SECRETARIA DE ESTADO DA EDUCAÇÃO DO PARANÁ- SEED SUPERINTENDÊNCIA DA EDUCAÇÃO- SUED PROGRAMA DE DESENVOLVIMENTO EDUCACIONAL – PDE Carlos Roberto Scheibel Mario César Lopes O USO DE JOGOS COMO ELEMENTO ARTICULADOR DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM NAS AULAS DE GEOGRAFIA 2009 1 O USO DE JOGOS COMO ELEMENTO ARTICULADOR DO PROCESSO DE ENSINO-APRENDIZAGEM NAS AULAS DE GEOGRAFIA SCHEIBEL,Carlos Roberto1; LOPES, Mario César2 1 Discente do Programa de Desenvolvimento Educacional/Professor de Geografia/PDE 2008 [email protected] 2 Docente da Universidade Estadual de Ponta Grossa/Orientador [email protected] RESUMO: O propósito desta pesquisa foi investigar o desenvolvimento de jogos/atividades lúdicas e a sua aplicação como elemento articulador do processo de ensino-aprendizagem nas aulas de Geografia, em todas as séries do ensino médio do Colégio Estadual Frei Doroteu de Pádua, no município de Ponta Grossa – PR, no ano de 2009. Dada as poucas referências de uso de jogos nas aulas de Geografia, buscamos aplicar e adaptar regras de três atividades lúdicas, sendo um tipo diferente para cada série do Ensino Médio. As atividades lúdicas (ou jogos) desenvolvidas foram: Técnica da Caça ao Tesouro com uso de bússola, azimute e mapa para a primeira série; a Técnica Caça Terrorista para a segunda série e o jogo Descobridores de Catan (adaptado) para a terceira série. Palavras-chaves: Jogos. Elemento articulador. Ensino-aprendizagem. ABSTRACT: The purpose of this research was investigated of games/ entertainment activities and their apposition such as a link element of teachins and learning process in the Geography classes. All of series of High School from Frei Doroteu de Pádua Public School, in Ponta Grossa – Pr/2009. Just there were a few bibliography references by using games at Geography classes, they were applied and adapted rules in there entertainment activities, each one activity according to its serie. These activities or games were developed as: the technique of treasure hunting with compass, azimuth and maps for first serie: the technique of terrorism hunting for second serie and the game of Catan’s Settlers (adapted) for third serie. Key words: Games. A link element. The teaching/learning process. 2 1 INTRODUÇÃO Os alunos ao entrarem na sala de aula, o professor inicia a chamada, faz uma breve explanação sobre o que foi trabalhado anteriormente e começa a passar conteúdo no quadro negro ou faz o chamamento ao uso do livro didático, citando as páginas tal e tal, pedindo que os alunos leiam e façam as atividades propostas no livro didático. A aula transcorre em sua normalidade habitual, ou, diga-se de passagem, na sua monotonia habitual! Aula após aula o procedimento é o mesmo. Não há variação de atividades, nem uso de situações que levem o aluno a pensar. É repetição de verdades absolutas colocadas em livros, que nem sempre estão corretos. O ato de colorir mapas e repetir dados, passar um vídeo e usar as ferramentas que a atual TV Multimídia disponibiliza, ou seja, vídeo, imagens e sons, nem sempre o professor as utiliza diante dessa inovação tecnológica. Fato que não muda muito a já descrita monotonia do dia-a-dia. Não existem atividades diferenciadas que trabalhem o conteúdo da Geografia de forma lúdica e ao mesmo tempo criando conhecimento. Pouco se tem de referências bibliográficas do uso de atividades lúdicas como geradoras de conhecimento em Geografia. A possibilidade de refletir sobre a temática do uso de jogos e atividades lúdicas nas aulas de Geografia corresponde a uma série de questionamentos e inquietudes que o dia-a-dia nos coloca. Expressões cotidianas dos alunos – geralmente de desagrado quando o assunto é Geografia -, tornam-se comuns. Poucos lembram ou referem-se a essa disciplina como algo prazeroso. Pergunta-se: Onde está o erro? É nos conteúdos abordados ou na forma como são abordados? É na quantidade repassada ou na inutilidade do que se ensina? É o enciclopedismo ou são os conteúdos estanques e desvinculados do cotidiano dos alunos? Quais são os motivos para o desagrado quando o assunto são as aulas de Geografia? A busca de respostas a essas questões nos conduziram a usar jogos e atividades lúdicas como elementos articuladores do processo de ensinoaprendizagem nas aulas de Geografia. Como usá-los para inserir o conteúdo? Que tipo de jogos são mais apropriados: de tabuleiro, de estratégia, individuais ou em grupos, de perguntas e respostas? Quais de fato são pertinentes ao tempo e ambiente de sala de aula? Diversas questões devem ser levadas em conta. 