GÊNEROS TEXTUAIS DIGITAIS NO ENSINO DO FRANCÊS: APRESENTAÇÃO DE UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA PARA UMA RECEITA AUDIOVISUAL Mariana Casemiro Barioni (USP) [email protected] 1. Introdução Neste trabalho, tivemos como objetivo inicial escolher gêneros textuais considerados apropriados para o ensino da língua francesa para alunos que estejam no 2º semestre de aprendizado. Essa escolha foi etapa inicial e fundamental do processo de organização de um currículo baseado em gêneros textuais para o ensino de francês. Em seguida, a pesquisa selecionou textos pertencentes a um dos gêneros escolhidos para a elaboração do modelo didático, modelo este que aponta o quê pode ser objeto de ensinoaprendizagem a partir do gênero em questão (SCHNEWLY & DOLZ, 1998, apud CRISTOVAO, 2002, p.78). É a partir do modelo didático do gênero que a sequência didática - “conjunto de atividades organizadas de maneira sistemática, em torno de um gênero textual” (SCHNEWLY & DOLZ, 2004) foi elaborada, ou seja, uma série de atividades progressivas, planificadas e sistematizadas com foco na apropriação de um gênero textual (BARROS, 2009, p.134). Nossa proposta de pesquisa foi fundamentada na noção de gênero discursivo proposta por Bakhtin e retomada por pesquisadores como Bronckart (2003) e Schneuwly & Dolz (2004), que propõem o termo gênero textual. Bakhtin (1953/1997) define os gêneros como sendo “tipos relativamente estáveis de enunciados, presentes em cada esfera da atividade humana e sócio-historicamente construídos”. Bronckart (2003), ao retomar essa concepção de gênero, propõe a terminologia gênero de texto e guarda para o termo discurso um outro significado1. A partir da afirmação bakhtiniana de que sempre nos comunicamos através de um gênero, Schneuwly observa que a comunicação humana seria praticamente impossível com a inexistência dos gêneros textuais (SCHNEUWLY, 1994, apud MACHADO, 2002, p.139). Sendo assim, podemos concluir que “como cada situação de uso da língua se realiza verbalmente através de um gênero, a capacidade de comunicação depende do maior ou menor domínio que se tem do gênero em questão” (SCHNEUWLY & DOLZ, 1996, apud LOUSADA, 2002, p.75). É indiscutível a importância do aprendizado de uma língua estrangeira no desenvolvimento do indivíduo. Aprender uma língua estrangeira “leva a uma nova percepção da natureza da linguagem, aumenta a compreensão de como ela funciona e desenvolve maior consciência do funcionamento da língua materna” (BRASIL, 1998). O ensino de uma língua estrangeira, em questão a francesa, atrelado ao uso de gêneros textuais, possibilita a oportunidade de se observar na língua tanto a oralidade como a escrita em seus usos culturais mais autênticos (MARCUSCHI, 2002), já que os gêneros são produzidos por membros de um determinado contexto social, histórico e cultural (ABREU-TARDELLI, 2007). Desse modo, ao se aprender a língua por meio dos gêneros textuais, estamos também aprendendo, além de sua estrutura linguística, aspectos contextuais, discursivos e culturais da sociedade em que foi produzida. Sendo os gêneros artefatos linguístico-culturais concretos (MARCUSCHI, 2002) o trabalho com eles é uma extraordinária oportunidade de se lidar com a língua-alvo em seus mais diversos e autênticos usos no dia-a-dia, mostrando-a para o aluno como algo vivo, que 1 Ver Bronckart 2003. está em constante movimento. Por meio dos gêneros textuais, “o aprendiz pode compreender o funcionamento sociointerativo das comunidades discursivas e as formas da língua em uso” (DELL’ISOLA, 2009). Ao adotarmos os gêneros textuais como foco de nossa pesquisa, colocamo-nos na vertente teórica do Interacionismo Sociodiscursivo (BRONCKART, 2003), que além de basear-se em autores fundadores como Bakhtin, no campo dos estudos da linguagem, baseia-se em Vygotsky no campo dos estudos sobre desenvolvimento. Segundo a perspectiva vygotskiana, a relação do homem com o mundo se dá por meio de ferramentas operadas pelo homem no processo de trabalho. Elas acabam por realizar a mediação entre ele e a realidade. Entretanto Machado e Lousada (2010) colocam, citando Rabardel (1995), que nenhum objeto pode se tornar um instrumento mediador da ação humana pelo simples fato de estar disponível para uso. É preciso que haja apropriação do sujeito em relação ao artefato para que ele possa ter realmente uma função mediadora, tornando-se um instrumento (uma ferramenta) para sua ação. A partir da noção de instrumento acima citada, adotamos a noção de gênero textual não apenas como unidade de ensino, mas como ferramenta que atua no processo de aprendizagem (SCHNEUWLY & DOLZ, 2004, apud LOUSADA, 2009, p.167). Nesse sentido, o gênero é encarado como verdadeiro instrumento para o desenvolvimento dos três tipos de capacidade da linguagem (capacidade de ação, discursiva e lingüísticodiscursiva) as quais são os fundamentos para o domínio de uma língua. (SCHNEUWLY & DOLZ, 1996, apud ABREU-TARDELLI, 2007, p. 87). É importante ressaltar que essas capacidades, uma vez desenvolvidas, podem