A SAZONALIDADE E A INDÚSTRIA DO TURISMO NO VALE DO PARAÍBA PAULISTA
Carla Cristina Knupp Rodrigues1, Jorge Luiz Knupp Rodrigues2
1
Aluna do último ano do curso de graduação em engenharia Elétrica e Eletrônica da Universidade do Vale
do Paraíba, Urbanova, Rua Shishima Hifumi, 2911, Urbanova CEP 12.244-000 – São José dos Campos/SP
– Brasil, [email protected]
2
Professor Doutor Pesquisador do Programa de Pós-graduação em Gestão e Desenvolvimento Regional da
Universidade de Taubaté, Rua Expedicionário Ernesto Pereira, 225, Portão 2 CEP 12.020-030- Taubaté/SP
– Brasil, [email protected];
Resumo- A sazonalidade é um fenômeno que afeta diversas atividades, dentre elas aquelas ligadas ao
turismo. Este fenômeno pode ser observado sob duas perspectivas, isto é, sob dois enfoques, um enfoque
positivo e um enfoque negativo. Assim sendo, é fundamental que os agentes ligados direta ou indiretamente
as atividades do turismo busquem alternativas que agreguem valor aos resultados esperados de maneira
individual e coletiva. A região do Vale do Paraíba Paulista é formada por diversas cidades do Estado de São
Paulo e do Rio de Janeiro, rica em patrimônio histórico. Esta região sempre esteve nas principais rotas dos
viajantes no Brasil, desde a época Colonial. A ocupação da região data do final do século XVII e início do
século XVIII, quando o ouro que vinha das minas gerais, atravessando a Serra do Mar em direção ao porto
de Paraty, para ser embarcado para o Rio de Janeiro e na Europa. Ao longo deste percurso, foram
aparecendo povoados que serviam de apoio para viajantes e tropeiros. A abertura de um novo caminho
ligando as minas diretamente ao Rio de Janeiro quase resultou no desaparecimento desses pequenos
núcleos. A indústria do turismo no Vale do Paraíba Paulista possui grande destaque principalmente pelo
turismo religioso e de lazer.
Palavras-chave: Sazonalidade, Turismo, Negócio turístico, Vale do Paraíba Paulista
Área do Conhecimento: VI- CIÊNCIAS SOCIAIS APLICADAS
Introdução
O Brasil, pela extensão da sua costa, pelas
condições climáticas e por especificidades da sua
topografia, consegue congregar a diversidade
necessária para caracterizar as diferentes
especialidades da atividade turística, que é
considerada por Dias (2003) e outros como um
bom exemplo de atividade econômica limpa. Pode
ser percebido que ao contrário do modelo
industrial, a indústria turística abastece-se das
vocações naturais e preserva as riquezas locais,
preservando
o
espaço
natural
e
sua
biodiversidade.
De acordo com a avaliação de Rodrigues
(2004, p. 20) “a expansão das atividades
relacionadas ao turismo tem sido grande no Brasil
e no mundo. Novos destinos são continuamente
descobertos e aproveitados como locais de
potencial turísticos, gerando novas atividades,
oportunidades de trabalho e o desenvolvimento
local e regional. Da mesma forma, pólos
receptores já consagrados continuam se
desenvolvendo e incrementando-se para melhor
atender às necessidades e expectativas dos
visitantes. Novas tendências, originadas da
segmentação das modalidades do turismo,
também têm contribuindo significativamente para o
crescimento do setor, abrindo um leque de
atividades interdependentes”. Desse modo, as
dimensões do turismo tornam-se cada vez mais
amplas, abrangendo diversas destinações e
envolvendo mais comunidades e locais, até
aparentemente inexpressivos, adquirem, às vezes,
grande
importância
turística
pelas
suas
peculiaridades e atrativos. Santos e Silveira (2006,
p. 249) afirmam que “as configurações territoriais
são apenas condições. Sua atualidade, isto é, sua
significação real advém das ações realizadas
sobre elas”.
