Caracterização De Uma Célula Experimental De RSU a Partir De Ensaios De Laboratório e Campo. Andressa de Araujo Carneiro, M.Sc UFPI, Teresina, Brasil, [email protected] Alfran Sapaio Moura, D.Sc UFC, Fortaleza, Brasil, [email protected] RESUMO: Este artigo apresenta os resultados de ensaios de caracterização realizados no solo de cobertura e no resíduo sólido urbano (RSU) de uma célula experimental, construída a partir do método da trincheira, localizada na área interna do Aterro Sanitário Metropolitano Oeste de Caucaia (ASMOC). O solo é ensaiado em laboratório por meio de ensaios básicos de caraterização, compactação (proctor normal) e de índice de suporte califórnia. Em campo, realizam-se sondagens à percussão (SPT), prova de carga direta, frasco de areia e determinação da umidade por meio do ensaio speedy. O resíduo foi caracterizado por meio da determinação da composição gravimétrica e da determinação do peso específico in situ. O teor de umidade foi determinado, em laboratório, por meio de estufa a 60ºC. Uma das principais dificuldades encontrados na caracterização do RSU ao longo do tempo foi no prazo disponível para a realização da pesquisa, que seria insuficiente para a conclusão dos processos associados com a biodegradação do resíduo. Neste sentido, foi utilizada uma área antiga no interior do ASMOC com características semelhantes (espessura do solo de cobertura, composição, etc), onde o processo de decomposição já estivesse praticamente encerrado. Posteriormente, realizaram-se na área antiga do ASMOC sondagens à percussão (SPT) e uma prova de carga, para avaliação do comportamento geomecânico do maciço sanitário com o passar do tempo. O solo de cobertura da célula experimental, pelo sistema unificado (SUCS) é correspondente ao grupo CL e o percentual de matéria orgânica do RSU é superior aos demais componentes. Comparando-se as sondagens à percussão realizadas, verificou-se que não ocorreu elevação expressiva no índice de resistência (NSPT), ao longo da profundidade ensaiada, entre a célula experimental e o aterro de resíduo antigo. PALAVRAS-CHAVE: Caracterização Geotécnica, Investigações Geotécnicas, Resíduos Sólidos Urbanos. 1 INTRODUÇÃO A escolha de uma célula experimental localizada na área interna do Aterro Sanitário Metropolitano Oeste de Caucaia (ASMOC), foi realizada considerando-se a necessidade de um aterro ainda em atividade, de forma a aproveitar os equipamentos utilizados na operação do aterro para a execução de uma célula experimental. As dimensões da célula experimental foram definidas de forma a possibilitar a realização de ensaios geomecânicos do conjunto solo-resíduo para a execução da presente pesquisa. A coleta de amostras deformadas de solo e de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU) foi realizada para a execução de ensaios laboratoriais. Os ensaios de laboratório realizados no solo de cobertura da célula experimental foram: granulometria conjunta, densidade real dos grãos, limites de consistência, compactação com Energia Proctor Normal e Índice de Suporte Califórnia (ISC). Além dos ensaios laboratoriais foram realizados para maior caracterização das propriedades geotécnicas do solo ensaios de campo, tais como: sondagem à percussão (SPT), prova de carga direta, frasco de areia realizado no solo da camada de cobertura do aterro, speedy. No resíduo foi verificado o teor de umidade em laboratório por meio de estufa a 60ºC. O resíduo foi ensaiado em campo, por meio de composição gravimétrica e densidade in situ. Foram feitos ensaios em uma área mais antiga do aterro, devido a indisponibilidade de tempo hábil para ocorrência de todos os processos de decomposição dos RSU da célula experimental. O objetivo do presente trabalho é apresentar os procedimentos adotados, e os resultados obtidos, para a caracterização de uma célula experimental de RSU realizada a partir de ensaios de laboratório e campo, com vista a avaliação futura do uso de uma área desativada de um aterro de RSU como subleito de pequenas estradas de acesso executados para amostra de solo seguiram, rigorosamente, as recomendações estabelecidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). 