ser transpostas para a produção de outros tipos de gêneros textuais, para outras situações de comunicação (LOUSADA & ABREU-TARDELLI, 2010, p.50). Para organizar um currículo de ensino baseado em gêneros textuais, adotando-os como unidades de ensino, é necessário realizar um agrupamento dos mesmos para posterior distribuição deles entre os diferentes níveis e unidades/lições. Entretanto, as propostas de critérios de agrupamento de gêneros textuais já existentes foram produzidas no âmbito de ensino de língua materna, existindo na área de ensino de língua estrangeira poucas propostas de critérios para serem utilizados no agrupamento dos gêneros. Sendo assim, além da escolha de gêneros textuais considerados adequados ao ensino da língua francesa e sabendo que o ensino de línguas estrangeiras suscita questões e problemáticas diversas do ensino de língua materna, definimos ainda um critério para a organização do currículo tendo como eixo o ensino-aprendizagem de gêneros textuais (RODRIGUES, 2000; SCHNEUWLY & DOLZ, 2004), sendo este critério um “fio condutor” para agrupar os gêneros textuais que serão utilizados no ensino, especificamente no de línguas estrangeiras (no caso, a língua francesa). O presente estudo baseou-se nos pressupostos teóricos do Interacionismo Sociodiscursivo, corrente do Interacionismo Social que ressalta o preponderante papel da linguagem no desenvolvimento humano tal como apresentado por Bronckart (2003), sobretudo no que diz respeito à questão dos gêneros textuais e às características discursivas e linguístico-discursivas dos textos. Também fundamentamo-nos nos trabalhos que exploram o uso de gêneros textuais para o ensino de língua materna (francês) no contexto da Suíça francófona (SCHNEUWLY & DOLZ, 2004) e utilizamos, principalmente, as aplicações dessa perspectiva teórica para a língua estrangeira, dando especial atenção às suas realizações no Brasil (CRISTOVÃO, 2002; ABREU-TARDELLI, 2007; LOUSADA, 2002; entre outros). Fizemos ainda o estado da arte das propostas de organização de currículos que usam o gênero textual como unidade de ensino já existentes (SCHNEUWLY & DOLZ, 2004; BRASIL, 1998, RODRIGUES, 2000) para ser-nos possível apresentar uma nova proposta de organização de currículo e agrupamento de gêneros. 2. Metodologia O trabalho foi realizado no contexto do ensino da língua francesa para alunos estejam no 2º semestre de aprendizagem. Os gêneros textuais que serão utilizados em tal ensino foram selecionados conforme as dimensões: -Psicológica -Cognitiva -Social -Didática (CRISTOVÃO, 2002, p.79). Depois da seleção dos gêneros apropriados, alguns deles foram préselecionados e analisados. Dentre eles, um foi selecionado, tendo-se em vista sua melhor adequação ao contexto e à perspectiva de ensino. A partir de leituras e análise de outros materiais didáticos baseados em gêneros, foi definido ainda um critério de organização do currículo de ensino baseado em gêneros textuais. Foram coletados vários textos pertencentes a esse gênero, e a partir desse corpus alguns foram usados na elaboração do Modelo de Gênero (SCHNEUWLY & DOLZ, 1998, apud CRISTOVÃO, 2002). Em seguida, montou-se uma sequência didática (DOLZ, 1996, apud LOUSADA, 2002), atividades a partir do gênero textual em questão, as quais possibilitam o desenvolvimento das capacidades de linguagem em língua francesa. Como já foi dito acima, para planejar um currículo que adota gêneros textuais como unidade de ensino é necessário realizar um agrupamento dos mesmos para posterior distribuição entre os diferentes níveis e unidades/lições, utilizando um critério para seleção dos gêneros textuais e posterior organização do currículo. Porém, classificar os textos e/ou os gêneros não é uma tarefa simples e fácil, pois ainda que os gêneros sejam relativamente estáveis, os textos que os materializam são extremamente variáveis (BRONCKART, 2003, p.79). Há propostas de organização de currículos já existentes, no âmbito da língua materna, como a feita por Schneuwly & Dolz (2004), pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (BRASIL, 1998) e por Rodrigues (2000). A partir do estudo das propostas já existentes, foi-nos possível apresentar nossa proposição. Nossa proposta baseia-se no QECRL – Quadro Europeu Comum de Referência para as Línguas2 (2001), que preconiza a perspectiva orientada para a ação, na qual os aprendizes são vistos como atores sociais que realizam ações por meio da linguagem, e nos pressupostos teóricos do Interacionismo Sociodiscursivo que também considera as formas de ação pela linguagem. Usamos o conceito de atividade social proposto por Bronckart (2003, p.103): “agimos no mundo por meio de atividades sociais: linguageiras e não linguageiras.” Dessa maneira, nossa proposta consiste em classificar os textos segundo as atividades sociais que determinaram sua produção, organizando um currículo baseado nas diferentes atividades sociais que possam ter alguma relevância para agir e interagir no mundo através da língua-alvo. (LOUSADA, 2005). Assim, os gêneros são vistos