Existe uma gama bastante variada de aspectos
que contribuem para o desenvolvimento e o
aprimoramento das atividades turísticas. Por
exemplo, o surgimento de uma sociedade
baseada no conhecimento e na utilização de
tecnologias cada vez mais avançadas, como a que
estamos vivendo que impõe novas relações ao
mundo do trabalho. A estimativa de geração de
novos empregos no setor turístico é grande devido
ao aumento de demanda interna, exigindo cada
vez mais que o profissional seja qualificado para o
desempenho das mais variadas atividades. E
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1
novamente, não raro, essa tendência de
crescimento e profissionalização do setor tem
atraído tanto turistas e investidores de várias
partes do mundo. O setor que mais empregava
era o de transporte (44,4%), seguido pela
alimentação (26,7%) e alojamento (13,1%) com
aproximadamente 5.700 estabelecimentos de
Hospedagem (IBGE 2002).
Os turistas querem conhecer as belezas
naturais do Brasil. Enquanto isso, os empresários
do setor exploram os novos nichos do mercado.
Segundo
dados
do
Anuário
Estatístico
EMBRATUR, em 2007 a entrada de turistas
estrangeiros em São Paulo representou 47% do
total geral. O estado de São Paulo recebeu 29%
do fluxo doméstico (Embratur 2006), sendo
também o principal emissor de turistas. Segundo
dados do IPEA, o estado de São Paulo
concentrava, em dezembro de 2006, 19,4% dos
postos de trabalho do setor turístico brasileiro e
44,4% dos empregos da região Sudeste.
Coriolano (2003, p. 9) afirma que “a
importância e o significado do turismo no mundo
tem crescido de forma tão expressiva que vem
dando a esta atividade lugar de destaque na
política geoeconômica e na organização espacial,
vislumbrando-se como uma das atividades mais
promissoras para o futuro milênio”.
Metodologia
A pesquisa bibliográfica realizada para
elaboração deste artigo teve como base diversos
livros que contemplam o tema e também artigos
publicados em congressos, em revistas científicas
sobre o assunto, em sites de instituições de ensino
(dissertações de mestrados e teses de doutorado)
e pesquisas de Instituições como IBGE, GESTIN e
CEIVAP, dentre outras.
O Profissional do Turismo
Mesmo observando-se o surgimento de novos
negócios turísticos e a crescente oferta de vagas
nos mais diferentes cargos, principalmente nas
redes hoteleiras, os empregadores reclamam da
carência
de
mão-de-obra
qualificada.
A
escolaridade das pessoas disponíveis para
funções operacionais é baixa e para os cargos
gerenciais é incompleta. Em pesquisa feita na
região metropolitana de Belém do Pará, Mendes
(2008) concluiu que,
embora a região
metropolitana de Belém disponibilizasse de
grandes atrativos turísticos, em diversas
modalidades – negócio, aventura, turismo
histórico, cultural, por exemplo – exibia uma
lacuna fragorosamente aberta na rara oferta de
cursos de especialização no setor turísticohoteleiro. A deficiência apontada não é
exclusividade daquela localidade. Há grande
carência de profissionais multifuncionais no
mercado.
O turismo, pela sua especificidade, é mais que
um negócio, um processo ou uma atividade
geradora de impactos. Ele é um conjunto
complexo de sistemas que inclui diversos
elementos, tais como: os ambientes naturais e os
construídos pelo homem, as relações entre os
países emissores e receptores de turistas, as
relações entre os lugares onde o turismo ocorre e
o restante da sociedade, exigindo conhecimentos
de diversas outras áreas, como por exemplo, da
administração, da economia e do direito.
