Implementação da Avaliação de Desempenho em uma empresa do setor de estruturas metálicas. Monique Cristine Coutinho de Oliveira Moreira [email protected] Unesp Andréia Maria P. Salgado [email protected] Unesp Arminda E. Marques Campos [email protected] Unesp Otávio José de Oliveira [email protected] Unesp Resumo:Constata-se que a prática da Avaliação de Desempenho pode identificar possíveis distorções, bem como possibilitar o conhecimento qualitativo do quadro de pessoal quanto quantitativo do ponto de vista produtivo nas empresas. Revelando pontos fortes e fracos de cada empregado otimizando recursos ao desenvolvimento organizacional. O método utilizado foi o estudo de caso de caráter exploratório, foi feito consulta bibliográfica fundamentada pela literatura recente sobre o assunto. Uma análise de conteúdo documental e de dados quantitativos e descritivos foi levantada da própria empresa pesquisada. Posteriormente realizou-se entrevistas com os avaliados, sendo possível constatar que os entrevistados na sua maioria possuem uma percepção positiva a respeito do processo de avaliação de desempenho e do modelo que foi aplicado na empresa, que foi o método da escala gráfica. O trabalho também servirá de base para futuras consultas da empresa sempre realinhando a conduta dos funcionários com os objetivos e metas operacionais. E Sugere-se para empresa em avaliações futuras a adoção da avaliação de desempenho de 360 graus. Palavras Chave: Avaliação - Desempenho - Melhoria - Produtividade - 1. INTRODUÇÃO Fundamentado pelas metodologias de Avaliação de Desempenho e pelos novos estudos sobre o assunto que contemplam a literatura contemporânea, a pesquisa tem como tema avaliar o desempenho da equipe de colaboradores e gestores em uma empresa do setor de estruturas metálicas. Segundo Padoveze (2000), as organizações modernas procuram valorizar o ativo humano identificando em seus colaboradores, suas capacidades, competências e habilidades. Com a descoberta de novos caminhos e sistemas busca-se a identificação e a seleção de instrumentos para que as organizações tenham sucesso, que reside na existência de uma força de trabalho em conjunto, reconhecendo os valores dos indivíduos, mantendo-os motivados, capacitados e, sobretudo comprometidos e alinhados com os objetivos e metas organizacionais. Ao pesquisar entre as ferramentas disponíveis, percebeu-se que a Avaliação de Desempenho apresenta maior eficiência, e tem por finalidade verificar o desempenho dos indivíduos para que se possam melhorar os resultados das diversas atividades oriundas aos colaboradores como presteza, comunicação, organização, capacidade produtiva, assimilação de novas atribuições, postura diante dos colegas e superiores assim como, uma série de outros fatores que um modelo de gestão eficaz pode proporcionar para um desenvolvimento mútuo dos colaboradores e da empresa. De acordo com Carvalho, Nascimento, Serafim (2012), a Avaliação de Desempenho poderá oferecer um retorno aos envolvidos em relação aos resultados obtidos no processo de avaliação, visando aprimorar os objetivos, padrões e expectativas de trabalho, buscando otimização dos recursos e desenvolvimento da empresa. Empresas onde o processo de avaliação é utilizado de forma séria cria um canal de comunicação entre líder e liderado proporcionando um comprometimento mútuo, para alcançar os resultados pretendidos pela organização. O processo de avaliação contribui também para melhorar e aumentar a relação de confiança e comunicação no ambiente de trabalho, minimizar os impactos pela pressão em relação a necessidades de resultados que são cada vez maiores e em menos tempo. Essas vantagens contribuem para a melhoria dos resultados da empresa e, consequentemente para o crescimento da organização. “A Avaliação de Desempenho tem por finalidade, portanto, obter informações sobre o comportamento profissional do avaliado durante seu desempenho no trabalho, identificando oportunidades de melhoria, elaborando e desenvolvendo planos de ação em relação à estrutura geral, aos diferentes órgãos e ao colaborador” (CARVALHO; NASCIMENTO; SERAFIM, 2012). No momento atual, a empresa objeto de estudo, observa-se que há necessidade de melhoria do processo de gestão da produção, bem como na gestão organizacional como um todo, pretende então uma melhor comunicação entre os profissionais e uma otimização nos seus processos produtivos. Nestas condições, a implementação do processo de avaliação é adequado, pois visa uma melhor relação entre os envolvidos e facilita a conquista das metas estabelecidas pela empresa. De acordo com Kevin e Cleveland (1995), o processo de Avaliação de Desempenho pode ajudar as organizações de várias maneiras, como na melhoria do clima organizacional, da relação entre as pessoas dentro das empresas e na sua capacidade produtiva. Segundo Bergamini (1988), uma boa avaliação, estruturada, onde a comunicação entre líder e liderado flui em harmonia e a troca de feedback acontece de forma amigável, acaba criando um compromisso com o desenvolvimento das pessoas, dos recursos e da organização. De acordo com Marques (2011), quando esse processo é utilizado de forma correta, empresas onde existe uma área de recursos humanos atuante, no sentido de acompanhar a realização da Avaliação de Desempenho, essa ferramenta torna-se uma grande aliada para reter os grandes talentos da organização e, principalmente melhorar a motivação das pessoas e criar um clima interno favorável, contribuindo com a melhoria da produtividade. Assim, o presente trabalho se propõe responder a pergunta problema da pesquisa: Como o processo de Avaliação de Desempenho dos funcionários e gestores em uma empresa do setor de estruturas metálicas pode contribuir para a verificação e otimização das tarefas que são executadas, observando se estão de acordo com as metas e resultados pretendidos pela empresa? 