como instrumentos para a participação efetiva dos sujeitos na realização das atividades sociais. A ideia de utilização das “atividades sociais” como fio condutor para elaboração de um currículo de ensino foi realizada com sucesso na coleção de livros didáticos para ensino de inglês da série Interplus (LIBERALI et alli, 2001). Analisamos também outros materiais didáticos (BERTHER et alli, 2006; DESLAINE et alli, 1998) que utilizam a noção de “atividade social” para elencarmos quais delas o estudante de língua francesa do 2º semestre deveria ser capaz de realizar 2 Tradução de “Cadre Européen Commun de Référence pour les Langues” nesse estágio de aprendizagem do francês como língua estrangeira. Em seguida, relacionamos os gêneros textuais às atividades sociais: selecionamos quais gêneros textuais permitiriam ao aluno realizar as atividades sociais elencadas. Atividade Social Marcar um encontro Gênero textual - Conversa no telefone - Recado (por escrito ou em redes sociais) -Email -Tweet Fazer compras - Lista de compras -Conversa com o vendedor - Catálogo Ir ao restaurante -Conversa no restaurante (fazer o pedido) -Menu -Conversa no telefone (fazer a reserva) Contar histórias - Biografia -Conversa com um amigo -“Fait divers” (escrito ou oral) Cozinhar -Receitas (escritas ou orais) Primeiramente, decidimos que seria importante o aluno desse nível ser capaz de realizar a atividade “ir ao restaurante” e começamos a coleta do gênero textual “conversa no restaurante”. Entretanto, os textos (vídeos) encontrados não mostravam atividades de conversa entre o garçon e o cliente no restaurante, apenas conversas entre amigos, que podem acontecer em qualquer lugar. Em outras palavras, eles mostravam apenas a linguagem no trabalho (ou, na atividade social) “parcela da linguagem que não participa diretamente da atividade específica por meio da qual um operador ou determinado coletivo concretiza uma intenção de trabalho” (NOUROUDINE, 2002, p.22) e não a linguagem para realizar a atividade social, a linguagem como trabalho (NOUROUDINE, 2002, p.19) centrada essencialmente nas condições de realização da atividade social, estando estas voltadas para um objetivo. Desse modo, concluímos que ensinar a “linguagem na atividade/no trabalho” em língua francesa é muito importante, mas mais adequado em níveis mais avançados, sendo mais apropriado, no 2º semestre, trabalhar com os alunos a linguagem que permitisse a realização da atividade social de fato. A partir dessa constatação, selecionamos, então, para trabalhar com os alunos, a atividade social “cozinhar” e partir dela o gênero textual: “receitas em vídeo”. Aqui, adotamos a noção de gênero textual como instrumento para desenvolver as capacidades de linguagem dos alunos (SCHNEUWLY & DOLZ, 2004) que poderão ser transpostas para outras situações de produção de textos. Ensinar o gênero “receitas” não quer dizer que todos os alunos vão precisar/querer cozinhar, mas eles terão, provavelmente, as capacidades de linguagem desenvolvidas a partir do trabalho com o gênero, podendo transpo-las para a produção de outros textos pertencente a outros gêneros textuais. Imagem 1: Cena de uma receita em vídeo coletada http://www.linternaute.com/femmes/cuisine/dessert/fontainebleau-aux-fruits-rouges/voir-lavideo.shtml Coletamos 6 receitas em vídeo dos sites francófonos www.francechef.tv; www.cookshow.com e www.linternaute.com/femmes/cuisine para ser possível chegar ao modelo didático das receitas em vídeo francófonas. O modelo didático é “um objeto descritivo e operacional, construído para apreender o fenômeno complexo da aprendizagem de um gênero e, assim, orientar suas práticas” (DE PIETRO et allii, 19961997, apud MACHADO, 2009, p.100). Diante da diversidade teoricamente ilimitada de gêneros e a variabilidade de sua manifestação concreta (BRONCKART, 2003, apud MACHADO & CRISTOVÃO, 2009, p.129), é necessário classificar e identificar as características centrais – ou genéricas – dos gêneros textuais para que somente em seguida seja possível realizar a “transposição didática dos conhecimentos científicos sobre os gêneros para o nível dos conhecimentos a serem efetivamente ensinados” (MACHADO & CRISTOVÃO, 2009, p.129) – efetuar o ensino da língua francesa a partir do gênero em questão. Para a construção de um modelo didático do gênero, deve-se conhecer o estado da arte dos estudos sobre esse gênero; as capacidades e as dificuldades dos alunos ao trabalharem com textos pertencentes ao gênero selecionado, as experiências de ensino/aprendizagem desse gênero, assim como as prescrições presentes nos documentos oficiais sobre o trabalho docente (SCHNEUWLY & DOLZ, 1998, apud MACHADO & CRISTÓVÃO, 2009, p.138). É necessário examinar um conjunto de textos que se considera pertencente ao gênero para ser possível chegar às suas características centrais. Para tal análise, usamos o modelo de análise de textos proposto por Bronckart (2003), que compreende a análise do contexto de produção e da organização textual, concebida como um folhado constituído por três