CÂMARA DOS DEPUTADOS Brasília - Segunda-feira, 6 de agosto de 2001 Código de Ética e Código Civil na pauta do plenário A pauta do plenário para esta semana inclui a votação, em primeiro turno, do Projeto de Resolução 106/92, que institui o Código de Ética e Decoro Parlamentar. O projeto pode ser apreciado já na sessão de amanhã. Também estão na pauta o PL 3.532/00, do Executivo, que agrava as punições impostas contra o crime de falso testemunho; o PL 3.242/00, do Executivo, que altera as normas referentes ao cadastro, tribu- tação e registro dos imóveis rurais, a fim de coibir a apropriação irregular e a transferência fraudulenta de terras públicas ou particulares; o Projeto de Decreto Legislativo 861/01, que aprova o Tratado de Parceria com a Federação Russa; e, dependendo da aprovação de requerimento de urgência, o PL 4.143/01, do Executivo, que inclui no Código Penal um capítulo sobre “os crimes praticados por particular contra a administração pública estrangeira”, com o objetivo de aplicar no país a convenção internacional sobre o combate à corrupção de funcionários públicos estrangeiros em transações comerciais internacionais. Na quinta-feira, em sessão extraordinária marcada para as 9 horas, o plenário deverá apreciar as emendas do Senado ao PL 634/ 75, do Executivo, que reforma o Código Civil. Plenário debate pacote do governo para segurança pública A crise na Polícia Militar e as ações do governo para conter o aumento da violência urbana repercutiram no plenário da Câmara. O deputado Alberto Fraga (PMDB-DF) defendeu piso salarial e política efetiva de segurança nacional para resolver o problema da greve nas polícias militares. Já o deputado Eurípedes Miranda (PDT- E m virtude da greve dos funcionários do Departamento de Imprensa Nacional, onde é impresso o Jornal da Câmara, esta edição está circulando com sua tiragem limitada, reproduzida pelo DEAPA - Coordenação de Serviços Gráf i c o s RO) considerou a medida provisória do governo, que pretende dar poder de polícia ao Exército, uma “ameaça ao Estado de Direito”. Segundo ele, entre as atribuições das Forças Armadas, previstas pela Constituição, não está a de coordenar ou controlar as polícias militares. O deputado Cabo Júlio (PLMG) criticou a atitude do go- verno de esvaziar a Comissão de Segurança Pública da Câmara, enviando um pacote sobre o tema por meio de medida provisória. Os deputados Regis Cavalcante (PPS-AL), Gonzaga Patriota (PSB-PE) e Agnelo Queiroz (PCdoB) também avaliaram as propostas de reestruturação do setor de segurança pública. Página 5 DEV OLU ÇÃ O PRT - 47-840/92 Ano 3 - Nº 603 Agravamento da seca mobiliza deputados A situação das regiões afetadas pela seca vem mobilizando deputados de diferentes partidos, depois também das novas medidas adotadas pelo governo para enfrentar o problema. O fim das frentes de trabalho, por exemplo, foi condenado pelo deputado Zezé Perrella (PFL-MG), que apelou ao ministro Raul Jungmann por ações para o problema da fome e da miséria que se abate sobre os municípios mineiros. Também o deputado Leur Lomanto (PMDB-BA), preocupado com a longa estiagem no Nordeste, cobrou do governo a implantação do projeto Sertão Cidadão, lembrando que a seca da Cortes na Lei de Diretrizes Orçamentárias provocam reações em plenário Página 2 Biolchi destaca sanção sem vetos da lei que modificou crédito educativo Jornal da Câmara A TID RAN GA Jornal da Câmara Página 7 região é a pior dos últimos 25 anos. Já o deputado B.Sá (PSDB-PI) lembrou que o governo vem fazendo a sua parte e citou como exemplos o Banco da Terra e as parcerias com o Incra. Por último, Themístocles Sampaio (PMDB-PI) chamou a atenção para as dificuldades causadas pela seca no sul de seu estado. “É uma verdadeira calamidade”. alertou. Ele apontou a criação de frentes de trabalho como uma alternativa à doação de cestas básicas, “com apenas 13 quilos de alimentos, uma quantidade precária e insuficiente para alimentar uma família durante um mês”. Página 2 Limites de áreas de preservação florestal são contestados Os deputados Giovanni Queiroz (PDT-PA) e Confúcio Moura (PMDB-RO) criticaram a MP 2.080, que estabelece em 80% a reserva de mata a ser preservada nas áreas exploradas pela iniciativa privada. Eles alertam que a medida pode se transformar num grave empecilho ao desenvolvimento da Região Norte. Página 4 Na Internet: E-mail: www.camara.gov.br j o r n a l @ c a m a r a . g o v. b r ECONOMIA 2 - Brasília, 6 de agosto de 2001 Comissões Deputados protestam contra Cortes na Lei Orçamentária A retirada da previsão de recursos para o reajuste salarial dos servidores públicos da Lei de Diretrizes Orçamentárias foi considerada pelo deputado Paulo Rocha (PT-PA) uma insensibilidade do governo federal e Greve nas universidades tem apoio do PT O líder do PT, Walter Pinheiro (BA), destacou que a greve dos servidores técnico-administrativos das universidades federais, iniciada no dia 25 de julho em todo o Brasil, demonstra a falência do governo. “Além de deixar os servidores públicos federais sem reajustes, o governo também tenta desmantelar as universidades, por meio do sucateamento e da falta de investimentos no setor”, afirmou o deputado. Pinheiro acha que a greve está servindo para incentivar outras categorias do serviço público, que já começam a se mobilizar. Ele lembrou que, no dia primeiro de agosto, os servidores federais de todo o país fizeram uma paralisação de 48 horas contra o governo, que tem adiado a concessão do reajuste salarial já determinada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). “Os servidores reivindicam uma reposição salarial de 75,48%, referente às perdas ocorridas entre janeiro de 95 e dezembro de 2000 – nos sete anos do Plano Real, respaldada pelo STF, que julgou favorável uma ação direta de inconstitucionalidade impetrada pelo PT e PDT, a partir de uma ação de nosso mandato”, explicou o deputado, acrescentando que o Supremo determinou reajuste linear e satisfatório para toda a categoria, na data-base a ser definida pelo governo. Walter Pinheiro chamou atenção ainda para a situação dos hospitais universitários, que estariam sofrendo com a falta de recursos, materiais e equipamentos. acabou, segundo ele, gerando um descontentamento generalizado e detonando um processo de paralisação temporária e protestos em todo o país. Rocha anunciou que os servidores federais marcaram uma assembléia geral para esta semana, para avaliar a possibilidade de uma greve por tempo indeterminado, até que sejam atendidas as reivindicações. “A bancada do PT tem cobrado insistentemente do governo, há vários anos, atenção especial aos servidores. É inaceitável que, depois de sete anos de inflação, os funcionários continuem com os salários inconstitucionalmente congelados”, avaliou. Para Paulo Rocha, o governo quer dar a impressão de que não há inflação que justifique o aumento dos vencimentos, mas não consegue esconder que, nos últimos anos, a inflação acumulada já ultrapassou 80%. Ele lembrou ainda a decisão do Supremo Tribunal Federal, que considerou o Executivo omisso por não ter encaminhado ao Congresso proposta de aumen- to para os servidores. Gilmar Machado (PTMG), depois de apoiar a mobilização, lembrou que a perda acumulada pela categoria, depois de anos sem reajuste, está em 75,48%, o que representa uma redução de salário real de todos os servidores públicos. Ele