Seu potencial gerador de empregos, sua
função
na
redistribuição
geográfica
dos
investimentos, sua capacidade de atrair, tanto
grandes, quanto pequenos empresários, seus
efeitos na fixação do homem em sua região de
origem, são todos claros e bem conhecidos, sobre
isso também podemos ver Magalhães (2002), que
afirma que o turismo propicia o surgimento e a
utilização de uma serie de setores, serviços e
equipamentos que possibilitam a permanência do
homem nos lugares. Porém, a sazonalidade
parece ser um elemento dificultador das atividades
turísticas.
A região do Vale do Paraíba Paulista
Historicamente, o Vale do Paraíba Paulista
sempre esteve nas principais rotas dos viajantes
no Brasil, desde a época Colonial. A ocupação da
região data do final do século XVII e início do
século XVIII, com o ouro que vinha das minas
gerais, atravessando a Serra do Mar em direção
ao porto de Paraty, para ser embarcado para o Rio
de Janeiro e Europa. Sobre isso encontramos
apoio em Toledo (2000a) que afirma que entre as
diversas trilhas indígenas existentes no território
valeparaibano que adquiriram importância, mesmo
depois do fim das bandeiras de apresamento de
índios, uma delas é denominada de "Trilha dos
Guaianás", através da qual, os viajantes oriundos
do Rio de Janeiro subiam a serra de Parati,
passando por um pouso denominado Facão, que
mais tarde originou a cidade de Cunha e depois
por Guaratinguetá, indo para as Minas ou Sertão
dos Cataguás. Mais tarde, esta trilha indígena
tornou-se conhecida como "Caminho Velho".
Ainda segundo Toledo (2000a), a primeira
penetração dos brancos na região do Vale,
ocorreu através da trilha dos Guaianás, em 14 de
outubro de 1597. Uma expedição comandada por
Martim Correia de Sá, saiu do Rio de Janeiro com
objetivo de combater os tamoios, que estavam
unidos aos franceses na luta contra os
portugueses, o que foi denominado de
confederação dos Tamoios. No final do século
XVI, paratienses e vicentinos, por mútuo interesse,
começaram a modificar o traçado da trilha dos
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Guaianás e ao chegar ao século XVII, tinha um
trajeto menor e o leito melhorado. A antiga trilha
dos Guaianás, denominada de "Caminho da
Serra" (no trecho Parati-Cunha) ou "Caminho
Velho". Passou a ser conhecida como "Caminho
do Ouro", com a corrida do ouro (1693-1711). O
caminho dos índios passou por várias
modificações, algumas obras e a construção de
rústicas pontes melhoraram o traçado do mesmo,
segundo Toledo (2000a).
A partir de 1725, surgiram os planos para
execução de um caminho por terra entre as
Capitanias de São Paulo e Rio de Janeiro, com o
objetivo de eliminar os riscos das viagens
marítimas que saíam de Paraty. Relacionado ao
contexto da mineração, numerosas trilhas do ouro
foram sendo abertas, umas partindo do litoral, de
Paraty, pelo Caminho Velho, outras por
Mambucaba e seguiam em direção a Serra da
Bocaina, local no qual se bifurcavam em diversas
outras trilhas em direção as diferentes áreas do
Vale do Paraíba, utilizando-se de atalhos pela
Serra da Mantiqueira até chegar na região
aurífera. A mais famosa entre essas trilhas era
denominada de Cesaréa, que fora construída por
volta de 1740, iniciava-se em Vargem Grande,
atualmente município de Areias e seguia serra
acima, toda pedregulhada, em direção à
Mambucaba, afirma Toledo (2000b).
A região do Vale do Paraíba teve sua
colonização completada, no século XVIII, a
abertura das vias transversais e do Caminho Novo
da Piedade. A construção das vias transversais
teve como objetivo a melhoria da comunicação
com o litoral, contribuindo para dar vida a núcleos
urbanos como São Luís do Paraitinga e Paraibuna
(TOLEDO, 2000b). Já o Caminho Novo da
Piedade, tinha o objetivo de melhor controle sobre
o fluxo das riquezas minerais que circulavam na
região e melhorar o sistema de comunicação, por
terra, entre as Capitanias de São Paulo e do Rio
de Janeiro, a determinação das obras foi em 1725
e as primeiras picadas foram abertas em 1726.
