R e v i sta A m pl a | 1 2 | R e v i sta A m pl a Custos assistenciais 14 Prevenindo 20 O grande desafio da Saúde Matéria de Capa 08 Diagnóstico Honorários Médicos Superdiagnóstico Renda média do cooperado do Sistema Unimed no estado cresce 53% Alerta: excesso de exames pode prejudicar em vez de ajudar o paciente Hora Marcada Check-Up Resenha Unimed Uma Cooperativa de médicos giro no estado NOTAS 05 Guarapuava 06 Ponta Grossa Consulta Atenção MAS alcança 86% das Singulares 10 Hobbies & Manias Disciplina e Lazer Som que inspira e acalma 12 História de Médico Sonho Medicina sem fronteiras 22 Unimed inaugura serviço de oncologia Hospital Geral da Unimed Ponta Grossa recebe acreditação Apucarana 25 anos de conquistas Noroeste O esporte como incentivo à saúde 23 24 25 Artigo 18 MBE Revisão sobre o uso da toxina botulínica no tratamento de pacientes com disfagia orofaríngea 26 R e v i sta A m pl a | 3 Carta ao Leitor Chegamos a mais um Suespar, com o tema Atenção à Saúde: Políticas e Práticas, focado em debater visões diferentes em assistência em saúde, discutindo formas de implantação do novo modelo assistencial e da sustentabilidade do negócio, e também a mudança cultural necessária, seja da população, seja dos próprios médicos, no que diz respeito à relação médico-paciente. Esta edição contribui com o debate, refletindo sobre temas cruciais, como administração de custos assistenciais, inclusive a questão central dos honorários médicos, a importância de conhecermos de fato o Sistema Unimed e como o projeto Mais Atenção à Saúde vem sendo implantado com sucesso, além de analisarmos sobre como o excesso de exames pode trazer riscos à saúde dos pacientes. Acreditamos que o caminho para a racionalização dos custos assistenciais, gerando melhor assistência aos beneficiários e ainda melhores remunerações aos profissionais, é um novo modelo de saúde baseado em atenção primária. Nas matérias Renda Média do Cooperado das Unimeds do Paraná cresce 53% e Os Custos em Saúde, bem como na entrevista com o diretor-presidente da Unimed Paraná, Orestes Barrozo Medeiros Pullin, discutimos vários aspectos dessa questão, trazendo números e dados comparativos que certamente lhe serão de grande interesse. Na matéria MAS Alcança 86% das Singulares, contamos como o Projeto de Atenção Integral à Saúde da Unimed Paraná, um grande passo no caminho ao novo modelo, vem sendo implantado com sucesso. E um exemplo de como a atenção primária é necessária é dado na matéria Excesso de Exames Pode Trazer Riscos à Saúde do Paciente. Saiba a fundo como funciona o Sistema Unimed com o livro Conhecendo a Unimed - Tudo o Que o Médico Precisa Saber Sobre sua Cooperativa e Não Tinha a Quem Perguntar (Kairós Edições, 2012), do cirurgião vascular e investigador clínico, mestre e doutor Ricardo Moreira, também autor do Manual do Cooperado Unimed, da Unimed Curitiba. Conheça a bela história de vida e carreira do cirurgião natural do Paraguai, que atua em Foz do Iguaçu, Isidoro VillaMayor e sua luta pelo sonho de se tornar médico; e saiba como a sensibilidade e a precisão do neurocirurgião Carlos Rocha Junior atuam também na música (violão, flauta transversal e piano) e em um esporte aristocrático: arco e flecha. Confira ainda no Check-up as valiosas conquistas das Singulares Apucarana, Guarapuava, Ponta Grossa e Noroeste. Boa leitura! Dr. Faustino Garcia AlfereZ Diretor de Mercado e responsável pelo setor de Comunicação Corporativa, Marketing e Responsabilidade Social Conselho Editorial DIRETORIA EXECUTIVA Diretor-Presidente Dr. Orestes Barrozo Medeiros Pullin Diretor Vice-Presidente Dr. Robertson D’Agnoluzzo Diretor-Superintendente Dr. Paulo Roberto Fernandes Faria Diretor de Mercado Dr. Faustino Garcia Alferez Diretor de Projetos Dr. William Procópio dos Santos Diretores Regionais Região I Dr. Carlos Augusto Marques (Ponta Grossa) Região II Dr. José Eduardo Rupolo (Apucarana) Região III Dr. Durval Francisco dos Santos Filho (Maringá) Região IV Dr. Adilson Cleto Bier (Toledo - Costa Oeste) Coordenação executiva Coordenação editorial Liège Cintra Mazanek Jossânia Veloso Coordenadora de Comunicação Corporativa, Assessora de imprensa (DRT 2321/PR) Marketing e Responsabilidade Social Acesse sua revista on-line: www.unimed.com.br/parana/revistaampla 4 | R e v i sta A m pl a EXPEDIENTE PSG Editora: Gestão Pedro Salanek Filho Designer Gráfico Marcelo Winck Jornalista Responsável Letícia Ferreira - MTB 4225/17/65 Reportagens Bruna Robassa Colaboração Assessorias das Unimeds Singulares Fotografias Unimed PR e PSG Editora Impressão / Tiragem Gráfica Tuicial / 11 mil exemplares ISSN 2237-2067 n.29 (2013) Unimed do Estado do Paraná Rua Antonio Camilo, 283 | Tarumã | Curitiba | PR CEP 82530-450 | Tel. : (41) 3219 -1488 E-mails: [email protected]; [email protected] www.unimed.com.br/parana Hora Marcada | Resenha Unimed Uma Cooperativa de médicos Para entender um pouco o que é o Sistema Unimed, um livro muito bom, lançado em 2011, em Curitiba, e reeditado (revisto e ampliado) em 2012, para todo o Sistema Unimed, é o “Conhecendo a Unimed”, de Ricardo Moreira. O livro descreve as mudanças no sistema de saúde que levaram ao surgimento da Unimed, traçando um panorama histórico que tem como marco inicial a criação do INPS em 1967 e, logo depois, o surgimento dos convênios médicos. No livro, o autor explica como o tipo de relação médico-paciente que ocorria em ambos os sistemas motivou a criação da primeira Cooperativa médica do Brasil. Logo de início, também, Moreira ressalta a importância de o cooperado conhecer o Sistema do qual é sócio, citando três conceitos que chama de fundamentais: A nova relação médico-paciente, honorários médicos e sobras e Cooperativa médica x Operadora de planos de saúde Esses conceitos são importantes, dentro da realidade inserida, a partir de 1998, em que uma lei criou o conceito de operadoras de planos de saúde, fazendo com que a Unimed se tornasse uma Cooperativa de trabalho médico proprietária de uma operadora de planos de saúde. O que faz com que a Unimed tenha de responder a exigências da ANS com relação às operadoras, ao mesmo tempo em que, como Cooperativa, tem de defender o trabalho e a renda de seus cooperados. Essa relação é que vem pautando a história da Unimed na última década. Dividido em 18 capítulos, o livro fala da cooperação entre os seres humanos e da cooperação organizada por meio do cooperativismo. Em seguida, traça um perfil sobre o sistema de saúde privado do Brasil até entrar na história do Sistema Unimed propriamente dita, em que explica as leis que a regulam, estatuto, regimento interno e regulamentos, administração, relações de seus diversos atores, direitos e deveres, benefícios e conquistas. Os três últimos capítulos foram incluídos na segunda edição e tratam especificamente das relações com os prestadores e fornecedores, impostos e desafios correntes. O autor, o mestre e doutor Ricardo Moreira, é formado em Medicina, pela UFPR, em 1976, e residência, no Hospital of Saint Raphael, nos EUA. De volta ao Brasil, em 1982, trabalhou em vários hospitais de Curitiba e, atualmente, atua como cirurgião vascular e investigador clínico. É chefe dos Serviços de Cirurgia Vascular do Hospital Nossa Senhora das Graças e do Hospital Universitário Cajuru, da PUCPR. É membro titular da Sociedade Brasileira da Angiologia e Cirurgia Vascular desde 1991, atualmente é o presidente da Regional do Paraná. Na Unimed Curitiba, foi membro da Comissão de Ética e Defesa Profissional (1993-94), auditor da Cirurgia Vascular (1994-96) e Membro do Conselho de Administração, na gestão 20022006. É autor, também, do Manual do Cooperado da Unimed Curitiba, um CD lançado em 2006, que deu origem a esse livro. Livro: Conhecendo a Unimed - Tudo o Que o Médico Precisa Saber Sobre sua Cooperativa e Não Tinha a Quem Perguntar Autor: Ricardo Moreira Editora: Kairós Ano: 2012 Págs.: 284 R e v i sta A m pl a | 5 Giro no Estado | Notas Pesquisa ANS Durante o último Conselho Federativo, que aconteceu, em abril, na Unimed Paraná, as Unimeds do estado puderam conhecer os resultados conjuntos da pesquisa realizada sob o comando da ANS, com o objetivo de identificar a satisfação dos beneficiários quanto aos produtos/serviços oferecidos pelas Operadoras. A pesquisa foi realizada de agosto a dezembro de 2012, com 8.100 entrevistados de cada Operadora. Os entrevistados foram sorteados aleatoriamente pela ANS. Para facilitar os trabalhos e reduzir custos, a Unimed Paraná fez um levantamento das empresas de pesquisas qualificadas para atender a demanda. Dessa forma, todas as Singulares participantes conseguiram cumprir a convocatória da ANS a valores muito convenientes e com um produto adicional gratuito, um relatório detalhado dos resultados obtidos. Nessa pesquisa, além da Federação, participaram as Unimeds Curitiba, Costa Oeste, Guarapuava, Londrina, Maringá, Oeste do Paraná, Paranaguá, Pato Branco e Ponta Grossa. Caracterizada como descritiva e