CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA FACULDADE DE TECNOLOGIA DE LINS PROF. ANTONIO SEABRA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA FABIO SEIZO KAWASE LUCIANO LEIROZ DE PAULA A IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO DO ESTOQUE NO SETOR SUPERMERCADISTA DE PEQUENO PORTE NA CIDADE DE LINS SP LINS/SP 2º SEMESTRE/2012 CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO TECNOLÓGICA PAULA SOUZA FACULDADE DE TECNOLOGIA DE LINS PROF. ANTONIO SEABRA CURSO SUPERIOR DE TECNOLOGIA EM LOGÍSTICA FABIO SEIZO KAWASE LUCIANO LEIROZ DE PAULA A IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO DO ESTOQUE NO SETOR SUPERMERCADISTA DE PEQUENO PORTE NA CIDADE DE LINS SP Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antônio Seabra, para obtenção do Título de Tecnólogo em Logística. Orientador: Prof. Drº. Eduardo Teraoka Tófoli LINS/SP 2º SEMESTRE/2012 FABIO SEIZO KAWASE LUCIANO LEIROZ DE PAULA A IMPORTÂNCIA DO GERENCIAMENTO DO ESTOQUE NO SETOR SUPERMERCADISTA DE PEQUENO PORTE NA CIDADE DE LINS SP Trabalho de Conclusão de Curso apresentado a Faculdade de Tecnologia de Lins Prof. Antônio Seabra, como parte dos requisitos necessários para obtenção do Título de Tecnólogo em Logística sob orientação do Profº. Dr. Eduardo Teraoka Tófoli. Data de aprovação: ____ / _____/ ______ Orientador Profº. Dr. Eduardo Teraoka Tófoli Profª. Ms. Egiane Carla Camilo Alexandre Profº. Ms. Sandro da Silva Pinto O conhecimento é algo que está sempre se renovando, portanto, dedicamos o esforço aplicado neste trabalho primeiramente aos professores que nos ensinaram, mesmo quando achamos que o nosso conhecimento já está bem profundo sempre buscaram algo para melhorar ainda mais a nossa formação. E aos nossos familiares, A minha esposa Viviam, pelo apoio. Fabio Seizo Kawase A minha esposa Dani e aos meus filhos Mateus e Murilo pelo apoio e incentivo. Luciano Leiroz de Paula AGRADECIMENTOS À Faculdade de Tecnologia de Lins, Profº. Antonio Seabra, pela oportunidade de graduação. Ao professor Dr. Eduardo Teraoka Tófoli, pela paciência e orientação. Ao proprietário do Supermercado Bom Viver Paulo Cesar Lopes e sua esposa Solange Maria de Alencar Lopes, pela permissão de pesquisa. Ao Willian e ao Fernando, responsáveis pelo Departamento de Estoques e Administrativo do Supermercado Bom Viver respectivamente, que com boa vontade e dedicação, tornaram possível a realização dessa pesquisa. À todos os que direta ou indiretamente contribuíram para a realização desta pesquisa e consequentemente da nossa formação. RESUMO Com o aumento da competitividade do setor supermercadista devido à globalização e a mudanças econômicas, percebeu-se que haveria um equilíbrio entre o volume de vendas e a receita obtida, diferentemente do crescimento contínuo de vendas registradas anteriormente no setor. Neste sentido, as empresas buscam técnicas de controle em setores de risco como os estoques, pois a utilização correta dessas ferramentas poderá contribuir com as empresas do setor a permanecerem no mercado. O sucesso de uma organização pode ser resultado de um controle eficaz dos estoques frente aos desafios e obstáculos encontrados em seu caminho, pois normalmente pensa-se que a finalidade do estoque é de apenas suprir a demanda durante o tempo de ressuprimento, mas, se bem controlado, parte do dinheiro que seria imobilizado nos estoques se torna capital para investimentos em equipamentos ou em melhoria de outros setores. Com isso, o objetivo desse trabalho foi de verificar a importância do controle de estoque para o desenvolvimento de uma empresa do setor supermercadista de pequeno porte. Para atingir o objetivo, foi realizado um levantamento bibliográfico, através de livros, artigos e revistas especializadas e um estudo de caso no supermercado Bom Viver, localizado na cidade de Lins, interior do estado de São Paulo. A empresa pesquisada é de pequeno porte, mas que traz um valor significativo para a economia regional. Considerando o resultado da pesquisa, pode-se concluir que o correto controle de estoque influi completamente nas estratégias logísticas das empresas do setor. Se ferramentas mais específicas como, por exemplo, as ferramentas de controle como o ERP, classificação ABC, curva de Pareto e histogramas fossem utilizadas, alguns itens como do setor hortifruti poderiam ser controlados com maior eficácia, contribuindo com o crescimento do supermercado. Palavras-chave: Controle. Estoque. ERP. ABC. Pareto. Histograma. ABSTRACT With increased competition in the supermarket sector due to globalization and economic change, it was realized that there would be a balance between sales volume and revenue from, unlike the continued growth of sales recorded earlier in the sector. In this sense, companies seek control techniques in risk sectors like stocks because the correct use of these tools can help with business sector to remain on the market. The success of an organization can be the result of effective control of inventories in the face of challenges and obstacles in his way, because usually it is thought that the purpose of the inventory is to just meet the demand during the replenishment time, but if well controlled part of the money that would be immobilized in stocks becomes capital for investments in equipment or improvement of other sectors. Thus, the aim of this work was to verify the importance of inventory control for the company's development of a small supermarket sector. To achieve the goal, we conducted a literature review, through books, articles and magazines and a case study in supermarket Bom Viver, located in the city of Lins, in the state of São Paulo. The company studied is small, but that brings significant value to the regional economy. Considering the search result, one can conclude that the correct inventory control in completely influences logistics strategies of companies. If more specific tools such as the control tools such as ERP, ABC classification, Pareto curves and histograms were used, some items like hortifruti sector could be managed more effectively, contributing to the growth of the supermarket. Keywords: Control. Inventory. ERP. ABC. Pareto. Histogram. LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 2.1 – Relação das três atividades básicas da logística .................................. 24 Figura 2.2 – Tópico abordado neste trabalho ............................................................ 26 Figura 2.3 – Estoque: alinhamento do fornecimento e demanda de água numa residência .................................................................................................................. 30 Figura 2.4 – Curva de Pareto para itens em estoque ................................................ 39 Figura 4.1 – Fachada da mercearia Bom Viver em 1993 .......................................... 46 Figura 4.2 – Fachada da mercearia Bom Viver em 1996 .......................................... 47 Figura 4.3 – Fachada em construção de área adquirida ao redor do mercado Bom Viver em 1997 ........................................................................................................... 48 Figura 4.4 – Fachada principal pronta ....................................................................... 48 Figura 4.5 – Fachada principal atual ......................................................................... 49 Figura 4.6 – Organograma do Supermercado Bom Viver ......................................... 52 Figura 4.7 – Itens armazenado de forma improvisada .............................................. 60 Figura 4.8 – Aplicação da curva de Pareto nos resultados da tabela 4.2.................. 63 LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 2.1 – Exemplo de histograma de frequência. ............................................... 38 Gráfico 4.1 – Evolução do quadro de funcionários. .................................................. 50 Gráfico 4.2 – Evolução da área de vendas. ............................................................. 51 Gráfico 4.3 – Quantidade de itens armazenados. .................................................... 59 Gráfico 4.4 – Quantidade de itens perdidos. ............................................................ 61 Gráfico 4.5 – Comparativo dos itens mais perdidos. ................................................ 62 LISTA DE TABELAS Tabela 2.1 – Itens de armazém classificados pelo valor de uso. ............................. 35 Tabela 4.1 – Produtos mais perdidos (R$) ................................................................ 62 Tabela 4.2 – Organização dos itens mais perdidos utilizando a técnica de classificação ABC...................................................................................................... 63 LISTA DE QUADROS Quadro 2.1 – Exemplos de tipos de estoques em operações ................................... 28 Quadro 4.1 – Evolução do quadro de funcionários ................................................... 50 Quadro 4.2 – Princípios básicos de elboração .......................................................... 52 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados ERP - Enterprise Resource Planning – Planejamento de Recursos da Empresa IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Ampliado m2 – metro quadrado MPM – Média Móvel Ponderada PEPS – Primeiro que Entra Primeiro que Sai R$ - Real, moeda corrente no Brasil UEPS – Último que Entra Primeiro que Sai LISTA DE SÍMBOLOS % - Porcentagem @ - Arroba ® - Marca registrada SUMÁRIO INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 15 1 VAREJO ........................................................................................................ 18 1.1 CONCEITO DE VAREJO ................................................................................ 18 1.2 PAPEL DO VAREJO ....................................................................................... 19 1.3 TIPOS DE VAREJO – CLASSIFICAÇÃO E FORMATOS VAREJISTAS ........ 19 1.4 SETOR SUPERMERCADISTA ....................................................................... 21 1.5 GESTÃO DE ESTOQUES EM SUPERMERCADOS ...................................... 21 2 GESTÃO DE ESTOQUES ........................................................................ 24 2.1 GERENCIAMENTO DOS ESTOQUES ........................................................... 25 2.2 CONCEITO DE ESTOQUES ........................................................................... 27 2.3 CONTROLE..................................................................................................... 29 2.3.1 Controle de estoques ...................................................................................... 29 2.3.2 Objetivos do controle de estoque .................................................................... 31 2.3.3 Funções do controle de estoque ..................................................................... 32 2.4 FERRAMENTAS ............................................................................................. 33 2.4.1 Classificação de itens seguindo a curva ABC ................................................. 34 2.4.2 Histogramas .................................................................................................... 37 2.4.3 Diagrama de Pareto ........................................................................................ 38 2.4.4 Enterprise Resource Planning- ERP ............................................................... 39 2.5 A IMPORTÂNCIA DOS INVENTÁRIOS NA GESTÃO DE ESTOQUES .......... 40 2.6 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS ESTOQUES ................................... 41 3 METODOLOGIA ......................................................................................... 43 3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ........................................................ 44 4 ESTUDO DE CASO ................................................................................... 46 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA: SUPERMERCADO BOM VIVER .......... 46 4.1.1 Evolução do quadro de funcionários ............................................................... 49 4.1.2 Organograma .................................................................................................. 51 4.2 COLETA DE DADOS DA EMPRESA .............................................................. 52 4.3 DADOS COLETADOS ..................................................................................... 53 4.3.1 Informações sobre controle de estoques no Supermercado Bom Viver .......... 53 4.3.2 Uso da ferramenta: Classificação ABC ........................................................... 