3 Essa temática nos levou a pesquisar em bibliografia especializada e sites da Internet: jogos que atendessem aos objetivos propostos e usá-los como elemento articulador do processo de ensino-aprendizagem nas aulas de Geografia. Encontramos no jogo “Settlers of Catan” (Descobridores de Catan) elementos próprios do conhecimento geográfico, tanto físicos quanto humanos e econômicos, tais como: ilha, recursos naturais (petróleo, metais, madeira, cereais, minerais...), construções, aldeias, cidades, estradas, portos, bancos, trocas ou permutas (comércio), isolamento geográfico, relevo, solo, etc. Em face das dificuldades encontradas na adequação das regras desse jogo e no trabalho com todas as turmas do ensino médio, optamos pelo uso de duas outras atividades lúdicas: Técnica da Caça ao Tesouro com Azimute e bússola, para a primeira série e, a Caça Terrorista, para segunda série do EM. Não é objetivo desse trabalho discutir questões cognitivas mas a verificação das possibilidades do uso das atividades lúdicas ou jogos como elementos articuladores do processo de ensino-aprendizagem em Geografia. 2 BREVES CONSIDERAÇÕES SOBRE O USO DE JOGOS COMO MATERIAL DIDÁTICO Partindo da dificuldade em se trabalhar aos conteúdos da disciplina de Geografia, tida pelos alunos como uma disciplina conteudista e de memorização, optamos em usar métodos que tornassem as aulas mais atrativas e, ao mesmo tempo, trabalhassem os conteúdos de forma lúdica. Na elaboração do Projeto de Implementação Pedagógica (PDE 2008) elaboramos um trabalho voltado ao uso dos jogos como elementos articuladores nesse processo. De acordo com Campos et al. (2002, p. ?) [...] a utilização dos jogos didáticos [...] pode preencher muitas lacunas deixadas pelo processo de transmissão-recepção de conhecimentos, favorecendo a construção pelos alunos de seus próprios conhecimentos num trabalho em grupo, a socialização de conhecimentos prévios e sua utilização para a construção de conhecimentos novos e mais elaborados. Para Antunes (2002) o jogo é um importante meio educacional, pois propicia um desenvolvimento integral e dinâmico nas áreas cognitiva, afetiva, linguística, 4 social, moral e motora. Além de contribuir para a construção da autonomia, criticidade, criatividade, responsabilidade e cooperação. Segundo Carneiro e Lopes (2007, p.?), "[...] pesquisas nas mais variadas áreas do conhecimento tratam do significado educativo de jogos, brinquedos e brincadeiras e estabelecem relações significativas com processos de ensinoaprendizagem." A grande quantidade de sítios na Web que tratam do tema em jogos e atividades lúdicas, ainda o uso de jogos como elementos lúdicos no ensinoaprendizagem das ciências geológicas é relativamente limitada e até certo ponto original, dada a dificuldade de encontrar literatura específica da área de conhecimento das Ciências da Terra e relatos de experiência dessa natureza, voltadas para o contexto educacional. Para Freitas (2008, p. ?) No processo de ensino-aprendizagem as atividades lúdicas ajudam a construir uma práxis emancipadora e integradora, ao tornarem-se um instrumento de aprendizagem que favorece a aquisição do conhecimento em perspectivas e dimensões que perpassam o desenvolvimento do educando. O lúdico é uma estratégia insubstituível para ser usada como estímulo na construção do conhecimento humano e na progressão de diferentes habilidades operatórias (...). Zanon et al. (2008, p. ?) relatam que "[...] os materiais didáticos são ferramentas fundamentais para o processo de ensino aprendizagem e o jogo didático pode ser uma alternativa viável para auxiliar tal processo”. Citam também que os aspectos lúdico e cognitivo presentes no jogo são importantes estratégias para o ensino e a aprendizagem de conceitos abstratos e complexos, favorecendo a motivação