Folheto informativo Por que deve ser uma prioridade nacional o teste de VIH gratuito, confidencial e voluntário Factos O aumento do acesso e de uma boa aceitação do rastreio precoce da infeção pelo VIH deve continuar a ser uma prioridade dos governos da Europa 2,3 milhões de pessoas vivem com VIH na região da OMS-Europa* Em muitos países, o número de novas infeções pelo VIH tem aumentado todos os anos; anualmente são feitos mais de 100 000 novos diagnósticos na Europa 50% das pessoas diagnosticadas com infeção pelo VIH têm um diagnóstico tardio O diagnóstico tardio tem como consequência o aumento da morbilidade e mortalidade, a maior probabilidade de transmissão e a sobrecarga do Serviço Nacional de Saúde Existem mais novas infeções e diagnósticos tardios quando o acesso a testes gratuitos, confidenciais e voluntários é limitado Adotar linhas orientadoras europeias para o teste de VIH e/ou implementar linhas orientadoras nacionais de modo a disponibilizar testes do VIH gratuitos, confidenciais e voluntários pode reduzir, a longo prazo, o fardo económico e potenciar o rastreio como caminho para o tratamento da infeção pelo VIH (de acordo com as mais recentes recomendações da OMS e UNAIDS). O VIH continua a ser uma epidemia ativa na Europa1-6 2,3 milhões de pessoas vivem com VIH na região da OMS-Europa*, com mais de 100 000 novos diagnósticos por ano Em muitos países o número de novas infeções está a aumentar, quando se esperava uma redução Pelo menos metade das novas infeções tem origem em pessoas seropositivas para o VIH ainda não diagnosticadas e que, por isso, desconhecem o possível risco de transmissão Aumentar o acesso ao teste de VIH irá ajudar a aumentar o número de pessoas que conhecem o seu estatuto serológico positivo, reduzindo assim a transmissão O teste de VIH é rentável1-3,7-8 É mais rentável introduzir iniciativas de rastreio e disponibilizar testes do VIH gratuitos quando comparado com os custos do diagnóstico tardio Por toda a Europa, até 50% das pessoas são diagnosticadas com VIH tardiamente – tal significa que essas pessoas desconheciam o facto de serem seropositivas durante muito tempo O diagnóstico tardio resulta num aumento da morbilidade e mortalidade, sendo que um terço das mortes associadas ao VIH é atribuída ao atraso no diagnóstico Ao longo da vida, o tratamento das pessoas diagnosticadas tardiamente pode ter um custo até 3 a 4 vezes superior ao das pessoas diagnosticadas precocemente Devido aos elevados custos do tratamento associado ao diagnóstico tardio, a introdução de iniciativas de rastreio da infeção pelo VIH é rentável, mesmo quando a prevalência de infeções por diagnosticar é de 0,1% Tendo em conta que a prevalência estimada de pessoas não diagnosticadas é entre 30 e 50% na Europa, as iniciativas de rastreio do VIH devem ser uma prioridade em todos os países europeus Existem mais novas infeções e diagnósticos tardios quando o acesso a testes gratuitos, confidenciais e voluntários é limitado9,10,11 O acesso a testes de VIH gratuitos, confidenciais e voluntários varia de país para país em toda a Europa, apesar das recomendações das linhas orientadoras europeias A taxa de novas infeções estabilizou nos locais onde os testes gratuitos, confidenciais e voluntários foram livremente introduzidos A Europa de Leste teve 90 198 diagnósticos positivos de infeção pelo VIH em 2010 o Este valor é quase quatro vezes superior ao da Europa Ocidental (25 695) e trinta vezes superior ao da Europa Central (2478) O diagnóstico tardio tem vindo a diminuir na Europa, mas continua a ser um problema em todos os grupos mais vulneráveis à infeção Figura 1 – Este gráfico mostra que os novos diagnósticos estão relativamente estáveis na Europa Ocidental e Central, estando a aumentar na Europa de Leste. Contudo, as taxas de novas infeções estão a aumentar entre algumas populações. Um olhar mais atento à taxa