lembrou que o STF, ao responder Ação Direta de Inconstitucionalidade dos partidos de oposição, julgou procedente o reajuste beneficiando os servidores. “Não se pode falar em ética quando se ignora uma determinação da mais alta Corte de Justiça do país”, acrescentou Machado. Já a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) apontou a Lei de Diretrizes Orçamentária aprovada nesta Casa como a pior dos sete anos de gestão do atual governo. Depois de chamar atenção especialmente para os cortes que serão realizados nos orçamentos dos ministérios da área social, a deputada também destacou a situação do funcionalismo federal, há sete anos sem reajuste salarial. Agricultura familiar também está ameaçada, diz Adão Pretto Os agricultores brasileiros estarão mobilizados, a partir desta semana, por causa dos cortes no Orçamento que serão realizados pelo governo federal na agricultura familiar. O alerta é do deputado Adão Pretto (PT-RS), ao registrar que 56% dos recursos destinados à agricultura familiar serão cortados, com redução de R$ 1,947 bilhão. Enquanto isso, ressalta o parlamentar, a agricultura empresarial já tem dinheiro disponível nos bancos há um mês. “Apesar de os valores previstos anteriormente serem insuficientes para a demanda dos pequenos agricultores, esses cortes vão gerar desespero e revolta entre os produtores, vão aumentar a exclusão e a miséria no campo, além de comprometer a safra agrí- cola”, avaliou Pretto. Por isso, o Movimento dos Pequenos Agricultores decidiu protestar veementemente contra essa ameaça do corte dos créditos do Plano de Safra da Agricultura Familiar 2001/2002. As manifestações, de acordo com o deputado, serão realizadas em todo o país, em busca de uma previsão para o lançamento desse plano, que vem sendo adiado, e a reavaliação desse corte. “Ao mesmo tempo em que ameaça liberar ilegal e apressadamente os transgênicos no Brasil para atender às exigências das multinacionais, o governo joga no mais fundo abandono milhões de pequenos agricultores que movem a economia nos municípios do país”, finalizou Pretto. Jornal da Câmara Leur e Perrella pedem providência contra seca Leur Lomanto (PMDBBA), apelou ao governo federal no sentido de que sejam buscadas soluções para combater a seca do Nordeste brasileiro. Seu objetivo é que o Projeto Sertão Cidadão “saia definitivamente do papel e os recursos cheguem às comunidades que estão sofrendo”. Segundo o parlamentar, a seca que assola a região é a pior dos últimos 25 anos e a população está passando necessidade e fome, além de morrer de sede. O deputado Zezé Perrella (PFL-MG) alertou para a situação dramática do semi-árido por causa da antecipação da seca neste ano e a falta de ação das autoridades responsáveis para diminuir os problemas por ela gerados. Ele chamou atenção para os mais de mil municípios que decretaram estado de calamidade pública na região, ao criticar a mudança de estratégia para o socorro aos flagelados da seca, com a decisão do governo federal de acabar com a frente de trabalho que, de acordo com o deputado, não resolvia o problema da fome na região, mas dava um pouco de dignidade ao caboclo sertanejo. “O que pedimos é que o socorro chegue logo, pois prefeitos de municípios do polígono das secas mineiro estão recorrendo desesperados aos representantes da população do estado, aqui no Congresso, pedindo pelo amor de Deus uma solução para o problema da fome e da miséria que se abate sobre os seus municípios”, disse Perrella. “Independente de quais medidas o ministro Jungmann pretenda tomar para combater os efeitos da seca no semi-árido, só pedimos que sejam executadas imediatamente, pois o povo tem fome”, pediu. Para o deputado B.Sá (PSDB-PI), é um equívoco creditar ao governo federal a culpa pela miséria e pela seca, já que, em sua avaliação, o Executivo tem feito a sua parte, socorrendo no que pode, apesar das dificuldades financeiras que enfrenta. “Existem municípios piauienses que estão sabendo aproveitar os projetos oferecidos pelo governo federal”, disse, citando como exemplo os programas do Banco da Terra e das parcerias com o Incra. “Infelizmente a imprensa local e nacional não divulga os resultados positivos da ação coordenada, principalmente nos planos federal e municipal, e não mostra as soluções que estão sendo encontradas para acabar com a seca”, lamentou. Situação do Sul do Piauí é de calamidade O deputado Themístocles Sampaio (PMDB-PI) chamou a atenção para as dificuldades causadas pela seca no sul de seu estado. “É uma verdadeira calamidade. Não tem água, nem comida. Vi o gado lambendo a terra”, revelou o parlamentar, que visitou diversos municípios piauienses durante o recesso. Sampaio criticou a iniciativa governamental de distribuição de cestas básicas, o que, em sua visão, “não resolve o caso”. “O povo não está pedindo esmola. Pede que os responsáveis pela nação façam com que tenham melhores dias e que a seca tenha ao menos uma feição mais humana”, afirmou. Para ele, a solução seria criar frentes de trabalho para que o homem do campo receba um salário mínimo por uma jornada de meio expediente. Themístocles lembrou que a cesta básica fornece apenas 13 quilos de alimentos, uma quantidade precária e insuficiente para alimentar uma família durante um mês. Ao concluir, o parlamentar salientou que, apesar de a seca atacar violentamente o sul do estado, a situação ao norte do Piauí está boa, já que tem chovido bastante na região. POLÍTICA Jornal da Câmara Brasília, 6 de agosto de 2001 - 3 Plenário Magela apóia Pacote Ético lançado por Aécio O deputado Geraldo Magela (PT-DF) saudou a iniciativa do presidente da Câmara, Aécio Neves, de votar um Pacote Ético, contendo medidas que visam resguardar o Legislativo. “Devemos caminhar sempre para o aprimoramento da democracia, o que exige atitudes muito firmes. As propostas do presidente são positivas”, afirmou Magela, ao ressaltar dois temas que, em sua visão, tem importância fundamental no pacote: a imunidade parlamentar e o financiamento público de campanhas. No primeiro quesito, o deputado declarou-se favorável à sua manutenção apenas para assegurar o direito dos parlamentares ao voto e à palavra, que considera legítimo. “É preciso coragem para votar o fim da imunidade como ela é hoje, por- Deputado Geraldo Magela que, por ser ampla, ela acaba protegendo criminosos comuns”, avaliou o parlamentar, que defende a votação do pacote ainda nesta semana. No que diz respeito ao financiamento de campanhas, Magela posicionou-se a favor da total subvenção pública, com recursos do Tesouro, que seriam fiscalizados pelos tribunais e pela sociedade. “A maior distorção de nosso sistema eleitoral é o financiamento das campanhas. Os políticos se tornam reféns dos financiadores, porque ficam devendo favores. E estes favores não podem continuar a influir na vida política e institucional do país”, considerou o deputado. Ele defende a adoção do financiamento público de campanhas para o próximo pleito, em 2002, a fim de “eliminar a influência do capital privado na política”. Magela observou que não acredita que a tese do financiamento público seja aprovada com facilidade na Comissão de Reforma Po- lítica, da qual é membro, mas afirmou que vê no presidente Aécio Neves “um aliado de peso” na defesa desta medida – que considera tão importante para o aprimoramento da democracia quanto ao fim