interna, o raciocínio, a argumentação, a interação entre os alunos e com o professor. Dessa forma, o jogo desenvolve além da cognição, outras habilidades, como a construção de representações mentais, a afetividade e a área social (relação entre os alunos e a percepção de regras). Acreditamos, assim como Kishimoto (1996, apud CAMPOS et al., 2002), que o professor deve rever a utilização de propostas pedagógicas passando a adotar em sua prática aquelas que atuem nos componentes internos da aprendizagem, já que estes não podem ser ignorados quando o objetivo é a apropriação de conhecimentos por parte dos alunos. Ainda, de acordo com Campos et al. (2002, p.?), 5 [...] o jogo ganha espaço como a ferramenta ideal de aprendizagem, na medida em que propõe estímulo ao interesse do aluno, desenvolve níveis diferentes de experiência pessoal e social, ajuda a construir suas novas descobertas, desenvolve e enriquece sua personalidade, e simboliza um instrumento pedagógico que leva o professor à condição de condutor, estimulador e avaliador da aprendizagem. Ele pode ser utilizado como promotor de aprendizagem das práticas escolares, possibilitando a aproximação dos alunos do conhecimento científico, levando-os a ter uma vivência, mesmo que virtual, de solução de problemas que são muitas vezes muito próximos da realidade que o homem enfrenta ou enfrentou. A partir dessa premissa, podemos citar que no trabalho com os conteúdos geográficos o jogo serve e favorece a construção dos conhecimentos, permite a socialização de conteúdos e o trabalho em grupos e a sua utilização para a construção de conhecimentos novos e mais elaborados. Essa compreensão é válida quando refletimos sobre os processos de ensino-aprendizagem em geografia, no ensino fundamental e médio. Assim, abordar os conteúdos abstratos e teóricos é de difícil compreensão e assimilação pelos alunos dentro da metodologia tradicional, na qual prevalecem ainda a transmissão-recepção de informações e dados estatísticos, a dissociação entre conteúdo e realidade e a memorização destes, torna-se uma tarefa desgastante para professores e alunos. As DCEs estaduais abordam a necessidade de se trabalhar os conteúdos geográficos; salientam que a abordagem dos conteúdos deve ser adequada e enriquecida de acordo com a realidade em sala de aula. É importante que seja preservada a dinâmica do fazer pedagógico por meio da qual os quatro conteúdos estruturantes serão fundamentais para compreender tanto quanto possível o maior número de aspectos que constituem o espaço. (PARANÁ, 2002, p. ?) Indicam como dinâmicas no ensino de Geografia a aula de campo, os recursos audiovisuais e a linguagem cartográfica; porém, não citam as atividades lúdicas e os jogos como componentes dessa dinâmica de se trabalhar o espaço geográfico. Entendemos que a elaboração e a apropriação de conteúdos relevantes, somente se dão quando há motivação em ambiente que seja acolhedor e cooperativo ao ato de aprender, dessa forma “o professor deve rever a utilização de propostas pedagógicas, passando a adotar em sua prática aquelas que atuem nos componentes internos da aprendizagem, já que estes não podem ser ignorados 6 quando o objetivo é a apropriação de conhecimentos por parte dos alunos” (KISHIMOTO, 1994). 3 COMO FORAM APLICADOS OS JOGOS Num primeiro momento escolhemos o jogo de tabuleiro Settlers of Catan – Descobridores de Catan – por vermos nele, nos materiais e peças, várias possibilidades de utilização em sala de aula. A idéia de uma ilha a ser colonizada, seu povo, suas paisagens, recursos produzidos, construção de aldeias e cidades, estradas, portos, as trocas etc., fazem com que este material possibilite diversas aplicações relacionadas aos conteúdos geográficos. Dada a dificuldade em encontrar o jogo (tabuleiro e peças) no Brasil, tanto Em lojas especializadas, quanto em importadoras, pesquisamos em vários sites as descrições de regras, as peças e o tabuleiro, bem como a dinâmica de jogo. Depois de uma exaustiva pesquisa conseguimos encontrar um tutorial de jogo. A partir deste momento montamos o tabuleiro e as peças e pudemos testá-los. Depois de algumas sessões com colegas do PDE e das correções sugeridas por