consistentemente passadas e se o conhecimento era
sustentado. Embora ainda persista o estigma, eles também
constataram que as PVVIH conseguiam lidar melhor com
ele devido às actividades de PHDP, incluindo grupos de
apoio, que estão a ser realizadas por diferentes provedores de
serviços 23.
Recomendações
Advocacia para Saúde Positiva, Dignidade e
Prevenção
Considerando que os programas de apoio para o VIH e a
SIDA provavelmente contribuem para a prevenção do VIH,
os países precisam de políticas que apoiem especificamente
as intervenções de prevenção positiva e de envidar esforços
concertados para envolver as organizações de apoio ao VIH
no desenvolvimento de um movimento em torno da PHDP.
O que exige que as PVVIH estejam cientes do conceito
de prevenção positiva e demonstrem atitudes que sejam
condutivas às práticas desejadas associadas à mudança de
comportamento23.
A liderança por pessoas que vivem com o VIH é crucial nos
esforços de PHDP, tal como a resposta ao VIH e à SIDA
no geral53. Uma avaliação no Botswana descobriu que estes
envolvimentos devem ser considerados uma “condição
essencial” para qualquer resposta ao VIH, mas que as
comunidades não estão a ser efectivamente apoiadas e os
contextos socio-culturais associados aos comportamentos
de prevenção e determinantes subjacentes estavam a ser
descuradas2. O quadro para “Saúde Positiva, Dignidade
e Prevenção, desenvolvido pela Rede Global de Pessoas a
Viver com o VIH (GNP+) e a ONUSIDA” oferece maior
promessa de envolvimento de pessoas que vivem com o
VIH1. O movimento está a tentar advogar um movimento
“oposto a tratar as pessoas com o VIH como alvos passivos
de mensagens de prevenção e passar a reconhecê-las como
participantes activos na resposta global ao VIH”54.
Na África Austral estão activas redes nacionais de pessoas
VIH positivas e tiveram êxito na promoção da PHDP no
campo. As suas actividades de advocacia garantiram com
firmeza um lugar para a prevenção positiva e protecção dos
direitos humanos nas agendas de prevenção a alto nível.
Por exemplo, a Campanha de Acção para Tratamento é uma
história de sucesso considerável na advocacia dos direitos e
necessidades das pessoas VIH positivas, especialmente com
relação à TARV14,55.
STRONGER HEALTH SYSTEMS. GREATER HEALTH IMPACT.
• A inclusão das PVVIH nos programas de prevenção
emergiu como um aspecto crucial da estratégia para o VIH.
Estratégias voltadas a envolver as PVVIH na prevenção
requerem fortalecimento continuado. A PHDP precisa ser
expandida, com enfoque no papel de apoio das mulheres
VIH positivas na prevenção do VIH e formação de mais
redes (e redes mais visíveis) de pessoas VIH positivas dentro
da região da SADC.
• É necessária orientação contínua para as PVVIH sobre
como gerir is riscos de transmissão do VIH, incluindo
re-infecção. Os decisores devem promover o conceito
de PHDP na mobilização da prevenção positiva,
incluindo PTV, adesão à TARV e redução do risco sexual.
Actualmente, a promoção do ATV tende a não ir além da
promoção da testagem. Deve-se estabelecer a fundação
para PHDP e o público deve ser educado sobre como lidar
com a infecção do VIH mesmo antes de as pessoas serem
testadas.
• As intervenções devem combinar mensagens sobre
revelação, comunicação entre parceiros, planeamento
familiar, tratamento e os benefícios da adesão, triagem de
ITS e serviços de saúde mental.
• O conceito de PHDP deve ser usado para promover a saúde
holística e bem-estar, e igualdade no acesso aos serviços
de cuidados de saúde, incluindo apoio psicossocial. As
mensagens que caracterizam o VIH como uma doença
crónica continuam a ser importantes ao desafiar o estigma
e promover atitudes que são condutivas à boa saúde. As
políticas devem encorajar a aceitação da TARV para todas
as PVVIH com contagens CD4 de 350 células/mm3 ou
menos como um mínimo. Também devem ser procuradas
combinações de dose fixa para poder melhorar a adesão.
Também são necessárias estratégias de PHDP com um foco
específico nos jovens que vivem com o VIH.
• Os gestores de programas, decisores e pessoas que vivem
com o VIH devem advogar um foco programático nacional
e estratégia sobre “prevenção positiva”, que inclui ênfase
sobre a tomada de decisões de saúde reprodutiva para
as pessoas com o VIH. Devem ser formados sectores de
PVVIH nos Conselhos Nacionais para a SIDA, onde
estejam actualmente em falta.
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Referências
O Quadro de Saúde Positiva, Dignidade e
Prevenção desenvolvido pela Rede Global
de Pessoas que Vivem com o VIH (GNP+) e
a ONUSIDA recomendou que as seguintes
componentes sejam incluídas nos Programas
de PHDP:
Prevenção de novas infecções
Acesso e disponibilidade de ferramentas
e tecnologias que ajudam a prevenir a
transmissão sexual do VIH:
• Preservativos masculinos e femininos e lubrificantes
à base de água
• Circuncisão masculina
• Terapia Antirretroviral
• Profilaxia pós-exposição
• Novas tecnologias de prevenção, tais como profilaxia
pré-exposição e microbicidas, à medida e quando
ficarem disponíveis
Acesso e disponibilidade de serviços que
ajudam a prevenir a transmissão vertical:
• Prevenção primária da infecção pelo VIH entre
mulheres em idade reprodutiva
• Prevenção de gravidezes indesejadas entre as
mulheres que vivem com o VIH
• Prevenção da transmissão do VIH de uma mulher
que vive com o VIH para o seu lactente, incluindo
informação e apoio para amamentação
• Provisão de tratamento, cuidados e apoio apropriado
para as mulheres que vivem com o VIH e seus filhos
e famílias
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Esta publicação foi possível graças ao generoso apoio da Agência
Norte-americana para o Desenvolvimento Internacional
(USAID) sob o Acordo de Cooperação Líder com Associados
GPO-00-A-05-00024-00. Os conteúdos são da responsabilidade
do Projecto de Capacitação Local para Prestação de Serviços
VIH na África Austral e não reflectem necessariamente as
opiniões da USAID nem do Governo dos Estados Unidos.
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