do voto secreto dos parlamentares. Geraldo Magela garantiu que sempre adotou as atitudes corretas que o pacote visa defender. Ele lembrou que no dia da posse como deputado federal entregou à Mesa um requerimento tornando públicas suas contas e sua declaração de renda. “De forma espontânea, autorizei a quebra do meu sigilo bancário e fiscal, pois creio que homens e mulheres da área pública não devem tê-los”, declarou, acrescentando que adotou o mesmo procedimento quando assumiu a presidência da Câmara Distrital. Salomão Gurgel pede CPI Câmara poderá ouvir Quintão para investigar governo do RN sobre concorrência para FAB O deputado Salomão Gurgel (PDT-RN) defendeu a instalação de uma CPI na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte para investigar denúncias de corrupção no governo Garibaldi Alves Filho. Segundo o parlamentar, a imprensa local vem denunciando um esquema de corrução e tráfico de influência comandados pela irmã do governador, Maria Auxiliadora Alves, e seu marido Marcos Santos. De acordo com as matérias divulgadas pela mídia, a irmã do governador adquiriu prerrogativas para acertar contratos e indicar empresas particulares para executar obras públicas. “O Jornal de Hoje, na edição do dia 1º, traz do- cumentos que comprovam esse esquema, que trouxe grandes prejuízos financeiros ao nosso estado”, explicou o parlamentar. Salomão Gurgel destacou ainda matérias publicadas pelo jornal com a reprodução de documentos, apreendidos pelo Ministério Público na casa de Marcos Santos, que desvendam um esquema de cartaconvite para compras feitas pelo estado sem licitação pública. Ele disse que os promotores do Ministério Público estão sendo pressionados para não se aprofundarem nas investigações. “Além disso, o governador Garibaldi está trabalhando para evitar a instalação da CPI”, contou o deputado. O deputado Paulo Delgado (PT-MG) disse que irá apresentar requerimento à Comissão de Relações Exteriores solicitando a presença do ministro da Defesa e do comandante da Aeronáutica para explicar o motivo pelo qual foi anunciada a realização de concorrência internacional para a compra de equipamentos de reaparelhamento da Força Aérea Brasileira. Segundo o deputado, em nenhum país do mundo a compra desses equipamentos é feita por intermédio de concorrência internacional. Ele explicou ainda que a Constituição permite que a compra de equipamento de defesa seja realizada diretamen- te. “A Embraer é uma sofisticada empresa de aviação e tem condições de produzir uma política industrial militar, desde que o governo brasileiro dê prioridade às empresas nacionais”, afirmou Paulo Delgado. Para o deputado, ao abrir concorrência internacional para a compra de equipamentos de defesa, o governo brasileiro está sinalizando ao mundo que não confia no sistema industrial da Embraer. “Com esta medida, o governo estará gerando empregos em outros países, sendo que a Embraer tem tecnologia para fazer este trabalho no Brasil”, ressaltou. Greenhalgh quer ver apuradas ações do Exército em Marabá O deputado Luiz Eduardo Greennhalgh (PT-SP) exigiu do ministro da Defesa, Geraldo Quintão, explicações sobre os documentos encontrados por quatro procuradores federais numa casa, na cidade de Marabá, onde funcionava uma organização da inteligência do Exército Brasileiro. Conforme o deputado, os documentos estabelecem regras que devem ser tomadas contra os inimigos internos e em especial aos movimentos sociais e ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra. “É preciso ouvir as explicações dos ministro Aloysio Nunes Ferreira e do comandante do Exército, general Euler”, disse o deputado, ressaltando estar na hora de a Escola Superior de Guerra mudar seu currículo. “Entra ano sai ano e continuamos submissos à doutrina de Segurança Nacional. O país da modernidade ainda está no atraso da doutrina de segurança nacional”, concluiu. Pratini de Morais ganha apoio contra declarações de juiz Indicação de Sérgio Amaral para ministério é elogiada O deputado Luiz Carlos Heinze (PPB-RS) repudiou a declaração do presidente a Associação de Juízes Federais de Brasília (Ajufe), Flávio Dino, que, em artigo publicado no jornal Gazeta Mercantil, afirmou que o ministro da Agricultura, Pratini de Morais, poderá ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal por liberar o registro de sementes da soja transgênica Round-Up Ready, produzida pela Monsanto. Heinze, que é presidente da Comissão de Agricultura e Política Rural da Câmara, associou-se a Pratini de Morais e elogiou sua iniciativa de liberar a soja transgênica por portaria ministerial. Na visão do deputado, a engenharia genética é hoje o “carrochefe” da agricultura mundial, e o Brasil estaria sendo prejudicado pela proibição dos transgênicos, perdendo mercado para a Argentina e para os Estados Unidos, entre outros países que lançam mão destes produtos e desta tecnologia, e fazendo com que nosso país “fique nas mãos” das multinacionais. Heinze lembrou que a pesquisa e o investimento na transgenia pode devolver ao Brasil a liderança mundial na produção de algodão. “Cuba produz vacinas a partir de bactérias de transgênicos”, concluiu. Em nome do bloco PL/PSL, o deputado Ronaldo Vasconcellos (PL-MG) comemorou a indicação do embaixador Sérgio Amaral para o cargo de ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Ele acredita que Amaral dará um novo impulso às exportações brasileiras, a exemplo de seu trabalho à frente da embaixada brasileira no Reino Uni- do, quando empenhou-se por aumentar o turismo inglês para o Brasil. Ronaldo Vasconcellos contou que ficou muito bem impressionado com o desempenho do então embaixador, quando compareceu à World Travelling Market - a segunda maior feira de turismo do mundo - “ocasião em que a cachaça brasileira passou a freqüentar os salões londrinos”. 4 - Brasília, 6 GERAL agosto de 2001 Jornal da Câmara Plenário Cavalcanti cobra apoio federal para criadouro de aves em extinção O deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE) cobrou urgência do Ibama no exame da proposta de transformação do Criadouro Cultural e Científico Chaparral, de Recife – um centro de estudos, reprodução e preservação de espécies ameaçadas de extinção –, em um jardim zoológico. O parlamentar ressaltou que o centro tem se destacado pelo trabalho de reprodução e preservação de espécies ameaçadas de extinção, sobretudo por seu papel na reprodução da Ararinha-azul. “É a única instituição brasileira a manter um casal dessa ave, a mais rara dentre todas as espécies de aves ameaçadas de extinção, mundialmente protegida”, expôs Cavalcanti. O deputado informou ainda que o último exemplar selvagem remanescente da Ararinha-azul encontra-se desaparecido para destacar que, apesar desse quadro dramático, em 2000, a espécie foi reproduzida em cativeiro, em decorrência do trabalho do criadouro. Severino Cavalcanti informou que a instituição mantém uma propriedade de nove hectares, localizada no município de Paulista, área de Aldeia, onde cria em cativeiro, para fins de educação ambiental, pesquisa, preservação e reintrodução, cerca de mil aves silvestres, nativas Deputado Severino Cavalcanti e exóticas, distribuídas em 200 diferentes espécies. “O Criadouro Chaparral recebe estudantes de vários estados para a realização de estágios curriculares, além de participar de projetos de pesquisa em parceria