Seu traçado fazia a ligação da Freguesia de
Nossa Senhora da Piedade, atual Lorena, até a
Fazenda Santa Cruz, dos padres Jesuítas, as
obras terminaram em 1778 (TOLEDO, 2000b).
Segundo Lima (2007), a região começou a
sofrer já no século XVIII, com a exploração da
cana-de-açúcar,
mas
as
culturas
eram
praticamente de subsistência, porém, ainda não
causavam grandes impactos ambientais, apenas
trocavam parte da vegetação natural pelo plantio
ou cultivo de cana-de-açúcar. As populações
existentes neste momento da história eram ainda
muito pequenas, os interesses econômicos locais
muito incipientes e assim não contribuíam ainda
para grandes impactos ambientais.
A região do Vale do Paraíba está situada entre
o Leste do Estado de São Paulo e o Sul do Estado
do Rio de Janeiro, possui 62 municípios, a maioria
situado as margens da Rodovia Presidente Dutra
(BR-116), que liga São Paulo ao Rio de Janeiro. O
nome Vale do Paraíba, refere-se ao fato da região
formar a bacia hidrográfica do Rio Paraíba do Sul,
que tem sua nascente na serra da Bocaina, a
cerca de 1.800 metros de altitude, numa região
conhecida como Várzea da Lagoa, no município
de Areias e deságua no Oceano Atlântico, no
litoral Norte do Estado do Rio de Janeiro.
O Rio Paraíba do Sul se estende por 1.120
quilômetros e passa por municípios nos estados
de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Suas águas abastecem cerca de 13,5 milhões de
pessoas. Com uma área de drenagem de mais de
55.000 Km2, a bacia do rio Paraíba do Sul está
localizada na região Sudeste e abrange áreas dos
estados de São Paulo (39 municípios), Minas
Gerais (88) e Rio de Janeiro (53). Em toda essa
extensão, 36 dos 180 municípios estão
parcialmente inseridos na bacia. É de 5,5 milhões
de habitantes, a população estimada, sendo que
1,8 milhão está em São Paulo, 2,4 milhões no Rio
de Janeiro e 1,3 milhão em Minas Gerais.
Aproximadamente 87% desta população vive em
áreas urbanas, semelhante ao padrão das demais
regiões brasileiras do desmatamento e da poluição
hídrica na bacia e uma população de
aproximadamente 14 milhões de pessoas utilizamse das águas da bacia, que drena uma das
regiões mais desenvolvidas do país (GESTIN e
CEIVAP, 2007).
O Vale do Paraíba Paulista é formado por 39
municípios, a saber: Aparecida, Arapeí, Areias,
Bananal, Caçapava, Cachoeira Paulista, Campos
do Jordão, Canas, Caraguatatuba, Cruzeiro,
Cunha, Guaratinguetá, Igaratá, Ilhabela, Jacareí,
Jambeiro, Lagoinha, Lavrinhas, Lorena, Monteiro
Lobato, Natividade da
Serra, Paraibuna,
Pindamonhangaba, Piquete, Potim, Queluz,
Redenção da Serra, Roseira, Santa Branca, Santo
Antônio do Pinhal, São Bento do Sapucaí, São
José do Barreiro, São José dos Campos, São Luís
do Paraitinga, São Sebastião, Silveiras, Taubaté,
Tremembé e Ubatuba.
