Edição APDARC . Publicação gratuita . Número 2 . setembro/outubro 2013 . Tiragem 10.000 exemplares A 2ª edição do CINECOA que teve lugar entre os dias 27 e 30 de setembro de 2012 em Vila Nova de Foz Coa marcou a sua consagração. O festival cresceu em número de sessões e definiu a sua linha de programação para as edições futuras. Nesta ótica, foram programados cinco capítulos essenciais: um Focus dedicado à obra do realizador francês Benoit Jacquot; um Panorama sobre o trabalho do cineasta argentino Lisandro Alonso, com a presença de ambos no festival; um ciclo sobre Cinema e Arquitetura com a exibição de filmes e um colóquio com vários arquitetos nacionais e estrangeiros convidados que ajudaram a reflectir sobre a relação/contaminação destes dois eixos de criação – o Cinema e a Arquitectura; uma Homenagem a um mestre de documentários já desaparecido, o italiano Vittorio de Seta; dois Filmes-concerto com música original tocada ao vivo, um com o pianista Mário Laginha, outro com os Beautify Junkyards; por último, as Sessões Infantis, que são também um dos momentos fortes do festival. Em 2012 realizou-se também a primeira edição do COALAB, uma plataforma de apresentação de projetos de cinema, com a presença de um júri internacional que ao longo dos quatro dias do festival analisou e seguiu os realizadores/ produtores dos projetos a concurso e fez a atribuição de prémios e incentivos. FOTOGRAMA DE UN CHIEN ANDALOU Viva Buñuel! – uma homenagem a Luis Buñuel com duas exposições complementadas com a apresentação de sete dos seus filmes (inclusive um filme-concerto) e um documentário sobre o realizador. O Focus da 3ª edição do festival é dedicado a Teresa Villaverde com uma retrospetiva integral dos seus filmes, incluindo a estreia nacional da curta metragem Amapola (encomenda do Festival de Veneza de 2013). Um Panorama sobre a obra do cineasta canadiano Denis Côté com extensões no Porto e em Lisboa, com a apresentação de seis dos seus filmes e de um ciclo de curtas-metragens. Pág 2 Pág 8 Pág 10 Título original: Belle de Jour Cópia em 35 mm França . 1967 . 101’ Com Catherine Deneuve, Jean Sorel, Michel Piccoli e Geneviève Page 11 outubro, 19:00 Auditório Municipal, Sala 1 O mais célebre e mais admirado filme de Luis Buñuel na fase final da sua carreira (1963-1976) quando passou a filmar em França. Sévérine, a mulher de um médico, julga-se frígida e, a conselho de uma amiga, vai trabalhar por livre e espontânea vontade num bordel para resolver este problema. Passa a ter dupla vida, prostituindo-se durante o dia e ficando com o respeitável marido à noite. Foi o maior êxito comercial da carreira de Buñuel, mas segundo ele, “este êxito deve ser atribuído às prostitutas do filme e não ao meu trabalho”. Título original: Las Hurdes Cópia digital Espanha . 1932 . 29’ 11 outubro, 18:30 Museu do Coa Las Hurdes é um duríssimo documentário sobre uma miserável região de Espanha (“ainda viviam na Idade Média”, diz Buñuel), na Estremadura, entre Salamanca e a fronteira portuguesa. Las Hurdes é o único documentário do realizador e é um dos filmes documentais mais emblemáticos de toda a história do cinema. Apresentado em conjunto com Un Chien Andalou. Título original: Un chien Andalou, co-realizado por Salvador Dalí Cópia digital França . 1929 . 18’ Com Pierre Batcheff, Simone Mareuil e Luis Buñuel 11 outubro, 18:30 Museu do Coa Financiado por um rico casal de mecenas parisienses, Un Chien Andalou, cujo argumento foi escrito por Luis Buñuel e Salvador Dali a partir de diversos sonhos de ambos, é um grande clássico do cinema de vanguarda e do Surrealismo. A ideia da dupla com Las Hurdes era “não aceitar nenhuma ideia que pudesse dar lugar a uma explicação racional, abrir todas as portas ao irracional”. O próprio Buñuel escolheu a banda sonora, que mistura trechos de tangos e de Wagner. Luis Buñuel Na edição deste ano, o CINECOA presta homenagem a Luis Buñuel (1900-1983), um dos grandes nomes da história do cinema, através de duas exposições, uma no Museu do Douro (Peso da Régua) e outra no Museu do Coa (Vila Nova de Foz Coa), além da apresentação de sete dos seus filmes (inclusive um filme-concerto) e um documentário sobre a sua obra. Viva Buñuel! 2 Exposições Buñuel 4 Filmes concerto 7 Teresa Villaverde 8 Denis Côté 10 Carta Branca 12 Sessão Especial 12 Sessões Infantis 13 Programação 13 Case Studies 14 Ficha Técnica 14 Agradecimentos 14 Coalab 15 Luis Buñuel teve uma carreira extremamente peculiar. Estreou-se como membro da vanguarda parisiense em 1928, com Le Chien Andalou, realizado em colaboração com Salvador Dali, seguido de L’Âge D’Or. Neste período foi membro do grupo Surrealista. Em 1930, passou seis meses em Hollywood, contratado para a Metro Goldwyn Mayer, onde se limitou a observar como eram feitos os filmes. Regressa à Europa e em 1932 realiza um documentário em Espanha, onde permaneceu algum tempo, colaborando em inícios dos anos 30 em várias produções comerciais, a título de produtor, sem ser no entanto mencionado no genérico. Em 1939, regressa a Hollywood, onde não consegue trabalhar, mas é contratado pelo departamento de cinema do Museum of Modern Art, de Nova Iorque, onde permanece até fins de 1941. Depois de um período de desemprego, chega ao México em 1946, onde realiza de imediato El Gran Casino, com duas grandes vedetas musicais. Esta foi a sua estreia nas longas-metragens de ficção, aos quarenta e seis anos de idade. Instala-se então no México, onde viverá até à morte e onde realizará vinte filmes. Mas apesar do impacto causado por Los Olvidados no Festival de Cannes em 1951, Buñuel continuará a trabalhar em produções modestas no México durante toda a década de 50, sem obter reconhecimento crítico, embora alguns dos seus melhores filmes datem deste período, como Él e Ensayo De Un Crímen. Em 1961 regressa temporariamente a Espanha, onde realiza Viridiana, que causa um escândalo político no seu país natal e o consagra definitivamente a nível internacional, quando já passava dos sessenta anos. A partir de então, passa a trabalhar em França. Buñuel passou da vanguarda parisiense dos anos 20 ao cinema comercial de um país subdesenvolvido, antes de adquirir o estatuto de consagrado autor. Durante todo este tempo manteve-se fiel às suas ideias e aos seus princípios, conseguindo o prodígio de subverter muitos dos argumentos absurdos que filmava no México, sem os alterar. Realizou trinta e três filmes, ao longo de quase cinquenta anos. Os sete que apresentamos cobrem os três grandes períodos da sua carreira, o da vanguarda, o mexicano e o período final. Cópia em 35 mm México . 