Ministério da Justiça Comissão Nacional de Política Indigenista 24ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA COMISSÃO NACIONAL DE POLÍTICA INDIGENISTA CNPI Data: 31 de julho e 01 de agosto de 2014. Local: Centro de Formação e Política Indigenista da Funai Sobradinho/Brasília/DF 24ª REUNIÃO ORDINÁRIA DA COMISSÃO NACIONAL DE POLÍTICA INDIGENISTA-CNPI A 24ª Reunião Ordinária da Comissão Nacional de Política Indigenista - CNPI foi antecedida por reuniões, em separado, da bancada indígena e indigenista, bem como da bancada governamental. A plenária Geral iniciou no dia 31 de julho/14 se estendendo até as 19h do dia 01 de agosto/14. Estiveram presentes na 24ª Reunião Ordinária da CNPI: - Representantes governamentais: Maria Augusta B. Assirati–Presidente da CNPI; Marcelo Veiga e Maria Eduarda Cintra–MJ; Elmir Flach–Secretária-Geral da PR; Juliano Pimentel Duarte–CC/PR; Cel. Jean J. Arantes Martins–Ministério da Defesa; Bianca Coelho Moura e Marcos Pádua–Ministério da Saúde/SESAI; Luiz Fernando Machado de Souza–Ministério do Desenvolvimento Agrário; Larisa Ho Bech Gaivizzo–Ministério do Meio Ambiente; Olga Novion-Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão e Carlos Rafael da Silva-MEC. - Representantes indígenas: Rosa da Silva Sousa–Pitaguary/CE; Francisca Navantino-Pareci/MT; Lourenço Borges Milhomem–Krikati/MA; Marcos Luidson de Araújo–Xukuru/PE; Lindomar Santos Rodrigues– Xocó/AL; Luiz Vieira Titiah–Pataxó HãHãHãe/BA; José Ciríaco Sobrinho–Capitão Potiguara/PB; Brasílio Priprá– Xokleng/SC; Ak”Jabor Kayapó/PA; Dilson Ingaraicó/RR; Kohalue Karajá/TO; Elcio Manchineri/AC e Valcélio Figueiredo-Terena/MS - Representantes da sociedade civil/ONGs Indigenistas: Saulo Ferreira Feitosa/CIMI e Daniel Pierri/CTI; - Assessor da Bancada Indígena: Paulino Montejo - Convidados Especiais: Pedro Saldanha – MRE/Itamaraty e Daniel Avelino – SNAS/Secretaria Geral da Presidência da República. - Demais Pessoas Presentes: Sonia Bone Guajajara – COIAB; Lindomar Ferreira – APIB/DF; Marcos Sabarú-APOINME; Rosane de Mattos – ARPINSUL; Rodrigo Augusto Medeiros – MMA; Rafael A. Marshal – SESAI; Daniel Castro e Déborah Castor – MINC; Elcio Filho Manchineri; Rodrigo F. dos Santos; Suelem Patrícia; Eduardo Moura; Marcelo de Jesus Brandão; Francisco E. M. de Vasconcelos, Rafael Wedero’o’wa; Jucelino P. Pinto; Salma Juliana P. Lúcio e Maiuriká Kamaiurá - Funai: Lucia Alberta de Oliveira; Patricia Chagas Nunes; Lorena R. Soares; Kamila Pacheco; João Guilherme; Nina Paiva Almeida; Julio Araújo; Antonio Pereira Lima; Mario Vilela; Gustavo Vieira Peixoto Cruz; Bruna Seixas Kamila Pacheco; Evangelista da Silva Apurinã e Luiz Fernandes de Oliveira Neto-Coord. Regional Funai do Médio Purus/AM. - Secretaria-Executiva: Teresinha Gasparin Maglia-MJ; Gracioneide Maria Rodrigues-MJ e Samira S. Carvalho SousaFUNAI. - Relatoria – FUNAI: Kaio Kepler de Araújo, Karla Carvalho e Lorena R. Soares. Dia 31 de julho/14 – turno matutino Maria Augusta Assirati - Presidente: Pessoal, bom dia a todas e todos. Estamos abrindo a nossa plenária da 24ª reunião do CNPI. Bem-vindas e bem-vindos. Como a gente tinha combinado o nosso primeiro ponto de pauta hoje será a Conferência Internacional dos Povos Indígenas da ONU. E estamos aqui com nosso companheiro representante do MRE que vai explicar, tratar um pouco desse assunto e depois a gente abre para perguntas, um debate, enfim. E temos um tempo relativamente preciso digamos assim, para tratar do assunto. Porque o representante do MRE tem outra agenda. É isso? Quanto tempo a gente tem para fazer a discussão? Pedro Saldanha/MRE: Se a gente pudesse terminar até as 10h, 10:15h, seria o ideal para mim. Maria Augusta Assirati - Presidente: Está ótimo. Temos até umas 10h, 10:15h para fazer o debate e depois nós passamos para o segundo ponto. Só para nós pactuarmos um pouquinho a nossa pauta de hoje, nós tivemos que fazer alguns ajustes no que a gente tinha combinado no período agora da manhã, porque eu fui convocada para uma reunião as 15 horas no Ministério da Justiça. Então a tarde eu vou ter que me ausentar. Então a gente pensou em fazer da seguinte forma a pauta, eu só queria acordar com todo mundo. Trataríamos esse ponto da conferência da ONU. Teríamos um rápido momento para discussão que ficou pendente na última reunião sobre o turismo inter indígena, o processo informativo e consultivo sobre a instrução normativa da FUNAI, trataríamos rapidamente da questão do acesso à documentação, que foi um ponto que ontem foi levantado e demandado, sobretudo, pela bancada indígena. Paramos para almoço e a tarde vamos ter Secretaria Geral presente aqui conversando sobre a nossa Conferência Nacional. E depois ficamos todo o período da tarde tratando sobre a conferência. Então apresentação da SG e a nossa discussão sobre a Conferência Nacional. Temos acordo em relação a esse formato da reunião? Então eu vou passar a palavra aqui para o nosso companheiro. Obrigada. Pedro Saldanha/MRE: Muito bom dia a todos e a todas. Presidente Maria Augusta Assirati, eu queria agradecer antes de mais nada o convite ao Ministério das Relações Exteriores para participar dessa reunião da CNPI. Meu nome é Pedro Saldanha. Eu sou chefe da Divisão de Direitos Humanos do Ministério das Relações Exteriores. E a idéia aqui é conversar um pouquinho sobre a próxima Conferência Mundial dos Povos Indígenas das Nações Unidas que vai se realizar no dia 22 e 23 de setembro em Nova York. E antes de começar também eu queria pedir desculpas por ter que sair um pouquinho rápido, mas surgiu uma reunião também as 11 horas no Itamaraty e enfim, não vou poder me atrasar. Pois bem, sobre a Conferência, a Conferência foi idealizada para marcar o término da segunda década internacional dos povos indígenas e vai ser feita sob o formato de uma Assembléia Geral das Nações Unidas. A Assembléia Geral das Nações Unidas é o órgão máximo da ONU. É uma conferência muitíssimo importante para o Governo Brasileiro, porque nós entendemos que é uma oportunidade de promover a implementação da declaração internacional dos direitos dos povos indígenas de 2007. Por ser tratar do órgão máximo das Nações Unidas vai ser um momento em que essa declaração vai ter um novo respaldo político importante. E, além disso, vai representar também uma oportunidade para que alguns elementos para a implementação da declaração sejam definidos. E para idealizar também estratégias, que a declaração de 2007 seja efetivamente implementada. O Ministério das Relações Exteriores vem realizando reuniões de coordenação preparatória para essa conferência com outros órgãos de Governo, com a FUNAI, Ministério da Justiça, Ministério da Defesa, Saúde, Educação, enfim, vários órgãos envolvidos. E também já foram realizadas até agora e também em Nova York, rodadas de negociação do documento final da conferência. Nas reuniões internas nossas de Governo a gente está avaliando os meios pelos quais a gente vai promover a participação de representantes dos povos indígenas na delegação brasileira, isso é uma intenção do Governo. Faltam só em relação a esse ponto definir alguns critérios e alguns ajustes para que isso possa ser comunicado formalmente. Mas, além disso, o Governo dá importância também a participação dos representantes dos povos indígenas de forma autônoma, seja por meio de ONGs, enfim, por outros meios pelos quais eles possam se fazer representar na conferência. Pois bem, agora passando especificamente para o documento final que vai ser aprovado em Nova York. A posição do Governo Brasileiro é de que esse documento, enfim, as propostas que nós defendemos para que sejam incorporadas nesse documento sejam guiadas por 4 outros instrumentos, documentos muito importantes, que são: a nossa Constituição de 88, a própria declaração sobre os direitos dos povos indígenas de 2007, a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho sobre os diretos dos povos indígenas também e a Convenção sobre diversidade biológica. Esses dois últimos documentos são tratados internacionais, já ratificados pelo Governo Brasileiro e, portanto, são as nossas guias que nós devemos seguir, porque ali tem, já estão reconhecidos direitos importantes que a gente não pode deixar passar no documento final da Conferência de Nova York. E na negociação do documento o Brasil tem defendido 6 pontos principais que eu vou procurar resumir para vocês agora. Em primeiro lugar o Brasil entende que o documento final da conferência precisa ser um documento equilibrado. E o que eu quero dizer com equilibrado? Ele ao mesmo tempo tem que prever e preservar e desenvolver formas para garantir a autonomia dos povos indígenas na gestão dos seus assuntos locais sem desconsiderar por outro lado a preservação da integridade territorial dos países e a soberania dos Estados. Esse é o primeiro ponto importante para a gente. O segundo ponto é que nós defendemos a ampliação do fórum permanente sobre questões indígenas da ONU. É um órgão permanente da ONU que se reúne com frequência. E a nossa proposta é de que esse fórum passe a contar com 20 membros. Sendo que a metade deles, hoje ele conta com 16, nós queremos que passe a contar com 20. Sendo que a metade desses membros seja representante dos povos indígenas. E pela nossa proposta essas vagas seriam divididas por regiões geográficas. E a nossa idéia é de que a América Latina e Caribe contem com duas vagas, assim como outras regiões com maior concentração de povos indígenas que são a África e a Ásia. As demais regiões contariam com um representante cada uma, que seriam um da América do Norte, uma do Ártico, uma do Pacífico e um representante de Europa Oriental, Rússia, Ásia Central e Transcaucásia. Então pela nossa proposta seriam esses os representantes nesse fórum permanente ampliado sobre questões indígenas. O terceiro ponto que nós temos ressaltado nas negociações é a importância de fortalecer a cooperação entre os países e as organizações regionais na promoção e proteção dos direitos dos povos indígenas. Como tenho ouvido, por exemplo, no âmbito do Tratado de Cooperação Amazônica ao TCA. Aliás, eu queria só fazer um parêntese nesse fim de semana inclusive, começando na quinta e indo até domingo vai acontecer em Cochabamba na Bolívia uma reunião importante da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, também preparatória para essa Conferência de Nova York. E nós temos representantes do Governo lá, inclusive teve um colega meu, Marco Túlio Cabral que normalmente acompanha as questões aqui da CNPI. Ele não pode vir hoje porque está embarcando para Cochabamba. E também essa reunião vai contar com representantes de povos indígenas para discutir a declaração final da Conferência de Nova York. O quarto ponto ressaltado pelo Governo Brasileiro nas negociações é a necessidade de estabelecimento de mecanismos de consulta aos povos indígenas. Consultas prévias à implementação de políticas públicas que afetem de alguma forma os povos indígenas. E o Governo tem defendido também a criação de mecanismos de reparação de eventuais danos e também de repartição de benefícios no caso de projetos de exploração mineral em terras indígenas. O quinto ponto que nós temos defendido é a implementação de mecanismo de consentimento prévio informado dos povos indígenas para repartição de benefícios aplicáveis de uso comercial de recursos genéticos oriundos das terras indígenas e também de uso comercial, de conhecimentos tradicionais dos povos indígenas. E finalmente, o Brasil tem defendido que a Conferência de Nova York, que o documento final preveja critérios claros para definição da presença de forças militares em terras indígenas, sempre assegurando o respeito à integridade física e cultural das populações indígenas. Enfim, esses são os 6 pontos principais do Governo nas negociações. Mas é importante ter em mente que é um processo longo, complexo, que envolve muitos interesses, de 190 países. E o que nós consideramos como ideal nem sempre corresponde ao que é alcançado no resultado final. O resultado final sempre é o resultado possível. Mas eu queria deixar claro que o Governo Brasileiro tem se empenhado para que o documento seja um documento importante para garantir e promover os direitos dos povos indígenas. Basicamente era isso o que eu tinha para falar sobre a conferência. Maria Augusta Assirati - Presidente: Posso fazer uma última pergunta, que eu acho que é importante também para a gente abrir o debate. Qual é o caráter que esse documento que será aprovado na conferência terá? Ele tem um caráter de tratado a ser absorvido pelos países? Qual o caráter que ele vincula aos países que vão? Pedro Saldanha/MRE: Não, ele é um documento político. Não é um tratado, não é um instrumento vinculante, digamos assim. Mas é uma manifestação política de peso, porque a conferência, enfim, o que se espera é que a conferência tenha a participação de presidentes, de chefes de Estado, do Governo. Então no momento em que os presidentes assinam uma declaração, ela tem um peso político muito importante, mas é diferente de um tratado que precisaria ser internalizado, passar pelo Congresso e tudo o mais. Mas isso não retira a importância do documento. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada. Então gente está aberta para a gente debater. Saulo já está inscrito. Saulo Ferreira Feitosa – CIMI: Bom dia. Saulo, CIMI. A minha pergunta é em relação a proposta do Governo Brasileiro no documento final. A gente sabe que o prazo encerra dia 19 de agosto para apresentar a proposta do documento final. Seria importante que o Governo Brasileiro socializasse com o Movimento Indígena, com a sociedade o documento que o Governo vai apresentar. Vocês já têm cópia disso aí? Já podem ser distribuídos durante a reunião? Pedro Saldanha/MRE: As posições do Governo Brasileiro ainda estão sendo negociadas internamente. E nesse momento eu não poderia, não teria como compartilhar com vocês exatamente o que está sendo proposto. Até porque é um processo negociador, então isso a gente tem que considerar no momento de compartilhar essas propostas. Mas o que o Governo tem dito e tem reiterado é que nós acolhemos todas as sugestões dos representantes indígenas e na medida em que elas não conflitem com esses pontos que eu mencionei, que são os pontos basilares da posição brasileira, elas serão sim incorporadas durante as negociações. O documento de base que foi elaborado para essa declaração que chamam de rascunho zero, esse já está disponível. Ele já está disponível, ele é um documento público. Com base nele eu acho que seria o ideal os representantes indígenas já encaminharem eventuais posições e propostas para o Governo. Para que a gente tente na medida do possível incorporar. Participante sem microfone. Saulo Ferreira Feitosa – CIMI: Não, a gente tem cópia do documento em espanhol, a gente até estava pensando em fazer, o movimento indígena, fazer uma versão em português para discutir durante essa reunião, mas não foi possível. Mas eu acho que aí seria um caminho, porque considerando que o Governo vai apresentar dia 18 essa versão. Então seria importante também um prazo, até quando o Movimento Indígena poderia apresentar uma sugestão ao Governo. O prazo de vocês para receber essas sugestões do Movimento Indígena, se teria uma indicação? Pedro Saldanha/MRE: Eu ontem recebi uma indicação dos nossos colegas de Nova York e que essa reunião que seria em princípio a última reunião de negociação do documento ter sido antecipada para o dia 15, se não me engano 15 ou 16 de agosto. Então eu acho que o ideal seria receber as indicações dos representantes indígenas até a primeira semana de agosto, para que a gente pudesse compatibilizar com os outros órgãos de Governo, coordenar e levar isso para Nova York. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Bom dia a todos e a todas. Chiquinha Pareci, de Mato Grosso. Eu acho que a minha pergunta era um pouco da direção que Saulo colocou, mas eu queria acrescentar mais uma coisa. Praticamente nós não temos nem mais tempo, porque semana que entra já é agosto. É amanhã. Então é muito complicado. Quer dizer, o próprio tempo, o Governo está propondo aí algumas questões, reitera a questão da Constituição Federal. Todas aquelas legislações pertinentes que a gente tem debatido muito do cumprimento dela, mas a proposta para que a gente possa apresentar alguma coisa já está se inspirando. E aí, como que fica? Isso que eu queria ver contigo aí, que você está repassando isso para nós agora, mas o prazo já está... Pedro Saldanha/MRE: O documento de base já foi circulado há algum tempo e os representantes indígenas tem no contexto internacional tem debatido esse documento também já há algum tempo. O processo em si se encerra em setembro, mas o ideal seria que houvesse um esforço dos representantes indígenas para ajudar o Governo, para a gente poder atuar como parceiro no encaminhamento dessas propostas. Os processos da ONU às vezes são um pouco mais lentos do que a gente gostaria, o documento demorar um pouquinho mais do que a gente imaginava para ser circulado. Mas enfim, uma realidade com a qual nós temos que trabalhar, mas sempre com esse espírito de parceria entre o Governo e as comunidades indígenas, porque o objetivo comum, o objetivo final é o mesmo de garantir, de promover os direitos dos povos indígenas durante essa conferência. Porque a gente sabe que existem muitas forças envolvidas, que a gente precisa ter o apoio das comunidades indígenas para que a gente possa atuar em Nova York com mais força e legitimidade durante as negociações. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Gente, não tem mais ninguém inscrito. Alguém mais quer falar sobre esse ponto? Dílson, por favor. Paulino e Dílson. Dílson Ingaricó - Região Amazônica: Bom dia. Dílson do estado de Roraima, suplente da CNPI. Nós temos alguém que vai acompanhar essa reunião já indicada? Que é do Movimento Indígena? Em Nova York? Pedro Saldanha/MRE: Não, os representantes indígenas ainda não foram definidos. Como eu falei no início, o Governo ainda está em consultas internas, até para a gente definir quantos representantes o Governo vai poder financiar para participarem dessa reunião. Então assim que essas consultas forem concluídas, o resultado vai ser comunicado e os critérios vão ser divulgados para que os nomes possam ser indicados com a antecedência necessária. Dílson Ingaricó - Região Amazônica: O que é a segunda coisa que eu gostaria de dialogar com a CNPI, inclusive com a bancada indígena, que nós temos representação maior que é chamado de COIAB. Que sempre está participando dos debates entre Movimento Indígena, da CNPI e tem seus representantes na base. E já conhecem as reivindicações e as necessidades dos povos indígenas e essa proposta do Governo. Inclusive são, não são assuntos novos. São assuntos, são os temas que o próprio Movimento Indígena já vem discutindo e tem a preocupação pela falta de cumprimento dessas, as idéias. E eu gostaria de dizer que creio que até, se a gente conseguir ficar na terça-feira para a reunião da saúde. E que a gente se reúna para discutir um documento conjunto para apresentar para o Itamaraty. E creio que terão pessoas escolhidas para levar esse documento junto para apresentar em Nova York. Porque a nossa preocupação muitas vezes, temos representantes que convivem diretamente com o Governo. Eu não vou dizer o nome, mas sempre tem pessoas que dizem que representam os povos indígenas, mas não tem a convivência nas bases como tem COIAB, como tem outros representantes da CNPI, ABIB, perdão, APIB. E a APIB tem uma presença, tem uma representação com as bases e conhece da realidade local. Diferente de outras pessoas que dizem ser representantes indígenas, que pouco conhecem como está a situação da saúde ou qualquer problema indígena nas bases. Então a gente espera que nossos representantes na qual nós vamos até segundafeira, a gente se reunir e dizer quem poderia participar dessas reuniões preparatórias para a conferência, inclusive já propor quem irá participar. E a gente também tem que dizer, não só o Governo, dizer para a gente quem poderá ir. A gente é que vai dizer para o Governo quem nós vamos mandar. Obrigado. Pedro Saldanha/MRE: Obrigado. E pelo menos da parte do Ministério das relações Exteriores, a gente vai acolher isso de forma muito positiva esse documento que vocês pretendem encaminhar e vamos discutir com os demais membros do Governo e fazer as consultas necessárias. Mas pelo da parte do Ministério das Relações Exteriores eu posso garantir que a gente vê com muitos bons olhos essa idéia de vocês se reunirem e proporem algo em conjunto e fazerem sugestões específicas e concretas. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada. Paulino. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Bom dia. Qual o nome? Pedro? Obrigado. Pedro, em primeiro lugar eu acho que é plausível a perspectiva colocada. Me parece que o assunto mais importante que percebi na sua fala é que há uma preocupação pelo menos por parte do Itamaraty de se empenhar na implementação da declaração da ONU. Isso é fundamental, mas só me preocupa apenas, a preocupação é já para a proposta que vocês estão construindo para o documento base se fixar apenas no artigo 46 a declaração. Porque até parece meio redundante a preocupação de enfatizar um documento quando esse critério da autonomia, que não ameaça à integridade e a unidade territorial dos estados já está amarradíssima no artigo 46 da própria declaração. Seria bem mais importante que o documento brasileiro ressalte a urgência de tornar viável a aplicação do preâmbulo que ressalva os direitos dos povos indígenas, seus territórios, os recursos naturais, sua organização social, ali o direito da livre determinação na sua forma de autonomia, ao direito consuetudinário, enfim. Eu acho que esses princípios que, aliás, já foram antecipados pela própria Constituição e vem reiterados pela Convenção 169 na revisão de 89. Eu acho que seria importante resgatar isso até por um contexto que todo mundo já está ciente demais, de ameaças gravíssimas de regressão aos direitos indígenas hoje no país. Eu acho que é assim, uma grande oportunidade para o Brasil se sair por cima nesse momento internacional, de reiterar uma coisa que às vezes nós elogiamos muito, dizendo que o Brasil se adiantou em muitos aspectos à declaração. Então eu só queria ressaltar essa questão de ter essa visão de conjunto e não apenas se fixar em uma preocupação. Que essa questão está amarradíssima obviamente no artigo 46 da declaração. A outra questão que obviamente isso aqui já é em forma de pergunta. Até às vésperas do prazo de inscrição autônoma dos povos indígenas não tínhamos muita clareza se necessariamente era via instituições com ECOSOC, ou se podia fazer de forma autônoma sem querer estar com o perfil escrito na ONU. Essa questão até o último momento não sabíamos essa questão. Que você nos esclarecesse. Outra perspectiva colocada, nós tínhamos a informação que as organizações dos povos indígenas podia se inscrever nesse evento do fórum permanente e na sequência requerer do Estado financiar o deslocamento das lideranças. Isso é verdade, não é verdade? São duas perguntas que eu gostaria que você me respondesse. E a terceira, perdão. É que a perspectiva nossa é que essa CNPI com esse momento para definir as lideranças que iriam na delegação brasileira para a conferência. Pensando que um mês é muito pouco para preparar as lideranças para ir para a conferência, entendeu? Pedro Saldanha/MRE: Obrigado pela sua intervenção. Em primeiro lugar eu fico contente de ver que nós estamos falando a mesma língua, que como eu disse no início, a preocupação do Brasil, a principal é a implementação da declaração de 2007 como um todo. Em nenhum momento eu quis dizer que a idéia do Governo Brasileiro é se ater ao artigo 46 da declaração. Se eu passei essa impressão, eu queria deixar bem claro que não é esse o caso, a nossa idéia é a promoção da declaração como um todo pela importância que ela tem, incluindo o que está disposto nos princípios acordados no seu preâmbulo. Em segundo lugar, com relação a inscrição de forma autônoma dos representantes indígenas, de fato a resolução da assembléia da ONU que determinou a realização da conferência não é clara sobre a forma pela qual deve ser feita essa inscrição. Tendo isso presente, o que a gente tem entendido a partir do que a gente tem escutado em Nova York é que os princípios para inscrição dos representantes deveriam seguir os princípios já acordados em outras ocasiões, inclusive o fórum permanente. Então essa é mais ou menos a interpretação que nós temos ouvido de lá. Daí de fato o documento da assembléia geral não é claro, não estabelece meios para essa inscrição. E finalmente com relação de novo a participação na delegação brasileira, infelizmente a gente ainda precisa avaliar algumas questões, dentre elas, várias importantes, mas principalmente o financiamento. No caso específico do Ministério das Relações Exteriores nós estamos sofrendo um contingenciamento muito importante. Nós temos tido várias reuniões internacionais em que não tem sido possível enviar nem representantes do Itamaraty. Mas há um empenho do Governo em ter representantes indígena na delegação brasileira para a conferência. E essas discussões estão acontecendo e assim que houver uma definição de quantos poderão ser incluídos nós vamos discutir também como que nós vamos receber essas indicações. Porque é importante, o Governo considera importante ter representantes de todas as regiões do país, enfim. Tem alguns critérios que a gente deve buscar observar, um equilíbrio de gênero indígena, homens e mulheres, enfim. São alguns princípios básicos da atuação do Governo Brasileiro e que a gente gostaria de ter presente na definição dos representantes indígenas. Maria Augusta Assirati - Presidente: Gente, temos o Lourenço inscrito. Já são 10:08. Eu acho, enfim, vamos encerrar as inscrições ou alguém tem algo muito... Encerramos então no Lourenço, última fala do dia. Lourenço Milhomem - região Amazônica: Bom dia. Lourenço – Maranhão, região norte. Bom, o que queria falar já, quando pedi o Dílson já antecipou, referente a escolha, indicação do representante indígena. Como já deixou bem claro eu quero deixar para o Pedro, que antecipou que é a primeira vez que está vindo, a decisão de política indigenista, a questão indígena, como a bancada indígena de todas as regiões do Brasil são essas pessoas que estão aqui. Aqui que nós trazemos todos os problemáticos, informações, questionamentos são apresentados por essas lideranças que estão aqui. Só reforçando, algumas vezes, muitas vezes para o Governo sem consultar a base, sem consultar realmente quem, pessoas... Acaba como ele já falou trazendo as pessoas que nem sequer tem contato às vezes mais com a liderança da base e acaba representando e não discute essa questão que acontece na base. Então a preocupação nossa hoje com o Governo é que a representação legítima, essa discussão, essa mesa que nós estamos aqui, esse diálogo que estamos aqui com o Governo, para que a gente possa pelo menos a participação do representante indígena, quando ao voltar passar para as maiorias. Para que a maioria das comunidades possam saber o que está acontecendo no nosso país referente a questão indígena. Então eu queria reforçar essa questão e cobrar do Governo, que daqui que sairia as representantes. Para tentar discutir a nível internacional. É importante porque aí nós vamos começar entender entre Governo e os povos indígenas alinhar essa questão de discussão político para fora. Porque muitas vezes, às vezes nós saímos e ouvimos: no Brasil está tudo bem, o Brasil está tudo bem com os povos indígenas. E na verdade não é. Não é verdade. Então tenho ouvido muitos representantes do Governo lá fora que povos indígenas está sendo assistido, aquilo que não é verdade. Então isso preocupa nós. Vamos colocar na mesa a verdade do que ficar a nível internacional falando que está tudo bem no Brasil com os povos indígenas brasileiros. Não é. Então nós queremos deixar claro, daqui que nós levaremos essa mesa, retornando, reforçando que nós queremos deixar bem claro e mostrar a todo Brasil o que está acontecendo mesmo. Era isso que eu queria passar para o senhor. Obrigado. Pedro Saldanha/MRE: Obrigado mais uma vez e enfim. Eu queria aproveitar mais uma vez a oportunidade para agradecer a presente e pedir desculpas por ter que sair um pouquinho rápido, mas reiterar uma vez mais que o Itamaraty está aberto a conversa. Principalmente porque a gente entende que a nossa posição internacional é forte quando há um respaldo interno. Eu acho que não adianta a gente ter uma posição e falar uma coisa lá fora se a gente não tem o apoio aqui dos outros representantes de governo e das comunidades. Então a gente conta com essa parceria para poder continuar, fazer um bom trabalho lá. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Questão de ordem do Saulo. Saulo Ferreira Feitosa – CIMI: Eu queria só uma confirmação, porque coincidentemente quando a gente estava aqui o meu telefone tocou e era um jornalista querendo discutir sobre um projeto de lei do acesso, o patrimônio genético e perguntando se a gente estava discutindo o documento que vai ser entregue na conferência. Eu falei que não, que não está pronto. E o jornalista me falou que o documento já estava pronto, do Governo. E vai ser entregue. Para a Conferência dos Povos. Pedro Saldanha/MRE: Não, esse é um processo em permanente evolução. Até ao dia 23 de setembro o documento não está pronto. Não, a imprensa não tem esse documento. O que eles têm é o que todos nós temos, que é o rascunho zero preparado pelo secretariado. Obrigado de novo. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Pedro. A gente é que agradece. Eu acho que foi bastante importante você ter vindo fazer esse diálogo aqui com a gente. Nós tínhamos algumas dúvidas inclusive sobre esse processo. E queria colocar a CNPI à disposição. A CNPI é um espaço que tem capacidade de contribuir com esse debate. Eu acho que a bancada indígena e a bancada de Governo vem discutindo várias coisas que se referem a esses eixos que vocês colocaram aqui já a bastante tempo. Então a gente está, estou colocando a CNPI à disposição para esse processo de construção do documento, da participação na conferência. E o que for possível e estiver ao alcance da comissão tanto da bancada de Governo quanto da bancada indigenista, a gente está à disposição para contribuir com esse processo junto ao MRE. Então te agradeço bastante, até a próxima, obrigada. Pedro Saldanha/MRE: Até logo. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Bom pessoal, passando para o nosso segundo ponto eu queria lembrar que pouco aqui que a última reunião nossa ordinária, a gente tinha inserido como ponto de pauta a discussão, uma rápida discussão sobre a questão do turismo em terra indígena, os processos que a gente vem trabalhando. A subcomissão fez essa discussão na reunião passada também, não é? Rosa eu acho que é da subcomissão de ética. Não? A Simone? Tem alguém aqui da subcomissão de ética? Titiah, Brasília. Perfeito. Eu queria fazer um resgate bem rápido de como esse processo rolou e principalmente o que aconteceu esse ano para a gente poder chegar e se situar nesse momento que a gente está hoje. Bom, a FUNAI tem recebido um conjunto grande de demandas e situações concretas para decidir em relação a atividade turística em terras indígenas já a algum tempo, isso não é um processo recente. E o que a gente vem refletindo internamente é que era preciso ter uma regulamentação mais precisa para essas atividades e quando essas atividades seriam possíveis, em que termos, em que condições. Como que principalmente a gente trabalha essas possíveis atividades turísticas de maneira sustentável e também garantindo a segurança das terras e dos povos indígenas nas comunidades que vão praticar e querem desenvolver esse tipo de atividade. Bom, foi feito um longo processo de debate interno na FUNAI, reunião de acúmulos e subsídios técnicos a respeito do assunto. Chegaram a ser produzidas algumas notas técnicas sobre esse tema. E esse processo só reforçou dentro da FUNAI essa concepção, esse entendimento de que era necessário ter uma discussão, ter uma regulamentação mais precisa, mais concreta a respeito disso. Partindo dessa premissa, a gente fez algumas perspectivas de como essa regulamentação deveria ser feita. Então a gente pensou em duas etapas. Uma primeira etapa mais interna de regulamentação da própria atividade da FUNAI ao analisar e se manifestar sobre esses pedidos que já vem chegando frequentemente dentro da FUNAI sobre esse assunto. E, que posteriormente seria importante como segundo passo, avançar para um segundo passo, que seria uma regulamentação mais ampla envolvendo atores que serão fundamentais nesse processo. Então o próprio Ministério do Turismo, agentes que vão trabalhar com a FUNAI e com outros órgãos na questão da segurança das terras indígenas durante a realização de atividades turísticas. O Ministério do Meio Ambiente para trabalhar também a questão da sustentabilidade, o ICMBio tem algumas experiências concretas nesse sentido, ou seja, são realizadas algumas atividades turísticas em algumas unidades de conservação. Então enfim, a gente entendeu, imaginou que seriam importantes esses dois passos. E por que a gente pensou esse primeiro passo de uma regulamentação primeiro mais interno na FUNAI? Porque a gente tem uma série de situações concretas que já tramitam dentro do órgão e sobre as quais a gente precisa se manifestar. E hoje a gente não tem ainda uma forma, um formato preestabelecido, institucionalizado, enfim uniforme, para que a FUNAI se manifeste nos processos concretos que já existem tramitando dentro do órgão. Bom, colocado isso, a gente pensou em um processo de diálogo informativo, consultivo junto aos povos e comunidades indígenas. Já discutimos isso um pouquinho de maneira ainda bastante superficial aqui na CNPI. A subcomissão de etnodesenvolvimento aprofundou esse debate e a gente acabou nunca trazendo isso para a plenária de uma forma mais sistematizada. No início do ano nós realizamos, a FUNAI realizou uma oficina de trabalho para apresentar uma primeira minuta do que seria a instrução normativa que tem o objetivo de regulamentar a atividade da FUNAI na apreciação desses pedidos concretos que já existem. Então a gente fez a oficina, teve a participação indígena em janeiro, apresentamos a primeira proposta. Discutimos essa primeira proposta de instrução normativa, lembrando que é uma norma interna da FUNAI. Várias sugestões foram feitas, mas esse trabalho foi amadurecido durante a oficina e nós saímos com um documento, digamos assim, consensuado entre aquele grupo que participou da oficina, que era composto por representantes de governo, tinha a presença de outros órgãos além da FUNAI e de representações indígenas também. Bom, mas o que também se entendeu naquele momento ali de janeiro e principalmente os representantes indígenas que estavam presentes colocaram isso e disseram: tudo bem, a gente chegou a um consenso a respeito desse documento, mas a gente acha que tem que ampliar esse debate. E nós concordamos com esse processo de ampliação do debate e fizemos uma proposta de realizar em princípio cinco atividades no Brasil para discutir essa instrução normativa. Esse primeiro documento que regula ainda exclusivamente a atividade e a atuação da FUNAI nesses processos concretos. Bom, depois de algumas discussões na subcomissão de etnodesenvolvimento com a presença de alguns representantes da CNPI em outras reuniões aqui, da PNGATI, e tudo o mais. Esse debate foi suscitado. E quando a gente apresentou a proposta das cinco reuniões no Brasil, a gente já fez uma proposta de quantos participantes teríamos em cada uma dessas oficinas. Posteriormente a esse momento da oficina em janeiro houve uma demanda de alguns representantes da CNPI, sobretudo, os que participam da subcomissão de etnodesenvolvimento para que a gente ampliasse o número de participantes de cada uma das cinco oficinas no Brasil, isso foi discutido na subcomissão. O Júlio me trouxe essa proposta, a gente falou não, nós não temos recursos da FUNAI para ampliar, mas então nós vamos tentar buscar esses recursos junto ao Ministério do Turismo e já buscar estabelecer uma parceria com o Ministério do Turismo para que eles participem com a gente dessas oficinas. Porque é importante que se apropriem e conheçam o debate, quais as dificuldades que vão ser apresentadas e vão ser colocadas. Tentamos, fizemos esse processo de diálogo com o Ministério do Turismo, documentamos a demanda. Chegamos a enviar uma proposta ao próprio ministro do turismo. Houve também processo de mudança no Ministério, nesse interim teve mudança do próprio ministro do turismo. E o resultado que eu estou trazendo para vocês aqui hoje, para a gente discutir em cima disso o que a gente tem de concreto. O resultado desse processo é que nós não conseguimos essa parceria para que o Ministério do Turismo contribua, digamos assim, com a realização dessas 5 oficinas. Não conseguimos essa parceria e, portanto, voltamos ao momento de janeiro que é a FUNAI afirmando para vocês que não é possível fazer as 5 oficinas no formato que foi proposto e discutido na subcomissão de etnodesenvolvimento. Uma questão muito simples que é recurso orçamentário. Bem, fiz esse falatório todo para dizer para vocês que a gente precisa tomar uma decisão aqui de como vai ser esse processo agora. Então a situação que a gente está é essa, a gente tem uma minuta de uma instrução normativa consensuada em uma oficina de trabalho em janeiro, entre representantes indígenas, FUNAI e outros órgãos de governo. Essa instrução normativa vai regulamentar exclusivamente a atuação da FUNAI nesses processos. Nós ainda precisamos avançar para um trabalho de discussão mais articulado e interministerial com o Ministério do Turismo, com o Ministério do Meio Ambiente, ICMBio enfim, outros órgãos para tratar de uma normativa mais ampla, que é o que vai efetivamente regulamentar a atividade de etnoturismo e ecoturismo enfim, em terras indígenas. Então temos essa minuta, temos vários casos concretos da FUNAI pendentes de decisão, porque a gente não tem muito claramente um procedimento para trabalhar essas situações. Ou seja, existe uma demanda de algumas comunidades indígenas por realizar essa atividade e a gente precisa ter também serenidade em decidir sobre isso enquanto órgão indianista. E a última coisa que eu queria reforçar é que a instrução normativa que a gente discutiu, consensuou em janeiro, ela diz o seguinte: que todos os processos que forem solicitados, que a FUNAI recebeu uma solicitação para se manifestar sobre a atividade de turismo em terra indígena. Todos esses pedidos que chegarem terão necessariamente que passar por uma consulta livre, prévia, informada junto à comunidade que está solicitando a realização daquela atividade. Ou seja, nós estamos garantindo pela instrução normativa que as atividades só serão aprovadas, autorizadas e terão a sua realização autorizada, desde que faça a consulta livre, prévia, informada para aquela comunidade que realizará o que está pretendendo e pleiteando realizar atividade turística. Então com isso a gente quer garantir que evidentemente toda comunidade esteja de acordo e que não seja uma norma geral aprovar indistintamente de maneira, digamos assim, mais distante da situação concreta, ou seja, abstratamente autorize a realização sem a comunidade autorizar, ter ciência e ter informações suficientes para poder também deliberar sobre isso. Então esse é o ponto em que nós estamos. Eu já vou abrir para todo mundo, já tem gente se inscrevendo, mas vou abrir para o debate aqui esse ponto. E aí a gente tem que definir na reunião de hoje, porque não tem mais como a gente postergar esse assunto, faz três reuniões que a gente tenta estabelecer esse debate. A gente tem que definir o seguinte: primeira opção, mesmo a FUNAI não tendo os recursos para realizar as oficinas de maneira como foi proposta, a gente vai seguir com o processo de regulamentação, vamos trabalhar a instrução normativa da maneira que foi consensuada em janeiro e juntos vamos buscar seguir em frente na construção dessa regulamentação mais ampla. Ou dois, não vamos abrir mão dessa oficina nos formatos que foram propostos e aí se a gente optar por essa proposta, eu informo para vocês que a gente não vai avançar nesse processo esse ano. Porque o nosso recurso está muito escasso, contingenciamento enorme e infelizmente não temos como avançar durante esse ano, principalmente, porque o nosso foco vai ser conferência e tudo o mais, então esse debate ficaria para o ano que vem. O que a gente conseguiu também um pouco pensar, Júlio me corrija se eu estiver errada. É uma terceira proposta alternativa que seria a gente fazer um grande momento em Brasília ainda esse ano com representações indígenas dentro de um número possível para que o orçamento da FUNAI possa custear essa atividade para fecharmos isso ainda em 2014. Fecharmos a instrução normativa. É ainda a gente concluir esse primeiro passo, essa primeira etapa da regulamentação acerca do turismo em terra indígena. Então é isso. Estão abertas as inscrições. O Marquinho foi o primeiro a se inscrever e depois o Titiah. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Bom dia a todos e todas. Eu me chamo Marcos Xucuru - região nordeste/leste. Eu fico muito preocupado em colocar aqui a minha impressão a respeito desse tema que é a questão do turismo em terra indígena, me preocupo bastante em relação a isso. Por quê? Primeiro dizer um pouco da experiência própria do que nós passamos e que ainda hoje há vestígios fortemente, ainda há interferência, ou eu não diria que interferência, mas uma pessoa por parte do governo do estado e alguns empresários enfim, em relação a essa questão do turismo lá no território Xucuru. Que aí se trata de um turismo religioso, mas pode ser qualquer um outro turismo, certo? Que porventura venha a ocorrer em terra indígena. E isso me preocupa bastante, porque nesse caso específico e aí eu estou trazendo isso aqui para inclusive deixar registrado, que eu tenho certeza que tantos outros povos acessam as atas das reuniões da comissão nacional. E aqui também está os nossos companheiros outros de outras organizações que com certeza vão fazer esse repasse. E é importante fazer uma reflexão profunda em relação a essa questão do turismo dentro das terras indígenas. Eu acho que particularmente escancara a nossa casa para o estranho adentrar. E dessa forma, por mais que se discuta mecanismo, mas haverá uma oposição muito grande de tudo aquilo que nós povos indígenas temos de mais sagrado, dos nossos rituais, das nossas práticas, enfim. E outras questões que muitas vezes nós não queremos revelar ou mostrar e muitas vezes isso pode ocorrer, de que isso aconteça. E nesse sentido, dizendo um pouco dessa experiência que tivemos, dessa imposição que o Estado tentou fazer em Xucuru, resultou em uma divisão do povo Xucuru. Parte de algumas pessoas do território foi influenciado por esses empreendimentos que se queria construir dentro do território. Em cima dessa questão do turismo religioso. Forjando lideranças, sabe. E o Estado entrou fortemente resultando em assassinatos, resultando no processo de criminalização filha da mãe contra o povo Xucuru, enfim. E que ainda hoje tem muitas pessoas sofrendo, inclusive eu, nesse aspecto, porque fomos veemente contra ao processo do turismo dentro do território Xucuru. E com isso a gente vem sofrendo bastante em relação a isso. Então é importante que possamos refletir bastante em relação a isso. Por isso que quando coloca aí de ter a anuência da comunidade é um mecanismo, mas ainda muito frágil. Sabe presidenta, porque há muitas influências. Porque rola a questão de recursos financeiros, dinheiro. Então quando rola dinheiro há uma grande preocupação. Porque a gente sabe que há uma vulnerabilidade por parte de algumas pessoas, membros da comunidade que podem ser influenciadas, envolvendo a questão de recurso, porque acontece sim. E o turismo movimenta muito o recurso. Está certo? E isso é muito preocupante. E acredito, assim, que nós vamos ter momentos importantes de reflexão e de construção, quando partimos da Conferência Nacional Indigenista. Que nós vamos ter oportunidade de termos uma reflexão e discussão profunda do rumo, da relação que nós queremos ter com o Estado. Então eu acho que esse seria para mim, do meu ponto de vista o momento de aprofundamento e discussão de tudo que envolve essas questões enquanto indígena. Então a minha posição nesse sentido é que já deixando aqui, externando a minha posição é que eu acho que não precisava a gente sair nessa velocidade que está se propondo para uma discussão que eu acho que precisa ser bastante refletida em todos os povos nos quatro cantos desse país, porque é algo muito preocupante em relação a essa questão, a esse tema. Portanto, avalio que nós poderíamos estar discutindo isso no bojo da conferência Nacional de Política Indigenista. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Marquinhos. Titiah. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Bom dia a todos eu sou Luiz Titiah, representando a região nordeste/leste e APOINME aqui na CNPI. Presidente é o seguinte, na minha participação naquela oficina... Assim, nós temos que deixar também registrada a realidade, não é? Assim, por exemplo, hoje tem povos indígenas que está se trabalhando com a visita do turismo dentro das suas aldeias. Principalmente a gente vendo assim, algumas experiências de algumas lideranças nessa oficina, dentro da região do Acre, no Rio de Janeiro, na própria região da Bahia, em outras regiões. E eu estava assim, eu fui uns do que participei, falei um pouco também. Teve a experiência lá do sul, extremo sul da Bahia aonde tem aldeias que tem a visita do turismo e está a solto. A gente dá exemplo principalmente no litoral das praias. E que precisa ter uma discussão ampla para ver o que se resolve. E assim, quando nós fechamos esse encaminhamento das 5 consultas, que era para nós estar consultando não só as comunidades que participa das visita de turismo nas áreas indígenas, como as outras comunidades também que não concorda. E nós ouvir e ampliar uma discussão e tirar um encaminhamento. Mas aí agora vem preocupação proposto aí pela presidente. Que não tem condições, não tenho orçamento. Contava muito com a participação do Ministério do Turismo para isso de fato acontecer lá na ponta as consultas as comunidades. Hoje eu avalio que aquela influência toda, eu acho que era por causa da copa do mundo. Por isso que teve a oficina, queria que acontecesse que era para fechar em setembro, não é isso Júlio, a proposta? Nós fechar toda essa consulta e em setembro representar uma proposta. Mas aí eu volto a dizer, foi três pontos encaminhado aqui, se a gente encaminha esse processo na forma que está. Ou que faz um encontro aqui em Brasília e amplia mais participação para discutir mais esse assunto. E tem essa proposta que eu acho concordo com Marquinho falou. Como a gente vai ter as conferências, a Conferência Nacional de Política Indigenista que ampliava um ponto dentro da conferência para nós discutir sobre a visita de turismo em território indígena. Ter para servir de um ponto para discutir entre os povos indígenas e o Estado Brasileiro. Então eu acho que concordo com essa opinião do Marcos Xucuru e eu vejo que realmente mais uma ação que foi encaminhada para as lideranças e não foi executada essa consulta. E algumas experiências também foi muito boa com as lideranças, principalmente do Rio de Janeiro, que passou na oficina para a gente, não é? Como educar a visita do turismo dentro da sua terra, do povo lá Guarani. E assim, interessante. O comportamento, como eles se organizaram dentro da terra dele e da associação. E que o comportamento na terra, na visita dentro da comunidade. Aonde assim, deu até exemplo, não pode jogar uma bituca de cigarro, não pode pegar um plástico e deixar lá atoa. Não pode participar do ritual sagrado deles. Então assim, nós achamos muito interessante e por isso que nós pedimos essa consulta. Para isso socializar com as outras comunidades e que não está havendo isso, e que está a visita solta. Então a importância dessa consulta que nós estava assim acreditando era para realmente ter esse diálogo, não é? Em conjunto. Então o que eu tenho para dizer é isso e eu concordo com o encaminhamento de Marquinho Xucuru. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Obrigado Titiah. A presidenta está em uma ligação com a Bianca em atenção da audiência semana que vem. Então vamos continuar tocando aqui. A próxima inscrita é a Chiquinha. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Bom, Chiquinha Pareci, Mato Grosso. Bom, o que eu tinha para dizer, agora eu fiquei meio decepcionada com essa notícia de que nós não iremos mais realizar as consultas como estava previsto dentro de toda uma programação e discussão que nós tivemos naquela ocasião da reunião que nós fizemos um encontro na verdade, onde se reuniu todas as situações e realidades. Como Titiah colocou, nós temos que encarar a realidade. Infelizmente, não sei se é felizmente ou infelizmente, mas existem sim comunidades que já estão em processo de andamento com o turismo em terra indígena. E eu não sei se a FUNAI também fez um levantamento aproveitando a oportunidade da copa do mundo sobre quem são os povos que conseguiram levar os turistas durante o evento da copa para as suas comunidades, mas nós tivemos o exemplo do próprio povo Pataxó. E aquele evento, pode-se dizer assim com a Alemanha, foi positivo para nós. E ainda levaram a taça, mas ainda a gente percebeu que não só a imprensa, mas a sociedade de uma maneira geral teve uma atenção para a questão indígena. Mesmo que ela foi, por exemplo, alguns minutos, mas chamou a atenção a questão indígena, mas chamou a atenção a espiritualidade indígena. E também a questão da cultura indígena que a gente viu a forma que os próprios turistas, entre aspas, jogadores da Alemanha fizeram até uma homenagem aos índios naquela dança. Mas ali eles estenderam para os povos indígenas do Brasil. Então eu acho que nós temos sim, algumas questões positivas e algumas que temos que discutir. Não vou dizer totalmente negativa, eu digo isso, porque na questão da educação, por exemplo, algumas comunidades estão pedindo curso profissionalizante para turismo. Mas assim para capacitar e para formar os parentes indígenas para lidar com essa forma hoje, pode-se dizer assim de sustentabilidade econômica. Eu mesma fiquei surpresa que o meu próprio povo tem uma proposta sobre isso. Eu tenho acompanhado muito o ensino médio integrado, a forma como ele está sendo implementado nas comunidades indígenas. Afinal de contas eu participei da elaboração da política a alguns anos atrás, daquele grupo de trabalho de 2009, então a gente já tem uma experiência nisso. E geralmente quando a gente vai discutir com algumas comunidades, a gente pergunta: qual é o perfil que vocês querem de uma sustentabilidade econômica? E apareceu o turismo. Em algumas comunidades apareceram. Mas como o Marquinhos colocou e o Titiah também, ela está sim solta, ela precisa estar atrelada a uma política. E eu sei que no caso do turismo, do etnoturismo, vamos dizer assim, ela tem que ser diferente em relação ao turismo de uma maneira geral. Então para isso, quem tem que construir todo um conceito e ter as teorias em relação a essa nova modalidade econômica para os povos indígenas, tem que ser o próprio povo indígena. E ela não pode ser igual de um povo para outra, ela tem que ter as diferenças. As diferenças locais, as diferenças regionais, as diferenças inclusive nas relações institucionais entre os povos e as instituições até de Governo. Por exemplo, nessa proposta que nós tínhamos feito para os seminários e também propostas de capacitação e formação. A gente propôs não só a formação e capacitação para os indígenas, mas também para os agentes externos. Isso aí vai variar de povo para povo. Nós propusemos isso, inclusive os agentes institucionais de Governo e os que não são. Por exemplo, a gente sabe que tem comunidades que têm até uma relação com agências de turismo, não é verdade? Então eu acho que a FUNAI deveria apresentar para nós, assim qual foi esse resultado agora dessa, durante a copa quais foram as comunidades que foram visitadas. E fazer uma avaliação inicialmente. Outra questão também que eu vejo é a questão de que a necessidade de, por exemplo, não vai ser possível fazer do jeito que dá, mas pelo menos tinha uma previsão se é possível também, pelo menos os seminários regionais. Mesmo que isso está ligado ao PNGATI, porque parece que o PNGATI tem algumas ações e alguns indicativos em relação a isso. Mesmo assim, penso eu que a gente não pode, não podemos abrir mão da proposta que nós lançamos. Acho isso muito pertinente, tendo em vista da necessidade de que a gente de fato precisamos capacitar e formar nossas comunidades em várias frentes, inclusive frentes de defesa dos seus direitos e frentes de defesa da sua própria cultura. Então por isso que eu achei muito importante esse seminário. Agora, eu perguntaria a você Júlio, como a gente poderia conciliar esses seminários, pelo menos a nível regional? E como que isso se daria? Ou se vai aguardar de fato a total implementação do PNGATI? Como o PNGATI está tratando dessa questão? Porque de certa forma para mim é uma questão de sustentabilidade que envolve a questão econômica, envolve a questão cultural. A questão sócio-política de cada povo, se entendeu? E nós precisamos de fato, a gente acompanhar todo esse processo, porque ele merece alguns cuidados relevantes como o Marquinhos colocou e o Titiah complementou. Penso eu que em relação a questão da formação e capacitação nas escolas indígenas, como uma modalidade ele já foi proposto lá no nosso estado temos propostas sobre essa questão do etnoturismo em terras indígenas como curso de formação no ensino médio integrado. Então eu gostaria muito. Eu não sei se o PNGATI absorveu essa proposta, porque a gente fez a proposta, não sei se ela foi absorvida. Então eu gostaria até que você fizesse essa explanação, esse esclarecimento para gente. Obrigada. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Júlio, vamos deixar, temos mais dois inscritos, aí nós temos mais sete inscritos no primeiro bloco. Você responde e depois faz o segundo bloco. Obrigada Chiquinha. O próximo escrito é o Marcos Sabaru. Marcos Sabaru: Marcos Sabaru, povo Tingui Botó, APOINME, APIB. Eu queria dizer que bendito seja a liderança que reproduz a fala e a demanda do seu povo. Bendito seja os membros da CNPI que é porta-voz e traz um recado das comunidades, das aldeias. Das suas demandas, das suas ânsias, das suas vontades e as suas decepções também. Então, só que tudo isso tem um preço. Quando você acaba não reproduzindo isso, se paga esse preço, há esse desgaste também. E essa liderança passa a ser também cobrada lá. Então aconteceu um seminário em janeiro e teve uma demanda. Houve uma demanda daqueles que aqui estavam e foi investido dinheiro e tempo e as pessoas fizeram esse seminário. Houve uma demanda que a bola foi passada para os Ministérios juntos arcar com essa demanda, que seria essa consulta, essas idas lá na comunidade. Os Ministérios por sua vez segunda a presidente aqui falou, não tem recurso. A mesma história que o outro colega aqui falou aqui do, falou aqui que para levar 4 a 5 índios brasileiros tem dificuldade de pagar, enfim. Novamente a mesma história. Mas a gente também já viu essa história quando a gente falou das consultas, da 169. Quem lembra quando a gente falou de ir para as bases houve um recuo também. Então todas as vezes que há essa demanda de uma consulta, de ir até a base, há um recuo. E aí eu fico um pouco decepcionado e triste Guta, com o Governo Brasileiro com os Ministérios. Na outra reunião da CNPI eu perguntei: minha gente e os outros Ministérios? Cadê? Quais são o seu papel? Aqui a gente discute saúde e FUNAI no Ministério da Justiça só. E os outros? E aí houve uma demanda Guta. No seminário de janeiro disseram que teria essa ida até as bases, essa consulta. E agora os Ministérios dizem que não tem como arcar com isso. E aí a bola passa novamente para quem? Para as lideranças no âmbito da CNPI dar essa decisão. Há um desgaste também para esses meninos e meninas que aqui estão, lideranças que tem um trabalho de base. Pessoas que são acreditadas, pessoas que as comunidades depositaram sua confiança. Chega a ser uma maldade com eles elas aqui, porque vão ser cobrados. Infelizmente se eles deliberar vão ser cobrados, porque em janeiro já disseram, vamos conversar sim, vamos para a base fazer essa consulta. Então eu acho Guta, Marcelo, que o MJ deveria dar outra conversada com os outros Ministérios. Espera aí, minha gente, o que é isto? O Estado brasileiro não ter como arcar com umas reuniões lá. Minha gente, como que toda vez que se fala de consulta há um recuo. Foi assim com a convenção 169. Houve o recuo, por isso que a gente não avançou. Foi assim novamente agora em janeiro, novamente foi dito, recuou. Bom, quanto a questão normativa da FUNAI Guta, eu acredito sim que é a FUNAI, e ela tem sim poder de fazer a sua própria forma de responder os pedidos, de suportar os pedidos, as demandas que chega. Então eu acho que é o Governo, a liderança aqui não sei se tem muito pouco a dizer. Eu acho que a FUNAI tem sim o direito, o dever de fazer, de como ela vai se portar mediante os pedidos que cheguem lá. Eu acho que isso é bem uma coisa da FUNAI. Eu acho que não tem muito a ver. E eu acho que agora é o momento da gente se debruçar sobre a Conferência de Política Indigenista. O tempo urge, o tempo de vocês e o nosso. Então eu acho que as lideranças deviam se debruçar sobre isso. É isso que vamos fazer e fazer bem feito. Então esse outro tema importante tanto, infelizmente se não acontecer é porque os Ministérios deixaram de cumprir o seu papel. Deixaram de apoiar uma decisão tomada em conjunto. Não foi dos indígenas. Foram de todos os pares envolvidos. E falharam na sua missão de apoiar esse momento. Por isso que o processo emperrou. Não é por conta da bancada indigenista e nem do movimento indígena. Por conta dos Ministérios que infelizmente está dando tchau com a mão fechada. Não quis abrir a mão para fazer algumas etapas locais, assim como foi demandado. Que a culpa fique naqueles que não cumpriram, que não fez o seu dever de casa, nem no movimento e nem nos membros da CNPI. Eu acho que agora é a hora de trabalhar a Conferência de Política Indigenista. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Sabaru. Eu queria só fazer um comentário para a gente passar aqui para as próximas inscrições, a respeito de uma coisa que o Sabaru colocou bastante importante e um pouco fazendo a liga com a fala do Marquinhos no início e tudo o mais. Como presidente da FUNAI eu queria colocar aqui que esse tema do turismo em terra indígena é um tema bastante sensível e complexo. E nós enquanto FUNAI temos uma avaliação de que esse tema precisa ser muito discutido nas bases, para a gente ter um pensamento conjunto sobre isso e chegar em uma eventual regulamentação, uma legislação que trate desse assunto, o que pode e o que não pode ou se não vai poder fazer nada. Ou seja, nós precisamos aprofundar esse debate. Agora, o Sabaru colocou uma coisa que eu acho que é importante e como gestora pública eu tenho que colocar também para vocês. Isso que a gente está discutindo aqui e essas 5 oficinas que a gente faria, não seria para o aprofundamento ainda desse debate para uma legislação ampla, mas sim para esse primeiro passo que é a FUNAI poder ter uma normativa interna para tratar essas situações que já estão acontecendo. Então eu acho que é assim, eu queria me manifestar enquanto presidente da FUNAI, afirmando e concordando com o que foi colocado aqui, da necessidade desse debate ser feito na ponta, nas bases junto com as comunidades com um conjunto de informações precisas, densas sobre riscos que essas atividades podem trazer. Sobre casos que já foram desenvolvidos. Alguns como colocou o Marquinhos no exemplo que ele citou, na experiência que aconteceu com o Xucuru, que não foi positiva. Outras comunidades têm experiências positivas, enfim. Não dá para a gente não fazer o debate. É isso o que eu acho, a gente precisa conversar sobre isso. Não dá também para a gente fingir como o Titiah falou, que as coisas não estão acontecendo na vida real, na prática. Tem pessoas que independente de autorização, de regulamentação, tem comunidade que já estão desenvolvendo essas atividades. E a gente precisa enquanto órgão público, enquanto agente do Estado Brasileiro ter uma atuação de resguardar as comunidades e as terras indígenas onde isso já está acontecendo. Então eu queria só colocar para vocês que do meu ponto de vista, que eu acho importante que a FUNAI tenha, consiga avançar minimamente nessa instrução normativa interna para que a gente possa tratar concretamente esses casos que já estão circulando e tramitando lá na FUNAI. Não dá para a gente não ter tratamento. Agora, reforço e concordo e vou defender sempre a necessidade da gente fazer esse debate na ponta, para tratar justamente isso. Porque falar de atividade turística, ingresso em terra indígena, enfim, atividade de etnoturismo, promoção cultural, enfim. Seja lá o nome que a gente der é também falar de proteção de recursos naturais, de garantia de sustentabilidade, de preservação das próprias comunidades. Ou seja, são atividades que podem ser benéficas, mas elas também trazem riscos e podem se reverter e se traduzir em atividades que não sejam bem sucedidas. Então é preciso ter muita segurança e muita informação para se avançar em uma possibilidade mais ampla de ter essa possibilidade regulamentada no Brasil. Eu acho que o Marcos tem razão quando ele traz sugestão de que a gente trabalhe isso também na conferência no âmbito da discussão, enfim, do regime de proteção das terras indígenas hoje no Brasil. E certamente o espaço da conferência vai ser um espaço onde isso de uma forma ainda que acidental virá à tona, essa discussão. Mas eu queria fazer esse comentário antes da gente prosseguir, tendo em vista que existem algumas situações concretas que não dá para a gente fingir que não estão acontecendo. Ainda que seja para dizer não, isso não é possível ser feito. Nós precisamos ter a mesma de orientação dentro da Fundação Nacional do Índio para poder tratar esses casos concretos. Obrigada. O próximo inscrito é o Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste - região nordeste/leste. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: Bom dia a todos e a todas. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste. Eu queria dizer que eu fui convidado para participar dessa oficina, mas eu estava de férias e não pude participar. Mas eu trazia um problema sério, justamente que aconteceu na Paraíba. Como nós temos uma terra indígena dentro de duas cidades, três cidades praticamente, nós temos mais de 20 km de praia. Onde a minha cidade Bahia da Traição tem uma população de 9 mil habitantes e no período de veraneio ela chega a 90 mil, quase 100 mil. E eu trazia aqui que o Governo anterior, nós tivemos que barrar uma rodovia que chamava via litorânea que cortava três aldeias. E justamente ele não conversou com ninguém, praticamente liderança e pegou duas pessoas que não tinha conhecimento e essas pessoas pediram ao governo: um pediu um caminhão e o outro pediu um trator. E não era o que a gente queria e barramos por causa disso. Isso no Governo anterior. Onde tem balsa que justamente é particular hoje. E nosso povo, temos pessoas que vivem de vender artesanato e sai da própria cidade Bahia da Traição e vai para Pipa, Rio grande do Norte vender artesanato. E na própria cidade onde se vende o coco verde justamente ao turístico a cultura, a culinária que nós temos. Então eu acho que essa discussão, ela tem que ser prorrogada pra a gente discutir. Principalmente dentro da comunidade. Que nós discutimos aqui e leva para dentro da comunidade, muitas vezes nós não somos entendidos pelos próprios parentes. Se essa discussão for dentro da comunidade melhora um pouco para gente caminhar para o futuro. Era isso que eu queria deixar aqui. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Capitão. A próxima é a Sônia Guajajara. Sonia Guajajara - APIB: Bom dia. Sou Sonia Guajajara da APIB. Então gente, esse tema do turismo até no seminário, na oficina, a gente já dizia, quem estava lá. O Cinério disse que é um tema complexo. É um tema difícil. A gente até exemplificou como o tema de rede que também é um tema difícil, um tema bem complexo. E nunca que haveria talvez consenso em relação a isso, porque são casos e casos, realidades diferentes e que a gente entende agora que de fato há uma pressão muito grande para a FUNAI inclusive de fazer essa regulamentação. Uma pressão do próprio Governo Federal. Porque o turismo é um tema que está ligado aí mesmo nesse pacote maior de exploração das terras indígenas, nesse pacote maior de assimilar os povos indígenas. Não é um tema que está separado, ele vem dentro de todo esse pacote aí. E a FUNAI tem essa pressa, porque a gente sabe que de fato tem essa pressão. E aí em janeiro, quando houve essa oficina a pressão era muito maior, porque ela tinha um prazo para se concluir essa instrução normativa até a copa. A idéia era essa, que até junho já tivesse isso pronto. E aí naquele momento tinha recursos para fazer o processo para poder concluir a normativa. Agora passou a copa, pronto, não tem mais dinheiro para fazer nada. Passou a copa sumiu todo o dinheiro que tinha. E antes, que a gente tinha acordado lá um processo: está tudo bem, vamos dar conta de fazer. Agora cadê? Sumiu. Então de fato assim, passado esse momento, teve esse encaminhamento, não é possível. Então agora ainda bem que não tem. Ainda bem que não dá para fazer agora. Porque não pode tratar esse tema, se quer uma instrução separada de todos os demais temas. A gente tem essa controvérsia dentro do Governo no momento em que se suspende a demarcação de terra. Se suspende o processo de distribuição de terra. E aí se avança no turismo. Pode ver que é uma contradição muito grande. Tenta-se avançar em uma regulamentação de turismo em terras indígenas. Então é assim uma contradição do nosso ponto de vista. Então o que a gente propõe é que esse tema seja tratado no âmbito mesmo da conferência. Assim como o Marquinho trouxe e tem gente reforçando, a gente precisa tratar isso no conjunto maior de política indigenista e não ter um pontinho ali à parte, isolado, porque não é um tema isolado. Não pode ser tratado de forma isolada. E o turismo também está dentro da PNGATI, está lá o decreto, já está lá. E na PNGATI está construindo agora um plano integrado para implementação da PNGATI. Então é um plano integrado com todos os temas, com todos os Ministérios que tem algum tema indígena, que trabalha com algum tema indígena. Então não há necessidade de fazer isso de forma assim, separada. Vamos trabalhar dentro da conferência, dentro das políticas indigenistas e vamos trabalhar dentro do plano integrado da PNGATI. E aí cada um já coloca lá e se aprofunda essa discussão nesses dois âmbitos. Ok? Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Sonia. Só gente assim, a Sonia fez uma reflexão que é importante, mas só esclarecendo algumas questões. O que a gente tinha combinado Soninha em janeiro, era fazer essas cinco oficinas com um número “x” de participantes. Por uma demanda da CNPI foi solicitado o aumento do número de participantes. Foi nesse momento então que a gente passou a não ter o recurso. Assim, eu queria desvincular isso um pouco da questão da copa. Porque a gente tinha se programado para fazer a oficina em um formato e com um número de pessoas. Por demanda da bancada indígena da CNPI foi solicitado que se aumentasse o número de representantes. E aí a gente colocou para esse número que foi solicitado que não teríamos o recurso disponível. Então só para a gente ter essa informação para se situar aqui no debate. Valcélio. Valcélio Terena - região Centro-Oeste: Bom dia a todos. Eu também sou representante da CNPI do Mato Grosso do Sul. Eu também participei dessa oficina em janeiro e realmente foi bastante discutida lá, conforme os companheiros já falaram aqui. É uma conversa que a gente acha que realmente é muito pesada e as trocas de conhecimento que nós tivemos com nossos parentes de outra região, realmente, ela tem grandes diferenças uma pela outra. No meu estado de Mato Grosso do Sul eu coloquei minha posição lá, que aonde eu moro ainda não existe essa questão da visita do turismo, por ter principalmente um corredor turístico que cruza a cidade de Campo Grande. É bonita não é? E a gente tem 9 aldeias ligadas a BR ali, mas ainda a gente está segurando. E quando a gente vê a fala que a presidente está passando para a gente aqui informativo, realmente foi discutido na oficina, que é uma discussão muito grande, a gente saber quem você está levando para dentro da aldeia, para que vai fazer e para que fins. Então uma grande realidade que nós na nossa região sempre temos e ainda está permanecendo ainda é a nossa organização lá dentro. Respeitamos muito a posição da FUNAI e também respeitamos muito a nossa liderança. Hoje na nossa terra indígena tem 9 aldeias. Então se, como o Marquinhos estava lembrando também da visita dos religiosos, se ele vai fazer uma visita em determinada aldeia, ele só vai naquela determinada aldeia e também com já uma previsão do que ele vai fazer, o que ele pode fazer e o que ele deixa de fazer. Por exemplo, tirar fotos, buscar extrair remédios, essas coisas, se a liderança autorizar ele pode extrair, caso contrário não é permitido. Então nós visamos assim, que a preocupação na terra indígena Buriti onde nós vivemos, se ele for fazer visita nas 9 aldeias, ele tem que fazer uma solicitação com as 9 lideranças se há possibilidade de fazer, caso contrário não, com a permanência também da FUNAI. E o que me traz preocupação também na região de Miranda é a aldeia de Lalima. Ela corta o Rio Miranda dentro da aldeia onde ela está sendo explorada. E nós também temos que preocupar com a questão da fiscalização e o monitoramento. Porque não por ela ser uma área indígena que ela vai ser aberta para os turistas estar praticamente posseando do lugar, que é uma área de preservação federal. E eu vejo também na Ilha de Gató lá de Corumbá, divisa com a Bolívia. Também nós temos que estar preocupados com essa fiscalização ambiental, que está muito uma falta de respeito para a nossa área lá. Então a gente tem uma preocupação muito grande. A questão das oficinas que a gente propôs, realmente para fazer em cada região, as cinco oficinas, realmente a gente também comunicou nas nossas comunidades que a gente ia fazer uma oficina para fazer, divulgar melhor esse sistema, mas enfim a gente fica meio descontente por esse lado. Mas eu acredito nos membros da CNPI, do movimento indígena, que realmente a gente vai estar fazendo isso acontecer de uma forma ou de outro, porque nós não podemos deixar parado. Porque na verdade a gente tem uma preocupação com as visitas turísticas, que eles às vezes não vão só para visitar, mas vem para explorar os nossos conhecimentos. Então isso é muito preocupante, mas é um cuidado que temos que ter. Quando o Titiah fala que algumas regiões já têm, já está exercendo essas visitas, mas ali ainda tem aquelas associações que eles montaram. E pelo que a gente pode observar eles estão quase um pouquinho organizado lá de um relacionamento com a associação, com a própria comunidade da liderança. Porque o fim de investimento que eles estão conseguindo, eles estão fazendo uma aplicação para a própria comunidade. Então eles estão sempre interagindo entre eles lá. E isso a gente precisa também trabalhar nas outras comunidades ainda para não dar aquele tal de conflito. Um grupo fazer uma associação daqui para uns fins e dar um constrangimento diferente. Então eu vejo que esse tema é bastante complicado a ser discutido e precisamos seguir a frente com ele. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Valcélio . Kohalue. Kohalue Karajá - região Amazônica: Kohalue Karajá, região amazônica, especialmente Tocantins. Eu só queria deixar registrado aqui, focando mais na minha região presidente. A gente está discutindo a questão do turismo na terra indígena. Do meu ponto de vista essa norma instrutiva deveria ser já... A última reunião que participei aqui em Brasília, o Valcélio acabou de falar, na ocasião realmente foi estabelecido que deveria acontecer as oficinas nas regiões e tal e daí agora essa surpresa para nós aí vai acontecer mais para frente. Enquanto isso na Ilha do Bananal, por exemplo, os próprios parentes resolveram instalar a pousada dentro da Ilha do Bananal em terra indígena. Essa denúncia é muito grave já se criou esse conflito entre parentes e o próprio fazendeiro também está por trás disso. E isso é ruim. A Ilha do Bananal hoje, por exemplo, está invadido pelos pescadores, os caçadores. Porque antigamente a FUNAI regional tinha os fiscais que ficavam na ponta proibindo a entrada dos pescadores. Infelizmente hoje não tem mais, foi desativado. Então eu pediria em nome do povo Karajá da Ilha do Bananal, o Javaé, que pudesse estar pensando em reativar essa fiscalização. Eu como estou respondendo a CTI do Araguaia lá, eu direto, a gente recebe, eu tenho que recorrer a regional de Palmas e enfim, Brasília e fica muito complicado para mim. Eu preciso da ajuda de vocês, eu acho que é isso. Mas assim, turismo poderia ser uma forma de levar a geração de renda para as populações indígenas da base. No caso do Araguaia as índias vendem artesanato, tipo: cerâmica, boneco de cerâmica, cocar, aquelas coisas lá como acontece com os outros povos da região. Apresentação culturais, enfim. Mas para isso precisa ter aval da FUNAI. Se não tiver isso eu acho, como está acontecendo lá, o pessoal implantou lá e está tendo conflito lá entre eles. Daqui a pouco vão querer se matar por isso aí. Porque realmente sai bastante dinheiro com isso. Então é isso. Muito obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigado Kohalue. Você quer fazer uma questão de ordem? Marquinhos, questão de ordem. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Só questão de ordem. Marcos Xucuru da região nordeste/leste. Eu mais uma vez venho aqui dizendo o seguinte, e, peço para o nosso parente refletir bastante em relação a isso. Primeiro assim, eu entendo que turismo religioso, ele não é e nunca foi para os povos indígenas uma fonte renda, porque os nossos costumes e tradições são outros. A nossa forma de sobrevivência é outra. Então eu não consigo compreender que turismo dentro de terra indígena é fonte de renda para os povos indígenas. Há uma situação que vem ocorrendo, que é influenciada pelos agentes externos que estão adentrando os territórios com essa visão do recurso. E com isso tem cooptado as lideranças, relatos aí falados pelo próprio companheiro, que está acontecendo. Então nisso há uma influência externa que precisa ser coibida. Eu não entendo que turismo religioso é algo pensado pelos povos indígenas para ganhar dinheiro. Está certo? Eu acho que nós temos que cuidar da terra, zelar da nossa mãe terra, produzir os nossos alimentos. E assim, o excedente se for o caso, e como acontece é comercializado. Trabalhando de forma respeitosamente o nosso território. Eu acho que isso sim é uma fonte de renda que os povos indígenas têm se trabalhado e tem feito nessa relação com o meio ambiente. Agora, turismo dentro do território indígena nunca foi e nem será. Essa questão está sendo influenciada, que está sendo fomentada para dentro dos territórios indígenas em uma situação que nos traz agora esse projeto de lei que se tramita em regime de urgência no Congresso Nacional. Esse projeto é de, o acesso ao patrimônio genético e colado a isso essa discussão. Então vai escancarar de fato as terras indígenas e vai ser de uma tamanha violência, que nós precisamos tomar muito cuidado em relação a isso. Então meu questionamento enquanto liderança e aqui representando os povos indígenas do nordeste é veemente contra essa questão do turismo religioso dentro das terras indígenas. Esse é o meu posicionamento aqui na CNPI. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Marquinhos. Não foi uma questão de ordem, foi uma fala. Lindomar Xokó. Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: Bom dia a todos. Lindomar do povo Xokó, estado de Sergipe e CNPI do nordeste. Eu gostaria mesmo que a mesa pudesse encaminhar, porque para mim, eu fiz parte daquele evento de janeiro, a minha posição também é reafirmar aqui a nossa posição de levar para as bases, que vemos que é complexa a situação. E que se leve já que não tem recursos, que se leve para as conferências regionais e locais. E que a mesa possa encaminhar, porque nós estamos perdendo tempo, para que possamos entrar na conferência. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Perfeito. Lourenço, quer falar? Temos Lourenço, Ak’Jabor e Brasílio. Alguém abre mão em prol do encaminhamento? Não. Todo mundo quer falar. Lourenço Milhomem - região Amazônica: Bom, Lourenço Krikati da região norte. Eu quero dizer que uma posição como a organização da Amazônia que a gente acompanha hoje. Dizer para os colegas da bancada indígena, nós convivemos com realidades diferentes da região. Eu estive uns dois meses atrás mais ou menos em uma região de Manaus, onde umas comunidade, principalmente na Amazonas já estão fazendo atividade turismo/pesca e constantemente já divulgando na imprensa. E isso preocupou nós. Os próprios já estão tentando regularizar dentro do próprio município e a discussão já para o estado do Amazonas. Então eu quero dizer aqui que precisa sim de discussão para aquelas comunidades que já estão fazendo uma atividade sem sequer uma orientação de como dar a segurança. Realmente se estão fazendo a coisa certo ou errado. Então precisa sim ser uma discussão séria, delicado. Mas que precisamos, principalmente a FUNAI, uma discussão para aquelas comunidades que já estão fazendo atividade. Isso preocupa muito, não é dizer não, vamos discutir só amanhã ou depois enquanto as coisas estão acontecendo. Esse é caso a caso. Então me preocupa muito nesse momento. Eu tive essa discussão lá, a própria COIAB sentamos, olhamos e achamos que na coordenação e algumas lideranças se posicionaram contra. Mas enquanto a gente está esperando, as coisas estão acontecendo. Assim como na RET. Nós tivemos posição contrária, enquanto já o pessoal de Rondônia já estava discutindo já e tentando fechar as coisas. Não é assim. Então eu acho que cada povo nós respeitamos a posição, a decisão de cada povo, de cada comunidade, o olhar, a visão deles. Então a gente tem que começar principalmente a ter cuidado. Então eu quero me posicionar nesse momento, que precisa sim de uma discussão para cada região com urgência sim, para ver, acompanhar, ver se realmente como o próprio relato de alguns. Alguns lugares está tendo problemas, conflitos por falta de preparação, de ser organizarem, conflitos internos entre lideranças, comunidades. Porque não discutiram bem, não tiveram um foco de qual objetivo, a liberação de turismo de qualquer forma e não tiveram essa discussão com certeza e por isso está tendo conflito. Em alguns lugares já estão fazendo, porque estão se organizando. É o meio que tem, eu acho assim pela fala de uma indígena que fala: é o meio. É uma parte que nós... Se os brancos estão lá fazendo de qualquer jeito, porque não nós fechamos e nós mesmos fazemos essa questão de turismo e pesca? Principalmente o exemplo que já deixou bem claro que já estão divulgando. Então me preocupa muito. É região por região. Amazonas é extenso, nós não acompanhamos todas as comunidades, todo o território, mas a informação chega para nós. Então eu queria assim pela COIAB deixar bem claro, não é toda região da Amazônia, mas algumas comunidades, mas digamos os que vivem isolados estão fazendo acontecer o turismo. Com o próprio Tocantins, acabou a fala do Kohalue, preocupa. No dia 4 a 5 haverá uma reunião naquela região. Não é isso Kohalue? Só confirmando em setembro. Já convidaram a COIAB, prestem atenção. É um assunto que está referente a saúde, mas querem discutir “n” problemas que está acontecendo. E convidaram a COIAB para estar repassando o que está sendo discutido para que possam entrar em entendimento e buscar uma forma melhor para toda a comunidade e foi essa o convite. É importante então já ouvindo a exemplo de algumas regiões poderão já aproveitando essa oportunidade e ao mesmo tempo será convidada a FUNAI, mas eu quero assim já fazer esse convite como forma, o convite foi mandado para a COIAB, alguém dessa área apenas para a gente esclarecer e informar a posição como Governo e nós como bancada indígena para as comunidades daquela região nessa data. Então já está confirmado pelo convite, mas apenas de estar articulando a participação da COIAB para reinformar essas discussões, esse tema que nós estamos discutindo e principalmente da conferência que vai ter muitos indígenas lá de quase toda a região. Então aproveitando a oportunidade eu já estou informando a minha preocupação nesse tema. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Lourenço. Próximo é o Ak’Jabor. Ak’Jabor Kayapó - região Amazônica: Ak’Jabor Kayapó, estado do Pará e CNPI. Eu quero contribuir um pouco, os parentes já falaram. Reforçar o que os parentes falaram, que a questão de turismo dentro da terra indígena. Um dia já foi, aconteceu lá na minha região dentro dos Kaiapó e o cacique Paulino Paiakan fizeram contato com o pessoal de fora e não sei se já foi legalizado ou não, porque o pessoal está entrando lá direto. E também através da Associação Floresta Protegida. Então têm outros também. Tem pessoas que está lá em São Felix do Xingu, foi e conversaram com o cacique Mudiko e levaram muito turismo pra o Xingu, muita gente foi para lá pescando. E eu ouvi falar e depois eu fui para ver pessoalmente. Eu fui e perguntaram as pessoas. Também a FUNAI de lá foi e mandaram turismo para lá sem consultar os caciques. E chegou turismo lá e os guerreiros prendeu tudo, as coisas dele tudo. Levaram canoa lá na casa do guerreiro e prendeu motor, prendeu tudo. E o pessoal está lá. Então logo logo a FUNAI pediu para mim ajudar eles, conversar com as lideranças, o pessoal lá. E eu fui. Daí mesmo que conversaram com o pessoal. Como que vocês recebem? O turismo entra, tem que pagar entrada para quem? Para você, para a FUNAI, como que é isso? Eu perguntei. E também quanto custo ele pode pagar para você entrar? Eu quero saber, você vai entrar e fazer o quê? Tirar foto, vai pescar, vai levar? Como é que compra artesanato ou fazer uma pintura? Como é que é? Eu perguntaro muita coisa. Eu quero saber, porque eu nunca vê o turismo que está na área indígena. Mas eu quero saber tudo lá dentro. Então ele me explicou que não, nós estamos pagando para o cacique e nós estamos pescando. Eu falei não, eu ouvi falar e ouvi também que a turismo de dois barcos grandes foi para lá e levaram muita bebida alcoólica e talvez sujar a água. Esse é o meio ambiente e ele não está fiscalizando. Então eu explicar para os caciques de lá: cacique é o seguinte, você tem que ter muito cuidado, porque é o turismo que pode entrar e fazer do jeito que quer, mas eu também estou precisando que a FUNAI pode acompanhar essa pessoa. E também você tem que ter muito cuidado, esse pessoal que pode ver aqui, como igual a professora falar, que entra, que já vai tirar foto. Já vai pegar alguma folha, folha de plantação de medicina. Pode pegar e leva para a cidade. E pode pegar a pedra e tem que ter muito cuidado, tem que ter junto, tentar junto com o pessoal. E ainda eles pode levar arraia também. E levar arraia. Uma arraia custa 800 reais. Uma arraia. Então é o seguinte, ele pagou 200 e na cidade ele pagou 800. Vende para fora para 10 mil, 5 mil. Então foi assim que foi acontecendo lá que eu vejo. Então é melhor que nós vamos esclarecer logo e contar as coisa abertamente, para nós atento e estudar antes do pessoal que entra. Então não pode, isso aí não é para derrubar, sujar a água, essa coisa não. Isso aí que é bom, mas tem do outro lado que é muito ruim para gente. Como é igual os parentes falaram que tem um turismo religioso que foi lá. Chega lá e já vai juntar os índios, vai tirar o que nós tem. Falaram, não, fica com a gente. Como é igual antigamente que o padre não quer que o índio namorar, índio não pode casar e não sei o quê, muita coisa. Perdeu pronto, por isso que nossos parentes vai, nosso parente foi perdido. E também nós os índios que tem que acompanhar as pessoas. Que tem várias, muitas dos nossos parentes isolados também, como nós conversamos aqui ontem. Também e ele tem que acompanhar e qualquer coisa. Porque um dia o pessoal que foi para lá pegar flecha mesmo, tem uns parentes que está no mato. Poder acompanhar para poder conversar com esses parentes que está no mato. E aí pode ser, o turismo pode matar esses parentes que está no mato e sem saber de nada. Como igual que eu falei, tem um parente lá no mato, o turismo que entraram direto já foi acontecido e depois nós descobrimos isso há muito tempo. Então era isso parente, era isso presidente. Era isso que eu quero colocar para vocês encaminhar. Ok. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Ak’Jabor. Brasílio, último inscrito. Brasílio Priprá - Xokleng - região Sul/Sudeste: Brasílio Priprá - Xokleng região Sul/Sudeste, povo Xokleng de Santa Catarina. Eu sou meio rápido, eu acho que vou na mesma linha dos companheiros aí, o turismo em terra indígena é uma coisa que preocupa. Eu acho que se faz isso em algum lugar do país, mas eu tenho muita preocupação. Eu tenho muita preocupação no sentido dos índios isolados, de outros índios que ainda não tenho contato, que não conhece, eu vou dizer assim bem clara, a malandragem dos não índios. Na verdade a gente que já está muito tempo indo para cá e conhece algumas coisinhas, ainda não consegue assimilar como há a ganância, a vontade do não índio a chegar a um limite que talvez nem exista. Então na verdade assim eu me preocupo. Eu acho que deve ser uma coisa muito conversado, muito acertado. Cada caso é cada caso. Então na verdade precisa se conversar, porque na verdade as lideranças hoje, a comunidade indígena no modo geral não estão preparados para receber turismo em terra indígena. Porque entra muita gente boa, mas entra muita gente com mal intenção. Então eu acho que o Governo deve ter esse cuidado, nós devemos ter esse cuidado, porque essa é nossa obrigação, discutir, dar segurança para as comunidades indígenas. Que na verdade eles têm uma inocência muito grande. O que dizem para eles às vezes é verdade para eles, mas na realidade não é. Então eu acho assim que precisamos discutir muito. No sul é bem diferente, mas existe essa grande dificuldade de pessoas, quando tem uma oportunidade sempre alguma coisa sai de lá desnecessariamente. Então meu obrigado. É isso que eu deixo aqui, obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Brasílio. Bom, então pessoal para a gente tentar encaminhar. Eu acho assim o que o Ak’Jabor colocou aqui eu achei que ilustrou bastante situações que nós da FUNAI também enxergamos. Que é o que? Alguns caciques decidindo a realização desse tipo de visitação, desse tipo de turismo.... E nós da FUNAI sem termos como, por exemplo, monitorar, fiscalizar. Impedir, por exemplo, a pessoa de tirar uma arraia de dentro de um rio. Por que a gente está impedida de fazer isso? Porque não tem regra, não tem norma. Ninguém sabe hoje o que pode e o que não pode fazer, porque isso não tem um regimento que estabeleça qual é o nosso papel. Quer dizer, a gente da FUNAI quando sabe de um caso desses, eu posso mandar um servidor nosso da região para acompanhar e impedir com que essa pessoa que está fazendo a visitação, está dentro da terra indígena realize a retirada de folha de planta? O cacique pode dizer assim: não, quem manda aqui é a gente, a FUNAI não tem responsabilidade em relação a isso. Então nós estamos em uma posição muito difícil. Inclusive para coibir práticas negativas em relação aos povos, as comunidades e as terras indígenas. E é por isso que hoje, quem está fazendo esse tipo de situação hoje, está fazendo sem se pautar em nenhuma regra. Ou seja, não tem consulta a comunidade. Não se sabe o que pode e o que não pode ser feito dentro da terra indígena. Não se sabe se pode ou não pode entrar com bebida com bebida alcoólica, o que completamente equivocado. Não se sabe se pode usar o rio. Não tem nada definido. E nós da FUNAI ficamos sabendo desses casos, vendo esse tipo de situação e impedidos de tomar qualquer tipo de medida Ak’Jabor e inclusive acompanhar como você sugeriu, porque não tem um regramento que estabeleça o que a gente pode e que não pode fazer. Então os casos que estão acontecendo hoje, eles estão acontecendo sem regra nenhuma para proteger as comunidades e as terras indígenas. Então o que eu queria propor para vocês aqui para a gente encaminhar hoje? Primeiro ponto, a gente aprofundar esse debate, esclarecer, informar, descer nas pontas para conversar com o maior número possível de pessoas e usar sobretudo, a conferência para acumular enfim, reflexão e material sobre esse tema. Então a gente aprofundaria o debate sobre o geral, os problemas, se isso será possível, se não será e tudo o mais. A segunda coisa que eu queria propor é que a gente entrasse em consenso aqui entre nós a possibilidade da FUNAI soltar essa instrução normativa para interno, para uso da FUNAI. Ou seja, para dizer o que a FUNAI pode e não pode fazer quando pega casos desse tipo. Eu tenho que poder pedir para um servidor meu impedir que uma pessoa que vá fazer uma visitação dentro de uma terra indígena retire uma coisa que não é dele. Só que hoje eu não tenho isso escrito em lugar nenhum. Eu não tenho uma norma, não tenho uma regra. Então para a gente coibir situações abusivas dentro de cenários e situações que já estão acontecendo, a gente precisa dessa instrução normativa. Então eu queria pactuar isso aqui com vocês. Algumas pessoas que participaram aqui em janeiro conhecem essa proposta. Jamais evidentemente, a gente usaria a reunião de janeiro para trabalhar qualquer tipo de lei e legitimação dessa normativa por parte dos indígenas que estiveram presentes. Eu acho que foi um debate para a gente trocar idéias, para a gente amadurecer essa reflexão, essa discussão com vocês, mas em nenhum momento isso, a participação dos indígenas nessa oficina serviria ou a gente usaria isto como um argumento de que isso seria legitimado pelas lideranças ou representações indígenas que estiveram presentes na oficina de janeiro. Mas a gente precisa ter um tipo de orientação mínima dentro da FUNAI para poder lidar com esses casos que já estão acontecendo. Mais de um exemplo foi citado aqui, o Marquinhos citou, o Titiah citou, o Ak’Jabor citou, o Capitão citou, o Kohalue. Quer dizer, as coisas estão acontecendo. E estão acontecendo, seja por iniciativa da comunidade, dos caciques que sabem o que estão fazendo ou seja porque as comunidades estão sendo influenciadas negativamente por pessoas que tem interesse nessas atividades. E o mínimo que a gente precisa fazer enquanto FUNAI é dar informação para as comunidades. É poder ir lá quando chega uma situação, um pedido de autorização da FUNAI para isso é dizer: gente, vocês estão pedindo para a gente para fazer isso aqui, isso pode trazer esse e esse prejuízo. Vocês querem fazer? A comunidade toda está sabendo? Todo mundo está de acordo? Quer dizer, minimamente ter um procedimento para que a gente possa conversar, dialogar, informar, coibir abusos. Então é isso que eu queria propor aqui, da gente aprofundar o debate inclusive usando a conferência. Se a gente tiver já a possibilidade de fazer algumas atividades com recurso da FUNAI desse ano e se isso não for interferir no nosso procedimento de discussão e realização da conferência, nós já podemos fazer com o recurso que a gente tem hoje. Mas a gente tira e pactua aqui que a gente solta essa instrução normativa. Que pelo menos nós vamos ter algum poder de impedir que abusos aconteçam quando os casos concretos já estão se realizando. Então era essa proposta que eu queria fazer para vocês. Alguém quer falar em relação à proposta? Silêncio. Querem refletir enfim? Vai Dílson, traz uma solução aí para nós. Dílson Ingaricó - Região Amazônica: Dílson estado de Roraima. Diante das preocupações, eu gostaria primeiro de, por uma questão de esclarecimento do que nós estamos entendendo, a relação da atividade turística. A atividade de turismo está relacionado a sobrevivência das comunidades indígenas. Essa discussão está surgindo por parte das comunidades indígenas. Em Roraima, como, por exemplo, nós também tivemos, rapidamente o exemplo, nós tivemos uma vista para Monte Caburaí. Primeira experiência, o que aconteceu? Colocamos guias treinados pelo IFE com conhecimento técnico deles e nós tínhamos guias treinados por nós, pelos Ingarikó. Para a gente comparar qual é o cuidado que tem no sistema e qual é o cuidado que tem nos direitos naturais indígenas. E nós, o que mais deu resultado positivo foi direito natural dos povos indígenas. Ou seja, que não está muito ligado com o sistema do Governo. Porque a comunidade é que conhece a realidade, porque quer que seja realizada a atividade turística. E para a gente poder desenvolver uma atividade turística tem que surgir por parte da comunidade. Quando é de interesse do Governo é muito difícil a gente controlar. Mas também é impossível implantar uma atividade turística que seja da empresa que não tem diálogo nenhum com as comunidades indígenas. Então nesse caso é muito maduro quando a gente vem para representar, seja aqui na CNPI, em qualquer conferência a nível nacional e internacional que fale da atividade turística na terra indígena é muito maduro representantes trazerem as propostas. Porque a gente convive lá já no dia a dia da comunidade. A primeira pergunta que a gente se faz em uma discussão: qual é a alternativa econômica que nós precisamos implantar nas comunidades indígenas? Artesanato, produção de artesanato. Sim, nós temos artesanato. E quem vai comprar o artesanato? Para onde vai esse artesanato? É o turista que vai ter que vir aqui ou nós vamos ter que levar e produzir aqui na comunidade e levar para a cidade? São alternativas que a gente tem que discutir os caminhos definidos pelas próprias comunidades indígenas que tem interesse de fazer e ter a garantia de economia relacionada ao sistema. O dinheiro – sempre eu falo assim: olha, povos indígenas começaram a perceber, mergulharam dentro do sistema e estão fazendo parte do sistema econômico do mundo. Porque a nossa vida era de trocar, seja essa troca por uma caneta ou por uma flecha. Hoje ninguém desenvolve isso, hoje a gente quer comprar com dinheiro. E as nossas comunidades também já usufruem o dinheiro. E aí primeiro se coloca essa questão do dinheiro. Você colocou dinheiro em primeiro lugar sem a discussão do sistema local você não tem como encontrar o caminho. Eu posso dizer para o meu amigo aqui Lindomar, você não pode fazer isso, mas eu quero, eu vou desenvolver a minha atividade. Ele disse que não vai, mas ele indiretamente participa. Então eu gostaria de esclarecer assim, a política nossa interna, para a gente aceitar esse tipo de atividade, precisa estar esclarecida, precisa estar amadurecida internamente. Sem amadurecimento das comunidades indígenas a nível regional, a nível da comunidade, a nível da cultura é impossível da gente implantar uma atividade turística. Não só atividade turística, educação escolar indígena também tem os seus perigos. Quando a gente trabalha com o mesmo sistema do Estado, esse processo de colonização continua ainda. Que a gente está colocando como descolonização. A gente acaba tomando o tempo das crianças para estar em sala de aula que nem como o sistema coloca. Aquilo ali diminui a convivência social, cultural das crianças. Tem gente impondo essa outra forma de conviver. Também é um ponto negativo. Na saúde será que tem ponto negativo? Existe ponto negativo também, mas também ajuda em outras partes. E outros, estrada. Tem muita lutando para que seja aberta estrada na terra indígena. Acham que estão isolados. Acham que a construção da escola não vai para lá, posto de saúde não vai para lá, porque não tem estrada. A partir do momento que entrar estrada também tem seus pontos negativos. Então a gente precisa estudar pontos negativos, pontos positivos. Se tem em grande parte pontos negativos, como nós vamos enfrentar. Se tem pontos positivos, como que nós vamos gerenciar isso junto com as comunidades indígenas, que eu acho que é importante. Como nós já temos pessoas interessadas considerando a proposta da FUNAI, já discutido também com lideranças indígenas, através do seminário. Seminário ou oficina? Uma oficina que já aconteceu aqui em Brasília e já definiram algumas coisas para atender a demanda já existente, daqueles indígenas que já estão desenvolvendo atividade turística, mas sem normatização nenhum. E a falta dessa normatização diminui a força da FUNAI, porque não tem uma normatização para se dizer: olha lá no Ak’Jabor roubaram um tamanduá. Mas aí a parte legal falta para que a FUNAI entre com os seus deveres para ajudar as comunidades indígenas. Então a gente tem que olhar o que a gente tem que avançar e o que a gente precisa discutir melhor. Eu acho que essa questão da macro oficina que vai acontecer, onde vai vir várias lideranças indígenas. Espero que venham mais representantes. Por fim, por mais que seja uma regulamentação interna da FUNAI tem que haver a participação sim dos povos indígenas, dos que não estão desenvolvendo. E os que estão desenvolvendo para a gente poder definir. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Dílson. Tem duas pessoas que se inscreveram. Primeiro eu queria só fazer um comentário, que eu acho que essa fala do Dílson me fez compreender que talvez não tenha ficado claro. Quando eu estou falando dessa questão da instrução normativa e tudo o mais, eu estou falando da gente responder essas situações que foram demandadas por comunidades, por povos indígenas. Nós não estamos falando da FUNAI tratar das situações de turismo que são demandados por atores externos. Ou seja, empresas, enfim outros órgãos de Governo.... não estamos falando disso. O que a gente está tratando aqui e as situações que a gente acha que são emergenciais, são os atos que os próprios indígenas estão demandando a realização dessa atividade. Então para esses casos é que a gente está propondo ter uma instrução normativa para coibir abusos, impedir que situações negativas sejam realizadas dentro da terra indígena, quando isso já está acontecendo. Então assim, não estamos tratando nesse momento de situações de interesse de atores externos aos povos e comunidades indígenas. A Soninha colocou aqui o interesse da copa, existiu essa discussão, nós queríamos ter essa discussão de maneira mais aprofundada com o Ministério do Turismo. E como eu expliquei para vocês, isso não foi possível de acontecer. Nesse sentido a gente até pediu o apoio da Casa Civil para intermediar esse diálogo, chamar para um grupo de trabalho para fazer essa discussão entre os órgãos, mas eu estou entendendo que isso é um passo que está lá na frente pelo que a gente está discutindo aqui. Que o que a gente tem que tratar nesse momento são esses casos que a gente já tem acontecendo. E que nós da FUNAI precisamos ter esse instrumento para minimamente monitorar, conversar essas comunidades, entender o que está acontecendo e impedir que ações negativas se deem. E aprofundar o debate mais amplo e conceitual sobre sustentabilidade, uso de recursos naturais, enfim, biodiversidade, que estão ligadas sim, ao turismo. Eu compreendo e concordo com esse receio de vocês, que não dá para tratar isso de maneira superficial. Isso está ligado ao aproveitamento de recursos naturais, tem interesse comercial e econômico envolvido nisso e se a gente não estiver apropriada, refletindo de maneira madura e aprofundada sobre esse tema, nós podemos ter problemas. Então eu acho que foi muito importante o Dílson ter me chamado a atenção para isso. Que o que a gente está falando aqui nessa mesa, nesse momento, são ainda os casos em que há interesse da comunidade em promover essas atividades. E não interesse de atores internos que estão chegando para a FUNAI. Isso a gente não está nem analisando. Porque isso não está regulamentado, precisa intensificar esse debate, que se a gente receber esse tipo de situação, a gente não vai nem avaliar enquanto FUNAI. A gente vai avaliar o que foi demandado e solicitado pelas comunidades indígenas. Oh seguinte gente, só para a gente organizar a reunião, o Daniel e o Paulino se inscreveram para falar. Agora são dez para meio-dia, a gente ainda tem aquela rápida participação da Patrícia da CGPDS aqui da FUNAI que vai falar, dar um informe muito rápido para vocês sobre aquele assunto que a gente discutiu ontem do acesso à documentação e vamos distribuir aquela cartilha que a gente comentou ontem e que saiu agora em parceria com a SDH sobre esse tema. Então consulto a nossa plenária aqui, interrompemos esse assunto que ainda pode gerar um debate mais longo ou retomamos ele hoje ou amanhã. E as falas do Daniel e do Paulino a gente retomaria em um segundo momento. Ou temos condição já de encaminhar esse assunto? Fazemos as duas falas e vamos para o encaminhamento? Podemos então tentar encaminhar? Daniel e Paulino, por favor, rápido para a gente poder garantir aqui o nosso horário. Daniel Pierri - CTI: Bom dia a todos. Daniel Pierri do Centro de Trabalho Indigenista. É bem rápido mesmo que eu queria colocar, só que eu estou ouvindo a fala de todos os companheiros aqui da mesa e de todos os que colocaram eu vi que de fato é um assunto muito complexo. E como a Guta apresentou no início da fala, não foi exatamente um tema que a gente discutiu no âmbito da CNPI. Foi em outro fórum do qual várias pessoas participaram. E as pessoas que participaram aqui deram um relato e parece que não tem um consenso sobre esse assunto. Então essa proposta que a Guta coloca, me parece que teria que ser colocado assim, nessa ponderação de uma outra forma. Eu acho que não cabe a gente referendar ou não essa instrução normativa que a FUNAI propõe. Eu acho que se a FUNAI tem o interesse de fazer, ela tem que fazer sob a sua própria responsabilidade. O que me preocupa é simplesmente a gente referendar isso como um processo, pensando na verdade em uma forma de preservar o caráter desse espaço. É isso o que me preocupa mais, eu não quero nem entrar no conteúdo da discussão. Eu só acho que se a FUNAI quer fazer isso, se entende que deve fazer isso tem que fazer por sua própria responsabilidade. Então é só essa colocação. Obrigado. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Na verdade o tema é muito complexo, a gente viu aqui, não tanto de divergências de mérito, mas de realidades tão distintas. Uma questão muito grave Guta, eu fiquei um dia, um tempo atrás quando eu trabalhei na COIAB, por mais que o Governo, por mais que a FUNAI se reestrutura é tão difícil essa questão do turismo, porque os turistas chegam munidos de câmeras, de filmadoras e o índio vai explicar, essa planta serve para isso e os caras vão filmando e tudo para um dia curto e grosso tomarem conta dos princípios ativos das medicinas tradicionais, enfim. É seríssimo, a pirataria está aí. Isso com iniciativas em curso ou não, acontece muito. Nesse sentido a gente tem esse mesmo entendimento. Em primeiro não podemos entrar e cair em contradição. Primeiro se abriu a perspectiva que a gente tem que debater mesmo no âmbito no próprio planejamento da PNGATI e, sobretudo, a conferência. Então a nível local, regional e nacional. E não pode ao mesmo tempo querer o aval da CNPI e implementar uma instrução normativa. E acho que é viável sim que a FUNAI, como disse o Daniel: baixe uma instrução normativa dentro de sua própria responsabilidade constitucional de zelar pela proteção e vigilância e fiscalização das terras indígenas. Isso é se responsabilizar. Em alguns momentos a FUNAI já baixou tantas instruções normativas, parece que deram errado, mas tem que de fato se incorporar essa responsabilidade e dar embasamento jurídico e envolver todas as coordenações regionais em um entendimento e na execução desse caminho que eu acho que é urgente. E ser coerente para que não aconteça. E eu fico muito preocupado em exatamente esse, zelando pela integridade política e moral nessas lideranças que estão na CNPI, seja da bancada ou do movimento. Para não acontecer o que aconteceu no tempo da reestruturação. E acho que nesse momento poderemos dar corpo a um instrumento jurídico consensual, mas isso vai ser resultado de um debate longo, que não se reduz a baixar uma instrução. Que parece que agora se deixa entender que todo mundo pode fazer turismo, porque tem essas normas. Não, eu acho que tem que ser muito mais trabalhada, com mais calma para não ferir e comprometer a integridade e a representatividade dessas lideranças. Essa é a minha contribuição. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Paulino. Bom, gente eu acho que assim, dada a sensibilidade do assunto, eu estou entendendo aqui que nós todos acabamos nos confundindo e nos atrapalhando nesse processo. Por quê? Porque a gente entendia que a FUNAI tinha que ter esse conjunto de regras que realmente o Paulino expressou com bastante propriedade, fazem parte da atribuição de fiscalização da FUNAI em relação as terras indígenas. Como o assunto é muito sensível, a gente quis discutir com alguns representantes indígenas antes. Só que nesse debate a gente acabou já incluindo a preocupação muito maior que é do debate conceitual mesmo. Em que termos isso pode ser feito, se vai ser feito, com que interesse? Entrar a discussão de interesses econômicos nessas atividades, enfim. Que é um debate que nós vamos ter que aprofundar nessas instâncias: PNGATI, Conferência Nacional e tudo o mais. Como a gente quis discutir e houve essa preocupação dos representantes indígenas se isso significaria um primeiro passo de repente para abrir para situações muito negativas e de entrada de interesses externos, isso tomou uma proporção maior do que deveria, eu acho. Eu estou concluindo isso hoje, me dando conta do debate que a gente está fazendo, que são realmente coisas distintas. A gente precisa ter essa regulamentação da FUNAI, que em momento nenhum e o Daniel colocou muito bem, a gente precisa usar esse espaço aqui para referendar ou legitimar essa atribuição, que é uma atribuição da FUNAI. Então vamos trabalhar essa instrução normativa para os casos que chegarem por demanda das comunidades e vamos aprofundar o debate conceitual nessas outras instâncias, está certo? E aí eu coloco para o governo também a necessidade de a gente pensar internamente se realmente, como que está essa discussão em âmbito de Governo? Se é necessário a gente já iniciar essa discussão com o Ministério do Turismo, como tinha pensado isso? Para entender ainda como que cada órgão de Governo está se posicionando nesse debate. Ou se não, não é o momento de fazer isso agora. E a gente traria esse debate, os próprios Ministérios que tem que se envolver nesse debate, para dentro dos espaços e das instâncias da PNGATI e da Conferência Nacional da Política indigenista. Fechado então gente? O que a gente está definindo aqui? Nós vamos trabalhar e vamos soltar a nossa instrução normativa para trabalhar fiscalização nos casos em que isto está acontecendo, onde haja demanda e solicitação de apreciação por parte das comunidades. E jamais trabalhar isso de maneira espontânea ou por interesse de qualquer outro ator governamental ou privado, não governamental em relação a atividade de visitação em terra indígena com finalidade turística. E vamos organizar o nosso processo de intensificação e aprofundamento desse debate nas instâncias da PNGATI e Conferência Nacional. E se tivermos recursos até pensar em outras atividades ainda esse ano para fazer essa discussão. Temos acordo? Bom, avançamos em um ponto bastante importante. E vamos passar então para a fala rapidinha da Patrícia sobre a questão do acesso a documentação. Obrigada Júlio. Patrícia/FUNAI: Bom dia todos e a todas. Eu sou Patrícia. Eu acho que alguns aqui já me conhecem. A Guta me ligou ontem e me pediu para dar um informe aqui sobre a cartilha e como que está o acesso a documentação básica o que nós temos trabalhado ultimamente. A Secretaria de Direitos Humanos no começo desse ano nos procurou para colocar uma situação que era a seguinte, eles passavam recursos para os municípios e estados para trabalharem em mutirões de documentação para os indígenas e esse dinheiro não era executado nem pelos municípios e nem pelo estado. Então no ano passado eles tiveram um montante de cerca de 350 mil e sobrou 250 mil reais que os municípios e estados devolveram a SDH por não trabalharem nos mutirões de documentação e nem oficinas de acessibilidade a documentação. Então eles nos procuraram e perguntaram: vocês não querem trabalhar esse recurso e trabalhar de uma maneira mais efetiva a questão da documentação, os mutirões e essas oficinas? E nós respondemos que sim, claro. É até uma maneira de uma garantia mais efetiva de que essas ações iriam acontecer. Então no meio desse ano, a presidente Maria Augusta assinou um acordo de cooperação com a Secretaria de Direitos Humanos, no qual eles passaram o destaque orçamentário para a FUNAI de 350 mil reais, para trabalharmos algumas oficinas de acessibilidade a documentação. E também mutirões de documentação. E por que trabalhar oficina e mutirão? Por que não trabalhar só mutirão que é onde tira o documento e tal? Nós temos uma leitura que mutirão por si só, ele não resolve o problema. A partir do momento em que você termina o mutirão todo o passivo recomeça naquele próprio instante. Então você fazer só mutirão não resolve a situação. O que nós precisamos trabalhar são oficinas de acessibilidade. E então quando a criança nasce, ela tem que estar garantido de que se os pais quiserem fazer o registro civil de nascimento dela, retirar a documentação daquela criança, ela tem que ter todo o caminho livre, sem problemas para fazer aquilo. Então para isso a gente precisa de uma articulação, tanto com a SESAI com o município, com o estado e fazer com que essa rede realmente funcione nas escolas também. Que muitas vezes algumas crianças estão nascendo, a mãe passa a gravides inteira sendo acompanhada pela SESAI e tal. E quando a criança nasce você tem a declaração de nascido vivo, a mãe vai ao cartório para fazer o registro do filho, mas a própria mãe não tem nenhum tipo de registro, não tem certidão de nascimento, não tem nada. Então ela não pode fazer o registro do filho dela enquanto ela não se registrar. Então por isso que a gente precisa começar a trabalhar a questão da acessibilidade, por exemplo, com a SESAI. Assim que eles identificarem que uma mãe que vai dar à luz está sem a documentação, a gente precisa fazer com que essa mãe e o pai das crianças tenha essa documentação, para que quando a criança nascer, ela possa ter acesso a documentação ali, do jeito que deve ser sem nenhum problema. Para além disso, a gente não conseguiu abarcar todas as coordenações regionais da FUNAI com isso. 350 mil não é um dinheiro que a gente conseguiria fazer oficinas em todas as áreas. Então nós realizamos aquelas áreas que tem um índice, digamos de vulnerabilidade colocada inclusive pela SDH, um índice baixo de registro civil de nascimento. E aí eu trouxe aqui para colocar para vocês, as áreas prioritárias para esse ano, tudo o que está sendo trabalhado para esse ano. Para as oficinas de acessibilidade que nós estamos falando é Roraima, Campo Grande, Ponta Porã e Dourados que é uma região ali que tem muitos problemas com cartório. Eles se recusam muitas vezes a registrar as crianças e principalmente os adultos. O Alto Rio Negro, o Alto Solimões e o interior sul. E para as ações de mutirão nós fizemos uma ação casada com as coordenações regionais no seguinte sentido: nós verificamos quem tinha demanda para mutirão e nós incluímos nessa ação da SDH. Quem nos apresentou essa demanda foram: Maranhão, Tapajós, Sul do Pará, Cuiabá, Alto Solimões, Baixo São Francisco, Alto Purus, Madeira, Médio Purus e Ponta Porã. Então vocês podem ver que as ações de mutirão dialogam com as regiões das oficinas. E a nossa idéia é para o próximo ano continuar com essa ação de destaque da SDH. A gente tem uma contrapartida grande e da FUNAI também, que é cerca de 330 mil reais. Então a ação toda custa quase 1 milhão para essas oficinas de acessibilidade e para os mutirões. E para o próximo ano abarcar as outras regiões da FUNAI que não foram colocadas agora nesse acordo de cooperação. Então provavelmente isso aqui vai ter um aditivo para o ano que vem com outras áreas e afins. Isso aqui eu acho que é um marco para nós, porque é a primeira vez que a FUNAI executa um dinheiro da SDH para mutirões e para essas oficinas. A gente ainda não tinha trabalhado dessa maneira, até uma prestação de contas bem diferente que nós temos que trabalhar para fazer isso na SDH. E também outra questão que estava parada há algum tempo Guta, foi essa cartilha aqui sobre o registro civil de nascimento. O registro civil de nascimento que é a certidão de nascimento é o primeiro passo para você conseguir qualquer tipo de outra documentação, qualquer coisa. Se você não tem seu registro civil, o Estado não te reconhece muitas vezes quanto existente no país, como cidadão. Então essa cartilha compila algumas perguntas que chegavam até nós e que muitas vezes podem parecer muito básicas, mas elas são fundamentais. Por exemplo, eu posso mudar meu nome do meu registro civil de nascimento? Com o passar dos anos algumas etnias mudam de nome, eu posso fazer isso? Pode, está marcado aqui e aqui está escrito como fazer isso. Eu tenho que pagar por uma segunda via da certidão? Sim ou não? Também está colocado aqui na... Meu nome indígena, ele pode constar no meu registro civil? Pode, porque aqui está a legislação, aqui está colocado tudo. Então assim, fala um pouquinho dos outros documentos civis também, mas tende a colocar o registro civil de nascimento como prioritário. Fala aqui de prazo, fala que eles têm direito de escolher seus nomes enquanto sua cultura. Depois fala um pouquinho dos outros documentos. E essa cartilha aqui tem um enfoque tanto para os indígenas, quanto para os registradores que são os cartórios. Então a gente pretende fazer um trabalho forte com os próprios cartórios, porque a gente sabe que ali está um problema grande que são os donos dos cartórios, que muitas vezes são os donos das terras. E entra naquele ciclo que a gente conhece bem. Mas eles estão cerceando um direito e essa cartilha ajuda a demonstrar para eles, porque eles estão cerceando esse direito dos povos indígenas. Então foi esse intuito. É a primeira edição que eu espero de muitas, a gente fez uma tiragem de 3 mil cartilhas apenas. Porque essa edição ela foi paga pela SDH também, mas nós pretendemos nos próximos anos fazer outras tiragens e aperfeiçoando cada vez mais para ter esse direito garantido. Que o primeiro é o registro civil de nascimento nessa perspectiva da documentação básica. Mais alguma coisa? Maria Augusta Assirati - Presidente: A questão do regulamento que a gente está trabalhando junto as coordenações regionais. Patrícia/FUNAI: O RANI. O RANI hoje é uma das problemáticas fortes que nós temos em algumas regiões por conta principalmente do RANI Tardio. Daquele RANI que é feito depois. Tardio é depois dos dois anos, então dois anos de nascimento. Então nós estamos chamando as coordenações regionais para discutir como que faz esse RANI Tardio administrativamente. Porque o RANI não é necessário para você fazer o registro civil de nascimento. Não é obrigatório. Eu acho que tem que ser uma coisa que tem que ser esclarecida. Ele não é obrigatório para nada, mas ele pode servir de subsidiário de provas. Quando há alguma desconfiança de que possa ter algo de errado ali, por exemplo, para colocar o nome da etnia ou não consegue escrever, o RANI pode ser usado como uma prova subsidiária sim. Mas ele nunca foi regulamentado de fato na FUNAI o RANI Tardio. Apesar de ter uma portaria do RANI, ele é uma portaria muito fraca eu posso assim falar. É uma portaria que tem muitas brechas e nessa portaria ela não regulamenta o RANI Tardio, que é o maior problema que tem hoje. Então nós temos um grupo de trabalho com as coordenações regionais para discutir como vai ser regulamentação desse RANI Tardio, porque ele interfere em várias coisas, principalmente em aposentadorias, salário maternidade e outros benefícios previdenciários que hoje são a linha de direitos que mais tem solicitado questões com o RANI. Então nós pretendemos juntar isso. E junto de um sistema informatizado, porque o RANI vai ser eletrônico. Ele não vai mais existir no papel. Porque o papel deixa ele muito frágil, deixa ele muito fácil de ser fraudado. Então nós estamos trabalhando no modelo único nacional. Ele vai ter um número verificador igual ao CPF, que você digita lá e já sabe se ele está fraudado ou não. Ele vai ser dessa maneira e vai ser nacional. Então a partir do RANI dele eu vou saber se ele foi expedido na coordenação do Interior Sul, do Médio Purus, do Vale do São Francisco Médio. E a gente está estudando mecanismos se a gente vai reemitir os RANIS que já existem, a gente está estudando isso, como vai ser. Mas apesar de algumas regiões do país não trabalharem o Registro Administrativo de Nascimento Indígena que é o RANI, tem áreas que ele ainda é muito forte como no norte e no Mato Grosso do Sul, por exemplo. Então é uma das nossas metas aí com esse sistema pronto. E o RANI eletrônico possa diminuir as fraudes, dar mais credibilidade para esse documento administrativo que a FUNAI utiliza e assim também poder dirimir algum estresse que nós temos com, por exemplo, com algumas entidades por conta de algumas fraudes no RANI, principalmente mais antigas. Então hoje tem livros com a Polícia Federal e tal. Cacique Marcos Xukuru – região Nordeste/Leste: Só um esclarecimento, o que é o RANI? Patrícia/FUNAI: É o Registro Administrativo de Nascimento Indígena. É um registro que a FUNAI emite desde a década de 70. Só que algumas regiões do país não utilizam mais e não tem problema. É por isso, mas algumas regiões, por exemplo, as regiões que tem dificuldade de acesso à documentação utilizam o RANI como a primeira documentação deles. Maria Augusta Assirati - Presidente: Deixa eu até fazer um esclarecimento sobre isso. Porque o RANI, esse registro, o registro de nascimento do indígena que a própria FUNAI emitia. Por que FUNAI fazia isso? Porque outros órgãos de Estado que tinham obrigação de registrar o nascimento do cidadão não faziam para o indígena. Então a FUNAI supria essa lacuna. Patrícia/FUNAI: Mas é administrativo, não é cartorial. Maria Augusta Assirati - Presidente: Exatamente. É um documento administrativo que identificava o nascimento do indígena, tinha um livro de registros da FUNAI, até hoje tem esses livros de registro. Patrícia/FUNAI: É RANI, RACI e ROC. É de nascimento, óbito e de casamento também. Maria Augusta Assirati - Presidente: Exato. Que ontem até alguém suscitou isso na reunião. Mas o casamento vai ser no indígena, a FUNAI emite a documentação ou a gente pode fazer pelo cartório? Quer dizer... Então o que a gente preconiza? Que hoje os órgãos do Estado Brasileiro atendam o indígena de maneira equânime e permita que todo indígena tenha acesso aos direitos que servem e estão disponíveis e acessíveis para todo cidadão. Então a gente luta na verdade para superar essa fase de RANI. Mas a gente sabe que ainda em alguns lugares do Brasil os cartórios não registram o nascimento do indígena. Então a gente ainda supre com esse documento que não é o documento ideal. E tem a segunda situação que é, quando o indígena vai tirar algum documento civil, o órgão, o cartório requer, exige que o índio tenha o RANI e isto não é correto. Ou seja, a legislação não exige para um cidadão indígena tirar um documento ele tenha que ter esse registro administrativo. Então são essas complexidades todas que a gente vem buscando articular na rede para que todo mundo compreenda quais são esses direitos e cumpra as suas obrigações para que os indígenas tenham seus direitos garantidos nesse sentido. Ok, minha gente? Patrícia/FUNAI: Isso não significa que o RANI vai ter que ser usado onde ele não é usado. Simplesmente que quando for necessário o uso e o indígena solicite isso para a FUNAI, nós tenhamos mais segurança ainda, jurídica inclusive para emissão desse documento administrativo. Maria Augusta Assirati - Presidente: Gente, Kohalue quer falar? Você quer falar daquele teu caso pontual. Então vamos tratar dele paralelamente. Você senta com a Patrícia e vocês resolvem. Pessoal uma última coisa para a gente fazer a nossa pausa aqui para o almoço. Eu consegui falar com o Antônio Alves. Saí naquela hora para atender o telefone para falar com ele. E o que ficou colocado por ele, o que ele sugeriu e eu acatei, então eu vou informar aqui para vocês. Ele está solicitando que nós via FUNAI, transfiramos as passagens de 13 indígenas que estão presentes aqui na CNPI para participar da reunião de segunda-feira. Então vocês escolheriam quais seriam os 13, parece até que esse número foi passado por um indígena que está presente aqui, eu não entendi direito. O Lindomar. Então a gente vai transferir essas passagens de vocês com recurso da FUNAI e da Secretaria de Saúde Indígena ou Ministério da Saúde, não sei, vai pagar as diárias de vocês até segunda-feira. Então não vamos fazer nada com recurso da CNPI. Vamos pagar pela FUNAI as transferências das passagens e as diárias vão ser pagas pela Saúde. O representante da Saúde não está aqui agora. É importante. Então é isso gente. Desculpe, enfim. A reunião de segunda vai tratar de toda essa questão de pessoal, atuação, modelo de saúde indígena. A decisão judicial que tem sobre o concurso público. Então a saúde vai fazer uma apresentação sobre isso tudo, da estratégia que se pensou para superação das dificuldades em relação ao atendimento na atenção à saúde indígena. Essa reunião de segunda-feira foi decidida entre saúde e Ministério da Justiça e eles evidentemente convidaram a gente para participar. Só que eu já tinha uma agenda marcada que foi muito difícil da gente conseguir articular, porque é com o estado, municípios e tal, no Amazonas, região de Eirunepé, onde a gente tem uma situação gravíssima de dificuldade de acesso, de direitos sociais básicos. Para vocês terem uma idéia é uma localidade onde um juiz determinou que os índios não podem transitar na cidade a partir de “x” horário, 18 horas. Então é uma falta de compreensão absoluta do que são os direitos dos povos indígenas. Então nós organizamos essa reunião para constituir a rede de atenção aos povos indígenas naquela região que está extremamente precária. Os municípios não se envolvem, o estado não se envolve. Então vamos estar presentes FUNAI, SDH, a Saúde foi convidada, ainda não colocou se vai estar presente ou não. E representantes do estado do Amazonas, dos municípios envolvidos e lideranças indígenas. MDS também vai participar. Então eu já tinha agendado isso. Vou para lá. Estou viajando na verdade no domingo. Essa reunião é segunda e terça não é Patrícia? Patrícia ia comigo para essa agenda que é da coordenação dela o assunto, mas eu pedi para ela ficar para acompanhar vocês nessa reunião de segunda-feira com o pessoal da Saúde. Porque como o monitoramento e acompanhamento das ações de saúde são da coordenação geral dela, ela fica para estar com vocês para discutir qualquer coisa. Se a FUNAI precisar intervir ou fazer qualquer tipo de contribuição ali, a gente tem a representação da pessoa que é a mais indicada para estar presente nessa reunião. Está bom minha gente? Paramos para o almoço então. Todo mundo come e voltamos com a pauta de participação social e Conferência Nacional. Obrigada e até mais tarde. Dia 31 de julho/14 – turno vespertino Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Boa tarde a todos. E conforme a nossa programação da 24ª Reunião ordinária, nós temos agora então a participação do Daniel, que é da Secretaria Geral da Presidência que vem nos falar sobre o Plano Nacional de Participação Social e o Sistema Nacional de Participação Social, decreto da presidenta Dilma, decreto do Governo, do Executivo, do qual eu já passei por e-mail para todos vocês, mas mesmo assim é importante a participação dele para nos explicar mais a fundo ou com mais detalhes o que é o Plano de Participação Social. Após essa parte do Plano, o Daniel continua conosco e daí nós vamos entrar direto na questão da Conferência Nacional da Política Indigenista. Primeiro a Conferência Nacional. Ok. Então, de imediato eu já passo para o Daniel. Ele se apresenta, fala com o que ele trabalha e nós então se tiver alguma dúvida... A Graça está distribuindo para vocês um livrinho que o Daniel passou, com o decreto também. E a palavra está contigo Daniel, sinta-se à vontade, em casa. Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: Teresinha muito obrigado. A todos os colegas e a todas as colegas eu queria dizer em primeiro lugar que é uma satisfação e uma emoção muito grande estar aqui com vocês e fazer parte desse debate. Vários de vocês eu já tive a chance de encontrar nos eventos que realizamos no Palácio do Planalto, já tivemos a chance de convidar e contar com a participação de vocês lá na nossa casa de trabalho. E vim fazer essa discussão aqui na casa de vocês, para a gente é um motivo de muita honra. Eu me sinto muito feliz de fazer parte disso. Eu sou Daniel Avelino. Atualmente estou como diretor substituto da área de participação social na Secretaria Geral da Presidência da República. E eu queria conversar com vocês, foi o que eu propus de conversar com vocês dois temas principais; a Política Nacional de Participação Social que está representada por esse decreto. E a idéia da 1ª Conferência Nacional de Política Indigenista que é a proposta de vocês. Estou me colocando aqui como um parceiro, como um companheiro nesse desafio e nesse esforço que vocês pretendem desenvolver para organizar essa conferência, reforçando sempre que a Secretaria Geral da Presidência da República está à disposição de vocês para ajudar no que for preciso e no que for necessário para que essa conferência aconteça da melhor maneira possível. Bom, então passando ao primeiro ponto, minha intenção é contar para vocês uma história, contar a história de como esse decreto surgiu, do nosso ponto de vista, do ponto de vista da Presidência da República. Hoje a gente tem muito texto apresentado por ele, muita reportagem, tem muita manchete. Tem muita coisa sendo divulgada na internet, na televisão, na imprensa escrita, mas essa visão, essas informações que eu vou trazer para vocês agora, são informações realmente que só quem viveu esse processo vai ter essa história para contar. A participação social no Brasil não é nova, não surge agora, não surge com esse decreto e também não se resume a esse decreto. É um processo muito mais amplo, muito mais forte, muito mais pesado, que vocês que militam na área da política indigenista sabem bem melhor do que eu. O povo brasileiro está acostumado a ir a campo e ir a rua e ir ao embate em defesa dos seus direitos. E o Governo é em geral a arena. O grande espaço em que esses debates e esses enfrentamentos confluem. Bom, o que aconteceu, foi que em 2011 foi feito um diagnóstico, uma avaliação de que o Brasil, especificamente o Governo Federal Brasileiro contava com um conjunto muito expressivo e muito numeroso de canais de diálogo com a sociedade. Esses canais de diálogo é o termo que a gente usa para representar conselhos nacionais, comissões nacionais, conferências nacionais, audiências públicas. Então resumo da história, o Governo Federal Brasileiro tinha desenvolvido um número enorme, um número muito grande de espaços em que a sociedade vinha até ao Governo, dizia o que queria, negociava, discutia, dialogava e acordos e pactos eram feitos. Isso dá a primeira idéia, a primeira impressão de que a gente se encontrava então em um Governo extremamente aberto e permeável a participação social. Ou seja, em um Governo em que os dirigentes e os gestores dialogavam e conversavam muito com a sociedade. Mas não é bem assim. O que a gente percebeu é que apesar de existirem muitos desses espaços como os conselhos, por exemplo, e as comissões. Eles atuavam de maneira muito isolada. Um conselho não sabia da existência do outro. A discussão que era feita em uma conferência em geral era repetida em uma conferência de outra área e às vezes não produzia resultado. O que era discutido em uma audiência pública nem sempre passava pelo conselho da área. E por aí vai. Significava que esses espaços que existiam funcionavam e foram criados trabalhavam sozinhos, trabalhavam muito sozinhos. E a idéia que surgiu dessa avaliação, dessa constatação é que se a gente conseguisse fazer com que esses espaços atuassem juntos, conseguissem fazer com que eles atuassem de maneira ordenada, de maneira articulada, a gente ia fazer com que a voz da sociedade nesses espaços fosse ainda mais forte. E nos lugares onde a gente não tinha conseguido ainda fazer com que o cidadão fosse ouvido, com que a cidadã fosse ouvida por meio dessa união de esforços, a gente poderia superar essas barreiras. O grande desafio então que foi apresentado para a nossa área, a área de participação social na Secretaria Geral da Presidência foi saber como seria possível articular os espaços de participação social que já existiam. Para que eles se tornassem mais fortes, mais efetivos e que a voz da sociedade então também tivesse mais peso nas decisões do Governo. Como fazer isso? Uma proposta inicial foi apresentada em 2011 construída pelo Governo. Essa proposta envolvia uma ligação entre conselhos e comissões, conferências nacionais e ouvidorias. Tentar fazer com que os conselhos e as comissões dialogassem com as ouvidorias. As ouvidorias apresentassem informações para os conselhos qualificarem os debates, que as conferências acontecessem sempre integradas com os conselhos e as ouvidorias. Então era uma proposta bem simples, bem modesta, sem muita transformação estrutural, porque era simplesmente ligar esses três itens: conselhos, conferências e ouvidorias. E fazer que eles trabalhassem juntos sempre e cotidianamente. Essa era a nossa idéia, Governo Federal de um sistema nacional de participação social. Essa proposta foi apresentada para os representantes do Governo e foi submetida também a avaliação e a crítica da sociedade que era a principal interessada. Não sei se vocês lembram, alguns de vocês participaram, em 2011 em outubro a gente realizou o 1º Seminário Nacional de Participação Social. E todos os conselhos e comissões foram convidados e estiveram lá representados. Nesse seminário essa proposta foi apresentada, discutida e o que aconteceu? Nós fomos muito criticados. A reação que essa proposta causou na sociedade foi uma reação mais negativa do que positiva. E qual era a bronca? Qual foi a reclamação que foi apresentada para a gente? Uma reclamação muito bem fundamentada. Basicamente que dizia que isso era pouco. Que o fato de um conselho interagir com uma conferência não era muita novidade. De colocar uma ouvidoria no jogo também não trazia nenhum elemento novo. E que isso era muito pouco para fortalecer a participação social no Brasil. E qual foi a contraproposta, qual foi o dever de casa que foi jogado para o Governo nesses diálogos com a sociedade? A gente quer uma política mais ampla. A gente quer uma Política Nacional de Participação Social. A gente quer que vocês digam com todas as letras e que a presidenta assine. Que todas as áreas do Governo Federal têm que escutar a sociedade. Inclusive aquelas que ainda não escutam. Esse foi o desafio que foi jogado de volta para a gente. E o que a gente podia fazer? Nesse tema de participação social o Governo não faz nada sozinho. Se a sociedade quer que uma coisa aconteça de determinada maneira, a gente precisa realmente dialogar e fazer com que isso aconteça. Então voltamos, redesenhamos toda aquela outra proposta, conversamos com vários Ministérios, vários órgãos, várias entidades da sociedade civil, vários movimentos sociais. Vários conselhos também pediram que a gente fizesse apresentação do tema nas suas reuniões plenárias e fomos para uma nova rodada de conversas. E no final do ano de 2012 a gente redesenhou para uma proposta que fosse mais ampla, que não envolvesse apenas conexão: conselho, conferência e ouvidoria, mas que trouxesse essa ordem, esse comando para todo o Governo Federal. De que eles deveriam obrigatoriamente ouvir a sociedade. O desenho disso então caminhou para um decreto. E que ele envolvia só o Poder Executivo não havia necessidade de um projeto de lei. Isso aqui não afeta o Legislativo, não afeta o Judiciário. Não afeta os estados e não afeta os municípios, a não ser que eles queiram, lógico. Então isso aqui é um dever de casa. É o Governo Federal arrumando o seu próprio quintal. Então o decreto foi a forma indicada. E o que a gente fez quando isso já estava pronto em 2013, em agosto de 2013, o texto com a primeira versão desse decreto foi colocado em consulta pública para todo o povo brasileiro. A gente sabia que nesses debates que a gente fez com movimentos sociais, entidades, não deu conta de esgotar todas as questões e não alcançamos todas as pessoas que a gente queria conversar. Muita gente ainda tinha ficado de fora. Como resolver isso? Em uma consulta pública ampla e irrestrita, qualquer pessoa, qualquer cidadão, qualquer cidadã poderia ir. Foi feito via internet, poderia ir, ler a proposta e se manifestar. E foi isso que foi feito nos meses de agosto e comecinho de setembro de 2013. Recebemos uma quantidade muito grande de propostas, de modificação daquele texto. Nem todas puderam ser aproveitadas. Algumas delas inclusive eram contraditórias entre si, mas do conjunto dessas propostas resultou então em uma nova revisão desse texto por inteiro integralmente. A revisão foi feita, o texto foi enviado para os órgãos jurídicos do Governo Federal. A Casa Civil preparou a minuta de decreto. E finalmente no dia 23 de maio de 2014, no encerramento do evento que nós chamamos de Arena da Participação Social, nós pudemos contar com a assinatura da presidenta da república lançando esse decreto, que é a Política Nacional de Participação Social, da maneira como a sociedade exigiu de nós. Só que essa não foi o fim da história, pelo contrário, os debates recomeçaram com a edição desse decreto. Já nas duas primeiras semanas depois que esse decreto foi publicado, uma quantidade muito grande de documentos, reportagens e artigos surgiram na internet e na imprensa escrita e até mesmo no rádio e na televisão sobre esse decreto, a maioria deles com uma reação bastante negativa. O ponto, mais específico dessa primeira onda de reações negativas concluiu com a apresentação junto ao Congresso Nacional de dois pedidos, de dois projetos de decreto legislativo, dois requerimentos de decreto legislativo, pedindo para sustar os efeitos desse decreto Presidêncial. Um deles foi apresentado na Câmara dos Deputados e outro foi apresentado no Senado Federal. Então o Congresso Nacional nas suas duas casas teve parlamentares pedindo para que esse decreto fosse tornado sem efeito. Como é que a gente analisa essa situação e essa primeira crítica inicial que aconteceu em relação ao decreto. Primeiro, o Congresso Nacional tem poder para isso. Está na nossa Constituição, artigo 49 da Constituição – o Poder Legislativo exerce o controle sobre o Executivo. Então ele vigia, ele monitora, ele retira os excessos daquilo que o Executivo pratica. Então é um poder constitucionalmente previsto. E a primeira vista não há problema nenhum em a gente estender esse debate para o Poder Legislativo. O decreto tinha uma pretensão mais simples que era organizar para dentro do Governo Federal. Mas alguns comentários que vieram do Legislativo, como: que eles também querem fazer parte desse debate, que é interessante que seja um projeto de lei. São comentários muito interessantes e muito bem-vindos, porque fazem nascer a oportunidade disso daqui, que é uma coisa muito simples, de se tornar uma coisa maior, mais ampla e que, porque não, alcance outros poderes como o próprio Poder Legislativo e o Poder Judiciário. O problema dessa história é que principalmente na justificativa desses pedidos de decreto do Legislativo, a gente percebeu que a crítica ia muito além desse pedaço de papel aqui. Esse foi o grande complicador da história. Esse foi o ponto preocupante desses debates e dessas críticas. Para quem teve acesso, para quem teve oportunidade de ler as justificativas que foram apresentadas pelos parlamentares para esse pedido de sustação do decreto, vocês vão ver que a crítica deles não é apenas ao que está aqui. É uma crítica à participação social como um todo. É uma crítica à existência de conselhos nacionais e comissões nacionais. É uma crítica ao Governo Federal ouvir a sociedade. É uma crítica à manutenção desses espaços. E é uma crítica a possibilidade da sociedade exercer essa cidadania, indicando para o Governo como ela quer que as políticas públicas sejam feitas. Isso deixou a gente muito preocupado. E isso ainda está deixando a gente muito preocupado. Porque isso revela uma visão, uma noção de democracia, um conceito de democracia muito diferente daquele que a gente acredita. Isso revela uma concepção de democracia na nossa análise muito diferente daquela que a Constituição de 1988 foi construída para defender. Quando alguém diz que um conselho nacional não tem legitimidade para representar a sociedade, discutir políticas públicas. Quando alguém diz, fazendo a comparação que a Comissão Nacional de Política Indigenista não representa a sociedade ou não representa as comunidades e povos indígenas, a gente fica realmente muito preocupado com isso, muito preocupado. O decreto em si é um pedaço de papel. Como eu falei para vocês, a participação não começou aqui e não se resume a ele. Isso aqui não é o mais importante que a gente tem em participação social hoje no Brasil. Então se ele tiver seus efeitos sustados ou não sustados, a gente vai continuar trabalhando e brigando para que a sociedade tenha cada vez mais poder e sua voz seja mais forte. Mas a questão é se essa visão de democracia, se esse conceito de democracia que fundamentou essas ações legislativas for vencedor, a gente não sabe como pode ser o futuro. Se esses deputados que não acreditam em conselhos e que acham que os conselhos não devem existir e forem vitoriosos em uma votação no Congresso, a gente não sabe o que vai acontecer depois. E não sabe o que vai acontecer com outras propostas e com outras proposições que estão lá baseadas na mesma concepção. Então gente, encerrando esse ponto aqui a minha fala nesse ponto sobre a Política Nacional, a situação que a gente tem hoje no começo desse mês de julho. Foi aprovado pedido de urgência nessa votação. Significa que o assunto agora é prioritário na pauta no Congresso. E na primeira sessão, na primeira oportunidade que tiver, ele pode ser colocado no debate e pode ser colocado em votação diante dos presentes e a Política Nacional pode ser suspensa. A próxima sessão prevista do Congresso Nacional é para semana que vem, nos dias 4, 5 e 6 de agosto, então existe essa sessão prevista e a nossa expectativa é que esse assunto realmente seja colocado em pauta nesses dias. E a depender do quórum seja decidido. No dia 5 e dia 6 de agosto foram chamadas audiências públicas. No dia 5 pelo Senado Federal e no dia 6 de agosto pela Câmara dos Deputados. Nessas audiências públicas que a gente vai comparecer, que vários movimentos sociais confirmaram que vão comparecer. Que várias entidades da sociedade civil, vários conselhos também já confirmaram que vão estar lá para dar o seu ponto de vista e dar a sua opinião sobre a história. A gente espera que esse assunto possa ser melhor debatido e quem sabe a gente possa mostrar aos parlamentares que a coisa não é prejudicial assim como eles dizem e pelo contrário, isso aqui representa um avanço para a democracia brasileira. Só para, eu não vou ler o decreto, eu imagino que vocês já tenham lido e já tenham conhecimento de qual é o conteúdo dele. Eu queria só chamar a atenção para dois pontos que eu acho que tem uma relação mais direta, mais próxima com o trabalho aqui da CNPI. E fora dela com a militância e com a defesa que vocês fazem do direito dos povos indígenas. O primeiro deles é o artigo 4º, então na segunda página, pulando para a terceira página, inciso 7º. a gente fala muito de participação social, em abrir espaço, abrir canais de diálogo e às vezes as pessoas questionam para gente: quem é que vai ocupar esses espaços? Quando vocês falam em participação social, então pode ser qualquer pessoa. O empresário é a sociedade civil, um banqueiro pode ocupar esses espaços. Uma pessoa que já tenha acessos a direitos pode ir lá e ocupar. Realmente pode. Os espaços que a gente abre, os canais de diálogo que a gente inicia são abertos para qualquer pessoa. Mas aqui nesse inciso 7º do artigo 4º diz que são objetivos da Política Nacional. E eu peço licença a vocês para fazer a leitura. “Então é objetivo da Política Nacional de Participação Social desenvolver mecanismos de participação social, acessíveis aos grupos sociais e historicamente excluídos e aos vulneráveis”. Para quem está acostumado a acompanhar o nosso trabalho na Secretaria da Presidência, sabe que isso aqui não é nenhuma novidade. Isso aqui é o compromisso assinado pela presidenta, de que a participação social tem o destinatário certo. Ela tem cor, ela tem gênero, ela tem etnia, ela tem classe social bem específica e bem determinada. Existem grupos na sociedade brasileira que historicamente sempre tiveram um acesso os espaços de decisão. Para esses grupos que podem pagar passagem, que podem pagar consultoria, que podem pagar lobby, que podem financiar campanha, que tem acesso e divulgação as suas idéias, participação social não faz diferença nenhuma, porque eles não precisam disso. Sempre influenciaram as políticas públicas e sempre vão influenciando. Mas quando a gente cria aqui um espaço como esse que é a CNPI. Quando cria um espaço como uma Conferência Nacional, a gente pega todos os outros segmentos da sociedade que não tem acesso a esses recursos políticos e empodera e fortalece. Então a gente reduz um pouco esse desequilíbrio de forças, esse desequilíbrio de poder que existe na sociedade brasileira e que historicamente sempre existiu. Participação social, portanto, ela é aberta a qualquer cidadão e a qualquer cidadã que queira integrar, que queira fazer parte, mas ela tem um objetivo aqui muito definido: fortalecer aqueles que historicamente não tem voz. Aqueles que tem mais dificuldade de influenciar as políticas públicas ao longo da história do Brasil. E o segundo ponto para a gente tratar dessa questão é o artigo 5º, o caput, que é aquele compromisso que eu falei para vocês que foi exigido da gente, cobrado da gente nos diálogos que a gente fez com a sociedade, que disseram para a gente várias vezes que o Sistema Nacional de Participação Social vai ser vazio, vai ser inútil se não tiver esse compromisso aqui assinado pela presidenta. Então caso alguém pergunte ou alguém questione para vocês, o compromisso está aqui assinado, bem expresso no caput, na cabeça do artigo 5º. Peço mais uma vez licença para fazer a leitura. “Os órgãos ou entidades da administração pública federal direta ou indireta”. Ou seja, inclui Ministério da Justiça e inclui FUNAI. “Deverão respeitadas as especificidades de cada caso, considerar as instâncias e mecanismos de participação social previstos nesse decreto, para formulação e execução, o monitoramento e a avaliação dos seus programas de políticas públicas”. Resumo da história, meus amigos e minhas amigas, participação social, pelo menos para o Poder Executivo, pelo menos para o Governo Federal, hoje é obrigatório. A gente vai ver aqui ao longo do decreto para quem já fez a leitura, que a forma disso acontecer é muito variada, cada órgão pode utilizar instrumento diferente. Não existe um modelo fechado, mas o que não pode é não fazer. Então a partir do dia 26 de maio, na verdade isso aqui foi publicado no dia 26 de maio. A partir do dia 26 de maio, todos os órgãos federais têm que mostrar para a sociedade qual é a estratégia de diálogo que ele pretende adotar para as suas políticas. Ok? É isso daqui que a gente está buscando defender junto ao Congresso Nacional. E contando, logicamente com o apoio, com a participação e a força do apoio de vocês. Sempre de uma maneira crítica apontado para a gente também onde estão as falhas, onde estão as lacunas e onde a gente pode fazer melhor. E o segundo ponto, eu queria comentar com vocês é sobre Conferência Nacional e a perspectiva de organização de uma conferência de Política Indigenista. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Daniel, eu acho que abriríamos para ver se ficou alguma dúvida, algum questionamento da bancada indígena indigenista e governamental, sobre a organização do Plano Nacional de Participação Social. Que nós vamos trabalhar nesse ponto até esgotarmos e aí entramos na conferência. Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: Perfeito. Posso fazer a conclusão então? Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Sim, o Daniel vai concluir e eu vou abrindo inscrição para quem quiser falar. Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: Ótimo. Então nossa vida é feita de lutas e vocês sabem disso muito melhor do que eu. A cada dia é um combate novo e a gente não pode se acomodar, mas a gente também tem alegrias. A gente também tem notícias boas. E a gente também tem motivos para comemorar e para celebrar essa nova vida. E é esse anúncio, essa notícia que eu queria fazer aqui para vocês. Por coincidência nesse mesmo período, nesse mesmo momento em que a gente está tendo a participação social questionada de uma forma tão dura pelo nosso Poder Legislativo. Vocês lembram do Fórum Interconselhos? que discutiu o PPA? O PPA vigente 2012/2015? Vários de vocês aqui fizeram parte desses encontros que aconteceram em 2011, 2012, 2013, quando o Governo Federal pegou todo o seu plano de 4 anos e colocou nas mãos dos conselheiros para que eles dissessem o que pensavam e como poderia ser modificado. Então esse fórum organizado pela Presidência da República em parceria com o Ministério do Planejamento vem sendo chamado a todo ano para a gente fazer uma prestação de contas de toda a atuação do Governo Federal e ouvir da sociedade quais são os pontos que precisam ser melhorados. Quem estava no último fórum que foi realizado em 2013, em setembro de 2013, lembra que a CNPI recebeu o relatório de execução do Governo, sobre as agendas transversais, especificamente sobre a de política indígena. Enfim todo esse processo que a gente fez de pegar todo o planejamento do Governo Federal e colocar nas mãos dos conselheiros para debate, para críticas, para propostas. Nós submetemos a uma avaliação internacional. Então auditores internacionais, avaliadores internacionais foram convidados pelo Governo Brasileiro para conhecer esse processo, analisar, quantificar e mostrar para a gente se era um caminho certo ou se era um caminho errado. Se a gente estava fazendo certo ou se a gente estava fazendo errado. E o resultado, meus amigos e minhas amigas é que ficamos sabendo esse ano que o Fórum Interconselhos do qual essa comissão aqui faz parte, a CNPI faz parte, o fórum ao qual vocês alimentam e do qual vocês são a alma viva, foi premiado pelas Nações Unidas como a melhor experiência inovadora de participação social no mundo. Nós recebemos nesse ano de 2014 o United States Public Service Awards, que para quem não conhece é o Prêmio de Serviço Público das Nações Unidas, considerado o maior e mais importante prêmio internacional de gestão pública do mundo. Eu faço aqui a passagem simbólica a Teresinha e a Marcelo, uma cópia do certificado da premiação, assinado pelo Subsecretário-Geral das Nações Unidas. Reconhecendo que a experiência que vocês participaram e que vocês fizeram acontecer é hoje uma referência internacional para outros países. E o que eu gostaria de dizer em primeiro lugar, agradecendo e parabenizando muito a atuação de vocês nesse fórum, a presença crítica e firme que vocês sempre tiveram lá. É dizer que isso não seria possível sem os nossos conselhos nacionais. Então meus colegas e minhas colegas, membros da Comissão Nacional de Política Indigenista, lutadores incansáveis por um Brasil melhor e por uma melhor política indigenista para o Brasil, meu profundo agradecimento para vocês e meus parabéns. Saibam que isso que vocês fazem aqui todo dia e fizeram no Fórum de Conselhos está sendo visto pela comunidade internacional. E está sendo muito bem considerado. Vamos considerar fazendo as coisas boas, mas sempre melhor. Então muito obrigado para vocês. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada Daniel. E lembrar ao pessoal todo da CNPI que em 2008, vocês devem estar bem lembrados, quando o presidente Márcio, presidente da FUNAI e então presidente da CNPI foi convidado a apresentar lá em Genebra, a apresentar a CNPI, onde também foi um dos melhores trabalhos de participação social E também foi aplaudido em pé quando foi colocado o que era a CNPI. Mas, obrigada pela sua explanação. E temos dois inscritos, Chiquinha e Marcos. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Bom, eu gostaria de compartilhar a minha fala com o nosso companheiro e parente da APIB, Paulino. Deu um branco total agora. Paulino, por gentileza, a gente compartilha a mesma fala, então. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Boa tarde. Em primeiro lugar eu queria fazer constar Teresinha, que lamentavelmente nós tivemos dentro da correria e como mudou a agenda de ontem, que a reivindicação da bancada indígena era que ficássemos ontem por conta da reunião interna preparatória da bancada indigenista. Mas depois vieram algumas comissões querendo se reunirem e prejudicou nossa pauta. E um dos assuntos que iriamos tratar ontem, além da conferência, era exatamente nos debruçar sobre o decreto, até para ter elementos e contribuir hoje, não tanto na reedição, porque já está feito, mas na discussão, algumas considerações. No entanto, alguns parentes pediram que eu fizesse algumas ponderações a partir do que nós temos conversado nos corredores informalmente. A primeira questão é de se lamentar que a expectativa era de que o Governo emitisse via decreto, uma vez que no Congresso Nacional, como está sendo hoje em relação ao próprio decreto foi travada a tramitação e aprovação do Conselho Nacional de Política Indigenista. E daí imediatamente a gente pode lamentar, apesar do aplausível que foi o prêmio internacional, mas a participação indígena nos interconselhos, realmente deixou muito a desejar. Até porque não tem Conselho de Política Nacional Indigenista. Então a comissão essa aqui é uma comissão transitória consultiva. Não é, não tem o perfil e a carga, responsabilidade, inclusive reconhecimento jurídico de um conselho. Portanto, inclusive, técnica e juridicamente não pode se falar que a bancada o momento com os índios participando do interconselho. Até porque os parentes que vieram participar nós terminamos enquanto interconselhos vieram a título de endividar inclusive chamados a dedos. Até porque consta, nós temos conhecimento disso. A segunda questão é para que não equipare nosso ponto de vista com os parlamentares. Evidentemente há um descontentamento nos parlamentares por outras razões. Mas a primeira coisa que nós queremos registrar é que lamentavelmente a gente vem requerido a contribuir nas discussões depois que as coisas estão prontas. Mas uma vez na precariedade, na prática política, governamental é contrária a convenção 169 da OIT, direito de consulta livre, prévia e informar, embora, o convênio não fale e não se restrinja a esse tema da consulta. Fala de outras coisas, de uma diversidade de direitos, que a gente às vezes se esquece. É preocupante, embora, as diretrizes e os objetivos da política nacional e do sistema são do entendimento nosso até uma justa recuperação dos sonhos e das aspirações que os movimentos, povos, instituições tiveram desde 2002, na perspectiva de dar um tom distinto a participação social proposta pelo Governo FHC. Os princípios e diretrizes tudo bem, mas o problema é que no corpo institucional a gente vê algumas falhas graves. Primeiro, se fala de um decreto, de uma política, de um sistema de participação. Cadê o tema do controle social? O tema do controle social foi sumido e atribuído a uma câmara intergovernamental. No próprio decreto está restrito o controle social. Seja, a participação do momento e o controle do lado do Governo. Impossível aqui ter uma atividade aqui que é o papel da Secretaria. Uma instância de monitoramento das demandas dos movimentos sociais. Isso é ambíguo, que é monitoramento das demandas dos movimentos sociais? Então tem essas precariedades que a grosso modo a gente quer pontuar, que não se tem como reverter isso. Porque fica, dá a tentação de pensar em uma outra estratégia e uma outra política mais de controle de cima para baixo do que desviar participação. Implicando encontrou muito mais do que participação social. Será algumas considerações que a gente queria fazer por cima a partir de algumas conversas que nós tivemos e mesmo que não tivemos, com a ressalva de que não tivemos tempo de analisar bem melhor o decreto. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada Paulino. O próximo inscrito é o Capitão. Desculpa, Marcos. Desculpa eu já tinha falado. Marcos. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Marcos Xucuru da região nordeste/leste. Eu fui bastante contemplado com a fala de Paulino, mas eu só gostaria de fazer uma breve observação também, que brevemente esteja e aí o meu ponto da fala que foi feita está embutido quando se fala da participação social e que aí cabe as instâncias governamentais fazer esse diálogo de acordo com sua demanda ou carência, enfim. Pelo que eu entendi no último decreto, no último parágrafo que você leu me parece. E aí eu puxo essa discussão que vem acontecendo na prática que o nosso, que o ministro da justiça tem feito, que é essa questão das mesas de diálogo, como estratégia para a questão das demarcações das terras indígenas. E eu me preocupo bastante em relação a isso, porque nós inclusive da dita participação social que é nossa instância da Comissão Nacional de Política Indigenista, temos apresentado a nossa insatisfação. E colocando que não concordamos e temos já explicitado isso, fundamentado, dizendo dos prejuízos que isso tem causado. E isso não tem sido levado em consideração. Então eu particularmente acredito que quando se coloca no meu entendimento essa participação, está embutido aí essas mesas de diálogo. Que aí traz a “participação”, tenta colocar as comunidades indígenas para dialogar com aqueles que são os invasores das nossas terras. Violado os nossos direitos de todas as formas, na perspectiva que não avancem na demarcação das terras indígenas. Que é isto o que vem acontecendo e é isso que a gente tem presenciado ao longo desses anos todos. E que nós não temos avançado na demarcação das terras indígenas nesse país. Então eu faço essa observação. E aí eu fico me perguntando: até que ponto temos a legitimidade, temos a autonomia de influenciar sobre as políticas dentro desse Governo? Então é meio confuso nesse aspecto para mim. Que eu gostaria de uma explicação melhor nesse aspecto. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada cacique Marcos. O próximo é o Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste - região nordeste/leste. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: Boa tarde. Capitão Potiguara região Nordeste/Leste - região nordeste/leste – nordeste/leste. É mais uma pergunta bem objetiva. Que o decreto ele veio justamente à tona... Veja, eu analisei dessa maneira, após as manifestações populares do ano passado, foi justamente esse decreto. Ele é fruto das manifestações populares? E por que o Governo não fez esse decreto antes? Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada Capitão. O próximo Daniel. Daniel Pierri - CTI: Boa tarde a todos. Em primeiro lugar eu queria agradecer a exposição do xará aí. Bom, a primeira coisa que eu queria comentar sobre a fala que você traz para a gente é que de fato é muito assustador a reação que a gente viu do Legislativo e de vários setores da sociedade em relação a esse decreto de participação social. Eu acho que a bancada indígena que está aqui presente sabe muito bem quem são os parlamentares que reagiram a esse decreto, porque são os mesmos que estão usurpando as terras indígenas, tentando atacar os direitos indígenas e criando todo um ambiente de ameaça aos direitos consolidados aos povos indígenas. Que a gente tem avaliado em muitas discussões aqui da bancada, que é o cenário de maior ataque a esses direitos desde a Constituinte. Então essa é a primeira colocação que eu queria falar. E a outra já é enfim, eu me compadeço com os companheiros que estão no Governo sofrendo essas críticas, mas ao mesmo tempo como o Paulino colocou, eu também acho que a gente precisa colocar muito a realidade à frente do discurso e entender que também na parte dos movimentos sociais também esse decreto não me parece suficiente. Eu acho que foi uma fala que você colocou e que o capitão lembrou muito bem, que isso aparece em um momento pós manifestações de junho. Que eu acho que foi um momento que hoje a gente já está quase esquecendo do que aconteceu no passado, porque está chegando a época da eleição. Mas ao meu ver eu acho que esse grande levante popular que acometeu o Brasil todo, ele diz respeito também a certa falência do modelo de participação social que se limita a espaços de conferência, de ouvir os movimentos sociais, mas sem conseguir avançar com as pautas que aparecem. Então nesse sentido aqui a bancada indígena tem colocado muito pertinentemente que essa conferência que a gente está tratando aqui, que está nesse debate, ela precisa ser diferente das conferências que foram feitas até então. E o que quer dizer ser diferente? Eu acho que em primeiro lugar, ela não ficar presa a um modelo, a formalismos do modelo de participação. Então tem vários debates que a gente vai colocar no momento oportuno que eu acho que tem a ver com isso. E um segundo momento que é essa questão da realidade do discurso que eu estava colocando, essa participação social só tem sentido se ela fizer avançar as pautas. Então que ao contrário do que a gente tem visto em relação a questão indígena. A gente tem visto uma paralisação completa das demarcações de terra. Uma defesa muito tímida do Governo em relação aos mesmos setores que atacaram esse decreto de participação social que atacam os direitos indígenas. Então eu queria compartilhar um pouco isso, que enquanto você falava, por mais que eu concordasse com várias coisas, um sentimento muito ambíguo veio para mim, porque é um discurso que traz coisas que são muito bonitas exatamente na pauta que a gente está discutindo aqui, então em uma situação de risco completo. Então em uma situação que a gente colocou aqui, que é a pior desde 1988. Então eu acho que isso é um consenso entre a bancada indígena e a bancada governamental, de que esse momento que a gente vive é tão crítico. Então de resto eu só tenho a concordar com as falas dos que me antecederam. Eu também vejo com bastante preocupação a forma como esses itens das mesas de diálogo aparece aqui, porque mais uma vez é uma coisa difícil de discordar. Difícil a gente discordar da necessidade de tratar os problemas que a gente tem com o diálogo. Eu acho que na palavra, no discurso não temos nenhuma discordância em relação a isso. O problema é que essas coisas que estão sendo feitas, enquanto mesa de diálogo, não estão sendo um diálogo, estão sendo supressão de direitos. Então é um tema que a gente debateu muito aqui, desde que essa mesa de diálogo aqui da presidente Dilma no pós junho foi instituída no âmbito da CNPI, a gente teve teoricamente uma abertura maior que o diálogo a primeira vez que a presidenta recebeu a bancada indígena. E ao mesmo tempo não teve nenhuma portaria declaratória. Nunca se paralisou tantas demarcações de terra quanto nesse momento. Então quando você coloca aqui esse artigo 5º, que a assinatura da presidente dizendo que todo mundo deve ouvir os movimentos sociais, dar garantia de alguma coisa me soa bastante estranho. Eu acho isso não é garantia de nada para o movimento indígena na minha avaliação. Eu acho que a garantia é avançar as pautas. Não adianta ser ouvido, tem que ser contemplado nas demandas. Então é só isso. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada Daniel. O próximo inscrito é o Coronel Jean do Ministério da Defesa e eu acho que daí não encerrando, mas devolvendo a palavra para o Daniel da SG/PR e depois continuamos a inscrição se algum mais tiver que se manifestar. Coronel Jean Ministério da Defesa. Coronel Jean - Ministério da Defesa: Boa tarde a todos. Coronel Jean Ministério da Defesa. Daniel só para esclarecer uma dúvida minha, que é a respeito do artigo 9º. Em que circunstâncias esse comitê seria constituído e com que objetivo ele seria, vamos dizer assim, acionado nesse contexto da participação social? Porque ele não está aqui no decreto muito bem especificado, dizendo que o secretário-geral deve expor sobre seu funcionamento. Minha dúvida é exatamente essa: como seria esse funcionamento e com que objetivo? Só isso. Obrigado. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigado Coronel Jean Ministério da Defesa. Então devolvo a palavra para o Daniel, porque ele tem muita coisa anotada, muita coisa a responder. Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: A todos os colegas que falaram muito obrigado pela atenção e pela leitura atenta e crítica que vocês fizeram desse documento. Isso para a gente é muito importante ter esse diálogo e essa troca de informações, mesmo com todas as discordâncias, porque mostra que a gente está tocando em um tema bem sensível e um tema importante, um tema relevante e que precisa ser tocado. Então aqui na ordem das falas, eu não sou especialista na pauta indigenista, então eu não tenho competência para falar sobre esse assunto, eu vou tentar me ater aqui a parte da participação social e realmente não vou ter reposta para tudo que vocês perguntaram, mas vou tentar estabelecer esse diálogo. Em relação ao que falou Paulino da APIB é lógico que para a gente é muito melhor que a Comissão Nacional de Política Indigenista seja um órgão permanente. E para isso que seja um conselho. E por isso que a gente tem interesse que essa comissão se torne um conselho. Então só para dizer, por mais que haja obstáculos ou que esse projeto de lei tenha sido paralisado no Congresso Nacional, seja qual for o obstáculo, para nós da Secretaria Geral da Presidência da República, nós não estamos esperando isso acontecer. A gente já está tratando vocês como se fosse um conselho. Para a gente vocês – Comissão Nacional de Política Indigenista tem o mesmo peso, tem a mesma influência, recebe os mesmos convites que outros órgãos colegiados que tenham nome de conselho. É lógico que isso não é o bastante, a gente precisa formalizar essa coisa, tem que estar na lei, tem que estar no decreto para se tornar permanente. E a gente vai brigar para que isso aconteça. Mas só para dizer, a gente não está esperando de braços cruzados isso acontecer. A gente já trata vocês como um órgão permanente e como os legítimos representantes da sociedade na pauta indigenista. A mesma coisa também em relação a elaboração desse decreto. O esforço que a gente fez e eu estou submetendo aqui à vocês exatamente para crítica, foi de tornar esse debate o mais amplo possível. A gente vinha discutindo isso desde 2011. Discutimos com a sociedade, montamos um seminário nacional para discutir isso daqui. Levamos depois a algumas entidades e alguns conselhos as minutas prontas para discutir de novo com elas. E depois colocamos também em consulta pública para alcançar quem a gente não tinha alcançado. Então do nosso ponto de vista esse processo aqui foi muito participativo. Tem coisas que estão aqui que a gente não concordava no começo e a gente só colocou porque a sociedade insistiu e disse que era importante. Que não seria participação social se não tivesse isso aqui. Então tem coisas que não partiram da gente e estão aqui nesse texto. Mas de novo, mais uma vez, reconhecendo que se isso daqui não gerou a participação de todo, se nem todo teve conhecimento disso ou pôde participar desse processo de consulta. Lógico, falha nossa em relação a divulgação e em relação ao acesso e vamos tentar fazer na próxima vez melhor. Em relação a questão das especificidades, eu não tenho muito conhecimento das mesas de diálogo estabelecidas pelo MJ e como isso está afetando a questão das demarcações de terras indígenas. Mas de maneira bem honesta colocar para vocês que os espaços de participação social que estão previstos aqui nesse decreto, não representam nenhuma garantia de que as demandas da sociedade vão se transformar em políticas públicas. Não é isso, a gente não vai vender essa ilusão e nem oferecer algo que está fora do nosso alcance. O objetivo desses espaços aqui de participação social é fortalecer a voz, o discurso e essas demandas. Não tem garantias de que elas vão ser atendidas. Mas por outro lado, quando esses espaços aqui não existem, quando as pessoas não são chamadas para dialogar e não tem espaço aqui como esse em que elas possam se olhar olho no olho e dizer o que pensam e identificar quem pensa igual a você e quem pensa diferente, a gente acha que a coisa fica muito mais difícil. É lógico que com certeza a gente vai ter insuficiências. Vai ter ações do Governo que serão muito poucas ou que serão muito ruins e serão muito erradas do ponto de vista da avaliação da sociedade. A sociedade tem sempre esse papel de mostrar para o Governo onde ele está errado e onde ele pode fazer melhor. Mas o pouco conhecimento que eu tenho da política indigenista, eu já vi também especificamente em alguns casos que envolvem participação social, o resultado ser diferente, o resultado ser positivo. Eu acompanhei, por exemplo, do ponto de vista da presidência da república, o processo que foi feito junto também com o Ministério da Defesa de desintrusão da terra indígena Marãiwatsédé. Aquilo dali foi feito o tempo todo, conversando com a comunidade interessada. E não era uma questão de dialogar, de colocar em uma mesa de diálogo, de ouvir as partes diferentes até chegar a um acordo. Não, ali era uma questão de certo e errado. A terra era indígena, a titulação era do povo indígena que morava naquela terra. Quem estava lá dentro era intruso. Então não era questão de negociar com intruso ou com invasor, era questão de promover a desintrusão e tirar da terra indígena. E isso foi feito. Isso foi feito brigando com quem estava lá instalado indevidamente na terra indígena. Isso foi feito às custas de atos de violência que a comunidade indígena e que os agentes do Governo sofreram. E sofreram juntos na maioria das vezes. Isso foi feito às custas de resistências de lideranças locais que estavam lá e não queriam que esse processo acontecesse da maneira correta. E foi feito. E foi feito junto e foi feito com a comunidade indígena e o Governo atuando na mesma direção. Eu espero que em outras pautas, em outros temas, em outras demandas a gente também continue, possa fazer um trabalho de atuar junto e de gerar resultados melhores. Em relação a dúvida que o Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste região nordeste/leste colocou. Colocou um ponto muito sensível e uma dúvida muito precisa. A imagem que se passou depois que esse decreto foi editado foi exatamente essa que você questionou. Esse decreto é uma resposta às manifestações de junho. Só que a realidade, pelo menos para quem estava trabalhando isso por dentro, não é bem assim. O que aconteceu como eu contei aqui para vocês, por isso é importante de eu trazer essa narrativa, essa nossa história de como esse decreto surgiu. É de que isso aqui está em discussão no Governo Federal pelo menos desde 2011. Ou seja, dois anos antes das manifestações. Isso já vinha sendo discutido praticamente desde a constituinte de 1987 e 1988, como o Governo pode estabelecer canais de diálogo com a sociedade. Então em 2011, essa idéia que começou a tomar corpo, a primeira minuta foi já elaborada em 2012. A proposta inicial do sistema já estava apresentada a sociedade ainda em 2011 e aí com essas críticas, diálogos, concordâncias e discordâncias tomou corpo nesse decreto que a gente tem aqui hoje. Mas um ponto que você levantou, a gente percebe nesse decreto aqui também uma influência muito forte das manifestações de junho. Já no começo aqui, no artigo 2º, no 1º inciso, quando ele define sociedade civil, por exemplo, a gente vê que a posição que prevaleceu no decreto é diferente da posição que estava sendo apresentada lá em 2011. As manifestações de junho colaboraram, contribuíram para que o Governo abrisse um pouco o seu olhar, para considerar como sociedade civil outros coletivos e outras formas de organização da sociedade, diferentes daquela que ele estava tradicionalmente acostumado a dialogar. Então coletivos não institucionalizados, coletivos não formais também são levados em conta como sociedade civil. Redes, por exemplo, rede de pessoas mobilizadas, mesmo que não tenham CNPJ entram aqui no conceito de sociedade civil e devem ocupar esses espaços. E caminhando aqui para a conclusão, que o colega xará Daniel colocou. É isso mesmo, realmente a gente tem essa mesma percepção em relação a reação em relação ao decreto. E o ponto daquilo que está previsto e daquilo que a gente vê acontecer na prática é uma tensão constante e que a gente enfrenta e que a gente se debate com isso todos os dias. A gente tem leis, a gente tem decretos, a gente tem portarias estabelecendo como o Governo deve dialogar com a sociedade nas mais diferentes políticas públicas. O desafio é fazer com que isso aconteça, aconteça bem e gere bons resultados. E essa fórmula mágica a gente não tem. Como fazer com que isso aconteça não é algo que a gente tenha de maneira simples já construída, mas a gente entende também que nós que estamos nessa área de participação social não somos os especialistas nas pautas específicas. Ou seja, em relação a participação social dos povos indígenas a gente tem muito mais a aprender com vocês do que a ensinar. E fazendo já um gancho com o próximo ponto do debate, a gente tem uma expectativa muito grande que essa Conferência Nacional de Política Indigenista que vai ser discutida e que vai ser organizada por vocês e que a gente vai estar junto colaborando e contribuindo e possa ser uma grande fonte de aprendizado para a gente. Vocês podem mostrar para a gente na prática como fazer uma conferência nacional que seja diferente das outras. Como fazer uma conferência nacional que seja efetiva e como fazer uma conferência nacional que respeite a diversidade e as formas de organização de cada um dos povos. Humildemente eu assumo para vocês que a gente não sabe, não é especialista em como fazer isso em um modelo que caiba todo mundo. Mas com essa conferência e participando dela junto com vocês, eu acredito que a gente possa aprender muito com o jeito de se organizar dos povos indígenas. Para aplicar, quem sabe em outras áreas também. Em relação a dúvida do Coronel Jean do Ministério da Defesa, esse conselho governamental ainda não está instalado, mas vai ser instalado, a Secretaria Geral da Presidência da República vai montar. Ele não tem uma função decisória forte. Ele é um órgão de assessoramento da Secretaria Geral. Então o que a gente gostaria de ver acontecer é que os espaços de participação social continuassem com a mesma autonomia que eles têm hoje, ou maior. Ou seja, que qualquer órgão governamental criado para discutir participação social não fosse hierarquicamente superior a ninguém. Pelo contrário, fomentasse que cada uma delas pudesse se desenvolver com autonomia de acordo com as suas áreas. Só uma pequena observação para a gente lembrar também. Como eu disse para vocês, esse decreto não é o único que trata de participação social. Existe outro decreto quase que desconhecido que pouca gente ouviu falar de 15 de dezembro de 2003. Que nem é um decreto numerado. Que cria o Fórum Governamental de Participação Social. Esse Fórum Governamental, Coronel Jean, ele já tem uma natureza diferente, porque ele tem um poder. Ele é formado por representantes de todos os Ministérios da Esplanada. E ele tem poder propositivo. E ele tem poder de analisar e avaliar o que cada Ministério está fazendo em termos de participação social. Então talvez esse fórum que já existe, já tem um decreto criando, possa ser um espaço mais adequado para ter uma visão mais forte sobre participação social. Mas de maneira nenhuma não é o Governo que deve dizer para a sociedade como ela deve se organizar ou como ela deve participar, muito pelo contrário. Gente eu continuo à disposição para a gente continuar essa conversa que para mim está sendo de uma riqueza muito grande. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigado Daniel. Nós temos mais um inscrito que é o Saulo. Saulo Ferreira Feitosa - CIMI: A gente lamenta até que esse decreto sai no final do governo, no período eleitoral. Eu acho que isso também prejudicou muito o debate. E a gente até entende que o utilitarismo político se deu tanto por parte do Executivo, como do Legislativo. Já se esperava que houvesse mesmo essa reação por parte desses segmentos dentro do Legislativo, que já são conhecidos como foi dito aqui. Então a primeira constatação: é tardia essa discussão na minha interpretação tem um componente conjetural eleitoral grande e tem um problema que foi o esvaziamento dos conselhos das conferências na prática, aquilo que já foi colocado. Eu acho que lamentavelmente essa comissão talvez seja o exemplo maior de como o Governo não respeita as discussões, as deliberações. Então nada que é discutido aqui, que é encaminhado é executado por esse Governo. Então do ponto de vista da respeitabilidade das discussões desses conselhos, dessas comissões há um problema que precisa ser superado. Eu acho que então esse é um ponto que eu considero complicador para a gente discutir nesse momento a Política Nacional de Participação Social. E ela surge também em um momento em que nós dos movimentos estamos discutindo a própria forma de fazer essa participação. Quer dizer, os conselhos como eu falei foram esvaziados e a gente precisa rever. Então é um desafio que está posto para a sociedade brasileira. Agora, tem outro elemento que eu acho que a gente não pode desassociar dessa discussão, da participação Daniel é também a criminalização dos movimentos sociais. E o Governo não enfrentou. Durante esse Governo houve uma intensificação da criminalização dos movimentos sociais. Lideranças indígenas processadas e condenadas: muitas. A reação do Governo: nenhuma em relação a proteção dessas lideranças. O próprio programa de proteção aos defensores dos direitos humanos, muito limitado, porque o Governo não tem interesse em investir para que ele de fato efetive a proteção necessária. Aqui mesmo nessa mesa tem pessoas que estão inseridas no programa. Então você tem um esforço por parte de pessoas do Governo. E a gente reconhece. Mas o Governo como um todo não tem de fato essa preocupação em assegurar a proteção. E esse contexto que o Capitão levanta, ele intensificou muito o número das vítimas da criminalização. Então capitão, eu andei lendo vários artigos e parece que depois de junho pelo menos, aproximadamente mil pessoas passaram a ser investigadas nos inquéritos policiais, inclusive, o ministro da justiça várias vezes fez declarações dizendo que está apoiando esse processo das investigações. Então é para a gente também destacar esse elemento da conjuntura. No momento em que se publica esse decreto, a criminalização das lideranças... E a gente tem no Brasil pelo menos mil lideranças que estão sendo processadas desde junho do ano passado para cá. Somadas aquelas que já vinham, e todas que estão saindo a cada dia, então isso enfraquece as lutas dos movimentos sociais, porque as lideranças estão fragilizadas. E é uma questão que eu acho que o Governo deve enfrentar na relação com os movimentos sociais. E enfrentar considerando a sua capacidade de intervir nessas situações. Que não usa o poder que tem para se aproximar dos movimentos sociais nessa perspectiva, de fazer um enfrentamento contra a criminalização. Porque se estamos com as lideranças criminalizadas, também a participação social vai ser enfraquecida. Então só são desafios que eu coloco da conjuntura para a gente também considerar os aspectos mais amplos. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Ok. Obrigada Saulo. Eu acho que encerrou. Daniel você gostaria de retomar? Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: Eu vou responder a Saulo e na sequência eu já comento sobre as conferências. Pode ser? Porque também tem a ver. Então mais uma vez obrigado a todos. E obrigado também a Saulo pelas colocações, pela crítica que fez, que agrega muito ao nosso debate. E também porque acabou jogando a discussão para um tema que eu tenho um pouco mais de domínio. Então dá para a gente fazer um debate um pouquinho mais qualificado, que não tratamos aqui exatamente de política indigenista. O decreto foi tardio? Sim, com toda certeza. Ele saiu nesse momento agora, no ano de 2014. Como eu coloquei para vocês, mais uma vez reforçando, essa foi a importância de eu trazer essa narrativa, essa nossa mitologia de como o decreto surgiu. Porque os consensos não foram conseguidos antes disso. Se a gente fosse fazer uma apresentação unilateral e hierárquica do Governo, a proposta do decreto já estava pronta desde 2011. Então bastava ser assinado. Só que essa não é a nossa forma de trabalhar. A gente submeteu isso a crítica da sociedade, submetemos isso aos conselhos, as comissões. E é justamente por conta desses diálogos e das discordâncias que surgiram com esse diálogo, que esse projeto teve que ser feito e refeito várias vezes. A gente acha que perdeu em termos de tempo? Perdeu, mas a gente ganhou em termos de qualidade. Vários itens que estão aqui nesse decreto a gente consegue justificar porque estão aqui, de onde vieram e quem foi o autor da proposta. Que não seria possível, não teria essa riqueza se a gente tivesse feito de maneira unilateral. E mais, em minha opinião pessoal, eu acho que esse decreto é tardio exatamente em 26 anos, demorou 26 anos para sair. Isso daqui era para a gente ter discutido e ter emplacado na Constituição Federal de 1988. E a gente não conseguiu, porque justamente também naquela época não se chegou a consenso suficiente para incluir essas disposições aqui, que nada mais são do que colocar na prática o que é um Estado Democrático de Direito nas normas constitucionais. Mas enfim, antes tarde do que nunca. E é por isso que a gente entende que o decreto da maneira como está hoje, ele dá uma força, ele dá um reforço àquelas instâncias de participação que já existem e que também não foram criadas agora. As conferências, em relação as Conferências Nacionais, dá para a gente dizer que nada é executado? Realmente, tem gente que pensa assim, mas não é esse o meu ponto de vista. O que eu percebo nas conferências nacionais é: primeiro uma influência grande nas políticas públicas. Se a gente toma as políticas da área de saúde, por exemplo, a Conferência Nacional de Saúde. Se a gente toma as conferências da área de assistência social e a política de assistência social, a gente vai ver que há uma correlação muito grande entre os debates. O SUS e o SUA são produtos de conferências nacionais e, hoje são os dois maiores sistemas únicos de políticas públicas que a gente tem no Brasil. E surgiram da cabecinha de cada um dos participantes que estava lá nas conferências e apresentou para o Governo a sua demanda. Ainda que a gente entenda que parte daquilo que vem das conferências nacionais não se torna realidade, também não é esse o único resultado que a gente pretende realizar com elas. Fica aqui uma questão que é a seguinte: se as conferências são tão ruins como alguns jornalistas e alguns críticos pintam, por que a gente tem no Brasil cada vez mais pessoas querendo fazer parte das conferências? E por que a gente tem cada vez mais órgãos de Governo querendo chamar e criar conferências nacionais, como vocês estão querendo fazer aqui agora? Isso não é característica de um instrumento falido, pelo contrario. Significa que as conferências existem, tem um potencial muito grande, podem ser ainda melhor e a sociedade é madura o suficiente para considerar aquilo como um piso de participação social. Ou seja, não recua em relação a isso, mas quer mais. E quer melhor. E é isso que a gente também está querendo provocar aqui nesse debate, que a gente tenha cada vez mais conferências. Só uma curiosidade, nos últimos 10 anos, 12 para a gente arredondar em relação a questão dos mandatos. Nos últimos 12 anos o Brasil, incluindo os governos estaduais e municipais, realizou mais conferências nacionais do que em toda a sua história anterior. O que esse dado traz para a gente? Que cada vez mais a sociedade cobra do Governo que crie espaços em que ela seja ouvida. É uma tendência a ampliação do número de conferências. E a gente vai fazer o que for possível para que essa tendência não se reverta. Pelo contrário, se fortaleça ainda mais. E por fim, em relação a criminalização dos movimentos sociais. É um fenômeno trágico que a gente vive hoje na democracia. Porque se a gente entende a democracia como sendo a sociedade exercendo o seu poder soberano. E quando eu falo poder soberano é sim aquele que está lá no artigo 1º, parágrafo único da Constituição Federal: que todo poder emana do povo. Então se a gente entende a democracia como a sociedade efetivamente exercendo esse seu poder soberano, a gente vê que a sociedade organizada é um dos elementos que traz para que essa democracia aconteça. Então a gente precisa que o cidadão se organize. Se organize em comunidades, se organize em associações, se organize em fundações, em movimentos sociais, sindicatos, seja lá o que for, para mostrar que eles são a grande força política que a gente tem no Brasil hoje. E contrastar com outras forças políticas que não tem a mesma representatividade. Mas a questão é: quem está criminalizando os movimentos sociais? De onde vem essa criminalização? De onde vem a acusação de que os movimentos sociais e a sociedade de uma maneira geral é corrupta, é ineficiente, é incompetente ou é violenta, age com vandalismo e coisas assim? De onde está vindo isso? Porque se a gente conseguir identificar realmente de onde estão vindo esses valores de criminalização da sociedade é que a gente consegue colocar uma estratégia para contrabalançar e reverter esse quadro. A título de prestação de contas, aquilo que o Governo Federal vem fazendo eu acredito que vocês já saibam, mas exatamente hoje no Palácio do Planalto as 11:30 da manhã, eu vim direto de lá para cá, a presidenta assinou, sancionou o projeto de lei com o novo marco regulatório das organizações da sociedade civil. E para quem forçar um pouquinho da memória é outro processo que vale a pena chamar alguém aqui para debater com vocês na CNPI. Para quem forçar um pouquinho a memória vai perceber que isso foi muito afetado por aquelas denúncias de corrupção e de desvio de recursos que aconteceram em 2011 e no trabalho da CPI das ONGs, chamada CPI das ONGs que aconteceu no Congresso Nacional. E que gerou em alguns setores da sociedade a sensação de eu todas as ONGs e de que todas as organizações da sociedade civil são corruptas e são ineficientes para prestar atividades ao público. Como forma de contra argumentar esse discurso, ou seja, um discurso contra hegemônico, foi desenvolvido em um grupo de trabalho com a participação pesada desses movimentos e dessas entidades da sociedade civil, uma proposta de alteração legislativa que permitisse maior transparência, maior facilidade na prestação de contas e uma relação mais direta, inclusive de financiamento entre Governo e essas instituições. E o resultado do trabalho foi esse que foi sancionado agora com a presidenta e com esforço muito forte do Governo Federal para que fosse aprovado no Congresso Nacional. Essa é a posição do Governo Federal, considerar que a sociedade e a sociedade organizada, a sociedade mobilizada são essenciais para a democracia. Não é algo que dê para abrir mão se a gente quer que o Brasil seja democrático. Mas a gente de fato, como o colega Saulo estava dizendo, ainda se depara com discursos de criminalização, com pessoas trazendo essa argumentação de que as ONGs e os movimentos sociais são foco de corrupção e de cooptação de interesses. Mas eu repito a pergunta, de onde está vindo esse tipo de discurso? E do que ele se alimenta? Bom, e fechando aqui esse ponto, eu queria trocar algumas idéias com vocês. Trocar mesmo, porque eu acho que vou sair no lucro nessa troca sobre organização de interesses nacionais. E lembrando, a gente não vai esgotar esse tema aqui. Eu não vou conseguir trazer para vocês tudo, toda a experiência que a gente sobre conferências nacionais... Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Daniel só um minutinho, desculpe eu te interromper. Houve mais uma inscrição enquanto nós nos concentrávamos. O Saulo pediu novamente a palavra. E o Daniel também? Os dois. Desculpe, em seguida entramos na conferência. Saulo desculpa, mas eu acho que agora com a fala deles dois nós encerramos aí o debate, não é? Para nós entramos na conferência, senão nós não vamos conseguir avançar. Saulo Ferreira Feitosa - CIMI: Então é só para esse debate realmente não esgotar aqui. Mas é só para passar algumas informações para o Daniel. Quando a gente estava discutindo sobre convocar ou não a Conferência Nacional de Política Indigenista, a Rosa trouxe, eu acho que ainda ontem, uma orientação muito sábia. Ela nos trouxe a memória do nordeste durante as secas nas décadas de 70 e de 80. Que havia grande dificuldade de comida e apareceu lá uma sardinha que era enlatada e que era horrível. E o povo colocou o nome de “Pior sem Ela”. Foi o Sabaru? E daí as pessoas começaram a fazer brincadeiras tipo: ruim com ela, pior sem ela. E foi como a gente começou as conferências também, pior sem elas. E o fato de ser pior sem elas, não significa que elas sejam de fato mais eficientes, mas é um contexto político que a gente vive. E sobre a questão da criminalização, em última instância quem criminaliza? O Estado. Eu li um texto muito interessante, achei uma sacação brilhante de uma graduanda aqui da UNB, que ela desenvolveu trabalho de conclusão de curso de graduação e o título é O inimputável, o Estado. E me surpreendeu que uma menina na graduação consegue perceber, ela consegue responder essas perguntas que você faz. E em última instância, a gente não vai entrar aqui nos detalhes, a gente sabe que o Estado é quem criminaliza. E a minha discussão é exatamente essa, que no processo de pensar a participação, a gente tem que pensar para além do Governo, a gente tem que pensar na própria relação com o Estado e esses mecanismos. A minha discussão é para fazer a gente avançar. É lógico que eu espero que no próximo ano durante a conferência a gente possa discutir mais isso com você e com outras pessoas. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Daniel do CTI. Daniel Pierri - CTI: Desculpa eu tomar a palavra de novo. Eu só queria falar mais uma vez porque em breve eu vou ter que sair para pegar o vôo e provavelmente não vou conseguir participar da discussão mais fundamental que é da conferência. Então eu queria colocar para vocês que estão na mesa, ao Daniel que trouxe essa contribuição aqui, as lideranças aqui vão apresentar as propostas que elas discutiram sobre essa conferência. E eu acho que fica um recado que eu queria deixar antes de sair, que a postura que essa plenária tiver em relação a essas propostas, que são propostas que estão muito consistentes e foram muito debatidas e são fundamentais para que essa conferência de fato seja diferente. E que isso de fato traga o resultado, o espírito dessa idéia de participação social que está sendo debatido aqui. E então eu queria deixar aqui de antemão, dar meu apoio aí às propostas da bancada indígena que vão ser apresentadas, antes de ter que sair. Eu só queria colocar um ponto sobre esse tema que o Saulo lembrou aqui, da criminalização que me preocupa muito. Essa pergunta que você colocou e que o Saulo deu uma resposta que eu concordo e referendo. Tem um exemplo que eu acho que é e eu queria deixar esse exemplo aqui justamente para colocar isso para o Ministério da Justiça. Porque quando o Saulo lembra que o ministro Cardoso tem apoiado uma série de investigações que estão sendo feitas contra os movimentos sociais. Eu queria lembrar de um inquérito que ele tem apoiado lá em São Paulo. Que é um inquérito que está investigando vários integrantes do Movimento Passe Livre que participaram das manifestações de junho. Eu li várias peças relativas a esse inquérito, porque houveram várias manifestações feitas em repúdio a isso que está acontecendo lá a despeito do apoio do ministro. E a gente está tendo um caso em que se está investigando as pessoas, simplesmente por estarem indo em manifestações. Simplesmente por estarem exercendo o direito de participação social ao qual a gente está falando aqui. Então a gente espera, eu digo isso porque é uma decepção muito grande para mim ouvir essa palavra do ministro, quando eu vi no jornal que ele achava que devia sim lançar-se nessas investigações da forma como elas estão avançando. Então a gente tem um inquérito que não investiga um crime. Isso aconteceu no Rio de Janeiro, aconteceu em São Paulo e acontece em vários lugares. Isso é ilegal, isso é inconstitucional. Um inquérito tem que investigar crimes e não participação social. Então eu queria deixar esse repúdio aqui e essa palavra de decepção em relação a essa postura com os movimentos sociais. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada Daniel. Eu devolvo a palavra ao Daniel da SG, se quiser complementar essa parte e em seguida entramos, se não tiver... tem mais um inscrito então. Quem dos dois, doutor Marcelo ou o Daniel? Marcelo Veiga - Ministério da Justiça: Daniel eu achei bom você ter tocado nesse ponto sobre as questões das manifestações e desse processo todo que a gente tem vivido. Eu não vou entrar aqui no debate, depois a gente pode até discutir. Eu acho que algumas informações são importantes. O ministro quando fala que apóia a investigação, investigação para esclarecimento de cada uma das condutas. E aí o que eu digo, em que sentido que eu estou falando dessas condutas? Mas quando houve a possibilidade do relatório do que foi produzido pela polícia civil do Rio de Janeiro, o relatório final do inquérito policial. Tanto quanto a denúncia do Ministério Público. Eles explicitam ali fatos criminosos. Porque eles indicam e relatam, possivelmente podem ter existido esses fatos criminosos, não quer dizer que existiram. Por isso que isso vai à justiça e isso vai ser apurado. Então eu gostaria só de enfatizar que a posição do ministro nesse sentido é em apoio à apuração. Se houve ou não qualquer tipo de crime. É óbvio que se houve qualquer tipo de crime isso vai ter que ser levado à justiça, vai ter que ser julgado. E aí vai ser apenado na forma da legislação vigente. Então não é algo que soa dentro de um contexto geral. E é óbvio que tem que fazer a separação. É óbvio que o Governo de forma alguma ele vislumbra a possibilidade de criminalização das pessoas que participam dos movimentos, não é isso. Agora, existiram sim, relatos de pessoas que cometeram crimes durante esse tipo de manifestação. Então só para enfatizar esse ponto específico, depois se você quiser... Você está indo para São Paulo hoje? Eu também estou, então depois a gente pode até aprofundar, está bom? Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigado doutor Marcelo. Daniel. Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: Então tentar também dialogar, realmente são questões em que não existe uma resposta viável, mas para a gente estimular esse debate e mais uma vez reforçando, esse é um tema que me interessa muito e que eu tenho muito interesse em continuar conversando com vocês. Em relação às conferências permanece a mesma argumentação que eu coloquei anteriormente, a gente tende a ter uma visão muito linear e muito cartesiana das conferências. De achar que conferência resulta necessariamente em política pública leia o decreto. E isso é uma coisa que inclusive fundamenta esse tipo de crítica que a gente está recebendo do Poder Legislativo, de que a gente está querendo substituir o debate que existe lá. A conferência é um processo muito mais rico e muito mais complexo do que isso. Na conferência a sociedade ocupa o espaço, conduz o debate e diz também qual o resultado que ela quer alcançar. O papel do Governo em uma conferência nacional é muito superestimado. Ele não é aquele agente depositário das confianças que surgem na conferência, como a gente costuma dizer. Então tem muita coisa que acontece na conferência nacional, a maior parte das coisas que acontece na conferência nacional, o seu resultado não depende do Governo para se tornar realidade. Cito um exemplo bem simples, só para ilustrar essa colocação também do Ministério da Justiça. Foi realizado há alguns anos, em 2008. 2009 a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, a primeira que existiu no Brasil. É uma conferência bastante criticada hoje por conta da implementação dos seus resultados, o que se tornou realidade, o que se tornou decreto e o que se tornou lei. Mas tem efeito, um resultado dessa conferência que as pessoas esqueceram de avaliar. Antes enquanto a gente ainda estava discutindo a conferência, foi feito um trabalho com base em sociologia nas redes, por uma pesquisadora específica que tentou monitorar como é que os três principais elementos da conferência dialogavam entre si: profissionais da segurança pública, representantes da sociedade, majoritariamente defensores de direitos humanos e Governo. E o que ela observou antes da conferência é que Governo dialogava com defensores de direitos humanos e Governo dialogava com profissionais da segurança pública. Mas esses dois não dialogavam entre si. Não sentavam a mesma mesa, não falavam, não olhavam um no olho do outro e não se conheciam. Existia então a relação angular, onde o Governo era o vértice. Para defensores de direitos humanos discutirem com policiais, eles tinham que chamar o Governo primeiro e falar com o Governo e o Governo ia e falava. Era o moleque de recados na relação desses dois polos. O que foi verificado quando essa mesma pesquisa foi repetida depois da conferência pronta? Verificou que a relação desses elementos se tornou muito mais complexa e arrumou uma teia entre eles. Significa que profissionais da segurança pública passaram a dialogar diretamente com defensores de direitos humanos sem o Governo estar presente. Pactos foram feitos, acordos foram feitos, projetos conjuntos foram feitos, programas foram feitos. E aí eu pergunto para vocês, isso é ou não é um resultado de conferência? Para mim que vivi esse processo, não só é um resultado, como foi o melhor de todos. Foi uma mudança de cultura, uma quebra de uma relação política de cisão e de fragmentação que a gente tinha no Brasil há pelo menos 500 anos. Pela primeira vez a gente coloca defensores de direitos humanos e profissionais de segurança pública para um olhando na cara do outro discutir as suas diferenças e tratarem propostas conjuntas. Que mais uma vez eu repito, não precisaram passar pelo Governo. E não precisaram da atuação do Governo para se tornar realidade. Então a conferência permite isso. A conferência é um espaço rico, complexo, plural, que se a sociedade ocupa e toma conta, não depende do Governo para se tornar realidade. Lógico que tem os elementos das políticas públicas, das leis e decretos que a gente quer ver surgir. E vários surgem por conta das conferências. Mas o que eu estou defendendo com vocês é para a gente não se limitar a isso. Ok? E sobre o ponto da criminalização do estado, Saulo deu uma resposta, criminalização dos movimentos sociais. Que entende que o Estado é responsável pela criminalização. Ouvi, escutei, entendi, mas eu te dou outra resposta, não é o Estado que é responsável por essa criminalização. Enquanto a gente estava conversando aqui e que Marcelo deu a justificativa para vocês de que alguns dos manifestantes estão sendo investigados pelo Estado, eu digo para vocês que vários deles já foram condenados. E não foram pelo Estado. Vários deles estão sendo punidos. E não é pelo Estado que eles estão sendo punidos. É pela sociedade brasileira. Esse elemento de criminalização dos movimentos sociais e criminalização da militância da participação social é algo que está cultural na sociedade brasileira e a gente não pode fechar os olhos para isso. E nem achar que resolvendo o problema no Estado, a gente vai estar com tudo resolvido. Quem chamou os manifestantes, as pessoas que protestaram de vândalos, não foi o Estado. Quem disse que eram vagabundos e que não tinham o que fazer, não foi o Estado. Existe um sentimento na sociedade que é um sentimento negativo e muito ruim, que a gente herdou historicamente do tipo de formação colonial que a gente teve. Que tende a criminalizar isso. E eu vou mais além, é um tipo de cultura e é um tipo de organização específica que a gente tem na sociedade brasileira, que o Estado está começando a combater. Que a gente está começando a perceber e que a gente está começando a enfrentar. Então quando a gente promove, por exemplo, a gente está promovendo junto com a Secretaria de Política para Promoção da Igualdade Racial, um programa de combate à violência contra a juventude negra. É porque a gente sabe que jovens negros estão morrendo e porque a gente concorda com a teses de genocídio que é apresentado pelo Movimento Negro. E porque a gente sabe que medidas precisam ser feitas em relação a isso. Quando a gente vai para uma terra indígena, como foi o caso de Marãiwatsédé. E vai com uma força estatal inclusive Forças Armadas e da Força de Segurança Nacional. E a gente faz com que um direito que está na Constituição, e que é óbvio, está lá gente, pelo amor de Deus, a terra pertence aos indígenas. Quem entrar naquela terra só pode entrar com autorização da população indígena. É uma coisa óbvia, não precisava defender perante ninguém, mas que precisa ser forçado, mas que precisa ser garantido por meio da força é porque tem alguma coisa errada com as pessoas que fazem isso. E a gente precisa atacar isso dentro da sociedade brasileira. A gente limitar essa briga ou limitar essa disputa apenas ao campo estatal, a gente está deixando de lado, tapando os olhos e fechando essa arena, esse flanco de combate daquilo que pode ser o mais importante. Não basta a gente ter um Estado brasileiro democrático, a ente precisa ter também uma sociedade brasileira democrática, toda ela. Passamos então para a conferência? Saulo Ferreira Feitosa - CIMI: É só uma questão de ordem. Eu queria deixar registrada em ata, como membro, eu como membro da sociedade brasileira, eu quero registrar em ata: eu não assumo a responsabilidade dessa criminalização. Eu só estou defendendo aqui a minha parte. E eu acho que outras pessoas também não assumem. Então para deixar registrado, que eu não me sinto responsável pela criminalização. Então eu me excluo desses acusados aí pelo Daniel. Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: Perfeito Saulo, foi você que puxou o assunto. Eu estou aqui conduzindo. Vamos nesse ritmo. Passamos para a conferência. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Lourenço. É uma questão de ordem, porque senão nós não vamos entrar na conferência. Nós não vamos avançar. Vai chegar ao final a nossa reunião e nós não avançamos. Pode ser no final do intervalo para vocês discutirem pessoalmente? Pode ser isso? Lourenço Milhomem - região Amazônica: Eu queria só, porque se tornou muito interessante a discussão. E veio na minha mente com a fala do Daniel... Daniel eu queria assim, compartilhar com a bancada indígena, com a bancada indigenista a questão do movimento social. A questão do movimento social nosso, dos povos indígenas, às vezes o Estado provoca. Faz o compromisso que está na lei da Constituição Federal e acaba não cumprindo. De onde que vem a provocação que o próprio Estado cria? Muitas das coisas acontece, às vezes a punição da liderança indígena. E portanto, espera de não tomar as providências, de não cumprir dentro da lei que garante direito a nós da população indígena. Às vezes acontece com enfrentamento, mobilização para chamar a atenção do Governo. E quem toma até a frente, com próprio anseio e vontade que o Governo se resolve não importa da onde. Mas o Estado Brasileiro como um todo na esfera municipal, estadual e até federal. Os povos indígenas acaba como todo, diz não. Tem que fazer alguma coisa. Porque esperar pro que vem decidir conforma lei, com má vontade de quem está à frente as coisas não acontecem. Por um direito acaba sendo, criando uma contra. Porque em todo movimento social tem uma liderança. Hoje quem é o maior, o chefe aqui no Brasil? É a presidência. E em escala descendo. Então tem que ter alguém na frente para estar acompanhando, estar representando. Ter o ponto referente para a discussão. Então acaba no movimento, até mesmo no social de buscar nossos direitos, somos às vezes como refém, como crime da liderança que está à frente. Muitos hoje estão sendo punidos. Então esse movimento que a gente defende, porque se for para nós indígenas ficar esperando a boa vontade da lei, as coisas não acontecem. Desde o princípio acontece isso. Desde o princípio. Tem que ter a mobilização sim para corrigir o erro de quem está fazendo. E quem paga hoje somos nós. Por isso Daniel, da forma que está o Governo vem, é claro é responsável pelo Estado sim, porque às vezes a mobilização, a sociedade se movimenta, busca seu direito, porque estão cansados de esperar. Que não se resolva, não são tomadas as providências. Então isso eu defendo muito. Eu defendo que a nossa posição como movimento, nós vimos aqui de base, se acontecer, digamos, a minha comunidade decidiu lá, não sou eu que tomei a decisão. A decisão como um todo. Não foi a liderança que decidiu. Isso desde o princípio vem acontecendo. Eu estava olhado aqui, para a gente poder se apoderar pelo menos dessa discussão, para conferência. Eu estou tentando buscar desde o princípio bíblico, como começou toda essa história e até hoje acontece. Então eu quero assim dizer, só reforçando as falas dos colegas, eu acho que está na hora assim de Estado olhar um pouco para si próprio que está fazendo. Então era essa a minha partilhação, que essa provocação que é interessante essa discussão, esse tema. Obrigado. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada Lourenço. Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: Perfeito Lourenço, obrigado. E concordo, eu acho que é disso mesmo que a gente está falando. E vamos ter uma oportunidade então, como vocês já perceberam tem temas e tem debates que uma tarde, uma sessão da CNPI é muito pouco para a gente discutir, para a gente esgotar. E tem temas que a gente tem diferenças de opinião e opiniões diferentes, que é justamente essa diferença de opinião que torna o tema mais rico, mais valioso, mais precioso. A gente vive em uma sociedade pluralista no Brasil e o razoável é a gente esperar que as pessoas tenham posições diferentes sobre as mais variadas questões. Aí é que vem a importância de uma conferência nacional. A conferência nacional não está limitada a esse espaço físico aqui. Não está limitada a essa quantidade de pessoas. Não está limitada a esse tempo que a gente tem aqui de uma sessão da CNPI, de uma tarde. E ela permite que esses temas que demandam um debate maior, um debate mais amplo, possam acontecer com liberdade e de uma forma bastante ampla. Por isso que é importante a gente fazer essas conferências nacionais. E por isso, que cada vez mais, as pessoas percebendo esse valor ocupam os espaços das conferências nacionais. E o Governo também por sua parte. Cada vez mais órgãos novos dentro do Governo passam a adotar a conferência como estratégia de diálogo com a população. Vocês têm então diante de vocês esse desafio, que eu repito, mais que um desafio é uma grande oportunidade de a gente fazer com que esse debate que vocês fazem aqui seja mais amplo e alcance o número maior de pessoas e um número maior de posições e de pontos de vista. E mais ainda, da maneira como essa conferência for organizada, a nossa expectativa da presidência da república é que a gente possa extrair grandes aprendizados para nós. Não só para quem participa da conferência, mas para nós também. Lembrem de tudo aquilo que a gente estava discutindo aqui nos comentários anteriores, aquilo que está no decreto, a diferença entre aquilo que está na lei e aquilo que acontece na prática. A diferença entre a intenção e a realidade. Agora é o momento da gente mostrar isso na prática como pode ser. As conferências têm problemas, tem limitações, têm obstáculos, eu acho que isso a gente não vai discordar, mas aí é que vem a provocação. Então como que a gente resolve isso? Como seria uma conferência que fosse além desses problemas e que fosse além desses obstáculos? Mostrem para a gente como é uma conferência bem feita. Mostrem para a gente como deveria ser uma conferência. E com essa prática que a gente vai fazer junto e que a gente vai ajudar a organizar, com certeza o aprendizado vem. Gente, eu não vou detalhar aqui para vocês todos os passos da conferência, como se faz. Nem trazer essas orientações de forma detalhada. Eu só queria apresentar para vocês o material que a gente distribuiu. Tem um textinho aí muito sintético feito pelo nosso coordenador de mecanismos formais de participação. Que é basicamente um lembrete. As coisas que a gente precisa lembrar de fazer quando for organizar uma conferência: relatoria, etapas, mobilização social, produção de documentos. Então para a gente não esquecer que precisa cumprir essas etapas para a conferência acontecer. E o outro documento que a gente compartilhou aí com vocês também nesse kit, é um documento para a gente muito valioso, que é esse livrinho, esse folheto, a nota técnica número 2 feita em parceria com o IPEA – Instituto de pesquisas Econômicas Aplicadas. Em que os pesquisadores do IPEA analisaram junto com a gente as experiências recentes de conferências nacionais que foram feitas pelo Governo Federal. Analisando cada uma dessas conferências, a gente procurou identificar quais foram aquelas que a gente considerou bem sucedidas. Quais foram aquelas que a gente considerou mal sucedidas ou alguma coisa assim no meio. E tentamos identificar as causas que levaram a conferência a dar certo e não dar, a cumprir seus objetivos ou a não cumprir seus objetivos. E está tudo bem detalhado, bem explicado na forma de fatores críticos de sucesso. O que o IPEA quer dizer com fatores críticos de sucesso? Significa as condutas, as práticas, os cuidados que eles acham que os organizadores de uma conferência devem ter, para fazer com que os objetivos dessa conferência sejam alcançados. Está bom? Então essa é a minha contribuição inicial para vocês. É a minha oferta que eu trago da Secretaria Geral para vocês. Eu espero que esse documento possa ser útil. Eu espero que possa ajudar. Mas uma vez reforçando, nossa colaboração, nossa ajuda não se limita a isso. O que vocês precisarem e o que a gente puder fazer para que essa conferência seja uma conferência que cumpra os seus objetivos, contem com a gente. Fico aqui à disposição de vocês para a gente dialogar, debater e tirar dúvidas, mas reforçando que com certeza esse é um assunto que não esgota hoje. Obrigada gente. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada Daniel. Alguém inscrito? Não. Paulino, APIB. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Acho que esse tema é mais uma pauta, ainda bem que a bancada diz como vai se apresentar, tenta propor resgatar o tema da violência e criminalização no percurso da conferência. Eu acho que a perspectiva é essa mesma. A perspectiva da descolonização o Estado tem que assumir sua responsabilidade no processo de criminalização secular que pesa sobre os povos indígenas. Eu acho que a gente não pode simplesmente jogar a culpa na sociedade. Mesmo no Estado Democrático há violência institucional contra pelo menos os povos indígenas. Isso não pode ser adiado, não pode deixar ao lado. Ainda bem como vai se apresentar esse processo no percurso da discussão das etapas da conferência. Eu só queria comentar isso. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada Paulino. O doutor Marcelo pediu a palavra. Ele vai explicar o por que. Marcelo Veiga - Ministério da Justiça: É que eu vou para São Paulo daqui a pouco e eu queria fazer algumas considerações com relação a conferência. A gente tem discutido bastante, inclusive a Chiquinha veio me cobrar hoje o negócio do decreto. E foi uma grande vitória o decreto ter saído pela presidência da república, que a gente batalhou muito. Existia a possibilidade de sair via Ministério da Justiça, via portaria do ministro. Mas eu acho que saindo por um decreto da presidência tem uma relevância muito grande. Então a gente lutou muito para que isso saísse e eu acho que a presidenta foi sensível para essa demanda. Eu acho que é extremamente importante isso. A gente logo após a publicação, um pouco antes a gente já começou alguns debates e algumas questões. E inclusive ontem fechamos um pouco essa primeira fase de amadurecimento da questão da conferência em âmbito do Governo. Já fizemos uma reunião com os membros de Governo. E ontem finalizamos com uma reunião da Secretaria Geral. Bom, a gente tem diversos desafios a serem superados. Eu acho que esse roteiro que o Daniel traz, eu acho que já é um ótimo exercício para que a gente já inicie o nosso trabalho. Apesar que eu acho que muitas das respostas a esses questionamentos já foram tirados pela equipe que nós destacamos aqui na CNPI para pensar a conferência. Eu acho que o nosso produto para hoje e para amanhã é aprofundar esse trabalho que foi feito entre os membros dessa equipe. Agora, algumas coisas foram colocadas nessa reunião ontem lá na Secretaria Geral da Presidência, que eu queria dividir um pouco com vocês. Eu acho que talvez o nosso grande desafio para essa conferência, eu acho que foi fundamental, foi uma colocação do secretário Pedro Pontual. É que a gente tem um desafio metodológico para essa conferência é de que forma a gente vai conseguir pensar uma metodologia. E aí inclui também quem que vai construir essa metodologia. Se essa metodologia vai ser construída por técnicos e analistas da FUNAI ou se a gente vai pegar especificamente uma empresa para pensar isso. Mas de que forma dar conta da diversidade cultural dos povos indígenas brasileiros? A gente tem uma quantidade enorme de povos que falam línguas diferentes e se comportam de formas diferentes. E a gente tem um modelo padronizado de conferência, como vocês já colocaram maqui. Esse modelo padronizado não serve para essa conferência. E então eu acho que o grande desafio que a gente tem aqui é pensar os indicadores metodológicos. Aquilo que vai apontar para uma metodologia que efetivamente dê conta de que essa participação dos povos indígenas e das lideranças das comunidades, elas sejam efetivas. E outra questão que eu acho que é extremamente importante que a gente vai ter que se debruçar também: é como que a gente vai pensar, porque tem diversas formas de produzir uma conferência nesse processo. Algumas conferências têm primeiro os seus regimentos internos aprovados para depois do regimento interno ver como vai ser a coordenação executiva, como vai ser a coordenação geral. Na nossa conferência foi um pouco diferente. Então o ministro designa e aprova essa comissão organizadora e a comissão organizadora vai pensar o regimento interno. Então o nosso primeiro passo é realmente pensar essa comissão organizadora. Eu acho que já tem bons indícios por onde a gente pode seguir para composição dessa comissão organizadora, vocês já se manifestaram. Eu acho que o produto da equipe... Já foi socializado para todo mundo da plenária? eu acho que é importante socializar. É importante que vocês façam esse debate com a plenária ampliada. O produto dessa equipe é um produto muito bom. Eu acho que é razoável, eu acho que a gente pode seguir nesse caminho. Talvez precise de um acerto ou outro dependendo da necessidade e do debate. Mas eu acho que o primeiro passo que a gente tem que dar é justamente a constituição dessa comissão organizadora. Após a constituição da comissão organizadora, a gente tem que pensar necessariamente como estruturar o regimento interno. E para estruturar o regimento interno é seguir esses passos que a Secretaria Geral trouxe agregando essas sugestões que o grupo de trabalho já produziu. Eu acho que tem muita coisa que teremos hoje e amanhã para amadurecer em relação a isso, mas a gente tem que sair efetivamente com alguns avanços. E só para finalizar a minha fala, por que eu estou falando isso? Porque a gente sabe que está em um final de governo e a gente sabe que a conferência vai ser realizada no ano que vem. A gente tem que ter conquistas plausíveis ainda esse ano com relação a conferência. A gente tem que ter uma comissão organizadora formada, a gente tem que ter um regimento interno aprovado. A gente tem que ter uma comissão executiva trabalhando com subcomissões temáticas já definidas, com definição de papel, definição de tarefa, para que a gente consiga na pior das hipóteses chegar ao final do ano com a realização do seminário preparatório que também consta no decreto. Então o meu apelo aqui é de que a gente consiga realizar todas essas etapas em um curto espaço de tempo. Nós temos 4 meses e muita coisa para fazer. Eu acho que até ao final do ano a gente tem que conseguir essas conquistas. A gente tem que ter então: a comissão organizadora, comissão executiva já trabalhando um regimento interno e um indicativo de uma data para esse seminário. E paralelamente também toda a estruturação do trabalho metodológico que vai ser implementado. E por fim, a questão do caderno temático que vai ser apresentado, inclusive já bem estruturado para que a gente possa usar bem já nas etapas locais e nas etapas regionais. Eu não sei Daniel das outras conferências também, mas essa aqui se discutiu muito se o modelo município e estado seria adequado. E é óbvio que não é adequado esse modelo. Conforme as organizações, conforme as definições das terras indígenas no território brasileiro, não cabe realmente. Então chegaram aqui a uma proposta de realização a partir de uma proposta de conferência locais e regionais que foge desse modelo. Eu não sei se tem outra conferência que já usou algum modelo parecido, mas é o modelo que mais está adequado a realidade dos povos indígenas. Mas eu acho que tem que ser o modelo a ser seguido mesmo. Então como eu não vou poder participar desse debate todo, eu já conversei bastante com a Guta, eu acho que vocês têm que aproveitar ao máximo o Daniel aqui, para todas as dúvidas que vocês têm. E amanhã, no final de hoje e amanhã partir para os encaminhamentos objetivos e pragmáticos para a gente pôr na rua essa conferência. Sonia Guajajara - APIB: Então doutor Marcelo, eu achava interessante que você pudesse ouvir aqui o que é a nossa proposta. Não, não conhece não, essa aqui não. Não, essa é do trabalho que foi feito ontem e antes de ontem. E é 5 minutinhos. E já preparou? Então vamos. Dá tempo ainda. Sonia Guajajara - APIB: Sonia Guajajara, da APIB. Gente ainda bem que nessa tarde aqui a gente começou a analisar um pouco o formato da conferência. E aqui se reafirma cada vez mais e inclusive na fala do Daniel, que essa conferência não pode ser uma conferência que segue um padrão colonial, um formato já pronto. E o grupo de trabalho trouxe aí a discussão. E no primeiro dia na nossa preparatória e ontem a gente amadureceu o que veio do grupo de trabalho. E fomos já dando um rumo assim e algumas definições. E aí algumas observações, algumas considerações e a gente foi discutindo, entendendo e consensuando. E daí o Daniel fala: mostrem para nós como deve ser essa conferência. Isso para nós é bom, não é? Ele acabou dizendo aqui: mostrem como se faz uma conferência. E aí nós vamos de fato mostrar e querer assim que seja acatado a forma. Porque também é uma forma de o Estado restituir aquilo que nos foi tirado durante todos esses anos. E assim se respeitem as formas de organizações próprias, o modo de organizar. E também vai se exercitar um princípio constitucional, que lá diz: que tem que respeitar as formas próprias de organizações. Então aqui a bancada indígena, indigenista da CNPI, a gente discutiu, a gente avaliou, a gente analisou tudo. E a gente entende que ela tem que ser de fato considerada as realidades locais. E aí a gente propôs algumas mudanças. E nós temos aqui 6 pontos a serem apresentados. O primeiro é em relação aos eixos temáticos. Então a gente diz aqui, propomos... Infelizmente não está dando para ler ainda, mas aí vamos acompanhando. E a Gracinha está tirando cópia para distribuir para todos. Passa para ele esse aqui que já está. Então são eixos temáticos. Propomos que os eixos temáticos 1 e 2, formulados pelo grupo executivo, o leque foi aquele grupo de trabalho e essa memória que todo mundo recebeu aí. Sejam ajustados conforme o objetivo 1 do decreto. Avaliar a ação indigenista do Estado Brasileiro, que esse aí é o primeiro ponto lá. Ficando assim, política indigenista e relação do Estado e da sociedade brasileira com os povos indígenas. Assim a gente juntou o 1 e o 2, pontos que foi trazido do grupo de trabalho. Dois - resgatar no regimento interno da conferência e no texto orientador, a perspectiva da descolonização das relações entre o estado e os povos indígenas. Juntos com o marco jurídico proposto pelo grupo executivo, mas que não foi explicitado no decreto de convocação. Então o grupo trouxe esse tema e lá no decreto ele não aparece. Então a gente propõe que ele seja resgatado no texto base. Três – no mesmo sentido recuperar o tema do enfrentamento das situações de violência e criminalização que afetam os povos indígenas, também proposto pelo grupo. E aí no decreto também ele estava, ela não aparecia mais. Dois – Em relação ao documento orientador. O texto orientador da conferência deve ser elaborado com ampla participação da bancada indígena e indigenista. Nesse sentido propomos uma comissão de redação, composta pelas seguintes pessoas: e está aqui a Francisca, a Chiquinha, a Sonia Guajajara, o Marcos Sabaru, o Paulino Montejo, o Daniel e o Saulo Feitosa. Essas são as pessoas da bancada indigenista que vão compor a comissão para redação do documento base, do texto base. O ponto três – conferências locais e regionais e nacional. Em conformidade com ao artigo 2 do decreto, a convocação da conferência, representamos a proposta de realizar a Conferência Nacional de Política Indigenista, considerando as etapas locais e regionais conforme segue. Então o decreto trouxe isso, fala da conferência local, da conferência regional e da conferência nacional. Sendo que na distribuição a gente não considerou as locais, e sim e passou direto para as regionais, as microrregionais considerando as CRs, as regionais da FUNAI. Então o que a gente propõe aqui de novidade é que de fato aconteça as conferências locais e a gente elimina aquelas 10 que estavam chamadas de macrorregionais, mas onde juntava dois estados. E aí a gente vai fazer as locais de acordo com as realidades locais e as especificidades de cada região, que às vezes pode até aumentar ou pode diminuir. Porque cada povo ou cada região já tem uma forma própria de se organizar. E a gente já está substituindo inclusive até o nome de conferência local para Assembléias locais, porque aí fica aquela coisa mais própria, aquela coisa mais aproximada das realidades que é a forma como a gente já trata. E com isso a gente traz aqui um exemplo, principalmente para poder ilustrar um modelo de conferência que pode ser considerada local. No Maranhão a gente sugeriu, por exemplo, que a gente pode fazer duas Assembléias divididas em, uma para o grupo macro-jê e outra para o grupo Tupi. Então em uma a gente faria duas para ser já discutida e considerada como local. E assim cada região, o estado. O Capitão também trouxe um exemplo que pode ser usado no nordeste, que pode juntar também dois ou três estados, não é Capitão? Que o objetivo aqui não é travar. É avançar, avançar de forma respeitosa. De forma que tenha de fato uma participação real dos povos indígenas ali, discutindo, escutando, entendendo. Porque aí a gente não vai fazer uma coisa de trazer só representante tal e tal, indicado a dedo. Mas que de fato a gente possa proporcionar a participação da base. Então entendemos por etapas locais essas Assembléias indígenas a serem realizadas conforme a realidade de cada região étnica, território, povo ou comunidades. Preservando o protagonismo total e a autonomia indígena. Dois – dessas Assembléias locais é que sairão os delegados que irão para as 37 conferências regionais. Considerando o número de 80 a 100 representantes. E isso que a gente colocou assim. Mas na comissão organizadora a gente pode redimensionar se de fato serão no âmbito das regionais ou de que forma que a gente reorganiza essas regionais. Para não ficar amarrado assim. Que assim seja, porque às vezes vai haver certa contradição. Tipo, são vários locais, junta uma regional que tem só um povo, por exemplo. Ou um estado que tem 5 ou 7. Então isso aí a gente pode ir amarrando, amadurecendo, definindo melhor na comissão. Três – dessa forma as 37 conferências que antes eram consideradas locais, passam a ser as regionais. Suprimindo a proposta inicial de ter 10 conferências regionais, envolvendo 1, 2 ou mais estados da federação. O ponto quatro – sobre a comissão organizadora da conferência. A 23ª Reunião Ordinária da CNPI propôs uma comissão organizadora composta por 26 membros, do lado da bancada indígena e indigenista. Propomos que a comissão seja composta da seguinte forma: 6 da bancada indígena, 5 da APIB e 2 indigenistas. E então aqui a gente apenas redistribuiu a forma de representação sem alterar a quantidade. Entendeu Marcelo? Marcelo Veiga - Ministério da Justiça: Entendi, o redimensionamento. Eu já tinha lido aqui, eu já estou vendo no decreto como que está isso. Sonia Guajajara - APIB: Aqui ela não alterou o número de participantes, apenas a gente redimensionou aqui a forma de representação. Então a bancada indígena, está aqui os nomes e então das pessoas que vão compor. Pela bancada indigenista: está a Chiquinha, está a Rosa, a Simone, o Tóia, o Titiah e o Valcélio. Pela APIB, por enquanto está só o meu nome e a gente vai ficar devendo os outros 4 nomes, porque a gente vai fazer a consulta ainda nas nossas regiões. E dos indigenistas o Daniel e o Saulo. Então aqui já está as indicações para compor a comissão organizadora. Cinco – comissão de coordenação das conferências locais e regionais. Em razão da proposta de realizar Assembléias locais e as conferências regionais. Eu não nem mais dizer 37, porque aí é uma coisa que a gente vai rever. Então propomos que seja constituída no âmbito do seminário de formação, uma comissão de coordenação desses eventos. Composta por lideranças do movimento indígena, das distintas regiões do país, visando o seu envolvimento na articulação e realização das conferências. Então essa coordenação maior que é a nacional aqui. E a gente cria também as comissões regionais, que serão sempre elencadas com essa nacional para poder ajudar lá na ponta. Participante não identificado: E algumas a gente chama até de facilitadores, isso é muito bom, eu acho que é. Sonia Guajajara - APIB: Certo, ponto cinco – comissão de coordenação das conferências locais e regionais. Em razão da proposta de realizar Assembléias locais e regionais, eu já disse isso? Já? É o último agora, seis – seminário de formação. Consideramos importante equacionar a participação no seminário de formação, pois na proposta inicial a representação governamental é mais do que o dobro da participação indígena. Diante dessa situação propomos aumentar o número dos participantes indígenas. Ficando assim: 25 pela CNPI, a gente diz 25 entre titulares e suplentes. Nem todo mundo tem suplente, mas aí a gente vê o que pode, titular ou suplente. Então 25 pela CNPI, 46 pela APIB e organizações regionais e 2 indigenistas. Somando 73 da bancada indígena e indigenista. E para equiparar com esse número e representação governamental, propomos não incluir nessa a representação do mapa. E aí Governo 73 e indígenas e indigenistas 73 também. Marcelo Veiga - Ministério da Justiça: Eu tenho que ir embora, então Soninha obrigado pela explanação. Eu vou ter que sair mesmo. Eu queria falar rapidamente. Eu acho que de todas essas propostas que vocês fizeram aqui assim, em princípio eu não vejo problemas. Eu tenho uma dúvida ou outra em um ponto específico com relação a composição da comissão organizadora. Especificamente, que daí a gente vai ter que se debruçar, eu até já pedi uma análise da nossa consultoria jurídica com relação a esse ponto. Com relação aos outros pontos eu também não vejo grandes problemas. Mas no meio da sua fala você deu a grande dica, isso tudo vai ser definido pela comissão organizadora e vocês vão estar com a gente na comissão organizadora. Vai ser muito bom para vocês verem também as nossas dificuldades, as nossas facilidades e até aonde a gente pode ir. Mas em princípio olhando sem me debruçar, sem estudar profundamente, eu acho que ele é bom, as idéias são interessantes. A gente precisa ver a adequação disso dentro do nosso orçamento, que isso a gente vai colocar na comissão organizadora. E também temos um orçamento específico já definido lá no Ministério da Justiça para isso. E eu acho que estando dentro do nosso orçamento, eu acho que não vai ter problema nenhum. Esse é um limitador, mas a gente tem bastante dinheiro para aplicar nessa conferência também, não vai ser problema. Então eu vou pegar essa proposta de vocês, vou levar, mas tem, já está reservado, a gente não precisa ficar com medo. Eu vou dar uma olhadinha nisso aqui com calma e vocês vão aprofundar também esses debates todos. Eu acho que já dá para avançar em alguns pontos. Agora, eu reafirmo, pensar nessa comissão organizadora e já tirar encaminhamentos objetivos para essa comissão organizadora. Até ontem a gente tinha comentado se não era muito grande essa comissão organizadora. A Secretaria Geral falou não é. E eu fui ver outras conferências, tem comissões organizadoras com 70 pessoas. É mais inviável ainda. Então eu acho que essa é uma proposta razoável que vocês fizeram. Agora, sempre pensando que quem fizer parte da comissão organizadora vai ter trabalho, vai ter bastante trabalho. Então vai ter que ter disponibilidade para vir para cá. Então já sabem. Passar alguns dias aqui e depois voltar. Mas não ter mais trabalho do que a comissão executiva. Aí esses mesmo vão ter que ficar, se dedicar exclusivamente à conferência, por exemplo, subcomissão temática de logística tem que começar a trabalhar daqui a um mês, eu acho, para dar a certo a conferência no final do ano que vem. Porque o trabalho é demais. Então tem um monte de coisas, mas eu acho que é importante isso. Na comissão organizadora são dados os princípios gerais, as regras gerais. E quem executa essas regras, esses princípios é o pessoal da comissão executiva através das subcomissões temáticas. Mas eu acho que essa vai ser uma oportunidade da gente trabalhar junto na comissão organizadora e aí verificar cada um desses pontos. Achei muito bom esse trabalho de vocês. Eu queria ouvir um pouquinho o Daniel, não vou conseguir, depois eu pego aqui as observações, mas em princípio eu acho que é um bom caminho para a gente iniciar os trabalhos. Desculpe o mau jeito, mas eu tenho... Sonia Guajajara - APIB: Marcelo, para terminar de verdade eu queria só fazer aqui não um repúdio, mas uma observação, sendo mais diplomática. Em relação ao próprio dia de ontem, que a gente sabe da dificuldade que é, do desafio que é realizar uma conferência como essa. E na preparatória a gente já definiu que ontem o dia seria dedicado para isso, para a gente fazer esse trabalho. Olhar a memória, analisar e a gente definir os passos. E aí se insistiu aqui de se manter as subcomissões. E na parte da manhã nem houve as subcomissões reunidas e nem a gente avançou no nosso trabalho. E ficou um tempo muito pouco a tarde para a gente fazer isso. Então eu só queria registrar isso aqui, porque quando a gente reúne na preparatória e a gente traz uma decisão de lá é importante que isso seja cumprido aqui também por toda a bancada. Obrigada. Marcelo Veiga - Ministério da Justiça: Vocês tinham autonomia para bater o pé e continuar para a possibilidade de discutir a conferência, foi só uma questão... O que foi colocado na verdade, deixa eu ser bem claro é que a CNPI não vai viver 100% em função da conferência. É o tema principal, é o tema que vai tomar mais espaço, mas tem outras atividades também. Então o alerta que a gente fez foi como estão as subcomissões e os trabalhos das subcomissões. Agora, vocês são autônomos para decidir se vão definir o dia de trabalho de vocês só com conferência ou não, mas sem esquecer as subcomissões. Porque tem trabalho para ser feito também, não é só conferência. Sonia Guajajara - APIB: Mas esse início, onde a gente está ainda construindo, discutindo, amadurecendo todos os pontos, então é importante que se reserve um tempo especial para isso. Marcelo Veiga - Ministério da Justiça: Então está bom gente. Obrigado. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Daniel, eu só gostaria de te perguntar qual é o tempo que você tem para ficar conosco? Porque se nós entrarmos agora na discussão de ponto a ponto, eu ia sugerir que a gente fizesse um lanche, voltasse para cá e começasse ponto a ponto. Eu queria saber qual é o tempo que você tem para ficar conosco hoje? Se pode ser lá pelas 6, 7, 8, 9, 10 horas da noite? Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: Pelos meus cálculos eu acho que não vou me aposentar antes dos 30 anos. Então dá para a gente trabalhar com esse horizonte aí. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: : Então vamos até as 10 da noite. Está ok, então. Então vamos a um lanche agora e aí a gente volta começando ponto a ponto. Ok? Maria Augusta Assirati - Presidente: Centrado, feliz, afiado para nós continuarmos as discussões? Estou vendo algumas cadeiras vazias aqui. Lá mais cadeiras vazias, do lado de cá. Bom pessoal, vamos retomar então a reunião. O pessoal já me deu o informe aqui, a Teresinha e a Lúcia de que nós tivemos o primeiro momento agora da tarde com a participação da Secretaria Geral, o Daniel estava aqui conosco fazendo a fala sobre o sistema nacional e um pouco de conferência. Foi entregue essa carta por parte da bancada indígena com algumas propostas já concretas para a gente começar a discutir a organização da nossa conferência. A gente tem algumas ações, que a gente já tem que sair daqui pactuado para poder começar a desenvolver o trabalho efetivo para a gente realizar a nossa conferência. E eu queria já abrir para todo mundo se manifestar, eu acho que a carta foi lida, não é? Então para a gente se manifestar sobre essa carta e essas propostas que foram apresentadas pela bancada indígena. Porque pelo que eu percebi aqui em uma leitura rápida e conversa com as meninas, houve algumas mudanças em relação ao que a gente tinha discutido no grupo executivo. Lembrando que o nosso grupo executivo que trabalhou esse tema até agora tinha representação indígena e representação de Governo. Então vamos abrir para esse debate em cima dessa proposta que está sendo feita pela bancada indígena. Está certo? Está aberto, vamos fazendo as inscrições. Lourenço já é o primeiro a falar. Enquanto isso a Graci vai ajeitando com o Paulino para projetar no telão para facilitar. Lourenço Milhomem - região Amazônica: Então é Lourenço Krikati, região norte, Maranhão. Eu queria tentar falar um pouco da conferência local. Então como a bancada indígena, indigenista nós sentamos, nós olhamos mais para como que pode organizar. A experiência um pouco que nós olhamos da educação, da saúde ficou muito para nós ruim. Nós não tivemos a participação das lideranças e das comunidades das aldeias. E eu levantei no grupo de trabalho, no grupo ontem, que na conferência de saúde foi multiplicador, quando foi na hora de acontecer nós não tivemos participação de todos. Quais são as pessoas que nós achamos, que nos acha que discute a questão indígena ou política indígena dentro da comunidade? São as lideranças, começa pelo cacique, pelos pajés, pelos professores que estão constantemente convivendo com a realidade ali, o próprio jovem. O pessoal da saúde que convive com a questão da saúde ali. Eles não tiveram a participação sequer na conferência, que hoje nós estamos falando de colonização. Que para nós isso continua no Governo, a forma do branco nós temos que seguir. E dessa, como a gente está falando de uma conferência diferente, porque isso que eu quero aqui só para detalhar mais, porque nós queremos, nós propomos assim. Uma conferência diferente, aonde realmente que vem mais participação, idéias, opiniões da base. E isso se fortalece mais a questão de aonde, local. Pode ser na Assembléia e pode ser na aldeia. A aldeia que tiver organizado, que pode receber a quantidade. Porque na aldeia nós não vamos ter cuidado com o número de pessoas. Nós vamos ter cuidado com alimento, nós vamos ter cuidado com a logística. Se for na época que não é inverno, qualquer árvore os indígenas chegam e ficam. E nessa discussão ao chegar e só sair, eles vão começar a discutir. E dali que é a participação ouvindo aquelas pessoas que até na língua observa, não fica fechado, fica aberto. Observa e dá opinião para as lideranças que estão ali, que discute através de português para ter um entendimento. Que hoje, digamos, com ações que citou do Maranhão, nós tem dois tronco Jê, dois troncos linguísticos, Tupi e Jê. Então fica mais fácil para a gente. Tem povos, são vários povos acaba se dialogando em português. Mas aquele indígena que está ali na liderança só fala a língua, ele observa e quer entender. Nós passamos na língua e ele começa a dar opinião na língua, da onde sai a tradução dos próprios indígenas ali. A organização nosso, que realmente venha a acontecer através da Assembléia para a conferência, isso acaba chegando aqui como conferência a nível nacional, a participação de base mesmo. Não fica a coisa fechada. Que nós às vezes por experiência de algumas conferências, alguns lugares os povos querem participar e quando chega é limitado e volta sem a participação. E quando nossos irmãos ali começam a questionar nós. Então olhando um pouco eu queria assim reforçar e defender a questão na Assembléia aonde participa todos, as mulheres, as jovens, todos participarão. E não tem coisa de gênero, aonde tem mulheres, as mulheres participam a vontade. Fica aberta, ficam à vontade as pessoas. Então é isso e também claro que nós vamos nos organizar para ter um pré controle pelo menos o tempo. Ter 3, 4, 5 dias não. Tem dias então de controle, mas que as pessoas venham a contribuir idéias e locais para nós. Então eu queria assim mais me ater nessa discussão, mais local para que nós possamos. E dali que se tira já os representantes, não eu digo assim, os delegado, mas os representante que olhando um pouco vai começar, não, são essas pessoas que vai nos representar. E outra coisa eu queria já, aquelas pessoas que já tinha tirado para regional já vem direto para a nacional. Então é isso assim, que as próprias comunidade já escolhe as pessoas, representantes já dali, diretamente. Não precisa mais de disputa, porque se for por questão de números, claro se for uma Assembléia para Maranhão são “x” a quantidade, se for 2 dentro do estado são ”x”. Entre nós vamos dividir e preencher o número que cabe a nós na representação. Então ali se lava a roupa, se enxuga ali, se organiza pronto. E trazer as pessoas já realmente bem, já organizadas idéias para defender aqui com proposta. Então era isso que eu queria aqui contribuir para o melhor entendimento para o Governo. Porque nós já se entendemos isso. Para organização local nós achamos melhor, então se torna uma conferência diferente. É isso que pelo menos pela observação nós achamos. Não seguir mais regra não, nós não queremos isso. Então é isso, obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Lourenço. Mais alguém inscrito? Sabaru. Marcos Sabaru: Sabaru, APIB. Eu só queria perguntar para os parentes aqui. Teve alguém que não participou dessa discussão ou da elaboração desse documento aqui? Por favor, levante a mão. Tem alguém que não participou? Bom, ontem à tarde a gente conseguiu se reunir e todos os indígenas aqui de todas as regiões estavam lá e deram sua contribuição. Então a APIB apenas só digitou o pensamento e a vontade de todos. Então foi assim uma coisa feita por todos, não é uma proposta isolada. Foi algo, discutido, debatido com dúvidas, com sugestões, com questionamento. Então se chegou a isso. Antes da presidenta Guta chegar, foi apresentado aqui no telão e mais uma vez foi discutido e debatido. O Marcelo que aqui estava fez uma observação apenas na questão da composição. Porque a gente aqui não... Da comissão organizadora. Só uma única dúvida que ele tinha que falou que ia ver, mas por ele, ele achava tranqüilo. Ele só saiu daqui depois que ele viu, analisou e também deu sua opinião, seu ponto de vista. Ou seja, e a gente não procurou sair do decreto Guta, do que foi assinado, do que foi publicado, não tem nada longe. Tudo que está aqui está bem parecido. E a gente apenas frisou nas etapas locais, porque na local é a nossa força, é a nossa base. É aonde temos que dar informação. É a fonte aonde precisamos beber, precisamos compartilhar, precisamos discutir e ver os pontos de vista. Então essa foi, a gente só mudou o nome, essa coisa regional mudar para local. E isto já estava previsto e conversado. Então assim, eu só queria dizer que isso foi amplamente discutida ontem, hoje e é uma coisa que é de comum consenso. Maria Augusta Assirati - Presidente: Ele e toda a bancada. Obrigada Sabaru. Capitão, é questão de ordem? Rosa Pitaguary - região Nordeste/Leste: O meu também é questão de ordem Capitão. Maria Augusta Assirati - Presidente: Eu vou dar prioridade para Rosa pela questão de gênero Capitão. E ela tinha pedido a palavra antes. Rosa Pitaguary - região Nordeste/Leste - região Nordeste/Leste: Boa tarde a todos e a todas. Rosa Pitaguary - região Nordeste/Leste da região nordeste/leste. Assim, ontem como nós já tínhamos discutido todo esse assunto e essa decisão foi uma decisão tomada com todos nós representantes da bancada indígena aqui dentro da CNPI juntamente com a APIB. E aqui eu acho que nós estamos mesmo, assim no meu entendimento, para ouvir mesmo é o lado do Governo. Porque nós já chegamos a um consenso e apresentamos o nosso trabalho que nós fizemos. Então eu acho que seria agora mesmo ouvir o Governo, o que se concorda ou não concorda, se altera ou não. Eu acho que é exatamente isso. É encaminhar essa parte. Porque assim pensar em uma conferência diferente, nós já estamos pensando exatamente, que a gente ontem sentou, analisou, conversou, tivemos várias colocações para chegar a todos os entendimentos. Então eu acho que deve ser, agora ouvir mesmo a bancada de Governo para saber se também se as idéias estão em conjunto ou não. Seria isso ou não. Obrigada. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Rosinha. Capitão. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: Eu sou bem rápido presidente, por questão de ordem. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste - região nordeste/leste nordeste/leste. Eu queria dizer para Sabaru que ele esqueceu que APIB é índio. Para quando ele for fazer as colocações dele, ele ser bem objetivo. Maria Augusta Assirati - Presidente: Era só isso Capitão que o senhor queria falar? Ainda bem que eu dei a palavra para a Rosa antes. Gente é o seguinte, eu já vou passar a palavra para os que queiram falar. Mas só fazendo um resgate aqui, eu acho que vocês vão lembrar. Na nossa última reunião da CNPI do ano passado, a gente discutiu longamente isso quando a gente estava começando a pensar a conferência e tudo o mais. E a primeira proposta que a gente tinha chegado a um entendimento, era de fazer as etapas locais mais na base possível. E depois se avançou na última reunião para a gente conceber as etapas regionais ou locais, como aquelas que estavam na jurisdição das coordenações regionais da FUNAI. E acho que acabamos voltando para a primeira proposta que já tínhamos discutido, inclusive o Governo que tinha acordo em relação a isso. E aí eu fico pensando que algumas coisas que a gente acaba dando um pouco de sorte. Porque na última reunião, na 23ª da CNPI, quando a gente montou na comissão a proposta para ser levada para a Casa Civil e para aprovação do decreto já constava que as etapas locais seriam nas regionais. Por sorte isso acabou sendo retirado do texto e hoje a gente acabou ficando com uma margem mais ampla para poder refletir e definir isso aqui entre nós. Então em principio eu não vejo muito problema em relação a isso, mas já que foi afirmado e que isso é consenso na bancada indígena, eu consulto a bancada de Governo sobre suas posições em relação a essa proposta que está sendo apresentada aqui. Para a gente passar para os nossos próximos pontos de detalhamento aqui dos trabalhos. Silêncio total. Dílson já se inscreveu? Pois não, presidente Lula. Dílson Ingarikó - Região Amazônica: Dílson, estado de Roraima. Não seria apenas para encaminhar a questão do, me preocupo muito. É uma questão de conferência ser diferente. A saúde parece-me que foi parecido com isso aqui. Foram feitas várias região, pelo menos no estado de Roraima foi feito etno em cada região, inclusive em Raposa Terra do Sol, Região Lavrado, Região das Serras, Região Ingarikó foi atendido bem como isso aqui, como essa idéia. Quando chega aqui os resultados, no que diz respeito diretrizes, eu gostaria quem for compor a comissão, no item que cuidasse de documento final que falasse mais ou menos o cuidado de então aproveitar as propostas regionais que vêm. Porque todas as conferências que estão discutidas, quando chega aqui a nacional é observado: olha, essa ação aqui é regional, que é priorizar mais nacional, que tivesse esse cuidado, pelo menos por divisão do país. Por exemplo, região norte, centro-oeste, que permanecesse essas propostas que viesse, para ter alguma coisa assim que regulasse isso. A minha preocupação. E já que estamos tratando de conferência que vai atender a diversidade, que vai para todos se sentirem contemplados com as propostas. Porque pessoas que ficam no relatório e dizem: não, é porque a gente entendeu que tinha a ver com essa proposta, por isso que foi unificado. Às vezes tem uma palavra que faz a diferença, acha que está igual e suprime. É só essa questão mesmo. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Titiah, representando a região nordeste/leste. Eu só queria assim bem claro, Daniel, que é o seguinte, nós queremos fortalecer na região, porque principalmente nós que representa o movimento indígena, nós temos uma visão por experiência de organizar outra conferência e ter a consulta do Estatuto dos Povos Indígenas. Porque lá nos quer fortalecer para vir, para trazer aqui para cima. E o fortalecimento lá, dependendo da organização de cada povo, vai ter região que vai ter participação do presidente da associação de cada comunidade, representante da organização de jovens indígenas, representante das mulheres indígenas, cacique, pajé, lideranças e etc. Todos esses representantes que vem da base da comunidade para se discutir dentro de uma conferência local, regional, essa questão da política da Conferência Nacional de Política Indigenista. Então eu acho que via ser um aproveito muito grande. Que daí quando nós lá escolher os nossos representantes, os nossos delegados para ir para a regional e a nacional, ter certeza de que ele já vem afiado, sabendo o que a base quer de mudança, de encaminhamento e enfim, eu tenho certeza que vai dar um resultado. Como nós escolhemos essa equipe dentro da comissão organizadora é porque boa parte já tem experiência e está ajudando nas outras conferências. Eu queria ajudar nessa parte aí presidenta, obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Titiah. Daniel. Daniel Avelino - Secretaria-Geral da Presidência da República: Mais uma vez colegas, conselheiros e conselheiras. É uma emoção muito grande, uma satisfação muito grande de estar participando com vocês nesse debate. Eu estou muito empolgado com as coisas que vocês estão dizendo. Não só porque isso representa um passo importante para discussão da política indigenista, mas também que para o nosso trabalho que é pensar a participação social para o Governo como um todo, isso daí tem tudo para ser marcante. Essa conferência que vocês estão desenhando, que vocês estão dizendo como vocês gostariam que fosse e como vocês não gostariam que fosse. Tem tudo para ser histórica, tem tudo para resolver essa questão da participação indígena nas políticas públicas, que as outras conferências não conseguiram resolver. Por isso que a gente está olhando com muita atenção para vocês. E mais uma vez, eu vou comentar aqui algumas coisas sobre conferências, mas não é um modelo fechado que eu estou trazendo para vocês. Eu acho que esse modelo aqui que a gente usa para as conferências em geral, não serve para a realidade dos povos indígenas. E eu estou aqui para poder aprender com vocês, para vocês me mostrarem, me dizerem, decidirem, como é o melhor modelo para dar conta dessa diversidade. E estou muito ansioso para aprender e ver isso funcionando na prática. Vai ser um aprendizado muito grande para a gente. Então como funciona nas conferências em geral para a gente avaliar e criticar se é esse formato que a gente quer repetir aqui nessa conferência que tem tudo para ser diferente. Não existe um modelo único fechado, as conferências têm uma variação muito grande entre elas, mas em linhas gerais as propostas nascem nas conferências municipais, passam para as conferências estaduais, e daí para as nacionais. O que acontece nesse meio do caminho? Em geral as etapas municipais trazem um conjunto grande de propostas. Essas propostas são reunidas na etapa estadual e a partir daí elas são filtradas, elas são priorizadas, elas são acolhidas, votadas. O que acontece? Muita coisa fica de fora. Muita coisa que veio dos municípios se encontra nas estaduais, mas vai ficando de fora, porque o número que precisa ir para a nacional é reduzido. Quando chega na nacional, as propostas que vieram de todos os estados passam por um processo semelhante também. Recebe uma quantidade grande que é a soma das propostas dos estados e aí eles vão passando por filtros, votações, priorizações, debates, discussões e também muita coisa via ficando de fora. Até chegar a um número mais enxuto e mais reduzido de propostas que compõem o relatório final da conferência. Para decidir o que fica e o que sai, em geral a regra é da votação, quem tiver maioria leva e quem tiver minoria sai. E aí eu coloco isso como uma pergunta, uma pergunta bem sincera para vocês. Uma pergunta bem honesta. Esse modelo atende o que vocês querem? Dá conta dessa preocupação de vocês que é fortalecer a base, fortalecer a comunidade local e não apenas elaborar um relatório nacional? Se não atende, vamos pensar em uma outra coisa que talvez dê conta de fazer isso. Outro ponto também que me chamou a atenção na fala de Lourenço, que eu achei bem interessante e muito bonito. Em geral nas conferências, nas etapas municipais elegem representantes, delegados como se dizem, que vão fazer parte de uma etapa estadual. O de lá também vai ter um processo de votação. Repare que processo de votação sempre significa que alguém sai e alguém fica. Então um novo processo de votação para compor a etapa estadual. Então quando Lourenço vem e propõe que já nas etapas locais a gente escolha quem vai fazer parte de todas as etapas regionais e nacional. Vocês já estão mudando o padrão. Vocês já estão mudando a tradição da história. E se isso ficar da maneira que vocês estão propondo, funcionar e funcionar bem, o que vai acontecer é que as outras conferências vão querer vir aqui aprender com vocês como é que fizeram isso. Vocês podem estar criando um modelo completamente novo. Eu acho que a idéia é essa. Eu acho que vocês são as pessoas mais indicadas para dizer como essa conferência vai funcionar. A única coisa que seria mesmo requisito necessário para dar certo: é que vocês se apropriassem dela, se empossassem dela e tomassem isso como algo de vocês, que pertence a vocês. E pelo que eu vi aqui desse documento, pelo que eu estou vendo das manifestações e da participação de vocês, eu já não tenho nenhuma preocupação em relação a isso. Eu tenho certeza de que essa vai ser uma conferência de política indigenista feita pelos indígenas. E estou muito ansioso para aprender isso com vocês. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste - região nordeste/leste, do nordeste/leste. Eu não quero chegar aqui e dizer que nós não precisamos dos brancos para nos ajudar. Mas o meu povo foi contemplado com o sorteio para escrever um livro, e o título do livro é Índios na Visão dos Índios. Por quê? Porque nós que escrevemos a nossa história. Então nós estamos aqui hoje, nós somos capazes de escrever o futuro do nosso povo. E por isso que nós estamos querendo. É um desafio para os povos indígenas dos países. Nós temos professora, que está fazendo mestrado, doutorado. Nós temos aqui vários técnicos indígenas, então nós somos capazes. Nós precisamos que o Governo nos dê oportunidade e que nos dê só a parte de logística e deixe a gente fazer o que a gente acha que é melhor para o nosso povo. É isso que eu queria deixar. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Capitão. Saulo. Saulo Ferreira Feitosa - CIMI: Como não tem debate sobre a proposta, mais aprofundamento da proposta, eu acho que a observação que o Daniel faz sobre essa especificidade, até remete à discussão que a gente estava tendo antes sobre o Estado, o caráter do Estado. Na verdade eu acho que um elemento que o Daniel destaca da diferença, que a gente tem que começar a trabalhar é o caráter plurinacional dessa conferência. Então nós temos uma conferência que vai ser pluriétnica e plurinacional. E por isso nessa composição de plurinacionalidade muito grande, você tem povos indígenas de 5 pessoas, povos indígenas com 10 mil pessoas. Então de fato, o exercício que vai ter que ser feito nessa conferência, nessa perspectiva de reconstruir essas relações vai passar também por um processo de descobertas. E vai se descobrir inclusive que essa democracia branca, ela não vai poder contemplar essa realidade. Então essa questão da votação de fato Daniel, eu acho que ela tem que ser substituída pela perspectiva da construção dos consensos, para que um povo muito pequeno não seja prejudicado. Que você aí vai produzir também internamente essa colonização. Então é mais para lembrar. Eu acho que na perspectiva da continuidade a gente lembrar que é uma conferência plurinacional que tem que respeitar as minorias dentro dessas nacionalidades. E que o consenso, eu acho que deve ser o ponto de partida, se trabalhar eu acho que vai demandar muito tempo. Se discutir muito para construir o máximo de consensos possível. E olha que para nós que não somos indígenas é muito difícil dizer isso. Olha, quando eu era estudante, a gente dizia no comitê estudantil que todo consenso é burro. Aqui eu estou dizendo o contrário, todo consenso é a possibilidade de ser mais justo possível, dado esse contexto de vocês que é essa plurinacionalidade. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Saulo. Só fazer um comentário, que eu acho que essa busca do consenso, a gente tem priorizado como prática também aqui na CNPI. Eu não me lembro, desde a época que eu era membro ainda pelo Ministério da Justiça, de a gente ter alguma vez feito votação aqui dentro dessa comissão. A gente sempre buscou dialogar até a última instância e obter consensos. Então eu acho que isso é um aprendizado importante para todos e cada um de nós aqui. E a gente pode partilhar com outras instâncias de participação. Então eu acho que a conferência também já parte desse paradigma diferente, que o Saulo colocou, o Daniel colocou e todo mundo está reafirmando aqui. Governo, vamos nos manifestar. Identificação e microfone. Precisa porque está gravando. Bianca SESAI: No ano passado nós fizemos a 5ª Conferência Nacional de Saúde Indígena. Olhando para a carinha dos companheiros aqui, dos parentes, eu acho que todos participaram das conferências que foram as locais, distritais. Se eu não me engano foram 2 mil e tantas locais. Porque cada conselho, o nosso controle social é formado por conselhos locais que estão mais próximos à comunidade. Conselhos locais de saúde indígena. E tem os 34 discentes com os conselhos distritais e o fórum de presidentes em Brasília, o fórum de presidentes de conselhos distritais. Então seguimos essa lógica, tivemos alguns problemas claro, um universo todo dessas 2 mil, em torno de 2 mil, tentando confirmar aqui com a Bianca o número exato de quantas conferências que foram locais, mas foi uma discussão muito boa. A gente tinha o tema central, fomos dividindo em subtemas e fomos dividindo nas propostas. E fazendo os cortes necessários em cada subtema. Quando fomos falar do saneamento, atenção à saúde, esse era um tema de discussão. E também a questão dos delegados. A gente já começou a fazer os cortes dos delegados desde as conferências locais e as distritais e a nacional. Foi uma experiência muito forte e a proposição estamos fechando junto com o Conselho Nacional de Saúde o relatório final. Foi votado nessa última reunião do conselho e foi aprovado o relatório final da conferência. E foi uma experiência muito boa. Temos que aperfeiçoar. Eu gostei de ver a palavra do representante da presidência da república, muito interessante. A gente tem que aperfeiçoar esse sistema. Tiveram alguns problemas que a gente tem que aperfeiçoar. Mas foi uma experiência muito boa, que a gente tem que discutir com os parentes como vamos fazer para aperfeiçoar esse modelo que nós trabalhamos na 5ª Conferência Nacional de Saúde. Titiah participou, o Xokó diretamente da coordenação, da comissão organizadora. Mais parentes, Marquinhos, todos aqui participaram da organização da conferência. Isso é muito importante e vamos priorizar as conferências locais, nas bases onde o fato realmente acontece. Então era isso o que tinha para expor para vocês. Como, assim suscintamente falando foi organizado a conferência. E a gente precisa também que tem aqui o nosso colega Rafael, que quer falar sobre a questão da conferência, que ele também participou. Teve a oportunidade de participar de algumas conferências locais. Foi assim muito positivo em relação a participação mesmo da comunidade lá. Que nem ele falou assim, até debaixo de árvore a gente se reuniu e saiu um produto que representasse realmente a necessidade da comunidade local. Rafael- SESAI: Boa tarde. Sou Rafael. O que eu queria expor aqui é uma crítica que nós tivemos da Conferência Nacional de Saúde Indígena que vai se traduzir aqui como uma pergunta aqui para a mesa, de como a gente pode resolver essa questão. Porque como veio da base as propostas e quando chegava na nacional a gente não podia adicionar nada. Só podia confirmar ou modificar assim, sem acrescentar nenhuma outra. Então uma crítica que a gente viu de várias, inclusive do movimento indígena e dos gestores, trabalhadores, de todos os lados, foi que a conferência nacional pecou na falta de discussão, na falta de um aquecimento, de um calor de discussão, de debate que tiveram nas outras. Mas foi pelo modelo escolhido de se ir avançando nas propostas. E quando chegar na nacional não poder se acrescentar. Então ficou esse impasse, que é um modelo também bom, que prioriza os locais e as regionais. Só que chega na nacional que também esperamos um maior envolvimento e uma maior discussão, mas ficamos nesse impasse. Então eu jogo para todo mundo para saber como que a gente encontra esse meio termo. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Rafael. Lindomar. Participante não identificado: Desculpe, o negócio é a gente não engessar muito a questão como tiveram diversas falas nesse sentido, não engessar muito a questão do resultado final da conferência, a gente sempre estar com aquela meta do resultado final. Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: Lindomar, povo Xokó do estado de Sergipe. Rafael, eu acho que esse problema nós só vamos acabar se nós tivermos na base um trabalho bem feito, com acompanhamento de pessoas que possam nos ajudar para que essas propostas venham com ainda mais qualidade que a gente pensa. Eu acho que a gente começa a eliminar esse debate lá. Maria Augusta Assirati - Presidente: Paulino. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Eu faço por conta do que o Rafael colocou, a gente também fez parte da comissão relatora da conferência. E o primeiro questionamento que nós fizemos na preparação, na formação dos relatores é exatamente a utilização desse sistema eletrônico. Alguém eu encomendo um programa, um sistema e acaba sendo um negócio muito contraditório. Você consulta lá, porque de fato você chegou ao máximo possível da base mesmo. Mas aos poucos foi engessando, e chega as propostas entram ou não entram, porque está definido na caixinha lá, como não cabe dentro daquela caixinha então não entra. É um negócio meio absurdo. Nós pleiteamos, porque pessoalmente eu queria um sistema simples de incorporar tudo o quanto vem. E não esse sisteminha que me lembra muito aquele mecanismo de instituto linguístico de verão. Traz um modelo morfológico aí da gramática e tudo e é só inserir, qualquer língua indígena cabe lá dentro. E de fato foi um problema de frustração, de expectativas das bases de coordenação à saúde. E acho que o desafio a gente tem que registrar dentro dessa ficha para a comissão organizadora. Porque a gente tem que repensar a metodologia. Eu acho que o movimento indígena já está contribuindo nesse sentido de início ao fim. Uma das coisas que nós questionamos aí, por exemplo, é a conformação da representação no seminário de formação. De repente era para ter 74 governamentais e 34 indígenas, a desproporção. Eu acho que a perspectiva da descolonização pautar pelo grupo executivo que preparou a proposta inicial, tem que ser já de início colocada em prática. E a metodologia tanto participativa quanto a sistematização das propostas tem que ter coerência com a perspectiva, colocar de baixo para cima, o mais democrático possível em uma democracia realmente participativa. Eu acho que essa é a grande contribuição, dar um salto de qualidade e de fato tornar a descolonização em um discurso ou uma retórica, mas na prática. Na prática, eu acho que essa é a grande contribuição dos povos indígenas. Que passa por vários aspectos, inclusive na próxima semana nós vamos discutir a reforma no sistema político, que tem a ver também com essa perspectiva, a real democratização do país com a participação real e não apenas representativa. É isso. Maria Augusta Assirati - Presidente: Chiquinha. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Bom, eu penso que um pouco do que eu ia falar o Paulino já pontuou bastante. Mas o que eu queria ressaltar é que de fato toda a nossa concentração, tanto de quem vai estar na comissão, que vai organizar, mas principalmente da redação, da orientação que vai para as conferências. É muito importante essa participação efetiva na formação. Porque na formação que nós vamos tirar todo o consenso. Inclusive de dar garantias da mudança de metodologias que atendam as reais necessidades das comunidades indígenas. Eu digo que essa conferência é diferente da conferência de saúde. É diferente da conferência da educação. E é diferente de qualquer outra conferência que envolva os povos indígenas. Porque ela é uma conferência que nós vamos dar voz, participação, controle social das bases. Por isso que nas bases nós colocamos aquele termo: Assembléias. Que é a palavra-chave. Quando você fala Assembléia para as comunidades nas aldeias, eles sabem muito bem do que se trata. É Assembléia onde desde o cachorrinho da aldeia, eu sempre digo isso, vai participar do processo. Então pessoal, uma coisa importante e até aqui a Rosinha está me chamando a atenção e é verdadeiro. É assim, vai participar todos os segmentos das sociedades indígenas locais. Nós colocamos até alguns deles aqui só para uma chamada geral, desde os caciques, os pajés, os jovens, o pessoal ligado a saúde, o pessoal ligado a educação, os profissionais, as lideranças de cada aldeinha, de cada aldeia ou aldeona. As mulheres, aqui o gênero é muito importante. E a comunidade em geral. Então ela não é uma comunidade que só vai participar um grupinho e acabou. Ou só, por exemplo, assim o conselho local ou coisa parecida. Não é isso, muito pelo contrário. É o segmento total de uma sociedade indígena. Mesmo que haja uma ladeia de um povo só. Não interessa. O que vai prevalecer é a participação efetiva total das comunidades. Por isso eu não sei se alguém fez aí o negócio da pirâmide. Eu não vi até agora nada da pirâmide, eu só escutei a conversa. Ou seja, está no mundo das idéias o sonho da pirâmide. Mas a pirâmide é invertida, onde é a base que é o topo. O topo principal. É a maior, exatamente, o topo, a gente inverte e ela vira um ciclo. É exatamente a nossa sociedade. Então ela tem que ser diferente completamente. Eu nem quero saber de pensar, por exemplo, a conferência igual a educação. Fora de cogitação, muito menos uma igual à da saúde. Me poupe não é gente? Pelo amor de Deus! O que nós vamos levar em consideração é a forma de organizar de cada povo indígena. E isso vai variar de cada região, de cada lugar e também uma coisa muito importante, o poder tem que estar nas mãos exatamente dessas comunidades. Então eu estou vendo aqui a conferência, eu sempre tenho assim, tentando reestruturar ela um pouco para o entendimento a partir dessa coisa que vocês colocaram aqui e que eu concordo e que a gente tem debatido bastante. Essa questão mesmo do consenso. E o consenso gente, ela só é possível quando todos têm a devida informação. Você só consegue tirar o consenso de alguma coisa, quando todos sabem a mesma informação. E aí vem as idéias e o entendimento daquilo. Então por isso que acho que a informação vai ser muito importante para nós. E eu considero que para essas etapas todas, a importância da informação e capacitação de todos os participantes, independente de qualquer situação ou de qualquer instituição que ele for é muito importante. E isso daí eu acho que está em nossas mãos e principalmente de quem é a promotora. Então eu acho que nós temos uma grande responsabilidade. Nós temos grandes desafios. Desafios de a gente colocar os nossos pensamentos indígenas em primeiro lugar. Então por isso que eu considero que essa aqui tem que ser uma conferência completamente diferente das demais. Era isso. Obrigada. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Chiquinha. O Elmir estava escrito, mas ele se ausentou para atende o telefone, a próxima é Larissa então. É que o Elmir saiu para atender o telefone. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: Larissa, Ministério do Meio Ambiente. Inicialmente em nome do Ministério eu gostaria de dizer que a gente está de acordo com a proposta. Até porque a proposta estava aqui olhando com a Teresinha, reflete um decreto assinado pela presidenta da república. E as adaptações na verdade são melhorias. A única questão que eu estava aqui tirando dúvida com a Teresinha é o sobre o tamanho da comissão organizadora, 26 membros que é uma coisa que a gente pode continuar aprofundando amanhã. Que é uma comissão bastante grande. E aí é uma questão assim de dar agilidade ao processo, para a gente pensar entre todos, conjuntamente se 26 pessoas... Viabiliza. Na verdade é esse mesmo grupo que estará na comissão, mas isso não é a posição tomada. É só para a gente continuar aprofundando amanhã durante o dia. Mas em princípio a gente está de acordo. Se houver também os recursos para a realização de todas as etapas locais, regionais e nacionais. Porque isso é importante, que a gente não se comprometa. Porque eu entendo que eles estão colocando, não se comprometa com coisas que talvez depois a gente não cumpre. Então em nome do Governo eu gostaria que a gente tivesse muita franqueza, que a gente se comprometa com a bancada indígena, com o que realmente a gente tem capacidade da gente fazer. Para que a gente não se atrapalhe, a nossa palavra também tem que ser importante. Então é essa a contribuição, mas eu acho que a gente vai continuar debatendo amanhã durante o dia. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: Presidente, questão de ordem. Eu gostaria de dizer a companheiro do Ministério do Meio Ambiente, que nós passamos, que até um mês atrás o Brasil viveu uma história bem diferente. E se gastou tanto recurso para uma copa do mundo. E essa grande Assembléia dos povos indígenas, eu acho que é o mínimo. É o mínimo. Dá para a gente fazer. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Capitão. Eu vou te passar a palavra, mas... Larissa - Ministério do Meio Ambiente: A gente está aqui porque concorda, mas é bom que alguém tenha reservado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Planejamento, enfim, é bom o Planejamento se manifestar. Não, só esse ponto que a Larissa coloca assim, é importante a gente resgatar um pouco o que a gente discutiu antes de ontem, que a gente apresentou um pouco para vocês assim. Com base no que a gente tinha pensado na 23ª, a gente já fez uma proposta de estimativa orçamentária. Realizando as 37 regionais que são as locais e as macrorregionais. Essa proposta que a gente está trabalhando aqui hoje, ela certamente vai implicar em aumento, acréscimo desse orçamento que foi estimado. Então isso a gente vai ter que batalhar internamente no Governo para abrir os cofres e coração do Ministério do Planejamento para realizar. Ele está inscrito, eu já te passo Marquinhos. Eu vou te inscrever aqui. É questão de ordem? Não. Desculpa, eu esqueci seu nome? Rafael também, outro Rafael. Rafael – Ministério da Educação: Rafael Xucuru Kariri – Coordenação Escolar Indígena – MEC. Pessoal eu queria dizer, eu tenho dois sentimentos assim muito fortes. Um de imensa felicidade por de fato a gente estar entrando nesse paradigma da participação, dessa forma construtiva como a gente está colocando. Eu acho que quando a Chiquinha apresenta os elementos críticos das outras conferências e todos os outros parênteses é o que me deixa feliz também, porque a gente já tem essa experiência. A gente já teve algumas conferências de saúde, tivemos uma de educação, participamos desse processo. E temos já esse know-how, essa experiência para gente poder julgar. Eu não pego tão pesado assim, eu acho que tiveram coisas boas nessas conferências que a gente tem que aproveitar, mas como todos colocaram aqui, também tiveram coisas que a gente quer mudar certos procedimentos. E quanto a isso todo mundo sabe que eu sou meio cricri com isso... E outro sentimento que eu tenho é de preocupação. Mas de uma preocupação boa, não do sentido negativo. É da preocupação da gente trabalhar todos esses princípios que a gente está colocando aqui da ampla participação, das pessoas estarem informadas, qualificadas. Da gente colocar esse número de 3.700 que está sendo pensado aqui de uma conferência, que nem seria uma conferência, seria uma grande Assembléia dos povos indígenas. Como é que a gente traduz tudo isso em procedimentos? A gente vai ter que se colocar com essa questão. Claro que isso a gente vai detalhar dentro dessa comissão executiva, que foi algo que ontem eu coloque. Os parentes usaram de toda a sabedoria para colocar pessoas que realmente vão ter presença e vão poder pensar esses procedimentos dentro dessa comissão. Então as preocupações que eu coloco são para a gente trabalhar forte, estruturar essa conferência, que ela tem todo esse potencial de ela ser tudo isso que a gente está colocando aqui. Conferência extremamente inovadora, com ampla participação, que efetivamente a gente saia: poxa, tivemos uma Assembléia geral realmente das populações indígenas aqui. E esse procedimento como eu falei a gente vai, essas preocupações, boas preocupações na verdade, a gente vai construindo. Uma delas a presidenta acabou de falar, a questão orçamentária. Como que a gente vai colocar tudo isso. Já passando um pouquinho para a experiência da de educação, eu acho ótimo, as pessoas colocaram isso. E realmente foi uma problemática que a gente teve das conferências locais. Eu acho fundamental essa preocupação aqui, a gente fazer esse investimento para dar base. A gente ir construindo essa escadinha para chegar na nacional, que foi algo que deixou a desejar de certa forma na Conferência Nacional Escolar Indígena, que foi por essas demandas locais. Basicamente externar isso. Essas preocupações boas na verdade, eu fico até menos preocupado ao saber principalmente por parte da bancada indígena, essa experiência que a gente já tem e essa força de vontade para a gente realmente junto com a bancada indigenista e com o Governo fazer essa grande Assembléia. Que ela seja realmente tudo isso que a gente deseja. É isso. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Obrigada Rafael. Só antes de passar para o Elmir, só lembrar que, lembram-se que no mês passado nós tivemos uma reunião, eu vou falar agora como secretária executiva. Nós tivemos a reunião em junho, não, maio. Então lembram-se que tinha que fechar a tal de PLOA, que é a programação anual para o ano que vem. E a gente conseguiu colocar no Ministério da Justiça o recurso, a FUNAI fez um levantamento, uma estimativa dentro de uma programação de cursos e do quantitativo. E a gente conseguiu colocar na PLOA do Ministério da Justiça. Então o processo está andando. Praticamente já está garantido o recurso. E para minha surpresa, eu não sabia que há três anos eu tinha colocado, eu não lembrei, dentro do PPA, que seria realizada a Conferência Nacional em 2012/2015, seria realizada a Conferência Nacional de Política Indigenista. Eu não lembrei, não lembrava disto, o próprio pessoal do Ministério que me colocou, que me disse: você já tinha colocado no PPA. Então para isso então está tranquilo. Então o processo está andando. Então o recurso praticamente está garantido. Inclusive foi surpresa, o pessoal da Casa Civil não está aqui, que quando estava tramitando o decreto, mas sai ou não sai, o pessoal disse, mas há alguma posição do Ministério da Justiça? Tem alguma perspectiva de que pode ser realizado? Ele disse: o processo já está aberto. O projeto já está com o Ok do chefe do gabinete. O processo já está andando dentro do Ministério da Justiça. Então foi por isso que facilitou um pouco mais também a liberação logo a saída da assinatura da presidenta. Mas vamos passar ao Elmir Secretaria-Geral da PR da Secretaria Geral da Presidência. Elmir- Secretaria-Geral da PR: É apenas uma observação. No documento em relação a comissão organizadora da conferência. A gente tinha na nossa reunião de segunda-feira, alguém objetou de alguma maneira o tamanho dessa comissão, de 26 membros. Aqui eu vejo que a bancada, enfim, a banca indígena e indigenista indica 9 pessoas. A minha dúvida é se com 26 pessoas, com 26 membros na comissão organizadora isso vai, isso tem efetividade? Ou se seria suficiente fazer essa comissão com 18 pessoas ou algo semelhante? Não sei quem poderia? Como isso foi definido na reunião, na 23ª reunião anterior? Bom, está sendo referendado agora por vocês, mas o documento relaciona 9 representantes, faltando aqui na APIB, só tem uma pessoa da APIB indicada. Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Mas a indicação são 5, eles vão indicar os outros, os demais 4 para completar. Elmir Secretaria-Geral da PR: Bom, de qualquer maneira seriam 13 pessoas e 13 do Governo, ou não necessariamente? Teresinha G Maglia - Secretária Executiva da CNPI: Ela deverá ser paritária, 13 dos indígenas, indigenistas e organizações indígenas. É isso? Desculpa eu responder. Elmir Secretaria-Geral da PR: Parabenizar a percepção de vocês de fazer as conferências preparatórias em uma lógica de vocês. Ou dentro de uma lógica da estrutura da FUNAI e não em uma lógica municipal, regional, estadual ou em nacional. Isso é bem de acordo, é o mais próximo possível da característica de vocês em termos territoriais, em termos técnicos e de representação mesmo. E de construção do consenso nas comunidades e nas microrregiões. E não necessariamente seguindo a nossa lógica federativa, branca, nacional. Mas dentro dessa estrutura de 37 coordenações regionais da FUNAI. Era isso. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Marcos Xucuru da região nordeste/leste. Eu acho que os amigos, os companheiros já devem e tudo assim, um pouco na fala da presidenta, de algumas preocupações em relação a questão financeira, porque acha que se deve alterar a questão financeira. Eu acredito que não, até porque nós estamos tirando desse contexto as 10 regionais que iriam acontecer. Que esse recurso com certeza era um volume bem maior, que diluído com certeza irá assim dar as condições para atender as locais. Até porque acredito eu, que o custo das locais será bem menos em virtude de estar em determinadas regiões, porque temos aí que ver de região para região, até porque são próximos dependendo de cada povo, estabelecendo aí do ponto de vista da organização social de cada povo. Então eu acredito que as Assembléias locais, elas não tomam esse custo todo. A gente tem aí tantos povos que já tem realizado suas Assembléias locais e enfim. E discutido projeto de vida e projeto de cada povo. Então eu acredito que essa preocupação não é tanta. Pelo menos da minha parte, eu acho que há condições de se realizar sem essa preocupação dessa questão de recurso. E o que é mais importante e a gente estamos aqui buscando consenso e me parece que já há esse entendimento desse formato por parte da bancada do Governo, que está sendo apresentado aqui pela bancada indígena/indigenista. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Marquinhos. Bom, só fazer dois comentários. Eu acho que essa colocação que o Marcos Xucuru traz, nos traz também a responsabilidade de fazer esses cálculos direitinho com o recurso que a gente já pediu para ver se vamos ficar apertados ou não. Mas acho que essa lógica faz sentido, que realmente essas 10 macrorregionais que a gente faria, elas teriam um custo mais alto do que realizar as etapas locais nas aldeias e tudo o mais. Mas aí a gente fica com essa tarefa interna, de fazer esse exercício, de analisar o orçamento e tudo. E se tiver necessidade da gente ter um aporte maior, a gente certamente apresentará para poder viabilizar o que já foi definido. E o segundo comentário só um pouco em relação ao que o Capitão Potiguara região Nordeste/Leste - região nordeste/leste coloca do nome da conferência e tudo o mais. Eu acho que o nome é uma questão de formalidade, mas só a gente conceber um pouco a diferença, por exemplo, do que é uma Assembléia, que tem um objetivo específico e é realizado pelo próprio povo, pela própria comunidade para deliberações internas a aquele povo e à aquela comunidade. E a conferência extrapola esse limite, ela vai trazer proposições e resoluções que vão buscar também interferir na política pública. E então por isso que ela é feita tendo a participação, não só dos povos e das comunidades indígenas, mas de representantes do Governo, que é quem também tem que se comprometer para executar aquilo que for definido. Então para a gente ter bem presente essa diferença. Bem pessoal, Lourenço quer falar e Capitão. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: Do meu ponto de vista eu não quero polemizar, mas o nome Assembléia fica para os indígenas. O Governo mantém o nome conferência. Maria Augusta Assirati - Presidente: Está bom Capitão. Lourenço, por favor. Lourenço Milhomem - região Amazônica: Só para reforçar mais já como o Marquinhos falou. Bem, assim, como a prática. Como nós estamos realizando agora a conferência ou Assembléia na aldeia. O que vai, o que mais cai é logística. Se as aldeias se prepararem e realmente acontecer nas aldeias mesmo as Assembléias, fica sem custo a questão de logística. O que vai aumentar a nível de logística é no alimento. E cai um pouquinho mais cara é a logística mesmo, hotel, porque às vezes quando fica fora, digamos mais caro. Então na prática, como eu já tive experiência de fazer. É evitar custo de pagar, nós sempre fizemos nas aldeias. A aldeia está preparado, organizado. Se ganha mais na participação. Então com isso o custo com certeza. O cálculo acho que vai custar isso no deslocamento. Claro que é preciso o transporte deslocar, mais participação da população indígena e alimento. A questão de organizar já a equipe que forma a comissão que vai organizar. O que vai chegar lá, se é microfone. Depois quem tem experiência já começa pôr na comissão. Então eu queria deixar bem na prática para a gente não se preocupar. Eu acho que isso não vai interferir. Vai ajudar muito isso acontecer nas aldeias. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Lourenço. Soninha e Rafael. Sonia Guajajara - APIB: Bom eu queria só sugerir aqui para a gente amanhã, pelo menos na parte da manhã, a gente reunir de novo, nós só os indígenas. E a gente já começar a desenhar esse formato também das locais. Assim como a gente já exercitou os três modelos aqui da nossa conversa, a gente já poder refletir, como está todo mundo aqui, tem a presença dos estados todos, para a gente já pensar um pouco disso e já ter um desenho pelo menos. E vocês já fariam esse recalculo a partir já de um desenho já apresentado para gente. Maria Augusta Assirati - Presidente: Está ótimo, Soninha obrigada. Sugestão acatada. Rafael. Rafael – Ministério da Educação: Rafael Xucuru Kariri – MEC. Só colocar para os parentes complementando a palavra do Lourenço e da Sonia. Do preparo assim espiritual que a gente vai ter. E ainda no ano de 2015, a gente deixar ela bem reservada, porque também a gente não pode esquecer que a gente não está falando só de uma, a gente está falando de duas conferências, de certa forma discutindo a política indianista. Uma nacional propriamente da política indianista. E outra Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena. Ela já tem portaria, já foi convocada com a comissão. É claro que inclusive o Governo já está com essa preocupação. A presidenta Guta já esteve em reunião com a secretária Macaé, justamente para a gente ajustar essas agendas, não tem nenhum tipo de coincidência de evento, mas isso vai cria um desafio maior para todos nós, o Governo, a bancada indígena, a bancada indigenista. Mas eu creio que desse desafio a gente vai dar conta e vamos sair com ótimas conferências, com todos os resultados que a gente está sonhando aqui. É isso. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Rafael, por favor. Marcos: Marcos da Secretaria Executiva do Fórum de Presidente CONDISI. Amanhã eu acho que trago dados mais concretos para vocês. Eu tenho que retificar alguns dados que falei aqui, porque assim me falha um pouco a memória. Então em relação aos quantitativos, ao balanço geral da conferência, que a gente tem todos os dados lá. Eu precisei de trazer os dados mais precisos para vocês do que eu falei aqui. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada. Pessoal então, não tem mais ninguém inscrito. Já chegamos em um horário que eu acho, enfim, discutimos bastante coisa hoje. Precisamos internalizar tudo isso. Eu só queria combinar com vocês um pouco o dia de amanhã. Pessoal, antes da gente desmobilizar, vamos combinar o nosso dia de amanhã. A nossa prioridade amanhã vai ser a discussão da conferência. Então o que a gente tem de tarefa? Podemos avaliar um pouco esses números da saúde que a gente já chegou a discutir um pouco aqui da conferência nacional. Eu acho que a gente também tem isso lá na FUNAI, eu posso trazer. A gente tem que definir essas questões relativas a comissão organizadora para sair com isso pronto daqui. As ações relativas a produção do regimento interno que é um próximo passo que a gente tem também. Como é que a gente vai trabalhar dentro da comissão organizadora a questão do documento base, se a gente já começa a discutir isso e tudo o mais. É um próximo passo também. Temos que discutir metodologia, claro que amanhã não vai dar para fazer nada disso, mas é só para a gente tentar montar um pouco o formato de como a gente dá conta desses próximos passos. E principalmente tratar o nosso seminário de formação, mobilização, enfim, que é o que vai acontecer mais brevemente, ainda esse ano. Outra coisa que eu queria pedir também, ver se a gente chega nesse consenso também. A gente passar dois pontos de informe pela FUNAI amanhã, um relativo a cooperação que a gente estabeleceu com o MEC agora, na verdade é renovação da cooperação que a gente fez com o MEC. Explicar um pouco para vocês como que foi isso e o que ele vai trazer. E o outro informe sobre algumas coisas relacionadas a PNGATI que a gente organizou, a nossa unidade gestora dentro da FUNAI, que o gestor discutiu. Então a gente poderia começar com esses informes e depois trabalhar as questões da conferência. Ok? Consenso? Titiah, quer falar? Quem mais quer falar? Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: Lindomar aqui atrás. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Nós sabemos que amanhã a pauta vai ser muito extensa. Eu também tenho um problema que eu queria chamar aqui a atenção. Que é a questão realmente das comissões que trabalhou ontem. Dos relatos que tem que representar aqui na plenária. Eu mesmo estou para realizar aqui o relato da subcomissão de desenvolvimento. Que se for para representar amanhã, ainda a noite... Maria Augusta Assirati - Presidente: Mas venha calmo para fazer esse relato, por favor, Titiah. Lindomar. Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: Questão de ordem presidenta. Eu gostaria de deixar registrado aqui que todos e todas têm acesso a ata dessa reunião nossa da CNPI. Eu gostaria de trazer aqui um documento do povo Coiupancá de Alagoas e uma reivindicação de todo o povo de Alagoas, o pedido de sua ida até aquele estado para ver de perto a situação. Estão pedindo que até setembro você pudesse ir lá, a gente está a sua espera e fica aqui registrado, que a senhora pudesse assinar mais uma vez esse documento aqui dos Coiupancá para realmente comprovar que a senhora assinou de novo esse documento e que está se comprometendo a ir lá em Alagoas. Maria Augusta Assirati - Presidente: Ok. O compromisso está assumido. O presidente Lula vi me tirar da FUNAI se eu não comparecer. Só para me referir a isso, eu na verdade já estava com viagem marcada para ir e coincidiu justamente com aquele episódio que nós vivemos na última reunião da CNPI. Que foi a prisão de 5 indígenas. Isso fez com que eu tivesse que permanecer em Brasília. Mas o compromisso está assumido já para fazer uma visita naquela região e só precisamos fechar a data. O Marcos Sabaru tem me cobrado isso também incessantemente. Então estou assumindo aqui publicamente o compromisso. Pessoal, nove e meia amanhã? Nove horas. Todas as subcomissões que tiverem que apresentar a gente faz no final do dia. Rafael, por favor apareça, porque senão o presidente Lula vai lhe tirar do MEC. Obrigada gente. Até amanhã. Dia 01 de agosto/14 Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Vamos nos assentar. Bom dia a todas e todos. A Presidenta está numa agenda com o Ministro e tão logo encerre ela estará coordenando os trabalhos de hoje. Vamos iniciar conforme a gente combinou na data de ontem, no final do dia. A gente começaria apresentando pela questão da educação. Eu gostaria de convidar a Lucia Alberta para que ela viesse conduzir essa parte, que é a questão da educação e a FUNAI toma a frente disso. Depois em seguida, a gente entra no Plano de Gestão Ambiental e Territorial nas Terras Indígenas do Cerrado e Caatinga. Lucia. A palavra tá contigo. Lucia Alberta - FUNAI: Oi. Bom dia. Todo mundo... Lucia Alberta - FUNAI: Bom dia pessoal. A nossa reunião parece que está esvaziada ainda. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Um pouco. Lucia Alberta - FUNAI: É, Um pouco. Vamos lá. Está ligado é que eu falo baixo mesmo. Sou a Lucia Alberta. Eu trabalho na Presidência da FUNAI e sou assessora da Presidente. E a nossa Coordenadora da CGPC ela ainda está de licença medica e a Coordenadora Substituta viajou para uma agenda e eu vou fazer essa fala aqui então, dessa coordenação. Desde 2012 com o novo Decreto de reestruturação que a FUNAI teve, de ajuste no processo de estruturação, a Coordenação Geral de educação vocês sabem que ela foi mudada. Hoje temos uma Coordenação de Promoção da Cidadania. E essa coordenação trabalha com essa pauta educação também. mas mudou bastante a forma de atuação da FUNAI. Desde quando a FUNAI, ainda era responsabilidade da FUNAI, depois passou para o MEC. Mas muitas responsabilidades com educação ficaram com a FUNAI e, a partir de 2012 mudou ainda mais. E nesse processo todo que desde 2008 quando teve a Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, a FUNAI assumiu muita responsabilidade junto com o MEC de implantação dos territórios etnoeducacionais. Então, a FUNAI fez a um termo de parceria com o MEC a implantação desses territórios, no entanto, isso o MEC conhece muito bem, a responsabilidade ficou muito forte somente no acompanhamento mais logístico dessa pauta. E desde lá a FUNAI vem em diálogo com o MEC e também com algumas lideranças indígenas para tentar mudar um pouco essa atuação e, a participação da FUNAI ser mais propositiva nesse processo. Porque hoje o papel da FUNAI está no acompanhamento, na articulação da política de educação escolar indígena. E uma das responsabilidades dessa coordenação é principalmente fortalecer os processos educativos comunitários, que nós chamamos. Então, é uma das responsabilidades, fora isso, precisa acompanhar as políticas públicas de educação escolar indígena. Queremos preparar nossas equipes mais nas CRs para esse acompanhamento. E muitos ainda não estão preparados para isso. E essa discussão toda, ela terminou esse ano com um avanço muito grande que foi o término do termo de cooperação técnica com o MEC que era focado somente nos territórios etnoeducacionais, para um aditivo que se ampliou para outras ações. Principalmente para esse acompanhamento dessas outras políticas. Essa política mais geral da educação escolar indígena e, também a formação das equipes da FUNAI e do MEC. Isso conjuntamente a FUNAI com o MEC para atuação da educação escolar indígena. É importante tanto os servidores da FUNAI, como do MEC e os próprios indígenas e também os estados e municípios entenderem qual o papel do MEC, qual o papel da FUNAI na política educacional indígena. Esse foi um dos avanços desse termo e já foi assinado pelo Ministro da Educação, pela Presidente da FUNAI e pela Secretária Macaé. É um termo aditivo feito com o MEC e está se chamando aditivo porque já existia esse termo que eu falei no início, e que foi assinado em 2011 ainda pelo Presidente Marcio Meira. Então, além dessa parte da formação da equipe da FUNAI e do MEC, esse termo também dá na proposta que fizemos para o MEC, uma abertura para a FUNAI dialogar também com a SESU, SETEC, Secretaria de Ensino Superior, Secretaria de Educação Técnica e Tecnológica e com a própria SECADI sobre essa política educacional indígena. E também colocamos nesse termo aditivo a necessidade de mais diálogo, sobre como vai ser a participação da FUNAI na Conferência Nacional de educação Escolar Indígena que vai se realizar em 2016. A nossa preocupação como já foi dito e até o Rafael falou sobre ontem, é que vamos acabar fazendo em 2015 algumas agendas que vão acontecer paralelamente no Brasil, da Conferência de Educação Escolar Indígena e da Conferência da Política Nacional Indigenista. Colocamos essa preocupação também porque a prioridade da FUNAI nesse processo de conferências é essa Conferência grande da política mais geral. Temos que ver como vai ser a atuação das nossas equipes e é importante a gente ter essa discussão aqui com vocês, de definição um pouco das prioridades. Vamos focar na Conferência da Política, mas precisamos apoiar, dialogar sobre a II Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena. E tem essa também e a gente poderia depois conversar com o pessoal da CGGAN. Então, temos uma agenda intensa e precisamos conversar sobre essa agenda com todo mundo. E outro avanço também desse termo aditivo, é que estamos dialogando com o MEC para uma participação mais ativa da FUNAI nos outros grupos de trabalho que tem no MEC. Tem um grupo que está discutindo a Universidade Intercultural Indígena e que a FUNAI não tem assento, mas que gostaríamos que a FUNAI tivesse assento. Tem uma comissão que trata especificamente de avaliação de materiais didáticos que a FUNAI tem assento, mas que a gente precisa fazer com que essa comissão tenha uma participação um pouco maior na avaliação dos materiais produzidos tanto pelos estados quanto pelos municípios. Hoje não temos muito controle do que está sendo produzido e do que está sendo levado para as escolas indígenas. E dentro dessa produção de material didático gostaríamos de ter uma participação um pouco maior na implementação da lei que eu esqueci o número que fala, a 11645, que trata da questão de levar o conhecimento, a história da cultura indígena e também dos povos africanos para dentro das escolas indígenas. Isso também precisamos avançar. O racismo, o preconceito contra os povos indígenas ainda é muito grande e se a gente conseguir fazer essa discussão dentro das escolas com as criancinhas, com os adolescentes, com os adultos dentro das universidades com certeza vai diminuir esse preconceito. Se hoje a gente entra no jornal e vê as pautas sobre os povos indígenas, ainda são muito preconceituosos mesmo. Então, a gente acredita que essa lei pode ajudar a sociedade a entender um pouco melhor os povos indígenas e a diversidade que temos no Brasil. Esses são alguns dos pontos que estão neste novo termo aditivo que a FUNAI assinou com o MEC esta semana e que a gente está aguardando ser publicado no Diário Oficial para repassar para vocês. Não sei se o Rafael quer acrescentar alguma coisa, ou se vocês querem fazer alguma pergunta. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Acho quer Rafael vai completar o trabalho que fizemos. Chiquinha Pareci. Bom dia a todos e a todas, nessa continuidade da apresentação dos trabalhos, o Rafael vai falar a síntese bem rapidinho e eu quero fazer algumas considerações em relação à FUNAI, MEC e os sistemas de ensino. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Eu acho que dentro e o Rafael já vai passar e também dá para colocar o trabalho que a Subcomissão realizou, não é Chiquinha? Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: É isso mesmo. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Dentro da reunião da Subcomissão e já faz a explanação do que a Subcomissão também discutiu. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: A idéia é essa. Bom dia. Sou Rafael XucuruKariri do MEC. Vou tentar ser o mais rápido possível porque a gente sabe que a pauta principal é a Conferência Nacional de Política Indigenista. Viu Titiah? Todo mundo é Titiah da APOINME, é Xucuru da APOINME, mas Xucuru-Kariri do MEC é uma piada. Enfim, vou tentar ser rápido, mas lembrando que já é a segunda vez que a Subcomissão se reuniu e a gente tem uns informes para passar e que vai envolver um pouco de tempo. Em relação ao que a Lucia comentou, de fato, a gente sabe que desde 91 tem esse decreto que regulamenta a educação escolar indígena no âmbito do MEC, mas desde esse decreto tem interlocução e já está prevista entre FUNAI e MEC. Primeiro pela expertise da FUNAI e segundo pelo procedimento legal da FUNAI e de sua função de acompanhamento. E isso dentro do Ministério como a Lucia colocou, a gente está super aberto a esse diálogo. Todas as comissões, as comissões de avaliação a FUNAI sempre têm assento. Esse termo na verdade é um termo de cooperação técnica que vencia agora dia 27 de julho. Participante fala sem microfone. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: 24 de julho não é? Se ele não fosse renovado ele cairia e a gente conseguiu fazer essa articulação para renová-lo e complementá-lo. Não ficou só com a questão da organização dos territórios, mas ações dentro do MEC como a ação Saberes Indígenas que fala sobre letramento, alfabetização e numeramento nas aldeias, também contar com a participação da FUNAI. Um termo que foi complementado justamente para consolidar essa articulação FUNAIMEC. Dentre as coisas e eu vou colocar os informes e também algumas questões que a gente tem discutido, dentro do que foi discutido dentro da Subcomissão de Educação. Como eu falei, a gente se reuniu na 23ª e nos reuniremos agora na 24ª e só agora estamos tendo pela questão dos processos que foram na plenária e só agora a gente está tendo esse tempo para poder falar para vocês o que foi discutido. O primeiro ponto e que é o ponto mais importante para a gente colocar aqui, foi a chamada da Segunda Nacional da Educação Escolar indígena. Só para passar e a maior parte dos parentes deve saber, mas ela é uma pauta do próprio movimento indígena. A gente realizou a I Conferência em 2009, que foi puxada por vários temas, mas principalmente pelo novo modelo de gestão, que é são os territórios etnoeducacionais. E de lá até aqui a gente tem uns anos desse processo de implantação do modelo de gestão. E o movimento achou por bem avaliar não só o modelo, mas a educação escolar indígena em geral. Então, desde o começo do ano foi feita uma agenda inclusive envolvendo a Secretaria Executiva do Ministério, com movimento indígena, não formalmente a CVNPI, mas lideranças da CNPI participando dessas mesas. E uma das solicitações inclusive dentro da própria Subcomissão, foi a realização da II Conferência. Começou uma articulação dentro do MEC vindo dessa demanda do movimento indígena e, inclusive na última reunião a própria Secretária veio dar esse informe solicitado pela Subcomissão de Educação sobre como estava o procedimento da Conferência. Eu trouxe aqui e não vai dar para todo mundo, mas pelo menos da bancada, as duas portarias. Uma que chama a Conferência e a outra uma que convoca a Conferência e outra que institui a comissão. Eu só peço que fosse passado. Elas já estão publicadas e a gente pode ter acesso na internet, Diário Oficial. A gente também tem a preocupação. A gente também já disponibilizou isso nas redes, nas listas de email, lista de Educação Escolar Nacional que a gente tem, INDI. Enfim, isso já é público e eu estou passando para vocês. Só coloquei esse processo e que foi um processo em diálogo com o movimento indígena, com representantes também, digamos assim, do movimento institucional, que é a Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena, inclusive da própria Comissão Nacional de Política Indigenista. Se não me engano a portaria foi publicada em maio, acho que saiu no Diário Oficial dia 26 de maio. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Dia 16. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Dia 16. Dia 16 de maio ela convoca a II Conferência e ela como a gente precisa para dar andamento ao processo, ela está muito parecida com a convocação da Comissão que foi a última Conferência. Vocês vão aí que tem representantes da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena – CNEEI, desculpe, tem representantes da própria CNPI, os órgãos vinculados a MEC que a gente tem que trabalhar para fazer essa Conferência ser a mais ampla possível. São os conselhos de secretários estaduais, municipais de educação, Conselho Nacional de Educação, vocês podem ver a composição aí. A própria SECADI e a FUNAI também. São 13 e não tem em termos de procedimentos, nada definido. Foi convocada e, na verdade os órgãos estão mandando os nomes para essa comissão e, a gente vai ainda regimento interno, documento orientador, logística de quantas conferências locais. Se vai ser local, se foi regional. Isso tudo ainda é em aberto e o tempo todo nesse diálogo FUNAI, CNPI, CNEEI dentro do MEC. Participante fala sem microfone. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Não. Nem, isso não foi definido ainda. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: O que foi definido só na portaria a etapa nacional em março de 2016, mas que a gente sabe também que conforme o procedimento, a gente espera que seja em março de 2016, mas conforme os procedimentos essa portaria pode ser revogada e criada uma nova portaria instituindo nova data. Pela memória na última Conferência a gente conseguiu fazer em 1800 escolas. As conferências foram locais, foram nas escolas. E com todo o procedimento da educação escolar indígena, envolveu as lideranças, os professores, agentes de saúde, alunos em geral e foram 1800 nas escolas. A gente conseguiu se não me engano e não tenho esse número certo para trazer para vocês, mas acho que foram 14 ou 16 regionais. Participante fala sem microfone. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: 18 regionais e uma Conferência Nacional que tinha cerca de 1000 a 1200 pessoas e que foi feita em Brasília. Procedimentos da última Conferência. E dessa segunda é claro que gente espera usar toda a experiência desenvolvida na primeira. Contando com o debate que a gente teve aqui ontem do que deu errado ou que não deu, mas o que eu falei, ainda está aberto. Essa questão das conferências locais, se vai ser regional, estadual, isso tudo ainda vai ser definido. E a gente está aqui e qualquer dúvida, qualquer questão que vocês queriam colocar sobre a Conferência a gente passa. Outro informe que eu tenho que dar é justamente sobre esse grupo técnico de estudo sobre instituição de educação superior para povos indígenas. Prestar na verdade um esclarecimento para vocês porque está tendo uma quantidade enorme de informações sobre a natureza, sobre os procedimentos desse grupo técnico, principalmente nas redes sociais. Qual é a função dele, qual o objetivo dele. O que ele pretende. Então, primeiro esclarecimento de cara ele não vai criar universidade indígena. Isso tem que deixar muito claro. Não foi um grupo feito para instituir a partir de seus trabalhos uma instituição de ensino superior indígena. É um grupo técnico, que é uma atividade que qualquer ministério pode fazer, que é consultar segundo alguns critérios, um grupo de especialistas que vão produzir um documento de recomendações. Segunda coisa para deixar clara. Não é um grupo de representantes nem do governo nem de povos indígenas. São grupo de pessoas que foram via portaria, fui uma portaria que saiu em janeiro, que vão se reunir. Esse GT já reuniu na verdade cinco vezes. Ele inclusive as reuniões ora são fechadas só com o GT ora são abertas com seminários. A gente teve um seminário em maio só com experiências de universidades temáticas: Faculdade Zumbi dos Palmares, a escola Nacional Florestan Fernandes, experiências de universidades que querem criar campus em aldeias indígenas, como a federal Fronteira Sul, que quer criar um campus entre o povo Kaingang. Enfim, a gente tem chamado e esse GT no final da sua atividade vai produzir um documento de recomendações, inclusive eu tenho participado como relator do GT, a perspectiva do GT é não eliminar possibilidades. Então, não vai ser a recomendação, vai ser as recomendações do que pode ser uma universidade indígena, ou institutos dentro das universidades que já existem. Uma universidade em um si campo ou uma universidade multicampi que tem uma reitoria em algum lugar do país, mas que funcione em vários locais. Esse grupo vai criar essas recomendações e, outra perspectiva inclusive já faz parte estar aqui informando para vocês, é discutir essas recomendações amplamente com instâncias da sociedade civil e dentro do governo. Esse documento ainda não está pronto. Então, por enquanto estou trazendo só o informe. Mas se pretende na próxima reunião da CNPI trazer esse documento para a CNPI avaliar. A próxima reunião da CNEEI como ponto de pauta da CNEEI se debruçar sobre esse documento. Assim como a gente pretende fechar uma agenda com a APIB para que ela tenha acesso e divulgar amplamente esse documento. E ao final deixar claro isso: não é para criar a universidade. É um grupo para pensar e para criar um documento de recomendações que vão ser discutidas pelo movimento indígena, inclusive porque uma vez esse grupo fazendo esse documento a gente sabe que vai ser, independente das propostas que sejam, para a gente implementar vai precisar de toda uma negociação, uma articulação. Por isso é que governo, movimento indígena estejam bem e levem à frente essas proposições e que é uma pauta nossa do movimento indígena sobre a universidade indígena. Os outros pontos são pontos mais tranquilos, são informes sobre questões que foram colocadas nas subcomissões e eu vou trazer na verdade para vocês só os andamentos que foram feitos. Um deles foi um seminário de política nacional linguística. Um seminário de linguística, de língua de sinais e línguas indígenas. Isso foi proposto, foi solicitado dentro da subcomissão e já vinha de um diálogo, de uma solicitação do movimento indígena, principalmente da educação. A gente já tinha previsto isso na previsão orçamentária para 2015. A gente já solicitou previsão para realização do seminário nacional inicial para discussão de línguas indígenas, línguas de sinais indígenas e que a gente tem uma necessidade de regulamentar melhor isso dentro das escolas, principalmente alfabetização, letramento e numeramento em relação ao bilinguismo na educação escolar indígena. O multilinguismo na educação escolar indígena. Os outros pontos de pauta que foram solicitados dentro da subcomissão, um a própria Secretária na última reunião da CNPI já colocou isso, a necessidade de inclusive uma articulação do próprio movimento indígena pleiteando mais isso dentro do Ministério, que é a criação de uma Diretoria de Educação Escolar Indígena. Isso foi colocado devido o fato de estar sob o âmbito do que a gente tem na SECADI, que é uma Coordenação de Educação Escolar Indígena, só em termos de territórios a gente tem 23, 24 territórios pactuados, com a perspectiva de se tornarem 32. Então, o movimento pela educação escolar tem pleiteado o aumento do número de quadros, de recursos financeiros, logísticos dentro do próprio MEC para dar conta dessa complexidade, dessa estrutura toda que vai ter que ser montada para abarcar. Isso eu estou falando só dos territórios, sem com as outras. Lei 11645 que não são diretamente nas escolas indígenas, educação superior, uma série de outras demandas que a gente sabe que tem. Uma articulação do MEC principalmente com os conselhos de secretários. Secretários estaduais e municipais e isso já tem sido colocado. Dentro da SECADI muitos conhecem o Kleber Gesteira que é do gabinete e, que tem participado das reuniões e que tem tentado criar uma agenda desses conselhos para discutir educação escolar indígena. Tanto o CONSED, Conselho Nacional de Secretários de Educação quanto a UNDIME – União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação. Os outros pontos de pauta da Subcomissão, na verdade, foram indicações para Conferência de Política Indigenista. Tem vários aqui, cerca de 12 e só vou resumir, relatar alguns. Primeiro que é justamente a reafirmação da própria proposta da Conferência de Consolidação e Defesa dos Direitos que a gente já tem instituído para as populações indígenas. Mas o ponto que foi mais discutido que é a perspectiva que a gente sai da Conferência com o plano integrado sobre a Política Indigenista Nacional. Isso em termos procedimentais que a Subcomissão, é que a gente já comece a fazer estudos e também uma agenda para a gente observar o quer tem sido feito hoje de forma integrada entre diferentes ministérios nas relações intergovernamentais, envolvendo municípios, estados e a união, para ver se já há aí dentro dessas atividades alguns modelos, coisas experimentadas que a gente já possa avaliar para trazer para esse Plano Nacional. A perspectiva principal da subcomissão foi se preocupar nas indicações e a gente vai disponibilizar esse documento, mas nas indicações da Subcomissão, principalmente como a gente integra os diferentes órgãos de governo para não duplicarmos ação e integrar isso em um plano nacional mesmo de diretrizes para a política indigenista, envolvendo diferentes ministérios, diferentes governos. Inclusive um ponto que a gente discutiu, envolvendo diferentes poderes. Nas regionais, na nacional e a indicação da ampla participação de órgãos de governo, não só executivo, mas também do legislativo, do judiciário para que a gente tenha um plano com diretrizes que abarque as complexidades das relações intra e inter governo para a gente dar conta de uma política indigenista nacional. Creio que da subcomissão é isso. A gente tinha esses informes. A gente está aqui à disposição. Qualquer dúvida ou esclarecimentos a gente está à disposição de vocês. Obrigado. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Obrigada Rafael. A próxima inscrita é a Chiquinha. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Em relação a algumas questões como vocês viram, o que o Rafael colocou aí é uma questão bem sucinta em relação o que vem ocorrendo e acontecendo na educação escolar indígena. Primeiramente sobre o GT. Eu faço parte desse GT e, como ele colocou, é um grupo de trabalho apenas que tem uma perspectiva bastante técnica e política de elaborar essas diretrizes, essas recomendações. É meramente isso. Então, é bom ficar bem claro. Ele já esclareceu sobre isso. Lógico, deu polêmicas e uma série de coisas e não tem cunho de nenhuma representatividade. Esse é uma questão. Outra questão que eu queria colocar para vocês e que eu acho que vai ser muito importante nós do movimento indígena, a CNPI de maneira geral, a gente ter se apropria dessa questão. Porque nós vamos para um caminho dessa discussão da Conferência Nacional de Política Indigenista e aí nisso entra todas aquelas áreas, aquelas instâncias e que dialogam e que atuam na questão indígena. Que atendem as ofertas da questão indígena de uma maneira geral. Então, nesse sentido eu vou puxar um pouco a questão do lado da educação em relação à própria FUNAI. Vocês sabem que houve muito debate naquele período sobre a reestruturação da FUNAI. Vocês sabem disso meus companheiros, a gente tomou uma posição política, nós fizemos a nossa parte, fizemos as nossas recomendações, nós fizemos consultas de base e quase todas elas foram pautadas exatamente de demandas e necessidade das comunidades indígenas de uma maneira geral. No entanto, a gente viu que a própria reestruturação não saiu do jeito que nós tínhamos planejado, do jeito que nós propusemos. Vocês viram todo o equívoco muito grande e que isso tem trazido muitas consequências em vários povos em várias localidades. E na questão indígena da educação a coisa foi muito pior. Vocês sabem que nós temos hoje os sistemas de ensino que incorpora todas as esferas de governo que ofertam e que atendem a educação escolar indígena, e que nós temos um grande galgas e alguns problemas, não vou dizer nem alguns, depende muito de estado pra estado, tem estado que são alguns problemas, tem estado que é problema, tem estado que é razoável, varia muito de estado pra estado, de região pra região. E nesse sentido gente, uma das coisas que a gente tinha recomendado como grupo de trabalho, como uma subcomissão de educação escolar indígena para reestrutura da FUNAI, é que não deveria extinguir o setor de educação escolar indígena, porque se você for pegar na Constituição Federal diz qual era a missão da agência indigenista, e essa missão não é uma missão pro resto da vida, a gente sabe disso, tinha que ser regulamentada. Isso não aconteceu, não só não aconteceu a regulamentação como depois com os tempos foram passando houve aquela portaria, o decreto governamental do Collor na época de 1991, que transfere a responsabilidade total pro MEC e para os sistemas de ensino. Só que, na constituição federal dizia claramente de que as Agências Indigenista deveriam acompanhar, assessorar, etc, etc, etc. Está na Constituição Federal, a gente ajudou a construir essa constituição federal, está lá, o que aconteceu? Entrou governo, saiu governo, e acabaram. Até acontecer o que aconteceu, acabou, fechou a porta. E aí os sistemas ficaram a deus dará, sem saber o que fazer, jogou pro MEC, o MEC ficou com a responsabilidade mas até hoje o MEC não tem uma infraestrutura própria pra lidar com acompanhamento desses sistemas, e tem mais uma, a própria Constituição Federal e a LDB diz que os sistemas de ensino tem autonomia, ou seja, não pode ter em gerência do MEC de nada. Quer dizer, olha a contradição e olha a situação. Então, por exemplo, alguns programas e algumas políticas pontuais que o MEC deliberou hoje não tem muito efeito, se você não tiver um convênio, se não tiver qualquer, não vai. Eu tenho feito um trabalho, vocês sabem que eu estou pesquisando. Meu tema de pesquisa no doutorado é exatamente educação indígena e educação escolar indígena e todos os seus complementos, os seus seguimentos, e tudo que envolve desde a aldeia até o MEC. Então, o que aconteceu durante esse processo todo, a gente vê hoje que praticamente o MEC está sem os pezinhos e sem as mãozinhas, pra única coisa que ele tem é aquela coisa do diálogo, da conversa boa, de não sei o que com os estados e o recurso financeiro que diz pra ele “ou adere ou não adere”. Chega pro estado e fala assim “olha, eu tenho um programa pra questão indígena, que é assim, assim, assim e assim, vai aderir ou não vai aderir?”. Se o estado não tem um centavo, ele adere, se tem não adere. São Paulo não aderiu, acabou. Vê se São Paulo faz uma ação do governo federal, não faz. Não é verdade? não faz, não faz, não faz. E quem que está penando e quem é que está pagando o pato por tudo isso gente, as comunidades indígenas de São Paulo, o sofrimento que está, eu estou dizendo isso porque isso aí é pesquisa que a gente está fazendo, é experiência que a gente está vendo, ouvindo as lideranças, e é isso, isso apareceu inclusive na conferência. Então é assim que está funcionando de lá pra cá gente, e com a FUNAI que ficou praticamente sem ter ação e educação, foi pro pau aquele item que está na Constituição Federal, assessoramento, acompanhamento, os processos educativos quem tem que salvar, guardar com suas ações, era a FUNAI. Porque ela é a agência de política indigenista. Isso não aconteceu. Por isso que eu e a Pierlangela batíamos duro pra dizer “nós não concordamos que tenha que acabar com o setor de educação” e a gente percebeu que alguns indígenas entenderam e outros não conseguiram entender. Esse processo não é fácil, tem que estudar, tem que buscar lá nas raízes históricas pra você entender um processo. E agora está aí, nós vamos ter uma segunda conferencia que o movimento propôs, mas a gente está muito preocupado porque a própria FUNAI hoje não tem perna pra tocar, sendo que a primeira conferencia quem tocou muito bem, que se não fosse a parceria do MEC com a FUNAI, não sairia conferencia. Gente, pelo amor de deus eu falo isso com muita propriedade, primeiro porque eu estava na comissão executiva, eu estava na comissão que organizou, eu acompanhei em vários, muitos estados que a gente pôde ir e a gente viu que se não fosse a FUNAI e as suas instancias locais, eu chamava de administração, ARs, eu prefiro usar ARs ainda, pra mim essa CRs não sei não. ARs ponto. É que tocaram. Com todas aquelas conflitos que a gente sabe politicamente, tinha até administração que estava brigada que não tinha um servidor lá, tinha problemas sérios. Fechada, estava inclusive os índios invadiram lá. Aconteceu. A FUNAI foi lá e fez. Então, eu acho assim que a gente tem que retomar essa discussão do papel da FUNAI na educação, você está entendendo, porque do jeito que está a tendência está piorando cada dia que passa. Essa é uma coisa que eu queria falar. Outra coisa também. No meu entendimento, e a gente discutiu muito isso, a questão do sistema de ensino que envolve educação, envolve estados e município. Os sistemas de ensino não estavam preparados pra lidar com a população indígena, nem com os povos indígenas, vocês sabem disso, não estavam preparados em nenhum momento. Tanto é que olha quanta coisa eles fazem errado com a gente, quanta coisa que acontece nas comunidades indígenas, nas escolas os professores reclamando as comunidades, muitos problemas, não estavam preparados pra assumir uma política indigenista. Então isso aconteceu. Essa foi a minha tristeza toda dessa questão da reestrutura da FUNAI. E agora eu queria perguntar algumas coisas que eu vou deixar aqui como pergunta pra FUNAI responder, que eu acho que depois vocês vão poder. Eu queria saber qual vai ser a proposta que a FUNAI vai apresentar para o trabalho articulado com as SEDUCs. Por exemplo, na próxima semana dia 14 a Secretaria de Estado da Educação mandou chamar a FUNAI pra conversar porque ela está desesperada, perdida. Então, ela precisa de uma orientação política indigenista, de Mato Grosso. Mas se der certo, Mato Grosso vai virar uma precedência pros demais. Então, eu acho que vai ser positivo, da minha parte vou fazer o possível pra dar certo. A gente sempre tem que militar pra esse campo, tem que ter esperança. Então enfim, eu queria saber qual é a proposta que a FUNAI vai apresentar para o trabalho articulado para a SEDUC de Mato Grosso, mas para as demais SEDUCs para a educação escolar indígena. O que vai dizer as auditorias e as procuradorias. Por que eu digo isso? Por que a FUNAI fez três regimentos internos. Vocês se lembram que quando nós estávamos discutindo a reestrutura da FUNAI, nós pedimos pro presidente dizendo pra ele que nós queríamos ver o regimento. Ele mostrou um regimento pra nós. Que eu me lembre. E não apareceu mais com nenhum outro. Nós ficamos aí e ninguém cobrou. Mas só que eu vou cobrar. Porque eu estou olhando. Estou levantando defunto. Eu quero saber cadê o regimento. O regimento atual mudou tudo. Tirou tudo isso da FUNAI. Agora na conferência eu vou trazer tudo de volta. Até pra limpar a nossa barra como CNPI, porque nós fomos acusados de um monte de coisa. Vocês sabem que nós fomos acusados de que fizemos essa reestrutura tudo a toque de caixa, pode se dizer. Então, o que fala a auditoria agora nessa situação que a FUNAI está? Porque o regimento interno é muito importante. Porque é ela que dá a regra do que a instituição tem que fazer. Então a gente quer saber. Eu quero saber onde que está o regimento atual. É o meu pedido. Essa é uma coisa. Segunda questão que estou colocando aqui. Como deve ser o monitoramento e acompanhamento da educação escolar indígena pela FUNAI. Eu gostaria de saber e gostaria que vocês trouxessem essa resposta, pode ser na próxima. Dialogando com esse regimento interno da própria FUNAI. E por último, a sexta câmara que eu quero passar pra vocês como informe. O Ministério Público Federal criou o fórum da educação escolar indígena dentro da sexta câmara. Já teve várias reuniões. Das reuniões eu não pude vir. Porque toda vez choca com as minhas agendas e eu não tenho como falar não lá e depois vir pra cá. Então eu queria saber, isso daí eu vou mandar depois pra Dra. Débora, como o Ministério Público enxerga o papel da FUNAI nesse processo. E aí eles criaram esse fórum e eu fiquei sabendo que o fórum está funcionando plenamente, inclusive com discussões e decisões muito importantes sobre a questão da educação e ai eu queria saber. Eu pensei até se a gente pudesse convidar o coordenador que é o DR. Paulo Neiva pra que ele pudesse fazer uma explanação pra nós. Isso é importante pra nós indígenas sabermos. Pra que nos possa subsidiar lá na discussão. Eu estou colocando tudo isso aqui pra nós pessoal, principalmente pra bancada indígena, meus companheiros de luta e de fé, como se dizer assim, porque são questões que vão ser tocadas na conferência, e que a gente precisa ter uma resposta de tudo isso pra que a gente possa dar também uma resposta as nossas comunidades indígenas. E quero manifestar mais uma vez aqui a minha preocupação com a implementação da Conferência da Educação. Se bem que essa Conferência Nacional ela é maior do que a da educação. Se nós decidir aqui e vamos criar um sistema próprio, acabou. Vamos criar, se vire, vamos ter que ir atrás inclusive do Congresso Nacional. Então era mais ou menos essas minhas inquietações mas por outro lado são essas questões que eu gostaria de saber pra mim também poder dar uma resposta. Era isso. Obrigado. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Obrigada Francisca. Eu acho que antes da Lucia e o Rafael responderem tem mais dois inscritos. Acho que passa a palavra depois responde em bloco. Lindomar Terena. Lindomar Terena - APIB: Bom dia. Lindomar da APIB. Eu na verdade queria trazer aqui uma preocupação, uma ansiedade por parte do nosso povo e uma preocupação. Com relação ao GT da educação, o grupo que está discutindo. Surgiu uma grande preocupação lá no Mato Grosso do Sul, das sete etnias que tem no Mato Grosso do Sul com relação a representação daquele estado nesse GT. Aí eu pergunto aqui e a Lucia diz que a FUNAI não está ali nesse GT. E o Marcos Terena o que ele está ali quanto FUNAI ou ele está ali representando quem na verdade? Porque não representa os anseios do nosso povo. Indicado por quem? É porque é amigo de fulano. Então essas situações eu queria colocar aqui porque nós temos do nosso povo pessoas com conhecimento, doutores, mestres, é pessoas que poderiam estar compondo esse GT e de repente nós estamos tendo, discutindo uma proposta de futuro pro nosso povo. Alguém dentro do grupo que não tem conhecimento da nossa realidade. Alguém que não sabe da realidade do nosso povo no Mato Grosso do Sul e com certeza desconhece também a realidade das cinco regiões desse país. Porque não convive com nosso povo. É pessoas que está dentro de gabinete. É pessoa que mora em apartamento. É por isso que eu queria registrar essa preocupação porque até agora, no Mato Grosso do Sul, nós não engolimos isso. O critério que foi feito, só pra colocar aqui pra registrar, quando foi criado esse GT um dos nossos professores do Mato grosso do sul, através dos meios de comunicação questionou ao senhor Marcos Terena qual foi o critério pra que ele estivesse naquele grupo e ele teve a capacidade de dizer “Cala a boca seu bugre invejoso”, isso nós temos salvo lá. Quando ele colocou isso na internet o Luiz Elói que é o advogado lá, salvou isso. Ou seja, alguém que está nos representando considera nossos professores um bugre invejoso. Então alguma coisa está errada. Então eu queria deixar essa pergunta. Quais foram os critérios, e se como a Lucia disse ele está ali contra a Funai ou ele está ali contra indígena. Por que quanto ao nosso povo eu sou terena, o Marcos é Terena mas ele em nenhuma instancia ele está autorizado pelos nosso caciques a falar em nossos nomes. O que mal e mal ele sabe é organizar os jogos e olha lá, com as suas panelinha. E ai deixo esse registro aqui somente porque nós professores lá estamos com essa intenção de fazer alguma coisa, sei lá, algum ato de repudio porque nós não podemos ter alguém tratando de um interesse de futuro da nossa gerações futuras alguém que chega e disse que nós somos um bugre invejoso. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Obrigada Lindomar Terena. Próximo Sabaru. Marcos Sabaru: Bom, só complementando o que Lindomar Terena, e é Terena e tem a muito tempo batendo isso, isso foi dito no ATL que aconteceu no Rio Mais 20. Isso saiu em documento o povo Terena, os caciques Terena que lá estavam fez uma moção, fez uma declaração. Tem em documentos, saiu no Rio Mais 20. O movimento já disse isso, a APIB também já falou isso, mas a gente sente que essas pessoas continuam sendo sustentada e a gente acredita que municiada. Continua com esses absurdos dos jogos que é uma forma de discriminação de povos e é uma forma também de dizer que tipo de povo é importante. Que povo A, B, e C é e os demais?. E a gente sabe a diversidade de povos que a gente tem nesse pais, não dá pra gente começar a dizer que determinados povos são importantes e outros não. E os jogos tem feito isso, é discriminação, discrimina povos. Sendo que tem povo se quer que nunca participou. E tem um critério pra participar que é muito, enfim. Então, se o Terena diz que os caciques Terena colocam isso, ele também não está lá pela APIB nem pelo movimento indígena. Então eu peço a FUNAI que vamos rever como é que essas pessoas mesmo, com tanta crítica, mesmo com documento, mesmo com tanta, né. Como que essa pessoa consegue furar o bloqueio, consegue sempre estar organizando jogos com dinheiro de ministério, consegue ir pra ONU, muitas vezes vai pra ONU falar em nome dos povos indígenas do Brasil. Então assim, tem alguma coisa que não está, eu acho que esse feed back não tem conseguido dar essa resposta. Se o próprio povo desconhece, se as organizações desconhece. Porque que alguns ministérios insiste em estar carregando isso, prolongando esse tipo de coisa. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Obrigado Marcos. Marcos Sabaru né. Agora Marcos Xucuru. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Eu gostaria apenas de fazer alguns comentários na fala da professora Chiquinha, e que dialogam com a questão da 2ª Conferência Nacional da Educação Escolar Indígena. Dizer que há uma preocupação desta bancada e da CNPI que vem discutindo arduamente essa situação da educação escolar indígena aqui, nesta comissão, inclusive quando discutíamos ali a proposta do Estatuto dos Povos Indígenas e que foi amplamente discutida e uma das propostas colocada ali para o estatuto tratava-se, e que houve um embate muito grande por parte da bancada indígena contra o MEC, contra o Ministério da Educação que de forma alguma admitia um sistema próprio, do qual nós aqui apresentávamos naquele momento para o Estatuto dos Povos Indígenas. De modo que, isso é uma grande preocupação da nossa parte, dessa fragmentação da educação escolar indígena. E isso na verdade, os mais prejudicados somos nós que em alguns lugares fica ao deus dará, como já foi dito aqui, para com os municípios, para com os estados, e quando se tem lá na ponta nos municípios que é um prefeito, que é legal, articulado ainda, ainda quando não é, a madeira deita. Da mesma forma há também por parte do estado e aí eu quero nesse sentido trazer aqui alguns relatos e nós estamos em Pernambuco fazendo esse enfrentamento junto ao governo do estado e a secretaria de educação, que vem em uma luta incansável por mais de 10 anos nessa implementação da educação escolar indígena em Pernambuco. E que hoje nós estamos com problemas seríssimos que não dialoga com governo federal. Com isso a gente sofrendo lá na ponta, nós temos situações das diversas questões de envolver a rede física, o espaço físico, à contratação e a efetivação desses professores. Enfim, nós temos professores que ainda hoje é no regime do mini contrato a questão não avança na questão da efetivação e de resolver de uma vez por todas essa questão dos professores, categoria professor indígena, é um processo de discussão longo e que o estado acho que não tem compreendido e isso e há uma resistência enorme. Nós temos situações que está relacionada a própria estrutura física que muitas vezes o estado não dialogam como já disse, com o governo federal e volta recurso os espaços não são construídos e isso é uma situação de extrema calamidade que isso acontece. Além disso, tem programas do governo federal como o caminho da escola por exemplo, são transporte, tem uma estrutura pensada pra atender essa necessidade. O que acontece, muitas vezes os estados não solicita, não procura isso e com isso os povos indígenas tem sofrido bastante. E ai quero dizer que estive recentemente conversando com ministro da educação Paulo Paim tratando dessa situação e nós verificamos que de fato há uma inoperância por parte do estado, e ai falando especificamente do estado de Pernambuco e com certeza isso ocorre em outros estados e que não há solicitação e não há essa preocupação posso dizer assim com a educação escolar indígena. Então tem outras prioridades e que a prioridade não e a educação escolar indígena então isso me reforça cada vez mais a creditarmos que nós temos que ter um sistema próprio de educação escolar indígena. Que seja uma coisa vertical, que a gente consiga exatamente fazer esse trabalho dialogando diretamente e ai tendo um sistema próprio e pensado que eu acredito que na primeira Conferência Nacional de Política indigenista que nos consigamos em quanto movimento. E ai e importante esse diálogo que das instâncias hoje dos movimentos de professores indígenas dialogue com as organizações pra que nós tenhamos aí de fato algo palpável e consigamos fazer uma defesa qualificada e que precisamos fazer esse enfrentamento. Espero que nessa Conferência de Educação Escolar Indígena aponte esse direcionamento, pra que possa assim também reforçarmos nas discussões na Conferência Nacional de Política Indigenista então acho que a gente precisa na verdade tirar, falando em quanto movimento, quanto bancada indígena tentarmos fazer esse link, tentar buscar já partir desta Conferência de Educação Escolar Indígena no sentido de caminhar nessa perspectiva de apontar pra Primeira Conferência Nacional de Política Indigenista, pautando exatamente essa proposta . Então, precisamos acho que aprofundar essas discussões na ponta, sabe Chiquinha, pra que a gente consiga exatamente compreender e trabalhar em cima de uma proposta como esta. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Obrigada Marquinhos. Bom dia a todos e todas para quem eu não cumprimentei ainda. Próximo inscrito é o Lourenço. Lourenço Milhomem - região Amazônica: Bom dia a todas e todos. Bom que queria assim, falar um pouco na fala de professora Chiquinha, referente ao GT, a universidade, como própria alguns levantaram. Eu entendi anteontem nas informações pelo próprio Rafael e ela mesma como foi criado o GT na discussão pra universidade indígena. Como ele próprio falou que não é para criar é para construir as diretrizes pra que possam pelo menos esse anseio e a vontade da população indígena, ter um caminho próprio assim, quando universidade que nós queremos, não assim nesse sistema do branco não, esse eu já entendi. E questão técnica buscar as pessoas que realmente conhece realidade nosso, e também ter conhecimento ter a visão, no futuro para a população indígena pra preparar um futuro assim de conhecimento do branco. Na representação, isso é um pouco assim, eu concordo realmente com o Lindomar Terena, que hoje nós conhecemos as pessoas que representa nós, não por representar, porque as pessoas convive nas comunidades, as pessoas vê a realidade e vê o movimento também, de uma discussão de base sente junto a população indígena os problemas, as situações, a precariedade da educação escolar indígena na base, vamos lá e vê, convive. São as pessoas que a gente sempre legitima, que hoje conhece bem o sistema de educação escolar indígena, ao mesmo tempo pra atuarem nas comunidades. Então, e somente levantaram como propriedade cada uma. É isso que eu queria assim só pra observando um pouco na fala que, o próprio governo comece mapear e consultar as organizações indígenas, não assim, por as vezes a pessoa tá ali tem que dar o nome, não, porque a pessoa acaba aonde que crescem em nome da população e não vem a atender, não vem a trazer o anseio e a vontade vem só por informação, traz, diz não eu conheço a realidade daquele povo, mas só informação porque nunca pisou lá. Então, isso é ruim pra nós do movimento indígena. Já imaginou, eu estava rindo agora, só pra você ver, eu estava rindo agora, amanhã nos temos mais ou menos 100, 150 professores indígenas fazendo curso de intercultural em Goiânia, eu estava até convidando a Rosa pra gente aproveitar e falar um pouco da situação que nós estamos passando hoje, porque ali são vários estado e que estão hoje lá. Final de semana estão tudo ali aproveitar, passar informações. Infelizmente, eu acho que não vai poder ir e eu estou falando com alguns pelo face o que está acontecendo. Aproveitar e falar, e se chegarem lá essa situação de discussão, de quem são os representantes, nós vamos tocar no assunto que nós estamos discutindo, muitos vão levantar e dizer “não, a pessoa que está lá não é legitimo”, então pode se levantar esse argumento. Isso eu queria tocar. A outra, é setor de educação na FUNAI. Eu assim, como acho que falou, quando foi anunciado numa das reuniões da CNPI pela a presidenta Marta, que é da CNPI, eu fiquei muito assim acabou FUNAI. Porque aonde que quando o estudante procurar o apoio lá na localidade, lá na regional, pelo menos o representante dentro do setor de educação estava orientando, apoiando e facilitando, abrindo as portas para os estudantes indígenas local. Hoje, estão com quase digamos assim abandonado, quando a gente procura o setor, não, não tem ninguém pra acompanhar a educação. Então se perde a continuidade, vontade, dever de crescer no conhecimento de educação escolar formal. O próprio jovem volta para sua aldeia porque não tem ninguém pra amparar, não tem ninguém pra orientar, pra sustentar ali, pra garantir a permanência ali, pra dar continuidade seu conhecimento. Acabou. Então, foi retirado. Então isso acho que precisamos como próprio já anteciparam, é hora de agente começar discutir e voltar, próprio buscar uma forma, um meio e sentar com o próprio MEC, fortalecer. Porque aonde os técnicos estão próximos acompanhando, só acompanhando, mas assim se você não cobrar, tal dita condição eu não vou porque não tem recurso pra acompanhar vocês, no que eu vou apoiar vocês. Acaba não indo e fica só, porque tem comunidade que ainda precisa de técnico, ainda precisa de alguém que está orientando. Agora, tem comunidade e povos que já estão bem adiantado, estão bem avançado em conhecimento, agora tem comunidade que você chega lá e nem sabe por onde. Então, isso a gente precisa de uma discussão melhor, fortalecer mais no setor da educação dentro da FUNAI. Precisamos de gente, precisamos de recurso pra que realmente acompanha mesmo. Se você ver que começou a ética na educação territorial, as coisa parou. Eu não sei, é idéia da FUNAI, é idéia do MEC, é idéia de quem? Pra criar isso. Isso não funcionou pra nós lá. Parou. Outra coisa que eu acho que é a segunda vez que estou falando. Na escolha, tem lugares que as pessoas se apropria que é dono do índio acaba e só é você ou você. As pessoas que mais discute educação, são excluído. Eu vi, quando entrei aqui no MEC e olhei o nome das pessoas. Gente, eu conheço essas pessoas, nem sequer convocam uma reunião dentro da sua comunidade dentro do seu povo pra discutir educação escolar indígena. Não discute, imagina a escola que eu acompanho. Então, acho que está na hora de que sem informar os movimento tanto nacional, regional, como local e muitas organizações de base que está atuando, que discute. Acho que tem que começar informar, pra que possamos acompanhar por perto também uma discussão hoje. Outra questão também, que dentro do estado, eu hoje no Maranhão digo assim, “nesse Maranhão não temos educação apoiado pelo Estado”, lá pra historicamente que o próprio MEC não sei se está acompanhando, algumas escola indígenas vocês contam no dedo que estão direcionado. Porque? Porque tem questão política lá dentro. Questão de transporte escolar está muito, muito forte. Quando a escola que anda com próprias pernas, porque as comunidade e professora são funcionário, mas aquela escola que realmente quer andar, que a educação acontece nas aldeias o Estado não apóia. As vezes o próprio técnico que está junto ali somo excluído. Então, no Maranhão questão transporte escolar, deixou muitas escolas a desejar. A gente sabe que hoje, a denuncia que eu fiz parte da comissão de formação de grupo de trabalho, tem indígena envolvido com fraude grande de nome dos alunos, onde tem 100 coloca 300, 400 fraudando os nomes dos alunos. Isso tem, está no Ministério Público. Quando eu passei pro MEC, na próxima reunião que passou anterior eu fui lá, o que falou, não o MEC não pode fazer nada, é Estado que faz. Quer dizer, tirou toda responsabilidade de acompanhar, o de apurar a denúncia que nós fizemos. Então assim, em cada Estado, com certeza, a educação escola indígena cada vez mais piores. E isso não é bom é ruim pra gente, porque recurso está indo pelo per capita. Nós sabemos quantidade de recurso que tem. Eu peguei era 40 milhões. Sabe quantas o transporte escolar hoje tem? 52 milhões, só de transporte escolar. Alunos nós temos mais ou menos 30 mil alunos, digamos alunos hoje no Estado do Maranhão pelo que veio o processo transporte escolar nós população indígena nós temos hoje 40 mil indígena mas só de alunos são trinta e dois mil e seiscentos e poucos processos de transporte escolar. Quer dizer, toda população indígena do Maranhão está estudando. Então, isso nós denunciamos. É ruim, e o MEC está acompanhando isso, quem poderia estar apurando isso. Então, quem está sendo pago, penalizado é algumas comunidade. As construções de escola pararam, acompanhamento dos professores pararam. Então assim, muitos se não acompanhamento do MEC em cima ou se desligar disso as coisas não acontece. Então é assim, é uma informação que com próprios relatos e buscar nessa conferência uma forma melhor pra que nós possamos ter uma educação escolar. Acontece mesmo dentro da comunidade, se não tiver um conjunto trabalhando, não acontece. Então eu queria assim, informar isso aí, e aproveitando dizendo a vocês o que está acontecendo em nosso Estado. Era isso. Obrigado. Marcos Sabaru: Na verdade não sou só índio, sou Tingui. Eu queria escutar da FUNAI, em relação as três conferências. Estamos tratando da conferência de Política Indigenista pensando em uma coisa maior que possa discutir tudo isso. Estamos falando de uma conferência de educação que é importante sim, porque tudo é a base da educação. Não entendo uma conferência de educação, sem que a FUNAI amplamente participe dos debates e os indígenas. Então, estamos falando de uma conferência da PNGAT também que é uma política pra gente instalar, a gente enfim. Então tem três coisas e eu não consigo ver qual uma que é menos importante que a outra. Mas, eu consigo ver a FUNAI como ela é hoje, na sede, na ponta, e questão de recursos, de pessoas, e como acompanhar, como contribuir, como fazer. Então assim, questão de ordem é essa pedir que a FUNAI se explique. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Obrigada Sabaru. Pessoal, o seguinte. Tem mais duas pessoas inscritas o Brasilio e o Titiah. Queria propor aqui da gente consultar os companheiros para abrirem mão dessas duas falas. A gente fazer uma fala rápida sobre as perguntas e dúvidas que foram colocadas aqui para FUNAI em relação ao que a gente começou a discutir, cooperação, a conferência e tudo mais. E se o Rafael também quiser tratar alguma coisa em relação ao que foi falado a gente abre para o MEC falar. E a gente finaliza os relatos, tem mais um relato de subcomissão que é da DIETINI, a gente faria rapidamente, e o João está aqui para fazer o informe rápido também sobre a PNGAT, enfim, o edital que a gente está trabalhando com o recurso, informar para vocês como é que está sendo isso, para a gente poder vencer esta pauta da manhã, porque a tarde a gente tem muito trabalho sobre a conferencia. Então, estamos de acordo sobre esta proposta, então Lucia se quiser falar, depois eu abro para o Rafael. Lucia Alberta - FUNAI: Oi, eu vou começar falando e a presidente acrescenta está bom? É sobre as falas, da Chiquinha, do Lindomar, do Sabaru e do Marquinhos. Vamos lá. Então primeiro Chiquinha. A FUNAI, na verdade quando ela mudou aquela coordenação geral da educação, ela não se fechou para trabalhar com o tema educação. Nós temos dentro da FUNAI hoje uma coordenação de educação que fica dentro da diretoria chamada DPDS (de promoção ao desenvolvimento sustentável). Então a FUNAI continua tendo uma coordenação de educação, o que mudou foi o trabalho da FUNAI com o tema educação. Então com relação ao regimento interno que a Chiquinha falou que vocês não tem conhecimento, nós vamos imprimir o regimento interno da FUNAI e entregar para cada um de vocês, está bom? Lá tem o atual, atual que é de Dezembro de 2012, que é o atual, então nós vamos imprimir para vocês. Nós também temos esta preocupação que a Chiquinha apresentou com relação aos trabalhos que os Estados e Municípios vem fazendo com a pauta da educação escolar indígena e realmente, está, eu concordo com o termo da Chiquinha “ao Deus dará”, então cada Estado, cada Município está trabalhando como bem quer, muitos recebendo recursos, ou não trabalhando como a própria Chiquinha falou, que o estado de São Paulo, que hoje não tem nenhuma atuação. Então, isso é uma preocupação que nós temos sim que conversar juntos com o MEC, com o movimento indígena porque nós precisamos pensar como resolver isso e um pouco rápido, porque realmente depois que a FUNAI, mudou essa atuação teve um pouco este descontrole, vamos dizer assim, nas regiões do acompanhamento de educação escolar indígena, que não deve ser feito somente pela FUNAI. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Só um parêntese, isto comprova como as redes de ensino na verdade não estavam fazendo suas atribuições, porque, se a legislação já transferia as competências para os Estados e Municípios, e a FUNAI estava suprindo isso, de maneira, vamos dizer assim, a cobrir uma lacuna, deixou claro que se a gente não fizer está atribuição, não desenvolver estas atividades, as redes muitas vezes não estão preparadas para desenvolver. Então, quando a gente realmente buscou assumir que é nosso papel na educação, que é monitorar, acompanhar, e tratar do fomento sobretudo dos processos de educação, dos processos educativos não escolares tradicionais e tudo mais, que existe esta lacuna, principalmente nos Estados e nos Municípios, a gente percebeu isso e tem buscado esta aproximação constante com o MEC, porque o MEC tem este papel de articular o sistema das redes de ensino, cobrar, e junto com a gente fazer este monitoramento, para que, funcione independentemente da FUNAI exclusivamente trabalhar com aquilo ou não. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: Eu queria saber se a FUNAI tinha como conversar com os Estados, a Secretaria de Educação dos Estados e Municípios, pra ver se estreitava esta situação. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Já estamos fazendo, e acho que estamos fazendo pontualmente com alguns Estados. Mato Grosso é o primeiro. Agora acho que a conferencia ela é o espaço ideal para trazer este debate de uma vez, para compreensão dos Estados entende. Então como os Estados e Municípios vão participar da conferencia, é o momento da gente chamar a eles a responsabilidade, movimento, nós da FUNAI e o MEC, juntos indo para cima para cobrar está responsabilidade. Lucia Alberta - FUNAI: E só acrescentando um pouco mais, na própria legislação de educação escolar indígena está bem claro qual é a responsabilidade de cada um desses entes federados. Então, o MEC, o Ministério da Educação dá essas diretrizes para os Estados e para os Municípios. Então eles tem autonomia, mas é uma autonomia que tem que seguir uma diretriz nacional e muitas vezes isso não está acontecendo. Realmente, nós precisamos juntos fazer este acompanhamento e monitoramento de como está lá na pontas. E vocês tem este conhecimento muito claro do que está acontecendo com a educação escolar indígena. Com relação esse trabalho articulado com as SEDUCs, que a Chiquinha tinha perguntado a presidente já respondeu. Então, é bem importante este trabalho porque hoje nós temos equipes da FUNAI nas coordenações regionais com bastante experiência com educação escolar indígena e fazendo estes trabalhos articulados com os Estados, vai ser uma forma de somar os nossos trabalhos para melhorar a educação escolar indígena na regiões. Então, nós temos que ver qual o papel da FUNAI realmente, que foi a pergunta que a Chiquinha fez e vocês também ressaltaram, qual o papel da FUNAI hoje. Nesse termo aditivo nós nos preocupamos com isso, nós colocamos lá esta proposta de formar a equipe da FUNAI, a equipe do MEC e também nós podemos pensar de formar as equipes dos Estados e nos Municípios para todo mundo entender qual o papel de cada um nesse processo de gestão de educação escolar indígena. Eu não sei se a Guta tem conhecimento, mas eu não lembro se a FUNAI faz parte deste Fórum de Educação Escolar Indígena, criado pela sexta câmara, eu não tenho conhecimento disso, eu acho que é bem importante a FUNAI também participar, com toda a experiência que tem com essa pauta, nós vamos buscar essas informações. Pois é, eu anotei aqui o Paulo Leiva. Podemos conversar com ele, para gente ver como é que está, porque a preocupação que a Chiquinha colocou é que eles querem fazer um questionamento para sexta câmara, de qual seria para eles o papel da FUNAI na educação escolar indígena. Então nós temos essa orientação e seria legal nos conversarmos dentro desse fórum. E nós vamos trazer para vocês na próxima reunião como a Chiquinha pediu como que está sendo esse trabalho da FUNAI nas coordenações regionais, no acompanhamento da educação escolar indígena. Que foi solicitado. A gente pode fazer esse levantamento e trazer para vocês. Com relação ao sistema próprio de educação escolar indígena, realmente é uma pauta que nós precisamos avançar e refletir bem como que seria essa discussão da construção desse sistema próprio de educação escolar indígena. O MEC já começou essa conversa, a FUNAI participou também, mas é uma conversa que está meio parada. Então nós temos que ver como avançar nisso porque a discussão do sistema próprio ele tem assim uma, é uma discussão muito ampla, que vai desde o que o Rafael falou, que pode ser a criação dessa diretoria, como que seria a atuação dos Estados, dos Municípios da própria FUNAI e outros órgãos que trabalham também com a educação. Nos Estados e Municípios também nós temos várias experiências com órgãos não governamentais também com educação escolar indígena. Então é uma discussão que nós precisamos retomar e com certeza a Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena na segunda, é o espaço assim, eu acho que adequado, mas isso não quer dizer também como a proposta do Marquinhos que essa discussão do sistema próprio também seja feito nessa Conferência da Política Indigenista, que com certeza é o caminho. Com relação a preocupação de vocês sobre a participação da FUNAI no grupo de trabalho sobre, que está discutindo a Universidade Intercultural Indígena que o Rafael explicou que a orientação agora eles discutirem diretrizes para orientar um pouco o governo, é a FUNAI realmente não faz parte desse grupo de trabalho. Tem servidores da FUNAI lá dentro mas que não estão representando o órgão, designado pelo órgão. Isso. Deixa eu ver mais alguma coisa. Então acho que é isso. Não sei se a Guta que acrescentar mais alguma coisa. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Isso. Eu acho que a gente aproveitar para já propondo um pouco assim ao Rafael usar esse momento da Conferência de Educação Escolar Indígena para gente realmente trazer os Estado se os Municípios para esse contexto. Eu acho que isso vai requerer de nós uma capacidade de articulação também um acompanhamento fino das conferências nas etapas locais, nas etapas enfim, que vão acontecer lá nos Estados. Acho que também a conferência começar a construir realmente, de maneira mais concreta que é esse sistema próprio com as competências e atribuições de cada um dos órgãos e atores que vão compor esse sistema próprio, por que acho que tem o papel do movimento também no controle social, tudo isso que vocês trazem para gente aqui de que não está acontecendo no Estado, recurso que não está sendo empenhado adequadamente como Lourenço colocou e tudo, é super importante para que nós do poder público possamos saber, ter essas informações e buscar superar os problemas que estão acontecendo na ponta. E a última coisa é, a gente também se lembrar em algum momento tentar fazer a ligação aí, nisso tudo que a gente está discutindo de forma ampla, com aquele momento em que a gente teve, Rafael onde a Macaé já veio aqui na CNPI trazer alguns elementos daquele Programa Nacional de Educação Nacional Indígena também. Nesse programa que ela apresentou alguns elementos para nós, já nessa CNPI aqui, envolviam vários aspectos que foram citados aqui, como por exemplo a questão do transporte, a logística difícil, transporte escolar que alguns lugares como Lourenço também mencionou, não estão funcionando adequadamente, o programa ele buscava um pouco da conta de avançar nessas questões. Então não sei né Rafael como é que está o avanço dessa questão da discussão do programa no MEC, se vocês deixaram isso para ser um ponto da conferência também, ou se enfim. Eventualmente você poderia até dar um retorno para nós sobre isso. Obrigada. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Gente, apareceu muita coisa aqui de um informe passou a um debate das condições de educação. Eu vou tentar responder ao máximo o que foi colocado e a qualquer momento caso queiram fazer intervenção de algo que eu não pontuei das perguntas, mas já deixar claro que a gente está dentro do MEC, dentro da Coordenação Geral de Educação Escolar Indígena aberto ao diálogo, vocês sabem disso. Qualquer momento que vocês chegam lá a gente faz todo esforço independente da pauta nossa pra receber as comissões indígenas e de governo são super bem recepcionadas e qualquer questão que não possa ser aprofundada aqui, a gente está aberto lá pra, pra gente conversar, esclarecer. Primeiro ponto, vou destacar aqui, inclusive foi o primeiro que apareceu na fala do Lindomar e do Marcos. Deixar muito claro, já coloquei isso na subcomissão, coloquei logo mais cedo e reforçar. Marcos Terena, Marcelo Ecuana, Chiquinha Pareci, Ricardo Veiber, Veiber Tapeba, nenhum desses parentes, outros que estão lá na portaria que criou esse GT em Janeiro, Davi Copenaua, Joenio Apixana, eles não estão representando seus povos, não estão representando organizações e entidades indígenas porque não é um grupo de representantes, apesar do nome estar constando na portaria é porque a portaria fez uma divisão, governo, universidade, indígenas. Mas um grupo técnico como GT, ele não é um grupo de representação política nesse sentido. Nem o Marcos, nem o Ecuana, não estão ali nenhum momento eles abrem a boca pra dizer o povo Terena, o povo Ecuana, o povo Pareci, o povo Tapeba, isso não existe dentro desse GT. Não, eles não falam pelos índios. Deixar bem claro Marcos, a natureza é de divisão desse grupo, uma coisa é você chamar uma CNPI e uma CNE, são comissões representantes. Um grupo técnico, ele não em momento nenhum, inclusive no documento que ele não pode citar como se ele estivesse falando por alguma organização, por algum povo. Então, só deixar esse ponto claro, porque realmente isso está trazendo um confusão enorme, das pessoas acharem que um documento final que vai ser produzido por esse grupo vai ser o documento do povo Terena, vai ser um documento da APIB, não é isso. Esse é um documento de recomendação interna, pro Ministério da Educação, que o próprio grupo de trabalho tenha perspectiva de trazer e nenhum momento das pessoas que estão ali dentro, consideram que vão, que o dialogo termina ali e o grupo termina com a produção deles. Inclusive o documento é claro isso, novamente pautar o que eu falei. Primeiro, não é um grupo pra ciar a Universidade Indígena. Segundo, isso nem consta na portaria, não está inscrito lá universidade. Um grupo para pensar e realizar estudos sobre Instituições de Ensino Superior para Povos Indígenas. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Não. É que inicialmente constava como objetivo. E assim, bom, não vamos fazer comentários talvez. Por que senão vai aumentar o debate. A gente encerrou as inscrições doutora Rosane Kaingang. Participante fala sem microfone. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Não, a gente encerrou, a gente encerrou. Vamos concluir a fala do Rafael. Por favor. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Não, é só é Lucia está no artigo primeiro aqui “o grupo com a finalidade de realizar estudos sobre a criação de instituição de educação superior intercultural indígena”, essa instituição gente, pode ser uma universidade? Pode. Pode ser uma universidade multicampi, pode ser uma das possibilidades que tem aparecido, institutos dentro de universidades preexistentes. Então essa idéia, uma universidade indígena, nem há essa perspectiva unilateral. O que há é um documento de recomendações, sem tirar nenhuma possibilidades das que existem. Inclusive a perspectiva do grupo é de apoio a todas as outras iniciativas que existem. A iniciativa do Instituto Federal de Roraima de criar um campus na Raposa, da Universidade Federal Fronteira Sul de criar um campus entre o povo Kaingang do Instituto Rio Negro, inclusive institutos que não querem essa institucionalização via universidade. Enfim, todas essa possibilidades serão contempladas e estarão dentro dessa recomendação. Então, só para esclarecer, todo ministério tem essa atribuição de compor, Marcos quer fazer uma pergunta? Bom, abre a fala. O ponto aqui eu abro. O ponto aqui é para esclarecer justamente sobre isso. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Fala Marcos Sabaru. Vai gente, vamos. É que não tem como, isso daqui é um debate que..... Marcos Sabaru: Era um informe. Na verdade o seguinte, vocês vão querer fazer a gente aceitar uma coisa que não tá na nossa cabeça, no nosso juízo? Não pode pensar futuro pros povos indígenas, pessoas que os povos indígenas não aceitam. E isso tem motivo, isso não é à toa, isso não é idéia da cabeça de uma pessoa. Vários grupos, de todo Brasil, e manifestações, e Assembléias, e acampamentos no Rio mais 20. Então, determinadas pessoas não servem pra representar. E não servem pra pensar futuro na educação, na saúde, em qualquer área. Porque nós não aceitamos, há uma rejeição. Agora, se vocês insistem em fazer, que fique um trabalho bonitinho pra vocês do MEC. Agora vai, toda, vai é ter resistência por outros. Porque não aceitamos essa pessoa representando. Os índios disseram, os movimentos disseram, as organizações disseram. Se vocês insistem em levar pra dentro do MEC, pra estar pensando no futuro, boa sorte com o futuro com essas pessoas. Mas, terá muita dificuldade pela frente. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Obrigada Marcos. Rosane para fazer justiça. Rosane de Matos - ARPINSUL : Bom, bom dia a todos e a todas. Eu nem entro no mérito da representação. Eu vou entrar no mérito da proximidade dessas pessoas com nossas bases, com nosso movimento. Por exemplo, eu não questiono a Chiquinha por que a Chiquinha ela tem um trabalho lá na ponta enquanto professora. Faz parte do conselho, etc., e tal. Agora, eu esperava uma comissão pra discutir universidade na ponta e esperava nossos professores. Não somente aqueles que estão dentro de sala, mas aqueles que estão mestrando em educação, como nós temos no Sul, fazer parte dessa comissão. Ou seja, o cara está na ponta fazendo um trabalho sobre educação. Como é que o Marcos Terena pode pensar uma educação por Kaingang? Se ele não está na ponta, tratando, discutindo educação. Se ele nunca foi professor dentro de sala de aula. Eu penso esses questionamentos assim, e a proximidade do movimento. O movimento indígena, o PIB, nunca consegue na comissão de educação escolar. Quem traz mais a demanda pra CNPI é a Chiquinha, ou pro movimento. Então, a gente não vê essa proximidade. Pegar pessoas pra prestar uma universidade que não estão na ponta, fazendo um trabalho na área de educação como nós temos gente formada. Aí fica difícil pra nós aceitar isso. É isso. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Obrigada Rosane, obrigada. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Continuando o debate. Gente, vou repetir esse ponto. Deixar bem claro. Esse grupo, primeiro. Não cria universidade, ponto. Até porque um grupo técnico não tem atribuições pra isso. Universidade é passado por congresso, etc., e tal. O que é um grupo técnico? Todo Ministério tem a sua disposição, institui um grupo que vai realizar algum tipo de estudo cujo produto final é um documento de recomendações que o Ministério da os procedimentos que ele queira à esse documento. A perspectiva dentro do Ministério da Educação é que esse documento seja amplamente consultado, como eu já coloquei aqui, coma agenda com a APIB, com a agenda com a CNPI, com a agenda com a CNE, e com os demais fóruns de debate que a gente possa ter. Inclusive eu estava fazendo aqui essa fala agora, faz parte dessa perspectiva, trazer pra vocês um relato do que está acontecendo, como está acontecendo. Esse grupo foi constituído, via portaria em Janeiro. Então, deixar outro ponto claro. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Quanto tempo ainda tem de trabalho do grupo. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: O grupo na portaria, não há prazo. A perspectiva, até por uma questão de conjuntura política, é que o grupo termine um documento de proposições e recomendações até esse ano, dentro dessa agenda, pra na próxima reunião da CNE a gente já apresentar. O movimento indígena vai discutir esse documento, aceita-lo ou não, e o Ministério da Educação ouvir das instancias da Sociedade Civil e dar os procedimentos pra esse documento. Agora, isso tem que ser deixado muito claro. É um documento de recomendação. O que vai ser feito com esse documento depende inclusive desse diálogo com as organizações da Sociedade Civil que aí começam a negociação. Se o movimento quiser dentro do seu diálogo com o governo uma universidade propriamente dito que quer dizer, recursos financeiros, criação de uma estrutura física dentro de um campus ou milticampus, concurso pra professor universitário, isso tudo passa por negociação inclusive com congresso, com executivo então ainda a gente está falando de um começo de diálogo, de conversas sobre a questão de instituição de ensino superior, deixando claro que essa instituição inclusive está aberto. O nome é muito longo. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Esse grupo está portariado em nome das pessoas? Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Com o nome das pessoas. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Então porque, eu queria assim, não sei se de repente você levar para internalizar isso lá no MEC, fazer uma discussão de eventualmente como o grupo vai trabalhar até o fim do ano. Quem sabe a gente não pensar a possibilidade de pelo menos incorporar algumas pessoas nesse grupo. Rafael Xucuru-Kariri – MEC: Claro. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Mas aí a gente muda, porque portaria pode mudar. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Por que assim, nós também estamos fora do grupo, a gente se formos convidados a gente quer participar, entendeu. Então assim, não sei, de repente o Rafael analisar isso, a gente tira como proposta aqui uma possibilidade de revisão, análise. Rafael Xucuru-Kariri – MEC: Deixar bem claro que não tem por parte do Ministério da Educação esse tipo de imposição que eu acho que está se formando em uma espécie de pensamento aqui. De que o Ministério está impondo. Inclusive dentro do próprio grupo de trabalho se as pessoas lerem quem são as pessoas que compõem vão observar que são pessoas que estão na luta pelo movimento político, inclusive de educação. A gente está falando de nomes como Antônio Carlos Souza Lima, nosso parente Gersen Baniwa, a nossa parente Chiquinha Pareci, nomes qualificados pra esse tipo de discussão. Lembrando novamente, grupo de trabalho técnico, não grupo de representantes dos povos indígenas pra propor uma universidade indígena. Quero reforçar esse ponto mais uma vez pra deixar bem claro pra vocês. O grupo pode a qualquer momento realizar convites pra outras pessoas participarem. Eu só peço assim, eu acho que a gente podia puxar essa pauta depois do almoço, porque a gente já está falando meia hora sobre esse assunto e só estão surgindo perguntas e tem um monte de coisa que foi colocada aqui também. Queria só consultar os parentes sobre isso. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Vamos organizar então. Podemos falar dessa história do grupo na hora do almoço. Então a gente conversa e se acerta aqui com o com o MEC via Rafael. Dilson era sobre isso? Ou é sobre outro assunto? Dilson Ingaricó - região Amazonica: É só pra ver se eu compreendi. Esse grupo de trabalho técnico tem papel fundamental, vamos trocar esse nome, eu vou colocar a palavra diagnosticar. É o grupo técnico que vai diagnosticar a estrutura de ensino superior existente no país, vão fazer o relato, vão levantar quais são os cursos que o país oferece, e aí, em cima desse diagnostico vão propor diretrizes, dando possibilidade para que o movimento indígena avalie conforme esses cursos oferecidos no país. E o movimento indígena começa a discutir qual é viável pra formação superior indígena, mais ou menos isso. E pelo que eu entendi. Eu quero informar isso com a minha linguagem pra ficar fácil para o povo na base entender o que está acontecendo. Por que de repente a gente leva uma informação sem compreensão melhor e acaba criando conflito de discussão na base. Então, por isso que eu queria entender essa questão. Entendi então nesse caminho. Esse grupo trabalha para elaborar tecnicamente os cursos existentes no país e no final será encaminhado inclusive aqui mesmo na CNPI ou no movimento indígena o resultado desse trabalho pra em cima disso definir qual seria o curso viável para a questão indígena. A segunda coisa, professora Pareci. A relação sistema de educação escolar indígena especifica. Essa luta não parou. O Estado de Roraima é um dos Estados que luta muito por esse processo. Criar esse sistema. O que nos abafou, abafa o movimento e as reinvindicações, inclusive uma palestra da representação do MEC em Roraima foi mais ou menos assim “não tem como criar um sistema próprio de educação escolar indígena por que é de responsabilidade do Município, do Estado porque nem todo recurso que vem do Federal é que dá assistência para a questão indígena, por que existem” aí ele colocou um copo pra representar aqui “nós somos do país federados, entes federados, aqui é Brasil, um copo maior” aí colocou dentro de um copo menor representando um Estado e depois o copo pequenininho pra representar o Município e esse copo maior recebe o recurso de todo Brasil que é redistribuído para Estado e para Município e aí um dos Municípios disseram, “olha, se for pra tirar a gente se livra da questão indígena” pra que um Município que é anti-indígena vai dizer “a gente se livra da questão indígena” e o outro Município pensou “a população indígena pertence ao Município do qual eu trabalho, a partir do momento que eu isolo a questão indígena, significa que eu também vou reduzir a quantidade de valor”. Então tem várias maneiras, várias formas da gente avançar e dialogar com os Municípios e os Estados. Agora, não tem como a gente criar imediatamente, hoje, porque nós idealizamos sem pensar na questão de materialização que é o principal. A ação de fazer, construir, e executar. A gente precisa ter um bom entendimento com os Estados, com o Município, inclusive com nosso país e aí qual será a participação o Município, do Estado e do próprio Governo Federal, dentro dos sistemas de educação escolar indígena. Pra gente não, talvez a gente se precipita pra criar uma política, um sistema próprio e depois não ter orçamento específico quando a gente chegar lá. Então a questão orçamentária a gente tem que pensar junto. Como é que vai se dar esse processo todo. Essa é a minha preocupação, mas que não está paralisado. Nós estamos discutindo, estamos amadurecendo, estamos estudando e parabéns a doutora Pareci que tem mais outros também. E que esse levantamento só pesquisa, ajuda a identificar, diagnosticar. Diagnóstico é muito importante pra gente tomar uma decisão concreta mediante conclusões das informações. Então quero dizer pra todos nós aqui, pra bancada indígena que nos ajude pensar também. Criar sistema próprio de educação escolar indígena não significa trair o país, pelo contrário, melhora o sistema. Nós estamos no direito, cada um de nós temos direito de mudar o sistema. O sistema não pode ficar parado sempre nesse nível. Nós somos pessoas, pensadores e estamos em busca de um país melhor quem sabe nós vamos, ao invés de receber um certificado reconhecendo que o país está bem, nós vamos receber pelo troféu de ouro, respeitando essa criatividade, construção conjunta. É isso que a gente está em discussão, é isso que a gente está em busca. Obrigado. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Obrigada Dilson. Paulino, é para encaminhar para gente tentar superar aqui. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Obrigado. Eu queria dar a minha contribuição, porque a gente esteve mais ou menos a par desse processo. Eu queria dar até um conselho pra todo mundo. Primeira coisa. Rafael, eu fico meio preocupado porque você é parente nosso e está servindo. É complicado, de repente fica parece que uma coisa entre índio que está dentro do governo e índio que está no movimento. Pra gente evitar isso entre nós meu conselho é que é bom que as parentes manifestem sua insatisfação e é bom que o Rafinha não fique na defensiva porque a questão é muito mais complexa Rafael. Só pra te dizer que nós fomos procurar pra indicar nomes para esse grupo. Lamentavelmente quando enviamos os nomes e que teve liderança interessada a participar a resposta que me deram 2 dias depois é “que pena seu Paulino, a portaria já foi publicada”. Ou seja, a APIB não teve chance de entrar porque os nomes da lista já estavam fechados, e já tinha sido portariado os nomes. Então, eu cito isso porque até hoje que o que a gente acompanha em termos de políticas públicas há algum erro metodológico e em alguns casos muito errado politicamente feito de forma errado por parte do governo. Não é só nesse caso, é muitos outros casos já houve essa política de indicar pessoas a dedo. Mas não é nenhuma coisa ingênua por parte do governo, em muitos momentos o governo age assim exatamente para fechar o caminho ao acesso da intervenção, da incidência do movimento indígena nos processos. Isso eu digo muito claro. A experiência mais concreta em relação ao dito processo de regulamentação da 169. Quando o movimento indígena começou inserir, tomar uma posição depois da portaria 303 em 18 de Junho de 2012 de repente começou a aparecer uma armação de trazer parentes a dedo para intervir no GT interministerial, embora o movimento não fosse parte orgânica e portariado, mas o movimento tinha uma incidência e aí começaram a trazer parentes que diziam ser assim “nós somos contra o que a APIB defende”. Então, sempre tem esse processo. É muitos outros casos. Tem essa indicação a dedo que complica. Isso não tira o mérito de alguns parentes que de fato como a Chiquinha tem, envolvimento no processo. Mas tem outros casos. O caso mesmo, por exemplo, para indicação de indígena para o Conselho Nacional de Educação, a indicação do Gersen seis anos atrás, foi indicação do movimento indígena. Foi pedido para o movimento indígena e de comum consenso em discutir entre a APOINME, COIAB, esses momentos a indicação do Gersen. Quando terminou o mandato do Gersen, de repente apareceu outra pessoa já, sem consultar o movimento. Simplesmente indicado por nosso parente. Só agora, nessa última, dois meses atrás, que se o movimento interviu de novo para referendar o nome da Rita, você entendeu. Quando interessa, o movimento é chamado. Quando não, o movimento não chama. E acho que, pra terminar houve esse ponto especifico evidentemente houve um erro metodológico porque a gente tem que sê claro, muitos parentes, não só os que estão na alta academia podem opinar sobre educação, tem muito parente que tem trajetória, tem opinião tem experiência no campo educação, inclusive acho que estão nos campos lá no alto Rio Negro, ótimo lugar, dirigentes como o do seu Max por exemplo da COIAB, enfim, mas parece que, acho que é bom deixar isso do jeito que está, o erro poderia ser corrigido se, depois que tem esse produto se faça um processo inverso, de submeter isso para debaixo para cima ser debatido, até eu lamento porque podia se constituir esse grupo com o referendo da CNPI, uma vez que tenha uma instancia de interlocução com os povos indígenas, mas isso é retrato, Rafael como você não acompanhou a CNPI desde a origem, é que nós sempre tivemos o problema do MEC caminhar sempre por fora da CNPI, isso não é nenhum segredo sobre as atas. O MEC sempre tentou caminhar por fora da CNPI, só do ano passado para cá começou se aproximar de novo, está mais junto da gente não é Chiquinha? Porque se passou por problemas como Comissão Nacional Indígena, e tanto problema que houve por conta disso, então eu acho que no momento agora parece, evitar essa troca de farpas entre nós, porque não resolve, não leva a nada, já está feito o negócio, foi mal feito, mas vamos ver se daqui pra frente se corrige, temos que baixar essa discussão depois, uma vez que exista esse produto, porque é sim preocupante quando se tenta atribuir só a duas, três, quatro pessoas achar que, sem tirar o mérito, não só como indígena como indigenista que estão lá dentro, mas acho que houve esse erro político e metodológico, na construção e na condução do processo, só queria dizer isso para encerrar essa questão e tocar nossa agenda. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Ok, então eu proponho que a gente acate aqui essa superação do ponto do GT, agora são 11:45h , Rafael se terminar ali a tua fala em 5 minutinhos, a gente encerra o ponto de educação, só para gente repactuar porque o tempo passou e nós temos uma pauta grande hoje, então assim, encerraremos o ponto da educação, eu vou propor a gente duas subcomissões ainda para tratar que são o etno desenvolvimento e a de empreendimentos. Então eu vou propor o seguinte, encerrando educação a gente passa para o informe da PNGAT, paramos para o almoço, ai entramos na pauta da Conferência e deixamos os relatos das subcomissões para o final da reunião junto com a aprovação da ata, acordo? Então por favor Rafael. Rafael Xucuru-Kariri – MEC: Deixa eu só então terminar este assunto, pegar um ponto. Aproveitar já tocar num ponto que acho bom, Paulino obrigado pelos conselhos, mas, também deixar claro é isso gente, eu não estou assim, na defensiva eu gosto mesmo é de debater, de esclarecer os pontos, e tem uma questão, eu me apresento aqui na brincadeira, mas eu me apresento como Rafael Xucuru-Kariri MEC, então eu consegui com muito esforço no meu crachá colocar Rafael XucuruKariri, mas vocês também não podem esquecer que logo abaixo tá escrito, Analista Técnico de Política Sociais do Ministério da Educação. Acho que esse papel de vocês me cobrar, pontuar, nenhum momento eu quero que isso aqui se torne uma relação somente entre parentes, tem que ser também uma relação entre governo e parentes. É o papel meu esclarecer o que dentro das minhas atribuições pode ser esclarecido e o papel de vocês de estar me cobrando para que eu justamente siga com essa minha função. Então, só deixar claro em relação ao GT, não é o primeiro fórum de debate que tem questionamento e solicitações de esclarecimento, dentro da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena. Isso já foi feito, já foi pontuado, boa parte, acho que todas as críticas, recomendações e solicitações que apareceram aqui, apareceram no âmbito dessa comissão, a gente fez a reunião com a secretaria, a secretaria explicou todo o processo que foi, para a conjuntura política, como foi feito para a gente compor, desculpa, como foi feito para a gente compor essa portaria, como foi feita a composição e quais são os andamentos dos trabalhos, isso foi acatado, foi reconhecido inclusive o questionamento que o Paulino colocou, que deveria ter sido feito um debate mais amplo. Isso foi reconhecido dentro do Ministério e não à toa inclusive dentro do próprio GT saímos com a perspectiva de que qualquer proposição, qualquer solicitação, recomendação de um documento desse grupo de trabalho, vai ser amplamente divulgado, amplamente debatido, e o Ministério da Educação vai estar o tempo todo atento pra esses fóruns de discussão que vão recomendar, que vão questionar, que vão solicitar, dentre eles quais são as agendas que a gente já fez. O que não elimina a agenda com outros, chamar a APIB pra conversar, pra estar apresentado isso, meu informe agora na CNPI, mas na próxima reunião da CNPI já apresentar esse documento com recomendações, quero frisar essa palavra, recomendação, a própria portaria fala, um grupo de trabalho para realizar estudos sobre a criação, não é nem para criação, é para realizar estudos. É muito perfeita a fala do Dilson, o que esse grupo está fazendo, qual é a demanda de ensino superior, vamos tentar mapear quantos índios estão hoje, indígenas estão hoje no ensino médio e poderão ter uma demanda, qual a quantidade que a gente precisa relacionar de número e professores para cursos específicos, qual a natureza do curso, enfim, toda uma discussão sobre possibilidades que podem ser recomendadas ao Ministério da Educação pra esse debate. Uma vez feito o documento, esse documento vai ser divulgado, não é um documento do tipo definitivo, que dali tem que ser uma proposição a ser acatada, e porque inclusive isso vai passar pelo respaldo e discussão do Movimento Indígena, então deixar esse ponto bem claro. O outro fórum de discussão vai ser com a própria Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena, que já vem debatendo esse ponto, que já se colocou de forma inclusive crítica como o Paulino colocou em relação a composição, mas completamente a favor dos trabalhos desse grupo técnico, quando digo a favor, é justamente de realizar estudos, realizar recomendações, para que o movimento inclusive possa partir desse trabalho, ter mais um embasamento pra pensar essa questão do ensino superior indígena. Então como eu coloquei a APIB, CNPI, CNEEI, Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena, o que não elimina a gente ter outras possibilidades dentro é claro possibilidades da conjuntura que a gente está, final de ano, final de mandato, período eleitoral pra gente também propor outras agendas, isto está super aberto de discussão em relação a esse ponto. A outra questão dos meus 15 minutos que eu tenho, eu tenho só de anotação eu fiz uma página inteira, mas a outra questão foi a que o Lourenço colocou, quer ver eu vou passar apesar dele ter sido um dos últimos a falar, mas me preocupou um pouco Lourenço, é assim, a perspectiva do Ministério da Educação em especial eu digo, conhecimento mesmo estando a pouco tempo, conhecimento que eu tenho visto lá da Coordenação de Educação Escolar Indígena, é um cuidado enorme com transparência de recurso público e de observância com o que está sendo executado ou não, dentro das nossa limitações. A gente já pautou isso, uma equipe pequena para dar conta dessas demandas, então assim, qualquer questionamento que você tenha em relação a um programa, a gente coloca lá na nossa demanda e a gente faz o possível para mapear isso dentro do sistema. Inclusive hoje o Ministério da Educação já tem no próprio site ferramentas que são úteis para as Organizações da Sociedade Civil, principalmente movimento indígena pra estar fazendo esse tipo de controle social, você tem lá os programas, você tem uma aba lá no site do MEC que chama: Ações do Ministério da Educação no seu município, quando você abre ali, vai estar os programas: Mais educação, Dinheiro direto na escola, PNBE Indígena, PNBE temático, e tem lá dizendo quais são os procedimentos que estão, há, o dinheiro foi descentralizado pelo FNDE, o município ainda não prestou conta, o dinheiro ainda não foi depositado, descentralizado, executado por causa disso. Tudo isso está lá muito claro, as pessoas podem a qualquer momento consultar e saber em que etapa em temos da execução orçamentária está ali, e o outro é consulta direta que vocês fazem pra gente. Acho que na última reunião do CNPI, tive essa experiência com o Capitão. O Capitão solicitou as demandas de construção do município dele, a gente fez uma correria e conseguimos já trazer pra ela ponto por ponto, escola por escola o que estava acontecendo, quanto dinheiro foi descentralizado, qual etapa foi executada, qual não foi. Enfim deixar bem claro isso pra você Lourenço, hora que você quiser daqui a já senta, mapeia a demanda que você precisa, a gente vai nos diferentes sistemas que o MEC tem que estão todas aglutinadas no site que chama se MEC, que você pode observar, inclusive um sistema indígena, SIS Indígena, que a gente pode observar quais os programas, alguns programas que estão na Educação Escolar Indígena e ver como que está a execução disso pra gente exercer esse, tanto do governo exercer esse papel de transparência quanto do movimento de realizar esse papel de controle social. Vou roubar água da Saúde aqui, que eu estou com a garganta seca. E, deixar isso não só pro Lourenço, mas pra todos os parentes, porque apareceram as demandas aqui, questão da construção de escolas do estado do Pernambuco, no Maranhão, a questão dos programas para transporte escolar, a gente pode sentar aqui eu faço essas anotações. Eu já fiz isso como o Valcélio , acho que eu já fiz, peguei lá as solicitações sobre construções que ele me solicitou e a gente está aberto pra isso, a gente faz uma listinha, chego lá no Ministério a gente coloca a demanda. Pega o email de vocês, semana que vem a gente posiciona em questão de construção de escola, tá nessa etapa, execução do orçamento, nisso. A outra questão que tem a ver com isso, desculpe, isso aqui é uma questão mais de fundo e acho que a gente tem que aprofundá-la, tanto na Conferência Nacional de Política Indigenista tanto na Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena, é essa relação intergovernamental, principalmente entre os entes federativos, como é que ela se dando em Educação Escolar Indígena. Me preocupa também porque, vou ser muito sincero com vocês gente, eu tenho não só como movimento como Paulinho deixou bem claro, antes de estar no governo me preocupado com isso. Temos política de movimento, temos acadêmicos de estudos mesmo, sobre sistemas federativos, relações intergovernamentais, política de educação escolar indígena, e eu sinceramente não há respostas fáceis, que as vezes também a gente pensa: sistema próprio vai resolver todos os nossos problemas? Vamos federalizar as escolas, nós precisamos dentro dessas conferencias, ai vem tanto as lideranças mais tradicionais, as pessoas das comunidades que sofrem isso na pele, quanto os quadros qualificados do próprio movimento que já discutem isso, professores, gestores, nós precisamos realmente realizar uma avaliação do que é feito, do que não é feito, para inclusive embasar essas propostas que podem sair dessa Conferência. Porque tem problemas com os estados e municípios tem, mas também há também vantagens, alguns estados e municípios que funcionam e entender o que acontece no estado que consegue colocar dinheiro na licenciatura, publicar material didático, fazer ensino médio e construir escolas e outros entes que isso não acontece. Essa resposta inclusive pode ser muito útil pra se a gente for pensar, ou a federalização da escolas ou um sistema próprio das escolas, isso eu acho que gente ainda tem que consolidar e as conferencia vão ser o espaço muito adequado pra fazer isso. Para gente ter de fato uma avaliação diagnostico, avaliação de desempenho do sistema, porque quando a gente fala, é muito interessante, a gente vai, o sistema próprio, ponto, a gente não consegue ainda detalhar isso, vai vir de onde esse dinheiro, quem vai executar, vai ser um subsistema, o MEC coordena ou ele só descentraliza a execução e a decisão política fica com ele ou continua como tá. Ele descentraliza a decisão política que o estado e município podem decidir sobre isso? São perguntas que eu estou colocando de uma forma muito sincera, e são perguntas difíceis pra gente responder. Inclusive talvez numa mudança a gente pode estar prejudicando os locais que estão dando certo, mas pode também melhorar os locais que não estão dando. Então acho que isso, as conferencias, vocês passam adequado pra gente pensar. É uma construção mesmo de engenharia institucional que a gente precisa colocar. Como é que vão ser as relações entre municípios e estados, território etnoeducacional. A gente já tem desde 2009 o decreto, qual a avaliação que a gente tem desse território, o que está dando certo o que não está dando, como está sendo feito, como está sendo desfeito. Isso tudo eu estou colocando de uma forma bem tranquila pra vocês, que é de fato que a gente tem que pensar pra quando construir uma proposta. É claro que essas tecnicidades, governos, quadros qualificados do movimento e da sociedade tem que estar pensando, tem que estar construindo, mas o movimento também de base tem que estar o tempo todo colocando suas demandas. E eu acho super legitimo, tudo tem sido colocado aqui em termos da relação MEC versus FUNAI, MEC versus com os Estados e Municípios, mas a idéia é que a gente aprofunde essa discussão pra gente pensar mesmo em desenhos. Como é que a gente desenha essa política pra ela responder aos nossos anseios? A minha parte sempre foi, antes mesmo de estar em governo, não pautar por um certo radicalismo e termos dos desenhos, eu sou muito com o pé no chão. Acho que a gente tem que pensar muito nisso, é uma estrutura gigantesca de estado que a gente tem, mesmo que a gente crie um sistema próprio a gente ainda está dentro dessa estrutura. Então a gente tem que pensar nisso. Qual a capacidade dos ministérios e dos governos pra darem conta de uma responsabilidade? Eu acho que isso não tem que ser único, em algum momento isso tem que ser compartilhado tanto no âmbito federal FUNAI com Ministério da Educação quanto também nos estados e municípios. É muito difícil a gente pensar num sistema que não envolva minimamente SEDUCs, secretarias estaduais, porque, é inclusive essas questões certificação, construção de escolas, isso a gente tem que pensar, colocar tudo isso no âmbito da união, são perguntas assim muito fortes que a gente tem que construir. Eu creio que já acabou meu tempo, tem mais tempo não né? Enfim, tem outra várias questões que foram colocadas aqui. A gente só deixar isso muito claro: quem vem da rodoviária, do lado esquerdo terceiro ministério, ministério da educação, segundo andar, sala 214, coordenação de educação escolar indígena, está lá aberto, inclusive a gente carente, a gente acha que vocês vão pouco lá, isso é uma opinião minha, gostaria de vê-los mais lá. Participante fala sem microfone. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Isso daí já é outra questão pra pensar esse tema ai, como é que a gente, qual é o espaço de controle do movimento indígena sobre uma instituição que ficaria somente aqui em Brasília, enfim, a gente está lá aberto a qualquer momento para o diálogo, para a gente estar atendendo as demandas, essa é a postura dentro da coordenação de educação escolar indígena, dialogo, construção em conjunto, pé no chão, sinceridade com o movimento indígena, daquilo que a gente faz, daquilo que a gente tem possibilidade de fazer e daquilo que a gente não está dando conta de fazer, é isso que eu queria deixar, e obrigado. Maria Augusta B. Assirati: Obrigada Rafael. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Bom, encerrando essa discussão eu só quero fazer um comentário, vamos lembrar nossa memória, a Coordenação de Educação Escolar Indígena foi criada muitos anos atrás, estou até, não consigo me lembra o tempo que foi, mas há quatro anos atrás. Participante fala sem microfone. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: É tão velho que é então, quatro anos atrás a própria Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena propôs vários GTs para o MEC, eu não sei se o Rafael vai ter a condição de poder apresentar, se for possível né, as atas dessas reuniões e nessas solicitações da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena. Foi proposto várias comissões para serem criadas para trabalhar tecnicamente e politicamente discussões sobre determinadas temáticas que não tinham respostas, uma delas foi a universidade e o ensino médio integrado, ensino médio integrado não, ensino médio regular da educação básica. Eu digo isso com muita propriedade gente, porque há dois anos atrás, dois anos não, uns quatro anos atrás ainda era o Kleber Gesteira o coordenador, a própria gestão solicitou um levantamento sobre o ensino médio no país inteiro. E foi feito esse trabalho, um grupo de trabalho foi criado, inclusive a contratação de alguns consultores, e esse trabalho foi feito pelo MEC na mesma condição que foi feita essa criação desse grupo de trabalho. Dessa consultoria contratada, foi solicitado também esse GT só que o MEC demorou tanto para criar esse GT, que quando cria ai dá toda essa polemica, agora, era isso que eu queria colocar para vocês só em termos de esclarecimento. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Só para deixar claro essas questões, Sabaru, Lindomar e outros que trouxeram essas questões, mas uma vez estou com a página inteira aqui anotada e vou levar pra lá, e só para deixar claro, não é o primeiro momento, isso já está dentro do ministério, esse questionamento já está bem consolidado, não é à toa que foi feito todo um rearranjo de participação ampla, completa do movimento indígena dentro desse grupo de trabalho esse grupo de trabalho, inclusive a agenda dele agora, ela é feita com base nas agendas de reuniões institucionais do movimento indígena, a agenda dele agora é feita com base na agenda do CNPI, com base na agenda da Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena, eles sempre vão se reunir, três a quatro dias antes dessas comissões, pra poder apresentar pra essas comissões como é que estão os andamentos dos trabalhos, justamente vindo dessa mobilização em relação de como é que esta os procedimento, só deixar claro que também vou levar mais uma vez o que foi discutido aqui pra internamente a discussão desse GT. Maria Augusta B. Assirati: Obrigada, também só queria deixar claro que nós não temos representante do grupo, então, eventualmente se alguém que está participando falar em nome da FUNAI, gostaria de deixar registrado que não representa a instituição e não foi designado pela instituição. Bom, obrigada, vamos encerrar esse ponto e vamos falar de PNGAT. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: Guta, logo após o da PNGAT a gente saia para almoçar, tenha só uma hora de almoço e a gente entre na conferência, a questão dos GTs eu sugiro para deixar para o final, eu por exemplo tenho uma reunião 17:30h lá no ministério, então eu gostaria de participar do debate da conferencia. Maria Augusta B. Assirati: Eu pedi para o João da nossa coordenação geral de gestão ambiental vir, Larissa também participa dos nossos trabalhos do comitê gesto da PNGAT, então rapidamente falando que as reuniões do comitê gestor elas estão. Então, as reuniões do comitê gestor estão acontecendo, estão caminhando bem, muitas discussões super importantes, acho que é importante reforçar o espaço do comitê gestor. Para CNPI um espaço que vem sendo bastante importante propositivo e que tem trabalhado muito, a gente precisava avançar em alguns arranjos dentro da FUNAI para dar mais agilidade à implantação da política. E depois de bastante debate, avaliação jurídica, a gente finalmente conseguiu montar. Está pronto para eu assinar, não consegui assinar ainda porque enfim estou aqui, que é a criação da nossa unidade gestora que vai tratar exclusivamente da implantação da Política Nacional Territorial e Ambiental. Então, vai ser um núcleo dentro da FUNAI qual vai tratar exclusivamente desses recursos, recursos externos que venham para implantação da política, recursos orçamentários que eventualmente a gente precise trabalhar de maneira separada com prestação de contas muito focada na política e com profissionais servidores exclusivos para tratar isso. Porque a gente realmente priorizado a implantação dessa política. Então, acho essa mudança que a gente também fez internamente foi uma conquista para instituição e no caminho da implantação da política, considero ela uma vitória que a gente tem que comemorar. Foi difícil, quase um ano tratando das questões mais burocráticas, conseguimos um servidor para isso, e, está pronta. A gente vai passar para esse novo momento, a segunda coisa muita rápida que eu queria falar antes de passar para o João, é que a gente tem sentido, talvez, o MMA também tenha essa avaliação que a Política Nacional Territorial e Ambiental ela está ganhando uma dimensão macro política muito grande para fora. Muita gente tem procurado a gente, acredito que isso também tenha acontecido no MMA, para saber como é que se insere no processo de implantação da política, como é que pode contribuir. E nesse sentido estou falando de órgãos públicos, estou falando de organizações não governamentais, no âmbito interno e no âmbito internacional também. Então tem tido realmente uma proporção política bastante grande nesse processo de implantação da política. Colocado isso eu queria agradecer e parabenizar todo mundo que está sentado aqui nessa mesa, que tem papel importante nesse processo, não só na formulação da política, mas também tem tido na implementação da PNGAT. Então parabéns para nós todos e nos todas que temos feito esse trabalho e vamos ter em mente que esse processo ele é longo, mas ele tem trazido resultados super importantes e tem um potencial de crescer muito. Então, acho que a gente tem que ter isso em mente para não pensar, digamos assim pequeno, temos que pensar PNGAT como uma coisa grande, que vai crescer muito, que vai trazer muitos resultados positivos a despeito de todos os desafios que a gente tem tido que superar, então é isso, João, Obrigada. João Guilherme N. Cruz – CEGAM/FUNAI: Bom dia, boa tarde. Obrigado Guta, obrigado a todo pessoal da CNPI pelo espaço, para gente passar alguns informes. Bom, primeiro, como a Guta já introduziu o tema em relação ao comitê gestor da PNGAT, na reunião se eu não me engano em Abril, Soninha e Sabaru, me corrijam aí se eu não estiver tropeçando nas datas, mas saiu na reunião do comitê diretor a definição da criação de duas câmaras técnicas. Uma para a câmara técnica de ação integrada para implementação da PNGAT e a outra para debater a realização da Conferência Nacional da PNGAT. São dois temas de suma importância e o segundo, inclusive eu acho que a gente tem que começar a construir, a costurar uma maior interlocução entre as duas conferências, porque são dois momentos que estão sendo considerados de suma importância para a política indigenista e para articulação dos órgãos da política indigenista oficial com o movimento indígena. Deixo como sugestão de encaminhamento também que as reuniões da CNPI comecem a incorporar um pouco mais e vice-e-versa. As discussões que estão no âmbito do comitê diretor e nas discussões na conferência nacional da PNGAT. No site da FUNAI, há um link com relação a PNGAT onde tanto no site da FUNAI quanto nesse link que está abrigado no site, tem um boletim muito atualizado dessas discussões, das datas, os cronogramas das reuniões. Então é um canal de acesso, de informação que está sendo muito bem alimentado. Então fica como sugestão para o pessoal se apropriar melhor das discussões que estão no âmbito dessas duas instâncias. Bom, recentemente a comissão, se eu não me engano em meados de Julho agora, a comissão da ação integrada para implementação da PNGAT se reuniu e construiu um cronograma de atuação para elaborar uma matriz de implementação da PNGAT com o comprometimento de órgãos do Estado e do movimento indígena já para tentar incorporar essas ações nos planos por anuais dos ministérios que estão envolvidos diretamente no comitê diretor. Então esse também é uma agenda que já tem uma série de responsabilidades definidas entre esses atores institucionais e até Dezembro esse documento está pronto para começarem as articulações internas nos ministérios para as negociações para o próximo PPA. E a da conferência, Soninha me corrige aí se eu não me engano está prevista para Setembro, a reunião da câmara técnica da conferência da PNGAT. Não obstante, essas discussões estarem a caminho com relação a implementação a gente já vem atuando em algumas atividades que já são implementação da PNGAT. Então o segundo informe está diretamente associado a isso, que é um edital que nós estamos em fase de conclusão, ainda faltam alguns ajustes em termos administrativos, legais e também alguns critérios de seleção que a gente ainda está ajustando mas achamos por bem já comunicar que em torno de 15 dias esse edital já vai estar amplamente divulgado e é um edital com aporte financeiro do fundo clima. Então teve toda uma articulação da FUNAI e principalmente do MMA, internamente do MMA, para fundamentar, para fazer a justificativa desse aporte de recursos ao PNGAT, isso que a Guta citou na fala dela, e a equipe da Larissa, Jane, o Marcio Davi, é uma série de parceiros, colegas que, Rodrigo Augusto, meu colega de universidade, inclusive fiquei muito feliz em saber que ele está integrando a equipe aí. Então, é um edital com aporte financeiro do fundo do clima para elaboração do plano de gestão territorial e ambiental de terras indígenas nos biomas caatinga e cerrado. No caso da caatinga, do Nordeste, melhor dizendo, o edital é para a caatinga, mas no caso do Nordeste nós já temos dois planos de gestão sendo elaborados via projeto GAT, com uma associação indigenista parceira que é a Anaí, Ilha de SÃO Pedro, lá na terra do povo Xocó e entres serras do povo Pancararu. E o entendimento é que os planos de gestão, apesar deles não estarem escritos explicitamente na PNGAT você pode ler ele no decorrer da política. Ele está digamos nas entrelinhas da política. E nós entendemos que são instrumentos importantes para promover as mobilizações das comunidades indígenas, para promover as discussões internas, para promover a celebração dos pactos internos, em torno da sustentabilidade das terras indígenas, dos projetos de vida dos povos indígenas, das suas demandas, do encaminhamento de suas demandas. Enfim, um instrumento, um espaço de diálogo para elaborar projetos de futuro e pensando no bem viver dessas comunidades. Costumamos dizer inclusive que normalmente o PGTA tem uma publicação, um livrinho, mas nós costumamos dizer que o processo é mais importante que o produto. Porque se as vezes você não constrói bem um processo de discussão você tem uma publicação, mas você não tem um plano de gestão. Então inclusive a gente coloca como prerrogativa das comunidades indígenas se publica ou não. Porque as vezes tem situações estratégicas, informações estratégicas que os próprios povos indígenas decidem não divulgar e nós estamos de pleno acordo com eles. Na verdade os planos de gestão estão sendo incorporados enquanto política pública agora, já eram experiências de vários povos indígenas aí pelo país. O edital do fundo clima, então ele foi fundamentado no sentido de articular a PNGAT com a política nacional de mudanças climáticas, entendendo o cerrado e a caatinga sendo dois biomas muito sensíveis a essas mudanças climáticas, e entendendo os PGTAs como processos de discussão para pensar estratégias para diminuir os impactos dessa mudanças. Então ele foi fundamentado nesses termos e foi acatado por todas as instituições e já estamos agora na fase de finalização do edital já para colocar na praça, receber as propostas, analisa-las e iniciar os projetos provavelmente no início de 2015. É um edital direcionado especialmente as associações indígenas, organizações indigenistas, organizações sócio ambientalistas. É claro que a qualidade das propostas e a interface dessas propostas com os critérios de seleção são muito importantes, mas a experiência das instituições que vão apresentar as propostas tanto com a temática do edital, mas principalmente com aqueles povos indígenas com os quais ela está se propondo a trabalhar. É de fundamental importância e tem um peso bem significativo para seleção dos projetos. Então, a gente vai ter todo cuidado, inclusive as representações indígenas também estão previstas de participar da seleção dos projetos para que a gente tenha uma análise bem fina, bem substantiva dessas propostas e não ter ninguém caindo de pára-quedas. Realmente as instituições tem que comprovar aquilo que eles pretendem fazer e isso passar por comprovar que tem experiência com o tema e com conhece aquele povo e tem uma articulação prévia com aquele povo para fazer o projeto. Os projetos podem ser para mais de uma terra indígena, inclusive pegando os dois biomas. Uma instituição pode apresentar um projeto para caatinga e para o cerrado. E eles podem também ser uma etapa ou todas as etapas de um plano de gestão. A FUNAI recentemente publicou, tem um livrinho chamado “Orientações para elaboração de planos de gestão territorial e ambiental de terras indígenas” e ali a gente meio que pegou as experiências que os índios já vinham fazendo e meio que dividiu em etapas. Então, o plano de gestão a gente entende mais ou menos como dividido em cinco etapas, quatro etapas de sensibilização e mobilização, de diagnóstico; a sensibilização é quando você reúne, explica mais ou menos o que é um plano de gestão, apresenta exemplos, debate com as comunidades se aquilo é pertinente para eles ou não, então é a sensibilização. Uma etapa de diagnóstico que muitos vocês conhecem bastante essa ferramenta, que normalmente são os etnomapeamentos, ou os diagnóstico etnoambientais, enfim, é a etapa de fazer o retrato da situação para planejar ações futuras que seria a terceira etapa que normalmente são os etnozoneamentos. Então isso é só um resumo para dizer que o projeto ele pode ser um projeto de etnomapeamento da terra indígena “X”, mas ele pode ser também o etnomapeamento e o etnozoneamento. Então, isso vai estar bem descrito no edital, é só para informar que ele comtempla uma de suas etapas ou todas as etapas de um TGTA e isso vai depender, mais uma vez repito, da qualidade da proposta, se ele estiver bem fundamentada ela tem grande chance de ser contemplada. O aporte de recursos ainda não é o desejável, mas é uma experiência piloto nossa, então a perspectiva é de que a gente amplie, mas o aporte atual é de 2.800.00,00 para projetos nos dois biomas. Bom, o resumão é isso. Um terceiro informe também como já ação de implementação da PNGAT é que nós estamos já em execução um programa de formação na PNGAT em cinco turmas pelo país. Nós temos tanto os planos de gestão quanto a formação e a PNGAT são metas de PPA compartilhadas entre FUNAI e Ministério do Maio Ambiente. Então, no caso aqui de cursos de formação os ICMBio e o MMA lideram uma turma para os povos indígenas do Sul e do Sudeste, já ocorreram três módulos, faltam dois módulos, o curso acontece no Centro de Formação do ICMBio que é a ACADEBIO que fica perto do Município de Peró em São Paulo. A FUNAI ficou responsável por coordenar duas turmas, uma para o Nordeste, que nós estamos executando, já fizemos o primeiro módulo em Petrolândia, no sertão Pernambucano e o segundo módulo está sendo previsto agora para 18 a 23 de Agosto na Bahia da Traição. Por isso Capitão, depois eu queria conversar com o senhor, já queria convidá-lo para integrar a mesa de abertura do curso que vai ser no Campus da Universidade Federal da Paraíba lá em Imamanguape. Participante fala sem microfone. João Guilherme N. Cruz – CEGAM/FUNAI: 18 a 23 de Agosto. É um módulo itinerante e é um fruto da parceria com a APOIME. Nós tivemos uma série de reuniões com a APOIME no ano passado e iniciamos o curso nesse ano. E três turmas na Amazônia que são coordenadas por uma ONG que é parceira nossa, com quem nós temos um termo de cooperação técnica que é o Instituto de Educação do Brasil (IEB). Então, eles coordenam três turmas. Rondônia, Roraima, e sul do Amazonas. Os cursos eles tem praticamente o mesmo desenho, eles totalizam 200 horas em 5 módulos, intercalados por pesquisas entre os módulos pelos próprios cursistas, são formados por turmas mistas, são representações indígenas e servidores públicos, principalmente da FUNAI e do ICMBio e cada região dessas a gente elabora uma oficina de modelagem do curso, onde a gente pega o desenho geral dele e faz uma oficina de dois dias com as pessoas daquela região para adequar esses conteúdos a realidade local, não ficar um curso de cima para baixo, mas um curso construído com as pessoas que são beneficiárias dele. Então, são esses três informes. A FUNAI também ficou responsável por abrir uma turma para o cerrado. Nesse momento está tendo a reunião com lideranças e associações indígenas e alguns parceiros previamente identificados para debater esse curso, para ver se a gente faz mesmo e já para programar uma oficina de modelagem para compor uma turma para o cerrado, que certamente começará no ano que vem. Esse ano a gente não tem mais tempo hábil de iniciar o curso propriamente. Mas para o ano que vem certamente também vai ter uma turma aberta para o cerrado. São esses três informes que eu queria passar. Então é isso. É uma iniciativa que tem apoio do GAT. É um processo que foi construído pela FUNAI e MMA mas com apoio do projeto GAT e em cada turma dessas a gente tem um arranjo e parcerias diferentes. No caso do Nordeste é com a APOIME, a SEMAS (Secretaria de Estado e Meio Ambiente Sustentabilidade) de Pernambuco também apóia um pouco, no caso do Sul e Sudeste uma parceria com a ARPIN SUL que é parte da comissão organizadora, e nas Amazônicas as associações locais que são várias. São esses três informes. Larissa, pode complementar. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: Só para complementar, que já estão agendadas as oficinas de divulgação e informação do edital do Fundo Amazonas o tal de 70 milhões, uma em Manaus e outra em Belém. Inclusive a de Manaus está com 60 inscritos e a de Belém com 27. Eu tenho as datas ali, depois eu posso passar. João Guilherme N. Cruz – CEGAM/FUNAI: É 5 e 6 a de Belém e, 7 e 8 a de Manaus e, 29 e 30 acabou de acontecer em Rio Branco. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: E só para falar, complementar o que ele falou dos PGTAs. A gente apresentou a experiência na SEPIRI para as lideranças dos territórios quilombolas. Então eles já pediram que a partir de 2015 a gente inicie então o processo de modelagem de PGTAs em terras quilombolas. Participante falou sem microfone. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: João, eu queria justamente convidar, fazer uma sugestão que a subcomissão de ética e desenvolvimento fosse possível se fazer presente a esse evento lá na Paraíba. Ia ser muito gratificante para a comunidade nesse curso. O que se está se debatendo aqui dentro da comissão e eu acho que era de grande importância levar essa subcomissão de ética e desenvolvimento para o curso. Está bom. Maria Augusta B. Assirati - Presidente: Então está bom gente, vamos almoçar. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: ...Três e a desistência a revogar aquela porcaria né? Se o... acho a gente tem que saber é se está é dialogando com o governo ou a CONJUR. Se o diálogo e o entendimento estabelecido diálogo por mediação da CNPI e dos povos indígenas do estado brasileiro, e a perspectiva colocada é a descolonização da relação do estado com os povos indígena, pelo amor de Deus o governo tem que entender, em primeiro lugar ir nos inícios, nas origens da CNPI. Não tive tempo de ligar meu computador para resgatar o decreto de criação da CNPI. Mas quem indicou as lideranças que estão aqui foram as organizações indígenas. Se isso não ficou constado no regimento interno da CNPI foi uma falha. Mas que nós viramos dias e noite, queimando as pestanas para poder determinar quem que vem e quem que não vem, o único caso que nós não tivemos incidência foi no caso de sudeste que foi indicado pela FUNAI. E centro-oeste. Mas o resto teve sim ampla participação e até hoje há sete anos as lideranças indicadas até o momento estão aqui. Segunda questão que ia dizer é que acho que o governo tem que se entender internamente. Se o que o Daniel disse ontem não é posição do governo então, vamos ter que questionar todo o resto. Porque o decreto da Política Nacional e do Sistema Nacional de Participação Social no artigo I, no caput do artigo I diz que a política de participação social tem o objetivo de fortalecer a articulação dos mecanismos e as instancias democrática de diálogo e atuação conjunta entre a administração pública federal e a sociedade civil. Inciso I do artigo II: entenda-se como sociedade civil o cidadão, os coletivos, os movimentos sociais, institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e suas organizações. Então, estamos falando da rearticulação, do redimensionamento da relação do estado e considere-se também os novos marcos legais que estão surgindo. Senão isso aqui também não vale. Pelo amor de Deus eu acho que o desafio, pena que o Marcelo e o MJ não está aqui, mas o desafio é que o governo brasileiro, nesse caso é o governo, tem que repensar sua posição com os povos indígenas, senão vai piorar o que já está aí. Acaba sendo, uma postura de governo acaba se constituindo uma postura e uma política de estado. E não queremos isso. Queremos dar fim a isso. Essa é a perspectiva colocada. Seria bom e se tiver como regatar aí o decreto e o regimento interno da CNPI e depois eu posso intervir ainda um pouquinho. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada gente. Vamos então para a gente superar isso, tentar encaminhar da seguinte forma. Essa é uma questão formal e que não vai nos trazer problema futuro. Acho que o que a Teresinha suscita é importante porque quem vai assinar a portaria nomeando a comissão é o Ministro e, provavelmente vai chegar essa posição da consultoria jurídica dele para ele, eu acho que a gente se mune desse debate que foi feito aqui. Nós da FUNAI vamos consultar nossa procuradoria e levamos para ele também essa posição de que as organizações que compõe a Comissão Nacional de Política Indigenista poderiam então indicar os membros para a comissão organizadora. Fala Marquinhos. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Presidenta, Marcos Xucuru da região Nordeste-Leste. Eu só queria entender e infelizmente o nosso amigo, diria que amigo, não sei se tão amigo, Marcelo Veiga não está aqui. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: A Maria Eduarda do MJ está aqui. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Maria Eduarda. Então, é importante você ouvir e que possa nos dar resposta em relação a isso. Qual prejuízo que se tem e o entendimento que a bancada indígena de fazer e que as organizações têm a participação, a ampla participação até porque nós queremos cada vez mais democratizar a participação e temos essa unidade dentro desse processo, e dentro dessa perspectiva que o nosso companheiro tem tido nesse processo de descolonizar, eu não sei qual é o prejuízo até para fazer essa consulta, se pode ou não pode a indicação. Então, eu queria entender exatamente do Marcelo quais as intenções reais em relação a isso. Porque? O que está por trás de tudo isso? É preciso entender a posição do Ministério e do próprio Marcelo, de repente. Como foi ele que fez ou se você tem condições de responder isso. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Marcos. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Boa tarde. Meu nome é Maria Eduarda e estou aqui como representante da SAL e substituta do Marcelo. Na verdade, como agente, o decreto acabou de sair a gente tinha o entendimento do GT anterior que a Conferência seria sim composta pelos membros da Comissão Nacional de Política Indigenista, da CNPI. Não havia sido passado uma demanda de que outros órgãos seriam, haveria outros órgãos também participando dessa comissão. Mas eu acho que não estamos fechados e a gente pode fazer uma análise, porque necessariamente a gente teria que alterar o decreto. Maria Augusta Assirati - Presidente: Maria Eduarda acho que não é isso. Não está se pleiteando a entrada de outros órgãos. Aliás, eu não sei porque eu não estava no debate ontem e Teresinha só nos esclareça: chegou a se discutir a perspectiva de inclusão de outros órgãos de governo? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Não. Maria Augusta Assirati - Presidente: Então, a questão é trazida pela bancada indígena. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Foi retirado o MAPA. Pelo que a gente havia acordado ontem para ficar paritário. Não é isso? Maria Augusta Assirati - Presidente: Perfeito. Então, ninguém está colocando e nem a comissão está discutindo a entrada de outros órgãos, mas representantes diferentes das organizações que já compõe a CNPI. Por exemplo, teria a entrada do Marcos Sabaru que não é membro e que é de uma organização que já compõe a CNPI. A Sonia da COIAB. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Talvez uma solução jurídica que seja mais fácil e que a gente pode pensar em fazer é a alteração da portaria. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: A portaria dos membros da CNPI. Alterar porque a composição dos membros da CNPI é feita por meio de portaria. Portaria é um ato interno mais... Maria Augusta Assirati - Presidente: Acho que não é o caso. Participante fala sem microfone. Maria Augusta Assirati - Presidente: Não é o caso não. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Mas os nomes das pessoas que estão na CNPI são feitas por portarias, então, a gente poderia pensar em uma saída talvez jurídica de alterar os nomes que estão na portaria. Isso não atende? Maria Augusta Assirati - Presidente: Atende, mas acho que não é necessário esse esforço grande. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Marcos Xucuru. Não atende Presidenta, não atende até porque as indicações dos representantes, porque as indicações dos representantes aqui CNPI foi e passou pelo um processo longo de eleição e não sei o que. Então, como vai alterar os nomes dessas pessoas se não passou pelo um processo de eleição. Então, está entendendo? Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Entendi. Maria Augusta Assirati - Presidente: Vamos tentar fazer o debate de forma muito racional. O que o dispositivo diz é que a realização da Conferência será coordenada pelo Ministério da Justiça e Fundação Nacional do Índio, e organizada em conjunto com os representantes dos povos indígenas e com os demais órgãos e entidades governamentais e não governamentais que compõe a Comissão Nacional de Política Indigenista. O dispositivo diz o seguinte: que a organização vai ser em participação com os representantes dos povos indígenas, com órgãos e entidades não governamentais e governamentais que compõe a CNPI, mas não estabelece necessariamente que a comissão organizadora vai ter que ter os mesmos membros. Então, particularmente não estou vendo tanta dificuldade da gente avançar nosso. Mas acho que a Maria Eduarda pode nos ajudar nessa compreensão e nesse debate e internalizar inclusive dentro do Ministério da Justiça por estar presente aqui com a gente e, por ter a importância de participar pela Secretaria de Assuntos Legislativos, que tem um... Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Se há algum problema com a CONJUR eu me comprometo a de fato conversar com a CONJUR e ver a possibilidade de incluir outros representantes que estão aqui na CNPI para colocar na comissão organizadora. Eu não sabia que isso era um problema e imaginei que talvez fosse mais fácil fazer por portaria. Se vocês quiserem deixar de uma maneira registrada e legalizada, mas eu também pela leitura do dispositivo não vejo tão problemático que outros participem, que outros que já compõe a CNPI participem da comissão organizadora. Mas me comprometo aqui a checar com a CONJUR e a trabalhar com eles nesse sentido de atender o pedido de vocês. Maria Augusta Assirati - Presidente: Só para você saber Maria Eduarda, são duas pessoas que a bancada indígena está propondo. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: São mais pessoas. São cinco. Maria Augusta Assirati - Presidente: Que não estão na CNPI. Cinco que não são membros da CNPI. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Deixa eu aclarar mais uma coisa Guta? Toda bancada que faz parte da região nordeste, todos os representantes que estão aqui, todos são ligados à APOINME, todos da região amazônica estão ligados à COIAB, quem é da região sul é ligado à APINSUL. Quem é da região sudeste é ligado à APINSUDESTE. São as entidades, são as organizações indígenas que eles representam aqui dentro. Então, não seria inclusão de outras organizações indígenas, mas as que já estão aqui com as pessoas designadas em Assembléia para comporem representando as organizações indígenas. Seria mais fácil para você explicar dessa forma para a CONJUR. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Entendi. Maria Augusta Assirati - Presidente: E também podemos fazer uma reunião conjunta, ouvir a CONJUR, a nossa procuradoria em conjunto, da FUNAI. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Eu só tinha aventada essa solução jurídica anterior porque eu achei que fosse apenas uma substituição. Mas se não é tudo bem. De fato se já há um posicionamento da CONJUR e do MJ eu me comprometo a ir pessoalmente marcar uma reunião e conversar para a gente mudar o entendimento acerca disso e atender a demanda de vocês de participação desses cinco representantes que não estão aqui, mas que querem participar da comissão organizadora da Conferência. Combinado? Maria Augusta Assirati - Presidente: Então vamos trabalhar hoje com a perspectiva da comissão como foi proposta: governo e bancada indígena. Ok? Maria Augusta Assirati - Presidente: Ok Teresinha.Fala como vai ser. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: A proposta de ontem ela fica de seis da bancada indígena, cinco da APIB do qual foi indicado a primeira e faltam indicar as outras quatro, que é a Sonia e duas indigenistas que são as que estão conosco na CNPI: CIMI e CTI. É isso? Confirma? E eu acho que Maria Eduarda, nos colocar à disposição com a Secretaria Executiva e com a Presidência da FUNAI para ir com você na CONJUR para a gente defender isso. Ok. Lindomar mantém a palavra ou retira? Era isso mesmo? Ok. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Mas desculpa, só uma dúvida conceitual da reunião de ontem em que a gente tinha colocado que a APIB seriam cinco representantes, mas esses cinco representantes não foram listados ou já foram? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Só uma. Eles vão escolher e nos encaminhar posteriormente. Participante fala sem microfone. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Só para saber se teria uma lista para já levar uma lista dos nomes. Maria Augusta Assirati - Presidente: Vamos definir isso agora não é isso? Paulino. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Só para dizer que a indicação dos cinco representando as organizações, além de sua bancada aqui, não é uma questão como eu coloquei e foi colocado por algumas pessoas aqui, é pela lógica e a perspectiva prevista para realização das Assembléias locais e das regionais. Porque nós temos uma experiência para quem chegou, tem que lembrar que nós já fizemos a experiência de estatuto, experiência da PNGATI e só pouco se realiza esses eventos lá na ponta com participação massiva, porque as organizações regionais se envolveram articulando, puxando junto com o governo na época, o GT interministerial da PNGATI senão não teria acontecido. Só para sentar isso como esclarecimento. Maria Augusta Assirati - Presidente: Mas já tem uma proposta dos nomes? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Tem a proposta do nome da Sonia. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Eu sei que vocês propuseram ontem os 25 representantes não é isso? Será que... 26. Será que talvez não fosse melhor fechar no 27 e não excluir o Mapa? Participante fala sem microfone. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Mapa não é na comissão organizadora e sim seria para o seminário de formação. Maria Augusta Assirati - Presidente: Teresinha, lê quem está na comissão. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Vamos lá. O Mapa foi excluído não da comissão organizadora e sim do seminário de formação. Certo? Da comissão organizadora seriam 26 pessoas. Os doze do governo são: Ministério do Meio Ambiente, Ministério... enfim, todos que compõe a CNPI, que tem assento na CNPI. Esses seriam os doze, os órgãos e não tem os nomes. Ficou definido que nós Guta, como Secretaria Executiva oficiaríamos os ministros para que eles ratificassem os nomes dos representantes que estão aqui para a comissão organizadora, ou retificassem e indicassem outros nomes. Isso ficou definido ainda ontem que seria dessa forma. E então, os doze são os doze ministérios que tem assento na CNPI mais FUNAI. Maria Augusta Assirati - Presidente: Isso que está colocando, inclusive a gente tem que pensar e também levar para essa reunião com a CONJUR. Porque o governo eventualmente poderia indicar representantes que não são os membros da CNPI para representar o órgão. Tem que ter essa paridade. Então, ou seja... a paridade de forma de indicação dos representantes. Então, eu não estou vendo muito problema do nome do representante. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Eu também acho que não. Sinceramente, inicialmente eu não vejo também muito problema. Mas se de fato já há um posicionamento da CONJUR e do MJ a gente vai ter que conversar. Eu não posso firmar um compromisso se a CONJUR já tem um posicionamento aparentemente contrário. Mas de fato me comprometo a conversar. Eu também não enxergo pela leitura do dispositivo como algo seja vedado que outros nomes participem, mas que seja sim da CNPI. Maria Augusta Assirati - Presidente: Exato. Os órgãos e a as organizações. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Sim. Maria Augusta Assirati - Presidente: Perfeito. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: Eu quero fazer uma fala sobre uma ata. Vocês sabem que a Conab é uma instituição do Mapa e hoje a Conab é responsável pela operação do PA e PGPM-Bio, que são consideradas para as populações tradicionais e imagino que para as populações indígenas também. As duas principais políticas de mercado institucionais deste governo. Eu sei que é aquilo que eu digo, o governo não é monolítico. É importante a Conab participar em função do PA e eu não sei se as aldeias estão acessando o PA. E como na pauta dos movimentos da secretaria Geral sempre são colocadas como políticas a serem aprofundadas e ampliadas, talvez não o Mapa mas colocar a Conab neste processo. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Lembrando que o Mapa foi colocado para ser também chamado em função de que quando, na nossa proposta de criação do Conselho Nacional de Política Indigenista, o Mapa era um dos Ministérios que faria parte sim do CNPI. Inclusive no projeto de lei que foi para o Congresso tínhamos incluído o Mapa. Aqui estava incluído para esse momento todos os ministérios e farão no futuro dentro do Conselho. Por isso o Mapa foi incluído também. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: E também acho que atualmente uma das pautas de muito importância para vocês é o patrimônio genético e a questão da agrobiodiversidade. Excluir um órgão que cuida dessa pauta é correr o risco de não criar um diálogo com um órgão muito importante e com uma pauta muito importante para vocês. É o MMA que cuida do patrimônio genético junto com MCT e MDIC e a agrobiodiversidade é o Mapa. Maria Augusta Assirati - Presidente: Eu estou sugerindo que a gente trabalhe hoje na perspectiva do que? De que quem compõe a comissão organizadora da Conferência nacional são os membros das bancadas indígenas, indigenista e governamental da CNPI. Os nomes evidentemente que a gente está trabalhando de ter uma flexibilidade na designação de cada representante. Dessa comissão organizadora que é uma comissão grande e já discutimos isso várias vezes, vai ter que ser tirada de dentro desses representantes uma comissão executiva. Essa comissão executiva que vai ter as atribuições especificas que o regimento vai definir de ficar responsável pela edição do texto base, pela organização do regimento interno. Enfim, essa comissão executiva é uma comissão que vai estar durante todo o tempo da Conferência responsável por uma série de ações da Conferência. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Que é quem vai colocar a mão na massa. Maria Augusta Assirati - Presidente: Exato. Na verdade todo mundo vai pôr, mas a executiva é mais, é uma responsabilidade imediata digamos assim. E ela vai sair de dentro da comissão organizadora. Isso é que a gente estava em dúvida aqui: se tinha que ser dentro ou se podia outra comissão exterior à comissão organizadora e, as meninas estão informando aqui e o Elmir talvez possa reafirmar isso para a gente, que a SG orientou que fosse tirada da comissão organizadora. Dentre os 26. Dentro desses 26 vai sair um grupo menor. Seis ou oito pessoas é a sugestão do Elmir. A Larissa também está concordando. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: O pessoal da SESAI também. Maria Augusta Assirati - Presidente: E quatro representantes indígenas. Essa comissão não exige a necessidade absoluta se ser paritária, embora seja bom ser paritária porque ela não é uma comissão deliberativa, ela é uma comissão executiva. Se tiver algum tipo de... Participante fala sem microfone. Maria Augusta Assirati - Presidente: exato. Quem está mais próximo e que pode estar aqui em Brasília. É isso. Dúvidas em relação a isso? Elmir Secretaria-Geral da PR: Muito bom não foi? O que a gente comentou...Elmir da Secretaria Geral, o que a gente comentou aqui é em relação à presença do Mapa e da Conab. Talvez fosse interessante nominar a Conab diretamente sem citar o Mapa, já que há uma diferença. Porque é um parceiro super importante na execução de diversas políticas de suprimento no interior. E é de longa data um debate dentro do governo se a Conab deveria na realidade ser subordinada ao Ministério do Desenvolvimento Agrário ou permanecer no Mapa. É isso. Seria a sugestão seria de nominar a Conab. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Eu não sei. Me parece um pouco estranho nominar um órgão subordinado ao Ministério. Seria melhor nomear o Ministério e depois que a indicação seja da pessoa da Conab. Mas eu acho que é melhor colocar o Ministério até para criar um padrão diferente. Se todos são indicações do Ministério, é melhor colocar a indicação do Ministério direto. Elmir Secretaria-Geral da PR: Em todo caso fica inviável excluir o Mapa. Isso fica inviável. Maria Augusta Assirati - Presidente: Com certeza. Só lembrado e já vou te passar a palavra Marcos, que essa discussão do Mapa é para participação no seminário. Não estamos falando disso para a comissão de organização. Vai lá Marcos. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Eu justamente isso que a presidenta acaba de dizer. Eu ia falar nesse sentido. A gente está definindo a comissão organizadora. Sim. Essa questão do Mapa é para o seminário. O processo aqui de formação e eu acho que a própria comissão pode fazer um debate posteriormente, uma vez formada a comissão e escolhida, posteriormente pode deliberar sobre o assunto e chegar a um entendimento a esse processo. o nosso entendimento nesse exato momento é que não. Essa é uma posição da bancada que acha que não tem aí o contribuir nesse aspecto desse primeiro momento do seminário de formação, mas a comissão criada, a comissão organizadora terá tempo de novamente se for o caso, vir a debater sobre o assunto. Para a gente não se ater a esse momento aqui nesse ponto especifico que o seminário ainda se organizar ainda. Participante fala sem microfone. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Comissão organizadora ficou então os 12 ministérios. Vamos lá: Ministério da Justiça, Secretaria Geral da Presidência, Casa Civil, MMA, Saúde, Educação, MPOG, MDA, MDS, Defesa, GSI e falta um, Minas e Energia. Deu doze. A FUNAI é a décima terceira. A FUNAI é decima terceira. A FUNAI é membro sim. São 12. Vejam bem, o decreto Presidêncial quando criou a CNPI disse o seguinte: são dois do MJ sendo um do MJ e um da FUNAI. Maria Augusta Assirati - Presidente: Mas cadê que nunca aparece... Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: É o seu cargo. Maria Augusta Assirati - Presidente: Ah eu presido e não sou membro. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Vamos pegar o decreto e é membro sim Guta. A FUNAI que presidirá... só um pouquinho, deixa eu ver aqui. Capitulo 2º do regimento interno da CNPI. Organização e funcionamento. Artigo II – A CNPI será composta da seguinte forma: dois representantes do Ministério da Justiça sendo um da Fundação Nacional do Índio que a presidirá. São duas vagas, uma do MJ. E outra da FUNAI que também é ligada ao MJ. Agora eu tenho a listagem aqui. Vamos lá então: MJ, FUNAI, Casa Civil, Secretaria Geral da Presidência, Gabinete de Segurança Institucional, Ministério das Minas e Energia, Ministério da Saúde, Ministério da Educação, Ministério do Meio Ambiente, Ministério do Desenvolvimento Agrário, Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Ministério da Defesa e Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão. Bancada indígena e indigenista: Chiquinha. Pela bancada indígena Chiquinha, Rosa, Simone, Elcio Manchineri, Titiah, Valcélio . Agora vem pela APIB: Sonia Guajajara e mais quatro nomes a indicar. Indigenistas Daniel e Saulo Feitosa. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: Teresinha, eu tenho uma dúvida. Todos os ministérios obrigatoriamente têm que estar na comissão organizadora? Larissa - Ministério do Meio Ambiente: Eu preciso consultar e eu não possa dar essa resposta hoje em nome do MMA. Eu preciso consultar o gabinete da minha ministra. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Lembrando que ainda não foi consultado, nenhum Ministério foi consultado. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: Indicado e a pessoa parte do pressuposto. Uma coisa sou eu e eu represento uma instituição. Vai ter uma consulta formal aos ministérios? Maria Augusta Assirati - Presidente: Vai. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Para ver se ratifica o nome de vocês que estão aqui representando. Que já estão no Diário Oficial compondo a CNPI, ou se indica outro nome do Ministério. Ou se não tiver interesse vai ter que se manifestar que não há interesse em participar da comissão organizadora, e que normalmente isso não acontece. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: O que eu fui orientada, é que estamos com foco total na PNGATI. Há outros ministérios com foco total na CNPI. E para não ficar todo mundo fazendo tudo e não fazendo nada, é bom manter o foco. Aqueles que de fato vão organizar vão organizar as conferências da CNPI e os que de fato vão organizar as conferências da PNGATI. Eu até externei isso ontem para a Guta, porque senão a gente fica dividido e faz tudo pela metade. Às vezes é bom dar uma... Maria Augusta Assirati - Presidente: Só lembrando que quem está na comissão organizadora não necessariamente vai compor a executiva. Então, estar na comissão organizadora vai nos impor um conjunto de responsabilidade como socializar materiais do Ministério sobre a política de meio ambiente, fazer discussão do que a CNPI já discute. Talvez nessa perspectiva seja tranquilo de conciliar não é Larissa? Larissa - Ministério do Meio Ambiente: É. porque de fato a gente fez a opção de participar mais fortemente na PNGATI e na comissão executivo com certeza não temos condição de participar. Mas a organizadora se é, que sejam claras as atribuições. Maria Augusta Assirati - Presidente: Isso. É o regimento vai ter que prever isso. Enfim, então a gente tinha uma resolução, eu acho que nesse sentido do que a gente está conversando aqui hoje. De que a comissão seja composta por estes membros, os órgãos e, as organizações. Que a Secretaria Executiva da CNPI, a CNPI, a Presidência ou a Secretaria Executiva vão realizar uma consulta formal a cada um dos órgãos e organizações componentes da CNPI para indicação dos nomes. E faremos isso posteriormente à conversa que teremos com a consultoria jurídica do Ministério. Podemos aprovar uma resolução nesse sentido? É importante ter uma resolução para respaldo dos próximos passos que a gente vai trilhar. O que vocês acham? Está todo mundo em um silencio hoje. Sexta-feira. Querem um tempo para pensar nisso? Não? Acordo? Então, resolução. Então, vamos. Alguém já... Quer falar fala no microfone. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: Eu estou falando que dependendo da resposta que vamos ter da consultoria jurídica tanto da FUNAI quanto do MJ, se mandarmos a consulta para os ministérios pedindo para indicarem seus representantes, da mesma forma vamos mandar a consulta para as organizações que vocês representam para indicarem. Para a gente ter uma padronização nessa consulta. Vamos no caso mandar para as organizações locais. Da região amazônica, região nordeste leste e como está. Entendeu? Quando fizer essa consulta aos órgãos já fazer sobre a comissão executiva concomitantemente para acelerar o processo. Maria Augusta Assirati - Presidente: Mas não era bom a comissão organizadora tirar a executiva? Acho que sim. Maria Augusta Assirati - Presidente: A comissão resolve. Larissa - Ministério do Meio Ambiente: Ela tem autonomia. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Quem vai ser colocado na portaria. O ministro vai editar uma portaria com o nome da organizadora e a comissão define quem vai ser a comissão executiva. Aí não precisa ser portaria. É interno. Maria Augusta Assirati - Presidente: Maria Eduarda que falar? Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Era a mesma dúvida que a Larissa tinha. Se de fato a gente já indicava de pronto e solicitar para indicar a comissão executiva ou não. Ou se a organizadora é que depois deliberaria sobre. Acho que fica melhor assim, a comissão organizadora delibera sobre a executiva. Maria Augusta Assirati - Presidente: E a gente faz isto constar da resolução de hoje. E prazos não é gente? Quando a gente pode já realizar a primeira reunião? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Enquanto o pessoal pensa em um prazo, o Rafael pediu a palavra e a gente não viu. Maria Augusta Assirati - Presidente: Desculpe Rafael. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Compartilhar a mesma posição da colega que acho que quanto a comissão organizadora não vai ter nenhum impedimento. Inclusive acho importante o MEC participe justamente por causa das Conferência. Mas realmente para a comissão executiva, mesmo sabendo que vai ser definido depois pela comissão organizadora, creio que a posição que dificilmente devido a Conferência Nacional de Educação Escolar Indígena o MEC vai poder participar por uma questão de limitação física inclusive de estar em duas conferências. Mas em relação à comissão organizadora creio que não há nenhum impedimento. A gente apóia a indicação e a consulta agora. Maria Augusta Assirati - Presidente: Eu só queria para o nosso, para o governo, para os nossos companheiros que estão aqui. O MEC, enfim, acho que o MEC que nem tanto, mas a Saúde era bastante importante que estivesse na comissão executiva. E a Secretaria Geral para ajudar realmente em toda essa organização. Vocês têm uma experiência. Participante fala sem microfone. Maria Augusta Assirati - Presidente: Isso. Exato, vai nos ajudar a organizar tanto a interlocução com os indígenas que estão na ponta, a organização, contribuir na definição da parte de logística. E a Secretaria Geral com essa parte de metodologia e tudo mais é bem importante que esteja presente. A Larissa está sugerindo o MDS também. Participante fala sem microfone. Maria Augusta Assirati - Presidente: Perfeito. Mais alguma colocação em relação às composições aí? Vamos já pensar então nos prazos da gente se reunir? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Deixa eu ser um pouco chata? Nós falamos até agora da comissão organizadora da conferência. Temos que pensar também no seminário do qual a Presidente já está vendo a questão de calendário. E eu estava fazendo o cálculo aqui, a bancada indigenista propõe 25 indígenas da CNPI, 46 indígenas da APIB e organizações indígenas e 2 indigenistas. Somando 73 da bancada indígena e indigenista. É isso que está no documento certo? Eu somei e foi sugerido essa história de retirar o Mapa para dar paridade. Eu somei aqui pela bancada governamental são 72 com o Mapa junto. Houve alguma mudança?... seria assim: o que tínhamos visto é que seriam 13 representantes governamentais da CNPI, 2 representantes da Secretaria Executiva da CNPI, 37 coordenações regionais da FUNAI, coordenadores regionais da FUNAI, 12 servidores da FUNAI sede e 8 representantes do governo que estão na CNPI: MinC, STH, SEPIR, Cidades, Mapa, Aquicultura e Pesca, relações exteriores, Trabalho e Emprego. Isso dá um total de 72. Na verdade não ficou, ficou com 2 a mais. Daria 72. Será que estou mal de matemática? 72. Maria Augusta Assirati - Presidente: Pessoal, só assim, de novo vamos tentar manter o foco. Eu acho que a comissão organizadora pode fazer essa discussão também. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Eu acho que a comissão ela teria inclusive essas atribuições posteriormente sabe. E a gente seminário, regimento, faze enfim, todas as outras discussões. Maria Augusta Assirati - Presidente: Eu acho que o que a gente tem que pensar aqui, isso e as atribuições da comissão e já um calendário inicial para começar a trabalhar a comissão organizadora. Não é isso? Ótimo. Quer falar sobre essa história de números e tal? Lucia Alberta - FUNAI: Eu só queria fazer uma reflexão com vocês com relação aos números. Sou Lucia da FUNAI e não sou membro da CNPI. Ontem teve uma fala aqui do Daniel da SG com relação à questão da paridade na última etapa da Conferência. Vocês lembram disso não é? E pensando um pouco que queremos fazer algo diferente, vamos ter 2 mil membros. Eu estou mais para frente para voltar para o início, para o seminário certo? 2 mil membros na final. Hoje é o que estamos discutindo. 2 mil participantes. Desculpe. E aí se nós formos discutir paridade teríamos mil representantes do governo e mil representantes indígenas. E a reflexão é a seguinte e ontem deveríamos ter começado a sociedade civil, as organizações indigenistas entram onde? Primeira pergunta. E quando a gente veio para o seminário, que vai ser nosso exercício para essa conferência maior, nós estamos propondo 150 participantes. Não é isso Teresinha. 150 participantes. Então, o seminário vai ser esse espaço de formação para gente ir fazendo exercício para a Conferência. Então, se são 150 hoje vocês estão propondo 72 membros já incorporando as duas organizações indigenistas, não é isto? E a pergunta essa: essas organizações da sociedade civil indigenistas, elas não poderiam entrar em um cálculo diferente da divisão dos indígenas e do governo? Porque vão participar desse seminário de formação somente as duas organizações que fazem parte aqui como membros da CNPI, ou vocês querem ou vamos convidar outros órgãos que também tem bastante experiência com o trabalho indigenista, outras ONGs. Só para a gente ir refletindo. Claro que a comissão organizadora vai ter essa responsabilidade de organizar uma proposta e tal, mas eu acho que como vocês trouxeram os números incorporando já o CTI e o CIMI, só para a gente refletir sobre isso. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Vamos lá. Inscrições. Titiah. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Estou representando o nordeste leste. Eu acho assim Teresinha que pela idéia que nós nascemos eu acho que é assim, a sociedade civil vai estar participando em todo o momento. Um exemplo aqui rapidinho. Se for um seminário na região da Bahia. Claro que os parceiros da sociedade que nós acha que vai contribuir no debate, nas discussões, no encaminhamento claro a gente vai convidar para ta nesse momento junto com a gente construindo, organizando e orientando a te um debate político dentro dessa atividade. Acho que não Lucia fora não. Outra coisa que eu queria dizer para a Larissa, assim, eu acho que todo Ministério na discussão da política indigenista vai ta todos pronto. Vamos discuti meio ambiente, vamos discuti território, vamos discuti a educação, vamos discuti o estatuto dos povos indígena, vamos discuti, avaliar constituinte depois de 88. Vamos discuti a criminalização contra as liderança que defende seu povo. Vamos discuti vários assunto que eu acho que a importância dos representante do ministério ta também presente e começa nas regionais, nas locais. E a preocupação que pode chega em 2 mil pessoas, mas quando chega em cima... Lucia vai ta bem afiado porque começamo toda a discussão. E aonde a gente está querendo amplia esses membro indígena, para nós cria força nós vamo aplica lá na ponta, porque é onde vamo está ouvindo cacique, pajé, as liderança, representante de organizações interna de cada povo e que a discussão vai se mais forte e vai se mais profunda. Queria contribui com isso aí. Muito obrigado. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Ok. Perfeito Titiah. Obrigada. Paulino. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Eu acho que é oportuna a reflexão porque isso nos remete mais uma vez à reflexão inicial do processo novo, diferente, que o Daniel falava ontem: queremos que nos ensinem um novo jeito de fazer Conferência. Significa que a Conferência indígena necessariamente tem que ser dentro dos padrões clássicos instituído desde 1999 para cá ne? Portanto, preliminarmente discutimos internamente na reunião preparatória, que o critério de paridade acho que não é um princípio a ser preestabelecido no momento. Que vai lá que na hora vamos trazer 3700 índios em Brasília. Imagina? Será que vai ter que ter 3700 governamentais também? Acho que esse é uma questão que é oportuna para a gente refletir. Se a gente já preestabelecer como princípio, você de início está indo contra a lógica que nós aprovamos, de um modo diferente, de um jeito diferente de fazer Conferência. Só quero deixar esses como ponto de reflexão porque temos que ir aprofundando no processo de construção da Conferência. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Ok. Ninguém mais inscrito. Vamos então fazer o que a Presidente tinha colocado. Já pensar no cronograma para começar a debater. Temos a próxima reunião da CNPI, que vai ser a 25ª Ordinária já prevista no calendário anual de 2014 para os dias 13 a 16 de outubro. Seria bom todo mundo anotar. A próxima reunião da CNPI prevista no calendário. Se não houver nenhum percalço no caminho, ela está pré-agendada desde o começo do ano de 13 a 16 de outubro. E a 26ª, temos mais duas reuniões da CNPI ordinárias pela frente certo? E a próxima reunião, a 26ª vai ser 08 a 11 de dezembro. Lembrando que temos previsto para novembro, não sei se é novembro, não ficou definida ainda a questão do seminário então. Para a gente discutir o seminário lembrar essas duas datas: a 25ª em outubro e a 26ª em dezembro. 08 a 11 de dezembro a 26ª. Ordinária. E a 25ª então 13 a 16 de outubro. Presidente passando o calendário para a gente se organizar e pensar na data do seminário, se já vamos começar. As locais não têm nada a ver. Chiquinha. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: É que já está na convocação da Conferência Nacional da Educação Escolar Indígena, então, ficou da CNPI indicar um titular e um suplente. Não é isso Rafael? A portaria está exigindo. Então, seria bom a gente já indicar logo porque como a próxima reunião é outubro, às vezes já dá porque parece que ele falou que o prazo já está vencendo. Não entendi direito. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Só ver aqui Chiquinha, porque o prazo, acho que o prazo já venceu e muita gente não mandou e a gente não vai trabalhar com esse prazo vencido. Na verdade foi convocado e tem aquela relação e a CNPI tem um assento na comissão que vai organizar a Conferência Nacional de educação Escolar Indígena. Só um momento. Um representante titular e um suplente da CNPI. A FUNAI creio que essa semana já mandou indicação do seu representante junto da comissão e só puxando para falar da Chiquinha seria com que a CNPI se manifestasse. É claro que isso tem que ser feito oficialmente, ou via ofício, mas que mandasse sua indicação. E como a própria portaria diz, é só um representante da CNPI, não tem nenhuma definição. Pode ser da bancada indígena, indigenista, de governo. Isso é, fica a critério da CNPI indicar. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Um representante titular e um suplente. Ok. Então, acho que poderia de repente sugerir o seguinte: a indicação sair daqui não é Guta e, a gente como Secretaria Executiva através da Presidente encaminhamos para a CNEEI. Maria Augusta Assirati - Presidente: O ano está bem curto. A gente tem duas conferências e um monte de reuniões. E dezembro essa reunião da CNPI que eu estou achando que não sei, gente. Se a gente consegue porque a gente não vai pensar o seminário para novembro então. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Outubro, novembro e dezembro. Maria Augusta Assirati - Presidente: Aí é muita atividade. Eu acho que a gente não dá conta de tudo. Não sei. Só estou refletindo já preocupada com os prazos. Maria Augusta Assirati - Presidente: Compatibilizar. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Será que a CNPI de outubro não pode ser de 05 dias e, a gente continua trabalhando no tema de Conferência e dando andamento aos trabalhos das subcomissões. E aí a de dezembro fica para confirmar depois? Maria Augusta Assirati - Presidente: Mas é que a de outubro vai coincidir justo com o mês anterior ao seminário. Então, eu fico pensando se não era melhor ao invés de a gente ter essa ordinária, ter a reunião da comissão organizadora da Conferência. Tem alguma implicação legal de a gente não fazer todas as reuniões ordinárias no ano? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Não. A plenária é soberana. Se a plenária decidir que não vai fazer, a plenária é soberano. E temos quórum governamental. Tem seis que é 50%. Participante fala sem microfone. Maria Augusta Assirati - Presidente: Para não precisar decidir agora. E vai ser bem na semana e isso aqui é pós eleição. A eleição é dia 6 e tem uma semana no meio. Maria Augusta Assirati - Presidente: E o segundo turno ainda vem. O segundo é... Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Segundo turno dia 26 de outubro. Vai ficar bem no meio, entre o primeiro e o segundo turno das eleições. Maria Augusta Assirati - Presidente: Então, vamos definir a agenda de trabalho da comissão. Da comissão da Conferência e a gente vai organizando a CNPI em conformidade com isso. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Guta eu acho que pensar em reunir a comissão organizadora em outubro é muito tarde. A comissão organizadora vai ter que se reunir a cada 30 dias, a cada mês. Maria Augusta Assirati - Presidente: No meu entender já tinha que ter uma reunião mês que vem. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: E após a assinatura da portaria do ministro. Eu acredito que a portaria do ministro vai sair rapidamente porque é só a partir da hora que indicarmos os nomes a portaria já sai. É só indicação de nomes. De nomes ou entidades. Não sei como o pessoal está pensando, se vai ser nominal ou se vai ser da bancada do governo. E acho que logo em seguida eles devem começar a se reunir porque não dá para perder tempo. A gente tem que ser a toque de caixa. Maria Augusta Assirati - Presidente: Marcos e Titiah. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Bom, pensando em termos de agenda e a gente poderia pensar em uma perspectiva desse mês que estamos no dia 01 e, aí isso vai depender muito de como organizar esse primeiro momento na medida em que o Ministro fizer a portaria. A portaria. E a partir daí fica muito mais na primeira reunião organizar um organograma de reuniões do que a gente aqui já está prevendo. Então, a gente prevê a primeira que é esse mês, de acordo com o que o ministro vai deliberar e depois seria a própria comissão realizar seu calendário. Então, não tem como a gente pensar. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Certo. Então, a gente podia fazer o seguinte: nessa perspectiva de, estou combinando com a Maria Eduarda aqui esse prazo de conversar com a CONJUR, porque ato continuo já sairia a portaria do ministro. Isso é bem tranquilo. Se a gente conseguir essa conversa com a CONJUR e a resposta até terça-feira, teríamos a portaria expedida vamos dizer, até sexta-feira. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Não. Tem que consultar os ministérios. Maria Augusta Assirati - Presidente: Tem que consultar os ministérios. Isso é, porque das organizações já vu indicar. Então, não adianta. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Eu acho que em uma perspectiva de dez, quinze talvez a gente consiga fazer toda a consulta aos ministérios e, soltar a portaria. Então, seria na metade de agosto. Aí a segunda quinzena de agosto, colocar na quarta semana de agosto a gente já faz a primeira reunião da comissão organizadora. Eu acho que fica mais viável, até porque tem um tramite burocrático de indicação, consulta formal. Maria Augusta Assirati - Presidente: A portaria, a portaria com os nomes. Ou seja, a gente tem que fazer a consulta para os ministérios, para as organizações. Isso na segunda-feira. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: E as organizações indígenas indicarem os nomes. Maria Augusta Assirati - Presidente: Indicariam. Isso. Titiah que falar? Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Vamos só fechar a questão da indicação para a conferência de educação, porque ficou em aberto. Vamos fechar. Vai ser a Chiquinha e... Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Um titular e um suplente. Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: Mas não fala de qual bancada. Então, a gente... Lindomar do povo Xokó de Sergipe. Região nordeste. Eu gostaria realmente de defender o nome da Chiquinha e que o governo pudesse ter essa compreensão, porque a Chiquinha vem acompanhando os trabalhos e para a gente ia ser muito importante. Obrigado. Participante não identificado: Só uma questão de ordem. Já estão colocando aqui é porque a SECADI já é a Presidente da comissão e indicá-la via CNPI vai ficar em duplicidade. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Em relação à indicação do companheiro Lindomar, Marcos Xucuru Nordeste-leste, é um pedido. Eu acho que a gente precisava pelo menos se vai ter um intervalo e não sei como está pensando isso, se a gente vai encerrar, tem um momento para pensar. Porque não sei como a professora e a colega Chiquinha vai conseguir dar conta de tanta, Conferência, tal e não sei o que. Eu sei se tu sabe chupar cana e assoviar ao mesmo tempo. Eu não sei. Temos tantas outras pessoas aqui, tem o Dilson, tem tantas outras, enfim que precisa redistribuir aí as tarefas e tal. Só para gente aqui fazer uma ponderação em relação a isso. Maria Augusta Assirati - Presidente: Mas daí vocês... Daniel CTI: Eu queria justamente reforçar a fala do Lindomar e dizer que é cada vez mais subsídio para o doutorado da Chiquinha. Ela está dentro da comissão sabe. Brasílio Priprá - Xokleng - região Sul/Sudeste: Também fico com a Chiquinha a não ser que ela dize que não dá, mas eu fico com ela. Tem outros companheiro que tem, mas ela é a indicada. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Acho que talvez a gente possa pensar se a Chiquinha concordar é claro, no nome da Chiquinha e uma pessoa, ou uma pessoa como suplente uma pessoa que talvez tenha uma disponibilidade maior e que queira compartilhar essa experiência com a Chiquinha. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: O próprio Dílson que é professor. Dílson Ingaricó - Região Amazônica: Espera a resposta dela. Ela é que vai dizer se tem disponibilidade ou não. Maria Augusta Assirati - Presidente: Enquanto a gente espera resposta da Chiquinha vamos fazer uma proposta aqui. Titiah. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Luiz Titiah representando o nordeste leste. Também assim a respeito que ele não tá presente, mas assim também tem o nome do Sandro que é um professor indígena também ne. Ele não veio porque pobrema de uma prestação de conta da viagem dele, mas ele já resolveu já foi tarde, mas na próxima reunião ele vai tá também. É um companhero que está aí junto com a gente. O Sandro Tuxá. E assim Presidenta, aproveitando o momento também, já aqui mais Mina aqui nós ta socializando já umas data para questão da comissão está se reunindo. E aí a gente pensamos aqui assim no mês de agosto, final do mês a primeira reunião da comissão. Chegada dia 24 que é num domingo, 25, 26 reuniões. E acho que dia 27 retorno. E a segunda reunião no mês de setembro chegada dia 14 e reunião dia 15 e 16 e retorno dia 17. E a última reunião desse ano até para alinha algumas coisa, em dezembro, ou chegar um dia antes da reunião da CNPI. Maria Augusta Assirati - Presidente: Setembro vocês estão... Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Mas essa proposta... Exato. Mas a proposta ficaria sem setembro e sem outubro. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Não. Setembro tem. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Sem outubro e sem novembro. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Em setembro dia 14 é um dia domingo que é chegada das pessoa e segunda e terça reunião. 15 e 16. E 17 retorno. E dezembro a gente ve um dia de dezembro na mesma data da reunião da CNPI, até para nós fecha já avaliação que foi encaminhado, o que não foi, o que falta para 2015. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Mas no primeiro momento a gente tem CNPI também dia 13 a 16 de outubro. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Mas não... nós pensamo assim, para não ficar tanta reunião repetida, por exemplo, agora em agosto vai ser a primeira. Então, nós vamos caminhando muitas atividades para se feita. Em setembro damo uma enxugada. E em dezembro uma avaliada dessas duas reuniões e propor algum encaminhamento para 2015. O que que vai faze? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Novembro seminário. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Mas o seminário não é em novembro? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: É. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Pois, por isso que nós num que se reuni em novembro. Em setembro já tira alguma atividade para ta organizando. Aliás na primera reunião nos já vamo tira algumas atividade para organizar o seminário. Maria Augusta Assirati - Presidente: Certo. Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: Teresinha, essa data do dia 13 é ótima chega aqui dia 14 porque ele vai sair da festa do camarão lá da aldeia. La nos Potiguara vai te festa dia 13 e ele vai para lá e vem direto para cá. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Eu acho que vale a pena está fazendo um esforço de vê essa questão de datas, mas isso tá sucessivo a alterações. Então, por isso que eu acho que particularmente acho que uma vez a comissão organizadora sendo instalada e já na perspectiva da reunião final do mês, já faria essa agenda. Porque já teria inclusive como já faze um planejamento. Ficaria muito mais fácil para ela inclusive como das suas atribuições. E aí ia vendo com a intercalada das reuniões da CNPI. Maria Augusta Assirati - Presidente: Eu acho que sim. O Lindomar está inscrito e o Ak’Jabor também. Eu só queria fazer uma sugestão: a gente poderia então marcar essa primeira para o dia, para a última semana de agosto, que seria na semana de 25 a 29 e os dias a gente deixa mais ou menos organizado hoje e, aí a própria comissão organizar o seu calendário para frete. Lembrando que a comissão tem que tirar a comissão executiva que vai ter que ter uma agenda um pouco mais apertadinha entendeu? Porque a comissão organizadora não precisa se reunir, por exemplo, mais de uma vez por mês, mas a executiva ela vai ter um conjunto de trabalhos que vai acontecer entre as reuniões. Então, a gente lembrar isso também. Lindomar e Ak’Jabor. Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: Presidente Lindomar do povo Xokó do estado de Sergipe, região nordeste. Eu gostaria de volta aqui a um assunto que eu pensando aqui, eu acho que não faz sentido a gente espera. Deve ter saído uma decisão aqui da bancada indígena. É com referência, se eu estou aqui hoje e os companheiro também estão é porque nós somos indicados pela uma organização através de uma Assembléia. Se a organização, se a CONJUR que vai decidir se a organização vai faze parte ou não da comissão, se ela não pode automaticamente ela não pode também organizar as conferências locais. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Correto. Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: Está entendendo? Então se não haver essa organização junto as conferências, junto a essas organização lá na base, nós não vamo ter uma Conferência realmente de fato, porque ela que organiza, ela que sabe a forma. Então, não faz sentido. A gente está se contradizendo. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Correto. Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: Então, eu acho que automaticamente se a CONJUR decidi que as organizações não faz parte da comissão organizadora, a minha opinião quanto a organização ela também não faz parte das organizações locais. Minha posição. Regionais. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Lindomar. Ak’Jabor. Ak’Jabor Kayapó - região Amazônica: Ak’Jabor Kayapó estado do Pará CNPI. Presidente eu quero coloca, pedi a não ser se para gente pensa igualmente. Eu vô fala e as pessoa aqui pode pensa também. Poderia que a Presidente muda reunião tem dia 13 a 16 de outubro. Tem dia 08, dia 11 de dezembro. Poderia que vocês pensa faze reunião fora de Brasília para o governo trabalha. Porque aqui dentro e governo não vem trabalha com a gente. Só poucos pessoas que tá aqui com a gente. Só poucas. Só indígena. Poderia que vocês muda essa agenda para outro estado para nós faze outra reunião. Quando as pessoa do governo que sai vai trabalha não é? Vai trabalha mesmo, agora aqui em Brasília não que nem sabe de trabalha. Ninguém que trabalha. Então, eu to cobrando. Eu ao sei se plenária pode concordar que meus pedido. Não é plenário? Então é isso que meus pedido. Maria Augusta Assirati - Presidente: A Larissa está votando a favor. Já vou te passar Brasilio. O Ak’Jabor fez essa sugestão não sei para a gente pensar se de repente, por exemplo, essa reunião de outubro a gente poderia fazer ela em algum local já um pouco como antecipação do seminário, na perspectiva mais de mobilização. Não sei, para a gente pensar um pouco se isso vai ajudar na organização do seminário, ou se gera mais dificuldades, enfim. Brasilio. Brasilio Priprá Xokleng - região Sul/Sudeste: Eu também acho que na verdade a gente já fez alguma reunião fora daqui e que foi muito produtiva. É 100% porque todos tiveram do governo e foram chamado e foram e todo mundo trabalho. Às vezes até oito horas da noite, mas todo mundo aqui. A gente sabe aqui e até vô faze uma defesa dos militares aqui. O único que cumpre horário aqui são os militares. Tão viajando, mas senão. Tem um gato pingado lá, outro não, outro sai. Então as reunião fora daqui são muito produtiva e não sei nesse momento, mas eu também vô na linha do Ak’1Jabor, uma reunião vale para acho que quase para duas de horário de trabalho. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Esse debate a gente já fez na reunião passada. Vamos fechar aqui. A primeira reunião da comissão ficaria dia 27 de agosto? Ai vamos combinar aqui que nessa primeira reunião do dia 25 e 26 a comissão organizadora irá definir a comissão executiva e elaborará seu calendário. Isso. E elaborar calendário. Pauta: calendário e comissão executiva. Fechou então gente? Alguém mais quer fazer algum comentário, proposta, sugestão sobre comissão executiva? Sabaru quer falar? Marcos Sabaru: Eu vou fazer um comentário que muitos podem julgar desnecessário, mas eu julgo necessário porque quando voltar para aldeia eu volto para casa com a sensação de dever cumprido ne? E de fato o papel de quem representa as comunidades indígena, povos indígena, de fato ele não pode voltar com coisas que ele precisava ter dito, precisava ter externado e ficou calado. Isso é uma sensação ruim. De certa forma eu não volto muito feliz, alegre para casa porque eu volto com duas sensação: uma eu vi ontem o rapaz do governo falando de um movimento sociais, de conferência, de comitês, dos espaços democrático que o governo precisa fortalecer, isso me deu uma, eu fiquei muito contente e aí agente, a gente a bancada indigenista, os indígenas todos aqui mostrou uma proposta de trabalho que foi vista, o Marcelo ali estava sentado no lugar da colega Eduarda concordou e falou que só tinha um ponto de vista para vê enquanto essa questão da comissão e tal. E no dia seguinte, de ontem para hoje num curto espaço de tempo a CONJUR deu um parecer. Então, foi muito rápido, ninguém aqui é mínimo. Muito rápido se pincelou alguma coisa dali para se dá um parecer. A Guta colocou algumas situações que o pessoal não pode, mas a gente volta para casa e isso não é definido Lindomar. A gente está voltando para casa e isso não está definido. E para cumpri meu dever de liderança quanto representante da APINME e da APIB é que caso não seja a gente só pode trilhar, só pode seguir, só pode ter uma parceria quando se tá de fato dando as mãos e está tendo verdade. Olhando no olho e fazendo compromisso. Então, não dá para um dia a pessoa faze um discurso bonito, de participação, de descolonizar, de um modelo de faze uma coisa diferente, nos mostre como faz uma Conferência, faça e no outro dia vim dize que determinados, a própria base da CNPI. A bancada indigenista que são as organizações tem dificuldade. Logicamente isso não vai se acertado agora, mas a gente amanhã tá se retornando, alguns hoje e espero que a gente tenha um bom resultado. Porque acredito eu que isso dificultará muito caso a gente receba a notícia depois nas nossas aldeias que houve impedimento por conta disso. Espero que com a mesma rapidez que a CONJUR teve de dá um parecer tão rápido. Ontem 4 da tarde e hoje a gente já tem o parecer dela já achando coisinhas aí. Tem, outra interpretação ne? De que não, tá tudo bem e a gente vai seguir fazendo uma Conferência maravilhosa ne? Só era essa a minha preocupação. Queria, não queria voltar sem dizer isso. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Sabaru. Mas eu tenho certeza que isso é uma questão formal e que a gente vai conseguir superar até terça-feira. Diga doutor Saulo. Cacique Saulo. Pajé. Saulo Ferreira Feitosa – CIMI: Boa tarde. Eu to achando que essas discussões nossas estão sendo também educativas. Porque de fato achei a discussão que eu tentei começar com o André eu não sei se ele não entendeu bem. Acho que ele confundiu... o Daniel. Acho que ele confundiu estado com governo. Mas o exercício que a gente está fazendo é exatamente esse. Estamos há mais de 500 anos vivendo sob o modelo de estado que é um estado nacional e vou repetir tudo, estado uninacional, monocultural, branco, ocidentalizado e a gente nessa CNPI vem tentando construir algo diferente. Então, se é um governo que pretende ser diferente. Então esse governo tem que trabalhar essas limitações que o estado nação impôs. Esse estado nação que foi criado pelos europeus, pelos brancos e criminalizaram todo mundo. Que usurparam todos os poderes e a gente tentar mudar essa realidade. Então, tem muita discussão na área do pluralismo jurídico. Tem muita discussão na área da pluralização do estado. Já temos países vizinhos que estão à nossa frente muitos anos. Bolívia, Equador estão há mil anos à frente de nós. A gente não olha para lá porque somos colonizados. A gente só olha para a Europa e para os EUA. E essas discussões que a gente está tendo aqui já são discussões superadas, por incrível que pareça, na Bolívia e no Equador. E são considerados nada dentro do sistema mundo. Capitalista. De novo, capitalista, branco, machista e tudo que não presta. Então, eu acho que essa discussão e agora quando o Sabaru vem de novo, acho que essa discussão é uma discussão que a gente tem que enfrentar. O pessoal vai sofrer, a Guta vai sofrer, a Maria Eduarda vai sofrer, vocês do governo vão sofrer, porque vocês estão no estado conservador, ultrapassado, reacionário. Mas a gente acredita que vocês não concordam com esse estado. Então, lutem dentro desse estado e criem as possibilidades. Porque se a gente ficar aqui avançando teoricamente e vocês regredindo juridicamente, ou legalmente, não é nem juridicamente. Porque tem várias formas de pensar juridicamente, inclusive a disputa na hermenêutica jurídica. O que a gente começou aqui: a interpretação desse decreto é uma disputa hermenêutica. Então, eu não tenho a mesma compreensão da CONJUR, por exemplo. Agora, independente disso, se a gente pretende fazer o novo a gente vai ter que enfrentar esse estado, que acredito que não é o estado que o governo quer. Então, vamos trabalhar esses limites. É mais um discurso para dizer: olha, se essa Conferência vai ser diferente, os representantes do governo e nós vamos enfrentar o estado. Porque o estado é inimigo do governo e nosso. O estado é da burguesia. O estado é do capital. Isso a gente já estudou, já aprendeu. Muitas teorias de estado. Então, vamos enfrentar esse estado opressor que oprime todo mundo. Ou então a gente deixa o estado com a bancada ruralista, a gente deixa o estado com o Mapa, a gente deixa o estado com o Congresso Nacional na sua maioria reacionária. Vamos fazer diferente. Eu acho que a discussão é essa. O que eu quero dizer? Temos que ir conversar com a CONJUR, temos que conversar com o Ministro Cardozo. Quem conversar com a Dilma, acho que poucos chegam lá, conversa com ela. Dilma, seja descolonial por favor, você foi vítima desse estado, sofreu a violência desse estado. O que a gente está dizendo aqui? O estado usurpou, o estado acional, de novo, monocultural, usurpou o poder desses povos, os povos originários. O estado usurpou o espaço deliberativo, qual o povo que tem autonomia hoje para decidir? Então, a gente espera que quem se diz querer ser diferente, ser um governo diferente, queira e pretenda construir um estado restituidor, devolutivo desse espaço. E que não reproduza as práticas de usurpação das autonomias dos povos. Então, esse discurso que a gente faz aqui entre nós, a gente tem que fazer para todo mundo do estado. E se o governo não aceitar é melhor não fazer a conferência. Eu acho, se é para reproduzir o mesmo, não é? Então, paridade não é princípio. Porque? A gente tem dito. Porque a Conferência tem um caráter plurinacional. Como vai trabalhar paridade na nossa lógica branca. Eu estou fazendo esse discurso inclusive emocionado, porque a gente precisa aprender. Eu também não sei como fazer. Agora, eu quero fazer diferente. E a gente tem que decidir: quer fazer diferente ou não quer. Se não quer acaba esse negócio, se quer vamos quebrar a cabeça, construir o novo. Essa é a minha fala, a minha compreensão. Maria Augusta Assirati - Presidente: Eu só, a gente acabou abrindo esse debate e eu só queria colocar que justamente para não sofrer como o Saulo colocou, eu estou querendo assim, ter uma concepção de que isso foi entendimento jurídico ansioso, um pouco superficial e que a gente vai conseguir desconstruir isso no campo da forma. E aí eu acho que se a gente não conseguir avançar em relação a isso é porque o argumento não é hermenêutico. Ele é político e é isso que eu não quero achar que é. Para me preservar e para não sofrer estou achando que terçafeira a gente vai conseguir equacionar essa questão. E eu tenho Saulo, de que vão ter pessoas lá fazendo esse discurso para dentro, enfim, e levando tudo isso que a gente está discutindo aqui para campos internos ao governo. E certamente fazendo a defesa de construir um processo diferente. Eu acho que eu pelo menos me dedico à CNPI, me dedico a esse debate para que justamente a gente possa avançar nesse processo descolonial. A acredito que os nossos companheiros que estão aqui estão todos empenhados nesse processo com seus trabalhos internamente dentro dos seus órgãos. Quer falar? Saulo Ferreira Feitosa – CIMI: Só dizer que eu não tenho dúvida quanto ao empenho de muitas pessoas. E essa minha fala não é só em relação à CONJUR. Eu estou dizendo que o inimigo é o estado. É isso. Eu acho que é isso que a gente precisa ter claro. A gente não pode estar se confundindo com estado e achar que o estado quer nosso bem. Esse estado branco, burguês quer nosso bem? Não quer. Estado já foi controlado, dominado há séculos por um grupo. O estado pertence a um grupo, pertence a uma etnia branca. A gente não vai se submeter mais a isso. Vamos mudar essa lógica. Vamos criar novas relações. Eu estou convocando todo mundo para a gente não deixar que o estado continue sendo da etnia branca. Tem que ser de todas as etnias. Maria Eduarda - Ministério da Justiça: Então, só para esclarecer. Eu confirmei agora com a Teresinha. Não tem um parecer da CONJUR contrário. Eles fizeram uma análise previa do questionamento que foi levado ontem pelo Marcelo. De fato me comprometo a na segunda-feira encontrar com a pessoa responsável da CONJUR do MJ e levar a demanda de vocês para que não seja só pelos membros indicados da CNPI. E tentar argumentar no sentido de que isso acarreta uma maior participação. Assim, não tem de fato um parecer. Foi uma análise prévia e eu espero que a gente consiga encontrar uma solução que seja adequada para vocês e para a gente. Era só para registrar. E registrar aqui meu compromisso de na segunda-feira já que vamos sair daqui provavelmente tarde e não vou conseguir encontrar a CONJUR aberta e disponível para marcar uma reunião ainda hoje. Na segunda-feira de manhã eu me comprometo a me encontrar com a CONJUR e verificar uma solução e tentar desfazer essa análise prévia para que que quando saia o parecer, saia de maneira adequada à demanda de vocês. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada. Paulino. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: A fala da Eduarda, acho que foi tirando um encaminhamento que não seria apenas a Eduarda que vai conversar com a CONJUR, mas seria a Presidência, Secretaria Executiva e ela própria e mais alguém da bancada governamental. É uma questão mais institucional para a gente encaminhar desta forma. Há uma corresponsabilidade de trabalhar no sentido de atender à expectativa das representações indígenas, tanto da bancada quanto do movimento. Até para a gente evitar um vício que nos últimos anos tenho reparado. Dentre os companheiros, alguns ex-companheiros até que estão no governo, de quando a gente começa a discutir nos termos que o Saulo levantou, fazem essa confusão. Parece que incorporaram a noção de estado e se sentem estado. O governo passa e o estado continua. Só que nesse jeito não queremos que continue. Então, acho que tem que fazer um trabalho muito difícil, imagino. Acaba sendo muito esquizofrênico às vezes, daí a dificuldade, mas estou esperançoso. Ainda dá para resgatar alguns companheiros nesse espaço e, reforçar que já tem uma posição. Não vamos citar nomes. Mas acho que esse é o desafio. Que a perspectiva colocada é essa. O Brasil se lá 26 anos atrás foi exemplar em uma Constituinte e uma Constituição que influenciou as constituições de Bolívia, Venezuela, Equador, Bolívia depois. Que embasa isso de dar um salto muito além. Acho que também pode ser não só no discurso, nos fóruns internacionais, para que um dia de fato se diga que de fato há uma relação harmônica entre povos indígenas e estado e não de falsear a realidade, como se disse no Fórum Permanente da ONU mês retrasado. Não é Lindomar? Que havia uma relação harmônica e sabemos que não é verdade. Agora a perspectiva é colocar que buscamos é essa: uma relação harmônica no contexto de um estado multiétnico, cultural, plurinacional e realmente democrático. Senão, os povos indígenas vão seguir dizendo que não nos representam, como disse os meninos e as meninas que se mobilizaram em junho do ano passado para cá. É isso. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Paulino. Gente podemos passar para o próximo ponto? Que falar Marcos sobre isso? Não? Regimento interno seria uma segunda tarefinha nossa pensar aqui. Que eu acho que também vai ser uma atribuição da comissão executiva que vai estar dentro da comissão organizadora. Eu estava conversando um pouco com o pessoal, conversei um pouco com a Macaé sobre isso e com o pessoal da Saúde e com a Teresinha também. A gente tem alguns, precisaríamos ter um ponto de partida para começar a pensar o regimento. Acho que a gente podia reunir alguns elementos de regimentos internos de outras conferências que já tiveram participação de povos indígenas no Brasil e, tentar avançar em relação à perspectiva desse nosso modelo novo de Conferência. Ou não sei. Porque eu acho muito difícil a gente começar a escrever do zero. Então, partir de um ponto já constituído de um regimento que já foi produzido talvez nos ajude. Então, nós do governo podemos reunir e sistematiza esse material e encaminhar para todo mundo para já na primeira reunia da comissão organizadora a gente começar um pouco a trabalhar. É muito importante que a gente tenha o regimento logo aprovado. Porque no meio do caminho do processo de construção da Conferência vão surgir várias dúvidas e acho que o regimento vai ajudando um pouco a orientar os trabalhos. Não sei se... Saulo, você tem uma contribuição nesse sentido? Algum regimento que você ache que seja legal para a gente começar? Porque podemos ficar com essa tarefa de organizar esse material e compartilhar com todo mundo. Vocês têm o de vocês também? Fala. Ótimo. Fala no microfone. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Enquanto ele liga ali Presidenta, Marcos Xucuru região nordeste leste, quando se fala desse regimento, de como e a gente está buscando esse novo, e se temos experiência em outros países, porque não a gente pensar de repente observarmos em outros países que tem uma realidade e que como já foi dito pelo companheiro Saulo, experiências exitosas e tal, podemos inclusive estar buscando dar uma olhada por fora para a gente também ter outro olhar, uma referência para poder pensarmos o nosso regimento. Para a gente começar o trabalho. É só essa a sugestão. Maria Augusta Assirati - Presidente: Ótima sugestão. Rafael - Sesai: Sou Rafael representando a SESAI Ministério da Saúde. Só para registrar que então a próxima reunia dia 25 de agosto, então vamos trazer o regimento da Conferência Nacional de Saúde Indígena que aconteceu em novembro passado para fins de ajuste, comparação. É isso. Só para registrar. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Rafael. Saulo Saulo Ferreira Feitosa – CIMI: Eu também concordo que a gente veja esses regimentos. Agora, e a proposta do Marcos a gente vê experiências fora. E de fato o que nós temos que fazer para a discussão desse regimento é primeiro consolidar essas compreensões entre nós. A gente vem falando desde ontem. Até o pessoal que está aqui na síntese, que é muito eficiente, pode depois fazer, destacar um item só sobre essas discussões em relação à característica dessa Conferência. A gente já andou falando várias coisas assim. Então, se a gente ainda vai trabalhar paridade, qual vai ser a referência considerando que o caráter dela é plurinacional. A gente já disse que não vai trabalhar a votação e vai construir consensos, qual a perspectiva que a gente tem na construção desses consensos para consolidar esses consensos. A gente já disse aqui: a Conferência local na verdade não vai ser Conferência local, vai ser uma Assembléia autônoma e esses povos vão trabalhar de acordo com seus usos, costumes, tradições como prevê a Constituição. Então, quais as formas próprias desses povos. Aí eu acho que tem também e é a minha contribuição, tem alguns textos etnográficos que a gente pode estar olhando sobre essas formas de organização. Então, a minha idéia é: além de a gente olhar esses regimentos, a gente também se apropriar do que tem de algum material escrito sobre as Assembléias próprias desses povos, as formas de organização desses povos, nessa perspectiva que estou falando do pluralismo jurídico. Já que a gente quer dar um perfil de norma dessa Conferência. Então, tem formas próprias de organização. Quer dizer, cada povo tem sua própria forma de se organizar, inclusive juridicamente. E de fazer a sua normatização. Acho que a gente deveria recorrer também às informações etnográficas. E a gente vai deixando de ser muito branco. Fica menos branco e dá um perfil mais indígena para esse regimento. Mas acho que a gente vai considerar sim, deve considerar a experiência que foi bem sucedida dessas conferências embora elas tenham sido feitas na nossa perspectiva. Acho que tudo é importante. Seria bom enviar antes da comissão chegar na reunião. Acho que se você tem os emails podia passar para Secretaria Executiva e esses regimentos serem enviados antes. Quem vier já vem estudando o regimento. Maria Augusta Assirati - Presidente: Chiquinha já te passo. Acho que o Saulo falou de a gente reunir uma produção enfim, acadêmica, textos que são interessantes nessa perspectiva, já pensando também no texto base. Porque o texto base é o que vai trazer muito essa linha diretiva, digamos assim, do que essa nossa Conferência vem a perseguir como objetivo nessa perspectiva descolonial. E aí nós podemos sim ficar com essa atribuição. Eu tinha até pensado isso porque ontem a fala do Daniel foi muito positiva em vários aspectos nessa construção de um modelo diferente que não seja engessado e tudo o mais. E ele falou coisas tão importantes que eu acho que é fundamental a gente destacar. O que foi trazido ontem, todas essas contribuições e falas da bancada indígena, do governo, da bancada indigenista no sentido dessa busca desse modelo novo, a gente compilar um pouco tudo isso que foi discutido aqui nessa reunião, para ajudar também já na constituição do texto base. E podemos ficar com essa tarefa e ver se a gente já consegue antes da primeira reunião da comissão organizadora compartilhar com toda a CNPI. Chiquinha. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Chiquinha Parecei Mato Grosso. Então, dentro dessa mesma linha de pensamento do Saulo e da Guta, em relação às experiências exitosas de conferências democráticas e que de fato valorizaram a autonomia dos povos indígenas. No tocante à educação escolar indígena, ela teve sim algumas das realizações de conferências locais, elas foram muito importantes. Muitas comunidades indígenas fizeram as suas Assembléias, pode se dizer assim, só elas e não teve a participação de ninguém. Não chamou estado, município, não. Decidiram, discutiram e apresentaram o resultado. Então na educação também temos sim algumas das experiências que foram muito importantes e que inclusive a gente fez o possível para levar para, lias isso foi garantido no regimento. Então, eu gostaria que o Rafael na próxima trouxesse, mandasse, não sei como que vai ser organizado isso, mas que mandasse o regimento. Porque esse regimento foi construído muito com a gente. E tivemos também a participação de muitas comunidades, professores que deliberaram inclusive as suas propostas em relação inclusive até de que forma que a gente poderia fazer um regimento que contemplasse a sociodiversidade dos povos indígena. Esse a gente fez o possível para ser. Outra coisa. Esse regimento dessa Conferência da CNPI ela tem que ser um regimento aprimorado, muito mais. Tem que ser superável mais que da Saúde, mais do que da educação, mais de qualquer outra Conferência que já foi realizado. Ou seja, ela tem que ser inovadora. Ela tem que ser um processo de fato de Assembléia indígena e que seja a cara dos povos indígena do Brasil. Era isso. Obrigada. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Obrigada Chiquinha. Então, vamos combinar o seguinte: Rafael MEC e a Bianca do Ministério da saúde nos encaminhem o modelo que vocês têm. A gente passa para todo o pessoal que vai fazer parte da comissão organizadora dar uma olhada. E na primeira reunião a gente já começar a casar, fechar o regimento, aprimorando para essa Conferência como a Chiquinha está colocando, readequando e melhorando para que seja um regimento interno perfeito. Ok? Então, vocês encaminham e... Participante fala sem microfone. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Não precisa ser hoje. Pode ser segunda-feira. Todo mundo está com a cabeça cansada. Você me manda na segunda-feira e já mando para o pessoal e eles já estão... Participante fala sem microfone. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: É fácil. E se alguém, Saulo, por exemplo, você estava colocando outros regimentos. Se alguém tiver outros regimentos de outras organizações, de outras conferências que foram feitas e que a gente também pode fazer com que aprimore a nossa, também nos passe e a gente vai passar para a comissão organizadora para depois a gente conseguir fechar o nosso regimento interno. Porque o regimento interno também será aprovado. O regimento interno da Conferência Nacional de Política Indigenista será elaborado pela comissão organizadora referida no caput e, aprovada pelo Ministro de Estado da Justiça que deverá publicar no Diário Oficial também o regimento interno da CNPI, como é feito. Porque todo mundo tem reconhecimento de como foi pensado o regimento interno, como funcionará a Conferência Nacional. Isso a gente vai conversar com a CONJUR para saber. Claro que passa pela CONJUR, mas cabe a nós do MJ, presidência da CNPI sentar com eles e conversar. Foi conversado assim e acertar todos os pontos. Vamos dar uma parada para o lanche? E a gente volta em seguida porque temos ainda, só um pouquinho, nós temos que definir então metodologia, organização e organização do seminário de formação ou mobilização. E ainda apresentação das duas subcomissões que trabalharam ontem. Dez minutos então? Ok. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Teresinha, na verdade é só para responder. Dizer que a gente vai colocar à disposição a solicitação que foi feita do regimento e todo o material da Conferência Escolar Indígena. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: E aproveitar que a bancada. Então, já pense no nome dessa pessoa, do titular e suplente. Que no intervalo haja um consenso para que seja indicado o nome do titular e suplente agora para colocar. Ok? Até daqui a pouco. Segunda parte da parte da tarde. No próximo ponto teremos metodologia da Conferência. Não sei se alguém tem alguma sugestão? Eu sugeriria como Secretaria Executiva de que a metodologia da Conferência seja discutida pela comissão organizadora. Discutida no regimento também vai constar a metodologia e o máximo que gente pode fazer também, é trazer para cá para plenária a proposta e discutir aqui e bater o martelo. Não é? A Lucia gostaria de fazer uma proposta. Vamos lá Lucia. Lucia Alberta - FUNAI: Oi. Então, como tudo é possível, pode demorar muito a criação desse GT da comissão organizadora pelo Ministério da Justiça por conta do que já conversamos inicialmente, então eu gostaria de propor que nós fizéssemos, já começássemos a fazer algumas tarefas que estão nessa listinha da Teresinha antes de ser criado oficialmente essa comissão organizadora. Na proposta da bancada indígena já tem os nomes das pessoas que poderiam ajudar na construção do documento base. Nós do governo também teríamos que ver quem seriam essas pessoas e, a minha proposta é que esse grupo pequeno já pudesse começar a minuta do documento base. Porque temos que ter uma minuta orientadora para trazer para a discussão. Não adianta a gente chegar aqui com nada para começar do zero. E também começar uma proposta de construção do regimento interno, onde vão entrar todas essas questões também conversamos agora. É importante já começarmos esse processo. Da mesma forma que começamos o processo que resultou hoje de estarmos aqui discutindo essa Conferência já com algumas decisões mais concretas. Essa é uma coisa. E outra coisa, só para terminar minha fala, eu gostaria também de propor que as organizações APIB, e suas organizações regionais pudessem nos ajudar o mais rápido possível a fazer um levantamento dessas conferências locais. Porque nós precisamos fazer o quanto antes o levantamento dos custos desta Conferência, senão daqui a pouco aparecem tantas conferências locais que nós não vamos ter recursos suficientes para isso. Só para lembrar, esse orçamento foi construído pela FUNAI com base nas reuniões que fazemos dos comitês regionais. E aí fizemos um orçamento um pouco maior levando em conta a realidade de cada coordenação da FUNAI. Os custos com deslocamento, na Amazônia é muito maior que no sul. Então, consideramos essas diferenças, mas pode ser que algumas conferências locais sejam carinhas por conta de frete aéreo, alimentação. O custo com deslocamentos indígenas. Precisamos estimar a quantidade de conferências locais para a gente não ficar criando expectativas e depois não dando conta da nossa própria expectativa. Está bom? Essas três coisinhas. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Então, pedir que o pessoal faça esse levantamento prévio como o Lucia pede, de quantas locais teremos, para a gente então fazer esse apontamento. Marcos Xucuru. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Eu só gostaria de lembrar a amiga Lucia de que, de tudo que já foi discutido até agora vai justamente na contramão do que tu tá colocando para a gente aqui. Porque a gente tem colocado é que na nossa perspectiva de descolonizar e uma Conferência diferente, quebrando inclusive com todas essas caixinhas que as outras conferências têm, inclusive a gente já coloca aqui a nossa idéia é que seja realizadas as conferências e já tem como eu posso dizer, um norte a ser seguido. Que é as conferências locais vai se dar por povo, ou por tronco, enfim, da forma que as organizações sociopolítica entende que elas seja. Então, pelo menos é uma discussão que a gente tem feito em relação a isso. E que foi já apresentado no documento aqui, mais ou menos o direcionamento que estamos querendo essas conferências. As nossas Assembléias e a Conferência Nacional de Política Indigenista. Então, só para trazer mais uma vez aqui e registrar isso. E dizer que essas questões ela vai ser diluída, discutida e aprofundada na comissão organizadora. Mais uma vez eu trago porque inclusive a gente não vai ter tempo de estar pensando isso aqui, agora nesse exato momento. A APIB vai estar aí, o pessoal que vai se formar dessa comissão terá um tempo disponível para pensar tudo isso. Em relação à contribuição do regimento, eu acredito que como foi encaminhado posteriormente, por exemplo, a SESAI falou que vai andar para o email de todo mundo. Evidentemente quando a comissão for se encontrar, já tem eu diria, eu acho que um acumulo de alguma coisa que possa estar contribuindo para construir esse começo que você tá colocando. Esse regimento. Então, eu compreendo dessa forma. Só para poder contribuir também com a tua fala aí. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Ninguém mais inscrito. Marcos deixa eu tentar entender o seguinte: a Assembléias regionais serão na base, locais. Desculpa. Para isso nós teremos que prover alimentação para todo esse povo. Porque por mais que não haja tanto deslocamento entre, porque como elas vão ser mais locais não tem tanto deslocamento aéreo, deslocamento, a não ser de um... alguns lugares vão ter. E também acho que a preocupação da Lucia também é com respeito ao quantitativo de alimentação que a gente vai ter que prover. Porque vai ter que ser levada alimentação. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Sim Teresinha. Eu entendo perfeitamente, mas acho que a gente não tem condições de estar discutindo isso aqui. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Agora não. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Eu estou dizendo que a comissão organizadora vai debruçar sobre isso. Está entendendo? E evidentemente quando falava ontem a questão de recurso e tal, eu acho que a gente não deve estar preocupado, muito preocupado agora nesse exato momento. Eu digo por experiência própria. Temos costume de realizar Assembléia do povo Xucuru todos os anos. Estamos na 13ª Assembléia do Povo Xucuru realizado todos os anos com a realização de mil pessoas diariamente. São três dias de encontro que a gente realiza. Muitas vezes a alimentação, por exemplo, nas nossas Assembléias é bancada pelo próprio povo. Isso não significa que essa, por exemplo, seja, mas de repente vai ter a contribuição mínima com alimentação que não chega a esse dinheiro, essa coisa toda. Isso vai variar de acordo com, para a gente não polemizar isso. E as conferências, as regionais, as 10 regionais que ia acontecer, macrorregional acho que é, que não vai haver mais e com certeza seria um custo elevado pelo quantitativo de pessoas se for pensar em hotel, logística, passagem, deslocamento, aluguel de ônibus e não sei o que, isso diluído com certeza daria para fazer muitas e muitos encontros locais e Conferência, Assembléias locais diluindo isso nas regionais. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Lindomar. Lindomar Xokó - região Nordeste/Leste: O Marcos tem razão na fala dele porque cada região, cada povo, casa estado tem sua forma. Por exemplo, como nós de Alagoas decidimos fazer as conferências locais de saúde? Invés, o melhor ponto que a gente encontrou foi juntar as comunidades e fazer em um local, em uma cidade, não sei, mas o nosso papel principal foi levar para as base, foi tirada uma comissão pequena para fazer um debate bem amplo, participativo nas comunidade. Mesmo antes das conferências locais tem que mandar esse povo para as áreas para fazer essa discussão. Um pequeno grupo que as comunidade possa tá sabendo realmente de fato que está fazendo. Está entendendo? Com referência aonde vai ser aí depende dos seus estado, como se organiza. Viu? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Ok. Isso se discutiu também no seminário de formação não é? Ak’Jabor. Ak’Jabor Kayapó - região Amazônica: Ak’Jabor Kayapó estado do Pará CNPI. Se esses conferências que nós vamos começa que realmente tem várias aldeias que tá dentro da Amazônia, como a Teresinha falou e que a Presidenta foi lá na minha e tem muita custo. Então é melhor avaliar isso. Também tem outros parente muito longe da cidade. Tem outros parente que fica bem próximo da cidade e que é mais fácil. Porque avião fretado é caro. Então é melhor que nós avalia isso também como igual eu vou conversar, chegaram e se eu vô começa falar com coordenador para começa faze esses trabaio lá, eu tenho que pedi. Cadas aldeia uma cacique e um quem sabe fala e escreve e tudo. E duas pessoas para cada para faze, começa esses trabaio. Então quando eu vô pedi vai pega este, vai este, então vai acumula muito. Então, é melhor avaliar isso. Vamo avaliar isso e vamo trabalha, vamo em cima disso. Vamo enfrenta esses documentos, esses discussão. Isso que quero dizer para vocês. Bligado. Rosa Pitaguary - região Nordeste/Leste: Rosa Pitaguary região nordeste leste. Assim eu acho que essa, a gente conversado anteriormente sobre já tido uma préconversa sobre essa questão das conferências locais, das Assembléias locais e, cada estado logicamente tem sua maneira de organizar e, a gente já tem que pensar mesmo como é que vamos fazer essa organização. Sendo assim que eu acho todos nós já temos uma idéia na cabeça e de como vamos organizar essas Assembléias locais. E que assim vai estar saindo a etapa, umas etapas aí que esse recurso já vai ser usado para isso também. E assim, por exemplo, no Ceará fazemos nossa Assembléia estadual todos os anos e a gente pode usar esse espaço para estarmos fazendo também a nossa. Enfim, cada um e depois a gente mesmo pode sentar e pode estar vendo e depois estar passando para os demais. Como é que a gente vai fazer essa organização a nível de região. Nordeste, como o nordeste vai se organizar. E assim sucessivamente. As outras regiões que vai ser mais fácil e eu acho que não vai ser tão caro. Porque não vai ter questão de hospedagem que é uma coisa que tem um custo alto. porque vai ser nas aldeias ou em locais que comporte mais. Mas a gente vai pensar em todas as maneiras para que as nossas Assembléias possam sair, possam sair com êxito, com bom trabalho que a gente possa vir fazer. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Obrigada Rosa. Sabaru. Marcos Sabaru: Bom a proposta, proposta de encaminhamento. Eu acho que porque tá sendo falado e parece que não está sendo registrado. A gente está meio que relutando em registrar a proposta. Eu acho que a comissão organizadora na primeira reunião que se tenha, ela pode definir que eu percebo que o nordeste por ter uma vivencias em fazer isso, isso é mais tranquilo que em alguns outros estado, outras regiões. E alguns com mais intensidade e outros menos. Então, o seguinte: talvez o que serve para gente não sirva para o outro. Então que na primeira reunião da comissão, que cada região traga comece a desenhar como vai ser lá. Porque eu percebo Titiah, Lindomar, Marquinho, Capitão, Rosa que para a gente isso é mais tranquilo. Mas aí o Ak’Jabor coloca outra que talvez tenha mais dificuldade. Então, vamo encaminha que na próxima reunião de comissão cada região comece trazer sua proposta, seu desenho né? Na próxima reunião da comissão já começa a desenhar isso aí. Acho que fica mais fácil. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: A Presidenta está inscrita e em seguida Sonia, depois Lourenço e aí Titiah. Então fala Sonia. Sonia Guajajara - APIB: Eu queria só lembrar aqui gente, porque ás vezes a gente encaminha as coisas exatamente para poder concluir tudo que está sendo colocado aqui de novo. Ontem no final da tarde nós propomos aqui e eu inclusive falei, sugeri que dedicasse um tempo hoje, nós indígenas, para pensar um pouco, desenhar mais ou menos como seriam os locais. Meu encaminhamento foi esse. Não tivemos esse tempo hoje né? E agora volta para nós de novo essa cobrança de trazer isso ou de fazer agora. Qual foi o tempo que a gente teve para poder pensar e discuti um pouco? Porque se a gente tiver dedicado tempo isso a gente já teria no final um desenho mais ou menos, um esboço de como seria esses locais. E eu falei que está aqui os representes, toda a CNPI e juntos a gente poderia pensar e definir. Não fez. Agora o que eu sugiro é que cada um que está aqui se comprometa de verificar na sua região, no seu estado, na sua área de abrangência e aí a gente estipula um prazo, aqui já agora para poder mandar essas informações. Porque eu acho também que a reunião da comissão lá é muito longe. Final de agosto que vai a comissão reunir. Eu acho que fica muito longe para a gente poder definir total. E para fazer os cálculos, essas coisa que precisa fazer mais burocrática e obrigatórias. Então, fica muito longe. E pode ser que não consiga nesse prazo, mas pelo menos cada um volta com um pouco desse compromisso de pensar lá junto e consultar sua região, seu estado e já dá um retorno de como que será. Eu acho que por mais que a gente não ter tudos ainda e, mas a gente já tem pelo menos uma média né? Um esboço de quantas serão. Maria Augusta Assirati - Presidente: Deixa eu só tentar ajudar a encaminhar. Então, assim gente. A gente vai fazer a reunião da comissão organizadora 25 e 26. Nem acho que é tão longe assim não é Soninha, porque hoje já é dia 01. Então, assim 20 dias é prazo, 20 e poucos dias aí. O que a gente pode organizar então? Na reunião da comissão organizadora o que a gente vai ter de tarefa? Organizar a pauta da comissão, tirar a comissão executiva, propor o calendário de trabalho e fazer um primeiro desenho já das etapas locais. A partir do que cada representante vai trazer da sua região. Quem conseguir fazer esse exercício antes do dia 25 já pode mandar para o email da Secretaria Executiva da CNPI e a gente vai sistematizando. Quem ainda não conseguir traz para a reunião de 25 e 265 para a gente cumprir essas etapas. E paralelamente a isso eu queria propor o seguinte: vai ter que ter um grupinho de pessoas que vai ser tirado pela comissão organizadora para trabalhar o texto base. Vocês já indicaram uma proposta de nomes aqui, que eu vou ler para a gente saber quem é: Francisca, Sonia, Marcos Sabaru, Paulino, Daniel e Saulo. Já tem essas propostas. O que a gente pode fazer? Muitas dessas pessoas vão estar em Brasília até a reunião da comissão. Então, a gente poderia combinar de já reunir um pouco esse grupo com algumas pessoas enfim, da FUNAI, do próprio Ministério da Justiça para sistematizar materiais que a gente já tenha. Ou seja, pegar o que a gente discutiu aqui na Conferência, reunir os textos alguns que o Saulo está indicando, enfim. Cada um se tiver contribuição já traz. A gente organiza um pouco esse material para já chegar na reunião da comissão organizadora com algum subsídio para começar a trabalhar. Isso podemos fazer nesse intervalo de hoje até dia 24. 25. Então, para ir adiantando o trabalho. Porque eu estou um pouco só preocupada porque assim, passa rápido não é? Um mês passa rápido e passou agosto, depois vem eleição, aí novembro a gente tem a perspectiva de realizar o seminário. Então, a gente precisa ir fazendo alguns trabalhos mais concretos para poder chegar nessa reunião com, para fazer uma reunião de trabalho mesmo. Para a gente já sair com algumas coisas concretas. Eu já combinei com a Teresinha também para na semana que vem a gente fazer uma reunião FUNAI/MJ para pensar um pouco essa parte de suporte logístico. A gente vai precisar contratar algumas pessoas, consultores para ajudar na sistematização desse material, organização logística e tudo o mais. Então, semana que vem a gente já vai reunir para pensar um pouco isso e levar já algumas propostas para a reunião de 25 e 26. Então, o que vocês acham? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Só tem o Paulino aqui. Só. Nem a Chiquinha, nem a Sonia, nem Lindomar. Maria Augusta Assirati - Presidente: Mas o Paulino ajuda a gente nessa sistematização. É só para organizar o material. Entendeu? Manda por email, o Saulo manda a contribuição dele por email. Pode ser? Sonia Guajajara - APIB: O Paulino junta e faz um grupo né? Maria Augusta Assirati - Presidente: Isso. Sonia Guajajara - APIB: Para ir trocando email. Maria Augusta Assirati - Presidente: Isso. Pode ser? Sonia Guajajara - APIB: E marca já a reunião né? Maria Augusta Assirati - Presidente: Isso. Já. Sem ser na semana que vem na próxima. Por exemplo. Vamos ver já uma data. Essa reunião daqui 15 dias não é para decidir nada não. Só para fazer o trabalho de sentar e escrever. Pegar o que foi discutido aqui e botar no papel. Marcos e Titiah. Não pediu? Então Titiah. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Eu queria só ajudar aqui rapidinho nas falas aqui. Eu fico com uma dúvida igual Marcos Sabaru. Eu acho que nos tem que sair daqui não sei por causa do cansaço a semana toda, mas a gente tem que sair já com as coisa fechada. Acho que o primeiro passo tem de ser caminhado aqui para dá uma resposta terça-feira para gente é a questão da comissão organizadora. Que a própria Presidente falou que daqui para terça-feira dá uma resposta. Maria Augusta Assirati - Presidente: Perfeito. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Não é isso? Segundo também a gente tem acho que na questão do seminários regionais Presidenta, como teve aqui um gasto de trazer os coordenadores das CR, nós precisa de também de passa também o compromisso para eles junto convidá os representante dos movimento indígena, as liderança para se trabaiá como vai organizá. Francisca Pareci – região Amazônica: Eu já to marcada com reunião no Mato Grosso. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Assembreia ou encontro regionais. Então, eu acho que o segundo passo. Maria Augusta Assirati - Presidente: Perfeito. Luiz Titiah - região nordeste/leste: E nisso até a reunião da comissão que alguém manda ou traz já algumas proposta construída e nós reajusta dentro da comissão. Maria Augusta Assirati - Presidente: Certo. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Eu acho que dá para nós trabaia nisso daí. Maria Augusta Assirati - Presidente: Dá. Dá sim. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Está bom? Maria Augusta Assirati - Presidente: Titiah lembrou e é super importante isso. A gente fez uma reunião aqui na terça-feira com todos as coordenações regionais da FUNAI que vão ajudar nesse processo também de pensar, organizar, e contribuir com a organização e realização das locais. Ter um acordo com isso porque daí eu já vou pedir para alguém ir escrevendo essa resolução. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Lourenço. Lourenço Milhomem - região Amazônica: O que eu queria muitos já anteciparam já. Mas referente ás localidade. Eu só quero dizer que as maior dificuldade que vamo ter é só na região norte. Porque as organizações e eu vejo pelas coordenações regionais. Então, se é locais cada coordenação regionais que são 27 que são regionais, então o que... 37. 37 regionais, então, a mais difícil para nós vai ser um pouco a região norte. Eu tô vendo aqui que a região nordeste, região sul são mais por terrestre. Então, o que ia acontece? É as organizações de base com as CR mandar uma recomendação daqui já saí orientando para que se levantasse. Porque isso vai fazer, pelo menos para a região norte o nosso coordenador vai estar aqui segunda-feira para o encontro da APIB e, a gente vai já mandá a responsabilidade para ele levantá e passar para ela. Como ela conhece muito mais, ela conhece bem, facilita também essas informações. E dá para a gente na comissão já trazer já todos, pelo menos inicialmente quanto Assembléia que falamo hoje, Assembléia, conferência locais e Assembléia dá para gente tirar. São essa minha levantamento para vê que a dificuldade que vamo te nisso. Nas outra região não vai te problema nenhum. Só para dá exemplo, nós já tamo conversando e a Sonia levantou a idéia, mesma idéia que bateu. Vai ser dois Assembléia. E quem vai organiza somos nós. Vamos sentá lá nós conhece muito bem a região a gente vai fazê. Então acho que quem tem que tá dentro são os coordenadores regionais para tá ajudando local. Maria Augusta Assirati - Presidente: Só assim, para o ano que vem também a gente pensar um pouco essa questão dos tempos. Porque o decreto traz o prazo de novembro de 2015 para a gente realizar a nacional. Então, vamos dizer assim que a gente reserve oito meses, eu fiz um cálculo bem superficial de sem pensar muito, oito meses para realizar as etapas das 37 regionais. Então, se a gente for realizar em oito meses só as regionais, vão ser 4 regionais por mês. Então, e aí oito meses sobraria 3 meses para fazer todas as locais. Então, vai ser um prazo bem apertado. É isso que eu penso, só que a minha preocupação é um pouco essa coisa de mudança de gestão, orçamento que não abriu ainda em janeiro. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Região nordeste leste. Sei lá, eu fico pensando que a gente termina muitas vezes entrando nesse, desembocando nessa história da burocracia mesmo e, sabe, e a gente fica, perde a dimensão do que nós tamos discutindo aqui, as falas que foram feitas anteriormente. E aí senão der para a gente realizar em 2015 nós vamos ter que realizar ela posteriormente. Não há condições de haver alteração no decreto? Há alguma? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Acho que não. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Acho que a gente, vamos fazendo o que dá para fazer. Se a gente chega lá na frente e vê que não tem condições, vamos propor a alteração no decreto, questão de datas, enfim. Eu acho que a gente não se pegá a isso agora. Evidentemente que vamos estra trabalhando, fazer o que é necessário, mas com certa tranquilidade. Só que não tivesse mesmo condições nenhuma de haver alteração no decreto. Aí sim a gente teria que se virar nos 30 para podê dar conta disso. Mas eu acho que a gente precisa ter certa tranquilidade pensando nessa dimensão de que queremos dar para essa Conferência, para esse momento que eu acho que é ímpar nas nossas vidas. Eu acho que vai ficá na história isso. Maria Augusta Assirati - Presidente: Perfeito. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Eu queria fazer uma consideração em relação a essa questão que o Titiah levantou das CRs. Eu achei muito bom, muito boa, proveitosa a reunião que tivemos com e pela primeira vez a CNPI teve uma reunião bem tranquila, jogo aberto. Porque tínhamos que realmente fazer e fazer todo mundo vestir a camisa. Ou você veste a camisa agora ou então nada feito. Agora, eu tenho uma preocupação porque eu tô vendo aqui o calendário. A CONEEI – Conferência Nacional de Educação vai ser em março de 2016. Novembro de 2015 é da CNPI. No entanto, o ano que vem todinho também vai ser realizado as locais. E aí eu tenho a impressão que vai chegar no momento que vai haver reuniões, duas, as duas juntas quase entendeu? Porque por conta exatamente disso. Eu acho que deveria viu Guta, eu gostaria de propor aqui uma reunião com o pessoal da educação. Ou vai acontecer mesmo assim, deixa rolar, olha só o que eu estou dizendo, deixa rolar do jeito que der, ou uma vai ter que jogar para um tempo. Primeiro o próprio vai necessitar do apoio da FUNAI não é verdade? Porque os sistemas não têm estrutura para fazer usma dessa. Fazer essa Conferência. Eu to dizendo isso porque essas discussões aqui sobre isso, a gente vai levar para a Comissão Nacional de Educação Escolar Indígena. A gente vai levar para lá para a gente discutir com o pessoal, depois com a comissão, então, por isso eu estou dizendo isso, é uma preocupação minha. Outra coisa que eu gostaria de chamar a atenção é em relação a própria questão da FUNAI, é assim: que Guta, você possa encaminhar algum documento de comunicação para aqueles que não vieram, ou então para todos. Colocando essa situação e tal, tal. Porque a gente sabe que nós ainda alguns vestígios de conflitos existentes. Tem gente da CNPI que não fala com o coordenador não é verdade? Tão de mal. Exatamente. Eu acho que tem que aproveitar esse momento e nada mais. A residente manda uma comunicação dizendo que a ordem é essa, porque a turma funciona assim desde o tempo do SPI e pouca coisa se mudou, em alguns casos mudaram. Mas enfim, dizer isso. Colocando da importância e tal e que o diálogo é muito importante com os membros da CNPI. Exatamente. Fizemos a chamada também com as organizações indígenas locais e as organizações nacionais. Outra coisa também que eu acho extremamente importante, é começar a incentivar esses servidores da ponta a questão de eles terem uma leitura mais apurada sobre a política indigenista do país. Porque depois daquela pergunta do menino inocentemente, inocente, então ele não foi por conta dele. A gente percebe que realmente ele não conhecia. Então, eu acho que você vê e por ali a gente já tirou os exemplos de como as pessoas entraram, fizeram concurso, foram aprovados, tomaram posse e a maioria não tem essa clareza mesmo da política. Não sabe nem... então, eu acho muito importante isso, achei legal isso. Então, eu acho que tem que fazer isso. E outra coisa: sempre pontuando de que as agendas têm que ser pactuadas com o movimento indígena e com o pessoal da CNPI. Era isso. Obrigada. Maria Augusta Assirati - Presidente: Eu acho que a fala da Chiquinha é super importante. Só queria registrar que bom, acho que a gente avançou bastante em relação a SPI e, registro que a gente vem percebendo muito essa necessidade de realmente capilarisar o debate que a gente faz aqui em nível nacional para as CRs. Eu nem sabia desse episódio e fui comunicada agora. Peço desculpas em nome da FUNAI. Mas a idéia foi justamente essa. É a primeira vez que gente conseguiu trazer os 37 para uma reunião com a bancada. Os coordenadores saíram daqui felicíssimos, agradecendo e super elogiando porque realmente ter tido esse contato com a bancada indígena da CNPI para as coordenações foi fundamental para compreender a dimensão nacional do debate e tudo o mais. Então, assim, acho que a gente também tem que reconhecer que o caminho está aberto para a gente avançar nisso. Mas sem dúvida as regionais vão ter essa responsabilidade. Por isso que a gente quis não só mandar um memorando, mas trazer todo mundo para começar esse trabalho e agora estava até comentando com a Lucia, a resolução que vai sair daqui hoje a gente já encaminhar a semana que vem para as 37 regionais para eles terem conhecimento e, vão tem que estar... E para ser eles vão estar à disposição para essa construção conjunta nas regiões. Isso que é a orientação que a gente está dando aqui. Mais alguém está inscrito? Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Não. Maria Augusta Assirati - Presidente: Vamos então, encaminhar. Podemos fazer a resolução nesse sentido então? Teresinha pode redigir? Quer levar os pontos? Você anotou? Maria Augusta Assirati - Presidente: Então, a resolução vai ser o seguinte: será avaliado pelo Ministério da Justiça juntamente com um grupo composto pela FUNAI e outros órgãos de governo para fazer a conversa com a CONJUR e definir a questão das representações até terça-feira para a comissão organizadora da Conferência Nacional. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Como uma resolução Guta, sempre ela é publicada no Diário Oficial. Maria Augusta Assirati - Presidente: Então, não põe esse detalhamento. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Não dá para pôr esse detalhamento porque senão a resolução vai ser publicada posterior a terça-feira. Até que tenha todo aquele tramite que você assina e vai... Maria Augusta Assirati - Presidente: Então, coloca assim: será criada a comissão organizadora... instituída a comissão organizadora para a Conferência Nacional de Política Indigenista conforme estabelece o decreto tal. Com a previsão de que a portaria seja publicada até o dia 15 de agosto. Foi o que a gente estabeleceu aqui. A primeira reunião da comissão organizadora será realizada nos dias 25 e 26 de agosto. A comissão organizadora deverá enfim, vocês vejam como vai escrever isso, fazer um trabalho de organização da pauta da comissão, elaborar uma proposta de calendário de trabalho. Elaborar uma proposta não. Elaborar já. Calendário de trabalho, definir os aspectos relativos à comissão executiva e os membros que vão compor a comissão executiva. E fazer o primeiro desenho das etapas locais da Conferência, em conformidade com as propostas que serão trazidas pelos representantes da bancada indígena da CNPI. É isso? Não, da comissão organizadora não é? Coloca assim para não dar mais confusão do que já deu. Fechou? Alguma coisa a mais? Esse prazo então de terça-feira fica pactuado entre nós sem precisar constar da resolução. Fala Paulino. Maria Augusta Assirati - Presidente: Ah, texto base. Colocamos isso na resolução ou fica informal? Acho melhor ficar informal. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Registrado na ata da CNPI. Maria Augusta Assirati - Presidente: Isso. E aí a gente reúne essa comissão do texto base sem ser semana que vem na outra. Se quiserem a gente já marca a data aqui. Deixa eu abrir o calendário. Hoje é dia 01, pode ser Paulino 11 ou 12 de agosto. Essa semana do dia 11 você vai estar aqui? Então, a Lucia fica responsável por entrar em contato e marcar, inclusive a Secretaria Geral pode estar com a gente no primeiro momento. Mas qualquer coisa gente chama o pessoal do Pedro que veio ontem os ajudar a pensar. O que você acha? Pode ser? Informal. Nada para deliberar, mas para começar a construir subsídios. Esse é o grupo do documento base. Então, fechamos tudo. Relatos da subcomissão de etno e infraestrutura. É isso? Etnodesenvolvimento e a outra de infraestrutura? Só? Não tem? Quem vai falar? Rafael desculpe, eu esqueci de te passar a palavra. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Eu também ao término quero um minuto dos amigos. Maria Augusta Assirati - Presidente: Perfeito. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Só queria deixar duas coisinhas para a comissão. Primeiro que eu preciso pedir licença para vocês porque eu infelizmente vou ter que me ausentar. Semana que vem boa parte da SECADI vai estar mobilizada em duas agendas: uma com algumas secretarias estaduais e a outra com II Encontro Nacional de Estudantes Indígenas que vai ser feito lá na FGD e eu preciso ir ao Ministério despachar algumas coisas para a gente poder se programar para essas duas próximas semanas. Então, eu queria pedir licença e, a outra coisa queria deixar na fala da Chiquinha a questão da duplicidade das conferências. Que a gente realmente está diante de um grande desafio e estamos tentando nos preparar à altura desse desafio. Já foram feitas algumas, na verdade uma reunião entre FUNAI e MEC justamente para estar pensando isso. E não à toa, tanto as chamadas para a Conferência de educação coloca a FUNAI dentro da sua comissão, assim como o MEC está dentro da comissão aqui da Conferência Nacional justamente para a gente estar ajustando essas questões de calendário, organização. Esperamos realizar tudo nos prazos, mas como foi colocado, a gente também tem essa possibilidade de qualquer adequação, uma nova portaria que renove esse prazo. Esperamos que não seja necessário, mas caso sim, é uma possibilidade. Só deixar claro que a agenda está sendo colocada. Queria só deixar também pensando na CNEEI, que a CNPI indique seu nome, o nome do representante, do titular e do suplente para a gente já ter... Maria Augusta Assirati - Presidente: A Chiquinha foi indicada. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Estão me perguntando se eu ia ficar ou não e eu estava consultando algumas coisas. E eu vi e por isso eu falei desse negócio de novembro da CNPI e tudo o mais. Então, eu aceitei de ficar como titular e o pessoal vê aí que vai ser meu parceiro nessa empreitada né? Porque é um desafio para nós. Maria Augusta Assirati - Presidente: Suplente? Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Chiquinha, aí você faz uma tese sobre Conferências. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Eu já tenho. Já está inserida. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Sua tese vai ser sobre conferências. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Até mesmo porque é a segunda né? Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: Presidenta. Antes de o Rafael sair eu queria fazer um anuncio que sexta e sábado passado os universitários indígenas potiguara fizeram Assembléia, primeira Assembléia e o tema foi fortalecer a cultura né, e que universidade nós queremos. E eu pautei o porquê a universidade não construí um projeto para inseri uma cadeira em cima de direito indígena principalmente para direito e os curso de humana. E de repente surgiu uma proposta da banca onde tava três professores, que de início eles proporam a criação de um curso de extensão para direito indígena. Ficou consenso para começa no segundo semestre, porque estamos com o calendário atrasado no campus IV e que fica dentro da terra indígena. Outra coisa que eu queria deixar aqui, anunciar, é que segunda-feira nós temos o XI Aniversario da Terra Indígena Monte-Mor, que foi assinada a portaria demarcatória em 2007, dezembro de 2007 e estamos esperando a homologação. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Capitão. Bom, então temos que ainda definir o suplente. Ficou a titular a Francisca Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Suplente é o Sandro. Não é isso gente? Maria Augusta Assirati - Presidente: Suplente Sandro então. Do governo não vai entrar ninguém. O Marquinhos tinha pedido a palavra. Brasilio, só... Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: No final. Maria Augusta Assirati - Presidente: Está bom. Então, por favor Titiah. Então, estamos passando para a pauta rapidinho aqui da subcomissão de etnodesenvolvimento. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Boa tarde. Luiz Titiah representando o nordeste leste. É o seguinte Presidente nós se reunimos mais uma vez, a comissão de etnodesenvolvimento aonde tava da bancada indígena tava eu e o Priprá que faz parte da comissão e Lindomar que foi participá junto com a gente e, o Marcos Sabaru. Da FUNAI tava o Júlio Araújo e o outro Jose Augusto e do MDA Luis Fernando. Nós começamo logo no começo assim Luis Fernando dando uma informação, porque nós nunca mais reuemo o grupo de trabalho setorial. Depois da avaliação que ele colocô e tudo a gente também, nós indígena fizemo avaliação e vemos que alguma coisa não foi caminhada. Não só foi erro por parte do governo também da gente da bancada indígena por não responde alguns email que foi passado pelo Luis Fernando e o setor dele lá. Mas assim, enfim chegamo a conclusão que a importância desse grupo está reunindo e voltando a dá continuidade a seus trabalho. E aí assim enfim, depois dessa conclusão toda a gente já agendamo a reunião gora para o mês de agosto para gente fazê uma avaliação, avalia as pauta que já foi encaminhado e propor alguns encaminhamento. Enfim, junto com as pessoa. E assim e aí tiramos encaminhamento. Um encaminhamento importante foi assim, nós acha assim o fortalecimento dentro do grupo de trabalho intersetorial, principalmente na parte do governo. MMA e outros Ministério para dentro para uma discussão que trata dentro do etnodesenvolvimento dentro das comunidade indígena. E a presença do fortalecimento dos menino da FUNAI que tá presente. Porque ante era Ivan e saiu. E os menino tão aí para contribuir. E uma coisa que a gente avaliamo, que aí vamos acaba de reajustar na próxima, a questão da criação do PA Indígena. PA indígena. E tamo também discutindo a questão do PRONAF. Discutindo a questão do PRONAF e eu passei até algumas experiência da minha região que alguns indígena está acessando algumas ações de empréstimo de R$ 35000,00 e aplicando criação de gado e etc. E assim, e o outro encaminhamento quando foi informado sobre a EMATER um encaminhamento que nós fizemos para consultar aqui a plenária sobre a necessidade da representação da FUNAI e dum representante do MJ no Conselho de assessoria nacional do órgão conjuntivo da EMATER. Para ter alguém lá também representando e discutindo dentro da política. E a outra coisa é o seguinte: pela necessidade que nós vimo desse trabalho da comissão de etnodesenvolvimento e hoje temos dentro da FUNAI um setor que tá aí com suas proposta muito interessante ora desenvolver dentro das comunidade indígena, que no setor CGETNO. A gente achamo a importância de dentro dessas reuniões da CNPI a gente puxar uma extraordinária aonde nós traz mais pessoas para nós tá discutindo sobre o etnodesenvolvimento. E também fortalecendo alguns trabalho da própria comissão que participa eu, Priprá, o Anastácio e a Simone e os representante do governo. E a outra coisa é o seguinte: que essa extraordinária a gente pode tá participando e tê o período do informe para a gente porque parece que vai tê algum encontro da FUNAI onde vão discutir o orçamento. Sendo do setor do CGETO para dentro das CR para apricá dentro dos projeto das comunidade indígena. Eu acho assim, a importância de nos tá mais profundando, madurecendo nessas discussão. Então, a discussão foi mais ou menos dentro da comissão. Eu gostaria de passar a palavra para alguns companhero que participou para tá ajudando aqui e informar algumas coisa que às vez eu deixei para traz. E é isso aí. Na minha colocação, na minha visão o que eu consegui passar foi esses ponto aí. Muito obrigado. Marcos Sabaru: Então, a gente também percebeu Presidenta uma certa dificuldade que vem passando em relação ao recurso do GCETNO. Primeiro por parte do governo que insiste em diminuir e como é que a palavra... Participante fala sem microfone. Marcos Sabaru: Isso. Primeiro o apelo para o governo que recue, que deixe de fazer isso porque isso reflete de forma negativa lá na base, na aldeia né? E segundo, mesmo com esse recurso pouco a gente entende que ele precisa ser rediscutido, reprogramado, repensado. Eu não sou a favor da gente tratar os diferentes iguais não. Acho que os diferentes são os diferentes. Temos uma realidade dos índios do sul que está naquele sistema bem próximo de alguns colonos. Assim como do nordeste na questão da agricultura. Essa é uma questão forte. Assim como outros de pouco contato e outros isolados. Então, temos que tratar esses grupos que está em processo diferente de forma diferente. Muitas vezes o Marcos Xucuru e eu visitei, visito muito a aldeia dele e conheço o trabalho que eles têm lá com a questão orgânica, com a produção da merenda que eles mesmos abastece a escola com a questão do leite, com a questão da verdura sem, abastecendo a cidade. Então, talvez não seja interessante para ele a mesma coisa que seja aplicado para outro parente lá do norte, o cara que tá no Monte Roraima, então, tem que ser tratamento diferenciado para as pessoas que está em estagio diferente. Então, eu acho que precisa ser rediscutido, repactuado. Quero dizer que da forma que nós do nordeste, baixo São Francisco, nordeste I e II e eu acredito que outras regiões também não têm sido satisfeita. O comitê Guta não vai dá resposta que se precisa porque a gente sabe que tem dificuldade de se reunir, deliberar. Talvez um mais e outros menos. O comitê que eu falo é o regional. Alguns tem uma cultura de se reunir e tá podendo e outros não. Então, fica fragilizada essa resposta. A mensagem é que esse dinheiro, o ideal é que se aumente e quando se aumente se pense que tem uma meta. E também veja a forma que ele tá aplicando e o resultado. Tudo no mundo tem que ter diagnóstico. Então, esse dinheiro está sendo bem aplicado, o público alvo está satisfeito, os técnico o que dizem? Então, tem, que ter isso aí. Não é só aplica dinheiro e a comunidade a todo momento reclamando, os administradores dizendo que não tá bom, o pessoal aqui dizendo que é. Enfim, tem que repensar, repactuar e tê um cronograma e tê também uma forma de ser bem aproveitado. E tratar os diferentes de forma diferente sim. Não os diferente igual. Nem todo mundo que facão, nem todo mundo que tacho, nem todo mundo está coletando castanha, nem todo veve da caça nem da pesca. Nem todo mundo que trator né? Nem todo mundo que arar terra, enfim, vamos vê, vamos pensa isso e foi isso que a gente tava percebendo. Isso não é crítica nada e nem a ninguém e, sim uma proposta da gente repensar, da gente repactuar isso aí. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Muito boa a fala do Marcos Sabaru. Brasilio incrito. Brasílio Priprá - Xokleng - região Sul/Sudeste: Brasilio Priprá povo Xokleng Santa Catarina. Na verdade foi o que os companheiro falaram. A gente trocou uma idéia e achou que na verdade na ponta deveria ter uma parceria aonde na verdade como o companheiro ali falou. São coisas diferente uma da outra né, então a gente tem que atender aquilo que o pessoal já tem o conhecimento e que trabalhá com aquilo. E isso só quem pode ajudar isso é na ponta, a própria FUNAI com seus técnico. Essa é uma parceria para a gente chegar mais próximo da realidade. A gente não vai chegar 100%, mas o objetivo é chegar mais perto da realidade. É isso então. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Brasilio. Só um comentário em relação a isso. Sempre venho falando que a nossa área de etnodesenvolvimento ela é muito importante dentro da FUNAI e ficou por um tempo digamos, secundarizado o trabalho. Então, a gente vem buscando fazer esse investimento mais forte de apoio também para fortalecimento dessa área. Em 2012 a gente fez uma inversão no orçamento da Diretoria onde se alocou menos recurso para a área de promoção e direitos sociais e mais para o etno, justamente para fortalecer esse princípio de autonomia, das atividades produtivas e tudo o mais. Como uma forma de potencializar as capacidades do que as comunidades já estavam produzindo. E fazer com que isso impacte em uma menor demanda de cestas básicas e tudo o mais. Mas acho que é super importante todo mundo estar compreendendo que os objetivos são semelhantes. O caminho que a gente vem tentando trilhar é justamente esse que o Marcos colocou, de compreender e atuar de maneira especifica diante das especificidades, das diferenças que cada região traz, que cada comunidade traz. O recurso realmente é muito pequeno frente à demanda que a gente tem, mas a gente vem buscando e batalhando aumentar esse recurso, esse orçamento, fazendo essa discussão dentro do governo. E colocar assim, que o comitê regional ele realmente é uma tentativa da gente começar a democratizar junto ás comunidades essa discussão da aplicação dos recursos da FUNAI. Mas ele a gente sabe que ainda não está suficiente como mecanismo. Então, precisamos pensar outras formas e estamos atentos e aberto também a sugestões para formas de discutir esse recurso. Fala Júlio. Júlio César Araújo/FUNAI: Júlio Cesar da Coordenação Geral de Promoção do Etnodesenvolvimento. Só para endossar as palavras dos colegas que participaram da subcomissão e dizer que foi uma felicidade ter o diálogo e entendimento sobre isso. E que é nesse sentido que a CGETNO está promovendo agora o módulo de capacitação em outubro, justamente na perspectiva de fazer uma reflexão sobre como e onde aplicar os recursos do etnodesenvolvimento. A gente sabe que historicamente que as demandas são diversas em função das culturas, em função das ecologias. E em função também, dos acessos às tecnologias que permeiam os territórios. E uma outra coisa além de fazer pensar a aplicação do orçamento, de tentar refletir sobre a regionalização das metas. A regionalização de metas para que possa compor as metas PPA da CGETNO e da FUNAI. Eu acredito que fazendo a extraordinária da subcomissão, fazendo esse modulo de capacitação da CGETNO, isso vão orientar mais ainda a pactuação efetivamente orçamentária que é feita n primeiro trimestre de cada ano. E que isso sirva, o consolidado, disso possa servir como política institucional para aplicação dos recursos, haja visto que toda vez lembrando do contingenciamento, quando há o contingenciamento o que está acontecendo na verdade, é um cerceamento à segurança alimentar, à segurança nutricional e também a possibilidade der geração de renda pelos povos indígenas. E aí a expressão máxima da sua autonomia. Era isso. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Júlio. Mais alguém que falar sobre a subcomissão? Lourenço. Lourenço Milhomem - região Amazônica: São duas coisas referente a observação, não participei da reunião, mas só nas fala né, é importante nas fala de cada uma essa questão de dentro do etnodesenvolvimento, a questão de desenvolvimento na produção. A gente preocupa muito hoje eu sei que são as diferentes estados, diferentes localidades, diferentes convivendo da população indígena né. Eu me preocupo muito porque estava conversando sobre a participação dentro da Conab dentro da comissão da Conferência, quando falaram me lembrei que dentro da discussão política para construir ou atender à necessidade através do projeto do recurso para comunidade indígena, não se pensaram de como se diz, de qualificar a adaptação na produção de alimentos. Hoje tá tendo muito aparecimento de umas doença porque nós na maioria da comunidade que hoje a gente vê, a gente traz a produção de fora para dentro. Então, é uma discussão muito e acho que precisa muita discussão. As localidade, principalmente na FUNAI e nas própria comunidade buscar uma política diferente, como já anteciparam a fala. Tem povo que ainda realmente continua com produção tradicional, tem povo que perdeu tudo, não tenha. E isso vem para nós que convive com as comunidade observa, precisa uma discussão que ouve mais nós indígena o que nós queremos. E desenvolver uma política para realmente vir acontecer para nós na comunidade de desenvolvimento de produção de alimento. Eu to dizendo porque eu vejo assim, uma discussão que aconteceu no nosso estado, a questão de cesta. Nós não queremos cesta, queremos uma política que desenvolve na produção, que os índio aprende. E que realmente garante a sobrevivência do próprio né. Seu trabalho eu acho que realmente dá para sustentar a família. Então, eu queria tocar nessa parte. E aproveitar a oportunidade, isso aqui para nós eu acompanhei um pouco na região questão licitação. Eu tô reclamando porque eu reclamei lá. A licitação às veze no pregão quando faz aquele recurso que é do governo já é pouco e quando faz licitação vem material inferior. Digamos, fizeram um absurdo de compra de forno. É um forno que é lata, aquele grosso que não é realidade nossa. O cara vendeu para vende. São quase oitenta forno, eu não vi o valor e os índio olharam e diz que não é para nós. Imagina outros materiais quando a gente compra de outros, ferramento. É inferior. Então, eu queria assim aproveitá porque isso com certeza em todo o Brasil acontece isso. E observando um pouco isso a gente tá observando e até falei quando chegô material e eu fiquei de falá aqui para ver uma forma melhor, se tem um meio de devolver ou não esses materiais que são licitado pelo pregão. É dinheiro. Mas o material é inferior muito. Com pouco tempo ao existe some, com certeza acontece em todo Brasil. Então acho que é bom fala nisso. Que é dentro do trabalho nosso com a comunidade. Então, eu queria tocar nesses duas coisas. E aproveitando lembrando que questão de autorização de fazer algumas não obra digamos, quem quando falou quem que trabalha com trator que já tem comunidade que tem máquina. Para nós tem dificuldade, inclusive com a coordenação regional. Os caras às vezes não têm, querem produzir e tem algum dinheiro para agradear aquela terra degradada e os cara não entra mais porque tem que ter autorização da FUNAI e espera muito. E às veis IBAMA acaba impedindo e quem perde com isso somos nós. Então, eu queria essas três coisas citar. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: Obrigada Lourenço. Diga Titiah. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Só aproveitando aqui que eu lembrei nesse momento é o seguinte: também chegou ao nosso conhecimento algumas informações eu queria aproveitá aqui na bancada da CNPI aproveitá os companheiro aqui ainda que representa o governo, está dentro da política do governo federal, a gente vendo assim, a importância desse setor dentro da FUNAI do CGETNO e esse desenvolvimento que tá tenho nas Cr e na ponto, mesmo que ainda precisa organizar, reajustar algumas coisa, a gente queria aqui fechá um encaminhamento para segurá o orçamento dentro desse setor. Porque segundo as informações, foi diminuído de 2013 para 2014. Diminuiu e a tendência parece que o ano que vem diminui mais. Que aumente e que de fato faça a política la na ponta e que seja garantido né o orçamento para esse desenvolvimento para dentro das comunidade indígena. Maria Augusta Assirati - Presidente: Mais alguém quer falar sobre essa questão do Etno? Paulino? Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Eu estava em outra reunião lá fora, mas a preocupação muito pessoal minha é que tem momentos que me preocupa porque parece que a etno discute muita a questão indígena mais na perspectiva ainda assistência social né. E na perspectiva do programa de erradicação da pobreza né. Que até mesmo apesar do nome etnodesenvolvimento, parece que a gente se detém mais na questão do desenvolvimento que no etno né. Se é uma preocupação que a gente tem que amadurecer um pouco mais de repente na própria subcomissão e gente tem que resgatar essa perspectiva. Desenvolvimento desde os pontos de vista etnocultural. É uma precariedade em termos de princípios, nortes, teórico, conceituais né. É muito importante a gente resgatar isso. Essa é uma preocupação. E a outra que é mais de ordem estrutural né, e organizacional, é que ás vezes me pergunto por que nós discutimos a questão do etnodesenvolvimento por um lado e ao mesmo tempo a gente discute a PNGATI por outro lado, que sendo que nos objetivos da PNGATI a maioria, muitos objetivos específicos estão direcionados para exatamente a questão da sustentabilidade do desenvolvimento que vai muito mais na dimensão ambiental né. E acho que em termos de política de estado se falha muito nesse sentido, porque você duplica esforços, duplica recursos tanto humanos como financeiro e acaba sendo ações dispersas, pouco articuladas né. Eu acho que o desafio colocar inclusive para nós na discussão do conteúdo das perspectivas da Conferência Nacional de Política Indigenista é a gente trabalhar exatamente em unificar as perspectiva, os princípios e as ações na linha de fato garantir a sustentabilidade dos territórios e dos povos indígena. Eu queria já aproveitá para já começar a sedimentar a perspectivas novas nas políticas públicas né. Maria Augusta Assirati - Presidente: Desculpe gente. Marquinhos. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Eu gostaria de fazê essa fala mais no sentido de me despedir de vocês e dos nosso amigos, os companheiros de luta que demos início a uma jornada de longas datas. E posso dize que aprendi muito aqui nessa comissão dialogando com governo, dialogando com nosso parente, compreendendo um pouco essa dimensão de nosso país. Dizer que acho que daqui desta comissão nacional, acho que o que restou aqui de quem deu início a este processo, acho que eu e Paulino e acho que Saulo também que demos início a essa construção quando foi criado o grupo de trabalho, o GTI para pensar a CNPI. Foi longas datas assim, anos, anos construindo e pensando esse espaço que é tão importante e está sendo tão importante para a gente enquanto povos indígenas nesse país. Dize que tem uma missão e essa missão foi nos dada pelos encantados, até porque para o povo Xucuru somos orientados pelos encantados, há uma missão. Então, essa missão eu assumi na medida em que o cacique Xicão foi assassinado e essa missão foi herdada e os encantados me deram essa missão apenas com 21 anos de idade. E assumi e com isso também sofri bastante porque perdi meu pai, e sofri também porque passei por um processo de criminalização ferrenho enquanto liderança. Chegando a sofrer um atentado onde morreu dois jovens que estava comigo. Tem uma trajetória de luta. Fui aprendendo após poucos com cada um de vocês e também com os ensinamentos da natureza sagrada, que são nosso encantado que nos guia. E essa missão que me foi dada, deixada para mim, ela aqui se encerra um círculo dessa caminhada. Essa caminhada que chegou até aqui, até esse momento e preciso fazer o caminho de volta. O caminho de volta porque os encantados estão me chamando novamente para a base. Eu preciso me purificar, eu preciso fazer exatamente o que eles precisam e, saber qual é a minha missão daí para frente. Então, eu saio aqui, estou me despedindo da CNPI. Essa fala inclusive já fiz na Assembléia da APOINME e aqui preciso encerrar esse círculo para poder a própria CNPI fazer a solicitação do meu suplente, que é o Selmo Xucuru-Kariri que é o meu suplente, para poder assumir aqui na CNPI. E digo que saio com muita alegria de ter construído e ter participado de coisas tão importantes na nossas vidas, que fez mudança como a mudança do estatuto, os enfrentamentos que tivemo dentro do Congresso Nacional, a construção mesmo do projeto de lei que cria o Conselho Nacional de Política Indigenista do qual fiz parte da subcomissão. Enfim, foi tantas coisas que construímos junto, mas também com certeza os que virão vão também dar continuidade a essa caminhada. Enfim, era um pouco isso e dizer da satisfação de ter conhecido vocês. E que iremos nos encontrar nessa batalha e diga ao povo que avance. Brasílio Priprá - Xokleng - região Sul/Sudeste: Só quero deixar aqui, Brasilio Priprá, o meu, a minha tristeza de perder meu companheiro. Eu sô um cara que tenho muito coração, sentimento e na verdade a gente sempre era colega de quarto, sempre brincamos, sempre fizemos brincadeiras, mas sempre uma brincadeira saudável. E eu deixo aqui também, acho que aprendi muito com ele. Eu acho que a pessoa que vim no lugar dele é uma pessoa que também vai aprende bastante, sabe muito, mas eu acho que a CNPI perde um grande companheiro, Marcos Xucuru, que na verdade todos nós aqui aprendemos muita coisa com ele. Como ele aprendeu com a gente a gente também aprendeu com ele. Então, eu fico muito triste. Eu sou muito assim bem sentimental. Diz que é feio o homem chorá, mas o homem que chora tem coração, tem sentimento, tem alma. Então, na verdade eu deixo aqui um abraço para ele. Publicamente um abraço para o Marcos Xucuru e para todo povo do lá de Pernambuco. Então um abraço aqui de coração Marquinho do Brasilio Priprá do povo Xokleng de Santa Catarina. Obrigado. Marcos Sabaru: Pessoal, é um pouco difícil porque repassei isso lá na base querendo dá Conselho ao companheiro aí Marquinho. Falei a importância la dentro da assembléia da APOINEM a gente, a saída dele dentro do movimento nosso, você não aprendeu marquinho, você ensinou também a gente. Nas minha caminhada aprendi muito com você também. Entra na APOINME enfim, cara nós teve uma luta, mas quem sabe somo nós o que já passamos nessa caminhada aí de mobilização, tomamos spray de pimenta no rosto, tomamos porrada de segurança para dá o nosso recado. Mas eu deixo aqui registrado dentro da CNPI, o povo não perdeu não, mas a APOINME, nossa organização perdeu, está perdendo porque eu sinceramente achei muito difícil te recebe na assembléia. Nós tamos perdendo porque você tem conhecimento, tem uma bagagem de luta e ajuda a gente muito nos momento difícil que a gente está aqui para discussão, para defende os nosso direito. Dize para você meu amigo, se os encantado tão chamando você também tem de obedecer. E tenho certeza e vô deixa registrado, que você vai volta aqui mais forte que você. Quem sabe quando você volta já tá criado o Conselho Nacional de Política Indigenista. Esperamos isso. E eu quero agradece de coração a você, a sua comunidade, a luta do seu pai, a luta da sua mãe, a luta do seu povo. Eu quero dexá aqui registrado o agradecimento e da sua contribuição que você passou aqui. Não só aqui na CNPI, com todos movimento indígena, todos os acampamento, toda as luta que fizemos junto com os outro parceiros. Valeu. Obrigado Marquinho. Luiz Titiah - região nordeste/leste: Eu gostaria de dizer para o amigo Marcos, dizer amigo, irmão, porque a gente já ao longo, eu conheci o Marcos e acho que o Marcos tem quase a mesma idade que eu tenho. Começamos praticamente junto. Eu comecei um pouco mais cedo. Comecei mesmo até com seu pai, novinho, e a gente ao longo do tempo vai descobrindo quem é quem, como as pessoas se comporta, qual o tipo de confiança que a gente dá a cada um de nós que estamos aqui. E você pode ter certeza disso, todos que estão aqui presente, mas a gente escolhe alguém para sempre tê um pouco mais de confiança. Então, você é um desse para mim. Tá entendendo? E eu acho que você por mais que eu brinquei aqui não dê a palavra a Marco, eu acho que o home tem que se assim, o ser humano tem que saber o momento certo de recuar. Eu acho que você sabe e já passei por essa barreira e vamo passa. Ninguém, aqui pode, isso é um processo que ninguém tá, qualquer um de nós pode se exposto a uma situação que a gente não botá no plenário. Mas se você, sua decisão é sabia e só uma pessoa pode, só uma coisa defini isso tudo, se chama o tempo. O tempo é que se encarrega de defini o caminho de cada um de nós. Então, eu acho que esse tempo com certeza em breve vai chega e nós vamo ter o grande guerreiro de volta. Muito obrigado. Kohalue Karajá - região Amazônica: Então Marcos eu, Kohalue Karajá, a gente sente muito porque eu particularmente apesar de eu vim da base também com a vasta experiência em relação regional onde eu trabalho com movimento indígena né, e eu tive essa oportunidade de estar aqui com vocês na CNPI. Tive a oportunidade de trabalhar com vocês aí, com você principalmente, assim, queria pedi desculpa da minha parte a sua pessoa. E aí assim provavelmente o próximo que vai tá deixando a CNPI é o Kohalue. Porque devido meu trabalho, atividade também e por enquanto vô permanecendo aí. Vai acontecer a Assembléia geral do povo Javé agora setembro e aí não sei como vai sê definido lá né. Não sei se vô saí ou permaneço. Não sei como vai fica. A demanda é grande. Acabei de assumir a Coordenação Técnica da FUNAI da minha região e, aí assim, eu sei que a luta é grande. A gente vai continuá e então eu vô torce por você na tua base. Que Deus te acompanhe. Obrigado. Francisca Novantino Pareci - região Amazônica: Eu tô assim extremamente surpresa né? E ao mesmo tempo surpresa e muito triste porque é um desfalque muito grande na comissão de política indigenista. Uma comissão que começou timidamente, as nossas manifestações e a gente aprendeu. Cada um aprendeu com um né? E eu acho assim, cada um traz sua trajetória, sua história de vida, suas experiências e contribui muito. Eu acho assim Marquinhos, eu espero que você tenha muito sucesso nessa nova caminhada que você está indo. Quando diz que são os encantados que tá chamando a conversa é outra. Porque quando é o povo que tá chamando a conversa é outra. Existe uma diferença muito grande entre a gente saí por uma situação de “enes” contextos do que uma questão quando é a comunidade, quando é os encantados, quando é u movimento muito maior do que nós né. Você vai deixar saudades né Marquinhos, porque me lembro de vários momentos que a gente passou na CNPI e que você foi uma pessoa importante para a gente. Porque você deu o equilíbrio que a comissão precisava. E eu falo com muita propriedade porque eu já passei por vários momentos na vida da gente, momentos no próprio movimento indígena. Injustiças que aconteceram né e você, principalmente com nós mulheres, apesar de ser pouco e eu falo isso um pouco pensando na Pierlangela que quantas vezes você chegou para nós falando meninas, a conversa não é por aí. Vamos por aqui. Então, você tão jovem ainda e você deu muitas lições para nós. Então, nos ajudou a caminhar principalmente nos passos dos nosso ancestrais. Então, eu quero considerar aqui não como uma despedida definitiva, porque você não tá morrendo, mas com outra oportunidade que vamos estar nessa mesma caminhada. Mas eu digo isso até porque pela minha própria experiência de vida que a gente tem. Várias etapas que eu já passei. Eu sou do movimento antigo, da velha guarda pode se dizer assim, da década de 780. E aí a gente vem para cá e conhece várias lideranças de várias etapas de vida. Várias etapas que passaram. E como eu disse, você vai deixa saudade porque você assim como os demais que são do nordeste, conseguiram de fato marcar uma presença do nordeste na comissão. Um povo tão sofrido, um povo que foi muito maltratado na história do Brasil. A gente sabe disso. E que nos ajudou a entender, a compreender melhor o povo do nordeste. Então, eu fico triste também, assim como os demais, de você tá saindo. É claro que não sei, não conheço o outro parente que vem, mas é um desfalque muito grande do ponto de vista do nosso movimento, da nossa coesão, principalmente neste momento que vamos ter de um grande desafio que é realizar essa Conferência. Eu considero você como se fosse um filjho que a gente que vai embora e a gente tem que tentar conciliar as coisa. Eu espero que você de fato possa ter sucesso, êxito nessa sua nova caminhada. E sempre pensando nos passos dos ancestrais. Isso é muito bacana. Eu espero que você possa sempre lembrar da gente. Em qualquer momento, em qualquer oportunidade. E gostaria que mesmo distante a gente pudesse contar com a sua pessoa nesse conjunto de contribuições que vamos precisar nessa grande empreitada que será essa conferência. Porque o desafio, principalmente, será nosso. Será do movimento indígena. Então, por isso não quero chorar mais porque a gente chora, tem medo, mas eu quero colocar como uma nova perspectiva de que possa estar aqui como Titiah falou, que você realmente estar aqui no outro momento mais fortalecido. Eu sei que é um momento seu e eu compreendi um pouco a história, mas assim, é um momento seu, momento do seu povo e espero que de fato a gente vai encontrar em várias oportunidades. Eu só não quero que você esqueça de nós, de cada um, principalmente de nós do Mato Grosso. Era isso. Obrigada. Capitão Potiguara - região Nordeste/Leste: Eu sô suspeito para falar do Marquinhos. Eu tenho um trabalho na UFPB onde eu coordeno um grupo de pesquisa e muitos alunos que se formaram de vários cursos justamente teve uma contribuição de Marquinhos. Após o pai dele se assassinado, em 96 eu criei um grupo de pesquisa e a professora que coordenava o projeto se interessou de fazer a pesquisa de doutorado lá no Marcos Xucuru. E lembro até hoje que a contribuição que ele deu, apesar de o pai dele ter sido morto em 89, cheguei lá em 98 que digo, 98, 99, nesse período, e sei a responsabilidade que ele assumiu. Por isso que a gente tem essa relação. Relação de irmão mesmo. Eu com 57 anos eu trago ele como se fosse aquele filho, que eu tenho duas filha. E ele é aquele filho. A universidade onde eu trabalho e foi o interlocutor de levar os estudantes com a coordenação do curso para fazer pesquisa dentro da área dele. A gente espera e ele não vai justamente largar o movimento. Está justamente voltando porque os encantados chama, mas ele vai dá essa contribuição ao movimento mesmo lá. A hora que ele precisa, a hora que o movimento precisa eu acho que ele vai tá conosco aqui em Brasília. Sonia Guajajara - APIB: Eu não consigo mais fala. Bom Marquinho, eu quero nesse momento te dizer: muito obrigado. Obrigado pelo tempo que a gente conviveu contigo. Obrigado pela contribuição que você deu não só na CNPI, mas para todo movimento indígena. E fala do movimento, na contribuição que você deu para os povos indígenas do Brasil. Você enquanto tão jovem sempre foi uma grande inspiração para todos nós eu acredito. Todos os movimento que tivemos junto, discutindo, pensando, ponderando, tomando cota mesmo às vezes ne. Tentando apaziguar tanto momento difíceis que a gente teve. Desde 2001 quando a gente se conheceu sempre a gente teve uma amizade muito boa, sincera, harmoniosa. E sempre muito de sintonia né. Sempre teve uma sintonia muito boa. Mas como tem o ditado que diz que o grande guerreiro sempre sabe o momento de recuar da batalha. Eu acredito que esse momento é exatamente para isso né. Repensar novas estratégias, repensar uma renovação da luta. A gente vive um momento tão difícil, um momento tão delicado que a gente vive aqui no Brasil de luta. E são tão poucos de nós que se dedica a isso. A gente sempre diz que somos muitos, somos mais de 700 mil, mas são poucos que se dedica, que se dispõe a faze o enfrentamento que a gente vem fazendo. A gente sabe, a gente vem com isso não porque é uma coisa que a gente que, porque é uma missão que foi dada para nós. A gente tá aqui porque é uma missão para cada um de nós. Não é a gente que escolhe o que vai fazê. Né? Então, eu credito muito que nesse momento você está sendo chamado exatamente para isso. Para se fortalecer, para renovar suas energias e com certeza volta muito mais forte. Eu só quero te dizer que esse caminho não vai sê tomado pelo mato, pelos arbustos, pelos espinhos. Não vai. Porque vamos regar sempre esse caminho de amizade. Não vamos deixar com que esse caminho seja obstruído por coisas ruins, por inveja. Que não seja destruído por pessoas que queriam tá no teu lugar. Nós temos que sê muito mais forte do que tudo isso que tá aí ruim. O bem um dia tem que prevalecer e eu acredito que a tua volta vai fazer parte desse bem e que vãos ainda enfrentar muitos momentos juntos. Independente de CNPI, com certeza esse caminho vai está livre, vai está aberto para a gente continuar se encontrando e fazendo essa luta que nossos povos tanto precisa tá? Muito obrigada gente. Ak’Jabor Kayapó - região Amazônica: Bom Marquinho, eu quero agradecer a Deus por ti porque você, para nós que é liderança, todos que estão aqui e como você não foi assim, formada numa escola. Todos nós que saímo da base já vem com destino de lutá pelo seu povo. Que Deus deixô cada um de nós, não preparo a gente para estar ocupando o seu lugar. Nem um de nós ocupa o lugar de outro. Nenhum de nós aqui são parecido com outro e nenhum de nós tem o mesmo pensamento um do outro. E as lideranças que aqui se permanece, aqui estão aqui ou que vieram, aqui são as pessoas que realmente foi escolhida pela nosso criador. Assim como a políticas, assim somos nós. Política não indígena assim somos nós. Nós assim como você tá saindo são a pessoa que defende coletivamente. Defende os direito do seu povo, da sua comunidade no modo geral. Então, eu quero assim te parabenizar por sua luta. Uma parte do seu trabalho está deixando, sua sabedoria, conhecimento, de onde que você veio que aprendeu junto que todos nós saimo preparado. Então, não é porque você tá indo embora que a gente vai dizer que não, não tá morrendo. É um trabalho em conjunto que nós acreditamo em nós. Porque quando a gente começa a organizá e fortalecê a luta tem alguém no meio ajudando e, uma das pessoa é você. Então, eu quero assim te deseja seu trabalho, sua volta para sua comunidade, essa chama-se purificação na sua volta e que esse lugar seu aqui está sempre aberto. Está sempre aberto. E como liderança claro que a gente vai está sempre se encontrando, se comunicando e para isso tem hoje comunicação. Então, quero te agradecer por tudo e que Deus ilumine seu caminho, Deus fortalece principalmente em 4 parte do seu redor. Que sempre vai estar te fortalecendo sua luta. Então acredito sim e entregando na mão do senhor que eu acredito no meu Deus vivo. Deus que está sempre nos guiando, orientando, entrega para que realmente te ilumina para dentro da sua comunidade. Então, queria só contribuir como pessoa, como ser humano. Que todos nós quando a gente conveve junto acaba se ligando. Então, eu quero te pedi desculpa pelas brincadeira que nós fazemos né. Então, quer o que se leva tanto recado como todos nós aqui para sua comunidade. Nós tamo sempre aqui de braço aberto. E muito obrigado. Rosa Pitaguary: Marquinhos lhe conheci logo depois quando você sofreu uma emboscada e desde época comecei a conhecer essa pessoa maravilhosa que você é. Admirar também, respeitá dentro do movimento indígena com as dificuldades que a gente passa, tudo. E dentro aqui da CNPI também com seus cuidado com nós enquanto mulher. Sempre tendo aquele carinho com a gente e nos ensinando a percorrer o caminho certo. Muitas vezes a gente já para explodir e você chegava com palavras e dizer calma, não é assim. Então, assim, a gente aprendemos a saber que você estava do nosso lado e sempre com esse cuidado com a gente né. E sabendo que isso para mim não vai sê um adeus, vai sê um até logo até mesmo porque eu sei também quando somo cobrado e chamado pelos nosso encantados, porque eu também já passei por esses momento né. De estar na base e de começar a trabalhar principalmente voltado pelo nosso povo. Então, eu sei também o que é isso e sei que isso é importante. E sei que quando nós desobedecemos nós somo cobrado muito mais do que está no movimento a nível nacional. Mas o local é mais pesado para nós. Então, assim, logico a gente vamos ficar com saudade porque não vamos estar nos vendo com tanta frequência né. Vai demorar mais para a gente se vê mais. É assim mesmo. Que quando a gente se vê com certeza a gente vamos matar essa saudade e vamos colocar a conversa em dias, que nem a gente sempre faz. Então, para mim você me ensinou muito dentro desse movimento. É só isso. Obrigada pela sua amizade. Rafael Xucuru-Kariri - MEC: Eu queria cortar a fila Saulo. Desculpa. É que eu já me despedi e já vou perder o segundo carro do MEC, e o Ministério está puto lá comigo. O Marquinhos para minha surpresa disse que tava né, fui me despedi dele e ele me abraçou e disse que tava se despedindo. Quero dar pelo menos um depoimento que não tem conversa. São os encantados que estão chamando e é o momento de fortalecimento espiritual e só desejo que você volte muito mais forte nessa jornada. Esses índio chorão. Vamos lá. Eu depoimento que eu queria trazer porá o Marquinho é assim: o povo Xucuru tem uma importância muito grade, o povo Xucuru-Kariri o nome mesmo já diz muita coisa. E o mesmo acontece com a histórias do Marquinho para as liderança Xucuru-Kariri, para as liderança Pataxó, do nordeste, do país todo. Eu sei que a gente conviveu pouco, apesar de eu ter tido o prazer dos acampamentos da Chácara do CIMI, guardar o crachá. Umas ocupações no Congresso, na presidência. Eu tive o prazer de compartilhar com você. Mas eu queria dizer que também não só povo, mas seu nome sempre foi uma referência muito forte para as liderança jovem. No nordeste que é a base que venho, para a Bahia, sempre quando a gente tava reunido com os estudantes, que a gente consultava as liderança mais velha e sempre tinha essa conversa de que jovem tem que se prepara, tem que se prepara a luta. E o nome que sempre era citado entre vários outros, aqui especialmente para você sempre foi o seu. Um exemplo, uma liderança jovem, teve uma responsabilidade enorme ainda muito novo. Então, quando vocês estiverem reclamando que as liderança jovem tem problema, olha esse exemplo forte que vocês têm na região de vocês. Então só desejo melhoras para você nesse processo e que volte muito fortalecido. E que queria dizer que você tem um nome no movimento indígena. Esse nome só se repercute por causa desse comportamento seu e vai continuar mesmo nesse momento de parada. A gente tem você como referência e eu digo pelas lideranças jovens, você é um nome que a gente respeita. E quando a gente olha assim o tipo de liderança que a gente quer ser, com certeza você está nesse rol de liderança. Deixa eu te dá um abraço senão o motorista vai... Saulo Ferreira Feitosa – CIMI: Primeiro eu quero agradecer a vocês todos os homens e mulheres indígenas que possibilitam chorar com vocês. Acho muito bom poder chorar. Chorar em várias situações. Priprá você chorou na reunião passada porque informou que tinha cinco companheiros presos. Naquele momento você chorou e disse a mesma coisa: dizem que é feio homem chorar, mas homem chora. Hoje você chora por uma razão de sentimento mais ameno porque é de despedida. Nossa vida é assim: encontros e despedidas. Então, acho que esse fato de chorar é muito bom que seja nesse espaço aqui, embora já esvaziado, mas é o espaço da aridez do estado. O estado é uma coisa sem vida. E mesmo sendo a CNPI uma das instâncias que está dentro do espaço do estado, a gente dá vida a esse ambiente. Então, que bom q que todo mundo e eu me sinto mais tranquilo para chorar sem constrangimento. A Guta também fica menos constrangida para chorar. Todos nós choramos juntos. E a gente constrói no choro uma forma de refletir a vida, de descolonizar a vida, porque nos proibiram de chorar, nos proibiram de rir. Inclusive um texto muito bonito de um antropólogo Pierre Clastres e é uma indagação: de que riem os índios e ele conclui depois que os índios riem do poder. E tem mito indígena que o riso é o elemento principal do mito. Então, chorar e rir faz parte do processo de descolonizar a vida. Como a gente está em um discurso descolonial, isso é muito bonito. Então, agradeço por poder participar com vocês desse momento de chorar junto. Momento que a gente também lembra do nosso companheiro Manuel Moura que está na UTI. A gente fica o tempo todo perguntando como está o Moura, tem notícia. Esteve conosco na reunião passada. O Moura que começou a luta no período em que o Cacique Xicão começava, eles são contemporâneos. Do Paulino, do Capitão, dos mais velhos que estão aqui. O Moura começa a luta com a COIAB e o Xicão começa a luta pela APOINME. Esses encontros inter étnicos, interregionais e de elaboração de uma mudança na história desse país. Então, é isso que vocês fazem. Essa despedida na verdade vocês fizeram uma reflexão sobre a motivação da luta. É muito bonito a gente entender isso que vocês não fazem entender. E a participação na CNPI não está desvinculada à ocupação de terra. A participação da CNPI não está desvinculada da luta contra os grandes empreendimentos que afetam as terras indígenas. Aqui se fez referência ao Marcos, ao atentado sofrido, ao cacique Xicão, ao assassinato e da luta. Essas pessoas que construíram o texto da Constituição brasileira foram depois assassinadas. Mas elas deixaram consolidado e escrito em forma de uma legislação que mudou muito em relação ao que era desde quando da colonização e que a gente quer que melhore. Eu entendo que esse momento da despedida do Marcos também é o momento de reflexão sobre a vida, sobre o compromisso com a luta e sobre a continuidade das lutas. Sobre o Marcos, se o capitão se diz suspeito eu mais, porque o Priprá o chama o tempo todo o filho do Saulo. O Marcos eu conheci ele tinha seis, sete anos e eu sou contemporâneo do cacique Xicão e do Moura, então sou do tempo. E de fato, desde os sete anos que a gente acompanha e eu tenho certa filiação espiritual também como com muitas outras lideranças. E eu acho que essa leitura que ele faz de um acontecimento político é muito bom. Se faz a leitura religiosa, espiritual de um fato político. Esse tipo de leitura própria das culturas indígenas. A gente não faz essa leitura, a gente faz e leitura política. A decisão que você tomou também está fundamentada e uma inspiração ou justificativa espiritual. É muito bom também para gente aprender com você. E dizer que eu aprendi muito com você. Concordo que a CNPI nesse tempo de caminhada tem a sua contribuição. Lamento que você saia durante a mobilização da Conferência. Podia sair depois da Conferência. Mas como a decisão é sua a gente não pode mudar. Eu acho que poderia esperar um pouco mais e começar a viagem de volta a partir da conferência. Mas não deu para esperar, então tudo bem. Muito obrigado. Eu agora estou morando entre Alagoas e Pernambuco e é mais fácil a gente se encontrar por lá. E muita força. A luta continua. Dílson Ingaricó - Região Amazônica: O último sou eu. Rapidinho. Vou até levantar aqui. Marquinho, quero desejar e considero que a luta veio até aqui junto com demais representante indígena de todo Brasil, significa que você está vencendo uma fase e, a partir do momento que você sai para estar perto mais diariamente com seu povo, significa que você não está abandonando a luta e o movimento indígena. A CNPI tem sido um espaço de Conferência, seminário, de ensino e aprendizagem, entre nós povos indígenas. Sendo que a CNPI foi criado com o objetivo de dialogar indígena e governo. Só que esse objetivo foi além. Nós tivemos oportunidade de conhecer e trocar e ganhar experiências entre nós indígenas além do governo. Espero do governo a mesma coisa. São do governo, tem várias secretarias ligado com mesmo Ministério, mas não se conversam. Quando a gente vai num ministério a gente pergunta para alguém: olha eu não sei. Você sabe desse problema? Não sei. Você sabe assim como a gente pode fazer? Não. É com fulano de tal. Então, aqui quando a gente pergunta: qual foi o encaminhamento dos povos indígenas? A gente decidiu que é assim. A diferença que a gente faz dialogar junto com governo ela se fortaleceu. Está se fortalecendo. Eu quero que você vá junto com seu povo. Eu quero que você venha apesar de você sair da CNPI, mas com certeza você vai continuar contribuindo diretamente com a CNPI. Algum, momento você vai questionar, algum momento você vai dialogar conosco através como diz o pessoal que ninguém consegue pronunciar esse WhatsApp, mas dizem zap zap. Então, temos zap zap para conversar, que nos aproxima apesar a gente estar longe. Eu não queria te deixar triste né com perda de família. A gente perdeu as famílias. Você perdeu a família violentadamente com tiro, com alguma coisa e eu perdi meu pai com mau aplicação de tratamento pelo sistema que a gente tinha. Então, a gente tem as histórias especificas. Mas quero te dar um abraço forte em nome do povo do estado de Roraima que enfrentaram vários desafios, passaram por cima de tratores para ganhar sua terra. É uma luta enorme e temos uma historia muito grande. Vocês participaram, e vocês tiveram a oportunidade no Maturuca na presença do Presidente Luis Inácio Lula. Mas é uma história bonita e eu acho que a gente tem compromisso de fazer isso. Independentemente de a gente estar na carreira acadêmica, mas a nossa educação é que nos trouxe até aqui e quem fica aqui vai continuá a luta. Significa que você está dentro de cada um de nós. Nós estamos junto com você também. Abraço. Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Eu estava percebendo aqui que na verdade o mais velho daqui sou eu mesmo. É curioso. Eu vou dizer para o Marquinho: Marquinho, continue sendo quem você é. Desculpe porque tem uma coisa que eu admiro no Marquinho e no povo dele é que a gente não viu ruptura que o pai dele trazia e ele continuou. Essa é uma questão marcante para mim porque eu tive o privilégio, aquilo que a Soninha estava dizendo, que a gente tem missões, obstáculos, dificuldades, imprevistos, circunstância inesperada e às vezes querem te tirar do rumo, mas quando você tem uma missão não tem jeito. Tem que trilhar aquele caminho da missão, pelo menos na cultura maia é assim né. Tem coisas que você não pode fugir. Dá vontade humanamente de fugir, mas espiritualmente é difícil, não tem jeito. E acho que o Marquinho é esse tipo de povo que de fato tinha uma sina traçada e foi isso que aconteceu. Esses atropelos que acontecem e que a gente acha que é por isso que a gente muda de rumo. Às vezes são circunstâncias que muito pelo contrário alavanca o cumprimento da missão. Eu lembro e o que eu não pode dizer a teu pai, repito, muito agradecido, porque teu pai, o Moura, o Valmir, Macuxí, nosso parente Pataxó, Nailton, foram companheiros que me acolheram em 87 e eu entrei junto com eles como se já estivesse aqui, como se tivesse nascido aqui, como se tivesse junto e entramos no processo constituinte. Por isso ás vezes quando eu começo a falar, uns dias atrás estivemos em Portugal e a minha fala inicial foi chorar, cair em pranto quando eu lembrei do processo constituinte. Que a gente esteve junto e só fiquei muito doido porque nunca, nunca atendi a uma demanda de seu pai. Paulino vamo lá na minha terra, Paulino vamo na terra. Quando eu quis ir o Xicão já tinha se ido. Mas simplesmente então eu vô te dizer o seguinte: força, v amos atrás da missão. Eu acho que nesse momento e é até uma lição para todos nós, a luta política não se reduz o espaço institucional e muito pelo contrário. Eu acho que essa recuada na verdade é uma ampliação da responsabilidade. Não é por sair da CNPI você não vai estar presente nas mobilizações, nos acampamentos, enfim de todo o processo de luta pelos direitos indígenas. Não tem como abrir mão do que foi conquistado com muita luta, com muito sofrimento, com muito suor, como foi o texto constitucional que hoje todos defendemos e que teu pai deu a vida. Dia e noite nós estivemos juntos para alcançar isso. Então, acho que é uma responsabilidade espiritual sim de continuar esta luta. Muita força, até fico feliz porque o Marquinho é uma das pessoas que dificilmente você vê abatido. Isso que as menina disse: contamina e eu só um desses que apesar dos problemas a gente sempre tem que estar para cima. Porque se murcha, aí que os iemigos, os espíritos do mal se sentem feliz e tomam conta de nós. Acho que esse exemplo aí a gente tem que pegar e vamo em frente. Vamo nós. Vamo para cima. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Agora chegou minha vez. Não sei se vou conseguir falar muito. Marquinhos muitas das coisas que foram faladas aqui são palavras minhas também e que eu sinto. Eu lembro de 2007 quando foi instalada a primeira reunião da CNPI a primeira vez que eu vi o Marquinhos. Aí me disseram: esse é o grande cacique do nordeste. E eu olhei cá com meus botões e pensei: Mas que grande cacique é esse tão pequenino, tão franzino e eu aprendi a te conhecer. A liderança maravilhosa, o pulso firme, aquela pessoa que não deixava ninguém sair do trilho. A pessoa que sempre foi orientadora dessa turma e minha também, porque eu trabalhei muitos e muitos anos com os Kaingang e eram aqueles homens rudes, fortes. Rudes, não rudes de coração, eu digo assim, mais... bom, não vai me sair a palavra. Mas conheci o Marquinhos, aquela pessoa carinhosa, querida, orientadora e que nos tentava tranquilizar toda vez que a gente fraquejava. A pessoa que demonstrava segurança no que falava, liderança para sua comunidade, o teu povo tem um cacique muito forte. Nunca vou esquecer no Rio Grande do Sul o seminário dos empreendimentos que afetam terras indígenas. O Marquinhos foi conosco para lá para ajudar o coordenar. Eu, o Brasilio, Marquinhos, Graci. Era um dia muito frio e o Marquinhos me disse: eu não vou ter coragem de sair do quarto. Imagina, para quem é de Pernambuco e estar no Rio Grande do Sul muito frio e a gente disse não, Marquinhos, vamos lá. E ele foi conosco e para minha surpresa ele puxou a orelha dos Kaingang de uma forma que até hoje os Kaingang: cadê aquele cacique que veio aqui nos puxar a orelha sobre arrendamento e que nos tentou botar de volta no caminho de muita coisa errada que nós estávamos fazendo. Seguidamente quando eu vou para lá eles me perguntam por ele. Então, para mim Marquinhos, como Secretaria Executiva e que acompanhei vocês todos desde o começo, vou guardar muita recordação, muita saudade, mas muita saudade boa. Vai fazer falta aqui... muita... mas sempre vamos ter no nosso coração os teus conselhos, as tuas palavras, o teu jeito de botar todo mundo no caminho. E te dizer parabéns, felicidades, grande êxito. Se os encantados te chamam nunca, ninguém de nós tem o direito de pedir para ti ficar. A gente sabe a missão que você tem com teu povo. Parabéns, parabéns e sucesso. Que os encantados te sigam pelo resto da tua vida e que você consiga continuar todo o trabalho que teu pai iniciou e que hoje você continua. E dizer para quem não sabe, alguém comentou que ele perdeu a família (o pai), mas não sei se ele comentou aqui, mas ele vai ser papai novamente e vai aumentar a família e vai aumentar a liderança que serão os teus sucessores. Marquinhos aqui meu abraço para ti e leve para toda família, para Isabel, para todo mundo e um grande sucesso na tua vida. Obrigada. Maria Augusta Assirati - Presidente: Todo mundo já falou quase tudo que tinha que tinha que ser falado. Acho que todo mundo meio que se comtempla nesses sentimentos que foram externados aqui. Então, acho que é repetir essa coisa do quanto você vai fazer falta aqui e repetir uma coisa que todo mundo já falou. Na bancada indígena tanta gente falou que você ensinou muito para cada um que disse isso. Eu queria também dizer que eu aprendi muito com você. E que em muitos momentos em que eu me senti triste, me senti desaemada pude contar contigo sempre nessa perspectiva de olhar para frente e enxergar o que a gente luta, aquilo pelo que a gente luta nessa sociedade independente da posição de a gente estar do lado que a gente está nessa mesa aqui. Os nossos objetivos são os mesmos, a nossa luta é a mesma, então tudo que você trouxe para a construção de muitas coisas positivas que se debateram nessa mesa aqui ao longo de todos esses anos, desde que a CNPI foi criada, vai permanecer presente aqui no espírito de construção dessa comissão, no coração de cada um de nós, como atores sociais que lutam por essa sociedade enfim, mais plural, justa, enfim, equânime, democrática e solidaria não é? E eu certeza de que esse chamado realmente ele vai fazer com que essa estrela continue brilhando sempre. Nesse caminho que não é um caminho pessoal, é um caminho coletivo, é um caminho de luta pelo teu povo, pelos povos indígenas e por uma sociedade, um Brasil diferente. E essa tua estrela vai estar presente no coração de cada um de nós. Como companheiros de luta, com os teus parentes, cada um deles que falou aqui, como teus amigos como eu me considero. Você vai poder contar sempre comigo enquanto eu estiver na FUNAI, enquanto eu estiver no governo e, quando não estiver mais sempre como uma amiga, como uma companheira que compartilha esses ideais, essa luta tua tão bonita, que eu não tive o privilégio de conhecer teu pai, mas por tudo que já li, ouvi e vi eu acho que é um privilégio a gente poder conviver com pessoas assim como você e como ele foi. E com certeza ele continua influenciando tudo isso e contribuindo de algum lugar para essa nossa construção. Então, que o teu caminho seja sempre muito iluminado. E eu tenho certeza que todos, todos nós aqui estaremos sempre junto contigo da mesma forma que você vai ficar aqui nessa CNPI com a tua marca para sempre e no coração de cada um de nós. Obrigada por tudo que você já fez pela gente. E obrigada que você nos ajudou a construir aqui dentro. Eu não tenho muito problema de chorar não é Saulo, mas eu estava me segurando bastante. Cacique Marcos Xucuru - região nordeste/leste: Então, por tudo que foi dito, todos vocês e lembrar de Carlinha que está ali e que chega nesse momento em que eu estou retornando, fazendo a minha viagem para os encantados me abençoar e me purificar. Do tanto que nós trabalhamos juntos também, a Graci, Teresinha, enfim tantos que tive o prazer de compartilhar com vocês tantas coisas voas. Enfim, como eu bem disse logo no início, diante de tantas palavras bonitas que foram ditas não tem como agradecer a todos. E dizer que cada um de nós aqui de lideranças, acredito piamente nisso, que nós somos apenas um instrumento dos encantados. E nós não acreditamos nisso nós não conseguimos fazer a batalha, não conseguimos fazer a diferença. Por isso que eu me sinto este instrumento e não estou aqui para pleitear espaço, cargo, funções. Estou aqui porque os encantados me deram uma missão e sou um instrumento deles e que eles querem que as coisas melhores. Porque a luta que estou fazendo hoje foi a luta que eles fizeram ontem. Que fizeram lá no passado, aquilo que o Paulino coloca, a luta na Constituição, a luta que teve junto com cacique Xicão preparando o espaço que é o espaço da terra sagrada. A terra sem males, que nada mais é e eu acredito que preparando esse térreo, esse espaço, porque dentro da nossa filosofia de vida acredito que a terra sagrada é o espaço, é a moradia dos nossos ancestrais. E a grande luta que nós temos travado nesse país a luta pela terra e que aí entra todo outro contexto de educação, saúde, mas o pano de fundo é a terra. É ali onde está a moradia do nosso ancestrais e que um dia vamos ser também. Um espírito de luz que vai precisar dessa terra para também descansar e viver espiritualmente. Então, por isso que nós somos apenas instrumentos e que somo escolhido para fazer essa defesa e temos que fazer com muita garra, com muita honra e muita responsabilidade. Então, fico muito tranquilo nesse sentido porque sei exatamente a minha missão e vou fazer enquanto vida tiver. Porque a minha vida foi doada. Ela foi doada para os encantados, para a natureza sagrada e quando ela quiser nos chamar e ela vai chamar e eu tenho que obedecer. Obrigado. Maria Augusta Assirati - Presidente: vamos aprovar então a resolução gente, depois desse momento. Não querem que eu leia? Então, vamos ler rapidinho aqui e eu já te passo a palavra. Vou pular os considerandos e vou direto para o: Então: “A CNPI resolve solicitar ao excelentíssimo Ministro da Justiça a constituição da comissão organizadora da I Conferência Nacional de Política Indigenista conforme estabelece o Artigo III do Decreto Presidêncial 24 de julho de 2014. A comissão organizadora deverá ser composta 26 membros indicados pelos órgãos e entidades governamentais e não governamentais que possuem representação na Comissão Nacional de Política Indigenista. A portaria de constituição da comissão organizadora deverá ser publicada até o dia de 15 de agosto de 2014, tendo em vista a urgência para o início dos trabalhos da referida comissão, razão pela qual já está agendada sua primeira reunião de trabalho para os dias 25 e 26 desse mês. Para sua primeira reunião a comissão organizadora deverá ter como incumbência: organização do seminário de formação previsto no artigo tal do decreto e, que deverá ser realizada em novembro de 2014. Elaboração de calendário de atividades, definição da comissão executiva da Conferência e apresentação de uma relação preliminar quantitativa das etapas locais.” Alguém tem alguma sugestão? Paulino Montejo - APIB - Assessor da Bancada Indígena: Tem que repensar se são todas as 37 ou não. Maria Augusta Assirati - Presidente: Ok. Já acrescentei. Mais alguma coisa? Aprovada? Então aprovada. Saulo está pedindo para fazer um informe da Saúde, Saulo. Saulo Ferreira Feitosa – CIMI – Chegou no meu email, não sei se mais alguém recebeu, o Dr. Antonio Alves mandou a proposta sobre a criação do Instituto Nacional de Saúde Indígena (fala fora do microfone e por isso parte não se entende) que cria o Instituto em power point... Maria Augusta Assirati - Presidente: Não entendi Saulo. Teresinha G Maglia – Secretária-Executiva da CNPI: Fala no microfone. Maria Augusta Assirati - Presidente: Antonio Alves mandou a proposta... Saulo Ferreira Feitosa – CIMI ....a proposta que foi apresentada hoje a tarde ao Ministério da Saúde. Deve ter chegado em alguns emails, no meu chegou, acho que é mesma também que a Dra. Déborah mandou aqui, também em Power point, mas se não receberam, como eu não tenho o endereço de todo mundo, pediria que a secretaria-executiva encaminhasse para todos .... Maria Augusta Assirati - Presidente: Passa para a Teresinha. Saulo Ferreira Feitosa – CIMI - porque aí o povo poderá ver no final de semana já que vão se reunir na segunda. Francisca Novantino Pareci – região Amazônica: Deixa eu só fazer um comentário sobre isso mesmo. É o seguinte: Hoje na hora do almoço quando a gente tava saindo eu cobrei a Bianca e eu disse a ela: como nós vamos para uma reunião se a gente desconhece o conteúdo da reunião que vocês vão apresentar para nós. Eu gostaria que vocês mandassem para gente a proposta para a gente estudar agora no final de semana. Aí deve se isso que ela deve te mandado. Afora aquelas considerações que falamos no Ministério. Se por um acaso vocês forem se reunir me avisa tá bom? Que eu venho. Maria Augusta Assirati - Presidente: Fechado. Ok Teresinha, você me manda a resolução para mim assinar só na segunda, ok? Assim, damos por encerrada a 24ª Reunião Ordinária da CNPI. Bom retorno a todos.