quantitativa, em decorrência da quantificação no tratamento dos dados, a pesquisa teve como técnica de amostragem a probabilística. Segundo a empresa Litz, responsável pela pesquisa, a margem de erro é de 5%. Os números foram bastante expressivos. A maior parte dos entrevistados tem escolaridade de nível superior (52%), seu estado de saúde é de bom a muito bom (85%), acreditam que o preço (60%), opções de rede (74%), qualidade do serviço (76%), prazo de realização de exames (70%), facilidade de se comunicar com sua Unimed (70%) e a avaliação geral de seu plano de saúde (74%) está entre boa e ótima. Visto que 90% utilizaram efetivamente seu plano nos últimos 12 meses, 70% dos entrevistados foram atendidos acima de suas expectativas e 88,7% o recomendariam. O resultado da pesquisa foi ao encontro das expectativas das Unimeds e reforçam a ideia de que elas caminham para o aprimoramento constante. “Eu ajudo na lata” Em maio deste ano, a Unimed Paraná enviou para a Unimed do Brasil mais uma remessa de 32 garrafas de PET com lacres. No estado todo, mais de 600 garrafas já foram disponibilizadas para a Campanha “Eu ajudo na lata”, o que já proporcionou a compra de cinco cadeiras de rodas. A Campanha é uma iniciativa da Unimed do Brasil e foi abraçada por todas as Unimeds do estado do Paraná. A adesão ao movimento é voluntária e as Unimeds não são obrigadas a enviar os lacres para Unimed do Brasil. Os lacres de alumínio podem ser entregues nos pontos de atendimento das Cooperativas médicas até o dia 30 de junho. Mais informações em www.unimed. coop.br/euajudonalata. 6 | R e v i sta A m pl a Cuidar bem faz bem Unimed lança a segunda fase da campanha de uso consciente do plano de saúde. A campanha, que tem como mote “Cuidar bem faz bem”, tem o objetivo de estimular os cuidados das pessoas consigo mesmas, lembrando-as de uma receita infalível: mente e corpo em dia ajudam a afugentar os principais males que afetam a saúde. Isso significa, porém, prestar atenção a algumas atitudes e condutas na gestão da própria saúde, colaborando com a Unimed no cuidado que ela mantém em favor de seus beneficiários. ANS lança Agenda Regulatória 2013-2014 A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) lançou a nova Agenda Regulatória para o biênio 2013-2014. A nova Agenda estabelece sete eixos temáticos, que definem as ações e os projetos prioritários que a ANS irá implementar neste período, entre eles garantia de acesso e qualidade assistencial, sustentabilidade do setor, garantia de acesso à informação e integração da Saúde Suplementar com o SUS. O material foi submetido à consulta pública, discussão na Câmara de Saúde Suplementar e consulta interna na ANS. “Com a colaboração dos vários setores da saúde suplementar é possível melhorar a qualidade da regulação. A Agenda Regulatória é um instrumento eficaz para o amadurecimento de ações que podem resultar em novas regras para o setor e contribuir para ampliar os avanços na gestão regulatória”, afirma o diretor-presidente da ANS, André Longo. Confira o andamento da Agenda Regulatória 2013-2014 e o referente ao biênio anterior, no endereço www.ans.gov.br Fonte: Site da ANS NDH. Você sabe o que isso significa? É a sigla para Núcleo de Desenvolvimento Humano. A terminologia nasceu na Fundação Unimed e veio substituir os antigos Comitês Educativos, direcionados aos médicos cooperados. Hoje ele tem um significado mais amplo. O núcleo busca o desenvolvimento de todos os seus públicos: cooperados, dirigentes, colaboradores, comunidade, beneficiários, vendedores, secretárias dos médicos cooperados e prestadores. Para fomentar as discussões dos NDHs no estado, a Unimed Paraná desenvolveu um manual que está sendo distribuído entre todas as Singulares e também um hotsite/blog para troca de informações sobre assuntos da área. O endereço é www.unimed.com.br/parana/ndh. R e v i sta A m pl a | 7 Diagnóstico | Honorários Médicos Renda média dos cooperados das Unimeds do Paraná cresce 53% Custos acessórios, inflação médica e novos referenciais mudam perspectivas de remuneração A renda média do cooperado do Sistema Unimed do Paraná, ou seja, a soma de tudo o que é repassado em honorários médicos dividida pelo número de cooperados, cresceu 53% nos últimos cinco anos, saindo de 67 mil/ ano, em 2008, para 103 mil/ano, em 2012. No mesmo período, a evolução das receitas operacionais do sistema foi de 71,4%. 8 | R e v i sta A m pl a Para o diretor-presidente da Unimed Paraná, Orestes Barrozo Medeiros Pullin, esse aumento se deu pelas seguintes razões: no mesmo período, aumentaram os valores por procedimentos, mas aumentou também o número de beneficiários (26,3%), bem como o número de consultas e procedimentos realizados pelos cooperados. Como o número de coope- rados também aumentou, mas não na mesma proporção (9,18%), os médicos estão trabalhando e ganhando mais pela Cooperativa. Reivindicações No dia 25 de abril, entidades médicas de todo o país organizaram o Dia Nacional de Alerta aos Planos de Saúde, reivindicando remunerações mais altas e maior De tempos em tempos, alguns médicos, depois de adquirirem uma clientela consolidada, abrem mão da Cooperativa, mas muitos outros profissionais buscam se associarem. Isso é constante, faz parte do processo” Orestes Pullin Cooperativas, consequentemente dos cooperados, poderia ser ainda maior, se não fosse o impacto das novas tecnologias e do uso descontrolado delas, nos demais custos assistenciais. independência dos profissionais. A ANS - Agência Nacional de Saúde Suplementar, em comunicado em seu site, destacou a heterogeneidade de comportamento das operadoras em relação à discussão de valores e reajustes dos honorários médicos e fez uma ressalva em relação às Cooperativas médicas, “com as quais as próprias entidades representativas dos profissionais afirmam ter uma relação diferenciada”. Não teria como ser diferente. Afinal, nas Cooperativas, o médico não é empregado, é dono. As decisões tomadas nessas entidades são decisões de todos, por meio de assembleia soberana. Ao longo do tempo, na tentativa de manter as contas equilibradas, as Cooperativas vêm reduzindo os gastos administrativos, apesar do custo regulatório imposto pela ANS. O ganho das Novos consumidores Para Pullin, as reivindicações da classe médica (e aqui não diz respeito apenas aos cooperados), passam por várias questões. Uma delas tem a ver com a mudança ocorrida no mercado, como a entrada de novos consumidores, da classe C e D, que passaram a pagar por consultas médicas particulares. “A melhora da economia brasileira possibilitou uma nova clientela nos consultórios e muitos médicos, hoje, trabalham com a agenda cheia. Com o número de médicos, de certa forma, estabilizado, esses profissionais passaram a ganhar mais. Assim, o médico que tinha um padrão de ganho, nivelado pela tabela CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos), praticado dentro das possibilidades de cada Cooperativa, passou a ser mais exigente”, constata Pullin. O diretor-presidente explica que, no Sistema Unimed Paraná, o valor dos honorários é estabelecido pelas Singulares, em negociação com seus cooperados e tem como referência a tabela CBHPM. “O relacionamento com os cooperados, na maioria das Singulares, tem sido bem tranquilo, em algumas há uma certa dificuldade, mas elas estão sendo resolvidas”, diz. Segundo ele, a Cooperativa está aumentando os valores dentro da sua possibilidade, em comum acordo com a maioria desses cooperados, como manda a legislação cooperativista. “De tempos em tempos, alguns médicos, depois de adquirirem uma clientela consolidada, abrem mão da Cooperativa, mas muitos outros profissionais buscam se associarem. Isso é constante, faz parte do processo”, diz. O diretor-superintendente da Unimed Paraná, Paulo Roberto Fernandes Faria, lembra que o objetivo das Cooperativas é prestar um atendimento de qualidade aos beneficiários, valorizando o trabalho do cooperado por meio de uma remuneração condizente. “Para que isso possa acontecer, é importante pensarmos a finitude de recursos em saúde, como em qualquer área, e que é preciso otimizá-los, valorizando a medicina humanizada, reduzindo desperdícios e prestando atenção na adoção de novas tecnologias, atentando para o uso de protocolos e evidências”, lembra. R e v i sta A m pl a | 9 Consulta | Atenção MAS alcança 86% das Singulares Programa de Atenção Integral à Saúde da Unimed Paraná é implantado com sucesso O MAS Paraná, Mais Atenção à Saúde, programa baseado em cinco módulos (cinco programas de gerenciamento) do novo modelo de Atenção Integral à Saúde da Unimed Paraná, segue sendo implantado com sucesso pela Gestão de Contratos e da Atenção à Saúde nas Singulares. Dezenove Singulares já aderiram, entre elas a de Paranavaí, em que, segundo o coordenador da Medicina Preventiva e auditor em Fisioterapia Carlos Alberto Nannini Costa, observa-se uma mudança no clima organizacional e entre os beneficiários: “os colaboradores estão