todos, fomos aplicá-lo em sala de aula no ano de 2009, com alunos de terceiras séries. Não encontramos nenhuma dificuldade na compreensão das regras pelos alunos e da sua aplicabilidade como jogo. Foram feitas sete sessões de jogos com colegas PDE e duas sessões totalizando nove sessões em 2008, e com a ajuda destas, alteramos e confeccionamos sete conjuntos de tabuleiros para serem utilizados em sala de aula na aplicação do jogo dentro do Projeto de Implementação Pedagógica na Escola (PIPE). No início do ano letivo de 2009, o projeto e os jogos foram apresentados aos professores e equipe pedagógica e às turmas de alunos envolvidas no projeto. Optamos por aplicar, nas duas terceiras séries, um questionário para verificação de conhecimentos que poderiam ser trabalhados com esses alunos e que estivessem de acordo com o plano de curso da série (em anexo). Escolhemos a terceira série A e iniciamos a aplicação do projeto com a escolha de 5 alunos que fariam o papel de monitores na execução do Jogo. Estes 7 alunos foram os que demonstraram melhor conhecimento dos temas a serem abordados. Iniciamos o trabalho com o uso do tutorial do professor Easy (traduzido do inglês para o português) disponível no site: www.profeasy.de/Settlers_Boardgame/index.html>. Depois do entendimento da dinâmica do jogo no tutorial, começamos o jogo no tabuleiro.Para isso usamos o horário de contra turno. Até esse momento, os alunos demonstraram compreender facilmente a dinâmica do jogo. Fizemos o mesmo trabalho introdutório com os alunos-tutores da terceira série B. Na sequência aplicamos os jogos com as duas turmas em dias e horários alternados. Depois de cada aplicação os alunos foram incentivados a relatar as suas opiniões sobre o jogo e as mudanças que poderiam ser feitas. Num primeiro momento a maior dificuldade relatada foi em relação ao tempo de jogo, cerca de duas horas. Como cada hora aula é de 50 minutos, precisávamos usar 3 aulas em cada aplicação. Os professores que tinham aulas com essas turmas cederam os horários em três oportunidades para cada turma. Buscando corrigir o tempo de jogo e inserir conteúdos de Geografia na dinâmica do jogo, optamos por jogá-lo no horário de contra turno com grupos menores de alunos - cinco de cada turma , em cada sessão. Usamos também o trabalho e auxílio dos professores participantes do GTR: Jogos e Dinâmica em Geografia que estava em curso no primeiro semestre de 2009. Realizamos cinco sessões com professores de Ponta Grossa, uma sessão com professores de Imbituva, São Mateus do Sul, Curitiba e Turvo. Nessas sessões, além da apresentação do jogo e de sua aplicação, buscamos sugestões de melhorias na dinâmica e no tempo para utilizá-lo. Uma das modificações que surtiu efeito foi a substituição dos números dos dados pelas cinco cores dos recursos do jogo. Na rolagem dos dados, em vez dos números de um a seis, tínhamos as cores dos recursos a serem pagos aos jogadores e uma face em branco em cada dado. A função do número sete foi substituídas pela face em branco dos dois dados usados. Nesse caso, ao sair uma face em branco nenhum jogador recebia recurso e, ao coincidir duas faces em branco, tínhamos a oportunidade de movimentar ou não a peça “ladrão”. Essa alteração diminuiu o tempo de jogo para no máximo cinqüenta minutos e permitiu a participação de cinco alunos jogadores e de um aluno-monitor, em cada sessão do Catan. 8 Resolvido o problema do tempo de jogo, passamos a etapa de inserção de conteúdos geográficos na dinâmica do Catan. Fizemos inúmeras tentativas: como questões de múltipla escolha para cada recurso a ser recebido. O monitor fazia a pergunta e os alunos da vez, respondendo afirmativamente, tinham o pagamento do recurso correspondente em cada rodada; caso errassem cediam a vez ao jogador seguinte.. Usamos também a impressão de questões e textos curtos de assuntos relacionados à temática do jogo no verso das cartas-recursos. Outra opção mais simples foi a da inserção de cartas-catástrofes como uma variante do jogo. Ao sair duas faces em branco, sorteava-se uma carta catástrofe. O aluno da vez fazia a leitura e o castigo seria a retirada e devolução de numero estipulado nessa carta de