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Acompanhar a competitividade para não perder lucros e nem clientes passou a ser um dos principais objetivos traçados pelos gestores das empresas. Para tal, enlaçar indicadores, objetivos para garantir o desenvolvimento das organizações é uma das ações inerentes à Avaliação do Desempenho. Segundo Pontes (1996), a Avaliação de Desempenho é um método que visa continuamente estabelecer um contato com os funcionários referente aos resultados desejados pela organização, acompanhando os desafios propostos, corrigindo o rumo quando necessário e avaliando os resultados. Deste modo de acordo com Marques (2011), é um processo realizado mediante a avaliação de todo profissional dentro de uma organização e tem por premissa melhorar a performance dos funcionários e consequentemente o desempenho organizacional, pois é através das pessoas que se consegue atingir os resultados almejados. Para Hipólito e Reis (2002), é um sistema que tem por objetivo a melhoria global do desempenho e da produtividade das pessoas ao longo do tempo. Os resultados de um programa de Avaliação de Desempenho podem ser aplicados a muitas funções, os principais usos das informações da avaliação de desempenho são: no treinamento pessoal, nas promoções, nas demissões, no adequadamente do setor produtivo, reter desperdícios entre outros, segundo Silva (2012). De uma forma geral, esse processo pode ser definido como análise regular e sistemática do desempenho de cada colaborador, comparado com as tarefas que executa, com as metas e resultados pretendidos e com o seu potencial de desenvolvimento, como consta no guia para modelo de avaliação de desempenho da associação brasileira das entidades fechadas de previdência complementar (ABRAPP, 2013). Robbins (2002) segue a mesma linha de raciocínio de outros autores afirmando que o uso da avaliação é importante, pois através dela é possível evidenciar aos colaboradores o que a empresa e seus gestores esperam e valorizam em seus profissionais e o que pensam a respeito de seu rendimento. De uma forma geral, as razões para que haja a realização da avaliação, é a documentação que proporciona um feedback, uma base racional para o estabelecimento de um sistema de recompensa, e as dimensões e os padrões de avaliação podem operacionalizar metas estratégicas e esclarecer expectativas de desempenho. Segundo Pontes (1996), a Avaliação de Desempenho, portanto visa, além de estabelecer os resultados a serem perseguidos pelos indivíduos, acompanhar o processo de trabalho e fornecer feedback constante, e a partir dos resultados a empresa fica possibilitada de manter e aumentar a produtividade, além de facilitar o cumprimento de metas estratégicas. A Avaliação de Desempenho quando elaborada de forma dinâmica ajuda a identificar causas do desempenho deficiente, aumentando a produtividade dos envolvidos e deste modo possibilita estabelecer uma perspectiva de desenvolvimento com a participação ativa do funcionário e fornece indicadores e critérios objetivos para cada colaborador, buscando a maximização de seu desempenho profissional alinhado as perspectivas da empresa. De acordo com Robbins (2002), as empresas que não realizam esse processo de avaliação podem ficar sem controle, sem conseguir monitorar o desempenho dos seus colaboradores e gestores, e deste modo não podem estimulá-los para alcançar objetivos. Souza (2003) confirma a vital significância do uso dessa ferramenta, pois para o funcionário traz a oportunidade de receber o feedback sobre seu desempenho, e para as empresas cria a possibilidade de desenvolver o potencial de cada funcionário, e com isso, gerando otimização dos recursos e melhores resultados organizacionais. Para Marras (2000), o processo interno pode ser uma ferramenta de extrema importância, se aplicada com transparência, adequando à política aos objetivos da empresa, pois somente dessa forma será possível alcançar os resultados positivos que refletem na administração e no processo produtivo. Para que se tenham melhores resultados as avaliações devem ser periódicas e com padrões definidos para todos os cargos existentes na empresa. De acordo com Souza (2003), com essa ferramenta de gestão, a empresa pode avaliar qual nível de desenvolvimento possuem seus colaboradores, qual o tipo de liderança predominante, identificar o potencial dos seus colaboradores para assumirem posições de maior responsabilidade, além disso, dependendo do resultado, permite redefinir estrutura de cargos e suas descrições, auxiliando também no processo de novas contratações e otimizar os processos organizacionais. 2.2 VANTAGENS E LIMITAÇÕES DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO De acordo com Bohlander, Snell e Sherman (2003), existem várias vantagens que a implantação da Avaliação de Desempenho proporciona, (tabela1) para a empresa, gestores e para os colaboradores. Tabela 1: Vantagens da Avaliação de Desempenho VANTAGENS DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Empresa Contagia e motiva os envolvidos trazendo ganhos para empresa. Melhora a comunicação. Gestor Passa a conhece melhor a sua equipe e a si mesmo, além de manter-se motivado. Melhora a comunicação e interação entre a chefia e o colaborador. Colaborador Tem oportunidade de crescimento e sente-se valorizados. (motivados) Os colaboradores passam a ter uma maior interação entre eles e a comunicação com o chefe também melhora. Diretriz focada para os objetos e metas reais da empresa. Aprimora o desempenho