mais participativos e responsáveis, e os beneficiários abordados nos programas relatam a importância deles e começam a conscientizarem-se de que têm papel fundamental na manutenção da própria saúde”. A analista técnica da Federação, 1 0 | R e v i sta A m pl a Ângela Mendes, responsável pela implantação do sistema nas Singulares em todo o Paraná, conta que, para 2013, 11 novos módulos deverão ser implantados e afirma que, nas Singulares em que um módulo foi totalmente implantado, existe uma percepção de que os resultados são positivos tanto para o beneficiário quanto para a Singular. Os indicadores desses resultados serão avaliados após 12 meses da implantação. “O objetivo do MAS Paraná é gerar, de forma rentável e sustentável, resultados de saúde (longevidade e qualidade de vida) para os beneficiários, reestruturando e alinhando os processos de Atenção à Saúde, de Relacionamento com Clientes e de Financiamento”, diz Ângela, ressaltando que a adesão é voluntária e que cada Singular pode determinar o momento ideal para iniciar. Em 2012, ocorreram as principais implantações, sendo realizadas 57 visitas de consultoria que possibilitaram às Singulares o estudo de viabilidade, escolha, planejamento e modelagem de um dos cinco módulos do projeto. São eles os módulos de Gerenciamento de Saúde Corporativa e Gerenciamento de Fatores de Risco, que trazem ações de educação e prevenção para despertar no beneficiário saudável o cuidado com a saúde por meio de mudanças de hábitos e atitudes; e os módulos de Gerenciamento de Crônicos, Gerenciamento de Casos Clínicos e de Atenção Domiciliar, que monitoram os beneficiários que já têm alguma doença, minimizando ou impedindo o aparecimento de agravos, e estimulando o autocuidado. Ângela Mendes explica ainda que a metodologia para implantação pre- vê que a Singular escolha o módulo a ser implantado, pois os módulos são adaptáveis, respeitando a proposta de protocolos em cada linha de cuidados. Os protocolos estão no Manual de Promoção e Atenção à Saúde e a metodologia de desenvolvimento dos programas é provida por um software específico para a gestão dos programas de Atenção à Saúde (Infomed), denominado aqui como Sistema MAS. O desenvolvimento das regras de negócio dentro do sistema e implantação nas Singulares é de responsabilidade da Federação. Sequência lógica e científica de ações Para a Singular Pato Branco, o modelo levou a oportunidade de adoção de uma sequência lógica e científica de ações, agilizando o desenvolvimento e o cumprimento de tarefas com cada beneficiário ou grupo destes. E ainda a disponibilidade de uma visualização com entendimento do tratamento e das ações realizadas com os beneficiários, trazendo ganhos em agilidade, organização e segurança das informações. É o que conta o supervisor e educador físico do Centro de Atenção à Saúde e Medicina Preventiva da Singular, Rony Marcelo Slaviero. “O monitoramento dos beneficiários via Sistema MAS é organizado e prático”, afirma. A implantação em Pato Branco se deu pelo Programa Gerenciamento da Saúde Corporativa, porém, devido ao resultados alcançados com o Programa Gerenciamento de Casos Clínicos, o foco mudou para esse módulo de atenção a partir de outubro de 2012. Para Nannini, da Singular Paranavaí, o MAS vem ao encontro da necessidade imediata de mudança na atenção à saúde, controlando custos assistenciais, mas mantendo a qualidade na prestação do serviço e, consequentemente, da vida do indivíduo. “O MAS faz parte dessa mudança, o que pode ser constatado pelo enfoque a ser abordado no Suespar deste ano: Atenção Primária à Saúde”, diz. Em Paranavaí, a implantação começou no final do primeiro semestre de 2012, com o Programa Gerenciamento de Saúde Corporativa. “No decorrer do processo, percebemos que havia necessidade de evoluir em gestão e na comunicação com os nossos públicos interno e externo. E, a partir de abril de 2013, começamos a implantação do Programa Gerenciamento de Atenção Domiciliar”, afirma Nannini. Objetivos do MAS • Implantar programas de promoção e prevenção da saúde, programas de gerenciamento de condições crônicas, casos clínicos e serviço de atenção domiciliar no estado, aplicando uma metodologia de suporte criada pela Federação do Paraná em conjunto com as Singulares • Proporcionar ao beneficiário o aumento da percepção para o autocuidado • Melhorar a qualidade de vida e o cuidado aos beneficiários do Sistema Unimed • Gerar um melhor índice de resultado e sustentabilidade da Cooperativa • Proporcionar maior percepção de valor do produto Unimed, com potencial de fidelização do cliente e aumento de vendas e participação no mercado • Elevar as notas do IDSS (Índice de Desenvolvimento da Saúde Suplementar) • Adequar os custos das populações de beneficiários incluídos nos programas • Alinhar à política da ANS • Adequar os recursos, distribuindo-os de forma a produzir maior qualidade no atendimento à saúde R e v i sta A m pl a | 1 1 Hobbies&Manias | Disciplina e Lazer Som que inspira e acalma Neurocirurgião de Toledo conta como o gosto pela música contribui com a sua atuação profissional Nascido na cidade de São Paulo, capital, na década de 1970, o neurocirurgião Carlos Rocha Junior, hoje atuante em Toledo, conta ter decidido ser médico na época do antigo “ginásio”, depois do contato com as ciências e do fascínio pela biologia. O gosto pela música também surgiu cedo. “Minha relação com a música é certamente passional e começou desde cedo, aos 8 anos de idade, talvez por influência de familiares (primos) que praticavam música desde cedo. Um desses familiares é um músico bastante famoso...”, conta. 1 2 | R e v i sta A m pl a Rocha Junior toca violão, flauta transversal e piano, hobbies que costuma exercer em casa, com familiares e amigos. “Os instrumentos musicais são como os vinhos: todos com sabores especiais, próprios e apaixonantes”, reflete. A rotina profissional agitada não tem permitido que ele toque os instrumentos na frequência que gostaria, por isso as madrugadas e os fins de semana tem sido os períodos que o médico mais tem utilizado para praticar o hobby. O gosto por estilos musicais é eclético, vai desde música clássica, popu- lar, rock, de tudo um pouco e de acordo com o contexto. “Gosto de curtir Marisa Monte com a esposa, Almir Sater nos churrascos, e quando estou sozinho, John Coltrane e Bill Evans fazem minha cabeça...”, detalha. A música e a medicina Para o neurologista a música acalma e ajuda muito a reduzir o estresse do dia a dia. “Os hobbies influenciam a vida de maneira muito positiva. Trazem a diversão e o aspecto lúdico de volta ao nosso cotidiano. Nem sempre é prazeroso executar as tarefas profissionais. Mas são nossas obrigações e temos que fazê-las. Ao contrário, as horas que dedicamos aos hobbies são momentos em que realmente estamos fazendo aquilo que desejamos e sentimos prazer. Liberamos muitas endorfinas e as horas de convívio com amigos e família dispensam comentários”, conta. A música também traz benefícios diretos para a profissão. “Como sou neurologista e neurocirurgião, não posso deixar de dizer que tocar um instrumento é uma ótima maneira de exercitar ambos os hemisférios cerebrais de maneira intensa. Sem contar que a prática de movimentação dos dedos das mãos e da atenção na leitura da partitura são ótimos exercícios para quem precisa estar sempre pronto a executar cirurgias complexas”, destaca. Para quem se interessar por esse assunto e por esse aprendizado proporcionado pela música, Carlos Rocha Junior indica o livro “Alucinações Musicais, de Oliver Sacks”. Experiências Além dos benefícios cotidianos proporcionados pela música, o neurocirurgião conta que já teve a oportunidade de viver sensações inesquecíveis. Uma experiência muito marcante para ele foi a primeira vez que teve a sensação de altíssima concentração durante sua apresentação em conservatório musical. “Alguns chamam de estado de ‘fluxo’. Quando a mente fica perfeitamente concentrada em determinada ação psicomotora, no caso tocar o instrumento, temos a sensação de que todo o mundo ao redor desaparece e a única coisa que passa a existir é o ato que se está executando. No caso, foi como se aquela música que estava sendo executada preenchesse completamente minha consciência, naqueles instantes. Fantástico. Uma sensação meditativa que é bastante difícil de descrever, mas comum entre os amantes da música”, lembra. Arco e fleCHa A música não é o único hobby deste médico. Há cerca de um ano, ele teve contato com o esporte de tiro com arco e flecha e se encantou com a modalidade. Da mesma forma que a música, o arco e flecha traz tantos benefícios para a profissão como para a vida pessoal. “Essa é uma prática que exige uma constante avaliação de si mesmo. Como está sua postura, sua respiração, seu equilíbrio, seu foco”, relata. Além disso, a prática proporciona autocontrole, capacidade de concentração e desenvolvimento da musculatura. “Segurar o arco estático, numa mesma posição