A região do Vale do Paraíba Paulista possui um
parque industrial muito desenvolvido, com
destaque para os setores automobilístico, químico,
aeronáutico, bélico, aeroespacial e siderúrgico,
entre outros. Entre os anos de 1943 a 1970,
ocorreram alguns fatos, como a inauguração da
Rodovia Presidente Dutra, a instalação da Usina
Siderúrgica de Volta Redonda (RJ) e do Centro
Técnico Aeroespacial (SP) o que estimulou a
implantação de grandes fábricas metalúrgicas e
mecânicas, além de propiciar a modernização das
indústrias de bens de consumo e a criação de um
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pólo tecnológico em São José dos Campos
(FERREIRA, 2000). Além disso, essa região
possui um acervo histórico e cultural de raízes
marcadamente rurais, herdado de importantes
ciclos econômicos como o café, o que mais
contribuiu para a riqueza regional e a pecuária de
leite. Essa ligação com o campo se traduz numa
rica e variada gastronomia, nas festas populares e
demais manifestações culturais, interferindo no
modo de falar e de se comportar da comunidade
local, segundo Faria (2004).
As belezas naturais, compostas por paisagens,
áreas planas, ao longo do Rio Paraíba do Sul,
margeados de um lado pela serra da Mantiqueira
e por outro pela serra do mar, com trechos de
matas nativas, cachoeiras e outros atrativos
alcançados através de caminhos e estradas, por
vezes acompanhadas por riachos com água limpa
e cristalina, merecem destaques. Esses elementos
agregados a história, cultura, produção rural e
agrícola e natureza, formam uma parte importante
de um produto turístico, que se torna mais
atraente pela facilidade de acessos e proximidade
com grandes mercados consumidores, como Rio
de Janeiro e São Paulo.
O turismo também representa um grande
potencial para a região do Vale do Paraíba,
destacando no lado Paulista o turismo religioso,
principalmente na cidade de Aparecida do Norte,
Cachoeira Paulista e mais recentemente
Guaratinguetá com a canonização do Frei Galvão
a categoria, turismo ecológico e rural Arapeí,
Areias, Bananal, Caçapava, Campos do Jordão,
Cruzeiro, Cruzeiro, Cunha, Monteiro Lobato,
Paraibuna, Pindamonhangaba, Queluz, Santo
Antonio do Pinhal, São José do Barreiro, São José
dos Campos, São Luis do Paraitinga e Taubaté e
turismo náutico Caraguatatuba, Ilhabela, São
Sebastião e Ubatuba.
A indústria do turismo
Jafar Jafari (apud Ignarra, 1999, 24) define
turismo, de um olhar também amplo, “é o estudo
do homem longe do seu local de residência, da
indústria que satisfaz suas necessidades, e dos
impactos que ambos, ele e a indústria, geram
sobre os ambientes físico, econômico e sóciocultural da área receptora”. Essa definição não é
só econômica, permite avaliar os impactos que
esta atividade pode ocasionar no local visitado,
tanto ao meio ambiente quanto a sociedade local.
A indústria do turismo, o negócio turístico, o
produto turístico, o atrativo turístico ou as
destinações turísticas, neste momento não importa
como denominamos o fenômeno de atração e
deslocamento de pessoas, apresenta-se como um
dos principais alavancadores do desenvolvimento
de regiões, cidades, estados e países. Segundo
Pearce (2002), esta atividade esta amplamente
consagrada como setor maior da economia
nacional, regional e local de varias partes do
mundo, ou sendo indicada como uma opção de
desenvolvimento. O que também parece estar
acontecendo com algumas localidades da região
Valeparaibana.
Podemos dizer que muitas destinações foram
criadas para atender a demanda cada vez mais
crescente, a qual vem se consolidando em
diversas localidades da região do Vale do Paraíba
Paulista. O turismo tem um papel muito importante
na transformação dessas destinações, destes
espaços de consumo especializados para o
turismo, onde estão sendo explorados diversos
outros setores acessórios para a atividade, como
padarias, bares, restaurantes, serviços de limpeza
e segurança, dentre muitos outros. É, por
necessidade, um segmento da economia que se
fortalece e que leva consigo os demais setores
envolvidos a crescer juntamente, desenvolvendo
uma localidade e as atividades econômicas ditas
acessórias do turismo. Kotler et al (2006,p.01)
afirmam que “uma das principais caracteristicas de
lugares bem-sucedidos e a adoção de um plano
estratégico de marketing”.
