IMPORTÂNCIA DA REALIZAÇÃO DA PRIMEIRA SEMANA DE SAÚDE INTEGRAL Amanda Larissa Souza dos Santos¹, Leony Ribeiro dos Santos², Rafaella Ayanne Alves dos Santos3 Raquel Loura Ribeiro4, Luciana Paula Fernandes Dutra5. 1. Discente do 5º período em Enfermagem pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Monitora do Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde (PET-SAÚDE) na área de saúde da criança. Membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Saúde do Adulto e Idoso - GEPSAI/ UNIVASF. 2. Discente do 5º período em Enfermagem pela UNIVASF. Monitor do PET-SAÚDE na área de saúde da criança. 3. Discente do 5º período em Enfermagem pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF). Monitora do Programa de Educação pelo Trabalho para Saúde (PET-SAÚDE) na Linha Educação em Saúde: estratégias para redução da gravidez na adolescência. Membro do Grupo de Estudo e Pesquisa em Saúde do Adulto e Idoso - GEPSAI/UNIVASF. 4. Enfermeira. Graduada pela UNIVASF. Enfermeira da Unidade Saúde da Família Novo Encontro em Juazeiro-BA. Preceptora do PET-SAÚDE na área de saúde da criança. 5. Enfermeira. Especialista em Saúde da Criança. Professora do Departamento de Enfermagem da UNIVASF. Tutora do PET-SAÚDE na área de saúde da criança. 1 RESUMO A “Primeira Semana Saúde Integral” (PSSI) é uma estratégia em saúde, na qual são realizadas atividades na atenção à saúde de puérperas e recém-nascidos (RN). Estas ações contribuem para a redução da mortalidade infantil. Dessa forma, o presente estudo tem como objetivo realizar cuidados ao binômio mãe-filho em visita domiciliar. Trata-se de uma pesquisa descritiva com abordagem quanti-qualitativa desenvolvida por integrantes do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-SAÚDE), na área adstrita de uma Unidade Saúde da Família no município de Juazeiro-BA. A amostra foi composta por 11 puérperas e seus respectivos recém-nascidos (RN). A coleta de dados ocorreu através de duas visitas domiciliares. Conforme a interpretação dos dados, pôde-se notar que durante a primeira visita domiciliar, 18,1% das mães faziam uso de substâncias como cascas de frutas secas e cinzas de cigarros para a cicatrização do coto. Quanto a higiene bucal dos RN, constatou-se que 63,6% das mães a realizavam; esta porcentagem permaneceu igual para as crianças que realizaram o teste do pezinho e a aplicação das vacinas hepatite B e BCG. Também foi avaliado que na primeira visita, 54,5% das crianças estavam em aleitamento materno exclusivo, e que 45,4% das puérperas possuíam alterações nas mamas. Ao realizar a segunda visita, notou-se a mesma porcentagem para o aleitamento materno exclusivo, porém isso não significou dizer que as mesmas crianças que estavam em aleitamento materno exclusivo continuaram. Este fato se torna claro, ao analisar isoladamente o aleitamento materno exclusivo durante a primeira visita. Pode-se perceber que houve uma perda de 54,5% para 36,4%. Ao mesmo tempo o aleitamento materno não exclusivo, que possuía uma taxa de 45,4% na primeira visita domiciliar, diminuiu para 27,3% na segunda. Ou seja, as taxas permaneceram as mesmas para aleitamento materno exclusivo, tanto na primeira como na segunda visita, pois houve a permuta de crianças que estavam em aleitamento materno exclusivo para aleitamento materno não exclusivo e vice versa. A partir disso, conclui-se que o desenvolvimento da visita domiciliar é de fundamental importância para se conhecer/entender os problemas enfrentados pelas mães para garantir uma assistência de qualidade às suas crianças. Isso demonstra a relevância de estar avaliando os acontecimentos na comunidade em que se atua, a fim de se traçar um plano de cuidados eficaz e resolutivo para a formação de indivíduos saudáveis. DESCRITORES: Recém-nascido; Visita domiciliar; Puerpério. 2 1 INTRODUÇÃO A atenção à saúde da criança representa um campo prioritário dentro dos cuidados à saúde das populações e para que se desenvolva de forma mais efetiva/eficiente é necessário uma atuação sólida dos serviços e do sistema de saúde. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) em seu Título II, Capítulo I, art. 7º, trata do Direito à Vida e à Saúde, salientando que a criança tem direito à proteção, à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência¹. O Ministério da Saúde apresenta a Agenda de Compromissos para a Saúde Integral da Criança e Redução da Mortalidade Infantil, com o intuito de organizar uma rede integrada de assistência, através da linha de cuidado integral à saúde da criança, por meio da identificação de ações prioritárias, como a assistência que contemple desde o primeiro atendimento, nas Unidades Saúde da Família (USF) até o nível mais complexo do cuidado. Dentre os principais eixos de ação estão o nascimento saudável, com a atenção desde a concepção até atendimento ao pré-natal, parto, puerpério e a Primeira Semana de Saúde Integral (PSSI). Estas ações intensificam os cuidados com o recém-nascido (RN) e a puérpera na primeira semana após o parto, período em que se concentram os óbitos, além do seguimento da criança até os 10 anos de idade². Neste sentido, o acompanhamento integral à criança deve ser executado muito antes do nascimento, ou seja, ainda durante a gestação. O pré-natal tem ocupado historicamente um espaço relevante na atenção à saúde da mulher e da criança, tendo por objetivo reduzir a morbidade e mortalidade, tanto materna quanto infantil. O programa de pré-natal caracteriza-se pelo desenvolvimento de ações preventivas e educativas, por meio do contato freqüente e planejado da gestante com os serviços de saúde, no rastreamento de gestantes de alto risco e intervenção precoce nos problemas que afetam a gravidez ³. O momento do nascimento é um acontecimento de relevância na vida da mulher, uma vez que constitui momento único para o binômio mãe-filho. Por envolver aspectos psicológicos, físicos, sociais, econômicos e culturais, é considerado por vários autores um fenômeno complexo4. Sabe-se, entretanto, que o acompanhamento à mulher e à criança não termina após o nascimento, ele deve continuar, e este seguimento é de suma importância para o 3 desenvolvimento da mãe e seu filho. A primeira semana após o nascimento é fundamental na vida do bebê e de sua mãe, ambos precisam de atenção, de cuidados e de muito afeto². Durante os primeiros dias são realizadas ações básicas, preconizadas na Primeira Semana Saúde Integral após o parto. Estas ações visam triagem neonatal, triagem auditiva, checagem de vacinação BCG e Hepatite B e avaliação do aleitamento materno para orientação e apoio. Os serviços de saúde oferecem também práticas educativas em atividades de grupos, sala de amamentação, avaliação do risco bebê e puérpera, dentre outros². Essa ação envolve não apenas a realização do exame laboratorial para triagem neonatal, mas também a busca ativa dos casos suspeitos, a confirmação diagnóstica, o acompanhamento multidisciplinar especializado e o tratamento dos pacientes detectados, o que deve estar garantido e pactuado na rede de assistência local/regional, bem como a avaliação de cobertura, do funcionamento e resultados do programa². A mortalidade neonatal tem se configurado como crescente preocupação para a saúde pública no Brasil desde os anos 90, quando passou a ser o principal componente da mortalidade infantil, em decorrência da redução mais acentuada da mortalidade pósneonatal. A taxa de mortalidade neonatal vem se mantendo estabilizada em níveis elevados, com pouca modificação do componente neonatal precoce, ocupando papel importante na taxa de mortalidade infantil no país. Sabe-se que, à medida que são reduzidas as mortes no período neonatal tardio, há uma concentração de óbitos na primeira semana e predominantemente nas primeiras horas de vida, estabelecendo-se uma relação cada vez mais estreita com a assistência de saúde dispensada à gestante e ao recém-nascido durante o período pré-parto, parto e atendimento imediato à criança no nascimento e berçário5. Nesse contexto, a temática desse estudo foi definida levando-se em consideração a importância da aplicabilidade da PSSI nas unidades básicas. Assim, levantou-se a seguinte questão: Como melhorar a prestação de cuidados a puérpera e seu RN? Durante a PSSI, os recém-nascidos e as puérperas devem ser acolhidos na USF para checagem dos cuidados, ressaltando a importância dessa abordagem na primeira semana de vida e primeiro mês, quando ocorre a maioria dos problemas que levam ao desmame precoce. 