Ano 5 - Número 43 - R$ 8,00
ISSN 1982-8381
Vinho&Cia
ConVisão
www.jornalvinhoecia.com.br
É mesmo o supermercado
mais barato?
A propaganda do
Wal-Mart diz que
é o supermercado
mais barato segundo
a revista Veja.
Vinho&Cia foi a
campo pesquisar se
o mesmo vale em
relação aos vinhos.
Tim-tim por tim-tim, o que harmoniza com cozinha japonesa
Aperitivo
De olho
Vinho&Cia
Ano 5 - Número 43
no nosso interesse de consumidor
É
importante estarmos de
olho no que o mercado
nos coloca à frente. Por
melhor e mais compromissada
com o público que seja uma
empresa, na ótica do mercado o
que vale mesmo é o lucro e como
se pode vender qualquer produto
ao público.
Vinho&Cia está aqui sob
outra ótica: a nossa de consumidores. Uma das coisas boas do
mundo do vinho é que aprendemos a ver as coisas pelo ponto
de vista do custo-benefício e não
apenas pelo preço ou exclusivamente pela qualidade. Por isso,
não pontuamos vinhos. Indicamos, porém, sempre produtos
que selecionamos pelo critério
do custo-benefício. Entre tantos
rótulos no mercado, acreditamos
que a nossa visão possa ajudar
você, leitor, a ter uma boa escolha de vinhos. As seções Recheie
a Sua Adega e Provamos Antes
para Você Beber Melhor trazem
as boas dicas, com a credibilidade da nossa equipe.
Nesta edição, questionando
uma propaganda do mercado,
fazemos uma isenta comparação
de variedades e preços de vinhos
em supermercados, para que
possamos avaliar quais as lojas
realmente mais baratas.
Nossos colunistas estão de
olho no que acontece pelo país e
em todo o mundo do vinho, trazendo as notícias e informações
para ampliar o seu conhecimento
ou tornar o seu dia mais gostoso
e bem humorado.
cada mês ganha mais público e
promove rótulos selecionados
e brindes de bonitas taças gravadas.
Assim permanecemos de
olho. É claro, para nós consumidores. Tim-tim!
Regis Gehlen Oliveira, editor
Vinho & Saúde
Vinho Tinta
É verdade que...
D
vinho protege da gripe A?
esconheço pesquisas
que me permitam responder.
Existe um estudo feito pelo
professor Takkouche e colegas
do Departamento de Medicina
Preventiva da Universidade de
Santiago de Compostela, na Espanha, avaliando a ingestão de
vinho e a incidência de resfriado
comum.
Ele acompanhou 4.272 professores de 5 universidades da
Espanha por 2 anos. Concluiu
que aqueles que bebiam mais
do que 14 taças de vinho por
semana tiveram 40% menos
resfriado quando comparados
com os abstêmios ou bebedores
Editor
Regis Gehlen Oliveira
Publicação
ConVisão
Al. Araguaia, 933, 8o. and.
Alphaville
06455-000, Barueri, SP
Colaboradores
Adriana Bonilha / Álvaro C. Galvão
Andréa Pio / Beto Acherboim
Carlos Arruda / Cesar Adames
Custódio / Daniela Zandonadi
Denise Cavalcante / Didú Russo
Norio Ito / Euclides Penedo Borges
Fernando Quartim / Jaqueline Barroso
Jairo Monson / Maria Amélia
Sérgio Inglez / Walter Tommasi
Estamos de olho na cozinha
japonesa, e contamos tim-tim por
tim-tim como harmonizar com os
difíceis ingredientes para vinho.
De olho também estamos
no Circuito Vinho&Cia, que a
www.jornalvinhoecia.com.br
de cerveja e destilado. Os que
bebiam vinho tinto pareciam ter
uma proteção maior.
Assinaturas e
Propaganda
(11) 4192-2120
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Vinho & Cia é uma publicação da
ConVisão relativa ao segmento de
vinhos e suas companhias naturais,
como gastronomia, restaurantes,
prazer, conhecimento, viagens e
outras. Circula principalmente em São
Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais
e Rio Grande do Sul, nos principais
restaurantes e lojas especializadas.
Pode ser adquirido por assinaturas
ou em bancas selecionadas.
Os artigos e comentários assinados não refletem
necessariamente a opinião da editoria.
A menção de qualquer nome neste veículo não
significa relação trabalhista ou vínculo contratual
remunerado.
Associado à
Jairo Monson
Médico e escritor
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Vinho&Cia - No. 43
Vinho & Cia - No. 43
“
Nas próximas páginas,
conheça mais sobre
o mundo do vinho
TudodoVinho
Acontece
Baita vinho, tchê!
Nos 10 anos da Pizzaria Ritto,
em São Paulo, um baita vinho
foi aberto para a comemoração.
Fabio Miolo carregou a garrafa
de 6 litros do ícone da vinícola
Miolo, o lote 43 safra 2002.
Em clima descontraído de vinho
& pizza, outras vinícolas nacionais prestigiaram o evento, como
Marson e Pizzato.
Entre as importadoras, Decan-
ter e Vinci ofereceram seus
rótulos.
Na Zona Oeste da cidade, fora
do tradicional agito, a Ritto tem
decoração rústica e caprichada,
boa carta de vinhos e pizzas que
valem a pena ser experimentadas.
Ritto: R. Nanuque, 243, Vila
Hamburguesa, (11) 3836-2166
Miolo: (0800) 970-4165
Aos 40 anos
Dois novos filhos
A vinícola Fante, de Flores da
Cunha, completa 40 anos.
No verão de 1970, João Fante
colocou na Serra Gaúcha a pedra
fundamental de um sonho que se
tornou uma grande realidade.
A Fante especializou-se na produção de bebidas de baixo custo
e recentemente deu os primeiros
passos em direção a rótulos de
maior qualidade, mantendo contudo os preços acessíveis. Seu
espumante Moscatel foi muito
elogiado em prova às cegas
promovida pelo Vinho&Cia há
pouco mais de um ano.
Fante: (54) 3292-1122
Ela traz na “bagagem” de Portugal para o Brasil dois novos
filhos: o seu “vinho molecular” e
o seu filho de um ano de idade.
Ela é a portuguesa Filipa Pato,
que chega a convite da Casa
Flora Importadora.
O dito “vinho molecular” é o
FLP (Filipa e Luis Pato - Frente
de Libertação de Portugal), resultado da joint-venture entre a
filha e o famoso pai. É elaborado
com a técnica inovadora de crioextração, resultando num vinho
doce que preserva a acidez e o
caráter das castas e do local.
Casa Flora: (11) 2186-7676
A mais tardia colheita
Tradicional? Aventureiro?
Mais um com 20%
Tour em 5 cidades
Mais vinhos
A vinícola Villa Francioni comemora uma safra histórica. Em
4 de junho, quando a geada já
era parte do cenário nos 1260m
de altitude em São Joaquim, na
Serra Catarinense, encerrou-se a
mais tardia colheita do hemisfério sul em se tratando de vinhos
comerciais, com as uvas tintas
Petit Verdot. Isso deve resultar
em vinhos muito concentrados.
Após um período complicado, a
vinícola aposta agora no turismo
em sua magnífica propriedade.
(49) 3233-1918
A importadora catarinense Porto
Mediterrâneo sugere dois conceitos para presentear os pais,
de acordo com o estilo de vida,
recomendando vinhos diferentes
da linha Surazo, da vinícola chilena Santa Mônica.
Para os tradicionais, a pedida é
o Gran Reserva Merlot 2002. Já
para os aventureiros, a indicação
é o Reserva 5 Big Reds, uma
mistura de 5 uvas tradicionais:
Cabernet Sauvignon, Merlot,
Carmenère, Syrah e Malbec.
(47) 3263-0006
Em 1o. de setembro está programado mais um Taste´n´buy, promovido pela Enoteca Decanter,
em São Paulo.
Acontece todos os meses, sempre
na primeira terça-feira. A cada
edição são cerca de 20 rótulos do
mix da importadora, à disposição
para degustação com orientação
da equipe especializada da loja
e às vezes com a presença do
sommelier Guilherme Corrêa.
Todos os rótulos degustados
podem ser adquiridos com 20%
de desconto. (11) 3073-0500
Agosto é o mês do Tour Mistral.
Neste ano acontece em São Paulo (dias 17 e 18), Rio de Janeiro
(dia 19), Belo Horizonte (dia
20), Brasília (dia 21) e Curitiba
(dia 22).
Em degustação são 200 rótulos
de 25 vinícolas. Alguns produtores apresentam pessoalmente
seus produtos: Luis Pato, Tancredo Biandi Santi, Miquelàngel
Cerdá, Diogo Campilho, Douglas
Murray, entre outros. O ingresso
custa R$180 por dia.
(11) 3372-3400
A Avaliação Nacional de Vinhos chega à sua 17ª edição
reunindo expressivo número de
vinícolas brasileiras. Neste ano,
são 70 empresas (13% a mais do
que em 2008), de seis estados:
Bahia, Pernambuco, Paraná, Rio
Grande do Sul, Santa Catarina e
São Paulo. Participam com 312
amostras. A Avaliação seleciona
a produção mais significativa da
safra, mas não necessariamente
vinhos que estarão no mercado.
O resultado será divulgado em
26 de setembro.
Vinho&Cia - No. 43
Vinho & Cia - No. 43
O Que Beber
Vinhos selecionados
que valem ouro!
Provamos antes para você beber melhor!
Belíssimo branco
Para tomar de joelhos
Outro vinho branco nacional
belíssimo, recentemente lançado,
é o Casa Valduga Gran Reserva
Chardonnay 2008. Em degustação às cegas por faixa de preço
recebeu pontuação máxima da
maioria da equipe do Vinho&Cia.
Simplemente delicioso. R$48.
Casa Valduga: (11) 5044-7000
Certos vinhos poderíamos tomar
de joelhos, em reverência à
qualidade. O Salton Virtude
Chardonnay 2008 é um desses.
É a comprovação do nível a que
chegou a produção brasileira de
brancos. Todos os 9 degustadores de Vinho&Cia em prova às
cegas deram nota máxima a ele
pelo quesito qualidade-preço.
Apenas R$60.
Salton: (11) 2281-3300
Fresco português
Das encostas
Da região do Douro em Portugal,
pelas mãos de uma pequena importadora que merece atenção, chega
a nós um vinho bem agradável e
equilibrado: o Encostas do Douro
DOC 2005. É produzido pela Cavipor. R$45.
Vila Vinhos: (11) 3719-1504
Estamos no inverno, mas
mesmo nessa época um
branco bem fresco é agradável com determinados
pratos ou nos períodos de
veranicos em que a temperatura sobe. O Quinta
da Alorna Branco 08 é
uma gostosa indicação e
tem ótimo preço. R$37.
Adega Alentejana:
(11) 5044-5760
Máximo do Chile
A importadora baiana Ana
Import gradativamente amplia
seu catálogo com produtos bem
garimpados. Da vinícola-butique chilena Gilmore, o Merlot
Reserva 2004 é, em poucas
palavras, o máximo. Vale a
pena por R$96.
Ana Import: (11) 3951-4333
Vinho&Cia - No. 43
Vamos eleger as Garrafas de Vinho
Tintas, Brancas, Rosés, Doces e Espumantes
mais bonitas no Brasil
Realização
Vinho&Cia
Vinho & Cia - No. 43
O Que Beber
Recheie a sua adega
Com bom custo-benefício!