Porém, este mesmo produto que muito
contribui para o desenvolvimento de diversas
comunidades, na região Valeparaibana, em alguns
momentos, não corresponde às expectativas de
seus agentes, isto é, quando o período é de baixa
estação, as condições de desenvolvimento das
atividades turísticas nem sempre conseguem atrair
pessoas para consumir os produtos turísticos
daquela localidade e nem mesmo manter as
pessoas que trabalham nas atividades ligadas ao
produto turístico. A estas variações chamamos de
sazonalidade.
Sazonalidade
Podemos encontrar uma quantidade enorme de
conceitos de sazonalidade, mas optaremos por ver
a sazonalidade como flutuações no ciclo produtivo
ou de vendas de um determinado bem, serviço ou
setor econômico devido a fatores exógenos, ao
longo de um determinado período. A sazonalidade
é um fenômeno que contribui para a modificação
de algumas estratégias públicas e privadas
relacionadas à indústria do turismo.
Segundo Souza (2000, p.132), a sazonalidade
pode ser definida como a “época de temporada ou
de alta estação mais aprazível do ano”. Dentro
deste conceito, a sazonalidade é o momento
considerado ideal para o consumo do produto
turístico, desfrutando de toda comodidade de
serviços que o mesmo oferece. O efeito da
sazonalidade é comumente compreendido como o
período que se revesa entre a baixa e a alta
estação. Consiste nos períodos de maior e menor
demanda turística por determinados produtos.
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Como já dissemos anteriormente, apesar de
ser um forte gerador de benefícios para a
comunidade e a economia em geral, o turismo
também pode ser muito frágil e tímido ante as
situações específicas e momentos de crise. Os
altos e baixos das crises econômicas pode
contribuir para crescimento ou não do turismo. As
crises internacionais, as flutuações do dólar, as
variações climáticas, as catástrofes naturais.
Vários podem ser os agentes externos ou
externalidades negativas, que, dificultam ou
mesmo tornam o turismo uma atividade
estagnada, afirma Viceconti (2000).
Estas oscilações na exploração do turismo
contribuem para a desaceleração do crescimento,
estagnação e lenta recuperação constituindo-se
em um verdadeiro desafio na definição de políticas
públicas e de estratégias da indústria do turismo.
Muitos agentes ligados ao turismo conhecem este
momento como os períodos de alta e baixa
estação, ou temporada ou ainda como a
sazonalidade no turismo.
É nestes períodos de alta e baixa estação que
muitos produtos turísticos morrem e outros são
criados. Em sua maioria, a indústria do turismo
procura oferecer seus produtos em períodos de
fim de baixa e início de alta estação, como forma
de absorver a demanda gerada pelo princípio do
consumo do lazer e das viagens de início de
férias, muitas vezes sem um planejamento
adequando, pois um planejamento turistico,
direcionado por uma metodologia sistêmica e
orientado para desenvolvimento com base local e
ênfase na cidadania, confrome afirmam Oliveira,
2001) e Moesch; Gsastal (2007), pode ser uma
alternativas para garantir a qualidade de vida, a
autonomia das comunidades e a sustentabilidade
da atividade turística nos determinados destinos.
“O fenômeno da sazonalidade pode ser
explicado pelo conceito de elasticidade da
demanda, onde as variações de preço de um
determinado produto podem levar o consumidor a
trocar este último por outro equivalente que seja
mais barato, dependendo ainda de uma série de
fatores que são definidos pela área da
econometria” (VICECONTI, 2000, p.45).