com as universidades UFPE e UFRPE”, disse, acrescentando que o complexo ambiental possui 350 viveiros já construídos, sendo dois de grande porte, com setores de veterinária, nutrição, quarentena, sala de incubação de ovos e sala de filhotes. Neles, os visitantes caminham por trilhas, em contato direto com as aves. “Animais diversos, como primatas e répteis, além das aves, serão incor- porados ao plantel”, acrescentou. Foram idealizados também um anfiteatro e uma biblioteca, visando projetos de educação ambiental, voltados a estudantes e ao público, além de um camping, que está pronto para cursos de ecologia para crianças. Muitas das espécies de aves cultivadas nos viveiros, segundo ressaltou o parlamentar, são raras, entre elas, a Ararajuba, ave com o corpo na cor amarelo-ouro e ponta das asas verde-bandeira, “motivos por que querem elegê-la ave símbolo do Brasil”. Existem também ali a pomba Goura, originária da Nova Guiné, o maior columbídeo do mundo, com cerca de 50 centímetros de altura; a Arara-azul-grande, nativa do Pantanal matogrossense, o maior psitacídeo do mundo; e o Galo-da-Serra, ave rara da floresta Amazônica e de difícil reprodução em cativeiro. “Anteriormente, apenas os zoológicos de San Diego e Houston, nos EUA, haviam reproduzido essa ave, e agora, o faz o Chaparrral, com mais uma contribuição para o meio ambiente”, concluiu Severino Cavalcanti, ao apelar aos órgãos governamentais para que imprimam urgência no exame da proposta. Coriolano apóia adiamento da transposição do São Francisco O deputado Coriolano Sales (PMDB-BA) manifestou apoio à iniciativa do presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, de desistir, neste momento, de fazer a transposição de águas do Rio São Francisco, embora ache que, no futuro, isso deva ser feito. “Primeiro é preciso recuperar o rio. Por isso o programa de revitalização do rio, anunciado pelo governo, é que deve ser implementado agora e, mais tarde, o governo poderá pensar em um projeto de transposição de águas incluindo bacias do Norte do país e a própria bacia do São Francisco”, avaliou o deputado. Segundo Sales, as margens do São Francisco foram estupidamente desmatadas, as águas estão poluídas e há assoreamento, fatores que estariam condenando o rio à morte. Por isso, considera que a transposição agora iria acelerar o processo de degradação. O parlamentar disse ser certo que, sem a garantia de oferta de água no rio, decorrente da pro- teção de sua bacia, será temerário falar em transposição das águas. “Seria uma atitude irresponsável que, em boa hora, o presidente houve por bem suspender”, defendeu o deputado, para quem há ainda a omissão de autoridades no policiamento de toda a bacia do Velho Chico e a incapacidade do Ibama em cumprir a missão de impedir a ação predatória dos que destroem as matas ciliares do rio e seus afluentes. A solução, na avaliação de Sales, estaria em um forte policiamento. Para deputado, reserva legal de 80% engessa economia do Norte do país O deputado Giovanni Queiroz (PDT-PA) alertou para as conseqüências de uma possível aprovação do novo Código Florestal para a economia da região Norte do país. Em sua avaliação,a Medida Provisória 2.080, ao buscar que as reservas das áreas exploradas pela iniciativa privada obedeçam a um índice de 80%, não atende aos reais interesses da população local e poderá, a médio prazo, inviabilizar qualquer atividade econômica de vulto naquela região. “Temos que , de forma responsável, alterar este índice para cerca de 50% nas áreas privadas”, propôs o deputado, ao chamar a atenção da Casa para que “esta votação não se submeta à pressão de uma minoria de ‘verdes’ irresponsáveis que defendem que a região amazônica tenha 80% de sua área preservada, sem qualquer preocupação lógica com a parcela de brasileiros que lá estão trabalhando há décadas”. De acordo com o parlamentar, atualmente, a Região Amazônica destina 32% de sua área para as reservas indígenas, sendo que 42% de suas terras pertencem à União e aos estados, o que garante que 74% da região seja efetivamente preservada. “Os 25 % nas mãos de particulares estão sujeitos ainda , pelo Código Florestal, a destinar 50% de sua área à preservação, o que significa que mais de 80% da Região Amazônica está Deputado Giovanni Queiroz preservada”, argumentou o deputado. Ele fez um apelo para que a população , os governos e a classe política se mobilizem no sentido de “barrar esta nova manobra que, na verdade, é uma tentativa de grupos estrangeiros de engessar de vez toda a região”. Na opinião de Giovanni Queiroz, é preciso que a região adote uma política de zoneamento ecológico e econômico que preserve, ao mesmo tempo, os parques nacionais com todo o seu genoma. Para ele, a preocupação de “certos ambientalistas” em preservar imensas áreas indígenas, “por eles denominadas nações”, esconde interesses de, num futuro próximo, reclamar estas áreas como países autônomos , dissociados, portanto, do Estado Brasileiro. Confúcio propõe alternativa à MP O deputado Confúcio Moura (PMDB-RO) registrou sua indignação com a Medida Provisória 2.080. Ele reclamou que a medida sequer foi discutida com os estados e que prejudicou, especialmente, os produtores de Rondônia, “pois torna inviável economicamente suas propriedades”. “Ao deixar 80% da reserva florestal nas glebas, a parte disponível não será suficiente para a sustentação econômica e, além disso, ocorrerá uma desvalorização das fazendas e sítios”, previu. Para Confúcio Moura, a MP é “imoral e abusiva”, pois agride os direitos adquiridos ao longo do tempo. Ele sugeriu que o Incra, ao elaborar seus projetos de assentamento, em áreas de solos férteis, permita que o agricultor aproveite sua gleba na totalidade e que sejam criados, em áreas anexas, as reservas sociais em bloco, que poderiam ser aproveitadas coletivamente. Desta forma, na opinião do parlamentar, a flora e a fauna seriam beneficiadas, pois em vez de áreas pequenas e irregulares, as reservas em bloco dariam condições para um manejo adequado das riquezas naturais e da exploração de toda a biodiversidade pelo homem. “Vamos trocar a reserva legal impositiva na Amazônia por outro conceito diferenciado e moderno”, propôs. GERAL Jornal da Câmara Brasília, 6 de agosto de 2001 - 5 Plenário Fraga: crise na PM está relacionada ao descaso do governo com segurança O deputado Alberto Fraga (PMDB-DF) defende piso salarial e política efetiva de segurança nacional para resolver a crise nas polícias militares. Ele ressalta a urgência de um conjunto de medidas que propiciem a modernização do sistema de segurança brasileiro, a valorização das instituições policiais e dos profissionais que atuam no setor. “Todos hão de lembrar que um daqueles cinco dedos da mão do sr. presidente da República representava a segurança pública e, no entanto, lamentavelmente, já no apagar de seu segundo man- Assaltos a aposentados e professores no RN O deputado Salomão Gurgel (PDT-RN) registrou o clima de insegurança da população do Rio Grande do Norte por causa dos assaltos que vêm ocorrendo a aposentados e professores, em pequenos municípios do estado. Outro fator de insegurança, segundo o parlamentar, são os constantes roubos a bancos e supermercados em Natal. Além disso, Gurgel salientou a insatisfação dos agricultores com a ajuda do governo do estado. “Eles servem um feijão que não cozinha nem