auxilia no desenvolvimento da musculatura dos ombros, que é a mesma que uso para manter meu braço firme em minhas cirurgias”, conta. Atuação Formado pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp), Carlos Rocha Junior recebeu o título, do Ministério da Educação (MEC), em Neurologia Clínica, em 1998 e o de Neurofisiologia Clínica, em 1999. O médico também já fez parte da equipe do Hospital Sarah Kubitscheck, em Brasília, entre 1999 a 2000. Depois de fazer especialização e chefiar a equipe de neurocirurgia do Centro Hospitalar de Sorocaba, decidiu ir para o interior do Paraná, onde está desde 2007. Atualmente, o neurologista trabalha em sua clínica particular, Instituto Da Vinci, e no setor de neurocirurgia endovascular da empresa Angiocor (Hemodinâmica). Ele também é o responsável pela implantação do serviço de alta complexidade em neurocirurgia no Hospital Bom Jesus, que responde pela 20a regional de saúde, que compreende mais de 360.000 habitantes. “Da mesma forma que a música, o arco e flecha traz tantos benefícios para a profissão como para a vida pessoal” Carlos Rocha Junior R e v i sta A m pl a | 1 3 Capa | Custos Os custos em saúde Atenção primária é caminho para superar custos assistenciais com mérito 1 4 | R e v i sta A m pl a De 2008 a 2012 números no estado Aumento de receitas % 71,5 Aumento de custos assistenciais % 74 O grande vilão da saúde, que está cada dia maior e mais forte, por incrível que pareça não é a doença. Ele tem nome e sobrenome: custos assistenciais, e um título: sinistralidade. Para o diretor-presidente da Unimed Paraná, Orestes Barrozo Medeiros Pullin, os custos assistenciais podem ser tolerados, se tratados da forma certa: “Em um modelo de saúde mais racional, passando por um médico de atenção primária, que utilize critérios de protolocos e direcionamento correto, com especialistas usando as melhores tecnologias disponíveis dentro da racionalidade, obviamente evitaríamos o desperdício, o pior dos males do custo assistencial”. Em 2012, os custos assistenciais, chamados também de sinistralidade, ou seja, tudo o que é gasto na assistência de saúde do beneficiário, sem contar os custos administrativos, levaram pouco mais de 87% da receita das Unimeds. Hoje, a sinistralidade está em torno de 86% e, para a Agência Nacional de Saúde Suplementar, ANS, uma sinistralidade tolerável é menos de 80%. De 2008 a 2012, os custos assistencias do Sistema Unimed no Paraná tiveram uma evolução de 74%, enquanto a receita aumentou 71,5% no mesmo período. Parte desse custo, segundo Pullin, vem da agregação de tecnologia na medicina, porém, o maior problema desse aumento nos custos assistenciais vem do mau uso dessa evolução. “A tecnologia é boa, traz saúde e vida, mas viver mais custa mais caro. Ofere- cer os melhores produtos e serviços a valores acessíveis à capacidade de pagamento das pessoas, respeitando o que a ANS permite em reajustes de preços é o grande desafio”, revela. Para Pullin, a dificuldade resulta do próprio modelo de saúde vigente. A mudança para um modelo em que haja regulação por meio de atenção primária permitiria uma lógica com aplicação de protolocos, diretrizes e guidelines bem estabelecidas para determinadas patologias e linhas de atendimento. Utilizando esses protocolos, haveria equilíbrio nas solicitações de exames e internações, reduzindo-se substancialmente os efeitos adversos em saúde, resultantes da má prática e do uso acrítico da tecnologia. “Infelizmente, uma parte da classe médica ainda é resistente ao uso desses protocolos ou não tem acesso”, afirma o diretor-presidente. Para o gerente-geral Operadora, Luiz Fernando Nicz, faz parte do modelo vigente a lógica do consumismo, e que, progressivamente, vem transformando ações e serviços de saúde em bens de consumo, especialmente os relacionados a consultas, exames e procedimentos ambulatoriais. “A pressão por inovações, como a incorporação de novas tecnologias - partição da ‘prática médica’ em especialidades médicas e outros profissionais de saúde -, equipamentos maravilhosos e medicamentos milagrosos, é coerente com essa lógica, mesmo que não atenda de fato às questões da saúde em si”. “A mudança para um modelo em que haja regulação por meio de atenção primária permitiria uma lógica com aplicação de protolocos, diretrizes e guidelines bem estabelecidas para determinadas patologias e linhas de atendimento” Orestes Pullin R e v i sta A m pl a | 1 5 Capa | Custos Um caminho Além dos trabalhos focados nos cooperados nos Núcleos de Desenvolvimento Humano, de orientação técnica da atividade médica, como estabelecimento de protocolos e busca de consensos para tratamentos, entre outros, há também um trabalho voltado aos beneficiários, como a campanha Cuidar Bem Faz Bem. Atualmente, a Unimed Paraná desenvolve negociações com indústria e parceiros, na busca de estabelecer preços adequados, evitar intermediários e buscar qualidade de atendimento nas redes assistenciais, como o programa Segurança em Alta nos hospitais. A prevenção, por exemplo, explica Pullin, faz parte de uma boa medicina, com protocolos bem aplicados, os exames preventivos tendem a ser feitos de maneira correta, regular e controlada. A Unimed Paraná também desenvolve trabalhos de medicina preventiva e gestão de doenças crônicas. Para o diretor-presidente, a cultura assistencial em saúde no Brasil precisa mudar para que se compreenda e se aceite esse novo modelo. “O paciente não tem um médico que o 1 6 | R e v i sta A m pl a “Os beneficiários querem o melhor, pagando menos e os profissionais querem prestar o melhor serviço, tendo a melhor remuneração. A Unimed quer fazer tudo isso dentro do possível e, para a Cooperativa, de forma geral, o caminho passa pela mudança de modelo”. acompanha e conhece suas necessidades e, sem nenhum controle, procura o médico que acha que pode ser melhor”, diz. Segundo ele, esse é o modelo que foi “vendido” ao longo do tempo para o brasileiro, e entendido pela sociedade como o correto. “E foi o modelo que nós “vendemos” porque era o modelo vigente. É por isso que mudar isso agora é difícil. As pessoas não entendem num primeiro momento, é uma questão cultural”, avalia. Pullin acredita que é por isso que ainda há muitos embates entre beneficiários e operadoras, e entre profissionais e operadoras envolvendo questões de custos assistenciais. Obviamente, os beneficiários querem o melhor, pagando menos e os profissionais querem prestar o melhor serviço, tendo a melhor remuneração. A Unimed quer fazer tudo isso dentro do possível e, para a Cooperativa, de forma geral, o caminho passa pela mudança de modelo. “Esse é o trabalho que temos que fazer. Ele não fará desaparecer os custos, porque viver mais custa mais caro, porém, poderá torná-los suportáveis”, declara Pullin. Capa | Entrevista O grande desafio da saúde Ampla Qual é o grande problema do custo assistencial? Orestes Barrozo Medeiros Pullin O problema é que a inflação na área de saúde é maior do que a sociedade consegue suportar. Há 30 anos, a tecnologia era uma; hoje, é mais avançada e muito mais cara. O custo para se viver mais é alto. Ampla De quem é a culpa desse custo tão alto? Laboratórios, fabricantes, impostos? Pullin Há deformidades no mercado que precisam ser enfrentadas, que causam custos desnecessários. Um exemplo é o uso acrítico de tecnologia. Há profissionais que estão perdendo aptidões de semiologia, como escutar o tórax de um paciente com suspeita de pneumonia, por exemplo. Vão direto para a tomografia. Isso traz um custo desnecessário que onera a todos na cadeia. Uma questão mais grave é o que vem ocorrendo na indústria de medicamentos e de materiais, que, por vezes, forçam e cooptam hospitais e prestadores a usarem uma determinada tecnologia, de forma não condizente com as melhores práticas e, até mesmo, de maneira não-ética. Ampla Os direitos do beneficiário são estabelecidos em contrato pela ANS, assim, por que ainda há tanto conflito entre beneficiários e planos de saúde a respeito de cobertura? Pullin O conflito se dá especialmente porque existem no mercado ainda os planos antigos (chamados não-regulamentados, existentes antes da lei que regulamentou o setor e criou a ANS) e os planos regulamentados. Os regulamentados dão direito ao rol estabelecido pela ANS, os não-regulamentados não dão. No entanto, todos querem os mesmos itens definidos pela ANS. As pessoas são chamadas a atualizarem seus planos, mas alguns não querem pelo fato de que terão que atualizar também os valores. Por questões como essa é que precisamos de mudanças. A ANS entende que o processo de mudança de modelo é importante para o país e eu entendo que vamos precisar de tempo para fazer essa mudança de cultura. Enquanto isso, o embate vai existir. Todas as regras da ANS visam, de alguma forma, a dar segurança para o paciente. E vejo isso com bons olhos porque obriga as operadoras a buscarem soluções para dar o melhor tratamento e ainda entenderem que o modelo precisa