Siga o sentido da seta para a melhor escolha
pratos mais leves
pratos mais consistentes
Vinhos tintos (temperatura de serviço preferencialmente entre 14oC a 200C)
Mais adequados a carnes, queijos consistentes e massas mais condimentadas
Casal da Coelheira
Tinto 2007 (R$39)
Mercovino: (16) 3625-4715
Azul Portugal
Dão 2004 (R$44)
Decanter: (11) 3073-0500
Colinas de São Lourenço
Bairrada 2006 (R$49)
Grand Cru: (11) 3062-6388
Carabantes Premium
Syrah 2003 (R$114)
Dom Bortolo Reserva
Cabernet Sauvignon 04 (R$22)
Terramater: (21) 3860-6565
Don Cayetano Reserva
Shyraz (R$56)
Mascarello: (54) 3292-1510
Maestrale
Cabernet Sauvignon 05 (R$63)
Sanjo: (49) 3233-0012
Almeria: (11) 3492-3204
Santa Ema Barrel Select
Syrah 2005 (R$45)
Don Laurindo Reserva
Malbec 2005 (R$58)
Vinoteca: (41) 3373-3444
Don Laurindo: (54) 3459-1600
Vinhos brancos e rosés (temperatura de serviço preferencialmente entre 8 a 140C)
Mais adequados a peixes, frango, porco, queijos delicados e massas mais leves
La Playa Block Selection
Sauvignon Blanc (R$50)
Adega Avant Garde 90,
da Art des Caves
A temperatura ideal para servir tintos varia?
Os tintos mais leves em geral são melhor apreciados em temperatura mais baixa do que os tintos mais encorpados. Um Gamay, ou
um Beaujolais Nouveau, pode ser tomado a 14oC, ou menos, e um
Barolo a 20oC. Na média entre 16oC a 18oC é o ideal para os tintos.
Abaixo, o vinho perde aromas, e acima, exala álcool em excesso.
MM Vinhos: (41) 3264-7088
Los Nevados
Chardonnay (R$27)
Protos
Verdejo 2006 (R$54)
Península: (11) 3822-3986
Miolo: (0800) 970-4165
Vinhos espumantes (temperatura de serviço preferencialmente entre 5 C a 80C)
o
Mais adequados a aperitivos (os do tipo brut) e a sobremesas (os dos tipos demi-séc e Moscatel)
Estrelas do Brasil Riesling
Brut (R$26)
Estrelas do Brasil: (54) 3455-8103
Pietro Felice Champenoise
Brut (R$45)
Irmãos Molon: (54) 3291-9500
Castellamare
Moscatel (R$18)
São João: (54) 3260-3010
Vinho&Cia - No. 43
Vinho & Cia - No. 43
Tim-tim por tim-tim
O que harmoniza
com cozinha japonesa?
D
á para combinar vinho com cozinha japonesa? Os ingredientes não
agridem? Os frutos do mar não metalizam? Com pratos do moderno
Original Shundi em São Paulo, contamos tudo tim-tim por tim-tim.
H
á tempo a equipe de Vinho&Cia queria se reunir
para provar vinhos com cozinha japonesa. A culinária desse país está em alta nas grandes capitais
brasileiras. Seus pratos leves e em geral com baixo teor
de gordura combinam com a cultura da boa forma física
e de bem-estar. O cuidado na apresentação dos pratos e
a decoração dos restaurantes são um prazer aos olhos.
Isso tudo agrada, sobretudo às mulheres.
Vinhos nesse ambiente, contudo, não convivem de
modo muito tranquilo. Os pratos em geral são bem agressivos, com elevada acidez, toques de doçura e presença
de “maresia”, esta que provoca muitas vezes o efeito de
metalização, principalmente com os tintos, traduzido
por desagradável sensação na boca, que reforça o gosto
de mar.
10
Assim, surge o desafio de descobrir que vinhos podem
harmonizar, considerando os ingredientes de cada prato.
Para isso, escolhemos um restaurante que se destaca hoje
no cenário paulistano, o Original Shundi. É moderno,
bonito, comandado pelo chef Shundi e aposta em pratos
com ingredientes exóticos, que fogem ao convencional.
Selecionamos quatro deles para comentar. A equipe do
restaurante escolheu vinhos da carta para harmonizar.
Vinho&Cia provou tudo. Na página ao lado, indicando
nos próprios pratos, contamos tim-tim por tim-tim o que
os degustadores perceberam.
Participaram da degustação Adriana Bonilha, Beto
Acherboim, Daniela Zandonadi, Fernando Quartim,
Maria Helena Figueiredo, Regis Gehlen Oliveira e Walter
Tommasi.
Vinho&Cia - No. 43
Tim-tim por tim-tim
Prato: Salada de iguarias, com salmão, mini-polvo e barbatanas
Prato: Sashimi de atum, salmão e agulhão
Vinho: Espumante Ponto Nero Brut, Domno, Serra Gaúcha, Brasil
Fatias finas de salmão, macio, que
dá sensação de secura e metaliza um
pouco com o espumante branco. Com
rosé, tendência de metalização diminui
Espumante
branco Brut,
com toques de
frutas brancas,
fermento,
nozes, ótima
acidez,
adequada
ao prato, e
corpo médio,
também
balanceado
Mini-polvo, com textura rígida
e caramelado, impõe um toque
adocicado e untuosidade ao prato,
que manda na combinação com vinho
Filhotes de enguia e barbatanas
de tubarão, dão toque fresco
ao prato, certo amargor e forte
sabor de mar, que tende a
metalizar com os vinhos
Molho com flor de cerejeira,
ervas e especiarias, adocica
um pouco o prato e ameniza
o salgado dos ingredientes
de mar
Prato: Camarão com purê de abóbora
Vinho: William Cole Rosé Mirador Selection Cabernet Sauvignon 2008
Camarão, um tanto salgado, com o seu sabor
característico e toques de mar, textura levemente
rígida, equilibra o doce do vinho rosé e não metaliza
Rosé de
Cabernet
Sauvignon,
com pouca
acidez,
simples, um
pouco amargo
e um tanto
doce, mas que
com o prato
harmoniza e
se potencializa
Purê de abóbora, confere elegância e maciez ao prato,
ameniza o salgado do camarão e ajuda a integrar o seu
doce com o do rosé, além de encobrir o amargor do vinho
Vinho: Château La Frainelle 2006, Bordeaux, França,
Shoyu e wassabi acompanham o prato. O primeiro
é ácido, doce e salgado ao mesmo tempo.
O segundo é extremamente picante. Ambos
dificultam qualquer casamento com vinhos
Branco das
uvas Semillón
e Sauvignon
Blanc, com
toques
minerais e
cítricos, acidez
bem marcada
e equilíbrio,
combinando
com o prato
quando
provado com
pouco shoyu
e wassabi. O
mineral ajuda
na harmonia
com o prato
Salmão, untuoso, corpo médio, com forte sabor, tende
a metalizar com os vinhos
com pouca acidez ou com
presença de taninos
Agulhão, peixe branco,
mais leve, com pouca
gordura, relativamente
neutro de sabor
Atum, gorduroso,
com sabor marcante,
pede vinho mais
estruturado para se
equilibrar
Prato: Escalopinho de carne com risoto de shitake
Vinho: Landelia Petit Verdot 2006 Single Vineyard, Mendoza Argentina
Risoto de
shitake,
cremoso,
com textura
levemente
al dente,
confere
untuosidade
ao prato
e sabor
marcante;
par perfeito
para alguns
tintos
Escalopinho de carne, bem passado, com textura mais
rígida e pouco suco, pede menos tanino dos vinhos tintos e
um pouco de untuosidade para balancear
Tinto de Petit Verdot, corpo médio, bem mentolado e
herbáceo na boca, com taninos bem redondos, entra em
perfeita harmonia com o sabor do prato, produzindo a
sensação de que um reforça o outro
Para repetir você mesmo a experiência: Original Shundi - Rua Dr. Mário Ferraz, 490, Itaim Bibi, (11) 3079-0736, São Paulo
Vinho & Cia - No. 43
11
Todo Vinho
O bom Merlot
“
A Merlot é uma das
quatro castas tintas
clássicas do mundo
do vinho. Quais são as suas
características?
Como está no Brasil?
Sérgio Inglez fala...
A
degustação é um ato de sensibilidade, eu diria mais até, é um
retrato da sensualidade humana.
Embora as muitas escolas e os incontáveis professores procurem dar um ar de
ritual iniciático, a degustação não deve
ser encarada como um fim em si mesma,
muito pelo contrário, deve ser trabalhada
como um meio, como um veículo para
nos trazer prazer.
O prazer, além de agradar nosso paladar, de saciar nossa sede e de nos reconfortar, é aquele sentimento lúdico de saber
identificar e descrever as qualidades de
um vinho e de sorvê-las em cada gole. Daí
porque entender as raízes da qualidade de
um vinho assume um papel importante.
Em primeiro lugar não custa repetir a
frase pisada e repisada, mas nem sempre
entendida, de que o vinho é uma bebida
alcoólica resultante da fermentação de
uvas maduras e sadias.
Na fermentação, o açúcar da uva se
transforma no álcool do vinho. A uva
madura tem maior concentração de açúcar
para transformar em álcool. A uva madura
e sadia, ou seja, a uva não estragada, não
traz elementos que possam introduzir
deformações no gosto e no aroma.
As uvas maduras de qualidade têm na
polpa alta concentração de açúcar, para
12
de cada dia
gerar teor alcoólico e traços adocicados, e
uma correta acidez residual, para garantir
a vivacidade e o frescor do vinho. Na
casca, apresentam conteúdo variável de
polifenóis, que são os responsáveis pelos
aromas e pelas cores do vinho.
O álcool é a estrutura fundamental da
qualidade do vinho.
A videira, que é o pé de uva, trabalha movida pela energia solar. A uva de
qualidade é resultado de um vinhedo bem
orientado em relação ao sol. A posição e
a inclinação do terreno dão ao vinhedo a
característica de uma antena de captação
dos raios solares. Solo e clima completam
as bases; ou seja, o vinhedo tem que estar
implantado em um bom terroir.
e descritores aromáticos/gustativos que
levam à frutas como groselha e ameixa
preta, toques florais de pétalas de rosas e
traços de especiarias. Os vinhos de Merlot
são menos impetuosos que os da Cabernet
Sauvignon, mostram-se redondos, suculentos e dão a impressão de um sutil traço
adocicado. São mais fáceis de se tomar.
E como esta variedade apareceu no
Brasil?
A Merlot foi introduzida em pequenos vinhedos no sul do Brasil no início
dos anos 1900, porém, somente a partir
da década de 70 que ela foi realmente
descoberta pelos viticultores e teve um
significativo incremento baseado na importação de mudas francesas.
Inicialmente no Rio Grande do Sul,
esta variedade mostrou-se muito bem
adaptada aos terroirs gaúchos, a ponto de
ser considerada por muitos a uva emblemática do país.
Atualmente, a Merlot é cultivada
em muitas outras áreas além das terras
gaúchas, nos vinhedos de altitude catarinenses, no oeste paranaense, até nos do
Médio Vale do São Francisco.
Sérgio Inglez de Souza
Escritor e consultor
[email protected]
Aplicando neste vinhedo tratos culturais bem ajustados e calibrados, o
viticultor vai determinar o nível da qualidade da uva. Somente uva de qualidade
proporciona vinho de qualidade!
A uva Merlot é uma das quatro castas
viníferas tintas clássicas do mundo do
vinho, ao lado da Cabernet Sauvignon,
Pinot Noir e Syrah (Shiraz).
Apesar de receber outros nomes como
Bigney, Crabulet, Piccard, Plant Médoc e
Merlau, a variedade Merlot tem esta denominação decorrente do nome do pássaro
preto Melro ou Merlo, cuja presença é
constante na região de Bordeaux.
Não se conhece precisamente a origem
da uva Merlot. Seu cultivo teve início há
cerca de 200 anos na área dos rios Gironde
e Dordogne, localização de importantes
regiões vinícolas de Bordeaux.
A Merlot vem do mesmo ramo da
Cabernet Sauvignon, com a qual guarda
alguma semelhança, porém se caracteriza
pela tipicidade dos taninos mais delicados
Vinho&Cia - No. 43
América do Sul
Mesclas de Tannat
“
com outras uvas
A uva emblemática
do Uruguai mostrase interessante não
apenas em vinhos em que
aparece sozinha.
Como? Em que vinhos?
Euclides Penedo conta...
Em Cahors, na região de produção
de Quercy, entre os rios Dordogne e
Aveyron, ela não passa de uma coadjuvante da Malbec, ao lado da Merlot e da
nativa Jurançon Noir, tendo por mister
acrescentar taninos ao conjunto. O vinho
tradicional da DOC Cahors é frutado,
estruturado, lembrando sous-bois e frutas vermelhas bem maduras, amassadas.