2 APRESENTAÇÃO E ANÁLISES DOS RESULTADOS Tabela 1. Resultados dos ensaios laboratoriais realizados no solo de cobertura da célula experimental 2.3 Ensaios Realizados 2.3.1 Caracterização dos ensaios realizados no Solo de Cobertura Para a caracterização geotécnica do solo de cobertura da célula experimental foram realizados ensaios laboratoriais e ensaios de campo. Com relação aos ensaios laboratoriais foram realizados análise granulométrica, densidade real dos grãos, índices de consistência, compactação e Índice de Suporte Califórnia (ISC). Os resultados dos ensaios laboratoriais no solo de cobertura são apresentados na Tabela 1. Amostra 2.1 Local de Estudo A área cedida pelo ASMOC correspondente a 225 m², (15 m x 15 m), foi estabelecida de modo que possibilitasse a execução dos ensaios de emissão de gases e ensaios geomecânicos, além de não interferir na rotina operacional do aterro. Para a construção da célula experimental, optou-se pelo método da trincheira, cujo procedimento consta em escavação feita no solo, por meio de uma retro – escavadeira. A utilização do referido método possibilitou uma construção mais econômica da célula, além de facilitar a rotina operacional, devido as dimensões da trincheira de 784 m³( 4 m de profundidade, 14 m de comprimento e 14 m de largura. 2.2 Coleta de Amostras Após a coleta as amostras de solo e resíduo foram acondicionadas em sacos plásticos e encaminhadas para o Laboratório de Mecânica dos Solos e Pavimentação (LMSP) da Universidade Federal do Ceará (UFC). Vale observar que todos os procedimentos 1 2 2" 1 1/2" 1" Peneiramento 3/4" Grosso 1/2" 100 100 100 100 100 98 100 100 98 98 3/8" 97 97 89 94 69 68 79 76 100 64 72 200 60 33 61 9 24 9 20 7 Granulometria (%passando) Nº 4 Nº1 0 40 Peneiramento Fino wl (%) Limites Físicos Compactação (26 golpes) Ensaio wp (%) IP (%) hot (%) ϒsmax (KN/m³) EXP (%) Califórnia ISC (%) 14,6 18,2 2,52 4 Na Figura 1 apresentam-se as curvas granulométricas das duas amostras de solo de cobertura da célula experimental. As amostras foram coletadas nas profundidades de 20 cm (amostra 1) e 70 cm (amostra 2). Vale observar que a espessura total do solo de cobertura é 75 cm. 2 que indicou um peso específico aparentenseco máximo (γsmax) de 18,4 kN/m³ e umidade ótima do solo (wot) de 15,5 %, para a energia do Proctor Normal. Figura 1. Curvas granulométricas do solo de cobertura da célula experimental Através da Figura 1 observam-se curvas bastante coincidentes, permitindo observar a semelhança das amostras de solo ensaiadas. A amostra 1 apresenta 11% de pedregulho, 29% de areia, 54% de silte e 6% de argila. Já a amostra 2 apresenta 6% de pedregulho 33 % de areia, 58% de silte e 3% de argila. De acordo com o Sistema de Classificação Unificado (SUCS) as duas amostras de solo correspondem ao tipo CL, que corresponde a uma argila de baixa compressibilidade. Pela classificação do Highway Research Board (HRB) as amostras de solo se enquadram no grupo A-4 equivalente a um solo siltoso. O SUCS indica que, apesar da maior porcentagem da fração silte, as amostras foram classificadas como argila. Tal fato pode ser atribuído a atividade da fração de argila contida nas amostras. A Equação (1) mostra uma expressão proposta por Skempton para a estimativa da atividade das argilas. A Figura 2. Curva de compactação do solo de cobertura no Proctor Normal O relação do teor de umidade x peso específico aparente seco máximo (γsmax) referente à Figura 2 apresenta uma curva com forma característica de solos finos (SOUSA PINTO, 2006). Além disso, a umidade ótima também apresenta valor característico desse mesmo grupo de solos. A Figura 3 mostra os gráficos pressão x penetração obtidos a partir do ensaio de ISC. IP % 0,002mm (1) Tanto a amostra 1, quanto para a amostra 2, a atividade do solo ensaiado foi superior a 1,25, correspondendo a argila ativa, o que explica seu comportamento argiloso, pelo sistema do SUCS. A densidade real dos grãos (G) foi determinada pelo método do picnômetro por meio da realização de três ensaios, onde foram obtidos resultados em média de 2,69 para amostra 1 e 2,68 para amostra 2. De acordo com Terzaghi e Peck (1967), valores típicos para os solos ficam em torno de 2,7, logo, os valores obtidos encontram-se na faixa de variação típica dos solos. A curva de compactação do solo de obertura da célula experimental encontra-se na Figura Figura 3. Gráficos obtidos com resultados dos ensaios ISC para amostra de