ser mudado. Não é culpa dos beneficiários esse embate dentro do qual está também o profissional de saúde que, muitas vezes, está mal informado dentro desse “mercado” tumultuado. Até que consigamos mudar essa cultura, haverá muito embate. Ampla Quem adquire plano de saúde, além de saber o que quer, sabe o que pode comprar? Pullin Nós explicamos, há o contrato, os direitos ficam claros, mas algumas pessoas fazem confusão quanto aos direitos e deveres de quem adquire um plano de saúde. As pessoas adquirem um plano e atentam apenas aos procedimentos aos quais terão direito, acabam não se importando com os deveres que constam no contrato. Isso mostra que, às vezes, falta consciência do que exatamente estão comprando. Além dos mais, o próprio modelo que privilegia excesso de especialistas e de exames provoca confusão. Os planos são usados, muitas vezes, sem critérios e o desperdício acontece bastante. Nós temos é que mudar o modelo, esse é o desafio. O cooperado também só conhece e trabalha dentro do modelo vigente, caótico, não conhece outro modelo. Quando falamos em atenção primária, ele imagina o modelo de atenção primária do SUS e não quer nem pensar nisso. Ampla O Estado estaria largando para a saúde suplementar a própria tarefa para com a população? Pullin Não vejo que o Estado esteja deliberadamente jogando os beneficiários para os planos de saúde. Ele está tentando aprimorar a regulação no setor privado porque tem que fazer isso, sob risco de piorar a questão da saúde em nosso país. A exigência dele em relação aos setor suplementar é crescente, porém, é necessário que isso também ocorra com o setor público. O Brasil não poderá depender somente do setor estatal ou do privado, mas os dois terão que conviver de forma harmônica. Hoje, há um viés de disputa. Ampla Em um artigo do especialista André Medici, do Banco Mundial, há a sugestão de um modelo em que os beneficiários paguem planos de saúde mais baratos, de cobertura mais modesta, e usem o SUS para procedimentos de alta complexidade e alto custo. O que o senhor pensa sobre esse modelo? Pullin Há vários modelos e temos defendido essa flexibilidade de não deixar o plano tão robusto, o que permitiria abaixar o preço e mais pessoas poderem adquiri-lo, inclusive desonerando o Estado. Entretanto, creio que a conversa entre setor público e privado tem que avançar muito para que isso possa ser feito, a fim de que não se torne apenas mais uma peça de mercado, um produto que não vai resolver o problema e pode até criar outros maiores. Ampla Do modo como o Estado trata quem procura o SUS, aparentemente, o sistema deveria ser usado exclusivamente por aqueles que não podem pagar um plano de saúde. Quem pode, deveria usar somente o plano. Como o senhor vê isso? Pullin Não é o que diz a Constituição de 1988. Ela diz que o país tem um sistema único de saúde e que, de maneira suplementar, o Estado pode autorizar o setor privado a operar na área de saúde, num conceito de saúde universal para todos, ampla, geral e irrestrita. As pessoas ainda estão trabalhando com esse conceito, só que não há dinheiro. Os setores público e privado, este regulamentado em 1998, estão apartados e têm formas de atuação completamente diferentes. Devemos trabalhar juntos. É importante que o setor público e o setor suplementar trabalhem de forma que um complete o outro. No momento em que o setor público e o privado uniformizarem seus modelos, e as mesmas cobranças de qualidade que hoje são feitas ao setor privado também se aplicarem ao setor público, todos ganharão. R e v i sta A m pl a | 1 7 História de Médico | Sonho Medicina sem fronteiras Cirurgião atuante em Foz do Iguaçu conta como conquistou o sonho de ser médico Nascido em Assunção, no Paraguai, no final da década de 1950, o médico cirurgião Isidoro VillaMayor, tem muitas histórias para contar. A começar pela força de vontade para iniciar o curso de medicina longe do país de origem. O pai era militar e não apoiava a escolha, queria que seguisse a carreira militar também. Ele até tentou por dois anos, mas graças à ajuda de sua mãe, Isidoro veio estudar no Brasil, em Maceió, por conta 1 8 | R e v i sta A m pl a de um convênio do Paraguai com a Universidade Federal de Alagoas. Os primeiros anos de faculdade foram difíceis. “Eu era estrangeiro e o sotaque bem-acentuado daquela região dificultava a compreensão. A forma de ensino também era bem difícil de captar no início, tanto é que alguns colegas perderam o primeiro e o segundo anos”, relata. Além dos problemas com o idioma, Isidoro tinha dificuldade com a administração do dinheiro, que era pouco. “Exigiu bastante, mas valeu a pena”, destaca. A vontade de ser médico surgiu quando era criança, um pouco por influência de um seriado americano chamado Dr. Kildare. Hoje Isidoro é cirurgião-geral, o que para ele é a medicina na sua total atenção. “Com as cirurgias é possível resolver muitas enfermidades”, destaca. As particularidades do sotaque local de Maceió, somadas ao fato de Isidoro tive”, destaca. Foi no segundo ano de residência que ele se sentiu mais seguro para atuar como médico, pois percebia que detinha conhecimento técnico e experiência prática. E foi na residência também que esse médico cirurgião viveu momentos e experiências das quais se recorda até hoje. Uma delas é a história de uma senhora que tinha um tumor na tireoide, que foi a paciente na qual Isidoro fez sua primeira cirurgia. ser estrangeiro também refletiram nos primeiros anos de prática da profissão, quando fazia residência. “Uma vez uma senhora chegou para uma consulta dizendo que estava com problema na ‘mãe do corpo’, precisei perguntar aos instrutores que trabalhavam comigo para entender que se tratava do útero. Da mesma forma ocorreu com a expressão ‘corredeira’ ”, que significa diarreia. Ao fim da faculdade, Isidoro mudou-se para o Rio de Janeiro para fazer residência em cirurgia, onde teve contato com professores da Santa Casa. “Lá fiz plantões e tive mais autonomia para atuar”, conta. Apesar de ter gostado da experiência na cidade maravilhosa, ele sempre tinha intenção de voltar para o país de origem para ficar mais perto da família. “Por isso, sempre procurava aprender muito em todas as oportunidades que Final feliz “Foi um procedimento muito bem-sucedido e senti um reconhecimento muito grande por parte da paciente. Ela retornou algumas vezes ao ambulatório para fazer acompanhamento pós-operatório e sempre destacou sua gratidão. Isso ocorreu também no ano em que me casei pela primeira vez, e aquela senhora foi ao meu casamento como forma de agradecimento. Foi extremamente agradável receber esse carinho”, destaca. Depois de se formar em Alagoas e de fazer residência no Rio de Janeiro, Isidoro Villamayor veio para Foz do Iguaçu, no Paraná, por conta de uma oportunidade no Hospital da Itaipu. Desde que está na cidade, um dos momentos que mais marcou a sua carreira foi a eleição para ser presidente da Unimed em 1999, quando tinha 39 anos. “Fui o primeiro presidente estrangeiro e atuei por dois mandatos”, relata. Ainda em Foz do Iguaçu, onde vive desde a década de 1990, outro momento difícil, com final feliz que viveu, foi o chamado para atender uma paciente que estava no nono mês de gestação e com muita hemorragia. A cesariana já estava feita e o bebê havia falecido, mas ainda havia grande risco de vida para a mãe. “Consegui identificar que a hemorragia era proveniente de uma ruptura espontânea do fígado, problema que costuma apresentar 90% de chance de mortalidade. A cirurgia feita por mim foi muito bem-sucedida e capaz de estancar a hemorragia”, conta. Mas não é apenas de finais felizes que vive a medicina, um ofício cheio de histórias tristes, que proporcionam grandes aprendizados. O médico Isidoro VillaMayor lembra de alguns desses momentos como os mais marcantes de sua carreira e da sua vida. “Eu estava no primeiro ano de residência e fui chamado para atender uma criança de 8 anos no setor de pediatria. Ela estava muito magra e era vítima de leucemia. Acabou não sobrevivendo. Eis que, nos momentos logo após o falecimento, eu e uma colega localizamos algumas fotos daquela criança quando ela estava bem, na sua total saúde, feliz e saudável com a mãe. Nos emocionamos e choramos, pensando que não deveria ser permitido a uma criança tanto sofrimento e uma morte tão prematura”, reflete. Corriqueiros, mas marcantes Momentos que o médico diz sempre impressionar, mesmo que tenham se tornado corriqueiros, são os acidentes automobilísticos, principalmente, envolvendo jovens com motocicletas. Isidoro trabalha atualmente no pronto-socorro municipal de Foz do Iguaçu e por isso se depara com frequência com esse tipo de paciente. “Os jovens muitas vezes se machucam, ficam inválidos e morrem por imprudência. É uma situação corriqueira, mas que sempre marca”, destaca. Para ele a medicina é a mais gratificante das profissões, mas exige muita vocação e dedicação. “A vontade de ser médico surgiu quando era