recursos dos oponentes. Essas cartas-catástrofes podiam ser de assuntos climáticos ou sociais ou econômicos. Cada carta-catástrofe versava sobre uma questão da dinâmica da superfície terrestre abordando temas referentes ao clima, atividades geológicas (vulcanismo, abalos sísmicos, tectônica de placas) ou, agentes erosivos e intemperismo, entre outras. Também faziam relação com as ações antrópicas e questões sociais e econômicas tais como: crise econômica mundial, poluição, conflitos e guerras etc. Abre-se aí uma gama enorme de conteúdos a serem inseridos no jogo. Resolvemos o problema de inserção de conteúdos e criamos um entrave na dinâmica do jogo que novamente ficava travado, ou seja, tinha aumento no seu tempo de aplicação.. Os problemas decorrentes mostravam a necessidade da utilização de outros jogos ou atividades lúdicas que estivessem de acordo com os objetivos propostos; optamos por aplicar uma atividade diferente com cada série do Ensino Médio do Colégio Frei Doroteu. As atividades lúdicas aplicadas foram a Pista de Orientação com Azimute e Bússola na forma de uma “Caça ao Tesouro” e a “Caçada Terrorista”, técnica disponível na revista por assinatura: www.duquejogos.com.br. Na sequencia são expostas as características, regras e dinâmica de aplicação dos referidos materiais. Na primeira série do Ensino Médio optamos por aplicar a técnica da Caça ao Tesouro com bússola, pois percebemos, desde o início do ano, as dificuldades dos alunos em questões de orientação no espaço geográfico. Essa técnica permite a inserção de uma gama variada de temas cartográficos. A partir dessas possibilidades de abordagem com os temas cartográficos, trabalhamos com os alunos em sala de aula noções de azimute, utilização da bússola em espaços 9 abertos, direções cardeais e colaterais, norte magnético e norte geográfico, escala, legenda e orientação com mapa. De posse da planta do colégio, elaboramos uma pista de orientação onde demarcamos 17 pontos para a pista de orientação. Cada ponto era assinalado por uma estaca de madeira fixada no solo e identificada por uma letra seqüencial do alfabeto. Elaboramos um guia de orientação para cada equipe com esses pontos – cabendo a cada uma, 10 pontos de orientação. Todas as equipes saíram do mesmo ponto inicial e, com final diferente para cada equipe onde e terminaram em pontos diferenciados para dinamizar a técnica. Demonstramos também, com uma pista-exemplo, como seria desenvolvida essa técnica. Marcamos uma data e usamos para aplicação da técnica, duas horasaulas. A partir do ponto de saída, as equipes tinham que escolher um aluno para responder uma questão cartográfica, recebiam o azimute e partiam para a localização do próximo azimute. Encontrando o ponto correspondente ao azimute inicial, a cada rodada, o aluno escolhido respondia uma questão e, caso acertasse iria para o próximo azimute. No caso de erro, outro aluno indicado pela equipe vinha até o professor e respondia a questão que daria direito ao azimute seguinte. Superando-se as dificuldades iniciais, essa técnica desenvolveu-se a contento e terminamos dentro do prazo previsto. O mesmo procedimento foi adotado com a outra turma (1ª B), procurandose, dessa vez, corrigir os problemas de comportamento, de tempo, de grau de dificuldades das questões a serem respondidas e de adequação da técnica aos conteúdos. Da mesma forma a atividade transcorreu de acordo com a turma 1ª A, que teve um desenvolvimento dentro do planejado. Na aula seguinte, aplicamos em cada turma um questionário de operacionalização da técnica. A tabela abaixo representa questões dessa operacionalização. Com relação aos conteúdos abordados optamos por verificá-los em uma das questões desse questionário, onde indagamos quais conteúdos foram mais bem assimilados e quais apresentavam ainda dificuldade de compreensão. Observamos que a maior parte dos alunos ainda tinha dificuldades em transformar a escala (27% na turma A e 45% na turma do B); compreender as diferenças entre norte geográfico e magnético (77% na turma A e 40% na turma B), e de compreensão de pontos cardeais e colaterais (20% em ambas as turmas). Por esses dados cremos que a compreensão e assimilação dos