de todos. Esclarece melhor quais as tarefas e responsabilidades deve cobrar de seus colaboradores para alcançar as metas da empresa. É mais fácil gerir uma equipe que teve seu desempenho aprimorado. Colaboradores percebem quais os pontos que eles devem se esforçar mais para atingir as metas organizacionais. Percebe que com o desempenho melhorado o trabalho será menos cansativo e mais rentável. Fonte: Adaptado de Bohlander, Snell, Sherman (2003). Ainda de acordo com os autores citados acima, mesmo havendo inúmeras vantagens como mostrado na tabela 1, à avaliação, assim como qualquer outro tipo de processo, também apresenta limitações que estão sintetizados na tabela 2 a seguir. Tabela 2: Limitações da Avaliação de Desempenho LIMITAÇÕES DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Exige organização e A avaliação de desempenho é um processo lento e que necessita planejamento: de acompanhamento. Talvez a empresa não tenha tempo disponível para fazer mudanças. As avaliações envolvem Como em qualquer outra ferramenta a avaliação também é certo grau de erro: passível de erro e isso ocorre geralmente pela falta de habilidade do avaliador o que leva à insatisfação de todo processo. Colocar em prática todos Alguns fatores podem não ser colocados em prática, como por os pontos previamente exemplo, a progressões de carreira dos colaboradores, uma vez estabelecidos não é tarefa que para isso ser possível teriam de fazer abertura de vagas e simples: consequentemente aumentos salariais, assim como atribuição de prémios de desempenho que também nem sempre são cumpridos. Superficialidade e Muitas vezes existe uma subjetividade implícita no processo, subjetividade na avaliação causada às vezes pela falta de sinceridade dos envolvidos ou do desempenho: pela influência pessoal do avaliador. Fonte: Adaptado de Bohlander, Snell e Sherman (2003). Além de verificar as vantagens e limitações do uso da avaliação para que a empresa objeto de estudo tivesse uma base para apoiar sua decisão referente ao método, foi realizada também uma pesquisa para verificar os métodos de Avaliação de Desempenho existente e utilizados nas empresas, tanto as avaliações tradicionais quanto as modernas. 2.3 MÉTODOS TRADICIONAIS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO São diversos métodos que podem ser utilizados para avaliar o desempenho das pessoas nas organizações, porém para que as empresas possam ter êxito no processo de gerenciamento e análise de seus funcionários, é preciso que elas optem pelo modelo mais apropriado ao tipo de cultura existente na organização, considerando também o perfil de liderança e os objetivos da empresa, ressalta Chiavenato (2010). Dentre esses métodos tradicionais os mais utilizados são: escalas gráficas, escolha forçada, pesquisa de campo, incidentes críticos e listas de verificação. Escala gráfica é um modelo baseado em uma tabela de dupla entrada onde nas linhas estão os fatores de avaliação e nas colunas estão os graus de avaliação do desempenho. Os fatores de avaliação constituem os critérios relevantes ou parâmetros básicos para avaliar o desempenho dos funcionários. Segundo Marras (2000), primeiramente define-se quais os fatores de Avaliação que servirão como o instrumento de aferição e comparação do desempenho dos funcionários envolvidos, tais fatores de avaliação constituem comportamentos e atitudes selecionados e valorizados pela organização e os colaboradores que mais os ostentam são aqueles que desempenham melhor as suas atividades, não importando exatamente qual o cargo que ocupam. Este método avalia o desempenho das pessoas através de fatores de avaliação previamente definidos. O segundo passo é a definição dos graus de avaliação para definir as escalas de variação do desempenho em cada fator de avaliação. Ainda de acordo com Bohlander, Snell e Sherman (2003), geralmente utilizam-se três, quatro ou cinco graus de variação, com os fatores de avaliação e respectivos graus, monta-se a escala gráfica de avaliação. O método da escolha forçada consiste em avaliar o desempenho das pessoas através de blocos de frases descritivas que focalizam determinados aspectos do comportamento. Por exemplos: tem condições de progredir; conhece bem as normas da empresa; tem dificuldade para tomar decisões; trabalha com afinco mesmo na ausência de seu gestor entre outros, ressalta Carvalho, Nascimento e Serafim (2012). Chiavenato (2010), afirma que a pesquisa de campo é considerada um sistema completo de avaliação, pois ela baseia-se no princípio da responsabilidade de linhas e da função de staff. Deste modo, consiste em realizar entrevistas entre um profissional competente em avaliação com os gerentes para que assim possam verificar o desempenho dos colaboradores. Lucena (1992), diz que o método de pesquisa de campo visa a avaliar o desempenho dos empregados, através de entrevistas com o chefe imediato, onde se procurará medir a eficácia do colaborador de forma mais objetiva, procurando-se as causas, os motivos, enfim, os porquês do desempenho do empregado, justificando-os através de análises baseada em fatos, não se trata apenas de diagnosticar o desempenho, mas principalmente planejar com o supervisor o desenvolvimento do empregado na função e na empresa. O método conhecido como incidentes críticos se baseia nas características extremas que representam desempenhos altamente positivos que é caracterizado como sucesso ou altamente negativo revelando o fracasso. “O método pressupõe observação em registro sistemático, tanto dos fatos positivos quanto dos negativos, por parte do líder, sobre o comportamento das pessoas da sua equipe, nas situações de trabalho” (PONTES, 1996). A lista de verificação é um método baseado em uma relação de fatores de avaliação a serem considerados a respeito de cada colaborador, onde cada um desses fatores de desempenho recebe uma avaliação descritiva. Essa lista atua como um guia, para que dessa forma o avaliador possa verificar as aptidões principais de cada colaborador. Para Milkovich e Boudreau (2000), estas listas indicam comportamentos, adjetivos ou descrições e cada item contribui para a soma que indica o desempenho. Chiavenato (2010) atenta para o fato de que mesmo os métodos tradicionais ainda serem bastante usados por diversas empresas, eles apresentam características consideradas limitadas e repetitivas, tratando as pessoas de maneira padronizada e por essa razão as empresas vêm buscando novos métodos, mais participativos e impulsionadores de avaliação de desempenho. 