1958 . 94’ Com Francisco Rabal, Marga López e Rita Macedo 12 outubro, 19:00 Auditório Municipal, Sala 1 Baseado num romance de Benito Pérez Galdós, escrito em finais do século XIX e que Buñuel transpôs para a época da rodagem, este filme sério e grave mostra o único padre “positivo” de toda a obra de Buñuel. O padre segue à risca os ensinamentos de Cristo, o que o torna alvo de violência e escárnio. Muitas das fotografias incluídas na exposição “México Fotografado por Buñuel”, apresentadas nesta terceira edição do Cinecoa (ver pág seguinte), foram tiradas por ocasião das répérages efectuadas para este filme. Título original: Ensayo de un Crímen Cópia digital México . 1955 . 95’ Com Ernesto Alonso, Miroslava Stern 12 outubro, 15:00 Museu do Coa Também conhecido como A Vida Criminosa de Archibaldo de la Cruz, esta comédia negra é um dos pontos culminantes da obra de Buñuel. Um pacato burguês tem uma estranha obsessão na vida: matar uma mulher, como um ato gratuito perfeito. Prepara meticulosamente os seus crimes, mas sempre acaba por fracassar. Para Buñuel, o personagem “quer realizar os seus sonhos, como outros querem escalar os Alpes ou cultivar uma flor rara”. Cópia digital México . 1951 . 80’ Com Alfonso Mejía Roberto Cobo e Estela Incla 13 outubro, 15:00 Museu do Coa O filme que fez com que a crítica internacional redescobrisse Buñuel, depois de um longo silêncio. História cruel da luta pela sobrevivência de diversos habitantes dos bairros de lata da cidade do México (os “esquecidos” do título), tendo como protagonistas dois rapazes: um ainda “recuperável”, o outro já endurecido pela delinquência. Num texto famoso publicado à época, Octavio Paz escreveu: “Buñuel construiu um filme em que a ação é tão precisa como um mecanismo, tão alucinante como um sonho, tão implacável como a marcha silenciosa da lava”. Título original: El Último Guión, de Javier Espada e Gaizka Urresti Espanha . 2008 . 90’ Com Luis Buñuel e Jean-Claude Carrière 11 Outubro, 15:00 Museu do Coa (com a presença de Javier Espada) Neste documentário, o filho mais velho de Buñuel, também realizador e Jean-Claude Carrière, fiel colaborador de Buñuel nos últimos vinte anos da sua vida, percorrem os sítios onde o autor viveu ao longo da sua vida, evocando diversos episódios que lhes haviam sido contados por ele. 2 3 Embora não se tratem de fotografias artísticas, (...) têm qualidade suficiente para constituir um elemento estético digno de admiração. As fotografias tiradas por Luis Buñuel longe da Cidade do México também são muito atraentes. Por exemplo, as que foram feitas na costa, em Acapulco, um sítio adequado para diversos tipos de filmes, como observou Buñuel, ou aquelas em que vemos um mangal, o pequeno cemitério de Pie de la Cuesta ou espaços de grande valor ecológico e paisagístico, adequados para rodagens na água, como as lagoas de Pie de la Cuesta, Coyuca, Puerto Marqués ou a de Tres Palos, esta última situada nas cercanias do aeroporto de Acapulco, que foram lugares apropriados para a rodagem de filmes como Subida Al Cielo, El Rio y la Muerte, La Fièvre Monte à el Pao ou The Young One. A Filmoteca Española conserva uma coleção de fotografias realizadas por Buñuel para a localização de exteriores (répérages) dos filmes que realizou no México. Fizemos questão de divulgar este material, que ilustra o trabalho que precede a rodagem dos filmes. Para mostrar a minúcia com que Buñuel realizava estas localizações, colocámos ao lado da fotografia tirada por ele o fotograma que corresponde à cena filmada no mesmo local. Muitos aspectos sobressaem quando se estuda esta coleção de fotografias e este material ajuda a completar a nossa visão do realizador. Buñuel chegou ao México em 1946, quase por acaso, depois de ter passado por uma série de atribulações. Naquela altura encontrava-se sem trabalho e exilado do seu país e o México ofereceu-lhe a possibilidade de trabalhar e realizar os filmes que todos conhecemos. Instalou-se na Cidade do México, onde viveu até à sua morte, em 1983. Entre 1947 e 1965, realizou vinte filmes no México. Destes vinte, dispomos de fotografias de répérages de doze. É natural que não existam fotografias de localização de alguns outros, que foram feitos quase inteiramente em cenários de estúdio. Em outros casos, supomos que por se tratar de cenários exteriores muito bem conhecidos por ele, não lhe pareceu necessário fixá-los numa fotografia. Apesar disso, há casos em que nos parece surpreendente não haver imagens e é muito provável que estas se tenham perdido. Embora não se tratem de fotografias artísticas, não há dúvida de que têm qualidade suficiente para constituir um elemento estético digno de admiração. No entanto, não é este o seu aspecto mais importante, mas sim o de nos dar chaves para conhecermos melhor a obra de Luis Buñuel e vermos aspectos pouco conhecidos do seu trabalho. Nestas fotografias está a sua maneira de ver o mundo e nelas podemos reconhecer algumas das suas obsessões. Estas fotografias nunca tiveram vida autónoma, são parte de um todo, um elemento a mais no trabalho prévio de realização de um filme, do mesmo modo que a escrita do argumento ou à escolha de atores, que contribuem para a alta qualidade dos seus filmes. É importante assinalar que o enquadramento da fotografia de localização, em muitos casos, corresponde ao milímetro ao que posteriormente foi utilizado no filme, o que prova que antes da rodagem Buñuel já tinha uma ideia muito clara daquilo que pretendia e de como fixá-lo no filme. BUÑUEL E JEAN-CLAUDE CARRIÈRE (1971). FOTOGRAFIA DE MARY-ELLEN MARK 4 LOCAL DE RODAGEM DE NAZARIN (1958) Contrariamente à imagem de desleixo que se difundiu em relação ao trabalho de Luis Buñuel como realizador, a verdade é que ele preparava meticulosamente as suas rodagens, que o seu cinema é preciso, que ele não utilizava material nem tempo a