conteúdos pelos alunos foi deficitária. Acreditamos também, que, para a obtenção do que foi proposto como 10 objetivo geral, o jogo como elemento articulador do processo de ensinoaprendizagem deve ser mais bem trabalhado em sala de aula e que tenha mais de uma aplicação com a pista de azimutes. Os dados obtidos não permitiram afirmar que se alcançaram os objetivos propostos. Para corrigir esses erros de compreensão dos conteúdos deficitários, eles foram novamente trabalhados em sala de aula com exercícios práticos de cálculo e determinação de escalas e de orientações com bussola para a indicação dos pontos cardeais e colaterais, bem como da diferenciação entre norte geográfico e norte magnético. Ao término do bimestre, aplicamos uma prova escrita, na qual, a maioria dos alunos obteve nota acima da média, excetuando-se cinco alunos que pouco participaram das aulas e da própria técnica. TABELA 1 – Caça ao Tesouro com Azimute e bússola. Primeiras séries A e B (22 alunos em cada Questionamentos Aplicação da técnica pelo professor Indicação dos azimutes Espaço de aplicação da técnica Dificuldade da pista Trabalho em equipe Conteúdos abordados Trabalho prévio em sala de aula Ruim Ruim Regular Regular Bom Bom Ótimo Ótimo 00 01 02 03 04 05 06 07 00 04 03 04 14 09 05 05 01 02 07 07 08 07 06 06 01 06 07 05 07 08 07 08 02 01 02 02 07 13 11 06 00 02 04 03 09 08 09 09 00 03 01 03 12 07 09 09 Fonte: Elaborado por Carlos Roberto Scheibel. 3.1 Caçada Terrorista Para que um jogo seja útil no processo educacional deve propor desafios interessantes para os alunos resolverem, proporcionar uma auto-avaliação quanto a seu desempenho e permitir a participação ativa de todos os jogadores, entre outros. Face a essa colocação, buscamos na aplicação do jogo Caça Terrorista, disponivel 11 no site: www.duquejogos.com.br, este jogo consideramos uma técnica que adequase ao objetivo principal deste projeto. Para tal, compramos por envio postal, cinco revistas que tinham o mapa-tabuleiro deste jogo. Para cada uma das turmas da segunda série do ensino médio, adotamos uma sistemática de aplicação diferenciada. Após a apresentação e explicação dessa atividade, optamos por digitalizar 3 mapas-tabuleiros e apresentá-los, sequencialmente, na TV multimídia. Fizemos isso com a turma A, onde, após a distribuição dos alunos em cinco equipes de 4 ou 5 alunos, iniciamos a técnica. Para cada dica apresentada, os alunos tinham a visualização ampliada pelo zoom da TV e um tempo de 1 minuto para visuailização e anotações. Ao témino da apresentação dos itens de cada mapa, os alunos se reuniam e iniciavam a interpreatação do que estava sendo proposto nas orientações desa técnica. O objetivo final era descobrir as duas palavras (nome do local e do país ou cidade) que decifravam a charada e permitiam vencer o jogo. Na aula seguinte os alunos responderam o questionario de operacionalização da técnica e as questões de compreensão dos conteúdos trabalhados nela. Com a turma B, optamos pela mesma divisão em cinco equipes, agora com 6 alunos em cada uma e da distribuição do mapa impresso em uma folha. Feita as explicações os alunos foram convidados a descobrirem a charada que resolvia o jogo. Da mesma forma que a turma A, após o jogo, cada aluno respondeu individualmente o questionário de operacionalização do jogo. As respostas dos alunos às questões propostas nas duas turmas estão expostas na tabela abaixo. Tabela 2 – Caça Terrorista. Segundas séries A e B (38 e 28 alunos respectivamente). Questionamentos Ruim Ruim Regular Regular Bom Bom Ótimo Ótimo Aplicação da técnica Grau de dificuldade da técnica Trabalho em Equipe Conteúdos abordados Material utilizado 00 01 04 01 23 14 06 08 00 02 09 16 16 06 07 00 03 03 12 15 06 05 12 01 01 04 07 05 15 11 10 07 03 05 06 06 13 11 11 06 Fonte: Elaborado por Carlos Roberto Scheibel. 