2.4 MÉTODOS MODERNOS DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Os métodos tradicionais de avaliação do desempenho são limitados, isso faz com que as organizações busquem modelos inovadores, então novos métodos de avaliação estão surgindo. Segundo Zarifian (2005), a introdução do conceito de competência, compreendido como o conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes do indivíduo levou à criação de novas formas de avaliar as pessoas em uma organização, sendo assim outra mudança marcante nos métodos de avaliação é a passagem do avaliado como ser passivo para ser agente. Como mencionado os métodos modernos surgiram em reação às limitações dos tradicionais e buscam participação do funcionário e a melhoria do desempenho. Assim sendo, surgem os métodos de avaliação por objetivos, avaliação 360 graus e o Balanced Scorecard que são considerados diferenciados dos demais, pois são métodos que além de modernos são mais sofisticados. Segundo Franco (2009), a avaliação por objetivos está profundamente relacionada ao modelo de administração por objetivos sendo um método no qual o superior e o subordinado identificam juntos, os objetivos a serem atingidos pelo funcionário em um determinado período de tempo. Este método permite um acompanhamento periódico dos resultados alcançados e os anteriormente fixados e a identificação das providências necessárias para o próximo período. De acordo com Chiavenato (2010), esse método se caracteriza em seis etapas: formulação de objetivos consensuais, comprometimento pessoal quanto ao alcance dos objetivos conjuntamente formulados, negociação com o gerente sobre a alocação dos recursos e meios necessários para alcance dos objetivos, desempenho, constante monitoração dos resultados e comparação com os objetivos formulados e retroação intensiva e contínua avaliação conjunta. O método 360 Graus, segundo Lopes, Vigarani e Faria (2007), baseia-se na ampla participação de todos os integrantes da equipe, as informações sobre o desempenho do avaliado são coletadas por todas as pessoas ao redor do funcionário. A avaliação feita pelo entorno é mais rica por produzir diferentes informações vindas de todos os lados e funciona no sentido de assegurar a adaptabilidade e o ajustamento do funcionário às variadas demanda que ele recebe de seu ambiente de trabalho ou de seus parceiros. De acordo com Reis (2000), a avaliação 360 graus é feita de modo circular por todos os elementos que mantêm alguma interação com o avaliado, ou seja, participam da avaliação, o gestor do avaliado, os colegas e pares, seus subordinados, os clientes internos e externos, os fornecedores, ou seja, todas as pessoas ao redor do avaliado. Segundo Kaplan e Norton (2000), Balanced Scorecard (BSC) é uma ferramenta de planejamento estratégico na qual a entidade tem claramente definida as suas metas e estratégias, visando medir o desempenho empresarial através de indicadores quantificáveis e verificáveis. O método de BSC é um sistema que avalia o desempenho sob quatro perspectivas: financeira, do cliente, dos processos internos e do aprendizado e crescimento. São definidos objetivos estratégicos para cada uma das perspectivas e tarefas para o atendimento da meta em cada objetivo estratégico, ainda para Kaplan e Norton (2000), o BSC leva a criação de uma rede de desempenho que atinge todos os níveis na organização, tornando assim uma ferramenta para comunicar e promover comprometimento geral com a estratégia da corporação. 3. METODOLOGIA A pesquisa constituiu-se de um estudo de caso de natureza exploratória realizada a partir das informações coletadas de documentos da empresa pesquisada. De acordo com Yin (2001), o estudo de caso é uma estratégia de pesquisa que busca examinar estudo em eventos contemporâneos dentro de seu contexto e isso é um dos motivos pela preferência do seu uso onde os comportamentos relevantes não podem ser manipulados, mas onde é possível se fazer observações diretas e entrevistas sistemáticas. Pode-se considerar como fenômeno contemporâneo na presente pesquisa o próprio contexto exploratório, pois o funcionamento da ferramenta da Avaliação de Desempenho ocorreu de acordo com as necessidades da organização observando e avaliando os funcionários sem interferência significativa do avaliador. Por ser tratar de estudo de caso, é necessário destacar a impossibilidade de generalização, uma vez que a empresa escolhida possui características próprias em relação a outras empresas do mesmo tipo, porém, a pesquisa possibilita revelar particularidades da organização examinada que, muitas vezes, podem ser reveladoras para o fenômeno estudado. A pesquisa é exploratória, porque foi realizada em uma empresa relativamente nova onde ainda não havia sido feito nada sobre o assunto escolhido (avaliação de desempenho), pois as pesquisas exploratórias, segundo Gil (1999), referem-se a um