camadas superpostas: a infra-estrutura geral do texto, os mecanismos de textualização e os mecanismos enunciativos. Esse modelo de análise é aplicado ao corpus recolhido de textos pertencentes ao gênero em questão, procurando chegar às características comuns que seriam, assim, as características do gênero. (LOUSADA, 2009). Em seguida, as análises foram comparadas e chegamos ao modelo didático das receitas em vídeo, ou seja, às características presentes nos textos pertencentes a esse gênero que fizeram parte de nosso corpus. A apresentação do modelo didático das receitas em vídeo inicia-se pelo seu contexto de produção. Em termos do enunciador dos textos, temos nos textos coletados uma pessoa, não necessariamente cozinheira profissional, que saiba explicar e mostrar como se efetuam os procedimentos da receita. Essa pessoa fala dentro de um local maior, macroenunciador (site) que pode ser um site especializado em receitas ou um site mais “geral”. O destinatário das receitas são pessoas interessadas em culinária em geral, e não necessariamente mulheres. Observamos a não necessidade de o destinatário ser feminino devido ao fato de que no site “l’internaute” as receitas terem sido encontradas na seção femmes (mulheres), e não é isso o que acontece realmente, homens também podem ter interesse em cozinhar. O objetivo desses textos é explicar como se prepara o prato (em questão da receita) e convencer o destinatário de que é fácil realizar os procedimentos. Vimos que se estabelece então nas receitas o contrato de felicidade (Adam apud Fillettaz, 2004): “trata-se de incitá-lo (o destinatário) fortemente, de garantir a ele a veracidade das informações fornecidas e, outro aspecto do contrato implícito que liga os interactantes é que se o destinatário segue “à risca” as instruções, se ele respeita os procedimentos indicados, ele chegará ao objetivo almejado. ”(2004, p. 154),3 Ou seja, nesse gênero textual procura-se descrever as ações que devem ser detalhadamente efetuadas para que aquele que seguir os passos indicados tenha sucesso ao realizá-la. O lugar social no qual as receitas são encontradas é a internet, e os textos usados como corpus foram coletados dos seguintes sites: • www.linternaute.com – famoso site francês que oferece serviços como previsão meteorológica, dicionários, enciclopédia, etc. • www.cookshow.com – site francês (possui também versão em inglês) onde cozinheiros amadores e profissionais postam vídeos de receitas filmadas com o intuito de conservar a “herança culinária mais fielmente que uma receita escrita.” (trecho retirado da página de apresentação do site) • www.francechef.tv: site onde chefs de cozinha franceses famosos apresentam diversos tipos de receitas. No primeiro site acima especificado, uma pessoa “leiga” em cozinha (não especialista) pode propor uma receita enviando ao site dados sobre o prato como: título, 3 Trecho original: « Il s’agit de faire-faire quelque chose à quelqu’un, de l’y incite plus ou moins fortement, de lui garantir la vérité des informations fournies et, autre aspect du contrat implicite qui lie les interactants, de lui garantir que s’il se conforme aux consignes-instructions, s’il respecte les procédures indiquées, il paviendra au but visé. » gênero, país, descrições das etapas de preparo e fotos de cada uma delas, foto do prato pronto, informações e comentários adicionais da receita, informar seu nível de dificuldade e por fim a pessoa deve aceitar o “termo de compromisso” do site. Após o envio da receita, a pessoa deve se cadastrar no site preenchendo um formulário pessoal. Em www.cookshow.com, cozinheiros amadores e profissionais (como acima dito) podem postar receitas filmadas, sendo apenas necessário o cadastro do usuário na sessão “chefs”. O usuário deve preencher seu perfil no site, fornecendo informações como uma pequena apresentação pessoal, sua origem (cidade/país) e fotos (pessoais ou dos pratos). Informações como a quantidade de receitas que foram postadas pelo usuário, o número de vezes que suas receitas postadas foram visualizadas e eleitas como favoritas aparecem no perfil de cada “chefe”. O site se apresenta como o lugar onde todos os estilos de cozinhar são apresentados e seu objetivo é desacralisar a cozinha, tornando-a acessível a todos. Há um trecho que sintetiza os tipos de receitas em vídeo nele encontradas: “com ou sem fala ou ainda só com música, as receitas colocam em ação um chefe de cozinha e de alguns veremos apenas as mãos”.4 (trecho extraído do site). Existe no site uma sessão chama “trucs et astuces” (truques e astúcias, em português) onde os chefes também filmam dicas de cozinha. “Vocês cozinharão como as estrelas” é a descrição do site www.francechef.tv. Nele são cozinheiros famosos que preparam as receitas que são filmadas. O usuário do site pode escolher a receita que quer visualizar tanto por suas palavras chave quanto pelo chefe de cozinha famoso que a preparou. No cadastro de todos os cozinheiros que participam do site vemos abaixo de seu nome o restaurante francês no qual