com três dias de fogo”, disse, acrescentando que os agricultores estão rejeitando as cestas básicas distribuídas. “Não bastassem esses fatos, foi identificado um sistema de corrupção ligado à família do governador Garibalde Silva”, frisou, sustentando que as esperanças da população potiguar recaem sobre o Congresso Nacional. “Se não frearmos a corrupção nos estados, nosso povo não terá mais confiança em nós”, concluiu. Deputado Alberto Fraga dato, ainda não vimos nada de concreto ser feito”, argumenta Alberto Fraga. Ele aponta entre as causas da crise nas polícias militares a falta de um sistema nacional de segurança pública, a desvalorização da profissão de policial, a falta de diálogo com as lideranças e comandantes das PMs, a desatualização da legislação penal e processual no país, os baixos salários, a impunidade e os efeitos da crise econômica, especialmente o desemprego. “A crise de autoridade dos governos com essa onda de invasões, quebra-quebras, seqüestros e outros, sem responsabilização de seus atores, tem gerado um quadro de desrespeito total à lei, à ordem e às instituições”, alerta Alberto Fraga. Ele acredita que a indefinição do governo federal em relação a um projeto de reforma do sistema de segurança pública gerou um clima de incerteza que, somado ao fortalecimento do crime organizado e à apologia ao criminoso, enfraqueceu as instituições policiais. A ausência de investimentos e estratégia, em sua opinião, instituiu na prática a pena de morte para os policiais militares brasileiros. “Hoje a maior média de policiais assassinados é a do Brasil, onde mais de um PM é morto por dia”, informa o deputado. Alberto Fraga ainda critica propostas como a desconstitucionalização e desmilitarização das policiais militares, o poder de polícia para o Exército ou a proibição de policiais votarem ou se candidatarem. Estas medidas, em sua avaliação, tornam o policial cidadão de segunda categoria ou estabelecem práticas de regimes de exceção. Ele propõe, então, uma reunião entre representantes do Executivo, Legislativo e dos comandos e lideranças das polícias militares para a discussão de um texto que permita a reestruturação do sistema de segurança pública nacional. Exército com poder de polícia é “retrocesso”, diz Miranda O deputado Eurípedes Miranda (PDT-RO) considerou “uma ameaça ao Estado Democrático de Direito” a medida provisória do Executivo que pretende proporcionar poder de polícia ao Exército, em razão das greves das forças de segurança dos estados. “A Constituição Federal, ao estabelecer normas quanto à competência e às atribuições das Forças Armadas, não inclui a de coordenar ou submeter as polícias militares a nenhum tipo de controle. Não consta ainda, entre as atribuições das Forças Armadas, a garantia da segurança. O emprego do Exército nessas circunstâncias é um retrocesso lastimável à democracia”, afirmou o deputado. Para Miranda, o problema institucional nas corporações de polícia estadual não pode ser enfrentado criando-se outro problema. “A crise que afeta as polícias não se resolve assim, mas a partir de um conceito de que o policiamento é tarefa civil e não militar”, alertou. Por sua vez, Cabo Júlio (PL-MG) reclamou da atitude do governo de esvaziar a Comissão de Segurança Pública da Casa, que estava discutindo os problemas do setor há um ano e meio, e de enviar um pacote por meio de medida provisória. Esta iniciativa foi considerada por ele um desrespeito ao trabalho dos parlamentares e um absurdo do ponto da viabilidade das sugestões. Para o parlamentar, mais do que qualquer coisa, o problema das polícias é salarial e, neste sentido, nada foi apresentado. “O pacote propõe coisas absurdas, como a unificação das polícias com a base militarizada e o comando civil. Sempre defendemos a unificação, mas da forma como querem vai ficar pior do que é. Ouçam o que estou dizendo: a situação vai piorar ainda mais. Está prevista para o fim de agosto uma reunião de todas as entidades das polícias Militar e Civil do Brasil. Temo o que poderá acontecer. É preciso que o governo apresente propostas viáveis e sérias”, reafirmou Cabo Júlio. Deputados cobram ação para conter aumento da violência A necessidade de o Congresso Nacional estabelecer uma agenda para discutir o problema da segurança foi defendida pelo deputado Regis Cavalcante (PPSAL). Em sua opinião, caso o Legislativo não tome a frente do problema, o Executivo acabará por fazê-lo. Acrescentou, inclusive, que aceita a criação da Guarda Nacional, mesmo que por meio de medida provisória, para restabelecer a segurança no país. “A base da questão está na má distribuição de renda, que leva à baixa remuneração dos policiais”, frisou. Gonzaga Patriota (PSBPE), por sua vez, pediu apoio para aprovação do substitutivo da deputada Zulaiê Cobra (PSDBSP) à PEC 151/95, de sua autoria, que visa reestruturar o sistema de segurança pública do país. Ele alerta o governo para o fato de a greve de policiais ser diferente das de outras categorias, já que andam armados e qualquer tentativa de intervenção das Forças Armadas pode culminar em derramamento de sangue. “Por isso, vários parlamentares estão se posicionando contrários às alternativas apresentadas pelo governo federal”, afirmou, argumentando que ele, governo, é responsável pelo crescimento da violência no país, por não ter se preocupado em regulamentar o capítulo da segurança pública, 13 anos após a promulgação da Constituição. Questão salarial Para Agnelo Queiroz (PCdoB-DF), a crise da segurança pública é justamente a crise do serviço público brasileiro. A repercussão maior com os policiais, a seu ver, é porque eles têm armas e tratam de toda a segurança da população. O parlamentar brasiliense repudiou a atitude do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz, que sugeriu a proibição dos policiais de votar. “Além de não atender as reivindicações da categoria, ainda quer cassar o direito de cidadão dos policiais”, criticou o parlamentar, lembrando que por várias vezes alertou o governo federal em relação ao caos do serviço público, cujos funcionários permanecem há sete anos sem aumento. 6 - Brasília, 6 GERAL de agosto de 2001 Jornal da Câmara Plenário Morte de bebês no RJ reflete estado da saúde pública, diz João Mendes Os fatos ocorridos no Hospital Salgado Filho, no Rio de Janeiro, quando medicamentos com embalagens trocadas provocaram a morte de pelo menos quatro bebês em menos de um dia, levaram o deputado João Mendes (PMDB-RJ) a condenar a negligência com que é tratada a saúde da população. “Imaginem o desespero de uma família que leva seu filho pequeno, talvez de um ou dois anos, para se tratar de uma bronquite. A expectativa é tomar um remédio e voltar para a casa, e não participar de um filme de terror, onde a criança fica muda, endurece, chora, arregala os olhos e morre em seguida”, indignou-se. Segundo ele, “auxiliares de Deputado João Mendes enfermagem semi-analfabetos, mal pagos e sobrecarregados de trabalho, descaso governamental para com as faculdades e a saúde pública, falta de fiscalização dos laboratórios e a falta de transparência nos hospitais embotam a eficiência de nossa medicina e explicam o alto índice de mortes ocorridas. Na avaliação de João Mendes, o governo brasileiro, ao promover a “ideologia do lucro” como valor referencial, vem prestando um desserviço à ética e aos valores mais essenciais