55 4.3.3 Uso da ferramenta: Histogramas ..................................................................... 56 4.3.4 Uso da ferramenta: Diagrama de Pareto ......................................................... 56 4.3.5 Uso da ferramenta: ERP ................................................................................. 57 4.3.6 Uso da ferramenta: Inventários ....................................................................... 57 4.4 ANÁLISE DE DADOS...................................................................................... 58 4.4.1 Quantidade de itens armazenados do Supermercado Bom Viver ................... 59 4.4.2 Relatório de ajuste de estoque – Custo total de produtos faltantes................. 60 4.4.3 Relatório de ajuste de estoque – Produtos que geraram a maior parcela das perdas ....................................................................................................................... 61 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..................................................................... 65 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ................................................................. 67 APÊNDICE A - Diagnóstico do uso das ferramentas de controle de estoques do supermercado Bom Viver ........................................................... 69 ANEXO A – CARTA DE APRESENTAÇÃO DA PESQUISA ..................... 74 ANEXO B – AUTORIZAÇÃO DA PESQUISA................................................ 75 15 INTRODUÇÃO O cenário mercadológico é de transformações, impulsionadas, principalmente pelos avanços tecnológicos, com a economia mundial em plena expansão. Este fenômeno tem gerado significativas mudanças nas formas de produção de bens e serviços. Em contrapartida, as exigências dos clientes somadas à dinâmica provocada pela evolução tecnológica têm forçado as empresas a assumirem novas posturas de competição. Devido à grande competitividade entre as empresas vive-se a necessidade de implantação de controles e gerenciamentos mais eficazes. Mudanças econômicas, culturais e sociais do país exigem alterações no perfil das empresas. A globalização, no setor supermercadista, tem aumentado a competitividade devido às alterações no comportamento dos consumidores, e a instalação de redes internacionais, que a cada dia, aumentam a concorrência. Neste sentido algumas empresas buscam explorar técnicas inovadoras implantando controles em diversos setores onde, pode-se considerar de maior risco, como por exemplo: estoques, armazenagem, compras, faturamento, contas a pagar. Em virtude da crescente competitividade, o controle de estoque, poderá contribuir para as empresas do setor de supermercadistas permanecerem no mercado (ABRAS, 2010). O controle de estoque é a expressão usada para descrever todas as medidas tomadas pela administração e gerência, para dirigir, planejar, organizar e controlar seu estoque. Sem um controle eficaz, é possível que o administrador não consiga alcançar os objetivos pretendidos frente aos desafios e obstáculos encontrados na conquista de seu espaço na sociedade. Com isso, o sucesso de muitas organizações encontra-se através da gestão de estoque, que é constituída por administração de materiais, recursos humanos e financeiros. A gestão de estoques constitui uma série de ações que permitem ao administrador verificar se os estoques estão sendo bem utilizados, bem localizados em relações aos setores que deles utilizam, bem manuseados e bem controlados (MARTINS e ALT, 2006). A finalidade principal do estoque é a de compensar os erros de previsão de demanda e do tempo de ressuprimento. Eventualmente pode ser utilizado para compensar, também, a ocorrência de erros de produção. 16 A gestão de estoque permite importantes ganhos, com eficiência, redução de falhas e custos, rapidez, confiabilidade e capacidade de rastreamento. Devido à complexidade dos processos que envolvem uma série de procedimentos e afeta dois aspectos do negócio, a disponibilidade do produto e o custo, ambos com impacto direto no resultado ou na rentabilidade. Para garantir que uma empresa possua o produto certo, na hora certa e na quantidade certa a disposição de seus clientes, é necessário que este produto esteja armazenado em seu estoque na quantidade estipulada pela empresa. Porém, manter produtos armazenados requer grandes investimentos de ativos, podendo ocasionar rupturas no caixa da empresa. Assim, gerenciar corretamente os estoques pode gerar vantagem competitiva e consequente crescimento num mercado competitivo como o atual. Sabendo disso, o objetivo geral do trabalho foi de verificar a importância do controle de estoque para o desenvolvimento de uma empresa do setor supermercadista de pequeno porte. Através dessas informações surgiu a seguinte pergunta-problema: O controle de estoque proporciona crescimento e desenvolvimento em empresas do setor supermercadista de pequeno porte? Quando se fala em empresas de pequeno porte, muitos pesquisadores ainda torcem o nariz. Acreditam que estas entidades são verdadeiras desorganizações onde o sucesso é uma função exclusiva da habilidade administrativa inerente a alguns empreendedores. Sendo assim, as paredes das pequenas empresas são frequentemente vistas como impermeáveis a qualquer estudo que vise trazer eficiência ou racionalização (PERIN, 2002). Por outro lado, existem aqueles que acreditam ser as pequenas empresas, miniaturas de uma empresa de grande porte. Aplicam metodologias e ferramentas amplamente discutidas nos livros de Administração e Engenharia sem levar em conta que elas foram construídas especificamente para as grandes empresas. Logo, os resultados obtidos são na maioria das vezes diferentes do que se era esperado e a pequena empresa persiste como uma incógnita na cabeça daqueles que tentam compreendê-la e/ou melhorá-la. Atualmente as pequenas empresas são responsáveis em grande parte pela movimentação da economia brasileira (PERIN, 2002). Para responder a essa pergunta e atingir o objetivo, foi realizada uma profunda pesquisa bibliográfica e uma pesquisa de campo na empresa 17 Supermercado Bom Viver na cidade de Lins - SP, que atua no ramo varejista de pequeno porte e busca obter um bom controle de seu estoque. Para a realização da pesquisa, o trabalho ficou estruturado da seguinte forma: no capítulo 1 foi abordado o referencial teórico sobre o varejo, seus conceitos, tipos de varejo, entre outros. No capítulo 2 foi abordado o referencial teórico sobre a gestão de estoque, seus conceitos, suas ferramentas entre outros. No capítulo 3 a metodologia utilizada para a realização da pesquisa e no capítulo 4 a pesquisa de campo no Supermercado Bom Viver. Por fim, as considerações finais. 18 1 VAREJO O varejo, como o serviço de revenda de produtos, vem assumindo um importante crescimento empresarial e econômico no Brasil e no mundo atendendo de forma conveniente os desejos e necessidades do consumidor final. O varejo tem sido objeto constante das principais notícias da economia do país devido ao crescimento consolidado de empresas comerciais no Brasil. Com um volume anual de vendas superior a R$ 100 bilhões, vendidos por meio de cerca de um milhão de lojas, representando mais de 10% do PIB brasileiro, as atividades varejistas desempenham um papel de relevante importância no cenário econômico do Brasil (PARENTE, 2000). O varejo vem assumindo uma importância crescente no panorama empresarial no Brasil e no mundo. Ao longo das últimas décadas, as instituições varejistas vêm atravessando um intenso ritmo de transformação. Ao comparar os formatos das lojas do início da década de 60 com os formatos atuais, poucas seriam as semelhanças. Ao longo dessas décadas, os modelos de lojas foram cedendo lugar aos novos formatos, mais diversificados, mais eficientes e mais adequados às novas necessidades do mercado consumidor (PARENTE, 2000). Segundo Parente (2000), varejo consiste em todas as atividades que englobam o processo de revenda de produtos e serviços para atender a uma necessidade pessoal do consumidor final. Kotler (1998, p. 540) acrescenta que “o varejo caracteriza-se por um conjunto de atividades relacionadas à comercialização de produtos e serviços diretamente ao consumidor final.” Ainda segundo Kotler (1998) define a atividade varejista como sendo um conjunto de operações de negócios que adiciona valor a produtos e serviços vendidos para consumidores para seu uso pessoal ou familiar. Essa visão já é bem mais atual, pois inclui na definição a ideia do valor agregado, ou adicionado. 1.1 CONCEITO DE VAREJO Parente (2000) diz que varejo consiste em todas as atividades que englobam o processo de venda de produtos e serviços para atender a uma necessidade pessoal do consumidor final. 19 De acordo com Kotler (1998) o varejo inclui todas as atividades relativas à venda de produtos ou serviços diretamente ao consumidor final, para uso pessoal e não comercial. Dessa forma, qualquer instituição cuja atividade principal seja a venda de produtos e serviços para o consumidor final e para uso não comercial, será enquadrada no nível de varejo. Atualmente, há algumas variações em tipos e classificação do varejo. Portanto, é necessário entender e localizar o enquadramento das instituições. No cenário competitivo, onde confrontam-se as redes de varejo, o formato das lojas se transformou em elementos estratégicos. Tanto as grandes lojas, como aquelas de menor porte, empreendem seus potenciais competitivos baseados no formato que adotaram. O fato é que, independentemente do tamanho, todos estão competindo entre si e tem seu papel de importância. 1.2 PAPEL DO VAREJO O varejista faz parte dos sistemas de distribuição entre o produtor e o consumidor, desempenhando o papel de intermediário, funcionando como um elo entre o nível do consumo e o nível do atacado ou da produção. Os varejistas compram, recebem e estocam produtos de fabricantes ou atacadistas para oferecer aos consumidores a conveniência de tempo e lugar para a aquisição de produtos. Apesar de exercerem uma função de intermediários, assumem cada vez mais um papel pró-ativo na identificação das necessidades do consumidor e na definição do que deverá ser produzido para atender às expectativas do cliente (PARENTE, 2000). Através da competitividade o varejo se divide em alguns tipos, como visto abaixo. 1.3 TIPOS DE VAREJO – CLASSIFICAÇÃO E FORMATOS VAREJISTAS As instituições varejistas podem ser classificadas de acordo com vários critérios, conforme a figura 1.1 (PARENTE, 2000). 20 Figura 1.1 – Tipos e classificação das instituições varejistas. Fonte: Parente (2000, p. 25) De acordo com Parente (2000), dependendo do tipo de propriedade, as empresas podem ser classificadas em independentes, cadeias, franquias, alugadas, ou de propriedade de um fabricante ou atacadista e as instituições sem loja, muitas vezes chamadas de marketing direto, ou seja, existe possibilidade de comprar produtos e serviços sem ter que deixar suas casas, pois a aceleração da tecnologia permite este estilo de vida dos consumidores. O tipo de instituição mais adequado a este trabalho, conforme a figura 1.1, na coluna em destaque é a Instituição com loja. É classificada como alimentícia, e este grupo se adéqua a empresas como Bares, Mercearias, Padarias, Minimercados, Lojas de conveniência, Supermercados convencionais, SuperLojas, Hipermercados e a empresa do estudo de caso deste trabalho: supermercados compactos. Para Parente (2000), os supermercados compactos caracterizam-se pelo sistema auto-serviço, checkouts (caixas registradoras sobre balcão na saída da loja) e produtos dispostos de maneira acessível, que permitem aos clientes se auto servirem, utilizando cestas e carrinhos. Os supermercados compactos têm de dois a seis checkouts e apresentam uma linha completa, porém compacta, de produtos alimentícios, representam a maioria das unidades de auto-serviço do Brasil e em geral, pertencem a operadores independentes. 