4 Além disso, nessa primeira semana, deve-se avaliar e observar a mamada em todas as ocasiões de encontro com mães e bebês e reforçar as orientações dadas no pré-natal ou maternidade, priorizando a importância do aleitamento materno exclusivo por 6 meses e a complementação com os alimentos da família até os dois anos de idade ou mais. Além do incentivo ao aleitamento materno, é realizada a imunização, para reduzir as taxas de morbimortalidade por doenças imunopreveníveis, por exemplo, como poliomielite, hepatite B, Sarampo, rubéola, caxumba, tétano, coqueluche, difteria, dentre outras. A visita da puérpera e seu RN a USF é de suma importância após o parto, porém a vinda a Unidade Saúde da Família oculta aspectos importantes para a prestação de cuidados. Dessa forma, a realização da visita domiciliar ajuda a evidenciar não só os problemas com a puérpera e o RN, mas também os problemas familiares e domiciliares que podem interferir no plano de cuidados ao binômio mãe-filho, assim como também aumenta o vínculo entre a família e os profissionais de saúde. Essa estratégia é fundamental para a diminuição da morbidade e mortalidade materno-infantil. Em geral, essas mortes decorrem de pré-natal inadequado ou falta de assistência ao recém-nascido. O pós-parto é um momento de cuidado estratégico e os serviços de saúde devem se organizar para garantir essa atenção. O conhecimento traz contribuições significativas para a sobrevida e a qualidade de vida de recém-nascidos. Não se pode esquecer que a assistência não deve contemplar apenas as questões técnicas e biológicas, de uma maneira fragmentada e focada só na doença. A atenção, na verdade, tem toda uma estrutura biopsicossocial e por isso, deve merecer uma abordagem humanística e cultural. A sobrevivência e a qualidade de vida das mulheres e das crianças dependem dos cuidados prestados, um cuidado humano e ético6. Logo, buscou-se através dessa pesquisa realizar cuidados ao binômio mãe-filho em visita domiciliar na PSSI. Isso foi realizado através de visitas domiciliares demonstrando a relevância da PSSI. Dessa forma, garantindo, aumentando e colaborando para uma maior aceitação das mães sobre os cuidados prestados à mulher e à criança, e fortalecendo o vínculo e confiança entre família e equipe de saúde, havendo uma maior aceitação dos serviços disponibilizados pela PSSI. 5 2 METODOLOGIA 2.1CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO Trata-se de um estudo descritivo com abordagem quanti-qualitativa, a qual permite a observação direta a respeito de como cada indivíduo, grupo ou instituição percebe a realidade pesquisada. 2.2 LOCAL DE ESTUDO O estudo abordou a Primeira Semana de Saúde Integral (PSSI) em puérperas e recém-nascidos da área de abrangência da Unidade Saúde da Família- Novo Encontro na cidade de Juazeiro-BA. Este estudo permitiu conhecer a realidade em que a puérpera e recém-nascido encontram-se, avaliando fatores que interferem no plano de cuidados e promovendo educação em saúde. 2.3 AMOSTRA A amostra foi constituída por 11 puérperas e seus respectivos recém-nascidos, escolhidos aleatoriamente, que são assistidas pela Unidade Saúde da Família NovoEncontro na cidade de Juazeiro-BA. 2.4 ASPECTOS ÉTICOS O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa em Seres Humanos da Universidade Federal do Vale do São Francisco – UNIVASF, nº 016/10, atendendo exigências, aspectos éticos e legais da resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde. A coleta de dados foi iniciada com devida autorização das puérperas, após aceitarem participar do estudo e assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido, a fim de garantir o respeito à dignidade humana. As participantes do estudo tiveram conhecimento da metodologia, do objetivo, da justificativa e de todo processo de desenvolvimento do estudo. 2.5 COLETA DE DADOS A coleta foi realizada durante os meses de abril e maio de 2010, com a participação de agentes comunitários de saúde, preceptores e monitores do Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-SAÚDE), na linha de pesquisa de Saúde da Criança, promovendo um vínculo entre os profissionais e as famílias. A coleta de dados foi realizada em duas etapas, a primeira constou da realização da visita domiciliar as puérperas 6 e RN, observação dos cuidados prestados pela mãe a criança. Além disso, realizou-se a aplicação de um formulário concomitantemente a orientação e esclarecimento de dúvidas. O segundo momento da coleta de dados consistiu na realização de uma segunda visita domiciliar e aplicação de uma entrevista às mães, para verificar se as orientações prestadas durante a primeira visita estavam sendo seguidas, bem como para reforçar a prestação de cuidados à saúde da mãe e da criança. Após a coleta, seguiu-se a análise dos dados. 