mais, que o seu trabalho de montagem praticamente se limitava a juntar o material filmado, já que havia muito pouco que escolher. Estas fotografias indicam que também as répérages eram feitas de modo muito minucioso, já que muitas têm apontamentos escritos no verso. Estes geralmente indicam o lugar onde foram feitas, mas alguns indicam o título do filme, inclusive a cena a que corresponde. Umas poucas têm no verso indicações para a rodagem. Estas fotografias também nos mostram uma percepção nada turística do México, com uma sensibilidade que aflora frequentemente em pequenos pormenores, na percepção da paisagem, no respeitoso silêncio que evocam, um silêncio que só é perturbado por pessoas estranhas à câmara e que, como o próprio Buñuel, passavam despercebidos. Os exteriores de Abismos de Pasión foram feitos na Hacienda de San Francisco Cuadra, em Taxco, no Estado de Guerrero. As fotografias de pequenas aldeias feitas por Luis Buñuel trazem uma percepção do México afastada de qualquer pretensão esteticista. Mostram um olhar distanciado que enquadra uma paisagem em que se destacam ruínas, igrejas, aldeias com humildes ruas de adobe e árvores magníficas, como aquelas por que passa Francisco Rabal em Nazarín, que também foi rodado em Yecapixtla e em outros vilarejos do estado de Morelos: Atlatlahucan, Jonacatepec e Tlayacapan. Neste último foi rodada a sequência em q ue se vê uma criança arrastar um lençol por uma rua deserta. Percebe-se um certo fascínio de Buñuel pelos remotos conventos construídos no século XVI por monges agostinhos e talvez também uma lembrança do longínquo Mosteiro do Deserto de Calanda, a sua aldeia natal. Há também imagens de ruínas, como a do Molino de Flores, em que decorre uma cena de La Mort En Ce Jardin e sítios desérticos como o vale de Mezquital, onde fez penitência o santo em Simon Del Desierto, no cimo de uma coluna, acompanhado pelo rufar dos tambores de Calanda, no último filme feito por Buñuel no México, em 1965. Esta exposição destaca o escrupuloso trabalho feito por Buñuel antes de rodar um filme. Estas fotografias, feitas para encontrar os locais onde seriam feitos os exteriores dos seus filmes, complementam o minucioso trabalho levado a cabo na escrita dos argumentos e demonstram a maneira metódica como ele filmava, o que lhe permitia trabalhar com rapidez (sem nunca ultrapassar o tempo previsto), contribuindo para o baixo custo das produções que realizou. Este último elemento foi um requisito fundamental para que Buñuel pudesse realizar uma obra pessoal, um cinema de autor que conseguiu ultrapassar as limitações impostas pela indústria cinematográfica, permitindo-lhe trabalhar com relativa liberdade e fazer filmes que se tornaram clássicos. Elena Cervera, Filmoteca Española - Curadora da exposição LOCAL DE RODAGEM DE LOS OLVIDADOS (1950) Vislumbramos a Cidade do México de Los Olvidados, com os seus bairros pobres como Tacubaya, assim como os subúrbios de Nonoalco ou o cinema Teresa, no centro da cidade. Em El Bruto vemos as casas humildes entre as quais Buñuel situou as intrigas de um senhorio sem escrúpulos. É numa casa semelhante que começa a ação de Nazarin, que poderia estar situada na Calle Héroes, perto, por conseguinte, da “cidade perdida” de Los Olvidados. No antigo convento de Churubusco, perto do centro de Cocayán, está o pátio em que vivia recluso Francisco, protagonista de ÉL, cujos muros permitem situar a estranha casa que ele habita. É em outro antigo convento, o de Cármen de San Ángel, que ficarão aprisionadas as personagens de El Ángel Exterminador, depois de conseguirem sair da mansão situada entre as ruas Horácio e Calderón de la Barca no bairro de Polanco. O parque de Chapulyepec foi cenário por onde deambularam Archibaldo de la Cruz (Ensayo de un Crímen) ou Robinson Crusoe no filme de mesmo título. Segundo Jean-Claude Carrière, uma cena deste último filme foi rodada na costa de San José Purúa. LOCAL DE RODAGEM DE LOS OLVIDADOS (1950) LUIS BUÑUEL E GABRIEL FIGUEROA DURANTE A RODAGEM DE THE YOUNG ONE (1960) LOCAL DE RODAGEM DE LA FIÈVRE MONTE À EL PAO (1959) 5 As quarenta e três fotografias (...) são estereoscópicas, isto é, podem ser vistas em relevo, graças a um aparelho da época. As fotografias que integram esta exposição procedem de uma coleção de frágeis placas de vidro de 13 x 6 cm. Em cada uma delas há um par de imagens estereoscópicas, de modo que com um visor adequado pode-se ver uma única fotografia em três dimensões. A coleção ficou em poder da família Buñuel até ter sido emprestada por Juan Luis Buñuel, para que fossem digitalizadas. Depois de restauradas, ampliou-se uma das duas imagens de cada fotografia para que possam ser vistas sem o auxílio de nenhum aparelho. Para conservar o efeito de 3D foi feito um vídeo que permite ver a totalidade das fotografias mediante o uso dos tradicionais óculos para ver filmes em 3D. Embora esta seja a primeira vez que estas fotografias estão reunidas numa exposição, sabia-se da sua existência, pois Buñuel menciona-as no seu livro de memórias. “Conservo cerca de vinte fotografias feitas em 1904 e 1905 por um amigo da família. São estereoscópicas, isto é, graças a um aparelho da época, podem ser vistas em relevo. O meu pai, robusto, com grandes bigodes brancos e, quase sempre, um chapéu cubano (excepto uma fotografia em que usa um canotier). A minha mãe, aos 24 anos, morena, a sorrir à saída da missa, saudada por todas as pessoas importantes da aldeia. Os meus pais a posarem com uma sombrinha e a minha mãe montada num burro (chamávamos a esta fotografia “a fuga para o Egipto”). Eu aos seis anos num campo de milho, com outras crianças. Lavadeiras, camponeses a tosquiar ovelhas, a minha irmã Conchita muito pequena, no colo do nosso pai, que conversa com Don Macário, o meu avô a dar de comer ao seu cão, um pássaro muito bonito no seu ninho.” Estas fotografias dão-nos uma visão interessante do imaginário da infância de Luis Buñuel, que é parte fundamental da formação do adulto. Carlos Bica, contrabaixista e compositor, é considerado o mais internacional dos músicos de jazz portugueses. Paralelamente a inúmeras colaborações com músicos internacionais, Bica lidera o trio Azul do qual fazem parte o guitarrista alemao Frank Möbus e o baterista norteamericano Jim Black e que se tornou a sua imagem de marca. 