21 1.4 SETOR SUPERMERCADISTA Os consumidores estão mais atentos e com parâmetros mais claros de preços, e em virtude disso, os supermercadistas que antes se preocupavam com o produto, passam a preocupar-se com a melhor estratégia para satisfazer com qualidade e eficiência o gosto do cliente, colocando inclusive à sua disposição instrumentos que lhe permitam comprar sem sair de casa. No Estado de São Paulo, o setor supermercadista tem sido uma referência na incorporação de novas tecnologias e técnicas comerciais e administrativas, sempre visando aprimorar o atendimento ao consumidor. Por exemplo, a abertura aos domingos é uma prática de 76,4% das lojas e 90% das empresas praticam a entrega em domicílio (TOFOLI, 2004). Segundo Ângelo e Silveira (1997), “os supermercados respondem por 85% de participação de mercado, de todo o abastecimento de gênero alimentícios e afins”. O supermercado é o formato do varejo que mais se destaca no sistema de auto-serviço, principalmente, por ser de maior visibilidade e frequência de visitas. Por isso, ele chama tanto a atenção dos consumidores, assim como dos fornecedores das mais variadas linhas e tipos de produtos. A loja do supermercado é almejada por alimentos, vestuário, calçados, artesanatos, eletrodoméstico, peças para automóveis, ferramentas, utilidades domésticas, frios, embutidos, bebidas, editores, informáticas, e muitos outros. Isso mostra a importância dos supermercados no mundo modernos. Segundo a definição de Kotler (1998, p. 541), o supermercado é o “autoserviço que desenvolve operações relativamente grandes, de baixo custo, baixa margem e alto volume, projetado para atender a todas as necessidades de alimentação, higiene e limpeza doméstica”. Dentro do setor supermercadista uma das áreas que se destaca é a gestão de estoque, pois esse segmento trabalha com mais de 9.000 itens em mercadoria. 1.5 GESTÃO DE ESTOQUES EM SUPERMERCADOS O Estoque é uma das áreas mais tradicionais de suporte ao processo logístico, que são as que dão apoio ao desempenho das atividades primárias propiciando às empresas sucesso, mantendo e conquistando clientes com pleno 22 atendimento do mercado e com remuneração satisfatória para o acionista. Envolve a administração dos espaços necessários para manter os materiais estocados que podem ser na própria empresa, como também em locais externos (centros de distribuição). Essa atividade envolve localização, dimensionamento, arranjo físico, equipamentos e pessoal especializado, recuperação de estoque, projeto de docas ou baías de atracação, embalagens, manuseio,necessidade de recursos financeiros e humanos, entre outros (HARB, 2005). O estoque tem passado por profundas transformações nos últimos anos. Essas mudanças se refletem na adoção de novos sistemas de informação aplicados à gestão da armazenagem, em sistemas automáticos de movimentação e separação de produtos e até mesmo na revisão do conceito de armazém como uma instalação com a principal finalidade de estocar produtos. Para os supermercados a utilização do controle dos estoques traz procedimentos rápidos e captura instantânea de informações sobre o que o consumidor adquire e deseja. O supermercadista pode ainda, com base nos dados fornecidos, através do controle e gerenciamento, utilizá-los para compor o perfil do consumidor na hora de estabelecer o mix de marcas e produtos que irão compor o estoque do estabelecimento. Sobre isso Harb (2005, p. 110) comenta que “na última década, o setor supermercadista implantou uma série de inovações tecnológicas para melhor atender seu cliente, especialmente com a automação dos check-out dos estoques”. O formato de layout de estrutura e o tipo de tecnologia empregados pelos supermercados de hoje baseiam-se na organização de mercadorias e prateleiras dispostas por autosserviço. Este tipo de formato de atendimento representa uma modernização no setor, resultante da forma prática de distribuir itens para os clientes, de modo que os mesmos possam pegá-los, escolhê-los e se dirigirem aos terminais de pagamento, sem que para isso tenham que recorrer a funcionários da empresa. Portanto, o supermercadista deve assegurar que o produto esteja disponível no tempo e nas quantidades desejadas, nivelando sua disponibilidade com os custos de manutenção, fazendo uso do estoque como o diferencial competitivo de sua empresa. 23 O gerenciamento de estoque supermercadista proporciona controle dos produtos, administrando seu giro, evitando que os clientes fiquem insatisfeitos por motivos relacionados à falta de mercadorias ou produtos em inconformidade com o uso, fazendo com que os supermercados não deixem de atender seus clientes. 24 2 GESTÃO DE ESTOQUES Segundo Pozo (2010), uma empresa pode alcançar uma posição de superioridade duradoura sobre os concorrentes através da logística, principalmente no quesito operar com custos baixos, pois consegue gerenciar estrategicamente a armazenagem de materiais, peças, produtos e também a aquisição desses, incluindo o fluxo das informações geradas. Dessa forma, a logística pode contribuir significativamente na maximização dos lucros. Atualmente as áreas denominadas primárias da logística segundo o autor Pozo (2010) são: transportes, processamento de pedidos e manutenção de estoques. Essas três atividades básicas devem se relacionar entre si para cumprir os objetivos de uma organização, conforme mostra a figura 2.1. Figura 2.1: Relação das três atividades básicas da logística Fonte: Pozo, (2010, p. 11) A área de transportes é necessária, pois nenhuma organização moderna pode operar sem providenciar a movimentação dos seus produtos, já a atividade processamento de pedidos é crítico no quesito tempo necessário para levar os produtos ou serviços até o cliente e a manutenção de estoques é responsável por garantir disponibilidade do produto em face a sua demanda, gerencia o estoque necessário entre a oferta e a demanda, regula a quantidade necessária para manter 25 os níveis o mais baixo possível, e ao mesmo tempo disponibilizar a quantidade necessária desejada pelos clientes. A administração de estoques na empresa é um conjunto de atividades com a finalidade de assegurar o suprimento de materiais necessários ao funcionamento da organização, no tempo correto, na quantidade necessária, na qualidade requerida e pelo melhor preço (MARTINS e ALT, 2006). O principal objetivo de uma empresa é, sem dúvida, maximizar o lucro sobre o capital investido em: fábrica, equipamentos, financiamentos, reserva de caixa e estoques. Assim visando este objetivo, ela deve utilizar este capital para que ele não permaneça inativo. Caso haja necessidade de capital para expansão, e não exista possibilidade de tomá-lo emprestado, o dinheiro será obtido mobilizando-se parte do dinheiro investido em estoques ou equipamentos ou na própria fábrica (BALLOU, 1993). Pode-se então esperar que o dinheiro que está investido em estoques seja o lubrificante necessário para a produção e bom atendimento das vendas. Para que isso aconteça é necessário que haja um bom gerenciamento dos estoques. 2.1 GERENCIAMENTO DOS ESTOQUES A gestão de estoques influência diretamente na sobrevivência de uma empresa, e para que o gestor de estoques realize suas tarefas com eficiência é necessário que o mesmo, possua informações com qualidade de todas as atividades de valor da qual faz parte, essas informações são adquiridas no decorrer do processo de compras, recebimento, armazenagem e distribuição (SLACK; CHAMBER; JONHSTON, 2009). Além disso, o gestor classifica, calcula custos com pedidos e de manutenção dos estoques para encontrar o planejamento ideal que minimize o custo total dessas atividades. Outros atributos do gestor para a minimização de custos são: conhecer o fornecedor, o tempo de atendimento do pedido e se os prazos de entrega são cumpridos (SLACK; CHAMBER; JOHSTON, 2009). Normalmente, os gestores de estoques têm atitude ambivalente quando analisam os estoques, pois são custosos, empatam considerável quantidade de ativos e mantê-los representa risco porque itens armazenados podem se deteriorar, 26 tornarem-se obsoletos e ocupam espaço valioso. Entretanto, proporcionam certo nível de segurança quando não há plena confiança nos fornecedores ou a demanda é incerta. Deste modo o estoque é necessário para suprir a demanda de consumidores ou programas de produção, pois são uma garantia contra o inesperado. Este é um dos grandes dilemas do gestor de estoques, por um lado há um alto investimento de ativos e outras desvantagens ligadas diretamente ao controle e manutenção, por outro, eles facilitam o controle aproximado entre o fornecimento e a demanda, conforme demonstra afigura 2.2 (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Figura 2.2: Tópico abordado neste trabalho Fonte: Adaptado de Slack; Chamber; Johnston, (2009, p.382) Segundo os autores Martins e Alt (2006), os estoques representam uma parcela substancial dos ativos de uma empresa e devem ser analisados como fator potencial para geração de lucros, propiciando desenvolvimento e crescimento se gerenciado corretamente. Para a análise e controle dos estoques, os autores citam os mais usuais, como por exemplo: a) Inventário físico: consiste na contagem física dos itens de estoque. Caso haja diferenças entre o inventário físico e os registros do controle de estoques, devem ser feitos os ajustes conforme recomendações contábeis e tributárias. 27 b) Acurácia dos controles: após terminar o inventário, é possível calcular a acurácia dos controles, que mede a porcentagem de itens corretos, tanto em quantidade quanto em valor. c) Nível de serviço (ou nível de atendimento): é o indicador de quão eficaz foi o estoque para atender às solicitações dos usuários. Assim, quanto mais requisições forem atendidas, nas quantidades e especificações solicitadas, tanto maior será o nível de serviço. d) Giro dos estoques: mede quantas vezes, por unidade de tempo, o estoque se renovou e girou. Giro dos estoques = x * y -1 x = valor consumido no período y = valor do estoque médio no período e) Cobertura de estoques: Indica o número de unidades de tempo; por exemplo, dias que o estoque médio será suficiente para cobrir a demanda média. Cobertura de dias = d * g -1 d = número de dias do período em estudo g = giro É possível concluir que, os estoques possuem grande importância nas atividades de uma empresa, mas para o estoque seja bem cuidado e controlado é necessário conhecer melhor sua definição. 2.2 CONCEITO DE ESTOQUES Segundo Moreira (2002, p. 463) estoques são “[...] quaisquer quantidades de bens físicos que sejam conservados, de forma improdutiva, por algum intervalo de tempo; constituem estoques tanto os produtos acabados que aguardam venda ou despacho, como matérias-primas [...]”. Portanto, todo material armazenado por um 28 momento ou por várias semanas, meses ou anos em algum ponto especifico da empresa como: almoxarifado, depósito, prateleira ou armário, inclusive materiais de suprimento para a área administrativa constitui o estoque da empresa. Segundo Slack; Chamber; Johnston (2009), todas as operações mantêm estoques, se o funcionário andar por qualquer operação, verá diversos tipos de materiais armazenados. O quadro 2.1 dá alguns exemplos para diversas operações, porém, há diferenças entre os exemplos de estoque listados no quadro. Alguns são totalmente necessários para a produção. Por exemplo, os materiais de limpeza que são armazenados em uma fábrica de televisores são muito menos importantes do que os estoques de aço, plástico e componentes, que também são mantidos. O mais importante a considerar é que a fábrica de televisores não ficaria ociosa se ficasse sem materiais de limpeza, enquanto que, se ficasse sem peças e componentes sua atividade principal seria interrompida. Quadro 2.1 - Exemplos de tipos de estoques em operações. Operação Exemplos de estoques mantidos em operações Hotel Itens de alimentação, itens de toalete, materiais de limpeza Hospital Gaze, instrumentos, sangue, alimentos Loja de varejo Coisas a serem vendidas, materiais de embalagem Armazém Coisas armazenadas, materiais de embalagem Distribuidor de autopeças Manufatura de televisor Metais preciosos Autopeças em depósito principal, autopeças e, pontos locais de distribuição. Componentes, matéria-prima, produtos semi-acabados, televisores acabados, materiais de limpeza Materiais (ouro, platina etc.) que esperam ser processados, materiais completamente beneficiados Fonte: Slack; Chamber; Johnston, 2009, p.382. Portanto, todo material ocioso que possui valor econômico, que aguarda transformação, processamento, utilização ou venda no futuro são considerados estoques. O controle desses materiais é inevitável para facilitar o consumo futuro, processamento, venda ou agregação de valor. Todos os materiais de estoque possuem valor econômico, e podem ser considerados ativos numa organização. 