O Cahors moderno tende à suavidade, à
fluidez e à precocidade.
C
APORTANDO TANINOS - Essa
propriedade de se ajustar por simbiose
a outras castas, aportando seus taninos e
recebendo nuances frutadas mais suaves,
não poderia deixar de ser utilizada também no Uruguai e assim é feito em Canelones, nas proximidades de Montevidéu,
onde algumas vinícolas associam-na ora
com Merlot, ora com Cabernet Sauvignon,
ou Syrah, ou Petit Verdot. Entre as “bodegas” que assim o fazem, com presença
entre nós, podemos contar a Casa Filgueira, o Establecimiento Juanicó, a Família
Pisano e a Viña H. Stagnari.
onsiderado um irmão caçula da
vitivinicultura sulamericana, o
Uruguai vem ocupando gradualmente nichos no mercado de vinhos fora
de suas fronteiras.
Assim como a Argentina oferece seus
Malbecs e o Chile ostenta a Carmenère,
o país vizinho do Rio Grande do Sul tem
na Tannat – casta ameaçadora devido
aos seus taninos presentes e agressivos
– sua uva vinífera emblemática e a mais
cultivada.
Mas o leque de variedades viníferas do
Uruguai conta também com Cabernet Sauvignon, Cabernet Franc, Merlot, Syrah,
Petit Verdot e Pinot Noir para tintos e
rosados, estes por sinal, uma preferência
uruguaia.
MESCLAS NA ORIGEM - Ainda
que tenha se mostrado autosuficiente ao
se aclimatar no Uruguai, depois de passar
pela Argentina no Século XIX levada por
família basca, a Tannat é propícia para
cortes com outras uvas e assim utilizada
na origem.
Proveniente do sudoeste da França, ela
é cortada em Madiran (região de produção
de Béarn, nos Baixos Pirineus) à Cabernet
Sauvignon, à Cabernet Franc e à nativa
típica Fer Servadou resultando caldos
sombrios, de cor púrpura fechada, atarracados e tânicos, que se aveludam com o
tempo conjugando um leque olfativo de
ameixa seca, sous-bois e especiarias.
Vinho & Cia - No. 43
EXEMPLOS - Para ilustrar o que
foi dito acima, dispuz-me a organizar a
pequena lista que segue com vinhos uruguaios na faixa de R$ 20,00 a R$ 120,00
disponíveis no Brasil, em que a Tannat
surge como líder ao lado de outras variedades francesas.
Com Merlot, a maioria
Filgueira Pátio Sur Tannat-Merlot
Tinto da Bodega Filgueira, de Canelones,
com 46 hectares, conduzida pela Dra.
Martha Chiossoni com sua filha Mariana,
contando com a assessoria do enólogo
Pascal Marty. Representada pela Importadora Decanter.
Pisano Cisplatino Tannat-Merlot
Pisano Rio de Los Pájaros
Merlot-Tannat
Ambos da vinícola familiar Pisano, de
Canelones, um dos nomes mais afamados
do Uruguai no campo dos vinhos, com
citações elogiosas por parte de Jancis
Robinson e Steven Spurrier, jornalistas
espcializados da Inglaterra. Representada
no Brasil pela Importadora Mistral (www.
mistral.com.br).
Pizzorno Don Próspero Tannat-Merlot
Tinto da Bodega Pizzorno, de Canelón
Chico, conduzida por Carlos Pizzorno,
neto do fundador Próspero Pizzorno que
a estabeleceu no Uruguai em 1910. Representada pela Importadora Grand Cru
(www.grandcru.com.br)
Com Cabernet Sauvignon
H. Stagnari Avant Premier Tannat-Cabernet Sauvignon
Tinto jovem e aromático elaborado na
Viña Stagnari, em La Puebla, com uvas
cultivadas no norte do uruguai, a 500 km
de Montevidéu. Representada pela Cantu
Importadora (www.cantu.com.br).
Com Syrah
Don Pascual Edición Limitada SyrahTannat
Elaborado pelo Establecimiento Juanicó,
da Familia Deicas, de Canelones, cujo top
de linha é um Tannat elaborado em conjunto com a família Magrez, de Bordeaux
(Château Pape Clément). Representado
no Brasil pela Expand (www.expand.
com.br).
Pisano Rio de los Pájaros Tannat-Syrah
Também da Vinícola Pisano
Com Petit Verdot
Pisano Arretxea Tannat - Petit Verdot
Outro da Pisano
E há o caso particular das Bodegas Castillo
Viejo, de San José, onde o “El Preciado
Gran Reserva” (Importadora World Wine)
contempla Cabernet Sauvignon, Cabernet
Franc e Merlot, simultaneamente, ao lado
da Tannat com resultado excepcional.
Mas nesse caso o preço é acima da faixa
aqui adotada.
Euclides Penedo Borges
Presidente da ABS-Rio
[email protected]
13
Velho Mundo
A França
e La Creme de La Creme
“
Que tal uma
degustação vertical
com 5 safras de um
dos mais cobiçados vinhos
do mundo? Veja isso e o
que Walter Tommasi conta
sobre Bordeaux...
R
egis, o nosso editor, desta vez vai
querer me estrangular e me chamar de enochato, mas vou correr o
risco e escrever sobre uma região marcada
por vinhos caros e de qualidade inigualável. Afinal, vinho também é cultura.
No dia 1º de setembro terei o prazer
de comandar uma degustação vertical do
Grand Vin Château Latour, com 5 safras
deste ícone da França, montada para um
pequeno grupo de felizardos. Isso me
instigou a escrever algumas linhas sobre
o berço desses maravilhosos vinhos.
O Latour faz parte do seletíssimo
grupo dos 5 Premier Cru de Bordeaux,
criado em 1855 por solicitação do Imperador Napoleão, composto por Lafite
Rothschild , Latour, Mouton Rothschield
da AOC Pauillac, Margaux da AOC de
mesmo nome, e Haut Brion da AOC Pessac Leognan. Eles formam — junto com
o Château D’Yquem da AOC Sauternes
(Premier Cru Supérier), Ausone e Cheval
Blanc, os AOC de Saint Emilion (Premier
Grands Cru Classés - A ), e o eterno injustiçado mas maravilhoso Château Petrus
da AOC Pomerol — a nata dos vinhos do
Bordeaux.
Cidade de Saint Emilion, em Bordeaux, na França
14
Pauillac está localizada na região de
Medoc e é uma das AOC na margem
esquerda do rio Gironde, entre St Estephe
e St Julien, e tem Margaux um pouco ao
sul. Seus cortes bordaleses são caracterizados por altas porcentagens de Cabernet
Sauvignon (75 a 85%), seguidos da Merlot
(entre 10 e 15%), ficando o restante para
a Cabernet Franc e a Petit Verdot . Para
muitos essa é a região onde a Cabernet
Sauvignon atinge seu máximo em termos
de qualidade. A região conta com 1.200
hectares de vinhedos, sendo que por volta
de 85 % são classificados como Grand
Cru Classés.
O Château Latour possui um total de
78 hectares, sendo 47 deles do vinhedo denominado Grand Enclos, usado unicamente para produzir as 220 mil garrafas anuais
do Grand Vin. Além deste, a empresa
elabora seu segundo vinho, o Les Forts de
Latour, por muitos considerado o melhor
segundo entre os Châteaux, com produção
estimada em 150 mil garrafas, e, também,
desde 1990, o genérico Pauillac.
Tomar um Latour — e qualquer outro
desses Premier Cru — é certamente um
motivo de comemoração, pois essas jóias
custam pequenas fortunas, que nossas
bocas sempre desejam mas nossos bolsos
nem sempre permitem. Porém não é só
por isso: elas trazem consigo um pouco
da história do vinho e um padrão de qualidade inigualável.
Bem... Para a próxima edição ainda
não sei sobre o que escreverei, mas certamente deixarei umas duas linhas para dar
o resultado dessa fantástica degustação.
Vive La France e seus Châteaux!
Walter Tommasi
Enófilo
[email protected]
Vinho&Cia - No. 43
Novo Mundo
Desmistificando
mitos
D
iz a lenda corrente na editoria
do jornal Vinho & Cia que todo
mês há uma degustação virtual
no Haras do Beto.
Alguns poucos felizardos já puderam
participar, “in loco”, dessas degustações.
Por certo, de virtuais essas degustações
não tem nada. Muito pelo contrário. Somente da confraria “Serenísima”, em mais
de 8 anos, pelo menos 10 degustações
presenciais já foram realizadas, com os
mais diversos temas.
Sauvignon Blanc ao redor do mundo,
tintos do sul da Itália, Chardonnay dos Estados Unidos, Merlot dos Estados Unidos,
Merlot do Novo Mundo, e diversas outras,
das quais, no momento, não me recordo.
Mas a lenda persistia. Nosso excelentíssimo editor sempre acreditou tratar-se
de um local virtual. Até em uma coluna
ele comentou sobre o fato.
Porém, no mês de junho, seu mundo
caiu. O convite, virtual, sugeria algo inatingível. Foi convidado da Sereníssima
para a degustação de junho, dia tal. Tema
: tintos da África do Sul (de bom nível,
please). Com a confirmação do convite,
incluso endereço, aposto que a curiosidade aumentou. “Será verdade? Este lugar
existe mesmo? Vinhos da África do Sul?
Deve ser mais uma brincadeira do Beto.
Só pode ser. Ele tem um humor...”
No dia marcado, chegou no local quando estávamos terminando o almoço.
Não acreditava. Tocava em tudo: paredes, portas, pessoas... Tinha certeza que
estavam pregando-lhe uma peça, embora a
presença das pessoas dava-lhe a garantia
de que a coisa não era virtual... Era real.
Além do Beto e da Mariana, estavam
lá outros participantes da Sereníssima com
suas respectivas esposas: Fábio e Jane,
Miguel e Regina, Paulo e Alice
À noite, à mesa do jantar, garrafas
fechadas com papel laminado, taças preparadas, numeradas, sem nenhum truque.
Vinho & Cia - No. 43
Estava realmente numa degustação.
E, para melhorar ainda mais, o nível
dos vinhos estava realmente muito bom.
Lareira acesa, madeira crepitando,
música gostosa acompanhando...
O que jurava ser uma brincadeira, uma
degustação virtual, era, na verdade, mais
um mito derrubado.
Os vinhos degustados naquela noite
foram de excelente nível. Na colocação
final, foi este o resultado:
1º : Merindol Syrah 2003 – produtor
Simonsig – ainda não importado para o
Brasil (outros vinhos desta vinícola são
trazidos pela Pacific Importadora)
2º : Remhoogte 2005 Merlot / Pinotage /
Cabernet Sauvignon – produtor Remhoogte – importador: Grand Cru
3º : Marlbrook 2001 Cabernet Sauvignon
/ Merlot – produtor Klein Constantia
– importador: Expand
4º : Spice Route Shiraz 2005 – produtor
Spice Route – importador: Expand
5º : Catharina 2004 Merlot / Shiraz / Cabernet Sauvignon + outras uvas – produtor
Steenberg – importador: Expand
6º : Ashbourne Pinotage 2004 – produtor
Hamilton Russel – importador: Expand
Depois dos ótimos vinhos, o Beto fez
um repasto digno do que se falou dele:
Filé mignon recheado com cogumelos e
Gâteau de batatas com alho-poró.
Realmente, foi muito bom. Pude
comprovar.
Depoimento virtual do editor (imaginado por mim).
Até a próxima!
“
Era uma tarde de
sábado quando tudo
começou. Havia um
local. Ou melhor, havia
dúvidas se existia. Poderia
ser apenas virtual. Um
haras, uma degustação...
Beto Acherboim
Nada virtual e são-paulino
[email protected]
15
Vinho na Academia
Los Cavas:
“
espumantes espanhóis
Em determinado ano
os Cavas se tornaram
os espumantes mais
vendidos no mundo.
Quando? Como são feitos?
Dicas de alguns bons?
Carlos Arruda diz...