criança, um pouco por influência de um seriado americano chamado Dr. Kildare” Isidoro VillaMayor R e v i sta A m pl a | 1 9 Prevenindo | Superdiagnóstico Alerta: excesso de exames pode trazer riscos à saúde do paciente Hábitos como atendimento humanizado e anamnese detalhada evita extenso receituário de procedimentos É certo que a evolução da medicina, com o surgimento de novos exames e tecnologias de ponta para identificação de diversos tipos de doenças, mudou o perfil do atendimento médico para muitos profissionais. Já se foi o tempo em que uma consulta médica era suficiente para deixar um paciente tranquilo. Para grande parte das pessoas, principalmente os beneficiários de planos de saúde, quanto mais exames o médico solicitar melhor. A descoberta dos raios-X, em 1895, marcou o início dessa nova era. Apesar dessa constatação, alertas internacionais e alguns casos envolvendo mortes de pacientes após realização de determinados procedimentos, pedem atenção dos profissionais na hora de indicar exames como tomografia, raios-X, eletrocardiograma, papanicolau, PSA, entre outros, sem real necessidade. O abuso de tratamentos e exames custa caro e sobrecarrega o sistema de saúde, mas o mais importante, também, é que coloca em risco a vida do paciente. De acordo com Eugênio Vilaça, autor dos livros “Redes de Atenção à Saúde” e “O cuidado das condições 2 0 | R e v i sta A m pl a crônicas na Atenção Primária à Saúde”, é preciso ter claro que, no campo da prevenção, no que diz respeito a certas tecnologias como rastreamento de doenças e exames periódicos de saúde, deve-se atuar com cautela. “O excesso de ações preventivas, na prática clínica, pode ser explicado por razões como a busca da perfeição impossível, a medicalização da vida, e o surgimento dos conceitos de fator de risco e risco zero”, explica. Ainda segundo Vilaça, a imposição de uma saúde obrigatória e os interesses econômicos envolvidos com a indicação de exames de todas as naturezas também são fatores que acabaram culminando no atual cenário da medicina. “Do ponto de vista econômico, esses excessos derivam da possibilidade das organizações de saúde, em função da assimetria de informações entre profissionais de saúde e pessoas usuárias, induzirem demanda pelo aumento da oferta” destaca em seu livro O cuidado das condições crônicas na Atenção Primária à Saúde. A necessidade de ponderar se a realização de procedimentos estava sendo indicada de forma equilibrada motivou associações médicas norte-americanas a promoverem uma campanha chamada de “Choosing Wisely” (Escolhendo Sabiamente). Com o objetivo de promover a conscientização de médicos e pacientes, foram divulgadas nos Estados Unidos diversas listas com exames que deveriam ser recomendadas com menor frequência. Entre as recomendações do movimento estão o de não realizar o exame preventivo conhecido como Papanicolau para mulheres menores de 21 anos sem risco ou histórico, não recomendar eletrocardiograma anual para quem não é fator de risco e não recomendar tomografia ou antibiótico para pacientes com suspeita de sinusite antes de passado o período de uma semana. A listagem traz, ainda, orientações e justificativas, como no caso da sinusite, em que se explica que na maioria dos casos esse problema é causado por vírus e vai embora sozinho. “O exemplo das tomografias computadorizadas é emblemático. Trata-se de um recurso diagnóstico que representou enorme avanço na medi- cina contemporânea. Mas há exageros em seu uso. Nos Estados Unidos, fizeram-se, em 2000, aproximadamente 40 milhões de tomografias computadorizadas; em 2005, mais de 76 milhões; e, em 2010, mais de 100 milhões, o que deu uma média de um exame para cada três americanos. É preciso ter cautela para não submeter os pacientes a radiações desnecessárias”, cita Vilaça em sua mais recente obra. Voltando para o campo da prevenção em excesso, a realização do exame de próstata com a utilização do antígeno prostático específico (PSA) é um dos procedimentos que gera muitas discussões. Recentemente, um grupo de médicos reunidos na convenção anual da Associação Americana de Urologia, em San Diego, na Califórnia, também divulgou ser contra o exame de sangue anual para detecção do câncer de próstata em homens com pouco risco abaixo dos 55 e acima dos 70 anos. Para os médicos, cada paciente deve ser detalhadamente avaliado antes de ser submetido ao procedimento. Um caso que chamou atenção na mídia, também envolvendo a detecção do câncer de próstata, foi o das mortes de três pacientes que passaram por um tipo de ressonância magnética que utilizava uma substância para enriquecer a qualidade da imagem em uma clínica que presta serviços para o Hospital Vera Cruz, em Campinas, São Paulo. O caso ainda está sendo investigado pela polícia, que apurou que, em apenas um dia, 83 exames de ressonância magnética foram feitos no local. Segundo as investigações, há suspeita de que a substância utilizada para melhorar a imagem tenha sido aplicada erroneamente nos pacientes, como se fosse soro fisiológico. Casos como esses, envolvendo exames, substâncias e outros procedimentos não são raros, o que aumenta o alerta para que a prioridade no atendimento à saúde volte a ser uma anamnese completa de cada pessoa e situação, pendendo cada vez mais para a humanização da medicina. Hábitos como uma conversa dos médicos com seus pacientes evitariam alguns dos exames, que são procedimentos técnicos que poderiam ser substituídos por investigação de hábitos alimentares, práticas de exercício, estilo de trabalho realizado, além da identificação de fatores de risco. “É preciso levar em consideração que o exagero de exames não resultará em mais saúde ou longevidade. Alimentação saudável, atividade física e parar de fumar são atitudes mais eficientes do que muitos exames preventivos”, destaca Vilaça. Quem tiver interesse por se informar sobre o assunto pode consultar dois livros indicados pelo consultor. “Overdiagnosed”: publicado em 2010, autor Gilbert Welch “Overtreated”: publicado em 2007, autora Shannon Brownlee R e v i sta A m pl a | 21 Check-Up | Guarapuava Unimed inaugura serviço de oncologia A Unimed Guarapuava inaugura, neste mês de junho, o Ânimo, serviço de oncologia com capacidade para atender 50 pacientes por mês. Segundo o presidente da Singular, Abrão Melhem Junior, o serviço vai oferecer tratamento de quimioterapia e melhorar o atendimento de saúde dos beneficiários Unimed e de toda a região. Alguns ajustes no ambiente destinado ao serviço, 350 m² externos às instalações da Singular, como softwares e últimos detalhes nas reformas, ainda devem ser providenciados, o que impede a presidência de determinar uma data exata para a inauguração. “É uma conquista histórica para a Unimed Guarapuava, que sempre dependeu de prestadores para garantir esse serviço a seus beneficiários”, afirma Melhem Junior. Ele conta que um ano de estudos, planos e desenvolvimento de equipe foi necessário para a montagem do Ânimo, e que a decisão de montar o serviço partiu da necessidade de prover, para os beneficiários Unimed na área de atuação da Singular, um serviço de oncologia de qualidade e, ao mesmo tempo, reduzir os custos assistenciais com intercâmbios: “É mais econômico manter o serviço, 2 2 | R e v i sta A m pl a oferecendo segurança, conforto e tecnologia aos nossos beneficiários do que arcar com os altos custos de intercâmbio para quimioterapia”. Além de muitos colaboradores passarem por capacitação em oncologia para atender nesse serviço, outros já capacitados foram contratados. Por enquanto, o Ânimo proverá somente quimioterapia, mas, mais adiante, poderão ser acrescentados outros tratamentos com imunobiológicos e vacinas. Aumento de casos de câncer Abrão Melhem Junior afirma que a procura por esse tipo de tratamento é de cerca de 60 pacientes ao mês. A Unimed Guarapuava está se preparando bem, pois os casos de câncer devem aumentar não apenas no Brasil, mas no mundo. Segundo a Agência Internacional para a Pesquisa do Câncer (AIPC), ligada à Organização Mundial da Saúde (OMS), o número de pessoas com câncer deve crescer mais de 75% no mundo todo até 2030. A pesquisa, divulgada em maio de 2012, aponta que o aumento dos casos em países pobres é provocado principalmente pela adoção de estilos de vida considerados insalubres e “ocidentalizados”. Já um artigo na revista especializada Lancet Oncology, divulgado este ano, aponta aumento de casos de 38,1% no Brasil ao longo desta década, com mais de 500 mil novos casos em 2020. E adverte que a América Latina pode enfrentar um aumento significativo no número de mortes por câncer, se não houver uma melhoria no diagnóstico precoce da doença e no acesso a tratamentos pelas populações mais pobres. Perfil Nº cooperados: 234 Nº beneficiários: 23.656 Nº colaboradores: 74 Área de atuação: Boa Ventura, Campina do Simão, Candói, Cantagalo, Espigão Alto do Iguaçu, Foz do Jordão, Goioxim, Guarapuava, Inácio Martins, Irati, Laranjal, Laranjeiras do