solo, no gráfico 3a) não há correção do ISC no gráfico 3b) foi necessário utilizar o fator de correção do ISC. De acordo com a Figura 3a observa-se que não foi necessária correção para a curva pressão x penetração. No entanto na Figura 3b observa-se a necessidade de uma correção de 0,02 mm para determinação do ISC, em função da curva não apresentar trecho inicial linear. Os valores do ISC foram determinados pela Equação (2) e os resultados são expressos em porcentagem. e 24 horas. p ISC medida P x100 (2) padrão Figura 5. Gráfico expansão x umidade A Tabela 2 apresenta os valores do ISC obtidos com a penetração de cada um dos corpos de prova (CP’s) assim como seus correspondentes teores de umidade. Tabela 2. Valores do ISC e teor de umidade dos cp’s ensaiados do solo de cobertura CP's nº W (%) ISC (%) 1º 9,4 1 2º 10,4 1 3º 14,7 4 4º 17,7 1 5º 18,3 1 Na Figura 4 apresenta-se a curva ISC x w obtida com a realização da penetração de cinco corpos de prova do solo de cobertura da célula de RSU, moldados a diferentes teores de umidade e de peso específico. A partir da Norma do DNIT (2009) verificase que o valor de ISC é adequado para execução do corpo de aterros rodoviários, pois apresenta um ISC ≥ 2% e expansão ≤ 4%, como pode ser verificado na Figura 5. Já a determinação da umidade natural do solo de cobertura da célula experimental determinada com a utilização do speedy, que forneceu um valor médio de 14,0 %, e pela estufa, com valor médio de 14,6%. O peso específico in situ, foi determinado através do ensaio de frasco de areia, cujo valor médio foi 15,70 kN/m³. Os valores obtidos com os mencionados ensaios são apresentados na Tabela 3. Tabela 3. Valores dos ensaios de umidade e peso específico, realizados no solo da camada de cobertura Umidade (% ) Ensaios Figura 4. Gráfico ISC x teor de umidade para o solo de cobertura da célula experimental. Observa-se que o ISC da amostra de solo foi de 4 %. Vale destacar que o valor do ISC determinado foi o correspondente, na curva ISC x w, à umidade ótima do solo. A Figura 5 apresenta o gráfico expansão x umidade obtido após a realização do ensaio de compactação e saturação dos cinco cilindros após 96 horas e feito a leitura em 24 Método da Estufa Peso Específico (kN/m³) Speedy Frasco de Areia Amostra 1 16,5 13,4 15,3 Amostra 2 12,4 12,6 15,5 Amostra 3 14,9 16 16,2 Média 14 15,7 14,6 Para efeito de análise foi adotado o valor médio da umidade fornecido pelo método da estufa. O ensaio de frasco de areia foi realizado em três posições e os valores, assim obtidos, juntamente com as umidades correspondentes, são plotadas na curva de compactação do mesmo solo (Figura 6). Além desses valores foi inserido também, em destaque, o valor médio de ambas as variáveis, ou seja, peso específico médio de campo e umidade natural média. Figura 6. Valores de umidade e peso específico na curva de compactação. Como podem ser observados na Figura 6, os pontos de umidade in situ com relação à umidade ótima ficou na faixa de variação aceitável (±3). O grau de compactação no aterro foi de apenas 84 %, de acordo com a Tabela 4 este valor se encontra abaixo da faixa recomendada para aterro rodoviário que é de 95–100% pelo ensaio de Proctor Normal. específico de campo. Na composição gravimétrica o percentual de cada componente do RSU é determinado em relação ao peso da amostra analisada. A Tabela 5 mostra a composição gravimétrica da amostra de RSU da célula experimental em análise. Vale mencionar que a amostra de RSU coletada para determinação da composição gravimétrica inicialmente apresentava 1600 kg em seguida foi subdividida em quatro porções, posteriormente 800 kg foram retirados destas porções e finalmente subdividido em quatro outros grupos, de onde foi escolhido de forma aleatória 200 kg para a análise. Tabela 5. Composição gravimétrica do resíduo sólido Tabela 4. Faixa de variação do grau de compactação 90 - 95% do Proctor Modificado * 95 - 100% do Proctor Simples 90 - 95% do Proctor Modificado Barragens de terra 90 - 95% do Proctor Modificado Aterros sob fundações de Prédios 95 - 100% do Proctor Simples Camadas de base em pavimentos 95 - 100% do Proctor Modificado Recomendado para o topo do aterro, até 60 cm Aterros Rodoviários Fonte: Ricardo e Catalani (2007). A partir da análise táctil visual realizada nas sondagens à percussão (SPT) realizadas, verifica-se que o solo de cobertura da célula experimental é constituído de areia argilosa, com presença de pedregulhos de coloração escura, variando entre marrom e vermelha. O NSPT médio foi de 9, conferindo ao solo a condição de medianamente compacto. A partir de 0,75 m de profundidade encontra-se o resíduo do aterro sanitário, constituído basicamente por plástico e matéria orgânica, como pode ser observado na Figura 8. 