R
ecentemente em Belo Horizonte
e Inhotim aconteceu o festival
gastronômico Sabor e Saber, realizado pelo Instituto Velloso e apoiado pelo
Instituto Cervantes. Chefs renomados da
Cataluña estiveram mostrando suas criações e provando a culinária de Minas.
Estrelas da Cataluña, foram degustados e harmonizados os cavas, excelentes
espumantes típicos da região.
Tive oportunidade de participar de
uma apresentação de Cavas com a presença da diretora do Instituto Del Cava,
associação das empresas elaboradoras
dos Cavas.
O Cava (é masculino) é uma DOCa
(Denominación de Origen Calificada),
que não tem apenas uma região limitada,
nem mesmo é restrito à Cataluña para ser
produzido. Diversas localidades na Espanha produzem esse espumante, seguindo
as regras da DOCa. Contudo, a principal
região produtora é Penedès, situada entre
o Mediterrâneo e as montanhas de Montserrat, com clima e solos propícios para
as uvas.
Os Cavas são produzidos pelo método tradicional (segunda fermentação
na garrafa, como em Champagne) desde
1860. Josef Razentes em 1872 produziu o
primeiro cava “removido” - feita rémuage
das borras na garrafa. O Cava se tornou
16
o espumante mais vendido no mundo em
2001.
final persistente de frutas
desidratadas.
Um ponto interessante dos Cavas são
as três principais variedades autorizadas
para sua produção, todas autóctones (naturais da Espanha).
Cava Freixenet Cordón Negro Brut - Fresco, com leveduras maduras, frutas brancas,
tostados, encorpado,
final longo de frutas
brancas.
Macabeo - Uva branca, de cachos
grandes e compactos, frutos de pele fina.
Produz vinhos leves, de acidez moderada
e bastante frutados e florais.
Xarel-lo - Nativa da Cataluña, tem
cachos mais soltos, pele fina, produz
vinhos de boa estrutura e com potencial
de guarda.
Parellada - Cachos grandes, pele fina,
acidez média. Produz vinhos finos, elegantes e equilibrados.
Ainda se usam também as brancas
Chardonnay e a Subirat Parent, e a Pinot
Noir foi recentemente autorizada para
os Cavas brancos (era somente para os
rosados).
Cava Segura
Viudas Reserva
- Seco e fresco,
frutado, mostra abacaxi,
damasco,
maçã seca,
nozes, delicada levedura, final
elegante
com calda queimada.
Para os Cavas rosados, são usadas
ainda a Monastrell, a Garnacha e a Trepat,
variedades tintas tradicionais, e também
a Pinot Noir.
Cava Cristalino - bastante fresco e
cítrico, mostra frutas em calda e leveduras
frescas, boa persistência.
Cava Marrugat Brut - Boa cremosidade, frutas brancas (maçã e pêra), cítricos,
Cava Codorniù Pinot Noir Brut - Ataque
doce, cremoso, goiabas e
framboesas. Tostado muito elegante, final longo de
groselha.
Cava Juvé y Camps Brut
Gran Reserva 2004 - Dourado,
mostra frutas carnudas e brancas bem maduras, frutas secas,
longo e persistente, final de maçã
desidratada.
Cava Pere Ventura Cutpage
d’Honor - Bastante evoluído, mostra nozes, licor de nozes, leveduras
maduras, frutas em passa, amêndoas,
boa persistência de leveduras e frutas
secas.
Esse painel mostrou que os Cavas
são espumantes de muita e muitas personalidades, extremamente gastronômicos,
ricos e elegantes. Não é à toa que têm esse
enorme prestígio internacional.
Os produtores variam as proporções
das variedades, conseguindo assim Cavas com diferentes estilos, variando o
frescor, a estrutura e a elegância. É como
regular os graves e agudos do seu som, a
seu gosto.
Tivemos a oportunidade de degustar
10 Cavas de diferentes produtores, num
painel surpreendente pela qualidade e
diversidade dos vinhos apresentados:
Cave Pere
Ventura Rosado
- Cor rosa casca
de cebola, mostra
frutas bem maduras, leveduras, suaves taninos e tostados, avelã e framboesa madura. Persistente
e elegante.
Atualmente os Cavas Rosados estão
em alta em diversos mercados, principalmente no Japão.
Cava Gramona Imperial Brut - Cítrico
e estruturado, mostra tangerina, damasco,
amêndoas. Ótimo para acompanhar pratos, final maduro e fresco.
Cava Juvé y Camps Reserva Vintage
2005 - Safrado, dourado, com tostados,
amêndoas e mel, evolui para cítricos, bastante complexo, encorpado e elegante.
Um grande vinho, surpreendente e
camaleônico.
Carlos Arruda
Academia do Vinho
[email protected]
Vinho&Cia - No. 43
Vinho: Que Negócio é Esse?
Eis a questão:
“
pontuar ou não pontuar?
Álvaro Galvão
prefere não pontuar
os vinhos. Qualquer
critério pode ser mais
técnico ou mais pessoal,
e influencia no negócio.
Como? Veja aqui...
T
enho observado que esse assunto
está cada vez mais interessando
aos que cultuam o vinho.
Tenho externado minha opinião em
diversas ocasiões, em diferentes rodas de
discussão, algumas bem técnicas, e outras
nem tanto, e digo que prefiro não pontuar
os vinhos, apesar de algumas vezes ter que
fazê-lo em degustações mais especializadas e técnicas.
E por que tenho esta opinião? Explico:
tenho formação acadêmica em engenharia, e, até por isso, preciso ter ciência dos
parâmetros utilizados nas escalas, sejam
eles quais forem, e nem sempre, tirando
os critérios técnicos, os temos. Toda
escala de pontuação segue alguns critérios, alguns bem profissionais, e outros
mais pessoais, e minha escala leva em
consideração o que para mim faz muita
diferença: o simples “gosto muito, pouco
ou não gosto”.
Além disso, lembro aqui o vinho como
negócio. As pontuações de vários órgãos
já considerados bíblias no assunto podem
– e via de regra conseguem - catapultar
determinado vinho que tenha obtido uma
nota excepcional, ou impulsionar ladeira
abaixo outro que não tenha obtido. O
vinho é um dos exemplos onde traços
de subjetividade entram na percepção do
degustador, e, portanto, quando pensamos
que o negócio vinho poderá sofrer influências com o resultado de alguma pontuação
Vinho & Cia - No. 43
há de se pensar que essa poderá alterar
uma trajetória comercial.
Apesar de termos bem delineados os
princípios básicos de análises visual, olfativa e gustativa para os diferentes tipos de
vinhos, sempre em minha concepção entram fatores que tendem a compor algum
desvio do padrão, por conta de dados menos objetivos, tais como: 1-Uma péssima
noite de sono na véspera da degustação;
2- Um dia com muito estresse, seja de que
natureza ou ordem for, onde aí também se
aplica aos assuntos pessoais e profissionais
que todos temos; 3- Saúde em condições
não tão boas; e assim por diante.
Quando um profissional da área se
vê diante de uma degustação onde deva
pontuar os vinhos, ele tem sua escala
comparativa de valores, que deve ser
diferente do profissional ao lado. Cada
um de nós degustou centenas de vinhos,
e, com certeza, muitos deles se fazem
diferentes dos degustados pelos colegas,
mesmo sendo os mesmos vinhos e safras
e até garrafas.
Costumo dizer que ao verificar um
vinho bem pontuado - ou não -, por revistas especializadas, jornais, sommeliers,
críticos, e enólogos, sinto essa pontuação
feita em duas direções distintas: uma mais
voltada para os pares profissionais, e outra
para o grande público, e não estou falando
de notas diferentes dadas pelos mesmos
pontuadores. Isso gera, em minha opinião,
o maior dos conflitos tanto no público em
geral, como na carreira comercial desse
vinho ou safra.
As pessoas que me perguntam - pelo
meu blog, em palestras, ou em feiras
de vinhos - sobre os pontos obtidos por
determinado rótulo estão querendo esclarecimentos de como se chegou àquela
nota dada, e porque uma nota 90 e outra
de 89 (em uma escala de 50 a 100) são
tão diferentes da escala puramente matemática, onde se pontuam os acertos de
uma prova na escola, por exemplo. Não
é muito diferente, digo sempre, porém
o que mais distancia uma da outra é o
conhecimento técnico do degustador, seu
grau de subjetividade para com aquele
vinho e o despreparo em geral do leigo
ou neófito que começa a provar rótulos
apenas considerando as pontuações.
fatores comparativos que evidentemente
serão diferentes de outros degustadores,
como por exemplo, o preço, que para um
pode não ter influência nenhuma, mas
para outros sim, e, quando se pensa que o
público precisa entender o porque daquela
nota, este tem mais peso ainda.
Vou dar um pequeno exemplo, sem, é
claro, citar rótulos. Noite dessas, em uma
degustação às cegas e com profissionais,
um determinado espumante chegou a
uma nota que o elegeu em primeiro lugar
entre os rótulos degustados por uma série
de dados bem claros, quando analisados
tecnicamente, e menos claros quando
o critério maior poderia ser o universal
“gosto ou não gosto”. Impossível? Se
assim não fosse, muitos dos rótulos que
temos hoje no mercado não encontrariam
demanda.
Meu critério para pontuar, quando necessário, é também levar em conta alguns
Não podemos pontuar levando em
conta o preço sem anotar suas qualidades
técnicas, porém ao definir a nota comparativa entre dois vinhos que tenham obtido,
por exemplo, uma nota 90, um deles tendo
uma relação qualidade-preço superior fica
com os 90, e o outro com a 89.
Ficou mais claro? Espero que sim. Até
o próximo brinde!
Álvaro Cézar Galvão
Colunista
[email protected]
17
“
Nas próximas páginas,
fique por dentro do que
acontece pelo país
BrasildoVinho
Acontece
Descontração foi o clima que reinou na degustação de
lançamento do novo catálogo da Mondo di Vino no
Shopping Morumbi, em São Paulo. (11) 5181-3365
Champagne a R$10 mil
Mesa e tropicalismo
Enoturismo em alta
Chega ao Brasil a especialíssima safra 1969 da Champagne
Dom Pérignon Oenothèque.
São apenas 6 unidades a 10.500
reais cada. O rótulo Oenothèque indica que uma safra Dom
Pérignon atingiu também o seu
segundo auge de maturidade,
com intensidade otimizada (15
a 20 anos depois da colheita),
ou seu terceiro pico, com complexidade otimizada (depois de
30 anos de envelhecimento).
Apenas 16 safras se tornaram
Oenothèque.
Para encontrar: (11) 3062-8388
Homenageando Carmen Miranda, precursora do movimento
tropicalista, começa o São Paulo
Bom de Mesa 2009, em sua 5a.
edição, com apresentação da
cantora Renata Lima no restaurante Vinheria Percussi.
O evento é da Associação dos
Restaurantes da Boa Lembrança
e revista Prazeres da Mesa.
A vinícola Aurora comemora o
número expressivo de mais de 18
mil pessoas que visitaram as suas
instalações na Serra Gaúcha, na
cidade de Bento Gonçalves, no
mês de julho. Por ano ela recebe
cerca de 150 mil interessados
em vinho.
Em visitas guiadas, um pouco da
história da empresa é contado e
são mostradas as instalações e
todas as etapas da elaboração dos
vinhos. Ao final, há degustação
de vários produtos.
A loja da vinícola foi reformada,
e agora está com design mais
moderno, facilitando a visualização dos produtos. A sala de
degustação técnica está equipada
para grupos de até 25 pessoas.
(54) 3455-2000
Música aos 9 anos
Liquor Store
Atrações em Gramado
Em 7 de agosto, o restaurante
Rosmarino em São Paulo comemorou seus 9 anos. Foi com
jantar com música ao vivo.
No bairro de Pinheiros, comandado por Stela Krempel e Ângela
Amado, o Rosmarino destaca-se
pela sua boa cozinha de inspiração italiana e pela carta de vinhos
bem escolhida, com produtos a
preços acessíveis.
(11) 3819-3897
A loja Liquor Store no Morumbi em São Paulo reuniu, em seu
novo espaço de degustações e
eventos, enófilos e apreciadores
para uma degustação de vinhos da região de Extremadura
na Espanha. A degustação foi
comandada pelo sommelier Rodolfo Chaves, da importadora
Casa Flora.