ele é chefe. Diferentemente dos outros dois sites, não é qualquer pessoa que pode propor uma receita. Há um link chamado “recrute de chefs” (recruta de chefes, em português) onde interessados em participar das gravações das receitas em vídeo exibidas enviam seus currículos, passando eles por uma seleção. Quanto ao momento de produção das receitas, a data de publicação do vídeo sempre aparece nos sites e sem prazo de expiração. Em relação ao folhado textual (BRONCKART, 2003), compreendendo os elementos internos mobilizados pelo contexto de produção das receitas em vídeo, no que concerne à infraestrutura geral dos textos, foram encontradas características diversas. Examinando o plano global dos conteúdos temáticos, vimos que não há divisão entre o título, ingredientes e “modo de fazer”. Os ingredientes são enunciados no início do vídeo, mas alguns aparecem durante o “modo de fazer” (chamado de “passo a passo” algumas vezes). O tipo de discurso presente nesse gênero textual é o discurso implicado: o apresentador “conversa” com o telespectador, entretanto notamos ainda a presença de dêiticos de pessoa e lugar que caracterizam o discurso interativo. No que concerne aos tipos de sequência, observamos que a sequência injuntiva tradicional da receita escrita não é realizada da mesma forma nas receitas orais, já que: há verbos no imperativo, mas também em outros modos verbais; o “vous” aparece, mas também o “je”. Assim, nas receitas orais foram observadas as sequências injuntivas, a sequência global básica. A primeira pessoa do singular apareceu no site www.franceshf.tv, onde são cozinheiros famosos que explicam as receitas, talvez com função de propaganda (“eu, chef famoso do restaurante X”). 4 Trecho original: “avec ou sans paroles ou encore em musique, dês recettes mettant em scène un chef ou certaines où on ne verra que des mains ». Em termos de mecanismos de textualização, classificados por Bronckart (2003) em coesão (verbal e nominal) e conexão, foram encontrados como elementos da coesão nominal os pronomes utilizados “on a besoin”; “il vous suffit”; “il nous faut”; “personellement, j'aime bien”. Notamos também a repetição de substantivos e também de palavras que o substituam, como por exemplo: repetição de « prenez la pomme » (pegue a maçã) e também de « prenez-la » (pegue-a) No que se refere à coesão verbal, os verbos presentes nos textos são conjugados no Presente do Indicativo, Futuro próximo, Imperativo, Infinitivo e alguns no “Passé Composé”. Como elementos de conexão, encontramos: “Premièrement”, “après” (sequência), “donc” (consequência). No nível dos mecanismos enunciativos, as vozes encontradas foram a voz do enunciador que prepara a receita e a do espectador (vous). As modalizações presentes em todos os textos são deônticoas (“Il vous faut”; vous devez” – trad. “é preciso que você”; “você deve”). Além disso, as escolhas lexicais realizadas nas receitas são referente ao universo culinário (utensílios, ingredientes, verbos). A partir do modelo didático das receitas orais, é possível fazer uma comparação com suas versões escritas (que são encontradas no site junto com as receitas orais). As receitas culinárias em geral são compostas pelo texto escrito e a imagem do prato que almeja ser preparado. A organização textual da receita possui o título do prato, os ingredientes necessários para realizá-lo e o “modo de fazer” em seguida, sendo possível encontrarmos outras informações sobre o processo de preparação do prato ou o modo de servir no final. Em geral, as receitas orais seguem o formato canônico acima especificado: título, ingredientes e modo de fazer. Às vezes os ingredientes são mostrados junto com o modo de fazer, outras vezes antes (como nas receitas tradicionais). Essa é a parte mais estável do gênero, se mudasse muito, deixaria de ser uma receita. É importante ressaltar que encontramos muita interferência da linguagem oral nas receitas em vídeo analisadas. Há uma maior presença do interlocutor nos textos verificada pelos pronomes pessoais “nous” e “on” e uma grande quantidade de advérbios também foi observada. Foram encontradas ainda marcas muito fortes do discurso interativo com características da linguagem oral, como por exemplo, a presença de “voilà”; “donc”; “c’est-à dire”; “voilà pourquoi” e outros. À presença de dêiticos espaciais foi dada importante atenção, como por exemplo: “comme ceci” e “ce mélange-là”. Verbos no gerúndio foram encontrados também no corpus analisado, indicando duas ações da receita que devem ser executadas ao mesmo tempo. Vimos que algumas das receitas dos sites www.francechef.tv e www.cookshow.com possuem legendas durante a exibição de seu vídeo mostrando os ingredientes e suas quantidades ou algum ingrediente que não foi mencionado no ínicio. Ao terminar a receita no site www.linternaute.com , o interlocutor incita o expectador a navegar no site, procurar a receita em sua versão escrita e imprimi-la para preparar o prato. Quanto às versões escritas das receitas, encontramos especificidades em cada site. Em