10 outubro, 19:30 Auditório Municipal, Sala 1 Buster Keaton é, com Charles Chaplin, cuja arte é tão diferente da sua, o grande mestre da prodigiosa escola burlesca do cinema americano mudo, cujos filmes são de uma precisão cronométrica e uma riqueza de invenção infinita. Mantendo sempre um rosto impassível, no meio das maiores confusões, nos seus filmes Buster foi cowboy, projeccionista de cinema, condutor de comboios. Em The Navigator, Buster é um ricaço que, ao cabo de algumas peripécias, vai parar a um navio em alto mar, cuja única passageira é uma jovem. PIANO João Paulo Esteves da Silva foi desde muito cedo considerado um jovem prodígio. Depois de ter terminado os seus estudos de piano e de ter ganho vários prémios na área da música erudita, resolveu dedicar-se por completo ao jazz e à música improvisada. Nos inúmeros discos que gravou, a solo ou em parcerias diversas, demonstrou ser dono de uma fascinante musicalidade que cruza a linguagem do jazz com uma forte e única sensibilidade portuguesa. Concerto com o apoio da RecrIaÇÃO de uMa LUTA, parte I Nesta coleção de 43 fotografias destaca-se um grupo de três em que se encena uma briga entre camponeses, recriada diante da câmara de maneira semelhante ao que Buñuel faria anos depois ao filmar Las Hurdes, quando pediu a alguns habitantes da região que “representassem” diante da câmara. Também vemos burgueses ricamente ataviados, a posar ou a comer, sacerdotes, animais, poses grotescas próximas ao universo surrealista. Imagens que, anos depois, povoarão o universo cinematográfico de Luis Buñuel. Javier Espada, Director do Centro Buñuel de Calanda - Curador da exposição Leonardo Buñuel posa junto de três laVradores RecrIaÇÃO de uMa LUTA, PARTE III Desde a primeira edição, em 2011, o CINECOA apresenta filmes-concerto: filmes mudos com música ao vivo composta e executada por importantes personalidades musicais. Em 2011, Bernardo Sassetti (com a colaboração de Filipa Pais) deu-nos uma inesquecível performance musical para Maria Do Mar, de Leitão de Barros; os Red Trio dialogaram com um programa de sessenta e cinco minutos de filmes dos irmãos Lumière; e Tó Trips apresentou-se com um programa de curtas-metragens de Charles Chaplin. Em 2012, Mário Laginha apresentou-se com L’Hirondelle et la Mésange, de André Antoine e os Beautify Junkyards com O Planeta Selvagem, de René Laloux. Este ano apresentamos O Navegante, com música de Carlos Bica e João Paulo Esteves da Silva e L’Age D’Or de Luis Buñuel com musica ao vivo de Jozef Van Wissem, músico, amigo e colaborador de Jim Jarmusch, para quem já fez música original incluindo o seu último filme Only Lovers Left Alive. María Portolés junto ao seu marido Leonardo Buñuel, NuM LUGAR deserto em Calanda 6 CONTRABAIXO Título original: The Navigator, de Buster Keaton e Donald Crisp Cópia digital Estados Unidos . 1924 . 60’ Com Buster Keaton, Kathryn McGuire e Frederick Vroon Música ao vivo por Carlos Bica (contrabaixo) e João Paulo (piano) Cópia digital França . 1930 . 62’ Com Lya Lys, Gasdton Modot e Max Erns 13 outubro, 19:30 Auditório Municipal, Sala 1 Música ao vivo por Jozef van Wissem (alaúde) Este segundo filme surrealista de Buñuel causou um dos mais célebres e violentos escândalos de toda a história do cinema. A sala onde foi apresentado em Paris foi atacada por militantes de extrema-direita, o mecenas que o financiara foi ameaçado de excomunhão pelo Vaticano e a obra esteve proibida durante quase cinquenta anos. Paralelamente às situações delirantes que mostra, L’Age D’Or tem uma estrutura narrativa em três partes, muito mais “clássica” do que a de Un Chien Andalou. Parte desta narrativa é inspirada nas 120 Jornadas de Sodoma (que Pasolini adaptaria em Salò) de Marquês de Sade, um dos autores mais admirados pelos Surrealistas. ALAÚDE Nascido na Holanda, teve a sua formação musical em Nova Iorque, onde vive. Apresentou-se em concertos em todo o mundo e publicou diversos álbuns, que fizeram dele um nome central entre os músicos da sua geração. Wissem fez a música do jogo de vídeo Sims Medieval. A National Gallery, em Londres, encomendou-lhe uma banda sonora para “acompanhar” o quadro de Holbein, Os Embaixadores. María Portolés rodeada de calandRinos, situada entre sEu esposo E sEu primo Manuel Albesa Portolés 7 Teresa Villaverde construiu uma obra exigente e coerente, de grande beleza visual e densidade narrativa. Cópia em 35 mm Portugal . 1994 . 106’ Com Maria de Medeiros, Evgueni Sidihin e Marcello Urgeghe Cópia em 35 mm Portugal, Alemanha. França . 1990 . 120’ Com Ricardo Colares, Joaquim de Almeida, Teresa Roby, Vincent Gallo e Maria de Medeiros Lisboa, anos 90. Três irmãos, uma rapariga e dois rapazes, vivem juntos, numa relação extremamente próxima. No centro da história está a rapariga, Maria, que quase nunca diz o que pensa nem sabe o que quer. “Teresa Villaverde confirma a sua sensibilidade neste retrato de uma rapariga frágil, num filme de grande elegância visual e de uma tristeza profunda.” O filme de estreia de Teresa Villaverde conta a história de Alex, um rapaz que tinha 10 anos quando o pai voltou da Guerra do Ultramar. Ficou sozinho no início da década de 70, quando os pais morreram. O filme é narrado no passado. “A Idade Maior é uma história de crescimento e, como todas as histórias de crescimento, também é uma história de sobrevivência.” Positif, Novembro de 1994 “Folhas” da Cinemateca Portuguesa Cópia em 35 mm Portugal, França. Itália . 2006 . 125’ Com Ana Moreira, Viktor Rakov e Robinson Stévenin Cópia em 35 mm Portugal, Itália . 2001 . 