(11) 3507-7180
O 3o. Festival Internacional
de Gastronomia de Gramado
traz de 4 a 13 de setembro para
a Serra Gaúcha chefs de cozinha
premiados. Na lista estão os franceses David Etcheverry, Olivier
Briand e Olivier Etcheverria e o
alemão Deff Haupt.
Na Rua Coberta acontecem degustações de vinhos.
(54) 3295-2296
Mesa e França
Já a também 5a. edição do São
Paulo Restaurante Week, de
31 de agosto a 13 de setembro,
embarca para a França. Os chefs
devem preparar pratos franceses
ou inspirados na cozinha desse
país. São mais de 150 os restaurantes que participam.
Vinho & Pizza é na Prestíssimo!
Portugueses em Curitiba
O dia 7 de agosto também foi
de noite de vinho no Paraná. O
Centro Europeu de Curitiba
promoveu a noite de degustação
orientada de vinhos portugueses.
Com rótulos do Dão e da Bairrada e apoio da importadora Porto
a Porto, o evento contou com a
presença da enóloga Filipa Pato,
que lançou seu vinho de sobremesa FLP.
Centro Europeu:
(41) 3222-6699
Porto a Porto:
(41) 3018-7393
18
Wine Bar - Carta com 200 rótulos - Taças especiais
Cotação
no Guia Onde Beber do Vinho&Cia
O sommelier Ednaldo do restaurante Matterello em São Paulo
trabalha muito nas degustações do Dia Especial promovido
pelo Vinho&Cia. A casa tem ficado cheia. (11) 3813-0452
Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1135, (11) 3885-4356, Jardins, São Paulo
Vinho&Cia - No. 43
Guia em SP
Onde Beber em SP
Itaim Bibi / Jardins
Zona Sul
Zona Oeste
Dui
Lar Bianco
Rancho do Vinho
Carta comandada pela competente
sommelière Eliana Araújo, com a proposta de apresentar castas autóctones.
Cozinha contemporânea da chef Bel
Coelho. Ambiente moderno, que reúne
espaço natural, jardim de inverno e
lounge. Preços dos vinhos de R$65 a
R$540, e em taça desde R$14.
Cardápio instigante em local recém
inaugurado. Ambientes diversos
com aconchego de lareira, espaço
boulevard e espaço kids. Carta com
cerca de 80 rótulos, armazenados
em adeguinha climatizada. Preços
entre R$39 e R$300. Vinhos em taça
a partir de R$12.
Filial recém-inaugurada da costelaria tradicional da rodovia Régis
Bittencourt. O dono Celso Frizon,
apaixonado por vinho, oferece uma
carta ampla com ênfase em rótulos
nacionais, sobretudo do Sul, sua terra
natal. Preços muito bons e rótulos
baratos, inclusive em taça.
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(11) 2649-7952. Fecha seg e dom-jan
R. Ribeiro do Vale, 339, Brooklyn
(11) 5041-5506. Fecha seg.
Av. Dr. Guilherme Dumont Villares,
321, Zona Oeste. (11) 3744-5899.
Renda-se à arte
da boa mesa.
Charlô Jockey Club
Total Vinhos
Veríssimo
Espaço gourmet descontraído recém
inaugurado dentro da loja de vinhos.
Mais de 600 rótulos que podem ser
levados à mesa aos preços das
prateleiras. Boas opções de variedade e atendimento atencioso por
sommeliers. Preços variam entre
R$25 a R$4000.
No bar sempre lotado e temático em
homenagem ao escritor Luís Fernando Veríssimo, o vinho também ganha
espaço, competindo com as cervejas
e os destilados no acompanhamento
dos petiscos e do bate-papo. Adega
climatizada e taças adequadas. Preços surpreendentemente bons.
R. Dr. Melo Alves, 268, Jardins
(11) 3081-3305. Fecha dom.
R. Flórida, 1488, Brooklyn
(11) 5506-6748. Fecha dom.
O ambiente já não é o mesmo dos
bons tempos do Jockey Club, mas
almoçar na varanda com a vista das
pistas de corrida de cavalos, tendo ao
fundo a cidade, é um charme e uma
tranquilidade. A carta é básica, com
preços razoáveis e a cozinha é bem
executada.
Av. Lineu de Paula Machado, 1263
(11) 3032-4613. Fecha no jantar.
Grande São Paulo
In Vino Amici
Ao fundo da compacta loja de vinhos,
um espaço tranquilo, pequeno e
charmoso, ótimo para happy hour ou
bate-papo descontraído com vinho
e petiscos. Na entrada, mesas ao ar
livre. Carta com rótulos bem variados,
extraídos das prateleiras. Ampla variedade a partir da faixa de 30 reais.
R. Pais de Araújo, 111, Itaim Bibi
(11) 3071-1902. Fecha dom.
E.A.T
Cozinha rápida com toques de sofisticação, sob consultoria do chef
Léo Filho, com sanduíches e pratos,
definida como casual food. Ambiente
moderno, envidraçado, com pé-direito
alto e agradável. Seleção de vinhos
contida, boas taças e adega climatizada a preços não tão contidos.
R. Pedroso Alvarenga, 1026, Itaim
(11) 3071-3492. Fecha dom.
Vinho & Cia - No. 43
Cotações
Ville du Vin Alphaville
Excepcional local onde beber
Muito bom local onde beber
Bom local onde beber
Local com atrativo para beber
Local onde beber
É hoje um excepcional local onde
beber. No bistrô no meio da loja de
vinhos reúne ambiente agradável,
cozinha de bom nível sob consultoria
do chef Alain Urzan, excelente serviço
do sommelier Nelson Pereira, carta
orientativa e preços de prateleira, com
ampla variedade de rótulos e preços.
Al. Tocantins, 75, Alphaville
(11) 4208-6061. Fecha dom.
Serviço de vinhos
a
variedade
vinhos baratos
rótulos especiais
taças e adega climatizada
orientado por sommelier
carta orientativa
a
sobrepreço
Monte Viso
Começou a carta com alguns rótulos
bem comuns de supermercado, mas
agora apresenta algumas alternativas
um pouco mais instigantes. Adega
climatizada e boas taças completam
o serviço de vinhos para acompanhar
as boas pizzas na fria altitude de
1100m da Aldeia da Serra.
Rua Cônego Eugênio Leite 523
Jardim Paulista - São Paulo
Reservas 11 3088 4920 | 3064 4094
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Av. dos Patos, 211, Aldeia da Serra
(11) 4192-3366. Fecha no almoço.
19
Vinho nas Lojas
É o supermercado
mais barato?
“
A propaganda do
Wal-Mart é bem
clara: segundo
pesquisa da revista Veja
é o supermercado mais
barato. Isso é válido para
os vinhos? Nossa equipe
escolheu uma “cesta básica”
de rótulos e foi a campo
verificar.
Q
uinta-feira, 30 de julho, entre 18 e
22 horas. Esse foi o horário preciso em que a equipe de Vinho&Cia
foi a campo pesquisar os preços de vinhos
praticados pelos supermercados.
A equipe escolheu 7 lojas na Região
Oeste da cidade de São Paulo, típica de
classe média e com a particularidade de
concentrar na área as principais redes
supermercadistas. No mapa da pesquisa
entraram, além do Wal-Mart que fez a propaganda do menor preço, o Carrefour, o
Extra, o Pão-de-Açúcar e o Compre Bem,
todos de grandes redes que dominam o
mercado, e o Saint Marché e o Mambo,
de redes menores. A escolha dessas lojas
foi com o objetivo de fazer a pesquisa
da forma mais equilibrada possível, com
locais situados numa região de mesmo
padrão e público-alvo.
20
Endereços das lojas
O mesmo dia e horário para a pesquisa
também foi uma opção para evitar distorções de comparações que eventualmente
pudessem ocorrer em função de qualquer
sazonalidade ou prática de remarcação de
preços comuns nos supermercados.
Cesta Básica de Vinhos
A equipe selecionou uma “cesta
básica” com 22 produtos, composta não
somente por vinhos de marcas com presença ostensiva nos supermercados mas
também por rótulos considerados como
bom custo-benefício, independentemente
do preço. Ficaram fora da pesquisa algumas marcas que hoje vendem muito nos
supermercados, sobretudo do Chile, da
Argentina, Itália e França, que deixam a
desejar em termos de qualidade.
Carrefour:
Av. José César de Oliveira, 21500
Vila Leopoldina
Compre Bem:
Praça Panamericana, 190
Alto de Pinheiros
Extra:
Av. Jaguaré, 4060
Jaguaré
Mambo:
R. Dep. Lacerda Franco, 553
Pinheiros
Pão de Açúcar:
Praça Panamericana, 217
Alto de Pinheiros
Saint Marché:
R. Carlos Weber, 502
Vila Leopoldina
Wal-Mart:
Av. Dr. Gastão Vidigal, 2345
Vila Leopoldina
Vinho&Cia - No. 43
Vinho nas Lojas
A realidade pela pesquisa
Item
Vinho da “Cesta Básica”
Distribuidora
Carrefour
Extra
Wal-Mart
17,47
Saint Marché
Pão de Açúcar
Compre Bem
Mambo
19,90
17,90
20,90
BRASIL
1
Aurora Varietal Tinto
Aurora
13,50
15,90
2
Espumante Chandon Brut
LVMH
39,90
42,90
3
Miolo Seleçáo
Miolo
16,90
16,90
4
Salton Volpi Merlot
Salton
33,90
24,90
43,50
27,47
24,90
CHILE
5
Casillero del Diablo Tinto
Pernod Ricard
29,90
6
Cousiño Macul Don Luis Tinto
Santar
36,90
34,90
7
Santa Carolina Reserva Tinto
Casa Flora / Porto a Porto
33,90
35,10
24,98
8
Santa Helena Siglo de Oro Tinto
Interfood
34,79
32,29
30,90
9
Ventisquero Classico Tinto
Cantu
26,90
34,30
33,90
26,95
26,69
29,90
32,90
32,95
34,48
30,30
29,90
27,90
ARGENTINA
10
Benjamin Nieto Senetiner Tinto
Casa Flora / Porto a Porto
15,90
11
Finca Flichmann Varietal Tinto
La Pastina
26,09
17,90
12
Terrazas Alto Chardonnay
LVMH
39,90
34,90
13
Trapiche Varietal Tinto
Interfood
17,90
13,90
22,90
14
Trivento Tinto
Expand
18,99
13,90
18,98
26,98
41,00
15,90
18,90
24,73
21,90
21,90
36,90
35,90
18,90
19,90
19,50
18,90
21,90
PORTUGAL
15
Casal Garcia Verde Branco
Interfood
16
Esporão Reserva Tinto
Qualimpor
115,00
34,50
17
Periquita Tinto
Diageo
25,90
18
Porca de Murça Tinto
Barrinhas
21,90
19
Porto Dom José Ruby
Barrinhas
69,90
32,00
89,00
28,48
25,40
89,90
27,90
28,90
22,50
26,90
56,56
ESPANHA
20
Marqués de Arienzo Crianza Tinto
Pernod Ricard
44,98
52,99
75,00
51,99
63,95
AUSTRÁLIA
21
Jacobs Creek Cabernet-Shiraz
LVMH
52,50
Bruck
34,90
49,29
ITÁLIA
22
Corvo di Salaparuta Tinto
26,90
31,65
No. vinhos com menor preço
7
6
4
3
3
2
2
No. vinhos da lista
20
12
12
11
10
11
10
Tabulados os dados, percebe-se
várias coisas. Na mesma data e hora,
o Wal-Mart da Vila Leopoldina tinha
apenas 12 dos 22 rótulos da “cesta
básica” e somente 4 dos vinhos com o
menor preço. O Carrefour do mesmo
bairro estava com a maior variedade,
com 20 dos 22 rótulos selecionados, e
Vinho & Cia - No. 43
também com o maior número de vinhos
com o menor preço: 7. Entre todas as
pesquisadas, é a loja que está melhor
estruturada em termos de vinhos, inclusive no aspecto estético. O Extra do
Jaguaré tinha nas prateleiras o mesmo
número de vinhos da “cesta básica”
que o Wal-Mart, porém foi o segundo
com a maior quantidade de rótulos com
menor preço. O Saint Marché, de uma
rede menor mas com maior ênfase em
vinhos, superou um pouco, em oferta
e melhores preços, os da rede Pão de
Açúcar e Compre Bem. O Mambo foi o
supermercado da pesquisa com o menor
número de melhores preços.