da espécie humana. Para o parlamentar, enquanto não tivermos um governo que demonstre, através de atos concretos, estar preocupado com a qualidade da vida da população, com o social, estaremos condenados a ver o descaso com a vida em todos os níveis da sociedade brasileira. Portadores de doenças crônicas poderão abater medicamentos no IR O deputado Fernando Gonçalves (PTB-RJ) apresentou projeto de lei, de sua autoria, que permite o abatimento, no Imposto de Renda, de despesas efetuadas com o pagamento de medicamentos para empregados portadores de doenças crônicas. De acordo com a proposta, as pessoas jurídicas contribuintes do IR poderão deduzir, até o limite de 1% do imposto devido, as despesas que comprovadamente efetuarem com o custeio desses medicamentos de uso contínuo, integrantes de cesta básica a ser distribuída para seus empregados ou dependentes portadores de doenças crônicas. Os medicamentos que pertencerão a essa cesta devem ser definidos posteriormente em regulamentação do Executivo. O projeto também aumenta para 20,3% e 10,1% as alíquotas do Imposto de Renda incidentes sobre aplicações financeiras de renda variável ou renda fixa, respectivamente. “Um dos itens da despesa pessoal e familiar que mais contribui para agravar a situação dos trabalhadores ANEXO I, 15ºANDAR, SALA 605 318-5098/99 Jornal da Câmara FF : (0: (061)61)318-2196 ONE XX AX XX brasileiros tem sido o gasto com medicamentos, principalmente os utilizados para tratamento de doenças crônicas. Daí a minha preocupação em, pelo menos, amenizar esse problema de saúde pública, que precisa receber atenção não apenas do governo federal, mas igualmente desta Casa e de toda a sociedade”, concluiu Gonçalves. Pedro Fernandes quer mais médicos para municípios do interior O deputado Pedro Fernandes (PFL-MA) anunciou a apresentação de indicações ao Ministério da Saúde, sugerindo a contratação, por meio da Funasa (Fundação Nacional da Saúde), de profissionais médicos e, mais tarde, também de enfermeiros e engenheiros sanitaristas. “Isso servirá para atender uma grande leva de municípios brasileiros que, por não disporem de maiores recursos financeiros e não serem dotados de uma política de recursos humanos atrativa, não conseguem sensibilizar bons profissionais desse segmento face a melhores possibilidades no mercado”, explicou o deputado. Ele acha que este tipo de atitude no campo da saúde, envolvendo os governos municipal e federal, proporcionará resultados imediatos no que diz respeito à satisfação da clientela, melhoria de indicadores e, também, oferecerá aos Tv Câmara - canal 14 -Net/DF canal 28 -Sky canal 235 -DirecTV Disque Câmara 0800 619619 profissionais da área um verdadeiro laboratório que os aprofundará no conhecimento prático da “verdadeira realidade da saúde pública brasileira”. Em outra indicação, desta vez ao Ministério das Comunicações, Fernandes sugeriu o estabelecimento da prescrição de débitos anteriores não lançados na respectiva cobrança mensal dos serviços de telefonia a cada emissão de uma nova conta mensal, além da discriminação do período da respectiva prestação dos serviços, da data e da hora no instrumento de cobrança. “É inconcebível, no atual estágio de desenvolvimento tecnológico onde nos encontramos, que empresas usuárias das mais avançadas tecnologias não tenham a competência de cobrar integralmente pelos serviços que prestam aos cidadãos no mesmo período em que se verificam”, avaliou o parlamentar. Mídias Alternativas www.agencia.camara.gov.br Internet/Intranet [email protected] Jornal da Câmara na internet: www.camara.gov.br / E-mail: [email protected] Mesa da Câmara dos Deputados Presidente: Aécio Neves 1º Vice-Presidente: Efraim Morais 2º Vice-Presidente: Barbosa Neto 1º Secretário:Severino Cavalcanti 2º Secretário: Nilton Capixaba 3º Secretário: Paulo Rocha 4º Secretário:Ciro Nogueira Suplentes: Pedro Valadares, Salatiel Carvalho, Enio Bacci , Wilson Santos Procuradoria Parlamentar: Ricardo Izar Ouvidoria Parlamentar: Luiz Antonio Fleury Diretor-Geral: Sérgio Sampaio Contreiras de Almeida Secretário-Geral da Mesa: Mozart Vianna de Paiva SECOM - Secretaria de Comunicação Social Jornal da Câmara Diretor: Ronaldo Paixão Diretora: Amneres Pereira (061) 318-5085 / Fax: (061) 318-2108 Divulgação: Sonia Costa (061) 318-5085 Relações Públicas: Osvaldo Vaz Morgado (061) 318-5092 Rádio Câmara: Vladimir Almeida (061) 318-8310 TV Câmara: Sérgio Chacon (061) 318-5080 Agência Câmara: Ademir Malavazi (061) 318-8473 Mídias Alternativas:Arnolfo Carvalho (061) 318-7420 (061) 318-5098/99 - Fax: (061) 318-2196 Editora-Chefe: Marina Carvalho Editores: Marcondes Sampaio, Luís Cláudio Pinheiro, Oscar Telles, Vera Ramos, Vânia Alves, Roberto Seabra, Luís Renato Diagramadores: Antônio Alves Ferreira Júnior, José Alberto de Almeida Filho, André Cerino, José Antonio Filho Ilustrações: André Cerino Revisoras: Isolda Marinho, Heloísa Lira, Malva Beatrice Fotografia: J.Batista, Salu Parente, Sônia Baiocchi, Eltom Bomfim, Benedita Passos, Lelo Impressão: Coordenação de Serviços Gráficos da Câmara dos Deputados GERAL Jornal da Câmara Plenário O deputado Osvaldo Biolchi (PMDB-RS) comemorou a sanção da Lei 10.260/01 – originária de Projeto de Lei de Conversão de sua autoria sobre a Medida Provisória 2.094 – que institui mudanças no Fundo de Financiamento de Estudantes de Ensino Superior (Fies), a fim de facilitar o acesso de cidadãos carentes às universidades privadas. Ele destacou as mudanças introduzidas por ele na nova lei, sancionada sem vetos pelo presidente da República, especialmente a que permite que os estudantes universitários em débito com o antigo Programa de Crédito Educativo – substituído pelo Fies – possam renegociar suas dívidas junto à Caixa Econômica Federal, em melhores condições, com redução dos juros e ampliação do prazo de amortização. “Tal iniciativa permitirá o ingresso no mercado de trabalho destes jovens que estão alijados do setor produtivo por inadimplência”, explicou. Outra alteração permite às instituições de ensino negociar os títulos públicos recebidos do Fies com outras pessoas jurídicas. Anteriormente, esses títulos somente poderiam ser utilizados para o pagamento de dívidas das instituições com o INSS, o que levava várias faculdades a não aderirem ao Fies, acrescentou o deputado, lembrando, porém, que a principal mudança aprovada reside na obrigatoriedade de as instituições fi- Elton Bonfim Nova lei beneficiará 500 mil universitários carentes Deputado Osvaldo Biolchi lantrópicas de ensino básico, médio e superior investirem 20% do valor de suas folhas de pagamento na concessão de bolsas de estudo para alunos carentes. As bolsas deverão ser iguais ou superiores a 50% dos encargos educacionais cobrados. “Com esta medida, esperamos garantir o estudo de 500 mil universitários, dos quais 60 mil somente no Rio Grande do Sul”, revelou Biolchi. O deputado lembrou ainda que o Fies atende a mais de 130 mil alunos, e que para o segundo semestre está assegurada a abertura de pelo menos 20 mil vagas adicionais. “Os critérios de seleção continuam a privilegiar os estudantes mais carentes”, completou o parlamentar, elogiando o apoio que recebeu do ministro da Previdência, Roberto Brant, cujo ministério abriu mão de uma receita anual de R$ 1,5 bilhão – recurso advindo da contribuição previdenciária das instituições de ensino