12 Após a aplicação da técnica foram relatados pelos alunos, nas duas turmas, os seguintes problemas: - Melhor explicação da técnica; - Falta de material complementar para aplicação da técnica, como mapas mundi, textos informativos dos países, etc. - Trabalho em equipe, número de alunos, participação de todos; - Tempo de aplicação da técnica, considerado por muitos como insuficiente; - Grau de dificuldade da Técnica, fácil demais para algumas equipes e díficil demais para outras, isto em relação a cada mapa-tabuleiro. Esses erros de operacionalização levantam a necesidade de um maior preparo e uma melhor aplicação da técnica pelo professor bem como à necessidade de se utilizar materiais de apoio para facilitar a resolução da técnica em envolver todos os alunos em suas equipes. Acreditamos também na necessidade de alteração da técnica no que se refere apenas à localização por faixas de fusos horários, usando-se para isso, todo o sistema de coordenadas geográficas. Na aula seguinte à aplicação da técnica foi solicitado aos alunos que citassem cinco assuntos que eles lembravam terem visto na aplicação da técnica Caça Terrorista. Por ordem de descrescente de citação, nas duas turmas, com pequenas variações, temos: - localização geográfica (países, cidades e Estados); - pratos típicos e bebidas típicas; - bandeiras dos países; - pontos turísticos; - fatos/acontecimentos mundiais ou históricos; - fusos horários; - idiomas; - guerras; - Cultura (conhecimentos gerais); - produtos econômicos (tipos e origem); - uso do mapa O percentual de alunos que não citaram nenhum produto foi de 0,76% na turma A e 2,9% na turma B. A técnica, mesmo sendo aplicada uma única vez cada turma, e considerando-se o percentual dos que não lembraram de nenhum assunto ou tema 13 geográfico, cremos que ela suscitou pelo menos a relação ou lembrança de vários itens abordados nas aulas de Geografia. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS Apontamos aqui os erros de operacionalização que impedem que as técnicas estejam adequadas aos objetivos propostos. - os jogos de estratégia, pelo tempo necessário à sua aplicação, dificultam que o mesmo seja usado em uma ou duas aulas de Geografia, mesmo que sejam geminadas; - dificuldades de inserir questões do conteúdo da Geografia sem alterar a dinâmica das regras do jogo ou aumentar seu tempo de aplicação; - a necessidade de se trabalhar com alunos monitores em horário de contra turno, esbarra no horário do professor que tem mais de um padrão e carga horária geralmente fechada; - a necessidade de confecção de materiais (tabuleiro e peças) que demandam custo financeiro razoável e a própria logística em se transportar esses materiais de uma sala para outra tendo em vista a não existência de um local apropriado para a manutenção dos materiais na escola, além do tempo em se montar e desmotar esses jogos; - com relação à tecnica da caça ao tesouro com Bússola e Azimute é necessário um preparo mais aprofundado das questões a serem abordadas (conteúdos cartográficos) e disponibilidade de materiais de apoio como bússolas, mapas e trenas; - na elaboração e aplicação da técnica da caça ao tesouro é necessário a presença de mais de uma pessoa para preparar a pista, medindo, apontando azimutes e fixando os pontos de referência (estacas ou outros marcadores), além de ajudar na aplicação das perguntas às equipes para agilizar a técnica; - na técnica da Caçada Terrorista apontamos a necessidade de produzir materias de apoio, principalmente mapas coloridos ampliados, o que gera custo maior e a necessidade de materiais de apoio como textos explicativos, folders turísticos e outros materiais que facilitem a pesquisa de informações e o envolvimento de todos os alunos de cada equipe para o êxito da técnica. 14 Podemos resumir que as três técnicas foram aplicadas dentro dos objetivos propostos no projeto de pesquisa e motivaram aos alunos a participação, mas pelos erros de operacionalização, não conseguimos usá-las como elementos articuladores do processo de ensino-aprendizagem nas aulas de Geografia. REFERÊNCIAS ANTUNES, C. Novas maneiras de ensinar – Novas formas de aprender. Rio de Janeiro: Artmed, 2002, p.113-152. CAÇA Terrorista. Disponível em: www.duquejogos.com.br. Acesso em: Fev. 2009. CAMPOS, L. M. L.. A produção de jogos didáticos para o ensino de ciências e biologia: uma proposta para favorecer a aprendizagem. 