problema ou questão de pesquisa que geralmente são assuntos com pouco ou nenhum estudo anterior a seu respeito. A população da pesquisa é constituída pelos funcionários que representam o quadro geral da empresa estudada, composto de 12 colaboradores no total, sendo das áreas: gerencial, administrativa e operacional. Coletaram-se dados junto à área administrativa e operacional, onde foram levantados os seguintes dados a saber: análise do perfil técnico e comportamental dos funcionários (descrição e análise de cargos), organograma e histórico da empresa e dados sobre a produção. Outras informações coletadas foram por meio do processo de sensibilização, ou seja, uma comunicação para todos os funcionários antes da aplicação da Avaliação de Desempenho, para que pudesse ser comunicado aos avaliados primeiramente o que era essa ferramenta, evidenciando qual seu objetivo, quando e como ela seria feita , para depois então saber e ouvir deles através de uma entrevista qual era o conhecimento, a opinião e as expectativas deles sobre o pertinente assunto. Marconi e Lakatos (2005) mencionam que a entrevista é muito importante e consiste em um diálogo efetuado frente a frente, através da qual se busca a obtenção de informações do entrevistado sobre determinado assunto, salientando que a partir da entrevista tem-se uma maior oportunidade para avaliar atitudes e condutas. Após a implementação da avaliação, então foi aplicado pelo avaliador com apoio da responsável pela área de recursos humanos, um questionário que foi feito de modo padronizado e distribuído aos 12 avaliados com o intuito de saber quais foram suas impressões em relação à aplicação da Avaliação de Desempenho que havia sido realizado na empresa. Esse questionário foi composto por 5 perguntas, na qual eles optavam por 4 alternativas a saber: Irrelevante, pouco , bastante e muito, e também havia uma última pergunta aberta onde o funcionário podia expressar seu ponto de vista e sugestões para avaliações futuras. No questionário havia também um espaço onde ele deveria indicar qual sua área de atuação, não era necessário se identificar, mas apenas indicar qual setor da empresa estava enquadrado para que dessa forma fosse possível uma análise mais objetiva. É importante ressaltar que o questionário foi entregue pelo próprio avaliador ao fim da aplicação da avaliação, correspondendo o período entre o fim de janeiro e a primeira semana de fevereiro de 2015. 4 ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS A empresa está situada na cidade de Pindamonhangaba estado de São Paulo, tendo iniciado suas atividades no Brasil em janeiro de 2013, sendo assim é uma empresa relativamente nova no país, é uma empresa de pequeno porte, porém faz parte de um grupo que já atua desde 1989 na cidade de Vasto na Itália, que focada na demanda crescente de produtos na América do Sul, decidiu investir e instalar uma unidade no Brasil na região do Vale do Paraíba. A organização atua no ramo de embalagens e estruturas metálicas dos mais variados tipos, mas especializou-se no desenvolvimento e fabricação de pallets e rack para o transporte de autopeças. 4.1 SITUAÇÃO DA EMPRESA ANTES DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Segundo Marques (2011), a importância em usar a ferramenta de Avaliação de Desempenho faz com que cada vez mais as organizações busquem avaliar seus colaboradores e gestores tanto por suas capacidades técnicas quanto comportamentais. Diante disto, verificou-se que a empresa ainda não possuía uma ferramenta adequada para mensurar os resultados, auxiliar na gestão de desempenho dos envolvidos, e que para empresa continuar a atingir seus objetivos e manter sua capacidade produtiva era preciso aplicar um instrumento de medição, capaz de orientá-la a identificar o desenvolvimento e aprimoramento de competências dos profissionais, integrado com as prioridades organizacionais. Antes da aplicação da avaliação observava-se que a empresa estava exposta a critérios pouco objetivos e não possuía parâmetros definidos para analisar a capacidade produtiva, o que era imperdoável perante a concorrência para permanecer forte no mercado. A necessidade em aprimorar as ações das pessoas na organização, fez com que buscasse o uso da ferramenta, para ajudar a empresa a se tornar mais produtiva, eficiente e competitiva. Segundo, Siqueira (2002), o aprendizado decorrente da Avaliação de Desempenho é recíproco porque ambos, tanto o avaliador quanto o avaliado, poderão corrigir as distorções de percepção e ação, a partir da troca de informação. Com a aplicação da avaliação pretende-se despertar na empresa uma sequência de melhorias, promovendo desenvolvimento nos processos de produção, dando foco a otimização dos recursos, aprimorando as competências dos colaboradores e gestores, e como consequência a organização poderá alinhar seus objetivos aproveitando melhor a habilidade e eficiência dos envolvidos. 4.2 AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO ADOTADA PELA EMPRESA De acordo com Marras (2000), existem vários métodos usados para realizar a Avaliação de Desempenho nas organizações, portanto antes de adotar alguma metodologia específica a responsável pela área de recursos humanos juntamente com o gestor realizaram uma análise dos métodos existentes para verificar a que realmente se adaptaria às necessidades da empresa e que não fosse tão onerosa, já que a empresa não poderia investir um capital muito alto com a implementação. Diante disso percebeu- se que o mais indicado no caso da empresa objeto de estudo, entre os tipos de avaliação pesquisada e analisada seria a escala gráfica, pois mesmo sendo um método tradicional era mais interessante para organização implantar uma avaliação que exigia um suporte menos oneroso e de mais fácil acompanhamento. Outro fator que foi fundamental na escolha metodológica é a fácil implantação deste processo, já que, quem avaliaria o desempenho das pessoas seria o gestor geral da empresa (diretor) com o apoio da área de recursos humanos. Então, o gestor que conduziu a avaliação recebeu orientações e assessoria da responsável da área de recursos humanos, para que ele compreendesse melhor o assunto e passasse confiança aos avaliados a fim de buscar resultados melhores, pois segundo Siqueira (2002), para que a Avaliação de Desempenho seja efetiva, é importante uma preparação previa tanto da parte do avaliador quanto da parte do avaliado. 