todas verificamos a existência das partes essenciais do “formato canônico”: “ingredientes” e “modo de fazer”. Como qualquer pessoa pode colocar a receita no site www.cookshow.com – sendo necessário apenas um pequeno cadastro antes - elas são muito variáveis. Em geral elas seguem a ordem: título, ingredientes e modo de fazer; mas o modo verbal é variável: foram encontrados verbos no infinitivo, imperativo e até o pronome pessoal “nous” – decorrente do fato de que no vídeo o interlocutor está mais presente. Ainda nesse site foram encontradas informações da receita como “nível de dificuldade”, “número de porções”, “tempo de preparação e links para definições específicas de cozinha. Sobre a coesão verbal no site www.linternaute.com foram encontrados também verbos no indicativo presente. Vimos assim que também nas versões escritas das receitas alguns itens são fixos e outros são “opcionais” – variam de um site para o outro, como acontece nas receitas tradicionais (podemos encontrar ou não informações adicionais no final das receitas); algumas das partes opcionais são encontradas em qualquer receita (tanto oral quanto escrita); outras são especificas das receitas on-line (votação, comentários, número de exibições, quantas pessoas classificaram o vídeo como favorito). Através do modelo didático do gênero textual receitas em vídeo, foi-nos possível chegar à suas características, aquelas que estão presentes em todos os textos desse gênero. As receitas em vídeo são caracterizadas por mostrar e explicar como se efetuam os procedimentos da receita. Procura-se descrever as ações que devem efetuadas de modo detalhado, para que aquele que seguir os passos indicados tenha sucesso ao realizá-la. Desse modo, vimos que estas características são os elementos ensináveis do gênero (CRISTOVÃO, 2002, p.97). A partir do modelo didático produzido e das características centrais do gênero assinaladas foi possível montar a sequência didática, “conjunto de atividades organizadas de maneira sistemática, em torno de um gênero textual oral ou escrito” (SCHNEUWLY; DOLZ, 2004, p. 97). O papel da sequência didática consiste em propor um conjunto de atividades que “propicie a transposição didática adequada de conhecimentos sobre o gênero ao mesmo tempo em que explora a esfera de circulação de textos produzidos”. (CRISTOVÃO, 2010, P. 307). Tais atividades devem possibilitar o desenvolvimento das capacidades de linguagem necessárias para a produção de textos pertencentes aos gêneros textuais que circulam na sociedade, devendo englobar práticas de escrita, de leitura e práticas orais e realizar uma verdadeira “sistematização para que o aluno possa realmente apropriar-se de uma determinada prática de linguagem” (BARROS, 2009, p.134). Além de propormos atividades que trabalhem aspectos das receitas em vídeo, pretendemos ainda trabalhar as receitas em vídeo em comparação com as versões escritas das mesmas receitas que estão disponíveis nos sites. Apresentamos a seguir algumas atividades da sequência didática elaborada a partir das receitas em vídeo. I. Echauffement. 1. En ligne avec les autres élèves et le professeur, naviguez sur le site :www.linternaute.com a) Vous le connaissez déjà? b) Vous l’aimez? c) Quel est votre avis sur ce site? À propos des recettes... 1. Dans quelle rubrique se trouvent les recettes ? 2. Êtes-vous d’accord avec ce placement des recettes ? Pourquoi ? Professeur : Chamar a atenção: as receitas em vídeo se encontram na sessão: “femmes -> cuisine” – são somente as mulheres que se interessam por cozinhar? Oui? Non? Qu’est-ce que vous en pensez? II. Compréhension orale. Regardez la séquence vidéo et répondez aux questions. http://www.linternaute.com/femmes/cuisine/dessert/fontainebleau-aux-fruitsrouges/voir-la-video.shtml a) De quelle émission s’agit-il ? b) Quel est son objectif ? c) A qui se destine-t-elle ? d) Qui l’a produite ? Identifiez le plat dont on parle dans cette recette: Fontainebleau aux Gâteau au chocolat Crêpe fruits rouges ( ) ( ) ( ) Cochez les verbes que vous avez entendus dans la vidéo : Verser Saupoudrer Mettre Faire cuire Poser Réposer Disposer Hacher Monter Casser Ajouter Fouetter Associez les dessins aux étapes de la liste. Lesquels apparaissent dans la recette qu’on vient de voir ? Soulignez-les. 1) Faire fondre le beurre 4) Verser la pâte dans le moule 2) Monter le mélange au fouet électrique 5) Beurrer un plat 3) Saupoudrer avec du sucre 6) Découper les fraises ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) 5. Visionnez la séquence à nouveau et répondez aux questions. a) Quels temps verbaux sont utilisés ? ( ) présent de l’indicatif ( ) futur simple ( ) passé composé ( ) futur proche ( ) passé simple ( ) conditionnel ( ) imparfait ( ) impératif b) Quels pronoms ou systèmes de pronoms sont utilisés ? ( ) je, nous ( ) tu, vous ( ) il/elle, ils/elles Echanges ( ) il (impersonnel) ( ) on Discutez des questions ci-dessous avec votre voisin. 1. 2. 3. 