Muitas regiões que são, ou já foram, grandes
destinos turísticos consolidados sofreram com a
sazonalidade do turismo. Devido a graves
problemas dentre eles a poluição, a falta de
investimentos em novos produtos, alguns atrativos
declinaram como destinação turística, a ponto de
perder completamente a maior parte da demanda
existente, que foi direcionada para outras
destinações mais aprazíveis e que ofereciam
melhores produtos. O efeito da sazonalidade pode
ser notado facilmente em uma determinada
localidade tendo em vista que agentes
degradantes do meio ambiente condicionam a
redução do consumo do espaço turístico, levando
os demandantes para outras localidades,
enfraquecendo o produto turístico e tornando a
atividade na região completamente inviável.
Na região do Vale do Paraíba Paulista a
sazonalidade é definida principalmente pelas
modificações das condições climáticas, por
exemplo, Campos do Jordão e Santo Antonio do
Pinhal, no inverno, despertam maior interesse dos
turistas, as cidades do litoral Norte, tem seu
contingente populacional aumentado no verão.
Porém, para que possa desenvolver-se de forma
sustentável, a indústria do turismo, precisa
funcionar a maior parte do ano, isto é, não
podemos somente contar com as forças da
natureza para fazer funcionar um negócio tão
importante, gerador de trabalho e renda, como é o
turismo em determinadas épocas do ano. Diante
deste fato poderíamos perguntar o que pode ser
feito para diminuir os efeitos da sazonalidade nas
atividades da indústria do turismo?
Considerações finais
O enfrentamento da sazonalidade do turismo no
Vale do Paraíba Paulista deve passar
necessariamente por um melhor planejamento,
organização e definição de estratégias, levando
em consideração as especificidades das diferentes
localidades, as necessidades dos diferentes
públicos alvos, conjugando, agrupando e
integrando as atividades e opções turísticas. Hall
(2001:29), que “embora o planejamento não seja
uma panacéia para todos os males, quando
totalmente voltado para processos ele pode
minimizar impactos potencialmente negativos,
maximizar retorno econômico”. Assim sendo,
parece viável a definição de um roteiro que
envolva uma grande diversidade de atividades de
lazer, de negócios, de religiosidade, de ecologia,
de meio ambiente etc. para atender ao público
local, regional, nacional e até internacional que
têm interesse em passar um período na região do
Vale do Paraíba Paulista e que tenha opções para
dias chuvosos e dias de sol, para dias frios e para
dias de calor.
Desta forma é necessário promover a
integração entre os diversos equipamentos que
formam a indústria do turismo, tais como: hotéis,
pousadas, restaurantes, fazendas, igrejas, museus
e outros e, não ficar a mercê somente das
benesses da natureza. Sem esquecer da
capacitação dos indivíduos, funcionários e
proprietários, em qualidade no atendimento,
educação ambiental etc. Alguns estudos já
demonstram uma forte tendência do planejamento
turístico organizar os espaços de uma maneira
integrada, de forma a compor um produto
completo
e
desenvolver
um
diferencial
mercadológico, o que pode estar alinhado ao
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conceito de cluster oriundo da administração,
segundo Michel Porter, que Beni (2002, p. 156)
defini como “um conjunto de atrativos com um
destacado diferencial turístico, dotado de
equipamentos e serviços de qualidade, com
excelência gerencial, concentrado em um espaço
geográfico delimitado. Apresenta-se aos distintos
mercados consumidores de turismo como produto
acabado, final, com tarifas diferenciadas na forma
de package tours (pacotes) em alto nível de
competitividade internacional”. Castro (1999, p.
81) lembra que o “reconhecimento de um local
como turístico não é um processo natural e sim
uma construção cultural, pois envolve a criação de
um sistema integrado de significados, através dos
quais a realidade turística de um lugar é
estabelecida, mantida e negociada.“
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1 A SAZONALIDADE E A INDÚSTRIA DO TURISMO NO