filantrópicas, referente à cota patronal sobre a folha de pagamento – em troca da concessão das bolsas de estudo. Ele salientou que as novas medidas beneficiarão os alunos trabalhadores e citou dados segundo os quais dos 2,3 milhões de alunos matriculados nos cursos de graduação, 1,537 milhão está matriculado em instituições privadas – mais de 50%. Já na rede privada, a maioria absoluta freqüenta cursos noturnos, e as instituições comunitárias, confessionais e filantrópicas detêm mais de 60% das matrículas. Com base nestes dados, ele concluiu que as instituições públicas de ensino oferecem mais cursos diurnos e que as particulares oferecem mais cursos noturnos, e que o aluno trabalhador freqüenta cursos noturnos, pois, a maioria trabalha durante o dia e, portanto, freqüenta instituições particulares. “Este é o aluno que recorre ao financiamento. E há aqueles que nem ao financiamento podem recorrer. Precisam de uma bolsa de estudo. A concessão de bolsas de estudo para os estudantes que não podem pagar o financiamento é de um alcance social inestimável. São jovens que estariam excluídos da universidade”, concluiu o parlamentar. Universidade oferece curso superior para comunidades indígenas de MS O deputado João Grandão (PT-MS) elogiou a iniciativa inédita da Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul (UEMS), de contribuir no processo de integração das comunidades indígenas em estágio avançado de desaculturação. Ele contou que, na unidade da UEMS em Aquidauana, na região do Pantanal Sul-Matogrossense, índios de várias aldeias do Alto Pantanal, situados nos municípios de Anastácio, Aquidauana, Dois Irmãos, Buriti, Miranda, Nioaque e Porto Murtinho, fazem seus tra- balhos e recebem orientações de professores via internet. O curso é voltado para índios que já concluíram o curso médio e agora se preparam para o magistério em nível superior. “Essa iniciativa inédita foi materializada em abril deste ano e é fruto de um projeto da professora Onilda Sanches Nincão, coordenadora do Núcleo de Pesquisas de Questões Indígenas da UEMS, para atender resolução que determina as diretrizes nacionais para o funcionamento das escolas indígenas e regulamenta as exigênci- as e procedimentos necessários à formação dos professores para essas escolas”, explicou o deputado. Grandão disse que, para dominar a tecnologia do mundo virtual, cada aluno recebeu treinamento básico para operacionalizar o computador e os sistemas de comunicação para acessar seus professores na sede da unidade. Ele informou ainda que o curso tem quatro anos de duração e que esta é a primeira iniciativa no Brasil de formar professores em nível superior para escolas indígenas. Brasília, 6 de agosto de 2001- 7 AGENDA Agenda da Câmara TERÇA-FEIRA, 07.08.01 PLENÁRIO Hora: 10:00 Pauta: Sessão solene em homenagem aos 24 anos da Igreja Universal do Reino de Deus. COMISSÕES Fiscalização Financeira Hora: 14:00 Pauta: Audiência pública sobre a cobrança indevida na tarifa de pedágio, correspondente ao Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), pelo Departamento Nacional de Estradas e Rodagem (DNER) e as empresas concessionárias de exploração de rodovias federais. Presença do diretor-geral do DNER. Local: Plenário 9, Anexo II CCJR Hora: 14:00 Pauta: Apreciação do PL 4.676/90, do deputado Paulo Paim (PTRS), que dispõe sobre a capacidade civil do maior de 16 anos e menor de 18 anos para o fim específico de movimentação dos depósitos em caderneta de poupança. Local: Plenário 1, Anexo II COMISSÕES ESPECIAIS Combustíveis Hora: 14:00 Pauta: Discussão do parecer do relator. Local: Plenário 11, Anexo II Alimentos Geneticamente Modificados Hora: 14:00 Pauta: Audiência pública com o procurador de Justiça de São Paulo, Antônio Herman e com o procurador regional do Distrito Federal, Aurélio Virgílio Rios. Local: Plenário 12, Anexo II Sistema Financeiro Hora: 14:00 Pauta: Continuação da discussão do parecer do relator, deputado Rubem Medina (PFL-RJ). Local: Plenário 14, Anexo II CPI Mortalidade Materna Hora: 13:30 Pauta: Discussão do relatório final. Local: Plenário 16, Anexo II QUARTA-FEIRA, 08.08.01 PLENÁRIO Hora: 10:00 Pauta: Sessão solene em homenagem ao Exército Brasileiro pela passagem do Dia do Soldado. COMISSÕES Agricultura Hora: 9:00 Pauta: Apreciação do PL 2.731/00, do deputado Marcos Afonso (PTAC), que proíbe a implantação de projetos de colonização para reforma agrária em áreas de florestas primárias. Local: Plenário 6, Anexo II Economia Hora: 9:00 Pauta: Apreciação do PL 3.245/00, do deputado Ricardo Ferraço (PSDB-ES), que estabelece Programa de Desenvolvimento das Regiões Centro e Sul do estado do Espírito Santo. Local: Plenário 5, Anexo II Educação Hora: 9:00 Pauta: Apreciação do PL 3.253/00, do deputado Antonio Cambraia (PSDB-CE), que isenta os doadores de sangue do pagamento da taxa de inscrição para o concurso vestibular das universidades públicas federais. Local: Plenário 10, Anexo II Viação e Transportes Hora: 9:00 Pauta: Apreciação do PL 4.066/01, do deputado Regis Cavalcante (PPS-AL), que criminaliza a produção e comercialização de materiais de aeronaves que não observem as normas de segurança. Local: Plenário 11, Anexo II Finanças e Tributação Hora: 9:00 Pauta: Apreciação do PLC 136/00, do deputado Ricardo Barros (PPBPR), que dispõe sobre multa pecuniária aplicável a instituições bancárias. Local: Plenário 4, Anexo II Ciência e Tecnologia Hora: 10:30 Pauta: Audiência pública para tratar de interferências em aeronaves, provocada por rádios comunitárias, focalizadas próximas a aeroportos. Presença do presidente da Infraero, Fernando Perrone e do chefe do Departamento de Aviação Civil (DAC), major-brigadeiro do Ar, Venâncio Grossi. Local: Plenário 13, Anexo II Direitos Humanos Hora: 10:00 Pauta: Seminário sobre Racismo na Mídia: Verdades e Mentiras. Presença dos representantes de entidades ligadas à área, pesquisadores e políticos. Local: Auditório do Espaço Cultural Zumbi dos Palmares. COMISSÕES ESPECIAIS Irrigação nas Regiões CentroOeste e Nordeste Hora: 14:30 Pauta: Definição da agenda dos trabalhos. Local: Plenário 11, Anexo II CPI Mortalidade Materna Hora: 13:30 Pauta: Discussão do relatório final. Local: Plenário 8, Anexo II Projeto quer coibir fumo e álcool na TV Preocupado com o avanço dos danos causados pelo fumo e pela bebida alcoólica, o deputado Lincoln Portela (PSL-MG) apresentou projeto de lei que proíbe as emissoras de televisão de apresentarem em seus programas artistas fumando ou bebendo. Para o deputado, essa é uma forma de conter o avanço da degradação que o país anda sofrendo com esses vícios. “Os danos causados pelo fumo e pelo álcool para a população e para o governo são facilmente comprovados pelas inúmeras estatísticas, amplamente divulgadas nesta Casa. Todos os anos são gastos bilhões de reais no tratamento de doenças, absenteísmo e danos patrimoniais decorrentes do vício”, ressaltou o parlamentar. Portela citou como outro problema decorrente desses vícios a desagregação social ou o desajustamento do relacionamento do dependente com seus familiares, amigos e a comunidade em geral. E lembrou que o Brasil é um dos países que registra maior número de acidentes de trânsito por causa das bebidas. GERAL 8 - Brasília, 6 de agosto de 2001 Jornal da Câmara Plenário Técnicos agropecuários e sanitaristas podem ser carreiras típicas de Estado Elton Bomfim