120’ Com Galatea Ranzi, Joaquim de Almeida, Ana Moreira, Lula Pena e Chico Buarque de Hollanda 11 outubro, 14:00 Auditório Municipal, Sala 1 10 outubro, 17:00 Auditório Municipal, Sala 1 Nascida em Lisboa a 18 de maio de 1966, Teresa Villaverde pertence à primeira leva de cineastas formados pela Escola Superior de Teatro e Cinema, que desenvolve a sua atividade nos anos noventa e que, regra geral, se empenha em criar filmes de autor, sendo hoje um dos nomes maiores do cinema português. Teresa Villaverde é uma das personalidades do cinema português da sua geração a ter maior projeção internacional. Além de realizadora, é autora dos argumentos de todos os seus filmes. Depois de realizar um curso de cinema e vídeo em Lisboa, estuda durante cerca de dois anos em Praga, na FAMU, a célebre Escola de Cinema da então Checoslováquia. O seu filme de estreia, A Idade Maior, chama de imediato a atenção sobre o seu nome e tem distribuição comercial em diversos países. Desde então, Teresa Villaverde construiu uma obra exigente e coerente, de grande beleza visual e densidade narrativa. Por estranho que pareça, esta é a primeira retrospetiva da sua obra a ser realizada em Portugal. Neste Focus dedicado a Teresa Villaverde, teremos o prazer de fazer a ante-estreia portuguesa de Amapola, a curta-metragem que lhe foi encomendada pelo Festival de Veneza, onde terá estreia Mundial. 12 outubro, 14:00 12 outubro, 17:00 Auditório Municipal, Sala 1 Auditório Municipal, Sala 1 Com uma excecional interpretação de Ana Moreira, Transe acompanha a protagonista numa viagem do Leste para o Oeste da Europa, à mercê das redes de tráfico de prostituição. “Belíssimo e duríssimo retrato de uma mulher no coração da Europa, mostrando uma das faces mais horríveis do continente.” História de Ana, fotógrafa, uma mulher normal a quem acontecem coisas normais: vive no Algarve, casada, com uma filha, já não se entende com o marido. “Um filme de texturas e de luzes: do mar, de ruas ao mesmo tempo vibrantes e austeras, de noites espectrais e céus azuis. Um filme sensual, mas sem a menor ostentação.” Les Inrockuptibles, 19 de Dezembro de 2006 Portugal . 2003 . 54’ Com Pedro Cabrita Reis 13 outubro, 17:00 Museu do Coa Um artista plástico convidou uma cineasta para fazer um filme. Ao fazê-lo aceita que a sua obra e ele mesmo passem a ser objeto de uma outra obra. Deste encontro surge A Favor da Claridade, um filme de Teresa Villaverde sobre e para Pedro Cabrita Reis. O que vê um artista? E dois? 8 24 Images, Primavera de 2002 Cópia em 35 mm Portugal . 1998 . 105’ Com Alexandre Pinto, Ana Moreira e Isabel Ruth 11 outubro, 17:00 Auditório Municipal, Sala 1 Dura e comovente história de jovens “desgarrados”, que romperam os laços familiares e estão à margem da sociedade, tornando-se “mutantes”. Em vez de adotar um enfoque “sociológico”, Teresa Villaverde aborda a aventura individual e a desolada paisagem afectiva em que vive cada um deles. Magnífica fotografia de Acácio de Almeida e a revelação de um ator, Alexandre Pinto, que como a sua personagem também se perdeu. Cópia em 35 mm Portugal . 2011 . 107’ Com Beatriz Batarda, Miguel Nunes e Israel Pimenta 13 outubro, 15:00 Auditório Municipal, Sala 1 Sexta longa-metragem da realizadora, estreada no Festival Internacional de Veneza, Cisne é dedicado por Teresa Villaverde “às crianças”. Mas a história gira em torno de uma mulher adulta, uma cantora que deambula por Lisboa, onde se cruza com outras personagens, que, como ela, vivem noites de insónia. “Um filme que encara a hipótese da salvação, o que não é frequentemente o caso nos filmes de Villaverde.” “Folhas” da Cinemateca Portuguesa Portugal . 2004 . 5’ Portugal . 2013 . 3’ Não há uma pessoa no mundo que tenha escolhido o lugar para nascer. Há fronteiras que basta um braço estendido para serem atravessadas. Para que serve uma fronteira? A União Europeia cresce, mas pode um conjunto de países crescer fechando-se a outros países que geograficamente lhe estão ao lado? Curta metragem a estrear no Festival de Veneza de 2013, em celebração do 70º aniversário do festival. 13 outubro, 17:00 Museu do Coa 13 outubro, 17:00 Museu do Coa 9 Côté é um dos cineastas canadianos contemporâneos mais reconhecidos e admirados internacionalmente. Cópia em Digibeta Pal Canadá . 2005 . 92’ Com Christian Leblanc e os habitantes de Radisson Cópia em Digibeta Pal Canadá . 2007 . 82’ Com Penko Nospodinov e Anastassia Lintova 9 setembro, 21:30 . Cinemateca Portuguesa Cópia em 35 mm Canadá . 2008 . 105’ Com Ève Duranceau, Norman Lévesque e Laurent Lucas Depois de cometer um ato irreparável, um homem vai para uma cidade remota no norte do Canadá, construída nos anos 70, para recomeçar uma nova vida. Denis Côté acompanha a sua personagem como se filmasse um documentário. “E o impossível acontece: o homem que queria fugir da civilização acaba por ser domesticado, aquele que buscava a solidão entra numa forma de comunidade.” Stéphane Delorme, Cahiers du Cinéma, Novembro de 2007 Dois búlgaros, uma mulher instalada há algum tempo no Canadá e um fotógrafo residente em Sófia, conhecem-se pela Internet. Algum tempo depois, decidem encontrar-se pessoalmente numa região remota do Quebeque, uma terra estranha e isolada, e cujos códigos culturais desconhecem. “A estranheza está no âmago deste projecto e esta estranheza cria diversos níveis de tensão. Nos vies privées é ao mesmo tempo um drama sentimental e um filme de horror, oscilando entre estes dois pólos, como o casal de protagonistas” Com este filme, Denis Côté concluiu uma espécie de trilogia sobre o isolamento dos indivíduos num ambiente estranho, de que Les États Nordiques e Nos Viés Privées foram as duas primeiras partes. Os protagonistas de Elle Veut Le Chaos são um ex-mafioso que enviuvou recentemente e a sua enteada, de temperamento rebelde. A história destas pessoas que não conseguem sair de um círculo vicioso é contada com uma mistura de drama e humor. Cópia em 35 mm Canadá . 2009 . 72’ Com Jean-Paul Colmor, Étienne Grutman e Célia Léveillée-Marois Cópia em 35 mm Canadá . 2010 . 