4.6 IMPLEMENTAÇÃO DA AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO Tendo conhecimento do tipo de avaliação que foi adotada pela empresa estudada, que no caso foi à escala gráfica, e definida a pessoa que seria responsável pela implantação da ferramenta, que foi o gestor com apoio da responsável pela área de recursos humanos, o método de Avaliação de Desempenho escolhido foi implementado. Como pode ser evidenciado na tabela abaixo, onde é mostrado um quadro geral contendo a avaliação de todos os funcionários divididos por áreas de atuação. Tabela 3: Tabela geral da avaliação dos funcionários. Requisitos Relacionamento interpessoal Foco em resultado Comunicação Empreendedorismo Liderar e motivar Organização Trabalhar em equipe Saber lidar com números Confiabilidade Agilidade Gestão de pessoas Destreza manual Concentração Racionar água Atenção Direção e Administração Produção controle 1 2 3 4 5 1 2 3 4 5 1 2 3 Manutenção 4 5 1 2 3 4 5 1 3 6 1 1 1 1 3 3 6 2 6 2 1 2 6 6 3 6 3 1 5 1 3 3 1 3 1 1 1 3 3 3 1 6 1 6 1 2 2 2 6 6 2 2 6 6 3 3 2 2 3 1 2 2 2 6 3 6 Fonte: Autora A escala gráfica conforme explicado anteriormente, consiste em um modelo baseado em uma tabela de dupla entrada, onde nas linhas estão os fatores de avaliação e nas colunas estão os graus de avaliação do desempenho. Como se pode verificar na tabela acima, onde do lado esquerdo nas linhas horizontais contém os requisitos que indicam os comportamentos, adjetivos ou descrições que foram considerados relevantes e essenciais conforme consultado pela análise e descrição de cargos da empresa, enquanto as colunas verticais representam os graus de variação daqueles fatores, sendo que os valores dentro da tabela correspondem à quantidade de funcionários avaliados, divididos pelas suas áreas de atuação, sendo 1 funcionário da direção, 3 da administração,6 da produção e 2 da manutenção, conforme pode ser visto na tabela 3. 2 2 Baseado na relação de fatores de avaliação que foram considerados importantes a respeito de cada funcionário foram assinalados os itens de 1 a 5, sendo o número 1 considerado o valor menos relevante na escala de importância e o número 5 o valor máximo mais relevante. É importante ressaltar que no requisito liderar e motivar na área de produção houve duas marcações, pois o gerente de produção encontra-se dentro dessa área, e como é sabido ao gestor de produção de qualquer organização é atribuído um valor relevante nesse requisito. 4.7 ANÁLISE DA IMPLEMENTAÇÃO Através da tabela geral da avaliação dos funcionários, é possível analisar as áreas da empresa, sendo que na primeira área que é de direção e controle foi possível constatar que os requisitos já estavam de acordo com as expectativas da empresa. Na área de administração, embora na descrição de cargos houvesse evidenciado que a comunicação e que trabalhar em equipe fosse perfis comportamentais exigidos para o cargo, o avaliador percebeu que tais requisitos necessitavam de adequações, tendo em vista que os funcionários ocupantes dessa área não estavam tendo uma boa comunicação entre eles. Na área de produção observou-se que os funcionários não estavam dando ênfase aos requisitos de atenção, concentração, agilidade e trabalho em equipe e isso consequentemente estava ocasionado desperdício de matéria prima como: aço, metalon, parafuso, tinta de galvanização etc. e que então era preciso haver uma conscientização do uso dos recursos disponíveis, pois isso estava ocasionando uma perda produtiva, considerando a quantidade de colaboradores que atua na área de produção da empresa estudada o processo de produção de pallet e rack por hora estava a baixo da média geral de um turno normal comparado a outras empresas do mesmo ramo de atuação e nessas mesmas condições, observou-se então que a produção ideal era de 2 racks e 1,5 pallet por hora totalizando então 16 racks e 12 pallets por dia consecutivamente, e foi constatado que na empresa estavam sendo produzidos 1 rack e 1 pallet por hora. Conforme mostrado no gráfico abaixo. Figura 1: Gráfico comparativo da produção de Pallet e Rack por hora antes de depois da AD 2,5 2 1,5 antes AD 1 pós AD 0,5 0 rack-hora pallet-hora Fonte: Autora Após a aplicação da ferramenta e desses dados serem levantados, o gestor da área através de um feedbak evidenciou para os envolvidos essas falhas e a produção passou a ser de 2 racks e 1,5 pallet por hora totalizando 16 e 12 por dia, conforme pode ser visto no gráfico comparativo acima, tornando a empresa mais eficiente e competitiva face as outra concorrentes do mesmo tamanho e do mesmo ramo de atuação. Já a última área relacionada na tabela, a de manutenção, observou-se que os requisitos essenciais já estavam de acordo com as competências exigidas para o cargo e quem não necessitava de maiores ajustes. Através da avaliação, os gestores também puderam desenvolver e aperfeiçoar a capacidade de liderar e melhorar a comunicação entre eles e seus subordinados. Ainda após a implantação da Avaliação de Desempenho, foi realizado pelo avaliador com apoio da responsável pela área de recursos humanos, um questionário padronizado que foi distribuído aos 12 avaliados como forma de melhor visualizar e analisar a percepção deles em relação ao sistema de avaliação que havia sido aplicado. Segue abaixo a frequência de respostas obtidas juntamente com seu gráfico correspondente, foi feito também uma análise onde se pode verificar qual área da empresa correspondia cada resposta, para que deste modo fosse possível constatar a percepção dos funcionários nos diferentes setores da empresa. 