2.3.2 Caracterização dos ensaios realizados no RSU A caracterização dos RSU presentes na célula experimental estudada foi realizada por meio da determinação de sua composição gravimétrica, de sua umidade e do peso A amostra de resíduo indicou a presença predominante de matéria orgânica e em menor quantidade foi encontrado borracha e alumínio. Este resultado está coerente com outros trabalhos citados na literatura, que mencionam que, no Brasil, a componente de maior fração nos resíduos sólidos urbanos é a matéria orgânica. Segundo IBAM (2001), o conhecimento detalhado sobre as características físicas dos RSU pode auxiliar na estimativa das quantidades de resíduos a coletar em cada região da cidade, dimensionamento dos veículos de coleta e estações de transferência, implementação de programas de coleta seletiva, etc. A porcentagem do RSU em análise é extremamente heterogênea e está relacionada com os aspectos sociais, econômicos e hábitos culturais da região geradora do resíduo. A determinação da umidade foi realizada em laboratório por meio de uma estufa tomando-se como temperatura máxima o valor de 60º C, onde as amostras permaneceram até seu peso atingir constância de massa. As leituras ocorreram diariamente e se estenderam por quatro dias. A Tabela 6 apresenta os teores de umidade e os respectivos períodos de leitura correspondente a cada amostra. Tabela 6. Variação da umidade das amostras de RSU com o tempo a)amostra coletada em maio de 2012 b)amostra coletada em abril de 2013 A umidade correspondente ao RSU da amostra 1, realizada no mês de maio, foi de 32,80 % e da amostra 2 foi 33,60 %, com média de 33,20%, e para o ensaio de abril de 2013, da amostra 1 foi de 20,56 % e da amostra 2 foi 23,06 %, com média de 21,81% (Tabela 6). Santos (2012) realizou na mesma célula experimental em 2011 o ensaio de umidade, e a média encontrada para o resíduo foi de 37,7%. Dessa forma, pode-se observar que o teor de umidade tem apresentado diminuição de valor com o passar do tempo, o que também foi verificado por Azevedo, 2003. O teor de umidade do RSU, talvez seja a propriedade que apresente a maior quantidade de fatores que possam influenciar no seu valor, que depende, dentre outras, da sua composição inicial, das condições climáticas locais, do processo de operação dos aterros, da taxa de decomposição biológica, da capacidade e funcionamento dos sistemas de coleta de líquidos percolados. Em um mesmo aterro sanitário o teor de umidade pode variar significativamente entre diferentes pontos. O peso específico do RSU da célula experimental foi determinado em três momentos. Em 2011 foi determinado por Santos (2012), referindo-se ao resíduo despejados durante o preenchimento da célula experimental obtendo um peso específico de 7 kN/m³. Posteriormente em 2012, determinouse o peso específico a partir da execução de uma escavação, de 37 cm x 20 cm e profundidade de aproximadamente 25 cm, no interior da célula experimental, obtendo-se um peso específico de 17 kN/m³. Mais recentemente, em 2013, a partir de uma nova escavação de 20 cm x 20 cm e profundidade de 17 cm, determinou-se o peso específico em 21,18 kN/m³. Os valores elevados obtidos para o peso especifico nos anos de 2012 e 2013 são referentes ao resíduo compactado, além disso, o carreamento de solo da camada de cobertura para o maciço e a elevação dos valores com o tempo, em função dos processos de biodegradação justificam a diferença considerável nos resultados encontrados conforme foi observado também por Azevedo, 2003 e Silveira, 2004, (Figura 7). Figura 7. Gráfico peso especifico do resíduo x idade do Resíduo (Silveira, 2004) 2.3.3 Caracterização dos ensaios realizados no conjunto solo de cobertura/RSU Foram realizados no conjunto solo de cobertura/RSU, tanto da célula experimental como quanto do aterro antigo, sondagens à percussão (SPT) e