29 2.3 CONTROLE Controle concilia entre o que o mercado requer e o que as operações podem fornecer, ou seja, trata dos vários aspectos do suprimento e da demanda que precisam ser conciliados com um único propósito: fazer a ligação entre o suprimento e a demanda. Essa ligação proporcionará aos processos ou serviços eficácia e eficiência (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). O autor Maximiano (2009, p. 319), diz que: “controle é o processo de produzir e usar informações para tomar decisões, sobre a execução de atividades e sobre os objetivos”, e “ao exercer a função de controle, você trabalha como o piloto de um veículo, monitorando constantemente o aparelho (sua organização), para que ele se mantenha na rota, desvie-se de acidentes e chegue ao destino”. Os proprietários não podem estar presentes em todas as atividades de sua organização. Então, segundo Lopes de Sá (1989), diz que a finalidade do controle é a fidelidade da informação, obtida através de instrumentos e sistemas de controle, que substituem o olho do dono. Sabendo que o estoque é um fator muito importante para o sucesso ou o fracasso de uma empresa, passa a ser imprescindível a criação de um controle de estoques por parte das empresas. 2.3.1 Controle de estoques O controle de estoques só existe porque existem estoques. Conforme os autores Slack; Chamber e Johnston (2009, p. 358) citam: “não importa o que é armazenado como estoque, ou onde é posicionado na operação, ele existirá porque existe uma diferença de ritmo (ou taxa) entre fornecimento e demanda”. Se o fornecimento ocorresse no momento da demanda, não seria necessário manter estoque deste. Uma analogia comum pode ser feito com o tanque de água mostrado na figura 2.3. Se a taxa de demanda e fornecimento de água numa residência é diferente, um tanque de água é necessário para que o atendimento ao usuário não seja interrompido. Quando a taxa de fornecimento excede a taxa de demanda, o estoque aumenta e quanto a taxa de demanda excede a taxa de fornecimento, o estoque diminui (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). 30 Figura 2.3 Estoque: alinhamento do fornecimento e demanda de água numa residência. Fonte: Slack; Chamber; Johston, (2009, p.382) Segundo Moreira (2002) o controle de estoques pode ser considerado um conjunto de regras e procedimentos que permitirá responder algumas perguntas e tomar decisões sobre os estoques. As perguntas e decisões mais importantes de acordo com Moreira (2002) são: a) quanto existe em estoque, a cada momento, de cada item sob controle? b) qual é o investimento em estoque? c) para cada item, existe alguma quantidade já encomendada para compra ou fabricação? Quanto? d) para cada um dos itens em estoque, quanto deve ser encomendado? e) quando deve ser feita a encomenda de um dado item? A demanda real do material a ser adquirido e a previsão calculada a partir das informações colhidas nas atividades do processo de gestão dificilmente estão 100% corretas, pois existem variações de demanda. É imprescindível que haja acompanhamento da margem de erro para que ajustes sejam realizados nas próximas aquisições, elevando assim a margem de acerto da demanda (MOREIRA, 2002). 31 O termo controle de estoques, dentro da logística, é em função da necessidade de estipular os diversos níveis de materiais e produtos que a organização deve manter, dentro dos parâmetros econômicos. O controle dos diversos tipos de produtos armazenados é a razão pela qual é necessário decidir acerca das quantidades dos materiais a serem mantidos em estoques, correlacionado ao custo de estocar, portanto é necessário se preocupar e determinar quais os níveis de cada item pode-se manter economicamente. (POZO, 2008, p.38) Entre outras informações, portanto, um sistema de controle de estoque deve responder quando e quanto se deve adquirir de cada mercadoria, por compra ou fabricação. Com isso, o controle só se torna eficaz quando começa a gerar resultados positivos para a empresa, e para que isso ocorra o mais rápido possível, é necessário que se entenda seu objetivo. 2.3.2 Objetivos do controle de estoque De acordo com Pozo (2008, p.39): “o objetivo maior da administração de materiais é prover o material certo, no local certo, no momento certo e em condição utilizável ao custo mínimo para a plena satisfação do cliente e dos acionistas”. Sabendo disso, Dias (1993), diz que o objetivo principal de uma empresa é o de maximizar o lucro sobre o capital investido e para atingir o lucro máximo, a empresa deve usar o capital para que ele não fique inativo. Os ativos investidos em estoques devem ser facilmente convertidos em dinheiro em caso de necessidade de mais capital. Deste modo, espera-se que o dinheiro que está sendo investido em estoques seja o lubrificante necessário para novas aquisições de materiais e o atendimento das vendas. Deste modo, dependendo da eficiência da gestão, o capital investido nos estoques poderá ser liberado quando necessário ou ficar preso em estoques desnecessários. Alguns exemplos simples do papel dos estoques nas vidas das pessoas são mencionados pelos autores Slack; Chamber e Johnston (2009). Os autores dizem que a maioria das famílias possui estoques de comida e bebida em suas residências para suprimento de alguns dias ou semanas, dependendo da demanda de cada família. Dessa forma, evita-se que alguém tenha que sair para comprar produtos e ingredientes a cada refeição. 32 Por isso, manter uma variedade de produtos e ingredientes armazenados no armário da cozinha, ou no congelador proporciona uma flexibilidade necessária para preparar uma refeição sempre que uma visita chegue inesperadamente, sem que seja necessário sair e comprar os ingredientes. Muitas pessoas compram pacotes múltiplos para obter preços melhores de vários produtos, desde papel higiênico até cerveja, frascos grandes de xampu e pasta de dente são mais baratos, por volume, que os frascos menores. E sempre que for necessário repor os estoques, primeiro verifica-se o nível dos produtos estocados, e se um item usado frequentemente está abaixo de uma certa quantidade, ou acabou, lista-se esse item para compra (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Normalmente, os estudantes não possuem muito dinheiro ou espaço para armazenamento de grandes quantidades de estoque de produtos, portanto, fazem compras em quantidades menores perdendo os benefícios de custos de compras maiores, porém não precisam transportar grandes quantidades que são volumosas ou pesadas. Fazendo desta forma, correm menos risco de esquecer os produtos no armário e deixar o prazo de validade passar. O método utilizado pelos estudantes é essencialmente comprar a partir de exigências especificas como a próxima refeição (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). 2.3.3 Funções do controle de estoque A importância dos estoques deve ser delimitada, seu planejamento deve estar o mais próximo possível da demanda prevista. Dessa forma, há um consumo menor de recursos financeiros e a quantidade de mercadorias armazenadas é reduzida, facilitando o controle, organização e consequente diminuição do espaço necessário para guardar os produtos. Um sistema de estoque deve manter o gestor informado sobre a quantidade de cada item armazenado. A função principal do controle de estoques é justamente maximizar o uso de recursos para gerenciamento dos estoques, porém, o gestor depara-se com um dilema que é causador da inadequada gestão de materiais, percebida em inúmeras empresas, e que cria problemas quanto às necessidades de capital de giro da empresa, bem como seu custo. É necessário encontrar o ponto ideal entre manter um 33 grande volume de materiais e produtos em estoque para atender plenamente a demanda, o que gera uso elevado de ativos da organização e, manter volumes muito baixos de estoques para minimização dos custos, porém com atrasos em entregas, insatisfação de clientes pela falta de produtos e, principalmente, a perda do cliente (POZO, 2008, p. 38). Uma das razões por que muitas empresas do ramo varejista mantêm estoques elevados de produtos, aos padrões modernos, é que essa atitude permite que ela compre em lotes econômicos, aproveitando promoções. Essa visão está ultrapassada, pois se uma decisão deste porte é tomada pelo gestor é possível que o lote adquirido tome muito espaço na área de armazenamento e impossibilite a compra de outros materiais que a organização demande (POZO, 2008). A análise dos estoques deve ser detalhada e constante para se obter o controle dos ativos aplicados, isso contribui com o controle da compatibilidade entre novas compras para reposição de estoques e demanda esperada, além de contribuir com sua organização podendo levar a vantagem competitiva e consequente continuidade da organização no mercado. Segundo Pozo (2008 p. 87) “muitas empresas imobilizam elevados valores monetários em estoques, faltando recursos financeiros para capital de giro, devido a este mau gerenciamento algumas empresas chegam a falência”. O autor mostra fatores que justificam a avaliação de estoque: a) Assegurar que o capital imobilizado em estoques seja o mínimo possível; b) Assegurar que estejam de acordo com a política da empresa; c) Garantir que a valorização do estoque reflita exatamente seu conteúdo; d) O valor desse capital seja uma ferramenta de tomada de decisão; e) Evitar desperdícios como obsolescência, roubos, extravios etc. Para obter a máxima eficiência no uso dos recursos estocados é possível obter contribuição de ferramentas de controle de estoques que facilitam a análise e identificação de problemas, causas e ordem de importância dos produtos armazenados. 2.4 FERRAMENTAS 34 A gestão de estoques dispõe de ferramentas variadas. Porém, na maioria dos casos apenas uma ferramenta não atende a necessidade de gerenciamento plenamente, para isso é necessário realizar a junção de duas ou mais ferramentas, dessa forma, o objetivo de controle adequado é alcançado com maior facilidade (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Dentre as várias ferramentas que podem ser utilizados para o controle de estoques encontram-se a curva ABC, histograma, diagrama de Pareto, ERP. 2.4.1 Classificação de itens seguindo a curva ABC Nas empresas, muitas vezes não é necessário manter um controle extremamente preciso de todos os itens do estoque. Por exemplo: certos itens podem ter um valor relativamente baixo, estes itens, em alguns casos podem ser monitorados com menor frequência. Por outro lado, os materiais de valor elevado dever ser monitorados cuidadosamente e continuamente (DIAS, 1993). De acordo com Dias (1993), a curva ABC é um importante instrumento para o administrador, pois permite que o gestor identifique aqueles itens que justificam atenção especial e tratamento adequados quanto a sua administração. Obtém-se a curva ABC através da ordenação dos itens conforme a sua importância relativa escolhida para a classificação que pode ser a quantidade ou valor do produto. Para os autores Slack; Chamber e Johnston (2009), qualquer estoque que contenha mais de um item armazenado, alguns itens serão mais importantes para a organização do que outros. Por exemplo, podem ter uma taxa de uso muito alta, de modo que, se faltassem, muitos consumidores ficariam desapontados. Outros produtos podem ter valores altos, de modo que níveis excessivos seriam particularmente caros. A forma mais comum de controle utilizando a classificação ABC é a realização de uma listagem dos produtos estocados de acordo com suas movimentações de valor, ou seja, discriminar diferentes itens multiplicando sua taxa de uso pelo seu valor individual, conforme tabela 2.1 (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Os itens com movimentação de valor elevado demandam controle cuidadoso, enquanto, aqueles que apresentarem valores baixos não precisam ser controlados tão rigorosamente. Normalmente, após a discriminação, a listagem dos itens 35 estocados apresenta uma pequena quantidade de itens com valor elevado (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Esse fenômeno tem início com a lei de Pareto ou às vezes referido como regra 80/20 porque, em torno de 80% das vendas de uma operação são responsáveis por somente 20% de todos os tipos de itens selecionados. Tabela 2.1 – Itens de armazém classificados pelo valor de uso. Item de estoque Uso (itens/ano) Custo ($/item) Valor de uso ($ 000/ano) % do valor total % cumulativa do valor total A/703 D/012 A/135 C/732 C/375 A/500 D/111 D/231 E/781 A/138 D/175 E/001 C/150 F/030 D/703 D/535 C/545 A/260 B/141 D/021 Total 700 450 1000 95 520 73 520 170 250 250 400 80 230 400 500 50 70 50 50 20 20,00 2,75 0,90 8,50 0,54 2,30 0,22 0,65 0,34 0,30 0,14 0,63 0,21 0,12 0,09 0,88 0,57 0,64 0,32 0,50 1400 1238 900 808 281 168 114 111 85 75 56 50 48 48 45 44 40 32 16 10 5569 25,14 22,23 16,16 14,51 5,05 3,02 2,05 1,99 1,53 1,35 1,01 0,90 0,86 0,86 0,81 0,79 0,72 0,57 0,29 0,18 100,00 25,14 47,37 63,53 78,04 83,08 86,10 88,15 90,14 91,67 93,01 94,02 94,92 95,78 96,64 97,45 98,24 98,96 99,53 99,82 100,00 Fonte: Adaptado de Slack; Chamber; Johston, (2009, p.378). Os autores Slack; Chamber e Johnston (2009), dizem que a relação pode ser usada para classificar diferentes tipos de itens mantidos em estoque