Colocados e comentados todos os
dados, é importante salientar que o aspecto preço é somente um dos itens
a considerar na compra de vinhos em
uma loja: conveniência, atendimento,
cuidados no estoque, perfil de variedade
e outros pesam bastante. É uma questão
de ponderar.
21
Circuito Vinho &Cia
Continua
a promoção
N
as noites frias deste inverno, a
promoção do Circuito do Vinho
& Cia continua aquecida. Foi
mais um mês em que os apreciadores e
enófilos puderam desfrutar de dias e noites
agradáveis com vinhos oferecidos pelas
casas participantes, não só em São Paulo
(no contemporâneo restaurante La Marie, na arquitetônica Cantina Matterello
ou na tradicional pizzaria Prestíssimo)
como também em Santos (na conceituada
cozinha italiana e pizzaria da Piccola Forneria) e nas montanhas frias de Campos
do Jordão (no Charpentier, no tradicional
hotel de charme Frontenac).
O Circuito já conquistou o público,
e os restaurantes tomaram gosto pela
ação promocional. “Estamos oferecendo
opções diferenciadas de vinhos a preços
justos, o cliente ganha uma taça de brinde
e ainda temos a divulgação e o apoio do
jornal: é bem diferente!”, diz o chef Edson di Fonzo do La Marie, em Pinheiros.
Na cozinha, ele brinca com os aromas e
sabores em suas criativas receitas a preços
atrativos: é uma delícia! O sommelier Carlos conta que agora “novos clientes vêm
pela indicação de outros que conheceram
a promoção”. Damião, também no serviço
de vinhos da casa, confirma: “ganhamos
muitos clientes novos com o Circuito”.
Entre eles está Elizabeth Lemos Britto, que
diz com ênfase: “beber com amigos é tudo,
com um vinho bem indicado é melhor ainda!”. Outro cliente, Alexandre Lamberte,
afirma que o Circuito “é música, vinho e
gastronomia, tudo numa taça!”.
A promoção do Circuito trouxe igualmente novidades ao público do Matterello,
na Vila Madalena, que já desenvolve às
terças e quintas-feiras noites de vinho
com diferentes degustações. No “Dia
Especial” promovido pelo Vinho&Cia, a
casa estava lotada para a degustação com
vinhos da importadora Winery, comentada pelo crítico Breno Raigorodsky. A
aprovação foi geral. O cliente Rodolfo
Adami ficou entusiasmado: “pudemos
conhecer novos vinhos e aprender mais
sobre o assunto, comprá-los a preços
acessíveis para beber em casa e, além
disso, ganhar a nossa taça”. Ednaldo, o
sommelier da casa, diz que acha “a ação
muito inteligente. Os clientes adoram e
perguntam se a próxima degustação que
faremos será com o brinde do Circuito”.
Na pizzaria Prestíssimo nos Jardins,
a Espanha apareceu entre os favoritos
nas noites de degustações comandadas
pela sommelière Patrícia. Ela teve de
marcar noites extras no Wine Bar, e contou com a agradável presença do grande
conhecedor de vinhos desse país, Juan
Rodriguez, sócio da importadora Península. “Conseguimos atrair nosso público
e eles adoraram os vinhos da Espanha. Já
colocamos os rótulos do Circuito definitivamente na carta”, diz Patrícia. Alexandre
Levy, sócio da casa, conta que “devemos
estender a ação do Circuito Vinho&Cia
para o nosso delivery a partir deste mês,
e vamos também disponibilizar a venda
através do nosso site”.
Na Piccola Forneria, no Canal 5 em
Santos, a ação não rende apenas comentá-
“
Em 5 restaurantes
selecionados do
Circuito Vinho&Cia,
você pode ganhar uma
taça. Como? Quais são
os locais? E tem mais
atrativos? Confira...
rios positivos: os frequentadores passaram
a consumir mais vinho. O sommelier
Oliveira afirma que agora “o público está
aberto às nossas sugestões e gosta das
ações da casa”. O sócio Gugu Barbosa
complementa: “os clientes ainda ganham
como brinde uma taça e edições do jornal:
eles adoram!”.
Com o entardecer, o friozinho pegando
nas badaladas ruas de Campos do Jordão
convida a um passeio até o Charpentier,
para pedir o vinho da promoção do Circuito Vinho&Cia acompanhado de fondue ou
de uma deliciosa comida preparada com
qualidade por uma das melhores cozinhas
da serra. “A promoção só veio para agregar e apresentar novidades aos clientes”,
diz Vera Lúcia Duarte, diretora do hotel
Frontenac e do restaurante. O impecável
sommelier Valter da Silva afirma que “os
clientes seguramente estão gostando das
indicações de vinhos. Já conseguimos
bons resultados em pouco tempo e devemos continuar no Circuito”.
A participação dos fornecedores de
vinhos no Circuito é fundamental para a
oferta de bons e variados rótulos a preços
justos. Até o momento colocaram seus
vinhos nos restaurantes as vinícolas nacionais Pericó, Sanjo e Villaggio Grando, e as
importadoras D’Olivino, Península, Porto
Mediterrâneo, Wine Lovers e Winery.
Charpentier (Capivari, Campos do Jordão)
Av. Dr. Paulo Ribas, 295, (12) 3669-1000
La Marie (Pinheiros, São Paulo)
R. Francisco Leitão, 16, (11) 3086-2800
Matterello (Vila Madalena, São Paulo)
R. Fidalga, 120, (11) 3813-0452
Piccola Forneria (Canal 5, Santos)
Av. Almirante Cochrane, 62, (13) 3271-1200
Prestíssimo (Jardins, São Paulo)
Al. Joaquim Eugênio de Lima, 1135, (11) 3885-4356
Apoio comercial ao Circuito Vinho&Cia:
22
Vinho&Cia - No. 43
Pelo País
O Brasil
“
para os portugueses
Portugal há alguns
anos investe em
muitos eventos de
vinhos pelo nosso país.
Dá resultado? Os rótulos
da terrinha ficaram mais
conhecidos? Denise conta...
J
á ouvi algumas vezes a pergunta se os
diversos eventos de degustação de vinhos com a apresentaçao de dezenas
de importadoras trazem algum resultado
prático. Bem, para o Instituto do Vinho
do Douro e do Porto, que realiza eventos
como esses no Brasil há muito tempo, os
números provam os resultados.
Hoje somos um dos mercados estratégicos para os vinhos da Região do Douro,
que registraram crescimento importante
nos últimos anos. As exportações de vinhos do Porto aumentaram mais do que o
dobro nos últimos cinco anos, passando de
588 mil garrafas em 2003 para 1,4 milhão
de garrafas no final do ano passado. Já em
relação aos vinhos tranquilos do Douro, a
evolução é de 50% nos 4 últimos anos. O
Brasil é o 4º mercado de comercialização
de vinhos do Douro, com aumento de
2,6% em comparação com o ano anterior.
Em 2008 o valor global das exportações de
vinhos dessa região para o Brasil atingiu
os 6,9 milhões de euros, um crescimento
de 3% em relação a 2007.
O ano de 2009 representou o ano de
maior investimento do IVDP no mercado
brasileiro, com a realização de grandes
provas ­— em São Paulo, Rio de Janeiro,
Curitiba e Brasília — além de um conjunto de 6 seminários temáticos ao longo
do ano.
demonstra o interesse pelos vinhos da
Região Demarcada do Douro. O apoio
importante dos produtores e das importadoras brasileiras é também digno de
registo e aplauso. E este esforço financeiro
terá continuidade nos próximos 2 anos”,
anuncia Carlos.
“Nós do Instituto entendemos que é
essa a melhor forma de fazer face a uma
retração na comercialização que se registrava nos primeiros meses do corrente ano,
apesar dos excelentes resultados nos últimos 5 anos, em que mais que dobramos
as vendas para o Brasil (quer de Porto,
quer de Douro)”, analisa Carlos Soares,
do IDVP. “Mais de 1.300 pessoas, na sua
larga maioria profissionais, participaram
nas ações até agora realizadas, o que
O Brasil é um dos poucos países que
mantém uma tendência positiva de crescimento em termos globais de comercialização de vinhos.
Denise Cavalcante
Jornalista
[email protected]
Duas dicas
Evento do instituto português IDVP no Hotel Unique em São Paulo
Vinho & Cia - No. 43
FÉRIAS COM VINHO INCLUÍDO
Passei alguns dias em julho no Hotel
Costão do Santinho, em Florianópolis,
e me surpreendi com o hotel, o local,
as refeições, as atrações e tudo que
ofereciam. Mas não podia imaginar que
o pacote que incluía todas as refeições
também incluísse água, refrigerante,
cerveja, whisky e - pasmem - vinho!
Consumi livre em qualquer refeição.
Além do hotel ser ma-ra-vi-lho-so, essa
possibilidade me encantou. Os vinhos
eram ótimos: espumante Salton, do nosso saudoso amigo, o argentino Trapiche
Astica, o chileno Mancura e outros. Vinhos de preços baixo mas de qualidade
e, sem dúvida, escolhidos com cuidado
por quem conhece. Para completar, em
um de seus restaurantes, um francês à la
carte, havia uma adega com vinhos fantásticos de todos os países. Isso mostra
o espaço que o vinho vem conquistando
entre o público brasileiro.
LIVRO PREMIADO EM PARIS
Parabéns ao Aguinaldo Záckia Albert!
Um de seus livros acaba de ganhar um
prêmio na França ­— e logo sobre que
tema, o Espumante, especialidade dos
franceses, e pelo visto dos brasileiros
também. O prêmio é o Gourmand
World Cookbook Awards, anunciado
no dia 1o. de julho, no Theatre de La
Comédie Française, em Paris. Concorrendo com 18 candidatos de vários
países, o livro “Borbulhas, Tudo Sobre
Champanhe e Espumantes”, ganhou o
primeiro lugar do prêmio Best Wine
Education Book, criado em 1995, pelo
expert Edouard Cointreau. Nele Záckia
relata a história do champanhe, sua origem e evolução e as atuais técnicas de
produção, apresentando também outros
espumantes da França, Europa e Brasil.
Fala do serviço do espumante e orienta
a sua harmonização com pratos. O livro
é da editora Senac.
23
Circuito do Vinho
Uva, uva,
é a uva do Marengo!
“
O bairro do Tatuapé
em São Paulo é
reduto de italianos.
Traz lembranças e, hoje,
novos ares. Como um belo
restaurante português.
Quartim descreve...
D
e meus tempos de criança, lembro-me bem quando ouvia de um
“alto-falante” de uma carrocinha
que passava em frente de casa a seguinte
frase: “Uva, uva, é a uva do Marengo!” Eu
morava no Pacaembu, e o “alto-falante”
na verdade era uma espécie de corneta,
como o símbolo da RCA Victor, com a
qual o vendedor a plenos pulmões anunciava seu produto.
Naquela época isso me parecia algo
meio mágico, não me fazia sentido algum
que a uva fosse do Marengo ou de alguém
mais, para mim eram simplesmente uvas
que minha mãe comprava e nós, irmandade toda, comíamos avidamente de
sobremesa.
Não era assim mesmo, Didú? Tenho
certeza de que do fundo do baú, você
também se lembra e ouvia a mesma coisa!
Eta!, saudade...
Bastante depois e um pouco mais
informado, desvendando mistérios de
infância é que vim saber da existência, no
bairro do Tatuapé, de uma “chácara” onde
se cultivavam uvas, e eram exatamente
aquelas que degustávamos em tempos
de criança.
Pois é meu, caro leitor, foi lá pelas
bandas do atual Tatuapé que em 1551,
Brás Cubas, pioneiro da viticultura no
Brasil, instalou sua primeira vinícola! Foi
durante muito tempo a principal atividade
econômica da região. Muito depois, no
final do século XIX, com a imigração
24
italiana, que famílias como a do senhor
Francesco Marengo, plantaram suas vinícolas naquele bairro.