provas de carga diretas. Como pode ser observado na Figura 8, o valor do NSPT no resíduo, ao longo da profundidade, variou de 4 a 12, com média de 9 golpes. Em função da sondagem à percussão (SPT) realizada no solo de cobertura do aterro antigo (Figura 8), verifica-se um solo constituído de uma areia argilosa com pedregulhos, de coloração amarelada. O NSPT médio foi de 8 indicando que trata-se de um solo medianamente compacto. A partir da profundidade de 0,75 m verificase a presença de resíduo do aterro sanitário no maciço antigo. O resíduo também é constituído basicamente de plástico e matéria orgânica. Nesta camada, o NSPT varia de 6 a 15, com valor médio de 10. A Figura 8 mostra o gráfico comparativo entre a sondagem realizada no resíduo antigo e na célula experimental. Figura 8. Gráfico comparativo entre SPT do aterro antigo e célula experimental Como se observa na Figura 8 não houve alteração significativa entre os valores do índice de resistência (NSPT) das sondagens realizadas na célula experimental e no aterro antigo. Para uma melhor caracterização do comportamento geomecânico do conjunto solo de cobertura/maciço sanitário realizaramse ainda provas de carga no topo do solo de cobertura da célula experimental e do aterro antigo. Na Figura 9 mostra-se a curva pressão x recalque obtida com a realização de uma prova de carga direta realizada na célula experimental utilizando a placa de 30 cm de diâmetro. Figura 9. Curva Pressão x recalque utilizando a placa de 30 cm de diâmetro na célula experimental Através da Figura 9 observa-se que a máxima tensão aplicada na prova de carga foi de 800 kPa e o máximo recalque correspondente foi de apenas 2,03 mm. Já o recalque residual foi de 1,36 mm. Observa-se ainda, para essa mesma prova de carga, uma relação bastante linear entre a pressão aplicada e o recalque da placa ao longo de toda curva. Na Figura 10 apresentam-se as curvas pressão x recalque das provas de carga realizadas no aterro antigo utilizando duas placas, uma com 30 cm e a outra com 50 cm de diâmetro. Figura 10. Gráfico comparativo entre as placas de 30 e 50 cm de diâmetro no aterro antigo Pela Figura 10 observa-se que a partir da prova de carga realizada na placa de maior tamanho (50 cm), ocorrem recalques mais elevados devido ao bulbo de tensões dessa atingirem maiores profundidades. Comparando-se as provas de carga de mesmo diâmetro (30 cm) realizadas na célula experimental (Figura 9) e no aterro antigo (Figura 10), observa-se que houve um acréscimo nos recalques da ordem de 50 %. 3 CONCLUSÕES A partir da realização desta pesquisa foi possível estabelecer as seguintes conclusões: O solo utilizado na cobertura da célula experimental possui o valor de Índice de Suporte Califórnia (ISC) de 4 % e expansão 2,52 %, valores adequados para a execução do corpo de um aterro rodoviário. A composição gravimétrica dos RSU proveniente da cidade de Fortaleza indicou a predominância de matéria orgânica o que confirma as informações apresentadas na literatura. O teor de umidade do resíduo variou inversamente com o tempo, e o peso específico dos resíduos aumentou com o tempo. Os resultados das sondagens à percussão (SPT) realizada nos resíduos do aterro antigo e da célula experimental não apresentaram variação significativa nos valores do índice de resistência das sondagens. A capacidade de carga com base no NSPT, calculada no solo de cobertura e no maciço de resíduo no aterro antigo e na célula experimental, apresentou valores semelhantes. A partir das provas de cargas realizadas no solo de cobertura verificou-se que as tensões externas aplicadas pela base das placas não atingiram de forma significativa o maciço de resíduos sólidos urbanos (RSU). AGRADECIMENTOS Ao Departamento de Pós-Graduação em Engenharia Hidráulica e Ambiental, por proporcionar a realização desta pesquisa. Aos colaboradores do Laboratório de Mecânica dos Solos pelo apoio no desenvolvimento da pesquisa. Á equipe do Aterro Sanitário Metropolitano Oeste de Caucaia (ASMOC). Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, pela concessão da bolsa de Mestrado. À FUNCAP pelos recursos necessários para a obtenção dos equipamentos referentes aos ensaios de placa. REFERÊNCIAS Associação Brasileira De Normas Técnicas - ABNT. 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