1)Você se sente confortável sendo avaliado? Figura 2: Gráfico de frequência da questão 1 17% 8% 25% 50% Fonte: Autora Percebe-se que três pessoas (25%) se sentiam pouco confortáveis a serem avaliadas, duas faziam parte do setor da produção e a outra da área de manutenção. Das pessoas que disseram se sentir bastante confortável (50%) estavam dois no setor administrativo, três na produção e uma na área de manutenção. As outras duas pessoas (17%) que responderam se sentir muito confortável em serem avaliadas correspondiam uma do setor administrativo e outra na direção consecutivamente. E por fim um funcionário (8%), que era do setor de manutenção considerou essa questão irrelevante. Percebe-se então que os funcionários do setor da produção e administração em sua maioria se sentiram bastante confortáveis, já os funcionários que se sentiram muito confortáveis correspondiam às áreas de administração e direção, talvez por conhecerem melhor o método e no setor de manutenção e possível verificar que enquanto um colaborador sentiu-se confortável ao ser avaliado o outro achou isso sem importância. Enfim, as respostas denotam que o processo de avaliação no geral foi bem aceito pelos colaboradores, tendo em visto que apenas uma pessoa da área da manutenção foi indiferente ao processo. 2)Você percebeu que a avaliação de desempenho melhorou a qualidade e a produtividade do seu trabalho? Figura 3: Gráfico de frequência da questão 2 8% 8% 59% 25% Irrelevante Pouco Bastante Fonte: Autora Dos doze funcionários, três (25%) acharam que a AD melhorou bastante a qualidade e a produtividade do seu trabalho, onde duas faziam parte do setor da administração e a outra da área produção. Entre os sete colaboradores (59%) que disseram que a AD melhorou muito o seu trabalho, estava um no setor administrativo, quatro na produção, uma na área de manutenção e outra na direção. Por fim apenas uma pessoa (8%) da área de manutenção achou irrelevante a aplicação da AD no seu trabalho e uma (8%) da área de produção achou pouco importante. Percebe-se então que a maioria dos funcionários da produção achou bastante ou muito importante à aplicação da avaliação em suas rotinas de trabalho, pois apenas um funcionário deste setor achou pouco importante. Depreende-se também que os funcionários da administração e da direção acharam muito ou bastante importante o uso dessa ferramenta no aprimoramento e aperfeiçoamento de suas funções, o que chamou a atenção é que enquanto um funcionário da manutenção achou muito relevante o uso da avaliação para auxiliar na produção de suas tarefas, o outro achou irrelevante. Deste modo percebe-se que mais da metade dos avaliados, cerca de 59% dos entrevistados, entendem que a ferramenta é um fator bastante ou muito importante na qualidade e na produtividade do trabalho demonstrando a relevância do processo. 3)Em que medida você percebe que é difícil diagnosticar carências em seu próprio desempenho? Figura 4: Gráfico de frequência da questão 3 33% 17% Irrelevante 17% Pouco Bastante 33% Fonte: Autora Ao ser questionado sobre a percepção sobre as dificuldades em diagnosticar carências em seu próprio desempenho, pode-se analisar através dessa questão, que quatro funcionários (33%) opinaram ser muito difícil verificar carência em seu próprio desempenho, e dentre esses funcionários três eram da produção e um era da administração. Outros quatro funcionários (33%) acharam bastante dificultoso distinguir seus próprios defeitos, sendo que eram três da produção e um da administração. Dois funcionários (17%), um da administração e outro da manutenção considerou esse aspecto irrelevante e por fim dois funcionários (17%) consideraram um pouco difícil verificar suas próprias carências, sendo um da direção e o outro do setor de manutenção. Pela frequência de respostas verifica-se certo equilíbrio entre os que consideram difícil diagnosticar as próprias carências e os que conseguem fazer isso com maior naturalidade. 4)A ferramenta de Avaliação de Desempenho proporcionou maior valorização do seu trabalho? Figura 5: Gráfico de frequência da questão 4 34% 8% 8% Irrelevante Pouco 50% Bastante Fonte: Autora Quanto à questão sobre se a ferramenta de Avaliação de Desempenho proporcionou maior valorização do seu trabalho, pode-se analisar que seis funcionários (50%) acharam que proporcionou uma bastante valorização de seu trabalho, sendo quatro da produção, um da administração e outro da manutenção. E, quatro avaliados (34%) consideraram que com a aplicação desse instrumento de desempenho propiciou-se muito reconhecimento de seu trabalho, sendo que dois estavam no setor administrativo e os outros um era da produção e o outro da direção. Apenas um funcionário (8%) achou que a aplicação da avaliação foi pouco importante para valorizar seu trabalho, e ele era da produção e uma pessoa (8%) considerou irrelevante e era do setor de manutenção. Enfim, pode-se verificar que dos doze funcionários avaliados, dez consideraram que o processo proporcionou bastante ou muito valorização de suas atribuições de trabalho, enquanto apenas dois dos avaliados acharam que a aplicação dessa ferramenta não proporciona um maior reconhecimento do trabalho. 