4. Faites-vous la cuisine ? Aimeriez-vous savoir faire la cuisine ? Aimeriez-vous faire le plat que vous venez de voir ? Aimeriez-vous goûter à ce plat ? Quels sont vos plat ou recettes préférés ? Vocabulaire en action 6. De quoi a-t-on besoin pour réaliser ces actions ? Associez. 1. Faire frire des aliments a) un couteau 2. Couper des légumes b) un fouet 3. Faire bouillir de l’eau c) une cuillère en bois 4. Battre des œufs en neige d) un couteau-éplucheur 5. Faire cuire un gâteau e) une poêle 6. Éplucher des légumes f) une plaque électrique 7. Mélanger des ingrédients. g) un four 8. Étendre une pâte à tarte h) un rouleau á pâtisserie Devinette Formez deux groupes. Chaque groupe choisit une recette et dit à une autre personne de l’autre groupe de quelle recette il s’agit. La personne choisie de chaque groupe doit mimer la recette, sans rien dire, et son groupe doit deviner. Les points sont comptés lorsque le groupe devine la recette en une période de temps déterminée à l’avance (3 min, 4 min) Recettes écrites et orales 1. Observez le document ci-dessous et répondez aux questions. a) De quelle recette s´agit-il? b) Où a-t-elle été publiée? c) Quel est son rapport avec la vidéo que vous venez de voir? 2. Par groupes de deux, lisez la recette et répondez aux questions. a) Quel mode verbal est utilisé? b) Quelles informations supplémentaires sont données? c) Comment sont presentés les ingredients? 3. Comparez la recette écrite que vous venez d´analyser avec la version em vidéo que vous avez vue. Visionnez à nouveau, si nécessaire et dites quelles sont les différences par rapport a) au mode verbal b) à l´information supplémentaires c) à la présentation des ingrédients Expliquer une recette à l´oral 1. Par groupes de deux ou trois, faites une recherche et choisissez une recette écrite que vous aimeriez expliquer à l´oral. Réfléchissez aux changements qu´il faudra faire pour l´expliquer à l´oral. 2. Entrainez-vous et présentez à la classe. Production orale Par groupes de trois, vous allez préparer une émission de télévision sur la cuisine. Premièrement, choisissez une recette que vous aimeriez presenter: ça peut être une recette typique brésilienne, une recette de famille, une recette que vous avez créée, etc. Choisissez celui qui fera le rôle du présentateur et préparez la présentation ensemble. Como pudemos demonstrar, a partir do quadro teórico adotado, pudemos chegar a uma proposta de organização de currículos de ensino baseados em gêneros textuais, à seleção do gênero a ser utilizado no ensino de língua francesa, à produção de seu modelo didático e à elaboração de atividades para compor a sequência didática a partir do gênero textual escolhido. 4. Considerações finais Os resultados aqui explanados abordam uma questão atual: o uso de gêneros textuais no ensino de línguas estrangeiras. Essa prática aponta discussões que devem ser feitas e questões ainda não respondidas, e foi nesse campo, até então relativamente pouco explorado do uso de sequências didáticas para o ensino do francês como língua estrangeira5, que desenvolvemos nossa pesquisa, pretendendo contribuir em seu avanço. Nesse sentido, acreditamos que o fato de considerarmos as “atividades sociais” como princípio organizador, fio condutor de nosso programa, pode contribuir para a elaboração de material didático baseado em gêneros, sobretudo se pensarmos em sua adequação ao Quadro Comum Europeu de Referência para as Línguas. Nosso último resultado mostrado, a elaboração de atividades para compor a sequência didática, permitiu-nos concluir que “mais do que levar o estudante à maestria de um determinado gênero, a SD pode conduzi-lo à percepção e à apropriação de certos procedimentos (ou de certas operações de linguagem), indispensáveis 5 Consideramos, ao fazer tal afirmação, que há vários livros teóricos e didáticos publicados em português como língua materna, alguns livros teóricos e algumas sequências didáticas publicadas em inglês como língua estrangeira, e poucos livros teóricos e didáticos sobre o ensino do francês língua estrangeira por meio de gêneros textuais, no Brasil. Isso pode ser constatado a partir das referências bibliográficas citadas. à produção de qualquer gênero, o que pode contribuir para desenvolver sua capacidade de sozinho, apreender as dimensões constitutivas de um texto que devem ser observadas e analisadas quando se defrontar diante do desafio de produzir um texto pertencente a um gênero que não lhe foi formalmente ensinado” (MACHADO, 2009, p.120). Esperamos que, ao trabalharmos atividades de uma sequência didática em língua estrangeira sobre gêneros textuais virtuais orais – em especial as receitas em vídeo – os alunos tenham suas capacidades de linguagem desenvolvidas em língua francesa, estas ainda podendo ser transpostas para a produção de textos pertencentes a outros gêneros, ampliando a capacidade de comunicação do estudante. 5. Referências Bibliográficas ABREU-TARDELLI, Lília Santos. Elaboração de sequências didáticas: ensino e aprendizagem de gêneros em língua inglesa. In: DAMIANOVIC, Maria Cristina (Org.). Material Didático: Elaboração e Avaliação. 