2002, 13 f. Projeto de extensão, PROGRAD, UNESP, Botucatu, 2002. Disponível em: < http://www.unesp.br/prograd/PDFNE2002/aproducaodejogos.pdf >. Acesso em: 10 mai. 2008. CARNEIRO, C. D. R.; LOPES, O. R. Jogos como instrumentos facilitadores do ensino de geociências: o jogo sobre “ciclo das rochas”. In: SIMPÓSIO DE PESQUISA EM ENSINO E HISTÓRIA DE CIÊNCIAS DA TERRA. 1., Simpósio Nacional sobre Ensino de Geologia no Brasil, 3., 2007. Anais... Campinas: UNICAMP, 2007. p. 111-117. Disponível em: <http://www.ige.unicamp.br/simposioensino/artigos/009.pdf. Acesso em: 23 mai. 2008. FREITAS, E. S. de. 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REVISTA Duque Jogos Culturais. Caça Terrorista. Ano 1, n. 002, 003, 004, 005 e 006. Rio de Janeiro, Editora RD.Com Ltda., 2005. 16 ANEXOS ANEXO 1 Questionário de verificação de conhecimentos com a técnica da Caça ao tesouro com bússola e azimute. Relatório de verificação da Técnica “Caça ao Tesouro” Aluno (a) ..............................................................série...................data.................................. QUESTÃO I – ATRIBUA VALOR PARA CADA ITEM ABAIXO DE ACORDO COM OS SEGUINTES CRITÉRIOS: 1. RUIM (valores entre 0,0 e 3,0) 2 . REGULAR (valores entre 3,1 e 6,0) 3. BOM (valores entre 6,1 e 8,9) 4. ÓTIMO (valores entre 9,0 e 10,0) a) Avalie a aplicação da técnica pelo professor .............. b) A indicação dos azimutes .......................................... c) O espaço par a aplicação da técnica ........................... d) Grau de dificuldade da pista ....................................... e) O trabalho de sua equipe .......................................... f) o trabalho das demais equipes .................................... g) Os conteúdos abordados com a técnica ..................... h) O trabalho com conteúdos em sala de aula................. QUESTÃO II – RESPONDA O QUE SE PEDE: a) Cite o explique um conteúdo trabalhado com a técnica “Caça ao Tesouro”: b) Cite os quatro pontos cardeais e os quatro pontos colaterais: QUESTÃO III – RELACIONE A SEGUNDA COLUNA DE ACORDO COM A PRIMEIRA (a) Norte ( ) 180° (b) Sul ( ) 270° (c) Leste ( ) 90° (d) Oeste ( ) 45° (e) Nordeste ( ) 225° (f ) Noroeste ( ) 0° e 360° (g) Sudeste ( ) 135° (h) Sudoeste ( ) 315° 17 QUESTÃO IV – PARA AS ALTERNATIVAS ABAIXO, ESCREVA SIM, SE ASSIMILOU OU ENTENDEU OS CONTEÚDOS, E NÃO, PARA OS CONTEÚDOS QUE NÃO ENTENDEU OU NÃO ASSIMILOU. a) Escala ........... b) Orientação ....... c) Azimute .......... d) Medição ................. e) Bússola (uso)..... f) Pontos Cardeais ................g) Pontos Colaterais ....................... h) Norte Geográfico e Norte Magnético ............. 18 ANEXO 2 RELATÓRIO DE VERIFICAÇÃO DA TÉCNICA “CAÇA TERRORISTA” (2ª Série) Aluno (a) .......................................................................... série ............... data ................. QUESTÃO I – ATRIBUA VALOR PARA CADA ITEM ABAIXO DE ACORDO COM OS SEGUINTES CRITÉRIOS: 1. RUIM (valores entre 0,0 e 3,0) 2 . REGULAR (valores entre 3,1 e 6,0) 3. BOM (valores entre 6,1 e 8,9) 4. ÓTIMO (valores entre 9,0 e 10,0) a) Avalie a aplicação da técnica pelo professor .......... b) Grau de dificuldade da técnica ................................ c) Trabalho de sua equipe ........................................... d) Conteúdos abordados ............................................. e) Material utilizado ..................................................... QUESTÃO II – CITE OS PROBLEMAS OBSERVADOS NA APLICAÇÃO DA TÉCNICA “CAÇA TERRORISTA”: ............................................................................................................. .................................................................................................................................................... QUESTÃO III – CITE CINCO ELEMENTOS OU CONTEÚDOS GEOGRÁFICOS QUE VOCÊ TRABALHOU COM ESSA TÉCNICA: ....................................................................................... .................................................................................................................................................... QUESTÃO IV – HÁ A POSSIBILDADE DE SE APRENDER CONTEÚDOS DE GEOGRAFIA COM ESSA TÉCNICA (SIM) (NÃO) JUSTIFIQUE A SUA RESPOSTA ..............................................................................................