5)Em que medida você percebe empenho dos avaliadores em conduzir o processo de Avaliação de Desempenho? Figura 6: Gráfico de frequência da questão 5 17% 17% Irrelevante Pouco 25% 41% Bastante Fonte: Autora Sobre o empenho dos avaliadores em conduzir o processo de Avaliação de Desempenho, dos cinco funcionários (41%) que responderam que houve pouco empenho do avaliador em conduzir o processo de AD, quatro são do setor produtivo e um do setor de manutenção. Dois funcionários (17%) consideraram isso irrelevante, sendo um da produção e outro da manutenção. Já três avaliados (25%) acharam que o avaliador se empenhou bastante para realizar a aplicação do método e dois estavam no setor administrativo e um na produção. Apenas dois funcionários (17%) acreditam que o avaliador empenhou-se muito sendo um da administração e outro da direção. O resultado verificado traduz que existem deficiências comportamentais por parte do avaliador. Podem estar aí manifestados os aspectos abordados no item 2.4 do trabalho que abrange as influências comportamentais do avaliador, já que a maioria dos funcionários julgou que o desempenho do avaliador em conduzir o processo foi pouco. Em relação à última pergunta que era qual o ponto de vista do funcionário em relação ao uso da ferramenta de avaliação de desempenho e quais eram suas sugestões para avaliações futuras, não é possível quantificar se os funcionários acharam essa questão irrelevante, pouco, bastante ou muito importante, já que era uma pergunta aberta para eles responderem livremente, então abaixo foi transcrito uma das percepções registrada pelo avaliador referente a esta última questão. “O processo é muito bom, mas é preciso fazer uso dessa ferramenta de forma contínua para garantir os resultados”. Enfim, com a aplicação desse questionário percebe-se que o nível de percepção dos envolvidos foi alto, levando em consideração que na maioria das perguntas os funcionários respondiam que tais questões eram bastante ou muito importantes, também é possível verificar a importância em haver um acompanhamento e monitoramento da aplicação da avaliação para que se possa aprimorar o desempenho pessoal e produtivo dos colaboradores avaliados e aperfeiçoar cada vez mais a aplicação da ferramenta. 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS A avaliação faz parte do cotidiano de qualquer empresa, mesmo que de maneira informal os gestores estão a todo o momento envolvendo-se em processos de avaliação e os empregados estão constantemente refletindo a respeito de suas tarefas e carreiras dentro das organizações. O presente estudo tinha como objetivo implementar um processo de Avaliação de Desempenho, e isso pôde ser feito através do uso de métodos específicos, objetivos e mensuráveis que foram alinhados aos objetivos e metas da organização, e assim identificou-se os pontos a serem melhorados, e através da ferramenta utilizada houve contribuição para o desenvolvimento das competências dos funcionários o que aumentou a eficiência produtiva da empresa. Com a coleta de dados internos levantados na empresa, tais como a descrição de cargos e salários, bem como os dados produtivos da empresa, foram analisados e serviram de base para esse estudo de caso, e após a aplicação dessa metodologia foi evidenciado que o método efetivamente agrega valor no desenvolvimento produtivo da empresa, pois foi observado um aumento na produção, uma vez que antes da aplicação da avaliação a empresa estava produzindo pallet e rack por hora a baixo da média geral em um turno normal comparado as concorrentes e observou-se então que após a aplicação da Avaliação de Desempenho a produção ficou em um nível ideal, tornando a empresa mais eficiente e competitiva. Além disso, foi aperfeiçoada a comunicação entre gestores e colaboradores proporcionando feedback aos envolvidos e promovendo o melhoramento contínuo dos recursos e processos organizacionais. Como se pode depreender através do trabalho, o sistema de avaliação quando bem aplicada mostra-se uma ferramenta eficiente e eficaz, por ser um mecanismo poderoso de motivação, de aperfeiçoamento das pessoas e de otimização dos recursos nas organizações. O trabalho serve ainda de base para futuros estudos relacionado a essa temática dentro da empresa, sendo que se pode concluir também após este trabalho, que um dos métodos de Avaliação de Desempenho mais eficiente para se aplicar nas empresas é o método 360 graus, pois além de ser um método moderno tem participação mais ampla de todos os integrantes da equipe, as informações sobre o desempenho do avaliado são coletadas por todas as pessoas ao redor do funcionário. No caso da empresa objeto de estudo não foi viável aplicar a avaliação 360 graus, pois este método é mais oneroso e exige um maior tempo disponível, e a empresa não tinha tempo disponível suficiente, tendo em vista que tinha pressa em aplicar uma ferramenta para avaliar o desempenho dos seus funcionários e alinhar o comportamento dos mesmos com suas metas organizacionais, bem como aumentar sua capacidade produtiva. E a avaliação 360º é mais complexa pelo seu enfoque sistêmico o que demanda um maior tempo disponível, já que ela no início possui uma resistência por parte das pessoas envolvidas em decorrência de não aceitarem serem avaliados por diferentes pessoas. A pesquisa não se esgota neste trabalho, desta forma sugere-se que trabalhos futuros envolvendo a Avaliação de Desempenho sejam realizados em empresas de outras dimensões e portes, comparando-as com o desempenho da produtividade e desenvolvimento dos funcionários. 6. 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