2.6 PROCESSAMENTO E ANÁLISE DOS DADOS Após a coleta de dados foi realizada a análise dos formulários e entrevistas, onde os dados foram agrupados, tabulados e interpretados, com o intuito de identificar os cuidados e as condições de saúde dos recém nascidos. O desenvolvimento deste estudo foi fundamentado em pesquisas bibliográficas, em bases de dados como Scielo e artigos recentes. 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Conforme a interpretação dos dados pôde-se verificar os seguintes cuidados aos recém-nascidos: 3.1 CUIDADOS COM A HIGIENE CORPORAL E BUCAL Durante a realização da PSSI, interrogou-se a respeito dos cuidados a higiene corporal, obtendo resultado satisfatório, já que as mães realizavam uma higiene adequada aos bebês. Identificou-se ainda que cerca de 81,8% das mães cumpriam com cuidados adequados ao coto umbilical, e que aproximadamente 18,1% faziam uso de outras substâncias para a cicatrização do coto, tais como cascas de frutas secas e cinzas de cigarros. Os cuidados com o coto umbilical são vistos com muito receio, como sendo “algo perigoso”, “que pode sangrar”. As mães de “primeira viagem” geralmente associam o sangramento da queda do coto com problemas, e quando isso acontece, procuram o serviço de saúde, relatando que o filho está tendo hemorragia no coto. Após o primeiro filho, com a experiência adquirida, elas sentem-se mais seguras com manuseio e a queda do coto umbilical, desmistificando dessa forma esta crença7. 7 Gráfico 01: Cuidados adequados à higiene do coto umbilical em recém-nascidos atendidos pelo PET-SAÚDE. Fonte: Pesquisa de campo/ área adscrita da USF Novo Encontro, Juazeiro-BA, 2010 Além disso, a baixa escolaridade pode ser um dos fatores de influência na manutenção de práticas inapropriadas de higiene e cuidados ao coto umbilical, tais como: enfaixar o coto, utilizar banha de galinha ou folha de arruda, colocar moeda ou utilizar fumo de corda, crenças bastante conhecidas de toda a população8. Quanto à higiene bucal dos RN, concluiu-se que 64% das mães possuíam este cuidado e realizavam com freqüência a limpeza. Gráfico 02: Cuidados adequados a higiene bucal em recém-nascidos atendidos pelo PETSAÚDE. Fonte: Pesquisa de campo/ área adstrita da USF Novo Encontro, Juazeiro-BA, 2010 8 A atenção à saúde bucal, alimentação e a higiene são pontos de fundamental importância na promoção da saúde bucal dos recém-nascidos. Após o nascimento, é necessário destacar aspectos como a importância do aleitamento e dos hábitos alimentares que serão adquiridos pela criança². A odontologia vem se voltando atualmente para o atendimento de bebês, tentando instituir precocemente medidas educativas e preventivas. Esta tendência tem se fortalecido baseada nos dados existentes na literatura que mostram que a cárie dental em crianças pode se iniciar muito cedo e que a sua prevalência tende a aumentar com a idade9 Deve-se iniciar a higiene bucal antes da erupção dos dentes, com fralda ou gaze úmida. Após a erupção dos dentes, quando a criança mamar, sempre realizar a limpeza com a fralda, e iniciar a escovação dos dentes com uma escova macia e de pequeno tamanho, o mais precocemente possível9. 3.2 REALIZAÇÃO DA TRIAGEM NEONATAL E VACINAS Durante a visita para a execução da PSSI, perguntou-se às mães se suas crianças haviam efetivado o teste do pezinho e as vacinas. Gráfico 03: Realização da triagem neonatal e vacinas em recém-nascidos atendidos pelo PET-SAÚDE. Fonte: Pesquisa de campo/ área adstrita da USF Novo Encontro, Juazeiro-BA, 2010 9 Ao analisar a realização de exames como o teste do pezinho e a aplicação das vacinas hepatite B e BCG, verificou-se que cerca de 63,6% dos RN haviam realizado estes procedimentos. Ao realizar a segunda visita a estas crianças, notou-se que houve um acréscimo no número de crianças que haviam realizado o teste do pezinho e as vacinas para uma cobertura de 100%. De acordo com a Sociedade Brasileira de Triagem Neonatal (SBTN) o teste do pezinho ou triagem neonatal permite o diagnóstico de várias doenças congênitas ou infecciosas (hipotireoidismo, fenilcetonúria, anemia falciforme e fibrose cística), essas doenças são assintomáticas no período neonatal, portanto, deve-se interferir no curso da doença, permitindo assim a instituição do tratamento precoce específico e a diminuição ou eliminação das seqüelas associadas a cada doença10. 