92’ Com Jean-François Sauvageau, Julyvonne Sauvageau e Roc Alorton 9 setembro, 19:00 . Cinemateca Portuguesa 12 setembro, 22:00 . Passos Manuel Nascido a 16 de novembro de 1973 em New Brunswick, Canadá, Denis Côté estudou cinema em Montreal. É um cineasta independente e produtor que reside actualmente no Quebec. Os seus filmes experimentais têm sido exibidos nos maiores festivais de cinema do Mundo. Site oficial Cinemateca Portuguesa cinemateca.pt Site oficial Museu Soares dos Reis museusoaresdosreis.pt Cinéfilo, estuda cinema no Collège Ahunstic de Montreal antes de criar a sua produtora, Nihilproductions. Foi ainda, entre 1999 e 2005 crítico chefe de cinema para o magazine cultural Ici e vice-presidente da Associação Québécoise de Críticos de Cinema (AQCC). Denis Côté é um dos cineastas canadianos contemporâneos mais reconhecidos e admirados internacionalmente, devido à originalidade do seu pensamento e à grande elegância formal dos seus filmes (em número de nove à data de hoje), que incluem ficções, documentários e curtas-metragens. Num estilo “minimalista”, de grande precisão e elegância formal, Côté aborda temas como a solidão e a alienação social, transgredindo ou abolindo as fronteiras entre documentário e ficção, instaurando aquilo a que um crítico chamou “um cinema da incerteza”. Em 2012, a revista CinemaScope inclui Denis Côté na lista dos 50 melhores cineastas da actualidade. Em fevereiro de 2013, Vic+Flow On Vu Un Ours, o seu último filme até à data, recebe o Urso de Prata no Festival de Berlim, das mãos de Wong Kar-wai. Em colaboração com o Office National du Film / National Film Board (Canadá), Governo do Quebeque (Barcelona) e da Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema 11 setembro, 19:00 . Cinemateca Portuguesa 15 setembro, 15:30 . Museu Soares dos Reis Sala de Conferências Cópia digital Canadá . 2007 . 18’ Com Véronique Gagné Sem diálogos, Maïté mostra-nos uma adolescente que se dirige a uma grande cidade para assistir a um concerto de black metal. Um dos filmes preferidos do realizador. 10 Gérard Grugeau, 24 Images, Outubro-Novembro de 2007 10 setembro, 21:30 . Cinemateca Portuguesa Estranho e ousado, Carcasses começa como um documentário sobre o afável proprietário de um depósito de automóveis velhos e o seu reino de metal. Mas o filme muda de tom quando o espaço é invadido por adolescentes que sofrem de síndrome de Down. A banda sonora mistura Mahler e punk rock. “A obra mais marcante de Denis Côté na afirmação de um novo cinema canadiano”, na opinião de Jesse Wente, do Festival Internacional de Toronto. 11 setembro, 21:30 . Cinemateca Portuguesa 13 setembro, 22:00 . Passos Manuel Quinta longa-metragem de Denis Côté, Curling recebeu os prémios de melhor realização e melhor ator no Festival de Locarno. Trata-se da história de um pai solteiro, que trabalha durante o dia num clube de bowling semi-abandonado e à noite num hotel de segunda. O homem isola a sua filha da comunidade onde vivem, por temer que o contato com o mundo exterior possa feri-la. Os dois atores são realmente pai e filha. Magníficas imagens, num filme poético, comovente e divertido. Cópia digital Canadá . 2005 . 8’ Com Rosivell Arevalo Num hotel destinado a encontros sexuais, uma mulher limpa os quartos, preparando-os para os novos clientes que virão, enquanto na banda sonora ouvimos a sua voz a falar de sexo, num contraste marcante entre a sexualidade imaginada e a real. 10 setembro, 19:00 . Cinemateca Portuguesa Cópia em BluRay Canadá, França . 2012 . 72’ 12 setembro, 19:00 . Cinemateca Portuguesa 14 setembro, 22:00 . Museu Soares dos Reis Situado num jardim zoológico, este documentário de Denis Côté é um filme sobre a relação dos homens com os animais e também é um filme sobre o olhar. O filme é composto por elegantes planos fixos de magníficos animais. Mas a posição tradicional do espectador se inverte por diversas vezes, quando os animais olham para a câmara. Só nos planos finais vemos seres humanos. “Não há narrativa tradicional, mas há uma tensão dramática de cortar o fôlego em cada plano deste filme. Contemplativo e fascinante, Bestiaire é puro cinema”. Anthology Film Archive, Nova Iorque Cópia digital Canadá / Coreia . 2010 . 43’ Com Olivier Aubin, Hugo Giroux e Christian Leblanc Encomendado pelo Festival de Jeonjun, na Coreia, Les Lignes Ennemies mostra seis homens armados que erram por uma floresta, dia e noite, em busca de um confronto. O realizador descreve o filme como “um estudo sobre a masculinidade e a guerra, uma história abstracta sobre a solidão no interior do grupo e a intimidade”. 11 Este é um espaço em que personalidades internacionais são convidadas a selecionar dois filmes à sua escolha. Nesta edição, foi oferecida à promissora e jovem atriz portuguesa Joana de Verona. Todos os anos, o CINECOA dá especial atenção ao público infantil, com intenção de proporcionar aos espetadores mais jovens a experiência de ter o prazer de ver filmes numa sala de cinema. Este ano propomos dois grandes clássicos do cinema americano: Pinóquio e O Feiticeiro de Oz. Título original: The Wizard of Oz, de Victor Fleming Cópia digital Estados Unidos . 1939 . 100’ Com Judy Garland, Margaret Hamilton, Bert Lahr, Ray Bolger e Jack Haley Título original: Pinocchio, de Ben Sharpsteen, Hamilton Luske e Walt Disney Cópia digital Estados Unidos . 1940 . 88’ 10 outubro, 9:30 Auditório Municipal, Sala 1 11 outubro, 9:30 Auditório Municipal, Sala 1 Possivelmente o mais belo filme de animação a ter saído dos estúdios de Walt Disney. História ao mesmo tempo terrível e comovente de marioneta que recebe o dom da vida, cuja ingenuidade faz dele uma presa da maldade humana, mas que enfrenta os maiores perigos para salvar o seu “pai”, o artesão que o fizera. Pinóquio foi a terceira longa-metragem de animação a ter sido realizada no mundo. Nascida em Lisboa a 8 de dezembro de 1989, Joana de Verona tem vindo a revelar-se no campo da moda e do cinema em Portugal. Tirou o curso de Expressão Dramática no Chapitô e desde cedo começou a fazer teatro amador, com 18 anos. Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema É uma das mais conhecidas atrizes portuguesas do momento, ativa na televisão, no cinema e no teatro. Estudou teatro no Chapitô e na Escola Superior de Teatro e Cinema. Na televisão, participou em Morangos com Açúcar e Depois do Adeus. No cinema, podemos vê-la em Como Desenhar um Círculo Perfeito (Marco Martins), A Corte do Norte (João Botelho), Rafa (João Salaviza), Os Mistérios de Lisboa (Raul Ruiz), As Linhas de Wellington (Raul Ruiz e Valéria Sarmiento), os dois últimos realizados em duas versões, para o cinema e a televisão. No Teatro São João do Porto, actuou em Guildernstern e Rosancrantz Estão Mortos, de Tom Stoppard, encenada por Marco Martins. Depois de um estágio nos Ateliers Varan, em Paris, realizou Chantal, apresentado no IndieLisboa 2013. 