Sul, Mallet, Marquinho, Mato Rico, Nova Laranjeiras, Palmital, Pinhão, Pitanga, Porto Barreiro, Prudentópolis, Rebouças, Reserva do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu, Santa Maria do Oeste, Turvo e Virmond. Check-Up | Ponta Grossa Hospital Geral da Unimed Ponta Grossa recebe acreditação O diretor de Mercado e Desenvolvimento da Unimed Ponta Grossa, Nilson Sant´Ana, o gerente-geral Serviços da Unimed do Paraná, Rodolfo Garcia Maritano, o presidente da Unimed Ponta Grossa, Lecy Ferreira Mattos, o diretor vice-presidente da Federação, Robertson D´Agnoluzzo, o diretor administrativo da Unimed Ponta Grossa, Octacílio Couto, e Luiz Fernando Nicz, gerente-geral Operadora da Unimed Paraná O HGU - Hospital Geral da Unimed Ponta Grossa é o primeiro hospital próprio da Unimed no Paraná a receber a homologação da Acreditação Hospitalar. É também o único hospital da cidade de Ponta Grossa. Rodrigo Della Torres, coordenador de Qualidade do HGU e responsável pela condução das medidas necessárias à acreditação, conta que a homologação foi concedida no ano passado, após um ano e quatro meses de capacitações e adaptações para que dependências, colaboradores e cooperados estivessem dentro de parâmetros avançados de gestão, qualidade e segurança. “No Brasil, os hospitais que têm sua qualidade reconhecida dessa forma ainda fazem parte de um grupo seleto: dos aproximadamente 6.500 hospitais, apenas 187 têm acreditação homologada”, afirma Torres. Ele conta que o processo teve início em julho de 2010, com a implementação do Programa 5S e, um ano depois, com o programa já consolidado, iniciou-se a implantação da metodologia do Sistema Brasileiro de Acreditação. Diversas foram as capacitações realizadas e o HGU desenvolveu o Núcleo de Educação Permanente para fomentar ações de capacitação com seu corpo funcional. Torres destaca ainda o estudo realizado pela empresa Wide Consultoria para aplicação do Plano de Cargos e Salários, colocado em prática a partir de março deste ano. Arregaçar as mangas Segundo ele, a acreditação é uma tendência de mercado ainda voluntária, mas cada vez mais necessária, e uma realidade para os hospitais filiados à ANAHP - Associação Nacional de Hospitais Privados. E o governo federal vem tomando providências nesse sentido, como o Programa Nacional de Segurança do Paciente, instituído no dia 1º de abril de 2013, pelo Ministério da Saúde. Para Torres, hospitais que ainda não têm um sistema de gestão de qualidade devem arregaçar as mangas e iniciar o processo para agregar valor ao negócio saúde e remodelar os processos da organização. “A conquista dessa certificação nada mais é do que o reconhecimento do empenho e das metodologias empregadas em prol da gestão, qualidade e segurança do paciente. Entendemos que nos confere também uma responsabilidade ainda maior, pois a expectativa dos beneficiários, cooperados e colaboradores aumenta a partir desse momento”, diz. Todos os cooperados da Singular atendem no HGU, num total de 377 profissionais, além dos 39 candidatos a cooperados. São 6.689,56 m² de área construída, com 91 leitos (71 de internação, dez de UCA e dez de observação), mais 12 apartamentos e nove acomodações temporárias. O HGU recebe, em média, 4.700 consultas e 500 internações ao mês. O diretor-presidente da Unimed Ponta Grossa, Lecy Ferreira Mattos, agradece a todos os envolvidos nesse processo, especialmente o coordenador de Qualidade, Rodrigo Della Torres, e a gerente-executiva, Mônica Pinheiro, além de agradecer o aval da Diretoria Executiva. Perfil Nº de cooperados: 389 Nº de beneficiários: 46.791 Nº de colaboradores: HGU – 335; Operadora - 116 Área de atuação: Arapoti, Cândido de Abreu, Carambeí, Castro, Imbituva, Ipiranga, Ivaí, Jaguariaíva, Palmeira, Piraí do Sul, Ponta Grossa, São João do Triunfo, Teixeira Soares, Telêmaco Borba, Tibagi e Reserva. R e v i sta A m pl a | 2 3 Check-Up | Apucarana 25 anos de conquistas Unimed Apucarana comemora balanço positivo da gestão anterior e mostra potencial para avançar nos projetos com a nova diretoria Prestes a completar 25 anos de existência, a Unimed Apucarana acaba de trocar de diretoria com motivos para comemorar os objetivos atingidos pela antiga gestão e otimismo para seguir em frente com os antigos e novos projetos. Entre as ações de destaque que têm sido desenvolvidas pela Cooperativa estão a realização de pesquisa de satisfação com médicos cooperados e clientes, a abertura de escritórios regionais de atendimento e vendas, a concentração das estruturas dos setores de atendimento ao cliente como liberação e relacionamento, além da implantação do programa de Gerenciamento da Saúde Corporativa, entre outros. Para o ex-presidente da Unimed Apucarana, José Eduardo Rupolo, o desafio principal quando assumiu a diretoria da Cooperativa era qualificar e profissionalizar a gestão administrativa. Para isso, consultorias foram contratadas para execução do 2 4 | R e v i sta A m pl a Plano de Cargos e Salários dos Funcionários, para Planejamento Estratégico, Mapeamento de Processos, assim como foram realizados treinamentos e cursos de qualificação para colaboradores e cooperados. “Hoje, podemos nos vangloriar que conseguimos atingir o que desejávamos. Nossa Cooperativa está consolidada administrativamente e é modelo no Sistema Unimed, o que se pode confirmar com os mais diversos prêmios alcançados, IDSS da ANS, Selo Ouro de Governança Cooperativa da Unimed do Brasil, entre outros. Gostaria de reforçar nossos agradecimentos aos cooperados, colaboradores, prestadores e clientes que nos possibilitaram atingir os objetivos”, diz. Para a atual presidente da entidade, Marly Hirata Figueiredo, a Unimed Apucarana é uma Singular que, apesar de seu porte pequeno, tem um desempenho de destaque dentro do Sistema Unimed. “A manutenção desse bom desempenho, certamente, dependerá de uma gestão de muito trabalho, do diálogo com nossos conselheiros, cooperados e colaboradores, unindo nossas forças em prol da Cooperativa”, destaca. Segundo Marly, entre os projetos que seguirão em andamento na nova gestão estão a manutenção da política de ganhos progressivos dos cooperados, sem deixar de lado o equilíbrio financeiro da Cooperativa e da melhoria contínua dos serviços prestados aos beneficiários. Além disso, a entidade pretende implantar um projeto de estudo para viabilidade de instalação de um pronto-atendimento para atender os beneficiários. “Esse assunto tem sido tratado há alguns anos entre nossos cooperados e beneficiários. É importante avaliarmos as possibilidades, com dados concretos, e aí sim, apresentarmos para os nossos cooperados uma proposta viável para a realização desse projeto, um grande sonho da nossa Singular”, relata a presidente. Marly ainda destaca que, ao longo dos 25 anos de existência, a Unimed construiu uma história de muito trabalho e sucesso. “Certamente, o status alcançado se deve muito à atuação séria e competente dos nossos Cooperados, de nossos colaboradores, e dos dirigentes que estiveram à frente de nossa Cooperativa”. Os obstáculos enfrentados neste mercado são enormes, mas isso não tem impedido o crescimento da Unimed Apucarana, reforça. Perfil Nº cooperados: 171 Nº beneficiários: 17.050 Nº colaboradores: 58 Área de atuação: Apucarana, Arapuã, Ariranha do Ivaí, Borrazópolis, Bom Sucesso, Califórnia, Cambira, Cruzmaltina, Faxinal, Godoy Moreira, Grandes Rios, Imbaú, Ivaiporã, Jandaia do Sul, Jardim Alegre, Kaloré, Lidianópolis, Lunardelli, Manoel Ribas, Marilândia do Sul, Marumbi, Mauá da Serra, Nova Tebas, Novo Itacolomi, Ortigueira, Rio Bom, Rio Branco do Ivaí, Rosário do Ivaí, São João do Ivaí e São Pedro do Ivaí. Check-Up | Noroeste O esporte como incentivo à saúde Ao patrocinar modalidades esportivas, Unimed Noroeste se aproxima da comunidade e mostra a importância das atividades físicas para a saúde do corpo e da mente A Unimed Noroeste do Paraná é reconhecida por, desde a sua origem, agir ativamente em prol da sociedade. Além de desenvolver diversas ações de responsabilidade social e dar apoio na organização de eventos que envolvem toda a comunidade, a Singular sempre esteve engajada com o apoio ao esporte local em suas diversas modalidades. Dessa forma, a Unimed se aproxima da comunidade e ao mesmo tempo consegue mostrar a importância das atividades físicas para a saúde do corpo e da mente. Os patrocínios são formalizados por meio de contratos e a verba para investimento nesse tipo de ação é proveniente do setor de Marketing. A maioria dos acordos fechados tem validade de um ano, visto que a contrapartida costuma ser a divulgação da marca Unimed. “O patrocínio ao esporte tem tudo a ver com a nossa marca, além de atender a comunidade por meio dos seus projetos de extensão social, como as escolinhas de futsal e atletismo, que tiram as crianças das ruas”, relata o diretor-presidente da entidade, Adalberto Carlos Giovanini Filho. Modalidades Neste ano, os patrocínios estão concentrados em três modalidades: Futsal, Handebol e Atletismo. No caso do Futsal de Umuarama, o contrato foi renovado pelo 8º ano consecutivo. Além do patrocínio mensal, a Unimed Noroeste oferece assistência à saúde aos atletas. Em contrapartida, a marca aparece em uniformes, placas na quadra e diversos materiais visuais. A Singular também está patrocinando, durante todo o ano de 2013, o projeto que obteve destaque nacional “Uma Grande Jogada/Handebol de Competição”, da Secretaria Municipal de Esporte e Lazer. Para retribuir o apoio, a marca Unimed estará visivelmente presente nos uniformes de treinamento, nos cartazes de divulgação dos jogos, banners e convites. Outro patrocínio efetivado pela Singular é o concedido para a Associação Ferreirão Amigos do Esporte, para o projeto “Descobrindo Talentos”. O projeto visa a tirar as crianças e adolescentes de baixa renda das ruas, incentivando-as para prática esportiva de atletismo no contraturno escolar. Retorno “Por meio do incentivo a eventos esportivos visamos a despertar o desejo pela atividade física e associar a nossa marca à promoção da saúde e da qualidade de vida”, reflete o diretor-presidente da Singular. Para ele, esse tipo de ação faz parte do papel de uma empresa socialmente responsável. “Ao longo dos anos, temos fortalecido nosso vínculo com ações para comunidade. O futsal mantém a escolinha que atende 500 crianças e o atletismo é um projeto social, que objetiva tirar as crianças carentes da rua. Por esse motivo, o patrocínio se torna ainda mais interessante”, diz. Ainda de acordo com Adalberto, a Singular pretende continuar a realizar ações como essa. A Cooperativa inclusive indica que outras Unimeds que ainda não investiram nesse tipo de iniciativa apostem no patrocínio aos esportes e, consequente, auxílio em projetos sociais. “Principalmente porque, por meio dos patrocínios, participamos da nossa comunidade que é a fonte de beneficiários”, aponta. Perfil Nº de cooperados: 198 Nº de beneficiários: 19.016 Nº de colaboradores: 54 Área de atuação: Altonia, Alto Paraíso, Alto Piquiri, Brasilândia do Sul, Cafezal do Sul, Cruzeiro do Oeste, Douradina, Esperança Nova, Goioerê, Icaraima, Iporã, Ivaté, IV Centenario, Janiópolis, Mariluz, Maria Helena, Nova Olimpia, Moreira Sales, Perobal, Perola, S. J. do Patrocinio, Rancho Alegre do Oeste, Tapira, Umuarama, Xambrê. R e v i sta A m pl a | 2 5 Artigo | MBE Revisão sobre o uso da toxina botulínica no tratamento de pacientes com disfagia orofaríngea Marlus Volney de Morais - Médico, gerente de Regulação da Assisténcia à Saúde Rosane H. Greiffo - Analista da Área de Auditoria e Serviços de Saúde Tendo em vista a crescente demanda e solicitação do uso de toxina botulínica para pacientes com disfagia, o setor de Medicina Baseada em Evidências da Unimed Paraná buscou fazer essa revisão para atualização sobre o tema. A rápida expansão do uso terapêutico da toxina botulínica se deu, principalmente, baseada na ação farmacológica estabelecida pela droga (contração muscular) e nos mecanismos de ação propostos (inibição da liberação de acetilcolina nos terminais nervosos motores, ação antinociceptiva), por esse motivo, ela abrange uma imensa variedade de desordens oftalmológicas, gastrointestinais, urológicas, ortopédicas, dermatológicas, secretórias, dolorosas e cosméticas. Recentemente, a toxina botulínica tipo A (TBA) tem sido empregada no tratamento da disfagia neurogênica, com o objetivo de reabilitar a deglutição. Entre os tratamentos descritos, estão o medicamentoso, a neurólise química, a estimulação elétrica neuromuscular, a dilatação endoscópica, o tratamento cirúrgico por miotomia do cricofaríngeo e aplicação de injeção botulínica. O objetivo deste estudo foi investigar se, em pacientes com disfagia e distúrbios da deglutição, o uso da toxina botulínica é superior quando comparado com outros tipos de tratamento em relação aos seguintes desfechos: a) diminuição de pneumonias de repetição por microaspirações; b) segurança e eficácia do tratamento. Estudos de série de casos têm mostrado a eficácia da injeção de TBA no músculo cricofaríngeo (o principal componente do esfíncter esofágico superior), mas alguns pacientes não respondem ao tratamento com a TBA e não há marcadores confiáveis de resposta da toxina. O produto também tem sido utilizado para tratamento de outras anormalidades envolvendo o esfíncter superior do esôfago (ESE) e mais especificamente o músculo cricofaríngeo, incluindo diversas doenças neurológicas, como a esclerose lateral amiotrófica ou a esclerose múltipla, acidentes vasculares cerebrais, lesão iatrogênica da faringe e/ou lesão dos nervos faríngeos durante procedimentos cirúrgicos da cabeça e pescoço, além de condições idiopáticas. Os efeitos iniciais da TBA podem ser observados entre o 3º e o 10º dia após a aplicação. O efeito dura entre seis semanas e seis meses, com tempo médio entre três e quatro meses. Segundo Chiu e colaboradores (5), a toxina botulínica traz melhora na deglutição, porém, os pacientes requerem injeções a cada três-cinco meses. Experiências limitadas (pequeno Referências 1. LEMBO, A. J. Diagnosis and treatment of oropharyngeal dysphagia. Up to Date Maio 2010. Disponível em: http://www.uptodate.com/online/content/topic.do?topicKey=eso_ dis/10342&view=print. 2. MOERMAN, M. B. J. Cricopharyngeal Botox injection: indications and technique. Current Opinion Otolaryngology Head and Neck Surgery. 2006 (14):431–436. 7. Projeto Diretrizes. Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina. Sociedade Brasileira de Medicina Física e Reabilitação. Diagnóstico e tratamento da espasticidade. 2001. Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/048.pdf . 3. CARNABY-MANN, G. D. et al. Examining the evidence on neuromuscular electricalstimulation for swallowing: a meta-analysis. Archives of Otolaryngology and Head Neck Surgery. 2007; 133:564. 4. CAMPBELL, B. H. et al. The risk and complications of aspiration following cricopharyngeal myotomy. American Journal of Medicine. 1997; 103:61S. 2 6 | R e v i sta A m pl a número de pacientes e com tempo de seguimento curto) sugerem que a terapia com toxina botulínica tenha algum papel como alternativa à miotomia cricofaríngea. Apesar desses poucos estudos de relatos e séries de casos demonstrarem que a TBA possa trazer algum benefício na disfagia orofaríngea, persiste a dúvida se a TBA é superior, inferior ou equivalente às outras terapias disponíveis. Além disso, pode estar associada a eventos adversos por seu uso. São necessárias publicações de ensaios clínicos randomizados (ECR) de qualidade para reforçar as evidências dos procedimentos com toxina botulínica no tratamento da disfagia orofaríngea. Segundo a Revisão Sistemática de Hill (*7, 2013) e o ensaio clínico randomizado de Restivo (*8, 2013), além das séries de casos encontradas, conclui-se que as evidências disponíveis sobre a segurança e eficácia até o momento são fracas e insuficientes para recomendar o uso rotineiro da TBA na disfagia orofaríngea. Entretanto, considerando evidências de segurança de eficácia das terapias alternativas (miotomia do cricofaríngeo, estimulação elétrica neuromuscular e dilatação do ESE), a terapia com a TBA poderia ser considerada em casos selecionados que falharam à terapia de reabilitação. 5.CHIU, M. J. et al. Prolonged Effect of Botulinum Toxin Injection in the Treatment of Cricopharyngeal Dysphagia: Case Report and Literature Review. Dysphagia. 2004 (19): 52-57. 6.. SPOSITO, M.M. Toxina Botulínica do Tipo A: mecanismo de ação. Instituto de Medicina Física e Reabilitação, HC FMUSP. Acta Fisiátrica, n° 1, vol. 16, janeiro de 2009. 7. HILL, M. et al. Treatment for swallowing difficulties (dysphagia) in chronic muscle disease. Cochrane Database of Systematic Reviews, Issue 3, 2013 8. RESTIVO, D.A. ET AL. ALS dysphagia pathophysiology: differential botulinum toxin response. Neurology. 2013 Feb 12;80(7):616-20. doi: 10.1212/WNL.0b013e318281cc1b. Epub 2013 Jan 23. 9. FURLAN, L.H.P. et al USO DA TOXINA BOTULÍNICA NO TRATAMENTO DE PACIENTES COM DISFAGIA OROFARÍNGEA, Síntese parcial, Setor de Medicina Baseada em Evidências do Sistema Unimed Paraná. Paraná, Curitiba, 23/08/2010. Para cuidar melhor, a gente se inspira em você. A Seguros Unimed faz de tudo para cuidar bem do que é importante para você. Foi pensando nisso que desenvolvemos uma carteira completa de produtos nos segmentos Vida, Previdência, Saúde, Assistências e Odonto. São 26 escritórios regionais distribuídos pelo Brasil e mais de 6 milhões de segurados atendidos. Esses resultados, em nossos 20 anos de estrada, comprovam: assim como você, a gente sabe investir no futuro. www.segurosunimed.com.br Unimed Seguradora S.A. - ONPP/MF - 92.863.505/0001-06 - SUSEP 694-7 Unimed Seguros Saúde S.A. - ONPS/MF - 04.487.255/0001-81 - ANS 00070-1 SOU - Adm. e Comercialização de Planos de Saúde Odontológico Ltda. ONPS/MF - 10.414.182/0001-09 - ANS 41680-1 R e v i sta A m pl a | 2 7 2 8 | R e v i sta A m pl a