3.3 CUIDADOS AO ALEITAMENTO MATERNO Gráfico 04: Condições aleitamento materno em recém-nascidos atendidos pelo PETSAÚDE. Fonte: Pesquisa de campo/ área adstrita da USF Novo Encontro, Juazeiro-BA, 2010 Durante a realização da PSSI em visita ao domicílio da puérpera e RN, foi questionado e avaliado sobre a alimentação do RN. Observou-se que 54,5% das crianças visitadas estavam em aleitamento materno exclusivo, ao mesmo tempo, visualizou-se a pega mamária, identificando o desenvolvimento correto da pega em 72,7% das crianças. Além disso, pôde-se conferir que 45,4% das puérperas possuíam alterações nas mamas que dificultavam o aleitamento, dentre as alterações as fissuras mamárias predominaram. 10 Ao realizar a segunda visita a estas mães e crianças, notou-se a continuidade da mesma porcentagem para o aleitamento materno exclusivo (54,5%), porém isso não significa dizer que as mesmas crianças que estavam em aleitamento materno exclusivo continuaram. Este fato se torna claro ao analisar as crianças que estavam em aleitamento materno exclusivo durante a primeira visita, separadamente, pode-se perceber que houve uma perda de 54,5% para 36,4%. Dessa forma, ocorreu a mesma circunstância com o aleitamento materno não exclusivo, que possuía uma taxa de 45,4% tanto na primeira como na segunda visita domiciliar. A análise dos dados possibilitou inferir que houve uma diminuição para 27,3% de crianças do aleitamento exclusivo em aleitamento materno não exclusivo. Gráfico 05: Relação entre aleitamento materno na primeira e segunda visita domiciliar em recém-nascidos atendidos pelo PET-SAÚDE. Fonte: Pesquisa de campo/ área adstrita da USF Novo Encontro, Juazeiro-BA, 2010 Dessa forma, entende-se que as taxas permaneceram as mesmas para aleitamento materno exclusivo, tanto na primeira como na segunda visita, pois houve a permuta da mesma porcentagem de crianças que estavam tanto em aleitamento materno exclusivo para aleitamento materno não exclusivo e vice versa. O aleitamento natural no decorrer dos anos tem se constituído fundamental para a garantia da saúde da criança. Este se traduz na edificação de três importantes pilares erguidos sob a ótica da promoção, da proteção e do apoio ilimitado e reforçado à mulher, 11 começando no início da gestação. A amamentação, quando praticada de forma exclusiva até os seis meses e complementada com alimentos apropriados até os dois anos de idade ou mais, demonstra grande potencial transformador no crescimento, desenvolvimento e prevenção de doenças na infância e idade adulta². Apesar da importância do aleitamento materno para a criança, mãe, família e sociedade, as taxas de amamentação no Brasil são baixas, em especial a da amamentação exclusiva. Para modificar essa realidade são necessárias ações que promovam essa prática, as quais devem contemplar fatores que interferem na amamentação, pois é sabido que o aleitamento materno, apesar de biologicamente determinado, é influenciado por fatores sociopsicoculturais. Entre esses fatores, encontram-se a opinião e o incentivo das pessoas que cercam a mãe, incluindo as avós maternas e/ou paternas da criança11. Diversos estudos confirmam que as avós podem influenciar negativamente na duração da amamentação. Independentemente da idade, cor da pele, escolaridade, renda per capita, número de filhos e de ter recebido ou não intervenção na maternidade, as mães com contato diário com as respectivas mães tiveram uma chance maior de interromper o aleitamento materno nos primeiros seis meses após o nascimento da criança11. O fato de as avós, tanto maternas quanto paternas, aconselharem o uso de água, chás ou outros leites contribuiu significativamente para o abandono da amamentação exclusiva no primeiro mês. Isso pode estar associado ao fato de as avós terem seus filhos em uma época em que o aleitamento materno, em especial o exclusivo, não era valorizado, o uso de água e chás era recomendado pelos pediatras e imperava a crença do “leite fraco” ou “pouco leite”. Portanto, em muitas situações, as avós estão apenas transmitindo às suas filhas ou noras a sua experiência com amamentação, acreditando ser o mais adequado11. 