19:00 Les États Nordiques Denis Côté, 92’ 21:30 Nos Vies Privées Denis Côté, 82’ Les États Nordiques Denis Côté, 92’ 9:30 17:00 12 outubro, 21:30 Auditório Municipal, Sala 1 Numa velha mansão com traços de uma Lisboa há muito desaparecida, os gémeos Guilherme e Sofia cresceram a partilhar experiências e, aos poucos, vão descobrindo a sua sexualidade. Mas Guilherme, incapaz de lidar com o amor não correspondido da sua irmã e das relações que ela mantém com outros rapazes, acaba por fugir de casa. Refugia-se em casa do pai, que vive isolado, imerso num mundo quase autista. Guilherme descobre então que a vida não cabe num círculo perfeito e volta para casa. Quando os gémeos se reencontram, surge finalmente o amor. De forma íntima e silenciosa, o filme oferece o prazer da exploração dos limites, criando um universo fechado e claustrofóbico, inocente e contagiante na simplicidade das suas emoções. 12 13 outubro, 17:00 Auditório Municipal, Sala 1 Esta serena obra-prima marca o início do período final da obra de Jean Renoir. Também é o seu primeiro filme a cores. Realizado na Índia, o filme mostra o dia-a-dia de uma família inglesa: trabalhar, nascer, morrer, apaixonar-se pela primeira vez. O rio do título é o Ganges, mas também é o passar do tempo, que é um dos temas principais desta obra. Elle Veut Le Chaos Denis Côté, 105’ 21:30 Carcasses Denis Côté, França e Portugal . 2013 . 52’ 11 outubro, 21:30 Auditório Municipal, Sala 1 No início dos anos 90 em Portugal, um estudo ambiental revela a existência de um incrível potencial arqueológico no Vale do Coa. O maior conjunto de gravuras rupestres ao ar livre da Europa acaba de ser descoberto. No entanto, este achado está sob ameaça de ficar submerso pelas águas. A EDP, empresa responsável pela distribuição de electricidade em Portugal, tem em mãos o projeto de uma gigantesca reserva hidráulica. Inicia-se então uma verdadeira luta ideológica, económica e política entre a poderosa EDP e os defensores do património cultural. O filme conta-nos a história do combate de arqueólogos, cientistas, políticos e tantos outros personagens deste ato de resistência exemplar. 19:30 Pinóquio Ben Sharpsteen, Hamilton Luske, Walt Disney, 88’ Três Irmãos Teresa Villaverde, 106’ O Navegante (Buster Keaton, 60’) Sessão de Abertura Carlos Bica e João Paulo Museu do Coa 22:00 Inauguração Exposição Fotografias Estereoscópicas por Leonardo Buñuel (até 30 Nov) Ciclo de curtas Denis Côté Les Lignes Ennemies, 105’ Tennessee, 8’ Maïté, 18’ 21:30 Curling Denis Côté, Passos Manuel 22:00 Curling Denis Côté, Bestiaire Sessão ao ar livre Denis Côté, 72’ 14:00 A Idade Maior Teresa Villaverde, 120’ 17:00 Água e Sal Teresa Villaverde, 17:00 Mutantes Teresa Villaverde, 19:00 Nazarin 19:00 Bela de Dia Luis Buñuel, 101’ 21:30 Como desenhar um círculo perfeito (Marco Martins, 95’) 21:30 O Tesouro Auditório Municipal, Sala 2 COALAB Museu do Coa 15:00 17:00 18:30 Último Guião Javier Espada, 90’ Montemor (Ignasi Duarte, 69’) Case Study, COALAB Terra sem Pão + Cão Andaluz Luis Buñuel, 47’ 120’ Luis Buñuel, 94’ Cartas Brancas, Joana de Verona Auditório Municipal, Sala 2 10:00 Ciclo de curtas Denis Côté Sessão de Encerramento Les Lignes Ennemies, 105’ Tennessee, 8’ Maïté, 18’ Auditório Municipal, Sala 1 Transe Teresa Villaverde, 125’ Jean-Luc Bouvret, 52’ 72’ Museu Soares dos Reis Sala de Conferências 15:30 14:00 105’ Bestiaire Denis Côté, 92’ Auditório Municipal, Sala 1 O Feiticeiro de Oz Victor Fleming, 100’ 19:00 Museu Soares dos Reis 22:00 92’ 9:30 10:00 Programa sujeito a alterações 19:00 72’ Auditório Municipal, Sala 1 Auditório Municipal, Sala 1 Título original: The River, de Jean Renoir França, Índia e Estados Unidos . 1951 . 99’ Com Patricia Walters, Adrienne Corri, Radha Sri Ram e Thomas Breen 19:00 Passos Manuel 22:00 Marco Martins Portugal . 2009 . 95’ Um dos grandes clássicos da história do cinema, que mais de setenta anos depois de feito continua a encantar crianças e adultos. Filmado a preto e branco para as poucas sequências passadas na “vida real” e a cores para a história que a protagonista vive num sonho, com fadas, bruxas e anões e três companheiros que, como ela, querem pedir alguma coisa ao poderoso Feiticeiro de Oz. Filme musical, com numerosas e variadas canções, como as célebres Over the Rainbow e Ding Dong, the Witch is Dead, que foi cantada nas ruas da Grã-Bretanha aquando do recente falecimento de Margareth Thatcher. COALAB 15:00 Cisne Teresa Villaverde, 17:00 O Rio Sagrado (Jean Renoir, 99’) 19:30 L’Age D’Or (Luis Buñuel, 63’) Ensaio de um Crime Luis Buñuel, 95’ 17:00 Crazy Quilt (Françoise Lebrun, 58’) Case Study, COALAB Cartas Brancas, Joana de Verona Sessão de Encerramento Jozef van Wissem Museu do Coa 15:00 Los Olvidados 17:00 A Favor da Claridade, 54’ Amapola, 3’ Cold Wa(te)r, 5’ Teresa Villaverde Museu do Coa 15:00 107’ Luis Buñuel, 85’ Legenda Dénis Côté Cartas Brancas Teresa Villaverde COALAB Sessões infantis Viva Buñuel! Filmes concerto Case Studies Sessão especial 13 Os Case Studies são projeções de filmes feitas pelos próprios realizadores. Este ano são exibidos os filmes Montemor e Crazy Quilt. Françoise Lebrun (ver biografia na pág. seguinte) França . 2011 . 58’ 12 Outubro, 17:00 Museu do Coa Documentário autobiográfico. Françoise Lebrun regressa a sítios onde vivera em Inglaterra na sua juventude. As suas lembranças pessoais alargam-se a todo um imaginário ligado às Ilhas Britânicas: a arte dos jardins, Virginia Woolf, David Hockney. No desenlace, Françoise está em sua casa em França, que dois ingleses querem comprar. Crazy Quilt foi estreado na edição de 2011 do FID Marseille. APARTADO 1250 EC ARROIOS 1007-001 LISBOA PRESIDENTE GUSTAVO DUARTE DIRETOR ARTÍSTICO JOÃO TRABULO CURADOR ANTONIO RODRIGUES CONSULTORES INTERNACIONAIS JEAN-FRANÇOIS CHOUGNET JACQUES FIESCHI COORDENAÇÃO DE FOZ COA ANDREIA ALMEIDA JOÃO PAULO SOUSA Ignasi Duarte Portugal . 2012 . 