Italiano do Piemonte, nascido em
1875 e falecido em São Paulo em 1959,
Marengo, além de sua produção de uvas,
criou também um viveiro de mudas das
variedades americanas Isabel e Niagara,
não muito apropriadas à produção de
vinhos, mas de alta produtividade, e se tornou o principal fornecedor de mudas para
vinhateiros da região de São Roque.
O Tatuapé se caracterizou como bairro
dos descendentes italianos, acolheu inúmeras indústrias e experimenta nos dias de
hoje um enorme “boom” imobiliário.
O interessante é que no reduto italiano, quem sabe por reminiscências do
português Brás Cubas, Anselmo Neves e
Sérgio Ferreira decidiram criar o primeiro
restaurante lusitano no Tatuapé, denominando-o Bacalhoeiro.
Sem dúvida que com esse sugestivo
nome a especialidade da casa é bacalhau.
São várias as modalidades. Seguem-lhes
os peixes, uma Lula na Cataplana, maravilhosa, e frutos do mar, assim como
também carnes e aves... Sobremesas conventuais, naturalmente, tudo nas melhores
tradições portuguesas.
Ambiente muito elegante, sempre
lembrando motivos portugueses, desde
os azulejos de estilo até duas grandes
oliveiras, frente à “parede jardim” de uma
de suas diversas salas.
Sem que os comensais se dêem conta,
em dias bonitos, o teto retrátil de algumas das salas se abre, permitindo uma
agradável sensação de estar comendo no
jardim.
O requinte do Bacalhoeiro permite
a escolha de ambientes descontraídos
como o bar-balcão, a área da biblioteca
enogastronômica, local para degustações,
salas aconchegantes e, o que um cunhado
Bacalhoeiro: Rua Azevedo Soares, 1580, Tatuapé, (11) 2293-1010, São Paulo
meu chama de “criancil”, isto é, um local
à prova de som, onde a infanto-garotada
pode se divertir à vontade! Para elas um
cardápio infantil, a brinquedoteca, videogames e, nos finais de semana, monitores.
Brincadeira organizada! E o que é melhor,
sossego do outro lado para a apreciação
dos maravilhosos pratos e dos vinhos de
uma Carta de fazer água na boca!
Não poderia deixar de destacar a
adega climatizada com espaço para algo
como 1.700 garrafas! Todas muito bem
cuidadas pelo escanção Augusto Monteiro, que lhe poderá sugerir excelentes
harmonizações!
Samuel Alves é o sempre sorridente
maître, que faz com que as coisas corram
sobre carretéis no Bacalhoeiro.
Nas panelas, em uma cozinha à vista
dos clientes, contamos com a brasilidade
do cearense Francisco Everaldo da Silva
como chef.
O Bacalhoeiro pode integrar o Circuito
do Vinho, onde encontramos um ótimo
serviço em ambiente bastante agradável,
em que o vinho, sempre presente, faz um
final feliz!
Fernando Quartim
Vice-Presidente da SBAV-SP
[email protected]
Vinho&Cia - No. 43
Nas Ondas do Rio
O que acontece
na cidade maravilhosa
Foto: Oscar Daudt
Viajando com Jeanne
Costumo brincar que Jeanne
Marioton é a francesa mais carioca
que conheço. Especialista em vinho
­— considero uma profissional de alta
gama —, foi convidada para comandar
uma viagem enogastronômica de 8
dias entre Chile e Argentina. Todas as
visitas serão guiadas a 15 vinícolas,
com degustação, sendo 8 no Chile e 7
na Argentina.
Estão incluídos seis almoços, sendo 4 em vinícolas, e um jantar de
confraternização, no ultimo dia, no
famoso, renomado e prestigiadíssimo
restaurante 1884, de Francis Mallmann.
Confiram com ABS Turismo: rua da
Ajuda, 35, cobertura, (21) 3861-9000,
[email protected]
Carta nova de vinhos
A história da Parmê se inicia em 1972.
Na época foi aberta uma pequena lanchonete em Vila Isabel, que contava com
apenas cinco mesas e cinco colaboradores.
Rapidamente se tornou famosa por suas
pizzas e massas.
Depois de longo tempo de experiência
e grande sucesso, em 1989 seus fundadores resolveram abrir mais restaurantes
Parmê pela cidade.
Como não podia deixar de ser, desde
então a rede não parou mais de crescer e
consequentemente o vinho faz parte do
sucesso.
A nova carta foi lançada no mês passado, sob a consultoria de Célio Alzer. É
Vinho & Cia - No. 43
uma carta didática, que oferece ótimos
rótulos e excelentes preços.
www.parme.com.br
Mas o mais interessante mesmo é ir à
loja e ouvir Aníbal contar a história dessa
vinha ao monte.
Cobal Humaitá de Botafogo:
(21) 2286-8838 / 2535-0070.
Espírito virou vinho
Novo espaço no Centro
Moreto, Trincadeira, Touriga Nacional, Aragonês, Alicante Bouschet, Mouvèdre, Petit Verdot, Souzão e etc. São 10
castas no total. Isso mesmo, 10 castas, que
compõem o vinho Espírito do Vinho, do
Alentejo, Portugal, de nome homônimo
ao da loja de Aníbal Patrício. Seu amigo
Joaquim Madeira vinificou pessoalmente
o vinho na vinícola Casa de Sabicos, a
partir de vinhas de 113 anos em 1 hectare,
ultra especiais.
Aconchegante, bem iluminada, charmosa e com boa variedade de vinhos.
Assim é a mais nova loja no centro da
cidade, chamada Espaço Porto Mauá.
Essa é aquela combinação que eu adoro:
livraria, café, bistrô e loja de vinhos.
A loja realiza degustações temáticas,
com Fernando Miranda e outras “feras”. Que
tal escolher uma boa leitura e depois começar a saboreá-la degustando um vinho?
“
Uma viagem
enogastronômica,
uma nova carta, duas
lojas, comidinha caseira
com vinho... O Rio de
Janeiro está sempre ótimo.
Jaque traz isso pra nós...
Jaqueline Barroso
Enófila
[email protected]
Rua do Acre, 51, Centro, (21) 22061160, www.espacoportomaua.com.br
Final de semana caseiro
Sabe aquele almoço de final de semana gostoso com comidinha caseira?
Pois é, essa é a novidade do restaurante
Alcaparra. O maitre Raimundo preparou
várias gostosuras diferentes do cardápio
corrente, para oferecer uma alternativa
ao dia-a-dia. Claro que o vinho também
é o grande destaque. A carta é composta
por mais de 150 rótulos selecionados pelo
maitre-sommelier Batista, que comanda
também o salão. Espetáculo é o variado
couvert: uma loucura!
Praia do Flamengo, 150, Flamengo,
(21) 2558-3937.
25
Vinho é Arte
Uma viagem
de sabores pela França
Château Chambord, no Vale do Loire, França
“
Sair do Brasil para
uma viagem à França
é algo apaixonante.
Paris, castelos, Loire,
Champagne, Bourgogne,
Bordeaux, Provence...
Mais? Maria Amélia traz.
A
no da França no Brasil. Todos
falam nessa terra maravilhosa:
Paris, seus museus, sua arte...
A história francesa é repleta de temas,
sejam lutas, sejam escultores ou filósofos;
um país que é um verdadeiro cenário de
contos de fadas.
26
O vale do Loire, seus castelos e a
riqueza dos vinhos brancos, o berço dos
biodinâmicos, a terra de Nicolás Joly. A
Alsácia, história viva, sua arquitetura,
seus vinhos de terroir que duram décadas.
Quem não gosta do aroma da Gewurztraminer que exala no ar entre os vinhedos?
Ou que sai de uma garrafa mítica, como
1997 em Vendange Tardive?
A Champagne e todo o glamour, suas
caves em giz, as borbulhas inigualáveis.
Don Perignón, a coroação de reis, a luta,
a reconstrução. Descobrir os Champagnes
dos pequenos vinhedos é uma das mais
fabulosas experiências de viagem.
Sem contar a Bourgogne, toda a
mentalidade e fervor em torno do terroir,
seus pequenos produtores, fanáticos e
apaixonados por sua terra. Seja Chablis,
com suas caves tradicionais ou os mais
renomados produtores, como Romanée
Conti, são micro terroirs, o trabalho da
sua gente, a defesa da natureza.
E o luxo das ruas de Bordeaux, seus
vinhedos, alguns dos melhores do mundo.
Andar pelas ruas dessa cidade totalmente tombada pelo patrimônio histórico
mundial, relaxar no SPA Caudalie ou
curtir cada cantinho de Margaux não tem
preço.
Para quem tiver mais tempo, descobrir
regiões como Loupiac, Cadillac ou Saint
Croix du Mont e a doçura dos seus vinhos.
Ver porque o Sauternes é uma jóia, mas
que também existem mais diamantes na
região.
Se o caminho levar para o mar, é lá que
está nossa amada Provence. Flores, arte, o
azul hipnotizante do Mediterrâneo, fazem
desse roteiro um dos mais cobiçados do
mundo. O aroma das ervas, um toque de
nostalgia paira no ar. E ali está o Rhône, e
mais diversidade: você pode provar desde
os vinhos próximos ao Ventoux até os
instigantes Cote-Rotîe.
Enfim, um país que é um paraíso para
quem é apaixonado por gastronomia. A
França é impossível de descrever em poucas palavras, não pode ser conhecida com
pressa, pois, como as melhores coisas da
vida, merece tempo e muita atenção.
Maria Amélia Duarte Flores
Enóloga
[email protected]
Vinho&Cia - No. 43
Uai!
Vou-me embora
pra Pasárgada
“
Você sabia que as
mulheres do Irã... E
sabia que em BH no
restaurante Persa... E que
lá os preços dos vinhos...
Não sabia mesmo? Ah...
Andréa Pio revela.
“
Vou-me embora pra Pasárgada / Lá
sou amigo do rei / Lá tenho a mulher
que eu quero / Na cama que escolherei / Vou-me embora pra Pasárgada...”
Eu também vou! Tenho certeza que
você também vai gostar de ir. Mesmo por
que a Pasárgada a que me refiro está mais
próxima do que você imagina. E nessa
Pasárgada tem Lei Molhada. Uau !!!
Ela está representada no Amigo do
Rei, restaurante de culinária Persa. Inaugurado primeiramente em 1998 em Paraty
(RJ), desde 2002 funciona no bairro Santo
Antonio em Belo Horizonte (MG). O
Amigo do Rei é raridade em outras paragens deste Brasil Varonil, Verde, Amarelo
e Azul Anil e é especializado na autentica
cozinha iraniana, ou Persa, como assim os
proprietários preferem.
Para início de conversa, lembro que
no Irã as mulheres não cobrem o rosto.
Os iranianos são descendentes das tribos
de etnia ariana que emigraram do leste da
Rússia, há milênios. Parte delas se fixou
no Oriente Médio e parte seguiu para a
Europa até chegarem à região escandinava, onde também se fixaram. Embora
esteja encravado no Oriente Médio, o Irã
não é um país árabe, lá não se fala árabe
e a comida em nada se parece com a
saborosa, divertida e simpática culinária
árabe. E que o poema de Manuel Bandeira
é simplesmente porque os proprietários
Vinho & Cia - No. 43
nutrem simpatia por Manuel Bandeira e
em nada faz apologia à monarquia.
No Amigo do Rei a experiência é
única. O restaurante é desprovido de
maiores luxos, e a ambientação é bastante
intimista. Funciona em uma casa familiar
com apenas 23 lugares; portanto, reservar
é preciso.
Quem faz as honras da casa é o casal
Cláudio Battaglia (carioca) e Nasrin
Haddad Battaglia (iraniana), que cuida
da cozinha. Além do cardápio, Cláudio
que fica por conta do atendimento, traz
várias fichas. Nelas constam curiosidades
do Irã, e é claro, sobre a culinária local.
Vez por outra a Cadbanou Nasrin – no Irã
não existe a expressão chef du cuisine,
portanto, mulheres que desempenham a
função são assim chamadas -, circula entre
as mesas para explicar os hábitos, costumes e apresentar o refrigerante crocante.