por sua movimentação de valor. O controle de estoque ABC permite que os gerentes de estoque concentrem seus esforços em controlar os itens mais significativos do estoque, conforme a descrição abaixo: a) Itens classe A: são aqueles 20% de itens de alto valor que representam cerca de 80% do valor total do estoque; b) Itens classe B: são aqueles de valor médio, usualmente os seguintes 30% de itens que representam cerca de 10% do valor total; 36 c) Itens classe C: são aqueles itens de baixo valor que, apesar de compreender cerca de 50% do total de tipos de itens estocados, provavelmente representam somente cerca de 10% do valor total de itens estocados. A tabela 2.1 mostra exemplos de peças armazenadas por um atacadista de material elétrico. Os 20 diferentes itens armazenados variam tanto em termos do seu uso anual como do custo por item, como mostrado. Todavia, o atacadista classificou os itens em estoque pelo seu valor movimentado anual. O valor movimentado total por ano é de $5.569.000,00 (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Com base nisso, é possível calcular o valor movimentado anual de cada item como uma porcentagem do valor movimentado total, e a partir daí o valor de movimentação acumulado, como mostrado. O atacadista pode então colocar em um gráfico a porcentagem cumulativa de seu valor. Assim, por exemplo, a peça com número de estoque A/703 é a de maior valor e representa 25,14% do valor de estoque total (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Como uma peça, todavia, é apenas 1/20, ou 5% do número total de itens estocados, esse item, junto com o próximo item de maior valor (D/012), representa somente 10% no número total de itens estocados, mas representa 47,37% do valor do estoque, e assim por diante. Isso é mostrado graficamente na figura 2.4. Nela o atacadista classificou os números das primeiras quatro peças como itens classe A, e vai monitorar o uso e os pedidos desses itens muito de perto (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Alguns melhoramentos em qualidade de pedidos ou estoques de segurança para esses itens podem trazer economias significativas. As seis próximas peças, números C/375 até A/138 (30% da gama) devem ser tratadas como itens classe B, com um pouco menos de esforço dedicado a seu controle. Todos os outros itens classificados como itens classe C, cuja política de estoque só é revista ocasionalmente (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Normalmente os critérios mais utilizados são o uso anual e o valor para determinar o sistema de classificação do estoque, os autores citam outros critérios que também podem ser usados para a classificação de um item, como por exemplo: (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). 37 a) Consequência da falta de estoque: Alta prioridade deve ser dada aos itens que atrasariam mais seriamente ou interromperiam outras operações, ou a relação com o cliente, se faltassem no estoque; b) Incerteza de fornecimento: Alguns itens, mesmo de baixo valor, podem demandar mais atenção se seu fornecimento é incerto; c) Alta obsolência ou risco de deterioração: Os itens que perdem o seu valor por obsolência ou deterioração podem merecer atenção e monitoração extra. Tabelas são úteis, porém se não forem analisadas por pessoas instruídas se tornarão apenas dados armazenados. Para simplificar a visualização dos dados da tabela, será utilizado o histograma e posteriormente o diagrama de Pareto. 2.4.2 Histogramas Os histogramas podem se definidos como: Gráficos no qual as classes são marcadas no eixo horizontal, e as frequências relativas ou as percentagens são marcadas no eixo vertical. As frequências relativas ou as percentagens são representadas por meio das alturas das barras. Em um histograma, as barras são desenhadas de forma adjacente uma em relação à outra (MANN, 2006, p. 39). Portanto, para desenhar um histograma, primeiramente marcam-se as classes no eixo horizontal e as frequências no eixo vertical. Após esse procedimento desenha-se uma barra para cada classe sem espaços entre si, conforme exemplo do gráfico 2.1. Os histogramas possuem um design simples e de fácil compreensão contribuindo na simplificação da análise de dados para uma tomada de decisões mais acertada. 38 1200 Uso (itens/ano) 1000 800 600 400 200 0 Item de estoque Gráfico 2.1 – Exemplo de histograma de frequência. Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados da tabela 2.1 (2012). Outra ferramenta que dá sequência ao histograma é o diagrama de Pareto. 2.4.3 Diagrama de Pareto Em qualquer processo de melhoramento, é necessário distinguir entre o que é importante e o que é menos importante, esse é o propósito do diagrama de Pareto. É uma técnica direta, que envolve classificar itens, problemas ou causas conforme a ordem de importância destacando áreas onde investigações adicionais poderão ser úteis. A figura 2.4 demonstra graficamente os dados da tabela 2.1, simplificando a análise (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). 39 % cumulativa do valor total 120 100 80 60 40 20 0 20% dos itens. Classe A 30% dos itens. Classe B 50% dos itens. Classe C Item de estoque Figura 2.4 – Curva de Pareto para itens em estoque. Fonte: Adaptado de Slack; Chamber; Johston, (2009, p.379). Dados confiáveis para elaboração do diagrama de Pareto são extremamente necessários, portanto, pode-se utilizar como base de dados o sistema ERP, pois este é composto por informações variadas. 2.4.4 Enterprise Resource Planning- ERP Todas as informações relevantes de uma empresa devem ser agrupadas, assim, pode-se informar às decisões de planejamento e controle, e quando as atividades devem ocorrer, quem deve executá-las e assim por diante. Esse é o ERP (Enterprise Resource Planning), ou seja, Planejamento de Recursos da Empresa (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Uma forma simples de pensar a respeito do ERP é imaginar a organização de uma festa, com data para daqui a duas semanas e para 40 convidados, fica decidido servir sanduíches e aperitivos. Com essas informações é possível fazer cálculos simples para estimar as preferências dos convidados e quantas pessoas irão comer e beber (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). 40 Talvez já tenha algum estoque de comida e bebida em casa, e essa informação deverá ser levada em consideração no momento da preparação da lista de compras, e se, alguma comida tiver que ser preparada a partir de alguma receita, será necessário multiplicar os ingredientes para atender as 40 pessoas. Portanto, será necessário decidir quando cada item será necessário para fazer as compras a tempo (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Na verdade, planejar uma festa exige uma série de decisões interrelacionadas sobre volume e sobre o momento em que os produtos são necessários. Essa é a base do planejamento de necessidade de materiais, que ajuda as empresas a fazer cálculos de quantidades e tempos (similares à festa, mas numa escala de grau e complexidade superior) (SLACK; CHAMBER; JOHNSTON, 2009). Assim, mesmo para uma atividade relativamente simples, a chave para o planejamento bem sucedido é como gerar, integrar e organizar todas as informações de que depende o planejamento e controle. Pequenas empresas, como o supermercado estudado, possuem sistemas ERP alimentados manualmente no momento da chegada dos produtos. Para que esses dados sejam confiáveis é necessário que a quantidade e descrição dos produtos armazenados estejam corretos. Dessa forma, é necessária a realização de contagens físicas dos produtos em estoque, ou seja, os inventários. 2.5 A IMPORTÂNCIA DOS INVENTÁRIOS NA GESTÃO DE ESTOQUES Segundo Pozo (2008), é necessário que sejam realizados inventários físicos periodicamente, ou seja, deve ser realizada uma contagem física dos itens estocados para realizar a comparação da quantidade física com os dados contabilizados nos registros da empresa. Desta forma, as diferenças entre o estoque real e o estoque registrado podem ser reduzidas contribuindo diretamente na apuração do valor total do estoque para efeito de balanço do ano fiscal e declaração de imposto de renda da empresa. O autor cita que existem dois tipos de inventário: o geral e o rotativo. O inventário geral é realizado ao fim de cada ano fiscal, com parada total dos processos produtivos da empresa, pois é necessária a contagem física dos itens de todos os setores. Neste período, não deve ser dada entrada nem saída de nenhum produto armazenado em qualquer setor da empresa (POZO, 2008). 41 O inventário rotativo é realizado no decorrer do ano fiscal, sem a necessidade de paralisação do processo produtivo. O inventário pode ser realizado em cada setor individualmente (POZO, 2008). Pozo (2008) diz que este procedimento é mais vantajoso e mais econômico, pois não há necessidade de paralisação do processo e por este motivo haverá melhores condições e tempo para analise de problemas ou causas de ajustes. A elaboração e execução devem ser realizadas sob orientação e controle da área financeira utilizando duas equipes diferentes para cada contagem. Se as contagens das duas equipes coincidirem o inventário do item analisado está encerrado, mas, quando for constatada alguma diferença há a necessidade de uma terceira equipe entrar em ação para constatação final. Os itens que apresentarem diferenças entre o controle documentado e a contagem física passarão por ajustes e reconciliação de acordo com as políticas da empresa (POZO, 2008). Manter os estoques em conformidade entre o que está registrado e o que realmente existe estocado proporciona vantagens ao armazená-lo. Mas ao mesmo tempo, todo estoque armazenado proporciona vários aspectos negativos. 2.6 VANTAGENS E DESVANTAGENS DOS ESTOQUES Dentro de uma empresa o estoque possui suas vantagens e suas desvantagens. O autor Ballou (1993) cita as seguintes vantagens em manter os estoques: a) Melhoria do nível de serviço; b) O departamento de vendas e marketing podem vender mais seguramente os produtos da empresa; c) Disponibiliza imediatamente o produto aos clientes; d) Diminui o custo por falta de produto; e) Pode diminuir os custos de produção por adquirir grandes lotes de matéria-prima; f) Economia nas compras e no transporte. Além dos itens citados, é possível obter proteção contra oscilações de demanda ou tempo de ressuprimento. Dessa forma, a empresa deve manter estoques de segurança para atender a necessidade do mercado. 42 Mas, existem desvantagens que devem ser analisadas, pois é extremamente necessário encontrar um ponto de equilíbrio adequado. Como visto anteriormente, o estoque é necessário em muitas operações, visto que, é incomum existir um produto que tenha seu fornecimento e consumo totalmente alinhados, portanto, embora o estoque seja importante para o desempenho de muitas operações, os autores Slack; Chamber; Johnston (2009) dizem que existem vários aspectos negativos em relação a ele: a) Estoque congela dinheiro, na forma de capital de giro, que fica indisponível para outros usos, como redução de empréstimos ou investimentos em bens fixos produtivos; b) Estoque acarreta custos de armazenamento (espaço, manutenção de condições apropriadas, etc); c) Estoque pode tornar-se obsoleto à medida que novas alternativas de produtos apareçam; d) Estoque pode danifica-se ou deteriorar-se; e) Estoque pode ser perdido ou caro para recuperar, quando escondido no meio de outros itens; f) Estoque pode ser perigoso para armazenar (por exemplo, solventes inflamáveis, explosivos, químicos e drogas), exigindo instalações especiais e sistemas para manuseio seguro; g) Estoque consome espaço que poderia ser usado para agregar valor; h) Estoque envolve custos administrativos e securitários. Percebe-se que o estoque pode ter suas vantagens e desvantagens, por isso, o papel do administrador se torna importante para que haja uma política bem definida de estoque e seu controle. 