69’ Com Nuno Castelo, Vítor Fuzeta e Arsénio Lopes 11 Outubro, 17:00 Museu do Coa Em 2005, Ignasi trabalhou com o encenador Roger Bernat em Montemor. Foi então que teve a ideia de rodar um filme sobre aquele sítio, que o fascinou. A ideia original era fazer um documentário sobre o Festival Citemor e Montemor-o-Velho: o objetivo era abordar o que move as pessoas a organizar um festival como aquele numa aldeia como aquela. O filme, que mistura atores e habitantes do local, acabou por ter a forma da história de um homem que, no movimento constante de entrar e sair da sua casa, conhece outras pessoas. É assim que a vida se passa, ali. Menção Honrosa (Primeiras Obras) no FID Marseille 2012. Ignasi Duarte . Barcelona Ignasi foi um dos fundadores, em 1996, do Museo Nacional de Arte Portátil. Como artista visual, participou de diversas exposições coletivas. Em 2003, iniciou a sua relação profissional com o director de teatro Roger Bernat, com quem realizou os espectáculos La La La La La, Amnèsia de Fuga, Tot És Perfecte e Rimuski. Na televisão, foi protagonista da série Detectiu, em cujo guião também colabora. Na primeira edição do COALAB, o seu projecto Cortatuagem foi premiado com uma masterização. . Alberto Marafão . Alda LiPera Alexandre Carvalho . Alex Garcia . Andreia Almeida . Annie Presseault Arthur Escalier . Audrey-Ann Dupuis-Pierre . Becas . Budget Castanheira Câmara Municipal de Lisboa . Câmara Municipal do Porto . Carlos Almeida Carlos Bica . Carmen Pardo Pérez . Casas do Côro . Casa Vermelha Catarina Capelo . Centro Buñuel de Calanda . Cineclube do Porto Cinemateca Portuguesa . Citemor . Cláudia Pinto . Dalila Correia Denis Côté . Dimitra Kritikou . Direcção Regional da Cultura do Norte Doc & Film . Duarte Belo . Eva Truffaut . Event Point . Fernando Real Fernando Seara . FiGa Films . Fiipe Leonardo . Francis Ouellette Françoise Lebrun . Fundação Calouste Gulbenkian . Fundação Côa Parque FunFilm . Governo de Portugal . Governo do Quebec em Barcelona Hannah Horner . Hotel Vale do Côa . Ignasi Duarte . Irmã Lúcia Visual Effects Javier Espada . Joana de Verona . João Abrantes . João Carlos Sousa João Paulo Esteves da Silva . João Paulo Sousa . João Sequeira . Joel Hipólito José António Cunha . José Maria Prado . José Pinho . José Pinto Jozef van Wissem . Líbano Ferreira . Lita Robinson . Luísa Passos Luís Miguel Oliveira . Macedo Pianos . Manuela Queirós . Manuela Macedo Manuel Pinto Barros . Marco Ferreira . Maria Jesus Bronchal Torres Maria João Seixas . Marjolaine Ricard . Maximino Santos . Metafilmes Metropolis . Michael Monnier . Miguel Abrantes . Miguel Bastos Miguel M. Carvalho . Moncorgest . Mónica Ribeiro . Movijovem Museu Soares dos Reis . Nuno Rodrigues . Olga Carneiro . Pão Filmes Passos Manuel . Paula Araújo da Silva . Paula Lourenço . Pedro Daniel Quinta do Vesúvio . Ramos Pinto . Rosa Almeida . RTP . RTP2 . Sandra José Sandro Fiorin . Secretaria de Estado da Cultura . SODEC . Sofia Andrade Sofia Ribeiro . Sónia Queirós . Sylvain Corbeil . TAP Portugal . Teresa Villaverde Tipografia Lobão . TNT . Valle do Nídeo . Víctor Almeida . Visit Films Albergaria Senhora do Monte Vision Globale 14 Desde a sua segunda edição, o CINECOA organiza o COALAB: um júri examina projetos de filmes, que são contemplados com créditos para trabalhos de imagem e som em laboratórios. Além disso, os participantes também têm encontros com realizadores para Case Studies de filmes específicos. COORDENAÇÃO DO MUSEU DO COA FERNANDO REAL DALILA CORREIA DIREÇÃO DE PRODUÇÃO RUBEN SANTOS COMUNICAÇÃO E GUEST-OFFICE SÓNIA QUEIRÓS DESIGN CATARINA CAPELO DIREÇÃO TÉCNICA PEDRO DANIEL PROJECIONISTAS E ASSISTENTES DE PALCO Alberto Marafão Joel Hipolito Filipe Leonardo maximino santos víctor almeida miguel bastos michael monnier Debaixo do Céu Os projetos selecionados são submetidos à análise detalhada de um júri internacional. Um representante de cada projeto (realizador ou produtor) é convidado pela direção do CINECOA a estar presente no festival. Para a edição de 2013, selecionámos 9 projetos entre os mais de 40 que foram submetidos, provenientes de diversos países. Realizador: Nicolas Oulman Produtora: Ukbar FIlmes País: Portugal, Inglaterra Hand-Baggage Realizadora: Cláudia Alves Produtora: Ocean Film Company País: Portugal Looking for Go(l)d Realizadora: Jessica Jacobs Produtora: Metafilmes País: Inglaterra ¿Quién es Ingrid Bergman? Realizadora: Lucina Gil Produtora: Doxa Producciones País: Espanha MOTORISTAS Alexandre Carvalho Líbano Ferreira José Pinto Marco Ferreira Ne sois pas conciliant Realizadora: Mariagiovanna Nuzzi País: Itália Rino Lupo, o forasteiro Realizador: Pedro Lino Produtora: Terra Treme País: Portugal Time to say goodbye 1º PRÉMIO - COALAB Prémio monetário no valor de €3.500 2º PRÉMIO - PERIFERIA Trabalhos em masterização 2k - DCP, no valor de €1.500 Realizador: Primiterra Matteo País: Itália Uma rapariga da sua idade Realizador: Márcio Laranjeira País: Portugal Un éte avec Diogo Realizador: Pierre Primetens Produtora: Acis Productions, Epicentre Films País: França Site oficial COALAB coalab.cinecoa.com COLABORADORES CM Sofia Ribeiro Paula Lourenço IMPRESSÃO FUNCHALENSE - EMPRESA GRÁFICA ORGANIZAÇÃO APDARC CÂMARA MUNICIPAL DE FOZ COA Site oficial CINECOA cinecoa.com Duarte Belo . Portugal Expõe individualmente desde 1989. Está representado em diversas coleções públicas e privadas, em Portugal e no estrangeiro. Já desenvolveu a atividade de docência e participa regularmente em seminários, congressos e mesas redondas. As obras Portugal — O Sabor da Terra (1997) e Portugal Património (2007-2008) deram origem a um arquivo fotográfico pessoal de mais de novecentas mil fotografias. Eva Truffaut . França Françoise Lebrun . França Eva é atriz, fotógrafa e realizadora de curtas-metragens. Como atriz, participou em vários filmes de Vincent Dieutre (Bonne Nouvelle, Bologna Centrale, Fragments sur la Grâce, EA-2) e Pierre Léon (L’Adolescent, L’Étonnement, Guillaume et les Sortilèges), assim como em Le Pont des Arts, de Eugène Green. Como fotógrafa, trabalha em séries de imagens, que expõe no seu site. Como realizadora, privilegia o formato Super-8. Françoise é especialmente conhecida pelo seu papel de Veronika no filme de Jean Eustache La Maman et la Putain. Tem encarnado vários papéis no cinema francês, tendo trabalhado, entre outros, com Paul Vecchiali, Marguerite Duras e Lucas Belvaux. Com colaboração permanente no teatro e na leitura de textos, assinou em 2011 o seu primeiro filme como realizadora (Crazy Quilt), e é tema do documentário Françoise Lebrun, les voies singulières, de Emmanuel Vernières. 15