3.4 CONSULTAS DE PUERICULTURA Durante a segunda visita ao público-alvo, para verificar se os cuidados e orientações prestadas na PSSI estavam sendo seguidas, o item consultas de puericultura foi verificado para aquelas crianças que já haviam completado um mês. De um total de 11 crianças, somente 09 haviam completado um mês, portanto, só foi analisado neste item crianças um mês de idade. Durante a entrevista, perguntou-se às mães das crianças sobre a da primeira consulta de puericultura. Os resultados indicaram que 66,6% das crianças 12 haviam realizado as consultas de puericultura e 33,3% crianças que não haviam feito puericultura. O Programa de Puericultura é um dos instrumentos utilizados para o acompanhamento da saúde das crianças que tem a finalidade de acompanhar o crescimento e o desenvolvimento neuro-psicomotor da criança, observar a cobertura vacinal, estimular o aleitamento materno exclusivo, orientar a alimentação complementar da criança e prevenir as doenças diarréicas e respiratórias no primeiro ano de vida da criança12. A puericultura também pode ser chamada de pediatria preventiva, tendo como objeto a criança sadia, sendo seu alvo um “adulto perfeito”, fisicamente sadio, psiquicamente equilibrado e socialmente útil12. A partir da consulta de acompanhamento do crescimento e desenvolvimento é possível estabelecer condutas preventivas adequadas à idade sobre vacinação, alimentação, estimulação e cuidados gerais com a criança, em um processo contínuo de educação para a saúde. A fim de garantir a qualidade desse atendimento à criança, o Ministério da Saúde propõe um calendário mínimo de consultas, assim distribuídas: uma consulta até 15 dias de vida, consultas com um mês, dois, quatro, seis, nove e doze meses, totalizando, assim, sete consultas no primeiro ano de vida13. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir dos resultados e discussões apresentados, conclui-se que o desenvolvimento da visita domiciliar pela enfermeira é de fundamental importância para o conhecimento dos problemas enfrentados pela saúde das crianças. Isso demonstra a relevância de estar avaliando os acontecimentos na comunidade atuante, o que permite traçar um plano de cuidados ao crescimento e desenvolvimento da criança em um adulto saudável. Com este propósito, a implementação da Primeira Semana de Saúde Integral (PSSI) na visita domiciliar, implica na qualidade da assistência dos serviços de saúde à puérpera e RN. Através desta ação, tem-se a promoção da saúde integral da criança e o desenvolvimento das ações de prevenção de agravos, ou seja, uma prestação da assistência, que possibilita prover a qualidade de vida para ao infante, garantindo que este possa crescer e desenvolver todo o seu potencial. 13 À medida em que são desenvolvidas ações voltadas para o binômio mãe-filho, como a ação PSSI, ocorre uma abordagem global da assistência à família, incentivando à participação desta, em toda a atenção à criança, envolvendo-a com a informação sobre os cuidados e problemas de saúde que venham a ocorrer. Isso é entendido como direito de cada cidadão e potencial de qualificação e humanização da assistência. Portanto, através deste estudo, pôde-se realizar um maior número de Primeira Semana de Saúde Integral em visita domiciliar. Por meio desta ação foram observados aspectos muito importantes, tais como: a identificação das condições higiênicas, socioeconômicas e o contexto familiar em que estão inseridas as crianças. A realização da PSSI permitiu a apresentação dos problemas potenciais que interferem na prestação de cuidados e no crescimento e desenvolvimento da criança em um adulto saudável, bem como pôde aumentar o número de consultas de puericultura e puerpério, garantindo uma assistência qualificada ao binômio mãe-filho. REFERÊNCIAS 1. Silva LR, Christoffel MM, Souza KV. História, conquistas e perspectivas no cuidado à mulher e à criança. Rev.Texto & Contexto - enfermagem [on line]. 2005. [capturado em: 11 mar. 2010]; 14 (4): 585-593. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/tce/v14n4/a16v14n4.pdf. 2. Brasil. Ministério da saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Agenda de compromissos para a saúde integral da criança e redução da mortalidade infantil. 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