43 3 METODOLOGIA O propósito da pesquisa é utilizar conceitos desenvolvidos por outros autores e verificá-los no ambiente empresarial, por meio da discussão com os especialistas do processo sobre os problemas a serem resolvidos. A investigação se baseou na observação da realidade, experiências das pessoas da situação investigada e consulta à literatura existente sobre o assunto. O trabalho se desenvolveu a partir da revisão bibliográfica sobre gestão de estoques utilizada pela empresa varejista. Segundo Yin (2005), a importância da utilização da metodologia científica para responder as questões de uma pesquisa consiste no fato de ela aumentar a chance das respostas encontradas serem precisas e não viesadas. Portanto, para que a integração proposta no modelo seja desenvolvida com confiabilidade e capacidade de repasse da pesquisa no ambiente analisado, apoiase nas abordagens da metodologia científica (TOFOLI, 2011). Gil (2002) ressalta que a metodologia científica consiste em uma série de atividades sistemáticas e racionais para se buscar, de maneira confiável, soluções para determinado problema. Ressaltam, ainda, que não há ciência sem o emprego deste tipo de modelo. Para entendimento da aplicação dos conceitos da metodologia científica é necessário que sejam abordados os aspectos dos métodos e das técnicas de pesquisa como elementos essenciais para qualquer aplicação no desenvolvimento do modelo estudado (TOFOLI, 2011). Segundo Fleury et al (2009) em um trabalho, a metodologia de pesquisa possui grande importância devido à necessidade de embasamento científico adequado que o trabalho exige. Portanto, constantemente é necessário procurar pela melhor abordagem de pesquisa a ser utilizada para o correto direcionamento das questões da pesquisa, assim como os métodos e técnicas utilizados para o planejamento e condução. Utilizando-se dessas informações, o trabalho de pesquisa deve proporcionar direta ou indiretamente a geração de conhecimento. Neste trabalho, a forma de abordagem do problema é através de pesquisa qualitativa que para Mattar (1996), é definida como um vínculo indispensável entre a objetividade e a subjetividade e que é difícil ser traduzida em números. 44 A fonte de coleta de dados é o ambiente natural, o pesquisador é o elemento chave, a pesquisa é descritiva, pois o objetivo é o de descrever as características de determinado estabelecimento envolvendo técnicas padronizadas de coleta de dados como o uso de questionários assumindo de forma geral, o levantamento de dados. Utilizando–se dados informados através de entrevistas e reuniões com os proprietários e funcionários responsáveis pelo ERP e pela manutenção dos estoques da empresa pesquisada, foram definidas as etapas do trabalho. 3.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Para a realização da pesquisa os autores decidiram criar etapas para que o levantamento de dados e sua interpretação fossem mais eficientes. 1ª etapa: O tema foi definido de comum acordo entre os autores, por ser um assunto de extrema importância para as empresas, principalmente para as empresas do setor varejista. 2ª etapa: Foi realizada uma profunda revisão bibliográfica sobre gestão de estoques, mais precisamente, sobre as ferramentas de controle de estoque: classificação ABC, histogramas, diagrama de Pareto e ERP. 3ª etapa: A empresa Supermercado Bom Viver foi definida. O contato inicial foi realizado em fevereiro de 2012, através de visita e solicitação de autorização para realização do estudo de caso. A escolha do local para o estudo de caso foi feito devido ao grande crescimento físico apresentado pelo estabelecimento em curtos espaços de tempo e, para consequente verificação de um item imprescindível, se os estoques estão sendo acompanhados. 4ª etapa: Foi feito um levantamento de dados da empresa através de entrevistas, reuniões e visitas além de solicitação ao Departamento de Manutenção de Estoques, dados sobre a quantificação dos produtos armazenados no período de 2005 a 2011, bem como a quantificação de produtos classificados como perdas. Nesta etapa, os responsáveis forneceram dados do mês de julho de 2011 ao mês de julho de 2012, referentes aos seguintes itens: a) Relatórios de ajuste de estoque; b) Relatórios de perdas; c) Relatório de itens armazenados (loja e depósito); d) Custo de reposição unitário; 45 e) Custo de reposição total. 5ª etapa: Análise dos dados, procurando identificar o estado atual do controle de estoques da empresa. 6ª etapa: Apresentação de algumas conclusões com base nos resultados obtidos através da coleta de dados e revisão bibliográfica. 3.2 Coleta dos dados A orientação da coleta de dados pela realização de entrevistas em profundidade indica o caráter qualitativo do estudo, em que as variáveis relevantes ainda não estão estabelecidas. Da mesma forma, conforme Aaker & Day (1982), o objetivo de maior interação com o entrevistado, de tal forma que as informações apresentem maior profundidade e riqueza de explanações, e o número relativamente pequeno de respondentes, só parcialmente representativo da população, justificam a caracterização da pesquisa como qualitativa. Aaker & Day (1982); Gil (2002) enfatizam a escolha por pesquisa qualitativa como entrevista em profundidade, comentando que, na prática, este procedimento analítico tem aplicação útil com executivos, especialistas e outros agentes com pequena disponibilidade de tempo para atendimento a entrevistadores. 46 4 ESTUDO DE CASO 4.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA: SUPERMERCADO BOM VIVER O Supermercado Bom Viver atende seus clientes na cidade de Lins, interior do Estado de São Paulo, no logradouro Professor Joaquim Borges Rodrigues, 82 – Bairro Bom Viver II. Está devidamente registrado no Ministério da Fazenda, no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas 67.673.087/0001-39 e Inscrição Municipal 5172. Figura 4.1 – Fachada da Mercearia Bom Viver em 1993. Fonte: Supermercado Bom Viver (1993). O senhor Paulo Cesar Lopes e sua esposa Solange Maria de Alencar Lopes detectaram a necessidade de uma nova instalação para o atendimento de uma demanda crescente de pessoas que precisavam consumir produtos do dia-a-dia. Em março de 1992 inauguraram um estabelecimento, com o nome fantasia Bar e Mercearia Bom Viver, com 46 m2, conforme a figura 4.1 do ano de 1993 ainda com as mesmas características da inauguração, com recursos próprios para o atendimento das pessoas que precisavam se deslocar por grandes distâncias para obter um serviço similar. 47 Em pouco tempo, os clientes de bairros vizinhos foram conquistados, esses bairros foram crescendo gradativamente e como consequência houve aumento em mesma proporção do número de clientes. Por este motivo, em 1996 houve a necessidade da ampliação do espaço físico da área de vendas passando então a atender seus clientes numa área de 96 m2, conforme a figura 4.2, ou seja, em apenas 4 anos a área de atendimento foi duplicada utilizando-se de recursos próprios adquiridos através do faturamento da empresa, a partir daí o nome foi alterado para Mercado Bom Viver. Figura 4.2 – Fachada do Mercado Bom Viver em 1996. Fonte: Supermercado Bom Viver (1996). Durante o período de ampliação surgiram dificuldades financeiras a serem contornadas, pois houve um grande direcionamento de recursos destinados a ampliação, porém, a dificuldade maior foi a de manter o atendimento aos clientes, pois durante a ampliação o atendimento aos clientes não foram interrompidos, conforme figura 4.3. 48 Figura 4.3 – Fachada em construção da área adquirida ao redor do Mercado Bom Viver em 1997. Fonte: Supermercado Bom Viver (1997). Ainda colhendo os frutos dos esforços dos proprietários, no ano 2000, houve uma nova reestruturação física. Com a aquisição de áreas ao redor do estabelecimento e, desta vez, a área de atendimento aumentou quase 3 vezes, passando dos modestos 96 m2 para 220 m2 melhorando o atendimento em todos os setores do supermercado, conforme figura 4.4. Figura 4.4 – Fachada principal pronta Fonte: Supermercado Bom Viver (2004). 49 O espírito empreendedor dos proprietários não parou e, constata-se que, a cada 4 anos houve novos investimentos, com recursos próprios da empresa na melhoria das instalações e aumento da capacidade para o atendimento da crescente demanda, desde a inauguração até o ano de 2004, ano em que houve a última e maior de todas as alterações da planta da empresa. Com esta última alteração os clientes têm disponível uma área de 520 m2, conforme a figura 4.5, e desde então é conhecido como Supermercado Bom Viver, entre os moradores do bairro e arredores. Figura 4.5 – Fachada principal atual Fonte: Supermercado Bom Viver (2012). 4.1.1 Evolução do quadro de funcionários Com a evolução constante e investimentos no espaço físico, o número de funcionários cresceu proporcionalmente, conforme o quadro 4.1: 50 Quadro 4.1 - Evolução do quadro de funcionários Ano Área de vendas (m2) Quantidade de funcionários 1992 46 1 1996 96 3 2000 220 8 2004 520 30 05/2012 520 47 Fonte: Elaborado pelos autores (2012) A percepção do crescimento do número de funcionários é vista com maior facilidade no gráfico 4.1 e da evolução da área de vendas no gráfico 4.2. nº de funcionários 50 47 40 30 30 20 10 0 1 3 1992 1996 8 2000 2004 ano Gráfico 4.1 – Evolução do quadro de funcionários Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados da tabela 4.1 (2012). 2012 m2 51 600 500 400 300 200 100 0 520 520 2004 2012 220 46 1992 96 1996 2000 ano Gráfico 4.2 – Evolução da área de vendas. Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados da tabela 4.1 (2012). 4.1.2 Organograma Organograma é uma representação gráfica simplificada da estrutura organizacional de uma instituição, especificando os seus órgãos, seus níveis hierárquicos e as principais relações formais entre eles. É o instrumento mais usado para representar a formalização da estrutura. O fato de uma empresa possuir organogramas não significa necessariamente que seja bem organizada. Ele não é um fim em si mesmo, mas um meio para ajudar administradores a visualizar o posicionamento e as relações entre os subsistemas de um sistema organizacional. Como disse Peter Druker, uma organização é como música, não é constituída de sons individuais, mas das relações entre eles (LACOMBE; HEILBORN, 2008, p. 103). A principal finalidade da representação gráfica é permitir a visualização rápida da forma como uma empresa se organiza e devem representar a organização real da empresa, caso contrário, poderá haver distorções e gerar compreensões erradas que poderão gerar decisões e atitudes errôneas por parte dos que confiam na sua exatidão (LACOMBE; HEILBORN, 2008). 52 Figura 4.6 - Organograma do Supermercado Bom Viver Fonte: Elaborado pelos autores (2012). Até o momento da finalização deste trabalho a estrutura organizacional do Supermercado Bom Viver abrange as descrições das funções e as delegações de poderes que a empresa julga úteis para a compreensão da estrutura e segue a estrutura do organograma clássico (conforme figura 4.1) e utiliza os princípios básicos de elaboração, conforme mostra o quadro 4.2 dos autores (LACOMBE; HEILBORN, 2008). Quadro 4.2 - Princípios básicos de elaboração Princípios Simplicidade Padronização Atualização Conceituações Apresentar apenas os elementos essenciais à compreensão da estrutura organizacional Uniformidade e coerência Retratar a realidade da organização em determinado momento Fonte: Adaptado de LACOMBE; HEILBORN, 2008, p 103. 4.2 COLETA DE DADOS DA EMPRESA A coleta de dados partiu da solicitação verbal aos proprietários que disponibilizaram prontamente os funcionários Fernando e Willian, auxiliares 53 administrativos, conhecedores por experiência de quase todas as funções do supermercado. Para este estudo, aplicou-se um questionário que foi elaborado utilizando as referências estudadas abordando os seguintes assuntos: a) Ferramentas de controle de estoques; b) Uso das ferramentas de controle de estoques; a. Classificação ABC; b. Histogramas; c. Diagrama de Pareto; d. Enterprise Resource Planning – ERP; e. Inventários. 