A inclusão das carreiras de Técnico Federal Agropecuário, Auxiliar Técnico Federal Agropecuário e Sanitarista do Ministério da Saúde no rol das típicas de Estado, assim como a inserção do cargo de Engenheiro Agrônomo do Incra na carreira de Fiscal Federal Agropecuário, foram defendidas pelo deputado Carlos Batata (PSDB-PE), ao advertir que, sem esse avanço, não poderão ser implementadas políticas que levem à modernização e à otimização do Estado brasileiro. “Enquanto não se estabelecerem as garantias adicionais previstas na medida provisória que trata do tema, sujeitamo-nos a que se arremessem os servidores todos ao mesmo saco, um saco sem fundo, um saco mais assemelhado a um abismo”, disse. Sobre a importância da inclu- Deputado Carlos Batata são desses profissionais nas carreiras típicas de Estado, o deputado lembrou que suas atribuições estão relacionadas à defesa agropecuária, à redução da incidência de doenças e à implantação do programa de reforma agrária no país. No caso dos cargos de Técnico e Auxiliar Federal Agropecuários, ele destacou a vigilância zôosanitária e fitosanitária permanentes nos portos, aeroportos e postos de fronteira para evitar a entrada de doenças que possam contaminar os rebanhos e as lavouras nacionais e a atuação desses profissionais também na fiscalização dos resíduos biológicos e químicos que afetam a segurança alimentar da população. “Os sanitaristas do Ministério da Saúde e da Fundação Nacional de Saúde, por sua vez, ajudam na redução de doenças infecto-contagiosas, como a esquistossomose, a doença de chagas, Aids, cólera, malária, febre amarela e outras em ações preventivas; enquanto que o engenheiro agrônomo do Incra atua na fiscalização dos imóveis rurais, atentando para o cumprimento de determinações legais, da legislação trabalhista e ambiental e dos impostos”, destacou Carlos Batata. Cabe, ainda, de acordo com o deputado, aos engenheiros do Incra fiscalizar os contratos agrários e a execução das metas dos planos de desenvolvimento sustentável e projetos de exploração agropecuária para as áreas de assentamento e de colonização. Carlos Batata alertou, por fim, que os servidores destas carreiras não podem se submeter a pressões que permitam ao Poder Público se desviar de suas próprias finalidades. “Se suas atividades de suporte falham, sofre o Estado; se pifam aquelas voltadas à ponta externa da linha de produção da administração pública, padece a população”, concluiu. Deputada denuncia violência Expedito Júnior ressalta contra agricultores no Pará ação do governo no combate à aftosa Ao relatar viagem ao sul do seu estado no mês passado, a deputada Socorro Gomes (PCdoBPA) confessou ter ficado “estarrecida” com a situação de Paraopebas, onde 400 famílias foram despejadas de um acampamento de forma “violenta, cruel e criminosa”, e as lavouras queimadas. “O mais grave é que cerca de 100 soldados da Polícia Militar estavam não apenas com o nome encoberto, mas com máscaras pretas no rosto. Eles não queriam ser identificados porque estavam cometendo ato criminoso”, acusou a parlamentar, lembrando que, desde 1997, vistorias foram solicitadas nas fazendas improdutivas, mas até hoje não foram realizadas. Orlando Desconsi (PT-RS), por sua vez, destacou que no Rio Grande do Sul 3.076 famílias de agricultores sem terra já foram assentadas no atual governo, além do reassentamento de 247 agricultores atingidos por barragens e 248 ocupantes de áreas indígenas, to- talizando 3.571 famílias. Enfatizou ainda que, em seu estado, a reforma agrária foi dividida em duas fases: implantação e consolidação. “Nestas duas etapas acontece a infra-estrutra social básica que inclui moradia, água potável, luz elétrica, estradas, saúde e educação”, salientou. Segundo o deputado petista, também são liberados os créditos para fomento, produção para autoconsumo, moradia, manejo de recursos naturais e crédito para a produção agrícola, correspondendo a liberação de R$ 18.200 mil por família. Esses recursos, segundo explicou, são distribuídos da seguinte forma: fomento (Incra) R$ 1,4 mil; produção para autoconsumo (estado) R$ 1,2 mil; moradia (Incra) R$ 2,5 mil; moradia (estado) R$ 2,6 mil; manejo de recursos naturais (estado) R$ 500; e, crédito para produção agrícola do Pronaf (Incra) R$ 9,5 mil. O deputado Expedito Júnior (PFL-RO) comemorou a liberação de R$ 3 milhões para o controle da febre aftosa em Rondônia, Santa Catarina, Paraná e Mato Grosso do Sul, lembrando que a verba será usada para impedir a entrada no Brasil de gado e carne com osso procedentes do Uruguai e da Argentina, países com foco da doença. “A febre aftosa chegou à fronteira do Brasil no instante em que parecia propício para o país aumentar sua participação no mercado mundial, uma vez que as terras na Argentina se esgotaram, a Austrália tem problemas com falta d’água e os Estados Unidos criam o gado confinado”, explicou o parlamentar, acrescentando que o Brasil dispõe do maior rebanho bovino comercial do mundo, com 165 milhões de cabeças. Ele salientou que, com o reaparecimento da doença, Rússia e Reino Unido, entre outros importadores de carne bovina nacional, suspenderam as importações, mas que, com as medidas de combate, uma comissão técnica da União Européia visitou o Rio Grande do Sul e divulgará o resultado da inspeção em poucos dias. “Temos notícia de que os técnicos europeus ficaram satisfeitos com as medidas de controle da doença adotadas nas áreas afetadas, nos frigoríficos e sistemas de transporte”, concluiu. Importação de coco O deputado Regis Cavalcante (PPS-AL) apelou por medidas urgentes em defesa dos produtores de coco do país. “O setor está sendo prejudicado por uma importação descontrolada do produto e o primeiro efeito da não adoção de medidas sanitárias e fitosanitárias é que se importou coco in natura contendo fungos e germes que envenenaram imensas áreas de produção”, disse. O deputado também protestou contra a importação de coco ralado e semiprocessado em volumes maiores do que o necessário para atender ao consumo interno, destacando o esforço que o Sindicato dos Produtores de Coco vem desenvolvendo para sensibilizar as autoridades para que o setor seja reerguido. “Duzentos e cinqüenta mil produtores de coco que empregam mais de uma milhão de trabalhadores necessitam do apoio do governo”, frisou. Transposição do São Francisco A intenção do governo federal de desistir da transposição de águas do rio São Francisco foi criticada pelo deputado Sérgio Novais (PSB-CE), para quem as motivações alegadas não têm fundamento, como a de baixa vazão do rio. “Essa obra leva de três a cinco anos para ser concluída, por isso o problema atual de vazão baixa não afetaria a transposição. Cidades próximas do Rio Salgado, no Ceará, que seriam beneficiadas pela transposição, já decretaram estado de calamidade pública por causa da seca”, observou. Vale do Mucuri O deputado João Magno (PTMG) destacou a incorporação da região do Vale do Mucuri (MG) na Agência de Desenvolvimento do Nordeste (Adene). Por outro lado, o deputado chamou atenção para o estado de penúria em que se encontra a população do Vale do Mucuri e do Vale do Jequitinhonha, ambos localizados em Minas Gerais. “É urgente a necessidade de se alocar recursos para essas localidades, pois parte considerável dos poucos recursos que são liberados pela Adene acabam sendo desviados”, denunciou.