de novas infeções na Europa2,11 Na Europa de Leste a maior parte das novas transmissões ocorre entre pessoas heterossexuais (48%) e pessoas que usam drogas injetáveis (43%) Na Europa Ocidental a maior parte das novas transmissões ocorre entre homens que têm sexo com homens (39%) e tem sido observado um aumento em alguns países nos últimos anos Na Europa Central desconhece-se a principal causa de transmissão da infeção pelo VIH (41%), sendo seguida pela transmissão entre homens que têm sexo com homens (29%) Um olhar mais atento à taxa de diagnósticos na Europa12 Na Europa de Leste o diagnóstico tardio tem aumentado entre pessoas que usam drogas injetáveis No Sul da Europa o diagnóstico tardio tem aumentado entre homens consumidores de drogas injetáveis e mulheres heterossexuais Por que não diminuiu a incidência de novas infeções pelo VIH?13-15 Em alguns países da Europa de Leste existem leis que criminalizam pessoas que vivem com VIH, bem como leis que criminalizam trabalhadores do sexo, pessoas que consomem drogas injetáveis e homens que têm sexo com homens – algo que está comprovado desencorajar o rastreio atempado do VIH O estigma autoinduzido associado à infeção pelo VIH, reforçado pelo estigma social, pode impedir algumas pessoas de acederem ao teste As pessoas desconhecem os benefícios do rastreio precoce – os avanços no tratamento transformaram o diagnóstico positivo de infeção pelo VIH de uma sentença de morte numa condição médica passível de ser gerida Muitos profissionais de saúde que deveriam disponibilizar testes de VIH sentem relutância em fazê-lo devido à falta de formação, receio de preocupar o doente e ansiedade em relação à possibilidade de dar um diagnóstico positivo – embora pelo menos 83% dos doentes aceitem fazer o teste de VIH quando este lhes é oferecido o Deve ser prática comum disponibilizar o teste a todos os doentes que apresentem sinais ou sintomas que possam estar associados à infeção pelo VIH ou a doenças indicadoras. Passos para ultrapassar barreiras e aumentar o acesso e aceitação de testes de VIH gratuitos, confidenciais e voluntários 1. Enfrentar quaisquer problemas sociais, políticos ou legais que impeçam a introdução de iniciativas de rastreio do VIH 2. Adotar linhas orientadoras europeias para o rastreio da infeção pelo VIH ou implementar orientações nacionais para disponibilizar testes gratuitos, confidenciais e voluntários 3. Reduzir o estigma associado ao VIH comunicando os benefícios do teste e os avanços na área do tratamento a populações mais vulneráveis e a pessoas que devem disponibilizar os mesmos *Países na Região Europeia da OMS Europa Ocidental: Alemanha, Andorra, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Luxemburgo, Malta, Mónaco, Noruega, Portugal, Reino Unido, São Marinho, Suécia e Suíça. Europa Central: Albânia, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Croácia, Chipre, Eslováquia, Eslovénia, Hungria, antiga República Jugoslava da Macedónia, Montenegro, Polónia, República Checa, Roménia, Sérvia e Turquia. Europa de Leste: Arménia, Azerbaijão, Bielorrússia, Cazaquistão, Estónia, Geórgia, Letónia, Lituânia, Moldávia, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão, Turquemenistão, Ucrânia e Uzbequistão. Referências 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. UNAIDS. Global report: UNAIDS report on the global epidemic, 2012. ECDC/WHO. HIV/AIDS Surveillance in Europe, 2010. Hamers FF & Phillips AN. Diagnosed and undiagnosed HIV-infected populations in Europe. HIV Medicine, 2008. Marks G, Crepaz N & Janssen RS. Estimating sexual transmission of HIV from persons aware and unaware that they are infected with the virus in the USA. AIDS, 2006. Hall HI et al. HIV Transmission Rates from persons living with HIV who are aware and unaware of their infection. AIDS, 2012. Cohen MS et al. 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