4.3 DADOS COLETADOS 4.3.1 Informações sobre controle de estoques no Supermercado Bom Viver Iniciando o estudo de caso, foi verificado se as ferramentas de controle de estoques são utilizadas por um setor específico, bem como, a quantidade de funcionários que se dedicam a utilizá-las, as formações acadêmicas dos funcionários, se receberam treinamento para atuar na função e se há uma programação de treinamento em controle de estoques. Diante da pesquisa, percebeu-se que não há um setor específico que se dedica exclusivamente ao controle dos estoques, pois somente dois funcionários que ocupam cargo de auxiliar administrativo atuam no controle geral dos produtos armazenados prejudicando o nível de controle e acerto das informações geradas nos momentos de reposição e ressuprimento. Dessa forma, o tempo disponibilizado para a função de controlar fica reduzida a algumas horas diárias, pois no restante do tempo há outras funções que os funcionários devem cumprir. Os dois funcionários, com nível médio de formação, receberam treinamento para executar as funções de controle dos estoques no dia-a-dia, conforme surgem novas situações e problemas que necessitam de soluções, ou seja, não há uma programação de treinamento, impossibilitando a previsão de situações que podem colocar o setor em apuros. Através da pesquisa, foi verificado se questões relacionadas ao controle dos estoques são consideradas nos planejamentos de médio e longo prazo. Através da 54 pesquisa, percebeu-se que sim, e que são realizadas reuniões separadas por setores. Nessas reuniões, são tratados assuntos como falta de mercadorias disponibilizadas ao consumidor, perdas de mercadorias por vencimento do prazo de validade e discussão sobre os locais adequados de armazenamento dos diversos produtos comercializados pelo supermercado. Continuando no tema ferramentas de controle de estoques, questões relacionadas à utilização de recursos de tecnologia (hardware / software) para incluir, organizar, localizar e retirar produtos dos estoques e se as ferramentas em questão são adequadas. Para responder a essas questões, há instalado nos computadores do supermercado um sistema ERP chamado Solidus®, que foi adquirido pelo estabelecimento apenas os módulos necessários ao funcionamento da operação, excluindo os módulos de controle de recursos humanos e contabilidade. Como equipamento auxiliar ao software, utiliza-se leitores de códigos de barras e coletor de dados portátil para contagem física. Esses equipamentos auxiliam na realização de inventários e aumentam as margens de acerto da quantidade física de cada produto. As ferramentas utilizadas são adequadas conforme informação do supermercado, pois atendem, facilitam e proporcionam agilidade no trabalho diário. Nas questões sobre política definida para o suprimento e reposição dos estoques e se há preocupação com o prazo de validade, primeiramente verifica-se o produto analisado no sistema ERP Solidus® e também leva-se em consideração a necessidade de venda de acordo com a sazonalidade do produto (a sazonalidade é definida pela experiência do funcionário).Os preços de aquisição no atacado quando aliados a um lote grande, faz-se um estudo do espaço disponível para estocagem antes do fechamento do negócio. Quanto ao prazo de validade, há uma preocupação constante, o sistema ERP apresenta um campo de inserção da data de validade do produto adquirido no momento do seu lançamento no sistema ERP, mas, por se tratar de grande variedade e quantidade de produtos é praticamente impossível controlar 100% dos prazos de validade. Há contribuição dos repositores na verificação física da validade dos produtos que estão sendo repostos. Dessa forma, o sistema adotado teoricamente é o PEPS (primeiro que entra, primeiro que sai). 55 Com isso, alguns métodos são usados para que se tenha um bom controle de estoque, são métodos que funcionam como uma grande ferramenta para indicar o momento certo de ressuprimento de estoque no qual se pode citar: 4.3.2 Uso da ferramenta: Classificação ABC Em qualquer estoque que contenha mais de um item em estoque, alguns itens serão mais importantes para a organização do que outros. Alguns itens, por exemplo, podem ter uma taxa de uso muito mais alta, de modo que, se faltassem, muitos consumidores ficariam desapontados. Outros itens podem ter valores particularmente altos, de modo que níveis de estoque excessivos seriam particularmente caros. Uma forma comum de discriminar diferentes itens de estoque é fazer uma lista deles, de acordo com suas movimentações de valor (sua taxa de uso multiplicada por seu valor individual). Os itens com movimentação de valor particularmente alto demandam controle cuidadoso, enquanto os com baixas movimentações de valor não precisam ser controlados tão rigorosamente. Geralmente, uma pequena proporção dos itens totais contidos em estoque vai representar uma grande proporção do valor total em estoque. Sabendo disso, foi verificado o uso das ferramentas de controle de estoques começando com a ferramenta de Classificação ABC. A ferramenta não é utilizada para identificar itens que justifiquem atenção especial quanto a sua administração. Um controle similar é realizado da seguinte forma: produtos que justificam atenção especial são definidos por experiência de um dos funcionários responsáveis e como não é utilizada, a classificação ABC não contribui com o controle dos estoques, e que este, é feito manualmente de acordo com a sazonalidade dos produtos. Importante informação cedida pelo supermercado é que com relação ao estoque 80% dos produtos são controlados pelas empresas fornecedoras, não sendo necessário dispensar atenção a estes, ou seja, quando uma empresa que fornece produtos ao supermercado percebe que os produtos em estoque no supermercado estão acabando, o mesmo, entra em negociação com o 56 supermercado para reposição dos produtos e apenas 20% dos produtos em estoque é controlado pelo supermercado. 4.3.3 Uso da ferramenta: Histogramas Na sequência, foi verificado o uso de histogramas, se há dificuldades na elaboração, se as ferramentas facilitam o controle dos estoques. De acordo os dados analisados o supermercado não utiliza essa ferramenta para controlar os estoques e desconhece tal procedimento. Como é sabido, a utilização de recursos visuais na criação de gráficos deve ser feita cuidadosamente; um gráfico desproporcional em suas medidas pode dar falsa impressão de desempenho e conduzir a conclusões equivocadas. Obviamente, questões de manipulação incorreta da informação podem ocorrer em qualquer área. O uso e a divulgação ética e criteriosa de dados devem ser pré-requisitos indispensáveis e inegociáveis. 4.3.4 Uso da ferramenta: Diagrama de Pareto Com a realização da pesquisa foi discutido o uso do Diagrama de Pareto, se há dificuldades na elaboração, se as ferramentas facilitam o controle dos estoques, mas, como na ferramenta anterior, os gestores não utilizam o diagrama como auxílio no controle dos estoques, nem para facilitar a interpretação dos participantes em reuniões. O Diagrama de Pareto é usado na gestão de qualidade e pode ser usado como ferramenta de controle, pois busca estabelecer a ordem em que as causas das perdas ou de outros tipos de fracasso devem ser sanadas. O Diagrama de Pareto apresenta fracassos e insucessos em ordem de frequência. Tem-se, então, a ordem em que devem ser sanados os erros, resolvidos os problemas, atendidas as reclamações, diminuindo o desperdício. Diz-se, por isso, que o Diagrama de Pareto estabelece prioridades. Mas o Diagrama de Pareto também pode ser usado para identificar causas de sucesso como, por exemplo, as causas do aumento de venda de um produto. 57 4.3.5 Uso da ferramenta: ERP Já nas questões relacionadas ao uso do ERP, todas as informações sobre produtos armazenados estão agrupadas no sistema ERP do supermercado – Solidus® - estas informações, contribuem na tomada de decisões sobre os níveis de estoque, porém os dados informados pelo ERP estão sujeitos a inserção dos dados pelos funcionários no momento da chegada dos produtos ou no momento de modificações, onde estão sujeitas a erros de digitação. As informações agrupadas no ERP contribuem também nas decisões para o planejamento e controle dos estoques, pois, os dados registrados mostram o que foi vendido de cada produto, mas é necessário interpretar certos dados informados pelo sistema, principalmente quando há uma demanda excepcional, pois podem ocorrer vendas fora do planejado, como a venda de produtos para atendimento de algum evento social. Na questão sobre quando as atividades devem ocorrer e quem deve executálas, o sistema ERP contribui ativamente, pois informa quantos dias determinado produto poderá ser disponibilizado ao consumidor antes de reabastecê-lo. 4.3.6 Uso da ferramenta: Inventários O inventário responsabiliza-se pela proporção de informação da quantidade física de materiais, atuando principalmente como ferramenta na contagem dos itens constantes em estoque. A empresa deverá atuar com a máxima exatidão possível, buscando clareza e adequação nos registros gerados, contando-se com o inventário físico capaz de gerar às informações consistentes e cabíveis para cada decisão. Seguindo os padrões estabelecidos num primeiro momento, torna-se possível a organização e a previsão dos estoques nos períodos posteriores e a adequação de novos limites na área de materiais. Na busca pela obtenção de uma estrutura adequada e bem definida a empresa deverá registrar os estoques de materiais em softwares ou documentos seguros e adequados. Com esta base, cada registro proporcionará ao usuário sua finalidade na tomada de decisão. O inventário físico é geralmente efetuado de dois métodos: periódico ou rotativo. 58 No inventário periódico, tem-se que todo o fechamento se realizará ao término do período estabelecido pela empresa, seja num prazo de doze meses. No inventário rotativo, é realizado num período menor de tempo, determinado no decurso de aproximadamente três meses, sua formação é mais esmiuçada e a segurança na tomada de decisão é maior. Este inventário indica cada produto em um grupo ou conjunto de peso para a empresa, sendo que conforme a necessidade e seu valor financeiro, tão maior será a dedicação quanto à formação do inventário, portanto pode-se afirmar que cada categoria receberá um valor percentual afetando diretamente na adoção do grau de atenção. Na empresa pesquisada os inventários são realizados, utilizando-se como referência o inventário rotativo que ocorrem no decorrer do ano fiscal para evitar o fechamento da loja ao consumidor. São realizados durante todo o ano, confrontando a quantidade emitida pelo ERP e a quantidade física. Quando o inventário é realizado, raramente há similaridade entre a contagem e o que há registrado no sistema, ou seja, a quantidade de produtos registrados no ERP difere da quantidade física obtida pósinventário. A contagem física é realizada primeiramente pela necessidade de declaração de imposto de renda. Quando há erros, é realizado uma recontagem, até o limite de 3, por equipes diferentes para obter os valores mais reais possíveis. 4.4 ANÁLISE DE DADOS A seguir, com as informações obtidas pela empresa e como parte dos resultados desta pesquisa, estão as informações sobre os relatórios obtidos junto a empresa estudada sobre a quantidade de itens armazenados, o valor em moeda nacional de produtos perdidos que geram prejuízos a empresa. Apesar da improvisação na organização e controle dos estoques de produtos em geral e de não utilizar todas as ferramentas de controle da revisão bibliográfica a utilização do sistema ERP tem contribuído positivamente no gerenciamento dos estoques, com ressalvas, pois os relatórios disponíveis gerados pelo ERP poderiam ser mais aproveitados durante as análises e reuniões. 59 4.4.1 Quantidade de itens armazenados do Supermercado Bom Viver O gráfico 4.3 compreende a quantidade de itens armazenados pelo Supermercado Bom Viver durante o período de setembro de 2011 e agosto de 2012. Durante o período analisado o Supermercado passou por uma fase de estabilidade, sem investimentos desnecessários em itens estocados. Mas, mesmo no período de recessão, houve ascensão de 2404 itens disponibilizados ao público no Supermercado Bom Viver do início ao final do período compreendido. Houve tentativa de armazenamento dos itens excedentes de forma otimizada, porém, prevaleceu a improvisação, conforme mostra a figura 4.7, pois o espaço quantidade de itens armazenados continuou com os mesmos 520 m2, disponíveis para loja e armazenamento. 16000 14000 12000 10000 8000 6000 4000 2000 0 setembro de 2011 à agosto de 2012 Gráfico 4.3 – Quantidade de itens armazenados Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados informados pela empresa (2012). 60 Figura 4.7 – Itens armazenados de forma improvisada Fonte: Supermercado Bom Viver (2012). Em decorrência do grande número de itens armazenados no Supermercado Bom Viver, quando é realizado o inventário do setor e o número de itens armazenados é diferente do número de itens registrados no ERP é gerado um relatório de ajuste de estoque. 4.4.2 Relatório de ajuste de estoque – Custo total de produtos faltantes Para igualar a quantidade de itens armazenados e a quantidade de itens registrados no ERP após a realização do inventário, há um campo no sistema ERP preenchido manualmente pelo operador do sistema para a retirada dos produtos registrados como excedente, mas que na realidade são caracterizados como faltantes (furtos, erros de entrada, etc), conforme gráfico 4.4. R$ 61 8000 7000 6000 5000 4000 3000 2000 1000 0 setembro de 2011 à agosto de 2012 Gráfico 4.4 – Quantidade de itens perdidos Fonte: Elaborado pelos autores com base nos dados informados pela empresa (2012). Os produtos faltantes são lançados no sistema, e são contabilizadas as perdas monetárias e em quantidade, gerando o relatório de ajuste de estoque. 