1ª edição. Taubaté: Editora Cabral, 2007. BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. 2ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 1997. BARROS, Eliana Merlin Deganutti de. O Gênero Textual como articulador entre o ensino da língua e a cultura midiática. In: NASCIMENTO, Elvira Lopes. (Org.). Gêneros Textuais: da didática das línguas aos objetos de ensino. 1ª edição, São Carlos: Claraluz, 2009. BRASIL. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais. (5ª a 8ª séries) Brasília: MEC/SEF, 1998. 10 volumes. BRONCKART, Jean-Paul. Atividade de Linguagem, Textos e Discurso: por um interacionismo sócio-discursivo. Trad. Anna Raquel Machado, Péricles Cunha. 1ª edição. São Paulo: EDUC, 2003. CONSEIL DE L’EUROPE. Cadre Européen Commun de Référence pour les Langues. Paris: Didier, 2001. CRISTOVÃO, Vera Lúcia Lopes. O gênero quarta-capa no ensino do inglês. In: DIONISIO, Angela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Orgs.). Gêneros textuais & Ensino. 4ª edição. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2002. DELL’ISOLA, Regina Lúcia Péret. Gêneros Textuais em livros didáticos de português língua estrangeira: o que falta? In: DIAS, Reinildes; CRISTOVAO, Vera Lucia Lopes (Orgs). O livro didátio de língua estrangeira: múltiplas perspectivas. 1ª Edição. Campinas: Mercado de Letras, 2009. FILLIETTAZ, Lauren. Une sémiologie de l'agir au service de l'analyse des textes procéduraux. Agir et discours em situation de travail, v. 103, p.147-185,2004. LIBERALI, Fernanda; LOUSADA, Elaine; ABREU, Lília; SHIMOURA, Aline. Interplus 2. São Paulo: Skill Aliança Inglesa, 2001. v. 2. 72 p. LOUSADA, Eliane Gouvêa. Elaboração de material didático para o ensino de Francês. In: DIONISIO, Angela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Orgs.). Gêneros textuais & Ensino. 4ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2002. LOUSADA, Eliane Gouvêa. Ensinar a língua estrangeira através de textos: a evolução da unidade mínima do corpus usado em livros didáticos de ESL – English as second language. Cláritas (PUCSP). São Paulo, v. 11, n. 1, p. 113 – 127, 2005. LOUSADA, Eliane Gouvêa. Produção Escrita em Francês como Segunda Língua: uma experiência baseada em gêneros textuais. In: Revista do GEL (Araraquara), v. 6, p. 160 174, 2009. LOUSADA, Eliane; ABREU-TARDELLI, Lília Santos. Por que ensinar resumos na escola. In: Revista Carta fundamental, no. 15, fev. 2010. P. 48-51. LOUSADA, Eliane Gouvêa; MACHADO, Anna Rachel. A apropriação de gêneros textuais pelo professor: em direção ao desenvolvimento pessoal e à evolução do “métier”. Linguagem em (Dis)curso, Palhoça, SC, v. 10, n. 3, p. 619-633, set./dez. 2010. MACHADO, Anna Rachel. Revisando o conceito de resumos. In: DIONÍSIO, MACHADO, BEZERRA. Gêneros textuais & Ensino. 4ª ediçao. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2002. MACHADO, Anna Rachel. Uma experiência de assessoria docente e de elaboração de material didático para o ensino de produção de textos na universidade. In: MACHADO, Anna Rachel; ABREU-TARDELLI, Lília Santos; CRISTÓVÃO, Vera Lúcia Lopes (Orgs.). Linguagem e Educação: O Ensino e Aprendizagem de Gêneros Textuais. 1ª edição. São Paulo: Mercado de Letras, 2009. MACHADO, Anna Rachel; CRISTÓVÃO, Vera Lúcia Lopes. A construção de modelos didáticos de gêneros: Aportes e questionamentos para o ensino de gêneros. In: MACHADO, Anna Rachel; ABREU-TARDELLI, Lília Santos; CRISTÓVÃO, Vera Lúcia Lopes (Orgs.). Linguagem e Educação: O Ensino e Aprendizagem de Gêneros Textuais. 1.ed. São Paulo: Mercado das Letras, 2009, p. 123-151. MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros Textuais: definição e funcionalidade. In: DIONISIO, Angela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (Orgs.). Gêneros textuais & Ensino. 4ª Edição. Rio de Janeiro: Editora Lucerna, 2002. NOUROUDINE, Abdallah. A linguagem: dispositivo revelador da complexidade do trabalho. In: SOUZA-E-SILVA, FAITA. Linguagem e trabalho: construção de objetos de análise no Brasil e na França. 1ª edição. Cortez, 2002. RODRIGUES, Roxane Helena. O artigo jornalístico e o ensino da produção escrita. In: ROXO, Roxane. (Org.) A Prática de Linguagem em Sala de aula: Praticando os PCNs. Campinas: Mercado de letras, 2000. SCHNEUWLY, Bernard. & DOLZ, Joaquim. Gêneros orais e escritos na escola. 1.ed. Campinas: Mercado das Letras, 2004. 6. Anexos Links dos textos pertencentes ao gênero textual “receitas em vídeo”coletados e aos quais foram aplicados o modelo de estudos de textos proposto por Bronckart (2003). • http://www.francechef.tv/recettehomard_breton_baby,_tomate,_gingembre_et_junsai.html • http://www.francechef.tv/recettecannelloni_chocolat,_croustillant_de_figues_a_la_vanille.html • http://www.cookshow.com/recette-video/poulet-a-la-citronnelle-1375 • http://www.cookshow.com/recette-video/lapin-au-miel-1387 • http://cuisine.journaldesfemmes.com/dessert/fontainebleau-aux-fruits-rouges/ • http://cuisine.journaldesfemmes.com/gratin-legume/tutoriel-pratique/les-rouleauxcroutillants-de-legumes/couverture.shtml