Diversão imperdível a tal bebida.
Embalado por musiquinha clássica
iraniana, você tem a oportunidade de experimentar a rica culinária persa, de sabor
suave, aromática e refinada. O cardápio
traz receitas caseiras, leves e temperadas
com ingredientes típicos do Irã, sendo
que alguns temperos não são comercializados no Brasil. São dois cardápios: um
fixo e um “paralelo” onde a Cadbanou
vai mostrando receitas que se alternam
de acordo com as estações e a saudade...
Fessenjouhn – de sabor suave e agridoce,
são esferas de carne envolvidas em molho
de romã e nozes, acompanhadas de arroz
branco com toque de açafrão e Borani;
Sabzi pólo bo mohi – (primeira refeição do Ano Novo no Irã) é um peixe,
truta aberta feita na chapa, com arroz de
ervas aromáticas, torta de verduras e vinagrete; e o milenar Tahtin bo morgh – são
cubos de peito de frango acompanhados
por arroz Tahtin (leve base torradinha e
obrigatório no Irã) e vem com zereshk
(frutinhas cor de vinho, selvagens, que
nascem nas montanhas do Irã) e o Borani,
que vem num pequeno pote, no próprio
prato e cuja função é apenas lavar a boca,
não devendo misturar à comida.
Como disse, nessa Pasárgada a Lei
Molhada é levada a sério. Aos chegantes,
essa lei adotada pelo Amigo do Rei, significa que os vinhos são oferecidos pelo
mesmo preço que o freguês pagaria na
importadora. “Com a economia, que calculamos entre R$ 24 e R$ 150, é possível
ir e voltar de táxi”, a isso chamamos de Lei
Molhada”, revela Claudio Battaglia. Os 16
rótulos (quatro franceses, dois italianos,
um argentino, um neozelandês, quatro chilenos, dois espanhóis e dois portugueses)
foram selecionados por ele em parceria
com Rodrigo Fonseca (Premium/TasteVin), Lisandro Neis (Decanter), Dulce
Ribeiro (Zahil) e André Martini (Casa
do Vinho). São vinhos de bom custo-benefício, delicados mas marcantes, e que
harmonizam muito bem com a comida
iraniana. Cada garrafa custa entre R$ 30
e R$ 110.
“Vou-me embora pra Pasárgada / Aqui
eu não sou feliz / Lá a existência é uma
aventura / De tal modo inconseqüente...
Vou-me embora pra Pasárgada...” / Lá
serei amigo do rei / Lá a experiência é
única, posso saborear vinhos sem ter que
pagar horrores.
Andréa Pio
Jornalista e editora do guia Uai
[email protected]
SABZI POLO BO MOHI:
Peixe na chapa com arroz de ervas aromáticas, torta de verduras e vinaigrette.
Amigo do Rei: Rua Quintiliano Silva, 118, Santo Antônio, (31) 3296-3881
Belo Horizonte. De quarta a sábado, das 19h30 às 23h; domingo, das 13h às 16h.
27
“
EmBoaCia
Nas próximas páginas,
viva mais além
das garrafas de vinhos
A viagem
às lembranças dos pais
“
Muitas vezes nos
esquecemos de
simples detalhes das
nossas vidas, que tempos
depois nos dão saudade e
nos enchem de lágrimas.
Adriana propõe um brinde.
G
ostaria de propor uma viagem diferente... Uma viagem às nossas
lembranças.
Às viagens que fizemos em nossas
infâncias. Aos momentos em que, como
crianças, nos sentíamos protegidos no
calor do lar. Às brincadeiras e às histórias
de famílias. Às broncas, cobranças e aos
conselhos, que ouvimos e nos fizeram
crescer e ser o que somos hoje.
Pois é, agosto é o mês no qual comemoramos o Dia dos Pais. E eu quero
aproveitar este espaço e homenageá-los.
Dicas de presentes, lugar legais para leválos e bons vinhos para tomar com eles eu
deixo para os outros.
Eu aqui vou ficar com as lembranças
e com a saudade...
Busco um poema, uma letra de música,
palavras que possam descrever o sentimento que nos faz girar em torno dessa
figura, dessa presença que, para mim hoje
distante, permanece preenchendo o tempo
e norteando o caminho.
Li que um certo poema pretendia
demonstrar que, apesar da imagem de
herói, pai é também um ser humano
sensível, mesmo protetor e acolhedor, se
emociona com um simples sorriso e se
entristece com uma lágrima. Pensei no
quanto nos esquecemos desses simples
detalhes em momentos de nossas vidas,
e hoje permaneço com a saudade e as
lágrimas nos olhos.
Façamos neste mês um brinde: aos
nossos Pais!
Adriana Bonilha
Colunista
[email protected]
Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco, tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...
Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...
Pai
Fábio Jr.
28
Vinho&Cia - No. 43
Charutos & Destilados
Entrevista
com Mister Whisky
“
O considerado
maior especialista
no destilado escocês
esteve no Brasil com Cesar
Adames. Ele dá a opinião
sobre qual o melhor blended
para começar a beber.
O
autor do livro “Jim Murray’s
Whisky Bible” (“A Bíblia do
Whisky de Jim Murray”) esteve
no Brasil recentemente para tirar dúvidas
sobre como beber whisky, se a bebida
deve ou não acompanhar uma refeição,
com qual alimento pode ser combinado,
que tipo de malte é o mais indicado, entre
outras questões. Considerado o maior
especialista do destilado escocês, Jim já
degustou milhares de maltes e é o homem
que conhece o maior número de destilarias
do mundo. Tive oportunidade de estar
com ele e fazer algumas perguntas sobre
o assunto.
Vinho e Cia – Quantos rótulos você já
experimentou?
Jim Murray – Mais de dez mil.
VC – Como identificar um bom
whisky?
JM - Para identificar um bom whisky
você precisa identificar se há algo de
errado com ele. Se você não consegue
identificar nenhum problema com ele,
ele deve ser um bom ou até um ótimo
whisky.
VC – Quais foram seus critérios para
eleger os melhores whiskys do mundo?
JM – Dou notas para aroma, sabor,
acabamento e balanço. Acredito que seja
o único livro do mundo que dê notas específicas desta forma.
VC – Qual é um bom whisky para
quem está começando?
JM – Sugiro um blended whisky. O
vencedor da Bíblia de 2009 nesta categoVinho & Cia - No. 43
ria é o Ballantines Finest.
VC – E o copo ideal?
JM – É muito semelhante à taça de
vinho, só que sem o pé. Evite o copo com
fundo grosso.
VC – Qual sua opinião sobre tomar
whisky com gelo?
JM – Entendo que em um país tropical
como o Brasil o consumo com gelo seja
muito grande, mas para descobrir todos
os segredos do whisky eu recomendo
beber puro aquecendo-o suavemente
com a palma da mão. Desta forma você
vai descobrir todas as características e
complexidades da bebida.
VC – Whisky envelhece como o
vinho?
JM – Quando você engarrafa o whisky
ele não evolui mais. Se você comprou
um whisky que diz 12 anos na garrafa e
guardar por 20 anos daqui a 30 anos terá
um whisky de 12 anos.
VC- Whisky e comida podem ser
combinados em uma refeição?
JM – Na minha opinião comer e beber
whisky ao mesmo tempo é uma forma de
arruinar duas excelentes experiências.
É melhor beber whisky antes de uma
refeição ou depois de um café preto, encerrando uma refeição.
Cesar Adames
Consultor gastronômico
[email protected]
29
Comportamento
Champagne,
escargot e lagosta
“
Quando jovem,
isso há muitos e
muitos anos, Didú
Russo levava uma vida de
milionário. Ia nos melhores
lugares e consumia bons
produtos. Como? Ah...
H
á pessoas realmente muito felizes
com a vida. Eu sou um desses
caras.
Achei o amor da minha vida, com
quem estou há mais de 35 anos! Acreditem, ainda por cima quando nos conhecemos, além de jovens, levávamos uma vida
de milionários. Verdadeiros milionários.
Explico, trabalhávamos numa Secretaria
de Estado, a dos Negócios da Cultura, do
Esporte e do Turismo de São Paulo. E
sabem quem era o Secretário? O incrível
30
e elegante Pedro de Magalhães Padilha,
meu falecido amigo e padrasto de outro
já falecido grande amigo (como o tempo
está passando...), Carlos Eduardo de
Barros, o Cacá.
Bem, o que isso tem a ver com uma coluna de vinhos e comportamento do Jornal
Vinho & Cia? Tem a ver, pois, imaginem,
meus queridos leitores, a cena seguinte.
Você tem 22 anos de idade, é “beatnik”
e se transforma durante o dia de trabalho
para ser “Oficial de Gabinete” de um Secretário de Estado e vai de terno, gravata e
colete para o Palácio dos Campos Elíseos
(turbinado por um pacau...) todos os dias.
Ao final do dia você consegue o “seu momento” e convida a melhor das mulheres
do Palácio e do Mundo, uma verdadeira
capa de revista para sair... Onde? Roof
do Hilton.
Pausa para explicação: o Hotel Hilton
estava na avenida Ipiranga na década
de setenta e era o point mais famoso da
cidade. Para se ter uma idéia, o figurino
dos atendentes do Hotel fora feito pelo
Denner... Ah... vocês não sabem também
quem foi o Denner, bem, essa eu não vou
explicar, procurem na Wikipédia...
Muito bem, chegávamos, e o “roof”
tinha uma orquestra, mesas com visão
panorâmica de São Paulo e pista de danças... Imaginem. “Garçom, por favor, uma
garrafa de Laurent Perrier, e escargots.
Obrigado”. Chegava o Champagne, brindávamos e levantávamos para dançar. Fox
Trot, claro... Ah... também não sabem,
né?... Ouçam “Under my Skin” e saibam
do que se trata. Era a época em que se
dançava a favor e não contra... A moça
colada e movimentos sensuais.
Chegava o escargot, que nessa época
vinha na concha, e tinha a “pinça” para
se segurar a concha e o garfinho próprio
para “pescá-lo”. Que elegância, não dá
para explicar direito, desculpem. Era um
momento de pausa, namoro, conversa, e
outra dança. Voltávamos à mesa e vinha
o garçom. Por gentileza, vocês têm lagosta? Sim. O senhor gostaria ao Termidor?
Perfeitamente. Lá íamos nós dançar no-
vamente... E a noite passava.
No dia seguinte, o Secretário (hoje
compreendo) curtia muito a minha juventude, gostava de mim realmente e foi
um grande amigo. Me dizia pela manhã:
“Didú? Como foi ontem?”, e eu contava
a programação. Bem, parabéns. É isso aí.
Me dê aqui a nota, assinava e eu era reembolsado no financeiro... Que maravilha
isso, que saudade.
A sorte é que a Nazira, a mulher que
roubou meu coração continua comigo.
Aliás, escrevo isso na Ilhabela, olhando
o mar e bebendo um LBV da Quinta das
Tecedeiras 2001 e uma peça de reblochon
da Serra das Antas... E La Nave Vá...
Saúde!
Didú Russo
Confraria dos Sommeliers
[email protected]
Vinho&Cia - No. 43
Quantos bons negócios
você já não fechou
apreciando um
bom vinho?
A A b r a v i n h o t e m re v i s t a s e s p e c i a l i z a d a s n o m u n d o d o v i n h o . S ã o m i l h a re s d e a f i c c i o n a d o s p e l a a r t e , p e l a h i s t ó r i a e p e l a m a g i a
c o n t i d a e m c a d a g a r r a f a . U m p ú b l i c o a l t a m e n t e s e l e c i o n a d o , c o m e x c e l e n t e p o d e r a q u i s i t i v o e q u e e n t re u m a s a f r a e o u t r a e s t á
a t e n t o à s u a m e n s a g e m . A n u n c i e n u m a d a s re v i s t a s d a A b r a v i n h o e g a n h e m u i t o s a p re c i a d o re s p a r a o s e u p ro d u t o o u s e r v i ç o .
Vinho & Cia - No. 43
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É mesmo o supermercado mais barato?