4.4.3 Relatório de ajuste de estoque – Produtos que geraram a maior parcela das perdas Utilizando-se os dados dos relatórios de ajuste de estoque, foi possível identificar os produtos armazenados que geraram a maior parcela das perdas, conforme tabela 4.1, são classificados como perecíveis e do setor hortifruti. Estes, são controlados pelos funcionários do supermercado, e contribuíram significativamente com as perdas nos meses apresentados. O destaque, conforme o gráfico 4.5, fica para o boi casado, ou seja, o boi inteiro comprado para suprir as necessidades do açougue. Logo em seguida, destaca-se o tomate, apresentando perdas consecutivas. Percebe-se que há ausência de dados nos meses de novembro e dezembro de 2011 e nos meses de abril e maio de 2012. Nesses períodos, conforme analisado em entrevista não houve lançamento das informações de produtos perdidos em decorrência do excesso de trabalho dos funcionários responsáveis, prejudicando parcialmente a coleta de dados. 62 Tabela 4.1 – Produtos mais perdidos (R$) 2011 Setembro Outubro Novembro Dezembro Batata 30,74 81,84 0,00 0,00 Chuchu 98,44 53,93 0,00 0,00 Maça 102,23 197,67 0,00 20,34 Mamão 95,43 65,85 0,00 0,00 Pimentão 1,80 23,20 0,00 0,00 Quiabo 31,43 97,54 0,00 0,00 Tomate 324,64 382,18 0,00 1,75 Boi casado 0,00 0,00 0,00 0,00 Total 684,71 902,21 0 22,09 Janeiro 49,11 172,70 298,22 57,50 109,09 76,63 241,40 0,00 1004,65 Fevereiro 6,94 108,89 3,70 88,00 27,00 160,31 476,00 150,11 1020,95 Março 63,03 33,93 43,72 39,77 55,24 0,00 426,61 992,39 1654,69 2012 Abril Maio 3,38 0,00 14,72 0,00 1,33 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 1587,36 2436,00 1606,79 2436 Junho 1,44 17,50 35,60 28,47 7,78 12,60 187,75 0,00 291,14 Julho 29,20 17,38 29,82 108,60 15,00 14,29 77,50 1785,00 2076,79 Agosto 44,00 172,70 276,47 57,50 109,09 76,63 235,86 0,00 972,25 Fonte: Elaborado pelos autores (2012) 3000,00 Batata 2500,00 Chuchu R$ 2000,00 Maça 1500,00 Mamão 1000,00 Pimentão 500,00 Quiabo 0,00 Setembro Outubro Novembro Dezembro Janeiro Fevereiro Março Abril setembro de 2011 à agosto de 2012 Gráfico 4.5 – Comparativo dos itens mais perdidos Fonte: Elaborado pelos autores (2012). Maio Junho Julho Agosto Tomate Boi casado 63 Para questão de análise foram escolhidos alguns produtos que geravam prejuízos a empresa, devido a grande quantidade de itens disponíveis pelo supermercado. Aplicando as regras de classificação ABC, conforme tabela 4.2, e o Diagrama de Pareto (conforme figura 4.8) na amostra do resultado das médias de produtos perdidos durante o período analisado, é possível identificar com clareza quais produtos perdidos são classificados como A, B e C. A tabela e o Diagrama de Pareto foram elaborados como demonstrativo para exemplificar a aplicação das técnicas na quantidade total de produtos perdidos no período e verificar quais devem ter atenção especial dos gestores. Tabela 4.2 – Organização dos itens mais perdidos utilizando a técnica de classificação ABC Item Boi casado Tomate Maça Chuchu Mamão Quiabo Pimentão Batata Total Média 579,24 196,14 84,09 57,52 45,09 39,12 29,02 25,81 1056,02 % do valor total 54,85 18,57 7,96 5,45 4,27 3,70 2,75 2,44 100 % acumulada 54,85 73,42 81,39 86,39 91,10 94,80 97,56 100 Fonte: Elaborado pelos autores (2012) 120 100 % 80 60 40 20 0 Itens mais perdidos Figura 4.8 – Aplicação da curva de Pareto nos resultados da tabela 4.2 Fonte: Elaborado pelos autores (2012). 64 Sem um controle eficaz do estoque é possível que o administrador não consiga alcançar os objetivos pretendidos frente aos desafios e obstáculos encontrados na conquista do mercado. Dessa forma, a gestão de estoques constitui uma série de ações que permitem ao administrador verificar se os estoques estão sendo bem utilizados, bem localizados e bem controlados. (MARTINS e ALT, 2006) A gestão de estoque permite importantes ganhos, com eficiência, redução de falhas e custos, rapidez, confiabilidade e capacidade de rastreamento se todas as ferramentas de controle forem bem utilizadas. No mês de julho de 2012, conforme gráfico 4.4, foram registrados prejuízos com perdas de produtos (furtos, erros de entrada, etc), que ultrapassaram R$ 6000,00. Portanto, se todas as ferramentas de controle de estoque forem totalmente utilizadas, os resultados seriam mais eficientes do que o resultado atual, possibilitando o controle dos estoques do supermercado Bom Viver sem que haja grandes diferenças. 65 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS A necessidade de adequação ao crescente número de clientes da região onde o supermercado está instalado propiciou o crescimento da área de atendimento e armazenamento da empresa, fazendo com que os investimentos fossem essenciais para sobrevivência no mercado. Para se adequar a esse número crescente de clientes, a empresa precisou aumentar progressivamente o número de funcionários para atendimento eficaz e melhor organização da loja e depósito. Este último, apesar da falta de conhecimento teórico na gestão de estoques, o supermercado possui funcionários com experiência e responsabilidade que suprem a necessidade de uso das ferramentas, fazendo uso apenas do ERP da empresa. Mas que, estão suscetíveis a erros e não utilizam o sistema de forma otimizada. Considerando o resultado da pesquisa, pode-se concluir que o correto controle de estoque influi completamente nas estratégias logísticas das empresas do setor. Se ferramentas mais específicas como a da revisão bibliográfica fossem utilizadas, alguns itens como do setor hortifruti poderiam ser controlados com maior eficácia, contribuindo com o crescimento do supermercado. Com isso, o objetivo do trabalho foi atingido, pois verificou-se a importância do controle de estoque para o desenvolvimento de uma empresa do setor supermercadista de pequeno porte. A variedade de produtos armazenados, considerados secos, são controlados com base no conhecimento empírico dos funcionários, ou seja, as atitudes tomadas para controlar compras, recebimento, reposição em geral são realizadas sem considerar dados anteriores, porém, por causa da visão, experiência e a política adotada por estes funcionários não causam grandes prejuízos ao supermercado, mas há aberturas que podem ser melhoradas. Como informado em entrevista, 80% dos produtos são controlados pelos próprios fornecedores. Essa informação pode estar relacionada a sobrevivência do supermercado em meio a alta competitividade, pois independentemente da região geográfica onde o produto é exposto, grandes marcas possuem controle remoto sobre a validade e quais produtos estão disponíveis em cada loja, além de pessoas com alto grau de treinamento para a correta escolha do local de exposição. 66 Portanto, mesmo existindo pontos críticos, principalmente no quesito conhecimento teórico e treinamento de funcionários, conclui-se de forma geral que a gestão de estoques do Supermercado Bom Viver é boa. Mas, é necessário melhoria constante, pois percebe-se que possui um valor considerável de desperdício de produtos no estoque e principalmente porque ainda há planos de expansão, e será necessário um planejamento anterior ao novo investimento. Para melhor gerenciar os estoques, os funcionários devem primeiramente, discriminar todos os diferentes itens estocados, de maneira que possam aplicar um grau de controle em cada item, de acordo com sua importância e, posteriormente a esta distinção, é necessário que utilizem os recursos disponíveis que o sistema de processamento de informação possui, no caso o ERP. Possibilitando utilizar de forma eficaz a curva ABC. O estoque de uma empresa deve estar de acordo com a sua estrutura, sempre pronto a oferecer o serviço desejado pelo cliente, mantendo o mínimo de estoque, vislumbrando um menor custo possível. O mercado se tornou cada vez mais exigente, sendo assim, a empresa que melhor fazer sua gestão de estoque estará preparada para competir com os concorrentes, uma vez que ela administra com eficiência seus estoques, pode–se dizer que ela está com um diferencial competitivo. O conhecimento não termina por aqui, este trabalho pode servir como base para demais pesquisas. Com isso, para pesquisa posterior sugere-se verificar o funcionamento da logística de estoque em empresas supermercadista, e também verificar a relação da gestão de estoque na diminuição dos custos empresariais. 67 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS AAKER, D. A.; DAY, G. S. Marketing Research. 3. ed. U.S.A.: John Wiley, 1982. ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados. Ranking, Pesquisa. Disponível em: <http://www.ABRASnet.com.br> Acesso em: 20 set. 2009. ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados. Ranking, Pesquisa. Disponível em: <http://www.ABRASnet.com.br> Acesso em: 12 abr. 2010. ANGELO, C. F.; SILVEIRA, J. A. G. Varejo Competitivo. São Paulo: Atlas, 1997. BALLOU, R. H. Logística empresarial: transporte, administração de materiais e distribuição física. São Paulo: Atlas,1993. BRIMER, R. C. Logistics networking. Logistics Information Management, vol. 8, 1995. COPACINO, W. C. The three meaning of supply chain management. Logistics Management, vol. 42, n. 6, junho, 2003. DIAS, M. A. 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Quantidade de funcionários no setor:________________________________ Formação: Nível superior: _______Técnico: _________Médio:__________ 1.3. Nº de funcionários que receberam treinamento para controlar os estoques: 1.4. Há uma programação de treinamento em controle de estoques? SIM NÃO (ir para 1.5) 1.4.1. Se SIM, quais? 1.5. Questões relacionadas ao controle de estoques são consideradas nos planejamentos de médio e longo prazo? SIM NÃO (ir para 1.6) 1.5.1. Se SIM, de que forma são inseridas no planejamento? 1.6. Que recursos de tecnologia (hardware/software) são utilizados para incluir, organizar, localizar e retirar produtos dos estoques? 70 1.6.1. São adequadas? Por quê? 1.7. Há política definida para o suprimento dos estoques? SIM NÃO (ir para 2) 1.7.1. Como funciona a compra para reposição dos estoques? 1.7.2. Há preocupação com o prazo de validade? 1.7.3. Qual o sistema utilizado no estoque? PEPS UEPS MPM 2. USO DAS FERRAMENTAS DE CONTROLE DE ESTOQUE 2.1. CLASSIFICAÇÃO ABC 2.1.1. A ferramenta “classificação ABC” é utilizada para identificar itens que justifiquem atenção especial quanto a sua administração? SIM NÃO (ir para 2.1.1.3) 2.1.1.1. Se SIM, quais as vertentes utilizadas na classificação? 2.1.1.2. Se SIM, quais valores são definidos para cada classificação? 2.1.1.3. Se NÃO, como são definidos os itens que justificam atenção especial? 2.1.2. A classificação ABC contribui de alguma forma com o controle de estoques? 71 SIM NÃO (ir para 2.1.2.2) 2.1.2.1. Se SIM, como? 2.1.2.2. Se NÃO, por quê? 2.1.3. Os dados da classificação ABC são demonstrados graficamente em forma de histogramas para facilitar a compreensão e interpretação dos dados? SIM NÃO 2.2. HISTOGRAMAS 2.2.1. Há alguma dificuldade na elaboração dos histogramas? SIM NÃO (ir para 2.2.1.2) 2.2.1.1. Se SIM, quais? 2.2.1.2. Se NÃO, qual o procedimento e como é realizado? 2.2.2. A interpretação do histograma contribui e/ou facilita o controle dos estoques? SIM NÃO (ir para 2.2.2.2) 2.2.2.1. Se SIM, como? 2.2.2.2. Se NÃO, por quê? 2.3. DIAGRAMA DE PARETO 2.3.1. O histograma, construído com base nos dados da classificação ABC são demonstrados graficamente como “Curva de Pareto”? 72 SIM NÃO (ir para 2.3.1.2) 2.3.1.1. Se SIM, o Diagrama de Pareto facilita na identificação da ordem de importância dos produtos em estoque? Descreva. 2.3.1.2. Se NÃO, qual o método utilizado para facilitar a identificação da ordem de importância dos produtos em estoque? 2.4. ERP 2.4.1. Todas as informações sobre produtos armazenados estão agrupadas no ERP (Planejamento de Recursos da Empresa)? SIM NÃO 2.4.2. Qual o sistema utilizado? 2.4.3. A organização das informações contribui na tomada de decisões sobre: 2.4.3.1. O nível dos estoques? SIM NÃO (ir para 2.4.2.1.2) 2.4.3.1.1. Se SIM, como? 2.4.3.1.2. Se NÃO, por quê? 2.4.3.2. Decisões para o planejamento e controle dos estoques? SIM NÃO (ir para 2.4.2.2.2) 2.4.3.2.1. Se SIM, como? 2.4.3.2.2. Se NÃO, por quê? 2.4.3.3. Quando as atividades devem ocorrer e quem deve executá-las? SIM 2.4.3.3.1. NÃO Se SIM, facilita as atividades? 73 2.4.3.3.2. Se NÃO, por quê? 3. INVENTÁRIOS 3.1. São realizados? SIM NÃO (ir para 3.1.4) 3.1.1. Que tipo de inventário? GERAL (fim de cada ano fiscal) ROTATIVO (no decorrer do ano fiscal) 3.1.2. Se SIM, como são realizados e com que frequência? 3.1.3. Se SIM, por qual motivo? 3.1.4. Se NÃO, por quê? 3.2. A comparação da quantidade física apurada e dos dados cadastrados são similares? SIM NÃO 3.2.1. Se NÃO, a recontagem é feita? SIM NÃO 3.2.1.1. Se SIM. Se ainda houver erro, qual o procedimento? 3.2.1.2. Se NÃO, qual o procedimento? Por quê?